MACROECONOMIA: A macroeconomia busca a imagem que mostre o funcionamento da economia em seu conjunto.

Seu propósito é obter uma visão simplificada do funcionamento da economia que, porém, permita ao mesmo tempo conhecer e atuar sobre o nível da atividade econômica de um determinado país ou de um conjunto de países. A política macroeconômica, por sua vez, é integrada pelo conjunto de medidas governamentais destinadas a influir sobre a marcha da economia no seu conjunto. Os objetivos da política macroeconômica são: a inflação, o desemprego e o crescimento. Os agregados macroeconômicos: Produto Nacional Bruto (PNB) ou Renda Nacional (RN): Valor de todos os bens e serviços finais produzidos em um ano por uma economia, descontando-se todos os bens e serviços intermediários utilizados para produzi-los. Mede o funcionamento do conjunto da economia e é indispensável para analisar problemas, tais como inflação ou crescimento econômico. A origem do PNB ou RN está no fluxo circular da renda e pode ser medido por dois caminhos: • • mediante o gasto: de consumo que as famílias realizam com as empresas. Mediante a produção: as receitas ou rendas que as famílias recebem pelos fatores produtivos (trabalho, terra, capital) utilizados pelas empresas na produção. Essas remunerações, nas mãos das unidades familiares, irão novamente, em forma de gasto, para as empresas, fechando-se assim o círculo.

Ambos os caminhos são equivalentes e o resultado, o mesmo. O que se mede em ambos os casos é a renda que se criou em um país, pelos residentes, em determinado período de tempo (um ano). Pode-se conhecer desta forma, a Renda Nacional medindo-se o que gastam todos os consumidores de um país, ou tudo que as empresas produzem. O método mais direto para se medir o Produto Nacional de um país seria localizar todas as empresas que produziram algo durante o ano, calcular o valor do que foi produzido e somar as cifras de todas essas empresas. Este procedimento entretanto é inadequado uma vez que os produtos intermediários seriam considerados mais de uma vez nesta contagem. Gerando a chamada dupla contagem. Para evitar a dupla contagem, calcula-se o valor adicionado em cada etapa de produção. O valor adicionado é o valor do produto de uma empresa menos o custo dos produtos intermediários comprados de seus provedores externos.

Produto Nacional Bruto (PNB)

=

Gastos em consumo privado (C)

+

Gasto Público (G)

+

Investimento Bruto (Ib)

+

Exportações Líquidas (X-M)

Produto Nacional Líquido (PNL)

=

Gastos em consumo privado (C)

+

Gasto Público (G)

+

Investimento Líquido (Il)

+

Exportações Líquidas (X-M)

O PNL = PNB – depreciação ou amortização. Das duas medições do produto nacional, o PNL é a mais correta pois considera o desgaste dos equipamentos e a maquinaria produzida durante o ano. Entretanto, como a depreciação é
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difícil de ser estimada, na prática, opta-se pelo PNB, que só exige o cálculo do investimento bruto, sobre o qual se dispõe de informação confiável. Produto Interno Bruto (PIB): É o valor dos bens e serviços produzidos em uma economia durante um período de tempo determinado (um ano). Enquanto no cálculo do PNB se considera unicamente a produção feita por pessoas físicas ou jurídicas que gozam da condição de residentes do país, para se obter o PIB, somam-se as rendas obtidas pelos residentes estrangeiros no país (RRE) e subtrai-se as rendas que seus residentes obtêm no exterior (RRN). PIB = PNB + RRE – RRN O PIB pode ser calculado a preços de mercado ou a custo de fatores. A custo de fatores indica que a valoração efetuada do PNB é realizada sem a inclusão dos impostos indiretos (que não são suportados pelos produtores e transferidos para os consumidores) e adicionando-se-lhe as subvenções concedidas pelo Estado às empresas (subsídios). PIB c.f. = PNB c.f. + RRE – RRN Se ao valor do PIB c.f. é acrescentado o valor dos impostos indiretos, Ti, e é subtraído o valor dos subsídios, Sub, obtém-se o PIB a preços de mercado (PIB p.m.). PIB p.m. = PIB c.f. + Ti – Sub MOEDA: ORIGEM, FUNÇÕES E EVOLUÇÃO HISTÓRICA Moeda: dinheiro moedas metálicas depósitos bancários à vista série de ativos financeiros como ativo financeiro, comanda recursos. Mas, realiza transações... meio de troca valor legal para pagamento de todas as dívidas públicas e Todas as obrigações, por Lei, podem ser pagas com moeda  dificuldade do escambo: coincidência mútua de desejos / relações de troca (RT) RT = . n (n-1) . 2 Problema da determinação do preço na transação

Moeda legalmente aceita privadas.

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unidade de conta preços cotados em unidades monetárias; acaba a necessidade da coincidência mútua  Não necessita ser gasta imediatamente. Mantém seu valor, da mesma forma que os demais ativos financeiros,

reserva de valor valor físico mantido, armazenamento viável metais preciosos, moedas metálicas, papel-moeda Características: raridade (principais) durabilidade transferibilidade Funções: Intermediária de trocas: homogeneidade divisibilidade facilidade de manuseio fim do escambo operação economia monetária especialização – divisão social do trabalho menor tempo e esforço nas transações melhor planejamento bens e serviços

Medida de valor: unidade padronizada de medida de valor denominador comum de valor racionaliza a informação econômica constrói sistema agregados da Contabilidade Social (produção, investimento, consumo e poupança) Reserva de valor: alternativa de acumular riqueza liquidez por excelência

Função liberatória: liquida débitos salda dívidas poder garantido pelo Estado Padrão de Pagamentos: permite pagamentos ao longo do tempo permite crédito e adiantamento viabiliza fluxos de produção e renda instrumento de poder econômico conduz ao poder político permite manipulação na relação Estado-Sociedade

Instrumento de poder:

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Moeda fiduciária: lastro em metal precioso Moeda de curso forçado: sem lastro – emissão pelo Governo (Séc. XIX) Liquidez: como definidor/separador da moeda dos outros tipos de ativos financeiros. capacidade de conversão rápida em dinheiro sem perda de valor. Lei de Greshan: a moeda má tira a boa do mercado.

A evolução histórica da moeda no Brasil: Antes da Família Real: bimetalismo – (ouro e prata) Senhoriagem  cunhagem em Portugal Ouro, prata, cobre, conto de réis, mercadorias diversas, moedas variadas 1808: primeiro banco – Banco do Brasil: direito de emissão, moeda lastreada  fiduciária 1898 – 1929: mil-réis com lastro e garantia de conversão cruzeiro substitui o mil-réis ainda a referência da conversibilidade de 25%

1945: liberdade de emissão sem limitação de lastro 1961: SUMOC – responsável pela política monetária. Restrita à regulamentação e fiscalização do sistema bancário. Banco do Brasil: autoridade monetária e agente do Tesouro 1964: BACEN – emissão papel-moeda e moedas metálicas / execução dos serviços do meio circulante Banco do Brasil: co-responsável pela emissão até janeiro de 1986.

MERCADO DE CAPITAIS OS MERCADOS DO DINHEIRO:

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O dinheiro é gerido, intermediado, oferecido e procurado através de canais de comunicação que se entrelaçam na formação de sistemas. Os principais mercados onde esses sistemas funcionam são:

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RUDGE, Luiz Fernando; CAVALCANTE, Francisco. Mercado de capitais. 4 ed. Belo Horizonte: Comissão Nacional de Bolsas de Valores, 1998. 334p.
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a

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Segmentos: Monetário

Prazos: Curtíssimo, curto.

Fim: Controle da liquidez monetária da Economia, suprimentos momentâneos de Caixa. Financiamento do Consumo e Capital de Giro das Empresas. Financiamento de Capitais fixo, de giro e especiais (habitação). Conversão de valores, em moedas estrangeiras e nacional.

Tipo de Intermediação Bancário e nãobancário

Crédito

Curto, médio, aleatório.

Bancário e nãobancário Não-bancário

Capitais

Médio, longo, indeterminado. À vista, curto.

