P. 1
Nova Ordem Saga Derivada de Crepúsculo A4

Nova Ordem Saga Derivada de Crepúsculo A4

|Views: 11|Likes:
Published by diariosvampirobr

More info:

Published by: diariosvampirobr on Sep 24, 2012
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

01/21/2013

pdf

text

original

Sections

  • 1.Nossa! Renesmee na escola
  • 2.Teatro cotidiano
  • 3.Bom partido
  • 4.Outro tipo de sede
  • 5.“Gravetos e pedras.”
  • 6.Monstro do Lago Ness
  • 8.Como minha mãe agüenta isso?
  • 9.É uma promessa
  • 12.Meu mantra
  • 14.Partida amistosa de Lacrosse
  • 16.Do tipo gostoso, calado e misterioso
  • 22.Uma pontinha de inveja
  • 23.Fazia o sangue gelar
  • 24.Inferno estava congelando
  • EXTRAS

Foi uma das piores noites da minha vida. Demorei muito a dormir pensando nas conseqüências de meus
atos. Não somente porque eu poderia causar tanto mal à minha família, como fui injusta com Jacob, que só
queria me alertar. Como todos têm tentado em vão.
Eeu não somente ignorei Jacob, como o ofendi, gritei e briguei com ele injustamente. Ele nem estava
presente nessa reunião. E ele também é da família, deveria estar aqui.
Tenho que corrigir isso. E irei. É uma promessa.
Mas na manhã seguinte já tinha um compromisso. Com minha avó Esme e Nahuel em Port Angeles para
fazer compras. Nem sei como eles me deixaram ir depois de ontem. Imaginei que ficaria de castigo até ir
para universidade. Mas eles acharam que mudar um pouco de ambiente talvez me ajudasse.
Nãoentendi muito bem o objetivo disso, mas estou no lucro, então não vou reclamar. Acho que como
era em benefício de Nahuel, que nos tem ajudado tanto sem pedir nada em troca, eles resolveram deixar
passar essa viagem.

Preciso resolver esse assunto das compras cedo, para ter tempo de resolver um assunto ainda mais

complicado. Jacob.

Judy não pôde vir conosco, acho que ela deve ter odiado perder a oportunidade para renovar seu
guarda-roupa de Gótica Chic, mas enfim. Ela tinha alguns compromissos com sua avó.
Vó Esme nos conduziu rápido, mas nem perto de chegar a velocidade do papai ou da Tia Rose, por
exemplo. Fomos em seu Mercedes Maybach 57, presente do Vô Carlisle. O que eu acho uma grande
injustiça, considerando um carro como esse para alguém que nem mesmo gosta de dirigir. Ele poderia ser
melhor aproveitado, por quem gosta de carros, alguém assim, como EU. Infelizmente ainda não tenho
carteira, senão, tenho certeza que ela me deixaria dirigir. Por enquanto só me resta conformar com a
paisagem vista do banco do carona.
São algumas horas de Sequim para Port Angeles, então fui selecionando o que ouviríamos durante a
viagem.Conheço bem o gosto da Vó Esme, mas não faço idéia do que Nahuel poderia gostar, então fiz um
play-list de músicas populares entre as pessoas de minha idade, também um pouco de rock e para minha
avó música clássica.

Não adiantou muita coisa, já que Nahuelnão esboçou gostar de nenhuma delas, minha avó murmurou
um pouco da música clássica que selecionei para ela. E eu, bem, estava muito tensa pensando no que fazer
com Jacob quando voltássemos para prestar atenção em qualquer das músicas que passava.
Chegamos a Port Angeles pouco antes das dez da manhã, com tempo suficiente para comprar o que
viemos comprar, voltando o mais rápido possível para Sequim e de lá para a reserva Quileute, onde eu
tenho que fazer as pazes com o Jake.
Ainda bem que resolvemos vir sóeu, Nahuel e vovó fazer essas compras, porque se fosse a Tia Rose ou,
que Deus proíba, Tia Alice, não conseguiríamos terminar antes do natal. Ainda bem que Tia Rose ficou
consertando seu Mustang Fastback 1967vermelho, que o Tio Emmet deu a ela de presente. Ela adora
carros antigos.

E Tia Alice andava preocupada com alguma coisa, que não quis dizer para ninguém, provavelmente com
uma possível recaída do Tio Jasper ou algo assim.
Entramos em uma das lojas de roupas para homens e começamos a procurar algo que servisse bem em
Nahuel. Juntamos alguns pares de camisas pólo, alguns pares de calças e é claro,os acessórios. Tenho a
impressão que ele não está muito habituado a ver esse tipo de coisas, porque em diversos momentos em
que nos distraíamos de nossas compras e olhávamos para ele, parecia perdido o pobre coitado.
Enquanto esperávamos que Vó Esme finalizasse as compras, fomos tomar um frozen yogurt. Ele parecia
uma criança descobrindo doce, o que era bonitinho. Mas infelizmente, mesmo meu corpo estando lá,
minha cabeça não acompanhou. Fiquei todo o tempo pensando no que diria para Jacob perdoar minha
estupidez, mesmo quando eu aparentava estar me divertindo, ainda pensava na maneira como eu tinha
tratado ele, nas coisas horríveis que falei. Eu não queria dizer nada daquilo, ele deve saber isso. Ele precisa.
A angústia era tanta que por muitas vezes eu esquecia de respirar, doía tanto o peito que pensei que
fosse ter um troço ali mesmo, no meio daquela multidão. Sentei-me num banco para não cair.
Acho até que estou começando a ficar louca, minha consciência está falando em voz alta.

59

–Não se preocupe, eles irão te perdoar.
Surgiu essa voz grave e branda perto de mim. Então percebi que não era minha consciência e sim
Nahuel. Interessante, para um cara que não fala de jeito nenhum, quando fala é sempre uma surpresa para
mim ouvir uma voz tão firme e aveludada ao mesmo tempo.
Olhei pra cima e encontrei seus olhos. A surpresa deveria estar muito visível em mim.
–O quê? Eu falo... às vezes.
–Eu sei. Mas por que você fala tão pouco?
Ele sentou-se ao meu lado, deu uma colherada no seu frozen.
–Não tenho muitosmotivos para falar. Como você sabe, vivo com minha tia desde pequeno, desde
que, bem, eu matei minha mãe. E onde vivemos somente falamos o necessário, para evitar espantar
nossas presas ou atrair pessoas indesejadas que às vezes aparecem no nosso território.
Eu tenho tanta pena do garoto. Ele matou a própria mãe. Mesmo não tendo sido de propósito, porque
foi durante o parto. Ele literalmente rasgou a mãe dele, de dentro para fora, para conseguir sair de seu
ventre.

Eles não tiveram apoio durante o processocomo no meu caso e graças aos céus, minha mãe está viva.
Senão poderia ter sido eu ali, triste, arrasado pela culpa e o pior de tudo, sem minha mãe.
–Parece uma vida muito triste. Você não se sente só? Quer dizer, você não tentou morar com seu pai e

suasirmãs?

Ele fez uma cara de nojo e desistiu do frozen, mas posso jurar que foi mais por eu ter mencionado seu
pai do que pelo sabor da bebida.
–Não deu certo.
Como eu achei que não iria conseguir arrancar mais nenhuma palavra dele a respeito desse assunto,

resolvi mudar de assunto.

–Vocês não encontram outros como nós, quer dizer não como nós, eu e você, mas vampiros com quem
vocês possam conviver? Quer dizer, a Zafrina mora por aquela região. Vocês nunca se cruzaram?
Acho que vi uma pequena curva se formando levemente no canto de sua boca. E ele me falou divertido.
–Me diga você.
Olhei para ele com surpresa. Não consegui entender.
–Você conviveu um bom tempo com ela, aliás, ainda convive quando ela visita. Todos percebem o
quanto ela gosta de você. Pode me dizer quantas conversas longas você teve com ela?
–Entendi o que você quer dizer. Ela é um doce comigo e tudo, mas posso contar nos dedos as vezes em
que realmente conversamos e mesmo assim ela parece economizar em palavras.
Ele esboçou um sorriso, para em seguida voltar a parecer triste.
–O que foi? Lembrou de algo ruim?
–Na verdade não. Apenas estava pensando em minha vida desde que me mudei temporariamente para
a casa dos Cullens, quer dizer, sua casa.
Como ele finalmente estava começando a falar, achei melhor não interromper. Admito que estava
muito curiosa para saber mais sobre ele.
–Vocês são tão diferentes de tudo que eu sei sobre vampiros. Na verdade, até sua Tia Alice ir me
buscar, eu nem sabia da existência de outros como eu, com exceção de minhas meio-irmãs. Ainda mais
vampiros completos que não sobrevivem de sangue humano. Isso era o que mais me chamou a atenção
antes de ir morar lá.

O que mais me espanta, é como vocês realmente tem a convivência como uma família, assim como os
humanos. Com carinho, atenção, cuidado e amor. Por isso que falei que eles irão te perdoar. Não foi por
isso que você estava tão preocupada?
Uau! Me lembre de ter medo de gente que não fala muito. Eles podem ter suas dificuldades em se
expressar, mas com certeza captam tudo ao redor.
–Você sabe que falou só nesses minutos, mais do que você falou durante quase toda sua estadia

conosco?
–É, sei.
–Respondendo então: sim e não. Também estou preocupada com eles, ou melhor dizendo, por eles.
Mas o que está me deixando assim é outra coisa. Deixa para lá.

60

Sacudi a cabeça pensando novamente em Jacob. Como vou resolver isso?
–Ele também vai te perdoar. Aliás, acho até que já deve ter feito isso. Porque de todos, o lobo é o mais

dependente de você.

