Irineu Fabichak

ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ

Distribuidora Exclusiva NOBEL

© Copyright by Irineu Fabichak

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Impresso no Brasil/Printed in Brazil

Aos netos Danilo Bruno Alexandra Cristina Flávia Regina Douglas Jr. que na sua tenra idade já entendem o que é amor à natureza, em sua quarta geração dos Fabichak.

O Autor

SUMARIO
Apresentação ........................................................................09 Introdução ............................................................................11 ABELHAS SEM FERRÃO – JATAÍ ...............................13 A rainha ................................................................................17 O ninho .................................................................................18 Abrigo para as caixas ...........................................................21 O enxame .............................................................................24 O mel ....................................................................................25 A extração do mel ................................................................27 Os métodos de trabalho ........................................................29 ONDE SE ENCONTRAM AS JATAÍS ...........................30 Caixas para as jataís .............................................................31 A inspeção ............................................................................35 Os inimigos das abelhas .......................................................36 A valentia da jataí .................................................................37 ABELHAS SILVESTRES .................................................38 Abelha-mirim (Trigona minima) ..........................................40 Abelha-mosquito (Trigona mosquito) ..................................40 Abelha-mulata ......................................................................40

.......42 Frecheira (Melipona (Trigona) timida) .........................45 Lambe-olhos (Trigona duckei) ...............41 Camuengo (Melipona (Trigona) testaceicornis) .........................................43 Irá-mirim ...................................................................................49 Moça-branca (Trigona varia) ..................................................................................48 Mel-de-pau ......49 Tapiçuá (Trigona tubina) ............................................................53 ........................43 Irapuã (Trigona rufricus) .49 Mombuca (Trigona capitata) .........................................................................................................46 Mandaçaia (Melipona anthidioides) .............................................50 Tubiba (Trigona tubiba) .....41 Bijuri .................................45 Iruçu (Trigona subterranea e Trigona quadripunctata) ......................................42 Guarupu (Melipona nigra) ....................................................46 Mandurim (Melipona marginata) ...................................................................50 Tubi ...................................43 Iraxim ..................................................................................................................50 Tujuba (Melipona rufiventris) ....................52 Bibliografia ..................................................................................41 Caga-fogo (Trigona cagafogo) ....................................................48 Mirim-preguiça (Trigona schrottkyi) ..............................................................................Arama (Trigona heideri) ..........................................................................................................................................................................51 Tujumirim (Trigona dorsalis) ..............................................45 Jandaíra (Melipona interrupta) ....................................................................................41 Barra-fogo ..51 Vamos-embora ....................50 Tubuna (Trigona postica) ...........................................52 Vorá (Trigona clavipes) ..................................................

APRESENTAÇÃO Não é raro encontrarmos pessoas à procura de um bom "mel caseiro". nos propõe o desafio de criar. Na simplicidade dos métodos de criação e extração. na construção dos abrigos para os apiários. De fato Irineu. são aqueles vendidos em beira de estrada ou em suspeitíssimas casas de artesanato. Irineu nos conduz à certeza e ao prazer de que iremos manejar a família dos meliponídeos adequadamente e colher dela um excelente. pois se há mel que não inspire um mínimo de confiança. casas confiáveis ou a gente mesmo produz. É o que sugere Irineu Fabichak neste seu versátil trabalho sobre os produtores do mais requintado suquinho doce que a natureza jamais produziu. no "faça você mesmo" das caixa-ninhos que imitam os hábitats das abelhas. gostoso e nutritivo mel. De modo que o bom mel se compra em apiários. . a exemplo do que realiza na maioria de seus livros.

no sítio. registra em seu "Dicionário dos Animais do Brasil" o que lhe relatou o Pe. que eram as asas. que atraiu logo duas abelhas do reino. partiu-se um dos pequenos favos do delicioso mel. as JATAÍS. Mas. Imediatamente as jataí. na fazenda ou até mesmo em sua própria casa. voando em roda e observando. Martins sobre esses pequeninos seres.N. Faça a experiência. nem sua índole é tão pacífica. amarfanhando-as e inutilizando-as para o vôo". M. Conta ele: "Ao abrir uma colméia de jataí. que vai produzir o seu próprio mel de Jataí. Afinal. Atacaram então estrategicamente o ponto fraco das abelhas européias. em relação a você leitor. tudo levará você a viver horas ainda mais gostosas e mais produtivas na chácara.10 IRINEU FABICHAK Inofensivas e tímidas em relação ao homem. mas também algumas espécies mais dessa super família dos meliponídeos. como ensina Irineu Fabichak neste livro. fique tranqüilo. SYNESIO ASCENCIO . você só irá colher satisfações em criar não apenas jataís. Adoce sua vida. 0 cientista Rodolpho von lhering. que dão título a este livro não são tão fracas como seu corpinho franzino faz supor. aguardavam o momento certo de investir e punir as duas ladras. Aprendendo a manejá-las.

buracos no solo. Os favos ou células das abelhas Apis são construídos no sentido vertical. os machos. como ocos de troncos de árvores. .ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 11 INTRODUÇÃO Existe uma grande diferença entre as abelhas indígenas sem ferrão e as européias importadas (Apis mellifera). Só se criam novos machos por ocasião do nascimento da nova rainha. que é a de fecundar a rainha. uns sobre os outros. Nas abelhas silvestres. Os mais insistentes são inutilizados. enquanto que das abelhas silvestres são feitos horizontalmente. As abelhas indígenas fazem seus ninhos (cortiços) em plena natureza. Depois que a abelha-mestra ou rainha deposita os ovos. tipo assobradados. procurando os lugares mais adequados. são enxotados dos cortiços. misturando-o com mel. após cumprirem sua missão. as células são fechadas e logo que as larvas nascem já encontram alimento suficiente para se desenvolverem e tornarem-se adultas. ou pendurados em galhos de árvores. entretanto. justapostos. As abelhas silvestres depositam o pólen nas células. fenda de pedras. são criadas em colméias racionais. As abelhas européias.

