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SIMMEL.O Estrangeiro.trad.Koury.rbsedez05

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RBSE • Vol.

4 • nº 12 • dezembro de 2005 • ISSN 1676-8965 • 265

O ESTRANGEIRO∗
Georg Simmel

Se o mover for o contraste conceptual do fixar-se, com a liberdade em relação a cada ponto dado do espaço, então, a forma sociológica do “estrangeiro” representa, não obstante, e até certo ponto, a unidade de ambas as disposições. Revela também, certamente, que as relações concernentes ao espaço são, por um lado, apenas, a condição e, por outro, o símbolo das relações entre os seres humanos. Não se usa aqui, destarte, a noção de estrangeiro no sentido habitual, em relação àquele que vem hoje e amanhã se vai, mas como o que vem hoje e amanhã pode permanecer – porque era possível se mover e, embora não siga adiante, ainda não superou completamente o movimento do ir e vir. Fixo dentro de um determinado raio espacial, onde a sua firmeza transfronteiriça poderia ser considerada análoga ao espaço, a sua posição neste é determinada largamente pelo fato de não pertencer imediatamente a ele, e suas qualidades não podem originar-se e vir dele, nem nele adentrar-se. A unidade de proximidade e de distância que contêm cada relação entre os seres humanos, então, pode ser o mais resumidamente possível assim formulada: a distância nas relações significa que o próximo está remoto, e o ser estrangeiro ou o estranho, contudo, seria aquele que se encontra mais perto do distante. Porque é um elemento natural de relações completamente positivas e, também, porque é uma forma de interação específica. Nesse sentido, os habitantes de Sirius não nos são realmente estrangeiros, pelo menos, não no sentido da palavra enquanto categoria sociológica. Os Sirius, porém, não existem absolutamente para nós, eles se colocam para nós a partir de uma distância e, de forma estrita, estão além. O estrangeiro, contudo, é também um elemento do grupo, não mais diferente que os outros e, ao mesmo tempo, distinto do que consideramos como o "inimigo interno". É um elemento do qual a posição imanente e de membro compreendem, ao mesmo tempo, um exterior e um contrário. A noção do estranho, agora, como momentos do rechaço e da dissociação, forma aqui, agora, uma relação de um com um outro, e a unidade desta interação

Este texto foi retirado do livro de Georg Simmel: Soziologie. Untersuchungen über die Formen der Vergesellschaftung (Sociologia. Estudos sobre as formas de sociação). Berlim, Duncker e Humblot Editores, 1908, pp. 509 a 512. Tradução de Mauro Guilherme Pinheiro KOURY.

quer por sua menor mobilidade. se deslocam no estrangeiro. por seu turno.O ESTRANGEIRO ● 266 pode ser sugerida pelas regulações societárias. pode acolher sempre mais homem do que a produção primária. não precisa ser visto como um estrangeiro. dando ao comerciante em particular uma dada existência. também. Esta informação dá o caráter simbólico da mobilidade do estrangeiro no processo de intermediação comercial e. então. ou em um ambiente a eles estranho. isto é. de uma maneira ou de outra. a possibilidade do comerciante vir a ser suficiente. como um estranho. apenas. A posição de estrangeiro. por toda parte. então. Quando. que cresce lenta e pesadamente. não obstante e de maneira nenhuma com um significado único. com o terreno e o solo repartidos. O exemplo clássico deste processo nos é dado através da história dos judeus europeus. e é o setor indicado para o estrangeiro que penetra. também. como um outro não "proprietário do solo". Na história inteira da economia aparecem os estrangeiros. se alguém liga o estranho a sua atividade. o comércio é visto. se o estranho viver no comércio como intermediário. para comprar suas necessidades. e não há necessidade de um intermediário. no entanto. também. O estrangeiro por sua natureza não é proprietário do solo. um círculo espacial próximo parece reinar essencialmente sobre os produtos. para os produtos que são lançados completamente fora deste círculo. neste caso. O comerciante entra em linha. O comércio. como comerciantes. como uma ocasião de existência. nele se encontram. Isto porque apenas o comércio permite combinações ilimitadas. mas sim. os caminhos para a sua extensão e para novas fixações que possuiriam um difícil êxito junto aos primeiros produtores. também. ou os comerciantes como estrangeiros. que não se fixa em um espaço específico. o encasula em uma espécie . onde as posições econômicas já se encontram plenamente ocupadas. desta forma. O estrangeiro é sentido. freqüentemente. ou em um lugar ideal do perímetro social. Nas relações mais íntimas de pessoa a pessoa. precisamente. como um extra em um círculo determinado. apenas. se intensifica fixamente na consciência. Enquanto economia essencial para as necessidades puras de troca. Em inumeráveis casos. eles não se consideram diferentes dos comerciantes "estrangeiros". todas as atrações e significâncias possíveis no cotidiano das experiências simbolizadas podem revelar o estrangeiro. quer por sua apreensão sobre uma única clientela. A atividade. como uma substância delongada da vida. se fixa nele. isto só será possível. Em um meio econômico fechado. ainda. até certo ponto. O comerciante. Círculo este. e o solo não é somente compreendido no sentido físico. é o artesanato que atribuirá agora. mas. por exemplo.

