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ARTIGOS ESPÍRITAS LUZ NA MENTE A DOUTRINA ESPÍRITA VISTA POR JORGE HESSEN ANOS 2008, 2009, 2010, 2011 Jorge Hessen o grande pensador espírita analisa temas da atualidade tendo como lente a Doutrina Espírita e usando os ditames da reencarnação e da imortalidade da alma. Os artigos espíritas que buscam trazer luzes ao entendimento da vida maior devem ser apreciados aos pesquisadores que não se contentam com superficialidade da vida e que buscam a sua essência.
"Dia virá, em que todos os pequenos sistemas, acanhados e envelhecidos, fundir-se-ão numa vasta síntese, abrangendo todos os reinos da idéia. Ciências, filosofias, religiões, divididas hoje, reunir-se-ão na luz e será então a vida, o esplendor do espírito, o reinado do Conhecimento" Léon Denis

Fontes dos Artigos Espíritas http://jorgehessen.net/page75.php

E.mail de contacto do autor jorgehessen@gmail.com

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Apresentação do autor Jorge Hessen, nascido no Rio de Janeiro a 18/08/1951, Servidor Público Federal, residente em Brasília desde 1972. Formado em Estudos Sociais com ênfase em Geografia e Bacharel e Licenciado em História pela UnB. Escritor com livros publicados: Luz na Mente publicada pela Edicel, Praeiro, um Peregrino nas Terras do Pantanal publicado pela Ed do Jornal Diário de Cuiabá/MT, Anuário Histórico Espírita 2002, uma coletânea de diversos autores e trabalhos históricos de todo o Brasil, coordenado pelo Centro de Documentação Histórica da União das Sociedades Espíritas de São Paulo - USE. Articulista com textos publicados na Revista Reformador da FEB, O Espírita de Brasília, O Médium de Juiz de Fora, Brasília Espírita, Mato Grosso Espírita, Jornal União da Federação Espírita do DF. Artigos publicados na Revista eletrônica O Consolador, no Jornal O Rebate, Diário da Manhã, site da Federação Espírita Espanhola, site da Espiritismogi.com.br.

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Sumário dos Artigos Espíritas Luz na Mente Ano de 2011 Dezembro / 04 Novembro / 10 Outubro / 34 Setembro / 47 Agosto / 65 Julho / 78 Junho / 93 Maio / 111 Abril / 129 Março / 144 Fevereiro / 159 Janeiro / 174 Ano de 2010 Dezembro / 190 Novembro / 204 Outubro / 215 Setembro / 231 Agosto / 253 Julho / 269 Junho / 285 Maio / 301 Abril / 317 Março / 328 Fevereiro / 354 Janeiro / 368 Ano de 2009 Dezembro / 405 Novembro / 423 Outubro / 440 Setembro / 460 Agosto / 484 Julho / 509 Junho / 540 Ano de 2008 Setembro / 1163 Agosto / 1169

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ANO DE 2011

A PRECE É PRÁTICA RELIGIOSA RECOMENDADA POR TODOS OS BONS ESPÍRITOS Estudos diversos comprovaram a conseqüência favorável que a prece produz. O médico e pensador Alexis Carrel (1) dizia freqüentemente que o importante não é acrescentar anos à sua vida, mas vida aos seus anos. Em 1942, Carrel escreveu o artigo intitulado A Prece é Força, afirmando “que a oração é uma força tão real como a gravidade terrestre”. (2) E acrescentou: “no meu caráter de médico, tenho visto enfermos que, depois de tentarem, sem resultado, os outros meios terapêuticos, conseguiram libertar-se da melancolia e da doença, pelo sereno esforço da prece” (3). Naquela tumultuada década dos anos 40 do século XX (4), sobretudo para os médicos, era uma grande ousadia admitir as implicações da “prece” sobre a saúde. Todavia, o médico filósofo, contrariando seus colegas, proclamou a força da oração. Sabe-se hoje que a prece realmente atua sobre os doentes, influenciando o sistema imunológico, segundo estudo realizado no ano de 1988, no Hospital Geral de São Francisco, na Califórnia. “Nesse hospital foi possível comprovar que os pacientes que foram alvos de preces apresentaram significativas melhoras, necessitando inclusive de menor quantidade de medicamentos.” (5) A prece é recomendada por todos os Espíritos. Renunciar a ela é ignorar a bondade de Deus; é rejeitar para si mesmo a sua assistência; e para os outros, o bem que se poderia fazer. (6) O Espírito André Luiz, que foi médico em sua última reencarnação terrena, disse: “Ah! se os médicos orassem”. A exclamação consta no capítulo intitulado “Em aprendizado”, que revela o apoio que os benfeitores espirituais dão aos médicos que se disponham a abrir os seus canais de sensibilidade. “Todos os médicos, ainda mesmo quando materialistas de mente impermeável à fé religiosa, contam com amigos espirituais que os auxiliam” (7).

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Alexis Carrel, sob a luz da inspiração, certificou que “quando oramos, ligamonos, nós mesmos, à inexaurível força motriz que aciona o universo. Pedimos que uma parcela desta força se aplique na devida proporção das nossas necessidades. Com o próprio ato de pedir, nossas deficiências humanas são supridas, e erguemonos fortalecidos e restaurados”. (8) Os médicos americanos William Rede (9) e Roger Youmanas, quebrando os paradigmas e axiomas acadêmicos, defendem a necessidade da oração na hora da cirurgia. Para Rede o poder da oração pode garantir o sucesso de uma cirurgia, na atmosfera tensa de uma sala de operação. Quando uma enfermeira lhe passa um instrumento, o médico diz que faz sempre uma prece. Pede a Deus que o guie, de acordo com os seus desígnios. Para o cirurgião, a oração cria o clima de calma, necessário para o trabalho. William Rede e Youmanas citam o caso de hemorragias subitamente controladas ou paradas cardíacas prontamente resolvidas. E o próprio Rede teve prova disso com seu filho de dois anos. A criança estava com pneumonia e de repente parecia que ia morrer. Salvou-o com respiração artificial, depois que pediu a Deus para que não tirasse a vida de seu filhinho. Roger Youmanas, cirurgião da Califórnia, confirma que sempre reza durante 30 segundos quando se vê diante de um caso difícil. Acredita que a prece em favor de um doente pode ajudar. E acredita que um cirurgião possa fazer uma operação melhor se tiver inspiração divina. ”(10) O Cristo disse: “por isso vos digo: todas as coisas que vós pedirdes orando, crede que as haveis de ter, e que assim vos sucederão.” (11) Para nós, espíritas, a prece se reveste de características especiais, pois a par da medicação ordinária, elaborada pela Ciência, o magnetismo nos dá a conhecer o poder da ação fluídica e o Espiritismo nos revela outra força poderosa na mediunidade curadora e a influência da oração. Allan Kardec, ao emitir seus comentários na questão 662 de O Livro dos Espíritos, afirma que “o pensamento e a vontade representam em nós um poder de ação que alcança muito além dos limites da nossa esfera corporal. A rigor, a eletricidade é energia dinâmica; o magnetismo é energia estática; o pensamento é força eletromagnética.”(12) Há pessoas que negam a Eficácia da Prece com o argumento de que, se Deus conhece as nossas necessidades, desnecessário se torna expô-las. Acrescentam, tais descrentes, que as nossas súplicas não podem modificar os designo da Providência, porque todo o Universo está regido por leis eternas. “Contudo, o Espiritismo nos faz compreender que na oração, sendo um canal de ligação com o Criador, podemos solicitar, enaltecer e agradecer. As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução dos Seus desígnios; as que são dirigidas aos Bons Espíritos vão também para Deus.” (13)

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Quando o pensamento se dirige para algum ser, na terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um a outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som. A energia da corrente está na razão direta da energia do pensamento e da vontade. “É assim que a prece é ouvida pelos Espíritos, onde quer que eles se encontrem. “Pela prece, o homem atrai o concurso dos Bons Espíritos, que o vêm sustentar nas suas boas resoluções e inspirar-lhe bons pensamentos.” (14) O mestre de Lyon explana que “a prece do homem de bem tem mais merecimento aos olhos de Deus, e sempre maior eficácia. Porque o homem vicioso e mau não pode orar com o fervor e a confiança que só o sentimento da verdadeira piedade pode dar. Do coração do egoísta, daquele que só ora com os lábios, não poderiam sair mais do que palavras, e nunca os impulsos da caridade, que dão à prece toda a sua força.” (15) Porém, quem não se julga suficientemente bom para exercer uma influência salutar, não deve deixar de orar por outro, por pensar que não é digno de ser ouvido. “A consciência de sua inferioridade é uma prova de humildade, sempre agradável a Deus, que leva em conta a sua intenção caridosa. A prece que é repelida é a do orgulhoso, que só tem fé no seu poder e nos seus méritos, e julga poder substituir-se à vontade do Eterno.” (16) Outra questão importante para o tema é a prece coletiva; será que tem ação mais poderosa? Sim! Quando todos os que a fazem se associam de coração num mesmo pensamento e têm a mesma finalidade, porque então é como se muitos clamassem juntos e em uníssono. “Mas que importaria estarem reunidos em grande número, se cada qual agisse isoladamente e por sua própria conta? Cem pessoas reunidas podem orar como egoístas, enquanto duas ou três, ligadas por uma aspiração comum, orarão como verdadeiros irmãos em Deus, e sua prece terá mais força do que a daquelas cem.” (17) "E quando orais, não faleis muito, como os gentios; pois cuidam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Quando orais, não haveis de ser como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas, para serem vistos pelos homens".(18) Por isso que as formas e as fórmulas utilizadas para a oração se fazem secundárias, sendo indispensável à intenção do suplicante, cujo propósito estimula o dínamo cerebral a liberar a onda psíquica vigorosa que lhe conduzirá a vontade. O pensamento, portanto, ligado a Deus, ao bem, ao amor, ao desejo sincero de ajudar, eis a oração que todos podem e devem utilizar, a fim de que a paz se instale por definitivo nos corações. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Fontes Bibliográficas (1) Ganhador do Prêmio Nobel de Medicina por seus trabalhos em sutura de vasos sanguíneos e autor do livro “O Homem, Esse Desconhecido” (2) Publicado na Revista Reader's Digest.Reader's Digest de fevereiro de 1942 (3) Idem (4) Em 1942 as nações mais ricas da Europa e a própria América, onde Dr. Carrel vivia, estavam engalfinhadas na Segunda Guerra Mundial (5) Artigo de Kátia Penteado intitulado Efeitos da Prece na Saúde: a Ciência confirma a Doutrina Espírita - Nov/2004 (6) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB 1990, cap 27 (7) Xavier, Francisco Cândido. Libertação, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1990 (8) Publicado Revista Reader's Digest Reader's Digest de fevereiro de 1942 (9) William Reed é presidente a Fundação Médica Cristã que possui mais de 3.000 médicos associados (10) Publicado na Revista O Espírita setembro / dezembro de 2001, nº 110 Ano XXIII (11) Mc, XI: 24) (12) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1994, questão 662 (13) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB 1990, cap 27 (14) Idem (15) Idem (16) Idem (17) Idem (18) Idem

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FILHOS TEMPORÕES E OS DESAFIOS PARA OS “PAIS-AVÔS” Quais os limites de idade para a maternidade/paternidade na velhice, considerando as novas tecnologias de reprodução humana? Casos de gravidez tardia têm ficado mais comuns. Muitas questões são evocadas para o tema. Temos um caso recente de Gabriella, uma bibliotecária italiana de 57 anos e Luigi de Ambrosis, um aposentado de 70. Casados há 21 anos, decidiram ter um bebê com óvulos doados. Há um ano e sete meses nasceu Viola. Todavia, perderam a guarda da filha porque a corte de Turim (Itália) entendeu que eles são velhos demais e não têm condições de criá-la. A menina foi colocada para adoção. Segundo os juízes, a menina Viola poderia ficar órfã muito jovem ou seria forçada a cuidar de seus pais idosos na idade em que os jovens mais precisam de apoio. Cremos que esse não deve ter sido o motivo, pois só em setembro de 2011, outros dois casais italianos mais velhos (elas, de 57 e 58 anos; eles, 65 e 70 anos) geraram gêmeos por doação de óvulos. Em verdade, Gabriella e Luigi de Ambrosis foram submetidos a testes psicológicos e psiquiátricos que concluíram que a mãe não estabeleceu vínculos emocionais com a filha. O marido também não teria demonstrado preocupação com o bem-estar da Viola. Um estudo feito pela Universidade de Tel Aviv, em Israel, sugere que homens que se tornam pais com mais de 45 anos têm filhos com dificuldade de interação social com mais frequência e até indica que filhos de pais mais velhos têm mais probabilidade de ter autismo ou QI mais baixo. No estudo analisaram dados de 450 mil adolescentes do sexo masculino com 16 ou 17 anos de idade. Os resultados desse trabalho, porém, estão ainda longe de serem conclusivos. Outra pesquisa realizada pela Universidade de Queensland, na Austrália, consigna que pais mais velhos têm maior probabilidade de ter filhos com menor habilidade cognitiva, isto é, menos inteligentes. Será? Os pesquisadores usaram informações do US Collaborative Perinatal Project, que realiza diferentes testes em crianças com oito meses, com anos 4 e com 7 anos de idade. Os testes verificam habilidades de linguagem oral, leitura e escrita, memória, compreensão, concentração e coordenação motora. O resultado final do estudo demonstrou que as crianças que tinham papais mais velhos pontuaram menos nos

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testes de habilidades cognitivas, com exceção das habilidades motoras. O estudo sugere que os governantes conscientizem a população dos agravos de se ter um filho em idade tardia (tanto homens como mulheres) e eduque para a gestação em idade mais apropriada. Entendemos que, se por um lado à gravidez com os papais mais velhinhos pode ser um pouco arriscada, por outro a infância da criança poderá ser muito melhor. Casais idosos têm maior experiência e geralmente estão numa condição financeira mais propícia para ter filhos. Inobastante a opinião dos especialistas, o fato de os pais mais velhos tentarem poupar os filhos de tudo é o principal fator responsável pelo desequilíbrio dos filhos. A superproteção pode provocar nos jovens a dificuldade de se relacionar com outras pessoas e de estabelecer laços afetivos fora do ambiente familiar. Será que gerar filhos na velhice pode tornar-se um problema social? Ninguém quer pensar que os pais estão envelhecendo ou desencarnando. Em verdade, imaginar que os pais velhos se aproximam mais rápido da morte pode gerar muita ansiedade e frustração. O ideal seria que as pessoas refletissem sobre não abreviar a morte de ninguém, mas aceitar a vida em plenitude, mesmo diante da fatalidade biológica. Sou um “pai-avô” – tenho uma filha de 7 anos e creio que a figura do “pai-avô” pode ser compreendida como uma das inúmeras formas que temos de lidar com a finitude que aguilhoa a todos, e de maneira contundente, a partir da maturidade. Talvez a geração de filhos da velhice traga mais dificuldades em conviver com os filhos na adolescência. Mas o Espiritismo nos treina para lidar com os conflitos comuns aos adolescentes, e nada melhor do que nós, pais anciãos, tentarmos nos colocar no lugar dos jovens. Não esqueçamos que carregamos uma vantagem sobre os demais pais de outras faixas etárias. Para nós, esse diferencial é a maturidade. A possibilidade de educarmos de forma diferente e melhor é incontestável. Se moldarmos uma sociedade em que os idosos sejam queridos e respeitados pelos filhos temporões, seremos capazes de envelhecer sem temer o destino deles. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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O ELITISMO ANTE O PERSONALISMO DE CLASSE "ESPÍRITA" Temos recebido com certa freqüência alguns e.mails contendo mensagens supostamente doutrinárias, essencialmente destrutivas, malsãs, apelativas, exaltando assuntos frívolos, escritos sob o guante de verborragias repetitivas, vulgares, agressivas. Num desses petardos virtuais, lemos entre outras jóias uma advertência aos que programam escalas de oradores, a fim de evitarem convidar para palestras “simplesinhas” a “Dra.” Sicrana, Diretora de uma associação de notáveis espíritas, .pois ela não tem perfil para falar nos eventos espíritas comuns (comuns!!??), onde ela tenha que falar, por exemplo, abordando temas do Evangelho Segundo o Espiritismo porque são temas comuns (isso mesmo que o missivista diz...comuns????), porque, na opinião da “Dra.” Sicrana, na cidade do escalador deve ter expositores simplesinhos para falar sobre estes temas “comunzinhos do Evangelho” e não vê porque chamar alguém de outro estado, abarrotados de “Drs.” e bamba (“especializada”) em outra área, para falar sobre os “reles” capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo. (pasmem!) Cita, ainda, tal e.mail que se o escalador pretende levar a Dra Fulana à sua cidade, tente aproveitá-la bem, criando algum evento monumental junto a uma Universidade (de preferência de renome internacional, por certo), onde ela possa verbalizar sua singela teoria “científica” sobre o Espiritismo para uma platéia acadêmica (de preferência com pós-doutorados), sobretudo mestres de tal ou qual área universitária gente da área de psicologia, biologia, química, medicina, física e outras assemelhadas. O mesmo deve ser feito em relação ao “Dr.” Fulano, e vários outros “especialistas espíritas”. Esse assunto remeteu-nos ao diálogo que mantivemos com membro de uma associação “ESPÍRITA” de notáveis, vejamos: Sicrana: Prezado Sr. Jorge Hessen Jorge Hessen: Prezada Dra Sicrana Sicrana: Permita-me uma reflexão sobre conteúdo de sua entrevista ao C.E. Joana D´Arc. (*) Jorge Hessen: Certamente, minha irmã.

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Sicrana: Eu nasci em berço espírita, em uma das menores cidades do Estado de ........ e convivi com as pessoas mais simples e economicamente desprovidas, que se possam imaginar. A gente estudava Kardec, fazia preces, participava das reuniões mediúnicas e tinha Jesus como Mestre. Jorge Hessen: Toda Casa Espírita, minha irmã, tem que ter esse perfil, ou seja: Oração, Estudo e Caridade, tendo Jesus como Mestre e Modelo. Sicrana: Na sequência dos tempos, vim estudar em (...) e fiquei por aqui, onde desenvolvi minha vida profissional, criei minha família e continuei com minhas atividades junto a essa nossa doutrina de libertação das consciências. Foi assim que acabei me ligando tb à Associação de (...). Tenho testemunhado o esforço hercúleo de seus integrantes, em divulgar um paradigma de humanização de todos os procedimentos de bem-estar, agregando profissionais (..........), enfim, de todas as modalidades correlatas. Lá eu tenho ouvido sempre que "o diploma do (profissional) espírita pertence a Jesus". Jorge Hessen: A minha opinião particular sobre os profissionais da área da saúde, principalmente, é que todos, indistintamente, deveriam honrar o compromisso que assumiram, como humildes servidores do Cristo, pois são irmãos que vivenciam, na alma, a dor dos seus semelhantes; são os socorristas de plantão, literalmente falando. Devemos a eles o nosso maior respeito, sem dúvida alguma. Porém, não podemos entender “humanização” a portas fechadas, onde profissionais se reúnem para estabelecerem um padrão de comportamento humanitário, mas que, na verdade, ainda têm uma visão turva sobre o que realmente isso significa. O maior humanista que já tivemos, na área, foi o inesquecível Dr. Bezerra de Menezes. É nele que a classe médica deveria se inspirar. Por outro lado, quem já leu a coleção André Luiz sabe qual foi a sua surpresa ao adentrar no Mundo dos Espíritos. Preciso dizer mais, minha irmã? Sicrana: O trabalho das associações......, por exemplo, em defesa da vida, contra o aborto intencional, inclusive contra o aborto do chamado (equivocadamente) de "anencéfalo", é inegável. Foi com a estrutura da associação........ que o Espiritismo conseguiu ser ouvido no Supremo Tribunal Federal, no final do ano passado, defendendo a vida do anencéfalo. Jorge Hessen: Eu seria incoerente, minha irmã, se negasse esse esforço em defesa da vida. Perdoe-me, mas é muita presunção atribuir à associação........, a única e legítima representante legal do Espiritismo na Alta Corte a defender a vida do anencéfalo. Não somente os espíritas, mas, principalmente estes, arregimentaram-se e avançaram contra a descriminalização do aborto. Nesse dia, minha irmã, não houve distinção de classe, pois todos estavam irmanados em um só coração, em um só pensamento em nome do amor incondicional e do respeito à

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vida. Modestamente escrevi muito e publiquei sobre o específico e dei ampla divulgação à época. Foi minha humilde contribuição diretamente de Brasília, onde resido há 40 anos. Sicrana: Em todos os eventos das associações ....., de que eu tenho participado, assisto sempre a demonstração do caráter verdadeiro da Doutrina Espírita, ou seja, de ciência, de filosofia e da moral de Jesus. Não se tem o objetivo de "elitização", nem de "atrair para si os holofotes da fama" ou de "divulgar o evangelho apenas às pessoas laureadas" (expressões que constam de sua entrevista). Pelo contrário, nas associações...... os profissionais se reúnem em uma entidade de classe, para assumir a responsabilidade de tratar de assuntos específicos à sua formação, como aborto, transplante de órgãos, utilização de células-tronco embrionárias, depressão e obsessão, etc., sem perda de seu denominador comum, que é o fato de serem espíritas. Jorge Hessen: O verdadeiro caráter da Doutrina Espírita, minha irmã, não se resume em “assistir a reuniões de classe” para tratar de assuntos específicos à sua formação, pois basta ser específico e ser entidade de classe, para assumir caráter “elitista” e, mesmo porque, o personalismo de classe caracteriza um comportamento egoísta e, sobretudo vaidoso, uma vez que se julgam cumprindo admirável missão, mas “a sete chaves”. Ser espírita exige mais, muito mais do que isso. Os exemplos Chico Xavier e Bezerra de Menezes respondem por mim. Sicrana: Senhor Jorge, eu tenho estado lá e estou testemunhando o que digo. Portanto, é com tristeza que leio referências injustas e infundadas ao trabalho de companheiros idealistas que só merecem nosso respeito e consideração. Não vejo a menor diferença de atitude nesses companheiros, em comparação a dos trabalhadores do centro espírita de minha pequena cidade natal. A seara continua a ser a de Jesus e laureados ou não pela academia da Terra, a honra que nos cabe é a de servir na condição de aprendizes na escola da vida. Sicrana: Com abraço fraterno Jorge Hessen: Não duvido, minha irmã, do seu testemunho. Porém, eu vejo uma diferença imensa entre uma coisa e outra, pois ser idealista não significa ser ativista. O equilíbrio está em ser idealista e ativista sincero e humilde. Concluindo: Associação é uma organização entre duas ou mais pessoas para a realização de um objetivo comum. Sendo assim, podemos finalizar que o associativismo, normalmente de voluntariado, usado como instrumento de satisfação das necessidades individuais humanas, pode ser facilmente banalizado e colocado à prova a sua credibilidade se, e somente se, for para privilegiarmos um determinado grupo ou classe no campo da religião ou mesmo da fé, propriamente dita. Eu entendo que a possibilidade de pessoas de uma mesma ideologia, de uma

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mesma formação acadêmica, de uma mesma classe social, criarem uma orientação à parte, mesmo dentro da mesma crença religiosa, é visível a intenção de manter relações sociais somente com seus iguais. Criar uma associação, onde se destaca somente aqueles da mesma “formação”, acho inviável, imoral e degradante – perdoe-me a franqueza - pois revela um sentido, totalmente, contrário a tudo aquilo que qualquer religião ensina. Allan Kardec propõe que o Espiritismo é uma doutrina natural, isto é, que coloca o homem ou o espírito diretamente em relação com Deus, de forma igual perante o SENHOR. Portanto, qualquer formação fora dessa realidade é, simplesmente, demagogia e pretensionismo. Não estou aqui para julgar ou criticar, mas, para contra-argumentar e dizer que o meu pensamento, sobre a criação de tais Associações, encontra-se patenteado na entrevista a que você se refere e nos artigos que escrevo, pois que essa iniciativa afasta, cada vez mais, a idéia de União Espírita, tão aguardada pelos Espíritos Superiores que nos transmitiram essa abençoada Doutrina, que é o Espiritismo. Fraternalmente, Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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O QUE PENSAR DOS DIZEM QUE "JESUS É SOMENTE O EMERGIR DE UM ARQUÉTIPO PLASMADO NO INCONSCIENTE COLETIVO"? Stephen Sawyer, desenhista que vive em Kentucky, EUA, autor das imagens do Cristo com peitoral tatuado, braços musculosos, recentemente publicadas na capa do jornal The New York Times, inventou o projeto Art4God para tentar aproximar os jovens do “cristianismo”. Sawyer acredita-se um legítimo pregador (!?...) do Messias de Nazaré. Através de livros, revistas e blogs, Stephen tem viajado os Estados Unidos divulgando a sua bizarra ideologia, retratando a figura máscula de Jesus igualando-O a um super-herói. Embora os desenhos sejam absolutamente grotescos e chocantes, é muito difícil em uma sociedade aberta, democrática e plural como a nossa, evitar expressões como essas, ou opiniões e teses, tenham elas ou não caráter histórico, científico, religioso ou moral, público ou privado. Todavia, o Espiritismo preconiza e defende a liberdade de expressão responsável, ou seja, quando exercida de forma justa e respeitosa, de modo que não venha a agredir ou desmerecer o direito de crença do seu semelhante. A partir do momento que Deus dotou de razão o homem e lhe conferiu o livrearbítrio, permitiu dessa forma que o mesmo abrace o caminho que espera ser o mais acertado para ele, tornando-o responsável pelas suas preferências. Quem somos nós para impor a quem quer que seja a nossa vontade, ou aquilo que acreditamos ser o melhor? Todavia, quando lemos a matéria relativa à veiculação da imagem de Jesus, igualando-O aos chamados homens “sarados”, ficamos extremamente indignados, pois guardamos a certeza de que a memória e imagem do Mestre devem ser respeitadas e veneradas no alcance máximo da liberdade humana. É bem verdade que os espíritas não idolatram nenhum mensageiro em pinturas, fotos, esculturas, etc., Mas, esse comportamento de Sawyer cremos ser uma violentação gratuita e inteiramente desnecessária como tantos outros desrespeitos já praticados sob a “proteção” da vilipendiada liberdade de expressão, que culmina atingindo o sentimento de todos aqueles que têm Jesus como exemplo de moral, caráter, bondade, amor, humildade.

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No que tange à aparência de Jesus, sabe-se que atualmente não existe uma unanimidade de como ele era realmente. Mas, Públio Lentulos dizia que “Ele era belo de figura e atraia os olhares. Seu rosto inspirava amor e temor ao mesmo tempo. Seus cabelos eram compridos e louros, lisos até as orelhas, e das orelhas para baixo cresciam crespos anelados. Dividia-os ao meio uma risca e chegavamlhes aos ombros segundo o costume da gente de Nazareth. As faces cobriam de leve rubor. O nariz era bem contornado, e a barba crescia, um pouco mais escura do que os cabelos, dividida em duas pontas. Seu olhar revelava sabedoria e candura. Tinha olhos azuis com reflexos de várias cores. Este homem amável ao conversar, tornava-se terrível ao fazer qualquer repreensão. Mas mesmo assim sentia-se Nele um sentimento de segurança e serenidade. Ninguém nunca o via rir.” (1) “Muitos, no entanto, O tinham visto chorar. Era de estatura normal, corpo ereto, mãos e braços tão belos que era um prazer contemplá-los. Sua Voz era grave. Falava pouco. Era modesto. Era belo quanto um homem podia ser belo." (2) Como se observa há dois mil anos havia um Homem incomum, entre os milhões de habitantes terrestres... E Esse Homem singular veio tornar-se o centro da história da humanidade. Muito mais do que isso: Ele se tornou um marco para a história da humanidade, de tal modo que até o tempo histórico é contado tendo-O como referência. Como se não bastasse, em meio à crescente proliferação de idéias esdrúxulas sobre o Cristo, há infelizmente no seio do movimento espírita os que desejam ver Jesus banido das hostes doutrinárias. São arautos caolhos que têm deturpado a legítima concepção espírita sobre o Meigo Rabi da Galiléia. São bonifrates das trevas que espalham as extravagantes idéias do tipo: "Jesus é somente o emergir de um arquétipo plasmado no inconsciente coletivo". Nos seus devaneios, tais títeres atestam que, de “tudo quanto a civilização cristã reteve de Jesus, nesses dois milênios, muito mais há de mito.” Enxovalham nossas mentes com afirmativa: -"Nosso Jesus não é o mítico Governador do Planeta, aquele que vive, entre Anjos e Tronos, na bela ficção literária de Humberto de Campos" e, ainda, regurgitam outras pérolas frasais como: -"Nosso Jesus, inteiramente homem, não evoluiu em linha reta" e, mais ainda, vociferam: -"Jesus não criou nenhuma nova moral. Apenas interpretou, adequadamente, aquela que sempre esteve no coração do homem por todos os tempos e lugares.”! Que talento! Tratam, o mais supremo dos seres da criação como um "João ninguém". Na Terra, onde se multiplicam as conquistas da inteligência (algumas resvalam e se enterram nas valas profundas das retóricas vazias) e fazem-se mais complexos os quadros do sentimento amarfanhado no materialismo, saibamos que Ele (Jesus) no campo da Humanidade [foi o único] orientador completo, irrepreensível e

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inquestionável, que renunciou à companhia dos anjos para viver e conviver com os homens. Nos tempos áureos do Evangelho o apóstolo Pedro, mediunizado, definiu a transcendência de Jesus, revelando que Ele era "o Cristo, o Filho de Deus vivo" (3) . No século XIX o Espírito de Verdade atesta ser Ele "o Condutor e Modelo do Homem" (4). Para o célebre pedagogo e gênio de Lyon, o Cristo foi "Espírito superior da ordem mais elevada, Messias, Espírito Puro, Enviado de Deus e, finalmente, Médium de Deus."(5) Não há dúvidas que Jesus foi o Doutrinador Divino (6) e por excelência o "Médico Divino", segundo André Luiz. (7) Por sua vez, Emmanuel o denomina de "Diretor angélico do orbe e Síntese do amor divino". (8) Para a maioria dos teólogos, Jesus é objeto de estudo, nas letras do Velho e do Novo Testamento, imprimindo novo rumo às interpretações de fé. Para os filósofos, Ele é o centro de polêmicas e cogitações infindáveis. Para nós espíritas, Jesus foi, é e será sempre a síntese da Ciência, da Filosofia e da Religião. "Tudo tem passado nestes dois mil anos, na Terra- mas a [Sua] Palavra brilha como um Sol sem ocaso, guiando as ovelhas tresmalhadas, os cordeiros perdidos do Rebanho de Israel à porta do aprisco, para restituí-los ao Bom Pastor". (9) O Espiritismo vem colocar a Mensagem do Cristo na linguagem da razão, com explicações racionais, filosóficas e científicas, mas, vejamos bem, sem abandonar, sem deixar de lado o aspecto emocional que é colocado na sua expressão mais alta, tal como o pretendeu Jesus, ou seja o sentimento sublimado, demonstrando assim que o sentimento e a razão podem e devem caminhar pela mesma via, pois constituem as duas asas de libertação definitiva do ser humano. Inobstante não ser a experiência humana uma estação de prazer, por isso, continuemos trabalhando no ministério do Cristo, recordando que, por servir aos outros, com humildade, sem violências e presunções, Ele foi tido por imprudente e rebelde, transgressor da lei e inimigo da população, sendo escolhido por essa mesma multidão para receber com a cruz a gloriosa coroa de espinhos, mas sob o influxo do bom ânimo Ele venceu o mundo! O Cristo é o modelo de virtudes para todos os homens . E mais ainda. Jesus Cristo é incomparável em face da dedicação e a santidade que Ele dispensa à Humanidade. Nós, que ainda estamos mergulhados nos pântanos das questiúnculas teológicas, não temos parâmetros para avaliar a Sua magna importância para o Espiritismo, isto porque a Sua excelsitude se perde na escura bruma indevassável dos milênios. Dizemos mais: O Espiritismo sem Jesus pode alcançar as brilhantes expressões acadêmicas, mas não passará de atividade fadada a modificar-se ou desintegrar-se, como todas as conquistas superficiais da Terra. E o espírita cristão,

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que não cogitou da sua iluminação com o Evangelho do Mestre, pode ser virtuose da inteligência, Phd de qualquer coisa e filósofo, com as mais subidas aquisições científicas, mas estará sem bússola e sem norte no momento do “furacão” inevitável da dor moral. Temos dito! Jorge Hessen Jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Descrição tradicional feita pelo pró-consul Públios Lentulos (2) idem (3) Mt 13, 16-17. (4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, pergunta 625 (5) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 1998, XV, item 2 (6) Xavier, Francisco Cândido. (Os Mensageiros, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, cap. 27) (7) Xavier, Francisco Cândido. Missionário da Luz, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB 2003, cap. 18 (8) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB 2001, 283 e 327. (9) SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e ensinos de Jesus, SP: ed. O Clarim-Matão, 1993, p. s/n

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COMO SE ENCONTRA O ATUAL CENÁRIO ESPÍRITA NA PÁTRIA DO EVANGELHO? Lemos recentemente o primeiro aviso espiritual sobre a missão da Pátria do Evangelho, ditada em 1873 pelo Espírito Ismael! Sublinhamos na mensagem lida os seguintes trechos: “o Brasil tem a missão de cristianizar. É a Terra da Fraternidade. A Terra de Jesus. A Terra do Evangelho. Não foi por acaso que tomou o nome de Vera Cruz, de Santa Cruz. Na Era Nova que se aproxima, abrigará um povo diferente pelos costumes cristãos. Cumpre reconhecer em Jesus, o chefe espiritual [do Brasil]. A missão dos espíritas no País é divulgar o Evangelho, em espírito e verdade. Os que quiserem bem cumprir o dever, a que se obrigaram antes de nascer, deverão, pois, reunirem-se debaixo deste pálio trinitário: Deus, Jesus e Caridade. Onde estiver esta bandeira, aí estarei eu, Ismael.!” (1) Após a leitura dessa histórica mensagem, deliberamos analisar o atual cenário espírita na Pátria do Evangelho. Propomos ao caríssimo leitor fazer conosco um ligeiro check-up do atual movimento espírita nas terras do “Cruzeiro do Sul”. Sem muito esforço de apreciação, identificaremos uma redução acentuada do número de militantes sérios e comprometidos com a Codificação Kardeciana. Lamentavelmente, assistimos irromper-se o espírito elitista junto às muitas instâncias doutrinárias; vemos crescer a volúpia da oficialização das cobranças de taxas para ingresso nos eventos ditos “espíritas”. Promovem-se insistentemente a espetacularização da oratória e do conhecimento doutrinário “decorado” através de congressos, simpósios, workshop, palestras ou conferências realizados quase sempre em lugares esplêndidos. A Internet tende a democratizar a informação mundial e poderia ser o grande instrumento de divulgação dos princípios espíritas, porém o “olho grande” nos lucros através das vendas de livros psicografados caros (cuja renda deveria destinarse a obras assistenciais), salvo raras exceções, estão sendo proibidos para “download” com a evocação do execrável argumento materialista dos tais “direitos autorais” (mas, os autores são os espíritos, ou não?). É urgente um basta aos especuladores ambiciosos, que continuam industrializando Jesus através do Espiritismo. Cremos que se o Chico Xavier tivesse plena noção de que os livros que

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doou seriam alvo de ganância financeira, ele não os doaria, com certeza! É necessária a abolição dessa nefasta corretagem doutrinária em que comerciantes avarentos transformam o Espiritismo em balcão de negócios inaceitáveis. O Espiritismo, no aspecto meramente humano das suas atuais diretrizes, ostentando convênio de agrado ou de cessão com as infiltrações mundanas do materialismo, do ganho financeiro supostamente justificado pelo assistencialismo de superfície, não se tem diferenciado da competição entre as empresas comerciais que só visam ganhar mercado, clientes e muitos cifrões. Emmanuel advertiu, entre outras coisas (como observaremos mais abaixo), que os diretores de centros espíritas agenciam muito mais assembléias para discutir modos de angariar dinheiro e haveres para o custeamento de projetos desnecessários, e às vezes até supérfluos, do que para instruir doutrinariamente os frequentadores da instituição. Por essas razões, é importante analisar equilibradamente o movimento espírita brasileiro de hoje. O incomparável médium Chico Xavier advertiu há algumas décadas que a mensagem espírita não pode se distanciar do povo. É “preciso fugir da tendência à elitização no seio do movimento espírita. É necessário que os dirigentes espíritas, principalmente os ligados aos órgãos unificadores, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar. É indispensável que estudemos a Doutrina Espírita junto às massas, que amemos todos os companheiros, sobretudo os espíritas mais humildes, social e intelectualmente falando, e das massas nos aproximarmos com real espírito de compreensão e fraternidade [isso não se consegue com os shows dos eventos pagos, protagonizados por alguns pregadores que comercializam as palestras que realizam]. Se não nos precavemos, daqui a pouco estaremos em nossas casas espíritas apenas falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos [que não abrem mão de manter o burlesco “Dr.” antes dos endeusados nomes e sobrenomes] ou intelectuais e confrades de posição social mais elevada. Mais do que justo evitarmos isso (repetiu várias vezes) a “elitização” no Espiritismo, isto é, a formação do “espírito de cúpula”, com evocação de infalibilidade, em nossas organizações.”(2) Numa das entrevistas concedidas a Jarbas Leone Varanda, publicada no jornal uberabense, Chico exprobra mais uma vez: “a falta de maior aproximação com irmãos socialmente menos favorecidos, que equivale à ausência de amor, presente no excesso de rigorismo, de formalismo por parte daqueles que são responsáveis pelas nossas instituições; o médium mineiro reprova a preocupação excessiva com a parte material das instituições, com a manutenção, por exemplo, de sócios contribuintes ao invés de sócios ou companheiros ligados pelos laços do trabalho, da responsabilidade, da fraternidade legítima; é a preocupação com o patrimônio

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material ao invés do espiritual e doutrinário; é a preocupação de inverter o processo de maior difusão do Espiritismo fazendo-o partir de cima para baixo, da elite intelectualizada para as massas, exigindo-se dos companheiros em dificuldades materiais ou espirituais uma elevação ou um crescimento, sem apoio dos que foram chamados pela Doutrina Espírita a fim de ampará-los na formação gradativa.” (3) O mestre lionês certifica que “quando as idéias espíritas forem aceitas pelas massas, os sábios se renderão à evidência”. (4) Não podemos permitir a “deturpação da mensagem dos Espíritos, como aconteceu com o Cristianismo legalizado por Constantino, em 313, e posteriormente oficializado como religião do Império romano por Teodósio, em 390. A Doutrina dos Espíritos veio para consertar o Cristianismo, todavia, na sua feição evangélica primitiva. Os líderes que se transviarem das legítimas mensagens espíritas cristãs sofrerão as severas sanções das Leis do Criador, em face da invigilância, pois com as Leis de Deus não se pode brincar. Corroborando a tese de Humberto de Campo sobre a missão cristã do nosso país no contexto mundial, Emmanuel registra - “achamo-nos todos à frente do Brasil, nele contemplando a civilização cristã, em seu desdobramento profundo. Nele, os ensinamentos de Jesus encontram clima adequado à vivência precisa.”(5) “Embora nos reconheçamos necessitados da fé raciocinada com o discernimento da Doutrina Espírita, é forçoso observar que não é a queda dos símbolos religiosos aquilo de que mais carecemos para estabelecer a tranquilidade e a segurança entre as criaturas, mas sim a nova versão deles, porquanto sem a religião orientando a inteligência cairíamos todos nas trevas da irresponsabilidade, com o esforço de milênios volvendo, talvez, à estaca zero, do ponto de vista da organização material na vida do Planeta.” (6) Culminamos nossos argumentos relembrando que se “o Brasil puder conservarse na ordem e na dignidade, na Justiça e no devotamento ao progresso que lhe caracterizam os dirigentes, mantendo o trabalho e a fraternidade, a cultura e a compreensão de sempre, para resolver os problemas da comunidade e, com o devido respeito à personalidade humana e com o devido acatamento aos outros povos, decerto que cumprirá os seus altos destinos de pátria do Evangelho, na qual a Religião e a Ciência, enfim unidas, se farão as bases naturais da felicidade comum através da prática dos ensinamentos vivos de Jesus Cristo.” (7) Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Referências bibliográficas: (1) Mensagem recebida no Grupo Confúcio, 1873. O Grupo Confúcio (02 agosto 1873) foi a 1ª Sociedade Espírita nascida com o objetivo de divulgar a Doutrina. Posteriormente mudou seu nome para Grupo Ismael. No Rio de Janeiro foi a primeira, mas no Brasil foi a segunda porque a 1ª Sociedade Espírita fundada no Brasil foi na cidade de Salvador, em 17 de Setembro de 1865: Grupo Familiar do Espiritismo. (Grandes Espíritas do Brasil – Zeus Vantuil, pág 118) (2) Xavier, Francisco Cândido. Encontros No Tempo, São Paulo: Editora Instituto de Difusão Espírita, 1979, 2ª edição. (3) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense: “Um encontro fraterno e uma Mensagem aos espíritas brasileiros”. Publicado no livro Encontro no Tempo, 2ª edição. (4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 1973, Introdução. (5) Mensagem psicografa por Francisco Cândido Xavier, em Uberaba, MG, na tarde de 18/08/1971, para a reportagem da revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, da qual – edição de 01/09/1971, pág. 25 – permanece aqui transcrita. (6) idem. (7) idem.

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AUTOCOMBUSTÃO HUMANA ESPONTÂNEA – SERIA POSSÍVEL? EIS A QUESTÃO! Michael Faherty, de 76 anos, desencarnou em sua casa em Galway no dia 22 de dezembro de 2010. O corpo, carbonizado, foi encontrado com a cabeça virada para a lareira. O médico legista Ciaran McLoughlin, de West Galway, Irlanda, afiançou que Faherty foi vítima de uma “autocombustão humana”. "O incêndio foi totalmente investigado e a sua conclusão é de que o fato se encaixa na categoria de ‘combustão humana espontânea’, para o qual não há uma explicação adequada" (1). McLoughlin explicou ser essa a primeira vez em 25 anos de carreira que deu um parecer de combustão espontânea. Larry Arnold, um experto em autocombustão humana, sugere que o fenômeno resulta de uma nova partícula subatômica chamada 'pyroton' que, segundo ele, interage com as células para criar uma micro-explosão. Mas não existe nenhuma evidência científica provando a existência de tal partícula. A primeira combustão humana espontânea conhecida foi divulgada pelo anatomista dinamarquês Thomas Bartholin, em 1663, quando descreveu como uma mulher em Paris "foi reduzida a cinzas e fumaça" enquanto dormia. O colchão de palha onde ela estava deitada não foi danificado pelo fogo. Em 1763, Jonas Dupont apresentou em Lyon uma tese de doutorado: De incendiis corporis humani sponraneis; ele foi o primeiro a tratar do assunto oficialmente. No século XIX, Charles Dickens despertou grande interesse no assunto, usando o tema para “matar” um personagem de sua novela "A casa abandonada” ("Bleak House"). Krook (o personagem alcoólatra), compartilhava da crença comum nessa época de que a combustão humana espontânea era causada por quantidades excessivas de álcool no corpo.(2) Surgiram algumas críticas acusando Dickens de divulgar superstições, mas o escritor respondeu aos ataques citando suas fontes de pesquisa sobre autocombustão humana – especialmente o caso da Condessa Cornelia de Bandi, de Cesena, Itália, ocorrido em 1731 – e o de Nicole Millet. A rigor, ninguém ainda desmentiu ou provou concreta e conclusivamente a combustão humana espontânea. Portanto, estamos diante de um fenômeno paranormal não mencionado na literatura consagrada pelas explicações espíritas e

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que tem desafiado a inteligência dos pesquisadores. A ocorrência é um dos mais complexos fenômenos estudados pela parapsicologia e, sem dúvida, dos mais difíceis de ser comprovado, e sobre o qual muitos cientistas preferem manter silêncio. A definição pode parecer um tanto vazia, mas a verdade é que pouco ou nada se sabe sobre o suposto fenômeno – como se inicia ou termina, ou mesmo por que ocorre. O intrigante da questão é: os corpos físicos podem ser consumidos espontaneamente pelo fogo? Muitas pessoas acreditam que a autocombustão humana seja um evento possível, mas a maioria dos cientistas não está convencida, apesar das evidências pelas inúmeras imagens fotográficas existentes. Para alguns, a combustão espontânea ocorre quando uma pessoa rompe em chamas por causa de uma reação química interna aparentemente não provocada por uma fonte externa de calor (ignição). “Em dezembro de 1966, o corpo do Dr. J. Irving Bentley, de 92 anos, foi descoberto na Pensilvânia, ao lado do medidor de consumo de eletricidade de sua casa. Na realidade, apenas parte da perna dele e um pé, ainda com o chinelo, foram achados. O restante do seu corpo tinha se transformado em cinzas.” (3) Como esclarecer que um homem pegou fogo – sem nenhuma origem aparente de faísca ou chama – queimando completamente o próprio corpo, sem espalhar as chamas para nenhum objeto próximo? O caso do Dr. Bentley e centenas de outros casos semelhantes ficaram conhecidos como eventos de "combustão humana espontânea" (Spontaneous Human Combustion – SHC). Embora ele e outras vítimas do fenômeno tenham sofrido combustão quase total, as redondezas de onde se encontravam, ou as próprias roupas, muitas vezes não sofriam dano algum. (4) Certa vez a TV Globo mostrou um “senhor que dormiu dois dias sucessivos e ao acordar notou no seu corpo queimaduras espontâneas profundas e sua mão direita completamente carbonizada, a qual teve que ser amputada. Um médico e um cientista abordados a respeito desse fato também não souberam explicá-lo. Mas como é de praxe, batizaram o fenômeno: "Combustão espontânea do corpo humano".(5) Allan Kardec elucida os fenômenos (anímicos) de efeitos físicos (ruídos, pancadas, lançamento de objetos, transportes, a pirogenia ou combustão espontânea roupas, colchões, móveis), psicometria (percepção de fatos a partir de objetos) etc. (6) As manifestações físicas estiveram relacionadas ao próprio surgimento da Doutrina Espírita, no século XIX, quando o professor Rivail teve sua atenção despertada para as chamadas mesas girantes e passou a estudá-las conforme consigna O Livro dos Espíritos, na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita. Os fenômenos espíritas desse gênero, de modo geral as manifestações físicas espontâneas, objetivavam chamar a atenção de Kardec e convencê-lo da presença

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de uma força superior à do homem. (7) Todavia, ressalte-se que o mestre de Lyon nada investigou e nem os espíritos informaram sobre o fenômeno de mortes por autocombustão humana. “Existe, no entanto, a faculdade, qual utilizava Daniel Dunglas Home, que produzia fenômenos de combustão espontânea, mas que não era autocombustão e que não o queimava. Em uma experiência memorável diante do Imperador Napoleão III, antes de Allan Kardec, no mês de abril de 1852, convidado às Tulherias por aquele, deu as maiores demonstrações de mediunidade, porque o Imperador gostava de prestidigitação (ilusionismo) e acreditava que os fenômenos produzidos por Daniel e por outros eram de ilusionismo, de malabarismo. Entre as manifestações notáveis que Daniel produziu naquela noite, uma foi tomar de uma folha de papel, atritá-la, atirando-a nas labaredas da lareira, dizendo: – "Não queime". – e a folha de papel permaneceu intacta. Ele afastou-se alguns metros, e ordenou: – "Pode queimar". – e ela ardeu. Constatamos que ele a havia impregnado de energia anti-combustiva e, ao dar-lhe a ordem, a energia desgastada, não isolou o papel.” (8) Quais as causas dos fenômenos de efeitos físicos? Qual a sua origem e sua finalidade? São questões que passaram a ocupar o pensamento do professor lionês, que passou a estudá-los levando-o às pesquisas e ao trabalho de compilação e organização da Codificação Espírita, dando origem aos cinco livros que editou usando o criptônimo de Allan Kardec. Pelo sim, pelo não, ousemos propor uma explicação plausível para o fenômeno peculiar que consome uma pessoa por uma chama que parece vir de seu próprio corpo e transformá-la em pouco mais que um monte de ossos enegrecidos e pó. Cremos ser um processo expiatório que alcançam alguns seres humanos que invariavelmente praticaram atos impiedosos no passado, quiçá nos medievos cenários inquisitoriais; pessoas essas que incineraram impiedosamente os hereges vivos nos troncos do ódio, razão pela qual e sob o látego da Lei de Ação de Reação carregam as matrizes que liberam a materialidade de tão dantesco fenômeno. Espera-se que um dia o mistério possa ser mais bem esclarecido, pois a autocombustão de corpos representa um dos mais complexos e atemorizantes acontecimentos paranormais da história humana. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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O PASSE NUMA SUCINTA ANOTAÇÃO ESPÍRITA O biólogo Ricardo Monezi, mestre em fisiopatologia experimental pela Faculdade de Medicina da USP e pesquisador da unidade de Medicina Comportamental da Unifesp, estudou a fundo a técnica de imposição de mãos [passe]. Lembramos que na atualidade o passe é empregado por outras religiões, que o apresentam sob nomes e aparências diversas (benção, unção, johrei, heiki, benzedura), além do quê, pessoas sem qualquer relação com movimentos religiosos também o empregam. Para Monezi, os dados preliminares apontam que a prática do passe gera mudanças fisiológicas e psicológicas, como a diminuição da depressão, da ansiedade e da tensão muscular, além do aumento do bem-estar e da qualidade de vida. Ressaltamos que a Doutrina dos Espíritos clarifica melhor e explica as funções do perispírito, que “é o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos” (1), além de o mesmo interagir de forma profunda com o corpo biológico, razão pela qual as energias transmitidas pelo passe e recebidas inicialmente pelos centros de força (2), atingem o corpo físico através dos plexos (3), proporcionando a renovação das células enfermas. “Assim como a transfusão de sangue representa uma renovação das forças físicas, o passe é uma transfusão de energias psíquicas, com a diferença de que os recursos orgânicos (físicos) são retirados de um reservatório limitado, e os elementos psíquicos o são do reservatório ilimitado das forças espirituais.” – explica o Espírito Emmanuel. (4) Recordemos que Jesus utilizou o passe "impondo as mãos" sobre os enfermos e os perturbados espiritualmente, para beneficiá-los. E ensinou essa prática aos seus discípulos e apóstolos, que também a empregaram largamente. Entretanto, é nas hostes espíritas que o passe é melhor compreendido, mais largamente difundido e utilizado, “dispensando qualquer contacto físico na sua aplicação”.(5) Segundo Ricardo Monezi, “um dos centros que avaliam o assunto é a respeitada Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. A física atual não consegue classificar a natureza dessa força, mas vários estudos indicam que se trata de

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energias eletromagnéticas de baixa frequência.". (6) Tiago escreveu: “toda boa dádiva e dom perfeito vêm do Alto”. (7) Sim, as energias magnéticas e a prática do bem podem admitir as expressões mais diferentes. Suas essências, contudo, são continuamente as mesmas diante do Soberano da Vida. Os passes poderão ser espirituais, em função do magnetismo provindo de irmãos desencarnados que participam dos processos, e humanos, através do magnetismo animal do próprio passista encarnado. “A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas depende, também, da energia, da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido.”. (8) É importante explicar, porém, que o tratamento espiritual através do passe, oferecido na Casa Espírita, não dispensa tratamento médico. Infelizmente toda a beleza das lições espíritas, que provém da fé racional no poder das energias magnéticas pelo passe, desaparece ante as ginásticas pretensiosas e burlescas de tratamentos espirituais atualmente praticados em algumas instituições espíritas mal dirigidas. O passe não poderá, em tempo algum, ser aplicado com movimentos bruscos, utilizando-se malabarismos manuais, estalos de dedos, cânticos estranhos e, muito menos ainda, estando incorporado e, psicofonicamente, verbalizando “aconselhamentos” para o receptor. Isso não é prática espírita. “O passe deverá sempre ser ministrado de modo silencioso, com simplicidade e naturalidade.”.(9) Na casa espírita não se admitem as encenações e gesticulações em que hoje se envolveram terapias esquisitas tais como apometrias, desobsessão por corrente magnética,“choques anímicos”, cristalterapias (poderes das pedras???), cromoterapias (poderes das cores???) e outras “terapias” mitológicas, geralmente atreladas a antigas correntes espiritualistas do Oriente ou de origem mística, ilusionista e feiticista. É sempre bom lembrar a tais adeptos fervorosos que todo o poder e toda a eficácia do passe genuinamente espírita dependem do espírito e não da matéria, da assistência espiritual do médium passista e não dele mesmo. Por conseguinte, na aplicação do passe não se fazem necessários a gesticulação violenta, a respiração ofegante ou o bocejo contínuo, e que também não há necessidade de tocar o assistido. “A transmissão do passe dispensa qualquer recurso espetacular”.(10) As encenações preparatórias – “mãos erguidas ao alto e abertas, para suposta captação de fluidos pelo passista, mãos abertas sobre os joelhos, pelo paciente, para melhor assimilação fluídica, braços e pernas descruzados para não impedir a livre passagem dos fluidos, e assim por diante – só servem para ridicularizar o passe, o passista e o paciente.”.(11) A formação das chamadas

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“correntes” mediúnicas, com o ajuntamento de médiuns em torno do paciente, “as ‘correntes’ de mãos dadas ou de dedos se tocando sobre a mesa – condenadas por Kardec – nada mais são do que resíduos do mesmerismo do século XIX, inúteis, supersticiosos e ridicularizantes.”.(12) O passe é prece, concentração e doação. “A oração é prodigioso banho de forças, tal a vigorosa corrente mental que atrai”.(13) Por ela, consegue o passista duas coisas importantes e que asseguram o êxito de sua tarefa: expulsar do próprio mundo interior os sombrios pensamentos remanescentes da atividade comum durante o dia de lutas materiais; Sorver do plano espiritual as substâncias renovadoras de que se repleta, a fim de conseguir operar com eficiência, a favor do próximo presente ou distante do local de sua aplicação. Em que pese aos místicos que ainda não compreendem e criam confusões ao aplicarem o passe, reconhecemos que muitos encarnados e desencarnados são beneficiados por ele, pois sabemos que é manifestação do amor de Deus, esse sentimento sublime que abarca a todos e os alivia. Importa-nos lembrar, porém, um pensamento Xavieriano: o passe, tal como terapia, não modifica necessariamente as coisas, para nós, mas pode modificar-nos a nós em relação às coisas. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências Bibliográficas: (1) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. Feb, 29ª edição, 1986, cap. XIV (2) Os centros de força são o Centro Coronário (se assenta a ligação com a mente que é sede da nossa consciência); .Centro Frontal (atua sobre as glândulas endócrinas, sobre o sistema nervoso); Centro Laríngeo (controla as atividades vocais, do timo, da tiróide e das paratireóides, controlando totalmente a respiração e a fonação); Centro Cardíaco (responsável por todo o aparelho circulatório); Centro Esplênico (regula o sistema hemático); Centro Solar ou Gástrico (responsável pela digestão e absorção dos alimentos sólidos e fluidos); Centro Genésico (orientador da função exercida pelo sexo). (3) Os plexos são constituídos pelo nosso sistema nervoso autônomo ou vegetativo e neles haveria, digamos assim, centrais irradiantes, os chamados centros de forças. (4) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de janeiro: Ed FEB, 2000, perg. 98. (5) Idem, perg. 99.

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(6) Disponível em < http://mdemulher.abril.com.br/bem-estar/reportagem/viverbem/cientistas-exploram-poder-cura-energia-maos-640628.shtml acessado em 03/11/2011 (7) Tiago 1:17 (8) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. Feb, 29ª edição, 1986, cap. XIV (9) Kardec, Allan. Obras Póstumas, RJ: Ed. Feb, 1987, cap. VI, item 54 (10) Waldo Vierira. Conduta Espírita, ditado pelo espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 1998, Cap. 28 (11) O Passe em http://www.Espírito.org.br. (12) Idem (13) Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, Cap.17

A BANALIZAÇÃO DA IMPROBIDADE, DO ENVILECIMENTO DA ÉTICA, NUMA ANÁLISE ESPÍRITA O jargão "jeitinho brasileiro", ou levar vantagem a despeito de tudo e de todos, irrompe-se como uma finalidade cristalizada, que se potencializa e se generaliza no contexto da organização social. O envilecimento da ética, a degeneração moral “institucionalizada” (corrupção) no Brasil tem levado alguns historiadores a tentar explicar as causas plausíveis, considerando a tese da infeliz "herança patrimonialista lusitana", a fim de dar conta de se justificar o torpe caráter de alguns desonrados agentes do estado brasileiro que fazem do bem público uma propriedade privada. Com os escândalos divulgados pela mídia, constata-se um entrelaçamento crescente e preocupante da administração pública com as atividades delituosas, mediante um sistêmico processo de pressões, chantagens, tráfico de influência, intimidações e corrupções, com a prática do suborno e da propina, dentre outras falcatruas morais inimagináveis. A defecção moral abrange a corrupção de costumes, a falta de caráter individual ou coletivo, o desleixo administrativo ou governamental, a falta de solidariedade num grupo humano, a indiferença pela sorte

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alheia ou pelos interesses públicos, a tolerância condescendente de superiores às falhas dos subalternos, filhos e tutelados (nepotismos). Esse quadro imoral talvez nos permita evocar a emblemática figura do venturosíssimo dom Manuel, que ascendeu ao trono de Portugal circunstancialmente. Nono filho do irmão mais novo do rei Afonso V, suas chances de ganhar a coroa eram nulas, mas acabou por se beneficiar das reviravoltas políticas e da sequência de mortes que tiraram de seu caminho todos os pretendentes ao trono. Investido do título e do poder real em 1495, em três anos já entrava para a História, quando o navegador Vasco da Gama abriu o caminho oceânico para as pedrarias e especiarias das Índias. Com as naus da esquadra de Pedro Álvares Cabral, dom Manuel, rei “por acaso”, alcançou o pináculo almejado por toda uma linhagem de ambiciosos monarcas portugueses. Nesses "descasos", há meio milênio o nosso país foi parcelado em algumas capitanias e os felizardos apossaram-se de imensas porções de áreas doadas pelo “dono” das terras descobertas. Para assegurar o domínio da terra e colonizá-la, a fim de não perder as riquezas naturais (vegetais e minerais), a estratégia portuguesa foi, a princípio, degredar (premiando) os proscritos peninsulares, enviando-os para a ilha Vera Cruz (depois terra de Santa Cruz) e hoje Brasil. Para alguns estudiosos, essa decisão estabeleceu vínculo no imaginário de tais degredados, que nestas longínquas “terras de ninguém”, selvagens, inabitadas por “civilizados” não havia leis para regular suas sanhas criminosas. E ante essa história promíscua, a prática da rapinagem tem-se repetido através dos séculos, nas plagas do Cruzeiro do Sul. Isso inspirou o patriarca da Independência (José Bonifácio), reencarnado com o nome de Rui Barbosa, o Águia de Haia, a lançar o clamor de indignação ao deparar com todas as tramóias cometidas: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto". Há alguns anos, a pensadora russo-americana Ayn Rand (1), no seu brado de indignação pronunciou: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em autosacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.

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Há putrefação moral na política, na polícia, na justiça, na administração pública, na educação, nas diversões públicas, na família, na economia, no Direito (isto é, no antiDireitro), nos medicamentos, nos discursos/argumentos pseudocientíficos, nas igrejas, nos centros espíritas. É evidente que ficamos entristecidos quando sabemos, seja pela imprensa ou outros meios, que algumas instituições "filantrópicas" desviam recursos, emitem recibos forjados de falsas doações etc. Há centros que até dão uma 'ajudazinha' aos confrades, driblando o Imposto de Renda retido na Fonte... Imaginem! Instituições outras recebem, à guisa de doações, roupas, calçados, alimentos, eletrodomésticos etc., e os dirigentes se apropriam deles, com a maior naturalidade. Fui agente fiscal do governo federal durante 40 anos de vida pública, constatei e autuei muitas situações deprimentes de irregularidades. Na minha experiência profissional, fico a imaginar: será que todos os que visam lucros financeiros (comerciantes de produtos espíritas que editam, difundem, vendem livros espíritas, CDs, DVDs de palestras) declaram corretamente os movimentos contábeis com os órgãos fazendários? Que a consciência de cada um responda. Mas, em verdade, as falanges das trevas se organizam para obstruir muitos projetos cristãos. Os obsessores são inteligentes, organizados, e vão dando um passo de cada vez, pois conhecem muito bem pontos vulneráveis das pessoas de má fé. Quantos administram através de escritórios e gabinetes luxuosos e desviam os valores que pertencem ao povo; que elaboram leis censuráveis, para os beneficiar e aos seus parentes; que deprimem os pobres, utilizando-se de medidas especiais (de exceção), que os neutralizam; que decretam servilismo das massas ingênuas, para que abiscoitem o que lhes pertence de direito, produzindo o detrito moral e os desarranjos psicológicos, psíquicos, espirituais. Se quisermos viver um panorama social harmônico, devemos nos empenhar para promover uma reforma ética generalizada. Toda mudança começa em cada um de nós. Para que a sociedade melhore, cada qual deve se esforçar por se aprimorar. É imperativa a adoção de novos hábitos. Basta! De procurar levar vantagem, de fugir dos próprios deveres. Vamos, definitivamente, dar um “chega prá lá” nas mentiras, nas fraudes e na sonegação fiscal. Que se restabeleçam os valores da Ética Cristã e que se revitalize o mundo da honestidade. Muitos se interrogam no imo da consciência: Haverá futuro promissor para uma sociedade estruturada assim como a nossa? Penso que sim! Considerando pelo lado, digamos, mais transcendente da questão, para apurar a estrutura social deste país, a tese de Humberto de Campo, contida no livro “Brasil coração do Mundo e Pátria do Evangelho”, assegura um norte de esperança para todos nós. Creio que na “Pátria

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do Evangelho” estão sendo programadas reencarnações de almas nobres e sábias, e esse fato nos aponta para um futuro menos conturbado para as futuras gerações de brasileiros. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referência: (1) Ayn Rand nasceu em 1905, em São Petersburgo, Rússia. E desencarnou em 1982, nos EUA. Rand se tornou a nascente [“fountainhead”] do Objetivismo, nome que ela deu à sua filosofia. Defendia que o direito do indivíduo à sua própria vida, e aos frutos do seu trabalho.

NÃO SAIA DE VOSSA BOCA NENHUMA PALAVRA TORPE Os dicionaristas divergem quanto à classificação das palavras de baixo calão e de suas acepções entre ofensivas ou populares (com chancela como tabuísmo [Palavra ou expressão considerada grosseira, obscena ou ofensiva. = PALAVRÃO], chulo, plebeísmo e popular). Uma palavra de baixo calão (palavrão) é uma expressão que diz respeito ao grupo de gíria e, dentro desta, apresenta reles, impróprio, afrontoso, grosseiro, obsceno, agressivo ou depravado sob o ponto de vista de alguns conceitos religiosos ou estilos de vida. Uma simples palavra, quando proferida nas ocasiões “certas”, seja ela de estímulo ou de desestímulo, provoca indícios, em quem ouve, de que pode reagir, positivamente, e modificar a sua maneira de pensar sobre determinada circunstância da vida. Por outro lado, a mera palavra pronunciada em momento “inadequado” pode ser motivo de grandes dores morais. Nós não estamos habituados a refletir, sensatamente, sobre a força atuante que as palavras têm. A palavra, como uma articulação de sons provenientes de um determinado pensamento ligado a emoções e sentimentos específicos, serve como um detonador prático de tudo ligado a ela. Muitas pessoas crêem que o xingar é, “apenas”, uma resposta instintiva para algo doloroso e imprevisto como, por exemplo, bater a cabeça na quina do armário, uma topada inesperada em algum obstáculo ou ainda, quando nos vemos diante de

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alguma frustração ou aborrecimento. Esses são os momentos mais comuns de as pessoas apelarem para as expressões de baixo calão, e muitos pesquisadores acreditam que eles “ajudam” a aliviar o estresse e a dissipar energia, da mesma forma que o choro para as crianças. Infelizmente que há pessoas que xingam (com palavrões) o próximo e talvez ignoram que estão transgredindo o artigo 140 do Código Penal. Reflitamos sobre os fatos a seguir: “Escola para concursos deve indenizar aluna xingada por funcionário”. A GranCursos - Escola para Concursos Públicos Ltda, foi condenada a indenizar em R$ 6 mil uma estudante que foi ofendida com palavras de baixo calão por um funcionário da instituição. A decisão do juiz do 2º Juizado Especial Cível de Taguatinga foi confirmada pela 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais. Não cabe mais recurso ao Tribunal. (1) “Mulher condenada a indenizar por ofensas a ex-marido em público”. O caso aconteceu em Erechim. Ao deparar com o ex-marido em uma praça de alimentação, mulher passou a proferir ofensas públicas, utilizando palavras de baixo calão. O comportamento deu origem a uma ação por dano moral ajuizada pelo homem no Tribunal de Justiça. O resultado foi a condenação da ofensora a pagar indenização de R$ 1 mil por danos morais. (2) “Juiz aplica nova lei da prisão preventiva contra militar”. O juiz da 11ª Vara Criminal de Natal, Fábio Wellington Ataíde Alves, determinou o afastamento de um soldado da unidade militar na qual trabalha, no município de Apodi, após ter sido detido embriagado e insultando em via pública companheiro de farda com palavras de baixo calão. O juiz aplicou ao caso a nova lei da prisão preventiva.(3) “Síndica de prédio em Jacarepaguá é condenada a indenizar vizinha”. A síndica do Condomínio (...), em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, foi condenada a pagar indenização por dano moral, no valor de R$ 6 mil, por deixar uma moradora em situação vexatória e constrangedora após discussão no prédio onde ambas residem. A decisão é do desembargador Sidney Hartung, da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, que também determinou que as duas dividissem as despesas do processo e os honorários dos advogados. (4) Fujamos de palavrões! O uso do palavrão, ao invés de resolver crises emocionais, remete às barras da justiça e ainda trucida a saúde espiritual do seu autor. Qualquer palavra de baixo calão é um despautério verbal e é crime. Que de nossa boca sejam, apenas, emitidas palavras voltadas ao bem e à paz. Para esse mister, devemos intensificar o treinamento constante, pois que na vida social estamos viciados a lidar com nossa expressão verbal muito levianamente. Diz-se até que dificilmente uma pessoa comum consegue ultrapassar 5 minutos sem

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falar bobagens (abobrinhas), jogar conversa fora, ser completamente inútil na verbalização dos sentimentos. Lembremos, porém, que sempre seremos responsáveis pelas consequências, diretas e indiretas, das palavras que proferimos a esmo. Quem tem sede de se aprimorar espiritualmente, deve analisar, com critério, o que verbaliza, diariamente. Espíritos elevados não se expressam de forma vulgar, pois fazem uso, unicamente, do verbo elevado. Portanto, extinguir o lixo mental é importante decisão para prosperarmos na ciência da expressão oral. As palavras são os reflexos dos pensamentos; quando pensamos com bondade e compreensão, é isso que nossas palavras refletirão. Para Chico Xavier, “o cuidado com as palavras não era mera formalidade nem prova de educação. Tinha fins preventivos, quase terapêuticos. O uso de expressões agressivas era perigoso, arriscado. Os maus pensamentos também. Era Kardec quem ensinava: Os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável”. (5) Jorge Hessen Site http://jorgehessen.net jorgehessen@gmail.com Referências: (1) Disponível em http://tj-df.jusbrasil.com.br/noticias/2748881/escola-paraconcursos-deve-indenizar-aluna-xingada-por-funcionario acessado em 01/11/11 (2) Disponível em http://tj-rs.jusbrasil.com.br/noticias/2636991/mulhercondenada-a-indenizar-por-ofensas-a-ex-marido-em-publico acessado em 01/11/11 (3) Disponível em http://tj-rn.jusbrasil.com.br/noticias/2762806/juiz-aplica-novalei-da-prisao-preventiva-contra-militar acessado em 01/11/11 (4) Disponível em http://tj-rj.jusbrasil.com.br/noticias/2159662/sindica-depredio-em-jacarepagua-e-condenada-a-indenizar-vizinha acessado em 01/11/11 (5) Maior, Marcel Souto. As Vidas de Chico Xavier”, São Paulo: Editora Planeta, 2003.

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O CENTRO ESPÍRITA NÃO É UM HOSPITAL PÚBLICO, MAS SIM UMA ESCOLA DE CONSCIENTIZAÇÃO DO ESPÍRITO Ficamos consternados ao ler pela imprensa as seguintes publicações: “500 km em busca de UTI (mãe e bebês gêmeos viajam mais de 500 km em busca de UTI em Porto Alegre-RS).”(1); “Falta de estrutura mata idosa no Rio” (Falta de estrutura da rede pública de saúde faz mais uma vítima no Rio de Janeiro) (2); “SUS gaúcho - 500 mil procedimentos não atendidos” (Estudo aponta 500 mil procedimentos não atendidos no SUS gaúcho). (3); “Mitos em torno dos recursos para a saúde” (4); “Saúde em greve no RS” (justiça determina restabelecimento das emergências).(5); “Pacientes como mercadoria” (Uma doença chamada propina).(6); “Do caos ao colapso na saúde.” (7); “Pesadelo da saúde.”(8); “Hospital é festival de horrores”. (9) No Brasil, a Constituição de 1988 tornou, em tese, o acesso à saúde gratuita um direito universal de todo cidadão brasileiro. Para atender a esse objetivo, foi criado, há duas décadas, o Sistema Único de Saúde (SUS). Na prática, no entanto, ocorreu com a saúde algo semelhante ao observado na educação. A precária qualidade do atendimento público empurrou a classe média para o sistema privado. O Ministério da Saúde possui o maior orçamento do governo. O Brasil gasta, com saúde, mais do que outros países em desenvolvimento, e nem por isso possui indicadores mais favoráveis, ou seja, o país não oferece um nível mínimo de atendimento digno. Observamos o sucateamento do setor público de saúde no Brasil, razão por que os Centros de Saúde não atendem satisfatoriamente a demanda da população, pelo número excessivo de pacientes a serem socorridos, seja por falta de equipamentos básicos necessários em casos de emergência, seja pelo número reduzido dos profissionais de que podem dispor, ou seja, pelos baixos salários que esses profissionais recebem, dentre outros fatores. Tudo isso tem provocado uma reação de abandono do serviço público nesses profissionais. Muitas vezes as pessoas tendem a buscar meios alternativos para tratar suas enfermidades, e dentre eles estão os espaços religiosos, que possibilitam o acolhimento fraterno, dando importância e atenção ao que a pessoa está sentindo, e que, em muitas das vezes, aproxima-se da real condição do doente. Outras

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radicalizam mais, preferindo o auxílio das "rezadeiras" ou dos "curandeiros", disponíveis a atender, gratuitamente, através da reza e dos curativos feitos com ervas por exemplo, crendo na cura dessas pessoas apenas pelo fato de terem recebido o "dom de Deus". Entretanto, alguns procuram as casas de orientação espírita, pois nelas encontram-se tratamentos para o bem-estar dos indivíduos, tendo o centro um papel interessante nesse contexto para prevenção e manutenção da saúde. Já que o governo tem suas dificuldades na área, os espaços religiosos procuram oferecer alívio a esses males e sofrimentos, como também conforto, solidariedade e acolhimento. Daí a representação da relevância das práticas espíritas na saúde da população. O Centro Espírita percebe a prevenção de saúde de forma ampliada e contínua, através da difusão (sem prosélitos) das suas instruções espirituais. Portanto, o papel desempenhado pelas estruturas espíritas e/ou religiosas, de forma geral, pode ser de fato entendido como apoio à saúde (prioritariamente espiritual) na sociedade. A temática de práticas espíritas relacionadas à saúde pública é pouco discutida, razão pela qual não encontramos muitas publicações referentes à percepção desse fenômeno social pelos escritores espíritas. O descaso com a saúde pública tem confirmado o papel do apoio social e espiritual do Centro Espírita na percepção do bem-estar e sua relação com a concepção do amor e da caridade como fundamentos da conduta humana, explicados como saudáveis e capazes de manter a saúde relativa da população. A caridade, apoiada na fé raciocinada que o Espiritismo propõe, dá sentido à vida, oferecendo consolo, renovando energias e dando orientação eficaz ante as situações de angústia, incerteza das idéias e, consequentemente, ante a insegurança pessoal. Essa fé está ligada à vida concreta dos que nela depositam a sua crença. Em todo tipo de religião está implícito um problema central: liberar o homem da incerteza de sua transcendência, dar sentido à sua vida no mundo e além dele. Numa palavra: "conscientização" do mundo espiritual. Obviamente o Centro espírita não pode e nem deve ser um hospitalzão, entronizando métodos de cura física para os doentes que o procuram, mas uma escola da alma em que se prioriza a terapêutica da educação do ser pela ciência do espírito, a fim de que os doentes possam curar suas próprias doenças. Jorge Hessen jorgehessen@gmail.com http://jorgehessen.net

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Referências: (1) BOM DIA BRASIL, REDE GLOBO, Terça-feira, 25/10/2011 (2) RJ TV - REDE GLOBO, Segunda-feira, 24/10/2011 (3) OPINIÃO - O Estado de S.Paulo - 17/10/2011 (4) EDITORIAL O GLOBO, 07/10/2011 às 18h13m (5) ZERO HORA 26/08/2011 (6) O GLOBO, 20/08/2011 às 20h09m, Fabíola Gerbase (7) ZERO HORA 19/08/2011 (8) RBS Notícias - Série Pesadelo da Saúde - Reportagem 4, 28/7/2011 (9) O GLOBO, 10/09/2010.

EDUCAÇÃO ESPÍRITA: ARCABOUÇO DA FUTURA GERAÇÃO SAUDÁVEL Thylane Lena Rose Blondeau, de 10 anos de idade, fez uma produção fotográfica para a revista Vogue Paris, levantando polêmica devido à roupa ousada, maquiagem e poses provocantes. O ensaio fotográfico está causando indignação em pessoas ligadas a ONGs de proteção à criança. De acordo com a organização “Concerned Women for America”, os pais da criança devem ser responsabilizados por ter permitido à criança realizar aquele trabalho. “Isto é claramente exploração infantil e os progenitores deviam ser processados judicialmente”, segundo Penny Nance, presidente da Organização. O mundo ingênuo da criança vem sendo explorado pela fúria predadora da erótica irresponsável, aviltando a inocência e dignidade infantis. Como se não bastasse “o caso Thylane”, há outras situações polêmicas na contenda, a exemplo dos cursos para crianças de pole dancing (1), no México, e de funk “carioca”, no Rio de Janeiro. Muitas delas (crianças e adolescentes) têm aderido ao 'sexting', postando fotos sensuais na internet. São meninas e meninos que buscam os espaços virtuais nos sites de relacionamento. O termo “sexting” é originado da união de duas palavras em inglês: “sex” (sexo) e “texting” (envio de mensagens). Para praticar o “sexting” crianças e adolescentes

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produzem e enviam fotos sensuais de seus corpos nus ou seminus usando celulares, câmeras fotográficas, contas de e-mail, salas de bate-papo, comunicadores instantâneos e sites de relacionamento. O que estão fazendo com a infância e a juventude atual? Muitas crianças e jovens não têm capacidade crítica, não têm noção do perigo a que estão sujeitos. A infância é, sem dúvida, o período fértil para a absorção de valores os mais variados. O relacionamento entre pais e filhos deve ser embasado no amor, capaz de suprir as deficiências de ambos. Nossa responsabilidade como pais, educadores e participantes da comunidade, de maneira geral, deve ser voltada ao bom emprego dessa facilidade de assimilação, para a edificação de um mundo mais perfeito. A criança é o amanhã. E, “com exceção dos espíritos missionários, os homens de agora serão as crianças de amanhã, no processo reencarnacionista.”.(2) A demanda de redenção dos novos tempos que chegam há de principiar na alma da infância, se não quisermos divagar nos cipoais teóricos da fantasia exacerbada. Precisamos perceber no coração infantil o esboço da geração próxima, procurando ampará-lo em todas as direções, pois “a orientação da infância é a profilaxia do futuro.”.(3) Por questão de prudência cristã, não podemos permitir “que as crianças participem de reuniões ou festas que lhes conspurquem os sentimentos em nenhuma oportunidade, porque a criança sofre de maneira profunda a influência do meio.”(4) Uma legítima educação é aquela em que os poderes espirituais regem a vida social. Antigamente, a pureza das crianças era uma realidade mensurável. Sua perspectiva não ultrapassava os simples livros didáticos, um único humilde caderno e brinquedos baratos. Para repreendê-las e educá-las, às vezes, bastava um olhar firme dos pais. Porém, aquele imaginário infantil, de quietude e sonho ingênuo, desmoronou sob o impacto da era do sensualismo, da violência, do materialismo. Em nossa análise, concebemos que o mundo fashion, a televisão e a internet, ao invadirem os lares, potencializaram nas crianças o despertar antecipado para uma realidade nua e cruel, o que equivale a afirmar que elas foram arrancadas do seu universo de fantasia e conduzidas para a inversão dos valores morais, estimuladas, também, pela vaidade dos pais. Destarte, o período de inocência e tranquilidade infantil foi diminuindo. Cada vez mais cedo, e com maior intensidade, as inquietações da adolescência brotam acrescidas pelos múltiplos e desencontrados apelos das revistas obscenas, da mídia eletrônica, das drogas, do consumismo descontrolado, do mau gosto comportamental, da vulgaridade exibida e outras tantas extravagâncias, como reflexos óbvios de pais que vivem alienados, estagnados e desatualizados, enclausurados em seus afazeres diários e que nunca podem permanecer à frente da educação dos próprios rebentos.

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Cremos, e isso é a nossa esperança!, que no conjunto de provisão dos Benfeitores Espirituais, a Terceira Revelação assumirá seu espaço na sociedade moderna decididamente. Isso equivale a afiançar que esse arranjo suis generis do Espiritismo permitirá aparelhar a criança atual para uma vivência normal e incorruptível no futuro, desde que os espíritas sejam cautelosos. Jesus prossegue o majestoso e eterno modelo. Estejamos atentos à verdade de que educar não se resume apenas a providências de abrigo e alimentação do corpo perecível. A educação, por definição, constitui-se na base da formação de uma sociedade saudável. A tarefa que nos cumpre realizar é a da educação das crianças e jovens pelo exemplo de total dignificação moral sob as bênçãos de Deus. Nesse sentido, os postulados Espíritas são antídotos contra todos os venenosos ardis humanos, posto que aqueles que os conhecem têm consciência de que não poderão se eximir das suas responsabilidades sociais, sabendo que o futuro é uma decorrência do presente. Destarte, é urgente identificarmos no coração infanto-juvenil o esboço da futura geração saudável. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Pole dance tem suas raízes na dança exótica, strip-tease e burlesco e têm elementos de apelo sexual e subversão. (2) Xavier, Francisco Cândido. Coletânea do Além, ditado por Espíritos Diversos, São Paulo: FEESP, 1945, Cap. A Criança e o Futuro pelo Espírito Emmanuel. (3) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1997, Cap. 21- Perante a Criança. (4) idem.

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MINHA SÚPLICA ATRAVÉS DE UMA FILHA ESPECIAL Na condição de pai a 33 anos de Karina, uma filhinha com deficiência mental severa, asseguro que ela tem sido o bondoso suporte espiritual para meus anseios de escritor espírita. Ela tem sido o arrimo de minha peregrinação doutrinária . Pelo fato dela existir escrevo artigos espíritas sugerindo sempre reflexões doutrinárias sobre diversos temas, alguns deles controversos. Rogo licença ao amigo leitor para anotar, na sequência, uma incontida emoção que me envolveu quando inspirado pela oração me posicionei no lugar da Kakazinha, ela que naquele instante me admirava compenetrada com os seus amendoados olhos alegres, parecia agradecer-me por tudo e por todos os momentos que temos desfrutado nesta atual etapa de regeneração moral, pelas vias dos conhecimentos espíritas. Como se eu fosse a Karina orei na mais profunda comoção paternal: "Senhor! Ante os descoordenados passos do meu caminhar e das minhas mãos inseguras quero rogar-te para os que me envolvem de amor. Imploro-te a quietação para os que aguçam a audição a fim de escutar palavras que não consigo e nem sei articular, posto não ser fácil transformar em palavras os meus pensamentos encarcerados. Venho implorar comiseração para os que se impregnam de paciência à frente dos vagarosos reflexos da minha mente confinada. Senhor, agradeço a presença daqueles que com um semblante feliz me estimulam a sorrir e a tentar fazer sempre mais uma vez tarefas que não consigo nunca fazer . É magnífico Senhor, estar diante daqueles que jamais desistem de, ao meu lado, entoarem os sons harmoniosos da complacência, mesmo quando nada consigo ouvir. É maravilhoso estar envolta na tolerância daqueles que, embora olhando, não vêem a comida que eu deixo cair fora do prato. Sou feliz por aqueles que nunca me lembram que hoje fiz a mesma pergunta mental milhares de vezes, embora me escutem espiritualmente porque sabem que sempre tenho algo a dizer.

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Cubra com teu manto de luz os que transformam os pedregulhos da minha estrada em trilhos floridos e iluminados de esperança. Por ser diferentes dos chamados normais, imploro pelos que me amam como sou, exatamente como sou, tão-somente como sou e não como eles gostariam que eu fosse. De minha parte quero agradecer-te porque tenho certeza que depois desta situação carnal, na outra dimensão e nas outras encarnações, minhas pernas serão normais, minhas mãos trabalharão, meus ouvidos escutarão,meus olhos enxergarão, minhas palavras serão os reflexos do meu raciocínio, e a Tua Soberana Justiça permanecerá sendo o bastão seguro das minhas conquistas pessoais. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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DESARMAMENTO, UM INSENSATEZ HUMANA

REFERENDO

QUE

CONFIRMOU

A

O plebiscito sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições, ocorrido no Brasil em 23 de outubro de 2005, não permitiu que o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10826, de 23 de dezembro de 2003) entrasse em vigor. O artigo apresentava a seguinte redação: “É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional.”. No referendo, a questão proposta foi: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?". Os eleitores puderam optar pela resposta "sim" ou "não", pelo voto em branco ou pelo voto nulo. O resultado final foi de 59.109.265 votos rejeitando a proposta (63,94%), enquanto 33.333.045 votaram pelo "sim" (36,06%). Infelizmente, a maioria da população apoiou a comercialização de armas de fogo, quando detinha o poder de decidir pela sua proibição. Uma das dúvidas erguidas e muito entronizadas à época era: o desarmamento da população seria a solução para a redução da criminalidade no país? Muitos setores da sociedade defenderam a manutenção do comércio legal das armas aos cidadãos que delas necessitem, por algum motivo, justificando que todos têm direito a possuir, nos limites da Lei, uma arma de fogo para se defenderem de qualquer atentado à incolumidade física do indivíduo, sua vida, seu patrimônio etc. O resultado do plebiscito revelou a grave índole moral da maioria da sociedade, contrariando na conjuntura um levantamento realizado pelo Instituto Brasmarket, a pedido do jornal Diário do Grande ABC, mostrando que 81,6% da população da região do ABC de São Paulo estava contra a comercialização de armas.(1) Os estrábicos partidários optaram “democraticamente” pelo delírio do comércio das armas a fim de “defenderem-se” contra a violência. Com essa decisão irrompeu-se um assombroso débito moral dos brasileiros. É lamentável! Lembramos que há vários anos André Luiz tem advertido: “Esquivar-se do uso de armas homicidas, bem como do hábito de menosprezar o tempo com defesas pessoais, seja qual for o processo em que se exprimam. Pois o servidor fiel da Doutrina possui, na consciência tranquila, a fortaleza inatacável.”(2)

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A maior influência maléfica identificada no homem contemporâneo é a angústia social, provocada pela estratificação de classes. Nela deparamos desde o miserável ao abastado, criando uma subdivisão da raça humana. E muitas dessas distorções sociais provocam uma inconstância psíquica ou uma incompletude emocional do ser pensante. Cremos que a criminalidade tem seus pilotis na dessemelhança social, no elevado índice de desemprego, na urbanização desordenada e, destacadamente, na difusão incontrolada da arma de fogo, sobretudo clandestina, situações essas que contribuem de forma decisiva para o avanço do tráfico de drogas, dos assaltos, dos roubos, dos sequestros e, por fim, dos homicídios. A ONU – Organização das Nações Unidas – divulgou um relatório no dia 06 de outubro de 2011 sobre a violência no mundo avaliada pelos homicídios. Em números absolutos, o Brasil ainda lidera a lista entre todas as nações. Na América do Sul, a Venezuela registra 49 homicídios em cada 100 mil habitantes. A Colômbia, apesar de uma grande melhora, 33. O Brasil, 22,7, um pouco melhor que cinco anos atrás. Uruguai, Argentina, Peru e Chile ficam abaixo da média mundial. É constrangedor saber que o Brasil encabeça a lista mundial em casos de mortes produzidas com a utilização de armas de fogo. Após ter a oportunidade no referendo de eliminar o comércio das armas, atualmente o brasileiro lamenta e clama por soluções efetivas para o problema da violência urbana. E, por forte razão, cremos ser falsa a segurança oferecida pelas armas no ambiente doméstico, especialmente considerando o potencial de alto risco do uso da arma por familiares não habilitados, que podem causar efeitos danosos irreparáveis na vida familiar. A cada dia sucumbem muitos jovens e adolescentes, que são recrutados para o mercado do tráfico de armas, algemados nos ambientes regados por alucinógenos e profunda violência, onde são perpertrados crimes inconcebíveis sob o estímulo da miséria moral e da obsessão. Atualmente, muitas pessoas hesitam em sair nas ruas por causa dos assaltos e sequestros-relâmpago que têm ocorrido a todo instante. Defendemos a idéia de que uma das soluções para a diminuição da criminalidade será a proibição da venda de armas de fogo em todo o território nacional, ressalvada a aquisição pelos órgãos de segurança pública federal, estadual, municipal e pelas empresas de segurança privada regularmente constituídas, na forma prevista em Lei. Infeliz e paradoxalmente, a “Pátria do Evangelho” é grande fabricante de armas (em evidente rota de colisão com o compromisso cristão), por isso entendemos que proibir sua comercialização no mercado interno é prática inadiável, porque o problema será atacado diretamente em sua matriz.

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Obviamente não somos tão ingênuos a ponto de acreditar que a restrição (proibição) do uso de armas de fogo equacione definitiva e imediatamente o problema da violência. Uma arma de fogo pode ser substituída por outras, talvez não tão eficientes. Na ausência de estrutura da aparelhagem repressora e preventiva do Estado, as armas de fogo continuarão chegando às mãos dos indivíduos descompromissados com o bem e fazendo suas vítimas. Por isso, urge meditar que devemos aprender a desarmar, antes de tudo, nossos espíritos, e isso só se consegue pela prática do amor e da fraternidade. Nesse panorama, a mensagem do Cristo deve ser o grande edifício da redenção social, que haverá de penetrar a consciência humana. Sim! O homem iluminado intimamente pelo Evangelho e tendo consciência quanto à sobrevivência do Espírito ao sepulcro e da sua precedência ao berço, sabendo-se legatário de si mesmo, modificar-se-á e transformará o ambiente onde vive, modificando a comunidade que deixará de a ele se impor para dele receber o reforço expressivo e retificador. Ante esse desiderato, em face da transformação do cenário social, o homem necessita alimentar a compaixão, cultivar grandeza d'alma que principia no procedimento de ofertar coisas para culminar no dom de doar-se ao próximo. Fazer qualquer coisa boa nos bastidores (que ninguém saiba) a benefício de um adversário. Aprender a exorar e ponderar, e na conseqüência poder soltar o grito enérgico qual informou Paulo aos gálatas: "eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim", expressando adesão total ao projeto de Jesus pala paz. Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://http//jorgehessen.net Referencia bibliográfica: (1) A pesquisa entrevistou 2.509 pessoas em sete municípios, entre os dias 28 e 30 de junho de 2005 (2) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2003, cap. 18.

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ADULTÉRIOS KARDECISTA

NAS

REDES

SOCIAIS,

NUMA

REFLEXÃO

Chegaram no Brasil algumas redes sociais com propostas gritantes: promover a infidelidade conjugal. São 12 milhões de usuários ao redor do mundo. Em nosso país, já há mais de 500.000 pessoas (70% são homens) interessadas em aventuras promovidas pelos mecanismos próprios desses sites, que faturam não poucos milhões de dólares por ano. Cerca de 60% das mulheres revelaram ter sido infiéis a namorados ou maridos. Entre os homens, o valor é ainda maior: 70%. A idéia de instituir ambientes virtuais dessa natureza surgiu há uma década, através do canadense Noel Biderman, criador do Ashley Madison, que deve faturar 60 milhões de dólares em 2011. De acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Tendências Digitais, a “Pátria do Evangelho” paradoxalmente registra os maiores índices de infidelidade. Por que será que o mundo virtual vem fascinando mais do que a vida que se levava 20 anos atrás? Permanecer neste mundo quimérico, seduzidos pelas ondas eletromagnéticas da Internet, diante de um monitor, será por receio? Timidez? Acanhamento? carência de amor próprio? Incerteza? Carência? Solidão? Ou será tolo encantamento, necessidade de aventuras, realização de feitos inenarráveis, ultrapassar limites, provocar reações e escândalos...? Assim como há depravados nas drogas, no jogo e no tabaco, há internautas que passam horas a fio nas redes sociais, fato que vários grupos de especialistas americanos consideram um problema psiquiátrico. “Só no Brasil o número de internautas é de aproximadamente 75,5 milhões.” (1) A Internet oferece, sem dúvida, extremos perigos quando veicula cenas reais de apelos eróticos, de violências nos joguinhos “infantis” etc. Por outro lado, não podemos desconsiderar que a Internet está presente nos hospitais, nos tribunais, nos ministérios, nas agências bancárias, nos supermercados, nas lojas, nas escolas, na segurança de nossas casas e empresas; enfim, permite fazer uma movimentação bancária, compras, observar nota na escola, realizar trabalhos escolares e profissionais, pesquisas. Eis aqui alguns dos exemplos de como estamos mais envolvidos com a informática do que se possa imaginar.

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Na era da cibernética, da robótica, "vivemos épocas limítrofes nas quais toda a antiga ordem das representações e dos saberes oscila para dar lugar a imaginários, modos de conhecimento e estilos de regulação social ainda pouco estabilizados. Vivemos um destes raros momentos em que, a partir de uma nova configuração técnica, quer dizer, de uma nova relação com o cosmos, um novo estilo de humanidade é inventado."(2) Estamos num estágio social em que o mundo virtual é quase o real, mas ele nos surge como sonho. Alguns sonham com cuidado, outros se perdem nos cipoais dos delírios oníricos. Em todos esses estágios há o perigo disso virar pesadelo. Esse é o preço que a sociedade contemporânea paga pelo avanço da Tecnologia da Informação (TI), apesar de muitos cidadãos ainda não terem se dado conta de que seus atos pelas vias virtuais estão estabelecendo desastres morais de consequências imprevisíveis. Vejamos: a questão aqui colocada como inquietante é o adultério ocorrido pelas ferramentas virtuais, desaguando quase sempre na vida real. Para refletirmos sobre o adultério, recorramos à sentença do Cristo que assevera: “atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado.”(3) Esta sentença faz da indulgência um dever para nós outros porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. “Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de profligarmos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.”(4) O Espírito Emmanuel explica que “é curioso notar que Jesus, em se tratando de faltas e quedas, nos domínios do espírito, haja escolhido aquela da mulher, em falhas do sexo, para pronunciar a sua inolvidável sentença.”(5) Para Emmanuel, “dos milenares e tristes episódios afetivos que reverberam na consciência humana, resta, ainda, por ferida sangrenta no organismo da coletividade, o adultério que, de futuro, será classificado na patologia da doença da alma, extinguindo-se, por fim, com remédio adequado.” Considerando as aberrações propostas pelas redes sociais, urge considerar que o “adultério ainda permanece na Terra, por instrumento de prova e expiação, destinado naturalmente a desaparecer, na equação dos direitos do homem e da mulher, que se harmonizarão pelo mesmo peso, na balança do progresso e da vida.”(6) Em verdade, quando respeitarmos os sentimentos alheios, “para que o amor se consagre por vínculo divino, muito mais de alma para alma que de corpo para corpo, com a dignidade do trabalho e do aperfeiçoamento pessoal luzindo na presença de cada uma, então o conceito de adultério se fará distanciado do cotidiano, de vez que a compreensão apaziguará o coração humano e a chamada desventura afetiva não terá razão de ser.”(7)

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Auscultemos nos recessos profundos da consciência a oportuna advertência dos Benfeitores espirituais, lembrando-nos que diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for e como for, coloquemo-nos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as nossas tendências mais íntimas e, após verificarmos se estamos em condições de censurar alguém, escutemos, no âmago da consciência, o apelo inolvidável do Cristo: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.(8) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Últimas atualizações do Ibope/NetRatings. (2) Pierre Lévy - As tecnologias da Inteligência - O futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 2004. (3) João 8:7. (4) Kardec, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1977, item 13, do Cap. X. (5) Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro, 1972, Ed. FEB, cap. 22. (6) Idem. (7) Idem. (8) João 15:12.

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CRIANÇAS E JOVENS COM HABILIDADES PRODIGIOSAS O que um superdotado? O que faz na Terra? Qual é o seu futuro? Questões, essas, que somente podem ser respondidas, tendo a reencarnação como explicação. Sem a múltipla existências não há como se conceber o progresso humano, senão, vejamos: “Maiko Silva Pinheiro lia, sem dificuldade alguma, aos 4 anos; aprendeu a fazer contas, aos 5 e, aos 9, era repreendido pela professora, porque fazia as divisões, usando uma lógica própria, diferente do método ensinado na escola. A Revista Época, edição de 15 de maio, 2006 exlica qte atualmente Maiko estuda economia no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, sendo bolsista integral. Aos 17 anos, os diretores do Banco Brascan dizem ter se surpreendido com sua capacidade lógico-matemática". Consigna a Revista Veja, edição de 28 de abril de 2004, que "Os sinais da inteligência, sobre humano, do jovem americano, Gregory Robert Smith, começaram aos 14 meses, quando resolvia problemas simples de matemática; com 1 ano e 2 meses, ele resolvia problemas de álgebra; aos 2 anos, lia, memorizava e recitava livros, além de corrigir os adultos que cometiam erros gramaticais; três anos depois, no jardim-de-infância, estudava Júlio Verne e tentava ensinar os princípios da botânica aos coleguinhas; aos 10, ingressou na Faculdade de Matemática. Smith criou uma fundação internacional e foi indicado para o Nobel da Paz." Um garoto de três anos, morador de Reading, a 40km de Londres, obteve em um teste de QI (coeficiente de inteligência) uma pontuação equivalente à dos físicos Albert Einstein e Stephen Hawking. Os testes de vocabulário e com números comprovaram que Oscar Wrigley faz parte dos 2% da população com QI mais alto. Com isso, Wrigley se tornou o mais jovem garoto a fazer parte da Mensa, a sociedade que reúne pessoas com QI alto. O membro mais jovem da Mensa é a garota Elise Tan Roberts, de Edmonton, no norte de Londres, aceita no início deste ano à idade de dois anos e quatro meses. Encontramos essas mesmas tendências excepcionais em músicos, como Wolfgang Amadeus Mozart, que, aos 2 anos de idade, já executava, com facilidade, diversas peças para piano; dominava três idiomas (alemão, francês e latim) aos 3

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anos; tirava sons maviosos do violino, aos 4 anos; apresentou-se ao público, pela primeira vez, e já compunha minuetos, aos 5 anos; e escreveu sua primeira ópera, La finta semplice, em 1768, aos 12 anos. Paganini dava concertos, aos 9 anos,em Gênova, Itália. Na literatura universal, é ímpar o fenômeno Victor Hugo que, precocemente,aos 13 anos, arrebatou cobiçado prêmio da cidade de Tolosa. Goethe sabia escrever em diversas línguas, antes da idade de 10 anos. Victor Hugo, o gênio maior da França, escreveu seu primeiro livro, com 15 anos de idade. Pascal, aos 12 anos, sem livros e sem mestres, demonstrou trinta e duas proposições de geometria, do I Livro de Euclides; aos 16 anos, escreveu "Tratado sobre as cônicas" e, logo adiante, escreveu obras de Física e de Matemática. Miguel Ângelo, com a idade de 8 anos, foi dispensado das aulas de escultura pelo seu professor, que nada mais havia a lhe ensinar. Allan Kardec, examinando a questão da genialidade, perguntou aos Benfeitores: - Como entender esse fenômeno? Eles, então, responderam que eram “lembranças do passado; progresso anterior da alma (...)”. O Doutor Richard Wolman, de Harvard, incorporou o conceito de Inteligência Espiritual às demais teorias em voga. Esse conceito seria a capacidade humana de fazer perguntas fundamentais sobre o significado da vida e de experimentar, simultaneamente, a conexão perfeita entre cada um de nós e o mundo em que vivemos. Não é exatamente o que define a Doutrina Espírita, mas já é um avanço no entendimento integral do indivíduo. Pesquisadores, como Ian Stevenson, Brian L. Weiss, H. N. Banerjee, Erlendur Haraldsson, Hellen Wanbach, Edite Fiore, e outros, trouxeram resultados notáveis sobre a tese reencarnacionista. As pesquisas sobre a Reencarnação não cessam nas teses dessas personalidades apontadas. Estudos sobre esse tema crescem, constantemente. A Física, a Genética, a Medicina, e várias escolas da Psicologia vêm sendo convocadas para oferecer o contributo das suas pesquisas. Só através do processo reencarnatório, como lembra Léon Denis, podemos compreender como certos indivíduos, ao encarnarem, mostram desde tenra idade a capacidade de trabalho e de assimilação que distingue as crianças superdotadas. Cada um apresenta ao (re)nascer os resultados da sua evolução, a intuição do que aprendeu, as habilidades adquiridas nas múltiplas propriedade do pensamento, a habilidade para esta ou aquela atividade, finalmente o resultado de um trabalho secular que deixou impresso no seu tecido perispiritual sinais profundos, gerando uma espécie de automatismo psicológico. Estamos convictos de que, nos próximos vinte ou trinta anos, assistiremos a Academia de Ciência, declarando esta importante constatação como, há dois mil anos, Jesus ensinou a Nicodemos: “É necessário nascer de novo”. E Allan Kardec a

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confirmou em “O Livro dos Espíritos”, declarando que somente com a Reencarnação entendemos, melhor, a Justiça de Deus e a Evolução da humanidade. Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com .

ÉTICA ESPÍRITA, ENTRADA FRANCA SEMPRE!... POR QUE NÃO? Após proferir palestra no Centro Espírita, cujo tema nos induziu a afirmar para o público sobre o delírio da cobrança de taxas para entrada no congresso “espírita”, programado pelo órgão federativo local, um amigo sugeriu-nos a leitura do “Projeto de Interiorização”- Espiritismo para os simples. (1) Procuramos conhecer o projeto, lemos e apreciamos bastante as diretrizes e planos ali consignados. O confrade também indicou-nos o artigo “União com fidelidade, simplicidade e fraternidade” do admirável Antonio César Perri de Carvalho, Diretor da FEB. Encontramos o artigo na Revista Reformador; analisamos o texto e ficamos entusiasmados com os dizeres do representante da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional. O excelente artigo, dentre outras reflexões audaciosas, inspira-nos para o imperativo da “unidade do espírito pelo vínculo da paz”. (2) César Perri ilustra o tema afirmando que “entre os desafios atuais para a união dos espíritas (...)há necessidade de revisão de algumas estratégias e posturas, para se ampliar a difusão do Espiritismo em todas as faixas etárias e sociais. (...) entendemos que o acolhimento dos simples [espíritas desempregados, iletrados, pobres] no ambiente das reuniões espíritas é tarefa de primordial importância nos tempo em que vivemos.”(3) Para o Diretor da FEB “a realização de eventos federativos e de divulgação devem ter como parâmetros o que é simples e viável para a maioria das instituições e dos espíritas.” (4)(grifei) O tema é recorrente e crônico. É flagrante a marginalização de confrades valorosos que, devido à impossibilidade de arcar com os escorchantes preços dos eventos espíritas, ficam e continuarão a ficar excluídos dos congressos espíritas, como os que têm sido realizados ultimamente por diversas federativas estaduais e

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mesmo pela Casa Mater. Após 36 anos escrevendo para imprensa espírita e alertando sobre a discrepância dos eventos pagos, confessamos que o Perri pacificou-nos o ânimo com as suas judiciosas e lúcidas palavras. E, mais, advindo de um confrade de envergadura moral irrepreensível como é o caso do Perri, acreditamos que o Movimento Espírita brasileiro mudará de rota no Brasil e no Mundo. À guisa de sugestão, considerando a viabilidade de participação nos eventos doutrinários da maioria das instituições e dos espíritas, propomos aos abastados seguidores de Kardec abrirem mão do excesso da conta bancária e colaborem mais frequentemente com o Movimento Espírita. Poderiam bancar vários eventos doutrinários sem consentir que espíritas simples fossem excluídos dos congressos, seminários e encontros. Portanto, sem ferir a ótica e a ética espíritas, saberiam utilizar com inteligência os recursos que Deus concede, fugiriam da avareza, seriam pródigos no amor, conscientizar-se-iam da imensa responsabilidade social e colaborariam para fazer do Espiritismo o mais importante núcleo de debates espirituais da Terra... Modelo de mecenas (5) não falta! “O empresário carioca Frederico Figner, proprietário da Casa Edison e introdutor do fonógrafo no Brasil, era um deles. Tão rico quanto espírita, ele trocou cartas com Chico Xavier 17 anos seguidos. E o ajudou muito. Sem suas doações, o datilógrafo da Fazenda Modelo não conseguiria atender tanta gente. A cada mês, o filho de João Cândido gastava o correspondente a três vezes o seu salário só com assistência social. Para Chico, os ricos deveriam ser considerados “administradores dos bens de Deus”. Ao longo de sua vida, ele ajudaria muitos milionários “benfeitores” a canalizar os “tesouros divinos” para a caridade.”(6) O editorial da revista "O Espírita", de jan/mar-93 registra que "a fé começa nos lábios, obrigatoriamente passa pelo bolso, para se instalar no coração".(7) Sabemos que a divulgação doutrinária é urgente mas não apressada. Portando, não identificamos necessidade nenhuma para o afoitamento e desespero das federativas promoverem improfícuos festivais de congressos, seminários e simpósios onerosos. Jamais esqueçamos que “é indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Divinos a Allan Kardec: sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios.” (8) Os congressos espíritas são importantes para a vitalidade do movimento espírita, para a permuta de experiências e o congraçamento entre pessoas. Mas, francamente! O frenesi para realização de congressões espíritas dispendiosos têm revigorado o status, o personalismo e a vaidade de muitos líderes incautos. Jesus nos ensinou a

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condenar o erro, preservando a quem erra. Mas, até mesmo Ele, que era um exemplo de brandura, atuou com austeridade, com muito rigor, aliás, quando a expelir os vendilhões do Templo. Não condenamos e nem poderíamos desaprovar os Congressos, Simpósios, Seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas, a Doutrina Espírita não pode ficar cerrada nos Centros de Convenções suntuosos, não se pode enclausurar Espiritismo nos excludentes anfiteatros acadêmicos e nem aprisioná-lo em grupos fechados. À semelhança do Movimento Cristão, dos tempos apostólicos, A Doutrina dos Espíritos também pertence aos Centros Espíritas simples, localizados nos bolsões de desventura, nos assentamentos, nas favelas, nos bairros miseráveis, nas periferias urbanas esquecidas; e não nos venham com a eloqüência oca de que estamos sugerindo um tipo de “elitismo às avessas”. O que fortalece nossas assertivas são os muitos Centros Espíritas simples e pobres, todavia bem dirigidos em vários municípios do País. Por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec. E por falar no mestre lionês, precisamos de “Allan Kardec nos estudos, nas cogitações, nas atividades, nas obras, a fim de que à nossa fé não se faça hipnose, pela qual o domínio da sombra se estabelece sobre as mentes mais fracas, acorrentando-as a séculos de ilusão e sofrimento. Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, à nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação.” (9) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) http://www.febnet.org.br/ba/file/CFN/Projeto_interiorização.pdf. (2) Xavier, Francisco C. Fonte Viva, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 49, pg.116. (3) Carvalho, Antonio C. Perri. Artigo “União com fidelidade, simplicidade e fraternidade” publica do em Reformador, abril, ano 2011 pags. 29,30 e 31. (4) idem. (5) O termo mecenas, nos países de línguas neolatinas, indica uma pessoa dotada de poder ou dinheiro que fomenta concretamente a produção de certos literatos e

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artistas. Num sentido mais amplo, fala-se de mecenato para designar o incentivo financeiro de atividades culturais, como exposições de arte, feiras de livros, peças de teatro, produções cinematográficas, restauro de obras de arte e monumentos. (6) Maior, Marcel S. As vidas de Chico Xavier, São Paulo: Editora Planeta, 2003 (7) Editorial da revista "O Espírita" de Brasília edição de jan/mar-93. (8) Bezerra de Menezes, trechos da mensagem “Unificação”, Psic. F. C. Xavier – Reformador, dez/1975 - FONTE: CEI - Conselho Espírita Internacional. (9) Idem.