feitas pelo homem. além de nos fornecer um mel de excelente qualidade. em quantidade. sem serem molestados. Sendo bem manejadas. Com esse pequeno trabalho. comendo o mel produzido pelas obreiras. desejamos transmitir aos leitores alguns conhecimentos a respeito dessas abelhas. essas abelhas poderão perfeitamente nos proporcionar prazer e alegria. embora nunca comparado. os zangões vivem nabalescamente.12 IRINEU FABICHAK Nas abelhas do gênero Apis. Os machos não exercem nenhuma função até o nascimento da nova rainha. Mas nem todas as espécies se prestam para o sistema racional. Os zangões realizam passeios internos e externos. principalmente a jataí. O Autor . desde que imitem o seu hábitat de origem. com o da Apis mellifera. As abelhas silvestres também podem se adaptar em caixas racionais.

medrosa e sem veneno. possuindo até algum valor medicinal. Para se dedicar à criação da abelha jataí. se gostarem de apicultura. não se necessitando de vestimentas especiais. no * Nota do digitalizador: Atualmente o nome científico da jataí é Tetragonisca angustula.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 13 ABELHAS SEM FERRÃO JATAÍ Pessoas alérgicas a picadas de abelhas. Como exemplo de abelha sem ferrão. as abelhas européias ou africanizadas (Apis mellifera). A jataí produz um mel de sabor bastante agradável. . podendo-se chegar até a 50 kg. poderão perfeitamente dedicar-se à criação de abelhas indígenas sem ferrão como terapia. que são mais ferozes. nem de fumigador ou de outros apetrechos. Com um pouco de boa vontade e muita dedicação. ou seja. A jataí. já é meio caminho andado. tornando-se meliponicultor. muito mansa. citamos a jataí (Trigona jaty)*. Uma colméia de Apis mellifera (abelha africanizada) bem manejada pode produzir mais de 20 kg de mel por ano. não é necessário especialização em apicultura.

O mel puro da Apis contém menos de 25% de água. produz apenas 1 litro. de dextrose. no Nordeste. em ocos de troncos de árvores. ou pouco mais. desconfie de sua autenticidade. que contém até 10% de açúcar. entre tijolos. O mel produzido pela abelha jataí é composto essencialmente de levulose. As abelhas indígenas sem ferrão pertencem ás mais variadas espécies de meliponídeos cada uma delas produz um determinado tipo de mel. Encontrando lugar adequado para se instalar com a nova família. por preço pouco superior ao mel comum. A jataí é conhecida.14 IRINEU FABICHAK entanto. Contém ainda pequena porcentagem de outras substâncias e muita água. . menos doce que a sacarose. em vãos de muros. que não possui sacarose. por "jati". Essa abelha constrói sua pequena colméia entre as fendas de pedras. como acontece com o mel da Apis. desde que haja uma boa florada em seu campo de ação. com uma média de 25%. não se faz de rogada. se algum vendedor de mel lhe oferecer litros de produto da jataí. Portanto. numa concentração de 45%. uma substância mais doce que a sacarose.

a menor abelha do mundo. Algumas dessas espécies preferem construir suas colméias na terra. produz uma ardência muito forte. e ainda a "lambe-lhos". a "mirim". existem outras minúsculas abelhas. A abelha jataí é bem menor que a Apis e mede entre 3. Existem dezenas de espécies de abelhinhas. Os ninhos . cupinzeiros extintos. Possui a cabeça e o tórax pretos.15 ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ Além da jataí. Não possui ferrão. em contato com a pele. o abdômen com o primeiro segmento amarelo e as patas brumo-amareladas.75 a 4 mm. invadindo canais de formigueiros abandonados. A "caga-fogo" possui um líquido cáustico que. A abelha "torce-cabelos" chega a atacar o homem. algumas parecidas com mosquitos. instalando-se nos ocos maiores. semelhando-se a uma cabecinha de alfinete. enroscando-se nos seus cabelos. Algumas vezes tivemos oportunidades de transferir algumas colméias para caixas racionais. como a "seteportas". a "três-portas". esta última.

aguardam-se um ou dois dias até que as abelhinhas desobstruam o local de saída.16 IRINEU FABICHAK dessas abelhas chegam a atingir mais de um metro de profundidade. podendo-se. Abrindo novamente o canal. deve-se cavar o chão com uma pá de pedreiro para se encontrar o canal. Para se fazer a transferência dos ninhos para as caixas racionais. com mais de um metro de profundidade. localizar-se a colméia facilmente. O tubinho de cera de entrada e saída fica bem rente ao chão. Colméia de jataí-da-terra. Se por acaso perde-se o canal de vista. elas constroem um tubino de cera na entrada. . assim.

entre outras. jamais abandonará a caixa. de forma alguma.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 17 Outra prática também recomendável é introduzir-se um arame no orifício. as abelhas se retraem. porque. A RAINHA A abelha-mestra ou rainha de uma colméia de jataí ou mirim é bem maior que as obreiras (operárias). Essas abelhas são conhecidas como "jataí-da-terra". parecendo-se com um besouro. pois é nessa parte que está localizado o ovário. permanecendo na colméia. até sua morte. empurrando-o até aonde se encontra o cortiço. pode-se dizer que a abelhinha ficou presa pela traseira a um grande reboque. três e. Quando a jataí enxameia. A rainha. Possui o corpo disforme em relação à cabeça. apenas espreitando à entrada. até quatro. às vezes. Para exemplificar. à procura de um local . poderá alçar vôo. quando então será substituída por outra. em número de duas. Quando qualquer pessoa se aproxima do tubinho de cera. uma vez instalada com a família.