Câmbio

Bancário e auxiliar (Corretoras)

Mercado Monetário: Os mercados financeiros funcionam como sistema-meio, cabendo-lhes, em essência, aproximar a oferta final da demanda final, transferindo recursos, organizando fluxos. Esses sistemas-meio destinam-se a bancar, financiar, investir e administrar recursos, sendo todas essas atividades sinônimos de intermediar. Os sistemas-meio podem perder a sua função básica, e se transformar num fim em si mesmos: em situações de recessão econômica e elevação da taxa de juros, quando a aplicação financeira remunera o capital em melhores condições do que as atividades de produção, gerando a propensão para a liquidez entre os usuários do mercado.

Mercado de Crédito: Caracteriza-se por funcionar a partir de normas contratuais, que envolvem tomadores finais de crédito, doadores finais e intermediários do processo de concessão. As normas contratuais estabelecem: Valor da operação: Destino de uso dos recursos: Em moeda, ou em percentual sobre o valor do bem a financiar.. Crédito: industrial, rural, imobiliário, financiamento de capital (de risco, de giro), pessoal direto ao consumidor. Equivale ao custo de captação dos recursos cedidos, mais impostos e taxas, mais a remuneração do agente do crédito. Pode incidir custo de reciprocidade (saldo médio, operações de seguro, etc.).. Conceito varia em função da inflação: quanto mais alta, mais se reduzem os prazos. Reais: hipoteca de bens de raiz (imóveis, terrenos). Pignoratícias: é o próprio bem que garante o crédito, ou bens equivalentes dados em penhor
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Custo do crédito:

Prazo: Garantias oferecidas:

mercantil, alienação fiduciária e reserva de domínio. Fidejussórias: quem garante é a idoneidade do devedor e de outros parceiros do contrato, solidários com o devedor (avalista, fiador). Acessórias: seguro do bem adquirido. Forma de liquidação: De uma só vez, no vencimento do contrato Em parcelas mensais e consecutivas. Mercado de Capitais: Em tese, o mercado de capitais não difere muito do mercado de crédito. No mercado de capitais não se empresta dinheiro: compra-se uma participação no empreendimento. Muitos juristas, como Trajano de Miranda Valverde, consideram essa compra como uma forma de conceder crédito com características especiais, entre as quais a mais evidente é a sua nãoexigibilidade. As diferenças são, essencialmente, de ordem prática. Nas operações de crédito, uma vez satisfeitas as condições contratuais, criam-se obrigações dos tomadores em relação aos doadores dos recursos, as quais devem ser cumpridas segundo o manifestado no contrato. Já a compra de participações cria condições especiais: a empresa deve a seus sócios participantes apenas aquilo que sobrar, em caso de liquidação ou de redução do capital, depois de satisfeitas as obrigações com credores de qualquer outra natureza. Desta forma, a compra de participações pressupõe, desde logo, a noção de risco, já que todos os demais credores da empresa são preferenciais em relação aos acionistas. O que motiva os acionistas é a expectativa de lucro, restando evidente que a expectativa é de que o lucro seja maior do que a taxa de juros praticada no mercado de crédito. participação = lucro em busca de: lucro > juro de mercado (custo de oportunidade) A participação em empresas se dá através da compra de quinhões de capital, que se apresentam na legislação sob as formas de: quotas de participação, de responsabilidade limitada ações de companhias

Mercado de Câmbio: O mercado de câmbio não é apenas uma referência de valor da moeda brasileira em moeda forte, como o dólar. O mercado funciona continuamente para comprar, vender ou arbitrar determinada moeda. Nem todas as moedas têm liquidez nas operações de mercado cambial. Para tanto, elas devem ter status de moeda conversível, passando a pertencer a uma cesta de moedas com livre trânsito internacional. Atualmente, as moedas mais negociadas nos mercados de câmbio são: Dólar dos USA, Marco da Alemanha, Iene do Japão, Franco da Suíça, Franco da França, Libra esterlina da Grã-Bretanha, Ouro. As principais praças financeiras para operações (a vista, a termo, futuros e opções) com essas e outras moedas são: Nova York, Londres, Zurique, Paris, Tóquio, Hong Kong, além de Tel Aviv, Sydney e Chicago.
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O SISTEMA FINANCEIRO: Sistema financeiro é o conjunto de instituições e instrumentos financeiros que possibilita a transferência de recursos dos ofertadores finais para os tomadores finais, e cria condições para que os títulos e valores mobiliários tenham liquidez no mercado. Os tomadores finais de recursos são aqueles que se encontram em posição de déficit financeiro, isto é, aqueles que pretendem gastar (em consumo e/ou investimento) mais do que sua renda. Eles precisam do complemento de poupanças de outros para executar seus planos, dispondo-se a pagar juros pelo capital que conseguirem. Os ofertadores finais de recursos são aqueles que se encontram em posição de superávit financeiro, isto é, aqueles que pretendem gastar (em consumos e/ou investimento) menos do que sua renda.

O F E R T A D O R F I N A L

CAPITAL T O M A D O R F I N A L

SISTEMA FINANCEIRO

CAPITAL +JUROS

Tais denominações diferenciam essas entidades dos intermediários do sistema financeiro, que oferecem recursos dos ofertadores finais, e não o seu próprio superávit financeiro, e tomam recursos não para cobrir o seu próprio déficit financeiro, mas para repassá-los aos tomadores finais, para que cubram seus déficits.

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SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

Conselho Monetário Nacional

Banco Central do Brasil

CVM

Banco do Brasil

BNDES

Bolsas de Valores

Sistema Financ Habitação

Instituições Financeiras

Assoc. Poupança e Empréstimo

Sociedades de Crédito Imobiliário

Bancos Múltiplos

Bancos de Desenvolvi mento

Bancos Comerciais

Sociedades Crédito, Finan Invest

Bancos de Investimen to

Sociedades Distribuido ras

Sociedades Corretoras

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DEMANDA E OFERTA DE MOEDA: Os motivos da demanda de moeda: Além dos motivos transação e precaução apontados pelos clássicos, Keynes associa à demanda de moda, a especulação. Assim, a demanda de moeda é influenciada por três motivos principais: 01. Transação: subdividido por Keynes em motivos-renda e giro de negócios. O motivo-renda é a necessidade de se conservar recursos líquidos para garantir a transição entre os recebimentos e os desembolsos. Depende do montante da renda regularmente recebida e da duração normal do intervalo entre o seu recebimento e os gastos. O giro de negócios se refere à necessidade específica das empresas de reter moeda para fazer face aos pagamentos que se efetuam no intervalo entre as compras de insumos e remunerações de fatores e as entradas de caixa resultantes das vendas. Depende sobretudo do montante da produção corrente e do número de mãos através das quais ela passa. 02. Precaução: decorre da necessidade em relação às despesas extraordinárias e incertas. Depende, segundo Keynes, do custo e da segurança dos métodos para obter moeda em caso de necessidades imprevistas, por meio de alguma forma de empréstimo temporário. A exigência da precaução decore, em princípio, das dificuldades inerentes à obtenção de moeda nos momentos em que, imprevistamente, esta se torna imprescindível. 03. Especulação: especificamente Keynesiano, considera que não é irracional manter ativos monetários para satisfazer a oportunidades especulativas, desde que os agentes econômicos tenham razões para acreditar em mudanças a seu favor no preço dos títulos e, portanto, na taxa de juros. Está diretamente relacionado às expectativas sobre mudanças na taxa de juros. Sob uma expectativa generalizada de alta na taxa de juros ou de uma queda equivalente no preço dos títulos, no futuro, a retenção de saldos monetários para fins especulativos tende a se elevar; caso contrário, a retenção de moeda devida a esse motivo tende a diminuir. A oferta: efeito multiplicador, as operações do Bacen e a base monetária A quantidade de dinheiro ou oferta monetária é igual à soma do efetivo nas mãos do público (dinheiro e moedas) mais os depósitos, e pode ser representada pela letra M. M1 = Dinheiro + depósitos à vista + cheques viagem + outros depósitos M2 = M1 + aplicações overnight + fundos monetários (PF’s) + contas de depósito no mercado monetário + depósitos de poupança + depósitos a prazo de menor valor M3 = M2 + fundos monetários (PJ’s) + depósitos a prazo de grande valor + acordos de recompra + eurodólares M4 = M3 + títulos de poupança + títulos do Tesouro em curto prazo + aceites bancários + títulos da dívida de curto prazo + outros ativos líquidos Os três tipos de operações mais comuns usados pelas autoridades monetárias para alterar o estoque da base monetária são as operações de open market, operações de redesconto e operações de câmbio.

