Mitos, Crencas e Supersticoes No Concelho de Faro

DEPARTAMENTO DE CULTURA

DIVISÃO DE MUSEUS, ARQUEOLOGIA E RESTAURO

Mitos, Crenças e Superstições no Concelho de Faro

Fernanda Zacarias (2011)

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Na escuridão do desconhecido o Homem busca a razão e é na crença e superstição Que ele alcança o sentido…

(Fernanda Zacarias)

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ÍNDICE

Introdução…………………………………………………………….5 PARTE I – Lendas Associadas ao Concelho de Faro.............7 Lenda da Moura de Faro……………………………………………....9 Lenda do Mourinho Encantado………………………………………11 Lenda “O Falso Juramento”……………………………………….…12 Lenda da Moura de Milreu………………………………….………..13 Lenda de Santa Maria………………………………………………..19 Lenda da Festa da Pinha…………………………………………….20 Lenda de Alface…………………………………..…………………..21 Lenda de Estoi………………………………………………………...21 Lenda da estátua de S. Tomás de Aquino, situada no nicho do Arco da Vila……………………………………………………………….…25 O Palácio das Lágrimas…………………………….…………….….25 A Lenda da Costureirinha……………………………………….……26 Lenda do Sino da Igreja de S. Pedro……………………………..…26 PARTE II – Crenças e Superstições……………………………32
Crenças e Superstições Relacionadas com Animais……………..…………33 Crenças e Superstições Relacionadas com Vegetais ...…………………...39 Crenças e Superstições Relacionadas com Alimentos……………………..40 Crenças e Superstições Relacionadas com o Corpo……………………….42 Crenças e Superstições Relacionadas com Objetos…………………….….43 Crenças e Superstições Relacionadas com o Namoro e o Casamento..45

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62 Crenças e Superstições Diversas……………………………………….Crenças e Superstições Associadas à Gravidez...67 Bibliografia………………………………………………………………….…63 Adágios Populares…………………………………………………………….….….……53 Rezas de Proteção e Sorte………………………………………………….……59 Amuletos…………………………………………………………………………..49 Crenças e Superstições Relacionadas com os Santos Populares………50 Crenças e Superstições Relacionadas à Cura………………………….48 Crenças e Superstições Relacionadas com os Astros………………….69 4 . ao Parto e ao Nascimento………………………………………………………………………..……..….…46 Crenças e Superstições Relacionadas com o Ano Novo………………….

onde qualquer barulho. João. especialmente em noites de lua cheia. histórias do mundo real ou do além. outros ainda. lugares com sinais sagrados. e promessas aos santos em troca de graças. o facto é que sobreviveram ao tempo das gerações das avozinhas e muitas delas ainda 5 . Mas a fuga e a precaução. apaziguando os males do corpo. fruto de temores e medos. Se por um lado. amuletos protetores. levavam as pessoas à prática de rituais de devoção. lendas associadas a encantamentos de mouras. evitando a passagem por locais ermos e isolados. santificava as águas dos rios. espaços e objetos de culto e veneração. lendas e histórias ligados ao mundo do imaginário e do sobrenatural. ribeiras e praias. luz ou vestígio estranho encontrado. crença. forças do bem. das preces. à santidade e atos heroicos e milagreiros. nem sempre surtiam o efeito desejado e muitos. com os seus rituais profanos e satânicos. acompanhados pelo silêncio e pela solidão do anoitecer. outros. Uns. que com o seu poder. como as fontes santas devido às propriedades milagrosas das suas águas. ligados a factos históricos. ou apenas fruto da imaginação? Forças do mal. eram confrontados com as forças do mal. semeando o receio. associados sempre a duas realidades opostas: sagrado e profano. de geração em geração. poderiam ser sinais atribuídos à passagem da diabólica. que evitavam a todo o custo desafiar o “desconhecido”. casas e recantos ditos assombrados. até mesmo dos mais céticos. as forças maléficas que se manifestavam na escuridão. aparições. ligados à obscuridade de entidades maléficas. Por outro lado. santos milagreiros. como podemos dar o exemplo. ou rituais de cura como o banho na véspera de S. História. Faro também tem o seu memorial de mitos. tornavam-se mitos passados através do testemunho oral.INTRODUÇÃO Tal como em outras localidades do país. ameaçavam e afligiam. superstição. como bruxas e lobisomens com seus cerimoniais noturnos ao longo das encruzilhadas e caminhos sombrios. que os perseguiam.

6 .estão hoje. aqui ficam neste despretensioso trabalho. Acreditando ou não. Este trabalho de investigação está estruturado em duas partes: Uma relacionada com lendas associadas ao Concelho de Faro. são testemunhos da tradição que identifica a cultura de um povo. nem negligenciar. e porque passado. e outra. da imensidão cultural que representa a nossa identidade. numa corrente eterna que importa não quebrar. alguns dos registos recolhidos da memória escrita e oral. Desta forma. presente e futuro estão intrinsecamente relacionados. de uma comunidade e de um lugar. que convém não deixar apagar. associada às crenças e superstições que povoam o imaginário popular. bem presentes na memória dos que experienciaram ou simplesmente ouviram contar.

ASSOCIADAS AO CONCELHO DE FARO 7 .LENDAS.

Também os milagres associados a determinados lugares. lendas e crenças. entre outros. é constituída por imensa diversidade temática. José Viale Moutinho. tentando muitos com os seus encantamentos. que apareciam em diversos locais de Faro. E é nalgumas dessas histórias. tentamos citar neste trabalho algumas das mais conhecidas e contadas. encontram-se quase apagadas na memória do presente. Estas vivências dos elos temporais de outrora.A diversidade das lendas de Faro. para que não se apagassem através dos tempos. é que elas fazem parte de uma realidade. Maria José Fraqueza. Destes. as crenças e superstições diversas associadas a assombrações de seres fantasmagóricos como as bruxas e os lobisomens. que fazem parte da imensidão cultural de Faro. Foram muitos os autores que tentaram resgatar estas preciosas memórias. uma fertilidade de lendas ligadas a mouras e mouros encantados. Dessas memórias. porque imaginário ou não. E é desta temporalidade. devido aos feitiços que estas criaturas com seus poderes ocultos lhes pudesse fazer e outros. que se chama cultura. por promessas que não cumpriram em vida. Em Faro. que apareciam nos mais variados locais. preserva e difundir. poderemos citar Francisco Xavier D´Ataíde Oliveira. Morais Lopes E Gentil Marques. fazendo os seus encantamentos e que levavam muitos ao pânico. lendas e factos sobrenaturais. existe como em outras zonas do Algarve. que importa ofertar. que seguidamente. constituíam mistérios que envolviam todo o imaginário popular. apenas se vislumbram fragmentos retidos na memória dos mais velhos. Assim. vindas ao mundo dos vivos em busca de auxílio. temos as histórias de mouras e mouros encantados. Delas. 8 . ou ainda as aparições de almas penadas. composta por histórias. Luís Chaves. que têm ultrapassado a fronteira dos séculos. mais ousados e determinados cediam à tentação de receber aquilo que as mesmas lhes ofereciam através dos seus encantamentos. iremos abordar. identidade ou comunidade. o facto.

Certamente ela não contribuiria para tal traição. que da parte de fora estava muita gente. Prometeram-lhe os camaradas cumprir as suas ordens. encarregado de dirigir o exército. estava em relações amorosas com o valente oficial. Mais pormenorizadamente. 9 . criança de oito anos. Em certo dia conseguiu o oficiai que a sua namorada o recebesse em curto rendezvous dentro do castelo. foram acusados de traição por seu pai e por isso enfeitiçados e condenados a ficar para sempre naquele local até ao fim do mundo. também mouro. acompanhou ela o seu querido namorado até à porta do castelo. e estas forças eram comandadas por um brioso oficial. filha de um governador mouro. Devido a isso.Lenda da Moura de Faro Esta lenda encontra-se associada à tomada de faro aos Mouros. Este oficial pôde ver em certa ocasião a formosa e gentil filha do governador mouro e dela ficou enamorado. e esta. é porque caí num laço bem urdido. hoje da Senhora do Repouso. a moura e o pequeno irmão de oito anos que a acompanhava. Conta a história de uma moura encantada. no seu livro “ As Mouras Encantadas e os Encantamentos do Algarve”. contada por Francisco Xavier d ´Ataíde Oliveira. Francisco. Antes da noite dirigiu-se o oficial a alguns dos seus camaradas e disse-lhes: .Espero entrar esta noite dentro do castelo pela porta do nascente. depois que reconheceram a impossibilidade de o demover da sua empresa. levando consigo um irmão. Á hora marcada entrou o oficial no castelo e ai em doce colóquio se entreteve com a dama dos seus encantos. Quando se aproximaram da porta. “Parte das forças. e então peço-lhes que se o castelo for tomado e lhes venha às mãos a filha do governador a poupem e a não maltratem. e que conhecia perfeitamente as línguas portuguesa e sarracena. A presença agradável e o aspeto belicoso do nosso oficial não passaram despercebidos à moura. por intermédio de um seu escravo. depois de pequena demora. Se não voltar. combinando-se que o mouro intermediário lhe abrisse. segue-se a transcrição desta lenda. que atacaram o castelo de Faro. que se apaixonou por um cavaleiro do exército cristão. em breve tempo. pois que mais de uma vez lhes chegavam aos ouvidos vozes abafadas. alta noite. robusto e formoso rapaz. a porta. disse-lhes o escravo. solteiro. A gentil moura estremeceu. foram colocadas no largo atualmente chamado de S. Á hora de sair.

Armados até aos dentes afluíram os defensores á porta do nascente. disse o oficial á moura. mas apenas uns farrapos. Já a este tempo soava por todo o castelo a voz de alarme. Neste momento o criado destrancou a porta. conhecendo o irmão da sua namorada. e que o governador ousado acudira com suas numerosas forças a rechaçaram a pequena força portuguesa. hoje conhecida pela Senhora do Repouso. dando-lhe o beijo da despedida. — Não fales porque te faz mal. no momento em que transpunhas a porta. invocando Allah. Afonso. O oficial saiu da barraca e pediu ao amigo que o deixasse. — E a filha do governador? O amigo nada lhe soube dizer da filha do governador. Avançou para fora com a moura. fazendo pequeno ruído. supondo que o teriam morto. e. segurando nos braços a moura gentil. numa vozearia de estontear. encantou-nos aqui. — Quem me trouxe para este lugar? Perguntou. notou que tinha nos braços não uma formosa jovem. Então teve a profunda e tristíssima compreensão da sua desgraça. quase ao transpor a porta. mediante uma avença com o Rei D. disse o oficial. tendo esperado com alguns camaradas a sua saída do castelo. Ao entrar pelo Arco da Senhora do Repouso viu ao lado esquerdo a cabeça de uma criança que se assomava por um buraco. Caiu no chão sem sentidos. que se desfaziam à mais pequena e leve aragem. viu-se em iminente perigo. — Estamos aqui encantados: eu e minha irmã. Eslavas caído entre a porta do castelo. tinham resolvido entrar à força. — Eu estou bom. — O que fazes aí. Nesse momento acudiram as forças do Mestre e de D. Tinha ao seu lado um camarada. Quem me conduziu para aqui? — Eu e os nossos camaradas. e. A este impulso gigantesco.— Não tenhas medo: respondo pelos que estão de fora. o oficial recuou um passo e susteve nos braços a sua gentil moura. de quem era amigo íntimo. Por atraiçoarmos a santa causa do nosso Allah aqui ficaremos encantados. O oficial. começou a gritar pelo seu oficial. — Por muito tempo? 10 . João de Aboim e os mouros tinham sido forçados a entregar o castelo. Passadas horas tornou a si o oficial e viu-se deitado na sua cama sob a barraca de campanha. Soube por uma espia que levavas nos braços a minha irmã acompanhada por mim. menino? perguntou o oficial. — Quem vos encantou? — O nosso pai. Então foi a porta impelida de fora para dentro com muita força e um grupo de soldados cristãos. Contou-lhe que. O físico proibiu que falasses. para trás: estou aqui. Olhou ao lado pela criancinha e não a viu. erguendo-se de um salto. colocando-a sobre os ombros e dizendo em voz alta: — Para trás. Dirigiu-se á porta do castelo.

11 . que com os seus encantamentos. Segundo esta lenda. adotando outro nome. cada pessoa que aceitava o convite do mourinho. o mourinho oferecia todo o ouro que quisessem levar. O mourinho convidou-o então. e à tentação de outros. O marítimo assustado fugiu daquele local e quando chegou à Porta Nova. A estes. Nunca mais ninguém viu o oficial rir. há quem diga que os mais corajosos aceitavam o convite do mourinho. que um marítimo. era um lugar fértil no que respeita ao aparecimento de mouros e mouras. 1996. um valente.” (Francisco Xavier d´Ataíde Oliveira. só tinha direito a visitar o palácio uma única vez.— Enquanto o mundo for mundo. relacionadas com este local cita-se a seguinte: Lenda do Mourinho Encantado Reza a lenda. Destas aparições mencionadas na obra do autor. Quis ainda perguntar á criança pela irmã. Ao passar junto à capela da Senhora do Repouso avistou um mourinho. desmaiou. Francisco Xavier D´ Ataíde Oliveira. Apesar da sua generosidade. a visitar o seu palácio. onde professou. que não resistiam às promessas atraentes que estes seres lhes ofereciam. que o chamou. não pôde suster as lágrimas. As Mouras Encantadas e os Encantamentos no Algarve. ao ir buscar a sua barca que se encontrava junto à Porta Nova. pediu licença ao Rei e recolheu-se a um convento. que fugiam perante estas visões. Assustado o marítimo perguntou-lhe o que queria dele. pp. verificavam que dentro dele tudo era de ouro. mas a criança desaparecera. Terminado o cerco. refere que o Arco do Repouso. Loulé. e que ao chegar ao palácio. O oficial. teve de passar pelo arco do Repouso. cuja porta se situava debaixo do altar da Senhora do Repouso. levavam ao temor de alguns. 148-150) Na obra “ As Mouras Encantadas e os Encantamentos do Algarve”.

