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Capa de: Paula Gaetan

Direitos reservados pela DISTRIBUIDORA RECORD DE SERVIÇOS DE IMPRENSA S.A. Av. Erasmo Braga, 255 — 8? andar — Rio de Janeiro, RJ Impresso no Brasil

A imprensa brasileira noticia — sem maior destaque — que apareceu na França, “Editions du S e u il”, a tradução de “Corpo de B aile”, do nosso mestre Guimarães Rosa, sob o título de “B u riti”. Anunciou-se ano passado que a m esm a editora havia lançado tradução de “Grande Sertão: Veredas ” e que antologia da prosa rosiana está sendo organizada para edição em italiano, alemão e espanhol, além dos p ro gramas para Portugal. Assim , mestre G uim a invade veredas de Oropas, sem m uito barulho, mas vertical penetração. Quando apareceu “Grande S ertã o ”, a crítica francesa considerou que era “a maior descoberta literária da Am érica Latina Com "B u riti” (pronunciase Birrití?), o crítico de um jornal im portante como “L 'E x p ress” escreve que “Guimarães Rosa ê um Jean Giono m ultiplicado p o r dez... Giono ê autor de grande prestígio e a comparação, multiplicada por dez, eleva mestre Guima à altura dos maiores romancistas do m undo atual.

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M uita gente “snob ” sempre falou na im ­ possibilidade de se traduzir Guimarães Rosa. M uito difícil, enrolado, complicado! Coisa interessante, mas não é difícil que se traduza Joyce, M r Faulkner, Pound e Cummings. No caso deles, como no caso de mestre Guima, a linguagem desem penha função fu n d a m en ta l na existência da peça e somente através da complexa significação podemos atingir a raiz do pensam ento do autor: muito além da estória que no caso é uma ponte en­ tre ilhas. Como a língua portuguesa já deu provas de possuir capacidade para fabulação capaz de estabelecer a verdade de novas estruturas & expressões — não seria espanto que o fra n ­ cês transportasse para si a fabulação dos gerais.

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Já sabemos, felizjnente, que a crítica recebeu bem as estórias de Diadorim, Riobaldo, Soropita, Doraldo, M utum , cam­ po geral todo, nhor sim, nã é? E o público? Não podem os negar que o Brasil leitor compra Guimarães. Mas será que lê? O autor disse outro dia que “minha literatura é para bois. Não é para ser engolida de vez. ” M estre Guima força o leitor a pensar. A q u i se tem a mania de “contar estórias" dentro da velha fórm ula. Só tem validade “ estórias deste tipo” se carregadas de energia existencial ou social. O público brasileiro não poderia receber o impacto rosiano e logo admiti-lo.

O tempo fo i deitando raízes e hoje Guima tem uma K R Y T Y K A erguida em tor­ no de sua obra. Três ensaios, e dos melhores já reali­ zados no Brasil, estudam exaustivamente o fenôm eno Rosa: Oswaldino Marques, M. Cavalcanti Proença e Haroldo Campos es­ creveram êstes trabalhos, além de centenas de artigos menores. O público ainda não devorou as estórias dos sertões mineiros, baianos, sudoeste e oes­ te do Brasil, Conquista e Cuiabá, terras es­ quecidas que Rosa revelou com surpresa à Geografia Botânica e Zoologia.

IV
O edifício de nova linguagem, colocação de problemática até então estranha para cientistas especializados, ‘filosofia sertã”, form am na obra rosiana tema indispensável à compreensão do Brasil. Assim como “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, é base inadiável em qualquer es­ tudo que se faça nordeste, “Grande Sertão: Veredas” ê, não apenas base, mas resultados de um Brasil tão longe que o pensam ento não atinge nem limita: sertão do M ut um, terra de Miguilim, ou veredas do Tatarana. A li o latifúndio e suas guerras de jagun­ ços, mitologia vaqueira, duelo entre Demo e Deus, língua, amor, costume, jeito de SER. Salvador, 1956

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nos 50, Ybrahym Sued & Jacyntho de Thormes falavam do escritor diplomata João Guimarães Rosa myneyro publicado pela Editora JOSÉ OLYMPIO de grandes autores brazyleyros como José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Carlos Drumond de Andrade: “SAGARANA” , “CORPO DE BAILE” , “GRANDE SERTÃO: VEREDAS” na juscelinismoída Bahya Era diretor do “ Suplemento Letras? Artes do Dyaryo de Notycyas” e escrevi na coluna “Quarto M undo” , ter­ ceira pagina, artigo Joyce lembrando superioridade Villa Lobos — Bach/Beethoven//W agner/Strawinsky & Portynary — Delacroix/G oya/G aughin/Picasso... recebo meses depois no Jornal o livro “PRIMEIRAS ESTÓRIAS” dedicaligrafado em forma

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e pedi minha amiga Dale pra encardenar o volume, surpreso pelo lato do Mestre Brazyleyro de Letras,conhecendapenas um artigo do conquystense que falava bem mas lera mal sua obra, expressar grande sinceradmiração.

Eu defendia konkretyztaz e G uim arães Rosa ab­ solutam ente, LYTERATURA NACYONAL prioritária quaisquer desvios à livrim portação Brazylya Grecya de JK, esplendor dialético de João C abral de Mello Netto, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, A ntonio Carlos Jobim, Vinicius de M oraes, Jorjam ado, Nelson Pereira dos Santos, M ario Pedrosa, Cam pos Brothers, Ferreira Gullar, Carlos D rum ond de A ndrade, Invenção de Orfeu — G uim arães Rosa: contavam que Graciliano Ramos tinha votado contra “ SAGARANA” num con­ curso literario, sendo prem iado o poeta e plástico Luiz Jardim e que o Secretario do Y tam araty M edico Viator tendo seu G raça conhecido anos depois não mostrou ressentimento e publicara o livro com radicais transfor­ mações ficando M estre Ram os perplexo diante do romance que não leria porque saído depois que o cancer lhe esfarelou os ossos. — E Jorjam ado, versão rom anes­ ca de Bertold Brecht — dois Ünicos no social/popular — atestou a grandeza de Rosa! Em Janeiro de 1965 voei Los Angeles Milão es­ crevendo a tese “Estetyka da Fom e” pro “ I CON­ GRESSO DO TERCEY RO M U N D O ” em Genova e conheci G uim arães Rosa, alto meio careca, forte, gravata borboleta, óculos, fala fina, de singularminbiguidade m acho/fem e, delicado, vermelhão, sensual, namoradeiro cantando Izabella Campos no corredor do Hotel chamou atrizes e jornalistas brazyleyras também algumas recepcionistas italianas pracom panhá-lo em compras por Roma sorrindo: “Agora Guimarães Rosa Vai dormir. Está cansado. ” Vanguarda cósmica no Congresso: todo mundo falou e o maior escritor disse besteira. Os fofoqueiros o exculham bavam nos corredores e Restaurantes. “ Viu o que disse? Que não entendia de política. ” Pois sim: no tal Bogotazo da Colombya, con­ tou-me Antonio Callado, estava seu Rosa no Hotel

curtindo um proustezinho enquanto o povo tocava fogo na cidade. Pois era: havendo problem as da Censura Itamaraty no Congresso, Rosa funcionou com autoridade pra dizer que os filmes representavam mel fino da civilização brasileira, sangue fresco sem leucemia. Na moita. Fomos prum coquitel num daqueles navios de Amerycu Vezpuço e seu Rosa bicando Cuba-Libre falou que não gostava de Villa Lobos. Ano e meio depois, quando vi “ A H ora e Vez de Augusto M atraga” , filme de Roberto Santos, telefonei pra Rosa dizendolhe meu gosto mas tim ido resm ungou e desligamos. Visitando A rnaldo Carilho e M ario Dias Costa no Palacyo Ryo Branko algum as tardes parava no G a ­ binete das Fronteyras onde o M estre me deu cordas. Primeiro contou que viajara de M ontes Claros a Caldas de Cipó pra tom ar nota das cores de uns b e­ zerros vermarronzim . E noites escrevendo ruídos na m adrugada com luzes que lhe fugiam. Retirou da gaveta uns contos ciganos, à mão, e me pediu pra ler em voz alta advertindo: “São contos em cinemascopio colorido. Em 1967, quando “T erra em T ran se” foi proibido, Êle, membro do Conselho Nacional de C ultura disse: “ ......somos Entidade nova e não podem os nos apresen­ tar assim protestando mas podem os passar cheque ao portador ao Glauber Rocha que é meu amigo pessoal e tem aspectos geniais”. Campos Eliseoslchorava “ Le M onde” noticiando morte de Rosa por causa daquela vaidade que o levou à tomada de poder Akhadhemya Brazyleyra de Letraz.

Abade João era vaidoso e nos transamos mais tarde diante do mar em Ilha: tinha cara de Lobo Recomido e me passou temperos literários. Peguei a infância taligrafando “As Ventura Brazy Lêra” marcação de veredas: só o Sargento Teodoro, ajudante de Ordens do Governador José Sarney no Palacyo Holandez de São Luiz do M aranhão, sabia mais Geografya que Guimarães declinado no Gabynete das Fronteyras. Contava o Myto que tal Sacerdote tinha descen­ dentes prostituídos ou que duas mulheres lhe rompiam a existência de médico e m ilitar nos Sertões passou Joseph Conrad reescrevendo a vida nos Consulados a partir de 1930 e além de sua geração Rosa floresceu quando todos os genios nacionais da Utopya 30 es­ tavam paridos. Bury ti Lyteraryo diferente da Black Tempest Andado, das sequeiras de G raça Ramos ou do barro­ quismo de Zé Luz do Vale. Entrevistado confessou: “Graciliano era abso­ lutamente genial mas não tinha imaginação ”. Sobre Zé Lins: “Disse pra ele: reescreva. ’’ Respondeu: “Cria quem pode burila quem tem paciência. ” Sobre Jorge Amado encheu a boca: “Genial. ” E de cinema: t(Gosto de Griffith, Akyra Kurosawa eJohn Ford. ’’ Costumava sentar num banco beira mar do Leblon e ficar depois das cinco rebuscando novidades. Duas vezes chupamos picolé franboêza nestes crepúsculos. Um dia telefonei à sua filha Wilma pedindo di­ reitos pra produzir “A M enininha” a ser dirigido por Nelson Pereira dos Santos. Los Angeles, 76, na casa de Bruce Lee tradução ingleza, publicada pelo Alfredo Knopf: “The Third Bank of the River” .

Intraduzível versão francesa de “ Buriti” . Rien de tout: ROSA IS ONLY MINEIREZ. Voltando da MGM baixou no Taxi o espirito d’Ele e disse pra Mike Mcmollurogh, tradutor do meu roteiro “A Idade da Terra” , que ia passar fim de semana na escritura duma nola dedicada às cunhãs Necy e Gal. Privada romance, Jorjamado exculhamba Ma­ chado de Assiz, a Senhora Graciliano Ramos me con­ fessou que o Mestre não gostava de Machado mulato pernóstico preferindo Eça de Queiroz e José Lins do Rego reivindicava tradição anglo/germanica pro expressionismo assucareiro. Não tratemos dos outros but de Rose. Sempre tentado a escrever romances teóricos falei com Mike que Walter Benjamyn granditelectual judeu suicidou-se amedrontado dos Nazystaz numa fronteira da Segunda Guerra Mundial e mandei-lhe anotar o livro do filósofo húngaro Georgeiu Lucaskatansky, traduzido no Brazyl, o que pôs críticos Marxystaz con­ tra Rosa de coloridas infinitas pétalas cheirosas. Sarapalha. Dois malariados beira do fogo. Estrutura esqueletica das boiadas do Coronel Lorivaldo. Fumo num dianteiro de bancada pra topá cum gado morto beira do rego mordez de cobra. Inchadas três dias com berêizérebe, moszcas gor­ das. Fedor. Ossos prum romanceiro, deitou mapa na mesa, seu Rosa das Fronteyras. Mapa do Sertão. Olharam. Por fora tiroteiros. Trevas.

Resolveram acender cigarrim de paia pra milhó chover no molhado. “QUE ES LITERATURA?” Ay seu Rosa passe o café cinco da manhã na can­ cela do Curral. Chame a Vaca Morena: “Eva ”. Chupe os peitos dela. "Corte a barba seu Rosa... ”. Olhe: num me chamo Rosa. Sou o vaqueiro Manuel. “M anuel?” Sim sinhô: ferrado na bunda veja Manuel Pedrez Palheiros dos Vicentinos. Portuga. Caramá. “Deu-me dinheiro. ” “Emprêgo? Va­ queiro fugido ? Médio e Medico. *'. '4 ed iu m ''. M Vosmiferou. Carcandutou: “Oi iô! Sou M edium ! Letrado! E Major da Polícia Estadual!!!” “Conhece Bené Vala­ dares?”. “Olhe Seu Roxo, aqui é Pedra Azul, tudo na mesma. Conhece Doutor Magalhães Pinto?”. O jagunço Riverão Sussuarana cruzava a Fronteyra Bahia Mynaz pra pedir proteção na fazenda do Coronel Dermeraveldo de Olyveyra. Fervia escaldado farinha de mandioca com leite por cima da carne de sol frita na pimenta acebolada e café quente todos dentro das capas coloniais beira fogão friozim sertanejo baixo Trôpyko Cancer. “Leste a poesia Cavalo Joaquim do poeta mineiro Paulo Mendes Campos recitado “Infância ”, obra prima de nossas letras? O cavalo Joaquim era vermelho tinha duas rosas brancas no abdomem à noite o vi comer um girassol era um cavalo extranho feito um homem a bes­ ta era serena atendia pelo suave nome de Suzana em nossa mão à tarde ela comia o sal e a palha da ternura mundana flor e hora fauna e flora passiflora há muito arquiteturas corrompidas frustrados amarelos de um

carmín se debruçaram sobre o peixe cego de um jar­ dim... — O senhor marinhou? — Por águas e cavernas. — De Platão? — No Banquete. Hum. Rum... Enrolamos depois do café preto quente beijú farofa de ovo bolo de milho mingau abóbora jabá dois cigarrão de fumo de corda em palha milho verde montados no pampa Maroli branco Castanheira pelas campinas pegar a boiada do Comandante Elizor de Feyra de San­ tana com Holandêsas importadas da Bahya trazendo malas revistas jornais e o livro sobre David Wark. Riverão matou o deputado José Santana da Souza do PSD na Câmara Estadual da Bahya na cara do General Governador Juracy Magalhães, mandado pelo Coronel Dodorama de Taverna, um tal Ismael Mizerya corredor de pedras vermelhas contato do Sindykato da Morte de Maceyó com os matadores de Petrolyna. — A i ai boiada — eh ehai oi boi maiado que mêço pra lá manhã... sús pega fogo na campinama... — Égua lazã... Alazã... Horizontes passavam e ficamos bebendo num Riacho calculando chegar às dez e dezoito quando a boiada beberia no Jequitinhonha: aí Riverão tomava banho, também o Comandante e se comeria feijão de tropeiro com banana, rapadura, mangas que tilintavam na lama. Seu Rosa me pediu pra lhe contar a vida de Ri­ verão. Não queria perguntar nada quando o encontrasse. Vinha pra escrever reportagem pro “O Cruzeiro” , do Embayxador Assyz Chatôbryand, e não faria propaganda na mensagem. Do social falou o romance Luz Ação: Estória Sekreta: do homem Riverão.

Num tive coragem de botar no mundo conversa pseudo Hestorica do personagem: que era jagunço brabo se pensava mas tinha momentos na vida. — Como João Valentão? — foi lindo ouvir seu Rosa desbundar Caymy num riacho mineiro dedilhando sua bandola Marfim da índia com pérolas Azul Grão de Pinho da Greta Serena — a Garbo! — sempre amei foi seu Rosa — sim! — vamos beber água e amontar pra colher o Comandante da Boiada no Tryangulo Myneyro. Na estrada contei a vida de Riverão por assim, por Alá, parando para mijar, descemos a montanha por cascatespinhoza, acendi outro cigarro e no cavaquinho do pino manso os cavalos relaxaram: “Esse Riverão... o Sinhô sabe ?... era criado de meu avôzim... um sarará... E quando nasceu não sabe. ” Seu Rosa assoviou e correu atraz dumas seriemas: *No sertão não tem Coruja ?”. ‘T em ? ’ ‘ Disse — foi seriema no Pyauy e borboletas no Mato Grosso: “O pai do Riverão roubou o cavalo Joquim dum cigano. Deu em fogo. Mataram o cigano e o pai de Riverão perdeu os ovos. Foi decapitado. Riverão criouse pelo tio Ernesto Galvão que lhe cortou o dedo mindim. Lhe fez jurar vingança. Crescido Riverão foi dis­ cípulo de Peralva, um pistoleiro gaucho. Entrou na Pensão Pedroza e matou os assassinos do pai. Preso, tocou fogo na cadeia e fugiu pra Bahya. ” Enche boca d’água. Oi ai — que gostosura, veja Linda pois xama de tal geito? Portuguez desficado. Muito sofst pra nosso gosto. Prima de Riverão. Prima? Passe o xá. Erva Mate Grosso.

De Goyaz. Ah que calor! Ui me passa rapadura com requeijão frito! Vou namorar Linda? — Tricoteio letreiros Comandante — seu Rosa tirou o chapéu de engenheiro, limpou a cara ensuarada e pediu pedaço de jabá frio e gerimum quente, a cabaça de leitespumoso quentim bebendo dum gole arroteiro. Mugido e passarada. Com o cantarolar de Linda o Sertão virava Paraiso. “Hier. This is Paradise... O Comandante leitor de Melville trazia pequena baleia branca no pescoço peludo. Era de metro e setenta e sete com musculatura de samurai. Barbado fino. Dentes brilhantes. Anel de ferro. Cinturão couro de cotia pra dois ximites 38 cabos laqueados esporas de bronze botas de couro jaguatirica Paraguay dois embornais Mescal bordado Taxuaca Korokês Florismundos Xingú y duas bucetas de fumo corda verde pros passarim comer na mão. Tatuagem no peito entrevistatravés camisa branca boninas colorinhas e barrigudo sob o punhal pelumbigo daqueles de Lampião: “Ia m happy!” Seu Rosa riu bebendo garapa de cachaça com licor de Ouro Preto. “Missa Pura — sou Ateu ”. O Comandante se benze: "Quem fora?”. O Comandante Charutão Zabumba bafôôrú tosse ri marangalhas: “Seu reporter e Embaixador Rosa, seu Major e Medico Rosa, tenho dores de cabeça. Sóu um comandante de 1922, 1924, 1930, tenho setenta e tantos e fodo como garanhão. Nem tenho cabelo branco e tiro o chapeu pra mostrar a careca transdiluviana encerclada de cabelos lizos pretos escorridos pelas orelhas

com brincos diamantinos. De Encruzilhada, mataram minha noiva no dia do casamento. O senhor veio en­ trevistar Riverão? Tenho direito no seu dicionário?” “Fique à vontade Comandante” — seu Rosa lhe deu um tapinha no ombro: " Vamos beber vinho da índia? Trouxe alguns de minha serventia em Bagdad!”. O Comandante lembrou Linda no riacho cantando “ah sertaneja se eu pudesse se papai do céu me desse um espaço pra voar eu cortava a natureza só pra não chover chorar. .. ” Achei Linda feia, dentes amarelos, pixainha, pernuda gostosa mas úmida e parece burra ou ignorante com pequenininho grelo gatto daquela irmã paixão des­ merecida. Sabia lá deitado na grama. A boiada dormia no começo da tarde e os va­ queiros longe conversando com Riverão. Ele não se chegava. O Comandante, contando em inglez o último capítulo de Moby Dick. Calculei três mil bois, vacas e bezerroz tocados pelo Comandante da Feyra de Santana pra fazenda do Coronel Dermeraveldo em Pedra Azul. íamos viajar cortando a Rio Bahya pelos caminhos que o Comandante conhecia. Era no mês aí pelo “15 ou 17 de junho de 1959” numa Sexta Feyra se bem alembro que uns pistoleiros chegaram pra matar Soropita num boteco e o Devente derrubou quatorze. “ Novela de ciume?” — Rosa riu e lhe perguntei sobre o sexual ciume louco de Soropita por Doraldo. Duas bichas e uma prostituta. Ninguém fode, que repressão! Burytú. Calvário.

Convento. Mynaz Mortaz. Paixão de Riobaldo Tatarana por Diadorim — ih seu Glôbe! deixa pra depois! Apresentou-me ao Comandante: “Este é o Acadêmiko de Direito Baiano Glauber Andrade Rocha que é também crítico literário, cinematográfico, diretor teatral, contista, reporter policial e cronista mundano na imprensa baiana e carioca. Meu amigo. Pessoa de confiança. Quer conhecer Riverão. ” O Comandante me abraçou com intimidade: “Brother. Conheço seu olho?Não lhe conheço?” Pensava o Comandante: “Não sou o mesmo que Fidel Castro. Somos diferentes dos cubanos. ” Perguntou se eu queria conhecer a Linda filha: “Tem dezoito anos e canta como passarinho. Não é vir­ gem. Fui o primeiro. Já passou toda vaqueirada na cara. Não é puta. Doce de coco. Se quizer vá e coma. Ela gosta. Não resiste. Não pode ver pauzim. Viciada. Coxa sovaco ouvido e num tem doença venérea. E xcrachada. Já pariu menino com cabeça de porco. Tem cancer nos quatro peito. Gostosa como que!” — “Quero cume” — falou seu Rosa tirando a cabeça ver­ melha e chamou Linda que veio devagar cantando não sei o que e lambeu até que ele espossourou na boca dela. A menina levantou a saia preta e mostrou o rabinho rapado de creca cheirosa... seu Rosa lambeu... dedou... meteu... a menina gemexeu gostosa como manteiga nos ovos estrelados... minha filhinha gozou seu Rosa na sacanagem... e ela... ovos fritos na man­ teiga de meu amorzim... quele mexido moenda rapidona desloca ovos mijespermática menina pulando novilha peidando caiu na beira do rio quero mais mais ai mais ai mansinho o Comandante mijou nos peitos dela ai ui tão bela cantiga no sertão dos labios lingua

menina beijou devagarzinho uns quarenta e cinco minutos — Linda — pra ela gozar dormindo. Deitou-a debaixo duma mangueira coberta com a manta de carneiro. "Agora ela sonha e amanhã conta as mensagens do futuro. Ela conhece o caminho da boiada. Assim a gente leva só duas semanas e meia pra chegar em Pedra Azul". Seu Rosa abotoando a braguilha perguntou ao Comandante quem era a mãe da menina: “Diadorim Seu Rosa Chorou: filha de Riobaldo com Dia­ dorim? Disse pro Comandante que tinha estória de Payxão da menina por Riverão, aquele Rivo era primo de Riobaldo Tatarana dum tal Antonio das Mortes, dum falado Mata Vaca, d’Antonio Pernambuco, Passarim, do Matyta Perê, um certo João do Capitão Rodrigo, Lampião, Zé Bebelo, Joãzim Bem Bem, Hermogenes, Joca Ramiro e o Coronel Franklin Cavalcanti Martins pai do deputado e romancista Wilson Lins do Rio San Francyzco atual Secretario de Educação do Governo Magalhães na Bahia. Seu Rosa contou que conheceu Juracy na Parayba em 1930. Que como legalista defendera Washington Luiz. Que era reacionario. O Comandante perguntou porque? Seu Rosa: “A estória é contra a Historia. ” Citou Heraclito. O Comandante mordeu uma moeda de prata. Seu Rosa recitou Plotino, Parmenides, Democrito Hipocrates e Pindaro. E Virgilio. E Goethe. O senhor sabe que penso comigo: “Sou Rosa
fabricante de letras pras Editoras internacionais. Maior escultor das Am erykas. Do m undo moderno. Do trás

do Terceyro M undo. Do Graals Sertões meu coração mineiro. Deu ouro. Deu prata. Deu pedras preciosas. Dá Letras Drumônykaz Letras Cornelio Penna. Le­ tras Afonso Arinos de Mello Franco. Letras Thomaz Antonio Gonzaga, Claudio Manuel da Costa, Igna­ cio de Alvarenga Peixoto e de tantos bardos juristas et acadêm icos p o litico s da jurisprudência, B .A .R .R .O .C .O .T .R .O .P .I.C .A .L . Y .Z .T .A . ” O Comandante vociferou que tinha Memórias do Cárcere a vender. Seu Rosa vomita Futuros do Parayzo. Fedeu. Cheirou. Abraçaram-se. O Comandante disse que na fazenda do Coronel mostraria os volumes que escrevera sobre a Coluna Prestes. Quatro e meia partimos seguindo o Comandante e Linda montados na garupa do pai atrás das mais ou menos três mil cabeças de gado tocadas por quarenta vaqueiros. Riverão Sussuarana desandava pro leste num es­ quipar macio em campolino gigante praqueles tempos. Tava vestido de brim branco, botas de couro ver­ melho, chapelão de feltro com peninha de pavão e por­ tava capacolonial, alforge verde do Exército/ mas ele correu e lhe perdi na poeira entre a boiada que cotucava berrando e logo rêzes disparavam pra serem recon­ duzidas oi ei a ah aboidê rebombar carnavalesco: “Imagine se entram em disparada sinfônica pelo Cam­ po Santo adentro! Imagine na Igreja do Bombim. Ou em Brazylya!". O Comandante correu tangendo bezerras na poeira. Tempestade branca. Seu Rosa dá farinha.

Aspire no meu rapé de Paris! “White”. Da Bolyvya, inspirou o Comandante! Cinco horas a boiada marchava serena na campina verdamarelecida pelos reflexos do Ymagynário Pyndorama. Outros bichos Rosa classificava com gravador alemão de pilha. Muitos tapes tirava da Bolsa de couro inglez, com JGR gravada em ouro, Rabiscos do Piscaosoutros. Não sabe? “Olha — risco e Riso do Pisacaôso Picasso. ” Achei que seu Rosa tava doido e um cauboi can­ tava com Arapongas. “Gosto de Kaztro Alvez” falou seu Rosa comendo beijú com mel de abelha por cima das crinas de seu cavalo. “Egosto de cú na sela. ” Revi na subida dum morro Riverão em seu campolino sair atrás do gado e afundar ladeira. Saudoso de Linda esquipei pra garupa do Coman­ dante nas costas do Pai dormindo, sorriso cheiroso a vinte metros. O Comandante Cachimbo de Prata, matuta. Seu Rosa calvaguesvai. Sol Vermelho funde boiada. Sombra de Riverão. Na retaguarda eu, Seu Rosa e o Comandante com Linda na garupa entramos nas trevas. Seguiamos na campiniluminada pela lua cheia do sertão estrelado. Brisa temperadamorosa. Boiadalegre. Cavalos namoradeiros. A égua abriu a buceta. Pararam pra foda. Linda cantou baixinho até onze da noite quando o Comandante mandou dormir.

Seu Rosa soprou estórias fogueira. Vaqueyros cem metros longe do Comandante. Suspeitei o porque da distancia. Não tinha vontade de pensar. Lua grande. Linda triste. O Comandante tirava as botas e pavoroso chulé nos bombardeava. Seu Rosa também fedia. Dormi de roupa e tudo. Flambuayantes capins nos óculos de Guima co­ lhendo ovim de mosca pra mini microscopar Dr. Glenn na Universidade de Oxford ronrinhiuou — "Foi ele. Microscopio mirim pra testar fauna e flora sertaneja. " Dentro da garrafa tanajuras vagalumes piuns pias luxque fuxza fixicoz kóz formigareira Rosa nominava raças da noite corriam pros ventres capinais quando o sol levantava outro dia no sertão quixeraquiquim lajedais refulgente boiadahoroscopicopichor horizontilómiado Riverão empinando meta física krystal Pra* to-Oriente Diante Divino Rebombão do sino do mingo pé de cachimbo de ouro dá no bezouro mofino dá no menino valente dá no tenente de prata dá de chibata! Seu Rosa cagou atrás dumas bananeiras, folhas remexegargarejando líquido roxo bebia duma garrafinha plástica com espelhim redondo, escudo Flamengo de Leonidas 71 Rubens, tirar pêlo das narinas. Foi barbear? Navalha hesitando. Tossiu. “Acho que vou criar barba Disse que gostava sair da cara de meninão. “Sou bonito?". Pele brancarrona com algo de alemão? Foi louro?

Cairam os cabelos, parece burro. "Olha minha testa. Labios grandes é muito fresco seu Rosa?”. Vinte e quatro viado? Corno é ovo duro é pau subi no teu cú pra tirar mingau? Sacana é cana da bandeiramericana quem tem dente chupa cana quem não tem come banana sua boca de xibiu va prá puta que pariu — uui aui gosto de pros­ titutas seu Grobe. “Putcts? Lhe conto no revoar ... Vamos tomar café? Quero trepar com Linda outra vez... Sonhei com ela o tempo todo... A Octacilia de Governador Valadares gostava da minha tutameia catuaba... ” O Comandante tocou corneta dourada, a passarama saracoteou o capinzal, ratinhos, coelhos mul­ ticores aos milheiros baratas brancas cobriram o foguim pro café gafanhotos espantaram o morcegal cego. Pulou tamanho Papagayo de metro e meio: “Papagayo Real from Portugal give me your Feet my Blond... Soy el Loro. ” Veio Linda beijar Papagayo que se chamou Luiz e foi logo lhe pegando no vermelhim. Papa Lingua! Bico dourado com esmeraldas en Clave. Mais tarde seu Rosa deu microfone e Linda pediu pra dar uma volta sobre a boiada. “Só não quero que me comam no próximo banquete... ” papagaytou Luiz revoando com Linda nas costas... Ensaio... Três metros... “u f ai... quero descansar... depois lhe pas­ seio... Pefiro ir na garupa do cavalo de Glaubiru... Ensina alemão?Alemão/Alemanha... ”. O Comandante fiscalizou as patas da cavalaria, Ferraduras estragavam aqueles pés costumados com lajedos. Café doce, leite fresco, requeijão frito, mandioca fervida com manteiga, rapadura mulata, torresmo com

bolo de milho, biscoito de goma, biscoito de aviado, ovos estrelados com farinha de fubá pimentado, suco de graviola guaraná num a trempe de munguzá Linda cozinha enquanto o Com andante inspeciona a quaren­ tena de vaqueiros com as novas vacas paridas. M orreram cinco bezerros mas tinha trezentos novins transportados em vinte carros de boi de seis rodas de m adeira com cinco juntas carregando m an­ timentos, arm as, algumas famílias da vaqueirada, en­ fermaria, um a grande m áquina cinematográfica pro filho do Coronel Dermeraveldo, “M itchel” , comprada pelo Com andante ao Produtor Cinematográfico Judeu Bayano Leão Cravo Rozemberg, com sonoro sincrónico e três jogos de refletores no outro carro de boi puxando o gerador pro filme que o menino Tião filmaria duma estória do seu Rosa: “Soropita: O D evente” ou “O Bang Bang D ã Lá L ã o ” — Balada do Capitão Corno, Othelo e Bentinho nos geraes. O Chefe dos Vaqueiros era o tal Lalantino Sa­ rapintado bonito trin ta e três anos dôlolhos verdes louro sorriso gentil vestido couro às unhas encardidas e quarenta e cinco cano longo cabo verde pra frente numa cartucheira negra do lado direito canhoto cigarro de palha m ontado em castanho criado: “Em Mynaz é que tem cavalo bom. Cavalo da Bahya é muié dama... quá quin quá... . O Comandante tava rezando... Tudo es­ pirito. Sou pentecostes? Crente... ui ai num somos m es­ mo filhos das energias... Oi olá la ra vamos chegar depois do Riacho Piranha na fazenda do patrão... pego minhas vacas venderei em M ontes Claros... e gasto no jogo nas putas nas corridas de cavalos vamos sair dom Neo da Baita Nera pra ir buscar uns búfalos no Marajó e vender no rodeo de Porto Alegre por trinta mil dolares a cabeça... Seu Rosa teve febre por causa dos aguaceiros e a boiada triste amoleceu no passo das lamas.

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Luiz Papagayo contou que era de Cyrco civilizado pois não passava de Nêgúzim do Paztoreyo pra ganhar milhões no XÔ DO MUNDO! — Vim pro sertão que tá ruço no litoral... Chegan­ do gente falta trabaio fui estivador doceiro viado de puta investigador taxista comi lixo até entrar pro circo de Mãe A tadalá... peguei o Balão da Fantazya e virei Pássaro na tua vida mas quero vortar pras Afrykas num temos nada a vê cum sertão... * Riverão trotava curtindo estórias de Luiz: — Papagayo? Repetes palavras de outrem? — Ah aí seu Riverão tu eres jagunço famoso... — Fui tam bém caubói e sam urai — Tiveste na Anabazyz? — Na Ylyada na Odysséya nas Kruzadas e nas Deskobertas — Aventuras Expazyays? — Fui tema de Flash Gordon — Naquele carro de boi que traz a máquina de fil­ mar tem baú cheio de g u ri/ gibi/ edições maravilhosas ilustradas tudo pro garotim ficá sabido... — Num tamo num faroeste seu Luiz... Tenho medo do Delegado Carango... — M onta nas minhas azas... — Quero levar Linda comigo... E num se trata só de am or... Tem a boiada e os vaqueiros... Sabe no que vai dar êsse itinerário? — Nêgo pro pelourim e boiada pro corte! — Tenho desconfiança dêsse lalantino Sarapin­ tado... Algo pulga me coça a goela... Tem ele missão de Carango? — Nunca lhe vi de perto... — Repare que tem o sinistro nos dentes quebrados e nos olhos verdes sangrando... — Perigoso...

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— Matou cento e vinte entre Rio Grande do Norte e Dyamantyna... — Fala com você? — Outro dia pediu alicate pra concertar o gatilho da 45... Desviei a vista, saía fogo da pupila esquerda... e tem mais Luiz: era cego da direita... Os dedos tre­ miam e tinha bicho de pé na ponta dos dedos... A lin­ gua feia e da boca cheiro de mulher no leite... Repug­ nante, com espinhas e marcas de bexiga pelo corpo... Na tremedeira atira certo... Conheço ele, é o tal Angelo Mauro, Anjo Mau, de Garanhuns e Pernambuco, lhe conto umas estórias dêsse Lalantino Sarapintado Anjo La Mara Mau; em Afogados de Pernambuco nos idos de 1954 Setembraberto Ele chegou duas horas depois Antonio Pernambucano e M ata Vaca, ninguém sabia quem era o primeiro de ambos grandes metroitenta em cima de Mulas Russas um mais calado que outrenquanto Anjo almoçava na Pensão M ata Vaca bebia água da cisterna na ponta da rua tombou o corpo sobre os joelhos dobrados, Antonio pernempedrada meteu pesquerdo num caixão espretandesperavam diante da casa janelas fechadas portas jardins cancelas porteiras cortina espanta galinha... — ôôôô Sinhô Primo tenho um recado pro Sinhô! Sem resposta viu Pernambucano parado, M ata Vaca adiantou cinco passos guiado pelo espírito do outro no fim da rua mais longe que alcance de bala deu outros metros até um ponto donde sabia sem mais nem menos matar quem ameaçasse Angelo Mauro, Sinhô Primo! como não viesse resposta meteu o pé na porta da casa corredor sala rustirica com mesão no centro ca­ beceira Mãe três filhos prêsos barras da saiAnjo desagarrou dois pelo cabelo empurrando na frente a velha na rua chorandajoelhado implora meninos abriram outras janelas e os primeiros homens do armazém fecharam duas portas a esquerda o velho Cavalcanti

Magalhães mais antigo morador de Afogados jagunço vaqueiro de fama conheceu Angelo Mauro pelo ta­ manho do pescoço colte cano curto despertou voz finaguda não era inimigo de Sinhô que ia ver Angelo Mau bater nos sobrinhos Antonio Silvino Moxotó tremendos fogos trincheira macambira&mandacarú: — Bom dia meu patrão. — Anjo Mau? — Inhô sim... — Num tá me conhecendo? Cel. Cavalcanti Magalhães! — Num desconheço pra quem trabalho. Sabia que em parente meu jagunço de Dodô Teixeira num bole nem mexe? Tiro seco, cabeça na pedra, Anjo Mauro procurava os meninos que tinham sumido, aí espumou pela primeira vez duas e meia da tarde nem foi preciso gritar porque Antonio Pernam bucano e M ata Vaca co­ meçaram arrom bando as portas, em dez minutos seten­ ta habitantes de Afogados cada qual seguro no seu parente, meninos choravam com as mães apertando corpos desesperados que se tratava de Angelo Mauro, dez tiros no galinheiro de Sinhô Primo, seis com ximite e quatro com parabelo, lambeu madrepérolas nos col­ dres, sangue&penas esparram aram na terra roxa, es­ puma não era o raio que cantavam, ódio, na fazenda com seus jagunços e outros homens de Afogados, ausência de vítima, hora m arcada pro serviço rápido, que o povo no meio da praça parecia morto, sem precisão de arma, m atando galinhas, sangrava porcos pra se livrar dos demonios: — Mêdo de m atar bicho! Matava linhas do destino, impediam, castiga bichos, raça inocente merecida de Deus chorou menino na madrugada de Lençóis e foi preciso atenção de Mata

Vaca pra sairem da estrada antes que viessem dois sol­ dados na procura. Choro de bicho num tem alma é que Angelo Mauro sério nos compromissos, se dava um cartucho vazio valia como recibo ou palavra, em Lençóis m atar um padre, vinha com cachorro lambendo a barra branca da batina, pra evitar ruido dos tiros nunca tinha matado padre nem de faca, Anjo botou a pernam bucana na mão de M ata, açougueiro é que sabia m atar certo, e Mata não quería devolvendo a peixeira pelo cabo padre de guarda-sol Anjo segura Desiderio lámina De tanto apertar a palm a sangrou e Angelo puxa com delicadeza padrentrarbustos. Ainda ficou de joelhos pra m atar no pulo, deixou, o padre seguiu Desiderio chupava o sangue da mão, Anjo saiu pelo mato e o com panheiro atrás até clareira chiqueiro Barrão Borrado. Desceu a faca duas vezes e meia-hora, boca da noite, chorava feito menino, catarro do nariz Desiderio limpava lençatado na mão tem ia Anjo vomitar sem resolver mais tarde quando poderiam advir jagunços de Sinhô Primo com o próprio feroz na frente fazer miséria neles. Se Anjo não m atava sofria. Bicho pra se vingar da Noivesquecida — concor­ dava Antonio Pernam bucano entre bigodes acima da boca sem vento passar-lhe deixando Zarolho. Antonio Silva Ferreira era forte pra ver chefe chorando e ficar na espera que os advelsos chegassem de manso, quando dava balaço matava daqui e dali, gente sua inclusive pra livrar pele de mulato curtida es­ condendo vontade de ser alvo-gazo como Angelo, até bonito naquelholho verde holandês raçado com indio e cabelo bom, embora duro, que escorria na testa

enrolava Pescoço de Ganso M auro Famoso pela Fygura antes de temido pelos crimes. Antonio arrastava perna dura, balencravada com o tyro de G uerra nas esquinas de Jeremoabo. “Porque esqui&hesitou e queria se entregar a um merda daquele tam anho, sonso e pardo, valente de rifle na mão atirando sem perguntar na primeira pra lhe atingir na quinta, logo ali no joelho arrancou a testa de Donato e teve força pra se arrastar até a mula e despedir o Tenente Tyro na K ara. ” — Espera Sinhô Primo ou vais ficar matando galinha e dando tremedeira de bêsta ? Direto e sem consideração Anjo M auro mandou fogo no zarolho de Antonio. — Anjo, já me informei que Sinhô Primo volta cinco da tarde com seis capanga. — Então a gente espera p ra brigar com sete. — É pessoal que dá duas vezes em você e Mata Vaca. — Se posso medir com duas pistolas num vou me cagar por causa de sete macho. — Aí se ataca de febre a gente tudo vira balaio nas bala de Sinhô Primo. — Quanto ele soubé q*e tive aqui vai mandar me perseguir até se me enterrar pelas Mynaz ou Mato Grosso. Vim em nome do coronel Zeca Manso, agora sou Eu na pontaria de Sinhô Primo. Esse destino cruzou errado, num tenho saída! Se ele num vorta hoje me vingo antes da morte que vou ter; aliás eu você Mata Vaca e mais nossos amigos W anderley e Optato. — A gente espera? — Até as cinco! Se Sinhô Primo não chegar eu penso milho. Agora me deixa só que tou suando frio. Angelo M auro, nascido em G aranhuns, criado na margem de Juazeyro da Bahya com o São Francisco doce de beber febre branca suor frio remédio não resol-

ve e foi o destino que enganchou mudar do Xapadão por Deus botado assim ou retornar pras chuvas cima Águas do São Francisco ñas Cachoeyraz de Paulo Afon­ so? Homem era mato seco & verde, a depender de odio ou amor, ñas carnes cajueiro envelhecendo, criação quem maneja é Deus & Eu ou sabemos fazer Beto no cerco das vacas e na profissão de jagunço tão decente nessa terra quando ser Doutor no longe da Kapytal da Republyka região de gente boa&ruim se acabam pela myzérya da riqueza e seu Antonim com chicote de prata no pulso: — Se esse menino num dá pra lavoura, dá pra jagunço! Maneco Silva me deu armas, ensinou, aprendi, vivo na rua dos Afogados, Sinhô Primo deve morrer por dívida de briga ao coronel Zeca Manso, Patrão Famoso Alagoas Ceará Mynaz Bahya — O Anjo Frio na Tirambaça de Vytorya, Trocatiro de Medina Pedra Azul Fogo dos próprios Garanhuns em dois Comicios de Vez Anjo Tocaya pulava e benzia vá com Deus irmão... Corredor grande, mesa, cadeiras cobertas com couro de carneiro, preciso deitar, o mundo com a coberta em cima da cara até passar a tremura, abri a porta de um quarto, afrouxa o cinto da cartucheira, fui deitando semi-morto, respiro leve e pausado, puxei a coberta pra cima da cara, o frio aumenta, aquilo me persegue desde rapaz mesmo antes do dia que fez seu primeiro serviço em Ytapetynga distante de Juazeyro semana de viagem na ponta do beco esperando que a luz apague, o advogado passou na frente de Angelo an­ tes das seis a madrepérola escorregava, o medo duma boiada, pulo na frente, despachei daí de Remanso a Pylão Arcado cruzando o Rio e na beleza de Penedo voltar pra Garanhuns subi e desço gaiolas na Cara do Morto de costas não atirava e não errar pontaria —,

m anter o serviço, fluir sua riqueza a vinte contos por cabeça... Seu A ntonim lhe disse: 9 — M inino, o Prom otor me falou de você. Num acha melhor ir em bora? Lhe dou cem contos de ajuda. O Coronel foi decente e Angelo beijou sua velha mão, agradecia quem lhe criou, virei o corpo de lado mas a coxadoeu esprem endo o revólver virou e viu a porta sem i-aberta, luz m orrendo m ansa pela telha de vidro em cima dum a com poteira com doce de cajú deu vontade, Anjo se levantei, abriu a tam pa azulada do vidro-cristal, meteu as unhas sujas, mastigo, bebeu água e fumo cigarro de palha, quatro e meia, daí há pouco Sinhô Primo chegava m iséria de pulo e tiro que não lhe pegasse errado fosse na testa coração cabendo seu cam inho pra trás e fechado em cima do mesmo como acontece no destino m orrendo com o homem no particular. Engoliu água m o rn a... Atravessou o corredor. Rua fresca, sol baixo e horizonte cinzento não res­ pondia ao choro infantil. M ata Vaca cochila sobre joelhos dobrados en­ quanto Antonio, com a perna dura sustentando o cor­ po, zarolha setenta pessoas enrodilhadas. Anjo M auro circula meninos, a mulhé de sinhô Primo soluça galopes, ninguém olha verdes de Mau, sabiam que era jagunço pernam bucano pior cangaceiro fuma e não guarda traços de m ulher dois velhos rapaz menino em maior quantidade, Anjo M ata Vaca e An­ tonio companheiros de cinco anos, morre memória e peço a Deus p r’esquecer com pena de quem não co­ nhecia matava conhecido de longe porque de perto moça pintada se encolheu na cintura da mãe espeta ves­ tido com bicos do peito da m aneira de Maria Um­ burana três anos que não metia em mulher de ca-

t

minhão intencionando Umburana de ano a ano mais um pouco velha, menos nas tranças de metro e meio, queria pegar no bico do peito da menina fogo na mulher, quantos não achavam caminho da segurança como Wanderley se apaixonou pra casamento só evi­ tado pela polícia desviava dois passos, fechado povo no mêdo do qual muita gente falava bem capaz da des­ graça no menor temperamento até cunhado morto es­ tava na mente de quem já ouvira falar e agora Angelo Mauro apertava e se sente Bafo dentes podres mastigam ruidos cospe nos pés da menina completando a roda no zarolho de Antonio: — Tá faltando quinze minutos... Mata Vaca confirmou com a cabeça. — Estranho que Sinhô Primo sabendo num aparece... — Se num aparece tá esperando na primeira ri­ banceira... — Na minha intenção tem coisa feia de hoje pra meianoite! respondeu Mata Vaca, Antonio Pernam­ bucano inquirindo, Anjo Mauro sinto nojo antigo no coração guardada raiva mansa porque sabia da inveja de Antonio Pernambucano e sua espera para matá-lo assim chegasse oportunidade e preço de proposta an­ tiga, assunto baixo, não tirava guarda de Antonio dor­ mindo em quarto separado de Pensão fugas juntas não esquecia olhar costas vigiar lados d’Antonio seguia na frente e no escuro, Anjo Mauro pistola engatilhada pra cair na terra assim que adivinhasse o clarão cruzaram caras não sabendo qual motivo lhe mexia as carnes An­ jo Vocyfera: — Num engana não! Antonio tremeu — Tou esperando há cinco horas pra gente fazer o que for!

Antonio descoberto e Anjo viu o que se passava mas não era hora de reagir e sim declarar sentimento. — Home sabido num se engana... — É por isso que você anda na minha dianteira... E seguiu novo círculo. O monte de gente encolhido, mudo, crescia o fan­ tasma de Anjo M auro encobrindo o povoado de nuvem escura, a menina espetava, Anjo se demorou olhando os filhos — O sinhô vai m atar meu marido? A velha manteve a cabeça como sempre, o nariz grande demais pra sustentar, choro recolhido Anjo ameaçando os habitantes do Munycypyo não podia desesperar — quem sabia capaz o pistoleiro gazalto, o que estava metido na cabeça chata queixo comprido bloco no qual marceneiro abro boca e nariz a facão cara sem passar lixa, envernizo olhos miúdos verdes, dentes podres, pele esticada, tam anho das mãos calosas unhas sujas a velha não pode gritar no conjunto dos seus filhos e amigos destinos Angelo respira manso morno na cara da moça pintada U m burana dengosa qualquer outra fogo na entrecoxa, a menina apertou a cintura da mãe, Anjo repara no tam anho dos menores não sabiam temiam obrigados olham medrosos revoam passarinhos encosta longo morro bodoque e rolando capim abaixo ralava o corpo sorria cantando pássaros mortos, bezouros, formigas, arm adilhas para ratos, idos sumiam por baixo, por dentro, apagavam Anjo Nuvem. Passou a mão pela cabeça dum menino compri­ mindo até ouvir o primeiro raio de choro e dentro do peito dor pois mêdo era o que mais lhe acompanhava na sua grande vida sem começo do tamanho do Rio em curvas cachoeiras pelo sangue do crime até a escuridão final da Morte que fosse de bala. Mata Vaca nunca tinha visto Angelo matar me­ nino, confirmou idéia antiga, pensando que seu velho

com panheiro era seco por dentro de aram e farpado e galho de um buzeiro. Apagou a visagem viu sua caveira em cim a do pes­ coço de ganso de Angelo e relem brou o varapau choran­ do lem brança e medo de se ver m orto na m orte de Anjo, dinheiro dentro das botas dava p ra com prar pedaço de terra. Com iam carne com feijão, bebiam aguardente: Anjo gostava de m an d ar um irm ão ir com D eus. A m bicionava sozinho na solidão do Rio ou das chapadas, destino em b ru lh an d o cam inhos de cobra na caatinga, sol e chum bo, o m u ^d o despido de sentim en­ to, p ra frente, e se M ata V aca gostava de alguém era de M auro A ndrades, segue p o r tryzte tem ia doença m orte — não pensava em si m as no am igo, se m orresse ele se findava na ju n ta com m aldade P ern am b u can o . Q ueria falar q u alq u er coisa com A njo m as tinham cercas no cam inho: — Esse Anjo tá ficando com leseira, dando volta parecendo u ru b u com cheiro de carn iça. Se ele num resolve num sei não m as vou cum ele. — Pois eu não — rugiu A ntonio e arrasto u a perna dura até to p ar Angelo M au ro . — Q uer b rig ar fedorento? — Fedorento é tu a mãe! Anjo Rayo A ntonio T o u ro retesado gira três vezes testa furada no prim eiro passo nunca rodopia estrelado peito terceira tiro no saco m orres capado! Anjo M auro rum inou esperado de m uitos anos — M ulato im erecido e cruel! A briu o tam b o r do xim ite, cartuchos fora, re ­ carregou com seis d u n d u n s. M ata Vaca m urm ura: — Sinhô Prim o num volta m ais hoje. — É. Acho que soube e acam pou por fora. — V am bora.

— Não. Tou procurando um a idéia. M ata Vaca acendeu dois candieiros que dava pra ver a roupa branca de Anjo atravessar o corredor de Sinhô Primo em cima da mesa com poteira doce de cajú dentro do arm ário remexi num a lata de biscoitos, corto metade dum requeijão, trouxe moringa d ’água, Mata Vaca grunhia m astigando, um menino chorou com sede, Anjo dei um gole no gargalo como se tivesser urinando, biscoito duro, doeu nos dentes, desistiu, mastiguei o macio do requeijão, engole seco, água com gosto de barro e Angelo só gosta d ’água fresca e limpa, lembrei-me do arm azém , talvez encontrasse cerveja em cima do balcão ilum inado pelo fifó que Anjo acende velhos jornais m anta de toucinho coberta de mosca abano guia fifó encontro prateleira duas cervejas, pra M ata Vaca antes de sair arranhe com a unha pedaço de toucinho, prova sal, rum ino m elhor saindo vento des­ tampado garrafa com polegar bebi metade de vez, Mata Vaca à medida que engolia a cerveja pernas de Anjo cortadas pela luz se movem cabeça degolada no es­ curo... — Sinhô Primo é um miser ave... — O coroné Zeca M anso tam bém ... E por fora como era quase Angelo M auro explodiu e Vaca corria na vereda com o vaqueiro no rabo espetos espinhos todos lados penetrando no estreito até fogueira entrava saia no verde com passarinho a Velha pode ter sido sua mãe chale nos ombros cara de vaca chifres podres bodoque contra m alhado da testa caí de joelhos e peço bençã mãe vaca muge baba vermelha lavo mão com cerveja. Num acha que sinhô Primo tem razão nessa dis­ puta? Mata Vaca insistiu: — Faço pelo pago mas acho que o coroné Zeca Manso é ladrão ruín e que esse sinhô Primo deve ser milho...

Angelo Mauro sonha ouvir o princípio da conversa d’agora em diante fiaria idéias toscas buscando pensar mais claro Mata Vaca via pernas brancas e três mulas de Mau não resisto desviar candieiro Luz Pletoralmangelo plana madrugada. — Tou cum dente doendo... Levantou pra ver melhor a dentadura amarela Demo Dyabo Anjo Mau vomitava no tubo do can­ dieiro Bolo de requeijão prêso na garganta Afogados crianças mulheres Do sopro viram o fantasma de Anjo viram o fan­ tasma de Anjo na hora que o paletó voava preto branca mortalha Não ou/vi Anjo meter a unha no dente Mata Vaca encostando luz Angelo silencioso e pálido até que Vaca soprou o candieiro e seu cara suma — Acho que Sinhô Primo num vem mais... — É, num vem não, mas adivinhei... Cadê sua peixeira? Mata Vaca tirou a faca pernambucana da cinta e estirou a lâmina, os dedos comprimiram a ponta, acionaram para cima, a faca virou e caiu de cabo na mão! Angelo Mauro pegando uma criança pelo braço cortou-lhe a garganta, desapareceu morro verde, canto dos passarinhos, no sereno surgiram vagalumes São Francyzko e a falada fúria das obscuras veias&intestinos&nuca&lingua nuca lingua lambendo Terror de Paulo Afonso e Mata Vaca se juntaram furando se­ melhante Boi Zebú na cabeça de Anjo vazia loca Cal­ deirão miado de onça chocalha cascavel garganta fogo não ficaria sozinho na perdição seu companheiro era Êle também e Mata Vaca detonou em cima dos vultos agarrados no escuro

Seis vezes o clarão do futuro ilum ina Sinhô Primo com repetição incendiada no peito Facacortando inimigo do lado de lá contrário se agarrava braços e as preces em nome de Deus voaram m ãos nas gargantas sangue quente o atracam feridos dentre tantos que resistem num crescimento de coragem Anjo M au em pinou duas pistolas D unduns M ata Vaca chutou candieiro Almas tontas berraram ferozes investiam guerra do outro lado contra a noite incerta destruiam sem ver boi zebú cascavel berro chocalho cachorro Aumentava o frio no pescoço de Angelo M ata Vaca tateia, m ulas relincham — Desiderio, num m ato m ais bicho! — Vam bora que sinhô Prim o vem aí! — Tamo vingado no antes! Aquele Vaqueiro Desiderio Felicio Fossa Parayzo fazia segunda farofa pro C om andante. “Por causa do sinhô... ” Conversas do casam ento, tin h a fodido com Linda, gostava de m ulher e home: “Posso dorm ir de minha paixão... mas gosto m esm o ê de fêm ea p o r cima ou por baixo... Home mió prá trabaio e conversa... Pra sacanage a m uié... ou umas cabrinhas... umas galinhas... uma égua loura que eu tinha u ifse u Elizor... O Comandante bondiou a vaqueirada pelo nome e esquipa pra naôm orá Riverão despencado no campolino bebendo duma gamela leite com mel: “Bom dia Riverim... Bons sonhos?”. Olhos negros de River nos olhos azuis do Coman­ dante: ‘7anhamsim... ” O Comandante tirou do bolso da camisa vidro com pílulas vermelhas e deu pra Riverão tom ar quatro por dia. “E passe bem. Tem um jornalista do Rio com um rapaz da Bahia pra fazer reportagem. Gente boa. Pode servir pra lhe defender *\

— “ Mas num tiro retrato. O Comandante brincou dizendo que o neto do Coronel quería fazer fita e que tinha o grande roman­ cista do Rio Major Dr. Embayxador João Guimarães Rosa, podia ser que Riverão fosse Artista: “E com esse gado e a vaqueirada a gente fazia um Faroeste Sertanejo que podia dar muito dinheiro no mundo com aquela fita “O Cangaceiro ”. Riverão falou: “Só vi umas trinta fita... gostei do... do Capitão Blud. . . ” e aduziu: “deixa pra lá Coman­ dante. Dias a vir que falo com o escritor. Agora tou pensando no passado, num sei do presente, o futuro pode ser a tocaia do Delegado Carango. Só tenho esse cavalo campóla na vida. E trinta e sete contos. O Coronel num gosta de mim. Arrespeita que tem medo... Homem como eu serve mesmo ê pra romance e fita. Se o escritor quizer e o produtor pagar custa caro. Meu ABC só vai de graça no puteiro de Octacilia. ” O Comandante gostava de Sagas: “Tu és meu protegido. ” Riverão resmungou lambendo o bigodim e labios vermelhos de leite melado: “Esse urucum bota batom na gente... Num quero proteção... Pedi pro Coronel direito sem acordo... Volto pra terra de meu avô. Foi meu avô que matou os adversários dele... meu avô morreu com uma fazendim de três alqueires mandarocô... Uh anh esse Coronel me deve... Mas num quero pagas... só descanso que se o Delegado Carango me pega ou mata ou me leva pra puliça deJuracy..... E tem a famia do deputado Santana que pensa fu i eu o cri­ minal. Num era... Num tenho advogado... Quero dis­ tancia porque a estória do crime do deputado num é a mesma da boca do povo: Mas num me quero metido nisto. Só se for pra esclarecer minha inocência. Inocen­ te de que? Sou do sertão... se topar uma mulhê bonita

que eu goste dela ou ela de mim a gente se ama e fico criando vaca pro leite e os filhos... ” O Comandante falou que só não acreditava na Família Riverão — pois o famoso jagunço era travessador de geraes e caatingas: “Penso que buscas o Pa­ raíso na violencia... Riverão cortejou que num gostava da Filusfia mas disse: “Mentira. Filosofo na madrugada pra viver feliz nu meio dia. O Comandante trotando avisou que nos próximos dias poderia cair aguaceiro e era preciso atravessar a Lagoa Vermelha antes da enchente — botando a boia­ da nas balsas ou escolher cortar a Mantiqueira nem pensando tais: “Num tamo aqui numa retirada Laguna... t ♦ A vaqueirada selava a cavalaria e alguns carros de boi rangiam berravam vacas e bezerrada finda mama garanhões em punhan novilhetas xoxolas. O Comandante trouxe a Moren Bim laçada, botoulhe fitas vermelhas com medalhinhas douradas de Nos­ sa Senhora da Vytorya. Seu Rosa montado no pam pa tirou fotografias Polaroide Russa, filmou Super 8 Video Nipônico. Linda montada no Papagayo voou sobre a boiada que se mexia na primeira m anhã da viagem: Boam dia Boa aaaaa bomm diaaa aa êlêüãã ô... O Comandante tocou e reboiaram os vaqueiros clamorosos, amuntei num cavalo branquim de nome Laco que corria mais doce e me deixava sem medo de voar segurando nos esporões de Luiz e Lindaeremoça do Johnny For Olha o colorido da boiada tres mil uii ihh mais tres milll sobre capins gordos na brisa e os passarinhos pousados nas vacas dos dois bezerros muito longe prum quilometro adiante Riverão de$entrancava desengar-

richa deselastece na madrugada traumatizantesperanças em Mynaz do Sul... Por quarenta quilómetros de capinzal sobre lajedos a boiada do C om andante — Harm onyaz a
O .O .O . M .A .T / O . P . H . E . Y . F . E . I.A. .