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Open market: São as transações dos bancos centrais de compra e venda de títulos no mercado aberto. A compra de instrumentos financeiros pelo banco central, no seu papel de autoridade monetária, resulta em aumento da base monetária em poder do público. O motivo deve ficar claro: o banco compra os ativos com moeda, que então é colocada em circulação. Entretanto, uma venda de títulos feita pelo banco gera redução na base monetária. Janela de redesconto: O banco central também pode influir na oferta monetária através de empréstimos ao setor privado. Em algumas nações, concede empréstimos diretamente a bancos privados e a empresas não-financeiras. O mais usual é o empréstimo aos bancos privados. A taxa de juros utilizada é conhecida como taxa de redesconto. Os bancos privados usam esta opção de crédito para dois propósitos diferentes: (1) ajustar suas reservas de dinheiro para o caso de ficarem abaixo do nível desejado ou exigido pelas regulamentações do banco central, e; (2) obter fundos que o banco possa emprestar aos clientes se as condições de mercado forem favoráveis. Operações de câmbio: O banco central também influencia a oferta monetária quando compra e vende ativos denominados em moeda estrangeira. No caso mais simples, o banco central compra ou vende moeda estrangeira em troca da moeda nacional. Em outros casos, o banco central compra ou vende um ativo remunerado em moeda estrangeira, normalmente um título do Tesouro de outra nação. Assim como nas operações de open market, essas transações têm efeito direto sobre a quantidade de moeda de alto poder de expansão na economia. O sistema de câmbio pode ser fixo ou flutuante. No sistema de câmbio fixo, o banco central se compromete a comprar e a vender moeda estrangeira a um determinado preço em moeda nacional. No flutuante o banco central pode ou não intervir no mercado. Em uma flutuação limpa, o banco central não intervém no mercado de câmbio. Ele se abstém totalmente das operações com moeda estrangeira. Neste caso o banco central não estabiliza o preço da moeda estrangeira comprando e vendendo a uma cotação fixa; a taxa de câmbio flutua no tempo. No mundo real entretanto, mesmo com moedas flutuantes, os bancos centrais em geral atuam nas operações de câmbio para nivelar as flutuações. Este é o chamado sistema de flutuação suja. Efeito multiplicador da moeda: Existe uma diferença entre a base monetária e a oferta monetária, causada pela capacidade que a moeda escritural possui em ampliar esta oferta monetária. Um determinado estoque de moeda (base monetária) dá origem a um valor muito maior de M1 (moeda em circulação) por causa da forma como os bancos criam moeda. É o chamado efeito multiplicador. Toda vez que um banco recebe um depósito em dinheiro, ele mantém uma pequena reserva e empresta o restante. Se este processo se repetir em todos os bancos, considerando que as pessoas tendem a depositar suas reservas, o volume de dinheiro ofertado vai superar em muito a base monetária. Exemplo 01: para uma base monetária de $100, as pessoas ficam dom 20% em seu poder e depositam o restante. Os bancos resolvem emprestar todo este restante. O resultado seria o seguinte:

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Rodada Primeira Segunda Terceira Quarta Quinta Acumulado

BM 100

OM 100 80 64 51 41 100 336

D$ (20%) 20 16 13 10 8

DV 80 64 51 41 33

Encaixe 0 0 0 0 0

EMP$ 80 64 51 41 33

Onde: BM = base monetária OM = oferta monetária D$ = dinheiro mantido pela população em seu poder DV = depósito à vista Encaixe = percentual definido pelo bacen EMP$ = dinheiro em poder dos bancos, descontado o encaixe e que é emprestado ∆BM = variação da oferta monetária

De modo a evitar que a oferta monetária supere em muito a base monetária, o bacen define um encaixe de 30% para os bancos, evitando assim o excesso de moda na economia e seus efeitos negativos, entre eles, a inflação. Rodada Primeira Segunda Terceira Quarta Quinta Acumulado 100 BM 100 OM 100 56 32 18 11 217 D$ (20%) 20 11 6 3 2 DV 80 45 26 15 9 Encaixe 24 13 8 4 3 EMP$ 56 32 18 11 6

Onde: BM = base monetária OM = oferta monetária D$ = dinheiro mantido pela população em seu poder DV = depósito à vista Encaixe = percentual definido pelo bacen – no exemplo, 30% do DV EMP$ = dinheiro em poder dos bancos, descontado o encaixe e que é emprestado ∆BM = variação da oferta monetária

INFLAÇÃO: “Ter uma pequena inflação é como ter uma pequena gravidez – ela rapidamente deixa de ser pequena”. Inflação consiste no crescimento contínuo e generalizado dos preços dos bens e serviços ao longo do tempo. Na visão ortodoxa: Pode se apresentar em função das seguintes causas possíveis: excesso generalizado da demanda por moeda; aumento do estoque nominal de moeda ou renda nominal; aumento do nível de preços; queda no valor externo da moeda nacional;
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resultante da concorrência para elevar a renda ou o dispêndio ou produção a um nível fisicamente impossível. Na visão monetarista: Inflação como fenômeno de impressora: excesso de emissão de moeda. Causas: rápido crescimento das despesas do Governo financiadas via venda de títulos da dívida pública; adoção de objetivos indevidamente ambiciosos de pleno emprego gerando elevação do dispêndio com elevação dos impostos e elevação do endividamento e conseqüente financiamento do déficit via emissão; política errada do BACEN que ao invés de controlar a quantidade de moeda, controla a taxa de juros, deixando que a oferta monetária seja determinada pelos agentes econômicos. Na visão heterodoxa: causas básicas/estruturais: insuficiência da oferta para atender à demanda; causas circunstanciais: decorrentes de choques exógenos; causas cumulativas: indução pela própria inflação. A propagação da inflação se dando por conflito de interesses: luta pela redistribuição de renda, luta pela redistribuição de recursos entre os setores público e privado. Na visão de Mário Henrique Simonsen: Inflação com componente autônomo: independe da inflação anterior. Inflação com componente de realimentação: proveniente da inflação anterior. Fatores de ordem institucional: salários, câmbio, impostos. Fatores de natureza acidental: elevação dos preços por quebra de safra por exemplo. Inflação com componente de regulagem pela demanda: elevação dos preços como resultado da intensidade da demanda. DÍVIDAS INTERNA E EXTERNA: Dívida interna: Corresponde ao total dos débitos assumidos pelo governo junto às pessoas físicas e jurídicas residentes no próprio país. Sempre que as despesas do governo superam a receita, há necessidade de dinheiro para cobrir o déficit. Para isso, as autoridades econômicas podem optar por três soluções: emissão de papel-moeda, aumento da carga tributária e lançamento de títulos. A emissão de papel-moeda nem sempre é inflacionária, mas, em muitos países, há necessidade de autorização do legislativo. O aumento da carga tributária, além de ser uma medida politicamente antipática, pode trazer conseqüências recessivas, pela diminuição do meio circulante. Finalmente, a colocação de títulos junto ao público pode gerar altas violentas nas taxas de juros, o que provocaria um aumento da própria dívida interna (agora acrescida dos juros). Dessa forma, dependendo do nível do déficit, podem ser combinadas as três soluções, com maior ou menor ênfase em cada uma das alternativas, de tal maneira que sejam evitados os males de cada uma delas.