mas vai pensando na sua vida. mas a roupa não é dela. decerto era da fortaleza que havia mais em cima. Era jovem e bonito. a rapariga revelou à mãe o que se havia passado. Ele gabou-lhe a voz e disse 12 . Mais pormenorizadamente. que ela tinha a noção que não era nenhuma cara feia. Sim. bem como o Rio Seco. Pois estão a ver essa graciosa rapariga que está a lavar um monte de roupa fina? É a Joana. Apesar disso. Apesar de tudo. pedindo-lhe que não contasse o sucedido a ninguém. Também Santo António do Alto é local para o aparecimento de mouras e mouras encantadas. que se trataria de um mouro encantado que veio até ela atraída pelo seu canto e recomendou à filha. Mouro. o Mouro. e que lá voltasse no dia seguinte. deveria levar consigo. onde segundo o autor seriam avistados mouros encantados por volta da meia-noite. Lenda “O Falso Juramento” Esta lenda. pediu-lhe que pensasse na sua proposta. ela enleada. bem lhe apetecia ser dona daquela roupa. “ De Harune o nome da terra foi a Haron. que um dos locais referenciados com aparições desse tipo. A mãe contratou lavá-la a um jovem casal de posses residente em Farão e a filha é que faz o trabalho. tendo sido advertida pela mesma. E teve um estremecimento.Francisco Xavier D´Ataíde Oliveira. Vaidosamente. era uma casa localizada na Rua da Parreira. que quando voltasse para se reencontrar com o mouro. é passada no Rio Seco. Pois ao tempo desta lenda ainda era Farão e o Rio Seco ainda era beneficiado com a entrada das marés. Cumprimentaram-se. Havia um homem junto de si! Joana voltou-se e encarou-o. intitulada: “ O Falso Juramento”. Como a lavadeira não sucumbiu de imediato aos seus desejos. uma cruz. e retrata a história de uma lavadeira. Joana olhou as águas. refere na sua obra “ As Mouras Encantadas e os Encantamentos do Algarve”. E como ela canta! Canta. pois seria esta a forma de ver quais as intenções deste para com ela. banhar-se nas límpidas águas do rio e vestir tão belos linhos. de Haron passou a Farão e só passando o século XVI é que o topónimo se estabeleceu em Faro. a quem um mouro encantado lhe apareceu e a pediu em casamento. se transcreve a lenda contada por José Viale Moutinho.

encontrou uma moura encantada. p. que lhe pediu que a acompanhasse até ao seu rico palácio. bastaria que o mouro se prestasse àquela pequena prova. que nele. então. se encontravam acorrentados um leão e uma serpente. Ele hesitou mas acabou por estender a mão sobre a cruz e jurar que casava com ela e a amava. Diário de Notícias. ouviu-se um trovão. (José Viale Moutinho. Lisboa. pois não só não o conhecia como nem o chamara! Ele disse que gostava dela. fugiu-lhe o cavalo e ele desapareceu também para nunca mais aparecer. O mouro. . E a rapariga assim fez. nada dissesse em casa. Seguidamente propôs 13 . Mas porque é mouro encantado Cristã não pode levar! A mãe aconselhou-a a levar uma cruz e a obrigá-lo a jurar por ela. A filha contou-lhe tudo e foi a mãe que lhe disse como ela chamara o mouro: com uma cantiga! Cuidando do meu cuidado Fui ao Rio para lavar Mas logo um mouro encantado Apareceu a meu lado Para comigo casar. que deixasse a roupa que faltava lavar para o dia seguinte.Que pena. pediu-lhe que ela pensasse até ao dia seguinte.que precisava falar-lhe. logo na manhã seguinte. Brás de Alportel que no caminho para Faro. A moura disse-lhe então. E também. Doutro modo seria o que a mãe mais temia: tratar-se-ia de um dos mouros encantados no palácio que havia por debaixo do rio… Lá se encontraram os jovens no rio. o que muito a surpreendeu. 2003. Assim se veria se ele tinha boas intenções. Insistindo ela no que queria. que o leão era seu irmão e a serpente sua irmã. que aquilo era coisa só deles. Disposta a casar com ele. era tão bonito… E assim se salvou Joana.95) Lenda da Moura de Milreu Esta lenda. por isso mesmo. fala sobre um almocreve de S. a mãe achou-a esquisita e pô-la a falar. ao fazer isto. mas não trouxesse a mãe consigo. tal como o combinado. respondeu-lhe o mouro vir ao seu chamado. propôs-lhe casamento e Joana sempre a dizer que não. Lendas de Portugal. Porém. verificou assustado. No entanto. E lá foi ela ouvir da mãe um raspanete por não ter lavado a roupa toda. Porém.

e sorrindo. Resolveu então vender as barras de ouro que a moura lhe oferecera. afinal? Apenas o seguinte: aparecera uma moura encantada ao José Coimbra (ou Ti Zé da Serra). Desesperado. era fruto da sua traição. ou (Ti Zé da Serra). procurou salvar-se indo a um famoso oftalmologista em Faro. Brás de Alportel. e fazia a sua vida percorrendo os caminhos do Algarve. Passados alguns anos. se em troca ele aceitasse ser engolido e vomitado três vezes pelo seu irmão (leão) e abraçado três vezes pela sua irmã (serpente). especialmente entre Faro e S. o almocreve pediu à moura para pensar. prometendo-lhe em breve trazer uma resposta. prometeu devolver-lhe a visão. Mas que acontecera. para outros. aí a uns duzentos metros de Estoi. 14 . que o acusou de faltar ao prometido. o almocreve não contou a ninguém a sua história. de olhos esbugalhados e de garganta entupida – enquanto o burrinho. nas zonas do corpo por onde a serpente se enroscasse e que após tal feito aceitasse ser beijado por ela (moura). cheirando também a mistério.ia o nosso José Coimbra. ao passar por Milreu. vestida com um manto de princesa. para uns. olhos azuis. (ou Ti Zé da Serra). dizendo-lhe que a sua cegueira. consentindo desta forma que ela lhe retirasse os santos óleos que ele recebera do batismo. segundo me disseram . foi novamente confrontado pela moura. mas verificou que a partir do momento que tomou essa decisão foi perdendo aos poucos a visão até ficar completamente cego. era almocreve. quando ao passar junto às ruínas de Milreu. Esta. Assustado. escondeu o ouro e nada falou sobre o que lhe tinha acontecido. ficando ferido. desaparecera para não mais ser visto. guiando o seu jumentinho pela estrada fora. o almocreve começou a sentir que os negócios lhe estavam cada vez mais a correr mal.ao almocreve uma vida de riqueza e opulência. verificando que apesar de faltar à palavra. a cura para o seu mal. E que moura formosa ela era! Cabelos loiros. No caminho. procurando assim. viu qualquer coisa que o deixou pregado à terra. chegando mesmo a ficar na miséria. “ Chamava-se José Coimbra. Desesperado. nem a dos seus irmãos e comovendo-se com o desespero do almocreve. Esta aceitou e ainda lhe ofereceu duas barras de ouro. Voltando para casa. Ora um dia – dia bonito de primavera bonita. o almocreve pediu à moura que lhe perdoasse.

E numa voz que parecia cântico de sereia ou trinado de passarinho disse apenas: . e ser possuidor deste palácio e de todo o ouro que ele possui? E como o José Coimbra (ou Ti Zé da Serra) nada respondesse. em Estoi e nos arredores (como aliás em todo o Algarve). segurando de um lado um terrível leão. e do outro lado uma não menos terrível serpente. se aquilo fosse apenas um sonho! Mas não. E desceram ambos uma escadaria de mármore. Mas ela olhou para ele e ele perdeu toda a coragem. – bateu na terra. Não andaram muito. a moura parou.. voltou a deixar de pensar. O que viu pregou-o à cadeira. não havia mais dúvidas: era uma linda moura encantada que o olhava e lhe sorria! Ele lembrou-se das histórias contadas por seus pais. Pregou-lhe o corpo. E para mais assim. havia muitas. Mesmo que quisesse. bem lhe tinham dito (e por mais de uma vez) que ali. o almocreve ainda pensou fugir. .Não tenhas medo… Vem comigo! E o José Coimbra (ou Ti Zé da Serra). e beliscou-se a si próprio. era realidade. como é voz corrente na região. Por um instante. Sentia uma tremura estranha em todo o corpo. Lá isso estava… Mas por quanto tempo? De repente. porque a certa altura. muitas mouras encantadas. Duas vezes. seguindo o caminho indicado pela moura encantada. ela insistiu: 15 . Mas aquilo nunca lhe acontecera. Ah. Mesmo que quisesse. Os anjos e as verdadeiras mouras encantadas… O primeiro impulso do almocreve. . que a bela aparição sorriu ainda mais. Com muita força.Escuta pobre homem: queres trocar a vida miserável que tens por uma vida de opulência. Diante dos seus olhos esgaseados. para novamente ter a certeza de ainda estar vivo. E logo se abriu um alçapão. . Sim. E esfregou com força. Uma vez. não seria capaz de dizer uma única palavra.Vamos… Desce atrás de mim. E com o seu pézinho descalço – o José Coimbra (ou Ti Zé da Serra) nunca vira pé tão bonito!. tão de repente… O José Coimbra (ou Ti Zé da Serra) suspirou de tal maneira. O almocreve sentou-se. Absoluta realidade! E mexeu-se. As paredes eram de ouro. também. e um ruído esquisito zunia na sua cabeça. que Deus já levara para a sua santa guarda. não seria capaz de dar um único passo.Sorrindo como só os anjos certamente sabiam sorrir. A moura encantada indicou-lhe uma cadeira de ouro. Não. para que se sentasse. estava agora a bela moura encantada. Três vezes. foi mesmo. sem forças para reagir.espera só um instante… Eu volto já. foi esfregar os olhos para ver se estava a sonhar ou não. que os levou a uma sala enorme cheia de ouro por todos os lados. a voz e o pensamento. logo que se sentiu voltar a si. E de ouro o belo teto.

num arranco de coragem.Mas… ms… para isso… que…que tenho eu… de …fazer? Sem se mexer donde estava. Em sonhos. No seu intimo. E gaguejando atirou uma pergunta que refletia toda a sua inquietação: . . três vezes serás também abraçado por minha irmã. e que deixará o teu corpo em chaga nos pontos em que te tocar…E por fim eu beijar-te-ei a fronte. apesar do peso que transportava. Silêncio pesado. O almocreve olhou a medo para o leão e para a serpente. cruel.Queres ou não? Então. Mas teve um terrível pesadelo. ele vira-se a ser engolido e vomitado pelo leão e a ser abraçado pela serpente… O pior foi que daí em diante.deixe-me pensar… na sua proposta… depois lhe virei dizer o que resolvo… Está bem? E quando ele pensava que a moura encantada ia dizer que não. a moura encantada respondeu-lhe calmamente. todas as noites. o homem conseguiu gritar uma resposta: . que está transformado neste leão. carregando as duas barras de ouro. temeroso do que lhe podia acontecer. Não queria que ninguém descobrisse o que trazia consigo. que está transformada nesta serpente. E apontou as escadas. Depois. 16 . Nem a própria mulher… Assim. apesar de tudo. por dentro e por fora.Quero sim! Mas logo se encolheu. Todo ele tremia. alucinantes.tens de aceitar três condições… Em primeiro lugar. E assim que se apanhou em liberdade. serás três vezes engolido e três vezes vomitado por meu irmão. o José Coimbra (ou Ti Zé da Serra) passou a ter pesadelos violentos. quis rezar. ao cimo das quais o alçapão já estava aberto. acordando toda a vizinhança. pegou em duas barras de ouro e deu-as ao almocreve. . pelo contrário ela mandou embora o leão e a serpente. que o fez revolver-se e gritar como um possesso. para te tirar os santos óleos que recebeste no batismo… Houve um silêncio. E o José Coimbra (ou Ti Zé da Serra) subiu o mais depressa que lhe foi possível. começou a correr como se tivesse vinte anos de idade… Sabe-se (e diz-se) que ele entrou em casa já de noite e com as maiores cautelas.Toma… Isto é para te ires acostumando ao peso do ouro… Ficarei à espera da tua resposta. enervante. escondeu logo as duas barras de ouro e deitou-se sem nada contar. Mas conseguiu falar. Silêncio de expectativa e de angústia.. mas não se lembrou das orações. vagarosamente: .

do qual se diziam maravilhas… Acompanhado pela mulher. ele guardou silêncio. já desesperado. Pena sincera. com razão e o velho adágio confirmou-se na vida de José Coimbra ou Ti Zé da Serra. como lhe chamavam por ali. resolveu ir gastar os últimos patacos com um especialista de olhos. enquanto a mulher foi tratar dos animais. Aí por altura das ruínas de Milreu. a voz da moura encantada: . vieram os maus negócios. Eu. Só teve tempo de as guardar de novo e saiu dali a correr. De súbito. Nessse instante.Sou eu. Cego! Nem rezas. . a empobrecer. Sim. a duzentos metros de Estoi – e conforme se continua a recordar. que tenho estado à espera da resposta que não mais quiseste dar… Faltaste à tua promessa! Ele não falou. de geração em geração – houve necessidade de parar para alimentar os dois jumentinhos. à beira do caminho. o José Coimbra ou (Ti Zé da Serra teve a perceção nítida de que se encontrava mais alguém junto dele. e ainda por cima possuidor de duas barras de ouro… Mas enganava-se. Salvo para sempre. Na mais negra miséria! Pensou então que somente teria uma possibilidade de resolver o seu dramático problema: vender as barras de ouro que tinha escondidas. Porém. numa feira grande onde lhe dariam decerto bom dinheiro por elas. os pesadelos foram diminuindo e acabaram por desaparecer. na mesma vozinha que mais parecia cântico de sereia ou trinado de passarinho: .Apesar disso. O pobre homem passou a viver num mundo horrível de escuridão. gritando que estava cego! Uma desgraça nunca vem só – diz o povo. que tu estás assim…pobre e cego! É o teu castigo… E se te poupei a vida foi só porque nunca revelaste o meu segredo e o segredo dos meus irmãos. encantados também. que o ajudou a montar num jumento quase tão velho e inútil como ele – o almocreve partiu a caminho de Faro. por teres faltado à tua promessa. O José Coimbra (ou Ti Zé da Serra) começou a arruinar-se. vendê-las.Quem está aí? E aos seus ouvidos chegou a voz que ele bem conhecia. nem bruxarias. melhor o quis fazer… Correu em busca das duas barras de ouro e olhou-as como autêntica tábua de salvação. Ele teve pena da moura encantada e dos seus irmãos. como um treslocado. e ficou na miséria. O almocreve desceu e ficou sentado numa pedra. o dele e aquele em que seguia a mulher. E se o pensou. o almocreve de Estoi. O almocreve julgou-se salvo. Era a sua última esperança. E chorou… 17 . Depois dos pesadelos. Até que um dia. Não sabia como desculpar-se E a moura continuou. nem remédios o conseguiram curar.É por isso. à maneira que as fitava. E aos poucos. por exemplo. em Faro. Não sabia que dizer. ia sentindo perder a vista. a amargura que havia no interior do homem desfez-se em lágrimas.