“ESPIRITISMO” SEM KARDEC É ACADEMIA DE BONIFRATES DESLUMBRADOS O crescimento do movimento espírita tem gerado circunstâncias deprimentes para a concepção espírita. É uma situação “compreensível”, considerando nossos diferentes estágios de entendimento, mas isso não significa que devemos contemporizar e deixar as rédeas soltas das fanfarras doutrinárias. Pelo menos, cremos ser importante incomodar bastante os arautos do antiespiritismo através da contestação corajosa, distantes da tediosa falsa humildade. Quando não identificamos nas práticas espíritas a lucidez e a coerência kardeciana, não podemos considerar que isso seja positivo sob a ilusão de que todos somos aprendizes e que essa fase é necessária para o nosso amadurecimento. Para tais espíritas mornos, o debate por um espiritismo mais simples ressoa de forma subjetiva. Tais líderes omissos (ficam em cima do muro) se retraem baseados na contemporizadora atitude de que tudo é natural porque os estágios de entendimento e amadurecimento igualmente o são desiguais e que todos os desvios doutrinários oferecem oportunidades de aprendizado e amadurecimento. Isso é risível! O Espiritismo nos traz uma nova ordem religiosa que precisa ser preservada. A Terceira Revelação é a resposta sábia dos Céus às interrogações da criatura aflita na Terra, conduzindo-a ao encontro de Deus. Cremos que preservá-la da presunção dos reformadores obsedados e das propostas ligeiras dos que a ignoram, e apenas fazem

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parte dos grupos onde é apresentada, constitui dever de todos lídimos estudiosos de Kardec. Defender e propor debate sobre a coerência doutrinária evidentemente não pode ser a defesa acirrada dos postulados espíritas, sem maior observância das normas evangélicas; nem é exigir a rígida igualdade de comportamentos sem a devida consideração aos níveis diferenciados de evolução em que estagiamos. Todo excesso de rigor na defesa doutrinária pode levar a sérios erros, se enredarmos pelas veredas da intolerância, pois que redundarão em dissensão inadmissível, em face dos impositivos da fraternidade. Todavia, o espólio da tolerância não é fazer-nos omissos ante as enxertias conceituais e práticas anômalas que intentam impor no seio do Movimento Espírita. Nessa luta, não estaremos sós, embora saibamos que “o discípulo da verdade e do amor, no mundo, é alguma coisa de Jesus e de Deus, e a massa vulgar não lhe perdoa tal condição, sobrecarregando-o de pesados amargores, porque seus sentimentos não são análogos àqueles que a conduzem a incoerências e desatinos.(grifei) Todos os que seguiram Jesus foram obrigados a identificar o destino com o sinal do martírio. Os que se não desprendem da Terra, crucificados nas dores públicas, retiram-se ao desamparo, esmagados pelos opróbrios humanos, caluniados, humilhados, encarcerados, feridos. Raros triunfaram conservando a serenidade e o amor imaculado, até ao fim!(1)... Recordemos que se abraçamos a Doutrina dos Espíritos, por ideal, não podemos fugir-lhe à fidelidade. Não hesitemos pois, quando a situação se impõe, e estejamos alertas sobre a lealdade que devemos a Kardec e a Jesus. É importante não esquecermos que nos imperceptíveis consentimentos estaremos descaracterizando o projeto da Terceira Revelação. É imperioso resguardar o Espiritismo consoante o herdamos de Kardec, mantendo-lhe a lucidez dos postulados, a transparência dos seus conteúdos, não admitindo que se lhe aloje acréscimo nocivo, que apenas irá confundir os invigilantes e os neófitos. Existem inúmeras práticas não ajustadas com o cerne doutrinário que é imperioso sejam condenadas à exaustão, nas bases da decência cristã, sem quaisquer nódoas de intransigências. Casa Espírita equilibrada não comporta imagens de Santos ou personalidades do movimento espírita, amuletos de sorte, objetos que afastam ou atraem maus Espíritos, incensos, preces cantadas, velas e outros assemelhados alienantes. Uma coisa é certa: os Centros Espíritas refletem a índole e consciência doutrinária dos seus dirigentes. Infelizmente, as Casas Espíritas estão repletas de modismos e práticas carentes de bom senso, oriundos da falta de conhecimento das recomendações básicas do Espiritismo.

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Muitas Instituições Espíritas mantêm práticas e/ou discussões estéreis em torno de nauseantes temas tais como “crianças índigo”, “Chico é a reencarnação de Kardec”, “ubaldismo”, “ramatisismo”, “apometria”, “cromoterapia”, “cristalterapia” e tantos outros indigestos "ismos" e "pias", infligidos no corpo doutrinário. Confrades utilizam a tribuna para angariar votos para cargos políticos, ou para imitarem ilustres tribunos, ou fazer shows de oratória (muitas vezes para vender seus CD’s, DVD’s ou livros ao final da “fala”). Como se não bastasse, há, ainda palestrantes que promovem, das tribunas, peculiares espetáculos da própria imagem, mise-en-scène protagonizada pelos briosos expositores, que não abrem mão da burlesca imposição do título “Dr.” antes do nome. Há Instituições Espíritas que cobram taxas para o ingresso nos congressos, simpósios, seminários, tendo, como meta o fomento de querelas doutrinárias ou espetaculosas palestras. O Centro Espírita tem que funcionar como se fosse uma escola ou fidedigno hospital espiritual, tal qual refrigério em favor das almas em desalinho, e jamais um reduto de competições, de terapias ilusórias ou de passarela de vaidades. Tem que estar preparado para receber um contingente cada vez maior de pessoas perdidas no atoleiro de suas próprias imperfeições, e que estão nos vales sombrios da ignorância. Deve ser uma universidade do espírito e pronto-socorro para os necessitados de amparo e esclarecimento, seja através da evangelização, das orações ou dos tratamentos espirituais; ou seja, pelas orientações morais e materiais. A questão é: como evitar esses disparates? Como agir com tolerância cristã? Como agir, diante dos espíritas cegos, que querem guiar outros cegos? Para os líderes “mornos bonzinhos”, é interessante a prática do "lavo as mãos" para não se incomodarem. Os Códigos Evangélicos nos impõem a obrigatória fraternidade para com os adeptos equivocados, o que não equivale a dizer que devamos nos omitir quanto à oportuna admoestação, para que a Casa Espírita não se transforme em academia de bonifrates dos distúrbios psíquicos. Em verdade, da abrangência dos preceitos espíritas e do bom emprego dos princípios doutrinários no equacionamento dos enigmas existenciais do ser, do destino, da dor e do sofrimento, o espírita cristão desenvolve uma fé equilibrada, apoiada na razão clarificada pelo conhecimento, modificando a índole humana de adoração, tornando-se livre de quaisquer acondicionamentos místicos, fetichistas, idólatras e supersticiosos, assinalando para o autoconhecimento, a simplicidade, a sensatez e a plenitude do ser. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Referência bibliográfica: (1) Xavier, Francisco Cândido. Renúncia, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB 1997, Cap. 1.

CLEMÊNCIA PARA COM OS CRIMINOSOS Devemos amar os criminosos, como criaturas de Deus, “às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem”(1) como também a nós, pelas faltas que cometemos contra sua lei. Não nos cabe dizer de um criminoso: é “um miserável; deve-se expurgar da terra; não é assim que nos compete falar. Que diria Jesus, se visse junto de si um desses desgraçados? Lamenta-lo-ia; considera-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão. Em realidade, não podemos fazer o mesmo; mas, pelo menos, podemos orar por ele.”(2) Infelizmente noticia-se, às vezes, pela mídia em geral, a tortura física e psicológica, nos presídios e penitenciarias, como uma das barbaridades cometidas em nome do Estado e da lei. Kardec, preocupado com as graves questões sociais, expressou sua inquietude na pergunta 807 do Livro dos Espíritos, sobre o que se deve pensar dos que abusam da superioridade de suas posições sociais, para, em proveito próprio, oprimir os fracos. "Merecem anátemas!", responderam os luminares do além, que ainda acrescentam: "Ai deles! Serão, a seu turno, oprimidos e renascerão numa existência em que terão de sofrer tudo o que tiverem feito sofrer os outros".(3) Se verdadeiras as agressões de agentes de segurança aos presos, e ocorrendo as muitas defecções morais cometidas pelos chamados homens "livres", enchafurdados em seus interesses espúrios, a síndrome da violência inverte a situação de tal forma que os agentes de segurança passam a ser os controlados e vigiados e os encarcerados se mantêm deixados em sua "independência". Os criminosos enclausurados se fortalecem psicologicamente e passam a perseguir e a assassinar, sem limites, os agentes do estado.

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Observamos ondas de ódios e violências sem precedentes. Testemunhamos muitas vezes, pela imprensa, os mais dantescos episódios de combate entre criminosos e policiais. O sistema carcerário mantém juntos o criminoso reincidente e o primário nas cadeias; os criminosos de periculosidades diversas convivem no mesmo espaço, o que tem contribuído para o acréscimo da violência entre eles e dá acolhimento à revolta, além de dificultar a possível recuperação do indivíduo. Em outras palavras, o preso menos violento, dificilmente será o mesmo após um estágio numa penitenciária. Nessa estranha panorâmica, percebemos que a brutalidade humana tem esmaecido o caminho para Deus. Destarte, torna-se imprescindível praticarmos o Evangelho nos vários setores do campo social, contribuindo com a parcela de mansidão para pacificá-la. O homem moderno ainda não percebeu que somente a experiência do Evangelho pode estabelecer as bases da concórdia, da fraternidade e constituir os antídotos eficazes para minimizar a violência que ainda avassala a Terra. Recordemos Jesus e Suas considerações sobre a prática de um sublime código de caridade, ante as questões da vida dos encarcerados: "Senhor, quando foi que te vimos preso e não te assistimos?". Ao que Ele respondera: "Em verdade vos digo todas as vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo.".(4) Alguém disse certa vez que se abrirmos um ovo choco, sentiremos nojo pelo mau odor exalado por aquela parte viscosa. No entanto, o que nos parece podridão naquela substancia é, apenas, transformação, ou seja, é o berço de uma nova vida que aparecerá, em breve, repetindo na candura e beleza sempre suaves - do pintinho, que surgirá da intimidade do ovo. Situação idêntica, o homem. Se analisado em seus pendores, parecerá pouco atraente e até repugnante, quando mergulhado no crime. Se buscarmos um ponto de analogia, percebemos que, de certa maneira, também estamos em processo de gestação no útero da sociedade. Do mais insignificante ser humano até Deus existe uma corrente na qual nos colocamos como elos inquebrantáveis. Logo, nenhum elo existe que esteja desligado e sem amparo Dele. O que existe é: diferença no volume e na qualidade do amparo. Na verdade, o homem cresce e se expande na medida em que se projeta no coração do semelhante. Assim, a realização de qualquer investimento de solidariedade, ante os presos de menor ou maior periculosidade, se consubstanciará no mais eloquente ato cristão. Jorge Hessen jorgehessen@gmail.com

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Referências bibliográficas: (1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Caridade ara com os criminosos, instruções de Elisabeth de France (Havre, 1862), Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Cap. 11. (2) idem. (3) Kardec, Allan. O Livros dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, perg. 807. (4) Mt 25:31-46.

NA REENCARNAÇÃO A HEREDITARIEDADE NÃO DETERMINÍSTICA Pesquisadores da Universidade de Kontanz, na Alemanha, asseguram que “o estresse de uma mãe pode provocar alterações biológicas em um receptor de hormônios e afetar seu bebê ainda no útero, causando sequelas em longo prazo na vida da criança.”.(1) Essas mutações foram associadas a problemas de conduta e enfermidades mentais. Mulheres que usam certos tipos de antidepressivos durante a gestação, da qual fazem parte remédios como o Prozac (fluoxetina) e o Zoloft (sertralina), “podem ter bebês com síndrome de abstinência neonatal. Após o nascimento, quando não ingerem mais as substâncias, os bebês apresentam sintomas como convulsões, irritabilidade, choro anormal e tremores.”.(2) Pela "hipótese da programação fetal", discute-se sobre alguns fatores inoportunos acontecidos durante períodos sensíveis do desenvolvimento no útero que tendem a "programar set points"(3) numa variedade de sistemas biológicos da criança. Isso influenciaria a desenvoltura desses sistemas biológicos para modificarem ao longo da vida, derivando em dificuldades de adaptação fisiológicas, culminando em predisposição a enfermidades e conflitos psíquicos. No entanto, para o espírita, a Lei Divina estabelece que se o ser reencarnado carrega tendências inferiores ele apenas as desenvolve ao reencontrar situação favorável. A herança genética, qual é aceita nos conhecimentos científicos atuais,

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tem as suas fronteiras. Podem ocorrer “certas modificações à matéria na parte embriológica, determinando alterações favoráveis ao trabalho de redenção de que necessite o reencarnante.”.(4) O nascimento e o renascimento, no mundo, sob o ponto de vista físico, “jazem confiados a leis biológicas de cuja execução se incumbem Inteligências especializadas, contudo, em suas características morais, subordinam-se a certos ascendentes do espírito. E quanto mais vastos os recursos espirituais de quem retorna à carne, mais complexo é o mapa de trabalho a ser obedecido.” (5) Assimilamos as energias de nossos pais terrestres na medida de nossas qualidades boas ou más, para o destino enobrecido ou torturado a que fazemos jus, pelas nossas conquistas ou débitos que voltam à Terra conosco, emergindo de nossas anteriores experiências. “A hereditariedade é dirigida por princípios de natureza espiritual. Se os filhos encontram os pais de que precisam, os pais recebem da vida os filhos que procuram.”.(6) Se ao reencarnarmos permanecemos dispostos ao processo de auto elevação, sobrepujaremos a quaisquer cobranças menos nobres do corpo ou do ambiente, triunfando sobre as condições antagônicas. Os estudiosos suspeitam que o lugar primordial (intra-útero) tenha papel crucial. Inobstante acreditarem que o “bebê é sensível só ao ambiente (intra-uterino) de uma forma única, muito mais do que após o nascimento”(7), afirma-se que o ambiente social da gestante pode ser de extrema importância para o desenvolvimento do bebê. Estudo realizado nos Estados Unidos indica que pessoas que receberam carinho em abundância de suas mães quando bebês são mais capazes de lidar com as pressões da vida adulta.(8) Cada qual de nós renasce na Terra a exprimir na matéria densa o patrimônio de bens ou males que incorporamos aos tecidos sutis da alma. A patogenia, na essência, envolve estudos que remontam ao corpo espiritual, e podemos entender, com mais segurança, os processos dolorosos das enfermidades congênitas e das moléstias insidiosas que assaltam a meninice no mundo. Há dolorosas reencarnações que significam tremenda luta expiatória para as almas necrosadas no vício. “Cada reencarnação está supervisionada por deliberações superiores, muitas vezes insondáveis para o homem.”.(9) Renascimentos, berços torturados, acidentes da infância, delitos da juventude, dramas passionais, lares periclitantes, divórcios, deserções afetivas, certas modalidades de suicídio, tanto quanto moléstias e obsessões resultantes de abusos sexuais e uma infinidade de temas conexos são examinados nos departamentos especializados do além, segundo as rogativas e as queixas entregues aos pronunciamentos da justiça." (10)

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O corpo físico, de certa maneira, em muitas ocorrências, não é apenas um “vaso divino para o crescimento de nossas potencialidades, mas também uma espécie de carvão milagroso, absorvendo-nos os tóxicos e resíduos de sombra que trazemos no corpo substancial.”.(11) O organismo provém do corpo dos pais, porém, as tendências que cercam cada um desde os primeiros dias, pelo ambiente a que foi chamado a viver ou pelo tipo de corpo com que (re)nasceu, afeta-o mais ou menos, pela força do livre arbítrio. As qualidades morais resultam da luta e do esforço individual. Uma verdade é inconteste: os pais transmitem disposições genéticas, jamais qualidades morais! A consciência traça o destino, o corpo apenas reflete a alma. “Toda agregação de matéria obedece a impulsos do espírito. Nossos pensamentos fabricam as formas de que nos utilizamos na vida.”. (12) O corpo herda do corpo conforme o estado mental que se ajusta a outras mentes [pais], pela lei da afinidade, cabendo reconhecer que a hereditariedade [relativa ou compulsória] talhará o corpo físico de que necessitamos em determinada encarnação, não nos sendo possível alterar o plano de serviço que merecemos ou de que fomos incumbidos. “Segundo as nossas aquisições e necessidades podemos, pela própria conduta feliz ou infeliz, acentuar ou esbater a tonalidade dos códigos que nos recomendam a rota, através dos bióforos [unidades de força psicossomática que atuam no citoplasma], projetando sobre as células e, consequentemente sobre nosso corpo, os estados da mente, que estará enobrecendo ou agravando a própria situação, de acordo com a nossa escolha do bem ou do mal.”(13) Como se depreende, a lei da hereditariedade não é determinística. A criatura não receberá, ao renascer, a total imposição dos característicos dos pais. As enfermidades ou as disposições criminosas não serão transmissíveis de maneira integral. Sob quaisquer hipóteses das pesquisas acima, recordemos igualmente que cada ser humano [encarnado ou não] é um mundo por si mesmo. O espírito que possui a mente alicerçada nas bases do amor emite forças equilibrantes e restauradoras para os trilhões de células de seu próprio organismo; “todavia, quando perturbada, emite raios magnéticos do alto poder destrutivo para estas mesmas células. Certamente, um estado depressivo da mãe pode alterar a tessitura de um reencarnante, tanto quanto o vínculo sólido entre mãe e bebê pode diminuir o estresse da criança e ajudá-la a desenvolver recursos que a auxiliarão em suas interações sociais e na vida de maneira geral. Mas será que o calor maternal na infância poderá ser fator determinante e exclusivo para o comportamento dos filhos anos mais tarde? Em verdade, a vida física é puro estágio educativo, dentro da eternidade, e a ela ninguém é chamado a fim de candidatar-se a paraísos de favor.” (14)

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Reencarnar não é ganhar um corpo para nova aventura, ao acaso das circunstâncias, contudo “significa responsabilidade definida nos serviços de aprendizagem, elevação ou reparação, nos esforços evolutivos ou redentores.”.(15) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Publicadas na revista científica Translational Psychiatry. (2) Segundo pesquisa da Universidade de La Laguna, na Espanha. (3) Termo referente a qualquer um de um número de quantidades (por exemplo, o peso corporal, a temperatura do corpo) que o corpo tenta manter em um valor específico. (4) Xavier, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1975,Cap. XII (5) Segundo Carmine Pariante, especialista em psicologia do estresse do Instituto de Psiquiatria do King's College London. (6) Pesquisa divulgada pelo Journal of Epidemiology and Community Health. (7)________, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1975, Cap. X (8)________, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1975,Cap. XXIX (9) Xavier, Francisco Cândido e Vieira Waldo. Evolução em Dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 2000, Primeira Parte – VII (10) Xavier, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1975,Cap. II (11) Xavier, Francisco Cândido. Libertação, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000 Cap. III (12) Xavier, Francisco Cândido. Missionários da Luz, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999 Cap. 2 (13) idem Cap. 12 (14) Xavier, Francisco Cândido. E a Vida Continua, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1968, Cap.17 (15) Xavier, Francisco Cândido. Sexo e Destino, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1963, 2ª parte - Cap. X

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COGITAÇÃO SOBRE TRATAMENTO DE MOLÉSTIAS MENTAIS E AS PROPOSIÇÕES ESPÍRITAS Há 60 anos, a absorvente “psiquiatrização” da terapêutica das enfermidades mentais foi robustecida com o advento das primeiras drogas facilmente absorvida no Sistema Nervoso Central, porém seu uso tornou-se abusivo e indiscriminado, cristalizando a doença mental crônica e incapacitante. Mais recentemente, todavia e felizmente outras terapias têm surgido a exemplo da arteterapia e outras técnicas expressivas, todas consideradas intervenções admiráveis dentro desse novo “approach” (enfoque) mais humano. Há grande contingente de expressão, viabilizados por atividades atreladas à música e ao teatro, trabalhando a ampliação da comunicação com o mundo interno e externo. A metodologia, enquanto manifestação criativa do ser humano na sua luta interior, tem sido resgatada enquanto prática terapêutica na assistência em saúde mental e destina-se tanto a transtornos neuróticos como psicóticos. No anfiteatro da psiquiatria, pesquisadores mais atrevidos já incluíam algumas doenças de origens nervosas e mentais, sendo induzidas pela influência de seres extracorpóreos (espíritos); no entanto, os convencionalismos da época evitaram que as pesquisas com esse viés espiritual avançassem. Malgrado poucos informes científicos, há muitas evidências de que o processo obsessivo ou a imantação e interposições de magnetismos deletérios desempenha ação terrível na fisiopatogenia das enfermidades no corpo físico e espiritual, e, às vezes, evoluindo com quadros gravíssimos. A ação obsessiva espiritual, sob qualquer ocorrência que se exprima, é moléstia muitas vezes de longo caminho, exigindo terapêutica especializada, de segura aplicação e de resultados que não se fazem sentir imediatamente. A atuação mental e magnética do obsessor sobre o cérebro, se não forem retiradas em tempo hábil, dará, basicamente, em resultado, a consternação daquele órgão, tanto mais intenso quanto mais período encontrar-se sob a influência destruidora daqueles fluidos. Para os tratamentos de ordem psíquico e mental é importante a formulação quimioterápica (sedativos, antidepressivos e medicamentos de ação central. Consideramos a importância dos eletrochoques) embora muito raramente, apenas

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nos casos de difícil remissão (casos catatônicos) ou de extrema resistência à quimioterapia; a psicoterapia – segundo as técnicas usuais, de escolha do terapeuta (aliada, sempre que possível, à noção de reencarnação); a psicanálise profunda – (calcada, sempre que possível, na pluralidade das existências); e, como vimos acima, a terapia ocupacional – mantendo o paciente ocupado em trabalho que o atraia e de seu interesse, de modo a mantê-lo afastado de seus pensamentos doentios; a ludoterapia – divertimentos sadios e cultivo de esportes (ginástica, natação, e outros tipos de exercícios); a musicoterapia – o senso musical talvez seja o último elo que o doente mental perde e deve ser cultivado com carinho; a reeducação – através de contatos freqüentes com assistentes sociais e palestras educativas. Ainda, sob o ponto de vista das alternativas médicas, ressaltamos a importância da homeopatia, acupuntura e todos os esforços no sentido de levar o indivíduo a uma busca objetiva diante da vida, sem culpas, sem cobranças, valorizando a sua auto-estima, o pensamento positivo e a força de vontade. Os espíritas sensatos devem respeitar as orientações dos profissionais da área de saúde, evitando equívocos como: fazer diagnósticos, trocar e/ou suspender medicamentos e, às vezes, tornar o quadro dos pacientes mais graves que verdadeiramente o são. Por outro lado caberia aos médicos, ao tratar seus pacientes, admitindo a hipótese de influência espiritual, ainda que não comprovada, academicamente, pedir ajuda às casas espíritas que exercem suas atividades com objetivos sérios, seguindo os postulados do Cristo e os preceitos da Doutrina Espírita. Apesar de todos os esforços, às vezes, é difícil fazer um diagnóstico diferencial específico, considerando que os sinais e sintomas são idênticos, tanto na loucura, propriamente dita, com lesões cerebrais, quanto nos processos obsessivos, onde há grande perturbação na transmissão do pensamento. O tratamento espiritual, oferecido na Casa Espírita bem orientada, não dispensa tratamento médico. O prognóstico, de modo geral, poderá ser bom ou ruim, considerando todos os fatores envolvidos, especialmente, o interesse do obsedado em profundas transformações íntimas e a boa vontade da família em dar-lhe toda a assistência possível sob todos os aspectos. O Espiritismo e a medicina, no futuro, poderão se entender não se contradizendo, todavia de unidas, marchando conectadas, procurando todos os expedientes disponíveis no sentido de atenuar a agonia do doente. Caso contrario, a medicina boiará em um mar de dúvida, enquanto esperar que a demência está amarrada, unicamente, no universo cerebral. A ciência precisa distinguir as causas físicas das causas morais, para poder aplicar às moléstias os meios correlativos.

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Portanto, uma excelente proposta para tratamento dos portadores de doenças psíquicas é a participação em reuniões de desobsessão. No caso do obsessor (encarnado e desencarnado), ele terá a oportunidade de comparecer à reunião, onde deverá ser recebido com muito amor, visando o esclarecimento pela doutrinação, a fim de que possa compreender os erros do irmão e assim encontrar forças para perdoar. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

A PROPOSIÇÃO DA CIÊNCIA ESPÍRITA É DESCORTINAR A REALIDADE DO ESPÍRITO IMORTAL A Ciência, propriamente dita, é uma conquista recente; não ultrapassa a três séculos, embora seus primeiros ensaios tenham começado na Grécia dos áureos séculos VI, V, IV a.C. Temo-la representada por Arquimedes, em cujas pesquisas deram base para a mecânica, por Pitágoras de Samos, por Tales de Mileto, por Euclides de Alexandria, no desenvolvimento da matemática e da estruturação numérica. Um milênio após essas apoteóticas realizações gregas, ocorreu, na Europa, a desagregação do Império romano, no século V, e a liderança cristã surgiu como elo de agregação dos “bárbaros invasores” e se transformou em Igreja soberana absoluta dos destinos “espirituais” no Ocidente. No século XIII, Tomás de Aquino se destacou, propondo a síntese do cristianismo vigente com a visão aristotélica do mundo. Em suas duas Summae, sistematizou o conhecimento teológico e filosófico de então. No século XIV, a Igreja romana, sob os guantes tomasistas, entronizou uma teologia (fundada na revelação) e uma filosofia (baseada no exercício da razão humana) que se fundiram numa síntese definitiva: fé e razão, unidas em sua orientação comum rumo ao Criador. A tese de Aquino afirmava que não podia haver contradição entre fé e razão e estabeleceu o pensamento filosófico-teológico manifesto na truculenta filosofia do “Roma locuta causa finita”.

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A partir dos séculos XV e XVI, o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo). Os pensadores criticaram e questionaram a autoridade dessa autoritária Igreja romana. Nessa conjuntura a apropriação do conhecimento partia da realidade observada pela experimentação, pela constatação, e, por fim, pela teoria, decorrendo uma ligação entre ciência e técnica. No século XVII, a primeira grande teoria de que se tem notícia na moderna ciência versou sobre a gravitação universal elaborada por Newton, desmembrada das leis dos movimentos planetários de Kepler e na Lei de Galileu sobre a queda dos corpos. No século XIX Marx Plank propôs a teoria do Quantum. No século XX, Albert Einstein resignificou a teoria da relatividade e outros pressupostos das teses newtonianas sobre a gravitação universal, chegando a conclusões inusitadas na abordagem sobre as realidades do micro ou do macrocosmo, sobretudo no que reporta a tempo e espaço na dimensão material. Até então, a física tradicional era considerada a chave das respostas da vida no mundo palpável, estribada no determinismo mecanicista. Todavia, na década de 1920, as pesquisas de Brooglie, no universo da física quântica, redirecionaram o pensamento científico na formulação heisenberguiana do “princípio da indeterminação ou da incerteza” e com ele irrompeu-se um “irracionalismo” na ciência redimensionando a distância do homem das realidades naturais da vida. Em meio a essas trajetórias históricas, surge, no cenário terrestre, no século XIX, a personalidade luminosa de Allan Kardec, que, inspirado pelos Benfeitores do Além, sentenciou: Fé verdadeira é a que enfrenta frente a frente a razão em qualquer época da humanidade, esclarecendo os enigmas que desafiavam as inteligências daqueles mesmos que confiavam nos determinismos tecnicistas do nec plus ultra acadêmico. A proposição da Ciência Espírita é descortinar a realidade do Espírito imortal, fundamentada em realces científicos acerca dos fenômenos mediúnicos coletados na metodologia doutrinária. A proficuidade desse saber está na razão direta do seu bom emprego por parte daqueles que dele tomam ciência. Desse modo, é preciso que nos apropriemos de tal forma do saber contidos nas obras básicas da Doutrina dos Espíritos que, por via de consequência, nos façamos senhores de nós mesmos, ou seja, emancipados intelectualmente da cegueira espiritual do materialismo, tanto quanto das superstições. O mestre de Lyon ainda afirmou em outras palavras que o Espiritismo independe de qualquer crença científica ou religiosa e não propõe que fora do Espiritismo não há salvação; tanto quanto não pretende explicar toda verdade, razão pela qual não propôs – “fora da verdade não há salvação”. Os preceitos kardecianos consubstanciam-se no manancial mais expressivo das verdades eternas. A missão da

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Doutrina Espírita perpassa o processo de reerguimento do edifício desmoronado da crença cristã. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

ONDE SE ENCONTRAM OS VALORES MORAIS DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA? Os países lutam para ter ou manter o controle de matérias primas, fontes de energia, terras, bacias fluviais, passagens marítimas e outros recursos ambientais básicos. Nessa luta, surgem conflitos que tendem a aumentar à medida que os recursos escasseiam e aumenta a competição por eles. Estamos na iminência de desastres ecológicos de consequências imprevisíveis, em face da rota de colisão do homem com a Natureza. Nos EUA, os furacões vão estremecendo as estruturas da sociedade americana; no Japão, tsunamis e terremotos desencadearam o pavor no povo nipônico; no Chile, o vulcão cuspiu sua força incandescente; no Rio de Janeiro e no Nordeste brasileiro, as tempestades destruíram milhares de vidas e bens. Na época de Kardec existia cerca de 1,5 bilhão de habitantes na Terra e estima-se que atingiremos, pelo menos, 11 bilhões daqui a poucas dezenas de anos. Daqui a três anos haverá cerca de 600 milhões de bocas a mais para se alimentar. A Fome já castiga mais de 1 bilhão de pessoas. Para os Espíritos, “a Terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é que ele a emprega no supérfluo o que poderia ser empregado no necessário”.(1) A questão é que, em uma sociedade consumista, poucos se contentam com o necessário, por isso não há distinção entre consumismo e materialismo. Na questão 799 de O Livro dos Espíritos, Kardec indaga: “de que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?”. A resposta é categórica: “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade (...)” (2) Neste mundo contraditório, temos o cinismo de divulgar a paz produzindo as ogivas de guerra; ansiamos resolver os enigmas sociais intensificando a edificação

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das penitenciárias, bordeis e motéis. Cerca de 100 milhões de pessoas passaram à condição de pobreza extrema devido à recessão mundial resultante da crise financeira internacional de 2009. A cada cinco segundos morre uma criança na Terra em consequência da desnutrição. Segundo dados do UNI CEF (3), 55% das mortes de crianças no mundo estão associadas à falta de comida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima existirem 100 milhões de crianças vivendo nas ruas do mundo subdesenvolvido ou em desenvolvimento, das quais mais de10 milhões vivem no Brasil. Onze anos se passaram neste novo milênio, porém o resultado da larga arena de lutas fratricidas do século XX ainda ecoa nos vagidos de cada criança que renasce. As atuais teorias sociais permanecem em sua trajetória equivocada, tangendo não raro a linha tenebrosa do extremismo. É urgente que novas propostas teóricas interpretem a paz social em termos de valores mais transcendentes. Tais teses comprovarão a assertiva dos Espíritos e do Evangelho de que os bens materiais não trazem felicidade. Tempos de combates sinistros, desde os primeiros anos do século XX, a guerra se instalou com caráter permanente em quase todas as regiões do planeta. Todos os pactos de segurança da paz oriundos das convenções internacionais após a I Guerra Mundial, não foram senão fenômenos da própria guerra, que culminaram com o apogeu da II Guerra Mundial. A Europa e o Oriente constituem ainda hoje um campo vasto de agressão e terrorismo. Por isso, “a América recebeu o cetro da civilização e da cultura, na orientação dos povos porvindouros. Nos campos exuberantes do continente americano estão plantadas as sementes de luz da árvore maravilhosa da civilização do futuro”, segundo Emmanuel. (4) Onde se encontram os valores morais da sociedade contemporânea? Muitas religiões estão amordaçadas pelas injunções de ordem econômica e política. Somente a Doutrina dos Espíritos tem efetuado o esforço hercúleo de sustentar acesa a luz da crença nas plagas iluminadas da razão, da cultura e do direito. Embora, seja “o esforço do Espiritismo quase superior às suas próprias forças, mas o mundo não está à disposição dos ditadores terrestres. Jesus é o seu único diretor no plano das realidades imortais.” (5) Os Benfeitores, que guiam os destinos da Humanidade, se movimentam a favor do restabelecimento da verdade e da paz, a caminho de uma nova era. Emmanuel faz menção sobre “uma nova reunião da comunidade das potências angélicas do sistema solar (da qual é Jesus um dos membros divinos) e que planejam reuniremse, novamente, pela terceira vez, na atmosfera terrestre (desde que o Cristo recebeu a sagrada missão de abraçar e redimir a nossa Humanidade), deliberando novamente sobre os destinos da Terra. Que resultará dessa reunião dos espíritos

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superiores? Deus o sabe. Nas grandes transições do século que passa, aguardemos o seu amor e a sua misericórdia.” (6) Não desconsideramos, nessas reflexões, a rejeição que padecem os excluídos da sociedade, porquanto a ganância pelo dinheiro atinge patamares surrealistas. Estarrece-nos a avidez dos adolescentes pelo sexo, quase sempre remetidos aos pântanos da indigência moral. Hoje em dia, as pessoas vacilam em sair às ruas, defronte dos assaltos e sequestros relâmpagos que têm ocorrido a todo o momento. São ocasiões de muita inquietude e de grande volubilidade emocional. Ainda sofremos os ressaibos amargosos dos contrastes de uma suprema tecnologia no campo da informática, das telecomunicações, da genética, das viagens espaciais, dos supersônicos, dos raios laser, do mesmo modo em que ainda temos que coexistir com a febre amarela, a tuberculose, a aids, e com todos os tipos de droga (cocaína, heroína, skanc, ecstasy, o crack, oxi etc). Nesse cenário fatídico, a mensagem do Cristo é um elixir poderoso, o mais confiável para a redenção social, que haverá de entranhar em todas as consciências humanas, como um dia penetrou no altruísmo de Vicente de Paulo, na solidariedade de irmã Dulce, na amabilidade de Francisco de Assis, na suprema ternura de Teresa de Calcutá, na humildade de Chico Xavier. Aprendamos a dilatar a misericórdia sem pieguismos, desenvolver generosidade que começa no procedimento de dar coisas, para culminar no dom de doarmo-nos, decididamente, ao próximo. Fazer algo de bom, e que ninguém saiba, especialmente por um desafeto qualquer. Nesse desempenho, podermos enunciar o sereno brado como o fez o Convertido de Damasco: "Já não sou quem vive, mas o Cristo é quem vive em mim..." (7) Para Emmanuel, “as revelações do além-túmulo descerão às almas, como orvalho imaterial, preludiando a paz e a luz de uma nova era. Numerosas transformações são aguardadas e o Espiritismo esclarecerá os corações, renovando a personalidade espiritual das criaturas para o futuro que se aproxima.”(8) “Então, perguntar-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? - Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? - E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? - O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes.”(9) Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Referência bibliográfica: (1) Kardec, Allan. (O Livro dos Espíritos, capítulo V, Lei de Conservação, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000). (2) Idem questão 799. (3) O Fundo das Nações Unidas para a Infância (em inglês United Nations Children's Fund – UNICEF) é uma agência das Nações Unidas que tem como objetivo promover a defesa dos direitos das crianças, ajudar a dar resposta às suas necessidades básicas e contribuir para o seu pleno desenvolvimento. (4) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1976. (5) idem. (6) idem. (7) Galatas.2, 20. (8) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1976. (9) Mateus 25:36-46.

OS PAIS SÃO RESPONSÁVEIS PELO DESENVOLVIMENTO DOS VALORES DOS FILHOS Atualmente paira sobre as famílias modernas uma grave ameaça em torno da cultura do prazer. O instituto familiar necessita de grande choque de modelo e, sobretudo, de muito apoio religioso para alcançar seu equilíbrio moral. Infelizmente, muitos pais querem que os filhos tenham prazer sem responsabilidade. Sobre isso, o psiquiatra Içami Tiba afirma: “as drogas são maneiras fáceis de conseguir “prazer”. O jovem não precisa fazer nada, apenas ingeri-la. Os filhos estão sendo educados para que usem drogas.”(1) Os pais têm oferecido tudo aos filhos sem exigir responsabilidade em troca, sem exigir que eles mantenham uma disciplina moral.

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Os pais são responsáveis pelo desenvolvimento dos valores dos filhos e não devem apostar na escola para exercer essa tarefa. Para Içami, “as crianças viraram batatas quentes: os pais as jogam na mão dos professores, os professores devolvem aos pais.”.(2) O psiquiatra reafirma que “um pai de verdade é aquele que aplica em casa a cidadania familiar. Ou seja, ninguém em casa pode fazer aquilo que não se pode fazer na sociedade. É preciso impor a obrigação de que o filho faça isso, destarte, cria-se a noção de que ele tem que participar da vida comunitária.”.(3) Os pais precisam fazer com que os filhos entendam que eles têm que cumprir sua parte para usufruir as benesses do amor. Os pais precisam exigir mais. “O exigir é muito mais acompanhar os limites, daquilo que o filho é capaz de fazer.”. Para Içami Tiba, se “Você quer educar? Seja educado. E ser educado não é falar “licença” e “obrigado”. Ser educado é ser ético, progressivo, competente e feliz.” (4) Os espíritas sabem que a fase infantil, em sua primeira etapa, é a mais importante para a educação, e não podemos relaxar na orientação dos filhos, nas grandes revelações da vida. Sob nenhuma hipótese, essa primeira etapa reencarnatória deve ser enfrentada com insensibilidade. De 0 até 7 anos, aproximadamente, é a fase infantil mais acessível às impressões que recebe dos pais, razão pela qual não podemos esquecer nosso dever de orientar os filhos quanto aos conteúdos morais. “O pretexto de que a criança deve desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode dar ensejo a graves perigos. Já se disse, no mundo, que o menino livre é a semente do celerado.” (5) Se não observarmos essas regras, permitimos acender para o faltoso de ontem a mesma chama dos excessos de todos os matizes, que acarretam o extermínio e o delito. “Os pais espiritistas devem compreender essa característica de suas obrigações sagradas, entendendo que o lar não se fez para a contemplação egoística da espécie, mas sim para santuário onde, por vezes, se exige a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira.” (6) Principalmente a mãe, que segundo Emmanuel, “deve ser o expoente divino de toda a compreensão espiritual e de todos os sacrifícios pela paz da família. A mãe terrestre deve compreender, antes de tudo, que seus filhos, primeiramente, são filhos de Deus. Desde a infância, deve prepará-los para o trabalho e para a luta que os esperam. Desde os primeiros anos, deve ensinar a criança a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhe as atitudes e concentrando-lhe as posições mentais, pois essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida. Ensinará a tolerância mais pura, mas não desdenhará a energia quando seja necessária no processo da educação, reconhecida a heterogeneidade das tendências e a diversidade dos temperamentos.”.(7)

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A mãe “não deve dar razão a qualquer queixa dos filhos, sem exame desapaixonado e meticuloso das questões, levantando-lhes os sentimentos para Deus, sem permitir que estacionem na futilidade ou nos prejuízos morais das situações transitórias do mundo. Na hipótese de fracassarem todas as suas dedicações e renúncias, compete às mães incompreendidas entregar o fruto de seus labores a Deus, prescindindo de qualquer julgamento do mundo, pois que o Pai de Misericórdia saberá apreciar os seus sacrifícios e abençoará as suas penas, no instituto sagrado da vida familiar.”.(8) Os filhos rebeldes são filhos de nossas próprias obras, em vidas anteriores, cuja Bondade de Deus, agora, concede a possibilidade de se unir a nós pelos laços da consanguinidade, dando-nos a estupenda chance de resgate, reparação e os serviços árduos da educação. Dessa forma, diante dos filhos insurgentes e indisciplináveis, impenetráveis a todos os processos educativos, “os pais depois de movimentar todos os processos de amor e de energia no trabalho de orientação deles, é justo que esperem a manifestação da Providência Divina para o esclarecimento dos filhos incorrigíveis, compreendendo que essa manifestação deve chegar através de dores e de provas acerbas, de modo a semear-lhes, com êxito, o campo da compreensão e do sentimento.”.(9) Os pais, após esgotar todos os recursos a bem dos filhos e depois da prática sincera de todos os processos amorosos e enérgicos pela sua formação espiritual, sem êxito algum, “devem entregá-los a Deus, de modo que sejam naturalmente trabalhados pelos processos tristes e violentos da educação do mundo. A dor tem possibilidades desconhecidas para penetrar os espíritos, onde a linfa do amor não conseguiu brotar, não obstante o serviço inestimável do afeto paternal, humano. Eis a razão pela qual, em certas circunstâncias da vida, faz-se mister que os pais estejam revestidos de suprema resignação, reconhecendo no sofrimento que persegue os filhos a manifestação de uma bondade superior, cujo buril oculto, constituído por sofrimentos, remodela e aperfeiçoa com vistas ao futuro espiritual.”.(10) Jorge Hessen www.jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Entrevista com Içami Tiba, psiquiatra, autor de livros como “Adolescentes: quem ama educa!” e “Disciplina: Limite na Medida Certa” disponível em http://delas.ig.com.br/filhos/educacao/nos+educamos+os+filhos+para+que+eles+us em+drogas/n1597078796088.html.

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(2) idem. (3) idem. (4) idem. (5) XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995, Perg. 113. (6) idem. (7) _______, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995, Perg. 189. (8) idem (9)_______, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995, Perg. 190. (10)_______, XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995, Perg. 191.

UMA VIAGEM INESQUECÍVEL Fomos ao Triângulo Mineiro a fim de conhecer o museu Chico Xavier em Uberaba, proferir palestra em Sacramento e visitar José Tadeu Silva, da cidade de Araxá. Em seguida partimos para o interior de São Paulo, a fim de realizar palestras em Ituverava e Batatais. Em Araxá, conversamos com o iluminado José Tadeu Silva, um espírita simples, de família humilde, que desde criança pratica a caridade, visitando os doentes acamados nas periferias, banhando-os e fazendo curativos, dedicando-se aos necessitados em tempo integral. Eleusa Hessen, Tadeu e Erika Hessen Tadeu fundou a Casa do Caminho (1) e um hospital que presta relevantes serviços de saúde, atendendo a demanda populacional de Araxá e região.(2) Construiu a Casa de Orações com capacidade para acomodar em média 1000 pessoas. Trata-se de um salão de palestras públicas, com piso de terra batida (isso mesmo, TERRA BATIDA!) que permite uma atmosfera de igualdade entre os ricos, pobres, cultos, analfabetos etc.

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Eleusa Hessen, Tadeu e Jorge Hessen. O Missionário de Araxá, com sabedoria e serenidade, transmite sempre uma mensagem de esperança e alento aos corações que o procuram. A todos abraça PESSOALMENTE (aliás, um abraço que é um verdadeiro passe magnético).(3) Após a palestra, a instituição conta com uma farmácia dirigida por voluntários para distribuição gratuita de remédios fitoterápicos. E, para o auxílio no tratamento das doenças espirituais, conta com uma biblioteca pública com mais de 5000 livros. Jorge Hessen e Heigorina Cunha. Em Sacramento, onde fizemos uma palestra, conhecemos o presidente do “Batuira”, Marcos Aurélio, um espírita extraordinário, que há muitos anos vem aliviando as dores de muitos irmãos. "Quarto de Euripedes" (Rinaldo e Jorge Hessen) Fomos à Chácara Triângulo, onde estão construídas a Casa Assistencial Meimei, Centro Espírita Casa do Caminho, QUARTO DE EURÍPEDES (onde Eurípedes Barsanulfo cuidava dos enfermos). Heigorina Cunha e Jorge Hessen Conversamos com Heigorina Cunha, sobrinha do apóstolo de Sacramento, conhecida como “Sinhazinha” – uma mulher extremamente simples, bondosa, inteligente e humilde. Ela é autora dos desenhos que descrevem como são algumas cidades espirituais, inclusive a cidade espiritual “Nosso Lar”. Centro Espírita Casa do Caminho/Chacara Triângulo Seus desenhos foram feitos segundo suas observações realizadas durante suas saídas do corpo (desdobramento), em março de 1979, conduzidas e orientadas pelo espírito Lucius.(4) Seus desenhos foram esclarecidos e legitimados por Chico Xavier, confirmando que realmente se tratava da cidade “Nosso Lar”. No ano 2010, os desenhos serviram de inspiração para a criação da cidade retratada no filme “Nosso Lar”. Palestra em Ituverava - Euripedes e Jorge Hessen. Palestra em Batatais (Eleusa, Beth, Jorge e Ademar) Em Ituverava e Batatais percebemos muita harmonia, e após sete dias de viagem o resultado superou as expectativas e robusteceu as nossas convicções sobre o Movimento Espírita. Palestra em Sacramento - Rinaldo, Marcos Aurélio, Jorge, André Luiz Deparamos nessas localidades (interior de Minas e São Paulo) com um Espiritismo verdadeiramente cristão, um Espiritismo incorruptível, um Espiritismo iluminado pelo exemplo de confrades e confreiras humildes, fraternos e trabalhadores.

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Testemunhamos uma prática doutrinária, aliás, bastante desigual do movimento espírita de algumas grandes cidades, onde são planificados eventos “espíritas” (congressos, seminários, encontros fraternos, simpósios) não gratuitos, não raro transformados em espetáculos de oratórias, em que se destacam mercadores ambulantes (mascates), que vendem suas palestras a preços “modestos” e as suas publicações literárias para supostas obras sociais, ou ainda, palestras musicais cujos artistas vendem CD’s e DVD’s ao final da apresentação. Espiritismo não gratuito. Tudo isso nos faz refletir sobre os milhares de espíritas sem muita cultura, humildes, desempregados e pobres; quando concebemos que o edifício doutrinário se mantém firme em face do amor desses lídimos e pouco conhecidos baluartes do Evangelho, impossível não nos entristecermos quando se comercializa Espiritismo e se trombeteia os excessos de consagração das elites culturais. A compleição elitista nas atividades doutrinárias tem exposto a dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, para ricos, para intelectuais e para incultos. Todavia, não se pode esquecer que devemos estudar a Doutrina junto com as pessoas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos com simplicidade, sem cobrar nada. Sinceramente, não conseguimos compreender a Doutrina dos Espíritos sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe. Não se pode distanciar do povo. É preciso fugir da elitização nas hostes espíritas. Devemos esquadrinhar a prática espírita pela simplicidade doutrinária e evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades e prioridades. É necessário que os líderes espíritas compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo; por isso mesmo é importante estudar a Doutrina Espírita junto com as massas. Ou será que nossas casas espíritas só devem explicar o Evangelho aos intelectuais, endinheirados e famosos? Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências: (1) A Casa do Caminho era o nome do lugar onde os apóstolos de Jesus, liderados por Pedro, cuidavam de diversos necessitados. O livro Paulo e Estevão, de Emmanuel/Chico Xavier, faz várias referências a esta Casa. Foi o primeiro e melhor modelo para conduzirmos nossas Instituições Espíritas hoje. (2) Visite o portal do Hospital http://www.casacaminho.com.br/index.htm

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(3) As palestras na Casa de Oração são frequentadas por caravanas de todo Brasil (4) Os desenhos poderão ser encontrados nos livros “Cidade no Além” e “Imagens do Além”, todos de autoria de Heigorina Cunha.

“O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO E NÓS NOS UFANAMOS DISSO” (A. Kardec) Circula pela Internet, e também através de alguns periódicos espíritas, absurdas críticas à literatura de Emmanuel. Trata-se, sem dúvida, de improfícua tentativa de desmerecer a extraordinária obra do excelso médium Chico Xavier e de entronizarse a hegemonia ideológica desses agentes da perturbação. Não é preciso fazer um grande esforço para identificar nesses irmãos a carência de sensatez, pelo fato de encontrarem-se inteiramente distanciados da Doutrina dos Espíritos, engolfados nas malhas do fascínio obsessivo. Melancólicos críticos de Chico Xavier, Emmanuel e André Luiz, tais confrades permanecem no torpor hipnótico, delirando no interior de uma composição descarrilada que culminou na tolice apontada como "emmanuelismo", patrocinada por “espíritas” que não têm mais o que fazer de útil. Essa ojeriza a Emmanuel há muito existe no movimento Espírita, da mesma forma a aversão a André Luiz, desde a publicação de Nosso Lar. Recentemente, deliberei assistir a uma apresentação em vídeo sobre o que apelidam de “Emmanuelismo”. Vi; contudo, não suportei a mutilada pseudopesquisa e parei de assistir para não obliterar meu mundo cerebral. Entre as “preciosidades” do conteúdo, afirma-se que até para os próprios “espíritas” Emmanuel é um “pseudosábio”. Não sei em qual fonte bebericaram para afirmação tão incoerente. A fundamental descrição de Emmanuel que faço é: ele nem enaltece, nem recrimina. Demonstra, conscientiza. É veemente, faz notar que os que se recuperam são incólumes aos horrores do amanhã. Por isso exorta-nos à reforma íntima. Nós que o interpretamos e consentimos venerá-lo, deixamos escapar um grito de

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conforto: "Sim, nós somos capazes! Isso é meio poético, mas é assim que sinto o Benfeitor Emmanuel. É evidente que para um Espírita consciente o assunto cheira a discussão estéril, sem lógica. Retrucá-lo pode ser perda de tempo, mas como estou aposentado vou utilizar um tempinho para escrever sobre essa doideira. Lembrando que terei o cuidado para não esbarrar na mesma faixa de sintonia. É risível o esforço dos confrades (reencarnações tupiniquins dos ex-científicos de século XIX) que consideram Emmanuel um pseudo-sábio. Quem consideram sábio? Afonso Angeli Torteroli? Ou eles mesmos? irrisão!! Escrevo para alertar os leitores, pois “conforme as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever, pois é melhor que um homem caia do que muitos sejam enganados e se tornem suas vítimas".(1). Esses irmãos, sob o guante de fértil imaginação e desnorteados no raciocínio, reverberam que o jovem “católico”, Chico Xavier, quando teve a visão mediúnica daquele que teria sido o Padre Manoel da Nóbrega, em pretérita encarnação, e que passou a ser identificado como Emmanuel, certificou-se de que este seria o seu Mentor Espiritual. Com isso, todo o processo mediúnico do extraordinário médium mineiro foi plasmado por um “misticismo católico”. (!?...) Destarte, os atuais idólatras de Torteroli aquele “científico” que abusava da resignação do “místico” Bezerra de Menezes, no século XIX, andam dizendo que por ter sido jesuíta Emmanuel impôs um viés catoliquizante no Movimento Espírita. Ora, se esses companheiros estudassem com inteligência os princípios espíritas identificariam que o Espiritismo não precisou se catoliquizar com as sublimes mensagens do grande arquiteto do catolicismo, o Doctor Gratia, Aurélio Agostinho, ex-bispo de Hipona, que ditou dezenas mensagens insertas no Pentateuco Kardeciano. O importante é a essência de suas orientações, que em nada ferem a Terceira Revelação; ao contrário, contribuem para clareá-la ao fulgor do Evangelho. "O Espiritismo é uma doutrina moral que fortalece os sentimentos religiosos em geral, e se aplica a todas as religiões; é de todas, e não pertence a nenhuma em particular. Por isso não aconselha ninguém que mude de religião.”(2) A rigor, o que está escamoteado na retórica desses aventureiros da ilusão, sob o tema “Emmanuelismo”, é, nada mais nada menos, o aspecto religioso da Doutrina Espírita sustentado dignamente no Brasil pela FEB e abrilhantado por Chico Xavier na prática mediúnica. Esses kardequeólogos “PhD’s de coisa nenhuma”, longe do uso do bom senso, insistem em divulgar a “progressista” tese de que se é preciso fugir do “Cristo Católico”, do religiosismo, do igrejismo no Espiritismo e

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transformá-lo numa academia de expoentes do “saber”, sob a batuta deles, obviamente! Isso só pode ser chacota! Sob o império dessa compulsiva tendência filosófica, vão para a internet, redigem livros, artigos, promovem palestras inócuas, aguilhoados às diretivas telepáticas das “inteligências” sombrias do Umbral. Mas, gostem ou não, queiram ou não, o Cristo é o modelo de virtudes para todos os homens. Tais confrades têm-se colocado como vítimas da pecha de afugentadores do Mestre Jesus das hostes doutrinárias. Trôpegos, cavalgam sem norte, suspirando a falácia de que peregrinam o calvário do xenofobismo contra eles. Talvez porque, numa entrevista cedida a confrades de Uberaba, Chico advertiu: "Se tirarem Jesus do Espiritismo, vira comédia. Se tirarem Religião do Espiritismo, vira um negócio. A Doutrina Espírita é ciência, filosofia e religião. Se tirarem a religião, o que é que fica? Jesus está na nossa vivência diária, porquanto em nossas dificuldades e provações, o primeiro nome de que nos lembramos, capaz de nos proporcionar alívio e reconforto, é JESUS."(3) Atacam, até, a figura do pioneirismo Olympio Teles de Menezes, alcunhando-o de espiritólico. As hordas das regiões densas são poderosas e se "organizam", uma vez que têm, como meta, a proscrição de Jesus dos estudos espíritas. Confrades esses, aprisionados por astutos cavaleiros das brumas umbralinas, atestam que Kardec escreveu o Evangelho para apaziguar os teólogos, tentando uma aproximação com a Igreja (pasme, acredite se quiser!). Ficam rubros de fúria quando lêem Kardec, que afirmou: "o Espiritismo é uma religião e nós nos ufanamos disso."(4) Além disso, o Espírito São Luís adverte que "os espíritos não vêm subverter a religião, como alguns o pretendem. Vêm, ao contrário, confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis. Daqui a algum tempo, muito maior será do que é hoje o número de pessoas sinceramente religiosas e crentes.".(5) O mestre lionês assevera com todas as letras de "espiritismo repousa sobre as bases fundamentais da religião e respeita todas as crenças; um de seus efeitos é incutir sentimentos religiosos nos que os não possuem, fortalecê-los nos que os tenham vacilantes.".(6) Para os arautos da anti-religião doutrinária, que afirmam ser "Jesus somente o emergir de um arquétipo plasmado no inconsciente coletivo" afirmamos que o Mestre da Galiléia foi a manifestação do amor de Deus, a personificação de sua bondade. Para o célebre pedagogo e gênio de Lyon, o Cristo foi "Espírito superior da ordem mais elevada, Messias, Espírito Puro, Enviado de Deus, é Diretor angélico do orbe e Síntese do amor divino".(7) Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Referências Bibliográficas: (1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 2000, cap. X, 20: 21 (2) Kardec, Allan. Revista Espírita, fevereiro de 1862 - Resposta dirigida aos Espíritas Lionenses por ocasião do Ano-Novo, Brasília: Edicel, 2001 (3) Entrevistas com Chico Xavier disponíveis em http://www.Espírito.org.br/portal/artigos/diversos/religiao/espiritismo-sem jesus.html http://www.meumundo.americaonline.com.br/eESPÍRITA/espiritismo_sem_jesus.ht m (4) Kardec, Allan. Revista Espírita, dezembro de 1868, discurso de Kardec em reunião pública realizada na noite de 01/11/1868, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Brasília: Edicel, 2001 (5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2002, perg. 1.010 (a), (6) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns RJ: Ed. FEB, 2000, Capítulo III, Do Método, Item 24, (7) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 1998, XV, item 2

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O “NADA” E A “SORTE” EXPLICAM O UNIVERSO? A cada desvendar científico sobre o infinito Cosmo, assinala-se a certeza de que o Universo oferece enigmas maiores e mais profundos sobre sua verdadeira essência, transtornando a inteligência acadêmica. Se analisarmos, com serenidade, a rica história da evolução da Física, descobriremos que já houve diversos momentos em que se imaginou ter ela (a pesquisa científica) se esgotado, ou seja, nada mais havendo que desvendar. No final do Século XIX, Kelvin, o Pai da Termodinâmica, foi peremptório na sua afirmação: "acabou!" Já se sabia como estudar o movimento, a eletricidade e o magnetismo, e ele acreditava que nada havia além daquilo que já se conhecia. Porém, logo depois descobriram o átomo, o elétron e, já no começo do século XX, Einstein desenvolveu a Teoria da Relatividade.(1) Atualmente, o misterioso bóson de Higgsm (2), tipo de partícula decisiva no estudo da física quântica, chamada de “partícula da criação”, ou “partícula de Deus”, que supostamente transformou matéria dispersa em estrelas e planetas nos primórdios do universo, continua incógnito para os cientistas. Alguns estudiosos acreditam que a emblemática "partícula” surja em 2012. O Grande Colisor de Hádrons (acelerador de partículas), um projeto de 10 bilhões de dólares, inaugurado em 2008, com o objetivo de "recriar" o Big Bang, a maior máquina construída da Terra, já realizou mais de 70 milhões de colisões de partículas, contudo nenhuma delas foi capaz de identificar o bóson de Higgs. A descoberta da "partícula de Deus" poderia completar os elementos essenciais do chamado Modelo Clássico da física, derivado da faina de Albert Einstein e seus herdeiros no começo do século 20, e que abriu caminho para a "nova física". Nesse norte quase metafísico da física os cientistas já conseguiram capturar átomos de antimatéria por mais de 16 minutos. A antimatéria é um dos grandes mistérios ainda não completamente explicados pelas teorias modernas da ciência. Por definição, a ant imatéria é idêntica à matéria, a não ser pelo fato de possuir carga oposta - por isso, as duas se aniquilam no momento em que entram em contato. A teoria atual indica que durante o Big Bang matéria e antimatéria teriam se formado em quantidades iguais. Se elas tivessem se aniquilado, nosso universo

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material não existiria. Então, o que ocorreu? Mistérios que a ciência não consegue responder. Será que descartando a existência de Deus o Universo explica o Universo? Irrisão! Há cientistas famosos que nem sob dor profunda se eximem da prepotência materialista e continuam negando a existência do Criador. É o caso do astrofísico Stephen William Hawking, considerado um dos mais brilhantes cientistas modernos, que afirmou não existir razão para evocar Deus a fim de explicar a criação do Universo. No livro de sua autoria intitulado Uma Breve História do Tempo, Stephen Hawking assegura que "há um modelo que descreve a origem do Universo. Isso significa que existe um conjunto de equações que descrevem seu surgimento, mas, essa não é a questão fundamental. O crucial é saber de onde vêm essas equações, de onde vêm as leis da Física, que ajudam a explicar o Universo.” Stephen reiterou sua opinião de que tudo se resume à sorte “sorte(?!)” O astrofísico declarou que a ciência prevê que muitos universos podem ser criados espontaneamente do nada - “nada”(?!), e que é questão de sorte “sorte”(?!) em qual deles estamos. Stephen, com 70 anos de idade, passou a maior parte da vida na iminência da desencarnação. Aos 20 anos foi diagnosticado com uma esclerose lateral amiotrófica, uma rara doença degenerativa que paralisa os músculos do corpo sem, no entanto, atingir as funções cerebrais, que o obrigou a utilizar uma cad eira de rodas e um aparelho para a fala. Mesmo sob o jugo da decomposição muscular, que poderia diminuir-lhe a morféia da vaidade, Stephen Hawking não aprendeu a apequenar-se sem perder altura, infelizmente! De caráter bisonho, infectado de insensata vaidade, encharcado por um endeusamento acadêmico, discorre sobre a “sorte” para explicar o Universo. É deplorável tanta criancice espiritual! Como nem todo pesquisador é néscio, vale citar um livro de significativa importância científica, intitulado A Partícula de Deus, publicado nos Estados Unidos, do físico Leon Lederman, ganhador do Prêmio Nobel, em 1988, defendendo a tese de que Deus existe e está na origem de todas as coisas. O desempenho de investigação do físico holandês, Willem B. Drees, autor do livro Além do Big Bang - Cosmologia Quântica e Deus - comprova com nitidez que há um empenho crescente pela investigação científica, fundamentado na certeza da existência de Deus. Na análise sobre o Criador do Universo, topamos com o atestado lógico e cientificamente provado sobre a Sua essência, quando concluímos que tudo aquilo que não é obra do homem, logicamente, tem que ser obra de Deus, consoante elucidam os Espíritos, há mais de 150 anos. O físico americano Paul Davies, no seu livro intitulado Deus e a Nova Física, afirma categoricamente que o Universo foi

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desenhado por uma inteligente consciência cósmica. E finalmente, para martírio do obtuso Stephen Hawking, queira ele ou não, Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. E ponto final! Jorge Hessen www.jorgehessen.net Nota: (1) Muitos historiadores e físicos atribuem a criação da famosa fórmula que explica a relação entre massa e energia ao físico italiano Olinto De Pretto, que, segundo especulações, desenvolveu a fórmula dois anos antes que Albert Einstein, e que teria previsto o seu uso para fins bélicos e catastróficos, como o desenvolvimento de bombas atômicas. Apesar disso, foi Einstein o primeiro a dar corpo à teoria, juntando os diversos fatos até então desconexos e os interpretando corretamente. (2) Homenagem ao nome do físico britânico Peter Higgs, que afirmou ser esse foi o agente que transformou em massa a matéria expelida pelo Big Bang há 13,7 bilhões de anos, permitindo assim o surgimento da vida material.

CONCISA EXPLANAÇÃO A PROPÓSITO DESSA TAL FELICIDADE O pesquisador inglês Richard Layard (1) escreve sobre a dificuldade que a ciência atual encontra para pronunciar-se a propósito da felicidade e de como obtêla. Para ele, “a "ciência acadêmica" é muito eficiente em lidar com as coisas físicas e com o controle da natureza. Mas o que se relaciona à "alma humana", ou ao "espírito humano", é muito diverso, pois para a ciência cartesiana, pessoas são resultados de processos ainda não completamente entendidos do cérebro, com corpos e comportamentos ditados por suas disposições genéticas, e tudo o que são, ou expressam, resulta de suas interações com o ambiente e de seus próprios arranjos ou desarranjos biológicos.” (2) Desde a década de 80 do século XX há uma chamada "ciência da felicidade", e alguns pesquisadores, ainda no universo do paradigma oficial utilitarista, estão tentando criar um índice econométrico, a tal “Felicidade Interna Bruta”, capaz de

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medir o nível de felicidade dos cidadãos de um país. Os estudos apontam, por exemplo, que a riqueza não consolida a felicidade das pessoas no mundo desenvolvido. “Defender um crescimento econômico contínuo não é o mesmo que ter como objetivo uma sociedade mais feliz.” (3) Alguns acadêmicos "descobriram" que a felicidade é uma obra coletiva e, como tal, ela se fundamenta muito mais nas relações que temos com as outras pessoas do que nas relações que temos com os bens e utensílios que utilizamos no nosso dia-adia. Para Layard: "há um lado profundamente egoísta na nossa natureza, mas é o trabalho de cultura apoiar o nosso altruísmo natural contra o nosso egoísmo natural.” (4) Um dos conceitos básicos da Revolução Francesa, marco da moderna sociedade ocidental, é que o objetivo da sociedade deveria ser a felicidade geral. Na Constituição americana, já na segunda linha está escrito que todo homem tem o direito inalienável à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Historicamente, a felicidade - expressão por excelência do espírito humano - foi o objeto de discussão das propostas filosóficas. Na Grécia, por exemplo, Epicuro procurou demonstrar que a sabedoria era a chave da felicidade. Antes dele, Diógenes, "O Cínico", estabelecia que o homem deveria desdenhar todas as leis, exceto as da Natureza, vivendo de acordo com a própria consciência e com total desprezo pelas convenções humanas e sociais. Há 2.400 anos, Sócrates, considerado o pai da ciência moral, em sua dialética, a expressar-se não raro de forma irônica, combatia os males que os homens fomentam para gozarem de benefícios imediatos, objetivando, com essa atitude de reta conduta, o bem geral, a felicidade comunitária. A idéia socrática expõe um debate que permanece até hoje: o que é felicidade? Como atingi-la? Até então, os gregos acreditavam que dependiam basicamente dos desígnios dos deuses. Outro problema no estudo da felicidade é que o termo não comporta definições precisas. É bem-estar? É satisfação? É êxtase? É a serenidade da contemplação? O conceito de felicidade é incerto. Modifica-se de acordo com a ocasião e a concepção social, econômica e espiritual de cada um. Pode se expressar, momentaneamente, em uma viagem, na saúde, numa festa de aniversário, na companhia de um amigo e noutras situações. Mas, será que "pode o homem gozar de completa felicidade na Terra? Os Espíritos afirmam que "não! Por isso que a vida nos foi dada como prova ou expiação. “Depende de cada um a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra.” (5) Não podemos esquecer que a Terra é um mundo atrasado sob o ponto de vista moral. Por isso, a felicidade total não se encontra aqui no orbe, todavia em mundos mais evoluídos. Em nosso planeta, a felicidade é relativa, conforme encontramos descrito no item 20 do capítulo V de "O Evangelho segundo o Espiritismo”. (6)

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Confundir felicidade com cobiça e bel-prazer é uma distorção proposta inicialmente pelo epicurismo, pelo cinismo, pelo estoicismo. (7) Ainda hoje, acredita-se que a felicidade está na satisfação da vaidade e dos desejos. Por isso, são tão valorizados e idolatrados o silicone, o botox, a roupa de grife, a plástica estética e o carrão zerado. O mundo exige que as pessoas estejam permanentemente “bonitas”, “alegres” e, por isso, ele se tornou o paraíso das drogas e do Prozac. Muitas mulheres fazem análise justamente porque são muito bonitas e têm dificuldade de lidar com a beleza. Em uma sociedade feliz, onde o homem fosse consciente da vontade de Deus, isto é, da prática do bem, não haveria violência, drogas, sequestros, prostituição, poligamia, traição, inveja, racismo, inimizades, tristeza, fome, ganância e guerras; e mais, não encontraríamos pessoas perambulando pelas ruas, embriagadas, sujas, cabelos desgrenhados, roupas ensebadas, catando coisas no lixo ou esmolando, em razão de quedas morais. As teorias atuais sobre o bem-estar em Psicologia e Economia deixam ainda a desejar. Urge que novas propostas teóricas interpretem a felicidade em termos de valores mais duradouros. Astrólogos, quiromantes, místicos e embusteiros de toda sorte também enriquecem às custas da ingenuidade alheia, fomentando a ilusão de uma fórmula mágica para a prosperidade. A felicidade não é resultante de privilégios biogenéticos (cerebrais) e de personalidade, nem mesmo pode ser adquirida pela obtenção de um bem de consumo. Cremos que a felicidade depende, exclusivamente, de cada criatura. Esguicha da sua intimidade, depende de seu interior, como instruiu o Mestre dos Mestres: "o reino dos céus está dentro de vós.”.(8) A legítima felicidade reside na conquista dos tesouros imperecíveis da alma. Estabelecendo, conforme o Eclesiastes, que a verdadeira "felicidade não é deste mundo”,(9) Jesus preconizou que o homem deve viver no mundo sem pertencer ao mundo, facultando-lhe o autodescobrimento para superar o instinto e sublimá-lo com as conquistas da razão, a fim de planar nas asas da angelitude. A felicidade se expressa no bem que se faz ao próximo. Quando o "eu" egoísta de cada ser tiver cedido lugar ao amor pelo seu semelhante, iremos presenciar uma comunidade equilibrada, harmônica e feliz z. O Espiritismo nos dá suporte moral e outras diversas motivações, revelando-nos a imortalidade, a reencarnação e a lei de causa e efeito. Explica-nos que a felicidade é possível e que se constrói no dia-a-dia pelo esforço continuado, fortalecendo-nos para a luta contra as nossas tendências inferiores. Aprendamos a notar o mundo pelo prisma do espírito e sejamos felizes, compreendendo a vida como um dom de Deus.

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Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências: (1) Richard Layard, renomado economista britânico e que integra a Câmara dos Lordes é diretor do Centre of Economic Performance da London School of Economics. (2) Disponível em acesso em 25/07/11. (3) idem. (4) idem. (5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2000, perg. 920. (6) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed FEB, 2003, item 20, Cap. V (7) Primeiras escolas de filosofia gregas a pensar a moral de forma individual. (8) [6] (Lucas 17:20-21) (9) (Eclesiastes 6:1-5)

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ABORTO, UMA PRÁTICA IMPIEDOSA Os matadouros de bebês estão espalhados na sociedade (clínicas clandestinas) como hediondos balcões de trucidamento de nenéns. Seus donos estão endinheirados na Terra, no entanto indigentes ante o Código Divino. Entre 1995 e 2007, “a curetagem depois do procedimento de aborto foi a cirurgia mais realizada pelo SUS: 3,1 milhões de registros, contra 1,8 milhão de cirurgias de correção de hérnia.”(1) Isso significa um trágico impacto na saúde pública de nosso país. In existe lei atual que identifique de imediato o abominável aborto realizado nos redutos domésticos. A taxa de interrupção de gravidez supera a taxa de nascimento. Por essas e outras o Brasil ostenta o calamitoso título de campeão mundial da prática abortista. Nesse dantesco cenário brotam grupos dispostos a convalidar o aborto, torná-lo simples, acessível, asseado, juridicamente adequado. Todavia, não nos enganemos, o aborto ilegal ou legalizado ad æternum (para todo o sempre) será um CRIME perante as Leis de Deus! Menos mal “o número de brasileiros que acham a prática do aborto muito grave aumentou de 61% para 71% e que, atualmente, apenas 3% dos brasileiros consideram o aborto moralmente aceitável.”(2) Descriminalizar o aborto, sob quaisquer conjunturas, é e sempre será um significativo marco de estagnação espiritual na história do homem. Será que todos os obstetras estariam disponíveis à prática abortiva? Será possível, no âmbito da ética médica, conciliar uma medicina que propõe valorizar a vida com uma medicina homicida? Não nos ludibriemos, a medicina que executa o aborto nos países que já legitimaram o trucidamento do bebê no ventre materno é uma medicina criminosa. Não há lei na terra que abrande essa situação ante a Lei de Deus. Somente num caso a Doutrina Espírita admite o aborto: quando a gestação coloca em risco a vida da gestante; pois disseram os Espíritos a Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, questão 359, que é preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe. No caso específico de uma mulher ser violentada sexualmente redundando na gravidez, mas não se sinta com estrutura psicológica para criar o filho, entendemos

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que a legislação precisaria promover e instigar a adoção do ser que nasce nessas circunstâncias, ao invés de agenciar o seu extermínio legal. O Espiritismo recomenda à mãe [violentada] levar adiante a gravidez e até mesmo a criação daquele rebento, suplantando o traumatismo do abuso sofrido, porque o Espírito reencarnante terá, provavelmente, um endividamento passado com a progenitora. As Leis naturais atuam inexoravelmente sobre os que alucinadamente provocam o aborto. Fixam essas leis no tribunal das próprias consciências culpadas os tenebrosos processos de resgate que podem conduzir a dolorosas moléstias, como a metrite, o vaginismo, a metralgia, o enfarte uterino ou a tumoração cancerosa, agora ou mais tarde. É imperioso também reconhecermos nos abortos delituosos um dos grandes determinantes das enfermidades de etiologia obscura e das obsessões arroláveis na patologia da mente (esquizofrenias), atravancando amplos setores de casas de saúde e presídios. Não espalhamos aqui recriminação àqueles que jazem submersos no corredor tenebroso do desacerto já consumado, até para que não caiam na sarjeta profunda da desesperança. Apregoamos opiniões, cujo intuito é iluminá-los com o farol do esclarecimento, para que divisem mais adiante, elegendo por trabalhar em prol dos necessitados e, sobretudo, numa demonstração inconteste de amor ao próximo, acolhendo filhos abandonados que, hoje em dia, aglomeram-se nos orfanatos. Se já erramos, jamais esqueçamos que cometer erro é aprender. Todavia, ao invés de nos atermos à contrição, necessitamos consagrar a experiência como uma adequada ocasião para discernimento futuro. A Lei de Deus não é caolha e nos seus dispositivos há espaços para reparações, proporcionando ensejo interminável para que todos possamos penitenciar-nos dos enganos cometidos. “É urgente abandonar o culto ao remorso imobilizador, a culpa autodestrutiva e a ilusória busca de amparo na legislação humana, procurando a reparação, mediante reelaboração do conteúdo traumático e novo direcionamento na ação comportamental, o que promoverá a liberação da consciência através do trabalho no bem, da prática da caridade e da dedicação ao próximo necessitado, capazes de edificar a vida em todas as suas dimensões.”(3) Atuando assim, desviamo-nos de todas as sequelas melancólicas que o aborto desencadeia, ainda que acobertado por uma legalização ilusória. Certo é que “o amor cobre a multidão de pecados.”(4) Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Referências: (1) Pesquisa do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo. (2) Publicado no Jornal Folha de São Paulo, de 07/10/2007. (3) O Aborto na visão Espírita, publicado na Revista Reformador, disponível em acesso em 21/07/2011. (4) Pedro, I Epístola, 4:8

LUTO E INTERNET, UMA REFLEXÃO ESPÍRITA-CRISTÃ Quase tudo que há alguns anos era armazenado em meio físico é agora arquivado em computadores, sejam os e.mails (substitutos das tradicionais cartas), fotos, vídeos ou outros tipos que talvez nem existissem sem a web. Atualmente é natural possuirmos uma “identidade” na internet – um perfil no twitter, no facebook, no buzz ou no blog. Um fenômeno intrigante tem surgido nesse ambiente virtual: a homenagem póstuma, ou seja, uma maneira de reconhecimento e congratulação realizada posteriormente à morte de um internauta. Alguns murais do mundo internético têm-se transformado em memoriais aos finados. Escrevem-se mensagens de condolências para a família. Os comentários quase sempre são simples. Destaque-se que para alguns parentes de falecidos da rede são muito positivas as manifestações de carinho, por se tratar de um lugar que para “sempre” vai ser do extinto. Há quem compare esses avisos como visitas ao cemitério. Crêem ser muito bom o túmulo ser assim, um lugar virtual onde o desencarnado já esteve e deixou um pouco de sua essência. Surgiu um ponto curioso: quando desencarnarmos, quem atualizará nossos dados? Que novos elementos seriam esses? Será que nossa “identidade virtual” permanecerá congelada em um onipresente sem futuro? Há quem afirme que existem hoje mais de 5 milhões de falecidos na rede social. O que advém com o espólio digital depois que um internauta desencarna? Será que os dados (perfis) deles, mantidos nas redes sociais da internet, podem alterar o luto dos parentes?

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Para alguns estudiosos, a permanência na internet de uma parte da identidade virtual da pessoa morta altera um pouco a forma como lidamos com a morte. As funcionalidades das redes sociais ganham outros significados: um espaço para troca de mensagens e links vira um espaço de homenagens póstumas e até de conversas transcendentais. O luto (1), seja ele virtual ou real, pode variar muito dependendo das pessoas, do tipo de morte e da cultura, mas que o caminho mais comum é entender que a pessoa partiu e redefinir a vida com a ausência do ente querido. Uma das teorias mais consagradas para elucidar a reação humana durante o luto é a dos “cinco estágios”, desenvolvida pela psiquiatra suíça e reencarnacionista Elizabeth Kübler-Ross, em 1969. Segundo Kübler-Ross, até superar uma perda, as pessoas enlutadas passam por fases sucessivas de negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Essa teoria entrou até para a cultura popular. Foi tema de um episódio recente do seriado americano Grey’s anatomy e serviu como conteúdo ilustrativo para demonstrar o funcionamento do novo aparelho da Apple, o iPad. Talvez, em razão da imponderável vida virtual, os recentes estudos sinalizam que há outras maneiras de lidar com a “partida” de quem amamos. Cerca de 50% das pessoas lidam muito bem com a “perda” e volta à vida normal em semanas. Apenas 15 % de enlutados desenvolvem graves dificuldades que afetam a convivência social, possivelmente porque o “aceitar perdas”, especialmente aquelas referentes aos sentimentos é enormemente complexo e trabalhoso para tais pessoas. Se o luto não é essencialmente tão insuportável quanto se concebia e se a maior parte dos enlutados conseguem suplantar bem uma “perda”, por que razão algumas pessoas não conseguem superar o trauma? Pois os 15% atravessam anos sobrevivendo como nos primeiros e mais complicados períodos do luto. Essas pessoas não conseguem retomar a vida. Cultuam a dor, em uma espécie de luto crônico, chamado pelos psiquiatras de “luto patológico” ou “luto complicado”. Nas mortes traumáticas, como acidente, suicídio, assassinato, pode haver uma fase de negação mais prolongada; a culpa e a revolta podem aparecer com mais intensidade. Transportando o sentimento para a família, o luto pode provocar uma grave crise doméstica, pois exige a tarefa de renúncia, de excluir e incluir novos papéis na cena familiar. Percebe-se então que existe aí uma confusão, pois essa crise pode estancar o desenvolvimento dos parentes, fator que pode definir o processo de um luto crônico coletivo. Sigmund Freud, em “Luto e Melancolia”, nos remete para ponderações razoáveis sobre o desencadear patológico da “perda” afetiva pela desencarnação. Entre outras teses, o pai da psicanálise assegura que o luto é a resposta emocional benéfica, adequada para a ocorrência da “perda”, já que há necessidade do enlutado de

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reconhecer a morte como evento, como realidade que se apresenta e que, naturalmente, suscita constrangimento. O luto nos coloca diante do fato, nos oferece condições de obter dentro de nós mesmos esse impulso frente ao que nos origina ansiedade; ele é, consequentemente, uma maneira de reorganização psíquica. Freud afiança que na melancolia o enlutado identifica-se com o morto e, ao deparar com essa “perda”, a pessoa entende que parte dela também está indo; há uma identificação patológica com o “de cujus”. Vemos então que no enlutamento melancólico há o que Freud chama de estado psicótico, em que o ego não suporta essa ruptura e adoece gravemente. Para nós espíritas, a morte tem outro significado, sobretudo para os que aqui permanecem. Temos consciência da imortalidade, da vida além-túmulo. Allan Kardec nos remete a Jesus, e com o Meigo Rabi certificamos que o fenômeno da morte é totalmente diferente. “No túmulo de Jesus não há sinal de cinzas humanas. Nem pedrarias, nem mármores luxuosos com frases que indiquem ali a presença de alguém. Quando os apóstolos visitaram o sepulcro, na gloriosa manhã da Ressurreição, não havia aí nem luto nem tristeza. Lá encontraram um mensageiro do reino espiritual que lhes afirmou: não está aqui. Os séculos se esvaíram e o “túmulo [de Jesus] continua aberto e vazio, há mais de dois mil anos” (2) Seguindo, pois, com o Cristo, através da luta de cada dia, jamais encontraremos a angústia do luto por causa da morte de pessoa amada, e sim a vida incessante. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referencias: (1) Luto [do latim luctu] – 1. Sentimento de pesar ou de dor pela morte de alguém. 2. A exteriorização do referido sentimento ou o tempo de sua duração. 3. Consternação, tristeza. (2) Xavier, Francisco Cândido. Alvorada Cristã, cap. 1, ditada pelo Espírito Neio Lucio, Rio d e Janeiro: Ed. FEB, 1991

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O ESPIRITISMO E A FAMÍLIA CONTEMPORÂNEA, DESAFIOS E REFLEXÕES Estamos na era da alienação, do estar sozinho e das uniões frágeis, e isso tem facilitado a desestrutura da família. Vivemos dominados por um grave fenômeno: o alheamento em massa. Nessa circunstância as pessoas são estranhamente alheias aos fenômenos hodiernos que as cercam; são bloqueadas mentalmente de maior reflexão ou sensibilidade social; consideram dispensável qualquer tipo de exercício mental ou espiritual; alegram-se em direcionar todos os empenhos de suas vidas ao lazer, prazer e divertimento. Vivem o fenômeno da substituição do Ser pelo Ter. A necessidade de espiritualização está sendo sobrepujada pelo vício em diversão. Entretenimentos que giram quase sempre em torno de erotismos e violências. Quando os valores cristãos perdem significado, aguçamos o egoísmo e esfacelamos a felicidade. A família vem-se transformando através dos tempos, acompanhando as mudanças religiosas, econômicas e sócio-culturais do contexto em que se encontram inseridas. Presentemente há novas formas de relacionamentos afetivos tornando muito complexa a acepção para o termo família. Entre o namoro, o noivado e o casamento há inúmeras probabilidades de relacionamento que nem sequer constam no dicionário. Existem famílias com uma estrutura de pais únicos ou monoparental, tratando-se de uma variação da estrutura nuclear tradicional devido a fenômenos sociais, como o divórcio, óbito, abandono de lar, relações extraconjugais ou adoção de crianças por uma só pessoa. Existem também as denominadas de famílias alternativas, sendo elas as famílias comunitárias e as famílias homossexuais. Neste último caso, existe uma ligação homoafetiva que pode incluir crianças adotadas ou filhos biológicos de um ou ambos os parceiros. Historicamente, o casamento começou a receber atenção na Roma antiga, onde se achava perfeitamente organizado. Inicialmente havia a confarreatio, casamento da classe patrícia, correspondendo ao casamento religioso. O termo “família” é derivado do latim famulus, que significa “escravo doméstico”. Este termo foi criado na Roma Antiga para designar um novo grupo social que surgiu entre as tribos

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latinas, ao serem introduzidas à agricultura e também escravidão legalizada. No direito romano clássico a "família natural" é baseada no casamento e no vínculo de sangue, constituído apenas dos cônjuges e de seus filhos, tendo por base o casamento e as relações jurídicas dele resultantes. Com a queda do império romano e o surgimento da era medieval, a família é desfigurada, instante em que os filhos são entregues à Igreja e ao senhor feudal, combalindo por séculos o caminhar da humanidade. “Aos enciclopedistas foi reservada a grandiosa missão de, em estabelecendo os códigos dos direitos humanos, reestruturarem a família em bases de respeito para a felicidade das criaturas. (1) Com a Revolução Industrial, tornaram-se freqüentes os movimentos migratórios para cidades maiores, construídas em redor dos complexos industriais. Essas mudanças demográficas originaram o estreitamento dos laços familiares e as pequenas famílias, num cenário similar ao que existe hoje em dia. Com a Revolução Francesa surgiram no Ocidente os casamentos laicos (só no civil). Sobre isso, rememoremos que o casamento não é avesso à lei da natureza; ao oposto disso: “é um progresso na marcha da humanidade.” (2) O homem é um ser social, monogâmico por natureza, geralmente somente se realiza quando compartilha necessidades e aspirações na conjuntura elevada do lar. Mas o que é lar? Não pode ser configurado como a construção material, para abrigar os que aí residem, isto porque o concreto, os tijolos, o teto, os alicerces e os móveis são a residência. O lar, todavia, são a renúncia e a dedicação, o silêncio e o zelo que se admitem àqueles que se atrelam pelo grupo familiar. E a família, mais do que o resultante consangüíneo, são os ideais, os sonhos, as lutas, os sofrimentos e as tradições morais elevadas. Atualmente paira grande ameaça sobre a estabilidade familiar, e quando a família é ameaçada, por qualquer razão, a sociedade perde a direção da paz. A dialética materialista, os hodiernos conceitos e promoções sensualistas, têm investido contra a organização familiar, dilacerando o matrimônio (monogamia) e sugerindo o amor livre (poligamia promíscua). “O maior número de casais humanos é constituído de verdadeiros forçados, sob algemas.” (3) “Na família, quando um dos cônjuges se transvia para uma relação extraconjugal, a tarefa é de luta e lágrimas penosas; porém, ainda assim, segundo Emmanuel, “no sacrifício, toda alma (vítima) se santifica e se ilumina.”(4) Advirtase que o Espiritismo esclarece aos aventureiros que “não escapará das equações infelizes dos compromissos sentimentais, injustamente menosprezados e que invariavelmente resgatará em tempo hábil, parcela a parcela, pela contabilidade dos princípios de causa e efeito.”(5)

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Alguns autores classificam os casamentos como: “acidentais (por efeito de atração momentânea, precipitada e sem qualquer ascendente espiritual); provacionais (reencontro de almas para reajustes); sacrificiais (reencontro de almas iluminadas com almas inferiorizadas, com o objetivo de redimi-las); afins (reencontros de almas amigas); transcendentes (reencontro de almas que se buscam para realizações imortais).” (6) Nesse contexto, urge aprimorar os contatos diretos e indiretos com os pais, irmãos, tios, primos, avós e demais parentes, a fim de que a vida não venha nos cobrar novas e mais enérgicas experiências em encarnações próximas. Até porque a família é a célula-mãe da sociedade, e qual seria, para a vida social, “o resultado do relaxamento dos laços familiares, senão o agravamento do egoísmo?” (7) Alguns dados mostram um aumento do número de separações e uma queda acentuada do número de registros de casamentos. A explicação pode ser a inserção maciça de mulheres no mercado de trabalho, proporcionando-lhes maior independência, sob todos os aspectos. Ela, a mulher, deve conciliar o papel de mãe e esposa, por vezes, deixado um pouco de lado. Todo grupo familiar necessita de apoio religioso (evangelho) para alcançar seu equilíbrio moral. Não se deve permitir que a competição do casal, as buscas do status, do dinheiro e dos destaques sociais roubem o equilíbrio que a felicidade da família requer. Como se não bastassem tantos óbices, há muitas famílias vivendo agressividades múltiplas, influenciadas pela televisão, em face da violência que é diariamente veiculada pelos noticiários, pelos documentários, pelos filmes, pelas torpes telenovelas e pelos programas de auditório (cada vez mais obscuros de valores éticos). Familiares assimilam, subliminarmente, essas informações e, no quotidiano, reagem, violentamente, diante dos desafios da vida ou perante as contrariedades corriqueiras. Há os que vêem no cônjuge um verdadeiro teste de paciência, pois os seus santos não se cruzam. Mas a família é a base dos reflexos agradáveis ou desagradáveis que o passado nos devolve. E não é demais lembrar que o lar não existe para a contemplação egoística da espécie, porém, “para santuário onde, por vezes, exigemse a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira.”(8) Sobre a educação dos filhos, recordemos que os pais espíritas “devem conduzir energicamente os filhos para a evangelização espírita, pois, qualquer indiferença nesse particular, pode conduzir a criança aos prejuízos religiosos de outrem, ao apego do convencionalismo, e à ausência de amor à verdade.” (9) Desde os primeiros anos, devemos ensinar os filhos a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhes as atitudes, pois que essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida.

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Coincidentemente, ou não, os jovens mais agressivos são aqueles que tiveram extrema liberdade na infância e foram pouco estimados pelos pais, sentiram-se rejeitados no grupo familiar ou se consideraram pouco atraentes (baixa autoestima). Mas quando os filhos são rebeldes e incorrigíveis, impermeáveis a todos os processos educativos, como devemos educá-los? Ora, “depois de movimentarmos todos os processos de amor e de energia no trabalho de orientação educativa é justo que sem descontinuidade da dedicação e do sacrifício, esperemos a manifestação da providência divina para o esclarecimento dos filhos incorrigíveis, compreendendo que essa manifestação deve chegar através de dores e de provas acerbas, de modo a semear-lhes (nos filhos), com êxito, o campo da compreensão e do sentimento.” (10) A dor tem possibilidades desconhecidas para penetrar os espíritos, onde a linfa do amor não conseguiu brotar. Em certas circunstâncias da vida, faz-se mister que estejamos revestidos de suprema resignação, “reconhecendo no sofrimento que persegue nossos filhos a manifestação de uma bondade superior, cujo buril oculto, constituído por sofrimentos, remodela e aperfeiçoa com vistas ao futuro espiritual.”(11) No grupo familiar temos os vínculos de ascensão e exultação que já conseguimos tecer, por intercessão do amor vivido, mas também temos “as algemas de constrangimento e aversão, nas quais recolhemos, de volta, os clichês inquietantes que nós mesmos plasmamos na memória do destino e que necessitamos desfazer, à custa de trabalho e sacrifício, paciência e humildade, recursos novos com que faremos nova produção de reflexos espirituais, suscetíveis de anular os efeitos de nossa conduta anterior, conturbada e infeliz.” (12) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências Bibliográficas (1) Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas, ditado pelo espírito de Joanna de Angelis, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1970. (2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB perg. 695. (3) Xavier, Francisco Cândido. Nosso Lar, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro; Ed. FEB, 2008, cap. 20. (4) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro; Ed. FEB, 2000, perg. 14. (5) Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro; Ed. FEB, 2000, cap. 15 (6) Peralva, Martins. Estudando a Mediunidade, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1989

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(7) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB perg. 775 (8) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro; Ed. FEB, 2000, perg. 113. (9) Idem perg. 17. (10) Idem perg. 190. (11) Idem perg.191. (12) Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed; FEB, 1971, cap. 12.

O ESPIRITISMO VEIO PARA DIALOGAR COM O POVO OU NÃO? Alguns poucos confrades que conhecemos não acham os livros espíritas caros. Dizem que por trás dos livros há um trabalho de elaboração que é feito pela espiritualidade e pelo médium quando da criação da obra, que, em seguida, tem de chegar ao leitor (que pode pagar, obviamente!). Esses partidários dos preços altos para livros espíritas tentam explicar que o livro surge através de gráficas, que têm necessidades urgentes como faturamentos para pagamentos de funcionários, material, manutenção e ampliação do parque gráfico; das livrarias que, como as gráficas, têm as suas necessidades semelhantes; dos centros espíritas que nem sempre se mantêm com as doações de seus associados e outras justificativas (impostas pelo sistema materialista). Logicamente, dos arrazoados sobre o lucro não podemos discordar, mas qual lucro se visa atualmente? Há pessoas astutas e oportunistas ganhando muito dinheiro vendendo “espiritismo” de todas as formas possíveis e imagináveis (sobretudo pela internet). Claro, alguns com interesse meramente pessoal. Vender livros espíritas a preços inacessíveis aos leitores pobres é uma violência moral contra o povo. Em época de Internet, e-book, iPad etc. etc. etc. Todavia, continua-se explorando os espíritas carentes, desempregados e a população pobre. Há aqueles que estão sedentos para PROIBIR a possibilidade de se baixar livros pela Internet. Algumas lideranças só pensam em lucro, em cifrões, em engendrar formas para tirar algum dinheiro dos espíritas. Até quando tais lideranças espíritas

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não terão a coragem de oferecer, sem maiores entraves materiais e financeiros, as verdades do Cristo aos corações aflitos e sedentos de conhecimento? Nossa pugna pela Internet propõe possibilitar que as pessoas tenham acesso aos livros espíritas através da intensa divulgação que promovemos atualmente pelas vias virtuais, sem peso na consciência... Divulguemos a idéia da leitura pela rede mundial de computadores. Simples, fácil e custo zero. Basta apenas um computador em casa, uma lan house ou outros locais democratizados onde a mensagem e os livros possam chegar a qualquer pessoa, a qualquer hora. É lamentável que os diretores de algumas instituições "que lideram o movimento espírita" (com raras exceções) queiram tirar os recursos financeiros dos bolsos dos espíritas, esquecendo-se dos mais carentes (se tirassem dinheiro dos que podem pagar seria razoável). Como se não bastasse, ainda há as promoções de eventos excludentes (seminários, congressos, simpósios, encontros “fraternos”), onerosos, caros, soberbos, luxuosos, destinados, claro! Para a elite aquinhoada. Entronizam-se shows de oratória retumbantes, com palestras repetidas e desnecessárias sob todos os pontos de vista, e ainda assim permanecem sob o guante do “canto de sereia” para arrecadar muito recurso financeiro dos outros como estivessem divulgando Espiritismo. Não estão!... Ouço insistentemente nos diversos centros que frequento sobre práticas consideradas dispensáveis para a boa difusão do Espiritismo. Visitei várias localidades onde alguns divulgadores famosos são tidos como "mascates ambulantes do Espiritismo", porque agenciam oferta e venda livros, CDs e DVDs após suas “falas espetacularizadas” pelos rincões brasileiros em nome do “assistencialismo”. Essa escola (modelo) que ganhou fôlego após a desencarnação do Chico Xavier é, para mim, a deteriorização da proposta espírita destinada a todos, ao alcance de todos. Já escrevemos (várias vezes) sobre isso. Prestemos muita atenção na entrevista que o Chico Xavier concedeu ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, veiculada no Livro “Encontro no Tempo”, organizado por Hércio M.C. Arantes e publicado pela Editora IDE em 1979. O amoroso Chico Xavier advertiu que "é preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e delas nos aproximemos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...)”.

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Quando escrevemos o artigo “INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS "GRANDIOSOS"", o ex-reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora, e escritor espírita, José Passini, afirmou: “Seu artigo, Jorge Hessen, deveria ser eternizado em placa de bronze e distribuído às instituições espíritas. Você acertou em cheio no monstro que desgraçadamente cresce em nosso meio.” Talvez a espiritualidade, consciente dos despropósitos sobre a desprezível ELITIZAÇÃO DO ESPIRITISMO esteja de alguma forma nos alertando para um tempo de profundas mudanças. Que e seja assim! É muito triste testemunhar tudo isso sem utilizar a ferramenta da indignação, no caso a voz (escrita) e recomendar mudanças, nunca em nível pessoal, mas no campo das idéias. Sobre isso, faço a minha parte sem machucar minha consciência, graças a Deus! Vamos dar um basta ao elitismo doutrinário. Ou o Espiritismo chega à massa dos invisíveis de cá, dos deserdados, ou perderá o foco e não terá mais sentido falar do Evangelho de Jesus através da Doutrina codificada por Allan Kardec. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

ABSOLVIÇÃO ANULADA (*) Sem tangermos para a intransigência, discordamos com tranqüila convicção das teses apresentadas pelo assistente de acusação do Tribunal de Justiça do estado de Mato Grosso do Sul, sobre o caso veiculado na revista VISÃO de 25 de dezembro de 1985. Inferimos não ser em defesa da máquina judiciária que se impetrou recurso de anulação quanto à decisão que absolveu o senhor João Francisco Marcondes Fernandes, acatando o Tribunal do Júri, como prova, o depoimento da própria vítima (Gleide Maria Dutra), psicografado pelo médium mineiro Francisco Cândido Xavier, que na oportunidade inocentava o réu; porém, sim, o indireto, portanto, intencional ataque ao Espiritismo. Quem somos nós, criaturas pretensamente investidas de sabedoria, para invalidarmos uma mensagem provinda do além através da mediunidade ímpar de

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Chico Xavier?... Óbvio que os juristas não têm a obrigatoriedade de aceitar os princípios kardecianos, contudo, o que não se justifica sob qualquer hipótese é a flagrante tendência de pessoas leigas arremessarem ao Espiritismo condenações “sutis”, visando descaracterizar a força de uma doutrina desenfaixada de sectarismos, ritualismos e abomináveis hierarquias injustificáveis ou quaisquer outros “ismos” da crendice popular. Pelas nossas informações, o fato acontecido no dia 27 de junho de 1985, no Tribunal do Júri de Campo Grande, com absolvição de João Francisco (aceita unanimente pelo corpo de jurados com o depoimento da vítima), não acontece tão amiudemente. Salvo prováveis equívocos, aquela teria sido a terceira vez que um Tribunal de Júri acolhe e aceita um depoimento de vítimas desencarnadas. Anteriormente a esse fato, temos notícia da carta recebida (ia mediunidade de Chico Xavier) cuja autoria é do jovem Maurício Garcez Henrique (espírito), inocentando o amigo que involuntariamente o baleou mortalmente, na cidade de Goiânia, e também, da carta mediúnica do deputado Heitor Cavalcante de Alencar Furtado, isentando de culpa o policial que o baleou “Branquinho” (Aparecido Andrade Branco). Não cremos que as psicografias inocentando os réus em questão vieram ao mundo casual e fortuitamente. Temos a certeza de que Chico Xavier não intencionava ser veículo de intercessão medianímica a favor de quem quer que fosse em um processo criminal. Situamo-nos na condição de conceber, nos casos, a excelsa misericórdia de Deus, doando ao homem a oportunidade de visualizar a vida além dos sentidos físicos ou na imortalidade. Em perfeito domínio de consciência, como encararmos a questão ora expressa? Deixarmos que passe simplesmente despercebido, ou, contrariamente, tirarmos preciosa ilações para um amadurecido posicionamento? Consoante as prerrogativas de liberdade de expressão que a todos interessa, cremos ser de uma fantástica dimensão a abordagem do tema nos veículos de divulgação doutrinária. Não partilhamos de opinião formada no caso comentado, isso por desconhecer maiores detalhamentos do acontecido em 1 de maio de 1980, muito embora acate em sua integralidade a mensagem de Gleide inocentando João Francisco, isso já é o bastante! Por outro lado, intentamos mostrar aos leitores que o mundo ainda rejeita bastante o Espiritismo. Os inquisidores modernos que se escondem nas roupagens de superfície da sociedade atual, procuram detratar e escarnecer aos profitentes espíritas, mas, atentemos a um fator: - ainda que neste episódio a Doutrina Espírita seja alvo de indébitas acusações e não representar nada para certos juristas, lembremos que Jesus, tanto para os seguidores e perseguidores, na visão imediatista teria sido o grande derrotado no ignominioso

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madeiro, no Calvário; entretanto, a Verdade que Ele nos legou é eterna, tão eterna quanto os fatos espíritas. Queiram ou não os homens; sirva ou não de prova uma mensagem mediúnica para qualquer egrégio tribunal de Justiça, o que efetivamente nos arrebata a Deus serena e convictamente são as comunicações cada vez mais ostensivas dos Espíritos com os encarnados, para resgatá-los dos cativeiros das concepções dogmáticas das religiões literalistas nesta transformação social dos dias que passam. Anule-se como prova um depoimento do além-túmulo! Que sejam impetrados milhões de recursos rejeitando uma mensagem mediúnica inocentando um réu; entretanto, não será lícito esquecermos que na intimidade da consciência de João Francisco paira a serenidade de sua inocência defendida por Gleide (a “vítima”), muito embora não sendo percebida por essa justiça “academicista” demasiadamente míope para as coisas essenciais da vida, que é regida pelas magnânimas leis de Deus. Jorge Hessen http://jorgehessen.net (*) Publicado no livro Luz na Mente de autoria de Jorge Hessen, Distrito Federal: editora Edicel, 2002

KARDEC E CONSOLADOR

O

RACISMO

-

PUBLICADO

NA

REVISTA

O

Kardec, racismo e Espiritismo - uma reflexão Não fales e nem escrevas Algo que fira ou degrade; Racismo é uma chaga aberta No corpo da Humanidade (Cornélio Pires) (1) O racismo (2) é um tema pouco abordado nas hostes doutrinárias. A bibliografia é escassa. Os escritores e estudiosos espíritas brasileiros ainda não se debruçaram

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com maior profundidade sobre o assunto. Para alguns, as poucas análises sobre a questão do segregacionismo e da escravidão do negro, no Espiritismo deixam transparecer as influências da teoria arianista (3), da visão positivista e idealista da história, desconsiderando os fatos nos seus relativismos e contradições. Para a investigação kardequiana, a respeito do negro, torna-se necessário ser considerado o contexto histórico em que foi discutida a temática. Incidiria em erro, sob o ponto de vista histórico, considerar Allan Kardec contaminado de preconceitos ou de índole racista. Essa palavra detém uma carga semântica muito forte, inadequada para definir os ideais do mestre lionês. Não há nenhum indício de que ele tenha discriminado algum indivíduo ou grupo de origem negra ou quaisquer indivíduos, seja no movimento espírita ou fora dele. A jornalista Dora Incontri, com mestrado e doutorado em Educação, pela USP, em seu livro Para entender Kardec nos traz um fato interessante que muito bem nos dará uma idéia de quem era o senhor Rivail. Vejamos: "É bom lembrar que, na Sociedade de Estudos Espíritas de Paris, havia um Camille Flammarion, astrônomo, e um calceteiro (operário braçal que fazia as calçadas de Paris, de quem Kardec noticia a morte) e ambos eram membros da Sociedade". (4) Os contraditores de Kardec se valem de textos insertos na Revista Espírita e principalmente em Obras Póstumas, 1ª parte, capítulo IX, referente à "Teoria da Beleza". A rigor não consideramos essa teoria um ponto doutrinário e muito menos consta das Obras Básicas. Trata-se de uma pesquisa de Kardec que não chegou a publicá-la. Veio a público após o seu desencarne, quando algumas anotações deixadas foram reunidas no livro citado, donde se infere que aquele pensamento ainda não estava perfeitamente consolidado. A frenologia, por exemplo, advogava uma relação entre a inteligência e a força dos instintos Por justeza de razões importa lembrar que Kardec não compilou o Espiritismo em seu próprio nome. Ele apresentou-nos a Doutrina como sendo dos Espíritos. Destarte, urge se faça distinção entre o que revelaram os Benfeitores Espirituais sob o princípio do consenso universal dos Espíritos e o que escreveu e pensava particularmente Kardec, inclusive na Revista Espírita. No bojo da literatura basilar da Terceira Revelação, o Codificador ressalta que "na reencarnação desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza o princípio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade". (5)

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Ante os ditames da pluralidade das existências, ainda segundo Kardec "enfraquecem-se os preconceitos de raça, os povos entram a considerar-se membros de uma grande família". (6) Como se observa, essas idéias descaracterizam radicalmente um Kardec preconceituoso. Entretanto, apesar da atitude (para alguns preconceituosas) atribuída a Kardec em relação ao negro, fruto do contexto em que viveu (repetimos) sobre discriminação e preconceito a determinada etnia, sua obra sai indene de todas as críticas no sentido ético. Até porque para abordagem do tema é imprescindível contextualizá-lo, considerando-se as teorias de superioridade racial muito em voga na época. A frenologia, por exemplo, advogava uma relação entre a inteligência e a força dos instintos em um indivíduo com suas proporções cranianas, em uma espécie de "desdobramento" pseudocientífico da fisiognomonia. Se não é a diferença da evolução espiritual, então, que é que torna os homens desiguais? Num artigo na Revista Espírita de abril de 1862, "Frenologia espiritualista e espírita - Perfectibilidade da raça negra", Kardec faz uma espécie de releitura dessa "ciência" com um enfoque espiritualista, demonstrando que o "atraso" dos negros não se deveria a causas biológicas, mas pelo fato de serem seus Espíritos encarnados ainda relativamente jovens. (7) Indagamos: existem povos mais adiantados que outros? É possível desconhecer a discrepância entre silvícolas e citadinos? Se não é a diferença da evolução espiritual, então, que é que os torna desiguais? É evidente que podemos adequar as terminologias para culturas "complexas ou simples" no lugar de "avançado ou atrasados", o que na essência não altera a situação de ambos. Sabemos também – e isso é incontestável – que a antropologia e a sociologia surgem eurocêntricas. E a antropologia foi uma espécie de sociologia criada para estudar os povos primitivos. (8) Contudo, a Doutrina Espírita tem mais amplitude do que toda essa questão. Para nós "não há muitas espécies de homens, há tão-somente indivíduos cujos Espíritos estão mais ou menos atrasados, porém todos suscetíveis de progredir pela reencarnação. Não é este princípio mais conforme à justiça de Deus?" (9) No livro Renúncia, monumental obra da literatura mediúnica, identificamos um trecho que nos chamou a atenção para reflexão sobre o assunto. Robbie, filho de escravos e irmão adotivo de Alcíone, ao desencarnar disse-lhe "desde que mandei os gendarmes (10) libertar o cocheiro, por entender que me cabia a culpa (...) sinto que não tenho mais a pele negra, que tenho a mão e a perna curadas (...) veja Alcíone (...) e esta lhe explica: São estas as provas redentoras, meu querido Robbie!