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Dívida externa: Somatório dos débitos de um país, garantidos por seu governo, resultantes de empréstimos e financiamentos contraídos com residentes no exterior. Os débitos podem ter origem no próprio governo, em empresas estatais e em empresas privadas. Neste último caso, isso ocorre com aval do governo para o fornecimento das divisas que servirão às amortizações e ao pagamento dos juros. Os residentes no exterior que fornecem os empréstimos e financiamentos podem ser governos, entidades financeiras internacionais, como o FMI ou o Banco Mundial, bancos e empresas privadas. Os empréstimos são geralmente realizados em moeda estrangeira, desvinculados de programas e projetos de investimento específicos, ao contrário dos financiamentos que na maior proporção de seu montante requerem a aprovação de um projeto para serem liberados. A dívida externa registra apenas aqueles empréstimos e financiamentos cujo prazo de vencimento seja superior a um ano. POLÍTICA ECONÔMICA: A política econômica é integrada pelo conjunto de medidas governamentais destinadas a influir sobre a marcha da economia no seu conjunto. Os objetivos da política econômica são: redução da inflação e do desemprego, o crescimento e o desenvolvimento. A inflação, quando se preocupa com suas causas e os custos para a sociedade com o crescimento do nível geral de preços, bem como das possíveis soluções e conseqüências das políticas a serem adotadas. O desemprego, quando ocupa-se do motivo pelo qual o mercado de trabalho, às vezes apresenta porcentagens muito elevadas de desemprego e estuda as possíveis medidas a serem tomadas para tentar reduzi-lo, uma vez que,além dos custos pessoais sobre os indivíduos afetados, o desemprego supõe um desperdício de recursos. O crescimento, quando estuda as causas da produção. Numa economia em crescimento, criam-se novos empregos e condições para se alcançar ou melhorar o bem-estar para os indivíduos que dela fazem parte. Além destes três grandes objetivos, as autoridades econômicas também concentram atenções ao orçamento público e às contas com o mercado externo. Aqui, em especial as questões relacionadas ao déficit público e ao saldo da balança comercial. As discordâncias entre os economistas se aguçam nas discussões sobre a política econômica. Alguns economistas, como William McChesney Martin, encaram a economia como sendo inerentemente instável. Consideram que a economia experimenta freqüentes choques de demanda e de oferta agregadas. A menos que os formuladores das políticas públicas utilizem instrumentos monetários e fiscais para estabilizar a economia, esses choques provocam flutuações desnecessárias e ineficientes no produto, no emprego e na inflação. De acordo com o dito popular, a política econômica deveria “remar contra a maré”, estimulando a economia quando esta se encontra em depressão e acalmando-a quando está superaquecida. Outros economistas, como Milton Friedman, consideram que a economia é estável por natureza. Culpam as más políticas econômicas pelas grandes e ineficientes flutuações que ocorrem de tempos em tempos. Argumentam que a política econômica não deveria tentar buscar uma “sintonia fina”. Em lugar disso, os formuladores de políticas econômicas deveriam reconhecer suas limitações e darem-se por satisfeitos quando não atrapalham. Os dois grandes conjuntos de instrumentos que os governantes utilizarão na formulação de suas políticas econômicas serão a Política Monetária e a Política Fiscal. A questão fundamental diz respeito a como os formuladores da política econômica devem trabalhar: as políticas monetária e fiscal devem desempenhar um papel ativo na tentativa de estabilizar a economia, ou devem, pelo contrário, ser passivas? Os formuladores de políticas
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públicas devem ter liberdade para responder às mudanças nas condições econômicas, ou devem seguir uma regra fixa de política econômica? A defasagem na implementação e nos efeitos das políticas: A estabilização da economia seria uma tarefa fácil se os efeitos das políticas fossem imediatos. No entanto, a condução da política econômica assemelha-se mais a guiar um grande navio do que dirigir um carro. Manobrar um navio é mais difícil porque ele muda de direção bem depois do piloto ajustar o leme. E uma vez que o navio começa a mudar de direção, ele segue mudando bem depois que o leme retornou à posição normal. Na política econômica é o que denominamos problema das longas defasagens. E a dificuldade aumenta pois fica difícil prever a duração das defasagens. Podem ser distinguidos dois tipos de defasagem: A defasagem interna, que é o intervalo que transcorre entre o choque econômico e a ação da política em resposta a esse choque e ocorre em função da demora no reconhecimento do choque e na implementação das medidas corretivas. A defasagem externa é o intervalo entre a implementação das medidas e sua repercussão sobre a economia: surge porque as políticas não exercem um impacto imediato sobre a despesa, a renda e o emprego. A política fiscal possui grande defasagem interna pois as alterações nas despesas públicas ou nos impostos exigem em geral, aprovação do Congresso e Presidência. A política monetária possui grande defasagem externa pois sendo feita sobretudo via taxa de juros, influenciará o nível dos investimentos. Antes de entrarmos especificamente na conceituação e tratamento das políticas fiscal e monetária, vamos apresentar as principais funções do setor público.

PRINCIPAIS FUNÇÕES DO SETOR PÚBLICO Tipo Fiscal Reguladora Objetivos e atribuições Estabelecer e cobrar impostos Regular a atividade econômica mediante leis e disposições administrativas. Assim, é freqüente estabelecer controle de preços a algumas indústrias, regular os monopólios e proteger os consumidores em relação à publicidade, saúde, contaminação, etc. Mediante as empresas públicas, isto é, as empresas de propriedade do Estado, facilitar o acesso a bens e serviços públicos (defesa, transporte, educação), produzir bens de consumo ou produção (automóveis, água, energia). Assim o Estado pode pagar pensões e seguros sociais e promover o investimento em setores atrasados. Modificar a distribuição da renda ou da riqueza entre as pessoas, regiões ou grupos, procurando tornar mais igualitária. Para isso, utiliza normas (por exemplo, leis de salário mínimo) e também receitas e gastos públicos. Controlar os grandes agregados econômicos, evitando excessivas flutuações e procurando diminuir os efeitos das quedas da atividade produtiva.

Provedora de bens e serviços

Redistributiva

Estabilizadora

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A Política Fiscal e seus instrumentos A política fiscal se constitui no conjunto de medidas específicas adotadas pelo setor público para intervir na economia no sentido do estímulo ou não da atividade econômica. Os dois grandes instrumentos que o setor público utilizará na política fiscal são: o gasto público e os impostos. E esta atuação do setor público estará referenciada no orçamento, que é uma descrição de seus planos de gasto e financiamento. Os impostos são as receitas públicas criadas por lei e de cumprimento obrigatório para os sujeitos contemplados por ela. Política fiscal restritiva: redução do gasto público ou aumento dos impostos. Política fiscal expansiva: aumento do gasto público ou redução dos impostos. Políticas fiscais discricionárias: exigem a tomada de medidas explícitas. As mais significativas são: 1. os programas de obras públicas e outros gastos (com objetivo fundamental de dar trabalho aos desempregados e por isso, de escassa utilidade pública); 2. os projetos públicos de empregos (com o objetivo de contratar trabalhadores em períodos curtos de tempo, de importância secundária); 3. os programas de transferências (ex. frentes de trabalho do NE); e 4. a alteração dos impostos (política anticíclica que, quando se modificam os impostos, sua redução difunde-se rapidamente sobre toda a população, estimulando o gasto).

TIPOS DE POLÍTICA FISCAL: Política fiscal expansiva:

↓ impostos ↑ gasto público

↑ consumo privado ↑ demanda agregada ↑ produção e emprego

Política fiscal restritiva:

↑ impostos ↓ gasto público

↓ consumo privado ↓ demanda agregada ↓ produção e emprego

Na atualidade, em função das possibilidades e limitações da política fiscal sobretudo em relação ao seu caráter discricionário, a mesma tem tido papel secundário nas políticas econômicas estabilizadoras, destacando-se assim, a política monetária.

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DIFERENTES ENFOQUES PARA A POLÍTICA FISCAL ENFOQUE CLÁSSICO OU MONETARISTA ENFOQUE KEYNESIANO

Suposições iniciais • As economias têm mecanismos • autocorretores que eliminam os desajustes e tornam desnecessária a intervenção estabilizador estatal. As economias tendem, em longo prazo, a • manter o pleno emprego dos recursos produtivos. Tal como evidenciou a crise de 1929, não existe um mecanismo automático que leve a economia ao pleno emprego dos recursos. Os preços e os salários não são flexíveis como defendíamos clássicos. A rigidez à baixa do salários, especialmente, dificulta os ajustes. O papel do setor público Diante de uma recessão motivada por uma se manter demanda agregada insuficiente, o setor público deve intervir, manipulando os gastos e os impostos. O orçamento deve se equilibra ciclicamente. Durante as recessões, pode-se incorrer em déficits temporais.