Cada um pensando para si. O almocreve ansiando que chegasse a manhã seguinte. antes do sol nascer. homem? . assombrada.Mas que se passou? . . e deixou-lhe o bordão para ele se apoiar. esta disse depois. numa voz emocionada: . Sentou-o no poial. 18 .se é que chegou a dormir… .Eh mulher. já que não o posso ver… E ela fez-lhe a vontade. e amanhã de manhã. e tu ficarás a ver de novo… Primeiramente verás as casas do Padre José Dias… depois as gaiolas e os canários… e depois tudo o que tu quiseres! Mesmo cego. Tens alguma coisa a dizer? . . A moura encantada desaparecera por completo! Quando a mulher voltou.Como se essas lágrimas tivessem alcançado o coração da bela moura. Resolvi não ir a Faro. mas sem divulgar o seu segredo… -Foi ele o primeiro a acordar. enquanto ela varria a casa. Passaram uns minutos. A mulher sem atinar na resolução do marido. Dali a pouco apareceram as primeiras luminosidades do Sol.Que é isso homem? Que queres tu? .Não.Mulher. cuidadosamente. porque és bom… Volta portanto para casa. ficou espantada ao vê-lo de pé.Vou perdoar-te. . vem cá depressa! Já vejo outra vez! Olha. leva-me lá para fora…Quero sentar-me à porta. Tu é que mandas… Mas pensei que querias consultar o tal especialista… . num agradecimento. .Não vou. O marido recuperara a vista! Caiu de joelhos junto dele. os teus olhos darão dois estalos.Como? Que dizes? . quando viu que era verdade. Era verdade! O milagre dera-se! De um pulo.ainda bem que apareceste…Quero voltar para casa! O espanto encheu o rosto dela.Não se passou nada. Mas só encontrou o vazio. olha… Vejo o Sol… as casas do Senhor Padre José Dias… as gaiolas e os canários… e os campos… e tudo! Já vejo outra vez! A mulher veio correndo.Tão cedo. E mais assombrada ainda ficou. ele quis agarrar-lhe as mãos para as beijar. ele ergueu-se. senta-te à tua porta… Com os primeiros raios de luz. gritando: .Quero voltar para casa! Não ouviste? O espanto dela foi ainda maior. exclamando. Nada mais.Sim… Quero sentir o sol a nascer. E logo o José Coimbra ou Ti Zé da Serra) ouviu dois estalos na sua própria cara. melancolicamente. Prefiro guardar o último dinheiro que me resta… Vamos! E regressaram.

os cristãos indignados solicitaram aos árabes. 1962-1966. a imagem da Virgem Maria estava situada nas muralhas. foi o milagre do reaparecimento de uma grande abundância de peixe no mar. colocada pela comunidade cristã.. Segundo reza esta lenda. atirando-a ao mar. Como castigo. não tornou a passar pelo sítio de Milreu. retiraram a imagem da Virgem das muralhas. Lendas de Portugal. Estas. segundo se diz. Num dia. trazendo sempre as redes vazias. Devido a este facto. que voltassem a repor a imagem de onde a tiraram. que se retratam nas mais 19 . viveram sempre felizes e contentes. Percebendo que isso era uma punição pelo ato que cometeram. pp. os pescadores nunca mais conseguiram pescar qualquer peixe.Louvado seja Deus! A partir dessa manhã. e o almocreve de Estói voltou a ser o almocreve mais ligeiro daqueles sítios. a partir daí. são de tal forma diversificadas. A recompensa por tal feito. Porto. Sabe-se. por vingança. Mas não só de mouras e mouros encantados se retratam as lendas associadas a Faro. transformados em leão e em serpente… (Gentil Marques. 209-215) Lenda de Santa Maria A lenda de Santa Maria de Afonso X refere um milagre ocorrido na cidade de Faro durante o domínio árabe. III Vol.. Mas. ao que parece. preferindo fazer caminhadas muito mais longas para se afastar desse local – embora não se soubesse porquê… E também não se sabe o que foi feito das duas barras de ouro escondidas por ele. após algumas lutas entre cristãos e muçulmanos. os muçulmanos. os muçulmanos foram buscar a Virgem ao mar e voltaram a coloca-la de novo nas muralhas. universus. sim. que a bela moura continua ainda á espera de quem a queira desencantar e desencantar os seus dois irmãos.

era o maior empreendedor do Algarve dessa época e tornou-se no primeiro exportador da cortiça da nossa serra. que se tornou a mais querida do povo Estoiense. que adquiriam a matéria-prima diretamente aos produtores e lhe entregavam para exportação. em agradecimento pelo “Milagre Antigo”. o Dia da Festa da Padroeira destes e começaram a partir daí. passando a ser eles. Dessas. no final do acerto de contas. associaram-se à Sua Confraria e prometeram que não mais deixariam cair no esquecimento o milagre da sua salvação. parou para descanso das mulas carregadas de mercadorias. que a partir daí. ganharam novas forças. ainda noite serrada. Ao fim do dia. um pequeno grupo de almocreves de Estoi. organizaram anualmente em Estoi. iluminados à luz de archotes. foi atacado por uma enorme alcateia de lobos esfaimados. que a Igreja Católica festejava nesse dia e invocaram a sua proteção. que em tempos muito remotos. Regressados à aldeia. o regresso à aldeia de Estoi era feito em grande júbilo e não esquecendo a promessa dos seus antepassados dirigiam-se. De imediato. Frente à Igreja da Padroeira 20 . José Coelho de Carvalho. como aqueles. Aterrorizados com a desproporção de forças e em vias de ser todos mortos pelos lobos. os almocreves aflitos tiveram uma visão da Senhora do Pé da Cruz (a Pietá). gritando vivas à Nossa Senhora. investiram que nem gigantes contra os lobos enraivecidos e como por milagre conseguiram pôr os bichos em debandada. Fixaram como data dos seus pagamentos aos almocreves. a festa de homenagem à “Senhora do Pé da Cruz”. deram vivas à sua alegria e dirigiram-se em romaria à Igreja do Pé da Cruz onde agradeceram à sua protetora. quando nos seus afazeres comerciais durante a perigosa travessia da serra do Algarve. uma lenda antiga. citaremos algumas. Lenda da Festa da Pinha “Conta. mas também pela proteção e os bons negócios que lhes proporcionara nesse ano.diferentes temáticas. Tomaram a Senhora do Pé da Cruz como sua Padroeira. das mais conhecidas e faladas. No primeiro quartel do século XIX. Morgado do Ludo. Tinha como seus parceiros privilegiados no negócio os almocreves de Estoi. a realizar um grande almoço no Ludo à sombra dos pinheiros da Quinta do Morgado. em romaria e à luz dos archotes à Igreja da Padroeira.

a festa teve de perder o nome original de Festa da Senhora do Pé da Cruz e passou a designar-se Festa da Pinha. um de Estoi. a Festa da Pinha se mantém viva. outro do Alface. competiram em casamento com uma filha herdeira de certo Rei de Faro. de onde se visse Faro. é da autoria de Morais Lopes. numa época de perseguições religiosas. relaciona o nome da aldeia de Estoi com uma história de amor entre uma moura encantada e um cristão. 21 . o seguinte: “Conta Fr. a sua devoção e a promessa feita à Nossa Senhora pelos seus antepassados. Vicente Salgado a seguinte lenda: Dous mouros principais. E é assim.141. p. e vai o Rei propôs aos pretendentes que preferiria aquele que mais depressa fizesse ou uma torre. e está registada na sua obra “Algarve. Lendas”. José António de Paula Brito Lenda de Alface Ligado provavelmente ao aqueduto que se encontrou subterraneamente na região de Estoi. Esta lenda que seguidamente se transcreve em forma de poesia. que passados séculos da sua criação.acendiam uma enorme fogueira com pinhas trazidas do Ludo e plantas aromáticas como o alecrim. mobiliza todo o povo Estoiense e se tornou a festa mais carismática e pura de toda a região Algarve.” Lenda de Estoi Esta lenda. conta Ataíde Oliveira na sua “Monografia de Estoi”. No período do Liberalismo com a extinção das Ordens e Confrarias religiosas. As Moiras Encantadas. ou levasse água àquela cidade. maneira subtil de poder manter.

aqui sagrado. quando a luta deixava Ao seu corpo algum descanso. Aprazível. se das esferas Allah assim o mandava. Isto dos pais terem mando. Mas. amou. Que.Diz a tradição antiga. Porque a moira era mulher E tinha. Nasceu. Que se batia.Neste chão. sem medo. Que é a voz do nosso povo. em segredo. viveu e morreu. assim. Num outro tempo passado A mulher que o nome deu A esta aldeia tão linda. Como tinham. Não era o que mais convinha Nem o que mais agradava A tais perfis de andorinha. por ter amado. tão de manso: 22 . Seu pai a tal obrigou. que era moira. Numa noite de luar Que há muito tempo passou: . eu vou narrar O que alguém a mim contou. Mas um valente soldado Das duras hostes cristãs. Porque sendo casadoira. ao rumor duma cantiga. Mas a moira. Sobre o amor tão doce e brando Das filhas. Não alguém de alfange em riste. Esta é pois a história triste De Zhara. Pelas tardes e manhãs. Logo ali vinha e cantava. Só por isso. Naquela terra. O que é velho é sempre novo. nessas eras. coração Que não dava a um qualquer Moiro que fosse ou cristão. Antes de morrer. Que por mim já foi cantada Naquela trova que ainda Por ninguém foi publicada.

“Mas tu serás. Invejando a luz do dia. Que até à lua sorria Naquela noite tão bela. Se o quiser ´s a ti o dou. “Ao redor daquele outeiro. foi chegado o dia Que Zhara tinha marcado.Porque de facto era Rei-. “És mulher. Em qualquer ocasião. então. E Zhara. Que é tarda sempre a passar. apar´cia. sou tua. Por entre as urzes dos montes. Ao alto brilhava a lua. Levas-me. Cantava ali. os meus tormentos. de alegria. No cimo daquele outeiro El-Rei ao senhor rezava. Porque ninguém quer esp´rar. assim espero “Nessa terra que é só minha. depois dela. Porque o seu amor primeiro 23 . eu sou cristão. Quando julga ter razão. Porém. E docemente dizia: “Vem ter comigo. “Minha Senhora e Rainha “Do meu povo. “Dona dos meus pensamentos. “Transporta-me. “Depois que o sol dê três voltas. minha qu´rida. “E hás de ser. “E o meu doce coração. eu homem sou. Esperou El-Rei cristão. com ele. sou eu que o juro. “Meu valente cavaleiro. Caminhava a moira linda. a vida. Que o tempo passasse então Mais depressa do que a lei. “O meu corpo.“Tu és Zhara. Um canário apaixonado. E sorria para as fontes Como o não fez ainda Outra mulher. a rédeas soltas. .

Mandou chuvas.A luz nos deram por finda. um deus remoto. na volta dum caminho. um terramoto. longos anos. À dura luta sorrindo. Alguém respondia. aonde estais?” E perto. Porque Allah. Zhara se mostrou então. A este mártir lugar. pelo tempo fora… (Morais Lopes. nem enganos. Como bênção redentora. temporais. Mas se a batalha parava.Mulher que p´ra sempre amei. então. Quem o quisesse escutava. E depois. não deu um passo mais. ESTOI. aqui estoy… A fala se repetiu. “P´ra que foi e porque foi? “Mas. Dia e noite e p´las manhãs. 1995. Longo tempo. Tudo ali foi arrasado. Algarve. do fundo chão. Por pouco tempo que fosse. Tudo foi posto por terra. Continuaram dirimindo Moiros e gentes cristãs. “Moira Zhara. E de tal modo se ouviu. Num cicio claro e quente. Edição do Autor. qual aparição. Vestida toda de arminho. Sem mais letras. Lendas. Mas. Mas.Não apar´cia e tardava. as Moiras Encantadas. Que o povo deu de chamar. se tu me vês ainda. “Eu te busco e buscarei. “Indif´rente à dor e aos ais. docemente: . Aqui ´stoy. Um falar assim tão doce: . 81-86) 24 . pp. Docemente. Branca. Só não acabou a guerra Que um pouco tinha parado.

Tomás de Aquino. O Bispo. situada no nicho do Arco da Vila Reza a lenda. vários homens tentaram eleva-la. este concedeu-lhes o milagre desta cidade não ser atingida por uma grande peste que arrasava na altura. a imagem tornou-se tão leve. que até hoje. nunca mais regressou a casa. está também uma história curiosa. Tomás de Aquino. situado entre o gaveto da Praça Alexandre e as Ruas Rebelo da Silva e Castilho. e quando lá chegou. O Palácio das Lágrimas Atribuído a este palácio. Por mais que tentassem. segredou-lhe algo. Aqui em finais do século XIX. Francisco Gomes de Avelar. O sofrimento da esposa. aproximando-se da imagem de S. Sem qualquer êxito nesta tarefa. os operários resolveram então ir falar com o Bispo D. Francisco Gomes de Avelar. solicitando a sua ajuda. residiu o músico Militão Garcia. e que se mantém até aos dias de hoje. fracassavam todas as tentativas de colocar a imagem no nicho. Após este ato. Tomás de Aquino. No momento de colocar a estátua no referido nicho. Como forma de agradecimento ao santo e em sua homenagem. o Bispo D. deslocou-se então até ao Arco da Vila. Maria Augusta 25 . toda a Europa. mandou fazer em Itália. que facilmente foi colocada no local que lhe estava destinado. Tomás de Aquino. o povo ignora. o seu peso mostrava-se excessivo. mandando que a mesma fosse colocada num pequeno nicho situado no Arco da Vila.Lenda da estátua de S. uma imagem de S. que devido às preces efetuadas pelo povo de Faro a S. que após o nascimento do seu filho.

no tempo do meu pai. uma alma penada de uma jovem que diziam ser condenada a vaguear pelo mundo. Quando a casa já estava feita. em muitas casas ouvir-se o som de uma máquina de costura a trabalhar e o som de tesouras a pousar sobre a máquina. iam pôr lá as janelas. Então. aquela casa que era das [radiografias]. para pôr as janelas. contados por seu pai. sempre a costurar. pelo facto de não ter cumprido uma promessa. Quando chegava aquela hora da meia-noite. Curiosamente. Pedro Segundo reza a lenda. Dizem que foi este facto que deu origem à designação do “Palácio das Lágrimas”. Era comum. faltava só as janelas. porque depois de feitas. julgavam que era alguém que ia lá partir as janelas e chegou a ir para lá. Abandonaram aquilo. e a jogarem coisas para o Largo da Alagoa. Lenda do Sino da Igreja de S. que passou o resto da vida a chorar. falava-se muito na costureirinha. em Faro. há mais de um século. chamando para a missa. relacionados com este palácio de que passo a transcrever a sua citação: “ No Largo da Alagoa. ouviam estalos das coisas a partir-se. estava tudo partido. já não estavam lá as janelas. Nunca viram. mas não viam ninguém. tocava sozinho. Pedro. vinha tudo parar ao meio da rua. um dos sinos da Igreja de S. (…). chamavam àquela casa o “Palácio das Lágrimas”. a casa por acabar de construir. foi de tal forma.Pereira Coelho. e no outro dia. um dos entrevistados (Francisco Ramos.” A Lenda da Costureirinha Tal como em muitas terras do país. e então. Tal facto levou a 26 . acontecimentos estranhos. durante este trabalho de investigação. Esteve uns 60 anos ou mais. quase metade da polícia aqui de Faro. 95 anos) narra aquando da sua juventude. ninguém se atrevia a ir lá. à meia-noite.

