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Tempest -Julie Cross 1

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SÁBADO, 15 DE SETEMBRO DE 2007, 00:05.

Alguns segundos antes de eu tentar outro salto de volta para

2009, alguém se sentou no banco ao meu lado.

– Oi, Jackson.

Eu me virei e me deparei com o meu próprio reflexo nos óculos de

Adam.

– Você me seguiu?

Ele cruzou os braços, enquanto me encarava.

– O que você está fazendo num trem para Nova York depois da

meia-noite?

– Meu pai trabalha à noite na cidade e eu normalmente dou uma

mão pra ele.

– Onde?

– Na Loyola Academy. Ele é zelador.

– Tal pai, tal filho. – É isso aí.

– Mentira. Como você sabia o meu nome? Antes de alguém te

dizer?

– Eu sou do futuro e somos amigos em 2009.

Ele ignorou o que tomou como uma piada.

– Sabe o que eu acho?

Encostei a cabeça na janela do trem e fechei os olhos.

– Qual é a sua teoria, Adam?

– Agente do governo.

Eu não, mas posso ser filho de um.

– Entendo. Então, não sou alguém que viaja no tempo, mas sim
um agente estudando seu projeto de ciências, porque o governo quer
roubar as suas teorias e usá-las para fazer armas.

– Bem... não armas...

Eu ri e me sentei direito para olhar para ele.

– Eu não trabalho para o governo. Juro. Não tenho a mínima
intenção de roubar o seu projeto ou dedá-lo por ser um hacker.

A expressão dele ficou tensa.

– Eu não disse nada sobre ser um hacker.

– Ah... certo.

– Então, você realmente trabalha para o governo?

– Adam, quero te dizer a verdade, mas você provavelmente não vai

acreditar.

Ele se recostou no banco.

– Tente.

Eu respirei fundo, pronto para tentar uma arriscada e drástica

mudança de identidade.

– Então vamos devagar. Não quero que você tenha um ataque do
coração. Em primeiro lugar, eu moro em Manhattan.

– Tudo bem.

– Você quer vir à minha casa? Te conto o resto lá.

Ele assentiu com a cabeça, lentamente.

– Então, como você sabe... eu tenho amigos que sabem
exatamente onde estou, no caso de eu não aparecer mais tarde.

Eu revirei os olhos. – Claro que tem...

Adam olhou para o prédio com os olhos arregalados.

– Você mora aqui?

– É.

Pegamos o elevador para o meu andar. Durante a subida, Adam

torcia as mãos e olhava para todos os lados, como se a polícia dos

hackers fosse saltar em cima dele a qualquer segundo.

– Quem é o seu amigo? – meu pai perguntou quando passamos

por ele na sala.

– Esse é Adam Silverman. Adam, este é o meu pai.

Adam apertou a mão dele.

– Prazer em conhecê-lo, senhor.

– Jackson, vou ficar fora da cidade por alguns dias.

– Por quê?

– Negócios na Coreia do Sul. Deixei uma mensagem mais cedo,
mas você não retornou a ligação. Alguém vem me pegar em cinco
minutos. Você vai ficar bem?

– Desde quando você tem negócios na Coreia do Sul?

As sobrancelhas dele se ergueram como se dissesse que não
discutiria esse tipo de assunto na presença de estranhos.

– Vejo você em alguns dias.

Eu atravessei o saguão com Adam nos meus calcanhares. Deixei-
o entrar no meu quarto e fechei a porta antes de apontar o sofá no
canto do cômodo. Ele andou até lá e se sentou, observando mais de
perto quando tirei um cofre prateado da gaveta da escrivaninha. Depois
de examinar uma pilha de fotografias, passei algumas pra ele. Eu tinha

acabado de revelar algumas do meu cartão de memória de 2009 no dia

anterior, achando que elas poderiam parecer mais reais desse jeito.

– São fotos de...

– Holly – completei.

Ele olhou a foto e o verso também, depois um grande sorriso

brotou no rosto dele.

– Legal. É um trabalho bem elaborado. E é, tipo, obra de gênio o
jeito como você relacionou ao meu projeto de ciências. A maioria das
pessoas sabe a parte da teoria da relatividade, mas ir além e vir com
essa história de viagem no tempo... é muito criativo.