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Deus te restituiu a saúde da alma, por te considerar novamente digno". (11) Dá para imaginar o Espírito Alcíone racista? E por que teriam os negros sofrido tanto com a escravidão? Jesus, ante os olhos do homem, é o maior arquétipo da perfeição que um Espírito pode alcançar Segundo Humberto de Campos os escravos seriam "os antigos batalhadores das cruzadas, senhores feudais da Idade Média, padres e inquisidores, Espíritos rebeldes e revoltados, perdidos nos caminhos cheios da treva das suas consciências polutas". (12) A concepção de que o homem possa encarnar na condição de branco, negro, mulato ou índio estabelece uma ruptura com o preconceito e a discriminação raciais. Não esqueçamos, porém, que na Grã-Bretanha, ainda hoje, muitos adeptos do Neo-espiritualismo rejeitam a tese da reencarnação, por não admitirem a possibilidade de terem tido encarnações em posições inferiores quanto à raça e à condição social. Com essa visão, um Espírito, reencarnado num corpo de origem negra, estará sujeito à discriminação e isso lhe será uma condição, uma contingência evolutiva a ser superada. Para uns pode ser uma expiação, para outros uma missão. Com os princípios espíritas se "apaga naturalmente toda a distinção estabelecida entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor". (13) Como se observa, uma doutrina libertária, como o Espiritismo, não compactua, sob quaisquer pretextos, com nenhuma ideologia que vise à discriminação étnica entre os grupos sociais. A verdade é que nos grandes debates de cunho sociológico, antropológico, filosófico, psicológico etc., o Espiritismo provocará a maior revolução histórica no pensamento humano, conforme está inscrito nas questões 798 e 799 de O Livro dos Espíritos, sobretudo quando ocupar o lugar que lhe é devido na cultura e conhecimento humanos, pois seus preceitos morais advertirão os homens da urgente solidariedade que os há de unir como irmãos, apontando, por sua vez, que o progresso intelecto-moral na vida de todos os Espíritos é lei universal e tendo por modelo Jesus, que, ante os olhos do homem, é o maior arquétipo da perfeição que um Espírito pode alcançar. (14)

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Fontes: (1) Xavier, Francisco Cândido. Caminhos da Vida, Ditada pelo Espírito Cornélio Pires, São Paulo: Ed. CEU, 1996. (2) O racismo, segundo a acepção do "Novo Dicionário Aurélio" é "a doutrina que sustenta a superioridade de certas raças". O Conde de Gobineau foi o principal teórico das teorias racistas. Sua obra, "Ensaio Sobre a Desigualdade das Raças Humanas" (1855), lançou as bases da teoria arianista, que considera a raça branca como a única pura e superior às demais, tomada como fundamento filosófico pelos nazistas, adeptos do pangermanismo. (3) Entre os teóricos do racismo alemão, dizia-se dos europeus de raça supostamente pura, descendentes dos árias. (4) Incontri, Dora. Para Entender Kardec, Grandes Questões, São Paulo: Publicações Lachâtre, 2001. (5) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2002, pág. 31. (6) Idem págs. 415-416. (7) Kardec, Allan. Revista Espírita de abril de 1862. (8) Primitivo era todo aquele povo que não havia chegado ao grau de cultura e tecnologia do europeu. Sem dúvida que era uma visão do europeu da época, que considerava os negros e os latinos selvagens. (9) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, texto escrito por Allan Kardec, e Constitui o Capítulo V, item 6º, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2001. (10) Soldado da força incumbida de velar pela segurança e ordem pública, na França. 11) Xavier, Francisco Cândido. Renúncia, 7ª ed. Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1973, pg. 412. (12) Xavier, Francisco Cândido. Brasil, Coração do Mundo Pátria do Evangelho, Ditado pelo Espírito Humberto de Campos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1980. (13) Kardec, Allan. Revista Espírita de abril de 1861, 297-298. (14) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2003, parte 3ª, q. 798 e 799, cap. VIII item VI - Influência do Espiritismo no Progresso.

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SACRIFÍCIOS DE ANIMAIS COMO COBAIAS, NUMA PERSPECTIVA ESPÍRITA Desde a antiguidade, pesquisadores valem-se de animais (cobaias) para obter testes científicos e ensaio das mais diversas espécies. O coelho foi uma das primeiras espécies utilizadas em pesquisas e presentemente camundongos e rãs são espécies de eleição para experiências nos laboratórios. Os bichos têm servido de cobaias para a prova de vacinas, medicamentos, produtos e substâncias, antes de sua liberação para o consumo humano, e também alguns procedimentos cirúrgicos, antes de serem aplicados entre os homens. Andréa Vesalius, fundador da anatomia moderna, usava cães e porcos em demonstrações públicas de anatomia. Hoje em dia, ainda os cães têm sido cobaias para estudos dos sistemas cardiovascular, respiratório, gastrintestinal, endócrino e das técnicas de transplante. Contudo, havemos de convir que as pesquisas só publicam descobertas, porém não revelam fracassos. O organismo de um animal não é o mesmo que o nosso. O maior fracasso do século XX foi a Talidomida, que foi testada amplamente em animais e depois colocada no mercado. O experimento em animais “não representa apenas um método cruel, e por isso mesmo antiético, mas é também destituído de validade científica. No interesse do homem e do animal, precisa ser abolida o mais rápido possível e substituída por métodos racionais.”(1) Aproximadamente um terço dos doentes com problemas renais crônicos destruíram sua função renal tomando analgésicos considerados seguros após aplicados em animais. Todos os medicamentos tóxicos retirados do mercado por exigência dos órgãos de saúde foram testados antes em experiências com animais. Nos últimos anos, as muralhas do silêncio vêm sendo progressivamente demolidas pela imprensa, pelo rádio e pela televisão. Existem importantes movimentos de proteção animal que resistem para findar com a vivissecção.(2) Graças a Deus! Na atualidade, tem sido atenuado o uso de animais em ensaios científicos, pois foram desvendadas outras possibilidades eficientes. A exemplo de substâncias eficazes à base vegetal, que foram descobertas sem experiências com

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animais. Ressalte-se que a maioria das técnicas cirúrgicas freqüentes não foram desenvolvidas em cobaias animais. Os avanços em biotecnologia já permitiram substituir os bichos por computadores ou tubos de ensaios. Em diversos campos estão sendo utilizados processos alternativos, como in-vitro, com culturas celulares. As células estaminais já são uma alternativa e vão ser decisivas na substituição das cobaias. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um programa de computador que pode substituir o sacrifício de animais durante as aulas de fisiologia. O programa pode substituir o uso de animais nas aulas práticas de Fisiologia e Biofísica, ministradas nos cursos de Medicina, Ciências Biológicas, Enfermagem e Educação Física. Apesar de milhões de animais torturados e mortos, a dissecação anatômica não conseguiu obter um resultado frente às epidemias do nosso tempo. Os progressos na pesquisa da AIDS não se fundamentam em experiências com animais, porém na epidemiologia, na observação clínica dos doentes e nos estudos in-vitro com culturas celulares. Ante a falácia de que os animais são utilizados em benefício da saúde pública, devemos nos lembrar que eles são seres vivos que sentem dor e que sofrem, por isso somos responsáveis por eles. Como é que experiências toxicológicas – durante as quais os animais são envenenados de forma mais ou menos rápida – podem ocorrer sem tortura e dor, sem sofrimento terrível para o animal atingido? São muitas experiências que representam para o animal um sofrimento atroz, que normalmente só termina com a morte. O cientista austríaco Friederike Range, da Universidade de Viena, liderou um estudo sobre emoções caninas e atesta que certos animais possuem um sentimento ou emoção mais complexa do que normalmente atribuiríamos a eles. Para além das considerações filosóficas, evidências práticas e científicas sugerem que todos os mamíferos possam sentir algo semelhante à dor e ao prazer humano, embora que qualitativa e quantitativamente diferente. A ética na experimentação com animais é uma preocupação muito antiga, fundamentando-se na necessidade de se ter consciência de que o animal é um ser vivo, que possui hábitos próprios de sua espécie, inclusive o natural instinto de sobrevivência, sendo sensível a dor e a angústia. O que o Espiritismo explica sobre os animais? Eles têm alma? Progridem? Ou serão sempre animais? Eles sofrem? Os Benfeitores do Além afirmam que os animais não têm alma como nós humanos, mas têm um princípio espiritual que “sobrevive ao corpo físico após a morte"(3), ou seja, a alma dos animais "conserva,

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após a desencarnação, sua individualidade; porém, não a consciência de si mesma, apenas a vida inteligente permanece em estado latente."(4) Quando estivermos mais espiritualizados, enxergando nos animais os irmãos inferiores de nossa vida, o sacrifício dos animais em laboratório não terá mais razão de ser. “O homem espiritual do futuro, com a luz do Evangelho na inteligência e no coração, terá modificado o seu ambiente de lutas, auxiliando igualmente os esforços evolutivos de seus companheiros do plano inferior, na vida terrestre.”(5) É bem verdade que o instinto domina a maioria dos animais; “mas há os que agem por uma vontade determinada, ou seja, percebemos que há uma certa inteligência animal, ainda que limitada."(6) Rememoremos que os bichos “não são simples máquinas, embora sua liberdade de ação seja limitada pelas suas necessidades, e, logicamente, não pode ser comparada ao livre-arbítrio humano. Os animais, sendo inferiores ao homem, não têm os mesmos deveres, mas eles têm liberdade sim, "ainda que restrita aos atos da vida material.”(7) Os animais pensam, mas não raciocinam; os animais têm memória, e recorrem a ela; aprendem com o acerto e com o erro, e não com o raciocínio. Evidentemente, não conseguem teorizar, abstrair, prever eventos, solucionar problemas, mas são, de fato, mais inteligentes do que imaginamos. Estão em processo de evolução e, nesse sentido, devemos considerar que possuem, diante do tempo, um porvir de fecundas realizações, e através de numerosas experiências chegarão um dia ao chamado reino hominal, como, por nossa vez, alcançaremos, no escoar dos milênios, a situação de angelitude. A escala do progresso é sublime e infinita. Considerando que os animais estão em processo de crescimento espiritual, “busquemos reconhecer a infinidade de laços que nos unem nos valores gradativos da evolução e ergamos, em nosso íntimo, o santuário eterno da fraternidade universal."(8) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Tese apresentada em Simpósio realizado em Genebra pela Liga Internacional de Médicos pela Abolição das Experiências em Animais, por Bernhard Rambeck, diretor do Departamento Bioquímico da Sociedade de pesquisa em Epilepsia, Bielefeld, Alemanha. (2) É o ato de dissecar um animal vivo com o propósito de realizar estudos de natureza anatomo-fisiológica. No seu sentido mais genérico, define-se como uma intervenção invasiva num organismo vivo, com motivações científico-pedagógicas.

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Na terminologia dos defensores de animais, é generalizada como uso de animais vivos em testes laboratoriais. (3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, perg 597-a (4) Idem perg. 598 (5) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001 perg. 62 (6) _______, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, perg. 592 (7) Idem perg. 595. (8) _______, Francisco Cândido. O Consolador, Rio de Janeiro: Ed Feb, 1995, perg.79

NAS PRÉ-EXISTÊNCIAS FORJAM-SE OS GÊNIOS-MIRINS Temos visto crianças e jovens portando patrimônio moral e intelectivo que seria impossível terem sido adquiridos em um período de tempo de apenas uma existência física. É o caso do argentino Kouichi Cruz, nascido em Bahia Blanca, na província de Buenos Aires. Com apenas 13 anos de idade, é o aluno mais jovem da Faculdade de Matemática, Astronomia e Física (FAMAF) da Universidade de Córdoba. Ele estudará, simultaneamente, engenharia informática e ciências econômicas na mesma universidade. O reitor, Daniel Barraco, afirmou que é a primeira vez que um menino de 13 anos está entre os universitários dessa carreira. Como temos observado, a imprensa tem noticiado fatos dessa natureza com uma freqüência impressionante. Eventos de crianças precoces sempre despertaram a atenção dos estudiosos. Muitos cientistas atribuem esse fenômeno natural a “milagres biogenéticos”. Será que pela genética conseguimos explicar os admiráveis fatos de crianças precoces, "superdotadas", verdadeiros virtuoses da música, da pintura artística, das ciências etc. Diríamos que isso depende do organismo? Essa seria uma doutrina monstruosa e torpe. O homem não seria mais que uma máquina, joguete da matéria.

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Atribuir tais fenômenos a uma ocasional regalia genética é, no mínimo, extravagante. Admitamos ao contrário a reencarnação, ou seja, uma sucessão de existências anteriores progressivas e tudo estará aclarado, conforme a Justiça Divina. Deste modo, deduzimos que nas pré-existências (reencarnações) forjam-se os gênios-mirins. Sem a pluralidade existências não há como se conceber o progresso humano. Há o caso do “jovem Maiko Silva Pinheiro que lia qualquer livro, sem dificuldade alguma, aos 4 anos; que aprendeu a fazer contas aos 5 e, aos 9 era repreendido pela professora porque fazia as divisões usando uma lógica própria, diferente do método ensinado na escola. Estudou economia no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, sendo bolsista integral. Quando tinha 17 anos, os diretores do Banco Brascan disseram ter se surpreendido com sua capacidade lógico-matemática."(1) O jovem sergipano, Carlos Mattheus, pobre estudante que estudou em escola pública, conseguiu um fato inédito em um dos melhores centros de formação da América Latina, o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada, onde obteve os títulos de mestre e doutor em matemática com 19 anos de idade. Wolfgang Amadeus Mozart, aos 2 anos de idade, já executava, com facilidade, diversas peças para piano; dominava três idiomas (alemão, francês e latim) aos 3 anos; tirava sons maviosos do violino, aos 4 anos; apresentou-se ao público, pela primeira vez e já compunha minuetos aos 5 anos; escreveu sua primeira ópera, La finta semplice, com apenas 12 anos de idade. Paganini dava concertos, aos 9 anos, em Gênova, Itália. Pascal, aos 12 anos, sem livros e sem mestres, demonstrou trinta e duas proposições de geometria, do I Livro de Euclides; aos 16 anos, escreveu "Tratado sobre as cônicas" e, logo adiante, escreveu obras de Física e de Matemática. Allan Kardec, examinando a questão da genialidade, perguntou aos Benfeitores: - Como entender esse fenômeno? Eles então responderam que eram "lembranças do passado; progresso anterior da alma (...).”(2) Conhecendo e entendendo os mecanismos da reencarnação, tornam-se claras e explicáveis as emaranhadas investigações, que teimam em permanecer obscuras ante os apressados argumentos daqueles que não se dão ao trabalho de observar os fatos que a comprovam, mesmo porque, contra as evidências não há o que contraargumentar. A Física, a Genética, a Medicina e vários paradigmas da Psicologia vêm sendo convocadas para oferecer o contributo das suas análises. Os pesquisadoras Ian stevenson, Hemendra Nath Banerjee, Edite Fiore e outros, trouxeram resultados notáveis sobre a tese reencarnacionista. Estamos convictos de que, nos próximos vinte ou trinta anos, assistiremos a Academia de Ciência declarando esta importante

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constatação como, há dois mil anos, Jesus ensinou a Nicodemos: “É necessário nascer de novo”. O físico francês Patrick Drouot pesquisa a reencarnação com a autoridade de quem se formou na Universidade de Nancy e fez doutorado em física teórica pela conceituada Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque, e, ao presidir o Instituto de Pesquisas Físicas e da Consciência, em Paris, já tem catalogados mais de sete mil casos de regressão. O professor de psicologia Erlandur Haraldsson, da Universidade de Iceland, e vários pesquisadores psiquiatras americanos revelaram, cientificamente, que a reencarnação é um fato consumado, graças aos processos de submersão no armazenamento psíquico das vidas anteriores, onde tudo está registrado. A cientista Hellen Wambach, que já fez 4500 pessoas regredirem na memória, fez pesquisa com uma senhora de 43 anos, cega de nascença, que descreveu ambientes da antiga Roma na época em que era esposa de um soldado. Ela foi capaz de falar, com toda precisão, das cadeiras, mesa, cama, das expressões faciais dos que a rodeavam, das luzes e das cores. Aliás, todos esses detalhes foram, historicamente, devidamente comprovados, segundo afirmou o Dr. James Pareyko, professor de Filosofia da Universidade Estadual de Chicago. Pareyko atesta que tal tipo de percepção numa pessoa que já nasceu sem enxergar é inexplicável sob o ponto de vista médico. Na máxima "nascer, morrer, renascer e progredir, incessantemente, tal é a lei", encontramos o mais arrazoado pensamento universal sobre o processo da evolução humana. É verdade! Allan Kardec confirmou essa tese em “O Livro dos Espíritos”, declarando que somente com a Reencarnação entendemos melhor a Justiça de Deus e a Evolução da humanidade. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências: (1) Publicada na Revista Época, edição de 15 de maio, 2006 (2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, perg. 219

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COMO DEVEMOS UTILIZAR UMA TRIBUNA ESPÍRITA? O orador ao valer-se da tribuna, em nome de Jesus, precisa lembrar que toda palestra deve ser uma ferramenta sublime de disseminação do amor e da humildade. Através da tribuna, a mensagem espírita cristã tem chegado, diariamente, ao grande público, nos milhares de Centros e outras Instituições Espíritas existentes neste País. Uma palavra inadequada pode macular a bandeira mais nobre, por isso o orador precisa “calar qualquer propósito de destaque, silenciar exibições de conhecimentos, usar simplicidade, evitar alarde, sensacionalismo.”(1) Tudo que o palestrante disser ou fizer repercutirá, ante os seus ouvintes, em favor ou descrédito para o Espiritismo. Todas as propostas poderão malograr, caso o expositor não se esforce para praticar o que pregue. “O orador é responsável pelas imagens mentais que plasme nas mentes que o ouvem”(2) No uso da palavra (maior veículo de comunicação entre os homens), há necessidade de muito equilíbrio e sensatez. Importa falar sem dramaticidade, sem pieguismo, sem afetação, sem arrogância, sem empáfia, sem ostentação, pois, do contrário, o público mudará a atitude receptiva inicial e tornar-se-á refratário e até hostil ao final da palestra. Por essa razão, é crucial falar com doçura e firmeza, sem imitação de gestos, voz, fraseado ou o estilo de outro orador, mostrando-se simples e atencioso, vibrando simpatia e benevolência. Conquanto precise batalhar incansavelmente no esclarecimento geral, usando processos justos e honestos, não pode esquecer que “a propaganda principal é sempre aquela desenvolvida pelos próprios atos da criatura, através da exemplificação eloqüente da reforma íntima, nos padrões do Evangelho.”(3) Deve falar com o coração trasbordante de fé luminosa e pura, agir de forma natural e entusiasta, impregnado daquela força que o ideal superior e a assistência dos Bons Espíritos os transmitem. “O campo do estudo perseverante, com o esforço sincero e a meditação sadia, é o grande veículo de amplitude da intuição, em todos os aspectos” (4) Óbvio que não se pode decretar que seja perfeito, pelo simples fato de ser palestrante, pois é um ser humano caracterizado por muitas imperfeições. Entretanto, é necessário que todos aqueles que pregam a Doutrina empreendam os maiores esforços para exemplificar aquilo que ensinam.

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Aos palestrantes, candidatos ao estrelismo, importa que não “decorem simplesmente” quaisquer textos de livros espíritas para recitá-los, quais palradores, pois a expressão maquinal não agrada a quem ouve e, sobretudo, a Deus. Os espíritos nos recomendam nas palestras o “governo das próprias emoções, sem azedume, sem nervosismo e sem momices”(5), mas, alguns são abusivamente "satíricos" (visando fazer gargalhar os ouvintes na platéia), outros não conseguem despir-se das ostentações, santificações, endeusamentos e euforia proselitista. Alguns “deuses da tribuna” forçam palavras “mansas, melosas” que chegam a ficar pálidos em face do hercúleo esforço para demonstrar mansidão, outros carregam um eterno sorriso com dentes trincados (pressionando com força os de baixo com os de cima) na tentativa de demonstrar simpatia forçada. Tudo isso precisa ser evitado urgente. No insofreável desejo de chamar a atenção alheia, muitos oradores querem ser aplaudidos e venerados perante os outros. Atualmente adota-se assustadoramente o hábito dos dirigentes incautos de exaltar oradores em público. Essas magnificências e grandiloquências, observadas à volta de alguns oradores famosos, é bem a repetição dos esplendores do cristianismo sem o Cristo. Há oradores que fazem palestras nos centros espíritas, congressos, seminários e outros “encontrões”, que veneram espalhar autógrafos, locupletando-se de ovações que às vezes têm conferido auréola de quase oráculos sagrados. Infelizmente vão se iludindo, criando a efígie de intocáveis, "emissários da paz", "embaixadores do bem". Não será impossível alguns centros “espíritas” edificarem altares em suas homenagens em futuro próximo. A liderança do atual movimento espírita acredita que agenciando muitos congressos e seminários estará multiplicando a divulgação, como se isso fosse a necessidade imediata do Espiritismo, e ainda cobra taxas para esses eventos. Todavia, jamais esqueçamos que “a direção do Espiritismo, na sua feição do Evangelho redivivo, pertence ao Cristo e seus prepostos [espirituais], antes de qualquer esforço humano, precário e perecível.”(6) O Espiritismo em seus valores cristãos “não possui finalidade maior que a de restaurar a verdade evangélica para os corações desesperados e descrentes do mundo. A obra definitiva do Espiritismo é a da edificação da consciência profunda no Evangelho de Jesus Cristo.” (7) Muitos palestrantes ficam submissos às imposições sociais quando buscam adesão (bajulações) dos outros, “quando permanecem na posição de permanentes escravos e pedintes do aplauso hipócrita e do verniz, da lisonja, condicionando-os a viver sem usufruir de liberdade de consciência, submetendo-os a ser manipulados pelos juízos e opiniões alheias.”(8)

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O orador deve assimilar, com reverência e humildade, toda análise crítica, procurando ponderar, com atenção, o seu trabalho e, assim, aperfeiçoar, cada vez mais, a tarefa que lhe cabe. Deve reagir com todas as suas forças contra os “confetes” e lisonjas, para que a vaidade não lhe venha toldar o próprio campo de ação, e mais ainda, nunca deve julgar-se indispensável ou excepcional, criando exigências ou solicitando considerações especiais. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1991, Na Propaganda (2) Idem - Cap. 14). (3) Idem Na Propaganda (4) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, perg. 122). (5)______, Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1991, Na Tribuna (6)_______, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, perg. 218 (7) Idem perg. 219 (8) Xavier, Francisco Cândido. Saudação do Natal – Mensagem “Trilogia da vida”, ditado pelo espírito Cornélio Pires, SP: Editora CEU, 1996

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ATIRE A PRIMEIRA PEDRA Uma jovem desencarnou após ter recebido 80 chibatadas em Bangladesh, como punição por ter tido um relacionamento extraconjugal com um primo (casado). A sentença foi decretada por um tribunal religioso de Shariatpur, no sudoeste do país, a 56 quilômetros da capital, Daca. A adolescente desmaiou enquanto recebia as chibatadas e chegou a ser levada para um hospital local, mas não resistiu aos ferimentos, falecendo seis dias após ter sido internada. O clérigo muçulmano Mofiz Uddin foi o responsável pela fatwah (sentença) contra Hena, que foi presa juntamente com outras três pessoas. Os religiosos disseram à polícia que Hena teria sido pega em flagrante. Porém, Dorbesh Khan, o pai da adolescente disse: “Que tipo de justiça é essa? Minha filha foi espancada em nome do fanatismo religioso. Se tivesse sido julgada por um tribunal do Estado, minha filha jamais teria morrido”. Em verdade, punições realizadas em nome da sharia (legislação sagrada islâmica) e decretos religiosos foram proibidos em Bangladesh, por isso, um grupo de moradores de Shariatpur foi às ruas em protesto contra a fatwa e contra os autores da sentença. Para comentar o fato sob o viés kardeciano, é importante destacar que em qualquer análise que façamos sobre o comportamento sexual dessa ou daquela pessoa, somos obrigados a lembrar sempre de Deus, “que julga em última instância, que vê os movimentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censuramos, ou reprova o que relevamos, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembremo-nos de que nós, que clamamos em altas vozes anátemas, teremos quiçá cometido falta mais grave” (1) do que a pessoa que censuramos. No caso Hena, alguns dizem que ela sofreu violência sexual, contudo há os que afirmam que houve o adultério cometido pelo primo. De qualquer modo, o episódio remete-nos aos Códigos de Jesus, que proclamou a sentença: “atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado”(2). Essa advertência faz da comiseração uma obrigação para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. “Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem

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aquilo de que nos absolvemos. Antes de profligarmos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.”(3) É importante observar que Jesus, avaliando equívocos e quedas, nas aldeias do espírito, haja selecionado aquela da mulher, em falhas do sexo, para emitir a sua memorável sentença: "aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra". O sábio Espírito Emmanuel explica que “no rol das defecções, deserções, fraquezas e delitos do mundo, os problemas afetivos se mostram de tal modo encravados no ser humano que pessoa alguma da Terra haja escapado, no conjunto das existências consecutivas, aos chamados "erros do amor".”(4) Penetremos cada um de nós nos recessos da própria alma, e, se conseguimos apresentar comportamento irrepreensível, no imediatismo da vida prática ante os dias que correm, indaguemo-nos, com sinceridade, quanto às próprias tendências. “Quem não haja varado transes difíceis, nas áreas do coração, no período da reencarnação em que se encontre, investigue as próprias inclinações e anseios no campo íntimo, e, em sã consciência, verificará que não se acha ausente do emaranhado de conflitos, que remanescem do acervo de lutas sexuais da Humanidade.”(5) Por essas razões, personalizando na mulher sofredora a família humana, Jesus pronunciou a inesquecível sentença “atire-lhe a primeira pedra”, convocando os homens, supostamente puros em matéria de sexualidade, a lançarem sobre a mulher infeliz a primeira pedra. Em verdade, quando respeitarmos nosso semelhante em seu foro íntimo, os conceitos de adultério se farão distanciados do cotidiano, de vez que a compreensão apaziguará o coração humano e a chamada desventura afetiva não terá razão de ser, ou seja, ninguém trairá ninguém em matéria afetiva. Abstenhamo-nos, sob qualquer hipótese, de censurar e condenar seja lá quem for em matéria de comportamento sexual. Recordemos que estamos emergindo de um passado longínquo, em que estivemos mergulhados nos labirintos dos desequilíbrios na área afetiva, a fim de que as bênçãos do aprendizado se nos fixem na consciência a Lei do amor. Achamo-nos muito longe da pureza do coração, por isso mesmo, se alguém nos parece cair, sob enganos do sentimento, não critiquemos, ao invés disso silenciemos e oremos a seu benefício. Para com qualquer pessoa que se nos afigura desmoronar em delito sentimental, sejamos caridosos!.Nenhum de nós consegue conhecer-se tão exatamente, a ponto de saber hoje qual a dimensão da experiência afetiva que nos espera no futuro. Silenciemos ante as supostas culpas do próximo, porquanto nenhum de nós, por agora, é capaz de medir a parte de responsabilidade que nos compete a cada um nas irreflexões e desequilíbrios dos outros.

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Jamais esqueçamos que todos somos componentes de uma só família (encarnada e desencarnada), operando em dois mundos, simultaneamente. Somos incapazes de examinar as consciências alheias e cada um de nós, ante a Sabedoria Divina, é um caso particular, em matéria de amor, reclamando compreensão. “A vista disso, muitos de nossos erros imaginários no mundo são caminhos certos para o bem, ao passo que muitos de nossos acertos hipotéticos são trilhas para o mal de que nos desvencilharemos, um dia!... Abençoai e amai sempre. Diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for e como for, colocai-vos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as vossas tendências mais íntimas e, após verificardes se estais em condições de censurar alguém, escutai, no âmago da consciência, o apelo inolvidável do Cristo: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.”(6) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 16, do Cap. X, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1991. (2) João Cp. 8:7. (3) ______, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 13, do Cap. X, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1991. (4) Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Cap. 22 (5) Idem. (6) Idem Cap. 26

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PURITANOS OU VENDILHÕES? EIS A GRAVE QUESTÃO! Assistimos pelo youtube uma entrevista de um médium espírita e ficamos estupidificados com as suas declarações. Primeiro, pela maneira presunçosa de como foram tratados os confrades que se posicionam contra a INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS “ESPÍRITAS”; depois, pela forma desdenhosa de como se referiu aos espíritas de baixo salários e os desempregados (pobres), dizendo que na instituição que dirige são realizadas semanal e “gratuitamente” 4 (quatro) reuniões públicas doutrinárias, 8 (oito) reuniões mediúnicas, 8 (oito) módulos de estudos espíritas, além de outros trabalhos de grande relevância doutrinária. Todavia, muitos espíritas simplesinho (pobres) não participam, porque não querem. Contudo, referindo-se ao evento que será realizado no hotel luxuoso sob sua coordenação, afirmou que quem não pode pagar também não pode frequentar. Sabe por quê? Porque os eventos são negociados através de “pacotes fechados” entre a instituição que dirige e os hotéis promotores. O médium esqueceu-se de que a lídima divulgação não exclui pessoas, não impõe condições, não faz peditórios, justamente para fugirmos dos equívocos cometidos por outras religiões e credos. Martinho Lutero dizia que “não são as boas obras que tornam o homem bom, o homem bom é que faz as boas obras.”(1) O sistema elitista e o assistencialismo cego assememelham-se à dança em torno do bezerro dourado a que se entregou o povo hebreu, quando a caminho do paraíso prometido. Durante a entrevista, o médium procurou relativizar a advertência de Jesus – “dai de graça o que de graça recebeste”. Para ele, o que importa é dar um ar de grandiosidade à divulgação espírita, como se a importância da mensagem espírita estivesse atrelada às exterioridades, a títulos, aos locais elegantes onde ela é pronunciada. A mediunidade com Jesus não se relativiza. O "dai de graça ao que de graça recebemos" não pode ser deformado. O Espiritismo é a disseminação da palavra de consolo tal como Jesus nos ensinou, tal como Ele pregava, tal como Kardec esperava, tal como Chico Xavier exemplificou, para todos e ao alcance de todos. O entrevistado enfatizou a palavra “colaboração” para justificar o pagamento das

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taxas de ingresso, alegando que, se o interessado declarar que é pobre, não é restringido o seu acesso por causa do fator financeiro. Sabemos que isso não é verdade! Ou pelo menos é meia verdade. (Ora! Será que um espírita desempregado precisará apresentar atestado de pobreza?). E, para justificar seus arrazoados na entrevista, sempre em intransigente defesa do comércio dos eventos “espíritas”, classificou de puritanos(?!...) os que discordam da cobrança de taxas para os eventos destinados à divulgação do Espiritismo. Mas, os “puritanos”, não podemos nos intimidar com os sofismas das sombras. Devemos caminhar de olhos voltados para as coisas do firmamento, e mãos operosas na Terra, lembrando que menos pesa na consciência o epíteto de puritanos do que de vendilhões das coisas santas! O Cristianismo primitivo, pela simplicidade dos primeiros núcleos cristãos, foi conquistando integralmente a sociedade de sua época, mas, com o passar dos séculos, desgastou-se doutrinariamente. Conspurcou-se por imposição dos interesses políticos, institucionais e principalmente financeiros (industrialização da cruz). É bastante preocupante e gravíssimo o ideal dos festivais de ofertas de pacotes para tour doutrinários. Para quem desconhece o fato, informamos (de graça) que há encontros “espíritas” realizados em instalações de luxuosos hotéis 5 estrelas ao “irrisório” preço de R$. 1.600,00 (em média). Se colocarmos na ponta do lápis a arrecadação final, considerando a participação de 300 pessoas (por baixo), chegaremos ao montante de quase meio milhão de reais. Isso apenas para um evento de três dias. Fomos instados a procurar pela Internet outros eventos “espíritas” para 2011. Encontramos congressos, seminários, fóruns, cursos espíritas, simpósios de profissionais “espíritas” etc, todos eles com fichas de inscrição caracterizadas por ENTRADAS NÃO GRATUITAS. É evidente que essas práticas, em nome de Kardec, têm fragilizado as bases da Doutrina dos Espíritos, provocando rachaduras no edifício doutrinário. Há desmesurada distância entre aqueles simples bancos e cadeiras de madeira do Grupo Espírita da Prece de Uberaba e os soberbos hotéis que servem de tablado para espetáculos de oradores que, absortos em suas insânias dinásticas, veiculam temas decorados apoiados nas suas memórias privilegiadas. Na imprudência, disfarçada por envernizada prática assistencialista, pregam "Espiritismo" com rebuscadíssimos verbos e palavras, e ainda contam as moedas douradas arrecadadas, de mãos unidas com "Mamon". As extravagantes taxas cobradas nesses eventos evidenciam uma grave metástase doutrinária, com fulminantes consequências para o futuro do Espiritismo na Pátria do Evangelho.

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Nem é necessário fazermos um esforço descomunal para identificar o abismo existente entre o "Espiritismo" e o "movimento espírita". É lamentável que o movimento doutrinário atual esteja navegando nas mesmas águas que transferiram o cristianismo primitivo das casas de simples pescadores, lavadeiras, operários, para a suntuosidade dos hotéis, centros de convenções e outros grandes edifícios religiosos. Os defensores da não gratuidade dos eventos espíritas escudam-se na alegação de que há confrades que frequentam o centro espírita anos a fio e nem perguntam como contribuir com a conta de luz ou com os gastos com o papel higiênico e ficam esperando receber sem nada retribuir. Proclamam o argumento de que a comunidade espírita é o segundo maior PIB entre os religiosos (de acordo com o IBGE), perdendo apenas para os judeus, e os espíritas não gostam de colocar a mão no próprio bolso para a obra espírita. Será esse o real motivo para a cobrança dos eventos doutrinários? Infelizmente, o Espiritismo das origens, tal como Chico pregava, parece não mais fazer sentido, mormente para os mais afamados representantes do movimento. Assistimos ao sepultamento da simplicidade da Terceira Revelação no jazigo dourado da espetacularização da oratória, dos aplausos provindos da massa entusiasta e inconsciente, das ovações delirantes, dos elogios soberbos e extravagantes. Por essas e outras razões disse o Mestre: “ouça quem tem ouvidos de ouvir e veja quem tem olhos de ver”.(2) Chico Xavier advertia há 30 anos "é preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e delas nos aproximemos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...).”(3) Quando escrevemos o artigo “INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS "GRANDIOSOS", o ex-reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora, e escritor espírita, José Passini, afirmou: “Seu artigo, Jorge Hessen, deveria ser eternizado em placa de bronze e distribuído às instituições espíritas. Você acertou em cheio no monstro que desgraçadamente cresce em nosso meio.”(4) Talvez a espiritualidade, consciente dos despropósitos dos eventos pagos esteja de alguma forma nos alertando para um tempo de profundas mudanças. Que seja assim! Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Referências: (1) Disponível no site http://pensador.uol.com.br/frase/NTg0MzY0/.acesso em 11/05/2011. (2) Lucas 8:8. (3) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979. (4) Disponível em http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/.../josepassini-apoia-nossos-argumentos.html, acesso em 11-05-2011.

INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS "GRANDIOSOS” Allan Kardec escreveu na RE de novembro de 1858, que "jamais devemos dar satisfação aos amantes de escândalos. Entretanto, há polêmica e polêmica. Há uma ante a qual jamais recuaremos — é a discussão séria dos princípios que professamos. " É isto o que chamamos polêmica útil, pois o será sempre que ocorrer entre gente séria, que se respeita bastante para não perder as conveniências. Podemos pensar de modo diverso sem diminuirmos a estima recíproca. Que os dirigentes espíritas, sobretudo os comprometidos com órgãos “unificadores”, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar, conforme lembrava Chico Xavier. Devemos primar pela simplicidade doutrinária e evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades, prioridades, industrialização dos eventos doutrinários. Os eventos devem ser realizados, gratuitamente, para que todos, sem exceção, tenham acesso a eles. Os Congressos, Encontros, Simpósios, etc., precisam ser estruturados com vistas a uma programação aberta a todos e de interesse do Espiritismo, e não para servirem de ribalta aos intelectuais com titulação acadêmica, como um "passaporte" para traduzirem "melhor" os conceitos kardecianos. Não há como “compreender o Espiritismo sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e

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ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.” (1) "A presença do elitismo nas atividades doutrinárias (...) vai expondo-nos a dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, para ricos, para intelectuais, para incultos.” (2) Infelizmente, alguns se perdem nos labirintos das promoções de shows de elitismo nos chamados “Congressos”. Patrocinam eventos para espíritas endinheirados, e, sem qualquer inquietação espiritual, sem quaisquer escrúpulos, cobram altas taxas dos interessados, momento em que a idéia tão almejada de “unificação” se perde no tempo. Conhecemos Federativa que chega a desembolsar R$. 90.000,00 (noventa mil reais); isso mesmo! 90 mil, para promover evento destinado a 3, 4, 5.000 (cinco mil) pessoas. A pergunta que não quer calar é: será que o Espiritismo necessita desses eventos "grandiosos"? Cobrar taxa em eventos espíritas é incorrer nos mesmíssimos e seculares erros da Igreja, que, ainda, hoje, cobra todo tipo de serviço que presta à sociedade. É a elitização da cultura doutrinária. Sobre isso, Divaldo Franco elucida na Revista O Espírita, edição de 1992, o seguinte: “é lentamente que os vícios penetram nos organismos individuais e coletivos da sociedade. A cobrança desta e daquela natureza, repetindo velhos erros das religiões ortodoxas do passado, caracteriza-se ambição injustificável, induzindo-nos a erros que se podem agravar e de difícil erradicação futura. Temos responsabilidade com a Casa Espírita, deveres para com ela, para com o próximo e, entre esses deveres, o da divulgação ressalta como uma das mais belas expressões da caridade que podemos fazer ao Espiritismo, conforme conceitua Emmanuel, através da mediunidade abençoada de Chico Xavier. Nos eventos essencialmente espíritas, deveremos nós, os militantes na doutrina, assumir as responsabilidades, evitando criar constrangimentos naqueles que, de uma ou de outra maneira, necessitem de beneficiar-se para, em assimilando a doutrina, libertarem-se do jogo das paixões, encontrando a verdade. O dar de graça, conforme de graça nos chega, é determinação evangélica que não pode ser esquecida, e qualquer tentativa de elitização da cultura doutrinária, a detrimento da generalização do ensino a todas as criaturas, é um desvio intolerável em nosso comportamento espírita.” (3) As Federativas Espíritas devem envidar todos os esforços para que não haja a necessidade de qualquer cobrança de taxa de inscrição dos participantes de Congressos, exceto em casos extremos (o que não é desejável obviamente), procurando fazer frente aos custos do evento. Para esse mister devem buscar viabilizar, previamente, os recursos financeiros através de cotização espontânea de confrades bem aquinhoados. Realizar promoções, doutrinariamente, recomendáveis para angariar fundos. Os dirigentes devem preservar o Espiritismo contra os

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programas marginais, atraentes e, aparentemente, fraternistas, que nos desviam da rota legítima para as falsas veredas em que fulguram nomes pomposos e siglas variadas. A Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Chico Xavier já advertia, em 1977, que "É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...).” (4) Não reprovamos os Congressos, Simpósios, Seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas, a Doutrina Espírita não pode se trancar nas salas de convenções luxuosas, não se enclausurar nos anfiteatros acadêmicos e nem se escravizar a grupos fechados. À semelhança do Cristianismo, dos tempos apostólicos, o Espiritismo é dos Centros Espíritas simples, localizados nos morros, nas favelas, nos subúrbios, nas periferias e cidades satélites de Brasília; e não nos venham com a retórica vazia de que estamos propondo, neste artigo, alguma coisa que lembre um tipo de “elitismo às avessas”. Graças a Deus (!), há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec. Assim, esperamos! Jorge Hessen http://jorgehessen.net/ jorgehessen@gmail.com Fontes: (1) Cf. Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979. (2) Editorial da Revista O Espírita, ano 11 numero 57-jan/mar/90. (3) Revista O Espírita/DF, ano 1992 Página “Tribuna Espírita” Divaldo Responde pag. 16.

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(4) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.

O ESPIRITISMO SIMPLICIDADE

PRECISA

VOLTAR

À

SUA

ORIGEM

-

A

A Doutrina Espírita, como princípio de uma Nova Ordem mundial, no campo dos projetos espirituais, é inexpugnável em qualquer quadrante do Orbe. Porém, lamentavelmente, o movimento Espírita é muito fracionado. Cada qual quer fazer um "espiritismo particular". Muitas lideranças doutrinárias complicam conteúdos que deveriam ser simples. Coincidentemente, o Cristianismo, durante os três primeiros séculos, era, absurdamente, diferente do Cristianismo oficializado pelo Estado Romano, no Século V. O brilho translúcido, nascido na Galiléia, aos poucos, foi esmaecendo, até culminar nas densas brumas medievais. O que observamos, no movimento Espírita atual, é a reedição da desfiguração do projeto inicial, de 1857. Os comprometidos com o princípio unificacionista brasileiro precisam manter cautela para não perderem o foco do Projeto Espírita Codificado por Allan Kardec, engendrando motivos à separatividade entre os adeptos da doutrina. Recordemos que a alma do Cristianismo puro estava estuante nas cidades de Nazaré, Jericó, Cafarnaum, Betsaida, dentre outras, e era diferente daquele Cristianismo das querelas e intrigas de Jerusalém. O Espiritismo está sendo invadido pelo joio, extremamente prejudicial à realidade que a doutrina encerra, uma vez que vários pretensos seguidores/dirigentes introduzem perigosos modismos à prática Espírita, com inócuas terapias desobsessivas e, como se não bastasse, por mera vaidade, ostentam a insana idéia de superioridade sobre Kardec, alegando que o Codificar está ultrapassado. Será crível que Kardec imaginou esse tipo de movimento Espírita? Ah! Que falta nos fazem os baluartes da simplicidade kardeciana, Bezerra, Eurípedes, Zilda Gama, Frederico Junior, Sayão, Bitencourt Sampaio, Guillon Ribeiro, Manoel Quintão!

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Estamos convencidos de que o Espiritismo sonhado por Kardec era o mesmo Espiritismo que Chico Xavier exemplificou por mais de setenta anos, ou seja, o Espiritismo do Centro Espírita simples, muitas vezes iluminado à luz de lampião; da visita aos necessitados, da distribuição do pão, da "sopa fraterna", da água fluidificada, do Evangelho no Lar. Sim! O grande desafio da Terceira Revelação deve ser o crescimento, sem perder a simplicidade que a caracteriza como revelação. O evangelho é a frondosa árvore fornecedora dos frutos do amor. Urge entronizar a força da mensagem de Jesus, sem receio dos "kardequiólogos de plantão", os chamados "intelectuais" de nossas fileiras, sem medo das críticas dos espíritas de "gabinete", dos patrulheiros ideológicos que pretendem assumir ou assenhorear as rédeas do movimento Espírita na Pátria do Cruzeiro do Sul. O movimento Espírita não deveria se organizar à maneira dos movimentos sociais de hoje, sob pena de incentivar hierarquização com recaídas na pretensão vaticanista de infalibilidade. O que os Espíritas precisam é atentar, com mais critério, para os fundamentos doutrinários que nos impele à íntima reforma moral. Nessa tarefa, individual, intransferível e impostergável, está a nossa melhor e obrigatória colaboração para com o avanço moral do Planeta em que vivemos, pois, moralizando-se cada unidade, moraliza-se o conjunto. Um grande exemplo de espírita anti-burocrático foi Chico Xavier, considerado ultrapassado por muitos pretensos cientificistas ressurgidos das cinzas, do Século XIX, que tiveram, em Torterolli, a enfadonha liderança. Atualmente, jactam-se quais pretensos inovadores, porém, não conseguem acrescentar, sequer, uma palavra nova à Codificação. É urgente, pois, que preservemos o Espiritismo tal qual nos entregaram os Mensageiros do amor, bebendo-lhe a água pura, sem macular-lhe a cristalina fonte. A maior frustração do "Convertido de Damasco" se deu, exatamente, no Aerópago de Atenas, quando os intelectóides, de então, o dispensaram, alegando que haveriam de ouvi-lo em outra oportunidade. O Espiritismo desejável é aquele das origens, o que nos faz lembrar Jesus, ou seja, o Espiritismo Consolador prometido, o Espiritismo em sua feição pura e simples, o Espiritismo do povo (que hoje não pode pagar taxas e ingressar nos pomposos Congressos que só aguça vaidades), o Espiritismo dos velhos, o Espiritismo das crianças, o Espiritismo da natureza, o Espiritismo "céu aberto". Que tal? A rigor, a Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Chico Xavier já advertia, em 1977, que "É preciso fugir da tendência à 'elitização' no seio do movimento espírita

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(...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...)." (1) Louvemos os congressos, simpósios, seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas nunca nos esqueçamos de que a Doutrina Espírita não se tranca nos salões luxuosos, não se enclausura nos anfiteatros acadêmicos e nem se escraviza a grupos fechados. À semelhança do Cristianismo dos tempos apostólicos, o Espiritismo é dos Centros Espíritas simples, localizados nos morros, nas favelas, nos subúrbios e não nos venham com a retórica vazia de que estamos propondo o "elitismo às avessas"! Graças a Deus (!), há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Graças a esses Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec. Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com Fontes: (1) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.

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HOMENAGENS AO CENTENÁRIO NECESSÁRIA REFLEXÃO

CHICO

XAVIER

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UMA

Chico deve estar tomado pela indignação, no além-túmulo, em face das festividades que estão sendo planejadas para homenageá-lo. Há programação para uma monumental celebração pelo seu centenário, em 2010. Em Brasília, será cobrado, por "pessoa", R$ 120,00 (cento e vinte reais), no mínimo, para a realização de um Congresso. Em Pedro Leopoldo, pretendem erigir um hiper complexo, com grandes pavilhões, construir museus, departamentos diversos, fontes luminosas, cristalinas passarelas de acrílico com a mais alta tecnologia em luzes, laser e neon. Tudo isso, com dinheiro da venda de livros, doações e dinheiro público, cobrandose ingresso das pessoas nos eventos espíritas, infelizmente!... Em Uberaba, além dos monumentos, dos bustos, dos museus, nas praças e avenidas haverá shows, congressos, festivais, lançamentos... festa. Chico sempre foi avesso a essas manifestações, e sempre esteve longe dessa idolatria. Dos mais de quatrocentos livros psicografados, todos foram doados, sem quaisquer ônus, para que as editoras e fundações pudessem disseminar a palavra dos mensageiros. Porém, vender livros, atualmente, é um ramo altamente lucrativo, que, infelizmente, tem financiado construções faraônicas, tem custeado viagens e caravanas de doutrinação, e visitas ao exterior, sempre com hospedagens nos mais luxuosos hotéis, é óbvio!!!. Em Belo Horizonte, estão construindo, ao lado de uma favela, a "Casa de Chico", uma gigantesca e moderna edificação, um verdadeiro palácio arquitetônico, no que serão gastos milhões e milhões de reais, arrecadados da venda exorbitante das obras doadas, um golpe mortal à doutrina do Consolador! Para homenagear Chico Xavier, deveríamos nos empenhar em minorar o sofrimento dos desvalidos. Ao invés de gastarmos essa dinheirama toda com tamanha soberba, deveríamos aplicá-la em hospitais que estivessem necessitando de mais recursos, em asilos, orfanatos, escolas profissionalizantes, e/ou em inúmeras formas de se exercer a caridade.

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A cobrança de taxas para ingresso nos eventos espíritas, sejam eles realizados em qualquer lugar do mundo, é algo absolutamente trágico. Os eventos modestos e produtivos sempre são subestimados e substituídos por congressos, simpósios ou conferências retumbantes, pelo patético prazer de ostentar. Na falta de argumentos que justifiquem o alto preço fixado, são exaltados os títulos e "status" dos ilustres convidados, numa inaceitável elitização da mensagem espírita, que deve ser, por excelência, simples. Não desconhecemos que todas e quaisquer promoções têm seu custo, sobretudo financeiro. Por isso, os organizadores desses eventos devem, antecipadamente, envidar todos os esforços, no sentido de estudar a viabilidade de eles serem realizados, sem que haja a necessidade de se cobrar taxas para o ingresso dos interessados. Ora, para suportar despesas, é necessário reduzir custos, obviamente, e, em face disso, exige-se um planejamento minucioso, não somente dos gastos, mas quanto ao programa a ser apresentado, à data que dará início ao evento e à sua periodização, com vistas às legítimas necessidades do Movimento Espírita brasileiro, lembrando que o evento deve primar pela simplicidade, sem desconsiderar a sua qualidade, adequando sua logística de acordo com o essencial, e nada mais que isso. Para esse desiderato, importa captar os recursos com boa antecedência, sobretudo, através do rateio espontâneo entre os companheiros interessados na empreitada. Nada impede que realizem promoções, doutrinariamente corretas, para angariar fundos financeiros, com a participação das instituições espíritas bem dirigidas. Contudo, em nome da difusão doutrinária, algumas instituições tangem nos perigosos jogos da vaidade, realizando congressos, cujos elencos reforçam o palco do estrelismo. Por oportuno, destacamos aqui o editorial do Jornal Mundo Espírita, da Federação Espírita do Paraná, de Junho de 2002, que alerta: "Impensável (...) se é que há, o caso daquela Instituição que queira promover eventos doutrinários pagos, visando fazer caixa para sustento de suas atividades gerais. Essa também estará muito distante dos parâmetros efetivamente espíritas."(1) Nesses Congressos pagos, objetivando a divulgação do Espiritismo, seus coordenadores sempre justificam tal cobrança, alegando que têm necessidade de recursos materiais e financeiros, sem os quais não atingiriam seus propósitos, aliás, objetivos muito ao gosto da fina flor social. É claro que não podemos nos esquecer de que, se temos liberdade para pensar e agir, desta ou daquela maneira, há mister de nos mantermos fiéis aos ensinos dos Espíritos. A propósito, recorremos a André Luiz, em "Conduta Espírita", que nos recomenda "não angariar donativos em nossas instituições, para não sermos

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tomados à conta de PAGAMENTOS POR BENEFÍCIOS".(2) (grifamos) É óbvio que os eventos espíritas têm despesas a serem pagas, mas podemos promover a sua materialização pelas inúmeras alternativas de colaboração espontânea dos profitentes na sua execução. Somos a favor de quem possa contribuir para cobrir os custos com alimentação, material gráfico, hospedagem e outras despesas necessárias ao evento. Que fique bem claro o seguinte: quem não tiver condições financeiras para colaborar, que possa, igualmente, participar do evento. O que não podemos, e nem devemos fazer, é cobrar por aquilo que oferecemos em nome do Espiritismo. Por isso, recorremos, mais uma vez, a André Luiz, em "Conduta Espírita", onde ele diz: "QUEM SABE SUPORTAR AS PRÓPRIAS RESPONSABILIDADES, DÁ TESTEMUNHO DE FÉ"! (grifamos) Recordamos um editorial da revista "O Espírita", de jan/mar-93: "A FÉ COMEÇA NOS LÁBIOS, OBRIGATORIAMENTE PASSA PELO BOLSO, PARA SE INSTALAR NO CORAÇÃO". (3) Será que os consagrados líderes e divulgadores espíritas, que percorrem o País, sabem desses festivais de Congressos pagos? Se têm consciência, e nada fazem, são omissos e a omissão é falta grave ante as Leis de Deus. Sendo verdadeira a última hipótese, transparece o resultado natural das confusas lideranças doutrinárias, salvo raras exceções, que a despeito de terem um bom patrimônio teórico, falta-lhes o que sobrava em Chico Xavier: modéstia. É por essas e outras que muitos eventos "grandiosos" remetem médiuns, escritores e oradores, em número expressivo, ligados à tarefa de divulgação, a se perderem, "sutilmente", no exibicionismo, no estrelismo e na tosca vaidade, quando deveriam experimentar a humildade e o esquecimento de si mesmos, para ensinarem, com segurança, a todos os que neles buscam lições. Chico deve estar tomado pela indignação, no além-túmulo, e com razão. Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net Fontes: (1) Editorial do Jornal Mundo Espírita, da Federação Espírita do Paraná, publicado em Junho de 2002. (2) Vieira,Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2001. (3) Editorial da revista "O Espírita" de Brasília edição de jan/mar-93.

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CONSIDERAÇÕES ESPÍRITAS SOBRE A EPIDÊMICA PRÁTICA PSICO-SOCIAL DO BULLYING Na chacina de Realengo, na cidade do Rio de Janeiro, meninos e meninas ficaram irmanados num trágico destino. Suas vidas foram prematuramente ceifadas num episódio de insonhável bestialidade. Jornais, redes de TV, revistas, rádios e Internet noticiaram o crime horroroso ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira. É um episódio para cujas causas não há como permanecermos estáticos na busca de entendimento. Wellington, embora com a mente arruinada e razão obliterada, fez sua opção de atirar contra jovens estudantes. Na fita gravada, alegou ter sofrido bullying, anos antes, na mesma escola; porém, poderia ter superado o trauma de antanho. Ainda que admitamos sua provável subjugação por seres espirituais perversos, a responsabilidade da decisão recai integralmente sobre ele. No entanto, não é muito simples explanar o fato, e para esse mister, recorremos aos ditames da Justiça de Deus, visando minimizar ao máximo as dores dos familiares que ainda choram a ausência brutal dos filhinhos. Cabe refletir que não há como concebermos injustiça nos Estatutos do Criador. Sobre os alunos alvejados é perfeitamente plausível que as causas para um desfecho tão assombroso estejam conectadas a ressarcimento de dívida do pretérito, ou decisão voluntária do espírito de sacrifício pessoal, visando auxiliar na construção de um projeto social mais profundo sobre a violência urbana. Cremos que tanto a psicologia como as outras áreas do saber acadêmico não conseguirão aclarar razões para a trágica ocorrência. Nem é de bom parecer acomodar-nos com anotações racionalizadoras das ciências sociais. Entretanto, podemos nos valer dos conceitos espíritas que nos induzem à certeza de que fatalidade e acaso inexistem nas experiências humanas. Um fato é inconteste: Wellington protagonizou uma das maiores barbaridades da História. Será que a crueldade humana deriva da carência de senso moral? Dizem os Espíritos que “o senso moral pode não estar desenvolvido no homem cruel, mas não está ausente; porque ele existe, em princípio, em todos os homens; é esse senso moral que os transforma mais tarde em seres bons e humanos. Ele existe no

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selvagem como o princípio do aroma no botão de uma flor que ainda não se abriu.”(1) O macabro assunto tem motivado alguns debates sobre a questão da segurança nas escolas. Em cada discussão um tema é citado com insistência: o bullying, que tem sido discutido com pujantes cores por especialistas das áreas do direito, da psicologia, da medicina, da sociologia, da pedagogia e outras. A prática de bullying começou a ser pesquisada há cerca de 10 anos na Europa, quando descobriram que essa forma de violência estava por trás de muitas tentativas de homicídio e suicídio de adolescentes. O termo bullying é derivado do verbo inglês bully, que significa usar a superioridade física para intimidar alguém. Também adota aspecto de adjetivo, referindo-se a “valentão” e "pit bull". As vítimas são os indivíduos considerados mais fracos e frágeis dessa relação, transformados em objeto de diversão e prazer por meio de “chacotas” maldosas e intimidadoras. É considerada uma questão de saúde pública e de segurança social. O fenômeno é uma epidemia psico-social e pode ter consequências graves. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo, pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa. Crianças e adolescentes que sofrem humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podem ter queda do rendimento escolar, somatizar o sofrimento em doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade. Tem sido responsável pelos altos índices de evasão e repetência escolar uma vez que o aluno não vê a escola como local de aprendizado, mas como um ambiente hostil. Na panorâmica do mundo atual, observamos jovens que não têm compostura, são violentos e fazem de tudo para conquistar seus objetivos, tripudiando e passando por cima de tudo e de todos, achando que os fins justificam os meios. No século XIX, Allan Kardec levantou a questão da violência urbana e indagou os Espíritos - “como pode dar-se que no seio da mais adiantada civilização se encontrem seres às vezes tão cruéis quanto os selvagens?” Os Benfeitores responderam: “do mesmo modo que numa arvore carregada de bons frutos se encontram frutos estragados. São, se quiseres, selvagens que da civilização só tem a aparência, lobos extraviados em meio de cordeiros. Espíritos de ordem inferior e muito atrasados podem encarnar entre homens adiantados, na expectativa de também se adiantarem; contudo, se a prova for muito pesada, vai predominar a natureza primitiva.”(2) Os filhos, quando crianças, registram em seu psiquismo todas as atitudes dos pais, tanto as boas quanto as más, manifestadas na intimidade do lar. Por esta razão, os pais devem estar sempre atentos e, incansavelmente, buscando um diálogo franco

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com os filhos, sobretudo amando-os, independentemente de como se situam na escala evolutiva. Não há dúvida que há muitos espíritos primários reencarnados na Terra. Por isso os pais devem ter cuidado redobrado com a disciplina dos mesmos, reforçando na intimidade doméstica os exemplos de moralidade. Pais, avós e professores formam os grupos encarregados da educação. Não se pode permitir que esses Espíritos reencarnados sejam entregues simplesmente às mãos de funcionários, ou sob a estranha tutela da televisão, das redes sociais da Internet e de violentos jogos eletrônicos. Crianças as quais são criadas dentro de padrões de liberalidade excessiva, sem limites, sem noções de responsabilidade, sem disciplina, sem religião e muitas vezes sem amor, serão aquelas com maior tendência aos comportamentos agressivos, tais como o bullying, pois foram mal acostumadas e por isso esperam que todos façam as suas vontades e atendam sempre às suas ordens."A criança livre é a semente do celerado. A própria reencarnação se constitui, em si mesma, restrição considerável à independência absoluta da alma necessitada de expiação e corretivo".(3) O Espiritismo não nomeia soluções peculiares, refreando ou regulamentando cada atitude, nem dita fórmulas ilusionistas de bom comportamento aos jovens. Elege consentir, em toda sua amplitude, os dispositivos da lei divina, que asseguram a todos o direito de escolha (o livre-arbítrio) e a responsabilidade consequente de seus atos. Desde os primeiros anos, devemos ensinar a criança a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhe as atitudes e concentrando-lhe as posições mentais, pois que essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida. É urgente salientar que quando os filhos são rebeldes e incorrigíveis, impermeáveis a todos os processos educativos, "os pais, depois de movimentar todos os processos de amor e de energia no trabalho de orientação educativa deles, que sem descontinuidade da dedicação e do sacrifício, esperem a manifestação da Providência Divina para o esclarecimento dos filhos incorrigíveis, compreendendo que essa manifestação deve chegar através de dores e de provas acerbas, de modo a semear-lhes, com êxito, o campo da compreensão e do sentimento." (4) Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Fontes de Referências: (1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, questão 754. (2) idem questão 755. (3) XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995. (4) idem.

CASTRAÇÃO QUÍMICA - UM DEBATE ESPÍRITA SOBRE O CRIME SEXUAL Violência sexual, embora seja tema potencialmente complexo, polêmico e nefasto, não há como ignorá-lo no contexto de nossa situação na terra. Desde 2007, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei para acrescentar ao Código Penal Brasileiro a pena de “castração química” a réus condenados que cometeram crimes de estupro e corrupção de menores. Alguns especialistas da área da psiquiatria esposam a tese de que os impulsos sexuais anormais (estupro e pedofilia) são devidos a problemas na formação de caráter do ofensor, traumas de infância, formas de criação. Outros defendem a tese das causas de doenças mentais ou psicopatias, chamadas de parafilias. Seja qual for a causa, de tempos em tempos a mídia proporciona grande espaço aos defensores da punição, seja através da remoção dos órgãos sexuais do indivíduo, da emasculação ou da castração química. Discute-se a busca de uma fórmula penal para aqueles que cometem crimes contra a liberdade sexual, especialmente os praticados contra crianças e os que envolvem motivações de ordem sexual contra elas. No Brasil, o pilar do direito penal tem matrizes no direito canônico, destarte o crime se confunde com a noção de “pecado”. Para alguns juristas, o nosso sistema repressivo é inspirado no modelo imposto pela Santa Inquisição, no qual castigos corporais e tortura eram de utilização diária.(1) Verdade ou não, é o que afirmam esses juristas. Considerando que

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violência e abuso sexual, principalmente contra crianças e adolescentes, atingem proporções alarmantes em nosso país, seria a castração química uma possível solução para o problema? A castração para os sex ofenders (2), especialmente para os child molestors (molestadores de crianças), é tema controverso que tem estado em voga na mídia mundial com muita frequência e larga repercussão. O debate existe por causa do estupro e, principalmente, da pedofilia (que ganhou proporções gigantescas após o ano 2000, com o escândalo causado pela notícia do envolvimento de clérigos pertencentes à igreja de Roma e, mais recentemente, diversos casos na Itália, também envolvendo membros da Igreja). Como se não bastasse, acrescente-se a isso o fato de que a Internet (3) transformou-se no veículo para a difusão de filmes e fotos contendo material que registra condutas que são tidas como atentatórias às crianças. Além do discurso sobre a tão propalada perda do controle sobre a violência urbana, observamos que está tomando corpo o grito daqueles que defendem a repressão de determinados crimes de forma considerada brutal no clamor de que "algo precisa ser feito" e que "os fins justificam os meios”. (4) Existem profissionais ligados à área da neuroquímica que defendem a tese de que o problema [crime sexual] é químico devido à quantidade de hormônios masculinos acima do normal no organismo desses ofensores, em especial a testosterona. Há juristas que apregoam o tratamento como uma alternativa voluntária para o condenado. (5) A castração química é um tratamento reversível e utilizado nos Estados Unidos (Texas, Califórnia, Montana), Itália, Portugal, Dinamarca, Suécia, Alemanha, Grã-Bretanha e Polônia. O Ambulatório de Transtornos de Sexualidade da Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André, aplica há anos a contestada injeção de hormônios femininos que diminui o desejo sexual de pedófilos e só é usada quando o paciente solicita e assina um termo de consentimento. (6) O serviço surgiu em 2003 e atende pacientes com diagnóstico de pedofilia – considerada um distúrbio psiquiátrico. O procedimento envolve a administração de hormônios supressores da testosterona, cujo objetivo é frear o desejo sexual. A primeira proposta da castração química surgiu nos EUA e seria realizada com a injeção de uma substância que destruiria as válvulas que controlam a entrada e saída do sangue nos corpos cavernosos do órgão sexual masculino, bloqueando sua função erétil. Atualmente, a castração química “melhor aceita” é a realizada com a aplicação do medicamento Depo-Provera (acetato de medroxyprogesterona), que inibe a produção de testosterona.

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Pesquisadores e outros defensores da castração exibem estatísticas que apontam: redução da reincidência do crime de 75% para 2% dentre aqueles que foram submetidos ao “tratamento”. No Brasil só é permitida a castração química, feita por meio do medicamento acetato de ciproterona, também usado para tratamento de câncer de próstata. A discussão gira em torno de se definir se a castração química é uma pena cruel ou se é somente um tratamento médico, sem maiores gravidades físicas para os pedófilos, que com a medida perderão apenas a libido, com grande possibilidade de não mais voltarem a delinquir, pois sem a vontade sexual não há o porque da realização do doentio ato. É evidente que a castração química não resolve o problema do crime nem do criminoso, pois existem outros meios para o delinquente praticar o ato, ele usa de outras forças porque o desequilíbrio para o mal está na mente e não nos órgãos sexuais. A aplicação da pena [castração] pune o criminoso, mas não melhora o homem espiritual e pode até conduzi-lo ao estado de revolta e do desejo da vindita. Molestadores têm seu psicológico comprometido além de traços de perversidade; o desejo erótico sai da fantasia e parte para a violência na prática. O criminoso sexual precisa de tratamento para sua mente destrambelhada através de reeducação sócioeducativa no sistema prisional a fim de que possa ser conduzido de volta ao equilíbrio e à normalidade com o passar do tempo, após o cumprimento da pena pelo crime cometido. Sendo um desnorteado da alma, e ao mesmo tempo um criminoso, não pode ficar impune. Contudo, precisa de tratamento psíquico e espiritual. Não defendemos a castração química, porque segundo cremos, não passa de um paliativo, embora seja para alguns pior que a pena de morte. Por essas razões, somos favoráveis a um tratamento psiquiátrico associado a um tratamento espiritual. Sim! Cabe refletir, à luz da Doutrina Espírita, sobre os crimes e sobre a lei. O mandamento maior da lei divina inclui a caridade para com os criminosos, por mais difícil que possa parecer ter este sentimento diante da barbárie. Perante a Lei de Deus somos todos irmãos, por mais que repugne a alguns tal idéia. O criminoso é alguém que ainda não se conscientizou dessa Lei, que não reconhece a paternidade divina e portanto não vê no outro um irmão. Nós, que já temos esses valores, sabemos que ele é, também, um filho de Deus, por enquanto transviado do bem, que precisa do nosso apoio, do nosso amor. Mas como amar um criminoso, um inimigo da sociedade? Tendo por ele o sentimento descrito por Kardec quando fala do amor aos inimigos: Amar os inimigos não é, portanto, ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contato de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu bater, ao contato de um amigo. Amar os inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor,

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nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com eles; é desejar-lhes o bem e não o mal; é experimentar júbilo, em vez de pesar, com o bem que lhes advenha; é socorrê-los, em se apresentando ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa prejudicar; é, finalmente, retribuirlhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de os humilhar. Quem assim procede, preenche as condições do mandamento: Amai os vossos inimigos.(7) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) HEIDE, Márcio Pecego. Castração química para autores de crimes sexuais e o caso brasileiro. Jus Navigandi, Teresina, ano 12, n. 1400, 2 maio 2007. Disponível em: . Acesso em: 21 abr. 2011. (2) Agentes que comentem crimes contra a liberdade sexual, do qual molestadores de crianças ou pedófilos é uma espécie. (3) A Internet é responsável pelo tema estar na mídia, pois tem se verificado um sem número de ocorrências envolvendo pedófilos, seja uma simples troca de imagens, comércio de filmes com atos sexuais envolvendo crianças, o contato e aliciamento de crianças através das salas de bate-papo, blogs etc.; até mesmo o seqüestro e a escravização sexual engendrados com o emprego desse meio. (4) _______, ______ Pecego. Castração química para autores de crimes sexuais e o caso brasileiro. Jus Navigandi, Teresina, ano 12, n. 1400, 2 maio 2007. Disponível em: . Acesso em: 21 abr. 2011. (5) Segundo o procurador Alexandre Magno Aguiar, professor de Direito Penal e Processual Penal na Universidade Paulista (Unip) e autor do artigo “O ‘direito’ do condenado à CASTRAÇÃO química”. (6) Disponível no site Acesso em 29 de junho de 2010. (7) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. XII, Item 3, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000.

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JOSÉ PASSINI APOIA NOSSOS CONGRESSOS ESPÍRITAS GRANDIOSOS

ARGUMENTOS

CONTRA

Caro Irmão, Recebo, como você, grande quantidade de emails, e nem sempre há possibilidade de lê-los todos. Hoje, repassando alguns, deparei-me com esse artigo seu, "INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS "GRANDIOSOS". Deveria ser eternizado em placa de bronze e distribuído às instituições espíritas. Você acertou em cheio no monstro que desgraçadamente cresce em nosso meio. Há pouco, escrevi a uma irmã nossa que fundou um curso de filosofia espírita, que me parece ter as piores perspectivas, pois aparecerão mestre e doutores, talvez até com distintivo na lapela... Parabéns. Não desanimemos. Grande abraço, José Passini NOSSO ARTIGO REFERIDO POR JOSE PASSINI SEGUE ABAIXO: INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS "GRANDIOSOS” Allan Kardec escreveu na RE de novembro de 1858, que "jamais devemos dar satisfação aos amantes de escândalos. Entretanto, há polêmica e polêmica. Há uma ante a qual jamais recuaremos — é a discussão séria dos princípios que professamos. " É isto o que chamamos polêmica útil, pois o será sempre que ocorrer entre gente séria, que se respeita bastante para não perder as conveniências. Podemos pensar de modo diverso sem diminuirmos a estima recíproca. Que os dirigentes espíritas, sobretudo os comprometidos com órgãos “unificadores”, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar, conforme lembrava Chico Xavier. Devemos primar pela simplicidade doutrinária e evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades, prioridades, industrialização dos eventos doutrinários.

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Os eventos devem ser realizados, gratuitamente, para que todos, sem exceção, tenham acesso a eles. Os Congressos, Encontros, Simpósios, etc., precisam ser estruturados com vistas a uma programação aberta a todos e de interesse do Espiritismo, e não para servirem de ribalta aos intelectuais com titulação acadêmica, como um "passaporte" para traduzirem "melhor" os conceitos kardecianos. Não há como “compreender o Espiritismo sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.” (1) "A presença do elitismo nas atividades doutrinárias (...) vai expondo-nos a dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, para ricos, para intelectuais, para incultos.” (2) Infelizmente, alguns se perdem nos labirintos das promoções de shows de elitismo nos chamados “Congressos”. Patrocinam eventos para espíritas endinheirados, e, sem qualquer inquietação espiritual, sem quaisquer escrúpulos, cobram altas taxas dos interessados, momento em que a idéia tão almejada de “unificação” se perde no tempo. Conhecemos Federativa que chega a desembolsar R$. 90.000,00 (noventa mil reais); isso mesmo! 90 mil, para promover evento destinado a 3, 4, 5.000 (cinco mil) pessoas. A pergunta que não quer calar é: será que o Espiritismo necessita desses eventos "grandiosos"? Cobrar taxa em eventos espíritas é incorrer nos mesmíssimos e seculares erros da Igreja, que, ainda, hoje, cobra todo tipo de serviço que presta à sociedade. É a elitização da cultura doutrinária. Sobre isso, Divaldo Franco elucida na Revista O Espírita, edição de 1992, o seguinte: “é lentamente que os vícios penetram nos organismos individuais e coletivos da sociedade. A cobrança desta e daquela natureza, repetindo velhos erros das religiões ortodoxas do passado, caracteriza-se ambição injustificável, induzindo-nos a erros que se podem agravar e de difícil erradicação futura. Temos responsabilidade com a Casa Espírita, deveres para com ela, para com o próximo e, entre esses deveres, o da divulgação ressalta como uma das mais belas expressões da caridade que podemos fazer ao Espiritismo, conforme conceitua Emmanuel, através da mediunidade abençoada de Chico Xavier. Nos eventos essencialmente espíritas, deveremos nós, os militantes na doutrina, assumir as responsabilidades, evitando criar constrangimentos naqueles que, de uma ou de outra maneira, necessitem de beneficiar-se para, em assimilando a doutrina, libertarem-se do jogo das paixões, encontrando a verdade. O dar de graça, conforme de graça nos chega, é determinação evangélica que não pode ser esquecida, e qualquer tentativa de elitização da cultura doutrinária, a detrimento da generalização do ensino a todas as criaturas, é um desvio intolerável em nosso comportamento espírita.” (3)

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As Federativas Espíritas devem envidar todos os esforços para que não haja a necessidade de qualquer cobrança de taxa de inscrição dos participantes de Congressos, exceto em casos extremos (o que não é desejável obviamente), procurando fazer frente aos custos do evento. Para esse mister devem buscar viabilizar, previamente, os recursos financeiros através de cotização espontânea de confrades bem aquinhoados. Realizar promoções, doutrinariamente, recomendáveis para angariar fundos. Os dirigentes devem preservar o Espiritismo contra os programas marginais, atraentes e, aparentemente, fraternistas, que nos desviam da rota legítima para as falsas veredas em que fulguram nomes pomposos e siglas variadas. A Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Chico Xavier já advertia, em 1977, que "É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...).” (4) Não reprovamos os Congressos, Simpósios, Seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas, a Doutrina Espírita não pode se trancar nas salas de convenções luxuosas, não se enclausurar nos anfiteatros acadêmicos e nem se escravizar a grupos fechados. À semelhança do Cristianismo, dos tempos apostólicos, o Espiritismo é dos Centros Espíritas simples, localizados nos morros, nas favelas, nos subúrbios, nas periferias e cidades satélites de Brasília; e não nos venham com a retórica vazia de que estamos propondo, neste artigo, alguma coisa que lembre um tipo de “elitismo às avessas”. Graças a Deus (!), há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec. Assim, esperamos! Jorge Hessen http://jorgehessen.net/

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Fontes: (1) Cf. Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979. (2) Editorial da Revista O Espírita, ano 11 numero 57-jan/mar/90. (3) Revista O Espírita/DF, ano 1992- Página “Tribuna Espírita” –Divaldo Responde- pag. 16. (4) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.

DEUS – A RAZÃO PERFEITA A nossa compreensão de Deus muda na mesma proporção em que a nossa percepção sobre a vida se amplia. É uma tarefa espinhosa, quando o limitado intenta alcançar o Ilimitado, ou o finito entender o Infinito. Da megaestrutura dos astros à infra-estrutura subatômica, tudo está mergulhado na substância viva da mente do Criador da vida. O físico americano Paul Davies no seu livro intitulado Deus e a Nova Física afirma categoricamente que “o universo foi desenhado por uma consciência cósmica.”(1) O cientista brasileiro Marcos N. Eberlin, professor doutor titular da Universidade Estadual de Campinas, membro da Academia Brasileira de Ciências e comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, ressalta que, na condição de químico, estuda a arquitetura da matéria, como foram formados os átomos, as moléculas, quais são as leis que regem o mundo atômico e molecular e suas transformações. Quando essa arquitetura é observada “mais de longe”, superficialmente, já se mostra extremamente bela, complexa, simétrica, sincronizada, uma obra de arte, um esplendor absoluto. Percebe-se uma riqueza extraordinária de detalhes, uma arquitetura constituída das mais diferentes formas geométricas, lindas, harmônicas, periódicas, perfeitas. “Como a água, com sua estrutura angular simples, mas única,

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que rege suas propriedades também únicas, impressionantes, e que forma lindos cristais de gelo, de um design sem igual; os átomos e o balé sincronizado de seus elétrons em orbitais; as proteínas, outro espetáculo, uma arquitetura química tridimensional e com pontos de encaixe engenhosamente posicionados que confere a essas moléculas propriedades diversas, uma eficiência extraordinária como aceleradores de reações jamais igualada por qualquer outra espécie química, explica Eberlin” (2) Do micro para o macrocosmo, sabe-se que as últimas descobertas da cosmologia moderna mostram que o Universo tem lançado enigmas maiores e mais profundos sobre sua verdadeira essência, desconsertando a lógica da inteligência humana. Na obra “A Partícula de Deus”, o físico Leon Lederman, ganhador do Prêmio Nobel, em 1988, defende a tese de que Deus existe e está na origem de todas as coisas. O comportamento de pesquisa do físico holandês, Willem B. Drees, autor do livro “Além do Big Bang - Cosmologia Quântica e Deus”, demonstra claramente que há um interesse crescente pela investigação científica, baseado na certeza da existência de Deus. O Espírito Emmanuel narra que “ante a estupenda obra do Criador o homem observa as dimensões diminutas do Lar Cósmico [Terra] em que se desenvolve. Descobre que o Sol tem um volume de 1.300.000 vezes maior; a Lua dista mais de 380.000 quilômetros; Marte, distante de nós cerca de 56.000.000 de quilômetros na época de sua maior aproximação, Capela é 5.800 vezes maior, Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao Sol".(3) O Sistema Solar possui apenas 9 planetas, com 57 satélites, no total de 68 corpos celestes. E para que tenhamos noção de sua insignificância diante do restante do Universo, nosso Sistema Solar compõe um minúsculo espaço da pequena da Via Láctea"(4), ou seja, um aglomerado de cerca de 100 bilhões de estrelas, com pelo menos cem milhões de planetas e, segundo Carl Seagan, no mínimo cem mil deles com vida inteligente e mil com civilizações mais evoluídas que a nossa.(5) Pesquisadores que se prenderam ao materialismo, herdeiros diretos do atomismo materialista de Demócrito, Leucipo e Lucrécio, têm zombado da fé ingênua e primitiva, escravizadas aos prosélitos dos religiosos, destarte, esforçam-se para aniquilar histórica e emocionalmente a entronização contumaz desse Deus criado pela teologia humana, por ser incompatível com a racionalidade acadêmica. Voltaire, em êxtase, afirmou que não acreditava nos deuses criados pelos homens, mas sim no Deus criador do homem. Sócrates nomeava Deus como "A razão perfeita"; o seu discípulo, Platão, O designava por "Idéia do bem"."A dedução que se pode tirar da certeza inata que todos os homens trazem em si, da existência de Deus, é a de que Ele existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse

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uma base?"(6) E podemos encontrar a prova da existência de Deus no axioma que aplicamos às nossas ciências terrenas, de que não há efeito sem causa, logo, “procuremos a causa de tudo o que não é obra do homem e a nossa razão nos responderá".(7) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Davies, Paul. Deus e a Nova Física, Lisboa: Edições 70, 1986, p. 157. (2) Marcos N. Eberlin, professor doutor titular da Universidade Estadual de Campinas, membro da Academia Brasileira de Ciências, comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico. Entre as pesquisas realizadas, destacam-se os estudos de reatividade de íons na fase gasosa, que levaram à descoberta de vários novos íons e novas reações com diferentes aplicações analíticas e sintéticas. Uma dessas reações hoje leva seu nome: Reação de Eberlin. (3) XAVIER, Francisco Cândido. Roteiro. Ditada pelo Espírito Emmanuel. Rio [de Janeiro]: FEB, 1994, Cap. 1. (4) As últimas observações do telescópio Hubble (em órbita), mostram o número de galáxias conhecidas de 50 milhões. (5) Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a um quatrilhão de sóis. (6) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. Feb, 2004, item 58. (7) idem, Questão 42.

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MUSICA DÁ ALEGRIA E VIDA A TODAS AS COISAS Em interessante estudo realizado pela pesquisadora Márcia Capella, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, coordenadora do Programa de Oncobiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a cientista expôs por 30 minutos uma cultura de células MCF-7 (vinculadas ao câncer de mama) à série hamônica do primeiro movimento da "Quinta Sinfonia" de Beethoven(1) e obeservou que 20% delas morreram. A experiência pode abrir uma nova frente de combate contra o câncer, por meio de timbres e frequências sonoras. De forma inusitada, o estudo inovou ao utilizar a música como elemento terapêutico à margem do tratamento de distúrbios emocionais. A composição "Atmosphères", do húngaro György Ligeti, também provocou efeitos semelhantes àqueles registrados com a “Quinta Sinfonia”. Sabe-se hoje que o efeito das músicas extrapola o componente emocional. Márcia afirma que a música produz um efeito concreto sobre as células físicas, tanto nas alterações metabólicas quanto na morte de células cancerígenas. Para a pesquisadora, quando se conseguir identificar o que anulou a vitalidade das células renais e tumorais expostas à música, poderá ser construído um mapeamento para sequência sonora especial para o tratamento de tumores. Para muitos estudiosos a música é a ciência das medidas, da modulação, razão pela qual concebe-se que as séries harmônicas comandem a ordem do cosmo, a ordem humana e a ordem Instrumental. Os historiadores louvam a Pitágoras, que inventou um monocórdio para determinar matematicamente as relações dos sons. Ela [música] será “a arte de atingir a perfeição.”(2) Há uma curiosa teoria na física, ainda não conclusiva, que diz que as partículas primordiais são formadas por energia (não necessariamente um tipo específico de energia, como a elétrica ou nuclear) que, vibrando em diferentes tons, formaria diferentes partículas. De acordo com a teoria, todas as partículas que eram consideradas como elementares, como os quarks e os elétrons, são na realidade filamentos unidimensionais vibrantes, a que os físicos deram o nome de Teoria das Cordas. Sabe-se hoje que há intervenção das notas musicais nas moléculas da água. No livro "As Mensagens da Água", Massaro Emoto demonstra o resultado de sua pesquisa em que as moléculas da água são profundamente alteradas da sua forma

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utilizando da técnica de ressonância. Em seus experimentos, conseguiu identificar como a água é influenciada por alguns fatores, como a música por exemplo, que pode alterar sua estrutura molecular.(3) A música é um invento antiquíssimo. Entre os gregos, atribui-se sua invenção a Apolo, a Cadmo, a Orfeu e a Anfião. Entre os egípcios, a Tot ou a Osíris; entre os judeus, a Jubal. Em torno do ano de 2.697 a.C., entre os celtas, a música tradicional se tocava na harpa, sendo os sopros reservados para a diversão e a guerra. Sabe-se que Saul, em suas crises nervosas, chamava Davi, que através dos sons de sua harpa acalmava a irritação do monarca. A tradição cristã reteve grande parte do simbolismo de Pitágoras, interpretado por Santo Agostinho e por Boelcius. “Na idade média, pode-se ver o homem voltado para Deus e a música é um instrumento de fé. O cristianismo trouxe ao homem um mundo que ele desconhecia. Movidos por essa nova visão, os primeiros cristãos criaram sua própria característica musical.”(4) Atualmente a ciência, sobretudo no campo da medicina e da psicologia, vem redescobrindo verdades e conhecimentos que os antigos sábios detinham sobre o poder oculto da música. Ela pode influenciar no comportamento de toda uma nação, como por exemplo ocorreu com o rei George III, na Abadia de Westminster, durante uma apresentação de Handel. A certa altura da apresentação da obra O Messias (o coro da Aleluia), o rei se pôs em pé, sinal para que todo o público se levantasse. Ele estava chorando. Nada jamais o comovera tão vigorosamente. Dir-se-ia um grande ato de assentimento nacional às verdades fundamentais da religião. Em contatos com Allan Kardec, nas reuniões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o espírito do músico e compositor clássico Gioachino Rossini, por solicitação do codificador, falou sobre alguns aspectos espirituais da música e sua influência no comportamento humano. O espírito propõe um novo conceito sobre a expressão harmonia, comparando-a com a luz. Para ele, ambas são uma espécie de sentidos íntimos da alma, estados transcendentes do ser. Rossini afirma que “a harmonia, a ciência e a virtude são as três grandes concepções do espírito: a primeira o arrebata, a segunda o esclarece, a terceira o eleva. Possuídas em toda a plenitude, elas se confundem e constituem a pureza".(5) Na Revista Espírita, de maio de 1858, Kardec entrevista o compositor Mozart, que declarou o seguinte: “quando estou em boas disposições e inteiramente só, durante o meu passeio, os pensamentos musicais me vêm com abundância. Ignoro donde procedem esses pensamentos e como me chegam; nisso não tenho a mínima vontade, a menor intervenção. Habitante do planeta Júpiter, o genial músico revelou: “Onde habito, há melodia em toda parte: no murmúrio das águas, no ciciar das folhas, no canto dos ventos; as flores rumorejam e cantam.”.

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Os Benfeitores espirituais fazem referência aos encantos da música celeste, praticada nas esferas espirituais elevadas, como sendo “tudo o que de mais belo e delicado pode a imaginação espiritual conceber”.(6) Poetas afirmam que é com a música que fazem as suas declarações de amor o rouxinol e o grilo, a cigarra, o golfinho, o cisne e a águia. Aldous Huxley disse que "depois do silêncio, aquilo que mais aproximadamente exprime o inexprimível é a música.". O Espírito André Luiz narra no livro Nosso Lar que o “Governador da Colônia Espiritual determina a utilização da música a fim de intensificar o rendimento do serviço, em todos os setores de esforço construtivo.”.(7) O livro revela o Campo da Música, em cujas extremidades há melodia para todos os gostos. Impera, porém, no centro a música universal e divina, a arte santificada por excelência, que atrai multidões de Espíritos, ao contrário do que se verifica na Terra. Descreve um gracioso coreto (um corpo orquestral de reduzidas figuras) que executa música ligeira.”. (8) Os antepassados ensinavam que a música é uma lei moral. Dá alma ao universo, asas ao pensamento, saída à imaginação, encanto à tristeza, alegria e vida a todas as coisas. É a essência da ordem e eleva em direção a tudo o que é bom, justo e belo, e do qual ela é a forma invisível, mas, no entanto, deslumbrante, apaixonada, eterna. “Assim como a arte cristã sucedeu a arte pagã, transformando-a, a arte espírita será o complemento e a transformação da arte cristã".(9) Plenamente justificada, então, a utilização da música, em qualquer de suas manifestações, desde que consonante com os objetivos superiores a que nos dediquemos, notadamente no ambiente espírita, sejam resguardadas as devidas cautelas na seleção das melodias a serem entoadas, de modo a conduzir a um clima mental satisfatório tanto os desencarnados quanto os encarnados, no que tange aos ajustes harmônicos das forças psíquicas e físicas. E consoante demonstram as pesquisas de Massaru, é importante lembrar que no plano físico, os encarnados somos compostos de partículas subatômicas que estruturam as cidadelas celulares e cada célula contém um volume de 70% de água que dissolve e transporta materiais e participa de inúmeras reações bioquímicas do corpo biológico. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Fontes de Referência: (1) Beethoven afirmava que a música é o único acesso espiritual nas esferas superiores da inteligência. (2) CHEVALIER, Jean, GHEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1988. (3) Emoto, Massaru “As Mensagens da Água”, SP: Editora Isis, 2004. (4) Disponível no blog Utopia Capital do músico Edu Hessen http://utopiacapital.blogspot.com/2010/06/capitulo-iii.htmlavesso em 11-04-2011. (5) Kardec, Allan. Obras Póstumas, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001- "Música Espírita" (6) Kardec, Allan. Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 1992, perg. 251 (7) Xavier, Francisco Cândido. Nosso Lar, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB 2001, págs 67 e 68 (8) Xavier, Francisco Cândido. Nosso Lar, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB 2001, Cap. 45 (9) Kardec, Allan. Obras Póstumas, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 2001.

DETERIORAÇÃO DA FAMÍLIA NUCLEAR As relações familiais deveriam ser, acima de tudo, de ordem ética. Mas observase nelas uma deterioração emocional profunda e uma complexa malha de desestabilidades morais, que nos importa examinar sob a lupa doutrinária. Os novos modelos de relacionamentos deram origem a famílias diferentes do padrão tradicional. Nos idos dos anos 80, mais de 70% das famílias eram nucleares. Hoje, menos da metade é assim. Há uma deterioração da instituição familiar. Destarte, é quase impossível atualmente a formatação de uma árvore genealógica da família moderna, posto que ela está sob os guantes dos desarranjos domésticos, reflexos das separações, divórcios, novos casamentos, meio-irmãos, agregados etc. Está muito difícil a definição para o termo família considerando as novas formas de relacionamentos

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afetivos. Isso porque entre o namoro, o noivado e o casamento há inúmeras possibilidades de relacionamento que nem sequer constam no dicionário. A estrutura familiar tem suas matrizes na esfera espiritual. Em seus vínculos, juntam-se todos aqueles que se comprometeram, no Além, a desenvolver na Terra uma tarefa construtiva de fraternidade real e definitiva. Precisamos "melhorar, sem desânimo, os contatos diretos e indiretos com os pais, irmãos, tios, primos e demais parentes nas lides do mundo para que a vida não venha nos cobrar novas e mais enérgicas experiências em encarnações próximas. O cumprimento do dever, criado por nós mesmos, é lei do mundo interior a que não poderemos fugir."(1) A velocidade dessas mudanças comportamentais tem estremecido as estruturas fundamentais da família tradicional. Todavia, a família nuclear ainda é considerada por muitos como a ideal. Inobstante sabermos que a família clássica pode criar malfeitores, e um casal no segundo casamento pode se sair muito bem na educação dos filhos. O casamento (união permanente de dois seres), não é contrário à Lei da Natureza, muito pelo contrário. Na Codificação, os Benfeitores espirituais foram categóricos ao afirmar que “é progresso na marcha da Humanidade.”(2) Ora, o casamento implica em um regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua. Por essa razão, o Espírito Emmanuel explica: “essa união reflete as Leis Divinas que permitem seja dado um esposo para uma esposa, um companheiro para uma companheira, um coração para outro coração e vice-versa, na criação e desenvolvimento de valores para a vida”.(3) A família é a célula-máter do organismo social. Qual seria, para a sociedade, “o resultado do relaxamento dos laços familiares, senão o agravamento do egoísmo?”(4) A família, para determinadas religiões e sociedades, é algo indissolúvel. Tempos atrás, a manutenção dessas famílias era somente para manter aparências de respeito e felicidade. Hoje, observam-se famílias se desfazendo por trivialidades. O que é o ideal? A família de "porta-retratos" ou a família que se dissolve na primeira "tempestade moral"? Cremos que o Centro Espírita pode dimensionar os serviços de suporte à família atual, mas não de forma isolada. Deve integrar suas ações com outras instituições, tanto de caráter religioso como social, na busca da melhor qualidade do atendimento individual e coletivo, naturalmente, sem perder sua identidade doutrinária, mas, objetivando o resgate da ordem moral, que deve alicerçar a família como espaço de convivência. No clã familiar de tempos mais antigos, sem dúvida, encontrava-se um espaço de convivência maior entre seus membros, embora não se esteja discutindo sua "qualidade". Na atual arrumação familiar, pelo contrário, e

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apesar das menores dificuldades materiais, encontra-se um espaço menor de convivência. Reflitamos com Emmanuel o seguinte: "ante a luta doméstica, devemos revestirnos de paciência, amor, compreensão, devotamento, bom ânimo e humildade, a fim de aprender a vencer, na luta doméstica.”(5) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Bibliografia: (1) Vieira, Waldo. Conduta Espírita. Ditado pelo Espírito André Luiz. 21a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1998. (2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, item n°. 695. (3) Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1972. (4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, item n°. 775. (5) Xavier, Francisco Cândido e Vieira, Waldo. Leis de Amor, São Paulo: FEESP, 1981.

ADULAÇÕES ELOGIOSAS SÃO PEÇONHAS NA FORMA VERBAL O que uma pessoa tende a valorizar mais: satisfação sexual, dinheiro, comida, álcool, amigos ou elogios? “Pesquisadores avaliaram os desejos e gostos de alguns estudantes universitários sobre uma série de desejos e gostos e os resultados, para surpresa dos estudiosos, indicaram que os voluntários dão mais valor a um elogio ou uma avaliação positiva do que comer sua comida preferida, satisfazer-se sexualmente, beber, receber o salário do mês e até encontrar um melhor amigo.”(1) Portanto, embora surpresos, os pesquisadores confirmaram que o desejo de se “sentir valorizado”, através de elogios, triunfa sobre qualquer outra situação

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prazerosa. Cremos que estamos observando gerações em que uma parcela gigantesca de cidadãos é constituída de adultos condescendentes, imaturos para os obstáculos, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e dotados de uma alucinante certeza de que o mundo lhes deve algo, por isso, exigem ser adulados. Não há dúvida de que a ausência de palavras e frases motivadoras, cada vez mais incomuns nos ambientes domésticos, prejudica a relação parental. Raramente observam-se muitos homens estimulando com palavras edificantes suas mulheres e vice-versa, não se constata regularmente chefes estimulando com sinceridade o trabalho de seus subordinados, não é muito comum pais e filhos estimulando-se com palavras afetuosas. Óbvio que o bom profissional, inobstante não almeje, valoriza uma palavra e estímulo, o bom filho gosta de ser reconhecido, o bom pai ou a boa mãe exultam de ser avaliados positivamente, o bom amigo, a boa dona de casa, a mulher que se cuida, o homem que se dedica, enfim, vivemos numa sociedade em que um precisa do outro; é impossível um homem viver sozinho, e as palavras motivadoras (que não pode resvalar para elogios) são a oxigenação de ânimo na vida de qualquer pessoa. Desde que adentramos nos portais dos ensinos kardecianos, aprendemos que o elogio (ainda que bem intencionado) nos amolece e ilude. E nada existe de mais frágil que uma criatura iludida a seu próprio respeito. É verdade, os Benfeitores nos advertem a fim de que não percamos nossa independência construtiva a troco de considerações humanas (bajulações), posto que a armadilha que pune o animal criminoso é igual à que surpreende o canário negligente. Até mesmo nos momentos de agruras de alguém, “nas horas difíceis, em que vemos um companheiro despenhar-se nas sombras interiores, não olvidemos que, para auxiliá-lo, é tão desaconselhável a condenação, quanto o elogio.” (2) Sussurra a prudência cristã que nunca cederíamos campo à vaidade se não vivêssemos reclamando o deletério coquetel da lisonja ao nosso egocentrismo doentio. Invariavelmente ficamos submissos às injunções sociais quando buscamos aprovação (bajulações) dos outros, “quando permanecemos na posição de permanentes escravos e pedintes do aplauso hipócrita e do verniz, da lisonja, condicionando-nos a viver sem usufruir de liberdade de consciência, submetendonos a ser manipulados pelos juízos e opiniões alheias.”(3) O elogio nos arremessa à presunção, a afetação nos remete à vaidade. Nesse insofreável desejo de chamar a atenção alheia, queremos ser aplaudidos e reverenciados perante os outros. Atualmente adota-se assustadoramente o hábito dos dirigentes incautos de elogiar e exaltar oradores em

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público. Essas pompas e grandiloquências, observadas à volta de alguns oradores famosos, é bem a repetição dos faustos do cristianismo sem o Cristo. A rigor, se alguém vem a público dizer que um orador é "maravilhoso", "fantástico", "brilhante", "inesquecível", "insubstituível" e outras bajulices, logicamente está elogiando e jamais estimulando ou motivando tal “homenageado”. Por essas razões, importa vigiarmos as próprias manifestações, não nos julgando indispensáveis e preferindo a autocrítica ao auto-elogio, recordando que o exemplo da humildade é a maior força para a nossa transformação moral. “Toda presunção evidencia afastamento do Evangelho.” (4) É imprescindível não elogiar (adular) as pessoas que estejam agindo de conformidade com as nossas conveniências, para não lhes criar empecilhos à caminhada enobrecedora, embora nos constitua dever prestar-lhes assistência e carinho para que mais se agigante nas boas obras. O elogio (adulação) é peçonha em forma verbal. Por essa razão, não esqueçamos que “ainda quando provenha de círculos bem-intencionados, urge recusar o tóxico da lisonja, pois no rastro do orgulho, segue a ruína.” (5) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1)‘Disponível no site http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/o-que-agente-valoriza-mais-sexo-dinheiro-comida-alcool-amigos-ou-elogios acessado em 24/03/2011. (2) Xavier, Francisco Cândido. Fonte Viva, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Cap 37. (3) Xavier, Francisco Cândido. Saudação do Natal – Mensagem “Trilogia da vida”, ditado pelo espírito Cornélio Pires, SP: Editora CEU, 1996. (4) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1972, Cap 18. (5) Idem cap 20.

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OS GÊMEOS SIAMESES NUMA ANÁLISE ESPÍRITA Sobre os Espíritos encarnados na condição de gêmeos siameses ou xifópagos (1), lembramos que tradicionalmente o termo siamesa surgiu no século XIX, no ano de 1811, com o primeiro caso no mundo ocorrido com os irmãos Chang e Eng Bunker (origem de Siamesa, atualmente Tailândia) – decorre daí o termo siameses. Chang e Bunker foram conduzidos para a Inglaterra e posteriormente para os Estados Unidos. Por uma questão de programação espiritual, e nem poderia ser diferente, os dois desencarnaram no mesmo dia, com poucas horas de diferença, aos 63 anos, estabelecendo um recorde de sobrevida entre os gêmeos siameses. Pelas leis reencarnatórias, num só corpo não há como reencarnar mais que um Espírito. Todavia, no caso dos seres siameses, existem dois espíritos em corpos unidos biologicamente (grudados), com dois cérebros (dicéfalos), dois indivíduos, duas mentes.(2) Nas reencarnações os Espíritos simpáticos aproximam-se por analogia de sentimentos e sentem-se felizes por estar juntos. Os seres que não se toleram nesse caso se repulsam e são infelizes no convívio. É da Lei! Nos casos dos gêmeos siameses, do ponto de vista reencarnatório, que razões levariam a justiça divina permitir tais anomalias físicas? Por que esses espíritos necessitam permanecer algemados biologicamente, compartilhando órgãos e funções orgânicas, sabendo que nada nos é mais intrínseco (íntimo) e pessoal que o organismo físico? Os xifópagos, via de regra, são dois espíritos ligados por cristalizados ódios, construídos ao longo de muitas reencarnações, e que reencarnam nestas condições, raramente por livre escolha e nem por punição de Deus (aliás, Deus não pune, nem castiga, apenas corrige suas criaturas), mas por uma espécie de determinismo originado na própria lei de Ação e Reação (Causa e Efeito), que os hindus denominam de “karma”. Alternando-se as posições como algoz e vítima e, também, de dimensão física e extrafísica, constrangidos por irresistível atração de ódio e desejo de vingança, buscam-se sempre e culminam se reaproximando em condições comoventes, que os obriga a compartilhar até do mesmo sangue vital e do ar que respiram.

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A vida física dolorida possibilitará que ambos os espíritos, durante a experiência anômala no corpo carnal, finquem laços de união e sustentação moral, catalisando sentimentos de amizade, fraternidade e início provável de reconciliação pelo perdão. Ainda mesmo entre espíritos afins ou simpáticos, a experiência descrita deverá ser uma vivência muito dolorosa, inobstante ambos aceitarem, ou serem forçados a cumprir juntos, visando amenizar traumas morais do passado para robustecer a reaproximação necessária agora e no futuro. Muitas vezes não é possível, de imediato, dissolverem-se essas vinculações anômalas a fim de que haja total recuperação psíquica dos infelizes protagonistas. No decorrer dos anos, a imantação se avoluma, tangendo dimensões cruciais de alteração do corpo perispiritual de ambos. A analgesia transitória, pela comoção de consciência causada pela reencarnação, poderá impactar e recompor os sutis tecidos em desarranjo da alma enferma. Nessas reflexões doutrinárias não há como desconsiderar que os pais são invariavelmente co-participantes do processo, até porque são os vínculos solidários do passado que os impõe a experienciar o drama da vida atual com os filhos. Não podemos afirmar que são vítimas ingênuas de uma lei natural injusta e arbitrária. O reencontro comum pelas afinidades que atraem pais e filhos por simbiose magnética apenas retrata os lídimos mecanismos da lei de causa e efeito à qual todos estamos submetidos. A proposta espírita da questão aponta para algumas soluções que podem contribuir cientificamente com a psicologia e a medicina de hoje e de amanhã, considerando o tratamento. A prática da prece e da doação de energias magnéticas através do passe, por exemplo, são recursos adequados e indispensáveis para despertar consciências e minimizar os traumas psicológicos. Soluções essas que para eles (xifópagos) se descortinam eficazes, iluminando-lhes a consciência para a necessidade da efetiva reconciliação, arrostando a união pelo laço indestrutível e saudável do amor. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Notas: (1) A nomenclatura provém de xifóide que é o apêndice terminal do osso esterno (com s), situado na frente do tórax onde se unem as costelas, isto porque muitos dos xifópagos estudados eram unidos por esta parte do corpo.

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(2) Quando dois espíritos são jungidos à psicosfera materna e ulteriormente ao fluido vital do óvulo, ocorrendo a fecundação, o zigoto (óvulo fecundado) sob a influência das energias espirituais diferentes tende a se repartir. No início da embriogênese quando o ovo inicia sua multiplicação, há em face da presença de dois espíritos, a separação em duas células que formarão dois corpos-filhos. Na circunstância normal quando há duas entidades espirituais ligadas ao ovo (óvulo fecundado), a dita separação determina o surgimento de gêmeos idênticos (univitelineos). Todavia, em se tratando de xifópagos, ambos permanecem grudados durante a gestação consubstanciando na ligação física entre os dois corpos. Muitas vezes essa ligação pode se efetuar através de órgãos vitais obstando a intervenção cirúrgica sem risco de morte para os xifópagos.

SEMITAS DE DUAS REGIÕES COM VÁRIAS HISTÓRIAS Como analisar o conflito entre judeus e palestinos? Se seguirmos a lógica de quem chegou primeiro à região, então os palestinos (antigos filisteus) estão com a razão, pois estavam lá muito antes de Isaque. Neste caso, os judeus deveriam abandonar a Palestina e voltar a ser um povo errante, como era Jacó e seus filhos, ou então deveriam pedir cidadania iraquiana e se mudarem para o Iraque, que é onde ficava a cidade de Ur, de onde saiu Abraão (que também foi pai de Ismael). A questão de utilizar o critério de quem chegou primeiro à região pode gerar dúvidas, pois em que pese os filisteus (antepassados dos atuais palestinos), habitarem aquela terra muito antes dos israelitas, é possível que outros povos tenham sido expulsos pelos filisteus a fim de tomarem o seu lugar. Destarte, os palestinos podem se basear no argumento, não de quem estava primeiro na terra, mas de quem a conquistou. O nó da questão está aí, pois nesse caso, o direito passou para os judeus atuais, que conquistaram a terra dos povos que os antecederam. A rigor, o conflito contemporâneo tem suas matrizes no movimento sionista e na criação do Estado de Israel, não reconhecido pelos palestinos. A situação se intensificou a partir da Primeira Guerra Mundial, quando se deu o fim do Império

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Otomano, e a Palestina, que fazia parte dele, passou a ser administrada pela Inglaterra. A região possuía 27 mil quilômetros quadrados e abrigava uma população árabe de um milhão de pessoas, enquanto os habitantes judeus não ultrapassavam 100 mil. A Inglaterra apoiava o movimento sionista, criado no final do século 19 com o objetivo de fundar um Estado judaico na região palestina, considerada o berço do povo judeu. Após a guerra ocorreu uma grande migração de judeus para o local. Na década de 30, com a ascensão do nazismo na Alemanha e o aumento das perseguições contra os judeus na Europa, a migração judaica para a região cresceu vertiginosamente. Terminada a Segunda Guerra Mundial e o fim do Holocausto, que levou ao extermínio de 6 milhões de judeus, a crescente demanda internacional pela criação de um estado israelense fez com que a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovasse, em 1947, um plano de partilha da Palestina em dois Estados: um judeu, ocupando 57% da área, e outro palestino (árabe) com o restante das terras. Como percebemos, essa partilha desigual em relação à ocupação histórica, desagradou os países árabes em geral. É compreensível que além da questão religiosa, os atuais conflitos tenham também a ver com a territorialidade, com a economia e com relações sociais concretas. Nesse funesto cenário, ficamos apreensivos diante da espetacularização televisa em horário nobre, exibindo os dramas reais que vêm ocorrendo na região, protagonizados por semitas eliminando-se uns aos outros, em atitudes de vindita por complexas causas. Nessa luta desigual os filhos de Isaque detêm o poderio material, possuem armas de guerra potentes, esmagando inapelavelmente os filhos de Ismael, que por deterem apenas pedaços de pedras, apelam para uma espécie de haraquiri com bombas. O reverso dessa situação encontramos na Pátria do Evangelho, posto que árabes e judeus fazem uma competição a serviço do bem. Em São Paulo, por exemplo, essa inteligente rivalidade efetiva-se através da edificação de duas instituições primorosas: o Hospital Sírio-Libanês e o Hospital Albert Einstein. Quando será que na região da Palestina, árabes e judeus travarão uma competição para o bem, em vez de ficarem jogando bombas e pedras uns nos outros? Buscando lá atrás o histórico dos árabes e palestinos, saberemos que descendem de Ismael, filho bastardo de Abraão com Agar, a escrava egípcia de Sara (esposa de Abraão e estéril à época), lembrando aqui que a gravidez foi consentida por Sara. Mais tarde, a esposa de Abraão engravidou e deu à luz Isaque, do qual são descendentes os judeus. Folclórico ou não, pelo fato de possuírem mães diferentes, Isaque (Sara) e Ismael (Agar) deixaram para os descendentes duas nações, dois povos com índole de

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aversão, que vêm brigando um com o outro desde os mais recuados primórdios das gerações oriundas deles, ou seja, há mais de 3.500 anos. Narra-se que por ocasião do desmame de Isaque, seu pai Abraão fez uma grande festa para comemorar o fato, oportunidade em que Ismael cismou de fazer gracejos contra o seu irmão. Sara não aprovou a situação familiar, exigindo de Abraão que rejeitasse Agar e Ismael. Desde então, mãe e filho foram para o escaldante deserto e caminharam por tortuosas rotas de sofrimento. Na tradição bíblica esse episódio está consignado da seguinte forma: “Porque por Isaque será chamada a tua descendência”.(1) Entretanto, há uma referência de benesses divinas igualmente para Ismael, o bastardo. Vejamos: “Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino desde o lugar onde está. Ergue-te, levanta o menino e pega-lhe pela mão, porque dele farei uma grande nação."(2) De que maneira a humanidade atual poderá ajudar palestinos, filhos de Ismael, e Judeus, filhos de Isaque, a solucionar esses dilemas históricos? Seria através dos canais diplomáticos da ONU, da ação dos que lutam pela Justiça, pela Dignidade Humana, pela Paz? Cremos que judeus e palestinos podem conviver, no respeito recíproco, trocando o fuzil pelo abraço, trocando a exclusão pela partilha, trocando a incompreensão pela tolerância. Quem sabe o Espiritismo, nessa conjuntura, possa levar-lhes a Mensagem do Evangelho, consubstanciado na lei do amor, da fraternidade, do perdão, da reencarnação, da comunicabilidade dos desencarnados, transformando gradualmente a lei mosaica e do alcorão, justificados pela lei de talião (olho por olho, dente por dente), que têm gerado, cada vez mais, ódio sobre ódio, tal como estamos assistindo no proscênio dessa estúpida guerra do Oriente Médio! Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referência: (1) Gênesis 21. 12. (2) Gênesis 21:17.

