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IT 144 – Hidráulica Aplicada

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7. BOMBAS HIDRÁULICAS
7.1 Máquinas

É um transformador de energia (absorve energia em uma forma e restitui em outra). Entre os diversos tipos de máquinas, as máquinas fluidas são aquelas que promovem um intercâmbio entre a energia do fluido e a energia mecânica. Dentre elas, as máquinas hidráulicas se classificam em motora e geradora. máquina hidráulica motora: transforma a energia hidráulica em energia mecânica (ex.: turbinas hidráulicas e rodas d’água); máquina hidráulica geradora: transforma a energia mecânica em energia hidráulica.

7.1.2 Classificação das Bombas Hidráulicas

- Bombas volumétricas: o órgão fornece energia ao fluido em forma de pressão. São as bombas de êmbulo ou pistão e as bombas diafragma. O intercâmbio de energia é estático e o movimento é alternativo.

- TurboBombas ou Bombas Hidrodinâmicas: o órgão (rotor) fornece energia ao fluido em forma de energia cinética. O rotor se move sempre com movimento rotativo.

7.2 Principais Componentes de uma Bomba Hidrodinâmica

Rotor: órgão móvel que fornece energia ao fluido. É responsável pela formação de uma depressão no seu centro para aspirar o fluido e de uma sobrepressão na periferia para recalcá-lo (Figura 89).

Difusor: canal de seção crescente que recebe o fluido vindo do rotor e o encaminha à tubulação de recalque. Possui seção crescente no sentido do escoamento com a finalidade de transformar a energia cinética em energia de pressão (Figura 89).

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(Difusor)

rotor

Figura 89 – Corte do rotor e difusor.

7.3 Classificação das Turbobombas

7.3.1 Quanto à trajetória do fluido dentro do rotor

a) Bombas radiais ou centrífugas: o fluido entra no rotor na direção axial e sai na direção radial. Caracterizam-se pelo recalque de pequenas vazões em grandes alturas. A força predominante é a centrífuga. Pelo fato das bombas centrífugas serem as mais utilizadas, será abordado, neste material, todo o seu princípio de funcionamento e critérios de seleção (Figura 90a).

b) Bombas Axiais: o fluido entra no rotor na direção axial e sai também na direção axial. Caracterizam-se pelo recalque de grandes vazões em pequenas alturas. A força predominante é a de sustentação (Figuras 90b e 91).

a Figura 90 – Bomba com rotores radial (a) e axial (b).
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b

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Figura 91 – Bomba axial utilizada no bombeamento de água para irrigação do arroz.

7.3.2 Quanto ao número de entradas para a aspiração e sucção

a) Bombas de sucção simples ou de entrada unilateral: a entrada do líquido se faz através de uma única boca de sucção.

b) Bombas de dupla sucção: a entrada do líquido se faz por duas bocas de sucção, paralelamente ao eixo de rotação. Esta configuração equivale a dois rotores simples montados em paralelo. O rotor de dupla sucção apresenta a vantagem de proporcionar o equilíbrio dos empuxos axiais, o que acarreta uma melhoria no rendimento da bomba, eliminando a necessidade de rolamento de grandes dimensões para suporte axial sobre o eixo.

7.3.3 Quanto ao número de rotores dentro da carcaça

a) Bombas de simples estágio ou unicelular: a bomba possui um único rotor dentro da carcaça. Teoricamente é possível projetar uma bomba com um único estágio para qualquer situação de altura manométrica e de vazão. As dimensões excessivas e o baixo rendimento fazem com que os fabricantes limitem a altura manométrica para 100 m.

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Foto: Schneider Moto bombas

Figura 92 – Corte de uma bomba monoestágio.

b) Bombas de múltiplo estágio: a bomba possui dois ou mais rotores dentro da carcaça. É o resultado da associação de rotores em série dentro da carcaça. Essa associação permite a elevação do líquido a grandes alturas (> 100 m), sendo o rotor radial o indicado para esta associação.

Figura 93 – Corte de uma bomba de múltiplo estágio.

7.3.4 Quanto ao posicionamento do eixo

a) Bomba de eixo horizontal: é a concepção construtiva mais comum.

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Prof. b) Bomba de eixo vertical: usada na extração de água de poços profundos.3. Possui pequena resistência estrutural. Dificulta o entupimento.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Figura 94 – Bomba de eixo horizontal. 7.5 Quanto ao tipo de rotor a) Rotor aberto: usada para bombas de pequenas dimensões. Figura 95 – Corte de uma bomba de eixo vertical. Baixo rendimento. podendo ser usado para bombeamento de líquidos sujos. Daniel Fonseca de Carvalho 112 .

6 Quanto à posição do eixo da bomba em relação ao nível da água. Prof. Foto: Schneider Moto bombas Figura 96 – Esquemas de rotores fechado (a). b) Bomba de sucção negativa ou afogada: o eixo da bomba situa-se abaixo do nível d’água do reservatório de sucção (Figura 97b). ou seja. Possui discos dianteiros com as palhetas fixas em ambos. 7.3.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 b) Rotor semi-aberto ou semi-fechado: possui apenas um disco onde são afixadas as palhetas. c) Rotor fechado: usado no bombeamento de líquidos limpos. a b Figura 97 – Instalação com bomba de sucção positiva (a) e afogada (b). Evita a recirculação da água. a) Bomba de sucção positiva: o eixo da bomba situa-se acima do nível d’água do reservatório de sucção (Figura 97a). o retorno da água à boca de sucção. Daniel Fonseca de Carvalho 113 . semi-aberto (b) e aberto (c).

parcialmente cheio de água e submetido a uma força externa que promova o seu giro em torno do eixo de simetria. compondo uma superfície livre chamada de parabolóide de revolução.x 2 y = ho + 2g sendo “w” a velocidade angular do vaso. No plano cartesiano.y) obedece a equação: w 2 . Atingido o equilíbrio.x 2 é grande.y Quando a velocidade angular for suficientemente grande. um ponto M (x. 2g Prof.4 Princípio de funcionamento de uma bomba centrífuga ou radial Se imaginarmos um vaso cilíndrico aberto. A experiência revela que: há sobreposição junto à periferia do vaso (pontos para os quais y é grande porque o termo w 2 . a pressão em pontos situados junto ao fundo do vaso será dada por: p = p o + γ. Figura 98 – Vaso girante e o parabolóide de revolução. Daniel Fonseca de Carvalho 114 . a água sobe pelas pareces do vaso.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 7. Atingido o equilíbrio dinâmico. teremos uma situação mostrada na Figura 98. a água subirá nas paredes do vaso a ponto de descobrir sua região central (Figura 99).