a nova rainha é quem deverá abandonar a casa. como acontece com a Apis. a qual poderá alçar vôo até a nova morada. cuja colméia fica em polvorosa quando isso acontece. Quem saí. as células são fechadas com o alimento de que necessitam até o seu estado adulto. . o que não acontece com a Apis. Depois disso. para lhe darem assistência. sem ser acompanhada pelas operárias. A única função da rainha da jataí é depositar os ovos para aumentar a família. quando a coleta de pólen e néctar é intensa. A rainha que deu origem à nova mestra nem se preocupa com o seu nascimento. quando então se abrem para conviver com a família. é a nova mestra. produzir alimentação (mel e pólen) e para aumentar a família. As obreiras da família dos meliponídeos vivem em média de 30 a 40 dias. pois a natureza e a índole dessas abelhas ensinaram-lhe que ela está perpetuando a sua espécie. Perambula sempre só. Nas células ou favos é depositado o pólen. portanto. onde a rainha deposita os ovos. misturado com um pouco de mel.18 IRINEU FABICHAK a fim de abrigar.

em camadas sobrepostas. as que estão na parte inferior arrebentam-se para conviver com as demais.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 19 O NINHO O ninho (colméia). uma pasta pegajosa. Muito diferente do que acontece com a Apis. formando. com proteção na cobertura de brasilite . Quando as últimas células ainda estão com ovos na parte superior. uma seqüência na reprodução. é praticamente em forma de disco. assim. tanto na parte superior como na inferior do núcleo. Essa mistura de cera com resina é conhecida por "batume". Caixas racionais de abelhas jataí em prateleiras. as células ou favos são construídos no sentido horizontal. construído pela jataí. Cera e resina separam o ninho como se fossem uma proteção. para a família se reproduzir.

os quais são iluminados durante a noite. as abelhas conseguiram ganhar o seu interior. no orifício de entrada dos fios elétricos. o qual é fechado durante a noite. Cogumelo de cimento. instalados num cogumelo de cimento (desses que se costuma enfeitar jardins e praças públicas). colocado simplesmente como decoração no gramado. a fim de permitir o arejamento interno. completamente pro- . 0 centro que sustenta o chapéu do cogumelo é oco e. As abelhinhas construíram o tubo de cera de saída e entrada. onde vários enxames de abelhas jataí já se alojaram. abaixo do chapéu. através do orifício por onde passavam os fios elétricos.20 IRINEU FABICHAK Na entrada da caixa ou ninho é construído um tubo de cera. deixando-se pequenos orifícios. Já tivemos oportunidades de retirar vários ninhos de jataí. O nosso cogumelo estava desativado. como uma espécie de teia.

as jataís construíram a colméia. Para quem está interessado em criar jataí. ABRIGO PARA AS CAIXAS Na natureza. viramos o cogumelo de cabeça para baixo. No fundo do oco. a caixa foi transferida. com o auxilio de um espeto e cortamos todas as partes fixadas nas paredes. para o local definitivo. é preciso que fiquem bem alojadas. do sol direto e das correntes de ar.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 21 tegido das chuvas. as abelhas jataí alojam-se em abrigos devidamente seguros. isto é. de preferência. a fim de que as abelhas que estavam colhendo pólen e néctar nos campos se reunissem novamente à família. O enxame saiu inteiro como se fosse uma bola. Após esse tempo. a entrada . uma vez instaladas em caixas racionais. deve proporcionar-lhe um ambiente. o mais parecido possível com o seu habitat natural. durante a noite. O trabalho das jataís continuava intenso. As caixas racionais devem ter. Para transferir o ninho para uma caixa racional. A caixa racional permaneceu por alguns dias no local onde estava instalado o cogumelo. protegidos das chuvas. Por isso. Transportamos o ninho para a parte mais espaçosa da caixa e os potinhos de mel foram colocados nas prateleiras para tal fim.

. deixa-se a saída (linha de vôo) completamente livre de qualquer arbusto. ou em varandas. desde que isso seja favorável a elas. ou penduradas com correntes. com boa proteção contra chuvas e ventos. para evitar que balancem com o vento. mas bem firmes.22 IRINEU FABICHAK voltada para o nascente e permanecerem sobre prateleiras. abrigada em alpendre. Caixa racional de jataí. Em um abrigo coberto e com prateleiras. As caixas destinadas às abelhas jataí também podem ser abrigadas em alpendres. A distância entre as caixas não precisa ir além de 30 ou 40 cm.

. brasilite. desde que as caixas sejam construídas com capricho e bem pintadas.ou por qualquer outro material. sobre cavaletes ou suportes. protegidas com telhas de barro. As caixas podem também ser instaladas ao ar livre.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 23 Além delas fornecerem um mel saboroso. proporcionam também um bonito aspecto.

revestida com chapa. . para evitar a entrada de chuva. onde existe facilidade de se encontrá-los. que deve encaixar na parte superior. Caixa pega-enxame. como se faz com a Apis. Portanto. a melhor maneira de adquiri-los. Pode-se também procurá-los em ocos de árvores.24 IRINEU FABICHAK O ENXAME Não existe praticamente comercialização de enxames das abelhas jataí. O desenho menor é detalhe da tampa. ou em alguma construção onde estejam alojados e ainda obtê-los através de pessoas que residam no interior. é apanhando-os no mato. com pega-enxames.

