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MANUAL DE ORIENTAÇÃO E PREVENÇÃO PARA UM ENVELHECIMENTO MAIS SAUDÁVEL

MANUAL DE ORIENTAÇÃO E PREVENÇÃO PARA UM ENVELHECIMENTO MAIS SAUDÁVEL

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Este manual, compilado com informações de diversas fontes que se dedicam ao problema da Terceira Idade, deseja que nós possamos viver esta fase da existência de forma prazerosa e saudável. Para isso, ele foi elaborado com bastante cuidado para que os seus conteúdos sejam suficientemente claros, simples e objetivos.
Este manual, compilado com informações de diversas fontes que se dedicam ao problema da Terceira Idade, deseja que nós possamos viver esta fase da existência de forma prazerosa e saudável. Para isso, ele foi elaborado com bastante cuidado para que os seus conteúdos sejam suficientemente claros, simples e objetivos.

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11/03/2015

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Por Maria José Guimarães Hilkner
Psicóloga

“Eu faço as minhas coisas, você faz as suas. Não estou no mundo para

viver de acordo com suas expectativas. E você não está neste mundo para
viver de acordo com as minhas expectativas. Você é você, eu sou eu.
Se por acaso nos encontrarmos, é lindo. Se não, nada há a fazer.”

Frederich D. Perls

A velhice não é doença, nem fim de linha, nós implantamos em nos-
sa mente a crença de que velhice é doença. Esta imagem é formada desde a
infância, a partir de atitudes e comportamentos dos adultos na presença das
crianças, na convivência com os avós.

Como há forte ligação corpo-mente, nossas idéias vão criando uma
programação para obedecer. Desde o útero materno ouvimos demandas, de
como seremos, das expectativas dos nossos pais a nosso respeito. Na pri-
meira metade de nossa vida, somos denominados através das pessoas, dos
acontecimentos que nos rodeiam.

Nos roteiros da vida de cada ser humano, os papéis são aprendidos,
ensaiados, representados, desde o nascimento. As instruções são programa-
das através de mensagens, adjetivos que nos qualificam. Passamos a repre-
sentar papéis como: herói, vilão, vítima, perseguidor e salvador.

Existem também na família roteiros ligados à cultura, tradições,
crenças de família, que são passados de uma geração para outra. Existe
também uma expectativa para cada membro da família. Ex.: é esperado dos
filhos mais velhos um comportamento modelo para os menores.

Quando um membro da família não segue o roteiro é considerado
"ovelha negra". Assim como na família, a comunidade também tem neces-
sidade de roteiros, de papéis a serem desempenhados, de bode expiatório.

Para que haja uma convivência saudável e para evitar bodes expiató-
rios, é necessário que o grupo esteja unido por um compromisso de fideli-
dade ao carisma e à filosofia do grupo e que os membros estejam dispostos
a crescer juntos.

Só através de uma boa comunicação é possível estabelecer vínculos
saudáveis e amadurecer as relações interpessoais. Se estabelecermos em
nossas relações com o outro um bom vínculo, estaremos contribuindo para
nosso crescimento pessoal e ajudando o outro a crescer como ser humano,
contribuindo assim, para a execução dos objetivos comunitários. Nesse tipo
de relacionamento pressupõe-se uma consciência de individualidade e se-

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paração. Numa comunidade que esteja aberta para crescimento, para elabo-
ração de vínculos sadios, podem surgir conflitos, mas, apesar das diversi-
dades, subsistirá a unidade afetiva.

Num relacionamento onde se estabelece um vínculo neurótico, os
membros não terão capacidade para separar o que é próprio e o que é do
outro, projetando no outro, ou no grupo, os problemas pessoais, de família.

O processo de amadurecimento individual caminha normalmente u-
nido com a formação e a transformação. A comunidade deve ser um ins-
trumento de facilitação para crescimento de seus membros.

O indivíduo saudável é capaz de detectar mudanças necessárias para
si e procurar entender e colaborar para as mudanças do grupo, sendo capaz
de valorizar e utilizar o seu potencial em beneficio próprio e comunitário.

É muito importante não ter medo de renascer, de nascer novamente
para uma vida nova. Estar aberto às mudanças de comportamento, à cons-
cientização dos valores e interesses pessoais, leva a um processo de desen-
volvimento e maior intimidade consigo mesmo e com os outros.

Tomar consciência de ser adulto é aumentar a capacidade de pensar,
dar a permissão de ser si mesmo, de ser feliz, de alegrar-se com pequenas
coisas, é acreditar em si mesmo.

Pensando positivamente, superamos as dificuldades e os desafios que
a vida apresenta e os vemos como oportunidade de crescimento.

As dificuldades, as crises, têm um lado positivo, porque nos levam a
parar para refletir. Se soubermos lidar com as crises, será uma crise em ní-
vel satisfatório e nos levará ao crescimento pessoal. Caso nos deixarmos
abater pela crise, ela nos levará a sentimentos de insegurança, ansiedade e
conseqüentemente à depressão e à uma série de doenças.

Freud falava dos sentimentos de prazer e desprazer. À medida que
nos deixamos conduzir para o desprazer, chegamos à depressão, às crises
como a do "ninho vazio", que é muito comum na Terceira Idade, que coin-
cide geralmente com a saída dos filhos, com a perda dos parentes, a apo-
sentadoria, que nos leva a nos sentirmos inúteis. Como em toda crise, nosso
organismo acaba entrando em desequilíbrio, surge a falta de motivação, o
desajustamento, acompanhado de sentimentos de agressão e ambivalência,
queremos amor e damos um "tapa", reclamamos do abandono e usamos de
mecanismos compensatórios. Acabamos ficando rígidos, às vezes, nem te-
mos consciência do que nos falta.