– Então... você não acredita na sua própria pesquisa? – Eu sabia
que algumas fotos não seriam suficientes...

– Claro que acredito, na teoria. Como você conseguiu essas fotos

minhas? Do computador dos meus pais, talvez?

– Eu mesmo as tirei. E o que você quer dizer com “na teoria”? Ou

você acredita ou não.

– Acredito que a viagem no tempo seja possível, mas com muito
mais pesquisa e provavelmente uma tecnologia que não existe ainda.

– Você está errado – eu disse sem rodeios.

– Não é possível?

– É tão possível que eu posso viajar no tempo.

Ele riu e balançou a cabeça.

– Tudo bem, prove.

– O que eu posso fazer que não me faça parecer uma cartomante
de feira esotérica? É o futuro. Você entrou no MIT e conseguiu 2300 nos

seus SATs.

– Nada mal. O que mais? – Ele se reclinou no sofá e colocou as

mãos atrás da cabeça.

Eu me sentei na minha cama e tirei o diário da minha mochila

antes de folheá-lo.

– É possível que eu tenha esquecido o que você me falou pra

dizer.

– Não devia ser importante.

– Não é como se eu realmente pensasse que ia ficar preso no

passado.

– Eu me sentei e sorri para ele antes de apontar para o seu peito.
– O seu cachorro acabou de morrer, não foi? Uns dias atrás?

– Obrigado por me lembrar – ele resmungou. – Mas isso não
prova nada. Jana e eu estávamos falando sobre isso hoje à noite. Você

deve ter ouvido a conversa.

– Desculpe.

– Como você me conheceu, no futuro?

– Trabalhávamos juntos num acampamento. Holly também. – Eu
observei o rosto dele cuidadosamente, em busca de algum sinal de que
estava acreditando em mim, mas ele estava totalmente calmo e
tranquilo.

– Mas você, em algum momento, deve ter provado que podia viajar

no tempo, não é?

Eu assenti com a cabeça.

– É, começamos uma conversa como esta. Só que estávamos
supervisionando um acampamento durante a noite. As crianças
estavam dormindo e estávamos só nós dois. Você propôs um
experimento e me fez saltar para o passado e voltar. – Eu abri a carteira
e dei a ele o cartão de memória. – Aqui tem um monte de dados sobre os
experimentos.

Ele pegou o cartão entre os dedos, enquanto eu voltava para o
diário, tentando encontrar a página com minha descrição desse

primeiro experimento.

– Isso foi suficiente pra me enganar? O meu eu mais velho deve

ser um idiota.

– Não, você me obrigou a refazer essa experiência dez vezes. –
Alguns rabiscos feitos à mão em 11 de abril de 2009 chamaram a
minha atenção. – Aqui, dá uma olhada nisto! Você mesmo escreveu

uma nota.

Ele pegou o caderno da minha mão. Eu vi quando todas as cores
fugiram do seu rosto e ele voltou a afundar no sofá.

– Como você conseguiu isso?

– Você mesmo escreveu. Eu nem sei o que diz. É latim?

– É... é latim. – Os dedos dele congelaram no canto da página.

– O que diz?

Depois de um longo silêncio, ele voltou a se mexer e folheou
freneticamente as páginas, depois finalmente disse, sem tirar os olhos
do diário:

– Nada importante. Esqueça.

Eu fitei o teto, esperando pacientemente pelas perguntas que
inevitavelmente viriam. Claro que Adam sabia exatamente o que deveria

dizer a si mesmo. Algo de que ele nunca duvidaria. Eu também não

deveria ter duvidado dele.

– Jackson, acorda! – Adam estava em cima de mim, sacudindo meus
ombros.

Estava tão claro no quarto que eu mal consegui abrir os olhos.
Ele devia ter ligado todas as luzes do cômodo.

– Que horas são?

– Quatro.

Com todas as minhas excursões a diferentes anos, dizer que eram
quatro horas não dizia nada para mim. Eu fui até a janela e vi que
ainda estava escuro lá fora. Foi então que tropecei em partes de
computador empilhadas no chão. Peças estranhas estavam espalhadas

por todo o quarto e agora havia dois monitores sobre a escrivaninha.