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CHAGAS E CONFLITOS SOCIAIS SÃO REFLEXOS DE SOCIEDADES SEM EVANGELHO Em artigo publicado no jornal Le Monde, o francês Edgar Morin, considerado um dos mais importantes pensadores contemporâneos e um dos principais teóricos da complexidade, faz um balanço extremamente pessimista da primeira década do Século XXI. Para ele, a globalização foi mais uma vez evidenciada pela exportação da crise financeira americana, tendo provocado o crescimento dos regionalismos e dificultado o desenvolvimento de uma visão mais solidária e fraterna do mundo. Considerando que o atual cenário árabe, por exemplo, está em convulsão, ficamos atônitos em face do discurso proferido pelo primeiro-ministro inglês David Cameron, na Conferência sobre a segurança européia, realizada em Berlim, em que “decretou” que o multiculturalismo era impossível, estava terminado! Historicamente, o domínio ocidental se constituiu a partir da expansão européia, no século XV, e promoveu um brutal processo de aculturação mundial. O que chamamos de fundamentalismo islâmico é, na verdade, resistência ao ocidente em quase todos os seus aspectos. Trata-se de um movimento de contra-aculturação. Sabemos que o petróleo levou os países industrializados a interferirem nos assuntos internos do mundo árabe. No mundo muçulmano, a mãe da contra-aculturação foi a Irmandade Islâmica, fundada no Egito em 1928. Ela inspirou a Revolução Iraniana de 1979, que entronizou uma república teocrática islâmica shiíta. Inspirou também o regime talibã, no Afeganistão, a rede Al-Qaeda e os grupos Hamas e Hisbolá, além de outros menos conhecidos. “Edgar Morin acredita que a corrida em direção a novos desastres econômicos e climáticos vai se acentuar na próxima década, até porque após a crise econômica que atingiu quase todos os países, os governos ainda não resolveram controlar minimamente a especulação e capitalismo financeiros. Para a nova década que se inicia em 2011, Morin procura ser menos pessimista citando um provérbio turco: As noites estão grávidas e ninguém conhece o dia que vai nascer”.(1) Não desconhecemos a rejeição que sofrem muitos países excluídos da tecnologia atual. Impera, nos países ricos, a ganância pelo dinheiro, que atinge patamares surrealistas.

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Cremos que as teorias atuais sobre o bem-estar do homem, considerando a psicologia e a economia, estão ainda a longe do ideal. É urgente que novas propostas teóricas interpretem a paz social em termos de valores mais transcendentes. Tais teses comprovarão a assertiva dos Espíritos e do Evangelho de que os bens materiais não trazem felicidade. O Professor da Universidade da Virgínia (EUA), Jonathan Haidt, em seu livro "The Happiness Hypothesis", escreveu: "a família e os amigos são mais relevantes do que o dinheiro e a beleza. Uma condição que nos torna felizes é a capacidade de nos relacionarmos e estabelecermos laços com os demais".(2) Não podemos afirmar que os recursos financeiros são instrumentos do mal, muito pelo contrário, pois o dinheiro (não especulativo obviamente) é suor convertido em cifrão. Mas é urgente que lhe demos funções nobres, lembrando que a moeda no bem faz prodígios de amor. Sem adentramos nas interpretações de historiadores, sociólogos, economistas, psicólogos e de cientistas políticos, o que vemos no mundo atual e ainda amargamos na consciência, são os paradoxos de uma suprema tecnologia na área da informática, da genética, das viagens espaciais, dos supersônicos, dos raios laser, ao lado dos que sobrevivem nos antros subumanos, destroçados com a dengue hemorrágica, com a febre amarela, com a tuberculose, com a AIDS, e com todos os tipos de droga (cocaína, heroína, skanc, ecstasy, crack etc). Ante os conceitos espíritas, sabemos que a Terra é um mundo de expiações e provas, razão pela qual a paz absoluta ainda não se encontra aqui no Planeta, só em mundos mais evoluídos. Em nosso orbe, a tranquilidade social é relativa, consoante consigna o item 20, capítulo V, do Evangelho Segundo o Espiritismo.(3) Um dos pontos cruciais da tese epicurista é que, se temos dinheiro e não temos amigos, nada temos. De acordo com Epicuro, somos influenciados por "opiniões vãs", que não refletem a hierarquia natural de nossas necessidades, enfatizando o luxo e a riqueza, e raramente a amizade, a liberdade e a reflexão. Para muitos apegados ao dinheiro, o Ter é mais importante que o Ser. É comum observarmos confrades espíritas apresentando claros sinais de uma vida confortável, portando-se como se não tivessem a mínima condição de ajudar o próximo através de um serviço de assistência social. Tais confrades usam antolhos e não conseguem visualizar e muito menos entender, que numa sociedade onde o homem seja consciente dos ditames do Criador, isto é, da prática do bem, não haverá violência, sequestros, prostituição, poligamia, traição, inveja, racismo, inimizades, tristeza, fome, ganância e guerras; e mais: não se encontrarão pessoas perambulando pelas ruas, embriagadas, sujas, cabelos desgrenhados, roupas ensebadas, catando coisas no lixo ou esmolando, em razão de quedas morais.

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Porém, infelizmente a cada dia, sucumbem muitos jovens e adolescentes que são comercializados para o mercado da lascívia, algemados nos ambientes regados por alucinógenos e de brutal violência, onde são perpetrados crimes inconcebíveis sob o estímulo da miséria moral. Nesse tétrico e indesejável panorama terreno, a mensagem do Cristo é um remédio de inimaginável potencial de cura, sendo o mais eficaz para a redenção humana. É verdade! Ao Cristianismo está reservada a tarefa de alargar os horizontes dos conhecimentos, nos domínios da alma humana, contribuindo para a solução dos enigmas que atormentam as sociedades contemporâneas de todas as culturas, projetando luz nas questões quase que indecifráveis do destino e das dores morais do homem contemporâneo. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

COM JESUS E KARDEC DEVEMOS FUGIR DAS DIVERGÊNCIAS EXTEMPORÂNEAS Os espíritas estudiosos, sensatos, coerentes e cautelosos não se abalam espiritualmente com o fato de existirem divergências interpretativas da Doutrina dos Espíritos nas hostes do movimento doutrinário atual, especialmente no Brasil. Óbvio! O ideal seria que os estudiosos das obras da Codificação evitassem discussões estéreis em torno de teorias e práticas estranhas ao projeto primordial. Kardec recomenda a busca da UNIDADE visando consolidar as lições acerca dos postulados essenciais. Que todos pensemos e consubstanciemos exatamente igual à programação dos Mentores do além, eles que no século XIX traçaram os roteiros da Nova Revelação nas estradas humanas. Todavia, infelizmente, é com pesar que afirmamos não conseguir vislumbrar a possibilidade de uma instância superior, transcendente, capaz de amenizar as atuais divergências e propor a derradeira palavra em cada conflito interpretativo. Certo é que os responsáveis espirituais do além têm se esforçado para que o movimento espírita seja o menos heterogêneo possível. Destarte é natural a idéia da unificação (isso não é utopia), sempre buscada, mas lamentavelmente dificilmente

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atingível, pois que cada um quer fazer um Espiritismo particular, à moda do centro espírita que dirige ou frequenta etc. A Unificação que poderia denominar-se UNIÃO tem esbarrado na diversidade cultural e intelectual compreensível e natural entre grupos e pessoas, ainda mesmo que convictas dos conceitos comuns relativos aos princípios básicos, a saber: Deus, imortalidade, comunicabilidade, reencarnação, pluralidade de mundos habitados. Inobstante sabermos que a adoção de convicções a respeito desses temas essenciais não elimina a característica de liberdade de pensamento humano, não se pode em nome de tal “liberdade” de expressão e pensamento, entronizarem-se interpretações muitas vezes completamente inversas das propostas pelos Espíritos. Aí está a matriz das artimanhas dos gênios das trevas. Não será com a estimulação de novas buscas (enxertos doutrinários) e múltiplas interpretações sobre os mais diferentes degraus do pensamento, nos vastos círculos de compreensão sobre Deus, o universo, mediunidade, obsessão e, especialmente, terapias desobsessivas que fortaleceremos a programação do Espiritismo para os homens. Na verdade, quanto mais alguns adentram no mundículo acadêmico, vagueando pelas filosofias humanas, que basicamente propõem joguinhos de palavras e idéias girando em torno de raciocínios subjetivos, chegando SEMPRE ao mesmo lugar sem explicar NADA de coerente e lógico, mais críticos e/ou cépticos alguns vão se tornando. Tais intelectuais mais dificilmente assumem como factíveis as interpretações dos conceitos que são cristalinas nas obras sérias. Dizemos isso em relação aos livros consagrados, que as pesquisas e os estudos só tendem a confirmar. Em torno dos estudos mal orientados surgem opiniões díspares que são assimiladas de acordo com esses mesmos postulados, transmitidas pelos livros consagrados pela Codificação Kardeciana. Todo e qualquer conhecimento impõe uma viagem íntima do sujeito cognoscente pelo objeto a ser desvendado. Obviamente, nesse processo não é fácil dispensar a experiência pessoal que confere a cada um variados matizes de percepção a respeito de conceitos, fatos e fenômenos em cuja existência fundamental há consensos gerais. Desta forma, as várias interpretações podem em alguns instantes ser saudáveis se não fugirmos das advertências dos seres espirituais que foram autorizados pelo Cristo para nos ajudar a raciocinar sem divagar idéias em torno do próprio umbigo. Do exposto, a sensatez doutrinária nos induz a afirmar que na medida em que o estudo do Espiritismo nos une no essencial, estimulando o fortalecimento do laço que nos prende uns aos outros, ele também instaura a liberdade do pensamento cristão, ensejando o debate harmônico, livre e democrático, sabendo que se o Espiritismo não propõe desvendar a verdade absoluta em face do estágio moral em

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que nos encontramos, os Espíritos nos trouxeram uma parcela gigantesca da verdade, que infelizmente os pretensos progressistas “libertários” tentam fracionar. O Espiritismo está sendo invadido pelo joio, extremamente prejudicial à realidade que a doutrina encerra, uma vez que vários intelectuais “libertários”, pretensos seguidores/dirigentes, introduzem perigosos modismos à prática Espírita, a exemplo das inócuas terapias desobsessivas e, como se não bastasse, por mera vaidade, ostentam a insana idéia de superioridade sobre Kardec, alegando que o Codificar está ultrapassado. Será crível que Kardec tenha imaginado esse tipo de movimento Espírita? Ah, que falta nos fazem os baluartes da simplicidade kardeciana, Bezerra, Eurípedes, Zilda Gama, Frederico Junior, Sayão, Bitencourt Sampaio, Guillon Ribeiro, Manoel Quintão! Estamos convencidos de que o Espiritismo sonhado por Kardec era o mesmo Espiritismo que Chico Xavier exemplificou por mais de setenta anos, ou seja, o Espiritismo do Centro Espírita simples, muitas vezes iluminado à luz de lampião; da visita aos necessitados, da distribuição do pão, da "sopa fraterna", da água fluidificada, do Evangelho no Lar. Sim! O grande desafio da Terceira Revelação deve ser o crescimento, sem perder a simplicidade que a caracteriza como revelação. Jorge Hessen jorgehessen.net

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ABERRAÇÕES INSTITUCIONALIZADAS NA ÁFRICA A imprensa internacional tem divulgado que a violência sexual tem sido usada como uma arma na República Democrática do Congo, um país em crise após anos de guerra. Uma recente pesquisa revelou que 24% dos homens e 39% das mulheres foram vítimas de estupro no país africano. Não somente no Congo ocorre a violência sexual de estupro ("institucionalizado") mas na África do Sul também, hoje considerada a capital do estupro do mundo. Uma menina nascida no país de Mandela, tem mais chances de ser violentada sexualmente do que de aprender a ler. Surpreendentemente, um quarto das meninas sul-africanas sofrem o coito forçado antes de completarem 16 anos. Este problema tem muitas raízes: machismo (62% dos meninos com mais de 11 anos acreditam que forçar alguém a conjunção carnal por meio de grave ameaça não é um ato de violência). Isto é uma catástrofe humana. Acabar com a cultura do estupro requer uma liderança ousada e ações direcionadas, para assim trazer mudanças para o continente africano. Sob o enfoque espírita será que quando uma mulher sofre um estupro (seja por problemas culturais, seja por desvios de condutas) poderia essa barbárie estar em "seu destino", ou é apenas reflexo moral de uma violência dos tempos difíceis da humanidade atual? Baseado na obras de básicas do Espiritismo, podemos afirmar que não é e nem pode ser determinístico o destino das vítimas de estupros e nem está “escrito” (como se diz!) e nem mesmo faz parte de possíveis "provações" reencarnatórias, pois se isso fosse verdade, seríamos andróides da vida, automatos, nas mãos do destino. Desse modo, os detalhes dos episódios que nos ocorrem não podem estar sob o guante das “escritas do além” ou pré-determinado em nossas provas e expiações. Embora saibamos que pelo prisma da Lei da reencarnação, sempre carregamos os vínculo e compromissos do passado ante a Lei de Causa e Efeito. Doutrinariamente falando, o que dizer mais sobre violências como essa aqui referidas? Existem muitos insanos entre nós. E até questionamos quando pensamos nisso: o que é exatamente sanidade?

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Diz o jargão popular que “a ocasião faz o ladrão”. Desde cedo, ouvimos na escola que o homem é produto do meio em que vive. Tendemos a concordar com isso, porque o meio, através de seus costumes, é que cria o caldo de cultura. Pelo que conhecemos sobre reencarnação, nascemos com uma certa índole decorrente de um projeto feito no plano espiritual. Sem contradizer o que disse acima, é evidente que a nossa tendência (e promessa) será também aplicar o que acordamos com espíritos superiores. Ficamos estarrecidos ao ler e ouvir a reportagem sobre o fato africano. Recentemente ouvimos a notícia de que foi condenada a 12 anos a professora que manteve um relacionamento íntimo com sua aluna aqui no Brasil. Neste caso, apesar ser condenável pela nossa sociedade, parece ter havido alguma afetividade. Perguntamos se isso não seria patológico (?...) Retornemos aos dantescos fatos que se passam no Congo e na África do Sul. É difícil vislumbrar como é exatamente o cenário de crise que vive esses países após terem estado anos em guerra e segregação racial. O que sobra dos valores construídos por um povo? Um espaço delimitado por fronteiras cuja cultura foi depauperada, e onde aqueles que sobrestaram portando armas se portam agora como algozes e que molestam homens e mulheres a esmo, subjugam qualquer um a seu bel prazer. Mas que prazer é esse? Este é o cerne de toda essa questão, não é? Como explicar o comportamento animalesco que assumem esses violentadores? Aliás, de Angola também ouvimos outras tantas barbaridades. Podemos inferir também que esses irmãos (africanos) incorreram no erro que talvez tenham se proposto a reparar antes da reencarnação. Não temos conhecimento mas detalhado como os fatos ocorrem por lá, e não podemos compreender tampouco como descem ao nível sub-humano de molestar barbaramente uma pessoa (que a essa altura está longe de ser um irmão), ostentando uma autoridade que deveria estar sendo utilizada para a recuperação e manutenção da ordem e da dignidade que essa cultura atingiu. Parece que o caos instiga esses “fortes” a caírem no mal, quem sabe, por inspiração de outros desencarnados que se alimentam dessa situação de terror. Se assim for, a ocasião cria de fato um ambiente propício para a aparição do ladrão e das mais nefastas agruras humanas. Em que pese os contrastes da vida social, considerando as várias culturas terrenas, Deus não abdicou do comando dos mundos. Há uma ordem nas coisas e não estamos abandonados por Jesus e pela espiritualidade, que acompanham cada acontecimento e oferece sempre a oportunidade de melhoria para o infrator e o amparo ao que sofre uma ação má. Jorge Hessen jorgehessen.net

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AS MULHERES SEMPRE FORAM OS PILARES DO EDIFÍCIO CRISTÃO A revista Isto É(1) divulgou interessante matéria sobre “As mulheres da vida de Jesus”, demonstrando que elas não foram simples coadjuvantes das passagens que marcaram o cristianismo. Os evangelistas são explícitos quanto à numerosa presença feminina na paixão e ao pé da cruz. Foram elas as testemunhas de momentos-chave dos tempos apostólicos. Historicamente, o patriarcado ancestral tem dominado a trajetória do cristianismo. A exemplo de Deus, o “Pai” e não Mãe, Criador e não Criadora, passando pelos 12 apóstolos e não apóstolas, e culminando com Jesus, Filho e não filha. Curiosamente, contudo, são as mulheres que não só participaram, como protagonizaram boa parte dos momentos cruciais da vida de Cristo. Foi no encontro com Maria que Isabel confirmou o projeto divino à prima, ao anunciá-la como bendita entre as mulheres, além de bendizer o fruto de seu ventre. “Isabel, idosa e estéril, mas grávida de João Batista, representaria o passado que abre caminho e dá as boas vindas ao novo, que é Maria, jovem e grávida de Jesus.” (2) Maria de Magdala (Madalena), que foi libertada de sete algozes espirituais (desobsidiada) por Jesus passou a segui-lo e se tornou importante no ministério cristão. A mais poderosa das demonstrações de confiança do Mestre Jesus em Madalena, e, por extensão, nas mulheres, foi o fato de tê-la escolhido para ser a primeira testemunha de seu ressurgimento após a crucificação. A história de outras duas mulheres próximas de Jesus no Evangelho é exemplo disso. Marta e Maria, irmãs de Lázaro, têm dois episódios marcantes junto ao Messias. A importância das mulheres, aliada ao fato de que muitas não foram identificadas, alimentou um verdadeiro aluvião de lendas sobre o papel que elas tiveram nos momentos apoteóticos do Evangelho. O certo é que o legado feminino deixado pelas mulheres contemporâneas de Jesus tem valor inestimável. Os relatos de Mateus, Marcos, Lucas e João, compilados entre os anos 30 d.C. e 80 d.C., dão enorme importância à presença feminina na Boa Nova.

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É fato! O Cristianismo primitivo foi o primeiro movimento histórico que tentou dar à mulher uma condição de "status" social igual à do homem. Mas com o passar dos anos, o movimento cristão fragmentou-se, e a única vertente que sobreviveu e cresceu sobre a função social da mulher foi a interpretação de Paulo de Tarso, o “Convertido de Damasco”. O “Apóstolo dos Gentios” era formado no rígido patriarcalismo da lei judaica, mesmo tendo realizado profundas transformações morais com relação aos costumes e tradições legados de sua estirpe racial. Ainda assim, após sua conversão, não superou alguns de seus costumes cristalizados, sobretudo em referência às mulheres. Comprovam sua rigidez em relação a elas as suas missivas a Timóteo: "Não permito à mulher que ensine, nem se arrogue autoridade sobre o homem, mas permaneça em silêncio, com espírito de submissão."(3) Ou ainda aos cristãos de Corinto, quando prescreve "Se desejam instruir-se sobre algum ponto, perguntem aos maridos em casa; não é conveniente que a mulher fale nas assembléias."(4) E aos Colossenses, admoesta: "mulheres, sejam submissas a seus maridos, pois assim convém a mulheres cristãs."(5) Percebe-se, sem muito esforço de interpretação, que o apóstolo de Tarso não assimilou, na prática, que a liberdade de consciência que ele apregoava envolvia também os anseios femininos – distorção que o Espiritismo corrigiu, desautorizando qualquer idéia de rebaixamento da mulher em relação ao homem e vice-versa. Em verdade, a mulher é exponencial referência do equilíbrio definitivo do Planeta. Cabe a ela influir decisivamente sobre os seres que reencarnam, transmitindo-lhes a primeira noção da vida. Sabemos que "homem e mulher são iguais perante Deus e têm os mesmos direitos porque a ambos foi outorgada a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir."(6) Não existem sexos opostos, mas complementares. “Em pleno século XXI, temos um cristianismo que, no que diz respeito às mulheres, ainda está na Idade Média.” (7) Portanto, nada mais justo que a luta pela causa de maior liberdade e direito para a mulher. Afinal, na Ordem Divina não há distinção entre os dois seres. Mas, obviamente, urge muita cautela. Os movimentos feministas, não obstante tenham seu valor, costumam cair no radicalismo, querendo fazer da participação natural uma imposição. Muitas vezes, em seus intuitos, ao lado de compreensíveis pleitos, enunciam propósitos que fariam da mulher não mais mulher, mas imitação ridícula e imperfeita do homem. Jamais podemos deixar de lembrar das irmãs Fox, Florence Cook, e das jovens senhoritas que colaboraram intensamente com Kardec na qualidade de médiuns. Segundo informações históricas, as corajosas vanguardeiras da mediunidade

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chamavam-se Julie Baudin, Caroline Baudin, Ruth Japhet e Aline Carlotti. As duas primeiras psicografaram a quase totalidade das questões de O Livro dos Espíritos nas reuniões familiares dirigidas por seus pais e assistidas pelo Codificador.(8) Ruth foi a medianeira responsável pela revisão completa do texto, incluindo adições.(9) Aline fez parte do grupo de médiuns através do qual Kardec referendou as questões mais espinhosas do livro, fazendo uso da concordância dos ensinos (CUEE – Controle Universal dos Ensinamentos dos Espíritos).(10) Atualmente, embora as mulheres ainda não usufruam do prestígio e reconhecimento que tinham nos tempos de Cristo, a força das histórias daquelas que viveram a fé de forma plena, por meio de atos e palavras, deixou sua marca e continua estimulando mudanças estruturais. No século XIX, se o Consolador Prometido não contasse com a mão-de-obra, com a grandeza, com a persistência e com a moralidade feminina, certamente a Doutrina Espírita inexistiria. Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Revista Isto É, edição nº 2146 de 22.dez. 2010. (2) idem. (3) I Tim. 2, 9-13. (4) Coríntios 14, 34-35. (5) Colossenses 3:18 (6) Kardec, Allan. Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2001 pergs. 817 a 822 (7) Revista Isto É, edição nº 2146 de 22.dez. 2010 (8) Revista Espírita, 1858, jan. p.35, Edicel (9) idem. (10) Kardec cita essa última checagem em Obras Póstumas, p.270 (26ªedição da feb). Aline era filha de sr. Carlotti, um dos iniciadores de Rivail nas coisas do invisível em Obras Póstumas há uma mensagem do Espírito de Verdade, recebida pela srta. Carlotti (pag. 281, da edição citada). mais detalhes sobre o principio da verificação universal podem ser encontrados na introdução(II) do Evagelho. Segundo o Espiritismo.

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CHICO XAVIER NA SAPUCAÍ JAMAIS PODERÁ SER UM ENREDO DA RAZÃO Sem querer ser “fiscal do Espiritismo” (como costumam dizer os espíritas “bonzinhos de carteira funcional e crachá”) e ditar regras de falsos purismos e extemporâneos sermões embebidos de ladainhas, não nos omitiremos em comentar a reportagem veiculada pelo jornal O Globo, assinada pelo repórter Rafael Galdo, noticiando que a escola de samba Unidos do Viradouro trará, neste ano de 2011, um carro alegórico contendo a imagem do Francisco Cândido Xavier. Tal iniciativa é para fugir do convencional, a fim de voltar ao Grupo Especial, consoante afirma o carnavalesco Jack Vasconcelos. Nesse projeto que homenageia Momo, uma das apostas da escola de samba é um setor inteiro, no fim do desfile, dedicado ao “espiritismo”(!?). No enredo “Quem sou eu sem você”, Jack fará, no último carro, uma homenagem ao Médium de Pedro Leopoldo. Chico será representado por uma escultura (em que aparecerá psicografando) cercada por 60 componentes, alguns deles “espíritas”(!?), que farão uma performance de “mediunidade” (!?). Todo espírita estudioso sabe que nenhum espírito[a] equilibrado, em face do bom senso que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada, que adormece as consciências, nas festas carnavalescas. (1) Por essa razão, consterna-nos o fato de ver ligado a festas profanas o tema “Espiritismo”, assim como a personalidade impoluta de Chico Xavier. A dita matéria afirma que a diretoria da Federação Espírita Brasileira estaria de acordo com tal projeto, desde que nenhum “preceito do espiritismo seja desrespeitado na apresentação da vermelho e branca”. A diretoria da FEB através do seu Portal na Internet “declara que respeita o direito de todos os que, no uso de sua liberdade de ação, agem no mesmo sentido de colocar a mensagem consoladora e esclarecedora dos ensinos espíritas ao alcance e a serviço de todas as pessoas, onde elas se encontrem, orientando, todavia, para que esse trabalho seja sempre feito preservando os seus valores éticos e doutrinários.” Esse comportamento light, estilo “lava as mãos” é desconsertante. Divulgar a Doutrina Espírita é um ato de caridade para com ela, entretanto, divulgá-la através desse meio não se “preserva os seus valores éticos e

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doutrinários” e é, sem dúvida, deturpá-la em suas bases, causando incalculáveis prejuízos morais, com grande responsabilidade vinculada. Não há como compreender a "neutralidade" da diretoria da FEB, até porque há incompatibilidade total e absoluta entre os objetivos do folguedo momesco e os postulados da Doutrina dos Espíritos. A origem do carnaval remonta as teias primitivas de um passado remoto que devemos, por impulso evolutivo, abandonar urgentemente. O termo carnaval é oriundo de uma festa romana e egípcia em homenagem ao Deus Saturno, quando carros alegóricos (a cavalo) desfilavam com homens e mulheres. Eram os carrum navalis, daí a origem da palavra "carnaval". Há quem interprete a palavra conforme as primeiras sílabas das palavras da frase: carne nada vale. Como festa popular, poderia ser um acontecimento cultural plausível, não fossem os excessos cometidos em nome da alegria. Acompanhar a espetacularização da imagem de Chico Xavier, de André Luiz e de tantos outros irmãos queridos nossos, que tanto contribuíram e contribuem com seus ensinamentos sublimes, aliadas a uma festa que é a própria apologia às piores viciações do ser humano, é o que podemos chamar de cúmulo do paradoxo entre a teoria e a prática Espírita. Por essas razões, recomenda o Espírito André Luiz para "afastar-nos de festas lamentáveis, como aquelas que assinalam a passagem do carnaval, inclusive as que se destaquem pelos excessos de gula, desregramento ou manifestações exteriores espetaculares, pois a verdadeira alegria não foge da temperança.” (2) Estudos demonstram que durante os delírios e farras dos carnavalescos, para cada 100 casais que caem juntos na folia, setenta terminam a noite brigados (cenas de ciúme etc.); que, desses mesmos 100 casais, posteriormente, sessenta sucumbem ao adultério, cabendo uma média de trinta para os homens e trinta para as mulheres; que, de cada 100 pessoas (homens e mulheres indistintamente) no carnaval, pelo menos setenta se submetem espontaneamente a coisas que normalmente abominam no seu dia a dia, como álcool, entorpecentes etc. Dizem ainda que tudo isso decorre do êxtase atingido na “grande festa”, quando o símbolo da “liberdade” e da “igualdade”, mas também da orgia e depravação, somadas ao abuso do álcool, levam as pessoas a se comportarem fora do seu normal. O Espírito Emmanuel adverte: "Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras. (...) Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidades e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem." (3) Na ribalta dos carros alegóricos, os obsessores "influenciam os incautos que se deixam arrastar pelas paixões de Momo, impelindo-os a excessos lamentáveis, comuns por essa época do ano, e através dos quais eles próprios, os Espíritos, se

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locupletam de todos os gozas e desmandos materiais, valendo-se, para tanto, das vibrações viciadas e contaminadas de impurezas dos mesmos adeptos de Momo, aos quais se agarram." (4) "É lamentável que na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza [CARNAVAL] entre as sociedades que se pavoneiam com os títulos da civilização.” (5) Os foliões inveterados alegam que o carnaval é um extravasador de tensões, liberando as energias (?!) Ora!... transbordador de tensões é a capacidade de se arregaçar as mangas e colaborar em regime permanente (sem ôba-ôba) na recuperação das vítimas das cidades serranas do Rio de Janeiro, destroçadas pelas chuvas recentes). É verdade! No período carnavalesco, não encontramos diminuídas as taxas de agressividade e as neuroses. O que se vê é um verdadeiro somatório da violência urbana e de infelicidade familiar. As estatísticas registram como consequências do "reinado de Momo", por exemplo, gravidezes indesejadas e a consequente proliferação de abortos provocados, acidentes automobilísticos, aumento da criminalidade, estupros, suicídios, incremento do uso de diversas substâncias estupefacientes e de alcoólicos, assim como o surgimento de novos viciados, disseminação das doenças sexualmente transmissíveis (inclusive a AIDS) e as ulcerações morais, marcando profundamente certas almas desavisadas e imprevidentes. Os três dias de folia, assim, poderão se transformar em três séculos de penosas reparações. É bom pensarmos um pouco nisto: o que o carnaval traz ao nosso Espírito? Alegria? Divertimento? Cultura? Será que o apelo de Momo faz de nós homens ou mulheres melhores? Edifica o nosso Espírito? Muitos espíritas, ingenuamente, julgam que a participação nas festas de Carnaval, tão do agrado dos brasileiros, nenhum mal acarreta à nossa integridade fisiopsicoespiritual. No entanto, por detrás da aparente alegria e transitória felicidade, revela-se o verdadeiro atraso espiritual em que ainda vivemos pela explosão de animalidade que ainda impera em nosso ser. É importante lembrá-los de que há muitas outras formas de diversão, recreação ou entretenimento disponíveis ao homem contemporâneo, alguns verdadeiros meios de alegria salutar e aprimoramento (individual e coletivo) para nossa escolha. Não vemos, por fim, outro caminho que não seja o da "abstinência sincera dos folguedos", do controle das sensações e dos instintos, da canalização das energias, empregando o tempo de feriado do carnaval para a descoberta de si mesmo, o entrosamento com os familiares, o aprendizado através de livros e filmes instrutivos ou pela frequência a reuniões espíritas, eventos educacionais, culturais ou mesmo o

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descanso, já que o ritmo frenético do dia-a-dia exige, cada vez mais, preparo e estrutura físico-psicológicos para os embates pela sobrevivência. Em síntese, se o carnaval é uma ameaça ao bem-estar social, nós espíritas temos muito a ver com ele, porque uma das tarefas primordiais de nossa Doutrina é a de lutar por dispositivos de preservação dos valores mais dignos da sociedade, sem que se violente, obviamente, o direito soberano do livre-arbítrio de cada um, mas não nos esquecendo que no carnaval sempre ocorre obsessão (espiritual) como resultado da invigilância e dos desvios morais. Somente poderemos garantir a vitória do Espírito sobre a matéria se fortalecermos a nossa fé, renovando-nos mentalmente, praticando o bem nos moldes dos códigos evangélicos, propostos por Jesus Cristo e não esquecendo os divinos conselhos do Mestre: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca''.(6) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Xavier, Francisco Cândido. Sobre o Carnaval, mensagem ditada pelo Espírito Emmanuel, fonte: Revista Reformador, Publicação da FEB fevereiro/1987 (2) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, cap. 37 "Perante As Fórmulas Sociais" (3) Xavier, Francisco Cândido. Sobre o Carnaval, mensagem ditada pelo Espírito Emmanuel, fonte: Revista Reformador, Publicação da FEB fevereiro/1987 (4) Pereira, Ivone. Devassando o Invisível, Rio de Janeiro: cap. V, edição da FEB, 1998 (5) Pereira, Ivone. Devassando o Invisível, Rio de Janeiro: cap. V, edição da FEB, 1998 (6) Mt 26:41

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A EXPERIÊNCIA DE QUASE MORTE CONFIRMA A IMORTALIDADE Kevin Nelson, autor do livro The Spiritual Doorway in the Brain – a “Neurologist’s Search for the God Experience” explicou ao portal de “VEJA” o que acontece no cérebro de quem, na iminência da morte, relata ter antevisto o Além. “A ciência define essas experiências de quase morte como resultado da diminuição do fluxo sanguíneo no cérebro, o que provoca alterações momentâneas na mente, e os estados de consciência podem se misturar, provocando reações como paralisia e alucinações,” (1) segundo o cientista americano. Nelson diz que “a ciência pode dizer como o cérebro funciona, mas não pode dizer por que ele funciona desse jeito. Mesmo se soubéssemos o que faz cada molécula cerebral durante uma experiência de quase morte, ou qualquer outra experiência, o mistério da espiritualidade continuaria existindo.” (2) Kevin crê que a neurociência da espiritualidade ainda está nos seus primórdios e que descobertas futuras muito empolgantes estão por vir. Infelizmente, “muitos neurologistas tendem a não se interessar por experiências subjetivas. Eles estão muito mais interessados em olhar para as células em um microscópio.” (3) O assunto tem despertado interesses cada vez mais vigorosos. Há três décadas, o psiquiatra norte-americano, Raymond Moody Jr. trouxe ao conhecimento do grande público uma coletânea de re latos de EQM - experiência de quase morte (4), através do livro "Life after Life"(5). Os pacientes trazem todos os sintomas de morte clínica. As vítimas flutuam sobre o seu corpo físico, acompanham os acontecimentos e percebem que possuem outro corpo, e que sua consciência acompanha este novo corpo, de natureza extrafísica. Pacientes encontram-se com seus familiares e amigos já falecidos, com imensa alegria. Todos lhe dizem das tarefas desenvolvidas no mundo espiritual, da necessidade de continuar trabalhando, evoluindo e estudando, que os laços familiares não se rompem, pelo contrário, se fortalecem através do amor e do perdão. Nesse momento, não importam as facilidades materiais, a riqueza, o poder, as posições sociais; interessa apenas o bem e o conhecimento que existe em cada pessoa, independente de suas crenças religiosas ou filosóficas. As EQM’s sempre ocorreram, sobretudo em épocas remotas, quando os fenômenos de catalepsia

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dificilmente conseguiam ser diagnosticados. A técnica de constatação do óbito era muito empírica, quase sempre através da respiração e das frequências cardíacas, via pulsos, jugulares etc. Atualmente, através dos eletroencefalógrafos, pode-se assinalar com maior precisão o instante da paragem cardíaca definitiva e da morte real. No entanto, mesmo nesses casos, estudados por Edith Fiore, Elizabeth Kubler-Ross ou Raymond Moody Jr, há sempre o retorno à atividade do coração e consequentemente do cérebro, oferecendo evidências de que no momento da aparente morte da consciência, o ser consciente continua pensando. Para os materialistas não existe, óbvio!, a vida além-túmulo. “Alguns cientistas da clínica universitária Rudolfo Virchow, de Berlim, tentam desmistificar a EQM. Descobriram uma nítida vinculação entre as alucinações de síncope e as EQM e verificaram a "exatidão das suas intuições e hipóteses" com um grupo de 42 (quarenta e duas ) pessoas "jovens e sadias". As cobaias humanas foram privadas de todos os sentidos por tempo máximo de 22 segundos. Ao recobrarem os sentidos, relataram experiências muito similares aos dos fenômenos de quase morte”(6). O assunto também vem sendo estudado pelos norte-americanos desde 1977, quando foi fundada nos EUA a Associação para o Estudo Científico dos Fenômenos de Morte Iminente. Para os pesquisadores engessados no materialismo, as alucinações são causadas por problemas de ordens variadas seja, farmacológica, fisiológica, neurológica e psicológica. Aliás, sobre a explicação psicológica para a EQM como uma síndrome determinada pelo medo da morte cai quando observamos que crianças que não têm esses medos e não têm ainda um conhecimento cultural sobre a morte, vivem experiências semelhantes aos adultos. É interessante colocar que as pessoas descrevem suas experiências como algo vívido e real e que marcaram suas vidas para sempre, e não simplesmente uma reação passageira a uma situação estressante. No ano de 1985, Divaldo Franco teve uma lipotímia.(7) Estava proferindo uma conferência na Associação Espírita, em Salvador (Brasil), quando um espírito muito amigo lhe disse para sair dali porque ia desmaiar e era provável que desencarnasse. Pareceu-lhe anedótico. Divaldo terminou a palestra e dirigiu-se a uma das salas da Associação. No momento em que se acercava de um divã, teve uma estranha sensação de paragem cardíaca; a princípio, a lipotímia, e depois a paragem cardíaca, e sentiu-se fora do corpo. Então, médicos que estavam presentes na reunião acorreram para lhe dar assistência. Curiosamente, o tribuno baiano disse que naquele estado sentia um grande bem-estar. Viu-se fora do corpo e recordou-se de uma afirmação de Joanna de Ângelis - de que no dia em que perdesse a consciência e a visse, haveria acontecido o fenômeno biológico da morte. Narra Divaldo o

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seguinte: “eu olhei à minha volta e não a vi [Joanna]. Vi então a minha mãe (já falecida) que se aproximou de mim. Perguntei-lhe: "Mãe, eu já morri?” e ela disseme: "Ainda não". Dentro de alguns minutos eu comecei a preocupar-me, pois se passasse muito tempo poderia ter morte cerebral e ficar apenas em vida vegetativa. Mas minha mãe voltou e disse-me: "Seus amigos espirituais dão-te uma moratória, tu viverás um pouco mais." E eu perguntei-lhe: "Quanto tempo?” Ela respondeume: "Não sei". Então voltei ao corpo e recuperei a consciência no corpo físico."(8) Para o espírita não existe a morte, pois o Espírito é imortal e sobrevive à decomposição do corpo físico. A morte (ou desencarnação) apenas é um estágio final de um processo evolutivo nesta vida física. Só o corpo morre. Kardec estudou esse envoltório espiritual e denominou-o de perispírito, que tem sido estudado por vários especialistas. Porém, por falta de instrumentos e equipamentos de laboratório, ainda estamos muito longe de conhecer a sua estrutura de funcionamento do psicossoma. O professor Rivail refere-se ao desdobramento ou às chamadas viagens astrais (segundo algumas definições espiritualistas) como o perispírito se desprendendo do corpo, como no sono, no transe hipnótico, desmaios, coma etc. Nesse processo, o perispírito pode atravessar paredes e outros obstáculos materiais e muitas vezes ocorrem fenômenos conhecidos como bilocação, bicorporeidade, exteriorização do dupl o etc. A saída do perispírito do corpo é atualmente cientificamente comprovada. Nos Estados Unidos se usa a sigla OBES, ou seja, out of body experience (experiência fora do corpo). O Dr Gleen Gabbard, psiquiatra da Faculdade de Psiquiatria Menninger. no Estado do Kansas, conta em uma de suas anotações que um homem desdobrado assistiu a uma reunião de pessoas que queriam matá-lo. e graças a isso conseguiu mudar de rota no retorno à casa e surpreendeu os seus perseguidores mandando comunicar os detalhes do plano à polícia e escapou ileso. A imortalidade já é a Lei da Vida, proclamam os Benfeitores espirituais. Entretanto, obviamente devemos acompanhar atentamente o debate dos cientistas contemporâneos a respeito do tema EQM. Em nossos dias, várias escolas, como a psicologia transpessoal, baseam-se em experiências transcendentais e se pautam no argumento da imortalidade. São vários profissionais da área de saúde mental que publicam livros relatando experiências de morte provisória. Há, sem dúvida, atualmente, um movimento universal buscando uma interpretação global do homem. Os ventos das revelações espíritas sopram firmes e fortes, e os laboratórios científicos da academia humana passam a considerar a possibilidade do ser imortal.

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Jorge Hessen Site: http://jorgehessen.net/ Referências Bibliográficas: (1) Kevin Nelson, neurocientista americano, autor do livro The Spiritual Doorway in the Brain – a Neurologist’s Search for the God Experience, disponível no site http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/a-ciencia-da-espiritualidade, acesso em 11-02-11 (2) Idem. (3) Idem. (4) O termo “Experiências de Quase-Morte” (EQM), tradução de “Near-death experienc es”, cunhado pelo psiquiatra americano Raymond Moody Jr., surgiu com a publicação de seu livro “A Vida Depois da Vida”, em 1975 (Butterfly Editora). (5) Moody Raymond. Life After Life, Inglaterra: Ed. Ebury Press, 2001 (6) Publicado no jornal Correio Braziliense edição de 20/09/94 (7) Perda mais ou menos completa do conhecimento acompanhada da abolição das funções motrizes, com integral conservação das funções respiratória e circulatória. A lipotimia se constitui no primeiro grau de síncope: é acompanhada de palidez, suores frios, vertigens, zumbidos nos ouvidos: a pessoa tem a impressão angustiante de que vai desmaiar, mas, de fato, raramente, perderá o conhecimento. O fenômeno pode ser causado por emoção violenta, por súbita modificação da posição deitada para a posição vertical, ou por toda circunstância análoga, susceptível de alterar a circulação. A lipotimia usualmente não é grave e deve ser procurada assistência posterior para averiguação de eventual existência de doença normal desencadeante.

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O CONSOLADOR PROMETIDO ATRAVÉS DAS TELEVISÕES E CINEMAS DO MUNDO A divulgação espírita em profusão pela televisão e cinema brasileiro é uma estratégia da espiritualidade bastante interessante para o programa da Terceira Revelação na Pátria do Evangelho! Principalmente a Rede Globo de televisão, que tem promovido novelas que vão desde a doutrinação evangélica até a defesa imparcial dos preceitos kardecianos, adotando o discurso conciliatório, visando não entrar em rota de colisão as outras crenças religiosas. A teledramaturgia global tem presenteado a humanidade com peças antológicas, a exemplo das telenovelas “A Viagem”, “O Profeta”, “Alma Gêmea”, “Páginas da Vida”, “Mulheres Apaixonadas”, todas com a temática Espírita, estabelecendo linhas de exposições preceituais e difusão concreta das lições imortalistas. Há diversas outras programações nos teledramas da emissora, como “Sinhá Moça”, “Prova de Amor”, “A Casa das Sete Mulheres”, “Escrito nas Estrelas”, propondo o enredo reencarnacionista, ilustrado tecnicamente através de efeitos especiais hollywoodianos. Além dessa clara abordagem allankardeciana na telinha, o mundo contemporâneo está sendo agraciado com uma ampla difusão espírita através da sétima arte, materializada nas inúmeras salas de cinema s deste fantástico país, como ocorreu com os filmes “Bezerra de Menezes” e “Chico Xavier”, ambos retratando a vida dos baluartes do Espiritismo no Brasil. Nessa rota estupenda foi exibida a monumental obra cinematográfica “Nosso Lar”, inspirada na obra do Espírito André Luiz, que retrata minuciosamente os panoramas das dimensões da vida humana para além da tumba. O fenômeno midiático não ocorre somente no Brasil, pois os americanos nessas duas décadas produziram muitos filmes abordando temas espiritualistas. Vale destacar que os quatro mais bem-sucedidos seriados norte-americanos - Cold Case, Supernatural, Médium e Ghost Whisperer - trazem conteúdo doutrinário. O projeto cinematográfico parece ir tão bem nos índices de audiência que até seriados mais conservadores, como Grey’s Anatomy, andam veiculando mensagens que nos remetem ao “além-túmulo”. Na segunda temporada da série, Meredith Grey,

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protagonista da história, fica entre a vida e a morte, numa experiência de quase morte, e encontra-se com inúmeros desencarnados. Seriam as visões de Grey apenas reações químicas do cérebro inconsciente? Seriam experiências reais com o mundo dos Espíritos? Os autores deixam ao telespectador a liberdade de julgar. Sarcasticamente, alguns ignorantes estão vociferando que, “se o gnosticismo é a filosofia do mundo moderno politicamente correto, o espiritismo, com toda a sua retórica “açucarada” e relativista, é a religião da vez!” A despeito das vozes enfurecidas dos céticos materialistas e espiritualistas fanáticos que ora estão rejeitando a “invasão” de técnicas informativas sobre a vida espiritual, a massa media continuará fazendo livremente (graças a Deus!) a divulgação do Espiritismo e o chamado mundo cult (1), obviamente agradecendo e aplaudindo de pé as ofertas de “produtos" de transcendente valor moral contidos na Terceira Revelação. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referência: (1) Cult ou clássico cult é a denominação dada aos produtos da cultura popular que possuam um grupo de fãs ávidos. Geralmente, algo cult continua a ter admiradores e consumidores mesmo após não estar mais em evidência, devido à produção interrompida ou cancelada. Muitas obras e franquias, inclusive, atingem status de cult depois que suas "vidas úteis" supostamente expiraram. A palavra cult, em inglês, significa culto, que realmente é o que parece alguns grupos de "seguidores". Os adeptos geralmente se dedicam a manter contato entre si, através de convenções, grupos de discussão na internet e lojas especializadas. Manifestações desse tipo são os fatores responsáveis pela longevidade cultural dessas obras. Vários grupos de adeptos são tão ativos que inclusive recebem denominações, como os trekkers (fãs da franquia Star Trek) ou os otakus (admiradores de anime e mangá). As denominações dadas aos grupos de fãs passam a ser parte do universo em volta do artefato cultural de adoração, tomando parte na visão geral no inconsciente popular em relação à obra.

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NÃO HÁ COMO TOLERAR MILITÂNCIA POLÍTICA DENTRO DAS HOSTES ESPÍRITAS O Portal do G1 realizou uma enquête na Câmara dos Deputados a fim de saber qual a religião dos parlamentares. Dos 414 deputados consultados, 309 se declararam católicos e 43 evangélicos. Os parlamentares que se declararam “espíritas”(!?) foram 8. Outros 13 disseram ser cristãos, mas não especificaram se seguem uma religião. Oito se disseram agnósticos. Para nós, os espíritas, esse quadro estatístico nada significa. Por uma questão muito elementar: “não há representantes oficiais do espiritismo em setor algum da política humana", segundo André Luiz. (1) A Doutrina Espírita não estimula o engajamento em idéias e políticas partidárias. Não coloca sua tribuna a serviço da propaganda política de candidatos, de partidos ou de movimentos políticos. Em que pese a idéia de que "o problema não é de como o espírita entra na política, mas de como dela sai", o espírita, se estiver vinculado a alguma agremiação partidária, se deseja concorrer como candidato a cargo eletivo, tem total liberdade de ação, mas que atue bem longe dos ambientes espíritas, para que tudo que fizer ou disser, dentro da Instituição Espírita, não venha a ter uma conotação de atitude de disfarçada intenção, visando conquistar os votos de seus confrades. É inadmissível trazer para dentro dos Centros ou Instituições Espíritas a política partidária, embora, como cidadão, cada espírita tenha a liberdade de militar no universo fragmentado das ideologias políticas. Mas o Espiritismo não é fragmento da política partidária, e nem tampouco envolve-se com grupos políticos sectários, que utilizam meios incoerentes com os fins de poder. A política do legítimo espírita é a favor do ser humano e de seu crescimento espiritual. Não se submete e não se omite diante do poder político, e nem tampouco assume o lugar de oposição ou de situação. Elucida Emmanuel que "o discípulo sincero do Evangelho não necessita respirar o clima da política administrativa do mundo para cumprir o ministério que lhe é cometido. O Governador da Terra, entre nós, para atender aos objetivos da política do amor, representou, antes de tudo, os interesses de Deus junto do coração humano, sem necessidade de portarias e decretos, respeitáveis, embora".(2)

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A rigor, "iniciados na luz da Revelação Nova, os espiritistas cristãos possuem patrimônios de entendimento muito acima da compreensão normal dos homens encarnados."(3) Por isso mesmo, sabem à saciedade que "a missão da doutrina é consolar e instruir, em Jesus, para que todos mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da vida. Trocá-la por um lugar no banquete dos Estados é inverter o valor dos ensinos, porque todas as organizações humanas são passageiras em face da necessidade de renovação de todas as fórmulas do homem na lei do progresso universal."(4) Se o mundo gira em função de políticas econômicas, administrativas e sociais, não há como tolerar militância política dentro das hostes espíritas. Os Benfeitores espirituais nos advertem que não se sustentam as teses simplistas de que só com a nossa participação efetiva nos processos políticos ao nosso alcance ajudaremos a melhorar o mundo. Recordemos que Jesus cogitou muito da melhora da criatura em si. Não nos consta que Ele tivesse aberto qualquer processo político-partidário contra o poder constituído à época. Nossa conduta apolítica não deve ser encarada como conformismo. Pelo contrário, essa atitude é sinonímia de paciência operosa, que trabalha sempre para melhorar as situações e cooperar com aqueles que recebem a responsabilidade da administração de nossos interesses públicos. É importante lembrarmos que, nas pequeninas concessões, vamos descaracterizando o projeto da Terceira Revelação. Por isso mesmo urge que façamos uma profunda distinção entre Espiritismo e Política. Somos políticos desde que nascemos e vivemos em sociedade. Isso é real, porém a Doutrina Espírita não poderá, jamais, ser veículo de especulação das ambições pessoais, nesse campo. Pela transformação do comportamento individual, lutando pelo ideal do bem, em nome do Evangelho, os espíritas não estão alheios à Política; engana-se quem pensa o contrário. Os ESPÍRITAs honestos, fieis à família, aos compromissos morais, são integralmente cidadãos ativos, que exercem o direito e/ou obrigação (depende do ponto de vista) de votar, porém sem vínculos com as querelas e questiúnculas partidárias. O Espiritismo não pactua com irrelevantes e transitórios interesses terrenos. Estamos investidos de compromisso mais imediato, ao invés de mergulharmos no mundo da política saturada por equívocos lamentáveis. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referência bibliográficas: (1) VIEIRA, Valdo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de janeiro: FEB, 2001, Cap. 10

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(2) Xavier, Francisco Cândido. Vinha de Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, cap. 59 (3) Xavier, Francisco Cândido. Vinha de Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, cap. 60 (4) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1984, pergunta 60

TRAGÉDIA COLETIVA NO RIO DE JANEIRO ANTE A LEI DE CAUSA E EFEITO Com o desequilíbrio ambiental (aquecimento global) em pleno verão, chuvas violentas são consequentes, e a tragédia das enchentes, dos desabamentos, dos desabrigados, se repetem, variando apenas o número de mortos e desaparecidos em decorrência desse fenômeno. Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, têm ocupado vasto espaço no noticiário, comovendo-nos mediante tantas vidas destruídas. Nesses episódios, as imagens midiáticas, virtuais ou impressas, mostram-nos, com colorido forte, as tintas do drama de inúmeros estragos, enquanto a população recolhe o que sobrou e chora seus mortos. Muitos ficam em estado de extrema revolta contra tudo e todos, mas não nos esqueçamos que nos Estatutos de Deus não há espaço para injustiças, razão pela qual os flagelos destruidores ocorrem com o fim de fazer o homem avançar mais depressa. A destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, em cada nova existência, um novo grau de aperfeiçoamento. A Lei de causa e efeito ainda é coisa obscura para a humanidade, principalmente para aquelas pessoas que vivenciam a tragédia. Aquele que vê sua família dizimada dificilmente raciocinará; ele simplesmente não compreenderá os motivos para isso, porque não consegue ver que causas poderiam levar a tamanha perda e na forma como ocorre. É um momento de desespero, em que a visão se turva e não se é capaz de pensar em outra coisa que não seja a “injustiça”, embora que no plano espiritual o processo esteja ocorrendo de outra forma, com a harmonia da Lei Maior.

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Nesses tristes fatos é comum emergir a indagação clássica: qual a finalidade desses acidentes, que causam a morte conjunta de várias pessoas? Como a Justiça Divina pode ser percebida nessas situações? Sendo Deus a Bondade Infinita, por que permite a morte aflitiva de tantas pessoas indefesas? Os Espíritos elucidam a questão afirmando que "as expiações e/ou as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do homem, desde que sejam aceitas por amor a Deus".(1) Encarando, porém, a vida sem a compreensão das leis da consciência e do processo da reencarnação, não poderemos explicar a Justiça de Deus – principalmente nos casos brutais de mortes coletivas. Nos casos tão dramáticos ocorridos nas serras “cariocas”, encontraremos uma justificativa plausível para os respectivos acontecimentos, se analisarmos atentamente as explicações que só a Doutrina Espírita nos fornece, para confirmar que, até mesmo nessas tragédias, a Lei de Justiça se faz presente, pois, como nos afirma Allan Kardec, não há efeito sem que haja uma causa que o justifique. Todos os que pereceram nessas circunstâncias carregavam na alma motivos para se ajustarem com a Lei Divina, a fim de amortizar seus débitos com a indefectível e transcendente Justiça, encontrando aí a oportunidade sublime do resgate libertador. “Salvo exceção, pode-se admitir, como regra geral, que todos aqueles que têm um compromisso em comum, reunidos numa existência, já viveram juntos para trabalharem pelo mesmo resultado, e se acharão reunidos ainda no futuro, até que tenham alcançado o objetivo, quer dizer, expiado o passado, ou cumprido a missão aceita.”.(2) Naturalmente a Lei é para todos nós. Emmanuel lembra que “quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente. E antes de reencarnarmos, sob o peso de débitos coletivos, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos quitar a dívida, porém, o fato, por si só, não é determinístico, até porque dependem de circunstâncias várias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida. Conforme ensinou Pedro, “o Amor cobre uma multidão de pecados”(3), portanto, podemos resgatar, através da prática do Bem, o equívoco praticado em outras instâncias. De fato! Engendramos a culpa e nós mesmos movemos os processos destinados a extinguir-lhe as consequências. E Deus se vale dos nossos esforços e compromissos de resgate e reajuste a fim de direcionar-nos a estudos e progressos invariavelmente mais amplos no que tange à nossa segurança psíquica. É por essa razão que, de

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todas as tragédias humanas, nos retiramos com mais experiência e mais luz na mente e no coração, para defender-nos e valorizar a vida. A situação no Rio é comovedora, como sinistro foi o terremoto no Haiti, o tsunami na Ásia. Ainda aqui, Emmanuel esclarece: “lamentemos sem desespero quantos se fizeram vítimas de desastres que nos confrangem a alma. A dor de todos eles é a nossa dor. Os problemas com que se defrontaram são igualmente nossos. Não nos esqueçamos, porém, de que nunca estamos sem a presença de Misericórdia Divina junto às ocorrências da Divina Justiça, que o sofrimento é invariavelmente reduzido ao mínimo para cada um de nós, que tudo se renova para o bem de todos e que Deus nos concede sempre o melhor.”(4) Inobstante, para o encarnado comum esse argumento emmanuelino não fazer muito sentido. Diante de tantos e lúcidos esclarecimentos dos Benfeitores, não mais podemos ter quaisquer dúvidas de que a Justiça Divina exerce sua ação, exatamente com todos aqueles que, em algum momento, contrariaram a harmonia da Lei de Amor e Caridade, e por isso mesmo, cedo ou tarde, defrontar-nos-emos inexoravelmente com a Lei de Causa e Efeito, ou, se preferirmos, com a máxima proferida pela sabedoria popular: “A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências: (1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989 (2) Kardec, Allan. Obras Póstumas, RJ: Ed Feb, 1993, Segunda Parte, pág. 215, no Capítulo: Questões e problemas. (3) I Pedro, 4:8 (4) Xavier, Chico. Mensagem ditada pelo Espírito Emmanuel, reunião pública, na noite de 28 de fevereiro de 1972, em Uberaba, Minas Gerais.

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A ANOREXIA NUMA SUCINTA ANÁLISE ESPÍRITA A jovem francesa Isabelle Caro, após sofrer todo tipo de constrangimentos físicos e morais, desencarnou no dia 17 de novembro de 2010. Caro foi a “modelo” que se tornou mundialmente conhecida após mostrar seu corpo “esqueleticamente nu” para as imagens midiáticas, na tentativa altruística de advertir as jovens das passarelas da moda sobre as consequências da anorexia, doença que sofria desde os 13 anos. Segundo o informe do Instituto Nacional de Saúde Mental Norte Americano (NIMH), as desordens alimentícias apresentam as taxas de mortalidade mais altas de todas as patologias mentais. Na década de 1970, Karen Carpenter, cantora do grupo Carpenters, também desenvolveu anorexia nervosa. Ela tentou, em 1982, tratamento com renomados psicanalistas americanos, porém, no ano seguinte, Karen, com 32 anos, desencarnou em decorrência de uma parada cardíaca. Escrevemos para a Revista Eletrônica O Consolador um artigo (1) sobre o drama de Terri Schiavo, uma mulher da Flórida-EUA, que esteve em estado vegetativo por longos 15 anos e que foi desconectada do tubo que a alimentava, depois de um intenso debate entre seus familiares, o governo americano e os tribunais. Embora não seja citado no artigo, Schiavo sofreu um ataque cardíaco em 1990, decorrente de anorexia, o que a levou ao dramático estado de coma. Nos anos que vão de 1200 a 1500, na Europa Medieval, muitas mulheres faziam prolongados jejuns, e por se conservarem vivas apesar do seu estado de inanição, eram tidas como santas ou milagrosas. O termo "anorexia santa" foi cunhado por Rudolph Bell que, valendo-se de uma moderna teoria psicológica que explicava o jejum, classificou-o como sintoma de anorexia. Sob o pretexto de que as mulheres alcançariam posição espiritual mais elevada, conservando-se distantes dos prazeres sexuais e comprometendo-se com Deus, a Idade Média as forçou a praticar o jejum. O registro da manifestação da anorexia, no entanto, não teve início nesse período, mas este é, sem dúvida, um momento de capital importância no estudo dos possíveis paralelos entre as diversas culturas históricas. A anorexia nervosa é um transtorno alimentar cujo quadro psiquiátrico é de 95% dos casos em mulheres adolescentes e adultas jovens, que perdem o senso crítico

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em relação à imagem corpórea. Sua etiologia, na essência, é pouco conhecida. Pode ser determinada por diversos fatores que interagem entre si de modo complexo para produzir, e muitas vezes perpertuar, a enfermidade. Fatores genéticos, psicológicos, sociais, culturais, nutricionais, neuroquímicos e hormonais atuam como predisponentes, desencadeantes ou precipitantes e mantenedores do quadro patológico. Os transtornos alimentares também costumam ter como desencadeante algum evento significativo como perdas, separações, mudanças, doenças orgânicas, distúrbios da imagem corporal (como a insatisfação da semelhança corporal da mãe), depressão, ansiedade e até mesmo traumas de infância. Na anorexia nervosa, traços como baixa autoestima ou auto-avaliação negativa, obsessividade, introversão e perfeccionismo são comuns e geralmente permanecem estáveis mesmo após a recuperação do peso corporal. Sob o ponto de vista espírita, afirmamos que a causa do distúrbio dessa “doença nervosa” pode ter a sua matriz nos arcanos profundos do inconsciente. Aí estão registrados com som, imagens e movimentos os históricos de vida de cada um. Nesse sentido, a anorexia é um reflexo dos complexos adquiridos em vidas pregressas e/ou concomitante aos registros das experiências de período infantil da vida atual. Os dardos magnéticos acondicionados no “corpo espiritual” (termo usado por Paulo de Tarso), são projetados na indumentária física, desarranjando, por conseqüência, as funções endocrínicas e neurológicas, culminando no aparecimento de doenças físicas e psicológicas de muitos realces que desafiam a medicina contemporânea. Ainda sob a perspectiva kardeciana, podemos afirmar que o maior agravante de qualquer doença é a obsessão espiritual, hoje uma verdadeira pandemia na Terra. A sociedade vem sofrendo processos obsessórios preocupantes. A influência do materialismo cresce incessantemente. Os valores morais estão sendo corrompidos com espantosa velocidade. Nunca o mundo precisou tanto dos ensinos espíritas como nos tempos atuais, em que anoréxicos definham seus corpos até a morte. Vivenciamos instantes em que se aguça o individualismo, enodoando o tecido social, e nos vendavais da tecnologia somos remetidos aos acirramentos das desigualdades e isolamentos, estabelecendo-se níveis de conforto e exclusão sociais nunca antes experimentados. Nesse autêntico amálgama, usando e abusando do livre arbítrio, cada qual vai colhendo vitórias ou amargando derrotas, segundo o grau de experiência conquistada. Uns riem hoje, para chorarem amanhã, e outros que agora se exaltam, serão humilhados depois. Devemos interrogar a própria consciência, passando em revista os atos cotidianos, para a identificação dos desvios do deveres que deveriam

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ter sido cumpridos e dos motivos alheios de queixa por conta dos nossos atos. Revisemos periodicamente nossas quedas e deslizes no campo moral, ativando a memória para nos lembrarmos dos tantos espinhos que já trazemos cravados na "carne do espírito"(2), tal como ensina o “convertido de Damasco”. Estes espinhos nos lembrarão a nossa condição de enfermos em estágio de longa recuperação, necessitados de cautela. Na anorexia de matizes nervosas a cura não é fácil e exige apoio familiar, porque é uma patologia com raízes sociomentosomático e espiritual. O primeiro passo, e o mais importante, é convencer o anoréxico que está doente, que deve ser tratado antes que seja tarde demais. Não obstante, o emprego de fármacos para o tratamento ter poucos efeitos concretos, motivo pelo qual seu uso tem sido limitado. Todavia – graças a Deus! – o mal não é invencível; pelo contrário! Nos centros espíritas, podem-se encontrar tratamentos eficazes através do passe magnético, da água fluidificada, do atendimento fraterno, da desobsessão. A revista Reformador, da FEB, entrevistou o Dr. Elias Barbosa e o indagou se, na condição de dirigente espírita ou psiquiatra, teve oportunidade de interagir com o Chico Xavier para o atendimento de pessoas em desequilíbrio. O médico espírita explicou que “em todos os casos gravíssimos, geralmente de esquizofrenia e anorexia nervosa, sempre solicitava ao Chico para que o ajudasse no Sanatório, às vezes com a simples imposição das mãos sobre os enfermos.”.(3) Buscar o perfeito equilíbrio entre o corpo físico e o espiritual é tarefa que compete a cada um de nós, porque, por intermédio do primeiro temos ensejo de realizar atividades no bem na matéria; por intermédio do segundo depuramos aquele e chegamos a planos mais evoluídos da Criação. Não esquecendo que Deus tem Suas leis regendo todas as nossas ações. Se as violamos, assumimos os ônus. “Indubitavelmente, quando alguém comete um excesso qualquer, Deus não profere contra ele um julgamento. Ele traçou um limite. As enfermidades e, muitas vezes a morte, são consequência dos excessos. Eis, aí, a punição; é o resultado da infração da lei. Assim é tudo.”.(4) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências: (1) Hessen, Jorge. Artigo “Somente Deus tem o direito de dispor da vida humana” disponível no site acesso em 09-01-2011

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(2) 2ª Epístola de Paulo aos Coríntios- 7 – “E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar”. (3) Elias Barbosa, entrevista para Reformado da FEB disponível no site http://www.febnet.org.br/reformadoronline/pagina/?id=199 acesso em 10-01-2011 (4) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, questão 964.

INVASÃO DE PRIVACIDADE ELETRÔNICA E ADULTÉRIO NUMA ANÁLISE KARDECIANA Diante da infidelidade conjugal, várias pessoas apresentam duas fases de reação: protesto e desespero. Na primeira, a pessoa se contorce, grita, chora, implora por uma nova chance. Já na segunda fase, a reação será muito parecida com a de pacientes em depressão: falta de vontade de interagir socialmente, perda de apetite, insônia e desinteresse por qualquer atividade. Mas o americano Leon Walker, de Michigan, acessou o correio eletrônico de Clara, sua esposa, para confirmar que ela estava tendo um caso extraconjugal. Walker informou que “invadiu” a caixa postal da esposa visando proteger os filhos do casal. Há quem se espante com o fato e faça julgamento antes moralista do que moral. Estamos num estágio social em que o mundo virtual é o real, mas ele nos surge como sonho. Alguns sonham com cuidado, outros se perdem nos sonhos. Em todos esses sonhos, há o perigo dele virar pesadelo, como ocorreu com Walker. Para Jéssica Cooper, promotora do caso, o marido traído agiu de “má fé”, e qual um habilidoso “hacker”, invadiu a privacidade da esposa a fim colher material de prova contra ela. O instigante do fato é que, além de ser traído, Leon Walker ainda poderá ser condenado a 5 anos de cadeia, de acordo com as leis norte-americanas. Nessa confusão cibernética, Clara, a esposa infiel, saiu pela tangente e requisitou o divórcio.(1) Como hierarquizar os dois temas do episódio de Michigan, sob o viés metodológico kardeciano? Em verdade, os delitos (invasão de privacidade

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eletrônica e o adultério) são comprometedores para os seus autores, contudo, imaginamos que nos recessos da consciência do casal, a chibatada na emoção por prática de adultério, tem maior repercussão em face da Lei de Causa e Efeito. Imaginem se o fato ocorresse no Irã! O final da história teria nuanças mais trágicas para Clara. Por essa razão, o nosso argumento explorará doutrinariamente a questão da infidelidade conjugal e, sob o enfoque jurídico, a invasão de privacidade, lembrando que, se a intromissão eletrônica é uma transgressão às leis humanas, prevista sob os estrábicos códigos jurídicos, o adultério estremece mais diretamente a mente desprevenida, obstando sonhos reais de felicidade. “Há mais ou menos dois anos o principal executivo da Sun Microsystems, Scott McNealy proferiu sua solene – e sombria – assertiva de que a privacidade na Internet é igual a zero e que isto jamais iria mudar”.(2) Especialistas afirmam que o que mais cresce na bisbilhotagem online é a invasão a residências. A SpectorSoft, uma fabricante de equipamentos de espionagem, começou vendendo seus produtos para pais e patrões. Contudo, as vendas explodiram mesmo foi quando a empresa mudou seu programa para cônjuges e parceiros românticos. O Spector 2.2, uma vez instalado no computador, “fotografa” secretamente todos os sites, chat groups e emails visitados ou enviados e os salva em um arquivo secreto que possibilita à pessoa que está bisbilhotando examiná-los posteriormente. Esse é o preço que a sociedade contemporânea paga pelo avanço da Tecnologia da Informação (TI), apesar de muitos cidadãos ainda não terem se dado conta de que seus passos estão sendo monitorados pelas instituições públicas ou privadas. A noção do direito à intimidade é inata ao homem, tida pela maioria dos juristas como um direito natural, o qual advém da própria natureza humana, independentemente de declaração objetiva de tal direito em norma escrita. Dos gregos clássicos aos chineses, bem como ocorre com a própria Bíblia, doutrina-se a necessidade do respeito ao direito à intimidade, justificada como a necessidade de se preservar o recanto do indivíduo e as consequências de sua privacidade. Em 1948 foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos do Homem, e em seu artigo 12 prescreve: “ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda pessoa tem direito à proteção da lei.”. Para muitos juristas, há sinonímia entre o direito à intimidade e o direito à privacidade, pois ambos exprimem o mesmo significado, qual seja, representa a prerrogativa que o indivíduo tem perante todos os demais, inclusive o Estado, de ser mantido em paz no seu recanto. Representa, pois, o mecanismo de defesa da personalidade humana contra ingerências ou injunções alheias ilegítimas.

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Porém, outros estudiosos sustentam que o direito à intimidade representa o âmbito exclusivo que alguém reserva para si, sem nenhuma repercussão social. No Brasil, o direito à privacidade é previsto pela Constituição de 1988, cujo artigo 5º – incisos X e XII – estabelece que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.”. Destarte, para estudiosos, toda investida sobre tal situação é ilegítima, seja pela escuta clandestina de conversas, através de meios eletrônicos, pela captação de imagens ou fotos de pessoas por meios sub-reptícios ou ainda pelo monitoramento unilateral de e-mails de outrem. É inviolável o sigilo das correspondências e das comunicações telegráficas, de dados, e das comunicações telefônicas, salvo em último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e nas formas que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. A outra questão é o adultério, e para comentar doutrinariamente o tema, importa recorrermos à sentença do Cristo que diz: “atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado.”.(3) Esta sentença faz da indulgência um dever para nós outros porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. “Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de profligarmos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.”.(4) O Espírito Emmanuel(5) diz que é curioso notar que Jesus, em se tratando de faltas e quedas, nos domínios do espírito, haja escolhido aquela da mulher, em falhas do sexo, para pronunciar a sua inolvidável sentença. Todavia, dos milenares e tristes episódios afetivos que reverberam na consciência humana, resta, ainda, por ferida sangrenta no organismo da coletividade, o adultério que, de futuro, será classificado na patologia da doença da alma, extinguindo-se, por fim, com remédio adequado. Mas o adultério ainda permanece na Terra, por instrumento de prova e expiação, destinado naturalmente a desaparecer, na equação dos direitos do homem e da mulher, que se harmonizarão pelo mesmo peso, na balança do progresso e da vida. Quando cada criatura for respeitada em seu foro íntimo, para que o amor se consagre por vínculo divino, muito mais de alma para alma que de corpo para corpo, com a dignidade do trabalho e do aperfeiçoamento pessoal luzindo na presença de cada uma, então o conceito de adultério se fará distanciado do cotidiano, de vez que a compreensão apaziguará o coração humano e a chamada desventura afetiva não terá razão de ser.(6) Sobre o equívoco de Clara, a esposa infiel, confessamos que não dispomos de recursos para examinar as consciências alheias e cada um de nós, ante a Sabedoria Divina, é um caso particular, em matéria de amor, reclamando compreensão. À

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vista disso, segundo Emmanuel, “muitos de nossos erros imaginários no mundo são caminhos certos para o bem, ao passo que muitos de nossos acertos hipotéticos são trilhas para o mal de que nos desvencilharemos, um dia!...”. (7) Por essas razões, auscultemos nos recessos profundos da consciência a oportuna advertência de Emmanuel que diz: “diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for e como for, coloquemo-nos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as nossas tendências mais íntimas e, após verificarmos se estamos em condições de censurar alguém, escutemos, no âmago da consciência, o apelo inolvidável do Cristo: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.”.(8) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Bibliografia de Referência: (1) Para Frederick Lane, advogado especialista em privacidade eletrônica, cerca de 45% dos divórcios nos EUA envolvem incidentes com e-mail, Facebook e outras ferramentas virtuais. (2) Gueiros, Junior, Nehemias. Insegurança na Internet: Há remédio?. Disponível na Internet: http://www.mundojuridico.adv.br. Acesso em 07 de janeiro de 2011. (3) João 8:7 (4) Kardec, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1977, item 13, do Cap. X, (5) Idem. (6) Idem. (7) Idem. (8) João 15:12

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ESTRANHOS MOVIMENTOS ESPÍRITAS O “movimento espírita” está indesejavelmente fracionado. Têm surgido várias correntes ideológicas estranhas e muitos reformadores (“progressistas”) interpretando Kardec equivocadamente. Querem adaptar o Espiritismo aos seus pendores a invés de se adaptarem à Terceira Revelação. Existem grupos (Ligas, Uniões etc.) alavancados na difusão das chamadas “campanhas do quilo” (atualmente bem arrefecidas) impondo ao movimento doutrinário práticas inspiradas nas supostas curas “desobsessivas” por corrente magnética e choques anímicos, apometrias e outras..., contrariando o projeto dos Espíritos, segundo a Codificação. Há um inusitado “movimento laico”, repudiando o aspecto religioso da Doutrina. Aliás, o projeto de tal segmento é a extinção da pergunta 625 (1) do Livro dos Espíritos. Têm aversão e não aceitam, nem com “reza braba”, a liderança de Jesus nos destinos do Planeta. Tais títeres da ilusão e “laicos” não querem nem ouvir falar da tal CARIDADE. Desfraldam a bandeirola da retórica do “livre-pensamento”, utilizando o paradigma da “surrada dialética” almejando tumultuar o movimento espírita brasileiro. Não há como deixar de citar o tal “movimento de unificação” liderado por algumas federativas (aqui fazemos ressalva à Federação Espírita do Paraná), propondo incompreensível hierarquização no movimento espírita, submetendo os espíritas à sua ordem quase sempre promovendo e comercializando livros de conteúdos estranhos e autores de reputação moral discutível, além de promoções de encontros “espíritas” não gratuitos. Urge sejam evitadas as apelações para comercializações de livros espíritas caros, agenciamentos de eventos doutrinários (não gratuitos), lotações de hotéis e centros de convenções com seminários e congressos (não gratuitos). Recordemos que o ideal de União (diferente de Unificação burocratizada) será projeto pouco produtivo enquanto ainda existir nos centros e federativas as "panelinhas", as bajulação e traições para conquistas de cargos. Cresce o chamado movimento de “amigos de Chico Xavier e sua obra”, objetivando supostamente a manter “acesa” na mente dos espíritas “a vida simples e

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as obras do médium mineiro”. Será que o lúcido Chico Xavier aceitaria essas homenagens? DUVIDAMOS muito!. Também nesses movimentos difundem livros e informativos de conteúdos que merecem estudo e reflexão. A Doutrina Espírita é pura e incorruptível, porém, o movimento espírita é suscetível dos mesmos graves prejuízos que dificultaram a ação do cristianismo tradicional, hoje bastante fracionado. Como não se pode imaginar o espírita com duas condutas divergentes, a conduta do homem e a conduta do espírita, também não se pode imaginar o movimento espírita, ora acontecendo segundo os preceitos espíritas, ora segundo outros preceitos duvidosos, aceitos equivocadamente no seu contexto em nome da tolerância piegas. Allan Kardec é único. Espiritismo também, por conseguinte. O mestre lionês sempre preconizou a unidade doutrinária. Não há o menor espaço para compor com outras idéias que não sejam, ou convergentes e em uníssono com as suas, ou reflexos resplandecente destas. Unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a fortaleza inexpugnável do Espiritismo. Por isso, necessita ser o nosso lema, o nosso norte, a nossa bandeira. Como conseguir? O amor é a resposta. Não há o amor quando se impõe teorias e práticas exóticas, ou não afinadas com a simplicidade e pureza dos trabalhos espíritas, comprometendo o projeto doutrinário. Quem compreende essa situação deve trabalhar para modificá-la. A via mais segura, para isso, é o amor incondicional, o esclarecimento, o estudo, o convencimento pela razão e pela tolerância, jamais pelos melindres tacanhos. Os espíritas não são proibidos de coisa alguma, mas sabendo que devem arcar com a responsabilidade de todos os atos, conscientes do desequilíbrio que possam praticar. Não podemos fingir que tudo está em ordem e harmônico às mil maravilhas ou que somos sublimes cristãos. O Espiritismo não aceita “donos da verdade”, até porque a espiritualidade e Kardec ensinam que a Revelação Espírita é progressiva, não estando completa em parte alguma e nem precisamos fazer um esforço descomunal para nos cientificarmos de que são raros os centros espíritas que podem se dar ao luxo de praticar a mediunidade na sua mais pura acepção. Em nome de um “Espiritismo plural”, consternamo-nos diante de alguns centros espíritas que propõem aplicações de luzes coloridas (cromoterapias) para higienizar auras humanas e curar (pasmem!): azia, cálculo renal, coceiras, dores de dente, gripes, soluços em crianças, verminose, frieiras. Se não bastasse, recomenda-se até carvão terapia (?!) para neutralizar "maus-olhados". Nesse sentido, segundo crêem, é só colocar um pedaço de tora de carvão debaixo da cama e estaremos imunes do grande flagelo da humanidade - o "olho comprido". Não satisfeitos, ainda têm aqueles que “engarrafam” literalmente os obsessores. Há as inusitadas

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piramideterapias, gatoterapia (?) sobre isso, conheço alguém que possui cinco gatos em casa para “atrair” as energias negativas, cristalterapias e mais uma infinidade de terapias bizarras, aplicam-se, até, passes magnéticos nas paredes dos centros para “descontaminá-las”. Por falta de unidade doutrinária (repetimos) há dirigentes promovendo casamentos, crismas, batizados, além das sempre “justificadas” rifas e tômbolas nos centros, tribuna para a propaganda político-partidária, preces cantadas. Isso, para não aprofundar nos inoportunos trabalhos de passes com bocejos, toques, ofegações, choques anímicos (?), estalação dos dedos, palmas, diagnósticos com uso de “vidência": sobre doenças e obsessões, etc. Desconfiemos de movimentos que não cultivam a simplicidade e priorizam fenômenos mediúnicos, mandamentos, hierarquias. Ajudemos a proscrever os Movimentos centrados na autoridade, na opressão, na exclusão, na submissão, na discriminação, na desqualificação de quem não abraça o mesmo preceito. O Cristo não tinha religião. Nós é que, ao institucionalizar diferentes experiências espirituais, criamos as religiões. Já que criamos o movimento religioso avaliemos se a nossa doutrina é amorosa ou excludente, semeadoras de bênçãos ou ainda se ajoelha diante do poder do dinheiro. Espírita-cristão deve ser o nome do nosso nome, ainda mesmo que respiremos em aflitivos combates íntimos. Espírita-cristão deve ser o claro objetivo de nossa instituição, ainda mesmo que, por isso, nos faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Nota: (1) O modelo e guia de toda a humanidade é o Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo.

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DESCOBERTA NOVA FORMA DE VIDA NA TERRA A Sociedade Americana Para Progresso da Ciência (AAAS-“sigla em inglês”) divulgou recentemente que uma equipe liderada por Felisa Wolfe-Simon, do U.S. Geological Survey, ex-cientista do grupo de pesquisas de Anbar, na Escola da Exploração da Terra e do Espaço da Universidade Estadual do Arizona, atualmente pesquisadora do Instituto de Astrobiologia da NASA, descobriu uma bactéria que utiliza arsênio como substituto ao fósforo em sua composição. A nova bactéria, batizada por Simon como GFAJ-1, foi encontrada em um lago na Califórnia, chamado Monolake, altamente contaminado por arsênico. Poucos organismos vivos sobrevivem neste ambiente, como algas e algumas bactérias, chamadas de extremófilas por viverem em um espaço muito tóxico. A diferença do organismo descoberto para estes seres vivos seria o uso do arsênio em sua constituição orgânica, enquanto os extremófilos, assim como os demais seres vivos, usam o fósforo. A bactéria substitui o fósforo, elemento essencial para a geração de energia, pelo arsênico (1), um elemento extremamente tóxico aos organismos vivos. O fósforo não é um elemento qualquer. Ele faz parte da molécula de DNA, que contém as características de cada ser vivo, e é o responsável pela geração de energia no metabolismo celular. Em verdade, o fósforo é um dos elementos básicos à vida, encontrado geralmente na forma inorgânica na natureza, como fosfato. Já o arsênio é conhecido como um elemento químico tóxico ao corpo. Todos os seres vivos são compostos com base em uma combinação de seis elementos químicos: carbono (C), hidrogênio (H), nitrogênio (N), oxigênio (O), fósforo (P) e enxofre (S). São encontrados em três componentes básicos das células: DNA (ácido desoxirribonucléico, que contém as informações genéticas dos indivíduos vivos), proteínas e gorduras. A descoberta, como sói ocorrer nas pesquisas mais ousadas e de alta complexidade, está envolta de ceticismos e de muitas celeumas na comunidade científica. A descoberta expande nossos conceitos sobre o que é vida. Abre campo para futuras pesquisas, considerando releituras teóricas sobre as concepções de vida, não moldadas nas formas de vidas conhecidas pelo homem. Sim! O assunto

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nos remete para modelos diferentes de pesquisas sobre a forma de vida em outros orbes e dos mistérios sobre a origem da vida aqui no planeta. Para os pesquisadores, a descrição da GFAJ-1 é como se fosse um aliens vivendo entre nós, porque tem um metabolismo totalmente diferente de todos os seres vivos que conhecemos até hoje. A descoberta lança um novo foco nas pesquisas espaciais, na qual elementos químicos e ambientes previamente inabitáveis ganham destaque. A vida na Terra e no Universo é um magnífico mistério, Dádiva do Criador, que não podemos e nem vamos compreender de maneira tão simplista. Atualmente, não é difícil concebermos que Deus criou Sua Casa (Universo), em cuja morada estão os incontáveis planetas, estrelas, galáxias. A questão fundamental é: Nós estamos sozinhos no Universo? A descoberta do microorganismo confirma os preceitos espíritas por várias razões. “O homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro e [único]em inteligência, em bondade e em perfeição.”(2) Obviamente as constituições materiais dos outros orbes não se assemelham com a nossa e “não sendo uma só para todos a constituição física dos mundos as organizações dos seres que os habitam são diferentes para cada mundo, assim como acontece na Terra em que os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar.” (3) O fato é que estamos na Terra, um dos nove planetas que giram em torno do Sol. Embora pese mais de 6 sextilhões de toneladas e apresente uma superfície de 510 milhões de quilômetros quadrados, nem por isso é o maior destes planetas que giram ao redor do Astro Rei. O planeta Júpiter, por exemplo, é 1.300 vezes maior do que a Terra. O Sistema Solar possui 9 planetas com 57 satélites. No total, são 68 corpos celestes. E, para que tenhamos noção de sua insignificância, diante do restante do Universo, "nosso Sistema [planetário] compõe um minúsculo espaço da pequena da Via Láctea" (4), ou seja, um aglomerado de, aproximadamente, 100 bilhões de estrelas, com, pelo menos, cem milhões de planetas, que, segundo Carl Seagan, no mínimo, 100 mil deles com vida inteligente e mil com civilizações mais evoluídas que a nossa. (5) Quando há 153 anos o Codificador, na compilação dos preceitos espíritas afirmava cabalmente a existência de vida em outros planetas, os membros acadêmicos da ciência positiva não deram crédito. As provas materiais, da possibilidade fortíssima de haver vida em muitos outros lugares, estão em todo lugar: Astrônomos têm descoberto sinais de matéria orgânica em outros planetas; meteoros caem, aos montes, com vários compostos orgânicos essenciais à vida, sendo, talvez, o mais famoso deles o meteorito de Murchison; e, nem precisando ir tão longe a descoberta da nova bactéria, na Terra, mostra-nos que a vida existe, também, nos locais mais inóspitos e surpreendentes, sob as condições mais hostis,

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como se vê no caso das formas de vida extremófilas, presentes em ambientes extremos, como gêiseres, mares polares frios e lagos altamente salinos. Até o momento, o homem dizia que o arsênio era totalmente inconciliável com a nutrição da vida. Mais do que abrir a perspectiva concreta de vida em outros planetas, em tese considerados inóspitos, a descoberta modifica o conceito do que é a vida. “E ainda coloca a ciência diante de uma situação que exige humildade, pois basta esta exceção para provar que a vida é ainda para o ser humano um maravilhoso mistério. Celebremos!” (6) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fontes de Referência: (1) Elemento químico venenoso para a maioria dos seres vivos. Quando um humano é contaminado por arsênico suas células sofrem morte por asfixia e o tecido, conseguintemente, morre por necrose. (2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 2001, questão 55. (3) Idem questões 56 e 57. (4) As últimas observações do telescópio Hubble (em órbita), mostram o número de galáxias conhecidas de 50 milhões. (5) Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a um quatrilhão de sóis.

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BREVES REFLEXÕES SOBRE O CASAMENTO ENTRE ESPÍRITAS Recentemente ocorreu uma tragédia numa festa de “casamento” no estado de Pernambuco. O noivo se matou após assassinar a noiva e o padrinho. Conforme informou o programa “Fantástico” da Rede Globo(1), o evento era uma cerimônia “espírita”. Cerimônia espírita?... Que absurdo! Infelizmente têm surgido confrades em torno dos quais se formam grupos e “indivíduos portadores de mediunidade, nobre ou não, que não poucas vezes tornam-se líderes esquisitos e esdrúxulos, com comportamentos alienados, procurando apresentar propostas de exaltação do seu ego e gerando à sua volta uma mística que infelizmente vem desaguando em determinadas posturas incompatíveis com o Espiritismo, como o casamento espírita, por exemplo.” (2) (grifei) Observam-se algumas vezes, entre alguns dirigentes de casas espíritas, posturas tradicionalmente religiosas (igrejeira) na maneira de entender e de se relacionar com a Doutrina Espírita. Esse entendimento dá margem a gravíssimos transtornos ao Movimento Espírita, como a ritualização de certas práticas, abuso de poder nas hierarquias e outras lamentáveis práticas. Como se não bastassem tantas asneiras, há dirigentes espíritas celebrando cerimônia de “casamentos”, assumindo uma postura de “oficiantes”, na condição de “dirigente-mor” de algumas instituições. Tais dirigentes “oficiantes” (pasmem!) estão com agendas lotadas, inclusive para “celebrarem batizados”. Ficamos estupidificados diante de tais anomalias doutrinárias. No casamento entre espíritas só deve haver cerimônia civil; JAMAIS cerimônia religiosa. E nenhum presidente (“dirigente-mor”) de centro espírita ou sociedade de orientação espírita deveria “oficiar” casamentos, pois o Espiritismo não instituiu sacramentos, rituais ou dogmas.

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Se, por força das circunstâncias, o cônjuge não-espírita possuir sincero fervor pela religião que professa, e tiver tendência a ficar traumatizado sem a cerimônia tradicional, o espírita poderá aceitar (sem traumas) a cerimônia religiosa do casamento, segundo o costume da religião do seu pretendente. Esta condescendência, todavia, tem suas linhas demarcatórias. Só é aceitável se houver uma profunda necessidade espiritual do(a) noiva(o), porém não se justifica quando a pessoa for apenas uma religiosa de fachada, por convenção social, ou quando a exigência é feita pela família dela. Todavia, se houver por bem ceder, que o espírita não se submeta aos sacramentos individuais como no caso do batismo, da confissão, da comunhão etc., etc., etc. Nesse aspecto, caberá ao cônjuge não espírita providenciar a dispensa dos sacramentos individuais para o espírita. Reflitamos o seguinte: quem é que dá a um homem o direito de estabelecer esse vínculo sagrado entre duas pessoas? Casamento não depende de nada exterior, de nenhuma ação alheia aos noivos. As duas criaturas se casam e ninguém tem o poder de estabelecer vínculos entre elas. Nem o Juiz de Paz promove o casamento. Essa Autoridade apenas registra nos anais da sociedade, para os efeitos legais, o casamento que é diante dela declarado. Portanto, “o casal espírita apresenta-se diante da autoridade civil apenas para declarar o seu casamento, solicitando seja ele registrado, e não para receber qualquer tipo de legitimação. A legitimidade do casamento é dada pelo grau de responsabilidade e de amor que presidiu a formação do casal.” (3) Naturalmente, os noivos espíritas devem ter consciência de como se casar perante a sociedade e a espiritualidade, respeitando as convicções dos familiares “não espíritas”, mas tentando fazer prevalecer as suas certezas doutrinárias. O legítimo espírita precisa colaborar para que haja a renovação das concepções religiosas, e não logrará êxito se em nome de uma “falsa humildade e fingida tolerância” ocultar o que já conhece e se curvar ante os costumes religiosos tradicionais. Se somos espíritas, por que então nos mantermos algemados às fórmulas religiosas que nada significam para nossos ideais? Muitas vezes, confrades nos indagam se poderia e como seria realizada uma cerimônia de casamento espírita. Considerando que o assunto é de alta gravidade e de grande repercussão, atestamos, sem muitas delongas, que não existe ritual nem cerimônia religiosa para o casamento entre espíritas. O Espiritismo é uma doutrina filosófico-religiosa, com aspectos científicos e consequências éticas e morais, mas não se constitui numa estrutura clerical formalizada. Dessa forma, diferentemente de outras correntes religiosas, não comporta em suas práticas nenhum cerimonial, rito ou aspecto específico ligado ao casamento convencional. Ou seja, não há cerimônia de casamento religioso espírita.

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"O Espiritismo não tem sacerdotes e não adota, e nem usa em suas práticas, altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais ou quaisquer outros objetos, rituais ou formas de culto exterior.” (4) No local escolhido para a cerimônia civil, uma prece singela poderá ser feita por um familiar dos noivos. Não há necessidade de convidar um presidente (“dirigente-mor”) de centro, um orador espírita, um médium, nem é preciso que um “guia” se comunique para “abençoar” o consórcio. Alias, sendo a prece sincera a sublimação do sentimento e a exaltação do amor, em realidade, por questões de afinidade e afetividade, certamente os familiares e os amigos amam mais os noivos que o dirigente espírita, o “oficiante”; portanto a oração feita por eles será bem mais produtiva. Ainda, os noivos espíritas, junto à família, no abençoado reduto do lar, poderão fazer o Culto do Evangelho, usufruindo de um ambiente espiritual mais sereno e pacificado do que a exposição pública no ato da cerimônia civil ou de festas, onde muitas criaturas lá comparecem com o único interesse social. Dessa forma, o dirigente espírita, consciente das suas enormes responsabilidades e conhecedor das bases doutrinárias do Espiritismo, saberá esquivar-se dos convites que recebe para “oficiar” casamentos, informando, com humildade e educação, os pretendentes, quase sempre pouco conhecedores do Espiritismo, que na Doutrina Espírita tal prática não existe. Se aceitar o convite demonstrará que conhece o Espiritismo ainda menos que os noivos. O casamento é a eliminação do egoísmo; não fere as leis da Natureza; “é um progresso na marcha da Humanidade. Sua abolição seria regredir à infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes.”(5). O casamento, enfim, é um compromisso livremente assumido por dois Espíritos perante o altar de suas consciências. Está muito acima de qualquer bênção religiosa ou da assinatura de qualquer documento diante de uma autoridade civil ou religiosa. Trata-se de uma sociedade conjugal, estabelecida pelo próprio casal, num plano eminentemente moral, ético. O que nos parece deve prevalecer, em vez da ritualística que lentamente vai sendo introduzida e aceita por desconhecimento doutrinário, é que se leve em consideração a proposta filosófica de uma visão ampla, de uma observação cuidadosa dos fatos da vida e de como o Espiritismo os explica e os orienta, ensejando, deste modo, um comportamento ético-moral mais compatível com a Terceira Revelação.

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Em tese, não há e NUNCA haverá espaço no universo doutrinário para a celebração de um "casamento religioso espírita". E para os contumazes dirigentes “oficiantes” de casamentos recomendamos buscarem outros quintais “espiritualistas” e se distanciem depressa do Espiritismo para não conspurcá-lo ainda mais! Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências Bibliográficas: (1) Disponível no link http://olhar45.blogspot.com/2010/12/noivo-mata-noiva-epadrinho-em-festa-de.html, acessado em 25 de dezembro de 2010 (2) Entrevista do orador espírita Divaldo Pereira Franco concedida para a equipe de redação do Jornal Mundo Espírita, durante a 8ª Conferência Estadual Espírita, em Curitiba, PR, no dia 24 de março de 2006. (3) José Passini. Artigo O Casamento, Disponível em http://doutrinaESPÍRITA.com.br/?q=node/35, acessado em 24 de dezembro de 2010 (4) No http://www.febnet.org.br/site/conheca.php?SecPad=9&Sec=247, acessado em 25/12/2010. (5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2000, questão 695

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SÍNDROME DE SMITH-MAGENIS, OBSESSÃO OU AUTO-OBSESSÃO? Grace Fishwick, uma inglesa, de 9 anos, é uma criança carinhosa, que adora cantar, dançar, mas, segundo a ciência, ela sofre de mutação genética rara, chamada de Síndrome de Smith-Magenis (SMS)(1), patologia que causa retardo mental e distúrbios de comportamento e a faz tornar-se violenta de súbito e agrida outras pessoas e a si mesma. Tais episódios podem durar alguns minutos e às vezes até três horas. A mãe de Fishwick compara sua filha ao personagem de O Médico e o Monstro. "Em um minuto, ela está brincando alegremente com seus brinquedos, no outro, nos agredindo ou atacando a si mesma” explica a genitora. Sabe-se que a doença de Fishwick é de causa genética, embora não hereditária. É uma patologia genética pouco conhecida no Brasil e sua incidência no mundo é de 1 criança afetada a cada 25.000 nascidas vivas. Muitas crianças portadoras da “SMS” estão sendo acompanhadas como portadoras de deficiência mental sem causa definida ou como autistas. Para os pesquisadores, as características de comportamento e o atraso no desenvolvimento são os que se tornam mais significativos. Há retardo do desenvolvimento neuropsicomotor perceptível nos primeiros anos de vida, atraso significativo de linguagem, hiperatividade com déficit de atenção, várias formas de auto-injúria – bater a própria cabeça, morder-se, beliscar-se, puxar a pele, dificuldade para conseguir asseio corporal independente, acessos de birra (prolongada), raiva, agressão, mau humor, desobediência, teimosia, autoextirpação das unhas. Como poderemos interpretar o “caso Grace Fishwick” sob o ponto de vista Espírita? Especialistas tentam ajudar esses irmãos enfermos, inclusive na fase inicial de seus estudos. Especificamente no campo da genética, alguns estudiosos mais ousados já relacionam algumas doenças de origem nervosa e mental, sendo induzidas pela influência dos espíritos; todavia, os preconceitos de sempre impedem que as pesquisas avancem. Apesar de poucos informes científicos, há muitas evidências de que o processo obsessivo e/ou auto-obsessivos (caracterizado por manipulações e interposições de fluidos tóxicos) exerça papel importante na fisiopatogenia das doenças no corpo físico e espiritual, por vezes evoluindo para quadros patológicos gravíssimos.

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Em qualquer caso, no entanto, o doente é responsável por todos os sinais e sintomas que apresenta, considerando ser ele o mentor intelectual de todos os seus equívocos, passados e presentes. Assim sendo, em dado momento da vida, começa a tomar consciência dos resíduos nefastos do inconsciente e a partir daí exercita-se em culpas, que geram cobranças. Então teremos os conflitos interiores, com o pensamento fixado em alguma coisa, tanto em vigília como em desdobramento. Após a instalação do quadro mórbido, o enfermo caminha com desinteresse total pela vida, isola-se e apresenta baixas vibrações em seu campo eletromagnético, permitindo a partir deste momento a afinização com irmãos em grandes desequilíbrios – terríveis cobradores – evoluindo assim com graves quadros específicos que se enquadram nas doenças neurológicas e mentais. O drama Fishwick nos remete a um provável caso de “emersão do passado”, ou seja, tudo procede dela mesma. Ante a aproximação espiritual de antigo desafeto, que certamente ainda a persegue do plano espiritual, revive a experiência dolorosa do passado e perturba-se-lhe a vida mental, necessitando de mais ampla reeducação. É um caso no qual se faz possível a colheita de valiosos ensinamentos. Toda e qualquer patologia física ou mental tem uma causa explicável. A menina Fishwick tem imobilizado grande coeficiente de forças do seu mundo emotivo em torno da experiência desastrosa do pretérito, a ponto de semelhante cristalização mental haver superado o choque biológico da reencarnação, prosseguindo quase que intacta no novo corpo físico. Fixando-se nessa lembrança, quando instada de mais perto pelo perseguidor do além, passa a comportar-se qual se estivesse ainda no passado que teima em ressuscitar. Sem dúvida, em tais momentos, é alguém que volta do pretérito a comunicar-se com o presente, porque ao influxo das recordações penosas de que se vê assaltada, centraliza todos os seus recursos mnemônicos tão somente no ponto nevrálgico em que viciou o pensamento. Para o especialista comum, é apenas uma candidata a algumas formas de tratamento médico; entretanto, para o espírita, ela pode ser uma enferma espiritual, uma consciência torturada, exigindo amparo moral e cultural para a renovação íntima – única base sólida que lhe assegurará o reajustamento definitivo. “A obsessão, sob qualquer modalidade em que se apresente, é enfermidade de longo curso, exigindo terapia especializada, de segura aplicação e de resultados que não se fazem sentir apressadamente”.(2) A ação fluídica de qualquer nível de obsessão [ou auto-obsessão] sobre o cérebro, se não for removida a tempo, dará, necessariamente, em resultado, o sofrimento orgânico daquela víscera, tanto mais profundo quanto mais tempo estiver sob a influência deletéria daqueles fluidos.”(3) Em todas as épocas da história das civilizações existiram doentes psíquicos que sofriam influências nefastas de obsessores, e, em alguns casos, envolvendo

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personagens que se celebrizaram por seus atos. Nabucodonosor II, rei dos Caldeus, sofreu uma licantropia e pastava no jardim do palácio como um animal. Tibério, envolvido por muitos espíritos cobradores, cometeu muitos deslizes, com muita malignidade. Calígula e Gengis-Khan marcaram presença em função de suas aberrações psicóticas. Domício Nero, em função de grandes desequilíbrios psíquicos, entre tantos equívocos, mandou assassinar a mãe e sua esposa, e, depois, as reencontrava em desdobramentos. Dostoiévski sofria de ataques epilépticos. Nietzsche perambulou pelos asilos de alienados. Van Gogh cortou as orelhas num momento de insanidade e as enviou de presente para sua musa inspiradora, findando, posteriormente, a vida, com um tiro. Schumann, notável compositor, atirou-se ao Reno, sendo salvo pelos amigos e internado num hospício, onde encerrou a carreira. Edgar Allan Poe sucumbiu arrasado pelo álcool e tendo visões infernais. Obviamente, nós espíritas respeitamos as orientações dos profissionais da área de saúde, evitando equívocos como: fazer diagnósticos, trocar e/ou suspender medicamentos e, às vezes, tornar o quadro dos pacientes mais grave que verdadeiramente o são. Compete à medicina, ao tratar seus pacientes, admitindo a hipótese de obsessão, ainda que não comprovada academicamente, pedir ajuda às casas espíritas que exercem suas atividades com objetivos sérios, seguindo os postulados do Cristo e os preceitos da Doutrina Espírita. Cremos que o passe magnético é de grande importância no tratamento desses irmãos, considerando a oportunidade de polarização de fluidos, dissipando fluidos tóxicos e interpondo fluidos benéficos. Sabemos do valor indiscutível da água magnetizada (fluidificada) – que é de grande importância, também, no reequilíbrio do doente, considerando que nela são introduzidos fluidos potencializados pelas emanações de energias provindas das irradiações de minerais, vegetais e animais. Indispensável, igualmente, é o Culto do Evangelho no Lar, considerando a oportunidade de leitura do Evangelho e a reflexão sobre seu conteúdo, além das preces que poderão ser proferidas, permitindo crescimento interior, o exercício da fé, gerando transformações ao nível de renúncias de viciações e paixões inferiores, permitindo a vigilância do Ser em seus pensamentos, palavras e atos e muitos outros benefícios que, aos poucos, vão aperfeiçoando o espírito e diminuindo as doenças na Terra. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Referências bibliográficas: (1) A SMS afeta uma a cada 25 mil crianças e costuma ser confundida com autismo pelos médicos. (2) Franco, Divaldo Pereira. Nos Bastidores da Obsessão, Ditado pelo Espírito Manuel Philomeno de Miranda, RJ: Ed. Feb, 1995, 7a edição. (3) Menezes, Adolfo Bezerra de Menezes – A Loucura sob um Novo Prisma, 2ª edição, 1987, FEB-RJ

“SEM A RELIGIÃO, ORIENTANDO A INTELIGÊNCIA, CAIRÍAMOS, TODOS, NAS TREVAS DA IRRESPONSABILIDADE” O Cristianismo entrou em um mundo no qual nenhuma religião, até então, havia penetrado com tanta força. Nesses dois mil anos de dominação cristã, no ocidente, vimos “uma fé caolha”, aliás, uma fé ser diluída, corrompida, deformada e metamorfoseada em outra coisa que não seja negar a essência original: o Cristo. Foram dois mil anos de busca desenfreada de poder, de privilégios, de controle de reis e de príncipes, de usos e abusos da máquina pública em benefício próprio, sempre, aliando-se ao que haveria de vencer. Recebi algumas vezes por email determinada mensagem supostamente “científica” sobre o crescimento da população muçulmana no mundo. O fato me remeteu a Emmanuel, que lembra sobre os numerosos Espíritos que reencarnam com as mais altas delegações do plano invisível. Entre esses missionários, veio aquele que se chamou Maomet. Se é verdade que ele não resistiu ao assédio dos Espíritos da Sombra, traindo nobres obrigações espirituais com as suas fraquezas, muitos outros líderes cristãos se desviaram da senda do bem. Em que pese o aroma cristão que se exala de muitas das lições do pai do Islamismo, há também um espírito belicoso, de violência e de imposição. “Junto da doutrina fatalista encerrada no Alcorão, existe a doutrina da responsabilidade individual, divisando-se através de tudo isso uma imaginação superexcitada pelas forças do bem e do mal, num cérebro transviado do seu verdadeiro caminho.”(1) Por essa razão, “o Islamismo,

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que poderia representar um grande movimento de restauração do ensino de Jesus, corrigindo os desvios [do Cristianismo da época], assinalou mais uma vitória das Trevas contra a Luz.” (2) Para os teóricos (protestantes) alarmistas, em poucos anos, sob o ponto de vista social, político, econômico e cultural, a Europa, como a conhecemos hoje, deixará de existir por causa da imigração islâmica. Nas últimas três décadas, a população muçulmana, só na Inglaterra, por exemplo, multiplico-se em 30 vezes. No Novo Mundo, entre 2001 e 2006, a população do Canadá aumentou em 1.6 milhão, e desse total, 1.2 milhão foi em virtude de imigração muçulmana. Nos EUA, em 1970 havia 100 mil muçulmanos; hoje há 9 milhões. Em verdade, difunde-se uma tese reducionista do tipo “caça às bruxas” de que onde os muçulmanos têm o poder, não há liberdade de pensamento e expressão. Contudo, não se pode esquecer que a história demonstra como eram as coisas quando o cristianismo (catolicismo) tinha as rédeas políticas do mundo. A cultura ocidental, patrocinada pelo capital norte-americano, reforça, ainda, a dicotomia entre Oriente e Ocidente; engendra representações monolíticas do Islamismo, enquadrando num só molde a questão Árabe. E à espreita, por trás de todas essas teses absurdas, está a ameaça do jihad, temor de que os muçulmanos tomem conta do mundo. O fanatismo é a intolerância extrema para com os diferentes. Um evangélico fanático é incapaz de diálogo e respeito para com um católico ou um budista e viceversa. São tão fanáticos os terroristas-suicidas muçulmanos quanto os fundamentalistas cristãos norte-americanos que atacam clínicas de abortos, perseguem homossexuais, proíbem o ensino da teoria evolucionista de Darwin, obrigando os professores a ensinarem a doutrina criacionista tal como está na Bíblia, ou ainda, os protestantes da Irlanda do Norte que atacavam crianças católicas. Temos a convicção de que, por trás dos novos fanatismos religiosos – católicos, evangélicos, espíritas, muçulmanos etc – é o pendor místico do religioso que leva a uma cristalização da fé, desembocando numa falsa doutrina das virtudes. Muitos religiosos se enfrentam ferozmente. São os judeus e palestinos que se matam; são os seguidores de Buda e hinduístas que se mantêm em luta milenar; são pseudocrístãos que se aniquilam em guerras absurdas, como se o Velho e o Novo Testamento, o Bhagavad Gita e o Alcorão fossem manuais de guerra, e não roteiro de iluminação espiritual. Do mesmo segmento de “cristãos” que condenam a proliferação do Islamismo, estamos assistindo ao surgimento de uma máquina pseudorreligiosa. Máquina como nunca fora criada antes. Máquina de comunicação, de manipulação do “sagrado”,

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de venda de favores divinos (“milagres”), de hipnotização das pessoas ao poder e máquina que transforma a população, sem instrução, em um “rebanho de alienados”. Atualmente há uma vil industrialização da mensagem do Cristo. Certa vez, Sigmund Freud colocou na berlinda antigos e violentos conceitos CRISTÃOS e “afirmou ser o Cristianismo um movimento inútil, um infantilismo das massas.”.(3) O Cristianismo, sem Cristo, tem exercido controle sobre a massa, aplicando impostos através dos dízimos, controle das mentes fanáticas, promovendo o medo pelas punições eternas e temporais; controle sobre a devoção, manipulando esses sentimentos, transformando-os em cega “obediência” e temor a Deus. Todos os espíritas precisamos palmilhar a fé racional, a fim de compreender melhor o Evangelho. “Reconhecemos, também, que não é a destruição inapelável dos símbolos religiosos aquilo de que mais necessitamos para fomentar a harmonia e a segurança entre as criaturas, mas sim a nova interpretação deles, até porque, “sem a religião, orientando a inteligência, cairíamos, todos, nas trevas da irresponsabilidade, com o esforço de milênios, volvendo, talvez, à estaca zero, do ponto de vista da organização material da vida do Planeta.”.(4) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências Bibliográficas: (1) Xavier, Francisco Cândido. A caminho da luz, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001 (2) Idem. (3) Freud Sigmund. O Futuro de uma Ilusão, Rio de Janeiro: Editora Imago, 1997. (4) Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, em Uberaba/MG, na tarde de 18/08/71, para a reportagem da revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, publicada na edição de 1/09/71.

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JORNAL "O IMORTAL" PUBLICA ARTIGO SOBRE A OBSESSÃO Publicado no Jornal O Imortal /Dez/2010 Obsessão espiritual, causa das grandes angústias humanas "Para garantir-nos contra a sua influência urge fortalecer a fé pela renovação mental e pela prática do bem nos moldes dos códigos evangélicos." Confrades vez ou outra nos indagam por que viver na Terra é tão complicado e quase sempre tão amarga é a vida? Digo-lhes que essa sensação eventualmente pode ser uma aspiração à felicidade e à liberdade e que, algemado ao envoltório físico que nos serve de cárcere, aplicamo-nos a inúteis esforços para dele sair. Contudo, alguns se abatem no desencorajamento, e a todo o instante reverberam suas lamentações. Mas é preciso resistir energicamente a essas sensações de desânimo e desesperanças, porque os sonhos para a felicidade de viver são intrínsecos a todos os homens, embora não a devamos sofregamente procurar somente na experiência material e transitória da vida terrena. Comentando sobre a melancolia, encontramos em O Evangelho segundo o Espiritismo o Espírito François de Genève, ditando o seguinte: “Precisamos cumprir, durante nossa prova terrena, tarefas e compromissos que não suspeitamos, seja no que tange à devoção à família, ou cumprindo diversos deveres que Deus nos confiou. Se no transcurso dessa experiência, no desempenho das tarefas, observamos os cuidados, as inquietações, os desgostos esmagarem nossos ânimos d'alma, sejamos fortes e corajosos para derrotá-los. Avancemos e encaremos sem temor; pois que as aflições são de curta duração e devem nos conduzir para situações bem melhores no futuro”. Há, porém, muitas amarguras que podem ter suas origens na infidelidade aos compromissos cristãos, daí a melancolia se instala no ser, do que poderá resultar um processo obsessivo. Mas o que é uma obsessão? Etimologicamente, o termo tem sua origem no vocábulo obsessione, palavra latina que significa impertinência, perseguição. Para alguns estudiosos espíritas, a obsessão é percebida como um grande flagelo mundial. Essa visão se reveste de profunda gravidade na sociedade, que atualmente está bem instrumentalizada tecnologicamente, seja no campo das comunicações e da informática, seja nas outras áreas do saber, ampliando e aprofundando as responsabilidades de cada um em face da vida coletiva.