Limitar o gasto público O orçamento público equilibrado anualmente.

deve

Política Monetária e seus instrumentos A política monetária se constitui no conjunto de medidas econômicas que especificamente o Banco Central utiliza e que são orientadas para o controle da quantidade de dinheiro ou das condições de crédito na economia. São instrumentos costumeiramente utilizados pela política monetária, os instrumentos de controle da oferta de moeda: operações de open market, compulsório, redesconto e câmbio. Política monetária restritiva: medidas que tendem a reduzir a quantidade de dinheiro e a elevar as taxas de juros. Política monetária expansiva: medidas que tendem a acelerar o crescimento da quantidade de dinheiro e a reduzir as taxas de juros. CRESCIMENTO, DESENVOLVIMENTO E SUBDESENVLVIMENTO: CONCEITOS, PARÂMETROS DE MEDIÇÃO E INDICADORES Desenvolvimento econômico – destaque somente no Séc. XX. Até então, preocupação girava em torno do aumento do poder econômico e militar. Raramente com condições de vida.

No Feudalismo: segurança do povo com subsistência do Senhor Feudal.

Origens Teóricas: Estado Nacional moderno do Séc. XV – pacto colonial contemporâneo. origem do subdesenvolvimento

Foco: fluxo de metais preciosos, sinônimo da riqueza nacional. Balança Comercial sempre favorável.
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Fisiocratas e Clássicos Adam Smith:

foco no crescimento e na distribuição.

crescimento econômico  causas da riqueza nacional, crescimento dos mercados e produção em escala aumentando a renda e o emprego. desenvolvimento  aumento da proporção dos trabalhadores produtivos em relação aos improdutivos, redução do desemprego e elevação da renda média do conjunto da população. No longo prazo, há redistribuição de renda entre capital, terra e trabalho. Shumpeter: crescimento  economia funciona em um sistema de fluxo circular de equilíbrio, cujas variáveis econômicas aumentam apenas em função da expansão demográfica. Desenvolvimento  quando ocorrem inovações tecnológicas com investidores e crédito bancário. O processo produtivo sai da rotina e o lucro torna-se extraordinário.

Origens nas Crises: Períodos de concentração de renda, aumento da distância entre ricos e pobres desenvolvimento vinculado à questão da distribuição. conceito de

Nos surtos, o produto cresce, beneficiando a todos; nas crises, ele se contrai, prejudicando sobretudo os assalariados e pequenos empresas.

estabilidade e crescimento como condições necessárias. 1930 em diante: conceito da renda per capita países ricos e países pobres países caracterizados agora como subdesenvolvidos Subdesenvolvimento: crescimento econômico insuficiente e instável, alto grau de analfabetismo, elevadas taxas de natalidade e mortalidade infantil, predominância da agricultura como atividade principal, insuficiência de capital e alguns recursos naturais, mercado interno pequeno, baixa produtividade, instabilidade política, etc. A macroeconomia keynesiana, adotada mundialmente após a 2a Guerra, se tornou inadequada para explicar o desenvolvimento pela sua característica de longo prazo. É necessária a busca de novas explicações: Subdesenvolvimento derivando do próprio desenvolvimento na fase do capitalismo oligopolista; Imperialismo (teoria da dependência): vínculos coloniais impedindo o desenvolvimento, via intensificação através da troca desigual e aumento dos fluxos internacionais de capitais. Reforçados periodicamente pelas alianças entre o capital internacional e as classes dominantes internas que buscavam a manutenção do poder e status quo. 1940 – 1950: escassez de capital causa fundamental do subdesenvolvimento Chega-se à conclusão de que: (i) o incremento da taxa de poupança interna; (ii) o afluxo de capitais externos e; (iii) a expansão das exportações; são necessários ao desenvolvimento. América Latina: CEPAL – crítica à doutrina das vantagens comparativas de David Ricardo que fundamentava economicamente a dominação política e prolongava o estado de subdesenvolvimento dos países pobres. CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina: órgão regional das Nações Unidas, ligado ao Conselho Econômico e Social; foi criado em 1948 com o objetivo de elaborar estudos e alternativas para o desenvolvimento dos países latino-americanos.
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Capacidade de poupança

Competências locais
CRESCIMENTO ECONÔMICO

CRESCIMENTO DO CAPITAL HUMANO

DESENVOLVIMENTO (articulação)

USO DO CAPITAL NATURAL CRESCIMENTO DO CAPITAL SOCIAL

Uso sustentável

MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DAS PESSOAS DE HOJE E DE AMANHÃ

Os primeiros estudos da CEPAL caracterizaram a América Latina como região fornecedora de produtos primários e consumidora de produtos industrializados vindos do exterior. A Equipe da CEPAL defendeu a necessidade de promoção da industrialização da AL e a diversificação geral de sua estrutura produtiva. Nesse sentido, propuseram medidas para uma melhor distribuição da renda, reorganização administrativa e fiscal, planejamento econômico, reforma agrária e formas de colaboração entre os países para superar as deficiências concorrenciais no mercado internacional (o que contribuiu para a criação da ALALC – Associação LatinoNoções de Economia – Prof. Aloysio A. Rocha Vieira, MBA – aloysiovieira@yahoo.com.br 61/72

Americana de Livre Comércio). Além disso a CEPAL elaborou programas educacionais e de saúde pública, energia e transporte. As formulações que celebrizaram a escola da CEPAL têm sido criticadas como incorretas por tentarem repetir, num quadro histórico e econômico bastante diverso, os caminhos percorridos pelas nações industrializadas no século XIX.S Conclusões conceituais: Crescimento é condição indispensável para o desenvolvimento mas não é condição suficiente. Os frutos da expansão da atividade econômica (crescimento) nem sempre beneficiam a economia como um todo e o conjunto da população. Mesmo com crescimento, alguns indicadores podem evidenciar efeitos negativos tais como: desemprego, baixos salários, exportação de renda, etc. Crescimento econômico como simples variação quantitativa do produto. Desenvolvimento envolvendo mudanças qualitativas no modo de vida das pessoas, instituições e estruturas produtivas. Modernização econômica com melhoria do nível de vida do conjunto da população.

SUSTENTABILIDADE: SATISFAZER AS NECESSIDADES PERSPECTIVAS FUTURAS Indicadores de desenvolvimento econômico: Indicador: Taxa média de crescimento anual da renda per capita Crescimento médio anual do investimento bruto Elevação da expectativa de vida Analfabetismo adulto Taxa de mortalidade infantil por 1.000 habitantes
Fonte: Banco Mundial

SEM

DIMINUIR

AS

Período: 1980/1993 1980/1993 1988/1993 1985/1990 1970-1993

Países Pobres: Países de Renda Média: 3,7% 6,1% De 60 p/ 62a De 44% p/ 41% De 108 p/ 64 0,2% 1,3% De 66 p/ 68a De 26% p/ 17% De 74 p/ 39

Países Ricos: 2,2% 3,4% De 76 p/ 77a De 24% p/ 14% De 19 p/ 7

Meados de 1993: 1.431,7 milhões de pessoas (1/5 da população mundial) possuía renda per capita de US$300 anuais ou menos (US$ 1,00/dia). A renda per capita, apesar de importante, camufla a distribuição de renda, não refletindo o nível de bem-estar da população de baixa renda, que pode ser bastante numerosa. Economias com concentração de renda tendem a ter altas rendas per capita.