– Que droga é...

– Desculpe, eu peguei dois outros computadores da casa para
coletar os dados mais recentes. O hard drive não era grande o suficiente
e não funcionou com o cartão de memória que você me deu, então eu
meio que... fiz meu próprio computador. – Ele andou pelo quarto,
pegando algumas peças soltas e juntando-as à pilha, mais rápido do
que eu jamais tinha visto ele se mexer.

Estudei seu estado mais atentamente. O cabelo preto espetado

em todas as direções, pupilas dilatadas como as de um viciado em
crack, e fazendo aquela coisa de estalar os dedos. Eu já o tinha visto

assim antes, uma vez, depois de seis latas de Red Bull. Ele
provavelmente seria declarado demente nesse estado.

– Você tomou muita cafeína?

Ele estava segurando um calhamaço de papéis.

– Fiz algumas anotações para examinar com você.

– Vamos comer primeiro. Foi Red Bull ou café? – Dei um
empurrãozinho nele em direção à porta. Ele não se opôs, mas segurou
os papéis contra o peito, provavelmente para que eu não pudesse pegá-
los.

– Pronto para o item número um da minha lista de perguntas? –
indagou, sentando-se à mesa da cozinha.

Eu peguei algumas fatias de peito de peru da geladeira e um pão

de forma, e coloquei sobre a mesa.

– Tudo bem, mas coma enquanto fala. Pra rebater toda essa

cafeína.

Ele enfiou um pedaço de pão na boca e mastigou rápido.

– Espere... então, em 2009, você tem 19 anos e Holly também, e
vocês dois são calouros da NYU?

– Não, eu estou no segundo ano. Holly é caloura.

– Holly está no ensino médio – ele repetiu e em seguida balançou
a cabeça. – Esta Holly é uma colegial e a outra está na faculdade...
entendi. Como você nos conheceu em março de 2009? Nós ainda
estávamos estudando juntos, certo? Ou nos formamos mais cedo?!

– Não, vocês não se formaram mais cedo... Começamos o
treinamento para sermos monitores no acampamento em março...
foram só algumas sessões antes que o verão começasse oficialmente.

– Cara... isso é meio que um tabu, sabia? Um universitário
namorando uma garota do ensino médio. Ah, peraí... acho que é o que
você está tentando fazer agora... só que agora é pior.

Eu suspirei, lutando contra a vontade de rastejar para a cama

outra vez. Tudo isso fazia sentido na minha cabeça.

– Não é tabu. É que Holly é só quatro meses mais nova que eu.
Ela é uma das mais velhas da classe dela e eu sou um dos mais novos
da minha... É só isso. Isso é realmente importante? E você já não
deveria saber disso? Você conhece Holly há quanto tempo?

– Dois anos... e meu cérebro está indo rápido demais para captar
todos esses detalhes. Além do mais, ela nasceu em 90 e eu em 91... e
isso me confunde. Tudo bem, então você costuma ir daqui para a
universidade? E Holly mora no dormitório da faculdade? Que
dormitório? Será que a gente não devia examinar isso mais a fundo?...

– Você está me deixando realmente exausto... – eu reclamei. – Não
vou daqui para a faculdade. Eu morei num dormitório tanto no primeiro
quanto no segundo ano... um dormitório diferente do de Holly. Mas você
já esteve aqui, neste apartamento, antes... o seu eu mais velho... Eu

passo em casa o verão e os intervalos das aulas. Holly já esteve aqui
também... e no meu dormitório. Algo mais? Precisa saber também o
nome de todos os meus professores ou o caminho que eu faço para
chegar à minha classe todos os dias?

Adam ficou em silêncio por um bom tempo, olhando os papéis à
sua frente, então finalmente falou:

– Não... pelo menos não agora.

– Próxima pergunta? – perguntei, esfregando as têmporas.

– Então, o que acontece se você... por exemplo... voltar trinta

minutos no tempo, depois ficar no passado durante 31 minutos?

Tecnicamente, você estaria no...

– Futuro – completei. – Eu nunca viajo além do meu período de

vida.