Objetividade que é dada e que. que vivencia a síntese da proximidade e da distância. ou para as tendências unilaterais de um grupo. no momento do seu surgimento nas cidades italianas. não exclusivamente. A atividade completa do espírito. faz frente a estes com uma atitude particular "objetiva". locais e profissionais. a ele melhor se aplica. Enfatiza um tipo positivo especial de participação. . contudo. Esta liberdade dá ao estrangeiro. apagar os deslocamentos e as acentuações coincidentes. projetando-lhe poder. na pura arte da transação monetária. O estrangeiro é visto e sentido. a expressão para esta constelação de significados encontra-se na objetividade do estrangeiro. Vai além. e permitindo. também. causa surpresas e designações. seria como que espaçada. e até um caráter confecional. como alguém absolutamente móvel. nesse processo. por onde as diferenças individuais subjetivas proveriam quadros novos e totalmente diversos do mesmo objeto. para além ou aquém do comportamento subjetivo e objetivo. O advento ambicionado se vincula. como uma espécie utilitária de observação abstrata ainda não significada. que se encontraria. que certamente e. e estavam livres dos interesses da família e dos partidos. e contém certamente uma espécie de potencialidade perigosa. não se encontra vinculado organicamente a nada e a ninguém. singularmente. porque ainda não se encontravam presos à vergonha vicinal. em relação aos estabelecidos parentais.RBSE • Vol. que muitas vezes parece ser retida com uma espécie de cuidado íntimo. onde os juizes legislavam para fora. na qual nenhum homem objetivo específico se encontra ligado. Refiro-me a esta alegação para designar as posições dominantes de um grupo estrangeiro. uma relação próxima da perspectiva da experiência e do deleite do pássaro para com as folhas. à objetividade do estrangeiro. Fato especial dado pela relação ambígua entre insensibilidade e envolvimento. nomeadamente. até o conhecimento. de um lado. e que constitui e estabelece a posição formal do estrangeiro no socialmente circunscrito. então. através da qual o espírito parecia equivaler a uma passiva tabula rasa por meio da qual os fatos inscreveriam suas qualidades. deste modo. também. possivelmente. Como um sujeito que surge de vez em quando através de cada contato específico e. entretanto. mas um fato especial da distância e da proximidade. trabalhando depois suas próprias leis. Conceito que abarca desde a auto-incriminação e compreensão. que significa não uma simples distância e indiferença. freqüentemente. Este é um processo que ocorre no interior de um grupo circunscrito. Pode-se qualificar esta objetividade também como liberdade. Porque este não é determinado a partir de uma origem específica para os componentes singulares de um social. 4 • nº 12 • dezembro de 2005 • ISSN 1676-8965 • 267 de sublimação. Esta objetividade não seria de forma alguma uma não participação. De outro lado.