consideremos um vaso cilíndrico fechado e totalmente cheio de água.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 - há depressão junto ao centro do vaso (pontos para os quais y é negativo w 2 . e outro superior e ao qual se liga pela periferia. Dessa forma. ganha na periferia a sobreposição que o recalca para o reservatório superior (Figura 100). Daniel Fonseca de Carvalho 115 . sob ação da força centrífuga. Figura 100 – Princípio de funcionamento da bomba centrífuga. e interligado por tubulações a dois reservatórios: um inferior e ao qual se liga pelo centro. Ao ser acionado o rotor.x 2 porque ho é negativo e é pequeno. Prof. a depressão central aspira o fluido que. terá sido criada uma bomba centrífuga. Assim. 2g Figura 99 – Depressão e sobrepressão em um vaso girante.

primeira expressão da altura manométrica Usada para o caso da bomba em funcionamento (já instalada). Prof. ou seja. Daniel Fonseca de Carvalho 116 . A equação de Bernoulli aplicada entre a entrada (e) e a saída (s) de uma bomba (Figura 101).5 Altura Manométrica da Instalação A altura manométrica (Hm) de uma instalação de bombeamento representa a energia (por unidade de peso) que o equipamento irá transferir para o fluido. fornece: Pe Ve 2 Ps Vs 2 + + Z e + Hm = + + Zs γ 2g γ 2g ou Ps − Pe Vs 2 − Ve 2 Hm = + + (Z s − Z e ) γ 2g P − Pe M − V Pela Figura tem-se: s = γ γ y = (Z s − Z e ) ≈ 0 Portanto: Hm = Vs 2 − Ve 2 ≈ 0 (muito pequeno ou nulo ) 2g M− V γ Figura 101 – Instalação típica com manômetro à saída da bomba e vacuômetro à entrada. a sua demanda. Existem duas maneiras de calcular Hm: . a fim de satisfazer às necessidades do projeto.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 7.

a perda de carga na sucção é de 1. Resposta: Hm = 37. e c) a altura manométrica total. Encontre a altura manométrica da bomba nessa condição.segunda expressão da altura manométrica (Hm) A equação da energia aplicada entre os pontos 1 e 2 da Figura 101 fornece: P1 V12 P2 V2 2 + + Z1 + Hm = + + Z 2 + ht (1−2) γ 2g γ 2g sendo “ht” a perda de carga total.3 mca.0 mca 2) No sistema de recalque da Figura abaixo. o valor lido no vacuômetro é negativo e para as bombas de sucção negativa ou afogada. Daniel Fonseca de Carvalho 117 . b) a altura manométrica de sucção. P2 − P1 = 0 (reservatórios sujeitos à pressão atmosférica) γ V2 2 − V12 V 2 ≈ (perda na saída – computada em ht) 2g 2g Portanto: Hm = HG + ht (1−2) Exercícios: 1) Em uma instalação de bombeamento. o valor lido no vacuômetro é positivo. as leituras do manômetro e do vacuômetro indicam. Prof. 3.7 kgf cm-2.0 kgf cm-2 e -0.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Obs: para as bombas de sucção positiva. respectivamente. Pede-se: a) a altura manométrica de recalque.2 mca e a perda de carga no recalque é de 12. .

7.3 mca. e altura manométrica da instalação (Hm). A altura manométrica será calculada por: Hm = HG + ht . O consumo diário será definido em disciplinas específicas.Vazão a ser recalcada A vazão a ser recalcada depende essencialmente de três elementos: consumo diário da instalação.2 mca. . conforme o objetivo da instalação: para abastecimento urbano e industrial (IT 179 – Saneamento) e para consumo agrícola (IT 157 – Irrigação).Cálculo dos diâmetros de sucção e de recalque Prof.6 Escolha da Bomba e Potência Necessária ao seu Funcionamento Basicamente a seleção de uma bomba para uma determinada situação é função da: vazão a ser recalcada (Q).Altura manométrica da instalação O levantamento topográfico do perfil do terreno permite determinar: o desnível geométrico da instalação (HG).5 mca. c) Hm: 52. . o comprimento das tubulações de sucção e de recalque e o número de peças especiais dessas tubulações. b) Hms: 5.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Respostas: a) Hmr: 47. a perda de carga é facilmente calculada pelo conhecimento dos diâmetros de sucção e de recalque. jornada de trabalho da bomba e do número de bombas em funcionamento (caso das instalações com bombas associadas em paralelo). Com os comprimentos das tubulações e o número de peças especiais. Daniel Fonseca de Carvalho 118 . A Figura 102 ajuda a entender melhor o problema.

lubrificantes. Isto porque. custo operacional: despesas com a operação do sistema. consequentemente. A manutenção do sistema envolve gastos com energia elétrica (ou combustível). mão-de-obra.V). a velocidade de escoamento diminui e.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Tendo em vista a equação da continuidade (Q = A. mas menos será o custo operacional. ou seja: 24 horas dia-1. O correto é fazer um balanço econômico entre o custo da tubulação e o custo da manutenção do sistema. etc (Figura 103). - Diâmetro de recalque a) Fórmula de Bresse Recomendada para funcionamento contínuo. Assim. com o aumento do diâmetro (para uma mesma vazão). a variação do diâmetro produz reflexos diretos sobre o investimento e o custo operacional da instalação. Contudo. sabe-se que uma mesma vazão pode ser transportada em tubulações de diferentes diâmetros. Daniel Fonseca de Carvalho 119 . refletindo na diminuição da altura manométrica e finalmente na potência necessária ao bombeamento (menor consumo de energia). maior o investimento. Prof. ht Hm HG Figura 102 – Altura manométrica de uma instalação com reservatórios abertos. quanto maior o diâmetro da instalação. variando a velocidade de escoamento. a perda de carga. que são: investimento: despesas na aquisição dos tubos.

