1 BUDISMO - PSICOLOGIA DO AUTOCONHECIMENTO Dr.

Georges da Silva e Rita Homenko

"A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a Teologia. Abrangendo os terrenos material e espiritual, essa religião será baseada num certo sentido religioso procedente da experiência de todas as Coisas, naturais e espirituais, como uma unidade expressiva ou como a expressão da Unidade. o Budismo corresponde a essa descrição." Einstein

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meditação sem mestre bases reais da autopsicanálise para melhor compreensão do Zen e do Tantra

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SUMÁRIO

PRIMEIRO CAPÍTULO Introdução I. SIDARTA GAUTAMA, o BUDA II Budismo Como Ciência, Moral E Filosofia Diferentes escolas Os rótulos não devem condicionar a mente Da responsabilidade em aceitar as coisas: Kalama Sutta Ver por si mesmo e não crer Coragem e determinação Compaixão para com todos os seres vivos Sermão sobre a injúria Não se apegar nem à Verdade

09 13 17 18 21 23 24 25 2é 28 29

2 Contra especulações metafísicas 30

SEGUNDO CAPÍTULO I. AS QUATRO NOBRES VERDADES 33 II. PRIMEIRA NOBRE VERDADE: IMPERMANÊNCIA, INSATISFATORIEDADE, IMPESSOALIDADE 35 A identidade, um artifício da mente 35 Interdependência do mundo fenomenal 37 EXISTÊNCIA DO SOFRIMENTO - Dukkha 40 Os três aspectos de Dukkha 42 Os cinco agregados da Existência - Skandhas 43 Primeiro agregado a Matéria 43 Segundo agregado: as Sensações 44 Terceiro agregado: as Percepções 45 Quarto agregado: as Formações Mentais 4é Quinto agregado: a Consciência 47 Os cinco agregados são inseparáveis 51 Os dezoito elementos psicofísicos 52 Quadro sinótico da Primeira Nobre Verdade 54 II. SEGUNDA NOBRE VERDADE: CAUSA DO SOFRIMENTO Sermão sobre o Desejo - Kama Sutta Carma Quadro sinótico da Segunda Nobre Verdade TERCEIRA NOBRE VERDADE: CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO DA EXISTÊNCIA - NIRVANA Sermão a Radha sobre o que é o "ser" Tudo o que a mente concebe é criação mental Onde está o Nirvana? Quadro sinótico da Terceira Nobre Verdade 55 57 58 é5 éé é7 é9 71 74 75 75 7é 78 80 83

III.

IV. QUARTA NOBRE VERDADE: CAMINHO QUE LEVA À CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO CAMINHO ÓCTUPLO I. CONDUTA ÉTICA MORALIDADE II DISCIPLINA MENTAL – MEDITAÇÃO III. INTROSPECÇÃO – SABEDORIA Quadro sinótico da Quarta Nobre Verdade

TERCEIRO CAPÍTULO I. MEDITAÇÃO OU DESENVOLVIMENTO MENTAL – Bhavana MEDITAÇÃO DE PLENA ATENÇÃO – Satipatthana DESENVOLVIMENTO DA VISÃO INTERIOR – Vipassana

85 87 88

3 MEDITAÇÃO NOS QUATRO FUNDAMENTOS DA PLENA ATENÇÃO – Satipatthana Atenção sobre o corpo Exercício de concentração na respiração Prática de concentração no caminhar Atenção às sensações Fatos que podem ocorrer durante a meditação Atenção nos estados de consciência Atenção nos assuntos da Doutrina (Verdade sobre o nosso Ser) OS QUATRO ESFORÇOS MENTAIS Plena atenção na vida cotidiana Retiro de meditação PROTEÇÃO MEDIANTE A PLENA ATENÇÃO O indivíduo e a sociedade O nível ético Proteção pela Sabedoria O nível meditativo Proteção aos outros MENTE CONSCIENTE E SUBCONSCIENTE Percepções psíquicas Os três magos e o Buda Contra exibições dos poderes psíquicos Quando um discípulo de Buda deixa de o ser II. DISCURSOS E TEMAS ESCOLHIDOS SOBRE MEDITAÇÃO DISCURSO SOBRE O ESTABELECIMENTO DA PLENA ATENÇÃO Satipatthana Sutta 1. Vigilância em relação ao corpo (Kaya) 2. Vigilância em relação às sensações (Vedana) 3. Vigilância em relação à mente (Citta) 4. Vigilância relacionada aos assuntos da Doutrina (Dhamma) Observação dos cinco Impedimentos Observação dos cinco Agregados Observação dos seis órgãos sensoriais Observação dos sete fatores da Iluminação Observação das Quatro Nobres Verdades DISCURSO SOBRE TODOS OS OBSTÀCULOS: Sabhasava Sutta MEDITAÇÃO DO AMOR UNIVERSAL: Metta Bhavana MEDITAÇÃO DA COMPAIXÃO E DA FELICIDADE MEDITAÇÃO DO LIVRO DOS PRECEITOS ÀUREOS TIBETANOS 91 92 92 95 9é 97 98 104 107 108 109 110 111 112 113 114 115 117 118 121 122 122 124 124 124 130 131 132 132 133 134 135 13é 138 145 148 151

QUARTO CAPÍTULO I. DOUTRINA DA IMPESSOALIDADE OU NAO-EU: Anatta Resposta ao brâmane Kutadanta O conselho à Kaccana O silêncio de Buda

153 1é1 1é1 1é1

4 Quadro sinótico da Roda da Vida II. LEI DA ORIGINAÇÃO INTERDEPENDENTE LEI DA ORIGINAÇÃO INTERDEPENDENTE FATORES DA ORIGINAÇÃO INTERDEPENDENTE: Nidanas OS DOZE ELOS 1. Ignorância 2. Formações cármicas 3. Consciência 4. Nome e Forma 5. Os seis sentidos é. Contato 7. Sensações 8. Desejos 9. Apego 10. O vir-a-ser 11. Renascimento 12. Decadência e morte Causação e interdependência entre os elos O lado ativo e passivo da Existência As três existências consecutivas FATORES DA EXTINÇÃO DA ORIGINAÇÃO INTERDEPENDENTE 1é4 1é5 1é5 1éé 1é7 1é8 1é9 171 171 174 175 175 175 177 179 180 182 184 185 189 190

QUINTO CAPÍTULO VISAO INTERIOR DA REALIDADE I. SUPREMA VIRTUDE: Sila Os três estados de Libertação As dez Perfeições: Paramita As dez Imperfeições

ILUMINAÇÃO: Bodhi

193 193 195 19é 198 200 201 202 204 208 208 209 210 210 211 211 212 213 21é 218

II.

MEDITAÇÃO (OBSERVAÇÃO PURA): Samadhi A SUPRACONSCSENCIA: Dhyana Os diferentes Graus de Dhyana Fatores e obstáculos à Iluminação 1. Plena atenção ou vigilância - Sati 2. 1nvestigação da Doutrina - Dhamma-Vicaya 3. Energia criadora ou esforço – Viriya 4. Alegria extática – Piti 5. Tranqüilidade – Kaya-passadhi é. Concentração Samadhi 7. Equanimidade - Upekka Fatores da Iluminação - Bodhi SUPREMA SABEDORIA - Panna VISLUMBRES DA ILUMINAÇÃO A verdadeira natureza da mente é incondicionada

III.

5 Concepção ilusória do mundo fenomenal Grilhões do Despertar da Iluminação Graus de Iluminação e os oito tipos de Nobres Discípulos Último sermão do Buda 220 223 224 22é SEXTO CAPÏTULO I. CHAN OU ZEN (BUDISMO NA CHINA E NO JAPÃO) MEDITAÇÃO NO BUDISMO ZEN Koan e Mondo A Grande Sabedoria está alem do Intelecto Meditação sentada .Zazen é um meio e não um fim O Zazen-Gui Olhos semi-abertos Meditação em movimento Zen originalmente não é' seita do Budismo A realidade aparente de todos os fenômenos Os seis nós (órgãos sensoriais) II. Bibliografia 273 274 279 281 282 283 284 28é 287 292 294 29é 299 299 . O DHARMA NO TIBETE A essência budista nas Escolas Tibetanas Vazio: Sunyata Bodhisattva TANTRA BUDISTA Paralelismo do Microcosmo com o Macrocosmo Tantra budista não é Xivaísmo Polaridade simbólica no Tantra Budista Simbolismo na orientação budista O Esotérico está em nós 231 23é 23é 241 242 242 243 244 24é 250 250 255 257 258 259 2é1 2é1 2é3 2é4 2é5 270 SÉTIMO CAPÍTULO TEXTOS ESCOLHIDOS OS DEVERES: Sigalovada Sutta QUEM É O PARIA? .Vassala Sutta O MELHOR: Paramattbaka Sutta SERMÃO A PASURA SOBRE AS DISCUSSÕES: Pasura Sutta DIÀLOGO SOBRE A DISCÓRDIA: Kalahavivada Sutta OS "DONOS DA VERDADE": Cullaviyuha Sutta AS BÊNÇÃOS: Mangala Sutta A PARÀBOLA DO PANO: Vatthupana Sutta A MAIS ALTA E PERFEITA SABEDORIA: Maha-Prajna-Paramita KISA GOTAMI O AMOR DO BODHISATTVA APÊND1CE I.

reflexão e serenidade que leva o indivíduo à Completa Compreensão. pelo menos em certo sentido. as repetições feitas de diferentes modos. Propositadamente foram conservados os sinônimos e. A unidade do pensamento budista está presente em todos os textos. Este trabalho é o resultado de uma pesquisa sobre o Budismo e seus ensinamentos. sem mística. A compreensão do Budismo não é verdadeiramente a compreensão em Si. caminho direto para a união universal. que vai ao encontro das necessidades mais prementes da humanidade. nas artes. isto é. caridade. o autoconhecimento. vigilância. alguns contemporâneos a Gautama Buda e outros afastados em outras épocas e em outras terras. forma didática de o Mestre divulgar os ensinamentos. a Acupuntura. amor.. não está longe de se realizar. adaptações e distorções das diferentes correntes. isto é. Reproduzimos citações referentes aos textos originais. é uma tentativa de apresentar a doutrina nas suas linhas mestras. traduzidos do páli e sânscrito para línguas ocidentais. Esta síntese é um esforço para maior difusão destes ensinamentos na língua portuguesa. os arranjos florais. Muitos textos são atribuídos ao próprio Buda. que foram transcritos em páli e em sânscrito. qualquer que seja a sua fonte. uma coletânea de textos de autores estrangeiros e nacionais. Nas doutrinas e filosofia encontramos o Ioga. sobretudo. o Judô. simples e pura que caracterizava a palavra do grande Iluminado. considerados os mais autorizados. e também para que o leitor tenha uma idéia da linguagem original. Procuramos compor os textos da forma mais simples. tendo em vista os diferentes níveis de desenvolvimento das pessoas. Temos a impressão de que esta profecia. isto é. todo ele edificado sobre os ensinamentos de Gautama Buda. Sânscrito. na medicina. fundamentalmente psicológica. Budismo. Libertação. crescente interesse pela milenar cultura asiática. contribuindo desta forma para a divulgação de uma doutrina milenar. da Verdade sobre . evitando interpretações. Budismo. enquanto que outros aos seus discípulos. no que é realmente essencial. o Karatê e outros. época ou país de origem. à extinção do Sofrimento. Em toda a parte encontramos o esforço de perfeição através da humildade. no mundo ocidental. a Verdade Universal. à Sabedoria. nos esportes. Há. Isto lembra uma das profecias de Nostradamus quando fala da invasão do mundo ocidental pelos asiáticos. etc. A literatura ocidental estrangeira sobre Budismo é um monumento. que hoje é assunto popular de grande interesse. Hinduísmo. Psicologia do Autoconhecimento. e sim a compreensão de nós próprios. Tivemos em vista realçar o pensamento budista. A compreensão do Dharma (Doutrina).6 II Índice de Termos em Páli. Japonês e Tibetano 302 INTRODUÇÃO Este livro é dedicado aos que procuram a Verdade de todas as religiões. moderação. pureza.

O BUDA O Buda1 nasceu em Kapilavastu. no triênio 1973-1976. tivemos entre nós o Bhikkhu Shanti Bhadra Thera. pouco depois. também da Escola Theravada.2 em sânscrito). Isto é fundamental. Neste período. Dwight Goddard. Lama Anagarika Govinda. que promoveu um brilhante curso intitulado "Psicologia do Autoconhecimento . onde se ordenou monge. por algum tempo. tivemos oportunidades de encontros. no século VI A. Aproveitamos para deixar aqui o testemunho de nosso agradecimento a Dom Jayanetti Kulatunga (ex . e era conhecido como Sakya-Muni o sábio do país dos Sakyas. pode se passar além. de programar e assistir palestras e cursos que muito nos esclareceram sobre a Doutrina de Gautama Buda. Rogel Samuel. Seu nome era SIDARTA (SIDDHARTA. quando se vê interiormente esta Realidade. norte da Índia. Recebemos.ambas descritas detalhadamente no final deste livro.e a muitos outros que direta ou indiretamente nos auxiliaram nesta obra.B. . Ven. SIDARTA GAUTAMA. em parte. de tudo que é a causa do Sofrimento. depois de um estágio de cinco anos em Sri-Lanka e Tailândia. A seguir. pois quando se ganha introspecção pelo autoconhecimento. Gonçalves. e posteriormente no todo. a orientação Zen do Monge Kiujy Tokuda da Escola Soto Zen. tivemos a orientação da Escola Theravada pelo Sr. capital do reino dos Sakyas.Bhikkhu Anurudha). e a segunda parte numa bibliografia geral . que nos iniciou no conhecimento do Budismo.7 o nosso ser. Seu pai.Bhikkhu Dhammanando). organizamos o primeiro curso de "Iniciação a Filosofia e Meditação Budista" com a participação de alguns estudiosos que apresentaram trabalhos sob a forma de debates. Thomas Merton. Riokan R. Clarisse de Oliveira nossa colaboradora na parte de datilografia . Amer Kaled Assrany (ex . com a cooperação inestimável de Rita Homenko.). O presente trabalho Se fundamentou numa bibliografia que podemos dividir em duas partes: a primeira em fontes principais encontradas nas obras de Rhys Davids.Meditação Budista". Ciflovedo. no ano 1975. vindo de Sri-Lanka. Este curso nos possibilitou penetrar mais na Doutrina e nos permitiu imprimir nos textos um cunho objetivo e pratico. com o qual programamos um "Curso Intensivo de Filosofia e Meditação Budista". logo após sua chegada ao Brasil. e aos que nos auxiliaram na revisão de textos: Isabel Aizim Diamante.B. está no autoconhecimento. -------------------------------------------------------------------------------------------------- PRIMEIRO CAPÍTULO I. o rei Sudhodana governava o reino dos Sakyas (atualmente Nepal) Sua mãe era a rainha Maya que faleceu logo após seu nascimento e foi substituída por sua irmã Mahapradjapati.3: descendia da família GAUTAMA. incansável secretária.C. M. Walpola Rahula. Na qualidade de presidente da Sociedade Budista do Brasil (S.

renunciou aos prazeres mundanos e. regendo o universo. Sidarta buscou o grande Uddaka Ramaputra. veio à terra pata tentar Sidarta. pôs-se a vagar em busca da verdade e da paz. quase morrendo de fome. começando a cumprir-se a profecia de Asita. de acordo com os costumes da época. Este encontro. logo depois do nascimento do seu único filho. considerados pelos homens como símbolos da realização espiritual. Um dia. à sua escolha. Rahula. Mara. o príncipe espantou-se. deixando o mestre. como aqueles pássaros podiam ser cruéis e mesquinhos. então. podemos dizer que o jovem descobriu a inexistência de um Deus misericordioso. Pois não somente a natureza é indiferente ao sofrimento e à crueldade. resolveu procurar a porta de saída desse sofrimento universal. o jovem príncipe observava pequeninos e delicados pássaros disputando os vermes e insetos que apareciam numa charrua. Assim. um poderoso imperador ou um asceta que libertaria a humanidade dos sofrimentos. Aos 29 anos. fazendo tudo ao seu alcance para demovê-lo de seus propósitos. ainda na infância. buscando o despertar espiritual através da mortificação do corpo. o sábio Asita profetizou que ele seria. através da qual alcançou o estado mental conhecido como "a região da percepção e não-percepção". Conta-se que. incapacitando-a de manter a tranqüilidade necessária à meditação. onde ele ficaria alheio as misérias do mundo. Magoar ou padecer. Desta maneira. que o conhecimento não se obtém com um organismo enfraquecido. se eles querem subsistir. conseguindo chegar a um grau ainda mais elevado de concentração e percepção que. Sudhodana. um velho. impressionado com a profecia. Durante seis longos e penosos anos. vestindo o traje amarelo dos ascetas. como os mais ferozes animais. Assim. Não convencido dos ensinamentos de seu mestre. nada conseguindo. cujo canto está ao nível dos poetas. casou-se com Gopa Yasodhara. que o comum dos homens aceita como fato consumado. Assim é a natureza. para o príncipe Sidarta despertou no seu interior uma profunda reflexão sobre a realidade da vida e o sofrimento da humanidade e.tal é a lei da vida. enquanto seu pai estava ocupado com a cerimônia do ritual da primavera. criou Sidarta numa área confinada do palácio. Uma meditação do príncipe Sidarta anuncia a concepção da vida que terá depois. no entanto. até que um dia Sidarta viu um mendigo. estava ainda longe do que ele buscava. Tendo chegado ao último grau de esgotamento. entretanto. de como aqueles pássaros. seguido de cinco companheiros embrenhou-se pela floresta de Uruvilva em absoluto ascetismo. que lhe ensinou a meditação iogue. o jovem príncipe viu que os pássaros são obrigados a comer para viver e que para tal são obrigados a disputar o alimento com outros. Não satisfeito com as . um moribundo e um morto.8 Conta a piedosa tradição budista que Sidarta Gautama nasceu no mês de “Vesak" (maio). buscando o conhecimento das famosas filosofias de seu tempo. vagou pelo Vale do Ganges. não se conformando. de início discípulo do sábio Alara Kalana.5 deus dos prazeres. sendo levado ao templo onde os sacerdotes encontraram em seu corpo os 32 grandes sinais e os 80 pequenos sinais que o predestinavam a ser um grande homem. sentindo-se às portas da morte verificou que os sacrifícios não extinguem o desejo. para com outras espécies de animais menores. como é ela mesma quem impõe estas condições a todos os seres vivos. que o sofrimento físico perturba a mente. ou fazer magoar e padecer . a principio. desta generalização extraímos uma lei universal. Aos 16 anos. Os anos passavam-se alegres e descuidados.

antigos companheiros seus. não deixando nenhum sucessor. Gautama Buda explicou o Caminho do Meio da seguinte maneira: . Não reconhecia diferença de castas ou grupos sociais: o Caminho que pregava estava aberto a todos os homens e mulheres prontos a compreendê-lo e segui-lo. Segundo um texto da antiga tradição. é a vida de prazeres. o Sábio. Tathagata7 (Aquele que encontrou a Verdade). que devem ser evitados por aqueles que renunciaram ao mundo. brâmanes (sacerdotes) e párias. ó monges. é monges. tristes. e todos os desejos que perturbam nossa mente. um homem extraordinário. mas exortando os discípulos a observarem sua doutrina e disciplina como mestres. O sistema moral e filosófico exposto por Gautama Buda é chamado Dhamma8 em pàli9 ou Dharma em sânscrito. popularmente conhecido por Budismo. levar uma vida humana normal. essa vida é ignóbil. atingiu a Iluminação. austeridades e penitências rigorosas. especialmente à sensualidade. A partir desse dia ficou conhecido como o Buda. à sabedoria e à plena iluminação. isto é. consagrada aos prazeres e à concupiscência. Aos 35 anos. reis e camponeses. As circunstâncias compeliram-no a pensar por si mesmo e a procurar dentro do seu próprio ser a solução almejada que não podia alcançar através dos seus instrutores. Pregou seu primeiro sermão .Um. . passou a ver as coisas como elas realmente são por seu próprio conhecimento intuitivo. religiosos e bandidos sem fazer a menor distinção entre eles.9 práticas de ascetismo. Arahant (Liberto). porém refreando todas as tendências egoístas. Há uma vida média que é a perfeição. aviltante e estéril. finalmente compreendeu a Verdade. infligindo ao corpo uma vida de cruéis. perto de Benares. auto mortificações que são penosas. confiando apenas em seus próprios esforços e intuição. que leva à paz. é o caminho que abre os olhos e dá compreensão. no parque das Gazelas em Isipatana (atualmente Saranath). Faleceu aos 80 anos em Kusinara (atualmente Uttar Pradesh). mercadores e mendigos. etc. libertou-se de todas as fraquezas. Foi venerado enquanto viveu. ao Nirvana. sentado à beira do Rio Neranjara. Assim. Bhagavad (BemAventurado). O outro extremo é a prática habitual do ascetismo. conhecida mais tarde como árvore Bodhi6 ou Bo (árvore da Sabedoria)."O Caminho do Meio" . aprimorou o processo de percepção. Sem ajuda ou orientação de qualquer poder sobrenatural. que evita estes dois extremos. a natureza da vida e do Carma que a rege. perto de Gaya (atual Bihar) ao pé de uma figueira pipal (ficus indica). porém nunca proclamou sua divindade. dolorosas e estéreis.a um grupo de cinco ascetas. Foi um homem. .Há dois extremos. Durante 45 anos ensinou o Caminho a todas as classes de homens e mulheres. o Iluminado. decidiu voltar a um modo de vida mais natural e seguir seu próprio caminho.Quais são eles? .

Sakyasimba: o leão Sakya. Os ensinamentos de Gautama Buda são chamados tradicionalmente de Dharma ou Dhamma. em páli. Mário Lobo Leal. no sentido de “sustentar". Gautama: significa. Buda: significa Supremo Iluminado. não parece ter sido uma língua popular. personificada nas paixões humanas. Mara e a tentação. fazer o bem. MORAL E FILOSOFIA "Evitar o mal. Também nos textos budistas significa Lei. Festivais são realizados para comemorar esses acontecimentos. BUDISMO COMO CIÊNCIA. O Dhammapada.. 3. (XIV Dalai Lama. De acordo com a tradição budista. Nepal. Bodhi. Sugata: o Feliz. que significa "despertar". Derivada da raiz dhr. Laos. portanto dharma é aquilo que sustenta os esforços da pessoa" quando esta prática de acordo com ele. agata: chegar. (Prof. significa Iluminação. 7. Tibete. a Lei que governa o aparecimento.e o verdadeiro Caminho que leva à cessação do sofrimento.) 9. três importantes acontecimentos na vida de Sidarta Gautama ocorreram no dia de lua cheia de Vesak (mês de maio): seu nascimento. vem da preposição san que significa "com". Tathagata: aquele que encontrou a Verdade.Pàli: língua derivada do sânscrito. Tatha: verdade. Significa "concluído. em sânscrito. Desperto. II. na terra (gau)". uma maneira de viver.) 8. abreviação de Sarvarthasiddha. 2. em algumas regiões da Índia. existência e desaparecimento de todos os fenômenos físicos e psicológicos. no Paquistão. usada pelos monges budistas. O Budismo é uma filosofia de caráter essencialmente psicológico.10 Hoje o Budismo está difundido no Ceilão. 6. isto é. China. Coréia. A Visão da Sabedoria. Japão. também é chamada a árvore sob a qual o Buda obteve Iluminação. Caminho do Meio. alcançar. vem da palavra Budh. Inglaterra. Siddharta: como termo significa "realização de todos os deuses". Dhamma (páli) ou Dharma (sânscrito): palavra com muitas significações. são: Sakyamuni: o sábio do país dos Sakyas. 5. sua Iluminação e seu passamento. 1. "o eterno auge da felicidade" . aquele que esta liberto do sono da Ignorância e inundado de Suprema Sabedoria. com respeito ao Buda.Nirvana . o reconhecimento da existência do sofrimento. . Outros epítetos. "o mais vitorioso (tama). isto é.Caminho da Correta Compreensão. Cambodja. União Soviética. Vietnã. tendo em vista a Correta Compreensão. Sânscrito: língua clássica dos brâmanes e sacerdotes. Birmânia Tai1ândia. "fazer". análogo ao "Satanás" bíblico. conhecidos como celebrações de Vesak. Mongólia. Sattha: o Instrutor. Obra citada. perfeito". Suprema Compreensão. a verdade da causa do sofrimento. Brasil e muitos outros países. purificar a mente" são os preceitos de todos os Budas. conhecido como NOBRE CAMINHO ÓCTUPLO . Estados Unidos. Alemanha. Língua antiga na qual foram escritos os textos religiosos do Hinduísmo e Budismo Mahayana 4. Sarvajna: o Onisciente. e da raiz kr. língua em que foram originalmente escritos os cânones Budistas da Escola Theravada.

a percepção direta e total da Verdade. que pertence a todos que procuram as verdades reais. A Doutrina do Buda não determina uma crença ou credo. em qualquer época. DIFERENTES ESCOLAS Buda nada escreveu. tomou-se um rótulo de aparência sectária. como todo rótulo religioso. nem a nada ainda não acontecido. aqui mesmo nesta vida. somente ao esforço próprio. O Budismo ensina o homem a ser seu próprio mestre. porque. Assim. No Budismo está a resposta aos que procuram o sentido da vida. Ao longo de toda a sua gloriosa existência. Iluminação”. fazem parte integrante da espiritualidade e da essência de todas as religiões. como todas as águas refletem a mesma lua. As Quatro Nobres Verdades ensinadas por Buda são o caminho da libertação de todo o sofrimento a existência. pelo qual ficaram sendo conhecidos todos os seus ensinamentos. ou emancipação. a resposta aos vários problemas psicológicos e sociais. espirituais ou místicos dos nossos dias. Encontrou e indicou o Caminho que conduz à libertação ou Nirvana e provou que o homem possui em si a possibilidade de alcançar tal estado. Gautama Buda sempre fez questão de ressaltar sua natureza humana. mais tarde surgiram diversos tratados que constituem o cânone sagrado dos livros budistas. ou ajudas. O termo Budismo. é o homem quem traça a rota do seu próprio destino. religião ou credo. assim. o homem tem em suas mãos o poder de libertar-se da escravidão. paciência e inteligência estritamente humanas. que em páli quer dizer "Suprema Compreensão. que é orientado no sentido da Correta Compreensão. mediante seu próprio esforço e dedicação. termos convencionais. ele não é baseado em teorias e especulações.11 A palavra Buda. a não permanecer dependente de cultura ou análises intelectuais. Gautama Buda exortava seus discípulos a que eles mesmos fossem seus próprios refúgios. toma-se uma filosofia viva. como também a não se apegar a nenhum instante passado. pois só existe uma Verdade. . Ensinava e encorajava todos no sentido de conseguirem sua própria libertação. contudo. sem distinção de raça. sendo por isso adaptável a todos. da ignorância e de todo o sofrimento. isto é. não se atribuindo nenhuma inspiração divina ou algum poder sobrenatural. conhecidos como Tipitaka em páli. a viver integralmente o presente e a reconhecer o mundo e a si próprio tais como são. significa Caminho da Correta Compreensão. expressa literalmente “aquele que atingiu a Completa Compreensão”. dentre os quais principalmente os preconceitos. o termo Budismo. Atribuiu sua Iluminação. ou Tripitaka em sânscrito. Daí o Budismo. significando "o Iluminado". Tais ensinamentos. a libertar-se dos condicionamentos. os budistas preferem a denominação da Doutrina do Buda (Buda Dhamma). de uma forma ou de outra. Segundo o Budismo. vem da palavra Bodhi. mas um "venha e veja". com o decorrer do tempo e a inclusão de rituais e outras formas externas. Estimulava em cada um o autodesenvolver-se. Buda e Budismo tomaram-se. seus ensinamentos foram puramente verbais e ficaram na memória de seus discípulos que os transmitiram oralmente por repetição e recitação nos mosteiros da Índia. é uma filosofia viva cujos ensinamentos não foram ultrapassados pela Ciência ou Psicologia moderna.

observamos maior interesse pela especulação filosófica. filosófico e moral. atêm-se às mesmas Quatro Nobres Verdades.. Os defensores desta nova corrente intitulavam-se a si mesmos Mahayana. Devido a divergências nas interpretações da doutrina do Mestre. Nos seus ensinamentos não há lugar para adorações e preces. Pode-se verificar que tanto Gautama Buda como outros grandes mestres não fundaram nenhuma religião em particular. como aconteceu no Budismo. com o passar dos tempos. A esse respeito. Acentuam os Mahayanas o aspecto social e a preocupação com a salvação dos demais. O primeiro Concilio realizou-se pouco após a morte de Gautama Buda. não se deixando influenciar demais por tendências místicas. em oposição à Escola Theravada a que chamaram. Havendo a necessidade de fixar os ensinamentos autênticos do Mestre. porém seus discípulos e adeptos mais tarde divulgaram e interpretaram seus ensinamentos de diferentes modos. afinal de contas. incorretamente. que estuda e analisa a fisiologia da mente humana. Hinayana. termo desagradável. * Convém lembrar que os Mahayanas começaram a ser mais numerosos só a partir do 800 d C. adaptando-os ao meio e ao país em que viviam. como diz o relato de I-Tsing. adquirindo diferentes aspectos tanto filosóficos como religiosos. um verdadeiro cientista. uma poderosa mancha mental. ou Pequeno Veiculo. uma "sabedoria superior e transcendental". o 14º Dalai-Lama conclui: "Muitas vezes na literatura budista Mahayana nota-se o desprezo pelo Theravada (Sravakayana). Mais tarde formou-se outra escola. discípulo predileto e primo-irmão do Mestre. entre os quais Ananda. retardava o estado de suprema Iluminação . ou Grande Veiculo. que o acompanhou nos seus últimos vinte anos de vida. as vezes chamado 'Hinayana’ (Pequeno Veiculo). e ele sempre aparece como um mestre. Devido à pouca divulgação do budismo no mundo ocidental. dando lugar as escolas metafísicas do Budismo. surgiu a Escola Theravada (Escola dos Anciãos). um pensador. Assim. Os que veneram os Bodhisattvas e lêem os sutras Mahayana. os que não o fazem. chamam-se Mahayanas. dando grande ênfase ao ideal do Bodhisattva. expandiu-se em muitos países. Entre as características próprias da Escola Mahayana. etc. aconteceu no Cristianismo. com história bastante dúbia. O Budismo. Antes os Mahayanas e Theravadas viviam juntos nos mesmos mosteiros e durante muito tempo seguiram as mesmas regras do Vinaya10. orgulho ou presunção... indivíduo altamente espiritualizado que. considerado a forma ortodoxa e original do Budismo. esta doutrina sofre interpretações as mais variadas e algumas delas completamente errôneas. chamam-se Hinayanas ou . sofrendo adaptações. um sábio. levado pela compaixão. Islamismo. e dele participaram cerca de quinhentos monges. de modo que é melhor evitá-lo sempre que possível. do ano 700: "Os adeptos do Theravada e do Mahayana praticam o mesmo Vinaya.12 Os ensinamentos de Gautama Buda se revestem de um caráter psicológico. Sentimento de superioridade que resulta em depreciação é. reconhecem as mesmas cinco categorias de erros.”. formaram-se diferentes escolas que se agruparam em duas correntes principais. Seus adeptos procuram uma interpretação mais profunda da Lei.Nirvana -. quando o Budismo declinou definitivamente na Índia. para ajudar os demais a encontrar a salvação. porem não se afastando demais da sua essência. foram realizados quatro grandes concílios. que se conservou fiel ao budismo primitivo. dentre as diversas interpretações que pretendiam ser fiéis.

e o Mahayana um círculo mais nebuloso em torno dele. Da China passou para a Coréia em 630 d. desde as primeiras missões enviadas pelo rei Asoka Piyadasse. Tibete.C.. de Nagarjuna. enumeramos apenas as mais importantes. que significa "Veículo dos Discípulos". No ano 700 d. OS RÓTULOS NÃO DEVEM CONDICIONAR A MENTE . na China. O budismo Mahayana se desenvolveu ao Norte da Índia. levaram o budismo para o Tibete. Tailândia.Pudgalavada. mas um conjunto de escolas. uma nova corrente do budismo se formou. Ainda no Japão.. na realidade.C.Sarastivada.que se tomaram sede do ensino da Doutrina de Gautama Buda." *1 O Budismo. Na Escola Mahayana encontramos: a Escola do Vazio – Sunyavada . o monge indiano Bodhidharma levou o budismo para a China. aos poucos adotou numerosos e diferentes cultos. todas altamente especulativas. levando o nome de seu fundador. no Tibete." Por isso. dentre os quais se destacaram Santaraksita e Padmasambhava. nada mais são do que diferentes roupagens do mesmo corpo da Lei. Mais tarde. Coréia e posteriormente no Japão. etc. Paquistão Oriental. Laos.C. rituais e superstições que quase nenhuma relação tem com os preceitos originais de Gautama Buda. tomando-se o maior movimento espiritual em grandes regiões da Ásia. respectivamente. como diz Christmas Humphreys: "O símbolo mais perfeito para representar as duas escolas é o de dois círculos concêntricos. onde fundaram diversos mosteiros – viharas . ganhando nestes países. em lugar de Hinayana.Vijnavada ou Yogacara. pois não é este o objetivo deste trabalho.ou a Doutrina da Vida Média . vários monges budistas indianos. Mongólia e mais tarde. a Escola da Mente ou da Consciência . de Asanga e Vasubandu e outras. Camboja. no decorrer de seus 2500 anos. Para se ter uma pequena idéia das numerosas e diferentes seitas budistas. por volta do século V. Na Escola Theravada ou Hinayana (Escola dos Anciãos ou da Doutrina Ortodoxa budista) encontramos a Escola Realista . a doutrina do Buda. Este último não é uma escola.13 Theravadas. As variadas modalidades do Budismo.Madhyanika. o budismo indiano foi lentamente reabsorvido pelo hinduísmo. O Theravada forma um compacto e bem definido círculo interno. A Escola Theravada difundiu-se. a Escola dos Seguidores de Sutras Sutrantica.C. estendeu-se para a Birmânia. e para o Japão em 1200 d. Com o decorrer do tempo. juntamente com a disciplina e prática tântrica11 (antiga tradição de meditação). do qual se originou. ** No ano 520 d. no Ceilão.. as denominações Sun e Zen. 300 a. a Escola da Pessoa . ficando aí conhecido pelo nome de Ch'an (termo chinês correspondente ao sânscrito Dhyana). Nichiren. é usada a palavra Sravakayana.C.

No Budismo não há dogmas. enquanto houver do vida cética.) A Verdade não tem rótulos. não é importante saber de onde vem uma determinada idéia. Shakespeare. ou de uma falta. prejudiciais a sua mente." (W. a paciência. a caridade budista. acontece. É um fato indiscutível que. O mérito ou demérito de uma qualidade. não o consideramos simplesmente um ser humano. ou qual a sua origem. o orgulho. budista etc. que o referido indivíduo está inteiramente isento dos atributos que lhe conferimos. e este não é budista ou cristão. a dúvida cética é um dos impedimentos à clara compreensão da Verdade. incerteza. perplexidade. protestante. que é o espírito da separatividade e condicionamentos. cristã. precisamos libertarmo-nos da dúvida e para isso é necessário ver claramente. adquirida pelo autoconhecimento. os defeitos e os sentimentos humanos como o amor. francês. Judaísmo. o ódio. Para quem procura a Verdade. As raízes do mal estão na ignorância. E. não são rótulos sectários e não pertencem a uma religião em particular. no reino de Kosala. A caridade é a caridade e nada mais. o que sé é possível quando a Verdade vem através da visão interior. porque germinam no homem o individualismo. DA RESPONSABILIDADE EM ACEITAR AS COISAS: Kalama Sutta12 Certa vez. hindu ou muçulmana. Protestantismo etc. a caridade não pode ser sectária. judeu. . ou de qualquer outra forma de progresso. Ela não é budista. se tivesse outro nome continuaria com o mesmo perfume. a compaixão. como em espirituais.) como rótulos não são fundamentais. Apaixonamo-nos de tal modo pelos rótulos discriminativos. Cristianismo (Catolicismo. cujos habitantes se chamavam Kalamas. pois se o for. Ortodoxo. judaica. hindu ou muçulmana. que chegamos ao ponto de aplicá-los às qualidades e sentimentos humanos comuns a todos. nenhum progresso é possível. No entanto. Zen etc. o essencial é vê-la e compreendê-la. Mahayana em suas diferentes formas: Tibetano. Imediatamente o julgamos com todos os preconceitos e atributos associados ao rótulo condicionado em nossa mente. e também nas relações humanas. Quando encontramos alguém. a amizade. do progresso espiritual. Falamos de diferentes "tipos" de caridade como. Não é monopólio de quem quer que seja. Eles fizeram a seguinte pergunta ao Buda: "Senhor. Isto é valido tanto em assuntos intelectuais. católico. Estes e outros rótulos sectários são obstáculos à Compreensão da Verdade. Gautama Buda visitou uma pequena vila chamada Kesa-putra. por exemplo. Bramanismo. na maioria das vezes. Para progredir. a má vontade. não raro. nem pode ter outras classificações. nem é necessário saber se o ensinamento provém deste ou daquele mestre. não é nem budista. o amor de uma mãe para com seu filho é simplesmente o amor maternal. As qualidades.14 As diferentes denominações. o desejo. ou mesmo sem nenhuma. Budismo (Theravada. ou a caridade cristã e desprezamos os outros tipos de caridade. nem cristã. alemão. já não é mais caridade. branco ou preto. como os preconceitos e outros. Logo o identificamos com um rótulo: inglês. japonês. a vaidade etc.). -"Que importância tem um nome? O que chamamos uma rosa. a caridade. não se engrandece nem diminui pelo fato de ser encontrada num homem de uma determinada religião. a tolerância. causa das idéias errôneas.

." Esse espírito de mútua compreensão deveria ser aplicado não somente em matéria de doutrina religiosa.15 alguns anacoretas e brâmanes que passaram por nossa vila divulgaram e exaltaram suas próprias doutrinas e condenaram e desprezaram as doutrinas dos outros.) Asoka. que podem ser testados e verificados pela experiência pessoal. De outro modo. então renunciai a elas. Agora prestem atenção: não vos deixeis guiar pelas palavras dos outros. nem por simples impressão ou pela idéia: 'Ele nosso mestre. divulgaram e exaltaram as suas doutrinas e também condenaram e desprezaram as doutrinas dos outros. Não vos deixeis guiar pela autoridade dos textos religiosos. imperador da Índia no III século a C." (Anguttara-Nikaya III. durante um período pacífico de 2500 anos. por sua vez. desde que souberdes e sentirdes. 65. VER POR SI MESMO E NÃO CRER Uma das características essenciais do Budismo e a rejeição de qualquer fé previa. Agindo desta forma. então deveis aceitá-las e segui-las. isento de doutrinas esotéricas (ocultas). estamos sempre em duvida e perplexos. que certas coisas são desfavoráveis. nem por aparências. falsas e ruins. nenhuma gota de sangue foi derramada em nome do Budismo e nenhuma conversão jamais foi feita quer pela forca. Senhor." Respondendo aos bhikkhus13 (monges) disse: "Um discípulo deve examinar a questão mesmo quando o Tathagata (o próprio Buda) a propõe. nem por tradições existentes. nem por rumores. A seu crédito deve ser dito que.. passaram outros que também. políticos. Crer é aceitar o que não sabemos se realmente existe." Então o Buda respondeu: "Sim. sociais e econômicos. Kalamas. que certas coisas são favoráveis e boas. por vós mesmos. é justa a dúvida que sentis. Hoje ainda é legível a inscrição original de um de seus editos gravados na rocha: "Não devemos honrar somente nossa religião. O espírito de tolerância e compreensão foi sempre um dos ideais da cultura e civilização budista. Por conseguinte. nem por verossimilhanças possíveis. . Mas nós. pois o discípulo deve estar inteiramente convencido do valor real do seu ensinamento. Depois. moral e filosófico baseado na raiz dos fatos. pois é racional e pratico.. por vós mesmos. condenando as outras. pois ela se originou de um assunto duvidoso. sem saber qual desses veneráveis expôs a verdade e qual deles mentiu. ou por qualquer outro método de repressão. O Budismo se apresenta sob a forma e um sistema psicológico. nem por simples lógica ou dedução. prejudicamos a nossa própria religião e fazemos mal à dos outros. devemos acima de tudo respeitar todas as crenças. mas também em assuntos nacionais. seguindo o nobre exemplo de tolerância e compreensão de Gautama Buda.' Mas. que todos escutem e estejam dispostos a não se fecharem às doutrinas professadas pelos demais. glorificamos nossa própria crença e prestamos serviço as demais. honrou e sustentou todas as religiões do seu vasto império. nem pelo prazer da especulação sobre opiniões. e quando souberdes e sentirdes. Não acreditem no que o mestre diz simplesmente por respeito à personalidade dele. pois sempre há algo a ser apreciado por esta ou aquela razão.

Se eu vos digo que tenho uma jóia escondida na minha mão fechada. com o qual teve uma longa discussão. Um discípulo de Buda. por própria experiência que esta é a única verdade e qualquer outra é falsa? .) *2 CORAGEM E DETERMINAÇÃO Nem sempre a vida do Buda correu em meio ao reconhecimento geral e tranqüilidade. Nos antigos textos existe um dito: "Compreender como se vê uma jóia na palma da mão". que pretenda saber e ter visto. haverá um só instrutor. Certa vez. e não de crença. não tendo mais razão de ser. Ao contrário. qualquer outra é falsa’. as antigas e santas escrituras dos brâmanes foram transmitidas de geração em geração. dando ordem a crer. . vós a vereis por vós mesmos e a crença se dissipará. sem considerar as razões aparentes. Majjhima-Nikaya. ou instrutor de instrutores dos brâmanes. No momento em que vemos. perguntou ao Mestre: "Venerável Gautama. Buda perguntou: .Não. mas por causa disto ele não deve tirar a conclusão absoluta e dizer: 'Só há esta verdade. parece-me que a condição dos brâmanes é semelhante a esta fila de homens cegos.Então. o ensinamento budista sempre nos convida para "vir e ver".respondeu o jovem com toda a franqueza. cada um se apoiando no precedente: o primeiro não vê.Então. e não fechá-los. Nesta ocasião Buda deu a esse grupo de brâmanes um ensinamento de extrema importância: "Um homem que sustenta a verdade deve dizer: ‘esta é a minha crença’. falando a um outro monge. se abro a mão e mostro a jóia. sem devoção." Ouvindo isto o Buda disse: "é bhikkhus. disse: "Amigo Savittha. Então um jovem brâmane. eu sei e vejo que a cessação do vir-a-ser é o Nirvana. por própria experiência. que significa "confiança nascida da convicção". a crença surge em vós porque não a vedes. a crença desaparece e a fé cede lugar à confiança baseada no conhecimento. anterior à sétima geração. o do meio não vê e o último não vê tampouco. Isto foi mais apreciado numa época em que a intolerância da ortodoxia bramânica insistia sobre a crença e aceitação de sua religião como única verdade incontestável. e não pela fé ou crença cega. Porém. chamado Musila. Senhor . e não para aquele que não sabe e não vê. Como vemos. ou ao menos um dos autores originais destas escrituras.visão em todo o sentido da palavra. sem especulação das opiniões. fé. declaro que a destruição das corrupções e impurezas é para aquele que sabe e vê. Por conseguinte. sem tendência ou inclinação sem preconceito ou tradição. que "esta é a única verdade e qualquer outra coisa é falsa"? . existem dados que mostram obstáculos e calúnias que o Mestre enfrentava no meio . mediante uma ininterrupta tradição verbal. é como uma fila de homens cegos.Entre os brâmanes haverá um só indivíduo que pretenda pessoalmente saber e ter visto. A crença surge quando não há visão . através da qual os brâmanes chegaram à conclusão absoluta de que a única verdade seria a deles e qualquer outra seria falsa." Sempre é uma questão de conhecimento e visão.16 Nos textos budistas muitas vezes encontramos a palavra saddha. convida a abrir os olhos e ver livremente.Não. e não vir para crer. Ouvindo isto. chamado Kapatika. Senhor! . crença. um grupo de sábios brâmanes foi visitar Gautama Buda." (Canki Suita 95. O Budismo é baseado na visão das coisas pelo conhecimento e compreensão.

Chamou-lhe a atenção uma ovelha com dois cordeirinhos. tranqüiliza-te. a comunidade forte em convicção está estabelecida.E os seguiu pacientemente. Para onde fores. se fortalecia e firmava o significado da sua conduta. levarei teu querido filhote. apenas pela recusa do alimento ou condições físicas desfavoráveis. antes que eu renuncie a meus esforços. Ele está compenetrado desse pensamento: Que minha pele. sem que ninguém o detivesse. o princípio dos holocaustos oferecidos pelo rei Bimbisara. não é nem ardente sem medida. suas energias são equilibradas. sacerdote). apoiando a faca no pescoço estirado de uma cabra de grandes chifres.Não a deixeis ferir. sem coragem não se pode alcançar a autodisciplina. sendo que um deles." "Vigoroso e alerta. nem dado à intolerância.) Certa ocasião. ótimo que esses orgulhosos tenham-se afastado.E pensou: "É preferível impedir que sofra um animal. ó irmão. observou os brâmanes recitando mantras14 e avivando o fogo que crepitava no altar. meus nervos. no meio de um discurso.17 dos ascetas e brâmanes para os quais ele. tem a mesma chama.Eis aí. meus músculos. mas ninguém pode dar. caminhava penosamente. ou pelo sudra. como verdadeiro guerreiro. esse dom . Buda disse docemente: . Por que a separatividade?" Sentia-se coragem e intrepidez no fundo de suas afirmações: "Não há verdadeira compaixão e renúncia sem coragem. exclamou: . falou da vida que todos podem tirar. o cavalo e a vaca já teriam atingido isto há muito tempo. da mesma forma é um brahmana (casta superior." Para os segundos: "Pelo que faz o homem ele é um sudra (casta inferior). à noite. tão imponente era seu aspecto. para o sacrifício e imolado em honra aos seus deuses. Buda tomou o cordeirinho ferido em seus braços e exclamou: . vou dar o golpe fatal. por ordem do rei. Aproximando-se. Regozijai-vos vendo correr o sangue e gozai com a fumaça da carne tostada nas chamas ardentes. tal é o discípulo. quando a maioria dos ouvintes se retirou. . Um dos sacerdotes. fazei com que os pecados do rei sejam transferidos a esta cabra e que o fogo os consuma ao queimá-la. Para os primeiros ele dizia: "Se o homem pudesse conseguir libertar-se dos grilhões que o prendem à terra." COMPAIXÃO PARA COM TONOS OS SERES VIVOS *3 Certa vez o Mestre observava um rebanho de carneiros que avançava lentamente conduzido pelos pastores.Pobre mãe. até atingir o que pode ser atingido pela perseverança e pela energia humana. carregando o cordeirinho nos braços. ó grande rei! . Buda declarou: "A semente se separou da polpa.E ao mesmo tempo desatou os laços da vítima. Seguindo o Caminho do Meio." (Majjhima Nikaya. o rebanho seria levado. Então.Quero ir convosco. a permanecer sentado nas cavernas contemplando os males do universo. Buda então falou: . Chegando à sala dos holocaustos. sem paciência e coragem. ferido. não se pode penetrar no fundo do real conhecimento e alcançar a sabedoria de um Arahant. depois de haver pedido permissão." Sabendo pelos pastores que. a vida. meus ossos e meu sangue se dessequem. ó deuses. da vida que todas as criaturas amam e pela qual lutam. . O fogo aceso pelo brâmane. calor e luz.

sabendo que Buda seguia o principio de amor que recomenda revidar o mal com o bem. suas palavras e seus pensamentos. esta lei exata. E acrescentou: . Falou assim. Cada um deve dar conta de si mesmo.18 maravilhoso e caro a todos. Buda o chamou dizendo: . quando o vento sopra contrário. mas recai e suja a sua própria pessoa. porque a piedade faz o homem doce para com os débeis e nobre para com os fortes. fez ver que tudo o que tem vida está unido por um laço de parentesco. um dom precioso para todas as criaturas que sentem piedade. mas voltou depois e refugiou-se em Buda. pois. o recairá sobre quem o lançou. extensiva aos homens e a todos os seres vivos. implacável e imutável vigia eternamente e faz com que todos os futuros sejam frutos do passado. Não te será isto uma fonte de desgosto? Como o eco pertence ao som e a sombra à substância. volta-se contra ele.E ele respondeu: .Se um homem insensatamente me faz mal. ele que é como um deus para os animais. Emprestou às mudas bocas do seu rebanho palavras enternecedoras para defender sua causa. não podem comprazer-se com o sangue derramado. aproximando-se. Foi Gautama Buda quem. tu me injuriaste. no Dhamma e no Sangha.Meu filho. segundo esta aritmética invariável do universo. Quando o homem terminou de insultar. E o rei. o homem virtuoso não pode ser atingido e o mal.Neste caso a dádiva pertencerá ao ofertante. de atos maus! O insultante não respondeu e Buda continuou: . dando a cada um sua medida segundo seus atos. abstém-te.Ninguém pode purificar com sangue sua mente. . se os deuses são bons. inspirado pela compaixão e justiça. com palavras tão misericordiosas e com tal dignidade.O homem perverso que censura o virtuoso é como aquele que olha para o alto e escarra para o céu: o escarro não mancha o céu. não podem lançar sobre um pobre animal amarrado o peso de um cabelo dos pecados e erros pelos quais se deve responder pessoalmente. Certo homem insensato. o Buda: .Filho. o caluniador é como aquele que arremessa pé sobre outro. mesmo aos mais humildes. O insultante partiu envergonhado. assim o mal recairá sobre quem o causou. Buda disse: . e se são maus. pela primeira vez na história da civilização. mas eu declino aceitar teus insultos. que os sacerdotes se despojaram dos seus ornamentos e lavaram suas mãos vermelhas de sangue. mais bondade sairá de mim. Disse. saudou o Buda com as mãos juntas. demonstrou que o homem que implora a clemência dos deuses não tem misericórdia. que os animais que matamos nos deram o doce tributo do seu leite e de sua lã e colocaram sua confiança nas mãos dos que os degolam. se um homem declina aceitar a dádiva que lhe é feita a quem esta pertencerá? . Prosseguindo. Quanto mais mal vir dele. começou a insultá-lo. que o outro pretendia infligir-lhe. rogo-te guarda-los tu mesmo. SERMÃO SOBRE A INJÚRIA*4 O Bem-Aventurado observou os costumes da sociedade e notou quanta miséria decorre da malícia e de estúpidas ofensas feitas somente para satisfazer a ma vontade e o orgulho. Buda permaneceu em silêncio lamentando sua insensatez. eu o pago com a proteção de meu desinteressado amor.15 O Budismo está repleto de um espirito de completa tolerância. então.

o Budismo não é uma religião. "outros pontos de vista". esse ensinamento.E. Pensa: "Esta extensão de água é vasta e esta margem é perigosa.. assim como também a emancipação da mulher." (Sangitta-Nikaya." Então esse homem executa o que imagina. Então disse: . dando plena liberdade de deliberar sobre eles. e passa para a margem oposta sem perigo. aquela é segura e livre de perigo. proclamando a igualdade de castas. mas logo que pensam: 'eu sou mulher'. e não para ser continuamente carregada às costas. por conseguinte. porque dele depende a própria compreensão da Verdade. deu o seguinte exemplo: Um homem. viajando. Esta não é privilégio vindo de um determinado Ser Supremo ou força exterior.então a ilusão (Mara) se apodera desses seres.Ó bhikkhus. Seria bom carregá-la à cabeça ou às costas onde quer que eu vá. É um caminho que guia o discípulo. ou 'eu sou homem'.19 tentou abolir a escravidão. passe com segurança a outra margem. bhikkhus? Procedendo dessa forma. e eles disseram que a viam e a compreendiam claramente. Certa vez Buda explicou a seus discípulos a doutrina de causa e efeito. Não há embarcação nem ponte com que eu possa atravessar. Senhor! . então. quem outro poderia ser?" Conforme esse princípio de responsabilidade individual. utilizando-se de suas mãos e seus pés.responderam Os bhikkhus. mas está no interior de cada um de nós. ou 'sou isso ou aquilo’ . como pode a mulher atingir tal estado com a mente limitada?" . não impondo seus ensinamentos. chama-se vínculo. Acho que seria hom juntar troncos. vê-se. Então vê que a outra margem é segura e livre de perigo. . De acordo com a filosofia budista a situação humana é suprema. pois a "libertação transcende as formas e.Que pensais. podendo cada um julgar a seu modo. Estritamente falando. NÃO SE APEGAR NEM À VERDADE Buda ensinou que estar apegado a uma coisa. impulsionada por minhas mãos e meus pés. se vos apegais a ele e o guardais como a um tesouro. "sob um ponto de vista". até encontrar a Verdade dentro de Si. Diz o Buda: "O homem é seu próprio refúgio. e desprezar outras coisas. Buda dava toda liberdade de pensamento a seus discípulos. esse homem agiria adequadamente em relação à jangada? .” . então não compreendeis que o ensinamento é semelhante a uma jangada que é feita para um determinado fim. não possuindo qualquer vinculação com um Ser Supremo.) Buda pode ser considerado o mestre dos livres pensadores. c. Tendo alcançado a margem oposta. brâmanes perguntaram à discípula Soma: "Se a condição de sábio é dificilmente alcançada por um homem. coisa indispensável para a emancipação do homem. quando a consciência se alarga. afirmando que ela pode alcançar o grau superior de conhecimento da mesma maneira que o homem. 1. chega à margem perigosa e assustadora de um rio de vasta extensão de água." Certa vez."Quando o coração está completamente tranqüilo. ele pensa: "Esta jangada me foi muito útil e me permitiu chegar a esta margem. não depende do sexo. mediante uma vida pura e pensamentos puros. nem um sistema de fé e culto. à Suprema Sabedoria e libertação.. . assim. que compreendeis de uma maneira tão pura e clara.Não. ramos e folhas e fazer uma jangada com a qual. a realidade.

terei as respostas as minhas perguntas?" . mas como um meio. e o número das coisas que lhe foram reveladas ao sem-número imenso das folhas de toda a floresta. lembrou aos monges. a jangada é' um meio para atravessar. deve ser considerada não como um fim. até que ele me elucide essas questões". pegando algumas folhas na mão. do que sei não disse tudo e o que não divulguei é muito mais. ou não vejo.Senhor. Senhor! . na floresta Simsapa do Kosambi (perto de Allahabad). E por que eu não lhes disse? Porque isto não é útil e não conduz ao Nirvana. CONTRA ESPECULAÇÕES METAFÍSICAS Certa vez.Não. se o Senhor sabe que o universo e eterno.) Com esta parábola ficou claro que Gautama Buda era um instrutor prático. agora seria bom que eu a abandonasse à sua sorte e seguisse o meu caminho livremente.Que pensais. bhikkhus. Da mesma forma.] . não se conformando com essa atitude. só ensinava o que era útil e o que poderia trazer paz e felicidade ao homem. entre as quais as seguintes: . contra um dogmatismo excessivo: "A doutrina se assemelha à jangada.Senhor. Ele as considerava “um deserto de opiniões". seja franco em dizer: “Não sei. explique-me. fez ao Mestre as clássicas perguntas sobre problemas metafísicos. um de seus discípulos. leva uma vida pura sob minha direção. Buda não discutia questões metafísicas. Malunkyaputra.Como agiria ele adequadamente em relação a jangada? Tendo atravessado para a outra margem. mas não para se apegar. .Malunkyaputra. perguntou aos discípulos: . perturbando inutilmente a paz de suas mentes.20 . único capaz. mas se não sabe.Disse eu alguma vez: "Vem. da mesma forma. ou as que estão na floresta? . de amenizar os inevitáveis sofrimentos da vida. (Samyutta-Nikaya. aos seus olhos. que até boje perdem um tempo precioso em questões metafísicas dessa natureza. ou ambas as coisas simultaneamente existem ou não após a morte? O Sublime não me explicou esses problemas. quando estava meditando.Da mesma forma. veio-me este pensamento: o universo é eterno ou não é eterno? O universo é finito ou infinito? A alma é uma coisa e o corpo outra coisa? Existe o após a morte ou não existe o após a morte. Malunkyaputra." [A resposta dada é de grande utilidade para muitos. que eu te explicarei todas essas questões?" Ou você mesmo me perguntou: "Se eu levar uma vida pura sob sua direção." Assim. não dando atenção à especulação intelectual. certamente as folhas da floresta são muito mais numerosas! . se alguém disser: "Não levarei uma vida santa sob a direção do Sublime. Achava indispensável ter um ponto de vista não egocêntrico e impessoal. (Majjhima-Nikaya I. esse homem deveria pensar: "Esta jangada me foi de grande auxílio e graças a ela cheguei com segurança. bhikkhus? Quais as mais numerosas? Essas poucas folhas na minha mão. pois são puramente especulativas e só criam problemas imaginários. morrerá certamente antes de receber a resposta desejada do Tathagata.) O Mestre comparava o número das coisas por ele ensinadas ao número das folhas de uma só árvore.

Y. etc. a angústia. Sutta (páli) ou sutra (sânscrito): discursos de Gautama Buda. 11 Tantra: A palavra Tantra significa "uma teia". à tranqüilidade.. * XIV Dalai-Lama do Tibete. os ensinamentos de Gautama Buda. Malunkyaputra. . qual a cor de sua tez.passando do corpo sutil (astral ou psíquico) para o corpo físico. É uma doutrina que leva o indivíduo à Correta Compreensão pela análise e meditação. E por que expliquei isto? Porque é útil e está fundamentalmente relacionado à vida espiritual que conduz ao desapego. se um ksatrya [casta dos guerreiros]. etc. à penetração profunda. ** Ismail Quiles S. monges? Esse homem morreria certamente sem saber todas essas coisas. Obra citada. e nada tem a ver com conceitos religiosos. em prosa. As correntes psíquicas – nadis . de que aldeia ou cidade veio. ferido por uma flecha envenenada. as lamentações. a cessação do sofrimento e o caminho que conduz à cessação do sofrimento. Vinaya: regras monásticas. fosse levado por seus amigos e parentes a um cirurgião e dissesse: "Não deixarei extrair esta flecha antes de saber quem a disparou. antes de saber de que material foi feita a ponta da flecha". . – “Logo. Estes são os motivos pelos quais não falei. não conduzindo ao desapego. etc. Malunkyaputra. Não esclareci se o universo é eterno. dai a origem da palavra tantra. como vimos e veremos no decorrer deste estudo. ao Nirvana. psicologia e filosofia de vida. baixo ou de estatura mediana. ao Nirvana. existe sempre o nascimento. à realização. qual seu nome.21 Prosseguindo. formam uma tela invisível em toda a estrutura do corpo sutil “como os fios de uma teia de aranha". mas os meios para chegar a ele. porque não é útil e não está fundamentalmente relacionado com a vida espiritual. L'Enseignement du Bouddha. à penetração profunda. e o que não expliquei. são pura ciência. *1 Citação do livro o Pensamento do Extremo Oriente.. Filosofia Budista. à libertação. a morte. ou não é. 13. Buda deu o seguinte exemplo: se um indivíduo. a dor. A visão da Sabedoria. Bhikkhu: monge budista da Escola Theravada. quem disser: "Não levarei a vida pura sob a direção do Sublime até que ele me explique se o universo é ou não eterno etc. Não permitirei extrair esta flecha antes de saber com que espécie de arco foi disparada.. a desgraça. que podem ser facilmente compreendidos. Obra citada. Ediciones Troquel.. Editora Pensamento. Qualquer que seja a opinião sobre esses problemas. moral. como não-explicado. antes de saber que penas foram utilizadas na flecha. *2 Walpola Rahula. Assim também. ou um brahmana [casta dos sacerdotes]. à cessação. um vaisya [casta de mercadores] ou sudra [casta inferior dos camponeses]. considere explicado o que expliquei. 12. à tranqüilidade." .. de Murillo Nunes de Azevedo. Buda explicou a Malunkyaputra que a vida espiritual não depende de opiniões metafísicas. o aparecimento ou origem do sofrimento.certamente morrerá sem que o Mestre lhe tenha explicado essas questões. se é alto. à cessação. antes de saber que corda foi empregada nesse arco. declaro: a cessação de tudo isto é o Nirvana ainda nesta vida. Buenos Aires. a decrepitude. *5 Buda não ensinava o objeto do Conhecimento. Obra citada.Por conseguinte. qual o nome de sua família." . Que foi que expliquei? Expliquei a existência do sofrimento. tradução da Páli Text Society-Rhys Eavids. como terminaria isto. 10. Só a Iluminação poderia responder as perguntas. a velhice.

22 *3 Resumo da tradução de Edwin Arnold, Luz da Ásia, Editora Pensamento. 14. Mantra: palavra ou frases consideradas sagradas pelo Hinduísmo. *4 Resumo da tradução de Yogi Kharishnanda, o Evangelho de Buda, Editora Pensamento. 15. Refúgio no Buda, no Dhamma e no Sangha - chamado Os Três Componentes do Budismo, ou Três Refúgios, Tisarana; significa literalmente "Os Três Tesouros, Jóias, Gemas etc.” São o Buda, ou seja, o Esclarecido, o Iluminado; o Dharma/Dhamma ou seja, Os ensinamentos do Buda, a Doutrina, Verdade, Lei; e o Sangha, isto é, a Ordem, Comunidade dos discípulos, Eclesia budista. Os três componentes do Budismo são inter-relacionados: o Buda ensinou e exemplificou o Dhamma, isto é a Doutrina que, subseqüentemente, foi ensinada e explicada por seus seguidores; tanto na qualidade eclesiástica quanto na leiga inclinaram-se a idealizá-lo como unidade cósmica, não-condicionada, ou mente completamente iluminada, mais do que a lembrá-lo historicamente formando o Sangha, ou seja, a Comunidade. *5 Resumo do Cula Malunkya Sutta N63, Majjhima-Nikaya. Walpola Rahula, L'Enseignement du Bouddha, tradução da Páli Text Society-Rhys Davids. Obra citada. ---------------------------------------------------------------------SEGUNDO CAPÍTULO AS QUATRO NOBRES VERDADES: CATTARI ARIYASACCANI Não se pode negar que a vida (existência) esteja indissoluvelmente ligada ao sofrimento do corpo e da mente. Este sofrimento, como toda insatisfação, é causado pelo fato de os indivíduos estarem submissos aos seus desejos, à sua avidez de possuir e, sobretudo, a seu egocentrismo. O egocentrismo, a avidez e a cobiça, no entanto, podem ser compreendidos, sobrepujados e destruídos. Esta libertação pode ser alcançada seguindo um caminho racional de comportamento no plano do pensamento, da palavra e da ação. A essência do Budismo está sintetizada nas Quatro Nobres Verdades - Cattari Aryasaccani que se acham vinculadas ao ser ou indivíduo, e foram anunciadas por Gautama Buda no seu primeiro sermão diante dos cinco ascetas, seus antigos companheiros em Isipatana (atual Sarnath, perto de Benares). Essas Quatro Nobres Verdades desvendadas por Gautama Buda, através do seu próprio conhecimento intuitivo, não mudam e não podem mudar com o passar do tempo. Elas jamais foram ouvidas antes, e pela primeira vez o Mestre as revelou ao mundo iludido. Estudando estas Quatro Nobres Verdades, segundo os textos originais, conheceremos os ensinamentos básicos e essenciais do budismo. As Quatro Nobres Verdades são as seguintes:

23 I. A VERDADE DA EXISTÊNCIA DO SOFRIMENTO - Dukkha Satya (IMPERMANÊNCIA - Anicca; INSATISFATORIEDADE- Dukkha; IMPESSOALIDADE - Anatta) A VERDADE DA CAUSA OU ORIGEM DO SOFRIMENTO - Samudaya Satya: (DESEJO, AMBIÇÃO, ANSEIO - Tanha) A VERDADE DA CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO - Nirodha Satya: (EXTINÇÃO DO DESEJO, DA AMBIÇÃO, DO ANSEIO - Nirvana) O CAMINHO QUE CONDUZ À EXTINCAO DO SOFRIMENTO - Magga Satya (É A NOBRE SENDA ÓCTUPLA, OU CAMINHO DO MEIO)

II. III. III.

Agindo como um médico Gautama Buda faz o diagnóstico da doença, descobre sua etiologia ou origem e estabelece a terapêutica para a remoção da causa da doença. o fato de o doente seguir, ou não, a terapêutica, já não depende do médico. Assim, Gautama Buda descobre a libertação e aponta o Caminho à Humanidade.

PRIMEIRA NOBRE VERDADE: DUKKHA SATYA IMPERMANÊNCIA (ANICCA), INSATISFATORIEDADE (DUKKHA), IMPESSOALIDADE (ANATTA) A IDENTIDADE, UM ARTIFÍCIO DA MENTE A Primeira Nobre Verdade é a da existência do Sofrimento e da Insatisfatoriedade, devido à desarmonia entre o eu pessoal condicionado e o mundo real não-condicionado. Observando com atenção o Universo, veremos que tudo é efêmero, transitório, mutável, perecível. Tudo é impermanente e se transforma sem cessar. Por toda parte a instabilidade impera. A impermanência é a lei geral. Considerando as individualizações num sentido geral, observamos que nada mais são do que um composto de outras individualizações que também, por sua vez, podem ser decompostas em outras, e assim sucessivamente. Todas as coisas são compostas e tudo o que é composto decompõe-se; tudo que e um agregado, desagrega-se. Todas as individualizações apresentamse em perpétua transformação, modificando-se continuadamente, e a todo instante deixam de ser o que eram no momento precedente e tornam-se algo que não eram antes, e assim indefinidamente. Tão depressa concebemos uma coisa e ela já se transforma em algo diferente; tudo é e não é. A vida é uma série infindável de manifestações, um fluxo constante de criações, transformações e extinções, um constante vir-a-ser. As discriminações que fazemos dizem respeito unicamente à aparência das coisas, não tendo qualquer fundamento na realidade.

24 Realidade no sentido budista é impermanência. Se a essência de uma coisa é a própria mutabilidade, tal coisa não tem realidade em si, e considerar essa individualização como real e pura ilusão de nossa mente condicionada Não há no mundo individualidade alguma que possa ser considerada isoladamente fora de suas relações com o meio ambiente. Tudo vive em contínuo intercâmbio com o Todo. Desde a infância até a velhice, o corpo e a mente se transformam sem cessar; a qualquer momento em que queremos considerá-los permanentes, verificamos que estão em continuo intercâmbio com o meio através da respiração, alimentação, idéias, pensamentos etc. Por mais estranho que pareça, é impossível determinar seus limites precisos. No corpo, aquilo que até há pouco considerávamos pertencente ao meio que nos cerca, já agora, graças as funções de assimilação, é parte integrante do corpo, e aquilo que até há pouco considerávamos como pertencendo ao corpo, graças as funções de desassimilação e excreção já pertence ao meio circundante. Desta forma, torna-se impossível determinar o momento preciso em que estas substâncias deixam de fazer parte do meio para que possam ser consideradas como nosso corpo. E, na hipótese inversa, não menos possível determinar o momento exato em que as substâncias que são eliminadas pelo nosso organismo deixam de ser nosso corpo para fazerem parte do meio ambiente. Considerando o corpo o elemento mais estável do indivíduo, percebemos logo que a instabilidade, do ponto de vista dos desejos, emoções, sentimentos e pensamentos, é muitíssimo superior. o intercâmbio com o meio é também tão intenso que, a rigor, falarmos em “meu pensamento”, por exemplo, é uma autêntica temeridade, de tal forma estamos submetidos às influências do meio social, da cultura geral e de todo o passado. Refletimos apenas o que já foi pensado e dito há séculos e séculos. Estritamente falando, o ser dura o tempo exato de uma dessas combinações de elementos dos planos físico e mental, pois no instante seguinte outra é a combinação existente. Certa vez o Buda perguntou aos Cramanas: - Qual a duração da vida? - Um deles respondeu que a duração da vida era o tempo de uma inspiração e expiração. O Mestre disse: - Está bem, meu filho, pode-se dizer que tu tens progredido no Caminho. Devido as diferentes e inúmeras maneiras como os elementos do mundo físico se apresentam aos nossos sentidos, resulta a impressão do universo como uma pluralidade de individualizações coexistentes simultaneamente no espaço, ou sucedendo-se no tempo. Das necessidades inerentes ao raciocínio e à linguagem, resultam as idéias os pensamentos e os conceitos, que consolidam ainda mais essa impressão de pluralidade. Rotulamos através dos nossos sentidos e da mente todos os fenômenos do mundo físico e mental (objetivo e subjetivo), conhecidos na literatura budista como nama-rupa. Discriminamos, em toda parte, nome e forma, e é em torno desses elementos que pensamos, desejamos, desenvolvemos nossas paixões e agimos. É no conceito de nome e forma que a nossa mente funciona, mas, em verdade, não realidade na identidade dos objetos. É um autêntico artifício mental dividir o vir-a-ser em manifestações que chamamos coisas, porém é um artifício necessário para podermos pensar e falar. Ignorância é justamente perder de vista esse artifício mental e considerar as coisas (nome e forma) como realidades isoladas e estáticas, isto é, considerar a individualidade no sentido geral como correspondendo a uma

25 realidade permanente, quando na realidade só encontramos aspectos mais ou menos definidos de um vir-a-ser que se escoa sem cessar. Nestas condições, é possível haver um critério no qual se possa, apoiar a noção de identidade? Em verdade identificamos, e nem é possível conceber a atividade humana sem identificação. Sem ela ficaríamos desorientados e nossa vida neste mundo instável seria um autentico caos. Porém esta instabilidade que caracteriza o mundo das formas não significa que o mundo seja uma sucessão caprichosa de fenômenos sem nexo. Todas as manifestações da natureza estão sujeitas a lei de Causa e Efeito que esclarece que nada se processa por acaso, mas sempre em conseqüência e obediência a esta Lei. Na Lei da Originação Interdependente, que veremos adiante, Gautama Buda disse: "Estando isto presente, isso acontece. Do aparecimento disto, isto surge; estando isto ausente, isso não aparece. Da cessação disto, isso cessa." (Majjhima Nikaya 11-32.) INTERDEPENDÊNCIA DO MUNDO FENOMENAL Há uma interdependência entre todas as coisas, pois tudo o que existe é efeito de uma causa anterior e, por sua vez, causa de um efeito posterior. Da mesma forma, o passado está contido todo inteiro no presente, condicionando-o, assim como o presente resume o passado e contém, em potencial, todo o futuro. O conjunto das causas que ligam as diferentes fases de um mesmo processo é que dá a ele a continuidade, na base da qual fundamentamos o conceito de identidade. As séries causais se processam de inúmeras maneiras. Umas com características próprias, outras com características as mais diversas; há séries que se processam rapidamente, outras mais lentamente; são essas diferenças que nos permitem diferenciar e identificar, dando-nos a ilusão de que estamos em face de identidades permanentes e não em face de um processo. É uma ilusão semelhante aquela que se obtém fazendo girar rapidamente um carvão incandescente: temos a impressão de um círculo luminoso, quando na realidade existe apenas um ponto luminoso em movimento. No vir-a-ser, da mesma forma, todas as coisas são apenas um ponto entre os dois abismos do tempo, o passado e o futuro, mas dão a impressão de coisas realmente existentes, no sentido de permanência através do tempo. E ficamos presos à ilusão, confusos e perplexos ante os inúmeros problemas criados por essa ilusão. Perdendo de vista a impermanência das coisas, tomamos como real a multiplicidade, damos realidade à pluralidade e acabamos por nos considerar a nós mesmos como identidades ou realidades separadas, autônomas e independentes num mundo hostil, indiferente, perigoso e quase inimigo. É a essa perversão do entendimento que o budismo chama ilusão. Suas conseqüências em nossa vida é que dão origem ao sofrimento da existência. O sofrimento é uno com o transitório. Desejar o que é efêmero, mutável, perecível só produzirá desenganos, dor e medo, decorrências dessa concepção ignorante do mundo que faz com que nos sintamos frustrados, separados e isolados do Todo. É o fruto da separatividade.

' Quando se olha a forma dos seres. A crença num ego permanente. como entidade sempre idêntica a si própria. essa impermanência mesma está a mostrar-nos que qualquer tendência a considerar as coisas do mundo das formas como reais é pura ilusão. seu crescimento. O eu. podemos confeccionar um laço. é que temos preocupações. não ha nada que justifique a crença num ego. a matéria daquilo que ele é composto. Deste modo. verdade absoluta seriam os elementos. todos os acontecimentos mentais ou experimentais que constituem o mundo que percebemos. essa palavra vem à nossa mente como a imagem e o significado do que é um laço. exigindo causas e condições sustentadoras para seu aparecimento ou existência. seu desenvolvimento. a impermanência das coisas. esse laço é uma verdade relativa e a matéria de que é feito. a rigor. é preciso dizer: 'Eles não são permanentes. Impermanência. é que nos sentimos sós em meio a tantas discriminações da nossa mente. . que tememos." *1 Compreendendo. porém. é preciso dizer: ‘Nada disso é permanente. quando desfeito. Assim. alcançar rapidamente o Caminho.' Quando se olha as montanhas e os rios. que é uma verdade relativa surgida devido a causas e condições que trouxeram à existência este laço. Formam um dos pilares fundamentais do pensamento budista sobre o mundo fenomenal. toda vez que se fala daquilo que se convencionou chamar laço. por exemplo. simplesmente desaparecerá e não irá para lugar algum. não existe. odiamos. O Buda disse ainda: . Com todas as outras individualizações. a compreensão do mundo como um todo aparece clara e nítida. somos odiados e submetidos à morte. indivíduo ou "eu". o eu não é senão um agregado em constante transformação. Da mesma forma. quando na verdade nenhuma delas é real em si mesma. que não veio de lugar algum e que. pretendendo dar realidade à pluralidade das individualizações. é verdade absoluta. este cordão como verdade absoluta.' Com essas reflexões. ou mental. e as individualizações. o cordão. o que há é apenas um processo único em perpétuo vir-a-ser. é uma verdade relativa. não no sentido de negar realidade ao mundo objetivo. mas no sentido do nosso equívoco face à multiplicidade das formas. é uma ilusão igual a atribuir uma realidade substancial às individualizações que a discriminação da mente cria no mundo objetivo.26 Devido a esta ilusão de uma personalidade separada. não tem essência em si. submetido à decadência e à morte. Para melhor compreensão podemos considerar metaforicamente dois tipos de verdades: a verdade relativa e a verdade absoluta. ou ao eterno vir-a-ser. mas não tem realidade. não se pode fazer nenhuma exceção no caso particular do ser. têm a mesma natureza. Se tal é o panorama geral do universo. é preciso dizer: 'Eles não são permanentes. na literatura espiritualista). nada mais são que fases desse processo. Considerando. Assim um cordão. tanto físico como psíquico sutil (denominado astral. isto é como uma verdade convencional. ilusão e dor estão intimamente entrelaçadas. Em última análise. Devido a estas discriminações que tomamos como realidade."Quando se olha o céu e a terra. assim. Se tudo é impermanente. como base do ser.

que são serenidade e atenção pura. ou dor. diz que este estado é impermanente e está sujeito a mudança. entrelaçadas entre si. porque são efêmeros. a ilusão de um eu substancial). oleiro. a felicidade dos prazeres dos sentidos. etc.(DUKKHA) A Primeira Nobre Verdade é comumente traduzida. significando Sofrimento. depois de louvar a felicidade espiritual do estado de dhyana. não-substancialidade ou impessoalidade (inexistência de uma individualidade eterna e imutável. esse eu é apenas uma ilusão. isto é. verificamos que ele depende de muitos fatores diferentes e que não tem existência própria. causas e condições sustentadoras para seu aparecimento. Gautama Buda não nega a felicidade existente na vida. Mesmo estes mais altos estados espirituais estão incluídos em dukkha. na verdade nenhuma é real. tanto materiais como espirituais. O Buda disse a Sariputra: . imperfeição. da Insatisfatoriedade. encontram-se diferentes formas de felicidade. todas as coisas e fenômenos do mundo físico e psíquico tem a mesma natureza relativa. tanto para leigos como para religiosos. Tudo isto também está incluído em dukkha. é melhor abster-se de traduzir dukkha. pelo contrário. visto que é impermanente. porém nele estão implicadas noções mais profundas e filosóficas. Em um dos discursos do Majjhima Nikaya o Buda. exigindo. assim." *2 EXISTÊNCIA DO SOFRIMENTO . etc. É a esta ilusão que se apegam os homens ignorantes da Verdade. que é um dos cinco textos originais em páli. conflito.27 Pode-se dar outro exemplo: um jarro é resultado da combinação de várias causas como argila."As coisas. Da mesma forma esse conceito do eu é verdade relativa. Esta tradução e interpretação são insuficientes e enganadoras. elas são uma ilusão que é decorrente da ignorância. quando. Daí a noção de vazio. insatisfatoriedade. a felicidade física. Por esta razão. da desarmonia entre o eu pessoal e o mundo real não-condicionado e é interpretada habitualmente como se a vida fosse só dor ou sofrimento. Por conseguinte. ou substância própria. que tanto pessoas como acontecimentos que podem ser analisados são todos igualmente sem natureza do eu. E desde que elas não existam na realidade. é valido de acordo com a verdade relativa. contendo os discursos de Buda. e ainda os mais puros estados espirituais de absorção mental (dhyana). do que arriscar-se a dar uma interpretação inadequada e falsa como a de sofrimento. Eles consideram todas as coisas como reais. onde o indivíduo se encontra liberto de toda sensação agradável ou desagradável. e todo o problema da realização da libertação é penetrarmos neste vazio interno. a felicidade da renúncia. nesta inexistência de um eu. na vida solitária. calor. em qualquer língua ocidental. Examinando o jarro. toma-se difícil encontrar uma expressão. como já foi dito. No Anguttara-Nikaya. Quando diz que existe o sofrimento. do desapego. não existem da maneira que pensam os homens comuns e ignorantes da Verdade: elas existem no sentido de que não tem realidade própria. que abranja todo o conteúdo do termo dukkha. admite diversas formas de felicidade. como a Nobre Verdade da Existência do Sofrimento. do apego. de impermanência. ó Sariputra. Admite-se que o termo dukkha possa ser empregado como enunciado da Primeira Nobre Verdade. a felicidade mental. isto é. tais como: a felicidade na vida familiar. de acordo com a verdade absoluta. estado alcançado pelas mais altas práticas de meditação e descrito como felicidade sem igual. Convém . Esta é' a Suprema Sabedoria que conhece a inexistência da natureza do eu. como já foi dito.

bhikkhus. De acordo com os três itens acima. sobrevirá o ressentimento. perder glórias e prazeres. Deve-se levar em conta tanto os prazeres e facilidades. transitório. Todas as modalidades de sofrimento se relacionam à constituição do ser e às diferentes fases da vida. de uma maneira objetiva e correta. como sofrimento comum: dukkha-dukkha. desta forma o nascimento.28 notar que a palavra dukkha é aqui empregada de uma maneira explícita. de uma maneira correta. instável. a libertação (nissarana). a morte. e que a não-satisfação dos prazeres é insatisfação. insatisfatório e perigoso (adinava). na sua real perspectiva. então será possível compreenderem por si mesmos. é evidente que esta interpretação não é de pessimismo. por qualquer circunstância. e só então poderão instruir outras pessoas sobre esse assunto. poderá se desapegar de sua posição e não sofrerá mais. o desejo dos prazeres dos sentidos. e também não serão capazes de instruir sobre o assunto qualquer outra pessoa. capaz de trazer sofrimento. Mudando esta situação. isso é a libertação (nissarana). a separação daquilo que se ama. Aspecto filosófico. enfim toda forma de insatisfação física ou mental é sofrimento. que o desejo dos prazeres dos sentidos é prazer. como estado condicionado: sankhara-dukkha. compreenderão objetivamente e corretamente os prazeres dos sentidos. e essas pessoas. Mas esta satisfação não é permanente. o perigo e a insatisfação (adinava). certamente. seguindo esses ensinamentos. se os solitários ou brâmanes não chegarem a compreender. afirmava que três coisas deveriam ser bem compreendidas: o desejo de prazeres dos sentidos (assada). . as más conseqüências. a verdadeira libertação se tornará possível. a velhice. não se enquadrando em seu senso comum. a fim de compreender a vida objetivamente. portanto. nem de otimismo.) *3 OS TRÊS ASPECTOS DE DUKKHA A noção de dukkha pode ser considerada sob três diferentes aspectos: 1. desequilibrada e agir imprudentemente. Este é o aspecto ruim. se ela observar as coisas como são. que a insatisfação deles é insatisfação. então será impossível que compreendam por si próprios. Aspecto físico. se os solitários e brâmanes compreenderem. de maneira objetiva e correta. efêmero. tomar-se desarrazoada. e que a libertação dos mesmos por sua vez é a 1ibertação. 3. esta pessoa seguindo seus ensinamentos não compreenderá corretamente o que é o desejo da satisfação dos sentidos. esta pessoa poderá comportar-se insensatamente. como sofrimento causado por alguma alteração. Segue-se um pequeno exemplo: uma pessoa consegue uma privilegiada posição política ou social que lhe dá prazer. a doença. quanto as dores e dificuldades. por conseguinte. que a libertação deles é a libertação. perecível é dukkha. 2. Gautama Buda era realista e objetivo no que diz respeito à vida e aos prazeres dos sentidos. Porém. não obter seu desejo. Aspecto psicológico. ou mudança da vida: viparinama-dukkha. A este respeito Gautama Buda disse: Bhikkhus. orgulho e satisfação (assada). de uma maneira segura e completa. o desejo dos prazeres dos sentidos. que satisfazer os sentidos é um prazer. mas sugerindo que tudo que é impermanente. Somente quando as coisas são vistas com objetividade. Porém. a união com o que não se ama. e. (Majjhima-Nikaya I. do mesmo modo que a possibilidade de libertar-se deles.

em perpétua transformação. que não são coisas distintas. aos nossos seis órgãos dos sentidos. a água. pois fazem parte da experiência da vida cotidiana. idéias e concepções. quando tomados como "meu e eu" (skandhas). Segundo a filosofia budista. os sons. tanto interior como exteriormente. Compreendemos melhor quando tivermos uma idéia mais clara sobre o que são os Cinco Agregados. calórico e de movimento. 4 As formações mentais. como estado condicionado. PRIMEIRO AGREGADO: A MATÉRIA (RUPAKKHANDA) Designam-se sob este termo os quatro elementos tradicionais que simbolizam a terra. Estes cinco agregados abrangem dois grupos (nama-rupa) que são: o agregado da matéria. que são as formas visíveis. auditiva. o corpo físico (rupa). 5. com suas respectivas faculdades: visual. o fogo e o ar. fluído. Tudo o que abrange a matéria. com seus derivados no estado sólido. os sabores. as coisas tangíveis ou tateáveis e os pensamentos. os odores. influenciadas pelo meio que nos rodeia. "indivíduo" ou "eu". e os objetos do mundo exterior correspondentes. percepções. fica assim englobado naquilo que chamamos de agregados da matéria. surgirá. é o mais profundo. As sensações. em nosso ser. Dukkha. ou "eu" é somente uma combinação de forças ou energias físicas e mentais. que são subjetivos e Se compõem das sensações. A matéria (corporalidade). e os agregados mentais (nama). táctil e a mental que na filosofia budista é considerada como o sexto órgão sensorial. Os derivados destes quatro grandes elementos correspondem. os cinco agregados são eles mesmos dukkha. o que chamamos de "ser". respectivamente. cujo conteúdo se chama "ser". então haverá insatisfatoriedade ou sofrimento. que é objetivo.29 Uma sensação agradável ou uma condição de vida feliz são impermanentes e não duram: uma mudança. mais cedo ou mais tarde. não podem ser negadas. gustativa. formações e consciência. que abrange os cinco agregados da existência como objetos de apego. As percepções. A consciência. OS CINCO AGREGADOS DA EXISTÊNCIA (SKANDHAS) Os Cinco Agregados que compõem um ser ou indivíduo são os seguintes: 1. 2. "indivíduo". filosófico e importante aspecto da Primeira Nobre Verdade. mas sim uma coisa só: logo. que são os objetos da mente. SEGUNDO AGREGADO: AS SENSAÇÕES (VEDANAKKHANDA) . As duas modalidades de sofrimento acima mencionadas são fáceis de compreender. 3. olfativa. O Mestre define claramente dukkha como sendo os cinco agregados do apego.

mas não vê-los. como faculdades. mas não ouvi-las. Nos ensinamentos de Gautama Buda evidencia-se o controle e disciplina dessas seis faculdades ou sentidos. de diferentes tipos. tem-se uma sensação neutra. Podemos perceber que tudo isso constitui uma parte do mundo. fazem parte do mundo em que vivemos e são produzidos e condicionados por sensações de natureza física. Podemos verificar que com os diferentes órgãos dos sentidos podemos ver as cores. não são agradáveis ou desagradáveis. e as sensações experimentadas mediante o contato do órgão da mente (manas) com os objetos mentais. ser controlada e desenvolvida. cultura etc. pois temos que considerar o mundo das idéias e pensamentos que são percebidos pelo nosso sexto órgão dos sentidos. a atitude de achar as coisas agradáveis é uma atitude mental de cada pessoa. ou uma cadeira.30 Estão compreendidas neste grupo todas as sensações. tem-se uma sensação desagradável. Assim. A diferença entre a visão e a mente. desagradáveis e neutras. do corpo e de seu revestimento (pele e mucosas) com os objetos tangíveis. não sua totalidade. do nariz com os odores. As idéias e pensamentos não são independentes do mundo exterior onde atuam os cinco sentidos. olfato. que na filosofia budista é o órgão da mente (manas). TERCEIRO AGREGADO: AS PERCEPÇÕES (SANNAKKHANDA) As percepções devem-se as impressões captadas pelos órgãos dos sentidos reconhecendo os objetos físicos e mentais. que sentimos mediante o contato dos nossos órgãos físicos e do órgão mental (manas)1 quando em relação com o mundo exterior. consiste em que o olho registra o mundo das cores e das formas. todas as sensações. Assim. a faculdade mental (indriya)2 é apenas uma faculdade semelhante à visual ou auditiva. pelos nossos cinco órgãos dos sentidos temos a experiência do mundo das formas visíveis. tato. isto é. costumes. que são chamados objetos mentais. dos sabores e dos objetos tangíveis. A sensação experimentada mediante o contato do olho com as formas visíveis. sejam elas de ordem física ou mental (objetivas ou subjetivas). paladar. Quando se olha um muro. a não ser por analogia sonora ou outra experimentada por meio das faculdades sensoriais de que dispõe. estão enquadradas neste grupo. dos sons. tanto nas suas características físicas. como pelas impressões psíquicas. Existe sempre um dos três tipos de sensação: quando se olha uma bela paisagem tem-se uma sensação agradável. mente (consciência). Quando se olha um corpo putrefato. uma pessoa cega de nascimento não pode ter idéia das cores. Com efeito. Deste modo. agradáveis. Desta forma. dos ouvidos com os sons. devido às seis portas de entrada que são: visão. ou indiferente. podendo. dependem do plano físico e por ele são condicionados em sua manifestação. As sensações em si. sociedade.indriya -. da língua com os sabores. Assim. audição. as idéias e pensamentos são concebidos pela faculdade mental . do mesmo modo que as outras funções. idéias e pensamentos. com sua faculdade própria (indriya). . ouvir os sons. atitude essa condicionada pela família. dos odores. ao passo que a mente registra o mundo das idéias e dos pensamentos. As sensações são em número de seis. os três tipos de sensação tomam-se dezoito. Assim. ou indiferentes.

cor. . . Pela percepção é que reconhecemos.C. elas não falam uma à outra.Dá-se o mesmo com a percepção visual e com a percepção mental. . pelo tipo e característica.31 Do mesmo modo que as sensações.Pela porta. houve combinação entre os dois? . por onde a água escorre? . .E quanto à prática.Pela porta..Como pela tendência? . odor. lá onde ocorre a percepção visual. encontra-se o seguinte texto: Falando de Percepções Milinda: Nagasena.Houve alguma combinação prévia entre ambas? .Supõe uma cidade na fronteira. . Assim uma fruta qualquer. de que modo se sucedem? .Uma primeira carreta vai por uma estrada.A água escorrerá por onde a anterior escorreu. A percepção é inseparável da consciência.Pela tendência. . Por onde passará a segunda? . ou tu escorrerás por onde eu escorrer"? . sabor. seguindo a inclinação do terreno. . . como pela região em que cresce e se desenvolve. pela prática.Se chove outra vez? .Quando chove. .Então a primeira da ordem à outra para que ocorra ao mesmo tempo? Ou então a segunda diz à primeira: "Quando ocorreres eu também ocorrerei?" . que é uma coleção de diálogos entre o monge budista Nagasena e o rei grego Menander. pelo precedente. Se alguém quiser sair por onde o fará? . também há a percepção do órgão da mente? Nagasena: Sim. uma funciona depois da outra? . volume. então. A segunda segue a primeira pela precedência. Assim também com as tuas percepções. .Pelo terreno inclinado.O mesmo acontece com a percepção visual e a do sentido da mente. escorrerás também tu. no parecer de Buddhaghosa. considerada a mais antiga e ortodoxa escritura da literatura budista.Não. rodeada de muralhas e tendo uma única porta para entrada e saída. .Não. por ser ela o único lugar por onde podiam sair.Qual a primeira? . peso e outras. é a obra mais autorizada depois da Tripitaka em páli.E se alguém mais quiser sair. que reinou no Noroeste da Índia de 125 a 95 a.Não. por onde sairá? . nós a reconhecemos pelas suas características de forma. No Milinda Panha.E quanto à precedência? .Não.Pelo mesmo caminho da anterior. Venerável. .Para a saída de ambos. . Majestade. . Escorrem. as percepções são igualmente produzidas mediante o contato de nossas seis faculdades com o mundo exterior. Elas não falam uma à outra. Passaram pela mesma porta. e que. a qual a consciência (conhecimento) sempre identifica. os objetos físicos e mentais.A visual.Acaso a primeira água teria dito à segunda: "onde eu escorro.De que maneira se sucedem pela porta essas duas percepções? .Como.