com o estrangeiro. sendo mais livre. e a rebelião não procederia de forma alguma deles: especulada por eles mesmos. Através do fato de que apenas um da relação tem determinadas qualidades mais gerais em relação ao todo. no interior deste modelo. uns em relação aos outros. A expressão prática da porção mais abstrata da natureza dos relacionamentos de proximidade e de distância. realizando este bem comum no seu efeito sobre as relações anteriormente geradas. e poderiam no máximo. evidentemente. ou para fora e além dele. ao lado de diferenças individuais que influenciam quaisquer relações. dá ao estrangeiro o caráter de objetividade. por não se encontrar preso na sua ação por costumes. . e decidem não somente que determinadas concordâncias existem entre os elementos comuns. cada razão verdadeira da rebelião. não deixa também de ser um exagero referente ao papel específico do estrangeiro. serem instigados. medir os ideais mais gerais e mais objetivos envolvidos e. para além delas. em que o que é afirmado por erro. em compasso à essência certamente mais característica de um grupo. mas. Este. apenas. sempre. piedade. seguramente. proporcionalmente a amplitude e ao caráter do círculo. uma diluição da eficácia do comum ocorre. aplicando o raciocínio à ficção: os rebeldes não seriam de forma alguma culpados. funcionado como uma base uniforme. naquilo que é considerado especifico e incomparável em relação ao sentimento das noções consideradas retas entre as partes. também. No último caso. por último. que a facção atacada teria começado uma agitação a partir do exterior. Do mesmo jeito que isso pode ser aplicado. porque comuns a uma coligação ampla ou à espécie humana no geral. Relações que existem precisamente tanto entre os elementos uniformes e. lhe seria permitido examinar as relações de perda. e porque tal jogo de relações diz respeito. além do mais. por parte dos enfastiados. desce até as mais profundas e mais estreitas relações uniformes no que diz respeito ao que se tem admitido até agora.O ESTRANGEIRO ● 268 Indica-se.o calor das relações. deste modo. ou antecedentes de dependência 1 . contudo. Também isto é. esta igualdade poderia relacionar cada um com todos os outros possíveis considerados comuns. uma 1 Observação. . . negariam deste o começo. Eventualmente. por exemplo. por mobilização de estrangeiros. prática e teoricamente. a igualdade das diferenças específicas contra o geral. mas ainda com demasiada digressão. Por conseguinte.que oferecem um elemento de frescor. mas não através de uma consulta direta dos elementos. Nas diversas disposições. o mais organicamente possível. por meio de rebeliões de todos os tipos. ainda que por intermédio de um outro. uma qualidade na qual uma relação determinada compreende uma proximidade e uma distância ao mesmo tempo: na medida em que os momentos de igualdade possuem uma natureza geral. todas as relações pessoais de uma maneira ou outra se realizam.

ou ainda. não tivesse encontrado precisamente esta outra pessoa da relação erótica. se um. com sentimentos de possessão exclusiva das relações. possuir uma predominância de princípio extraordinária sobre os indivíduos para ser possuidora. me parece. Vários aspectos gerais das relações eróticas rejeitam resolutamente este pensamento de generalização face ao estágio da primeira paixão: um tipo de amor como este certamente não produziu. e que deveriam solidificar. deste modo. e assentada em possibilidades múltiplas do mesmo. que aplique o potencial existente entre as partes em relação e indetermine infinitamente as muitas diferenças. Esta constelação de sentidos em relação ao estrangeiro. aqui e lá. Uma alienação mantém-se. por um lado. porque não diz respeito apenas a eles. em função da profissão. ou em termos mais social. Uma noção ainda muito próxima do que escutam. e onde as forças que conectam detêm o caráter específico e centrífugo perdido. com respeito ao unilateralismo apontado como ciúme. e é duramente categórico: no momento do começar. em suas ações. na medida em que esta igualdade conecta apenas os dois da relação de forma abstrata e geral. criando laços internos entre as partes inter-relacionadas. certamente. por azar. mas uma noção geral. efetuando. através das máscaras que fazem movimentar o jogo dos homens. que o levasse a uma possibilidade de comparação. Pouco podendo realizar. na medida em que a ele o outro da relação se iguala em termos de cidadania. sendo chamadas por palavras características das nebulosas que levam a uma decisão. assim. não havendo assim laços de pertença. O estrangeiro parece mais distante. por outro lado. de relacionamento na questão concernente a um campo comum referenciado. não podem falsear. porém. Mais por um mais abstrato. e nunca é unicamente o comum dos dois. Esquecidas. ainda. agora. apenas.RBSE • Vol. por último. com o resultado de que o relacionamento . apenas. Também nas relações mais estreitas. Um ceticismo contra o valor individual em si e em relação ao nós parece unir-se à experiência presente no pensamento. uma acepção de estranhamento vem também facilmente. O que parece levar a uma aproximação de relações que. apenas um destino humano no geral com o outro da relação. O estrangeiro parece próximo. ou como conseqüência. o mais irredutível estranhamento não seja aquele que se faz por diferenças e incompreensividade: onde. o sentimento de unicidade em relação à pessoa querida. ainda. Talvez. uma proximidade existem. as relações de unicidade desaparecem. uma igualdade. uma outra qualquer teria ganho de forma diferente a mesma importância para esse eu à procura de relação e conhecimento. 4 • nº 12 • dezembro de 2005 • ISSN 1676-8965 • 269 sensação da eventualidade direta que estas relações inumam. freqüentemente. as partes em relação empurramse ou são incitadas. uma harmonia. como causa. em alguns casos mais gerais.