Bolombos... Na cabeça quem toca Betoven? O Comandante corneta dourada, saxofone... ex­ perimentos desasnantes... Tranquilidade... Papagayo botou Linda na garupa da novilha Marom Bim e veio pra minha cabeça. Seu Rosa cantarolava fumando maconha que o Comandante Cachimbo Prata: “M uquirama”. Rosa calmo, ría, feliz. Bun bem... que nem dava vontade de viver. Felicidade. Céu sem nuvinha nem rastro. Rosa filtra Depois do azul. “O A zul é o Nada ” e deu outro tapa. "Azulzim lá do lado daquela imagem de Rive­ rão... ” Zénite. Linda penteava cabelos, pinta lábios, olhos, boxexas, florzinhas, leite, coquis que Luiz trouxe no bico: “Ovo de Cobra, tem clara verde. Quá... quém... Un­ guento pra buceta que treparei com Lalalá ”. — “Olhe a máquina do mundo seu.Grobe.” Respondi que tava nela. “Tudo?** (íTo'do. ” O Comandante desencavou imprevisíveis notas. “Contra o sol, Estética!" Seu Rosa ficava lindo nestas horas: — Terremotos? — Betoven despertou a Europa do sonho Bonapartista...

— Se minha voz musicasse — cantou Rosa! — Se minha Voz fosse Cor! O Dyabo não seria tão feio como se pinta. Por dentes de ouro e Belzebus de roupa brancanel no dedo chapéu panamá óculos rayban minha mãe mostrou meu Pai como Dyabo. Seu Rosa não tinha hora. “Sou de manhã um ver­ so...” Lyryka — o trabalho da natureza geral cozinhado dias e noites da terra cada vez mais perto do Sol De­ vorante. — Viemos de outra galáxia pro Sol! O Sol é a Mor­ te! E o prazer! # Seu Rosa salivou suando: “Sol! Oh Sol! Sol! In­ suportável FrioV’ — e de seus versos floresceram Kapthynyaz Donatharyaz nos kontynentes vulcânykuz “una isla de Pyratas. ’’ . Foi abra-me ZÈSHAMUS — e vy do pynakulo fen­ der a muralha geofagyka! Cego, vendo Jesus, ressucitado Jesus, ressucitado, Entrepório môrenho DTndyos matutos portugas maneiros! Amazonas abriam rosadas cheias de mutum cheiroso espirrando frexas nús navegados que vinham d’Espanhas marcando mapa dos Reis Felipe Fernando da Droga Marrão, neto de Tião Sebasta Caturgo, carango de Maio, empera cascudo broncas de Antão. Aves douradas nas pedras, pirôco lascado, Brufinho Sardenho, Sardos, Mouringios de cada dedão abismado sobre hortas retintas, caraco do vaco, albor­ noz sangrento me dizia baixinho vem meu amor, dedinhos no meu, a casca da onça dá pé de cebola. Porfias beira de fogo na bruaca da noite. Por Oropas se abrem nortenhos adoradores do Gelo, Marcundo pra leste aboreys nas Cukriunhas de Vicente Vião Mulo raçado Colosso, três Russos, mucingas bunka trupa kramada.

Carcundo fundo pelos centros Vik é Konga, burro murso, Akumbeques acima de intiligencya por ventura inferior merda temerosa mas acima pelo Sangue. Se preciso esparramo ventas ñas ventras e Segunda de Pato abronco parabela. Desafinante no salão, cabra de sela, muribuco efemeinado que o Egito enraba, aculatrantes sasmeteiros assassinos, sanguinários comerciantes, ginete de laia e de faia coroada, encincatada em recitações broans, superba, musical de crambecrambe nuvembebe. Afinhosinh seu Zebebé. To lo telém! Apustinhação. Por sobre dobra de ti te de. Frongue Francia. Agrungueguei. Seleoclipipedes, Nagá D anão y outros pardos cascareus. Bunos epidens Zistus. Se abusando seu Filhinhonisn da Lyndoya M aryngá. Aluztousou Deoclides bota na fila da bunda Alcebiades. Se atúm me diz que prefere reias garanto. Se não Eliozé e Focildo parindo quantos queriam imprecisavam meter. Latefundo. De noite no quarto passei o deo na bucetinha de Florizé e na dêda de leda toc punheta. Doia muito que custa produção quando muda lume. Falei pela tarde não era assim um a um mas doía a dois como convém. Eu afastado nas matemáticas. Quando Focildo bateu esporas Epizé se despe­ daçava arrastada Domingo com pretéritas barriguinhas da Bahya Luafryka

Corpúsculos Antiofia me diziam que as "bandeiras eram tepidas e o tempo dilatado. ” Oh Sabedoria de Salomão! Vira regos rabos prarriba Gancho, que da terra vinha cheiro nadado de nuvem, todos epidermes pig­ mentos esplosões — naquelas Andava nos castelos com arneses, Arpões, comia na ponte o buxo das mães, beirava Moema fraterna nas traças, o ventescurecia e Jerobabo troa nos bacateiros crepusculares de Sant’ Antonyo. Q uando a india me olhava, menina Julia, o velho oriental da guerra subterránea, farbela colorida, muriçosas, Êle ficava depois de cada trovão. Conguengava. Proxintões\da jagunçada que esse aviu e confirmei na varanda da velha D oná as orêlha dos cachorro cor­ tada. Ela reparou e disse aqui os cachorro! Os homens m ijaram . Pois quando o prim o dele, Elionor, voltou com Isaac da guerra seu Tom az recebeu os dois com uma tigela de feijão e disse troca o irm ão pela verdade. Zeca debruava, Divo trouxe todo dia de manhã a cesta dimbú e cajá. Pra seu Nô num tinha volta, Ele tava mesmo era cagando no mato quando o porco veio por trás lhe meteu o dente no reto puxou duas quarenta cinco titou mamácu Nanuque. Palmeira do mar seu Nô! Palmeira no m ar e chuva zoada. O assovio da tarde, duns xamêgo mexido deixava Êle e Divo sem vontade de prantar. Só tem duas avoadas seu Kelejé: Geraldim me bate na cara, Niltin me caga nos òios, os sapo aperta Nicanor na porta do Clube cum trinta e oito nos peitos.

Seu Cyd disse pra Orlando que bala de primo era pra Bacuco Xeré — entre Vyctorya e Jequi os murimbagos não valiam nada depois do Verão. Antonyns entraram trotando cavalo carreiro e fundaram cisternas duas na rua das Flores, outra nos Espynheiro, mais na casa de Jiusito onde caiu o violino, outra no açude se afogou alouradAugusto anteoutra se matou na caçada com a espingarda que depois Eurice antes do enterro inda pôde tirar a binga mole dele e sentar por riba do espelho redondo na prata de cimento e quá Ameryka Zu? Eterno nas mãos de seu Dama com livro fularanta, vestido raiadazul verméio seu Zacariaz com coisas de mulhé. Do Muyro geito é um (Tom) capenga botando paralelepidedos nos cearalelepipedos. Acruzinhagem simplificava debaixo do céu seguro, caminho reto pro infinito, paragem verdejante capim capoeira, lago pêxe e bicho farfalhantamigo perigoso, montanha entrando cuns Supremo depejando do Olho biangulado de Deus a luz que divide o Céu do Ynferno. Nenhuma verdade pode ser dita com mêdo in­ clusive de abrir a fossa da merda fina por baixo do cu gilente por cima da greta do pau amado. Tinha vantage cuma Estrada de Ferro num laran­ jal que seu Dama arranjava pro Governo pagar mais caro e levar percentagem. Ou era entrada de seu Maciel no ceu cercado de anjo e Jezus Krysto milagroso com bilhete da loteria no sedan risonho. Dama faram Elciodes do Pinho m atar os Gonçal­ ves em Pedra Azul e num incontrandu o avô matavam os dormenti e o Gerente do Hotel. Dalcimar foi de Buick e bimotor até Goyaz Clodorovaldo Cuyabá rei dos cabaré e dos caminhão de carga Ponta Porã Purinhanha.

Floriosvaldo clus ximite verde cano curto matou Jorge Braga. Odilo Souza morreu degolado debaixo carrosseria sentado num Citroen negro junto de Kaztor que tinha jogado uma veia por alto com o paraxoque e aparado na trazeira por cima com facada no nariz que saiu no pé de boca, dois dedos cortado a foice seis dungo num garim­ peiro que reivindicava melhor salario e comida naquelas construções d ’estradas da Bahya pro Pyauy. Pai m atando filho e filho m atando pai diante da mãe assassanada na noite do casam ento. Lá pelas costas assopra uns trovão me arremete e é muito difícil arrum ar veloleira. Dêste relam pago dentro do quarto a gente tava mais velho e cercado das Ãguas. Ylhas Eternas foi destino de Hugo de Castro de Souza: foi não voltou e se lem braram no mesmo quarto nasceu. Corredor, quarto na frente do outro, Crato de fora, Crato de Visita, Crato da Velha, Crato dela, Crato de Nade, Crato Zozé. Visita é verde, Jan ta é vermeia, Espera Amarela, Copa clara, Peitoril cinzento, Q uintal trancado, macae a peira clarão do quarto num me dêcha queto. Adeodato Riverão dos Q uartos Cagado foi posto pela mãe M arida dos Zanzois C arrapuz, da familia Sussuarana. Capinava o terreno até o fim das água. Jaca Querubim dum a familia desbocada que se tritura. Queria começar rodage que fosse reta Amazona Xuy Pyauy Bolyvya. Jaca, pegou seriema pelo pé nas bandas de Oiêras e viu caboclim com pexêra no cinto cumento farinha incostado nas preda.

Pontêras, num se alembrava, botava deicidio nas ordi Angico, Poções, Jequié, Milagres, Feira, Santo Antonio de Jesus, M uritiba, Lençóis, Santa Terezinha, Pam aiba, Pistões. Se perdeu no Geraes tarde inteira beberem águamarela doce podre. Nas quebra tropeiro jegues arriados pra feira e ensinaram o caminho por vinte mil réis. Lá pelas cinco já vinha seu Castor com o sedan azul e uns foguete Oriente. Aqueles pyauyense bem pudia ter apunhado na gente pra robar reloj. Ele, primio e Adeodato num gostava de progreisso paulista. Exprodia pra botá estrada de ferro Oueyra Carnauba. Pyauy devastava. Com seu Carneiro a gente passou por baixo do aeroporto e avoou por cima do Ceará Pará. Apoisamo com Roberto, o primo, Adeodato e Luizinho no Amazonas. No Pyauy seu D am a chegou até Coquêros e botou um prato de ovos arroz rapadura. Yndio do Pyauy se matou a facão. A máquina de costura batia nos ouvido de Adeodato da Souza Braulio Silva. Fruxo da serie era de tarde. Se o homem aval pelo beiço mande então parar os tropero e alargue um recado pros Melete combater a tribu Fernande tatu nos bofe dos vaquero, ordene Divo pra num buscá patuleia no conjunto, cuidado cuns marfunho que vem de Cabri fuça prepotente e arma de fogo, aconverse com Adeodato sobre as ode de razão. Se Adeodato num sair de Paulystana com quatrocento quilometro de estrada de ferro então vire no primeiro abismo de Urandy e sangre os cavalos.

De boaaída o prim o tava conspuracado, cheio de purú pelas viría e tocando cavalo no meio dia braza. Marlene era muié de Joana, o radio boiava na en­ chente, Paulyztana num seria conquistada a num ser acabando. Pelas noite Adeodato chegou carregado dos Pulga Jismá e berrou pros Melete num am olhá mais repetição na bacia do machofeme. Rio G rande Verão Onça Sussuarana. Quero a morte dos peste e num era lembrança O sol veio depois do trovão e enquanto tangia os rondó se quemava as costa com salm ora e pimenta Lavage nas buçanha Fugia com Rã Sem exêro exaltado num ia Seu D am a recitava “ Os Luzyadas” : — OI, nasci em 13 de Fevereiro de 1908, em lugar por nome Bom Jesus, no município de Jequiriçá na Bahia. Aí fiquei até, bota aí 6 anos, mais ou menos. Eu, m inha mãe e meus irm ãos ficamos aí nessa fazen­ dinha e meu pai veio p ara o m unicípio de Ilhéus de­ dicar-se a outros trabalhos p ara ver se conseguia melhorar sua renda e conseqüentem ente a melhora do bem -estar da sua família. De vez em quando ele ia lá em Bom Jesus visitar-nos. E depois voltava. Passa de uns 4 anos de sua estadia na zona de Ilhéus, ele con­ seguiu com prar um a fazendinha e foi nos buscar. Viemos. Eu e toda a família. A viagem foi a seguinte: Saimos da fazenda, viemos para Jequiriçá, aí ficamos no trem (Estrada de Ferro de Nazaré), seguimos para Nazaré, aí pegamos um vapor da cidade de Nazaré para Salvador (Capital), demoramos aí 4 dias e com a viagem (de vapor ainda) no dia seguinte chegamos a

Ilhéus. De Ilhéus fomos pela Estrada de Ferro para lugarejo por nome Cerqueiro do Espinho e aí ficamos uns dias até que fomos definitivamente para a tal fazendinha que papai havia comprado. Passados uns meses papai fez uma casa regular no Cerqueiro do Espinho e fomos residir aí. Papai estabeleceu-se, alojou família, botou-nos na escola, etc... Aqui ficamos uns 2 anos. Agora aí uma mistura que eu não sei. Não sei se demoramos alí. Meu Deus! Já disse que meu pai tornou-se um grande negociante? Tempos depois ele transferiu a casa de negócios para Ãgua Preta e a nossa residência para a fazendinha que ele anteriormente havia comprado. Passando uns 2 anos ele mudou toda família para Ãgua Preta e aí fi­ camos morando. Eu já com 16 para 17 anos FUGI para São Paulo, levando em minha companhia um pretinho que meu pai criava por nome de Lidio. Eu fugi de madrugada, viajei uns 15 dias a pé e montado até um a cidadezinha do interior da Bahia ainda, Jacaracy era o nome da cidade. Aí botei uma casinha de negócio. Levei 2 contos que roubei de meu pai quando saí de casa. Até já tinha gasto uns 600 milréis porque comprei 2 cavalinhos por 400 milréis e 200 gastei com a viagem. Nêsse lugar botei uma vendazinha com o capital que restava. Passados 4 meses, vendi a vendinha, recebi o dinheiro com o qual viajei para São Paulo. Fui de Jacaracy para Montes Claros no Estado de Minas a pé, eu e o Lidio. De Montes Claros comprei passagem na Central do Brasil acompanhado de Lidio, ele sempre comigo, comprei passagem para São Paulo. Em Sào Paulo eu e Lidio ficamos perambulando quase já sem dinheiro, até que por informações fomos ao Centro de Imigração e conseguimos saber que no in-

terior do Estado havia muitas fazendas precisando de trabalhadores braçais. Fui pra lá. Passei em Baurú, tomei a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e saltei em Toledo Pisa. Aí empreguei-me numa fazenda onde começava a trabalhar às 5 horas da m anhã até às 6 da tarde. Nessa fazenda fiquei uns 3 anos. Aí tem um a passagem que até hoje pode me prejudicar. Eu tive com a Coluna Prestes na ocasião que o G eneral Isidório Dias Lepes rebentou a revolução para se apossar do Governo. Fui preso em Pontaporã com outros companheiros. D aí fomos m andados para um local aonde passava a E strada de Ferro Noroeste do Brasil, ainda presos, e aí fui m andado p ara Osasco. Aí fiquei num quartel por alguns meses. D aí fui m andado com meus compa­ nheiros p ara São Paulo, Capital. Aí em São Paulo fui para a cadeia pública de São Paulo, na Av. Tiradentes n? 5. Aí continuei preso, sendo que meu companheiro Lidio tinha sido antes transferido para Taubaté. Aí começa outra fase. Em São Paulo, na cadeia, consegui avisar meu pai sobre a m inha situação, ele tomou as providências que lhe eram peculiares, indo a vários amigos, já que ele nessa ocasião tinha relações com alguns políticos e pessoas de alto comércio. M eu pai pediu a um seu amigo representante comercial localizado na cidade de Ilhéus que o ajudasse no que pudesse. O amigo escreveu a um a importantís­ sima firm a de São Paulo da qual era representante em Ilhéus, revelando-lhe todo o assunto e pedindo-lhe que, se possível, o ajudasse naquele caso. Não sei bem o que fizeram, o certo é que dias depois do encontro de meu pai com o amigo de Ilhéus, aquela firma de São Paulo mandou um dos seus sócios à cadeia conversar comigo. Prometeu-me que a firma iria fazer o possível em meu benefício.

Dias depois fui solto e fui visitar a firma. Lá eles, depois de me terem atendido gentilmente, atenderamme na solicitação que lhes fiz de um emprego. O nome da firma é Nadir Figueiredo e Cia. Ltda.. No dia 11 de Janeiro mais ou menos, 1927, não sei bem, por aí, comecei a trabalhar. Nessa firma fui muito bem tra ­ tado, porém , por causa do frio desisti de ficar em São Paulo vindo p ara a Bahia no lugar onde estava meu pai. Agora Ãgua Preta. Aliás, Itapirá, onde meu pai, por ter vendido a prim itiva fazenda, já havia se esta­ belecido. Em Itapirá meu pai já com o capital um pou­ quinho m aior tinha am pliado tam bém os negócios e me convidou p ara trab alh ar com ele. Comecei a tra ­ balhar. Trabalhávam os na zona do Rio das Contas, o meu trabalho principal era viajar nas margens' do Rio das Contas, frequentando todos os lugarejos onde tinham negociantes p ara vender-lhes m ercadoria. Passados 2 anos meu pai com prou um a pequena fazenda de cacau e m udou a sua casa comercial de Itapirá p ara Ribeirão do Rocha onde se tornou regular comerciante, sempre ajudado por mim. Adoeceu e 3 anos depois, em 1931, m orreu. Fi­ zemos o inventário. C ada um dos herdeiros herdou mais ou menos 25 contos. Eu, por causa do am biente domés­ tico, achei que não devia mais ficar ali. Fui em bora para a Capital e lá empreguei-me como vendedor de um a firm a. Em Agosto, não, em Junho de 33 saí dessa firma e fui negociar am bulantem ente pelo interior do Estado, ocasião em que cheguei em Vytórya da Conquyzta. Aí alojei-me em um a pensão e fiquei vendendo as m er­ cadorias que havia levado, casem iras, brim , bijuterias finas, perfumes, pilhas elétricas, etc., etc.... Nesta cidade enamorei-me de um a jovem, por sinal muito bonita, com a qual 5 meses depois casei-me.

Estabeleci-me dessa vez já com um a boa loja. Anos depois, quando estavam fazendo a ligação ferroviária Norte—Sul do país e os trabalhos de cons­ trução da referida estrada eram apenas a 15 klm — fui para lá e meti-me a construtor de estradas. Tornei-me empreiteiro e além dessa Norte—Sul fiz também outras estradas rodoviárias, estaduais e federais, em Urandy, Caculé, Santo Antonio de Jesus e paulistana, no Piaui. Nessa, ocasião em que já era praticamente um construtor de estradas e não negociante, vim com minha família para Salvador. Agora, já como construtor, vim ao Rio de Janeiro muitas vezes por ano, ou quase todo mês. Aqui no Rio, vinha tratar dos meus negócios com Departamentos Federais de Estradas de Ferro e Rodagem. Numa dessas construções, na ocasião de uma medição, houve um grande desastre comigo e aí adeus dará. E depois da Luzbrazlândya, chegava no fogo Papa Bisavô comendo giboia vestido nos couros da mãe: — Zuspsorususus que um tal pistoleiro Anacleto chegou num a Pensão de Conquyzta, a Pensão do Hotel Colombo das Flores na frente do Restaurante Gato Preto com um Cam inhão dizendo no parachoque se cabeça fosse jardim cabeça de baiano era canteiro e ses­ senta tiros m ataram tres irmãos quatro soldados na feira de Sabath um arrom bado com tiros por vitrinadentro banheiro Correia & Ribeiro outro na porta do Hotel balançava (o pé no tiro da boca) outro foi de cabeça no advelso e entre pernas levou oito facadas no lombo e o Pernam bucano de rè pelo jardim adentro com noventa pontos na espinha esmilgalhado nas coxas de Xucáxácagrão meu cachorro envenenado pelo guar­ da morto nos espinheiros nêste sabado de Esmeraldas Sangrentas na Estrada do M orto sob a Lua, um Negro, outro caminhão caindo num abismo do Massal com

novecentos crentes, meu Pai voando na curva da Boa Morte sua ventania pulmonar d’areias desesperadas com um copo de sangue coagulado no cerebro salvo pelo bisturí de Jayme Viana assistido por Helio Simões, um poeta, na curva da morte, no ABC traçico, uhn... in sussuà......... Queimava rosa todo dia no jardim, Riverão era familia dos Farrapos, raça mulambeira de gente que pensava que as noivas tinha dote. Num sobrou ouro riénhum. Saiu da Coluna com os peito rasgado, fuzilou uns home de dezesseis ano, caiu preso num fundo duma cis­ terna no Paraguay e ficava seis mês pedindo bago de cigarro aos sordado que nem sabia de nada que se pas­ sava em São Paulo e no Rio Grande do Sul. O Profeta exibia suas roçada com orguio e man­ dava mesmo era matá quatro guarda com facada nas venta e tiro na boca na porta do Gato Preto com o pé remexendo debaixo das ratazanas. Com a estaca enfiada nas tripas Adeodato foi se avançando até a ponta do ferrão e degolou o home que tava de costa fritando carne. Se mudou pra sombra que o sol tava milho batendo nolho direito e correndo no cavalo pôde chegá no Rio dos Brejo, entrá numa barca e cruzar os lago verde até o açude de dentro onde encontrou Muriema com as per­ nas aberta e um chifre de boi metido por onde escorria cumbo cheiroso. Assopravam remexidos. Correu pra boca do açude e só viu Uiurubú seguin­ do as marca de sangue do cachorro Tubarão. Adeodato num se aguentou descendo nas carrera a Rua das Flô até a Bôxa do Açude. Só podia lavá os carro e volver que a vacaria tava braba com o levante dos Melete na frontera de Paulyztana.

Chame os Jesusitas xeme xeme os sordado pra acabar com a população de Paulyztana que aqui no Pyauy a gente num presta. E enforque meus fio tudo nos imbuzero seco — Adeodato tava como fera, Divo me disse que Adeodato num queria mais conversa com Ele, o mapa tava da­ quele tamanho, tinham tudo pra m atar os Pirubi. Cumeram siriema assada dentro dum quarto que tinha virado sola duns Azul m anda braz estroncou cabrito em cima das rede cagando pela boca o coração e as tripas pelo cú. — Tu eres um assassanho seu Adeodato e quero por Isa sair deste geraes e vortar pra mãe de Sussua­ rana. Pra mim só me querem pro coito, uns fi da puta que num considera a dedicação dum a mulhé que ainda pru cima teve de dar o cú sem querer pro desgramado dum pau de todo tam anho que pensa que as puta das baixa aguenta. Sou mãe, num quero mais arreganhar as prega até sair sangue pra dar gosto ao Deodato, pra Divo e pros orgulho de Mulhe Dam a. Já tava morrendo cum ferregue no figo lascado, ida disse que rogava praga pras descendença de Fernão, empurrou sal num a cova de frumiga, entupiu de terra os uvido e viu Bandera Vytorya. Quando chegou as água Riverão Sussuarana amontou largado com Rã, incostou ela no tronco da Manga Rosa mandou abrir a buceta e primeiro meteu o dedo depois a pica com tanta força que Rã berrou vomitando pirão de vaquero. Rã morreu diez anu de sangue ralo e Riverão ficou apodrecendo em Paulystana esperando a cheia. O Segundo Mirikajé disse pro primo Divo que era bonito que nem a peste: Akuré se evaí com as chuvas chegando!

Seu Dama arregimentou homes como Imidio a todo porrete e pra arrebentar o que restava de Ouéyraz e voltar Riverão mais Deocrécio. Sairam, numa m adrugada de Agosto, seu Dama com vontade de se m atar enforcado com as quarenta e cinco brilhando no embornal e duas na cintura, seu Castor com a vincheste de seis tiro, Francisco com a repetição escondida na capa de bode, tudo disposto a exterminar São Paulo, trazer Adeodato de vorta e faze com que êle se casasse com Marlene. Imidio aia sincontrá com os Melete tirambando feito doido por causa duma Payxão que tinha tido as filhas pelo caixero-viajante! Tocaram fogo nas roças de cacau! A veiana dos Melete foi enforcada pois seu Dama gostava de cumê carne sargada! Chegaram dois mês despois, já era chuva, no Jerobado de Pauly e o M irikajé se apresentou com setecentos home arm ado de lasca e frexa pra num liber­ tar Adeodato com a noiva M arlene. Seu Dama m atando o filho do Mirikajé disse logo na cara de quem quisesse ouvir que a prêsa Marlene gostava mesmo era de pica no escuro fosse do noivo fos­ se de boi. E chupou a pica de Adeodato na frente do povo pra provar que o afinhado inda tinha sustança. Riverão Sussuarana, Doado de Deus, vestiu os couro, botou as aza verde com o coração vermeio pin­ tado no centro, amuntou num cavalo melo, esfuracou o que sobrava metendo o braço pela bucetadentro duma menina de três ano cagando até m atá na boca duma veia que tinha saido de camizola. Na vorta encontraram resto de Melete caçando cobra pra viver.

Seu Dama sabia que agora o que tinha mesmo de faze era navegá de vorta e tava preocupado com o silen- ‘ cio de Riverão. Silencio não, meu Pai, gripado. Eu sei que o sinhô sabe que num tem Deus depois daquela m ontanha mas vamu tocá os burro que farta muitas légua pra term inar o Pyauy. Seu Dam a aí cham ou Imidio e Castor e disse que num deixasse Riverão entrá no M aranhão pra num vê um tal Intendente Josias que nascia no Siridi, quebrava pro Coquém, entrava pro Mofim, cascava e ficara en­ terrando vivo pra lavar as boxéxa com cuspe. Pru M aranhão tu não vai! Adeodato deu cinco tiro nos peito do primo e foi pru M aranhola cum Seu D am a perseguindo. Tinha de ser era o mais intelegante do Brazyl! Daí a Expedyção retornou com um a desgarrada de seriema que Castor assou na festa pro seu Dama antes dele levá um tiro no cerbro. Chegou em cima dum a cam a trazido pelo Divo e Adeodato expricou que seu D am a tinha de raspá a cabeça pra tirá a bala sem que ficasse vivo mais alejado do olho direito, do braço direito, da perna direita, da boca direita, do pensam ento direito e penaria sempre da sala pra cozinha. Seu Castor retirou as possessões de seu Dama e Riverão. Aí chamou os prim o, alguns tio, cagou os papeis e afirmou que as vacas m alhada e landêza Ela levava qui num era as milho mas as boa e bem que cortando madêra dava pra vivê com dona Jana em Caculé. Seu Castor foi responder pelo senão. Riverão passou fogo mas errou, a tirambança se acorde e seu Dama falou mais tarde que era assim mes­ mo, Adeodato tinha nascido mas as riqueza ficava com Castor.

As posse do Pyauy tava desancada. Num tinha assinatura nem dinheiro pra comprar. Marlene sem peito, Deborah num batia punheta, era hora de achegar. Capasse a mula mas Adeodato num aguentava fazer uma viagem de Encruzilhada até Oueyraz. Pediu pra descansar numa terra que tivesse estação de água. Foi uma felicidade Misse lhe lambendo a rola e Giló lhe mandando rola no rego. As agua e também seu Dama. Subiu numa pedra e mandou um recado pro avô que tinha noventa anos e vivia fumando charuto nas fazenda do Maranhão. O velho lhe mandou de presente duas negras e uma índia chamada Ester da Banguela. As negras lhe passavam mantega no cu e Ester lhe chupava a piroca. A negra mais nova tinha um grelo de dez centí­ metros e lhe roscava nas brenga da bunda. Mergulhou todo mês de Junho bebendo água sal­ gada. A única coisa que seu Castor fez foi dar um tiro de sacanage na perna dum calango que tava tomando sol domingo de tarde num galho de umbuzêro. Mandou protestar cantando pra lua. Adeodato Sussuarana vortou de cavalo e chegou pra conversar com Seu Dama de cabeça raspada que logo lhe apontou bruaco de bala. Quero é conversar seu Dama. Num tem conversa que Marlene se morreu onte. Mas então o Sinhô me dá as parte do Maranhão pra eu criar meu povo? Num tem povo nem ovo va para puta que pariu que esta ignorante taí cuns peito mole e buceta frouxa.

Os papel tão assinado em branco pra erança de quem vai morrer na miséria. Castor e o tio de Orlando puxaram Adeodato Riverão pra beira da venda e lhe prometeram quinhen­ tos mil bois se êle fosse e era apenas amizade pra evitar derrame de sangue na familia e olhe que era demais e olhe que um home cumocê merece muito mais que já se viu cum inteligença ilumenada. Ficou se arrastando uns dias na cozinha ouvindo seu Zerme vestido num a capa cinza lembrar da enchen­ te. A jagunçada T ubarão coruscava no Jardim em busca de Oswaldo Parayba. Na cabeceira seu Tonim , do lado direito seu Dama aleijado, os cunhado de fronte, as mulhé num entrava. Adeodato num aguentava esperar, tinha precisão cum seu Cide pras m aderera do M aranhão. Pois espere o velho. Mas tenho quarenta anos e tenho de ir. Pois olhe ali seu DD chorando por causa de uns tezouro que num pagou o que devia. Todo dia de sabo Ele vem e chora aí no pbrtão preu perdoar. — Fale claro sçu Tôzim que se seu DD chora o sinhô num pode dizê que é brinquedo de menino mas morte como outro dia me disse a nega Rosa no jardim. Eu tava lá no quintal fazendo unsmunheco de cera ouvi uma gritaria na sala e fiquei pensando que era a menina andando nas buganvilha e era Vó morrendo — Pois evá só mas agora que são sete e meia é hora de pagá os motor da luz e dar uns tiro na cara Ametyztas Moreira no beco de Sabina. Chame Lina pra orar, carregue Doná pro quarto, manda M arida ficá nove anos esburacada na beira da cama, arretire os senhores e deixe eu mesmo passar o espelho na boca da morrente.

Se você quizer ir se vá mas fique sabendo que um home de quarenta ano num pode querê nada mais nada menos que a fazenda Lagoa do Maranhão e a séca pode ficar procê e sua raça inté cazar ou pari pois sei que ocê é muié dama. — Se for assim e hoje sendo Domingo, decá o meu. Castor escorraçou pra deixar seu Tonim em paz. Adeodato se encangou com um gato hidrófobo que o gato era de mordê pingúelo da Nascida. Nasceu mulhé de pingúelo hidofo. Corta berro seu Dama, corta! As querelas pelas tranca, uns cascavel desse num tem tacho que arresista. Nega num tinha Domingo que podia passar por tanta desgraça. As Parte de Sussuarana vai derrubar madera no Maranhão. Nega tinha um cu molinho que Adeodato comeu na latrina esfregando merda pra melá milho. De tardinha, quando seu Tonim vortou de uma confabulação com seu Dama, Adeodato tava fumando, batendo punheta e num recebia o seu. Então pra que foram me tirá lá donde queu tava feliz cumendo Marlene e foram inté mesmo cum tiro me buscá para num me dá o que é meu? Eu tava na vitamina de seu Dama e no buxo de Muza. Eu tava ao de lá do infinito e seu Dama foi me bus­ cá depois de trinta e dois anos de peleja cum Meletes. Nega passou creolina nos pentelho pra matar os xato que fez Adeodato xerá o boneco branco grande que tinham botado como morto no Quarto Segredo. Depois Nega comeu duro pra cagar duro no inhanhã na latrina e corria com o cu ardendo pra cabeça do caralho Deodato. Inhame hoje me voi. Antes se casa com Deda.

Seu Tôzim era pra vê se seu Dama lhe dava o mapa do Pyauy. Riverão Adeodato já sabia de cabeça os limite e as frontera numa conversa que tinha tido com seu Dama antes de destabocar Imidio e ser roubado por Castor. — Isso eu num digo e num me caso com Rã nem com Dêda ou Ita Lene. Pois então a gente arresorve quando eu morrê. Então morra. Mas eu peste? O sinhô seu Tôzim que num qué me dá o que é meu ou o sinhô num vê que é tarde e já tenho que ir prantar madera pois seu Cide já se foi? E cavalgou com Nega encontrar seu Cyd dentro duma casa de pau a pique, sopapo e chão batido. Levaram a Nascida, a Tuberculosa, Castor, seu Dama aleijado, Ataques, Eujacio, um cavalo pé duro, uma trakamela e muita banana de dinamite. Atrás da casa corria um rio cheio de merda e pas­ sava sempre gato morto inxado boiando. Antes de se ir Adeodato sangrou o noivo de Misse no jardim e Divo, que era mata rato, pagou a conde­ nação. No Amazonas se ganhava a vida longe de tudo que era Emissíario do Rio de Janeiro ou Salvador cum orde de Criminoso. Adeodato aparou as pontas do punhal e primeiro se estabeleceu no Maranhã, que era perto do Mara­ nhão. Antes de vê seu Cide se enfurno pro Madêra Tocanti. Subiram de burro a Mantiquêra saindo de Vytorya por Almenara. Tocando boiadas... No São Francisco das Minas a burrama pegou fogo. Se tem sempre que avançar pelas pedra dos Fenycyos.

Ficaram sós. Prantaram umbú, cajazeira da Gorda, Nega co­ meçou enrabada pelo um jegue de taca grande, deu um cacho de cancer no cu, tiveram de queimar a bunda cum tição ferrado mas a burra morreu derretida e Adeodato jogou ela no rio das Contas. Atravessaram o Jequitinhonha por cima duma ponte de corda que balançava, sessenta metros de ca­ choeira, Ataques passou cuns oio fechado e seu Dama morria de dar risada. Fofo de chumbo no cerbro. A Tuberculosa tinha mais força que a Nascida. As chuvas cairam na carpintaria do escravo Zeca que saira naquela manhã pra trazer as tabua derradera e prepará o caixão da Diva. Dentro de casa tinha dois piso um de arriba outro dá baixo na latrina do quintal. Duas da tarde, cinco, dinamite nas montanha. Seu Dama num macacão azul inspecionava e seus aretes assenta parmo a linha da ponta com a boca do outro lado do abismo pro ceu terra ou pedra, mais pedra menos terra, granito, massapé, cascaio do leve, cascaio de prata, cascamarrom, ametista, cristá de rocha, cassiterite, cachum, chumbi de filus, frascassato de xôdo, sódio de xijo, cascáreos de farinha, estrato de pota, purguinhasol além de calcuro de bromo, piturissis de abomênio necessários pruma sociedade anônima conforme dizeres do Interventor Juracy e suas conservas com Cravo da Rocha, Lafaiete e o adevogado Farsto Penarva. O caixão do nego Zeca tinha metro e meio forrado cetim. Tadinha Rute contou que a fia do fazendero Mora Lobo tinha se atirado no Jequitinhonha com os punhá nos peito e tava linda lembrando o namorado Cigano.

Do lado era os cuspe de sangue de Dazinha de Nosin enquanto os fio ficava de fora. BT era loko com a boca beiçada mais grande que a cara, tronxo, embolado. Yayô capenga fino mais cinco roseta. Tifo e tuberculosa galopantes. As coisa de Divo apioraro. Tinha de rarancá os paralelos com broca. As manguera numa casa branca pra direita. Castor achava que Deoclecio era culpado, mata rato, terema de calango. Ela dava pro Zé, Divo sangrou e Rildalgo matou o home com cinco tiro na porta do cinema. A Tuberculosa dormia com Rute de noite paralela. Explosões sopravam noisoutro da soleira. Ninguém, o bode e os beijús do Domingo, ruminios que Divo benzeu antes de se matar. — Porque a Tuberculosa está tão gorda seu Zeca? Botemo ela no caixão pru fundo do rego e nem passe perto dos adventista. Juá rouba por lá. Taretafe comerciante associado a seu Dama com umas bota de couro cru grená, dente d’ouro, com os papeis do Imposto de Renda sobre as estradas do Pyauy. A Tuberculosa morreu na cancela, estropiada vomitando sangue dentro dum mataburro de dois mourão escuro. — Sangrem o cavalo, o quati e o carneiro, sangrem Java, sangrem Suei, sangrem Joli, sangrem Nenem, sangrem Luxa, sangrem Marida, sangrem sete anos na cabecera arrogando proibição dentro, fora e depois! Coty veio trazer uam flor d’America do Norte outra da simplicidade.

Descia na pirueta no tecoteco e dava cu com coxas; Doná fumava maconha; nós tinha na frente uns home comerciante civilizado. O Peru de Josias sete horas da tarde do Natal, o recado de Bébé, o colpaço cardiaco, sangre nove ano morrinhação de luxa. Siriri. Aaí o quanto sofri assim. Aí, Aí, Siriri. Canta meu pasto. Vortá pro meu sertão. Siriri! Ruborizados ranchos da foz pros mar. Meu Zerme arrente mofino jonado. Se reme da enchente cuns radio na balsa. Será que ninguém no jardim entende queu queria incontrá cum Coty na tromponese aguda? Coty aviadada, risonha, vestido preto, rosas ver­ melhas pro colo da prima. Rodavam todas, mais Beltina, Judi, Doná cum tais home de sedan. — Qual é a moça mais bonita, rica e inteligente da Lagoa? Arrespaldou os ruge os pó e as sedas e se foi; vortou, acontou, prometeu, num deu, deixaram Adeodato na beira da Tuberculosa, chorando a lê cuma parmatora. Chega João Antonio, carango da cancraia, pelanca do banguelo, piroco da sandaia. — Oi meu Deus pru que fizeram isso? Debaixo da manguera ela viu e aceitou. Tinha ataque do meio da escada do soto pro ci­ mento da cozinha. Adeodato Sussuarana via frio, com Mirikajé ela tinha era levado uma surra de pica xerosa e logo ficava boa. Ela num tinha dinheiro. Seu Zeca recebeu os recado de Adeodato e com a Nascida afundaram barro, chuva, peito de sol, ruas

briante amarela, cavalo marrom, jegues, mula manca, cabra, galinha, conquê. Terminaram cedo. Antes de um lugar como esse é possível dizer na cara de Juá e Castor que as ladeira vermeia são as de cima, as da esquerda caminho de terra marrom, a casa da frente branca, as cercas pros lados, o calango na janela, umbuzeiro defronte, lua cheia, couro de bode, rede de bofre, cagado de bambu, mesa de centro, taxo de sova, riacho verde, Caculé, venta quente, Urandys e Pyauy. — Pra enfrentar os Urandy quero trezentas Sussuaranas! — Quaí o Pyauy é meu, mais o Maranhão! *— As sete mil cabeça de gado mais as oitocentas mil arroubas de cacau é ganhança da pobreza se posso mais que Dedo! — Aeú Jan tem mais dinheiro que seu Tôzim. Pelo menos é primo de Dedo ou chegado, por isso quero as arma, os voto e a certidão de nascimento de Rã, adi­ cionado o testamento. Nem Meletes nem Urandy, Muza caiu no rego es­ tatelada. Foi levada parindo debaixo dum tiroteio com Dona Fauztyna coberta de cordão dourado e duas repetições no abatimento. Adeodato deu fogo pelo Rio das Conta até Angico Grande, comeu pirão com Dona Faustina, fuz Urady. Angico Grande é meu Decá a cuié de prata e pode me chamar Ontonho Lustosa. Tá difícil seu Deodato. Mais tu num assunta din? Pelas graças! Cada benção eu dou de Domingo pra que me arrespeitem e num tem presente num tem porque deixá o bi mamá nas travessa .

Adeodato comerciava farinha cara. Num céu esprendente a lombadendurecia. — Amarelos desdentado Urandy Pragonha, Urandy capenga, Urandy fisofo, Urandy chegado, gente boa, indios, tudo ligado sem pai nem manhe, afilosados num cacauero. E vinha tudo rir nas saia. Repartia comida gostosa nas tardes frias. Króvis das Vaca. De Angico Grande meu vô no camião de Pedro com ajuda de Pinto. Manda desarmá os home, desmancha os armazém, carrega pá e picareta, as louca no caixão. Hoje em dia Adeodato repetia a meletage — metia, matava e cura setescentas mil cabeças de gado. — Vambora gente boa das barroca atolada. Carrega na primeira. E destaboca os Urandy cum metreiadora de 30. Ab rimo novecento quilometro de estrada de ferro do Pyauy até o Maranhão, quero a deputança e o barraco de Senador. Aproximaram por Nazaré pois era lá que morava seu Edizo num Palacete Verde. — Bom, gente, ceis fique ai queu vorto pro Pyauy. — Com Joana do Rego no beco de Sabina, se­ manas jogando poqui com Giló até que um dia de sabo vieram uns home de Dedo pelo ventraque da janela. Seu Giló deu um tiro de Mause que krebou a gargafa do leito pregou prô meu bigodo e acordei cagustakando. Tocou fogo na cadeia e fugiu pro pulero. Da minha parte quero cunversa com Ontonho Lustosa pois que foi quem mandou os home dele faze as vontade di Dêdô e Titiu. Titiu pode ser esprita e sabido mas aqui no Angico Grande do Pyauy sou que arresorvo tomámeus direito

de falá pra moleque e gente boa na distinção que me parece. E tem mais. Dedo manda lá e eu mando cá, depois da Broca quem governa é pão! Se num quisé pegue seus treco e se pique! Me assigam pois vou botá os caco da lua no Angico Grande, viro a rua do meio cabeça prá baixo barroca sumi e estropo estreptocotosonários! — Pois mesmo se fosse vereador, prefeito, de­ putado estadual, deputado federal, Governador, Se­ nador ou Presidente de 1930, num tinha medo, num prenho e nunca. Gente que sou Tenente fi ou neto de seu Mazero Pedra! — Arrânque primeo Giló da toca dos Ormê e venha conversá comigo aqui cuspi, no mercado de An­ gico Grande, metraiadora e patente. — Corosco — Raio da terra infinita Cerbo catanha engala galo. Fique no meio com os revolve na mão. Confie que seu Cide chega antes dos Ormê. Vim ajudá Ontonho Lustosa. Arremesso esses traste pro diabo que os carregue é isso mesmo, arreganho as breugas dos canos, mato fou fi da puta, eu, você e as pontas de pariu! Maribondo, Nascida tava reclamando. Seu Dama vinha de longe com dinheiro mió Adeodato esperando um conto que Castor assinou no cheque. Adeodato viu Bete&Laurita, viviam os três em Belém e Ancape paralítico. Ametyztaz Moreira mostrou o que tinha a seu Dama, caxixi e caixeradas. Seu Dama vinha de longe com dezesseis fazendas de cacau lá do outro lado do Rio Neve.
A, A. A.

Cobras por debaixo mas seu Dama dormiu e es­ perou a hora de pegar nos regimento da Coluna Manuel Pedro: se queres tu vás! Catraia de donana ah que medo desgraçado deste batente de cimento frio saindo dos bagaços. Dormes cacaueiros. Helena! Helena! a mais velha... numa cisterna Bolivia mês atrás mês fumando baga até que o Cava­ leiro perdurou na lembrança os exerço desfeito febre travessielameada. Por cima de Ponta Porã adeus, cheguemo a São Paulo. Abriu-se a mala e os ruge rolaram pela ladeira abaixo 20 de abril eu atrás. Onze noivas. Uma de altar que ele gritou gargalhando Não quero, quem disse Eu queria? Tirantadas larga frente Paço. Cuidado com esta Cidade que aqui chegou mineiro carro de boi bandera se chifre fosse flor cabeça de baiano era jardim e deram trinta tiro espêtado cêrca Dama discutiru bala de corno ou paga. As cunversa desse sujeito Ametyztaz Moreira, olha se a esmerarda verde tem na gravata e o tamanho do brilhante doze garra vinte nove quilate no anular. — Gosto de Ametyztaz Moreira. Julia rica bonita Prynceza do Sertão. — Tem outras, esse negócio de ser Prynceza num é vantage pois se até a Rainha da Inglaterra caga fedendo posso lhe garantir que é questão de dinhero. — Pra mim num é princeza não, Rainha é Rã, cuja buceta vale trezentas mil cabeças de boi. — Já viu os Massaes? Já? Faça a curva de lado, é a deixa comigo. — Evinha de Itambém entrou na curva em ladeira inclinada e se arrebentou nos pricipicis.

— Me diga Ametyztaz, esse negocio é sério mes­ mo, a menina é rica? Depende da sedução mas va lá em casa se for pra dormir uns dias... — A policia tá lhe procurando. A policia tá me procurando? Mas se extranhou de te fala assim ir­ mamente? E tu num tava careca parente? Olha os caxixe. Tu não eres advogado? Ê uma desmoralização. Veja as bruxaria nos rego. Olhe bem e num vá dizer depois que não se progrediu por falta de verdade e matando assim os Urandy. — Sabe que dia é hoje? Enfica a cruz aí e deixe. Milagre? Acredite que cheguei depois de minha fa­ milia. Morreram por ai seu Dama e meu irmão veio primeiro. Sou moralista. Está se passando importantes revoluções mundiais. Te ajudo. Meu pai foi muito mais inteligente que o seu e no entanto nós ficamos loucos e você se transformou no mais intrêligente. Sabemos que não fomos vingados. Arqueies foi dado gemele pra mãe. Jonas olhos altados cachaça viado imprime há muitos anos um jornal na ponta da rua das Tabokaz. Serenata Ametyztaz. Julya lhe facilita, deu o recado falou, se pudé coma no beco que Ezaú e Raquel encobrem. Ela era pobre mulhé ignorante neste mundo mais do que ela só a mãe desgraçada parece minha mãe. Bota na Tuberculosa o nome de cada vó, assim num veve mais de treze anos. Que dia mais infeliz de minha vida foi Outubro femenino da Nascida. Adeodato gostou da lambisga carrapeta. Trepava em porta. Tinha artes cantadas com a Tuberculosa. Tava tudo gordo. Pirata, Ingres ou francês é na bala. Sordado espanhol prende primero pra se derramar azeite fervendo nas goela.

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Isso é grande e é nosso. Me tremo todo. Tem um rio correndo na Primavera. Uns barco pescando. Uns indio luzindo. Musclo. Tudo forte catrevero me rodeiam risonho. Quem é o pespeio Morúbepá capaz de num aceitar as pugna digna dos fio de Kryzto? — E assim mesmo rapaiz, eles pode me matá de urna hora pra outra, cuidado com sete horas que é hora de se apaga o motor da luz. Orioval baixo beiço doce falou que mataram Ametyztaz Morera. Julya caiu de joelhos e fez uma oração que co­ moveu inimigo. Valsaram champanha quem sabia calava. — Ninguém nada pra dizer preguei cum prego num poste a binga dum sordado. Papel em poste sim. Enforque esse Rabula, corte e salgue a carne dele, toque fogo na casa mas feche os ouvido pras praga dos assassinatos. Tudo gosmento criminoso. Oi os oi. Oi os Nervivi na casa da ponta, na casa da baix, oi os quebraquexo, oi o banditismo. Os carros assassinos desfilaram com foguete na janela de Julia. Foram absolvidos. Ontonho Lustosa matou Passarinho. Tocaram fogo na cadeia. Gerimal fugiu e casou com a filha do dono das pedras. Os irmão tudo formado e um delegado de Puliça limpador do centroeste desarmou a bandidage de

Benedito Valadares, prendeu os primo de Pinto Aleixo que tinha roubado as culhe de prata do Palaço do Governo, massacrou a beataria de Lagoa Preta. Aqui na Lindoia, Riverão, Antonio Pernambucano e Angelo Mauro foram até Afogados em Pernambuco pra matar um tal de Sinhô Primo e não encontraram ele que tinha saido atrás duns ladrão de gado até Penedo. Estiveram metido na Tirambaça de Jeremoabo e no dia que encontrei Passarinho ele tava estrepado num pé de pau na fronteira da fazenda dos Ormêda cum tiro no peito dado pelo uni sargento forte da Puliça Re­ gional de Meninas. A besteira deles foi mandar uma coroa de defunto e um vestido de viuva para Carmem sem saber que ela era irmã de Lustosa. Entrei dentro do bagageiro do quarto. Me livro dos assassinos e cago fino. Se quizer saber mais vai perguntar pra Zé de Dodo que espia na barrage quem é que entra na cidade. — Tá sempre precisando de dinheiro? Vai nas frainha de coco dos adeventista. Vai no beujo? Bom beijú! — Trevas goyanas. — Atravancaram batalhões desde o Sul. — Se o amigo é bicho enxerido espanta ele que já basta um nada num se aguenta e a lingua traz cartas endiabradas. — Fasta borboleta, batia o Capitão nos colete de aço depois de atirado por um cabo de pova seca. O jagunço Emetrio empurrou seu Dama pra den­ tro da cova. Tinha cobra? Ametyztaz puxou conversa com o lobisome, os pelo pra dentro e as carnes do cerbro pra fora: “...o tiroteio de Titambaça começou na sexta feira e terminou na quarta com o corpo de Epetácio Teixeira

na carrosseria da camionete do DNOCS na praça quatro horas da manhã. Regingalço foi até Goyaz procurá o criminoso que todo mundo sabia ser os Campos dq carroção da Um bruaca. Foram trinta quatro jagunços amulatados de Per­ nambuco e não achando Ormindo atiraram pelos três andares em todos os hóspedes e gerentes além do avô dos Campos do próprio Ormindo. Foi salvo pela paixão. Apareceu estrepado numa árvore com o cano da repetição na boca botado por Antonio Careca das Flores. Nas madrugadas chegavam melhores notícias em volta do jardim. Não gosto de vender idéias. O cartório brilhava com a certidão de casamento de meu filho. Estava dourado na minha cacunda no meio da ladeira os senhores respondam o que quizerem a regra do réu é infinita. O promotor Brito não impede que ao se abaixar pra abrir o portão num ato involuntário dei um tiro no meu visitante e levei o corpo pro socavão do apartamento. Antonio Magalhães procurou vizinhança com maior naturalidade e não pediu nenhuma duplicata avalisada pro Nicanor. Quando o cadáver apodreceu os restos dos livros pornográficos saltaram por baixo do ninho de ratinhos gordos. Panfletos brancos. Antigamente não tinha medo de nada hoje sou um covarde típico destas emprêsas mal montadas no Sexto Andar do Hotel Meridional em Salvador diante da praça Castro Alves e do cinema Glória.

Destas reuniões mórbidas de canalhas vestidos de branco ou da visão alegre do céu ficaram algumas letras de milhões de cruzeiros avalizadas por estelionatários. Se tudo o que se passou com você ou Carolina pode ser reconsiderado por nossas mães e tudo isso serve pra se acabar com o coquitel de fubá então vamos hoje e amanhã visitar a sabedoria em Itapagipe. ” Olhe a tristeza de ver seu Dama louco de pijama azu do corredor pro quarto da lacraia com a fia há nove anu escravizada. Quem matou Ametyztaz? Levaram seu Dama com a cabeça enrolada de col­ cha arretalhada e o árabe Odilo, seu milhó inimigo, pegando no protosoário do Higiene. Adeodato Dotôras das Sedas. — Oh meu Deus fazei-me digno de vosso es­ quecimento. Não meu pai não é tudo que tenho é Jesus é Jesus se tens alma salvai meu idolatrado! Te deste peste. Desgraça da minha vida duas putas na minha familia. Mas você não Adeodato, você não! Tome este livro de paixões românticas e torrentes africanas nas horas em que a saudade debruça ao canto das arapongas no teu último e predileto sorriso. Atenéia encrespada no colchão. Te garanto Riverão que nunca desvirginei donzela. E se os padre tiver do lado dos indios? — Mas estão. Padre é padre, a pior raça. Há quanto tempo tu táqui Epidemos? Grunhindo pra mais de dijoito anu. — Nas calabaça de Mynaz me meteram uns ferro nesta ferida. De cacho morri. De canxe. Edemus empestado foi comido pelos cachorro pé duro.

Marida fraca e pobre. Azuretada. Num goza. Só me queres pro coito, todos eles, inclusive o cunhado só me queres pro coito. Êta ignorança. Do Pyauy ao Palacete. Perguntou se a Madame num tinha levado naquela noite um peyxe maior do que quêle pescado? Doto Freitas cortou o pexêro no reío. Seriemas. Pauly ztana. Pedreiras dinamitadas. Massapé. Quilômetros abrindo Estradas Progresso Brazyl. O Cavaleiro fuzilou os feitor tudo e mandou que se tirasse três toneladas de mato deriba dum caboclo escunlheicado. Outros iam pescar ovo mole de jacaré pra fazer perfume suiço. Quem vortava sangrado nas tocaia. Arguns encontraram diamantes e foram logo matados. Nos seringais os amigos beberram suco de veneno. Os indios seguiam voando só no olho do reloj. Cumeram Salomão. — Eu vi, eu vi Baby Nicanô atirar nas costas de Ametyztaz! — Quem não sabe que o traiçoero Aremeraldo envorveu Rute num poste e mandou metê mangueira de pimenta na vagina dela? — Ametyztaz fez isso a Rute tava grávida de Elisbverto. — Basto pra Hildegrado entrar na tramóia. — Esse caluniador num tem vingança.