Ok. Estou oficialmente assustada: além de tudo ele é vidente ou algo assim? Porque mesmo não
falando nada remotamente ligado ao Jacob, Nahuel sabia que eu estava pensando nele.
–Eu não sei do que você está falando. E não quero mais falar a respeito disso.
Tentei me fazer dedesentendida. Com certeza eu não queria falar sobre Jacob com ele. Aliás, eu não
queria falar sobre Jacob com ninguém.
–Ok então. Me desculpe se fui intrometido, não foi minha intenção. É só que você parecia precisar
disso. Colocar para fora. Não entendo muito da dinâmica entre os humanos, mas parece fazer bem para
eles esse tipo de coisa, e como os Cullens vivem como os humanos, achei que funcionaria também.
Hum... me senti culpada agora. O coitado estava apenas tentando ajudar e eu descontei minha

frustração nele.

–Olha, foi muito doce de sua parte e me desculpe se fui rude com você. Mas eu realmente não quero
conversar sobre “isso”. Nem com você, nem com ninguém.
Dei-lhe um beijo no rosto e ele parecia tão espantado com isso quanto se eu tivesse lhe dado um soco

no estômago.

Começamos a andar em direção à minha avó, mas antes de chegarmos perto o suficiente para ela ouvir,
sussurrei no ouvido dele: –Você deveria falar mais. Além de ter uma bela voz, tem coisas muito
interessantes para dizer.

Quando estávamos entrando no carro eu tive uma idéia. Tinha que continuar com essa fase falantede
Nahuel, então pensei em estimular o quanto pudesse.
–Esperem aqui. Eu já volto.
Saí em disparada para comprar umas surpresinhas para ele. Voltei logo em seguida e fomos para o

carro.

–Vó? Posso ir atrás, com Nahuel?
–Claro querida.
Nahuel me deu um olhar estranho. Entrou na parte de trás e sentou-se, comigo entrando no carro em

seguida.

Peguei as sacolas e comecei a mostrar cada item, explicando como e quando usar.Ele parecia meio
confuso no princípio, mas acho que vai dar certo. Deixei uma sacola por último, como “grand finale”.
–Tenho uma surpresa para você!
Falei enquanto abria a grande sacola da loja esportiva.
–O que é tudo isso?
Vovó olhou pelo retrovisor, curiosa em saber o que eu tinha saído escondida para comprar.
–Material para prática de baseball. Acho que Nahuel deveria participar de nossos jogos. Acredito que
ele daria um bom lançador.
Vi o brilho dos olhos dele e tive certeza que ele amou meus presentes. Sobretudo essa parte final.
–Ótima idéia querida, só tome cuidado em dizer isso para sua Tia Alice. Para que ela não se sinta
excluída, já que é nossa lançadora oficial.
–Não se preocupe! Já tenho tudo planejado.
Me ajustei no banco para que ela pudesse me ver pelo espelho retrovisor e continuei.
–Planejo colocar ela como mentora e treinadora oficial do Nahuel em práticas de baseball. A senhora
sabe o quanto ela gosta de ensinar coisas. E principalmente tendo total atenção desse alguém.
–Nessie, que coisa mais doce essa que você fez pelo rapaz.
Me senti corando, mas admito que também me senti muito orgulhosa de minha idéia.
–Que é isso vovó!? É só lógica.
–E você? Não vai dizer nada Nahuel?
–Err... Obrigado?
–Não estou falando disso, seu bobo! Queria saber se você gostou da idéia, mas pelo jeito que você está
com essas coisas, acho que nem preciso mais da resposta -provoquei.

61

Nahuel agora parecia empolgado, pegando cada coisa que comprei e experimentando por cima da
roupa que usava para ver secabia. Fico feliz por ter conseguido agradecer a ele pelos conselhos que me
deu.

–Desculpa Nessie! É que quando eu via vocês jogando lá, tinha curiosidade em saber se eu conseguiria.
Tenho assistido aos jogos há algum tempo e acho que consegui aprender algumas coisas na teoria.
Veremos se na prática funcionam.
–Uau! Quanta empolgação.
Rimos os três, verdade que o riso de Nahuel era tímido. Continuamos conversando sobre os planos para
inclusão do novo integrante do time “Cullens”. Ficamos tão distraídos com a conversa, que o caminho
passou muito mais rápido do que quando viemos.
Ao chegar em casa, Nahuel foi direto para o escritório de meu avó, alguém por quem ele criou uma
grande admiração, mostrar seus novos presentes. E é claro que depois foi a vez de sua Tia Hulien.
Minha avó também foi para o escritório de meu avô. Mas foi por outros motivos. Primeiro dar-lhe um
grande beijo e quando Nahuel saiu, começaram a conversar sobre seus dias, como um casal humano faria.
Infelizmente, a minha tarefa de casa não seria tão prazerosa quanto a de meus colegas de viagem. O
que eu tinha que fazer não era nada agradável, me desculpar com Jacob. E torcer para ele me perdoar
daqui há alguns anos.

Estava tão nervosa que gastei muito mais tempo para chegar à casa de Jacob na Reserva Quileute do
que normalmente gastaria. Primeiro porque eu adiava a chegada tentando repassar meu discurso em
minha mente e segundo porque tropecei uma dezena de vezes no caminho. Quando avistei a casa dele me
arrumei um pouco, respirei fundo, levantei a cabeça e tomei os metros restantes em apenas alguns
segundos. Acho que estava querendo aproveitar enquanto ainda me restava alguma coragem. Bati à porta
e esperei ver Jacob atendendo, mas foi Billy quem a abriu.
–Oi Billy, como vai? Jacob está em casa?
Ele abriu a porta e se afastou para que eu pudesse entrar. Me olhou sério e eu travei. Como é sempre
Jacob quem abre a porta para mim imaginei que tivesse acontecido alguma coisa com ele.
–Aconteceu alguma coisa com o Jacob? Onde está ele?
Eu comecei a me dirigir desesperada ao quarto dele, quando a mão de Billy me segurou.
–Se você se refere à segurança física dele, a resposta é sim. Ele está bem.
Ops?! Então é o outro assunto?! O que eu vim tratar. Droga. Acho que a situação está ainda pior pro
meu lado do que pensei. Preferi ficar calada esperando ele continuar. Na verdade foi covardia mesmo.
–Mas se você se refere por dentro? Não acho que ele esteja nada bem. De fato, acho que ele está

muito mal, arrasado até.

Olhei para baixo, com vergonha por ter causado alguma dor para Jacob. Ainda não tinha coragem de
falar qualquer coisa que seja. Me mantive olhando para o chão.
–Nessie?
Olhei pra cima e ele continuou.
–Não quer se sentar?
Aceitei a oferta e esperei mais um pouco pela conclusão de sua linha de raciocínio.
–Eu sei que ele tem o “imprinting” por você e que todos te amam. Eu aprendi a te amar também. Mas
você tem que pensar nos outros também. Não pode agir daquela maneira, pensando que não haverão
conseqüências, tanto para você, quanto para todos nós. E sim incluo os lobos nisso também.
Ele respirou fundo, como quem tenta se acalmar e continuou.
–Eu sei que vocês se amam e...
Pensei em interromper dizendo que isso não era verdade, mas a essa altura não tenho como negar:

AMO Jacob Black!

Não como amiga, não como irmã, mas como uma mulher ama um homem. Acho que quando era
pequena o amava fraternalmente, mas agora não.
Em minha epifania, não consegui ouvir o que Billy continuava a dizer.
–...então é isso Nessie. Pense melhor em suas ações porque elas poderão ter conseqüências
desastrosas para todos nós.

62

–Agora eu sei disso. Tivemos uma conversa em família, ou melhor, foi mais como um sermão, mas o
ponto é que, eu percebo os riscos que vivemos constantemente e não agirei mais assim, impulsivamente.
Me desculpe pelos transtornos a você e por ter feito mal para seu filho.
–Não se preocupe com isso. Logo tudo será resolvido. Basta ele olhar para essa sua carinha de anjo e

tudo estará perdoado.
Me sentindo um pouco mais confiante com essa afirmação, voltei a perguntar.
–E por falar em seu filho. Onde ele está agora?
–Você não imagina?
Então olhei para ele e tive a certeza. Falamos juntos:
–Na garagem, mexendo em sua moto!
–Onde mais?
Rimos até nos acalmar, me aproximei dele e dei-lhe um abraço forte.
–Obrigada Billy. Por tudo. Pelos conselhos e por cuidar dele quando eu faltei.
–À disposição, querida. Precisando, é só pedir.
Saí pela porta em direção à garagem. Que é uma estrutura velha em madeira que fica anexa a casa,
usada como garagem para a moto e o VW Rabbit 1986usado, ou melhor, beeeeem usado.
Lembro-me que uma vez me diverti às custas disso com Jacob. Dizendo pra ele que deveria desistir do
monstrengo porque se um dia ele saísse para dar uma volta com ele e estacionasse em algum lugar
próximo à cidade, iam rebocar pensando que se tratava de um monte de peças abandonadas, sujando a
cidade. Ele ficou irado e eu corri, mas logo ele deixou para lá.
Quando estava chegando perto da garagem, meus batimentos começaram a acelerar e minha
respiração a ficar ofegante. Só pensava como poderia recuperar meu amigo, meu melhor amigo. E
principalmente, como fazer ele parar de me ver como um “bebê”, como minha mãe insiste em me chamar,
e me ver como a mulher que o ama. Isso mesmo: o ama! Agora que eu consegui admitir para mim mesma
está difícil não repetir que “eu amo Jacob Black” a todo instante.
Ouvi um barulho na lateral na garagem e meus instintos de meio-vampira foram ativados.
Imediatamente pus minhas mãos em garras, meu corpo arqueado. Farejei o ar, mas só o que eu pude
sentir foi o cheiro de graxa, madeira, pneu, gasolina e óleo da garagem. Então andei em direção a lateral da
garagem. Suguei o ar mais uma vez e dessa vez um aroma extremamente conhecido estava lá. Algo
amadeirado, familiar e feliz para mim. Segundos depois vi a origem do aroma, Jacob. Ele estava
amontoando algumas toras enormes, umas em cima dasoutras.
–Então, onde vai ser a fogueira gigante?
Ele continuou a fazer sua tarefa, sem mesmo olhar para mim. Isso me partiu por dentro. Ele deve estar
realmente magoado, vai ser mais difícil do que pensei. Nós brigamos o tempo todo, é até divertido. Mas
nunca tão sério como foi dessa vez.
–Ei, Lobo! Estou falando com você.
Ele olhou pra cima sem expressão alguma.
–Então, estamos nos falando agora?
Eu desconfiava que ele fosse jogar isso na minha cara mais cedo ou mais tarde. Melhor que tenha sido
mais cedo, assim consertamos logo as coisas antes de piorar. Só que meu temperamento às vezes é um
problema, porque apesar dele estar completamente com a razão, fui eu que me irritei.
–Acho que não. Foi um engano, estou indo embora. Eu vim aqui para pedir perdão e você
simplesmente me ignora. Mas não se preocupe, não vou mais incomodar você, já que está numa tarefa
muito importante. Quando você quiser deixar de ser tão cabeça dura e quiser falar comigo, me procura.
Dei as costas pra ele furiosa e comecei a andarem direção ao caminho de minha casa, quando Jacob
segurou em minha mão e me virou.
–Então, você veio me pedir perdão?!
Ele me olhou obviamente se divertindo às minhas custas. Aquele, aquele... arrr... comecei a ir embora
novamente, mas ele me parou mais uma vez.
–O que é que você quer Lobo? Me larga!
Quase gritei de raiva. E ele simplesmente riu, mas não me soltou. Eu estava quase me preparando para
atacar, quando ele começou a falar.