muitas vezes encontram-se vendedores de mel apregoando ser de jataí e com um preço não muito . também. e até mesmo ao redor da mata onde existem enxames de jataí. a fim de proteger as abelhas da chuva. por 18 cm de fundo. É um mel de textura fina. Como foi mencionado anteriormente. O MEL As abelhas indígenas sem ferrão produzem um mel saborosíssimo e muito menos enjoativo que o da Apis. pode-se conseguir muitos enxames dessas abelhas. as quais nos proporcionam prazer e alegria em mantê-las tão próximas e numa boa convivência. pequenas caixas. Essas caixas deverão ser fechadas com uma tampa removível na parte superior. e até com algum valor medicinal. principalmente quando estão ao ar livre. azedinho. Por meio desse processo. nas seguintes medidas: 20 cm de largura. com paredes com espessura de pelo menos 25 mm. para se proceder à transferência dos enxames para as caixas racionais. Sobre essas caixas deve ser colocada uma chapa. por 19 cm de altura para serem colocadas em vários pontos do sítio ou da chácara.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 25 Pode-se construir. isto é. de sabor meio ácido.

Uma família de jataí pode produzir. não se aceitam colméia com "parasitas" consumindo o alimento sem nada produzirem. independentes do ninho. montou um colmeial com 250 caixas de jataí.26 IRINEU FABICHAK mais elevado que o mel comum. Portanto. um litro ou mais. das quais tirava anualmente uma média de 10 garrafas por caixa. Rodolpho von Hering afirma que. enquanto que abelha africanizada pode perfeitamente superar 20 litros em um ano. A produção da colméia é um trabalho das obreiras. levando consigo parte da família para a formação do novo cortiço. por ano. O mel produzido pela jataí é armazenado em pequenos potes. deve-se desconfiar. quando a florada é boa. porque um litro de mel da jataí não se consegue com a mesma facilidade que o da Apis. confeccionados com cera. Na época da entressafra. Neste caso. as provisões estarão garantidas para o sustento da família. depois de ter visto em Pernambuco um caboclo. . ou mesmo por ocasião do inverno. Os machos da colméia são criadas durante o verão e a única finalidade deles é fecundarem a rainha.

porque o trabalho das abelhas para produzirem mais cera destinada à confecção de novos potes seria redobrado. . erguendo a tampa de um lado para o outro. a parte superior da caixa. até se despregar. o trabalho da extração do mel requer muita cautela. ou até mesmo uma chave de fenda.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 27 A EXTRAÇÃO DO MEL A extração do mel deve ser feita em pleno verão. Para quem mantém um pequeno meliponário por distração. abre-se. com uma agulha bem grossa. pois está selada com própolis e resina. Formão de apicultor para abrir as caixas. pelo prazer da observação. com muito cuidado. escolhendo-se um dia de sol aberto e sem vento. quando o trabalho das abelhas é intenso. mas tomando-se cuidado para não danificar os potinhos de armazenamento. uma vez que criar abelhas não toma muito o tempo de quem cuida delas. utilizando-se um formão. Para isso. ou por simples curiosidade. Para a remoção do mel. utiliza-se uma seringa de injeção.

mesmo assim. isto é. Pega-se um pequeno tubo de plástico de 30 a 40 cc. pode-se fazer nova coleta. no sentido horizontal. Coloca-se o tubo na prateleira superior. o enxame poderá sucumbir. mas apenas 50%. tapando-se os dois extremos com um chumaço de algodão. fornecendo-se mel da Apis. deixando-se sempre uma reserva para o consumo da colméia. Alimentador artificial. Es- .28 IRINEU FABICHAK Seringa para extração de mel sem danificar os potinhos. Caso falte alimento na colméia. A extração só deve ser feita quando há excesso de mel. As abelhas vão-se alimentando de mel. A medida que as abelhas vão produzindo mais mel. e enche-se com mel. confeccionando com tubo de plástico transparente. tapando os dois extremos com um chumaço de algodão. que é absorvido pelo algodão. de meia polegada. As abelhas jataí também podem ser alimentadas artificialmente. nunca retirá-lo totalmente. onde se introduz mel. onde as abelhas armazenam o mel. deixando-se o restante para a alimentação da família.

a entrada do tubinho de cera é fechada durante a noite e aberta de manhã. Como já foi mencionado. Neste período. Mas as abelhas que se encontram fora. ou até mesmo com tempo nublado. com a mesma freqüência de quando o tempo está bom e com sol. quando as abelhas têm pouca reserva de alimento.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 29 te escorrerá do tubo através do algodão assim elas vão-se alimentando e transformando-o em reservas. . ficam completamente inativas para o trabalho externo. até que o estranho saia do seu campo de visão. OS MÉTODOS DE TRABALHO As abelhas jataí. continuam entrando na caixa. para continuarem o seu trabalho. não costumam sair para o campo. para não haver vazamento para dentro da caixa. Isso é feito naturalmente para se evitar a entrada de intrusos ou de saqueadores de alimento. na entrada do tubo de cera. deixam de sair da colméia. com qualquer movimento. Geralmente. porque são medrosas. 0 alimentador deve ser sempre observado. Isso deverá ser feito principalmente no inverso. ficam de três a quatro abelhinhas espreitando. por ocasião do inverno.