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Obsessão é uma influência maléfica na mente. Aurélio Buarque define obsessão como sendo uma preocupação com determinada idéia, que domina doentiamente o espírito, resultante ou não de sentimentos recalcados; idéia fixa; mania. Da mesma forma a terminologia obsessão é usada, vulgarmente, para significar idéia fixa em alguma coisa, tique nervoso, gerador de manias, atitudes estranhas etc. Entretanto, sob o ponto de vista espírita, o termo tem um significado e interpretação mais amplos. Consubstancia-se numa influência maléfica relativamente persistente que desencarnados e/ou encarnados, tão ou mais atrasados que nós mesmos, podem exercer sobre a nossa vida mental. Para a escola clássica da psiquiatria, obsessão é um pensamento, ou um impulso, persistente ou recorrente, indesejado e aflitivo, que vem à mente involuntariamente, a despeito de tentativa de ignorá-lo ou de suprimi-lo. Psiquiatras que não admitem nada fora da matéria não podem entender uma causa oculta (espiritual), mas quando a academia científica tiver saído da rotina materialista, ela reconhecerá na ação do mundo invisível que nos cerca e no meio do qual vivemos uma força que reage sobre as coisas físicas, tanto quanto sobre as coisas morais. Esse será um novo caminho aberto ao progresso e a chave de uma multidão de fenômenos mal compreendidos do psiquismo humano. E, óbvio, não descartando a possibilidade da anomalia psicossomática, a Doutrina Espírita faz-nos conhecer outras fontes das misérias humanas, mantidas pela fragilidade moral dos seres. Reconhecemos que o uso dos fármacos antidepressivos estabelece a harmonia química cerebral, melhorando o humor do paciente, no entanto, agem simplesmente sobre os efeitos, uma vez que os medicamentos não curam a obsessão em suas intrínsecas causas, apenas restabelecem o trânsito das mensagens neuroniais, corrigindo o funcionamento neuroquímico do SNC (sistema nervoso central). Sócrates já afirmava que "se os médicos são malsucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma”. Por insinceridade, em nosso tênue esforço para a reforma moral, obstamos as relações equilibradas e equilibrantes conosco e com o próximo. Toda a nossa desarmonia leva a desenvolver sintonias viciosas com outras mentes doentias, seja de desencarnados ou encarnados, o que aguça sobremaneira nosso próprio desarranjo interior, resultando daí as ingentes dificuldades para nos libertarmos das algemas em que nos aguilhoamos ante as garras do mal. Na intimidade do lar, da família ou do Centro Espírita, do ambiente de trabalho profissional, adversários ferrenhos do pretérito se reencontram. Convocados pelos Benfeitores do Além ao reajuste, raramente conseguem superar a aversão de que se vêem possuídos uns à frente dos outros, e (re)alimentam com paixão, no imo de si

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mesmos, os raios tóxicos da antipatia que, concentrados, se transformam em pontiagudos dardos magnéticos, suscetíveis de provocar a enfermidade e a própria morte. A obsessão espiritual é sintonia ou troca de vibrações afins. Kardec define obsessão como a ação persistente que um Espírito inferior exerce sobre um indivíduo, apresentando caracteres variados que vão desde a simples influência moral, sem sinais exteriores perceptíveis, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. A obsessão é o encontro de forças inferiores retratando-se entre si. As múltiplas facetas da obsessão Há quadros de obsessões explodindo por todos os lados em todos os níveis, quais sejam de desencarnados sobre encarnados e vice-versa; de encarnados sobre encarnados, bem como de desencarnados sobre desencarnados. Nosso mundo mental rege a vida que nos é peculiar em todas as suas dimensões, contudo, nos encontramos ainda no início do entendimento das implicações da força mental, do significado e abrangência das construções mentais na vida. Os obsessores são hábeis e inteligentes, perfeitos estrategistas que planejam cada passo e acompanham as presas por algum tempo, observando suas tendências, seus relacionamentos, seus ideais. Identificam seus pontos vulneráveis (quase sempre ligados ao descaminhamento sexual) e os exploram pertinazes. O pensamento exterioriza-se e projeta-se, formando imagens e sugestões que arremessa sobre os objetivos que se propõe atingir. Quando bom e edificante, ajusta-se às Leis que nos regem, criando harmonia e felicidade, todavia, quando desequilibrado e deprimente, estabelece aflição e ruína. A química mental vive na base de todas as transformações, porque realmente evoluímos em profunda comunhão telepática com todos aqueles encarnados ou desencarnados que se afinam conosco. Nosso universo mental é como um céu, mas do firmamento descem raios de sol e chuvas benéficas para a vida planetária, assim como, no instante do atrito de elementos atmosféricos, desse mesmo céu procedem faíscas elétricas destruidoras. Da mesma forma funciona a mente humana. Dela se originam as forças equilibrantes e restauradoras para os trilhões de células do organismo físico, mas, quando perturbada, emite raios magnéticos de elevado teor destrutivo para a nossa estrutura psíquica. O mestre lionês redarguiu dos Espíritos, na questão 466 d' O Livro dos Espíritos, por que permite Deus que os obsessores nos induzam ao mal? Os Espíritos responderam: "Os seres imperfeitos são instrumentos destinados a experimentar a fé e a constância dos homens na prática do bem. Como Espírito, deveis progredir na

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ciência do infinito, razão por que passais pelas provas do mal, a fim de chegardes ao bem. Nossa missão é a de colocar-vos no bom caminho e quando más influências agem sobre vós, é que as atraís, pelo desejo do mal. Os Espíritos inferiores vêm em vosso auxílio no mal, sempre que desejais cometê-lo; e só vos podem ajudar no mal quando quereis o mal. Então, se vos inclinardes para o assassínio, tereis uma nuvem de Espíritos que vos alimentarão esse pendor. Entretanto, tereis outros que procurarão influenciar-vos para o bem. Assim se restabelece o equilíbrio e ficais senhor de vós mesmos”. Renovação moral como base para a desobsessão espiritual O venerável Codificador, em O Livro dos Médiuns, afirma que as imperfeições morais dão acesso aos obsessores e o meio mais seguro de nos livrarmos deles é atrair os bons Espíritos pela prática do bem. A obsessão é impotente diante de Espíritos redimidos! E o que é um Espírito redimido? É aquele que reconhece as suas limitações e, como enunciado pelo apóstolo Paulo, sente a alegria de saber-se "matriculado na escola do bem”. Esse desarranjo psicoespiritual deverá ser eliminado da sociedade no instante em que o lídimo exemplo do amor for experimentado e disseminado em todas as direções, consoante Jesus consubstanciou e vivenciou até as agruras da morte, prosseguindo desde tempos apostólicos até os dias atuais. O Espiritismo, desvendando a intervenção dos Espíritos endurecidos no mal em nossas vidas, lança luzes sobre questões ainda desconsideradas pelas ciências materialistas como de causa psicopatológica. Muitas vezes procurado pelos obsidiados, o Cristo penetrava psiquicamente nas causas da sua inquietude e, usando de sua autoridade moral, libertava tanto os obsessores quanto os obsidiados, permitindo-lhes o despertar para a vida animada rumo à recuperação e à pacificação da própria consciência. Porém, é muito importante lembrar que Jesus não libertou os obsidiados sem lhes impor a intransferível necessidade de renovação íntima, nem expulsou os perseguidores inconscientes sem fornecer-lhes o endereço de Deus. Conclusão Em síntese, identificamos sempre na obsessão (espiritual) o resultado da invigilância e dos desvios morais. Para garantir-nos contra a sua influência urge fortalecer a fé pela renovação mental e pela prática do bem nos moldes dos códigos evangélicos propostos por Jesus Cristo, não nos esquecendo dos divinos conselhos do Vigiai e Orai.

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Bibliografia consultada: Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2001, cap. V, item 25. Dicionário Aurélio eletrônico; século XXI. Rio de Janeiro, Nova Fronteira e Lexicon Informática, 1999, CD-rom, versão 3.0. Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. Dominação Telepática. Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, GB., 2003, perg. 644. Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, Rio de Janeiro: Editora FEB, 19987(Mateus 26:41; Marcos 14:38; Lucas 21:36 e I Pedro 5:8). Revista Espírita, fevereiro, março e junho de 1864. A jovem obsedada de Marmande. Kardec, Allan. O Que é o Espiritismo, Cap. II, Escolho dos Médiuns, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2003. Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, Resumo da doutrina de Sócrates e de Platão, item XIX, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2001.

O ABORTO É UMA PRÁTICA HEDIONDA DESDE O CÓDIGO DE HAMURABI Sempre houve leis severas contra a prática do aborto na humanidade. No século XVIII a.C., o Código de Hamurabi destacava aspectos da reparação devida a mulheres livres em casos de abortos provocados, exigindo o pagamento de 10 siclos pelo feto morto. Na Grécia antiga, as leis de Licurgo e de Sólon e a legislação de Tebas e Mileto tipificavam o aborto como crime. Hipócrates, uma das figuras mais importantes da história da saúde, frequentemente considerado "pai da medicina", negava o direito ao aborto e exigia dos médicos jurar não dar às mulheres bebidas fatais para a criança no ventre. Na Idade Média, a Lex Romana Visigothorum editava penas severas contra o aborto. O Código Penal francês de 1791, em plena Revolução Francesa, determinava que todos os cúmplices de aborto fossem flagelados e condenados a 20 anos de prisão. O Código Penal francês de 1810, promulgado por Napoleão Bonaparte, previa a pena de morte para o aborto. Posteriormente, a pena de morte foi substituída pela

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prisão perpétua. Além disso, os médicos, farmacêuticos e cirurgiões eram condenados a trabalhos forçados. Se os ditos tribunais humanos condenam a prática do aborto, “as Leis Divinas, por seu turno, atuam inflexivelmente sobre os que alucinadamente o provocam. Fixam essas leis no tribunal da própria consciência culpada, tenebrosos processos de resgate que podem conduzir ao câncer e à loucura, agora ou mais tarde.”(1) O primeiro país da era pós-moderna a legalizar o aborto foi a União Soviética, em 8 de novembro de 1920. Os hospitais soviéticos instalaram unidades especiais denominadas abortórios, concebidas para realizar as operações em ritmo de produção em massa. A segunda nação a legalizar o abortamento foi a Alemanha Nazista, em junho de 1935, mediante uma reforma da Lei para a Prevenção das Doenças Hereditárias para a Posteridade, que permitiu a interrupção da gravidez de mulheres consideradas de "má hereditariedade" ("não-arianas" ou portadoras de deficiência física ou mental). Entre 1996 e 2009, “ao menos 47 dos 192 países da ONU aprovaram leis com artigos mais liberalizantes.”(2) Em todos os países da Europa, exceto Malta, o aborto não é penalizado em situações controladas. Os países ibéricos são exemplos de liberalização. Em 2007, Portugal legalizou o aborto sem restrições até a 10ª semana de gestação e, depois desse período, em casos de má-formação fetal, de estupro ou de perigos à vida ou à saúde da mãe. Na Espanha, lei com termos semelhantes começou a vigorar em 2010. Cuba é o único país hispânico em que o aborto é legal sem restrições. Na Colômbia, a Corte Constitucional determinou em 2006 que o aborto é legítimo em casos de estupro, má-formação fetal ou de riscos para a vida da mãe. Até então, a prática era proibida no país. Há países em que o aborto era totalmente ilegal, mas passou a ser aceito nos últimos anos se a mãe correr riscos ou se houver máformação fetal (no Irã) ou no caso de estupro (no Togo). Não nos enganemos, a medicina que executa o aborto nos países que já legalizaram o assassinato do bebê no ventre materno é uma medicina criminosa. Não há lei humana que atenue essa situação ante a Lei de Deus. No Brasil a taxa de interrupção de gravidez supera a taxa de nascimento. Essa situação fez surgir no país grupos dispostos a legalizar o aborto, torná-lo fácil, acessível, higiênico, juridicamente “correto”. Contudo, ainda que isso viesse ocorrer, JAMAIS esqueçamos que o aborto ilegal ou legalizado SEMPRE será um CRIME perante às Leis Divinas! Os abortistas evocam as péssimas condições em que são realizados os procedimentos clandestinos. Porém, em que pese a sua veracidade, não nos enganemos, imaginando que o aborto oficial irá resolver a questão do assassinato

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das crianças no útero; ao contrário, o aumentará bastante! E o pior, continuará a ser praticado por meio secreto e não controlado, pois a clandestinidade é cúmplice do anonimato e não exige explicações. Alerte-se que se não há legislação humana que identifique de imediato o ignóbil infanticídio, nos redutos familiares ou na bruma da clandestinidade, e aos que mergulham na torpeza do aborto “os olhos divinos de Nosso Pai contemplam do Céu, chamando, em silêncio, às provas do reajuste, a fim de que se expurgue da consciência a falta indesculpável que perpetram.”(3) Chico Xavier disse que “se anos passados houvesse a legalização do aborto, e se aquela que foi a minha querida mãe entrasse na aceitação de semelhante legalidade, legalidade profundamente ilegal, eu não teria tido a minha atual existência, em que estou aprendendo a conhecer minha própria natureza e a combater meus defeitos, e a receber o amparo de tantos amigos, que qual você, como todos aqui, nos ouvem e me auxiliam tanto.”(4) Até mesmo diante de gravidez resultante da violência sexual, “o Espiritismo, considerando o lado transcendente das situações humanas, estimula a mãe a levar adiante a gravidez e até mesmo a criação daquele filho, superando o trauma do estupro, porque aquele Espírito reencarnante terá, possivelmente um compromisso passado com a genitora.”(5) Lembrando também que “o governo deveria ter departamentos especializados de amparo material e psicológico a todas as gestantes, em especial, às que carregam a pesada prova do estupro. É absolutamente indefensável, é imoral a prática do aborto “terapêutico”. Por que interromper o processo reparador que a vida impõe ao espírito que se reencarna com deficiência? Será justo impedi-lo de evoluir, por egoísmo da gestante? Se o aborto, em tempos idos, era usado a pretexto de terapia, devia-se à falta de conhecimentos médicos. Evocamos no contexto uma aula inaugural do Dr. João Batista de Oliveira e Costa Júnior aos alunos de Direito da USP em 1965 (intitulada “Por que ainda o aborto terapêutico?”). João Batista explicou que o aborto em questão “não é o único meio, ao contrário, é o pior meio, ou melhor, não é meio algum para se salvar a vida da gestante.”(6) Não impomos anátemas àqueles que estão sob o impacto de consciência febricitante em face do ato já consumado, até para que não caiam na vala profunda do desalento. Para quem já se equivocou, convém lembrar o seguinte: errar é aprender, contudo, ao invés de se fixarem no remorso, precisam aproveitar a experiência como uma boa oportunidade para discernimento no amanhã. Libertar-se da culpa é, sem sombra de dúvidas, colocar-se diante das consequências dos atos com a disposição de resolvê-las, corajosamente.

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A adoção de criança abandonada é excelente prática de soerguimento moral. Pode-se, também, fazer opção por uma atividade, onde se esteja em contato direto, corpo a corpo, com crianças carentes de carinho, de amparo, de colo, de cuidados pessoais em creches, em escolas, em hospitais, em orfanatos, etc.. Meditemos sobre isso! Jorge Hessen http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com Fontes: (1) Peralva, Martins. O Pensamento de Emmanuel. Cap. I Rio de Janeiro: Editora FEB, 1978. (2) Conforme o World Population Policies 2009, da ONU que registra o estudo realizado pela ONU e pelo Instituto Guttmacher. (3) Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Religião dos Espíritos, ditado pelo Espírito Emmanuel. 14a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2001. (4) Disponível em http://www.editoraideal.com.br/chico/perguntas-21.htm, acessado em 15 de março de 2006. (5) Cf. Manifesto Espírita sobre o Aborto Federação Espírita Brasileira Manifesto aprovado na reunião do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, nos dias 7, 8 e 9 de novembro de 98. (6) O jornal Folha Espírita, edição de janeiro de 2005.

INTERNET E ESPIRITISMO – DESAFIOS E POSSIBILIDADES Atualmente há uma assustadora explosão dos sites de redes sociais, como o “MySpace”, “Facebook” e “Orkut”, que ganharam grande proeminência em face dos muitos milhões de pessoas inscritas para utilizá-los a fim de publicarem suas informações pessoais. Para muitos internautas o uso das redes de relacionamento é algo tão comum como tomar banho, escovar os dentes e pentear os cabelos pela manhã. Todavia, a natureza quase íntima dessas redes sociais leva as pessoas a compartilharem informações confidenciais sobre sua família, relacionamentos afetivos, situação financeira e vários outros conteúdos de cunho particular,

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deixando-as, não raro, sujeitas a todo tipo de armadilhas, considerando que esses dados fornecidos na web municiam as pessoas mal intencionadas. Óbvio que a Internet é importantíssima para todos nós. Com ela podemos ler a maioria dos jornais do mundo contemporâneo utilizando apenas algumas teclas. Temos acesso a um sem-número de enciclopédias e podemos também sondar os filmes que estão em exibição nos cinemas. A rigor, utilizamos uma parte ínfima da vastidão de temas e materiais que se podem conseguir na Rede Mundial de Computadores. Por outro lado, nem sempre é tarefa fácil distinguir entre o conteúdo interessante e a mensagem perigosa e/ou ilegal. Dos riscos iminentes que estremecem a mente humana, destacamos a pornografia (principalmente a infantil) que é, disparadamente, a mais execrável. Não faltam os sites de conteúdo racista, xenófobo, ou de puro incitamento à violência. Muitas vezes o perigo pode vir de uma conversa aparentemente inocente, mantida no programa de conversa à distância - o “Chat”. Da mesma forma que devemos prestar atenção redobrada ao atravessar uma avenida de trânsito intenso, devemos ter a máxima cautela ao navegar na web, pois os perigos são reais. Devemos estar atentos para evitar cair em arapucas cibernéticas. Como aconteceu, recentemente, com uma jovem de 22 anos que sofreu violência sexual no estado de São Paulo. Segundo a Polícia Civil paulista, a vítima havia marcado um encontro com um rapaz após tê-lo conhecido em uma sala de bate-papo na Internet. No local combinado, o criminoso estava em uma moto e, quando a jovem chegou, ele a obrigou a subir na garupa e a levou para um lugar ermo, onde ela foi amarrada e abusada sexualmente. Um elevado percentual de problemas ocorre porque muitos usuários não têm idéia do alcance da web e não sabem se comportar diante do universo virtual. Os especialistas comparam a Internet a uma grande praça pública, todavia com uma diferença fundamental: as informações e imagens divulgadas podem ser vistas por milhões de pessoas, copiadas e manipuladas, o que exige um cuidado extra. Existem alguns meios de controlar a “navegação”, que restringem, através de senhas, aquilo que crianças e jovens podem ter acesso. Os pais, sobretudo os genitores espíritas, devem conversar abertamente com os seus filhos, alertando-os sobre o lado nocivo da Internet e aconselhá-los a evitar sites perigosos. Nesses casos, orientar será sempre muito melhor do que proibir. Em tese, apesar dos riscos, não devemos demonizar a Internet tal qual fazia a Inquisição na Idade Média, queimando os livros e destroçando a cultura. Apoiados no bom senso doutrinário, é importante aprendermos a enfrentar os desafios cibernéticos, com a intenção de procurar a verdade e de esclarecer os interessados. É bastante salutar que saibamos separar o trigo do joio.

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A Internet, a despeito das informações incorretas, das agressões, das infâmias, da degradação e do crime, é, sem dúvida, um instrumento de grandiosas realizações que dignificam o homem e preparam a sociedade para um porvir mais promissor. Para o movimento espírita em especial, pela web são possíveis os estímulos de fraternidade entre as diversas instituições kardecianas da Terra. Pelas ondas virtuais está surgindo um novo modelo para o movimento espírita. Se o Apóstolo dos Gentios teve que andar milhares de quilômetros a pé, de cidade em cidade, para espalhar a semente da Boa Nova, Deus, nos dias atuais, dá-nos a oportunidade de estar na comodidade do próprio lar para disseminar os princípios da Terceira Revelação para todos os continentes. Diante do exposto, indagamos: como garantir a legitimidade desse monumental instrumento de trabalho espírita? O que fazer para explorar mais o enorme potencial de divulgação da Doutrina Espírita através da Internet? Cremos que os Departamentos de Divulgação dos Centros Espíritas, bem como Federações Espíritas, deveriam refletir mais sobre o assunto. Ambas as questões são importantes e devemos refleti-las para que possamos entender como aplicar a Internet corretamente no ambiente espírita. Nesse caso, a vigília equilibrada é fundamental para atingir uma abordagem balanceada, que possa assumir plenamente a tecnologia que temos disponível e, simultaneamente, projetar os objetivos maiores do trabalho espírita que está sendo desenvolvido na Terra, por permissão do Cristo. Jorge Hessen http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

DUENDES, ELEMENTAIS - CRENDICE, FANTASIA OU REALIDADE? Não encontramos a palavra "Elemental" no dicionário do Aurélio, e que tampouco consta nas obras codificadas por Allan Kardec. Aliás, o Espírito São Luís, na Revista Espírita do mês de março de 1860, empregou o termo "elementar”(1) ao invés de “Elemental”.(2) O professor Rivail cita a palavra "duende" referindo-se aos espíritos perturbadores, em duas oportunidades.(3)A primeira quando faz alusão ao duende de Bayonne, que apareceu para sua irmã, provocando travessuras. Na segunda, descreve a experiência do Sr. J. com alguns espíritos perturbadores, em sua residência. Mas, em ambas as oportunidades, o

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Codificador os descreveu como espíritos perturbadores, sem no entanto lhes conferir as propriedades que a crendice popular dá aos duendes e elementais. (4) Nesta abordagem teórica, não podemos adentrar pela porta larga das concepções místicas, até porque a nomenclatura espírita é concisa e clara, e precisa estar acima da imaginação popular, que concebe, geralmente, a mediunidade de maneira mística, e quase sempre denominando esses seres de Silfos (elementais do ar), Salamandras (elementais do fogo), Ondinas (elementais da água) e Gnomos (elementais da terra). Sabemos que nas hostes espíritas existem muitas terminologias novas, que não estão inscritas nas Obras Básicas. Todavia, no decorrer do século XX, foram sendo incorporadas no dicionário kardeciano, a exemplo dos termos "colônias espirituais”, “bioenergia”, “monoideísmo”, “ovóides", "umbral", "vampirismo", "aura" etc. Expressões essas que, se não foram utilizadas pelo Codificador; estavam de alguma forma implícitas nas idéias, através de outras terminologias do século XIX. O termo "Elemental" é comumente empregado de forma esotérica, sobretudo na cultura teosófica. Porém, André Luiz faz alusão à palavra referindo-se “a entes servidores comuns do reino vegetal”(5), ou seja, espíritos da Natureza totalmente estranhos à sua compreensão(6). Algumas obras espíritas complementares confirmam que os seres infra-humanos são os "entes servidores da natureza”, executores dos fenômenos naturais. Segundo o ilustre lionês, "os Espíritos constituem a força inteligente da Natureza e concorrem para a execução dos desígnios do Criador”(7), que, não criou seres intelectuais perpetuamente destinados à inferioridade, uma vez que “tudo na Natureza se encadeia por elos que ainda não podemos apreender”(8). Os Instrutores Espirituais intervêm na melhoria das formas evolutivas inferiores, nas quais o princípio inteligente estagia. Em verdade, “todos os campos da Natureza contam com agentes da Sabedoria Divina para formação e expansão dos valores evolutivos.”(9). A rigor, o espírito não chega à fase da razão “sem haver passado pela série divinamente fatal dos seres inferiores, entre os quais se elabora lentamente a obra da sua individualização.”(10). Destarte, “o princípio inteligente, distinto do princípio material, se individualiza e se elabora, passando pelo diversos graus da animalidade. É aí que a alma se ensaia para a vida e desenvolve, pelo exercício, suas primeiras faculdades.”(11). Certa vez, conhecendo uma colônia purgatorial de vasta expressão, André Luiz foi informado sobre as milhares de criaturas “utilizadas nos serviços mais rudes da natureza, que se movimentam naquelas regiões em posição infraterrestre.”(12). Talvez essas entidades não habitem o interior da Terra, porém, “presidem aos fenômenos geológicos e os dirigem de acordo com as atribuições que têm.”(13).

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Dia virá em que receberemos a explicação de todos esses fenômenos e os compreenderemos melhor. Na escala da evolução, eles estariam entre a fase animal e hominal. Muitos esotéricos acreditam que essas entidades são superiores ao homem, crença essa contrária aos conceitos e conhecimentos espíritas. Para nós, esses seres “situam-se entre o raciocínio fragmentário do macacóide e a idéia simples do homem primitivo da floresta."(14). No Capítulo IX de O Livro dos Espíritos, questões 536 a 540, o mestre lionês fez perguntas pertinentes sobre a ação dos espíritos nos fenômenos da natureza. Compreendemos, assim, sobre a existência de "princípios inteligentes" que auxiliam no controle dos fenômenos da natureza, sob a supervisão de espíritos mais elevados, operando em nome de Deus, que “não exerce ação direta sob a matéria”(15). Não seria justo dizer que os elementais não existem. A experiência, a tradição e a própria Doutrina Espírita acolhem tais seres como realidade e não como mera fantasia. Todavia, não podemos esquecer que o Espiritismo tem em seu vocabulário os termos adequados para designar precisamente esses entes espirituais. Razoável, então, não adotarmos palavras inadequadas e distorcidas pelas crenças mitológicas. Jorge Hessen http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com Fontes: (1) Espírito elementar é diferente de "elementais” (2) Na "Revista Espírita”, editada por Allan Kardec, março de 1860, tradução da Edicel, pg. 98. (3) Kardec, Allan. Revista Espírita/Janeiro de 1859, São Paulo: Editora IDE, 1993 (4) Os duendes são personagens da mitologia européia semelhantes a Fadas e Goblins. Embora suas características variem um pouco pela Espanha e América Latina, são análogos aos Brownies escoceses, aos Nisse dinamarquês-noruegueses, ao francês nain rouge, aos irlandeses clurichaun, Leprechauns e Far Darrig, aos manx fenodyree e Mooinjer Veggey, ao galês tylwyth teg, ao sueco Tomte e aos trasgos galego-portugueses. (5) Xavier, Francisco Cândido. Nosso Lar, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001. (6) _____,________. Nosso Lar, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001. (7) Kardec, Allan. Obras Póstumas, Rio de Janeiro: FEB, 1972.

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(8) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: FEB, 1974, cap. XI, "Dos Três Reinos”, subcapítulo "Os Animais e os Homens”, questões de 592 a 610. (9) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001. (10) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: FEB, 2001, cap. XI, cap. 6, item 19. (11) _____,_____. A Gênese, Rio de Janeiro: FEB, 2001 cap. 6, item 19 cap.11, item 23. (12) Xavier, Francisco Cândido. Libertação, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2002. (13) Kardec, Allan. (O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: FEB, 1974, questão 537 a). (14) ______,_____. Xavier, Francisco Cândido. Libertação, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2002. (15) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: FEB, 1974, na Parte 2a, Capítulo IX, questões 536 a 540.

O ESPIRITISMO DIANTE DAS VERDADES BÍBLICAS O Velho Testamento narra que os hebreus passaram pelo meio do Mar Vermelho, no chão seco, com uma parede de água de cada lado, enquanto um forte vento soprava do leste. A grande controvérsia que persiste até hoje sobre essa travessia é o cenário do acontecimento, o qual não foi possível determinar com mais clareza. Inclusive, afirma-se que a fuga do Egito pelo Mar Vermelho seria menos verossímil do que pelo Mar dos Juncos. Por quê? É simples: analisemos que na Bíblia de Jerusalém, 21 (vinte e uma) passagens reportam à travessia, sendo que em 16 (dezesseis) vezes diz-se que foi no Mar dos Juncos e em apenas 5 (cinco) vezes que foi no Mar Vermelho. Há algo nesses informes desencontrados que está mal explicado. Há quem afirme que o local da travessia foi mesmo no Mar Vermelho, exatamente na extensão norte do Golfo de Suez, ao sul do atual porto. Talvez na região pantanosa e de lagunas, atravessada hoje pelo canal de Suez. Mas há estudiosos alegando que a localização dessa tal porção de mar é bastante incerta.

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Atualmente é impossível determinar com exatidão o lugar e o modo de como ocorreu o insólito episódio bíblico. Nesse caso, é muito problemático estabelecer uma relação razoável entre o que existe de possibilidade histórica e o que seja fruto de reelaborações épicas. Carl Drews – do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas, principal autor do estudo sobre a suposta travessia, publicado no site da Public Library of Science – e o oceanógrafo Weiqing Han – da Universidade do Colorado – acreditam ter descoberto o exato ponto onde Moisés teria “dividido” as águas do Mar Vermelho, há 3.000 anos. Segundo os pesquisadores, quando o vento sopra na localidade considerada, a água pode se levantar e se "dividir" naquela faixa de terra. Pelos seus cálculos, um vento de 100 km/h, soprando durante 12 horas, teria sido capaz de empurrar a água em até dois metros de profundidade, por cerca de quatro horas – tempo suficiente para que Moisés e seu povo atravessassem para a liberdade. Contudo, Drews e Weiqing só não conseguem explicar como todo aquele povo se deslocaria pelo local sob uma ventania de 100 km/h. Se a hipótese possui base científica, não se pode inferir seja verdadeira outra hipótese que lhe é contrária. Não há argumento que se possa sobrepor à autoridade dos fatos. Contudo, nesse caso, apesar do episódio impressionar, importa investigar se realmente aconteceu, seja como relatado pelos pesquisadores americanos, ou pelo Velho Testamento, que consigna apenas uma indicação difusa. Há contradições históricas sobre detalhamento do fato. Observemos que o Velho Texto afirma que Moisés estendeu a mão sobre o mar, enquanto que o historiador Flávio Josefo afirma que “Moisés tocou o mar com sua vara maravilhosa e no mesmo instante ele se dividiu, para deixar os hebreus passar livremente, atravessando-o a pé enxuto, como se estivessem andando em terra firme.”2. Assim, temos duas versões para o mesmo fato. Para o Espírito Emmanuel, “na trajetória do povo israelita, verifica-se que o Antigo Testamento é um repositório de conhecimentos secretos, dos iniciados do povo judeu, e que somente os grandes mestres deste povo poderiam interpretá-lo fielmente, nas épocas mais remotas.”3. O que nos falta, na verdade, é um conhecimento mais aprimorado da Bíblia, que nos possibilite descobrir o que ela mantém sob véu. De qualquer modo, se houve a travessia, essa só pode ter ocorrido dentro das leis naturais. O espírita jamais endossaria os argumentos que tentam entronizar a travessia à conta de fenômeno sobrenatural (“milagre”), contrariando a ciência, o bom senso e a fé racional. Sabemos também que na Bíblia “a alegoria ocupa considerável espaço, ocultando sob véu sublimes verdades, que se patenteiam,

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desde que se desça ao âmago do pensamento, pois que logo desaparece o absurdo.”4. O Espiritismo ressalta a cada passo a importância dos textos do Velho Testamento. A Doutrina não vem, pois, destruir a base de qualquer religião, como alguns o supõem, mas, ao contrário, vem legitimá-las, sancioná-las por provas irrecusáveis. “Mas como é chegado o tempo de não mais empregar a linguagem figurada, eles [os Espíritos] se exprimem sem alegoria e dão às coisas um sentido claro e preciso que não possa estar sujeito a nenhuma interpretação falsa. Eis porque, dentro de algum tempo, teremos mais pessoas sinceramente religiosas e crentes que as que não temos hoje.”5. Cremos ser importante um estudo sério que contribua para um conhecimento novo em face das verdades veladas inseridas no Velho Texto. A Bíblia está repleta de narrativas que trazem, através dos símbolos, verdades e revelações surpreendentes, tanto quanto passagens e fatos que endossam e comprovam os fenômenos mediúnicos em seus vários aspectos, através dos profetas, que eram na verdade médiuns. Pelas razões expostas, e por prudência é “no sentido relativo, que [o espírita] deve interpretar os textos sagrados.”6. Jorge Hessen http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/ Fontes: (1) Existem três tipos de Bíblia a definir: A Bíblia Judaica que para nós constitui o Velho Testamento, ou o Tanách com 24 livros, a Bíblia protestante com 66 livros e a Católica com 73 livros. (2) Josefo, Flavio. História dos Hebreus. Trad. PEDROSO, V. Rio de Janeiro: CPAD, 1990. pág. 87. (3) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, pág. 67 (4) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1974, cap. IV (5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1878, questão 1010 (6) Idem questão 1009

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MILAGRE?... FATALIDADE?... ACASO?...LIVRE ARBÍTRIO?...ALGUNS ARGUMENTOS ESPÍRITAS Thomas Magill, um americano de 22 anos, sofreu uma queda do 39º andar de um prédio em Manhattan, Nova York. Ele caiu sobre um carro estacionado na rua, seu corpo atravessou o vidro traseiro e se espatifou no banco de couro do Dodge Charger. Magill caiu, mais ou menos, a uma velocidade de 160 quilômetros por hora e sobreviveu. Milagre?... Fatalidade?... Acaso?...Acidente?... Há muitos fenômenos naturais que desafiam a razão humana e permanecerão na dimensão do incognoscível no círculo da ciência tradicional por um bom tempo. No episódio Magill, será que houve uma interseção do Plano Espiritual, ou seja, teriam os Espíritos neutralizado os efeitos da Lei da Gravidade e por conseqüência diminuído a extensão do impacto sobre o carro? Por que em vários outros fatos semelhantes não há esse tipo de suposta intervenção espiritual? Acaso é uma palavra vazia de significado e nem sequer existe no dicionário espírita. Milagre? Para os espíritas, o milagre seria uma postergação inconcebível das leis eternas fixadas por Deus – obras que são da sua vontade – e seria pouco digno da Suprema Potência exorbitar da sua própria natureza e variar em seus decretos. Então, haverá fatalidade nos acidentes e/ou acontecimentos outros da vida, conforme o sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer, os acidentes e/ou acontecimentos diversos são predeterminados? E o livre-arbítrio, como ficaria? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. E mais ainda, “fatal”, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é, segundo o Espiritismo. Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, se o instante da morte ainda não chegou, não morreremos? Segundo os Espíritos, não desencarnaremos e sobre isso temos muitos de exemplos. De fato, em todas as épocas, muitas criaturas têm saído ilesas das mais extremas situações de perigo. Por outro lado, porém, haverá quem questione: - Mas com que fim passam certas pessoas por tais perigos que nenhuma conseqüência grave lhes causam? Na questão 855 do Livro dos Espíritos, o assunto é melhor explicado pelos Espíritos: “Se escapas desse perigo, quando ainda sob a impressão do risco que correste, cogitas, mais ou menos seriamente, de

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te melhorares, conforme seja mais ou menos forte sobre ti a influência dos Espíritos bons”. O tema e o estudo sobre fatalidade têm múltiplas facetas. Devem ser considerados sob diversos ângulos. A fatalidade existe unicamente pela escolha que fazemos, ao encarnar, desta ou daquela forma para sofrer. Escolhendo-a, instituímos para nós uma espécie de destino, que é a consequência mesma da posição em que venhamos a nos achar colocados. Se estamos cumprindo, no uso de nosso livre-arbítrio, a programação reencarnatória, não há como, pois, sermos visitados pela fatalidade. Por isso, cremos que não há livre-arbítrio nem determinismo absolutos na encarnação, mas liberdade condicionada. Destarte, a Doutrina dos Espíritos, embasada em O Livro dos Espíritos, não respalda a idéia de fatalidade, merecendo por isso leitura e reflexão. Então, qual a finalidade desses acidentes que causam tanto espanto? Como a Justiça Divina pode ser percebida nessas situações extremas? Por que algumas pessoas escapam, e outras não, de quedas, por exemplo, como vimos acima, lembrando que fatalidade, destino, azar e sorte são palavras sempre citadas em situações como essa? A fatalidade física, o momento da morte, virá naturalmente, no tempo e maneira pré-estabelecida, a não ser que o precipitemos, pelo uso de nosso livre-arbítrio, através do suicídio, por exemplo. Instante é um momento, uma fração de tempo indefinido, mais ou menos dúctil, diferente de hora, minuto e segundo da morte. É evidente que Deus a tudo prevê, mas os acontecimentos não estão a isso condicionados; Deus previu as nossas ações, mas nós não agimos porque Deus previu, mas porque utilizamos o nosso livre-arbítrio desta ou daquela maneira, e Ele tinha ciência dessa nossa maneira de agir. Ora, se usamos bebidas alcoólicas e dirigimos um veículo a 150 km/h, ou atravessamos uma avenida de intenso fluxo de automóveis, de olhos fechados, por exemplo, estamos nos expondo e nos sujeitando à “fatalidade”, mas, antes do nosso procedimento errôneo, utilizamos o nosso livre-arbítrio. O que essas reflexões têm a ver com o caso do americano que caiu do 39º andar de um prédio em Manhattan, Nova York? Bem, pelo sim, pelo não, cremos que a espiritualidade superior não tem qualquer compromisso com a fatalidade, podendo alterar programações reencarnatórias de acordo com o merecimento do reencarnado. Para tal, sob o prisma espiritual, a fatalidade não é fatal, podendo ser modificada, já que é possível renovar nosso destino todos os dias, e nem duvidemos disso. Jorge Hessen http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/

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AUTOESTIMA E AUTOSUPERAÇÃO ANTE A LEI DA REENCARNAÇÃO Harley Lane, um menino inglês de 4 anos, teve uma meningite e foi desenganado pelos médicos. Sofreu uma septicemia, uma infecção que ocorre no sangue causada pela proliferação de bactérias e toxinas, conhecida também como sangue envenenado. Essa infecção danifica os tecidos do organismo e diminui a pressão arterial, provocando o fechamento de veias, interferindo na circulação sanguínea. Harley precisou amputar os braços e as pernas e pouco tempo depois, utilizando próteses e uma cadeira de rodas, voltou à escola e se tornou o garoto mais popular da classe, devido ao seu esforço de superação em um corpo físico completamente mutilado. Atualmente, é amparado por um assistente de ensino para ajudá-lo na higienização, prevenindo assim novas infecções. Jessica Cox, uma americana nascida sem os braços, por conta de uma enfermidade congênita, vem ganhando popularidade nos Estados Unidos como exemplo de superação. Ela se tornou a primeira pessoa a conduzir uma aeronave somente com os pés e conseguiu um brevê de piloto. Cox não se entrega aos limites físicos e não se prende ao “não posso”, costuma dizer ante os desafios “ainda não consegui”. Sob esse raciocínio, acredita que quando na limitação física não se pode fazer algo, mas pode-se buscar meios de superação a fim de vencer, quebrar limites, expandir, ampliar horizontes, levando a barreira limite para mais distante do ponto anterior. A maior conquista de Jessica é a auto-estima e elevado grau de auto-aceitação, o que dá a ela esses talentos. Em suas palestras, Jessica procura mostrar às outras pessoas que a autoconfiança é a principal arma para superar as adversidades. Há muitas pessoas ditas “normais” que sofrem de uma deficiência real – a falta de confiança em si mesmas, eis aí os verdadeiros aleijões humanos. Outro caso de superação é de Flávia Cristiane Fuga e Silva, uma brasileira de 26 anos, portadora de paralisia cerebral, que recebeu sua carteira de advogada, após cinco anos de faculdade e três exames da OAB-SP. Flávia praticamente não fala e se locomove com o auxílio de uma cadeira de rodas. Foi aprovada no exame 133, realizado em agosto de 2007, em que 84,1% dos 17.871 candidatos foram reprovados. Muitos paralíticos, surdos, mudos e cegos, sob essa égide valorativa de "eficiência", são considerados "deficientes", isto é, aqueles cuja "eficiência" é falha,

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é insuficiente, e não tem como ser vencida, superada. Entendendo que o limitado físico não sofre de falta de "eficiência", por essa razão postulamos que os “deficientes” não são deficientes, apenas estão temporariamente restritos para fazerem uma ou outra coisa. Os preceitos espíritas nos remetem a entender que somos sempre herdeiros de nós mesmos, motivo pelo qual é importante que nos esforcemos, a fim de crescermos emocionalmente, amadurecendo conceitos e reflexões, aspirações e programas reencarnatórias, cuja materialização nos submetemos. É importante reconhecermos as próprias dificuldades e esforçar-nos para vencê-las, evitando a queixa a fim de não deprimir o entusiasmo de viver, levando-nos a estados depressivos. Não devemos nos deter na autocompaixão piegas e inútil, precisamos nos motivarmos para crescer e alcançarmos os patamares psicológicos mais elevados de autosuperação. É bem verdade que há dolorosas reencarnações que significam tremenda luta expiatória para as almas necrosadas no vício. As vicissitudes da vida corpórea constituem expiação das faltas do passado e, simultaneamente, provas com relação ao futuro a fim de depurar-nos e elevar-nos, se as suportamos resignados e sem autopiedades. A paralisia, o câncer, a epilepsia, a cegueira, a mudez, a idiotia, a surdez, a hanseníase, o diabete, o pênfigo foliáceo, a loucura e todo o conjunto das patologias de etiologias obscuras e quase incuráveis significam sanções instituídas pelo Criador da vida, portas a dentro da Justiça Universal, atendendo-nos aos próprios pedidos, para que não venhamos a perder as glórias eternas do espírito a troco de lamentáveis ilusões humanas. Diante dos desafios do viver na Terra, devemos trilhar pelo caminho da autosuperação sob os influxos tenazes da autoconfiança. Esse estado de espírito resulta das conquistas contínuas que demonstram o valor de que se é portador, produzindo imensa alegria íntima, e esta se transforma em saúde emocional, com a subseqüente superação dos conflitos remanescentes das experiências de vidas pregressas. Jorge Hessen http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

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PESQUISAS COM AS CÉLULAS TRONCO EMBRIÔNICAS, MITOS, CRENDICES E FOBIAS Cientistas americanos conseguiram que uma mulher de 42 anos tivesse um filho saudável a partir de um embrião que permaneceu congelado por quase 20 anos. A técnica foi aplicada no Instituto Jones de Medicina Reprodutiva, da Escola de Medicina de Eastern Virginia, em Norfolk, na Virgínia. Os médicos descongelaram cinco embriões que haviam sido doados anonimamente por um casal que realizara o tratamento de fertilização na clínica 20 anos antes. No Brasil, há o caso de uma mulher do interior de São Paulo que deu à luz um bebê nascido de um embrião que ficara congelado por oito anos. O tema nos impõe uma reflexão sobre “pesquisas com células embriônicas”, pois a utilização dessas células é complexa e muitas outros questionamentos podem ser feitos. Sobre esses estudos os esclarecimento dos Benfeitores Espirituais praticamente inexistem. Todavia, reconhecemos que o projeto demonstra o esforço da ciência humana. Lembrando que “as pesquisas com células-tronco embrionárias só poderão ser realizadas, segundo a Lei, se elas forem obtidas através de fertilização in vitro e estiverem congeladas há mais de três anos"(1) O assunto deve e pode ser debatido de forma imparcial, e livre do ranço obscurantista dos idos medievais, levando-nos a conclusões futuras mais satisfatórias. Creio que "defender as pesquisas com células-tronco embrionárias para fins terapêuticos mais do que um posicionamento técnico-científico é a defesa dos Direitos Humanos, da Dignidade da Pessoa Humana"(2) Não adianta posicionamento radical, até porque, a proposta científica é a da utilização irreversível, em pesquisa, dos embriões excedentes nas clínicas de reprodução assistida. Será que os embriões congelados, nos quais se encontram as células-tronco embrionárias, têm potencial de vitalidade que não se pode transformar? Alguns crêem ser um "aborto", mas não percorremos nessa direção. Recordemos "o Livro dos Espíritos", cuja resposta esclarece o que segue: "há corpos que jamais tiveram um Espírito designado", ou seja, há “corpos físicos que se desenvolvem sem que haja a finalidade da reencarnação.”(3)

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Como compreendermos os casos de gestação frustrada quando não há Espírito reencarnante para arquitetar as formas do feto? Sobre isso encontramos no no item 13 da Segunda parte do Livro Evolução em Dois Mundos, a seguinte explicação de André Luiz: "Em todos os casos em que há formação fetal, sem que haja a presença de entidade reencarnante, o fenômeno obedece aos moldes mentais maternos. Dentre as ocorrências dessa espécie há, por exemplo, aquelas nas quais a mulher, em provação de reajuste do centro genésico, nutre habitualmente o vivo desejo de ser mãe, impregnando as células reprodutivas com elevada percentagem de atração magnética, pela qual consegue formar com o auxílio da célula espermática um embrião frustrado que se desenvolve, embora inutilmente, na medida de intensidade do pensamento maternal, que opera, através de impactos sucessivos, condicionando as células do aparelho reprodutor, que lhe respondem aos apelos segundo os princípios de automatismo e reflexão. Em contrário, há, por exemplo, os casos em que a mulher, por recusa deliberada à gravidez de que já se acha possuída, expulsa a entidade reencarnante nas primeiras semanas de gestação, desarticulando os processos celulares da constituição fetal e adquirindo, por semelhante atitude, constrangedora dívida ante o Destino.”(4) Se há um planejamento reencarnatório com o concurso de Espíritos superiores, por que eles iriam designar um Espírito, com provas a cumprir, a um conjunto de células que seria, apenas, matéria orgânica e que não teria, em sua finalidade, a evolução da gestação? Utilizar células-tronco embrionárias, nesse sentido, não será uma afronta às Leis naturais, mas uma enorme contribuição científica para a Humanidade, possibilitando melhorar a vida física dos seres reencarnados. Quanto à neurastenia sobre o uso impróprio das células-embriônicas, mantenhamos a confiança, pois a Ciência, colaboradora inconteste do progresso, saberá lidar cada vez melhor com as técnicas que envolvem o assunto. A questão, em que pese o nosso convencimento, demonstrado em vários artigos que publicamos, é demasiadamente complexa e, óbvio, não detemos o argumento final! É preciso considerar que minha opinião sobre o assunto não é necessariamente uma posição da Doutrina Espírita, é uma opinião particular. Todavia, seja qual for a opinião que qualquer outro espírita contrárias aos arrazoados aqui expressos, obviamente que não se trata de uma posição do Espiritismo, e sim ainda será uma opinião pessoal que será mais tarde melhor esclarecida pelos resultados das práticas científicas. Os Mentores espirituais são inteligentes o suficiente para saberem que tal ou qual óvulo será ou não destinado à produção de células-tronco para fins terapêuticos e, portanto, que nenhum espírito deverá estar ligado a ele. Acreditamos nisso, ou,

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então, estaremos sob o guante da “lei da casualidade” e o “acaso” não consta no dicionário espírita. A literatura complementar à Doutrina revela que o fenômeno da reencarnação humana é por demais complexo, sendo confiado, normalmente, aos Espíritos elevados. André Luiz nos explica que as Leis Divinas são Universais. Como tal, é natural que a reencarnação obedeça também a princípios automáticos, tendo em vista, sobretudo, que esse processo se repete há bilhões de anos. Em "Nas Fronteiras da Loucura", Manoel F. Miranda, afirma que líderes das sombras (especialistas em magnetismo) conhecem as técnicas reencarnatórias e até as executam na Terra.”(5) A fecundação é um processo de criação e esta, necessariamente, se submete ao princípio do "nada se cria sem que à criação presida um desígnio."(6) Considerando que nos embriões congelados, pode haver Espíritos ligados ou não, a priori não vemos sentido em se "grudar" um espírito a um embrião que jamais se desenvolverá, a não ser se for por ajuste cármico, como sucede hoje com o aborto não provocado.(7) É bem verdade que não possuímos instrumentos precisos para saber se há ou não DESENCARNADOS destinados a tal ou qual embrião congelado, mas, também estamos convencidos de que, entre tentar fazer algo em nome da ciência, visando à saúde dos ENCARNADOS, ou deixar de fazê-lo, por receios ou neurastenias incontidas dos impactos de consciência que vigem nos imaginários de alguns, por cristalizado atavismo religioso, é inaceitável e extemporâneo entrave à evolução científica. Não nos esqueçamos de que o homem de ciência está na Terra como colaborador de Deus, para ajudá-Lo a melhorar a natureza. Excetuando-se os embriões que, efetivamente, não serão aproveitados para a gestação, e que se perderão após três anos de congelamento, há também outras alternativas, na busca de terapias das doenças degenerativas, de curso irreversível. A ciência deve avançar sem os cabrestos da ortodoxia igrejeira, até porque, de seu impulso, também depende o desenvolvimento da criatura, mas, obviamente, os caminhos utilizados não podem violar o que, igualmente, já se conquistou como valores imarcescíveis. Do exposto, não temamos os avanços científicos, até porque, o Espiritismo está profundamente vinculado à pesquisa, à investigação, à ciência, através do seu trabalho intérmino no processo da evolução. Se o homem vai ou não utilizar o produto das pesquisas científicas para o bem ou para o mal, não esbugalhemos os olhos, não mergulhemos em sofreguidões inúteis, fiquemos harmonizados n’alma até porque quando testamos a bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki,

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sofremos o terror da fissão nuclear. No entanto, aí estão os átomos para a paz mundial. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fontes (1) Revista Veja editada em 03 de Março de 2005. (2) Barone, Alexandre, "A proximidade de uma esperança adiada", artigo disponível em acesso em 11/03/2008- Barone é presidente do Conade - Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência. (3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro:Ed FEB, 2001, perg. 356. (4) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em dois Mundos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1997. (5) Franco, Divaldo Pereira. Nas Fronteiras da Loucura, Salvador: ed. Leal, 2000 (6) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro:Ed FEB, 2001, perg. 336. (7) Hessen, Jorge, CIENTISTAS ESTARIAM SUBVERTENDO A ORDEM DIVINA AO MANIPULAR CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS? - Artigo publicado em 06.04.05, disponível no site Acesso em 10-03-08.

COLETÂNEA DE ARTIGOS SOBRE COBRANÇA DE TAXAS DE CONGRESSOS ESPÍRITAS INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS "GRANDIOSOS” Allan Kardec escreveu na RE de novembro de 1858, que "jamais devemos dar satisfação aos amantes de escândalos. Entretanto, há polêmica e polêmica. Há uma ante a qual jamais recuaremos — é a discussão séria dos princípios que professamos. " É isto o que chamamos polêmica útil, pois o será sempre que ocorrer entre gente séria, que se respeita bastante para não perder as conveniências. Podemos pensar de modo diverso sem diminuirmos a estima recíproca. Que os dirigentes espíritas, sobretudo os comprometidos com órgãos “unificadores”, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar, conforme lembrava Chico Xavier. Devemos primar pela simplicidade

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doutrinária e evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades, prioridades, industrialização dos eventos doutrinários. Os eventos devem ser realizados, gratuitamente, para que todos, sem exceção, tenham acesso a eles. Os Congressos, Encontros, Simpósios, etc., precisam ser estruturados com vistas a uma programação aberta a todos e de interesse do Espiritismo, e não para servirem de ribalta aos intelectuais com titulação acadêmica, como um "passaporte" para traduzirem "melhor" os conceitos kardecianos. Não há como “compreender o Espiritismo sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.” (1) "A presença do elitismo nas atividades doutrinárias (...) vai expondo-nos a dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, para ricos, para intelectuais, para incultos.” (2) Infelizmente, alguns se perdem nos labirintos das promoções de shows de elitismo nos chamados “Congressos”. Patrocinam eventos para espíritas endinheirados, e, sem qualquer inquietação espiritual, sem quaisquer escrúpulos, cobram altas taxas dos interessados, momento em que a idéia tão almejada de “unificação” se perde no tempo. Conhecemos Federativa que chega a desembolsar R$. 90.000,00 (noventa mil reais); isso mesmo! 90 mil, para promover evento destinado a 3, 4, 5.000 (cinco mil) pessoas. A pergunta que não quer calar é: será que o Espiritismo necessita desses eventos "grandiosos"? Cobrar taxa em eventos espíritas é incorrer nos mesmíssimos e seculares erros da Igreja, que, ainda, hoje, cobra todo tipo de serviço que presta à sociedade. É a elitização da cultura doutrinária. Sobre isso, Divaldo Franco elucida na Revista O Espírita, edição de 1992, o seguinte: “é lentamente que os vícios penetram nos organismos individuais e coletivos da sociedade. A cobrança desta e daquela natureza, repetindo velhos erros das religiões ortodoxas do passado, caracteriza-se ambição injustificável, induzindo-nos a erros que se podem agravar e de difícil erradicação futura. Temos responsabilidade com a Casa Espírita, deveres para com ela, para com o próximo e, entre esses deveres, o da divulgação ressalta como uma das mais belas expressões da caridade que podemos fazer ao Espiritismo, conforme conceitua Emmanuel, através da mediunidade abençoada de Chico Xavier. Nos eventos essencialmente espíritas, deveremos nós, os militantes na doutrina, assumir as responsabilidades, evitando criar constrangimentos naqueles que, de uma ou de outra maneira, necessitem de beneficiar-se para, em assimilando a doutrina, libertarem-se do jogo das paixões, encontrando a verdade. O dar de graça, conforme de graça nos chega, é determinação evangélica que não pode ser esquecida, e qualquer tentativa de

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elitização da cultura doutrinária, a detrimento da generalização do ensino a todas as criaturas, é um desvio intolerável em nosso comportamento espírita.” (3) As Federativas Espíritas devem envidar todos os esforços para que não haja a necessidade de qualquer cobrança de taxa de inscrição dos participantes de Congressos, exceto em casos extremos (o que não é desejável obviamente), procurando fazer frente aos custos do evento. Para esse mister devem buscar viabilizar, previamente, os recursos financeiros através de cotização espontânea de confrades bem aquinhoados. Realizar promoções, doutrinariamente, recomendáveis para angariar fundos. Os dirigentes devem preservar o Espiritismo contra os programas marginais, atraentes e, aparentemente, fraternistas, que nos desviam da rota legítima para as falsas veredas em que fulguram nomes pomposos e siglas variadas. A Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Chico Xavier já advertia, em 1977, que "É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...).” (4) Não reprovamos os Congressos, Simpósios, Seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas, a Doutrina Espírita não pode se trancar nas salas de convenções luxuosas, não se enclausurar nos anfiteatros acadêmicos e nem se escravizar a grupos fechados. À semelhança do Cristianismo, dos tempos apostólicos, o Espiritismo é dos Centros Espíritas simples, localizados nos morros, nas favelas, nos subúrbios, nas periferias e cidades satélites de Brasília; e não nos venham com a retórica vazia de que estamos propondo, neste artigo, alguma coisa que lembre um tipo de “elitismo às avessas”. Graças a Deus (!), há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec. Assim, esperamos! Jorge Hessen http://jorgehessen.net/ jorgehessen@gmail.com

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Fontes: (1) Cf. Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979 (2) Editorial da Revista O Espírita, ano 11 numero 57-jan/mar/90. (3) Revista O Espírita/DF, ano 1992- Página “Tribuna Espírita” –Divaldo Responde-pag. 16 (4) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.

A JUSTIÇA DE DEUS ANTE OS MECANISMOS DA REENCARNAÇÃO Liam Derbyshire, um menino britânico de 11 anos, tem uma história de doenças instigantes. Superou um câncer na infância e tem um sistema gástrico subdesenvolvido, precisa usar permanentemente um tubo de traqueotomia. Desde que nasceu, sofre de hipoventilação central congênita,(1) conhecida popularmente como maldição de Ondina, que pode levar à morte durante o sono, pois a sua respiração pára enquanto dorme. O menino é obrigado a usar um respirador artificial sempre que dorme e, ainda, possui um aparelho para auxiliar na respiração movido a pilha, em caso de dormir no carro ou no avião. Na concepção de Kim, sua mãe, a cada dia de sua vida é um acréscimo de misericórdia de Deus. Os médicos se espantam com a sua condição física,que tem desafiado todos os prognósticos. O Dr. Gary Connett, que cuida de Liam no Hospital Geral da cidade de Southampton (sul do país), afirmou nunca ter encontrado relato de crianças que tiveram tantas patologias juntas e sobreviveram. Narramos o “caso Derbyshire” para alguns amigos materialistas (ateus) e todos reagiram com frases do tipo: “Se Deus realmente existe, Ele odeia Derbyshire e quer que ele sofra.” “Se Deus tudo pode, tudo vê, por que não faz nada pra ajudar Liam?” “Deus gosta de ver o sofrimento de algumas pessoas.” “Só os ignorantes acreditam na justiça de Deus.”

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“O "Deus" dos espíritas não é onipresente, onisciente e onipotente? Então por que permitiu que esse menino nascesse com uma doença que causaria tanto sofrimento na vida dele e da família?” Teve até o que nos desafiou dizendo: “Não venha com esse blá, blá, blá de “reencarnação”! Outro vociferou quase em uivos: “Por que alguns merecem sofrer e outros não? Quais os critérios que Deus usa para escolher quem deve sofrer menos? E ainda preciso engolir que tenho que agradecer minha vida a um Deus imaginário tão sórdido e cruel?” Pedimos auxílio aos nossos Amigos de “lá” nesse instante e nos esforçamos para esclarecer serenamente ao grupo sobre a lógica da Lei de Causa e Efeito. Afirmamos que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória, ou seja "cada um é punido naquilo em que errou."(2) Os espíritas sabem que "o estado feliz ou desgraçado de um Espírito é inerente ao seu grau de pureza ou impureza. A completa felicidade prende-se à perfeição. Toda imperfeição é causa de sofrimento e toda virtude é fonte de prazer."(3) Perante a Lei de Causa e Efeito não existem "vítimas". Disse-lhes!... Só respondemos pelos nossos atos e jamais pelos atos alheios. A ninguém deve o homem culpar em caso de sofrimento, a não ser a ele mesmo, pela sua incúria, seus excessos ou a sua ambição. "A responsabilidade das faltas é toda pessoal, ninguém sofre por erros alheios, salvo se a eles deu origem, quer provocando-os pelo exemplo, quer não os impedindo quando poderia fazê-los."(4) Na reencarnação, o resgate é possível na proporção da dívida contraída. "Pela natureza dos sofrimentos e vicissitudes da vida corpórea pode julgar-se a natureza das faltas cometidas em anteriores existências."(5) Cada caso é um caso e as almas mais primárias e atrasadas serão, via de regra, mais atingidas pelos sofrimentos materiais, enquanto os Espíritos de maior sensibilidade e cultura serão mais vulneráveis aos sofrimentos morais. Dessa maneira e detalhando mais sem digressões ante os códigos de Talião, infere-se o seguinte: os que cometeram aborto renascerão com problemas de esterilidade e doenças genitais; os desregrados sexuais reencarnarão com impotência sexual ou frigidez e decepções na vida afetiva; os ociosos e indolentes amargarão na próxima vida física o desemprego, a má remuneração profissional, a “invalidez” física; os caluniadores e maledicentes (re)nascerão carregando doenças das cordas vocais; os que usaram a inteligência para o mal terão novo corpo com uma hidrocefalia, com oligofrenias; os suicidas carregarão noutra existência doenças congênitas graves e desafiadoras para a ciência médica, poderão sofrer acidentes mortais na infância e adolescência. E, assim por diante!

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O caso do menino Derbyshire, invariavelmente, também nos induz à reflexão sobre a função do perispírito (corpo espiritual, segundo Paulo de Tarso), a Lei da Causa e Efeito, a reencarnação, o suicídio, entre outros temas sugestivos que a Doutrina Espírita explora e explica tão preciosamente. O nosso “blá blá blá” precisou avançar mais. Afirmamos que a partir da fecundação do óvulo, sob o comando da lei natural, o espírito reencarnante imprime, através da ação do perispírito, a integração da sua própria herança espiritual somado ao legado genético dos genitores. A formação do respectivo DNA individualizado – composto de genes dominantes e recessivos - conduzido pelas sagradas Leis da Hereditariedade, provindas do Criador, configurará o novo corpo físico daquele particular espírito imortal, que renascerá conforme o programa, previamente, estabelecido e subordinado, inicialmente a fatores como família, raça, etnia, nacionalidade, predisposições para determinados estados de saúde ou doença - física ou espiritual - e inúmeras outras especificidades individuais. O compromisso ou "conta do destino criada por nós mesmos" está impresso no corpo perispiritual. Esses registros fluem para o corpo físico e culminam por determinar o equilíbrio ou o desequilíbrio dos campos vitais. "Só o reconhecimento - que um dia chegará -da primazia do espírito sobre a matéria, associada essa primazia ao princípio reencarnacionista, isto é, a integração da herança espiritual à hereditariedade genética, comandada pelo espírito, via perispírito, regida pela Lei de Causa e Efeito, é que permitirá que se identifiquem, no espírito imortal, as causas concretas dos desequilíbrios que eclodem no corpo físico (um mata-borrão e fio-terra que ele representa), sob o nome de doenças, incluindo-se os distúrbios da psique humana."(6) Quando forem descobertas tecnologias muito mais sofisticadas, que nos possibilitem um exame aprofundado da estrutura funcional do perispírito, a medicina transformar-se-á radicalmente. Nos hospitais, possuindo instrumentos de altíssima resolução, muito além daqueles que existem hoje, os diagnósticos serão, inequivocamente, precisos, o que possibilitará maiores sucessos sobre as doenças. Os profissionais da saúde trabalharão muito mais de forma preventiva, priorizando curar a causa (o doente) e não remediar o efeito (a doença). Após nossa exposição, os materialistas ficaram mudos e permaneceram calados até o término da explicação espírita que lhes ofertamos fraternalmente. Jorge Hessen http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

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Referências e Fontes: (1) A Síndrome de Ondine (Hipoventilação alveolar primária) é uma doença na qual a principal causa é uma mutação ou várias do gene PHOX2B, de herança autossômica dominante. Nessa doença os mecanismos da respiração involuntária não funcionam adequadamente. Ao dormir, os receptores químicos que recebem sinais (baixa de oxigênio ou aumento de dióxido de carbono no sangue) não chegam a transmitir os sinais nervosos necessários para que se dê a respiração. (2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, questão 973 (3) Kardec, Allan. O Céu e o Inferno, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, cap VII (4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, questão 645 (5) Pereira, Yvonne. Dramas da Obsessão, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1964 (6) Artigo de Raphael Rios, intitulado Lei de Causa e Efeito determina os Efeitos da Hereditariedade usando os Registros do Perispírito, publicado na Revista Internacional de Espiritismo – dez/2000

NO MUNDO DO SONO, ALGUNS COMENTÁRIOS ESPÍRITAS Em pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia com a Sociedade Americana de Câncer, envolvendo mais de 1 milhão de adultos, “descobriu-se uma taxa de mortalidade consideravelmente mais alta entre aqueles que dormiram menos de quatro horas ou mais de oito horas por noite.”(1) A ciência atual tem demonstrado que, durante o sono, o corpo físico não fica em “descanso”. O cérebro e o sistema imunológico, por exemplo, seguem em plena atividade nesse período. Enquanto dormimos há intenso movimento corporal que serve para preservar a plasticidade do cérebro. Os neurônios comunicam-se uns com os outros, fortalecem conexões específicas, enfraquecem outras e apagam o que encaram como inútil. A atividade espiritual, durante o sono físico, pode fatigar o corpo. Pois, segundo os Benfeitores Espirituais, o Espírito se acha preso ao corpo qual balão cativo ao poste. Assim como as sacudiduras do balão abalam o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo e pode fatigá-lo. Durante o sono o corpo não descansa e a alma

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também não repousa. O Espírito jamais está inativo. Durante o sono, apenas afrouxam os laços que nos prendem ao corpo e, não precisando este então da presença do Espírito, a alma se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos. Dormir, seja por alguns minutos, parece ser um fator importante para reter conhecimentos adquiridos. “Nossos sistemas de memória ainda estão ativos enquanto dormimos.”(2) E, mais ainda, “o sono favorece nosso discernimento e nossa intuição.”(3) Há um custo para todo o aprendizado que conseguimos na vigília, porém, “o sono é o preço que pagamos por um instrumento de aprendizado tão fantástico e oneroso como é o cérebro.”(4) Durante o sono, ou quando nos achamos apenas ligeiramente adormecidos, acodem-nos idéias que nos parecem excelentes e que se apagam da nossa memória, apesar dos esforços que façamos para retê-las. Estas idéias provêm da liberdade do Espírito que se emancipa e que, liberto, goza de suas faculdades com maior amplitude. Também são, frequentemente, conselhos que outros Espíritos dão. Quando dormimos, existem inúmeros benfeitores espirituais que trabalham e operam socorro cirúrgico ou socorro de outra natureza em nosso favor, seja no mundo orgânico, ou seja no nosso corpo perispiritual. Na emancipação da Alma (durante o sono), quando assistida pela espiritualidade superior, as melhoras adquiridas pelo tecido perispirítico são apressadamente assimiladas pelas células do corpo físico. Muitos médicos sabem que o sono é um dos instrumentos mais eficiente da recuperação de saúde do paciente. É bem verdade que a ciência, analisando tão somente os aspectos fisiológicos do adormecer, ainda não conseguiu conceituar com clareza e objetividade o sono e o sonho. Todavia, desconsiderando a emancipação da alma, desconhecendo as propriedades e funções do perispírito, fica difícil explicar a variedade das manifestações que ocorrem durante o repouso da cidadela física. Diz-se que o sono é a porta que Deus nos abriu, para que possamos ir ter com nossos amigos do além, é o recreio depois do trabalho, enquanto esperamos a libertação final, que nos restituirá ao meio que nos é próprio. Destarte, não podemos ignorar que a nossa atividade espiritual estende-se além do sono físico. Contudo, a invigilância e a irresponsabilidade, à frente de nossos compromissos, geram muitos prejuízos morais, toda vez que nos confiamos ao repouso descompromissados com o bem. São poucos, relativamente, os que sabem dormir inteligentemente. Muitos são mantidos durante o sono em obsessões inferiores, perseguições permanentes, explorações psíquicas de baixa classe,vampirismo destruidor e tentações diversas. Ainda não se tem bastante consciência dos serviços realizados durante o sono

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físico; contudo, esses trabalhos são inexprimíveis e imensos. Se todos os homens prezassem seriamente o valor da preparação espiritual, diante de semelhante momento de refazimento físico, por certo efetuariam as conquistas mais brilhantes, nos domínios psíquicos, ainda mesmo quando ligados ao arcabouço denso da carne. Infelizmente, porém, a maioria se vale, inconscientemente, do repouso noturno para sair à caça de emoções frívolas ou menos dignas (lascívicas). Relaxam-se as defesas próprias, e certos impulsos (sexuais), longamente sopitados durante a vigília (acordado), extravasam em todas as direções, por falta de educação espiritual, verdadeiramente sentida e vivida. Pois que muitos de nós durante o sono permanecemos detidos nos círculos de baixa vibração. Esses planos muitas vezes são perpetrados dolorosos dramas que se desenrolam nos campos fisiológicos. Grandes crimes têm nos planos espirituais (durante o sono) as respectivas nascentes e, não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam por nós, sob a égide do Cristo, acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas terrenas. Quando nos revelamos dispostos a servir ao bem de todos, em favor do domínio da luz, costumamos ser imediatamente visitado, nas horas de repouso, por entidades renitentes na prática do mal, interessadas na extensão do domínio das sombras, que podem desintegrar as convicções e propósitos nascentes com insinuações menos dignas, quando não estamos convenientemente apoiado no desejo robusto de progredir, redimir-nos e marchar para a frente e para o alto. Do exposto, convidamos a quem nossas palavras possa chegar, a tarefa preparatória do descanso noturno, através dos afazeres diários retamente aproveitados, a fim de que a noite constitua uma província de reencontro das nossas almas, em valiosa conjugação de energias, não somente a benefício de nossa experiência individual, mas também a favor dos nossos irmãos que sofrem. Referências: (1) Estudo realizado em 2000, pela equipe do psiquiatra Robert Stickgold, diretor do Centro do Sono e da Cognição da Escola de Medicina de Harvard (2) Cf. John Rudoy,neurocientista norte-americano da Northwestern University. (3) estudo feito pelo neuroendocrinologista Jan Born e seus colegas da Universidade de Lubeck, em 2004 (4) Cf. Giulio Tononi e Ciara Cirello, da Universidade de Wisconsin (Estados Unidos)

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RIQUEZA E POBREZA SÃO EXPERIÊNCIAS PARA O PROGRESSO ESPIRITUAL Civilizações antigas adoravam o deus Mamon (estátua construída de ouro e prata), representando a riqueza, o luxo, a ganância e os gozos excessivos. Por isso, nos tempo apostólicos, a analogia proposta por Jesus: "Ninguém pode servir a Deus e a Mamon pois, ou odiando a um, amará o outro, ou aderindo a um, desprezará o outro."(1) Jesus não condenou a riqueza, pois ela não é contra as Leis Naturais. O condenável é o seu abuso ou mau uso, quando é utilizada para a satisfação de gozos prejudiciais, pelas tristes consequências que acarreta. Embora o Mestre tenha citado que "é mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha, do que um rico entrar no reino dos Céus."(2) Muitos acreditam que só alcançarão a paz se conseguirem fortuna e segurança. Entregam-se ao materialismo, à preguiça e ao comodismo. Mas em verdade, o Mestre não quis dizer que todos os ricos são depravados. Grandes fortunas trazem grandes encargos. Se sob certos aspectos dão comodidade e conforto, de outro trazem muitas obrigações que, se não cumpridas, poderão perder a nossa alma, criando enormes dívidas. "se a riqueza tivesse de ser um obstáculo absoluto salvação dos que a possuem, como poderia inferir de certas expressões de Jesus, interpretadas segundo a letra não segundo o espírito?"(3) O Evangelho consigna sobre o Rico e o pobre Lázaro que personificam a Humanidade, sempre rebelde aos ditames da Luz e da Verdade. O Rico gozou no mundo e sofreu no Espaço; o Lázaro sofreu no mundo e gozou no Espaço. Nesse caso, o rico pode ser a personificação daqueles que são escravos do reino do mundo, que não vêem mais do que o mundo, esse "paraíso perdido" entre os charcos da degradação moral, que avilta as almas e as atira aos infernos escancarados dos vícios. Por outro lado, Lázaro representa os excluídos da sociedade terrena, aqueles que, quando muito, podem chegar ao portão dos grandes templos, aqueles que não podem atravessar os umbrais dos palácios dourados, aqueles que essa sociedade corrompida do mundo despreza, amaldiçoa, cobre de labéus, crava de setas venenosas que lhes chagam o corpo todo.

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A riqueza é uma prova muito arriscada para o espírito, mais perigosa do que a prova da pobreza. São palavras do próprio Kardec: “a pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.”(4) Todavia, Jesus nos ensinou. “Amai-vos uns aos outros”(5) . Estas palavras encerram o bom emprego da riqueza, porque aquele que ama o seu próximo tem traçada toda a linha do seu bem proceder – A caridade. Portanto, riqueza e pobreza nada mais são que provas, pelas quais o Espírito necessita passar, tendo em vista um objetivo mais alto, que é o seu progresso. Deus concede, pois, a uns a prova da riqueza, e a outros a da pobreza, para experimentálos de modos diferentes. Aliás, essas provas são, com freqüência, escolhidas pelos próprios Espíritos, que, no entanto, nelas geralmente sucumbem. Espíritos realmente evoluídos, tanto quanto os que compreendem perfeitamente o significado a Lei de Causa e Efeitos, podem solicitar a prova da pobreza como oportunidade para o acrisolamento de qualidades ou a realização de certas tarefas que a riqueza certamente prejudicaria. Algumas vezes, também, o mau uso da fortuna em precedente existência leva o Espírito a pedir a condição oposta, com o que espera reparar abusos cometidos e pôr-se a salvo de novas tentações. Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria outorgado aos homens. Mas, longe disso, a riqueza, se não constitui elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso elemento de progresso intelectual. A igualdade das riquezas é impossível no mundo em que vivemos, porque a isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres. Os homens não são criaturas iguais. Há entre eles os que são mais previdentes, mais inteligentes e mais ativos. Logo, se a riqueza fosse repartida com igualdade entre todos, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito. Se fôssemos consciente da necessidade da prática do bem, não haveria situações tão extremadas de todos os tipos de aberrações, que se cometem em nome da abastança. Não encontraríamos pessoas perambulando pelas ruas, embriagadas, sujas, cabelos desgrenhados, roupas ensebadas, catando coisas no lixo ou esmolando um pedacinho de pão. A mensagem do Cristo é um elixir poderoso, o mais seguro para a redenção social, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas, como um dia penetrou no desprendimento de Vicente de Paulo, na majestosa solidariedade de irmã Dulce, na bondade de Francisco de Assis, na suprema dedicação de Teresa de Calcutá e no amor de Chico Xavier. É urgente aprendermos a fazer o bem incondicional, e nesse comportamento podermos soltar o sereno grito como o fez Paulo: "Já não sou quem vive, mas o Cristo é quem vive em mim.”(6)

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Jorge Hessen http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com (1) Mateus 6:24 (2) Mateus 19:24 (3) Kardec, Allan,. O Evangelho Segundo Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB,1998, Cap. 1 (4) Idem (5) Jo.15:9 (6) Gl. 2,20

OS VICIADOS EM INTERNET E A DIFUSÃO ESPÍRITA NA WEB Por que será que o mundo de chip, bit, modem, memória ram, webcam, som, poesia, cultura, conteúdo para adulto, ciência, hacker, filosofia, perigos,... vem fascinando mais do que a vida que se levava antes da década de 80? Permanecer neste mundo virtual diante de um monitor, será por medo? vergonha? timidez? falta de amor próprio? insegurança? carência? solidão? Ou será encantamento, necessidade de conhecimento, realizar feitos inenarráveis, ultrapassar limites, provocar reações,... ou apenas poder se comunicar? Apesar de não haver consenso, existe um estudo da Universidade La Salle, divulgado em 2008, afirmando que há um total de 50 milhões de adictos(1) na web. Todavia, outro relatório da Advances Psychiatric Treatment informa que o número de compulsivos gira de 5% a 10% do total de internautas no mundo (estimados em 1,3 bilhão de pessoas, de acordo com o Internet World Stats) —isso dá cerca de 100 milhões de pessoas. Na China, dos 18,3 milhões de internautas adolescentes chineses, mais de 2 milhões são viciados na rede mundial de computadores. Os vícios tecnológicos são denominados de tecnoses, no caso específico da internet é conhecido como internet-dependência ou cibervício. Não há nenhuma pesquisa brasileira sobre o tema. Assim como há viciados em drogas, no jogo e no tabaco, há pessoas que passam horas a fio na internet, fenômeno que um crescente grupo de especialistas dos Estados Unidos considera um problema psiquiátrico. Na América do Norte, a "compulsão à internet" é tratada por um crescente número de centros médicos especializados, entre eles os da Universidade de Maryland, em

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College Park, e o Computer Addiction Study Center, do Hospital McLean, em Belmont, Massachusetts. É evidente que o uso intensivo e inadequado do computador causa problemas de saúde variados. Podem ser identificados problemas relacionados à visão, mente, músculos, articulações e coluna. As queixas de quem sofre esses problemas incluem fadiga, cansaço e irritação ocular, visão turva, tensão muscular, dores de cabeça, stress, dores no pescoço, costas e braços. Dentre os principais problemas, estão as Lesões por Esforço Repetitivo (LER), que agora são reconhecidas como Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). As ondas da web são possantes fontes de comunicação de massa em nível planetário. “Só no Brasil o número de internautas é de 41,5 milhões.”(2) A Internet oferece, sem dúvida nenhuma, alguns perigos quando veicula cenas reais de apelos eróticos, de violências nos joguinhos “infantis” etc., mas, “não não se compara a heroína ou a cocaína que isolam a pessoa e a torna dependente."(3) Não se pode olvidar que a Internet está presente nos hospitais, nos tribunais, nos ministérios, nas agências bancárias, nos supermercados, nas lojas, nas escolas, na segurança de nossas casas e empresas, enfim, fazer uma movimentação bancária, compras, observar nota na escola, realizar trabalhos escolares e profissionais, pesquisas. Eis aqui alguns dos exemplos de como estamos mais envolvidos com a informática do que se possa imaginar. O grande desafio é que na web as informações ainda não têm filtro eficazes e chegam na velocidade da luz, ou seja, é só o tempo de alguém apertar alguns botões, algumas letras no teclado e pronto, já está tudo ao alcance de todos. Por causa desta velocidade, existe uma necessidade urgente de se informar e instruir melhor os usuários deste meio de comunicação. Por essa razão, as crianças que não recebem orientação educativa são muito mais vulneráveis e por conseqüência são as mais atingidas pelo volume de informação que podem ser ou não bem interpretadas, por isso podem ser prejudiciais a elas. Apesar dos riscos que o uso inadequado da web pode apresentar, não identificamos a Internet como algo prejudicial ao homem; ao contrário! ela é uma extensão da vida concreta, difundida pelas ondas magnéticas virtualizadas além de ser uma ferramenta indispensável na sociedade contemporânea. Sem ela o mundo trava, para tudo e todos. Outra coisa! Não nos esqueçamos de que no mundo corporativo atual, o acesso à Internet é obrigatório e muitos profissionais passam quase todo o tempo em que estão no escritório conectados à rede. Isso não faz deles adictos (dependentes). Há muitos profissionais que passam o dia na Internet. Um webdesigner, por exemplo,

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pode ficar 14 horas na rede por causa do seu ofício. O que determina o cibervício é a qualidade de uso de um computador na rede mundial. É redundante dizer que é importantíssimo aproveitar essa ferramenta de comunicação em prol dos ideais que norteiam nossas vidas. Faço parte de um grupo vinculado ao portal http://espiritismo.net. Os administradores do portal têm demonstrado o poder dessa ferramenta de disseminação doutrinária, através de frentes de trabalhos espíritas, reconhecidos, inclusive, no Movimento Espírita nacional e com isso, têm difundido conhecimento e consolo a quantos os procuram. A propósito, no século XIX Kardec lembrava que: "uma publicidade em larga escala, feita nos jornais de maior circulação, levaria ao mundo inteiro, até às localidades mais distantes, o conhecimento das idéias espíritas, despertaria o desejo de aprofundá-las e, multiplicando-lhes os adeptos, imporia silêncio aos detratores, que logo teriam de ceder, diante do ascendente da opinião geral."(4) Divulgação em grande escala se consegue hoje através da Internet, que permite trocar informações dos mais variados assuntos, enviar mensagens, conversar com milhões de pessoas ou apenas ler as informações de qualquer parte do planeta. Na era da cibernética, da robótica "vivemos épocas limítrofes na qual toda a antiga ordem das representações e dos saberes oscila para dar lugar a imaginários, modos de conhecimento e estilos de regulação social ainda poucos estabilizados. Vivemos um destes raros momentos em que, a partir de uma nova configuração técnica, quer dizer, de uma nova relação com o cosmos, um novo estilo de humanidade é inventado."(5) A divulgação na internet deve ser livre, porém aqueles que querem divulgar o Espiritismo devem ter a consciência da responsabilidade, procurando sempre saber as finalidades da divulgação e as suas conseqüências, porque a Internet não é só livre, ela é abrangente. “Ela atinge proporções globais, colocando o Espiritismo face a face com outras realidades."(6) Recordando que com o acelerado progresso tecnológico já é possível se obter comunicações audiovisuais o que sem dúvida vai aproximar ainda mais as pessoas. Cada um de nós, do conforto de nossos lares, pode enviar uma palavra amiga, disponibilizar as atividades do seu centro, integrar-se em grupo de estudo e de discussão, ouvir palestras edificantes e até conversar face a face através do computador com pessoas que precisam ser reconfortadas. Transformações sociais, mudanças no panorama dos conhecimentos gerais do homem não as podem estagnar, não as podem fechá-la em um pétreo corpo ortodoxo. A rigor a Internet é um foro de discussão, de ligação entre todos que se dedicam ao estudo da doutrina, a pesquisa de suas novas fronteiras e a aplicação dos conhecimentos já firmados.

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Não devemos ter medo da Internet como a Inquisição teve medo dos livros. Tal como Kardec, devemos aprender a enfrentar as investidas, sempre com a intenção de procurar a verdade e de esclarecer. Divaldo expõe sua emoção ante a Internet quando diz: "comovo-me diante deste excelente recurso que diminui distância, ainda mais por sentir participando deste nosso convívio alguns benfeitores espirituais que estão a todos nos envolvendo em ondas de paz e vibrações de saúde, entre os quais os Espíritos Eurípedes Barsanulfo, Cairbar Schutel, Joanna de Ângelis e Vinícius, igualmente felizes, abençoando a tecnologia e a informática utilizadas para o bem".(7) Jorge Hessen http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com Fontes: (1) Adicto, do latim addictu, é um adjetivo, que significa: Afeiçoado, dedicado, apegado. adjunto, adstrito, dependente. Em medicina é quem não consegue abandonar um hábito nocivo, mormente de álcool e drogas, por motivos fisiológicos ou psicológicos. (2) Últimas atualizações do Ibope/NetRatings (3) Psicóloga Sherry Turkle, autora do livro "Life on the Screen: Identity in the Age of the Internet" (4) Kardec,Allan. Obras Póstumas-Projeto 1868, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001 (5) Pierre Lévy - As tecnologias da Inteligência - O futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 2004 (6) Artigo de Sérgio e Carlos Alberto Iglesia Bernardo. "Sobre o Espiritismo e a Internet", publicado no Boletim GEAE Número 280 de 17 de Fevereiro de 1998 (7) Divaldo Pereira Franco, em palestra virtual realizada dia 17/03/2000

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O CONHECIMENTO ESPÍRITA É O MELHOR PRESERVATIVO CONTRA AS PRÁTICAS ESTRANHAS E IDÉIAS SUPERSTICIOSAS Há uma pesquisa publicada na revista Psychological Science com o propósito de constatar que a ativação das crenças supersticiosas(1) poderia melhorar o desempenho de alguém em alguma tarefa. A análise apontou indícios de que há um certo “poder” no uso de amuletos, pois que aumenta a autoconfiança do homem. (!?...) Obviamente, não podemos dar crédito aos pretensos poderes mágicos de amuletos, talismãs, etc. que “só existe na imaginação de criaturas supersticiosas, ignorantes das verdadeiras leis da Natureza. Os fatos que constam, como prova da existência desse poder, são fatos naturais, mal observados e sobretudo mal compreendidos.”(2) É verdade! “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências, a bem dizer, formam uma única, mostrando a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, constitui o melhor preservativo contra as idéias supersticiosas, porque revela o que é possível, e o que é impossível, e o que está nas leis da Natureza e o que não passa de ridícula crendice.”(3) Os excessos de misticismos, as fantasias psíquicas devem ser alijadas do comportamento humano com o uso e abuso da razão, do bom senso e da inteligência iluminada. Allan Kardec indagou aos Espíritos sobre os talismãs [amuletos] e a lição surgiu peremptória: “o que vale é o pensamento, não o objeto”, portanto a Doutrina Espírita credita as superstições à infantilidade espiritual. O supersticioso crê que certas ações (voluntárias ou involuntárias), tais como rezas, amuletos, conjuros, feitiços, maldições ou outros rituais, podem influenciar de maneira profunda sua vida. Mas a crença nessas ilusões reside na infância espiritual em que se encontra. Nesta fase evolutiva do espírito impera o pensamento mágico que se contrapõe ao uso da razão. Mostrando-se-lhe a realidade, explicandose-lhe a causa dos fatos, a sua imaginação se deterá no limite do possível, destarte, o maravilhoso, o absurdo e o impossível desaparecem, e com eles a superstição. Tais são, entre outras, as práticas cabalísticas, as apometrias, desobsessão por corrente magnética com “choques” anímicos(!?...), a virtude dos signos, dos números e das palavras mágicas, as fórmulas sacramentais, os dias nefastos (Sexta-

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feira “13”), as horas diabólicas (“meia-noite”) “e tantas outras coisas cujo ridículo o Espiritismo bem compreende e demonstra.”(4) O conhecimento espírita é o melhor preservativo contra as práticas bizarras e idéias supersticiosas, porque “revela o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de crença pueril."(5) Mas, infelizmente, a ausência de bom senso faz com que muitos permaneçam na ignorância, que os remete à cegueira da realidade. Esta, por sua vez, conduz ao sectarismo. A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro e a cada passo se choca com a evidência da razão. “Levada ao excesso, produz o fanatismo.” (6)Por essa razão, a Doutrina Espírita explica a superstição como algo ligado à imaginação fantasiosa e à ignorância. Para os espíritas, a falta de estudo sério das obras da Codificação é matriz de muitas idéias acessórias e absurdas, que degeneram em práticas supersticiosas. Não é nosso escopo, e nem poderia sê-lo, adotar atitude de intolerância, intransigência, incompreensão, animosidade aos que vivem sob os guantes das superstições, porém, de esclarecimento doutrinário sobre o tema. Tarefa essa que em nenhuma hipótese deve ser contemporizada, interrompida ou arrefecida. Dado o seu caráter divino, o Espiritismo suporta, mas não comporta a ignorância, o erro, as atitudes intransigentes e mesquinhas. A Codificação está fincada sobre a rocha da sensatez. Por isso mantenhamos a vigília e a tolerância sem transigir com o erro. Jorge Hessen http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com Fontes: (1) O Novo Dicionário Aurélio define superstição como o sentimento religioso baseado no temor e na ignorância e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes; crendice. Crença em presságios tirados de fatos puramente fortuitos. Apego exagerado e/ou infundado a qualquer coisa poder mágico das coisas. (2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, questão 552 (3) Idem questão 555 (4) Kardec, Allan. Revista Espírita “1859”, Brasília, Ed. Edicel, 1999 (5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, questão 555

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(6) Kardec, Allan. O Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2006, capítulo 19, item 6

“NOSSO LAR” CINEMATOGRÁFICA

UMA

MONUMENTAL

OBRA

DA

ARTE

Com a exibição do filme “Nosso Lar” ficamos diante de uma exuberante narrativa, em incomparável espetáculo de arte, atrelados a uma cenografia para além da imaginação. A produção, de R$ 20 milhões, é considerada a mais cara do cinema nacional. “Nosso Lar” não poderia ser um filme como qualquer outro, até porque é uma proposta sensata e inovadora. Um marco na história da cinematografia mundial, considerando a abordagem de um temário para além da transcendência. Não se pode assisti-lo, comentá-lo e/ou criticá-lo tal como se fosse apenas um bom produto da sétima arte, posto que sua linguagem, inobstante muito simples, é ao mesmo, tempo profunda, na dimensão correta. Estremecerá inevitavelmente as estruturas do imaginário social contemporâneo. O filme tem um roteiro inusitado para tudo o que já se produziu até o momento, abordando a vida no “além-tumba”. Recordemos que o filme "Amor Além da Vida" com Robin Williams ganhou o Oscar em melhores efeitos especiais. Assim como em "Nosso Lar", ele nos mostra situações vivenciadas por suas personagens ao chegar ao mundo espiritual. Estamos diante de perspectiva de difusão doutrinária com inimaginável potencialidade de penetração de massa na Terra. Pensamos até que estamos nos albores de uma apoteose limítrofe de todas as possibilidades de despertamento da consciência dos atuais seres encarnados. A trilha sonora regida pelo compasso mágico de um dos compositores mais influentes do século 20, Philip Glass, constantemente nos arroja para uma introspecção serena ante as sutis frequências magnéticas da nossa mente com os acordes da arte divina por excelência. O enredo e sua plasticidade é fiel, na essência, desde à arquitetura, descrita por André Luiz, na década de 40 do século XX, até os vestuários. Percebemos a utilização da tecnologia do cinema levada às últimas consequências. Dizer que Wagner de Assis, seu produtor e diretor, é genial seria uma redundância, para esse jovem, que entregando-se à mística do cinema, comandou toda uma competente equipe para produzir essa que considero a monumental obra

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de arte cinematográfica brasileira. O filme é de uma alquimia extraordinária na dimensão da ética e da estética. A beleza do projeto aprisiona primeiramente a visão, o pensamento, para pouco a pouco captar a mente e dominar a alma. A mensagem espírita é explicar que o intercâmbio com o invisível é um movimento sagrado e a maior surpresa da morte carnal é nos colocar face a face com a própria consciência. No caso, edificamos o “céu”, estacionamos no “purgatório” ou nos precipitamos no “abismo infernal”. Temos consciência, no íntimo de espíritas-cristãos que estamos nos esforçando para ser, que o Bem vencerá o Mal. A rigor todos temos esperança de que isso sempre ocorra, mesmo que saibamos, na experiência da vida real, que possa não ser assim entre os encarnados. É, sem dúvida nenhuma, um lenitivo para a alma assistir a uma película que fala de amor, respeito, tolerância, honestidade e vida eterna, valores que estão em falta na nossa sociedade. Com certeza faz-nos repensar condutas. É por esse motivo que “Nosso Lar”, dando vida aos recintos de cinema, conquistando bilheterias, vai além das salas de exibição e, impregnado em nossas consciências e sentimentos, retorna conosco aos nossos lares mexendo com nossas estruturas mais íntimas. De tão arrebatador, Nosso Lar emoldura o etéreo, traduzindo seu alcance, manifestando-se em magistral beleza o teor incomum da obra. Nesse entusiasmo que acende o ímpeto de minha alegria, partilhamos essa experiência, recomendando a todos espíritas e não-espírita, que não deixem de experienciar um instante excelso na história do cinema brasileiro, o momento de transformação, a ocasião em que o cinema mundial deverá redefinir sua função na sociedade, deixando para o “nunca mais” e cerrando os pórticos de tudo o que ele próprio conhecia e praticava como segmento da sétima arte, atualmente tão pobremente explorado. Jorge Hessen http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

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O ESPIRITISMO SEM O CRISTO PERDE O RUMO Ainda encontramos irmãos "espíritas" que questionam o aspecto cristão da Terceira Revelação. Negam a excelsitude de Jesus Cristo com evidente e enfermo descontrole emocional, referindo-se ao Mestre como se Ele fosse um homem vulgar. Para esses seres atoleimados em suas fanfarras imaginárias, alertamos o seguinte: Espiritismo é CRISTÃO, Sim! O grande mestre espiritual Emmanuel elucida a questão dizendo que "somente o Cristianismo restaurado pode salvar o mundo que se perde. Nossa missão é essencialmente cristã, na restauração da fé viva e na revivência das tradições simples dos tempos apostólicos. Não temos a presunção de pedir o atestado de óbito das escolas religiosas, nem desejamos estabelecer a luta dogmática e o sectarismo. Desejamos tão-só reavivar a crença pura, a fim de que o homem, na qualidade de herdeiro divino, possa entrar na glória espiritual da compreensão de Jesus Cristo (1)". Se aceitamos os preceitos da Doutrina Espírita, não podemos negar-lhes fidelidade. Prevendo esses indesejáveis movimentos em nossas hostes, as falanges das trevas tem se organizado e investido duro contra o Espiritismo Cristão. Os gênios das sombras do além desejam desintegrar o Cristo e o Cristianismo do contexto Espírita. Não podemos permitir isso JAMAIS. Têm surgido, ultimamente, muitas práticas absurdas no movimento espírita e precisamos orar e vigiar mais. Espiritismo sem o Cristo perde o sentido como projeto de evangelização humana. O Espiritismo sem o cristo perde o rumo. O iluminado Chico Xavier advertiu: "Se tirarmos o Cristo do Espiritismo, vira comédia. Se tirarmos o aspecto cristão do Espiritismo, vira um negócio. A Doutrina Espírita é ciência, filosofia e religião. Se tirarmos a religião, o que é que fica? Jesus está na nossa vivência diária, porquanto em nossas dificuldades e provações, o primeiro nome de que nos lembramos, capaz de nos proporcionar alívio e reconforto, é JESUS.". (2) Alguns confrades descomprometidos com a reforma moral, que se vangloriam de seus dúcteis e frágeis conhecimento acadêmicos, que se autointitulam laicos (“kardequólogos, phd’s espíritas”), distantes de quaisquer argumentos racionais e/ou inteligíveis, persistem em disseminar a cansativa cantilena de que se é preciso fugir do Cristianismo (ou Espiritismo-Cristão), do religiosismo, do igrejismo na

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Doutrina Espírita. Insistem e querem fundar um “Espiritismo”acadêmico composto de “notáveis” da ilusão. Que me perdoem os leitores! Sob o viés dessa sandice conceitual sobre o mestre lionês, escrevem livros, artigos, fazem “congressos”, palestras, invariavelmente escravizados aos impulsos telepáticos dos "gênios das trevas". Destarte, pela tendência desses chamados "espíritas laicos", percebe-se que o Cristianismo, redivivo no Espiritismo, ainda encontrará, por algum tempo, a resistência das mentes vulcanizadas na prepotência, da má-fé, da arrogância, apesar de O Evangelho representar a grande síntese de todas as propostas filosóficas que visam aprimorar o homem. Os “gênios desmemoriados”, arautos de idéias primárias, esquecem-se de que o Cristo é o modelo de virtudes sobre-humanas. Nada se compara à dedicação e a santidade que o Mestre Maior dispensa à Humanidade. Nós, que ainda estamos mergulhados no vício da corrupção, alertam os Benfeitores, não temos parâmetros para avaliarmos a Sua magna importância para o Espiritismo, porque a Sua perfeição se perde na noite indevassável dos séculos. O Espiritismo sem o Cristo pode alcançar as melhores expressões acadêmicas, mas não passará de atividade destinada a modificar-se ou desaparecer, como todas as conquistas transitórias do mundo. E o espírita, que não cogitou da sua iluminação com o Evangelho do Príncipe da Paz, pode ser um intelectual, um doutor e um filósofo, com as mais elevadas aquisições culturais, mas estará sem bússola e sem roteiro no instante da tempestade inevitável da provação. Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Fontes: (1) Xavier, Francisco Cândido. Coletâneas do Além, ditado por espíritos Diversos, Cap. Cristianismo Restaurado por Emmanuel, pág. 74, São Paulo: Ed FEESP, 1981

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ALGUMAS REFLEXÕES ESPÍRITAS SOBRE OS SONHOS Desde que o homem existe os sonhos são cercados de mistérios. Para os povos antigos, eles carregavam algo de “sobrenatural”. Eram vistos como um meio de alguém receber orientações e mensagens do além, tanto das divindades quanto dos desencarnados. Atualmente, cada povo, cultura e tradição lida com o sonho de um modo particular, há os que não dão a mínima atenção para o assunto. E há aqueles que se dedicam a interpretá-los, numa tentativa de se tornar indivíduos melhores e de viver com mais equilíbrio. Todavia, por que sonhamos? A resposta continua emblemática. Talvez, entre as muitas variáveis, está a regulação de emoções e fatores aos quais damos importância, minimizando os sentimentos tensos. Nossos processos de pensamento trabalham 24 horas por dia e a atividade da mente não é interrompida quando dormimos (o sonho toma entre 20% e 25% do sono). No transcorrer do sono, são selecionadas quais informações guardaremos na memória de longo prazo e o que será descartado. "Aparentemente, os critérios de seleção estão baseados em valores emocionais para a autopercepção, nossa idéia de quem somos e quem desejamos nos tornar"(1) Será que no sono, a alma repousa como o corpo? “Não!”, ensinam os Espíritos, “pois a alma jamais está inativa.”(2) Quando adormecemos, o corpo descansa e os nossos sentidos vão enfraquecendo progressivamente à medida em que penetramos em estados de sono mais profundos. Aproveitamos o relaxamento progressivo dos órgãos físicos e vamos nos libertando gradualmente das amarras que o corpo físico nos cria. “Durante o sono, afrouxam-se os laços que nos prendem ao corpo e nos lançamos pelo espaço, entrando em relação mais direta com os outros Espíritos.”(3) “Pelos sonhos, quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potencialidade e pode pôr-se em comunicação com os demais Espíritos, quer deste mundo, quer do outro.”(4) Médicos neurologistas defendem que as imagens que povoam a mente das pessoas no instante do sono são, muitas vezes, resultado de percepções e de memórias antigas que vêm à tona e se encaixam. Isso explicaria os sonhos que parecem trazer soluções para a vida real, como a história do físico alemão Albert Einstein, que concluiu a Teoria da Relatividade depois de um cochilo. Paul

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McCartney certa vez acordou com uma música maravilhosa na cabeça. Foi até o piano e começou a achar as notas. Tudo seguiu uma ordem lógica. Gostou muito da melodia e como havia sonhado com ela, não podia acreditar que tinha escrito aquilo. “Foi a coisa mais mágica do mundo”, disse o cantor. É dessa maneira que McCartney explicou a criação de "Yesterday", 45 anos atrás. Não foi apenas o vocalista dos Beatles que se beneficiou com os sonhos. A tabela periódica, segundo relato de seu inventor, o químico russo Dmitri Mendeleev, surgiu durante um sonho. Passagens de sonhos são recorrentes nas Escrituras. O Texto Bíblico reúne mais de 700 citações de sonhos e visões. Grande parte do conteúdo do Corão, livro do Islã, foi revelada a Maomé em sonho. Como a psicologia, a neurociência e as religiões analisam as mensagens que vêm à tona durante o sono? Por que interpretá-las corretamente é fundamental para melhorar a vida de alguém? Para alguns analistas, interpretar corretamente o próprio sonho ajuda a perceber com o que estamos insatisfeitos,para fazer pequenos ajustes ou iniciar grandes transformações pessoais. É fato que os sonhos sempre intrigaram e foram objeto de estudo, mas agora eles estão sendo levados mais a sério por neurologistas, psicanalistas e biólogos. Enquanto a biologia procura explicar quais são as estruturas cerebrais envolvidas, a psicanálise se põe a investigar seu conteúdo. Da união dessas duas disciplinas nasceu a neuropsicanálise, uma tentativa de entender os aspectos físicos e psíquicos do sonho. Por outro lado, convenhamos que nesse campo, nenhuma doutrina oferece estudos e apresenta teorias consistentes, como o faz a Doutrina Espírita. O sono e os sonhos são estudados com profundidade por Kardec em O Livro dos Espíritos, 2a. parte, Capítulo VIII, onde o ex-sacerdote das antigas Gálias tece discussão a respeito do significado dos sonhos. Há também o livro A Gênese,capítulo XIV, em que o mestre lionês aborda bastante o assunto. Pesquisas atestam que os sonhos podem evoluir naturalmente para o que alguns estudiosos chamam de “mastery dreams”, isto é, a pessoa descobre uma forma de aliviar a dor ou o horror. Alguns terapeutas intervêm nos comportamentos para reduzir os pesadelos, utilizando a mente consciente para controlar o ímpeto agressivo do inconsciente. No “sonho lúcido”, por exemplo, “os pacientes são treinados para tornarem-se conscientes de que estão sonhando, enquanto sonham.”(5) Mas, será que uma pessoa que dorme pode ter consciência de que está sonhando? Sim, segundo o psiquiatra holandês Dr. Frederick Willem van Eeden, que teve a confirmação feita pelo Dr Stephan Laberge, na Universidade de Stanford(EUA). A mesma resposta era dada por Santo Agostinho e Tomás de Aquino sobre “sonhos lúcidos”.(6)

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O que dizer dos pesadelos quando somos perseguidos, quando temos medo, e acordamos assustados? Em muitas situações, os espíritos menos felizes, aos quais estamos sintonizados por vários motivos, quando nos vêem sair do corpo nos perseguem fazendo-nos voltar, rapidamente, para nos “esconder” no nosso corpo físico. Acordamos cansados, coração aos pulos, pois, literalmente, corremos. “Os maus Espíritos se aproveitam dos sonhos para atormentar as almas pusilânimes”conforme elucida o Espiritismo. Leon Denis divide os sonhos em três categorias: "Primeiramente, o sonho ordinário, puramente cerebral, simples repercussão de nossas disposições físicas ou de nossas preocupações morais. A segunda categoria equivale ao primeiro grau de desprendimento do Espírito, quando este flutua na atmosfera sem se afastar muito do corpo; mergulha, por assim dizer, no oceano de pensamentos e imagens que rolam pelo espaço. Por último, vêm os sonhos profundos, ou sonhos etéreos.”(7) Para os pesquisadores, aplicar na vida real o que acontece quando se está dormindo depende do entendimento sobre os próprios sonhos. Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de buena-dicha, pois fora absurdo acreditar que sonhar com tal coisa anuncia tal outra. “Essa linguagem não tem nada a ver com dicionários de simbologia, daqueles que associam sonhar que perdeu um dente com a morte de um conhecido e que uma cobra é sinônimo de traição. Esse entendimento é pessoal, baseado em um sistema de códigos individual, formado pelas experiências de vida de cada um. Aí cabe-nos analisar os medos, desejos, decepções, e tentar adaptá-los ao que sonhamos na noite passada.”(8) Devemos registrar com naturalidade os sonhos que possam surgir durante o descanso físico, sem preocupar-nos aflitivamente com quaisquer fatos ou idéias que se reportem a eles. Segundo André Luiz “precisamos aprender a extrair sempre os objetivos edificantes entrevisto em sonho. Devemos fugir das interpretações supersticiosas que pretendam correlacionar os sonhos com jogos de azar e acontecimentos mundanos, gastando preciosos recursos e oportunidades na existência em preocupação viciosa e fútil.” (9) Kardec perguntou aos Espíritos se podem duas pessoas que se conhecem visitarse durante o sono e os Benfeitores explicaram: “Que pode ocorrer o fato e muitos que julgam não se conhecerem costumam reunir-se e falar-se. Podemos ter, sem que suspeitemos, amigos em outro país. É tão habitual o fato de irmos encontrar-nos, durante o sono, com amigos e parentes, com os que conhecemos e que nos podem ser úteis, que quase todas as noites fazemos essas visitas.”(10) Mas, é de bom alvitre termos cautela com os sonhos com pessoas encarnadas pois, conquanto o fenômeno seja real, a sua autenticidade é bastante rara. Por isso, não podemos nos escravizar aos sonhos de que lembremos, embora possamos admitir os diversos

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tipos de sonhos, sabendo, porém, que a grande maioria deles se origina de reflexos psicológicos ou de transformações relativas ao próprio campo orgânico.”(11) Jorge Hessen http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/ Fontes: (1) Rosalind Cartwright, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Rush, em Chicago (2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000 questão 401 (3) Idem, questão 401 (4) Idem, questão 402 (5) Barry Krakow, médico do Centro Maimonides de Artes e Ciência do Sono, em Albuquerque, Novo México, autor de “Sound Sleep, Sound Mind”, ajudou a desenvolver uma terapia de ensaio de imagens. (6) Loureiro, Carlos Bernardo. Visão Espírita do Sono e dos Sonhos, São Paulo: Casa Editora O Clarim. Matão, 2000 (7) Denis, Leon. No Invisível, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1985 (8) Matéria publicada na Revista Galileu, em maio de 2009 (9) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000 (10) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000 questão 414 (11) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000

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O PODER DA ORAÇÃO SOB O ENFOQUE ESPÍRITA Existem pesquisas sobre os efeitos da prece na saúde das pessoas. Uma delas foi realizada pelo Laboratório de Imunologia Celular da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, com a participação ativa de mais de cinqüenta e dois estudantes de medicina durante o período de 2000 a 2003. A pesquisa, segundo divulgação no final de outubro, nos principais jornais do País, apresentou resultados positivos que se materializam no aumento da estabilidade celular dos indivíduos que receberam a prece. De acordo com o estudo em foco um dos principais mecanismos de defesa do organismo - a fagocitose(1) - pode ter a função estabilizada com preces feitas à distância. A prece atua sobre indivíduos sadios, influenciando o sistema imunológico, segundo estudo pioneiro realizado no ano de 1988, no Hospital Geral de São Francisco, na Califórnia. Nesse hospital foi possível comprovar que os pacientes que receberam preces apresentaram significativas melhoras, necessitando inclusive de menor quantidade de medicamentos.(2) André Luiz, que foi médico em sua última reencarnação terrena, com absoluta convicção afirma “ – Ah ! se os médicos orassem”. A exclamação consta no capítulo intitulado “Em aprendizado”, que revela o apoio que os benfeitores espirituais dão aos médicos que se disponham a abrir os seus canais de sensibilidade. “Todos os médicos, ainda mesmo quando materialistas de mente impermeável à fé religiosa, contam com amigos espirituais que os auxiliam. Nossa colaboração [dos espíritos] não pode ultrapassar o campo receptivo daquele que se interessa pela cura alheia ou pelo próprio reajustamento. Entretanto, realizamos sempre em favor da saúde geral quanto nos é possível.” (3) Os médicos americanos como os doutores William Reed (4) e Roger Youmanas, quebrando os paradigmas e axiomas acadêmicos, defendem a necessidade da oração na hora da cirurgia. Para Reed o poder da oração pode garantir o sucesso de um cirurgia, na atmosfera tensa de uma sala de operação. Quando uma enfermeira lhe passa um instrumento, o médico diz que faz sempre uma prece. Pede a Deus que o guie, de acordo com os seus desígnios. Para o cirurgião, a oração cria o clima de calma, necessário para o trabalho. “Reed e Roger citam o caso de hemorragias subitamente controladas ou paradas cardíacas prontamente resolvidas. E o próprio Dr. Reed teve prova disso com seu filho de dois anos. A criança estava com

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pneumonia e de repente parecia que ia morrer. Salvou-o com respiração artificial, depois que pediu a Deus para que não tirasse a vida de seu filhinho. O Dr. Roger Youmanas, cirurgião da Califórnia, confirma que sempre reza durante 30 segundos quando se vê diante de um caso difícil. Acredita que a prece em favor de um doente pode ajudar. E acredita que um cirurgião possa fazer uma operação melhor se tiver inspiração divina.”(5) Para nós, espíritas, a oração se reveste de características especiais, pois a par da medicação ordinária, elaborada pela Ciência, o magnetismo nos dá a conhecer o poder da ação fluídica e o Espiritismo nos revela outra força poderosa na mediunidade curadora e a influência da prece Allan Kardec, ao emitir seus comentários na questão 662 de O Livro dos Espíritos, afirma que “o pensamento e a vontade representam em nós um poder de ação que alcança muito além dos limites da nossa esfera corporal. A rigor a eletricidade é energia dinâmica; o magnetismo é energia estática; o pensamento é força eletromagnética.”(6) Considerando-se a propriedade do fluido magnético para que nos influenciemos mutuamente, e reconhecendo-se a capacidade do fluido magnético para que as criaturas se influenciem reciprocamente, com muito mais amplitude e eficiência atuará ele sobre as entidades celulares do Estado Orgânico - particularmente as sanguíneas e as histiocitárias -, determinando-lhes o nível satisfatório, a migração ou a extrema mobilidade, a fabricação de anticorpos ou, ainda, a improvisação de outros recursos combativos e imunológicos, na defesa contra as invasões bacterianas e na redução ou extinção dos processos patogênicos. Muito se tem dito a respeito da prece, mas muito pouco ainda conhecemos do seu mecanismo de funcionamento. Muitas vezes surgem aqueles que contestam a eficácia da prece, alegando que, pelo fato de Deus conhecer as necessidades humanas, torna-se dispensável o ato de orar, pois sendo o Universo regido por leis sábias e eternas, as súplicas jamais poderão alterar os desígnios do Criador. O mestre lionês dava tanta importância ao ato de pensar que um dia escreveu no livro A Gênese: “O pensamento produz uma espécie de efeito físico que reage sobre o moral: é isso unicamente o que o Espiritismo poderia fazer compreender.É o pensamento que dá qualidade curativa aos fluidos, que existem em estado natural ao nosso redor.”(7) A mente é fonte de energia curativa ou de energia destruidora. A prece é, sem dúvida, um dos meios pelos quais a cura de um mal pode ser alcançada. Destarte, cremos que a temática prece deveria se constituir em matéria de constante estudo nos centros espíritas, porém, estudo sério e não se tornar objeto de considerações puramente místicas, que impedem alcançar a sua essência e importância. Jorge Hessen

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http://jorgehessen.net Fontes: (1) Incorporação de partículas sólidas por uma célula mediante o envolvimento daquelas por esta. [Esse processo não implica penetração da membrana celular e serve à nutrição e de defesa contra elementos estranhos ao organismo. (2) Artigo de Kátia Penteado intitulado Efeitos da Prece na Saúde: a Ciência confirma a Doutrina Espírita - Nov/2004 (3) Xavier, Francisco Cândido. Libertação, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1990 (4) William Reed é presidente a Fundação Médica Cristã que possuem mais de 3.000 médicos associados (5) Publicado na Revista O Espírita setembro / dezembro de 2001, nº 110 Ano XXIII (6) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1994, questão 662 (7) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1991, Cap. XIV

A “DROGA” DIGITAL E OUTRAS DROGAS - ANTE OS EXEMPLOS QUE DAMOS AOS NOSSOS FILHOS As “drogas” digitais sonoras (e-drugs) estão invadindo a rede mundial de computadores e se proliferam rapidamente nas redes sociais. Criada nos Estados Unidos, a "droga" em referência não é de beber, fumar, cheirar ou injetar, mas de ouvir: sim, (pasmem!) OUVIR!!! são “pílulas” sonoras digitais, que, com simples batidas combinadas, obrigam o cérebro a tentar equilibrá-las. Daí surgiria o "barato". É uma ação neurológica que consiste na emissão de sons diferentes em cada ouvido (zumbidos, mesmo!), supostamente estimulando o cérebro e produzindo sensações de “euforia”, “estados de transe” ou de “relaxamento”. Tais drogas digitais invadiram a França nos últimos dois meses e, por enquanto, seus efeitos são desconhecidos. (1) Na terra de Kardec ainda não há estudos realizados sobre o assunto. Mas, neuropsicológos crêem que os sons podem ter fins terapêuticos para algumas doenças como o “autismo”. Todavia, em determinadas frequências estimulam a

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imaginação ou a criatividade e podem provocar disfunções cerebrais, o que levaria às alucinações ou uma experiência “psicodélica”. Outros afirmam que seus efeitos não passam de auto-sugestão e não acreditam que existam riscos de dependências. O que são, afinal as “i-doses” ou “e-drugs”? são arquivos de áudio para computador que geram supostos efeitos alucinógenos. “São baseadas em hipótese e vendidas como fatos concretos”(2) Certamente a “e-drugs” tenha um efeito placebo, isto é, pode provocar alguma reação porque a pessoa acredita que aquele ruído pode levar a estado alterado de consciência. Mas não há evidência científica sobre essa reação psíquica. A explicação dessas “e-drugs” são baseados na técnica bineural beats, ou seja, consiste na reprodução do som com duas frequências distintas, mas muito parecidas, uma em cada ouvido. Isso forçaria o cérebro a produzir uma terceira frequência, que iria equilibrar os outros dois estímulos. Ao criar essa terceira frequência, ele desencadearia sensações parecidas com as de entorpecentes.(?!...) Mas, profissionais especializados em drogas e toxico dependência indicam que não existam riscos de dependências. Há “trabalhos técnicos mostrando que as regiões cerebrais ativadas durante a audição de um ruído [a música por exemplo] que causa prazer à pessoa são as mesmas envolvidas em estímulos indutores de excitação, prazer e uso de drogas de maneira geral.”(3) Mas, "não há registro de alterações significativas com estímulo sonoro. Já estímulos visuais ou alterações na frequência de luz podem causar uma alteração neurológica, como desencadear uma crise epilética"(4) Sob qualquer hipótese, quando o assunto é "droga", percebemos que há um número bastante significativo de pessoas que, instantaneamente, associam essa palavra aos produtos cujo consumo não nos é lícito, quais sejam: a maconha, a cocaína, o crack, até mesmo as pílulas digitais, etc.. No entanto, esquecem-se de que, tanto do ponto de vista físico quanto espiritual, outros produtos tóxicos, e de livre comércio, são tão prejudiciais ou mais perniciosos do que citados, exemplos: a bebida alcoólica, o cigarro, as drágeas confeccionadas em laboratórios, etc Quantos lares são desfeitos e quantos crimes são cometidos, cuja causa provém de estados de embriagues? Quantas doenças incuráveis são diagnosticadas em pessoas que se lançaram à autocrueldade, pela dependência da nicotina? Portanto, o fato de ser uma “droga eletrônica” ou qualquer substância legal ou ilegal pode não ter uma relação direta com o perigo que oferece. Os filhos que já se iniciaram nos maus vícios, mas que ainda não estabeleceram um nível de intimidade maior com as drogas, os pais podem e devem ampará-los com serenidade, ajudando-os, fundamentalmente, a não se tornarem dependentes.