Ele assentiu.

– Foi o que eu imaginei. Você já foi obrigado a saltar de volta?
Porque acabou ficando mais tempo no passado, até a hora em que

saltou?

Era muito estranho que eu tivesse que explicar aquela coisa toda

para Adam.

– Lamento, mas faltam algumas páginas no diário; fizemos esse
experimento bem no início. Eu simplesmente volto automaticamente.
Lembre que é diferente quando estou no meio de um salto. Eu me sinto
como se não estivesse lá por inteiro, como se eu estivesse mais leve, e
não sinto muito frio ou calor. E nada do que eu faço durante meus

saltos normais afeta minha base principal.

– Certo – ele disse, enfiando mais um pedaço de pão na boca. –
Todos aqueles saltos regulares são como uma espécie de linha do tempo
sombra. Ou uma linha do tempo espelho.

– Isso, é como assistir ao mesmo filme várias e várias vezes,
esperando que um dia a personagem que você não quer que morra
consiga, de algum jeito, se salvar. Ou talvez, se você gritar para avisá-
la, isso mude alguma coisa, mas nunca adianta – concluí. – Mas como,
pelo amor de Deus, eu vim parar aqui, em 2007? Não como... uma

sombra... mas o meu eu de verdade?

– E como o seu outro eu simplesmente desapareceu? – Adam
perguntou, balançando a cabeça. Então ele olhou para mim com seus
olhos esbugalhados de viciado em cafeína. – Eu na verdade tenho uma
teoria. Descansei os cotovelos na mesa, tentando me concentrar,

sabendo, porém, que provavelmente seria demais para a minha cabeça.

– Ok, vamos ouvi-la.

– Bem, em primeiro lugar, é óbvio que existe apenas uma versão
de você em qualquer base principal.

– Sim, mas, tecnicamente, eu estou no passado agora.

Ele se inclinou para a frente, sobre seus papéis, e bateu o punho

na mesa.

– E se este é outro universo!?

Eu quase caí da cadeira.

– Agora, você definitivamente perdeu o juízo.

Ele zombou de mim e balançou a cabeça.

– Sério? Toda essa piração que aconteceu com você e você acha

que o louco aqui sou eu, porque estou cogitando um universo paralelo?

Eu ri, sem nem pensar a respeito. Ele estava certo. Que droga eu

sabia, afinal?

0–1 Vamos deixar isso de lado para análise futura. Qual é a
próxima pergunta da sua lista?

– Algumas vezes você teve a impressão de que estava sendo
forçado a voltar. Eu vou descobrir uma fórmula para isso, mas pelo jeito
você não pode viver de fato no passado.

Deixei escapar um suspiro.

– Aparentemente eu posso... se mudar a minha base principal.

– Exatamente. Se ao menos soubéssemos como você fez isso...
Mas não entendo por que você não consegue voltar para 2009. Ou para

esse outro universo, se vamos prosseguir com essa teoria. Nenhum dos

experimentos indicou a menor possibilidade de você ficar preso no
passado. Embora, obviamente, eu tenha feito planos para isso, só para

o caso de acontecer. Escrevendo a nota. Meu eu mais velho, quer dizer.

Sentei em frente a ele e coloquei a mão sobre os papéis.

– Então você realmente acredita em mim? Que eu vim do futuro?

Eu precisava ter certeza de que não era só o efeito da cafeína e
que ele não voltaria a pensar de maneira lógica e racional dali a

algumas horas.

– Sim, na minha cabeça não há nenhuma dúvida. Mas você

deixou 2009 porque pensou que os caras armados iam te matar?

– Você leu essa parte do diário?

Ele confirmou com a cabeça e respirei fundo antes de revelar algo
que não tinha dito a ninguém ainda, nem do futuro nem do passado.

– Sinceramente, nem me lembro de ter decidido ir embora, mas
sei que ficar teria sido muito difícil... Você leu sobre minha irmã, não

leu?

– Câncer, tumores no cérebro, morreu em abril de 2005 – ele
repetiu de memória, com base nas suas anotações.

– Eu não estava lá quando ela morreu – admiti.

Adam levantou os olhos, fitando-me intensamente.