. pintangueiras.30 IRINEU FABICHAK ONDE SE ENCONTRAM AS JATAÍS As abelhas jataí são encontradas em chácaras sítios. que é constituído de pólen. assa-peixes. no mato. e até mesmo em casas urbanas Para as abelhinhas produzirem seu alimento. de plantas cítricas cabeludas. fazendas. ou seja. cujas flores são muito procuradas pelas abelhas. gerânio. onze-horas. néctar e mel. girassóis eucaliptos. isto é. Pé de doliondra vermelho. jabuticabeiras. plantas nectaríferas e poliníferas. é necessário que se tenha campo com flores melíferas. beijo e tantas outras.

através da polinização. Caixas racionais para abrigar colméias das abelhas jataí ou mirim. porque existem algumas espécies que não são visitadas pela Apis. porque. . e sim petas abelhas minúsculas. ficando sobrepostas. É por este motivo que as abelhas silvestres devem ser protegidas. CAIXAS PARA AS JATAÍS As caixas para se abrigar as abelhas jataí são bem diferentes daquelas usadas para as abelhas européias ou africanizadas. São divididas em três seções.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 31 As abelhas sem ferrão também ocupam papel importante na fecundação das plantas. propiciam o aumento da produtividade.

Caixa racional para abelhas jataí. A seção sobre o assoalho contém uma tábua de 5 mm de espessura. para as três seções.32 IRINEU FABICHAK A madeira a ser utilizada para a confecção deve ser. internamente. . As caixas devem medir 300 mm de comprimento. de preferência. vista no sentido vertical. chanfrada na parte da entrada das abelhas. composta de três seções. tem o fundo fechado. através do calor produzido pela família. As seções são sobrepostas. deixando-se 20 mm de folga no orifício de entrada e saída das abelhas. que não solta cheiro. a fim de manter a temperatura interna estável. com 280 x 160 mm. deixando-se apenas 20 mm livres no orifício de entrada e saída. com 25 mm de espessura. assoalho e tampa. A medida desse orifício é de 10 x 10 mm de diâmetro. por 160 mm de largura e 40 mm de altura. a fim de facilitar a locomoção interna. o pinho-do-paraná. aquela que vai sobre o assoalho.

mas suas medidas são de 180 x 160 mm. para se encaixar quatro sarrafinhos. com 5 mm de espessura.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 33 A seção do meio e a superior também têm tábuas. Nas três seções. deixando-se um espaço de 35 mm entre eles. colocados a partir da abertura de entrada das abelhas. deve ser feito um rebaixo de 5 mm. num espaço de 4 mm. . Modelo da caixa racional com as respectivas medidas. abaixo da parte superior mais larga das caixas. deixando-se também 20 mm de folga. Aí as abelhas vão construir os potinhos para o armazenamento do mel. como na primeira seção. nos dois sentidos.

além de ficarem com uma bonita aparência. o verde-claro. e até com desenhos. durarão por mais tempo. de preferência com cores claras. Nunca se deve colocar os potinhos de mel nas caixas racionais antes de estarem perfeitos. Tão logo as caixas estajam prontas. Quando se colocam as caixas em abrigos ou alpendres. cuidadosamente. por exemplo. a fim de evitar possíveis saques. para depois iniciarem suas atividades. como o branco. o azul-claro. mas só externamente. Na parte que fica vazia entre as duas seções superiores instala-se o núcleo de reprodução. porque. no maior espaço da caixa. convém que a pintura seja de cores diferente. deve ser colocado. o cinza-claro. Quando um enxame é transferido para uma caixa racional. podendo-se dar duas ou três demãos. porque essa pintura ajuda as abelhas a identificarem melhor a sua caixa. deve-se pintá-las.34 IRINEU FABICHAK O assoalho para a caixa e a tampa deve ter as seguintes medidas: 350 x 210 mm e ficar rente às paredes da caixa. um triângulo de cor diferente da tinta que se aplicou como fundo. A distância mínima recomenda- . deixando-se que as abelhas coloquem a casa em ordem. bem próximas umas das outras.

Tão logo as abelhas se instalem na colméia. vendo-se os sarrafinhos que se destinam ao armazenamento do mel. é necessário fazer-se uma inspeção das caixas.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 35 da para essas abelhas é de um metro. A INSPEÇÃO De vez em quando. A parte vazia da caixa é onde se aloja o compartimento de criação. ou mesmo qualquer fresta que possa ter. Caixa racional com três seções. isto é. entre as caixas. a fim de verificar se tudo está correndo bem. se a família está aumentando. principalmente quando estão ao ar livre. se os favos estão . se os potes para o armazenamento estão sendo confeccionados. uma das primeiras providências é selar com resina e própolis a tampa da caixa.

porque a reprodução dos que servem de alimento aos inimigos é bem mais numerosa do que daqueles que atacam. quando o trabalho externo das abelhas é bem mais intenso. a natureza é tão sábia. se tem alimento suficiente e fartura de mel. Caixa racional de jataí em abrigo antiformiga. que possa ser retirado sem que venha fazer falta.36 IRINEU FABICHAK sendo construídos. mantendo-se assim o equilíbrio biológico. Neste ponto. porém. tanto no meio aquático como no terrestre e no ar. com cobertura de telhas de plástico. Este serviço deve ser feito durante o verão. . Deve-se observar ainda se existem vespas pilhadoras de mel. ou formigas que possam atacar a colméia. pois um depende do outro para sobreviver. OS INIMIGOS DAS ABELHAS Em toda a vida animal existem inimigos (predadores).