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Os pais devem ensinar-lhes a manterem acesa a chama da esperança, incutindo neles a idéia de que todas frustrações pessoais são passageiras e que são, apenas, momentos difíceis de ajuste da alma para o crescimento pessoal. Em verdade, os filhos, quando crianças, registram em seu psiquismo todas as atitudes dos pais, tanto as boas quanto as más, manifestadas na intimidade do lar. Crescem, observando os adultos utilizando tranqüilizantes ao menor sinal de tensão ou nervosismo e, quase que imediatamente, presenciam os primeiros sinais de “serenidade e acalmia” exercidos pela ação do medicamento. São atentos, igualmente, às atitudes dos pais dos amigos com os quais se relacionam e a contradição, então, transparece, posto que muitos deles têm maneiras diversas de lidar com um filho. Alguns são totalmente contra o uso de quaisquer drogas, legalizadas ou não, mas a maioria considera socialmente aceitável o consumo de bebidas alcoólicas, o vício do cigarro, o uso de "energéticos", etc.. Isso tudo, sem falar no grave problema dos benzodiazepínicos, barbitúricos e metadona, cuja ingestão permanente pode causar dependência como qualquer outra droga alucinógena. Na verdade, as drogas não deveriam ser avaliadas, tendo por base produtos químicos ou eletrônicos, ilegalidade ou legalidade, mas pelos malefícios que elas acarretam ao ser. Os adultos inventam sempre "desculpas esfarrapadas" e formas de justificar seus comportamentos paradoxais. Contudo, trata-se de um modelo de comportamento que não serve de referencial a alguém, muito menos àqueles que são adeptos aos moldes que Jesus nos veio ensinar. Quantos pais que ao menor sinal de angústia, de desconforto, lançam mão de um "remedinho", de uma "cervejinha", de um "cafezinho", de um "cigarrinho", para aplacar a ansiedade de forma quase que instantânea. Esse é o princípio básico de paradigma de comportamento dependente, que observamos em um imenso número de adultos e pais, no qual, sem "desconfiômetros", estão mergulhados. Tais pessoas, introjetam no inconsciente dos filhos, alunos, e jovens em geral, a idéia de que os problemas podem ser resolvidos, como que por um passe de mágica, com a "ajudazinha" de uma "substanciazinha", destilada ou fermentada; de uma "plantinha" inocente, do gênero nicotiana (solanaceae), conhecida por tabaco, de um "alcaloidezinho",também inofensivo, conhecido por cafeína, e assim por diante. Porém, todos atuam sobre o sistema nervoso central e alteram todo o metabolismo do indivíduo, igualmente. Os pais devem estar sempre atentos e, incansavelmente, buscando um diálogo franco com os filhos, sobretudo, amparando-os moralmente, independentemente, de como se situam na escala evolutiva. Os pais não se devem desesperar, mormente no mundo de hoje. A melhor maneira de tentar neutralizar a atração que as drogas

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exercem será estimular os jovens a experimentar formas não-químicas (obviamente, exceto as sonoras) de obtenção de prazer. Os "baratos" podem ser obtidos através de atividades religiosas, intelectuais, artísticas, esportivas, etc.. Cabe aos adultos tentar conhecer melhor os jovens para estimulá-los a experimentar formas mais criativas de obter prazer e sensações intensas, mas dando-lhes exemplos de sobriedade. É importante que os pais ensinem seus filhinhos a manterem permanente vigilância pela oração embasada numa fé raciocinada, nesse caso o Espiritismo propõe, dentre outras bênçãos, o fortalecimento e o equilíbrio mental. Uma coisa é certa: o Espiritismo não propõe soluções específicas, reprimindo ou regulamentando cada atitude, nem dita fórmulas mágicas de bom comportamento aos jovens. Prefere acatar, em toda sua amplitude, os dispositivos da lei divina, que asseguram a todos o direito de escolha (o livre-arbítrio) e a responsabilidade conseqüente de seus atos. Exerçamos a confiança em Deus, primeiramente, e optemos pela drágea do afeto, o comprimido do carinho, a e-drugs da compreensão, a gota de renúncia, o chá do amor em família, por serem os mais eficazes remédios na cura das patologias de quaisquer procedências. Esses medicamentos consubstanciam-se em maior atenção dos pais para com os filhos, demonstrados pela sadia preocupação que têm com a formação moral deles e o suprimento de suas necessidades afetivas. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fontes: (1) http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/e-drugs-o-novo-fenomeno-da-internetinvadem-a-franca (2) Alexandre Pills, psicólogo integrante do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC. (3) Tereza Raquel Alcântara Silva, musicoterapeuta e professora da Universidade Federal de Goiás (UFG) (4) Arthur Kummer, psiquiatra especialista em criança e adolescente e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

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ESPÍRITO E MATÉRIA ANTE A LEI DE EVOLUÇÃO A Doutrina Espírita preceitua que existem dois elementos gerais no Universo: “matéria e Espírito e, acima de tudo Deus.” (1) Emmanuel elucida que “pela vontade divina, condensou-se a matéria cósmica no Universo sem fim. A matéria produziu a força, a força gerou o movimento, o movimento fez surgir o equilíbrio da atração e a atração se transformou em amor.”(2) Desta maneira, identificam-se todas as dimensões da vida em face da lei de unidade estabelecida pelo Criador. Considerando-se que na Terra “todos os movimentos de evolução material e espiritual se processaram, como até hoje se processam, sob o patrocínio de Jesus.”(3) A fonte de energia para todos os núcleos da vida planetária é o Sol, isso é fato! e “todos os seres recebem a renovação constante de suas radiações através da chuva incessante dos átomos solares.”(4) Destarte, “as primitivas agregações moleculares, obedeceram ao pensamento divino dos prepostos do Cristo, quando nas manifestações iniciais da vida sobre a Terra”(5) e nos “primórdios da organização planetária, encontraram, no protoplasma(6) o ponto de início para a sua atividade realizadora, tomando-o como base essencial de todas as células vivas do organismo terrestre.”(7) Alguns concebem que no seres inorgânicos tudo é “cego”, passivo, fatal; jamais se verifica “evolução”; não há mais que mudanças de estados na natureza intrínseca da substância. Argumentam que os minerais não têm forma própria, ao passo que os “seres vivos” possuem forma específica. Os seres brutos apresentam composição química simples, ao passo que a “substância viva” é complexa. Os minerais não apresentam um ciclo vital (não nascem e nem morrem) - sua duração é ilimitada. Mas, acredito que nas atrações moleculares, ainda que não identifiquemos manifestações de espiritualidade, como princípio de inteligência, estou convencido de que “os fenômenos rudimentares da vida em suas demonstrações de energia potencial estão presentes em face da evolução da matéria em seus infinitos aspectos dimensionais. Desse modo, a matéria “bruta” não é estanque e evolui. Albert Einstein, a partir da Teoria da Relatividade afirmou que matéria e energia são as duas faces de uma mesma moeda. A matéria é energia condensada e a energia uma forma de apresentação da matéria. Endossando essa tese o Espírito Emmanuel, considerando

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o processo radioativo identifica a “evolução” da matéria, pois “é nesse contínuo desgaste que se observam os processos de transformação das individualizações químicas, convertidas em energia, movimento, eletricidade, luz, na ascensão para novas modalidades evolutivas, em obediência às leis que regem o Universo.”(8) A rigor, as individualizações químicas possuem a sua rota para obtenção das primeiras expressões anímicas. Lembrando que na constituição das vidas no reino vegetal e animal, encontramos os elementos minerais. Há obviamente algumas controvérsias teóricas a respeito de quando o Princípio Inteligente se individualizaria; se tal ocorreria já a partir do reino mineral, ou somente a partir do reino vegetal. Uns defendem a primeira hipótese, outros sustentam a segunda tese. Junto-me à primeira corrente, respaldado em Kardec que explana: “se se observa a série dos seres, descobre-se que eles formam uma cadeia sem solução de continuidade, desde a matéria bruta até o homem mais inteligente.”(9) Sobre a questão da individualização, essa situação não se confunde com a criação “individual” do Princípio Inteligente, apenas diz respeito ao seu estado de particularização. O termo empregado na Codificação, significa aquilo que o Ser (princípio) agregou de experiências para que ele pudesse literalmente ser identificado, quanto a outros seres da criação, como um indivíduo. Porém, quanto à “consciência do eu” (que é um estágio avançado, mais elaborado e aperfeiçoado da individualização), somente se dá no estágio do “reino hominal”, pois que anteriormente a inteligência permanecia em estado latente, nos reinos imediatamente anteriores. À propósito sobre isso, Kardec aduz que “a alma dos animais(...)conserva sua individualidade; quanto à consciência do eu, não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente”.(10) No universo da vida organizada (ser orgânico) sabe-se haver um princípio especial, ainda inapreensível e que ainda não é bem definido pelos estudiosos: o Princípio Vital. Presente no ser vivente, inexiste nos minerais.“É um estado especial, uma das modificações do Fluido Cósmico Universal, pela qual este se torna princípio de vida.”(11) O Princípio Vital é um só para todos os seres orgânicos, modificado segundo as espécies. É força motriz da estrutura orgânica e “ao mesmo tempo em que o agente vital estimula os órgãos, a ação deles [dos órgãos] mantém e desenvolve a atividade do agente vital, quase do mesmo modo como o atrito produz o calor".(12) É importante considerar que, apesar de ser matéria diferenciada, distinta dos níveis, digamos, materiais, tal origem não invalida a matriz celular do fluido vital, principalmente por seu papel diferenciado e intermediário.

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O princípio vital forma um terceiro elemento constituinte do universo? Como dissemos Espírito e matéria são dois elementos constituintes do Universo. O Princípio Vital formaria um terceiro? Não! Pois trata-se de um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas ele mesmo tem sua fonte na matéria primordial modificada. “É um elemento, como o oxigênio e o hidrogênio que, entretanto, não são elementos primitivos, embora tudo isso proceda de um mesmo princípio.”(13) Será que realmente a vitalidade é um atributo permanente do agente vital ou apenas se desenvolve pelo funcionamento dos órgãos? À rigor, esse agente sem a matéria não é a vida, “é preciso a união das duas coisas para produzir a vida. Infere-se disso que a “vitalidade está em estado latente, quando o agente vital não está unido ao organismo.”(14) Para haver vida orgânica é preciso existir o protoplasma, componente das células, formado principalmente por proteínas. Na Terra, só pôde surgir a vida orgânica no momento em que, na atmosfera, por meio das descargas elétricas, uniram-se metano, amônia, água e hidrogênio, formando-se os primeiros aminoácidos.(15) Estes se combinaram, formando proteínas, as quais se aglomeraram nos coacervados(16) e destes originaram as células. Todas as células têm cromossomos e ADN, que não existem nos minerais, o fluido universal, combinado com a ação do elemento inteligente, é responsável pela coesão e as qualidades gravitacionais da matéria. Lembando aqui que a inteligência é um atributo essencial do espírito”(17) que por sua vez é o elemento inteligente do universo, individualizado, com moralidade própria. Embora reconheço que “a natureza íntima do elemento inteligente, fonte do pensamento, escape completamente às [atuais] investigações.” (18) A mônada Há os que dedicam ao estudo da mônada,(19) Para os quais, vertida do plano espiritual sobre o plano físico, a mônada atravessou os mais rudes crivos da adaptação e seleção, assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, da sensibilidade, da percepção e da preservação própria, penetrando, assim, pelas vias da inteligência mais completa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão.”(20) O ponto principal do pensamento de Leibniz é a teoria das mônadas. É um conceito neoplatônico, que foi retomado por Giordano Bruno e Leibniz desenvolveu. As mônadas (unidade em grego) são pontos últimos se deslocando no vazio. Leibniz chama de enteléquia e mônada a substância tomada como coisa em

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si, tendo em si sua determinação e finalidade. Para Leibniz, a mônada significa substância simples, ativa, indivisível, de que todos os entes são formados. Segundo o filósofo, todos os seres são constituídos por substâncias simples entre as quais reina uma harmonia preestabelecida. O Espírito André Luiz explica melhor dizendo que a mônada é “o Princípio Inteligente em suas primeiras manifestações”, isto é, na primeira fase de evolução do ser vivo “germes sagrados dos primeiros homens.”(21) Trabalhadas, “no transcurso de milênios, pelos operários espirituais que lhes magnetizam os valores permutando-os entre si, sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma.”(22) O Éter Evoco en passant, na discussão dos princípios (material e espiritual) aqui expostos, o Éter termo que significa a substância que os cientistas acreditavam que existia em todo o universo, mas sem massa, volume e indetectável, pois não provocaria atrito. Os físicos do séc. XIX sabiam que a luz tinha natureza ondulatória, e imaginavam portanto que essa deveria precisar de um meio para propagar-se (daí o Éter). Para o Espírito Emmanuel o éter é quase uma abstração um fluído sagrado da vida, que se encontra em todo o cosmo; fluído essencial do Universo, que, em todas as direções, é o veículo do pensamento divino. Agente vital, causa ou efeito? Não há consenso entre alguns pontos próprios como tampouco há um entendimento por parte da maioria dos espíritas sobre o fluido vital. Seria uma propriedade da matéria, um efeito que se produz quando a matéria se encontra em determinadas circunstâncias? Lembremos que os seres orgânicos têm em si uma força íntima que produz o fenômeno da vida, enquanto essa força dure. Para Kardec o fluido vital “é criado pelo metabolismo corporal”.(23) Segundo essa maneira de ver, o Princípio Vital não seria mais do que uma espécie particular de eletricidade, denominada eletricidade animal, que durante a vida se desprende pela ação dos órgãos e cuja produção cessa, quando da morte, por se extinguir tal ação. No entanto, como vimos acima, os espíritos discutem o assunto e apontam que o Princípio Vital é uma transformação da matéria primordial do Universo - o Fluido Cósmico Universal.

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Princípio inteligente e evolução Em face da escala evolutiva da inteligência, Leon Denis afirma que: “na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possuise e torna-se consciente; à partir daí, o progresso, de alguma sorte fatal nas formas inferiores da Natureza, só se pode realizar pelo acordo da vontade humana com as leis Eternas.” (24) Por outro lado, a Doutrina Espírita explica que as diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente umas das outras, mediante progressão. Nesse tópico nem todos pensam a mesma coisa a respeito das relações que existem entre o homem e os animais. Segundo alguns, o Espírito só alcança o período de humanidade após ter sido elaborado e individualizado nos diferentes graus dos seres inferiores da Criação; segundo outros, o Espírito do homem teria sempre pertencido à raça humana, sem passar pela experiência animal. O primeiro desses sistemas tem a vantagem de dar um objetivo ao futuro dos animais, que formariam assim os primeiros anéis da cadeia dos seres pensantes; o segundo está mais de acordo com a dignidade do homem.(25) “Assim, o espírito da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do quadrúpede e do quadrúmano.”(26) Cada espécie constitui, física e moralmente, um tipo absoluto, cada um de cujos indivíduos haure na fonte universal a quantidade do Princípio Inteligente que lhe seja necessário, de acordo com a perfeição de seus órgãos e com o trabalho que tenha de executar nos fenômenos da Natureza, quantidade que ele, por sua morte, restitui ao reservatório donde a tirou. O Princípio Inteligente gastou, desde os vírus e as bactérias das primeiras horas do protoplasma na Terra “milhões de séculos, a fim de que pudesse, como ser pensante, embora em fase embrionária da razão, lançar as suas primeiras emissões de pensamento contínuo para os Espaços Cósmicos.”(27) Emanam do mesmo Princípio Inteligente a alma dos animais e do homem, com a diferença que a do homem, passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal, elaboração esta feita numa série de existências que precedem o período de Humanidade.(28) “Uma tese que os Espíritos rejeitam de maneira mais absoluta é a da transmigração da alma do homem para os animais e vice-versa.”(29) Entre os Espíritos há divergência quanto às origens da alma do homem e dos animais, acreditando alguns que o Espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal. Segundo esta linha de pensamento, cada espécie constituiria, física e moralmente, um tipo absoluto, cada um haurindo da fonte universal a quantidade do Princípio Inteligente que lhe seja necessário.(30)

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Porém, identificamos alguns pontos doutrinários apontando para a tese da elaboração progressiva do Princípio Inteligente à partir do reino mineral, passando pelo reino vegetal, animal, até finalmente individualizar-se como Espírito, quando passa a encarnar somente no reino hominal, continuando sua ascensão na escala do progresso intelectual e moral, através de encarnações sucessivas, com a finalidade de atingir o máximo grau de perfeição relativa (somente Deus detém a perfeição absoluta). Entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento, há uma que é dotada de um senso moral especial que lhe dá uma incontestável superioridade sobre as outras: é a espécie humana. Aí o fluido vital funciona como um sistema energético que age como um intermediário entre o perispírito e o corpo físico durante a reencarnação, e é o que dá vitalidade à matéria. Quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, o liga ao gérmen que o atrai por uma força irresistível, desde o momento da concepção. À medida que o gérmen se desenvolve, o laço se encurta. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde o poder dizerse que o Espírito, por intermédio do seu perispírito, se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra. Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união; nasce então o ser para a vida exterior. “Por um efeito contrário, a união do perispírito e da matéria carnal, que se efetuara sob a influência do Princípio Vital do gérmen, cessa, desde que esse princípio deixa de atuar, em conseqüência da desorganização do corpo. Mantida que era por uma força atuante, tal união se desfaz, logo que essa força deixa de atuar. Então, o perispírito se desprende, molécula a molécula, conforme se unira, e ao Espírito é restituída a liberdade. Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo; esta é que determina a partida do Espírito.”(31) Conclusão O Princípio Espiritual estagiou por todos os reinos desde a sua criação, tanto que é um dos elementos fundamentais e constitutivos dela; porém, se individualizou após o conhecimento das leis da mesma criação, de como elas atuam, inclusive as de atração, coesão e outras que vigoram nos primários reinos, incluindo o mineral. Em tese não há que se falar qual dos dois (Princípio Inteligente ou Princípio Material) foi criado primeiro. Filosoficamente falando, para alguns, “se o Princípio Inteligente foi criado perfectível, e, para isso, tem de atuar na Matéria, deduz-se que

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ele foi criado como uma individualidade para atuar (imediatamente) no primeiro reino da natureza [matéria por excelência], e, a partir dali, ganhar experiências que o tornariam identificável no futuro.”(32) O progresso é a lei da natureza. A essa lei todos os seres da criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo se engrandeça e prospere. Segundo Allan Kardec “tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, de que o vosso espírito limitado ainda não pode abranger o conjunto”.(33) Constata-se assim a aceitação geral – “tanto por autores encarnados como também pelos Espíritos de escol que nos transmitem seus ensinamentos por via mediúnica - da teoria da dualidade: Elemento Espiritual/Elemento material criados simultaneamente por Deus, sendo que o Elemento Espiritual, desde suas primeiras manifestações, acumula sempre as experiências adquiridas em seu trajeto até o estado de Espírito, sem jamais retrogradar, enquanto que a matéria - criada para a manifestação do Elemento Espiritual que a dirige - pela sua própria natureza está sujeita às transformações, que incluem, nos três reinos, o nascimento, crescimento, decrepitude e morte com a conseqüente destruição (assim entendida como retorno aos elementos constitutivos), para formar novas formas manifestadas pelo Espírito em sua trajetória rumo à Perfeição.”(34) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fontes: (1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Questão 27 (2) Xavier, Francisco Cândido. O consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, questão 21 (3) Idem questão 265 (4) Idem questão 10 (5) Idem questão 12 (6) Toda a substância ou mistura de substâncias em que se manifesta a vida nas suas características de metabolismo, reprodução e irritabilidade (7) Xavier, Francisco Cândido. O consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, questão 6 (8) Idem questão 9

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(9) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Introdução, item XVII (10) idem questão 607 (11) Idem questão 598 (12) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001 (13) Idem (14) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Questão 64 (15) aminoácido é uma molécula orgânica formada por átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio, e nitrogênio unidos entre si de maneira característica. Alguns aminoácidos também podem conter enxofre. (16) Coacervado é um aglomerado de moléculas protéicas envolvidas por moléculas de água, em sua forma mais complexa. Essas moléculas foram envolvidas pela água devido ao potencial de ionização presente em alguma de suas partes. Acredita-se, portanto, que a origem dos coarcevados (e consequentemente da vida) tenha se dado no mar. (17) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Questão 24 (18) Allan Kardec, Revista Espírita, ano: 1866 páginas 78 e 79. Editora EDICEL (19) ser formado pela união do princípio inteligente e seu corpo mental, imperecíveis, integrantes e inseparáveis um do outro, qualquer que seja o mundo em que viva e o grau evolutivo em que se encontre (20) Xavier, Francisco Cândido e Vieira Waldo. Evolução em Dois Mundos, ditado pelo espírito André Luiz capítulo III, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1977 (21) Idem (22) Xavier, Francisco Cândido. O consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, questão 20 (23) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001 (24) DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor, Rio de Janeiro: 21ª ed. Ed. FEB,, 1999 às pág. 122/123 (25) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Questão 613 (26) Idem questão 613 (27) Xavier, Francisco Cândido e Vieira Waldo. Evolução em Dois Mundos, ditado pelo espírito André Luiz capítulo III, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1977. (28) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Questões 606/607 (29) Idem questão 613, Comentários

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(30) Idem questão 222 (31) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001 (32) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Cap. III, item 19, Progressão dos Mundos, Santo Agostinho-Espírito 1864 (33) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Nota de Kardec à questão 540, e RE, 1860, julho, pg. 226, p. 2º, item 8. (34) Cf. Joel Matias, artigo “Considerações a Respeito do Princípio Material e Princípio Inteligente” Publicado no Boletim GEAE Número 440 de 02 de julho de 2002

PARADOXOS HUMANOS Gail Posner, uma socialite americana que dividia uma mansão de sete quartos em Miami com sua cadela e mais dois cães, faleceu aos 67 anos recentemente e no testamento veio à tona a divisão de bens. À cadela coube a posse do imóvel, no valor de US$ 8,3 milhões, e um fundo de US$ 3 milhões. Leona Hemsley, outra magnata de Nova York, deixou um fundo de investimento no valor de US$ 12 milhões para Trouble, sua maltês e excluiu os netos do testamento. A bilionária apresentadora de tevê Oprah Winfrey reservou US$ 30 milhões de sua fortuna para seus vários cachorros. A cadela da atriz Drew Barrimore deve herdar a casa da atriz, avaliada em US$ 3 milhões A condessa alemã Karlotta Liebenstein deixou US$ 194 milhões para o pai de Gunther IV, o pastor alemão Gunther III, em 1992. O cachorro morreu e o fundo em que o dinheiro ficou aplicado tem hoje US$ 372 milhões. Na opinião de alguns psicólogos esse tipo de atitude extrema é um recado claro: “Deixei minha herança para o cachorro porque ganhei muito mais amor do meu bicho.” Obviamente, para chegar a esse ponto, a pessoa deve ter uma aversão muito grande aos seres humanos ao seu redor. O Professor da Universidade da Virgínia (EUA), Jonathan Haidt, em seu livro "The Happiness Hypothesis", diz: "a família e os amigos são mais relevantes do que o dinheiro e a beleza. Uma condição que nos torna felizes é a capacidade de nos relacionarmos e estabelecermos laços com os demais.”(1) “Para muitas pessoas, o animal é uma referência emocional, porque ele não faz julgamentos e tem fidelidade incondicional.”(2)

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Se fôssemos consciente da necessidade da prática do bem, não haveria situações tão extremadas de todos os tipos de aberrações, como as doações de fortunas para animais, a guerra do crack, seqüestros, prostituição, poligamia, traição, inveja, racismo, inimizades, tristeza, fome, ganância e guerras. Não encontraríamos pessoas perambulando pelas ruas, embriagadas, sujas, cabelos desgrenhados, roupas ensebadas, catando coisas no lixo ou esmolando um pedação de pão. Desfrutamos de uma realidade tecnológica que, num passado recente, era impossível imaginarmos, exceto nos filmes de ficção. Recordo-me do início da década de 70, quando não havia como pensar em fornos de microondas, aparelhos de videocassete, telefones celulares, microcomputadores, cartões magnéticos, e, principalmente, a Internet. No entanto, atualmente, são recursos comuns. Porém, ainda amargamos os contrastes de uma suprema tecnologia no campo da informática, da genética, das viagens espaciais, dos supersônicos, dos raios laser, ao mesmo tempo em que ainda temos que conviver com a febre amarela, a tuberculose, a AIDS, e com todos os tipos de droga (cocaína, heroína, skanc, ecstasy, o crack, etc.). Ante os paradoxos humanos, nem tudo está perdido. Sabemos que desde o século XIX, os milionários americanos seguem a tradicional prática de mecenato e filantropia com doações milionárias para museus, salas de concerto e universidades. Inclusive, muitos milionários não esperam mais a morte para doar parte da fortuna para causas sociais. "O modelo do velho moribundo na cama do hospital que deixa tudo para uma fundação está superado. Agora, o sujeito monta uma fundação aos 30, 40 anos de idade. Desta forma, os doadores controlam melhor o destino dado ao dinheiro para que ele seja aplicado exatamente nas causas que eles escolheram.”(3) Além da vontade de resolver problemas sociais, os magnatas têm outra razão para doar seu dinheiro enquanto ainda estão vivos. Não querem deixar grandes heranças para os filhos com medo de estragá-los. Nos Estados Unidos, a figura do self-made man, aquele que faz fortuna por si próprio, é muito valorizada. Daí a crença de que grandes heranças roubariam a possibilidade de os herdeiros terem a sensação de que realizaram algo. No topo do ranking dos doadores aparece Bill Gates e sua esposa, Melinda. A Fundação Bill & Melinda Gates investe em projetos de saúde e educação em vários países, inclusive no Brasil. Warren Buffett, investidor e industrial de 79 anos cuja fortuna é calculada em 47 bilhões de dólares, afirmou que mais de 99% da sua riqueza irá para a filantropia durante vida ou quando morrer. Nesse panorama promissor, a mensagem do Cristo é um elixir poderoso, o mais seguro para a redenção social, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas, como um dia penetrou no desprendimento de Vicente de Paulo, na

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majestosa solidariedade de irmã Dulce, na bondade de Francisco de Assis, na suprema dedicação de Teresa de Calcutá e no amor de Chico Xavier. É urgente aprendermos a fazer o bem incondicional, e nesse comportamento podermos soltar o sereno grito como o fez Paulo: "Já não sou quem vive, mas o Cristo é quem vive em mim.”(4) Precisamos exercer o Evangelho nos múltiplos setores da sociedade, porque a natureza nos ensina que temos uma fatalidade biológica (vamos todos desencarnar um dia), porém, a forma de nos comportarmos dentro do limite berço-túmulo é da nossa livre escolha. Podemos alcançar a sublimação com o simples querer, mas, sempre, movidos por uma fé calcada nas boas obras em favor do próximo.

FEIRÕES DO ABORTO, VERDADEIRA TRAGÉDIA MORAL Pesquisa, conduzida pela Universidade de Brasília, demonstra que ultrapassa de cinco milhões o número de mulheres brasileiras que já abortaram. Segundo a antropóloga e professora da UnB, Débora Diniz, uma mulher em cada cinco, aos 40 anos, fez aborto. Os dados confirmam que 5 milhões e 300 mil mulheres em algum momento da vida já fizeram aborto. Isso é fato constatado. Como resolver a questão? As clínicas clandestinas existem e são verdadeiros feirões do aborto. Seus proprietários estão milionários. Não é para menos, pois chegam a cobrar R$ 800,00 para uma curetagem, R$ 1.200,00 para a sucção e R$ 1.800,00 para destroçarem o bebê através do vácuo. Especialistas afirmam ainda que as vítimas de complicações de aborto nessas clínicas acabam tendo que serem socorridas pelo sistema de saúde público, o Sistema Único de Saúde (SUS). Uma pesquisa do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo levantou um número espantoso. Entre 1995 e 2007, a curetagem depois do procedimento de aborto foi a cirurgia mais realizada pelo SUS: 3,1 milhões de registros, contra 1,8 milhão de cirurgias de correção de hérnia. O que isso significa? Um tremendo impacto na saúde pública brasileira. Não há legislação humana que identifique de imediato o ignóbil infanticídio, nos redutos familiares ou na bruma da noite, e aos que mergulham na torpeza do aborto. Quem é essa mulher que faz aborto? Ela é a mulher típica brasileira. Não há nada de particular na mulher que faz aborto, explica Débora Diniz. Por essas e outras que o Brasil é o campeão mundial da prática abortista.

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A taxa de interrupção de gravidez supera a taxa de nascimento. Esta situação fez surgir no país grupos dispostos a legalizar o aborto, torná-lo fácil, acessível, higiênico, juridicamente “correto”. Ainda que isso viesse ocorrer, JAMAIS esqueçamos que o aborto ilegal ou legalizado SEMPRE será um CRIME perante às Leis de Divinas! O Jornal Folha de São Paulo, de 07/10/2007, afirma que o Instituto de Pesquisa Datafolha constatou que, nos últimos anos, o número de brasileiros, que acham a prática do aborto "muito grave", aumentou de 61%, para 71% e que, atualmente, apenas 3% dos brasileiros consideram o aborto moralmente aceitável.(1) Os arautos do aborto evocam as péssimas condições em que são realizados os procedimentos clandestinos. Porém, em que pese a sua veracidade, não nos enganemos, acreditando que o aborto oficial irá resolver a questão do infanticídio; ao contrário, o aumentará e muito! Ele continuará a ser praticado escondido e não controlado, pois a clandestinidade é cúmplice do anonimato e não exige explicações. Descriminalizar o aborto, sob quaisquer circunstâncias, será um expressivo marco de estagnação espiritual na história da sociedade brasileira. Outra questão gravíssima, na legalização do aborto é a seguinte: estariam todos os obstetras disponíveis à prática abortiva? Seria possível, no âmbito da ética médica, conciliar uma medicina que propõe valorizar a vida com uma medicina que mata? Não nos enganemos, a medicina que executa o aborto nos países que já legalizaram o assassinato do bebê no ventre materno é uma medicina criminosa. Não há lei humana que atenue essa situação ante a Lei de Deus. Chico Xavier adverte que "admitimos seja suficiente breve meditação, em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões."(2) No caso de violência sexual (estupro), quando a mulher engravida e não se sinta com estrutura psicológica para criar o filho, cremos que a legislação deveria facilitar e estimular a adoção da criança nascida nessas circunstâncias, ao invés de promover a sua morte legal. "O Espiritismo, considerando o lado transcendente das situações humanas, estimula a mãe [violentada] a levar adiante a gravidez e até mesmo a criação daquele filho, superando o trauma do estupro, porque aquele Espírito reencarnante terá, possivelmente, um compromisso passado com a genitora."(3) Se muitos tribunais do mundo condenam, em sua maioria, a prática do aborto, as Leis Divinas, por seu turno, atuam inflexivelmente sobre os que alucinadamente o provocam. Fixam essas leis no tribunal das próprias consciências culpadas,

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tenebrosos processos de resgate que podem conduzir ao câncer e à loucura, agora ou mais tarde.”(4) A bióloga Érika Hessen, minha filha, comentando comigo o tema sobre o aborto, explicou que “existe uma parcela de culpa da sociedade também, principalmente no que diz respeito à educação que muitos pais falham com seus filhos, o estímulo exagerado da mídia ao sexo, a erotização das nossas crianças e jovens que levam adolescentes quase crianças a terem suas primeiras relações sexuais prematuramente. O número de adolescentes grávidas aumenta cada dia, e não dá para responsabilizar somente a mãe imatura e inconsequente que abdica da nobre missão da maternidade. O sexo está cada vez banalizado e ninguém discute muito isso, então as consequências do sexo promíscuo, das relações afetivas deterioradas são exatamente os crimes contra a vida, as doenças incuráveis e as loucuras.” Não lançamos aqui condenação àqueles que estão perdidos no corredor escuro do erro já consumado, até para que não caiam na vala profunda do desalento. “Expressamos idéias, cujo escopo é iluminá-los com o farol do esclarecimento, para que enxerguem mais adiante, optando por trabalhar em prol dos necessitados e, sobretudo, numa demonstração inconteste de amor ao próximo, adotando filhos rejeitados que, atualmente, amontoam-se nos orfanatos. Para quem já errou, convém lembrar o seguinte: errar é aprender, mas, ao invés de se fixarem no remorso, precisam aproveitar a experiência, como uma boa oportunidade para discernimento futuro.”(5) A Lei de Causa e Efeito não é uma estrada de mão única. É uma lei que admite reparações, que oferece oportunidades ilimitadas, para que todos possam expiar seus enganos. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fontes: (1) Publicado no Jornal Folha de São Paulo, edição de 07/10/2007 (2) Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Religião dos Espíritos, ditado pelo Espírito Emmanuel. 14a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2001. (3) Cf. Manifesto Espírita sobre o Aborto Federação Espírita Brasileira Manifesto aprovado na reunião do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, nos dias 7, 8 e 9 de novembro de 98 (4) Peralva, Martins. O Pensamento de Emmanuel. Cap. I Rio de Janeiro: Editora FEB, 1978

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(5) Entrevista de Jorge Hessen concedida à Revista Eletrônica “O Consolador”,disponível em www.oconsolador.com.br/17/entrevista.html

BANCO DA REENCARNAÇÃO, MAIS UM INSTRUMENTO DE EXPLORAÇÃO DA FÉ Não se pode servir a Deus e a Mamon. Porém, os atuais mercadores das coisas santas continuam a existir, embora Jesus, há dois mil anos, os tenha repreendido nas cercanias do Templo de Jerusalém. Os tempos modernos parecem comprovar que a exploração da fé volta a fascinar milhões de pessoas em todo o mundo. Nas blasfêmias contra as Leis Divinas, nem mesmo os reencarnacionistas estão livres dos achaques. Circula na internet a notícia sobre a criação de um “banco da reencarnação”. O tal banco funciona exclusivamente no ambiente virtual. Não há agências, nem caixa eletrônicos. O estabelecimento “bancário” oferece aos clientes uma forma de guardar bens para “vidas próximas” e admite receber de jóias até títulos e ações, na tentativa de convencer os clientes que acreditam na reencarnação (1).O surgimento do “banco da reencarnação” é um hediondo crime lesa Deus. Para conseguir deixar as riquezas sob a guarda do famigerado banco da reencarnação, o interessado tem de preencher um questionário detalhado sobre seu patrimônio, bem como o valor estimado do depósito. O banco avalia o formulário para seguir com o processo de depósito. Sensatamente, o FSC (Financial Service Comission), órgão regulador de Gibraltar na Europa, não autorizou a instituição de receber depósitos ou quaisquer outros bens. De acordo com o diretor da FSC, Marcus Killick, o patrimônio do banco foi congelado e os depósitos ressarcidos aos clientes.”(2) Menos mal! Até que ponto vai o desrespeito ao próximo? Qual o limite desse escárnio aos valores divinos? Os “gênios” das sombras garantem que "o banco oferece gerenciamento seguro e confiável para os clientes, um lugar estável para que eles possam deixar riquezas e bens para o retorno na próxima vida."(3) Os atuais anjos do mal seduzem os incautos com afirmações do tipo: "se você não deixar nada para trás quando morrer, o que terá quando retornar? Comece a acreditar e assuma o controle do seu futuro. O grande final da vida não é só conhecimento, mas ação, então haja agora e poupe para a próxima reencarnação".(4) Infelizmente sabemos que as outras atuais religiões já negociam os patrimônios celestiais, então, para

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nosso infortúnio nada mais previsível que tais comerciantes das coisas santas inventem também um sistema bancário de reencarnação! As seitas e religiões modernas conseguem arregimentar e manter sob seu jugo pessoas desesperadas que estão em busca de um alívio qualquer para suas dores. Algumas dessas seitas mantêm pequena obra social; mas, por outro lado, há fortes evidências de que grande parte das doações recebidas em espécie destina-se para acúmulo de bens e poder dos seus dirigentes, que em sua maioria são pessoas ricas e poderosas. Óbvio que isso não é mera coincidência. Os negociadores das coisas Divinas atualmente não se importam com a exploração da fé que deixou de ser algo transcendental, de bondade ou altruísmo, e passou a ser egoísta e rentável, desde que as falsas promessas de cura e paz espiritual encham os baús com o tesouro que traças e ferrugens consomem. Em nome das coisas santas, desde as eras medievais até nossos dias, o falso religioso vende lotes e mansões no “céu” à prestação; impõe depósitos no “Banco de Deus”; negocia a “salvação”; troca benção por dinheiro e aceita até cartão de débito/crédito nos templos cristãos; por meio dos porcentuais cobrados, vende indulgências em troca da “felicidade celestial” etc... Então, muitas vezes, pessoas simples são levadas pelo desespero pessoal, advindo de situações como desemprego, doenças, inquietações, a buscar uma solução na casa de oração. Se não doarem parte do minguado dinheiro, essas pessoas são ameaçadas a terem seus destinos de vida futura para o “inferno”. Essa prática é um legado das violentas e obscuras taxas institucionalizadas na Idade Média. Os “dez porcento” até hoje são compulsoriamente cobrados para supostamente “cobrir custos” de diversos gastos, inclusive para manter o salário dos chefes das igrejas. Entretanto, raramente são usados para a caridade e para promoção social entre os necessitados. Mas, por que essas crenças crescem tanto? Porque o desespero das pessoas é o alicerce das novas igrejas. A facilidade de se conquistar novos fiéis também se deve ao “marketing religioso”: uma espécie de marketing aliado à psicologia que ajuda no trabalho com grandes massas, tendo como objetivo conquistar novos “doadores”. O Espiritismo não compactua com a especulação da fé. Aos espíritas, tradicionalmente, cabem por meio de espontânea doação mensal, sustentar a casa em que trabalham. As colaborações em espécie são regularmente destinadas ao pagamento de aluguéis, manutenção, divulgação doutrinária e aquisição de alimentos, roupas e demais objetos a serem distribuídos às famílias carentes ou instituições filantrópicas que sejam assistidas pelo grupo. Na instituição espírita todo valor arrecadado é exposto em balanços mensais, para que tanto trabalhadores como frequentadores tenham acesso às informações financeiras da instituição.

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Portanto, é inadmissível que projetos tão mirabolantes tais como “banco da reencarnação” possam ser aceitos por espíritas que têm na fé raciocinada o instrumento de crença que encara a razão face a face em qualquer situação da vida social. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referência: (1) Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/mercado/773268-banco-dareencarnacao-desafia-autoridades-ao-tentar-receber-depositos.shtml, acessado em 01-08-10. (2) idem. (3) idem. (4) idem.

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O PROJETO ESPÍRITA EM FACE DAS TERAPIAS INÓCUAS Allan Kardec ressalta que “a característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade.”(1) As revelações espirituais surgem gradualmente, consoante nossa capacidade de compreendê-las, sobretudo pelas credenciais do amadurecimento moral e intelectual. A Codificação não surgiu como conteúdo pétreo gravado em monolítico. Ademais, nem tudo pôde ser revelado à época da Codificação, todavia, esse fato não nos autoriza interpretar o atual movimento espírita brasileiro sem as diretrizes reveladas pelos Espíritos. Com a evolução do pensamento filosófico da Doutrina nos tornamos mais capazes nas análises críticas do movimento espírita, sem comprometer a pedra angular do edifício kardeciano, representada pelas Obras Básicas, mas poucos lêem o Pentateuco. O assunto é recorrente. Infelizmente, como sói ocorrer aqui no Brasil, alguns espíritas insistem em transformar a Casa Espírita num hospitalzão a fim de remediar efeitos (as doenças) ao invés de transformarem a Instituição numa universidade da alma para tratar as causas (os doentes). Com isso, muitos centros espíritas brasileiros abrem brechas para enxertias indesejáveis, incorporando em suas programações terapias alternativas inócuas, metodologias de desobsessão suspeitas e reuniões de conteúdos duvidosos advindos de livros sem vínculo com o bom senso. Os ensinamentos sérios que complementam a Doutrina são quais pepitas de ouro sob as diretrizes dos Benfeitores do Além; misturado, no entando, a elas há o “ouro de tolo” e outros metais sem valor intrínseco que apenas brilham. Por isso, temos tendências de todos os gostos. Há dirigentes com insofreáveis pendores místicos que se devotam à crença no sobrenatural e impõem rituais dissimulados aos seus seguidores. Comumente as suas práticas “doutrinárias” são atribuídas às orientações dos “guias”. Os guiistas têm inserido práticas extravagantes nos centros, a saber: radiestesia, cromoterapia, fitoterapia, cristalterapia, apometria, entre outras superstições que são impostas como alternativas de tratamento físico e espiritual. Existem até mesmo os que aplicam passes nas paredes dos centros (para “descontaminá-las”(!!!!???)), inventam expulsão de “obsessores através de correntes mento-magnéticas, psicotelérgicas, enfim seria cômico se não fosse tão trágico. Não podemos cristalizar

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nosso raciocínio sob a luz de um purismo ideológico extemporâneo, nem mergulharmos no entusiasmo irracional por novidades cujo cenário ensombra a metodologia espírita. Nunca haverá radicalismos quando se utiliza a razão e a ponderação, nem quando somos capazes de olhar não só as virtudes da fé que seguimos, mas também os possíveis e indesejáveis desvios (estes não contidos no projeto doutrinário), mas nas mãos de dirigentes autoritários que abusam inadvertidamente do Espiritismo. Ante a lei da fraternidade os que se fazem impostores necessitam das nossas preces, mas não podemos nos omitir diante do que fazem (ou desfazem?) nos centros espíritas. Podemos até respeitar e compreender as “terapias” alternativas, mas jamais adotá-las. A Casa Espírita não é arena de fanfarras e muito menos clínica de PLACEBOS alternativos. E mais, uma legítima instituição espírita não pode ser picadeiro para exibições de inócuos exorcismos. Afirmamos que esses “tratamentos espirituais” não são úteis. Não queremos discutir a sinceridade de seus praticantes (por inocência nalguns), mas é urgente e obrigatória uma reciclagem doutrinárias dos mesmos. É mister ser deixado fora do Centro Espírita as ramificações de terapias alternativas de “cura e desobsessivas”que surgem e se mesclam ao Espiritismo por serem correntes de idéias que deixam brechas, ou melhor, crateras! Usemos e abusemos do raciocínio. Não sejamos nem omissos e nem contemporizadores com os que tentam impor seus “espiritismos” de curas fantásticas. Todos sabemos que o radicalismo não é uma boa conselheira, contudo devemos estar atentos com o fanatismo de tais “adeptos”. Muitos deles têm conquistado espaço no movimento espírita e nas casas espíritas, disfarçam-se de trabalhadores e “orientadores”, fazem crer em novas terapias e ortodoxias, incitam desuniões aos que pensam diferentes deles, provocam exacerbado interesse pelo poder e assumem diretorias (inclusive de algumas federativas), alimentam vaidades e melindres, insuflam a confusão. Em suma, ou nos comportemos doutrinariamente apoiados na razão, sem misticismos, e crendices outras, ou o Espiritismo ficará sem rumo em nosso País. E se não preservarmos as estruturas básicas das propostas kardecianas, não conseguiremos vislumbrar a continuação do projeto Espírita nestas plagas brasileiras. Cremos que a espiritualidade deve estar alerta, para no momento exato (se for o caso) transferir o projeto espírita para outro país, onde a população seja menos mística, tenha fé mais racional e moral mais elevada. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Referência: (1) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 2000, Cap 1 item 3. (2) idem.

REFLEXÕES ESPÍRITAS SOBRE A EXISTÊNCIA DE VIDAS FORA DA TERRA O astrofísico Carl Sagan (1) encarou o assunto da pluralidade dos planetas habitados sem estardalhaço e com muita seriedade. Ouçamos seu testemunho: “descoberta da inexistência de micróbios em Marte era questão extremamente importante. Estamos sozinhos no universo ou há outros seres? Existem micróbios em outros mundos? E vida inteligente? Não há respostas fáceis, não basta pousar uma vez em Marte para saber se existem por lá uns seres esverdeados ou não. Como poderíamos, hoje, concluir que não há vida no resto do universo se existem 400 bilhões de sóis apenas na Via Láctea, a galáxia em que está a Terra, e se há pelo menos mais 100 bilhões de galáxias além da nossa? A química que produz a vida é reproduzida facilmente por todo o cosmo. Por que seríamos tão privilegiados? O universo é três vezes mais velho que a Terra; devem existir, portanto, lugares em que houve mais tempo para a evolução biológica que em nosso planeta. Parece improvável que sejamos os únicos seres inteligentes. É possível, mas é improvável.”(2) Nos EUA a NASA tem informado que há uma calota rica em gelo polar com aproximadamente 1.000 km no planeta Marte. Nessa linha de descobertas, recentes análises identificaram que o oceano da lua “Europa”, na órbita de Júpiter, descoberta em 1610 por Galileu Galilei, deve ter mais oxigênio do que os oceanos da Terra, segundo “Richard Greenberg, cientista da Universidade do Arizona.”(3) Essa descoberta é uma pista de que o satélite jupteriano tem o poder de abrigar vida, como na Terra, mesmo que seja apenas microbiana. A lua Europa, que tem aproximadamente o mesmo tamanho da Lua da Terra, tem um oceano com cerca de 160 km de profundidade. Pelo que sabemos a partir da Terra, onde há água existe chance de ter vida. No livro “Cartas de Uma Morta”, o Espírito Maria João de Deus, mãe de Chico Xavier, descreve aspectos interessantes e surpreendentes sobre a vida noutros orbes.

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Em “Novas Mensagens”, livro ditado pelo Espírito Humberto de Campos, nos traz informações interessantes sobre a vida marciana. Sabemos que até hoje as mais variadas incursões científicas (através de sondas espaciais) não foram capazes de comprovar vida por lá. Diversas imagens nos foram transmitidas, entretanto, em momento algum foram encontrados quaisquer indícios de vida orgânica, como a temos na Terra. Destarte, a que dimensão de vida, se referiram os Espíritos Humberto de Campos e Maria João de Deus em suas narrativas? Muitas revelações demonstram contradições “aparentes” sobre vida em outros mundos, por isso, Kardec, cautelosamente, ao tratar da vida humana “material” fora da terra, procurou não adentrar em minúcias, seguindo pela análise do viés moral dos habitantes de outros orbes. O mestre de Lyon indagou aos Benfeitores: “Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes aos nossos?” Os Mentores explicaram: “Sem dúvida possuem corpo, porque é preciso que o Espírito esteja revestido de matéria para agir sobre a matéria. Porém, esse corpo é mais ou menos material, de acordo com o grau de pureza a que chegaram os Espíritos. E é isso que diferencia os mundos que devem percorrer; porque há muitas moradas na casa de nosso Pai e, portanto, muitos graus.” (4) O Codificador insiste na indagação: “Há mundos em que o Espírito, deixando de habitar um corpo material, tem apenas como envoltório o perispírito?” Os de “lá” explicaram: “Sim, há. Nesses mundos até mesmo esse envoltório, o perispírito, torna-se tão etéreo que para vós é como se não existisse.”(5) Em verdade a Doutrina Espírita, em seus princípios, preconiza a pluralidade dos mundos habitados. Em “O Livro dos Espíritos” no cap. III (Da Criação, questões 55 a 58), deixa claro essa possibilidade, mostrando a importância do assunto, bem como em outras obras da Codificação. “Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de Ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes”.(6) Aprendemos com os Espíritos que “há mundos cujas condições morais dos seus habitantes são inferiores às da Terra; em outros, são da mesma categoria; há mundos mais ou menos superiores e, finalmente, há aqueles nos quais a vida é, por assim dizer, toda espiritual.”(7) Aliás, até mesmo o Sol, embora não tenha habitantes; “contudo, é local de reunião de espíritos superiores.”(8)

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Desde as mais remotas eras, o Universo tem nos mostrado sobre a possibilidade de existência de vida fora da Terra. O bom senso nos impõe a certeza de que Deus não ergueria bilhões de corpos celestes apenas para nosso deleite visual noturno. Emmanuel, no livro “A Caminho da Luz”, narra sobre um sistema planetário distante da Terra (cerca de 42 anos-luz), localizada na Constelação de Cocheiro que, entre nós, foi batizado pelo nome de Cabra ou Capela. Segundo o Benfeitor, “há muitos milênios, um dos orbes de Capela, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade, que fizera jus à concórdia perpétua, para a edificação dos seus elevados trabalhos. As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, deliberam, então, localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores.” (9) Ressalte-se, porém, que, muito embora decaídos moralmente, aquela falange de exilados manteve em seu inconsciente todos os progressos intelectuais e formaram desse modo o grupo dos árias, a civilização do Egito, o povo de Israel e as castas da Índia. Cremos que seres de outros sistemas planetários, ainda hoje, têm reencarnado na Terra. Na questão 172, de O Livro dos Espíritos, Kardec perguntou: “As nossas diversas existências corporais se verificam todas na Terra?” os Espíritos responderam: “Não; vivemo-las em diferentes mundos. As que aqui passamos não são as primeiras, nem as últimas; são, porém, das mais materiais e das mais distantes da perfeição.” (10) De acordo com o ensinamento dos Espíritos, de todos os globos que compõem o nosso sistema planetário, “a Terra é onde os habitantes são menos avançados, tanto física como moralmente.”(11) A Astrofísica demonstra que a matéria do nosso planeta tem os mesmos elementos químicos dos astros distantes. As leis físicas daqui são exatamente as mesmas que vigoram lá. Não há mais razão para negar ou afirmar que a Terra é o único planeta habitado do Universo. Até porque desde toda a eternidade Deus criou mundos materiais e seres espirituais, pois se assim não fora tais mundos careceriam de finalidade.”(12) Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Fontes: (1) Ex-diretor do Laboratório de estudos Planetários e professor de Astronomia da Universidade de Cornell de Ithaca. Autor de obras de divulgação científica de grande sucesso. Foi conselheiro científico da NASA e colaborou nos programas das sondas planetárias Viking e Voyager. (2) Disponível em http://veja.abril.com.br/especiais/35_anos/p_094.html (3) Disponível em http://Space.com (4) Na questão 181. (5) Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2000, questão 186. (6) Idem questão 55. (7) Kardec, Allan; O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2001, 3º Cap. itens 3 e 4. (8) Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2000, questões 172 a 188. (9) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro, 1999. (10) Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2000, questão 172. (11) idem 188. (12) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2003, Cap. XI, n°s 7 a 9.

DETERIORIZAÇÃO ESPÍRITA

DO

MEIO

AMBIENTE

NUMA

ANÁLISE

A Natureza é sempre o livro divino, onde Deus escreveu a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem. Todavia, o atual e desenfreado sistema econômico é uma das barreiras que impedem a consciência de sustentabilidade ambiental. Não é preciso ter o dom da profecia, para sabermos o catastrófico cenário no porvir do nosso Planeta. Estamos na iminência de desastres ecológicos, de consequências imprevisíveis, em face da rota de colisão entre o homem e o meio ambiente. Um relatório de uma comissão da ONU (Organização das Nações Unidas) que estudou as mudanças

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climáticas, é sombrio: "Até o fim do século, três de cada dez espécies de seres vivos desaparecerão do Planeta, e a vida humana será profundamente afetada"(1). Estudos indicam que a “mudança climática tem matado cerca de 315 mil pessoas por ano, de fome, de doenças ou de desastres naturais, e o número deve subir para 500 mil, até 2030”(2). O estudo estima que o problema do clima afete 325 milhões de pessoas, anualmente, e que, em duas décadas, esse número irá dobrar, atingindo o equivalente a 10% da população mundial da atualidade. Os resultados dessa síndrome são alarmantes, como o aquecimento e a alteração do clima, precipitando a ocorrência de furacões, tempestades severas e, até, terremotos; o efeito do "El Niño e La Niña", também é aterrorizante, pois que acelera o degelo das calotas polares, aumentando, consequentemente, o nível do mar e inundando regiões litorâneas. Quase 25% da população mundial estão ameaçados pelas inundações, em consequência do degelo do Ártico. São reais os registros de diminuição das geleiras no Himalaia, nos Andes, no Monte Kilimanjaro, e a única estação de esqui da Bolívia, Chacaltaya, pôs fim à sua atividade, pela escassez de neve naquela região. Os recursos "renováveis" que se consomem e o impacto sobre o meio ambiente não podem ser relegados a questões de menor importância, principalmente, levando-se em consideração a utilização da água potável. Certamente no futuro a sua posse (água potável) pode ser o motivo mais explícito de confronto bélico planetário. É urgente que se crie uma mentalidade crítica, que permita estabelecer novos comportamentos com foco na sustentabilidade da vida humana. A sociedade deve formatar novos modelos de convivência, lastreados na fraternidade e no amor à natureza. A falta de percepção, da interdependência e complementaridade, entre os seres humanos, gera, cada vez mais intensamente, o desequilíbrio da natureza. O cientista Stephen Hawking, no livro "O universo numa casca de noz", comenta que: "Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque”(3). Hawking explica, que "não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva, mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima”(4). Ao se desmatar as florestas, modificar cursos de rios, aterrar áreas alagadas e desestabilizar o clima, estamos destroçando as bases de uma rede de segurança ecológica extremamente sensível. "O meio ambiente em que a alma renasceu, muitas vezes constitui a prova expiatória; com poderosas influências sobre a personalidade, destarte, faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na

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sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influência"(5). Lamentavelmente ainda amargamos os contrastes de uma suprema tecnologia no campo da informática, das viagens espaciais, dos supersônicos, dos raios laser, ao tempo que ainda temos que conviver com esse desrespeito oficializado ao meio ambiente. Por outro lado, e menos mal nos parece é que a necessidade de destruição da natureza “se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria”(6). Realmente a consciência de proteção ambiental cresce com o nosso desenvolvimento intelectual e moral. Devido a esses estertores de aguda dor provinda da “Mãe-Terra”, surgem, em várias partes do mundo, grupos de pessoas fanáticas, que criam seitas e cultos estranhos; abandonam emprego, família, à espera do “juízo final". “Na França há cerca de 200 seitas catastrofistas, com 300 mil adeptos. Nos Estados Unidos, 55 milhões de americanos acham que falta pouco para o mundo acabar”(7). Os terremotos, os furações, as inundações, as erupções vulcânicas e outras catástrofes naturais são e serão parte inevitável da dinâmica da natureza. Isso não significa dizer que não possamos fazer alguma coisa para nos tornarmos menos vulneráveis. "Aprender com as catástrofes de hoje para fazer frente às ameaças futuras”(8). Somos esclarecidos por Allan Kardec, que os grandes fenômenos da Natureza, aqueles que são considerados uma perturbação dos elementos, não são de causas imprevistas, pois "tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus"(9). O Livro dos Espíritos afirma ser “preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamamos destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos”(10). Porém, qualquer destruição não pode ocorrer antes do tempo. “Toda destruição antecipada obsta ao desenvolvimento do princípio inteligente.”(11) Os flagelos da natureza podem ter utilidade, do ponto de vista físico, não obstante os males que ocasionam, pois que “muitas vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam”(12). A Terra não terá de transformar-se por meio de uma hecatombe que destrua de vez uma geração inteira. Até porque, os preceitos espíritas indicam que a atual geração desaparecerá gradativamente e uma nova lhe sucederá naturalmente, ou seja, uma parte dos espíritos que encarnavam na Terra não mais tornarão a encarnar. Por mais difíceis que sejam os desafios a enfrentar, por conta da própria incúria humana, dinamizemos a vontade de nos harmonizar com a natureza. Não podemos esquecer que Jesus é o Caminho que nos induz aos iluminados conceitos da

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Verdade, onde recebemos as gloriosas sementes da sabedoria, que dominarão os séculos vindouros, preparando nossa vida terrena para as culminâncias do amor universal no mais profundo respeito à natureza. Ante os impactos ambientais recordemos sempre que a mensagem do Cristo é o grande edifício da redenção humana em favor da natureza e da sociedade, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas, como um dia penetrou nas consciências de Albert Schweitzer, Vicente de Paulo, da irmã Dulce, de Francisco de Assis, da Madre Teresa de Calcutá, de Chico Xavier e de Mahatma Gandhi. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fontes: (1) Relatório da comissão que estuda as mudanças climáticas, da ONU (Organização das Nações Unidas), 2007. (2) Conforme Relatório Fórum Humanitário Global (FHG), instituição com sede em Genebra. (3) Hawking, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz, São Paulo: Ed. Mandarim, 2a Edição, (2002). (4) Hawking, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz, São Paulo: Ed. Mandarim, 2a Edição, (2002). (5) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, questão 121. (6) Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 733. (7) Publicado na Revista ISTO É, de 4 de agosto de 1999. (8) Mensagem do ex-Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, Por ocasião do Dia Internacional Para a Redução das Catástrofes Naturais, de 11 de Outubro de 2006, conforme veiculada pelo Centro Regional de Informação da ONU em Bruxelas – RUNIC. (9) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 536. (10) idem, questão 728. (11) idem, questão 729. (12) idem, questão 739.

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O SUICÍDIO É A NEGAÇÃO ABSOLUTA DA LEI DO AMOR Em Taiwan, a fabricante de eletrônicos Foxconn “anunciou que vai contratar dois mil profissionais de saúde mental para tentar conter uma onda de suicídios em suas fábricas na China”(1). A empresa conta com 700 mil funcionários - cerca de 300 mil deles na China -, fabrica vários produtos para multinacionais, como o celular iPhone, da Apple, os consoles de games PlayStation, da Sony, Wii, da Nintendo, e Xbox, da Microsoft, e o leitor eletrônico Kindle, da Amazon. Na França, como se não bastasse o preocupante “Dia nacional de prevenção ao suicídio”, a Justiça francesa está investigando a onda de suicídios na operadora de telefonia France Telecom. Nos últimos dois anos, 46 funcionários da companhia se mataram - 11 deles apenas em 2010, segundo dados da direção da empresa e dos sindicatos. Nos EUA a Universidade de Cornell, no estado americano de Nova York, lançou recentemente uma campanha de prevenção ao suicídio. A Universidade já carrega há muito tempo a fama negativa de ser uma escola marcada por suicídios. Entre 2000 e 2005, houve 10 casos de suicídio confirmados na Cornell. O número de suicídios na Terra estarrece, senão vejamos: há dez anos foram “815.000 pessoas que cometeram suicídio. Países do Leste Europeu são os recordistas em média de suicídio por 100.000 habitantes. A Lituânia (41,9), Estônia (40,1), Rússia (37,6) (a taxa de suicídio na Rússia é a segunda no mundo, abaixo somente da Lituânia e leste europeu), Letônia (33,9) e Hungria (32,9). Guatemala, Filipinas, e Albânia estão no lado oposto, com a menor taxa, variando entre 0,5 e 2. Os demais estão na faixa de 10 a 16. Em números absolutos, porém, a República Popular da China lidera as estatísticas. Foram 195 mil suicídios no ano de 2000, seguido pela Índia com 87 mil, os Estados Unidos com 31 mil, o Japão com 20 mil (em 2008 o suicídio entre jovens bateu novo recorde no Japão)e a Alemanha com 12,5 mil” (2). O suicídio é um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas. Suas matrizes causais são numerosas e complexas. Alguns veem o suicídio como um assunto legítimo de escolha pessoal e um direito humano (absurdamente conhecido como o "direito de morrer"), e alegam que ninguém deveria ser obrigado a sofrer contra a sua vontade, sobretudo de condições como doenças incuráveis, doenças mentais e idade avançada que não têm nenhuma possibilidade de melhoria.

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Nenhuma religião admite o suicídio. Essa unanimidade evidencia tratar-se de algo contrário às leis divinas. Mas, algumas seitas paranóicas fazem cultos ao suicídio, como a Ordem do Templo Solar, a Heaven’s gate, a Peoples Temples e outras. Entre os adeptos “notáveis” dessa escola de pensamento estão incluídos o filósofo pessimista Arthur Schopenhauer, Friedrich Nietzsche, e o empirista escocês David Hume. Sob o ponto de vista sociológico, o suicídio é um ato que se produz no marco de situações anômicas(3), em que os indivíduos se veem forçados a tirar a própria vida para evitar conflitos ou tensões inter-humanas, para eles insuportáveis. Em verdade para os espíritas o "suicídio é o ato sumamente covarde de quem opta por fugir, despertando em realidade mais vigorosa, sem outra alternativa de escapar"(4). O suicida não quer matar a si próprio, mas alguma coisa que carrega dentro de si e que, sinteticamente, pode ser nominado de sentimento de culpa e vontade de querer matar alguém com quem se identifica. Como as restrições morais o impedem, ele acaba se autodestruindo. Assim, o suicida mata uma outra pessoa que vive dentro dele e que o incomoda, profundamente. O pensador Émile Durkheim teoriza que a "causa do suicídio, quase sempre, é de raiz social, ou seja, o ser individual é abatido pelo ser social. Absorvido pelos valores [sem valor], como o consumismo, a busca do prazer imediato, a competitividade, a necessidade de não ser um perdedor, de ser o melhor, de não falhar, a pessoa se afasta de si mesmo e de sua natureza. Sobrevive de ‘aparências’, para representar um ‘papel social’ como protagonista do meio. Nessa vivência neurotizante, ele deixa de desenvolver suas potencialidades, não se abre, nem expõe suas emoções e se esmaga na sua intimidade solitária"(5). Curiosamente, há casos e casos. Em incêndios de edifícios, algumas pessoas presas em andares superiores, têm pulado para a morte, ante a proximidade das chamas. Não podemos considerar essa situação como um ato suicida. Há apenas um gesto instintivo de fuga. O calor, nessa situação, é tão intenso que, literalmente, pode levar a pessoa ao estado de absoluta inconsciência. Situação grave que merece ser analisada é a obsessão que pode ser definida como um constrangimento que um indivíduo, suicida em potencial ou não, sente, pela presença perturbadora de um obsessor (encarnado ou desencarnado). Há suicídios que se afiguram como verdadeiros assassinatos, cometidos por perseguidores desencarnados (e encarnados também). Esses seres envolvem de tal forma a vítima que a induzem a matar-se. Obviamente que o suicida nesse caso não estará isento de responsabilidade. Até porque um obsessor não obriga ninguém ao suicídio. Ele sugere telepaticamente ao ato, porém a decisão será sempre do autocida.

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A simples idéia, repetida várias vezes, leva o indivíduo à fascinação, à subjugação, e, por fim, ao suicídio. Emmanuel adverte que o suicídio é como alguém que “pula no escuro sobre um precipício de brasas. Após o ato, sobrevêm ao infeliz a sede, a fome, o frio, o cansaço, a insônia, os irresistíveis desejos carnais, a promiscuidade e as tempestades com constantes inundações de lamas fétidas”(6). Em verdade, "de todos os desvios da vida humana o suicídio é, talvez, o maior deles pela sua característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos homens, sem a luz da misericórdia"(7) Refletindo sobre a questão 945 de "O Livro dos Espíritos", que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida? Os Espíritos responderam: "Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes seria uma carga!"(8) O suicídio é a mais desastrada maneira de fugir das provas ou expiações pelas quais devemos passar. É uma porta falsa em que o indivíduo, julgando libertar-se de seus males, precipita-se em situação muito pior. Arrojado violentamente para o alémtúmulo, em plena vitalidade física, revive, intermitentemente, por muito tempo, as chicotadas de consciência e sensações dos derradeiros instantes, além de ficar submerso em regiões de penumbras, onde seus tormentos serão importantes para o sacrossanto aprendizado, flexibilizando-o e credenciando-o a respeitar a vida com mais empenho. Na literatura espírita encontramos livros que comentam o assunto. Temos como exemplo: "O Martírio dos Suicidas", de Almerindo Martins de Castro, e "Memórias de um Suicida", ditado pelo Espírito Camilo e psicografado por Yvonne A. Pereira. O mestre de Lyon, em o livro "O Céu e o Inferno" deixa enorme contribuição em exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual e, especificamente, no capítulo V, da Segunda parte, onde aborda a questão dos suicidas. Quando um indivíduo perde a capacidade de se amar, quando a autoestima está debilitada, passa a ter dificuldade de manter a saúde física, psíquica e somática. André Luiz explica que "os estados da mente são projetados sobre o corpo através dos bióforos que são unidades de força psicossomáticas, que se localizam nas mitocôndrias. A mente transmite seus estados felizes ou infelizes a todas as células do nosso organismo, através dos bióforos. Ela funciona ora como um sol irradiando calor e luz, equilibrando e harmonizando todas as células do nosso organismo, e ora como tempestades, gerando raios e faíscas destruidoras que desequilibram o ser, principalmente em atingindo as células nervosas"(9). O mais grave é que o suicida acarreta danos ao seu perispírito. Quando reencarnar, além de enfrentar os velhos problemas ainda não solucionados, verá

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acrescida a necessidade de reajustar a sua lesão perispiritual. Portanto, adiar dívida significa reencontrá-la mais tarde, com juros cuidadosamente calculados e cobrados, sem moratória. A questão 920, de O Livro dos Espíritos, registra que a vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores(10). Ante o impositivo da Lei da fraternidade, devemos orar pelos nossos irmãos que deram fim às suas vidas, compadecendo-nos de suas angústias, sem condená-los. Até porque, todos os suicidas, sem exceção, lamentam o ato praticado e são acordes na informação de que somente a oração em seu favor alivia as atrozes dores conscienciais em que se encontram e que lhes parecem eternas. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fontes: (1) Cf. informa a edição online do jornal de Hong Kong South China Morning Post. (2) Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Suic%C3%ADdio. (3) Anomia é um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno. (4) Franco, Divaldo, Momentos de Iluminação, Ditado pelo Espírito Joanna de Angelis, RJ: ed. FEB. 5) Durkheim, Emile. Título: El SUICÍDIO. P.imprenta: Tlahuapan, Puebla. Premiá. 1987. 343 p. Edición; 2a ed. Descriptores: SUICÍDIO. Sociología. Aspectos psicológicos. (6) Xavier, Francisco Cândido e Vieira, Waldo. Leis Do Amor, ditado pelo espírito Emmanuel, Ed. FEESP, 1970. (7) Xavier, Francisco Cândido, O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel RJ: Ed. FEB - 13ª edição pergunta 154. (8) Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2001, perg. 945. (9) Xavier, Francisco Cândido, Missionário da Luz, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB 2003. (10) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2002, pergunta 920.

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CERTAME DA IRREFLEXÃO ESPÍRITA Lemos reportagem da Revista Veja que nos deixou apreensivos. Informa a revista que “Uberaba é referência para aqueles que buscam estabelecer uma ponte com a vida após a morte. Nos fins de semana, ônibus de visitantes circulam pela cidade à procura das sessões públicas de psicografia. Quem vai aos centros espíritas da cidade quase sempre passou por grande trauma envolvendo a morte. Perdeu de forma trágica ou inesperada um filho, os pais ou um irmão. No ritual, o médium se comunica com esses parentes falecidos, recebe deles uma mensagem e a transcreve no papel.”(1) (!!!) O jornalista diz que os procedimentos são bem parecidos em todos os centros. “Os interessados em receber mensagens do plano espiritual devem preencher uma ficha com dados básicos (nome, parentesco, data de nascimento e de morte) da pessoa com quem deseja se comunicar. Em seguida, o médium se fecha numa sala, onde analisa as fichas e tenta estabelecer contato com os espíritos dos mortos. Depois dessa seleção, senta-se em frente à mesa, concentra-se e começa a psicografar. Em média, de cinco a seis cartas são escritas por sessão. Enquanto ele preenche as páginas em branco – trabalho que demora uma hora e meia, para todas as mensagens –, outros membros do centro discursam aos presentes sobre assuntos da fé e da espiritualidade, com base em passagens dos livros kardecistas. Ao final da psicografia, o médium faz a leitura pública das mensagens. Como os garranchos são incompreensíveis, a leitura é gravada.”(2) A matéria jornalística cita os familiares de desencarnados que esperam alguma “notícia” do além preferentemente do próprio parente falecido. Estão tentando plagiar os trabalhos que Chico realizava com seriedade. Substituem a simplicidade e a espontaneidade dos fenômenos mediúnicos por promessas de supostas consolações advindas do “além”. Sabemos que o intercâmbio com o além-tumba assemelha-se a ligação telefônica (como dizia Chico Xavier), em que na Terra somos apenas o receptor; o “além” decide as circunstâncias, local, horário, duração e o tema. Diante disso, é bastante inoportuna e reprovável “prestação de serviços sob encomenda” que alguns centros espíritas mal orientados promovem, obtendo “comunicações” mediante o pleito da família do “morto”. Nem precisaria perder muito tempo para afirmar que

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existem riscos de vários matizes nesses comportamentos malsãos e de intolerável imprudência. Os gênios das trevas estão sempre prontos para a aproveitar da nossa menor fragilidade moral para nos induzir ao erro, ao ridículo, ao risível, equívocos que esmagam qualquer boa intenção. Há poucos meses a contestadíssima reportagem da revista Superinteressante sobre Chico Xavier foi criticada oportunamente por seus erros, omissões e parcialidade, mas teve inegáveis méritos; uma leitora informou ter pedido, em uma casa espírita, a comunicação de um avô inventado, e “conseguiu”. Foi o bastante para a desditosa irmã lançar o anátema sobre toda a Doutrina qualificando-a de charlatanice, para mergulhar voluntariamente na ignorância trevosa, certamente deletéria a si mesma. Obviamente, para o espírita honrado, é uma advertência valiosa: a zombaria dos irmãos encarnados e desencarnados não respeita limites. Uberaba reflete muito do que ocorre nos muitos centros espíritas do País. Os atavismos herdados das existências passadas, em muitos confrades, que se elegeram ou foram eleitos líderes por si mesmos, atualmente, não têm aguentado o peso da responsabilidade pelo exercício da tarefa doutrinária que lhes dizem respeito, e, obsedados com o afã organizacional, se afastam dos conteúdos kardecianos. “Às preocupações em torno da caridade fraternal em referência aos infelizes de todo porte, entregam-se à conquista de patrimônio material e de projeção social, vinculando-se aos políticos de realce, nem sempre portadores de conduta louvável, para partilharem das migalhas do mundo em detrimento das alegrias do reino dos céus.” (3) Ao estudo sério das obras básicas, sucede-se a fanfarra e o divertimento em relação ao público que busca as reuniões, “em atitudes mais compatíveis com os espetáculos burlescos do que com a gravidade de que o Espiritismo se reveste. Ouvem-se as mensagens dos Benfeitores espirituais, comovendo-se com as suas dissertações, e logo abandonando-as dominados pela alucinação da frivolidade.” (4) Observamos confrades que escravizam-se ao poder, como se fossem insubstituíveis, iludidos de que as enfermidades e a desencarnação os desalojam das funções que pretendem preservar a qualquer preço. O tecnicismo complicado vem transformando os centros espíritas e órgãos federativos em Empresas dirigidas por executivos “brilhantes”, mas sem qualquer vínculo moral com os postulados doutrinários. Divisões que se vão multiplicando por setores, por especializações dos profissionais ["associações espíritas" de magistrados, médicos, jornalistas, pedagogos, psicólogos etc] "ameaçam, em elitismo injustificável, a unidade do corpo doutrinário, olvidando-se daqueles que

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não possuem títulos terrestres, mas que são pobres de espírito, simples e puros de coração.” (5) O leitor amigo conhece "associações espíritas" de lavadeiras, garis, empregadas domésticas, faxineiras, babás, ambulantes, ascensoristas ? por que, não?!... Muitas instituições kardecianas não disponibilizam tempo (consumido pelo vazio exterior), para a assistência aos sofredores e necessitados que aportam às suas portas, “relegados a segundo plano, nem para a convivência com os pobres e desconhecedores da Doutrina, que são encaminhados a cursos, quando necessitam de uma palavra de conforto moral urgente....Os corações enregelam-se e a fraternidade desaparece." (6) Não podemos esquecer que estamos comprometidos, desde antes da reencarnação, com o Espiritismo que agora conhecemos. Tenhamos cuidado! Evitemos conspurcá-lo com atitudes antagônicas aos seus ensinamentos e imposições não compatíveis com o seu corpo doutrinário. “Retornar às bases e vivêlas, qual o fizeram Allan Kardec e todos aqueles que o seguiram desde o primeiro momento, é dever de todo espírita que travou contato com a Terceira Revelação judaico-cristã, porque o tempo urge e a hora é esta, sem lugar para o campeonato da insensatez." (7)(grifei) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências: (1) Revista Veja. Edição 2170- 13 de junho de 2010. (2) idem. (3) Trecho de mensagem psicografada por Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 17 de julho de 2006, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia. (4) idem. (5) idem. (6) idem. (7) idem.

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ITATIRA - SURTO GENERALIZADA?

MEDIÚNICO

COLETIVO

OU

HISTERIA

Alguns estudantes, (a maioria meninas), viveram instantes de pânico ao entrarem em transe na Escola de Ensino Fundamental do Distrito de Cachoeira, no Município de Itatira, no estado do Ceará. O episódio está deixando as autoridades da localidade sem uma explicação. Durante o transe psíquico as jovens sentem dores musculares, de cabeça, asfixia no sistema respiratório, palidez, calafrio, dificuldades para caminhar, náusea, paralisia muscular, aumento nos batimentos do coração, pressão alta, desmaio, inquietação e medo de morrer. Após crise, os alunos se recuperam e voltam a conversar normalmente, como se nada tivesse acontecido. Na tentativa de conter o avanço do fenômeno, um líder religioso foi convidado para orar na própria escola. Mas, no momento da preleção, o que se viu foi à repetição dos transes por diversas vezes. O religioso justificou a ineficácia de sua presença dizendo que a sua Igreja é prudente nesses casos. Para ele é preciso analisar mais detalhadamente o fato. A Igreja só emite opinião depois de um estudo “aprofundado”. Um representante de outro credo religioso afirmou que pode ser uma força espiritual que está agindo dentro da escola, já que da unidade educacional três jovens morreram em acidentes. "Talvez eles estejam vagando precisando de reza”, opinou. Uma das estudantes relatou que, na crise, é tudo muito rápido, começa com um calafrio, depois as mãos ficam trêmulas, os batimentos do coração ficam acelerados, dá sede, um sufocamento toma conta do tórax, as pernas não seguram o corpo e aos poucos vem o desmaio. “Quando volto ao normal, não dá para relembrar de nada", afirmou. Estamos diante de um fenômeno mediúnico coletivo ou um surto de histeria psicótica? O médico do hospital que atendeu as jovens disse que elas chegaram apresentando histeria, gritando, debatendo-se e com comportamento agressivo. Afirmou que a histeria coletiva tem uma explicação científica. Esses fenômenos acontecem em contextos em que há muita tensão, sofrimento não-verbalizado, argumentou. O fenômeno é uma histeria coletiva disse o clérigo. "De repente, uma aluna surtou e isso contagiou as demais garotas". Pasmem(!) O sacerdote afirmou que os

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fenômenos de Itatira são totalmente humanos e classificados pela parapsicologia “oscarquevediana” de "psicorragia" ou "hemorragia psíquica.(!!??...) Obviamente analisaremos o drama dos alunos sob a ótica espírita. A mediunidade é uma faculdade humana e pode eclodir a qualquer momento. No caso de Itatira, alguns alunos dizem ver o espírito de um aluno desencarnado, chegando a descrevê-lo, vestido com calças de canga azul e uma camisa. Quando o “morto” aparece, os alunos, (principalmente as meninas), começam a tremer, a contorcer-se, entram em transe e a partir daí o pavor toma conta delas e desmaiam. O assunto nos remete ao mês de março do ano de 1857, quando na comuna de Morzine, situada na Alta Sabóia, leste da França, com aproximadamente 2.500 habitantes, encontrava-se, segundo os noticiários da época, sob a influência de uma desconhecida epidemia psíquica. As autoridades francesas designaram o pesquisador Constant, para que investigasse o fato. Após analisar os fenômenos, Constant elaborou um relatório em cujos tópicos curiosos destacamos: “de repente sobrevêm sobre as pessoas bocejos, espreguiçamentos, tremores, pequenos solavancos nos braços; pouco a pouco, em curto espaço de tempo, como por efeito de descargas sucessivas; batem nos móveis com força e vivacidade, começam a falar, ou antes a vociferar; no transe as moças têm uma força desproporcional à idade, pois são precisos três ou quatro homens para conter, durante a mesma, meninas de dez anos; deram respostas exatas a perguntas feitas em línguas por elas desconhecidas; após a crise, as meninas não têm qualquer lembrança do que disseram ou fizeram”. Com esse farto material, sob a ótica espírita, não hesitaríamos em identificar claras evidências de um legítimo enredo obsessivo; no entanto, assim concluiu o pesquisador: “parece ser uma possessão demoníaca, crise histero-demoniomania coletiva. Tratar-se-ia, segundo o diagnóstico proposto, de uma intrigante histeria coletiva, agravada pela fixação na figura demoníaca.(!!??...) Em decorrência do relatório do senhor Constant recorreu-se aos tradicionais procedimentos de expulsão demoníaca, a cargo das autoridades religiosas. Tentaram um exorcismo coletivo na igreja local, todavia, as jovens entraram em crise ostensiva simultaneamente, derrubando e quebrando o mobiliário do templo, lançando-se ao chão entre homens e crianças que, em vão, tentavam contê-las. Posteriormente, tentou-se o exorcismo a domicílio, porém não surtiu nenhum efeito. O interessante fenômeno coletivo de Morzine fez com que Kardec solicitasse orientação específica ao Espírito São Luiz e o mentor da Sociedade Espírita de Paris explicou o seguinte: "Os possessos de Morzine estão realmente sob a influência dos Espíritos sofredores, atraídos para aquela região por causas que conhecereis um dia, ou melhor, que vós mesmos reconhecereis um dia. O conhecimento do Espiritismo

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ali fará predominar a boa influência sobre a má fé, isto é, os Espíritos curadores e consoladores, atraídos pelos fluidos simpáticos, substituirão a maligna e cruel influência que desola aquela população. O Espiritismo está chamado a prestar grandes serviços. Será o curador dos males cuja causa era antes desconhecida e ante às quais a ciência continua impotente. Sondará as chagas mortais e lhes ministrará o bálsamo reparador; tornando os homens melhores, deles afastará os Espíritos doentes atraídos pelos vícios da humanidade. Se todos os homens fossem bons, os Espíritos violentos deles se afastariam porque não poderiam os induzir ao mal. A presença dos homens de bem os faz fugir. A dos homens viciosos os atrai, ao passo que se dá o contrário com os bons Espíritos. Assim, sede bons, se quiserdes ter apenas bons Espíritos em redor de vós.”(1) Como percebemos, os fenômenos de Morzine se mostram atuais. Importa, portanto, que, diante de tão elucidativas afirmações pertinentes à temática, nos abstenhamos de responsabilizar somente os Espíritos momentaneamente imersos nas sombras por todos os dissabores e infortúnios que nos visitam a existência, reconhecendo que processo obsessivo é fenômeno de sintonia, sobretudo mental, em que ondas semelhantes se entrelaçam, fazendo com que os afins se atraiam, ainda que circunstancialmente. Para a Doutrina Espírita o esclarecimento dos encarnados, o amparo e consolo dos espíritos desencarnados em sofrimento poderiam acalmar as coisas em Itatira, sem maiores estardalhaços. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fonte: Kardec, Allan R e v i s t a E s p í r i t a, ano VI, maio de 1863, vol. 5, (mensagem ditada pelo Espírito S. Luiz através da médium sra. Costel em reunião na SEEP).

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SUGESTÕES DOUTRINÁRIAS PARA A INSTITUIÇÃO ESPÍRITA (Republicação) Reunimos na formatação deste trabalho, à guisa de sugestões e subsídio, às atividades dos Centros Espíritas, algumas lições dos Mentores espirituais e, principalmente, as recomendações contidas no opúsculo “Orientação ao Centro Espírita”(1), publicado pela Federação Espírita Brasileira. Lembrando que, em função das realidades próprias de cada Centro Espírita, poder-se-á aceitá-las e/ou adotá-las, parcial ou totalmente, consoante suas conveniências e necessidades. Cumpre-nos esclarecer, primeiramente, a diferença entre Doutrina Espírita e Movimento Espírita. Doutrina Espírita é um conjunto de conhecimentos científicos, filosóficos e morais, além de uma estrutura metodológica e tem como base o estudo do Espírito e sua comunicação com o homem. O Movimento Espírita, por sua vez, é o conjunto de ações e interações humanas vinculadas ao Espiritismo. Desenvolve-se através de atividades realizadas pelos Centros Espíritas, pelo movimento de unificação, pelas editoras, pelas instituições assistenciais, etc. As nossas argumentações são destinadas aos dirigentes, aos médiuns, aos colaboradores e, também, aos que freqüentam a Casa Espírita, para incentivá-los a algumas reflexões prático-didáticas (2) e colaborar nas suas diversas tarefas doutrinárias. Uma instituição espírita só alcançará, plenamente, seus objetivos se as aspirações de cada trabalhador se consubstanciar num único objetivo, ou seja, no “amai-vos uns aos outros”, observadas a tolerância e a simplicidade de coração, como práticas de virtudes evangélicas. Não podemos esquecer, porém, que todos nós estamos sujeitos às influências do mal. Muitas vezes, a obsessão, o personalismo exagerado ou a ignorância de princípios fundamentais interferem na dinâmica do Centro e, para não ficarmos vulneráveis a essas sugestões, importa que vigiemos, sempre, nossas atitudes para com os nossos semelhantes, não confundindo liberdade, com deliberações particulares, com licença para praticar um “Espiritismo” exótico, e o que bem se entenda por Casa Espírita. “Para busca da unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as idéias espíritas” (3) é fundamental o Estudo Sistematizado da Doutrina, com programação, previamente, elaborada, com base na

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Codificação, recordando que “O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá (...)” (4) Emmanuel enfatiza que “a maior caridade que podemos ter para com a Doutrina Espírita é a sua própria divulgação”. (5) Sem proselitismos, claro! Daí a importância da reunião pública destinada a palestras ou conferências, para difusão do Espiritismo, no seu tríplice aspecto, através de explanações doutrinárias realizadas por integrantes do Centro, ou convidados, visando, neste caso, ao intercâmbio e à troca de experiência com outros grupos coirmãos. Nesse sentido, ressalte-se que a tribuna espírita deve ser oferecida, apenas, a pessoas que tenham conduta moral-evangélica segura, razoável conhecimento doutrinário e capacidade de comunicação (sem exigência, do dom da oratória) a fim de que possa inspirar confiança e respeito aos freqüentadores. Essas providências são imprescindíveis para que não ocorram pregações de princípios estranhos aos projetos espíritas, ressaltando-se, aqui, que é dever do dirigente da reunião esclarecer o assunto ao publico, com fundamento doutrinário, se o expositor se equivocar com afirmações estranhas. Nas páginas de “Conduta Espírita” (6), André Luiz dedica-nos espaço importante em profícuo comentário sobre os aplausos, que devem ser evitados após palestras. Para não gerar desentendimentos e desequilíbrios vários, que a harmonia seja favorecida pelo silêncio. Até porque, uma palestra não é show ou espetáculo para entretenimento. Orador consciente não espera e nem necessita de elogios e bajulações. Não permitir, que, da tribuna espírita, haja ataques ou censuras a outras religiões, bem como “Impedir (...) discussões de ordem política nos centros,”, [para que aí] não se transforme em palanque de propaganda política “(7). Dessa maneira, repelir justificativas de políticos oportunistas que “pretextem defender os princípios doutrinários ou aliciar prestígio social para a Doutrina, em troca de votos ou solidariedade a partidos e candidatos. O Espiritismo não pactua com interesses puramente terrenos “(8). Outro assunto a ser observado é com relação à reunião de desobsessão que, impreterivelmente, deve ser privativa, visando o auxílio aos Espíritos desencarnados e aos encarnados, envolvidos em dramas de reajuste. Outro detalhe importante, na defesa do Centro Espírita, contra as investidas das falanges de espíritos obsessores, é a oração, no início e no fim dos trabalhos. Porém, devem ser evitadas, quanto possível, sessões sistematizadas de desobsessão, sem a presença de dirigentes moralizados e com suficiente conhecimento doutrinário. Em que pese suas nuanças complexas, cada Templo Espírita deve e precisa possuir a sua equipe de servidores da desobsessão, destinada a socorrer as vítimas da desorientação

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espiritual”.(9) Infere-se, portanto, que desobsessão deve ser praticada no Templo Espírita, ao invés de ambientes outros, de caráter particular. O Centro Espírita é local de trabalho onde nos reestruturamos, despojando-nos dos vícios, transformando-nos para o bem e não um lugar para entretenimento, nem clube recreativo, e, muito menos, lugar para se exercer o "compromisso" da semana, desobrigando-nos da "prática religiosa”. Não admite, de forma alguma, paramentos, uniformes, e nem “imagens ou símbolos de qualquer natureza nas sessões” (10) para que seja assegurada a incolumidade da Fidelidade Doutrinária. Até porque, “os aparatos exteriores têm cristalizado a fé em todas as civilizações terrenas”. (11) Nas suas instalações, não existem cerimônias à consagração de esponsais ou nascimentos e outras práticas estranhas ao Espiritismo, tais como velórios, colações de grau, etc. Devem ser implementadas reuniões semanais, quinzenais ou mensais, com todos os trabalhadores que atuam nas diferentes atividades da Casa, a fim de se manter a unidade, tanto doutrinária quanto administrativa, e para que cada área de atuação obtenha os possíveis e melhores resultados. A direção do Centro Espírita deverá incentivar campanha para a implantação do “Culto do Evangelho” nos lares dos freqüentadores, principalmente nos dos recém-chegados, cabendo a uma equipe, devidamente preparada, prestar assistência e colaboração a esses cultos, em fase inicial, por meio de visitas programadas a essas famílias. Diz o Evangelho: “Então, perguntar-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? - Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? - E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? - O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes.”(12) Todo Centro Espírita deverá realizar serviço assistencial sem prejudicar sua finalidade essencial espírita, conjugando-se ajuda material com ajuda espiritual, e entendendo que toda e qualquer assistência material aos mais necessitados deva ser realizada sem prejuízo das atividades prioritárias do Centro, ou seja: tudo que diga respeito à nossa evolução moral e às necessidades dos nossos irmãos desencarnados. Havendo instituições espíritas instaladas próximas umas da outras, interessante seria que, unidas no mesmo ideal, fizessem, previamente, um levantamento sobre as necessidades do meio, para, em seguida, estudarem a viabilidade, ou não, de promoverem obras assistenciais que atendam, dignamente, irmãos carentes naquela região. É redundante dizer que é preferível fazer pouco, mas de boa qualidade, a se precipitar a maiores realizações dentro da improvisação e da imprevidência. No que refere às obras de maior envergadura, poderão ser desmembradas do Centro,

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constituindo-se entidade com personalidade jurídica própria, sem perda de seu caráter espírita, filiada, ou não, ao Centro Espírita de origem. E quanto aos Centros Espíritas recém-fundados e de pequeno porte, optarão por um serviço assistencial espírita eventual, sem criarem compromissos financeiros para o futuro, crescendo, segura e gradativamente, em suas formas de atuação, segundo os recursos humanos e financeiros disponíveis. Os departamentos responsáveis pelos trabalhos assistenciais devem apresentar, periodicamente, relatórios estatísticos e financeiros e demonstrativos dos donativos e contribuições recebidos. A colaboração financeira, em espécie ou em serviços, que descaracterize, a qualquer título, o cunho espírita da obra, deve ser evitada. Dessa forma, impõe-se uma rigorosa prudência na seleção dos meios de consecução dos recursos financeiros, evitando tômbolas, rifas, quermesses, bailes dançantes beneficentes ou outros meios desaconselháveis ante a Doutrina Espírita. O Centro Espírita, mantenedor de serviço assistencial a necessitados e enfermos, inclusive com receituário e distribuição de medicamentos, deverá ter, como responsável por ele, médico habilitado, em pleno exercício da medicina. A vivência do Evangelho é o objetivo a ser alcançado por toda a humanidade. Por isso, em resumo, o Centro Espírita, basicamente, precisa promover, com vistas ao aprimoramento íntimo de seus freqüentadores, o estudo metódico e sistemático e a explanação da Doutrina Espírita, no seu tríplice aspecto - científico, filosófico e religioso – consubstanciada na Codificação Kardequiana. Deve promover a evangelização de crianças e incentivar e orientar os jovens para o estudo e prática da Doutrina e lhes favorecer a integração nas tarefas da Instituição. Uma Casa Espírita precisa promover a divulgação da Doutrina, também, através dos livros já consagrados, selecionando as demais obras com responsabilidade; promover o estudo da mediunidade, visando oferecer orientação segura para as atividades mediúnicas; realizar atividades de assistência espiritual, mediante a utilização dos recursos oferecidos pela Doutrina, inclusive através de reuniões mediúnicas privativas de desobsessão; manter um trabalho de atendimento fraterno, através do diálogo, com orientação e esclarecimento às pessoas que buscam o Centro Espírita; promover o serviço de assistência social espírita, assegurando suas características beneficentes, preventivas e promocionais, conjugando ajuda material com ajuda espiritual, fazendo com que este serviço se desenvolva, concomitantemente, com o atendimento às necessidades de evangelização; incentivar e orientar a instituição sobre o Culto do Evangelho no Lar. O Centro Espírita precisa manter organização própria, segundo as normas legais vigentes, compatível com a sua maior ou menor complexidade, e precisa estar estruturado de modo a atender às finalidades do Movimento Espírita; estimular o

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processo de trabalho em equipe; zelar para que as atividades exercidas em função do Movimento Espírita sejam gratuitas, vedada qualquer espécie de remuneração. Deve possuir Atividades de Comunicação, a saber: promover a difusão do livro espírita; utilizar os meios de comunicação - inclusive jornais, revistas, boletins informativos e volantes de mensagens, rádio e televisão - na propagação da Doutrina Espírita e do Evangelho, de maneira condizente com os seus princípios. A propósito da Evangelização da Infância, Allan Kardec, na pergunta 383, de “O Livro dos Espíritos”, pergunta: “Qual, para o espírito, a utilidade de passar pelo estado de infância?” Obteve a seguinte resposta: “Encarnado, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.”(13) Nesse sentido, todo Centro Espírita e outras Instituições Espíritas, que lidem com crianças, deverão promover a evangelização da infância, com o objetivo de educar e iluminar a mente infantil através das orientações kardecianas. A Diretoria da Casa Espírita indicará, para as atividades de Evangelização da infância, um supervisor com experiência neste setor, que terá a incumbência de formar o grupo de evangelizadores. O trabalho de evangelização deverá funcionar semanalmente, com aulas ministradas no período ideal de uma hora, e poderá interromper as suas atividades por dois meses, se o considerar conveniente, a título de férias (janeiro e fevereiro, por exemplo). As obras infantis da literatura espírita, de autores encarnados e desencarnados, devem estar, sempre, disponíveis às crianças, colaborando de modo efetivo na implantação essencial da Verdade Eterna. “O livro edificante vacina a mente infantil contra o mal.” (14) Com relação à juventude, é fundamental que haja reuniões de Estudos Doutrinários e Atividades da Mocidade ou Juventude Espírita. Essa reunião deve congregar jovens, com idade aproximada de 13 a 25 anos, cujo objetivo é o estudo da Doutrina Espírita e atividades correlatas. As reuniões da Mocidade, no Centro Espírita, são imperiosas na vida da Instituição, porquanto, além de oferecerem aos jovens condições adequadas de estudo e aprendizagem da Doutrina Espírita, já os familiarizam com as atividades do Centro, preparando-os para os encargos que deverão assumir no futuro. É muito importante frisar que não deverá haver manifestação de Espíritos ou atividades mediúnicas nessas reuniões. Os jovens que necessitarem de assistência, nesse sentido, serão encaminhados às reuniões destinadas a atendimentos dessa natureza. Somente deverão fazer parte dessas reuniões os jovens que já adquiriram maturidade psicológica e conhecimento suficiente sobre os mecanismos da mediunidade.

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Jorge Hessen jorgehessen@gmail.com Fontes: (1) Orientação ao Centro Espírita representa a Conclusão do Conselho Federativo Nacional, da FEB, por resolução unânime, nos dias 4 a 6 de julho de 1980, em sua sede, em Brasília (DF), publicado em 1980, pela editora da FEB. (Diploma esse elaborado após vários anos de consulta a todo o movimento nacional da Doutrina, resultando assim de conselho marcantemente democrático) (2) O Centro Espírita é uma escola de formação espiritual e moral segundo "Orientação ao Centro Espírita", de 1980, editado pela FEB. Infere-se daí que também é consensual a convicção de que a Casa Espírita seja, ou deva ser, uma escola. Isto é, destinada a educar, formar e edificar almas, tendo por endereço pedagógico como educando todos os seus trabalhadores e freqüentadores. O Centro, exercendo a função básica de escola, leva o homem a trabalhar o seu mundo emocional, através do autodescobrimento, da reflexão. Dessa maneira é consensual a convicção de que o centro seja, ou deva ser, uma escola. Isto é, destinado a educar, formar e edificar tendo por endereço pedagógico como educando todos os seus trabalhadores e freqüentadores (3) Kardec, Allan. Obras Póstumas, RJ: Ed FEB, 1999 - Projeto 1868 (4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 1980 – 50 ª edição, Introdução, VIII (5) Xavier, Francisco Cândido. Estude e Viva, ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 1999, cap. 40 (6) XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Valdo. Conduta Espírita. Pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: FEB, 2001. (7) Idem. (8) Idem. (9) XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Valdo. Desobsessão. Pelo Espírito André Luiz, Rio de janeiro: FEB, 2000,INTRÓITO (10) XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Valdo. Conduta Espírita. Pelo Espírito André Luiz, Rio de janeiro: FEB, 2001 (11) idem (12) (MATEUS, 25:37 A 40.) (13) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1997, perg. 383 (14) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, RJ: Ed. FEB, 7 ª edição 1979

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VIVER SEM COMIDA E ÁGUA NA TERRA - É POSSÍVEL? Médicos e cientistas, liderados pelo neurologista Sudhir Shah, estudaram Prahlad Jani, de 82 anos de idade, um líder religioso da tradição Jainista. Prahlad passou dez dias em observação constante (sem comer e sem beber qualquer líquido) no Sterling Hospital, na cidade de Ahmedabad, na Índia. O velho guru afirma ter “vivido” sem comida e sem água ao longo das últimas 7 décadas, e que sobrevive graças à meditação e ao poder da sua mente.(!) Os médicos dizem não poder confirmar as alegações de Jani, mas a observação do seu feito no Sterling Hospital pode ajudar no aprendizado sobre o funcionamento do corpo humano. Apesar dessa situação inusitada não ser totalmente inédita na Índia, o líder Jainista tornou-se um dos mais célebres dos últimos tempos, por estar sendo estudado mais frequentemente pelos pesquisadores. O seu caso já foi estudado em 2003, no mesmo hospital de Ahmedabad, onde se constatou, à época, que Jani “não necessitou” comer e nem beber para sobreviver na experiência hospitalar. Nos exames feitos há 7 anos, entre análises da urina, sangue, ecocardiogramas e eletroencefalograma, verificou-se que o desenvolvimento do cérebro do líder Jainista corresponde ao de um jovem de 25 anos. O universo místico da Índia não é objeto de pesquisa que me atrai muito, mas há muitos crédulos que explicam o caso em questão com o nome de “inédia”, isto é: um estado do homem caracterizado pela abstinência de comida, resultando em uma expansão da esfera consciencial na qual uma pessoa sobrevive. Em geral, segundo a crença, um ideal inediante não necessita comer ou beber para manter o corpo funcionando perfeitamente. Também denominam de respiratorianismo(1) ou seja, um conceito relacionado ao tema, que afirma que comida e até mesmo água não são necessários e é possível “viver” somente de energia. Um respiratoriano não consome nenhuma comida ou líquido, ele/ela precisa somente de energia e do ar para nutrir seu corpo. Mas há acusação séria aos divulgadores do respiratorianismo, porquanto têm levado pessoas crédulas a praticar uma dieta que pode ter consequências gravíssimas. Particularmente, confessamos que desconhecemos qualquer texto sério na área acadêmica que diz que podemos viver sem nos alimentar de comida física. O consenso científico atual sobre nutrição e o bom senso indicam que uma pessoa

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exposta ao tipo de dieta à base de ”ar” em curto prazo acabaria morrendo de inanição ou desidratação. Normalmente, segundo alguns, o ser humano resiste três ou quatro dias sem beber e uma semana sem comer. Há outros mais radicais, crédulos que a maioria das pessoas pode viver sem comida por várias semanas, pois o corpo usa suas reservas de gordura e proteína. Seguidores de faquires indianos e ascetas têm com frequência atribuído poderes extraordinários a eles, mas raramente esses poderes são submetidos à investigação científica rigorosa e sequencial. Em algumas religiões, o jejum (abstinência de alimentação) é uma prática muito comum, normalmente relacionada a conceitos de sacrifício e purificação. Jesus, de acordo com a tradição evangélica, jejuou por quarenta dias e quarenta noites no deserto.(2) No Hinduísmo, há os históricos jejuns que Mahatma Gandhi praticou por motivos sociais, religiosos e políticos. Em que pese ao André Luiz informar que desde que há vida na Terra, o homem se alimenta muito mais pela respiração do que pelo que chama "alimento de volume", ou seja, aquele constituído de matéria mais densa, que é complementar, o Benfeitor deixa muito claro que a necessidade de alimentação pelo homem é uma das circunstâncias que resultam de um automatismo biológico, pois o organismo corpóreo não prescinde da constante troca de substâncias, que se transformam em energia e que são necessárias ao curso do processo de crescimento e de reparação do desgaste natural a que se submete. (3) Ao desencarnar, o espírito não mais necessita dessa forma “sólida” de alimento, podendo se manter apenas pela respiração celular do seu corpo somático (perispírito). No entanto, quando o espírito, após a desencarnação, não consegue se desligar, mentalmente, das sensações vivenciadas no corpo físico, o seu psiquismo permanece preso ao mundo material, preservando a lembrança do automatismo biológico a que se acostumou. Não conseguindo reajustar-se de imediato à nova forma de vida, permanece preso às circunstâncias da vida terrena, donde a sensação de necessidade de alimentação para repor energia permanece. Para suprir essa necessidade, muitas vezes busca partilhar, psiquicamente, com encarnados que lhe são afins, as energias vitais destes. Muitas vezes esta situação leva à instalação de um processo obsessivo. A alimentação oferecida aos desencarnados em desequilíbrio, que ainda se encontram fortemente presos às necessidades terrenas, é de natureza fluídica, constituída de fluidos do mundo espiritual, porém assemelhando-se à utilizada na Terra, para que possa atender às suas necessidades. À medida que se eleva, o espírito passa a sentir menos necessidade desse tipo de alimento, que vai sendo fornecido em menor quantidade e constituindo-se de fluidos mais leves.(4)

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Podemos afirmar, portanto, que não há nenhuma evidência formal de que haja a possibilidade de alguém constituído de carne e osso sobreviver sem alimentação por tempo indeterminado. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fontes: (1) Segundo a crença hindu a palavra prana é a energia vital absorvida através da respiração e que tem origem no Sol. (2) Mateus cap. IV e Marcos cap. I (3) Chico Xavier/Waldo Vieira. Evolução em Dois Mundos, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 1996, 2a. Parte, cap. I, (4) A respeito da formação de alimentos e outros objetos do mundo espiritual, através da modificação das propriedades dos fluidos, ver capítulo VIII, da Segunda Parte, do Livro dos Médiuns, intitulado "Laboratório do mundo invisível".