— Fique lendo o jornal de Osmundo e num venha protestar porque depois casaram com' as picas dos Mares, de quem cada fio macho é criminoso. — Juracy aqui se garante nos bois de Titiu e nos ir­ mão de seu Dama. Quem melhor sabe escreve a carta pra Juracy? Explica e pede a fábrica de Química! Chore de humilhação! Se está mesmo sem saída pobre e solitário num deixe de pedir ajuda ao peixe redundante da experiên­ cia cega!!! Sol, charuto decapitado, cansaço, tristeza, o que tinha pra fazer de tarde quando o siliente soprava tenso era visitar Abade, beneditino de branco, ouvindo músicas italianas arrastadas e frescas. — Viajei do Rio a Caldas de Cipó pra verificar a cor marvelha duns bezerros. De tantas noites tomando nota dos grilos e das estrelas nem lhe fale. Leia-me a mão em voz alta que saltam cores. Não gosto de Vila Flores nem dentro deste navio. Nas compras me ajude bela jovem. Agora com licença que Abade está cansado e vai dormir. Borboletas. Fonteyras. Ciganos. No dia que foi arquipeado Byzpo morreu logo depois da Myssa. O Pecado da Vaydade se reza trezentas vezes rosário de corta pra se purgar. Esparrame os dinheiros na frente da Ygreja pro meio da praça. Imagines. Ê baixo, gordo, cabeludo, louro, berrão, cruel cangacero. Só me farta chorar.

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Se as espaldas cortaram o sol não pode me fazer nada. Num me alembre da noite passada. Tem casa dos dois lados da janela. Quero sair correndo mas num tenho onde ir. Passo azul com plumas cloridas. , Abade saiu com Riverão aos campos de Caculé. O fogo pegou daquele lado! Os vaqueiros tangeram e logo fogaréu a nortim. Emanuel espera os bofes. Incendio na mataria brava. Mana Rosa não sabia ler. O vaqueiro Campolino enamorou da filha do Coronel. Titiu matou o empregado, cortou-se-lhe os culhões e registrara-se Rã. Beje o bigode dela. Dou cachaça com mel de abelha. Gostou? Meio kilo de filé de lingua. Figo de galinha cortado às tora. Anda João Ontonho com o relho. Domingo nego macho fode nega feme xera. Eles querem comprar chinelo pra dansar forró. E só se morre da morte de Deus. Discordo dos materialistas. A carne é porca, o es­ pírito é uno indivisível. Carne da Tuberculosa. Sangue ralo derramando pelos nariz em cima das mortaia. Marco antes da tercera serie? Abade bom, abri um açougue onde só vendo lin­ gua de boi a preço caro, pois agora é exclusividade ven­ der lingua mais dia de sabo quando os catinguero recebe os aluguel eles vem e compra mei kilo, duzentas grama, kil e mei. Benze minha carne:

— É uno e invariável, gira dentro de si mesmo por ondas concêntricas e discêntricas e pelo ascendente repete a Ordem do Pai e descendente o Polo da Mãe e ao mesmo tempo Filho. — Espirito Perfeito è Deuz. — Olhe como materiazlizo um cravo na minha mão. — Não é pegável ou cheirável mas visível. Eponêida. — Vês a cara do vagabundo? O cupim? Parecem por dentro carcomidos mas implanta-se. Se tocas fogo purifica mas depois é anti-matéria. Quem vai querendo vortá vorta porque do homem perdura o contado. O não dito é nada e disto não se sabe a não ser que era nada mas o nada não é logo não existiu. Vamos ver aqui dentro de Cafarnaum. As grutas estalactískryztalynas. Leprosário. Abadç dava remedios, recomendações e enterrava os defuntos pra que a terra refizesse as carnes fedoren­ tas. Lavamos bem o pús da batina e Sussuarana não se esquecia do ruído da moenda ali embaixo. Trouxeram notícias de um grande acontecimento. Quando se esquecia, Abade cantava remoinhos de gen­ te nos cipós. Era um teatro. Marida não adora ídolos. Mete-lhe o relho nos cornos! Não Abade vou me picar que tenho um mapa de mina de ouro no Pará que descobri quando seu Dama tava abrindo as bandeiras do Pyauy e sabe que o ouro tá no subterrâneo da cidade encantada do Pará. Se aconta uma coisa, se repete, ela vira verdade. Mas se buscas e chegas perto é sono desvanecente.
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Sus, Abade, pelo menos agora eu vou mesmo sem passage e dinhero mas vou so. Valeria a pena arriscar a vida prum ouro inexisten­ te? Adeus, Abade, tua carne tá pra fora e teus cabelos tá ha de vez em quando com ui inchado purulento de vaidade besta, iconoclastado, murimborando. De manhã às cinco me levantei e escrevi de pé jun­ to das mesa duzentas e tantas letras do mapa. Castor vinha de vez em quando com uma correia saber quantas letras erradas tinha. Cada erro uma porrada. 0 mapa descia o Madeira até o afluente Murici. Dali um enfrentamento com os Xavante. Ficava nós cansado, os holandeis na gente, num falavam nos­ tras lingua. Eu construi, rezava o Abade, os sobrados esplen­ dentes. Morforizei papilaridades destes pyauys. Eis os Pyauys. Bom jegue capiau. Filhos de ipiau. Serventes pre-históricos. E o jójó tudo cum medo, crum fi fio cambada de froxo. 01 eu aqui oi! Oi aqui as branga do olé. Do fiorofito. Adeodato cafunto. Orações. Transmigrações. Jerisvaldo vestido de brim capoeira creme e gravata de duas lamas montes claras maneou dar dois mil con­ tos pra Adeodato se encostar na familia casado com Tara de quem devia esperá o momento de vencer com o Yntegralyzmo pras ruas da Bahia e avenidas do Rio de Janeiro.

Seu Jerisvaldo apareceu ontem à noite barrigudo lembrando que ele continuava lá desmanchando diante do espelho importado de São Paulo e que seu irmão mais novo tinha estudado na Faculdade de Florianópolys capital do Paraná e trouxe de presente pro pai uma espada do Exerço que ele tinha servido depois de ter vencido a Segunda Guerra Mundial na Itália. Adeodato fez uma rede por cima do buracão, caiu no fundo da cisterna espetando a lavanca na rabada do queixo, plantou os abacatero, esperou melhores dias pra sair daquele vale de saudades desgraçadas. Quando ia pelo cemitero ressuscitava as infini­ dades prosequentes e caveiras maios ossadas dando açucena por riba. — A casa é o túmulo dos vivos. Porque seu Jerisvaldo apareceu esta noite e foi Adeodato fuçar roseiras pra reduzir a bagaço aquilo que eram efeitos das cobras piolhentas pelos cabelos, este Adeodato das Graças Valentia, este contumaz es­ magado de concentrações no azul claro das missas dominicais? —r Mas era assim. Tinha uma praça no pé da ser­ ra, com uma Ygreja branca católica cujo céu imitava o paraiso romano. Por trás tinha um ginásio de padre. Uma praça caída em duas ruas em torno dum jardim. Um bloco de edifícios separando de outra praça. Uma sorveteria e uns escritórios no meio da outra paça. Uma ladeira com uma Igreja protestante à direita de quem sobe e à esquerda de quem desce. Pelo rincão a rua das Flores, dos Espynheyroz pela costela as avenidas pe­ lo centro a Rua da Várzea com um prédio inacabado diante da casa azul de grade azul e buganvilhas violetas. Um portão amarelo acima um muro grande abaixo. Três salas, seis quartos, uma copa, uma varanda, um quintalão, uma cozinha, dois banheiros e um socavão por cima. Na parede da sala de jantar um Olho Dyvyno

Dourado Judeu indicando os caminhos do Céu e do Ynferno. Varandas Dominicais abençoam mangas de capim Boiadeiros lavradores tropeiros seu Ontonho agregado Alqueires de Cafarnaum em Guerra de Meletes e Caretas No fundo do corredor o assassino chora arrepen­ dido A velha Francisca atravessa a rua com ares por­ retas Putas salgadas nos mourões do protestante ban­ dido Três guardas mortos por quatro irmãos alucinados O sangue de Tubarão segue até a rua das Flores O jipe entrou de ré no jardim com vidro estra­ çalhado A viuva orou de joelho e os ouvintes vomitaram dores A Matriarca estourou o coração nove anos morta O Patriarca negou vingança aos eleitores inimigos Os filhos esqueceram as pistolas atras da porta Os primos casaram com tios e os netos com amigos Jesus apareceu três vezes com o céu bonitaberto Os latifundiários compraram novas indústrias A seca espalhou açudes abrindo portas no deserto Os jagunços pagaram o preço de arruinadas furias Morreram indios e os bugres esqueceram duros Uma Ygreja branca numa praça moderna rica Elegeram deputados senadores genios governa­ dores As fortunas os bichos roeram as Donas Damas Vaqueiros chegavam na cozinha desconfiados nas perneiras rasgadas esporas nos calcanhares rachados fogueira sob o tacho de doce de banana

cus cuz fubá tapioca cheiro chuva maracujás casamento da raposa à tarde fresca nos mamoeiros cisternas tanajuras doces mordiam mangas rosas espadas cloras troncos Vyctoryanus Abacateyro Buracão Buracão Tiroteios dentro do rego que corre atras gatos mortos mariscos inchavam ratos espremidos nas ratoeiras do peitoril cachorros aleijados no patio de buganvilha paralitico com balas na espinha cavalo comendo romãs tias e mãe apavoradas na cozinha jagunço rondando meia noite morto lençol no quarto de fora noivo sangra Amante na esquina da Varzea Antonio Pernambucano Mata Vaca Topázios Às seis horas da tarde desligavam o motor da luz Tocaias divertiam almas Envolvidas na cubiça da terra paz espiritual per­ dão ignorancia violencia verde brejo sapos prisão d’areia lamaçal deslizam matos campo rede solitária cobra rosto nariz olhos lábios FALCÃO cujos braços carregam frescura pélvica PULMÃO Jacarés alimentintestino juvenil AR camp abertones t açõe s Verão boiadeiro Inverno

Explodem veias vermelhas Farfalhafogado sem idade carne cor dente olhos pele narinas ÃGUEXCESSO ar ÃGU corpo lamaçal unha meias brancas sapatos de bezerro pernas douradas sorriso alimentares líquidos fogem passaros do estômago emigram outras mortes outrora — Foram as ventanias — disse o Comandante pra meu Nagra — que provocaram o Estouro da Boiada. Em 1922 houveram Brazys no coração do povo. Eu peguei a Coluna debaixo da Catarata das Sete Quedas do Iguassú: do Sul vinha Prestes com trezentos mil homens e seiscentos milhões de quilómetros na Guerra Brazylyka. Com Isidoro, Miguel, Juarez e Siqueyra Campos cortamos o Kontynente e combatemos latinfundiarios e vandâlos. Até Lampião nos enfrentou emprezado pelo Padre Cicero mas ficou com medo do Fogo do Cavaleiro da Esperança — este Cavaleiro de Glorias Pátrias! Nós afundamos na Bolyvya, derrotados porque de 1924 a 1926 as massas urbanas não responderam a nosso grito. Eu comandava trinta e cinco regimentos de burros com Metralhadoras e Canhões e marchei sobre Cuyabá... a Coluna foi coisa maior que a Grande Mar­ cha Chinêza de Mao Tse Tung, mais longa que a Revolução Mexykana de 1913 e a Revolução Sovyetyka... A Coluna começa na Retirada da Laguna e abole a Escravidão, proclama a Repúblika, a Coluna se rebelou em 1922 no Forte Copakabana, por isso a Coluna não podia se afundar na Bolyvya, destroçada, ferida, fa-

minta, o brado revolucionário sem eco!!! — o Coman­ dante vociferava sua frustração pro Major Rosa sur­ preendido com a sinceridade daquele Heroy: — No fogo das batalhas queimei minha moci­ dade... Na Bolyvya Prestes entrou pro Partido Komunysta Brazyleyro... Ai foi a briga do espiritualismo Kryztão com o materialismo Marxyzta. Briga de Deus com Dyabo. Preste era Deus e Juarez também. O Dy abo era o Ymperializmo. Juarez rompeu com Prestes e Prestes recusou comandar a Revolução de 1930, por êle acu­ sada de liberal, capitalista, financiada pelos Estados Unidos que desejavam fomentar uma burguêzya indus­ trial portuaria como alternativa desenvolvimentista ao latifundiaristocrático e escravocrata. Em 1930 o Poder Militar representava o povo mas Getulyo nos traiu. Quando São Paulo se levantou em 1932 contra as ten­ dencias ditatoriais de Getulyo eu era soldado razo, que fui trabalhador braçal alistado, eu e meus compa­ nheiros esperavamos que Getulyo fizesse a Revolução Demokratyka mas Getulyo se aliou aos aristocratas paulistas, Getulyo falava no povo mas queria o poder, êle prometeu eleições e deu foi o Golpe do Estado Novo em 1937, coroando-se Ymperadô dêstes Brazys, aliado a Yntegralistas e Nazy Fascystas até que os Yankyz o obrigaram a romper com Hitler e Mussollini e partir para a guerra... Ai êle ficou sozyalyzta, aí derrubaram êle, homem sem caráter, Ditador da Peste que torturou e matou... Rosa não gostava de política, o Comandante sofria com as metamorfoses de Getulyo, Exercito e Povo, eram os dois a mesma coisa? — Ê, devia ser, pois os soldados são do povo, nosso Exercito sempre foi democrata, aceitou negros em suas fileiras, o Estado Novo ficou Nazy Fascysta mas nossos soldados lutaram na Italia... — o Comandante confessou analfabetismo e pediu a Rosa para reescrever suas “Recordações da Coluna Partida” , o Dyaryo da

Campanha sobre o choque com Lampião, os negocios do Padre Cicero e seus beatos de Juazeiro do Ceará com o Deputado Floro Bartolomeu e de como Lampião recebeu graus de Capitão, armas e munições para com­ bater Anti-Kryzto: v — Seria um encontro revolucionário! — Do que sei desta Heuztorya de Coluna, vejamos a medula — respondeu Rosa acendendo cachimbo de Marfym comprado em Hamburgo no Bordel “L’ Ange Bleu”, com fumo de Cachoeyra refinado em Geneve: — A mãe de Thomaz Mann nasceu em São Felix... Numa cena de “A Montanha Mágica” Hans Castorp, o tuberculoso retirado numa clinica para refletir sua cura numa Europa precipitada à tragedia de Wagner, Zaratuztra e Hitler, fuma charutos baianos... Pois, meu Comandante, o General Izydoro era ante comunista. Era contra a corrupção e a miseria mas era ante co­ munista. Quem o apoia não são os proletários anarcomarxistas-leninistas de São Paulo mas desempregados analfabetos em busca de soluções., alguns proletarios e intelectuais mas nenhum Modernyztaü! a Coluna é cantada mas não acompanhada... Sem Fylozofya Nacyonal, Prestes entra para o PC numa época de ultra esquerdismo de Stalin que naquele momento condenava alianças com as burguesias nacionalistas nos países subdesenvolvidos... Prestes converteu-se do Papa Ab­ soluto ao Stalin Absoluto. Sua posição rachou a Co­ luna, caindo as costelas nas mãos de outras correntes políticas sem a grandeza de Prestes, o que prova a força do pensamento Sovyetiko sobre a Heuztorya do Brazyl. Em Buenos Aires, nas alvoradas de 1930, Prestes se revelou estalinista a seus companheiros e não aceitou liderar a Revolução Lyberal, certamente financiada pelos Estados Unidos na ânsia de ocupar um territorio econômico sob tradicional dominio Inglez.

— Mas ele tinha razão, Doto Rosa... Getulyo traiu a Revolução... — Que Revolução? A de 1930 foi liderada em nome do desenvolvimento da industrialização, do Es­ tado intervindo em benefício da burguêzya industrial, uma classe proprietaria moderna em relação ao aristocratismo latifundista destes gerais... é a velha guerra entre Barões da Terra e Empresários Portuários, boiadeiros e fabricantes de foguetes... o Brazyl é ar­ caico, filho de um Portugal atrazado, pobre, inculto... Ninguém da Semana de Arte Moderna falou na Re­ volução. A Coluna não tinha pensamento, rodou so­ prada pelo Humanyzmo e se perdeu nas caóticas guerras expressas no suicídio de Getulyo... — A Revolução era um sentimento... — assoviou o Comandante. — Como o Tremzinho Caipira? Evém um tremzinho cheio de soldados gauchos liderados por Generais Socyalyztas Nacyonalyztas? — Isso é que era bonito... — Eu fiquei fiel a Prestes. Quer dizer, num en­ trei pro Partido, fiquei com meus guerrilheiros armados nos sertões mas como não gostava de Getulyo... — Mas porque, ô Elizor? O Getulyo era um ho­ mem de fronteira e passou a infância em Ouro Preto, no coração do Brazyl entre os Profetas do Aleyjadynho... — Prestes e Getulyo, é isto o Brazyl? Eu fiquei com o Cavaleiro da Esperança até ouvir o chamado para o Golpe Vermelho em 1935... — Foi o erro de Prestes, um ataque militar... — O Exercito tava cheio de comunista! — Digamos a minoria participante. Foi uma guerra, muitos mortos, Prestes devia saber que Getulyo dominaria o Golpe e o Exercito reagiria — Eu recebi ordens para atacar um Quartel em Goyanya mas não obedeci... foi uma repressão forte,

Prestes foi preso... aí eu perdi as esperanças e entrei no desatino, virei bandoleiro... contrabandeei gado na fronteira do Paraguay e com meus regimentos fui até contratado pra participar dum Golpe de Estado no Paraguayo. — Que paisagem linda! Amo! — E veja a vida... o Jango, filho de Getulyo... inhuc... síô Governador de Mynaz Geraes num suporta o Komunysmo de Jango... A gente tá precisando de lider? Êsse Jango, perneta, corrupto, subversivo que leio nos jornais... — Um homem bom! — e Rosa reacendeu o ca­ chimbo pelas quatro e meia da tarde morrendo aos trinados duns passaros loucos reprimidos nos sovacos do planalto quaternaryo crepusculo ARKO YRIZ abençoa chuvendo durante o sol e dias berrando aven­ turas indigestas de Revoluções fracassadas: — Desde a Ynconfydencya, desde o Martyryo ou não foi Tyradentes Kryzto? Heroys Mytos de nossa gen­ te! Gente... a gente... nossa gente... o Getulyo tinha uma concepção do Estado Novo... nacionalizou o sub solo... aqui ficaram nas distancias os latifundios danatários... A fronteira movei das Entradas e Bandeyras sob a lei da escravidão negra, india... uma raça se for­ mando... subdesenvolvimento advindo do desenvol­ vimento... uma guerra de 464 anos... com repetições sem gloria como a renuncia de Janyo num 24 de agosto que não era o mesmo dia do suicidiado Getulyo, um 24 de Agosto urdido por Forças Ocultas, renuncia com uma carta pifia e bebia muito recitando Shakespeare nos corredores do Palacio de Oscar Niemayer... e foi a Guerra Civil, foi o General Machado Lopes de Porto Alegre e o Governador Leonel Brizolla, cunhado de Jango, e foi uma parte progressista das populações ur­ banas que se levantaram e foi o John Kennedy garan­ tindo a posse do homem...

— Sei que o Coronel Dermeraveldo arrigementou oitocentos mil contos e comprou de armas pra lutar contra a Reforma Agraria... Os jagunços defenderão os patrões... Eu não posso tomar Partido, sou procurado pelo Exercito, meus documentos são falsos, não tenho licença pra transportar boiada... — Chegaremos a Pedra Azul pelos bons cami­ nhos... se não, descobrirei o caminho pra Eldorado... Ouviu falar num Coronel Fawcett, metido com parap­ sicologia, que se perdeu na Lagoa Santa? Eu encostado na Hystorya: falou-se que Sinhô Primo voltou no Agosto com os algodoais sangrando pro grande funeral infantil. No dia seguinte, em segredo pelas begônias que embugavilham, Riverão continua contando pra Luiz Papagayo: Contemplavam o rio barrento, canoa mansa, Mata Vaca limpando pistolas, barqueiro mudo — era outro verão em cima do São Francisco, Anjo melhor da febre, só agora lhe vinha saudades de Umburana. No entreposto arriaram. Ao longe, entre cascalhos no largo da caatinga, a velha casa, bom repouso: Anjo e Mata não aumentaram os passos pra melhor prazer da chegada, Umburana d’olhos magros, sopa, carne seca, vitrola... — Hei tempão! — falou Anjo moroso — Tempo bom! — respondeu Vaca e seus braços balançaram — Serviço ruín — De faca! — Que mês é hoje? — Novembro — Umburana envelheceu — Menina! Num se casa? — Eu na prisão? e apressou embalado pelas lembranças nêste retorno de

dois anos girando sem nadadiantar cortar a vida dos outros Mata não aguentava aquele passo, sua perna, seu coração... — Espere Anjo... e Angelo Mauro disparou a cabeça loura mergulhando na poeira Maria da Esperança... — Umburana! na porta da casa rachada, palhas no teto queimadas na ponta, aquele grito se enrolava à música da vitrola que vinha de dentro, foi D alva quem chegou, firme, olho naquele homem de branco, o outro mais atrás. — Boa tarde — Umburana? — Quem? — Maria das Umburanas... — Se afundou pra Juazeiro tem mais de ano — Acumo? Num sei! Qual é sua graça? — Mais de ano! — Sua graça? — Anjo. Dalva não satingiu com o feroz do nome — Quer café? — Se afundou pra Juazeiro! Mata ofegava no terreiro, não ouvia bem o deses­ pero de Anjo mas sentiu pelo tremor do vulto que seu menino ia ter daqueles acessos doridos — Quer água? Mata tonteava, fez sim com dois dedos, cam­ baleou pra Anjo Mau espalmado na parede: — Não deixou nada? Um espelhinho? Dalva saiu pra pegar a moringa e quando voltou recebeu os gritos na cara — Nem um vestido?! Um retrato?! Com que se foi?! — Num fenemê chapa de Petrolina...

Moringa no ar, lábios vermelhos do jagunço, zum­ bido na caatiga vindoindo nalegria de buzinas um ônibus elevou dentro dela — Pra lá... apontou Dalva com a moringa e estranhou — Era paixão? — Mais do que isto, lembrança... Na sala a vitrola arranhava uma valsa de muitos anos que Anjo nunca tinha ouvido mas era como se fos­ se o hino de sua dor. O quartinho, a mesma cama de vara com a esteira no cheiro úmido, o São Jorge da folhinha, nada do jeito dela: retratos coloridos dos artistas, espelho, rendas de mão, chinelo. Anjo mete o dedo na terceira vara da cama e lê no tato o relevo de seu coração com o grande U — lágrimas sentado na mesa da sala, Dalva serve café, Mata fuma cigarro de palha. — Pegou uma doença danada. Mijou pús dois mêses. Parou um doutor por aqui, deu as injeção, mas como definhou! Virou encalho. Ninguém queria ir com ela... — A santidade, D. Dalva. Eu sei o que é... Anjo abrindo suas fés, Dalva mexeu a colher ner­ vosa e o botão do seio se abriu bastante pra Mata Vaca cheirar arrepiando suor — Me devia mas perdoei. Deu tristeza e num dia... — Falava de mim? — Num me lembro... — Em Anjo Mauro? — Num sei... — Em Anjo Morte? — Ahn, que tinha mêdo... Dalva terrorizada tomou conta do pálido rosto a dentes dourados...

— Pra Juazeiro, pra Juazeiro... — De canoa? — Num fenemê... — Passa muitos na boca da noite... — Vamo num deles. Tem carne aí, D. Dalva? — De cabra... — Prepare. Quando tiver pronta me chame. Na beira do São Francisco um flagelado de quarenta e poucos anos negociou sua filha de quatorze com uma dona de casa e Mata Vaca ainda pensou em contar o dinheiro que tinha pro arremate mas de­ sistiu num era padre sem obrigações de pena com gentes sofridas muito igual a ele todos por alí vagando com Anjo frente aos porcos andou pro amigo substanciamorosa seguiam pra grande velha pensão no fundanoitecido valsa arranhando duas cervejas Anjo es­ quenta Umburana não surgia nenhuma pintura rom­ pante sergipanas oscilavam aos gritos e carinhos... — Mal de Sergipe... — Anjo, tou pensando numa desgraça tão gran­ de... MaurAngelo batiza sem pecados Mata Vaca nas profecias... — Já pensou no que pensa Sinhô Primo? Se me vem a quietude vem a tristeza: vejo o viúvo chorando por dias e jura nossa morte horrivel. Dos serviços, nun­ ca que outro foi mais pesquisador na minha mente, com o peso de entortar meu juízo. Tu já pensou nisso Anjo? Tu já viu alguma vez Sinhô Primo? — Faz anos, alto magro feio. Boca danada! — Assombração!!! — Homem com roupa preta de luto da mãe. — Anda vizinho da morte, homem de vingança. — Nunca vai saber da gente... — Vai vê que ficou gente viva... — Se fosse vir já tinha vindo...

— Um dia a gente não espera e cruza sombras! — Amofinou companheiro? — Quando a gente começa a dormir com as almas. — Elas num existe mais... — Almas? — Umburana! Mauro emagreceu cabaré em cabaré de Penedo Juazeiro Petrolina Pilão Arcado braças procuram tempestades água giram rodas gaiolas carregadas de couro barba dentes doem Mata Vaca Sinhô Primo protegido cruzes dores de consciência febres rápidas que os paravam noites sujas pensões & casebres alimen­ tados arroz leite conseguidos com dificuldade nas zonas Anjo contava dinheiro amarrado na ponta da cueca cal­ cula mortes com Umburana vestida de noiva voando prum altar dourado coroa brilhantes colares pérola luvas pretas... Satanás quatro chifres vinte dedos dentes de ouro Mata Vaca sonhos de Mauro ambos procuram Um­ burana rastrincerto pra sinhô Primo dele não sabia Mata pressente que mais hora no momento destino desnovela se topariam com olho de Satanás dentro dalma... Chuvas sobre arrozais terra cheirosa bonita — quem viu entre cegos e romeiros barqueiros retirantes ou vaqueiros os restos de Umburana? Já teria tamanha Dor se desmanchado na voragem das Piranhas? — Ouvi dizer, seu moço, que na fazenda do Coronel Lourim tinha um padre recolhido puta pra remediação de vida. O Coronel deu um pedaço da fazenda vazia e triste desde que lhe morreu mulher e filha tuberculosos. O menino tropeiro chupava cana: — E pra que lado este tal Lourim? — Subindo...

i i !

— Quantos dias? — Contra a correnteza, onze por canoa, remando firme, descansando de noite... Tem certeza que esta magreza singela de quem lhe falei tá lá? — Certeza não, que num vi... Se largaram rio acima, mudos dois dias no remo, canoa comprada sem discutir preço levando carne seca, feijão, arroz, farinha café, rapadura e um caxo de banana. Viram pássaros sem nome e lua grande abrindezteyra sagrada naságuas que repuxavam contra a cor­ renteza. Vieram ocasiões inesperadas e surgiu no fundo da curva um barco roncando: — Pra onde vão? — Seu Lourim... — Fazer o que!? Sorriram lá de cima das respostas de Mata sem obrigação de responder — De quem é essa canoa? — Nossa — Comprada donde? — Essas pergunta tem otoridade? — Policial! Tamo na caça de bandidos!!! — Pois não é conosco que somo fazendeiro. — Da onde? — Lá pra Petrolina. — Nome? Antonio de Souza. — E o outro? Anjo com a cabeça pra dentro das pernas frieza da febre amiga verdamargo dores perguntas lá em cima e se respondesse mentira era como se não fosse ele. — Eh, gazim, seu nome?

Mata virou a canoa favor da correnteza rodeando o barco enquanto na inspiração de meses de destempero Anjo no rifle certeiro e no milagre mais cinco tombaram dois dentro do rio três por cima deles — Canta minha geriquitonha! Canta bixinha! — Q u e m se apraz não tem vergonha! — Mergulho na inhanha! Tamanhexplendor não se vira! Até hoje Anjo nun­ ca fora tão perfeito! — Ah, meu Deus, Divina Luz! Remaram pelos fortes interiores das Vontades das Fúrias das Coragens. Angelo Madre Pérolas remos boiaram e M ata rumou margem com boa sombra pro feijão com jabá. Coronel Lourim! — mangueiras no largo da frente, vacas na sombra, cabras, galinhas, altimenso peitoril, antigo castelo, ah! o padre Marino esfrega mãos entre criadas, cemiterinho no fundo tão carinhoso comsuas cruzes, Mãe e filha de seu Lourim no pomar! Padre Marino veio às margens receber os visitan­ tes, beijaram a mão da Payxão e perguntaram: — Viemo de longe, meu Santo Vigário, e pro­ curamos Maria das Um burana de quem me disseram estar aqui na vossa proteção. — Irmãos ou parentes? — Sou o noivo. Anjo afirmou com humildade na incerteza do amor de Maria, o padre afastou a perna por causa da lama, os convidou pra entrar, do alto do meio dia Anjo sentiu a dor da resposta negativa, não aguentava outro golpe, Maria não poderia sumir de sua vida e a última es­ perança quis perguntar mas poderia vir o não sinistro e andaram mais cem metros pro largo grande da casa debaixo das mangueiras: — O senhor veio pra casar?

— Se ela quiser, aqui mesmo... O Padre perguntou porque sendo noivo a tinha abandonado ou vice-versa; Anjo remoeu moléstias e nada de certo... Linda trouxe merendas de abaxacajuba com Mel de Sulha que levantou seu Rosa dum febrão e conti­ nuamos levando a boiada pro Comando do Pai enlouquecido com as tempestades. Quebrou-se “Mitchel” com o acidente de carro de boi rolando ladeirabaixo sem mata burro e seu Rosa lembrou caso fosse perto se passaria nos Estudios Volta Grande no Ranchalegre do Marechal Humberto Mauro e resolvemos esperar numa casinha de palha feita pelo comandante e Lalantino. Ia-se temporal de Linda saudosa. Seu Rosa matava tempo cortando embornais donde tirou caderninhos e papiros em garatujas multilingues que Linda desenrolou sobre a relva e o Mestre catou lendo contralto caminhão avançando, estancou. Sertão. Só o motorista e o passageiro, ambos suados re­ quisitavam banhos mas a pressa impunha rápido beber nos canecos de lata e afundamento na estrada de cas­ calho. Lançadas ao horizonte, secas pedrinhas coçantes revolvem pneus velozmente nas curvas o caminhão vazio de muitas léguas e voltaria sobre a mesma rota nos dois dias próximos. A cabine balança e o passageiro se incomoda mais do que lhe mete pavor da morte e ao motorista importa sacas de farinha mas ao passageiro neutro na cor físico sexo morte sempre tranquilidade se agita. Rebelde cultivou fúria mortal. A cada instante no caminhão como era que o motorista perceberia?

Morte nas cabeças das pontes ou nas planíceis sem brida até capotar paisagem sem fôlego. Manhã, orvalhado corpo, olhos contraídos, lavouse aos tapinhas, enfiou capa, chapéu, viagem longa — aventuradolescente de Riverão seu Grobe. Caatinga quebrada, árvore desejam ramagens im­ permeáveis era triste não se fixar semente com o ca­ minhão comendo terra ao sol das 11 quero cabras nos confins. O caminhão sacode limpeza humana engrossa o medo derrapagem descontrola mijo pelas pernas. Pediu um cigarro se limpando. O motorista suspendeu a mão direita e o serviu na boca. A cabeça estoura olhos verdes sofre. Medo e fome. O motorista assovia aos troncos. Nem o cigarro adianta e os tombos agitam as cos­ tas remoídas. Ao longo longe chapada á. Quando grito nos aléns não se qualifica. — Se bebe água no Hotel do Diserto — engrena numa ladeira, desemboca no alto da serra descendo até o plano daí se via a caixa de barro na beira esquerda da estrada. O passageiro respira mole enquanto o motorista assovia sem fôlego. Gordo saltou cinza com o corpo exalando poeira. Batendo com as mãos nos peitos e nas bundas, do ponto onde saltou, o Gordo ronda o caminhão, chuta cada pneu, acocora-se em frente, espia os eixos, abre o motor e tosse fraco. — Salta ou não salta, seu mestre? Aqui tem água boa... O passageiro verdamarelecido. O motorista di­ rigindo-se à porta em letras azuis “HOTEL DO DI-

SERTO” entrou num bom-dia tímido e virou-se para fora: — Eh moço, salta pra bebê água... Calmo, tornando ao homem, vaqueyro já nos setenta pediu duas latinhas de água pro radiador e per­ guntou: — Como vai a menina? Queimadão, chapéu de couro na testa, o va­ queyro Cente resmungou. Raivenlatada. Só no resmungo escapava. Depois, brilhando pelos olhos sem fogo, Vicente da Boa Ventura mulato de Branka chamado há quantos. Seu Cente alí no fundo da mata beira da rodagem, vendendo água, café, se o viajante cansado que ali parasse queria comer Cente mataya um frango e Menina preparava era o que o motorista sabia de tal forma o Gordo chupando coxas temperadas puxa linha de novêlo, Cente duro não abria boca senão pra dizer sou pobre mas home de bem, resmunga porque nunca gostou de gente gorda, fofa, saco de farinha, mulher prenha, ama cortar cara de quem dialoga levantando a espora tridentada e baixá-la por qualquer das faces Cente nunca fala ao cachorro dêsse motorista na minha frente, pessoa que eu confiei outro dia fugi com Branka e que Menina e Mocinha paridas no mato entre cobras recordam e ficam querendo rasgar a barriga, juven­ tude, pedras, feira da cidade aos sábados barriga baio cavalo é hoje pangaré. — Seu Cente, duas latinhas dágua pro radiador e mais alguma coisa. A Menina vai bem, heim Seu Cen­ te? Eu vim com um camarada que tá escornando lá na cabine — virou-se e gritou outra vez! — Eh seu moço! Levanta! Espanta o porre! O passageiro fêz esforço, latejamento na cabeça e logo com as pernas trêmula andou até o caneco trans­ bordante que lhe estendiam e baixando a boca nas

lâminas circulares de flandre enferrujado sorveu sô­ frego, pediu mais e passou pelo Gordo, saltou as pernas do vaqueyro sem dar bom dia ou pedir licença e enfiouse na quente furna atrás do vulto que lhe atraía pela água e agora melhor percebia ser de mulher. O Gordo foi atrás, sentou numa mesa tosca. A mulher se perdeu na porta baixa do fundo da sala e o Gordo escorregando os braços sobre a mesa dis­ se meio safado: — Sente... — Tou relaxando. De cá um cigarro. — Acabou o meu e aqui não tem — É só isso? — o passageiro corria os olhos pela sala miserável com desbotados retratos de gentes e san­ tos nas paredes. Viu Branka mulher suspensa junto ao retratinho do Padre Cícero. — Êsse Padre tá em todo lugar do Norte e aquela Mulher? — É a morta desse velho besta aí — o Gordo apon­ tou pra fora da porta numa direção em que se via o vaqueiro Cente acocorado de costas — e mãe desse pedaço que lhe deu água... — Que pedaço? Não vi nada. O velho aí fora! — e olhava, o Gordo apontara — Dono disso? — ...e Pai também — o Gordo cada vez mais safado apontava a porta baixa no fim da sala. — ...de quem? de quem? — ...do pedaço que lhe deu água. A menina Menina... Era preciso sentar, dormir, senão uma vertigeria sem forças pra mover as pernas o banco estava próximo mas ele não podia se mover e não ouvia também mais nada do que o Gordo fala vele trizando tremura: — Estou com febre — levou as mãos desesperadas à testa e repetiu.

O Gordo nunca foi homem de ter pena. — Toma café? — Ãgua... — calando com cara rubra pediu ci­ garro. Seu Cente na janela, olhos inquietos, interroga­ tivos, o moreno sem a menor perturbação, os lábios tremeram e voz tão segura reteve por instantes motoris­ ta e passageiro: — Meu cigarro, o sinhô não fuma. É muito forte. Deu as costas e se afastou da janela, seu corpo aparecendo, Cente até se enxergar — passageiro e motorista rudes mãos de vaqueyro levando cada urna lata dágua para ser derramada no radiador do ca­ minhão, olhar de ferro estremeceu o passageiro. Mordeu os lábios rachados e aguentou-se. Ruir dágua. Frescura, calma, caneco nas mãos, olhos pretos, a linha do perfil arrebitado e pronunciando pouco o lábio superior, queixo hábilângulo. O perfume enjoativo envolvendo-o entre sede e fome lhe molha o peito escorrega garapa pelos cantos da boca cogumelos das bostas de gado que seu Cente guardava pra vender de contrabando pro Gordo trazer no caminhão cocô sofisticado States: diziam que uns iam pescar ovos de jacaré num ninho d’algas no interior de Mato Grosso pra exportar produtos primus ás cos­ méticas industrias suiças e os sobreviventes eram mor­ tos por compradores tocaiados de Karter Bracker que tinha substituido Lampyão no reflexo da cacimba babado Gordo vomitou meteoritos Cocorobó, escravos nas selvas, pessoas vendidas a 18 cruzeiros, a viagem começava nos terremotos de São Sebastião e a boiada cruzou as Rodovias Mynaz Bahya Leopoldina, Barra Vermelha, atolados dois mil veículos, numa fila D. Cavafi Caratinga.

Em Governador Valadares acumulados aqueles que se dirigem do Norte pro Sul. A Polícia, armada até os dentes, enfrenta violentos motoristas de ônibus que tentam impedir a passagem dos carros pequenos, únicos que podem cortar os atoleiros. Está parada metade do Brazyl e os conflitos ten­ dem a crescer nos próximos dias. Uma criança morta, outra que nasceu num ônibus com destino a Ceará, briga de faca e saque de revólver assinalaram a passagem do Natal no entroncamento de Teoflôtonyo. Nas estradas mercadorias apodrecem, chove mas a sede faz com que centenas de homens, mulheres e crianças saiam em peregrinação, um pão está por cin­ quenta, um litro de leite é duzentos, uma banana custa trinta, um cafèzinho vale vinte,um almoço mil cruzeiros neste novo e rápido mercado negro surgido às margens da principal estrada do centro-nordeste. Em cada passagem perigosa trabalham alguns tratores e máquinas do DEPARTAMENTO NACYONAL DE ESTRADA DE RODAGEM. Os agentes dão ordens e os motoristas discutem orientando para lá e para cá os serviços de remoção da lama, o caos se estabelece entre as filas contrárias. Como os veículos que se dirigem de Norte para Sul ficaram detidos em Governador Valadares, as estra­ das, estreitas pela danificação, estãodominadaspeloscarros que vêm do Atlantyko pros Sertões. (Oeztynos) Um princípio de revolta e os destinatários ao Leste invadiram as rodovias, formando um xadrêz. Os passageiros abandonam viaturas e marcham às localidades mais próximas, onde não encontram alo­ jamento.

Como ocorre em todo Brazyl, os postos nas mar­ gens das estradas são péssimos, sem as mínimas con­ dições de higiene. Ê impossível avaliar o montante dos prejuízos: tratores sujos e abandonados nas margens enquanto uma fortuna em mantimentos apodrece nos caminhões do Rio para Bahya e vice-versa transporte de feijão, arroz, açucar, carne de charque, artigos industriali­ zados, combustíveis, gado morrendo de fome e sede, carneiros, galinhas e porcos, milhões de cruzeiros per­ didos enquanto os engenheiros passam as Feztas no seio das familias. Motoristas respectivos ajudantes e passageiros ocasionais estabelecem a desordem e o clima é de violencia contida. A galeria hum ana presa na Rio—Bahya vai de Jagunços a Prostitutas, de Policiais a Paus de Arara subindo Sul carregando ilusões e de Flagelados voltan­ do magros, tristes sem vintém ou esperança. Garotos trazem comida vendida por alto preço, o viajante é explorado, o sertanejo miserável lucra mais de mil cruzeiros que lhe vale, no campo, cinco dias de trabalho. Nas pequenas cidades o movimento cresce e todo dia é fezta despertada pela atração de quem aparece sujo de lama da cabeça aos pés. — Este é o quinto Natal que passo nesta desgraça — tremeu "Riverão no colo de Linda — olhou para um passageiro do nosso ônibus e disse que não podia passar na frente porque chofer de caminhão era gente também. O homem procurava briga, precisava m atar na­ quele Natal. Bebeu um gole de cerveja e saiu sentenciando que ficaríamos presos quatro dias em Lagoa Vermelha.

Um dos grandes bares embaixo do Hotel Inter­ nacional se assemelha a salun de faroeste, bandidos e motoristas, prostitutas, policiais, viajantes, ladrões, boiadeiros. Mesinhas de jogo entre Chevrolet, Fords, Mer­ cedes. Não ficou um FNM: pesados, morosos mas tiveram força para subir ladeiras e virar em curvas quase na corda-bamba. A 23 de Dezembro, entre Caratinga e Muriaé, os passageiros compreenderam que não chegariam a tem­ po para passar o Natal na Bahia, Recife, Fortaleza, Maceió. Vimos em várias cabines de caminhão os pacotes de presentes que os motoristas, errantes endurecidos, traziam para as familias e nas suas caras de bronze o desejo de uma noite de carinho e paz. Eram quatro horas da tarde, céu nublado e ne­ blina, quando centenas de buzinas explodiram no ar, protesto com eco, grito angustiante, voz revoltada de mais de onze mil pessoas. Cada motorista tocava sua buzina e as de fole en­ toavam melodias do sertão e outras dissonantes, doces dos automóveis e surdos roncos dos grandes caminhões. Por dez quilômetros o sertão gritou e naquela hora anunciavam não o nascimento de Kryzto mas Aphokalypze. Meia hora depois silencio, quando em vez ronco de motor. Um caminhão vencia o buraco, a fila gygantezka se movimentava cinco metros, conversas, batuques, al­ guns romances e socorros mútuos. “Os pernambucanos são tem idos , raro o que não traz peixeira na cinta. Jagunços mineiros calmos e calados com pistolas quarenta e cinco atadas nas ancas . ”

Apesar da chuva, o calor é sufocante: neste clima transcorreu o Natal e se mortes não houve foi pela ação da Polícia, de metralhadora em punho, evitando brigas, garrafadas e destruição de um boteco. Carro pequeno corta lama, jipe também, idem camioneta. O que não passa é ônibus e caminhão. Os motoristas destes últimos culpam os carros pequenos de atrazo e impedimento. Os donos dos carros culpam o peso dêstes veículos que abrem grandes sulcos na terra. Quando os eixos engancham na lama até mesmo os automóveis se atolam, derrapam e formam uma con­ fusão que leva horas para ser desfeita. — É no gancho! — profetiza um, em seguida chegam os tratores, atrelam cabos de aço nos carros e puxam com violência. ç cinco horas da manhã de 25 de Dezembro, às duas da tarde chofer de caminhão é artista e artesão de primeira. Não basta que o trator puxe: é preciso que o motorista saiba engrenar várias marchas e acelerar no momento devido. Muitos passaram, outros levaram horas para sair. Coragem, embalagem certa e raça, milhares de passageiros trepados em morros e árvores aplaudem os motoristas que melhor se destacam na passagem dos atoleiros. No Departamento Nacional de Estradas de Ro­ dagem de Vyctorya da Conquyzta Madrugada OH Abrahão: vento fresco entre gazolinas podres, pros­ titutas apustinhadas, lepra, banzé, cú de zenzala, oleo nas grades e um caminhão com presos de Petrolina Juburaté a serem executados.

O Comandante sem papel diante do Tenente Mario Campos Carneiro com ordens de vasculhar os transportes ilegais no combate à corrupção. O Tenente era honesto e exigia documentos. Desonesto foi o Capitão Tomaz Sampayo, que bebeu e ganhou dinheiro de Demeraveldo, contraban­ dista de gado. O Tenente o substituiu em 1930, es­ perando Demokracya nas próximas eleições. — O Geisel é um homem de bem, o Carlos Castello Branco fala mal do Regime mas elogia êle. O Comandante estava perto do Saco da Onça Tem Gado Bravo, um lugar que meu Pai conhecia de perto. Em baixo era o Vale da Perdição. Pra evitar o Tenente, porque não tinha documen­ tos, e não queria envolver Dermerevê em intrigas com Juracy, o Comandante resolveu desviar a rota de Conquyzta. Aproveitou a noite pra cruzar o frio da neblina rumo ao Cruzeyro do Sul, toca do Kangaceyro Leprozo. Vacas e bois subiram pedras ingremes, desaba­ ram, alguns vaqueiros morreram, mas trinta e nove horas depois desancavam num capinzal amarelo de dar gosto aos sobreviventes. Ventava cheiroso, Riverão namorou Linda com sinceridade, que passara a travessia vomitando. O Comandante se viu no Dezerto Byblyko Sol Tempestade. Sangue Profecya. De Feyra de Santana a Montes Claros, Pedra Azul, Laboratorio de Glorias. Quero medalhas Dona Joana Antonia? Ela era pintora mexicana nas Mynaz. Obrigado. Riverão e Luiz Papagayo melhores amigos cada dia, Luiz não tinha estórias como aquelas do famigerado Anjo Mauro, era um duende sem tragedias, alegre e natural Utopya voando com Linda, sempre...

e Linda, abandonando outros homens, se concentrava na Payxão. O Comandante chamou Sussuarana e Luiz Pa­ pagayo e lhes disse para irem com alguns vaqueiros e vacas passar uns tempos em Saco da Onça tem Gado Bravo, com finalidade de tentar fixação economica, familiar, social, política e cultural, que ele, o Coman­ dante, Pai de Linda, a oferecia ao Principe Latifundiario, com as boiadas todas e em volta queria má­ quinas pra fabricar queijo Suiço, com formula de seu Rosa. E tinha promessas devido contatos com Juracy, pois êle era de 30, tudo recado pros Coronéis rivais: — Também num tenho saida. Pra fente o Tenente quer documentos e como não tenho o Govêrno me confisca a boiada e os bens.... Pruns três milhão de dolar carrego nos alforges, em ouro, grana e pedras... E uns titulos do Banco do Brazyl, que tenho uma conta no Banco Nacyonal... A gente num pode ficar aqui... A única saida é Saco da Onça Tem Gado Bravo. Adeus e voltem antes de São João. Rivo preparou a caravana e partiu com Luiz Papagayo na vanguarda Periscopyka pra flautear des­ cobertas do Novo Mundo, Missão Kryztan não se con­ formava com a idéia do Comandante vender Linda ao filho do maior fazendeiro de Saco da Onça Tem gado Bravo. Sussuarana berrou solitária nos galhos por cima da Montanha do Kangaceyro Leprozo, ultimolhar pra Lin­ da chorosa... “num vaimorrêSúü! e num te vendo meu amo ”... seguia ordens do Comandante e a Cigana Es­ carlate cantou sacolejando pandeiros e guizos na Carruagem Colorida com a Bola de Kryztal na Lua d’Anjo Mauro, tesudo de Linda, ciumento de Riverão e Luiz que partiam em busca duma saida porque com a

Guerra nas Estradas Civis, a renuncia de Jânio, aposse de Jango: — No Brazyl pode ter nova Coluna Isidoro Lopez coin Miguel Costa lembrou Papagayo pra Riverão que sonhava com as primas Leonidia e Moema num al­ godoal da Fazenda Feliz. Um ahn, Coluna? Espinha dorsal da revolução brazyleyra... Papagayo cantava: — A gente trabalhava em São Paulo numas plan­ tações de café acordando quatro horas da manhã tomava-se café simples e ia-se de enxada no ombro com uns trezentos trabalhadores plantar colher café, tocá fogo na mata limpá terreno ressecar ensacar lá pras nove horas comia-se feijão com carne e se descansava pra retomar o trabalho até as três da tarde quando se comia o resto daquele feijão com abobora e se descan­ sava pra retomar o trabalho enquanto houvesse sol e de noite voltavamos pra dormir sem tom ar banho e eramos pagos a cinco mil reis por dia que se recebia no fim do mês descontados as contas do Armazém que nos adian­ tava vaies em mantimentos pros Domingos ia-se a Baurú e ouvi falar na Coluna Revolucionária de Isidoro Dias Lopes não me lembro de Miguel Costa e de Luiz Carlos Prestes que lutavam contra o Govêrno de Arthur Bernardes e queriam m udar não sabiamos pra que direção não se falava em comunismo a Coluna era uma promessa a gente ouvia falá no campo de café naquela miseria que muitos viviam pois alguns recebiam o saiario e eram mortos nas tocaias por jagunços la­ drões de trabalhadores e lá em São Paulo não tinha em­ prego nas Fabricas eu subindo das friagens do Rio Grande do Sul e Paraná me parecia o Brazyl pequeno e com uns companheiros numa quinta feira lá pelas oito da manhã tudo combinado matamos com as en­ xadas e facões os adminstradores da Fazenda de Café

Bernardino Tosca e fugimos nuns cavalos pra Baurú no encontro do Regimento que vinha do Sul no Trem Noroeste do Brazyl sob comando do Tenente Octavio Montenegro, um Santa Catharynense jovem e corajoso com seus trezentos e tantos soldados a maioria de pé no chão com rifles mauzêres fuzis metralhadoras granadas e três ou quatro canhões abrindo caminho pra Coluna avançar ao Norte do Mato Grosso três dias no trem pra Três Lagoas que não resistiu porque era revolucionaria e eu era tão bom no tiro quanto meus companheiros seguimos no trem vitorioso pra Campo Grande e dai avançamos de carros e caminhões mas fomos presos na margem dum rio daqueles do Paraguay pelo Capitão Alberto dos Passos Junior numa tocaia, êle nos ameaçou fuzilar, não se tratava bem os inimigos que se executou com as exigências revolucionárias, estou na guerra há muito mais tempo do que penso, acho que não tenho nenhuma mensagem, sou voador Riverão, sou triste de ver tanta violencia e pouco amo. Riverão e Luiz Papagayo desceram do Mapa nas fronteiras miticas Paisagem rica de rios árvores Os vaqueiros Néo Dió Pequeno e/Campolino tan­ gem umas trinta cabeças de vacas gordas sob o sol de um dia lindo Passarada Seguem à Feira de Gado na cidade de Bela Flor Atravessam campo verde onde pastam novas vacas carneiros cabras No açude patos e gansos Maria Rosa lava roupas em companhia do menino Jesus O vaqueiro Campolino é o mais belo morenão ves­ tido de couro vermelho em cima do cavalo melo Néo é alouratado num cavalo pampa Pequeno mais velhatarracado cavalalazão

Dió Bondade Extrema por trás dos bigodes cres­ cidos e dentes podres no burro preto Maria Rosa vê os vaqueiros passarem interessados no trabalho Feira de Gado Contam os bois pesam vendem comerciantes casos Reses brabas saltam nos currais e vaqueiros co­ rajosos as dominam O preço do gado sobe O Cel. Manuel de Souza conversa com o Dr. Laurindo Gonzaga E um candidato à Câmara dos Deputados esta­ duais nas Eleições que se aproximam Marcam comício naquela noite de sábado enquan­ to tomam cerveja trepados nas cêrcas dos currais Campolino toca as vacas Néo Dió e Pequeno separam os bois Os negócios seguem Campolino recebe o dinheiro Jagunços contratam gente para fazer segurança no Comicio do Cel. Manuel Souza Os quatro vaqueiros não aceitam as propostas O Capataz se desentende com Dió e tenta chicoteálo Dió o derruba No frege os quatro vaqueiros brigam arrebentando com as barracas A polícia chega e leva a turma presa Campolino defende os amigos acusados perde e paga os prejuizos O radio que compraram quebrou e o resto amon­ toado Campolino compra um vidro de Perfume para sua amante, Dalva, Prostituta Número Um de Bela Flor. No Cabaré Bela Flor pululam tipos de todas es­ pécies

Principalmente jagunços Campolino manda rodar cerveja e conta a surra que deu nos jagunços de Manuel Souza. Dalva canta e senta na mesa do macho Vão para o quarto Enquanto Campolino faz amor com Dalva, Néo Dió e Pequeno resolvem ir ao Comício Oradores Depois do Cel. Manuel Souza discursa o Candi­ dato Laurindo Povo tochas Um tiro derruba Laurindo no meio do discurso Jagunços do Cel. Lima Ferraz invadem a praça Néo Dió e Pequeno cercados atiram e fogem Campolino levanta-se na carreira mas quando chega na praça só encontra gente chorando os mortos e velas na praça Laurindo morto lençol por cima O Cel. Manuel Souza grita querer cem homens ar­ mados para destruir as propriedades dos correligio­ nários do Governo Outro Comicio Campolino procura os amigos e não acha Pega seu cavalo e parte Aurora galopam Dió Néo e Pequeno Chegam na fazendola do pai de Maria Rosa e do Menino Jesus Nhô Fredo tira leite nas vacas quando vê os três se aproximam Reconhece os vaqueiros e pergunta o que há Eles contam que mataram gente no comicio que não eram de Partido nenhum Pediam descanso e comida Nhô Fredo deu café com leite e manda Maria Rosa trazer requijão O Menino Jesus apaixonado pelos colares do Dió

Campolino cruza com homens que o mandam parar São jagunços do Cel. Lima Ferraz O chefe é Benedito Falcão, conhecido de Cam­ polino Benedito diz que o Cel. quer falar com ele e com os demais vaqueiros daquela zona O encontro marcado de noite num churrasco que vai ter Pergunta pelos amigos e Campolino diz que não sabe Benedito conta que tinha gente que viu Dió Néo e Pequeno atirar em homens seus Campolino renega e garante que vai ao encontro Campolino chega na fazenda de Nhô Fredo e en­ contra os amigos. Maria Rosa fica envergonhada e se esconde O Menino Jesus diz que ela tem medo de Cam­ polino Nhô Fredo chama Maria Rosa e apresenta Cam­ polino Ela fica envergonhada e Campolino faz que não liga Comenta com maus modos a briga Dió diz que matou uns dois Campolino lembra a reunião e que podem se meter na briga politica Nhô Fredo anuncia que aquela vai ser a maior luta depois de muitos anos Campolino acha que a situação é boa Os amigos concordam com ele Nhô Fredo fala em Reforma Agrária, dizendo que é meta do Cel. Manuel Souza Os fazendeiros pequenos querem a Reforma mas os latifúndios de Cel. Lima Ferraz vão acabar à bala todos os Comicios do Manuel Souza,

Campolino acha que tudo vai como cada qual com sua terra Pequeno discorda Néo não opina Dió acha que a terra dele ninguém toma Nhô Fredo é a favor da Reforma Mais tarde os vaqueiros partem Maria Rosa zangada com o Menino Jesus que in­ sinua paixão por Campolino Na Grande Fazenda de Lima Ferraz mais duzentos vaqueiros reunidos Churrasco grande e boca da noite quando Cam­ polino e seus amigos chegam Desafios na ponta da viola Corre cachaça O Cel. Lima Ferraz olha tudo de cima Junto dele Esteia, filha única, O Candidato Roberto Junior menino novo aprumado inteligente e carregado de teorias reacio­ nárias Campolino se ajeita num grupo amigo> O Cel. Lima Ferraz fala ao grupo contra a Refor­ ma Agrária dos candidatos da oposição politica de Manuel Souza Campolino pede a palavra e pergunta se a tal Reforma vai trazer bem ou mal pros vaqueiros pe­ quenos e diz que não lhe olha bem conversa de bala na disputa de Eleições — para ele lei é lei e quer é Paz — para votar ainda vai pensar para briga de bala o Cel. não contasse com ele e retira se acompanhado de seus amigos Benedito Falcão na tocaia Pequeno e Néo morrem Dió foge com Campolino

Na fazenda de Nhô Fredo Campolino desesperado não queria se meter em briga fugiu do Cel. Lima Ferraz para evitar e agora matavam seus dois amigos Na lei de Deus vingança era pecado mas ele não podia suportar Nhô Fredo o acalma Dió abestalhado Ä noite enquanto Nhô Fredo sanfona Campolino junto a seu cavalo Morreram os amigos queridos Maria Rosa trás café Ela não sabe ler Campolino nunca conversou com donzela Ele só conhece o corpo e o calor de Dalva Relembra Néo e Pequeno E além disto nem os enterrou Chama Dió e partem Nhô Fredo os acompanha no carro de boi De manhã voltam trazendo os corpos Adiante param e fazem o enterro Maria Rosa espera com muitas flores que ela e o Menino Jesus trouxeram Campolino diz que vai a Bela Flor fazer queixa e pedir justiça Nhô Fredo explica que a Justiça está com Lima Ferraz Então Campolino resolve se unir a Manuel Souza mas Dió lembra que os homens de MS são inimigos Campolino propõe a Dió vender a fazenda e par­ tirem para outro Estado Dió crê que não está direito deixar Néo e Pequeno sem vingança Maria Rosa teme pela vida de Campolino Campolino opta pela justiça e parte pra Bela Flor Bela Flor ruas de legendas políticas faixas cartazes Jagunços se espalham pelos cantos

Campolino entra na cidade na mesma hora qum circo mambembe Àlguns olham desconfiados pra Campolino e Dió Dalva dormindo Recebe Campolino Sabe que os amigos morreram e chora Campolino dá uns tapas nela Depois tira o gibão veste um terno de brim branco revólver na cinta O Delegado de Bela Flor pede provas testemunhas alega fatos Campolino desiste Deposita seu dinheiro no banco Vai à Estação de ônibus e se informa de uma pas­ sagem para a capital de Mato Grosso Esteia e Roberto que saltaram de cavalos bem ajazeados entram na estação em busca de jornais Quando vão saindo Campolino se adianta dá bomdia a Esteia e pede pra dar um recado a Lima Ferraz Ele vai na Capital se queixar ào Governador Se a Justiça não der jeito então ele vai fazer o Cel. Pagar a morte dos amigos Roberto gôzalCampolino Ele não reage O Cel. Manuel Souza vai ver Campolino em casa de Dalva O Coronel ouve a estória de Campolino e promete ajudá-lo Pinta a Reforma Agrária como a última maravilha do mundo e desperta um sentimento de splidariedade coletiva que existe inerte em Campolino Diz que a Justiça depende das vitórias nas Elei­ ções Requisita os serviços do vaqueiro Ele aceita juntamente a Dió Campolino veste mixto

Sabendo ler, trabalha com as professoras, ensi­ nando gente a assinar o título Compra títulos Com Dió e um grupo de jagunços „acaba comi­ cios de Lima Ferraz Seu nome cresce Decora e faz discursos Tem Manuel Souza como Deus Nada lhe falta e ele já pensa em se candidatar daí quatro anos Fala a seus amigos do campo e todos esperam a Reforma Torna-se Mártir da Injustiça Ovacionado Pede sempre votos para Manuel de Souza. Na casa da Nhô Fredo Campolino almoça em com­ panhia de Néo Maria Rosa serve com amor Campolino já esqueceu a menina Ela tem 18 anos idade de votar Maria Rosa não sabe ler e se recusa a ir na Escola improvisada de Bela Flor Campolino se dispõe a ensiná-la e ao Menino Jesus Na primeira lição Menino dorme Maria Rosa tenta aprender Campolino sabe pouco Maria Rosa trepa Campolino e alta noite à luz do candieiro, crise de ciúmes contra Dalva Campolino abandona a fazenda O Cel. Lima Ferraz teme perder a liderança devido à atuação de Campolino Ordena a Benedito matá-lo mas o jagunço tem medo Esteia interessada por Campolino resolve seduzi* lo

Campolino termina de comprar Títulos Está descansando quando entra Esteia Ela investe contra o pai desnorteia Campolino e o come Depois fala da civilização e dos costumes moder­ nos O vaqueiro fica transtornado Ela diz que vai embora mas se ele quiser que vá buscá-la a qualquer hora Ä noite Campolino não quer os beijos de Dalva Pensa em Esteia Sai pega o cavalo Entra na fazenda de Lima Ferraz invade o quarto de Esteia Depois Campolino dorme e Esteia resolve traí-lo Arrependida o acorda e lhe manda fugir Esteia conta a Roberto Enciumado conta a Lima Ferraz Lima dá uma surra de chicote em Esteia Chama os jagunços e manda matar Campolino Quando Benedito Falcão chega em Bela Flor vê um exército de vaqueiros em volta de Campolino Impossível matá-lo Recua Um jagunço bebedo conta Campolino pretende dar o golpe em Manuel Souza Campolino nega Dalva confirma a traição de Campolino Os vaqueiros abandonam Campolino Campolino foge de Bela Flor Eleições Manuel Souza se elege Prefeito Passam alguns mêses e durante Campolino e Néo trabalham distante de Bela Flor domando cavalos Roberto se elege Deputado Estadual

Na cidade de Arataya Campolino conhece um advogado acabado na bebida Dr. Hermes do Carmo Dr. Hermes ouve a conversa de Campolino brada contra os industriais da fome tipo Manuel de Souza e diz que Reforma no país é impossível Que nunca virá Justiça para a morte dos amigos Campolino toma consciência de que é impotente mas volta a Bela Flor para se vingar de Lima Ferraz e Manuel Souza também Campolino chega em Bela Flor Manuel Souza o acalma e quer levá-lo à praça para mostrar que ele não traiu o Partido Campolino recusa mas é novamente enrolado Durante a conversa com Manuel Souza Benedito Falcão invade a cidade Tiroteio Campolino e Dió atacam Néo mata Benedito Manuel Souza morre Roberto ferido Esteia ajuda Campolino a matar os Jagunços O grupo de Lima Ferraz foge com poucos homens prometendo voltar com recursos estrangeiros O povo aclama Campolino Ele entusiasmado fala na Reforma Estela parte de automóvel com Roberto Debocham da miserável situação de vaqueiros e camponeses como Campolino que viverão selvagens no Brazyl até quando ninguém sabe quando Campolino ganha o amor de Maria Rosa Na estrada deixou as cruzes de Neo Pequeno Nêste trabalho rude um homem ignorante ex­ plorado e injustiçado Nhô Fredo sabe destas coisas ele é velho e sonhou O Menino Jesus anuncia dias melhores

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Campolino Dió e Maria Rosa se perdem no emaranhado da m ataria brava Riverão viu o Saco da Onça Tem Gado Bravo ser invadido pelo Exercito, os crimes politicos do Senador Lima Ferraz despertaram o Governo de Jango pelo programa da Reforma Agraria conforme os folhetos e o jornal “A Liga” , dirigido pelo Advogado do Partido Socialista, Francisco Julião, que lhe trouxera Luiz papagayo num lance que fez pro Circo Kozmux excursionando interiores brazyleyros agentes “ Peace Corps” — esterilizar sertanejas no program a “ Aliança Para o Progresso” . — Veja, River, o leite que os yankees m andam pra nós é resto dum polvêdo podre do Mississippi... Tu não sabes o que é a O N U ... U m Poder que m anda no Presidente, o Poder do Pentágono, do D epartam ento de Estado, dos Bancos... coisas distantes pra você, meu amigo... Mas veja, os politicos roubam o dinheiro da Aliança... Os yankees queriam nos ajudar mas os b a n ­ didos m ataram o Presidente Kennedy, em Dallas, Texas... Um tal de Lee Oswald, queim aram êle logo depois da prisão, — Pra ser em presado a m atar um Presidente até que voltaria ao sangue frio ... — Fala-se que o sertão é b rabo ... olhaqui nêstes jornais... agitações... greves... ocupações de fábricas... o Governador do Rio de Janeiro, Carlos Lacerda, chamou o Jango de com unista, que êle vai botar o Exer­ cito em cima dos fazendeiros e tom ar as fabricas e os bancos e dividir tudo com o povo p o b re ... A Heuztorya de Campolino decifrada num des­ filadeiro de turm alinas que cozinhava a memória no meio dia sem destino: o Exercito derrubou Jango e Riverão com Luiz Papagayo e a caravana não podiam cumprir os projetos do Com andante de fundar nova sociedade naquelas brenhas.