63

–Fica calma, ok nervosinha?! Eu só estava brincando com você. Sabia que mais cedo ou mais tarde você

viria se desculpar.

–Quanta segurança, Jacob Black. Se achando muito? E você está enganado, eu só vim aqui porque

todos insistiram e...

–Você pode usar a desculpa que quiser, mas você está aqui por vontade própria. Todos nós sabemos
que você não é muito de “obedecer” os outros.
Eu vou matar esse cachorro vira-latas. Como ele pode zombar de mim assim. Eu passei por cima de meu
orgulho para me desculpar com ele e é assim que me trata? Eu vou... eu vou... mas antes que eu fizesse
qualquer coisa ele falou novamente.
–Além do que, se você não aparecesse aqui até hoje, eu iria ter que te procurar em sua casa, para
conversarmos e principalmente para te dar umas boas palmadas. De fato, estou pensando seriamente em
fazer isso agoramesmo.

Eu comecei a correr para ele não cumprir sua promessa, mas já estava extremamente feliz por ainda

sermos amigos.

–Você quer apostar que nem vou precisar correr tanto?!
–Duvido que você consiga “vovô”. Eu sempre fui mais rápida do que você!
Falei em desafio enquanto olhava para trás, para ver sua reação. Infelizmente, para minha desgraça,
quando olhei para frente tinha uma árvore gigantesca no meu caminho e na velocidade que eu estava a
única coisa a fazer foi proteger meu rosto com as mãos eme bater com ela. Era muito grande para eu ter
derrubado, então, ela permaneceu lá, parada. E eu sentada no chão, verificando o estrago.
Não foi um total desastre porque só tive alguns arranhões e me curo extra-rápido. Jacob veio
preocupado em minha direção, mas quando viu que estava tudo bem começou a rir tanto que caiu sentado
no chão.

–Eu falei que te pegava e nem precisaria correr. Sabia que algo do tipo iria acontecer.
Mais uma explosão de risos.
Ele me deu a mão para eu me levantar, mas me recuseia pegar ela. Me levantei, ainda cambaleando
um pouco e tentei me limpar.
–Que tal aquelas palmadas agora?!
–Você não ousaria!
–Na verdade sim, ousaria. Mas vou deixar para lá porque você já sofreu o suficiente por hoje.
–Seu... seu... argh!
–O quê? Lindo? Charmoso? Inteligente?
–Ugh... deixa para lá. Nem vale a pena eu perder meu tempo para te xingar.
Depois de dar um jeito na roupa, sentei em uma árvore grande que estava tombada no chão e respirei

fundo.

–Jake?
–O que foi? Lembrou do que ia me xingar?
Ele riu novamente, mas quando viu minha expressão ficou sério e sentou-se ao meu lado.
–Você está bem? Quer que eu chame alguém? Bella? Ed?
–Não! Só...
–O que foi?
–Desculpa por eu ter agido daquele jeito com você ok?! Eu fui infantil e irresponsável, como todo
mundo insiste em me chamar. Acho que eles estão todos certos mesmo.
Encarei meus sapatos imundos com a queda.
–Você está errada!
–Eu sei disso! Precisa jogar isso na minha cara mais uma vez?
Ele pegou minha mão entre as suas e me olhou nos olhos.
–Eu quis dizer que você não é infantil e muito menos irresponsável.
Fiquei surpresa pela afirmação e ele continuou com voz branda.
–É a menina, garota, não! Mulher, mais responsável e altruísta que conheço, mesmo sendo
extremamente mimada, sempre pensa nos outros. De fato, às vezes muito mais nos outros do que em si
mesma, como foi o caso daqueles garotos que o Josh estava perturbando.

64

–Mas no caso do pobre Prof. Ramirez eu não precisava ter feito aquilo. Foi muito perigoso e...
–Conversei comSeth sobre o que aconteceu e ele me contou tudo.
Tudo? Engoli seco com isso. O que ele quis dizer com “tudo”? Será que Seth sabia que eu não estava
prestando atenção à aula porque estava pensando em Jacob? Esperei que ele continuasse.
–Seth me disse que você estava distraída com alguma coisa e que acha que você não fez a ilusão por
mal. Foi quase como uma auto-defesa instintiva.
Vou ter que presentear Seth com alguma coisa. Ele não só livrou a minha barra, como me mostrou o

quanto ele é observador.
–Bem,eu acho que foi isso mesmo.
–Você só precisa nos ouvir mais Nessie, para sua própria segurança. E para nossa.
Não pude deixar de me sentir melhor com tudo que ele falou.
–Eu sei. Entendi. Vou me controlar melhor. Prometo.
–Bom, já que é assim. Podemosacabar logo com essa falsa guerra ente nós. Estava morrendo de
saudades de você. Meu pai quase me colocou para fora a tiros porque não agüentava mais minha
ansiedade dentro de casa. Por isso que ele me mandou empilhar aquelas toras, acho que para me manter
ocupado e não pirar.

–Eu também estava morrendo de saudades de você Jacob Black. Mas se você disser isso para alguém,
juro que vai ser a última coisa que vai falar em vida.
Rimos juntos timidamente e ele me ajudou a levantar.

65

10.Problemas cardiorrespiratórios

Ele é muito mais alto do que eu, mas como o local onde ele estava em pé era um pouco mais baixo do
que onde eu estava, fiquei na altura do seu peito. Ele me puxou para um abraço e colocou sua cabeça
sobre a minha. Nossa! Se existe algo parecido com o paraíso na Terra, deve ser isso! Seu cheiro, sua pele
quente, seus cabelos caindo sobre minha cabeça e coçando minha orelha, a proteção do seu abraço,
nesses braços fortes e quentes de lobo, meu lobo.
Mantivemos o abraço, mas ele afastou a cabeça paraque pudesse me olhar nos olhos e eu meus
batimentos aumentaram novamente, comecei a me sentir ofegante mais uma vez. Porém percebi que não
era a única a ter problemas cardiorrespiratórios. Ele também estava assim e começou a aproximar seus
lábios semi-cerrados aos meus e eu pensei: “É agora. Meu primeiro beijo. E vai ser com o homem da minha
vida, que dizer lobo, que eu tanto amo.”
Mas para meu desgosto ele se afastou e saiu tremendo. Segundos depois o vi como lobo, correndo
floresta a dentro. Restando apenas suas roupas rasgadas em um rastro disforme.
Mais que diabos foi isso! O que será que aconteceu? Estava dando tudo tão certo e de repente: Bam!

Um lobo em fuga.

Fiquei furiosa, excitada, frustrada e confusa. Tudo ao mesmo tempo. Esperei que ele voltasse a ser
humano e retornasse onde estávamos antes dele fugir para que pudesse me explicar o que tinha
acontecido, mas depois de uma hora tive certeza que ele não voltaria. Resolvi ir para casa.
Cheguei como um furacão em casa. Batendo portas, subindo as escadas de dez em dez degraus e fui
para o meu quarto. Onde bati mais uma porta. Como se era de esperar, minha mãe apareceu minutos
depois.

–Nessie? Você está bem?
–Não aconteceu nada mãe. Só quero ficar sozinha.
E você pode ter certeza disso: não aconteceu nada! Droga!
–Você chegou em casa de mal humor e com as roupas todas estragadas. O que aconteceu querida? Me
disseram que você tinha ido falar com o Jacob? Aconteceu alguma coisa no caminho?

–Não.
–Não me diga queisso é alguma brincadeira do Jacob? Se ele estiver envolvido nisso, eu arranco a
cabeça dele para você. Quer que eu faça isso?
Apesar de minha irritação não pude deixar de rir de minha mãe. Mas não foi o suficiente para eu me
acalmar. Eu tinha que sair dali. Não estava com cabeça para interrogatórios, então pulei a janela e fui para
o quintal.

Comecei a andar a esmo e de repente avistei Nahuel lançando alguma coisa com muito esforço. Só
alguns segundos depois que percebi o que era. Uma bola de baseball. Isso me animou um pouco.
Me aproximei dele com calma, mas fazendo barulho para ele perceber minha aproximação. É perigoso
você chegar sorrateiramente por trás de um vampiro, principalmente um que foi criado na selva.
–Vejo que você nem mesmo quis esperar eu falar com a Tia Alice, hun?
Ele parou os lançamentos e veio até mim.
–Ofendi você ou sua tia com isso? Quer que eu pare até você falar com ela?
–Não. Em absoluto. Você faz bem em treinar e não se preocupe com minha tia. Aposto que ela vai
adorar ser sua mentora de baseball.
Ele pareceu convencido. Sentei-me na grama para tentar me acalmar um pouco. Ele se sentou ao meu

lado, meio desconfiado.
–Alguma coisa está perturbando você?
Quando fiquei calada ele pareceu compreender.
–Foi tão mal assim? Ele que fez isso com suas roupas?
Não consegui. Simplesmente ri. Era a segunda pessoa que perguntava se Jacob tinha feito isso com
minhas roupas. Se eles soubessem que foi eu mesma.
–Não. Ele nunca iria fazer algo assim comigo.
–Hun, mas tem alguma coisa errada, não tem?
–É, tem. Porque vocês garotos são tão complicados?