O GENOMA SINTÉTICO ANTE A PERSPECTIVA ESPÍRITA Um grupo de 25 cientistas conseguiu gerar uma célula viva em laboratório, a partir da alteração das características genéticas. Fato que, segundo os pessimistas, abre caminho para a manipulação da vida numa escala talvez nunca alcançada.(!) Visando produzir a célula sintética(1), nos laboratórios em Rockville, Maryland, e em San Diego, os cientistas transformaram um código de computador numa forma de vida. Iniciaram com uma espécie de bactéria chamada Mycoplasma capricolum e, ao substituir seu genoma por outro escrito por eles, a transformaram numa variante de uma segunda espécie existente, chamada Mycoplasma mycoides. Os membros do grupo escreveram todo o código genético da criatura como um arquivo de computador, documentando mais de um milhão de pares base de DNA em um alfabeto bioquímico de adenina, citosina, guanina e timina. Editaram o arquivo, acrescentando um novo código, e então enviaram os dados eletrônicos para a empresa de sequenciamento de DNA - Blue Heron Bio, em Bothell, Washington, onde ele foi transformado em centenas de pequenos pedaços de DNA químico.

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Os pesquisadores garantem que a pesquisa bioquímica proporcionará melhorias para tecnologia de água limpa, criação de bactérias que se alimentam de petróleo, no caso de um eventual vazamento nos mares e oceanos, bactérias capazes de capturar gases causadores do efeito estufa como o dióxido de carbono (CO2), bactérias para produção de vacinas num período de tempo menor do que se gasta hoje para sua produção, entre outras inúmeras utilidades. Pode ser que os resultados tragam determinadas preocupações, e certamente será alvo de muitas críticas e polêmicas em torno da bioética, assim como ocorreu com os estudos sobre clonagem, sobretudo se caírem em mãos erradas, o que poderá ser utilizado como arma biológica, e teria efetivamente efeitos catastróficos para a humanidade. Por essa razão, há perplexidade e preocupação com o tal genoma sintético, e tem aqueles que destacam como um potencial devastador salto ao desconhecido. Na visão dos que pensam que tudo caminha para o pior, um organismo produzido com a expectativa de cumprir determinadas funções pode sofrer alterações a partir de seu contato com o ambiente, que vai criar variedades com funções muito diferentes, fugindo ao controle do laboratório. Outro voraz pesadelo dos pessimistas é o fantasma da eugenia. Evidentemente, a possibilidade de criar células artificiais com funções definidas dará início a uma delicada discussão sobre o uso ético da tecnologia. Mas, para muitos especialistas, a descoberta representa o início de uma nova era na biologia sintética e, possivelmente, na biotecnologia.(2) É bem verdade que no fim da primeira parte do Projeto Genoma, em fevereiro de 2001, muitas suposições científicas não se confirmaram. Descobriu-se que o genoma humano tem um número baixo de genes e que o citoplasma diz ao núcleo o que fazer e não ao contrário, como se supunha. Contudo, por mais que tentem barrar o caminhar da ciência ela não para, até porque há um campo enorme a ser explorado, em todas as áreas do conhecimento humano. É como se estivéssemos catando conchinhas na praia, enquanto há um imenso oceano a percorrer, há enorme extensão da nossa ignorância ante as leis naturais, lembrava Isaac Newton. Na condição de espíritas, sabemos que “o Espiritismo e a Ciência completam-se um ao outro; à Ciência sem o Espiritismo, fica impossível explicar certos fenômenos só com as leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, lhe faltaria apoio e controle."(3) Os Instrutores Espirituais afirmam, ainda, que “enxergamos apenas uma oitava parte do que acontece ao nosso redor, o que nos dá idéia do quanto a Ciência terá que avançar para descobrir as múltiplas dimensões da vida e o

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tipo de ‘matéria’ que entra na constituição de cada uma delas, o que significa decifrar os múltiplos arranjos da natureza.”(4) Temos convicção de que deve haver uma coexistência entre Ciência e espiritualidade, como novo paradigma acadêmico. Embora o Espiritismo trate de assuntos que escapam ao domínio das ciências clássicas, que se circunscrevem aos fenômenos físicos, Kardec, no Século XIX, escreveu que o "Espiritismo e a ciência se completam, reciprocamente".(5) O mestre de Lyon lembrou que "O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, ele se modificará sobre esse ponto; se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará."(6) Sobre o tema genoma sintético, cremos que toda a humanidade se beneficiará com as pesquisas dos abnegados cientistas que têm devotado suas vidas a descobertas fascinantes para melhorar a qualidade de vida no Planeta. A ciência progredirá sempre e será exercida, como usualmente, de forma compatível com o merecimento e desenvolvimento espiritual da humanidade. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fontes: (1) Apenas o genoma da célula é sintético - ou seja, a célula que recebe o genoma é uma célula natural, não sintetizada pelo homem. (2) O especialista em biologia sintética Paul Freeman, codiretor do EPSRC Centre for Synthetic Biology do Imperial College, em Londres, disse que o estudo de Venter e sua equipe pode marcar o início de uma nova era na biotecnologia. (3) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 2003, Cap. 1 (4) Essas citações espirituais vieram através do médium Francisco C. Xavier, mais particularmente, de 1943 a 1968, e constam dos livros: Os Mensageiros, cap. XV, (1944); Evolução em Dois Mundos, cap. III (1958); E a Vida Continua..., cap. 9 (1968). Nestes dois últimos, Chico Xavier teve a colaboração do então médium, Waldo Vieira (5) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 2003, Cap. 1, parágrafo 16, (6) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 2003, cap. 1, item 55

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TRISTEZA NÃO É DOENÇA PSIQUIÁTRICA, TRANQUILIZANTES PARA QUÊ? A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que a depressão será a doença mais comum do mundo daqui a 20 anos. Atualmente, 121 milhões de pessoas sofrem da doença. Porém, para o médico Miguel Chalub, há um certo exagero nesses números. Ele defende que tanto os pacientes quanto os médicos estão confundindo tristeza com depressão. Chalub, psiquiatra e uma das maiores autoridades brasileiras em depressão, afirma que, atualmente, qualquer tristeza é tratada como doença psiquiátrica. Os pacientes preferem recorrer aos remédios a encarar o sofrimento.”(1) Muitos médicos se rendem aos laboratórios farmacêuticos e indicam antidepressivos sem necessidade, exceto os psiquiatras que são os que menos receitam antidepressivos, porque estão mais preparados para reconhecer as diferenças entre a “tristeza normal" e a patológica, segundo Chalub. Muitos profissionais se deixam levar pelo lobby da indústria farmacêutica. Não se pode mais ficar entediado, aborrecido, chateado, porque isso é imediatamente transformado em depressão, afirma Chalub. É a medicalização de uma condição humana, a tristeza. É transformar um sentimento normal, que todos nós devemos ter, dependendo das situações, numa entidade patológica. Há situações em que, se não ficarmos tristes, é um problema – como quando se “perde” um ente querido. Mas o homem não aceita mais sentir coisas que são humanas, como a tristeza, explica Miguel. Para Chalub o que diferencia a "tristeza normal"da patológica é a intensidade. A tristeza patológica é muito mais intensa. A normal é um estado de espírito. Além disso, a patológica é longa. É o aperto no peito, dificuldade de se movimentar, a pessoa só quer ficar deitada, dificuldade de cuidar de si próprio, da higiene corporal. Na "tristeza normal", pode acontecer isso por um ou dois dias, mas, depois, passa. Na patológica, fica nas entranhas, informa Chalub. Quem mais receita antidepressivos não são os psiquiatras, são os demais médicos. Os psiquiatras têm uma formação para perceber que primeiro é preciso ajudar a pessoa a entender o que está se passando com ela e depois, se for uma depressão, medicar. Agora, os não psiquiatras, não querem ouvir. O paciente diz:

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“Estou triste.” O médico responde: “Pois não”, e receita o ansiolítico. Eis o problema! Muitos aflitos costumam recorrer aos tranquilizantes e se debatem aflitivamente para que a aflição não os alcance a vida cotidiana. É comum nos extasiarmos ante a beleza das estrelas do firmamento, em pedidos ao Criador, a fim de que a angústia não nos abata e nem nos alcance a caminhada, ou, ainda para que os sofrimentos desviem para outros rumos. Contudo, a realidade das provas e expiações ante os estatutos de Deus chega inexorável. Ante os ventos impetuosos dos açoites emocionais, nos sentimos vencidos e solitários. Mas, em realidade, o que parece infelicidade ou derrota pode significar intercessão providencial de Deus, sem necessidade, portanto, do uso de tranquilizantes para aliviar a dor. Em muitos momentos da existência, quando choramos lágrimas de angústias, os Benfeitores se rejubilam de “lá”, da mesma forma em que os pomicultores de “cá” descansam, serenos, após o labor do campo bem podado. A vida é assim! Essas lágrimas asfixiantes, muitas vezes representam para nós alegrias nas dimensões superiores da vida espiritual. Evidentemente nossos protetores do além não folgam porque estejamos em padecimentos atrozes, mas eles sabem exatamente que tal situação sinaliza possibilidades renovadoras no buril do nosso crescimento espiritual. Considerando a imagem figurada do campo, recordemos que para toda área de cultivo deve haver o tempo de arroteamento, limpeza e de ceifa necessários. Quando nos encontramos em estado de profunda tristeza, resultante de deslizes que cometemos impensadamente, ante a Lei de Ação e Reação, é natural que soframos os ressaibos amargosos da angústia que amontoamos sobre o coração e o cérebro; todavia, quando os grandes obstáculos e dores na luta diária nos surpreenderem o espírito, em situações que independem de nossa responsabilidade direta, nesta hora a angústia íntima que nos chega nos projeta para escalas superiores de evolução, se suportada com coragem e determinação, alegrando nossos amigos espirituais que se esmeram por nos amparar 24 horas por dia, pois ele veem o nosso esforço em superar com bom ânimo estes momentos angustiantes. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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O ESPIRITISMO DESEJÁVEL É AQUELE DAS ORIGENS, O QUE NOS FAZ LEMBRAR JESUS Circula pela Internet mensagem atribuída a Frei Beto. Pois bem! "se non e vero, e bene trovato" na essência é possível que sacerdote tenha dito: "as escrituras registram que Jesus passou a vida fazendo o bem, o mesmo se aplica a Francisco de Paula Cândido Xavier, o mais famoso kardecista brasileiro e um dos autores mais lido do País”. Segundo o frei “nos meios católicos contavam-se horrores a respeito do médium de Uberaba. Espíritas e protestantes eram "queimados" na fogueira dos preconceitos até que o papa João XXIII, nos anos 60, abriu as portas da Igreja Católica ao ecumenismo.” Arremata magistralmente o Frei: “Chico Xavier é cristão na fé e na prática. Famoso, fugiu da ribalta. Poderoso, nunca enriqueceu. Objeto de peregrinações a Uberaba, jamais posou de guru. Quem dera que nós, católicos, em vez de nos inquietar com os mortos que escrevem pela mão de Chico, seguíssemos, com os vivos, seu exemplo de bondade e amor". Como se vê os comentários são atribuídas a um respeitável religioso nãoespírita. E, quanto a nós, os espíritas!, como reconhecemos os valores morais de Chico Xavier? Realizando eventos (congressos) em sua homenagem, excluindo dos “banquetes pomposos” os espíritas pobres com fome de conhecimento? Como está o atual projeto ESPÍRITA brasileiro? Cremos que deva ser repensado as diretrizes das práticas doutrinárias no Brasil. Para esse escopo consideramos importante trazer para o tema as advertências de Chico Xavier publicado no livro Estudos no Tempo.(1) Observaremos a seguir que as palavras do Chico são atuais e ecoarão em nossa consciência doutrinária, convidando-nos a um urgente balanço geral, em torno do Movimento Espírita, cujo objetivo deve ser a de reviver o Cristianismo primitivo em sua simplicidade, e que tem na máxima, "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei", a sua expressão maior.(2) E não precisamos fazer um esforço “sobrenatural” para identificar, nas hostes espíritas, um indesejável ranço elitista. Por essa razão Chico alertou "é preciso fugir da tendência à "elitização" no seio do movimento espírita. É necessário que os dirigentes espíritas, principalmente os ligados aos órgãos unificadores, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar. É indispensável que estudemos a Doutrina Espírita junto às

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massas, que amemos a todos os companheiros, mas, sobretudo, aos espíritas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos com real espírito de compreensão e fraternidade."(3) Muitas lideranças doutrinárias complicam conteúdos que deveriam ser simples. Coincidentemente, o Cristianismo, durante os três primeiros séculos, era, absurdamente, diferente do Cristianismo oficializado pelo Estado Romano, no Século V. A chama brilhante, nascida na Galiléia, aos poucos, foi esmaecendo, até culminar nas densas brumas medievais. O que se observa, no Movimento Espírita atual, é a reedição da desfiguração do projeto inicial, de 1857. Os comprometidos com o princípio unificacionista brasileiro precisam manter cautela para não perderem o foco do Projeto Espírita Codificado por Allan Kardec, engendrando motivos à separatividade entre os adeptos do Espíritismo. Recordemos que a alma do Cristianismo puro estava estuante nas cidades de Nazaré, Jericó, Cafarnaum, Betsaida, dentre outras, e era diferente daquele Cristianismo das querelas e intrigas de Jerusalém. Insistimos no tema, lembrando que a ausência de simplicidade observada principalmente nos "centrões ESPÍRITAS", é lamentável, e, se não formos vigilantes, segundo Chico Xavier, "daqui a pouco estaremos em nossas casas espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais e confrades de posição social mais elevada. Mais do que justo é que evitemos isso (repetiu várias vezes) a "elitização" no Espiritismo, isto é, a formação do "espírito de cúpula", com evocação de infalibilidade, em nossas organizações."(4) Chico repreende-nos fraternalmente” quando comenta: "é indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos mensageiros divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios."(5) Na capital do País há grandes centros onde Kardec é um ilustre desconhecido. São centros que apresentam promessas ilusórias para supostas curas de todos os tipos de “males” físicos e espirituais com as mais estranhas terminologias. Além do que permanecem crescendo em quantidade de frequentadores distantes do conselho sábio de Chico Xavier: "o diálogo entre grupos reduzidos de estudiosos sinceros, apresenta alto índice de rendimento para os companheiros que efetivamente se interessam pela divulgação dos princípios Kardequianos."(6) Para os que estão comprometidos no projeto "unificacionista", evocamos o médium mineiro, que admoestou com energia: "deveríamos refletir em unificação, em termos de família humana, evitando os excessos de consagração das elites culturais na Doutrina Espírita, embora necessitemos sustentá-las e cultivá-las com

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respeitosa atenção, mas nunca em detrimento dos nossos irmãos em Humanidade, que reclamem amparo, socorro, esclarecimento e rumo. E acrescenta: "Não consigo entender o Espiritismo sem Jesus e sem Allan Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que os nossos princípios alcancem os fins a que se propõem."(7) Em verdade o Espiritismo sonhado por Kardec era o mesmo Espiritismo que Chico Xavier exemplificou por mais de setenta anos, ou seja, o Espiritismo do Centro Espírita simples, muitas vezes iluminado à luz de lampião; da visita aos necessitados, da distribuição do pão, da “sopa fraterna”, da água fluidificada, do Evangelho no Lar. Sim! O grande desafio da Terceira Revelação deve ser o crescimento, sem perder a simplicidade que a caracteriza como REVELAÇÃO. O evangelho é a frondosa árvore fornecedora dos frutos do amor. Urge entronizar a força da mensagem de Jesus, sem receio dos phd’s espíritas, os kardequiologos de vigília, sem temor das críticas dos espíritas de “gabinete”, dos aventureiros ideológicos que pretendem assumir ou assenhorear as rédeas do Movimento Espírita no Brasil. O Espiritismo desejável é aquele das origens, o que nos faz lembrar Jesus, ou seja, o Espiritismo Consolador prometido, o Espiritismo em sua feição pura e simples, o Espiritismo do povo (que hoje não pode pagar taxas e ingressar nos Congressos doutrinários), o Espiritismo dos velhos, o Espiritismo das crianças, o Espiritismo da natureza, o Espiritismo “debaixo do abacateiro”. Obrigado, Frei Beto! Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fontes (1) Xavier Francisco Cândido. Encontros No Tempo, SP: Ed. IDE, 2005 (2) Jo 13,34 (3) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense: "Um encontro fraterno e uma Mensagem aos espíritas brasileiros"). Da Obra "Encontros No Tempo" - Entrevistas Com O Médium Francisco Cândido Xavier, Assistido Pelo Espírito De Emmanuel. Organização E Notas: Hércio Marcos Cintra Arantes (4) idem (5) idem (6) Entrevista ao Jornal Unificação, de São Paulo/SP, e publicada em sua edição de julho/agosto de 1977, com o título: "Nosso jornal entrevista Chico Xavier"). Da

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Obra "Encontros No Tempo" - Entrevistas Com O Médium Francisco Cândido Xavier, Assistido Pelo Espírito De Emmanuel. Organização E Notas: Hércio Marcos Cintra Arantes (7) idem

ESPÍRITAS DESCOMPROMETIDOS COM O ZELO DOUTRINÁRIO Lamentamos por alguns espíritas que não fazem mal, mas também não praticam nenhum bem, e que por invigilância precipitam no ridículo, obstando a difusão do Espiritismo de que se dizem adeptos. Divulgam teorias estranhas, que perturbam a boa marcha doutrinária, sedimentam a dúvida em uns e o separatismo em outros. São espíritas que agem com frieza e sarcasmo, estampando no semblante variadas aparências enganadoras. Por imaturidade e descompromisso moral, idolatram “mentores” (divindades) que passam a evocar com seus esgares, e lhes brindam com rituais, sacrifícios, oferendas de todos os tipos; ofertam-lhes promessas vãs, entregam a alma (?), desejosos de obter vantagens para cuja conquista nada realizaram. Aspiram sempre à revogação dos Estatutos Divinos para suas conveniências. Crêem, cegamente, que seus “mentores” se encarregam de tudo, e prosseguem, esses títeres das obsessões, abrindo espaços n'alma para a instalação dos processos perturbadores que oxigenam o fanatismo. Sofrem profundos entraves intelectuais, quando se trata de assuntos doutrinários, mostram-se drasticamente emocionais. Não simpatizam com as propostas racionais, o que os impõem à anuência fácil de esdrúxulas fantasias, sem senso de ridículo, dependentes que se acham da fantasia mística e do pensamento concreto, com dificuldade para elaborar abstrações inteligentes. A princípio, tais confrades dissimulam estar compreendendo os fundamentos, os conceitos e as conseqüências morais do projeto kardeciano, até o instante em que passamos a observar-lhes o comportamento em relação à Doutrina Espírita. Aguilhoam-se a “guias poderosos”, passando a venerá-los e prestar-lhes culto irracional, deixando a eles (os “tais guias poderosos”) a tarefa de equacionar questões e interferir em assuntos nos quais a fobia fá-los indiferentes e omissos, impedindo-os de atuar de maneira coerente. É comum esses irmãos adotarem rituais, cantorias estranhas, enxertias tóxicas que aleijam o corpo doutrinário

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codificado por Allan Kardec. São aqueles que definitivamente não são da jurisdição espírita, que fomentam questiúnculas e antagonismos que ensombram a marcha do Movimento Espírita. Em verdade perturbamos a marcha do Espiritismo quando não lutamos pela reforma íntima. “Quando não trabalhamos nas obras assistenciais. Quando não estudamos Kardec. Quando exigimos privilégios. Quando fugimos dos carentes para não lhes ofertar alguns serviços. Quando especulamos com a Doutrina em matéria política [partidária]. Quando sacrificamos a família aos trabalhos da fé. Quando nos afligimos pela conquista de aplausos. Quando nos julgamos indispensáveis. Quando abdicamos do raciocínio, deixando-nos manobrar por movimentos ou criaturas que tentam sutilmente ensombrar a área do esclarecimento espírita com preconceitos e ilusões.” (1) O que aqui expomos é a identificação de aterrador espírito de descomprometimento, de falta de zelo para com o Espiritismo. Como pode isso ocorrer, quando sabemos que o Espiritismo nos apresenta um conjunto de princípios intrinsecamente impressionantes e vigorosos, capazes de dar sentido à vida, explicando a excelsitude do Criador diante da Sua criação, a exigir-nos mente aberta (embora atenta e cautelosa), amor à verdade e espírito de liberdade, para que consigamos penetrar e aprofundar os seus ensinamentos? Os confrades descomprometidos com a fidelidade doutrinária permitem que vigorem os achismos, os guiismos e os personalismos nas hostes espíritas, tãosomente para não ter que enfrentar as vaidades e o orgulho humanos, para não ter que se submeter ao “sim, sim, não, não”, consoante ao que ensinou o Cristo, para não se perturbar frente à ignorância ou perante outros descomprometidos. Para quem se empenha pela pulcritude doutrinária vale o sacrifício, sem contender com o mal, jamais. Porém, consciente quanto às atitudes a tomar no momento devido, quando falar e quando calar, sempre visando o aprimoramento, a iluminação, a ascensão, fugirá de errar por mero comodismo, omissão, e confirmará Jesus onde esteja, por meio dos roteiros de amor e luz que o Espiritismo aponta. Enquanto os dias de bom senso e de fidelidade a Kardec e a Jesus não chegam, cabe aos espíritas moralizados, conscientes e convictos, aqueles que sabem o porquê da própria crença, os que conseguem dimensionar as próprias necessidades e adotar ou manter posição íntegra, sem medo de pôr as coisas nos seus devidos lugares, vivenciar os conteúdos da extraordinária Doutrina, ainda que isso lhes custem agressões e ataques, indiferença e zombarias, sempre advindos de confrades moralmente apequenados em seus estágios de ilusão. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Fonte: (1) Xavier, Francisco Cândido / Vieira Waldo . Opinião Espírita, ditado pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz, São Paulo: Ed. Boa Nova, 2009

ALGUNS COMENTÁRIOS CEREBRAIS

ESPÍRITAS

ANTE

AS

FUNÇÕES

Nos últimos anos, a neurociência sofreu uma explosão no campo da pesquisa. A cada dia, surgem novas técnicas, como mapeamentos cerebrais, que podem fotografar instantaneamente o fluxo sanguíneo do órgão. "Todas as inovações ajudaram a revelar a organização do cérebro em detalhes."(1) Nosso cérebro representa, apenas, 2% do peso total do corpo, mas possui, segundo pesquisas atuais, aproximadamente, 100 bilhões de neurônios [células nervosas cerebrais], sendo que, em algumas de suas partes, para realizar suas funções, aglomera até 5 milhões de neurônios de uma só vez e é capaz de produzir cerca de 1.000 trilhões de conexões. Como os neurônios estão em atividade permanente, o consumo de energia é grande, motivo pelo qual o cérebro consome 20% do oxigênio diário, necessário para o corpo físico. Sabe-se, hoje, que o cérebro contém 78% de água, 10% de gordura, 8% de proteína, 1% de carboidrato, 1% de sal e 2% de outros componentes. No cérebro temos, no córtex, “os centros da visão, da audição, do tato, do olfato, do gosto, da palavra falada e escrita, da memória e de múltiplos automatismos em conexão com os mecanismos da mente, configurando os poderes da memória profunda, do discernimento, da análise, da reflexão, do entendimento e dos multiformes valores morais de que o ser se enriquece no trabalho da própria sublimação."(2) Os neurocientistas não têm mais medo de falar, publicamente, sobre consciência e como o cérebro produz a mente. Segundo pesquisadores, a experiência espiritual das pessoas pode ser explicada pela "ausência" de atividade em uma das regiões do cérebro, mas, especialmente no lóbulo parietal direito, onde se processa as preferências e gostos pessoais, e onde se "reconhecem as habilidades e os interesses

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amorosos da pessoa, portanto, responsáveis pela afirmação da identidade individual, segundo Brick Johnstone, da Universidade de Missouri-EUA."(3) Cameron Mott, 9 anos de idade, após ser submetida a complexa cirurgia do cérebro, teve alta um mês após a internação no hospital da Universidade Johns Hopkins. A menina teve quase 50% do cérebro removido por ordem médica(4). As únicas sequelas foram uma “pequena debilidade” nos movimentos e a perda da visão periférica. A sua recuperação surpreendeu médicos e familiares e contrariou a literatura médica. Atualmente a menina já consegue correr e brincar e faz planos para o futuro - quer ser bailarina! Mott era portadora de síndrome de Rasmussen, doença que vinha corroendo o lado direito de seu cérebro há seis anos, causando convulsões violentas. Na opinião médica, só poderiam ser evitadas sequelas mais agudas pela remoção da metade do cérebro da paciente. Segundo os cirurgiões, a recuperação de Cameron ilustra uma situação raríssima em que o cérebro promove uma "reconfiguração". Tal como ocorreu com Michele Mack, de 37 anos. Nascida com metade do cérebro, Michelle fala normalmente. O lado direito de seu cérebro se “reconfigurou” para assumir as funções típicas do lado esquerdo. Porém em seu caso as sequelas foram mais acentuadas: Mack tem dificuldades na compreensão de conceitos abstratos e se perde facilmente em lugares com os quais não tem familiaridade. Embora nossa experiência no mundo nos condicione de muitas maneiras, o cérebro, sem dúvida, possui uma capacidade espantosa de se reconfigurar de acordo com a informação que recebe de fora. Atualmente é consenso que a função cerebral mais básica é manter o restante do corpo físico vivo. Os processos envolvidos nessa tarefa, entretanto, são extremamente complexos. O cérebro apresenta 38 tipos de enzimas (neurotransmissores) tais como: dopamina, serotonina, endorfina, noradrenalina etc., além de tantas outras funções vitais. O cérebro humano constitui-se num verdadeiro arcabouço complexo de inúmeras reações de várias naturezas bioquímicas, eletroquímicas e magnéticas. E por ser tão complexo e tão importante, muitos materialistas do passado defendiam a tese de que os pensamentos vinham do cérebro. Se indagarmos a um materialista o que é mente, ele irá responder certamente que a mente é responsável pelos pensamentos. Mas será só isso? Vamos raciocinar como nos sugere o bom senso espírita. Se os pensamentos vêm da mente, logo a mente pensa! Se a mente pensa, logo a mente é pensante. Se é pensante, logo ela raciocina, ou seja, é inteligente. Ora, “a inteligência é um atributo do Espírito.” (5) Embora tentem explicar (só pelos fenômenos físicos), pela prática dos neurologistas, toda a classe de fenômenos intelectuais e até "espirituais", através das

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ações combinadas do sistema nervoso; e, em que pese a Ciência ter atingido certezas irrefutáveis, como, por exemplo, a de que uma lesão orgânica faz cessar a manifestação que lhe corresponde, e que a destruição de uma rede nervosa faz desaparecer uma faculdade, ela, porém, está infinitamente limitada para explicar os fenômenos do espírito. Em razão de semelhante situação, não podemos afastar a verdade da influência de ordem espiritual e invisível no cérebro. O cérebro é o meio que expressa a inteligência no mundo material. Por isso, a maioria dos estudiosos da mente humana faz da inteligência um atributo do cérebro. Há uma diferenciação significativa entre a pesquisa acadêmica com viés, nitidamente mecanicista, e a ciência espírita, pois, enquanto a ciência humana faz do cérebro o excretor da inteligência, a ciência espírita faz do cérebro um instrumento do espírito, que é o ser inteligente individualizado. O cérebro assemelha-se a complicado laboratório "onde o espírito, prodigioso alquimista, efetua inimagináveis associações atômicas e moleculares, necessárias às exteriorizações inteligentes." (6) Nervos, zona motora e lobos frontais, no corpo carnal, traduzindo impulsividade, experiência e noções superiores da alma, constituem campos de fixação da mente encarnada ou desencarnada. "Para que nossa mente prossiga na direção do alto, é indispensável se equilibre, valendo-se das conquistas passadas, para orientar os serviços presentes, e amparando-se, ao mesmo tempo, na esperança que flui, cristalina e bela, da fonte superior de idealismo elevado; através dessa fonte, ela pode captar, do plano divino, as energias restauradoras, assim construindo o futuro santificante."(7) “Os órgãos são os instrumentos da manifestação das faculdades da alma, manifestação que se acha subordinada ao desenvolvimento e ao grau de perfeição dos órgãos, como a excelência de um trabalho o está à da ferramenta própria à sua execução.”(8) “Encarnado, traz o Espírito certas predisposições e, se se admitir que a cada uma corresponda no cérebro um órgão, o desenvolvimento desses órgãos será efeito e não causa. Se nos órgãos estivesse o princípio das faculdades, o homem seria máquina sem livre-arbítrio e sem a responsabilidade de seus atos”.(9) Percebe-se pelas instruções dos espíritos que a causa dos impulsos cerebrais que levam o indivíduo a realizar um ato ou pensamento reside no espírito. O perispírito, em interação com o cérebro e o sistema nervoso, é responsável pela “ponte” entre o princípio inteligente do universo, essência da vida, e a sua manifestação no mundo material, o corpo físico. O Codificador busca dos Espíritos a justificação da relação entre os órgãos cerebrais e as faculdades morais e intelectuais (do Espírito), e deles recebe esta magnífica explicação: "Não confundais o efeito com a causa. O Espírito dispõe

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sempre das faculdades que lhe são próprias. Ora, não são os órgãos que dão as faculdades, e sim estas que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos".(10) Quando forem descobertas tecnologias muito mais sofisticadas, que nos possibilitem um exame aprofundado da estrutura funcional do perispírito, a medicina transformar-se-á radicalmente. Os hospitais, possuindo instrumentos de altíssima resolução, muito além daqueles que existem hoje, os diagnósticos serão, inequivocamente, precisos, o que possibilitará a cura real das doenças. Os profissionais da saúde trabalharão muito mais de forma preventiva, evitando, assim, por exemplo, as intervenções cirúrgicas alargadas, invasivas, realizadas, abusivamente, nos dias de hoje. Os médicos terão oportunidade de conhecer, com detalhes, a estrutura transdimensional do corpo perispiritual, compreendendo melhor o modo como se imbricam as complexas estruturas do psicossoma, nas chamadas sinergias, para melhor auxiliar na terapia e manutenção da saúde mentofísica-espiritual de seus pacientes. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fontes: (1) http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u318086.shtml, (2) Xavier Francisco Cândido/ Vieira Waldo, Mecanismos da Mediunidade, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2000, cap. IX (3) Publicado jornal científico "Zygon".SXC, novembro,2008 (4) Hemisferectomia (a extirpação cirúrgica de um hemisfério cerebral) realizada por neurologistas da Universidade Johns Hopkins (5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, 1 ª Parte, cap. IV, item 71 –“Inteligência e Instinto” (6) Xavier, Francisco Cândido. EMMANUEL, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001 (7) Xavier, Francisco Cândido. No Mundo Maior, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed.. FEB, 1997, cap. 4 (8) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, perg. 369 (9) idem (10) idem

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DOUTRINA ESPÍRITA QUER DIZER DOUTRINA DO CRISTO A convicção religiosa é importante, mas, se elegemos a Doutrina Espírita, como base de prática mediúnica, por exemplo, “não podemos negar-lhe fidelidade.”(1) Por isso é importante preservar a fidedignidade a Kardec nas funções educativas da mediunidade. Cremos que “só a Doutrina Espírita permite-nos o livre exame, com o sentimento livre de compressões dogmáticas, para que a fé contemple a razão, face a face”.(2) Considerando outros credos religiosos, sabemos que, se as religiões "preparam" as almas para punições e recompensas no além-túmulo, só os conceitos espíritas elucidam que todos colheremos conforme a plantação que tenhamos lançado à vida, sem qualquer privilégio na Justiça Maior. A Doutrina dos Espíritos, codificada pelo mestre de Lyon, nos oferece a chave precisa para a verdadeira interpretação do Evangelho e da mediunidade, por representar em si mesmo a liberdade e o entendimento. Estranhamente conhecemos confrades que afirmam ser o Espiritismo obrigado a misturar-se com todas as fantasias aventureiras de outros credos e com todos os exotismos religiosos, sob pena de fugir aos impositivos da fraternidade que veicula. Isso é falácia! É mister acautelar-nos sobre esse sedutor ecletismo, “buscando dignificar a Doutrina que nos consola e liberta, vigiando-lhe a pureza e a simplicidade para que não colaboremos, sub-repticiamente, nos vícios da ignorância e nos crimes do pensamento.”(3) O legado da tolerância cristã não nos exime da necessária advertência verbal ante às enxertias conceituais e práticas anômalas que alguns confrades intentam impor nas hostes kardecianas. Não obstante repelir as atitudes extremas, não podemos prescindir da vigilância exigida pela beleza dos postulados espíritas e não hesitemos, quando a situação se impõe, no alerta sobre a fidelidade que devemos a Kardec e a Jesus. Importa não esquecermos que nas mínimas concessões descaracterizamos o projeto da Espiritualidade. É óbvio que o esforço pela fidelidade doutrinária sem vivê-la é consolidar focos de confusão, impondo normas para os outros, despreocupados da própria vigília. Desta forma, para evitarmos determinadas práticas perfeitamente dispensáveis em nome do Espiritismo, entendamos que prática de fidelidade aos preceitos espíritas é processo de aprendizagem com

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responsabilidade nas bases da dignidade cristã, sem quaisquer resquícios de fanatismo, tendente a impossibilitar discussão sadia em torno de questões polêmicas. Não esqueçamos, entretanto, que médium espírita-cristão deve ser o nosso caráter, ainda mesmo nos sintamos em reajuste, depois da queda. Médium espírita-cristão deve ser a nossa conduta, ainda mesmo que estejamos em duras experiências. Médium espírita-cristão deve ser a marca do nosso ser, ainda mesmo respiremos em aflitivos combates conosco mesmo. Assumir compromissos, em qualquer área de ação dos arraiais espíritas, constitui possibilidade de engrandecimento espiritual, se compreendermos o caráter divino do Consolador Prometido. Lamentavelmente, contudo, no movimento espírita ainda existe enorme percentagem de confrades desinformados, relativamente à grandeza da Doutrina Espírita. Grande número de médiuns procura prazeres envenenados ante os apelos sedutores da vida terrena nesse particular. Os que se identificam, contudo, na perseguição à ilusão arrasadora vivem ainda distantes das legítimas noções de responsabilidade e devem ser colocados à margem de qualquer apreciação. Até porque os conceitos doutrinários não falam aos espíritos (infantilizados), embriões da espiritualidade, mas às inteligências e corações que já se mostram suscetíveis de receber-lhes a lição. Os médiuns, admitidos nos grupos espíritas, precisam compreender a complexidade e excelsitude do trabalho que lhes assiste. É compreensível que se interessem pelo mundo, pelos acontecimentos do dia a dia, todavia, é imprescindível não perder de vista que o compromisso no lar e junto ao centro espírita que frequenta é de grave responsabilidade, onde se deve atender aos desígnios divinos, no tocante aos serviços mais importantes que lhes foram conferidos. Receber encargos na mediunidade é alcançar nobres títulos de confiança. Por isso, educar e exercitar os atributos psíquicos e aperfeiçoá-los não é serviço do menor esforço. Muitos médiuns vivem desviados, através de vários modos, seja nos comportamentos místicos ou na demasia de exigência fenomênica. Todavia, à luz do Ensinamento do Cristo, caminharão todos no rumo da era do espírito, compreendendo que, se para ser médium são necessários profundos exercícios de disciplinas, à frente dessas qualidades deve brilhar o necessário esforço do equilíbrio. “Doutrina Espírita quer dizer Doutrina do Cristo. E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoamento moral em todos os mundos. Guardemo-la, pois, na existência, como sendo a nossa responsabilidade mais alta, porque dia virá em que seremos naturalmente convidados a prestar-lhe contas.”(4)

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Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fonte (1) Xavier, Francisco Cândido. Religião dos Espíritos, ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ:Ed. FEB, 2003. (2) idem. (3) idem. (4) idem.

SOLIDARIEDADE NA PERSPECTIVA KARDECIANA O que é solidariedade? Para os egoístas a palavra reverbera perturbadora. Incomoda porque o seu verdadeiro significado impõe mobilização de recursos em favor do próximo. Fundamenta-se em valores que não conseguimos quantificar. Mas, o que é ser solidário? É sentir a necessidade íntima de partilhar, é querer ir mais além, é perceber que a alegria de dar é indiscutivelmente superior à de receber; é estender a mão ao próximo sem olhar sua raça, condição gênero, conta bancária. A internalização do sentimento solidário torna-nos efetivamente pessoas melhores. A solidarização é o “sentimento de identificação com os problemas de outrem, o que leva as pessoas a se ajudarem mutuamente”(1). É uma maneira de assistência moral e espiritual que se concede a alguém, seja por simpatia, piedade ou senso de justiça. No sentido de laço de união fraternal que une as pessoas, pelo fato de serem semelhantes, chamamos de solidariedade humana. É compromisso pelo qual nos sentimos em obrigação umas em relação às outras, ou seja, é a interdependência e a reciprocidade. Infelizmente vivemos num ambiente social de quimeras postergadas, de sonhos frustrados, de mentes cansadas, numa sociedade de nódoas morais, de “mentes vazias” e atoladas nas futilidades hodiernas, isoladas no cipoal do “ego” enregelado. Vivemos completamente mergulhados na vida egocêntrica, que nos remete irreversivelmente à solidão. O Espírito Emmanuel ressalta que “a técnica avançou da produção econômica em todos os setores, selecionando o algodão e o trigo por intensificar-lhes as colheitas, mas, para os olhos que contemplam a paisagem

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mundial, jamais se verificou entre os encarnados tamanha escassez de pão e vestuário. Aprimoraram-se as teorias sociais de solidariedade e nunca houve tanta discórdia”(2). Os males que afligem a Humanidade são resultantes exclusivamente do egoísmo (ausência de solidariedade). A eterna preocupação com o próprio bem-estar é a grande fonte geradora de desatinos e paixões desajustantes. A máxima "Fora da Caridade não há Salvação"(3) é a bandeira da Doutrina Espírita na luta contra o egoísmo. A solidariedade é a caridade em ação, a caridade consciente, responsável, atuante, empreendedora. Os preceitos espíritas contribuem para o progresso social, deteriora o materialismo, faz com que os homens compreendam onde está seu verdadeiro interesse. O Espiritismo destrói os preconceitos “de seitas, de castas e de raças, ensina aos homens a grande solidariedade que deve uni-los como irmãos”(4). Destarte, segundo os Benfeitores espirituais, “quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade”(5). A recomendação do Cristo “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”(6) assegura-nos o regime da verdadeira solidariedade e garante a confiança e o entendimento recíproco entre os homens. A solidariedade na vida social é como o ar para o avião. O avião, apesar de toda tecnologia, se não tiver ar ele não voa. A prática desse sentimento vivifica e fecunda os germens que nele existem, em estado latente, nos corações humanos. A Terra, local de provação e de exílio, será pacificada por esse fogo sagrado e verá exercido na sua superfície a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação e o sacrifício, virtudes todas filhas do amor e da solidariedade. É imprescindível darmo-nos, através do suor da colaboração e do esforço espontâneo na solidariedade, para atender, substancialmente, as nossas obrigações primárias, à frente do Cristo(7). Ante as responsabilidades resultantes da consciência doutrinária, que nos impõe a superar a temática de vulgaridade e imediatismo ante o comportamento humano, em larga maioria, a máxima da solidariedade apresenta-se como roteiro abençoado de uma ação espírita consciente, capaz de esclarecer e edificar os corações, com a força irresistível do exemplo. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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Fontes: (1) Cf. Dicionário Caldas Aulete (2) Xavier, Francisco Cândido. "Fonte Viva" ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1992 (3) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. XV 4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, pergunta 799 (5) idem perg. (6) Jo 15.12 (7) Xavier, Francisco Cândido. "Fonte Viva" ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1992

AS ETAPAS DA DOUTRINA ESPÍRITA Kardec comenta na edição de dezembro da Revista Espírita de 1863, sobre as etapas do projeto Espírita na Terra.(1) Cita a primeira etapa como o da curiosidade (mesas girantes), a etapa seguinte o filosófico (com a publicação de O Livro dos Espíritos), a terceira etapa Kardec nominou de “período da luta”. Aqui evocamos o Cristo que disse: "Felizes os que sofrem perseguição por amor à justiça, porque deles é o reino dos céus.”(2) Para alguns estudiosos esse período iniciou em 09 de outubro de 1861, com o Auto-de-fé de Barcelona. Protagonizado por Antonio Palau y Termens, Bispo de Barcelona à época. Sob a ótica de Palau, os 300 volumes a saber: O livro dos espíritos, O livro dos médiuns, O que é o Espiritismo, Revue Spirite, Revue Spiritualiste, dirigida por Piérart, Fragmento de sonata, de Mozart (médium B.-Dorgeval), Carta de um católico sobre o Espiritismo (pelo dr. Grand, vice-cônsul de França), História de Joana d'Arc (médium Ermance Dufaux), A realidade dos espíritos demonstrada pela escrita direta (do Barão de Guldenstubbé) enviados por Kardec a Maurice Lachâtre, escritor e editor francês, eram contrários à moral e à fé católica, razão pela qual os volumes foram incinerados em praça pública. O período de luta permaneceu. A 16 de junho de 1875, Ministério Público francês moveu processo contra Pierre-Gaëtan Leymarie - na qualidade de sucessor

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de Kardec na gerência da "Sociedade para a continuação das obras espíritas de Allan Kardec" (antiga "Sociedade Anônima do Espiritismo") e da "Revue Spirite" (Leymarie ficou um ano preso e é considerado o primeiro mártir do Espiritismo). Na “Pátria do Evangelho”, durante o Governo Vargas (1941- 1945) foram expedidas portarias do Chefe de Polícia perseguindo às Sociedades Espíritas, inclusive com fichamento dos dirigentes espíritas. A Federação Espírita Brasileira teve suas portas fechadas (o Presidente da FEB – Antonio Wantuil de Freitas – foi interrogado no Ministério da Justiça por um General, um Almirante e o próprio Ministro). Em 1944 a viúva do escritor Humberto de Campos promoveu em Juízo uma ação declaratória contra a FEB e Francisco Cândido Xavier (perdeu em todas as instâncias). Segundo Kardec a etapa das lutas determinará uma nova fase do Espiritismo e levará ao quarto período, que será o período religioso. “No Brasil, especialmente, sem prejuízo dos demais aspectos da Doutrina, é inegável a inclinação da imensa maioria dos adeptos pelas consolações que ela proporciona, dando à Fé uma nova dimensão, conciliando-a com a Razão.” (3) É o Cristianismo, como expressão atualizada da Mensagem Eterna do Mestre, revivida no Consolador. Depois virá a quinta, etapa intermediária, conseqüência natural do precedente, e que mais tarde receberá sua denominação característica. O sexto e último período será o da regeneração social, que abrirá a era do espírito. Para o mestre lionês, nessa época, todos os obstáculos à nova ordem de coisas determinadas por Deus para a transformação da Terra terão desaparecido. A geração que surgir estará imbuída de idéias novas, estará em toda sua força e preparará o caminho da que há de inaugurar o triunfo definitivo da união, da paz e da fraternidade entre os homens, confundidos numa mesma crença, pela prática da lei evangélica. Mas, Francisco Thiensen, ex-presidente da FEB afirma que o Codificador apressou-se, por conta própria, em fixar o tempo para cada um dos períodos. Na verdade, estamos agora vivendo o período religioso do Espiritismo, máxima no Brasil, onde, faz mais de cem anos, "os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos", o têm apresentado qual ele é, na sua mensagem cristã e renovadora do espírito humano. Talvez já se avizinhe o período intermediário, que será, como esclarece o Codificador, "conseqüência natural do precedente", e, a nosso ver, deverá levar o homem a um novo passo no conhecimento de si mesmo e do chamado mundo invisível, a evidenciar para materialistas e negativistas empedernidos o princípio fundamental em torno do qual gira o nosso destino: Deus e a imortalidade da alma.”(4) Tenhamos bom ânimo! “Que importam as emboscadas que nos armem pelo caminho! Somente lobos caem em armadilhas para lobos, porquanto o pastor saberá

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defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras. Marchemos, pois, avante, sem desânimos! Diante de nós os grandes batalhões dos incrédulos se dissiparão, como a bruma da manhã aos primeiros raios do Sol nascente.”(5) O Mundo vive um crucial momento de transição de sofrimentos e de inquietações, atingindo-nos a todos. Em compensação, nas fileiras espíritas já existe a consciência de que soou a hora da grande arrancada para a Fraternidade, para a Compreensão. Ditosos seremos os que houvermos trabalhado no campo do Cristo, com desinteresse, sem mercantilismos doutrinários, sem elitismos e sem outro móvel, senão a caridade! Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Mestre Jesus, possa se dar por satisfeito ao encontrar respeitada ao limite máximo a obra do Amor entre os homens. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fontes: (1) Kardec, Allan. Revista Espírita, 1863, Editora Edicel. (2) Mateus, 5: 10-12 (3) Borges, Juvanir. Os Períodos do Espiritismo (artigo) disponível em http://www.Espírito.org.br/portal/artigos/diversos/movimento/periodos-doespiritismo.html (4) Zêus Wantuill & Francisco Thiesen. "Allan Kardec", vol. I,II,III, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1998 (5) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2008, Cap. XX, item 4

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COBRANÇA DE TAXAS E ELITIZAÇÃO DO ESPIRITISMO INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS "GRANDIOSOS” Allan Kardec escreveu na RE de novembro de 1858, que "jamais devemos dar satisfação aos amantes de escândalos. Entretanto, há polêmica e polêmica. Há uma ante a qual jamais recuaremos — é a discussão séria dos princípios que professamos. " É isto o que chamamos polêmica útil, pois o será sempre que ocorrer entre gente séria, que se respeita bastante para não perder as conveniências. Podemos pensar de modo diverso sem diminuirmos a estima recíproca. Que os dirigentes espíritas, sobretudo os comprometidos com órgãos “unificadores”, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar, conforme lembrava Chico Xavier. Devemos primar pela simplicidade doutrinária e evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades, prioridades, industrialização dos eventos doutrinários. Os eventos devem ser realizados, gratuitamente, para que todos, sem exceção, tenham acesso a eles. Os Congressos, Encontros, Simpósios, etc., precisam ser estruturados com vistas a uma programação aberta a todos e de interesse do Espiritismo, e não para servirem de ribalta aos intelectuais com titulação acadêmica, como um "passaporte" para traduzirem "melhor" os conceitos kardecianos. Não há como “compreender o Espiritismo sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.” (1) "A presença do elitismo nas atividades doutrinárias (...) vai expondo-nos a dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, para ricos, para intelectuais, para incultos.” (2) Infelizmente, alguns se perdem nos labirintos das promoções de shows de elitismo nos chamados “Congressos”. Patrocinam eventos para espíritas endinheirados, e, sem qualquer inquietação espiritual, sem quaisquer escrúpulos, cobram altas taxas dos interessados, momento em que a idéia tão almejada de “unificação” se perde no tempo. Conhecemos Federativa que chega a desembolsar R$. 90.000,00 (noventa mil reais); isso mesmo! 90 mil, para promover evento destinado a 3, 4, 5.000 (cinco mil) pessoas. A pergunta que não quer calar é: será que o Espiritismo necessita desses eventos "grandiosos"? Cobrar taxa em eventos espíritas é incorrer nos mesmíssimos e

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seculares erros da Igreja, que, ainda, hoje, cobra todo tipo de serviço que presta à sociedade. É a elitização da cultura doutrinária. Sobre isso, Divaldo Franco elucida na Revista O Espírita, edição de 1992, o seguinte: “é lentamente que os vícios penetram nos organismos individuais e coletivos da sociedade. A cobrança desta e daquela natureza, repetindo velhos erros das religiões ortodoxas do passado, caracteriza-se ambição injustificável, induzindo-nos a erros que se podem agravar e de difícil erradicação futura. Temos responsabilidade com a Casa Espírita, deveres para com ela, para com o próximo e, entre esses deveres, o da divulgação ressalta como uma das mais belas expressões da caridade que podemos fazer ao Espiritismo, conforme conceitua Emmanuel, através da mediunidade abençoada de Chico Xavier. Nos eventos essencialmente espíritas, deveremos nós, os militantes na doutrina, assumir as responsabilidades, evitando criar constrangimentos naqueles que, de uma ou de outra maneira, necessitem de beneficiar-se para, em assimilando a doutrina, libertarem-se do jogo das paixões, encontrando a verdade. O dar de graça, conforme de graça nos chega, é determinação evangélica que não pode ser esquecida, e qualquer tentativa de elitização da cultura doutrinária, a detrimento da generalização do ensino a todas as criaturas, é um desvio intolerável em nosso comportamento espírita.” (3) As Federativas Espíritas devem envidar todos os esforços para que não haja a necessidade de qualquer cobrança de taxa de inscrição dos participantes de Congressos, exceto em casos extremos (o que não é desejável obviamente), procurando fazer frente aos custos do evento. Para esse mister devem buscar viabilizar, previamente, os recursos financeiros através de cotização espontânea de confrades bem aquinhoados. Realizar promoções, doutrinariamente, recomendáveis para angariar fundos. Os dirigentes devem preservar o Espiritismo contra os programas marginais, atraentes e, aparentemente, fraternistas, que nos desviam da rota legítima para as falsas veredas em que fulguram nomes pomposos e siglas variadas. A Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Chico Xavier já advertia, em 1977, que "É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...).” (4)

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Não reprovamos os Congressos, Simpósios, Seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas, a Doutrina Espírita não pode se trancar nas salas de convenções luxuosas, não se enclausurar nos anfiteatros acadêmicos e nem se escravizar a grupos fechados. À semelhança do Cristianismo, dos tempos apostólicos, o Espiritismo é dos Centros Espíritas simples, localizados nos morros, nas favelas, nos subúrbios, nas periferias e cidades satélites de Brasília; e não nos venham com a retórica vazia de que estamos propondo, neste artigo, alguma coisa que lembre um tipo de “elitismo às avessas”. Graças a Deus (!), há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec. Assim, esperamos! Jorge Hessen http://jorgehessen.net/ jorgehessen@gmail.com Fontes: (1) Cf. Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979 (2) Editorial da Revista O Espírita, ano 11 numero 57-jan/mar/90. (3) Revista O Espírita/DF, ano 1992- Página “Tribuna Espírita” –Divaldo Responde pag. 16 (4) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.

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MOMENTOS HISTÓRICOS DA PESQUISA CIENTÍFICA ANTE A PERSPECTIVA ESPÍRITA A tecnologia está tão presente na vida cotidiana que não imaginamos o mundo sem a sua contribuição. Seja na informática (computadores), na telecomunicação (aparelhos celulares), na genética (pesquisas com células tronco), na biotecnologia (transgênicos), nas conquistas espaciais. A Ciência, propriamente dita, é uma conquista recente; não ultrapassa a três séculos, embora seus primeiros ensaios tenham começado na Grécia dos áureos séculos VI, V, IV a.C. Temo-la representada por Arquimedes, em cujas pesquisas deram base para a mecânica, por Pitágoras de Samos, por Tales de Mileto, por Euclides de Alexandria, no desenvolvimento da matemática e da estruturação numérica. Encontramos na Escola Jônica pesquisadores como Leucipo, Demócrito e Empédocles que explicaram os fenômenos naturais calcados na redução da matéria aos elementos físico-atômicos, expressando o mais avançado materialismo(1). Destacamos o filósofo Sócrates que superou em inteligência o seu professor Anaxágora, legando para a humanidade discípulos da envergadura intelectual de Antístenes, Xenofonte e Platão. No contexto, Aristóteles forçou explicar os fenômenos astronômicos sob o viés do geocentrismo cosmológico de Eudoxo (exaluno de Platão), em contraponto a Aristarco que caminhou pela instigante tese do heliocentrismo. Um milênio após essas apoteóticas realizações gregas, ocorreu, na Europa, a desagregação do Império romano, no século V, e a liderança cristã surgiu como elo de agregação dos “bárbaros invasores” e se transformou em Igreja soberana absoluta dos destinos “espirituais” no Ocidente. Nas suas hostes se destacaram pensadores quais Clemente, Orígenes, Tertuliano, Agostinho, ambos retomaram a filosofia platônica e contribuíram para a sustentação de uma ética rígida sob os auspícios da mística transcendente. No século IX, o imperador Carlos Magno incrementou as bases culturais fundando escolas e templos, e, a partir do século XI, são disseminadas, na Europa, universidades que se tornaram núcleos de reflexões filosóficas. No século XIII, Tomás de Aquino se destacou, propondo a síntese do cristianismo vigente com a visão aristotélica do mundo. Em suas duas Summae(2), sistematizou o conhecimento teológico e filosófico de então. No século XIV, a Igreja romana, sob

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os guantes tomasistas, entronizou uma teologia (fundada na revelação) e uma filosofia (baseada no exercício da razão humana) que se fundiram numa síntese definitiva: fé e razão, unidas em sua orientação comum rumo ao Criador. A tese de Aquino afirmava que não podia haver contradição entre fé e razão e estabeleceu o pensamento filosófico-teológico manifesto na truculenta filosofia do “Roma locuta causa finita”. Durante os séculos XV e XVI, intensificou-se, na Europa, a produção artística e científica. Esse período ficou conhecido como Renascimento ou Renascença. Enquanto nos séculos anteriores a vida do homem devia estar centrada em Deus (teocentrismo), a partir dos séculos XV e XVI, o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo). Os pensadores criticaram e questionaram a autoridade dessa autoritária Igreja romana. Nessa conjuntura a apropriação do conhecimento partia da realidade observada pela experimentação, pela constatação, e, por fim, pela teoria, decorrendo uma ligação entre ciência e técnica. No século XVII, a primeira grande teoria que se tem notícia na moderna ciência versou sobre a gravitação universal elaborada por Newton, desmembrada das leis dos movimentos planetários de Kepler e na Lei de Galileu sobre a queda dos corpos. No século XIX Marx Plank propôs a teoria do Quantum. No século XX, Albert Einstein resignificou a teoria da relatividade (3) e outros pressupostos das teses newtonianas sobre a gravitação universal, chegando a conclusões inusitadas na abordagem sobre as realidades do micro ou do macrocosmo, sobretudo no que reporta a tempo e espaço na dimensão material. Até então, a física tradicional era considerada a chave das respostas da vida no mundo palpável, estribada no determinismo mecanicista. Todavia, na década de 1920, as pesquisas de Brooglie, no universo da física quântica, redirecionaram o pensamento científico na formulação heisenberguiana do “princípio da indeterminação ou da incerteza” e com ele irrompeu-se um “irracionalismo” na ciência redimensionando a distância do homem das realidades naturais da vida. O pesquisador não podia mais afirmar que nada existia na vida que a ciência não explicasse e que todas as coisas, fenômenos e ocorrências poderiam ser esclarecidos através de causas materiais. Em meio a essas trajetórias históricas, surge, no cenário terrestre, no século XIX, a personalidade luminosa de Allan Kardec, que, inspirado pelos Benfeitores do Além, sentenciou: “Fé verdadeira é a que enfrenta frente a frente a razão em qualquer época da humanidade”, esclarecendo os enigmas que desafiavam as inteligências daqueles mesmos que confiavam nos determinismos tecnicista do nec plus ultra acadêmico. Quem somos? Por que nascemos? Donde viemos e para onde vamos após a desencarnação? Eram questões que o racionalismo acadêmico não respondia na

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época. O Espiritismo surgiu num momento de descobertas científicas e desequilíbrios morais, trouxe luz à própria razão que estava nublada momentaneamente pelos excessos dos seus arautos. Os primórdios da investigação científica tiveram início com a revolta contra a intolerância e o dogmatismo religioso, mas a arrogância do racionalismo fê-la camisa de força do conhecimento, arremessando-a nos mesmos descaminhos trilhados pelo agressivo e alienante dogma da Igreja. O mestre de Lyon afirmou em outras palavras que “o Espiritismo independe de qualquer crença científica ou religiosa e não propõe fora do Espiritismo não há salvação; tanto quanto não pretende explicar toda verdade, razão pela qual não propôs - fora da verdade não há salvação”(4). Os preceitos kardecianos consubstanciam-se no manancial mais expressivo das verdades eternas. A missão da Doutrina Espírita perpassa pelo processo de reerguimento do edifício desmoronado da crença cristã. Distante dos conflitos ideológicos, resultantes de batalhas estéreis no campo intelectual com o objetivo de endeusar o racionalismo para justificar “certezas” das chamadas ciências “exatas”, a lição espírita, como ciência da alma, representa o asilo dos aflitos que ouvem aquela misericordiosa exortação do Mestre: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. Porém, para que sejamos consolados, urge estarmos dispostos acompanhar o Cristo tomando-Lhe a cruz e seguindo Seus passos. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Fonte: (1) O materialismo teve seu berço na escola dos Charvacas, na Índia. (2) São elas a Summa Theologiae e a Summa Contra Gentiles. (3) Segundo alguns estudiosos,citando livros como o Sears e autores como Mc Kelvey, Howard e outros, a teoria da relatividade (hoje conhecida como clássica) é de Galileo Galilei e data do séc. XVIII, Einstein propôs em 1905, o generalização da Teoria da relatividade para o espaço sideral, já que os estudos de Galileu se resumiam ao espaço dito newtoniana, daí, ser conhecida como "Teoria da Relatividade Generalizada". Dez anos depois, é que ele, estudando certos fenômenos, escreveu um novo tratado ao qual deu o nome de "Teoria da Relatividade Restrita". (4) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, cap 15 item 9

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CRISTIANISMO SEM O CRISTO E O ESPIRITISMO Atualmente, muitos religiosos se enfrentam ferozmente. São os judeus e palestinos que se matam; são os seguidores de Buda e hinduístas quem se mantêm em luta milenar; são pseudocrístãos que se aniquilam em guerras absurdas, como se a Bíblia, o Evangelho, o Bhagavad Gita e o Alcorão fossem manuais de violência e, não, roteiro de iluminação espiritual. A defecção moral, da atual liderança religiosa, demonstra que a moralidade pregada reverbera como “melosa e hipócrita”, como disse Nietzsche. Sem líderes religiosos honestos, as propostas religiosas afastam pessoas, que sabem pensar, do sentimento de religiosidade superior e dão margem a que surjam críticos vigilantes, que desnudam seus erros, esmaecendo a esperança de almas primárias para a legítima fé. Historicamente, sabemos que Sigmund Freud colocou, na berlinda, antigos e violentos conceitos CRISTÃOS e “afirmou ser o Cristianismo um movimento inútil, um infantilismo das massas.” (1) O pai da psicanálise fez, das crenças, meros paliativos para neuroses individuais. O materialista Karl Marx, ao conhecer os “cristãos” (não o Cristo!), em sua profunda indignação, afirmou que o Cristianismo era o “ópio do povo” (2), ou seja, uma emanação do sistema de exploração da massa (capitalismo). Embora a Igreja Romana e as seitas protestantes reivindiquem a herança do Cristianismo dos primeiros cristãos, que seguiam mais de perto os ensinamentos do Cristo, esse Cristianismo puro já não existe há muitos séculos. O Cristianismo, que talvez exista em nossa sociedade, é, apenas, residual. O legítimo Cristianismo não chegou ao Século IV, exatamente, como em seus primeiros tempos, todavia, foi nesse período, sobretudo no Concílio de Nicéia, que recebeu um golpe de misericórdia. A partir de então, o decadente Império de Roma passou a reconhecer a Igreja oriunda desse Concílio, que, logo, tornou-se a religião oficial dos romanos, por decisão do Imperador Constantino e obrigatória, tanto para um terço dos cristãos, quanto para dois terços dos não-cristãos (bárbaros) do Império. O Cristianismo entrou em um mundo no qual nenhuma religião, até então, havia penetrado com tanta força. Nesses dois mil anos de dominação cristã, no Ocidente,

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vimos “uma fé caolha”, aliás, uma fé ser diluída, corrompida, deformada, e metamorfoseada em outra coisa, senão, negar a essência original, o Cristo. Foram dois mil anos de busca desenfreada do poder, de privilégios, de controle de reis e de príncipes, de usos e abusos da máquina pública em seu próprio favor, sempre, aliando-se ao que haveria de vencer. A História registra que muitos colocaram as máscaras de cardeais, arcebispos, bispos, sacerdotes e pastores, a fim de se esconderem, enquanto faziam atrocidades inimagináveis contra o próximo. O Cristianismo, sem Cristo, exerceu controle sobre a massa, cobrando impostos através dos dízimos; controle sobre os homens, promovendo o medo pelas punições eternas e temporais; controle sobre a devoção, manipulando esses sentimentos, transformando-os em um suposto temor a Deus. Atualmente, estamos assistindo ao surgimento de uma máquina pseudorreligiosa. Máquina, como nunca fora criada antes. Máquina de comunicação, de manipulação do “sagrado”, de venda de favores divinos (“milagres”), de hipnotização das pessoas ao poder e máquina que transforma a população, sem instrução, em um “rebanho de alienados”. Apropriou-se, indevidamente, do nome de Jesus para ludibriar os fiéis, mantendo Maquiavel como mentor dos seus preceitos ambiciosos. Nessa atrofia religiosa, eis que surge a Doutrina Espírita, propondo a reconstrução do edifício desmoronado da fé, exaltando a verdadeira moral do Cristo que, durante séculos, permaneceu perdida, precisando, mais que nunca, ser preservada. Com o Espiritismo, Jesus ressuscita das cinzas desse “igrejismo” decadente e é entronizado como meigo condutor dos sentimentos, cujas valiosas lições de amor brilham como archote transcendente de verdades perenes. O espírita, para colaborar na definitiva transformação moral do planeta, precisa pautar-se pelo desapego, pela humildade, pela simplicidade, lembrando, aos comprometidos com a tarefa de “unificação”, que não será com construções de Centrões Espíritas luxuosos; com disputas de cargos para militância políticopartidário; com brigas por cargos de destaque na Casa Espírita; com o vedetismo nas tribunas; com as questiúnculas dos simpósios e congressos “grandiosos”, atualmente, vilmente, industrializados; ou, furtando-se ao estudo de Kardec e ao serviço da caridade, que iremos mudar a opinião de agentes formadores de opinião, seguidores de Freud, Marx, Nietzsche e outros. Todos nós necessitamos palmilhar pela fé racional, a fim de compreendermos melhor o Espiritismo, todavia, reconhecemos, também, que não é a destruição inapelável dos símbolos religiosos aquilo de que mais necessitamos para fomentar a harmonia e a segurança entre as criaturas, mas, sim, a nova interpretação deles, até porque, “sem a religião, orientando a inteligência, cairíamos, todos, nas trevas da

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irresponsabilidade, com o esforço de milênios, volvendo, talvez, à estaca zero, do ponto de vista da organização material da vida do Planeta.” (3) Jorge Hessen www.jorgehessen.net Fontes: (1) Freud Sigmund. O Futuro de uma Ilusão, Rio de Janeiro: Editora Imago, 1997 (2) Marx Karl. O Capital, São Paulo: Ed. Centauro, 1997 (3) Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, em Uberaba/MG, na tarde de 18/08/71, para a reportagem da revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, publicada na edição de 1/09/71.

O CLONE HUMANO É UMA UTOPIA PATÉTICA? ALGUMAS ANOTAÇÕES KARDECISTAS A clonagem humana é defensável? Eis a questão! O assunto é intrigante e impõe debate mais amplo. Não há respostas definitivas para o problema. Qual a melhor atitude bioética diante dela? A resposta não é fácil. O tema ainda é assustador, todavia, invariavelmente, será uma prática rotineira nos séculos futuros, atendendo a cuidadoso planejamento que envolverá Espíritos encarnados e desencarnados. Atualmente, é complexo o assunto, por isso, suscita problemas e dúvidas. Para alguns, o clone (1) humano é uma utopia patética. Para os estressados, há um certo delírio que faz com que algumas pessoas pensem na possibilidade de se criarem indivíduos descerebrados na clonagem e depois armazenados para transplantes de órgãos. É uma sandice! Isso não nos deve preocupar. Outros acreditam que podem interferir no gene, no DNA e retirar a sensibilidade para fazerem indivíduos, totalmente, imunes à dor, mas, em verdade, isso não passa de "ciência-ficção. Contudo, “a busca de conhecimento é característica fundamental do Homem, ainda que muitas vezes proceda como um aprendiz de feiticeiro, sem domínio sobre suas próprias conquistas, em virtude de seu subdesenvolvimento moral.” (2) O geneticista Panayiotis Zavos tem, insistentemente, afirmado que implantou 11 embriões clonados em quatro mulheres e crê que, se ampliar os esforços atuais,

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poderá chegar ao primeiro bebê clonado em um ano ou dois. Para algumas autoridades, o procedimento de Zavos é um “brutal desvio de ciência genética”, por isso, o método é ilegal em vários países. Há alguns anos, Panayiotis não apresentou qualquer evidência da técnica e foi condenado como “irresponsável” por dar falsas esperanças a mulheres que não podiam ter filhos. Considerando-se que há um descarte de gigantesca quantidade de embriões, o método é, ainda, algo muito arriscado. A cada 100 tentativas, no mínimo 95 não prosperarão, deixando um rastro de abortos e mortes de gestantes; as cinco gestações que, eventualmente, prosperarem, provavelmente, não garantirão vida saudável para os clones, a começar pelo previsível envelhecimento celular precoce. Os métodos, ainda, estão muito distantes de êxito real; há, ainda, muito espaço a percorrer, haja vista os impedimentos éticos e legais que obstam os experimentos. Contudo, chegará o dia em que a clonagem será factível. Se não hoje, sem dúvida alguma no futuro. Os espíritas sabem que é o Espírito que dá vida inteligente ao corpo. Se um corpo humano for clonado a partir de uma célula de alguém já desencarnado, certamente será designado um Espírito para dar vida àquele corpo, mas é pouco provável que seja o do doador da célula. Mesmo que fosse o Espírito deste, seria uma nova vida e com nova missão. A vida não se repete. Os clones já existem de forma natural. Os gêmeos univitelinos, por exemplo, são uma clonagem da Natureza. Nesse caso, só um óvulo dará origem a dois seres, geneticamente, idênticos, mas com impressões digitais diferentes. São idênticos no ponto de vista genotípico, porque têm a mesma carga genética, mas não são iguais quanto à fenotipia. Um corpo poderá ser clonado perfeitamente igual, contudo, não se pode realizar o mesmo com a personalidade, raciocínio, lucidez e outros itens psicológicos, porque são do espírito. Na clonagem de seres humanos, teremos uma cópia de gens, absolutamente igual. Mas, quanto à sua personalidade, caráter, inteligência, índole, e tudo o que distingue um ser humano de outro, será, invariavelmente, diferente, guardando conformidade com o estágio evolutivo e a maneira de ser do Espírito reencarnante. Toda criança que vive “após o nascimento, tem, forçosamente, encarnado em si um Espírito, do contrário, não seria um ser humano”. (3) Assim, se a clonagem humana for sucesso, certamente, não produzirá robôs, mas seres autênticos. Pode o homem manipular óvulos e espermatozóides, mas jamais poderá determinar que alma irá habitar em um eventual clone. Nenhum pesquisador poderá “escolher” a alma que irá habitar no resultado de uma clonagem humana reprodutiva. Se nos basearmos, apenas, na palavra clonagem, nada encontraremos em Kardec, especificamente. Mas, com o Codificador, sem a menor dificuldade, deduzimos o quanto o Espiritismo tem de sabedoria, no seu tríplice aspecto de Ciência, Filosofia

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e Religião: os desdobramentos científicos, filosóficos e religiosos da clonagem lá estão. “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará” (4) O Livro dos Espíritos esclarece que na reencarnação o “espírito se une ao corpo no momento da concepção, isto é, no instante da formação do zigoto ou célulaovo.” (5) Segundo o Gênio de Lyon “essa célula inicial exerce sobre o espírito uma atração tão irresistível, que ele, geralmente, une-se a ela, instantaneamente, através de “um laço fluídico” do seu perispírito ou corpo sutil.”(6) André Luiz descreve “o instante da concepção ou fertilização como sendo o das primeiras movimentações do espírito na matéria, quando começa, então, a estruturar o novo corpo. Ele atua sobre a célula-ovo como um vigoroso modelo, como se fosse um ímã entre limalhas de ferro.” (7) Não há como duvidar que chegará o momento em que a genética encontrará recurso para clonar o ser humano, mas quando isso for possível, evidentemente o espírito reencarnará. Quando a ciência conseguir meios que facultem a reencarnação, o espírito se fará presente. Observemos que a fecundação "In Vitro" substituiu perfeitamente o organismo humano. Detalhe: Kardec não confirma que, apenas, no momento da fecundação o espírito pode se unir ao corpo. Ele afirma que no momento da fecundação isso ocorre, mas não somente neste. Este raciocínio deve ser aplicado caso a clonagem humana seja fatível. A reprodução humana, certamente, passará por mudanças consideráveis ao longo dos próximos séculos, por isso, não devemos nos surpreender com a clonagem reprodutora (8) e mesmo com as gestações em ambientes extra-uterinos. Destarte, novos conhecimentos espíritas precisam ser incorporados à Doutrina sobre um momento alternativo que o Espírito possa se unir ao corpo. Também, entendemos que o fato de a fecundação se dar fora do útero, em nada interferirá no processo de encarnação, pois este ovo gerado será implantado no útero materno e se desenvolverá normalmente. Para os especialistas espíritas, as indagações bioéticas continuam em aberto, aguardando progressos tecnológicos na área da pesquisa espiritual e, sobretudo, avanços humanos, no campo do amor e da misericórdia. Portanto, a clonagem humana será importante quando a Ciência estiver iluminada pelo conhecimento do espírito e trabalhando pelo engrandecimento espiritual da Humanidade. Jorge Hessen http://jorgehessen.net jorgehessen@gmail.com

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Fontes: (1) A palavra clone, tem origem etimológica grega – klón – que significa broto, ramo. O clone é um ser VIVO, que tem a mesma constituição genética de outro; é o “broto” da planta que, ao ser destacado, pode se desenvolver como a planta-mãe. (2) Simonetti, Richard. Reencarnação: Tudo o que você precisa Saber, Bauru-SP: Editora: CEAC, 2001 (3) Kardec, Allan. Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1991, perg 356 (4) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1978, cap. 55 (5) Kardec, Allan. Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1991, perg 344 (6) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1978, cap. 11 (7) Xavier, Francisco Cândido. Missionários da Luz, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1992, cap. 13 (8) Alguns espíritas defendem que a utilização dos métodos de clonagem deve ser exclusivamente para fins terapêuticos, jamais, reprodutivos.

AYAHUASCA? - ESTADO LOUCURA? OBSESSÃO?

ALTERADO

DA

CONSCIÊNCIA?

Parentes e o advogado de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, suspeito de ter matado o cartunista Glauco e o filho Raoni, afirmam que o homicida fazia tratamento psicológico, psiquiátrico e antidrogas, e que seu quadro de esquizogrenia teria agravado após ter tido contato com a igreja do santo Daime. Há dois anos, Carlos Eduardo começou a frequentar a seita. E isso coincide com o tempo em que seu estado de saúde piorou. Alguns afirmaram que não se deveria permitir que o jovem ingerisse a bebida enteógena. Para alguns estudiosos, ingerir bebida enteógena (1) sacramental, conhecida como chá de Ayahuasca (santo Daime), pode agravar ou gerar um estado psicótico ou problemas psicológicos. O chá de Ayahuasca é consumido por comunidades indígenas da Amazônia há, pelo menos, 300 anos e para alguns não chega a ser um alucinógeno, porém, provoca um estado alterado de consciência e, por isso, não é combatido nem condenado pelas autoridades. Seguidores dessas seitas afirmam que o uso do Daime nos cultos não deve ser encarado como uma droga, mas, sim, como um elemento “religioso” importante. Porém, sabemos que muitas substâncias

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“inofensivas”, além de serem tóxicas, também, são viciativas, ou seja, causam dependência, que pode ser física, psicológica e, por via de extensão, “espiritual”. Para tais praticantes, beber o chá não traz problemas à saúde física e mental, se for administrado corretamente. E se não for administrado corretamente? Estamos convencidos de que essa relação é emblemática. Quem ingere chá de Ayahuasca tem alteração de consciência. Pode ocorrer certo descontrole, dor e perturbação evidentes; sintomas que são percebidos, inclusive, em nível de sensações perispirituais. Se o objetivo (o tal caráter “religioso”) for manter contato com o “mundo espiritual”, é importante alertar que, para se obter um intercâmbio com o mundo dos espíritos, é, absolutamente, dispensável a ingestão de quaisquer substâncias modificadoras da consciência. Portanto, é, totalmente, desnecessária a utilização do chá do santo Daime para esse fim; nem mesmo podese dizer que facilite o transe mediúnico; muito pelo contrário, pode ser, inclusive, prejudicial, dependendo do caso. O transe mediúnico é favorecido pela educação dos sentimentos e não por meios artificiais, pois é um fenômeno, absolutamente, natural. Há alguns anos, pesquisadores da USP, de Ribeirão Preto, tentam conhecer melhor os efeitos do chá usado no Santo Daime e como ele atua no cérebro. Após a ingestão do chá, a substância vai para o estômago, entra na corrente sanguínea e segue para o cérebro, onde se espalha. O lado mais ativado é o hemisfério direito, que controla as emoções, como: satisfação, insatisfação, equilíbrio, desequilíbrio e euforia. Os estudos mostram que o chá leva, em média, meia hora para fazer efeito. Em uma hora, as pessoas começam a apresentar alterações de comportamento: primeiro, um estado de relaxamento; depois, muita euforia e, logo em seguida, alteração de percepções. É quando começam as visões distorcidas do cérebro. A Doutrina Espírita esclarece que “os órgãos têm uma influência muito grande sobre a manifestação das faculdades [espirituais]; porém, não as produzem; eis a diferença. Um bom músico com um instrumento ruim não fará boa música, mas isso não o impedirá de ser um bom músico.” (2) O Espírito age sobre a matéria e a matéria reage sobre o Espírito numa certa medida, e o Espírito pode se encontrar, momentaneamente, impressionado pela alteração dos órgãos pelos quais se manifesta e recebe suas impressões materiais”. (3) Cada caso é um caso, mas, sabese que certas substâncias, que alteram a consciência, trazem conseqüências para o corpo físico, para o perispírito e para a mente. Para o corpo físico, são inúmeros os malefícios, desde a dependência física e sintomas que podem levar a quadros de intoxicação aguda, até a morte (há caso registrado em Goiás). Para o perispírito, a consequência é a impregnação energética-mórbida nesse corpo. E pior, o

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psicossoma, que é o modelo organizador biológico, leva, com ele, toda a lesão, inclusive, para outra encarnação. “A loucura tem, como causa principal, uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna, mais ou menos, acessível a algumas impressões. Se houver predisposição para a loucura, ela assume um caráter de preocupação principal, transformando-se em idéia fixa, podendo tanto ser a dos Espíritos, em quem com eles se ocupou, como poderá ser a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte, de uma ciência, da maternidade ou a de um sistema políticosocial.” (4) No trágico caso “Cadu/Glauco/Raoni”, tudo nos leva a crer que o homicida é um esquizofrênico. Sua doença mental apresenta um conjunto de sintomas bastante diversificado e complexo, sendo, por vezes, de difícil compreensão. Essa psicopatologia pode surgir e desaparecer em ciclos de recidivas e remissões. Hoje, é encarada, não como uma doença única, mas, como um grupo de enfermidades, atingindo todas as classes sociais e grupos humanos. Geralmente, o diagnóstico tem mostrado níveis de confiabilidade, relativamente, baixos ou inconsistentes. Lembrando, aqui, que a esquizofrenia não é a dupla pessoalidade, pois é muito mais ampla que isso, e não há motivos de incluir, nela, os Transtornos de Personalidade Múltipla. É uma doença gravíssima que atinge, aproximadamente, 60 milhões de pessoas do planeta (1% da população mundial), sendo distribuída, de forma igual, pelos dois sexos. A sua diagnose tem sido criticada como desprovida de validade científica ou confiabilidade, e, em geral, a validade dos diagnósticos psiquiátricos tem sido objeto de críticas. Os sintomas podem ser confundidos com "crises existenciais", "revoltas contra o sistema", "alienação egoísta", uso de drogas, etc. O delírio de identidade (achar que é outra pessoa - o Carlos Eduardo acreditava ser “Jesus”) é a marca típica de um esquizofrênico. Foi, durante muitos anos, sinônimo de exclusão social, e o diagnóstico de esquizofrenia significava internação em hospitais psiquiátricos (manicômios) ou asilos, como destino "certo", onde os pacientes ficavam durante vários anos. A Organização Mundial de Saúde editou critérios objetivos e claros para a realização do diagnóstico da esquizofrenia. As causas do processo patogênico são um mosaico: a única coisa evidente é a constituição pluricausal da doença. Isso inclui mudanças na química cerebral [a atividade dopaminérgica é muito elevada nos indivíduos esquizofrênicos], fatores genéticos e, mesmo, alterações estruturais. É importante frisar que a Esquizofrenia tem cura. Até bem pouco tempo, pensava-se que era incurável e que se convertia, obrigatoriamente, em uma doença crônica e para toda a vida. Atualmente, entretanto, sabe-se que uma porcentagem de

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pessoas que sofre desse transtorno pode recuperar-se por completo e levar uma vida normal, como qualquer outra. Não podemos desconsiderar, ante o fato (“Cadu/Glauco/Raoni”) narrado no texto, o processo obsessivo, consoante esclarecem os ditames doutrinários. André Luiz, Espírito, comenta que “muitos dos nossos irmãos desencarnados, ainda presos a sentimentos de ódio e ira, cercam suas vítimas encarnadas, formando perturbações que podemos classificar como "infecções fluídicas" e que determinam o colapso cerebral com arrasadora loucura”. (5) Jorge hessen http://jorgehessen.net jorgehessen@gmail.com Fontes: (1) estado xamânico ou de êxtase induzida pela ingestão de substâncias alteradoras da consciência. É um neologismo que vem do inglês: entheogen ou entheogenic proposto por estudiosos desde 1973. (2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, questão 372 (3) Idem questão 375 (4) Idem – Introdução, item 15, A Loucura e o Espiritismo (5) Xavier, Francisco Cândido. Evolução Em Dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000

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ALGUMAS EXPLICAÇÕES ESPÍRITAS PARA UMA LEITORA DO BLOG Sem uma religião definida, embora crente em Deus, uma leitora dos artigos do nosso blog pediu-nos alguns esclarecimentos. Ela mesma considera inaceitável a fé cega nos mitos da Gênese Mosaica e do Novo Testamento, citando os seis dias da Criação, a arca de Noé, Adão e Eva, a serpente e a maçã, o Paraíso perdido, a virgem Maria de Nazaré, a estrela guia, etc. Porém, o que mais a intriga é: Por que deificaram somente Jesus, se tantos outros cristos que, certamente, passaram pela humanidade e que, também, deveriam operar os tais “milagres”, permaneceram anônimos na História? Segundo ela, como admitir que Jesus tenha vindo ao mundo para sofrer pelos nossos “pecados”? Por que Deus não impediu a crucificação do Mestre, consentindo que O matassem? Percebemos que o raciocínio da nossa leitora é aguçado, sem dúvida; mas, faz-se mister considerar que o raciocínio humano vem sendo trabalhado, de muitos séculos no planeta, pelos vícios de toda sorte. “Temos plena confirmação deste asserto no ultra-racionalismo europeu, cuja avançada posição evolutiva, ainda agora, não tem vacilado entre a paz e a guerra, entre o direito e a força, entre a ordem e a agressão.”(1) Sobre suas questões, vamos por partes. Os hábitos mentais dos espíritas, também, tendem a ser conduzidos pela fé raciocinada. Sobre os mitos mosaicos que cita, lembramos que se Moisés se utilizou de muitas metáforas, e se não transmitiu ao mundo a lei definitiva, ele deu, à Terra, as bases da Lei divina e imutável. Aqui devemos considerar que os homens receberão, sempre, as revelações divinas de conformidade com a sua posição evolutiva. Para nós, a Humanidade da Era Cristã recebeu a grande Revelação em três aspectos essenciais: Moisés trouxe a missão da Justiça; o Evangelho, a revelação insuperável do Amor, e o Espiritismo, em sua feição de Cristianismo redivivo, traz, por sua vez, a sublime tarefa da Verdade. Sem querer esbarrar na deificação do Cristo, sabemos que no centro das três revelações encontra-se Jesus-Cristo, como o fundamento de toda a luz e de toda a sabedoria. Portanto, não há outros Cristos na Terra. Ele, o Mestre, está conosco há mais de 4,5 bilhões de anos. Jesus foi o divino escultor da obra geológica do planeta. Junto de seus prepostos, iluminou a sombra dos princípios com os eflúvios sublimados do seu amor, que saturaram todas as substâncias do mundo em

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formação. E mais ainda, “Todas as entidades espirituais encarnadas no orbe terrestre são Espíritos que se resgatam ou aprendem nas experiências humanas, após as quedas do passado, com exceção de Jesus-Cristo, fundamento de toda a verdade neste mundo, cuja evolução se verificou em linha reta para Deus, e em cujas mãos angélicas repousa o governo espiritual do planeta, desde os seus primórdios.”(2) Sobre a supremacia do Cristo, lembremos do “Meu Pai e eu somos Um”. Essa afirmativa evidenciava a sua perfeita identidade com Deus, na direção de todos os processos atinentes à marcha evolutiva do planeta terrestre. (3) Por várias razões, qualquer comentário sobre o Cristo não julgamos acertado fazer, para não condicionar a figura Dele aos meios humanos, num paralelismo injustificável, porquanto, em Jesus, temos de observar a finalidade sagrada dos gloriosos destinos do espírito. “N’Ele, cessaram os processos tacanhos de julgamentos humanos, sendo indispensável reconhecer, na sua luz, as realizações que nos compete atingir. Representando, para nós outros, a síntese do amor divino, somos compelidos a considerar que, de sua culminância espiritual, enlaçou, no seu coração magnânimo, com a mesma dedicação, a Humanidade inteira, depois de realizar o amor supremo.”(4) É que Jesus, com Amor, manifestou-se na Terra no seu esplendor máximo; Com Jesus, a Justiça e a Verdade nada mais são que os instrumentos divinos de exemplificação, Ele que é o Cordeiro de Deus, alma da redenção de toda a Humanidade. Portanto, o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo foi o Cristo. Para Allan Kardec “Jesus é para o homem o exemplo da perfeição moral a que pode pretender a humanidade na Terra. Deus nos oferece Jesus como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque era o próprio Espírito Divino e foi o ser mais puro que apareceu na Terra. Se alguns daqueles que pretenderam instruir o homem na lei de Deus algumas vezes o desviaram, ensinando-lhe falsos princípios, foi por se deixarem dominar por sentimentos muito materiais e por ter confundido as leis que regem as condições da vida da alma com as do corpo. Muitos anunciaram como leis divinas o que eram apenas leis humanas criadas para servir às paixões e dominar os homens.”(5) A respeito dos mitos e crendices do Novo Testamento, sabemos que foram impostos por seres sem escrúpulos. A começar com Constantino, que permitiu o famigerado Concílio de Nicéia. Posteriormente, com Teodósio, oficializando o Cristianismo no Estado Romano. Em 384, São Jerônimo teve a missão de redigir uma tradução latina do Antigo e do Novo Testamento. Essa tradução tornar-se-ia a norma das doutrinas da Igreja: foi o que se denominou a “Vulgata”. Essa tradução oficial, que deveria ser definitiva, segundo a cúpula da Igreja, foi, entretanto,

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alterada em diferentes épocas, por ordem dos ulteriores pontífices. Portanto, os chamados livros canônicos, foram submetidos a diversas e trágicas interpolações para satisfazer os mesquinhos interesses da Igreja. “Sufocaram, antes de desabrochar, os fortalecedores princípios que teriam conduzido os povos à verdadeira crença, à que eles hoje em dia inda procuram. Tudo para assegurar, fortalecer, tornar inabalável a autoridade da Igreja.” (6) Sobre a crucificação do Messias, permitida por Deus, deve ser apreciado, tãosomente, pela dolorosa expressão do Calvário? Cremos que não, pois o Gólgota representou o coroamento da obra do Senhor, mas, o sacrifício na sua exemplificação, verificou-se em todos os dias da sua passagem pelo planeta. E o cristão deve buscar, antes de tudo, o modelo nos exemplos do Mestre, porque o Cristo ensinou com amor e humildade o segredo da felicidade espiritual, sendo imprescindível que todos os discípulos edifiquem, no íntimo, essas virtudes, com as quais saberão demonstrar ao calvário de suas dores, no momento oportuno. (7) Os mistérios das Leis divinas são insondáveis. Óbvio que não cai um fio de cabelo de nossas cabeças sem que Deus o saiba e permita. A crucificação estava nos ditames da Vontade suprema e não havia como ser modificada. E, mais ainda, a crucificação teve efeito simbólico, uma vez que, após a condenação, o Mestre ressurge para nós. Desde então, a morte deixou de ser o lúgubre ingresso para o Nada; porquanto, na verdade, é a esplendorosa revelação de que a vida é eterna, como perenes serão as realizações do bem, na terra e no espaço. Quando o Celeste Amigo revelou o Túmulo Vazio, Ele venceu a morte. É verdade! Todos os evangelistas narram as aparições de Jesus, após sua crucificação, com circunstanciados pormenores, que não permitem se duvide da realidade do fato. Pois bem, minha irmã, eis o motivo pelo qual Deus não impediu a crucificação de Jesus. Em outro assunto, a leitora lembra o aborto provocado, questionando se essa decisão não deveria ser da mãe, uma vez que o livre-arbítrio nos dá, a todos, a liberdade de escolha? Explicamos que o aborto provocado, para quem estuda a Doutrina Espírita e segue os conselhos dos Espíritos, constitui crime. Se você diz: Eu não praticaria, mas que outras mulheres tenham o direito de escolha é nada mais, nada menos que presenciar alguém prestes a cometer suicídio e fechar os olhos, não tentando, de forma alguma, impedi-lo e pensar, intimamente: - Nada posso fazer. A escolha é dele. Portanto, tentar impedir, o quanto nos seja possível, que mulheres cometam o aborto, nada mais é que valorizar a vida dessas futuras mães e reconhecer a importância da encarnação dos Espíritos que se ligam a elas, desde o momento da

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fecundação. Que a leis humanas e as religiões continuem firmes no propósito da não descriminalização do aborto. Jorge Hessen http://jorgehessen.net jorgehessen@gmail.com Fontes: (1) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001 (2) idem pergunta 243 (3) idem pergunta 288 (4) idem pergunta 327 (5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. Feb, 2001, pergunta 625 (6) Denis. Léon. Cristianismo e Espiritismo, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2001 (7) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, pergunta 286.

UM DIÁLOGO ABERTO SOBRE COBRANÇA DE TAXAS DE EVENTOS "ESPÍRITAS" Cícero: Prezado irmão Jorge Gostaria de parabenizá-lo pelo tema industrialização de eventos. Ressaltar as oportuníssimas orientações promovidas pela Federação Espírita do Paraná é apenas dignificar o nosso movimento, isento dos apelos falaciosos do momento. Lembrar que neste ano em que se comemora o centenário do querido Chico Xavier há um movimento frenético de muitas casas espíritas para estarem presentes nessa homenagem ao inesquecível médium. Como se o querido Chico aprovasse semelhante fato. Esquecendo-se de seu exemplo que nunca cansou de nos conclamar a todos para um espiritismo simples, com Jesus. Por isso nunca deixou de estar debaixo de um abacateiro, lado a lado com os desprovidos dos bens materiais nos deixando a lição inolvidável de que sem abraçarmos a causa simples e

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os simples da sociedade não chegaremos a lugar algum. Portanto escrever sobre cobranças de taxas em pleno frisson do nosso movimento é de fato estimular a ira de muitos espíritas que estão na cúpula de casas de nossa doutrina julgando-se benfeitores da humanidade por suas falas mansas e sorrisos largos, cheio de chavões de conteúdos caridosos. Se o Espiritismo é para todos que de fato em seu caminho não encontre nenhuma cobrança imposta e legitimada de taxas. E se Vinde a mim todos de corações simples é preciso aparar arestas e revolver o caminho de tal maneira que o solo de nossas edificações doutrinárias sejam sedimentados em um crescimento capaz de sobrepor a qualquer vendaval mesmo que este tenha o poder de sedução capaz de envolver os bens intencionados cujo objetivo seja discutir de forma pomposa as orientações maiores de nossa Causa e nisso Jesus sabia das dissimulações humanas registrando que o comportamento do coração deveria estar destituído de qualquer natureza humana para melhor vivenciar a comunhão com o alto. Não podemos apoiar essas determinações em que os meios justificam os fins, porque por trás dos bastidores há a presença dos espetáculos, dos currículos acadêmicos envernizados pela vaidade perniciosa, enfim há presença da erva daninha espiritual em que nada acrescenta. Querido amigo que o Senhor da Vida possa continuar fortalecer sua vida, seu trabalho para que proporcione sempre as inspirações que incomodam, mas que não passam em vão. Abraços profundo do amigo e irmão de ideal Cícero Jorge Hessen: Prezado Cícero Sua afabilidade para conosco e seu apoio ao nosso trabalho cristão, servem-nos de grande estímulo. Embora não o conheça pessoalmente, identifico-o como um vanguardeiro discípulo de Jesus, nosso Mestre maior. Muito embora eu tenha total certeza de que nossa proposta de reflexão sobre o tema nada servirá de obstáculo a que se promovam cada vez mais tais eventos pagos, os quais são (na minha concepção doutrinária) um insulto à fraternidade, à lei do amor e da caridade, nenhuma ofensa, dirigida a mim, direta ou indiretamente por parte dos que têm opinião diferente da minha, ser-nos-á motivo de desequilíbrio interior, pois temos consciência plena de que estamos (eu e as diretrizes da Federação Espírita do Paraná) no caminho seguro e, mesmo porque, se tais confrades conseguem convencer as mentes de espíritas incautos, pelas aparências, não podem enganar a Deus. Ao ensinamento de Jesus que diz: “Quando fizerdes um festim, convidai para ele os pobres, os estropiados, os coxos e os cegos; e estareis felizes, porque não terão meios para vo-lo retribuir; porque isso vos será retribuído

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na ressurreição (reencarnação) dos justos”, respeitosamente, concluímos: convidai, principalmente, os espíritas CRISTÃOS assalariados que sobrevivem às custas de parcos recursos financeiros para manterem uma casinha popular alugada, os espíritas CRISTÃOS iletrados, os espíritas CRISTÃOS desempregados, os espíritas CRISTÃOS que passam por todas os tipos de provações materiais. Quantos há, ainda no mundo e, até mesmo, no movimento espírita (o que é uma lástima) que, ao rejeitar as nossas observações justas, faz repelir, raivosamente, as mais sensatas advertências? Se, nos momentos de surtos de ódio manifesto, tais irmãos pudessem, por um instante sequer, olhar-se ao espelho, veriam refletida a imagem da pobre vítima que lhes compromete a vida por um longo curso de anos. Devemos apiedar-nos deles! Lastimamos, muito! Enfim, meu amigo, sigamos confiantes, apoiados nos ensinamentos do Nosso Senhor Jesus Cristo, dando gratuitamente o que Dele recebemos gratuitamente, ou seja, Amor. Não nos importemos com os que se fazem quais "escribas e fariseus" em nossa Era, pois, que, um dia, forçosamente, deixarão de ser quais são e seguirão os trajetos de Jesus, como muitos estamos nos esforçando para fazê-lo. Mais uma vez, obrigado pelo apoio de sempre. Em você, Cícero, identificamos uma certeza cristalina: Não estamos sozinhos nesse afã de um Espiritismo mais simples, consoante Chico Xavier vivenciou. Aviso-lhe que estou enviando, por cópia, este nosso diálogo para os mesmos que, como eu mesmo, receberam as contundentes e pouco fraternais críticas aos argumentos que publicamos sobre os festivais de eventos ESPÍRITAs industrializados para a elite. Informo-lhe que construímos um blog, exclusivamente, para permanecer definitivamente anexado ao blog principal, mantendo as advertências, qual archote poderoso, que hão de ajudar a iluminar idéias e caminhos de alguns líderes do movimento espírita atual. Acesse: http://espiritismosemelitismo.blogspot.com/2010/03/industrializacao-deeventos-ESPÍRITAs.html. Atenciosamente, Jorge Hessen

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MUITAS FORMAS DE CÂNCERES COMPORTAMENTO MORAL

TÊM

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Recentemente, na Califórnia, nos Estados Unidos, Hannah Powell-Auslam, uma menina de 10 anos de idade, foi diagnosticada com câncer de mama, um caso considerado, extremamente, raro (carcinoma secretório invasivo). Os médicos fizeram uma mastectomia, mas o câncer se espalhou para um nódulo e Hannah terá que passar por outra cirurgia, ou por tratamento de radioterapia. Outro caso instigante é o das duas gêmeas idênticas britânicas, diagnosticadas com leucemia, com apenas duas semanas de intervalo. O drama das meninas Megan e Gracie Garwood, de 4 anos, começou em agosto de 2009. "Receber a notícia de que você tem três filhos e dois deles têm câncer é inimaginável", afirmou a mãe das meninas. "Você fica pensando o que fez para merecer isso". Câncer é uma palavra derivada do grego “karkinos”, a figura mitológica de um caranguejo gigante, escolhida por Hipócrates, para representar úlceras de difícil cicatrização e que, ao longo do tempo, consagrou-se como sinônimo genérico das neoplasias malignas. Há mais de cem tipos diferentes de câncer, que variam, ao extremo, em suas causas, manifestações e prognósticos. Diferentemente do câncer em adultos, em que se leva em conta aspectos do comportamento como fumo, alcoolismo, alimentação, sedentarismo e exposição ao sol, a medicina, ainda, não conseguiu estabelecer os verdadeiros fatores de risco do câncer pediátrico. Os casos de Hannah Powell-Auslam, Megan e Gracie Garwood bem que podem entrar nas estatísticas brasileiras do câncer infanto-juvenil, que atinge crianças e adolescentes de um a 19 anos. Segundo pesquisa divulgada pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) e pela Sobop (Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica), o câncer é a doença que mais mata os jovens, na faixa dos cinco aos 18 anos, no Brasil. Pesquisa indica o surgimento de, aproximadamente, 10 mil casos de câncer infanto-juvenil, a cada ano, no Brasil, a partir do biênio 2008/2009. O agravante é que o câncer, nos adolescentes, costuma ser mais agressivo do que nos adultos, e é mais difícil de ser diagnosticado, segundo Luiz Henrique Gebrin, Diretor do Departamento de Mastologia do Hospital Pérola Biynton, em São Paulo (SP). Será o câncer, então, uma obra do acaso, uma “punição divina” ou um “carma” do espírito? Hoje, à luz da Ciência médica, pode-se afirmar que o fator

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predominante da carcinogênese é, sem dúvida, o comportamento humano: tabagismo, abuso de álcool, maus hábitos alimentares e de higiene, obesidade e sedentarismo, os quais são responsáveis por quatro, em cada cinco casos de câncer e por 70% do total de mortes. Os cânceres por herança genética pura, ou seja, que não dependem de fatores comportamentais e ambientais, são menos de 5% do total. A experiência corrobora, pois, que o câncer é uma enfermidade, potencialmente, “cármica”. Estamos submetidos a um mecanismo de causa e efeito que nos premia com a saúde ou corrige com a doença, de acordo com nossas ações. A criança de hoje foi o adulto de antanho. “O corpo físico reflete o corpo espiritual que, por sua vez, reflete o corpo mental, detentor da forma”. (1) “Os que se envenenaram, conforme os tóxicos de que se valeram, renascem, trazendo as afecções valvulares, os achaques do aparelho digestivo, as doenças do sangue e as disfunções endocrínicas, tanto quanto outros males de etiologia obscura; os que incendiaram a própria carne amargam as agruras da ictiose ou do pênfigo; os que se asfixiaram, seja no leito das águas ou nas correntes de gás, exibem os processos mórbidos das vias respiratórias, como no caso do enfisema ou dos cistos pulmonares; os que se enforcaram carreiam consigo os dolorosos distúrbios do sistema nervoso, como sejam as neoplasias diversas e a paralisia cerebral infantil; os que estilhaçaram o crânio ou deitaram a própria cabeça sob rodas destruidoras, experimentam desarmonias da mesma espécie, notadamente as que se relacionam com o cretinismo, e os que se atiraram de grande altura reaparecem, portando os padecimentos da distrofia muscular progressiva ou da osteíte difusa.” (2) “A cura para o câncer não deverá surgir nos próximos dez anos” (3) é o que afirma o articulista da Revista Time, Shannon Browlee. Talvez os cientistas nunca encontrem uma única resposta, um único medicamento capaz de restaurar a saúde de todos os pacientes com câncer, porque um tumor não é igual ao outro. Os espíritas sabem que não existem doenças e sim doentes. Em verdade, "todos os sintomas mentais depressivos influenciam as células em estado de mitose, estabelecendo fatores de desagregação.” (4) Apesar dos consideráveis avanços tecnológicos, em busca do diagnóstico precoce e do tratamento eficaz, a Medicina e a Ciência, em geral, estão, ainda, distantes de dominarem o comportamento descontrolado das células neoplásicas. Obviamente, não precisamos insistir na busca de vidas passadas para justificar o câncer: As estatísticas demonstram grande incidência de câncer no pulmão, em pessoas que fumam na atual encarnação. Muitas formas de cânceres têm sua gênese no comportamento moral insano atual, nas atitudes mentais agressivas, nas postulações emocionais enfermiças. “O mau-humor é fator cancerígeno que ora ataca uma larga faixa da sociedade estúrdia.” (5) O ódio, o rancor, a mágoa, a ira

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são tóxicos fulminantes no oxigênio da saúde mental e física, consomem a energia vital e abrem espaços intercelulares para a distonia e a instalação de doenças. São “agentes poluidores e responsáveis por distúrbios emocionais de grande porte, são eles os geradores de perturbações dos aparelhos respiratório, digestivo, circulatório. Responsáveis por cânceres físicos, são as matrizes das desordens mentais e sociais que abalam a vida” (6) Falando sobre doença cármica, “o câncer pode, até, eliminar as sombras do passado, mas não ilumina a estrada do porvir. Isso depende de nossas ações, da maneira como arrostamos problemas e doenças. Quando a nossa reação diante da dor não oprime aqueles que nos rodeiam, estamos nos redimindo, habilitados a um futuro luminoso. "Quando nos rendemos ao desequilíbrio ou estabelecemos perturbações em prejuízo contra nós (...), plasmamos nos tecidos fisiopsicossomáticos determinados campos de ruptura na harmonia celular, criando predisposições mórbidas para essa ou aquela enfermidade e, conseqüentemente, toda a zona atingida torna-se passível de invasão microbiana.” (7) Outra situação complicada é o aborto que “oferece funestas intercorrências para as mulheres que a ele se submetem, impelindo-as à desencarnação prematura, seja pelo câncer ou por outras moléstias de formação obscura, quando não se anulam em aflitivo processo de obsessão.” (8) O conhecimento espírita nos auxilia a transformar a carga mental da culpa, incrustada no perispírito, e nos possibilita maior serenidade ante os desafios da doença. Isso influenciará no sistema imunológico. Os reflexos dos sentimentos e pensamentos negativos que alimentamos se voltam sobre nós mesmos, depois de transformados em ondas mentais, tumultuando nossas funções orgânicas. Para todos os males e quaisquer doenças, centremos nossos pensamentos em Jesus, pois nosso bálsamo restaurador da saúde é, e será sempre, o Cristo. Ajustemo-nos ao Evangelho Redentor, pois o Mestre dos mestres é o médico das nossas almas enfermas. Jorge Hessen http://jorgehessen.net jorgehessen@gmail.com Fontes: (1) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos, ditado pelo espírito André Luis 15ª edição, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1997. (2) Xavier Francisco Cândido. Religião dos Espíritos, Rio de Janeiro: 11ª Edição Ed. FEB - (Mensagem psicografada por em reunião pública de 03/07/1959)

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(3) Transcrita em um caderno especial na Folha de São Paulo de 4 de novembro de 1999 (4) Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000 (5) Franco, Divaldo. Receita de Paz, ditado pelo espírito Joanna de Angelis, Salvador: Ed. Leal, 1999 (6) FRANCO, Divaldo Pereira. O Ser Consciente, Bahia, Livraria Espírita Alvorada Editora, 1993 (7) Artigo "Uma Visão Integral do Homem", Grupo Espírita Socorrista Eurípides Barsanulfo, disponível no site http://www.geocities.com/Athens/9319/chacras.htm, acessado em 25/04/2006 (8) Xavier Francisco Cândido e Vieira Waldo. Leis de Amor, São Paulo: Edição FEESP, 1981

MUITOS ESPÍRITAS ESTÃO DESENCARNANDO MAL A culpa e os pesares da consciência são maiores quanto melhor o homem sabe o que faz. Kardec conclui primorosamente este ensinamento, afirmando que "a responsabilidade é proporcional aos meios de que ele [o homem] dispõe para compreender o bem e o mal. Assim, mais culpado é, aos olhos de Deus, o homem instruído que pratica uma simples injustiça, do que o selvagem ignorante que se entrega aos seus instintos" (1) Há uma frase atribuída a Chico Xavier que diz o seguinte: "os espíritas estão morrendo mal". De fato: "Muitos espíritas estão desencarnando em situações deploráveis, recebendo socorro em sanatórios no Plano Maior da Vida em virtude das péssimas condições morais e psíquicas em que se encontram." (2) No livro Vozes do Grande Além, Sayão, um pioneiro do Espiritismo no Brasil, afirma que "nas vastidões obscuras das esferas inferiores, choram os soldados que perderam inadvertidamente a oportunidade da vitória. São aqueles companheiros nossos que transitaram no luminoso carreiro da Doutrina, exigindo baixasse o Céu até eles, sem coragem para o sacrifício de se elevarem até o Céu. Permutando valores eternos pelo prato de lentilhas da facilidade humana, precipitaram-se no velho rochedo da desilusão." (3)

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Aos espíritas sinceros e/ou simpatizantes do Espiritismo precisamos alertar: "Ninguém tem o direito de acender uma candeia e ocultá-la sob o alqueire, quando há o predomínio de sombras solicitando claridade". (4) Muitos espíritas que, presunçosamente, se autoavaliam equilibrados estão desencarnando muito mal. Nessas condições, estão os espíritas desonestos, adúlteros, mentirosos, ambiciosos, mercantilistas inescrupulosos das obras espíritas, os tirânicos dos Centros Espíritas, os que trabalham nas hostes espíritas só para auferirem vantagens pessoais, os supostos médiuns que ficam ricos com a venda de livros de baixíssimo nível doutrinário, etc., etc. Este último aspecto preocupa muito, pois, atualmente, existe uma enxurrada de publicações de livros "psicografados" que não passam de ficções de péssima qualidade. Livros com erros absurdos de gramática, assuntos empolados, idéias desconexas, oriundas dos subprodutos de mentes doentes, de médiuns e/ou supostos "espíritos", que visam tirar dinheiro dos neófitos com a venda de tais entulhos antidoutrinários, mas que enchem os olhos dos incautos pela imaginação fantasiosa. Insistentes, esses aparentes "psicógrafos" ou despreparados "espíritos" estão construindo denso universo de sombras sobre o Projeto Kardeciano, confundindo pessoas inexperientes, que batem à nossa porta em busca de esclarecimento e consolação. Esses "médiuns" e/ou "espíritos inferiores" ocultam, sob o empolamento (enganação), o vazio de suas idéias esquisitas. Usam de uma linguagem pretensiosa, ridícula, obscura, forçando a barra para que pareça profunda. Até quando? Eis a questão! O tempo urge. Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com Fontes: (1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, perg. 637 (2) Franco, Divaldo Pereira. Tormentos da Obsessão, ditado pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, Bahia: Editora: Livraria Espírita Alvorada, 2006, 8ª edição (3) Xavier, Francisco Cândido. Vozes do Grande Além, ditado por Espíritos diversos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2 ª edição, 1974

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(4) Divaldo Pereira. Tormentos da Obsessão, ditado pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, Bahia: Editora: Livraria Espírita Alvorada, 2006, 8ª edição

DÉJÀ VU É UM FENÔMENO INSTIGANTE O fenômeno se traduz por uma estranha impressão de já ter vivenciado a cena presente e mesmo saber o que se vai passar em seguida, ainda que a situação que esteja a ser vivida seja inédita. Conhecido como déjà vu, ou paramnesia (como também é conhecido), tem sido, ao longo dos anos, objeto das mais díspares tentativas de interpretação. Para Sigmund Freud, as cenas familiares seriam visualizadas nos sonhos e depois esquecidas e que, segundo ele, eram resultado de desejos reprimidos ou de memórias relacionadas com experiências traumáticas. Fabrice Bartolomei, Neurologista francês, a paramnesia é resultado de uma fugaz disfunção da zona do córtex entorrinal, situado por baixo do hipocampo e que se sabia já implicada em situações de "déjà vu", comuns em doentes padecendo de epilepsia temporal. Experiências, conduzidas por investigadores do Leeds Memory Group, permitiram recriar, em laboratório e através da hipnose, as sensações de "déjà vu". Outros dados explicam que situações de stress ou fadiga possam favorecer, nesse contexto disfuncional, o aparecimento do fenômeno, mas a causa precisa deste "curto-circuito" cerebral permanece, ainda, uma incógnita. Muitos de nós já tivemos a sensação de ter vivido essa situação que acabamos de relatar. Como já ter estado em um determinado lugar ou já ter vivido certa situação presente, quando, na realidade, isto não era de conhecimento anterior? Em alguns casos, ocorre a habilidade de, até, predizer os eventos que acontecerão em seguida, o que é denominado premonição. Seria um bug cerebral, premonição ou mera coincidência? A psiquiatria e a Doutrina Espírita explicam esta questão de formas diferentes. Sabe-se que nossa memória, às vezes, pode falhar e nem sempre conseguimos distinguir o que é novo do que já era conhecido. "Eu já li este livro?" - "Já assisti a este filme?" - "Já estive neste lugar antes?" - "Eu conheço esse sujeito?" Estas são perguntas corriqueiras de nossa vida. No entanto, essas dúvidas não são acompanhadas daquele sentimento de estranheza que é indispensável ao verdadeiro déjà vu. Para alguns estudiosos, quando a sensação de familiaridade com as

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situações, lugares ou pessoas desconhecidas é freqüente e intensa, pode, até, ser um dos sintomas da epilepsia, na área do cérebro responsável pela memória, mas, essa mesma sensação pode indicar outros sintomas. Déjà Vu é um fenômeno anímico muito comum, embora de complexa definição científica. Pode ocorrer com certa freqüência em indivíduos com distúrbios neuropatológicos, como a esquizofrenia e a epilepsia. Mas há, também, outras predisposições maiores por fatores não patológicos, como fadiga, estresse, traumas emocionais, excesso de álcool e drogas. Há, ainda, as teorias da psicodinâmica, da reencarnação, holografia, distorção do senso de tempo e transferência entre hemisférios cerebrais. São tão complexas as análises, que especialistas reagem contra a limitação do "vu", que restringiria ao mundo do que pode ser "visto", e já utilizam formas paralelas que fariam referência mais específica aos vários tipos de situação: "déjà véanus" ("já vivido"), "déjà lu" ("já lido"), "déjà entendu" ("já ouvido"), "déjà visité" ("já visitado") - o que pode, um dia, acarretar um "déjà mangé" ("já comido") ou um "déjà bu" ("já bebido"). Os especialistas, ainda, não sabem, concretamente, como ocorre, exatamente, a sensação do déjà vu em pessoas não epilépticas. A que ocorre em pessoas com a doença, no entanto, existem algumas hipóteses, como a batizada, pelo psicólogo Alan Brown, de "duplo processamento". (1) Segundo o psicólogo Alan Brown, professor da Universidade Southern Methodist, nos Estados Unidos, e autor do livro "The Déjà Vu Experience" (a experiência do déjà vu), dois terços da população mundial relatam ter tido, ao menos, um déjà vu na vida. Para os conceitos espíritas tudo o que vemos e nos emociona, agradável ou desagradavelmente, nesta e nas encarnações pretéritas, fica, indelevelmente, gravado em alguma parte da região talâmica do cérebro perispiritual, e, em algumas ocasiões, a paramnesia emerge na consciência desperta. Pode, também, ser uma manifestação mediúnica se o médium entra, em dado momento, em um transe ligeiro, sutil, e capta a projeção de uma forma-pensamento emitida por um espírito desencarnado; essa é outra possibilidade. A tese da reencarnação é difundida há milhares de anos. No Egito, um papiro antigo diz: "o homem retorna à vida varias vezes, mas não se recorda de suas pretéritas existências, exceto algumas vezes em sonho. No fim, todas essas vidas ser-lhe-ão reveladas." (2) Em que pese serem as experiências déjà vu, segundo o academicismo, nada mais do que incidentes precógnitos esquecidos, urge considerar, porém, que existem situações dessa natureza que não podem ser explicadas dessa maneira. Entre elas, está em alguém ir a uma cidade ou a uma casa, pela primeira vez, e tudo lhe parecer muito íntimo, ao ponto de prever, com exatidão, detalhes sobre a casa ou a cidade;

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descreve, inclusive, a disposição dos cômodos, dos móveis, dos objetos e outros detalhes que estão muito além do âmbito da precognição normal. "Em geral, as experiências precógnitas são parciais e enfatizam certos pontos notáveis, talvez alguns detalhes, mas nunca todo o quadro. Quando o número de detalhes lembrado torna-se muito grande, temos que desconfiar, sempre, de que se trata de lembranças de uma encarnação passada". (3) Apesar de não serem abundantes as publicações e depoimentos sobre o assunto, há teorias que associam o déjà vu a sonhos ou desdobramento do espírito, onde o espírito teria, realmente, vivido esses fatos, livre do corpo, e/ou surgiriam as lembranças de encarnações passadas, como disse acima, o que levaria à rememoração na encarnação presente. (4) Hans Holzer, registra uma história, em que ele descreve a experiência déjà vu: "durante a Segunda Guerra Mundial, um soldado se viu na Bélgica e, enquanto seus companheiros se perguntavam como entrar em determinada casa, em uma cidadezinha daquele país, ele lhes mostrou o caminho e subiu a escada à frente deles, explicando, enquanto subia, onde ficava cada cômodo. Quando, depois disso, perguntaram-lhe se havia estado ali antes, ele negou, dizendo que nunca havia deixado seu lar nos Estados Unidos, e estava dizendo a verdade. Não conseguia explicar como, de repente, se vira dotado de um conhecimento que não possuía em condições normais". (5) Cremos que a experiência déjà vu é muito profunda e o sentimento é de estranheza. Devemos distinguir um sintoma do outro, pois, cada caso é um caso e nada acontece por acaso. Por ser um fenômeno profundamente anímico, é prudente separarmos as teorias da reencarnação, sonhos ou desdobramentos, das teorias de desejos inconscientes, fantasias do passado, mecanismo de autodefesa, ilusão epiléptica, entre outras, para melhor discernimento do que, realmente, seja uma paramnesia e o que seja, apenas, uma fantasia de nosso imaginário fecundo. Jorge HessenE-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com Fontes: (1) http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u566377.shtml (2) Papiro Anana" (1320 A.C.) (3) Revista Cristã de Espiritismo, edição 35 (4) Idem (5) Idem

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A TEVÊ NA PÁTRIA DO EVANGELHO Impulsionado pela mensagem que recebi, intitulada "o Reverso da Mídia", deliberei escrever sobre a influência da televisão na vida cotidiana. A mensagem registra uma frase atribuída ao famoso apresentador de telejornal que equipara o telespectador a Homer Simpson, ou seja: um sujeito preguiçoso, "topeira", que adora ficar no sofá, assistindo tevê, comendo rosquinhas e bebendo cerveja, e que só dá "mancadas" na vida. O mais preocupante, porém, segundo o texto, não é o fato de termos como um apresentador de telejornal famoso alguém que nivela milhões de telespectadores com "Homer Simpson", mas a coerência de sua advertência. Por que chegamos a tal situação constrangedora? A quem interessa que continuemos assim quais estereótipos de Simpson? Segundo alguns pesquisadores, a televisão amolece o corpo e anestesia o espírito. Diante da tevê, o telespectador permanece, fisicamente, inerme. Dos seus sentidos, trabalham, somente, a visão e a audição, mas, de maneira, absurdamente, parcial. Os olhos, por exemplo, praticamente, não se movimentam. Os pensamentos ficam hibernados; não há tempo para raciocínio consciente e para fazer associações mentais, pois a atividade cognitiva fica muito lenta. Isso ficou evidenciado em recentes pesquisas sobre os efeitos psiconeurofisiológicos no homem por causa da tevê. Testes demonstraram que o eletrencefalograma e a falta de movimento dos olhos de uma pessoa, assistindo televisão, indicam um estado de desatenção, de sonolência, de semihipnose. No Brasil, segundo o Ibope, as pessoas veem, em média, cinco horas de programações de televisão por dia. E, obviamente, o escopo dos atuais diretores televisivos é ter como audiência uma imensa massa acrítica, sem uma real capacidade de análise da realidade; um público que não pensa, que não questiona, que é, facilmente, manipulado, que "compra" idéias, comportamento, objetos e outras inutilidades quando lhe sugerem comprar. Estudos demonstram que, em nosso País, os jovens bebem cada vez mais cedo. Há apelos, a cada minuto, nas propagandas televisivas, para que eles se condicionem a isso. É ingenuidade acreditar que os incautos jovens sejam prudentes com a bebida, ouvindo, apenas, a rápida frase de alerta, após os anúncios, que,

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encharcados de sensuais e apelativas "donzelas" erotizadas, exercem, ainda mais, ação atrativa sobre o produto. Transformaram-se em epidemia os tais "reality shows" que elaboram as festas regadas a muito álcool para promoverem farras sexuais sob edredons. Que belo exemplo para os nossos jovens! Enquanto professores e escolas se esforçam para formar cidadãos, a televisão fabrica zumbis que vagueiam sem norte, sem ideal, sem alegria. Há cinco anos, os gastos no Brasil em publicidade dirigida ao público infantil foram de, aproximadamente, R$ 210 milhões. Nesse mesmo período, foram investidos, no Programa Federal de Desenvolvimento da Educação Infantil (FNDE), cerca de R$ 28 milhões. A televisão transforma crianças, da mais tenra idade, em consumidores sugestionados. Especialistas em comportamento infantil têm constatado mudanças significativas, provocadas pela mass media direcionada à criançada. Em nome de uma pretensa ruptura com antiga base educacional, modelada nos princípios da austeridade, abraçamos o comodismo na tarefa disciplinadora dos filhos, por preguiça, ou porque não adquirimos as bases necessárias para a tarefa. Em face disso, entregamos os nossos frágeis rebentos aos processos de educação alienante da mídia televisiva. É óbvio que os programas de tevê têm de ser mais bem selecionados, especialmente aqueles que contêm cenas degradantes nos filmes, novelas e em programas de auditório nos horários impróprios para crianças. Se não houver uma preocupação séria nesse assunto, certamente, não estaremos cumprindo o nosso dever de cicerones dos seres que necessitam de orientação, limites e firmeza. Uma criança, de 6 a 8 anos, não tem recursos para fazer opções. Ela precisa de alguém que a dirija na vida e, segundo cremos, essa é uma tarefa que compete, particularmente, aos pais. Se a criança já nasce frágil, como um pássaro recém-nato, que aprende pouco a pouco a voar, é uma insensatez deixar nossos filhos à deriva, sem as orientações necessárias das disciplinas educacionais. A criança é um adulto que está numa fantasia transitória, conforme afirmava, sempre, Chico Xavier. O adolescente, nos seus 14 e 15 anos, não tem, ainda, perfeito discernimento para fazer opções quanto ao caminho que lhe cabe trilhar; é, geralmente, muito instável, o que é natural. Por causa de muitos pais invigilantes e acomodados, é que, há poucas décadas, a juventude experimentou as avassaladoras propostas das drogas e do sexo "livre". Nesse frenesi da filosofia da libertinagem, o jovem perdeu a própria individualidade, ABANDONOU o lar, foi para os subterrâneos da violência de todos os matizes, e a solidão lhes passou a ser o grande desafio.