Os Reformistas Agrarios foram presos com padres e funcionarios da Prefeitura, com unistas no relho pau de arara, progressistas im pressados nos Engenhosje Uzynas dos Trigais, fugitivos contavam pra Rivo e pediam m orada na caravana com Base Guerrilheira, treinadores cubanos, retratos de Fidel e Che. Sussuarana miou F u tu ro D estruido na m alestar da terra calva, estradinhas curvetas, p o b reza, dor: — Foi todo m undo m etido na cadeia. Janguista, Com unista, Brizollista, T ra b a lh ista , A rraesista, Padre Terceirom undista, In telectu al, E s tu d a n te ... E nquanto Luiz ^ontava p ra R iverão os últimos acontecim entos politicos o jag u n ço viu o lim ite da Terra e se levantou na sela p ra b u sc a r m ais horizonte ao con­ forto do sorriso: — Que a m a rg u ra .,. N ascem os p o r aq u i e rodamos m undo até m o rrer... Teve u m a R evolução do lado de lá e nós aqui sem p o d er ch eg ar n a T e rra P ro m etid a... 0 C om andante vai ficar triste, a n ão ser que seja amigo de algum G en eral... C o ita d o ... se q u izer en riq u ecer vai ter de ro u b ar o gado do C oronel D e rm e ra v e ld o ... Ao entreposto de L agoa B aixa, encru zilh ad a de Saco da O nça T em G ad o B ravo com N ova C anãa, não sabendo o que fazer d ian te d a R evolução que cortava o fluxo das E n trad a s e B an d ey ras, ald eio la de caibros e barro, chegou em M aio de 1964 a c a ra v a n a de Riverão, engrandecida pela tru p e de ciganos e flagelados de­ voraram vacas e to u ro s, alg u n s vaq u eiro s comidos vivos, explosão fam élica, im o ral d e g ra d a ç ã o na ruela h ab itad a por trezentos g arim p eiro s às m arg en s do Lago K am ela N arô em cujo fu n d o n in h o s de Peixe Cobra pariam p edras preciosas e a m a io ria d a p o pulação desbraça d esp ern ad a por ja c a ré s q ue p ro te g ia m Lago K am ela N arô M o ra d a do M eu D ez Yakanô que só come Peixe C o b ra e M u la sem C ab eça.

O Chefe dos garim peiros era um perneta Benja­ mim A rapuá, m am eluco de m etro e oitenta e cinco que vivia de m atar e com er Peixe C obra: — Aqui é assim , siô R iv eran ... Nois come os Peixe eêles come n ó is... T ira-se u m as duzentas pedras p re ­ ciosas por ano que se vende p ro C rato B ranco... Num tenho com ida p ra sua g e n te... Por que não joga estes flagelado na K ratera do D ivino Sebastião? Deus gosta de carne h u m an a e êsse povo ai é m orto vivo, lixo, siô... E sfaim adesvaiu O n çam arela entre florestas em riba de Tupys Y pojucans no p asto dos aleijões esfarinhando terra pros C oackayschoclajos de Papagayo ui ahá morre Dó é Fom e Nós Sois Procizzão Ave M aria K aiaghahaha — B enjam im A rap u ã deu sopa de ped ra rolada pro visitante, P ap ag ay o coitado “quá qu iê êsse home num p o d e m o rrê ... o xôrôrô na ru a dos flagelados e pestilentos com idos pelos aleijados servos do Jacaré Piragussu com escam ad o s ventres eletricos penados e plumas rojas venenosas, P aray zo Proybido, flores antyatomykaz de H iro sh im a e N ag azaq u i, Luiz fum ando a Cobra em M o n te C astello, Pistoia leva a F orça E x ­ pedicionaria B razyleira ao com bate dos H itlerm ussolonistas eurazistycoskos de H iroyto e F ranco, floi Luiz heroi da FAB, o g ran d e g u erreiro que brilhou na Italia, Vencedora E x q u a d rilh a da infância quando seu nome era Ilydio, Negro de Pelo O u rin h o , Neto de Zum bi nos Quilombos das A lagoaz, M oleque da Senzala pros ja n ­ tares do Professor G ilb erto Freyre, Pai de Santo, E s­ tivador e P roletario do P a rtid o C om unista Brazyleiro, dissidente, Bleque P a n th e r do Jim m ie H endrix e tra n s­ versal V oador da M em oria Lingua, Unyko Passaro Falado do M undo, Sim bolo P o p u lar Y nternacional, com as cadeias do Navyo Negreyro com ido de cam arões nos K andom blés e to rtu ra d o no m assapé sangrento do Bandydo Negro, X angô e Oxosse, C atavento do C a­ tiveiro, liberdade com o resto daquelas m assas aber-

turas das caudaloseuclidianas nos arquipélagos dvscmares perdidos, infra tensão da m enoría, explicação da fomortal em Lagoa Baixa nos 48 febris de Riverão louco no casebre benzido pelo banho de folhas de Benjamim Arapuã que o enrola num couro de Jacaré, enfia-lhe dois quilos de Fumo Zabum ba nos ouvidos, nariz e boca pra Rivomitar a Solitarya de 76 m etros e com bambú lhe as lavagem intestinal suprido jejum girasois na ruela de Lagoa Baixa cadaveres comidos pelos sobreviventes fedendo sob urubus e gritos de lobos, o miado tremeteira das Sussuaranas, corujas e morcegos num dieternamente roxo podre, galopa Vicente Tranca Mor­ te Chefe dos Jagunços do nortam ericano Fredreich K arter Bracker fazendeiro m ineiro engenheiro indus­ trial associando ao Senador Lim a F erraz reviravoltas da Ekonomya Polytyka Y nternazyonal. Luiz Papagayo queim ou os jornais e revistas mais os livros pra esquentar o frio da noite e proteger os doentes no Campo dom inado pelos cavalos de Vicente Tranca M orte vestido num a B atinegra com chapelão branco W inchester Sound 34 na m ão esquerda qua­ tro dedos cortados a bala pelo M ajor José Rufino de Alagoinhas com a fam ilia duns latifundiarios escra­ vocratas que desejavam d erru b ar o Estado Novo em nome de u ’a Democracya Neo K aphitalyzta e desdentão Vicente cum pria missões em nome do que sua consciên­ cia determinava ser a G rande C auza Nacyonal, dai sua fama de jagunço estratega e ser contratado por Karter Bracker para impor a ordem em seus dominios expansionistas beneficiados pelo G eneral Eisenhower na política de boa vizinhança de JK , quando realmente o Ymperialyzmo se lançou com a M otion Pictures (Ci­ nema, Radio&TV) à conquistideologica, economica e cultural do mundo latinam ericano segundo o despacho para o “ Diaryo de Notycias” sobre as Ligas Camponêsas em Pernam buco que não pude telexar a meu

Redator Chefe, Ignacyo de Alencar, viajando pro Mexico no exylyo de Antonin A rtaud e John Reed en­ quanto eu agonizava nos Vulcões de Paris, 1964 der­ rubava Jango e levantava o M arechal Castello Branco, aqui no sertão a gente ouve no Radio mas iguais chapadões infinitos que o Tem po num existe e Riverão levou a mão no T aurus de M atar Primo pra se defender das palavras de Vicente T ranca M orte no seu cavalo negro por cima dos aleijados e flagelados antropofagos na ruela de Lagoa Baixa, com a jagunçada de armas pra cima de Benjamim A rapuã: — Passe-se duzentas pedras preciosas e pegue es­ tes duzentos dollar em pagam ento mais os sacos de farinha, o leite em pó, o queijo Polar, as vacinas, cin­ quenta pistolas, duas caixas de bala e quatrocentas garrafas de cachaça... Vou levar os flagelados vivos pra trabalhar nas M ynaz de U ranyum de M r. Karter Brac­ ker... Luiz escondido sob cadaveres previa o perigo daquele bandido em Lagoa Baixa: — Iu n h am a... cum é qui êsse flagelo veio aqui? Fugitivos das secas, carcarás... Vieram só ou guia­ dos??? Tu num me conta sonho, A rapuã... Tem os lideres cafunados por ai? Ouvi dizer que passou pelas fronteiras de Saco da O nça Tem Gado Bravo um Tropeiro com vacas e vaqueiros, um Papagayo Humano e beatos rezando... Estou procurando vacas, Mr. K ar­ ter Bracker precisa alim entar seus em pregados... O sol refletido por espelhim na mão direita de Ri­ verão bateu na cara de Vicente Tranca M orte e seu cavalo relinchou na cegueira do estrondo que derrubou o cavaleiro desgovernando os jagunços aos gritos dos flagelados e rezas dos aleijados libertam a Onça e o Papagaio dos Dyaboz nos Infernos Baixos da Lagoa Riverão no cavalo de Tranca Morte e Luiz na sua ga­ rupa disparando a Kayzer pulariam cerca de metro e

noventa e a Dun Dun de V icenteneravou no omoplata de Riverão mas êle continua galopando com fome três dias e três noites na travessia do Jequitinhonha trans­ bordado pra chegar no rum o do C om andante. Eu. seu Rosa, Linda, a Cigana Escarlate e todo mundo preocupado com a dem ora dos quinze meses que Riverão e Papagayo passaram na tentativa de con­ quistar um território virgem em Saco da Onça Tem Gado Bravo! Riverão caiu sangrado nos braços de Linda e de seu Rosa, enquanto Papagayo recebia curativos da Cigana Escarlate: — Tiroteio com a quadrilha do Vicente Tranca Morte, o home tem m etralhadora jipe helicóptero da sociedade M ister K arter Brack e tou certo que faz tudo parte dos negócios do Delegado C arango que agora se diz candidato pelo MDB! O Com andante cham ou Rosa prarrancar a dundum do músculo om oplatal direito de Riverão cuja camisa de ferro liquidara a explosão da famigerada com pinça e lente o Ezkrytor catou os dejetos anestestyka formosa pra Rivinho: Linda veio ch u p ar a lingua dos intestinos purificados recebem Elyxyr de Guaraná, Homeopthya pra levantar jagunços heróicos de Kataclysmaz Myztykuz: — Vicente Tranca M orte suas m ulas negras e os homem de pele de kabra com m etralhadoras Viet/Nam proteção do yankee K arter B racker nos pegou na tocaia e roubaram setenta três rêz. A gente foi traído. Alguém avisou Vicente Tranca M orte que o Com andante vinha trazendo grande boiada... M ister K arter Brack precisa de carne pra levar pro Brum ado pois tá indo multidões buscá Uranyum por lá ... O Comandante respondeu que, depois de tais per­ das, lhe restavam 16 vaqueiros, sendo que sete eram velhos e cinco não atiravam, apenas quatro Lalantino

Sarapintado, Augusto de Q uatro Chaves, baianão russo de dois metros e careca, Xico M acam bira, varapau alagoano bom no rifle e no punhal, Gabião de Tafetá, sergipano boxer com arco/flecha, karatê e metralhista. Com Luiz Papagayo mais Riverão o Comandante deu duas granadas a Linda e pediu seu Rosa prassumir funções de M ajor da Polícia Estadual de Mynaz Gerais: — Sou boiadeiro profissional... Riverão é meu amigo... Carango m etido com Vicente Tranca Morte e Mister K arter Brack! Tenho de salvar a boiada! O sinhô me ajude... Deixe eu ab rir o baú da “M itc h e r sei que lá dentro tem canhão e munições como na G uerra de Canudos! — Vi — Quem é? — Não sei. Tava rezando na porta da Ygreja. Carrega um a cruz. Pedro desce a calçada e anda na direção da voz. Bento continua cantando diante daquele unico morador da velha cidade. — Bom dia! Bento canta, parece não ouvir. — Bom dia! Pedro observa a cruz galhos secos, am arrada com grossa tira de couro cru: — Vem de longe? — Do Ceará — Vai pra onde? — Aqui mesmo! Q ual é sua graça? — Pedro. E a sua? — Bento... — Vai m orar aqui? — Sim sinhô. Disseram que vão acabar o Belo
Monte.

— O açude vai alagar tudo. Só eu tô restando nes­ tas bandas. Eu e uns velhos espalhados aí na caatinga. O resto do povo já foi em bora há mais de ano. — Acho um a malvadeza acabar o Belo-Monte. — Eles dizem que agora a terra vai melhorar muito. Acabam com a seca. — Nesse terrão todo? Num acredito. Isso é aviso que o Bom Jesus volta... Porque o sinhô não foi? Não tá esperando o Bom Jesus? — Que esperando Bom Jesus nada. Não fui porque não tive pra onde. — É filho da terra? — Vim do Moxotó, Pernam buco, retirei da seca, encontrei as caza vazia, fiquei. Tudo já pertence ao Governo. Até as kabra. A rranjam o um as galinhas... A gente acorda meio-dia, come e depois dorme outra vez. Eu, m inha m ulher e o m enino. Se quiser morar também é só entrar num a casa. — Quero casa não. M oro no tempo. Tava no Ceará quando a luz do céu se abriu e eu a vim acom­ panhando até a terra do Bom-Jesus, sabendo que ele vai voltar trazendo fartu ra e grandeza. Os soldados queim aram o povo mas ele ficou vivo. Recebi o aviso. — O que vem aí é água m uita. — Onde é que m ora os velhos? — U m a é aquela que entrou na Ygreja. Os outros tnoram por aí. Tudo com noventa anos. Uma familia inteira. — Então vou ver a velha. H á tempos não falara assim com ninguém. Maria por todos os lados, o menino chorão duas vezes por dia, m anhã e noite. E ntrou na sala escura e ouve Maria can­ tarolando, bebe a prim eira água do dia espera a galinha que a m ulher prepara, este é o segundo ano que acorda depois das doze e faz exatam ente as mesmas coisas. Hoje apareceu Bento Ceará falando do Bom Jesus.

Senta no chão, faz o cigarro de palha e pede fogo a María. Ela surge com a lenhacesa. A barriga cresce. É o segundo menino, aquele que vira macho. M aria volta p ra cozinha, tem um caco de espelho na parede, mas a fum aça impede que se veja os olhos verdes dela. Limpa com a b a rra do vestido. Desbotados. Poderia alinhar os cabelos, lavar o rosto sujo. A galinha é mais im portante. Mãos calosas controlam a faca. Bento vê a velha sair da Y greja, refaz o sinal diante da cruz, põe um a vela ao pé, acende. Distancia pela estrad a entre espinhos de favela e mandacarus. Leve poeira envolve a paisagem rasteira e descobre o taboleiro ensolarado. Bento procura o m enino. A rranca alguns m atos entre as ruínas, cabras marrom lam bem a cabeça do m enino, iguais na ter­ ra vermelha, do outro lado casas derrotadas, dum a janela o fundo chum bo do céu, pela o u tra porta Bento divisa mato fechado, aqui estão as pedras da Ygreja que o Bom Jesus levantou sobre o sangue de dez mil homens ossos existirão sob as fortes paredes desabadas, san­ tos talvez, crucifixos de ouro, cam inho de lagartixas, cruz entre duas pedras firm es, ei-la fixa, Bento recu­ pera o tempo e lim ita no leito rachado do rio o lugar das mortes mais ousadas de quantos soldados vieram de longe para a guerra estú p id a no sertão. O fantasm a de M oreira C esar tom bando do cava­ lo ferido enquanto em sua m ão esquerda o revólver fu­ mega e na direita p aralizad o o sistem a de ataque. Destronados pelotões arq u ejam feridos.

Bento espanta os bichos da Ygreja, um sapo pula da placa cinzenta na raiz do Cruzeyro construido por Antonio Conselheyro, marca de um poder aniquilado pelo desrespeito da Civilização de Deus tal qual veio à terra pregando redimir dos sacrifícios salvação das al­ mas famintas, rio de leite, parede de mel, pedras, pães! Explode a tarde e Bento remove pedra por pedra, arranca galho por galho, recupera o lugar profanado, meu reino renasce das cinzas e do esquecimento. — Olha pro lado, mulher! Olhávamos, Êle na frente, os homens de seu porte nas contas de nossos rosarios cobertos das cabeças aos pés, a grandeza da região nos arrastou de longe nos caminhos sagrados da terra onde Antonio Conselheyro baixou pra exterminar o Mal, um rio de leite, uma parede de mel, pães das pedras e o gado gordo nos cam­ pos do capim, cheiro de cana, cajus, laranjas, escor­ re farinha dos sacos abertos na feira e Ele, chapeu de palha, camisolão azul dirige a reconstrução da Ygreja, chega Pajeu fugido da cadeia, jagunços sem pátria que a nova Nação é Canudos, suspende as vistas da Mesa e fala ao povo nos destinos da Vida. Ouviu as cornetas dos soldados do Governo, fez um risco no chão e disse: — Daqui ninguém passa. Se os soldados passa­ rem, defendam o Belo Monte, não a mim mas àquele que deu na Cruz o sangue pra nos salvar! Os soldados degolaram os vencidos e almas sem cabeça afundarão nos Ynfernos. Rezo por estas almas e espero que hoje ou amanhã Deus me chame. As tropas trouxeram fogo e quero ver minha terra desaparecer. Profetizou que o sertão ia virar mar, o mar sertão, e não aguento estas grandes caminhadas num caminho

seco de rio, sento pra descansar e como não posso dor­ mir, rezo. Caiano olha a velha sentada, cabeça baixa, anima o cavalo e depois de um ligeiro respeito profana — Bom dia — Quem é? Não enxergo mais — Um vaqueiro perdido. Procuro as bandas de Canudos. É pra cima ou pra baixo? — Pra cima, meu filho. Toda a vida. Deus lhe guie. — A senhora mora aqui perto ? — Moro. Caiano armou outra palavra mas cuspiu de lado, sede, o cuspe bateu na folha do cansação, virou o cavalo pra cima, lugar morto, foi aqui a briga de dois anos, os­ so debaixo do cascalho, m uita gente morreu sem saber, Caiano de Petrolina cruzou o rio p ra Juazeiro, engoliu o resto d’água da cabaça, de cima do morro vi Canudos desenhada no Cocorobó. — Zé! Zé! Zé! O menino prefere as cabras, não ouve, M aria in­ veste com raiva mas sente um a pontada na barriga, diminui o passo, o menino corre em sua direção e passa veloz desviando dos tapas moles, M aria vomita, engole o resto, volta, Pedro abre a galinha mal assada em duas e joga um punhado de farinha no prato, o menino es­ pera, recebe da mãe duas asas e corre, M aria tenta morder um pedaço mas vomita, deixa tudo a Pedro e sai, Pedro come desligado, bebe um copo de água ver­ melha, o menino sentou na calçada e chupa os ossos, Maria vê o filho mirrado e sujo, passa a mão nos ca­ belos crescidos mas o menino não reage, joga uma parte da comida na rua, a mãe desce a praça, o chão muito quente e o silencio continua, vai descansar debaixo do umbuzeiro sêco, feita, outro filho. Pedro nunca deixara a cidade, dizem que o Govêrno está construindo uma

açude que alagará tudo, ficarão na estrad a pedindo es­ m ola, esperando um cam inhão que leve ela, o marido os dois filhos e talvez as cab ras, com er, dormir e dê noite tom á-la nos braços ferir as carnes e u rrar do jeito deste jegue agora sou a única que sobra de todos que foram mas Pedro tem o encanto de um tipo diferente dos irm ãos conhecidos e m ais forte não perdeu dez tiros bem dados de rifle nos passarinhos que voavam calmos e rapidam ente m ergulharam , casou, últim o ato do Vigário, ficaram quando todos p a rtira m , uns hoje, outros dias depois, seu pai e os p aren tes. De tanto dorm ir os rins ato rm en tam , a cabeça lateja, enjoa a cada m inuto, d etesta o filho nascido, começa a odiar a nova peste que cria na barriga do­ lorida, m astiga o galho, vom ita São Sebastião ferido, Bento lim pa o quadrinho, sua força é ta n ta que o papel esfarinha, resta do m á rtir a cabeça e um peito flechado, Bento o coloca como p rim eira p e d ra da Ygreja, suas mãos não resistem , sangram n a lu ta com os blocos ás­ peros que se am ontoam , entravam o an d ar, Bento can­ sado pela prim eira vez em sem anas, desde quando par­ tiu do Ceará, cruzou léguas de fome na vertigem da Cidade Santa e não p aro u um segundo, dia e noite, seguindo firme sua visão de quem , um dia no campo, viu das nuvens escuras surgir a luz da verdade, pe­ quenos pontos no deserto e ram cacim bas secas e ne­ gros volumes no céu atacavam em círculo rezes ainda vivas violentando peles rijas trazen d o nos bicos marcas de um sangue frágil que as alim entava, resistentes urubus à espera dum m orto, coroa de Bento debruçado sobre a cacim ba ressequida, anúncio da remota pro­ messa a que lhe fizera os avós desaparecidos na grande batalha doutro século, gentes que em igraram do norte na esperança da nova era fu n d ad a por um cearense, Antonio Mendes Maciel, fugido há m uito, reaparecido com barbas no peito, voz grave no dom ínio da palavra

divina que espalhou a cham ada no sertão e foi de longe atendido por tementes debruçados sobre as pedras de Santa Luzia, esperando a Chuva sempre cercados pelos perigos do verão, ceguêra diária, desenteria preta, venenos das raízes arrancadas nos últimos gestos do flagelo sem horizontes, cinza nos quatro pontos onde a vista hum ana alcança, donde a notícia do Conselheyro rompe no ar e de pessoa a pessoa faz Filha de Fé, de Fam ilia à Fam ilia em m archa, de fazenda a fa­ zenda deixa sepulturas e a desolação das casas vazias e na vastidão de taboleiros fum egantes por cujos ca­ minhos desfilam as Nações que sobreviveram aos longos anos de opressão, bandeira trêm ula no M onte Santo e lá partim os e aqui nada deixamos a não ser os filhos de quem hoje está sem forças p a ra an d ar, como os pais de Bento, esta luz foi a m esm a dos anos noventa e três, Bento respira fundo e sente a fraqueza, quândo sai de trás das favelas vê M aria deitada sob o um buzeiro, es­ taria morta àquela hora e suas pernas alvas relem bram Bento m ulher de antes e o mesmo pecado da carne que obrigara Antonio M endes M aciel a m atar esposa e mãe,, disseram a Caiano que Pedro m ora sozinho com a mulher, o vaqueiro sabe que o cabra é valente, não arrisca entrar de corpo descoberto pois o inimigo o veria até mesmo dentro das m ais pesadas nuvens e seria capaz de partir sua cabeça com um tiro à distância de mil metros, freia o cavalo, salta e prefere esperar a noite para entrar tranquilam ente, b ater na janela de Pedro, avisar quem é de pistola arm ada p ara a briga, não quer matá-lo pelas costas, mas de frente, com bala na boca, vendo na vingança a expressão de quem morre nas mes­ mas feridas que m atara o irm ão C atam , sem motivos a não ser os da bebedeira ingenua na feira, crime sem coragem, frio, a queim a-roupa na testa, deixar um gado todo sem dono, solto nas m angas de amigos d u ­ vidosos e partir de outro Estado p ara o sertão bayano,

tão preso à vingança, de tal maneira esquecido da vida futura, na escolha da vida ou da morte diante de Pedro um dia depois, hoje mesmo, dependendo da febre, ' Caiano desmonta, desarreia o cavalo cansado, afrouxa as perneiras do gibão, desaba de cócoras e começa a ■ juntar gravetos, fumaceira engorda chamas, Caiano tira o pedaço de carne seca do alforge, assar um osso que flora entre mandacarus Caiano confere, vai de ras­ tros, remove com a mão, o osso cresce amarelado, tira a faca, começa cavar, costelas, caveira, roupas corroídas, tira os ossos, o corpo imperfeito, falanges esfareladas espinha cobra branca entre espinhos, Caiano procura alguma coisa no fundo da cova, bolsa de couro, am­ bição mas a bolsa vazia entre seus dedos calosos, carne torra. Caiano corre abaixado, puxa o espeto, empurra o prato de lado e vira a moringa na boca, faz cigarro de palha andando para a porta, duas horas seriam na feira da Lagoa, bebem cachaça, o Rapaz abre os dentes sobre seus olhos, atira, traga profundamente e salta do caminho no entroncamento, o rifle enrolado na capa, vê quatro estradas, nesta placa a revelação de Canudos, pergunta a estrada e vai pro posto das meninas, espera o caminhão com Lurdes atracada pelo braço esquerdo, embarca no crepúsculo sabendo que ia ser Rei de uma Cidade Fantazma em cujas noites sem luz a voz do Conselheyro pregava aos beatos e os tiros dos soldados cortavam a madrugada em duas partes da caatinga fica­ va Caiano de pistola e Pedro mastiga o cigarro e deban­ da pro sul onde tem cerveja gelada no posto de gazolina, perna branca de mulher, Bento contempla, pode se aproximar Maria vira cabeça assustada, Bento sorri, Maria baixa o vestido sentada olha. — Não queria acordar a senhora — Nem estava dormindo

Ficam mudos, mulher vestida de noiva toma um tiro na porta da Ygreja, o cavalo some no mato, Bento flores nas mãos. — Desculpe perguntar... como é o nome da se­ nhora? — Maria. O senhor tá vindo de onde? — O Bom Jesus vai voltar daqui há um mes e eu vim na frente para fazer a Ygreja. Tem mais de mil pes­ soas que estão vindo pra cá. Q uando chover agora o rio vira leite e o Belo Monte será muito mais bonito que an ­ tes. E Tropa do Governo não entra mais. O Bom Jesus traz cada homem forte que só a senhora vendo. Tudo gente disposta pra m orrer levando mil soldados com eles... Na primeira noite ela se encolheu toda, Pedro tirou a camisa e fechou as janelas, M aria cobriu a cabeça com o lençol mas queria experim entar o mistério falado por suas irmãs mais velhas, Pedro não falou, suspendeu o lençol e cobriu a cabeça, no outro dia levantou cedo e foi conversar com o velho jagunço, M aria na cam a e com medo de levantar, em purrou a tranca da janela com o cabo da vassoura e abriu mais tarde, recebendo sol, Pedro sorria ao longe com o velho, e estaria contan­ do o que passou? M aria bateu a janela com força! Seu pai partiu com a familia para o Sul, eram os últimos que deixavam Canudos entregue à sorte de ser mar, ofereceram emprego e futuro a Pedro, o m arido recusou com firmeza, queria partir com as irmãs mas os deveres são mais sagrados, e o pai a m ataria sem piedade, mulher da estrada no posto de Bendengó grandona em sua chita vermelha e negras tranças batendo nas costas, da mesma janela ficou em lágri­ mas, enquanto o pai entregava a Pedro a parte que lhe cabia em vinte notas de um conto, dez cabras e a criação de galinhas.

No dia do primeiro filho a velha Mamede fez o par­ to, Pedro enfileirou dez garrafas de cerveja no chão e dava tiros, apostando com o homem da gazolina, seu Dêja. O menino chorou e a velha botou logo o nome de Antonio. — Mas sem batismo, dona Maria? Um menino pagão e com o nome de Antonio? — Tem tempo que o padre não vem. Pedro não quer ir procurar. E eu não faço questão... O menino anda que nem cabra. Vive com elas, parece até que conversa na lingua delas. — Eu batizo o pobrezinho hoje mesmo se a se­ nhora quiser. — Depende dele... Pode pegar... Mas o senhor é padre? — Sou Mais que eles... Não uso batina mas tenho a honra e santidade. Quando o povo chegar eu batizo o menino pra ser o primeiro santinho daqui. — E de onde vem êsse povo? — De todo lugar sêco por êsse norte afora. Já saiu daqui? Se saísse ia ver o que era miséria. Menino de­ pendurado no peito murcho da mãe. Urubu comendo gente viva. Se eu jogar um caroço de milho no chão ele vira pipoca. Enterrei dois irmãos que se mudaram com sêde. Os dois estavam torrados encima dos garranchos. Bento fez pelo sinal e ali mesmo o entêrro. Era a insolação e ambos morreram loucos nas beiras das cacimbas profundas e negras. Bento jogou os corpos dentro e com os pés em­ purrou a terra, arrumou dois crucifixos de galhos. — Ouvi contar que se comia até mandacaru e raiz de pau. Que os velhos ficavam no caminho com as lín­ guas inchadas.

— E as mulher bonita como a senhora dava pra ser rapariga. Poderia perguntar por M aria das U m buranas, tão bela antigamente. Nas margens do açude M aria cantava penteando o cabelo e estava nuazinha debaixo da toalha. Proibida de encostar nela, era moça falada. Maria ficou de longe e veio devagar, ouvindo a música. Maria se virou pensando que era um homem e no susto a toalha caiu grande e nua! — Desculpe falar nessa gente! Tudo vai pro infer­ no! — Mulher da vida vai ser tudo queim ada nos in­ ferno!!! O velho jagunço batia com o cajado no chão. — No tempo do Conselheyro m ulher da vida num tinha vez... Era posta pra fora! M as depois veio um a jagunçada ruín e trouxe as danadas com eles. O Con­ selheyro nem olhava. Maria deixara cair o vestido vermelho e queimada pelas ancas subia aos infernos açoitada com cipó de fogo e girava eternamente furada de espinhos. — Ele trouxe flores mas não aceitei. Depois viaja e só quer levar da gente. — Deixa de ser besta, minha filha. Devia aceitar. — Burra! Já não disse pra não conversar com aquela puta safada? O velho erguia as mãos cabeludas, sangue escorria dos lábios pervertidos de M aria. — Você nasceu pra viver e morrer casada. — Seu Bento, e se uma se arrepender, será que pode ser salva? — Tinha uma no tempo de Nosso Senhor Jesus Kryzto que se chamava Maria M adalena. Quem quiser

se arrepender é só vim falar comigo, a penitencia é subir de joelhos o Monte Santo. — Conheço uma que morava aqui! Se perdeu com um chofer de Mynaz Geraes! Mas acho que ela não quer se salvar! — Pense na senhora, mulher casada, com as per­ nas de fora. Toma cuidado dona Maria, que toda mulher nasceu pra fazer a vida. Minha tia e minha irmã mais velha se acabaram num cabaré de Quixadá, uma de cancer outra de doença da rua, foi a tia que levou a sobrinha bonita que nem espiga de milho verde, loura e cevada, foi direta da casa do pai pra o quarto, vendeu a donzelice lá pro filho de um coronel que a tia tinha con­ tratado por um conto de réis novinho, ela trouxe pra mãe, mas mãe suspeitou e não quis, eu bati nela de vara até descobrir carne viva, excomunguei, morreu e foi pro inferno. Mas ninguém diz. Parece uma santa de cara limpa e muito triste. Um dia a mãe me chamou e disse que ela se perdeu por amor de um vaqueiro casado. — É bom, minha filha. Uma quentura, depois aflição. Não dói nada. Maria correu, saltou a cerca da plantação quei­ mada e ficou olhando por debaixo. O caminhão passou buzinando. As flores cairam na estrada e as rodas sumiram na curva. Riverão se recuperou do ferimento. Naquela manhã Linda ficou gravida e quiz abor­ tar: ovada dum vaquero moço tacarapau de dois metros magrão e boa gente que lhe fundou o primeiro fio. O Comandante votou contra mas a Cigana Es­ carlate e Fada Boa de Marilia Sabará ageitaram pro Doto Rosa fazer o curativo: — Importante é que Linda está consciente de que não deseja parir. Caso fosse contra vontade sofreria traumatismo.

O Comandante: — Era um feto? — Germern. E neste caso cobro que sou fazedô de An­ jo... Riverão nào suportou ver Linda Ressonandanestesiada e saiu com Cigana Escarlate. O sol despejavamorte, cavalos esculpidos contra campina desdobram horizonte selados belezarias sol­ dados esporas tridentadas no ventre musculoso cordel negro castanho suadespelhos Cacca Corobooo — fi­ caram na emboscada das varias maneiras por que morreu M oreira Cesar — uá mulherzinha viuva de San­ ta Catarina mandou m atar o am ante que a abandonou, os corneteiros tam boreiam no Territorio Sagrado Con­ selheyro — oi — cansanção no rabo, ui espirra Sussuara, cavalaria naquela sala dos Aprendizes mãe da Linda Loura remelexando cavalos peitorais brilhantes pau roxa Egua inhanaraia gnahianananana...ianaianannnnnnnhana uaiasuafa... a ... ui... Como Egua mandou ver Riverão, gosto de Poneya, eguinha... Canhões, sabres, m etralhas, cornetas, tambores, gritos, a Cavalaria Marcha Para o Centro da Terra, O Comandante Moreira Cesar á frente das Tropas Militares de Pruden­ te de Moraes avançam contra Canudos do outro lado do Vaza Barris e no trepassar das águas bala traiçoeira dundun explode no peito de Cesar e Viva Conselheyro que por detrás matou o Dito Invencivel Repressor da Restauração de Santa Catarina, o Emissário Marco Antonio de Octavio Napoêlão Deodoro da Fonseca, O Marechal de Ferro, morto ali pelo soldado José a man­ dado de sua amante e assim Canudos venceu outra batalha contra a Republica. As janelas da Cidade Santa se fecham majesto­ samente e muitas flores indecisas no Perfume das mulhe-

res protegem bocas e narizes com chales negrocinzas ou brancos rendados do Ceará crianças recolhidas outras lentas tristes nos cacos das paredes das onze mil casas fedorentas quatro bancos de grama humilde rastejando para cima á margem do primeiro degrau das estatuas roidas pelas chuvas da castidade em mil virgens doridas nos brazeiros do cascavel comidas pelos jagunços Primais todos na Fé da Guerra piualalalaoaoauatara aiaia na Fe da Guerra aliar ar ar a. a. a. Soya alala Kritaoaol Kristo Conselhrioo.a.a.a.Kanudos. apavorados bichos, carneiros loucos, bois comidos, porcaria, ovos, merda, pus, doenças, fedor, tristeza e alucinação de um mistoriososmco sexual, pois os padres foram casar e Conselheyro foi o povo que não aceitou e pronto, assinam, anrco anamoa aocmunism canudisntosmo, misticosmo. oios Misticos. A vila batida de montanha ás cinco Expedyções Regimentais do Exercito Guerra Santa. GUERRA SANTA. Por Sergie e a Tecnologia Napoleónica de combater Azyatykos. Grande Guerra Popular a Grande Preces d’agonia Sol do Meio Dia Guerreiros antihumanos Nato homens, hur guera Angulo infiltra o miolo da Cavalaria Para o Centro da Terra Setecentas batalhas de Pajeú, do Negrão Jagunço de Pernambuco que rolou na matadeira e desceu com ela morro abaixo levando quatro mil soldados da Repubrika e exroidu tres arsen. Ah..... E despois... Oi a gente pegou os cadevres nos manadacrauá e quando veio a Setmia Expetidcoa eles ouviu foi os urubus chkolahar nos ossos com os cadavres pendura da cavaeira todod dod e mandacrua ossada ae defedorenta siua asaiu as tropas coreendodod loucas coum medo dando que é duro faze a guerra ao Santo Fulgura longo mar de Monstros Ancestrais que desta

Terra Vos Come oh Legionarios da Escravatura Maria Olho de Prata dispara da Bucetenxofrê Ehhh Sul mundos contra Antonio Mendes macielllllll Conselheyro Deflore muieee... Num olho pra mulher, ok; Ad oscentes passam tempo lampendo libido. Cu. Peito. Bosta. Chupa. Fôdo. Kik. Riverão Egua Negra. Vai vim Egua Loura. Fila de pau najega. Exculacha galinha. Quer meter um prego na xoxota da menor debaixo duma mangueira... cae na cisterna e uma alavanca quase lhe espeta a garganta mas poderes de David é de leve atingido de raspão no queixo, deixando-lhe negra marca e dor, na verdade não caiu na cisterna, pulou, fingiu o acidente, porque muitos meninos caíram em cisternas e alguns morreram e nem êle, Era rasa, não tinha àgua, segunda escada, o que não contava era com alavanca, assim numa semicisterna, certo de não prodfundidade ou aguá, a parente segurança violada pela lança negra de Xangô que veio pro Sertão, Ultima lan­ ça Aymoré que me pegou no queixo, a marca negra, a dor, o Heroyzmo da Cisterna... Riverão enrolava no pescoço um colar de tripas fedorentas e ajudava cozinhar churrasco com os Ci­ ganos que passavam do Goyaztzichos. Duelaram Castanho contra Valente e foram dois tiros diretos um no peito outro no queixo prabirmos caminhos das Festas. E o Rodeo? Bobby Jonas Cuba e seus Vaqueiros Kids, uifff... Tiros. Cavalaria. Cavalos. Poltros.

Riverão no C am polino branco persegue o M udo. O M udo era Soldado Raso de 1930. D esterrad a Heroy do C o m an d an te, Falso G eneral. G eneral tem de ser P opular. A mãe o benzera entre os cães raquiticos e ratos fam iliares as m eninas am am teu olho Rosa entendes o m ecanism o da violencia com tal destreza que teu co­ ração não percebe e vais á P raça com ex tran h as alm as no rosto. De subita calm a ao sol u m a b risa in tern a anim a da m orte pro n u n ciad a em cad a testa guerreira. Aliviados descascam fru tas e enrolam cigarros, acido e m acio calor do fum o o rganizam a paz sob cascos dos cavalos. Longa paisagem e o anuncio da m orte inclinado p ara ela, C anüdos pressente tal b risa de caricia. As janelas de fecham cautelosam ente e os sorrisos trancados diluem as horas tra n q u ila s. M uitas flores indecisas no p erfum e. V arias cores incertas. Poeira de odio? As m ulheres protegem as bocas e os narizes com os xales. Algumas crianças recolhidas, o u tras ta n tas tim i­ dam ente nos cantos da p ared e, virgens vestidas em mil cam isas, solidos tecidos e correiais b a rra n d o as cinturasm o meio da C idade os hom ens arm ad o s, praça de sugestões rem otas, os ninhos nos om bros, coreto de tintas am argas, dois sinos de bronze e um P adre sui­ cidou-se e o Dobre da M orte talvez nem tan to trem esse a Cidade como o silencio que agora corre de um olho bate coração descontrola respirações classificando um medo de tal m aneira que o sangue poderá verter promissor sobre os secos vegetais e negará sem odio a magua das árvores apavoradas e bichos e carneiros principais cachorres ganem moscas na fuga baixa soam

em paredadas nos pulm ões de um a ás mãos juxtapostas ao Santo esburacado tropel de rosarios e a reza* remexida triste a voz insistente recom eçam sem fim as velas queim am os pés dos Santinhos do Santào! Fum açúncia. Prevê. És um hom em de bronze, sabes a linguagem da violencia tuas mãos carregam os pesos e os bens Ês al­ ma. Não alm a la. M as a coisa que resistiu à G uerra de 20 anos. Como a dim ensão das pedras m axim as á m ar­ gem fluvial és alm a que os am igos irm ãos louvam que as virgens mães louvam tam b ém as m ulheres casadas pois não há louvor mais alto. Festejas tuas carnes nas flores: os cristais do sucos frutos esquecidos na som bra ai festejas nas épocas posteriores ás colheitas. És um ho­ mem de bronze. D eclaravam no dia do teu nascim en­ to as quatro p arteiras de tu a m ãe. R obusto, quilos dez e rosado. N ascido ás 2 horas da m ad ru g ad a de um a segunda feira. Cresces sem odio ou foi som ente na destruição do novilho que revelaste teu ser ocluso ou não foi som ente ali que deixaste o anjo por um m ergulho ao tanto fundo desconhecido de si absolutam eifte m iste­ rio. C antas aos passaros. T eu adestram ento de fibra, teu crescim ento potro teu p u n h a l tu a b a talh a nas luzes docam po que o que haveria hoje me pergunto insisto des­ ta janela sobre o m undo? Alem não é o céu que te ensi­ nou me convenceu o P ad re. Sofres aquele sino c an ta n ­ do e quando o prim eiro talvez fosse missa irregular eu vi o Padre com a lingua roxa quiseste chorar. A alm a o corpo bronzeou a pele ou mais: esta virilidade não la­ crim ejada. Eu sofri, eu am ava o P adre, sua voz de orgão. Vagastes nem isto a lem brança me fugia até m es­ mo no enterro sem as graças da Ygreja com Deus ausen­ te sobre o Santo. Eu a velha da cozinha o delegado o coveiro. Olhos tem olhos nossos incertos na terra, vaga lagrima universal. És um hom em de bronze nos gatilhos

de tais arm as. Olho certo. Detonarás — os homens apontavam rifles carregados os homens apontavam às tardes frescas dos domingos — um bando de passaros com dois rifles carregados sem perder um. Aos domin­ gos m atavam alm as. A morte não cresce mais que o misterio haverá alem do cam po. Onde se esgota o verde espesso eu despojado sobre esta janela um mundo que não acaba ali. Não podes ah a m inha força de partir com um soco um a porta — recordava-se antes a noite que aldeia e um soco abriste a porta da Prefeitura e futuram ente quando os parentes lhe propunham um cavalo castrado se arrom basse a cadeia onde seriam presos por quebrar todo um comicio que faria o pró­ ximo candidato daquele dia a quatro anos — e te liber­ tarás. Bastaria pegares o teu cavalo e arreia-lo. Partir num a alvorada — com os passaros. Antes olharias a Ygreja onde o Padre suicidado te ensinou a existencia de Deus mas lhe escondeu o m undo da terra que teus olhos interrogavam ao rio que desprendia às águas da curva. O Padre lhe escondeu o m undo pelo céu, reino dos bons mortos. Alma, a realidade que entendias leveza da passarada m atava mas eu não sou culpado se os arrebento a tiro pois a morte é a salvação, disse-me o Padre, e não chorei porque ele suicidado no ceu melhor do que eu aqui nesta janela bronze virgem: o mundo es­ tá para a paisagem tão longa. Que o corpo de Riverão era fechado. A mãe o benzera com Santos Poderes e lhe disse vai Filho Meu Pelas Chagas da Cruz e de mais Trinta Cruzes enquanto não cavarem tantas quantas trinta e um a causadora em Kryzto e mais Trinta Santos que são cento e vinte quatro bala nenhuma pega apanha fura bate raspa voa longe entorta pinta de faca facão sobre punhal canivete tezoura gilete caco de qualquer mineral e desvenena toxicos totais d abio fisisa a da anti materia expulsa os caracanaosos dos xorosrofobos vus sizis

svavaia aoslshos sfetido e bala nenhuma apanha ne­ nhuma bala nenhuma te apanha nem no tronco ou cabeça menos pés ou mãos e não lhe arranharia as roupas e ele abraçou a velha nas rezas que foram se perdendo pra tras das arvores ao passo que o castanho abria campo eternamente longe da mãe nunca mais vis­ ta ou sabida. O par deflorador o olha raivoso e tanto se zanga quando se lembra do homem que ja m atara dez guerreiros. Como o Comandante temera já ia se render. Então o soprado impenetrável esporeou o castanho contra o valente, foram dois tiros diretos um na testa outro no queixo, e rasgou o abdomem com um punhal fazendo colar de tripas vermelhas e fétidas. Foi para o lado e aos gritos correram os cachorros. Nos dedos meteu tres aneis no pescoço lenço en­ carnado com duas rosas brancas nas pontas debaixo 60 coraçõezinhos verdes pelos lados e pelo lado de cima. O Chefe lhe deu pistola de prata e beijo na testa. Terminada a homenagem todos os camaradas en­ toaram. O par deflorador odiava o par branco, bonito, por­ to certeiro, o dia mais que a tristeza que os unia no novelo queimados e o angulo do sol os elegendo. Os quatro de trás, os degoladores o adiavam a quatro olhos completados dez com os vesgos do que marcha a seu lado. Odiado, a inveja descia só, êle reza temente á bala de nenhum e alma do irmão mais velho estourado em casa. De teu olho Rosa dizem que as grávidas retiram a cor dos filhos ou o sexo pois que verde do outro olho teu é a cor dos machos. As meninas amam teu olho Rosa e recebe flores cravos cantigas. Não deixarei Canudos longe e eu nada faço, aqui aprendi a ser amado e não

saber que m elhor m orte aos guerreiros que avançam sobre ti a ru a viril pu reza entende m étodos e m ecanicas da violencia com tal destreza que teu coração não p er­ cebe. Identificado aos cam pos, pesquizas um m undo. Vais á p raça e ex tran h o como ex tran h as as alm as estam p ad as nos rostos — um anuncio de m edo e bom am argo além ? O nde o m undo, qual? Não interessa a riqueza o tam an h o a qualidade se aldeia ou cidade — h á o certo hom ens tensos p a ra a luta. U m a crise de defesa pois são ageis nos golpes da m orte só quando as vidas am eaçadas. Nem tan to as suas p ró p rias m as existencias cir­ culares e a coisa conjunta caras em fim que arm am um pulso unico em tais horas fazendo cotidianam ente furiosos h arm o n izar até os pobres bichos. Im pele-m e. Sei que não força tão além de m in h a percepção parecida ao sopro do D yabo. O nervoso nos braços, o brinquedo da crueldade o m arch ar sobre o hom em é a luta que é luta? Agir firm e e certo como sou nas dis­ tribuições, não p ed ra sobre cinza, ela ’ cinza unica com ungando corpos ás raizes m ais devastadas pela m etralha. Intensam ente sobre caras vidas. T an tas até meu guardião esquerdo su ar o máximo e meu m áxim o guardião beber na sede vinho de vito­ rias. Tal m inha fragilidade, tal m inha lei absoluta. Sei-me desde o Saber cam po cam po e água água e não matos e rios-sei-me sendo as coisas, desde então que alço m inha dureza e arrem essando-a seu caminho reto direto daquei ar chocando núcleo da pessoa que faz

da vida passado e no presente só corpo ao lento febril apodrecer pasto das aves. Libertei-me um dia sobre um potro nas minhas coxas o suor das corridas e já punhal desferido. Extranhas cicatrizes no meu corpo distribuidas envolvendo-me de tam anhas dores apaziguadas. Feito distinto dos outros m achos com preendia-m e a barba a voz menos aquela parte que por isso meu máximo guardião se carregava pelos dias em delicias. Mesmo rom pia o trato da em briaguez p ara os dias da vitoria e festejava no vinho. O passado não existindo na dim ensão exata do amanhã — vale-me apenas este mom ento de trote quando o cavalo levanta a p a ta e já foi por isso a p arada poderia ser na cam pina um traço de única cor e ai não encontrariam por m ais pesquisas datas ou feitos. Canudos agitando-se aos m inutos que crescem. Centro do deserto p ara ali m archam os cavalos. Sol neutro mas o som das trom betas se aproxim am ou é grito ou Ave rota que se desenha ao longe, atrás da ultima visão, além do ceu baixando circulo à terra lá. Canudos adquire senso regular. Terror polido nos dedos engatilhados. E as preces das agonias. O sol do meio dia. Guerreiros? E as armas? O brilho dos canos alongados e tão frios, e eles não sabem do pavor das balas. Que temer senão ferrugem e fundição vir a ser metal domestico? Não perduram sentindo ou trem endo nos coldres, dedos, tambores completos. Guerreiros? De categoria prim eira á ultim a os m atadores de tantos tempos jovens trêmulos e mulheres arm adas.