66

Ele ficou confuso e eu continuei.
–Nós conversamos, fizemos as pazes e...
De repente percebi onde meu pensamento estava me levando e dessa vez consegui parar as palavras
antes de mais constrangimento.
–Ele tentou alguma coisa com você?
Quem me dera. Foi exatamente o contrário. Mas é óbvio que não iria dizer isso para ele.
–Não! Claro que não! Não foi nada disso. É que, bem, que se dane, vou dizer! Nós quase nos beijamos

e...

–E foi ruim?
–Não! Nossa! Estou começando a gostar mais de quando você era calado. Deixa eu concluir, sim?
–Ok, perdoe-me. Continue.
–Então, onde estava até ser interrompida por você? Ah, sim! Quando o beijo estava prestes a
acontecer, ele começou a tremer e simplesmente sumiu na mata. Assim! Sem mais nem menos.

–Hun...
–“Hun”? É a resposta genial depois de todo esse drama? “Hun”?
Pelo amor de deus! Definitivamente preferia ele quando não falava.
–Eu estava pensando sobre o que você tinha falado. Falei “hun” somente para você continuar seu

pensamento.

–Ah! Ok. Desculpe então. É que... esse assunto é meio crítico pra mim. Mas não tinha direito de
descontar minha frustração em você. Novamente. Você deve estar achando que sou uma neurótica ou algo
do tipo heim?!

–Não. Só acho que está muito sensível no momento. Somente isso. É compreensível.
–Como assim “é compreensível”? O que é?
–Você está apaixonada pelo Jacob e ele por você. Porém ele tem o problema de sua idade consigo e
você o problema de não admitir publicamente que o ama.
Meu queixo caiu por alguns segundos. Consegui me recompor. Mais uma vez eu repito: tenha medo de
quem é do tipo “calado observador”.
–O que... como assim? Porque você diz isso?
Ele apenas me olhou nos olhos. Talvez esperando por alguma resposta, que eu obviamente não iria dar.
–Isso tudo está mais do que óbvio em vocês dois. Se você não enxerga ainda, precisa se concentrar

mais.

Ele deu de ombros. Fiquei mais irritada do que já estava. Primeiro eu só tive certeza que amava Jacob
hoje, segundo: como ele tem a coragem de me dizer essas coisas assim? Nem nos conhecemos direito. E
terceira, ele estava completamente correto sobre tudo. Odeio isso!
–Acho que não quero mais falar sobre isso. Podemos conversar sobre outra coisa?
–Claro, se você insiste em se esconder. Por mim tudo bem.
–Não estou me escondendo! Quanta petulância!
–Ah não?! Alguém sabe que você está aqui? Além de mim, é claro.
–Não.
Olhei para baixo com vergonha por ele estar certo ao meu respeito, novamente.
–Você sabia que é extremamente irritante, Nahuel?
–Minha tia me diz isso, às vezes, quando estou certo sobre algo que ela não está.
Resolvi relaxar. Afinal, não era com ele que eu estava com raiva, não era nem mesmo com Jacob. Era
comigo mesma. Por deixar a situação chegar a esse estado.
–Mas...
–O que foi agora garoto?
–Se você prometer não me bater, eu gostaria de fazer mais uma pergunta. É que estou realmente

curioso.

Até eu fiquei curiosa para saber qual era a próxima bomba que ele iria soltar no meu colo.
–Ok. Pergunte. Só não prometo não te bater.
Sorri maliciosamente para ele, talvez na esperança dele desistir.
–Acho que vou aceitar os riscos. O que aconteceu às suas roupas?

67

Olhei para baixo e vi que não tinha trocado as roupas destruídas antes de fugir pela janela.
–Ah, isso? Bem, eu tenho a tendência a ficar desastrada quando estou muito ansiosa ou irritada.

Então...

–E tudo isso que aconteceu deve realmente ter te deixado ansiosa, hun? O que aconteceu? Foi
atropelada por um caminhão?
–Há! Muito engraçado! Mas foi perto, uma árvore gigante.
–Como uma árvore gigante conseguiu se mover para te atropelar?
–É que na verdade, ela estava parada e eu é que estava correndo. Sem olhar por onde ia. E de repente:
Cabum! Me bati de frente com ela e caí.
Encarei ele, esperando uma gargalhada, mas quando ele me viu espiando, desistiu. Então eu não
agüentei e comece a rir, com ele me acompanhando em seguida.
Imagine esse guerreiro, criado na selva, forte e maior que eu. Que poderia totalmente chutar meu
traseiro, com medo de eu ter um ataque? Sério? Era simplesmente hilário. Sabe, estou começando a gostar
desse garoto.

Eu o abracei e ele pareceu meio constrangido em princípio, acho que eles não costumam ter muito

contato físico na mata.

Que estranho! Por alguns segundos pensei ter visto um vulto parecido com um lobo atrás de algumas
árvores perto de onde estávamos, como se estivesse nos espiando. Mas não deve ter sido isso. Foi muito
rápido, parecia ser menor que um lobo e se fosse algum dos lobos Quileutes, teria se aproximado.
Eu e Nahuel resolvemos voltar para casa, afinal de contas era amanhã que ele começaria seus treinos
de baseball e tinha que estar descansado para isso.
Eu estava cansada demais e diga-se de passagem, imunda demais, para não ir diretamente para o
chuveiro e depois para cama. E foi exatamente o que eu fiz.
Na manhã seguinte estávamos todos empolgados com mais um jogo de baseball Cullens X Lobos
Quileutes. Meus tios Emmet e Jasper juntos com meu pai criando a estratégia de jogo. Minha Tia Alice e Vó
Esme preparando algo para comer. É isso mesmo! Algo para comer! Não para os vampiros, é claro. Mas
sim para os híbridos, lobos, meu avô Charlie e Billy.
Os demais estavam pra lá e pra cá esperando a hora do jogo. Tia Alice já tinha confirmado que hoje
seria um dia de muitos trovões e pouca chuva, então só esperávamos chegar a hora aproximada que ela
disse que iria começar a tempestade. Começamos a arrumar os jipes com o material, entramos todos e
começamos a nos dirigir à clareira.
Ainda fazia bom tempo –para os padrões de Sequim –o que preocupou Nahuel por um momento, mas
eu o acalmei informando que a Tia Alice nunca errou sobre o tempo antes e que não aconteceria hoje.
Conseguimos chegar ao local, mas os lobos ainda não estavam lá.
Vô Carlisle decidiu que seria melhor se começássemos a arrumar as linhas na clareira, a mesa de comes
e bebes, e os equipamentos para quando os lobos chegassem tudo já estivesse pronto.
Passada meia hora comecei a me preocupar pelo atraso deles. Mesmo irritada com Jacob, o receio por
sua segurança foi maior e tentei ligar no seu celular, mas só caía na caixa. Assim como o de Seth e Leah. O
pior era que a Tia Alice nem podia nos dizer alguma coisa porque ela não consegue ver os lobos.
Minha angústia aumentava a cada segundo. Mas finalmente eles começaram a aparecer e eu pude
finalmente ver Jacob. Meu coração se acalmou. Ele me devia algumas explicações, sobre ontem e sobre o
atraso hoje.

Todos se cumprimentaram amistosamente, os times foram divididos e cada um foi para sua posição.
Resolveram que seria bom um time de lobos contra um de vampiros hoje, mesmo às vezes fazendo times
mistos, hoje não seria o caso.
Eu e Nahuel ficamos no banco de reserva, aguardando nossa vez. Ele tinha recebido algumas aulas da
Tia Alice e eu o estava ajudando a praticar os movimentos enquanto esperávamos nossa vez.
Era muito interessante como os lobos jogavam. Alguns em sua forma animal, como era o caso de Leah,
imagino que para aproveitar mais a velocidade. E outros preferindo sua forma humana, como Jake, que já
era grande e forte o suficiente em sua forma humana. O mesmo acontecia com Sam.
Jake estava em campo como “Lançador”, aproveitando sua força bruta, Leah a “Corredora”, por ser a
mais rápida, Seth “Receptor”, dentre os outros jogadores do time deles. Como Jacob estava em campo,

68

não pudemos conversar sobre ontem. O que me deixava ainda mais ansiosa, estar perto e longe ao mesmo
tempo. Às vezes eu percebia ele me olhando com o canto de seu olho, mas sem muita expressão. O que
seráque está passando na cabeça dele?
–Nessie, se não quiser me ajudar a treinar eu vou entender, juro. Depois de tudo que aconteceu

ontem.

Nahuel falou e apontou com a cabeça para Jacob.
–O que aconteceu ontem?
Perguntou minha mãe quando se aproximava de nós.
–Ãh, nada. Só que compramos as coisas para ele treinar no time, mas estava um pouco nervoso, então
eu conversei com ele a respeito e ficou tudo ok. Porém, acho que ele está com os pés frios agora, não é
Nauhel?!

Pelo nervosismo, cuspi as palavras parafora num fôlego só. Olhei para ele quase implorando com os
olhos que ele continuasse a desculpa.
–Acho que é só nervosismo de estréia, senhora Cullen, mas vai passar logo.
–Tenho certeza que sim.
Ela falou, mas olhou pra mim desconfiada e continuou em direção ao Vô Charlie que assistia à partida.
Ela não gosta de jogar. Eu não entendo muito bem o por quê, mas acho que tem alguma coisa a haver de
quando ela ainda era uma humana desastrada.
Só tenho certeza de uma coisa: minha mãe não caiu nessa desculpa sobre ontem. Vai sobrar pra mim
depois. Não que Nahuel não tenha sido convincente, ele foi assustadoramente bom, é que ela me conhece
bem, até demais.