dois casos bem interessantes: "Abrimos. Nunca uma tal grosseira e tamanha falta de respeito se verificou entre as Apis. e até por abelhas maiores. rompendo-se umas cápsulas do delicioso mel. que lá se achavam não lhe davam passagem. conseguiu então o seu intento. uma colméia de jataí. répteis. revelou-se o seguinte. quando ainda novo. pois algumas obreiras. formigas. chegando a retirar a casca de certas plantas para produzir a resina utilizada em seus cortiços. é atacado por essas espécies de abelhas e. são atacadas por aranhas. escolhendo outro caminho. A abelha "irapuã" e a "sanharão" atacam e danificam brotos novos de plantas. muitas vezes. por acaso. entre muitos outros predadores. O Pinus eliotis. N. Martins conta. . a respeito da jataí. cientista que melhor estudou os hábitos das abelhas indígenas. O Pe. H. batráquios. M. vespas. von Ihering. traças. a muito custo. sugando a seiva. A obesa e desajeitada abelha-mestra queria transpor um corredor.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 37 As abelhas. A VALENTIA DA JATAÍ Segundo um relato do Dr. os pés acabam morrendo. porém não pôde prosseguir. passarinhos. de um modo geral.

mais numerosas. Vão as jataís e fazem-lhe negaça e ela avança. ainda. que depois. triunfantes as jataís". inutilizaram-nas por completo. mais corpulenta que a jataí): "Tem a uruçu sempre uma sentinela de guarda à porta. Quando. o mesmo observador um fato passado com a abelha uruçu (aliás. as Apis iam voar. á mercê das jataís. que aumenta com a vinda de outras de dentro a secundar a primeira e das de fora que acodem à pilhagem. voando em roda. como um barco sem vela. que as jataís prendiam e amarfalhavam. e dão começo à refrega. Relata. depois. oito contra uma. É então que uma jataí vai por trás e se pega a uma das asas. estas lutas. decerto. . saindo um pouco do orifício para colher alguma. creio. dias seguidos. ficando. já não o podiam. acabaram de inutilizar as duas européias e as outras que ainda sobrevieram a roubar mel". tornando-as. Este lado fraco das européias eram as asas. Observaramnas as jataís e. Duram dias. espreitaram o momento para darem boa paga às ladras. assim. tornando-as pelo seu lado fraco. inúteis para o vôo. e ficaram assim.38 IRINEU FABICHAK o que foi o bastante para atrair uma ou duas abelhas do reino. e o mesmo fazem outras.

de modo geral. troncos apodrecidos. Muitas espécies podem ser mantidas em caixas especiais. por exemplo. Os vãos de pedras também são utilizados para a formação dos cortiços. uruçu. tujuba. ou seja. mais como uma decoração. desde que o local escolhido seja protegido das chuvas.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 39 ABELHAS SILVESTRES As abelhas silvestres do Brasil compõem-se de mais de 180 espécies. É ali que dão início à sua nova morada. É o caso. da jataí. porém a produção de mel da maioria delas é insignificante. As abelhas silvestres. cupinzeiros desativados. moça-branca. porém nunca se igualando à Apis mellifera — abelha européia ou africanizada. para constituírem suas famílias. . da mandaçaia. ou embaixo de palmeiras. Igualando-se o mais possível ao seu habitat natural. as abelhas poderão produzir satisfatoriamente. mosquito. desde que sejam manejadas com muito tirocínio. guarupu. preferem ocos de paus. assim como os buracos de formigueiros. Existem determinadas espécies que produzem mais. do que como exploração comercial.

é conhecida por "jataí-mosquito" ou simplesmente "jataí". pois a "lambe-olhos" é ainda menor. ácido. para isso. As células não formam favos. ABELHA-MOSQUITO (Trigona mosquito) Pertence à família dos meliponídeos. não em sua totalidade. mede 2. porém tem grande semelhança com a "abelha-mosquito". para elucidar o assunto. Como muitas outras de sua família. porém a quantidade é muito pequena. Mede 3.75 mm de comprimento. na entrada da colméia. com desenhos amarelos. precisaríamos fazer um verdadeiro dicionário dessas abelhinhas.40 IRINEU FABICHAK A seguir. daremos uma relação de algumas abelhas silvestres.5 mm de comprimento. Ainda assim não se trata da menor abelha do mundo. nos vãos das pedras. mas sim cachos. . No Ceará. faz um fino canudinho de cera amarela. ou ainda com a "mirim-preguiça". Nidifica em postes ou em minúsculas cavidades de árvores. vedando-a durante a noite. de tamanho diminuto. O seu mel é delicioso. porque. Constrói seu cortiço em ocos de paus. em muros. Sua cor é escura. ABELHA-MIRIM (Trigona minima) Este tipo de abelha.

ARAMA (Trigona heideri) Trata-se de uma abelha muito comum na Amazônia. Mede 10 mm de comprimento. É preta e menor que a "irapuã". seu nome é "vorá-boi" ou "vorá-cavalo". com resina de cheiro forte. Essa espécie procura os ocos de grandes árvores para construir o seu cortiço. fazendo um grande tubo de cera na entrada. Constrói o seu ninho em ocos de árvores. 0 mel é enjoativo e azedo. BARRA-FOGO É uma abelha social. Sua cor é preta. .ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 41 ABELHA-MULATA Também é conhecida por "iruçu-mineiro" ou ainda por "guiruçu". possuindo asas amareladas. de gênero Trigona. BIJURI É uma abelha social. da família dos meliponídeos. No nordeste de Mato Grosso. Também é conhecida por "bojuí".