 24  sendo 0.25 . - Diâmetro de sucção (Ds) Prof. O valor de K está também relacionado com a velocidade. Q em m3/s.8 a 1. K é um coeficiente econômico (balanço entre os gastos com tubulação (investimento) e os gastos com a operação da instalação (custo operacional .  . Figura 103 – Avaliação entre o custo da tubulação e manutenção. Q DR em m. ou seja: V= 4Q πDR 2 = 4 πDR 2 DR 2 4 1 = K π K2 b) Fórmula da ABNT (NB – 92/66) Recomendada para funcionamento intermitente ou não contínuo:  T  D R = 13. e T = número de horas de funcionamento da bomba por dia.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 DR = K Q sendo DR em metros e Q em m3 s-1. Daniel Fonseca de Carvalho 120 .3).0.

é procedimento usual admitir o diâmetro comercial imediatamente superior ao calculado para a sucção e o imediatamente inferior par o recalque.Q.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 É o diâmetro comercial imediatamente superior ao diâmetro de recalque calculado pelas fórmulas anteriores.η . recomenda-se a análise de cinco diâmetros comerciais. Daniel Fonseca de Carvalho 121 . para K = 1. o cálculo dos diâmetros é facilmente determinado pela equação da continuidade.0 m s-1 e Vr = 2. Adotadas as velocidades.η ou Pot = 0. b) Quando o diâmetro calculado pela fórmula de Bresse ou da ABNT não coincidir com o diâmetro comercial.0 m s-1.H m (kw) 75. por uma razão qualquer. Prof. Observações importantes: a) Na análise econômica.γ.Potência necessária ao funcionamento da bomba (Pot) A potência absorvida pela bomba é calculada por: Pot = γQHm (cv) 75.0 m/s) Como valores médios pode-se adotar Vs = 1. sendo o intermediário calculado pela fórmula de Bresse. pode-se adotar o critério das chamadas velocidades econômicas. já que se conhece a vazão (Q = A V).0 m/s) no recalque: Vr < 2. c) Além das fórmulas vistas anteriormente para cálculo dos diâmetros. cujos limites são: na sucção: Vs < 1.5 m/s (no máximo 2.735 .5 m/s (no máximo 3.Potência instalada (N) ou potência do motor O motor que aciona a bomba deverá trabalhar sempre com uma folga ou margem de segurança a qual evitará que o mesmo venha. ou seja: Ds = 4Q πVs e Dr = 4Q πVr .

Finalmente para a determinação da potência instalada (N). esta válvula mantém a carcaça ou corpo da bomba e a tubulação de sucção cheia do líquido recalcado. 7. de 50% independente da potência calculada. Nestas circunstâncias.1 Na linha de sucção 1) Válvula de pé com crivo Instalada na extremidade inferior da tubulação de sucção. só permite a passagem do líquido no sentido ascendente. É uma válvula unidirecional. impedindo o seu retorno ao reservatório de sucção ou captação.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 operar com sobrecarga.7. Portanto. Com o desligamento do motor de acionamento da bomba. diz-se que a válvula de pé Prof. recomenda-se que a potência necessária ao funcionamento da bomba (Pot) seja acrescida de uma folga.7 Peças Especiais numa Instalação Típica de Bombeamento A Figura 104 mostra as peças especiais utilizadas numa instalação de bombeamento. deve-se observar que os motores elétricos nacionais são fabricados com as seguintes potências comerciais. conforme especificação a seguir (para motores elétricos): Potência exigida pela Bomba (Pot) Até 2 cv De 2 a 5 cv De 5 a 10 cv De 10 a 20 cv Acima de 20 cv Margem de segurança recomendada (%) 50% 30% 20% 15% 10% Para motores a óleo diesel recomenda-se uma margem de segurança de 25% e a gasolina. em cv (Motores Kohlbach – 1200 rpm – 60 Hz): 1/4 – 1/3 – 1/2 – 3/4 – 1 – 1 ½ – 2 – 3 – 4 – 5 – 7 ½ – 10 – 12 ½ – 15 – 20 – 25 – 30 – 40 – 50 – 60 – 75 – 100 – 125 7. isto é. Daniel Fonseca de Carvalho 122 .

Daniel Fonseca de Carvalho 123 . etc. Figura 104 – Peças especiais numa instalação típica de bombeamento. galhos.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 com crivo mantém a bomba escorvada (carcaça e tubulação desta válvula é a de impedir a entrada de partículas sólidas ou corpos estranhos como: folhas. Prof.

5D s + 0. 2) curva de 90o Imposta pelo traçado da linha de sucção. antes da válvula de gaveta. o que viria a provocar danos à mesma. Suas funções são: impedir que o peso da coluna de água do recalque seja sustentado pela bomba o que poderia desalinhá-la ou provocar vazamentos na mesma. 2) Válvula de retenção É unidirecional e instalada à saída da bomba. São aconselháveis sempre que a tubulação de sucção tiver um diâmetro superior a 4” (100 mm). Daniel Fonseca de Carvalho 124 . fazendo a bomba funcionar como turbina. com o defeito da válvula de pé e estando a saída da tubulação de recalque afogada (no fundo do reservatório superior). de diâmetro geralmente menor.2 Na linha de recalque 1) Ampliação concêntrica Liga a saída da bomba de diâmetro geralmente menor à tubulação de recalque. Essa excentricidade visa evitar a formação de bolsas de ar à entrada da bomba.7. haja um refluxo do líquido.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 A válvula deve estar mergulhada a uma altura mínima de: h = 2.1 (h e D s em metros ) para evitar a entrada de ar e formação de vórtices. 3) Redução Excêntrica Liga o final da tubulação à entrada da bomba. 3) válvula de gaveta Prof. 7. impedir que.

com a potência absorvida.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Instalada após a válvula de retenção. Suas funções são de regular a vazão e permitir reparos na válvula de retenção. Obs: o aspecto das curvas Hm = f (Q) e Pot = f (Q) refere-se apenas à região de rendimento aceitável (η > 40%). com o rendimento e às vezes com a altura máxima de sucção. Observação: a bomba centrífuga deve ser sempre ligada e desligada com a válvula de gaveta fechada. O aspecto destas curvas depende do tipo de rotor. Pot = f (Q). a b Figura 105 – Curvas características de bombas centrífuga (a) e axial (b). 7. Prof. Pode-se dizer que as curvas características constituem-se no retrato de funcionamento das bombas nas mais diversas situações. As mais comuns são: Hm = f (Q).8 Curvas Características das Bombas Constituem-se numa relação entre a vazão recalcada com a altura manométrica. η = f (Q). Estas curvas (Figura 105) são obtidas nas bancadas de ensaio dos fabricantes. Daniel Fonseca de Carvalho 125 . devendo-se proceder de modo contrário nas bombas axiais.