A Igreja Paroquial de S. homem animoso e destemido. de tal forma. num dos seus livros intitulado “A Igreja Paroquial de S. Pedro de Faro. ela fechou-se e a luz apagou-se no interior.população ao pânico. que anda ligada a um dos sinos de S. Esta lenda. relatada por José António Pinheiro e Rosa. Pedro. apesar de todo o seu sangue frio. Pode-se calcular como o prior ajudaria àquela missa. Avançou até junto dele e ouviu estas palavras: . conta a história de uma alma penada de um padre. todas as noites. de que recebi a esmola e não cheguei a celebrar em vida. Agradeço que me ajude e aviso-o de que deve sair antes da bênção. e 27 . resolveu uma noite ir ver de que se tratava. Aqui há uns cem anos. 1989. Quando se aproximou a bênção. tais como o aparecimento de seres do oculto: bruxas. Junto ao altar-mor estava um padre paramentado. O prior de então. para celebrar uma missa. Toda a gente se encolhia com medo e não havia quem quisesse passar a tal hora pelas imediações da igreja. Pedro de Faro” . que recebeu o pagamento para celebrar uma missa em vida e não a tendo celebrado recebeu uma punição. que só terminaria quando celebrasse a referida missa na presença de um acólito. p. Pedro (não se sabe qual deles). que ninguém se atrevia a passar junto à igreja a partir dessa hora. almas penadas. lobisomens. como se fosse para a missa. Há muitos anos que eu aqui venho. dirigiu-se pressuroso para a porta e apenas a tinha transposto. ouvia-se tocar um sino de S. (A não ser quando algum vivo o toca…) ” (José António Pinheiro e Rosa.Obrigado por teres vindo. “ Não posso deixar de reproduzir aqui uma lenda. Entrou. E… nunca mais se ouviu tocar o sino à meia-noite. 7) Outras histórias e outros factos ligados ao sobrenatural. à meia-noite. Chegou ao Largo e deparou com a porta da igreja aberta e a igreja iluminada. Mas fui condenado a não poder celebra-la sem que aparecesse acólito. todas as noites.

Na Rua Serpa Pinto. havia muito Judeu e eles deixaram uma remessa de casas abandonadas em Faro. chegaram ali à noite e beberam uns copos de vinho e tal. volta e meia. ou simplesmente. ao subir até à Rua da Madalena.lugares e casas assombradas. Quer na cidade. havia que evitar sítios sombrios e obscuros e encruzilhadas. quer no campo. que evitavam passar por lá. que se chamava Floresta” e esses tipos.” “ Essas casas da Rua da Madalena. Bom. esses medos e essas bruxas. andavam ensarilhados. pois ouviam estrondos pelas portas e tudo. Eles foram morar para lá e foram logo baldeados dali. Depois. aos que eram confrontados com essas forças malévolas. e zonas circundantes. e depois. morava lá gente. havia tipos do norte que vinham cá à procura de casa. Um dos entrevistados (Manuel Costa) referiu que a casa onde está hoje instalada as Águas do Algarve. Ora. ouviram contar. Havia uma adegazinha ali ao pé do Hotel Eva. aquilo era uma chatice sabe? Mas foi há muitos anos. Rua da Madalena. perguntaram se não havia ali umas casas para alugar e eles responderam – casas para alugar? Não precisa. havia uma casa assombrada que era dos judeus. na Rua do Trem. mas não se sabia de onde vinham esses barulhos. E eram muitos os locais por onde esses seres obscuros andavam. também era assombrada. impunham medo. (…) Dali do prédio onde estava a Farmácia Almeida. E então. sobretudo quando se aproximava a hora da meia-noite e em especial em noites de lua cheia. É destes casos que iremos relatar alguns dos mais curiosos. Ouviram aqueles grandes estrondos lá dentro de casa. principalmente depois da meia-noite.” Francisco Ramos (Rua João de Deus) Também na Vila-Adentro. “Antigamente em Faro. e em zonas de encruzilhadas. essa gente saiu e foi para lá outra gente. “ Naquela casa onde é hoje as Águas do Algarve.” Manuel Costa (Vila-Adentro) 28 . contados por pessoas que os vivenciaram. o que atemorizava as pessoas. estão ali abertas – Estavam a indicar uma casa dos judeus. eram muitas as histórias que referenciavam este lugar como sendo fértil em assombrações quer associadas ao próprio lugar onde diziam haver prática de bruxaria e aparecimento de lobisomens. Diziam que eram medos que apareciam. diziam que havia um homem que se transformava em lobisomem.

E o meu pai. era já uma coisa muito antiga. para ver o resultado daquilo. dizia-me que aquele moinho era muito esquisito. apareciam todas partidas. acartamos o peixe para essa casa. havia estouros em cima do soalho. Só que aquilo começou a ser cada vez maior os estrondos. Sebastião. também era assaltado por estes mistérios do oculto. sem qualquer explicação. peguei no 29 . é o Largo da Alagoa. o Sr.. “ Francisco Ramos (Rua João de Deus) “Outro dos locais referenciados por este entrevistado como ligado a acontecimentos estranhos. Aquilo.(era de cimento o chão) espalhamos o peixe no chão e fomos dormir para dentro dessa casa. Sebastião. era de inverno. às terças e às sextas. O burro acompanhou-o até a casa. porque não conseguiam lá pôr as janelas. Eu fui então para o Sítio das Figuras apanhar o peixe. Francisco Ramos relata o caso de um moinho assombrado e de um episódio presenciado por si num dia em que foi pescar para esse local. a casa por acabar de construir. foi confrontado com a presença de um lobisomem. que nem queira saber. no outro dia. estas. Aqui era também local da presença de lobisomens. Apanhamos o peixe ali ao sol posto. “ Eu fui apanhar peixe para o Mateus ali ás Figuras. Abandonaram aquilo. parecia que a casa ia abaixo e eu tinha um gabão. cada vez que iam colocar lá janelas. vinha tudo parar ao meio da rua. “ Quando chegava aquela hora da meia-noite ouviam estalos das coisas a partirem-se e a serem jogadas para o Largo da Alagoa. chegou a ir para lá quase metade da polícia de Faro. o seu pai que residia neste local. Segundo o entrevistado (Francisco Ramos). mas não viam ninguém. Porque depois de feitas. ninguém se atrevia a ir lá. O meu sobrinho fugiu logo dali. referiu um acontecimento estranho relacionado com o Palácio das lágrimas. Começaram a pensar que seria alguém que ia lá praticar esses atos de vandalismo. Eu morava na Rua de S. apareciam ali sempre à portinha. que aparecia ali qualquer coisa.O Largo de S. “ Os lobisomens apareciam aí à portinha. Aquilo ainda bem a gente não se deitou lá. Ao meu pai apareceu um. Segundo Francisco Ramos (96 anos). Aqui. nunca viram e então. “ Francisco Ramos (Rua João de Deus) No Sítio das Figuras. e havia lá um moinho que moia trigo. ocorrido no tempo do seu pai. Teve mais de 60 anos. Eu como nunca fui muito medroso ainda fiquei. Este refere que na altura em que a casa foi construída.

. porque vi que aquilo não era boa coisa. até que acabaram os moleiros lá. Eu fiquei com o barco e ele. ele encomendou-me 50 Kg de amêijoas de cão. também estava referenciada como local de culto de bruxas. e fugi dali também. que era metade da 30 . e chegou uma certa idade. “ Eu conheci um tipo que era maquinista dos caminhos de ferro. a seguir ao Moinho do Grelha. e eu. As pessoas que compraram as salinas. Mas ele conhecia terras onde o marisco valia muito dinheiro. caiu-lhe o moinho em cima. eram gemidos que eles ouviam. que apesar de vez em quando dar coices. Os moleiros morriam todos aí. o homem reformou-se. no local onde se situavam os antigos fornos de cal. Era o Ti Canhita Lobisomem. fui apanhar ameijoas. que é o ilhote dos gemidos. durante uma hora. homem ligado às artes do mar. têm aparecido os caseiros todos mortos. viviam apavorados com estas aparições em tempos mais antigos. Morreram todos. Quando lá chegamos. Segundo alguns residentes. o meu irmão saltou para um lado. para depois poder vender no domingo e eu então resolvi ir apanhar o marisco na sexta-feira à noite. morreu. não fazia grande mal aos residentes. o último moía sal. Era o sítio das Figuras. Francisco Ramos. Começou a escurecer e eu. ele até tinha os dez mandamentos do burro e chegava a comentar com eles. A procissão era uma aparição que passava por lá na noite de Sexta Feira de Paixão. A zona marítima também não foge à intervenção destes seres do oculto. Chamam Mar Santo àquele lugar. chegámos até um mar que é chamado o “Mar Santo” que fica na zona da Ilha Deserta. saltei para outro. como o marisco havia com abundância. Diziam no entanto. O último que eu conheci era do Montenegro. deitaram o moinho abaixo. Mas nessa casa. foi referenciado que em tempos mais antigos. conta vários casos de assombrações que aconteceram consigo em alguns locais da Ria de Faro. Apareceu morto ali ao pé da Coopofa“ Francisco Ramos (Rua João de Deus) A zona da Quinta do Eucalipto. Abalámos daqui quase ao sol-posto. Tinha um irmão. Também a Ilha da Culatra é referenciada como local de bruxas que atormentavam os pescadores e de um lobisomem que uns diziam aparecer sob a forma de um cavalo branco e outros sob a forma de burro. que também tinha encomendas e foi comigo. e aqui. na Praia de Faro. O tipo que deitou o moinho abaixo. O Sr. E lá fomos os dois. porque na noite de Sexta Feira de Paixão viam uma procissão passar por cima de um ilhote. só não tinha os andores. Era uma procissão enorme de velas. que apesar disso. mas eram umas amêijoas de cão gradas. Ele queria aquilo para um sábado.gabão. foi para outro sítio apanhar berbigões e eu. apanhei aí uma canastra cheia. terá lá existido um homem que se transformava em lobisomem sob a forma de um burro. mais velho do que eu.

que estava aí a uns 300 metros. mas quando chegou à água. só andavam por terra seca. Não vi barco nenhum. Era um homem da estatura do meu pai. saltei para o mar para ir apanhar a outra parte da encomenda e quando já tinha apanhado mais ou menos 10 Kg para dentro da barquinha. Não via ninguém. fiquei desconfiado com aquilo. Então. Às tantas. Então. Nasceu a lua.encomenda. já não tive medo. de estar a bordo do barco. comecei a sentir uma coisa estranha. deitei o barco para fora. só se podia ir para ali de barco e isto aconteceu em janeiro em pleno inverno. Olhei para o homem e de repente. A partir de certa altura. três da noite e nunca tive medo de nada. Tinha que apanhar outra. a lua já ia um bocadinho altinha quando eu vejo um homem na direção da lua. Quando cheguei ao pé do meu irmão. Estava cercado pelo mar e. porque o meu pai dizia que aquelas coisas ruins não vinham para a água salgada. O homem foi sempre atrás. mas não conseguia apanhar as ameijoas de jeito nenhum. Eu nunca mais fui para aquele lado. e não via nada. pois chegava a atravessar o Pontal às duas. Aquilo foi uma aparição. comecei a sentir uma coisa fora de natural e eu nunca fui medroso. eu queria. O barco já estava quase em seco. não sei como esse homem apareceu ali. já não avançou. aparecia-lhe a ele também. No entanto. aquilo era para aí umas nove horas da noite e o local onde eu estava era uma restinga que ficava ali no meio do Mar Santo. vejo o mesmo suspender-se no ar aí a um metro de altura do chão e começa a vir suspenso no ar e eu corri para dentro do barco. mas não lhe consegui ver a cara. Olhava para um lado e para outro. ele ficou todo alegre quando me viu. Se eu não chego lá. porque diz que estava a sentir coisas que nunca tinha sentido.” Francisco Ramos (Rua João de Deus) 31 . entrei para bordo do mesmo e depois.

Crenças e Superstições 32 .