Nas escolas todos começam errando quando aprendem a calcular e a escrever. quando há percepção visual. a vontade.32 . Havendo a volição. a atenção e o contato são os elementos básicos fundamentais que estão permanentemente presentes em nós. mais a intenção fica distanciada da volição. ele disse "Forma os demais agregados. Lembramos que volição não é intenção. A formação busca sempre o contato que é um dos elementos formativos. assim. pela prática. Volição e atenção são inseparáveis. percepção e consciência. QUINTO AGREGADO:A CONSCIÊNCIA (VINNANAKKHANDA) . Samkhara significa uma condição necessária determinante. Intenção é um exercício de escolha movido por um pensamento. por necessidade de autodefesa e perpetuação da espécie. A volição. e que determinam a consciência. Assim. ou uma coisa que determina ou condiciona outras coisas. a volição. atenção e contato (Samkharakkhanda) são as condições necessárias para a formação. a percepção e a consciência. portanto. Volição. Perguntando ao Buda o que eram formações. formações mentais são uma condição necessária. A volição é incontrolável. sem a qual o conhecimento ou consciência não vêm à existência. está presente em cada momento de consciência. na nossa mente." Concluindo. e ao mesmo tempo traz uma idéia de determinação. do conhecimento. é algo instintivo e natural. 31. a atenção e o contato. Assim. estando com os seus sentidos normais. a atenção está constantemente na audição e na visão. ganhando o discípulo autocontrole. funciona sempre como uma antena nas portas dos sentidos. coloca o corpo (base interna) e o objeto (base externa) logo numa determinada direção para que haja o correspondente processo de cognição. nós nos tomamos hábeis. principalmente audição e visão. palavra páli que significa uma coisa da qual outras coisas dependem ou uma coisa sem a qual outras coisas não podem existir. ou surgimento da sensação. Em resumo. Por exemplo: uma pessoa não pode ver o que está colocado por detrás dela. sempre com a presença da atenção. também ocorre a percepção do sentido interno (órgão mental. manas). o contato é um dos elementos formativos.Samkhara -.) QUARTO AGREGADO: AS FORMAÇÕES MENTAIS (SAMKHARAKKHANDA) Formações mentais . Os elementos básicos das formações mentais são: a volição (vontade (voluntária ou involuntária). Depois. ao passo que a volição surge antes e condiciona o corpo. (Milinda Panha II. imediatamente vem à existência a sensação. uma determinada pessoa não pode pretender não ouvir ou ver um determinado som ou objeto. a não ser que se volte para haver o contato. forma os outros elementos condicionando a consciência. quando há o contato e a atenção. Quanto maior for o progresso na senda. isto é. mediante a atenção e a prática. onde toda a intenção é observada e controlada. isto é.

isto é. as formações mentais e a consciência correspondente. a consciência visual tem por instrumento o olho e por objeto uma forma visível. A base interna é sempre o corpo e o que se condiciona depois. a . no mesmo momento.33 A consciência. é uma reação ou resposta às seis faculdades – visual. é sempre condicionada pela base interna. isto é. vem à existência a consciência correspondente. ela não reconhece que é exatamente o azul. é mente. As bases internas estão em nosso próprio corpo e as bases externas no mundo exterior. naturalmente. CONSCIÊNCIA DO CORPO E DO TATO: qualquer coisa que sentimos internamente (dores. a consciência possui seis formas vinculadas às seis faculdades dos sentidos. O termo "consciência visual" denota a mesma idéia expressa na palavra “visão”. percebemos e. a percepção e as formações mentais. idéias e pensamentos. CONSCIÊNCIA GUSTATIVA: qualquer coisa que entra em contato com a língua faz surgir a saliva (umidade) de uma maneira impessoal e imediatamente. Não podemos ver o que está por detrás de nós. a consciência é sempre condicionada. ou bases externas. isto é. Sem contato é impossível haver qualquer tipo de experiência e. a luz. Então nós nos voltaremos. Devido ao fenômeno do contato. "Ver" não significa "reconhecer". a percepção. que são os sons. Quando os olhos entram em contato com uma cor. através da atmosfera. objetos tangíveis e objetos mentais. que é o ouvido com sua faculdade. as formas e as cores (mundo exterior). a sensação. a consciência visual apenas notou uma determinada cor. ou conhecimento. surgirá em nós uma intenção (que é mente) que condiciona o corpo (base interna). A consciência nunca surge por si só. Por exemplo. consciência. Assim como a sensação. órgãos internos ou bases internas. isto é. formigamentos. CONSCIÊNCIA OLFATIVA: qualquer odor que entra em contato com o nariz (mucosa olfativa) faz surgir a consciência correspondente. nota a presença de um objeto. pelo tipo e característica é que será possível reconhecer que a cor é o azul. isto é. surge em nós a consciência correspondente. imediatamente sentimos. por sua vez. vem à existência os elementos imateriais.). sabores. a consciência da visão. Quando se estabelece um contato entre a base interna e o mundo exterior. pela percepção. vem à existência a consciência correspondente. o olho e sua faculdade. Pode-se fazer a mesma observação para as demais formas de consciência. indisposições etc. para buscar o contato que está na base externa. se sentirmos vontade de ver. odores. tátil e mental . sempre pelo contato. auditiva. olfativa. É necessário compreender que a consciência não reconhece os objetos. ou que toca a superfície do corpo. A CONSCIÊNCIA AUDITIVA. em correspondência com as seis espécies de objetos do mundo exterior. ela é somente um ato de atenção. e pela base externa. virá à existência a consciência correspondente. sons.que tem por objeto os fenômenos exteriores correspondentes: formas visíveis. o azul. conseqüentemente. no momento exato em que houver contato. e pela base externa. gustativa. A consciência mental tem por base o órgão da mente (manas) e por objeto uma idéia ou pensamento. A CONSCIÊNCIA VISUAL é sempre condicionada pela base interna. por exemplo.

se for de uma sensação tátil. . é o próprio corpo que forma interna e externamente as bases. assim. ouvir. por uma cultura. os mesmos sons retomam à mente. as seis bases internas e as seis bases externas sempre condicionam um tipo correspondente de consciência. Desta maneira. e vem constantemente à tona de uma maneira incontrolável. são consciência da mente. mas esta faculdade de falar e pensar.34 consciência do corpo. há sempre uma interação corpo-mente. ou do corpo. se for de um odor. ocorre imediatamente a consciência gustativa. ou a tátil. a consciência que vejo à existência. isto é. a mente é sempre condicionada pelo corpo. Ouvindo uma determinada melodia esta melodia fica gravada na nossa mente. percepções. auditiva. falar ou refletir mentalmente. a consciência auditiva. porque ela vem totalmente de fora. surgem e passam ao mesmo tempo. temos a consciência visual. que é a base externa. Gautama Buda chamou base externa. os objetos da mente estão em nós próprios. chamamos consciência da mente. Tudo o que nós experimentamos pelas portas dos sentidos fica gravado no nosso consciente e no subconsciente. A lembrança de um determinado objeto traz imediatamente a consciência visual daquilo que está ocorrendo como imagem mental. Cada órgão tem um campo especifico de atividade. do mundo exterior veio tudo para dentro de nós. ouvir. Quanto à mente. é puramente condicionada por uma sociedade. a visão. mente-corpo. sabores e outras coisas mentalmente. um nunca interfere no campo do outro. Parece. Todos os pensamentos ou lembranças por palavras. que fala. formações mentais e consciência. Desta maneira. existem a base interna e a correspondente base externa. por isso é que os objetos da mente são considerados base externa. e a consciência mental. se for de um sabor. da mesma forma para com os outros sentidos. Assim. naquele momento. A base externa. ocorre imediatamente a consciência tátil. que é mais diferenciada nas pontas dos dedos. mais tarde podemos recordá-la e ouvi-la mentalmente. ocorre imediatamente a consciência olfativa. arquivo da memória. o olho. Desta forma. não se pode ouvir com os olhos. Quando ocorre contato entre a base interna. isto foi devido às experiências anteriores com o mundo exterior. pode ver. a lembrança de uma determinada melodia faz ocorrer. olfativa. existir algo internamente eterno em nós. vem à existência o elemento imaterial. e o mundo material visível. vem à existência imediatamente as sensações. imediatamente temos consciência daquilo que está ocorrendo. do corpo. na qual a tátil está incluída. novamente. que pensa. sentir odores ou sabores e ter sua própria função. por exemplo. ver com os ouvidos. pela atividade verbal da mente. ou da mente propriamente dita. Neste caso. Então. no caso. dependendo do contato. Cada sentido é separado do outro. mas fica no arquivo da memória. Em relação à mente. vem à consciência aquela melodia já conhecida. Quando tal acontece. Da mesma forma sentimos odores. ela participa de todos os sentidos. Não existe consciência que não seja condicionada pela base interna e base externa. Isto tudo ocorre porque houve uma experiência anterior. gustativa. foi condicionada pela interação dos elementos do próprio corpo. Esses elementos imateriais são chamados mente. É a própria mente trabalhando independentemente. isto é. CONSCIÊNCIA MENTAL: a tudo o que ocorre na mente e não está diretamente ligado aos sentidos. são inseparáveis. imediatamente. para que se possa ver.

essa imagem mental seria um objeto da mente. encontrando apego (satisfação) nesta matéria. pela presença da sensação e percepção surge. a matéria por objeto e a matéria por suporte. mas imediatamente há o contato com o elemento mental seguinte e.. a c consciência mental (conhecimento) (Mahatanhasamkhaya-Sutia. e que ela não pode existir independentemente destas condições. e para tudo o que sentimos e percebemos.) OS CINCO AGREGADOS SÃO INSEPARÁVEIS Uma das coisas mais importantes que o Buda conseguiu foi compreender. A consciência também existe tendo a sensação como meio.) O Mestre declarou em termos claros que a consciência. ela pode crescer e se desenvolver. o desenvolvimento e o desaparecimento da consciência são independentes da matéria. a percepção como meio. em pode crescer e se desenvolver. surge a consciência correspondente. porque eles são inseparáveis. pela presença da sensação e percepção surge. pela presença dos odores. depende da matéria. Assim. há seis formas de consciência que se realizam por condicionamento. estão no arquivo da memória e. penetrou esse mundo interno e compreendeu cada um dos agregados.. sempre que existe a sensação. encontrando apego nestas formações mentais. existe a percepção. por imagem. por condicionamento. da percepção e das formações. Pela presença do órgão olfativo. da percepção e das formações. e as formações também como meio. existe a formação que os . isto é. mas sempre ocorre. a consciência visual. da sensação. a sensação. ou conhecimento. esse indivíduo falará de algo inexistente. Pela presença do órgão auditivo. da sensação. a consciência olfativa. discriminar e explicar os elementos imateriais da consciência. pela presença dos objetos da mente (idéias e pensamentos) pela presença da sensação e percepção surge. per condicionamento. o crescimento. pela presença da sensação e percepção surge o condicionamento da consciência tátil. pela presença do objeto da audição (sons)." (Samyutta-Nikaya III. as formações mentais e a consciência. apreendidas e condicionadas pelos nossos sentidos."A consciência tem a matéria por meio.. logo que há contato.. pela presença dos sabores. Se alguém disser que o surgimento. o contato aqui é sutil. Sem condicionamento. e. Pela presença do corpo e do seu revestimento (pele e mucosas) pela presença dos objetos tangíveis. quando há contato. na sua sabedoria. A consciência é denominada segundo as causas dos condicionamentos que lhe deram origem. por condicionamento. pela presença do objeto da visão (uma forma visível). por objeto e por suporte e. a consciência gustativa. eles nunca se apresentam de maneira separada (apesar de os textos usarem certa ordem. Buda. explicando a consciência detalhadamente.35 Resumindo. Quando se dá o contato.A consciência nasce do condicionamento do homem. disse: . pela presença da luz e pela presença da sensação e percepção surge. é impossível compreendê-los separadamente. não há consciência. os objetos da mente são todas as coisas experimentadas. a consciência auditiva. Pela presença do órgão mental. Pela presença do órgão gustativo. pela presença da sensação e percepção surge. Buda na sua penetração interior. por condicionamento. vem à existência a consciência correspondente. por condicionamento. quando vem à tona um pensamento. Deste modo. percebemos. Pela presença do órgão visual. tudo o que sentimos. a percepção. Ele disse: . não significa que um venha primeiro do que o outro). Majjhima-Nikaya I.

nariz. Por mais que analisemos o EU. de correr. este nosso suposto eu. os Cinco Agregados (matéria. estes elementos estão sempre presentes ao mesmo tempo. quando os cinco agregados físicos e mentais. pelas seis externas . ininterruptamente. sabores. condiciona o surgimento da seguinte em uma série de causas e efeitos contínuos. ou coisa. ou "eu". é continua e impermanente. OS DEZOITO ELEMENTOS PSICOFÍSICOS Os dezoito elementos psicofísicos são constituídos pelas seis bases internas . porque há conhecimento do fato.formas visíveis. surge em nós .36 forma e de tudo isto estamos conscientes. e em nenhuma parte um lugar para qualquer coisa permanente. odores. tátil ou do corpo. objetos da mente . pela base externa. de onde se vê que não existe substância permanente. levando consigo tudo o que encontra pelo caminho. que são interdependentes. Este nosso ser. são apenas um rótulo que damos a esta combinação que é impermanente e em constante mudança. pois. a vida humana assemelha-se a esse rio. mente -. queimadura. não deixando um momento. nada mais é que certo aspecto da corrente de causa e efeito que com nossos sentidos percebemos. Porém. formações mentais e consciência) que chamamos um "ser". em suma. mas apenas um fluxo de surgir e desaparecer sucessivos e instantâneos. ouvidos. no instante seguinte.olhos. percepções. Desta forma. não é necessário definir o que é sensação. trabalham em conjunto. pois novas águas escoarão sobre vós. um "indivíduo". olfativa. Como disse Buda a Rathapala: "O mundo é um fluxo continuo e impermanente. em dado momento do tempo. outra é a combinação existente." Heráclito (cerca de 500 a. opera-se um fenômeno que é condicionado pela base interna. cada vez que ouvimos qualquer coisa.e pelos seis tipos de consciência: consciência visual. objetos tangíveis. porque há percepção do tipo ou da característica daquela dor. há uma sensação porque o aspecto da sensação é predominante. não há nada que possa ser chamado realmente "eu". Assim também.C. percepção e consciência. etc. não teríamos qualquer sensação. Quando uma coisa desaparece. Não há nada por detrás desta corrente que possa ser considerado como um "eu" permanente. Deste modo A não é igual a A nunca. corpo.) na sua doutrina. se não estivéssemos conscientes da sensação. segundo a qual tudo está num perpetuo estado de mudanças ou transformações. Desta forma. formação e consciência. sons. percepção. Sentindo uma dor numa região qualquer. auditiva. são dezoito elementos psicofísicos que se entrosam e atuam de uma maneira ininterrupta. gustativa. É como um rio de montanha que vai longe e corre rápido. é brâmane. língua. e mental. uma individualidade. disse: "Nunca podeis descer duas vezes no mesmo rio. desta maneira. ao mesmo tempo é percepção. eu. sempre vamos encontrar a impermanência. mas ao mesmo tempo é consciência. um instante. que pode se apresentar sob diversas formas: agulhadas." O que chamamos indivíduo. sensações. Assim. e aquele momento de consciência é composto de sensação. o EU dura o tempo exato de uma combinação de elementos do plano psicofísico. O EU é um composto instável em contínuo movimento e que a todo momento se modifica. sob qualquer aspecto que possamos considerá-lo.

Tudo aquilo que sentimos. esta existência é insatisfatória. porem não se encontra nenhum sofredor. que é a causa fundamental do sofrimento. um fluxo de fenômenos. ou "eu".elas surgem e passam ao mesmo tempo. de lagrimas. pois tudo. não é que surge a sensação primeiro.37 uma formação mental. Buddhaghosa disse: "Só o sofrimento existe. de suor.. De acordo com a Realidade e a verdadeira Sabedoria é impossível haver controle sobre os Cinco Agregados da existência. da vitória do mais apto. concluímos. Se o que temos de mais pessoal. terá um fim. Não há outro "ser". o drama da vida. por trás dos cinco agregados que constituem um ser. volições e consciência. observamos que os fenômenos psicofísicos são impermanentes. depois a percepção. por mais longa que seja a duração neste Universo. o apego. Desta forma. então vemos que não somos donos desse nosso corpo. que dá a falsa idéia de um “eu”. mais íntimo. não há verdadeiramente um dono. etc. ao mesmo tempo percebemos e ao mesmo tempo estamos conscientes de tudo aquilo que nós sentimos e percebemos. Refletindo. depois a consciência . o drama de sangue. então muito menos as coisas exteriores. chegamos à conclusão de que existe um vira-ser. Desta maneira. Quando compreendemos isto. portanto. verdadeiramente. o que nos demonstra a impessoalidade de todos os fenômenos psicofísicos e. sobre a existência. vai-se tornando cada vez mais fraco." É fundamental compreender que os Cinco Agregados da existência surgem e passam ao mesmo tempo. não nos pertence. Quando há o contato entre a base interna e a base externa. DEZOITO ELEMENTOS PSICOFÍSICOS: SEIS BASES INTERNAS (ÓRGÃOS: parte material) 1) 2) 3) 4) 5) 6) Olho Ouvido Nariz Língua Corpo (com seu revestimento cutâneo-mucoso) Mente SEIS BASES EXTERNAS (parte material e mental) 1) 2) 3) 4) 5) 7) Formas visíveis Sons Odores Sabores Objetos que tocam o corpo Objetos da mente (material e mental) SEIS TIPOS DE CONSCIÊNCIA . do eu. das nossas sensações. percepções.

Aspecto psicológico . Vedanakkhanda.CONSCIÊNCIA: reação das seis faculdades sensoriais em relação aos fenômenos psicofísicos exteriores correspondentes. Ciflovedo. Sannakkhanda.Aspecto físico – (Como sofrimento Comum): dukkha-dukkha b). É o que nos prende ao mundo sensorial. surge a consciência auditiva.(Como estado condicionado dos cinco agregados da existência como objetos de apego quando tomados como "meu" e "eu"): samkhara-dukkha. Manas: órgão interno de percepção e conhecimento mental. movimento). percepções e consciência. PRIMEIRA NOBRE VERDADE: . é o elemento da nossa consciência que mantém o equilíbrio entre as qualidades empíricas individuais. Desejo e Nirvana. Vinnanakkhanda. Obra citada. 1º.(Como sofrimento causado por alteração ou mudança de vida): viparinama-dukkha c) Aspecto filosófico . *2 Prajnaparamita. 2) Audição dependendo dos ouvidos e do tom. 2. uma de cada vez: 1) Visão dependendo dos olhos e do objeto visual. indiferentes. Obra citada. Ilusão. que tem a faculdade de analisar impressões que recebe. e as qualidades espirituais e universais. 3o . ou nos liberta dele. de um lado. Indriya: significa: faculdade.CONSCIÊNCIA OU CONHECIMENTO A consciência surge das seis faculdades ou portas dos sentidos (indriyas). 4º. ---------------------------I. MATÉRIA e seus derivados sólido.PERCEPÇÕES surgem do contato. surge a consciência visual. liquido. 5o . 2º SENSAÇÕES que surgem do contato dos órgãos físicos e mental (bases internas) com os objetos do mundo exterior (bases externas): agradáveis. desagradáveis. 5o . "Impermanência de todas as coisas" in Ciflovedo. de outro lado. L'Enseignement du Bouddha. força e poder dos sentidos e da própria mente. 1. *3 Walpola Rahula.38 1) Consciência visual 2) Consciência auditiva 3) Consciência olfativa 4) Consciência gustativa 5) Consciência tátil 6) Consciência mental *1 Sutra 17. Ilusão. . atenção e contato) formam os outros agregados: Sensações. Obra citada.DUKKHA SATYA INSATISFAJORIEDADE (DUKKHA) IMPESSOALIDADE (ANATTA) IMPERMANÊNCIA (ANICCA) DUKKHA a). FORMAÇÕES MENTAIS (volição. dos nossos órgãos físicos e mental com os objetos do mundo exterior reconhecendo-os pelas suas características. Rupakkhanda. calor. Desejo e Nirvana.

kama-tanha. sim. SEGUNDA NOBRE VERDADE: SAMUDAYA SATYA CAUSA DO SOFRIMENTO A Segunda Nobre Verdade é a que nos dá a possibilidade do conhecimento da Causa ou Origem do Sofrimento (dukkha). desejo. Mesmo este desejo. que surge da ignorância que mantêm nossa aparente personalidade. surge a consciência olfativa. 6) Faculdade Mental . a existência. A palavra "sede" compreende não somente o desejo e o apego aos prazeres dos sentidos. Os homens de Estado. É essa sede de desejo. ânsia e escravo do desejo. dependendo da língua e dos sabores. Como Buda disse a Rathapala: "O mundo sofre de frustração. assim como à continuidade dos seres. designada pelo nome de Lei da Produção Condicionada ou da Originação Interdependente.(dukkha). sob a forma de desejo e ânsia em todos os seus aspectos uma força criadora que perpetua a continuidade da matéria na qual participa o processo do renascimento. do contato e. e o aparecimento da sensação depende. mas. dá origem a todas as formas de sofrimento. não existe uma causa primeira. Esta Verdade nos ensina que o sofrimento. Lembramos nesta síntese que o desejo tem por base a falsa idéia de um “eu” (eu pessoal). . isto é. como também às idéias. concepções e crenças. Porém não devemos considerar o desejo como sendo a primeira causa. que veremos adiante. teorias. Desejo dos prazeres dos sentidos. sede ardente (tanha) de satisfazer todas as formas de desejos ligados aos nossos sentidos. só tratam daquilo que é superficial. Desta maneira o pensamento. surge a consciência mental. à riqueza e ao poder. II. que é a sensação (vedana). depende em sua aparição de uma outra coisa. à verdadeira raiz do problema. surge a consciência gustativa." Os desejos apresentam-se sob as mais diferentes formas. a causa imediata. que continuadamente procuram novas satisfações. do seu revestimento e do contato com os objetos tangíveis. que se esforçam por solucionar os conflitos internacionais falando de guerra e paz somente sob o aspecto político e econômico. essa avidez que. ânsia.dependendo do órgão da mente (manas) e dos objetos mentais. a saber: I. dependendo do corpo. todos os conflitos do mundo.39 3) Olfato 4) Paladar 5) Tato dependendo do nariz e dos odores. bhava-tanha. todas as infelicidades. o eterno vir-a-ser é produzido pela concupiscência. manifestando-se de maneiras variadas. tudo é relativo e interdependente. desde as pequena discussões de família até as grandes guerras entre nações. que é considerado como a causa ou origem de sofrimento . da desarmonia entre o nosso eu ilusório e a Realidade. Segundo a análise feita por Buda. segundo o Budismo. a causa principal que nossa mente pode conceber. II Desejo de autopreservação (existir e vir-a-ser). idéias e pensamentos. Deste modo o desejo não é nem a primeira. por sua vez. não chegando. assim. surge a consciência tátil. nem a única causa do aparecimento de dukkha. opiniões. tem suas raízes nessa sede de desejo. gira a roda da existência. assim por diante.

sentidos. será finalmente derrotado pelos problemas e soçobrará. paladar. incluindo nosso órgãos mental com o mundo exterior (6 bases internas e externas). Pela ilusão ele pensa: "o corpo é meu". evitando os prazeres dos sentidos e libertando-vos do desejo. Nutrimento material comum. sempre em vigilância. Levado pela ilusão.) *1 São quatro os elementos que sustentam a existência e continuidade dos seres: 1. O prazer não é a sensação nascida dos sentidos. etc. religião etc. o desejo da existência de um ego e de que este suposto EU viva eternamente. em relação á visão. trilhar a Nobre Senda Óctupla. ouro. "meu pensamento". O desejo dos sentidos surge em conexão com um. que veremos adiante. Elemento da volição mental ou Vontade. que varia com os condicionamentos de costumes da família. quando vê que também é Impermanência e Impessoalidade. Elemento da consciência. Permanecei vós. atravessai então a correnteza e atingi a segurança da outra margem . ou pode ser indiferente a cia. ou mais. o homem se delicia nos prazeres dos sentidos e no fato de sua existência – “eu existo" ou "minha existência" -. o que então experimenta é a dor. uma pessoa pode ter prazer em uma sensação. olfato. Quem está sempre dominado pelos ardentes desejos de posse. III. portanto. mulheres. Aliviando. isto é. Apenas confirma a existência do "eu". Este desejo jamais leva é cessação da existência. Elemento de contato dos órgãos dos sentidos. I. conceitua em ver as coisas como "minhas". torna-se necessário seguir um treino especial. 2. individual ou egocêntrica é um dos mais fortes. como fruto mesmo da permanente vigilância. do país. parentes. vibhana-tanha. Mas quando não o consegue. "minha sensação". porque todos nós temos o desejo de continuidade. como quando se é ferido por uma flecha. tem aversão a destruir Os pensamentos de "eu" e "meu".Nirvana. (Sutta Nipata. ou pessoa que será aniquilada após a morte. evita o perigo dos desejos que possam ter conseqüências indesejáveis. 3. assim como o barco fendido quando invadido pelas águas. criados. pois para conseguir isto. pois. portanto. e não vê que a ilusão desta existência egoística é sofrimento. fazendas.DESEJO DE ANIQUILAMENTO.40 III Desejo de não-existência (auto-aniqui1ação). terrenos. tato e mente. pois é baseado na ilusão da existência de um "eu" e "meu". DESEJO DOS PRAZERES DOS SENTIDOS.. . o barco de toda carga inútil. SERMÃO SOBRE O DESEJO: KAMA SUTTA Feliz realmente é aquele que consegue satisfazer os desejos do seu coração. o desejo de vir-a-ser. Aquele que se acautela contra os prazeres dos sentidos. o prazer depende da atitude mental da pessoa. assim como faria para não pisar numa cobra. gado. audição. só reconhece que o desejo é sofrimento (Insatisfatoriedade). 4. O desejo de uma existência separada. Pela ignorância. II DESEJO DE AUTOPRESERVAÇÃO. coleção Atthaka.

Assim dukkha (cinco agregados) possui em si mesmo a natureza de sua própria aparição. boa ou má. carma tem um sentido específico: expressa unicamente a ação volitiva. não acumula carma bom ou mau.samsara. o início do aparecimento do sofrimento encontra-se na própria mente de indivíduo que sofre. Eles significam o desejo. "volição" e “carma” tem todos o mesmo sentido. está livre da "sede" de continuidade e de vir-a-ser. a vontade de ser. a sede de existir. de continuar mais e mais. a causa. ou "ação". ou má ação consequentemente. de existir. ou má. Mas como esse desejo. de acumular sem cessar. produzindo uma nova vida chamada renascimento. A palavra carma (páli: kamma) significa literalmente "ato". porque está completamente livre da falsa noção do "eu". produzirá maus efeitos. uma coisa. O que chamamos de morte é somente a parada completa do funcionamento do corpo físico. fazendo alusão á volição mental. portanto também a natureza de sua própria cessação ou destruição. o germe. essa "sede" pode produzir a re-existência e o eterno vira-ser? Para isto é necessário compreender o aspecto filosófico da teoria do Carma e do renascimento. Tudo isto é a raiz da existência da continuidade. ou frutos. pois está sempre em permanente Plena Atenção ou Vigilância. o desejo. Buda.a volição mental – é o mais forte. Se a morte fosse o fim da causalidade. o carma. o último . Essa força não se detêm com a morte. Um ser. um mau carma (akusala). ou uma boa ação (kusala). ainda que a causa pareça vir do exterior. de continuar. que é um dos cinco agregados que constituem um "ser".41 Dos quatro elementos mencionados. CARMA Podemos admitir que todos os sofrimentos são causados pelo desejo egoísta. Esse desejo se encontra no agregado das formações mentais. Assim os termos "sede". o desejo. um sistema. possui também em si a natureza. tem por efeito uma só força. . Cada ação volitiva produz seus efeitos. de vir-a-ser constituem a maior força existente que anima todas as vidas. Está completamente livre de qualquer resíduo do apego. da luta que nos acompanha através dos bons e maus atos da vida. Mas na teoria budista. o mundo inteiro. de crescer cada vez mais. bom ou mau. Um Arahant. para ele não há mais renascimentos. Segundo o Budismo. mesmo agindo. Um bom carma. “Tudo que tem por natureza surgir. o ser é somente uma combinação de forças ou energias físicas e mentais em fluxo constante. consciente ou inconsciente. compreendem-se também as três formas de desejo. que constitui um dos princípios fundamentais da doutrina budista. da mesma forma tem por natureza cessar”. se tem em si mesmo a natureza de se manifestar. diz: "Quando se compreendem os elementos que nutrem a volição mental. Esta é a causa do aparecimento do sofrimento . o querer. de sua destruição. Portanto. o germe de sua cessação. pois engloba a vontade de viver. e de todas as outras imperfeições e impurezas.dukkha. a morte se confundiria com a libertação. de existir. a força de continuar numa direção boa. isto é. das causas e efeitos que caracterizam a vida do eu. "desejo". todas as existências. produz bons efeitos. O bem e o mal são relativos e se acham dentro do círculo da continuidade . Mas a vontade. continua manifestando-se sob outra forma. o que é fácil compreender. resultados.

O carma classifica os homens em superiores e inferiores. somos o resultado do que fomos e seremos o resultado do que somos. descendentes.42 No Budismo. Justiça um termo ambíguo e perigoso. a teoria do carma é uma teoria de causas e efeitos. Carma. são herdeiros. mesmo em uma vida póstuma. ação e reação exprime uma lei natural que nada tem a ver com a idéia de uma justiça retributiva (não há o conceito de pecado ). como no presente. A realidade do presente dispensa provas. hoje. e. influenciam o nosso presente. a cada momento de nossas vidas. vinculado á sua própria lei de causa e efeito. Os seres têm seu patrimônio. acima de tudo. O carma abrange tanto a ação passada. O sofrimento é a conseqüência de alguma ação errada do passado. Este processo de causa e efeito. plena liberdade de ação. Conforme semeamos. Os desejos geram ações. as ações produzem resultados. O sofrimento é o pagamento de nossas próprias dívidas. a existência individual é uma sucessão de mutações. O presente. assim. cria novos processos psicofísicos a cada instante e. é uma lei que opera no seu próprio campo de ação. O Bem-Aventurado disse: Os homens diferem pela diferença nas ações. O carma do passado condiciona o atual nascimento e o atual carma. Este organismo psicofísico. É o simples resultado da própria natureza do ato. que não permanece igual. quer se trate de uma criança ou de um velho sofredor. e assim sucessivamente. a desigualdade da Humanidade. . É só um aparecer e desaparecer como as ondas do mar. Esta lei do carma explica o problema do sofrimento tanto individual como coletivo. O que é difícil de se compreender na teoria cármica. colhemos nesta vida. Portanto. tão intrincada é a lei do carma. não deixando nenhum vazio entre um momento e outro. os resultados trazem novos desejos. é o resultado do passado e a origem do futuro. vassalos do seu carma. mas o presente não é sempre um verdadeiro índice. e o futuro na reflexão e na dedução. conserva a potencialidade de futuros processos orgânicos. As nossas ações passadas. o que é fácil de ser compreendido. pois é evidente por si mesma. um Legislador que julga e sentencia a natureza dessa ação. mas possuímos livre arbítrio completo e total. se bem que se transforma incessantemente. ou num futuro nascimento. simultaneamente do passado ou do futuro. parentes. O venerável monge Piyadasi Thera observa. O passado é baseado na memória e na referência. a palavra e a mente. nem por dois momentos consecutivos. o seu carma. sem dúvida. em si mesmo. algo que toma forma e se desvanece. Pela volição. quanto a presente. simplesmente isso. Vivemos e morremos. de ação e de reação. cujos efeitos chamamos. O que colhemos hoje foi aquilo que semeamos. é como os efeitos de uma ação volitiva podem manifestar-se. nosso destino. *2 Desta forma. num sentido. e em seu nome fez-se mais mal do que bem à Humanidade. A teoria do carma não deve ser confundida com a falsa concepção ou idéia de recompensa ou punição decretada por um Ser Supremo. e o livre arbítrio condiciona o futuro. o homem age com o corpo. tanto no passado.

sem qualquer agente material de conexão. a continuação da corrente de causa e efeito. enquanto perdura o desejo. pelo processo natural de geração. esta vontade de viver mantém a continuidade da vida. Esta força mental gerada pode ser comparada à lei da gravidade que opera sobre os corpos materiais. por que não se recordam de suas vidas passadas? Nossa memória mesmo nesta vida é muito limitada. quando ela é liberta do corpo e projetada para além da morte. porém. a mente (o fator pouco conhecido e invisível) que dá à nova existência a sua individualidade. exceto quando avançam para atuar através da substância material. por meio de sua iluminada sabedoria. Esta idéia não é peculiar ao Budismo. agarra-se aos elementos do mundo material e deles. O incidente da morte e o intervalo entre a concepção e o parto. Se os seres existiram anteriormente. acendendo-a. na aceitação geral deste termo. É este fluxo dinâmico mental que se chama carma. molda uma nova forma de vida. que é evidente para nós nesta vida. vontade. de uma vida para outra. esta vontade. contudo. Mas. ainda estão no sentido mais real que a matéria por elas influenciada.43 Estas mudanças na continuidade. até aos psicólogos e neurologistas de nossos dias. É. esta vontade de viver mantém a continuidade da vida. além de que o prodígio se deve à memória de existências anteriores? Essa força poderosa. sede. apesar de a lâmpada estar queimada e de a luz não se manifestar. Estas forças potentes. mas foi deixada por Buda. ou maus. e os corpos físicos dos seres vivos são somente o resultado material de forças mentais anteriores que foram geradas em vidas passadas. desejo. de acordo com o modo de transformação que sua energia sofre. ou á força da eletricidade que. Existe outra resposta razoável. a força invisível gerada pela mente. assim também é o caso da energia mental que anima os seres vivos. como a corrente elétrica que continua existindo. não há entidade estática que possa ser chamada "alma". outra vez a corrente elétrica se manifesta. afastam a memória de todos os elos das experiências passadas. Esse processo ó inseparável do processo paralelo de renascimento. pois foi conhecida pelos filósofos desde o tempo de Heráclito. viajando invisivelmente. Renascimento do Nome e Forma . O fluxo mental continua sem cessar. De tal modo este fluxo contínuo de consciência continua sem fim. mais precisamente. a base de um renascimento contínuo. assim. como em outros setores. a mente os domina e os cria. O Buda disse: 'A mente antecede todos os fenômenos. não cessa com a morte. Ambas essas forças dominantes imperceptíveis na esfera física. São conhecidos casos de crianças-prodígios que conservam talentos de uma vida passada tanto em música. Segundo o Budismo. com seus fatores mentais bons. Nada há no Universo que não esteja sujeito a mudar. desde a sua origem. ao descobrir como isto podia ser e ainda perceber que esse fluxo ou alma é. Os elementos estão sempre presentes no mundo físico e entram juntos na disposição exigida quando a concepção tem lugar. A mente é o fator que ativa a vida. instalada uma nova lâmpada. produz uma variedade de diferentes resultados. porque o renascimento não é a reencarnação de uma "alma" depois da morte. a vida humana é arrastada por esta tremenda força. matemática. de fato." Por alguns processos que nós só poderemos entender inteiramente quando tivermos nós mesmos alcançado a Iluminação.

continuamos a existir. as energias mentais não morrem com ele. se não houvesse renascimento. maharaja. Assim não é.Dá-me uma comparação. .De fato seria Assim. . Quando o corpo físico não ó mais capaz de funcionar.Por quê? .O nome e forma (cinco agregados.Ele o é. porém não ó outra pessoa. em conseqüência desse ato. uma combinação de energias físicas e mentais que mudam incessantemente. Por exemplo: uma criança cresce até chegar a ser um homem de 60 anos.É o presente nome e forma que renasce? . mas continuam a se manifestar sob outra forma que nós chamamos uma outra vida. "Quando os agregados aparecem. (Milinda Panha II. Se o acusado se defende argumentando: "Não fui eu quem incendiou a lavoura deste homem. fenômenos psicofísicos).Por quê? . o que é que renasce? . . Ele se aquece depois se retira. o presente nome e forma realiza um ato bom ou mal. durante a vida nascemos e morremos a cada instante.Da mesma maneira. bhikkhus. não foi o mesmo que se alastrou incendiando a plantação. é este ato que determina o renascimento de outro nome e forma.44 . apesar das . um outro nome e forma renasce (Nama-rupa). no entanto.Suponha que um homem furte mangas de um outro. Mas como há renascimento. Portanto. Defende-se o acusado alegando: "Não são as mangas deste homem que eu tirei. é claro que esse homem não é o mesmo que a criança nascida há 60 anos atrás. declinam e morrem. o último fogo é solidário e relacionava-se com o anterior. persistindo o impulso para prosseguir na luta para uma outra existência.Se não é o mesmo nome e forma que renasce. acusando-o de roubo. . 22.Nagasena. quando o nome e forma executa um ato. bom ou mau. . Não devo ser punido.Sim.Sem dúvida é outrem o renascido. .Apesar do seu argumento. Este o prende e o leva perante o rei. a cada instante vós nasceis. nem tampouco outra. .Apesar do argumento desse homem.Dá-me outra comparação. outras são aquelas que eu tirei. ." Esse homem é culpado? . já vimos.) O que chamamos vida. . O dono das mangas prende-o leva ao rei. é a combinação dos Cinco Agregados. acusando-o de ter incendiado sua lavoura. não mereço nenhuma punição!" Esse homem é culpado? ." Conseqüentemente. que não é sempre a mesma.Dá-se o mesmo com o nome e forma. sem apagar o fogo que se alastra queimando a lavoura do vizinho. não se pode dizer que este se tenha libertado dos atos ou pecados anteriores.Não.Um homem no inverno acende uma fogueira no campo. não estará ele liberto dos atos ou pecados anteriores do novo nome e forma? . mas nem por isso deixa de proceder de alguém que morreu. o fogo que deixei aceso. não se pode dizer que esteja liberto de pecados anteriores. É como a chama de uma vela. umas são as mangas que ele plantou. . declinais e morreis. as mangas que ele colheu São solidárias com as primeiras. .

Não. um ser que aqui morre e renasce não é o mesmo e não é outro. . é uma seqüência pertencente à mesma série. Do mesmo modo. eras o mesmo de hoje? .Portanto a chama não é a mesma. Por tanto. na virtude. nossa atuação continuará produzindo seus frutos. "Isto.Sim. uma mãe para a pequena criança e outra para o homem feito? Um é aquele que se instruiu. uma mãe nova para cada novo estado do embrião. em combinação com o processo biológico. maharaja. . O último momento de consciência. O ser humano. outro aquele que se tornou instruído! Um o autor de um crime.Quando eras criança. Após a dissolução do corpo. então. não é nem o mesmo. tem sua unidade no corpo. Venerável.Dá-me uma outra comparação.Não. . mas todos procedem dele.Quando o leite transforma-se em coalhada. maharaja. nem um outro que recolhe o último ato de consciência.Se acendemos um facho. (Milinda Panha II. da mesma maneira. uma continuidade.A última chama do facho é a mesma da hora anterior? . intelectuais e morais. a totalidade do pensamento-energia dos seres provindos do passado.A mesma coisa se dá com o encadeamento dos carmas. .Não.Sendo assim.Dá-me outra comparação. . uma seqüência.Não. mas sim. não é vosso corpo. que encadeamento dos carmas é contínuo. outro aquele que recebe o castigo.Nem o mesmo. manteiga ou queijo? . enquanto existir vo1ição. então. por certo. Da mesma maneira. . nem seguinte. um surge quando outro desaparece. em suas diversas fases.Já fui criança e agora sou homem. mesmo depois da morte.chamado vida seguinte que. e não ó outra. . eu mesmo. nem um outro. pode-se dizer que o leite fresco é o mesmo que o leite coalhado.Há. Haverá. . na sabedoria. o mesmo facho queimou toda a noite. este pode queimar a noite inteira? . não tens nem pai.Não. A Cadeia dos Renascimentos . constitui e determina a natureza de um novo elo renascimento da consciência . impulsiona a substância física do Universo para trazer um novo ciclo de evolução. e tu que me dizes? . ou um outro? . eu era outro. não há entre eles nem precedente. uma chama diferente em cada hora? . . Venerável. 17. forma um novo ser sensível. aquele que renasce é o mesmo.Dá-me uma comparação.) Nossas ações não são perdidas. desejo. manteiga ou queijo. na gênese dos sistemas do mundo. . ó discípulos.Nagasena. nem mãe nem preceptor! Tu não te formaste nas artes. A diferença entre a vida e a morte consiste apenas num momento de pensamento. o ciclo da continuidade que motiva repetidos nascimentos e mortes continuará. . .45 alterações fisiológicas. na realidade. nem o . A energia mental produzida no passado. uma tenra criança deitada sobre o dorso. nesta vida. é possível. Por conseguinte.

é a passagem do carma. Exatamente como a passagem da chama de uma vela. alimenta e perpetua o eu. Em conseqüência da causação gerada no transcurso de uma existência. Um novo ser. no entanto.46 corpo de outros.) A causação gerada em nossa vida. Desejo. A identidade da personalidade é dada pela continuidade. é um outro ser. realizado pelo pensamento. Edição Kier. saindo de uma universidade com o título de doutor. A continuidade cármica é o rio de ação que constitui o indivíduo e o identifica. o mesmo indivíduo. Assim. Nyana. un mensaje vivo. produzida pela ilusão do eu submetida é Lei de Causa e Efeito. um novo ser renascerá futuramente em qualquer parte para continuação desta causação. o renascimento *3 não tem o sentido da imortalidade. -----------------------------------------. nada transmigrou (ainda é o exemplo da chama. adequado à continuação do processo do eu. Gautama Buda refuta categoricamente o falso ponto de vista que quer perpetuar o eu e eternizá-lo. Gil Fortes da obra do Bhikkhu Sri Y. mas que no sentido da causação é. num certo sentido. *3 Veja complemento deste assunto: Lei da Originação Interdependente. é uma continuidade semelhante aquela graças à qual identificamos um rio como entidade. Há apenas continuidade de carma. que é novo apenas num certo sentido. Herbert Wilkes e Dr. *1 Tradução do Prof. é preciso considerá-lo como obra do passado. aquele que melhor se presta para compreensão da "reencarnação"). em relação à criança que vinte anos antes entrara nessa escola. tendo tornado forma. *2 Budismo. como parte que é da causação universal." (Samyutta Nikaya. Desejo dos prazeres dos sentidos . continua produzindo seus frutos mesmo após a desintegração do corpo. Renascimento. do corpo já imprestável pela morte. S. gera um carma que consolida. muito embora a água que o constitui se renove sem cessar.Visão Kama-tanha Audição Olfato Paladar Tato Mente . SEGUNDA NOBRE VERDADE: SAMUDAYA SATYA CAUSA OU ORIGEM DO SOFRIMENTO (DUKKHA) Causa de dukkha: Ignorância. A ação egoísta. para o advento de uma chama em outra vela.A. Não se trata da transmigração de um ego eterno que salta de uma existência para outra. para um novo agregado de material. Apego – 1. mas que é o mesmo no sentido cármico. mas apenas o de uma simples continuidade dentro da mutabilidade. Quando uma chama acende uma outra. exatamente como o jovem que. tornado palpável.

apetites de sede de desejos que envolve e suporta essa ilusão. pela renúncia interna as ligações com o mundo exterior. Vibhanatanha. na realidade. que se apresenta sob três formas. ou "estar liberto". Elemento Contato dos órgão dos sentidos e da mente com o mundo exterior. Bhava-tanha 3. agir. Eles morrem por falta do nutrimento que os sustentava para nunca mais retornar. em sânscrito. Nirvana pode ser traduzido literalmente como "não estar preso". Elemento Consciência. Desejo de não existência (autoaniquilamento). 4. efêmero. 1. Elementos que sustentam a existência e a continuidade internas e externas) dos seres. para que se dê o dissipar da ilusão. Para isto torna-se necessário eliminar o desejo. Para eliminar completamente dukkha. Desejo de existir e de vir-a-ser (autopreservação eternalismo). assim. desejo de não-existência (aniquilamento). O Nirvana é realizado pela completa renúncia. o ódio. Por isso. verbo e corpo. ou "extinção da sede de desejo". que é impermanente. significa "não" e vana significa "cordão". Elemento Volição Mental: pela mente. Nir."o desejo". são todos destruídos juntamente com a ignorância. ou extinção da desarmonia entre o EU idealizado e o mundo real. vir-a-ser. Nutrimento Material comum. nascido da ilusão. TERCEIRA NOBRE VERDADE: NIRODHA SATYA CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO DA EXISTÊNCIA (NIRVANA) A Terceira Nobre Verdade é a completa cessação do sofrimento. do total dos apegos. eqüivaleria à aniquilação. é preciso destruir o "ser". deve-se eliminar sua raiz principal . não simplesmente renúncia aos objetos exteriores. É a aniquilação da ilusão do eu pessoal de separatividade. (Vontade de existir. ------------------------III. a ambição. afeições para consigo mesmo. O fogo se apaga porque não há mais combustível para alimentá-lo. reexistir. (seis bases internas e 3. Se assim fosse. Nirvana é também conhecido por Tanhakkhaya. levando ao Nibbana mais conhecido por Nirvana. aniquilamento). a luxúria e o mal que os acompanha. ou mera destruição do desejo não é o Nirvana. Devese notar que a mera cessação do sofrimento. mas. desejo de existir e vir-a-ser (eternalismo). é conseguida pela total erradicação de todas as formas de desejo. Assim. como já vimos na Segunda Nobre Verdade: desejo de prazer dos sentidos. 2. porém nada é aniquilado. externas). perecível. .47 2.

Esse desejo.Se ele sofre. que estão enraizados no corpo e solidamente enraizados nele. E do mesmo modo agireis com as sensações. as percepções. formações mentais e consciência.Eu sempre ouço falar do ser. Radha. Sariputra disse: "Não desejo a morte. s derrubam e põem abaixo. (Samyutta Nikaya. essa cobiça.Algumas. o Arahant está livre de apego e de aversão. a destruição do desejo é o Nirvana. essa vontade." . O Bem-Aventurado disse: "Ele só pode ter uma espécie de sensação.Esse desejo. reduzi e deixai de encontrar atrativos no corpo. enraizados no corpo. . meninos ou meninas que se divertem a erguer castelos de areia. vontade. essa sede. aplicai-vos a destruir todo desejo que ele vos desperta. 2o.Pode ter sofrimentos físicos. Enquanto eles não deixam de ter desejos. Radha. Em verdade. empregando palavras diferentes de acordo com o desenvolvimento e capacidade de assimilação das pessoas. Desta forma. que tem por objeto o corpo.Nagasena. desde que estes meninos. as definições e descrições se repetem de diferentes modos. a física. solidamente enraizados nele.) SERMÃO A RADHA SOBRE O QUE É O "SER" Em Savathi. sem lhes encontrar o menor atrativo. cobiça. constituem o ser. percepções. a consciência. Não desejo a vida. ou paixão ardente por estes pequenos castelos de areia.48 Sensação do Arahant . ou uma paixão ardente por estes pequenos castelos de areia. essa cobiça. aquele que não vai renascer está sujeito é sensações dolorosas? . mas extinguiu-se a causa dos sofrimentos mentais. as formações mentais. ou estas meninas. que tem por objeto as sensações. Mentais. ali mesmo os desmantelam com os pés e com as mãos. Imaginai.Não desapareceu a causa. Assim. Aguardo minha hora como o servidor espera o seu salário. essa vontade. Radha.Quais? . Radha. o Venerável Radha dirigiu-se para junto do Bem-Aventurado e depois de sentar-se a seu lado perguntou: . A causa dos sofrimentos físicos não desapareceu." (Milinda Panha II. deixem de ter desejo. por que não realiza logo a sua extinção Pela morte? . nos textos. encontramos várias definições e descrições de Nirvana: . não. . têm-nos em grande apreço e são ciosos deles. divertem-se com eles. cobiça. vontade. Outras. Os sábios não querem o fruto verde.) Os ensinamentos do Mestre foram explicados de diversos modos. colhem-no quando está maduro.Maharaja. Digna-se o Bem-Aventurado a explicar-me o que é o ser? . eles os querem. não.Por que? . Mas. não a sensação mental. Assim. constituem o ser.

o permanente se revela.é o desprendimento das coisas da terra. efêmero. Freqüentemente. pois. porque não somos vigilantes e. da ilusão. e mais difícil ainda compreender a entrada no repouso de todas as formações samkbaras . e que tudo aquilo que julgamos ser eu é apenas um agregado impermanente. que escapa ao raciocínio e não pode ser conhecida. por conseguinte.Bhikkhus. é o Nirvana. não a tem. isto é. Assim. A Verdade não se liga a nenhum Eu. Face aos estímulos do mundo exterior. do ódio. em si mesmas. O que é irreal é falso. a palavra Verdade em lugar de Nirvana: "Ensinarei a Verdade e o Caminho que leva á Verdade. nas formas individualizadas. só então a compreensão da unidade do todo se dá e. interpretamos o Nirvana como a aniquilação da ilusão da falsa idéia de um "eu pessoal". relatividade." Não conhecemos a Verdade. "O dissipar da ilusão do eu é o Despertar completo. difícil a Humanidade compreender o encadeamento das causas e efeitos. perdendo assim a unidade do Universo." (Nahavagga do Vinaya. não nos conhecemos a nós mesmos. reagimos em função das nossas limitações que são representadas por esses desejos. a extinção da concupiscência. não-real. considerando-o como multiplicidade de coisas reais. que apazigua o coração. está o Nirvana. Buda emprega. o que é o Absoluto (Incondicionado)? é a extinção de todas as formas do desejo. que é sublime. Assim. onde a nossa mente se perde. a Verdade que libera e apazigua o coração." Foi descoberta esta verdade. o Nirvana. difícil de se ver. onde toda noção de consciência de individualidade cessa. a realidade permanente existe. conforme nos afirmam as citações de Gautama Buda? Se em parte alguma encontrarmos o Real e se.Nirvana. do ódio e de todos os conceitos de dualidade." "O abandono e a destruição do desejo e da avidez pelos seus Cinco Agregados do apego é a cessação de dukkha. Liberdade absoluta. agita-se e permanece no turbilhão do mundo. e essa confusão se estende á ilusão de um eu real e eterno. é universal e conduz á equanimidade. nós damos realidade a coisas que. A Humanidade vive. difícil de se compreender. analisando as individualizações físicas e biológicas e o nosso próprio eu.49 "A cessação da continuidade e do vir-a-ser é Nirvana. efêmero. Ao . porém. liberdade de estar livre da ignorância. a cessação do desejo. o dissipar da ilusão." . com isso. profunda. pelo nosso ponto de vista ilusório.) Onde. não encontra-mos nada permanente. Será. tempo e espaço. é a permanente Vigilância ou Plena Atenção. a Realidade é a Verdade Absoluta . Quando esse erro se dissipa e os falsos desejos dele oriundos se extinguem. por isso. não. sem equívoco.Desta forma Gautama Buda definiu o Absoluto como Nirvana. uma cadeia de causas e efeitos sem realidade substancial. onde a procurávamos. na base do nosso eu. Nossa ação é sempre uma "reação" em função dos desejos mais ou menos inconscientes que dão conteúdo ao ser. Só quando compreendermos que tudo no Universo é impermanente. Um dos sinônimos comumente encontrados é Libertação. esse algo que é de fato o Real. senão pelos sábios. onde encontrar o Real? O que nos impede de conhecê-lo é a nossa concepção errada face á pluralidade do mundo das formas. . do desejo." "A Libertação fundada na Verdade é inquebrantável.

Analisando. como as sensações agradáveis. em função da qual há autoconhecimento e dissolução do determinismo cármico. Buda disse: "Bhikkhus. ou em direção à Esfera onde não existe Percepção. cuja síntese se segue. e se se desenvolve uma mente correspondente.samkhatam. em si mesmo uma equanimidade pura. Ele sabe que esta pura equanimidade perdurará por um longo período de tempo. não se apega a elas.Seis são os elementos que constituem o homem: solidez. que ele pode dirigir alcançando um dos mais elevados estados espirituais. incriado. nem deseja a continuidade. a procura do Nirvana é semelhante é ação de vigiar dia e noite". espaço e consciência. O dissipar da ilusão é um estado de permanente vigilância. inconstituído)." Logo. Aqueles que são desapegados. está completamente apaziguado (a chama do desejo está completamente extinta dentro de si). O discípulo os analisa e descobre que nenhum deles é “eu” ou "meu". "Aos olhos do Buda. sua mente se desapega. é uma criação mental. fiz o que tinha de fazer. Conseqüentemente. fluidez. uma pessoa assim dotada possui a Sabedoria absoluta. Não se apegando a nada neste mundo. a esses eu chamo homens que atravessaram a correnteza. de toda virtude e de todas as obras.50 mesmo tempo. não sentindo apego. ou aversão. Se não existisse o nãonascido. existe o não-nascido. Percebe. o não-condicionado. nem não-Percepção. ele a experimenta sem apego. compreende como a consciência surge e desaparece. Se dirijo esta pura e clara equanimidade em direção à Esfera da Consciência Infinita. onde o Mestre dirigiu a palavra a Pukkusati. ele não cria mentalmente. Ele sabe: "Terminou o renascimento. o não-tornado a ser (não-causado. essas sensações se apaziguarão. não haveria nenhuma possibilidade de libertação para o nascido. o causado. como está liberto de toda ansiedade. é o fim dos renascimentos. porque o conhecimento da extinção total de dukkha é a nobre e absoluta Sabedoria. como a chama de uma lâmpada quando o combustível e o pavio se consomem. Sabe que. é uma criação mental . calor. ou a aniquilação. (Dhatuvibhanga-sutta 140. entendido ou pensado. Mas observa: "Se dirijo esta pura e clara equanimidade até a Esfera do Espaço Infinito e se se desenvolve uma mente correspondente. TUDO O QUE A MENTE CONCEBE É CRIAÇÃO MENTAL . o não-condicionado. existe um notável discurso. quando experimenta uma sensação agradável. desagradáveis ou indiferentes surgem e desaparecem. não está ansioso. o vir-a-ser. o não-causado. consolidamos e obedecemos ao determinismo cármico ao qual estamos submetidos.) *1 Referindo-se ainda ao Nirvana. alimentamos. Assim. movimento. Para termos uma idéia do Nirvana como Verdade absoluta. a vida pura foi vivida. bhikkhus.) . daquilo que foi visto. o condicionado. desagradável ou indiferente. Em conseqüência desse conhecimento. com a dissolução do corpo. neste mundo. no Majjhima-Nikaya." Após isto. nem as experimenta com paixão. que após terem-se desapegado de toda espécie de causa e terem penetrado a essência do desejo são sem paixão. Nirvana é o estado de permanente Plena Atenção." (Udana. Qualquer que seja a sensação. então. sabe que todas são impermanentes.

cheio de amor universal. simpatia.Nirvana . Dukkha surge por causa do desejo ardente. do justo e do injusto. Pela extirpação da concupiscência. pois não pensa egocentricamente. porque está livre da ilusão do "eu".existência. do ódio. (Maha Paranibbana-Sutta. nenhuma cólera pode aparecer. possui em si a natureza. como já foi visto. tem um sentido completamente diferente. o brâmane Kutadanta perguntou ao Buda: . a coisa. tem a natureza de cessar. bondade. Sua saúde mental é perfeita.Amigo. do ódio e de toda ilusão. Aquele que realizou esta Verdade . Se tua conduta. dos desejos egoístas. então na plenitude da alegria. se não há sensação? A resposta de Sariputra e altamente filosófica: . que felicidade pode ser. ou positiva. o homem justo rejeita toda maldade. terás posto termo ao sofrimento. da sede e desejo de vir-a-ser. foi caridosa e pura. As noções de "negativo" e "positivo" são relativas e pertencem ao domínio da dualidade. da sua destruição. a virtude crescerá. livre das dificuldades e dos problemas que atormentam os outros. tu atingirás o Nirvana. meigo. do nosso ponto de vista ocidental. . (Dhammapada 376. nem os bens espirituais. o ciclo da continuidade .Não tendo sensação . da "sede" (tanha) e cessa devido à Sabedoria (panna). da vaidade. como se atesta pelas declarações daqueles que o alcançaram. do orgulho. O Nirvana não é uma condição negativa.o mais feliz dos seres.samsara -. o Nirvana está alem do pensamento de dualidade e de relatividade. está fora das nossas concepções do bem e do mal. vive o momento presente. Estes termos.) O Nirvana é "alcançar o céu". bhikkhu. o germe da sua cessação. Naquele que é caridoso. de paz e alegria sem limites. não sendo necessário esperar a morte para realizá-lo. ou sistema.) ONDE ESTA O NIRVANA? *2 Certa vez.isso mesmo é que é felicidade. Torna-se um ser puro. amigo Sariputra. não se arrepende do passado. portanto. compaixão. nem se preocupa com o futuro. Nirvana é a felicidade. nem acumula coisa alguma. Mesmo a palavra "felicidade". portanto. está livre da ignorância.Mas. da existência e da não. tem por natureza o aparecimento. usada para descrever o Nirvana. se tem dom de produzir-se. O Nirvana é um estado incondicionado de inefável bemaventurança. compreensão e tolerância. não procura lucro. Presta serviço aos outros com a maior pureza. não podem ser aplicados ao Nirvana. Naquele que se domina a si próprio. Dukkha. Sede e Sabedoria encontram-se incluídas nos Cinco Agregados. Sariputra disse uma vez a Udayil: . portanto.51 Na descrição sobre a origem de dukkha vimos que o ser. a Verdade Absoluta está além da dualidade e da relatividade.

Qual é a morada do vento? Onde habita? . nem "sede de desejo" para manter a continuidade. não tem realidade.Então o Nirvana não está em parte alguma e. as coisas são vistas na realidade tais como são. E o Bhagavad disse: . atividades mentais. portanto. Respondendo a um asceta.Em parte alguma. Quando se desenvolveu e cultivou a Sabedoria de acordo com a Quarta Nobre Verdade. que descreveremos a seguir. com as quais os termos "nascido" ou "não-nascido" acham-se associados. viverás eternamente! O apego ao eu e à personalidade é morte continua. sensação. Existe uma palavra que é empregada para indicar a morte de um Arahant que atingiu o Nirvana: é Paranibuto e significa "totalmente morto".Venerável Mestre.Então não existe o vento? É uma ilusão? Kutadanta não soube responder. pois não há mais ilusão. disse Kutadanta. E na verdade. . onde reside a sabedoria? Está em algum lugar? .A sabedoria não tem lugar determinado. Ele mostrou o Caminho com o convite: "Venha e veja por você mesmo" (Ehipassiko). e o Buda tornou a perguntar: . o Buda disse que termos como "nascido" ou "não-nascido" não se aplicam a um Arahant) porque coisas como matéria. desse modo. também o Tathagata veio aliviar a mente humana com o delicado e suave sopro que alivia o calor de todo sofrimento. tornam-se incapazes de produzir novas formações cármicas. como o Nirvana. percepção.Dize-me. nem salvação porque. depois dele. "totalmente extinto". Ainda é possível alcançá-lo e experimentá-lo enquanto com o corpo vivo e. O Nirvana não pode ser descrito porque não há nada em nossa experiência mundana com o qual possa ser comparado. alcança o Nirvana. nem justiça.Dirás que não há sabedoria. todas as forças que produzem a continuidade do samsara se acalmam. Faze com que tua mente repouse na Verdade. difunde a Verdade e põe a Verdade em teu ser. consciência. Tem-se perguntado o que acontece ao Buda (Arahant) após sua morte (Parinirvana). O Bem-Aventurado disse: .52 . se alcançarmos o desenvolvimento espiritual necessário. Escuta e responde. Bo passo que quem vive e se move na Verdade. Descobrindo-se a Verdade. chegará o dia em que nos será possível experimentar o Nirvana em nós mesmos sem nos embaraçarmos com palavras enigmáticas ou misteriosas. Seguindo o caminho com paciência e aplicação e se conscientemente nos exercitarmos e purificarmos seriamente.Onde quer que se obedeça é Lei (Doutrina) Kutadanta replicou: . e nada que possa ser usado para fornecer uma analogia satisfatória. obter a inabalável certeza de sua realidade como um Dhamma (Doutrina) que é independente de todos o fatores da vida condicionada. Este é o estado que Buda alcançou em vida e que possibilitou aos outros o atingirem. .Não me entendeste. elas não tem lugar determinado? Assim como a brisa veloz atravessa o mundo durante o calor do dia. porque um Buda (indivíduo que atingiu o Nirvana) não renasce em nenhum plano depois da morte. estão completamente destruídos e desenraizados para não mais surgirem após a morte. onde está o Nirvana? . ó brâmane.

mas. também conhecida como " Caminho do Meio". tradução da P.T. conseguido pela trilha da Senda Óctupla. Certa ocasião.Mestre. o da auto-indulgência. Buda estava na Montanha dos Abutres junto é cidade de Rajagaha. não há quem me iguale em zelo. e apego. conforto e prazer físico que traz apego as paixões (é próprio dos indivíduos que procuram a felicidade através dos prazeres dos sentidos). não realizando a Iluminação e sentindo-se desnorteado.Extinção do desejo dos prazeres dos sentidos. Extinção do desejo de aniquilamento *1 Walpola Rahula.Então responde: quando as cordas da harpa estão muito tensas.Bem. 3. não consigo realizar a Iluminação? Talvez seja melhor que eu volte para casa.53 Esta Terceira Nobre Verdade será melhor compreendida pelo conhecimento da Nobre Senda Óctupla. Evangelho de Buda. aplicava-se bastante. antes de seres monge. ou cessação de dukkha. segundo. não? . L’Enseignement du Bouddha. TERCEIRA NOBRE VERDADE: NIRODHA SATYA CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO (NIRVANA) Extinção da Ignorância do desejo.Extinção do desejo de existir e vir-a-ser.Sona. o da auto tortura. eras um exímio harpista. Obra citada. que constitui a Quarta Nobre Verdade. Nem o ascetismo. auto mortificação. Tenho bens que me permitem levar uma vida feliz. mediante diferentes formas de ascetismo. Num bosque próximo. Por que. 2. vejo ter com o Buda e perguntou: . Obra citada. 1. Não é melhor que eu abandone este caminho e volte ao mundo? .Não. Dentre todos os discípulos. então. QUARTA NOBRE VERDADE: MAGGA SATYA (CAMINHO QUE LEVA À CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO) CAMINHO ÓCTUPLO A Quarta Nobre Verdade é a que indica o Caminho que leva à extinção do sofrimento. porque evita os dois extremos: primeiro. um monge de nome Sona estava entregue á meditação. IV. eu tinha certa habilidade com esse instrumento. Mestre.S. . . *2 Resumo: Yogi Kharishnanda. obtém-se bom som? . estou fazendo exercícios severíssimos. nem o prazer permitem realizar o Caminho é preciso abandonar esses dois extremos e seguir o Caminho do Meio. ou sofrimento físico que traz perturbação á mente: é uma psicose.

como fazer para obter bom som? . que são: I) II) III) Conduta ética: Moralidade (Sila) Disciplina mental: Concentração e Meditação (Samadhi) Introspecção: Sabedoria (Panna) I. São estas as poderosas forças morais e mentais que. conceitos. 4. . Palavra Correta (perfeita) CONDUTA ÉTICA: SILA Ação Correta (perfeita) (MORALIDADE) Meio de Vida Correto (perfeito) Esforço Correto (perfeito) Plena Atenção Correta (perfeita) Concentração Correta (perfeita) Pensamento Correto (perfeito) Correta Compreensão (perfeita) DISCIPLINA MENTAL: SAMADHI (MEDITAÇÃO) INTROSPECÇÃO: PANNA (SABEDORIA) Estes oito fatores estão entrelaçados entre si e cada um contribui para o aparecimento e desenvolvimento dos outros. A aplicação demasiada traz inquietação à mente. a tolerância a. é necessário seguir o Caminho Médio entre esses dois extremos. Se um indivíduo desenvolve somente o seu lado afetivo e descuida o lado mental. . para que um ser humano seja perfeito. nos ajudam a nos libertar do desejo.). obtêm-se bom som? . CONDUTA ETICA: MORALIDADE (SILA) É baseada na ampla concepção de amor universal e compaixão para com todos os seres. a Iluminação. Desde então. A compaixão inclui o amor no sentido universal (não condicionado a símbolos. que devem permanecer inseparáveis. se.) *1 Gautama Buda.54 . etc. 6. por fim. Mestre. conhecido como Caminho Óctuplo.Quando as cordas estão frouxas.Então. mas todos os seres vivos. a caridade.O mesmo se dá com a prática do Dharma. 2. A finalidade destes oito fatores é facilitar o aperfeiçoamento dos três elementos essenciais no treinamento da disciplina budista. e consiste dos seguintes princípios: 1. tendo experimentado esses dois extremos e reconhecendo a inutilidade deles. 5. ao passo que a sabedoria representa as qualidades da mente. Segundo o Budismo. Sona. deve cultivar igualmente duas qualidades: compaixão e sabedoria. e a despreocupação traz negligência. realizando. 8. 6-55. ao contrário. assim como todas as nobres qualidades do coração (lado afetivo). nem frouxas demais. descobriu por experiência própria o Caminho do Meio que condensa o espírito da moral budista.Também não. (Anguttara Nikaya. 7.As cordas não devem estar nem tensas. Sona passou a exercitar-se segundo tais instruções. este mesmo . 3. será um tolo de bom coração. reunidas. não somente os humanos.