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Organização e empoderamento

Exemplo: PNB per capita de alguns países no ano de 1993 País: Kuwait Reino Unido Finlândia Austrália Brasil PNP per capita US$: 19.360 18.060 19.300 17.500 2.930 País: México Uruguai Gabão Eslovênia PNP per capita US$: 3.610 3.830 4.960 6.490

O crescimento da renda como indicador de desenvolvimento tem correlações positivas com outros indicadores sociais e de produção, assim como os demais indicadores básicos de desenvolvimento. A correlação é a cada dia, mais útil na análise e acompanhamento do desenvolvimento das diferentes economias. Vejamos alguns exemplos de indicadores básicos (PNB per capita, expectativa de vida ao nascer e os índices de analfabetismo), indicadores de produção e indicadores sociais que podem ser correlacionados na análise do desenvolvimento mundial: PNB per capita (US$); Taxa média de crescimento anual do PNB per capita (%); Expectativa de vida ao nascer (anos de vida); Analfabetismo entre adultos (%); Analfabetismo entre mulheres (%); Taxa média de crescimento anual do PNB (%); Taxa média de crescimento anual da agricultura (%); Taxa média de crescimento anual da indústria (%); Consumo de fertilizantes (centenas de gramas por ha de terra arável); Taxa média de crescimento anual da produção de alimentos per capita (%); Consumo de energia per capita (kg equivalente de petróleo); Índice da produção bruta por empregado (ano base = 100); Taxa de crescimento anual do investimento interno bruto (%); Taxa média de crescimento anual das exportações (%); Aumento médio anual da população (%); Taxa bruta de natalidade (por 1000 habitantes); Taxa bruta de mortalidade (por 1000 habitantes); População por médico; Taxa de mortalidade infantil (por 1000 nativivos); Consumo diário de calorias per capita; Coeficiente alunos/professores de 1 Grau. Alguns exemplos de correlação: Crescimento do PNB per capita favorecido pelo crescimento demográfico lento.
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o

Elevação do nível de renda associado à melhor alimentação e ao desenvolvimento da medicina, elevando a expectativa de vida ao nascer. Correlação inversa do analfabetismo entre adultos e os níveis de renda. O índice de analfabetismo entre as mulheres refletindo na taxa de mortalidade infantil. Elevação do número de técnicos da área de saúde e a elevação da expectativa de vida ao nascer. Expansão demográfica e subdesenvolvimento: número de alunos por professor na escola de primeiro grau. Expansão demográfica e redução da taxa de mortalidade. Crescimento demográfico e taxa média de crescimento da produção de alimentos per capita. IDH: índice de desenvolvimento humano, calculado pela ONU e que emprega a correlação entre os seguintes indicadores: expectativa de vida ao nascer, taxa de alfabetização, renda per capita. Quanto maior a taxa de crescimento demográfico e a população resultante, maiores serão as dificuldades para melhorar os indicadores de desenvolvimento. ECONOMIA INTERNACIONAL: Relações de comércio internacional: teoria das vantagens comparativas sobre o comércio internacional: A proposição de David Ricardo de que as vantagens comparativas são a causa última dos ganhos do comércio é uma idéia poderosa que sobreviveu a todo o debate acadêmico até os dias de hoje. A teoria ricardiana de vantagens comparativas pode ser resumida na seguinte proposição: o comércio bilateral é sempre mais vantajoso que a autarquia para duas economias cujas estruturas de produção não sejam similares. Isto é, se duas economias, produzindo cada uma dois produtos, por exemplo vinho e tecidos, empregarem na produção desses produtos uma quantidade de trabalho Lv e Lt, no país S, e Lv* e Lt*, no país N, é necessário e suficiente que Lv/Lt # Lv*/Lt* para que o comércio entre eles seja possível. O modelo ricardiano de comércio internacional implica, portanto, a especialização de cada país na exportação do produto do qual tem vantagens comparativas. Quaisquer dois países, dentro desta concepção, lucrarão no comércio bilateral, a não ser na circunstância altamente improvável de que a estrutura de custos relativos desses países fosse idêntica. A atenção às premissas do modelo ricardiano porém, nos permite compreender a limitação da aplicação de sua teoria. 1. O modelo ricardiano pressupõe o comércio de dois países, com dois produtos. Premissa facilmente descartável. 2. Só existe um fator de produção, o trabalho, e que este é perfeitamente móvel no interior de um país, e imóvel internacionalmente. 3. Existem diferentes tecnologias em diferentes países. Na verdade, o uso de diferentes tecnologias é uma explicação possível para diferentes estruturas de preços relativos em diferentes países. 4. A balança comercial estará sempre equilibrada e o custo dos transportes é igual a zero. 5. Existem rendimentos constantes de escala. O conceito de vantagens comparativas é uma dessas idéias econômicas que ultrapassam em muito o limite do debate acadêmico, com freqüência levando a uma confusão entre a teoria e a
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doutrina, isto é, entre um modelo explicativo de como o mundo funciona, e uma recomendação de como o mundo deveria funcionar. Nosso desafio é, portanto, compreender o significado desse conceito no momento em que foi formulado, e ainda compreender suas limitações para aplicação ao mundo real. BALANÇO DE PAGAMENTOS: O Balanço de Pagamentos (BP) é um documento contábil que registra sistematicamente as transações de um país com o resto do mundo, durante um período de tempo. Ele fornece informações detalhadas sobre todas as transações econômicas do Brasil com o resto do mundo, sejam de bens, serviços ou transações financeiras. As transações registradas pelo BP agrupam-se em duas grandes categorias que são: o balanço de transações correntes e o balanço de capital.

ESTRUTURA DO BALANÇO DE PAGAMENTOS Balanço Comercial Importações Exportações Fretes Transações correntes Seguros Balanço de Serviços Viagens Internacionais Rendas de Capitais (juros, serviços da dívida, remessa de lucros). Balanço de transferências Transações de capital Transferências privadas e públicas Investimentos diretos (multinacionais) externos

Empréstimos e amortizações Quando um país registra um déficit no balanço de transações correntes, ele tem duas opções: pedir empréstimos ao exterior ou vender ativos, isto é, propriedades imobiliárias, propriedades diretas de empresas, ações, etc., a estrangeiros. A conta renda de capitais, com destaque para a conta juros, é hoje a grande responsável pelo déficit do BP brasileiro. Quando o BP apresenta um déficit, o BACEN reduz suas reservas de divisas e quando o BP apresenta superávit, o movimento é contrário. Fundo Monetário Internacional – FMI: Ao fim da Segunda Guerra Mundial, o grande desafio a ser enfrentado pelos países ocidentais vencedores era a construção simultânea de uma paz duradoura e de um novo modelo de sociedade capitalista. Esperava-se que essa nova institucionalidade não produzisse uma instabilidade política e econômica que levasse ao avanço do socialismo, então enormemente fortalecido. Para alcançar esses objetivos era preciso construir uma ordem econômica internacional que estabelecesse regras sob as quais as forças de mercado pudessem atuar,
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permitindo a previsibilidade das estratégias de investimentos empresariais. Por outro lado, era necessário estabelecer salvaguardas para evitar que os países europeus mais afetados pela guerra pudessem ser levados a crises ou à estagnação econômica que colocariam em risco a estabilidade dos países de influência ocidental. As experiências desastrosas de desvalorização competitiva e das políticas protecionistas do período entre guerras geraram uma profunda convicção entre os economistas britânicos e norte-americanos de que taxas de câmbio fixas eram fundamentais para a estabilidade dessa nova ordem liberal. Apesar da existência de profundas divergências quanto às bases do novo sistema financeiro internacional, isto é, se este deveria ter como pilar uma moeda escritural administrada supranacionalmente ou fundar-se na principal moeda da época (o dólar), havia consenso quanto à necessidade de criar-se um fundo de estabilização, gerido por uma agência supranacional, que fizesse face às crises temporárias de balanço de pagamentos. Este fundo abria um mecanismo de curto prazo para países que, sem esse suporte, só teriam como alternativa as condenadas políticas de desvalorização cambial ou protecionismo alfandegário. O FMI – Fundo Monetário Internacional foi criado neste contexto para viabilizar um sistema multilateral de comércio e pagamentos que fosse compatível com elevados níveis de emprego e renda, e, ainda, impedisse as práticas de depreciação competitivas que tinham gerado tanta instabilidade no período entre guerras. O Banco Mundial, como passou a ser conhecido o BIRD (Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento), teria por função contribuir para a reconstrução da economia dos países destruídos pela guerra, incentivando os países beneficiários a desenvolverem políticas de crescimento de longo prazo. Nesse sentido, a própria criação do BIRD implicava o reconhecimento de vantagens para políticas de planejamento econômico e refletia, também, uma preocupação quanto à questão do desemprego, um fantasma ainda não completamente exorcizado depois da tragédia da década de 1930.