Fora o fato do vestido estragado e minha entrada dramática na casa ontem à noite.
Continuamos praticando, quando finalmente chegou a vez de Nahuel rebater. Ele parecia até bem
tranqüilo, para quem estava jogando pela primeira vez.
Jacob lançou uma bola curva que eu poderia jurar que Nahuel não iria conseguir rebater, mas para meu
espanto, ele conseguiu, bang! Lançou-a muito longe. Um grande estrondo irrompeu a clareira do impacto
da bola no taco de titânio especialmente preparado, criado por encomenda para nós –não me pergunte
onde o Tio Emmet conseguiu, porque não faço a mínima idéia –e bolas especialmente preparadas para
nós. Para que pudessem resistir à nossa força sobre-humana.
Ainda bem que temos os raios para nos encobrir porque com todo esse barulho de destruição, atrairia
facilmente a atenção dos humanos.
Leah começou sua corrida, e oh meu Deus, como ela era rápida!
A bola parecia ter sido disparada por um canhão de tão veloz que ia em direção às árvores que rodeiam
a clareira, mas Leah aumentou incrivelmente sua velocidade.
Suas patas traseiras arrancavam grandes tufos da grama por onde passava e seu corpo esguio de pêlos
cinza se curvava com enorme graciosidade. Era belo de se ver, exceto que ela estava quase na bola, o que
faria meu time perder o jogo se ela o conseguisse mandar de volta antes que nosso Corredor (papai)
chegasse na base.

Uma vez a bola em sua boca, ela apoiou-se nas patas traseiras, jogou a bola para cima com um
movimento de cabeça e com as patas dianteiras atingiu a bola fazendo-a voltar para o diamante, porém
não rápido suficiente para que pudesse impedir a pontuação de papai.
O jogo continuou e nós vencemos os lobos dessa vez. Admito que nas duas últimas partidas foram eles
que nos venceram, para total desgraça do Tio Emmet.
Achei os lobos muito tensos. Não estou muito certa se foi só por eles terem perdido o jogo. Até mesmo
Paul e Embry, que sempre faziam gozação dos vampiros ganhando ou perdendo, não estavam brincando.
Tenho que descobrir se aconteceu alguma coisa.
Alguns foram comentar sobre o jogo com o adversário, outros foram comer e alguns ficaram sentados
na arquibancada improvisada que fizemos, dentre eles, Jacob. Decidi que seria a hora de conversarmos e
sentei-me ao lado dele. Ele segurava um cachorro-quente gigante em uma das mãos, mas sem mesmo ter
dado uma mordida. Logo ele que adora cachorros-quentes? Eu sei, eu sei, que ironia hun? Enfim.

–Oi.
–Hey.

69

–Podemos conversar um minuto?
Eu falei.
–Estamos conversando, pode dizer.
Ai! Quanta frieza! Como pode o cara que ontem estava a ponto de dar meu primeiro beijo, estar me

tratando assim agora?

Fiquei sem ação, nem sabia mais o que dizer. Comecei a sentir meus olhos a encherem de lágrimas.
–Deixa para lá, seu estúpido cão vira-latas.
Dei as costas para ele mais uma vez e fui para única direção que não tinha ninguém, na mata. Eu não
agüentariao interrogatório do porque eu estava chorando.
Ele veio correndo atrás.
–Ei Nessie! Me espera, por favor! Eu não queria dizer aquilo, não é com você que estou irritado, eu só...
Ele finalmente me alcançou, pegando pelo braço para me fazer parar.
–Vocêo quê, Jacob Black?
Não tinha mais como disfarçar minhas bochechas molhadas e os olhos vermelho, então resolvi encarar.
–Tivemos problemas na Reserva. Problemas sérios.
Isso me desarmou completamente. Já tinha uma série de insultos listados para usar contra ele, mas
agora eu só queria saber o que aconteceu.
–Que tipo de problemas? Estão todos bem? Todos pareciam tensos, mas bem fisicamente.
–Eles estão todos bem, quer dizer, com exceção de meu pai.
–Ele estava bem ontem. O que aconteceu?
Ele tomou minha mão e me puxou para sentarmos numa pedra grande.
–Tínhamos decidido em reunião antes do jogo, que não contaríamos nada disso para vocês. Mas para
você? Para você, eu não poderia omitir nada.
–Jacob, por favor. Está me assustando. Ele está bem?
–Ele está bem, só com alguns arranhões. Está temporariamente na casa de Sue Clearwater.
–Graças a Deus.
Suspirei, agora um pouco mais calma, me dei conta de uma coisa.
–Espera aí! Você não me disse o que aconteceu com ele.
–Tivemos uma visita de transmorfos, como nós, só que não conhecíamos nenhum deles e
aparentemente essa não era uma visita cordial.
–Como assim? Transmorfos, além dos existentes na tribo Quileute?
–Sim. Mas não temos a mínima idéia de quem são, de onde vieram ou por que atacaram meu pai.
–Nossa! Agora entendo porque vocês estavam tão tensos. Mas por que não queriam que soubéssemos

disso tudo?

Ele olhou pra mim como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Quando percebeu que eu não tinha a
mínima idéia do que ele estava falando, continuou.
–Nessie, não é da conta de vocês nossos problemas. Temos que resolver por nós mesmos, sem

envolver vocês nisso.

Eu simplesmente não podia acreditar no que estava ouvindo. De repente fiquei furiosa novamente. Me
levantei porque senão acho que teria quebrado aquela pedra em minúsculos pedaços de tanta raiva.
–De que diabos você está falando?! É claro que é de nossa conta! Vocês são nossos amigos e você é

quase da família.

Apontei meu dedo acusatoriamente em direção à ele. Enfatizando minhas palavras.
–É nossa obrigação estar lá quando vocês precisarem de ajuda.
–Não é obrigação nenhuma. Somos amigos dos Cullens agora, mas nossos problemas são nossos. Além
do que, tenho plena certeza que vários de nós poderia dar conta de apenas dois deles.
Ele parecia divertido agora e até meio convencido. Como é que eu posso amar esse... esse... nem sei o

que dizer sobre ele agora.
Estava tão transtornada que eu só queria bater nele.
–Seu arrogantezinho! Estúpido e egoísta.
Fui andando em direção a ele, enquanto respirava várias vezes tentando me controlar o suficiente para
terminar meu discurso ao invés de fazê-lo em pedacinhos.

70

Ele parecia surpreso e eu apenas continuei.
–Você realmente acha que quando descobríssemos isso não iríamos nos meter para ajudar vocês? Você
realmente acha que só afeta vocês? E quanto ao fato de que vocês estiveram ao nosso lado durante a
quase guerra aos Volturis? Não era um problema só nosso?
–Mas era diferente, eu e meu bando estávamos por você e Bella. Os outros entraram para ajudar a

defender nossa cidade.

–Ah é? Em que isso difere? Eu entraria em qualquer luta por você, acho que qualquer um de minha
família entraria, bem, talvez não a Tia Rose, mas os demais? Com certeza! E quanto ao que eles podem
fazer na cidade que possa nos expora todos? Fora que não sabemos o que eles querem e até que ponto
podem ser uma ameaça para todos nós.
Ele parecia envergonhado e organizando o pensamento de acordo com os fatos que eu tinha acabado
de expor. Mas eu ainda estava furiosa e decidida. Comecei a andar de volta à clareira tão rápido que nem
ele poderia me alcançar. Graças aos céus, não tive um ataque de “falta de coordenação motora” dessa vez.
Cheguei perto de meu pai e apenas de olhar para minha expressão, que deveria estar assustadora, ficou
sério e começou imediatamente a ler minha mente, porque eu nem mesmo conseguia falar de tanta raiva.
–Nessie querida, tente se controlar e pense mais devagar para que eu possa entender.
A essa altura todos estavam ao nosso redor, lobos e vampiros. Eu respirei fundo tentando fazer o que

meu pai tinha pedido.
–Mais que diabos é isso?
Foi a única coisa que ele conseguiu falar quando terminou. Ele virou-se para Jacob com um olhar
assassino e foi em sua direção. Por um segundo temi ter feito a coisa errada.
–Euaté te defendo das agressões verbais da Rose, mas depois de tudo isso que vi, acho que ela está

certa. Você é um idiota!

–Eu sabia que estava, mas sobre o que estamos falando exatamente Edward? Por favor, não nos deixe

no escuro aqui.

Concordou a tia Rose, expressando o que todos os outros queriam saber. O que tinha acontecido?
–Eles foram atacados por dois transmorfos ontem a noite. Ninguém se feriu gravemente, mas eles não
sabem quem são, de onde vieram ou o que queriam. O que já seria ruim o bastante.Mas eles acharam que
não deveriam dizer nada para que não nos metamos nos problemas deles. Era isso que eles estavam
discutindo antes de virem ao jogo. Por isso, o atraso, e por isso, não conseguíamos falar com nenhum deles
no celular.

As palavras saltaram da boca de meu pai. Eu estava muito transtornada para falar com calma e me
parece que ele resumiu bem a história.
–Você não sabe manter essa sua boca fechada, Jacob? Tinha que falar para ela, não tinha?
Paul estava nitidamente transtornado e começando atremer. Mas Sam mandou ele se acalmar.
Minha mãe se aproximou de Jacob e apenas olhou para ele, não falou sequer uma palavra. Ele abaixou
a cabeça com vergonha. Ela se retirou irritada, ou melhor, não parecia irritada, era algo mais parecido com
desapontamento. Como era de se esperar, meu pai a seguiu.
Mas foi a Tia Rose que teve a atitude que mais me surpreendeu. Ela se aproximou de Jacob e deu-lhe
um tapa no rosto, isso mesmo! Um tapa! E Jacob deve ter ficado tão surpreso quanto eu, porque nem
reagiu. Leah é que estava a ponto de saltar nela, mas Jacob fez sinal negativo com a cabeça.
–Sabe, eu sempre me diverti muito às suas custas, Jacob Black. Sempre fiz gozação de vocês lobos, mas
somente para isso. Diversão. O que mais me irrita é saber que eu falava era verdade, vocês são tapados
mesmo. Como é que vocês podem acreditar que nós não iríamos fazer nada para ajudar vocês, depois de
tudo que aconteceu? Depois de tudo que passamos juntos? A quase guerra com os Volturis, a criação de
Nessie, os finais desemana e até mesmo a convivência forçada de vocês em nossa casa.
Ela sacudiu a cabeça negativamente e saiu.
–Cara, isso foi muito errado. Vocês pisaram na bola.
Disse meu tio Emmet antes de ir atrás de sua companheira. O tio Jasper apenas observava segurando a
mão da tia Alice. Somente meus avós se aproximaram sem agressividade. Ele olhou para cada um de nós
antes de dizer brandamente.
–Por favor, vamos todos manter a calma.