8. especial atenção deve ser dada quando a altura manométrica diminui. desde que se use o método dos comprimentos equivalentes (Le).IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 7.9 Curvas Características do Sistema ou da Tubulação A segunda expressão da altura manométrica fornece: Hm = H G + h t ht = hf + ha (para reservatórios abertos) As perdas de carga acidentais podem ser incluídas nas perdas de carga distribuídas. Pela figura a seguir. Quando Hm diminui. vejamos o que acontece no caso de bombas centrífugas ou radiais: 7.1 Algumas conclusões tiradas das curvas características das bombas a) o aspecto achatado das curvas de rendimento das bombas centrífugas mostra que tal tipo de bomba é mais adequado onde há necessidade de variar vazão. as bombas radiais devem ser ligadas com a válvula de gaveta fechada. Então. o crescimento da altura manométrica não causa sobrecarga no motor. A vazão pode ser variada sem afetar significativamente o rendimento da bomba. pode-se escrever que: Prof. o que poderá causar sobrecarga no motor. selecionar o motor para trabalhar com bastante “folga”. O contrário ocorre com as bombas axiais. aumenta a vazão. Isto mostra que. c) Para bombas radiais. b) a potência necessária ao funcionamento das bombas centrífugas cresce com o aumento da vazão e decresce nas axiais.5 por exemplo) e. a potência necessária para acioná-las é mínima. Daniel Fonseca de Carvalho 126 . É muito comum o erro de se multiplicar a altura manométrica calculada por um valor (1. com isso. pois nesta situação.

85 Hm = HG + KQ 2 (Eq. em que Lv é o comprimento normal da canalização 2 4 D π 2.f .85 (Eq de H.  2. Hm do sistema é: 1. K= Lv. Daniel Fonseca de Carvalho 127 .Le = Le.  2.63   0.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Lv 16Q 2 ht = f = K. quando representadas graficamente.85   4  h t = Le. tem o seguinte aspecto: Figura 106 – Curva característica da tubulação.85 .16 π 2 2.63   0. 7.Q1.D5 = constante para uma determinada instalação.Q 2 .W) Essas equações.g. Se fosse utilizada a equação de Hazen-Williams.10 Ponto de Operação do Sistema A curva característica da bomba associada à curva característica do sistema tem o aspecto ilustrado na Figura 107.335 πCD  1. A intersecção das duas curvas define o ponto de Prof.D mais o comprimento correspondente às peças especiais. teríamos:   4Q  h t = J.g. de Darcy) Hm = HG + K ' Q1.335 πCD  Então.85 = K ' Q1.

ou seja: para a vazão de projeto da bomba.11 Variação das Curvas Características das Bombas As curvas características das bombas podem variar: a) variando a rotação do rotor (para um mesmo diâmetro) b) variando o diâmetro do rotor (para uma mesma rotação) c) variando a forma do rotor (competência do próprio fabricante) d) com o tempo de uso. Os recursos “a” e “b” são muito utilizados na prática para evitar sobrecarga no motor.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 trabalho ou ponto de operação da bomba. : Figura 107 – Ponto de funcionamento do sistema. 7. a altura manométrica da bomba é igual àquela exigida pelo sistema. Daniel Fonseca de Carvalho 128 . Prof. a) variação da rotação do rotor: Nesses caso o diâmetro é mantido constante e o rendimento deverá ser mantido o mesmo para ambas as rotações (a rotação especificada e a requerida).

b) Variação do diâmetro do rotor Nesse caso a rotação é mantida constante.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 As equações utilizadas são: Q 1 n1 = Q2 n2 . combinando-as tem-se: H1  Q1   = H2  Q 2    2 ou H1 Q12 = H2 Q2 2 = cons tan te Esta equação é chamada de parábola de iso-eficiência ou iso-rendimento e é usada para obter os chamados pontos homólogos (pontos de mesmo rendimento). Prof. daí as expressões Q = f(D). são: Q1  D1   = Q 2  D2    2 segundo Louis Bergeron e outros (experimental) 2 Hm1  Q1   = Hm 2  Q 2    Pot 1  D1   = Pot 2  D 2    (parábola de iso-eficiência) 3 (experimental) Observação: o corte no rotor afasta um pouco a hipótese de semelhança geométrica entre o rotor original e o usinado. Esta é uma operação mais indicada para bombas centrífugas. Pot 1  n1   = Pot 2  n 2    3 Estas fórmulas foram originadas da semelhança geométrica de bombas. As equações utilizadas mantendo-se constantes a rotação e o rendimento. H1  n1   = H2  n 2    2 . Daniel Fonseca de Carvalho 129 . já que as faces do rotor são praticamente paralelas. Como os pontos pertencentes às curvas de mesmo rendimento (curvas de iso-eficiência) obedecem às equações anteriores. Hm = f(D) e Pot = f(D) não obedecem a lei de semelhança geométrica. A operação consiste na usinagem (raspagem) do rotor até um valor correspondente a 20% no máximo do diâmetro original sem afetar sensivelmente o seu rendimento.

13.4 mmHg.2 Ocorrência da Cavitação O aparecimento de uma pressão absoluta à entrada da bomba. Pode-se comparativamente associar a cavitação à ebulição em um liquido: Ebulição: um líquido "ferve" ao elevar-se a sua temperatura. na temperatura em que este se encontra. poderá ocasionar os seguintes efeitos (Figura 108): Figura 108 . Daniel Fonseca de Carvalho 130 . Sob condições normais de pressão (760 mmHg). menor ou igual a pressão de vapor do líquido. com a temperatura sendo mantida constante. Um líquido ao atingir a pressão de vapor libera bolhas de ar (bolhas de vapor). 7. A pressão com que o líquido começa a “ferver” chama-se pressão de vapor ou tensão de vapor.Ilustração de bomba com cavitação.1 Introdução Convém salientar que a cavitação é um fenômeno observável em líquidos. dentro das quais o líquido se vaporiza.13.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 7.24 mca = 17. a água ferve a l00 oC. Prof. com a pressão sendo mantida constante. À temperatura de 20oC a água “ferve” à pressão absoluta de 0.13 Cavitação – Altura da Instalação das Bombas 7. não ocorrendo sob quaisquer condições normais em sólidos ou gases. A tensão de vapor é função da temperatura (diminuí com a diminuição da temperatura). Cavitação: um líquido "ferve" ao diminuir sua pressão.