Carregados de estrelas polidas nos peitos e nos om­ bros, chapéus com mil enfeites, seis Guerreyros eleitos m ergulham no Sol, desidratados na longa m ar­ cha de Salvador para Cocorobó, entrando pra Euclydes da Cunha. Brilham caras, o suor se faz dura cam ada de poeira levantada pelos cascos. A cinza dos seis sacrificados troteia e avança. Tres grupos de dois, os prim eiros, são cavalos cas­ tanhos, no segundo poltros pam pas, no terceiro éguas am arelas. Seis guerreiros de poderes nos crimes principal­ mente os prim eiros defloradores e os quatro do fim degoladores. Angulo Solar os distingue. Ja não ouvem o som das trom betas chifre de boi. E m bora tristeza? Que os une? G rupo de Seys Cynzas Profetykas no Centro da Cavalaria tem em algum a m orte corajosos, Generais da A urora — os que não queriam destruir o Conselheyro mas foram por disciplina Soldados... . . . o moço p ar deflorador m oreno pela face cruelmente infantil não tem eria um a b ala na postura idêntica de seis no centro da cavalaria provocar algum a morte as­ sim corajosa.., de um passaro desvairado surgindo de nenhum espaço... mas vindo certo quebrar os dentes... como explodiu ha um ano nos lábios do coração... dor irm ão... que sem ele se fizera aos cam pos... suspeita o outro p ara deflorador mais jovem ou forte tanto mais neutro no morto coberto de ralas redes uns dentes cariados defronte defeito de faca na sobrancelha. Uns dedos longos de unhas polidas e em cada polegar os aneis... Desde os antigos tempos que começavam a des­ graçar as moças ele invejava daquela beleza valentia bonita brava dobrando donzelas firme e rigido e elas

loucas de furia nas virilhas, ancas frementes, labios chupando-lhe o pau e depois apunhalar ah o frio punhaiaicom que... desfecha calmo naquela enfim des­ tranca o rosto lindo... além a coragem ... que o soprava nos combates aos gritos com o fuzil nervoso sobre um braço que ele apontava com o olho esquerdo e disparava quedas na maioria certeira enquanto a outra exibe a bandeira com Santa Bordada e milhares de medalhas pendendo a refletir os sois e brilhar as dores... O mais correto nos tiros e furioso nas investidas. És um guerreiro, pois, e isto a mim bastaolho en­ tão o alongamento desta distancia de relogio no meu avanço, descubro lutalém . M ais um a ânsia — e haverá por acaso? Um mundo de bonecas que cantam as velhas ditas bruxas mas que não creio? que desvairadas me praguejavam aos meus sorrisos. Teu corpo mimado, teus olhos miopes, teus pulmões rotos. Eu criança e só. Som dos chifres pela noite, um a hora antes da m a­ drugada, depois um a hora antes da aurora. Um vinho comum e na graça do Santo penso arm ar um golpagudo. Ergue molemente o braço esquerdo a mão fria tremula para o guardião e este o socorre com a bolsa d’água: puram ente m ergulha frescura na garganta sen­ do que ao sol de tal hora pressente seu misterio de neutro — a sua segunda — de sendo que um a ereção da lingua equivale, sendo que a contemplação dos eretos o convença horrivel m undo e por isso sendo que por isso atacarIPrega a lingua.Enxugar os olhos em lagrimas humildes. Na tua pureza um conflito se arm a e és. As coisas dos teus dias moços, as minhas coisas gratas que me jogam — não elas realm ente;antes as de antes — e vou sob êste silencio, um silencio dram atico para os ouvidos agita a Cavalaria ao grito deste Jovem Chefe arrancando para o Centro da Terra e os cascos crescem no campo as flores dos soná e os frutos dos rumos que

vão de polo a outro mais aumentados ás trombetas can­ tando aos ouvidos surdos — só só o que além o que além dali daquela morte que farei o que além — o fogo do Dyabo marca em meu tronco um signo. Pressinto-o na eloquencia deste sol, porventura Orquestra de Sangue! — Sussuarana — era Linda lhe dando sopinha de madrugada. — Ahnnn... — Lá fora tem neblininha... — Já tá na hora de prepará as armas... Cadê o Comandante? — Foi tomar providências com o Major Rosa e o Capitão Grobe... — A gente tem de chegar no Cafarnaum antes de Sabo d’Aleluya pra tê o apoio do povo de Bom Jesus da Lapa contra os bandidos de Tranca Morte e os mer­ cenários de Karter Brack... — Eu te amo Riverão Sussuarana... Eu te amo... — Linda! — Riverão chora nos braços da menina que começou a cantar tem tres sumanas que Zezé Sussuarana saiu noitestrelada e foi morto numa tocaia seu corpenluarado passou pelas portas das virgens nas noites e desencantou guerras de cangaço e beatismo seu amôzim sussuaranááá... — Matei muita gente Lindinha... sou ruim do gatilho cruel no punhal... — Me come Sussú... agora... — Abre as pernas... Seu Rosa explicava pro Anjo Fossa o funciona­ mento da metralhadora Kayzer centevinte tiros por minutos que podia varrer a natureza com precisão de Mozart. — Quero fotografar Umburana meu amo, seu Rosa. Antes eu era o principal, agora sou velho pis­ toleiro que vai morrê sem glória...

— Seu Anjo, o sinhô matou crianças em Afoga­ dos... Muitas folhas ficam de fora seu Anjo... como Pedro!... São novelas que a gente separa, as pequenas chamo estórias, as grandes Hystoryas/ Veredas/ Con­ tradições/ medias Novelas Num CORPO DE BAILE SAGRADA GRANA DA SAGARÁ CANAÃ. Meio dia Linda veio com Luiz Papagayo e Duendes Vagalumes faze um teatrinho. VIOLEIRO: “Deus proteja .Tacará que seu dia é chegado marcaram no caderno o nome do Delegado! Evém esquipando Evém matando Evém queimando Cobra-Verde, G rauna e Sofre!” SINHÄ VICENÇA: “Ö Coralina! Coralina! Coralina, cabeça sem miolo tua mãe tá te chamando, Coralina! Coralina, ô Coralina! Coralina, tua mãe tá te chamando Coralina!” CORALINA: “Qui é mãe, qui gritaria é essa?” SINHÃ VICENÇA: “Tá maluca nadando por aí? O Capitão Grauna vem atrás de donzela. Tu vai embora já pra fazenda do cumpadre Osorio.” CORALINA: “Que bestagem. O que é que o Capitão Grauna vai fazer comigo?”

SINHÄ VICENÇA: “E você num sabe o que cangaceiro faz? Tira a donzelice, desgraça a vida da moça pro fim da vida. Tu num viu sua tia Alice avoada pelo riacho?” CORALINA: “ Se cangaceiro vier pra cima de mim eu pego no facão, risco o bicho no ar e jogo o cabra no chão.” SINHÃ VIÇENÇA: “Minha filha, o Boi Bonito é invenção de cantador. E se tivesse num era de hoje que o Vaqueiro Tião já tinha pegado.” CORALINA: “Êle é vaqueiro bom em cima das vaquinha magra do padrim Osorio e do Coronel Paulino. Pois eu sei que ainda tem um vaqueiro de fogo mesmo pra pegar o Boi Bonito e trazer amarrado pelos chifres feito carneiro manso. Aí jogo uma rosa pra ele que tô criando num lugar escondido no pé da serra e a gente se casa. Se eu sei disso pra que ter medo do Capitão Grauna? Podia vim Lampião, Corisco, Cabeleira, Antonio Silvino, a raça toda que eu num tinha medo. Cangaceiro é só assim no anel brilhante pra espantar macaco cum rompante de potro: Lá vem Coriseo e Lampião Chapeu de couro fuzil na mão... Num tenha medo. A senhora fica sossegada que vou vê Chico. Ele trouxe uma espingarda novinha pra mim caçar passarinho. ” SINHÄ VICENÇA: “Cabeça sem miolo.” VAQUEIRO: “Deixa a menina, Sinhá Vicença.”

SINHÃ VICENÇA: “Qual a graça que livra do Capitão Grauna?” VAQUEIRO: “Coralina tá na proteção de Boi Bonito.” SINHÃ VICENÇA: “Ela ficou maluca desde que apareceu um ca­ beludo desdentado lá em casa do cumpadre Osorio e contou essa estória.” VAQUEIRO: “O vaqueiro vai aparecer de gibão novo e ferrão de prata. Isso Vitorino não falou mas eu adianto pra senhora que é mãe dela. E quando ele chegar num vai ser lá na terrinha da senhora não. Vai chegar aqui em hora de perigo de vida pra Coralina. Vem com o Boi Bonito amarrado como carneiro manso, igual ela disse pra senhora.” SINHÃ VICENÇA: “O perigo que ela vai ter é nas unha do Capitão Grauna, valha-me Deus nossa Senhora!” VAQUEIRO: “Um estalo que tenho de vez em quando quando tô junto dum cristão. Ê que sou muito religioso e toda vez que vejo nome de santo me ataco tremedeira...” SINHÃ VICENÇA: “Te desconjuro. Só pelo nome de Nossa Senhora.” VAQUEIRO: “Pera aí pera aí pelo bem de Coralina num fala no nome dela senão eu morro de tremedeira.”

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SINHÃ VICENÇA: “Tá pronto, num falo mais, quer um cafèzinho?” Que que tu veio fazer amarelo dos inferno? Tu num podia deixar Coralina em paz agora que tu num pode agarrar o Vaqueiro Tião antes dele o Boi Bonito? Que malvadeza agora vem perseguir donzela? Onde tá o coração que tua mãe te deu?” VAQUEIRO: “Coralina é muito bonitinha, muito bonitinha, muito bonitinha demais e por isso ela deve entrar pra lista de Grauna que é meu protegido. E já que Tião vem matar Grauna eu venho proteger Grauna. Num tô de perseguição cum Coralina. Eu tô é de proteção igual a voce. Vai feder chifre queimado. Tiaõ tá na Caatinga dando no pé do Boi Bonito. Tem três cavalo arriado es­ perando ele de tres em tres léguas e o Boi Bonito corre léguas sem parar na velocidade do raio. Êle vai correr cem léguas e Coralina cora mesmo, tem baile no inferno e vai ser a princesa na meia-noite.”
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SINHÃ VICENÇA: “Demorou que eu tava esquentando bem pro sinhô se refazer.” VAQUEIRO: “AMÉM Sinhá Vicença. Agora eu vou vê meu cavalinho mas dê lembrança a Coralina.” SINHÃ VICENÇA: “O sinhô conhece Coralina da onde?” VAQUEIRO: “Quem nunca ouviu falar numa donzela tão for­ mosa? Até o Capitão Grauna já ouviu da boca do can­ tador Vitorino.”

VAQUEIRO: “Coralina tem cuidado senão tu acerta um pas­ sarinho.” CORALINA: “Atirou no que viu, matou o que não viu. Carrega outra vez Chico.” VAQUEIRO: “Um tiro eu dei de graça mas agora outro tiro eu cobro. Namora comigo Coralina?” CORALINA: “ Besteira, tava pensando noutra coisa. Um beijo na testa eu dou mas nam orá num dá certo. Ninguém precisa e depois a gente num tem idade. Pra que? Lhe conheço desde minina, a gente sempre na folia, namoro dá logo chateação.” VAQUEIRO: “Quem dissera! Eu pensei que ocê não ia ter êsse negócio de amor. Ia casar comigo e tava acabado. Aí a gente plantava a roça... Mas vivendo e descobrindo. De cá a espingarda, que vou lhe dar outro tiro de graça.” CORALINA: “ Boi Bonito Boi Bonito Tá no mato o corredor Vaqueiro pega o Boi Bonito Êsse vaqueiro é meu am or.” VAQUEIRO: “ Atirou de dedo mas não de coração.” CORALINA: “ Pegou no sinhô?”

VAQUEIRO: “Se pegasse era honra presse pobre. Num me chama de sinhô que meu nome é Pedro.” CORALINA: “Meu amigo Chico, foi ele quem fez essa espingar­ da boa.” VAQUEIRO: “Ê boa pra matar passarinho. Melhor que a do Capitão Grauna.”
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CORALINA: “Conhece Grauna?” VAQUEIRO: “Eu ia passando cum o Boi Bonito.” CORALINA: “O Boi Bonito?” VAQUEIRO: “Uma coisa de nada. Eu dei ele pro Capitão Grauna. Depois um estalo, aviso lá de cima e eu disse que ia na feira de Jacará. ’’ CORALINA: “Fiquei envergonhada porque tava lhe esperando. O cantador Vitorino me falou.” VAQUEIRO: “Num precisa ter receio, vamos falar com Sinhá Vicença e tudo se arranja.” CORALINA: “Toma sua espingarda Chico. Te dou de presente outra vez. É muito bonita mas Pedro pode não querer.”

VAQUEIRO: “Não quero essa amizade.’* CORALINA: “Chico é um bestão. Ê bom pra divertir. Queria namorar comigo, logo ele! E tu com êsse gibão lustroso, cadê o ferrão de p rata?” VAQUEIRO: “Tá guardado.” CORALINA: “E o Boi Bonito? Tu deixou com o Capitão Grauna? Ê preciso ainda pregar um a rosa lia testa do Boi Bonito, senão o casamento não vale.” VAQUEIRO: “O Capitão G rauna vem aí e traz o Boi Bonito.” CORALINA: “Então eu me caso com ele?!” VAQUEIRO: “Comigo.” CORALINA: “Ué, me desculpe seu Pedro mas o cantador Vitorino disse que eu casava era com o homem que trouxesse o Boi Bonito am arrado feito carneiro manso. E se for o Capitão G rauna que trouxer é com ele que me caso.” VAQUEIRO: “ Bem feito Coralina. Ele é mais gente que eu, tem trezentas cabeças nas costas.”

CORALINA: ‘Trezentas cabeças num é nada, pegar o Boi Bonito sim.” VAQUEIRO: “Foi eu que peguei.” CORALINA: “Num tem importancia eu caso com quem trouxer o Boi Bonito.” VAQUEIRO: “Agradecido Coralina. O Capitão Grauna é mais home que eu?” CAPITÃO GRAUNA: “Povo de Jacará! Tá declarada guerra ao Govêrno, ao Capitão Cobra-Verde e a quem não gostar de minha cara. Passo na peneira do Dyabo como passo os ma­ caco. As donzela vão tomar banho de cheiro que eu também tô cheiroso.” POVO: “Ahhhhhh” GRAUNA: “Cobra-Verde vem aí. Aquilo é cangaceiro sem valia. Pra mostrar ao povo eu vim topar com ele aqui na feira, na vista de ocês tudo. Vou arrancar os bofes no punhal e dá pros cachorro comer, as pernas pros urubús e os braços espetá nos galo! Agora as donzela se guarda que vou ferrar as de cabelo cortado e saia cur­ ta.” SINHÃ VICENÇA. “Capitão Grauna!”

GRAUNA: “Pronto Dona Senhora” SINHÄ VICENÇA: “Eu sei que o sinhô é valente mas aqui mando eu, vou riscar com a colher de pau. Aqui nessa roda can­ gaceiro num pisa, o sinhô adesculpe mas tá rezado com sete reza e duas cusparada. E aqui dentro vai ficar as donzelas. O cabra que pisar é fulminado com raio no espinhaço.” GRAUNA: “Tá falando desdagora?” SINHÃ VICENÇA: “Desdagora.” GRAUNA: “Olho-Vesgo!” OLHO-VESGO: “Pronto Capitão!” GRAUNA: * “Entra na roda!” OLHO VESGO: “Pois não Capitão!” VAQUEIRO “Deus tenha piedade dele!” GRAUNA: “Bom Cabra de corage Olho-Ves^o. Levem o corpo dele e enterrem bem enterrado. Pera aí! Pra que defunto quer brilhante? A senhora tem poder mesmo.”

SINHÃ VICENÇA: “Sim sinhô.” GRAUNA: “Até Coralina?” SINHÃ VICENÇA: “Ela que é minha filha.” GRAUNA: “ Sua filha?” SINHÃ VICENÇA: “Se um cabra tocar a mão nela eu racho a alma dele em dois e mando uma pro norte outra pro sul.” GRAUNA: “Vou me casar com ela.” SINHÃ VICENÇA: “Que maluquice é essa?” GRAUNA: “Num é maluquice não. Passa-Quatro, traz, o Boi.” SINHÃ VICENÇA: “Êsse Boi?” GRAUNA: “È o Boi Bonito Sinhá Vicença, pode desmanchar a roda da maldição que os Cabra vão dançar. Porque a gente vai casar é agora mesmo. Aqui na feira. O padre que rezou Olho-Vesgo vai rezar a gente. Coralina, ô Coralina!”
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CORALINA: “O sinhô é tão velho Capitão!” GRAUNA: “Mas peguei o Boi na mão, sozinho, correndo cem léguas por dia atrás do bicho. Olha como tá manso.” CORALINA: “O Boi Bonito é êsse?” GRAUNA:
“É !”

CORALINA: “É tão feio...” GRAUNA: “Porque amansado.” CORALINA: “Vitorino disse que bravo ele vinha mais bonito.” GRAUNA: “Vamos casar logo.” CORALINA: “Caso porque o sinhô trouxe o Boi. Mas foi ele quem pegou.” GRAUNA: “Êsse cachorro num pegou foi nada.” VAQUEIRO “Claro que foi o sinhô Capitão. Eu disse isso pra despistar de outra coisa. Num tá me reconhecendo?”

GRAUNA: “Vamo começar o baile agora, todo mundo nú!” SINHÄ VICENÇA: “Que imoralidade é essa seu cangaceiro semvergonha? Já viu se minha filha vai casar cum indecente desse?” CORALINA: “Êle trouxe o Boi Bonito e promessa é promessa. Capitãozinho, num tira a roupa de ninguém!” GRAUNA: “Eu num sei dançar cum essas cartucheiras. Mas se ocê quer vou te atender. Bem que tua mãe devia dan­ çar nua por cima dum formigueiro. Pega na sanfona Quinze-Dedos! Todo mundo dançando. Home cum home e muié cum muié! PADRE: “Que desordem é essa? Para cum essa desordem! Grauna, Grauna, se apresente!” GRAUNA: “A benção seu Padre!” PADRE: “Tem tres anos que sou padre aqui e cangaceiro só vem muito bem comportado se confessar ou comprar comida. Mas desordem não, fique sabendo. Então tô lá na sacristia confessando umas meninas e vem dois cabras com um morto e larga o bicho lá dentro sem res­ peito cum orde preu rezar. Comigo nem o Papa dá or­ dem. Quanto mais cabra vestido de couro. O que qui Coralina tá fazendo aí de braço com você?”

GRAUNA: “Vai casar comigo.” PADRE: “Tá maluco? Larga a menina!” CORALINA: “Mas eu quero” PADRE: “ Sinhá Vicença, m anda essa menina confessar daqui há pouco. Onde já se viu moça fina querer casar com cangaceiro?” VAQUEIRO: “Coralina ia casar com quem pegasse o Boi Bonito e o Capitão G rauna pegou o bicho.” PADRE: “ Boi Bonito! Êsse pé duro aí! O sinhô tá maluco seu Amarelo? Isso nunca foi o Boi Bonito. E espera aí! Como é seu nome?” VAQUEIRO: “Pedro. Sou vaqueiro e amigo de G rau n a.” GRAUNA: “Amigo da peste, mentiroso. Ocê num disse que êsse era o Boi Bonito?” VAQUEIRO: “ E é. O sinhô vai ouvir desaforo de um padre, Capitão?” GRAUNA: “Õ padre, quem é o sinhô, pra vim dá grito no Capitão Grauna?”

PADRE: “Em nome da Ygreja, do Santo Papa de Roma, de todas as Divindades, de Nossa Senhoral” VAQUEIRO: “Uai!” PADRE: “Nossa Senhora!” VAQUEIRO: “Uaiiiiii” GRAUNA: “Que qui êsse peste tem?” PADRE: “Grauna, vem pra Ygreja se confessar com seus cabra e deixa Coralina aí. Vem logo antes que êsse bicho abra os olhos outra vez. Vem logo que ocê tá cum maldição!” VIOLEIRO: “Aí vem Cobra-Verde aí vem emoção.” CAPITÃO COBRA-VERDE: "De longe eu tava ouvindo uma confusão. Tou desconfiado que era o Capitão Grauna. Onde é que aquele cabra frouxo se escondeu?” VAQUEIRO: “Na Ygreja! E o Sinhô num vai invadir a Ygreja pra derramar sangue!

COBRA-VERDE: “Meu contrato com o Divino tá terminado. Se Grauna foi se confessá é porque tá com medo. Vou deixar pra sangrar o peste na saída.” VAQUEIRO: “Grauna tá cum demonio no corpo.” COBRA-VERDE: “A proteção do Dyabo é minha desde os seis mês quando nós fez um contrato na beira de Paulo Afonso. A cachoeira tava fervendo e fazia um calor de queimar na distancia de cem léguas. Nós chegamo, eu e os cabra, tudo cansado e ferido dum a topada dum a volánte do Tenente Carneiro e fomo beber água. Quando botamo a lingua no rio a quentura esfolou as garganta e a gente ficou dançando de dô até que do fogo apareceu o demo com dois chifres de ouro e os dente brilhante. Eu quando vi gritei logo sem vê quem era, me proteja maldita visão, refresca m inha boca. Aí a água gelou e fez uma fresca. Depois ele falou com voz de trovão que su’alma e a de seus Cabras é tudo m inha. M ata os macaco, mata o povo, capa os padre e num deixa outro cangaceiro vivo. O sertão é todo seu, Capitão CobraVerde. E desapareceu na Cachoeira que começou a fer­ ver outra vez. E então como é que G rauna tá cum proteção do Dyabo? O Dyabo é ruim mas num é traidor!” VAQUEIRO: “Êsse peste estatelado aí no chão é representante dele. Pelo menos apareceu por aqui dizendo que tinha pegado o Boi Bonito e queria que Coralina casasse çom Grauna pra m atar o Vaqueiro Tião quando ele chegasse com o verdadeiro Boi Bonito.”

COBRA-VERDE: “Quem é êsse Vaqueiro Tião? É um lá de Pernam­ buco?” VAQUEIRO: “Um vaqueiro alto de cabelo louro parecendo filho de gringo. Ele tem vinte e cinco anos e faz dez que tá na Caatinga atrás do Boi Bonito.” COBRA-VERDE: “Tião... Tou lembrado dêsse peste. É o filho de Juvenal, um tropeiro que vendia arma pro bando de Lampião. Quando eu vi ele pela última vez era minino no bando de Antonio Silvino e só tinha matado dois macaco. Tião era forte e bom no ferrão que até parecia milagre. E já ^ndava com essa estória de Boi Bonito. Tou vendo que êsse Padre é traidor! Se eu sou pro­ tegido dele e Tião é meu protegido como é que ele tá ar­ mando pra Grauna matar Tião se Grauna é meu ini­ migo? Vou cortar a cabeça dos dois pra estabelecer a orde.” VAQUEIRO: “O Padre, não, Capitão. Ele tem de casar Coralina com Tião.” COBRA-VERDE: “Quem é Coralina?” CORALINA:
“ EU !”

COBRA-VERDE: “Tá protegida minha filha. Porque cê quer casar com Tião? Conhece ele?” CORALINA: “De sonho.”

COBRA-VERDE: “Pois ocê tá segura menina. Isso é arte do Cão para te desviar. Mas é do Cão deles! Porque meu Cão é direito e não faz safadagem. Papagayo, vai dizer a Grauna que saia debaixo da batina do padre e venha pra rua entrá no punhal.”

PAPAGAYO: “Jájájá woou.”

SINHÃ VICENÇA: “Deixa os inocentes em paz Capitão.”

COBRA-VERDE: “Quem quizer queimar o chão queime logo que vou chumbar êsse pé duro vagabundo.”

VAQUEIRO: “Desapareceu no vento!” O falso Boi morreu e a estória se acaba que o ver­ dadeiro não existe!”

CORALINA: “Mãe, vamo come feijão tropero com churrasco de Boi Bonito!“ O Cego Deraldo das Horas Dantas vinha na frente dos Sete Tropeiros de Apokalypze com violão sanfona polifonando montanhas do baixo Ceará — inhosim, Madre Deus, Nordeste é do sul do Q u i x a d á Milagres da Bahia — e por e ai, que somos de Jeová, Alá, Zeus, Ahura Mahzda e Xangô — viste a guerra do padim Ciço com seu Deputado Federal Floro Barto­ lomeu convocar os retirantes pra dizer que Prestes era ö Cavaleiro da Esperança não — era o Ante Kryzto e o Padim Ciço achamou Lampião, bençam seu Rosa, Comandanto, Dona Linda, abençoe e senta na beira do fogo pra cantar, inhô não que tou cum pressa, vou nas tropas pra Brazylya com a Konstytuynte da Liberdade. — Se quizer — súgeri ao Comandante Das Rosas! — o sinhô bote musica na Epopeya... pero muito tempo não deu, o Comandante bebia e falava, seu Rosa na­ morava Cigana Escarlate na carruagem de lona ver­ melha e Cego Deraldo procurando ver nos Marcos Negros a esquadra Sussuarana: — Ele é também o Zezé Sussuarana que levou a virge pro mato... Trovoadas açoitaram os burros e os bandeirantes de Kastro Folha Bandeyras Arrazyatikas passavam legendas e o Cego violão Caum da Saudade com sua voz de metal barroco:

ÊLAMP È LAMP ÊLAMP Ê LAMPARINA

É LAMPIÃO Ê UM CABRA DEZALMADO Ê O REI LÃ DO SERTÃO O AMOR QUE DEUS LHE DEU MARIA BONITA DA PAIXÃO ÊLAM P Ê LAMPARINA É VIRGULINO É LAMPIÃO VINTE E CINCO ANOS D E GUERRA CHAPEU DE COURO FUZIL NA MÃO ÊLAM P É LAMPARINA Ê VIRGULINO É LAMPIÃO O TIRO DENTRO DA NOITE ILUMINA A SOLIDÃO ÊLAM P Ê LAMPARINA Ê VIRGULINO Ê LAMPIÃO FLAGELADOS DOS LATIFUNDIOS BUSCAM NA M ORTE A SALVAÇÃO ÊLAM P Ê LAMPARINA È VIRGULINO
F I ÁMPTÀO

O PODER DO CANGACEIRO SE MEDE PELA DEVASTAÇAO ÊLAMP Ê LAMPARINA É VIRGULINO È LAMPIAO DO INFERNO ALMAS MORTAS LHE CHAMAM PRA ESCURIDÃO ÊLAMP

É LAMPARINA È VIRGULINO É LAMPIAO NAS BATALHAS DESESPERADAS VENCE SUA MALDIÇÃO ÊLAMP ÊLAMP ÊLAMP Ê LAMPARINA Ê LAMPIAO È UM CABRA DEZALMADO È O REI LA DO SERTÃO CHOVE SANGUE NO SOL DO CORPO BOTA LONGE O PÊ NO CHÃO SANFONAS VIOLAS CORNOS VIOLÕES CORO È LAMP È LAM P ÊE LAMP Ê L A M P A R I N A ÊÈLAOREISEMRIPLADOTAOAOÊU MCABRAD E z a 1 m a do È O Z R E I L O SER TÃO LAMPIAO È L A M P I A
O

ÊLAMP ÊLAMPARINA È VIRGULINO

Ê LAMPIÃO MACAMBIRA FAVELA MANDACARU PERNAMBUCO CASCAVEL GAVJAO ÊLAM P E LAMPARINA É VIRGULINO Ê LAMPIÃO GENERAL SEM FRONTEIRA DO POVO ÊIRM AO ÊLAM P Ê LAMPARINA Ê VIRGULINO Ê LAMPIÃO FILHO D’ANTONIO CONSELHEIRO DO PADIM CIÇO Ê CAPITAO ÊLAM P È LAMPARINA É VIRGULINO
F T AMPTÃO

SEU OLHO CEGO REVELA OS CAMINHOS DA SALVAÇÃO ÊLAMP Ê LAMPARINA Ê VIRGULINO Ê LAMPIÃO TEMPESTADE SOBRE A SECA CARNE FARINHA ÃGUA E FEIJÃO ÊLAMP ÊLAMPARINA Ê VIRGULINO Ê LAMPIAÖ MORRE O HOME FICA A FAMA CONTRA METRALHA FACA E CANHAO ÊLAMP

ÊLAMP ÊLAMP Ê l a m p a r in a F I ÁMPIAO Ê UM CABRA DEZALMADO Ê O REI LA DO SERTÃO

Linda cantava nos estereofônicos dos jaguaritis. O sertão explendia no despertar da montanha à curvatura tarde sabado. Achei verdades depois de conversar com os sonhos de Rosa. O Comandante não era Pai de Linda, a roubara do verdadeiro amigo General Fontoura Floresta, um dos herois da Coluna. A quadrilha de Mister Karter Brack era dum tipo novo e as forças militares não chegavam aos cafundós pra combater estes bandoleiros matando indios em bus­ ca de ouro, pedras preciosas, petroleo, uranyum, sal eterno, torio — (Torin special UPI Rio 1977) O Delegado Carango, agora candidato a Depu­ tado, comprova força Coronel Dermeraveldo com votos ARENA curral, espantado MDB no fog de jagunços in­ conscientes: — Mercenários de Karter Brack! Riverão tinha perdido a desconfiança típica do ser­ tanejo e deixava que eu me falasse dele sem a presunção dos adevogados baianos, esperteza do boi que sabe não ir pro corte. Tirei a “Mitchel” do carro de boi e pedi a seu Rosa pra me dar umas aulas de Griffith. O Comandante, que hasteou uma Bandeira de 30, falou que podia interpretar papéis.

— Não preferes film ar a batalha de Riverão contra K arter Brack? — Ah seu Rosa, e o que é que vai acontecer? O sinhô acha que Anjo Felicio vai dá um tiro pelas costas em Riverão? — E se o Com andante m ata Vicente T ranca Morte num duelo? — O Sinhô acha que a gente devia fugir? — O sertão num tem passado. Vá escrever debaixo do genipapo... — Vou pedir pro Luiz Papagayo me levar a Volta G rande. — Num sou teu pai C apitão G robe... — Vou entrevistar R iverão... Me dá o N ag ra... — São instrum entos pessoais... Use a m em ória... — Riverão não fala. Não tem confiança. Linda voltou contente com os aplausos que re­ cebera pelo sucesso do teatro. Estavam gostando dela em Cidade das Cruzes, quatro homens, o prim eiro rom pe a poeira, o segundo senta no chão, o terceiro sentado, o quarto fita tres ven­ tos de verão e ninguém há m ais de quatro anos depois o primeiro deles ergueu as bordas da cam isa e enxugou o suor na testa o segundo no chão há m uito tem po comia terra o terceiro enfiava as unhas e o quarto magro de geito de galhos olhava os tres com ar de quem fitava deuses encourados em Cidade das Cruzes urubus sobre vaqueiros sujos e perneiras rem endadas à m ira tres homens um revólver. Prende a camisa vermelha nos lábios carnudos e verifica o horizonte. Há anos não vem vivalma aqui. Cangaceiros desenterraram os mortos e fizeram uma fogueira com os ossos.

D egolaram , C idade das C ruzes ficou sem gente, houve sal nas ruas p ra não nascer árvores e só cabras no verão roem suas pedras. Cidade das C ruzes, co n d en ad a, e ali vieram ter tocados como bois por o utro vaqueiro. M ordendo a cam isa, m a tu ta saída p o r onde possa correr escapando da m ira. O m elhor talvez seria a tira r um dos am igos na frente do revólver e correr em zigue-zague. A noite teria de d o rm ir e isto ia ser difícil p a ­ ra conservar sua vida, de vez que os tres poderiam pular em cim a dele, ap esar de sab e r que os outros chegariam na hora p a ra m ata-los. V inham de m uito longe com eles, foi caatinga violenta e co rtaram dois dias até seg u n d a-feira em Cidade das Cruzes. Não iam e n te rra r os m ortos, os u ru b ú s deviam p a sta r... Talvez fosse m elhor de susto jo g a r te rra n a cara do vaqueiro arm ado e n q u an to ele se d efen d ia o segundo pulava nas p ernas, o prim eiro co rria e ch u tav a a ca­ beça. M as era possível que ele d isp arasse e a b a la tivesse endereço em seu coração e m orto seria com ido pelos urubús. Com sede o geito é m astig ar a cam isa, se talvez um daqueles dois no chão pulasse n a p e rn a dele, na atrapalhação correria e talvez d o b ra n d o p o r um a es­ quina se protegesse, lu ta ria com p e d ras, cacete! M as os dois eram covardes de a rrisca r um frente a frente com o cam arad a arm ad o de revólver. E se o revólver não tivesse balas? A frontava o cam arad a e ele vencia. Se atirasse em um dos dois o o u tro poderia pular em cim a dele e mesmo que acertasse o segundo o outro poderia alcançá-lo na confusão e ele não tin h a certeza

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se aguentaria um corpo a corpo àquela hora ainda mais com fome e a sêçle que estava. Além disso o revólver pesando muito na sua mão dormente e não podia descansar naquela hora. Deitados no chão, o melhor era não tentar nada, ir se acostumando com a terra onde entrariam em pouco tempo, às quatro se já fosse um pouco mais de tres quando os outros chegariam e elim inariam peça por peça daquele trio condenado. Era questão de preguiça e bem que não ten tar mais nada tinha alguma im portancia, afinal era aceitar a morte pois ela sempre chega p ara todo hom em . Resistir talvez fosse covardia. Ou não estariam eles alí, m astigando poeira apenas com perna, corpo, braço, revólver? Isto jam ais passaria pela cabeça pois ambos es­ tavam acostumados a enfrentar cobras, terçar com bandoleiros violentos, derru b ar ferozes touros na cam ­ pina, domar potros. Não era questão de preguiça. O medo era de não serem enterrados. Os urubús irritavam o céu e o céu estava calmo demais. A camisa vermelha de tão m ordida com gosto de carne chupada ou bagaço de fruta sem suco. Morder a camisa, m atutar o geito de escape, seria quando o guarda não aguentasse mais o sol na cara e tape os olhos com o braço livrex cuja mão iria lim par a testa dolorida. Se o cam arada tivesse insolação bem que estariam livres na fuga não sabia se era conveniente levar aqueles dois covardões deitados na terra com certeza muita vontade de reagir mas antes com vício do sol, preguiça, preferindo esperar a morte a fugir, era o que ele chaf mava covardia, mas sabia lá bem se os caras não

preferiam mesmo m orrer, podiam já tarem cansado de correr no cam po. Ele, por enquanto, a camisa lhe supria a sede e se o homem limpasse a testa e tapasse os olhos voaria em cima dele. Isto sim, ele voava e, se cumprisse o ato, estaria salvo. M as estava dando insolação no guarda, sentia o revólver pesando na m ão, não sabia quanto tempo aguentava. Porque não dava insolação nos outros também, se todos estavam sem chapéus a não ser os dois deitados? Afinal ele não estava p ara m orrer e angustiado ao pásso que tres calmos feito pedras, a não ser o que es­ tava em pé com cam isa verm elha na boca mordendo e pensando num a m aneira de atacá-lo logo e não sabia se passasse a m ão nos olhos aguentaria retirá-la pois es­ tava com dor de cabeça ou m orreria nas mãos do sujeito irritante, um a porcaria m astigar um a camisa suja de suor e de poeira, aquela boca indecente de lábios car­ nudos como se estivesse chupando ele tinha de acabar porque o sol m uito quente e p ara descansar o geito era atirar na testa daquele nojento e logo ergue o revolvere apertou o gatilho duas vezes levando às tres e meia da tarde rodeava na ru a com um revólver mole na mão esquerda e a testa apertada com fúria pelos cinco dedos direitos. Não podia entender ainda em que lugar do corpo estava ferido em bora sentisse o estômago queimando e os dentes na camisa com tan ta força que já sentia os dentes de baixo quebrando os de cima calor medular Cidade das Cruzes nebulosa vergando por mais força que ele fizesse p ara m anter a consciência de não estar ferido ao passo que ia caindo e eles deitados pensavam que não cairiam aos tiros estrebuchavam buracos entre cinzas e sangue morde as pedras m orrendo aos poucos

concluírem a missão daquele guarda insolado que atira por desespero. Enquanto os dois pensavam ao mesmo tempo um deles passou a pensar o contrário e rápido levantou-se num salto ao guarda procurando desviar o cano do revólver para campo livre do rosto da rua mas o guar­ da com a outra mão livre puxou a faca do flanco es­ querdo e suspendeu o inimigo pelo sovaco, a lâmina penetrou para o lado do ombro, ele furou até o cabo dependurou o pesado vaqueiro com punhenganchado na axila que subiu dois passos gritandatirado três metros de distância pela força do guarda que não soltou a faca mas a arrancou no golpe de atirar o semi-morto para longe de si cuspido antes do vaqueiro cair e nos segundo em que se encontrava no ar a séculos do chão. Sabia que não estava morto e o fato de ter atacado um homem com armas antes de calcular a força dele. No chão sem sofrer a dor que viria intensa logo após a excitação da luta, esperava o revólver apontando para si e preferia não ser atingido intestinos mas no coração onde se morre sem dores. Verificou que o guarda estava desesperado e tremia constantemente sem fixar a mira. Lembrou-se de tentar contrataque em companhia dos outros quando viu frota de urubús mergulhar violenta e arrancar os olhos e a lingua do morto de camisa vermelha e como a camisa estava presa nos den­ tes rasgou-se junto à lingua que voava. Fitou o resto dos urubús e calculou que atraído pelo sangue que saía aos litros de seu sovaco aberto em breve as malditas aves mergulhariam sobre ele tirandolhe o coração pelo buraco do ferimento. O outro começou a pensar porque tantos urubús em Cidade das Cruzes se não haviam vida ou morte por bandas tão longe.

Poderia ser que os urubús houvessem seguido o grupo mas eles perceberiam. A não ser que houvesse carniça próxima, boi des­ garrado que viesse p arar naquelas bandas. Divertia com a violência da fome, os urubús des­ carnando o rosto do companheiro de camisa vermelha. Revirou-se um pouco no poeira e julgou o guarda caindo, apurando as vistas viu o homem quase ajoe­ lhado pra ele a cada passo fixando o revólver com o máximo restante de forças aproximou-se. — Levanta cachorro... O homem olhou de baixo a figura ridícula do outro com um revólver sem força para apertar o gatilho quase caindo de fraqueza e então moveu o corpo rápido com os pés voando nos peitos do guarda que tombou para trás disparando para cima meteu o pé no crânio e voltou com o calcanhar ornado de esporas pela região dos ouvidos abrindo um ponteado e apanhou o revólver no chão e correu para junto do ferido no sovaco e morto como o$ outros dois ele nunca tinha hesitado em matar ninguém temendo pela sorte entre tres cadáveres sem pensam ento encontrou a verdade poucos minutos além e chegariam os inimigos. Rumou para o A ltar sem dificuldades no ruído salão e subiu forte, tomou lugar junto ao sino e de lá viu na rua os urubús descerem em negra coroa sobre os mortos. Cuspia vezes seguidas, afirmou bem o revólver no centro da rua, calculou o passado e o futuro, viu no horizonte a vida daquele perigo, não sabia outras coisas daquela hora, assim ficou até que na ponta da rua, sob a poeira, apontaram quatro cavaleiros trotando para a morte na certeza da eternidade que planejavam há dias e dias executar os vaqueiros pela vingança que rege a vergonha.

(A)
ARM O U gatilho para oeste: circulava na praça um homem de dois metros, sua pele negramargura. Firmou olhos: a nuca era seu destino naquela hora da manhã. O negro desenvolve dois passos lentos e sol in­ filtra se nos poros, desce suor pela testa. Olha para a torre da Ygreja: contra o céu lança seu olho de sábio, depois retorna a vista em frente, seu caminho é vencer até dobrar a praça. Antes devolver seu olhar à torre: respira no ar o ar da calma que cortina sobre a praça. Está quase deserta, as janelas abrem agora com uma cortina ondula solitária e outro homem vem cuspir da janela aos pés do negro abrindo um passo sobre outro. Firma o dedo no gatilho, mão que não treme, punho convicto. Mas o negro se move, está virando novamente para a torre e êle deseja a nuca, nunca outro ponto de morte lhe interessou mais que a nuca desde que exe­ cutava gentes. Por isto trem em seus lábios descarnados e sua mão possivelmente tremerá. O negro calcula uns vinte metros da praça à esquina e possu i dois segundos para vencer o roteiro da morte: encara novamente a torre como vinha encarando a noite toda sem nenhum pressentimento. Um homem do geito do negro não tem dúvidas do futuro. Cruza a praça sem hesitar seu es­ paço, sem conceber.

(B )
Baterá sino agora disparo êste negro tom ba des­ penco revólver escorrego silencioso retorno à ladeira me perco na multidão da outra rua consigo atirar agora mais um segundo sino atraza que houve com o padre o sacristão que não bate êste m aldito sino preciso de barulho para confundir tiro não é possível mais atirar em silêncio se êste negro grita me confundo choro desta

dor é m uito cruel m atar antes podia m atar sorrindo mas estou m uito velho para o hábito creio não ê covardia é trem or das mãos se acerto outro lugar se quero nucaé meu ponto fico deslocado mas não creio que ê velhice em bora moço é velhice nesta profissão arriscada negro pouco me interessa que é que í,enho com um negro cruzando a praça? um negro pensa que é afinal de con­ tas não tenho nada com êle dyabo é tremedeira di velhice de m êdo nunca foi.

(C)
creio com certeza em Deus vendo esta torre apontando o céu penso agora se viesse um carro e me colhesse iria para o céu vou esperar tocar o sino para ouvir a voz de Deus depois vou trabalhar ver m ulher de noite ser como sou esperando m orte sem m uita preocupação olha o homem cospe lá de cima quase cospe em meu pé vou xingar êle não deixa perdoar os pecadores deixa eu ficar lim po eu ficar como sem pre fiq u ei antes de fazer as maluquicßs da ju ventude agora vou pegar meu trabalho direito m udar esta roupa branca engraçado é que se eu morresse agora tinham de me enterrar de branco eu não tenho outro roupa a não ser que tingissem ela de preto ia ser m uito engraçado m uito divertido o doutor vim com uma faca e abrir minha barriga fa zer autopsia sem ter nojo nem do feijão de ontem de noite já deve apo­ drecendo mas ora ora besteira grande qual é o carro que pode me pegar agora aqui no tudo deserto eu vou é olhar a torre outra vez contem plar a glória de Deus a glória do mundo glória glória (D) Deus não condena ninguém que mata eu nunca tive mêdo de inferno mesmo aquela torre lá é invenção

*

de padre eu ainda m ato um p a d re mas m ato de punhal uma m orte mais cruel quero ver o padre levantar a batina de dor e eu lhe sangrar pela garganta duas três quatro vêzes depois enxugar o sangue das mãos na batina e deixar o pu n h al enfiado no centro do coração bem no fu n do sem p ie d a d e m as aquêle negro está parado de fren te p ra m im com a testa aberta vira vira a nuca desgraçado o sino não toca que dyako que azar logo agora que vai ser a ú ltim a vez não vou mais ter de fa zer m orte eu queria qu alquer pessoa que constroe sua obra deseja coroar a ú ltim a de sucesso com o dizia o patrão o canto dos cisnes dos pobres: m orrer sem chorar enfrentando balas das gen tes nossas poderosas se o negro lá grita não m e interessa m e interessa é êle virar a nuca vira a nuca vira a nuca tem po passa negro fila da m ãe vira a nuca olha sino vai ba ter bate não bate está alguma coisa p a d re bata p a d re bata sacristão bata agora lá vem trem edeira depois não tem bala deixa ver vou desarm o o tam bor rodo ligeiro antes do negro correr quem sabe lá se êle já não m e viu pron to seis balas tudo direito esta na agulha p ro n to agora vou fa ze r nova mira mas estou apon tan do a torre agora deixe botar a outra mão para ajudar ê ridículo atirar de duas mãos tem de ser com um a assim assim D eus m e aju ­ de para não errar

(E)
esqueço trabalho vida fu tu ro só interessa gora ouvir o sino dois segundos só é fa ze r minha andada até o bar tomar meu café com pão direitinho fica r olhando o jo r ­ nal nos esportes essa vida é m esm o chata

(F)
fogo na nuca só me interessa na nuca só me satisfaço dêsse geito qualéaculpa quetenhodequereanuca se

m atei tanta gente agentesâogentes im portantes nãoseisenegroim portantesnegrolávale algum a coisa nâo coisa dyabo quéquestácontecendo

(G)
ganho meus cobres. Posso sen tar . Rir. F azer isto aquilo aquilo outro olhar a torre m ijar aqu i na praça se quiser se não quiser me deito vem a polícia m e leva como de graça

(H)
hoje lagagora resto de m inha vida quando penso na fuga preciso PREC ISO m e acalm ar retiro esta mão equilíbrio A SSIM o revólver A S S IM B E M ASSIM RES-PI-RO. M as o que é que o negro está fazen do? se deitando de que geito vou acertar dyabo de calor aqui no quarto não deita negro e sino não bate tu do atrasa se não fo r na nuca não quero m elh or fu m a r com mão só acendo cigarro afum açam eusolhostussotusso tusso tus­ so treme a mira calma CALM A

(I)
inclino prim eiro para tocar o asfalto deito em seguida feito maluco para pessoas vir verem com o se eu estivesse morto tenho direitos de devassar os bons m odos vou
(J)

julga aquele homem deitando não julga êle um revólver apontado na • vida déle mas para que estou pensando se dentro de dois segundos sino não bater atiro no negro em qualquer parte mas me suicido por não ter

( K )

Kolt

Forty

Five (L)

largo meus braços pernas cabeças na Felicidade do as­ falto minha roupa branca será suja com a cinza das ruas benditas cinzas aceito tudo até minha única roupa não im porto eis a torre

(M)
mira certa a oeste me disseram nasinstruçoeesenegroviesse na direção da torre mira certa para oeste mas quero

(N)
NUCA (estou de cabeça para cima minha nuca no asfalto travesseiro de santo) F O I D E P E D R A S O TRAVESSEIRO D E JACOB

(O)
olho bem a testa as coisas podem ser inversas atiro na testa bala vara crânio sai na nuca é uma maneira de fazer o certo do geito torto

(P)
peço perdão a Deus dos pecados que tenho na vida êste céu tão lindo me purifico se morrer vou para o céu AMEM AM EM

(Q)
quero acertar na nuca (NUTRIRÁS TF.U SANGUE DE UM SANGUE QUE NÃO CONHECES MATARÁS UM HOMEM SEM DELE TER ÓDIO EXIGES PORÉM A NUCA DÊSTE HOMEM QUERES COM AJUDA DE DEUS)

(R)
raspo poeira com unhas minhas unhas al sujo suas pon­ tas assim olho para elas o mais lindo vou levantar-me ver mais perto
(S) SI (T) TI RO (U) U IV (V) VIVO RODEIO VIVO VIVO RODEIO VIVO VIVO RODEIO VIVO (X) O NO

X

A

XANGÔ N

G

ô

■ ^ (Z) (zero nas veias) mais ainda é romper era do mal prosseguir

Reunindo poderes sobrenaturais pra evitar o es­ touro da boiada e a greve dos vaqueiros o Com andante de acordo com Lalantino Angelo M auro desgovernou as rotas rumo ao Vale dos Fantazm as perto de Lençóis on­ de figura o m onum ental retrato do Coronel Horacyo de Mattos nos criztaliêtes do diam antal falido. Era o que unia Sussuarana ao Com andante no caminho de Jardim das Pyranhas, entre Penedo e Maurycyo de N assau... Se bota um boi ou a filha p ra atrair as pyranhas... e enquanto todas comem um , passam bois e h um a­ nidades. Rivo se fechou na poeira, passou a capa por cima de Linda, Luiz Papagayo se encolheu na carruagem da Cigana Escarlate e seu Rosa abriu os Cinco Textos das Libras sob fumaça e sofrimento ao meio dia gritam cabeças de mulheres cujos narizes envergam águias semelhantes á espinha revoltada da m ultidão na praça de Jardim das Piranhas a setecentos mil quilómetros da Capital, o Prefeito Luciano trem e, no ponteiro cem a memoria declina, não sabe como sufocar trezentas familias famintas, terras, açudes com ida escolas re­ médios e outras coisas indispensáveis. O líder Vicente na cara do Prefeito, mudo e m e­ droso, embora os jagunços de Pedro M oraes estivessem em pontos chaves da praça, dispostos a disparar ao primeiro sinal do chefe. Luciano baixa mão e Pedro Moraes descansa o dedo no gatilho, névoa no olho e coração agitado. — Acreditem, a culpa não é m inha. Já falei com o Governador, espero resposta. Nada de arruaças. Como Prefeito tenho de m anter a ordem. Voltem, esperem, tenham fé! Vicente nào escuta.

— Num acredito nisso não. Ê conversa velha, já ouvi m uita vez. Sempre se prom ete. Temos de resolver agora! M as o velho Vitorio, querendo buscar apoio, vai recuando Vicente ten ta deter a m assa, praça vazia ao sol das duas. Pedro Moraes tira o paletó, lim pa os revólveres e outra garrafa até o calor na hora da noite. O Professor A ntonio enrola seus papeis, fez um sinal bem decifrado pelo sacristão do b a r e recebe uma cerveja gelada. Na som bra, dentro de alguns m inutos, estaria a treinar seu papagaio, em pinando como sempre depois das aulas, calmo, esquecido pálido como Pedro Moraes na sua frente, só e triste. Nem cachorros, silencio no b a r e na praça. O Professor bebe, vai p a ra a mesa de Pedro, ôlho do jagunçilum ina, falaria com aquele homem sem com­ promisso ou medo. Jardim das Pyranhas é um a cidade pequena e pòbre, tres mil e poucos habitantes, cabras na terra rum inam , açude ao sul, prom essa de eleições, can­ didato que veio com redenção nele votaram , os habitan­ tes cavam e o buraco espera um a chuva que o enche a tempo pro deputado ser reeleito. Eram obrigados a tirar o leite e do leite fazer man­ teiga, queijo, coisas vendáveis. Haviam riquezas menores dos comerciantes e criadores medrosos fantasm as, humildes eleitores que aos poucos compreendem que, se juntando a outros, formam força capaz de enfrentar a prepotência em defesa do que eles chamam progresso. Liderados por Julião Pacheco em seguida aos cam­ poneses resolveram conspirar contra o Prefeito! Era conspiração perigosa e para Julião necessário articular a democracia e seus fundamentos pois em
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rípme da entidade inatingível poderia retirar coragem dà viisura prometendo progressos que o termo inspirava (Ele?) que nem bem sabia se opor ao Prefeito Luciano diante das eleições que se aproximavam. Quatro chefes comerciais cruzaram a praça em direção ao bar onde, já bêbado, entre confissões profundas, o Professor Antonio abraça Pedro M oraes. — Não tenho nada a ver com essa terra. — Mas o senhor sabe que precisamos. — Não me interessa nem o medo, nem a coragem, nem a vida. — Temos dez milhões para a cam panha. Pedro Moraes virando copo sentiu vontade de gratuitamente defender aquele Pacheco contra Luciano, a quem m ataria movido por necessidade diferente daquele prazer que sentiria se o defendesse. — Existe entre voces gente melhor. Voce, Julião, eu sou um Professor decadente. — O senhor não viu? Os flagelados! — Não me interessa, não me interessa... — Doutor! — Professor! — O senhor é decente e tem m uita saúde pra per­ der em política. Aceite a candidatura. Os comerciantes industralistas o apoiam contra os oligarcas agropecuaristas! Pedro Moraes dialogou: — Amarelo? — Fígado. Pare de beber! — Descanse. Tome sol. Úlcera nervosa. — O senhor dava bom Prefeito! — Essa bebida vai lhe m atar Pedro. Por causa da cachaça o brazyleiro pensa devagar... — Eu bebo porque não tenho profissão. O Professor viu do outro lado na porta da Pensão os jagunços sentados outros em pé fumam na conversa.

— Ê um exército ilegal! Pedro Moraes lhe respondeu com grunhido rouco e logo palavras claras forçadamente cínicas — foi o que percebeu o Professor olhando a cara do jagunço, a melhor fundição de homem vista por ele. — A diferença minha prum soldado é que não vis­ to farda. Pedro Moraes repetiu a mesma frase mais agitado e vingativo contra Luciano. Bebeu o resto! M aria não se move, fixa o papagayo lembrando da primeira vez que viu de perto o Professor na festa de posse de seu pai onde ele fez um pequeno discurso pedindo sanitário para a escola — depois só o viu de longe sentado na porta do bar, com as pernas cruzadas, paletó dependurado, cerveja ao lado, um caderno, o papagayo na mão esquerda, só o viu assim como o vê todas as tardes de sua varanda, nua, tomando sol, ouvindo os discos que sua mãe Laura repete, até que ouve hoje, mais forte, a buzina do ônibus, envolve-se na toalha e olha pro fim da estrada. O ônibus avança aos tombos, Juarez e Albuquer­ que pelas janelas, grupos famintos olhando crianças correndo mãos espichadas, o ônibus se afasta, freia na estação onde os mendigos berram . O Prefeito Luciano espera Juarez que salta atrás de Albuquerque, o jovem recebe cumprimentos e Albu­ querque vai para a Pensão, rompendo pelos jagunços em explosivos bom dias com suas malas pesadas. — Era o que eu esperava! Sabe do que se trata? — Não, o Deputado não me contou! Luciano cerca os vereadores, a carta numa mão a garrafa na outra, os vereadores recebem a notícia de què os Deputados agirão junto ao Governo Federal con­ tra qualquer medida de desapropriação de terras em favor dos camponeses e que, para acalmar a revolta,

virào seis cam inhões cheios de farin h a, leite em pó, c a r­ ne seca e bacalhau. Leram a carta trazid a por Juarez e sentiram im ediatam ente a possibilidade de um a trap aça já habitual nos m unicipios vizinhos, não m atar mas ex­ plorar a fome, vender a com ida aos cam poneses, exigir o pagam ento com suor na cavação de novos açudes. M aria passa b ato m , pó, desce as escadas, Juarez a vê, bela, frágil, m ãe L au ra se aproxim a, L uciano o r­ dena que os vereadores cham em B atista. — Juarez de A lencastro Froes! — F u tu ro Prefeito de Ja rd im das Pyranhas! — Não é casam ento forçado, estava brincando!!! A lbuquerque lava o rosto, perfum ou-se, m u d a o paletó e passa pelo grupo de jag u n ço s sentados na p o rta da pensão, vendo desde o m eio d a ru a o Professor na velha posição e Pedro M oraes esp ian d o os livros. — O ra, ora seu A lbuquerque! V oltando sem pre hein!? — Adoro a terrinha! — A presento Pedro M oraes! — PRazer!!!!!!! — Cerveja? — Ülcera!!!!!! U r... H a r... Leite! — Que besteira. Q ue besteira. Ideias do Professor. A lbuquerque b ateu sua p esad a m ão no om bro de Pedro M oraes, chuviscando-lhe saliva no olho branco. O jagunço sorriu de leve, como raram en te fazia e en ­ cheu um copo pro caixeiro sim pático, dele já ouvira falar nas margens do São Francisco pela fam a que tinha t de conquistar belas m ulheres, hom em de saber e educação. E Afonso A lbuquerque Freitas: — Como é que se deixa o povo m orrer assim? Como é Professor? Explique seu Pedro?

Pedro Moraes a um palmo do nariz de Albuquer­ que. O Professor leva os dois para a mesa e derrama cerveja. — Pedro não liga pra isso. — O senhor, homem da lei, seu Pedro? Acredita em revolução? — A minha tem vinte anos. — Pedro não é homem com plexo... Quero dizer, não tem medo se eu explico a ele que você é jagunço? — Eu vivo da profissão, a polícia sabe, foi o Prefeito quem me contratou, eu e os meninos. Veio a noite brisa... — Albuquerque! Você é homem vivido deve saber como essa gente gosta de falar Professor não é profissão de homem sempre um assim não deu pra nada eu sei não um dia calculei meu futuro e vi não adiantava mes­ mo subir na vida ter posição social um dia se fica doen­ te se morre eu sei todo mundo sabe você sabe pensa no meu pessimismo mas não era eu tinha certeza de não adiantar uma luta então resolvi — tome outro copo, tome Pedro, amigos! — Num posso. — Que nada seu Pedro, enxarque o bucho. — Pra que essa roupa preta? — Porque o senhor não sabe o que é a mística sabe lá o que é isso não sabe ninguém sabe nada Ego descas­ cando trezentos livros há quinze anos não sei nada e eles vêm com a conversa pra mim ser Prefeito tome aí outro copo seu Pedro! Pois bem os flagelados estão lá graças a Deus o sol foi embora, desceu sobre a caatinga, Vicente respira, Vitório abre os olhos, Sinhá Nena reza, Pirulito no seu colo, o braço de Juarez no braço de Maria, o Prefeito lê o jornal, mãe Laura espia pela janela e vê Pedro Moraes, o professor e Albuquerque, dez ou doze garrafas, os jagunços errantes e os jegues solitários.