71

Meu avô colocou uma mão no ombro de Jacob e minha avó tomou sua mão, puxando elepara
sentarem-se todos na arquibancada e conversarem. Eu não quis ficar ali para saber o final da conversa. Fui
atrás de minha mãe e meu pai.

72

11.Ele é um idiota às vezes

Os encontrei sentados, conversando baixo, na mesma pedra que eu e Jacob estávamos há alguns
minutos. Me aproximei e sentei-me entre eles. Ambos puseram um braço sobre mim. Meu pai estava mais
controlado agora, mas ainda dava pra ver raiva nele. Quem me preocupava era minha mãe. Estava com
uma aparência cansada e acho até que estaria chorando se pudesse.
–Mãe, te entendo perfeitamente, mas não fica assim. Não suporto te ver assim.
Ela suspirou.
–É que não consigo entender como ele pode pensar isso de nós. É como se ele não confiasse em nós.
Depois de tudo? Não dá... simplesmente não dá.
–Eu sei, mas você conhece o Jacob, ele é um idiota às vezes.
–Eu sei bem disso. Se ele fizer algo do tipo novamente...
–Se aquele idiota fizer algo do tipo, eu dou uma lição nele antes. E duvido que minha mãe me proíba de
usar força sobre-humana nesse caso.
Ela olhou pra mim e começamos a rir, com meu pai reforçando o coro. Ela parecia mais calma, levantou-
se deu um beijo em meu pai e olhou para mim.
–Obrigada querida. Eu te amo.
–Também te amo e se quiser aceitar minha oferta em dar uma lição no Jacob, me avisa, ok?!
–Vou manter isso em mente. Mas por enquanto só quero saber os detalhes do que aconteceu.
E foi assim. Ela voltou para a clareira enquanto eu e meu pai ficamos mais uns minutos sentados.
–Eu não consigo parar de me surpreender com você.
Meu pai falou olhando para longe. Olhei para ele esperando uma melhor explicação para essa

afirmação.

–Bem, você nitidamente foi uma das que mais se irritaram com o acontecido. No entanto está aqui,
consolando sua mãe e até fazendo piadinhas para fazer ela se sentir melhor. É muito madura para alguém
de sua idade, também muito sensível e altruísta, pensando nos outros antes de você. Sou muito orgulhoso
de ser seu pai. Gostaria de saber de quem você herdou tais qualidades, acho que de sua mãe e seus avós.
Uau! E por falar em dia cheio de revelações. Ele tinha usado um discurso muito parecido com o que o

Jacob tinha usado ontem.

–Pai, como você pode dizer isso? Eu também te conheço e puxei muito de você. A lógica, o bom senso
e você também gosta de ajudar os outros.
–Ok, ok. Mas tenho que te dizer uma coisa: você tem se tornado tudo o que um pai poderia esperar de
uma filha e mais. Pena que cresceu tão rápido.
–Ah pai! Tava indo tudo tão bem. Você também com essa história da mamãe que eu cresci rápido

demais?!

Ele riu e me abraçou apertado.
–Eu sei que você não gosta quando falamos isso e não é só porque achamos que você cresceu
fisicamente, mas porque sentimos falta da época que as coisas eram um pouco mais simples. E aqui entre
nós, apesar de você ser uma moça linda, você era ainda mais linda quando bebê.
Fingi estar bufando de irritação e comecei a me levantar do tronco. Ele me segurou pela mão e me
baixou novamente, mas para sentar em seu colo.
–O que foi agora pai? Vai começar a cantar uma canção de ninar para mim?
–Não era bem isso que eu estava pensando, mas até que é uma boa idéia.
–Argh...
–Calma, só estou te provocando. Eu também quero um minuto com minha filha, posso? Não foi só sua
mãe que ficou desapontada.
–Ok. Vá em frente, pode cantar. Além do mais, eu gosto quando você murmura a canção de ninar da
mamãe para mim. Me acalma. E calma é tudo que eu preciso nesse momento.
Ele começou a murmurar a canção da mamãe enquanto me balançava em seus braços. Eu recostei
minha cabeça no seu ombro e comecei a me acalmar.
–Filha?
–Sim?

73

–Eu te amo muito.
–Também te amo, pai.
Ficamos assim por mais alguns minutos, mas a realidade chamava. Hora de encarar os problemas!
Quando chegamos à clareira, parecia que todos já tinham acalmado seus ânimos –com certeza com
ajuda do bom senso dos meus avôs: Carlisle e Charlie que estavam ao centro da conversa, e de Sam que
parecia acalmar os lobos. Aposto até que tinha dedo do tio Jasper. Nos aproximamos mais e sentamos ao
lado da mamãe que parecia melhor, já sentada ao lado de Jacob, que segurava uma de suas mãos.
Eu estava espantada com aquelas duas mãos juntas. O que será que ele fez para minha mãe ter
perdoado ele tão depressa? Olhei para minha mãe com uma das sobrancelhas suspensas para ela perceber
minha dúvida. E é claro que o entendimento foi imediato, porque ela tratou de me explicar, falando baixo
em meu ouvido quando me sentei ao lado dela.
–Em sua conversa com ele, você não esperou te explicar que ele tentou convencer os lobos a nos
contar tudo, mas foi voto vencido.
–O quê? Sério?
–Sim, sério. Entendeu porque o perdoei tão rápido?! Se me permite um conselho, acho que você

deveria fazer o mesmo.

Meu pai se atualizava da situação tocando minha mãe enquanto ela estendia seu escudo para ele ler
seus pensamentos. Eles faziam muito isso agora, mas ele ainda dependia de tocar nela e dela permitir ele
entrar em sua mente. Aproveitei para me levantar e sentar no outro lado livre de Jacob.
–Então, você não é o traidor que eu pensei que fosse?
–Então, você novamente se precipitou?
–É o que parece. Me desculpe, novamente. Por tudo, meu ataque nervoso, a ira de todos e

principalmente o tapa.

–Nah. Aquilo? Nem doeu. E também tenho minha parcela de culpa. Não deveria ter prometido que
manteria esses fatos ocultos para vocês.
–Então, estamos ok?
Falei ainda com dúvidas e esperanças que ele, mais uma vez, me perdoasse por agir por impulso.
–Claro, claro.
Ele tomou minha mão e ficou segurando durante o resto da reunião.
Acho que quem não gostou muito de nossa reconciliação foi Leah. Se ela tivesse olhar de raio laser, eu
estaria fulminada nesse exato minuto. Eles se superprotegemuns aos outros. Esse negócio de um bando
menor: Leah, Seth e depois com a adição de Embry, fez com que ficassem mais “protetores” uns com os
outros, ainda pior com seu líder. Claro que só a Leah parecia querer ver se eu sangrava.
O engraçado é que com toda essa confusão, nem pude pensar novamente sobre o acontecido ontem
entre eu e Jacob. Sei que é um pensamento infantil e até meio egoísta, mas agora que quase tudo foi
esclarecido e ações conjuntas estão sendo tomadas para nossa segurança, acho que posso me dar o luxo
de pensar em nós, eu e Jacob, por um momento. Preciso saber o que aconteceu para ter feito ele sair
correndo daquele jeito. Mas vamos deixar isso para o fim da reunião.
–Sam, pode nos dar uma descrição desses dois indivíduos?
Meu pai estava no modo negócios.
–Um é magro e rápido, com o porte parecido com o seu Edward. O outro, bem, o outro parecia uma
montanha. Talvez um pouco mais robusto do que Jacob no porte, só que ainda maior do que ele.
–Mas com uma cara muito feia para ser parecido comigo.
Eu dei-lhe uma cotovelada para calar o bico. Ele não consegue perceber que é uma situação séria e ele
acabou de fazer as pazes com as pessoas aqui? Sem noção.
–E tem mais um detalhe. Talvez o mais importante de todos, eles conseguem se transformar em outros

animais que não o lobo.