Na área da saúde. referiu que na sua juventude. se alguém tiver uma maldição em casa e se nessa casa haver um gato preto. Estranhamente. que padecia de tuberculose. o mal vai para cima do gato. Curiosamente. 33 . sem que mesmo soubesse. testemunhou um caso de sacrifício de mochos. Daí. “pássaros em casa são penas”. Curiosamente. 2– Pássaros . desde os tempos mais remotos. Refere que foi remédio santo e o homem começou a melhorar cada vez mais. ou encontrá-los à meianoite junto a uma encruzilhada. que já se encontrava totalmente entrevado. curou-o. o mocho também é reconhecido como um animal ligado à sabedoria. era considerado um sinal de morte ou doença para alguém dessa casa ou das proximidades. o solitário e o corvo – O poisar destas aves e o seu piar sobre o telhado ou nas proximidades das casas sobretudo. para curar uma doença reumática grave do marido. porque traz infelicidade. onde os mesmos eram mortos para que lhes fosse retirado o sangue. durante a noite. dando-lhe um gato preto a comer. uma das entrevistadas na zona do Montenegro. 3 – O mocho. foi-nos relatado um caso de sacrifício destes animais no combate a doenças do foro físico.CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES RELACIONADAS COM ANIMAIS 1 – Gato preto . que davam a beber a uma vizinha sua. referiu que uma vizinha sua. Acreditavam desta forma que o sangue deste animal tinha propriedades curativas no combate a este mal. Eram os eternos acompanhantes das bruxas.Os gatos pretos.Não é bom ter pássaros em casa. em dias considerados de azar como uma sexta-feira 13. fosse sinal de mau presságio. Uma entrevistada da zona de Estoi. a superstição de que cruzar com um gato preto sobretudo. sempre foram associados a práticas de magia negra. a coruja. segundo um entrevistado.

as raparigas solteiras costumavam consulta-lo para saber quantos anos ainda iam ficar solteiras.As galinhas. Ataíde Oliveira refere que “quando alguém ouve pela primeira vez no ano cantar o cuco.4 – Pombos . 6 – Gaivotas – Gaivotas em terra é sinal de tempestade no mar. Conforme o número de vezes que o cuco cantava.Um cão constantemente a uivar. Por outro lado. eram geralmente utilizados as penas e o sangue do animal para a produção de malefícios dirigidos a alguém. principalmente à meia-noite. Um pouco por todo o lado. designados de lobisomens. como sendo um ser humano com poderes ocultos. aparece transformado em forma de cão. a crença popular refere como sinal de mau presságio. Este mito é referido em muitas localidades de 34 . 170. assim eram os anos que estas tinham de esperar para casar. eram utilizadas para a prática de rituais mágicos e satânicos. se não quer apanhar sezões. 7 – Cuco – Na sua obra “Monografia de Estoi” p. é motivo de mau agouro e azar daí o adágio “Pombos em casa. associam constantemente este animal ao mundo do sobrenatural. adivinha morte ou doença nas proximidades.Ter estes animais em casa. o cuco também se encontra associado ao amor. Nestes rituais. se porêm é o galo que se sacode então indica visitas de homens. existem histórias de assombração que referem um lobisomem. que sobretudo em noites de lua cheia. tem obrigação de se lançar no chão e espojar-se. pois antigamente. 8 – Cão . Ataíde Oliveira relata que “ – Quando a galinha se sacode em casa é sinal de visitas de senhoras. são tombos”. Na Monografia de Estoi.” Por outro lado. Outras crenças populares. uma galinha cantar como um galo. sobretudo as de cor pretas. Para que o cão deixe de uivar. e em caminhos obscuros como encruzilhadas. Falamos concretamente dos famosos seres do oculto. segundo a crença popular. deve-se colocar o sapato esquerdo virado para cima. 5 – Galinhas .

a pessoa a quem destinavam o feitiço. Acreditavam que assim. bafo de gato nem chegar ao fato” . o cão também está associado segundo a crença popular à cura. há quem diga que esta sara depressa.Cuidado que vai pisar uma moeda. que encontrar um cão a fazer fezes no caminho de alguém. o ditado “choco em maio. a fidelidade e a capacidade de ajudar o homem nas mais variadas tarefas do dia a dia e de onde se destaca a lealdade e amizade para com o seu próprio dono.Os sapos eram tidos como animais que serviam para a prática de bruxaria. 35 .Comer choco em maio. até se torna engraçada. é sinal de sorte e até se costuma dizer: . sacrificavam estes animais com práticas bastante selvagens. que apesar de não ter graça nenhuma. uma vez que foi referido por algumas pessoas. Ou seja. 9 . quando este lambe uma ferida de alguém. uma vez que para além das várias virtudes que este animal tem como por exemplo. que há medida que o animal ia secando. Mas nem só associado ao mal nos aparece o “Fiel amigo do homem”. como por exemplo.Choco . Por exemplo. coloca-se sobre a parte lesada pela mordedura e então temos o antídoto que devolveu a cura à pessoa vitimada pelo animal.Faro. está a provocar-lhe um dano físico. 10 – Sapo . Também ao cão é atribuída uma dualidade em termos de saúde e doença. pela contradição dos factos. cozer a boca do mesmo. seria atingida da mesma forma. Algumas pessoas recorriam a este timo de magia negra como forma de causar a doença e até mesmo a morte daqueles que queriam atingir. não só no meio rural. Dai. Daí o ditado “Bafo de cão comido com pão. mas também no meio marítimo e até em certos locais da própria cidade. tumba à porta”. é com os pelos do próprio cão que ele anula o efeito maléfico que causou à pessoa por a ter mordido. Um entrevistado referiu ainda. No entanto. que a saliva do cão é curativa. frita-se os pelos desse cão. é sinal de mau presságio. Desta forma. Senão vejamos: Se um cão raivoso morder uma pessoa. acabando por morrer de fome e de sede. definhando.

em casa com a tromba virada para cima dá sorte. “Tens a testa bem enfeitada”. Foi-nos referido que usar aos pares como no caso dos brincos. ou então é utilizado simples dentro da carteira para atrair sorte e dinheiro. porque estas são prenúncio de sorte e fortuna. traz sorte a dobrar. 17 – Corno – O chifre de alguns animais. com designações muitas vezes humilhantes e pejorativas do tipo – “Olha ali vai o corno”. O corno serve ainda para designar um marido ou uma mulher traída.Formiga – Quando uma formiga aparece sobre um bordado. 15 – Coelho – A pata do coelho é considerado um talismã associado à sorte e à fortuna. é muitas vezes utilizado como talismã. porque atrai a sorte para quem o tem. as pessoas utilizarem sempre um atrás da porta de casa. depois de morto.Ter um elefante (bibelot). é sinal que este vai ser elogiado por alguém. 16.11 – Elefante. Outros referiram também que uma aranha pode anunciar a vinda de uma carta. como é designado popularmente. também foi referido como amuleto de proteção contra o mau-olhado. “O corno é o último a saber” .: Quando aparece uma aranha pequena em cima de nós ou em casa sobre algum objeto. não se deve matar. Há outros que referem que até dentro das suas viaturas costumavam usá-los para se protegerem contra acidentes. 14 – Cavalo-marinho – Este animal. Algumas pessoas utilizam-no dentro da carteira. 36 . Algumas pessoas utilizam-nos sob a forma de pendentes que geralmente adornam com ouro na parte cimeira.Corvina – o osso da cabeça da corvina ou “juízo da Corvina”. 13 . é considerado um amuleto de sorte. 12 – Aranha . Antigamente era costume. Por outro lado. foram mencionados como amuletos protetores para o mau-olhado e bruxaria em geral e também como talismãs que proporcionavam a sorte e a fortuna aos que os possuíssem.

é extremamente doloroso. Numa mezinha antiga. principalmente quando somos atingidos pelo seu ferrão.Vaca-loira – este inseto também está catalogado nos saberes populares como um veículo de cura para certos males tais como: calos e verrugas. que em certas pessoas pode causar alergias graves . A mezinha consiste em picar o rabo do inseto e o líquido expelido. Fritase o lacrau que causou o mal e coloca-se o mesmo. inseto temido por muitos. é ele próprio o antídoto do mal que causa. A mezinha consiste em fazer uma “boneca” com estes insetos (5 para crianças). Esta.vulgarmente designada por bicho-de-conta. como antídoto para o mal provocado pela abelha. e que também faz parte integrante das mais variadas confeções gastronómicas. é colocado sobre a lesão. uma vez que ao picar a pessoa lhe injeta um veneno que além de provocar danos e alergias. (7 para adultos). 20 – Abelha . ou o azeite resultante da fritura do bicho sobre a zona lesada. É aí. e coloca-los em água a ferver.A abelha fornecedora do mel. que a crença popular entra em ação.Porca Sara. utilizando como mezinha uma cobra (não sabe qual o tipo de cobra) a qual após lhe ter sido retirada a pele. é através dele. também tem dos seus males. foi cortada aos bocados e frita. 19 – Escorpião – O lacrau.urinar diretamente para cima da picada ou urinar para um bocado de terra e utilizar essa mesma terra. 22 . combate-se facilmente este tipo de doença.18 – Cobra – Segundo foi referido por uma entrevistada. 23 . algumas cobras têm propriedades curativas. segundo a crença popular. Com este chá. 21 . revelou que quando era jovem. foi-nos referido que no caso da picada provocada por este inseto. se lembra de um primo seu que se curou de lepra. ao descobrir a cura para tal efeito maléfico: . 37 . principalmente na cura de doenças associadas ao foro respiratório. que se encontra a própria cura. alimento de efeitos benéficos incontestáveis ao nível da saúde.Mosca varejeira – Assinala a visita próxima de alguém à nossa casa. produz na crença popular a cura para a tosse convulsa.

25 – Burro. 27 – Lobo – O lobo também está associado no imaginário popular. neste caso em doenças como a tuberculose. principalmente na noite da véspera de S. ao burro são atribuídos adjetivos pejorativos como por exemplo a estupidez e a teimosia. João. Daí. 26 – Grilo – Relativo ao grilo foi-nos referida uma praga: “Que tenhas morte de grilo (o grilo quando morre fica com as patas agarradas aos cornos). para ir buscar o desgraçado do burro como é o caso de dizerem “As loiras são burras”. Outra das referências feitas aos burros associam este animal. Muitos acreditavam que certos humanos dotados de poderes ocultos se transformavam em lobisomens aparecendo na forma de lobos. que muitas vezes. referindo que os lobisomens muitas vezes se transformavam adotando a sua forma. ao oculto. a práticas ocultas. e sendo muitas vezes o principal veículo de locomoção em tempos mais remotos. o caracol que muitas vezes na brincadeira dizemos “caracol caracol põe os corninhos ao sol”. 38 .“és burro(a) ”.Caracol – Para além dos conhecidos efeitos gastronómicos. completam o grande cenário desta grande tradição. de que ele consiste num senão o mais popular dos pratos gastronómicos das festas características da nossa terra. Até há quem utilize as características físicas de uma pessoa. acompanhado de uma pinguinha de tinto. Não esquecer porém que o caracol também tem o seu contributo para o património imaterial. é dizer: . com um toque de musica tradicional.24. De que falamos? – das festas dos “Santos Populares”.embora seja um animal que em muito ajudou ao longo dos tempos o homem nas mais diversas tarefas. Falamos concretamente. “vozes de burro não chegam aos céus”. ao sabor da fogueira de rosmaninho e alecrim. “és teimoso(a) que nem um burro ”. é mais outro veículo de cura. sobretudo no meio rural. as formas das pessoas se confrontarem perante um caso de ignorância. onde um caracolinho. Mas apenas vale comer os caracóis mouros e crus.

que assim afastavam o mal. entre outras flores do campo. crescerem a ponto de chegarem ao teto.para além das propriedades curativas como no caso das irritações oculares. porque acredita que esta planta atrai a fortuna para o negócio. outras pessoas utilizavam atrás da porta um raminho de arruda. papoilas. malmequeres. porque atrai a morte para dentro de casa. em defumadores feitos dentro de casa. que juntam num ramo. rara de encontrar. folhas de oliveira. para ter sorte o ano inteiro. bem me quer. é tradição as pessoas apanharem certas ervas e flores como: espigas de trigo.a última das pétalas trazia a resposta pretendida. 5 – Rosa – as pétalas desta flor. pétalas desta flor.. encontra-se associado ao amor. bastava desfolhar as pétalas desta flor dizendo por cada uma que se retirava – mal me quer. proprietária de um café. a arruda também foi referida como sendo um talismã relacionado com a sorte e a fortuna – uma entrevistada. romã. 4 – Malmequer – o malmequer na crença popular. por isso. esta planta. Para saber se o amor do seu amado(a) era correspondido. é associada à sorte e prosperidade. 2 – Trevo de quatro folhas – Desde tempos longínquos. que utilizam pendurado geralmente na parede de casa.Não se devem deixar as plantas que estão dentro de casa. porque acreditavam. mencionou que tem sempre um raminho de arruda dentro da caixa registadora. 6 – Arruda – Utilizada como amuleto protetor contra o mau-olhado. Por outro lado. 39 . ou junto à casa um vaso com esta planta. alecrim.CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES RELACIONADAS COM VEGETAIS 1 – Plantas de casa . em que é utilizada fazendo uma maceração com as mesmas em água fria. uma forma de saudar os noivos à saída da igreja é atirando sobre os mesmos. é também associada ao amor e à felicidade. 3 – Molho de espiga – Na quinta-feira de ascensão.

dizendo: Cresça o pão no forno e as almas no paraízo. fazer-se sobre a massa uma cruz e pronunciar-se o seguinte: Deus te acrescente para bem da gente. 169-170 “ quem lance o pão ao forno tem o dever de com a própria pá fazer uma cruz sobre a boca do forno. sendo utilizada em mezinhas relacionadas por exemplo com o fortalecimento dos cabelos. Ataíde Oliveira. era utilizado em defumadouros dentro de casa. 4– Noz de três quinas – Encontrar uma noz de três quinas.Derramar e pisar sal dá azar. o sal também é um elemento utilizado na prática de magia negra. Quando tal acontece. Por outro lado. Algumas pessoas referiram que muitos dos bruxedos de que certas pessoas eram vítimas tinham sido provocados porque tinham pisado sal utilizado em rituais de magia negra. que “ se alguma vez a massa não 40 .” Refere ainda. entre outras. mais concretamente nas fogueiras. o alecrim.água vai 3 – Sal . Ainda segundo o autor. Outras das crenças é que não se deve deitar pão fora. 5 – Pão . também se encontra ligado a tradições importantes do concelho de Faro como é o caso das Festas dos Santos populares.derramar azeite dá azar. porque atrai a pobreza.Não se deve ter o pão virado ao contrário em cima da mesa. refere na sua obra “Monografia de Estoi” pp. pois atrai miséria e quando o pão cair no chão. “também é costume. é também considerado um amuleto protetor contra o mal. traz a sorte para o seu portador. deve-se jogar um copo de água à rua e dizer: . quando se acaba de amassar o pão. antes de o jogar fora.Alecrim – O alecrim. CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES RELACIONADAS COM ALIMENTOS 1 – Vinho – Derramar vinho é alegria 2 – Azeite .7. É ainda usada na gastronomia. deve-se beijalo. Esta planta tem ainda propriedades curativas. Culturalmente. por isso.