Se a pressão absoluta do líquido na entrada da bomba for menor ou igual à pressão de vapor e se ela (a pressão) se estender a toda a seção do escoamento.3 Altura Máxima de Sucção das Bombas Para que uma bomba trabalhe sem cavitar.13. danificando-as (Figura 109). menor deverá ser a altura de sucção. V1 e hs agem desfavoravelmente. golpeando com violência as paredes mais próximas do rotor e da carcaça.atingindo a bolha região de alta pressão. ou seja: com a condensação da bolha as partículas de água aceleradas se chocam cortando umas o fluxo das outras isso provoca o chamado golpe de aríete e com ele uma sobre pressão que se propaga em sentido contrário. seja superior à pressão de vapor. responsável pelos seguintes efeitos distintos da cavitação (ocorrem simultaneamente esses efeitos): a) Efeito químico .Se esta pressão for localizada a alguns pontos da entrada da bomba. . poderá formar-se uma bolha de vapor capaz de interromper o escoamento. Prof. Daniel Fonseca de Carvalho 131 . torna-se necessário que a pressão absoluta do líquido na entrada da bomba. sendo a água circundante acelerada no sentido centrípeto. as bolhas de vapor liberadas serão levadas pelo escoamento para regiões de altas pressões (região de saída do rotor). ou seja. A equação de Bernoulli desenvolvida entre o nível da água no reservatório (0) e a entrada da bomba (1) pode ser apresentada por (fazendo p1 = pv (pressão de vapor)): Patm − Pv Vo 2 − V12 Hs ≤ + − hs γ 2g (1) Pode-se notar que Pv. 7. quanto maiores. à temperatura de escoamento do líquido. b) Efeito mecânico . Com o desaparecimento da bolha.com as implosões das bolhas são liberados íons livres de oxigênio que atacam as superfícies metálicas (corrosão química dessas superfícies). A Figura 110 apresenta um rotor de uma bomba que sofreu cavitação. Os valores de V1 e hs poderão ser reduzidos. Em razão da pressão externa maior que a pressão interna ocorre a implosão das bolhas (colapso das bolhas).IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 . seu diâmetro será reduzido (inicia-se o processo de condensação da bolha).

Daniel Fonseca de Carvalho 132 . Figura 110 – Rotor cavitado de uma bomba centrífuga.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 utilizando-se tubulações de sucção com diâmetros grandes. Prof. Figura 109 – Efeito da cavitação no interior da bomba. O valor de Pv pode ser reduzido operando com líquidos à baixa temperatura.

4 92.969 0.972 0.943 Sendo assim.2028 0.983 0.8 136.2547 0.6 433.988 0.981 0.994 0.0974 0.1 288. Prof.5 354.992 0.962 0.996 0.0270 Densidade 0.8 54.0238 0. Temperatura (oC) 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 110 115 120 pressão de vapor mm Hg 12.4828 0.0 1491.8620 1.1602 0.7 17.5 148. a expressão (1) pode ser rescrita como: Patm − Pv Vo 2 − V12 Hs ≤ + − hs − ∆H * γ 2g (2) V12 ∆H* tem muita importância no cálculo da Hsmax.0750 0.7149 0.997 0.0 117.0 1075. juntamente com constituem as 2g grandezas relacionadas com a bomba.0 525.947 0.5 41. pressão de vapor e densidade da água.3175 0.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Na expressão (1) levou-se em conta apenas a perda de carga existente até à entrada da bomba.5894 0. Essa perda não é calculada pelas expressões usuais de perda de carga.978 0.955 0.9 233.4 23.0572 0.965 0.990 0.0174 0.999 0.0429 0.7 760.6 31.986 0.4 633.2320 1.3929 0.0 kgf cm-2 0.0 1269. Temperatura.958 0.951 0.9 71.1255 0.4609 1. Daniel Fonseca de Carvalho 133 .975 0. Considerando-se que as bolsas de vapor serão levadas para a saída do rotor.0322 0.7260 2.0 906.998 0.0333 1. devemos adicionar à referida expressão a perda de carga ∆H* que leva em conta a perda existente entre a entrada da bomba e a saída do rotor (porque é na saída que ocorre o colapso das bolhas).

5 Medidas destinadas a dificultar o aparecimento da cavitação.13. ou γ γ 2g Patm  Pv V12  −  ± Hs max + + hs  ≥ ∆H * +   γ γ 2g  44 44444  14243 1444 2 3 NPSH disponível ( na instalação ) NPSH requerido (pela bomba ) NPSHd ≥ NPSHr NPSHd →é uma preocupação do técnico de campo NPSHr → geralmente fornecido pelo fabricante 7.0 m s-1 (diminui a perda de carga) Prof. separando o primeiro membro as grandezas que dependem das condições locais da instalação (condições ambientais) e no segundo membro as grandezas relacionadas com a bomba (desprezando-se Vo).4 NPSH disponível na instalação e NPSH requerido pela bomba NPSH – Net positive suction Head APLS – Altura positiva líquida de sucção Pela equação (3). Daniel Fonseca de Carvalho 134 . menor Pv) b) tornar a linha de sucção a mais curta e reta possível (diminui a perda de carga) c) selecionar o diâmetro da tubulação de sucção de modo que a velocidade não ultrapasse a 2. tem-se: Patm Pv V12 Hs max − + + hs ≤ − ∆H * − . por parte do usuário a) trabalhar com líquidos frios (menor temperatura.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 7.13.

b) altura manométrica da instalação.0 m Comprimento de recalque: 210. e e) estudo da bomba quanto à cavitação. pede-se: a) diâmetro das tubulações. com base nos dados abaixo: Vazão de projeto: 0.0 m Jornada de trabalho: 8 h dia-1 Material: PVC Altitude: 400 m Temperatura da água: 25oC Peças especiais: Sucção: 1 válvula de pé 1 curva de 90o 1 redução excêntrica 39. Daniel Fonseca de Carvalho 135 .039 m3 s-1 Altura de sucção: 4.14 Projeto de uma instalação de bombeamento Dimensionar uma instalação de bombeamento. RESPOSTA a) diâmetro das tubulações Prof.0 m Comprimento de sucção: 6. c) escolha da bomba em catálogo do fabricante.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 7.0 m Altura de recalque: 53. d) potência instalada.0 L s-1 - Recalque: 1 válvula de retenção 1 válvula de gaveta 6 curvas de 90o 1 ampliação Para estas condições.