Todos os vampiros pareciam meio aturdidos com a nova informação, eu incluída entre eles. Só meu pai
parecia interessado na nova informação. Aposto que ele está juntando as novas informações e já está
processado tudo em sua cabeça.
Uma vez ele me disse que queria, dentre outras profissões, ser um engenheiro. Que sempre teve
aptidão para operações lógicas, cálculos matemáticos e outras coisas que são comuns aos que tomam essa

74

profissão como sua. E pelo visto, já devem existir algumas teorias se formando, porque ele me pareceu
estar segurando um sorriso.
–Sam, vocês sabem ou pelo menos suspeitam o que eles queriam?
Continuou meu pai com uma mão sob o queixo. Ainda em suas análises.
–Nós não sabemos ao certo. Eles foram procurar o pai de Jacob e ele foi o primeiro a enfrentá-los,
conosco chegando em seguida.
Jacob tomou a frente, tentando explicar o que aconteceu. Se esforçando para lembrar-se dos detalhes.
–Eu, primeiro senti o cheiro, então fui correndo para casa.
Jacob pausou e olhou para mim. De repente, caiu a ficha. Foi por isso que ele saiu correndo quando
íamos nos beijar. Para salvar seu pai. Deus! Estou me sentindo péssima no momento, por ter pensando
tantas coisas ruins sobe ele e ter me comportado como uma criança. Novamente.
Ele continuou sua explicação.
–Então, encontrei esses dois lobos, que não eram dos nossos e cheiravam muito mal, circulando nossa
casa. Me aproximei devagar, para tentar saber o que eles queriam.
Ele se curvou e simulou alguns passos. Tem sempre que dar um ar teatral em suas história, não nos
poupando nem da sonoplastia.
–Eles se transformaram em humanos, ou quase, se você pode chamar aquilo de humanos. Quer dizer,
eles pareciam em estado tão ruim quanto estavam como lobos. Maltrapilhos, sujos e o fedendo muito.
–Não consigo ver nenhuma diferença deles para vocês.
Tia Rose, ainda provocava, mas sendo totalmente ignorada por todos.
–Jake, eles falaram alguma coisa? Disseram por que estavam lá?
Falei ainda sem agüentar de curiosidade e medo por eles.
–Eles não pareciamsaber falar muito bem nossa língua. Mas o que pude entender do mais magro era
algo como: “Os descendentes de Ephraim Black vão pagar pelo que nos fizeram no passado. Mas não vou
matar você rapidamente, tem que sofrer.” Então se transformaram em lobos e entraram na casa em
direção ao meu pai. Daí eu fiz a única coisa possível, parti pra cima deles com tudo.
Ele socou uma mão com sua outra no ar. Coisa de garotos.
Os olhos de meu pai se desfocaram por alguns segundos. Aonde a mente dele pode ter ido?
–Ele ia apanhar feio se não chegássemos a tempo.
Falou Paul arrogantemente.
–Que nada, eles só tiveram alguma vantagem por serem dois. E um deles ser uma montanha.
Tentou defender Seth, mas foi logo interrompido por Sam.
–Chega vocês! Estamos falando sobre umasituação séria aqui. Não é uma disputa de quem é maior ou

mais forte.

–Sam está certo. Devemos nos focar nos fatos e no que faremos a seguir.
–Por favor, continue Jacob.
Insistiu meu pai.
–Então, como eu ia dizendo. Começamos a lutar e estava meio equilibrado até que o grandão se
transformou num urso gigante e o menor em um leão da montanha. O urso veio em minha direção num
ataque frontal e cara, ele era forte. Já o leão veio por trás, rápido e sorrateiro, mas felizmente consegui me
desviar dos dois, por um triz.
Ele voltou a sua postura normal, já relaxado.
–Foi quando os outros chegaram, começamos a lutar em conjunto. Seth levou meu pai para longe,
enquanto o resto de nós acuava os dois invasores. Eles perceberam a dificuldade e fugiram. Acho que é só.
Tentamos seguir o rastro deles, mas os perdemos quando eles chegaram no rio.
–Então é isso. Todos devemos ficar mais atentos ao nosso redor. E qualquer novidade que surgir, os
demais devem ser avisados imediatamente.
Meu avô Carlisle enfocou a parte do“avisar aos outros imediatamente”.
Os lobos se despediram de nós e foram quase todos embora. Ficando somente Seth, Leah e é claro,

Jacob.

75

Eu queria a oportunidade para conversar com ele sobre ontem, mas os homens da minha família não o
deixavam em paz. Meu pai parou de perguntar e ficou apenas observando o que os outros falavam. Mas
ele não foi o único a se manter como observador. Leah se encontrava ao longe, também observando.
Pensei em me aproximar dela para conversar, mas pensando bem, acho que não é uma boa idéia. Ela
sempre é muito hostil comigo, não que seja um doce com as outras pessoas, mas comigo sempre acho que
é pior.

E eu não faço a mínima idéia do porquê dela agir assim. Nunca fiz nada contra ela, nunca a ofendi ou

machuquei.

Minha última teoria para essa animosidade dela foi tudo que eles passaram para me proteger quando
eu era apenas um bebê, mas isso faz tanto tempo e todos parecem ter superado isso. Simplesmente desisti
de tentar descobrir o que aconteceu para ela agir assim.
Meu pai deixou seu lugar e veio em minha direção.
–Não é nada pessoal. Não é que ela não goste de você, é que ela tem outros motivos para manter sua...

antipatia por você.

Há! Ajudou muito. Continuei na mesma. Sem entender do que se trata.

Levantei uma sobrancelha e encarei ele.
–Desculpe filha, mas diz respeito somente a ela. Prefiro não me meter. Se um dia ela decidir falar com
você ou com qualquer outra pessoa, vai ser por decisão própria e não cabe a mim, fazer isso por ela.

Enigmático como sempre, hun?

Pensei. Ele curvou o canto da boca e foi em direção a meu avô Carlisle.
Eu estava cansada de tudo o que aconteceu. Da partida de baseball e dos conflitos. Eu só queria tomar
um banho e me deitar um pouco. Depois da reunião, voltamos pra casa, todos em silêncio. Subi as escadas
em direção ao meu quarto, separei a roupa que eu ia vestir e fui tomar uma chuveirada.
Não tem nada mais relaxante do que um banho bem quente.
Enrolei uma toalha no corpo, uma outra no cabelo e voltei para o quarto. Eu estava pegando minha
camisa quando Jacob entrou no meu quarto, todo empolgado, falando sobre as idéias que eles estavam
tendo lá em baixo depois que eu saí.
Eu fiquei tão chocada que paralisei. Não conseguia me mover nem uma polegada. Minha voz sumiu
para reclamar. Eu fiquei ali, parada como um poste.
Quando ele percebeu o que eu vestia, ou melhor, não vestia, se virou rapidamente. Mas não antes de
me dar uma olhada rápida, dos pés a cabeça.
Eu estava quase vermelho rubi de vergonha. Ele começou a gaguejar, pedir desculpas porentrar sem
bater e começou a sair do quarto fechando a porta atrás dele.
O que mais falta acontecer hoje?
Fiz o que restava fazer, coloquei minhas roupas, sequei o cabelo e desci. Eu juro que arranco um
membro do corpo daquele vira-latas, se ele fizer alguma brincadeira em frente dos outros sobre o que
acabou de acontecer.

Os lobos tinham vindo conosco para minha casa e ainda no fervor dos acontecimentos recentes, a visita
acabou formando várias pequenas reuniões. Algumas sérias como Sam, Paul e meu Avô Carlisle e outras
nem tanto.

Seth estava explicando a Jasper e Emmet que os lobos só perderam o jogo de baseball para nós hoje
porque estavam todos preocupados com a situação dos “invasores”. Versão apoiada por Embry e Quil. E é
claro que Emmet estava discordando fortemente, com o apoio de Jasper. Homens, sempre tão
competitivos.

Minha Avó e minhas tias Rose e Alice estavam conversando alguma coisa, que não pude ouvir na sala de

estar.

Leah estava como sempre, parecendo irritada. Sentava-se na sala de TV ezapeava pelos canais, talvez
esperando Seth resolver ir embora para acompanhá-lo. Apesar de Seth já ser bem grandinho e
convenhamos um “homem-lobo”, Leah insiste em protegê-lo, o que acho bonitinho da parte dela, mas tão
irritante quanto a super proteção de minha família tem em relação a mim. Enfim, família.
Não consegui achar minha mãe e meu pai em lugar algum da casa. Eles devem ter ido na sua choupana,
buscar alguma coisa. Tampouco achei Jacob.

76

Continuei andando para o lugar mais provável de encontrá-lo: na cozinha. Que surpresa, lá estava ele.
Mas ele não estava comendo, isso sim é uma surpresa! Estava apenas mexendo em alguns talheres, mas
dava para percebe que sua mente não estava naquilo.
Acho que não foi só eu quem ficou constrangida com o acontecido no quarto. Que bom, porque a
promessa de desmembramento permanece até segunda ordem.
–Oi, brincando com os talheres?
Ele se sacudiu, ficou em uma postura mais ereta e limpou a garganta.
–Er... , não. Só estava pensando.
Como eu também não queria tocar no assunto “quarto” resolvi mudar o rumo da conversa.
–Então, por que você não está com os rapazes discutindo sobre a partida? Ou com meus avôs bolando
estratégias de defesa, afinal você é um alfa, o todo poderoso líder.
Usei uma voz imitando a que ele faz quando quer parecer sério.
Ele agora parecia mais relaxado e meio arrogante.
–Bem, porque é óbvio que a teoria de Seth está certa. Nós totalmente teríamos detonado vocês. Estava

no papo.

Aí estava o bom e –que ele não me ouça –velho Jacob que eu conheço e tanto amo.
–Há! Até parece. Você fala isso porque não chegou a ver nossa arma secreta. Só vai ser apresentada
oficialmente no próximo jogo.
Agora ele parecia brincalhão.
–Sei, o garoto-morcego? Não vejo como ele pode ser diferente em campo do que a garotinha (Alice)

lançando.

–Cara, você se confia demais. Já te disseram isso?
–Um milhão de vezes, eu acho.
Tia Rose aparece do nada, mas provocando como sempre. Ah se ela soubesse o que viria a seguir, com

certeza teria ficado calada.
–Oi Rose, então... Quer dizer que você também gosta de mim?!
Ela parecia surpresa com a afirmação, mas conseguiu disfarçar bem.
–Que diabos você está falando?
–Estou falando daquela sua declaraçãozinha de amor no campo de baseball. Com direito a tapa de

novela e tudo.

Ok. Nem eu consegui me segurar. Ri tanto que tive que me segurar no balcão. Mas ela não perdeu a

pose.

–Aquilo. Nah. Foi somente a chance que achei para fazer algo que por mim, deveria ter feito há muito
tempo. Te dar um tapa! Preferia um soco, mas acho que iria ficar muito óbvio para disfarçar. O texto antes
foi só para criar a oportunidade, sem que me criticassem depois do ocorrido.
Jake agora estava encostado na porta da geladeira, com uma das mãos sobre o peito e um expressão

sofrida na face.

–O que? Já vai desistir assim do nosso amor? Não Rosalie! Não fale isso, senão vai despedaçar meu

coração.