41 . Pelo contrário. Por outro lado. na sua obra “Monografia de Estoi”. protege e exorciza qualquer tipo de mal. se for a orelha esquerda a estar quente é sinal que estão a falar bem de nós. também é considerado um amuleto que atrai a fortuna.Nariz – Quando se está com comichão no nariz.68. em que a forma de cura era utilizar um colar feito com dentes de alhos ao pescoço. na aldeia de Estoi. devido ao adágio popular: “ Quem romãs come em janeiro. vai falando. Por outro lado. azeite e cinzas – Derramar estes ingredientes à porta de alguém está associado à magia negra – “Salgação à porta do teu inimigo” 8 – Romã – Deve-se comer romã no dia de reis. 7 – Sal. Então. dá sorte. 2 .Orelha: Se a orelha direita ficar quente de repente.” 6– Queijo – Comer muito queijo. é utilizado em muitas mezinhas de cura quer em pessoas. 10 – ervilhas . porque atrai a sorte e o dinheiro durante esse ano. Guardar alguns bagos de romã na carteira. CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES RELACIONADAS COM O CORPO 1 . quer em animais. Segundo Francisco Xavier D’Ataíde Oliveira. eram tratadas com mezinhas feitas à base de alhos. p.levedar no alguidar. coloque-se sobre a massa um tendal e sobre este umas calças de homem com a braguilha para baixo. se é mal morde a língua. na cura de doenças diversas entre as quais se cita a papeira. tira a memória. Utilizar um dente de alho junto ao corpo ou dentro de uma peça de roupa. é porque estão a falar de nós. era usual no dia de reis toda a gente comer romãs ao jantar. todo o ano tem dinheiro” 9 – Alho – O alho é considerado um poderoso amuleto contra feitiços e mauolhado. deve-se cuspir na palma da mão e esfregar a mão no “cu”. certas doenças dos animais como feridas.uma vagem que contenha 9 bagos de ervilha. Deve dizer-se o seguinte: Se é bem. é porque alguém está falando mal de nós.

que pretendiam conquistar. Lagarto. dizendo “ Lagarto. 6 – Saliva – A saliva na crença popular. Outro destes atos é fechar a mão e bater com os nós dos dedos num bocado de madeira três vezes. Também os dedos se encontram ligados a rituais de proteção: para fugir ao feitiço de uma bruxa deve-se fazer com os dedos uma figa. 5 – Pelos púbicos – Antigamente. é costume cruzar os dedos atrás das costas. diziam conseguir os seus intentos. significa que a pessoa irá ser um artista. desde que seja em jejum. 8 – Língua – Mostrar a língua significa um ato de má educação e representa um ato de repúdio e de demonstração de desprezo por aquele a quem se dirige este gesto. Por outro lado. porque nada sai perfeito. 42 . Colocavam nos alimentos alguns dos seus pelos púbicos. que ficava totalmente encantado com elas. ou até no meio de uma forte discussão. basta colocar um pouco de saliva sobre o mesmo. à saliva também é atribuído o ato de repúdio perante alguém que se detesta. Lagarto. bater claras em castelo entre outras confeções alimentares. e com o complemento de uma oração apropriada. ou “o diabo seja cego. demonstrando esse sentimento cuspindo para o chão ou na cara da pessoa a quem se dirige a ofensa.3 – Menstruação – Quando a mulher está no período menstrual não deve fazer bolos. em que foi referido que para curar este tipo de mal. A forma popular de designar este ritual de magia negra era “ Chá de pentelho”. tem poderes curativos. também era efetuado um ritual de magia para certas mulheres atraírem e conquistarem os homens. Da mesma forma quando se faz um juramento em falso. 4 – Sangue da menstruação – Antigamente. algumas práticas utilizadas pelas mulheres para atrair para si o homem desejado. como no caso de quistos. 7– Dedos – Dedos da mão longos. era colocar algumas gotas do sangue da menstruação em bebidas e juntamente com uma reza. diziam conseguir o amor do homem. surdo e mudo” para afastar um mau presságio.

Quando o objeto aparecer. com o tamanho do nariz e das mãos. Depois. pode provocar um poder maléfico como o mau-olhado. dar nove nós. deve-se proceder da seguinte maneira: pegar num fio ou cordão. pois se for aberto. Finalmente. à missa. como por exemplo. Para isso. é “atar os tomates ao diabo”. porque caso contrário o diabo não nos deixa em paz.Encontrar objetos perdidos: – Reza a Santo António . No entanto. 3 . olhos verdes são traição. 10 – Olhos – Os olhos têm poderes associados ao oculto. reza-se um Pai Nosso.. uma piscadela de olho que pode levar alguém a conquistar outro alguém.Quem partir um espelho. É crença popular comum. uma Avé Maria e uma Glória ao Pai. e em cada nó que se dá. é fazer uma oração a Santo António: “Santo António vai com o meu (minha). terá sete anos de azar. colocar uma pedra ou algo pesado sobre este fio. deve-se desatar os nós. 2 – Espelhos . também associar a cor dos olhos ao temperamento e personalidade de alguém: . traz má sorte para as pessoas da casa.Guarda-chuva .Outra forma de achar os objetos perdidos. o guarda-chuva deve ficar sempre fechado.Uma das formas de encontrar algo que desapareceu.olhos azuis são ciúme. – Atar os “tomates” ao diabo . por exemplo um olhar intenso de inveja sobre algo ou alguém.Dentro de casa.9 – Sexo masculino – O tamanho do órgão sexual masculino está relacionado na crença popular. 11 – Cú – calão utilizado para definir um calote “ Comichão no cú é sinal de calote” CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES RELACIONADAS COM OBJETOS 1 . olhos castanhos são leais e verdadeiros. também podem constituir uma prova de amor. vai-se dizendo: -diabo dá-me aquilo que é meu. (cita-se o objeto perdido). olhos negros são queixume. 43 .

A forma de quebrar este efeito. Segundo um entrevistado. 10 – Talheres cruzados – Significa zangas em casa. virada ao contrário. quando morria alguém em casa. 11 – Relógio – Ter relógios parados em casa. 13 – Sapatos –– Não se deve colocar os sapatos em cima da cama ou da mesa porque atrai o azar e a doença. isto deve-se ao facto de antigamente. 8 – Tesoura – Tesouras abertas dentro de casa dá azar.Ferradura – Deve colocar-se uma ferradura atrás da porta de casa. 12 – Chapéu – Não se deve colocar o chapéu em cima da cama ou da mesa onde se come.4 . 5. uma vez que traz o azar para quem o faz. significa cortar relações. a pessoa que recebe o lenço. como forma de pagamento a quem está a oferecer. 14 – Vestuário branco em janeiro – Segundo o adágio popular. 9 – Faca – Oferecer facas. porque esta tem duas funções: afastar o mal e trazer a sorte para dentro da casa e das pessoas que a têm. porque dá azar ou pode ser sinal de doença. 7– Lenços – Oferecer lenços significa “apartamentos” entre a pessoa que oferece e a que recebe.Colocar uma vassoura com o cabo para baixo atrás da porta. 44 . Também toda a água do cântaro era lançada à rua após a morte da pessoa e diziam em voz alta – “Água vai”. deverá dar simbolicamente uma moeda. o espelho era tapado com um lençol e os relógios tinham de ser parados. roupa branca em janeiro é sinal de pouco dinheiro. 6– Escada – Não se deve passar por baixo de uma escada. é dando uma moeda como forma de pagamento. à pessoa que ofereceu a faca. Para evitar isso.Vassoura . afugenta as visitas indesejáveis. dá azar.

tinham a resposta. que após o casamento os convidados joguem sobre os noivos bagos de arroz ou pétalas de rosa. casamento abençoado.O noivo não deve ver a noiva vestida com o vestido de noiva antes do casamento.Não se deve casar à sexta-feira. Antigamente. 2 – Bagos de arroz e pétalas de rosa – Para desejar sorte e fortuna aos noivos. será o próximo(a) a casar. Quando chegavam à última. é sinal de felicidade para os noivos. por isso há o adágio popular “ Casamento molhado. ou era amado(a) ou não. 16 – Vestuário do avesso – Vestir uma roupa do avesso.Não se deve varrer para fora de casa. 5 – Buquê da noiva – Num casamento. 4 – Chuva – Se no dia do casamento estiver a chover.“ mal me quer. fazia o seguinte ritual: . bem me quer”.pegavam na flor e arrancando as suas pétalas uma a uma. iam proferindo o seguinte: . CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES RELACIONADAS COM O NAMORO E O CASAMENTO 1 . 7 – Casamento à Sexta-feira . os namorados para saberem se o ente amado nutria por ele(a) o mesmo sentimento. associada ao amor. está desde há muito. 6 – Varrer os pés de uma rapariga solteira – Pode significar que ela nunca mais vai casar. pois isso significa deitar fora a sorte.Malmequer – Esta flor. porque dá azar. 45 . faz parte da praxe. 3– Vestido de noiva . sem nos apercebermos disso. o convidado(a) que apanhar o buquê da noiva.15 – Varrer para fora de casa. é sinal de presente.

Ataíde Oliveira.Grávida com barriga redonda e larga. p. a tocar buzina e a fazer barulho à porta dos noivos.Para uma mulher saber se vai ter filhos deve fazer o seguinte ritual: . se é feminino. 171. morrerá a noiva dentro de igual espaço de tempo. AO PARTO E AO NASCIMENTO 1 .171. e às vezes dois dias a seguir. morrerá primeiro o noivo e dentro de dez anos.Na Monografia de Estoi de Ataíde Oliveira.mas chocalhos e latas velhas. é sinal que vai ter um rapaz. refere que na aldeia de Estói “ Não se vê com bons olhos a viúva que torna a casar e mui principalmente se é já adiantada em anos. 2– Determinar o sexo da criança .Casamento de viúva –Ainda na obra acima citada. andam grupos de indivíduos encobertos com capas ou varinos.8 – Casamento e Funeral no mesmo dia . pegar na extremidade de forma a deixar a agulha de cabeça para baixo. 3 – Ritual para saber se se vai ter filhos . Na noite emque se efetuou tal casamento. colocar a agulha ligeiramente acima da palma da mão. vai ter uma rapariga. Grávida com barriga pequena e empinada vai ter um rapaz. Se a agulha rodar em círculo. p.numa agulha com uma linha enfiada.O sexo da criança é determinado pela línea umbilical. se a agulha fazer movimentos para trás e para diante. CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES ASSOCIADAS À GRAVIDEZ.Determinar o sexo da criança . pode-se ficar desde já sabendo qual dos casados morrerá primeiro. vai ter um rapaz. é sinal que não irá ter nenhum filho 46 . fazer três vezes o movimento de vaivém ao lado da mão. Às vezes não são as businas que fazem o barulho. é sinal que a mulher vai ter uma menina. quem não a tem. Quem a tem. Seguidamente. vai ter menina. Se o morto é do sexo masculino. é referido que “ – Se no mesmo dia se celebrou um casamento e um enterro.” 9. Se a agulha ficar parada. Seguidamente.

9 .Quando a grávida está sempre com azia durante o período da gestação. 11– Primeira dentição . devido à gravidez. 7– Azia . a criança nasce de boca aberta e sempre a babar-se.Não deve ser colocada a secar ao luar.4 – Objetos junto ao peito . a criança irá nascer com muito cabelo.Mulher grávida que coloca defeitos nos outros . porque atrasa a fala. 13 – Cabelo .A criança pode vir a nascer com o cordão umbilical enrolado ao pescoço.Ataíde Oliveira cita na sua obra “Monografia de Estoi” diz que “A mulher grávida que faz zombaria dos defeitos físicos de qualquer pessoa está sujeita a ver o seu filho nascer com os mesmos defeitos.Mulher grávida não deve usar nada junto ao peito. retirar-lhe os dentes e coloca-los sob a forma de pendente.Devese colocar a mesma atrás da porta à sexta-feira.A grávida deve satisfazer os seus desejos. a forma de curar este mal é esfregando com a fralda do bébé que contenha urina. 14 – Cortar unhas . caso contrário. 8– Pano no rosto devido à gravidez . porque atrasa a fala. 5 . 47 . porque se não o fizer. 12 . a solução era apanhar um ouriço. sob pena da criança vir a sofrer de cólicas e revirar os olhos. a criança nasce com o sinal do objeto que ela usou junto do peito. ao pescoço da criança.” 10 – Quando uma criança leva muito tempo para começar a andar .Mulher grávida não deve passar debaixo de um estendal . porque esta começa logo a andar ao fim de pouco tempo.Não se deve cortar o cabelo às crianças antes delas começarem a falar.Não se deve cortar as unhas às crianças antes delas começarem a falar.Para que uma criança não sofresse muito com o nascimento da primeira dentição.Quando a grávida fica com pano no rosto (manchas).A roupa do bebé recém-nascido . 6 – Desejos de grávida .

17 –Soluço no bebé – Passa. 3 – Pular para cima de uma cadeira e bater panelas e outros utensílios – Para assinalar e festejar a chegada do novo ano. Por exemplo.Será sábio(a) ou bruxo(a). 4 – Brindar com champanhe . a meialua e o sino-saimão. 2 – Lua – Na crença popular. 3 – Lua – A lua também tem influência em alguns usos e costumes do meio rural e piscatório. 16– Criança que chora no ventre da mãe . um desejo.15 – Mau-olhado .Brindar a chegada do novo ano com taças de champanhe CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES RELACIONADAS COM OS ASTROS 1 – Estrelas – Apontar para as estrelas faz nascer verrugas. sob a forma de pendente numa pulseira ou num fio. com votos de que seja melhor que o ano passado.Para que a criança fique protegida do mau-olhado e do quebranto deve usar sempre um amuleto protetor como a figa. é uma das tradições mais usuais para assinalar o novo ano que vai nascer. as melhores luas 48 . o corno. segundo alguns pescadores. porque traz sorte. desde que a mãe lhe cole uma linha vermelha na testa com a sua própria saliva CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES RELACIONADAS COM O ANO NOVO 1 – Passas – Comer 12 passas na véspera da passagem do ano velho para o ano novo e pedir por cada passa que se come. é costume as pessoas saírem à rua e baterem panelas e outros utensílios fazendo imenso barulho e dando vivas ao novo ano. 2 – Peça de vestuário interior azul – Deve-se estrear uma peça de vestuário azul no dia de Ano Novo. a altura do nascimento da criança está associada às nove luas e não aos nove meses da gestação.