Trata-se de uma abelhinha que mede 4 mm de comprimento. antenas e abdômen avermelhada. Faz o seu ninho em ocos de paus. Essa espécie é agressiva. É preta. da família dos meliponídeos. Trata-se de uma espécie da Amazônia. Nidifica em trocos de árvores.5 mm de comprimento. . Mede de 3 a 3.42 IRINEU FABICHAK CAGA-FOGO (Trigona cagafogo) É uma abelha social. Produz mel de boa qualidade. Faz um tubinho de cera na entrada da colméia. da família dos meliponídeos. porém é muito tímida. mas é inofensiva. cuja entrada é simplesmente uma fenda. É conhecida no Sul por "jataí-preta" ou "jataí-mosquito". Mato Grosso do Sul e norte de Minas. possuindo pilosidade grisalha e asas esfumaçadas no terço apical. No Ceará foi batizada por "camuengo". FRECHEIRA (Melipona (Trigona) timida) É uma abelha social. Mede 5 mm de comprimento. CAMUENGO (Melipona (Trigona) testaceicornis) É uma abelha social. 0 corpo é preto. Não produz favos. mas sim pequenos pedúnculos. Possui cabeça e abdômen ferrugíneos. Costuma pousar sobre a pele suada. É preta com parte das patas.

IRAPUÃ (Trigona rufricus) É uma abelha social. sua entrada é uma espécie de canudo de barro. IRÁ-MIRIM Trata-se de uma abelha que só é conhecida no Rio Grande do Sul. Seu ninho é pendurado em árvores. aprofundando-se entre as raízes. Diz-se que já houve quem tirasse até 15 litros de mel de um ninho de guaruru. É preta. O mel produzido por essa abelha é de boa qualidade. Produz mel de boa qualidade. O mel não é . com 50 cm de diâmetro e revestido por fora com folhas quebradiças. Vive em buracos no chão. reluzente. bem rente ao chão. A cabeça apresenta desenhos amarelos.5 a 7 mm de comprimento. da família dos meliponídeos. da família dos meliponídeos.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 43 GUARUPU (Melipona nigra) É uma abelha social. Seu ninho é feito em ocos de árvores. Mede de 8 a 9 mm de comprimento. Muitas vezes. Mede entre 6.

as quais se enrolam no cabelo .44 IRINEU FABICHAK Cacho de banana em flor. usada principalmente quando se lida com as abelhas irapuã. Máscara com visor e chapéu. com mais de 40 abelhas arapuã coletando pólen.

JANDAIRA (Melipona interrupta) É uma abelha social. da família dos meliponídeos. A "irapuã" se presta para a polinização de determinadas flores. Fustigando-se o seu ninho. seu nome é "limão" ou ainda "limão-canudo". em qualquer . as abelhas se enroscam nos cabelos. IRAXIM É uma abelha social. no chão. cujo ninho é feito a quatro metros de profundidade. O seu ninho. Seu ninho é construído de barro. A mesma abelha é conhecida também por "uruçu" e "guiruçu". preso entre os galhos de árvores. Já se verificou mais de 40 abelhas num único cachinho de bananas. mas são inofensivas. apreciando muito as bananeiras. Também são conhecidas por "arapuã" ou "arapuá". Em certas regiões. da família dos meliponídeos. IRUÇU (Trigona subterranea e Trigona quadripunctata) É uma abelha social.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 45 de boa qualidade. da Amazônia e da Paraíba. Também é conhecida por "iratim" e "erati". é feito junto às casas. geralmente.

de cor escura. LAMBE-OLHOS (Trigona duckei) É uma abelha social. O ninho da mandaçaia é feito em ocos de árvores. porém delicioso. No inteior do . da família dos meliponídeos. é uma verdadeira irritação. Em Mato Grosso e Amazônia. MANDAÇAIA (Melipona anthidioides) É uma abelha da família dos meliponídeos. e ainda desprende uma secreção ácida. Essa abelha produz um mel de fina qualidade. o qual é armazenado em "cachopinhas". medindo de 10 a 11 mm de comprimento. listrada de amarelo sobre o abdômen. guarnecido por "batume". uma massa pegajosa. Sua cor é preta. Mede 12 mm de comprimento. Quando se parte uma delas. É a menor abelha do mundo. parecem cristais. cuja entrada é um único orifício. O mel é boa qualidade. E de uma textura fina. como corpo estranho nos olhos.46 IRINEU FABICHAK tipo de caixa. cujas células de incubação são isoladas. com o reflexo do sol.75 mm de comprimento. Seu ninho é feito em troncos de árvores (ocos). Também é conhecida por "lambe-papo". de sabor azedo. medindo 1. como a mandaçaia.

No Pantanal Matogrossense. oco da árvore são construídos os favos. independentes de reserva de mel. feito em um oco de árvore. É de cor preta. encontram-se com certa facilidade colméias dessas abelhas. onde se encontram árvores de porte médio.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 47 Corte do cortiço da abelha mandaçaia. e o abdômen possui faixas amarelas. no sentido horizontal. cujos potes ficam na parte superior e inferior da colméia. . Diríamos que essa abelha é intermediária entre a Apis e a jataí.

gêneros Melipona e Trigona. a família dos meliponídeos. costuma edificar suas colméias em ocos de árvores. existem pessoas que mantêm núcleos caseiros de mandaçaia. bem diferente das abelhas européias ou africanizadas. muito parecido com esta. que produz mel de ótima qualidade. O seu mel é de boa qualidade. Faz seu ninho em ocos de árvores. . porque. com bons resultados. da família dos meliponídeos.48 IRINEU FABICHAK Já houve muitas tentativas para criar a mandaçaia no sistema racional. que faz a sua colméia em buracos no chão e é conhecida como "mandaçaia-do-chão". É preta. Acredita-se que ainda chegará a vez da mandaçaia ocupar papel importante na apicultura nacional. MEL-DE-PAU Todos os méis produzidos por abelhas silvestres são chamados "méis-de-pau". como a mandaçaia. e o abdômen possui listras amarelas. Há quem crie essas abelhas racionalmente. com penugem grisalha. como a "Jataí-da-terra". Apesar das tentativas. Mede entre 6 e 7 mm de comprimento. MANDURIM (Melipona marginata) É uma abelha social. existe um outro tipo de mandaçaia. geralmente. Além da mandaçaia que nidifica em árvores.