E nisso vai mais uma gargalhada minha. Tia Rose olhou para mim com sangue nos olhos.
–Eu não falei nada! Estou aqui só como expectadora da novela.
Pensei que ela fosse rir de minha piada, mas não colou.
–O quê? Até você tem que admitir que foi engraçado! Do tapa até agora.
Continuei tentando salvar minha pele.
–Só o tapa foi engraçado. Se eu soubesse que iriam usar isso contra mim, teria tirado melhorproveito e
talvez arrancado um braço, quem sabe.
Jessh! Acho que percebo agora quando dizem que meu temperamento é parecido com o da tia Rose.
Até a brincadeira do desmembramento é igual. Tenho que repensar minhas ações melhor, de agora por
diante.

Ela seriamente parece meio... como dizer? Psicopata? Bem, pelo menos vista de fora. Sem conhecê-la.
Será que em alguns momentos também me vêem assim? Preferi não pensar mais nisso por agora.

77

–Tarde demais Rose, você não pode voltar atrás do que falou. Vem aqui. Vamos consumir nossa paixão
com nossos corpos se tocando e selar nosso amor com um beijo profundo.
Ele falou com voz igualzinha daqueles atores ruins de novelas bem melosas. E começou a andar em
direção a minha tia, que obviamente começou a rosnar, mas se afastou o mais rápido que pode.
Cara! O que eu não daria para ter uma câmera nesse momento. Ela saiu correndo para fora da cozinha,
bradando promessas de sangue, muito sangue derramado dele, caso ele a seguisse.
–Rose, amada minha. Volte, deixa pelo menos eu te contar o que uma loira diz se perguntam para ela
se o pisca alerta do caro está funcionando? Ela diz: Agora tá. Agora não tá. Agora tá. Agora não tá. Me
lembrei de outra ainda melhor Rose, volta aqui: O que você tem quando oferece a uma loira um centavo
pelos pensamentos dela? Resposta: Troco.
Ele teve que gritar porque a tia Rose já havia saído há alguns segundos.
–Ei! Dá para maneirar nas piadas de loiras?!
–Claro, claro. Só por você, Nessie. Mas não prometo nada quando ela estiver por perto.
–É suficiente para mim. Mas então?! Sobre o que falávamos quando tia Rose chegou?
–Você falava sobre sua arma secreta paraseu time... booooohuuu! Assustador!
Ele começou a se proteger teatralmente.
–E você desdenha porque não o viu lançando ainda. Ele tem potencial. Só precisa treinar mais um

pouco.

–Sei. Treinar tipo mais um século.
Bufou Jacob. Resolvi deixar isso pra lá.
–Por que você não gosta dele?
–Não é que eu goste ou não goste, apenas não o conheço bem e...
–E o que?
–Sei lá. Ele me dá nos nervos. Tem alguma coisa nele que faz meus instintos de lobo saltarem. Como
ele olha para Bella eprincipalmente como... ele olha para você recentemente.
Quase tive um troço. Não. Tenho que manter as aparências. Respire Nessie, só respire.
–Sabe Jacob, se não te conhecesse bem, diria que você só está com ciúmes de mim.
Pisquei para ele, rindo da vergonha que ele deve estar agora.
–Talvez seja isso mesmo.
Ok. Não era essa a reação que eu esperava. Só queria fazer uma brincadeira para deixar ele sem graça,
mas ele resolveu tirar a máscara de lobo “mais velho do que eu” e expor um pouquinho dos seus
sentimentos para mim? Aqui?
Bem, o local pode não ser o mais apropriado, nem a hora certa, mas que se dane! Por quanto tempo
esperei por algo assim. Só que eu não sabia o que fazer com isso. Meu coração acelerou e deu nó em
minha garganta.

Em meu resgate, entra Nahuel na cozinha. Acho que ele percebeu o clima estranho e saiu sem fazer
nada e nem dizer uma palavra. Ele parecia desconcertado.
Eu e Jake nos olhamos e começamos a rir da cena bizarra que acabara de acontecer.

******
–Vô Carlisle, eu estava pensando. Acho que seria uma boa idéia levar Nahuel para escola conosco, o
que acha? Imagino que será melhor para ele aprender a lidar com pessoas e também uma forma de
agradecer por toda ajuda que ele tem nos dado.
Fiz minha melhor cara de filhotinho, a queeu uso quando quero garantir que algum pedido meu seja

atendido.

–Talvez seja uma boa idéia Nessie, mas você já procurou saber dele se é de seu interesse? Não me
parece que ele seja muito do tipo de “se enturmar”, como vocês falam.
Ele fez aquela expressão sábia de avô, mas eu não me dei por vencida. Era verdade que sequer
comentei com Nahuel sobre meus planos, mas estou certa de que é melhor para ele.
–Não falei, mas tenho certeza que ele irá dizer “sim”. Não se lembra o quão feliz ele ficou quando o
convidei para o time de baseball? Aposto que o garoto só está esperando a oportunidade de viver mais
coisas entre nós.

78

Pode ser petulância minha afirmar isso sem consultar o principal interessado, mas eu realmente
acredito no que falei. Acho que ele vai gostar da experiência.
Meu avô franziu o cenho, pensou um pouco e decidiu.
–Vamos falar com ele primeiro. Se ele se interessar por sua proposta poderemos ver como colocá-lo na
escola com as aulas já iniciadas e sem que ele tenha nenhuma documentação.
Comecei a saltitar de alegria.
–Não se preocupe vô. Converso com ele agora mesmo e sobre os documentos, podemos falar com o tio
Jasper para entrar em contato com seus “contatos”. Tenho certeza que isso vai ser fácil. O que realmente
me preocupa é com a vaga na escola.
Coloquei a mão sob o queixo, tentando pensar na solução para essa única parte falha do meu plano.
Mas foi meu avô que me acalmou. Ele colocou uma mão sobre meu ombro.
–Não se preocupe com essa parte. Pode deixar que eu resolvo. Você só terá que se resolver as outras

“pendências”.
–Obrigada, obrigada, obrigada vô!
Eu o abracei. Corri para encontrar Nahuel e contar as novidades.
Encontrei-o no jardim treinando –como sempre, depois que começou a praticar baseball –seus
lançamentos contra uma armaçãode madeira, preenchido com feno, coberto com couro super resistente e
meio deformado ao centro para que pudesse acomodar a bola quando esta fosse atirada contra o receptor
improvisado, já que nem todos tínhamos tempo para treinar com ele.
–Oi. Tenho novidades para você.
Ele interrompeu seus lançamentos e virou-se pra mim empolgado.
–É? E do que se trata?
–Consegui convencer o vô Carlisle a te matricular na escola que freqüentamos. Não é o máximo?! Já
estamos até providenciando a documentação e sua vaga na escola.
Estava tão excitada que me segurei para não saltitar novamente. Estava perdida em meus
pensamentos, quando percebi que ele não parecia empolgado. Permaneceu mudo. E a julgar por sua
expressão, ele parecia mais irritado do que qualquer outra coisa.
Ele foi andando em direção a receptor, sem ao menos olhar para trás. Que diabos mordeu ele?
–O que foi? Pensei que você fosse gostar da minha idéia.
Quando ele permaneceu calado eu insisti.
–Me diz o que está acontecendo. Foi alguma coisa que eu fizou falei? Me dá uma pista.
Ele pegou a bola, voltou à sua posição e lançou ainda com mais violência do que antes. Não entendo
esse garoto. Num momento ele está todo empolgado por estar sendo parte do grupo e no outro ele parece
contrariado com a ajuda nesse processo.
Ele se dirigiu novamente ao receptor para pegar a bola que havia lançado e eu o segui.
–É que você deveria ter perguntado primeiro se eu queria, sabe? Você não pode ficar tomando as
decisões ou intercedendo por mim assim. Não é correto.
Achoque meu avô Carlisle estava certo. Eu deveria ter conversado com ele antes.
–Me desculpa se eu te ofendi de alguma maneira, é que... bem, pensei que estivesse te ajudando de
alguma forma. Você deveria conviver mais com as pessoas, pelo menos assim eu acho. Já que você viveu
sua vida quase toda somente com sua tia, isolado na selva, longe de tudo e de todos. Mas se realmente te
ofendi, foi sem intenção, me perdoe.
Falei com sinceridade.
–Tudo bem. Eu estourei sem necessidade. Me desculpe também. É que, isso tudo é novo para mim. Ter
alguém se preocupado por mim –além de minha tia, é claro. E... eu acho que não sei lidar muito bem com
isso. Além do que, não sei se quero ir para escola, não creio que seja controlado como vocês. Como você
mesma disse, eu fui criado na selva, longe de tudo e de todos.
Senti o rancor em suas palavras e me arrependi de ter falado elas em primeiro lugar.
–Se você não quiser ir, tudo bem. Não vai. Eu só pensei que seria bom pra você, teria chance de
conhecer pessoas, lugares, coisas e talvez se divertir um pouco. Mas você está absolutamente certo! Eu
deveria ter te perguntando antes. É o meu jeito impulsivo. Será que você poderia me perdoar?

79

Olhei para ele com o coração apertado de culpa. Eu pensando em ajudar e acabei magoando opobre

coitado.

–Sem problema.
E foram suas únicas palavras. Eu resolvi respeitar.
–Podemos mudar de assunto então? Que tal... já sei. Vou te ajudar nos treinamentos, posso?
Ele sorriu timidamente e me deu a luva. Eu dei as costas e fui andando em direção ao local onde estava
o receptor falso, quando ele me chamou.
–Nessie?!
–Sim?
–Sobre ir para escola.
Eu comecei me empolgar novamente, para ser mais uma vez desapontada.
–Eu vou pensar sobre o assunto. Ainda não é um “sim”, mas prometo pensar com calma.
Bem, já é um começo, hun?! Como ele parecia mais calmo, resolvi brincar.
–Então não demore muito a se decidir, senão você vai perder o período das provas. Uau! O melhor
período de todos na escola!
Comecei a ri, mas acho que ele não entendeu o sarcasmo. Desisti da conversa e começamos a praticar.

80

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->