quando este sorri. no seu quarto de lua nova. faz “o toucinho minguava na panela” 4 – Lua nova – A lua nova. nesta aldeia de Estói. “está com a lua”. prata. caso contrário a criança poderá vir a sofrer de cólicas. Assim. 5 . também está associada à sorte.nascido. pois segundo o mesmo matar o porco nesta altura.Segundo um entrevistado. ou a revirar os olhos. “(…) nenhum proprietário. Assim Deus salve minha alma Como eu te saúdo a ti. No meio rural foi referido por um entrevistado que a tradição de matar o porco nunca deverá ser feita no quarto minguante. O Quarto minguante era a altura em que se devia evitar matar o porco. que o não mostre à lua. porque aproximam mais o peixe da costa. lua nova Primeira vez que te vi. atraso e crescimento do cabelo. artista ou operário tem dinheiro nos bolsos. ouro ou cobre. ao costume de dizer que tal é porque o mesmo. para um crescimento mais rápido deve-se cortar o mesmo no Quarto crescente e para atrasar o seu crescimento no Quarto Minguante. porque segundo referiu o mesmo: “o toucinho minguava na panela” 6 – Fases da lua – Existe a crença popular de que as várias fases do período lunar estão associadas ao fortalecimento. dizendo: Deus te salve. pág.para pescar são a lua nova e a lua cheia. 49 . 168. Ainda em relação aos recém. Citando Ataide Oliveira na sua “Monografia de Estoi”. 7 – Lua – Existe a crença popular de que as roupas do recém-nascido não devem ser colocadas a secar no estendal ao luar.Quarto Crescente e Quarto Minguante . para um cabelo mais forte deve-se cortar o mesmo na Lua Cheia ou na Lua Nova. o quarto crescente era a melhor altura para a matança do porco.

outra com metade da casca e outra toda descascada. iriam ser ricas. 50 . pois era esse que indicava qual o pretendente com quem se iriam casar. fazer toda uma série de rituais.SORTE DOS PAPÉIS Na véspera do santo. destacamse: . o amor e a riqueza. que tinham como finalidade. No dia seguinte. as raparigas escreviam o nome de vários rapazes em papéis de pequena dimensão. uma com a casca toda. retiravam uma das favas. Após este ritual. Das principais sortes que se faziam em Faro nesta quadra festiva. João. Desta forma. Estes rituais eram designados de “Sortes”. . Se lhes calhasse a descascada. as favas eram colocadas debaixo do travesseiro. o de maior intensidade destas manifestações rituais em Faro. tinha como objetivo saber da riqueza ou da pobreza das suas consulentes. consultar os mesmos. sobre a sorte. que depois eram enrolados e colocados num recipiente com água.SORTE DAS FAVAS A sorte das favas. se fosse a meio descascada. iam verificar qual o papel que se tinha desenrolado. iam ter uma vida remediada e se fosse a com a casca inteira. Era feita com três favas.CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES RELACIONADAS COM OS SANTOS POPULARES Aos “Santos Populares” eram atribuídos poderes divinatórios. era costume na véspera do dia do santo que se estava a comemorar. iam ser pobres. Na manhã seguinte. As raparigas com as favas na mão saltavam nove vezes a fogueira. sendo a véspera do dia dedicado a S.

o lado para onde a ponta do sapato apontasse.SORTE DO SAPATO Consiste em passar o sapato apenas colocado na ponta do pé. que depois era colocado dentro de um recipiente com água.SORTE DA CERA OU DO CHUMBO DERRETIDOS Ao calor da fogueira. estes materiais. deitavam uma alcachofra florida para a fogueira. Depois do sapato cair no chão. derretia-se chumbo ou cera. Se na manhã seguinte a alcachofra voltasse a florir.. João. que segundo o imaginário popular. adotavam formas diversificadas. Ao solidificar na água. . pensando no rapaz com quem pretendiam casar. indicava a direção em que viria o pretendente. no momento em que ouvissem alguém pronunciar um nome masculino. que só poderiam deitar fora. . indicariam a profissão do (a) consulente. nove vezes pela fogueira e posteriormente atirá-lo ao ar. era andar com um bochecho de água retido na boca. plantando-a num vaso. 51 . não o conseguiam. referiu que na véspera de S. porque faziam rir umas às outras. pois esse seria o nome da pessoa com quem iriam casar. não deixando que a sorte se concretizasse. uma das sortes que faziam. a rapariga acreditava que iria casar com o pretendente desejado.SORTE DO BOCHECHO DE ÁGUA Uma das entrevistadas.SORTE DA ALCACHOFRA As moças. Posteriormente. e iam caminhando pela rua. É claro que muitas vezes. . e a água lá se ia embora. aguentando a água na boca. recolhiam novamente a alcachofra.

. recheando o ar com o odor característico do alecrim. a fim de saber o número de anos que faltava para o casamento. .RITUAL DA FOGUEIRA De origem pagã. Localizavam-se um pouco por todo o lado. a fogueira do solstício de verão.. era incutido um cunho de sacralidade à água. sobretudo do meio rural. um dos rituais praticados consistia em pendurar a imagem do santo de cabeça para baixo. como forma de devoção e culto aos deuses. irem até à praia ou ao rio banhar-se. 52 . sobre o futuro.se na fogueira dos Santos Populares. Outro era o de tentar colocar de olhos fechados. na esperança da cura para os mais diversos males. às portas das casas. transformou . consultando os santos. Na véspera do dia do santo era tradição as pessoas. o dedo no buraco da fechadura da capela. a riqueza e a pobreza. Em Faro. também as fogueiras foram assimiladas aos rituais católicos. as fogueiras com chamas intensas e crepitantes. João. o amor. em vários pontos do concelho. constituíam o auge da festa e o grande ritual de devoção aos “Santos Populares”. ou num grande arraial. Assim. JOÃO Na noite de S. onde havia mastro e baile com música popular tradicionalmente ao som do acordeão e dos ferrinhos.RITUAIS ASSOCIADOS A S. para que o mesmo lhes concedesse as promessas.RITUAIS ASSOCIADOS A SANTO ANTÓNIO Na véspera de Santo António. Era nelas que as moças solteiras realizavam as “sortes”.

CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES RELACIONADAS À CURA São inúmeras as benzeduras relacionadas com a saúde. Das mais conhecidas. segundo a crença popular. Tradicionalmente. Bocejar constantemente. promessas e preces ao santo da devoção. fortes dores de cabeça e enfraquecimento geral. ficam aqui algumas. Entre as práticas tradicionais utilizadas na cura. podiam ser feitas simples ou acompanhadas de mezinhas ou materiais diversos como velas. era através do uso de amuletos sob a forma de pendentes (signo-saimão.bem como a rituais e amuletos de proteção. também ajudava a protege-la do quebranto 53 . a proteção. Os defumadores dentro de casa como a arruda. e figa). Fazer o sinal da cruz sobre a boca da criança e dizer benza-te Deus. As maiores vitimas deste mal são as crianças. corno. meia-lua. O mau-olhado e o quebranto O mau-olhado. defumadouros. o alecrim e o incenso. bem como os amuletos e talismãs para a solução dos mais variados problemas. embora também possa ser causado sem qualquer intenção apenas pelo própria intensidade de um olhar carregado de energias negativas. é o resultado do mau-olhado designado de quebranto. benzeduras. é um malefício provocado geralmente por pessoas que sentem inveja de outras. era frequente a pratica de rezas. a forma de proteger as crianças contra este mal. também eram amuletos purificadores e de afastamento do mal. incensos e outros materiais. Destas citam-se algumas das mais conhecidas e referenciadas pelas pessoas entrevistadas. relacionados com a crença e o oculto. As rezas e benzeduras.

nem o pai pelo filho bradar. onde está o Santo Nome de Jesus. se for nas costas a senhora das Verónicas. Deve-se benzer esta oração 9 vezes. “Digo 3 vezes seguidas esta oração e depois. se for na cabeça. dois te deram. seja servida de tirar este quebranto. nem o filho pelo pai bradar. se for nos olhos. Marcos. Valéria Martins (Ilha da Culatra) 54 . Em louvor de Deus e da Virgem Maria. nem galinha cantar. faço a continuação com outra que direi 9 vezes “ Jesus que é o Santo nome de Jesus. que não oiça galo. este aquebrantado. Assim como isto é verdade. nas ondas do mar salgado seja suportado. Foi o Deus Pai. não está mal nenhum. Deus Filho e o Espírito Santo. a Senhora Santa Clara. que tem o poder todo. Em louvor de Deus e da Virgem Maria. assim este mau-olhado seja daqui tirado. 1 Pai Nosso e 1 Avé Maria. três te tiraram. se for nos braços o Senhor S. Eu te benzo criatura do olhado. este mau-olhado. Santa Ana pariu a Virgem meu senhor. 1 Pai-nosso. o meu Senhor Jesus Cristo. das ondas do mar salgado seja lançado. a Senhora da cabeça. (Reza-se 1 Pai Nosso e 1 Avé Maria) Mãe Santíssima da Encarnação. se for no corpo.BENZEDURA CONTRA O MAU-OLHADO Fulano(a) (Diz-se o nome da pessoa que se está a benzer). 1 Avé-Maria e 1 Salvé Rainha. que não ouça galos nem galinhas cantar.

No entanto. Depois. segundo algumas pessoas que o praticam atualmente. em louvor da Santa Terça. onde está o santo nome de Jesus. que aqui te hás de secar e hás de mirrar e daqui não passarás. é comprada nas farmácias (mando sempre as mães comprarem) e que se designa de pomada Beladona. em louvor da santa Segunda. e que não chegue ao coração. Este unguento era feito com vários ingredientes. esta tábua de afito e esta tábua de instrução. podendo levar até à morte da criança nos casos mais graves. produzindo-lhe fortes inchaço na barriga. Padre-nosso e Ave-maria Dizer 9 vezes a oração Maria do Carmo Ramos (Alcaria Cova – Estoi) Esta benzedura é complementada com um unguento que se utiliza para massajar a barriga da criança enquanto se está a fazer a benzedura. enquanto vou 55 . Eu te benzo esta tábua do baço. que venha para trás sim e para diante não. em louvor da Santa Sexta. este já difere da fórmula antiga. Em seguida. não entra mal nenhum. em louvor da Santa Quarta. Em louvor do santo Domingo. massajo a barriga da criança com a pomada. unto a barriga do bebé com uma pomada que atualmente. “ A primeira coisa a fazer é colocar aguardente de bagaço na barriga do bebé. em louvor do Santíssimo Sacramento do altar. em louvor da Santa Quinta. BENZEDURA DO AFITO Jesus que é o Santo nome de Jesus. em louvor do Santo Sábado.O Afito Afetava gravemente as crianças. acompanhado de fortes cólicas.

coloco por cima um papel mata-borrão na barriga do bebé e enrolo com uma fralda por cima para segurar e depois. 1 agulha com linha (coloca-se estes materiais sobre a zona afetada e simula-se que se está a coser com a agulha sobre a lesão). vai ao teu lugar. tira-se e volta-se a fazer tudo de novo. pelas palavras mais santas que no mundo havia. é um instinto meu”. Finalmente. nervo torto Pessoa que faz a Benzedura – É isso mesmo que eu cá coso. Esta oração deve dizer-se 9 vezes. e nervo torto. Avé Maria. Pessoa lesada responde – Carne quebrada. 1 pente. eu coso pela Virgem e a Virgem pelo osso. Padre Nosso. (Rezar 1 Pai Nosso e 1 Avé-Maria). no outro dia. João Ministro (Conceição de Faro) 56 . melhor cose a Virgem que eu coso.dizendo a oração do afito. Em louvor de Virgem Maria.Eu coso. 1 novelo de lã. porque acho que o domingo adianta. Eu faço a oração durante 9 dias. Benzedura Pessoa que faz a benzedura . se for carne quebrada torna a soldar. menos ao domingo. Ana Correia (Santa Bárbara de Nexe) BENZEDURA DO NERVO TORCIDO Materiais Utilizados durante a Benzedura: Tesoura aberta.

Se é constipação de vento eu te benzo em nome de Deus e do Santíssimo Sacramento. onde está o santo nome de Jesus. Tiago 57 . Se é constipação de ar eu te benzo em nome de Deus e do Senhor Santo Amaro. em louvor de Deus e do Senhor S. Se é constipação de água.ORAÇÃO PARA A DOR DE BARRIGA Era. eu te benzo em nome de Deus e do Senhor São Vicente. Eu te benzo constipação. eu te benzo em louvor de Deus e do Senhor Salvador. não era Foi pedir pousada à casa crua O homem dava. Se é constipação de ar frio com ar quente. eu te benzo em nome de Jesus e do S. Se é constipação de sol eu te benzo em louvor de Deus e do Santo Maior. Ave-maria Bernardina Murta (Montenegro ORAÇÃO PARA A CONSTIPAÇÃO Jesus que é o santo nome de Jesus. e a mulher negava Papinhas mexidas. Simão. não entra mal nenhum. Se é constipação de calor. com carnico de cabra Vai-te daqui dor de barriga Que tu daqui não tens nada Pai Nosso.

Se é constipação de água fria, eu te benzo em nome de Deus e da Virgem Maria. Se é constipação de friezas, eu te benzo em nome de Deus e de Santa Teresa Se é constipação que vem do corpo da criatura repentina, eu te benzo em nome de Deus e de Santa Catarina. Com esta santa segunda, com esta santa terça, com esta santa quarta, com esta santa quinta, com esta santa sexta, com este santo sábado, com este santo domingo que é este santo dia que a Nossa Senhora benzeu o seu bendito filho e se achou bom, seja servido tirar a constipação do corpo desta criatura, da cabeça, da garganta, das costas, dos braços, do peito, da barriga, das cadeiras, das pernas, das conjunturas do corpo todo. Onde eu ponho a minha mão, põe o Senhor a sua virtude; não é minha, é de Deus e da Virgem Maria. Pai Nosso, Avé - Maria. Esta oração deve dizer-se 9 vezes e oferece-se um Pai Nosso e uma Avé Maria ao Santo ou à Santa desse dia.
“Enquanto faço a oração à pessoa vou fazendo sempre o sinal da cruz”.

Florentina Ministro (Conceição de Faro)

REZA PARA O CORTAMENTO DE SOL Quando Nossa Senhora pelo mundo andava com o seu bendito filho. - Anda daí meu filho - Tenho um cortamento de sol que não me deixa passear

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- Eu to tirei com as 9 dobras do panal1 e o sumo da oliveira, 3 pinguinhas de água fria, em louvor de Deus e da Virgem Maria. Rezar um Pai Nosso e uma Ave-maria.
“Enquanto rezava, punha uma toalha nas costas do doente e fazia 9 dobras na toalha. Em cada dobra rezava a oração, e ia [aspergindo] com um raminho de oliveira embebido em água. Depois, voltava a desdobrar a toalha 9 vezes, e ia rezando cada vez que desdobrava a toalha e [aspergindo] novamente, com o raminho de oliveira embebido em água.” Judite Botelho (Santa Bárbara de Nexe)

Quando se tem soluço a forma de isto passar é dizer uma mentira ou assustar a pessoa. Ou dize - r soluço vai, soluço vem, merda para quem o tem.