5 m ) s Então adota-se DR = 150 mm e DS = 200 mm b) Altura manométrica da instalação Hm = HG + ht HG = HS + HR ht = ht S + ht R b.42 + 6.24 m Hm = (4.24 2 s π(0. Comprimento fictício: Recalque (100 + 8 + 180 + 12 = 300 x 0.0 + 53.200 m Q 0.195 m = 195 mm Diâmetros comerciais disponíveis: 0.039 )1.2 m Lv S = 6 + 57.2 m hts = (145 )1.852 Lv R = 210 + 45 = 255 m (0.82 m ht = 0.150 )2 s 4 0.25 0.1) Perda contínua de carga calculada por Hazen-Williams e perda localizada calculada pelo método dos diâmetros equivalentes: ht = ht S + ht R Lv = L + Lf Comprimento fictício: Sucção (250 + 30 + 6 = 286 x 0.20 A π(0.2 = 63.150 ) 4.0 m Prof.82 = 7.039 m VS = = 1.200) Lf = 57.0 ) + 7.150) Lf = 45.2 = 0.42 m .852 63.24 = 64.646 (0.25 Q  8  DR = 1.646 (0.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011  T  DR = 1.20 )4. Daniel Fonseca de Carvalho 136 .3   24  0.039 )1.039 m = = 2.87 10.200 ) 4 VR = ( < 2.87 255 = 6.24 m ≈ 65.852 (0.852 1.3    24  0.039 = 0.150 m e 0.0 m htr = (145 ) 10.5 m ) s ( < 1.

18 m 2 (9.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 b.15 ⋅ 2.81 (0.02 ⋅ 10 −6 fQ L 5 e 0.24 = 243 .0003 D 200 f = 0.67 m ≈ 65.50 0.12 m Perda de carga localizada (∆h) ∆h = 5.30 NR = 0.529 1.15 ) 5 2 e 0.67 = 64.12 + 133 = 7.0176 hf = 210 = 6. 2 (9.0175 hf = π2 g D hf = ( π 2 9.2 2 = 133 m .15 2. Peça 1 válvula de retenção 1 válvula de gaveta 6 curvas de 90° 1 ampliação TOTAL K 2.30 5.0004 D 150 f = 0.02 ⋅ 10 −6 ( π 9.0 ) + 7.40 0.22 m .4 2.20 2. Daniel Fonseca de Carvalho 137 .2 = 323.18 = 0.137 1.Tubulação de sucção: NR = 0.81) ) ht R = 6.24)2 ∆h = 2.2 1.04 + 0.45 = 7.81) ) htS = 0.67 m Hm = (4.0 + 53.2)5 6 = 0.45 m .22 + 7.40 ht = 0.40 0.81 ( 0.06 = = 0.Tubulação de recalque: Peça 1 válvula de pé 1 curva de 90° 1 redução excêntrica TOTAL K 1.06 = = 0.3 = 0.04 m Perda de carga localizada (∆h) V2 ∆h = K 2g (1.75 0.0 m Prof.2) Perda contínua de carga calculada por Darcy-Weisbach e perda calculada pelo Borda-Belanger: localizada .

para a rotação de 3500 rpm. não existe nenhum modelo que atenda a vazão e a altura manométrica do projeto. Observando as Figuras 111 (1750 rpm) e 112 (3500 rpm). Daniel Fonseca de Carvalho 138 . etc. Por isso.039 m3 s-1 = 140. observa-se que para o modelo GM. quando comparado ao modelo GN (65%). observar também a idoneidade do fabricante. Figura 111 – Carta hidráulica do fabricante Mark-Peerless (1750 rpm) Prof. o rendimento esperado é maior (79%). Consultando individualmente cada um desses 2 modelos (Figura 113 e 114). constata-se que. os termos de garantia. a disponibilidade de assistência técnica.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 c) Escolha da bomba (Figura a seguir – catálogo do fabricante) Utilizando o catálogo do fabricante Mark-Perless. foram inicialmente consultadas as cartas hidráulicas ou diagramas de cobertura hidráulica. Na prática deve-se. para a rotação de 1750 rpm. além do rendimento. No entanto. e com os dados do problema (Q = 0.0 m). a partir dos quais é possível pré-selecionar modelos a serem utilizados no projeto. dois modelos foram pré-selecionados: GM e GN. o modelo GM é o escolhido.4 m3 h-1 e Hm = 65.

Daniel Fonseca de Carvalho 139 .IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Figura 112 – Carta hidráulica do fabricante Mark-Peerless (3500 rpm) Figura 113 – Curvas características da bomba GM. Prof.

Daniel Fonseca de Carvalho 140 .IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Figura 114 – Curvas características da bomba GN. tem-se: Figura 115 – Carta hidráulica do fabricante KSB (1750 rpm). Prof. Fazendo o mesmo procedimento com o catálogo do fabricante KSB.

Figura 116 – Carta hidráulica do fabricante KSB (3500 rpm) Ao analisar individualmente os modelos (Figuras 117 e 118). o modelo selecionado é o 65-200. Dessa forma. Daniel Fonseca de Carvalho 141 . enquanto o rendimento para o modelo 65-200 é de 78%.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 O modelo pré-selecionado é o 80-400. esse último seria o modelo escolhido pelo critério de rendimento. Fazendo o mesmo procedimento para a rotação 3500 rpm (Figura 116). chega-se a conclusão que o rendimento apresentado no ponto de projeto para o modelo 80-400 é de 70%. Prof.

d) Potência instalada d.0 m .1) Considerando que a bomba irá trabalhar fora do ponto de projeto Hm = 65. Figura 118 – Curvas características da bomba 65-200. HG = 57.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Figura 117 – Curvas características da bomba 80-400.0 m . m3 Q = 140.4 h 142 Prof. Daniel Fonseca de Carvalho .