— Vou tom ar um banho. Pedro M oraes se levanta, lim pa a espum a nos lábios. — Com que água? — O Prefeito arru m o u tudo. A lbuquerque se levanta — Vou ja n ta r lá. — E o que é que eu vou fazer pelo am or de Deus? — Seus livros, hom em , seus livros! — Não, não é isso, é o p assad o , agora o passado é um a im penetrável c ated ral colorida. — Êsse Professor tá cheio de cerveja. O senhor é gente do Prefeito? — M ais ou m enos. T rago coisas finas p ra sua senhora e p ra sua filha. — O u tra cerveja... O Professor só, o p apagayo se desequilibra, o fio se parte, a noite se fecha e a dor de cabeça na solidão do quarto, outro copo, pede o candieiro ao sacristão e abre um volume sobre a m esa, afina a p o n ta do lápis, ap u ra os olhos, abre o cad ern o , vira o dicionário, descobre Rom a, recupera, resp ira, tra d u z O vídio. H á u m a sem ana d ian te do Jard im das Pyranhas várias gerações pacíficas n aq u ele m undo m orrendo homens aos vinte e tan to s anos m ulheres m ais resisten­ tes, sabedoria narizes espinhas curvadas m ãos no des­ fiar de terços m ágicos e m ágico p rep aro de raízes e pedaços de p au ratos aru ás cobras e sapos com iam na maior parte dos q u atro séculos que ali estavam mestiços de holandeses com indios portugueses caldeados com negros, debilitados b arrig as in ch an d o peles am arelas dentes fracos olhos curtos pequenos. — A invasão Todos olham V icente, ele sabe ler, isto é im p o rtan ­ te pro cafuzo, m úsculo b atid o , olhos enorm es, voz rouca, Vicente insufla

— Vamo queim ar tudo! A gente queima esta cidade, o Governo aprende! Vitório contesta, sua velhice aprendeu a resistencia em vaqueijadas e penitencias — Respeita o Governo! Vicente cam peou na juventude mas depois fugiu num pau de arara pro sul — A melhoria tem de vim da gente! — O Presidente prom eteu! — Eu vi na cidade. Pensei que lá ... tio Vitório, num tá vendo o povo? P ra que esperar? Cachorros latem — linguinchada, cachimbo de sinhá Nena, Vicente descontinua suas andanças — Eles tom aram a terra da gente! — Govêrno se respeita! — Tá de cabeça baixa! T á com medo, tio Vitório! Tia Nena, tio Vitório é covarde! — Descansa menino! D obre a lingua! Vicente pagaria os pecados. Verdade se traz na lingua, pode nascer no coração mas é a lingua. — O lha aqui, pode cortar senão ela não para! — Tá m orrendo gente Vicente! — Corte a lingua! Vamos, corte! Não q u e r cortar? Tia Nena? — Vamos comer! A gente come! Come hoje! Amanhã! — Come nada! Come nada! Crianças chorando, peste, urubús rondam o cur­ ral, água ponteia na cabeça de Sinhá Nena, Vicente precisa falar pra não sentir sede. — Eles tom aram a terra da gente, tom aram a terra da gente! Sinhá Nena não ouviria aquela espichada queixa sem força, apenas gota d ’água que não mais existia cacimbas, alguma paciencia do velho Vitório — Descansa, menino, descansa...

Vicente negou corpo, pulou dois passos gritando — Cagào! O dedo apontava o velho vaqueiro de honra bem traçada no passado, rija carne do inverno desvendando sertões — Dobre a lingua moço! Vitório doido, era preciso dar um tiro em Vicente, a cabeça uivando na cara do Prefeito Luciano ia m order agora Vitório, Luciano era velho, Vicente não pode morder um homem covarde — Fome! — Vicente tá maluco! Missão trazia do sul onde vira a polícia atirar nos grevistas, voltou com dinheiro, sabia palavras que ele ouvira em reuniões
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— Ãgua, vô, água! ■ Vitório cospe, Sinhá Nena um a garrafa pela metade debaixo da saia, os restos p ara Pirulito, todos podem morrer mas a velha quer Pirulito vivo, vaqueiro, milagre tão cheio de pecados Vitório, nem pra Vicente que se afasta uivando mas Pirulito lingua, Vicente não articula, urubu enganchado nos espinheiros, sua voz desce pra dentro do peito, vê árvore secura das folhas lhe roça no braço. Abaixa e quebra um galho, cam inha mais longe, olha o grupo que dorme m urm ura perguntas na es­ curidão e mastiga o galho, enjoa, cospe, chuta a terra, a casca espessa aguentaria golpes de facão, não cederia. Com aqueles pés marchou duzentas leguas até o primeiro porto, pegou navio e pau de arara, trabalhou de tudo, até mata-cachorro de mulher dam a, estiva, greve, luta, tiro, cadeia, tortura, febre, Vicente não aprendeu com padres mas no inferno e por mais que lhe mostrassem a bondade divina só via em Deus Vômito.

E voltou por outro cam inho, ferido sonhava, não era a terra de antes e o futuro reduzindo a liderar defuntos. Albuquerque brinda com Juarez! Mãe Laura abre a porta, Pedro Moraes entra, o prefeito o cum prim enta, ele se senta, fita M aria, nunca um homem a olhou como Pedro Moraes. Humilde, o jagunço come em silencio. A lbuquerque oferece: — Dona Laura, eu queria lhe m ostrar as meias de nylon! Como não queria incom odar os cavalheiros... M aria entende aquela mesma frase há anos, desde garota quando vinha, nas férias do Colégio, sua mãe decaia nos braços femininos d ’A lbuquerque. — Coisas de mulheres! Vão pro quarto — dizia Luciano. Vitória de A lbuquerque contra um homem que tinha Pedro Moraes e mais trinta jagunços para defen­ der sua vida e sua honra. Sobe com mãe Laura, leva o pacote, M aria entende e o jagunço desconfia. — M aria, não vai ver as meias? Devo falar com Juarez e Pedro. — Não, vou tom ar ar. Albuquerque coça os sovacos de Mãe Laura, ela geme, morde as orelhas. O Professor enfrenta legiões — O utra cerveja Luciano destrói inimigos — Já mandei cham ar Moisés e Batista Mãe Laura recupera forças, Luciano promete a Juarez com a certeza dos cães diante da presa. — Será eleito. No voto e na bala. Não estranhe que isso é a lei da gente. — O utra cerveja — O utra vez, meu amor.

Bar, vento, seios soltos sob a blusa, luz, na mesa seis garrafas cercando Cesar separam M aria do Profes­ sor. Tosse para dentro, abafa com as m ãos, seu silencio entra no silencio da noite o protegendo, olhos quei­ mados, face brilhante na cerca do candieiro enquanto M aria... — Você aí, venha cá Ressurgindo do outro lado do candieiro, o Profes­ sor queima as pálpebras e recom põe a m ulher, não M aria, outra visão, respira, chega m ais perto, mão levanta a mão à altu ra dos olhos, o calor do punho, Antonio poderia mordê-lo: — Maria! Ela corre em direção a Juarez, o Professor levan­ tando, ruína de q u aren ta e tantos anos, depois de tal idade o que conta é o passo p a ra a m orte, não se des­ gaste as horas como na juventude, avança, m archa, inexorável gastar m astigava palavras m ais fortes, sua cerveja, repete im potencia aliada às noções de respon­ sabilidade, naquela irrespirável e repetida noite. Nada acrescentaria a M aria co n tar sua história nem a ele mesmo rom em orar sua vida, seu exílio era uma forma prim ária de m asoquism o, buscar as fontes deste suicidio seria penoso, tard e, M aria foge, Pedro Moraes foge, sairá daquela sala, arrota. — Boa noite, Prefeito. Albuquerque desce as escadas, tím ido, sorrindo, disfarçando. — Um momento, Pedro. Vou com o senhor. Madama gostou dos nylons... Mae Laura disfarça. — E Maria? — Namora... Juarez, natural e constante perplexidade, cabelos lisos, ar romântico, salva M aria de algum a sugestão de

perigo necessidade de proteger, a busca — entusiasmo juvenil, força, energia, coisas irritantes para M aria. — Que paisagem hein?
— É?

— Você não sente vontade de m udar? — Não... M aria olhava Juarez, qualquer um. Beijaria sem medo, abriria a blusa, as pernas. Juarez percebeu e hesitou. Era sua noiva, viera se casar, esperou anos educado para M aria. Sorriu, seus olhos dim inuiram , ela se recolheu em seus ombros. — Você bem que podia ser meu prim o... Pedro Moraes divisou as sombras de Maria e Juarez além pensão silenciosa no sono dos jagunços da esquerda à luz do quarto da mãe Laura ao longe deixa Pedro desabando a caatinga enluarada. Segue no passo costumeiro desde sua infancia nas Alagoas, horas de fuga ou perseguição, leguas contadas nas pernas. Traz estória na insônia, nunca dormiu, povoaria a noite das almas assassinadas, via as feridas fervendo. — Quando me balearem vou dorm ir na sombra. Cospe a úlcera, consome o cigarro de palha, ca­ minha, senta-se sem pensar a não ser no dia seguinte ou na hora de puxar o gatilho. — Teje quieto, senão morre Vicente pula — Atire logo Pedro Moraes o agarra pela garganta — Tava de tocaia infeliz? — Num tá vendo que tou chorando? Num tem olho não? Um olho branco dilata, outro aperta! — Ôlho de cão! Pedro Moraes dá dois tapas em Vicente

— Já viu home chorar, toma lá, peste, tom a e em seguida mete o revólver na cinta, olha Vicente agarrando-se às suas pernas, não entende e se esquiva um pouco, teme um golpe traiçoeiro, reconhece em Vicente o agitador daquela m anhã que agora se de­ sequilibra e òai outra vez chupando as pedras im ploran­ do Deus e outros santos, vômitos, ternura inesperada. — Água, me dá um a gota d ’água Pedro Moraes cheira a sede no bafo, engolenjoa, sai correndo entra no b ar brindes gargalham mete a mão na barrica de gelo roça seios de M aria e ela des­ maia percebendo no infinito o Professor além de Juarez que retira cada peça de roupa o separa da Prefeitura Mãe Laura liga a vitrola e o Prefeito adorm ece — Baco! — Baco! Albuquerque e Antonio em balados na m úsica que atinge Vicente com a m esm a suavidade das pedras de gêlo na sua boca, das mãos am igas de Pedro M oraes, dos calosos dedos no giro de tantas cargas, o jagunço socorrendo a sede pelo súbito am or vindo de suas mágoas gesto de com unhão, Juarez fudendo M aria, Antonio tropeça nas latas cai e não espanta o cachorro solidário cava em busca do ossA buquerque. Na m adrugada, desviando entre espinheiros, decisivo contra Luciano, Julião Pacheco aproxima-se do curral. — Seu desejo meu cidadão? Julião de um fôlego relata que ouvira pelos infor­ mantes, da mensagem trazida por Juarez, Luciano nada telegrafara ao Governador, nunca interessado nos flagelados, apenas usou a miséria deles para, no seu in­ teresse, arranjar alguma provisoria comida que che­ garia em breve doada por americanos em muito maior quantidade mas era desde o porto desfalcada pelos políticos revendedores.

— E esta comida — continuou Julião — não será nem dada a vocês mas vendida contra vales. — Com os vales Luciano escraviza vocês. — E a palavra do Govêrno? Vitório não poderia ver os olhos raivosos de Vicen­ te horas antes, a lingua de fora recuara na crença da Lei. Procura Sinhá Nena e vê a braza de seu cachimbo. — Procuram os agir logo. Julião desaparece, Vitorio guarda a faca, senta-se junto da m ulher, dá um a p itad a no cachimbo, aboia nas caatingas, tom a benção, tira o chapeu e leva um es­ bregue do patrão, envelhece se curvando para o patrão, recebe o engano do patrão mais um a vez acreditando na palavra, na justiça, na verdade, na honra, na lei. — M iseria, Sinhá Nena, a gente definha sem res­ peito. — Quem abaixa m uito am ostra o rabo. Vicente>voltará p ara saber a verdade. Vicente já se aproxim a, adivinha antes de ouvir. O velho Vitorio toma suas mãos, aperta com raiva. M aria nas pernas de Juarez desperta ao sino de domingo e adormece em seguida. Luciano escova os dentes, mãe Laura am arra um lenço na cabeça, o sino repete, Pedro M oraes reza, Al­ buquerque vomita, o Professor se arrasta no labirinto dos bêcos, passos crescem, chocalham o sino, Juarez veste as calças, o sino e o grito, engatilhados jagunços pulam na rua, Pedro M oraes à frente, pistola apontada pros camponeses, foices, enxadas — Roubo! Vicente avança, vinte, dez metros — Para — Não atire Pedro! Luciano permanece na porta — Guarde as armas!

Pedro M oraes cospe de lado, os jagunços baixam as repetições, Vicente deslizando sem olhar Pedro, Luciano cum medo, Juarez — G ente, vamos esclarecer! Vicente desenha Juarez mais ou menos de sua idade, alto na p orta e projeta m atá-lo. Aquelas palavras não entende, nem ele e nem seu povo, sua vontade dom inada até então pelo velho Vitorio todos eles alí, agora, a ponto de saquear Jardim das Pyranhas no auge de todo seu trabalho e m artírio nos anos anteriores da noite passada unido amigadam ente com Pedro M oraes, socorrido com gelo, a com unhão dos tristes no berço de espinho não desistirá da sua p artid a, não su p o rtará m ais as mesmas p ala­ vras, jagunços relaxados, Vitorio de cabeça baixa, com ­ panheiros m urchando à flor daquele Juarez rezado, rico, instruído e ele, V icente, alicates nas unhas, chibata nas costas, socos nos dentes, m etralha nas ruas com a força dos m eus últim os instantes agora para sem ­ pre Pedro M oraes a Foice girando o tiro entre a espádua e a lingua, a dor au m en ta na queda, Pedro M oraes parado com a q u aren ta e cinco na m ão, o Professor correndo. — T á vivo! Anda! Ligeiro, p ro b a r! Vitorio levanta o sobrinho ao mesmo tem po que os camponeses se deslocam contra Pedro M oraes os jag u n ­ ços engatilham as foices o Professor ainda reune forças pra berrar. — Parem!!! Afogaria raivas percebendo a chacina naquele domingo sagrado pelo cinismo do Prefeito reza de Vitorio deitando o corpo de Vicente sobre o balcão do bar arranca o canivete extrair a bala do ombro entre o sangue e a coragem, Pedro Moraes com a mão aberta acalmando os cabras, o Professor abaixa raivas Albuquerque cam isaberta, veias oferecidas, Juarez

repousa em M aria e piedade atirou Pedro Moraes pra ferir e não m atar conforme seu contrato com Luciano, pálido de medo, visto de longe por Julião maquinando nova p artid a, a can d id atu ra do Professor desde quando ele era o centro da fé daquelas almas, sua voz corpo crescendo — Parem!!! D etiveram os camponeses contra os jagunços. Reconquistou a paz pela coragem, Pedro Moraes ofereceu suas mãos p ara am p arar a cabeça de Vicente sobre o balcão enquanto o Professor bebe um copo in­ teiro de cachaça, derram a outro nas goelas do ferido, costura o om bro com um a agulha de saco-acordado pelo tiro, correndo p ara o perigo sem pensar na sua frente movido pelo im pulso do sonho, por nada mais dialético além disto um mísero Professor salvando Jar­ dim das Pyranhas de ser em segundos açougue fedido. Bebe outro copo de cana, dispensa o sangue de A lbuquerque, Pedro M oraes cospe de banda e um grito de Luciano convence o povo. Desviando-se, o Professor choca-se com os dentes am arelos de Julião que repete o convite: — A hora é sua! Aceite a candidatura! — Já disse que não! M esmo que o Professor negue vezes seguidas Julião ouve as prim eiras palavras de Luciano prometendo farinha e carne seca ao povo enraivecido pelo ferimento de Vicente, ele sabe como anim ais reagem acuados e por isto m andou abrir seu arm azém e trazer as pro­ visões p ra o meio da rua, o Professor era o único capaz de evitar que mais um a vez Luciano criasse raiz que o mantivesse no domínio de Jardim das Pyranhas. — Seu patrão, seu Pedro, é um filho da puta! — com enta A lbuquerque tom ando o pulso de Vicente. Jagunços carregando sacas de farinha, a fila, tres cuias para cada, um a tira de charque, Vitorio humi­

lhado, espinhos nos olhos, Luciano acende o cigarro de palha, pigarreia que dos vales daquela com ida tom ará votos e trabalho pra construir açudes mais baratos, economisando com lucros as verbas federais. Juarez é a indignação im potente, atravessa a rúa vendo homens verm elhos, pálidos, tristes, ferozes, musculos saltando d iretam ente dos ossos, atarracad o s, cabeças esm agadas pelo sol, enorm es m ãos, unhas sujas, Vitorio olha o b a r onde está V icente, Julião se dirige ao centro da p raça e vom ita na cara de Luciano, A lbuquerque segura A ntonio antes que ele possa correr para derrubar Julião, da p o rta do b a r Juarez vê de perto o homem de quem M aria já lhe fa la ra em várias oca­ siões em cartas, a decidida vontade oculta por estran h as deliberações do passado. — Um dem agogo. C a n a lh a ... — Política, Professor! Ju arez, m uito prazer! — apertam as m ãos, Ju arez e n tra , V icente, m oscas, Albuquerque fala, pensa nas p alavras de Julião levan­ tando Antonio como agressor de L uciano. — Batista, m an d a Pedro p ra m a ta r Ju lião ... — Cale a boca! — Os princípios da verdade serão revelados — Cale a boca! — Atire! — Este hom em é um louco! Do outro lado os jagunços engatilhados, Vitorio levaria o corpo ferido de V icente, o Professor gritava Julião, a poeira cobria os dois, Juarez dirigiu-se ao grupo de Luciano, A lbuquerque pegou um a rede no b a r onde coloca Vicente ajudado por m ais tres hom ens que o levaram, Vitorio hum ilhado, Julião — Um absurdo, traidor!!! — Se usar meu nom e, m orre, ouviu? Morre! Os flagelados somem, Juarez se deita na cam a com Maria, mãe Laura olha as rugas no espelho, Luciano

mastiga a velha palha de cigarro, Pedro Moraes dorme, os jagunços descansam Albuquerque pede cigarro, tira do bolso um velho baralho, joga as cartas no chão, o Professor abaixa pra esm agar a mão. — Tá louco? — Que besteira, olha aqui, é gangrena... — Não tenho nada com isto. Pedro Moraes? — É a salvação... Titubeia, rodopia, dorm irá com os cachorros. Albuquerque recolhe seu baralho, arrasta os joelhos, pega a prim eira garrafa, abre os braços. Desequilibrados na tarde, cidade vazia, Albuquer­ que sorri cada vez mais baixo, Antonio cospe, não in­ teressa entender, dentro de mais algum tempo Vicente e a gangrena, nunca fui médico mas tentarei salvá-lo, en­ tro na minha casa, cama desarrum ada, livros na poeira, sofro, rendo-me como Albuquerque, duas noites sem dormir. Sofrendo Vicente delírio mortal! De Sinhá Nena chorar para dentro conforme sua vida, de Pirulito agarrado nas mãos do prim o, do corpo a corpo ninguém adivinha que aqueles sacos significam dias e dias de trabalho. Vitorio mete a unha no céu da boca, arranha, en­ gole sangue com farinha, cruza os calcanhares rachados e batuca no mormaço. A farinha devia ter sido devolvida na hora, a vida de um homem não vale um a cuia de farinha, não troco o mundo onde a vida custa uma cuia, batuca no branco, os cafundós verdadeiros Vitorio arreia quando se avan­ ça se toma um tiro, engole sangue, acende resto do cigarro, cospe de lado, os bois nos ossos, bate cotovelos, não tem mais força pra quebrar o pescoço de um boi não se lembra tudo agora sem cor, coisas esqueceram Vicente panos remendados cabeça Pirulito água Sinhá Nena levará a papa, Vicente toma duas colheres

Pirulito nojo Correndo entre sujos do curral, dispara chora grita Sinhá Nena e suas criações conhecem bichos mete a m ão na cabeça de Vicente sonhos, o Professor sabe mais da política e da m edicina que os hom ens da cidade e Vitorio não fala, de volta a Jardim das Pyranhas Pirulito acim a de todos, grandes cam inhos de um a raça a o u tra cavalgo nas caatin g as apenas p ra d ilatar o círculo m undial em volta dela, ja m ais reta, passo des­ tino doando bens. A ntes sua vida n eg ad a não sab ia n u n ca soube daquilo que ouvira aos retalh o s de V icente e hom em na praça sabia ser necessidade, im possível, velho dem ais pra pegar no rifle penso do can g aço no b eatism o , no protesto m o rrerá V icente, c a a tin g a s fecham tu d o nas correntes esto rricad as, g rita q u em p ed e, lu ta quem tem arm a, perdi m in h as vacas filhos cavalo fugiu sei que Vicente m orre conheço b ic h eiras e h o m en s n a g a ru p a , capim seca e P iru lito estica o b o d o q u e .

Vicente, ninguém devia ceder nas dificuldades, uma força sorria por dentro deles, exigir direitos e não espera piedade Pirulito Vicente guia nos ermos da luta contra o cascavel estremece na curva aos tiros cer­ teiros Pirulito Sinhá Nena Vitorio bate na porta, o Professor desperta e o atende, fale, voltam correndo, Pirulito cascavel na cara de Vicente corre pro curral tenda febre mosca ombro lingua Professor — Não é gangrena — Morro? Vingo no vivo e no morto meu cumpadre Antonio Virgulino Ferreira Lampião Capitão Ymperador Geral do Sertão por vinte e cinco anos! — Depende — De Deus? — Pode ser preso! — Questão de vocês. Isto não é fortaleza, há qúinze anos salto neste buraco sem esperança ou coragem, cortando um fio que

me ligava às responsabilidades, me despi das coisas, ambições, a fuga foi volta à consciencia composta sem o passado que hoje, transpondo curva, ressurge com a carga dos esquecimentos reprimidos, dados, datas, jamais o que poderia ter sido o resultado de meus caminhos interrom pidos — e foi apenas impotencia, in­ consciente tortura dos desejos, estar sem saber em que mundo e súbito deixá-lo, rom per os elos de amor e trabalho, arrancar as pontes e cobrir a cicatriz. Pedro Moraes bebe, ferve o estômago e arrebenta um a garrafa A lbuquerque ajoelhado m anda vomitar, dedo na garganta, lutam alguns m inutos, o sacristão traz bicarbonato, Pedro M oraes bebe gemarfa, A lbuquerque lhe coloca um cigarro aceso nos lábios, duas tragadas, arrota, vomita o sacristão volta com um balde de terra e derram a no chão, fedem os sapatos de A lbuquerque e ele não resiste à pegajosa m atéria tira-os num a esquina desliza Julião até que o Professor afundase na poltrona. — Já não lhe disse que não me interessava? Não sou de violencia, não tenho geito. — Não é insistir, mas compreenda! O senhor foi lá no curral, viu á miséria? E nós, e nós? Chegamos aqui, fizemos as fazendinhas mas o Prefeito m anobra os açudes! Sou um filho da terra, e os outros! — M erda, não vê que tou doente? Batista se intim ida e sai dizendo que volta depois, Albuquerque tem nojo, lábios covardes, M aria sorri, Juarez bebe licor. — E aquele Professor? — Visionário. — Melhorou, Pedro? João perdia metade do medo que sentia pelo ja ­ gunço, afinal homem sentiu dores e se levanta com as mãos na barriga. — Vá ver o Professor, ele tem uns remédios...

— Um brinde ao futuro Prefeito! — Saúde! Juarez levanta o cálice, Batista entra — O Pedro tá doente Mãe Laura vê pela janela Pedro carregado por Albuquerque e term ina de beber, Luciano — Este Pedro está me queim ando a tolerancia... Não term ina a frase, bebe, levanta-se, cham a Batista. Pirulito vê pela prim eira vez um homem m orrer. Desfaz ilusões, entende. Vicente ruína, onde o cavalo, arreios de p rata ondulam — m ar canoa m ar — t>orto livre abriga fugitivos. Vicente mais velho. Vaqueiro do seu geito costum ado: sei que o rapaz volta mesmo com as idéias, o povo aqui não topa se mover pelos direitos, a te rra quem dá é o céu, o m undo cresce em Pirulito, ro u b ará um a vaca, voltamos eu e ele. Homem, já sei da coisa como é do geito da m inha, meu cavalo e Vicente na m anga, m anhãs, leitaria das nuvens bebendo com precisão, isto sim, m uito certo, roubo a vaca. Já vou sair, disfarço, Pirulito escorrega no plano, Pedro Moraes escorrega outra vez na soleira do Profes­ sor, entramos, somos tres na tarde, olha como queim a. — Toma um café que m elhora... — Questão de hora Professor, sobre política já lhe disse Albuquerque, dor dyaba, dor dyaba, dyabo não, inferno é Jardim , já se viu um a terra dessa? Você, Al­ buquerque, sabe de tantas coisas, não? — Tira a camisa, vamos, deita aí, vai. — Não é gangrena mas pode m orrer. — Serviço de au senhoria, eu o mestre Pedro deixo esta vida mas pra que deixar, em função de qual? Sei

ensinar, seu Albuquerque, no meu ofício sei pra en­ sinar. — Vejo que M aria gosta de você. — Não se preocupe. Nos entendemos. — Depois das eleições M aria pensa — Outro brinde e vou dorm ir — Laura não come? — Está com as manias dela Juarez, magro, ligeiramente incerto, espero demais casam ento assim organizado, m inha mãe, hábito, sobre borgas de latrina pensa num am or impossível, o que significa Juarez? A lbuquerque é contrário em aventura pelo mundo, sem fé, profano mais velho que m inha mãe, Juarez se afasta, boca fria. — Você me ama? A vitrola gira ainda olhei Juarez alguma coisa es­ toura e M aria sobe as escadas o fim de mãe Laura ritual descrito minuciosamente naqueles discos durante anos de gilete na mão esquerda corta o outro pulso, Maria impede num salto, Juarez branco música mãe Laura m ergulha na cam a, Luciano ronca, Albuquerque decide: — Vou am anhã. E se me der na cabeça levo Laura. Você não sabe de nada, o que é que você pro­ cura? M ulher não tem , dinheiro, vida, você procura o que Antonio? Olha o Pedro dormindo. Terminamos amigo dele. A m anhã Luciano porém m anda, ele vem e mete um tiro na boca da gente. As coisas não têm sen­ tido, velho, morremos sempre de qualquer geito. — Laura é viciada, acredita na felicidade, que é uma besteira, serve apenas pra anim ar dois velhos. Ê assim, todo mundo se junta, Pedro vive da pis­ tola e eu na de mim. Olho esta terra e me vem um nojo saudoso: — Que livro?

— O “Capital” . — Todo rapaz que estuda Direito ouviu falar. — O que me interessa não é o livro. A Byblya do outro lado? Os livros se conciliam pelo geito de inter­ pretar, o homem se concilia na leitura. — Você não foge de nada. — Reis! Rainha de ouro rom pe o salão seguida de seus condes amantes! — Paus! Duas espadas! Copas! Topázios nos dedos!!! — Joias que dou a Laura! H erança de m inha mãe! Está com sêde? Papagayo no céu. O sacristão ouve os gritos que vem do fim da rua. Novamente a pedra segura a linha. Com duas cervejas, corre Batista: — Diga a Pedro que o Prefeito tá cham ando ele. Pedro Moraes acorda com os gritos. — Passou a dor? — Enjoado. — Tome bicarbonato. Albuquerque arrum a as cartas, João chega, Pedro recebe o recado. — Diz que vou de noite. — O papagayo é seu, pode ficar com ele... — Minha mãe é o que você viu. Não serei igual. — Um homem precisa. — Meu pai precisa? — Não serve de exem plo... — Não caso. Maria puxou Juarez beijando forte e o conduziu à sua cama, despiu-se, deitou-se, abriu as pernas. — O homem está com a úlcera doendo. — E Julião?

— Conversando com seu grupo. O povo da cidade tem medo... Fica todo mundo debaixo da cama en­ quanto Luciano enfrenta os flagelados... — Vou chamá-lo outra vez — Ele disse que não vem Luciano lava o rosto, outra morte, Juarez eleito, o povo abre os açudes em pagamentos aos vales, eco­ nomiza a verba, viaja para a capital. — Trabalhei, meu sangue não serve mais para a luta, darei a Laura o que ela merece depois do sacrifício que fez por mim, eu e Juarez instalaremos umas fá­ bricas de geléia, sapataria talvez, enlatado de man­ dioca... — E viajamos pra França! — Não me interessa — Está doente? — A toalha tá pendurada. — Eu lutei a vida toda! — Você nunca me interessou. Mas se quiser ir vamos. Vicente divisa a noite. Sinhá Nena cachimba com sêde. Vale pelo futuro. Onde? Agora, tudo seco, amargo fumo, dor, Vicente, peito esquecido, salvo da gangrena — ela vigia, nariz curvado que medita, o que fará Vicente se Deus deitar contrário na minha vida? Levantando posso chegar na cidade com os bráço livre e cortar de facão a cabeça do Prefeito. Volto. M uralha, Sinhá Nena não remove. Ninguém. Nem o vaqueiro Vitorio, seu velho, meu velho de anos — a terrinha pro menino e mesmo a mulher dele.

Morria gente na paz sem a dor das noites assopra um na boca do outro, dentadura, barreiras da barriga. Vicente vira de lado, rasteja. Sinhá Nena dorme, a fumaça do cachimbo se con­ funde na treva. O povo não se movimenta come a forAe magreza dos meninos, desligo, bichado é o peito da mulher, tronco de homem é esqueleto fantasiado de pele, acima das. veias, nas emoções, no am ortecer dos olhos as negações da vida. Vicente sairá escondido, arrastando-se pela mataria chega em Jardim das Piranhas e degola Lu­ ciano, tudo se vinga, Sinhá Nena me guardou a vida em nome de Deus. — Acreditei em Deus, cam aradas! O que era pra fazer? Nega as verdades da terra? — Crença é crença quem acredita não nega! — M ania é conservar o vivo ruim , o vivopressivo! Na crença se confirma a vida do outro que cava cova? — Hoje foi bala. Que sujeito era aquele que veio trazendo água gelada na noite de ontem, me deu água, hoje me atirou! Observou o são, deu força à folha nova pra seu brilho, fazer alvo, furar depois... Vicente dentro contorna a m ulher, Corvo, liber­ dades de esquecer, escorrega luar, brilhante mundo, ferido levantando nos joelhos p farão. — Tenho ordem de falar com o Senhor, coisa séria de Prefeito. O jagunço não entende a conversa do Professor com Albuquerque, arrasta-se para fora, Batista — É pra m atar Julião Pacheco. — Porque num m anda um desses cabras? — Coisa pro senhor. Infalível. O homem tá num a reunião na Rua da Frente, perto do posto de gazolina e sai à meia-noite. Pedro arrota na cara de Batista:

— Agora, vai, quebra o caminho! Olho aqui no relogio de casa, na hoja ajo... — Laura é minha payxão! O Professor amassa o baralho: — Devo ter muito álcool no sangue. — Falo sério, levo Laura daqui, abro uma loja no Recife. — Estradas velhas. Vou dar uma volta... Passa por cima das garrafas à sombra de Pedro Moraes. — Laura, pense! Eu lhe tirei do puteiro na Bahia há 20 anos e você diz que não me ama? — Velho besta, não tá ouvindo a voz de Maria? Na putaria? Reaja! Arrancado da noite o vulto cresce berra — É Vicente! — Filho! Filho! Filho! Professor! — que homem é Terra Testa — Albuquerque! Albuquerque! — Grite cachorra, assim, assim cachorra! — Amanhã eu vou, ouviu, amanhã! E levo minha filha. Levo, não deixo ela se casar com êsse porco. — Por Deus, homem, por Deus me afogo! — Pegue, Albuquerque, pegue! — Desta vez no cú! Revira! Égua! Ahn! — Vou além dos mares minha gente. Pegam Vicente, um nas pernas outro na cabeça, dedos contraídos no cabo do facão. — Primeiro Vicente depois Julião. — Dá sorte, na cintura é morte. — Foi na fome, nas Alagoas, na mocidade — Foi no porto, serviço de cachorro — Por duzentos contos era um tiro na boca — E na miséria, vivo na miséria, a polícia me per­ segue, ah, irmão, como a gente tem amor à vida.

— Seu Julião Pacheco vai beijar a terra pela se­ gunda vez — O regente é o destino — Este é doido, não escapa — O homem m orre Professor — Teimosia — Vai dar confusão — Depois conversam os. A lbuquerque, ajude, ajude — Vou em bora. Ei seu Pedro, onde vai? Juarez ab an d o n a M aria e senta-se na cam a as­ sumindo o geito de quem resistiu. M aria rola devagar pelo chão, geme cansada, as costas verm elhas, arrep iad a m u rm u ra — A bra a jan ela Juarez, nú, m agro, abre a jan ela, M aria no chuveiro, água b a rre n ta, m orna, ela m esm a se enxuga, um anim al que não entende seu pai. — U m a besta como sua m ãe. Nesta luta em cim a das cam as, pelos lados en g an ­ chada nas cabeceiras, fuçando lençóis colchões, isto, de outra form a, to rtu ra m ansa cresce o u tra vez num pulo domina Juarez pelos ovos, ap erta com força, arran ca lábios Juarez desespera, ajoelha-se nos dentes. O sangue escorre das virilhas, engole, beija, suga, fere, come, fraqueja, dor, gozo desanca socos M aria rola no chão aos risos e Juarez enrola o caralho num a toalha. — Vitorio, acorda, Vicente sumiu! Pirulito desperta, Pedro M oraes espera Julião Pacheco, Juarez chora, M aria desce as escadas, o professor respira na boca de Vicente, A lbuquerque não pensa, Laura se olha no espelho, Luciano tenta decifrar os gritos, Pirulito se arrisca. Vitorio e Sinhá Nena procuram pelos lados, com ­ preendem, desistem.

— Seu Pedro! Sou eu, Maria! — Dona? — Passeando seu Pedro? — Nesta escuridão... — M atando o tem po... G uarda a quarenta e cinco, meia-noite, alguns segundos a menos, dormida pelo corpo, não importa, é Pedro Moraes, a morte viva o mau hálito, encolhe-se. “Anos e anos numa ponte de amargura sempre silenciada abre-se um sol diverso daquela diaria con­ denação ao cultivo da terra sob enxadas sob pés sobre pedras atingindo Quando amém os dias se recuperam e mudam o nascimento na luta a vida dos sonhos os companheiros vivos fazem força dobradalém morte meu contrário Deus me negou e nem os lábios se movem às mãos o corpo entrega ” — Acende uma vela — Onde? — Na cozinha, logo. — Que fantasia, Professor, que fantasia! Tudaquilo que estava dentro dele e que não ga­ nhara vida em fuga nem muito menos nos livros e na bebida, em tudo o que tentara fundar nova existencia dentro de seu limitado poder, sua inconsciencia mesmo interrompida há anos, outra morte era ele, sem nada, um homem morre em minhas mãos. — Se êsse sujeito lutar ele vive Albuquerque! A vida é uma questão de vontade. Forte a respiração de Vicente, a vela entre os dedos, a cera não lhe queima, tranquiliza-se o pulso, Antonio — Já vi muita gente morrer, Professor. O ca­ marada luta mas o passado escurece e conosco no pas-

sado, se levanta o futuro que nos preparam os pra sus­ tentar nossa vida no irreal... — Tem algum a paixão, am or perdido? — Cara? Tenho? — Porque você não topou a luta aí, com os ho­ mens? — Vai ficar batendo num m orto? Vicente endurece no sofá, A lbuquerque m ordeu a lingua nos dentes e larga o braço — Sem padre — Vamos ao curral — Essa m orte dá em revolta — Não quero ir sozinho — Pra mim é indiferente. Vou em bora am an h ã. — Eu fico. Pedro M oraes levanta-se, b rilh a o olho branco, M aria deitada, o jag u n ço some — Antes eu era assim m ata-cachorro de Luciano. Quero você, Julião, m eia noite de vez e você m orde a lingua por últim o — Sei lá, Deus me deu D eus me tira. — E ra que era m esm o um c ab ra de fé e valentia, seguro de si e das vontades, que eu,cortei. — Não fosse de foice era de faca. O que é que ele queria? Não ser como eu, m atad o r? — Vem cá, Julião vem! De m anso, vem! — Vivia daquilo, eu disto, não sou de m a tar mas de trabalho Deus lhe perdoe seu Julião, e proteja sua familia. Julião não gritou, Luciano olhou pelas jan elas e subiu as escadas, Pedro M oraes m eteu a q u aren ta e cinco na cintura, acendem luzes, povo e Julião lim p an ­ do a poeira grita inflam ado — Você não conseguiu me m atar, Luciano! Agora a briga vai ser feia assassino filho da puta! — Foi Pedro M oraes quem atirou! *

— O m andante foi Luciano! — Vicente morreu seu Vitorio! Ruge Jardim das Pyranhas cresce antes dos sinos, os camponeses em m archa, o corpo de Vicente nos om­ bros, dois jagunços cortam os fios telegráficos enquanto três a cavalo rumo ao entroncam ento, onde deveriam recom endar ao ônibus que as estradas estavam intran­ sitáveis e que çor isto mesmo o m otorista deveria passar ao largo da cidadela, por ordem do Prefeito Luciano que enfrenta flagelados cangaceiros místicos. — Vicente abriu a boca e morreu! Eu abri a boca e fui baleado!. Vitorio na frente, Sinhá Nena, Pirulito toda raça disposta ao apocalipse caso alguem atirasse e ainda os habitantes divididos nas janelas, arm ados, uns contra os jagunços, outros contra os camponeses, uns que tem iam o massacre e outros que lutariam contra Lu­ ciano, Julião esbraveja, Juarez aparece de calçae camisa, revólver no cinto, pálido e trêmulo: — Vicente morreu porque veio correndo para a cidade de arm a em punho, não o m atam os, o ferimos pra salvar a vida de Luciano, Pedro Moraes é um agente da lei, Julião, êste sim, é um agente da desordem! — Você tem arm a, Albuquerque? — Não, mas é bom a rra n jar... Tom am mais cerveja, M aria não pode chegar até sua casa sem evitar os corpos sujos e fedorentos, teme por seu pai apesar do ódio por ele não sabe bem. — Dona M aria, entre aqui, se proteja O Professor a cham a pra dentro do bar, ela não entende, mas Albuquerque explica em poucas palavras, enxerga o fundo dessas coisas, o povo na frente mostra Vicente se convence que a verdade não pertence ao Govêrno Luciano. — Revoltados na terra castigada!

Vitorio, corvo velho, Sinhá Nena m astiga o cano do cachimbo Vicente — Agora! — A gente arriba, enterra o moço — Vitorio, andam os! — Frouxos! M erdas! Pela ierceira vez deixaram a praça,hum ilhados, comendo raízes, sopa de p edra, esperando da Lei — Vinham as tropas com a corneta tocando e es­ folavam os vivos. — M as se voltam os, olho de Vicente, ninguém acredita, este doutor não arrespeita mais — A gente fica Sinhá N ena. Fica! — Lutaremos! E Julião descia repetindo aos gritos um a palavra impossível quarenta rifles de prontidão. Pedro M oraes m onta linha de jagunços na praça dirigindo com os braços e faz sinais de tiroteio à mais leve ordem de Luciano, sacou a q u aren ta e cinco. — Some daqui, some, agora! E bateu com o cano na cara de Julião. — O povo não se mexe. Mãe Laura de revólver recebe um sinal d ’A lbu­ querque da porta do b a r en q u an to Luciano atravessa a praça. — Nossa luta será intensa! — A sua! A lbuquerque não vê Julião e faz um sinal feliz por trás dos homens que se movem, Luciano desconfia, percebe, ah, os longos encontros no quarto — Laura! Laura! Eu tenho idade p ara an d ar de chifres? — Não — Laura, por seu vício, eu me sacrifiquei. — O que? — Se você me corneia com êsse caixeiro?

— E se fosse verdade?! — Lhe rasgo no chicote, lhe dou lavagem de pi­ menta no clitoris, lhe salgo os peitos cortados de pei­ xeira, lhe meto taca de jegue no rab o ... — Aquele caixeiro morreu! Morto! Pedro Moraes! Pedro Moraes! — Luciano! Luciano! Os camponeses desaparecem da praça — Pedro! Pedro! Vamos ao b ar e traga cinco homens. E você, Juarez, venha ver a justiça! — Evém cinco! Julião se esquiva, o Professor se levanta, Albu­ querque — Ãs suas ordens Prefeito — Vais m orrer caixeiro de merda! — Uma cerveja? — Fogo! — Pedro, que é isso seu Pedro? O jagunço atende ao Professor na frente dele gritando pela prim eira vez na vida — De que se trata? — Não se meta, o senhor é dos livros. Êste caixeiro vai morrer. — Posso saber porque? — Questão m inha, coisa secreta, não interessa, quem m anda sou eu. Jagunços cercam pelos lados, M aria junto a Juarez que leva a mão ao bolso, A lbuquerque acuado, mãe Laura falou — Fuja, se defenda! — Fogo! Fogo! Flexa atinge Albuquerque suas arm as imprevistas no chão Antonio rola vidraças voam Julião corre Maria Pedro Juarez saltam poeira sangue gritos De fogo ao bar outra jagunçadacua mais lenta Batista atira

Bala a bala voa M aría deitada junto do revólver coagulado — Albuquerque, saia até eu contar vinte, senão vou lhe buscar! — Pois venha! Três jagunços jazem pelo ódio de Julião — Atire, Professor, seja homem mulher estamos nas fronteiras da nossa morte mulher estamos sob pragas vícios nos canais dos corpos onde as balas mulher pode atirar e morder mulher tres balas nos protegem duas um a nada como os tempos mulher atiro corpo destino — Ah que tudo volta na hora da morte conforme as sábias palavras do suor e do frio — Da recompensa da piedade na penitência — Perdão Deus inferno ou laranjeiras! frutos fumaça pedras últimas sêcas balas Laura — A mim Pedro Moraes — Desta guerra não tenho vantagens e Julião se rende, Albuquerque de branco na porta do bar, Julião por trás, Antonio dominado pelos cabelos pela força de Maria. — Corra seu filho da puta! Quero lhe m atar correndo! — Ah, Laura, suas fraquezas, fugiríamos hoje! — Corra! — Corno! Grande corno! Olho a olho, costelas, pulmão, rifles, pistolas, Al­ buquerque desaba, Julião escapa, Antonio urra deixan­ do os cabelos nas mãos de Maria ainda chuta o corpo do amigo estremecendo no sangue: — E a mim você não mata Luciano?! Pesado é o corpAlbuquerque metroitenta. O mundo não tem leis precisas arrasto o segundo morto no meu dia com os cachorros que me seguem lambendo o sangue fresco Maria se afasta sombra de

Pedro unhas pescoço, morno meu amigo e principal­ mente o arrasto furado incontáveis miolos nos dentes dos cachorros Assim flui a pulsação surpreendida não mais a não ser a velha idéia sobre o passo de agora carne e mesmo o que foi, corre infatigavelmente nosso sangue, des­ troçado termino reduzindo ossos a pó. Ferro braza do Dyabo nas costas do tempo! Recuando às origens do mistério histórico da cons­ ciência. Ã seiva bruta do orgasmo renasce Albuquerque — Falanges que me ferem que me cercam per­ seguem! — Consistencia estoica dos mártires, desespêro dos heróis! — A Hystórya ou o Homem? Não é para o nada mas para a mudança da Na­ tureza pelo homem — A meditação do sacrifício e mágoa, clara como fonte — Tão longe como é a porta de minha casa carrego um homem de quarenta e cinco anos pesando infini­ tamente no arcabouço da morte — Alcançar aquela casa equivale por isto — Não pode a quem é concedida a vida — Por tal homem entre si ou entre o mundo — Pela ambição da moeda — Pela moeda — Pelo tráfico da moeda — Pela escravidão da moeda — Não sou peça da máquina que determina minha morte — Luxúrias condenadas e pecados da carne fugindo do sol nas salas escuras procura a vida protegida

sem tam bores m arch ar a gesto no breve cam inho mais sofrido por im perfeito desde o físico dos ossos e da carne até o pensam en­ to / — Não és, abrirei tu a cova e estarei convencido que tam bém m ergulho e lá ficarem os sob a eternidade das pedras e do pó sob raízes que assistiram a vinda das vidas p ara estas planícies de pedra e m andacarú diante da qual pensam os por vezes que estaríam os con­ jugados pela idéia do horizonte — E atingíssem os a com preensão do infinito pela consciência da m orte — Os fogos dos dias queim am nossas fronteiras e estamos cercados e livres — N unca valeu o princípio segundo o qual o justo é aquele que sacrifica a vida diante de um a idéia, im ­ portam os vivos os m ortos negam — Poderíam os afirm ar algum a vez nossa im por­ tancia diante do m undo respirando um a vez quando nascemos — Se tudo pelo que im agino pelo que a Idéia — M atéria 1 horizontes queim ados em volta distantes m ares filhos de vibrações — Aceito, castigado pelo teu cadáver acreditar que és filho dos oceanos m isteriosos — Sou filho de O utro Eu — A p o rta da m inha casa é m ais distante que m inha com preensão e m eu cansaço pesado teu corpo ficarei ancorado vendo os vermes te com er Vitorio suspende a foice e o cam inho de Sinhá Nena ressurge das cinzas Laura chora no guarda-roupa M aria corre e fecha a janela Juarez carrega o revólver Luciano vem pro meio da rua

Os donos da terra e os danados da terra, Vitorio bebe água Sinhá Nena Piruliturina sangue Pedro Moraes jagunços correligionarios gritos fogo tiros facadas explosão morte a boiada estourava no Razo da Katharyna com as patas nos Petropolis à — Guimarães Rosa girou duzen­ tos mil laços de borracha pelos pantanais das Rotas êêê por aqui num se esvae Riverão Incendiada campina pra desviar a boiada no riacho do fundo, Linda e Luiz Papagayo se perderam chamuscados com Anjo Mauro e os vaqueiros restantes tremendrosos de Karter Bracker — “Foi êle, visto com meu Peryskópyo ” — voava Luiz Papagayo num alto falante sobre a boiada louca e cada hora vinha uma bezerra ou vaca sangrada pra cumida dos vaqueiros — nós num tem porque tê amo por esta
nossa gente protetora —

Gritou a Vaca Morum Bi!
— No is aí ou com K artrer Krtera Brachosus — vamos morrer aqui nos protegem pro corte e os Boius Bonitituoustsps os Bois Los Toros eles ficam nos fudendo até que os Sacos Empedrem e depois morrem ocê ja viu um sujeito quebrar ovos de Boi com Marrão ?

A morte de minha irmã Anecy Rocha, no Marçabril carioca de 1977, arrebentou a estrutura de “ Riverão Sussuarana” .

Ela estava aqui na copa numa tardomingueira e naquele dia de manhã a encontrei na Rua Voluntarios da Patria, Botafogo, com o filho dotivo vindo do apar­ tamento do marido para tom ar café na casa de minha mãe, Rua das Palmeiras, nos cumprimentamos afe­ tuosos sem beijos e abraços, olhei as revistas e jornais na Banca e ela me disse para não tom ar o Elevador da Frente, que estava quebrado, e sim o dos fundos, em caso de subir para falar com o marido que dormia. Almoçamos juntos e eu disse a Necy, diante de minha mãe e do marido, depois de ouvir suas queixas: — Mude de vida senão você morre — e ela sorriu secretamente fascinada. Não passamos um dia feliz, houve rusgas contor­ nadas, ela expulsa do meu espaço pela presença (io marido, às cinco da tarde recebo a visita de Sonia Coutinho, Sonia e Necy se cum prim entam , saimos para uma volta de carro rodamos pelo m ar da B arra á con­ gestionada Avenida Nossa Senhora de C opacabana e quando Necy morria no fundo do poço do Elevador da frente, o mesmo que ela me advertira para não subir, eu contava a Sonia que m inha outra irm ã, Ana M arcelina, morrera de leucemia meloide aguda em 1952 e que meu analista Ivan Ribeiro descobrira m inha culpa de so­ brevivente na tragica tentativa de ressucitar a irm ã na figura de R.M .P. reencarnação de Carlota, heroina libertadora de escravos no romance “ A M enina M or­ ta” , de Cornelio Penna. Procurei uma explicação para a morte de Necy. Reuniram-se alguns membros da familia de minha mãe, proteztantes de Vytorya da Conquyzta e confir­ maram nossas origens judaykaz de portugueses conver­ tidos ao Proteztantysmo para fugir da Ynquizyção Khatolyka. Atravessei dias e noites com alguns amigos inter­ rogando moradores do Predio, testem unhas in/diretas.

Uma semana depois do enterro, cansado, triste e com raiva de muitos amigos que se recusavam a pro­ ceder diligencias, fui ver o Delegado Lacombe e o Ins­ petor Carlos Alberto na Decima Delegacia da Rua Bambina: — Eu estava na minha casa, ela saiu de lá com o marido e duas horas depois alguem me telefona para falar do acidente. Comuniquei á minha filha Paloma e pegamos um taxi para Botafogo. Na esquina da Rua das Palmeiras, movimento: MORREU! Fui dar a noticia a minha mãe e a meu pai, depois sai para o Edificio de Necy, na Rua Camurano. Bombeiros, ambulancias, imprensa, radio, te­ levisão, amigos, luzes, vizinhos, ela estava no fundo do poço, esperavam a pericia. Procurei o Sindico ou o Vice, que estava cercado pelos parentes: — O que aconteceu? Ninguém sabia nada. Não a viram entrar no Elevador. Ameacei o Sindico de processa-lo pelo fato de per­ mitir que funcionasse um Elevador quebrado, a irres­ ponsabilidade de não ter mandado consertar-lo e fui avisado por Lenny que o marido se encontrava no apar­ tamento da vizinha, no Sétimo, que ainda não sabia da morte, que eu fosse lhe dar a noticia. Entrei com Lenny no Elevador, onde estavam mais duas pessoas e fui surpreendido por um rapaz alourado, magro, estatura acima da mediana, de bermuda e camisa brancas, calçado com galupins, barba de dois meses, cansado e nervoso me falou: — Ninguém quer dizer nada... ninguém diz que ouviu ou viu nada... mas todo mundo ouviu os gritos dentro do Elevador e quando chegaram no Sexto... Tome este menino!!! Tome este menino!!!

Não quis adm itir a hipótese da Tragedya... Um Crime? O Elevador parou e o rapaz saiu pela esquer­ da enquanto eu e Lenny pela direita nos dirigimos ao apartamento da vizinha pela porta da cozinha e num quarto estava o marido chorando junto a C ... e eu lhe disse: — Ela morreu. Está m orta. Caiu no fundo do poço e morreu! O marido soluçava destroncado enquanto a vizinha me levou á porta da frente de seu apartam ento, onde, diante do Elevador que desembocava tam bém na porta da frente do apartam ento de Necy, estavam o Inspetor Carlos Alberto e sua equipe: — O senhor é o responsável? — Sou o irmão da m o rta... Que se passou? — Não sabemos. Ela está no fundo do poço, o Elevador está parado no Oitavo, a porta do apartam en ­ to fechada... E nem o Sindico, nem o Vice Sindico, nem o porteiro viram ela en trar no Elevador... Precisamos que nos dê tempo p ara investigar as hipóteses... — De crime, acidente ou suicidio... mas um cara no Elevador acabou de me contar que ouviu gritos... que todos ouviram ... O Detetive Fernandes se projetou em silencio entre dois Bombeiros que tentavam abrir a porta do Ele­ vador: — O que? Quero ver o cara que te contou esta his­ toria... Venha com igo... — saimos e na descida da es­ cada o Detetive me perguntou: — Confia no teu cunhado? — Claro! — respondi preponderante e quando chegamos no Terreo o Detetive foi à porta do Elevador e prensou Severino, o ascensorista: — Severino... você puxou este Elevador lá da Caixa de M aquinas?

— Não sinhô... — tremia o nordestino diante das provas de que estava mentindo: — Severino, tem uma pessoa que viu você puxan­ do... Puxou ou não puxou? Severino começava confessar e o deixei com o Detetive, subindo pelo Elevador de Serviço ao Sétimo percebia que a m aquina de silencio m antida pelo Sin­ dico, pelo Vice e por Severino começava a cair com a confissão: então, depois da queda de Necy, Severino, o Sindico e o Vice com binaram nada dizer mas o pacto fora rompido pelo rapaz de barbas que o Detetive es­ queceu preocupado com o depoimento de Severino? Entrei no apartam ento da vizinha e chamei o marido, ainda chorando, até o banheiro, onde o in­ terroguei em presença de C ... — Conte o que se passou... A policia está ouvindo o Severino... — O que?! — O que se passou... Todo mundo dizia que não tinha visto nada, agora tem um cara que viu Severino puxar o Elevador... Você já depôs? — J a ... — Então como é que a Lenny me disse que você não sabia que Necy tinha m orrido... O que se passou? — Entram os no Elevador... Ela pediu pra Se­ verino puxar o Elevador... Ela estava sozinha... eu es­ tava passeando na calçada... esperando a vizinha com a chave.., ai ela me disse que Severino ia puxar o Ele­ vador... Subimos... com o m enino... o Elevador escuro, as grades não estavam fechadas... No Sétimo, tudo es­ curo, êle parou, menos de meio m inuto... Necy saiu... o Elevador subiu... ela gritou eu gritei... saltei no Oitavo, bati na porta da vizinha, entrei pela frente, desci pelos fundos na vizinha do Sétimo procurando por Necy... — Montagem mal feita — respondi e o deixei.

Teria o Inspetor Carlos Alberto ocultado que ouvira o marido? Amigos chegaram pra providenciar a remoção do corpo e voltei à casa de meus pais onde recebi visitas mas ninguém me permitiu criticar o marido pela ir­ reflexão de permitir que Necy entrasse num Elevador quebrado. Lá pelas quatro da m anhã, a casa mais vazia, chegaram os amigos O .L.R. e C., baianos com os quais pude revelar minhas dúvidas: — Se, como diz o marido, o Elevador parou pouco .empo, ela não cairia porque a testa batia no Elevador em lenta ascenção, porque subia lento, a manivela puxada pelo Severino... E a suspeita na lembrança das palavras da vizinha quando eu abandonava seu apartam ento: — Seu Glauber, não exclua a possibilidade de um assassinato. — Eram duas perguntas que me afligiam, eu não queriadmiti-las no meu discurso: a sugestão da vizinha num tom de clarividencia típico das tragedias misticas que, confirmavam a pergunta descontraida do Detetive se eu confiava no meu cunhado. Antes das seis da m anhã da segunda feira, en­ quanto o cadaver chegava do Necroterio ao Cemiterio São João Batista, eu e meus amigos voltamos ao Edi­ ficio para interrogar Severino sobre uma contradição explosiva: — Severino, o marido diz que o Elevador parou menos de meio minuto! Quanto tempo você parou o Elevador? — Bom... o sinhô sabe... eu gostava muito de Dona Necy, ela era muito boa comigo, eu fazia qual­ quer coisa pra ela... eu gostava tanto dela.... ai ela veio e me pediu pra ir puxar o Elevador, ela estava nervosa, estava com o menino...

— Com o marido ou sem o marido? — Num me alembro... — Como?.. — Num sei... eu subi.., num vi nada... ai fui puxando o Elevador, eu não sabia que o marido estava dentro, fui puxando, ai parei no Sétimo, um minuto... a um minuto e meio... ai ouvi um grito, um baque... e puxei o Elevador para o Oitavo... — Mas Severino, como é que você ouviu primeiro o grito, depois o baque, e depois puxou o Elevador do Sétimo pro Oitavo? Se o Elevador estava parado no Sétimo, ela não teria espaço para cair no poço... Então será que ela caiu do Sexto? Severino, você ouviu gritos, discussões, porque tem um rapaz de barbas que me contou ter ouvido... — Num sei... num me alembro... — Como não se lembra? Alguem mandou voce puxar o Elevador do Sétimo pro Oitavo? — Num sei... não me alembro... ouvi uns gritos.... não sei... — Mas o marido diz que você quando chegou no Sétimo parou o Elevador menos de um meio minuto... — Me lembro que parei mais de um minuto... um minuto e meio... — E como è que você não se lembra de ter parado no Sétimo e ouvido os gritos... ou ordens... como é que um corpo cai do Sétimo estando o Elevador no Séti­ mo?.. Estaria no Oitavo? Não teria ela caido no Sexto e você puxado para o Sétimo e depois para o Oitavo? Severino, fale a verdade! — Num sei, num me alembro — deixei Severino chorando de pena e de medo e fui visitar o Sindico que me recebeu com um café: — Acho que o Severino está mentindo... Êle se corítradiz... — È é um homem ignorante...