Nesse período de transição é momento de consultar a nossa fonte cri-
ativa, procurar uma saída, é momento de darmos uma parada para refletir,
avaliar, nos conscientizarmos de que nossa auto-estima está baixa, que não
nos amamos mais, não nos interessamos mais por nós mesmos, não nos ar-

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rumamos, perdemos a confiança em nós mesmos, não lutamos mais para
uma auto-realização com medo de enfrentar a vida, nos tornarmos depen-
dentes, há quebra de nossa liberdade.

É hora de dar uma reviravolta, ir em busca da satisfação, do prazer.
A crise será benéfica, nos levará a maior conscientização da nossa psique,
da alma, e integração com o corpo, entraremos em maior intimidade com
nossos sentimentos e mais livres para expressá-los.

A pessoa consciente é mais autônoma e preocupa-se mais com o ser.
Permite que sua capacidade se expanda e estimula os outros a fazer o mes-
mo. Projeta sua capacidade no futuro com objetivos realistas que dão alvo e
significação à sua vida.

O vencedor vai à luta e enfrenta as dificuldades psicológicas, físicas
e espirituais, o compromisso para a segunda parte de nossa vida, para nossa
viagem nas profundezas do inconsciente. O eu que existe dentro de nós,
que muitas vezes esteve reprimido, em razão dos papéis que tivemos que
desempenhar, devido os roteiros familiares, profissionais, agora conscien-
temente poderá determinar o curso de nossa vida e transformar nossa ma-
neira de viver, descobrir o que nos dá prazer, as nossas sombras.

Cada um de nós tem ainda dentro de si tantos potenciais, inúmeros
recursos a serem explorados, "sombras", coisas que gostaríamos de ter feito
e não tivemos oportunidade. Agora livres, somos chamados a ser o indiví-
duo único que cada um de nós é, aceitando as limitações e ter coragem de
colocar para fora a sabedoria, toda experiência que adquirimos com o pas-
sar dos anos. Esse movimento deve nos impulsionar para frente, para satis-
fação de nossas necessidades, processo interno que envolve elementos ex-
ternos, cuja implicação mais importante é a gratificação.

A capacidade de discernimento e a flexibilidade emocional e mental
são muito importantes nessa fase.

Flexibilidade - Saber decidir, usar suas experiências para resolver

problemas.

Flexibilidade Emocional - Capacidade de transferir investimentos
emocionais de uma pessoa para outra, no sentido de buscar outros afetos,
outras amizades, há os que sofrem de empobrecimento progressivo da vida
emocional à medida que vão aparecendo as perdas.

É o momento de fazer novas amizades, estar aberto para aceitar o ou-
tro, aceitar as diferenças. Quando buscamos estar com alguém, geralmente
elegemos a pessoa que corresponde ao nosso referencial de valores, senti-
mentos e comportamentos.

Não é porque aceito o outro com outros valores que vou mudar meus

valores.

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Se nossos referenciais estão dentro de nós, vamos nos sentir confian-
tes, seguros, tranqüilos, à vontade para nos divertirmos, amarmos, embora
estejamos juntos, somos independentes. Desta forma, estaremos prontos
para encontrar amigos e amigas, um grupo, estruturar uma relação saudá-
vel.

O mesmo não acontece com quem coloca os pontos referenciais fora
de si, fica vulnerável às relações dos outros. Só vai sentir-se bem quando
alguém, em quem depositou confiança, fica por perto, só na presença do
outro. Assim, o bom humor dessa pessoa fica na dependência do outro, das
respostas do outro, a cada movimento do outro se sente ameaçado, para es-
tar bem, sufoca o outro e geralmente faz papel de vítima.

Quando nosso referencial está dentro de nós mesmos, podemos en-
trar em contato com qualquer pessoa, mesmo com outros valores, que não
nos sentiremos ameaçados.

Se temos um amigo, nosso ponto referencial vai nos ajudar a amá-lo
e apreciá-lo como ele é, estabelecendo assim outro ponto referencial exter-
no, e se esta relação se rompe, perde-se este referencial externo, mas o in-
terno vai nos levar a procurar outra pessoa.

Diante das perdas, não vamos ficar chorando a vida toda, vamos cho-
rar enquanto durar a tristeza, a dor, depois de um tempo retornaremos aos
pontos referenciais e recomeçaremos tudo de novo.

Devemos nos transformar em indivíduos e pessoas que despendem
energia sobre o desabrochar de cada estágio da vida, até o final. Esse pro-
cesso de autoconhecimento, de interiorização, nos levará a melhorar a auto-
estrutura, a integração e a transcendência do ego.

Quando estamos conscientes de nosso si mesmo e temos plena acei-
tação de nossa humanidade, aceitação da força do bem e do mal que existe
dentro de nós, podemos dizer como Paulo: "Em minha fraqueza está a mi-
nha força".

Agora não é mais o meio exterior nem as pessoas, nem os aconteci-
mentos que nos comandam, agora é o momento em que livremente fazemos
nossas escolhas, optamos e nos amamos.

Se alguém amar a si próprio, saberá amar a outro:

"Amará o outro como a si mesmo."

BIBLIOGRAFIA:

* Gerontologia Social- Ricardo Droragas
* Psicologia Geriatra - T. L. Bruk
* Meia Idade e Vida - Ane Brennam e Janice Brewi

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