852 Prof. . ..IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Ponto homólogo 72 .000852 143 ..W Hm = HG + K ' Q1. Daniel Fonseca de Carvalho 65 = 57 + K ' 140. . .41. . .852 K ' = 0. . Ponto de projeto Parábola de iso-eficiência . . . Ponto de funcionamento 3 Equação de H. Curva do sistema .

teremos os seguintes valores para Hm: Q Hm 0 50 80 59.94 57.4 m3 e Hm = 65.4 m3h-1) poderá ser obtida fechando-se o registro de gaveta.00 170 68.69 CV 3600 75 η 3600 × 75 × 0. d. Nesse caso o diâmetro do rotor. h Prof.0 m ) deverão ser mantidos constantes. Daniel Fonseca de Carvalho 144 .803 A potência necessária ao motor será: Folga = 10% N=1. Obs: a vazão inicial (Q = 140.4 65. A manobra do registro de gaveta introduz uma perda de carga acidental. o rendimento da bomba e o seu ponto de funcionamento ( Q = 140.09 130 63.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Hm = 57 + 0.000852 Q1.2) Considerando que a bomba irá trabalhar no ponto de projeto mediante a variação da rotação do rotor.83 110 62. Q = 175 m3 h Hm = 69.40 200 72. Onde essa curva cortar a curva característica da bomba.94 140.26 CV Os motores elétricos comerciais que atendem o caso são o de 60 CV ou o de 75 CV. traça-se a curva característica da tubulação.852 (Q em m3h-1) Atribuindo-se valores a Q. na equação anterior.39 230 76.69 = 61.18 Com os pontos desse quadro.3 % Pot = γ Q Hm 1000 × 175 × 69.0 58. ficará definido o ponto de operação ou de trabalho da bomba.10 x 55. até que a altura manométrica corresponda a essa vazão.0 = = 55. fazendo mudar a curva caracteristíca da tubulação para uma posição mais inclinada.0 m η = 80.

4 m3 h H2 = ? Q2 = ? η2 = 79. é utilizada para obter pontos homólogos (pontos de mesma eficiência) de funcionamento de uma bomba.4 .97 130 55.0 m ) que passa pela h curva característica GM é: Prof.41 Os dados do quadro anterior levados às curvas características da bomba do modelo GM.0 % (catálogo) D1 = 185 mm n1 = ? Usando-se a equação: 65 140.0 % D 2 = 185 mm n 2 = 3500 rpm η1 = 79.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 H1  Q1   = H2  Q 2    2 ou H1 Q12 = H2 Q22 A equação acima.19 160 84. Analisemos o seguinte Quadro: Ponto de funcionamento (projeto) Ponto homólogo H1 = 65.4 2 = H2 Q2 2 H2 = 0. o ponto homólogo ao Ponto ( 140. 65. permitem traçar a parábola de iso-eficiência.98 100 32. Daniel Fonseca de Carvalho 145 .003297 Q22 A equação anterior permite obter os seguintes dados de Hm para diferentes valores de Q: Q2 H2 30 2.0 m Q1 = 140. Onde essa a curva cortar a curva da bomba estará definido o ponto homólogo (índice 2) ao conhecido (no caso. o de índice 1). chamada parábola de iso-eficiência ou iso-rendimento.73 150 74. m3 Desse modo.

0.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 m3 Q 2 = 148.4 n2 = 3500 = 3320. Daniel Fonseca de Carvalho 146 .27 Polia do motor Polia da bomba n1 d1 n2 d1 Figura 119 – Esquema de variação da rotação por meio de polias e correia. 75 .por meio da variação da relação de diâmetros de polias quando a transmissão é feita por meio de correias.0 h .140.79 A potência necessária ao motor é: Folga = 10% N=1. a potência do motor será calculada como a seguir: Pot = γ Q Hm 1000. . Prof.78 = 47.reduzindo a aceleração por meio de uma alavanca.4 . 65 = = 42. . no caso de motores a combustão interna. para o caso de motor elétrico.27 rpm Q2 148 Esta nova rotação poderá ser conseguida: .78 CV 3600 75 η 3600 . a nova rotação do rotor será de: Q1 n1 = Q 2 n2 n1 = Q1 140. ou seja: n1d1 = n2d2 d1 3500 = = 1.com um variador mecânico de rotação intercalado entre o motor e a bomba. H2 = 72.05 d2 3320.10 x 42.0 m (em destaque) Com isso. Assim sendo.06 CV O motor elétrico comercial que atende o caso é o de 50 CV.

IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 d.4  = 185    148. as equações utilizadas são obtidas com o auxílio da experimentação.19 mm A usinagem (U) do rotor será: U= D 2 − D1 185 − 180. a rotação é mantida constante.4 mm 2 2 Como não houve mudança no ponto inicial de projeto.0 m Q 2 = 148. tem-se: Q1  D1   = Q2  D2    2 Q  D1 = D 2  1  Q   2 0. A usinagem consiste na raspagem do rotor.3) Considerando que a bomba irá trabalhar no ponto de projeto mediante a variação do diâmetro do rotor (usinagem) Nesse caso.0 CV.4 m3 h H2 = 72. Prof.0 % D 2 = 185 mm n 2 = 3500 rpm Usando a relação de Louis Bergeron. Desta forma.5  140.0 % (catálogo) D1 = ? n1 = 3500 rpm η2 = 79.19 = = 2. Daniel Fonseca de Carvalho 147 . o que poderá ser feito até um valor máximo de 20% do diâmetro original.5 = 180. a potência solicitada pela bomba será de 42.0 m Q1 = 140.0 m3 h η1 = 79. ou seja: Hm1  Q1  Hm1 Hm 2 =  Q  ou Hm = Hm (Parábola de iso-eficiência)  Hm2  2  2 1 Ponto de funcionamento (projeto) Ponto homólogo 2 H1 = 65.0  0. sem afetar significativamente o rendimento da máquina.78 CV e a potência do motor de 50.