Organização Mundial do Comércio – OMC: A criação de uma Organização Internacional do Comércio (ITO – International Trade Organization) seria, portanto, o terceiro pilar da nova ordem internacional, ao lado do Banco Mundial (BIRD) e do FMI. Seu papel seria construir um sistema de comércio mundial com regras definidas, o que facilitaria o funcionamento das forças de mercado onde as restrições ao comércio fossem progressivamente reduzidas. Esse sistema de comércio internacional teria, ademais, de estar subordinado à preocupação com a estabilidade política e econômica dos Estados nacionais, o que para a época significava a garantia de se relacionar o tema comércio com os temas emprego e desenvolvimento. 1946: o Conselho Econômico e Social da ONU – Organização das Nações Unidas aprova resolução para a realização de conferência para preparar os estatutos da ITO. 1947: Primeira Assembléia da ITO, em Genebra, entre abril e novembro. Pauta: preparação da carta da ITO, negociações do acordo geral de redução multilateral de tarifas e o estabelecimento de regras gerais para as negociações sobre medidas tarifárias. 1948: Carta de Havana é assinada pelos 53 países presentes e é criada a ITO, com os seguintes objetivos: Promover o crescimento da renda real e da demanda efetiva em uma escala mundial. Promover o desenvolvimento econômico, particularmente dos países não-industrializados. Garantir acesso em igualdade de termos a produtos e mercados para todos os países, levando-se em conta as necessidades de se promover o desenvolvimento econômico. Promover a redução de tarifas e outras barreiras ao comércio.
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Impedir ações prejudiciais ao comércio internacional dos Estados Nacionais mediante a criação de alternativas, isto é, oportunidades crescentes para o comércio e para o desenvolvimento econômico. Facilitar negociações para problemas no campo do comércio internacional relativos a emprego, desenvolvimento econômico, política comercial, práticas empresariais e política de commodities. O congresso norte-americano não ratifica a Carta de Havana e a ITO tem morte prematura. Seria impensável uma organização que tratasse de comércio que não tivesse a maior nação mercantil como parte. A partir de então, os últimos temas da reunião de Genebra, em 1947, que formavam um acordo provisório chamado de GATT – Acordo Geral de Tarifas e Comércio –, cujos princípios tinham origem nas ações norte-americanas para redução negociada de suas elevadas tarifas da década de 1930, tornaram-se por default a base do sistema de comércio internacional por quase cinqüenta anos. O GATT não era uma organização internacional, mas um tratado. Isto é, formalmente não deveria ter membros, mas partes contratantes ou países signatários. O GATT é baseado em dois princípios básicos: (1) o princípio da não-discriminação – os países membros comprometem-se a estender às outras partes contratantes qualquer vantagem, favor, imunidade ou privilégio concedido a qualquer outro país; (2) o princípio de benefícios mútuos – as negociações devem ser efetuadas, principalmente, entre os países cujas trocas representam uma parte substancial de seu comércio exterior e a compensação para reduções tarifárias deve ser a concessão de vantagens que afetem um valor igual de fluxo de comércio. O GATT é um tratado preocupado quase que exclusivamente com a administração do comércio a partir do interesse das grandes nações mercantis. Em 49 anos de existência, o GATT teve oito rodadas de negociações multilaterais de comércio: Rodada 1a 2a 3a 4
a

Ano 1947 1948 1950 1955-56 1961-62 1964-67 1973-79 1986-94

País Sede Genebra Annecy – França Torquay Genebra Genebra Genebra Tóquio Uruguai

o N Membros

23 --33 46 74 99 --

5a 6a 7a 8a

A agenda do GATT até a Rodada Tóquio era substancialmente negativa, pois tratava apenas de uma integração comercial superficial. A partir da Rodada Uruguai caminhou-se na direção de uma agenda positiva que implicava a regulação de políticas domésticas dos governos nacionais que tivessem efeitos sobre o comércio internacional. Foi acordado que ao final da Rodada Uruguai implicaria na assinatura de um novo GATT – um novo tratado com um conjunto de normas aplicado a todos integralmente.
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Em 1990, o Canadá, apoiado pela União Européia propõe a criação de uma Organização Mundial do Comércio, com a finalidade de supervisionar o GATT e os acordos dele decorrentes. O ato final da Rodada Uruguai e a criação da OMC foram assinados pelos ministros dos países membros em 15 de abril de 1994. A OMC, assim como o GATT era baseada em dois princípios: reciprocidade e nãodiscriminação. O objetivo da OMC segundo seus estatutos, era ser o quadro institucional comum para a condução das relações comerciais entre seus membros nos assuntos relacionados com os acordos e instrumentos legais delas decorrentes. A principal instância da OMC é a Conferência Ministerial, que deve ocorrer a cada dois anos. Entre elas, a Organização é gerida por um Conselho Geral; este é assessorado por um Órgão de Resolução de Controvérsias e por um Órgão de Revisão de Políticas Comerciais. Três conselhos subsidiários e quatro comitês operam subordinados ao Conselho Geral.