REZAS E RITUAIS DE PROTEÇÃO E SORTE

REZA PARA TER SORTE E DINHEIRO

Oração a Santo Onofre Santo Onofre, que de campos verdes saíste e de folhas verdes te vestiste, Pelas três pessoas da Santíssima Trindade bradaste Assim como elas te acudiram a ti, acudi-me vós a mim Dai-me pão para comer, casa para morar e dinheiro para gastar Reza-se um Pai Nosso e uma Avé Maria Fazer três vezes, atrás da porta principal da casa, quando os ponteiros do relógio estiverem juntos, como por exemplo ao meio dia e à meia-noite.
Paula Messias Geraldo

1

Pano onde antigamente se estendia o pão.

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REZA DE PROTEÇÃO CONTRA TODO O MAL

Oração a S.Silvestre

Encomendo a S. Silvestre e à camisa que ele veste e às varas de S. Jorge, com que Deus andou armado. O meu corpo não seja corto, nem o meu sangue derramado. Quem tem olhos não me veja, quem tem braços não me prenda. Valha-me a Nossa Senhora, de todo o perigo me defenda.
Áurea Afonso Beato (Freguesia de S. Pedro – Faro)

REZA DE PROTEÇÃO CONTRA A TROVOADA

Oração a Santa Bárbara

Barbinha Santa se levantou, o seu pé direito calçou. Por onde vais tu barbinha santa? - Vou aqui por aí abaixo, ver a trovoada, lá na torre armada Onde não cai raio nem centelha, nem na folha da figueira Nem na guedelha de lã, onde há gente cristã Amem, padre-nosso, Avé Maria Esta oração deve dizer-se 9 vezes

Berta Travia (Montenegro)

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refere na Monografia de Estoi. que em épocas de trovoada deve-se invocar Santa Bárbara com este verso: “Santa Bárbara bemdita No céu está escrita Na terra assinalada Quantos anjos estão no céu Acompanhem a minha alma.Relativamente à proteção desta santa contra a trovoada. 170.” 61 . Ataíde Oliveira. p.

Como atrás se referiu o sino saimão. bentinhos Por exemplo na véspera de S. lobisomens e almas penadas. a água benta e o alho. a ferradura. propriedades curativas que associavam ao santo. geralmente utilizados atrás da porta ou nas proximidades da casa. João as águas tomavam na crença popular. ou ainda S. serviam também para combater o mal. como é o caso da ferradura e do chifre e do vaso ou ramo de de arruda. preces e orações . Utilizar o credo às avessas dentro da carteira. Da mesma forma. Para além desta função. ou São Cristóvao. eram preciosos amuletos de proteção. tu me embruxas e eu te embaço” ao encontrar alguém que se pensasse ter maus instintos contra nós. a meia-lua e o chifre.entre muitos outros. que muitas pessoas traziam consigo .Silvestre para proteger contra todo mal. Promessas. 62 . a figa. eu sou de aço. eram utilizados também como um escudo protetor contra bruxas e criaturas malévolas. as pessoas utilizavam os mais variados amuletos tais como: medalhas associadas aos santos protetores associados a cada tipo de doença. protetor contra os acidentes. como fazer uma figa com os dedos das mãos. também é um precioso amuleto contra o mal. e dizer “ Bruxa rabuxa. os defumadouros de alecrim. Para não ser atingido pelos efeitos das entidades malévolas. Certos gestos corporais.AMULETOS Para se protegerem destes males. estes amuletos tinham ainda o poder de trazer a sorte e a felicidade a quem os possuísse.como bruxas. deveria evitar-se locais ermos e encruzilhadas sobretudo após a meia-noite.junto ao corpo ou na mala ou carteira. tu és de ferro. arruda e demais incensos. eram utilizados para proteger contra o mau-olhado.

cuidado que vai pisar uma moeda”. 63 . 8 – Comichão no cu – É sinal de calote.como se dizem os populares. 3 – Roupa do avesso – Vestir roupa do avesso é sinal de que se vai receber um presente.Quando se vai a um lugar pela primeira vez. para afastar o azar. 9 – Água – Ao deitar-se água à rua depois da meia-noite. 4– Roupa branca em janeiro – Usar roupa branca em janeiro. Por outro lado. deve dizer-se “Água vai”. é sinal de pouco dinheiro. não deve brindar com pessoas cujos copos contenham água. que é por isso que existe o ditado “cagou-lhe o cão no caminho”. 2 . referiu que só dá sorte pisar fezes humanas. Outra das entrevistadas. com bebidas alcoólicas. “pisar merda dá sorte”. deve-se entrar sempre com o pé direito. pode indicar segundo a crença popular. 6 – Pé direito . Um dos entrevistados até referiu que “quando alguém encontra um cão a fazer cocó. 5 – Brinde . para dar sorte. Também a expressão popular “ vai à merda”. esta expressão “és uma merda”. porque dá azar e leva a que o que se está a brindar não se concretize.Quem estiver a brindar algum acontecimento. até se diz: .Varrer à noite – Não se deve varrer o lixo de casa para a rua durante a noite. costuma-se dizer que é sinal de que vai chover em breve. 7 – Amola tesouras – Quando passa pela rua um amola tesouras. por isso refere. porque isso é deitar fora a fortuna. porque as de cão não dão sorte. pode ser utilizada como forma de desejar sorte a quem vai fazer um exame ou vai ter uma entrevista de trabalho por exemplo. uma forma de ofender ou depreciar uma pessoa que designamos de inútil.CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES DIVERSAS 1 – Fezes .

para que alguém faça na terra a promessa que ela deixou por fazer. porque caso contrário. 13 .trabalhos feitos por 3 pessoas – três pessoas a desempenhar a mesma tarefa. tal como o alecrim e a arruda. usado em defumadouros. não se deve fazer. uma delas morrerá. 16 – Incenso – O incenso. a última vira bruxa e se tiver sete filhos homens. 11 – Conversa entre duas pessoas . 14 – Sexta-feira 13 . ora de sorte. a alma da pessoa volte ao mundo dos vivos.ou a mais velha.Promessa – O não cumprimento de uma promessa. grande víbora. nem no Purgatório a minha alma não 64 . Esqueceu-me de cumprir a promessa. o último vira lobisomem. No céu.Deve dizer-se . é costume dizerem: Hoje já não morremos. 12 . O azar é mais atribuído quando o dia 13 coincide com a sexta-feira.Quando duas pessoas estão a falar e repetem uma palavra ou frase ao mesmo tempo.O número 13 é tido ora como sinal de azar. 17 .Casal com 7 filhas ou 7 filhos – Um casal que tiver sete filhas.10 – Quando se vê uma pessoa que não se gosta.Ena pá. Era por isso. cuspideira e venenosa. dizem que morre a mais nova. Outro dos azares atribuído a este número é o de que é de evitar sentar 13 pessoas à mesa. como por exemplo. Então a sombra ou figura toma forma parecida com pessoa de há muito falecida e responde.É considerada um dia de azar. negra. « em vida prometi mandar dizer uma missa no altar da Senhora do Pé da Cruz. cujo sentido lhes é confuso. poderá levar a que depois da morte. também constitui um poderoso amuleto contra as forças do mal. 15.Número 13 . Sobre este assunto cita-se da “Monografia de Estoi” de Ataíde Oliveira: págs: 167-168 o seguinte: “ (…) Sente-se um individuo acompanhado dia e noite de umas sombras misteriosas ou figuras que tentam dizer-lhe umas palavras incompreensíveis e mal pronunciadas. fazer uma cama. Imediatamente esse indivíduo deve requerer da seguinte maneira:« da parte de Deus requeiro que digas o que de mim queres». .

deve-se. lobisomens e outros seres ligados ao sobrenatural. 24 – Para afastar o mal de casa – Não se deve colocar dinheiro em cima da mesa na altura das refeições.Serve para afastar as forças do mal. Segundo a crença popular. Nesta situação.” 18 – Acender velas no cemitério – Por vezes. 65 . Quando passarmos junto a uma bruxa.tem entrada enquanto a promessa não for cumprida. devemos dizer: “Bruxa rabuxa. Peço-te. 21 – Bater três vezes na madeira – Serve para afastar um mau pressentimento.Quando estamos perto de uma pessoa que acreditamos ser uma bruxa. chamando pelo nome do defunto. O indivíduo encarrega um padre de dizer a missa e esta é dita na sua presença. eram locais considerados de culto de bruxas. sobretudo durante a noite e em noites de Lua Cheia. porque devido a situações como por exemplo um dia ventoso. estes locais deviam ser evitados. que a vela acende-se sem dificuldade. eu sou de aço. 19 – Cruzar os dedos . tu me embruxas e eu te embaço”. 23 – Para afastar o mal de casa – Deve fazer-se um defumadouro com arruda seca. Quasi sempre no fim da missa o sujeito que a mandou dizer cai com um desmaio. alecrim em cruz e incenso em pó sobre brasas vivas. esta custa a acender e facilmente se apaga. 22 – Encruzilhada – As encruzilhadas. 20 – Fazer uma figa com os dedos . no cemitério temos dificuldade em acender a vela que está dentro da lanterna. para evitar que ela nos ataque com os seus poderes maléficos. faças-me essa esmola. tu és de ferro. Afirma-se que este desmaio é motivado pela presença da alma que lhe vem agradecer a esmola. devemos cruzar os dedos.». deve-se pedir auxílio.

“Senhora Santana. chegando a provocar a doença e a morte daqueles que eram atingidos por estas. entre outros familiares aterrorizavam as crianças. desempeçou”. ou então dizer o seguinte: soluço vai. engravidou. 1999) 27 – O Homem do saco – era uma figura imaginária com que os pais e avós. soluço vem. Vai para os quintos dos infernos”. merda para quem o tem. . “Maldito sejas”.Na crença popular. Elos Clube de Faro.24 – Para acabar com o soluço – pregar um susto à pessoa que tem o soluço. – “ Não te portes bem que o homem do saco vem cá ter. 26 – Pragas e maldições. Pragas Algarvias.“Grande puta de merda! Ainda criença e já com filhes! . Faro. 66 . De algumas das pragas recolhidas citam-se: “Vai para o diabo que te carregue”. as pragas eram consideradas como uma forma de fazer ou desejar mal à pessoa de que não se gostava e acreditava-se mesmo que elas surtiam efeito. “Que o mal que me desejas que tenhas em dobro”. com mágoa e preocupação não esconde a sua irritação. diz-se o seguinte: . quando queriam que estas se portassem bem. “Que tenhas a morte de um grilo (o grilo quando morre.Haveras de ter tantes filhes como bagues de areia há na Ilha da Culatra!” (Maria José Fraqueza. O pai irritado contra a filha. a família envergonhada. rogou-lhe a praga seguinte acompanhada de remoques: . que morras de língua traçada. Quando começaram a aparecer os sinais do seu estado. que por aqui passou. respeitante à Ilha da Culatra e que se encontra na obra de Maria José fraqueza intitulada “Pragas Algarvias” é a seguinte que passo a citar: “ Uma rapariga nova. Uma praga bastante engraçada. muito namoradeira. tudo quanto quanto viu. 25 – Para desenlear novelos ou fios –Para desempeçar umfio ou uma meada de lã por exemplo. metete dentro do saco e leva-te”.tem as patas agarradas aos cornos).

"Tanto faz que a água corra para cima como para baixo." "Quem pensa. que se entendam. a galinha enche o papo. Ao bom entendedor. pode-se ter sorte de acertar ou não” "Nem tudo o que luz é ouro”." Cada qual estira o pé até onde lhe chega o lençol." "Salve-se quem puder." "De grão em grão." "O bom filho à casa torna." "Mais vale cair em graça que ser engraçado." "O que é ruim de passar é bom de lembrar. "É melhor prevenir do que remediar”. não casa." "Não há pior cego que aquele que não quer ver. bonito lhe parece”.Adágios Populares "O mal e o bem à face vêm." "Fama sem proveito faz mal ao peito." "Coçar na mão é sinal de boa notícia" "O mal e o bem à face vêm. não se olha ao dente” 67 . meia palavra basta” "A cavalo dado." "Não há mal que o tempo não cure." "Só se dá valor ao que se perde." “Quem o feio ama." "O casamento é como a lotaria." "Cada qual com seu lugar." "São brancos.

“O seguro morreu de velho. o homem come” "Errar é humano." "De sábio e de louco." "Tão certo como dois e dois são quatro." “Só se lembram de Santa Bárbara quando faz trovões” “Em casa de ferreiro." "Em boca fechada não entra mosca." “Mãos frias. os outros baixam as orelhas.” “Roma e Pavia não se fizeram num dia” “Se Maomé não vai à montanha. perdeu o lugar”. quem foi ao mar. perdeu a cadeira. tarde ou nunca se endireita. "Quem não arrisca. coração quente. não petisca. mostra o que deseja Em casa onde falta o pão. Se queres ver um cão soberbo.” “Fia-te na Virgem e não corras. amor para sempre. todos se zangam e ninguém tem razão. dá-lhe um osso a roer. a montanha vai a Maomé.” "Quem nasce torto.” 68 ." “Quem foi à feira. espeto de pau” “Vozes de burro não chegam ao céu."Quem dá o que tem.” “Quando um burro fala. todos nós temos um pouco” "Bicho que não come o homem.

Faro. OLIVEIRA. Edição do autor. Lendas Algarvias. MAGALHÂES.Contramargem. Francisco. Santa Bárbara de Nexe.A. OLIVEIRA. 1996. Notícias de Loulé. 1989. Ataíde. Publicações. Gradiva. Lendas. Artes de Cura e Espanta. LAMEIRA. 1999. 1995. Lda. PINTO. Algarve. Pragas Algarvias. 1993. 1987.Edições e Comercialização de Livros. Edição da Câmara Municipal de Faro.Eugénio. Maria José. Lisboa. Edificações Notáveis. Espólio de medicina popular recolhido por Michel Giacometti. Elos Clube de Faro. CARDOSO. Morais. Maria José. Miguel (Coords). A Igreja Paroquial de S. Elos Clube de Faro. 69 . Ataíde.BIBLIOGRAFIA ALMEIDA. Faro. Faro.. 2004 FRAQUEZA.e Más-Sortes.Males. LOPES. Panaceias Para Livrar de Angaranhos. Faro.. Ana Gomes de. Faro. Faro.Santa Bárbara de Nexe. FRAQUEZA. Algarve em Foco Editora.Estudo Monográfico. Monografia de Estoi. 2010. Loulé. As Mouras Encantadas e os Encantamentos do Algarve. As Mouras Encantadas. Pedro de Faro. GUIMARÂES. José António Pinheiro e. Maria Mendonça. Ana Paula. 2007. Região de Turismo do Algarve. ROSA. S. Portimão. 1995.

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