"Melhor que mil palavras sem sentido. agradável. consta de três fatores do Caminho Óctuplo: 1. Fazer profissão de poderes psíquicos. abster-se de linguagem errônea e perniciosa. fúteis e vãs. ou grupos sociais. astrologia etc. nenhum desenvolvimento espiritual será possível. esta destruído. empregando palavras amigáveis. ação correta e meio de vida correto. Quaisquer sistemas de moral e ética estão enquadrados nesses três aspectos: palavra correta. ou meios de existência puros. benévolas. é indispensável haver uma cultura mental que. que cobiça o cônjuge alheio e se entrega às bebidas alcoólicas ou tóxicas. desenvolvendo a concentração.o) Ação Correta. pesca e matadouros. baseada no amor e na compaixão. ou conduta pura. fazer uso de tóxicos que perturbam a mente. bebidas alcóolicas. é a que traduz honestidade. leve o indivíduo ao autocontrole e à sabedoria interior. 3. Significa que se deverá evitar ganhar a vida numa profissão ou ocupação que possa ser nociva a outros seres vivos.o) Palavra Correta. jogos que possam causar preocupações. Aquele que destrói uma existência. inimizade. Abster-se de linguagem rude. que é cortês. é provável que se tome um intelectual insensível. 2. 1o) PALAVRA CORRETA. é uma só palavra sensata. roubar ou explorar. tais como magnetismo ou hipnotismo. não basta apenas boa intenção. deve-se "guardar o nobre silêncio". evitar as errôneas maneiras de falar. isto é. paz. etc. estes dois homens nunca alcançarão a perfeição. A palavra correta é dirigida pelo pensamento correto e ação correta. A conduta ética. descortês. . benéfica. doces. venenos. agradáveis.o) Meio de Vida Correto. conduzem o indivíduo á aquisição do bem-estar material e espiritual próprio. 3. útil. ou fazem perder a consciência. abster-se de conversações sem sentido.o) AÇÃO CORRETA. pois esta falha é constante. Quando não se tem nada de útil a dizer. na cura de pacientes. moderada e sensível. Sem esses três fatores. carinho. Deve-se dizer a verdade em ocasião oportuna. significativas e úteis. Para desenvolver a palavra correta. como comércio de armas ou instrumentos mortíferos. Significa abstenção das mentiras. entorpecentes. mas sempre com conveniência de tempo e de lugar. também. difamação. Nunca falar negligentemente. ajudando os demais na mesma finalidade. (Dhammapada 246-247. assim como o mau uso das relações sexuais. sem nenhum sentimento para com os demais. que rouba. ou linguagem pura. que mente. brutal. este já neste mundo." (Dhammapada 100) 2. ofensiva ou injuriosa. enfim. a evitar destruir vidas. verdade. desunião e desarmonia entre indivíduos.) A ação correta é dirigida pelo pensamento correto. caça. frio. tem por fim cultivar uma conduta moral honrada e pacífica e ajudar os outros na mesma finalidade. a qual nos exorta.o) MEIO DE VIDA CORRETO. capaz de trazer paz aquele que a ouve. Desta forma. calúnia e de todas as palavras capazes de provocar ódio. O meio de vida correto é dirigido pelo pensamento correto.55 indivíduo desenvolve seu lado mental e descuida o lado afetivo. previsões sobre o futuro baseadas em cartomancia.

quanto as idéias. por meio dos quais se alcança o desenvolvimento mental e a visão interior (intuitiva). até é perfeição. embora existam outras técnicas. nas sensações . No treinamento da meditação. e assim sucessivamente. 5. desagradáveis e indiferentes. (Estas quatro formas de treinamento mental de meditação são tratadas pormenorizadamente no capítulo "Meditação ou Desenvolvimento Mental". consta do seguinte: a) b) c) d) Esforço de evitar e destruir os pensamentos negativos já existentes.56 II. porque a mente.citta . que está sempre observando. ou aplicação pura. No que se refere aos diferentes estados da mente. autocontrole e autoconhecimento . 4. a cobiça. se neles estão presentes o ódio. é necessário ter clara consciência de todas as suas formas: agradáveis. devemos distinguir sua natureza.os 4. a ação correta e o meio de vida correto é necessária a Plena Atenção mental para que no momento exato não nos deixemos levar pelas errôneas maneiras de falar. pelas ações demeritórias. Enfim.) . como são suprimidos ou destruídos.pureza e Iluminação (Sabedoria). por si só. pensamentos. A Plena Atenção mental correta é um dos principais fatores do Caminho Óctuplo.(Verdade sobre o nosso ser). cultivar e desenvolver. ou não.kaya -. de como surgem. deve-se estar atento e analisar todos os movimentos mentais. Quanto às sensações. 6). é a vigia da mente. etc. contribuindo para o desenvolvimento mental. Pela meditação realiza-se autodisciplina. os pensamentos bons e sadios já existentes.o) ESFORÇO CORRETO4. é a arma que possuímos para enfrentar corretamente a luta contra o mal.(nas idéias. Manter. nos diferentes estados da mente .o) PLENA ATENÇÃO CORRETA. Plena Atenção ou Vigilância Correta e Concentração Correta (n. a prática da concentração na respiração. Desta maneira. e na investigação da Doutrina .Dhamma . consiste numa atenção vigilante com tomada de consciência nas atividades do corpo . ou pelo incorreto meio de vida. pensamentos e concepções das coisas. se a mente está distraída. pois é necessário que esteja presente para o desenvolvimento dos demais fatores. se desenvolvem e desaparecem. vaga a todo instante. 5. se eles se deixam levar por uma ilusão. Fazer surgir pensamentos bons e sadios ainda não existentes. ou atenta. se desenvolvem e desaparecem. é um dos exercícios mais divulgados em relação ao corpo.vedana -.). DISCIPLINA MENTAL: MEDITAÇÃO (SAMADHI) Compreende os três seguintes fatores do Caminho Óctuplo: Esforço Correto. ou não. Enérgica vontade de impedir ou superar o aparecimento de pensamentos maus e nocivos. para desenvolver a palavra correta. ou não. e estar consciente de como surgem e desaparecem. saber como surgem. A Plena Atenção mental correta é chamada "Guarda da mente". ou Vigilância Correta.

assim como certa atividade mental. torna-se frágil e. 14.57 6. as ladeiras e o sopé. pensamentos impuros como sensualidade. Recomendou o Bem-Aventurado: "Religiosos e leigos. Dá-se o mesmo com a concentração. restando somente a equanimidade e a lucidez mental. O poder dos raios solares dispersos em todas as direções se torna maior quando concentrados num ponto por uma lente. persistindo ainda uma disposição de felicidade com equanimidade consciente. Atenção Correta e Concentração Correta. A Concentração Correta é o terceiro e último fator da disciplina mental . Da mesma maneira nossa mente está constantemente dispersa. INTROSPECÇÃO: SABEDORIA (PANNA) Consta dos dois fatores restantes da Nobre Senda Óctupla (n°s. Esta é o cume do qual esses estados da mente são as encostas. de felicidade. quando concentrada num objetivo único.estado em que o indivíduo é levado á abstração de si mesmo pelo treino da meditação nas quatro etapas de dhyana. confusão.samadhi . Mas estão presentes os sentimentos de alegria. na quarta etapa de dhyana." (Milinda Panha II. as palavras tornam-se inúteis. O homem na concentração vê a realidade. A oração feita desta forma é um tipo de meditação. de alegria ou pesar. Quanto mais concentração nas palavras de uma oração. III. os cavalos e a infantaria estão sob seu comando. sem concentração. Na terceira etapa. 7 e 8): o Pensamento Correto e a Correta Compreensão. obedecem é suas ordens. qual é a característica da concentração? .5 Na primeira etapa de dhyana são afastados os desejos apaixonados. .) Desta forma a mente fica disciplinada e desenvolvida por meio do Esforço Correto.A supremacia.Quando um monarca mobiliza o seu exército para a guerra. desaparece também. mais poderosa ela se torna. na oração. agitação e dúvida cética.Dá uma comparação. Qualquer religião ou prática. Os estados salutares da mente subordinam-se à concentração. desaparece. cultivai a concentração. ela se torna poderosa e com isso desenvolve a sabedoria interior. o sentimento de alegria. mesmo de felicidade ou infelicidade. Recolhimento ou Concentração . que é uma sensação ativa. desaparecem todas as atividades mentais e desenvolvem-se a tranqüilidade e a fixação unificadora da mente. Finalmente.o) CONCENTRAÇÃO CORRETA é a condição indispensável para todo e qualquer desenvolvimento espiritual. Na segunda etapa. má vontade. . . no entanto os sentimentos de alegria e felicidade ainda estão conservados.Nagasena. os elefantes. toda sensação.

torna-se necessário afastar. sem nome ou rótulo. captação intelectual de um assunto. É designada pelo nome de "conhecer segundo. origem de dukkha. Quanto à Segunda Nobre Verdade. ou pensamento puro. memória acumulada. criada pela desarmonia entre os seres e o mundo exterior. . destruir a origem desse desejo. segundo certos dados etc. No seu discurso sobre o Amor Universal . ódio. permite reconhecer e penetrar na realidade da existência da insatisfação universal. Esta penetração só é possível quando a mente está livre de toda impureza e quando completamente desenvolvida na prática da meditação. sem condicionamentos. Se um homem fala ou age com uma mente impura. pela contemplação pura. a Verdade Absoluta. A compreensão verdadeiramente profunda denomina-se "penetração" .. e somente através dela poderá realizar a Realidade Última. O pensamento correto não aparece quando existem pensamentos ligados aos apegos dos sentidos.Anubodha . a simples compreensão não é suficiente. que é fruto da ignorância." . É o pensamento dirigido no sentido da renúncia. que é a cessação de dukkha. Consiste em ver uma coisa em sua verdadeira natureza.. má vontade. eliminamos todo pensamento egoísta de apego.o) CORRETA COMPREENSÃO é a compreensão que. que consiste na compreensão das coisas tais como são.o) PENSAMENTO CORRETO. Quanto à Terceira Nobre Verdade. a natureza da vida. com equanimidade e contemplação. violência ou crueldade.58 7. precisamos compreendê-la e realizá-la. do desapego. Buda nos dá um ensinamento que auxilia a vencer os pensamentos negativos: utilizá-los como tema de meditação. que é o desejo acompanhado de todas as paixões. Os pensamentos corretos são interdependentes da compreensão correta.. a felicidade o acompanha como sua sombra inseparável. estendendo-se a todos os seres vivos. sua insatisfatoriedade. Desenvolvendo estas qualidades. "Tudo o que somos é resultado do que temos pensado (criação mental). vilezas e impurezas. social ou política. eliminar. devemos compreendê-la como fato claro e completo. a Realidade Última. da compaixão. 8. o sofrimento acompanha-o tão perto como a roda segue a pata do boi que puxa o carro.que é o conhecimento pelos conceitos.) Donde se conclui que do nosso pensamento só colhemos bons e maus frutos. é o correto pensar com sabedoria. As Quatro Nobres Verdades as explicam claramente. Se o homem fala ou age com a mente pura. não é muito profunda. do amor universal. da não-violência. seu sofrimento.Patirodha. sua impermanência e sua insubstancialidade.Metta sutta *2 . A compreensão pela visão interior é a mais alta sabedoria que o homem pode atingir. Na Primeira Nobre Verdade. o Nirvana." (Dhammapada 1-2. seja de ordem individual. suas tristezas e alegrias. No Budismo há duas formas de compreensão: a primeira forma de compreensão é a do conhecimento.

praticado e desenvolvido por qualquer indivíduo. QUARTA NOBRE VERDADE: MAGGA SATYA (CAMINHO QUE CONDUZ À CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO) É A NOBRE SENDA ÓCTUPLA OU CAMINHO DO MEIO I – CONDUTA ÉTICA MORALIDADE . ou supraconsciência. não contém nada que possa ser chamado popularmente "religião". por mais completo que seja.DISCIPLINA MENTAL: MEDITAÇÃO . tem pouca relação com o verdadeiro caminho que Buda ensinou ser pura ciência e filosofia de vida. entretanto. Descrição detalhada no cap. assim. vê a cessação de dukkha e também vê o caminho que conduz à cessação de dukkha. Assim.(SILA) 1) Palavra Correta 2) Ação Correta 3) Meio de Vida Correto II . para satisfazer certas emoções e necessidades místicas dos povos. absorção. Esforço Correto mental está detalhadamente explicado no discurso "Todos os Obstáculos" Sabbasava-sutta .59 Em relação à Quarta Nobre Verdade. transe. adorações. apenas o conhecimento do Caminho. sendo. recolhimento. à felicidade e à paz. mediante a perfeição moral. Elas. é insuficiente.(SAMADHI) 4) Esforço Correto 5) Plena Atenção Mental Correta 6) Concentração Correta III . 137. que é o Caminho que conduz à realização da Libertação.(PANNA) 7) Pensamento Correto 8) Correta Compreensão *1 Tradução de Ryokan Gonçalves. Neste sentido. 201. p. Gautama Buda afirma que aquele que vê qualquer uma das Quatro Nobres Verdades. orações. Nos países budistas há costumes e cerimônias simples. até certo ponto. V. Obra citada. Textos Budistas e Zen-Budistas. porém são úteis e válidas. ou cerimônias. vê também as outras. à liberdade. intelectual e espiritual. 5. . Dhyana: nos textos é as vezes denominado como contemplação. um autoconhecimento e uma autopurificação. é um caminho que conduz à compreensão da Realidade Última. É uma disciplina do corpo." Esta resumida exposição apresenta um modo de vida que pode ser seguido. Torna-se necessário segui-lo e manter-se nele. dizia: "Aquele que vê impermanência (dukkha) vê também a origem de dukkha.JNTROSPECCAO SABEDORIA .no capítulo III. da palavra e da mente. 4. Isto nada tem a ver com crenças. ou experiência do Nirvana. p.

através de sua magnitude. ciúme. como também a continuidade do desespero e da aflição. moral e à morte. MEDITAÇÃO OU DESENVOLVIMENTO MENTAL: BHAVANA A finalidade do Budismo é reunir novamente o indivíduo à realidade que foi perdida de vista devido à nossa ignorância em buscar a felicidade. o Dr. mas primeiro temos que compreendê-las. a completa falência quanto à solução dos problemas humanos fundamentais como o amor. do fato. o ódio e as guerras.. pela qual ansiamos. do problema. ansiedade. São dessas impurezas da mente que surgem todos os problemas humanos." Desde centenas de gerações estamos condicionados a "pensar" e a atribuir ao intelecto o cetro das conquistas humanas. o que os homens tem feito desde tempos imemoriais. Graham Howe disse: “No decorrer dos trabalhos de numerosos psicólogos.. a Verdade. da cultura. No Budismo a compreensão verdadeiramente profunda é conhecida pelo nome de "penetração" e consiste em ver as coisas na sua verdadeira natureza. mas é evidente que a decorrência de todo este passado acumulado. nas sombras e ilusões da nossa própria mente. escolhendo os melhores guias e procurando estabelecer. para compreender que há 2 500 anos sabiam mais sobre psicologia moderna do que se possa imaginar. devido á decadência física. a paz. da situação. Sem meditação não existe Correta Compreensão. Sentimos ódio. Desta forma. Vivemos dominados pelo apego e aversão até mesmo aos mais insignificantes objetos. sem conceitos. Nós devemos nos aproximar do grande mistério da vida com espírito de reverente investigação. por conseqüência. mostra agora. assim como damos um valor absoluto às mais relativas situações. basta estarmos um pouco esclarecidos sobre a filosofia budista. Essa penetração somente é possível quando a mente está livre de todas as impurezas. Falando da crescente influência do Budismo no Ocidente. catalogado e esmiuçado através da engrenagem puramente intelectual. de fato. 144. Os problemas urgentes que o mundo hoje enfrenta só podem ser resolvidos pela aplicação de leis morais e espirituais. Não é bastante inventar regras para ajustá-las às nossas circunstâncias e justificar nossas ações. Vivemos egoísticamente e. o sexo. sem que tenhamos consciência de que a nossa ignorância faz deste modo um muro de lamentações. para nossa própria satisfação. da especialidade e aprimoramento técnico nada mais é do que a captação superficial do assunto. sem nome nem rótulos. estamos redescobrindo a antiga sabedoria do Oriente. veja versão na p. dominados pela má vontade e ressentimento quando vemos contrariados os nossos menores interesses. onde ela não é encontrada. principalmente nos tempos atuais.60 *2 Metta sutta: discursos sobre o Amor Universal. descobriu-se que estamos muito próximos do Budismo sem o saber. ainda que isto seja. O conhecimento adquirido pelo acúmulo da memória. -----------------------------------TERCEIRO CAPÍTULO I. . de todos os condicionamentos e a visão interior foi desenvolvida ao máximo por meio da meditação.

enfim. tais como: indolência. ou para um objeto. que são entraves à observação pura. a calma. da doença mental. chamados meditação de Tranqüilidade. em que nós dirigimos a mente e a concentramos num determinado objetivo. salvo aqueles que estão livres de todas as impurezas da mente. portanto. (Anguttara-Nikaya. que é prazeirosa e agradável. não penetra a Verdade sobre o nosso ser. na observação da respiração. sem condicionamentos. são válidos. à tranqüilidade. dois. e. a energia. por exemplo. objetivando a purificação e a compreensão da Verdade. ou numa linha de pensamentos como. podemos desenvolver nossa mente. má vontade. isto é. Uma vez libertado desta ilusão básica e.. sem ver o mal. tais como: a concentração. para um ponto. superando o turbilhão do mundo. se forem desagradáveis ou desfavoráveis. da irrealidade do conceito do "eu". no entanto. Através da prática da meditação. e alcançar a perfeição em vida. isto é. Neste tipo de meditação. portanto. Existem vários tipos desta meditação onde a mente é sempre dirigida por sons. ódio. isto é. na meditação do Amor Universal.. ou mesmo durante o decorrer de toda a vida. palavras. a alegria. o Nirvana. MEDITAÇÃO DE PLENA ATENÇÃO (SATIPATTHANA) No Budismo encontramos duas formas básicas de meditação. que só é atingido através da compreensão supra-racional. compreender que ela é impermanente. Esta forma de meditação já existia antes de Gautama Buda e não está excluída do campo da meditação budista. finalmente. aos seres e à própria vida. que significa cultivo do desenvolvimento mental. um só instante. É a ação vigilante da meditação que permite ao homem libertar-se da influência da relatividade dos fatos e das coisas e penetrar na verdadeira natureza da existência. na sua ignorância. A meditação dirigida. sem apego. Ela tem por fim libertar a mente do jorrar contínuo dos pensamentos. que condiciona a noção de permanência e egoísmo. mas não penetra a Doutrina. etc. agitações. sem substância e. compreender a vida e as coisas como elas realmente são. sem ver o bem. . o homem se liberta da lei do carma e do ciclo sem fim dos renascimentos Gautama Buda esclarece: Existem duas espécies de doenças: a física e a mental. ressentimento. levar o indivíduo á mais alta sabedoria de ver as coisas tais como elas são. ou mais anos. a vontade. o meditante ganha paz interior e calma temporária. da qual qualquer descrição transcende as limitações do intelecto discursivo. dúvidas. há indivíduos que tem a felicidade de estarem isentos de doença física durante um. a faculdade de analisar.61 O objetivo principal da meditação consiste na contemplação ou observação pura (vigilância). mantras. a atenção. é chamada meditação de Tranqüilidade (Samatha). cultivar qualidades. Mas. ou visão interior. mas o discípulo não deve ficar apenas na tranqüilidade. desejo sensual etc. a confiança. à serenidade que só perdura pelo tempo limitado da duração da meditação sentada. se forem agradáveis ou favoráveis.) A palavra meditação substitui mal o termo original bhavana. se apega às coisas. *1 Ela desenvolve a concentração e leva o meditante à calma. bhikkhus. podendo alcançar a percepção da Realidade Última. sem aversão. os Arahants. capaz de causar sofrimento aquele que. de toda espécie de impurezas e perturbações. preocupações. raros são aqueles que neste mundo estão isentos. Todos estes tipos de meditação.

em breve achará nele alguns pontos de interesse. na vigilância e na penetração. tanto na meditação sentada.62 Mas apegando-se a este estágio. sati isto é. detalhadamente. Sem concentração. dirigimos nossa vontade. acertamos ou erramos no que estamos fazendo. alcançando os mais altos estados da mente. estes dois tipos básicos de meditação se completam. em qualquer método de meditação. DESENVOLVIMENTO DA VISÃO INTERIOR (VIPASSANA) O essencial. etc. desenvolve o autoconhecimento e a visão interior ou intuitiva . empreendemos boas ou más ações. aumentado quase indefinidamente por meio de resoluta prática. que só pode ser cultivado realmente quando existe a tranqüilidade. É por meio dele que organizamos nossa vida. como em pé. a atenção e para o olho da mente. na tomada de consciência. condição indispensável para prosseguir no Caminho. não indo além. Descobrir-se-ão rapidamente coisas que antes não eram vistas. Butler acrescenta: "Geralmente se diz que a condição de gênio não pode ser infundida por meio da educação. a da Plena Atenção (Satipatthana). também é verdade que a atenção desenvolve o interesse. o que a contração da pupila é para a visão. como em todas as horas e atividades. nem suspeitadas. Insatisfeito. pode ser. Essa meditação de Plena Atenção é a Correta Concentração Budista . ou. é a capacidade de concentração baseada na atenção que requer a focalização da vontade que está atrás de toda ação. pela introspeção. Assim como o interesse desenvolve a atenção. trabalhando. A Visão Interior resume-se na frase: "Sede atentos!". o que quer dizer. o que o microscópio ou telescópio são para o olho do corpo. mas este poder de atenção concentrada. Hamilton diz: "Um ato de atenção. porém com isto não havia alcançado a libertação completa. caminhando. ou seja. A atenção é. portanto. O objetivo fundamental da meditação budista é a introspeção. que conduz á completa libertação da mente.Samadhi -. ou Nirvana. penetração e visão profunda da natureza das coisas não só na meditação formal sentada. É um método analítico. observar as coisas atentamente. nem a visão sobre a Realidade Última. é que está o mal-entendido: tomar como objetivo ganhar tranqüilidade. o próprio Buda havia praticado este tipo de meditação sob a direção de vários mestres iogues." . em Atenção. Antes de sua Iluminação. Quem se dá ao trabalho de prestar um pouco de atenção voluntária a qualquer objeto. pois. como uma certa contração da pupila é condição indispensável à visão. ou momentânea. a concentração e a equanimidade. com toda a certeza. isto é. à Sabedoria. tanto física como mental. profundamente. não existe Sabedoria. à realização direta da Verdade. Considerava estes estados uma forma de “permanecer feliz”. pelo seu próprio esforço e tenacidade descobriu outra forma de meditação. isto é. A meditação de Plena Atenção. que e próprio a todo grande inventor como uma parte do seu dom. para a consciência. um ato de concentração parece ser tão necessário para termos consciência de qualquer coisa. quando não o é. que pode ser aplicada na vida cotidiana. também chamada meditação dinâmica. baseado na atenção.Vipassana (Vipasyana em sânscrito) -. e estar plenamente consciente de tudo o que se passa no Aqui e Agora. desenvolver o autoconhecimento. É óbvio que o pensamento concentrado é o que nós temos de mais importante.

pública ou profissional. Gautama Buda disse: . produto do acúmulo de emoções. quando vestindo. Caminhando. Ao desafio presente. Temos a impressão de que fazem as duas coisas ao mesmo tempo. nada além disso. Aquele que vive no momento presente. o que significa mantermo-nos vigilantes a tudo que pensamos ou fazemos. nesse mesmo momento estão distantes nos seus pensamentos. e as pessoas que não prestam atenção têm sempre má memória. o que não existe mais. Parecendo fazer qualquer coisa aqui. falando. experiências. mas nós não temos a apreensão desta realidade. Assim. se cada um de nossos atos fosse executado com uma atenção consciente de cada movimento. o passado. registros do que foi. Que é o real e verdadeiro? Serão os condicionamentos. é apenas um exercício.63 Beattie lembra: "A força com que alguma coisa impressiona a mente está geralmente em proporção ao grau de atenção que se lhe presta. pensaremos neles relacionando-os com o momento presente e com a ação presente. a consciência dela. Devemos sustar nova invasão mantendo a concentração no presente. ou melhor. o futuro não chegou e quando chegar. nas conseqüências advindas. sentado ou deitado. A meditação formal sentada. bem atentos sobre o momento que estamos vivendo. Conseqüentemente. por que reagimos com o condicionamento de nossas experiências anteriores e conclusões do passado? É que não vemos o que é real. nos seus problemas e preocupações imaginárias. que veremos adiante. na nossa vida privada. ou exercendo as funções naturais. pelo contrário. nem os sonhos de um futuro que ainda não chegou. tornar-se-á presente. perdidos freqüentemente nas lembranças do passado. ou o que pensamos ser? O que pensamos é o que pensamos. em cada momento de consciência. Somos. ou no futuro. criaturas do passado. a grande arte da memória é a atenção. Além disso. devemos viver no momento presente "o aqui" e na ação presente "o agora". agitadas. ou arrastados nos seus desejos e especulações sobre o futuro. mas os vivem no passado. Isto não significa que devamos renunciar a pensar no passado ou no futuro. Pensai. Num famoso verso. ou em silêncio. não vivem seus atos no presente. a qualquer coisa que fizermos devemos ter plena consciência da ação. real e verdadeiro? Decerto que estará aqui e agora na nossa frente." *2 Plena Atenção é a atitude de estarmos constantemente despertos. em todos os momentos mentais que surgem e desaparecem em nossa mente. mas . por um momento. Suas mentes estão tensas. em outras palavras. são incapazes de se entregarem por inteiro ao que aparentemente estão fazendo. portanto. a cada momento. bebendo. olhando em volta. Os homens. Parecem ser tão ocupadas. A vida verdadeira é o momento presente. naquilo que é. sentimento e pensamento. vive a vida real e é o mais feliz dos seres. O primeiro passo para a paralisação do pensamento conceitual e cortar a cadeia de conceitos e palavras associadas que inundam nossa mente. perturbadas e não desfrutam do que estão fazendo. onde estará o que é certo. Observamos freqüentemente pessoas comendo e lendo ao mesmo tempo. Esta é a razão de muitos se sentirem infelizes e descontentes com o momento presente e com seu trabalho. verdadeiro e novo. atos ou palavras: na rotina cotidiana de nosso trabalho. habitualmente. e não as lembranças de um passado que passou.o objetivo é estarmos plenamente atentos ao que ocorre a cada segundo. que nem sequer tem tempo para comer. mas na realidade não fazem nem uma. nem outra coisa corretamente. de pé. comendo.

iremos nos purificar fisicamente. pois a observância sobre o nosso processo mental nos dará. habitualmente. que levavam uma existência simples e calma. manual chinês de meditação no Budismo Zen. claramente. Este método denomina-se "Meditação de Plena Atenção". o instante presente. descrito no seu discurso sobre o Estabelecimento da Plena Atenção. o "aqui" e o "agora". vivem no presente. De um modo geral vivemos na ignorância da realidade que nos faz viver dominados pelos apegos. preconceitos. ressentimentos. ou "Observação Pura" e equivale a vivermos plenamente o momento que passa. na sua essência. autoconhecimento e. estão todas baseadas nesse discurso. desespero e outros condicionamentos. orgulho. passando a perceber a impermanência de todas as coisas. por isso estão felizes. ao sol. pois a mente si reflete beneficamente sobre o físico. tomando uma só refeição por dia. fazer apenas o bem e purificar a mente". Gautama Buda ensinou um método prático. têm. Satipatthana Sutta.64 Não corras atrás do passado. como por exemplo o Zazen-Gui. cada vez mais. Somente vivendo com plenitude o momento que passa. "Vigilância". então. um caminho que permita a compreensão da verdadeira natureza das coisas. circulatórias. má vontade. Preocupando-se com o futuro e arrependendo-se do passado. fazendo observar que vivemos num mundo ilusório ou irreal. respondeu: Eles não se arrependem do passado. O passado passou. por seu intermédio. ódio. As diferentes escolas de meditação budista. . Certa vez perguntaram ao Buda por que seus discípulos. Viverás o tranqüilo e imperturbável estado mental. como os juncos verdes cortados. será possível seguir o conselho de todos os Budas: "Evitar o mal. Hoje é de conhecimento geral que grande número de doenças respiratórias. diante de ti o Agora. Não busques o futuro. Esse discurso é considerado o mais importante que o Mestre pronunciou sobre o desenvolvimento mental . MEDITAÇÃO NOS QUATRO FUNDAMENTOS DA PLENA ATENÇÃO (SATIPATTHANA) Para a conscientização dos fenômenos psicofísicos que invadem nossa mente e para interromper a continuidade do Sofrimento(Dukkha). alegria e felicidade. nos libertarmos de todos os pensamentos negativos.meditação. conscientemente. Vê. nos libertando de todos os desejos e apegos e. pela gradativa purificação mental.*3 cujo objetivo consiste em sugerir um meio. lamentação. digestivas. consciente de todas as vivências. O Mestre. eram tão radiantes. num mundo que não existe como nós o percebemos. Quando o tiveres encontrado. não se preocupam com o futuro. os tolos ficam ressecados. origem psíquica ou mental. dando-nos mais saúde. estudadas pela medicina psicossomática. O futuro ainda não chegou. cutâneas etc. isto é. Esta consciência vigilante de nossas atividades consiste em viver o momento presente no próprio ato.

que se baseiam nos Quatro Fundamentos da Plena Atenção. Atenção Sobre o Corpo *4 Exercício de Concentração na Respiração O Buda recomenda. nem pressa. símbolos visuais. e quando o tempo lhe for próprio. Desta forma.65 A prática desta meditação não depende de estímulos exteriores. sem esforço. O pretexto. a cabeça no prolongamento da coluna. **5 não é essencial. no sentido de conseguir essa libertação. ou seja. na postura.(Verdade sobre o nosso ser). devemos fazê-lo com a mais despreocupada das intenções. numa posição confortável. A posição sentado no chão de pernas cruzadas com as plantas dos pés voltadas para cima nas coxas opostas. Na atenção as sensações . no qual será banido imediatamente e neutralizado qualquer pensamento indesejável e maléfico no momento preciso em que surja. apego. nos movimentos. sono. Uma das condições essenciais é a renúncia. porém preferível. freqüentemente utilizado. Para praticar este exercício. se executa esta técnica. quando desenvolvida e praticada com persistência. mantendo os olhos semicerrados ou fechados. Aqui só descreveremos como. de possuir capacidades extraordinárias através da meditação. em nenhum instante dirigiremos a nossa mente.(estados de consciência): desejo. ou apreciar uma paisagem com prazer. como se estivéssemos sentados à margem da correnteza mental. não são necessários cânticos. desagradáveis e indiferentes. 2. as mãos superpostas descansando descontraídas sobre as coxas. 3. Porém eretos e sem encostarmos em nada. de não termos um momento sequer para a prática da meditação consciente não . á maneira dos iogues. a conscientização do ar inspirado e do ar expirado como um dos métodos mais populares e práticos: "Esta concentração obtida pela atenção no movimento respiratório. permaneceremos apenas como expectadores de para onde o pensamento se dirige. Na atenção no corpo – kaya: na respiração. é pacificadora e sublime e leva a um estado de felicidade sem mácula e duradoura. com a naturalidade de um descanso à sombra de uma árvore depois de uma longa caminhada. quando meditarmos.vedana: agradáveis. renunciaremos ao desejo de buscar. na prática. ou queima de incenso." Devemos praticar este exercido de concentração só quando feito deliberadamente pela vontade. sem medos. Portanto. os objetos e temas da meditação estão ligados a fenômenos naturais. 4. Renunciar também significa a ausência completa de esforços. tristeza etc. assim como de dar uma direção proposital à concentração da mente. para desenvolver a concentração. Sem intenções. durante o tempo em que ficarmos sentados. Na atenção da mente -citta. sensualidade. Nada há de esotérico ou misterioso. como escutar o canto dos pássaros. de compreender o significado das coisas e a razão da vida. Renunciaremos a todos os desejos por mais intensos que eles se apresentem. como se segue: 1. pois prepara o meditante para permanecer sentado por horas prolongadas. desagradáveis e indiferentes que nela apareçam. sem aversão ou apego às sensações ou pensamentos agradáveis. Na Atenção aos objetos da Doutrina -Dhamma. é absolutamente necessário que fiquemos sentados naturalmente. ficaremos apenas como observadores da nossa mente e do nosso corpo. Isto trará libertação mental. de escolher ou selecionar intelectualmente. raiva.

Percebendo o corpo inclinado e querendo corrigir a posição. num teatro de marionetes. aparentemente mais importantes. quando não for o caso de torpor mental. rotulamos: "entrando". rotular "preparando". "movendo" e colocamos o corpo na posição correta. e depois o corpo movendo -. ruídos. o importante é que. A qualquer movimento que se faça. lembranças. Percebendo que vamos engolir saliva. fixando a mente no movimento do ar passando pelas narinas. rotular "sentindo. inexplicavelmente. não movemos o corpo de uma maneira cega e automática. uma seqüência de conceitos e fantasias do nosso mundo repleto de inúmeras formas identificáveis. insaciável por satisfação. depois o movimento do corpo. ao se preparar para engolir. isto não tem nenhuma importância. não fazemos o menor esforço para disciplinar nossos próprios pensamentos. quando. que. ora profunda. Desta forma. Diariamente somos abalados por medos. ou por centenas de pretextos. Outras coisas que ocorrem no corpo também são objeto de observação e de autoconhecimento. reconhecíveis pelos nomes relacionados às imagens conceituais à nossa volta. tenhamos consciência de que respiramos profundamente e. O conhecimento da Realidade nos escapa e nós. deixamos a mente desatenta e sem rumo. que ocorrem durante a meditação. ou participar de pensamentos. para o praticante não desviar sua atenção da concentração e não se envolver. em seguida. e outras coisas que ocorrem no corpo. então. temos logo a surpresa de constatar que nossa mente é invadida por idéias. de forma a tomar plena consciência desses movimentos e das mudanças do ritmo. rotular "engolindo". "movendo". como o próprio nome indica. o jorro dos pensamentos recomeça novamente agitando e entristecendo-nos a todo instante. provocado pela respiração. aparentemente incontroláveis. através dos sentidos. na mente. Então. Respiramos normalmente e naturalmente. quando forem curtas. especulações inúteis. Nossa respiração pode ser. podemos observar como nossa mente é intranqüila. pensamentos. a intenção . incessante. e não no conceito de respiração). insatisfações e procuras. depois rotular "intenção".a intenção de mover. Vivemos de sonhos. etc. isto é. "intenção". Desta maneira. ao engolir. alheios a sua concentração. etc. coceiras. costumamos assistir ao desenrolar dos acontecimentos mais desagradáveis atribuindo aos outros os nossos tropeços e a incapacidade de compreender as razões do erro. ora curta. observe-se sempre a intenção. quando as respirações forem profundas. Por preguiça. em primeiro lugar. presa de estímulos e reações emocionais permanentemente condicionadas. Nossa mente deve se concentrar unicamente na inspiração e na expiração. É uma busca cega. Isto não é realidade. . como o ar entra e sai pelas narinas (como sensação física produzida pelo toque do ar nas narinas.66 passa de um subterfúgio da mente para dissimular o nosso apego ao tempo em ocupações. ao iniciar o treino de concentração na respiração. Ao iniciar esta concentração na respiração. ou "nota mental". Continuamos respirando normalmente. desencadeadas pelo contato momentâneo da nossa mente com o mundo exterior. mas um sonho desperto. o objetivo é evitar qualquer tipo de automatismo e desenvolver a Plena Atenção gradativamente e a correta compreensão. observaremos sempre. Mesmo quando começamos a perceber a maneira como nossos pensamentos nos iludem e atormentam. por indiferença. tenhamos consciência do ato. angustias. o que nos lembra sermos iguais a fantoches movidos por cordões. sentindo" e. fantasias. "saindo". Por comodidade. apegos e aversões. poderá utilizar o que se chama "rótulo mental". Assim. Nossa mente deve estar totalmente concentrada na respiração. serve para designar aquilo que ocorre no momento. a seguir. ruídos.. sem concentração.

impulso este que deve ser simplesmente observado como qualquer coisa que distrai a atenção no caminho. nos mínimos detalhes como preparação dos membros.1 Chegando ao término da meditação. por períodos mais longos. aos poucos nossa mente se concentrará unicamente na respiração e assim se realizará este tipo de concentração. há necessidade de voltar-se e caminhar em direção contrária. poderemos continuar o exercido da meditação no caminhar. onde possa caminhar livremente sem ser perturbado: um simples quarto. executados no ritmo normal. Ao levantar. Mas isto não estará ainda ao nosso alcance. Logo a seguir. devemos observar a intenção de levantar. a mente não fica invadida por pensamentos e o mundo exterior não existe mais para nós.dhyana. Mesmo nos momentos em que nos sentirmos nervosos ou impacientes. Os movimentos devem ser lentos. estes movimentos. instante em que desaparece a própria atenção na respiração. o sono mais profundo. Porém. que pode levar. Este rápido momento será uma experiência tão grande. Devemos observar mentalmente todos os pormenores. Ao atingir o fim do caminho. é realização da supraconsciência . devemos manter a vigilância em cada um dos movimentos desta seqüência. tranqüilos. soerguimento do peso do corpo. Não há necessidade de forçar a . se praticarmos este exercício apenas 2 minutos. até a retomada do caminhar lento de volta. com o tempo. Temos consciência disso quando faltam poucos passos para alcançar o limite do caminho. tão cheia de alegria. isso será feito com qualquer objeto que surgir na mente. comprovaremos que ele nos acalmará. de preferencia de manhã e á noite. perturbariam a continuidade da atenção. progressivamente. voltando imediatamente a atenção para os movimentos do caminhar. identificando todas as fases do giro. continuando na prática desse exercício regularmente. Se insistimos praticando este exercício no mínimo duas vezes por dia. nos apaziguará imediatamente e teremos a impressão de despertar de um sono reparador. devemos apenas observar a intenção de modo a evitar a meia-volta automática. momento em que os ruídos não perturbam mais. O essencial é caminhar simples. a atenção deve estar concentrada no movimento das pemas e dos pés. Prática de Concentração no Caminhar O praticante deve procurar um lugar tranqüilo. Chega o momento em que a respiração torna-se mais fraca. de felicidade e calma. natural e lentamente. esticar-se. Ao fim de algum tempo. mover das mãos e dos pés. e assim por diante. a experiência se reproduzirá repetidas vezes e. Esta nova experiência prolongada pela prática desenvolve o poder de concentração. que teremos o desejo de prolongá-lo. poderemos experimentar esta fração de segundo em que nossa mente estará totalmente concentrada na respiração. Ao caminhar. o trabalho cotidiano mais eficaz e nossa saúde física se beneficiará. devemos nos comportar e movermos de modo a não interromper a seqüência da concentração. A prática de concentração na respiração nos trará benefícios imediatos e nos tornará mais calmos. observar o fato sem se deter em seus detalhes. neste caso.67 novamente voltarmos a atenção à respiração. a ponto de tornar-se imperceptível. ou jardim. Várias vezes temos a tentação de olhar para alguma coisa. durante 10 a 20 minutos de cada vez. corredor.

o aumento de intensidade. ou "sentindo". Assim. ver somente o visto.2 Fatos Que Podem Ocorrer Durante a Meditação . tocando". o praticante. Isto pode ser praticado na rua. sua atenção para com o movimento do ar durante a respiração. sentindo". observar o contato "tocando. ou detalhes.68 mente a voltar aos passos. ou do corpo. observaremos a dor. nada nos impede de movermos algum membro. dar o rótulo mental “sentindo” . quando sentir uma sensação de frio ou calor. pelo contrario. surge uma intenção de mover o braço. dar o rótulo mental "tossindo". no que se pensa. movimentamo-nos vagarosamente. observando primeiro a intenção. conforme tenha chegado esta sensação à mente pela porta da audição. somente o pensado. movendo". ouvindo". já neste caso. se. o declinar e o desaparecimento da sensação. não devemos ser cativados pela sua forma. observando sempre o surgimento. naquilo que se ouve. dar o rótulo mental correspondente "ouvindo". Está claro que. com a nota mental correspondente. Então. vendo um objeto. Ao tossir. deixemos de observar o desejo de coçar. Quando perceber que vai tossir. se uma dessas sensações atinge níveis insuportáveis. Quando a mente está agitada. Logo que a concentração é restabelecida. observando. a marcha segue um ritmo normal lento. e assim por diante. sem que. O controle dos sentidos é descrito no Budismo na observação: “naquilo que se vê. retomando. recebendo o rótulo mental "sentindo. Observando. Se surgir uma sensação dolorosa. somente o ouvido. mais vagarosa. o mesmo deve ser feito em relação aos outros sentidos. mesmo no caminhar. no entanto. ou “intenção”. uma rajada de vento. "saindo". logo a seguir. sonolenta. na idéia tátil. depois. contanto que estejamos conscientes disto. a mente é atraída para aquele objeto. mas evitaremos mudar a posição. "movendo. o voltar do braço para a posição primitiva. sem despertar atenção. O importante é que estejamos com a mente concentrada no caminhar. na prática da concentração. bem como a aversão que a dor nos traz. Se sentirmos uma coceira. Ouvindo um som de qualquer natureza. Logo que a sensação foi satisfeita. Atenção as Sensações A sensação nunca é separada do corpo. quando a mão tocar o ponto que incomoda. "sentindo. dar o rótulo mental "entrando". o toque de ar "entrando e saindo" pelas narinas. até a sensação desaparecer. Em nenhuma ocasião deve-se ter a preocupação de regular a marcha. obrigando-a a abandonar sua habitual e incessante atividade dispersa. rotular "ouvindo. a intenção de nos acomodarmos melhor. quando por motivos práticos não for aconselhável andar vagarosamente. coisa comum as pessoas não habituadas à imobilidade da meditação. a marcha automaticamente torna-se mais rápida. Ao sentir a respiração nas narinas. mas simplesmente observá-la. somente o caminhar". Quando perceber ruídos abdominais. observando cada movimento detalhadamente. fixar a atenção para o objeto principal da contemplação. recomenda-se a marcha normal. a mente por si própria dirige-se a isso. sentindo". sentindo". e quando a mente volta à tranqüilidade. ela será observada apenas como sensação. Em certas ocasiões. a qualquer sensação que ocorre no corpo. anotando "sentindo. "entrando" "saindo".

Como a mente está em constante contato com um "objeto de pensamento". algum estremecimento ou arrepio que passa . o importante a observação com eqüanimidade. nunca se libertará delas.69 Em certas ocasiões. Esses fenômenos surgem devido ao acúmulo de impressões. raiva. desde a infância ou de vidas passadas. Essas diferentes sensações não devem preocupar. somente deste modo poderá surgir a compreensão desses fenômenos e o autoconhecimento. em condições habituais. tais como visões. sons ou vozes. desagradáveis e indiferentes. se uma pessoa encontra-se com a mente . má vontade. Prosseguindo firmemente na contemplação. está atenta a estímulos de maior interesse. essas sensações passam desapercebidas. em busca do fruto que o satisfaça. as faculdades mentais tornam-se mais claras e temos melhor consciência destas sensações. os pensamentos de apego e má vontade não poderão aparecer simultaneamente. pulando de galho em galho. etc. apenas observar o fato. naquele determinado momento. desatenta. impressão de engasgo. sensações dolorosas. ou mesmo pelo corpo inteiro. pode acontecer que sobrevenha a sensação de estarmos por alguns instantes. odores etc. depois de concluído o exercício. ficaremos como espectadores da nossa mente. pode acontecer que o praticante se surpreenda balançando o corpo para a direita e para a esquerda. o que não deve ser motivo de preocupação. são fatos comuns e sempre presentes em nós. ou de asfixia. não conseguir separá-los com precisão. Se a mente só capta uma coisa de cada vez. quando a mente entra em contato com um objeto de pensamento ou um objeto dos sentidos. até os mais sutis e elevados. e estando a percepção bem desenvolvida. pode acontecer a percepção de fenômenos psíquicos. Não se aconselha cultivar esta sensação. Em alguns casos. porém. Atenção nos Estados de Consciência *6 Sabe-se que somente um pensamento aparece de cada vez num determinado momento. apenas observar os fatos. através da infindável selva de eventos condicionados. quando ocorrer. A futilidade e a irrealidade inerentes a tal modo de existência são evidentes logo que o indivíduo principia a ver claramente. observar o fato e não se assustar. são criações da mente do próprio indivíduo. Como a mente. Assim. no subconsciente. podendo vir á tona (ao consciente). Se aparecem tremores. guardadas no arquivo da memória. ele não deve procurar sentir nenhuma satisfação nisso. em todos os instantes constantemente nela aparecem sentimentos como apego. é evidente que. Com o desenvolver da contemplação. eles surgem e passam. Entretanto. ou um "objeto dos sentidos". sem facilitar a chegada ou dificultar o aparecimento de pensamentos e sensações agradáveis. Se o praticante vacila. podemos estar vigilantes desse contato. sensação de calor ou de frio. são analisados e observados da mesma forma que os fenômenos do plano físico. apesar de a mente. parando a meditação devido a estas impressões. Durante a meditação. Assim. analisando e observando esses fatos sem medo e sem apego. ressentimento.pelas costas. No Budismo todos os fenômenos e estados mentais. tão logo se verifiquem alguns progressos na prática da meditação. fora do corpo e voltarmos. Gautama Buda comparou a mente à impressão que dá um macaco inquieto. estas sensações observadas aos poucos cessam.

na correnteza da vida. No fluir da mente. este fluxo é podado. Os olhos estão fechados. tão logo esse pensamento passe. acompanhamo-la para onde ela for. então. os condicionadores da consciência visual. Quando a mente se desviar da observação do toque do ar nas narinas. a qualquer som rotular “ouvindo. pensando". Tudo contemplaremos sem apego e sem aversão. nada fica. o corpo e o tato. A impermanência é a lei a que tudo está sujeito neste mundo. que dependem diretamente do revestimento cutâneo e mucoso e dos objetos tangíveis. dependendo da própria mente e dos objetos mentais. uma pessoa. o problema é como neutralizar o aparecimento de sentimentos. voltar à observação do ar “entrando e saindo”. daremos a nota mental "pensando". rotular esta vivência como "ouvindo. que identifica os pensamentos por imagens e por palavras. a única que irá funcionar é a porta da audição. neste caso. o pensamento é cortado. Assim. como nascem. o olfato sentindo algum odor. Os pensamentos surgem de duas maneiras principais: por imagens ou por palavras. ressentimentos. que depende diretamente dos olhos e da forma dos objetos.. e. surge um pensamento por palavras em forma de diálogo. . idéias e pensamentos. rotular duas ou três vezes mais. os condicionadores da consciência olfativa. estamos sempre predispostos a acolher pensamentos que nos dão satisfação. temos a visão. a porta da audição estará aberta. uma música. e rejeitar os que nos desagradam. quando a mente entra em contato com um desses objetos. que depende diretamente do aparelho olfativo e dos odores. Ao vermos mentalmente uma pessoa falando. que depende diretamente do aparelho da audição e das vibrações sonoras. os condicionadores da consciência gustativa. os condicionadores da mente pensante. ouvindo” e tão logo ele passe. os condicionadores da consciência da corporalidade e da tátil. conforme a impressão mental predominante. como folhas mortas que passam nas águas de um rio. o sentido da mente. Se for um tipo de som que perdure por mais tempo. Sendo assim. que depende diretamente do aparelho gustativo e dos sabores. voltar à observação do corpo no ar "entrando e saindo". podemos observar que as idéias e pensamentos. Desta forma. Ao ouvir mentalmente um som. finalmente. Observando os pensamentos nas portas dos sentidos. etc. o olfato. ou "pensando. Por esse motivo. o paladar. a audição. é incapaz de distinguir o bem do mal. a nota mental poderá ser "vendo". é conseqüentemente arrebatada por sentimentos como esses. a nota mental "falando". um objeto. falando" (o nome que se dá é secundário. o importante é ter consciência daquilo que está ocorrendo no momento). o pensamento surge por palavras então nos falamos mentalmente. tais como: lembranças.70 condicionada. merecendo. observar o pensamento e rotular "pensando" ou "falando. uma lembrança. ou "ouvindo". o verdadeiro do falso. ouvindo". Então. no caso da meditação formal sentada. Temos a tendência de buscar satisfação em tudo. Suponhamos que apareça um pensamento de qualquer natureza. Os pensamentos surgem dos cinco sentidos e da própria mente. procurando não dar atenção e voltar à contemplação do corpo no ar "entrando e saindo". o certo do errado. Os condicionadores da consciência auditiva. apego. Quando a mente pensante surge por intermédio de palavras. ou semi-abertos. Com este simples rotular. vendo". o paladar não vai funcionar porque não estaremos comendo. rotular esta vivência dizendo mentalmente "vendo. má vontade. Ao ver mentalmente alguma coisa. uma situação. Muitas vezes. morrem. além de permitir a continuidade do sofrimento que aí se origina. Outras vezes. um lugar.

lembranças e. Assim sendo. temperado para o gume do fio da navalha com a qual corta firme os laços da Ignorância. e a mente vai aos mais diferentes estados de consciência sem sabermos o porquê. É necessário não esquecer a idéia ilusória do eu. se for agradável. e. então. desagradáveis e indiferentes . posta sob controle completo. A mente. a qual está ligada pelas reações emocionais e intelectuais. no fundo do subconsciente. poderemos observar que sempre houve desejo. Ela então torna-se um instrumento afiado. uma fantasia. o corpo que está de pé. Desta forma. Assim. que até este ponto esteve construindo. sons. não há mais carma enraizado no desejo. a luz virá e este estado de consciência cessará. a cadeia de causa-e-efeito. um pensamento traz consigo emoções ou sensações agradáveis.71 uma dúvida. Somente quando esse processo de despersonalizarão mental está completo é que a mente se torna capaz de perceber a realidade que se acha além das formas sempre mutantes. observar como o pensamento surge com clareza. e não de juiz da nossa mente. sentado ou deitado. Por esses meios a mente é vigiada. é justamente o objetivo de uma contemplação impessoal. Neste objetivo. torna-se despersonalizada. imagens. então. ou perplexidade. e assim o Nirvana é alcançado. conforme provem do exterior. como um sábio observa um objeto. Muitas impressões e traumas que arquivarmos quando criança surgem novamente determinando associações de idéias e pensamentos. todo o arquivo da memória. medo. A incessante roda de nascimentos e mortes chega a um fim na frase budista: "o fogo das paixões está extinto". Podemos. se for desagradável. se não for retido pelo apego. Quando procuramos ver o que nos levou a um determinado estado de consciência e quando perceberemos a realidade. e a mente foi a um estado de consciência. então. Que fique bem clara a nossa posição de observador. Quando isso acontece. contempla as sensações físicas e mentais. ao medo. sem reação subjetiva. e como desaparece com facilidade. mas objetivamente como um pensamento". ou conceitos relacionados. O desejo nos leva a pensamentos do passado. Assim. é quebrada. se não for perturbado pela aversão. a atenção é despojada de todas as eventuais associações mentais. e sem aversão. não é mais "meu corpo". sem apego. Os estados de consciência surgem devido a não se ver com clareza a Realidade. momento-a-momento. a mente. Este pensamento deve ser observado somente como um pensamento.alegria. não está mais atada a ela e imediatamente penetra numa nova esfera de conhecimento. á tristeza. observaremos também o sentimento que surgir. nossa mente vai á saudade. ignorância e ilusão por uma determinada coisa. de fato. pela exclusão de todos os objetos externos. como se o observássemos de fora. nenhuma projeção na direção do futuro da Samsara. Muitas vezes. angústia. Para colocar o caso de um outro modo. toda que a mente for a um estado de consciência. deverá ser ele observado com equanimidade. dúvida. o braço que é erguido deixa de ser "meu braço". separada de todas as falsas interpretações e paixões que ela engendra. soltas e sem envolvimento. e não observar o pensamento como: "eu estou pensando". o contínuo de sua ilusória concepção de personalidade. é o desejo quem busca. a meditação budista consiste no desenvolvimento do poder de concentração da mente para o que é chamado "acuidade". Não devemos observá-lo subjetivamente como "meu pensamento". subitamente quebra a seqüência daquela atividade. qualquer que seja o pensamento. por isso. .

rotulando de um momento para outro. quando temos contato com o agora é que vemos o Real e que Podemos compreendê-lo. "distraída". o que vem á tona no momento. de conhecer os pensamentos e ver esta inteiração mentecorpo. pulando de galho em galho. Então. que temos à mão e não sabemos como usar. logo depois. Todos estes estados de consciência que surgem devem ser observados apropriadamente. por falta de plena atenção. Na vida cotidiana. dispersa. sem apego ou aversão. isto e. mas ter consciência do estado da mente colérica e permanecer atento a este fato. no paladar. saudade. no tato e na própria mente. e não uma serpente. Devemos examinar a natureza dessa cólera e como cia surge e desaparece. No caso especifico da cólera. isto é. iremos dirigi-la baseados nos nossos condicionamentos e a mente ficará deformada Então rotulando. treme. na visão. Este tipo de meditação e chamado Vipassana (introspecção). no olfato. Resulta curioso e paradoxal que a pessoa colérica não tenha realmente consciência de que está colérica. passando por baixo de uma árvore. irritada. observar e rotular é a única maneira de ganhar autoconhecimento. quando a mente não estiver dirigida. nós observamos rotulando. O importante é também não pensar "estou colérico”. . surge por condições e passa por condições. A atenção sobre a mente é a contemplação do estado mental do momento presente. aflora a verdadeira solução. Porém. Da mesma forma. O sono é um dos obstáculos à meditação. numa noite escura. por exemplo. apego. estejamos coléricos. dominados pela má vontade e pelo ódio. aquilo que ocorre no momento na mente. ganhamos tranqüilidade e compreensão. suponhamos que. anela e faz todo esforço para voltar à água. porque toda vez que tentarmos dirigir a mente para determinado assunto. colérica. ou "minha cólera". observar e examinar de um modo objetivo a mente dominada pela cólera. estava tornado de ilusão e ignorância devido é escuridão. " colérica". na audição. devido á escuridão da ignorância. uma luz se acende e a pessoa vê que era uma corda que estava pendurada. o medo aparece na nossa mente porque não vemos com clareza a realidade. e apenas no momento presente é que está o Real porque o passado já passou e o futuro ainda não chegou. sabedoria. Durante a meditação a mente poderá estar com desejo. A compreensão de determinadas situações ou estados de consciência surgirá da visão intuitiva. sem nenhum condicionamento. sonolenta.72 Se alguém. etc. como um macaco na selva. o medo. Como um peixe fora da água. É próprio da natureza da mente buscar sempre prazeres nas portas dos sentidos. A única maneira de conhecer a mente. porque está habituada a ficar solta. no momento presente. não transformá-la em mansuetude. deprimida. Pela simples observação de como surge e passa aquele pensamento. tristeza. se assusta e dá um salto para trás. sensualidade. com os rótulos mentais específicos correspondentes: "deprimida". em dúvida. distraída. julga ver perto do seu rosto uma serpente pendurada num galho. inquieta. Nesta meditação viveremos no aqui e no agora. começa a controlar-se e a apaziguar-se. rotulamos e compreendemos superando uma série de problemas. aí. O sentido desta meditação é observarmos aquilo que é. Na meditação o que vier à mente sistematicamente. cansada. temos que observar e rotular imediatamente. A mente evita ser observada. no instante em que se torna consciente da presença desse estado na sua mente. mas. "saudosa". corpo-mente e através da observação. Quando tentamos tirar a mente do seu habitat natural. entrando neste nosso laboratório. como todos os estados de consciência. Esse alguém se assustou e teve medo porque não estava vendo realmente a verdade. ela usa de todos os subterfúgios para nos tirar da meditação.

”.73 sim.raiva.. porém deve-se ter o cuidado de não utilizá-la como expressão de indiferença. e não o esforço para dele nos livramos. voltamos novamente nossa atenção para a respiração. aceitando a verdade da vivência que está sendo vivida. daquilo que ocorre no momento. lembranças. etc. O rótulo mental. eles aparecerão com muita clareza.. aquilo que é se extingue.” que muito auxilia o praticante a não se envolver nos diferentes assuntos que surgem na mente. como já foi explicado. Tal desejo e esforço longe de conduzirem à extinção. Por exemplo. necessariamente. eles podem cessar e ser destruídos. impedem-na. Somente então podemos dizer que a nossa mente está começando a ficar concentrada e tranqüila.). A influência dominadora que o pensamento exerce sobre nós torna-se cada vez mais fraca e de escravos dos nossos pensamentos passamos a ser senhores. tais como: pensamentos. sem julgar. nossa atenção vai ficando concentrada unicamente no ato de inspirar e expirar o ar pelas narinas. que nos condiciona. Quanto mais contemplamos o surgir e o desaparecer dos pensamentos. o fluxo passa e.. dela estar plenamente consciente.. emoções. O rótulo mental é apenas um auxiliar usado pata facilitar. percebemos como tudo surge e passa.) Quando nenhum pensamento ou sensação surgir na mente. tornamo-nos conscientes de sua existência e de sua natureza específica. perdendo-nos com facilidade. observar o fato apenas como lembrança. sendo também um pensamento isolado do turbilhão de pensamentos. não permitindo que nos identifiquemos com eles. faz com que nos transformemos em mero observador neutro de tudo o que ocorre na mente. pelo simples observar. além do que já foi dito. Quando isso acontecer. Além da nota mental específica. a água se tornar clara e transparente. anotando “e daí. Não é preciso. Havendo o apercebimento puro e simples do fato. prosseguindo a atenção na respiração. e acabamos ficando sonolentos. a permanente alerta e faz com que a energia surja. sensações de qualquer natureza etc. podemos comparar a mente a um lago cuja superfície está continuadamente encrespada pelas ondas. conseqüentemente. Atenção nos Assuntos da Doutrina (Verdade Sobre o Nosso Ser) . também chamado guarda da mente. Esta e a atitude que se deve adotar no tocante a todos os estados mentais (sentimentos. com a concentração natural a que a mente vai sendo submetida à observação pura. no momento em que nos apercebemos desses condicionamentos." (Krishnamurti. Tão logo observamos e rotulamos. tristeza etc. se durante a meditação surgir uma lembrança. controlar e estimular a Plena Atenção. “É o conhecimento do obstáculo o fator que libera.. pode-se empregar a expressão “e daí. vamos ganhando autoconhecimento. mas. Assim. Difícil é o apercebimento pronto. Um simples observar. é a arma para que nós tenhamos a permanente vigília. evita que sejamos levados pela sucessão de pensamentos e isola-nos dos pensamentos. sem nenhum nome ou rótulo. menos pensamentos surjam. o rótulo mental evita que a mente se perca e vagueie indo a estados negativos de consciência . só poderemos ver o fundo quando a agitação cessar e. Do mesmo modo. É só quando se compreende a sua limitação que o pensamento limitado deixa de existir. O rótulo mental. até que. nada mais. até que chegue o momento em que desaparece a própria atenção na respiração. que desejemos essa extinção e nos esforcemos para isso.

Nossas imperfeições passam a ser dominadas. Na meditação da Plena Atenção mental não há esforço. já vários pensamentos passaram e se foram por falta da Plena Atenção. nem há intenção de concentrar-se em um único objeto. é impossível desenvolver a sabedoria sem desenvolver a concentração. não traz libertação. quando nos apercebemos. como já foi dito. e. um vir sempre em rnutação. lembranças. Pela natureza insatisfatória da mente. e não meramente concentração. não pela coerção. para um ponto ou um objeto etc. Pela meditação vamos compreender que toda imagem por palavras. vivência do momento que passa em toda a sua plenitude. sons ou melodias. porém a concentração. Nos outros tipos de meditação daquela época e predominantes ainda hoje. etc. é condicionada por uma base interna (o corpo e a mente) e pelos objetos da mente. quando seguimos o fluxo destes fenômenos e notamos que são como um rio em região de corredeira. que são todas as experiências que temos guardado no subconsciente. só. emocional e mental. tanto da . porque apenas o contemplamos como mero espectador que observa o seu surgir. pois ele cessa. esse autoconhecimento (Sabedoria) só é possível quando há concentração. é força bruta: suprime as impurezas. A verdadeira libertação vem unicamente pela compreensão. A concentração momentânea permite perceber cada momento de consciência. sabedoria. mas um constante vir-a-ser. A concentração momentânea. Quando percebemos um desejo no momento exato em que ele vem surgindo. Nós só podemos perceber e compreender gradativamente estas três características. Insatisfatoriedade e Impessoalidade). seja ele predominante do verbo . Alertas e atentos a tudo o que ocorre em nosso ser físico. na Doutrina. que jamais poderíamos obter por leituras. Esta meditação nos dá cada vez mais autoconhecimento e sabedoria. repressão ou força de vontade. pela correta compreensão. foi a descoberta deste tipo de meditação. seja ele elevado ou negativo. seja ele predominante do corpo . ou instrutores. deixa de existir e se transforma em simples pensamento. seu passar e o seu desaparecer.como na observação do ar entrando e saindo pelas narinas durante a respiração -. descoberta por Gautama Buda. temos que desenvolver a Sabedoria. e embarcamos no turbilhão dos pensamentos. nem sequer por dois momentos consecutivos. que é um simples observar do fluxo de fenômenos psicofísicos em que nós não dirigimos a mente. ou tornadas de consciência do instante presente na observação de todos os fenômenos psicofísicos. os apegos. a mente é sempre dirigida por palavras ou mantras. O rio nunca é o mesmo. as lembranças e outros pensamentos. para haver progresso nesse autoconhecimento.74 Pela ignorância nós nos identificamos com os pensamentos e embarcamos neles e. penetrando e vendo como surgem e como passam os desejos. Não devemos ter apego nem aversão a qualquer forma de pensamento.no caso de qualquer atividade verbal. percepção. isso é libertação. a chave para Iluminação. sim. pela Sabedoria. porque a descoberta única do Buda. mas não vai à raiz. é a única maneira que temos para penetrar nas três características da existência (Impermanência. Então. em todos os fenômenos psicofísicos. A meditação nos Quatro Fundamentos da Plena Atenção exige de nós apenas a atitude de alerta. tudo o que experimentamos volta de uma maneira incontrolável. É uma meditação que desenvolve a contemplação dinâmica ou momentânea de todas as vivências.

que não tem sentido dizer "eu". para desenvolver a investigação da Doutrina que cria energia e alegria. provocado pela inspiração . como na mente. e a mente observando o ar saindo na expiração – há também um surgir. percebemos como a natureza e impessoal. tudo é um fluxo. são todos impermanentes. na meditação introspectiva. gradativamente compreendemos a Impessoalidade. no próprio corpo. boas vibrações. a inexistência de um eu. tudo é um vir-a-ser. o que significa a inexistência de um dono deste corpo. e esse dono seria "eu". Esta percepção do eu. essa percepção de permanência. reflexões sobre os Cinco Agregados da existência: ouvindo um som.é a raiz de todos os sofrimentos possíveis. a lei geral da Impermanência. A penetração desta primeira característica. Este é um modo pelo qual nós ganhamos mais compreensão. é favorável fazer ligeiras reflexões sobre a natureza da Doutrina. Nesse estado de distorção. Quando a mente está sonolenta. sim. a investigação da Doutrina e alegria que nos leva à verdadeira compreensão da Realidade. esse pensamento sem qualquer controle que não sai da mente e que surge de uma maneira impessoal. não é o momento adequado para desenvolver a concentração de tranqüilidade. devido ao contato. a percepção. Nesta ocasião. um fluxo (anatta) é uma entidade fixa (Atta). rotulando. tanto na porta dos sentidos. Quando compreendemos esta lei. não existe nada de permanente neste ser.75 mente como na própria palavra -. e o que é Impessoalidade.há um surgir. Assim. A mente que observa também tem um surgimento. é fundamental para compreender a Realidade interna. desenvolver a concentração de tranqüilidade. esse rnonólogo interior. que é satisfatoriedade . a Verdade sobre o nosso ser. esta existência. refletir que a mente vagou. porque tudo é um fluxo. seja ele predominante da mente . Observando que a mente vagou. colocando-nos num estado de distorção hipnótica do pensamento e da visão. e a mente que observa. "entrando". sem ânimo. mas. este vir-aser. isto é. entorpecida. a mente não deve estar agitada ou preocupada. Para desenvolver. que nada tem a haver com o anterior. uma vivência e um desaparecer. o que é Sofrimento (dukkha) é fonte de prazer (sukkha). isto e. a volição e a consciência. assim como todos os outros fenômenos que ocorrem.o ar entrando. Por exemplo. este complexo de fenômenos psicofísicos que são insatisfatórios.vendo ou ouvindo nas portas dos sentidos. ou de um algo permanente. em primeiro lugar. uma vivência e um desaparecimento. tranqüilidade. desta mente. refletir que é um fenômeno condicionado que. que traz calma. deve-se. é que será possível ver o Dharma. E quando compreendemos a Impermanência e a Insatisfatoriedade. porque o “meu” sempre aponta para um proprietário. como na meditação do Amor Universal. Na observação de um momento de consciência com predominância do corpo . Ignorância é justamente o oposto destas três características e condiciona todas as nossas interpretações do mundo fenomênico. vamos compreendendo a segunda característica. porque . somos levados a imaginar que o que é Impermanência (anicca) é permanência (nicca). um dono. sempre muito curtas para evitar cair no pensamento discursivo. Vemos que esse corpo não é "meu". a Realidade interior. este não é o momento adequado. Somente após desenvolver a tranqüilidade. traz à existência a sensação. passando para a meditação introspectiva. uma vivência e um desaparecer que são um novo momento.

fazendo o esforço correto para que se mantenha sempre presente em nós e se desenvolva até à perfeição. fazer surgir aquilo que há de mais saudável. Desta maneira a consciência atingirá níveis mais elevados e a visão intuitiva desenvolvida nos possibilitará esclarecimentos impossíveis de alcançar pela função intelectual costumeira. 3. 3. Porque a meditação desenvolve a moralidade. são os seguintes: 1. como paciência. Este esforço de superar. o fluxo será cortado. Com isso. etc. não estávamos vivendo o momento presente e a concentração falhou. como na vida cotidiana. tolerância. paciência. a tranqüilidade. compreensão. Pela falta de atenção. Toda vez que percebemos que nossa mente já foi a um estado negativo ou insalubre de consciência. não temos consciência destes estados negativos e embarcamos facilmente neles. como tolerância.estados que trazem bem-estar. tão logo surja o primeiro pensamento. ódio etc. compreensão. isto é. devemos estar atentos para que não seja negligenciado. 4. a Plena Atenção e a Sabedoria . Tudo o que surgir na mente que seja saudável. 2. ganhamos autoconhecimento porque percebemos como a natureza é impermanente. dos seis órgãos sensoriais com os seus respectivos objetos. mais benéfico. a paz. tanto na meditação formal sentada. sensualidade. também nos leva a desenvolver qualidades positivas. com esse rotular do pensamento. Na vida cotidiana este esforço nos leva a desenvolver qualidades boas. Isto acontece porque a Plena Atenção. A medida que a prática da meditação se desenvolve. a concentração. . **8 na meditação ou na vida cotidiana. devemos observá-lo e rotular. Plena Atenção na Vida Cotidiana Muitas coisas poderão ser compreendidas pela mente capaz de permanecer atenta por longo período de tempo. naquele momento exato. Este é um esforço para evitar que a mente vá a estados negativos de consciência. 2. em sucessão. como saudade. não estava estabelecida. não só a nós. Esforço de superar. insatisfatória e impessoal.76 naquele momento exato faltou a Plena Atenção. Esforço de evitar. salutar. Esforço de manter e desenvolver. 1. com esse rotular do pensamento o fluxo será cortado. A meditação é já em si. desenvolvemos a capacidade de observar o contato físico e mental. devemos imediatamente observar e rotular aquele estado negativo. benéfico para o progresso espiritual. *7 OS QUATRO ESFORÇOS MENTAIS Os Quatro Esforços Corretos. Esforço de fazer surgir.. 4. A meditação do Amor Universal fundamentalmente é este terceiro tipo de esforço. é um esforço para fazer surgir os estados positivos de consciência que ainda não surgiram. Toda vez que surgir na mente qualquer estado de consciência. como aos demais.

como quando a deixamos também parada depois de concluído o respectivo trabalho. Observar e estar atento ao momento presente é meditação. Vem a ser sonhadores distraídos de olhos abertos. a vigilância e consciência de nossas emoções. como também os sentidos obtém mais agudeza. No treino da meditação pode acontecer que a concentração. quando exercemos as funções naturais devemos estar conscientes disto etc. tornaram-se escravos de seus hábitos. logo a seguir. resolvendo nossos problemas e dificuldades. de maneira que passem a esquecer-se de tudo o mais. devemos estar conscientes do comer. Mas o certo é que a mente deveria permanecer tranqüila e passar a funcionar eficientemente apenas quando solicitada." . negligenciar muitas vezes afazeres e obrigações necessárias. de um modo geral. Estes. O importante da meditação de Plena Atenção é desenvolver. A meditação de Plena Atenção não interfere na realização de nosso trabalho cotidiano. Carpenter escreveu: "A capacidade da maquina mental aumenta consideravelmente quando a empregamos com concentração e só para um determinado trabalho de cada vez. Apenas uma pequena parte dos pensamentos que ocupam nossa mente é funcional. assim. é um incessante monólogo interior e desatenção que nos desgastam inutilmente. e não observadores atentos de raciocínio correto. Não percebemos a maioria deles. pensamentos e ocupações. Tal atitude ou hábito na vida cotidiana é nocivo. que deveria ser utilizado somente quando solicitado. nas nossas atividades cotidianas. Entretanto. A maior parte do que pensamos é inútil. uma constante preocupação em pensar nas coisas que devemos lembrar e fazer. depois de ter sido utilizado. imediatamente observemos este fato e. tornando-os escravos dela. para mantermos o controle dos fatos. obtiveram resultados intuitivamente. lembrando-nos e orientando-nos em nossos afazeres. em vez de senhores das suas mentes. um verdadeiro instrumento que se põe de lado. à tarefa que estávamos executando. No decorrer do dia. acima descrito. em todas as horas e situações. Pela maior capacidade de observação. em todas as épocas e em diferentes ramos de atividades. Ela vem a ser. Há. em todos os momentos da vida. transforme-se num hábito quase involuntário. em alguns indivíduos. retornemos à atenção. e não temos consciência disto. seja na leitura de um livro. palavras. Deveríamos adotar progressivamente o treino da meditação. devemos nos concentrar unicamente no que fazemos. a tranqüilidade interior se desenvolve e a consciência mais lúcida torna o homem mais senhor de si. isto nos sobrecarrega e desgasta de tal forma que inibe e perturba nossa capacidade de trabalho e energia criadora. em nós. A mente pode ser comparada a um arquivo. devido a seu concentrado poder de atenção. embora isto seja difícil nas condições em que vivemos. são executados quase que automaticamente pelos condicionamentos do hábito. A atenção concentrada desenvolve a intuição e torna mais clara e rápida a faculdade de raciocínio. especialmente nas grandes cidades.77 No Ocidente. involuntariamente. finura e perspicácia. o que acontece. É necessário estarmos vigilantes e atentos a todas as atividades. análise e decisão. seja na realização das diferentes atividades diárias. Assim. quando executando uma determinada tarefa. pois nossos atos e pensamentos. Pelo contrario. homens célebres. quando comemos. ao percebermos que a mente se desvia do objeto da nossa ocupação. Isto e possível mesmo para pessoas de muitos afazeres e responsabilidades que pretendem não ter tempo para meditar.

Os mosteiros foram construídos com a finalidade de abrigar monges. A meditação no retiro abrange o dia inteiro até a noite.78 Retiro de Meditação Não há dúvida que levar uma vida retirada das agitações e dificuldades. Ao acordar. um par de saltimbancos que fazia acrobacias numa vara de bambu. PROTEÇÃO MEDIANTE A PLENA ATENÇÃO *4 Certa vez o Bem-Aventurado contou a seus monges a seguinte estória: Houve uma vez. "Protegerei os outros" (dessa forma devem as bases da plenitude mental ser . núcleos de estudo e de cultura. etc. além de centros espirituais. disse o aprendiz: . certamente. ouvindo o colóquio disse: . desta forma. Mas. Desta forma. é semelhante ao primeiro estado de renascimento da consciência e ao último estado de consciência no momento da morte. possamos prestar melhores serviços ao meio social em que vivemos. isto é. o treino de meditação é logo posto em prática e se prolonga até ao anoitecer. A meditação de Plena Atenção nos retiros e praticada durante períodos de tempo variáveis de três a vinte e um dias.. serem postas em prática).Assim não. fortalece-nos para que. ou mesmo como exercício moral e espiritual. a fim de aperfeiçoar a mente e o caráter. trabalhando. Um dia. cada um de nós protegendo e guardando a Si mesmo. melhor desempenharemos nossas tarefas. . o mérito não é menor no caso do indivíduo que prática o Budismo no meio de seus semelhantes. andando.Apóie-se nos meus ombros e suba na vara de bambu.Agora proteja-me bem. mestre. ajudando-os e prestando-lhes serviços. Ali são praticadas as diferentes modalidades de meditação. seremos capazes de mostrar nossa habilidade. Assim. é muito agradável O retiro num mosteiro de meditação. os mosteiros budistas tornaram-se. pessoas que consagram a vida inteira ao desenvolvimento espiritual. Protegendo-nos e vigiando-nos mutuamente. . não permitindo a contemplação. deveis proteger-vos. ao sair. O Buda. sentada.Mas. teremos bom proveito e desceremos com segurança da vara de bambu. ó mestre.Assim é que está certo. já descritas anteriormente.Assim que o aprendiz o fez. disse o mestre-acrobata a seu aprendiz: . O sono3 é um estado de subconsciência.acrescentando ainda: . enquanto eu também protegerei a mim mesmo. e auxiliar e orientar o desenvolvimento daqueles que os procuram. Vós. que passava. longe dos ruídos e das freqüentes solicitações. Este estado de fraca consciência diminui a capacidade de concentração. pela manhã. falou o mestre: . que eu o protegerei.é exatamente como diz o aprendiz: "Eu mesmo me protegerei" (da mesma forma devem as Bases ou Quatro Fundamentos da Plena Atenção Mental –Satipatthana -. .

quando se dá tanta ênfase no serviço social. não é a proteção egoistica. protegeremos os outros" . Mas qualquer observação unilateral desvirtuaria o ponto de vista de Buda. Neste sentido. entretanto. das relações do indivíduo com a sociedade.79 praticadas). ser tentada a observar. surpreende-nos ver que gradativamente novas perspectivas se abrem ao nosso entendimento. iluminadas por essas verdades. Sua essência está contida nestas duas sentenças: "Protegendo-nos a nós mesmos. protegeremos os outros. protegeremos a nós mesmos. Todo aquele que está mergulhado no atoleiro não pode ajudar os outros a sair dali.a verdade desta assertiva principia num nível muito simples e prático. na estória. Protegendo os outros." . abstenção de álcool e outros tóxicos. Hoje em dia. este texto contêm uma importante mensagem para nós. A autoproteção. Tais verdades são aplicáveis em vários níveis de compreensão e são válidas em muitos aspectos de nossa vida. O cuidado e a circunspecção.E como fazer para proteger a si mesmo e proteger os outros? Pela repetida e freqüente prática de meditação. o Buda aprova expressamente as palavras do aprendiz. é o autocontrole. que se acham ocultos como um tesouro enterrado. isto é. desconhecido e sem uso. Resume. protegeremos os outros. Este primeiro nível material da verdade é tão evidente por si mesmo. se se deseja proteger os outros da dor. "Protegendo-nos a nós mesmos. uma pessoa pode. Assim. O Indivíduo e a Sociedade O Sutta trata das nossas relações com outrem.E como fazer para proteger os outros e proteger a si mesmo? Pela paciência e Pela indulgência. protegerão os outros do sofrimento que lhes pode advir em conseqüência de nosso descuido ou negligência. Após atingirmos o primeiro ou o segundo nível." Estas duas sentenças completam-se mutuamente e não devem ser tornadas ou observadas separadamente.) Este sutra pertence ao número considerável de ensinamentos importantes e eminentemente práticos de Buda. Mediante uma conduta cuidadosa. a atitude do Budismo ante os problemas do indivíduo e da ética social. É óbvio que a proteção à própria saúde envolvera a proteção da saúde do nosso próprio ambiente. autocontrole em . é o autodesenvolvimento ético e espiritual. apenas a segunda sentença. "Protegendo-nos a nós mesmos. protegendo os outros. no tocante aos nossos atos e movimentos. Pela bondade e compaixão. Isto também autentifica as duas grandes verdades do nosso texto. Tem de ser relembrado que. (Satipatthana Samyutta n° 19. por exemplo. do egoísmo e do altruísmo. que se tem primeiro de observar cuidadosamente Os próprios passos ou ações. as quais examinaremos agora minuciosamente. Há algumas grandes verdades que são tão compreensíveis e profundas. e o fato de ele ainda estar lacrado com o selo da Plena Atenção (Vigilância) é um apelo adicional á nossa atenção. por uma vida pura e de não-violência. tanto o mais próximo quanto o mais remoto. que até parecem ter uma escala cada vez mais larga de significações e se expandem com a nossa própria capacidade de compreensão e prática nas mesmas. de modo sucinto. em apoio a suas idéias. protegeremos a nós mesmos. a autoproteção constitui a base indispensável para a proteção e a ajuda a ser dada nos outros. especialmente quando se trate de doenças contagiosas. . que apenas precisamos dizer umas poucas palavras a seu respeito.

começaram ou foram atiçados por um simples indivíduo. de nossa parte. A História tem mostrado que os grandes e destrutivos embustes das massas. aqueles seres humanos que são objetos passivos. ou é provável que despertemos ressentimentos e espírito de competição. nos tornará. A autoproteção moral salvaguardará os outros. não se saberá a exata e efetiva significação da proteção e da ajuda. os outros seres humanos estarão livres de nosso impudente apego ao domínio e poder. Poderá. . contagiantes fanatismos e embustes. se nos protegermos e tornarmo-nos tão imunes quanto possível contra essas maléficas epidemias. Poder-se-á divisar o perigo somente quando já for muito tarde. Portanto. dos preconceitos. por exemplo. conseqüentes do nosso ódio. Se permitirmos que as três raízes de todo o mal . ou por um pequeno número de pessoas. A cobiça e o ódio são realmente como as doenças contagiosas. Se não pensamos em outra coisa. ou os seus haveres objetos de nossa cobiça. A cobiça e o ódio tem poder contagioso e. da nossa inveja e do nosso ciúme. de nossas próprias paixões desenfreadas e impulsos egoístas. Nosso mau exemplo pode servir de padrão de comportamento dentro de nosso meio ambiente. asfixiando toda vegetação sadia e nobre que germina ao redor. ilusões e embustes de uma simples pessoa. muitas vezes. protegeremos os outros das danosas conseqüências cia nossa própria ignorância.de todos esses e de muitos outros modos -. seus efeitos letais multiplicam-se. com a autoproteção mediante sabedoria e conhecimento. Nosso ódio talvez cause o ódio e a vingança aos outros. sabemos muito bem quanto mal pode ser feito aos outros através da estupidez. Estarão livres de atos dilacerantes ou até destrutivos e criminosos. Protegeremos os outros. de uma atmosfera de antagonismos e disputas que tornam insuportável a vida para aqueles com quem convivemos.achem guarida em nossos corações. a nós mesmos e ao nosso ambiente. influenciar nossos colegas de trabalho. O Nível Ético Chegamos agora ao nível ético dessa verdade. Mas. o embuste ou a ignorância. pelo menos até certo ponto.o apego. adquirir e possuir.80 situações que possam conduzir à violência . o ódio e a ignorância . ao protegermos a nós mesmos. Também pode acontecer que nos aliemos a outros ou os instiguemos a atos comuns de ódio e beligerância. de nosso ódio. Sem sabedoria e conhecimento as tentativas para protegermos a nós mesmos e aos outros quase sempre fracassarão. Os nocivos efeitos de nossa cobiça e ódio sobre os outros não se limitam. de nossos preconceitos. da difusão. das nossas explosões de ira. da irreflexão. se nos protegermos contra as três raízes do mal. conservar e apegarmo-nos. podemos proteger os outros. mediante a sabedoria e o conhecimento. ou vítimas. imunes contra os perniciosos efeitos de tais influências. então os ramos dessas raízes irão disseminar-se e alargar-se como parasitas selvagens. portanto. Proteção Pela Sabedoria Com relação à terceira raiz do mal. Se somos dominados pela sensualidade. da nossa desenfreada luxúria e sensualidade. então podemos fazer surgir e fortalecer esses instintos possessivos também nos outros. etc. todavia. senão em desejar e arrebatar. individual e socialmente. avivando nos outros o desejo de vencer-nos na corrida. podemos atiçar o fogo da luxúria nos outros. Nossa conduta talvez induza outros a imitar-nos na satisfação comum de desejos vorazes. não se poderá fazer previsão para o futuro. A autoproteção.

Portanto. o de pôr em ordem. Tal prática constante deve estender-se também ao nível do aperfeiçoamento meditativo. causada por uma forçada supressão dos impulsos. ao próximo nível. entretanto. Esta é a mais alta forma de proteção que nosso mundo pode proporcionar (à parte dos aperfeiçoados Estágios de Santidade). recalcado. Assim. tornar-se-ão nossa propriedade mental. emocional e intelectual. que é o mais elevado na interpretação do texto. A preocupação com as atividades sociais não podem servir de escusa ou fuga ao primeiro dever. que não se poderá perder de novo facilmente.” À autoproteção moral faltará estabilidade. resultará tão fútil quanto manifestadamente incompleta. Mesmo que alguém temporariamente seja bem sucedido em dominar os impulsos passionais ou egoísticos. Todavia. Por outro lado. de nossa parte. mas também aos outros. quando ocorre tão naturalmente como o fechamento protetor das pálpebras ante o mais leve contato com um corpo estranho. aquele que diligentemente se devota ao auto-aperfeiçoamento moral e ao autodesenvolvimento espiritual será uma força ativa e poderosa para o bem da Humanidade . Se deixarmos intactas as fontes reais ou potenciais do mal social dentro de nós. o nosso sutra fala de cultivo mental . o mal poderá não só atingi-lo. mas uma conquista alcançada. mostrando que os ideais de uma vida pura e isenta de egoísmo podem ser realmente vividos e não são apenas tópicos de sermões. agora. A paz e pureza que ela irradia subjugarão o poder e serão uma . resumidamente. É ele expresso nas seguintes palavras do Sutta: “Como pode alguém. a força e extensão do impacto que nossa própria vida privada pode ocasionar na vida dos outros. é que então nossa estatura moral proporcionará real proteção e segurança a nós mesmos e aos outros. emocional e intelectual de autoproteção moral e espiritual. não só nesta vida. protegendo-se a si mesmo. movidos por um espírito de responsabilidade social. os motivos práticos. Seu silencioso exemplo. buscará saída na conduta externa e tornará o indivíduo irritável. Se somos.81 Indicamos. *9 Uma mente meditativa vive em paz consigo mesma e com o mundo.bhavana. o insolúvel conflito interior lhe impedirá um progresso moral e espiritual e lhe atingirá o caráter. como também em existências anteriores. Os desejos passionais e as tendências egoísticas provavelmente atingirão maior intensidade se se tentar silenciá-los por pura força de vontade. se essa constante prática do bem situa-se apenas no nível prático. na medida em que permaneça como uma rígida disciplina. nossa autoproteção tornar-se-á bastante forte para que possa também proteger os outros. em virtude de um método errado de autoproteção. Só quando a autoproteção moral se tornar uma função espontânea. só pela prática constante. a nossa própria casa. Por isso. a desarmonia interior. Pela meditação. suas raízes não se firmarão e aprofundarão suficientemente. isto é. de autodesenvolvimento moral e espiritual. Além disso. não nos devemos esquivar da árdua tarefa da autoproteção. O Nível Meditativo Passaremos. dominador e agressivo para com os outros. Essa naturalidade da conduta moral não uma dádiva dos céus.mesmo sem engajar-se numa atividade social externa. reforçada por uma luta de motivações e hábitos conflitantes de conduta e pensamento. Nenhum mal ou violência dela pode advir. antes de mais nada. por si só. proteger os outros? Pela prática repetida e freqüente da meditação. dará ajuda e coragem a muitos. qualquer atividade social externa. diz o nosso sutra que. pela prática e aperfeiçoamento repetidos.

enquanto. conforme acontece no caso de várias doutrinas "totalitárias". Aquele. tanto para os jovens como para os adultos. isto é. todo aquele que busca autoproteção às expensas dos outros. Estes dois grandes princípios de autoproteção e proteção a outrem são de igual importância. A compreensão destes dois grandes princípios de Autoproteção e Proteção a Outrem. A autoproteção moral é a base indispensável. Proteção aos Outros Temos agora de considerar a segunda parte da palavra do Buda. onde a equanimidade corresponde à sabedoria e autoproteção. Aquele que não usa da força ou coerção raramente tornar-se-á. Aquele que é paciente e indulgente evitará conflitos e querelas e transformará em amigos todos aqueles aos quais demonstrou uma paciente compreensão. E como? Pela paciência e indulgência. Em verdade. aliás. Paciência. Mas a verdadeira autoproteção só é possível quando não entra em conflito com a proteção dos outros. Quando a compreensão e o reconhecimento do valor de uma vida meditativa se extinguirem numa nação. a Compaixão e a Solidariedade humana correspondem à compaixão e proteção aos outros. que é um complemento necessário da primeira: "Protegendo os outros. o Buda. é de vital importância para a educação budista. objeto de violência. Será um fator positivo na sociedade. A existência do seu desenvolvimento harmonioso constitui um traço característico de todo o Dharma (Doutrina). nos quatro Sublimes Estados*10. protegemo-nos a nós mesmos. ou social. será o primeiro sintoma da deterioração espiritual. bem como jamais a provocará. por uma vida não-violenta e inocente. Bondade e Compaixão. em condições normais. mesmo que viva em reclusão e silêncio. enquanto que a Bondade. Agora compreenderemos melhor como essas duas sentenças complementares do texto se harmonizam. Por outro lado. entretanto. a proteção aos outros não deve conflitar com os quatro princípios. quer para a ética individual. estes dois . Aquele que tem amor e compaixão por todos os seres e é livre de hostilidade vencerá a má vontade dos outros e desarmará o violento e o brutal. cimenta uma base sólida. não apenas se degrada. na concepção budista de autoproteção. Sabedoria e Compaixão. Não-Violência. proteger-se-á a si mesmo de modo melhor que qualquer arma poderosa ou força física poderão fazê-lo. são eles. ou Iluminação. sendo os elementos característicos de Bodhi. Seu benéfico impacto. logo a dissipará. não se detém no nível ético. Autoproteção e proteção a outrem correspondem as duas grandes virtudes: Sabedoria e Compaixão. e nem deve interferir com o livre desenvolvimento espiritual do indivíduo. cujas relações com o próximo são governadas por esses princípios. como rnanifestações das virtudes da Sabedoria e Compaixão. A correta autoproteção é a expressão da sabedoria e a correta proteção aos outros é o resultado da compaixão. Pela bondade e compaixão. mas conduz o indivíduo às culminâncias da mais alta realização do Dharma. Encontramo-lo. se acaso encontrar violência. e estabelecem a harmonia entre ambas. ao mesmo tempo.82 benção para o mundo. no sentido do bem-estar social. mas também se expõe ao perigo. assim como não perpetuará a situação através da vingança. na proteção aos outros a violência e a interferência não encontram guarida. E. encontraram a mais elevada perfeição no Integralmente Iluminado. Assim. todo egoísmo é excluído. por exemplo. Um coração compassivo será o refúgio de todo mundo.