— Fique descansado porque não vou processa-lo como devia por não ter m andado concertar o Eleva­ dor... M inha irmã morreu e eu quero saber é a verdade. Severino está m entindo e depois quando cheguei ontem e lhe perguntei sobre o sucedido, o senhor me respon­ deu que ninguém sabia de n a d a... Depois Severino con­ fessou pra policia que tinha puxado o Elevador... Tem uma m entira qualquer que não cola... — Severino falará na presença de um advogado... — Tem um rapaz que ouviu gritos... Êle é b a r­ bado, meio louro, o outro porteiro me disse que ele se chama Jose Luiz, fui procura-lo em seu apartam ento mas não encontrei ninguém de b a rb a ... — E ra o Russo — falou a filha do Sindico, que é amigo do M auricio e de C arlinhos... M auricio, Carlinhos, filhos ou sobrinhos do Con­ sul? Zé Luiz era o Russo? O rapaz de b arb as saltou no Sétimo ou no Sexto? — Ê, deve ter saltado no Sexto... Q uer falar com a mulher do Vice? M oram aqui no Sexto, defronte... Bati no do Vice e sua m ulher me respondeu: — De fato Russo veio aqui pegar um rem edio... estava perplexo... M as estava sem b a rb a ... Russo é amigo de Carlinhos e do M auricio. E quem seria Zé Luiz, barbado, se o Zé Luiz que morava no Edificio não tinha barba? Subi com R. e O. ao Sétimo e acordamos a vizinha: — Ontem de noite a senhora me advertiu para não excluir a possibilidade de um assassinato... — Não fui eu quem disse... Foi o seguinte: encon­ trei o marido lá em baixo, desesperado, e o trouxe para meu apartam ento... M andei alguem ir no apartam ento de sua irmã pegar um m edicam ento mas a policia não deixou ninguém entrar e resolvi ir pessoalm ente... Ai o Comissãrio me disse que o partam ento estava isolado porque precisava investigar a possibilidade de crim e...

A vizinha descartava sua responsabilidade na sus­ peita e me lem bro que entrei no apartam ento com a policia e ávidos tentaram identificar sangue num a m an­ cha negra no q u a rto .... alí naquele apartam ento feio, escuro, onde briguei com Necy no dia de seu último aniversario, em O utubro, logo depois da morte de nosso prim o Flavio Costa num desastre autom obilistico... um apartam ento infestado que parecia um tum ulo pre­ p arato rio .... e quando sai no Dom ingo da M orte, meia noite, depois de não conseguir chorar gritei: — M onstro que m atou m inha irm ã... Monstro branco! M onstro branco! D urante o enterro que reuniu as vanguardas in­ telectuais e artisticas do Rio de Janeiro diante de uma im prensa realm ente triste e discreta em busca do escán­ dalo, levantei m inhas suspeitas a um amigo que me recom endou lucidez. J. P ., desfigurado, me dizia em segredo que as “várias versões do m arido não m on tavam " ... quando M . me puxou pelo braço: — Tenho um a coisa chata p ra lhe dizer mas não se assuste... — O que é que pode me chocar mais? — N ão... é que fui com L. ontem de noite na Decima Delegacia da B am bina e lemos a prim eira ver­ são do Inspetor Carlos A lberto... A tese é de homici­ dio__ D iante do cadaver, quase duzentas pessoas, m an­ dei sair o Padre em nome do Proteztantyzm o da Famylya, m inha mãe com hiper tensão entre medicos e protegida pelo prim o A. a prim a I. chorando como naquele dia da morte de nossa Vó um Sabado de O utubro que coincidia com o aniversario de um a Tia, a tribu vivendo o Prazer do Nascimento e a Dor da Morte, fui vê-la m orta, bela, extranhei a frigidez do corpo, sorria, o absurdo daquela materialização fantastica,

daquele Teatro, daquela Tragedya em Primeira Pessoa, daquele enterro de luxo intelectual pago pelo Estado através a Em brafilm e, do Sucesso da suspeita sufocada no silencio como se a hipótese de um crime fosse mais escandalosa do que a morte da Estrela, Fim de Cultura, uma Semana antes foi a estreia do Di G lauber no Museu de Arte M oderna e ela veio me proclam ar seu gosto, eu fui fazer Cinem a com o Funeral de Di, eu fil­ mei a M orte mas ela, no seu T eatro, Era a M orte, inter­ pretava “ O Destyno da Tenebroza” do poema de Augusto Frederico Schim idt, Poezya M ortalha, Ela Branca de Neve entre Sete Anões, seus machos piranhas que não a descobriram Prynceza do Sertão, sem La­ tifundio, Reyno da Felycydade: — Fechem o caixão que já são mais de onze e meia... — ordenei e P .G . veio ironicam ente com andar a mise-en-scene, meu Assistente, alí com a tam pa do caixão pronto p ara b ater a C laquete, Plano 13, Anecy Rocha: — Calm a, G lauber! G lauber!!! — estavam ner­ vosos e me pediam calm a: — Fechem o caixão e não quero p ad re... Alguem lem brou o m arido p ara o ultim o beijo e gritei que o dono do corpo era eu e que o m arido não a beijaria e P.G . gritou calm a e eu m andei fechar o caixão e disse p ara Paulo Sussuarana que chegava jovem pegar num a das alças da frente e sai enquanto o enterro seguia e disse p ara T. e L.C.M . agora vou jogar minha dor em cim a dos inimigos abrindo os braços em gestos de arco e flecha apontados pra Torre da Kaphela dentro do carro entre flaxes fotelevisivos e cumprimentos no carro de um advogado, R. F. sai sorrindo para os dois gauchos fraternos, que Riverão tem amigos vaqueiros andinos daquelas “ ...fronteiras vazias dos P a m p a s...” , tinha Tarso de Castro o pri­ meiro a publicar o Capitulo ex-Rosa dos Ventos de

“ Riverão” no “Folhetym” da “ Folha de São Paulo” , romanceiro secreto que eu queria vender ao “Jornal do Brazyl” ou ao “Pasquim ” sobre suicidios, todas formas previstas menos queda num poço de Elevador: — Vocês não podem m orrer... — no carro revelei pro advogado minhas dúvidas fundadas nos depoimen­ tos dos moradores e havia muito fio a desenredar do labirinto daquela tragedia e que fossemos á Decima Delegacia da Bambina verificar o laudo, saber a po­ sição da Policia na Sindicância, dai ao Inquérito, ao Processo, ao Julgamento, expliquei que não desejava punir ninguém mas saber a verdadeira estória que me parecia mal contada. O Inspetor Carlos Alberto, que tom ara ferias por uma semana, veiculou a tese de Homicidio Culposo, responsabilizando Severino por, mesmo sob ordens de Necy, acionar um Elevador quebrado. “ O Globo” e o “JB” daquela m anhã relatavam que “ antes do acidente, Anecy subiu pelo Elevador dos fun­ dos até o Sétimo, tentou abrir a porta da cozinha de seu apartam ento com outra chave, muito nervosa pediu á vizinha uma chave de fenda, não conseguiu abrir, devolveu a chave de fenda e pediu para telefonar... ligou aflita tres vêzes para alguem que não respondeu, ela voltou ao terreo sempre com o filho, ai encontrou Severino....” . Outro dado: a filha do vizinho do apartamento de Necy (o mesmo da vizinha que lembrou a hipótese de crime) contou a seu Pai que me relatou descendo as es­ cadas do Edificio, naquela m anhã, antes do enterro: — Minha filha contou, aliás a Manchete veio ouvila, não quero escandâlos... minha filha me disse que o marido de sua irmã bateu na porta da casa dela com o filho, muito aflito, procurando por Necy... deixou o menino com minha filha e saiu... sempre murmurando o nome e gritando Necy! e ela o viu pela janelinha da

porta êle abaixado no espaço entre a porta do Elevador e a porta do apartam ento dêle passar as mãos pelo chão e depois descer as escadas m urm urando e cham ando... Precisava encontrar José Luiz, deixei o advogado e fui ao Bar junto á porta C entral do Edificio, fiquei per­ guntando pelo barbado, o tem po passou até Caruca, um rapaz amigo da Necy, me falou: — E scuta... eu vi tu gritando ontem de noite: Monstro Branco que m atou m inha irm ã... Tu me tocou, rapaz, eu tou vendo você vir aqui, ninguém quer dizer n ad a... O lha o cara sem b arb a cham a Russo e de noite eu te levo na casa dêle... Tem m uita coisa que se passou por ai... — Você viu algum a coisa? — O lha, eu vivo aqui ño b a r... O Zé Luiz, O Mauricio, o Carlinhos, os parentes do Sindico vivem dois passos daqui, a gente não se m istura, o Sindicio e o Vice não gostam de m im . Sem pre fui amigo da Necy... gente fina... Pois naquêle dia tinha o jogo Brazyl e Colombya, eu estava Dom ingo de tarde aqui no Bar quando vi a Necy saltar dum taxi alí na esquina desta rua com a Voluntarios e passar por mim, com o m e­ nino, disse “ Oi C aru ca... Tudo B em ...? ” e entrou... depois eu dei um a volta e meia, isso e aquilo e quando virei vi do outro lado da ru a vir o m arido com uns em ­ brulhos... — Mas então não deu tem po pra ela subir na vizinha, tentar abrir a porta, telefonar, descer e falar com Severino, sem que ele tenha chegado... — Olha, aqui na porta estava o R usso... Depois da gritaria saiu o José Luiz que me disse que o Carlinhos tinha visto ela sentada na mesa com o menino falando com Severino na presença do m arido... — Não acho o José Luiz. O que mora lá no quarto não tem barba...

— Tou extranhando... o bicho tem barba, foi ele que passou... olha eu não vi o que se passou, eu vi Necy chegar, logo depois o marido do outro lado, depois de um tempo eu vi o José Luiz sair e me contar que a Necy caiu, falou o que Carlinhos disse que tinha visto, e depois o marido sair com o Russo e foram dar a noticia pra sua mãe depois que a Ambulancia chegou e o marido correu e viu que ela não estava na Ambulancia e ai foram correndo pra sua casa... Eu não me lembro se o Russo estava aqui na porta na hora que ela caiu mas acho que não porque o Russo saiu com o marido, hoje sete e meia eu te levo na casa'do Russo... Qual a relação entre a morte de Necy e um artigo que publiquei naquele Domingo em “Folhetym” , in­ titulado “Afryka 70” sobre o assassinato do Presidente Marien N’Gouaby? Do Vale da Morte do Kongo ninguém retorna vivo... seria a maldição da Besta de Sete Cabeças? Lembro-me que num a Ilha eu via a Onça sair de mim, a pantera jaguar pum a gritar do meu corpo na sala ou na piscina, gesto-me Sussuarana numa impres­ são entre o sonho a invisibilidade volumosa no espaço, um Tempo sem Imagem, a duvida era maior do que a dor da perda do meu espelho fêmea. Estava no escritorio cinematográfico de Nelson Pereira dos Santos telefonando aos jornais diante de Macalé que ouvia meus argumentos de reporter policial e advogado criminalista da Bahya, ex-aluno de Raul Chaves e entendido dos lombrosianicos discursos do Doutor Estacio de Lima sobre o vandalismo ancestral dos cangaceiros mamelucos, cafuzos e curibocas, cujas cabeças de Lampião, Corisco e Maria Bonita estavam no Museu de Antropologia da Faculdade de Medicina no Terreiro de Jesus de Salvador. No Jornal “Correio Fluminense” , sediado em Niterói, li uma noticia com foto e sub manchete na

prim eira pagina levantando suspeitas sobre a morte inexplicável da Estrela e relatando que o m arido disse á reportagem ter apitado a cam p ain h a p ara o Elevador que subiu até o Sétimo. Que no Sétim o, abriu a porta, Necy entrou e caiu ... o Elevador não tinha chegado... Só poderia estar no O itavo senão o corpo não passava... ê este depoim ento desm entia os depoim entos do m arido e de Severino. Telefonei p ara o “ Correio F lum inense” e falou o Chefe de R eportagem : — Bem, essa noticia o rep o rter não ouviu dire­ tamente do m arido, escreveu o que outros repórteres disseram a ele... Liguei p ra “ U ltim a H o ra ” , n a d a na R eportagem Policial. Liguei pro JB, u m a h o ra depois chegava na Regina Filmes um sim pático R ep o rter Policial que ouviu m inha estória e me levou na cam ionete do Jornal ao Edificio, onde reencontram os C aru ca que tudo repetiu e nos des­ pedimos ficando acertad o que antes das dez da noite eu telefonaria p a ra a R edação afim de co n tar o que passou no meu encontro com R usso, logo m ais ás sete e m eia... Caruca ainda p rom etia talvez o proprio Zé Luiz, o b a r­ bado, para m eia noite. Eu, o advogado e C aruca chegam os á casa de R us­ so, sua mãe atendeu: — Russo não e stá ... foi p a ra C abo Frio, trab alh a como auditor de um a fabrica de leite... talvez volte amanhã. O que era? — Sou irm ão da m oça que m orreu no Elevador e como soube que o R usso foi d a r a noticia á m inha mãe vim agradece-lo... — A hn., talvez êle volte esta noite... ele chegou aqui tão aflito... deitou lá dentro de barriga pra cima, suava, respirava m u ito ... ele ia sem pre visitar os filhos do Sindico... ele sabia que o Elevador estava que­

brado... ele contou... estava tão aflito que eu lhe disse meu filho, pelo amor de Deus, pra que você foi entrar naquele Elevador? Olhei Caruca, pisei no pé do advogado: — Como? Russo entrou no Elevador? — Não., eu não disse isso... êle ia visitar os amigos, estava chateado porque o Elevador estava quebrado... se Russo voltar hoje eu digo a êle para pas­ sar na sua casa... — Obrigado — e andamos até a esquina, o ad­ vogado se despediu para jantar, segui com Caruca até um bar onde pedimos Guaraná: — Você acha o Russo estava dentro do Elevador? — encarei. — Olhàqui, se tu me garante que a policia não me pega, eu lhe abro o que ouvi... eu estava la no bar, como te disse... ai saiu o Zé Luiz correndo e me disse que o Maurício tinha dito a Carlinhos que disse a êle que o Mauricio viu o marido em purrar Necy no poço... — Você esta me dando uma testemunha ocular... — O Elevador parou no Sexto. Russo estava den­ tro do Elevador, pegou uma carona... Parou no Sexto... pra Russo saltar... ai Carlinhos e Maurício abriram a porta? Não sei... o marido saiu com o menino, Necy saltou mas ficou discutindo barrando a porta com o braço esquerdo... ai o Elevador subiu... o poço ficou vazio... Maurício disse pro Carlinhos que contou pro Zé Luiz que viu o marido em purrar... José Luiz foi o primeiro que saiu correndo... A estória de Caruca explicaria a de Severino, segundo a qual ouvira primeiro o grito, depois o baque e só então puxou o Elevador do Sétimo para o Oitavo. Caruca falava a verdade? Êle garantiu que sim e me garantiu o encontro com Jose Luiz. Meia noite, em companhia de ZV. e de M.L.R. fui encontrar Caruca na porta do Edificio, êle não estava

mas um jovem louro sem barbas me cham ou saindo da Porta Central: — Oi. G lau b er... Nào está me conhecendo? Eu sou o Zé Luiz! — Mas você tinha b a rb a ... — Ah, é que fiz a b arb a há dois d ias... Por isto você não me localizou... eu falei com você no Elevador porque soube quem era você... eu estava cansado p o r­ que corri m uito... — Porque raspou a b a rb a ? — andavam os pela ruela, sentavamos no meio fio, de cocoras, encostados no paralam a do W olks, Zé Luiz: — Náo me lem bro de ter dito a C aru ca que vi Necy com o menino falando com Severino na presença do m arido... nem dos g rito s... — Mas você me contou d en tro do E levador. Q u a n ­ do chegaram no Sexto? No Sétim o? T odo m undo ouviu os gritos... E porque raspou a b a rb a ? — Ah, já e ra ... ra sp e i... deixo crescer... c o rto ... olha, eu estava ouvindo o jogo Brazyl e Colom bya q u a n ­ do ouvi o baque do c o rp o ... m as não ouvi os g rito s... Eu estourava ain d a sem d o rm ir ou c h o rar a m orte de Necy: havia um grito e um baque! Severino, na C aixa de M aq u in a , acim a do O itavo, ouvira prim eiro o grito, depois o b aq u e e em seguida puxou o Elevador: José Luiz, por cim a do jogo Brazyl X Colombya, ouvira o baq u e m ais su rd o que o grito? Se mora no q u arto e o corpo caiu do Sétim o (ou do Sexto?) não estava no centro do espaço sonoro, p o d en ­ do ouvir tanto o grito (m ais forte?) que o baque (m ais fraco?). E José Luiz raspou a b a rb a e reapareceu negando o que me disse no Elevador. Novas ondas surgiam com êle m esm o, seu desarvoro:

— Q uando lhe vi no Elevador estava cansado por­ que sai correndo do Edificio depois que soube que ela m orreu... Sai correndo por ai, fui até o Tunel Rebouças, ai voltei... C orrendo, sem sentido... Ai cheguei e lhe vi... soube que era voce, o irm ão d ela... e entrei no Elevador pra lhe contar que m uitas pessoas negaram ter visto ou ouvido mas eu ouvi o baque e sai correndo do meu apartam ento, encontrei aqui em baixo o Sindico, o Vice Sindico, C arlinhos, M auricio... Como José Luiz sabia que havia testem unhas? Por­ que o silencio quando cheguei: ninguém sabe, ninguém viu. Depois chega José Luiz e viola o segredo: m uita gente viu/ ouviu? Onde estaria o m arido? Segundo seu depoimento, “estava passeando na calçada do E d ificio ,.... enquan­ to, lá dentro, Necy transava com Severino p ra puxar o Elevador q u e b rad o ...” Acontece que C aruca, que estava no b ar, não viu o m arido passeando na calçada e conta que José Luiz lhe disse ter contado o Carlinhos ter visto o m arido com ela e o m enino tran sar com Severino e que M auricio Viu o M arido jogar Necy no poço... José Luiz raspou a b a rb a ... correu... m udou de c ara ... saiu louco, correndo... na porta do Bar encontra C aruca e continua e correndo... T inha com pactuado com o silencio... voltando... me vê... denuncia no Elevador... som e... raspa a b a rb a...

reaparece e nega tudo em baralhando mas con­ tinua: — Teve um as cervejas... a m ulher do b ar... sabe... a da Boutique, a p atro a da Lenny... Teve um a festinha no Sexto... Alguem veio co m prar cervejas... Fomos p ro cu rar a m ulher do Bar na rua ao lado mas o m arido nos fechou a jan ela na cara. No dia seguinte o advogado me respondeu pelo telefone que não tin h a condições de form ular um a Tese, eu o despedi, e á noite, depois de redigir meu depoi­ mento p ara o In sp eto r C arlos A lberto, que voltaria das ferias a m a n h ã ... fui p ro cu rad o pelo Russo, gordo, meio sarará, sim pático, parecidissim o com um russo: — Não entrei no E lev ad o r... fui visitar os am i­ gos... o Elevador estava q u e b ra d o ... Fiquei na po rta... depois vi o m arido sair co rren d o ... Cham ei o Sindico, o Vice, providenciam os o C orpo de Bombeiros, Am­ bulancia, a Policia e fomos d a r noticia á sua m ãe... O marido não entrou na sua c a sa ... Cheguei em casa desesperado, não sabia o que d izer... O Inspetor Carlos A lberto leu meu depoim ento, o passou ao D elegado Lacom be que me pediu tempo para ouvir as testem unhas. Haviam outros dados: O . Toniel Serra, um amigo de Necy, me contou que ela, na Q u arta Feira anterior á morte, apareceu na sua casa p ra lhe dizer aflita que o marido bateu dela, am eaçou deixa-la definitivamente, que na luta se lhe ro m pera o colar com o Amuleto de Ogum que fecha o corpo, que estava arrependida de ter adotado o filho pra salvar um casam ento fracassado, que precisava de aju d a, de um despacho por que amava o marido e preferia m orrer a ser abandonada. A cozinheira de Necy, depois de um longo e p a­ ciente papo, me contou que na Q u arta de m anhã, depois que o m arido saiu, ela encontrou m inha irmã na cama, chorando e lan h ad a de ta p a s...

Na porta da Delegacia, O. Toniel, com quem eu conversei toda m anhã em sua casa num a m ontanha de Botafogo, me surpreendeu: — Oí G lauber... eu passei a noite toda sozinho diante do cadaver na Capela do Cem iterio... antes de qualquer pessoa chegar eu lá estava beijando ela, falan­ do com ela, relem brando tantas coisas... ás vezes eu me afastava e ficava sentado olhando o caixão e pensando uma coisa... uma ideia... uí Necy não era careca... vol­ tei e vi que do lado esquerdo faltava um punhado de cabelo, assim como um a vassoura desfiada... achei extran h o ... faltavam uns fios de cabelo como se alguem puxasse com força... À noite, na casa de m inha prim a I., telefonei para a cineasta Ana Carolina, que vestiu e penteou o ca­ daver: — Notei que faltava um punhado de cabelo do lado esquerdo — ela falou sem que eu lhe perguntasse nada de cabelo: Mais tarde, a prim a I confirmou: — Prim o, eu tam bém vi que faltava cabelo... M inha irm ã, Ana Lucia, quando lhe contei: — Eu tam bém vi, ela não era careca, faltava cabelo... Voltei ao Delegado Lacombe, exigi exumação, ele me respondeu que a tudo isto o Laudo Pericial, pronto dali a uns quinze dias, responderia, inclusive com fotos e m ascara m ortuária. — Dr. Lacombe — ponderei — depois de vinte e um dias o corpo estará podre, será dificil ver se tem cabelo arrancado. Temos de ressucita-la antes do Sétimo Dia! Um parente, médico, me disse que às vezes aciden­ tes provocam cortes de cabelo tão sutis como se fossem navalhados. Uma exumação não provaria nada. Então seria o caso de procurar os cabelos no poço ou no

Edificio... quem teiia limpado estes cabelos? As fo- tografias nada revelariam, somente um exame no couro cabeludo para ver se havia realmente cabelo arrancado ou cortado, o navalhado deixava raizes e o arrancado deixava crateras... Naquele dia o Presidente Geisel fechou o Congres­ so. Meus amigos me chamavam de louko e telefonei para Caetano que me passou o telefone de R.D., em Brazylya, um amante — talvez o maior — de Necy. Foi a Onça Sussuarana morta por Peri? Ceei? Palmeyra na porta de minha casa numa Rua sem Saida? Ataques? Tragedy a, Opera, meu aniversario, a ultima festa, as fotos, o romance “A Menina M orta” de Cornelio Penna reaparece na mesa, R. M. P. no funeral, minha amiga C. me diz: — Olha... encontrei “A Menina Morta” na sala e tinha dentro aquela foto polaroide preto e branco que a Carola tirou de Necy no seu quarto... ROMANCE M: CHAVES: lembro-me que no DOMINGO FATAL fui ao apartamento conservar com o marido e meio dia voltamos pro almoço na casa de meus pais. Saimos pela porta da cozinha, a porta foi tran­ cada, ÊLE TROUXE A CHAVE? QUANDO SEGUNDO RELATO DA VIZINHA NECY SUBIU SEM CHAVE E TENTOU ABRIR A PORTA DA COZINHA COM A CHAVE DE FENDA COM QUEM ESTAVA A CHAVE?: se estava com o marido e ÊLE NÃO LHE DEU A CHAVE PORQUE?

MAS SE ÊLE ENTROU COM ELA NO ELE­ VADOR DE SEVERINO COM QUEM ESTARIA A CHAVE? COM A EMPREGADA? PORQUE ELA ESTAVA NERVOSA: aqueles dados forneciam suspeitas, pelo menos a hipótese de versão mal contada, mas se criou uma barreira repressora de amigos&PARTE DA FAMILIA: impedido de prosseguir, ainda fui proclamado louko por funcio­ nários da TV E ALGUNS NEOFASCISTAS QUE SE PROCLAahayor'troiys: fui para BRASYLYA NA CRISE DOS PACOTES CONGRESSO fechado ATO V ferido nos braços de OLYVEYRA BASTOS:POLYTYKA E CRIME NA SEMANA SANTA: documentos? O GOLPE DE —: novas contradições DISCURSO DO PRESIDENTE DA REPUBLICA NOSSA JUSTIÇA É LENTA IM: perfeita, a Policia, não quero chamar a Policia para resolver o caso, não gosto de CARANGO ESTOU NO MEIO DA PRAÇA — Questionar a essencia de Vossa Tese — eis minha função — ou queriam os advogados granfinos liberays prosimperialistas mais grandeza, HEROYS DA PATRIA: — GEISEL Ê UM PROFETA: bastava para que novos inimigos surgissem da feijoada democratyka brazyleyra, expressão de vanguardistas populistas ávidos de poder — era preciso desmascarar o TEATRO HYPOKRYTA PARLAMENTAR: revisar as estruturas do sistema que jogou NECY NO FUNDO DO ELEVADOR:êste Discur­ so revelado me projetou na fama da Loukura mas a

POLYTYKA SE FEZ VERBO NA PRIMEIRA PES­ SOA: o engordamento da Onça, a espessura mytyka de SUSSUARANA SELVAGEM E RIVERÂO ci­ vilizado, equilibrio das extremidades, petroleo san­ guinário, sono sonhador e feliz, despertar diante dum mar fétido e arvores brilhantes na THAPLUS CVIII RUMO A VESPER ESTRELA NECY E SEIS EXERCITOS SE MOBILIZAM LIBERTANDO O GIGANTE ETER­ NAMENTE ADORMECIDO VIAMOS FLORYANO E GEISEL SAINDO DE GUARARAPES COM A ES PA DÀ REVOLUÇÃO eu e sua qualidade GUIMARÃES ROSA: nada e sua condição, nevoeiro azul, rio azul, passaro azul, AZULÃO: vai azulão, companheiro vai ver minha amada diz pra ela que sem ela não tem mais sertão vai companheiroazulão companheiro vai passarazul ser­ tanejo pousou na minha janela branca no bico a carta em folha louca o sangue desenhava a decomposição NECY E SEUS OSSOS DESCANSAVAM SO­ LITARIOS NO CETIM DO CAIXÃO CONZERVADO: séculos se passaram e aquele CEMYTERYO SÃO JOÃO BAPTYSTA: desapareceu do RIO? MEU PAI VAI SEMPRE VISITAR A TUMBA: minha outra irmã esta enterrada no CAMPO SANTO:BAHIA: hum ran... só isso, pas­ sa o cigarrim de paia e vamos pro sertão, veja os Boias Frias esquecidos pelo AI &&&: o QUINTO: — o tempo das cidades fedendo a marcha pro interior por um novo mapeamento onde os rios corram para o interior ao grande lago central e os mares criem novas ilhas e con­ tinentes em nossos corpos, FERNANDO ROGÉRIO

JANE DENIZE PAULA TARSO HEYTOR: o planalto de OSCAR LUC YO: — E-l-d-o-r-a-doooo-mi amor es ay aqui la lendaria ciudad del futuro democratyko mundial... e o ser­ tão por detrás das alvas cartas arquitetais no centro da CYDADE ECLETYKÁ OU DO VALE DA PROMIS­ SÃO: BRAZYLYA PLENA: por dentro com minha PALOMA NO SERTÄO LONGE: — pan creatyko dormindo nas árvores secretas para melhor sofrer e gozar a morte de NECY: ritual com propria MORTE: destruição da FYLOSOHPIIAIAIAIAIAIAHA MORTAL: e do outro lado das nuvens a BOIADA DO COMANDANTE NA: imaginariação de um SER LITERARIAOO: passarama por JARDIM DAS PIRANHAS NO MEIO DO TERRORISMO: guerra e ocupação militar, mas­ sacres e anistias, o COMANDANTE ESTAVA CER­ CADO POR TODOS LADOS E NÃO QUERIA RECUAR PARA BOLYVYA: — N...ã... o tenho projeto revolucionário... MEU MODELO Ê V E L H O ;;;:----------- rinchando cavalo veio foi resmungar o COMANDANTE que eram velhos tempos se acabando e a mesma inflação. Frentes famintas mobilizadas diante das frentes de trabalho e o tempo não melhora: Rosa dormiu em cima dum abacateiro dezessete horas sem acordar e no dia seguinte, disposto, barba feita, estava convencido de que as melhores intenções de KARTRER BRACKER: como desenvolver o BRAZYL: não lhe davam Direito de invadir o BRAZYL

por isto justificava a expulsão, embora não fosse partidário da violencia: — O BRAZYL SEM BOMBA ATOMYKA PER­ DERÁ QUALQUER GUERRA!: não quero guerra mas precisamos nos defender... — publiquei no Correyo Brazylienze as contradições revolucionarias. PHROMETEU I PROMETEU é o Primeiro Mártir do Calendário Fi­ losófico. Para se viver a mitologia Prometéica é necessário distin­ guir entre a História e a Imaginação. Mais importante do que estes dois Atos é o DURANTE que preenche sentimentalmente a LACUNA. Este Durante no Entre é a DOR DE PROMETEU. Conta o povo grego de Passados Tenebrosos até o dia em que o HOMULHER descobriu o fogo. O Fogo não foi criação humana mas divina, Fogo lín­ gua dos Vulcões. Prometeu foi um Homem qualquer que roubou o Fogo do Vulcão. Por isto ZEUS o condenou a viver eternamente acorren­ tado à montanha com o figado exposto aos ataque do Abutre. E aos que desfilavam diante do seu Calvário Prometeu respondia: — Não troco meu sofrimento por vossa falsa liberdade nas trevas iluminadas pelas ilusões. Eu conheci o fogo e mesmo dele exilado sou a memória do seu Fulgor... Tantos Séculos se Passaram que o Abutre ficou amigo de Prometeu, rejuvenescido a cada Primavera

pelo Bílis que Bebia no FIGADO — todos sofrimentos transformados no líquido verde que o ABUTRE SU­ GAVA DOR E AMOR nele — o Devorador da Vítima cujos gritos geravam terremotos como se PROMETEU FOSSE O FOGO NUCLEAR, O NASCIMENTO DOS HOMENS O NASCIMENTO DOS DEUSES O NASCIMENTO DA CONSCIÊNCIA O NASCIMENTO DA CIVILIZAÇÃO II — Segundo esta interpretação, o NASCIMENTO DA CONSCIÊNCIA PUNE A GLORIA COM O SO­ FRIMENTO O FOGO DOS VULCÕES ILUMINAVA OS CEUS E DESTRUIA A TERRA PROMETEU DEU O FOGO DOS VULCÕES AOS HOMENS. OS HOMENS CEGOS DIANTE DA NOVA LUZ CONDENARAM PROMETEU A SER TORTURADO POR UM ABUTRE ALIMENTADO PELO SANGUE BILIAR DE PROMETEU O ABUTRE REJUVENESCE E FICA AMIGO DE SUA VÍTIMA QUE IMORTALIZADO PELA DOR GERA O AMOR E NO PRAZER DE DAR SUBLIMA O NÃO SER PROJETADO DA MATERIA FELIZ PORQUE VIU UM NADA LACUNAR ENTRE O SER E O PAS­ SADO O FULGOR DO FOGO PRIMARIO FEMININO NA MEMORIA DO AMOR ASSUMIDO SOU ELA FOGO MASCULINO NO VENTRE DA TERRA PROMETIDA:

— PROM ETEU PRECEDE A CRUCIFICAÇÃO KRYZTAN KRYSTO PROM ETEU RENASCIDO CRUCIFI­ CADO PELO SANGUE VIRGINAL MATERNO BATIZADO NAS MÃOS DOS PROFETAS RESSUCITADO. IV — A Filosofia não é Ciência porque seu Fundamento é a Dúvida — a Filosofia é o Conhecer sem Compromissos com o Conhecido — a Filosofia trata do SENTIM ENTO E SENTIDO DA CRIAÇÃO DIVINA E HUMANA. V - O IRRACIONAL CRIA A CONSCIENCIA CUJA FUNÇÃO Ê D EFEN DER A VIDA DA M ORTE. NO TEATRO PZYKUYKO — M ORTE É A NEGRA ARANHA CHAMADA THANATOZ E VIDA É AFRODITE DEUSA DO AMOR OU EROS DEUS DO PRAZER. GRANDE QUERRA KOSMYKA ENTRE EROS E THANATOZ. ENTRE A BARBARYE E A CIVYLYZAÇÃO. VI — Mobilizada nesta guerra a Humanydade atravessa tempos regulados por Q uatro Estações sobre a Terra girando em torno de si mesma direcional ao SOL. OS VIVOS MORTOS ENTERRADOS AFOGADOS DESINTEGRADOS REINTEGRAM-SE

Á MAQUYNA KOSMYKA. NADA É O NOME DE DEUS. O ANTERIOR E O POSTERIOR E O IMAGINADO JAMAIS MATERIALIZADOS EIS O DESEJO DE DEUS INDEFINÍVEL NADA ALEM DO CONCEITO DE INFINITO O NÃO SER ALÉM DOS HORIZONTES OU DA CEGUEIRA LIMITE DA LUZ OS CEGOS VIRAM DEUS? A TREVA DO CEGO EXILADO DA IMAGEM O ESCURO SER DYVYNYLUMYNADO. VII OS MORTOS ESTÃO VIVOS DESINTEGRADOS NA MATERIA SUBTERRÁNEA QUE GERMINA NOSSAS RAYZES. OS MORTOS SÃO NOSSOS INCONSCYENTES CAMPOS ADUBOS ALICERCES DELES NOS ALIMENTAMOS NA LUTA CONTRA A MORTE EM BUSCA DA REINTEGRAÇÃO DA RESSURREIÇÃO DA REMATERIALIZAÇÃO DOS MORTOS EM NOVOS CORPOS DE ALMAS NOVAS. VIII — O BARBARO PLANTA SEU MORTO OU O QUEIMA OU O COME. ENERGY AS DESINTEGRADAS NADA CADA MORTO Ê UMA ESTRELA ESTRELAS ANJOS DO SOL O SOL TRANSFORMA NOSSOS MORTOS EM ANJOS MASCULINOS E FEMININOS O SOL DEVORA AQUELES QUE COMPREENDEM

SUA GLORIA ALMA MINHA GENTIL QUE PARTISTE DESTA VIDA AO SOL AMANTE FIQUE EU NA TERRA CONDENADO A CHORAR TUA SAUDADE TERNAMENTE IX — OS VIVOS SEDUZIDOS PELA MORTE NO KARNAVAL DA BABYLONYA ENQUANTO O PROFETA DANIEL DECIFRA NA PAREDE DE BALTAZAR AS PALAVRAS QUE A MÃO DE DEUZ EM FOGO ESCREVEU SEJA QUAL A TUA SORTE SEJA TUA VIDA OU MORTE A MÃO DE DEUZ NA PAREDE EM FOGO ANUNCIOU QUE CYRUZ DA PERZYA REI DEUZ DESTINADO PELO PROFETA ZOROASTRO EM NOME DO DEUZ AHURA MAHZDA A CONQUISTAR O ORIENTE COM A MENSAGEM ETERNA CONFLAGRAR YA BABYLONYA AO SARCOFAGO BARBARO X — A RESSURREYCÀO DE KRYSTO COINCIDE COM A RESSURREYÇÃO DE MOYZES QUE FIRMOU O PACTO DE PAZ COM MAOMÉ JEOVÀ E ALÃ LUZ TUPAN E XANGÖ AÇÀO

- A CRIAÇÃO DE UMA CYVYLIZAÇÃO NOVA A CULTURA — (AS KULTURAZ) — SÃO ESTILOS DAS CYVYLYZAÇÕES: O OBJETIVO DO SER É A FELYCYDADE. A PLANIFICAÇÃO DA MATERIA OPOSTA AOS DESEJOS DA YDÈIA PRODUZ A MORTE DO KARNAVAL POR­ QUE A ILUSÃO É MAZKARA DO DYABO. XII — ALVORADA DEUS ABRE LIBERDADE SUA VIDA SOBRE AS TRIBUS TERRÁQUEAS UNIDAS PELO AMOR NA DYVYNA CRYAÇÃO DO NADA QUE NOS ETERNYZA NO EXTAZE DA BELEZA PARIDA PELA JUSTIÇA BRAZYLIA QUARTA FEYRA DA PAYXÃO Ela costumava cantar uma canção, “Sussuarana”, que nos emocionava adolescentes e não sabia o autor, a origem, acho que ela criou a musica que depois Gal gravou e em Los Angeles, 15 meses antes da morte de Necy, as letras surgiram criando Riverão Sussuarana no pressentimento dum romance que tornasse Homem aquela Onça que saltou de mim no Domingo crepus­ cular na Ilha, diante de uma piscinuterina na Byblyoteka d’Alexandrya antes que eu reescrevesse a vida de Cyrus e Alexandre, num Exylyo de 1971 a 1976, Ulysses transformado em Tezeu, Riverão não chega nem voltavança no ciclo barroco contraditório que o Brazyl é gigantesco guarany?

Faz três sumaria qui na festa de Sant'Ana o Zezé Sussuarana me chamou prá cunversá Desta bocada nos partimo pela estrada ninguém num dizia nada fumo andando sem parar. A noite veio o caminho estava em meio e eu tive aquele arreceio qui alguem nos pudesse vê eu quiz dizê: — Sussuarana vamembora .. Õ Virgem Nossa Senhora, cadê boca prá dizer? Mais adiante do mundo já bem distante nós paremo um instante prendemo a suspiração . Envergonhado ele partiu para o meu lado Ó Virgem dos meus pecados me dai absolvição . Foi coisa feita foi mandinga foi maleita qui nunca mais indireita qui nos botaro, é capaz. Sussuarana meu coração num m 'ingana v<*ifazê cinco sumana e tu num vorta nunca mais..

Riverão supervisionava as vacas feridas, alguns touros zangados e desistiu de conversa fiada, esporeou Laco Branco, seu mais novo cavalo comprado em Poções movimentando-se numa fuga de violões ron­ cados ao ventre de Linda fustigada de marimbondos: — Tá dificil, Sussú, tou cheia de mutúm e doença venerea... — Ê a guerra e a seca.... Terá sangue nas Ale­ luyas... Iahahaheréré e assim empinou Laco Branco saltando pros lados lambendo Linda com furor ternal: — Vou te curar .... se aprepare pra lutar que os home de Karter Bracker vão atacar e a boiada des­ cobriu a verdade... E nós fica cum a boiada... O Co­ mándente num vai gostar... Tem mais, Lindinha: tu gosta mesmo do Anjo Mauro? — Gostei... — Tu num sabe que ele matou as criancinhas de Afogados? — Meu Deus! — Pois ele deve pagar, meu amo... Diz ser o maior atirador do São Francisco — num é minha bala descas­ ca imbú no girasol... — Mas a gente precisa de Mau pra lutar contra Kart... — Mata Vaca, esteve na jurisprudência de Vicente Tranca Morte, o pior bandido do mundo... Foi Anjo quem mandou dizer a Vicente que o Comandante vinha trazendo a boiada... Vicente mandou avisar o Delegado Carango... É isso ai... Anjo Mauro, Vicente Tranca Morte e o Delegado Carango... E por aqui o Coman­ dante já sabe que Anjo traiu mas precisa dêle pra me matar... Só conto com você e Luiz Papagayo. A boiada estoura pra cima dos dois lados que ela procura sua liberdade... — O Comandante lhe protege, êle não quer lhe matar...

É ou num é teu pai? Sendo ou não, ele te ama. E sabe que tu tá apaixonada por m im ... — Quem foi que te disse....? Hum , presunçoso... ahn... — Conheço pelo teu olhar de cabra vaga... bei­ jinho... unh a n a... o C om andante num te deixa fugir cumigo... Vou ter de m atar ele... — Não, Sussú... — A num ser que ele deixe você vivê comigo... Luiz Papagayo rodam oinhou lentam ente sobre seu Rosa triste: que esplanada! Os sertões se definiam no Seculo e eram Virgens Orenocos das índias! Progresso? Rodoferrovias levando hum anidades aos Ymperios de Pedras Precyozas? Fabricas de Õcio poluindo ares al­ tiplanos e cavernas prehistóricas? Cidades Tecnológicas nas Fenycyas do Pyauy? A Cidade conta estórias de luxo em riba dos ciclos agrários de Pau Brazyl ou cana de café com leite. O sertanejo é antes de tudo um forte, não tem o exaustivo raquitism o dos mestiços neuras­ ténicos do litoral. E me cham am de reacionário. Uns críticos dizem da Rosa, és alienado? U irêtêrêrêrê. O sertão bugre fala nas m inhas letras, Varios Sertões e as Veredas, Sagaranas, Corpos de Baile, Tutam eias, meu romance é faunaflorido do Brazyl C entral e não previa a invasão de K arter Bracker. Bandidos furim budiosos como Joca Ramiro, Joãozinho Bem Bem, Herm ogenes, Delodomiro do Inhame, M atita Perê e A ntonio das M ortes uns herois da Saga Diadorim — Rio Em Vão de um a Cobra Verdamarela — Riverão Sussuarana G rande Rio do Verão Por Onde Travessa a O nça M ulticolorida Sedutora das M adrugadas nos Bosques da Ynfância. Horizonte D inam itado M r. K arter Bracker construia Uzyna de U ranyum em Brum ado com oitocentos mil escravos sob correntes triturando cascalho nas entresafras do subsolo.

Aquela poeira prometia canhonaços e Rosa procurou o sentido da batalha: o repórter e o carro de boi, a “Mitchel” e a Byblyoteka, a biografia de Griffith e a Cenografia de “Casa Grande e Senzala” . A realidade era gado em revolta pois bão! Rosa sabia que precisavam vinte e sete dias pra que a boiada do Comandante chegasse às fronteiras de suas miragens no espelho gigantesco de K arter Bracker O e Viu insegundos dourado rachar e desaparecer na poeira dos subterrâneos onde seus escravos ardiam na fervente farlha sexual. O Comandante perdeu o sentido da vida: levar boiadas pra Pedra Azul, de M anaus pra Montevideo, de La Paz pra Ribeirão de Caxias, e com 77 anos? Ou 90? Seu Grobe ligou a “M itchel” a partir daí: num crepús­ culo chorava Mauro: “ Sim, matei as crianças de Afogados... e num encontrei Umburana. Passei dezoito anos escondido ... Meu amigo M ata Vaca ... O Dragão da M aldade Contra O Santo Guerreiro... Livrai-me do Major Rufino e do Desertor Antonio das Mortes, seu Rosa, Santos, por favor... Olhe, o Sinhô quer vê como gosto do sinhô?" Anjo tirou do jaleco negro uma carta de vinte paginas em inglez de punho de Karter Bracker e passou na qualidade documental secreta do Chefe ao Em­ baixador Rosa: ‘D ear Mr. Rosa... I am from You and from South Monkey Cash. I am Fullish o f Crazy Cows Desires. I am Cow and Boy. I am Rich, I am Furious, I am God and Good, I am a Conqueror, I am the Bob Ahab Dick Body, I am the Stone of the Jungle..... ” Riverão aos bois por volta das cinco e reconversou os vaqueiros na monotonia do não saber: — Tamo parado há tantos anos!!! — vociferou o Boi Balão, Hemyzfheryo de ynjúrias nos bafos da desor­ dem: e os tristes cavaleiros de urna cruzada sem retorno morriam nos pangarés rezando roucas missas em fu-

neral complacente: rijignorancia nas pedras centauricas e bois, ligados aos vaqueiros, cavalos doentes. Rivo só via corujas nos bagaços dos enge­ nhos, usinas viscerais nos lixos de monumentos me­ diocres: “O Sertão é natureza " — conferiu Rosa: “It is Nature ” — continuava K arter Bracker explicando sua preferencia pelo Brazyl tão mal compreendido pelo Governo. “ Vargas , great Vargas ”. " — ” Sabes de Var­ gas?" — perguntou Rosa a M auro: "Num sinhô...". Pois é, um a carta de B racker e Anjo M auro era gente sua. Para Rosa um a proposta singela: “I give you One million dollar g o ld ... You write my life . .. Rosa 's K arter Bracker in the B aclandas... You are classic... like H em inghway... M y way o f D am azco... M an without searchers... I am John F ord... M r Rosa, I love You... I am John F o rd !” — na m adrugada branca de Lençol, quando Anjo M auro fugia de Sinhô Primo foi dar num Palacio de Kryztal do D outor Horacyo de M attos, e lá viviam K arter B racker Julieta M acedonia, a Prostituta de C urum bá. C orrida aos ouros, não? K arter B racker tin h a o m apa do Nôranyum Anjo Fossa e M ata Vaca entraram no seu bando pra fugir do Sinhô P rim o .... O Home do Tafetá Negro no Braço E sq uerdo... Foi na perseguição que se de­ tonou a p o n te... O cavalo de Sinhô Primo pulou no Rio e o home ficou pendurado nas correntes das ruinas... Vieram aviões trazer arm as e mercenários pra Karter Bracker e êle contratou os serviços de um dos Chefes do Sindicato da M orte, Vicente Tranca Morte, e com praram flagelados nos entroncam entos de paus de arara vinham carregados todo dia, famintos nas valas am arrados, as m eninas estrupradas, vacinados e postos a cavar ouro e petroleo mas K arter Bracker queria Urânyum.

Riverão foi conversar com Grobe, sem ele esperar. Conversa sem pena de compreensões hipócritas. Des­ vergonhas ilógicas. Riverão passara muito tempo no Pernambuco, isolado de Mynaz. Não queria detalhar seus crimes mas negava ter matado o Deputado San­ tana. Aquilo não tinha importancia, o grave era An­ tonio Carango, obssessivo Delegado cuja Gloria seria levar a noticia pra Grobe, que era Chefe da Pagina de Policia: Carango, advogado baiano, criminalista, perse­ guidor de Lombrosianos, assassino legal, sabia que o Deputado Santana fora morto por Deraldo Sampaio, o Senador Yndireto do Governador, um canalha sem Partido, num coquitel do Palacyo do Governo quando Juracy transm itia o poder a Lomanto Junior, seu suces­ sor... Mas Riverão estava longe da capital... Foi acusação falsa, os jornais publicaram que... “a man­ dado... um tal pistoleiro Riverão Sussuarana matou na Bahia o D eputado Santana. Porque Riverão? Carango era amigo de João Falcão, o Diretor Proprietário do “Jornal da Bahia” , e forçou o reporter levar a noticia pra Grobe, que era Chefe da Pagina de Policia: — No mesmo ano que Bory Pasternak ganhou o Prêmio Nobel e Jorge Amado criticou o estalinismo! — Viva Jorge Amado, escritor retado é êsse ai! Porreta mesmo, um escritor do caralho, universal e continental, estamos no ano do degelo! — Olhe aqui — responde Grobe — fui demitido do jornal por causa desta manchete... Num gosto do Carango... êle prendeu estudantes e intelectuais na Revolução de 1964... Foi um torturador.... Tenho a ficha dêle.... Se você me der a reportagem exclusiva pro “Dyaryo de Notycyaz” , eu posso provar sua inocencia...

— Ianhhh nunauamam não.... num quero ser inocentado — Laco Branco empinou e Susssrauauanarsssuarararauauananassssuararssussussususiararnana chamou Anjo pra longe que foi tremendo mas pegou um burro rosado de musculaturas lendárias no encon­ tro de verdades: Mostrando quanto mediocre quem a Matara à traição , o Fantasma , o Dyabo, Fundo de m o ço / de p o ç o / de Elevador Afogando-a na escuridão Asfixia pulmonar fraturas assim morre um poema Anexypoezya Princeza do Sertão , Sussuarana, Alma da Poezya . Amada por poetas como Bruno, Caetano, Rogério/ Mulher muito B razyl... Eras tão viva que continuas no meu corpo ... Como se eu tivesse comido tu ’ alma minha Necy Euyazado em Te... Toda sua vida e aquele close sorridente no cai­ xão. .. Depois pedi pra Paulo Sussuarana levar teu cai­ xão. .. Hoje fu i visitado por Zé do Caixão e prometemos filmar “Viagem ao Reino da Morte". Em seguida Sussuarana passou a Sarapintado os originais inéditos de um conto de d'Ancey Rocha — Ela queria que eu publicasse. Num gostei do titulo. Ela voltou um dia pra dizer que ia substituir êste por outro, “Assassinato” , titulo de sucesso. E se foi ver o Jorge M autner... Mas num quero mais lembrar dela... Conversei sobre o caso com o Ymperador Calazans da Bahya e êle disse no Sol do Lago, Deus o tem­ po ao Deus dará... Então guarde seus pergaminhos pra

se lem brar que foi, ela, a Estrela Necy, quem primeiro me falou de sua beleza... O sol baixou entre nuvens e Anjo M au leu os papeis: — Te falo com calm a, Anjo M auro, que te co­ nheço... Num é por causa de Afogados não, que esta miseria que tu fizeste Deus lhe p u n irá ... Ê por caso pes­ soal... — Cumé é que tu sabe ôóóô Riverão se eu me cham o Anjo M auro ou Anjo Fossa? O u Y alantiño Serapião? Meu nome é Anjo M aio... — Num quero cunversa, louro... Te apeia prum a contestação? — Fico no meu burro, o nome dele é C ara M ole... — Prossigam os... Tá cum pressa? — Se a gente num se encontra com K arter Bracker êle se debate cum a gente... De form as que caso o tem ­ po não passe, leia as “ M em órias do Cárcere” , de seu G raça R am os... E p ra ficar alegre o “ Ciclo da C ana” de seu José Lins do Rego C avalcanti... A prendi, de tanto conversar com seu Rosa, quem são os traidores... — T u falas de traição, Anjo M auro? — Mesmo o Demonio tem seu Ju d a s... Riverão assoviou: — Seu Grobe está com a m orte da irm ã na cabeça. Veio me contando durante a viagem seu sofrimento. Me recitou um a Poezya e peço sua atenção: “Não esqueço tua face gloriosa m orta Dentro do caixão amarelo entre amigos Parentes e amantes de tua breve passagem pela vida... Minha irmã querida...
Eras a poesia viva... Branca de N eve... Ninguém mais linda em graça e beleza...

Eras agil como as cabras borboletas Nega Fulô e Eras Jabuticabuganvilhas... Jogralesca Teu sorriso de gloria sobre a morte Do ângulo que te vi, beijei, falei em teu frio cadaver Eras o pique das Amazonas, guerreira morta em ação ”

PARA MEU MARIDO (Conto d’Anecy Rocha)
Atrás da prateleira qualquer olho podia se confun­ dir com o tom vermelho do quarto de Rosa Lia. O clima era vivo e gasto. Ela, Lia, vivia ali seu descaso e sua aproximação com o mundo. O quarto estava vazio de gente. Só tinha muita cor, vidros de perfume, quadros alaranjados e panos tentando aconchegar. Presos nas paredes, caindo da mesa e da cama, vermelhos e im­ potentes, eles não conseguem o amor. Ana ou Rosa Lia começava ali sua transa com a comunicação, com o mundo, com o pensamento. Cor vermelho, amarelo e assim ela ia tentando. Ela escolheu seu quarto como ponto de partida. Lia chegou despreocupada da rua, pendurou sua bolsa na cadeira e largou seu corpo na cama, pensando no marido e em mais nada. Alguns minutos depois bateram na porta e Rosa Lia viu sua amiga Liana com­ pletamente lambusada de óleo. Mal Rosa abriu a porta, sua amiga entrou no quarto e disse: — Pintou uma boa Ana. Acho que chegou nossa vez. Passei duas horas na garagem, espremida entre carros e as paredes, ouvindo o dono do antiquário CNI1408 contratar um empregado e dar todas as dicas do movimento da loja. Gostaria de me apoderar da

CNI1408 e sei qual o melhor m om ento. Vamos juntas por favor, ninguém vai sacar e teremos momentos fan­ tásticos. Você vai, Ana? — Gostaria de ficar parada feito bailarina de louça em cima de uma bandeja da CNI1408 durante alguns minutos. Farei uma concentração e ouvirei sons lindís­ simos, feitos de prata e porcelana, dançarei sobre os tapetes persas e rezarei deitada aos pés dos santos mor­ tos e pecadores. Vamos, tomara que tenha um boá. As amigas entraram na loja cantando uma música de roda. M antendo o ritmo, elas enfaixaram o novo em ­ pregado, transformaram-no em múmia, ficando fora apenas o nariz e os olhos. Liana começou pelos lustres , era preciso uma luz romântica e aconchegante. O cheiro de mofo estava ali há 45 anos. Rosa procurou desesperadamente uma saída secundária e encontrou a porta que dava para a garagem. Agarrou sua amiga pela cintura e se mandaram daquele túmulo. A missão ja estava cumprida. A múmia era a única coisa que es­ tava faltando dentro delas e do antiquário. Na garagem todos os sons eram metálicos. Ana sentiu saudades de seu marido e começou a chorar. Liana meteu-se num tubo e rolou até a porta. Gritou o nome da amiga e voltaram para casa com um ramo de violetas comprado no mercado da praça. Liana/Rosa Lia entrou na casa na expectativa de encontrar o marido e ficou feliz em vê-lo. — Foi bom ter sido ao antiquário. Havia uma divisão entre o antiquário, Lia, Ana, Liana e a figura bela, linda do seu marido. Rosa Lia queria entrar em contacto com o presente mas algum amor muito forte ficou em seu ser. Amor. O trabalho no antiquário significou alguma mudança. A múmia era a meta. Ela teve o cuidado de deixá-la deitada para não se cansar. Pensou em Lina enrolando o moço inerte. Ele, o empregado do CNI1408, só não

era múmia mesmo porque não tinha faixa. A noite veio. Rosa Lia abraçou o dorso do seu marido e começou a sonhar... Para onde teria ido Rosana aquela hora? Eu, es­ critora deste conto, sei. Passou num supermercado, comprou bebidas, frutas e queijos e levou para casa, num tipo de vítima curtidora. Entrou cantando *'Ai a solidão vai acabar comigo ” e foi correndo a atender o telefone. Era engano. Continuou a cantar, bebeu vinho e acabou adormecendo , suavemente, voando... No dia seguinte seu Armando não entendeu a mudança mágica de sua lojat também nada perguntou ao novo empregado . Ele sabia que não havia expli­ cações, afinal de contas já estava no ramo há muitos anos e conhecia quase todos os encantos e desencantos. A noite foi dormida e sonhada como toda noite cansada, profundamente . Rosa Lia acordou antes do marido e depois de beijá-lo muito levantou-se e tomou um copo de leite gelado. Ela não sabia o que fazer com o dia e começou a confundir tudo . Era exatamente nessa hora que a con­ fusão lhe encostava na parede . Gostaria de partir com sua amiga para uma missão mais profunda do que a do dia anterior. Enquanto bolava o dia seu marido acor­ dava resmungado. Ele sempre levantaria irritado, azedo. Rosa Lia recebia aquela dose de mau humor com pouco amor e muita paciência . Ela gostava de ver o marido se arrumar e ficava sempre esperando, ima­ ginando como ele lhe daria o beijo de despedida. Às vezes ele não dava e que força Lia fazia para atravessar o dia. Estar em paz com o marido era melhor, a cabeça e o corpo ficavam mais leves. Agora que estava só na casa Lia vestiu-se rapi­ damente e tocou o fone para Liana. — Te espero daqui a 15 minutos no Jardim Botânico. Quero tomar uma prisa de clorofila antes de

qualquer coisa. Estarei no quarto úmido junto as sa­ mambaias e violetas . £ possível que tudo aconteça por lá, no meio das plantas e placas. Não sei, depois a gente se entende, tá? Olha, quinze, minutos a partir de agora. Saio às dez horas em ponto. Tchau. Às 10:15 Liana e Ana Lia estavam sentadinhas no ladrilho, juntas de antúrio gelado. Rosa lia os números e nomes das plantas frias e aos poucos fo i arrancando as placas e empilhando-as sobre o degrau verde, meio molhado. Lia tirou a blusa e roçou seus peitinhos no veludo musgo das paredes. Era um dia de chuva. O frio, a excitação, tudo estava orvalhado e a primeira gota d'água já estava sendo esperado pela pontinha da língua de Rosa Lia, Liana, Ana Lia, Rosa e Rosa Liana. De repente Lia viu sua amiga congelada, deitada no degrau das placas, em posição de morta. Come­ çaram a rir e se picaram dali antes que morressem de verdade. Atravessaram quatro ruas e tomaram uma batida no “Bar P iqu e”, sentadinhas na mesa dos fu n ­ dos. Lia levantou, fo i até o orelhão da esquina e ligou para o marido. Trocaram algumas palavras de amor e marcaram jantar juntos. Para ela era um começo legal de dia, muita ação, muito amor. __Você tem emprego fixo? — perguntou Ana e amiga. — Que pergunta pirada. Nós vivemos juntas e você não sabe? — Só estava querendo começar alguma coisa, mes­ mo que eu já conheça pode me dar uma dica nova. Que você não tenha emprego fixo tá legal mas não é nada disso que eu quero falar. Falei por falar, para começar. — Pare, Ana, não quero ouvir palavras agora. Meu corpo está frio e minha cabeça apertada, não quero saber agora de suas frases. Ajude-me, oriente-se. — Ontem meu analista me lembrou um objeto há muito conhecido. Fiquei uma hora olhando para ele e

tive a impressão que nós, o grupo, não saíamos daquela sala há 45 anos e raciocinando assim achei que perdi meu tempo estagnada naquela sala. Vou pedir para que pelo menos os móveis sejam trocados. Aliás, embora tudo pareça estagnado, as únicas coisas que não mudaram foram os móveis. Só agora, aqui falando com você é que senti as inúmeras posições que ficam os. — Ana, amo minha m ente tanto quanto meu cor­ po. Fujo do meu corpo tanto quanto da minha mente.