Prof.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 e) Estudo da bomba quanto à cavitação: e.646 (0. Hm = 69.0 m (retirado do catálogo do fabricante Altitude = 400 m T = 25o C Patm 400   = 10.0 m .57 m  γ   Como NPSH d > NPSHr . Ls = 6.52 − (0. a bomba não cavitará.2 m hts = 10.52 m γ 100   Pv = 0.2 = 0. a bomba trabalhará fora do ponto de projeto.852 (0.2) Considerando que a curva característica da bomba será mudada para atender ao ponto de projeto Q = 140.04861)1.0 + 0.200 )4.200 ) 4.852 (0.87 63.87 10.0 + 0.0 −  0.039 )1.322 mca (Tabelado) γ Lvs = 63.63 ) = 4.4 m3 .42 m NPSHd =  Patm  Pv −  γ + Hs + hts  = 9.42) = 4.852 63.852 (145 ) 1.0 m h NPSH r = 2.2 = 0. e. Daniel Fonseca de Carvalho 148 . Ds = 200 mm. Ls = 6. Hm = 65 m .0 m h valor em destaque) NPSHr = 3. Q = 175 m3 . Hs = 4.52 − (0.1) Considerando que a curva característica da bomba será mantida e.322 + 4.63 m NPSHd =  Patm  Pv −  γ + Hs + hts  = 9.322 + 4. por isso.646 (0.5 m (retirado do catálogo do fabricante) hts = (145 )1. a bomba não cavitará.12  = 9.78 m  γ   Como NPSH d > NPSHr .0 m .

As razões (a) e (c) requerem a associação em paralelo e a razão (b). atender a altura manométrica de projeto. Figura 120 – Exemplos de associação de bombas em paralelo. atender a vazão de demanda. isoladamente. b) inexistência no mercado de bombas que possam. As associações podem ser em paralelo (Figura 120) ou em série (Figura 121). Figura 121 – Exemplos de associação de bombas em série.15 Associação de Bombas Razões de naturezas diversas levam à necessidade de se associar bombas: a) inexistência no mercado de bombas que possam. associação em série. c) aumento da demanda (vazão) com o decorrer do tempo. isoladamente.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 7. Prof. Daniel Fonseca de Carvalho 149 .

7.15.2 Associação em Série Para traçado da curva características das bombas associadas em série.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 7. Prof. Esta associação é muito utilizada em abastecimento de água de cidades e em indústrias. Nas bombas de múltiplos estágios os rotores estão associados em série numa mesma carcaça. Na associação em série. Uma bomba de dupla sucção possui dois rotores em paralelo. onde as vazões se somam para a mesma altura manométrica (é um caso particular de associação em paralelo).15.1 Associação em Paralelo Para a obtenção da curva característica das bombas associadas em paralelo as vazões se somam para uma mesma altura manométrica. A Figura 122 apresenta um esquema da curva da associação em paralelo: Figura 122 – Curvas características de uma associação em paralelo. deve-se ter o cuidado de verificar se a flange da sucção e a carcaça a partir da segunda bomba suportam as pressões desenvolvidas. Daniel Fonseca de Carvalho 150 . A interseção entre a curva característica da associação e a curva característica do sistema indica o ponto de trabalho da associação em paralelo. as alturas manométricas se somam para uma mesma vazão (Figura 123).

que somado à alta velocidade da água. além das perdas comuns a outros tipos de Bombas. faz com que o líquido se eleve até o limite de sucção da bomba. pelo princípio dos tubos Venturi. Prof. de eixo horizontal que tem como princípio básico. A simplicidade de instalação da bomba injetora nem sempre é compensada pelo seu baixo rendimento mecânico. causado pela perda por atrito na tubulação de retorno da água e no tubo Venturi.16 Bombas com dispositivos especiais 7. geralmente. um vácuo acima do injetor.1 Bomba centrífuga com injetor Esta bomba permite que o motor e o corpo da bomba sejam localizados na superfície do terreno. uma bomba centrífuga comum que só consegue aspirar uma coluna de 5 a 6 m.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Figura 123 – Curvas características de uma associação em série. o retorno de uma certa quantidade de água do tubo de elevação que desce até o injetor mergulhado na água (Figura 124). Com isso. pode passar a ter uma altura de sucção muito maior. Esta quantidade de água cria.16. 7. A bomba é. havendo casos de sucções a 60 metros. Daí seu uso não muito generalizado. Daniel Fonseca de Carvalho 151 .

instantaneamente. um vácuo no centro do rotor. até a chegada da água de sucção. é impelida para a câmara (Figura 125 A). Estes se misturam na periferia do rotor e são impelidos para a câmara. as passagens 1 e 2 (Figura 125 B) se transformam em uma passagem comum.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 Figura 124 – Bomba centrífuga com injetor. desce para o rotor e. dentro do rotor. Daniel Fonseca de Carvalho 152 . ao ser novamente impelida para a câmara. a água. as bombas centrífugas auto-escorvante apresentam a vantagem de não necessitar do uso de válvula de pé no tubo de sucção e de não exigir que este esteja cheio de água para dar início ao funcionamento da bomba. nova quantidade de ar do tubo de sucção é aspirada. que recebe a água enquanto vai ocorrendo a escorva automática do conjunto.16. isto é. Fazendo parte do corpo da bomba há uma ampla câmara. Após o enchimento do corpo da bomba e posto o motor a funcionar. conseqüentemente.2 Bomba centrífuga auto-escorvante ou auto-aspirante Especialmente usadas em pequenos trabalhos de irrigação. Este movimento cria. 7. sem Prof. Esta. até a escorva da bomba. que aspira ar do tubo de sucção e água de dentro da câmara.e Uma vez completada a escorva e. onde o ar se separa da água por diferença de densidade. pela força da gravidade. repetindo-se o ciclo. eliminado todo o ar.

Prof. quando a bomba pára de funcionar. Daniel Fonseca de Carvalho 153 . mantém a coluna líquida nos tubos e na bomba. por sucção. semelhante à válvula de pé. e o bombeamento se processa normalmente. a coluna do tubo de aspiração da bomba. pois retém a água do tubo de elevação e. Uma válvula de retenção interna. deixando todo o conjunto escorvado e pronto para funcionar normalmente. Figura 125 – Corte esquemático de uma bomba centrífuga auto-escorvante. por não permitir a passagem de água ou ar. segura também.IT 144 – Hidráulica Aplicada Novembro/2011 circulação interna. fechando-se automaticamente. situada na ligação do tubo de sucção com a bomba.