Suzuki: "Na realidade. Inteligência Suprema ou Consciência Cósmica. filosofias. Na medida em que despertamos e entramos em contato com a realidade. etc. o homem desenvolve mais o intelecto. exterior ou superficial. A intelecção e a conceituação só são necessárias para compreender as nossas próprias limitações. guiando-nos por cia e devotando-nos à sua prática. O intelecto é necessário para determinar. que constituem a pedra fundamental na construção do caráter. sendo que a sexta depende da faculdade mental . atribuindo-lhe o cetro das conquistas. o inconsciente é o que é mais íntimo e. que criam novas necessidades. temos dificuldade em deitar-lhe a mão. Várias condições contribuem para o embotamento da mente consciente: os condicionamentos as coisas do passado. subjetiva. representados pelas crenças. teorias e conceitos. o inconsciente torna-se consciente e. O tornar-se. enquanto não temos consciência da realidade. Admite-se que a maior parte de nossas capacidades mentais estejam latentes na mente inconsciente4. percebe pela intuição. concepções etc. vê. Pela mesma razão por que o olho não pode ver-se a si mesmo. obrigando-nos a desejar o que julgamos melhor. "Eu protegerei a outrem. deixa de ser inconsciente. idéias. interior ou profunda. não há nada de que não tenhamos consciência. onde está a realidade. À medida em que há progresso na mente consciente." Assim devemos estabelecer nossa vigilância e devotarmo-nos à prática da Plena Atenção." **11 MENTE CONSCIENTE E SUBCONSCIENTE A mente abrange a mente consciente e a mente inconsciente. O raciocínio e intelecto são as funções mais importantes da mente consciente. Através da mente subconsciente podem ser adquiridas as faculdades de clarividência. consciente do inconsciente requer um treinamento especial por parte da conscienda. “Eu protegerei a mim mesmo. em certas religiões. O inconsciente cósmico só é inconsciente enquanto estamos separados dele. e merecem um lugar de relevo na atual tentativa. telepatia."*12. A mente consciente. de renascimento do Budismo. quando isso acontece.indriya . de âmbito mundial. aos quais a mente se apega em função da procura e do desejo de segurança e de satisfação dos sentidos. tem conhecimento do mundo objetivo através das seis faculdades dos sentidos. sente e percebe sem auxílio intermediário dos órgãos dos sentidos. tendo sempre em mente que ele não se transforma em intelecto reflexivo. precisamente em virtude dessa intimidade.83 princípios. bem como a felicidade e o bemestar de muitos. é clarividente. A mente inconsciente. portanto. visando nossa própria libertação. O subconsciente ou superconsciente. desenvolvida na prática da Plena Atenção ou Vigilância. levitação. Como diz o Prof. mas a realidade só é captada quando o intelecto renuncia a suas pretensões sobre ela. voluntária. é interpretado como a presença de Deus. Tornar consciente o inconsciente significa viver em verdade.” Assim devemos estabelecer nossa plena Atenção mental. isto é. é que a mente se libertará desses condicionamentos. pensamentos. Somente pela introspecção. .que está em relação com os objetos mentais. conhecida como mente objetiva. conhecida também como subconsciente. devido ao conhecimento. esse objetivo da apreensão dinâmica e plena do mundo é que é o objetivo da meditação budista. em todos os campos da atividade humana. dando-lhe maior importância. embora vagamente.

como em raros casos espontâneos que surgem na vida comum. antes. ou iddhi em páli. a utilizá-lo em seu próprio favor. denominadas siddhis em sânscrito. do qual ele não é consciente. Assim. é um resíduo de idéias supersticiosas. se diz habitualmente que este poder provém de Deus. Só funcionam nos planos do “eu” que está sujeito ao desejo e. harmoniosa e benéfica. possibilitando a sabedoria do subconsciente vir à superfície. quando normais. Quando os homens usam o poder da mente concentrada de uma forma construtiva. O iogue Ramacháraca diz: “É verdade que alguns. sob a forma de poder. Essas manifestações psíquicas algumas vezes estão ligadas ao desenvolvimento espiritual. Esta mente. ou para eletrocutar alguém. manifestam-se em maior ou menor grau de desenvolvimento. aquecimento.) Percepções Psíquicas Pode-se definir a mente como a soma da ação psíquica consciente e inconsciente. habitualmente. que tais capacidades existem em todos os seres humanos em estado latente." (Dr. etc. Pelo treino da meditação. ó discípulos. além de constituir um grande perigo para sua saúde. regressão de memória (lembrança das vidas remotas). a manifestação das energias psíquicas e mentais – iddhis . projeção (saída no corpo astral). etc. estão na mente do homem. Joseph Murphy. como também são constatados casos bem conhecidos da história e da vida contemporânea. ocorre o desenvolvimento e o aguçamento dos sentidos psíquicos. dificultando a espiritualidade. por exemplo. ou parcial consciência da sua natureza real. psicocinesia (ação mental sobre a matéria). revelando todo o conhecimento acumulado e arquivado. Podemos usar a eletricidade para fins utilitários. são conhecidos os casos de magia negra. é luminosa mas é maculada (no homem comum. quando despertadas. podem cometer o erro de utilizar o poder da vontade despertada para fins egoístas.) A medida que o homem progride no caminho.. quando usam o poder da mente de forma negativa." *13 Convém salientar. espírito do mal.é percebida. que traz consigo um aumento do amor altruísta e benevolência. justiça e compaixão. telepatia (transmissão de pensamento). demônio. adquirindo as pessoas as faculdades conhecidas como clarividência (percepção extrasensorial). “A crença em dois poderes. Portanto. e. vaidades e exibições. luz.. dependem do uso que fazemos delas. Esta mente. sem compreender o que isso tudo significa. mas faltou-lhes a influência dos ensinamentos superiores. diz-se que provém de Satã. e sua influência é sentida no ambiente das relações na vida diária. Estas faculdades nada mais São que resultados da libertação das energias psíquicas mentais. ó discípulos. O mau uso do poder da vontade só traz sofrimentos e inquietações. Telepsiquismo. o do bem e o do mal. nãoesclarecido) por manchas adventícias. premonição (antevisão de ocorrências futuras).. Todas estas pessoas de grande poder psíquico chegaram cegamente à consciência. é luminosa e é livre das manchas adventícias no Nobre Ser5.84 adquirindo tranqüilidade. chegando é consciência da sua natureza real. o bem e o mal. etc. Assim como a . não é uma capacidade espiritual mas. portanto. são exercidos consciente e voluntariamente. e podem levar facilmente o indivíduo ao orgulho. já que resulta de algo que se passa no corpo do homem. nessa questão. mas nem sempre caracterizam espiritualidade. (Anguttara-Nikaya I. Mediunidade. As forças da natureza não são boas nem mas. mover máquinas. uma anormalidade. Esses poderes e capacidades. em realidade.

ou mesmo á morte. a mesma verdade se aplica também á nossa mente. As leis da natureza são impessoais e implacáveis. um movimento do seu próprio pensamento. esta manifestação. Os feiticeiros não têm nenhum poder. buscá-los intencionalmente. que se torna. avisam-na de que foi amaldiçoada. no Budismo. eles ferem a própria pessoa. que é uma das formas da percepção supraconsciente. Gautama Buda prevenia os monges em não usar de poderes psíquicos. Porém. No Budismo não há nada oculto. astrologia etc. em todas as circunstâncias. denominada. esta obedece à sugestão. sua fala foi interrompida por um sacerdote de nome Shinshu que acreditava em milagres e pensava que a salvação vinha da repetição de palavras sagradas. ou interpretação de sonhos. quiromancia. apontava o fazer profissão do magnetismo. e como os pensamentos são criadores. encontrando um asceta que praticava austeridades durante muitos anos. hipnotismo. empregava a palavra. Certa vez. O Buda mostrou que o desenvolvimento de poderes psíquicos. entre as maneiras errôneas de viver. também qualquer outra manifestação conseguida através do hipnotismo. portanto não devemos lidar com forças que não conhecemos. trauma. sem estar fundamentado numa forte moralidade. porém quando querem rogar uma praga para uma pessoa. se. ou repudiá-los caso surgissem espontaneamente. não sabemos o que é um isolante ou um condutor. Por exemplo. incapaz de continuar a palestra. perguntou-lhe o que pretendia obter após tanto esforço. comprova-se a existência do pode psíquico. cartomancia. podendo leva-las a perturbações mentais. o Bem-Aventurado.” No livro An Introduction to Zen*14 encontramos um lindo texto. especialmente no que concerne aos ensinamentos da Doutrina que aguçam a compreensão. e somente a palavra. Por esse motivo. porém não se lhe dá importância fundamental. achava que não se devia renunciar a tais poderes. que se segue: Certa vez. previsão do futuro. corremos o sério perigo de sermos eletrocutados. Quando. não é objetivo da vida espiritual e. pode causar espanto. . Mestre Bankei. aparece a manifestação da plena consciência da força do nosso corpo astral. o fato é considerado e analisado da mesma maneira como observamos e analisamos os fenômenos do mundo físico.85 mediunidade. o asceta orgulhoso respondeu que queria conseguir o poder de atravessar o rio andando sobre as águas. quando o mestre Bankei calmamente pregava a seus seguidores. um modo barato de atrair o povo. então.. pois considerava tal procedimento uma fraqueza. Respondeu o Buda: “Vais lucrar muito pouco com tanto trabalho e desperdício de tempo. aparecendo espontaneamente. pois com algumas moedas poderás conseguir que um barqueiro o leve em poucos minutos. desconhecendo as leis da eletricidade. perguntou ao sacerdote o que queria ele dizer. percepção psíquica aguda ou “despertar do Kundalini” (força vital no Ioga). Entretanto. aparecendo em pessoas não esclarecidas. ou qualquer processo em que o homem se torne passivo e sujeito a intervenções alheias. repentinamente.

pelo ar.Não. com uma coroa de fogo na cabeça. causando inundações. magos e faquires para . quando estou com fome. Gautama Buda colocou-os em salas separadas e deixou-os à vontade. Até uma pequenina pena caída da asa de um pássaro pode provocar um trovão em longínquos mundos. mas provocar um imprudente e irrefletido desequilíbrio na Natureza não deve ser ocupação de um sábio: *15 Contra Exibições de Poderes Psíquicos Conta-se que.86 . Decorrido algum tempo. apressate para ajudar as vítimas! Para o terceiro disse: . perdoar.estava na margem de um rio com um pincel na mão.só posso fazer pequenos milagres como: comer.continuou o sacerdote .O ser bestial vermelho. onde estava pendurada. .disse Bankei .O fundador da minha religião. Os Três Magos e o Buda Certa vez. Vieram muitos iogues. quando insultado. se percebessem poderiam dirigir a atenção acima dos limites terrestres. beber. que você materializou.O dragão com rosto de donzela. porque o principal milagre da existência vocês não perceberam. nada mais é senão o fogo que você mesmo extraiu do abismo infinito. E o fundador escreveu o Santo nome de Amida no papel. seus pensamentos concentrados atraíram ondas de elementos das forças da natureza. com isso queimou casas de indefesos. Certa vez. O desequilíbrio causado por esse maior condensamento. que você materializou e viu. Seu discípulo estava na outra margem segurando uma folha de papel. Vai depressa e ajuda-os! Para o segundo disse: . três mestres de magia pediram ao Buda para demonstrarem seus poderes psíquicos (milagres). já mantemos contato com o Universo. nada mais é senão as ondas que você desviou do seu ritmo normal.A águia gigantesca voando que você viu. quando tenho sede e. Respirando o ar. Não perceberam a existência fora da forma. Cada um contou fatos diferentes. Continuando presos à matéria. provocou abalos em várias regiões da terra. através das práticas do joga. corre e compensa as perdas! Continuando. não se apegando ao nome e forma. Devadata6 conseguira desenvolver grandemente os poderes psíquicos. foi o furacão que destruiu toda a safra dos lavradores. chamou-os e pediu que contassem o que tinham conseguido fazer. vai. . disse aos magos: . Um sábio de verdade sempre se eleva. um Marajá ofereceu uma rica taça de ouro incrustada de pedras preciosas ao homem que pudesse alcançá-la sem subir no topo do bambu. Buda disse: . através do rio. Para o primeiro. Podes fazer algo tão milagroso? .Onde está a utilidade desses poderes? Devem concordar que os milagres não são úteis.

ó discípulos. E Devadata morreu colhido pelas areias movediças. tanto faz que estes fenômenos se manifestem na materia do corpo físico. os fenômenos psíquicos são manifestações da consciência por meio da matéria. se o quebra. Foi para a cidade e começou a pregar contra ele.O bom discípulo não deve quebrar o voto de castidade. assim. por egoísmo ou proveito pessoal. nem de nenhuma qualidade sobre-humana. Indignado. tendo a mesma seqüência do mundo físico em relação as nossas faculdades dos sentidos.87 tentar a prova. Quem tenta fazer milagres. Apesar de toda a sua clarividência. não vos deveis valer de feitiços nem de orações. perto do Marajá. Em vão invocaram os seus poderes ocultos. não compreendeu a doutrina do Tathagata. Devadata foi procurar Gautama Buda e narrou-lhe o ocorrido. . O discípulo que. Certa tarde.*17 Gautama Buda não diferencia o mundo físico do psíquico ou astral. de ter visões celestes." E os aldeões dirão: "Certamente é uma felicidade que estes santos varões venham entre nós na estação da chuva. quando é que um discípulo deixa de o ser? Sariputra respondeu-lhe: . ia-se elevando no ar. e concentrou toda a sua força mental. levitando. porque são inúteis. O discípulo correu para salvá-lo. E. ambos são produções mentais. possui faculdades sobrenaturais e pode fazer milagres. E o povo assombrado viu que Devadata. São apenas demonstrações vãs. meu filho? Nada significam para o teu progresso espiritual. O psíquico é o resultado da ação mental. não viu o perigo e. Buda sorriu e respondeu serenamente: . não é discípulo de Sakyamuni. ou de agir por meio de milagres. O bom discípulo não deve vangloriar-se de virtude. Contente com a façanha. ou seja astral e mental. ó discípulos. Sentou-se no chão. Mas este continuou sereno e deixou Devadata entregue ao seu próprio destino. conseguiu obter a taça sem subir no bambu.De que valem estes poderes. Sabendo do que se passava. Devadata resolveu competir." Quando o Buda soube disto. desolada pela fome. Deste modo o povo nos dará oferendas de boa vontade e não sofreremos fome. O bom discípulo não deve tirar a vida a nenhum ser inofensivo. começou a afundar. formigas ou outros insetos. de repente caiu em areias movediças. sequer a de um verme. como do psíquico e psíquico-sutil. desesperado. Devadata irritou-se com a resposta de Buda e abandonou-o. *16 Quando um Discípulo de Buda Deixa de o Ser Na estação das chuvas. já que tudo está regido pela lei do carma. mandou que Ananda reunisse todos os discípulos e disse-lhes: . muitos discípulos se estabeleceram na comarca de Vriji. teve visões celestes. se envaidece de possuir faculdades extraordinárias.Dizei-me. Assim. aos poucos. . mas nada conseguiu. não é discípulo de Sakyamuni7. quando Devadata caminhava pela floresta junto com um de seus discípulos.Assim. Um dos discípulos propôs aos seus irmãos que se elogiassem mutuamente perante o povo dizendo: "Este monge é um santo.

inconscientemente. Porque. ou subconsciente.B.) *8 Resumo da conferência do Ven.) *12. Apostila da S. fórmulas a um químico. cap. e. O exercício de concentração na respiração também pode ser praticado com a mente concentrada nos movimentos de subida e descida do abdômen na inspiração e na expiração..B. respostas e previsões relativas a assuntos nos quais nossa atenção está concentrada. Amigos e inimigos. T. Nyanaponika Mahathera. *3 Veja o discurso sobre o Estabelecimento da Plena Atenção. (Luz no Caminho. Mas há de ser o eterno o que deve desenvolver a tua força e a tua beleza. V. "Os sonhos são dramatizações do subconsciente. Ceilão. O artista puro. está menos condicionada às palavras "entrando e saindo". em realidade. 5. parece melhor. Erich Fromm. São Paulo). idéias. 4. na realidade. está algumas vezes mais firmemente colocado no verdadeiro caminho de que o ocultista que imagina haver apartado de si o interesse próprio. não há diferença de princípios entre os dois modos de ver e observar. somos capazes de receber informações intuitivas do subconsciente com relação a um assunto no qual a nossa atenção está concentrada.. . e não o desejo de crescimento. que trabalha por amor sua obra. 1. (Dr... por esse motivo são eminentemente pessoais. 1970.B.. Suzuki. porém que. no primeiro caso. ações e pensamentos. Mabel Collins. 2. os animais também sonham." (Dr. pode nos oferecer sugestões. **5 Também chamada "posição de lótus". no outro. para nós. Editora Pensamento. Telepsiquismo.) *1 Veja meditação do Amor Universal *2 Iogue Ramachácara. Cultrix. Joseph Murphy. *6 Em parte. Raja Yoga. com uma mente bem dirigida criamos nossos amigos e quando mal dirigida criamos nossos inimigos.. do Monge Kaled Amer Assrany.B. Cresce como a flor. não existem. de língua portuguesa. . D. são formações mentais criadas pelas nossas palavras. *7 Observação dos Sete Fatores de Iluminação: **8 Veja Sabhasava Sutta (Todos os obstáculos) 3. novas idéias a um inventor (cientista). Bhikkhu Anurudha. diagnósticos a um médico.. te endureces com avassaladora paixão da importância pessoal. **11 Em síntese. publicada Pela Buddhist Publication Society Kandy. florescerás com a beleza da pureza. Joseph Murphy. mas ardendo em ânsias de entreabrir sua alma à brisa. Nobre Ser é o Discípulo que entrou na Corrente.88 No Budismo todos os planos da consciência são formações mentais sempre ligadas as percepções dos fenômenos objetivos ou subjetivos. abrindo a tua alma ao eterno.. Richard de Martino. em inglês. Assim é capaz de Fornecer previsões financeiras a um banqueiro. *9 Veja Graus de Iluminação *10 Veja "Os diferentes Graus de Dhyana". Satipatthana Sutta *4 Em parte. apenas alargou os limites da experiência e do desejo e transferiu os seus interesses à coisas relacionadas à sua maior expansão de vida. O inconsciente. do Curso de Psicologia do Autoconhecimento-Meditação Budista. . resumo das apostilas da S. Desta maneira. Zen-Budismo e Psicanálise (Ed. do Ven. Assim é como deves avançar. A expressão in e out.

observando a mente. observa: "Rapidamente inspiro. Ao inspirar lentamente. Nova Iorque. primo de sua esposa Yasodhara." Expirando rapidamente observa: "Rapidamente expiro. que conduz à purificação dos seres. São Paulo. segundo. à aquisição da conduta reta. observa: "Lentamente expiro. um discípulo permanece observando a corpo? Aqui. à destruição dos males físicos e morais. observando o diferentes assuntos da Doutrina. expiro"." Ao expirar lentamente. *15 Saint-Hilaire. São Paulo. indo à floresta. Editora Rodemar." Inspirando rapidamente.89 *13 Iogue Ramacháraca. inspiro". *16 Chiang Sing. na literatura do budismo Mahayana é termo empregado para designar Gautama Buda. ou num lugar isolado. Mistérios e Magias do Tibete. compreensivo. dirigiu-se aos discípulos como se segue: . observando as sensações." "Sentindo todo o corpo. quarto. Evangelho de Buda. terceiro. Este caminho é o dos Quatro Fundamentos do Estabelecimento da Atenção (Vigilância). ó discípulos. assim ele se exercita. ó discípulos. afastando os desejos e as contrariedades deste mundo. atento.Senhor! responderam eles. 1. assim se exercita. expiro". . DISCURSOS E TEMAS ESCOLHIDOS SOBRE MEDITAÇÃO DISCURSO SOBRE O ESTABELECIMENTO DA PLENA ATENÇÃO: SATIPATTHANA SUTTA Resumo Certa vez. "Sentindo todo o corpo. assim se exercita. . II. atentamente ele expira. o discípulo permanece enérgico. atentamente ele inspira. ó discípulos. Raja Ioga. 7. claramente consciente.Ei-los aí. ao pé de uma árvore. num burgo chamado Kammassadhama. *14 Peter Pauper Press.Vigilância em Relação ao Corpo (Kaya) E como. ele se torna enérgico. compreensivo. "Acalmando as atividades do corpo. Primeiro. atento. E o Sublime falou: . o discípulo se senta com as pemas cruzadas. 1965. observa: "Lentamente inspiro. Rio de Janeiro. Devadata: um dos discípulos de Gautama Buda. Então. Editora Pensamento. à extinção do sofrimento e da tristeza. vencendo os desejos e as contrariedades do mundo. inspiro".Só há um caminho. à realização do Nirvana. "Acalmando as atividades do corpo. Editora Pensamento. *17 Yogi Kharishnanda. permanece atento e fixa a atenção em frente a si. Mount Vernon. observando o corpo.E quais são esses Quatro Fundamentos? .Ó discípulos! . assim ele se exercita. o corpo ereto. Criptogramas do Oriente 6. quando o Bhagavat*1 residia no país dos Kurus. ó discípulos. Sakyamuni.

tais como arroz.(aqui se repete a mesma fórmula acima). ó monges. e esta introspeção está presente nele. sentando. que um discípulo permanece observando o corpo. permanece observando o corpo exteriormente. o discípulo observando o corpo da planta dos pés ao alto da cabeça. também. urinando. intestinos.. tendões. observa: "Rapidamente faço girar. observa: "Faço girar lentamente". falando. olhando em frente ou ao redor. É assim também." Do mesmo também. permanece observando o surgimento e a dissolução do corpo. Assim ele se exercita etc. quando está deitado. Ainda mais. ervilha. ele está perfeitamente consciente disto. que o discípulo permanece observando o corpo. expiro". observa: "Lentamente inspiro. isto é gergelim. ou um aprendiz de oleiro. suor. ele tem plena consciência disto. mucos. permanece o discípulo observando o corpo interiormente e exteriormente. coração. É assim. isto é ervilha. interior e exteriormente. levando a cuia de mendicância e usando vestes monásticas. feijão. levantando. assim. sangue. um discípulo quando caminha. Ainda mais. quando está em pé. torneando lentamente um vaso. observa: "Estou em é". pus. somente para o necessário conhecimento e reflexão. percebe-o coberto de pele e cheio de diversas impurezas. fígado. mastigando. baço. que num saco com duas aberturas. mesentérios. coberto de pele e cheio de diversas impurezas. observa: "Estou deitado". . quando o discípulo vai ou vem.. comendo. ó monges. pelos. rins. Ainda mais. lágrimas. ó discípulos. Acalmando as atividades do corpo. Permanece observando a dissolução do corpo (sensação de não sentir a presença do corpo). ficando liberto e não se apegando a nada neste mundo8. saboreando. "Eis aí o corpo" . estando o corpo nesta ou naquela posição. um discípulo que observa o corpo da planta dos pés ao alto da cabeça. evacuando.90 Do mesmo modo. tem plena consciência disto. ele está perfeitamente consciente disto. unhas. É assim também. ossos. observa: "Caminho". e torneando rapidamente. tendo-o aberto. estando em pé. gergelim. examina os grãos dizendo: isto é arroz. músculos. dentes. saliva. pele. que um discípulo permanece observando o corpo. pulmões. o discípulo tem consciência de estar nesta ou naquela posição. um monge inspirando lentamente. ou guardando silêncio. contendo diferentes grãos. ó monges. andando. permanece observando o surgimento do corpo (sensação de sentir a presença do corpo). ó monges. isto é grão-de-bico. Deste modo. pleura. biles. gordura. grão-de-bico.. então um homem que vê com clareza. Desta maneira. ele pensa: "Há neste corpo: cabelos. adormecendo. excrementos. tem plena consciência disto. permanece o discípulo observando o corpo. estendendo ou encolhendo os membros. observa: "Estou sentado". e quando está sentado. estômago. que um hábil oleiro. ó monges. medula. ó discípulos. isto é feijão. bebendo. Do mesmo modo que permanece observando o corpo interiormente.diz.." Da mesma maneira. urina.

depois de ter despojado a vaca."10 Deste modo. ele se tornará também assim. a percepção dela desaparece e nasce a percepção da carne.. não posso evitá-lo. quando um discípulo vê um corpo morto há um dia ou mais. sinóvia. refletirá sobre seu próprio corpo: "Este corpo tem a mesma natureza. senta-se numa encruzilhada (para vender a carne). saliva. o elemento água.. ele se tornará também assim. o discípulo examina este corpo tal como é. pelos. que um discípulo permanece observando o corpo. É assim também.91 sabe: "Há neste corpo: cabelos. está levando a carne. o elemento fogo. E mais ainda. urina. permanece observando o corpo exteriormente. Assim também. ó monges." . atando-a ao mourão. Do mesmo modo também. levando-a para o matadouro. não posso evitá-lo. matando-a. um homem que trabalha para sustentar-se. não posso evitá-lo. lágrimas. azulado. composto de elementos: "Há neste corpo o elemento terra. No entanto." O açougueiro não se liberta da percepção da vaca enquanto a alimenta. É assim também. unhas. E mais ainda. ó discípulos. ele se tornará também assim.. sentado com a carne à sua frente para vender. o discípulo examina o corpo tal como é composto pelos elementos: “Há neste corpo o elemento terra. e nem mesmo quando vê a carcaça da rês. gordura. quando um discípulo vê um cadáver com o arcabouço ainda unido por tendões. permanece observando o corpo exteriormente. só lhe ocorre o seguinte raciocínio: "Estou vendendo carne. mucos.. ó monges. E ainda mais.. que um discípulo permanece observando o corpo.. que tivesse abatido uma vaca e. quando um discípulo vê um cadáver despedaçado pelos abutres." Porque. inchado.” É assim também. que um discípulo permanece observando o corpo. ó monges. um hái1 açougueiro ou um aprendiz de açougueiro.. essas pessoas estão levando a vaca. permanece observando o corpo interiormente. putrefato. o elemento ar. refletirá sobre seu próprio corpo: "Este corpo tem a mesma natureza. roído pelos vermes. observando: "Meu corpo tem a mesma natureza deste. de fato. tendo-a esquartejado. refletirá sobre seu próprio corpo. Para ele não existe este raciocínio: "Estou vendendo a vaca. essa gente. o elemento ar. o elemento água.." Assim permanece observando o corpo interiormente."9 Deste modo o discípulo permanece observando o corpo interiormente e exteriormente. tendo ainda restos de carne e manchas de sangue. na verdade. ó monges. o elemento fogo. nem quando a descarna e a faz em pedaços a percepção da vaca desaparece. ó monges. Ainda mais. É assim também. que um discípulo permanece observando o corpo.

. que um discípulo permanece observando o corpo.. ó monges. ele refletirá sobre seu próprio corpo: "Este corpo tem a mesma natureza. lá um fêmur. ele se tornará também assim. lá vértebras." Deste modo permanece um discípulo observando o corpo interiormente e exteriormente. ó monges. não posso evitá-lo. porém com manchas de sangue." Assim permanece observando o corpo interiormente e exteriormente.." Assim permanece observando o corpo interiormente. ele se tornará também assim. quando um discípulo vê um cadáver com o arcabouço ósseo ainda ligado por tendões. refletirá sobre seu próprio corpo: "Este corpo tem a mesma natureza. que um discípulo permanece observando o corpo. quando o discípulo vê um esqueleto com os ossos embranquecidos como conchas ao sol. quando o discípulo vê um cadáver.. que um discípulo permanece observando o corpo. sem nenhuma carne ou manchas de sangue. É assim também. ó monges. adiante um crânio. que um discípulo permanece observando o corpo. E ainda mais. É assim também. ele refletirá sobre seu próprio corpo: "Este corpo tem a mesma natureza. ele se tornará também assim. que não é mais do que um rnontículo de ossos empilhados. ó discípulos. que um discípulo permanece observando o corpo. ele refletirá sobre seu próprio corpo observando: "Meu corpo tem a mesma natureza que este. E ainda mais. aqui uma tíbia.. É assim também. os ossos dispersos separados dos tendões. não posso evitá-lo.92 Assim permanece observando o corpo interiormente. É assim também. sem nenhuma carne.. não posso evitá-lo. aqui uma bacia. quando um discípulo vê um cadáver com o arcabouço ósseo ainda ligado por tendões." Do mesmo modo permanece um discípulo observando o corpo interiormente e exteriormente. permanece observando o corpo exteriormente. aqui um osso da mão. ó monges... lá um osso do pé. ó monges. ele se tornará também assim. que um discípulo permanece observando o corpo. ele refletirá sobre seu próprio corpo dizendo: "Meu corpo tem a mesma natureza que este. E mais ainda.." Assim permanece observando o corpo interiormente e exteriormente. permanece observando o corpo exteriormente. . não posso evitá-lo. quando o discípulo vê um esqueleto após um ano. Além disso.. não posso evitá-lo. ele se tornará também assim... E mais ainda. É assim também. É assim também.

somente para o necessário conhecimento e reflexão. ó monges. observa: "Esta é uma sensação carnal indiferente". um discípulo permanece observando as sensações? Eis aí: um discípulo sentindo uma sensação agradável. Ele permanece observando o surgimento do corpo. ó discípulos. ó discípulos. Vigilância em Relação as Sensações (Vedana) E como. nem desagradável.. sentindo uma sensação sutil agradável.93 E ainda mais. permanece contemplando a dissolução das sensações. não se apegando a nada neste mundo." . e ele se torna liberto.. Vigilância em Relação à Mente (Citta) . permanece observando a dissolução do corpo. permanece contemplando as sensações nas sensações interna e externamente." Assim. quando um discípulo vê um esqueleto. observa: "Esta é uma sensação física desagradável". tendo uma mente livre de luxúria observa: "Esta é uma mente livre de luxúria. permanece observando o surgimento e a dissolução do corpo.esta introspeção está presente nele. e vive independente sem se apegar a nada deste mundo. observa: "Esta é uma sensação agradável". não posso evitá-lo. observa: "Esta é uma sensação sutil agradável". nem desagradável. observa: "Esta é uma sensação sutil desagradável". os ossos desintegrados e reduzidos a pó. "Eis aí o corpo" . sentindo uma sensação física desagradável. ele permanece contemplando as sensações nas sensações internamente. observa: "Esta é uma sensação física agradável". sentindo uma sensação indiferente. sentindo uma sensação desagradável." Sentindo uma sensação física agradável. nem agradável. Sua plena atenção está estabelecida com o pensamento: "Sensações existem" até o ponto necessário para o conhecimento e reflexão. permanece contemplando as sensações nas sensações externamente. observa: "Esta é uma sensação indiferente. É assim. ou contempla a originação e dissolução das sensações. que um discípulo permanece observando o corpo. tendo um estado mental com luxúria. o discípulo permanece contemplando as sensações nas sensações. sentindo uma sensação física indiferente.Estados de Consciência E como um discípulo permanece observando os estados de consciência nos estados de consciência da mente? Aqui. um discípulo. 3. Ele permanece contemplando a originação das sensações. observa: "Este é um estado mental com luxúria"." É assim que um discípulo permanece observando o corpo interiormente e exteriormente. sentindo uma sensação sutil desagradável. Assim. sentindo uma sensação sutil. observa: "Esta é uma sensação sutil nem agradável. observa: "Esta é uma sensação desagradável". 2. ele refletirá sobre seu próprio corpo: "Meu corpo tem a mesma natureza que este e se tornará igual.

o discípulo permanece observando os Cinco Impedimentos. aparece. ele observa: "Esta é uma mente livre de ódio". ó discípulos. Ele sabe como o desejo sensual desenraizado não surgirá mais. ó discípulos. Quando a maldade está presente nele. quando sua mente está perturbada. É assim. quando sua mente está livre de perturbações. ele observa: "Em . observa: "Esta é uma mente nobre". Assim ele permanece contemplando os estados de consciência nos estados de consciência internamente. Quando a inércia e o torpor estão presentes nele. Vigilância Relacionada aos Assuntos da Doutrina (Dhamma) Observação dos Cinco Impedimentos E como um discípulo permanece observando os diferentes assuntos? Aqui." Quando a maldade não está presente." Assim ele compreende e observa o estado mental com desejo e o estado mental sem desejo. observa: "Em mim não está presente o desejo sensual". o estado mental com ressentimento e o estado mental sem ressentimento. quando o desejo sensual não está presente nele. ele observa: "Esta é uma mente livre do medo. ele observa: "Em mim não há maldade. quando sua mente está distraída. quando a mente está livre do ódio." Tendo um estado mental com medo. quando sua mente está concentrada. sem se apegar a nada neste mundo. ou permanece contemplando os estados de consciência externamente. ele observa que estes estão presentes nela. surge. ou permanece contemplando os estados de consciência interna e externamente. 4. observa: "Há ódio na mente". tendo uma mente livre. ele observa: "Esta é uma mente livre". observa: "Esta é uma mente concentrada". observa: "Esta é uma mente perturbada". observa: "Há maldade em mim. ele observa: "Este é um estado mental com medo". ele sabe como a maldade que surgiu é desenraizada. quando em sua mente há nobreza. ele observa: "Esta é uma mente vil"." Ele sabe como a maldade não aparecida. ele observa: "Em mim estão presentes a inércia e o torpor. um discípulo. sabe: "Esta é uma mente distraída". tendo uma mente livre do medo. E como um discípulo permanece observando os Cinco Impedimentos? Aqui. esta introspecção está presente nele. observa: "Esta é uma mente pouco livre. tendo uma mente pouco livre. que um discípulo permanece observando os estados de consciência da mente. somente para o necessário conhecimento e reflexão e ele permanece livre. Sua atenção está estabelecida com o pensamento: "Eis aí os estados de consciência da mente". Ele observa como o desejo sensual aparecido é desenraizado. ele observa: "Esta é uma mente livre de perturbações"." Quando a inércia e o torpor não estão presentes nele.94 Quando há ódio em sua mente. quando sente o desejo sensual. tendo em sua mente estados. quando há vileza em sua mente. ele observa como o desejo sensual não-aparecido. observa: "Em mim está o desejo sensual". Ele sabe como a maldade desenraizada não surgirá mais.

" Ele sabe como a dúvida não-surgida. Ele permanece observando o aparecimento dos diferentes .12 Ele permanece observando o aparecimento dos diferentes assuntos e permanece observando o desaparecimento dos diferentes assuntos. ele permanece observando os diferentes assuntos exteriormente. "Eis aí os diferentes assuntos" . assim surge a matéria. assim desaparece a consciência. Ele sabe como a inércia e o torpor desenraizados não surgirão mais. ele sabe como a dúvida que surgiu é desenraizada. ele sabe como a agitação e o remorso surgidos. Quando a agitação e o remorso estão presentes nele." "Assim é a consciência." Quando a dúvida não está presente nele. aparecem. permanece observando os diferentes assuntos exteriormente. e assim ele permanece livre e não se apega a nada deste mundo. são desenraizados. nem agitação. Quando a dúvida está presente nele. ó discípulos. ele observa: "Em mim está presente a dúvida. nem remorso." "Assim são as sensações. Deste modo ele permanece observando os diferentes assuntos interiormente. assim surgem as percepções. somente para o necessário conhecimento e reflexão. assim desaparecem as percepções. um discípulo observa: "Assim é a matéria (corpo).esta introspecção está presente nele. ele sabe como a dúvida desenraizada não surgirá mais. Observação dos Cinco Agregados E ainda mais. que um discípulo permanece observando os Cinco Impedimentos.95 mim não estão presentes a inércia e o torpor. E como um discípulo permanece observando os Cinco Agregados? Então. ele permanece observando os diferentes assuntos interiormente e exteriormente." Assim. Ele permanece observando a originação e a dissolução dos diferentes assuntos." "Assim são as percepções. assim surgem as formações mentais. Assim desaparecem as sensações. ele observa: "Em mim não estão presentes. assim surgem as sensações. assim desaparecem as formações mentais. ele observa: "Em mim estão presentes a agitação e o remorso. ele observa: "Em mim não está presente a dúvida. aparece." "Assim são as formações mentais. ó discípulos. ele sabe como a agitação e o remorso desenraizados não surgirão mais." Ele sabe como a agitação e o remorso não-surgidos. ele permanece observando os diferentes assuntos interiormente e exteriormente." Ele sabe como a inércia e o torpor aparecidos são desenraizados. Assim desaparece a matéria. assim surge a consciência. permanece observando os diferentes assuntos interiormente. É assim." Quando a agitação e o remorso não estão presentes nele. um discípulo permanece observando os Cinco Agregados.

conhece os sabores. um discípulo conhece o olho. observa como este vínculo. que surgiu. que não surgiu. Deste modo. Observação dos Seis Órgãos Sensoriais (Seis Bases Internas e Seis Externas) E ainda mais. e conhece o condicionamento que nasce devido à faculdade mental. Ele conhece a língua. que não surgiu. ele observa como esse vínculo. aparece. ele sabe que esse vínculo quebrado no futuro não aparecerá mais. É assim. é quebrado. e sabe como esse vínculo quebrado no futuro não aparecerá mais. que um discípulo permanece observando Os Cinco Agregados. ele observa como esse vínculo. Ele observa como este vínculo. Ele observa como esse vínculo. aparece. que não surgiu. conhece as formas e os condicionamentos (vínculos) que nascem devido à visão. e conhece o condicionamento que nasce devido à gustação. ele observa como esse vínculo. que apareceu. conhece os odores e conhece os condicionamentos que nascem devido à olfação. ele sabe como esse vínculo quebrado no futuro não aparecerá mais. ele sabe como esse vínculo quebrado não surgirá mais no futuro. é quebrado. permanece observando os diferentes assuntos interiormente. Ele conhece o órgão da mente. ele permanece observando o desaparecimento dos diferentes assuntos. Ele conhece a orelha. Ele observa como esse vínculo. aparece. é quebrado. é quebrado. e ele permanece liberto e não se apega a nada deste mundo.esta introspecção está presente nele. que surgiu. Ele observa como esse vínculo. ele sabe como esse vínculo quebrado no futuro não aparecerá mais. Ele conhece o corpo com seu revestimento. aparece. conhece os objetos da mente. até então não-aparecido. é quebrado. ele observa como esse vínculo. é quebrado. ele observa como este vínculo. permanece observando os diferentes assuntos exteriormente. Permanece observando a originação dos . o discípulo permanece observando as seis esferas interiores (faculdades sensoriais) e exteriores (objetos dos sentidos) E como um discípulo permanece observando as seis esferas interiores e exteriores dos sentidos? Aqui. Ele conhece o nariz. que surgiu. conhece os sons e conhece os condicionamentos que nascem devido à audição. Ele observa como esse vínculo não-surgido aparece. "Eis aí os diferentes assuntos" . Ele observa como este vínculo. que não surgiu. ele sabe como esse vínculo quebrado no futuro não aparecerá mais. que surgiu.96 assuntos. permanece observando a originação e a dissolução dos diferentes assuntos. que surgiu. somente para o necessário conhecimento e reflexão. conhece as coisas tangíveis e conhece os condicionamentos ou vínculos que nascem devido ao tato. aparece.

" Se o fator do Despertar da Alegria não está presente nele. que surgiu. Se o fator do Despertar da Alegria (Êxtase) está presente nele. observa: "Em mim não está presente o fator da Investigação da Doutrina. que ainda não surgiu.97 diferentes assuntos. E como um discípulo permanece observando os sete fatores do Pleno Despertar da Iluminação? Assim. e sabe quando o fator do Despertar da Alegria que surgiu." Ele sabe quando surge o fator do Despertar da Plena Atenção. não-surgido. É deste modo que um discípulo permanece observando as seis esferas interiores e exteriores dos sentidos (seis bases internas e seis bases externas)." Se o fator do Despertar da Energia não está presente nele. somente para o necessário conhecimento e reflexão. "Eis aí os diferentes assuntos" ." Além disso. Se o fator do Despertar da Tranqüilidade está presente nele. se o fator do Despertar da Plena Atenção mental está presente. o discípulo observa: "Em mim está presente o fator do Despertar da Plena Atenção mental. Se o fator do Despertar da Plena Atenção não está presente nele. ele observa: "Em mim não está o fator do Despertar da Alegria. e quando resplandece plenamente o fator do Pleno Despertar da Atenção que surgiu. . aparece. permanece observando a dissolução dos diferentes assuntos.esta introspecção está presente nele. ele observa: "Em mim não está o fator do Despertar da Tranqüilidade. o discípulo permanece observando os sete fatores do Pleno Despertar da Iluminação. e sabe quando o fator do Despertar da Investigação da Doutrina. e não se apega a nada deste mundo. ele observa: "Em mim está presente o fator do Despertar da Investigação da Doutrina. ele observa: "Em mim está presente o fator do Despertar da Energia. ele observa: "Em mim não está presente o fator do Despertar da Energia. Se o fator do Despertar da Energia está presente nele. se o fator do Despertar da Investigação da Doutrina não está presente nele. até então não-surgido. ele observa: "Em mim está o fator do Despertar da Tranqüilidade". ó discípulo. aparece." Se o fator do Despertar da Investigação da Lei (Doutrina) está nele. sabe quando surge o fator do Despertar da Energia que ainda não havia aparecido. ele observa: "Em mim está o fator do Despertar da Alegria. que surgiu. resplandece espontânea e plenamente. e se torna livre. não-surgido." Ele sabe quando o fator do Despertar da Alegria." Ele observa quando o fator do Despertar da Investigação da Doutrina. e sabe quando o fator do Despertar da Tranqüilidade. resplandece espontânea e plenamente. resplandece espontânea e plenamente. e quando resplandece espontânea e plenamente o Despertar da Energia já surgido. se o fator do Despertar da Tranqüilidade não está presente nele. Observação dos Sete Fatores da Iluminação E ainda mais. observa: "Em mim não está presente o fator do Despertar da Plena Atenção. aparece." Ele sabe quando o fator do Despertar da Tranqüilidade.

. se o fator do Despertar da Concentração não está presente nele. três anos. cinco anos. resplandece plenamente. permanece livre e não se apega a nada deste mundo. e compreende exatamente: "Isto é a origem do Sofrimento" (Segunda Nobre Verdade). aparece. se ainda ficou algum resíduo de apego. resplandece plenamente. ele observa: "Em mim está presente o fator do Despertar da Equanimidade". permanece observando os diferentes assuntos interiormente.Nirvana). É deste modo. aparecido.. ele sabe quando o fator do Despertar da Equanimidade. poderá como . e permanece observando os diferentes assuntos do Despertar da Iluminação exteriormente. o discípulo permanece observando as Quatro Nobres Verdades. ou um ano. dois anos. ó discípulos." E ele sabe quando o fator do Despertar da Concentração. aquele que praticar assim estes Quatro Fundamentos do Estabelecimento de Plena Atenção Mental. e compreende exatamente: "Isto é a Cessação do Sofrimento" (Terceira Nobre Verdade . ó discípulos. Aquele que praticar assim os Quatro Fundamentos do Estabelecimento da Plena Atenção durante seis anos. ao estado de não retornar a este mundo (na terra). se o fator do Despertar da Equanimidade não está presente nele. Deste modo." Ele observa quando o fator do Despertar da Equanimidade. poderá recolher um desses dois frutos: o estado de Arahant (Libertação Completa) nesta vida ou. Observação das Quatro Nobres Verdades E. aparecido. permanece observando os diferentes assuntos do Despertar da Iluminação interiormente. que um discípulo permanece observando os Sete Fatores do Despertar da Iluminação. Então. ó discípulos.. exteriormente. durante sete anos. um discípulo compreende exatamente: "Isto é Existência do Sofrimento .. ainda. aparece. ele observa: "Em mim não está presente o fator do Despertar da Equanimidade. ele observa: "Em mim não está presente o fator do Despertar da Concentração. esses sete anos de lado. Se o fator do Despertar da Equanimidade está presente nele. e não se apega a nada neste mundo. ele permanece livre. ó discípulos. Mas deixemos. quatro anos. e permanece observando os diferentes assuntos. É assim. que um discípulo permanece observando as Quatro Nobres Verdades. e compreende exatamente: "Isto é o Caminho que conduz à Cessação do Sofrimento" (Quarta Nobre Verdade ou Caminho Óctuplo).98 Se o fator do Despertar da Concentração (Observação Pura) está presente nele. e sabe quando o fator do Despertar da Concentração.Dukkha" (Primeira Nobre Verdade) -. não-surgido. E como um discípulo permanece observando as Quatro Nobres Verdades? Aqui. ele observa: "Em mim está presente o fator do Despertar da Concentração". nãosurgido. Deste modo...

Naquele que pensa sem sabedoria. ou mesmo quinze dias. ó discípulos.O pensamento sábio e o pensamento sem sabedoria. à aquisição da conduta reta. colherá um desses dois frutos: o estado de Arahant nesta vida.E que deve saber e o que deve ver aquele que elimina os obstáculos? . e os obstáculos já existentes crescem. Só há um caminho. A destruição dos obstáculos. este único ano de lado. ó discípulos. quatro. à conquista dos sofrimentos e dos males. . à destruição das dores físicas e morais. que conduz à purificação dos seres. eu vos Ensinarei. no parque Jeta de Savatthi. um mês. se ainda lhe resta um resíduo de apego.99 resultado recolher um destes dois frutos: o estado de Arahant nesta vida ou. dois. não para aquele que não sabe e não vê. os obstáculos que não surgiram não aparecem. ou. estes sete meses de lado. o estado de não retornar a este mundo. . se resta algum resíduo de apego. no mosteiro de Anathapindika. Mas deixemos. poderá colher um desses dois frutos: o estado de Arahant nesta vida ou.) *2 DISCURSO SOBRE TODOS OS OBSTÁCULOS: SABBASAVA SUTTA Resumo Assim. ó monges. os obstáculos não-surgidos aparecem.O modo de sobrepujar todos os obstáculos. É com este intento que isto foi dito. Assim falou o Bhagavat pata Os discípulos. se ainda resta resíduo de apego. o estado de não retornar a este mundo. Aquele que praticar assim esses Quatro Fundamentos do Estabelecimento da Plena Atenção durante sete meses.o 10. se existe ainda um resíduo de apego. eu vos digo: é para aquele que sabe e que vê. (Majjhima Nikaya) n. Escutai e refleti bem. Aquele que praticar assim esses Quatro Fundamentos do Estabelecimento da Plena Atenção durante seis. ouvi: Certa vez. o estado de não retornar a este mundo. ó discípulos. naquele que pensa com sabedoria. cinco. e os obstáculos presentes decrescem. colherá um desses dois frutos: o estado de Arahant nesta vida. três. o Bem-Aventurado falou aos discípulos: . à realização do Nirvana. o estado de não retornar a este mundo. Mas deixemos. esses quinze dias de lado. discípulos. Estes são os Quatro Fundamentos do Estabelecimento da Plena Atenção. ó discípulos. ou. Mas deixemos. Aquele que praticar assim esses Quatro Fundamentos do Estabelecimento da Plena Atenção durante sete dias. ó discípulos.

não-surgido. VII .E quais são. ele os pensa. que não vê os Seres Nobres13 (Ariyas). já presente. . os assuntos que devem ser pensados.Há obstáculos que devem ser vencidos suportando-os (tolerância).Há obstáculos que devem ser vencidos afastando-os. e nos quais ele pensa? Se. Se o obstáculo do desejo de existência. ó discípulos. ele pensa naqueles que não devem ser pensados. aumenta. já presente. . não-surgido. já presente. ele não os pensa.Há obstáculos que devem ser vencidos pelo controle (observação correta ou plena atenção). aumenta.Há obstáculos que devem ser superados pelo desenvolvimento espiritual. aparece. decresce. ó discípulos. VI . o obstáculo da ignorância. . o obstáculo do desejo de existência. o obstáculo do desejo sensual.Há obstáculos. o obstáculo do desejo sensual. o obstáculo do desejo sensual. III .presente. discípulos! I . Então. não-surgido. o obstáculo do desejo sensual. não aparece. Estes assuntos que devem ser pensados. desconhece os assuntos nos quais deve pensar e não sabe os que não devem ser pensados. não sabendo os assuntos que devem ser pensados e não sabendo aqueles que não devem ser pensados. IV . o obstáculo do desejo de existência. não aparece. os assuntos que não devem ser pensados. Se o obstáculo da ignorância. não aparece. V .Ha obstáculos que devem ser vencidos pelo uso correto. não-surgido. aparece.Há obstáculos que devem ser vencidos evitando-os. aumenta. o obstáculo da ignorância. que não foi instruído na Doutrina e não prática a Nobre Doutrina. ó discípulos. e não pensa naqueles que devem ser pensados.E quais são. já presente. mas nos quais ele não pensa? Se. aparece. decresce. já presente. pelo pensamento de certos assuntos. decresce. não-surgido. Se o obstáculo da ignorância.E quais são. um homem comum e não-esclarecido. ó discípulos. pelo pensamento de certos assuntos. I .100 Ó. já. II . os obstáculos que devem ser vencidos pelo discernimento? Aqui. Se o obstáculo do desejo de existência. não-surgido. que devem ser superados pelo discernimento. Estes assuntos que não devem ser pensados.

pensando sem sabedoria. uma das seis opiniões errôneas aparecem nele: "Tenho uma alma?". Ou ainda esta outra opinião falsa surge nele: "Esta minha alma. recebe aqui e lá o resultado das boas e más ações. deserto de opiniões. o Nobre Discípulo que se aproxima dos Nobres Seres. Desta forma sabiamente ele observa: "Isto é o Sofrimento. esta opinião falsa nasce nele como verdadeira e firme. Assim. ele não as pensa. lamentações. e aquelas que devem ser pensadas. o sábio. "Por meio da alma. e pensar nos assuntos que devem ser pensados. e os obstáculos já presentes decrescem. ele não está livre de dukkha. ele pensa: "Existi no passado?" "Não existi no passado?" "Que fui no passado?" "Como fui no passado?" "O que tendo sido anteriormente. por não pensar nos assuntos que não devem ser pensados. sofrimento. o homem comum e não instruído na Doutrina não está liberto do nascimento. Porém. pelo fato de pensar nos assuntos que não devem ser pensados.101 Assim. fixa. sem sabedoria. as coisas que não devem ser pensadas. Preso a estes vínculos de opiniões. da morte. eu conheço a nãoalma". da dúvida e da crença na eficácia de regras e rituais (cerimônias). Dukkha. das tristezas. imutável. eu conheço a alma". ou esta minha alma é permanente. e de não pensar nos assuntos que devem ser pensados. eterna. selva de opiniões. "Por meio da alma. "Não tenho alma?". aflições. essa opinião falsa nasce nele como verdadeira e firme. fui num passado remoto?" "Existirei no futuro?" "Não existirei no futuro?" "Que serei no futuro?" "O que serei posteriormente." Sabiamente ele observa: "Isto é a Cessação do Sofrimento. esta opinião falsa nasce nele como verdadeira e firme. perversão de opiniões.14 eu o digo. e os obstáculos já presentes aumentam. é denominado especulação de opiniões. esta opinião falsa nasce nele como verídica e firme. os obstáculos não surgidos aparecem nele. da velhice." Sabiamente ele observa: "Este é o Caminho que leva é Cessação do Sofrimento. Assim. Então." Observando assim. num futuro remoto?" O presente também o torna perplexo sobre si mesmo: "Existo?" "Não existo?" "Que sou?" "Como serei?" "De onde venho?" "Para onde irei?" Assim. ó discípulos. agonias. . agitação de opiniões e vínculo às opiniões. que é instruído e se exercita na prática da Nobre Doutrina. ele se liberta de três vínculos: da ilusão do eu. sabendo os assuntos que devem ser pensados e sabendo aqueles que não devem ser pensados. ele as pensa. que se expressa e sente. e assim permanece eternamente?" Isto. sabe os assuntos que devem ser pensados e sabe aqueles que não devem ser pensados. os obstáculos não surgidos não aparecem nele." Sabiamente ele observa: "Isto e a Causa do Sofrimento.

Então. II . ó discípulos. os obstáculos opressivos e ardentes não aparecerão. permanece observando a faculdade visual. estes obstáculos opressivos e ardentes não aparecerão. Considerando as coisas sabiamente. o discípulo. naquele que permanece mantendo a observação das faculdades dos sentidos. naquele que permanece sem manter a observação da faculdade auditiva. os obstáculos opressivos e ardentes aparecerão. naquele que permanece mantendo a observação da faculdade tátil. naquele que permanece sem manter a observação da faculdade olfativa. naquele que permanece mantendo a observação da faculdade mental. Então. Considerando sabiamente as coisas. ele permanece mantendo a observação da faculdade auditiva. ele permanece mantendo a observação da faculdade olfativa. naquele que permanece mantendo a observação da faculdade olfativa. os obstáculos opressivos e ardentes aparecem. esses obstáculos opressivos e ardentes não surgirão. os obstáculos opressivos e ardentes surgem. ele permanece mantendo a observação da faculdade tátil. ó monges. naquele que permanece mantendo a observação da faculdade auditiva.102 Tais são os obstáculos que devem ser superados pelo discernimento. os obstáculos opressivos e ardentes surgem. Considerando as coisas com sabedoria. naquele que permanece sem manter a observação da faculdade mental. Então. os obstáculos que devem ser vencidos pelo controle mental (observação correta ou vigilância)? Aqui. os obstáculos opressivos e ardentes aparecem.E quais são. naquele que não permanece mantendo a observação da faculdade tátil. Considerando os diferentes assuntos com sabedoria. ele permanece mantendo a observação da faculdade mental Então. surgem os obstáculos opressivos e ardentes. Então. estes obstáculos opressivos e ardentes não aparecem. esses obstáculos opressivos e ardentes não aparecerão. os obstáculos que devem ser vencidos pelo uso correto? .E quais são ó discípulos. os obstáculos opressivos e ardentes surgem. Da mesma forma. ele permanece mantendo a observação da faculdade gustativa. esses obstáculos opressivos e ardentes não aparecerão. Então. naquele que permanece sem manter a observação da faculdade visual. naquele que permanece sem manter a observação da faculdade dos sentidos. naquele que permanece sem manter a observação da faculdade gustativa. naquele que permanece mantendo a observação da faculdade gustativa. Tais são os obstáculos que devem ser vencidos pelo controle (atenção correta ou vigilância). naquele que permanece mantendo a observação da faculdade visual. III . e. os obstáculos opressivos e ardentes não surgirão. considerando as coisas com sabedoria. Considerando as coisas com sabedoria.

do calor. ele se alimenta. nem para a estética ou beleza. etc. Tais são os obstáculos que devem ser vencidos pelo uso correto. com finalidade única de proteger sua nudez. os obstáculos que devem ser vencidos evitando-os? Aqui. Tais são os obstáculos que devem ser vencidos pela tolerância. das serpentes. a sede. com a finalidade de conservar a saúde. dos mosquitos. mortais. um discípulo. ó monges. V . os pântanos. mas somente para manter a existência do corpo com saúde.E quais são. evita lugares malvistos e ligar-se com gente indigna de amizade. Considerando com sabedoria. utiliza-a somente para proteger-se do frio. desagradáveis. sabiamente considerando sua vestimenta. o cavalo furioso. sabiamente considerando. os obstáculos opressivos e ardentes aparecem. a fome. os obstáculos opressivos e ardentes não aparecem. naquele que suporta pacientemente. considerando sabiamente. para manter uma vida nobre. lugares malvistos e os maus amigos. do contato dos mosquitos. do vento. o cão raivoso. do sol. os obstáculos opressivos e ardentes aparecem. a serpente venenosa. e também suporta com paciência os discursos malévolos. um discípulo.. esses obstáculos opressivos e ardentes não aparecem. naquele que não prática o uso correto." Sabiamente considerando sua moradia. .E quais São. Sabiamente considerando os alimentos. para suprimir o sofrimento. moitas de espinhos. do vento. ele utiliza os remédios unicamente contra enfermidades e como alívio as sensações de mal-estar presentes. unicamente para evitar os perigos das estações e para ter um lugar próprio à meditação. naquele que pratica o uso correto. evita sentar-se em assentos incorretos. não pelo prazer. um discípulo. do sol. das serpentes. Então. os obstáculos que devem ser vencidos pela tolerância? Aqui. amargas. das serpentes.103 Aí. perfurantes. do sol. suporta com paciência as sensações penosas que sobrevem: dolorosas. tudo o que os sábios avisados podem censurar. ó monges. não produzirei novos sofrimentos. evita o elefante furioso. naquele que não suporta pacientemente. só a utiliza para proteger-se do frio. suporta com paciência o frio. Então. pensando: "Assim poderei pôr um fim ao sofrimento passado. não para o exagero do seu vigor. o touro furioso. ó discípulos. o calor. os precipícios. deste modo minha existência será reta e feliz. do vento. ó monges. ó monges. o contato dos mosquitos. Considerando com sabedoria assentos incorretos. ele os evita sabiamente. IV .

VI . Portanto. acompanhado do desapego. ele o rechaça. levando à renúncia. da ausência de desejo. ó monges. ele não o abriga. ele desenvolve o fator do Despertar da Iluminação denominado Investigação da Lei (Doutrina). ele não o deixa crescer. Considerando com sabedoria. se um pensamento sensual surge nele. ele as rechaça. . nele aparecem. Tais são os obstáculos que devem ser vencidos afastando-os. da ausência do desejo. Considerando com sabedoria. VII . ele o afasta. considerando com sabedoria. os obstáculos opressivos e ardentes. Todas as coisas más que surgem nele. da cessação. considerando com sabedoria. um discípulo. naquele que não os afasta. da ausência do desejo. levando à renúncia. da cessação. os obstáculos opressivos e ardentes aparecem. naquele que não os evita. os obstáculos opressivos e ardentes não aparecem. os obstáculos que devem ser vencidos pelo desenvolvimento espiritual? Aqui. naquele que os afasta. ele desenvolve o fator do Despertar da Iluminação denominado Energia. denominado Alegria. ele o rechaça. os obstáculos que devem ser vencidos evitando-os. os obstáculos opressivos e ardentes nele não aparecem. ele não o abriga.E quais são. Se um pensamento de maldade surge nele. da cessação. Considerando com sabedoria. ó monges. ele não as abriga. ele lhes põe um fim. ele lhe põe um fim. ó discípulos. desenvolve o fator do Despertar da Iluminação denominado Plena Atenção ou Vigilância. ele lhe põe um fim.E quais são os obstáculos que devem ser vencidos afastando-os? Aqui. um discípulo. ele desenvolve o fator do Despertar da Iluminação. ele não o deixa crescer. ele o afasta. ele as afasta. naquele que os evita. levando à renúncia. ele não as deixa crescer. acompanhado do desapego. o qual está acompanhado do desapego. levando à renúncia.104 Então. acompanhado de desapego. Tais são. da ausência do desejo. da cessação.

Os monges felizes regozijaram-se das palavras do Mestre. pela Correta Compreensão das falsas avaliações. os obstáculos que devem ser vencidos pelo discernimento. são vencidos pelo discernimento. Tais são os obstáculos que devem ser vencidos pelo desenvolvimento espiritual. finalmente. sua força torna-se maior e. maneira sublime de viver. Assim sendo. Os obstáculos que devem ser vencidos afastando-os são vencidos afastando-os. destruiu a avidez do desejo. surgem os obstáculos opressivos e ardentes. Portanto. acompanhado do desapego. ó monges. n. Os obstáculos que devem ser vencidos evitando-os são vencidos evitando-os. acompanhado do desapego.o 2. libertou-se dos vínculos e. ele desenvolve o fator do Despertar da Iluminação denominado Concentração (Observação Pura). ele desenvolve o fator do Despertar da Iluminação denominado Tranqüilidade. Metta Bhavana é uma meditação de efeito seguramente benéfico: a mente fica revigorada. porém naquele que prática o desenvolvimento espiritual. da ausência do desejo. (Majjhima-Nikaya. da ausência do desejo. Os obstáculos que devem ser vencidos pelo uso correto são vencidos pelo uso correto. naquele que não prática o desenvolvimento espiritual. Assim falou o Bem-Aventurado. pôs termo ao Sofrimento. Os obstáculos que devem ser vencidos pela tolerância são vencidos pela tolerância. da ausência do desejo. levando à renúncia. da cessação. não surgem estes obstáculos opressivos e ardentes. Então. Os obstáculos que devem ser vencidos pelo controle (observação ou vigilância correta) são vencidos pelo controle. o discípulo que permanece livre de todos os obstáculos.105 Considerando com sabedoria. . levando à renúncia. da cessação. acompanhado do desapego. Considerando com sabedoria. sublimada. Considerando com sabedoria. da cessação. Os obstáculos que devem ser vencidos pelo desenvolvimento espiritual são vencidos pelo desenvolvimento espiritual.) *3 MEDITAÇÃO DO AMOR UNIVERSAL: METTA BHAVANA **4 Metta significa Amor incondicionado. ele desenvolve o fator do Despertar da Iluminação denominado de Equanimidade. levando à renúncia.

seja fraco ou forte. destrói-se o ódio pelo Amor. Que eu possa purificar a minha mente. nem despreze um ser mínimo que seja. gentil e humilde. nascido ou por nascer. Que eu possa evitar o mal. correto. cor e país de origem. Esta meditação é tirada de um dos mais belos e populares discursos proferidos pelo Buda . Que eu possa superar: a cobiça e a raiva. a compaixão a todos os seres. discreto. Que a felicidade tome conta de mim! Que eu possa ultrapassar a decadência e a morte e me libertar da tristeza e lamentação. a dor e o lamento. fácil de contentar. Que eu possa me libertar de todo sofrimento. . a equanimidade. Onde existir um sopro de vida. Que eu seja feliz. que não se deixe afetar pelos assuntos mundanos. A verdadeira paz será conseguida pelo mundo no dia em que todas as pessoas praticarem essa meditação. fazer apenas o bem e purificar a minha mente. controlado em seus sentidos. Que eu possa superar todos os meus defeitos. é ela um ensinamento fundamental em todas religiões e reúne a Humanidade num todo. Que ninguém decepcione o seu próximo. o Iluminado: O ódio não se destrói pelo ódio. a opressão e a ansiedade. além de ser um objeto. a paciência e o contentamento. para a meditação. pois é este o conselho de todos os Budas. A maior contribuição que qualquer indivíduo isolado pode prestar à paz mundial é a sua prática regular na vida cotidiana. obediente. Que eu seja feliz. Aquele que se esforça em fazer o bem e que deseja atingir o estado de tranqüilidade. a angústia e a inimizade. dor. Que estejam ditosos e em segurança. visível ou invisível. transcendendo as diferenças de credo.106 O mundo descontrolado e perturbado em que vivemos precisa mais dessa meditação do que em qualquer outro período da História. médio ou pequeno. deve agir assim: deve ser hábil. próximo ou longínquo. ou suporte. que a felicidade tome conta de mim! Que eu possa desenvolver o Amor Universal: a bondade amorosa. esta ó uma Verdade eterna. Alegre. Este discurso indica com toda clareza a atitude mental que deve ser desenvolvida pela meditação. não impudente e não demasiadamente apegado à família. Que todos os seres sejam felizes. Que nada faça que seja mesquinho e evite cometer o mais leve erro que os sábios possam censurar. que todos esses seres estejam em segurança e felizes e possam por fim atingir a plena tranqüilidade. grande.Metta sutta. que ninguém por cólera ou ódio deseje mal a outrem. Que eu tenha saúde perfeita. é também um método de autodefesa. ressentimento e desespero. Assim foi dito por Buda. pesar. oh. a boa vontade e a não-violência.

Que cultivemos o Amor Universal e o projetemos em todas as direções do mundo. Mentalize duas pessoas à nossa frente e afirme (mentalmente) várias vezes: Que haja saúde. Que haja felicidade. sem limite. PARTE II 1) 2) 3) 4) 5) 6) Mentalize uma pessoa à nossa frente e afirme (mentalmente) várias vezes: Que haja saúde. virtuosos e dotados de introspeção. estranhos e inimigos. andando. Verdadeiramente. Todos os parentes. ou que esta pessoa não goste de nós. Que haja felicidade. Mentalize toda a nossa família à nossa volta e afirme: Que haja saúde. Que haja paz. três. deveremos desenvolver a plena Atenção mental e o amor universal. cultivemos um infinito amor a todos os seres. mesmo com o risco da própria vida. a felicidade será para sempre o meu destino. e afirme várias vezes: Que haja saúde. é a mais elevada conduta aqui. cinco pessoas à nossa volta sempre com as mesmas afirmações: Que haja saúde. Mentalize uma pessoa que.107 Assim como a mãe. Devemos imaginar todas as pessoas do mundo que estejam feridas. durante todo o tempo em que estivermos acordados. e vibrar com saúde e amor para estas pessoas afirmando (várias vezes): Que haja saúde. Que haja felicidade. desta maneira superaremos o apego aos desejos dos sentidos. ou outro motivo estejam presas nas cadeias em qualquer país deste mundo e vibremos em amor para estas pessoas: Que haja saúde. amigos. Verdadeiramente. Que haja paz. a felicidade será para sempre o meu destino. dizem. Que haja felicidade. Que haja paz. por ventura. Que haja felicidade. com bondade amorosa e benevolência infinita a amigos. doentes nos hospitais ou nas suas próprias casas. Que haja felicidade. Quando de pé. Que haja felicidade. Que haja paz. abaixo e à volta. da mesma forma. Que haja paz. sentados ou deitados. Mentalize duas. vizinhos e colegas e afirme: Que haja saúde. Que haja paz. a felicidade será para sempre o meu destino. Verdadeiramente. Imaginemos todas as pessoas que por um. acima. Que haja paz. Que não abracemos errôneos pontos de vista. nós não gostemos dela. Que haja felicidade. que protegeria o seu único filho. Isto. 7) 8) . Que haja paz. quatro.

Que eu possa estar livre de todo sofrimento. acima e abaixo e deveremos vibrar em Amor Universal. Que eu possa ter saúde perfeita através da Senda da Plena Atenção e da Correta Compreensão. à esquerda e à direita . Mas..108 9) 10) Aumentemos cada vez mais o grupo à nossa volta e devemos perder a individualidade das pessoas. de outras faixas vibratórias estejam também à nossa volta. possam se libertar do seu temor. mas tendo em mente saúde e paz também). isto é: no . sem nenhuma exceção. Que eu possa desenvolver a vivência na plenitude do momento que passa. através da Senda da Plena Atenção e Correta Compreensão. possam se libertar do seu sofrimento. sentindo que as vibrações estejam saindo do nosso ser para todas as direções e confins do Universo. Imagine que todos os seres de outros planos de existência. afirmando várias vezes: Que haja saúde. Imagine que toda a humanidade esteja à nossa volta. Que eu possa ser feliz. Imagine que todos os seres vivos estejam à nossa volta. que todos os seres. libertando-me de um passado já morto e de um futuro inexistente. Paz para todos. seguindo a Senda da Plena Atenção. afirmando: Felicidade. MEDITAÇÃO DA COMPAIXÃO E DA FELICIDADE *5 1) 2) 3) 4) 5) Que eu possa ser feliz através da Senda da Plena Atenção e da Correta Compreensão. Que haja paz.. 11) 12) Afirmações Finais Que todos os seres que estejam em sofrimento. Que eu possa estar em plena atenção durante todas as atividades do dia. Pela realização destas aspirações. é viver na plenitude do momento que passa. Que todos os seres que estejam em lamentos. possam se sentir verdadeiramente seguros e muito felizes. Que haja felicidade. (apenas com a palavra felicidade. Que todos os seres que estejam com medo. Que eu possa superar todos os meus defeitos pela purificação mental.deveremos vibrar em amor. pois a única coisa de real que existe é o momento presente. através da Senda da Plena Atenção e da Correta Compreensão. à frente e atrás. Que eu possa viver na plenitude do momento que passa. através da Senda da Plena Atenção e da Correta Compreensão. felicidade. o que é ser feliz? O que é a Felicidade? a) Ser feliz. possam se libertar da sua lamentação. felicidade.

é ser forte na renúncia. senti-me feliz. por maior que seja a minha capacidade de satisfazer os meus desejos.109 andar. A renúncia deve ser uma realidade que tem de ser experimentada. á medida que eles vão sendo satisfeitos. Porém. da insatisfatoriedade e da impessoalidade. Por isto compreendo que. a semente de futuros sofrimentos. feliz em toda a plenitude. É ela que prepara o caminho para o progresso espiritual. no comer. estes serão sempre superiores à capacidade de satisfação. Que eu possa criar em minha mente um poderoso reflexo de Plena Atenção para permanecer plenamente atento durante as vinte e quatro horas do dia. sentir e ver". às dores e sofrimentos sem fim. descobrir o Real. que é o momento presente. porque surgem outros desejos em minha mente. atento apenas ao que estiver escrevendo e assim por diante. no momento em que minha mente ficou sem desejos. vivo sem me apegar a coisa alguma deste mundo. Mas a renúncia não deve ser apenas uma palavra. acha-se tão firmemente estabelecida em mim. por experiência própria. mais exigentes. Todo apego cria germe de futuro sofrimento. Esta é a felicidade suprema. então esse desejo. mutação e evolução. c) Ser feliz é não se apegar a coisa alguma deste mundo. finalmente. a fim de. d) Ser feliz. e os sessenta minutos de cada hora e os sessenta segundos de cada minuto. assim. que busco a correta compreensão de todas as coisas vejo tudo em sua perspectiva correta e percebo que todas as coisas estão sujeitas às leis da impermanência. Que o espírito de renúncia se estabeleça cada vez mais profundamente no meu interior. o germe da insatisfatoriedade. a Plena Atenção do fato de que o mundo está sujeito às leis do sofrimento. Renúncia é sinônimo de libertação. em si. atento apenas ao comer. Mas como alcançar objetivo tão elevado? Só há um único caminho: é o da Senda da Plena Atenção e da Correta Compreensão. Se me sinto feliz no momento de satisfazer um desejo que me surge na mente. no ver. No entanto. pensar. complexos. expressão de um conhecimento intelectual. b) Ser feliz. a felicidade desaparece. Portanto. A alegria oriunda do apego traz. e ser feliz. digo: "Há em mim um desejo. pois. a suprema felicidade. ignorando a realidade das coisas. atento apenas ao andar. Percebo que. independente. pensando que sou eu quem deseja. sou levado a buscar a imediata satisfação deste desejo e me ligo à roda da vida e a sofrimentos sem fim. ou teórico. E assim sucessivamente. é o NIRVANA. surgindo um desejo. em si. algo que está a desejar. tornam-se cada vez mais variados. ao vir-a-ser. o germe da tristeza e o prazer dos sentidos. estando atento. Estando distraído. compreendo que não é verdadeira a felicidade oriunda de um mundo em constante transformação. . é porque naquele exato momento eu fico sem desejo. então. desatento e surgindo-me um desejo na mente. completa e global. tio poderoso a principio. no escrever. Percebo que a felicidade. total. às lágrimas. escravizando-me à roda da vida. é estar livre de todos os desejos. logo em seguida. traz. transforma-se num simples pensamento sem qualquer possibilidade de atuar sobre mim e assim é como vou me libertando de todos os desejos para alcançar. aos renascimentos e mortes sucessivas. pergunto-me como não será a felicidade oriunda de um estado mental completamente livre de todos os desejos. atento apenas ao visto. torno-me uno a ele. oriunda do apego às coisas dos sentidos. em toda a plenitude. eu me identifico com este desejo. para que eu possa ser feliz. que eu estou sempre apercebido disso e assim. Eu.

por todos os lados. Que eu possa. e continuamos a dizer: felicidade. porque ambos trabalham interligados. E. Assim. e. conhecidos que simpatizem. um irmão ou um parente). não mais vemos um amigo. terá de apreender a natureza da concentração perfeita. que haja felicidade. aumentando o grupo. felicidade.110 Que eu possa ter saúde perfeita. e todas as demais vivências indesejáveis que. a perder de vista. a crítica. constantemente. por todos os lados. pela purificação mental. que eu possa. Que haja felicidade. Em seguida. possam viver seguros e felizes. felicidade. seguir o conselho de todos os Budas. No final desta meditação. à esquerda e à direita. o ciúme. sem exceção. através da Senda da Plena Atenção e da Correta Compreensão. sempre dizendo: Que haja saúde. Que haja paz. Vamos. seres divinos e mestres. toda a inveja. conosco. à nossa volta. em íntima interação. expulsando para bem longe de mim toda a vaidade. à frente e atrás de nós. sim. Em seguida. amigos. surgem em minha mente. E sempre repetindo: que haja saúde. MEDITAÇÃO DO LIVRO DOS PRECEITOS ÁUREOS TIBETANOS Aquele que quiser ouvir a Voz do Silêncio. FELIZ EM TODA A PLENITUDE. que analisamos anteriormente. ao sentirmo-nos realmente felizes. e sempre repetindo: Que haja saúde.15 imaginemos uma pessoa à nossa frente e projetemos toda a vibração de felicidade para esta pessoa. Portanto. repetindo. até que toda a humanidade esteja á nossa volta. acima. o egoísmo. ou não. FAZER APENAS O BEM. Que haja paz. como espíritos de todos os níveis. vencendo todos os meus defeitos. imaginemos que entre os seres humanos se encontrem todas as espécies de seres vivos. todos os membros de nossa família. a maledicência. preenchemos o universo com as nossas sinceras vibrações de Amor e desejo intenso de bem-estar a todos os seres. Mas para ter saúde perfeita devo cuidar tanto do corpo como da mente. que haja paz. o ódio. encontram-se seres de outras faixas vibratórias. uma imensidão de pessoas. purificarei o meu sangue e terei saúde perfeita. Colocamos. felicidade. um influenciando o outro. as palavras duras e ociosas. eu acalmarei meu sistema nervoso. que todos os seres. mentalizamos uma segunda pessoa. Ao repetir felicidade. gradativamente. pois. . para todos os lados e para todas as direções. imaginamos que. ao lado da primeira. a má vontade. PURIFICAR MINHA PRÓPRIA MENTE E SER FELIZ. a cobiça. Que eu possa ter saúde perfeita. terminando. que eu seja sadio e feliz. a nossa mente deve estar totalmente preenchida com todo o significado da felicidade. somente. a malícia. devemos perder a individualidade das pessoas (isto é. o som sem som. Que haja felicidade. agora colocando pessoas de ambos os sexos. que todos os meus órgãos possam funcionar perfeitamente bem. ter saúde perfeita Pela purificação mental. A seguir. abaixo. isto é: EVITAR O MAL. a palavra felicidade. Em seguida. sem distinção. felicidade.

Então.111 A mente é a grande assassina do Real. não só nos desviamos do Caminho. é necessário conseguir a harmonia interior. na sua perspectiva universal. Enquanto tivermos aversão nos diversos aspectos repugnantes do corpo. Antes que a alma possa compreender e recordar. não pode existir uma entidade permanente ou qualquer substância fixa (alma . então poderá divisar o Uno. Assim. ele deixará a região do falso. ó discípulo ignaro. nutrimento e calor são as principais razões. ou propositadamente. como a forma que e dada ao barro se uniu primeiro ao espírito do escultor. Para o homem comum. Quando. ela deve unir-se primeiro ao Falador silencioso. Antes que a alma possa ouvir. ignorância. pela compreensão. 10. Pela aversão a estes vários aspectos não passaremos além. para chegar ao reino do verdadeiro. como o parecem. aos gritos dos elefantes em fúria. não poderás ver. devido à ignorância. Que o discípulo mate o assassino. 8. “meu” corpo será dissolvido. como ao sussurro prateado do pirilampo de ouro. o homem tem de se tornar surdo aos rugidos. quando deixar de ouvir os seres múltiplos. Este conhecimento da Realidade ajuda a pessoa a realizar o Nirvana . desejo. A não ser que ouças. Enquanto não observamos o corpo e seus órgãos como se fosse um saco cheio de diferentes grãos de cereais postos juntos arbitrariamente. No tempo do Buda. Bhagavat um dos epítetos de Buda. desejo e carma origina-se o conceito (ilusão) "meu" corpo. onde ficavam expostos ao tempo. . como aos murmúrios. Porque. e os olhos da carne se terem tornado cegos a toda ilusão. A natureza da Impermanência manifesta-se com toda a sua realidade. O Iluminado continua tendo um corpo. ao ouvido interior. A não ser que vejas. ao acordar. falará a voz do silêncio! Esta terra. o corpo é sempre questão de "meu" e de "eu".a Maior Felicidade. mas nunca mais “meu” ou "eu". Para o surgimento do corpo. enquanto houver vida. 9. não é senão a entrada para o crepúsculo que precede a verdadeira luz . quando a sua própria forma parecer irreal. os mortos eram habitualmente cremados ou depositados em campos afastados. No silêncio ouvirás a voz do teu interior! *1. o que só será possível pela observação do corpo como um todo. o som interior que mata o exterior. aos poucos. cemitérios. Pela extinção da ignorância. ignorante. a fim de. como também nos decepcionaremos. aceitarem sem aversão os mais diferentes aspectos repugnantes do corpo. carma (ação). e os cadáveres eram devorados aos poucos pelos abutres. Antes que sua alma possa ver.Atta). desejo e carma e pelo desabrochar da sabedoria. todas as formas que ele vê em sonho.a luz que nenhum vento pode apagar e que arde sem óleo nem pavio. não poderás ouvir. a alma poderá ouvir e recordar-se e. Só então. não passaremos além. O meditante chega à compreensão de que onde há constante mudança. Gradualmente a prática leva à descoberta de que o que chamamos corpo é sustentado pelo simples respirar e que esse mesmo corpo sucumbe quando cessa a respiração. Gautama Buda aconselhava os discípulos a meditarem sobre o corpo nas suas diferentes fases de decomposição. É uma decepção similar à de criar uma aversão artificial ao corpo pela contemplação de cadáveres em várias fases de decomposição. com relação ao corpo.

." Devemos também observar os aspectos repulsivos do corpo como os excrementos. e 4) o Arahant. aos poucos. e de Walpola Rahula L'Enseignement du Bouddha. apenas uma criação da mente. *2. 1977. Resumo das obras de Dwight Goddart. mas. a seguir: "Interna e externamente é meramente o elemento ar. Na meditação sentada e na vida cotidiana. a reflexão é a seguinte: "Interna e externamente é meramente o elemento só1ido". nervos. Única condição de transferir méritos. Significa um estado mental elevado no caminho da Realização. editada por Max Muller. como um Ser Divino . etc. urina.. a dor. L'Enseignement du Bouddha. O que existe é o corpo e a mente. no sentido de aceitação da vida em todos os seus aspectos. calor e ar. Quando o Buda disse que superou a velhice. na realidade. Dhamma (verdade sobre o nosso ser). o desespero é porque nele o vir-a-ser (existência de um eu) tinha cessado. *5 Apostila do Ven. Existência do Sofrimento. etc. na tradução da Páli Text Society . Obras citadas. o que realmente envelhece e morre é esse corpo e não verdadeiramente o eu. suor. ou um leigo. *3 Resumo das obras de Rhys Davids. existe. Então. 1975. Obras citadas. observamos o corpo como elemento sólido. órgãos. que se resumem nos elementos: sólido (ossos. 13. 2) O que volta mais uma vez. . Ariya. ao contrário. o pesar. Shanti Bhadra Thera. Sotapanna. a tristeza. É termos consciência do corpo com base na ignorância do eu. ou aqueles que realizaram um dos Quatro Graus da Iluminação. músculos. isto não é meu ego.). 11. 12. para eliminar esta ilusão. QUARTO CAPÍTULO . da S. A Buddhist Bible.. 1970. e de Walpola Rahula. 3) O que não volta. músculos. mas o eu toma o lugar do corpo. o Arahatta. suor. este "eu" é algo que não existe.B. ou monja. Ser Nobre. Aquele que combate o desejo criando uma aversão ou repugnância. este corpo não é mais tornado como "meu" e como "eu" desta maneira o sofrimento torna-se muito menor. isto é dente.B." Na reflexão final pensar: "Portanto. entre os quais sobrepujar o medo. ou leiga. urina. Buddhist Suttas. decepar a ilusão da existência de um eu. lembrando que existe um arcabouço ósseo. da S.B. tendões. isto é pele. porque decadência e morte são características do eu. saliva.Deva -. 14. iniciando seu progresso através dos planos transcendentais. Bikkhu Anurudha. Anagami. deveremos sempre contemplar os elementos do corpo. devo compreender. Sakadagamin (apenas mais um renascimento na Terra). num fluxo ininterrupto. pele e refletimos: "Isto é osso. é fundamental para.Rhys Davids. Desta forma.. a morte. órgãos. pode ser tanto um monge. a decadência. apenas substitui um mal por outro. 13. líquido (sangue. isto não me pertence.112 A meditação nos cemitérios não é feita no sentido de produzir aversão à vida. a saber: 1) Nobre Ser que entra na Corrente. **4 Apostilas do Monge Kaled Amer Assrany. a lamentação. Ao adquirir compreensão e autoconhecimento. é subjetivismo.). continuando: "Interna e externamente é meramente o elemento calor". e do Ven." Todo sofrimento humano é baseado na ilusão da existência de um eu. etc.B. A contemplação do corpo é o principal dos Quatro Fundamentos da Plena Atenção. de acordo com a Realidade e a verdadeira Sabedoria: isto não sou eu. a observação do corpo é fundamental para termos consciência dele. que é sempre uma ilusão. Durante a meditação. a seguir: "Interna e externamente é meramente o elemento líquido". tendões. O corpo. etc. isto é pulmão. Refere-se aos assuntos da Doutrina. que transcende todos os planos.

a mãe logo vem. Pela estrutura do pensamento. Desde que o pai é meu. cada vez mais. Depois vê as mãos. porque toda vez que chora. naturalmente traz uma carga cármica de vidas anteriores. cuidando-a da melhor maneira possível. nem de "meu". Assim a ignorância. é muito primitivo ainda. A criança ainda muito tenra. limpando-a. eu sou o dono.vê a mãe que lhe dá todo o carinho. esse "meu" aponta para um "eu" que vai. Então. Mesmo que não pense. mas para este propósito são necessários os conhecimentos básicos fundamentais que estão em nós mesmos. compreende que "ela é minha". o condicionamento do "eu" fica gradativamente mais forte. Para o Buda e outros Iluminados continua a haver a existência de um fluxo até a morte física1. que é o apego. nessa . alimentando-a. o apego. este corpo é meu" e o "eu" vai-se tornando cada vez mais forte. a criança é condicionada a pensar. que a carrega e brinca com ela. e o pensamento da criança. o autoconhecimento e a conseqüente gradativa libertação. acaba tornando o lugar do corpo. Assim. Então. o Buda vivia. A vida baseia-se fundamentalmente na idéia de "roeu". o desejo. no caso da mãe. A criança. inútil é procurar algo fora de nós. muito antes de ter qualquer pensamento por palavras . pensar em “eu” e "meu" em relação à mãe já aponta para um "eu". A compreensão de como surge o conceito do "eu" e do "meu" é importante para que se possa entender todo o drama da nossa mente. o vir-a-ser tinha cessado. Prosseguindo. cuidando-a e embalando-a. não tem qualquer idéia de “eu”. se reforçando. "ela é minha". "meu" e "meu". ou "minha". e esse "meu" aponta para um "eu". deste modo o "eu" começa a se formar. Recebendo um nome. tem que haver um dono e "eu sou o dono". pois desde que estas mãos são minhas. e este "meu" aponta para um "eu". aos poucos. Descobrindo isto pensa. as três características da existência e tudo o mais. na mente surge imediatamente a idéia de "meu". Uma criança. embora sem pensamento. quer mexer com elas para um lado e para outro. mas não há mais a existência de um eu psicológico. então. mesmo antes das palavras: "Estas mãos são minhas". desde que ela é “minha’. em primeiro lugar. ao nascer. Depois. São fenômenos que estão em nós. que e a existência. elas lhe obedecem quando tem uma determinada intenção. Depois. Antes de a criança saber pronunciar a palavra "eu". está com fome. logo se identifica com ele. surge na mente da criança. acaba por descobrir todo o corpo e conclui: "Ah. ou suja. essa idéia de propriedade. com o objetivo de sobrepujar ou passar para além do sofrimento. e de "eu". produto das ações rneritórias e demeritórias. de "meu". considera todas as coisas em volta sempre como sendo "meu". e na estrutura de seu pensamento surge: "ele é meu". o conceito do “eu” e do "meu". A compreensão nos dará. é como uma tábua rasa. porque vivia livre da existência de um "eu". Depois vê o pai.pois a atividade verbal da mente só surge depois que aprendemos a falar. é por imagens . e isto aponta para "eu". tem que haver um dono e esse dono sou "eu". porém neste sentido não existia.113 I. a criança vê a mãe a seu lado. começa assim a consciência indicativa de um "eu" e de um "meu". então. DOUTRINA DA IMPESSOALIDADE OU NÃO-EU: ANATTA O Budismo é uma filosofia de cunho essencialmente psicológico que leva o indivíduo ao autoconhecimento e à Correta Compreensão. ela possui vários brinquedos e os considera a todos como "meu".