— Tenho que ir. M e esqueci de com prar a comida da cachorra e ela, coitada, já deve estar roxa de fom e. Tchau. Deixa que eu pago. Você telefona? — Estou com saudade de Nei, acho que vou até Ipanema conversar com ele. D espediram -se rapida­ mente. Havia algo de incôm odo e Rosa Lia sentiu-se aliviada dentro do táxi.
Conversou m uito com N ei e contou para ele a von­ tade que tinha de fa ze r um espetáculo enorme, só para ela e sua amiga. Ela queria algum a coisa mais espe­ tacular que rodar ou voar. M esm o que alguém visse não poderia interrom per, pois seria mágico e p o r princípio só seria interrom pido quando ela e sua amiga estives­ sem cansadas ou desinteressadas. O público poderia fotografar se o sol quisesse, se as mãos não tremessem. Nei ouviu os projetos de Rosa e prom eteu passar esse dia concentrado, dando força. D espediram -se e ela vol­ tou muito pensativa para casa. Rosa sabia que pelo menos durante uns quatro meses ela não ia poder fugir da mente e do corpo. De seu ser sairia seu plano e, para isso, era tam bém preciso evitar choques. A preparação começava no pen sam en to; ela tinha que fa zer ginástica, regime, ir à praia, análise, passar entre plantas e p res­ tar muita atenção no que sentia. Seu vestido tinha que ter todas as estrelas do céu e todos os peixinhos do mar desenhados. Comprou cetim branco e purpurina

prateada. O branco era o cor que mais valorizava o torn jambo de sua pele e ela queria estar linda. Rosa teve o espetáculo na sua frente naquele momento. Não existe espetáculo, existe ela e a amiga, o marido, a cachorra e o amigo. Será que Rosa está fugindo ? Mesmo que não haja espetáculo esse conto vai ser forçado até onde minha mente quiser e meu corpo puder. Ela tomou um ônibus na rodoviária e foi a Friburgo ver o entardecer. Na volta, já tarde da noite, Ana dormiu na viagem; seu corpo sentado ficou todo dor­ mente e ela deu um berro assim que o ônibus parou na Av. Brasil; ela estava renascendo e a luz de um cami­ nhão bateu em seu rosto no momento mais doce. Chegou em casa às 3:15. O marido ainda não tinha dormido. Eles se abraçaram e dormiram de mãos dadas. Finalmente a paz tomou Ana devagarinho e foi assim por toda a noite. Era o Descobrymento do Brazyl! Riverão esquipou no Mapa do Territorio: seu um era um chãozinho limitado da Ryo Bahia mas coração muito largo, vastidões. Moysés diante da Sarçardente, devaneios entre Sylfydes Moyras nos Alencastros dos Xavantes. E as nhagueras belicosas, rayzes dumas feras Amazonas que reincarnavam em Linda nas tardes roxas. Ali diante do barrento São Francisco, por onde anos antes Angelo descera com Mata Vaca fugindo de Sinhô Primo em busca de Umburana, Riverão encostou o jagunço no seu beco sem saida: — Tu fôste dizer pro Karter Brack sobre a boiada do Comandante, ya te lo hablé... Mas... o pior é que falaste de mim pro Delegado Carango... Recadim que disfarçado entre os vaquero tava Sussuarana... Tu eres un delator! A Cigana Escaríete viu na Bola de Kryztal.

Aquele sussurrar de xocalhos avermelhou Anjo pelos sovacos e seus indicadores coçaram os gatilhos diante dos desaforos: — Ionhocê sabe mais de minha vida que eu da vossência... Pois bem? Que estive nos Afogados é coisa de Jornais de Rio e São Paulo, “O Cruzeiro” publicou reportagem sobre a chacina de Desiderio Felicio Fossa, mas acontece que a puliça num me prendeu que sou fugitivo. Q uando èvim pru Com andante disse agora me xamo Lalantino Sarapintado. Contei-lhe de Angelo Mauro Andrade. Tou há tanto tempo com ele, porque ia trair pro K arti Braquez? — Pra ganhar dinheiro e te livrar da puliça, me denunciando a Carango. Tu sabes que sou o jagunço mais procurado do sertão ... — Quizera ser eu, quizera ter a mitologia de Lam­ pião... O Padre num me deu a mão de U m burana. Ela casou com um m ascate. Seu Alvenar M artins. — Num desconversa! Tá ouvindo as ingás nas tar­ des? O zoar das balas soalhando minhas palmas? Tu me traiste, peste, e vou te m atar! Dito, Riverão tirou a Pistola 49 da coxa esquerda e disparando no toraquixico de Desiderio o desbronqueteyou com cinco tiros na dentadura: — Pra vingar a morte da infança pinico da cagança! O burro correu arrastando o cadaver de Lalantino e este num repente retirou a repetição do cabeçote e dis­ parou algumas balas frouxas no cinzal... O corpo caiu no Rio do lado da margem das pyranhas como desejava U m burana... seus cabelos molhados de sangue: — Oô ô Riverão matou Angelo Mauro! — gritava Xico M acambira com as tripas da vitima correndo entre o gado afoito ao cheiro do jagunço decomposto na panela.

O Comandante chorou e foi se aprum ando na sela com ares de General Violado: — Riverão, Riverão, o que fizeste? — Este fi da puta nos traiu! O Sinhô bem sabe que êle entregou o caminho da boiada pro K arter Bracker. Mas num foi por isto que o matei. Foi porque me traiu pro Delegado Carango. E comigo traidor é na bala! Laco Branco rodopia fogo nos lagedos. Riscado doirento, fede pús e chumbo. A seu Rosa (°) Demonyo despertava do Gigante. Seu G rober bateu o prim eiro take da Mitchell e desceu a ladeira travelando no carro de boi: — Deste carrinho o M arechal M auro vai gostar, é uma sequencinfinita, bota as B aqueanas nos eixos pro movimento cantar m acio... Era o fim do C om andante, não havia outra so­ lução, aquele homem era o resultado de um a Hystórya frustrada, nada restava senão m ata-lo diante dos va­ queiros, de seu Rosa, G laudi, Linda, Luiz Papagayo e da boiada: — Tu num eres o pai de Linda! Tu queres sua casança, tu a deflorastes depois de rouba-la. Eu la quero para m i... — Riverin, seja sensato. Tem os um inimigo co­ m um , M r. K arter Bracker. Êle invadiu nossas terras, m antem escravos nas m inas de U ranyum , controla tudo, quer nossa boiada. Não temos saida, tu sabes dis­ so. Nem por Conquyzta, porque não tenho documentos e o Tenente continua lá, decidido a b o tar a Lei nesta m erda e pelo Saco da O nça Tem G ado Bravo está o Senador Lima Ferraz m ancom unado nas Em prezas de M r. K arter Bracker. Êste K arter é um m onstro. A gen­ te tem de m atar êle e p restar um serviço ao Payz. Somos nacyonalistas, seja sensato...

— Ao que vejo num eres justo cum esses vaqueiros todos mal alugados... E estes bois pro corte... Engorda na carne, tudo term ina nos infartes do subilotório... — Tou num te entendendo... — Se a vitim a cum prendesse o algoz assim seria salva... — Vais me m atar? — Liberta a boiada, divide seu tezouro cum a gen­ te, me dá Linda de noiva? — E eu? — Tu pagas por ter perdido. Sou milhó no tiro... Se aduele! Seu Rosa G lauber projetam Riverão e o Coman­ dante, Linda p ratead a em cim a de M orum Bi gritando e Luiz Papagayo em posição de desbique transversal: era luzquem em frouxa dum a tarde caindo desvainerosa e m órbida: aquela funeraliz raquitica, o sinistro dos Orkayz tem idos pelo C om andante: — Ei meu jagunçal, fogo no Riverão! Os vaqueiros m udos, o Com andante temendo a boiada, Riverão com os revolveres brilhando: — O Sinhô se aduele! Antes de sol cair o Sinhô se aduele! — M as eu sou um H eroy... — Por isso mesmo, se aduele que nossa terra precisa de m acho... O Sol caía, seu Rosa ouve as bombas de Karter Bracker: — Através o espelho cicatrizes de Guerra e Paz. Eu não m ataria o Com andante! — Num se meta em coisa de barbro... Nós sois bravos... Tenho motivos secretos pra não gostar do Comandante. Quero mata-lo e fa-lo-hei! Laco Branco relinchou e Sussuarana ouviu a vaidade do Com andante: — Cite Hesiodo na minha biografia...

— O ra, ora, Com andante, o Sinho merece muito m ais... O Com andante gritou com arm a e cavalo em cima de Riverão despejando vinte e dois tiros eternidadad ah sou um dem ocyananananao eiiy el Com andiante el democraciatico... Euted uno gitano... El Riverãín Riveracari n a la.a.a... Usted: ele, Riverão, falou pra boiada seguir num a conspiração contra os contratos dos Coronéis e por isto ia m ata-lo mas ele é mais veloz e morri seu Rosa traido mas de frente no berro do ataque, ciúmes de Linda? G randam or; impossivel; morro feliz, sou velho, Brazyl, matei pra caralho e comi umas três mil cabeças de boi, fui o terror de 30, yo el Com andian­ te! Sem religião... Linda beijou o Com andante, êle morreu sorrindo e já se ouvia o trem or socavando pro N orte... Yayayayahaahahaha! Riverão mais Luiz Papagayo e os vaqueiros tan­ giam a boiada pra Brum ado de K arter Bracker lide­ rados pela M orum Bi! Guim arães Rocha sabia que ah guerra ia começar, que Riverão destruiria o curral de K arter Bracker na retranca da b o iad a... e ninguém segurava... Os Brumados Dyamantays de Horacyo de Mattos descrevem-se pelos altfomos de Caculé com Brumado numa cadência de sanfonas mouras corrompidas pelas frustrações das tentativas flamengas nos sertões, o que não deixou de ser últil à compreensão da tragedia como símbolo de um a raça sem futuro: —. Oh Vaca M eladinha... — Ô ô minas boninas... — Ê ê bezerros garanhões... vão todos morre vocosmos vós sereis cumidos... — Oi ê as vacas gemendo bezerro mamamando era uno toro en las arenas ah los toros egipcyoz los Mussul-

manos los venerabam los matabam en las Plazas de Sangre de Portugal y España. — Olé! Espadas! — Filé! Ay que toros idiotas mis compatriotas! — Por uno toro me hice torero! — Glorias Rojas em las tardes franquistas... Trovadas mexiam Xangôs! Oh Branco Sussuarana Xang Rola que lambia úteros das Divindades Stratus Sfhera longinquamorosa memoria dos dias ñas tardes chuvosas quando Riverão com Linda nua no pescoço montada num garanhão pampa cantava pra boiada seguir no caminho de Karter City em Brumado & seu Rosa depois da morte do Comandante assumiu suas funções de Major e reco­ mendou estudar a tática pra realizar a estrategia. Mas antes a estrategia: — O que pretendes Riverão? Riverão chamou os vaqueiros de guerra Xico Macambira, Gabião de Tafetá e Augusto de Quatro Chaves: — Os home são esses, o Comandante já sabia. Temo mais sete velho e cinco ciganos que num atiram... — E Eu! — era Cigana Escarlate, indescritivel­ mente bela! — Você derrota qualquer Exercito! — glorificou Jango Rosa, lecionando o Brazyl: — Aprendam que Washington Luiz foi deposto em 1930 por Getulyo Vargas. Que Vargas consolidou a Revolução no Estado Novo de 1937 que se converteu em Estado Tupy Fascyzta Modernyzta mas logo rompeu com o Eixo ítalo Teutão Nipônico e foi à Segunda Guerra Mundial. Que depois da Guerra os generais democratas derrubaram Vargas. Que Vargas legalizou o Partido Comunyzta. Que Dutra foi eleito. Que Vargas voltou eleito Presidente e se suicidou em 1954. Que veio Juscelyno. Que veio Janyo. Que veio Jango. Que veio

Castello. Que veio Costa e Silva. Que veio Mediei. Que veio Geisel... Os senhores aprendam os nomes dos Presidentes e creiam na Democracya. Nossa tradição é fortemente demokrátika... — Anarquica! — berrou Xico Macambira abrindo arco nas pernas com a Pindoba de flecha. Êta gaiteiro dum alvo certeiro! “ Tamo condenado no sertão!" e pra eles a politica era o Presidente distante Civil ou Militar, eu me arreto Xico Macambira, sou um degredado louco! A Morte continuava rondando um Anjo Roxo numa cancela branca no Estudio do Campo Santo: filhos dos jagunços que morreram e foram embalados pela Cigana Escarlate que se dispunha a entrar em Brumado pra corromper a Corte de Karter Bracker. Noticiava-se que o homem filmava uma Super Produção Escopyka, “A QUEDA DO IMPERIO ROMANO” e se banhava Pompeya em sangue. Pra cena do incêndio tocou fogo em Feira de San­ tana. Riverão cria que possivel se faz do gesto, um danado da terra: vou derrotar Karter Bracker! — A Cigana Escarlate tem razão! — asseverou Major Rosa — Ela tem poderes pra nos mostrar o caminho de Brumado. Tu insistes em se bater contra Karter Bracker? Riverão apontou a boiada no relaxo: — A boiada, olhe, ela num segue, num quer ser carne pra canhão... num vai... Tá livre... A boiada deitou sorrindo. Os últimos carros de boi rolaram solitários dos montes. Os ciganos foram embora. Os velhos seguiram com algumas vacas amigas.

*

Augusto de Q uatro Chaves resolveu contar mizeryas de sua vida de ladrão na Bahya até virá Sargento e logo Samuray. Gabião de Tafetá que conhecia Riverão desde os tempos da G uerra Santa lhe falou que esteve no Viet Nam e no M undo Ârabe. Xico M acam bira Terceyro Mundo! Estiveram em C uba, Argelia, Kongo eram homens perigosos: — T aquígrafa seu Rosa! — Não imagines a M anchete! — São uns jagunços reais, num tem a nada a ver com fita de cinem a... — Nós é m ercenario — falou M acam bira — e quanto é que a gente ganha pra destrancar K arter Bracker? — Rosa editou as condições do contrato: — Uns dividendos do saque m inim o... o resto é desenvolvimento da Cidade Fenycya do Pyauy. Riverão apontou a boiada no relaxo: Toca Banda e os Pistãos de Fogo! Berro! Linda jogou os pandeiros coloridos pra Cigana Escaríate que surgiu dançando em cima da mesa de K ar­ ter Bracker no Escritório C entral da Com panhia de Uranyum em Brumado. Era uma T aba de Telha Tosca de Bambus Encourados, com Video Bali e m uitas coisas modernas. Karter Bracker, com os eletrodos, desvairou-se na visão da Cigana. E o alçapão m aldito a m atou. Karter sorria e chorava diante das luzes sabendo que Riverão chegaria com a Estrela Vanguarda num cavalo de cavas largas e música de Amor, seria o fim dos trovões atomykos que viajavam sem retorno ao reino dos mortos, o mundo entraberto daquele sertão.

Riverão caiu chorando quando soube da morte da Cigana Escarlate. K arter Bracker, o assassino! O Famigerado! Da raça de Dagoberto Conversa de Bosta! Um assassinato da m ulher mais bonita do mundo! Então êle tinha de m orrer: Rosa, G robe, Linda, Luiz Papagaio, Augusto, Xico e G abião de T afetá eram as únicas testem unhas. Rosa cansado rem odelava os escritos e dava p a ­ ginas de papiro p ra mim, com as complexas recom en­ dações filológicas e infrestruturáis, parte em grego, com recom endações traduziveis pelo baiano Jayr G ram acho, Sonetysta de Edênya e Byzanyo. Rosa com preendeu que Riverão queria se transfor­ m ar em Zé Bebêlo, era com Três G uerreiros, um Nêgro Papagayo Voado e um A m azonas T ropykal que Deus começava: — És um m ito Sussuarana, teu nome Riverão é sensual inexplicável... — Sentido pelas b alas... — E pelo am or, Susssssuaiaianahôs... Linda, Luiz Papagayo com a Kayzer lubrificada fiel aos designios do chefe: — A gente vai arreb en tar os B rum ado, eu vou m atar K arter B racker e dinam itar as Mynaz de Urânyum! Incrustradas nas m ontanhas m arítim as, as F or­ talezas K arter B racker& B rum ados D yam antays eram lendarias Fazendas Fenycyas do Pyauy, região de couro crú com dividendos afluentes de canoas e gaiolas no comercio de São Francisco. A eroporto m oderno servia à Fazenda de vidros em ­ plastrados nas rochas curvadas de flora maravilhosa entre xarcos de jiritum anhas e jacarés roxos, dos inhanhás devoradores de bofe das vitimas cachoeirando

no esgoto das Mynaz: pensavam os escravos que Karter Bracker queria descobrir o Geo Fogo, não os lucros mas a fonte da vida. Nos compartimentos gelados dos patibulos pri­ mários os escravos batiam picareta eletronyka no infracorvo das galaxistexyziopityuipz jota e muitos cegos desolavam desesperados em suicidios diarios que não comoviam à administração das Mynaz Uranyum Inc Ltda de Lima Ferraz & K arter Bracker, com garantia de Antonio Carango, pela Advocacia, e Vicente Tranca Morte pelas armas. Do exerço de jagunços de T ranca Morte podia se falar de gente como Pedro Moraes que antes o servira e mesmo Lalantino de ju sta justiça de Riverão, quadrilha que morava em Santa Brígida das Ruas e lá em paz recebia serviços que não envolviam honra, único motivo do crime era o pagam ento de Apolinario por Romildo, no meio desistiu Rufino porque o Coronel lhe pagou o dobro do preço do m andante W alter, voltou-se, matoulhe e com os lucros foi viver em paz na família de Santa Brigida das Flores benzida pelo Pedro Sagrado que veio de Alagoas num bode com m etade da cara e barba ras­ padas e atiçou gente pra ir ser candango na construção de Brazylya que sô jotak desbravaria o Payz. Karter Bracker uivava de gozo diante deste Ymperyo no Sertão ao lado de Julieta de M acedonia, a Prostituta de Ouro. Do alto das roquefrotas com os canhões 67 MMM ante-aereos varrendo nuvens perigosas, K arter e Julieta se abraçavam á espera de um am anhã de Gozo Sem Mêdo. Julieta não o amava, apenas queria o dinheiro do Uranyum. Mas Karter era um verme. Alí, naquelas brenhas em busca de energia atomyka e Julieta queria viver dando louca pelos cabarés da

vida, não era Dama de Bandido, precisava fugir dos braços monstruosos de Karter, seu bafo tigrento, seu fedor de gambá, suas gosmas de Tuberculose. Karter sabia que a Prostituta de Ouro não o amava e o que ele mais queria era ser amado pela mais cara das putas... O bordel do pavimento primaveril consumia mulheres do Triangulo Mineiro. Carango chegou num helicóptero e trouxe noticas de Lima Ferraz, segundo as quais “uma boiada fora libertada há trezentos quilómetros , houve mortes e famosa legenda do Comandante assassinador Kiverão Sussuarana ”. A simples palavra terrificou Karter, que já ouvira falar do jagunço mas ninguém com o odio de Carango, olhos vermelhos, dentes amarelos, labios ressequidos, bigode negro fino, costeletas corridas, trajando brim branco com gravata azul diante do fardamento ma­ lhado de Bracker. Lima Ferraz temia o perigo dum novo Lamp na figura de Riverão, falava-se que tinha sequestrado o Embaixador Romancista João Guimarães Rosa e o Cine Reporter Glauber Andrade Rocha, apos m atar Lalan­ tino Desiderio Anjo Mau, o Comandante^Elizor da Cos­ ta Fernandes Silva e prometer levar a cabeça de Karter Bracker pra Brazylya, tinha ordens do Governo Federal de prender Riverão, mais vivo do que morto, mas ele, Carango, queria atirar no primeiro movimento de som­ bra... — But he have not army... Only Riverun, Macanbira, Augusto, Gabião, Linda and Papagayo. Mr. Rosa and Mr. Rocha are... — Mr. Bracker — atalhou Carango a qualidade de Riverão está na sua estrela de David. E um certeiro nos entrolhos de Golias. Matou o gigante Deodato nos Angico num rodopio de mauzer. É um festejo no

rifle, violeiro de punhal, ferroador radar, criminoso maldito. M atou nosso contato, o jagunço Fossa. Na verdade, M r. Bracker, não quero ajuda-lo. Minha fun­ ção legal é prender Sussuarana e não defender seus negocios. Aliás, seus negocios são ilicitos, o senhor deve roubar o Coronel Lima F erraz... — Sua acusação é grave D r. Carango... — Fácil de provar entre bandidos... Mas não é meu intento... Vim aqui porque Riverão vem para cá e quero enfrenta-lo com a m etrelhadora rajada... Posso até esperar que ele o mate! — Cinico! Canalha! — Julieta xingava Carango, Karter Bracker deu-lhe algumas bofetadas, Julieta jurou vingança e saiu cham ando uns viados mudos que a pageavam no Jeep que disparou rumo ao próximo porto. Era o último navio para M alaga. Julieta não suportava o sertão, era mulher de cidade, voltaria p ara a voragem de São Paulo na pers­ pectiva de um estrelato televisivo. Ela sabia que o tal Riverão m ataria Bracker antes de ser morto por Carango. Desejou o jagunço e êle recebeu o fogo da Serpente na sela. Esquentou-se gozando e Linda sorria: — Que foi, Rivo? — Sonho d ’am ore... Foi Julieta quem acionou o alçapão sob os pés dansarinos da Cigana Escárlate na mesa de Karter Brac­ ker. Varreram flores e pratarias passos de lebre e todos estavam apaixonados quando Julieta percebeu que mais um segundo e Karter Bracker seria seduzido por Ela Tenebroza destinada a remover poeiras dos sarcofagos e decifrar mensagens divinas nas muralhas das Nações tragadas pelo ciume de Julieta no luxo louco.

— Sua mina é secreta, é ilegal, é sediciosa, eu querendo posso prende-lo por grilagem, contrabando, sonegações... — Antonio Carango tomava café preto com requeijão e pedia novidades a Karter que começou a temer a curiosidade desrespeitosa do Delegado: — O Sr. é Delegado Estadual e não Federal. Não tem direito de tomar intimidade com minha vida. Meus negócios são meus negócios... — Seriam... Eram! Porque o Riverão vai matalo... — e descascando laranjas e bananas Carango es­ vaziou três semanas nas varandas, salas, corredores e quartos do Palacyo Braque. Musgimurumuringunhová mediocridades neuróti­ cas de queixas duma vida perdida ao sucesso de Karter e o despeito de Anjo. Era a morte, o Carango na sua magreza de lacraya perseguindo menino. Sentado no caixote ouvia o roncar do trem no Sudoeste cheio de miseria pro Sul, caminhões paus de arara, telenaves. O navio descia o São Francisco poluido pelo reprocessamento uranyal num crespusculangoroso tan­ gido pelas rodas da Gayolapinhada com dejetos do Teztamento de São Sebastião neste payz que Paulo Prado clamou Jaburú, simbolo da Pátria! Numa terra linda vive um povo triste porque pobre, bagaço da uzynengenho artystykaz kolonyays, era o São Francisco o Rio que unia Mynaz ao Nordeste de sub vida da subempreza assucareira algodoeira coureira infrindustrializado pela SUDENE DOS CYCLOS — aquele Juiz de porre a Boreste da Gave a e a nave seguia a Paulo Afhonzo, tumulo do Burguês Nacyonalyzta Delmyro Gouveya, destruido pelo Ymperyalyzmo Inglez... unh '\inhafta — onde há glorias sobre crimes... que são as Ruynaz?
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Cacau, Petroleo, Paulo Afonso... barrancos, Bom Jesus da Lapa e ainda beatos, feirantes, Kylomboz Aruanda, Serra das Paraybas Mulheres Machos, ce­ râmicas esqueletos de Jundyayz, produção de latarias domesticas das latas de Gaz Oil ESSO etc — cultura da fome revolucionada pelos cientistas populares de Campyna Grande que criaram aviões a querozene e voaram de Fortaleza a Salvador e dali ao Rio... — JULIETA ESCREVIA NO DYARYO SEU DESENCANTO PELO BRAZYL — deixei Paris por Karter e fiquei com ciume da Cigana desde que a vi a odiei e quis mata-la: a louca dansou em cima doa alçapão, na hora da FIESTA Puxei a garra e caiu no vazio ha hah ahahá! — Julieta bebia champagne quando entrou no camarim o Ma­ rinheiro com um sabre e a cortou em pedacinhos, comendo-lhe umas partes e outras jogando pelas escrôtilhas ao passado cinza que pestes como tais mu­ lheres devem ser reduzidas ao Nada e brotaram do san­ gue da criminosa em contato com águas barrentas o Editorial no jornal “VOZ DO COMBATE” , de Aracajú, capital de Sergipe, cidade onde se recomenda matar um comunista e um baiano por dia num encaixotamento de cerveja com sereno nas esculpidas Pyrâmides naturayz que precedem o Razo da Khataryna, Don Sebastião e o REY MORTO EM ALCACERKYBY ANUNCIADO QUE OS JEZUYTAS PRE­ CISAM UNIR O POVO EM TORNO DO REINO LUZYTANO NA CRENÇA MISTIFICADA DE QUE A REDENÇÃO VIRIA DO REY ENCOBERTO NO MANTO DA VERDADE: Julio de Souza, que nêste tempo era jovem clandestino romancista, publicou na primeira página, por amizade a Glauber. ASSASSYNATO (CONTO D’ANECY ROCHA) “Carolina não era tão comportada quanto parecia. Seus olhos eram velozes e viram muito bem os encontros

amorosos dos parentes casados com os viúvos. Também viram bem de perto o exemplo que guardou naquela tardinha. Porisso, por ser tão tão olhuda e calada re­ petiu o que tinha visto há muitos anos atráz. Também não era para menos. Só ela tinha visto o homem já agonizado no passeio de sua casa. O que fazer? Não tinha confiança em suas tias, elas poderiam chamar outras testemunhas e no máximo só elas, além dela, poderiam saber do ato. Foi um momento parado, por­ tanto precioso. Agora batiam muito em Carolina, queriam saber quem era seu cúmplice. Era difícil para eles enten­ derem sua ação violenta , ela, Carolina bem compor­ tada, antiga até na paginação não poderia estar só, com tanta força. Cada tronco que levava era horrível, era do mesmo porte com que seu corpo tão frágil voou na gar­ ganta do dono de sua sombra. Foi assim; ela estava sen­ tada na sala quando viu todas as casas e todos os corpos de sua rua sendo invadidos por dedos longos e unhas sujas. Ela não teve dúvidas; saiu correndo, abriu todas as portas e, nem sabe como e quando menos esperou es­ tava na dobra da esquina, toda suja de sangue. Agora queriam que ela apontasse cúmplices. Além de não tê-los era impossível abrir a boca com tanto murro no estômago, tantos tapas nos ouvidos e agulhas nos olhos. Tudo era exatamente igual. O morto visto. A guela escura. Os socos despertando. Carolina não acreditava em cúmplices e gritos. Porisso mesmo não falou nada, mais uma vez pensou em sí, suas tias, o morto matado, os espancadores e ficou serena. Todos estavam definidos diante de seu corpo e como eram pequenos diante das 50 formiguinhas que esmagava todas as manhãs enquanto

olhava tra n q u ila m e n te as ro d a s e p ro c issõ e s qu e d e s ­ fila va m p e la rua o n d e p e la p r im e ir a vez vira u m a c a l­ çada, um m o rto , d istâ n c ia , o m u ro e seu c o r p o . N a e s ­ quina, n a q u ele m e sm o lu g a r ela g u a rd o u p a r a s e m p r e o p é do a g en te.

FOI PRESA NO ESGOTO DA RUA PARA­ LELA; APANHOU . SOFREU E CONTINUOU SEN­ TADA DIANTE DAS GRADES, SEMPRE LINDA E TRANQUILA. O PRÓXIMO JÁ ESTAVA M AR­ CADO: SERIA NA HORA DO ALMOÇO QUANDO TODOS FAMINTOS NEM LIGAVAM PARA ELA; ASSIM FOI FEITO: ELA NÃO PA G O U NADA; APENAS CAMI­ NHOU DURANTE ALGUNS ANOS; NA HORA QUE 0 SOL DAVA SEU SH O W ELA CUMPRIA UM CAS­ TIGO QUE NUNCA ENTENDEU COMO TAL . ERA UM MOMENTO D E ESTÍMULO DEPOIS DE 5 ANOS ELA SAIU DA CADEIA E SENTIU SAU DADE DOS M OM ENTOS PARADOS QUE TANTAS E TANTAS SABEM APRONTAR, O M OMENTO DA CALÇADA POR EXEM PLO .”
Perdida Julieta, Karter chamou Vicente Tranca Morte pra conversa militar e recebeu explicações sobre a situação dos hom ens, armas, munições e mantimen­ tos: — Estamos equipados, temos do melhor pra todas as guerras. E nossos homens em plena forma fisica e moral. — Aos bons jagunços dou um aumento de 10 por cento. Quem matar Riverão ganha um milhão de dolares... — Isso é serviço pro Major Rufino de Jeremoado o home que matou C orisco... Vicente Tranca Morte temia Riverão e todos J a ­ gunços duvidavam da sobrevivência em guerra com Ele.

Vicente percebia que K arter estava transtornado desde que Carango falou em Rivo pela prim eira vez. Em dois dias o homem emagreceu. Diziam que era saudade de Julieta, semanas depois, quando Carango já tinha chupado quase todos ressentimentos, K arter estava m agro, barbudo, tremia de febram arela, se vestiu com as cartucheiras marrons e os coletes de prova arm ou os jagunços com metrelhadoras recém-chegadas e bom bas de Neutraz desin­ tegrantes mas no auge dos preparativos duvidou de Carango: — E este Riverão existe? He is... you are crazy... A true gunfighter... — G reat... ------ ... more th an ... — Anibody! K arter não pensou vir pro Brazyl m orrer nas mãos dum jagunço inesperadamente paranoico: — Julieta da Macedonia me abandonou... Talvez seja um signo do meu destino... qual é a constelação dinamitante? O céu não respondeu a K arter nos alicerces de suas Mynas fedorentas. Gregorio Ferraz, um pernam bucano de cinquenta e três anos, matou o G uarda no tum ulto das galerias ins­ táveis e metendo a roupa da vitima conseguiu fugir do seu Fosso e entrar no Corredor lateral pra dizer ao Cigano Carlão que era preciso m arcar o dia da revolta e da fuga poistavam morrendo mais de cem pessoas por dia, várias mães parindo mortos ou devorando filhos vivos num a cena que lembrava a passagem de Mi­ chelangelo por Dachau ou Treblynka construtores de Pyrâmides ouviram falar de Riverão nas proximidades com anúncio de Profecyas Libertaryaz para os flage­ lados do Uranyum, diz até que tem poderes de conselheyro e Lampião e no dia marcado a gente retesa os

musclo, quebra as correntes e num solovanco levanta de rabo pra cima a Cydade Fenycya e jogamo Karter Bracker nos tragadouros do M aranhã... A negada depois do pique dormindo no banco ou se desgasta em canto& dança pra divertir lá em cima, e uns indios que vivem rezando latim! O Cigano Carlão, setenta e nove anos, mais da metadescravo, acreditava na chegada de Riverão: — Não será um Homem nem uá M ulher mas a própria natureza em travalanche... Rivaldo V eras... O pai era cigano... Joaquim ... cavalo... vamos m andar o Soldado M udo com um recado... No intervalo das três e meia da m adrugada, quan­ do os escravos tom avam sopa de tam an d u á com suco de cartop, o guarda G regorio Ferraz sinalou pro Soldado Mudo as determ inações do Cigano Carlão, o Deus dos Escravos. Os jagunços o tem iam , os inspetores da FBI e CIA que vieram verificar as bases aero-terro-m aritim as de Karter Bracker aceitaram m al a ideia de ter o Carlão como A dm inistrador Ezpyrytual dos Eskravoz mas sua passividade gorda entusiasm ava os trabalhadores na busca do U ranyum , êste é o Prymeiro G rau do Pro­ grama, b u t M r. Gypsy, he is a female? K arter esperava que Carlão dirigisse os escravos rumo ao Geo Center: — Existe vida no centro da terra. Tudo vem da terra. A terra, antes da neve, se converte em sólido cor­ po do sistema solar num a galaxia classificavelmente metafisica. Os m ortos desintegrados na materialimentam os vivos num sonho da m orte, que é a vida. Como se a vida fosse a ilusão dos ossos, últimos vestigios daquilo que foi um corpo vivo... Cortando o porco pela barriga desligamos os intersticios estruturais e osso&carnes&liquidos são anarquicos elementos se libertanto do corpo m orto p ara as revoluções vitais... se

a vida deixasse os ossos na diluição das carnes... E se a gente continua cavar, cavando além do Petroleo, do Ouro, do Chum bo, da P rata, do U ranyum , chegamos no Japão... Miynaz G eraes é por cim a de Tokyo... Mas, M r. K arter, no Centro G eral tem um Deus, o interior sagrado da terra se libertará destruindo a superficie. Nós sois este Deus tresprofundo, nossos emissários são os Profetas, os G uerreiros, os Cientistas, os Poetas, os Fylozofos, todos representantes da N atureza Fauna Floral... Os meteoros hum anos m orrem ... Somos tudo nada... O Cigano Carlão enrolava-se na m anteiga-m atinal que K arter m andava lavar te mais alvo que a neve para conduzires o sonho do IBM. K arter estava dependendo de um financiam ento de Tres Bilhões de Dolares do “Cheese M an h attan Bank” pra continuar procurando U ranyum nos Subterrâneos das Cydades Fenycias do Pyauy, de um financiamento secreto e amplo do D epartam ento C da G eneral Hawks In REF 3 para construir um Túnel até o M aranhão por onde seria transportada a Bom batom yka Subterránea com finalidade de provocar pseudos terrem otos em Brazylya. Carlão revelara a K arter um valor que desmontava os negocios Uranyum . Se Deus estava no centro da terra Se Deus estava no centro da terra sublimando os escravos, Deus era Carlão e êle poderia controlar o mundo. Mas Deus era Carlão e não K arter. Desesperado com sua insubstituível impotencia, K arter chorou com as unhas nas goelas e lembeu a pele frita de Carlão sorrindo aos embalos do gênio sensa­ cional: — Uranyum, que besteira... — e peida xôfres... — K arter na fumaça das galerias cham a Vicente Tranca Morte e pergunta se há sintomas de rebelião:

— Fugiu um tal F erraz... M atou um guarda... Acho que tem lepra no Pavimento das V irgens... — Envenene-as... — Se fala no Riverão? — Impossivel controlar as noticias. Foi o Delegado Carango quem espalhou... — O Cego Deraldo das H oras D antas passou m uitas vezes cantando o Cauê de L am pião... Num quero lhe assustar mas fugiu o Soldado M udo... — E Carlão? — Está com febre... Não come, não fala... — Redobre a vigilancia... Vou ja n ta r com Carango. Na Sala de Fora, K arter m andou servir um lombo de carneiro com farofa, feijão preto, abobora, salada mixta e rodelas de abacaxi com B ourbon, B atida e Cer­ veja e se fechou com C arango prum estudo tático defen­ sivo e politico estratégico porque um a rebelião de es­ cravos ou um a guerra com Riverão iriam lhe atrap alh ar os negocios com os sócios estrangeiros e por consequencia os interesses de Lim a Ferraz: — Você, C arango, como hom em da Lei, deve ser­ vir a Lei... Porque o T enente Cam pos não m anda seus homens prender ou m atar Riverão? Afinal M r. Rosa e o jornalista estão sequestrados... — Ora, M r. Bracker, não me tire o pão da boca... Eu quero m atar Riverão, não vou entregar o Heroi ao Tenente... E depois é m uito arriscado, porque se o Tenente vem pra perseguir Riverão, êle descobre suas Mynaz de Escravos e aí já im aginou o escandalo inter­ nacional, com o Pentágono m etido por aqui, com a CIA, com as Comissões de Inquérito, com as cassações do Ato 5 punindo corruptos e subversivos? O negócio é o mesmo com os índios nas Missões dos Padres. São es­ cravos, mas não se bole... Este Tenente é um patriota, se êle o descobre êle o prende e pode até m ata-lo...

— Não exagere, Dr. C arango... Brazylya deve favores a W ashington... — Tudo é relativo, Mr. Bracker. De absoluto só Deus! Rosa ouvia na “ Radio Tupy” ’ noticias de greves proletarias e passeatas estudantis com choques policiais em vários pontos dos Maios e vozes internacionais pelas Liberdades Democráticas. Entregou novos papiros a G lauber, dizendo-lhe sentir pontadas no coração, presságio de enfarte. Linda lhe fez umas massagens, Riverão estava num acesso d’Asthma sem respiração fumava Zabum ba pen­ sando na batalha. Luiz Papagayo do banzo foi despertado pelo Mudo: Êle, M oderato, o Soldado M udo de Pistoia, foram pracinhas fum ando a cobra contra Hitler e Mussollini. O Mudo perdeu a lingua nas mãos dos tortu­ radores nazi-fascistas, foi Êle quem descobriu a Quinta Coluna no QG, um Heroy Nacyonal esquecido nas My­ nas de Karter. Luiz percebeu no escuro longe os gestos musicais do M udo com as mensagens de Carlão, Deus de nós todos e Gregorio Ferraz que estava preparando o levan­ te na hora m arcada: — Nossos escravos são vossos bois. E tem uns padres ai metidos, incentivando indios contra estran ­ geiros, tudo em nome de Deus mas com olho na terra... E Uranyum é o que vale mais depois que o Brazyl as­ sinou o acordo nuclear com a A lem anha... O Presidente Jimmie Carter não quer mas o Presidente Geisel quer... — Me diz um a coisa Soldado M udo — perguntou Sussuarana — o Delegado Carango tá lá? — Sim — traduziu Luiz Papagayo — e exibe a metrelhadora rajada com a qual anuncia que vai lhe m atar...

— Então vai ser pras sete meia d’alvorecer! — inulplicou-se Riverão nas empinadas de Laco Branco e dos outros cavalos da quadrilha que não respeitava as or­ dens do Mudo segundo as táticas de Gregorio Ferraz e a estrategia de Carlão. Augusto, Macambira e Gabião atacaram em triangularcoiris com Macambira no Vertice gatilhado FLN 4 7000 Balas 59 MM de Israel que o Comandante trazia no lugar do Caszzis da “Mitchel” Gabião com as Bazukas Kongo Lutf Swng e uma metrelhadora Poloneza Lazer Augusto Bateryaz 4/0 Meta Muralha Lin­ da montada em Luiz Papagaio costurando a Kayzer por cima do “Triangulo dos Três Guerreiros” ligados por uma corrente de meteoros e estrelas a Laco Branco em cuja cabeça Riverão levanta as bases do Missel Cascavel desnuclearizando a Ogiva Leste da Cydade Fenycya de Karter Bracker! Karter Motors General Mortis Trovão “Centauro Carro do Triangulo Coberto Pelo Papagaio Guerreiro” superava distancias e perigos Major Rosa conhecia Termopilas e Kylombos de Palmares! Os escravos rebelados ao sopro de Carlão ra­ charam as montanhas do Brumados numa tempestade de cal salgado cegando o Batalhão de Tranca Morte. Do lado Sul “Os Guararapes de Los Pampas,” bando fiel a Carango, desfechou-se contra o “Centauro Triangulo” descraneados que foram pela Kayzer de Linda Papagayo. Carango assentou a metrelhadora rajada na cabeça de seu Tigre e da Torre Norte assassaranou estrelas Galfa na testa de Riverão que foram barraventadas pelas asas de Luiz Ikôôôôôôôô

deu pontaria pras baterias de Augusto contra os Gaviões de K arter, Ther K arter’s Bracke/s TuSquad... bombas bateriologicas com batiam nos corredores teciàrios os escravos contra a bandidagem descon­ trolada pela rebelião interna invasão externa e todos aos berros de liberdade e gritos de alegria por cima dos mortos feridos queimados nas crateras rumo ao arsenal cheio de Uranyum na Plataform a pronto subir pro Texas K arter Bracker com o Telezkopyo Heroz tentan­ do localizar a M ira M ortal do “ Centauro Triangalado Zénite’* m utação infinita do movimento libertador da vyda. Eldorado, nada. Carango Karango, o Ynvyzyvel, estava cansado de enfrentar legendas. O suicidio maternalizou Carango, êle sorriu fas­ cinado pela bala que o m ataria disparado por seu dedo indicador esquerdo, êle Carango o massacrador dos inocentes. Da Folha Corrida de Carango, que fui desencavar num Cartório de Governador Valadares, contavam-se crimes infindos, compromissos nefandos com as mais facciosas tendências em luta dasalm ada pelo poder, desmascaramento do falso prestigio político que preten­ dia a deputança federal com votos de MDB e ARENA. Carango sabia também do conteúdo processual do* Cartorio de Feira de Santana, que acrescentava, con­ forme portou-me o primo Heitor Humberto Andrade, suas tenebrosas ligações com os homens de Jeronimo Clara, o comedor das criancinhas de Jequié, pra pagar uma promessa de só ir pro céu caso sete inocentes fos­ sem degolados em sua tum ba, todos tramando Golpes de Estado contra governos nacionalistas e populares. E Carango fora o ideante e lider dum massacre que fi/eram num Caminhão da Morte que levava presos pra

Sergipe de Carinhanga na margem do Rio São Francis­ co e na velocidade mandaram os comunistas pular e os que não eram metralhados nas estradas caiam nas bocas das pyranhas que Carango comeu assadas nas Festa do Divino. Carango era Santo por corpo fechado, ninguém o mataria, só êle suicidado nos pés do Tenente Campos que não vai me Prender Humilhado diante da Lei, da Imprensa, do Processo, do Julgamento, da Condenação — e magerrimo definha sexo e metrelhadora rajada voltinhou-a masturbando-se num grotezco tristerrimo ritual cinzento ferrugem desquimicizado nos viteus, vômito e coisa feia, Carango metralhou as vidraças e os estilhaços o mataram na sala deserta naufragada por Karter com Dugla XC 799 MM: os Yndios Negros subiam as cordilheiras liderados pelos jagunços e Kar­ ter penetrou na Pantera da Terra Mãe Desgraça Carlão dormia no Oco do Tubo: Buco Insone, complicada pas­ sagem do labirinto descendente pelo qual Bracker mer­ gulhou com os arpões preparados ao combate final. Gregorio Ferraz abriu a comporta do Forte das Bandeyras Oeste — descampado onde se batiam Titãs Audazes e Tritonyus Kará, duas raças da mesma so­ ciedade no confronto metafísico das pulsões irracionais que revelarão a Fonterraquea nuclearaiz ocular do Cigano rolando cruelmente com Karter no Relogio Branko, areal que preparava o duelo com Riverão, precisava mata-lo antes que êle se encontrasse com os revoltados de Gregorio Ferraz, dominou nos ovos de Carlão a Mira Central em Riverão no campo de batalha comandando o Triangulo e viu Linda ser loucamentarrebatada pela Matryarka da Floresta Negra, envian­ do-a a inesperadamor dum Yndio Karynhozo longe da Guerra. A metafora tem caras, eu não estava Louko como falavam meus amigos e a imprensa glosava em Man-

chetes, Artigos, Entrevistas: “GLAUBER ROCHA LOUKO DECLARA GUIMARAÊS ROSA MORREU NO SERTÃO LUTANDO CONTRA TROPAS NOR­ TE AMERICANAS INVADIRAM CYDADES FENYCYAS DO PYAUY E SUA IRMÃ ANECY ROCHA FOI CULTURALMENTE ASSASSYNADA PELO MACHISMO SADICO DOS INTELECTUAYS LYBERAYZ PROFETYZANDO QUE O JORNAL “MOVIMENTO” DECRETOU SUA MORTE E VARIOS GRUPOS MDB CIA FASCISTAS O AMEAÇAM DE SABOTAGEM OUTROS DE MOR­ TE QUE SUA PRODUÇÃO DE AMYLAZ PANKRETAYYKA SOBE QUE ELE É UM ESQUIZOFRENYKO DISSIDENTE DO PC SOVYETYKO “NA TELE GLOBO” Revista do Domingo do JB o psica­ nalista Eduardo Mascarenhas publica ensaio “Assas­ sinato Cultural” , defendendo algumas de minhas teses que êle compara a Freud, Bion (não conhecia) e Lacan. Lembro-me vaga tese de Lacan jovem sobre u’a Mulher que mata alguem na Porta do Teatro e conto de Cortazar dedicado a Peter Brook quando comecei a ver o mecanismo inconsciente da produção metafórica tipica da Eztetyka, o discurso barroco contraditorio a dialeticantropofagica do corpus brazylensys em par­ ticular, o Eu Selvagem consiente do Ocupante, o Ocupado que se ocupa do Ocupante e não de Si, o Ser sequestrado colonial de Franz Fanón, o discurso fla­ gelado da Eztetyka da Fome na Tragedya Kolonyal, a comunicação de massas através a Heuztorya Sekreta e Publyka da Cyvylyzação e da Barbarie, nossa Pre Hystorya Brazyleyra retrazada um Sekulo dos Estados Unidos e Europa vasto funereo Chãoceano de Myzerias atravessaram Riverão Sussuarana, aliás xofer de ca­ minhão potiguar Luiz Gravatá e sua mulher Lindádá mais quatro fylhoz Amerykas transportando o possivel

depois da expulsão das tropas psico-militares nortamericanas de nosso Terrytoryo: — Eternydade! — enfartou-se Guimarães Rosa na Academya Brazyleyra de Letras e dez anos depois ele estava comigo lutando contra Karter Bracker no faroes­ te televisivo internacional popular que mixariamos Rancho Alegre às synfonyaz de Villa Lobos: — Era o sonho... cachoeira com o cadaver de minhas irmãs, espumas flutuantes... Ficaram a fama da loukura e as diligencias pa­ ralizadas enquanto em Brazylya avança o romance: — ... estou ferido no duodeno , no hiatamento hernico, no Pankreaz mas não louko ... você sabe que o in­ terior do Brazyl está ocupado ... Que tem missionários catolicos e protestantes escravizando os indios . Que os grileiros se dividem , em associados a catolicos, a protestantes e independentes , todos grupos disputam a escravidão dos índios e a sub-escravidão dos flagelados , Exercito e Funay não pode deter guerras intestinas na Grand Amazonya, Rosa sabia das verdadeiras fron­ teiras e desenrolou das coxas mapa na sua pele qua­ lificando com nomes , medições e sub solo relatado , as verdadeiras posses que antecedem o Tratado das Tordezylhas descodifica mostrando a Fronteira e olhe K ar­ ter Riverão matou na fronteira do Pyauy com Pernam­ buco, rodovia pra Bahya, verdadeira Base Aerea ... Quando o Tenente Campos chegou lá não encontrou Riverão e seus homens, nem eu e Rosa ... O SNI já deve ter recebido o relatório do Tenente mas eu queria que Riverão não fosse perseguido pelo crime de matar Kar­ ter... outra coisa é que Guimarães Rosa não morreu como noticiou a imprensa ynternacyonal, nada disto ... quero contar a verdade , do Heroyzmo de Rosa que no auge da batalha retirou um Papamarelo debaixo de cuxonil de couro de carneiro e passou fogo em seis jagunços de Karter que ameaçavam Gabião de Tafe­

tá... Êstes mercenarios do Terceyro Mundo são umas feras... Guimarães Rosa é um atirador de primeira, veja o que se passou: Carango suicidado, casa incen­ diada, os trabalhadores das Mynaz revoltados sob comando de Gregorio Ferraz, Vicente Tranca Morte e seus homens comidos vivos, Riverão rolou morrabaixo com um ximite e sua 49 pipocando até o peitoril diante da Porta da Sala de Jantar enfumaçada aos tiros de Karter com FLN no incendio interior... Luiz Papagayo bombardeou o curral e Gregorio Ferraz liderado por Macambira e Augusto corriam á Casa Grande com as massas enquanto Rosa desfraldava uma Bandeyra do Brazyl que Luiz puxou pelo bico sobre os ouvyram da Lyberdade! Num lance fantaztyko Rosa galopou atirando à Sala de Jantar ao mesmo tempo que Riverão e Linda abriu as pernas parindo: foi uma facada do Cigano Carlão nofigado de Bracker e êle saiu pra varandassassinado pelos fantasmas legendarios de Guimarães Rosa e Riverão Sussuarana! — Acho que isto envolve questões de Segurança Nacyonal — deixei Olyveyra Bastos Redator Chefe do “Correyo Brazylyense” que no dia seguinte compareceu à comissão Parlamentar de Inquérito para revelar detalhes sobre a penetração multinacyonal nos ynteryores brazyleyros em busca de plutonyo politicagem com Ygrejas indios posseiros grileiros e pediu liberdade de imprensa extinção censura na tempeztade da se­ mana santalvorada Rosa Mytoz nacyonais E as circunstâncias: Rosa cavaleiro Germanyko nos latynos tese Princeton Institute Cia Rosa Guimarães romanceiro Tropykal tema latifundios familias pro­ prietários servos crime Cavaleirandante policia de boi e vaca pro corte costura do courex pior ação

Vaqueyroz cruzados buscam escravos fortunas pros sentidos razões Afrykazyameryka Trovadores jograis cegos bajuladores Revolucionários Rosa primeiras estórias corpo de baile do grande sertão: o que é a felicidade diante da morte? Como Humbolt e o professor Mayer do romance ‘‘Ynokentzya” de Taunay Rosa Freyre cronistas biologicos Darwin contado el Cid Feudos Luzyadaz Sertões Euclydes da Cunha Grande Sertão: Veredas João Guimarães Rosa Riverão Linda Papagayo Augusto Macambira Gabião Sobreviventes do ataque a Karter Bracker Eu? Rosa morreu L(&& I( I( I( Mil novecentos setenta sete Todas épocas são contemporáneas Idade Media boliviana Grecyazteca Cidades Fenycyas do Pyauy Usynergia nuclear do nosso futuro Envelhece na beira do fogo Relembrando guerras Doentes virgens proprietárias buritis Masturbação El Cid Luzyadas Dyvyna Komédia Lope de Vega Gil Vicente Herculano o Grande de Carlos Magno Ar­ tur gestas ocupantes da consciência de Rosa geográfica

conquistada por Entradas Bandeyras plantaram jagun­ ços Kangaceyroz vaqueyroz garimpeyros myneyroz. Chefes bandoleirros Chefes politicos coronéis capangas sem partido Joca Ramiro Ze Rebelo Hermogenes Riobaldo se apaixona culpado por Reinaldo Travesti Diadorim Homexualidade sertaneja Jagunças vivandeiras Maria Quiteria Yndependência da Bahia Diadorim no final o povo contava Riobaldo abre roupa Reinaldo vê os seios do Diadorim Amor femenino coberto pelo machismo proibitivo do homosexualismo e se beijasse Reinaldo vivo sentiria o gosto dia dor Zinha Gostosa morta mulher guerreira Maria Bonita Dada Cangaceiras Mulheres mortas travestidas Mulheres proibidas quanto mulheres Mulheres independentes quanto homens Diadorim Heroy Reinaldo censurado pelo machismo Riobaldo não trepa Diadorim debaixo das armaduras do Rolando guerreyro Cid Rosevolui do estilo Pero Vaz Caminha das pri­ meiras estórias ao Movimento dialético que a musa de Camões supera tudo que se canta Divina Komedya Como Strawynsky è o fim e Vylla Lobos o começo Como Rodin è o fim antecipado pelo futuro Aleyjadynho

Como Portinari è o novo mundo que Picasso não pintou: Sr. Principe da Inglaterra sò tenho myzeyrya Rosupera James Joyce Grande Sertão: Veredas is melhor than Ulysses Porque enquanto Joyce sublima a decadência Rosa trepa no sertão Deste coito nasce Roza Myneyra Rosa Maneyro Anti economista myneyro Rosa vomita Palavra Som Imagem Desejo brazyleyro metaf ora inconsciente coletiva Riobaldo não è Don Quichote Nonada? Tragedya parayzo perdido de M iltom Deus contra Dyabo (W illiam Blake) Inferno pagão fora das Ygrejas Dyabo no meyo do m undo Rodamoynho Homem travessya Rio Vyda Mar Vulkäo Romançantropologico Rosincorpora folklore à falada cultura popular e a rescreve à luz da comparação unyversal num trabalho que liberta formalismo pessimista dos fylozophos decadentes Panteyzmo Kolonizador reduzido a estas Heranças de Portugals Aboliram touradas ô Brazyl! Cerne de Guimarães Rosa: Múltiplo contar barroco e por natureza contraditorio do sertão*

Verbos Rosas iluminam trevas de nossa memoria latifundiaria reprim ida pela consciência donatarya jezuytyka culpada sertaneja: M emoria de Rosa Eu Miguelim menino retorna de avião consagrado às prim eiras estórias contadas dum a terceira margem do rio no cipoal Trotar Capinar Cavalgar Conversando horas pelos matos macios Seguindo Doraldo e Soropita Dum ponto alto descoberto de onde se vê o mundo mais claro De Rosa é o povo falar português Bugre misturado às contribuições milionarias de todos os erros como queria Oswald de Andrade O bom cozinheiro serve Doce não fedor Assim Rosa Jardim Mesa gostosa M ulher dengo delicado Sutyl Yrônyko Dydatyko Èpyko Que há dias e noites desde a morte de sua irmã Glauber considerado louko ressucitado de varias guerras

Haviam mortas em Cornelio Penna e Rosa PERSONAGENS FEMENINOS DO ROMANCE MINERO BARROCO DAS MYNAZ E DOS GADOS Simbolizam minhas irmãs Ana irmã de Carlota e Diadorim Necy Esta misteriosa relação explica o surgimento de Guimarães Rosa personagem deste romance montado às mortes de minha irmãs Fluxo censurado do inconsciente reino da cons­ ciência Meu corpo tenso na guerra permanente Sem nenhum descanso Exércitos (Eroz) Heroyz Doentes Famyntos Myxtyfycadoz Presos à cruel lei do sertão matando pra sobreviver Feliz è a literatura Rosa sobre infelizes persona­ gens Não hà imoralidade nisto Revela-se literatura revolucionária porque exprime o vital Medra da myzerya Transforma minimo em possibilidade IUAH RAU ANH AI ANANANANANANANAHANANAHAHAHAHA — era o grito da Sussuarana nas dores de cabeça insones quando Riverão previu a morte despertado pelo grito e se dormisse pra sonhar a Onça me comeria Rio, 24 de Outubro de 1977 FIM

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Impresso nos Estab. Grá­ ficos Borsoi S.A. Indústria e Comércio, à Rua Francis­ co Manuel, 55 — ZC-15, Benfica, Rio de Janeiro

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