com orlas amarelas nos respectivos segmentos. como as da "frecheira". A "mirim-preguiça". fecham a entrada da colméia com cera. em batentes. em postes. Sua cor é parda. da família dos meliponídeos. O abdômen é brumo. Sua cor é preta. cujo comprimento não ultrapassa 3 mm. Constrói o seu cortiço em paus pobres. da família dos meliponídeos. da família dos meliponídeos. com penugem grisalha. não atacando nem mesmo quando o .ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 49 MIRIM-PREGUIÇA (Trigona schrottkyi) É uma abelha social. MOMBUCA (Trigona capitata) É uma abelha social. Seu comprimento é de 8 mm. o seu nome "preguiça". A "mumbuca" é uma abelha silvestre muito mansa. As células de incubação dessa espécie ficam agrupadas em cachos ou rosários. por isso. MOÇA-BRANCA (Trigona varia) É uma abelha social. Como as demais abelhas da sua família. É conhecida da Bahia ao Norte do Brasil. muitas vezes. O mel é armazenado em minúsculos potes. Constrói o seu ninho em paredes de taipa ou em ocos de árvores. durante a noite. para iniciar o trabalho de coleta do pólen. só abre a porte depois das 10 horas. de 5 a 6 mm de diâmetro. com pêlos esbranquiçados.

50 IRINEU FABICHAK ninho é aberto. A entrada é uma simples abertura.5 mm. como a "tapiçuá". . Trata-se de uma abelha social. é conhecida por "tupi" e no Rio de Janeiro. Seu comprimento é de 5. gênero Trigona. da família dos meliponídeos. É de cor brumo-escura e suas asas são esfumaçadas nas pontas. sendo guarnecido por pequena porta de entrada. da família dos meliponídeos. é conhecida como "tapiçuá". A "tapiçuá" irrita-se facilmente. De São Paulo para o Sul. TUBIBA (Trigona tubiba) No Rio de Janeiro. por "tubiba". mas pica pouco. TAPIÇUÁ (Trigona tubina) É uma abelha social. TUBI No Piauí. é conhecida por essa designação. Constrói o seu ninho em ocos de árvores. É uma abelha social. da família dos meliponídeos. No Piauí. Edifica em ocos de troncos de árvores. é conhecida por esse nome. rodeada de cera misturada com barro.

podendo-se acostumar perto da casa. TUJUMIRIM (Trigona dorsalis) É uma abelha social.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 51 TUBUNA (Trigona postica) É uma abelha social indígena. A entrada é um tubo de cera com mais ou menos 15 cm de comprimento irregular. muito doce e aromático. É uma abelha mansa. Mede 6 mm de comprimento. TUJUBA (Melipona rufiventris) Trata-se de uma abelha social indígena. com nervuras claras. Constrói sua colméia em ocos de árvores. Como as demais constrói o seu ninho em ocos de paus. com muitos desenhos amarelo-ruivos. Alguns ninhos podem ter até 2 litros de mel. Sua cor é vermelho-amarelada. Sua cor é preta. Também é conhecida por "sete-portas". da família dos meliponídeos. em virtude de visitar matérias em decomposição. com abdômen brumo e asas esfumaçadas. O mel dessa abelha não se presta. Quando encontra espaço . da família dos meliponídeos. Sua cor é preta. idêntica à "mandaguari". Armazena o mel em potes de 4 a 5 cm. Constrói sua colméia em ocos de árvores.

É bastante tímida.52 IRINEU FABIÇHAK suficiente para aumentar a sua família. Essa espécie de abelha é agressiva. que mede 6 mm de comprimento. com desenhos amarelos. não muito distante do chão. O ninho pode alcançar até um metro de comprimento. VAMOS-EMBORA É uma abelha social. assim como as outras da sua família. e depois disser "vamos embora". por 20 cm de largura. segundo se diz. chega a formar uma população com mais de 70 mil abelhas. da família dos meliponídeos. O mel dessa espécie. é tóxico. É preta. O ninho é feito nos ocos de paus. Constrói um canudo de cera na entrada da colméia. e as asas são esfumaçadas na base e mais brancas no ápice. da família dos meliponídeos. VORÃ (Trigona clavipes) É uma abelha social. ficando perdido. Diz-se que quem extrai o mel dessa abelha. mais ou menos igual à "torce-cabelo". não encontrará o caminho de volta. .

NOGUEIRA NETO. 1953 — São Paulo.ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO JATAÍ 53 BIBLIOGRAFIA FABICHAK. Editora Chácaras e Quintais. Rodolpho von. Editora Três Ltda. "A criação de abelhas indígenas sem ferrão". "Dicionário dos Animais do Brasil". Irineu. . "Revista Vida" número 19. Paulo. Editora Universidade de Brasília. 1968. IHERING.

CRIAÇÃO CASEIRA CRIAÇÃO RACIONAL DE RÃS CRIAÇÃO DE RÂS GALINHA .DO AUTOR ABC DO PESCADOR APRENDA A PESCAR CODORNA.CRIAÇÃO-INSTALAÇAO-MANEJO COELHO .CRIAÇÃO PRATICA GUIA DO PESCADOR AMADOR HORTICULTURA AO ALCANCE DE TODOS MANUAL PRÁTICO DO PESCADOR PATOS & MARRECOS PEQUENAS CONSTRUÇÕES RURAIS PESCA ESPORTIVA MARÍTIMA A PESCA NO PANTANAL DE MATO GROSSO PLANTAS DE VASOS E JARDINS O POMAR CASEIRO .

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