. esse verso do Dhammapada significa "CADA UM É SEU PRÓPRIO REFÚGIO OU CADA UM E SEU PRÓPRIO MESTRE E APOIO". em páli. e.) A filosofia budista não nega a existência de um ser. Tudo o que se chama "eu" é condicionamento desta própria existência. A teoria da salvação budista difere da salvação de outras crenças. dharma. samsara. Essa crença prevaleceu na Índia antes do advento de Gautama Buda. das ações rneritórias e demeritórias. as vezes. condicionando o aparecimento da seguinte em uma . mas foi ele quem a explicou e formulou na plenitude como a concebemos hoje. é por si mesmo que é impuro. é geralmente empregado como sinônimo do Eu Superior. Também encontrarmos no Budismo um certo numero de conceitos e termos pertencentes ao Hinduísmo.. ao mesmo tempo. condicionado. 165.114 altura dos acontecimentos. alma ou espírito. como sendo criada por um Criador. Gautama Buda nunca invocou um salvador. num estado de fluxo constante. 160 encontra-se: O Ego é o senhor (mestre) do eu. assim. em sânscrito. isto é. ou Atman. também é por si mesmo que é puro. "Quando o homem age mal. Cada um é seu próprio refúgio.. não é um "eu" permanente que saltou de uma existência passada para esta existência. tais como Nirvana. Carma e renascimento formam o princípio fundamental da doutrina budista. um fluxo ininterrupto ou fenômeno de continuidade mental e física condicionado pelo carma. o salvador e o que se salva se identificam. O Budismo resume o ser vivente em mente e matéria. uma coisa desaparece. a ênfase com que Buda realçava a responsabilidade individual. por Gautama Buda. que foram interpretados com mais clareza e precisão pelo Mestre. Para ele. nada podendo ser feito para que um indivíduo purifique um outro. vers. o estado de pureza ou impureza é criado pelo próprio homem. quando começa a falar. cada um é. quando o homem age bem. que está constantemente em transformação. isto é. ou emanada de um Paramatma (causa primeira). Maya. chamado simbolicamente Ego.Atta hi attano natho. Vê-se. Quem outro poderia ser? O completo controle de si mesmo É único refúgio difícil de lograr O termo Atta. A doutrina budista do renascimento deve ser diferenciada da teoria da reencarnação e da transmigração da alma dos outros sistemas filosóficos. esse "eu" é sempre formado. o processo total desse fenômeno físico e mental. e não como uma entidade permanente. o "eu" e conseqüentemente o "meu" já estão enraizados. (Dhammapada XII. ou Atta. mas somente no sentido de um processo no tempo. Como disse o Buda: "O mundo é um fluxo contínuo e impermanente. etc. porque o Budismo nega a existência de uma alma permanente em transmigração. colocando o indivíduo como responsável por suas ações.. o que salva e o que se salva. nome e forma. Assim. ou de um indivíduo que é denominado de Santati. em termos convencionais. Assim. No Dhammapada. o que veio de outras existências é resultado do carma.

Podemos observar que o ponto de vista que interpreta o Budismo como doutrina de filosofia e pensamento ateus. mas em nenhuma hipótese há o mínimo traço de algo permanente. Esta continuidade do processo não tem qualquer origem no passado sem princípio. para sua própria proteção. O desejo de uma existência separada ou egocêntrica (descrito na Segunda Nobre Verdade) é um dos mais fortes. o homem concebeu a idéia de uma alma imortal. quando os Cinco Agregados. em que cada partícula está constantemente e continuamente mudando?" Há duas idéias psicologicamente enraizadas no indivíduo: a autoproteção e a autopreservação. Atman ou alma eterna. por alguns sistemas filosóficos e religiosos. uma formação mental. idêntico a uma entidade permanente. um ajuntamento de coisas que permanecem separadas enquanto persiste no samsara ou Roda da existência continuada. pelo Dhamma (Doutrina. Como autoproteção. nem fim. porque todos nós temos um desejo de continuidade. todo ser. só porque Gautama Buda não usava o termo "Deus". Perdido entre o temor e o desejo. causada pelos desejos insaciáveis do homem. de um ego.115 série de causas e efeitos. como uma criança que deseja agarrar um arco-íris simbolizando a ilusão. A vida é um momento entre o passado e o futuro. não deve ser aceita. uma individualidade. Cada um de nós é meramente uma combinação de características materiais e mentais. um desejo de existência. ou melhor. Como o arco-íris são todas as coisas: há um processo. ou Carma. o conceito de Eu Superior. não há nada por trás da corrente que possa ser considerado um Ser permanente. é apenas um fenômeno. trabalham associados psicofísicamente. Quanto à autopreservação. Ego ou Atman. Assim. é um "aglomerado". Porém. Sabia disto tão bem que. uma sucessão de fenômenos produzidos pela Lei de Causa e Efeito. permanente. um composto. é uma ilusão. mas Podemos dizer que a totalidade de nosso ser é a "alma" (cinco agregados). Caminho ). disse que seu ensino ia "contra a corrente". que 'todo' poderá haver em algo. e não explicarlhe a origem. um desejo de vir-aser. em suma. Conseqüentemente. salvaguarda e segurança. isto é. É uma noção falsa. Essa é uma das principais diferenças entre o Hinduísmo e o Budismo. se a aparência de um todo é meramente uma ilusão. formamos a idéia de um “eu”." Não há substância invariável. mas procuram esclarecer o homem sobre estes conceitos enraizados profundamente. argumentar: "Concordamos com que a alma não seja para ser encontrada em nenhuma parte do nosso corpo e mente. na sua sede de satisfação egoísta. ou coisa. ego. Os ensinamentos de Gautama Buda não apóiam este temor e este desejo de autoproteção e autopreservação. na sua continuação no futuro. interpretado como um último ser. o conceito de um Deus foi substituído Pela Lei do Carma. de que este suposto eu viva eternamente. e ainda pode-se acrescentar que. que viverá eternamente. contra os desejos egoístas dos homens. que são interdependentes. é o substituto budista para um espírito permanente. um condicionamento. contudo. o homem necessita dessas duas coisas para se assegurar e confortar. a não ser através da Nobre Senda Óctupla isenta de conceitos. Baseada . Por isso ele Se apega a ambas. Pode-se. textualmente. O princípio básico do Budismo é que o objetivo de pensar sobre o mundo é escapar dele. nada que possa ser realmente chamado "eu". o homem criou a imagem de um Deus pessoal do qual ele depende como uma criança de seus pais.

116 neste desejo ergue-se toda estrutura religiosa, porque existe a ilusão de algo permanente, de um eu permanente, existe a idéia de continuidade Pelos ensinamentos do Buda, de acordo com a Realidade (Verdade absoluta), este Eu permanente é uma ilusão. O supremo objetivo do Budismo está no oposto desta vida egocêntrica, está na vida Una com o Todo. Em muitas escolas de filosofia, no Hinduísmo, na Teosofia, no Ioga, todos falam na vida una, na união. Assim, na Vedanta e no Ioga falam que a criatura vai Se unir ao Criador, o Eu vai se unir a Brahma a "gota d’água vai voltar ao oceano..." O Budismo, porém, diz: desde que o Absoluto é Uno, não pode haver um segundo para se unir a ele. O Budismo esclarece que, na Iluminação, nada une a criatura ao Criador; a Iluminação surge quando, pela suprema Sabedoria, a idéia de um ego, essa ilusão de um eu, cai completamente por terra. O indivíduo vê a Realidade e então, nesse momento, o Absoluto, o Eterno, a Iluminação, o nome que se queira dar não importa, vem à existência neste indivíduo. As outras escolas de filosofia na Índia tinham sempre a idéia de buscar uma união com Brahma, com o Absoluto, mas nunca conseguiram o objetivo supremo, porque sempre pensavam em termos de "Eu me vou unir ao Absoluto". Gautama Buda penetrou esta Realidade interna e percebeu que não havia clareza na idéia de querer unir um eu, quando não há nada para unir. Diversas filosofias pregam esta união, mas também pregam o aniquilamento do eu ou da personalidade, isto é, separam o ego e o "eu". O ego seria o inferior, o corpo, a mente pensante, a sensação etc., e o Eu seria o superior (o Espirito). Porém o Buda percebeu que tudo o que é conceituado como "eu inferior" ou "eu superior" é mente, e que o eu superior é uma extensão do eu inferior, e, portanto, criação mental do próprio indivíduo. Alguns têm a ilusão de que a vida, a existência, cessa com a morte e dizem: "Ah, o descanso para mim vai ser só na sepultura!" Nos que se expressam dessa maneira, neles, já existe um desejo de aniquilamento, pois este descanso não existe, é uma ilusão. o aniquilamento sempre implica a existência de um ego, de um eu ilusório. O desejo de aniquilamento apenas confirma a existência do ego, pois é baseado na ilusão da existência de um "eu" e "meu", ou pessoa que será aniquilada após a morte. Este desejo jamais leva à cessação da existência, pois para se conseguir isto deve-se seguir um treino especial, isto é, trilhar a Nobre Senda Óctupla. No Budismo, não há aniquilamento nem eternalismo; segundo o Buda, um processo continua, não há um eu permanente que salta de uma existência para outra. Quando se joga uma pedra na superfície da água, várias ondas se propagam. Tem-se a ilusão de que é a mesma marca d'água que vai, porém, na realidade, cada onda é uma diferente marca d'água. O choque da pedra produz uma energia e essa energia na água se propaga em diversas ondas cada vez maiores, mas nada vai de uma marca d'água para outra, apenas as moléculas vibram e essa energia se propaga. Desta maneira, cada onda seria uma existência separada, mas na realidade é uma energia que se propagou. Essa energia é produto do carma (ações meritórias e demeritórias); desta maneira, a vida continua como as ondas. Os Cinco Agregados da existência como objetos de apego é o que o Buda chama "pessoa", ou "ser", a saber, o corpo, as sensações, as percepções, as formações mentais e a consciência. Portanto nos ensina que somos compostos de Cinco grupos ou Agregados, sempre como objetos de apego, isto é, tomados como "eu" e "meu". Neste sentido, a personalidade é

117 analisada e dissecada em suas partes constituintes, como já foi visto na Primeira Nobre Verdade. Todo tipo de apego deriva da ilusão fundamental de um ego, de um eu permanente, eterno. Não podemos modificar o corpo, nem nossas sensações ao nosso bel-prazer; tudo ocorre de uma maneira impessoal. A velhice vem, a doença vem, a morte vem, tudo de uma maneira incontrolável. Penetrando esta realidade interna, aos poucos, compreendemos que todos os fenômenos psicofísicos são impermanentes, insatisfatórios e impessoais, isto é, não me pertencem, não são o meu ego, eu não sou o proprietário ou dono. Portanto, este subjetivismo, esta idéia de "eu" e "meu" é uma decepção, uma ilusão, uma impossibilidade sempre levando a desapontamento e sofrimento. Mas, de acordo com a Realidade e a verdadeira Sabedoria, nós não somos donos deste corpo, nem das nossas sensações, nem das nossas percepções, nem das nossas formações mentais, e nem da nossa consciência. Se fossemos donos, não deixaríamos o nosso corpo adoecer, envelhecer nem morrer; só teríamos sensações e pensamentos agradáveis. Se não somos nem donos dos nossos Agregados, como seríamos donos de outras coisas? Tudo isto constitui um fluxo que surge e passa. A fortaleza do apego esta neste subjetivismo que dá origem a todos os apegos e isto nos leva a compreender o drama do Sofrimento. Assim, os ensinamentos do Buda tem o objetivo de explicar o que é o Sofrimento, para podermos passar para alem dele. A concepção budista que nega a ilusão de um eu ou ego, uma alma eterna, é conhecida como doutrina da Impessoalidade ou Não-Eu: Anatta. O Budismo afirma que a crença em uma alma permanente é o mais perigoso e pernicioso de todos os conceitos, a mais enganadora das ilusões, e a "raiz de todo o sofrimento". A crença num eu separado cria o egoísmo e o personalismo, que produzem idéias falsas e imaginárias, origem do perigoso conceito antropomórfico de um Ser Supremo, ou Deus pessoal, que só trouxe orgulho, ódio, desejos egoístas, separatividade, perseguições, mergulhando os seres na eterna Roda da existência, o eterno vir-a-ser, ou morrer e renascer continuadamente - samsara. A doutrina da Impessoalidade - Anatta - Buda a concebeu através da análise profunda da relatividade de tudo o que nossa mente pode conceber. Por esta razão, o Budismo é também denominado filosofia do Conhecimento Analítico - Vibhajjavada. Há três versos extremamente importantes no Dhammapada, cap. XX, 277-279, essenciais no ensinamento do Mestre, que afirmam a doutrina da Impessoalidade e não-substancialidade de todas as coisas: 1. 2 3. Todas as coisas condicionadas são impermanentes. - Sabbe SAMKHARA anicca. Todas as coisas condicionadas são insatisfatórias. - Sabbe SAMKHARA dukkha. Todos os Dhamma, estados condicionados e não-condicionados, não têm eu ou substância própria (todas as coisas sem exceção). - Sabbe Dhamma anatta.

Analisando Os dois primeiros versos, pode-se dizer que o termo samkhara representa os Cinco Agregados, todos condicionados, interdependentes, tanto físicos como mentais. É

118 evidente que Os Cinco Agregados da existência ou toda entidade, como pessoa, alma ou eu, é Anatta, não tem eu, nem substância própria (é vazia). No que concerne ao terceiro verso, o termo dhamma tem um sentido muito mais amplo que samkhara: não só compreende as coisas ou estados condicionados, como também os nãocondicionados, o Absoluto ou o Nirvana, que também é Anatta pois está totalmente ausente e vazio da auto-ilusão e do egocentrismo que estão enraizados na Ignorância. o Nirvana, ou Absoluto, está totalmente livre de qualquer "eu", seja individual ou universal; este último nada mais é que uma extensão do anterior. Quatro semanas após sua Iluminação, Gautama Buda refletiu: “Alcancei esta Verdade, que é profunda, difícil de captar, difícil de compreender..., só compreensível para os esclarecidos... Os homens envolvidos pelas paixões e rodeados de escuridão (ignorância) não podem ver esta Verdade sublime, que vai contra a corrente." Com estes pensamentos, o Buda hesitou, perguntando a si mesmo se não seria um ato vão tentar explicar ao mundo iludido a Verdade que ele acabara de alcançar. Comparou o mundo a um pequeno lago com lótus: alguns lótus permanecem submersos, outros alcançam o nível da água, e outros crescem acima do nível e a água não os toca. Deste modo, no mundo, há homens de diferentes níveis de desenvolvimento; só poucos compreenderão a Verdade. Entretanto, resolveu ensiná-la e prosseguiu durante 45 anos mostrando sua grande compaixão, pregando e difundindo seus ensinamentos à Humanidade sofredora até a sua morte - Parinirvana. Gautama Buda era um instrutor prático e objetivo, de grande compaixão e sabedoria; não respondia as perguntas para mostrar seu saber e profunda inteligência, mas, sim, para ajudar aqueles que o procuravam. Somente usava a Palavra, e a Palavra era seu único meio de persuasão. Falava às pessoas tendo sempre em mente o grau de desenvolvimento, as tendências, o modo de pensar, o caráter e a capacidade de compreensão de cada um. Assim, tratava as perguntas de quatro maneiras diferentes: algumas devem ser respondidas diretamente, outras devem ser respondidas pela análise, outras devem ainda ser respondidas mediante outras perguntas, como no caso de Malunkya-putra*1, e, finalmente, há perguntas que não devem ser respondidas, e como veremos adiante no caso de Vacchagota, o errante. Certa vez, um bhikkhu formulou a seguinte pergunta ao Buda: "Existe o caso de alguém se atormentar por não encontrar em si mesmo algo permanente? - Sim, bhikkhu, o caso existe, porque as idéias de “não serei mais” ou "não terei mais" São atemorizantes para um homem comum, não-esclarecido." (MajjhimaNikaya, I.) Resposta ao Brâmane Kutadanta *2 Kutadanta: - Se não existe a alma, como pode existir imortalidade? Se a atividade da alma cessa, nossos pensamentos também cessarão. O Buda respondeu: Nossa faculdade de pensar desaparece, porém nossos pensamentos continuam existindo. Cessa o raciocínio, porém continua o pensamento. É como se durante a noite alguém tivesse necessidade de escrever uma carta. Acende a luz, escreve a carta e, uma vez escrita, apaga a luz. Embora esteja a luz apagada, a carta continua escrita.

119 De modo análogo, o raciocínio cessa, mas o conhecimento persiste. A atividade mental cessa, porém a experiência, o conhecimento e o fruto de nossas ações não são perdidos, continuam... ... Faze com que tua mente repouse na Verdade, difunde a Verdade e põe a Verdade em tua alma. E, na verdade, viverás eternamente! O "eu" é a morte; a Verdade é a vida. O apego ao "eu", ou personalidade, é morte continua ao passo que quem vive e se move na Verdade, alcança o Nirvana, o Eterno. O Conselho ao Kaccana - Há uma dualidade, ó Kaccana; este mundo tem o costume de se apegar ao "existe" e ao "não-existe". Mas, ó Kaccana, para aquele que percebe em verdade e com sabedoria como as coisas se produzem neste mundo, não há "não-existe" neste mundo. Para aquele, ó Kaccana, que percebe em verdade e com sabedaria, como as coisas perecem neste mundo, não há "existe" neste mundo. A dor só se produz lá onde qualquer coisa se produz; a dor desaparece lá onde qualquer coisa desaparece. "Tudo existe" é um dos extremos, ó Kaccana. "Nada existe" é o outro extremo. O Perfeito, ó Kaccana, Se mantém afastado desses dois extremos. (Samyutta Nikaya.) O Silêncio de Buda Muito se escreveu, discutiu e se especulou a respeito do silêncio de Gautama Buda e sobre o que sabia e não nos disse. Certa vez, um asceta errante chamado Vacchagota perguntou ao Sublime: - Ó Venerável Gautama, o Eu - Atman existe? - o Sublime permaneceu silencioso. - Como então, ó Venerável Gautama, o eu não existe? - E de novo o Sublime guarda silêncio. Vacchagota não obtendo resposta, levantou-se e partiu. Logo após a partida de Vacchagotta, Ananda, que assistia ao colóquio, perguntou ao Buda por que não havia respondido às perguntas formuladas por Vacchagotta. O Mestre, então, lhe explicou o motivo: - Ananda, quando Vacchagotta, o errante, me perguntou: "Venerável Gautama, o eu existe?" Se eu tivesse respondido: "o eu existe", isso significaria aderir aos reclusos e brâmanes que sustentam a doutrina eternalista, ou da imperecibilidade. Ananda, e quando Vacchagotta me perguntou: "Então, o eu não existe?" Se eu tivesse respondido: "o eu não existe", isso teria significado aderir aos reclusos e brâmanes que sustentaria a doutrina niilista, ou do aniquilamento. Por outro lado, Ananda, quando Vacchagotta perguntou: “o eu existe?", se eu tivesse respondido: "O eu existe", então, Ananda, estaria isso de acordo com meus ensinamentos, que todos Dhamma não tem o eu? - Certamente, não, Senhor!

que é a doutrina niilista. e a Realidade não pode ser negativa. a fonte da ilusão e o gérmen do mal. A Verdade não se liga a nenhum eu. seria para Vacchagotta uma confusão maior ainda. da impudícia.*4 O eu ou ego engendra o egoísmo. Não há injustiça que não seja produto da afirmação do eu. ou o Absoluto. eterno ou imutável na totalidade da existência universal. mas agora não existe mais. para ele que já é confuso. que nada é permanente. O dissipar da ilusão do eu. de uma personalidade ou individualidade. Segundo os ensinamentos de Gautama Buda. o eu não existe". "tenho um eu". IV. A doutrina do Anatta não deve ser considerada como negativa ou niilista. então. da iniqüidade. é preciso compreender que o que se chama "eu" ou "ser e apenas uma combinação de agregados físicos e mentais que atuam conjuntamente e interdependentemente. Com respeito à doutrina do Anatta. é a Verdade e a Realidade. da indecência. porque ambas são laços que nos prendem à falsa idéia de "eu sou". não ha dor alguma que não seja filha do eu. .) *3 Assim ficou esclarecida a razão de o Mestre permanecer em silêncio em certas ocasiões. acentua apenas que o homem é um ser responsável. da opressão e da efusão de sangue. quando Vacchagotta me perguntou: "Venerável Gautama. da calúnia. o que se percebe pela própria etimologia da palavra. o correto é não sustentar opiniões e pontos de vista. é o fim dos renascimentos. o tentador. num fluxo de mudanças contínuas dentro da lei da causa e efeito. como uma conseqüências natural de seus atos. é o princípio de todo ódio. o malfeitor. porque certamente teria pensado: "Anteriormente. O negativo é a falsa crença de um eu substancial. se eu tivesse respondido: "o eu não existe". de um modo objetivo.120 . É a origem do erro. é um erro sustentar tanto a idéia "não tenho um eu". o criador do mal. A consciência do eu cega os olhos da mente e oculta a verdade. Não há mal algum que não provenha do eu. O eu é Mara. é universal e conduz à equanimidade. que ele realmente faz as suas próprias condições e se outorga as suas próprias recompensas e castigos. como sustentar a idéia. eu tinha um eu. Ananda.a permanente Vigilância . é o Despertar completo . do roubo. em função da qual há autoconhecimento e dissolução do determinismo cármico. do mesmo modo que o Nirvana." (Samyutta Nikaya. doutrina eternalista. A filosofia budista não critica nenhuma forma de religião. mas tratar de ver as coisas tais como elas são.Plena Atenção ou Observação Pura.E ainda. sem projeções mentais. A ilusão do eu é a fonte de todo mal e de toda dor. Ananda. a doutrina do Anatta dissipa a neblina das falsas crenças e convida a ver a Realidade. que é a Sabedoria.

“Budismo como Ciência. *1 Cula-Malunkya sutta. Corpo físico: obra do carma passado. não cria mais carma. ORIGINAÇÃO INTERDEPENDENTE (RODA DA VI DA) . 15. p. cap. Carus. *2 Resumo da tradução de Yogi Kharishnanda. não alimentando subconsciente. Obra citada. L'Enseignement du Bouddha. Obra citada. o Evangelho do Buda. o Evangelho de Buda. Moral e Filosofia”. o carma passado se extingue com a morte do corpo. *4 F. na tradução da Páli Text Society. *3 Walpola Rahula.121 1. Assim. 1. Um Buda.

122 .

com o corpo e com a mente. pelo tato e pela mente. ou objetivo. com o nariz. olfativa. aquisição das faculdades dos sentidos .O que é a ignorância? Não saber a respeito de dukkha (existência do sofrimento).123 II.Quais as diferentes espécies de consciência (conhecimento)? Há seis espécies de consciência: a consciência visual.os dentes estragados. os cabelos embranquecidos. gustativa. a atenção . com o corpo (interna e externamente) e com a mente. calórica e de movimento) . o esforço. . .eis o que se chama velhice.eis o que se chama nascimento. . ou subjetivo.Quais as diferentes formas de apego? Há quatro espécies de apego: apego aos prazeres sensoriais.eis o que se chama morte. produção das formações cármicas. pois tudo o .Quais as diferentes espécies de contato? Há seis espécies de contato: com os olhos.Quais são as diferentes formações cármicas? Há três espécies de formações cármicas: através da palavra. Tudo o que num ser qualquer é origem.Quais são as diferentes faculdades sensoriais? São as faculdades: visual.O que é a velhice e a morte? Tudo o que num ser qualquer desgastando. com o nariz. *1 Buda ensinou que nesse mundo instável e em constante transformação nada se processa por acaso. a vida aproximando-se de seu fim. a existência nos fenômenos físicos e a existência nos fenômenos mentais. é fenômeno mental. pelo paladar. . apego a regras e rituais e apego á idéia do "eu". gustativa. com a língua. .Quais as diferentes espécies de sensação? Há seis espécies de sensações: as que nascem do contato com o olho. tátil e a mental. olfativa. os órgãos dos sentidos esgotados . alcançou a doutrina da Impessoalidade . sua causa. . II. é fenômeno físico. a percepção. o contato. pelo olfato. . com a língua. Todas as manifestações da natureza estão sujeitas à Lei de causa é efeito. concepção. e pelo método sintético.eis o que se chama nome. apego a conceitos. pelo método analítico. Tudo o que num ser qualquer está se decompondo. Há um texto. seu aparecimento.Anatta -. e através do pensamento. sua Extinção e do caminho que leva a essa extinção . relativo e interdependente. partindo do princípio de que tudo está condicionado.eis o que se chama ignorância. com os ouvidos. com o ouvido.Quais as diferentes formas de desejo? Há seis espécies de desejos: o das coisas percebíveis pela visão.Quais as diferentes formas de existência (processo de vir-a-ser)? Há três espécies de existência: a existência nos prazeres sensoriais. auditiva. desaparecendo . 2-4 que serve de introdução ao estudo da Lei da Originação Interdependente ou gênese Condicionada: . .O que é o nome e forma? A sensação. LEI DA ORIGINAÇÃO INTERDEPENDENTE: PATICCA-SAMUPPADA Gautama Buda. auditiva. . líquida. a pele enrugada. Os quatro grandes elementos e a forma deles derivada (sólida. aparecimento. declinando . pela audição.eis o que se chama forma. alcançou a Lei da Originação Interdependente. . relacionada com a Segunda Nobre Verdade. através da ação. tátil e mental. no Samyutta-Nikaya.

Desta forma. HÁ EXISTÊNCIA TERRENA.Nama-rupa. POR CAUSA DO CONTATO. 9. 3. Da cessação disto. olfato. 32. ou através da consciência estão condicionados os fenômenos mentais e físicos .) Em que consiste o surgir por meio de causas? FATORES DA ORIGINAÇÃO INTERDEPENDENTE: NIDANAS (RODA DA VIDA) O conjunto dos fenômenos relacionados com os Cinco Agregados do apego condiciona o renascimento. ou através do renascimento ficam condicionados. assim. Estando isto ausente. 7. O princípio desta Lei resume-se na seguinte fórmula: Estando isto presente. provocando o renascimento e dando continuidade aos doze elos da cadeia da existência. isso surge.124 que existe é efeito de uma causa anterior e. POR CAUSA DA EXISTÊNCIA TERRENA. estamos sempre em face de um processo. isso acontece. paladar e a faculdade do órgão da mente Sadaytana.Vedana. a decadência.isto é. III. 10. determinando-o. POR CAUSA DO APEGO. isso não aparece. na ordem direta e na ordem inversa. HÁ INDIVIDUALIDADE E ILUSÃO DE UM EU . HÁ O CONTATO . ATRAVÉS DAS AÇÕES VOLITIVAS (CÁRMICAS) SURGE A CONSCIÊNCIA OU CONHECIMENTO . POR CAUSA DO NOME E FORMA. formulou a Lei da Originação Interdependente. assim. audição. 4. POR CAUSA DA SENSAÇÃO. a origem da existência de todo sofrimento: 1.Vijnana. isso cessa. Do aparecimento disto. ou sejam. o presente resume o passado e contem em potencial todo o futuro. 8. causa de um efeito posterior. ou através do processo de vir-a-ser surge o processo cármico (nascimento) . O Bem-Aventurado. 5 POR CAUSA DA IGNORÂNCIA (INCOMPREENSÃO DA IMPERMANÊNCIA).Tanha. Na hora da morte. o último pensamento volitivo constitui e condiciona o novo elo de consciência. 2. tristezas e desespero . HÁ DESEJOS . HÁ OS SEIS SENTIDOS. HÁ APEGO . todo o passado está contido no presente. tato. HÁ SENSAÇÃO . (Majjhima-Nikaya. POR CAUSA DOS DESEJ OS. que consta dos seguintes fatores ou causas – Nidanas.Avidya.Jaramarana. HÁ DECADÊNCIA A MORTE. 6. POR CAUSA DOS SEIS SENTIDOS.Samkhara. lamentações. POR CAUSA DA EXISTÊNCIA INDIVIDUAL. sofrimentos. POR CAUSA DA CONSCIÊNCIA. HÁ EXISTÊNCIA INDIVIDUAL (de um “eu”). Os Nidanas.Upadana. ou através dos fenômenos mentais e físicos (mente e corpo) estão condicionadas as seis faculdades sensoriais: visão.Jati. ATRAVÉS DA INDIVIDUALIDADE ESTÃO CONDICIONADAS AS AÇÕES VOLITIVAS OU FORMAÇÕES CÁRMICAS . a morte. Bhava. por sua vez.Sparsa. a velhice. fixando sua mente sobre a origem e encadeamento das coisas. 11 12 . ou através do apego surge o condicionamento do processo de vir-a-ser. HÁ NOME E FORMA. .

a ignorância não é' a causa primeira. existe e continua a vida. a saber: o que é' o Sofrimento. **3 1. a existência individual prolonga-se indefinidamente . o que significa que o supremo propósito da . A falta de conhecimento a respeito da Impermanência envolve o desconhecimento a respeito da Insatisfatoriedade e Impessoalidade. contato) e consciência. é quase uma impossibilidade libertar-se da ignorância sem alguma ajuda externa: esta ajuda é que o Budismo nos dá em forma de ensinamentos que vão contra a compreensão comum dos homens. sintetizada pelo Lama Anagarika Govinda. atenção. Se isto for praticado intensamente. transcrevemos. a extinção do Sofrimento. mas uma condição sob a qual nossa presente vida se desenvolve. a causa do Sofrimento. Ignorância e o desconhecimento a respeito das Quatro Nobres Verdades. isto não me pertence. meu e eu". como já foi visto: corpo. A toda tentativa que o homem comum. No entanto. ou reconhecê-la." Porém o Buda o ensina a pensar de outra forma: "Isto não sou eu. Quando tenta apontar a ignorância. Ignorância . isto me pertence.desconhecimento. serão completamente eliminadas. Estes condicionamentos dão origem à consciência de um eu ilusório. O homem comum constantemente pensa: "Isto sou eu. da natureza impermanente dos Cinco Agregados da existência isto é. A ignorância significa o ignorado. ou de um principio cosmogônico. ou o não conhecimento do Dharma (não reconhecimento da Realidade).125 Desta forma se produz a origem de todo este conjunto de males.Avidya É representada simbolicamente por uma cega apalpando o caminho com um bastão. formações (volição. Insatisfatória e Impessoal. causa metafísica da existência. É o desconhecimento da essência desta vida. um artigo do Monge Kaled Amer Assrany. o qual consiste. sensações. isto é meu ego. OS DOZE ELOS Para melhor compreensão dos doze elos da Originação Interdependente. e o próprio ladrão o conduzisse na busca. para nunca surgirem novamente. gradativamente estamos desmantelando a ignorância." "Isto" refere-se aos Cinco Agregados da existência como objetos de apego. a senda que leva à extinção do Sofrimento. que nem a morte destrói.samsara. percepções. Todas as vezes que refletimos desta maneira. Portanto. essencialmente. Assim surge. o surgimento. Ignorância é algo negativo e abstrato . ele o faz com ignorância. faz para ganhar correto conhecimento. e se torna responsável pelo nosso presente estado de consciência. em parte. É como se um soldado fosse à procura de um ladrão. não instruído no Dhamma (Doutrina). em considerar as coisas como "meu" e "eu". eis o que se chama o surgir. vivência momentânea e o desaparecimento. a ignorância pode ser definida como o desconhecimento a respeito das três características da existência: Impermanente. não correspondendo a coisa alguma real substancial. Sua correspondente manifestação positiva é' o Apego. Isto nos indica quão firme é a ignorância e o quão difícil é libertar-se dele. Não interrompendo o processo cármico. *2 como também a descrição de um quadro tibetano simbolizando a Roda da Vida. ele leva a ignorância consigo. "pessoa. poderá chegar o momento em que todas as noções de subjetivismo. isto não é o meu ego.

Todas estas atividades tem ódio. não tem efeitos cármicos. a confiança. a Iluminação veio à existência. "eu ajo". em relação com as seis faculdades sensoriais e com os seis tipos de objetos físicos e mentais correspondentes. do corpo e da palavra. não são atos volitivos. a idéia de um "eu". ou as ações volicionais. o que significa que essas vibrações continuaram. criaram o sêmen de um novo nascimento. As sensações e as percepções. Este caráter nada mais é que a tendência da nossa vontade. ou "ação que eu intencionalmente realizo". através de ações. suas ações intencionais não são carma. destruído. nós. a ignorância. Ações intencionais não acompanhadas de pensamentos de eu e meu não são carma. a vaidade. de acordo com essa direção. ou carma. a energia. o sofrimento foi completamente. Somente as ações volitivas. desejo e apego. a ignorância. formada por repetidas ações. conseqüentemente. O Iluminado não tem pensamentos de eu e meu. Nas formações cármicas estão incluídas todas as ações volitivas e todas as construções mentais. aquela que dá sua forma e direção. O significado literal de carma é ação. por sua vez. definição de um dos agregados da existência na Primeira Nobre Verdade. a vaidade. A volição (vontade) é uma atividade mental. bhikkhus. e não que . tornando-se a causa de novas atividades. tais como: a determinação. etc. o ódio. criando um quadro ilusório dele mesmo e do mundo. dirigindo sua vontade para coisas sem realidade e formando seu caráter. portanto. sob o nome de carma (em páli Kamma). são cármicas. Esta possibilidade de criações das formas está adequadamente simbolizada por um oleiro: cria diferentes formas de vasos. sejam boas. etc. o homem vive na ignorância. que eu chamo carma. mas. constituindo o princípio ativo dirigente. Sua função é dirigir a mente – citta 2 . em si. As ações cármicas de uma vida passada. sinônimo de cetana (vontade) e carma (ações meritórias e demeritórias que criam efeitos) em contradição com Samkhara-skhanda3 (traduzido como formações mentais). a concentração. baseada na ignorância. 2.para a esfera das ações boas. no mundo exterior. Pela vontade é que agimos.126 senda foi atingido. motivo ou caráter de uma nova consciência. a repugnância. o desejo. ou "minha ação intencional"." A volição. que estão.Samkhara Devido à cegueira espiritual. geralmente. Assim. más e indiferentes. A ignorância condiciona as ações cármicas. criamos nosso caráter e destino. Samkhara (sânscrito Samskhara) na Roda da Vida significa ação volitiva. também tem seis formas. más e indiferentes. é o resultado daqueles atos volitivos. e para todo o sempre. de acordo com nossas palavras. através da mente. a idéia de um "eu". atos e pensamentos. conscientes ou inconscientes. palavras e pensamentos do material não formado da nossa vida e de nossas impressões sensoriais. como as percepções e sensações em si. o caráter (vaso do oleiro) da nossa futura consciência. Assim como seus desejos e imaginação. nós criamos. Todas estas atividades tem efeitos cármicos positivos ou negativos. na idéia de "minha ação". Gautama Buda definiu carma da seguinte forma: "é á volição. Tudo o que figura neste grupo é conhecido. na Roda da Vida. Formações Cármicas . sempre. que se manifestam subjetivamente com relação ao homem comum.

correta compreensão ou corretos pontos de vista. eu tive um nascimento. é a consciência até aqui formada que constitui o núcleo ou gérmen de nova corporificação. Formações cármicas (samkhara) são todas as ações volicionais pelo corpo. ódio. Amor (compaixão. abster-se de conversas vis e fúteis. Se Eu existo agora. Pelo verbo ou palavra: a) Demeritórias: mentir e caluniar. ela também tem a capacidade de cristalizar-se e polarizar-se em formas materiais e funções mentais. Deste modo se compreende que na Roda da Vida a consciência condiciona o nascimento. e soltar um objeto indo à procura de outro. 3. tolerância. ilusão ou errôneos pontos de vista. "Assim como um macaco pula de galho em galho. Para compreender este fenômeno. b) Meritórias: renuncia e desapego. conversas vis e fúteis. assim a consciência pula incessantemente de um objeto para outro. 4. Sua propriedade não é somente agarrar-se incessantemente aos objetos dos sentidos ou objetos da imaginação. abster-se de roubar e explorar.127 uma pessoa. b) Meritórias: abster-se de mentir e caluniar." A consciência não pode existir só por si mesma. Consciência*4 . verbo e mente. b) Meritórias: abster-se de destruir os seres vivos. Pelo corpo: a) Demeritórias: destruir os seres vivos. saltou de uma existência para outra. c) Imperturbáveis ou indiferentes. Pela mente: a) Demeritórias: cobiça. Nome e Forma . O "meu" é apego e condiciona o "eu" . errôneo comportamento sexual (adultério)."eu existo".Nama-Rupa A consciência é a base da combinação de mente e corpo – nama-rupa – pré-condição do organismo psicofísico. regredindo o pensamento. palavras pesadas e ofensivas. c) Imperturbáveis e indiferentes. um exemplo bom é sempre aquele da propagação das ondas na égua. abster-se de levar e trazer conversas. boa vontade). um eu. c) Imperturbáveis e indiferentes. . roubar ou explorar.Vijnana No sair de uma vida e entrar para outra. isso teve que ter um começo. levar e trazer conversas capazes de causar desarmonia entre pessoas ou grupos. do mesmo modo as formações cármicas condicionam a consciência. abster-se de palavras pesadas e ofensivas. simbolizado por duas pessoas num bote. abster-se de errôneo comportamento sexual.

a mente percebe através do corpo e o corpo sente através da mente. temos contato. o mundo é exclusivamente considerado sob o ponto de vista fenomenológico da consciência. Condicionam as seis bases externas ou objetos. que se encontra nos mais diversos estados de consciência. A mente é sempre condicionada pelo corpo e o corpo é sempre condicionado pela mente.rupa significa conhecimento ou percepção da pura forma ideal (mental). menos popular. o Budismo não faz indagação sobre a essência da matéria. porque existe uma base interna. que define o termo rupa não somente no sentido de "matéria" ou princípio de materialidade. a percepção que temos dele é condicionada pelo corpo e pela mente. isto e. volição. em outras palavras. em que. em outros termos como rupavacaracitta . como "o sensorial".128 A consciência condiciona os fenômenos psicofísicos e os fenômenos psicofísicos condicionam os seis sentidos (base interna) e seus respectivos objetos (bases externas). porém a tentativa mais adiantada e sistemática de apresentação da filosofia e psicologia budista. rupadhyana) . assim o mundo externo material grosseiro e sutil é considerado o mundo dos nossos sentidos. Por esta razão. temos uma percepção. porém sem indicação quanto a essa forma ser material ou imaterial. Neste sentido. é óbvio que o mundo exterior já existia muito antes da nossa existência e continuará a existir depois da cessação da nossa existência como indivíduo. pelo contato. Assim. "condição". mas apenas sobre a essência da percepção dos sentidos e experiências que criam em nós uma idéia de matéria.nama. percebida pelos sentidos ou concebida pela mente. concreta ou abstrata. tanto internas como externas. o que mostra uma interdependência entre o corpo e a mente. não no sentido de que o mundo exterior seja condicionado pelos nossos fenômenos físicos e psíquicos. percebida pela visão clarividente. naquele momento exato em que tomamos consciência do mundo exterior. o Budismo se liberta do dilema dualístico em que mente e matéria são um composto que permanece acidentalmente unido. e não por nosso órgão visual físico. o Lama Anagarika Govinda*5 concorda com Rosenberg. mas o mundo exterior tem de ser descoberto. O termo Rupa literalmente significa "forma". como já vimos. mente/corpo. Rupa-Shandha4 é representado habitualmente como o "elemento da corporalidade" ou "agregado da matéria". percepção. o corpo e a mente condicionam os seis sentidos e seus objetos correspondentes. preferencialmente. onde a matéria torna-se o oposto da mente .estado da visão espiritual na meditação. há sempre uma interação corpo/mente. sem estabelecer dualismo. . guiadas pela mente e criadas pela mente. Em conseqüência desta atitude psicológica. uma mente que. atenção e consciência (conhecimento) No momento exato em que olhamos uma paisagem. isto é. ou imaterial. descobrimos esta paisagem. no entanto. uma atenção e uma consciência correspondentes." Nos ensinamentos mais profundos do Abidbamma. sem distinção de análise física ou psicológica.forma mais sutil da esfera da consciência . tem a potencialidade de ter sensação. percepção. O mundo exterior independe da nossa individualidade. volição e consciência. descobrimos o mundo exterior. que inclui o conceito de matéria sob o ponto de vista de análise psicológica. . percebido pela nossa consciência. porque. Então naquele momento exato. é que temos consciência. mas. o primeiro verso do Dhammapada começa com o seguinte: "Todas as coisas são precedidas pela mente. Nesse sentido o corpo e a mente condicionam as seis bases. Considerando a natureza íntima da nossa consciência. tomamos consciência. uma volição. porque existe uma base interna (mente) com capacidade de ter sensação. e logo que temos consciência.ou rupajhana (sânscrito.

a matéria não é necessariamente matéria comum. das leis estruturais da matéria e da natureza dos seus elementos primordiais. "Quanto maior for o progresso na senda. dentro de certas limitações que dependem das condições de crescimento orgânico. não podendo competir com a da mente. conseqüentemente. Desta forma. inclusive aqueles que nós chamamos " matéria" e que fazem aparente o nosso mundo sólido e tangível. todos os objetos interiores e exteriores da nossa consciência. tão de leve como podemos tocar o arcoíris. devido à sua maior densidade. Matéria ou materialidade não são necessariamente alguma coisa original. *6 Esses elementos não têm realidade substancial em si. da nossa atitude volicional e da ação. enquanto que esta última (consciência)5 não é. De maneira similar. amplitude de vibração mais longa. porque pode ser observado por todos que são dotados do sentido da visão. O que aparece como forma. Quando a mente alcança o estado de harmonia e serenidade. etc. são reais somente no sentido relativo. significa a consciência coagulada. os efeitos cármicos cessam devido a essa mudança de atitude mental. de forma alguma. uma alucinação. até mesmo ser fotografado e também está sujeito a certas causas e condições. as maiores dificuldades são nossas maiores oportunidades. sendo o arco-íris uma ilusão. em conseqüência da qual se define numa forma aparente. mesmo depois de ter cessado o impulso original. oscila por um longo tempo.namarupa. maior será a distância entre o corpóreo e o espiritual. ou é apenas uma pequena extensão. podem ser remontadas à origem de forças ou energias e. ele não é. seus órgão dos sentidos. tem menor grau de movimento e. O mesmo é verdadeiro para nossa própria corporalidade ou organismo psicofísico . o corpo é produto da nossa consciência. as impressões do mundo exterior. O corpo se adapta lentamente. Temos a capacidade de observar ou tocar a matéria. aos elementos que são considerados a soma das experiências táteis. as chamadas coisas materiais pertencem à esfera dos sentidos. porque o corpo. no presente caso. O obstáculo que o físico opõe ao espiritual não é argumento para a rejeição do corpo físico. Este organismo psicofísico. mas o que é percebido pelos sentidos não esgota as qualidades da matéria. mais lenta será a oscilação. o conceito rupa é muito mais amplo que o conceito "matéria". cristalizada ou materializada do passado. no seu aspecto universal. Quanto mais pesado e longo o pêndulo. um produto do corpo que transmite. é alheio aos que alcançaram o desenvolvimento espiritual e se aproximaram de ver o passado na sua totalidade. portanto. em conformidade com suas tendências. O corpo mesmo deve ser submetido a uma mutação e deixar de ser um . é o principio ativo da consciência (carma). porém. em conseqüência do carma passado. Somente a atitude volicional que se torna efetiva como ação (carma) subseqüentemente surge como efeito visível e tangível na matéria.. mas são fenômenos que sempre surgem e desaparecem em conformidade com determinadas causas e condições. a forma corpórea ainda oscilará por algum tempo. o Lama Govinda compara a forma corpórea a um pesado pêndulo que. segundo o Budismo. seu desenvolvimento. Do mesmo modo.129 Assim. Eles formam uma corrente contínua que parcialmente torna-se consciente nos seres vivos. isto é. A receptividade e aceitação destas impressões dependem das reações emocionais e intelectuais da nossa própria consciência. como ilusão objetiva. pertence essencialmente ao passado e. Desta maneira. conseqüentemente. através dos seus órgãos dos sentidos. pela providência invisível das coisas.." *7 Concluindo. dependendo daquelas reações.

O processo da evolução biológica. audição. Contato .Tanha As sensações agradáveis causam o desejo. e esta sensação agradável se perpetua sempre pelo apego. dominado pelo desejo. 6. para tornar-se um servo consciente. por causa disso. é diferenciado através da formação e ação dos seis sentidos. isto é. **8 5. porém transformada e. é a mola-mestra do processo de vida. preparando formas de vida com mais e mais órgãos altamente especializados.Sadayatana O organismo psicofísico. A "flechada" no olho significa a intensidade dos sentidos e as futuras conseqüências dolorosas que surpreendem aqueles que se deixam levar pelas sensações agradáveis. porque existe a ilusão de um "eu" para ter prazer em alguma coisa. um instrumento radiante. como o foi até agora. ele próprio. Estas faculdades são simbolizadas "como as janelas de uma casa através das quais nós tomamos contato com o mundo exterior".130 animal vociferante.Sparsa Simbolizado pelo primeiro contato entre namorados. 8. Desejos . e o desejo com ignorância logo condiciona o apego. As sensações agradáveis condicionam o desejo. por meio da seleção biológica. sempre mais e mais. . controlada na vida humana civilizada. aquilo que nos proporciona prazer. até certo ponto. por esse motivo. paladar e tato. olfato. através de eras imensuráveis. Os seis sentidos e seus respectivos objetos condicionam o contato e o contato condiciona a sensação. se esta for agradável. que é simbolizado por um beberrão.é. o anseio mais forte. O apego condiciona as ações cármicas que nos fazem agir pela mente.que é o estado de não-iluminação . que é um forte desejo de renovação. até o mais altamente evoluído organismo que conhecemos: o ser humano. pelo verbo e pelo corpo. desde o protoplasma da célula única. desse instinto de ânsia. e é ele que trabalhando através de processos biológicos tem produzido a raça inteira das criaturas viventes. a mais profunda ignorância. para podermos possuir e renovar. encontramos essa condição quase igual no homem primitivo. Sensações Vedana Resultam do contato dos sentidos com seus objetos. como é o caso das formas mais inferiores de vida. é simplesmente o transporte para a frente. sempre procurando novas intensidades de experiência e. O instinto da ansiedade. ou um obstáculo tolo. 7. é o desejo de viver e o impulso vital. O funcionamento da mente num estado de ignorância . de geração a geração. das faculdades de pensamento. imediatamente surge o desejo com ignorância. simbolicamente representado por "um homem cujo olho foi atingido por uma flecha". além do que já foi visto acima. Conforme subimos na escala. desejo. como é sabido na moderna ciência. visão. uma forma viva do espírito. Os Seis Sentidos .

e provoca o desejo. o desejo tem de estar presente para que a consciência do homem comum surja das suas ações intencionais. o que não é uma tarefa fácil. isto é. Ele não vê que deliciar-se na existência separada de um "eu" é realmente deliciar-se em sofrimento. 22). O homem comum. 9. Assim. ele não vê. a ação é o campo. é a busca de satisfação de um objeto que ainda não se alcançou e que. porque o desejo é o gerador que produz a energia que põe em movimento toda a Roda da Vida. porque a ignorância é algo abstrato. e nunca ficar completa mente satisfeita. Mas para ver que o desejo é sofrimento. o desejo. "eu sou o dono deste corpo". uma deliberada cessação dos impulsos do desejo. a maneira pela qual é dirigida pela ação da vontade é que produz os resultados morais. gera a insaciedade. trazendo graves conseqüências" (Majjhima Nikaya. assim. chega a ter aversão a destruir os pensamentos de "eu" e "meu". ele teria de ver também a Impermanência e a Impessoalidade." Justamente como a umidade tem de estar presente para que a semente brote e cresça no campo. isto porque realmente ele não sabe.131 A ignorância tem sua manifestação ativa no desejo.Upadana *9 Da sede de viver surge o apego aos objetos desejados. um desejo junto com ignorância pela falta de plena atenção. realmente. Todas as nossas atividades mentais motivadas pelo desejo estão renovando perpetuamente a corrente. e essa busca constante de renovação leva á insatisfatoriedade. porque há sempre um "eu" para desejar. da mesma forma. a semente e o desejo a umidade. deve ser por um esforço de vontade consciente. deleita-se nos prazeres dos sentidos e no fato da sua existência. . não sabe que o desejo é a causa de todo sofrimento. essa sede de viver. Pela ilusão pensa: "o corpo é meu". sendo presa fácil dos estímulos exteriores e escravo dos desejos. A necessidade de controlar o desejo é fundamental para o progresso na senda. Mesmo sabendo disto intelectualmente. por isso é que o Buda dá tanta ênfase sobre o controle imediato do desejo. "Os prazeres dos sentidos são de pouca satisfação. O desejo. Apego . é desconhecimento. uma das características da mente é buscar mais e mais prazeres nas portas dos sentidos e na própria mente. Se é para trazer um fim. Novos impulsos estão incessantemente sendo projetados para sustentar e carrega-lo à frente. O desejo é um dos mais poderosos fatores que molda a vida de cada um. A energia por si mesma é neutra. quando alcançado. isto é. levado pela ilusão. Pela ignorância. a ação intencional do homem comum é determinada pelo desejo. a consciência. que é simbolizado por um homem colhendo frutos e acumulando-os num cesto. Gautama Buda aponta o desejo. continua a agir da mesma maneira. entretanto. "eu existo" ou "minha existência". O homem comum age desta maneira porque. porque esta sendo incessantemente renovada pelo gerador. Toda vez que a mente vaga e salta de um pensamento para outro. de muito sofrimento e de muita tribulação. um fator que pode ser trazido sob controle imediato. sempre com raiz na ignorância. deleita-se em ver as coisas como "minhas". Essa energia nunca pode gastar-se automaticamente. é porque há um desejo na mente. isto é. ele é. Ele não vê que este conceito do "eu" e "meu" é ilusão e que esta existência separada egoísticamente é sofrimento. como causa fundamental do Sofrimento. "Ananda.

sua tendência é se apegar. Com esta ilusão nós nos apoiamos em um falso senso de segurança. Desejo. "eu" e "meu" também existem. ou da continuidade deste ego. em que este eu seja visto como algo permanente. todas as noções de "ego" "pessoa". Os ensinamentos do Buda tem o propósito definido de destruir o sofrimento. De todas estas noções. é uma decepção porque é impossível haver controle sobre os Cinco Agregados da existência. A noção de "senhor". Logo que um indivíduo afirma que existe algo de permanente nele. nos pensamentos de "eu" e “meu”. não nos apegaremos a ele. então não queremos o objeto tampouco e. "minhas" volições e "minha" consciência. isto significa destruir pela raiz as crenças num ego. Se existe alguma coisa pela qual nós temos. e ninguém as pode expulsar. surge o apego a falsos pontos de vista: do aniquilamento de um ego com a morte. Quando nos apegamos a certo objeto. isto é. pode ordenar às Sensações: "Que minhas sensações sejam assim. ele e meu". Há quatro tipos de apego. uma alma que passa de uma existência para outra. possuir. Este tipo de controle sobre o corpo e impossível. ou "dono". cada vez mais. será sempre aos Cinco Agregados da existência. apego aos desejos dos sentidos. descritos no Samyutta-Nikaya: apego à ilusão da existência de um eu. significa destruir o apego. tampouco. ou "eu" é fundamentalmente a noção de senhor ou dono sobre os Cinco Agregados da existência. ponto de vista dos eternalistas. ponto de vista dos materialistas. percepções. "minhas" percepções. Ninguém. a tendência é se apegar mais à regras e rituais com o objetivo . Apegar-se a uma coisa significa considerá-la "minha". que meu corpo seja de outro modo". que não existe vida futura." As sensações desagradáveis e dolorosas vem. Desde que um indivíduo afirma que o ego se vai aniquilar com a morte. é apego às sensações. o que realmente temos. o mesmo que considerar as coisas como sendo "minhas". E naquele que afirma que o ego vai continuar. A experiência direta mostra que. em outras palavras.132 O apego é essencialmente caracterizado pelas noções de subjetivismo. aos desejos dos sentidos. apego a falsos pontos de vista (conceitos). parece que existe. A noção de personalidade. da mesma forma que parece que o sol gira em torno da terra. Se não quisermos aquelas sensações. Apegar-se às sensações significa considerá-las "minhas". Por que esta ilusão de um eu? Porque. apego e prazer. "minhas" sensações. a mais fundamental é a de "meu". apego as regras e rituais. Apegar-se a uma coisa significa desejá-la intensamente. de um eu permanente. Apegar-se ao corpo significa considerá-lo "meu". O conceito de "eu sou" e prazeroso e desejável apenas quando pensamos: "Eu sou" dono do meu corpo. como também: "que os meus dentes não careiem" etc. quando há desejo. das religiões. "Eu sou senhor deste corpo. ou ser proprietário de alguma coisa significa tornar-se senhor. Todo tipo de apego deriva da ilusão fundamental de um ego. todos os pensamentos de “eu” e “meu” são apego. Os Cinco Agregados da existência constantemente se reconhecem como um ser. volições que surgem quando nos tornamos conscientes deste objeto. não se pode ordenar aos cabelos brancos que estão surgindo: "que os meus cabelos não embranqueçam". ter poder sobre ela. ou "alguém". ou deleitarse nesta coisa. etc. que minhas sensações sejam de outro modo. Ninguém pode ordenar ao corpo: "Que meu corpo seja assim. ou a parte deles.. percepções. conseqüentemente. é a sua própria natureza. realmente. apego e deleite são um fato. eterno. Apenas um "eu" pode desejar. o que. apegar-se ou deleitar-se em alguma coisa. ou venhamos a ter apego.

Então. Este vir-a-ser refere-se sempre à noção da existência de um eu. Apego é essencialmente subjetivismo (pessoa. o que existe é um tornar-se. ou um dos planos divinos que seria o paraíso.meu corpo. cessando esta existência com a quebra e o desaparecimento do corpo na morte. Assim. nossa existência é como um rio em região de corredeiras . Sempre são outras águas que correm. um dos planos da existência superior. Eu é a existência. que não poderá ser outra coisa além dos Cinco Agregados da existência. O principio básico do apego está na noção de subjetivismo. os homens comuns tem intenção e subjetivismo. Esta existência é sempre um processo. enquanto que no Iluminado há intenção. sequer em dois momentos consecutivos. da mesma forma que o apego. o processo continua. e isto devido ao subjetivismo. meu e eu". nunca são os mesmos nem por dois momentos consecutivos. porque estas satisfazem este nosso "eu". da sensação de um Iluminado jamais sai um desejo. isto é. nossas formações mentais e nossa consciência. nosso corpo. mas não subjetivismo. O apego condiciona a existência. "eu" existo. o que significa a existência de todo subjetivismo. há sempre intenção e apego. Então. o apego fundamental é o apego a este "eu" ilusório que seria o dono. mas não há apego. ou do vir-a-ser. isto é. meu). Assim. É a mente quem se liberta da existência do eu. vivia livre da existência. minha sensação. este nosso ego. também. apesar de verdadeiramente não existir um ser. à noção de "pessoa. Buda disse que já tinha alcançado o fim da existência. nossas sensações. Uma vida isenta de toda noção de subjetivismo não será um vir-a-ser. sem qualquer subjetivismo. nossas percepções.Bhava O apego leva ao esforço do laço da vida para um novo processo de vir-a-ser. o apego condiciona a existência. da mesma forma que é a mente quem se liberta dos desejos sensuais e da ignorância. de uma pessoa. à ilusão de um "eu" que seria o suposto dono dos Cinco Agregados. à noção "minha existência". minha percepção. O vir-a-ser é devido ao nosso próprio pensamento. Meu é apego.133 de purificar este ego. a vida continuava sem o subjetivismo "minha . Aquilo a que se tem mais apego é aos Cinco Agregados da existência por considerá-los “meus” . de purificar esta alma para ganhar uma existência melhor. "Meu" aponta para o "eu". é simbolizado pela união sexual entre um homem e uma mulher. enquanto que os Iluminados tem intenção. O verdadeiro apego a este "eu" é completado pelas coisas exteriores. é permanentemente um outro rio. daí o nome vir-a-ser. o pensamento "meu" tem que estar presente.nunca é o mesmo. A grande descoberta do Buda consiste em que é possível haver ações intencionais completamente desacompanhadas de qualquer pensamento de "eu". O Vir-a-Ser . O desejo condiciona o apego. ser. No homem comum. isto é. ao subjetivo "eu". significa que para o pensamento “eu sou” estar presente. ou vir-a-ser. 10. minhas formações mentais. compreendida como um vir-a-ser. são os seis tipos de consciência6 que vão em fluxo permanente. Nele o vir-aser (existência de um eu) tinha cessado. de uma personalidade. eu. minha consciência -.

frutos. resultando no nascimento de uma. não serão vistos pelo olho se não houver consciência. O Iluminado passa para além de toda a existência. este somente dá a oportunidade para que um carma fim-de-vida continue numa nova existência. o solo mais apropriado para criar raízes novas e a atmosfera mais generosa para produzir novos. mas não era afetado por elas. para uma nova existência. isto é. Isto poderia ser chamado de atracão ou simpatia das forças cármicas. visto que a vida é o produto do carma. É. Usava as expressões eu e meu apenas para se comunicar. se refere àquela energia cármica que. ele vive livre da existência de um Eu. nem meramente perpetuado por seus pais. não existe ser algum para renascer. um problema porque. apesar de entrarem em foco.134 existência” . é simbolizado por uma mulher dando á luz uma criança. O carma não é uma entidade que passa de uma vida para a outra. não porque as herdou. (Majjhima Nikaya. procurará expressar-se novamente.) Esta necessidade de geração. Quando todos os pensamentos de "eu" e "meu" forem extinguidos para não surgir novamente . Havendo o coito. poderá haver uma concepção. Renascimento . inclinações e repulsões. mas o carma é a própria vida. Se acontecer de o útero materno. assim também “é da conjunção das três coisas que se dá a concepção. assim como objetos visíveis. 11. re-geração. 3õ. O renascimento terá lugar onde estas tendências cármicas encontrarem as melhores condições de expressão. mas é um produto da ação do passado. então não se dará a concepção". tendo há pouco recebido o sêmen masculino. O simples fato de se fazer a pergunta “Quem é que renasce?” é baseado na ignorância do processo de uma não-identidade própria do carma. procura adquirir uma nova matéria como sustento em seu processo de ação. mas não havendo a necessidade da geração."minha existência". ele não é nem criado. durante o período fértil da mãe. ou "Eu existo" serão também extinguidos. Esta ação (carma) como vontade (cetana) constituiu certas tendências (samkhara). como o faz um visitante que vai de casa em casa. um caráter que. ou melhor. devido ao desejo pela vida. também tem que existir o renascimento e. esta é a evolução do renascimento. a não ser que uma chama entre em contato com ele. mas devido à simpatia ou atracão de tendências cármicas semelhantes. A verdadeira origem da vida não é o ato sexual entre um macho e uma fêmea. É novamente o conceito errôneo de uma identidade própria que dá origem ao problema. se existe o carma. gostos e aversões. não dará luz. em sua tendência natural do desejo. “eu existo”. criança portadora de algumas ou muitas das características de seus pais. embora mergulhado e encharcado de óleo. Assim como o pavio que. no entanto. Quando um ser nasce.Jati *10 O vir-a-ser ou reprodutividade do carma nos conduz necessariamente ao problema do renascimento. Assim . estar predisposto física e carmicamente. de fato.

numa tempestade. sempre "eu existo". que compreender os fenômenos nascimento. o Budismo explica que o filho não herda as suas características do pai ou da mãe mas traz as suas próprias heranças. até que o discernimento destrua aquela força reprodutiva. resultando não da sobrevivência do mais apto.135 como o relâmpago. Estes pensamentos . chegamos à conclusão de que também nascemos e também morreremos. Enquanto que a teoria de hereditariedade não explica porque nem todas as características do pai e da mãe são herdadas. então. Portanto. Para o homem comum. percepção. nem subjetivismo. Decadência e Morte . nunca mergulhará nas águas de um poço. entrelaçados. isto é meu ego". porque não haverá pessoa ou eu para nascer. ele estava sujeito ao nascimento. fortemente entrelaçados é alguém chamado um "ser".nascimento. este ato permanece infrutífero. este apego. ao lado do espermatozóide e do óvulo. simbolizadas por um velho andando carregando um fardo. porque aí encontra a sua maior atracão. mas do maior desejo que se reproduzirá em bom ou mau. do "meu" e do eu. ao "eu" que diz: "Isto sou eu. O príncipe Sidarta renunciou a seu palácio e a tudo mais para encontrar uma saída. Onde não existem pensamentos de "eu" e "meu". 12.principalmente: "Eu vou morrer" . As pessoas não experimentam o seu nascimento e nem se lembram dele. sensação. Fundamentalmente significam o nascimento. decadência e morte . isto é tudo o que o nascimento e a morte significam durante nossa vida consciente. decadência e morte não surgirá. Até que ponto é alguém chamado um ser? Este desejo. nascimento.Jaramarana Tudo o que nasce é inexoravelmente levado á decadência e à morte. então que nascimento e morte nós experimentamos como sofrimento? Nós vemos outros seres nascendo e morrendo e. mas procurará cair no metal do pára-raios de uma torre. e não os reais acontecimentos do nascimento e da morte. o carma é a verdadeira "seleção natural" que luta pela existência. ou "minha existência". que decide. decadência e morte são sempre referentes à pessoa. Se. a existência é sempre a de um "ser". decadência e morte do "ego". decadência e morte dos Cinco Agregados da existência. não há um carma atraído para renascer através desses pais. decadência e morte. conduzindo-a a não renascer mais. assim as tendências de um caráter serão atraídas Pela afinidade ou simpatia com aquelas tendências que lhe estão mais próximas. Para ele. traz consigo o carma na hora da concepção. Assim. nascimento. a concepção no renascimento. ou melhor. como objetos de apego. o desejo e o apego (o fardo). Mas o Buda disse que o nascimento e a morte são sofrimento. obviamente. Para compreender isto nós temos. isto me pertence. decadência e morte significam o nascimento. formações mentais e consciência. É este terceiro fator.que escravizam todos os seres. também não experimentam (ainda) a sua morte. um escape a esses três fenômenos . Este pensamento do nosso próprio nascimento e morte é que é o presente sofrimento. decair e morrer. Esses três fenômenos são referidos em relação aos "seres". decadência e morte por causa do "eu". formando parte . significando a marcha inevitável de todos os seres vivos para a decadência e morte. ainda carregando a ignorância. a questão do nascimento. antes da Iluminação. o carma.seguem toda a nossa vida. O Buda disse que. este prazer que se refere ao corpo. no momento do ato sexual. se nós não os experimentamos.

monges. o corpo apenas mudou e isto é tudo. buscando o nãonascimento. enche-se de pesar por isto e o considera como tendo decaído. Inabalável é a minha libertação. atingi a imortalidade.Então eu. Gautama Buda. . Estando sujeito à tristeza por causa do "eu". a Imortalidade foi atingida. Estando sujeito à mácula por causa do "eu". para todo o sempre. o corpo. não o nascimento dos cinco Agregados da existência. o nascimento desta ilusão do eu. não existe mais ninguém para nascer. a suprema segurança contra a escravidão. monges. nele não existe desejo de "minha existência". a suprema segurança contra a escravidão. ultrapassando estes três fenômenos. atingi a não-decadência8. a suprema segurança contra a escravidão. diz. apesar de o desejo permanecer nele forte como nunca. mas o pensamento do seu passado nascimento e da morte ainda por vir.atingi o nãonascimento. envelhecer e morrer. O Buda não disse que experimentaria a imortalidade após a morte física. para o Iluminado. não há "eu" ou "meu" para envelhecer." (Mahavagga. textualmente: . o corpo não tem a mesma significação que tem para o homem comum. estando sujeito ao nascimento. Não há mais existência para mim. do nascimento. Para ele o corpo é o instrumento para a satisfação do seu desejo. decadência e morte. Assim. o Iluminado não se lamenta. Estando sujeito à enfermidade por causa do "eu". a decadência e a morte são os três fenômenos que escravizam os seres na Roda da vida. então lamenta. Nibbana.136 da massa de sofrimento que existe para nós. Nibbana. da decadência e da morte. passei além da enfermidade. Nibbana. atingi a tristeza. por causa do "eu". tornei-me imaculado. o que fez o príncipe Sidarta renunciar ao palácio. (Majjhima Nikaya 26. a suprema segurança contra a escravidão . Mas o Iluminado não tem qualquer traço de desejo. Dêem ouvidos. ou desejo dos prazeres dos sentidos. é plenamente Iluminado. ele. Não tendo desejos. a suprema segurança contra a escravidão. Nibbana. Quando o corpo se toma velho. a suprema segurança contra a escravidão. eu vos instruirei. Ele disse que. adoecer. nem tem pesar por isto. é Iluminado. Não há mais existência do "eu" (individual) para mim.) O nascimento. da mesma forma que os Iluminados. não é decadência para ele. portanto. quando o corpo envelhece. monges. não mais permite desfrutar a mesma satisfação dos desejos de quando jovem. sim. Isto é o fim do nascimento. Estando sujeito à morte por causa do "eu". essa ilusão do "eu".) Conhecimento e visão surgiram em mim. atingi a suprema segurança contra a escravidão. e. considerado sempre como "meu corpo". Nibbana. Decadência é o conceito que o homem comum faz do seu próprio corpo. Nibbana. vivia experimentando a Imortalidade e descreve a si próprio: "O Tathagata. isto é. não foram os verdadeiros acontecimentos do nascimento e morte. com a idade de 29 anos. Estando sujeito à decadência por causa do "eu". *11 Estas palavras do Buda são fundamentais para a compreensão destes três fenômenos nascimento. e nada mais. Para o Iluminado ele é apenas o corpo. tendo conhecido os perigos7 daquilo que é sujeito ao nascimento.Nibbana . Não o nascimento físico comum. O corpo. quando cair por terra.

e só existe ignorância quando há desejo. este fluxo. devido à ignorância. numa existência passada. quer dizer. O desejo. o desejo e o apego. Deste modo. temos uma causa que é a parte ativa da existência passada que produz o carma. sempre referido a um "eu". que condicionam as formações cármicas. uma escravidão a este corpo e a esta mente. em movimento é a ignorância. cada um de nós somos esta Roda da Vida e vemos que há uma escravidão a esta presente existência. e toda vez que nos apegamos vamos agir para conseguir aquilo que almejamos. Esta é uma experiência constatável e visível por todos nós. Estes gravetos e folhas secas são fundamentalmente a ignorância. a parte ativa da ignorância é o desejo e o apego. aspira sempre a uma renovação que condiciona inevitavelmente o apego. folhas secas. ao desejo e ao apego9. Todas as ações cármicas. Esta realidade é muito difícil de realizar. na decadência e na morte e em novos nascimentos. A ignorância é algo abstrato. Causação e Interdependência Entre os Elos Ao estudar a Originação Interdependente. A cadeia dos doze elos da Originação Interdependente é corretamente representada por um círculo. então. o desejo e o apego. um ser que numa vida ou encarnação passada produziu esse carma . com desejo e . Só existe desejo quando há ignorância. principalmente a causa do Sofrimento e a Extinção do Sofrimento. quando agradável. porque existe uma energia nele próprio. essas ações são as ações volitivas. mas nunca mais como "eu" e como "meu". ele próprio. mas uma compreensão intelectual é sempre possível. este vir-a-ser. não mais se colocando gravetos e folhas secas. esse fogo não se extingue imediatamente. se lançando no nascimento. ações baseadas na ignorância. só a energia vital continua. cessando a ignorância. também era assim. porque não tem início nem fim. terão uma reação. Só depois de queimado todo o combustível é que a chama cessa. nas mesmas condições. e numa futura existência também o será. Uma chama só se mantém quando alimentada por gravetos. Cada elo ou fator representa a soma total de todos os outros elos e é a precondição. assim como a conseqüência. ao mesmo tempo. cessando de alimentar esse fogo. produzem sempre os mesmos resultados. etc. são a existência. isto é. numa existência passada. desejo e apego. pois as mesmas causas. aqui e agora. o desejo e o apego.isto é. não há coisa alguma para ser constatada a posteriori. que é insatisfatória. estuda-se. desejo e apego está. há uma causação circular e uma interdependência entre os dois. Cada indivíduo. então. Não se trata de fé ou crença. a ignorância. O homem pela ignorância. evidentemente. que sempre aparece concomitantemente com o desejo. Então podemos raciocinar: por que é que caímos nesta escravidão? Por que caímos neste novo nascimento? Por que continuamos nesta Roda da existência? A esta indagação temos uma resposta: se aqui e agora o que põe esta existência. de todos outros elos. esta existência posta em movimento pela ignorância. as Quatro Nobres verdades.137 os cinco Agregados da existência continuam. ou existência. Quando vemos este status quo aqui e agora. assim a chama continua a queimar até acabar todo o combustível. então compreendemos que assim era anteriormente. Assim começa o primeiro elo da Roda da Vida. numa futura encarnação.

as seis bases. os fenômenos psicofísicos. a esta Roda da vida. são o lado passivo da existência (a consciência. será a causa do sofrimento numa futura existência. as seis bases. na existência passada. os seis sentidos ou bases. os fenômenos psicofísicos. vir-a-ser. é o desejo. com a morte. na Roda da vida. a causa do sofrimento. com a quebra. ignorância e ações volitivas. o apego toma-se também menor. o contato. Um bom exemplo é aquele da propagação das ondas na água*12. são a Primeira Nobre verdade. Desta forma. é a causa do sofrimento. desejo. paralelamente. a consciência. . Os fenômenos psicofísicos. a sensação. também é resultado de experiências de existências anteriores. apego. a partir do contato e a partir da sensação. e deste modo o processo continua. O Lado Ativo e Passivo da Existência Desta maneira. Cessando essa existência. não se referindo às sensações em si) são o resultado de existências anteriores. dando continuidade a esta existência. o desejo e o apego. **14 O lado ativo desta existência. formações cármicas. propriamente dito. nesta existência. que aparece na Roda da vida. desde que não foi possível apagar a ignorância. resultante de experiências de existências anteriores.138 apego . é a Segunda Nobre verdade. Desde que houve uma causa. pois só agimos quando desejamos algo. O contato em si. porque não podemos mudá-la. porque há sempre um “eu” para desejar qualquer coisa. com raras exceções. então. e o desaparecimento do corpo. Desta forma. a continuidade desse processo é o resultado da parte ativa na vida passada. Desta maneira. Assim. é a primeira consciência no ventre materno. a causa da existência se mantendo. as seis bases. o contato. nesta presente existência. Então. não vamos. num Iluminado. ao mesmo tempo. nesta parte ativa da existência é que nós temos o poder de modificar a nossa vida para a frente. Ninguém pode mudar seu biótipo. um ser já possui um determinado tipo. para tomar menor o desejo e. o processo continua indefinidamente. vemos o sofrimento e. a ignorância. Da sensação agradável. este processo continua. a passada causa do sofrimento (causas cármicas) o lado ativo da existência (ignorância. de carma anterior. e não para a parte anterior. apego e vir-a-ser). Até a sensação é chamada parte passiva da existência. Os fenômenos psicofísicos e as seis bases referem-se ao corpo e a mente.criou o sêmen de um novo nascimento. não vamos praticar ações volitivas para possuir algo. na observação. Quando não há apego. a causa se manteve e. ou efeito presente. A consciência. a presente causa do sofrimento. que são os gravetos que mantém acesa a chama que perpétua este vir-a-ser. o contato. o contato e até a sensação (o fato de existir sensação. a sensação). havendo contato sempre há sensação. o apego e o vir-a-ser está o nosso relativo livre arbítrio. aqui e agora. *13 Os efeitos cármicos são a conseqüência. agir. o desejo. esta existência. é o que explica a continuidade do processo. Entre a sensação. porque a natureza é impessoal. houve o renascimento de uma primeira consciência no ventre materno. o que significa que essas vibrações continuaram. é a primeira consciência que surgiu como resultado dessas vibrações de experiências anteriores. A consciência condiciona os fenômenos psicofísicos. Como esta causa continuou. jamais parte um desejo.***15 Todo progresso na senda está no controle do lado ativo da existência.

quebrada a Roda da vida. que é a extinção do sofrimento. o apego. Então a parte ativa desta existência. e. a esta existência que é insatisfatória. cessará o “eu” e o “meu”. as ações volitivas e a ignorância. pelo desejo e pelo apego. Então a Roda da vida continua ad infinitum. um lado ativo que será a ignorância. no caso. O Buda jamais deu ênfase aquilo que não era constatável. essa parte ativa são. estas três consecutivas existências (passada. cessará todo subjetivismo. tomando pela primeira vez uma bebida alcoólica. porque vemos que. de vir-a-ser. e compreendemos. a esta personalidade. Cessando este lado ativo da vida. essas ações volitivas. perde-se na noite dos tempos. que vivia experimentando a Imortalidade. aqui e agora. as ações volitivas) e o resultado. o apego. de continuidade. cria o gérmen de um futuro nascimento. o desejo. referido a este "eu". cessando o renascer. que gosta de bebidas. Pelo fato de se ignorar o que realmente é a vida. podemos inferir e compreender uma futura existência. e o processo continua. nesta própria existência. um indivíduo que bebe. passa-se para alem de todo Sofrimento. disse que o princípio dos seres vivos nesta Roda da vida é indiscernível. aqui e agora. o contato entre a . seria a quebra da Roda da vida. a felicidade. Então. depois. aqui e agora. podemos compreender que esse processo vai continuar. o desejo. evidentemente cessará todo renascer. levados pela ignorância. que é a verdade da extinção do Sofrimento. vemos a causa do Sofrimento e. e mostra a maneira de quebrar esta Roda da existência. a partir do contato e da sensação. paralelamente. dor e desespero. a Terceira Nobre Verdade.139 Assim foi numa passada existência e assim é na presente existência. o lado ativo da vida. Ao estudar a Roda da vida vemos a causa do sofrimento (a ignorância. Exemplificando. e a meta e passar para além do nascimento. que a ignorância. atenuando. evidentemente cessará a decadência e a morte. cessando para todo o sempre o desejo. Como já foi dito. Vendo. o lado passivo da futura existência vai criar. o apego. que havia passado para além da morte. metaforicamente chamado o "terceiro olho". desejo e o apego. O Buda não dá qualquer explicação do princípio da existência. com o olho da sabedoria. as ações volitivas e o vir-a-ser. pois este lado ativo da vida vai condicionar um nascimento. cessando paralelamente a ignorância. a causa do Sofrimento. o vir-a-ser. para alem do subjetivismo do "eu" e do "meu". a tristeza e a lamentação. o vir-a-ser. Na Roda da vida. é que se tem desejo. A cessação do desejo. esse vir-a-ser. se podemos na nossa própria experiência ver. o nascimento interpretado anteriormente era o nascimento do subjetivismo do "eu" e do "meu". neste caso um nascimento físico mesmo. O Buda declara claramente. Quando vemos o que é o Sofrimento. de uma maneira introspectiva. o Iluminado está preso aos elos da vida até à sensação*16 mas a partir do desejo ele se liberta. sempre. em vários suttas. principalmente desejo de existência. a conseqüência. presente e futura) referem-se ao nascimento físico. perde-se na longuíssima evolução dos universos. uma das seis bases condicionou o contato. como esta existência se desenvolve. compreendemos a Terceira Nobre verdade. por qualidades opostas. que é o Sofrimento. aqui e agora. então compreendemos que a cessação disso será a bem-aventurança. isto é.

O processo todo está sempre na sensação que provoca um desejo e o desejo. neste caso. morte e nascimento. os ventos da saudade o levam para a saudade. velhice e morte". logo. geralmente. As Três Existências Consecutivas Nos textos. mas que cada forma de vida tem o Universo inteiro por sua base e. isto é. Sopram os ventos da sensualidade e ele vai cegamente para a sensualidade. Esse processo de vir-a-ser fará com que a pessoa aja sempre pelo corpo. A nossa mente. ou condicionando. e que a futura existência faz alusão ao "nascimento. e o indivíduo vai querer beber mais e mais. o mesmo processo é descrito uma vez sob o ponto de vista do conhecimento superior (1º. da ilusão de um ego. que são esse processo de vir-a-ser. a língua. ver isso já é o primeiro passo para passar para além da Insatisfatoriedade. isto é. Então. Todas as fases da Originação Interdependente são fenômenos da mesma ilusão. o significado da forma individual só pode ser encontrado em seu relacionamento com o Todo. e aos poucos vai-se aprofundando no campo da psicologia e. chegando ao vício naquilo que lhe é agradável. os elos da Roda da vida são distribuídos em três existências consecutivas. na realidade espiritual.*17 Isso mostra que a ignorância (avidya) e as formações cármicas (samkhara) representam o mesmo processo que na presente existência é diferenciado em oito fatores. um apego. provocado por uma sensação agradável. que é sempre a idéia de um eu permanente que terá prazer em alguma coisa. provocando assim um apego que condiciona as ações volitivas. não devemos esquecer o sentido original das palavras do Buda. Este desconhecimento do Dharma (Realidade) significa Sofrimento. à futura existência. Para compreender isto. surge um desejo. nós passamos para além da Roda. Assim. um desejo. a bebida. de um eu. os dois últimos elos (nascimento e morte). no sentido de renovar essa experiência que foi agradável. no problema da velhice. e assim por diante.10º) e uma terceira vez sob o ponto de vista de um fenômeno fisiológico (11º e 12º). na qual nos aprisionamos. outra vez sob o ponto de vista de uma análise psicológica (3º . e os oito restantes.140 base interna. mas também quando simplesmente fechamos os olhos e vemos como não podemos controlar esta mente. surgindo. pulando de galho em galho. pelo verbo ou pela mente. podem existir por si mesmos. Transcendendo esta ilusão. No momento em que o homem individualmente torna-se consciente desta universalidade. ele cessa de identificar a si próprio nos limites da sua corporificação transitória e se sente . não só em tudo o que ocorre. à presente existencia. Em outras palavras. o homem comum. e 2º). Isso provocou uma sensação que condicionou a consciência gustativa (não existe sensação sem consciência. presa a estímulos exteriores. Desta maneira. que desconhece a senda. para a tristeza. buscando uma ilusória felicidade nos ídolos criados por ela própria. de forma que os dois primeiros elos (ignorância e formações cármicas) correspondem à existência passada. com suas conseqüências cármicas. constatamos a insatisfatoriedade desta existência. os ventos da tristeza. é sempre arrastado como uma folha seca ao sabor do vento. que revela o conceito ilusório do eu e a natureza da ignorância. sopram os ventos da raiva e ele é levado pela raiva. por conseguinte. e a base externa. e o indivíduo vai querer sempre renovar este desejo. que começa no plano da existência concreta física. foi agradável. assemelha-se a um macaco na floresta. já que os agregados da existência são inseparáveis) que. nem seres. e percebemos que nem coisas. ao mesmo tempo com ignorância. por fim.

CESSAM OS DESEJOS. COM A CESSAÇÃO DA SENSAÇÃO.a cessação de Dukkha. CESSA O CONTATO. Desta forma. como qualquer dos outros. Se destruirmos um deles. COM A CESSAÇÃO DOS DESEJ OS. como condicionante. presente e futuro não mais existe. percebemos que cada um destes fatores é tanto condicionado. TRISTEZAS E DESESPERO. Da interdependência destes fatores resulta o mundo em sua estrutura atual. FATORES DA EXTINCÃO DA ORIGINAÇÃO INTERDEPENDENTE Analisando a fórmula da Gênese Condicionada em sentido inverso. COM A CESSAÇÃO DO NOME E FORMA.141 inundado pela plenitude da vida em que a distinção entre passado. CESSAM NOME E FORMA (mente e corporificação). COM A CESSAÇÃO DOS SEIS SENTIDOS. CESSAM AS FORMAÇÕES CÁRMICAS. Que miséria nascer e renascer sem fim! Conheço-te agora ó arquiteto. OU O PROCESSO DE VIR-A-SER. Assim se produz o dissipar da ilusão de todo este composto de causas do Sofrimento. daí. SOFRIMENTOS. que é o Nirvana: 1) 2) 3) 4) 5) 6) 7) 8) 9) 1O) 11) 12) COM A EXTINÇÃO DA IGNORÂNCIA CESSA A INDIVIDUALIDADE (ilusão de um ego) COM A CESSAÇÃO DA INDIVIDUALIDADE. e que todos eles são relativos e interdependentes. assim. todo o conjunto se desmantelará como um grande edifício que perde seus alicerces. Livre está a minha mente. nenhum é absoluto ou independente. chega-se à cessação do processo. COM A CESSAÇÃO DAS FORMAÇÕES CÁRMICAS. ao imortal Nirvana! . desabou a cumeeira (ignorância). uma corrente. COM A CESSAÇÃO DA EXISTÊNCIA TERRENA INDIVIDUAL. COM A CESSAÇÃO DO PROCESSO CÁRMICO (RENASCER). LAMENTAÇÕES. por mais forte que seja. No Dhammapada temos os versículos 153 e 154 que esclarecem: Atravessei muitos nascimentos no ciclo das vidas e das mortes. COM A CESSAÇÃO DO CONTATO. COM A EXTINCÃO DO APEGO. CESSA O PROCESSO CÁRMICO (TERMINA O RENASCER). em vão procurei o arquiteto da casa. DESAPARECE O APEGO. CESSA A EXISTÊNCIA INDIVIDUAL. não é mais forte que seu elo mais fraco. COM A EXTINÇÃO DA CONSCIÊNCIA (CONHECIMENTO). Quebradas estão as vigas (desejos). pois cheguei à extinção dos desejos. nenhuma causa primeira ser aceita pelo Budismo. CESSAM OS SEIS SENTIDOS. Qualquer um dos elos dessa interdependência é tão importante e necessário para o conjunto. que está relacionada com a Terceira Nobre verdade . não mais construirás a casa. A VELHICE. CESSA A SENSAÇÃO. A MORTE. CESSAM A DECADÊNCIA. CESSA A CONSCIÊNCIA.