ORGANOGRAMA DA OMC

Conferência Ministerial

Conselho Geral

Órgão de Resolução de controvérsias

Órgão de Revisão de Políticas Comerciais

Comitê de Comércio e Desenvolvimento

Conselho de Comércio Serviços

Conselho de Comércio de Mercadorias

Conselho de Propriedade Intelectual

Comitê de Restrições de Balança de Pagamentos

Comitê de Orçamento Finanças e Administração Comitê de Comércio e Meio Ambiente

A OMC é um desenvolvimento de estrutura organizacional do GATT de 1947, acrescida das conclusões da Rodada Uruguai e estruturada para tratar de forma mais abrangente e rigorosa as questões relativas ao comércio internacional a partir da agenda proposta pelos países
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desenvolvidos, que é profundamente distinta dos fundamentos que levaram à assinatura da Carta de Havana, em 1948. O GATT criou a base de um sistema de comércio internacional que pode ser mais bem caracterizado como administrado do que liberal. As regras do GATT nunca foram implementadas rigidamente quando os interesses dos países industriais avançados estavam em risco. Entretanto, na década de 1960 e início da de 1970 conseguiu-se, em alguma medida, o reconhecimento da aceitabilidade, sob determinadas condições, das demandas por uma discriminação positiva dos países em desenvolvimento. A inversão dessa tendência deu-se, particularmente, a partir da segunda metade da década de 1970, com o crescente enfraquecimento dos Estados Unidos como potência hegemônica, o que levou este país a retornar à sua tradição do período anterior à Segunda Guerra Mundial de realizar ações agressivas bilaterais, ou plurilaterais, prioritária ou paralelamente às discussões multilaterais. Dois novos conceitos passaram a ser utilizados pelos negociadores norteamericanos a partir da Rodada Tóquio: comércio justo (fair trade), no lugar de livre comércio, e reciprocidade, no lugar de igualdade de oportunidades. A ênfase, portanto, era em aumentar o grau de interferência no comércio mundial impedindo que mecanismos de mercado prejudicassem interesses concretos de grupos de pressão no interior dos EUA. Nesse contexto, para os países em desenvolvimento a OMC, com todas as suas limitações, parecia um mal menor do que a sujeição às pressões para concessões unilaterais por parte das grandes potências. Entretanto, várias são as críticas em relação à dúvida que muitos possuem quanto à capacidade dessa organização em impedir na prática que os países ou grupos de países industriais utilizem o poder de suas economias e de seus mercados para o não-cumprimento de compromissos multilaterais. A OMC é o produto de cinqüenta anos de um comércio administrado que nunca foi completamente livre nem justo para os países em desenvolvimento. Por outro lado, poderá ser mais um foro onde as ações protecionistas mais agressivas de alguns países ou grupo de países industriais possam ser questionadas. A OMC será o fórum onde as questões do comércio internacional serão debatidas e onde será julgada a legalidade das ações unilaterais das grandes potências. Um fórum onde a capacidade diplomática será condição sine qua non para que as economias em desenvolvimento como o Brasil possam fazer valer suas questões comerciais, como as 14 questões relacionadas ao dumping praticado em alguns momentos por alguns países com produtos concorrentes diretos. Globalização e blocos econômicos: zona de livre comércio, união aduaneira, mercado comum, união econômica: Não constitui tarefa de fácil realização o acompanhamento de processos transformadores induzidos pelos vertiginosos avanços da ciência, pela revolução tecnológica e pela internacionalização da produção. Essas vertentes da globalização aliam-se a novos paradigmas políticos, ambientais, sociais e culturais, de forma que passam a exercer forte influência sobre o cidadão comum, as empresas e os países. A integração econômica pode ser definida como o processo de criação de um mercado integrado, a partir da progressiva eliminação de barreiras ao comércio, ao movimento de fatores de produção e da criação de instituições que permitam a coordenação, ou unificação, de políticas econômicas em uma região geográfica contígua ou não. Apesar de não ser um tema recente pois remonta ao período de criação de alguns estados nacionais no século XIX, a economia da integração é um tema que vem adquirindo importância crescente nas últimas décadas.
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Venda sistemática abaixo do preço com o objetivo de submeter a concorrência. Em sentido estrito, venda efetuada no estrangeiro, por um fornecedor, a um preço nitidamente inferior ao das mesmas mercadorias em seu próprio mercado. No sentido amplo, políticas ou mediadas que tendem a rebaixar artificialmente o preço da exportação.
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Pode-se observar historicamente as seguintes formas de integração: 1. Área de Livre Comércio: Definida como uma região em que os países membros eliminaram barreias ao comércio intra-regional, mas mantém políticas comerciais independentes com relação a países nãomembros. Isto é, uma área de livre comércio tem igualmente tarifa zero entre os países membros, mas com países não-membros essas barreiras são definidas independentemente, sem considerar interesses ou conveniências dos outros países do bloco. Neste caso é necessário estabelecer os critérios que definem a nacionalidade de um produto para beneficiar-se da política tarifária regional. O instrumento que garante este benefício é o Certificado de Origem, com regras acordadas entre os países membros. Exemplos: NAFTA – Tratado de Livre Comércio Norte-Americano, EFTA – Associação Européia de Livre Comércio, ALALC – Associação Latino Americana de Livre Comércio. 2. União Aduaneira: Área de livre comércio, onde os países membros acordam seguir uma política comercial comum com referência a não-membros. Isto é, adotam uma Tarifa Externa Comum (TEC), ou uma política setorial comum (por exemplo, a Política Agrícola Comum da União Européia), aplicáveis a países fora da região. Neste caso não há necessidade de Certificado de Origem, uma vez que qualquer produto que for importado será submetido às mesmas regras na região. Exemplos: a união aduaneira formada pelos estados germânicos em torno da Prússia em 1834, o Zollverein; o Mercosul, que embora tenha por objetivo construir um mercado comum, pode ser considerado atualmente apenas uma união alfandegária incompleta. 3. Mercado Comum: União alfandegária onde há livre circulação de fatores de produção. Isto é, mão-de-obra, capital e empresas podem mover-se livremente entre os países da região sem qualquer restrição a sua circulação. Exemplos: o melhor exemplo foi a Comunidade Econômica Européia que desde 1992 passou a se chamar União Européia e estabeleceu um cronograma para a sua transformação em uma união monetária até o fim do século. No final dos anos 90 a CEE era apenas um mercado comum. 4. União Econômica ou monetária: É um mercado comum onde há unificação das políticas monetárias e fiscais. Com o estabelecimento da união econômica, a unificação dos mercados é atingida. Com o estabelecimento de autoridades econômicas centrais, os países membros tornam-se efetivamente regiões em um único mercado. Em termos econômicos desaparece, portanto, a soberania de cada nação, que é totalmente transferida para a autoridade central. Além da união econômica há somente a formação de uma união política, ou uma confederação, onde a região transforma-se juridicamente em um único país. Exemplo: o atual processo de consolidação da União Européia, com o lançamento e circulação do Euro dando início a esta consolidação do que era um Mercado Comum em uma União Econômica. Neoliberalismo: Liberalismo: ideologia de sustentação política e econômica contra o absolutismo, dogmas religiosos e intervenção do Estado na economia. Início do Séc. XX: intensificação das crises capitalistas.

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Crise de 1929 e Keynes: o capitalismo demonstrou ser incapaz de gerar volume adequado de emprego. A intervenção do Estado na economia torna-se então, justificável e necessária. No período de 1945 a 1970 a economia mundial vivencia uma melhoria significativa das condições de vida da população. O chamado Estado do Bem-estar: Estado previdenciário. É o período de ouro do capitalismo. Frente à insuficiência das condições de manutenção deste Estado do Bem-estar, surge nos anos 70, a corrente neoliberal. Neoliberalismo: crítica ao Estado do Bem-estar keynesiano. A crise dos anos 30 e o fascismo são considerados pelos neoliberais como sendo produto desta intervenção estatal. Torna-se fundamental a defesa de uma economia competitiva de mercado. Com base em que fazem tal afirmação? Com base na intensificação dos gastos dos governos nas áreas militar, educação, saúde, ciência & tecnologia, novos produtos, estatais (processo intenso e generalizado). A participação do Estado passou de 25% do PIB em 1930 para 50% do PIB em algumas economias. O problema: como financiar tais gastos? Via tributação e déficit público. Conseqüências: desequilíbrio orçamentário e inflação. Onde o Neoliberalismo difere do Liberalismo Clássico: Autores do pós-guerra. Preocupação com pobreza (Imposto de Renda negativo). Programa de renda mínima garantida. Defesa de uma economia competitiva de mercado: sem interferência sindical e dos oligopólios e monopólios. Adeptos da privatização radical. Favoráveis à abertura, previdência privada e desregulamentação da economia.

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Bibliografia Básica:
FUSFELD, Daniel R. A era do economista. São Paulo: Saraiva, 2001. KENEN, Peter Bain. Economia internacional: teoria e política. Rio de Janeiro: Campus, 3a ed., 1998. MOCHON, Francisco, TROSTER, Roberto Luís. Introdução à economia. São Paulo: Makron Books, 1994. PASSOS, C. R. M., NOGAMI, O. Princípios de economia. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. SACHS, Jeffrey D., LARRAIN B., Felipe. Macroeconomia em uma economia global. São Paulo: Makron Books, 2000.

Bibliografia complementar:
COSTA, Fernando Nogueira. Economia monetária e financeira – uma abordagem pluralista. São Paulo: Makron Books, 1999. GREMAUD, A. P., VASCONCELLOS, M. A. S., RUDNEI, T. Jr. Economia brasileira e contemporânea. São Paulo: Atlas, 3a ed., 1999. HUNT, E. K., História do pensamento econômico. Rio de Janeiro: Campus, 1986. MONTORO. Manual de economia. São Paulo: Saraiva, 1981. PEREIRA, J. J. C. Economia: economia nos cursos de graduação em ciências jurídicas. Rio de Janeiro: BVZ, 2a ed., 2000. PORTER, Michael E. Estratégia competitiva – técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Rio de Janeiro: Campus, 8a ed., 1991. ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à economia. São Paulo: Atlas, 18a ed., 2000. SALVATORI, Dominick. Microeconomia. São Paulo: McGraw-Hill, 1984. SANDRONI, Paulo. Dicionário de economia. São Paulo: Best Seller. SOUZA, Nali de Jesus de. Desenvolvimento econômico. São Paulo: Atlas, 4a ed., 1999. Fita de vídeo com Professor Domenico De Masi, Programa Roda Viva de 21/06/1999, Tv Cultura. Fita de vídeo “A Ilha das Flores”

Noções de Economia – Prof. Aloysio A. Rocha Vieira, MBA – aloysiovieira@yahoo.com.br

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