mas como estrangeiros de um certo tipo socialmente definido. o do imposto judeu medieval. aparecia. contudo. mas exigido de outro modo. em um sentido positivo. apenas. ou outros tipos vários e. há um tipo de "estranhamento". Entre estes dois elementos em contato cria-se. e o seu imposto podia seguir as mudanças desta. ao mesmo tempo. isto é. quando tais disposições individuais. emita mais exclusão. em um caso também especial. o caso de um país. Este é. Esta sofisticação estava baseada no fato de o judeu não ter a sua posição social como judeu. principalmente. no entanto. as relações se dão a partir de um certo parâmetro de distanciamento objetivo. a consciência de haver conjuntamente uma tensão específica. de forma alguma. Enquanto o tributo pago pelos cidadãos cristãos variava com a classe de contribuição em relação ao estado de fortuna individual. como um não membro do grupo. precisamente. a uma estranha. difusa e abstrata origem. por exemplo. Isto. como é o caso. e mais precisamente. na base da sociedade. então. os estrangeiros continuamente continuavam a pagar impostos dispendiosos em relação aos cidadãos. onde. o estranho. . que poderia ser. Por outro lado. cuja individualidade era limitada pela irreversibilidade invariavelmente rígida. mas partindo das características essenciais de que também ele é um membro de um outro determinado grupo. contudo. mesmo. cada cidadão era um proprietário de certa fortuna. se refere a questões individuais. e possível de promover as relações desejadas. ou geral e difusa. embora afável a um determinado acento específico. para o qual é elemento compreensivo. como responsável de certos conteúdos materiais. se baseia agora em elementos socialmente objetivados em relação aos quais se dão às possibilidades de proximidade. como um contribuinte judeu e. as qualidades gerais do humano. é sempre considerado como alguém de fora. portanto. porém. é negado ao outro. na fragmentação das relações por onde uma abstrata igualdade humana em geral se encontra. o imposto para cada judeu específico era determinado de uma só vez. os estranhos não são tomados como indivíduos. da analogia alegórica do grego para βαρβαρος . de uma cidade. se vê excluída. o que existe é um não-relacionamento. em que uma comunidade direta constituída sobre um solo qualquer. Nos assuntos fiscais. Como tal. por exemplo. de etnias estranhas. A distância em relação a ele não é mais abstrata e geral. que seria comum a muitos estrangeiros ou. saltavam aos olhos. em Frankfurt. Nos contatos possíveis ele. O judeu. estreitos e remotos. da existência de algo não comum. Nestes termos. independente da condição pessoal de cada indivíduo específico. Na relação com um "estrangeiro" ou “estranho”.O ESTRANGEIRO ● 270 realizado de forma isolada não emita nenhuma necessidade interna de laços quaisquer e. a sua posição fiscal recebia um elemento invariável. Esta configuração encontra-se. porém. talvez. os contatos com ele são.

como um não pertencente. de modo que se acumulava em certas massas de uma proximidade e certamente de uma distância que caracteriza quantidades em cada relação. era designar diferentemente a unidade estranha desta posição. é considerado e visto. solidificando mais e mais as relações formais com respeito ao considerado "estrangeiro".RBSE • Vol. o estranho ao grupo. O que não se parecia saber. apenas. Tradução de Mauro Guilherme Pinheiro Koury . que dela resultam. 4 • nº 12 • dezembro de 2005 • ISSN 1676-8965 • 271 O estrangeiro. até agora. cuja vida uniforme compreenda todos os condicionamentos particulares deste social. Onde cada relação caracterizada induziria a uma tensão mútua nas relações específicas. mesmo que em porções específicas. enfim. mesmo que este indivíduo seja um membro orgânico do grupo.

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