Esta casa onde está. A sensação. o aparecimento do mundo. em nós mesmos. vista no capítulo anterior. porém. deve ser considerada um círculo. quebrando a interdependência dos fatores . como já visto na descrição acima. Desde que existe um não-nascido. fazendo entrar em repouso todas as formações cármicas .Da mesma maneira não há estruturas nascidas do nada. o que significa que não existe nenhuma potência externa que possa produzir o aparecimento e a cessação de dukkha. .samkhara. ajuda-nos a compreender melhor este círculo: Bhikkhus. de toda a minha estatura. a argila no solo. e estes. isto é.Não.Dá uma comparação. e não uma corrente. o nãocondicionado. e este processo não poderia ser posto em ação. Uma das formas como Gautama Buda definiu o Absoluto. Quando nascem. Esse apego é devido ao desejo.Nagasena há formações que nascem do nada? Não. não-condicionado. A casa resultou do esforço de homens e de mulheres que trabalharam com esses materiais. nós sofremos decadência e morte!" Semelhantemente. postulo o mundo. não-causado. se não houvesse uma vontade para a vida e o apego as correspondentes formas de vida.nidanas. Se não existisse esse não-nascido. o condicionado. Graças à vigilância temos a possibilidade de derrubar toda a estrutura ilusória que temos do mundo atual. condicionada a inúmeras prévias formas de existência.142 O Buda falou somente de uma originação condicionada ou dependente. . pode ser destruído. Aqui nada se acha que não tenha já existido. . Assim. A Originação Interdependente. este último só pode surgir quando há consciência. o não-formado (não-causado). vemos que o único elo vulnerável . o causado. Os sentidos tem por base o organismo psicofísico. A madeira estava na floresta. por sua vez. nascimento é dependente no processo de vir-a-ser. Assim podemos compreender melhor o verdadeiro significado da conhecida declaração do Mestre: “Neste corpo animado.o desejo -. consciência. Nesta frase. e essa atividade é somente possível enquanto estivermos presos à ilusão de um eu em separado. a palavra mundo foi empregada em lugar de dukkha. não-formado. as estruturas têm já certa existência. pela vigilância ou Plena Atenção. só é possível através do contato dos sentidos com os objetos correspondentes. limitada na nossa forma individual de atividade egocêntrica. por causa dele há uma salvação para o nascido. existe o não-nascido. saiu do nada? . por sua vez. a cessação do mundo e o caminho que conduz à cessação do mundo. ou Nirvana. são condicionados pelas sensações em discernir as agradáveis das desagradáveis. não haveria nenhuma possibilidade de salvação para o nascido. o causado. Ele começou por uma simples pergunta: "O que e que provoca decadência e morte?" E a resposta foi: "Por causa do nascimento. não-condicionado. devido à inextinguível "sede" de objetos dos prazeres dos sentidos. . As Estruturas ." Isto significa que as Quatro Nobres verdades se encontram nos cinco Agregados. o condicionado. e não de uma lei de causalidade na qual as fases separadas de desenvolvimento seguem uma após a outra automaticamente.

a morte de uma irmã. Formações mentais é uma expressão geralmente empregada para definir um dos cinco Agregados . Monge Kaled Amer Assrany.B.. Editora Cultrix. São Paulo. ó discípulos. *9 Do curso Psicologia do Autoconhecimento.Dá-me outra comparação. Gonçalves. 5. . na verdade. memórias de objetos: visuais. *2 Tradução resumida do livro: The Buddha’s Teaching: Its Essential Meaning. M. gustativos e mentais. 1924. tudo isto através de longos tempos haveis experimentado. unidos a quem odiais. "Primeira Nobre verdade: Os cinco Agregados" *6 Otto Rosenberg.) *1 Ryokan R. a morte de um irmão. *7 Lama Anagarika Govinda. a morte de um filho. a perda de bens.. 3. S. Já existiam sob a forma de sementes. a consciência *5 Fundamentos do Misticismo Tibetano. The Synthesis o/ Yoga. Sem começo e sem fim é o Samsara. R. ou as lágrimas que tendes vertido enquanto errais nesta longa peregrinação.B. *4 veja “Primeira Nobre verdade”: Os cinco Agregados. crescem. são conduzidos a nascimentos sempre renovados e seguem o círculo das transformações. durante longas épocas tendes sofrido as penas. Wettimuny. Dá-se o mesmo com as estruturas.) Sem Começo e Sem Fim é o Samsara .Samkhara-skhanda.) **3 Fundamentos do Misticismo Tibetano. precipitandovos de novos nascimento a novas mortes.Que pensais vós. a morte de uma filha. dolorosos. consciente e subconsciente. gustativa. II. Em outros contextos samkhara pode significar qualquer coisa condicionada ou formada. auditiva. Assim. Impossível de conhecer é o começo dos seres envolvidos pela ignorância que.As sementes no solo germinam.B. tátil e mental. (Apostila da S.O oleiro extrai do solo a argila com que fabricam potes. Essas árvores não saíram do nada. que seja mais: águas do vasto oceano. Obra citada. . (Milinda Panha. 29. encadeados pelo desejo de existência. olfativos.Dá-me outro exemplo.143 . de S. a dor e enchido o chão dos cemitérios. Seis tipos de consciência: visual. A consciência abrange o consciente e o subconsciente. Abrange sentimentos (agradáveis. Esses potes não saem do nada. . bastante tempo. . 1975. audíveis. o infortúnio. Fundamentos do Misticismo Tibetano. Obra citada. Textos Budistas e Zen-Budistas. Dá-se o mesmo com as estruturas. a morte de um pai. neutros). táteis. a perda de parentes. tomam-se árvores que dão flores e frutos. para estardes cansados da existência. separados de quem amais? A morte de uma mãe. Obra citada. 1975. 4. olfativa. Existiam antes como argila. (Samyutta Nikaya. veja. bastante tempo para quererdes escapar de tudo isso. Obra citada. **8 Sri Aurobindo. Heidelberg. atividades volicionais conscientes e inconscientes.B. citta: material mental. 6. B. 2. percepções. Die Probleme der buddhistischen Philosophie.

perfeita (correta) . Tradução de Irene Kistler. *16 Veja o quadro da Roda da vida.perfeita (correta) . Atingi a não-decadência: pela razão da inexistência de um "eu" que envelhece e morre. veja o quadro explicativo *13 Veja o quadro da Roda da Vida. 3. outras vezes começam pela Sabedoria: Compreensão correta.Samma ditthi Pensamento . *11 Tradução do Monge Kaled Amer Assrany. *17 Veja o quadro da Roda da vida.perfeita (correta) . dizer qual dos fatores vem em primeiro lugar. 5. pela Moralidade: Palavra correta. 7. como já foi descrito1: 1.Samma samadhi Os discursos do Buda começam. Desde que o caminho Óctuplo é a roda da Lei.Samma vaca Ação . SUPREMA VIRTUDE: SILA O Buda aponta a Roda da vida como sendo errônea e mostra uma nova roda .perfeita (correta) . às vezes. S.B. 9. 8.perfeito (correto) .perfeito (correto) . Wettimuny. 2. desejo e apego condicionam todos os elos da Roda da vida. . QUINTO CAPÍTULO VISÃO INTERIOR DA REALIDADE ILUMINAÇÃO BODHI I. do Bhikkhu Dhammapala. 4.B.Samma kammanta Meio de Vida . mais a moralidade fica estabelecida.Samma sati Concentração . The Buddha’s Teaching: Its Essential Meaning. criando condições de calma mental e vibrações que desenvolvem a concentração. não se pode. e quanto mais desenvolvida a sabedoria. 6. Apostila da S. Ignorância.a roda da Lei (Dharma) ou Nobre Caminho Óctuplo que tem oito etapas divididas em três grupos (Moralidade. Perigos: todos os sofrimentos que advém do "eu". **14 Idem. O indivíduo que se estabelece na moralidade já tem uma certa capacidade de compreensão inata. Meio de vida correto.144 *10 Extraído em parte do livro Broadcasts on Buddhism.perfeito (Correto) .Samma ajiva Esforço mental . ***15 Ibidem.perfeita (correta) . Compreensão . Ação correta. 8. Pensamento correto. Meditação e Sabedoria) e consta de. 7. Quanto mais correta é a concentração mais se desenvolve a sabedoria. 1978.Samma vayama Plena Atenção .. na verdade.Samma sankappa Palavra .

que consiste somente na sua própria Libertação. enfrentando-o.Samma Sambodhi. a perfeita aspiração pode crescer e dar nascimento à palavra perfeita. aquele que não é somente um santo. na visão interior e percepção espiritual. cujas qualidades espirituais e psíquicas.samsara -. e. conhecendo esses três ideais e. onde um pertence ao passado e outro ao presente. e não somente por um lado (especialmente o nosso próprio). aquele que superou as paixões e a ilusão de um eu (intuitivamente) sem possuir totalmente o supremo conhecimento e a penetração de um Supremo Iluminado. que tem um sentido bem mais profundo e definido. completamente. o estado de perfeita harmonia chegaram à perfeição. mas que se tornou totalmente um Ser Perfeito. vivemos no passado. mas aquilo que ele faz de si próprio. o Supremo Iluminado. Os conceitos de "correto". ou atitude imparcial da mente. nem escape intelectual. terceiro (Samma-Sambuddha) o Perfeito. isto é. segundo. ação perfeita e perfeito modo de vida. em outras palavras o Samma-ditthi. o Arahant.145 Cada fator do caminho Óctuplo é designado em pela palavra samma. mas a compreensão dos dois lados da existência. Um samma Sambuddha significa "perfeitamente. com nosso intelecto. enquanto que os outros ideais. através do oceano escuro desse efêmero mundo de nascimentos e mortes . Então empregamos a palavra "perfeito". completo. plenitude de uma ação ou estado da mente. introduzida pelo Lama Anagarika Govinda*1 na tradução da palavra samma ( samyak em sânscrito). Então. sem desvio. O Caminho do Meio não ó um acordo teórico. um conhecedor. que nos permite ver as coisas como elas são na sua verdadeira natureza. como também ao perfeito ou pleno esforço mental. o que é "correto" para alguns. nossas atividades e mesmo com nossas funções físicas. o santo. pode dizer sobre Samma-ditthi. Samma-ditthi significa perfeita abertura. seremos capazes de superá-las. palavra comumente traduzida como "correta compreensão". e não "corretamente Iluminado. e.. onde toda personalidade humana está engajada à perfeita plena atenção e concentração que levam à plena Iluminação . mas vê-las por todos os lados: plenamente. a maturidade. chegaremos ao conhecimento do supremo objetivo da Libertação pelo caminho que leva à sua Realização. para a margem luminosa da Libertação. uma experiência não apenas de aceitação intelectual das Quatro Nobres Verdades. com o objetivo de chegar ao perfeito equilíbrio mental. em vez de fechar os olhos para o que é desagradável e doloroso. um iluminado. O mesmo se. Somente desta atitude. na sua básica sabedoria. finalmente. geralmente traduzida como "correto". o que poderia ser interpretado como tendência dogmática. ele foi chamado o ideal Mahayana ("Grande Veículo").. e evidente que o ideal do Perfeitamente Iluminado (SammaSambuddha) é o mais elevado. pode ser "incorreto" para outros. especialmente o Arahant. totalidade. Desde que esse ideal é capaz de levar inúmeros seres. o Iluminado silencioso (Paccekabuddha). nós descobrimos suas causas. enfrentamos o fato do sofrimento e. cuja consciência abrange o Universo infinito. Os Três Estados de Libertação O Tripitaka distingue três estados distintos no homem liberto: primeiro. aquele que tem os conhecimentos de um Buda. vivemos no eterno presente. de acordo com o ponto de vista budista de que o homem não é uma “criação” com determinado caráter e predisposições fixas. descobrindo que estas causas estão em nós. porem não tem condições de transmiti-los aos outros. Desta maneira. que conduz a perfeita compreensão. ou "errado" são alheios ao Budismo. sem preconceitos. foi chamado . como de perfeição. plenamente Iluminado".

no entanto. 8..Sutta Pitaca.Metta A Equanimidade . Assim. apenas estabelece uma troca.Sacca A Determinação . desde aquela época já tinham desaparecido da maior parte da Índia para se estabelecerem em outros países do Sul. As Dez Perfeições: Paramita Segundo as escrituras antigas .Sila A Renúncia . que mais tarde foi-se extinguindo. acumulando todos Os méritos (Punya)2 necessários.Panna O Esforço.Adhitthana A Bondade . Buda-Vasna -. 9. 4. Os Theravadas. Não era de admirar que a maioria dos presentes no Concílio votasse no Mahayana. A CARIDADE. praticando as altas virtudes . Estritamente falando. no I século d. ou sermões religiosos. exceto através do seu próprio exemplo.Virya A Paciência . dar sem reservas. 2. Caridade .Upekka Pelo cultivo das dez Perfeições.C. Através desse exemplo é que se pode ajudar o próximo. como aqueles que querem trabalhar em ambas. igualmente. . quando os diferentes ideais e caminhos de libertação foram discutidos pelos representantes das diferentes escolas da Índia. 5. ajudar os outros e ajudar a si mesmo. 7.Khanti A Fidelidade . Culmina com o auto-sacrifício. mas cultivar tudo o que é bom.Nekkhamma A Sabedoria . aqueles que querem a salvação pessoal. um ato de libertação. o discípulo entra no caminho que leva à Libertação: 1. com intenção de paz e de bem-estar para com todos os seres vivos. 6. vão de mãos dadas. porque não rejeitam o ideal Bodhisattva. entornada. palavras santas. não podem ser identificados como Hinayana. desejando-lhes todas as felicidades. Entende-se por caridade o dar de boa vontade. Aquele que dá por ostentação ou espera retribuição. a salvação pessoal e a salvação dos outros. não estavam presentes no concilio. que consistem em não somente evitar o mal. confirma esse ponto de vista dizendo: 'Budismo é o ensinamento que ajuda. um não pode ser sem o outro. Cada sacrifício é um ato de renúncia." A disposição para dar e a generosidade purificam a mente da avareza..Paramita -. energia .Dana A conduta ética ou Dever . reconhecimento ou gratidão.’ Um Bodhisattva não tem a ambição de ensinar os outros.146 Hinayana ("Pequeno Veículo ").. e o grupo menor. no Hinayana. portanto. 10. não dá. as Dez Perfeições são as seguintes: 1. em outras palavras. mais do que por ações filantrópicas. Narada Mahathera. derrama todo o líquido e nada retém. Esses termos Mahayana e Hinayana foram introduzidos pela primeira vez no Concílio do rei Kaniska. 3. uma vitória sobre si mesmo. "Assim como uma jarra cheia. um dos mais conhecidos líderes do Budismo Cingalês. de caridade.

senão o de aguardar a libertação. e não sente por isso nem ressentimento. como a todos os seres vivos. Ensinar o Dharma nos purifica do egoísmo a respeito do conhecimento. do que é aqui e agora. A CONDUTA ÉTICA OU DEVER consiste em não ferir. ao mesmo tempo que promove concentração. também. mas permanece em seu lugar. ao mesmo tempo que promove a amizade. 3. também. prefere morrer a ferir a cauda. é o abandono de um bem menor (apego dos sentidos) por um bem maior espiritual (Sabedoria). Purifica-nos da altivez. não só aos homens. assim. A PACIÊNCIA é a tolerância para vencer o egoísmo e não ver nem o bem. Purifica a pessoa de opiniões que a desencaminham do Dharma e. Assim como ao leão não lhe falta coragem. nem em sua estação. culmina na eliminação de toda má vontade. nem o mal nos contentamentos e ressentimentos. não magoar ou causar desarmonia. recebe com serenidade tanto as gentilezas. . te manterás firme em tua coragem. elevada ou intermediaria. 7. A SABEDORIA OU DISCEM IMENTO é a compreensão correta do presente. pela Correta Compreensão. como a iaque para com sua cauda. Assim como um detento. nas gentilezas e grosserias. O ESFORCO é a coragem na aplicação de nossas energias na solução do bemestar do próprio corpo e mente. de trilhar o Caminho Óctuplo. 6. sofrendo longa penalidade sabe que não lhe resta nenhum prazer. mostrando-se animoso. assim inquirirás sempre os sábios e adquirirás o discernimento. Culmina na inquebrantável determinação de alcançar a Iluminação. Assim como a terra escora tudo o que é arremessado sobre ela seja puro ou impuro. cria opiniões tendentes à Sabedoria e à Libertação. uma vez tomada. assim como dos demais. superando os condicionamentos conceituais. ao mesmo tempo que promove interesse pelo bem-estar alheio. A FIDELIDADE é a honestidade intelectual e de sentimentos no percorrer o caminho da Verdade. 8. Ouvir o Dbarma nos purifica da distração. em cada uma de tuas existências. Assim como a montanha de pedra não se abala ante a tempestade. para o bem-estar próprio e dos demais seres. assim. A RENÚNCIA é a feliz e harmoniosa capacidade de superar pela compreensão os apegos aos prazeres sensoriais até à libertação. O esforço da Atenção purifica a pessoa da indiferença ou da insensibilidade. 4. Assim como o monge mendicante não se esquiva de nenhuma família. assim também permanecerás fiel no caminho da verdade. assim também. nem em sua hora. seja ela de posição inferior. Purifica a mente das ações demeritórias. Dedicar os próprios méritos ao benefício de outros purifica a pessoa de desejar sua salvação sem preocupar-se com a dos outros. A DETERMINAÇÃO é a firme resolução. permanecerás firme em tua resolução. ao mesmo tempo. promovendo humildade. libertando-nos do ressentimento e da inimizade.147 2. quando a crina de sua cauda se embaraça em alguma coisa. ao solicitar esmola e adquirindo a sua ração diária. à espera da libertação. A renúncia é a maior felicidade. 5. promovendo a compaixão. nem regozijo. não se desviando de seu curso. como as grosserias. assim deves cumprir teu dever. Assim como a estrela se mantém equilibrada no firmamento. assim as tuas existências terrenas aceitarás como prisões e terás teu rosto voltado para a renúncia. Assim como uma vaca iaque.

Para isto. pela destruição das imperfeições . desejo de prejudicar (ódio e inveja). ou experiência insatisfatória . assim também tratarás com igual bondade o teu amigo e o teu inimigo. 10. não existem outras. Rejubilar-se com a felicidade alheia nos purifica da inveja. dissipar a ilusão do "eu" e alcançar o conhecimento do Real. incredulidade (juízos errôneos. por si próprio. Assim como a terra é impassível para com tudo o que se atira sobre ela. . quarta. duvida cética e discursiva) Se um discípulo deseja. ao mesmo tempo.148 9. puro e impuro. difamar. . terceira. pessoas e opiniões. Desta maneira. desejo de concupiscência. que seja fiel a essa quietude do coração que alegra o interior. . estranhos e inimigos. que seja de uma inteira retidão.) . terceira. o mau uso dos prazeres sensuais (adultério.Quais são essas dez maneiras? . dizer palavras rudes. que sonde as causas e viva no recolhimento. etc. sendo amistoso igualmente com amigos.Primeira. a emancipação do coração e a emancipação da mente. dizer palavras vãs. purificando-se. se pretendes atingir a Sabedoria. conhecer. A BONDADE é cultivar e desenvolver a boa vontade e a compaixão. a Sabedoria Ultima. e ainda neste mundo. que não rejeite o êxtase da contemplação.Primeira. A EQUANIMIDADE é a libertação dos condicionamentos às coisas. Se as Perfeições são realizadas de maneira completamente altruísta e os Méritos acumulados não egoísticamente. gula.Há três para o corpo. sem deixar.dukkha.asavas -. luxúria. ó Irmãos. tirar a vida (matar). segunda.). assim também aceitarás com serenidade tanto a alegria como a tristeza. levando-nos a observar com serenidade qualquer apego ou aversão.Quais são as quatro maneiras de agir mal pela palavra? . muitas são as coisas que neste mundo tomam a Sabedoria perfeita.Os seres humanos praticam a virtude de dez maneiras diferentes e de dez maneiras também eles praticam o mal. tirar aquilo que não lhe foi dado (roubar). . toma-se necessário praticar. a1ém destas. Assim. todas as coisas que purificam a mente levando à felicidade. Assim como a água extingue por igual a sede dos bons e dos maus. a mente adquire a clareza suficiente para tomar-se livre de todo e qualquer condicionamento. As Dez Imperfeições O Bem-Aventurado disse: . segunda.Quais são as três maneiras de agir mal pelo pensamento? . a mente adquire a clareza suficiente para o progresso na libertação de toda espécie de sofrimento. segunda.Primeira. mentir. realizar e atingir o estado que é próprio dos Arahants. na vida cotidiana. ao mesmo tempo que promove alegria simpática.Quais são as três maneiras de agir mal pelo corpo? . terceira. de operar aquelas causas que dão origem a dukkha. quatro para a palavra e três para o pensamento. (Akenkheya Sutta.

E como não procuram com sabedoria o significado. certa compreensão intelectual é necessária. num fragmento da parábola da Serpente *2 De certo. de penetração. muito mais profundo que o conhecimento intelectual. dizia. II. Não é de utilidade o que se pode saber a esse respeito. pode-se atingi-lo e. 2. só colhem frutos amargos. Fundamentos do Misticismo Tibetano. é conseguida pelos estados de absorção (dhyana. de visão interior. por fim. ao autoconhecimento e. 1. levando o indivíduo. A mente é como um espelho. 1) samyak drsti. No Budismo. lembrar-se das existências anteriores. no Caminho Óctuplo. opiniões reunidas daqui e dali. no mesmo instante. não procuram com sabedoria o seu significado.) *1 A palavra samadhi e um termo sânscrito que literalmente significa “estabilidade da mente”. eles não o aprendem. um processo de acumulação de idéias. esse. 8) samyak samadhi. significa aquilo que limpa e purifica. *1 Lama Anagarika Govinda. Buda o designava como sendo “um conhecimento superficial. pela visão interior. . quando polido e limpo as imagens aí se reproduzem com brilho e nitidez Assim. . A Bodhi (Iluminação) não tem sinais nem marcas distintas. MEDITAÇÃO (OBSERVAÇÃO PURA): SAMADHI A Observação Pura é uma atividade consciente e deliberada que penetra as várias camadas da consciência. erradamente utilizada. Mas pretender atingir a verdade intelectualmente. que são. se bem que se tenham apropriado da doutrina. O conhecimento adquirido pelo intelecto. Assim. Esta estabilidade é primordial para alcançar qualquer forma que seja de compreensão profunda. Desta doutrina. deste ou daquele sábio”. quando se tem renunciado aos desejos e entrado na prática correta da Lei. Mas de grande importância é o cuidado que se deve ter para adestrar a mente. existem tolos que se apropriam da doutrina e. à autopercepcão. Mérito (Punya). e jhana. Obra citada. ó monges. O objetivo para o qual se aprende a doutrina. 5) samyak ajiva. Porém. Eles aprendem a doutrina só para discorrer sobre ela e manifestar as suas opiniões. e o desenvolvimento da Correta Atitude Moral junto com a prática da Meditação conduzem o discípulo à correta concentração . através de conceitos e raciocínios. 2) Samyak sam kalpa. ao Despertar Espiritual. 6) samyak vyayama 7) Samyak smirti. em páli). levando o indivíduo. Na literatura budista Mahayana freqüentemente empregam-se expressões em sânscrito.Samadhi. 3) samyak vak.. 4) Samyak karmanta. pois é o estimulo que auxilia e orienta na ação. é um esforço vão e ilusório. o caminho sublime se manifesta em toda a sus pureza. em sânscrito..149 A investigação e o cultivo das Perfeições conduzem à Correta Atitude Moral. pensamentos. ao conhecimento superior ou percepção espiritual. a palavra dhyana significa uma forma profunda de meditação. (Sutra XII. pela introspecção. descondicionando-as das acumulações passadas pelo fato de compreendê-las. a doutrina não lhes dá nenhum conhecimento.

Aqueles que se instruem no caminho são como ferro purificado pela fusão. podendo o discípulo atingir as altas regiões de dhyana.acham-se presentes cinco elementos cooperativos. tanto mais proveitosa a meditação.Vicara 3. e nos leva ao Saber.dhyana . (Surangama Sutra. No entanto. essa compreensão torna-se cada vez mais profunda e salutar. Quanto mais puro for um homem. É este o ensinamento claro de todos os Budas Bem-Aventurados do passado. Quanto mais pura for a mente. eles acumularão carma." (Udanavarga. Desviados do caminho.” A medida em que purificamos a mente. Raciocínio ou Discriminação .) *3 Ananda. Assim. sem primeiro atingir o controle da mente. eles se tornarão tristes e a tristeza os conduzirá à corrupção e a influência dessa corrupção os desviará inteiramente do caminho. e tanto mais fácil o êxtase do esquecimento de si próprio. bhikkhus. e investigai a verdadeira natureza das coisas. por etapas.) Os Diferentes Graus de Dhyana No estado de absorção mental . ou à consciência mental. e quanto mais medita. mas algo que transcende o mundo do nome e forma. e não a um pensar ou crer. e eles serão próprios ao uso a que forem destinados. quando aqueles que se instruem no caminho tem. mais tende à purificação. Reflexão. Por isso. Doutra forma. Alegria extática ou êxtase . depois. ela não é simples matéria de raciocínio ou convicção intelectual. é a minha instrução no presente e será a instrução futura de todos os Tathagatas. removem-se as escórias (impurezas).150 Gautama Buda repetia freqüentemente: “Meditai. O homem impuro geralmente vive num estado de dissipação mental. Pureza e meditação auxiliam-se reciprocamente O Buda disse: . sem nenhuma dúvida eles obterão a Bodhi. por que é necessária a concentração da mente (Plena Atenção) antes de guardarmos os Preceitos? Porque é também necessário guardar os Preceitos antes de podermos pôr em prática o dhyana e alcançar o estado de Samadhi.Vitaka 2. um homem que procura praticar dhyana. e o seu pão nada mais será que areja quente. tanto menos acentuado o euconsciência. purificado suas mentes de toda mácula e tem trabalhado com energia. Pró termo à preocupação de si mesmo é uma grande felicidade.Piti . Investigação ou Pesquisa . do tempo e espaço. (Sutra XXXIV. a saber: 1.) A Supraconsciência: Dhyana Supraconsciência é uma consciência semelhante à consciência física. que se façam desse metal vasos ou quaisquer outro utensílio. é como um homem que procura fazer pão com massa de areia. Ananda. Repetindo diversas vezes essa operação. em direção ao mundo das formas e sentidos. Pode esse homem fazer o que quiser.

Suprimiu a percepção dos objetos dos sentidos tais como: forma. o que é alcançado após a supressão dos dois primeiros estados mentais (discriminação ou reflexão e investigação ou pesquisa). sem vacilação. o discípulo alcança perfeito domínio de si mesmo. à qual. suprimiu as idéias relacionadas a todas as espécies de contatos. ele não se deve apegar. ou aplicação do raciocínio. os pensamentos focalizam e cercam o objeto já discriminado. de distinção e de multiplicidade. No segundo grau de dhyana. dá-se a concentração na discriminação (reflexão) e na investigação (pesquisa). Felicidade. O pensamento investigador complementa a aplicação do raciocínio.151 4.dhyana -. Alcança a serenidade. num estado de clarividência que transcende o intelecto discursivo. descritos no Majjhima Nikaya: Ele (discípulo) suprimiu as idéias em relação às formas. Desta maneira. atinge a região da consciência infinita e aí permanece. Paz . Esta a primeira das contemplações sem forma. Na investigação. alcançando aos poucos a equanimidade . Após a supressão da região da consciência infinita. A discriminação. No quarto grau de absorção . acima destes quatro graus inferiores de dhyana – rupa-jhanas) encontramos quatro graus superiores de dhyana – arrupa-jhanas. liberta-se do prazer. . do ódio. Após a supressão da região do espaço infinito. Suprimiu as idéias de classificação. No terceiro grau de dhyana esta alegria mental ou êxtase se desvanece e o discípulo alcança a completa pureza de atenção. Esta é a terceira das contemplações sem forma. entretanto. liberto do desejo. o discípulo atinge a região do espaço infinito e aí permanece.Sukkha Unificação ou Uniorientação . atinge a região onde nada existe e aí permanece. liberto do prazer e sofrimento." Percebendo isto. é a capacidade de dirigir e fixar a mente num determinado objeto.” Percebendo isto. sons. Esta é a segunda das contemplações sem forma. Em alguns textos.Ekagatta Quando esses estados mentais encontram-se completamente desenvolvidos. dessa maneira. a fim de descondicionar e transcender o impacto do sensorial às reações habituais a este objeto. das alegrias e das dores anteriores. da dor. Atingindo esse estado da mente. da angustia e da duvida cética (sem o desejo de investigação).Upekka.upekka. nesta etapa. surge a Equanimidade . denominado também primeiro transe ou contemplação. paz e tranqüilidade com uma consciência clarividente. o discípulo é uno com o objeto. sabores e impressões táteis. segundo algumas escrituras antigas. de modo a não permitir que a mente vagueie. o discípulo percebe: "Nada existe. o discípulo chega à uniorientação ou unificação da mente." Percebendo isto. da indolência. e percebe: “O espaço é infinito. No primeiro grau de dhyana acham-se presentes os cinco estados mentais cooperativos em fase de desenvolvimento. o discípulo percebe: "A consciência é infinita. 5. odores. entra no primeiro dhyana. resultando uma sensação de bem-estar e alegria extática (êxtase). O discípulo neutraliza o intelecto discursivo e adota uma atitude de observação mais confiante e mais próxima do objeto.

Insatisfatoriedade. que proclamara como o objetivo do seu ensinamento. que não era nem pluralística como nos primitivos vedas. começa pela atenção na respiração e destinase a orientar a meditação para o desenvolvimento da visão interior . no comer. ó monges. Entretanto. nem essências de idéias. Esta é a quarta das contemplações sem forma. fazendo observar que vivemos num mundo ilusório ou irreal. honrados. num mundo que não existe como nós o percebemos. em Benares. abertos. nem pela esperança de recompensa. . no sentar. pela sua atitude objetiva e dinâmica. sua Doutrina.3 Fatores e Obstáculos à Iluminação A meditação de Plena Atenção é um meio que permita a compreensão da verdadeira natureza das coisas e fenômenos. não olheis os outros com altivez per causa da vossa pureza. (MajjhimaNikaya. o discípulo atinge a região onde não há nem idéias. Impessoalidade Uma abstração progressiva da pluralidade do mundo fenomênico e a libertação dos grilhões dos sentidos é conseguida através dos vários êxtases ou transes – dhyanas . Mas a extinção do “eu”. pelo desejo de alcançar níveis mais elevados da mente. já em seu primeiro sermão. no andar. levando ao exterior em direção a estas distrações. A meditação ou desenvolvimento mental descrito no Satipatthana Sutta. vossa mente.descritos acima.vipassana . por esta razão. que é a raiz de dukkha.) Os estados de absorção (dhyana) e suas proximidades tendem a produzir em um meditador toda espécie de visões. em vez de se tomar mais uma seita do Hinduísmo.152 Após a supressão da região onde nada existe. Estas coisas facilmente o desviam do caminho. poderes insuperados etc. etc.dhyana. Enfatizou a idéia do caminho no já e agora. é exatamente nesse ponto que o Buda transcendeu os ensinamentos dos vedas e Upanishads. o bhikkhu atinge a dissolução do perceber (formação mental) e a ilusão do sábio vidente cessa. a tranqüilidade adquirida. porque ambos são concepções estáticas. a "verdade vista e sentida" não devem ficar restritas apenas ao tempo limitado da duração do estado de absorção mental . isto é.skandhas..E ainda. diferenciando-o do conceito passivo e extático do Nirvana no Bramanismo. e não ao interior da natureza dos Cinco Agregados da existência . como já vimos. após ter totalmente ultrapassado os confins de quaisquer possível percepção. não vos torneis orgulhosos. experiências extáticas. o discípulo deve estar atento a não se deixar levar. vossa linguagem. Nas etapas de dhyana. na natureza da experiência e na realização da Perfeita Iluminação Samma Sambodhi -. nem monística como Os Upanishads.. em nenhum momento. sejam francos. Gautama Buda.através dos Quatro Fundamentos de Plena Atenção: 1º) Em relação ao corpo e atividades físicas . cresceu em uma religião universal. . Que a vossa conduta.kaya: no respirar. Um meditador precisa abandonar todas essas experiências e usar sua mente concentrada para penetrar as três características dos Cinco Agregados: Impermanência. vosso corpo sejam puros. não dissimulados. pois o desejo e o orgulho trazem de volta o condicionamento do "eu". deu uma aproximação completamente nova para estas experiências.

e não somente os órgãos da respiração. concentrada. experimentando serenidade..vedana: agradáveis. isto é. mente livre. expiro". º . ou Plena Iluminação. funcionando inconscientemente.. É o primeiro passo para a transformação do corpo.Dhamma: assuntos morais. 3º) Em relação à mente (consciência) . assim ele se exercita. Desta maneira. a respiração torna-se consciente juntamente com os órgãos para onde da flui. expiro” assim ele se exercita. inspiro e expiro". Em suma. "Experimentando atividades mentais. sem interferência mental e sem violar as funções naturais do corpo. inspiro. No Ioga. Esta fase tem por fim ganhar a experiência do corpo como um todo. o ar era descrito como um elemento cósmico hipotético dotado de força criadora. A primeira fase visa a observação pura do processo da respiração. sensações. que podem manifestar-se em apego . através da respiração consciente. mente concentrada. desprendida. “Experimentando o corpo inteiro. Desta forma a respiração toma-se um veículo de experiência espiritual. perturbada. odiosa. inspiro.citta: apaixonada. “Experimentando serenidade. assim ele (discípulo) se exercita. inspiro.um grande obstáculo à mais alta Sabedoria. Nos antigos textos mitológicos. expiro”. 4º) Em relação aos diferentes assuntos da Doutrina (objetos mentais) . o controle da respiração . assim o discípulo se exercita. espirituais e intelectuais relacionados ao nosso ser. um mediador entre o corpo e a mente. As fases seguintes são destinadas à incorporação das funções mentais e espirituais. o Budismo não se limita a estes estados. desagradáveis e neutras (indiferentes). distraída. "Experimentando bem-aventurança.constitui um exercício próprio destinado a unificar a consciência.. experimentando o corpo inteiro. A segunda fase é o acalmar de todas as funções do corpo. Deste estado de perfeito equilíbrio mental e físico. etc. num veículo ou instrumento para o perfeito desenvolvimento da mente iluminada. resultando harmonia interior. No Anapana-sati*4 Sutta também acentua-se que cada um dos aspectos desse método de meditação é acompanhado pela observação atenta na respiração. sempre no processo da respiração. experimentando bem-aventurança.. corpo. o texto diz que o aperfeiçoamento dos Quatro Fundamentos da Plena Atenção.pranayana . mente alegre.. e objetos ou idéias sobre a Doutrina. sendo consciente dos estados da mente. a fim de alcançar níveis de percepção supra-sensoriais. desenvolvese a serenidade e a felicidade que envolvem o corpo inteiro numa sensação de suprema bemaventurança.153 2) Em relação às sensações e percepções ... mente ou consciência. é conseguido por meio da respiração consciente.

Yamacchanda Maldade (má vontade. verbo e pela mente). do Inconsciente. ela tem desejo. sob a forma de consciência intuitiva ou intuição. pois origina-se dele. compreendemos a frase do cristianismo: "Deus está em nós e nós estamos em Deus e Deus está em tudo. ou sob a forma de visão interior ou compreensão.samadhi Sabedoria . condicionam a ignorancia. Procedemos todos do Absoluto. a realização da respiração consciente é o meio de ligação entre o consciente e o subconsciente.Vicikiccha O desejo existe em nós porque há ignorância. não precisamos procurar ou observar fora de nós mesmos. preocupação) . são os seguintes: 1.*5 Então. entre a função volitiva e a não-volitiva. luxúria) . do Incondicionado. então.virya Plena Atenção . desde que a vida é ignorante de si própria. de Deus ou Brahman (no sentido religioso) ou o nome que se queira dar. ou meditação da Plena Atenção. quando desenvolvido pelo cultivo mental. só em determinadas circunstâncias vem à existência em nós. 4. esta doutrina errônea leva a pessoa à desconfiança. a expressão mais perfeita da natureza da vida.154 Assim.panna Os cinco Impedimentos. . 5. de não se praticá-los.Vyapada Indolência (torpor físico e mental) . o consciente está sempre intimamente ligado ao inconsciente. Para isso são cultivadas por igual e em conjunto as condições necessárias ao controle da mente. 3. Os elementos dos Quatro Fundamentos da Plena Atenção encontram-se em todo ser.Nivaranas -." Desta forma. a associação com aqueles que não são dignos e não-sábios leva esta pessoa a ouvir uma doutrina errônea. Assim.Sradda Energia . portanto. os chamados cinco Poderes: 1.Uddhacca Dúvida cética (defensiva ou discursiva) . por fim. 2 3. a não-restrição sobre os sentidos leva à três errôneas maneiras de agir (pelo corpo. a ignorância por fim depende de não se ter conhecimento dos ensinamentos do Buda e. Sensualidade (concupiscência. evidentemente.Thinamiddba Inquietação (ansiedade. repugnância. ou além das experiências e das faculdades que já possuímos para o treino mental. ou seja. monges. 4. 2. e isto leva ao surgimento dos cinco principais obstáculos. este inconsciente. a atenção imprópria leva a ausência de Plena Atenção e correta compreensão. quando aparece espontaneamente. 5. ou obstáculos .sati Concentração . a desconfiança leva a atenção imprópria. O que. ódio) . E os cinco principais obstáculos. e isto leva à não-restrição sobre os sentidos. entre a matéria grosseira e a sutil. Confiança (fé) . tem de estar presente para que a Ignorância esteja presente? Ou de que condição depende a Ignorância? Então. que dificultam o caminho. agitação.

através da observação passiva. Da mesma forma. pensamentos. não podem perceber o caminho tal como ele é. Plena Atenção .) No Satipatthana Sutta são apontados Sete Fatores do Despertar. emoções.Sati O primeiro fator do Despertar da Iluminação é a Plena Atenção. Plena Atenção ou vigilância é a capacidade adquirida. oposição por parte dos Cinco Poderes. assim: confiança se opõe a sensualidade. A Plena Atenção Mental é necessária em todos os momentos.155 Os cinco Impedimentos se opõem ao surgir dos estados de absorção . tanto físicas como mentais. PLENA ATENÇÃO OU VIGILÂNCIA . toda vez que rotulamos.Samadhi Equanimidade . 1. Só pela Plena Atenção é que é possível viver no aqui e no agora. . 5. naquele momento. 7. Eles se assemelham a água suja na qual estivessem misturadas cinco cores diferentes (cinco obstáculos).Sati Investigação da Doutrina . e isto é sofrimento. é o guarda. de modo a termos a possibilidade de perceber sua verdadeira natureza. sabedoria se opõe a dúvida cética. atenção se opõe a indolência. por sua vez. 3. pois não poderão perceber sus imagem. 2. um a um. na prática. A Plena Atenção.Dhamma-vicaya Energia criadora . desenvolve e desaparece: objetos. pela inexistência da Plena Atenção mental. Os seres humanos. é estarmos plenamente atentos àquilo que rotulamos. nós nos tomamos escravos do passado. àquilo que observamos no momento. de contemplar sem desviar a mente de tudo o que surge. Agitando essa água. Toda vez que a nossa mente se perde na memória do passado e em especulações a respeito do futuro é porque. cegos pelos desejos que enchem seus corações. a mente perturbada pelos desejos torna-se cheia de impurezas e não pode perceber o caminho. a Plena Atenção mental falhou. encontram. perceber a natureza da origem de cada um destes fatores e.Kaya passadhi Concentração . energia se opõe a má vontade. alcançar o pleno desenvolvimento deles até à perfeição.dhyana . isto é. nós estamos em vigilância. em seguida.Viriya Alegria extática (bem-estar da mente. naquele momento. A Plena Atenção Mental é a arma que nos liberta da escravidão do passado e do futuro. fatos. 4.mas. estar consciente e atento em todos os momentos e ações. êxtase) . 6. os homens perdem seu tempo em mirar-se nela. concentração se opõe a inquietude. quando o indivíduo está em Plena Atenção mental a mente jamais cai em estado insatisfatório de consciência. o vigia da mente. (Sutra XIV.Piti Tranqüilidade .Upekkha O importante é o discípulo perceber se os fatores estão presentes em si mesmos. são os elementos necessários que conduzem o discípulo à Iluminação: 1. ou do futuro. por fim.

eu declaro. ó discípulos.). Quando sentirmos a validade da Doutrina*7 pela introspecção na nossa própria experiência. a vitória do mais apto. refletindo sobre os fenômenos psicofísicos que são impermanentes e insatisfatórios.Viriya O terceiro fator do Despertar da Iluminação é a Energia criadora. refletindo a respeito dessas três características. portanto. energia. a lei da selva. então.156 Atenção: sati. compreender o que os diferentes assuntos realmente são. pela nossa própria experiência. quando as premissas são válidas. nossa existência também é impermanente. por deduzir pelo raciocínio. se são válidas ou não.*6 refere-se à investigações da realidade interior de nós mesmos. terá um fim. observando. é útil em todo lugar. visando somente. Desta forma. que é a Iluminação. se desenvolvem e desaparecem. impermanente. suponhamos que ouvimos ou lemos que os Cinco Agregados da existência tem três características básicas. de suor. pela observação do drama da vida. chegaremos à conclusão correta. felicidade. A seguir. comparando.) 2. sem interpretações intelectuais. ENERGIA CRIADORA OU ESFORÇO . nós vemos interiormente e temos a experiência direta.Dhamma-Vicaya A investigação pura da Doutrina (Verdade) é o segundo fator do Despertar da Iluminação. Por exemplo. . nossa compreensão se torna bastante sólida. Sobre a terceira característica. Depois. toma-se mais poderosa à medida que o discípulo se liberta das impurezas da mente (emoções. verdadeiramente. etc. Consiste em examinar os ensinamentos sem apego ou aversão. e assim sucessivamente. confiança e. de lágrimas. como surgem. comparar ou refletir. será que existe um dono desses fenômenos? Eu sou o verdadeiro dono deste corpo. (SamyuttaNikaya. nesta segunda etapa. e a terceira. refletindo se a existência é insatisfatória ou não. pela nossa própria meditação. concluímos que tudo. de uma maneira incansável. impressões. pela autocontemplação. por mais longa que seja a duração. desta mente? Refletindo desta maneira. insatisfatória e impessoal. a impessoalidade. ou por ler. que é acumulada progressivamente. pela introspecção. mais para a frente penetrando mais e mais nesta Realidade até à Plena Perfeição. podemos concluir que. um grupo de fenômenos em fluxo. quando entramos dentro dos nossos próprios fenômenos psicofísicos e nos auto-observamos. é por ouvir de um instrutor. alegria. isto nos trará satisfação. 3. ressentimentos. porem a mais elevada compreensão é quando. não há verdadeiramente um dono. vemos que o próprio homem não se liberta dessa lei. Investiga-se a Doutrina de três maneiras básicas: a primeira. ao mesmo tempo. esta existência é insatisfatória. no sentido de nos dar forcas para prosseguir. por introspecção. a segunda. drama de sangue. chegamos à conclusão de que existe um vir-a-ser. tudo verdadeiramente é impermanente. Então. A investigação da doutrina ou do Dhamma. INVESTIGAÇÃO DA DOUTRINA .

superando o turbilhão do mundo. aos poucos.Kaya-passadhi O quinto fator do Despertar da Iluminação é a serenidade e firmeza conseqüentes do contínuo estado de tranqüilidade do corpo e da mente. Para que a meditação introspectiva realmente veja o Dharma interiormente é indispensável desenvolver a Tranqüilidade e a Concentração. se desapegando das coisas materiais. 5. CONCENTRAÇÃO . ganhando esta paz interior. (Bodhicaryavatara. tomando-se um incentivo para o discípulo que percorre o caminho no desenvolvimento da energia (esforço) da atenção. ver introspectivamente os Cinco Agregados e as três características da existência. o mérito espiritual é impossível como o vento sem movimento. e esta dá energia para que se possa prosseguir. ou quando fazemos esforço para fazer surgir o Bem. 6. Todos são válidos. o terceiro e o quarto fator do Despertar da Iluminação se desenvolvem paralelamente. sem energia. se apega e não vai além (no progresso espiritual). esta calma que é agradável. O quarto fator. para penetrar as Quatro Nobres verdades. Na realização espiritual. a alegria extática. como surgem. esforço. aqui. satisfação e felicidade na senda.157 Quando fazemos esforço de evitar e superar o mal. ou êxtase arrebatador. é o resultado de uma mente concentrada e tranqüila. isto é. a mente.Piti Toda vez que vemos o Dharma interiormente. com firmeza e estabilidade. até o coroamento de todo o esforço dispendido. sobre os nossos Cinco Agregados.Samadhi . O ponto fraco das meditações de tranqüilidade não está na meditação em si. o indivíduo. De posse da paciência. que não raciocina em proveito próprio. vai. Este estado é também conhecido como exaltação. existe a verdadeira felicidade no aqui e agora. é preciso cultivar a energia. quando o objetivo fundamental da meditação é desenvolver o autoconhecimento.) 4 ALEGRIA EXTÁTICA . mantendo-o e desenvolvendo-o. tem o mesmo significado que energia. das coisas do mundo. É um estado de observação passiva. de uma maneira incansável. Existem vários tipos de meditação chamados de tranqüilidade. pois a Bodhi tem sua sede na energia. achando alegria. VII-1. TRANQÜILIDADE . como já descritos em capítulo anterior. etc. na busca da senda na possibilidade da verdadeira Iluminação. se desenvolvem e desaparecem.

158 O sexto fator do Despertar da Iluminação. contemplação dos objetos mentais: contemplação do pensamentos. não somente pelos monges. é o estado mais elevado da espiritualidade. podendo desenvolvê-los à medida em que aparece um pensamento nos diferentes aspectos experimentados. . porque um Iluminado compreende e vê o sofrimento na sua totalidade Universal.Upekkha É o sétimo e último fator do Despertar da Iluminação.) . quantos são os elementos da Iluminação? . descoberta de Gautama Buda que desenvolve a Visão Interior. EQUANIMIDADE . Buda. sem a investigação do Dharma ninguém pode ser Iluminado pelos outros fatores. o que se consegue pelo equilíbrio entre a concentração. extinguindo os preconceitos ou idéias tendenciosas. viu o fato com equanimidade. contemplação da consciência surgida das seis faculdades dos sentidos. Por intermédio dessa concentração é possível ver a Realidade interna e desenvolver a Sabedoria. volta a experimentar cada um em suas próprias condições. por que falar de sete fatores da Iluminação? . 35. FATORES DA ILUMINAÇÃO BODHI . imperturbável.Assim também. desenvolvendo a clarividência. dos desejos. podemos cortar alguma coisa com ela? . ou concentração momentânea. das dúvidas.Nagasena. Quando Gautama Buda soube da morte do filho.Não. O discípulo. a concentração. referindo-se a estes sete fatores da Iluminação. como pelos leigos. é a faculdade de concentrar a mente com firmeza e correção no aqui e agora. a suprema equanimidade. A equanimidade é o estado desapegado a todo tipo de apego. visava serem eles observados e cultivados a qualquer momento da vida cotidiana.Por um só: a investigação da Doutrina (Dhamma-vicaya).Então. permitindo lembranças dos renascimentos anteriores. fazendo-a independente de tudo. contemplação das sensações fornecidas pelos seis órgãos dos sen tidos. tornando-a imóvel. é a liberdade perfeita. III. que tem conhecimento dos sete fatores do Despertar da Iluminação..Sete. em todas as circunstâncias.E por quantos desses elementos alguém realiza a Iluminação? . como já sabemos. ou meditação de absorção da unipolaridade da mente (dhyana). . contemplação das visões.Se deixamos uma espada na bainha. (Milinda Panha. tranqüila e desapegada. dos raciocínios e monólogos interiores etc. pela contemplação do corpo. . a pureza total. e a meditação dinâmica. ao lembrar daqueles estados mentais. onde o indivíduo se liberta de todos os conceitos de liberdade. 7. quando reflete sobre eles após a meditação. Os sete fatores da Iluminação devem agir concomitantemente e são os frutos ou resultados da prática da Plena Atenção.

Ilusão.. ficará surpreso ao ver a semelhança de certas frases. Desejo e Nirvana.dhyana (absorção mental). que desenvolve a visão Interior ou Intuitiva (Vipassana). apana significa expirar e sati significa atenção. . símbolos fundamentais e similares experiências espirituais. . no aqui e agora. Obra citada.159 Em síntese.Satipatthana -. *7 Idem. pela concentração e Plena Atenção. no original. 2) na vigilância em todas as atividades físicas (em pé. Essas semelhanças não tiram nada da grandeza e originalidade do Buda. Esta perfeição em vida consiste em ver pela Visão Interior (realmente transcendental) as Quatro Nobres Verdades em seus aspectos diferentes e em ter uma visão direta da inexistência da natureza do “eu”. aos poucos. a correta concentração Budista. utiliza o termo brâmane para apresentar o perfeito seguidor do Dhamma. isto é: 1) na meditação sentada. o verdadeiro bhikkhu. SUPREMA SABEDORIA: PANNA Desenvolvendo a Moralidade e a cultura mental. *3 Ciflovedo. (Lama Govinda. *5 Ciflovedo. toma-se mais pura. finalmente. Esta sabedoria não é apenas uma sabedoria intuitiva por compreensão natural. que leva aos estados de supraconsciência . a Sabedoria fica estabelecida.” Ana significa inspirar. III. mas uma Sabedoria baseada na visão interior e no autoconhecimento. *6 Do curso do Monge Kaled Amer Assrany. é traduzida do termo sânscrito Prajna. somente provam a realidade objetiva de certas experiências e leis espirituais. Obra citada.). ou sábio. como se pode constatar no Dhammapada. atingindo lentamente a Sabedoria que substitui o impacto do sensorial. a mais alta virtude. Alguém que tenha lido os Vedas e Upanishads. *2 Idem. ou Panna em páli. conceitos religiosos. consiste no cultivo da meditação da Plena Atenção ou vigilância . andando. conquistando o discípulo. a perfeição em vida. *1 Ciflovedo. o que seria uma contradição a todas as descrições tradicionais de sus vida e de seu conhecimento da sabedoria bramânica. onde todo um capítulo é dedicado ao Brahmana-Vagga.) *4 Anapana-sati se traduz literalmente: “Atenção na inspiração e na expiração. etc. Obra citada. termos técnicos. cultivando a tranqüilidade – Samatha . Pela Correta Concentração. ou Observação Pura (Samadhi). Fundamentos do Misticismo Tibetano Obra citada. trabalhando. Desejo e Nirvana. Isso é refletido no respeito ao ideal de brahmana. Desejo e Nirvana. Ilusão. a mente. 3. é o terceiro e último estágio da Percepção Espiritual. Por outro lado riso se pode presumir que o Buda ignorasse os maiores movimentos espirituais do seu tempo.

se completar e se expandir. são limitações do nosso pensamento vinculado a condicionamentos. e jamais. Continuaremos a amar os outros de uma maneira mais correta. preenchemos e completamos nosso ego psicologicamente pela esposa. Porém. não se pode manter esta união e felicidade indefinidamente. Só quando a mente se libertar de toda e qualquer acumulação do passado. não mais dependendo dos outros para nos completar psicologicamente. ajustá-lo aos condicionamentos do passado. O amor no homem comum está sempre ligado ao apego. e sábio sem ser erudito. amigos. O apego às acumulações do passado. pelo país em que vivemos etc. assim como não é objetivamente possível salvar o mundo inteiro. Nossa mente. Assim. "minha esposa". sistemas filosóficos etc. criando um sistema de segurança em todos os setores de nossa atividade: física. então não vamos mais nos completar psicologicamente. a idéia de apego surge no homem comum não esclarecido. Insatisfatoriedade e Impessoalidade). fundamentalmente. Essas acumulações nada significam. Pela natureza impermanente desta existência. pelo autoconhecimento e progresso espiritual. já.160 Não é com a mente aquisitiva e possessiva. e o apego irá se manifestando cada vez mais fracamente. Gradativamente. o que é a Sabedoria. é algo muito precário. de saída. É a maior experiência universal que a mente humana pode realizar. material. vamos compreendendo gradativamente as Quatro Nobres Verdades. o desconhecido. É imprescindível que a mente possa receber o novo. pelo clube a que pertencemos. Pela ignorância. através dos tempos. Quando. porque o ego. porque amamos sem nos escravizar aos outros e às coisas. mais cedo ou mais tarde há uma separação inevitável e isto é sofrimento. se privou do meio mais essencial para a realização de seu propósito. significa condicionamento ao tempo. que nos traz felicidade. mas a Sabedoria não é erudição. Porém esta união. acumulação de conhecimentos intelectuais. escolhendo o caminho mais curto para se libertar do sofrimento. que nos completa. através de nossos apegos a conceitos. A grandeza do Budismo é justamente compreender o que é o sofrimento para superá-lo. quando. pelo desenvolvimento da Sabedoria. vamos ganhando essa capacidade de amar sem nos apegar. credos. dentro do tempo. filhos (os filhos pelos pais). há sempre a idéia de propriedade: "meu filho". "meu pai". A mente aquisitiva aumenta a erudição. capaz de reto pensar e chegar à Sabedoria. econômica. se poderá compreender o Eterno (Incondicionado). afetiva e intelectual. Todos nós nos completamos psicologicamente porque somos dependentes uns dos outros. Aquele que se esforça apenas para sua própria salvação. No Budismo só se pode falar do mundo das nossas experiências. uma atitude universal. nos tornamos a nossa própria lanterna. Este amor é inseparável do apego. tende sempre a se preencher. adquiriu grande experiência em defender e proteger o eu. etc. que não podem ser separadas das nossas . "meu marido". por isso exige. há verdadeira felicidade. A realização desse estado de salvação implica passar além de todas as limitações individuais e reconhecer a realidade supra-individual na própria mente. teorias. Pode-se ser erudito e não sábio. que se chega à Sabedoria. sem pretender amoldá-lo. os fenômenos que caracterizam a existência (Impermanência. sem olhar para os outros seres. o pensamento poderá ser criador. pela insatisfatoriedade. porque não existe uma tal coisa como "mundo objetivo".

a poesia. ou o dia está nublado. a Ignorância foi completamente destruída. Passando aquelas nuvens da ilusão e da ignorância. ninguém atingiu a Iluminação . etc. ou Mente Espiritual. como a floração na semente.. Samsara e Nirvana etc. VISLUMBRES DA ILUMINAÇÃO O plano mental acima do Intelecto é conhecido como Intuição. passar além. ou o nome que se queira dar: EU superior). Dukkha e Anatta) e compreendeu plenamente as ações meritórias e demeritórias. das três características da existência (Impermanência. tudo o que tende . mas está sempre presente. como um fato comum a todos seres vivos. o reconhecimento intuitivo da verdade. conseguindo que ela constatasse o fato de que a morte é um sofrimento universal e de que ela não era a única a sofrer essa dor. A atitude budista surge do impulso interior de identificar-se com todos os seres vivos e sofredores. ele desenvolveu a Sabedoria. que as conduz aos mais nobres pensamentos e aspirações. quando não brilha é porque é noite. O ensinamento do Buda visa não a escapar da dor. Em síntese.Jinas. Luz divina. enfrentando-a com coragem. mundano e transcendental. Insatisfatoriedade. o amor universal. potencialmente. A correta compreensão é o pináculo. a natureza búdica que existe vem à existência e o discípulo plenamente vê. porém apenas os dois lados da mesma Realidade. a música. não são opostos absolutos ou conceitos de categorias completamente diferentes.. para além do domínio do tempo. mas a conquistá-la. é como o sol que está sempre presente. a saber. Todos nós temos. ela não se evidencia porque as nuvens da ilusão e da ignorância a cobrem. por isso o Buda também é chamado "Conquistador" . a Correta Compreensão é a Plena compreensão das Quatro Nobres Verdades. bom e mau. Buda apontou esse caminho para Kisa Gotami*1. a pintura. a escultura. sagrado e profano. A Sabedoria é a compreensão da verdade sobre o que é a realidade aparente dessa existência e dos fenômenos condicionados. minimizar os próprios sofrimentos. e. sim. Ignorância e Iluminação." Muitas pessoas tem consciência de um "algo interior. vendo-a não apenas como sofrimento pessoal. Todos temos em nós essa natureza cósmica. mas. Impessoalidade) e a plena compreensão das ações meritórias e demeritórias. e plenamente compreende. uma experiência de uma dimensão maior. é a Suprema Sabedoria. A relação dos Cinco Agregados da existência com seus respectivos tipos de consciência na Sabedoria (Iluminação) revela o Princípio fundamental de que as mais altas qualidades estão contidas. é o que há de mais elevado no Budismo.. percepção ou consciência que não envolve nenhum processo de raciocínio. o sofrimento foi completamente. mais elevado". sensual e espiritual. e para todo o sempre. enfim. Assim. Webster define a intuição como "compreensão ou conhecimento direto. Por outro lado. Isto significa que o supremo propósito da senda foi atingido. em potencial. saber imediato. a arte. Essa atitude ajuda a passar além ou. a realização da Iluminação não é um estado temporal. a natureza búdica. destruído. em sua plenitude. na sua totalidade.Cristo interno.a Iluminação veio à existência.161 experiências subjetivas. Esses três acessos são chamados correta compreensão. conhecimento que vem num piscar de olhos. Quando a mente se liberta de todo pensamento de “eu” e "meu". pelo menos. nas mais baixas. Ele compreendeu plenamente as três características da existência (Annica.

*2 "O Satori (vislumbre de iluminação) é um lampejo de intuição profundo e bastante amplo para romper as barreiras do pensamento na mente individual e deixar que o Todo inunde a Parte." (Luz no caminho. de acordo com a predominância do mal em nós. . as mesmas. surgidas do interior de nossa individualidade e de nossa consciência. para a bondade e para a compaixão provem desse plano intuitivo. Isto acontece a alguns. uma pena que . e não por meio de raciocínio intelectual. é inerente a cada homem. e assim perdem a vitória no momento preciso de alcançá-la. como ante um fantasma horrível. uma corrupção sempre renovada. relatam ter estado em "presença de Deus". Em alguns.) No Livro Tibetano dos Mortos*3 (Bardo Tödol). da transfiguração que te converterá. difícil de ser descrita ou compreendida pelos que não a experimentaram. cuja visão os ofusca completamente". sorridentes ou ameaçadores. conforme a pureza deste.Continuar a existir. qualquer que seja a forma de existência. ou o que a sua seita atribui à deidade. e umas outras sempre sombras de nós mesmos. Vários autores relatam casos de indivíduos que tiveram consciência da exaltação espiritual. repentinamente. não conhecendo a natureza do fenômeno. é dor: porque existência quer dizer vir-a-ser e vir-a-ser é a sombra de ser. segundo nossa maturidade aparente. a expansão da consciência espiritual vem gradualmente.As imagens que aparecem são projeções da mente. para a nobreza. um desejo sempre a satisfazer. denominaram-se essas experiências como "iluminação" em suas diferentes formas e graus (Satori). acompanhada da sensação de estarem circundados. na realidade. em ti mesmo. encontramos o seguinte ponto de vista budista: . encontramos descrições de casos "milagrosos" de pessoas que. transmudadas em novo aspecto. Aquelas imagens não são aspectos de entidades reais. designando com isso seu particular credo religioso. ou penetrados por uma luz brilhante. tomando-os conscientes de estarem em presença de "algo assombrosamente grande e de alta espiritualidade. em mais que um homem. "Ter visto tua alma em flor é ter obtido uma visão momentânea. por breves instantes). As deidades assustadoras e as benevolentes são. as vibrações da consciência cósmica. Este conhecimento aparece sob uma forma especial da supra consciência.. variam e assumem diferentes aspectos: brandos ou terríveis. Deve-se lembrar que a espiritualidade é apenas a consciência da Unidade com o Todo.162 para a pureza.) Em muitos textos religiosos. reconhecer e levar a termo a grande empresa de contemplar a luz resplandecente. ainda que como deus (ser divino). o Absoluto. que o relativo fragmento ‘veja’ por um momento atemporal. em outros." (Christmas Humphreys. Nem mesmo os deuses (seres divinos) existem fora de nosso pensamento e. que fatalmente despertam no princípio consciente do discípulo (quando este não teve a capacidade de reconhecer na luz cintilante que fulgura ante ele.. mas simbólicos lampejos do carma. finalmente. Mabel Collins. Estas interpretações provêm de que as mentes daqueles que tiveram esses vislumbres de consciência não estavam preparadas para compreender plenamente a natureza do fenômeno. sem baixar os olhos e sem retroceder tomado de espanto.

uma formação mental. é o Despertar completo. cessando de alimentar o subconsciente.4 como se segue num pequeno resumo. como também do mundo subjetivo. por isso. em perdermo-nos inconscientemente naquela Luz da qual surgem todas as coisas. a observação torna-se pura. nossa ação. No mundo fenomenal e condicionado. como já foi visto na doutrina do Anatta e na doutrina da Originação Interdependente. extinguindo o desejo. porque. encontramos esclarecimentos básicos sobre todos os assuntos e fenômenos relativos à Percepção Espiritual. nossa experiência de vida não é plenamente compreendida. desta maneira. O perigo dessas experiências simbólicas é apegar-se muito mais a elas. porque elas cresceram. que obedece ao determinismo subconsciente. não se trata de "encher mais o barco. acordados. germinando e desabrochando suas potencialidades. do que as palavras ou idéias. não reagiremos em função delas. quebramos o círculo vicioso do determinismo cármico a que estávamos submetidos. para perceber o Real ou Incondicionado. Essas visões não são alucinações. Portanto. isto é o auto-apercebimento passivo. físico ou psíquico. Assim. esses vislumbres da mente supraconsciente. do mesmo modo como a subjetividade da visão interior não diminui o seu valor real. o "eu" é uma serie de condicionamentos psicofísicos sucedendo-se uns aos outros em rigorosa relação de causa e efeito. No Surangama Sutra. a Plena Atenção. de tudo o que diz e do que pensa. são muito sutis. porque não somos vigilantes. não durante alguns momentos. o homem torna-se plenamente consciente de tudo o que faz. ao agirmos. uma ilusão. basta apenas a Observação Pura. concretizado através da mente humana. é uma ação sem liberdade e. tornaremo-nos apercebidos de todas as influências subconscientes a que estamos submetidos e assim as destruiremos. como sementes que caem no solo fértil da nossa subconsciência. nem invocar auxílios sobrenaturais. Não é necessário transformar-se. Agindo com liberdade. que vem do passado. se formaram e se projetaram de dentro do próprio subconsciente do indivíduo.163 jamais se aplaca. antes o começo do Caminho. como até então. refletidos. mas não deixam de ser analisadas como formações mentais. A verdadeira Natureza da Mente é Incondicionada*4 O Mestre Buda dirigiu-se à assembléia com as seguintes palavras: . porque a realidade delas pertence à psique humana. mas durante todos os momentos da vida.. por alguns autores denominados Satori.. são. A Plena Atenção ajuda a não alimentar o subconsciente. sem escolha nem identificação. Temos subconsciente e determinismo cármico. estando a mente aberta e livre. de suas causas e de suas tendências de fugir a esse conflito. Tornando-se plenamente consciente do conflito. A Paz está no Nirvana. São símbolos do mais alto e nobre conhecimento e esforço. devem ser observados e estudados da mesma maneira como qualquer outro fenômeno mental. isto é. E isso tanto para as causas que consideramos do mundo objetivo. Se conseguirmos permanecer plenamente conscientes. No sentido budista. mas agiremos com liberdade. trata-se unicamente de esvaziálo". ele o transcende. transcende o “eu”.

Então o Buda-Mestre disse: . tu desejas conhecer o verdadeiro caminho que conduz à Samapatti.Ora. .5 de modo a evitar o ciclo das mortes e dos renascimentos.Sim. estás vendo isto aqui? . A razão pela qual todos os discípulos devotados não atingem a Iluminação Suprema é porque eles não concebem os dois princípios primários. todos os seres sensíveis sempre tiveram suas ilusões perturbadoras que se manifestaram no seu desenvolvimento natural. Esta ação de pensar e raciocinar é o que chamamos "minha mente". os motivos porque tu e todos os outros seres vivos. rapidamente. sucessão.Estais agora indagando de mim acerca da existência da minha mente.. certamente. resultam as diversas diferenciações da mente de todos os seres vivos. O segundo Princípio Fundamental é a causa primitiva da pura unidade da Iluminação ou Nirvana.Com que vês. o Princípio unificador da pureza. que confundem suas mentes limitadas. Ananda. Não é assim. deixas de imaginar a tua verdadeira existência. que existe desde o princípio da vida (é o Princípio da compaixão integrada. através da ignorância.Muito bem.164 . desde tempos imemoráveis. desenvolvida e realizada sob todas as variedades e condições.Dizer que o teu ser é a tua mente não tem senso. não conhecendo os dois princípios básicos. a mente unificadora pode ser descoberta. então que mais pode ser a minha mente? . agora compreendo. o que é que revela a existência da tua mente? Ananda respondeu: .Ananda. semelhança. o recolhimento. Agora. se o meu ser não é a minha mente. o princípio extremo da individualização. A razão de esta mente unificadora perder-se tão rapidamente entre as condições é porque. ritmo e paz). Ananda? O primeiro Princípio Fundamental é a causa primitiva da sucessão das mortes e renascimentos desde tempos imemoriais (é o Princípio da ignorância. Para responder a essa pergunta devo usar das faculdades do pensamento e do raciocínio. O Mestre Buda censurou Ananda . Mestre. Ananda? Então permite-me algumas perguntas mais.Ananda. harmonia. .. cada uma sob a força condicionada do seu próprio carma individual. como se procurasse cozinhar iguarias fervendo pedras e areias. Ananda. estou vendo o Mestre com um braço levantando a mão cerrada cujo brilho cega meus olhos e aquece meu coração. entre as atividades diárias.A razão das grandes diferenças é que. eu pergunto. Agora. Ananda? .. Pela indução deste princípio. de mãos postas. Ananda levantou-se e. Eis aí. Partindo desse princípio. manifestação. com a mão crispada. a fim de procurar e achar a resposta. e disse: . discriminação).. O Mestre Tathagata levantou um dos braços. perturbadas e poluídas. desde o começo da vida. disse. Quais são esses dois princípios fundamentais. sim.Com os olhos. tu te esqueces do esplendor e da pureza da tua própria Natureza Essencial e. dentro do esplendor da sua própria natureza. a mente toma-se confusa e começa a agir erradamente. Mestre. chegaram ao infortúnio e a outros estados diferentes da existência. com a verdadeira Essência da Mente (incondicionada). cheio de espanto: . Enquanto meu punho brilha e enquanto olhas para ele fixamente.

tens estado constantemente confundindo a tua verdadeira Mente Essencial. o Mestre Buda estendeu os braços com os dedos apontando para o chão. E como se estivesses cuidando de um pequeno ladrão. virando a mão repentinamente. Mestre.. assim agindo. .165 Buda respondeu: . O Mestre. Concepção Ilusória do Mundo Fenomenal *4 Ananda. Imediatamente. Desde os tempos mais remotos até a presente vida. conforme é vista pelos seres do mundo. . tu devias saber que a essência do verdadeiro corpo do Mestre Tathagata.Vendo os meus dedos.' Quando dizes que tua mente está em posição invertida. como se fosse um filho. ou como o corpo da própria mente de alguém que a “posição invertida” (seres não-esclarecido). perdeste a consciência da mente permanente e original e. em que posição se deve considerar o teu corpo? Estará o corpo também invertido? A esta pergunta. e. e todos os meus discípulos! Eu sempre vos ensinei que todos os fenômenos e seus desenvolvimentos. por que o Mestre diz que tínhamos esquecido a nossa verdadeira natureza da mente e agimos num estado de "ilusão revertida"? Tenha piedade de nós todos.Nobre Mestre! Se a percepção dos olhos e dos ouvidos (e outros órgãos dos sentidos) está livre da morte e do renascimento.A noção de que o teu ser é a tua mente é simplesmente uma das falsas concepções que nascem da reflexão. de modo que os dedos apontem para cima ou para baixo. concentra a tua mente nisso e depois explica-me. Ananda e toda a assembléia ficaram confusos. depois de fazer a reverencia usual ao Mestre Buda. disse: . vendo-a através do alcance dos diferentes pontos de vista. o que quereria ele dizer? . o puro Dharmakaya7 pode ser interpretada diferentemente. e. acerca das tuas próprias relações com os objetos externos que ofuscam a verdadeira Mente Essencial.Mestre. sem qualquer alteração na posição do braço. então. encaravam-no. tens sido forçado a suportar os sofrimentos das mortes e renascimentos sucessivos.. isto é. e purificai as nossas mentes contaminadas e afastai todos os nossos apegos. virando-se para Ananda.Agora. tu dirás que eles estão virados para baixo ou para cima? Ananda respondendo: . Ananda. todas as causas e efeitos do grande universo até a fins poeira apenas vista ao sol só têm uma existência aparente por meio da mente discriminadora. se virásseis os vossos dedos para cima a maioria das pessoas diria que eles estavam em posição vertical. boquiabertos. Ananda.Se essa interpretação de posições reversas ou verticais é simplesmente feita pelo retomo da mão. num gesto algo místico – mudra6. A razão pela qual todo ser deixa de alcançar a Luz e a condição de Buda é o desvio para as falsas concepções relativas aos fenômenos e objetos que poluem suas mentes. levantou-se e disse: . como sendo "a verdadeira Onisciência" (posição vertical) do Mestre Tathagata. disse: . por isso.

. Eu não tenho constantemente vos ensinado que todas as coisas e condições que caracterizam os fenômenos transformadores dos diferentes estados. a outra é falsa..esta misteriosa Mente de Luz radiante? E por que ainda estais confundidos nas vossas consciências inquisidoras. Logo que a aceitastes como a vossa verdadeira mente. Mas eles têm sido discriminados como fenômenos da vista. nariz. ou na ira. que estão em contato com os objetos.Meus bons e fiéis discípulos! Por que tão facilmente esqueceis essa natural.166 O Mestre Buda teve grande compaixão de Ananda e dos demais membros da assembléia e falou-lhes tranqüilizando-os.Neste grande mundo. montanhas.conhecimento do corpo (e objetos) E. tato. além disso. assim. devemos lembrar-nos de que nada mais são que ilusões e que não pode haver equívoco. poder visual.. as sensações das formas confundem-se com as concepções ilusórias e arbitrarias dos fenômenos e dessas falsas concepções dos fenômenos. discriminação.. povos e reinos.. com os seus continentes e oceanos. . agarrando-vos a uma simples bolha de espuma que não só aceitastes. é exatamente como um homem com os olhos inflamados (diplopia). mas que também a encarastes como sendo todo o corpo líquido de todas as centenas de milhares de mares. dentro da mente (condicionada) estas confusões de causas e condições.. rios. Conquanto eu possa mover meus dedos para baixo e para cima. . não pode haver equívocos. minha mão não sofre a menor alteração. pertencem ao puro Bodhi Supremo. Como poderá ele dizer qual a verdadeira? Só há uma lua. fazem despertar o desejo e o medo que dividem a mente e a fazem mergulhar na indulgência.. segregando-se em grupos e entrando em contato com os objetos do mundo exterior. Todos intrinsecamente.. não é de se estranhar que ficásseis confusos e que a supusésseis localizada no corpo físico e que todas as coisas externas. e a sua voz era como o som surdo das vagas do oceano: . no mundo social com todas as suas raças. do espaço. emoção. Devemos ter muita compaixão daqueles que assim pensam!. o poder de ver e sentir os próprios objetos . a invisível obscuridade do espaço mistura-se com a escuridão da ignorância para parecer formas. terás atingido o . abandonastes todos os grandes. etc. atributos e condições da mente independentemente desenvolvidas silo apenas manifestações da iluminada e verdadeira Essência da Mente? . mas o mundo faz uma distinção e diz: que ora está vertical e ora invertida. pensamento (intelecto). todos esses seres vivos e todos os fenômenos naturais. língua.. auditivo. Por isso. todos eles têm a sua origem na mente intuitiva iluminada não-poluída. ou ilusórias? Os espaços abertos nada mais são que obscuridades invisíveis. misteriosa e intrínseca. ouvidos. puros e calmos oceanos. Em tal confusão. os grandes espaços abertos e o mundo inteiro. maravilhosa e iluminada Mente da mais perfeita Pureza . .Da mesma maneira. desenvolve-se a consciência . dando-se uma como verdadeira. estivessem fora do corpo. que vê duas luas ao mesmo tempo. Ananda! Se puderes ficar perfeitamente independente destas falsas percepções e de toda conformidade e não conformidade delas.O mesmo se dá com esta maravilhosa percepção dos sentidos. Todos vós aceitastes essa ilusória concepção dos fenômenos como sendo a vossa verdadeira mente.Meus bons e fiéis discípulos.. mas elas são todas manifestações das condições falsas e mórbidas que pertencem respectivamente às percepções dos olhos. quando olhamos para essas manifestações dos sentidos. então terás exterminado todas as causas que conduzem às mortes e aos renascimentos e. vós vos revelais tolos entre tolos.

Na Lei da Originação Interdependente formulada por Gautama Buda. é preciso considerá-lo como a obra do passado. tendo tomado forma realizado pelo pensamento. pois dependem um do outro. o que. Isto. seres e fenômenos são ilusórios e vazios de substância. caminho para a libertação. não é vosso corpo. Esse nosso mundo (físico. “eu” e "outros" é ilusória. ó discípulos. Deste modo. É óbvio que vivemos exatamente o tipo de mundo que nós criamos e merecemos. psíquico e mental) e o que chamamos "nossa personalidade" são formações mentais e ilusórias. Todas as coisas existentes nesse mundo são sem realidade substancial. inclusive aos psíquico-sutis e aos problemas da Iluminação e da Ignorância. em unir o eu ou alma (atman) à alma universal (Brahman). assim que tomam forma material. quem isto sabe e vê. mas pré-condições para a real libertação e perfeita Iluminação.) Se considerares o mundo como bolha de espuma. vive em paz no mundo de sofrimentos. *6 Pela Observação Pura. (Samyutta-Nikaya.167 esclarecimento perfeito. nas quais nós . Esta é a eterna Essência Intuitiva (o Absoluto) . nem o corpo de outros. todas as coisas. e a sua força. da salvação própria. quem isso sabe e vê. no entanto. precisamos estar conscientes da insuficiência das palavras e de todas as tentativas de explicação intelectual. se tiveres o mundo apenas como miragem.) A solução perfeita do problema da nossa existência pode consistir somente na perfeita Iluminação. mas apenas mudar o nosso pensamento. 170. não tem mais cabimento falar em Iluminação. (Dhammapada. supera o sofrimento. 277-279. atitude que pode levar somente ao puro niilismo e à estagnação espiritual. mas é baseada através da correta compreensão.são tão reais quanto a mente que as criou. isto é. Essa idéia de ausência da substância própria é aplicada a todos os fatos da vida humana e a todos os fenômenos. as experiências de unidade e solidariedade com o Todo não são metas últimas. No entanto. não significa que sejam irreais . que são também considerados ilusórios ou vazios. O corpo que nós criamos não desaparecerá logo que o reconheçamos como produto da nossa mente. em que todos os seres e coisas são inseparavelmente unidos e entrelaçados uns aos outros de modo que toda discriminação de “meu”. que é o da natureza onde não há nem morte nem renascimento. em oposição a uma Ignorância a ser estirpada. e desaparecem tão logo essas condições se transformam. só se pode falar em Iluminação. tornado palpável. não se realizará enquanto não conhecemos a natureza mais profunda da nossa mente. primeiramente temos que destruir essa ilusão para que a consciência universal (Iluminação) venha à existência em nós. Eliminada a Ignorância. (Dhammapada. visto que não existem por si mesmos. o remédio não é "escapar" do mundo. são alcançados o progresso espiritual e a Completa Compreensão. este é o caminho da libertação. não te alcançará o rei da Morte (eterno vir-a-ser). e não na simples negação do mundo e seus problemas. Assim. no entanto. mas apenas se manifestam temporariamente. graças a um conjunto de causas e condições favoráveis a seu aparecimento.) Todas as formas criadas perecem. obedecem à lei da matéria.pura Mente Intrínseca (Incondicionada ou Nirvana). No Budismo. porque os produtos da nossa mente. Não é a meta ansiosa. vê-lo por um prisma diferente Essa mudança.

vendo-os como são. Orgulho espiritual. caracteriza-se pela libertação dos resíduos do 1o . é chamado Sotapatti-phala. apego as regras e rituais).assim como na música. O PRIMEIRO NOBRE DISCÍPULO. Graus de Iluminação e Os Oito Tipos de Nobres Discípulos O conhecimento analítico adquirido pela visão interior é o único caminho para remover a falsa idéia do "eu". ou discursiva. 8.168 vemos apenas aproximações preliminares que nos preparam para as formas mais profundas de experiência . mas não podem substituir a criação. o discípulo estabelece a plena percepção. o que entra na corrente iniciando seu progresso através dos planos transcendentais. discernimento e a conquista da paz. 2. 5. 4. Apego a regras e rituais. No contemplar o Surgir. que tenha atingido o Primeiro grau da Iluminação. Dúvida cética defensiva. e.3o grilhões (crença na ilusão do "eu". Somente através da prática da Plena Atenção. Os obstáculos ou grilhões são os seguintes: 1. 7. 3. Grilhões do Despertar da Iluminação O fato de não estarmos conscientes das atividades da mente. atingir o céu ou reinar sobre os universos" (Dhammapada. 10. Sotapatti-magga. Má vontade. o conhecimento teórico das leis de harmonia e contraponto são apenas preliminares. em linguagem páli. O SEGUNDO NOBRE DISCÍPULO. repugnância e ódio. é chamado Sotapanna. sua influência dominadora sobre nós torna-se cada vez mais fraca. "O Fruto do primeiro passo no caminho do Nirvana é mais valioso que dominar a terra. Inquietude e preocupação da mente. principal obstáculo ao primeiro grau da Percepção Espiritual. ou o deleite na música. podemos compreender o que é a mente e a sua natureza. Desejo sensorial pela procura de satisfação através da imaginação da mente. dúvida cética. 9. Anseio pela paz espiritual devido ao apego a objetos psíquico-sutis da meditação intensa (mundo das formas). compreensão. Anseio por uma existência imaterial no mundo psíquico-sutil sem forma (mental).2o . Permanecendo atento a todos esses obstáculos no momento exato em que surgem e desaparecem. Ignorância devido aos resíduos de apego e de auto-ilusão. Crença na personalidade ou na ilusão do "eu". 178) . Assim Ignorância é tudo o que escapa à nossa Plena Atenção ou vigilância. Sotapatti-magga. desenvolver e desaparecer dos pensamentos tomamo-nos conscientes deles. 6. é o que Gautama Buda designa como Ignorância. até nos libertarmos. aos poucos. dos grilhões que nos prendem à Roda da existência continua. chamado. que tenha atingido o primeiro Benefício ou Fruto da Iluminação.

de renúncia. Atingindo o terceiro grau de Iluminação. o discípulo se liberta do que resta da dúvida cética defensiva. em ação e em pensamento.. adquire a tranqüilidade. . não renascerá jamais. o estado sem desejos da Libertação. o apego a toda espécie de cerimônias e rituais. o indivíduo renascerá em planos mais elevados. nesses pensamentos se detém. Arahatta-magga. O mesmo desenvolvimento se dá a respeito das diversas classes de homens e deuses (seres divinos) nas suas várias formas de existência. frustração. ressentimento etc. o que se toma o maior obstáculo no caminho para alcançar o terceiro grau da Percepção Espiritual. má vontade) O QUARTO NOBRE DISCÍPULO. má vontade. mas em outros mais elevados. desilusão. concomitantemente. através da plena percepção dos resíduos dos desejos sensuais. Através da compreensão da Lei da Originação Interdependente. conhecido como Sokadagami-magga. anseio por uma existência imaterial. Não haverá mais satisfação passageira. . o acesso." Esses pensamentos. pela destruição de todo desejo. ele os alimenta. O TERCEIRO NOBRE DISCÍPULO. após a morte.Acontece. que tenha atingido o Terceiro grau da Iluminação. ó discípulos. não renascerá neste plano..7º e 8º grilhões (anseio pela paz espiritual.esse monge. caracteriza-se pela libertação dos resíduos do 4º e 5o grilhões (desejos sensoriais. quando meu corpo se dissociar. é chamado Anagamin. ele os pensa. etc. ou discursiva. desta forma. se caracteriza pela libertação dos resíduos do 9º e 10º grilhões (inquietude e . Os discípulos que alcançam um alto nível espiritual podem experimentar um certo orgulho e fazer comparações. desagradáveis e indiferentes). é chamado Sokadamin. merecer o renascimento em uma possante casa real.) O SÉTIMO NOBRE DISCÍPULO que tenha atingido o Quarto grau da Iluminação. ó discípulos. que ele tem assim nutrido e encorajado. caracteriza-se pela libertação dos resíduos dos 6º . Esses sankharas e essas disposições interiores. dotado de conhecimento da doutrina. pensa assim: "Oxalá possa eu. O QUINTO NOBRE DISCÍPULO. alcança o segundo grau da Iluminação. Tal é. como também podem ser levados a apegar-se aos estados do mundo psíquico-sutil. o que não volta à Terra.Porem. vê-la face a face e achar nela meu refúgio" . que tenha atingido o Segundo grau da Iluminação Sokadagami-magga. Majjhima Nikaya. ódio. (Sankharuppatti Suttanta. dotado de retidão. de sabedoria. o monge que pensa: "Oxalá possa eu. que um monge dotado de confiança. Anagami-magga. ó discípulos. o que volta mais uma vez na terra. Aquele que estiver plenamente consciente de todos os estados mentais (agradáveis. Anagami-magga. orgulho espiritual) O SEXTO NOBRE DISCÍPULO que tenha atingido o terceiro Fruto da Iluminação é chamado Anagami-phala. é chamado Sokadagami-phala. a ilusão dos resíduos do "eu" é afastada progressivamente e. o conduzem a renascer em uma tal existência. esses pensamentos. conhecer desde esta vida.169 Ao experimentar um vislumbre de Iluminação. tal é a via que conduz ao renascimento em uma tal existência. que tenha atingido o segundo Fruto da Iluminação.