– Eu pensei que as viagens no tempo só tinham começado muitos

anos depois disso.

– Quero dizer, eu simplesmente não estava lá. Tipo, no quarto
com ela. – Engoli o bolo que ameaçava se formar na minha garganta. –
Sabe quando as pessoas dizem que gostariam de estar presentes na
hora da morte, para dizer adeus ou qualquer coisa assim?

Ele empurrou as anotações para o lado e apoiou os braços na

mesa.

– Sim...

– Bem, eu não queria estar lá. Eu estava com muito medo. Não
tanto de falar com ela, ou de ficar triste, mas de observar alguém indo
embora desta vida para... não viver mais. Eu vi isso na minha cabeça

tantas vezes, o peito dela subindo e descendo, ela respirando fundo, e
de repente...

– ...para de respirar – Adam concluiu para mim.

– E, então, eu estava pensando em todas essas coisas, tipo...
quando ela vai parar de nos ouvir? É depois de seu último suspiro?
Porque as pessoas seguram a respiração o tempo todo, talvez ela ainda

nos ouvisse ou tivesse pensamentos. – Esfreguei os olhos, secando as
lágrimas que embaçavam minha visão. – É idiotice... Eu sei.

– Não é idiotice – disse Adam suavemente. – Mas eu não entendi
qual é sua teoria... O que isso tem algo a ver com deixar 2009?

– Bem... Holly estava respirando e eu não queria vê-la... parar. E
provavelmente é por isso que estou preso aqui... que não consigo voltar.

Ele franziu a testa.

– Eu ainda não estou entendendo.

– Karma. Castigo... por deixá-la sozinha. – Peguei a fatia de peru
na minha frente, mantendo os olhos na mesa. – Mas se eu conseguisse
superar isso... Ele fez um gesto com a mão para me interromper.

– Não, isso é legal. Eu só precisava entender a sua teoria.

– Tenho certeza de que essa é a razão. As pessoas não deveriam

ter uma segunda chance para fazer a coisa certa. E o karma vai
provavelmente continuar me perseguindo e Holly nunca vai querer nada
comigo. Como na noite passada.

– É, você detonou as suas chances. – Ele se concentrou no
sanduíche que estava fazendo.

– Eu sou um completo idiota. E ela vai ter que aguentar caras
como Toby convidando-a para sair o tempo todo.

– Bem, os caras não convidam Holly pra sair com tanta
frequência. Ela não dá margem pra isso. É assim que funciona. E Toby
não é capaz de olhar pra uma garota sem ter algum tipo de fantasia
sexual com ela. – Ele mordeu um pedaço do sanduíche. – Sério, ele é
muito aberto quanto ao que se passa na cabeça dele e eu não acho que
saiba como funciona essa coisa de ser “amigo” de uma garota. Por isso
fica dando em cima. Além disso, sabe que ela vai dizer não.

Eu descansei a cabeça nas mãos, tentando absorver melhor a

ideia desse dia... desse ano... como a minha nova vida. Quando eu ia
parar de querer estar em outro lugar... em outro tempo? E o que era
menos egoísta? Ficar aqui ou continuar tentando voltar? E será que um
dia eu ia conseguir salvar Holly?

– Você não precisa responder a mais nenhuma pergunta por ora.
Sei que é duro pra você – disse Adam, tirando-me dos meus devaneios.
Eu ergui a cabeça e sorri para ele.

– Sério, você pode me perguntar tudo o que estiver na lista. Esse
interrogatório pode durar pra sempre, contanto que eu possa falar com
alguém sobre isso. Sem mentiras ou pretextos.

Ele tentou esconder a empolgação em seu rosto, mas não me
deixei enganar. Talvez não fosse tão divertido quanto era em 2009...,
mas pelo menos eu não estava sozinho.

– Acho que de uma coisa podemos ter certeza – disse Adam,
depois de juntar as anotações em frente a ele novamente.

– Do quê?

– Você definitivamente mudou de base principal, mas eu não sei

como conseguiu fazer isso.

– Além de saltar para outro universo – eu disse, sorrindo. –
Conhecendo você, sei que não vai desistir até descobrir.

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