Parinirvana -. que ele dê suas instruções. FAÇA DE TI MESMO A TUA PRÓPRIA ILHA. então.. haveria de deixar instruções a respeito do Sangha? Portanto. mesmo perto do Mestre. não escapa à separação. que espera de mim a Ordem do Sangha? Ensinei o Dhamma (Verdade) sem fazer nenhuma distinção entre o esotérico e o exotérico. não se alcança coisa alguma. O Bhagavat disse: . Tudo o que se reúne.Os discípulos. eliminando a necessidade de renascimento em qualquer plano. Ó monges. não vos entristeçais. Mas o Tathagata nunca pensou tal coisa. discípulo devoto e sempre solícito que acompanhava de perto a evolução da doença.Senhor. *8 E. NÃO PROCURES. Quanto àquelas a quem eu ainda não ensinei. Tinha. DO DHAMMA TEU ÚNICO REFÚGIO E DE NADA MAIS.. (Beneficio) da Iluminação. que tenha atingido o quarto Fruto. fiquei preocupado com a saúde do Sublime e. A distância. cheio de compaixão falou com bondade a seu discípulo bem-amado: . TEU PRÓPRIO SUPORTE. já foram ensinadas. estejam a que distância estiverem do Tathagata. não obterão jamais o Fruto. o horizonte tomou-se sombrio para mim. sentando-se ao lado do Mestre. que transcende todos os planos. Todas as pessoas a quem eu devia ensinar. NENHUM AUXÍLIO FORA DE TI MESMO. é chamado Arahant. Gautama Buda habitava uma aldeia. se há alguém que pensa poder dirigir o Sangha. Buda. Certamente. obterão o Fruto sem duvida nenhuma. FAZENDO DO DHAMMA TUA ILHA (SUPORTE). Eles poderão estar na presença do Mestre. por que. Somente neste momento é que o consciente se funde com o subconsciente. isso não me livraria da morte.acariya mutthi.170 ignorância. nessa época. tive o pressentimento de que o Bem-Aventurado não partiria sem dar instruções sobre quem iria recair a responsabilidade da direção da ordem do Sangha8 (Comunidade dos discípulos). se aplicarem seus esforços a causas inúteis. já criei condições para que sejam . nada mais teria a fazer. O que importa é praticar. Ainda que eu permanecesse vivo. continuou: . se tiverem no coração os ensinamentos da disciplina do Bhagavad. Ananda. No que concerne à verdade. FAÇA DE TI MESMO E DE NINGUÉM MAIS TEU PRÓPRIO REFÚGIO. O OITAVO NOBRE DISCÍPULO. para os monges.)*7 Último Sermão do Buda Poucos meses antes de sua morte . chamada Beluva. Ananda. o Tathagata nada ocultou . Ananda.Ananda. Já foram ensinados todos os Dhamma que trazem proveito a quem os pratica. com coragem e determinação superou seus sofrimentos temporariamente. e que trazem proveito a outrem. resíduos do apego e de auto-ilusão). cerca de 80 anos e estava gravemente enfermo. que o Sangha lhe fique subordinado. porém. Nessa ocasião. acompanhando vossa enfermidade. perguntou: . sentindo ainda necessidade de esclarecer seus discípulos mais próximos. porém. Ainda que eu permanecesse no mundo durante milhares de anos. (Sutta 38. no entanto. se não se pratica por si mesmo.

atingiu a Iluminação. embora os maiores pensadores deste mundo tenham querido saber como isto pode ser feito. Ele o fez removendo aquilo sobre o qual a morte. da mesma forma que o nascimento e decadência. Se vós. Esforçai-vos sem cessar na prática que leva à Libertação. O tempo passa e é chegada a hora de eu me extinguir. questões e indagações a respeito o após morte são relevantes. "A experiência do Iluminado vivo é: não-nascido. não tendo nascido.) *11 Portanto. como pode ele morrer?" (Majjhima Nikaya. E terminou: . (Samyutta Nikaya. em relação ao Buda. Dizer: "O Tathagata existe e não existe após a morte. que acontece quando a vida chega a seu fim. como já sabemos. não-decadente e imortal. com o Iluminado não existe uma "pessoa" ou "eu" existindo. questões pertencentes ao "após morte" não se aplicam. insondável como o grande oceano. vivendo para sempre. Permanecei em silêncio. FIRMAI-VOS NA PLENA ATENCÃO. O Buda não ultrapassou a morte da maneira como todo mundo poderia imaginar que isto pudesse ser feito. O que acontece com o ser quando se dá a morte física? Mas. como. por conseguinte. que foram extintos pela raiz para nunca surgir novamente. ou "alguém" para dizer "eu" e "meu". permanece é o residual: Cinco Agregados da existência para os quais nascimento.. Então. o que.." Isto é a imortalidade. não existem questões a respeito da morte. pela mente. isto e. decadência e morte são aplicáveis. Há apenas uma experiência em fluxo. Quando o apego for extinto. meus discípulos. Dizer: "O Tathagata não existe após a morte" não se aplica. como "meu" e "eu". ele disse. não há uma "pessoa". está presente se houver apego. O Tathagata é profundo.171 ensinadas. eu carrego a última carcaça.. todo subjetivismo: pessoa ou "ego. isto é. 140.. então. quer dizer. persistirdes na prática da Lei após minha morte. isto é. a respeito dos quais estas perguntas se apliquem. decadência e morte não se aplicam. também não surgirá nele questões a respeito do após morte. e nem não existe após a morte". para si próprio: "Foi posto um fim ao nascimento e morte. Nascimento. todo o subjetivismo será extinto. porque. meu corpo de Lei continuará eternamente vivo. não há morte aplicável ao Buda. Por conseguinte. são os Cinco Agregados da existência como objetos de apego. um "ser".. não se aplica. Os Cinco Agregados da existência. eu e meu". famoso discípulo do Buda. para o Iluminado. o Buda disse de si próprio: . Para o Iluminado há apenas o quebrar do corpo. a libertação de todo apego. Quando Ananda.TUDO O QUE APARECE. a imortalidade era algo que já havia acontecido. DESAPARECE. pois não sobra nada no Iluminado para dizer: 'Eu nasci'. também não se aplica. Dizer: “O Tathagata existe após a morte” não sé aplica.. pode ele envelhecer? Não envelhecendo. **9 Buda foi o primeiro ser humano que ultrapassou a morte. Isto é tudo.. decadência e morte aplicam-se apenas aos Cinco Agregados da existência como objetos de apego. ó monges. porque um “eu” ou "pessoa" para o qual apenas nascimento." Dizer: "O Tathagata nem existe. incomensurável. Com relação a todas as pessoas que não sejam Iluminadas. se aplica. . subjetivismo. isto é. que já havia sido atingida.)***10 Ele diz que todas estas perguntas não se aplicam.

Mudra: gesto do corpo ou da mio que acompanha o ato. Obra citada. o não-nascimento e a imortalidade são também para ser compreendidos aqui e agora. Bikkhu. a esfera da infinita consciência. etc. o eterno presente.. os oito logramentos incluídos nos quatro Jhanas ou Dhyanas: a esfera do espaço infinito. indescritível por palavras. tradução de Maria Eugenia de Camargo Barros Afonso. a esfera do vazio. e não fora de nós mesmos. tradução de Wai-tao. *6 Para maiores esclarecimentos. que a sua presença pode ser sentida até nossos dias. Sambodhi ou Prajnaparamita. tradução de Wai-tao. *4 Fragmentos resumidos do Surangama Sutra.172 O presente se renova em cada momento de consciência. a universalidade da Mente Búdica criou um efeito tão longínquo. Milão. Ariya Sangha. em outras palavras. na realidade. in A Buddhist Bible. do mesmo modo penetrou inúmeros períodos de tempo no futuro. Os ensinamentos do Buda são para ser compreendidos aqui e agora.Samapatti significa aquele que consegue alcançar. é uma luz que irradia sem limites e sem esgotar-se. o passado e o futuro. A natureza da Iluminação não tem exclusividades. entre duas direções do tempo. insistindo na experiência própria de cada um. Desejo e Nirvana. é que o significado desta nossa vida e do Universo revelado está contido no fato da nossa própria consciência. independentemente do que chamamos passado ou futuro. Ariya. e a luz da sabedoria libertadora que ele deixou há dois e meio milênios ainda irradia e continuará a irradiar. *5 Fragmento resumido do Surangama Sutra. De acordo com as próprias palavras do Buda. é o momento limítrofe. Assim. exceto por símbolos como Nirvana. tanto no caminho para a sua realização. Um Ser Nobre. no capítulo "Textos Escolhidos". 8. até quando existirem seres à procura da luz. Dito na linguagem da nossa consciência mundana. veja os "Seis nós". *1 Veja a estória. o logramento que precede o transe e o próprio transe de cessação de qualquer percepção ou sensação. Ilusão. ou Monja. Assim. portanto. ou linha limite irracional. Kisa Gotami. Sangha refere-se: a) Ordem dos Seres Nobres. 5. Obra citada. no estado meditativo. A não-decadência. todos eles. in A Buddhist Bible. 6. Dharmakaya: Corpo da Lei. p. como depois de realizada. Editores Fratelli Boca. por isso é que é eterno. Esta Realidade última. sua consciência penetrou inúmeros períodos de tempo no passado. ritual ou palavra para dar mais ênfase à atitude interior. editada por Dwight Goddard. que ilumina sem restrição. 7. só tem intensidade. e não numa futura existência. Il Libro Titetano dei Morti.Surangama significa "eficaz na destruição do mal". pode ser tanto um Monge. penetrou a eternidade. que tomou-se para ele o presente imediato. o Nirvana é para ser atingido aqui e agora. nesta própria vida. 1949. . editada por Dwight Goddard. Samyak. não extensão. e que o próprio Buda recusava definir. 4. Les Trois Pilier du Zen. *2 Casos relatados por Philip Kapleau. a esfera de nem consciência nem não-consciência. *3 Giuseppe Tucci. Bhikkhu Sangha. fragmento do Surangama Sutra *7 Ciflovedo. e b) Ordem dos Monges.

de S. B. sacou da espada que trazia e cortou o braço esquerdo. R. nessa época. disse: “Não deves procurar a verdade através de outros!” . mas com uma significação simbólica. durante três dias e três noites. dando-lhe um novo nome de Hui-k'o (em japonês.C. colocando-o à frente do monge hindu. e na Ásia central. de origem iraniana. Um chinês de nome Shen-Kuang. foi nomeado mestre imperial pelo soberano de um território do Noroeste da China.173 Bhikkhuni. Um relato dramático. e Bodhidarma estabeleceu. Wettimuny. já era florescente em grande parte da Índia. ou uma leiga upasika. mais tarde. o chinês rogou ao mestre hindu que concedesse o benefício da sua sabedoria aos seres intranqüilos e perturbados. decidiu visitá-lo. Bodhidarma. porque sua doutrina se assemelhava muito à da filosofia chinesa daquela época: Confucionismo e Taoísmo. que foram estudados com interesse. Comovido. por influência do imperador Ming-Ti. Em lágrimas. destacou-se o monge chinês Fa-Hisien. em particular sob o governo do rei Asoka (272-231 a. envolvia as maiores provações e não poderia ser atingido por aqueles que carecessem de perseverança. Bodhidarma indagou do propósito desse ato. não dando atenção ao visitante. quando chegou à China o monge hindu Bodhidarma. Shen-Kuang prosseguiu nas visitas e. De pernas cruzadas diante de uma parede. ). No ano 400 d. ficou também conhecido o monge hindu Kumarajiva. provavelmente lendário. Ouvindo isso. ou um leigo. *11 Tradução de Monge Kaled Amer Assrany. Mas esse Budismo era essencialmente teórico. The Buddha’s Teaching. o bonzo ChinCh'en. Deva. nos diz sobre o primeiro discípulo de Bodhidarma. CHAN OU ZEN (O BUDISMO NA CHINA E NO JAPÃO) O Budismo. ***10 Tradução de Monge Kaled Amer Assrany. B. a maioria das famílias da China Setentrional já estava convertida ao Budismo.. cujas traduções encontraram terreno fértil no povo chinês e que. que voltou da Índia após 15 anos de estudos. Shen-Kuang. para mostrar sua sinceridade e vontade de ser instruído. debaixo de violenta tempestade de neve. *8 Digha-Nikaya II **9 Mahaparinibbana sutta. Por volta do ano 142 d. SEXTO CAPÍTULO I. traduziu grande número de textos budistas Mahayana. o Budismo já era conhecido e bem aceito. finalmente. de S.C. descontente com os seus estudos confucianos e taoístas. o genuíno Budismo de Gautama Buda. soube que um mestre hindu meditava há 9 anos numa caverna próxima. R. Bodhidarma explicou que o caminho era difícil. como um Ser divino. ou determinação. ao ser introduzido na China pela primeira vez por Tsi-Yin. permaneceu de pé com a neve lhe chegando aos joelhos. significa um estado mental elevado no caminho da Realização. aos poucos. Nas primeiras décadas do século VI. upasaka. The Buddha’s Teaching.. o mestre hindu Bodhidarma continuou sentado. Eka). trazendo outros textos budistas. que é todo vivência e ação. denominando-o "Selo do coração de Buda". Wettimuny. compelido por uma profunda inquietação.C.

Chan é abreviação de Channa. considerados sagrados por todas as escolas budistas. tanto na meditação sentada . As traduções e estudos budistas ganharam. Para a real compreensão do Zen. Quando o mestre se compenetra do caráter definitivo dessa seriedade. onde. numa permanência de dezesseis anos. Peco-te. Hui-k’o hesitou por um momento. a aparente desatenção ou mesmo rejeição não passava de um modo de por à prova a seriedade da busca. coletânea de textos.replicou Huik'o.respondeu Bodhidharma. mestre. dedicou-se à tradução de numerosos textos budistas.retrucou Bodhidarma. época a partir da qual se desenvolveu rapidamente no Sul e no Norte da China. *1 A atitude inicial de Bodhidarma parecia desatenciosa. o quinto Patriarca Hun Jeng (Konin. Era de presumir que aquele cujo verso fosse o mais adequado seria digno de sucede-lo como patriarca. visa à concentração correta ou Observação Pura.Procurei-a todos esses anos e ainda não pude encontrá-la! . embora não tivesse fundado nenhuma seita ou escola. fora à Índia e Afeganistão. por fim. versão chinesa do vocábulo sânscrito Dhyana que. progressivamente. compôs o seguinte verso: O corpo é a Árvore da Sabedoria Búdica. um dos mais famosos tradutores chineses. pode-se citar um acontecimento de grande importância: a escolha do sexto Patriarca. Assim. Jin Shu. até o sexto Patriarca. mas a antiquada pronúncia chinesa desse termo. Não permitas que uma única partícula de pó possa manchá-lo. pediu a cada um de seus monges. disse: .174 . em páli. Hui-k'o foi nomeado Segundo Patriarca do Budismo chinês. que compusesse um verso capaz de comprovar a visão interior dos candidatos. A mente é semelhante a um espelho polido. porém maior influência tiveram os textos budistas Mahayana escritos em sânscrito. na meditação budista. terreno. pacifica-a . Hui Neng. como em todas as atividades diárias. entretanto. Ao chegar a hora em que devia transmitir o cargo ao sucessor. A doutrina pregada por Bodhidarma encontrou eco pronto na mentalidade chinesa e ele ficou conhecido como o pai da Escola Chan. no século VI.Então. passando por seis gerações de mestres e alunos. auxiliado pela corte imperial. ela já está totalmente pacificada . no "já e agora". mas apenas transmitido a essência do Budismo. Deves ter o cuidado de limpá-lo constantemente. . .Traga-me a tua alma e eu a pacificarei . a despeito de breves períodos de perseguição por parte dos intelectuais confucianos. mas. considerado o primeiro discípulo da comunidade.Zazen -. o Budismo propagarase por toda a China. o termo japonês Zen não é corruptela da palavra chinesa Chan. Hsung-Chuan. o franco reconhecimento e a acolhida são imediatos. pronúncia em japonês). A doutrinação do Zen prosperou logo. publicando-se várias edições do Tripitaka. Hui Neng.Minha alma ainda não está pacificada. Mais tarde.

Num canto do pátio. . Lu.*2 . Ele não era monge. nos fundos do mosteiro trabalhava Lu. O espelho limpo não está em parte alguma. a partícula do pó? O mestre Konin. Serás meu sucessor. então.Foste tu que escreveste aquele verso? . Avançaste várias vezes até a porta de minha cela. eu te darei o manto e a escudela que farão de ti o sexto Patriarca. pôs-se a ditar o seguinte poema: A Sabedoria Búdica nunca foi uma arvore. mas não desejo absolutamente tomar-me vosso sucessor. depois exclamou: . em japonês) e toma o manto e a escudela transmitida desde Bodhidarma! Assim. Se o conseguires trazer até aqui para mostrar-me. e as vozes dos monges que o liam chegaram aos ouvidos do mestre Konin. mas deve ser manifestada! Lu. desceu sozinho ao pátio. . esse arroz já está branco? Lu percebeu que a pergunta tinha outro significado e sorrindo respondeu: .Sempre esteve branco. Queria apenas mostrar-vos se estou ou não iluminado. que ela nem nasce nem morre. serás o sexto Patriarca! Muda teu nome para Hui-Neng (Eno. Ouvindo os monges recitando em voz alta o poema de Jin Shu.Gatha é um poema através do qual procuramos expressar o estado da nossa mente. tudo e qualquer estudo será inútil. ao ler o novo gatha. De repente. respondeu: .É um gatha.Podes levar-me até o corredor do templo para que eu também veja o gatha? Lu pediu que lessem o que estava escrito na parede. sorridente. onde Lu estava entregue à faina rotineira de beneficiar o arroz. disse-lhe: .Isso mesmo! Sem conhecer a própria natureza.Nunca pensei que a verdadeira Natureza da mente fosse tão pura.Então. Passaram-se uns dias e ninguém apresentou um novo poema. A noite.Tu não atingiste ainda a verdadeira Iluminação. o mestre levantou a voz e prosseguiu lendo: .Sim. mas não ousaste entrar. . sua ocupação era cortar a lenha. então. tomou-se o sexto Patriarca Zen.Eu também vou compor um gatha.A mente não deve estar apegada a coisa alguma. concentra-te mais uns dias e escreve um novo poema. Aproximando-se do rapaz.O que e um gatha? Todos os monges começaram a rir da ignorância do pequeno lenhador e um deles explicou: . apenas um serviçal do templo. então. que jamais perece e que é a origem de tudo! O mestre. nada existe: Onde está. no dia seguinte. o mestre chamou Jin Shu à sua cela e perguntou-lhe: . Fundamentalmente. o pequeno lenhador.175 Os monges que viram o poema escrito na parede do corredor acharam que era um poema que revelava a verdadeira Iluminação. mas eu luto para que ele manifeste sua brancura com a maior pureza! O mestre então convidou Lu à sua cela e começou a ler o sutra do Diamante. percebeu que Lu já tinha alcançado a Iluminação. por favor. escreva-o por mim. arrumar a cozinha e beneficiar o arroz com um pilão. retrucou sorrindo: . que originalmente contém dentro de si todas as coisas. pois sou analfabeto! Lu. perguntou o que era que estavam recitando: .

é de caráter apaixonado e enérgico. ao mestre: . denominada escola histórica. influenciando a filosofia budista. como parte integrante para o treino físico e mental.Não fazer o mal e praticar o bem. A disciplina do Budismo Zen exerceu poderosa influência sobre a casta guerreira dos Samurais durante o período Kanakura.Cuidado. por sua vez. ou Hinayana. dotado de grande sensibilidade e espirito artístico. os respectivos modos de vida e mentalidade são diferentes. tal como foi ele transmitido a seus bhikkhus . sendo as mais conhecidas a Rinzai e a Soto.Sim. com os pés firmemente apoiados no chão?) o poeta perguntou.Quem te colocou nela? Embora a China e o Japão sejam países próximos. e o poeta Hakurakuten que. que Gautama Buda fundou -. Keisaku (bastão de madeira) e outras disciplinas. a Escola Chan e Zen. Como exemplo. assustando-se exclamou: . mestre! O mestre gritou lá de cima: . um monge lamenta-se diante do seu mestre: .Como poderei me libertar da Roda dos nascimentos e das mortes? Responde o mestre: . que estava tranqüilo. o povo japonês. também influenciou as disciplinas budistas nos seus mosteiros. Em conseqüência dessa evolução.176 Ainda no século VI. mesmo por um velho de oitenta anos! Em outra estória. entretanto. cujos princípios remontam a Chuang-Tsé e que é essencialmente o produto do espírito prático chinês. que foram preservadas e desenvolvidas nos mosteiros japoneses. (Que perigo ameaçava o poeta. que adotou várias interpretações dos dois veículos (Mahayana e Hinayana). influenciada por Lao-Tsé e Chuang-Tsé.Mas até uma criancinha de três anos sabe disso! .monges da Ordem ou Sangha. e a mais difundida. a Escola Huayen (Escola da Terra Pura) com grande número de gathas e preces. MEDITAÇÃO NO BUDISMO ZEN Em muitos aspectos. e. grande número de estudiosos japoneses estagiaram na capital Tang e voltaram à pátria com a doutrina budista. As mais famosas são: a Escola Tientai (Escola do Lótus).Qual é a essência do Budismo? . o Budismo se difundiu pela Coréia e pelo Japão. como o uso do Koan e Mondo (perguntas e respostas). mas é uma coisa difícil de ser praticada. reconhecida pelos eruditos como a mais fiel e ortodoxa do ensino básico. partindo da China. a meditação Zen é idêntica à da Escola Theravada. talvez influenciado pela natureza vulcânica da ilha cercada por oceanos. vendo o mestre encarapitado num galho alto. sobretudo no humor. . Assim. . talvez provocados pelas diferenças geográficas e climáticas dos países. Atualmente existem varias escolas budistas no Japão. no ano 800 já se haviam constituído cerca de dez seitas budistas: oito pertencentes à escola Mahayana e duas à Theravada. Os monges que vieram da China trouxeram consigo diversas particularidades da cultura chinesa. então. que costumava meditar no alto de uma árvore. existem métodos próprios.Quem está em perigo és tu. pode-se lembrar um diálogo entre o mestre Dorin. na negação da lógica chuangtseanos.

não mais perceberás a indagação. sem fazer planos para "causar efeitos" ou "obter resultados imediatos". as quais o discípulo revela os próprios progressos. do século XIV. não há outra pessoa que possa impedi-lo de "levantar fumaça" (confusão mental). prova que também está em condições de responder plena. descobrirás que. libertando-se de si mesmo. O sistema do Koan tem seus perigos. Então. mas somente a vacuidade. e sem uma orientação segura a mente pode estourar. Na nossa escola. onde terminam as tuas indagações. como fizeram famosos mestres Zen do passado. é uma chave para acordálo. Quando necessário. são coisas usadas para julgar a profundeza da compreensão do discípulo. a espada é testada por um cabelo. cuja principal finalidade é ativar a mente. a dor física. Mais importante ainda. *3 Estudar o Koan é aprender a não se deixar deter por ele e a não hesitar na presença de uma dificuldade que é apenas ilusória. para verificar se ele avança ou retrocede. Saber para onde se vai imediatamente. cada monge recebe um Koan especifico. Roshi Bassui. até que. mas. a água é testada por uma vara. pela qual o discípulo chega à compreensão intuitiva da verdade. uma palavra ou uma frase. que verifica que ali nada existe. a bofetadas. pois quando o discípulo está mergulhado no sono dos condicionamentos. O discípulo por sua vez. o Roshi pode recorrer. ou saber se ele verdadeiramente "resolveu" o seu Koan. quando identificado com o Koan. e que quando não vês com teus olhos é que estás verdadeiramente vendo. o que o Roshi deseja não é uma resposta correta nem intelectual. um "Alo" ou um "Como vai!". não encontrarás nenhuma resposta. diz: Quando as tuas indagações se aprofundarem cada vez mais." O Koan não é nada mais que o ego que. direta e imediatamente as vicissitudes e alegrias inerentes é vida. **4 . respondendo direta e imediatamente ao Koan. segundo a maturidade de sua mente. a ponto de provocar uma loucura temporária ou permanente. Definição do Koan por Hekigan Roku: O jade é testado pelo fogo. ver-te-ás metido num beco sem saída. um exercício especial. pela primeira vez. quando não ouves com teus ouvidos. pontapés e outras formas de violência física. Aí não encontrará coisa alguma que possa ser chamada "eu". O Koan exige prolongados períodos de meditação e demoradas entrevistas com o Roshi (mestre). sim. durante. como diz Christmas Humphreys: "É muito importante a assistência de um Roshi altamente qualificado e experimentado para assistir o discípulo. Num mosteiro Rinzai. uma saída ou uma partida. uma ação ou uma atitude.177 Koan e Mondo O Koan pode ser descrito como um problema apresentado pelo mestre a seu discípulo. Deves continuar a indagar ainda mais profundamente e desaparecerá a mente. consiste numa frase as vezes ilógica e risível. uma resposta viva e autentica (intuitiva). revolucionará e libertará toda a sua consciência. as vezes. é que estás realmente ouvindo. finalmente.. o ouro é testado por uma pedra de toque. pois ninguém poderá dizer melhor quando ele [o discípulo] está de fato resolvendo o seu empenho..

. um branco e um preto. surgiu o rugido de um outro tigre.respondeu o mestre.disse o mestre Doguen. Segurando o cipó com uma das mãos.Qual é o Caminho? . desenvolvem a intuição. A BANDEIRA E O VENTO Num dia de ventania.Sou um soldado da guarda pessoal do grande Imperador.Não estou perguntando sobre a montanha. . começaram a roer o cipó. dois ratos. mas sobre o Caminho. ." O segundo disse: "O vento é que se move e não a bandeira. viu um delicioso cacho de uvas. .. A MONTANHA E O CAMINHO Certa vez. .Então tens uma espada! Acho-a muito cega para poder me decepar! . Enquanto o tigre rugia.Que delícia! 3. apanhou o cacho com a outra.Que imperador gostaria de tê-lo? Para mim. Seguem-se alguns exemplos.perguntou Hakuim. bem à frente dele. O primeiro disse: "Acho que a bandeira é que se move.Bobagem !. UM FAMOSO MILITAR E O MESTRE HAKUIM Um famoso militar perguntou ao mestre Hakuim: . ." Um terceiro monge passou e disse: "Nem o vento nem a bandeira se movem. Os ensinamentos são expostos sob a forma de perguntas e respostas que Se explicam por si mesmas. o soldado empunhou sua espada enraivecido. 4.Como é bela esta montanha! . fugindo de um tigre que vinha em sua direção.disse Hakuim. não alcançarás o caminho! . . correu até a beira de um precipício e dependurou-se num cipó. O cipó o mantinha separado dos dois tigres. A relação entre o Koan e o Mondo é intima. meu filho.Enquanto não puderes ir além da montanha. .Diga-me. aparentas um pedinte! Nisso. um monge perguntou a um mestre que vivia como eremita numa montanha: . Estudar o ego é esquecer-se de si mesmo. Logo que se apercebeu disto. rompendo o hábito do pensamento racional. dois monges discutiam sobre uma bandeira que tremulava ao vento. abaixo dele. não o vento. em geral estão além do domínio da razão ou da lógica são utilizadas como tema de meditação. Esquecerse de si mesmo significa ver o verdadeiro ego em todas as outras coisas do mundo. suas mentes é que não param!" 2. São estórias ou entrevistas entre o discípulo e o mestre. O PRECIPÍCIO Buda contou esta parábola: Um viajante. .Quem és tu? .respondeu o mestre. *5 1.disse Hakuim.178 "Estudar o Budismo é estudar o ego.Ah! ." . Enquanto isto. . No Mondo. existe mesmo um céu e um inferno? .

em fúria. estuda. o soldado. nem às invisíveis.Por que não o vejo? .disse o mestre . 8.respondeu o mestre Nansen.Quando não houver mais nem o Eu.respondeu Nan-in.Se não o estudar. . Ouvindo-o. .O caminho não pertence às coisas visíveis.Posso estudá-lo? . quem é que vai saber. . embainhou a espada e se curvou perante o mestre.perguntou o monge. . que disse: .És como esta xícara.O caminho de todo dia é o verdadeiro caminho.Podes dizer-me qual é? Nansen respondeu: .Quando não há nem Eu. Para te encontrares nele.Quanto mais estudares. mais longe estarás do caminho! . estás abrindo as portas do inferno! Ouvindo isso..disse Nansen. Não são as coisas. 7. . . ameaçou o mestre.disse o mestre. etc. estás cheio de tuas próprias idéias. Encheu a xícara do visitante até transbordar e continuou a derramar o chá. Mas.Qual é o verdadeiro caminho? .perguntou Joshu.perguntou ao monge. O VERDADEIRO CAMINHO Joshu perguntou ao mestre Nansen: .Há! . . em vês de ouvir. .Não é Buddha.E Você.Enquanto pensares duplamente: "Eu não vejo" ou "Você vê".Sim .179 Nisso. QUAL É O CAMIHNO? Certa vez. Como queres que te ensine Zen. a pessoa pode saber? . Joshu perguntou: . um monge curioso perguntou ao mestre: . abre-te amplamente como o céu. . nem lhe dês nomes. Abres o caminho dos céus! . consegue vê-lo? . nem tampouco às coisas conhecidas ou desconhecidas.Está bem diante dos seus olhos . 5A XÍCARA TRANSBORDANTE Certa vez. . Não o persigas.Porque estás pensando em ti mesmo . como poderei sabê-lo? Nansen respondeu: . nem Você. o mestre Nan-in resolveu servir um chá.Agora sabes a metade da resposta. Não é o pensamento. Finalmente o visitante não se conteve e exclamou: .disse o mestre. se não me trazes uma "xícara" vazia? 6.respondeu o mestre.Não vês que a xícara está cheia? . parando de derramar. nem você. há algum ensinamento que mestre algum tenha ensinado? . o mestre Nan-in recebeu uma visita que queria saber algo sobre o Zen. um monge perguntou ao mestre Nansen: . o soldado recuou.Qual é o caminho? . MESTRE NANSEN E O ENSINAMENTO Certa vez.Diga-me. o visitante só falava sobre as suas próprias idéias.Agora conheces a outra metade. Prosseguindo. então tua visão estará nublada .

180 PONTOS DE VISTA Dois monges, Tanzan e Ekido, andavam por uma rua enlameada da cidade. Depararam com uma linda moça vestida com finas sedas que estava com medo de atravessar por causa da lama. - Vamos moça - disse Tanzan; apanhou-a nos braços e a carregou até o outro lado da rua. Os dois monges não se falaram até a noite. Ao chegar no mosteiro, Ekido não se conteve e disse: - Monges não devem se aproximar de moças, especialmente tão bonitas quanto aquela. Por que o fizeste? - Meu bom amigo, eu já a larguei há bastante tempo; você é que ainda a está carregando! 10. ESINAMENTOS DO MESTRE JOSHU Joshu foi um mestre que começou a estudar Zen quando tinha sessenta anos e se iluminou aos oitenta. Depois prosseguiu ensinando durante mais quarenta anos. Certa vez, um discípulo perguntou ao velho Joshu: - Ensinas que devemos esvaziar nossa mente. Não tenho nada em minha mente. Que devo fazer agora? - Jogue-a fora! - disse mestre Joshu. - Mas nada tenho. como posso jogá-la fora? - Se não puderes jogá-la fora, carrega-a para fora, esvazia-a, mas não fiques na minha frente com coisa alguma dentro dela! (1-10.)1 A Grande Sabedoria Está Além do Intelecto O intelecto habitualmente separa o fato do conceito. O budismo Chan ou Zen procura conseguir um estado mental acima da mente perceptiva; quanto mais amplo for o uso de palavras, tanto maior será a tendência para a confusão. Daí, haverem os mestres chineses desenvolvido um sistema de pantomimas e enigmas, ou charadas, que os leigos mistificam. Assim; um dos mestres adotava a técnica de esbofetear o interrogador que lhe perguntasse o que era Chan. Outro limitava-se a levantar o dedo; um terceiro cuspia; tudo isso para ensinar uma doutrina por meio de um gesto, movimento, palavra on som que significasse a natureza transcendental de um simples ato da vida cotidiana. Essa técnica peculiar procura, como resultado final, o desenvolvimento da visão interior, baseada nos ensinamentos de Gautama Buda, que era contrário às especulações intelectuais, comparando-as a um deserto de opiniões; da mesma forma, comparava a Doutrina a uma jangada, feita apenas para atravessar e não para se apegar, carregando-a eternamente. Já Chuang-Tsé dissera: "Lêem-se os livros para procurar a verdade. Encontrada a verdade, desfaze-te dos livros." Uma vez que o apego, até mesmo aos ensinamentos do próprio Buda, podia provocar cegueira espiritual, os mestres Zen tinham o máximo cuidado em impedir que qualquer discípulo se afeiçoasse a seus ensinamentos. É por isso que o modo como são apresentados esses ensinamentos parece verdadeiro contra-senso. Por exemplo: um mestre recebeu o pedido de um postulante que desejava ser aceito como discípulo no seu mosteiro, para que lhe fosse ensinada a verdade do Budismo. O mestre respondeu: - Por que procuras tal coisa neste lugar? Por que caminhas ao léu desprezando o precioso tesouro que tens em casa? Nada tenho para te dar; e que verdade do Budismo desejas encontrar no meu mosteiro? Aqui não ha nada, absolutamente nada! 9.

181 Com tais palavras "por que desprezas o precioso tesouro que tens em casa", o mestre do mosteiro apontou que a verdade é encontrada em qualquer lugar e a toda hora; não é algo exterior, fora de nós; ela está onde nós estamos. Portanto, o caso do postulante desejar ser aceito no mosteiro à procura da verdade, na realidade, podia ser uma fuga da realidade de problemas caseiros, cotidianos, e, por isso, o mestre disse: "Nada tenho para te dar." o mestre apenas apontou, no caso do postulante, onde a verdade podia também ser encontrada. Meditação Sentada - Zazen é um Meio e Não um Fim Za, em língua chinesa, significa literalmente sentar, enquanto que Zen vem da palavra sânscrita Dhyana, que significa meditação de contemplação; consequentemente, Zazen quer dizer contemplar sentado, penetrando no estado de insubstancialidade, ou no exercitar-se na identificação do ser com todo o universo (estado supraconsciente). Por isso dizem os mestres Zen: "Toda a Sabedoria do desapego e da clareza vem do Zazen", e prosseguem: "que a mente fique concentrada em silêncio e permaneça imóvel como o monte Sumeru". O sexto Patriarca do Zen chinês, Hui-Neng, definiu o Zazen com as seguintes palavras: "Não ter a menor consciência do bem ou do mal exteriores se chama Za (no sentido de estado de absorção mental - Dhyana -, sentado); não desviar esta visão da própria natureza na vida, chama-se Zen." O Zazen-Gui O Zazen-Gui é um pequeno manual chinês de meditação, que data do século VIII d.C. No entanto, são muito mais antigas as suas raízes na tradição da meditação budista chinesa, onde se nota muita semelhança com o Satipatthana Sutta, o mais importante discurso do Gautama Buda sobre Estabelecimento da Plena Atenção (Meditação dinâmica ou momentânea). Praticamente a meditação pelo Zazen-Gui é idêntica a do budismo Theravada, começando pela concentração na respiração e percebendo o surgir e o desaparecer de todos os fenômenos físicos e mentais. "No Zazen-Gui essa percepção vai superando aos poucos a 'cadeia do vir-aser', e a mente toma-se naturalmente 'não-separada, ou una com o Todo."*6 Gui significa, literalmente, regra. o manual ensina que a meditação sentada é a melhor maneira para tranqüilizar a mente, e, assim, a mente serena torna-se mais esclarecida, descobrindo o próprio ser. Diz o aforismo: "Sempre que um pensamento ocorre à mente, é preciso percebê-lo", e ainda mais: "Não pensando no bem ou no mal, em vantagem ou desvantagem, em amor ou ódio, adquirimos um estado de vacuidade mental no qual nada existe, que é a posição correta da mente." Pode nos ocorrer a pergunta feita a Chuang-Tsé sobre a imanência do Absoluto (Tao); se o Tao é imanente no Universo, estará nisto, ou naquilo? Chuang-Tsé chegou exatamente à mesma conclusão: "O verdadeiro inteligente descarta as distinções e refugia-se nas coisas comuns e ordinárias. As coisas singelas e ordinárias exercem suas funções e, portanto, conservam a integridade da Natureza. Graças a essa

182 inteireza compreendemos, graças à compreensão, nos aproximamos do Tao" (Absoluto ou Nirvana). No poema Shodoka *7 escrito por um dos discípulos do sexto Patriarca Hui-Neng, lê-se: Se alguém me perguntar qual é o ensino que compreendo, Direi que é a força da Grande Sabedoria. Afirma ou nega isto como quiseres – Está além da inteligência humana; Quer andes contra, quer a favor, nem o céu pode medi-lo. Uma Natureza Perfeita circula em todas as naturezas; Uma Realidade contém dentro de si a totalidade das realidades; Uma só lua se reflete em todas as águas, E todas as luas refletidas nas águas se originam de uma só lua. Os filósofos são inteligentes, mas faltando-lhes a Sabedoria Intuitiva, São ignorantes e pueris, Julgam que um punho vazio contem algo de real E confundem um dedo que aponta com o objeto apontado. Quando o dedo passa a ser objeto de apego, Como se fosse a lua que ele aponta, todos os esforços são perdidos. Há muitos sonhadores preguiçosos errantes num mundo de sensações e objetos. Pratica o Zen (Correta Concentração - Samadhi) no mundo dos desejos E o genuíno poder da intuição será manifestado. Quando o lótus desabrocha no meio das chamas, Jamais é destruído. Olhos Semi-abertos Os mestres Zen ensinam a praticar a meditação sentada de olhos semi-abertos, não somente para impedir a sonolência, como também porque possui um significado profundo; assim dizem: Nossos patriarcas ensinaram a abrir os olhos o mais possível durante o Zazen, tal como se vê nos quadros que representam Bodhidarma. Nunca se viu um quadro de Bodhidarma de olhos fechados. Dizem que, mesmo ocorrendo distrações visuais, podemos ficar livres delas deixando-as desvanecer da mesma forma como surgem. Se estivermos praticando o Zazen de olhos fechados, a meditação tomar-se-á inútil quando estivermos de olhos abertos, sobretudo em lugares movimentados. Pelo contrário, se se procura alcançar o poder do samadhi, praticando o Zazen de olhos abertos, onde quer que nos encontremos não perderemos nossa capacidade de meditação. No Budismo, o estado de dhyana (na meditação sentada - Zazen) é um meio e não um fim. No Surangama Sutra, Gautama Buda disse: Na prática de dhyana (meditação), muitos tentam a concentração mental fixando a atenção na ponta do nariz. Isto não passa de expediente transitório, útil a certas mentes desorientadas e confusas; de modo algum pode merecer confiança como meio permanente de alcançar a natureza da adaptação perfeita.

183 ... Por isso, Ananda e todos os meus discípulos, um homem que procura praticar dhyana tem primeiro atingir a pureza da mente, é como um homem que procura fazer pão com massa de areia. Pode esse homem fazer o que quiser, e o seu pão nada mais será que areia quente. Meditação em Movimento Já Confúcio dissera: "Quando homens comuns têm muito tempo à sua disposição, inventam fatalmente toda sorte de coitas más!" Nos mosteiros Zen, a meditação tem grande importância, não somente na posição sentada, mas também sob a forma de trabalhos. Os monges, quando executam serviços, mantém sempre em mente:, "A meditação em movimento é mil vezes mais valiosa que a meditação sentada"; ou outra frase: "Um dia sem trabalho é um dia sem comida." Essa frase é atribuída ao mestre Zen chinês Po-chang, que ainda hoje rege a vida nos mosteiros Zen. Todos os monges, incluindo os mestres, deleitam-te com tarefas humildes. O sexto Patriarca passou grande parte da vida sovando arroz como ajudante de cozinha. Um famoso poeta trabalhou como ajudante de cozinheiro, trazendo combustível da montanha, rabiscando os seus poemas nas paredes da cozinha. Mesmo depois de velho, Kyakujo (fundador do sistema monástico) se negava a deixar a jardinagem. Preocupados com tua idade já avançada os discípulos lhe escondiam todas as ferramentas, para que ele não pudesse trabalhar com o mesmo afinco. Mas Kyakujo declarou: - Se eu não trabalhar, não comerei. Numa outra estória, um monge disse ao mestre: - Eu acabei de entrar neste mosteiro; venho pedir que me ensineis o Zen. Joshu respondeu: - Já tomaste tua refeição matinal? - Já! - respondeu o monge - Então - disse o mestre - agora vai lavar as tigelas! Como já se disse anteriormente, Gautama Buda libertou a meditação dhyana do tradicional ascetismo hindu pela prática da qual desenvolve-se a tranqüilidade - Samatha -, mas só enquanto durar o estado de dhyana e restrita ao tempo limitado de duração de meditação sentada; além disso ensinou, pela meditação de Plena Atenção ou Vigilância (Satipatthana), a desenvolver a visão interior ou intuitiva (Vipassana) em todas as atividades. A visão interior (Vipassana) resume-se na frase: "Sede atentos", isto significa observar as coisas atentamente, profundamente e estar plenamente consciente de tudo o que se passa no aqui e agora (tanto na meditação sentada, como em pé, caminhando, trabalhando, etc.). Essa meditação de Plena Atenção ou Vigilância da Correta Concentração budista - Samadhi - que pode ser aplicada na vida cotidiana, condição indispensável para prosseguir no caminho; é também a senda do Zen, que está essencialmente baseada neste ensinamento. Há um diálogo, que é melhor do que tudo o que pudéssemos dizer sobre este assunto: Um bonzo chamado Yuan veio ver o mestre Taichu Hui-hai e perguntou-lhe: - Para chegar ao Tao (Absoluto) há um caminho particular? Taichu: - Sim, há um. Yuan: - Qual é ele?

eles não dormem simplesmente. em si.Zendo. que não haja influências perturbadoras da mente. Doguen (fundador do Soto Zen). algumas típicas do país. . dormimos. o mesmo que o vosso? Taichu: . na contemplação dinâmica ou momentânea de cada momento de tomada de consciência.Há uma coisa no mundo.perguntaram os monges. meditação sentada . o caminho deles é. o Zen se originou do encontro do Budismo especulativo Mahayana hindu com o Taoísmo prático e com o Confucionismo. isto é. disse categoricamente: QUEM CONSIDERASSE O ZEN COMO ESCOLA OU SEITA DISTINTA DO BUDISMO . Um dos grandes mestres do Zen. mas das ações mais comuns e acessíveis a todos.Quando temos fome. deserções e diversidade de opiniões. onde se integrou. ó monges. isto é. quando este se opera diariamente e a toda hora. acentua-se que o caminho do Chan ou Zen é simples.. As dissenções são muito prejudiciais. as vestes . . frase ou historieta enigmática para meditação . Esta meditação foi a grande descoberta de Gautama Buda. tais como: sala de meditação . Yuan: . Yuan: . como já foi dito nos capítulos anteriores. foram introduzidas várias regras e disciplinas. se baseia na meditação de Plena Atenção mental. o bastão . comemos. Quando eles dormem.. eles abandonam-se a mil e um vãos pensamentos. O que importa é a Plena Atenção ou Vigilância.respondeu o Buda.184 Taichu: . pois.Zazen. quando está consciente do fato de estar vivendo em meio à vida como ela é vivida. Apesar destas disciplinas.É isso o quê todo mundo faz.Não.Numa Ordem dividida.Kesa. surgem disputas e abusos recíprocos.Keisaku. abre os olhos do homem para o maior mistério. eles não comem simplesmente.É a dissensão na Ordem! . Zen exercita sistematicamente a mente para o discernir. na observação de todos os fenômenos psicofísicos.Koan. que. relacionado com a cultura chinesa da dinastia T’ang. como toda meditação budista. Em relação ao resultado final de toda a técnica budista de meditação. pois. as almofadas para sentar na posição de lótus . etc. tanto deuses como homens.Como isso? Taichu: . não é o mesmo. quando estamos fatigados. Eis por que o caminho deles não é o meu caminho. o professor Suzuki escreve: "Zen pode revelar-se na vida mais desinteressante e monótona de um homem comum." Isto demonstra que o Zen.Quando eles comem. na sua essência. segundo o Itivutaka*8 o próprio Gautama Buda afirmava o seguinte: . extraordinárias. de modo que não pode ser posto em separado deste. .E qual é esta coisa? . da rua. Nesse diálogo. as entrevistas com um monge superior Roshi. não se constituindo de ações excepcionais.2 Zen Originalmente Não é Seita do Budismo Como já foi dito. uma vez surgida. Passando para o Japão.Zofu. eles evocam toda espécie de imaginações. o que se denomina Zen nada mais é que a versão chinesa e japonesa do Budismo Mahayana. trará desvantagens e infelicidades para muitas pessoas.

Partindo desse principio. tais como: no budismo tibetano. budismo birmanês. é chamado de "Seita Zen". e deu a seguinte explicação. pode-se argumentar que se alguém exclama ao ver uma obra de arte chinesa ou japonesa: "Isto é Zen"." A arte. o Tesouro do Olho da verdadeira Lei. passaram a considerá-lo "um brâmane que se dedica ao Zazen". da mesma forma. Os leigos. mas que. se quisermos extrair o conteúdo. Depois. também a mesma exclamação pode ser feita ao ver uma obra de arte. "Isto é Zen". no Templo Shorinji. pois qualquer indivíduo que. Assim. Os leigos ignorantes. eliminaram a silaba Za e ficou apenas "Seita Zen". Tal coisa é claramente relatada nos registros dos Mestres. está presente. Da mesma forma. A razão disso é que o próprio Budismo está dirigido para além de qualquer "ismo" teológico ou filosófico. se você quer descobrir a nudez da natureza. quando admitem que para eles o "seu Zen" é. em geral." O erudito cristão. tirada de uma das suas obras Shobo Genzo:*9 Esse problema surgiu porque o Grande e Importantíssimo Dharma (Doutrina) do Tathagata. Contudo. também comporta qualidades características influenciadas pela arte chinesa e japonesa. Assim. a mais pura e profunda expressão do Budismo. que nada sabiam a respeito da verdadeira Lei Búdica. . dizer: "Isto é produto da correta concentração budista. pinturas. No princípio. ao mesmo tempo. inconscientemente ou conscientemente. que não conheciam a verdade. em vez de ser identificado. DEVES SABER AGORA QUE O ZEN É O CAMINHO INTERNO DA LEI DE BUDA. ou qualquer trabalho bem executado por um ocidental. várias gerações de mestres também se aplicaram constantemente ao Zazen. Thomas Merton. poemas. revelar que não se tem dele a menor compreensão. Como disse Shen Hui: "A verdadeira visão ocorre quando não há visão". Pois se você quer o cerne. começaram a falar irrefletidamente em "Seita do Zazen". é preciso romper o invólucro. sem dúvida. poderia. mestre Eckhart diz: *10 E preciso quebrar a casca. sociais e religiosas. ultrapassando as estruturas culturais. além de ter disciplinas próprias. ou ainda uma sentença: "MELHOR VER A FACE DO QUE OUVIR O NOME. apesar de comportar determinados aspectos externos do monasticismo que. isto não significa que não possa haver "zen-budistas". de fato.. Aprendam bem: essa denominação apareceu só da China para o Oriente. tanto mais fácil pode ser entendido e aberto à investigação científica. Quanto mais o Zen for considerado budista. cultivou e aplicou em sua obra ou no seu trabalho a Plena Atenção ou correta concentração.. Atualmente. nos diz apenas o suficiente para nos chamar a atenção ao que é sutil e "não se vê". que é precisamente um desabrochar daquilo que está além dos sistemas. etc. o verdadeiro impulso do Budismo está dirigido para um Despertar (Iluminação). reduzida e objetiva que nos alerte para a abstração da forma.185 E O DENOMINASSE "ESCOLA ZEN" (Zen-shu). Bodhidarma passou nove anos meditando sentado diante de uma parede. não é conhecida na Índia. que apenas auxiliam na compreensão da Doutrina. citações profundas dos artistas ligados ao Zen consistem na possibilidade de sugerir aquilo que não pode ser dito através da utilização de uma forma simples. budismo japonês. apesar de comportar tais estruturas e diferenciações nas suas formas. no livro "Zen e as Aves de Rapina" conclui: Considerar o Zen meramente e exclusivamente Zen-Budismo é falsificá-lo e. SERIA UM DEMÔNIO DENTRO DO BUDISMO". é necessário .

À medida em que vai crescendo. também. Um espelho não se recusa a refletir nenhum objeto. Não determina seu julgamento como sendo final. definição ou conceito. belo e feio. Para ela. ele a reflete. tais como. se é um pássaro. Tendai. Se surge diante dele uma flor. já que tudo isso se baseia na orientação dualista do homem e na sua interpretação intelectual. O belo diante dele é belo. Tal juízo dualista é formado exclusivamente pelo nosso ponto de vista egocêntrico. Em outras palavras. no Japão. que é o Budismo em si baseado no corpo da Lei dos ensinamentos de Gautama Buda. só a própria coisa no mundo fenomenal pode ser compreendida. na superfície do espelho não há seleção. julgar e classificar. Como acontece na superfície de um espelho. está-se sobrepujando algo à pureza do espelho. sem que fique um só vestígio. ele se limita a deixar que o objeto se afaste. AÍ VOCÊ DEVE PERMANECER. explica Thomas Merton. A consciência do Zen-Budismo é comparável a um espelho. pois tudo é igualmente aceito. Na mente de uma criança. aparece um dualismo na consciência da criança. e "provar" e ver o cerne interior. nem consciência própria. I do Shobo Genzo). Existem seitas. Essa total indiferença. O verdadeiro modo de estudar o Zen é penetrar pela "casca" exterior.. ele também o reflete. a partir do momento em que aprende a contar "dois" (segundo um famoso matemático japonês. comparada à pura e lúcida sabedoria de Buda (ou natureza búdica). atualmente. cria uma autoconsciência que a separa de todas as outras coisas. O texto acima significa que a consciência do Zen não distingue nem caracteriza em categorias o que vê. O problema é que. Os homens e o mundo são apenas um.. e não o conceito ou definição. Soto. Não possui poder de discriminação. o feio aparece como feio.. somente o próprio objeto é refletido. assim. mestre Doguen dá o seguinte ensinamento: Pergunta. Se alguma coisa se aproxima. grande e pequeno. etc. Rinzai. enquanto se tem o hábito de distinguir. Kioshi Oka). jovem e velho. e não por uma visão universal. Entretanto. fazendo-o semelhante a uma estrutura a ser defendida contra todos os que se aproximam.186 destruir seus símbolos. ou a livre existência do espelho pode ser. em termos de padrões sociais e culturais. Tudo ele revela como de fato o é. dizendo que a nossa mente é a Mente Búdica e que é possível alcançar instantaneamente a Iluminação? . não existe nenhuma distinção entre ela e outra pessoa. e assim por diante. na natureza búdica. ele a reflete. QUE REÚNE E CONCENTRA EM SI TODAS AS COISAS. O espelho é totalmente despersonalizado e desprovido de razão. Não constrói seu julgamento. dividindo gradualmente o mundo em bom e mau. Reverendo Eshin Nishimura acrescenta: *11 A mesma igualdade de aceitação é encontrada na atitude da criança para com um objeto. que seriam as denominações das numerosas escolas. tanto mais próximo estará da essência: QUANDO CHEGAR AO UNO. Sob forma de perguntas e respostas (expostas no cap. não existe julgamento de valor. Shingon. quando se afasta. essa ausência mental. e quanto mais você penetrar "dentro".

As citações. qual o segundo? Se os eliminarmos.É um nó! Então.187 Resposta: Aprende: o praticante da Lei de Buda não compara doutrinas melhores e piores. com todo o seu acervo de recordações. olfato. quando comparou a mente perceptiva (consciência) a um lenço de seda com seis nós.Ananda! Quando mostrei o primeiro nó. sensações. insististes em que todos são nós. mostrando-os um por um à assembléia. Não te deixes levar pela magia das palavras. até um total de seis. dissestes que era um nó. As grandes letras em que está escrita a Verdade estão gravadas em todas as coisas e sua riqueza chega a ser excessiva. O empenho do Budismo consiste em eliminar essa mente perceptiva contaminada e condicionada. porque ele é uma unidade integral. eles são os nós dados à unidade essencial da tua mente e dessa unidade nasce a variedade. deves saber apenas se a prática é verdadeira ou falsa. o mesmo se dá em relação aos teus órgãos sensoriais. Ananda. Os Seis Nós (Órgãos Sensoriais) Certa vez o Bem-Aventurado.. a mente perceptiva é apenas um órgão dos sentidos. paladar e tato) que poluem a nossa noção da verdade. outros alcançaram a Iluminação segurando paus. o terceiro e os outros. quando mostrei o segundo. montanhas e águas (amor à Natureza). da doutrina budista exposta pelo Zen. cessa a possibilidade de . É possível confundir os nós. DIZER QUE A NOSSA MENTE É A MENTE BÚDICA É UMA COISA SEMELHANTE À IMAGEM DA LUA REFLETIDA NA ÁGUA. que farias? Replicou Ananda: . A Realidade Aparente de Todos os Fenômenos Para maior compreensão do Zen convém remontar as suas fontes originais. que respondia a cada vez: . o Buda disse: . Buda continuou a dar nós. o Grande Sermão de Buda acha-se fielmente contido no objeto mais insignificante. principalmente Mahayana. no caminho de Buda 'atraídos pelas árvores. possibilitam uma compreensão mais clara do idealismo budista e por conseguinte. resumidas. audição. deu-lhe um nó e mostrou-o à assembléia. que se encontram nos diversos sutras.É um nó. ao qual acrescentam-se os outros cinco (visão. eles podem oferecer argumentos para um debate: qual é o primeiro. procurando a raiz das suas várias formas. conceito bem expresso por Gautama Buda no Surangama Sutra*11 (consciência). perguntando: . ENSINAR QUE A ILUMINAÇÃO É INSTANTÂNEA É TAMBÉM UMA COISA IDÊNTICA A UMA IMAGEM QUE SE REFLETE NUM ESPELHO.Nobre Senhor! Enquanto os nós existirem no lenço. A seguir. e não estabelece diferenças entre Dbarmas (Ensinamentos) profundos e elementares. munindo-se dum lenço de seda. Os seis nós não podem ser exatamente iguais. naturalmente. acharemos que são variações do mesmo lenço. O Bem-Aventurado deu outro nó no lenço perguntando novamente: . e conquistar a plena Liberdade.se não quisesses o lenço atado em nós e o preferisses no estado original. .prosseguiu o Buda . pedras e areia (trabalhando). Muitos entraram.Que é isto? Responderam que era um outro nó. não é possível confundir o lenço. mas.Que é isto? Responderam em uníssono: .. No Budismo. a sua ordem e diferenças.

aplicável aos mundos terrestre e transcendental. . Elas aparentam ser oriundas da Mente Essencial (Incondicionada). na realidade.É exato. na mente discriminadora. restará apenas a verdadeira Pura Essência da Mente (Vazio).Tens razão. aí seria fácil desatá-los. podes escolher qualquer dos teus seis sentidos. Livrando-se os seis órgãos sensoriais das suas contaminações. não foram dados ao mesmo tempo. meu Senhor . em qualquer pensamento baseado num sentido. as concepções arbitrárias dos objetos. cessando a servidão a esse órgão sensorial. é apenas espuma cuspida pelas ondas dum grande mar.Permite que te faca outra pergunta.respondeu Ananda. o nó do sexto sentido. A resposta agradou ao Buda que disse: . à verdade e à não-verdade. montanhas. cumpre compreender como foi dado. alma e eupersonalidade diluem-se em nada. . . Portanto. nasceram de condições mórbidas. A resposta satisfez o Buda. Os nós foram dados um por um em determinada ordem. Ocorre a mesma coisa em relação aos teus seis órgãos dos sen tidos e a Mente-Essência (Incondicionada). convém começar pelos nós dos cinco órgãos sensoriais e. é que a tua mente desenvolveu muitos desejos. . Para desmanchar um nó. dissipam-se os universos e os reinos da vida consciente: corpo. também desaparecerão as demais concepções arbitrárias da mente discriminadora. todas as concepções ilusórias dos sentidos. A espuma se dissolve. poderás desatá-los todos ao mesmo tempo? . a mente perceptiva e discriminadora. criaturas sensíveis. Ananda? .examinaria os nós para ver como foram dados. é o Princípio que o Tathagata extraiu do Dharma de Emancipação. como se hão de desatar os nós? A seguir. meu Senhor. Ananda.Não. Daí haver incidências nos processos vitais perpetuamente mutáveis. Deve-se.respondeu Ananda . o que te aprouver. Ananda. concepções arbitrárias relativas ao "eu" e ao não-eu. Adquirida a convicção de que toda concepção sensorial isolada. para desatá-los. é irreal e fantástica.Então como os soltarias tu. a resposta satisfez o Buda. mortes e renascimentos. hábitos e concepções. A concepção de espaço vazio. rios. assim. acumuladas desde tempos imemoriais. deixa de haver espaço.O mesmo ocorre ao desembaraçar o enredo das concepções dos seis sentidos. mutáveis. existindo na Natureza da Mente Universal. árvores. por si mesma se desfaz. este lenço tem seis nós. ao Buda: . também se anularão simultaneamente. o Tathagata pegou o lenço e o esticou de maneira tão cega e irrefletida. porém. Ananda falou. E por se haver tornado enferma e perturbada. Ananda. Ananda. O mesmo ocorre em relação a todas as concepções objetivas e partes componentes de universos. Mais uma vez. Disse o Buda: . A lição que vos dei é a seguinte: as coisas manifestam-se em virtude de causas e condições que não se referem só aos grosseiros fenômenos terrestres de conformidade e combinação. Eliminadas. que só lhe apertou mais os nós. então. apegos. O desatar dos nós é um processo gradual. . em conseqüência.Nobre Senhor! Se essas concepções arbitrárias. nem podem ser desatados ao mesmo tempo. Em conseqüência. são como os nós dados num lenço.Não. e ele disse: . devemos seguir a ordem inversa. em razão das falsas concepções dos sentidos. dissipa-se a confiança que temos nas concepções sensoriais em geral.188 discussão. Embora estejam no mesmo lenço. depois. meu Senhor. porque eles desaparecerão e restará só o belo lenço de seda no estado original de unidade. E perguntou a Ananda se seria possível desatá-los desta maneira.Em primeiro lugar. sempre renovadas de fenômenos.

levará ao fim do 'eu' à medida que o entendermos. logo se contamina e torna-se tão difícil de ser dominada como uma correnteza impetuosa.. Dado que todas as concepções de fenômenos não são senão formações mentais. que a essência intrínseca não é nem a essência como é interpretada.fantásticas. E Gautama Buda concluiu: "Embora a Mente Universal (Alaya-vijnana) ou mente "acumuladora" seja imaculada na sua natureza peculiar. Quem o observar seriamente com sinceridade. tão de repente como se bate à porta. simples e prático. é necessário lembrar que o Zen é uma das escolas do Budismo Mahayana. formam um par de coisas errôneas. Existindo. ou fora de tempo. para iniciar o estudo do Zen.num relance.) O Prof. há.. Suzuki diz: ". tão de repente como se bate a porta”. Como somos forçados a usar expressões falsas para interpretar a essência das coisas. Entretanto. não é coisa ilusória. é glorioso e luminoso como diamante Vajra-raja. começar pelo órgão sensorial mais flexível e acomodàvel3 a e." A escola Zen proclama que o seu método é direto. no campo do pensamento e ensino. . tornou-se a fiança das palavras de Gautama Buda para o desenvolvimento do Zen na sua interpretação de uma Iluminação (Satori) momentânea. nem desaparecimento..." (Christmas Humphreys.anuttara-samyak-sambodhi. Se não estiverdes sujeitos as contaminações da vossa própria mente. são falsas e fantásticas. em verdade. esta. Comparadas a Mente-Essência (Incondicionada) todas as coisas condicionadas são vazias como o espaço. A esse ensinamento é dado o nome “flor de Lótus”. não está em contradição com o princípio do Satori declarar que. Daí a dizer que Satori não é a meta do Zen. na visão. são ilusórias como florescências vistas no ar. ao acolher o germe do pensamento falseado.. A frase ". indivisível. mas torna-se coisa ilusória.. "Isto seria uma primeira mostra. Em conseqüência. uma realização progressiva.. não tendo aparecimento. as expressões errôneas e a essência das coisas. as coisas não-condicionadas. será mais fácil entrar na verdadeira correnteza da vida que desemboca na mais alta e perfeita Sabedoria .189 pois.. de fato. Eu chamaria a isso 'gratidão de viver'. claramente. uma experiência abrupta que pode ocorrer quando menos se espera. Chan (Zen) acha a paz no movimento da vida diária simples e comum. nem a não-essência da interpretação.. Vê-se. Todo o treino de meditação (Zazen) é preparado para a experiência direta.) Terminando o assunto. não haverá concepções de coisas fantásticas. ultrapassará num relance os discípulos graduados. nem de coisas não. E será homenageado por todos os mundos e é natural! Esse preceito é o único caminho para o Nirvana. com sua longa experiência. considerando-a uma dádiva preciosa e gozando-lhe todos os momentos. constitui o que entenderam seus discípulos acerca dos . Uma visão é um ato único. como existem sob condições. uma forma de existencialismo oriental. lembramos que Christmas Humphreys. interpretadas por falsas expressões. embora como experiência não seja o mesmo que a completa Iluminação e possa ser retirado dela mediante longos períodos de treino. mas a abertura do caminho Zen que em tempo. (Lin Yutang. acentua que. que não deixa lugar a nenhuma etapa de transição. que conduz cada vez mais e mais profundamente à verdade do Zen e acaba por chegar a uma identificação completa com ela. intimamente associada á vida e ao modo de vida de cada um.. ou no fenômeno da percepção? . é o Preceito Incomparável.. tão misteriosamente poderoso como o Samadhi Supremo. como não temos cessado de afirmar. Como se há de afirmar que existe verdade na coisa como é percebida.expansão complementar da Escola Theravada do Budismo que. por meio dele. É uma intuição do mistério do simples viver.

7. *6 Donald Swearer. obra citada. *3 Thomas Merton. o já e agora. *12 Resumo de A Buddhist Bible. Textos Budistas e Zen-Budistas. em nós mesmos. Os Segredos do Lótus. 3. Textos Budistas e Zen-Budistas. os ratos. 1970. na literatura Zen é freqüentemente chamado Sakya Muni (Sábio do reino dos Sakya). o dia e a noite. 1. foi um impulso intuitivo de auxiliar. Nova Iorque.) .190 ensinamentos de Gautama Buda. **4 Idem. Swearer. 6. 2. 2 Os tigres representam a inquietude da mente no turbilhão da vida. Textos Budistas e Zen-Budistas. porém muito mais aqueles de educação ocidental. 4. Os Segredos do Lótus. É a Sabedoria intuitiva que está além do nome e forma (mental e físico). foi um pensamento criado pelos condicionamentos.Possíveis interpretações (nota do autor): 1. não participa. Zen e as Aves de Rapina. isto é. o Olho do Furacão. tradução de Ryokan R. Isto se aplica aos estudiosos de todo mundo. (Lin Yutang. A ilusão do "eu" ou dualismo é o maior obstáculo no caminho. o Real. An Introduction to Zen. o Todo-Iluminado. Gonçalves. o tempo que passa. O do primeiro monge. *5 Peter Pauper Press. O Budismo não pode ser assimilado por alguém que tem sua mente condicionada por idéias e teorias. como o faz incontestavelmente a música. Boston. 8. Obra citada. Os Segredos do Lótus Obra citada. e não no intelecto. 5. Portanto. *10 Thomas Merton. *11 Donald Sweares. neste ponto. É a própria mente que cria o inferno e o céu. M. discriminação que provém da ilusão do "eu". “É fundamental que esses princípios básicos sejam totalmente assimilados por aqueles que aspiram à consciência Zen. Obra citada. Obra citada. A preocupação do aluno estava ainda ligada a "minha mente". 9. além da consciência. O caminho está além do nome e forma (objetivo e subjetivo). O pensamento gera ações boas ou más. Torna-se necessário tranqüilizar ou esvaziar a mente para perceber o novo. o do segundo. *2 Resumo do trecho de Rokuso-Dankyo. Místicos e Mestres Zen. *8 Murillo Nunes de Azevedo. "começar do começo". 10. Encontra-se o verdadeiro Caminho. físico. Está sempre na nossa frente. Beacon Press. e os bons atos geram um hom carma (felicidade). Tradução de Wai-tao. as uvas.” *1 Resumo da tradução de Donald K. *9 Tradução de Ryokan Gonçalves. Uma mente tranqüila observa. Obra citada. em todos os momentos de consciência. Gautama Buda. Obra citada. editado por Dwight Goddard. Mont Vernon. Obra citada. 3. Talvez. Os maus atos geram um mau carma (infortúnio). o que constitui uma necessidade para o domínio de qualquer arte ou ofício. mental ou espiritual. fora do nome e forma. ou Buda. Buda refira-se ao ouvido como o sentido mais adequado para induzir uma sensação de espiritualidade. orienta no sentido de se estudar os princípios básicos. *7 Trechos da tradução de Ryokan Gonçalves.

tanto dos livros Theravada (no Tibete chamado "livro dos discípulos" Sravaka). como dos livros Mahayana. escreveram os dezoito volumes da Mahasiddhi. Assim é 37o rei pós em movimento a chamada "Roda Adamantina do Grande Segredo" . Três dos seguidores do mestre Santaraksita conseguiram fugir para a região do Khamba. influenciado por suas rainhas.C. com o que aprenderam. Esta linhagem iniciada por Padmasambhava é conhecida como escola tântrica dos antigos .C. Brahmana Sankara e Silamanju que traduziram vários sutras e ensinamentos tântricos. governante muito justo e piedoso. entre os quais os mais famosos foram Padmasambhava e Upadhaya Santaraksita. para cada sete famílias. foi progredindo. os do "Novo Estilo".C. querendo difundir o Dharma de Buda em todo o seu reino. juntamente com literatura tântrica. relativa à prática da meditação em língua tibetana. o Budismo já era bem difundido. Este rei. juntamente com tradutores tibetanos . O seguinte 41o grande rei. um novo alfabeto tibetano. obra denominada "Grande Realização". Depois da morte desse último monarca. começou a florescer. convidou também vários mestres indianos. O DHARMA NO TIBETE Primitivamente a religião no Tibete era Bon-Po ou Bon. ou Sarma. uma antiga religião caracterizada por sacrifícios oferecidos aos deuses. uma da China e outra do Nepal. Estes traduziram o Tripitaka (Sagrado cânone da Palavra do Buda) e. Svan-Tsan-Gampo. de modo que o Dbarma de Buda quase que desapareceu. o Dharma de Buda foi novamente restabelecido no Tibete. Tri-tsong-de-tsen (756-804 d.).Nyungma-pa. rituais mágicos e toda espécie de superstições. no Tibete. Os mais famosos foram os acaryas (mestres) Kumara. os tantras traduzidos para o tibetano foram chamados "Novas traduções" e seus seguidores.lotsavas. aos poucos. e novamente recomeçou o estabelecimento da ordem monástica que. também o divulgou e o Budismo. além de outros grandes sábios..191 II. fizeram a revisão das traduções feitas nos reinos anteriores. fez tudo para destruir os mosteiros e as escrituras. Só após a morte desse rei. Somente no século VII d.). durante seu reinado. o sustento de um monge. muito conhecidos no Tibete pelo nome de 108 panditas. Dos tempos antigos até a chegada do acariya Smrtijnana 978 d. Esses panditas prepararam uma coleção de dezesseis volumes conhecida como a "Grande Mãe" (discursos em mu versos sobre a Sabedoria Perfeita). no reinado do 37o rei. introduziu o Budismo no Tibete. o 32o rei. chamado Tri-ral-pa-tsen (817-836 d.Maha-vajrayana. Assim. depois de acumular bastante conhecimento sobre o Budismo. . construiu numerosos templos e enviou à Índia um grupo chefiado por seu conselheiro Tson-Me-Sambhota para estudar o sânscrito e as escrituras budistas. Voltando estes ao Tibete criaram. o 42o rei era averso ao Budismo. os livros tantras traduzidos eram chamados "Antigas traduções" e aqueles que seguiram esse ensinamento eram conhecidos como "Antigos do Velho Estilo" A partir do lotsava Rinchen.C. encarregou. perseguindo os budistas com crueldades. construiu mais de mil viharas e convidou mestres indianos que. nesta mesma época o rei convidara muitos sábios-panditas 4 budistas com a finalidade de ensinarem a Doutrina no país. aos poucos. O próprio rei.

coleção de cento e oito volumes. adquiriu o verdadeiro conhecimento de Buda. outra vez.Anatta. quer a pessoa os pratique à maneira do Sutra ou do Tantra. O Budismo floresceu e propagou-se cada vez mais e foram construídos milhares de mosteiros. Dizem também que isso está . e Maitripa. que se estendem por duzentos e vinte e cinco volumes. ensinamento e fundador. após alguns séculos. traduzindo e explicando livros autorizados. ensinou e desenvolveu. o Incondicionado. 2. Nirvana é a paz. Infelizmente. nasceu Tson-kha-pa que. submetendo os monges ao regime alimentar e ao celibato. reorganizou o regime monástico. instruído na escola Khadam-pa. difundiu os profundos ensinamentos.e Suprema Sabedoria . com quase 8 000 monges. O 14o Dalai-Lama diz: "Esses ensinamentos podem ser usados sem qualquer contradição.baseando-se nas três características da existência que são: 1. Os mosteiros foram destruídos e as sagradas escrituras queimadas. 3. Correta Concentração ou Observação Pura . o povo pacifico do Tibete teve de sofrer. Os tibetanos que vivem no exílio fazem o possível para preservar e manter as antigas tradições. uma grande tragédia em mãos dos comunistas chineses que invadiram o Tibete saqueando-o e destruindo-o. Esses mosteiros eram mantidos pelo governo e ajudados pelo povo. Todas as coisas condicionadas são insatisfatórias . o Sera com cerca de 5 500 e o Gaden com 3 300 monges. Os três maiores eram: Drey-pung. em 1357. não tem "eu" . Todas as coisas condicionadas são impermanentes .Prajna . Todos os dhammas (acontecimentos experimentais) são sem substância própria ou impessoais. em alguns mosteiros afastados escondiam-se livros que." *1 A ESSÊNCIA BUDISTA NAS ESCOLAS TIBETANAS Existem no Tibete muitas escolas budistas denominadas de vários modos. Mas não somente esses 333 volumes constituíam o acervo cultural do Tibete. de acordo com a época. há os Comentários . Em 1039. será insuficiente para apagar a chama da verdade.Dukkha.Anicca. o acariya Mahapandita Dipankara. o objetivo é alcançar o Estado de Buda. mais uma vez. a Suprema Iluminação.192 Nas peregrinações à Índia sob a orientação dos mestres Naropa. Algumas pessoas têm a idéia de que a religião do Tibete é a dos lamas que construíram um sistema chamado “Lamaísmo”. estabelecendo a escola Khadam-pa. Mas essas diferenças são apenas superficiais. a Verdade Última. Isso implica o Triplo Treinamento budista: Virtude ou Moralidade Sila -. lugar. o 14o Dalai 5-Lama Tenzin Gyatsho diz: "Com toda a forca que Os ventos do mal possam soprar. através dos seus discípulos a escola Gelug-pa (Os virtuosos). Foi o renascimento do Budismo no Tibete e.. em todas as escolas.. foram encontrados e estudados por gerações de lamas. As escrituras budistas no Tibete estão compiladas no Kangyur. destacou-se o eminente discípulo Jetsun Milarepa que fundou uma nova corrente chamada Kargyut-pa ou "Transmissão Sagrada". Além dessa coleção. pois quem procura a essência vê que. célebre mestre indiano. o Dharma voltou a brilhar como o "Sol entre as nuvens".Samadhi .Tangyur -. Nos mosteiros menores havia pelo menos 100 monges residentes. Cerca de trezentos anos mais tarde.

etc. como descreve o 14o Dalai-Lama: “Ambas são explicadas pelo emprego da expressão ‘inexistência da natureza de um eu'. verificamos que ele depende de muitos fatores diferentes e que não tem existência própria. chamam-se Mahayanas. de modo que é melhor evitá-lo sempre que possível. Assim também todas as coisas e fenômenos do mundo físico e psíquico tem a mesma natureza relativa. chamada conhecimento da inexistência de um atman. desenvolvido e realizado por meio da visão interior vipasyana. pois não existe um "ismo" dos lamas separado dos ensinamentos do Senhor Buda. em sânscrito (vipassana em pali) -.dharmas . o 14o Dalai-Lama conclui: "Muitas vezes. se originou do Mahayana.Sila. seguiram as mesmas regras do vinaya. atêm-se as mesmas Quatro Nobres Verdades. durante muito tempo. mas. assim se vê a ênfase que se dava ao Theravada no Tibete. Examinando o jarro.. Prajna . na literatura budista do Tibete. como Sariputra. são todos. tanto o físico como o psíquico sutil (denominado astral. os que não o fazem chamam-se Hinayanas ou Theravadas. como também os Theravada que. o mundo é apenas conceituação e sua existência é relativa.. por autores da literatura espiritualista) tem a mesma natureza. o conhecimento sobre a significação profunda da impessoalidade e da insubstancialidade das coisas é obtido.dharma. exigindo." **3 Convém lembrar que os Mahayanas começaram a ser mais numerosos só a partir do 800 d. o oleiro. ou Veículo dos Discípulos (Sravaka significa "grandes discípulos do Buda". Esta é . igualmente. os Mahayanas e Theravadas viviam juntos nos mesmos mosteiros e. reconhecem as mesmas cinco categorias de erros. termo desagradável e de estória bastante dúbia.e experimentais constituem o mundo que percebemos. é afinal de contas.C. A esse respeito. como diz o relato de I-Tsing.grande influência exerceram não somente os sutras Mahayana. calor. que resulta em depreciação. do ano 700: "Os adeptos do Theravada e do Mahayana praticam o mesmo vinaya. como acontecimentos nos quais elas podem ser analisadas. Uma poderosa mancha mental." *2 O Budismo. Samadhi. ou mental.. ou “eu”. Tais idéias são mal informadas. Ananda e outros). nota-se o 'desprezar' pelo Sravakayana (Theravada). orgulho ou presunção. quanto ao triplo treinamento . Sunyata No Budismo. que as vezes é chamada Hinayana (Pequeno Veículo). como já foi dito. mas do mestre. sem natureza do eu ou sem substância. na literatura budista Mahayana. Antes. Os que adoram os Bodhisattvas e lêem os sutras Mahayana. isto é. que tanto pessoas. no Tibete." Todos os acontecimentos mentais . tem o nome de Sravakayana."***4 VAZIO-.. Há aqueles que imaginam que só na Theravada são guardados os Preceitos. quando o Budismo declinou definitivamente na Índia.193 muito longe dos verdadeiros ensinamentos do Senhor Buda.. A inexistência do "eu" tem dois aspectos: a inexistência do eu pessoal e a inexistência de acontecimentos mentais . Por exemplo. causas e condições sustentadoras para sen aparecimento e existência. um jarro é resultado da combinação de varias coisas como argila. mas rigor e frouxidão dependem não de yana. Sentimento de superioridade. pensando que Mahayana é frouxa nesse aspecto. exigindo causas e condições sustentadoras para seu aparecimento e existência.

em sucessivos nascimentos. benevolência e abnegação. por esse motivo. obra citada. nome Dalai-Lama significando "Oceano de Sabedoria". Pandita: culto. Edwin Arnold. Um budista não encontra dificuldades em identificar muitos dos grandes mestres de outras religiões como as grandes personalidades que exemplificam as virtudes de renúncia do Bodhisattva.Sunyata. tem limite . Editora Civilização Brasileira.Kalpa. acima de todas as outras coisas. 5. partilha do espirito do Bodhisattva. 1976. do Review World Fellowship of Buddbists. Todo aquele que ensina verdades boas e duradouras. todas as características da mais alta perfeição. um pai extremoso e um servo de todos. Tradução de Jussara da Costa Paiva. Algumas linhas da autoria de U-chan Htoon *5 completam esta descrição: Um Bodhisatta é um ser que se dedica a tomar-se um Buda inteiramente iluminado e que.) . Luz da Ásia. *1 Transcrito. ***4 Edward Conze. ser um Bodhisattva. o Universo é reabsorvido pela Divindade.194 a Suprema Sabedoria que conhece a inexistência da natureza do eu. antes. (Kalpa é um ciclo. *5.B. Obra citada. é ele quem representa o grande exemplo desse ideal. ou substância própria. março-abril de 1974. na literatura budista Mahayana. isto é. Um Bodhisattva não é ainda inteiramente iluminado. um Supremo Iluminado.Aeons. acredita-se que para tornar-se um Buda é necessário.7 durante esse tempo. que significa. É aquele cuja essência é Sabedoria.. e ele está pronto para sofrer qualquer martírio em benefício deles. renuncia ou transfere a obtenção do Nirvana por muitos aeons. Artigo do Bhikkhu Ngadup Paljor (Tibete). em que elas possam ser analisadas. que tanto as pessoas como os acontecimentos.B. vazio . que sacrifica a si mesmo pela Humanidade e que afirma as divinas possibilidades do homem em absoluto desinteresse e amor. Conferência durante o 16o Congresso da Associação Internacional para a Liberdade Religiosa (IARF). 7. daí o. 6 Bodhisattva (Bodhisatta. mas dentro dele há. *2 A visão da Sabedoria. são todos igualmente sem natureza do eu. no sentido de um tempo aparentemente interminável. apesar de tudo. necessariamente. alguém que deseja tomar-se um Buda. em parte. 4. Budismo sua Essência e Desenvolvimento. o espírito de misericórdia. circunspecto. por isso não exibe. o que se chama. sábio. "dia de Brahma". É um professor. Tal foi Gautama Buda por muitas vidas antes da sua iluminação final. literalmente. Apostila da S. ele trabalha pelo beneficio de todos os outros seres vivos. **3 Idem. em pali): palavra composta de Bodhi (sabedoria) e sattva (essência). No fim de cada Kalpa. um guia. e equivale a 4 320 milhões de anos. mas que. inteligente. Dalai significa "imenso como oceano". BODHISATTVA Em todas as escolas budistas. latim: significa eternidade. Seu amor abrange todos os seres sem distinção. um "Buscador da Sabedoria".

195 TANTRA BUDISTA PARALELISMO DO MICROCOSMO COM O MACROCOSMO Tantra, palavra interpretada no conceito de tecelagem e seus derivados (teia, rede, entrelaçamento), no sentido da interdependência do indivíduo e de todas as coisas com o Universo, da continuidade na interação de causa e efeito, da matéria e mente. O Tantra tibetano não é, realmente, criação nova separada, mas o resultado da absorção de antiga religião da natureza Bon-Po e algumas técnicas do ioga com a filosofia budista. De acordo com o Prajnaparamita, todo o processo de salvação tem natureza idêntica a este passe “mágico” que se encontra no diálogo entre Buda e Subbhuti: O Buda: - Tal como um hábil mágico, ou um aprendiz de magia que reunisse por encanto uma multidão numa encruzilhada e, depois de ter reunido essa multidão, a fizesse desaparecer. Achas, Subbhuti, que alguém foi morto por alguém, ou assassinado, ou destruído, ou reduzido a nada? Subbhuti: - Não, de modo algum, Senhor! O Buda: - Assim, também, um Bodhisattva, um grande ser, conduz muitos seres ao Nirvana e ainda assim, não há ser algum conduzido ao Nirvana, nem quem o haja conduzido. Se um Bodhisattva ouvir isto sem tremer, sem amedrontar-se, sem se aterrorizar, deverá chamar-se "O armado com excelente armadura". *1 A abstração dos conceitos filosóficos e respectivas conclusões requerem constante correção diante da experiência direta de meditação e das contingências da vida cotidiana. Assim como um artista necessita obter perfeito controle da expressão e usa uma variedade de artifícios técnicos que o ajudam na realização da mais perfeita expressão de suas idéias, do mesmo modo a criativa espiritualidade do homem precisa ser capaz de dirigir as funções da mente e assessorar certas técnicas para desenvolver sua visão interior no sentido da visão da Realidade. Assim, do ponto de vista do Tantra tibetano, os acessórios técnicos são: yantra, mantra e mudra - paralelismo do visual, auditivo e tangível. Eles são os intérpretes da mente - citta -, da linguagem - vaca -, e do corpo - kaya. O termo yantra é usado no sentido de mandala (tib., Dkyill-Khor); um arranjo sistemático de símbolos, baseado no processo de visualização, construído habitualmente sob a forma de uma flor de lótus de 4, 8 ou 16 pétalas que forma o ponto visível de partida da meditação. Mantra, palavra simbólica, ou combinação de palavras mediante as quais se originam vibrações que produzem certos efeitos em determinadas circunstâncias, pois cada som do mundo físico desperta um som correspondente no mundo sutil da Natureza, descortinando a mente para uma experiência de maior dimensão. Mudra, gesticulação do corpo, especialmente das mãos, que acompanha o ato ritual e a palavra mântrica, como também da ênfase e expressão à atitude interior.

196 As forcas dinâmicas do universo não são diferentes das forcas interiores de um ser; o propósito do Tantra budista é reconhecer e transformar essas forcas na sua própria mente, não para interesse próprio, mas para o de todos os seres vivos. O budista não aceita a vida independente ou a existência separada do Universo nas forças dinâmicas em que pode se inserir, o mundo exterior e interior são para ele somente as duas faces de uma mesma coisa onde os fios de todas as forças, acontecimentos e de todas as formas de consciência, e seus respectivos objetos são tecidos em inextricável rede sem fim e mutuamente condicionados entre si. O corpo sutil tem sido identificado como mente inconsciente, ou subconsciente. As funções involuntárias do corpo físico (batimentos cardíacos, respiração, digestão, etc.) são controladas pelo corpo sutil (mente inconsciente). As correntes psíquicas que passam de um corpo para outro são chamadas nadis (condutos invisíveis), descritas como "fios de uma teia de aranha". Daí o nome Tantra que significa "uma teia". As correntes vitais que estes condutos levam para a nutrição do corpo são projetadas no organismo físico por centros focais denominados chakras. Assim, nas escrituras budistas, o que se entende por Tantra é o relacionamento interior de todas as coisas: paralelismo do microcosmo com o macrocosmo, mente e Universo. Essa é a essência do Tantrismo, praticada nas escolas vajrayana e Yogacara no Tibete. TANTRA BUDISTA NÃO É XIVAÍSMO Até a presente data, a maioria dos autores ocidentais afirmam ser o Tantrismo criação hindu adaptada as escolas budistas mais ou menos decadentes. "Quem declara que o Budismo Tântrico é lançamento do Xivaísmo8 demonstra que não tem conhecimento da literatura tântrica tibetana" - declara o Lama Anagarika Govinda, e prossegue: "Uma comparação do tantrismo hindu com o budista, apesar de comportar certas semelhanças externas, mostra assombrosa divergência de métodos e propósitos... Julgar os ensinamentos e símbolos do Tantra budista sob o ponto de vista do Tantra hindu, especialmente relacionado com os Princípios do Shaktismo, é uma forma inadequada, como enganadora, porque os dois sistemas postulam pontos de vista completamente diferentes." *2 A principal diferença é que o Budismo Tântrico não é Shaktismo ou Xivaísmo. o conceito hindu de Shakti, como poder divino da criação, aspecto feminino do supremo Deus - Shiva (aspecto masculino e suas emanações) - não tem nenhum papel no Budismo. Nos tantras hindus o conceito de poder e forca - Shakti - é focalizado como Princípio básico de interesse, ao passo que no Budismo Tântrico a idéia central é Prajna - conhecimento e Sabedoria. Para os budistas a Shakti representa Maya, ou Ilusão, a grande força que cria ilusões, da qual somente a Sabedoria - Prajna - pode nos libertar. Por conseguinte, o objetivo dos budistas não é adquirir forças, ou unir-se com as forças do universo, ou ser o instrumento, ou subjugar tais forcas, mas a contrário, o budista tenta se libertar de todas as forças que o mantém prisioneiro no samsara, desde aeons. Ele se esforça para perceber quais as forças que o mantém na Roda de vidas e mortes sucessivas, de modo a libertar-se dos seus domínios. No entanto, não tenta negá-las, ou destruí-las, mas transforma-las em fogo de conhecimento que pode se transformar em Iluminação (Suprema Sabedoria); e, em vez de criar discriminações

197 adicionais, vai em direção oposta; ao encontro da união, da totalidade, da harmonia e da perfeição. A atitude do tantrismo hindu é muito diferente, se não contrária. "Estar unido a Shakti - é ser cheio de poder" - diz Kulacudamani, tantra hindu. "Da união de Shiva e Shakti o mundo é criado." O budista, no entanto, não se apega à criação e expansão do mundo criado fenomenal, mas se esforça para a "ida de volta", para o “não-criado", "não-formado", estado de sunyata - vazio -, do qual toda criação procede, ou para aquilo que antecede e que está além de toda criação. Os mestres do budismo tântrico do Tibete sabem que a Sabedoria baseada na visão interior é mais forte que o poder da energia impetuosa do subconsciente, isto é, que Prajna é mais poderoso do que Shakti. Porque Shakti é o poder da cega criação do mundo que atua cada vez mais no domínio do vir-a-ser, da matéria e diferenciações. Seu efeito só pode ser polarizado ou invertido pelo seu oposto - Visão Interior -, que transforma esse poder de vir-a-ser em Libertação. POLARIDADE SIMBÓLICA NO TANTRA BUDISTA Ser consciente do vazio (sunyata) é a Suprema Sabedoria - Prajna. A realização do mais alto conhecimento da Suprema Sabedoria na vida é a Iluminação - bodhi. comparando simbolicamente se prajna (ou sunyata), o passivo todo abraçável princípio feminino, do qual tudo procede e ao qual tudo regressa, está unido com o dinâmico princípio masculino de ativo amor universal e compaixão, que são os meios - upaya (Tib.: thabs) - para a Realização, só então a perfeita bodhi - Iluminação - vem à existência. No simbolismo budista, o conhecedor (Buda) é uno com o Conhecimento-Sabedoria, assim como homem e mulher são um nos braços do amor; e essa união é a mais alta indescritível felicidade – maha-sukka. No popular tantrismo, que surgiu depois do desaparecimento da tradição budista na Índia, os ensinamentos caíram no esquecimento; mesmo os genuínos tantras hindus degeneraram em grosseiros cultos eróticos, práticas para a obtenção de poderes psíquicos e materiais, etc., com ênfase à polaridade objetiva dos princípios masculino e feminino difundidos nas escolas de Bengala, Nepal e em algumas seitas do Tibete propagaram-se sob esta forma no mundo Ocidental. Nada pode ser mais enganador, que tirar conclusões sobre a atitude espiritual do Tantra budista a partir dessas formas deturpadas e degeneradas de "tantrismo", que deveriam ser chamadas de Shaktismo. Mesmo aqueles tantras budistas que são construídos no simbolismo antropomórfico da polaridade do masculino e feminino, nunca apresentam o princípio feminino como Shakti, mas, ao contrário, como prajna - Sabedoria - vidya - conhecimento - e mudra - a espiritual atitude de unificação, da realização do sunyata (vazio). Deste modo, rejeitam a idéia básica do Shaktismo e sua erótica criação do mundo. Não devemos nos esquecer da representação figurativa dos símbolos de aspecto feminino e masculino, que, no Tibete, representam os Dhyani-Budas e Bodhisattvas - que não podem ser interpretados no sentido físico de personificações humanas, mas de experiências e visões na

198 meditação. o Dhyani-Buda é a visualização do ideal do Buda na meditação e DhyaniBodhisattvas, a corporificação do ativo ímpeto para a iluminação que se expressa como upaya, o todo abraçado amor e compaixão com a prajna, simbolizada por uma deidade feminina, no sentido da mais alta forma de amor, Mãe Divina que é a corporificação da Suprema Sabedoria. Nesse estado, essa meditação, entretanto, não tem nada que possa ser chamado "sexual". Só existe uma polaridade superindividual da vida, que guia todas às atividades psicofísicas e que somente pode ser transcendida no último estado da integração na realização do sunyata; esse estado é chamado Maha-mudra, a "Grande Atitude", ou "Grande Símbolo". SIMBOLISMO NA ORIENTAÇÃO BUDISTA Na literatura budista, encontramos muitos ensinamentos descritos simbolicamente e seria absurdo tomá-los literalmente, ao pé da letra. Por exemplo, o bem conhecido verso do Dhammapada n°. 294 diz que, depois de matar pai, mãe, dois reis Ksatriya e destruir um reino com seus habitantes, o brâmane permanece livre do pecado. Aqui, "matar pai e mãe" significa libertar-se do egoísmo e do desejo; "é dois reis", dois errôneos ponto de vista: aniquilação e eternalismo: "destruir um reino com seus habitantes corresponde às doze esferas de consciência. 9 Existe uma estranha coincidência quanto a e famoso verso: a "destruição do reino com todos os seus habitantes é também descrita por Padmasambhava, o grande discípulo que trouxe o Budismo para o Tibete no meio do século VIII d.C. e fundou primeiro mosteiro. Em sua simbólica biografia, descreve-se que Padmasambhava, com o aspecto de uma terrível deidade, destruiu o rei e seus súditos, que eram inimigos da religião, e cativou todas as suas mulheres, a fim de purifica-las e transformá-las em mies de crianças religiosas. é óbvio que isso não pode ser tomado no sentido de que Padmasambhava matou toda a população de um reino e violentou todos os códigos de moralidade: ele, o homem a quem se atribuiu a máxima moral e profunda visão interior baseada no estrito controle dos sentidos. Uma das características dos antigos textos é narrar as experiências de meditação sob a forma de eventos exteriores, como os combates do Buda com Mara e seus exércitos de demônios. Observe-se que Padmasambhava tomou a forma de uma furiosa divindade na luta contra o mal nele mesmo e, além disso, observe-se o reconhecimento do princípio feminino no processo de integração interior, consistindo na unificação dos dois lados de sua natureza, a saber: o princípio masculino da atividade (Upaya) com o princípio feminino da sabedoria prajna sustentar que o Tantra budista, efetivamente, apóia o incesto e a licenciosidade é tão ridículo como acusar Theravada de tolerância de parricídio, matricídio e crimes similares. Se investigarmos as genuínas formas da tradição do Tantra no Tibete, onde o ideal de controle dos sentidos e renúncia é observado no seu alto conceito, somente então podemos nos certificar como são infundadas e sem valor as atuais teorias que procuram arrastar o Tantra para o setor da sensualidade. Do ponto de vista da tradição tântrica tibetana, em vez de buscar união com a mulher (ou vice-versa) fora de nós mesmos, temos procurá-la dentro de nós, na união da nossa própria natureza masculina e feminina, pelo processo de meditação. Isso é claramente atestado

o cérebro é o centro exclusivo da consciência. secundariamente. Por isso. o seguidor do Budismo Tântrico não se submete à analise dos três principais nadis. Mas. "O centro da alma é onde o mundo interior e o exterior Se encontram. ou de uma intensidade que invade o corpo todo (nos Iluminados). O susumna pode ser fino como um cabelo. tem sido. mas com coisas que dependem do uso que nós fazemos delas. Deles.” (chamada. etc.. irradiam-se correntes de forca psíquica comparáveis aos raios de uma roda. os canais através dos quais fluem as energias psíquicas do corpo humano são chamados nadis.**4 A definição estática fisiológica de nadis e chakras. ou centros de forca.199 livros de Naropa. estes chakras são os pontos nos quais as forças psíquicas e as funções do corpo Se fundem. erroneamente. gradativamente se efetua a Realização. porém. ou pétalas de um lótus. 'subida da Kundalini'). no Ioga. nos quais estão baseados os mais importantes métodos do Ioga da Escola Kargyut-pa. circulam pela estrutura fundamental do corpo de maneira similar à do sistema nervoso. inalteráveis e eternos.11 -. qual deidade controla um chakra particular. Quando a forca vital desses dois aspectos unidos chega ao nervo psíquico mediano . Em outras palavras. na sua natureza real. não podem ser identificados com ele como comumente. O budista tântrico sabe que estes são apenas acessórios preliminares e que ele não está lidando com fatos fixos. o Buda sempre brilha resplandecendo tudo. A experiência iogue mostra que a consciência cerebral é uma. segundo o Budismo Tântrico é substituída por conhecimento dinâmico espiritual e psicológico."*3 No Ioga. se os chakras coincidem com certos órgãos do corpo físico. quantas "pétalas" possui chakra e quais qualidades estão associadas a cada "pétala".skandhas10 -.. visto e descrito por clarividentes como luz brilhante. Não entrando em muitos detalhes. está presente em todos os pontos de penetracão. pertence ao aspecto feminino do princípio budista que é manifestado através do nervo psíquico direito pingala-nadi. na sua natureza real. de noite resplandece a lua. a Luz emana dum Brâmane em meditação. São os pontos focais nos quais as energias cósmicas e psíquicas se cristalizam em qualidades corporais e nos quais as qualidades corporais são dissolvidas ou transmutadas. pertence simbolicamente ao aspecto masculino do princípio budista que é manifestado através do nervo psíquico esquerdo . O versículo 387 do Dhammapada descreve: Brilha o sol durante o dia. se estão dentro ou fora da coluna vertebral. grosso como um poste. dia e noite. e. Quando um penetra o outro. em forças psíquicas. os instrutores tibetanos de meditação ensinam que não é de importância a localização do susumna (sistema nervoso sensitivo mediano da espiritualidade).dhatu. A forca vital dos cinco Elementos . sustentado. Cintila o guerreiro na sua armadura. Na concepção ocidental. entre as possíveis formas de consciência. novamente. no Ioga. porque ele está no lugar para onde nós dirigimos a corrente principal da força psíquica. e os praticados também por Milarepa considerado um dos mais santos e austeros mestres de meditação do Tibete. "matéria sutil". uma pequena citação prova esse ponto de vista. podem estar localizadas em vários órgãos do corpo. Estes "órgãos" coletores que transformam e distribuem estas forças circulantes são chamados chakras.susamna -. da mesma forma que as experiências em Ioga não podem ser equiparadas as de fisiologia e anatomia. “A força vital (prana) dos cinco Agregados . de acordo com suas funções e natureza. .ida-nadi.

" Embora os tibetanos tenham um profundo respeito por todas as coisas que se relacionam à espiritualidade. um dia saiu de sua gruta em busca de outro lugar mais solitário. continuarei meditando sozinho. causando sensação de calor ardente. depois de numerosos anos de solidão e práticas. todos os fenômenos consciente ou inconscientemente provocados.. nadis. perspectiva universal. de acordo com o nível da nossa evolução e da nossa précondição cármica. Esses "sopros internos" são correntes das forcas vitais. O ensinamento fundamental no Budismo Tibetano é levar o discípulo a entender que todos os mundos e todos os fenômenos que percebe não passam de miragens criadas pela sua própria mente. somente então a Iluminação virá à existência. porem. Somente quando somos capazes de ver o relacionamento corpo/mente. através do controle da respiração. mesmo inconscientemente efetuada pela coletividade. O potiche de barro que era o meu único tesouro. Agora já não o tenho. que estava à beira . opiniões egocêntricas e preconceitos que produzem a ilusão da nossa individualidade separada. ao filho. Por isso. assim como cada uma das nossas ações físicas ou mentais.. a interação psicofísica e espiritual na. "Da mente eles emanam E na mente desaparecem. único objeto que possuía para cozinhar e para se aquecer contra o frio das montanhas. o Buda relata que. O mercador prometeu cumprir o encargo. o discípulo experimenta "violentos sopros quentes" –vayu . Enquanto refletia como solucionar o assunto. que partiu-se em mil pedaços. que lhe trouxesse uma relíquia de Buda. *5 A velha mãe de um mercador que todos os anos ia é Índia pediu um dia.200 No Majjhima-Nikaya 36. atravessando a cabeça e o abdômen. é o fruto de causas combinadas e multiformes. Milarepa sorriu e compôs um poema: Ha pouco eu tinha um potiche de barro. recordou-se do pedido de sua mãe e pensou na decepção que ela teria ao vê-lo chegar sem a relíquia. Consolo-me pensando na lei da impermanência Das coisas e das criaturas.. A estória seguinte é contada como exemplo do poder da concentração da mente. Os instrutores da meditação tibetana acentuam que os órgãos do corpo sutil (nadis e chakras) são criados da mesma maneira como criamos o nosso corpo físico: dentro do sistema de certas leis universais e imanentes. e toda a estrutura dos sentimentos. Assim conta uma história: Milarepa. preocupado com seus assuntos. isto não os impede de conservar um agudo senso de humor. caindo seu potiche de barro. Quando quebrou-se ficou transformado Num mestre para mim. parecendo um gracejar descrente para ridicularizar “os devotos". No meio do caminho. só então podemos transcender o "eu" e "meu '. na viagem de volta. esqueceu-se completamente. Esta lição da fatal impermanência das coisas É uma grande maravilha! Através da mente são criadas as formas de todas as coisas concebidas. seus olhos pousaram na mandíbula de um cão.

" **6 O ESOTÉRICO ESTA EM NÓS A expressão "secreto" ou “oculto". está oculto pela ignorância que existe na nossa própria mente. deveria observar bem todos os Preceitos. proclamado santa relíquia. emitia raios luminosos. Louca de alegria e cheia de veneração. pela visão interior. Além disso. deveria ajudar a destruir as opiniões errôneas que numerosas pessoas tem a respeito da prática tântrica no Tibete. você descobrirá na tua própria mente o que é esotérico. experiências vividas e visão interior.um dos mais eminentes discípulos de Buda. não porque haja alguma coisa a ser escondida. quando seu discípulo Hui-Neng perguntou-lhe se tinha algo de esotérico para ensinar. dizendo que era um dente do grande Sariputra . principalmente tibetano. mas. intelectualmente. no Tibete. o 14o Dalai-Lama dá a seguinte resposta: "Antigamente. com freqüência. o dente de cão. isso fez com que a maioria dos autores relatassem que a característica do Tantra era a cisão entre a doutrina esotérica e a exotérica. como em cavernas nas montanhas. Como qualquer forma de conhecimento. tão claro. no Budismo. nesta ocasião. presenteou-o a sua mãe. mas só o que pode ser conseguido pela autodisciplina.201 do caminho."*7 Este trecho. A sabedoria profunda não pode ser baseada no conhecimento superficial. respondeu: "O que eu posso te dizer nada tem de esotérico. pois. realizado com o propósito de evitar conversas vazias e especulações tolas daqueles que. não designa nada que seja intencionalmente escondido. concentração. Esse ensinamento adiantado era descrito como esotérico ou "secreto". razão pela qual o emprego da palavra 'secreto' deve ser evitada. Teve uma súbita inspiração. . Deste modo. Outros devotos se uniram a ela e. Arrancou um dente da ossamenta ressequida. encontrado na Theravada. depois de algum tempo. somente nesse sentido é que é esotérico. a pessoa que desejasse praticar. o conhecimento esotérico (secreto) está aberto a todo aquele que tem capacidade e vontade sincera de exercitar-se e aprender com a mente completamente aberta. resguardaram os aspectos mais profundos do ensinamento aos que já tinham passado pelas formas preliminares de treinamento." Concluindo: "A divisão de budistas em 'esotéricos' e 'exotéricos' é uma estúpida relíquia de um mal-entendido que tem cerca de cinqüenta anos. Por isso. acendendo velas e queimando incenso. nasceu o provérbio tibetano: "Da veneração surge a luz até de um dente de cão. o quinto Patriarca da China (da Escola Budista Chan). os tântricos freqüentemente se retiravam para lugares solitários. onde passavam anos seguidos praticando. autocontrole. principalmente Mahayana. limpou-o bem e o envolveu num pedaço de seda. A este assunto. mas na realização interior. nas profundezas da mente de cada um. a boa mulher colocou o dente num relicário sobre um altar. Em casa. que não pode ser adquirido sem esforço. como mandam as instruções tântricas. Todos os dias rendia-lhe culto. quando o mestre dá instruções de meditação a um discípulo. tentam antecipar os altos estados de consciência. As escolas budistas posteriores. só com base na conduta virtuosa é que se pode avançar ao longo do caminho." consequentemente. cada aluno individualmente exige atenção individual. O que nos está oculto. mas porque. O mesmo isolamento é.

que instrui em ritual e modos exteriores de culto. no Budismo. correspondendo aos estados Sólido. 2º) Ubbayacary-tantra. Assim. *1. Fogo e Espaço. observando sempre que um verdadeiro Lama budista jamais toma a liberdade de exibir seus poderes. Edward Conze.O Dalai-Lama: 1o) Kriyatantra. Cinco Elementos: Terra. visam o ataque direto ao problema da ignorância a ser extirpada. Analisando as várias escolas budistas notamos que. Gasoso. a Plena Atenção é quase impossível. mental. a Plena Atenção ou Vigilância se tome possível e a mente fique. numa etapa preparatória para que.é o lema de todas as escolas de meditação budista. desses condicionamentos atenuados e sutis. em condições de libertar-se. Líquido. Budismo sua Essência e Desenvolvimento. O treino para aquele que deseja praticar com zelo é árduo. psíquica e espiritual só há diferença de graus. Vajrayana do Tibete. entre as funções física. Formações Matéria e consciência. não é somente caracterizada pela mencionada espiritualização. que Gautama Buda coloca na parte principal da prática de meditação. A restrição existia apenas na capacidade de compreensão individual. na prática. Água. o Tantra desenvolveu numerosas práticas que lhe são peculiares. por si mesma. mas não de essência. mas mais pelo fato de a dualidade corpo e mente não existirem para o Buda. A principal marca de um bom mestre é já ter realizado tudo aquilo que ensina. "Doze esferas de consciência": seis bases internas e seis bases externas dos sentidos. O Xivaísmo hindu está associado ao Shaktismo. além das instruções rituais. tornando-o uma função consciente. 3o) Yoga-tantra. de acordo com o grau de inteligência e espiritualidade do discípulo. Percepções. adequado aqueles com mente embotada. Sensações. . Calor e Movimento. segundo o relato do 14. A inclusão do corpo físico no desenvolvimento do processo espiritual. ou Chan (Zen). na sua essência. e quase sempre é necessário um mestre para orientação. "Pratique nesta vida. 9. inclui mais instruções para a prática da meditação e menos rituais e 4o) Anuttara-tantra para aqueles que possuem faculdades mais aguçadas. constituem o “Ser”. Quando Buda declarou que não fazia nenhuma diferença entre o ensinamento "interior" (esotérico) e o "exterior" (exotérico) e que não guardava nada no seu punho cerrado. portanto. Obra citada. Para homens fortemente condicionados. há legiões que não podem chegar a ela imediatamente. Ar. alcance nesta vida" . pois todas as escolas. Talvez isso seja a razão da existência de numerosas seitas. como em todos os caminhos no Dharma. Matéria. que adaptaram métodos auxiliares como um processo de substituição de condicionamentos grosseiros por outros mais sutis. futuramente. embora a Doutrina de Gautama Buda seja acessível a todos os homens. concentra-se no desenvolvimento da visão pura interior e percepção do vazio. 10 Os cinco Agregados. pelo processo respiratório. Fundamentos do Misticismo Tibetano Obra citada. quer sigam as tradições Theravada. *2 Lama Anagarika Govinda. no vajrayana existem quatro graus do Tantra. 11.202 Assim como todas as escolas do Budismo. em função de um excesso de condicionamentos. 8. portanto. já utiliza algumas práticas de meditação para o desenvolvimento mental. é evidente que isso significava que ele ensinava sem restrições a todo aquele que estava disposto a segui-lo.

isto é. traduzida literalmente significa "parte integrante".203 *3 W. aproximadamente nos termos que se seguem: "Maravilhoso. maravilhoso. Editora Rodemar Ltda. Oxford University Press. Rio de Janeiro. **6 Com muita razão. Y.. Os ensinamentos de Gautama Buda foram puramente verbais e ficaram na memória de seus discípulos. logo após sua morte.. me refugio no Venerável Gautama.. três meses após sua morte. nos sutras. *5 Resumo da tradução de Chiang Sing. Paracelso declarou esta grande verdade. O autor "eu”. você obterá os mesmos resultados. aforismos e soma de frases de grande significado. Tibetan Yoga and Secret Doctrin." "O BemAventurado habitava em. Diz a tradição que esse cânone foi levado ao Ceilão pelo príncipe Mahinda. **4 Novalis. Os sutras sempre começam pelas mesmas palavras: "Assim. quando a comunidade dos discípulos se dividiu em diversas seitas. Mistérios e Mágicas do Tibete." *7 A visão da Sabedoria. É como levantar aquilo que estava por terra. Londres. depois... quinhentos de seus discípulos reuniram-se num concílio e concordaram sobre os mais importantes pronunciamentos do Mestre. Esses ensinamentos foram... Assim. Evans-Wents. . o Venerável Gautama tornou a Doutrina clara de diversas maneiras. que constituem o Cânone sagrado dos livros budistas. denominadas Pitaka.. Obra citada. designa habitualmente Ananda. Citação de Anagarika Govinda. em sua Doutrina e na comunidade dos monges. ouvi. chamado Tipitaka (Tripitaka. foram transmitidos oralmente por repetição (em prosa) e recitação (em versos). consta da tradição que.. Somente uma dessas coleções é encontrada quase completa . poderei eu receber a ordenação?" etc. ou levar uma lâmpada na obscuridade para que aqueles que tem olhos possam ver." etc. Poderei eu ser admitido como discípulo leigo.. SÉTIMO CAPÍTULO TEXTOS ESCOLHIDOS SUTRA-SUTTA A palavra sutra (em sânscrito) ou sutta (em pali) significa discurso. Habitualmente terminam com uma exaltação ao Buda. ai apareceram os tratados. revelar o que estava oculto. ou indicar o caminho àquele que se extraviou. ao introduzir o Budismo na ilha O cânone Theravada. o pali. escritos. venerável Gautama. em que se explicam as regras do rito. bramânicos e budistas. e que o acompanhou nos seus últimos vinte anos de vida. certa vez. Assim. "Seja o objeto de sua fé verdadeiro ou falso. Existem sutras védicos.é o cânone da Escola dos Anciãos conhecida como Theravada e escrita em língua antiga da Índia. ou cestos de coleções de Leis. 1965. 1935. filho do rei Asoka. da moral e da vida cotidiana. que repetia todas as palavras do Mestre. em sânscrito) consta de três seções.

Uma vez. não cometendo as quatro classes do mal.Escuta e presta atenção: As quatro ações aviltantes são: destruir vidas... Geralmente falando. deves reverenciar as seis direções todas as manhãs....... saiu de manhã para reverenciar...Por que.. Os sutras da coleção Tipitaka são unanimemente reconhecidos como os mais antigos por todas as escolas e eruditos do Budismo.... filho de um rico proprietário.SUTTA Discurso no qual Gautama Buda manifesta seu grande respeito pela vida do leigo......... OS DEVERES: SIGALOVADA ..204 O primeiro é o vinaya Pitaka. perto de Rajagaha.... que se deve cumprimentar as seis direções conforme a Nobre Doutrina! ... .. Sul.." Como respeito. ao pé da letra.. evitando.......... as seis regiões do espaço: Leste. Nikayas.. que trata da disciplina para monges e monjas.... Evitando as quatro ações aviltantes...1 Observando isto... Nesta ocasião.... levantando tão cedo.... .. classificado em cinco grupos. renascerá em um dos felizes mundos celestiais... A terceira seção é o Abidhamma Pitaka.... o Bem-Aventurado residia no Parque dos Bambus.. um jovem chamado Sigala.. sua família e relações sociais. com as mãos juntas... reverenciais as diferentes direções? ... Norte. de um discurso do Buda e contém detalhes das circunstâncias em que o discurso veio a ser pregado...... venho cedo todas as manhãs reverenciar as seis direções. Na dissolução do seu corpo o nobre discípulo. ... por acaso........... Oeste. e consiste em sutras em forma de discursos que contem as doutrinas básicas do Budismo. ouvi.... roubar. ter relações sexuais ilegítimas e mentir......Não é assim.. não dissipando seus bens dos seis diferentes modos.......... .... um sutra afirma ser o registro..... desenvolveu a mesma doutrina contida nos dois primeiros Pitakas........ em obediência e respeito as últimas vontades do pai.. assim. ganhas este e o outro mundo. após a morte. venero e honro a vontade do meu pai..........E como devo fazer segundo a Nobre Doutrina? Seria bom que o Bem-Aventurado me expusesse a Doutrina (Disciplina)... acrescentando pontos de vista filosóficos e psicológicos mais profundos ..Senhor.. O segundo é o Sutta Pitaka....... jovem.Abidhamma. Nadir e Zênite.. meu pai moribundo me disse: “Querido filho....... RESUMO Assim.. essas quatorze coisas más abraças as seis direções e entras no caminho que leva à vitória nos dois mundos.. que apareceu posteriormente..... Gautama Buda dirigiu-se a este jovem e perguntou: ..

....... vive sem cumprir muitas obrigações.. perambular pelas ruas fora de hora... é alvo de falsas acusações e vai ao encontro do infortúnio .......205 ......... ébrios........Entregar se a bebidas que causam a inatenção e embriaguez... se ganham.................E quais são as quatro maneiras de cometer o mal? ........................ perda da fortuna.......... Eis aí as seis más conseqüências por perambular nas ruas fora de hora: o homem corre perigo por falta de proteção..... entregar-se a jogos que tragam preocupações. dilapidam seus bens. Deste modo.... ... aquele que causa a ruína. da mesma forma sua mulher.... descuida dos proveitos... Levado pela ignorância... que é muito tarde ou cedo demais........ ignorância ou pelo medo.. não acreditam em sua palavra.. causam descontrole da mente... abandonar-se à preguiça...... etc..... ... comete-se o mal. seus filhos e seus bens........ associa-se a más companhias... aquele que promete só em palavras... é amigo só pelo próprio interesse... .. dizendo que o tempo está muito frio ou muito quente.... freqüentar espetáculos de baixa categoria... ........ Levado pela cólera comete-se o mal. má reputação.... não consegue nada e perde o que possui..Levado pelo desejo.E quais são as seis maneiras de dissipar os bens aos quais o nobre discípulo renunciou? .................. Há seis más conseqüências para aquele que anda em má companhia: seus amigos ou companheiros são jogadores. cólera. trapaceiros................ aumento das discussões...... escândalos vergonhosos e decréscimo de inteligência........ se desesperam..... se perdem... insanidade mental e inatenção..... deve ser considerado agindo como inimigo: apodera-se da fortuna do seu amigo...... é suspeito de qualquer coisa má que aconteça.... comete-se o mal........ espera muito em troca de pouco.. Posto que o nobre discípulo não é mais levado pelo desejo........ Há seis más conseqüências para aquele que se entrega à preguiça: tem sempre um motivo para fugir do trabalho..... faz seu dever só por temor........ predispõem a doenças...... ele não cometerá mais o mal dessas quatro maneiras..... suscitam ódio. Há quatro maneiras segundo a qual aquele que aproveita do seu amigo. Eis aí as seis más conseqüências produzidas pelos que utilizam tóxicos: bebidas alcoólicas. que está com fome ou comeu demais....... são desprezados por seus amigos e colegas.. Eis aí as seis más conseqüências produzidas pelos que freqüentam os espetáculos baixos e vulgares e jogos que trazem preocupações: originam brigas e discussões..... vigaristas e bandidos.. essas seis coisas causam a dissipação dos bens..................... ladrões.................... Há quatro categorias de amigos que devem ser considerados como inimigos: aquele que tira proveito do seu amigo. Levado pelo medo comete-se o mal. são incapazes de cuidar de sua própria família. aquele que adula.. fumos e drogas.

............ indica o caminho reto............... proteger seus bens........ Oeste .............. Sul ....... quando uma ajuda imediata é necessária....... no momento oportuno.... fala do futuro.... alegra-se de sua prosperidade.206 Há quatro maneiras pelas quais aquele que presta serviço só com palavras deve ser considerado agindo como inimigo: fala do passado.a mulher e os filhos........ explica aquilo que descuidava de ouvir...........os amigos e colegas.. Para aquele que aconselha o bem....... impede que seja caluniado............... Há quatro modos de agir como amigo sincero para aquele que permanece o mesmo na prosperidade ou no infortúnio: conta seus segredos ao amigo...... não abandona seu amigo no infortúnio........... .. cumprir seus deveres para com eles...... Há quatro maneiras segundo as quais o que causa a ruína deve ser considerado como inimigo: acompanha aquele que se embriaga.... guarda os segredos do amigo........ Eis aí como um nobre discípulo cumprimenta as seis direções que devem representar: Leste os pais.. elogia seu amigo quando presente e o deprecia.. há quatro modos de agir como amigo sincero: dissuade seu amigo de cometer um mal. existem quatro maneiras de agir como amigo sincero: não se regozija do infortúnio do seu amigo....... Para aquele que ajuda existem quatro modos de agir como amigo sincero: proteger o estonteado. aprova boas ações...os servidores.... ocupa-se do que não é proveitoso e.. perambula em sua companhia à noite.... Norte ......... Nadir .... Zênite ... acompanha-o nos espetáculos degradantes........... quando ausente.......... encaminhando-os para o bem...... cuidar deles........ Há cinco maneiras para os pais demonstrarem bem-querer aos filhos.....os mestres.. aconselhá-los na escolha de uma companheira e...... aquele que permanece o mesmo na prosperidade ou no infortúnio. ajuda-los pecuniariamente..... a direção Leste é protegida e em segurança.. respeitar com compreensão a tradição da família.. sacrifica seu bem-estar e sua própria vida para o bem do seu amigo... ser um refúgio nas ocasiões oportunas e sobrevir as suas necessidades na hora certa..................... Estes são os cinco modos como os filhos honram os pais e onde os pais provam seu bemquerer aos filhos. se associa nos jogos que causam preocupações... aquele que dá um bom conselho e que demonstra verdadeira simpatia... apóia aqueles que o louvam...... Há diversos modos de um filho render homenagem a seus pais... Para aquele que demonstra a verdadeira simpatia..... Há quatro categorias de amigos.... Desta maneira............ ensinar-lhes um ofício...........os religiosos... defender os bens do seu amigo.... simbolizados pelo Leste: tendo sido cuidado por eles... Há quatro maneiras pelas quais aquele que adula.. ele se esquiva. ...... chamados amigos de coração (sinceros): aquele que ajuda. faz seguir o bem............ deve ser considerado como inimigo: aprova más ações. .. simbolizados pelo Oeste: afastá-los do mal...

assim tratada. propagando sua boa reputação. fornecendo alimento e salário. garantindo-lhe a segurança. Assim. fazendo compreender aquilo que ignoravam. palavras agradáveis. eqüitativo e leal. deitando-se depois dele. benevolência. simbolizados pelo Zênite: mediante boas ações. tratando bem os vizinhos e visitantes. apresentando-os a seus amigos e colegas. por sua vez. cumprindo seus deveres à perfeição. simbolizados pelo Nadir: dando-lhes um trabalho de acordo com suas habilidades e capacidades. não o abandonam no perigo e são indulgentes para com seus filhos. Há cinco modos pelos quais um patrão deve tratar seus servidores e empregados. sendo fiel. dando temporariamente férias e gratificações.207 Há cinco maneiras segundo as quais um aluno deve seguir seu professor simbolizado pelo Sul: estar sempre presente. Os amigos e colegas assim tratados demonstram. sendo diligente no cumprimento das suas tarefas. desta maneira. A esposa assim tratada mostra seu bem-querer. explicando o . guiando-os ao bem. assim como a seus bens quando está inatento. obedecê-lo. respeitando o trabalho do marido. a direção do Nadir permanece protegida e em segurança. sendo prestativo. simbolizada pelo Oeste: sendo cortês e presenteando-a. mostram sua benevolência aos leigos: afastando-os do mal. Há cinco modos pelos quais se deve servir os religiosos. provendo as suas necessidades. sendo fiel. cuidando-os quando enfermos. a direção Sul permanece protegida e em segurança. A esposa. Há cinco modos de servir seus amigos e colegas. assim tratados. ocupar-se pessoalmente dele e estudar com atenção seu ensinamento. os amigos e colegas demonstram. tomando só o que lhes é dado. Os religiosos. protegendo-o pessoalmente. seu bem-querer. demonstram para com eles seu bem-querer e. desta maneira a direção Oeste permanece protegida e em segurança. Os servidores e empregados assim tratados demonstram seu bem-querer ao patrão levantando-se antes dele. desta maneira a direção Norte permanece protegida e em segurança. ensinando-lhes a melhor disciplina dando-lhes melhor conhecimento. demonstra seu bem-querer a seu esposo. solícito. falando afável e cortesmente. simbolizados pelo Norte: sendo generoso. cuidando pela segurança deles em todas as circunstâncias e lugares. escutá-lo atentamente. nunca faltando com o respeito que ela merece. cumprindo conscienciosamente suas tarefas. reconhecendo-lhe a autoridade. ensinando-lhes as artes e as ciências. não lhes fechando sua porta. amando-os. pensamentos amáveis. por sua vez. deste modo. O mestre assim tratado demonstra sua benevolência aos discípulos. Há cinco maneiras pelas quais o esposo deve honrar a esposa. Os professores bem tratados por seus alunos.

este alcançará a glória..... de modos irrepreensíveis e inteligente. Desta maneira..Ó brâmane.VASSALA SUTTA Certa vez........... que faz amigos.... ou indicasse o bom caminho àquele que se havia extraviado. humilde e dócil......... e não sente compaixão para com os seres viventes..... A generosidade.. Aquele que é enérgico... chegou onde morava o brâmane Aggika Bharadvaja. ... um conciliador. de hoje em diante até o fim da minha vida.... este alcançará a glória.Então.. pária!" Ouvindo isso.... Aquele que destrói ou sitia aldeias e cidades e se comporta como inimigo. E eu também. que adotou opiniões errôneas e mentirosas. um instrutor. em Savatthi... detém-te.... Queira o Sublime aceitar-me como discípulo leigo.Não. (Digha-Nikaya.. Aquele que é sábio e virtuoso.. Aquele que é hospitaleiro. vendo o mendicante aproximar-se........ que este seja considerado um pária... a direção do Zênite permanece protegida e em segurança. ... indicando o meio que conduz aos caminhos mais elevados.... reconhecendo o Mestre não sei e gostaria que o Bem-Aventurado me ensinasse.. que é um guia. o serviço prestado aos outros.... asceta).. que é liberal e sem egoísmo. a fim de poder reconhecer um pária e as condições que fazem de um homem um pária. malvado.......) *1 QUEM É O PÁRIA? ..... a igualdade para com todos em qualquer oportunidade são as qualidades indispensáveis ao mundo... quando o Bem-Aventurado morava no mosteiro de Anathapindika..... rouba o que pertence a outros e Se apropria do que não lhe foi dado..... me refugio no Buda... o que é um pária e quais são as condições que fazem um homem ser um pária? ... escuta e sê atento.. Tendo assim falado o Bem-Aventurado.. Aquele que faz sofrer seres vivos. no ovo ou depois de nascido. Senhor. o jovem Sigala exclamou: ....... que este seja considerado um pária. este alcançará a glória... sabes. hipócrita.208 que já ouviram.. na aldeia ou na floresta... vociferou: "Não avances. que este seja considerado um pária Aquele que.. .... imperturbável no infortúnio........ brâmane.exclamou...... O brâmane.. detém-te... as palavras amáveis.. XXXI..... saiu em mendicância de casa em casa... Assim foi exposta a doutrina pelo Bem-Aventurado.. O homem que é colérico.... venerável Gautama. ativo. meigo e compreensivo.. por acaso.... no Parque Jeta. como a cavilha do cubo que faz andar a roda.Isto é excelente. no Dhamma e na Sangha. o Bem-Aventurado respondeu: . ou levasse um facho de luz na obscuridade para que aqueles que tem olhos possam ver. que este seja considerado um pária... rancoroso.. cabeça raspada. o fogo do sacrifício estava aceso e as oferendas expostas. ou revelasse o que estava oculto.... Senhor! É como se alguém levantasse o que estava derrubado...... .. ó miserável samana (recluso.

209 Aquele que contraiu uma dívida e engana seu credor. (Sutta Nipata. que acabo de descrever. Aquele que por cobiça ataca um viajante para roubá-lo. que ele seja considerado um pária Aquele que injuria o Buda ou seu discípulo. mergulhado na ignorância. Aquele que aceita ser recebido e servido em casa alheia e não retribui a hospitalidade. que é invejoso. podendo fazê-lo. astuto. que este seja considerado um pária. é o maior ladrão. Aquele que fere com palavras seus pais. que este seja considerado um pária Aquele que por falsidade engana um brâmane ou um samana ou qualquer indivíduo. que este seja considerado um pária. que é avarento. levanta um falso testemunho. Aquele que profere palavras coléricas e nada oferece a um brâmane ou a um samana. que este seja considerado um pária. são verdadeiramente párias. dá maus conselhos e faz intrigas. Aquele que cobiça ou possui mulher alheia. . parentes ou estranhos. que este seja considerado um pária. Uma pessoa assim disputa e não consegue vencer o motivo da disputa. que este seja considerado um pária. Aquele que não ajuda seus pais quando necessitados ou velhos. 7. que este seja considerado um pária. que ele seja considerado um pária. que este seja considerado um pária Aquele que se vangloria e despreza os outros por orgulho. verdadeiramente. sendo consultado. que este seja considerado um pária . os tem também contrários a outros sistemas.) O MELHOR: PARAMATTHAKA SUTTA A pessoa que tem preconceitos favoráveis a determinado sistema filosófico. o mais baixo dos pária de todos os mundos. que este seja considerada um pária. Aquele que. dizendo-lhe: "Não vos devo nada". chegado na hora da refeição. sendo ele mesmo desprezível. PELAS PRÓPRIAS AÇÕES NÓS NOS TORNAMOS PÁRIAS. NÃO É PELO NASCIMENTO QUE NÓS NOS TOMAMOS UM BRÂMANE. POR NOSSAS PRÓPRIAS AÇÕES NÓS NOS TOMAMOS UM BRÂMANE. pela forca ou por consentimento. que tem desejos baixos. que ele seja considerado um pária. que este seja considerado um pária. I. que este seja considerado um pária. Estes todos. por dinheiro e riquezas. Aquele que. Aquele que desperta a ira a outrem. NÃO É PELO NASCIMENTO QUE NOS TORNAMOS PÁRIAS. e não tem vergonha ou temor de cometer o mal. Aquele que cometeu uma ação má e espera que ninguém o saiba e fazendo o mal esconde-se. não dá a ínfima esmola e despreza os que dão esmolas modestas. Aquele que pretende ser um santo sem o ser. Aquele que por próprio interesse ou interesse de outros. é. um monge mendicante ou um leigo.

pois que os elogios delas oriundos são inúteis. de nada valem. procurando angariar elogios. ao se sentirem vencidas no debate. mantém-se inatingível pelo preconceito. o elogio sobe-lhe. por isso mesmo. enfim. Esmagar o opositor é para elas uma verdadeira delícia.210 Ela se apega a tudo o que parece "bom". as disputas. nunca se deixará iludir. como também deve mostrar-se favorável a qualquer deles. Também não deve basear a sua fé na virtude. então. portanto. quer por suas ações. Se a opinião dos que ouvem lhes for desfavorável. Para ele não mais se faz necessário qualquer esforço no sentido de transformar-se nisto ou naquilo. Todos os que possuem experiência nesse campo concordam em que o homem que rotula uma coisa deverá tornar-se.) * SERMÃO A PASURA SOBRE AS DISCUSSÕES: PASURA SUTTA Algumas pessoas costumam afirmar: "Esta doutrina é a que torna os homens puros". Evitai. (Sutta Nipata. Em alguns casos. que soe "bem". . Ele não se deve fundamentar num sistema organizado de filosofia. nada há que prefira e não se prende a nenhuma filosofia. nunca mais voltar. Livre de preconceitos e de simpatias. ou na tradição. e sem se deixar influenciar por convenções. chamando-se tolas umas às outras e recorrendo a velhos e repetidos argumentos. Nada há que aceite. essas contendas chegam a provocar brigas e até pancadaria. e assim é que. nem “pior" do que os outros e nem mesmo "igual". envergonhar o rival. nem ao que ouve. Ela se apega às ações que em particular lhe pareçam boas. o vencedor dessas querelas enche-se de orgulho e se exalta. deixa de estudar as diversas filosofias por não mais carecer do consolo que elas possam oferecer. logo se afligem e passam a guardar rancor a seu adversário. Ele não se escraviza a regras preestabelecidas. quaisquer que elas sejam. quanto pense ser bom e." Cada qual considera sua própria doutrina a única certa. As pessoas assim perdem a noção do razoável e começam a discutir entre si. ou nas vitórias que alcance. o indivíduo disciplinado não pertence a qualquer religião formal. É por este motivo que o indivíduo disciplinado não deve dar colorido ao que vê. incapaz de vê-la como naturalmente é. Não se considera "melhor". a todos os instantes. quer por suas palavras. a tudo. Não é por suas virtudes ou por seus feitos gloriosos que o verdadeiro brâmane há de atingir a outra margem para de lá. apresentam-se como autoridades no assunto. Com relação às coisas que vê e que ouve. Têm pavor de ser derrotadas pela dialética alheia. em particular. Além disso. Atthaka 5. um brâmane como esse nunca se deixará levar. ao mesmo tempo em que procuram. nem a qualquer seita. enquanto outras dizem: "Aquela outra doutrina é que dá pureza. ao fazê-lo. tais pessoas logo se mostram aborrecidas e irritadas. tanto neste mundo quanto no próximo. rotula as demais coisas de más. devendo limitar-se à contemplação do fato em si. à cabeça.

lágrimas.) DIALOGO SOBRE A DISCÓRDIA: KALAHAVIVADA SUTTA Interrogante: . enquanto prevalecerem as noções preconceituosas de "bom" e de "mau". que vós não estais interessados em discussões. mas não conseguiste acompanhar-lhe o ritmo. (Sutta Nipata. lágrimas. embora não se trate aqui de nenhum combate. vaidade.As noções "bom" e "mau" resultam das associações mentais das impressões. I. Atthaka 8.Qual é a origem das idéias preconceituosas? Será possível evitá-las? E o que quereis dizer com evolução e desintegração? Buda: . sempre hão de existir. uma queda.. e sem estas associações mentais. A dúvida pode ser desfeita pelo conhecimento. não é?.211 A semelhante orgulho segue-se. numa tentativa de vencer com elas um ser perfeito. etc.As discórdias e rixas com seu inevitável cortejo de dores. bem assim como as esperanças e temores do homem com relação ao renascimento. aos que seguem seu caminho sem jamais enunciarem qualquer teoria própria em oposição as tuas. renunciai às disputas. sem qualquer cerimônia e bem claramente. Quando os adeptos de um determinado partido começam a discutir.O que é que causa o desejo? Por que se acumulam tantas teorias a seu respeito? De onde provém a cólera. meu herói. arrogância e difamação? Buda: . I. . O próprio egoísmo é fonte de discórdias e disputas e estas dão origem à difamação. assim também é que tu deves prosseguir. a dúvida. vaidade.. Sem estas associações mentais não há as idéias preconceituosas de "agradável" e "desagradável". I. ao passo que as teorias se baseiam na interpretação errônea do que sejam a evolução e a desintegração. Mas que poderás tu dizer.As paixões nascem do desejo. Da mesma forma como o campeão real vai destemidamente lançando por aí seu desafio. Do desejo surge também a ambição. cada um deles convencido de que seu partido é que tem razão. pois o disputante agora se excede e na sua arrogância torna-se intolerável. a dúvida e tudo o mais de que nos fala o Samana Gautama (Buda)? Buda: O desejo resulta de nos aferrarmos às noções preconceituosas de "agradável" e "desagradável". a mentira.De onde surgem as paixões e as ambições? E qual é a origem das esperanças e temores do homem com relação ao renascimento? Buda: . a mentira. pois que elas jamais conduzem à pureza. arrogância e difamação devem-se as paixões pessoais. dizei-lhes. Pasura. egoísmo. A cólera. . Ao verdes isto. Todas estas coisas estão contidas nos ensinamentos do Samana.Qual o motivo das discórdias e rixas e do seu inevitável cortejo de dores. egoísmo. Pasura. habitualmente. .. uma vez que eles não se apegam a qualquer conceito? Cheio de confiança em tuas próprias teorias vieste aqui. tampouco há evolução e desintegração.

diz um outro ser "falso". todas as "autoridades" eivadas de teorias seriam idiotas. Aquele que se deixa iludir pelo que vê e pelo que ouve. como pode ser que estejam sempre a discordar.Se pelo simples fato de alguém discordar de outrem é qualificado de "idiota". e por que razão não dizem todos eles a mesma coisa? Buda: A verdade é uma só e por esse motivo os sábios nada tem que debater. chamado de tolo. – O que um deles classifica como "verdade". I. Buda: . fixa-se em suas idéias e critica os demais.As impressões mentais dependem de nome e forma.Não há como perceber a forma.Senhor. 11. Sem forma. por se considerar autoridade sem prender-se à critica. o sábio reconhece esses conceitos como entraves e grilhões. pois que é indiferente as teorias. I. Não espereis ouvir a verdade daquele que chama os outros de "idiota". Se cada teoria revelasse a verdade e qualificasse o seu expositor como "autoridade"..De que dependem estas impressões e qual o motivo de a elas nos aferrarmos? Como se pode eliminar o obstinado desejo de posse? Como se hão de acabar as impressões mentais? Buda: . I.Mas como pode ser que cada uma destas autoridades considere a sua versão pessoal como sendo a própria verdade? Poder-se-á confiar. .Não existe verdade alguma além da que é fornecida pela percepção sensorial.) "OS DONOS DA VERDADE": CULLAVIYUHA SUTTA Interrogante: . Atthaka. I. porque o conceito oposto terá. não haveria impressões. cada um considera a sua própria opinião como "verdadeira" e quem quer que dela discorde é. se aderirmos firmemente ao exposto.Mas como poderá o homem existir sem forma? E como se hão de extinguir tanto o prazer como a dor? É isto o que eu gostaria de saber. ou quando se tenham atrofiado.. Mas como cada um desses disputantes tem sua versão pessoal da verdade. pela virtude.Cada pregador. Em sua tranqüilidade. Disputam os pregadores entre si.Uns dizem ser a pureza alcançável nesta vida. surge o atrito. seremos salvos. (Sutta Nipata. Quem nos há de apontar qual deles seja o certo? Não é possível que todos sejam autoridades conforme alegam. Para finalizar. que a verdade por eles enunciada tenha realmente sido a verdade? Ou será que inventam pura e simplesmente suas teorias? Buda: . ao expor seu tema predileto. mas se o rejeitarmos. nesse caso. então. jacta-se de ser "um sábio" e acredita . quando as percepções são anormais. Mas não debate estes conceitos. torna-se cada vez mais exagerado.. nesse caso. então. chamando-se uns aos outros de "ignorantes" e até mesmo de idiotas. Buda: .212 I. Ao reconhecê-lo. por suas vitórias e sucessos. então todos eles seriam autoridades. No exato momento em que te aferras ao conceito de que algo é "verdadeiro". as suas contendas são intermináveis. Ao criticar os outros seu egoísmo se expande e. É aí então que. num trasbordamento do autoconceito que de si mesmo faz. A ilusão é conseqüência da percepção. respondestes a todas as perguntas. perdidos e condenados. ele próprio deles se liberta. outros declaram que a morte traz o aniquilamento. ou deixado de existir. e assim por diante. que ser rotulado de falso. costuma afirmar que. respondei para mim mais essa: "Será que os sábios consideram a pureza de coração algo possível de alcançar-se nesta vida? Ou será que mais ainda se há de precisar em outras vidas?" Buda: . O motivo pelo qual nós nos aferramos a elas é o desejo. Desejo que gera pensamento de posses.

no Parque Jeta. ter cuidado para com a família. Para aqueles que procuram saber quais as verdadeiras coisas benéficas.esta é uma grande bênção. 4. um deva2 de radiosa beleza apareceu-lhe à meia-noite. Atthaka. é o único que conduz à perfeição". do apego e do medo . Abstei-vos. consequentemente. Ser instruído em ciências e em artes.esta e uma grande bênção.esta é uma grande bênção." E o Buda falou como se segue: . mas sim aos sábios. Manter uma mente imperturbável no turbilhão do mundo.esta é uma grande bênção.esta é uma grande bênção. Conduzir-se com dignidade e doçura. Aqueles que seguem estes princípios nunca serão vencidos. estar livre de tristezas. Se alguém o chama de confuso. falar da Lei no momento oportuno . tratar bem a esposa e filhos. portanto. 12. (Sutta Nipata. "Meu método é infalível. irão sempre em direção à felicidade e para eles isto será uma grande bênção. Tais comentários os expõem a ataques por parte das outras autoridades e. ter a visão interior profunda das Nobres Verdades e a compreensão absoluta do Nirvana . desenvolver convenientemente o caráter . levar uma vida pura.213 serem os seus conceitos irrefutáveis. na cidade de Savatthi. Viver num lugar que nos traga progresso. essas pessoas (cada qual aferrada à sua teoria predileta) prosseguem em suas altercações a vida toda. Ser paciente. honesto. Abster-se do mal. ver e atender a Lei na hora certa . há cada vez mais disputas. saudou-o respeitosamente e dirigindo-se ao Bem-Aventurado disse: "Numerosos são os deuses3 e os homens que discutem sobre as bênçãos que trazem felicidade. ouvi. De cada autoridade se há de ouvir a afirmação de que aqueles que seguem uma filosofia diferente da sua.) A PARÁBOLA DO PANO: VATTHUPAMA SUTTA (Discurso Sobre as Impurezas da Mente) . Desta forma.Não se associar aos insensatos. Ser ponderado. render homenagem àqueles que merecem ser honrados . abster-se de tóxicos.esta é uma grande bênção. estar contente e reconhecido. cortês. recolher os benefícios de méritos adquiridos anteriormente. agir de modo justo . Aproximando-se. alardeiam em autopromoção todos esses pseudo-sábios. utilizar palavras certas e apropriadas . estar atento à prática do bem .) AS BÊNÇÃOS: MANGALA SUTTA Assim. realizar boas ações . (Sutta Nipata II. Cuidar dos pais. ser disciplinado e culto. procurar a companhia de monges ou sábios.esta é uma grande bênção. Quando o Bem-Aventurado habitava o mosteiro Anathapindika.esta é uma grande bênção. Ser caridoso. logo replica "confuso é você"'.esta é uma grande bênção. de toda e qualquer teorização com suas inevitáveis disputas. embora cada qual a seu turno se considere um "sábio".esta é uma grande bênção. não conseguirão jamais atingir a pureza e a perfeição. eu vos peço explicá-las.

monges. quando a mente está impura podemos esperar infelizes conseqüências. ó monges. monges. a negligência. ele a rechaça. ele a rechaça. a difamação. . ele a rechaça. a malquerença. a mentira. a maldade é uma impureza da mente. o ciúme. a avareza. ele a rechaça. Assim. do mesmo modo. o Bem-Aventurado residia no mosteiro de Anathapindika. a arrogância é uma impureza da mente. a autosuficiência uma impureza da mente. ele a rechaça.214 Uma vez. esta impureza cia mente. Desta maneira. esta impureza cia mente. a arrogância. a obstinação é uma impureza da mente. esta impureza da mente. a impetuosidade é uma impureza da mente. esta impureza da mente. a impetuosidade. as impurezas da mente? A cobiça e o desejo são impurezas da mente. Sabendo que a cólera é uma impureza da mente. monges. Sabendo que a malquerença é uma impureza da mente. esta impureza da mente. a difamação é uma impureza da mente. no Parque Jeta. a cobiça e o desejo. ele a rechaça. e assim falou: . Sabendo que a presunção é uma impureza da mente. a presunção é uma impureza da mente. que um pano sujo e manchado. laranja). ele a afasta. sabendo que a cobiça e o desejo são impurezas da mente. Sabendo que a difamação é uma impureza da mente. essas impurezas da mente. esta impureza da mente. esta impureza da mente. esta impureza da mente. assim. podemos esperar felizes conseqüências. a cólera é uma impureza da mente. monges. Assim. porque o tecido está limpo. Sabendo que a mentira é uma impureza da mente. a obstinação. um monge. são rechaçadas. a mentira uma impureza da mente. vermelha. ele a rechaça. Sabendo que a negligência é uma impureza cia mente. a cobiça e o desejo. ele a rechaça. E quais são. torna-se de uma cor pouco nítida. vermelha ou laranja). estas impurezas da mente. esta impureza da mente. quando a mente está pura. esta impureza da mente. esta impureza da mente. a auto-suficiência. é que um pano sem manchas. Sabendo que a arrogância é uma impureza cia mente. mergulhado em qualquer tinta (azul. este monge. amarela. Sabendo que a auto-suficiência é uma impureza da mente. Sabendo que o ciúme é uma impureza da mente. mergulhado em qualquer tinta (azul. sabendo que a cobiça e o desejo são impurezas da mente. ele a afasta. ele a rechaça. ele a rechaça. esta impureza da mente. a malquerença ou má vontade é uma impureza da mente. a negligencia é uma impureza da mente. em Savatthi. a cólera. esta impureza da mente. a hipocrisia. torna-se de uma cor limpa e nítida. esta impureza da mente.Da mesma forma. Sabendo que a impetuosidade é uma impureza da mente. a hipocrisia é uma impureza da mente. a fraude é uma impureza da mente. a presunção. Sabendo que a obstinação e uma impureza da mente. a maldade. o ciúme é uma impureza da mente. ele a rechaça. ó monges. Sabendo que a maldade é uma impureza da mente. Sabendo que a hipocrisia é uma impureza da mente. Sabendo que a avareza é uma impureza da mente. ele as rechaça. amarela. ele a rechaça. porque o tecido está sujo.

desapegado. perfeito na Sabedoria e na conduta. a mente daquele que sente o bem-estar se concentra. Naquele que é feliz. ou o ouro passado pelo cadinho toma-se puro e brilhante. em outras direções: para cima. São. perfeitamente e plenamente Desperto. liberto. em outras direções. pensando: "Estou repleto de uma firme confiança na Doutrina. A comunidade dos discípulos do Bem-Aventurado é de conduta reta. Naquele que é feliz. Conhecedor dos mundos. em virtude disto. os quatro pares de seres. o corpo se acalma. E. sabendo: . esse monge dotado de tal moralidade. sem ódios e isento de inimizade. obtêm a felicidade produzida pela doutrina. em cada parte e na totalidade do Universo. do mesmo modo. livre. Guia Incomparável dos seres que precisam ser guiados. em cada parte e na totalidade do Universo. assim. A comunidade dos discípulos do Bem-Aventurado é de conduta correta. naquele que é alegre. estou desligado. sua mente não fica afetada por tal alimento. este monge. ele obtém o conhecimento da compreensão. Permanece irradiando pensamentos de compaixão em uma direção no espaço e. Ele permanece irradiando o pensamento de compaixão. porém sua mente não é afetada por estes alimentos.Reafirmo-me numa confiança convicta em Buda (Completa compreensão). da mesma maneira. A comunidade dos discípulos do Bem-Aventurado é de conduta honesta e decorosa. digna de hospitalidade. Permanece irradiando pensamentos de benevolência em uma direção do espaço e. a mente que desfruta o bem-estar se concentra. isento de inimizade. aquele cujo corpo se acalmou." Ele alcança o conhecimento da compreensão." E então. convidando a ser compreendida. o Arahant. nasce a alegria. monges. aquele cujo corpo se acalmou. observando: "Em virtude disto. Ele está repleto de uma firme confiança na comunidade . para baixo. de tal qualidade.Bem exposta pelo Bem-Aventurado é a Doutrina. sabendo: . o maior campo de méritos para o mundo.Dhamma -. alcança o conhecimento da doutrina. é a Comunidade dos discípulos do Bem-Aventurado digna de oferendas. que um tecido sujo e manchado lavado em água clara se toma limpo e de cor nítida. obtendo também a felicidade produzida pela doutrina. sem limites e sem ódios. a mente daquele que sente o bem-estar se concentra. profundo. emancipado. da mesma maneira. este monge fica desapegado. nasce a alegria. observando: "Reafirmo-me numa confiança firme na comunidade. alcança a felicidade produzida pela doutrina. profundo. alcança o conhecimento da doutrina. Instrutor dos Deuses (seres divinos) e dos homens . largo. se alimentando sem grãos pretos com caldos de legumes e curry. os oito seres4.o Buda. sabendo: A comunidade dos discípulos do Bem-Aventurado é de conduta pura. efetivamente. de um modo imediato. amplo. Ele torna-se repleto de uma firme confiança na Doutrina . através. de tal moralidade. compreensível para os esclarecidos. experimenta o bemestar. através. naquele que é alegre. Assim. sem limites. liberto pensando: . Ele permanece irradiando o pensamento de benevolência." Ele alcança o conhecimento da compreensão. de tal sabedoria. de tal qualidade. dando resultados aqui mesmo. Ele obtém o conhecimento da doutrina. de tal sabedoria. sente o bem-estar.Sangha -. nasce a alegria. monges.215 Desta maneira ele se afirma de uma firme confiança no Buda. o corpo se acalma. para cima. . se alimenta sem grãos pretos (pimenta). com caldos de legumes e curry. aquele cujo corpo se acalmou. Da mesma forma. Naquele que é feliz. digna de respeito.Assim é o Bem-Aventurado. para baixo. conduzindo à perfeição. naquele que é alegre. o corpo se acalma. digna de dons. emancipado. sente o bem-estar.

Durante este tempo. porque. ele sabe: "O nascimento foi destruído. mostrar o caminho aquele que se extraviou. Isto se assemelha. Muitos indivíduos se lavam de suas más ações no rio Bahuka. Assim me ." Quando sabe isto e vê. o brâmane Sundarikabharadvaja estava junto do Bem-Aventurado. sem ódio e liberto de inimizade. vem o conhecimento: "Isto é a libertação". cada dia é sagrado. para baixo. a mente se liberta do obstáculo da ignorância.Por que. tomou clara a doutrina de diversas maneiras. Compreende então: "Isto é assim. também. banha-te aqui. que age de modo puro. da mesma maneira. a vida nobre é vivida. por mais que nele se banhe. sem ódio e liberto de inimizade. em cada parte e na totalidade do Universo. há sempre vigilância. profundo. Para o puro. através. ó monges. revelar aquilo que estava oculto." Isto é denominado. Estende o pensamento de paz a todos os seres. existem a involução. sem limites. profundo. o Bahuka é conhecido como rio sagrado por inúmeras pessoas. assim.No rio Bahuka tanto quanto no Adhikakka. o Bem-Aventurado dirigiu estas estâncias ao brâmane Sundarikabharadvaja: . Se não usas palavras falsas. o brâmane Sundarikabharadvaja disse ao Bem-Aventurado: "Maravilhoso. a mente se liberta do obstáculo do desejo de existência. Venerável Gautama. No Gaya e no Sundarika. a emancipação ulterior deste estado consciente. Na corrente do Bahumati. aquilo que devia ser concluído está terminado. Que fará o Sundarika ou Payaga e o rio Bahuka? Eles não purificam o homem rancoroso que cometeu más ações Para aquele que é puro. o Bahuka é reconhecido como purificador por numerosas pessoas. ou levar uma lâmpada na obscuridade pensando: 'Que aqueles que tem olhos possam ver'. Jamais se purificará. É sempre o tempo de Phaggu (mês considerado como propício). o venerável Gautama.O Venerável Gautama vai se banhar no rio Bahuka? . Quando está liberto. No Payaga e no Sarassati. Isto dito. brâmane. a realização. venerável Gautama. Permanece irradiando o pensamento de equanimidade em todas as direções do espaço: para cima. em outras direções: para cima. Para o puro. Então. a mente se liberta do obstáculo do desejo sensual. Ele permanece irradiando o pensamento cie equanimidade largo. O que irás fazer no rio Gaya? Teu poço também é o Gaya. a levantar aquilo que estava derrubado. sem limites. Um louco cujas ações são negras. Ó brâmane. Ele permanece irradiando o pensamento de simpatia largo. venerável Gautama. Se não prejudicas vidas.216 Permanece irradiando o pensamento de simpatia alegre pela felicidade alheia em uma direção do espaço e. Se tens confiança e estás livre de cobiça.Porque. a quem se dirigiu nestes termos: . em cada parte e na totalidade do Universo. através. nada mais resta a ser cumprido. um monge lavado pelo banho interior. Venerável Gautama. Se não te apoderas do que não é teu. para baixo. no Bahuka? O que me fará o rio Bahuka? .

. esse incomparável objetivo da vida santa. retirado. ardente. a formação mental e a consciência. se encontrava em Rajagaha. a vida nobre é vivida. vigilante. juntamente com vários dos maiores Bodhisattvas e um grande número de Bhikkhus. 7. absorvido no Samadhi. nem a formação mental é diferente do vazio. aquilo que ficou por concluir está terminado. influenciado pelo Abençoado. nada mais resta a ser cumprido. O Abençoado estava absorvido no Samadhi e o Nobre Avalokitesvara meditava sobre o profundo Prajna-paramita." Assim o venerável Bharadvaja se tomou Arahant. a sensação é vazia de substância própria. ele o alcançou aqui mesmo nesta vida. A forma é vazia de qualquer substância própria e o vazio não diferente da forma. Poderei eu ser admitido ao lado do venerável Gautama. (Majjhima-Nikaya. a sensação. a percepção é o vazio. nem a percepção é diferente do vazio. atingiu rapidamente seu objetivo para a realização do qual os filhos de famílias nobres abandonam o lar para uma vida errante. na realidade. na verdade. a sensação é o vazio. Após a sua ordenação. Também a formação mental é vazia de substância própria.Se um homem ou uma mulher quisesse estudar o Prajna-paramita. desprovidas de substancia própria. Compreendeu: "O nascimento é destruído.) *3 A MAIS ALTA E PERFEITA SABEDORIA: MAHA-PRAJNA-PARAMITA **4 Assim. o vazio não e diferente da sensação. ouvi. o brâmane Sundarikabharadvaja foi admitido ao lado do BemAventurado e recebeu a ordenação. o vazio não é diferente da formação mental. o vazio não é diferente da percepção. O venerável Sariputra. poderei eu receber a ordenação?" Pouco tempo depois. no monte Gridhrakuta. a forma é o vazio. perguntou ao Nobre Bodhisattva Avalokitesvara: . certa vez. como poderia fazê-lo? O Nobre Avalokitesvara respondeu: . em sua Doutrina e na comunidade dos monges. na realidade. resoluto. a percepção. a formação mental é o vazio. nr. na verdade. que são. estando só. Deverá refletir: "Personalidade? O que é personalidade? Será uma entidade permanente ou será feita de substâncias impermanentes que desaparecem?" A personalidade é composta dos cinco Agregados do apego: a forma. Da mesma forma.Deve o homem ou mulher primeiramente se livrar de todas as suas idéias egocêntricas.217 refugio no venerável Gautama. por natureza. Também a percepção é vazia cie substancia própria. nem a sensação é diferente do vazio. o venerável Bharadvaja. o Abençoado.

essa personalidade pode alcançar o Nirvana. Por que não há obtenção do Nirvana? Porque o Nirvana é o domínio do não-"pensar". ele também ultrapassa a discriminação e o conhecimento. ele deve ir além da consciência. nem a consciência e diferente do vazio. nem ignorância. nem sensação. Para realizar o Nirvana. tendo alcançado o mais alto Samadhi. leva contigo em segurança todos os teus seguidores para a outra margem. Na Realidade não há olhos. Não há nem visão. nem gustação. ó Sariputra. o Grande. ele já estará se deliciando no Nirvana. Somente porque a personalidade é constituída de elementos impermanentes que se desintegram. nem audição. nem ouvidos. presente e futuro. ele estará ainda habitando o domínio da consciência. da verdade Transcendental. nem língua. Misterioso Mantra: . parasam gate. tendo transcendido a consciência. eles não são perfeitos nem imperfeitos.218 Também a consciência é vazia de substância própria. gate. vá em segurança à outra margem. nem olfato. Assim sendo. portanto. nem não-obtenção do Nirvana. svaha! KISA GOTAMI *5 . ó Prajna paramita! Que assim seja! Gate. o vazio não é diferente da consciência. Ó Prajna-paramita! Verdade Transcendental que se estende ao agitado oceano de vida e morte. nem sem culpa. para gate. No mais profundo Samadhi. se encontram na realização da Suprema Sabedoria. não se poderia alcançar o Nirvana. que realiza o fim de todos os sofrimentos. Se o ego-alma cia personalidade fosse uma entidade permanente. para a Iluminação. bodhi. todas as coisas que têm a natureza do vazio não tem nem o princípio nem o fim. nem processo mental. nem mente. não há obtenção do Nirvana. na verdade. nem cessação de ignorância. a consciência é o vazio. Não há decadência ou morte. nem destruição dia noção de decadência e morte. todos deveriam procurar a auto-realização cia Suprema Sabedoria Prajna-paramita. Todos os Budas do passado. Na Realidade (no Absoluto) não há as Quatro Nobres Verdades: não há Dor. nem percepção. Não há o conhecimento do Nirvana.Vá. nem Nobre Caminho que leva à cessação da Dor. Assim sendo. nem formação. No vazio não há forma. nem tato. nem sensibilidade do contato5. nem cessação da Dor. nem conhecimento6. A perfeita compreensão e a paciente aceitação disso são a mais alta e perfeita Sabedoria Prajna-paramita. transcendendo as garras do medo. nem nariz. Enquanto o homem estiver à procura da mais alta e perfeita Sabedoria. Não há destruição de objetos ou cessação de conhecimento. Ouçam o mantra. nem causa da Dor. a verdade que é eternamente verdadeira. nem consciência. nem objetos desse processo mental. Eles não são culpados. Superior. ó Sariputra.

porque nem pelo pranto. ia com o filho morto de casa em casa. . pedindo um remédio. meu filho estava brincando entre as flores e tropeçou numa serpente que se enroscou no seu braço. Então. não se perturba. Escuta! Derramaria eu meu sangue se. Porém o sábio. porém já morreu nosso escravo. porém só a deves receber de uma casa onde nunca tenha entrado a morte. Kisa Gotami voltou chorosa para o Buda dizendo-lhe: . Kisa Gotami foi ver o Buda e exclamou chorando: . hoje. filho. apesar de tudo. nem irmã. entre as flores silvestres. A vida corporal do homem acaba partindo-se como vasilha de barro do oleiro. respondiam: . o sono da morte o ser que amas. nem filha.Suplico-te que me digas quem é.Minha irmã. que conhece a lei. Kisa Gotami foi de casa em casa pedindo o grão de mostarda.a morte não faz caso de lamentações. procurando o que não pudeste encontrar. pudesse deter tuas lágrimas e descobrir o segredo para o amor não causar angústia e. há uma coisa que pode curar teu filho e a ti. e as pessoas diziam: "Está transtornada. Não posso aceitar que ele deixe de brincar. irmãzinha. porque os que consultam os médicos tomam o que lhes é receitado. a criança está morta. néscios e sábios.Ah! Senhor. Agora já sabes que todo mundo chora uma dor semelhante à tua.Vai ver o Buda. Kisa Gotami encontrou um camponês que respondeu à sua súplica. Aflita. e volto para ver teu rosto e beijar teus pés. ela lhes devolvia a mostarda e dirigia-se a outros que lhe diziam: . todos estão sujeitos à morte. dizendo: . porém sei de um médico capaz de o dar. E não encontrou nenhuma casa onde não tivesse morrido alguém. mãe. não posso crer na morte de meu filho. nem irmão. não pude encontrar mostarda em casa onde não tivesse havido morte.Não posso dar um remédio para a criança. como todos me disseram e temo tenha acontecido. ao mesmo tempo. suplicando-te que me digas onde encontrar esta semente sem deparar.219 Certa vez uma jovem chamada Kisa Gotami teve um filho e este morreu. . que não queria mamar nem sorrir. não nos conduzir ao sacrifício. na margem do rio. O Mestre respondeu-lhe: .Aqui está a semente. porém quando ela perguntava se já tinha morrido alguém naquela casa. se puderes consegui-la. .Aqui está a semente. com a morte. Procura uma simples semente de mostarda preta.Ah! Poucos são os vivos e muitos os mortos. Transida de dor. Não despertes nossa dor. As pessoas se compadeciam dela e lhe davam. Sobre o teu seio dormiu. ao derramá-lo. achaste o amargo bálsamo que eu queria dar-te. dá-me um remédio que cure o meu filho. pois. através de prados floridos. nem escravo. deixei meu filho. O sofrimento que aflige todos os corações pesa menos do que se concentrado num só. Jovens e adultos.Senhor meu e mestre. Agradecida.Sim. porém o semeador morreu entre a estação chuvosa e a colheita. nem parente. obtém a paz . Senhor meu e mestre. ou que deixe meu colo." Finalmente. Ficou logo pálido e silencioso. E Kisa Gotami respondeu: . onde não tenha ainda morrido pai. O Senhor Buda respondeu-lhe: . nem pelo desânimo. qual mudos animais conduzidos por seus donos.

porque me sinto desfalecer. dá-ma depressa. e encontrou consolo no Dharma. pombinha. Eu sou o Bodhisattva ofereço-te a hospitalidade do meu peito e não tens nada a temer.Quão egoísta sou em minha dor! A morte é o destino comum de tudo o que vive.Pelos deuses. Bendito será quem vencer a dor. um enorme pássaro negro aproximava-se do sábio. E foi logo refugiar-se no Buda. lá vem o abutre.salva-me! Desde esta manha que um abutre me persegue. enterrou-o no bosque. . e murmurou lhe com toda a sua ternura fraterna: . viu uma pomba tão cansada de sulcar os ares pesados. e as leis da hospitalidade não podem ser transgredidas sob pena de castigo. ora interessando-se pela natureza suntuosamente vestida com as cores do infinitamente inteligente.já não posso mais.disse ele . ela conseguiu chegar junto do sábio e deixou-se cair a seus pés. que estava prestes a cair. vi-te esconder a pomba debaixo da túnica. E. De repente. ora perdido em pensamentos. .Podes estar certo de que não a darei.Sossega o teu cotação. da queixa e da lamentação . Bodhisattva . O Bodhisattva pegou a pomba.220 Morre o homem e seu destino está determinado por suas ações. acaba o homem por separar-se de seus parentes ao sair deste mundo..respondeu o sábio porque lhe prometi que estaria em segurança.Suplico-te. antes de ter conhecido a Iluminação. depois desta terrível manhã de caça! Bodhisattva. Sepulta tu mesma o teu filho. que fazia pena ver seu esgotamento. . O AMOR DO BODHISATTVA *6 A lenda que vamos contar exprime o conceito ariano do amor através do Bodhisattva. mas voava também com tanta dificuldade.. isto é. Embora viva dez ou cem anos. Caminhava a passos lentos. escondeu-a na túnica. deve arrancar de sua ferida a flecha do desgosto. . sufocando o amor egoísta que sentia por seu filho. Extenuada pela dor. Estou esgotada e só tenho esperança em ti. Kisa Gotami sentou-se à beira do caminho.gemeu .está ali! Com efeito. Buda. Num último esforço. Foi então que o abutre pousou diante dele. Porém neste vale desolado há um caminho que conduz à imortalidade. aquele que elimina todo o egoísmo . . na doutrina que alivia o coração dilacerado pela dor. pôs-se a meditar no silêncio do entardecer e disse consigo: . O Bodhisattva percorria o campo à procura daquilo que não sabia. as plumas em desordem e visivelmente aflito. Quem deseja a paz da alma. . Vê.

Como o fiel se inclinava para o lado da pomba. Bodhisattva! Não vês que não sou capaz de voar? Se uma raposa me encontra neste estado.Pensa.Gostaria muito de te agradar. estava no limite das forças e ia. que iluminou o Bodhisattva. bateu as e metamorfoseou-se. Forcei a pomba.não te devo privar do teu salário. Então. abutre. O amor só vale quando é total e se dirige tanto ao nosso irmão abutre. as quantidades de carne humana não chegavam a pesar tanto quanto a frágil pomba. Sacrificar a pomba inocente? Impossível! Sacrificar o abutre inocente? Não! Só restava uma solução. Bodhisattva: eu sou um abutre. Como podia ele dizer à pomba que era o salário legíimo do abutre? Deveria deixar o abutre devorar a presa? O seu coração abrasava-se de piedade. a vida de um iniciado não vale mais que o fumo que se evola duma chaminé. . Uma vida por outra vida! O abutre. oferecer-te com a minha carne aquilo a que tens direito. estou perdido! Queres que morra de fome ou seja devorado por um inimigo? Seja.Tens razão.disse ele . um grande pedaço de carne arrancada de seu próprio corpo. ou ao nosso outro irmão..explicou o abutre. Vamos. O Bodhisattva não precisou meditar muito para compreender que abutre tinha razão. dá-me o que é meu! . que tinha contemplado a cena em silêncio.Impossível .Eu sou o deus Indra. cair em meu poder.221 .disse ainda o sábio. mas a pomba também tinha razão em querer salvar a vida e ele também tinha razão em oferecer a hospitalidade do seu peito. Foi este o ensinamento iniciático do Bodhisattva. – É minha. . no outro.e queria por-te à prova! Caiu do céu uma chuva de ambrosia que curou o Bodhisattva. . . o fiel inclinava-se sempre para o mesmo lado. o Bodhisattva subiu para a balança. é esta a minha natureza imposta pelos deuses. num prato pousou a pomba e. .. portanto. Não há dúvida de que estamos diante duma bela lição de amor. mas não te posso dar pelo preço que a pedes. completa e edificante: uma vida vale outra vida. Ela é a recompensa do meu trabalho de abutre e deves dá-la a mim. mas com a voz pouco segura. Quando a agarraste. que também me impuseram o meu alimento.Impossível! . Volta à tua caca. . é o que tens de melhor a fazer! . Por milagre. . o grãozinho de areia. depois mais outro. o Bodhisattva acrescentou um outro tanto da sua carne. surgiram uma balança e uma faca diante do sábio que.disse . cujos pratos se equilibraram imediatamente com uma exatidão rigorosa. vou.. de amor e de cruel incerteza. a quem o deus anunciou que voltaria a encarnar no corpo do próximo Buda. mas a tua consciência sentirá o peso deste crime.Voltar à caca? A tua graça é cruel. . como à nossa irmã pedra. abutre.Essa pomba não te pertence. vou morrer. como seria justo.

a sua extinção e o caminho para extingui-lo. Editora Pensamento. a áurea meditação e sua prática. como ecumênica é toda a doutrina budista. *6 Tradução de Maria Auxiliadora Willieme do Livro dos Senhores do Mundo. etc. Atthaka. Gil Fortes da obra do Bhikkhu Sri Y. 5. 5. Em estilo didático. L’Enseignement du Bouddha. Obra citada. etc. a prolongação de um bem presente. 8. a realização do Não-Eu e do Amor Universal. ritual que consiste em reverenciar os pontos cardeais com as mãos juntas. 4. que faz do autoconhecimento a pedra angular do auto-aperfeiçoamento e o primeiro passo para a plena realização da Sabedoria. Herbert Wilkes e Dr. 2. Esse amplo espírito explica o rápido desenvolvimento atual do Budismo e o crescente interesse que tem despertado em todo o mundo ocidental e oriental. 12 foram traduzidos pelo Prof. o Budismo compreende duas Igrejas: a do Sal e a do Norte. 6. os obstáculos. Os textos do Sutta Nipata. *2. descreve a história do Budismo e do seu imortal Fundador. matemática e adogmática. Nos seus sete capítulos. o Sião (a atual Tailândia). e a do Norte se estende ao Tibete. O Budismo é caracteristicamente uma religião lógica. A Buddhist Bible. *5 Resumo da tradução do Yogi Kharishnanda. Costume de alguns povos indo-europeus.Phala -. suplicando as formas divinas uma graça. Walpola Rahula. . **4 Dwight Goddard.. a Birmânia. *3 Walpola Rahula. Obra citada. na língua ocidental. Historicamente. anjo. Evangelho de Buda. de Robert Charroux. a doutrina das Quatro Nobres Verdades (a existência do sofrimento. traduzido como seres divinos. Obra citada. Deuses. Consciência. A do Sul inclui o Ceilão. veja Graus de Iluminação e Os oito tipos de Nobres Discípulos. onde é designada como a escola Maiana que no século XII foi introduzida no Japão sob o nome de Zen. China e Nepal. Nyana. 3. BUDISMO: PSICOLOGIA DO AUTOCONHECIMENTO apresenta uma bem elaborada síntese dos ensinos budistas vigentes nas várias escolas modernas. que é duplo: pelo Caminho e pelo Fruto . Referencia àqueles que tem a experiência espiritual própria dos quatro estágios da Iluminação. bem inteligível. L'Enseignement du Bouddha. 11. a verdade Universal". Tradução da Pali Text Society-Rhys Davids. a sua causa.222 1. E esta obra ensina-nos a dar esse primeiro passo. Os autores iniciam a presente obra com as palavras: "este é um livro dedicado aos que procuram a verdade de todas as religiões. *1. Deva significa ser divino. Tais palavras revelam-lhes o espírito ecumênico. Corporalidade e tato. a visão da mutabilidade da vida e a da lei da Harmonia (Dharma). e finalmente a conquista da Suprema Sabedoria e Libertação. o Óctuplo Caminho).

223 EDITORA PENSAMENTO .

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