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Para a atual geração, os programas de televisão sugerem o consumo desmensurado, a permissividade, a liberação sexual e, a juventude despreparada e deseducada, embrenha-se nos cipoais das irresponsáveis aventuras, no afã de que a vida imite a "arte" teledramatizada. Juventude sadia é aquela que acredita na instituição do casamento, do lar, da família, da escola, em que pese as novelas usarem linguagem própria para destruir esses valores cristãos. Nada mais penoso do que estacarmos diante da tevê e sermos agredidos, moralmente, ante a proposta nefasta de verdadeiros entulhos ideológicos por ela veiculados. A televisão avilta os princípios básicos da moral e da ética. Na Europa, muitos programas brasileiros são proibidos pelo povo, que promove passeatas contra as licenciosas aberrações que se cometem nas telinhas tupiniquins debaixo do Equador. Devemos arregaçar as mangas e interferir, energicamente, em benefício da saúde moral dos filhos, contra programações desrespeitosas que deterioram o bom senso. A sociedade organizada deve cobrar responsabilidades dos donos das emissoras de tevê, que, em matéria de mercado, estão mais preocupados com o ibope do que com a educação e a cultura do nosso povo. A causa é justa, pois são nossos filhos que estão sendo deseducados pelas programações promíscuas que vêm desestruturando a família brasileira. As inócuas normas que estabelecem o sistema de classificação etária, em vão, tentam condenar a vulgaridade, o apelo à violência e ao sexo aviltado; porém, em nosso País, como é tradição, as normas só existem no papel (por isso, inúteis!). Da mesma forma como ocorreu nos EUA, que instituíram uma nova Lei de Comunicação, é preciso que haja, no Brasil, uma mobilização popular, para que haja uma mudança na legislação, a fim de que seja devolvido, à Pátria do Evangelho, o culto dos valores morais elevados através da mídia televisiva. Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

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CONSIDERAÇÕES SOBRE COBRANÇA DE TAXAS EM EVENTOS ESPÍRITAS Conforme anexos 2 e 3 das Diretrizes ao Sistema Federativo Estadual Federação Espírita do Paraná (Leia, na íntegra, no item 48 ano 2009 do site http://jorgehessen.net) No mês de fevereiro de 1994, o Conselho Federativo Estadual da Federação Espírita do Paraná esteve reunido em Curitiba. Na ocasião, dentre os variados assuntos tratados, veio à baila a questão da cobrança de taxa de inscrição em eventos espíritas, prática que vai se tornando comum no Brasil. O Conselho paranaense, então, após catalogar os tipos de promoções doutrinárias mais comuns no Estado, quais sejam, segundo seu entendimento: conferências, seminários e encontros de estudo, considerou que há situações em que determinada promoção pede uma infra-estrutura diferenciada para acolher os participantes, como, por exemplo, estadia, alimentação, apostilas, aluguéis de recintos, o que, por conseguinte, amplia as exigências, inclusive financeiras. Diante disso, entendeu por bem o colegiado em delinear a seguinte normativa, que deverá funcionar como regra aos órgãos integrantes do sistema federativo (FEP, seus departamentos e as Uniões Regionais Espíritas), e como sugestão de procedimentos aos Centros Espíritas: 1. Patrocinar, apoiar ou promover eventos fundamentalmente espíritas. 2. Os órgãos ou entidades promotoras do evento devem envidar todos os esforços para que não haja a necessidade de eventual cobrança de taxa de inscrição dos participantes, procurando fazer frente aos custos do evento, notadamente para com aqueles que digam respeito diretamente com a parte doutrinária, propriamente dita. Para tanto, planejar a sua realização na data e no intervalo de tempo certo, dentro das reais necessidades do Movimento Espírita local, desconsiderando as pretensões de realizações sem objetivos bem definidos de difusão ou intempestivas. Estruturar o programa primando pela simplicidade, minimizando os custos, sem perder de vista a sua qualidade, dando-lhe local (cidade e auditório), carga horária e infraestrutura adequada, porém, somente de acordo com o essencial. Buscar viabilizar previamente os recursos financeiros através de cotização espontânea de confrades. Em não sendo suficiente, e para não onerar demasiadamente alguns poucos, realizar promoções doutrinariamente recomendáveis para angariar fundos, com a

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participação, preliminarmente, da comunidade espírita, e depois, em ainda persistindo a necessidade, da comunidade não-espírita. 3. Quando o evento pretendido efetivamente exija uma infra-estrutura, sem a qual esse fique impraticável, e, por conseguinte, as disponibilidades para cobertura do seu custo essencial ainda apresentem-se insuficientes, mesmo após praticado todo disposto no item anterior, somente aí, então, lançar mão da fixação de valor a ser cobrado a título de inscrição, tendo como parâmetro máximo a verba faltante, tão-somente, e dando a possibilidade de opção por parte daqueles que desejem ou não usufruir de determinados itens da infra-estrutura, como refeição e alojamento, por exemplo, e jamais fazer dela um instrumento impeditivo de, quem quer que seja, participar do evento doutrinário, propriamente entendido (a palestra, o seminário, etc.). 4. Trabalhar o entendimento dos confrades anfitriões de que, em nome da fraternidade cristã, devem propiciar a hospedagem domiciliar dos participantes do evento, dentro das suas possibilidades, especialmente dos que exijam atendimento diferenciado, tais como acompanhados com filhos pequenos; aqueles em idade mais avançada e/ou com dificuldades de saúde, sob dietas alimentares ou medicamentosas especiais; as senhoras grávidas; os que se pressupõem passarem por dificuldades financeiras, etc. 5. Em se tratando de órgão federativo, não promover evento doutrinário com renda em favor de uma determinada instituição social, primeiro porque tal tipo de evento não deve se prestar a isto e, segundo, lembrar que todas as demais organizações também fazem parte do Movimento Espírita e a Federação não pode agir discricionariamente, já que são todas merecedoras por igual. Promover, se assim entendido por bem, eventos próprios para tal fim, de iniciativa e responsabilidade da Instituição, desde que doutrinariamente embasados. Considerar que os fins não justificam os meios. Clareando ainda mais o documento, deve-se entender, para os fins que ele se propõe: * Patrocínio: Custeio de um evento para fins de divulgação doutrinária. *Apoio: Auxílio financeiro e/ou de outra natureza para determinado evento doutrinário. * Promoção: Propaganda direta ou indireta de eventos doutrinários. Com tais medidas, sem a pretensão de se ter esgotado o assunto, a Federação Espírita do Paraná espera que a divulgação doutrinária se dê cada vez em maior profusão, sempre em lídimas bases, das quais, as ações administrativas também fazem parte.

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INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS "GRANDIOSOS” Allan Kardec escreveu na RE de novembro de 1858, que "jamais devemos dar satisfação aos amantes de escândalos. Entretanto, há polêmica e polêmica. Há uma ante a qual jamais recuaremos — é a discussão séria dos princípios que professamos. " É isto o que chamamos polêmica útil, pois o será sempre que ocorrer entre gente séria, que se respeita bastante para não perder as conveniências. Podemos pensar de modo diverso sem diminuirmos a estima recíproca. Que os dirigentes espíritas, sobretudo os comprometidos com órgãos “unificadores”, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar, conforme lembrava Chico Xavier. Devemos primar pela simplicidade doutrinária e evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades, prioridades, industrialização dos eventos doutrinários. Os eventos devem ser realizados, gratuitamente, para que todos, sem exceção, tenham acesso a eles. Os Congressos, Encontros, Simpósios, etc., precisam ser estruturados com vistas a uma programação aberta a todos e de interesse do Espiritismo, e não para servirem de ribalta aos intelectuais com titulação acadêmica, como um "passaporte" para traduzirem "melhor" os conceitos kardecianos. Não há como “compreender o Espiritismo sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.” (1) "A presença do elitismo nas atividades doutrinárias (...) vai expondo-nos a dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, para ricos, para intelectuais, para incultos.” (2) Infelizmente, alguns se perdem nos labirintos das promoções de shows de elitismo nos chamados “Congressos”. Patrocinam eventos para espíritas endinheirados, e, sem qualquer inquietação espiritual, sem quaisquer escrúpulos, cobram altas taxas dos interessados, momento em que a idéia tão almejada de “unificação” se perde no tempo. Conhecemos Federativa que chega a desembolsar R$. 90.000,00 (noventa mil reais); isso mesmo! 90 mil, para promover evento destinado a 3, 4, 5.000 (cinco mil) pessoas. A pergunta que não quer calar é: será que o Espiritismo necessita desses eventos "grandiosos"? Cobrar taxa em eventos espíritas é incorrer nos mesmíssimos e

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seculares erros da Igreja, que, ainda, hoje, cobra todo tipo de serviço que presta à sociedade. É a elitização da cultura doutrinária. Sobre isso, Divaldo Franco elucida na Revista O Espírita, edição de 1992, o seguinte: “é lentamente que os vícios penetram nos organismos individuais e coletivos da sociedade. A cobrança desta e daquela natureza, repetindo velhos erros das religiões ortodoxas do passado, caracteriza-se ambição injustificável, induzindo-nos a erros que se podem agravar e de difícil erradicação futura. Temos responsabilidade com a Casa Espírita, deveres para com ela, para com o próximo e, entre esses deveres, o da divulgação ressalta como uma das mais belas expressões da caridade que podemos fazer ao Espiritismo, conforme conceitua Emmanuel, através da mediunidade abençoada de Chico Xavier. Nos eventos essencialmente espíritas, deveremos nós, os militantes na doutrina, assumir as responsabilidades, evitando criar constrangimentos naqueles que, de uma ou de outra maneira, necessitem de beneficiar-se para, em assimilando a doutrina, libertarem-se do jogo das paixões, encontrando a verdade. O dar de graça, conforme de graça nos chega, é determinação evangélica que não pode ser esquecida, e qualquer tentativa de elitização da cultura doutrinária, a detrimento da generalização do ensino a todas as criaturas, é um desvio intolerável em nosso comportamento espírita.” (3) As Federativas Espíritas devem envidar todos os esforços para que não haja a necessidade de qualquer cobrança de taxa de inscrição dos participantes de Congressos, exceto em casos extremos (o que não é desejável obviamente), procurando fazer frente aos custos do evento. Para esse mister devem buscar viabilizar, previamente, os recursos financeiros através de cotização espontânea de confrades bem aquinhoados. Realizar promoções, doutrinariamente, recomendáveis para angariar fundos. Os dirigentes devem preservar o Espiritismo contra os programas marginais, atraentes e, aparentemente, fraternistas, que nos desviam da rota legítima para as falsas veredas em que fulguram nomes pomposos e siglas variadas. A Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Chico Xavier já advertia, em 1977, que "É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...).” (4)

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Não reprovamos os Congressos, Simpósios, Seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas, a Doutrina Espírita não pode se trancar nas salas de convenções luxuosas, não se enclausurar nos anfiteatros acadêmicos e nem se escravizar a grupos fechados. À semelhança do Cristianismo, dos tempos apostólicos, o Espiritismo é dos Centros Espíritas simples, localizados nos morros, nas favelas, nos subúrbios, nas periferias e cidades satélites de Brasília; e não nos venham com a retórica vazia de que estamos propondo, neste artigo, alguma coisa que lembre um tipo de “elitismo às avessas”. Graças a Deus (!), há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec. Assim, esperamos! Jorge Hessen http://jorgehessen.net/ jorgehessen@gmail.com Fontes: (1) Cf. Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979 (2) Editorial da Revista O Espírita, ano 11 numero 57-jan/mar/90. (3) Revista O Espírita/DF, ano 1992- Página “Tribuna Espírita” –Divaldo Responde- pag. 16 (4) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.

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FRANCISCO DE ASSIS NÃO É O AUTOR DA “ORAÇÃO DA PAZ” O famoso “Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz (...)”, início da oração atribuída a Francisco de Assis, é conhecida em quase todo o mundo cristão e traduzida nas mais diversas línguas. Certo dia, ao proferir uma palestra, citei o pensamento franciscano “é dando que se recebe”. Terminada a exposição doutrinária, o dirigente me informou que a “Oração de Francisco de Assis” não fora criada por ele. Fiquei curioso e, por ignorar esse fato, fui compulsar algumas fontes, principalmente o historiador Christian Renoux, doutor em História Moderna e conferencista da Universidade de Angers, na França. Para muitos, a oração é de autoria de Francisco de Assis; outros a aceitam, simplesmente, sem posicionamento crítico sobre a sua origem. Afirmam, alguns, que, embora não seja de autoria de Francisco, ele a utilizava sempre em suas orações. Porém, se Francisco a tivesse conhecido, ela deveria ter sido transmitida em manuscritos de sua época, e não foi. Até porque, dentre os quatrocentos a quinhentos manuscritos examinados para a edição crítica dos Escritos de Francisco de Assis, a famosa oração não foi encontrada. Mas, se não é de autoria do filho de Assis, sobram indagações de difíceis respostas: Quem lhe conferiu a condição de ser o autor da “Oração da Paz”, que muitos conhecem como “Oração de São Francisco”? Foi quem a criou ou aquele que a encontrou? Por que o anonimato do autor? A “Oração da Paz” se expressa com a contraposição entre virtudes e vícios de uma maneira bem semelhante às de Francisco. Mas, das orações de Francisco, nenhuma é feita no estilo da oração que conhecemos. Ela se aproxima, apenas, da forma como foram escritos dois textos filho de Assis: Vejamos: A frase “Onde houver ódio, que eu leve o amor” lembra a “Admoestação 27”: “Onde há caridade e sabedoria, aí não há nem temor nem ignorância. Onde há paciência e humildade, aí não há nem ira nem perturbação. Onde há pobreza com alegria, aí não há nem ganância nem avareza. Onde há quietude e meditação, aí não há nem preocupação nem divagação. Onde há temor do Senhor para guardar seus átrios, aí o inimigo não tem lugar para entrar. Onde há misericórdia e discernimento, aí não há nem superfluidade nem rigidez”. As demais contraposições ódio/amor, ofensa/perdão, dúvida/fé, desespero/esperança, tristeza/alegria estão ancoradas na pregação de Jesus e na sua

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prática libertadora. “Pois é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado; e é morrendo que se vive para a vida eterna” – é, igualmente, fundada nos textos do Evangelho. (1) Pesquisa histórica realizada, exaustivamente, pelo professor Christian Renoux remonta para o ano de 1912, momento histórico em que ela apareceu, pela primeira vez, em uma pequena revista local da Normandia (2), na França. Vinha sem referência de autor, transcrita de outra revista tão insignificante, que nem deixou sinal da história, pois, em nenhum arquivo da França, foi encontrada. Universalizou-se a partir de sua publicação no Ossevatore Romano, órgão oficioso do Vaticano, no dia 20 de janeiro de 1916. No dia 28 de janeiro, do mesmo ano, foi publicada no conhecido diário católico francês La Croix. Era o tempo da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e, por toda parte, faziam-se orações pela paz. Pouco tempo depois da publicação da “Oração da Paz”, em Roma, um franciscano, Visitador da Ordem Terceira Secular de Reims, na França, mandou imprimir um cartão, tendo, de um lado, a figura de Francisco de Assis e, do outro, a referida oração, com a indicação da fonte: Souvenir Normand. No final, uma pequena frase, dizia: “essa oração resume os ideais franciscanos e, ao mesmo tempo, representa uma resposta às urgências de nosso tempo. Renoux demonstra como começou, equivocadamente, a atribuição a São Francisco de Assis. Foi através de um impresso “da imagem de Francisco”, em Reims, na França, logo após a guerra de 1914-18, por iniciativa do capuchinho, Pe. Benoît. Por volta de 1925, a oração começa a ser difundida em ambientes protestantes da França, através do pastor valdense Jules Rambaud, à época, empenhado na reconciliação entre franceses e alemães. Nesse mesmo ano, um oficial protestante alsaciano, Etienne Bach, adota a oração como texto oficial do seu movimento e a publica no Boletim dos Cavaleiros da Paz, difundindo-a, a seguir, por todos os meios possíveis. Um cartão postal, impresso com o texto da oração, em 1927, a intitula “Oração dos Cavaleiros da Paz”. E são eles, os protestantes franceses, que, em agosto de 1927, pela primeira vez, imprimiram-na com a indicação: “atribuída a São Francisco de Assis”, sem explicar, porém, essa atribuição. Na Inglaterra, a difusão começou entre os anglicanos, que a publicaram, pela primeira vez, em 1936, intitulando-a “A prayer of Saint Francis”. Nos Estados Unidos, o movimento católico dos Cristóforos, fundado em 1945, tomou a oração como sua e a difundiu, largamente, pelos jornais, pelo rádio e, logo, pela TV. Em 1968, o luterano alemão Frieder Schulz publica um longo artigo sobre a história da oração, descartando sua origem franciscana.

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Em 1996, nos Estados Unidos, o Pe. Regis Armstrong traduz e publica, na revista franciscana de New York, os artigos já mencionados de Willibrord, Schulz e Poulenc, para desfazer o equívoco da atribuição a São Francisco. Em síntese, pelo exposto, estou certo de que as edições impressas, as edições críticas, as fontes franciscanas, os estudos modernos sobre Francisco de Assis, etc., remetem-me a uma conclusão, absolutamente, clara: Francisco de Assis não é o autor da “Oração da Paz”, equivocadamente, conhecida como “Oração de São Francisco”. Jorge Hessen http://jorgehessen.net jorgehessen@gmail.com Notas: (1) Cf. Lucas Cap. 6 versículo 38 – “daí e vos será dado” (2) revista devocional francesa La Clochette, editada em Paris, no número de dezembro de 1912. O redator da revista era o Pe. Bouquerel (1855-1923), que a publicou, sem nome de autor e sem atribuí-la a São Francisco

COEXISTÊNCIA ENTRE CIÊNCIA E ESPIRITISMO É POSSÍVEL? Nos tempos medievais, havia o consenso de oposição entre fé e razão (Ciência e Religião). Entronizava-se o paradigma religioso, através do qual tudo era explicado pelas imposições religiosas. Na Renascença, ocorreu a revolução do pensamento científico, mormente a partir de Galileu e, posteriormente, de Newton. A partir deles, o homem modificou a maneira de ver e interpretar o mundo, irrompeu-se um novo enfoque - o científico, desintegrando-se os medievais métodos religiosos. Nos fenômenos espirituais (metafísicos), defrontamos com limitações no que se refere à experimentação científica. Esta classe de fenômenos é, ainda, muito pouco estudada, quando comparada com outros objetos de estudo das ciências ortodoxas. Para Eduardo Marino, professor titular de física, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e membro da Academia Brasileira de Ciências, hoje, apesar de ainda polêmico, há coexistência entre Ciência e espiritualidade, configurando-se em novo paradigma acadêmico.

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Em 1962, Thomas Kuhn, introduziu o conceito de paradigma (1). Atualmente, paira um clima de inexatidão racional, compatível com o livre-exame e incompatível com todo princípio que se pretenda absoluto. O físico Fritjof Capra é, totalmente, aberto à metafísica e crê ser capaz de fornecer a matéria-prima para a elaboração de hipóteses experimentais. Em 1975, declarou, em seu livro, "O Tao da Física", que "o método científico de abstração é muito eficaz e possante, mas não devemos lhe pagar o preço, pois existem outras aproximações possíveis da realidade". (2) A rigor, "os inconcebíveis fenômenos da percepção extrasensorial parecem, de certo modo, menos absurdos, comparados aos inconcebíveis fenômenos da física". (3) De toda classe de fenômenos, os ditos fenômenos espirituais são os menos redutíveis e controláveis e, por isso, mais distantes de atingir aqueles pretensos requisitos que dão o status de Ciência ou "mais ciência que as outras". O fato de não se conseguir precisão e controle tão apurados, como nas Ciências exatas, não significa que os métodos e técnicas das Ciências que investigam a espiritualidade sejam menos eficazes ou mais limitados. Os fenômenos quânticos, por exemplo; mas outros tantos campos, como a teoria do caos, revelam, de maneira mais profunda, que quase nada é perfeitamente preciso e controlável. O genial lionês não caiu na psicose de adequação ao paradigma materialista, positivista e reducionista das Ciências do Século XIX. Contudo, preservou características fundamentais a fim de dar um caráter de cientificidade à Terceira Revelação. O nó da questão é que o "espiritual", no senso comum, tende ao "sobrenatural", destarte, não pode ser testado. Ora, não podendo ser testado e verificado, não pode ser científico. Por isso, para que exista uma "ciência espiritual" é preciso que este elemento não seja "sobrenatural" a fim de que possa ser observado e testado. Porém, o fato de ser natural não significa que seja material e nem, tampouco, que esteja sujeito aos mesmos meios de verificação da matéria. Alguns fenômenos quânticos possuem a característica de serem imprevisíveis e determinados por causas "imateriais". Além disso, tem-se comprovado a participação da consciência do observador como elemento determinante no desenrolar de fenômenos físicos. Para a teoria quântica, a matéria nem possui uma existência física real, mas uma probabilidade à existência. O que faz a matéria emergir do universo probabilístico, para irromper como onda ou partícula, é a consciência do observador. Por isso, observador e coisa observada formam um único e mesmo sistema. A consciência, mais do que interferir sobre a matéria, é o elemento que torna possível a própria existência da matéria analisada e, como ela não pode ser causa e efeito ao mesmo tempo, é necessário admitir que consciência e matéria possuem naturezas distintas.

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O Espiritismo, desde o princípio, reconheceu que a crença e o estado de espírito do observador têm influência direta sobre estes fenômenos e, ao invés de ignorar esse fato, considera-o como elemento fundamental para o sucesso na observação de fenômenos mediúnicos. Embora o Espiritismo trate de assuntos que escapam ao domínio das ciências clássicas, que se circunscrevem aos fenômenos físicos, Kardec, no Século XIX, escreveu que o "Espiritismo e a ciência se completam, reciprocamente". (4) Quando citamos ciência e espiritualidade, não estamos referindo a coisas incompatíveis e opostas. Todavia, devemos reconhecer que o objeto fundamental do Espiritismo não se pode comparar ao das ciências tradicionais, salvo nas interfaces ou nos pontos comuns. A Ciência, emancipada da fé, estabeleceu seus métodos de investigação, como meio de se aproximar da realidade, baseando-se em provas, princípios, argumentações e demonstrações que garantam a sua legítima validade. Em verdade, o Espiritismo toca domínios, até agora, reservados às religiões. Porém, em metodologia, o Espiritismo difere, radicalmente, das religiões tradicionais, porque rejeita a fé dogmática, a crença cega, as práticas ritualizadas, o culto exterior ou esotérico. "Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à religião, incompatíveis com as suas necessidades de sentimento, não é razoável que a religião obrigue a Ciência à adoção de normas inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio." (5) Os que declaram que os fenômenos Espíritas não são objetos da Ciência, não sabem o que dizem, pois que "O objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do princípio espiritual, (...) uma das forças da natureza, que reage, incessante e reciprocamente, sobre o princípio material." (6) O genial lyonês afirma que "Espiritismo e Ciência se completam, reciprocamente. A Ciência, sem o Espiritismo, acha-se na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria. Ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação. Seria preciso alguma coisa para preencher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse; esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal" (7) O Codificador lembra, ainda, que "O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, ele se modificará sobre esse ponto; se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará." (8) Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net

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Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com Fontes: (1) Os paradigmas são descobertas científicas universalmente reconhecidas que, por um tempo, fornecem a uma comunidade de pesquisadores problemas típicos e soluções (2) Cf. Kempf Charles, artigo O Espiritismo é uma Ciência? Traduzido por: Paulo A. Ferreira, revisado por: Lúcia F. Ferreira, disponível http://www.uff.br/fisio6/aulas/aula_01/topico_01.htm.acesso em 07-04-08 (3) Koestler, Arthur. As Razões da Coincidência, RJ: editora Nova Fronteira, 1972 (4) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 2003, Cap. 1, parágrafo 16, (5) Xavier, F. Cândido, Segue-me, ditada pelo Espírito Emmanuel, SP: 7.ed. Matão, Editora O CLARIM, 1994 (6) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 2003, Cap. "Os milagres e as predições segundo o Espiritismo", item 16v (7) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1984, p. 37 (8) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 2003, cap. 1, item 55

TODA DOENÇA SEMPRE SERÁ REFLEXO DO ESTADO MENTAL DO DOENTE Em caso raro, ocorrido no Japão, falha no sistema imunológico do bebê fez as células cancerígenas da mãe, de 28 anos, serem transferidas para a criança ainda no útero. Os pesquisadores detectaram que células de leucemia tinham atravessado a placenta da gestante e afetado a saúde de seu bebê. Por esse motivo, equipe do Instituto de Pesquisa do Câncer, da Universidade de Londres, trabalhando em conjunto com médicos japoneses, tem se esforçado para apresentar mais provas, a fim de demonstrar que o câncer pode ser transmitido durante a gestação. Um mês após o nascimento do bebê, a mãe foi diagnosticada em estágio avançado de leucemia e faleceu. Quando o bebê completou 11 meses de idade, foi levado ao hospital com a face direita do rosto inchada. Exames mostraram que a criança tinha um tumor em seu maxilar e o câncer já havia se espalhado para os

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pulmões. Os médicos japoneses suspeitaram de uma ligação com a leucemia que levou sua mãe a óbito. Foram examinados os genes das células cancerosas no bebê e encontraram uma mutação, ou seja, um “apagamento” em uma região do DNA que controla a expressão do lócus principal de histocompatibilidade (1), que é responsável pela imunidade do indivíduo. Essa falha, para os médicos, impediu que o sistema imunológico do bebê reconhecesse que as células de câncer eram “invasores” e, por isso, elas não foram destruídas. As conclusões foram publicadas em um artigo da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, no qual os pesquisadores explicam como usaram a genética para demonstrar que as células do câncer vieram da mãe. O que há de mais instigante no câncer é que, em tese, ele é parte do nosso próprio corpo - uma parte que resolveu se “rebelar” contra o resto. As células cancerosas se tornam "traiçoeiras" ao sofrerem mutações em seu DNA. Várias das mutações que levam a um câncer são bem conhecidas e estão relacionadas a danos em genes responsáveis pela capacidade das células de controlar sua multiplicação. No que se refere ao bebê em questão, considerando os mecanismos da reencarnação, transmitindo-se, ou não, células malignas materna, durante a gestação, indiferentemente, a doença se instalaria, ou não, pois toda patologia sempre será reflexo do estado mental do doente. No caso analisado, se há cumplicidade entre a mãe e o bebê, obviamente, o roteiro da existência seguirá consoante a Lei de Ação e Reação. Ora, se o bebê não trouxesse uma pendência do passado fincada ao câncer, por exemplo, não ocorreria a transmissão de célula cancerosa da mãe para a criança na vida intra-uterina, porém, ainda que eventualmente ocorresse essa transmissão, as células doentes não se desenvolveriam no corpo do rebento, pis não teria campo para isso. É a Justiça da Lei de Deus! Até porque, das patologias humanas, o câncer é o mais, fortemente, enraizado aos erros morais do passado (recente ou remoto). O conhecimento espírita nos auxilia a transformar a carga mental da culpa, incrustada no perispírito, e nos possibilita maior serenidade ante os desafios da doença. Isso influenciará no sistema imunológico. Os reflexos dos sentimentos e pensamentos negativos que alimentamos se voltam sobre nós mesmos, depois de transformados em ondas mentais, tumultuando nossas funções orgânicas. Todavia, será crível que a carga mental positiva, por meio de um estado psicológico ou emocional, tem a capacidade de curar doenças? Para alguns, o fato de as pessoas com câncer estarem otimistas ou pessimistas, em relação à cura, não influencia, diretamente, nas chances de sobrevivência à doença. Evidentemente, discordamos desses argumentos, uma vez que diversas provas registram que, no caso de doenças graves, a mente pode influenciar no resultado de recuperação.

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Em que pese considerarmos a importância dos médicos e o valioso contributo da ciência, quando não apoiados na mudança de comportamento mental do doente, somente o bom relacionamento médico-paciente é limitado e insuficiente para atacar as causas da doença e a angústia dela decorrente. O paciente, ao chegar ao hospital, traz consigo, além da doença, sua trajetória de vida atual e passada. O seu estado emotivo é resultante de alguns vetores como a estrutura da personalidade, interpretação e vivência dos acontecimentos, considerando aspectos do imaginário e do real, além de outras variáveis de causas patogênicas. Os espíritas sabem que a matéria mental é criação de energia que se exterioriza do Espírito e se difunde por um fluxo de partículas e ondas, como qualquer outra forma de propagação de energia existente no Universo. Pensar é um processo de projeção de matéria mental e essa matéria é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, saúde ou doenças, que não se reduzem, efetivamente, a abstrações, por representarem turbilhões de forças em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva, atraindo, para si mesma, os agentes [por enquanto imponderáveis], de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade, conforme conceitua o Espiritismo. Nesse aspecto, o estado mental, fruto das experiências de vida passada e presente, deixa de ter uma dimensão intangível para se consubstanciar na condição de matéria em movimento. Muitos pacientes, diante do diagnóstico da doença, transformam a dor em esperança e despertam, neles, a vontade de lutar por uma vida melhor. Outros, porém, desistem e se entregam, admitindo que estão sob uma sentença de morte. Cada caso é um caso e, a cada um, a vida responde segundo seus merecimentos. Do exposto, urge que busquemos, acima de tudo, os hábitos salutares da oração, da meditação e do trabalho, procurando enriquecer-nos de esperança e de alegria, para nunca desanimarmos diante dos desafios de qualquer doença, ainda que sob o guante de nossos delitos do passado “esquecido”. Lembremos, sempre, que o Evangelho do Senhor nos esclarece que o pensamento puro e operante é a força que nos arroja das trevas para a luz, do ódio ao amor, da dor à alegria. Para todos os males e quaisquer doenças, centremos nossos pensamentos em Jesus, pois nosso remédio é, e será sempre, o Cristo. Ajustemo-nos ao Evangelho Redentor, pois o Mestre dos mestres é a meta de nossa renovação. Jorge Hessen http://jorgehessen.net jorgehessen@gmail.com

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Nota 1) Compatibilidade de tecidos; grau de similitude de seus caracteres antigênicos, de que depende a não-rejeição de enxertos e transplantes de órgãos.

TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS É VALIOSA OPORTUNIDADE PARA O EXERCÍCIO DO AMOR. Quando se pode precisar que uma pessoa esteja, realmente, morta? Para a American Society of Neuroradiology, é através da morte encefálica, isto é, "quando constatado o estado irreversível de cessação de todo o encéfalo e funções neurais (resultante de edema e maciça destruição dos tecidos encefálicos) apesar da atividade cardiopulmonar poder ser mantida através de avançados sistemas de suporte vital e mecanismo de ventilação”. (1) Morte cerebral significa a desvitalidade do cérebro, incluindo tronco encefálico que desempenha funções cruciais como o controle da respiração. Quando isso ocorre, a parada cardíaca é inevitável. Embora, ainda, haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração não baterá por mais de algumas poucas horas. Por isso, a morte encefálica já caracteriza a morte do indivíduo. A medicina, no mundo inteiro, tem como certeza que a morte encefálica, incluída a morte do tronco cerebral, só terá constatação através de dois exames neurológicos, com intervalo de seis horas, e um complementar. Assim, quando for constatada cessação irreversível da função neural, esse paciente estará morto, para a unanimidade da literatura médica. (2) Recentemente, um homem, cujo coração estava parado há mais de uma hora e cujos órgãos os médicos estavam se preparando para recolher, a fim de utilizar em transplantes, despertou na mesa de cirurgia, ou seja, havia nele "sinais de vida", a rigor, um enunciado equivalente a determinar a ausência de sinais clínicos de morte. "Os participantes da equipe de cirurgiões presentes enfatizaram que, caso as recomendações oficiais que estão em vigor no momento tivessem sido seguidas à risca, o paciente, provavelmente, teria sido considerado como morto.” (3) Os Espíritos afirmaram a Kardec que o desligamento do corpo físico é um processo altamente especializado e que pode demorar minutos, horas, dias, meses.(4) O fato, obviamente, demonstra que a fronteira entre vida e morte suscita

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uma rigorosa reflexão dos profissionais de medicina (especialmente, entre especialistas em reanimação e as autoridades que regulamentam a bioética), e os obriga, algumas vezes, a questionar sobre quais critérios objetivos permitem definir o momento exato em que um paciente, que foi submetido a tentativas de reanimação, pode começar a ser considerado um potencial doador de órgãos. A situação representa uma ilustração pujante de questões que persistem, irresolvidas, pelo menos, na área da reanimação médica, quanto às modalidades de intervenção e critérios que permitam determinar o fracasso de um esforço de reanimação. Em que pesem as controvérsias sobre a morte encefálica, na vigência da qual os órgãos ou partes do corpo humano são removidos para utilização imediata em enfermos deles necessitados (transplantes), é mister considerar que estar em morte encefálica é permanecer em uma condição de parada definitiva e irreversível do encéfalo, incompatível com a vida e da qual ninguém, em tempo algum, recuperase. Havendo morte cerebral, verificada por exames convencionais e, também, apoiada em recursos de moderna tecnologia, apenas os aparelhos podem manter a vida vegetativa, por vezes, por tempo indeterminado. "É nesse estado que se verifica a possibilidade do doador de órgãos "morrer" através da ortotanásia e, só então, seus órgãos serem aproveitados - já que órgãos sem irrigação sangüínea não servem para transplantes. Eutanásia? Evidentemente que caracterizar o fato como tal carece de argumentação científica (...) para condenarem o transplante de órgãos. A eutanásia de modo algum se encaixaria nesses casos de morte encefálica comprovada."(5) A doação de órgãos é um procedimento médico moderno que não é, especificamente, mencionado nos textos evangélicos. Algumas pessoas se opõem a esse avanço da medicina, simplesmente, porque é "novo" e "diferente", mas esse argumento não serve de base correta para julgar a questão. O Criador deu, ao homem, a capacidade de pensar e a habilidade de inventar e nunca condenou o progresso tecnológico em si. Imaginemos o seguinte: Se a doação do próprio braço direito ou do rim direito salvar a vida do próprio filho, qual o pai amoroso que se recusaria a doá-lo? Portanto, a doação é um ato de bondade e amor que beneficia, também, um receptor desconhecido. O órgão que já não serve mais para a pessoa morta pode permitir a uma jovem mãe cuidar de seus próprios filhos, ou a uma criança chegar à idade adulta. "Se a misericórdia divina nos confere uma organização física sadia, é justo e válido, depois de nos havermos utilizado desse patrimônio, oferecê-lo, graças às conquistas valiosas da ciência e da tecnologia, aos que vieram em carência a fim de continuarem a jornada.” (6) A temática "doação de órgãos e transplantes" é bastante coetâneo no cenário terreno. Sobre o assunto, talvez, porque as informações instrutivas dos Benfeitores

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Espirituais não serem abundantes, há o receio do desconhecido que paira no imaginário de muitos homens. Eis o motivo pelo qual alguns espíritas se recusam a autorizar, em vida, a doação de seus próprios órgãos após o desencarne. Porém, é interessante introjetarmos a seguinte reflexão: se, hoje, somos doadores, amanhã, poderemos ser (ou nossos familiares e amigos) receptores de órgãos. "Para a maioria das pessoas, a questão da doação é tão remota e distante quanto à morte. Mas, para quem está esperando um órgão para transplante, ela significa a única possibilidade de vida! Joanna de Angelis, sabendo dessa importância, ressalta "(...) Verdadeira bênção, o transplante de órgãos concede oportunidade de prosseguimento da existência física, na condição de moratória, através da qual o Espírito continua o périplo orgânico. Afinal, a vida no corpo é meio para a plenitude - que é a vida em si mesma, estuante e real “(7) Em de entrevista, à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38, na qual Francisco Cândido Xavier comenta que o "transplante de órgãos, na opinião dos Espíritos sábios, é um problema da ciência muito legítimo, muito natural e deve ser levado adiante." Os Espíritos, segundo ele, "não acreditam que o transplante de órgãos seja contrário às leis naturais. Pois é muito natural que, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com proveito". "(8) Não se pode perder de vista a questão do mérito individual. "Estaria o destino dos Espíritos desencarnados à mercê da decisão dos homens em retirar-lhes os órgãos para transplante, ou em retalhar-lhes as vísceras por ocasião da necropsia?! O bom senso e a razão assinalam que isso não é possível, porquanto seria admitir a justiça do acaso e o acaso não existe!” (9) E mais, em síntese, a doação de órgãos para transplantes não afetará o espírito do doador, exceto se acreditarmos ser injusta a Lei de Deus e estarmos no Planeta à deriva da Sua Vontade. Lembremos que nos Estatutos do Criador não há espaço para a injustiça e o transplante de órgãos (conquista da ciência humana) é valiosa oportunidade, dentre tantas outras, colocada à nossa disposição para o exercício do amor. Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

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Fontes: (1) In: "Dos transplantes de Órgãos à Clonagem", de Rita Maria P.Santos, Ed. Forense, Rio/RJ, 2000, p. 41 (2) Pode-se ter certeza do diagnóstico de morte encefálica quando dois médicos de diferentes áreas examinam o paciente, sempre com a comprovação de um exame complementar, procedimento esse regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. (3) Disponível http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2944622EI8146,00.html, acessado em 02-02-10 (4) Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB/2003, questão n° 155, Cap. XI. (5) Bezerra, Evandro Noleto. Transplante de Órgãos na Visão Espírita, publicado na Revista Reformador- outubro/1998 (6) Franco, Divaldo Pereira. Seara de Luz, Salvador: Editora LEAL [o livro apresenta uma série de entrevistas ocorridas com Divaldo entre 1971 e 1990.] (7) Franco, Divaldo Pereira. Dias Gloriosos, ditado pelo Espírito Joanna de Angelis. Salvador/BA: Ed. LEAL, 1999, Cf. Cap. Transplantes de Órgãos (8) Entrevista de Francisco Cândido Xavier, à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38, (9) Bezerra, Evandro Noleto. Transplante de Órgãos na Visão Espírita, publicado na Revista Reformador- outubro/1998

A POLÍTICA ELEITOREIRA ANTE A POLÍTICA DO EVANGELHO Nas proximidades dos debates para eleições políticas, "esquenta" a discussão sobre o tema, se o espírita deve ou não participar da política partidária. Sobre isso, um amigo me confidenciou que diretores de uma federativa têm feito convites, aos espíritas, para o engajamento na militância política. (pasmem!) Por lógica, essa tolice não mereceria nossos comentários, pois já escrevemos muito sobre a questão. Todavia, somos forçados a analisar essas insistentes posturas, totalmente incompatíveis com o projeto Espírita na Terra. A Doutrina Espírita não estimula o engajamento em idéias e políticas partidárias. Não coloca sua tribuna a serviço da propaganda política de candidatos, de partidos ou de movimentos políticos.

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Em que pese a frase de um conhecido líder espírita, que proclama que "o problema não é de como o espírita entra na política, mas de como dela sai", o espírita, se estiver vinculado a alguma agremiação partidária, se deseja concorrer como candidato a cargo eletivo, tem total liberdade de ação, mas que atue bem longe dos ambientes espíritas, para que tudo que fizer ou disser, dentro da Instituição Espírita, não venha a ter uma conotação de atitude de disfarçada intenção, visando a conquistar os votos de seus confrades. No Espiritismo, a cautela é recomendável, tanto quanto a discussão; não pode haver preconceitos. Todavia, em se discutindo políticas sociais, é inadmissível trazer, para dentro dos Centros ou Instituições Espíritas, a política partidária, embora, como cidadão, cada espírita tem a liberdade de militar no universo fragmentado das ideologias políticas. Até porque, o Espiritismo não é fragmento da política partidária, e nem, tampouco, envolve-se com grupos políticos sectários, que utilizam meios incoerentes com os fins de poder. É muito importante distinguir a política terrena, da política do Cristo. O espírita, quando trabalha pela erradicação da miséria e da exclusão social do ser humano, está adotando a política do Evangelho, ou seja, a sua política, nesse sentido, é a da caridade sem fronteiras para todas as classes. A política do legítimo espírita é a favor do ser humano e de seu crescimento espiritual. Não se submete e não se omite diante do poder político, e nem, tampouco, assume o lugar de oposição ou de situação. Explica, Emmanuel, que "o discípulo sincero do Evangelho não necessita respirar o clima da política administrativa do mundo para cumprir o ministério que lhe é cometido. O Governador da Terra, entre nós, para atender aos objetivos da política do amor, representou, antes de tudo, os interesses de Deus junto do coração humano, sem necessidade de portarias e decretos, respeitáveis, embora". (1) É inadmissível a utilização da tribuna espírita, como palanque de propaganda política. O Espiritismo não pactua com superficiais e transitórios interesses terrenos. Por isso, ninguém pode deixar-se escravizar à procura de favores de parlamentares, a ponto de, este, exercer infausta influência nos conceitos espíritas. Outra hipocrisia é um espírita nos palanques, implorando votos, qual mendigo, com sofismas e simulação de modéstia, de pobreza, de humildade, de desprendimento, de tolerância, etc., com finalidade demagógica, exaltando suas próprias "virtudes" e suas "obras" beneficentes. O bom senso nos sussurra que o ideal seria se esses "espíritas" (!?), que mendigam votos, optassem por outro credo, para que lhes seja assegurada a não-contaminação dessa infecciosa politicagem em nossas hostes, até porque, "não temos necessidade absoluta de representantes oficiais do Espiritismo em setor algum da política humana".(2)

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Pela transformação de comportamento individual, lutando pelo ideal do bem, em nome do Evangelho, os espíritas não estão alheios à Política; engana-se quem pensa o contrário. Os espíritas honestos, fieis à família e aos compromissos morais, são, integralmente, cidadãos ativos, que exercem o direito e/ou obrigação (depende do ponto de vista) de votar; porém, sem vínculos com as querelas e questiúnculas partidárias. E, mais ainda, "iniciados na luz da Revelação Nova, os espiritistas cristãos possuem patrimônios de entendimento muito acima da compreensão normal dos homens encarnados." (3) Por isso mesmo, sabem, à saciedade, que "a missão da doutrina é consolar e instruir, em Jesus, para que todos mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da vida. Trocá-la, por um lugar no banquete dos Estados, é inverter o valor dos ensinos, porque todas as organizações humanas são passageiras em face da necessidade de renovação de todas as fórmulas do homem na lei do progresso universal." (4) É oportuníssimo lembrar que, nas pequeninas concessões, vamos descaracterizando o projeto da Terceira Revelação. Urge que façamos uma profunda distinção entre Espiritismo e Política. É bem verdade que somos políticos desde que nascemos e vivemos em sociedade, sim, e daí? A Doutrina Espírita não poderá, em tempo algum, ser veículo de especulação das ambições pessoais, nesse campo. Se o mundo gira em função de políticas econômicas, administrativas e sociais, não há como tolerar militância política dentro das hostes espíritas. Emmanuel nos comprova que não se sustentam as teses simplistas de que só com a nossa participação efetiva nos processos políticos, ao nosso alcance, ajudaremos a melhorar o mundo. Recordemos que Jesus cogitou muito da melhora da criatura em si. Não nos consta que Ele tivesse aberto qualquer processo político-partidário contra o poder constituído à época. Nossa conduta apolítica não deve ser encarada como conformismo. Pelo contrário, essa atitude é sinonímia de paciência operosa, que trabalha sempre para melhorar as situações e cooperar com aqueles que recebem a responsabilidade da administração de nossos interesses públicos, e PONTO FINAL. Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

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Fontes: (1) Xavier, Francisco Cândido. Vinha de Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, cap. 59 (2) VIEIRA, Valdo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de janeiro: FEB, 2001, Cap. 10 (3) Xavier, Francisco Cândido. Vinha de Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, cap. 60 (4) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1984, pergunta 60

EUTANÁSIA E SUICÍDIO, ALGUNS APONTAMENTOS ESPÍRITAS Notícia recente relata que a Justiça da Inglaterra absolveu Bridget Kathleen Gilderdale, pelo crime de tentativa de homicídio, por ter induzido, ao suicídio, a filha Lynn Gilderdale, portadora de esclerose múltipla, que se comunicava, apenas, através de sinais, e estava, há dezessete anos, aprisionada em uma cama. (1) A corte foi informada de que Lynn já havia tentado se matar antes e registrado um pedido para que não mais fosse ressuscitada. Gilderdale confessou ter auxiliado a filha a suicidar-se depois de ter tentado, sem sucesso, convencê-la a permanecer viva. A decisão do Tribunal de Lewes, no condado de East Sussex, ganhou as páginas dos principais jornais ingleses porque, dias antes, a mesma justiça britânica condenou Frances Inglis à prisão perpétua por ter induzido a morte, com injeções de heroína, o filho que havia sofrido lesão cerebral e estava sob tratamento intensivo, desde 2007, gerando o debate sobre mudanças nas leis que tratam de suicídio assistido, eutanásia e homicídio. Enquanto o juiz do caso Gilderdale declarou apoio à ré, o juiz Brian Barker do caso de Inglis disse que "não há na lei nenhum conceito sobre assassinato misericordioso - isso continua sendo assassinato". Sem entrar no mérito jurídico, a manchete nos induz a comentar, doutrinariamente, sobre a eutanásia e o suicídio. A eutanásia, como sabemos, é uma prática que não tem o apoio da Doutrina Espírita. Kardec e outros autores, como Joanna de Ângelis, já se posicionaram sobre esse tema. Muitos médicos revelam que eutanásia é prática habitual em UTIs do Brasil, e que apressar, sem dor ou sofrimento, a morte de um doente incurável é ato

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freqüente e, muitas vezes, pouco discutido nas UTIs dos hospitais brasileiros. Apesar de a Associação de Medicina Intensiva Brasileira negar que a eutanásia seja frequente nas UTIs, existem aqueles que admitem razões mais práticas, como, por exemplo, a necessidade de vaga na UTI, para alguém com chances de sobrevivência, ou a pressão, na medicina privada, para diminuir custos. Nos Conselhos Regionais de Medicina, a tendência é de aceitação da eutanásia, exceto em casos esparsos de desentendimentos entre familiares sobre a hora de cessar os tratamentos. Médicos e especialistas em bioética defendem, na verdade, um tipo específico de eutanásia, a ortotanásia, que seria o ato de retirar equipamentos ou medicações, de que se servem, para prolongar a vida de um doente terminal. Ao retirar esses suportes de vida, mantendo, apenas, a analgesia e tranquilizantes, espera-se que a natureza se encarregue da morte. A eutanásia vem suscitando controvérsias nos meios jurídicos, lembrando, no entanto, que a nossa Constituição e o Direito Penal Brasileiro são bem claros: constitui assassínio comum. Nas hostes médicas, sob o ponto de vista da ética da medicina, a vida é considerada um dom sagrado e, portanto, é vedada, ao médico, a pretensão de ser juiz da vida ou da morte de alguém. A propósito, é importante deixar consignado que a Associação Mundial de Medicina, desde 1987, na Declaração de Madrid, considera a eutanásia como sendo um procedimento, eticamente, inadequado. No aspecto moral ou religioso, sobretudo espírita, lembremos que não são poucos os casos de pessoas desenganadas pela medicina, oficial e tradicional, que procuram outras alternativas e logram curas espetaculares, seja através da imposição das mãos, da fé, do magnetismo, da homeopatia ou mesmo em decorrência de mudanças comportamentais. Criaturas outras, com quadros clínicos de doenças incuráveis, uma vez posto o magnetismo em atividade, também conseguem reverter as perspectivas de uma fatalidade, com efetivas melhoras, propiciando horizontes de otimismo para suas almas. Não cabe ao homem, em circunstância alguma, ou sob qualquer pretexto, o direito de escolher e deliberar sobre a vida ou a morte de seu próximo, e a eutanásia, essa falsa piedade, atrapalha a terapêutica divina nos processos redentores da reabilitação. Nós, espíritas, sabemos que a agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser, em verdade, um bem. Nem sempre conhecemos as reflexões que o Espírito pode fazer nas convulsões da dor física e os tormentos que lhe podem ser poupados graças a um relâmpago de arrependimento. Dessa forma, entendamos e respeitemos a dor, como instrutora das almas e, sem vacilações ou indagações descabidas, amparemos quantos lhe

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experimentam a presença constrangedora e educativa, lembrando sempre que a nós compete, tão-somente, o dever de servir, porquanto a Justiça, em última instância, pertence a Deus, que distribui conosco o alívio e a aflição, a enfermidade, a vida e a morte, no momento oportuno. Sobre o suicídio, o Espiritismo adverte que o suicida, além de sofrer no mundo espiritual as dolorosas conseqüências de seu gesto impensado, de revolta diante das leis da vida, ainda renascerá com todas as sequelas físicas daí resultantes, e terá que arrostar, novamente, a mesma situação provacional que a sua flácida fé e distanciamento de Deus não lhe permitiram o êxito existencial. É verdade que, após a desencarnação, não há tribunal nem Juízes para condenar o Espírito, ainda que seja o mais culpado. Fica ele, simplesmente, diante da própria consciência, nu perante si mesmo e todos os demais, pois nada pode ser escondido no mundo espiritual, tendo o indivíduo de enfrentar suas próprias criações mentais. O suicídio é a mais desastrada maneira de fugir das provas ou expiações pelas quais devemos passar. É uma porta falsa em que o indivíduo, julgando libertar-se de seus males, precipita-se em situação muito pior. Arrojado, violentamente, para o Além-túmulo, em plena vitalidade física, revive, intermitentemente, por muito tempo, os acicates de consciência e sensações dos derradeiros instantes, além de ficar submerso em regiões de penumbras, onde seus tormentos serão importantes para o sacrossanto aprendizado, flexibilizando-o e credenciando-o a respeitar a vida com mais empenho. André Luiz cita, nas suas obras, que "os estados da mente são projetados sobre o corpo através dos bióforos, que são unidades de força psicossomáticas que se localizam nas mitocôndrias. A mente transmite seus estados felizes ou infelizes a todas as células do nosso organismo, através dos bióforos. Ela funciona ora como um sol, irradiando calor e luz, equilibrando e harmonizando todas as células do nosso organismo, e ora como tempestades, gerando raios e faíscas destruidoras que desequilibram o ser, principalmente, em atingindo as células nervosas"(2) A questão 920, de O Livro dos Espíritos, registra que a vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores.(3) Recordemos que Jesus nos assegurou que "O Pai não dá fardos mais pesados que nossos ombros" e "aquele que perseverar até o fim, será salvo". (4) O verdadeiro cristão porta-se, sempre, em favor da manutenção da vida e com respeito aos desígnios de Deus, buscando não só minorar os sofrimentos do próximo - sem eutanásias/claro! - mas, também, confiar na justiça e na bondade divina, até porque, nos Estatutos de Deus não há espaço para injustiças. Somos responsáveis pela situação em que o mundo se encontra. "Todos os suicidas, sem

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exceção, lamentam o erro praticado e são acordes na informação de que só a prece alivia os sofrimentos em que se encontram e que lhes pareciam eternos."(5) Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com Fontes: (1) Lynn sofria desde os 14 anos de encefalomielite miálgica. A doença que afeta o sistema nervoso e lhe privou dos movimentos da cintura para baixo e da capacidade de engolir alimentos. (2) Xavier, Francisco Cândido, Missionário da Luz, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB 2003. (3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2002, pergunta 920 (4) MT 24:13 (5) INNOCÊNCIO, J. D. Suicídio. REFORMADOR, Rio de Janeiro, v. 112,

O PORVIR DO ESPIRITISMO ANTE A ERA DA COMUNICAÇÃO VIRTUAL Peter Bradwell, autor de uma pesquisa feita em um centro de estudos britânico, sugere que os patrões deveriam evitar restringir que seus funcionários visitem sites, de relacionamento social, em horários de trabalho. O autor defende, ainda, a importância que os sites, como Facebook, MySpace ou Orkut, têm para vida profissional. Porém, recomenda que as empresas fiquem alerta e interfiram, com rigidez, em relação aos funcionários que abusam do uso desses sites. Para o pesquisador, a utilização dessas tecnologias, visando maior aproximação com ex-funcionários e clientes em potencial, pode aumentar a produtividade, pode incentivar a criatividade, e pode ajudar a manter um ambiente de trabalho mais democrático. Contudo, alerta que são necessárias regras claras para o uso apropriado de sites de relacionamento. “É bom que as companhias estejam cientes das tensões e analisem a implantação de regras práticas para proteger o impacto

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positivo das redes de relacionamento", conforme afirmou Robert Ainger, da companhia de telefonia celular, Orange, que encomendou o relatório. (1) “A maneira como as pessoas interagem com os computadores vai mudar, dramaticamente, nos próximos anos”, afirmou o fundador da Microsoft, Bill Gates, em entrevista à BBC. (2) Ele prevê que as interfaces tradicionais, como o teclado e o mouse, darão espaço, gradualmente, a tecnologias mais intuitivas e "naturais", como o toque, a visão e a fala. “Em cinco anos, teremos dezenas de milhões de pessoas sentadas navegando, organizando suas vidas, usando este tipo de interface de toque.” (3) Cremos que “a Internet tem papel fundamental como palco para a democratização do saber, através de sua diversidade e pluralismo.” (4) Existem espíritas que veem a Internet com olhos enviesados, aguilhoados pelos seus medos e mitos. Mas, é importante lembrar que o Espiritismo é uma doutrina aberta aos avanços científicos. O pessimista de plantão e o crítico de carteirinha rejeitam a Internet por causa dos excluídos digitais, o que é ainda uma grave realidade. Mas, acredito que no porvir, ter Internet com tecnologias muitíssimo mais avançadas, usando nossos sentidos, eu diria, será tão comum quanto ter uma geladeira, uma televisão ou mesmo um telefone. Já estamos vendo isso no Estado do Pará. Transformações sociais, mudanças no panorama dos conhecimentos gerais do homem, não podem estagnar o Espiritismo, não podem fechá-las em um pétreo corpo ortodoxo. A incompatibilidade, que se acredita existir entre tecnologia (ciência) e religião, “provém de uma falha de observação, e do excesso de exclusivismo de uma e de outra parte. Disso resulta um conflito, que originou a incredulidade e a intolerância”. (5) Divaldo diz que “se Allan Kardec estivesse reencarnado, nestes dias, utilizar-se-ia da Internet com a mesma nobreza com que recorreu à imprensa, do seu tempo, na divulgação e defesa do Espiritismo, diante dos seus naturais adversários”. (6) Segundo o ínclito professor Rivail, "uma publicidade em larga escala, feita nos jornais de maior circulação, levaria ao mundo inteiro, até as localidades mais distantes, o conhecimento das idéias espíritas, despertaria o desejo de aprofundá-las e, multiplicando-lhes os adeptos, imporia silêncio aos detratores, que logo teriam de ceder, diante do ascendente da opinião geral.” (7) Desde a popularização do rádio, disseminado em grande parte do mundo, até as décadas de 30 e 40; a expansão da TV, disseminada no Brasil, a partir dos anos 50; a Internet, a partir da década de 90, com a criação dos sistemas de rede (web), creditada a Tim Berners Lee, o nível de informação das pessoas aumentou, consideravelmente. Mesmo aqueles que, na sociedade atual, são considerados ignorantes, detêm um volume de informação muito maior que há algumas décadas.

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Em termos espíritas, isso pode proporcionar um aprofundamento sobre a Doutrina por parte daqueles que já se dizem adeptos, e, também, atrair outros que tenham alguma informação sobre o caráter conceitual do Espiritismo. Não devemos temer a Internet, tal qual, no mundo medievo, a Inquisição temia os livros. Apoiados no bom senso kardeciano, é urgente aprendermos a arrostar os desafios cibernéticos, sempre com a intenção de procurar a verdade e de esclarecer. Devemos saber distinguir o trigo do joio. A Internet, a despeito das informações incorretas, das agressões, das infâmias, da degradação e do crime, é, sem dúvida alguma, um instrumento de grandiosas realizações que dignificam o homem e preparam a sociedade para um porvir mais promissor. Pela Internet, são possíveis os estímulos de fraternidade entre as diversas instituições espíritas em nível mundial. Pela Internet, está surgindo um novo paradigma para o movimento espírita, reforçando a diretriz dada por Bezerra de Menezes e Ismael, na Pátria do Evangelho. Se o “Convertido de Damasco teve que andar centena de milhares de quilômetros a pé, de cidade em cidade, para divulgar o Evangelho, Deus, atualmente, dá-nos a oportunidade de estarmos no aconchego e comodidade do nosso lar e difundir a Terceira Revelação para todos os continentes. Diante disso, como garantir que o material postado seja legítimo? Como evitar que surjam cópias falsas ou mal editadas? Ambas as questões são importantes e relevantes, para que possamos entender como aplicar a Internet, corretamente, ao ambiente espírita. Nesse caso, a vigília equilibrada é fundamental para atingir uma abordagem balanceada, que possa explorar, plenamente, a tecnologia que temos disponível, e, concomitantemente, projetar os objetivos maiores do trabalho que está sendo desenvolvido, por permissão do Cristo, em nome da Terceira Revelação. Jorge Hessen http://jorgehessen.net jorgehessen@gmail.com Fontes: (1) Disponível em http://www.estadao.com.br/geral/not_ger269431,0.htm, acessado em 20-01-10 (2) Bill Gates em resposta a perguntas de usuários do site em inglês da BBC, disponível em http://www.estadao.com.br/tecnologia/not_tec105424,0.htm, acessado em 20-01-10 (3) idem (4) Entrevista de Pierre Lévy (filósofo) dada ao programa Roda Viva, da TV Cultura de SP, em que fala da cibercultura

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(5) Kardec, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, Cap. I - item 8 (6) Franco, Divaldo Pereira - Entrevista dada para a Revista Eletrônica "O Consolador" em 13.04.08 (7) Kardec, Allan. Obras Póstumas, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Projeto 1868

MÉTODOS DE “ENTERRAR OS MORTOS”, BREVES COMENTÁRIOS Li, recentemente, uma revista de curiosidades, noticiando que já há pessoas, planejando fórmulas de “embarcar, desta, para outra melhor”, sem deixar o mundo contaminado, em face da putrefação dos restos mortais. Para o método de se “enterrar os mortos”, ainda não há consenso sobre qual seria a alternativa mais, ecologicamente, correta, já que todas têm algum impacto ambiental: a cremação libera CO2 na atmosfera (1) e soluções, como transformar cinzas cadavéricas em diamante ou jogar no espaço, o que, obviamente, consomem muita energia. Alguns especialistas apontam o método freeze-dry, por enquanto disponível, apenas, na Suécia. A técnica consiste em congelar o corpo, junto com nitrogênio líquido, a uma temperatura de 96 graus negativos. Congelados, são colocados para vibrar em uma poderosa esteira e, em poucos minutos, tudo é estilhaçado, transformando-se em “pó”, na quantidade de 20 kg, a partir de um corpo de 70 kg. O “pó” é colocado em uma caixa de amido de batata ou de milho, e enterrado. Uma árvore é plantada em cima da caixa para aproveitar os nutrientes. Entre 6 meses e um ano, tudo desaparece. Parece até coisa de ficção científica. Para o biólogo Billy Campbell, fundador do primeiro cemitério verde dos EUA, o Ramsey Creek, em funcionamento desde 1996, “o enterro mais ‘verde’ é o que evita desperdício de recursos, não utiliza substâncias tóxicas e opta por materiais biodegradáveis, sem risco de extinção, e protege áreas ameaçadas”. (2) A empresa Eternal Reefs transforma as cinzas da cremação em uma placa que é colocada no fundo do mar e serve de base para corais. “Na Suíça, uma empresa transforma o produto da cremação em diamante. Para fazer a peça, são usados 500 gramas de cinzas e o preço varia, de 2.800 a 10.600 euros. (3) O processo crematório dispensa armazenamento de resíduos e não ocupa terrenos. “Uma pessoa com 70 quilos de massa se transforma em 1 ou 2 quilos de cinzas, enquanto, sob a terra, a

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decomposição pode durar até dois anos e deixar cerca de 13 quilos de ossos para a posteridade”, argumenta o geólogo Leziro Marques.(4) O problema dos cemitérios tradicionais (destino final de 80% dos brasileiros, por exemplo) é que, 75% deles, não respeitam determinações técnicas e acabam poluindo o ambiente com necrochorume (substância tóxica produzida pelo cadáver em decomposição). Para o geólogo e professor da Universidade São Judas Tadeu, Leziro Marques Silva, “um corpo de 70 quilos gera 30 quilos de necrochorume, por exemplo. “Os micro-organismos são levados pela água, para fora do cemitério, por quilômetros de distância, causando doenças como tétano, hepatite, febre tifoide e disenteria”. (5) De acordo com tese de pesquisa sobre o tema, a cada 70 anos, o planeta terá o número de enterrados na mesma quantidade de encarnados atuais, ou seja: daqui a sete décadas, terá 6 bilhões de cadáveres sepultados. Enquanto os profitentes do enterro tradicional (inumação) o defendem, por aguardarem o juízo final e a ressurreição do corpo físico, os que aprovam a cremação afirmam que o enterramento tem consequências sanitárias e econômicas, e, nesse raciocínio, explicam que os cemitérios estariam causando sérios danos ao meio ambiente e à qualidade de vida da população em geral. Laudos técnicos atestam que cemitérios contaminam a água potável que passa por eles e conduz sério risco de saúde humana às residências das proximidades, além das águas de nascentes, podendo, também, contaminar quem reside longe dos cemitérios. O planeta tem seus limites espaciais, o que equivale dizer que bilhões e bilhões de corpos enterrados vão encharcar o solo, invadir as águas com o necrochorume (líquido formado a partir da decomposição dos corpos que atacam a natureza, os quais provocariam doenças), disseminando doenças e outros riscos com os quais sanitaristas e pesquisadores têm se preocupado. "Ainda existe bastante solo no Brasil e admitimos, por isso, que não necessitamos copiar, apressadamente, costumes em pleno desacordo com a nossa feição espiritual”. (6) Kardec nada disse a respeito da cremação. Razão pela qual, o problema da incineração do corpo merece mais demorado estudo entre nós. Se, para uns, o processo crematório não repercute n’alma, para muitos outros, por trás de um cadáver, esconde-se a alma inquieta e sofrida, cuja cremação imediata dos restos mortais será pesadelo terrível e doloroso. Existem teses avessas à cremação, seja por motivo de ordem médico-legal; ou movida por razão de ordem afetiva; e, ainda, a impulsionada pela lógica de ordem religiosa, principalmente, porque a Igreja de Roma era contra o ato, e, até, negava o sacramento às pessoas cremadas. (7) Poderíamos, ainda, acrescentar mais uma objeção - talvez a mais séria: o

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desconhecimento das coisas do Espírito, que persiste, em grande parte, por medo infundido, preconceito arraigado e falta de informação. O assunto é complexo, principalmente, quando consideramos que, muitas vezes, "o Espírito não compreende a sua situação; não acredita estar morto, sente-se vivo. Esse estado perdura, por todo o tempo, enquanto existir um liame entre o corpo e o perispírito. (8) O perispírito, desligado do corpo, prova a sensação; mas, como esta não lhe chega através de um canal limitado, torna-se generalizado. Poderíamos dizer que as vibrações moleculares se fazem sentir em todo o seu ser, chegando, assim, ao seu sensorium commune (9), que é o próprio Espírito, mas, de uma forma diversa. Ressalta Kardec, "Nos primeiros momentos após a morte, a visão do Espírito é sempre turva e obscura, esclarecendo-se à medida que ele se liberta e podendo adquirir a mesma clareza que teve quando em vida, além da possibilidade de penetrar nos corpos opacos”. (10) Chico Xavier, ao ser questionado, no programa "Pinga Fogo", da extinta TV Tupi, de São Paulo, pelo jornalista Almir Guimarães, quanto à cremação de corpos que seria implantada no Brasil, à época, explicou: "Já ouvimos Emmanuel a esse respeito, e ele diz que a cremação é legítima para todos aqueles que a desejem, desde que haja um período de, pelo menos, 72 horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório, o que poderá se verificar com o depósito de despojos humanos em ambiente frio”. (11) Richard Simonetti, em seu livro, "Quem tem Medo da Morte", lamenta que "nos fornos crematórios de São Paulo, espera-se o prazo legal de 24 horas, inobstante o regulamento permitir que o cadáver permaneça na câmara frigorífica pelo tempo que a família desejar”. (12) Para os cadáveres, creio que o Espiritismo não recomenda nem condena a cremação ou o método freeze-dry. Mas, faz-se necessário exercer a piedade com os cadáveres, protelando, por mais tempo, a destinação das vísceras materiais (13), pois existem, sempre, muitas repercussões de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se esvaiu o "fluido vital", nas primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que, ainda, solicitam a alma para as sensações da existência material. A impressão da desencarnação é percebida, havendo possibilidades de surgir traumas psíquicos. Destarte, recomenda-se, aos adeptos da Doutrina Espírita, que desejam optar pelo processo crematório [ou método freeze-dry], prolongar a operação por um prazo, mínimo, de 72 horas após o desenlace. Jorge Hessen Site http://jorgehessen.net Email jorgehessen@gmail.com

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Fontes: (1) Feita de maneira correta, a queima dos corpos libera apenas água e gás carbônico em pequenas quantidades, já que os resíduos tóxicos ficam retidos em filtros de ar. (2) Revista Superinteressante – 07/2009 (3) Revista Mundo Estranho – 05/2009 (4) Revista Mundo Estranho – 05/2009 (5) http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/lixo/conteudo_480673.shtml (6) Com as modificações introduzidas pelo novo Ritual de Exéquias, é possível realizar os ritos esquiais inclusive no próprio crematório, evitando, porém, o escândalo ou o perigo de indiferentismo religioso.. (7) A Igreja romana, por ato do Santo Ofício, desde 1964, resolveu aceitar a cremação, passando a realizar os sacramentos aos cremados, permitindo as exéquias eclesiásticas. Aliás, em nota de rodapé de seu "Tratado" (vol. II. P. 534), o professor Justino Adriano registra o seguinte: "Jésus Hortal, comentando o novo Código de Direito Canônico diz que a disciplina da Igreja 'sobre a cremação de cadáveres, a que, por razões históricas, era totalmente contrária, foi modificada pela Instrução da Sagrada Congregação do Santo Ofício, de 5 de julho de 1963 (AAS 56, 1964, p. 882(8) Ensaio teórico sobre a sensação nos espíritos (cap. VI item IV, questão 257 Livro dos Espíritos). (9) Expressão latina, significando a sede das sensações, da sensibilidade. (10) Ensaio teórico sobre a sensação nos espíritos (cap. VI, item IV, questão 257 Livro dos Espíritos) (11) As duas entrevistas históricas realizadas ao saudoso Francisco Cândido Xavier na extinta TV Tupi/SP canal 4, em 1971 e 1972, respectivamente, enfaixadas nos livros Pinga Fogo com Chico Xavier (Editora Edicel) e Plantão de Respostas - Pinga Fogo II (Ed. CEU) (12) Simonetti, Richard. Quem tem Medo da Morte, SP: editora CEAC, 1987 (13) Depoimento de Chico Xavier in Revista de Espiritismo

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ARGUMENTOS ESPÍRITAS SOBRE EXISTÊNCIA DE VIDA FORA DA TERRA A vida e o Universo são magníficos mistérios. Dádiva de Deus, que não podemos, nem vamos, compreender de maneira tão simplória. Há dois mil anos, Jesus proclamou que "há muitas moradas na Casa do meu Pai". (1) Atualmente, não é difícil compreendermos que Deus criou Sua Casa (Universo), em cuja morada estão os incontáveis planetas. A questão fundamental é: Nós estamos sozinhos no Universo? Os astrônomos afirmam que estão próximos de responder essa questão que sempre perseguiu a humanidade, desde o início da civilização. O diretor do observatório astronômico do Vaticano (2), padre José Gabriel Funes, afirmou que Deus pode ter criado seres inteligentes em outros planetas, do mesmo jeito como criou o Universo e os homens. "Isso não contradiz nossa fé, porque não podemos colocar limites à liberdade criadora de Deus", acrescentou Funes, em entrevista ao jornal L'Osservatore Romano, órgão oficial de imprensa da Santa Sé".(3) Um dos ramos científicos que mais têm crescido, desde os anos 50, fazendo audaciosas pesquisas, ampliando muito o acervo de seus conhecimentos, é a Astronomia. Dela derivam, ou com ela interagem, a Astrofísica, a Astroquímica, a Exobiologia (estudo da possibilidade de vida fora da Terra). Simon "Pete" Worden, astrônomo, que lidera o Centro de Pesquisas Ames da NASA, afirma que nós [na Terra] não estamos sozinhos, pois que há muita vida [pelo Universo]. Desde 1995, a Astronomia registrou a descoberta de 400 novos planetas, pertencentes a outros sistemas planetários, muito além deste do qual fazemos parte. Na conferência anual da Sociedade Astronômica Norte-Americana, em cada descoberta, envolvendo os planetas de fora do nosso Sistema Solar (exoplanetas), apontam para a mesma conclusão: orbes, como a Terra, são, provavelmente, abundantes, apesar do violento Universo de estrelas explosivas, buracos negros esmagadores e galáxias em colisão. O fato é que estamos na Terra, um dos nove planetas do Sistema Solar. Embora pese mais de 6 sextilhões de toneladas e apresente uma superfície de 510 milhões de quilômetros quadrados, nem por isso é o maior destes planetas que giram ao redor do Sol. Júpiter, por exemplo, lhe é 1.300 vezes maior. Sobre este planeta, Kardec escreveu que "muitos Espíritos, que animaram pessoas conhecidas na Terra, disseram estar reencarnados em Júpiter" (4)

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James Jeans, um dos maiores astrônomos do nosso século, afirma, no livro The Universe Around Us (o Universo em volta de nós) que: o número de sistemas planetários, em todo o Espaço, é inimaginavelmente grande. Bilhões deles podem constituir réplicas, quase exatas, de nosso sistema Solar, e milhões de planetas podem constituir outras réplicas, quase exatas, da Terra. Ora, por que só existiria vida aqui no orbe, um planeta que tem um volume de 1.300.000 vezes menor que Júpiter; que dista da lua aproximadamente de 380.000 quilômetros. "Marte, está distante de nós (na Terra) cerca de 56.000.000 de quilômetros, na época de sua maior aproximação; Capela é 5.800 vezes maior que nosso [planetinha]; Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao Sol". (5) Há estrelas tão brilhantes, cuja luz tem uma intensidade 1 milhão de vezes maior do que a luminosidade solar. O Sistema Solar possui 9 planetas com 57 satélites. No total, são 68 corpos celestes. E, para que tenhamos noção de sua insignificância, diante do restante do Universo, "nosso Sistema compõe um minúsculo espaço da pequena da Via Láctea" (6), ou seja, um aglomerado de, aproximadamente, 100 bilhões de estrelas, com, pelo menos, cem milhões de planetas, que, segundo Carl Seagan, no mínimo, 100 mil deles com vida inteligente e mil com civilizações mais evoluídas que a nossa. (7) As últimas observações do telescópio Hubble (em órbita), elevaram o número de galáxias conhecidas. Sabe-se, hoje em dia, existirem, pelo Universo observável, pelo menos, 10 bilhões de galáxias. Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a 1 quatrilhão de sóis [isso mesmo, 1 quadrilhão!]. Acreditar que somente a Terra tenha vida é supor que todo esse imensurável Universo tenha sido criado sem utilidade alguma, e seria uma impossibilidade matemática que, num Universo tão inimaginável, não se tivesse desenvolvido vida inteligente, senão neste pequeno planeta. Aliás, seria um incompreensível desperdício de espaço. Concretamente, a Terra é, sem dúvida, o "único" local habitado que sabemos com certeza ter vida, pois, afinal, estamos aqui. No entanto, as provas materiais, da possibilidade fortíssima de haver vida em muitos outros lugares, estão em todo lugar: Astrônomos descobriram sinais de matéria orgânica em outro planeta; meteoros caem, aos montes, com vários compostos orgânicos essenciais à vida, sendo, talvez, o mais famoso deles o meteorito de Murchison; e, nem precisando ir tão longe, a Terra, mesmo, mostra-nos que a vida existe, também, nos locais mais inóspitos e surpreendentes e sob as condições mais hostis, como se vê no caso das formas de vida extremófilas, presentes em ambientes extremos, como gêiseres, mares polares frios e lagos altamente salinos.

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Segundo Allan Kardec, "repugna à razão crer que esses inumeráveis globos que circulam no espaço não são senão massas inertes e improdutivas."(8) A Ciência vem descobrindo, incessantemente, planetas situados em outros sistemas estelares. No campo das pesquisas científicas "o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem estar em erro, acerca de um ponto qualquer, ele se modificará nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará." (9) A proposição kardequiana, da pluralidade dos mundos habitados, continua tão atual quanto na data de sua publicação. Portanto, o Espiritismo corrobora com a tese da existência de vida fora da Terra. Destaque-se que, antes que a ciência humana e as religiões tradicionais admitissem essa possibilidade, os Espíritos revelaram, na questão 55, de O Livro dos Espíritos, "que são habitados todos os mundos que giram no espaço e que a Terra está muito longe de ser o único planeta que asila vida inteligente". (10) A propósito, o Espírito Emmanuel confirma que, "nos mapas zodiacais, observase, desenhada, uma grande estrela na Constelação do Cocheiro, que recebeu, na Terra, o nome de Cabra ou Capela. Magnífico sol entre os astros que nos são mais vizinhos, ela, na sua trajetória pelo Infinito, faz-se acompanhar, igualmente, da sua família de mundos, cantando as glórias divinas do Ilimitado. A sua luz gasta cerca de 42 anos para chegar à face da Terra, considerando-se, desse modo, a regular distância existente entre a Capela e o nosso planeta. Há muitos milênios, um dos orbes da Capela, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos."(11) Reafirma, ainda, Emmanuel que "alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade, que fizera jus à concórdia perpétua, para a edificação dos seus elevados trabalhos As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, deliberam, então, localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores." (12) Aqueles seres, explica o mentor de Chico Xavier: "angustiados e aflitos, que deixavam, atrás de si, todo um mundo de afetos, não obstante os seus corações empedernidos na prática do mal, seriam degredados na face obscura do planeta terrestre; andariam desprezados na noite dos milênios da saudade e da amargura; reencarnariam no seio das raças ignorantes e primitivas, a lembrarem o paraíso perdido nos firmamentos distantes. Por muitos séculos, não veriam a suave luz da

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Capela, mas trabalhariam na Terra acariciados por Jesus e confortados na sua imensa misericórdia."(13) Sobre isso Agostinho afirmou no século XIX que "não avançar é recuar, e, se o Espírito não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam".(14) Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com Fontes: (1) Cf. João 14:2 (2) A sede do observatório do Vaticano se localiza em Castelgandolfo, cidade próxima de Roma, onde fica situado o palácio de verão do papa, desde 1935. O interesse dos pontífices pela astronomia surgiu com o papa Gregório 13, que promoveu a reforma do calendário em 1582, dividindo o ano em 365 dias e 12 meses e introduzindo os anos bissextos. (3) Disponível em http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL4683625603,00VATICANO+ADMITE+QUE+PODE+HAVER+VIDA+FORA+DA+TERRA.html , acessado em 18-01-10 (4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. IV - Pluralidade das Existências / Item III - (Encarnação nos Diferentes Mundos) (5) XAVIER, Francisco Cândido. Roteiro, ditado pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 1994, Cap. 1. (6) As últimas observações do telescópio Hubble (em órbita), mostram o número de galáxias conhecidas de 50 milhões. (7) Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a um quatrilhão de sóis. (8) Allan Kardec, esposava a mesma idéia. Em 1858, escreveu em A Revista Espírita (9) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, cap. I (10) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, perg. 55 (11) XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 1994

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(12) idem (13) idem (14) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, cap. III

RESGATE COLETIVO NO HAITI, BREVE REFLEXÃO ESPÍRITA Para todos os fenômenos da vida humana, há sempre uma razão de ser. No dicionário Espírita, não deve constar a palavra “acaso”, ainda que as situações se nos afigurem insuportáveis. A tragédia do Haiti nos expõe, de maneira evidente, um episódio de resgate coletivo. Qual o significado dos milhares de seres que foram esmagados pelo terremoto? Catástrofe, cujas dimensões deixaram o mundo inteiro consternado? Para as tragédias coletivas, a Doutrina Espírita tem as explicações prováveis, considerando que, nos Estatutos de Deus, não há espaço para injustiça. Segundo os Espíritos, “se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há, também, aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal, por exemplo, os flagelos naturais.” (1) Pela reencarnação e pela destinação da Terra - como mundo expiatório - são compreensíveis as anomalias que o planeta apresenta quanto à distribuição da ventura e da desventura neste planeta. Aliás, anomalia só existe na aparência, quando considerada, tão-só, do ponto de vista da vida presente. “Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à idéia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.” (2) Em verdade, "as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus”. (3) É bem verdade que as catástrofes naturais ou acidentais, como a do Haiti, vitimam milhares de pessoas. Nesses episódios, as imagens midiáticas, virtuais ou impressas, mostram-nos, com colorido forte, o drama inenarrável de inúmeras pessoas, enquanto a população recolhe o que sobrou e chora seus mortos. Os flagelos destruidores ocorrem com o fim de fazer o homem avançar mais depressa. A destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que

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adquirem, em cada nova existência, um novo grau de perfeição. "Esses transtornos são, freqüentemente, necessários para fazerem com que as coisas cheguem, mais prontamente, a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.” (4) Dessa maneira, esses flagelos destruidores têm utilidade do ponto de vista físico, malgrado os males que ocasionam, "pois eles modificam, algumas vezes, o estado de uma região; mas o bem, que deles resulta, só é, geralmente, sentido pelas gerações futuras.” (5) Antes de reencarnarmos, sob o peso de débitos coletivos, muitas vezes, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos quitar a dívida, porém, o fato, por si só, não é determinístico, até, porque, depende de circunstâncias várias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida e "o amor cobre uma multidão de pecados.” (6) Aquele que se compraz na caminhada pelos atalhos do mal, a própria lei se incumbirá de trazê-lo de retorno às vias do bem. O passado, muitas vezes, determina o presente que, por sua vez, determina o futuro. "Quem com ferro fere, com ferro será ferido" - disse o Mestre. Porém, cabe a ressalva de que nem todo sofrimento é expiação. No item 9, Cap. V, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec assinala: "Não se deve crer, entretanto, que todo sofrimento porque se passa neste mundo seja, necessariamente, o indício de uma determinada falta: tratase, freqüentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito para sua purificação, para acelerar o seu adiantamento." (7) Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com Fontes: (1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. V (2) idem Cap. V (3) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. IX (4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 737 (5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 739 (6) Cf. Primeira Epístola de Pedro Cap. 4:8

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(7) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1989, Cap. V

ESPÍRITA-CRISTÃO DEVE SER O CLARO OBJETIVO DE NOSSA INSTITUIÇÃO Sabemos que Espiritismo tem por finalidade a nossa reforma íntima, porém, percebemos que, no Movimento Espírita brasileiro, coexistem interpretações diferentes sobre a rota segura de se lograr esse escopo. Não há dúvida de que essas diferenças fazem parte do processo, porém, precisamos estar atentos ao lidar com as divergências das práticas, considerando-se os múltiplos níveis de consciência. É compreensível que confrades intelectualizados, ainda, não moralizados, ao ingressarem nas hostes espíritas, imponham seus pontos de vista, “racionalmente”, diversas vezes, em confronto com a Codificação. Porém, como o Espiritismo está muito acima das ilações academicistas, as discrepâncias metodológicas não chegam a afetar a Doutrina em si, em seu contexto já consolidado. Todavia, costumam gerar alguns óbices ao Movimento, que a superioridade das boas práticas doutrinárias culminará por superar, com o tempo, esses embaraços. Observamos diversas vezes, entre os adeptos do Espiritismo, um comportamento encharcado de misticismos, profundamente clerical, na maneira de interpretar e de praticar a Doutrina Espírita. Essa postura inadequada tem gerado problemas complicados de serem contornados no seio do Movimento Espírita, como a ritualização de práticas bizarras, abuso de poder nas hierarquias das diretorias de Centros Espíritas, e outras dificuldades que desequilibram todo um conjunto. Experimentamos uma conjuntura de difíceis transformações, pois o povo brasileiro herdou uma péssima educação religiosa ancestral. Bom seria se os cônscios adeptos do Espiritismo conseguissem extirpar, definitivamente, esse mal progressivo que acarreta prejuízo ao Movimento Espírita. A visão contemplativo-religiosa da Doutrina, ainda, coloca-se como prioritária, para, supostamente, atender, mais de imediato, os sofrimentos morais, econômicos, sociais, emocionais, que açoitam a sociedade contemporânea. A visão de um Espiritismo sob o ângulo cientificista é compreensível, somente, para aqueles confrades de formação acadêmica e que se dedicam a eventuais experiências para,

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apenas, reconfirmarem os fatos que, desde o mestre lionês, já foram sobejamente provados. Todavia, ao invés da ritualística mística, que tem minado o edifício doutrinário, e avesso aos embates extremos cientificistas que cristalizam o sentimento, cremos que o razoável será a entronização dos conceitos filosóficos doutrinários, ensejando, desse modo, um comportamento ético-moral saudável, no qual a conseqüência religiosa será inevitável, porém, distante das fórmulas que identificam as religiões utilitaristas, apresentando-se como seitas que já estão, de há muito tempo, superadas. A Doutrina Espírita é pura e incorruptível. Porém, o Movimento Espírita, ou seja, a organização dos homens para praticá-la e divulgá-la é suscetível dos mesmos graves prejuízos que dificultaram a ação do cristianismo tradicional, hoje bastante fracionado. Por muitas e justas razões, devemos ficar atentos aos que se tornam líderes esquisitos e esdrúxulos, com comportamentos alienados, procurando apresentar propostas de exaltação do seu ego e gerando, à sua volta, uma mística que, infelizmente, vem desaguando em determinadas posturas, absolutamente incompatíveis com o Espiritismo. Conhecemos práticas estranhíssimas ao Projeto Espírita, a saber: dirigentes promovendo casamentos, crismas, batizados, velórios (tudo no salão de palestras), além das sempre “justificadas” rifas e tômbolas nos Centros, festival da caridade, tribuna para a propaganda político-partidário, preces cantadas, etc. Isso, sem nos aprofundarmos nos inoportunos trabalhos de passes com bocejos, toques, ofegações, choques anímicos (?), estalação dos dedos, palmas, diagnósticos pela “vidência": sobre doenças e obsessões, apometrias, desobsessão por corrente magnética, etc. Preservar, portanto, o trabalho de divulgação doutrinária, corretamente, sem os infelizes desvios que se observam em alguns setores do nosso Movimento, é dever que devemos impor a nós mesmos, ou seja, fidelidade aos preceitos Espíritas. O mestre lionês sempre preconizou a unidade doutrinária. Não há o menor espaço para compor com outras idéias que não sejam, ou convergentes e em uníssono com as suas, ou reflexos resplandecentes delas. Unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a fortaleza inexpugnável do Espiritismo. Por isso, necessita ser o nosso lema, o nosso norte, a nossa bandeira. A via mais segura, para esse desiderato, é a do esclarecimento, do estudo, do convencimento pela razão e pelo amor, jamais pelos anátemas, óbvio!... Para os mais radicais, a pureza doutrinária é a defesa intransigente dos postulados espíritas, sem maior observância das normas evangélicas; para os não menos extremistas, é a rígida igualdade de tipos de comportamento, sem a devida

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consideração aos níveis diferenciados de evolução em que estagiam as pessoas. Á rigor, os espíritas não são proibidos de coisa alguma, mas precisam saber que devem arcar com a responsabilidade de todos os atos, conscientes do desequilíbrio que possam praticar. Que terão que reconstruir o que destruírem e responderão pelo mal praticado e harmonizarão o que desarmonizarem. É da Lei de Causa e Efeito! Portanto, do exposto, reafirmamos que espírita-cristã deve ser a nossa conduta, ainda mesmo que estejamos em duras experiências. Espírita-cristão deve ser o nome do nosso nome, ainda mesmo que respiremos em aflitivos combates íntimos. Espírita-cristão deve ser o claro objetivo de nossa instituição, ainda mesmo que, por isso, nos faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres, consoante nos ensinam os Espíritos superiores. Jorge Hessen Site http://jorgehessen.net email jorgehessen@gmail.

SUPERDOTADOS, MIRACULOSA PREDISPOSIÇÃO BIOGENÉTICA OU REENCARNAÇÃO? A Teoria das Múltiplas Inteligências, de Howard Gardner, propõe que a mente humana é multifacetada, existindo várias capacidades distintas que podem receber a denominação de "inteligência". O superdotado consegue perceber mais do meioambiente do que a maioria das pessoas. Assim sendo, esse tipo de pessoa tende a ser visto como exagerado ou, excessivamente, sensível. Mas, quem é o superdotado? O que faz na Terra? Qual é o seu porvir? Perguntas, essas, que somente podem ser respondidas, tendo a pluralidade das existências como verdade absoluta e mecanismo natural de evolução do Espírito. Sem a palingenesia não há como se conceber o progresso humano, senão, vejamos: “O jovem Maiko Silva Pinheiro lia, sem dificuldade alguma, aos 4 anos; aprendeu a fazer contas, aos 5 e, aos 9, era repreendido pela professora, porque fazia as divisões, usando uma lógica própria, diferente do método ensinado na escola. Hoje, estuda economia no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, sendo bolsista integral. Aos 17 anos, os diretores do Banco Brascan dizem ter se surpreendido com sua capacidade lógico-matemática". (1)

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O mexicano Maximiliano Arellano começou a desenvolver a extraordinária memória, aos 2 anos de idade; aos 6 anos, Maximiliano diz querer ser médico. “Maximiliano deu uma aula de fisiopatologia e osteoporose com linguajar de um residente, segundo afirmativa do Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Autônoma do Estado do México, Roberto Camacho”. (2) Segundo a Revista Veja, "Os sinais da inteligência, fora do comum, do jovem americano, Gregory Robert Smith, começaram muito cedo. Com 14 meses, resolvia problemas simples de matemática; com 1 ano e 2 meses, ele resolvia problemas de álgebra; aos 2 anos, lia, memorizava e recitava livros, além de corrigir os adultos que cometiam erros gramaticais; três anos depois, no jardim-de-infância, lia Júlio Verne e tentava ensinar os princípios da botânica aos coleguinhas; aos 10, ingressou na Faculdade de Matemática; aos 13, deve começar a pós-graduação", pois já terminou a faculdade”.(3) "Smith criou uma fundação internacional e foi indicado para o Nobel da Paz." (4) Casos de crianças precoces sempre despertam a atenção. A Academia de Ciência não possui uma explicação vigorosa sobre o tema; atribui a uma "miraculosa" predisposição biogenética (!?...), potencializada por estímulos de ordem externa. Outra enorme dificuldade, encontrada pelos doutos da Academia, é a não concordância na definição do termo "superdotação". “Alguns pesquisadores distinguem superdotado, de talentoso, sendo o primeiro, considerado como aquele indivíduo de alta capacidade intelectual, ou acadêmica, e o segundo, como possuindo habilidades superiores nas áreas das artes, música, teatro”. (5) O célebre matemático francês, Henri a Poicaré, que desencarnou em 1912, acreditava que osgênios matemáticos trazem um talento congênito, ou seja: "já vêm feitos", o que, de maneira sutil,consagra a multiplicidade das vidas. O jovem sergipano, Carlos Mattheus, de apenas 19 anos, pobreestudante da escola pública, que conseguiu um fato inédito em um dos melhores centros deformação da América Latina, o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada, onde obteve os títulos de mestre e doutor em matemática, já planeja ir a Paris, através de bolsa de estudo, para um efeito, ainda mais expressivo, ou seja: realizar cursos de pós doutorado. Gabriel Dellane, em seu livro "Reencarnação", no Capítulo VII, trata das "experiências derenovação da memória", citando Allan Kardec; fala do perispírito que "sobrevive à morte” e arquiva todas as experiências vividas em outras existências. (6) Um espírito que se dedicou,particularmente, por séculos, ao estudo da matemática, traz, como frisou Poincaré, esse “talentocongênito”, o impulso natural para a prática de atividades que mais gosta. Encontramos essas mesmas tendências excepcionais em músicos, como Wolfgang Amadeus Mozart, que, aos 2 anos de idade, já executava, com facilidade,

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diversas peças para piano; dominava três idiomas (alemão, francês e latim) aos 3 anos; tirava sons maviosos do violino, aos 4 anos; apresentou-se ao público, pela primeira vez, e já compunha minuetos, aos 5 anos; e escreveu sua primeira ópera, La finta semplice, em 1768, aos 12 anos. Paganini dava concertos, aos 9 anos,em Gênova, Itália. Na literatura universal, é ímpar o fenômeno Victor Hugo que, precocemente,aos 13 anos, arrebatou cobiçado prêmio da cidade de Tolosa. Goethe sabia escrever em diversas línguas, antes da idade de 10 anos. Victor Hugo, o gênio maior da França, escreveu seu primeiro livro, com 15 anos de idade. Pascal, aos 12 anos, sem livros e sem mestres, demonstrou trinta e duas proposições de geometria, do I Livro de Euclides; aos 16 anos, escreveu "Tratado sobre as cônicas" e, logo adiante, escreveu obras de Física e de Matemática. Miguel Ângelo, com a idade de 8 anos, foi dispensado das aulas de escultura pelo seu professor, que nada mais havia a lhe ensinar. Allan Kardec, examinando a questão da genialidade, perguntou aos Benfeitores: - Como entender esse fenômeno? Eles, então, responderam que eram "lembranças do passado; progresso anterior da alma (...)”. (7) Como temos observado, a imprensa tem noticiado fatos dessa natureza com uma constância impressionante; fatos, esses, que desafiam a Ciência, por não encontrar uma explicação consistente sobre o tema. Nenhuma teoria humana foi capaz de, até hoje, esclarecer tais fatos. Casos de crianças precoces sempre despertaram a atenção dos cientistas, que atribuem esse fenômeno natural a “milagres biogenétios” (pasmem!). O debate sobre o que é, realmente, a inteligência, nunca foi tão promissor, como atualmente. Muitas teorias têm ampliado o conceito de inteligência, fugindo à técnica ultrapassada de medição pelo "quociente de inteligência" (Q.I.), mediante aplicação do teste de Binet. O grande embaraço dos materialistas é desconsiderar o fato de a inteligência ser um atributo do Espírito, isto é, resultante da soma de conhecimentos e vivências de existências anteriores de cada indivíduo. Nesse sentido, admitindo-se a reencarnação, as idéias inatas são, apenas, lembranças espontâneas do patrimônio cultural do ser, em diferentes esferas de expressão; algumas em estado mais latente, em determinadas crianças-prodígio.. Desse modo, ficaria bem mais fácil compreender toda essa complexidade da mente humana. Só a pluralidade das existências pode explicar a diversidade dos caracteres, a variedade das aptidões, a desproporção das qualidades morais, enfim, todas as desigualdades que a nossa vista alcança. Fora dessa lei, indagar-se-ia, inutilmente, por que certos homens possuem talento, sentimentos nobres, aspirações elevadas, enquanto muitos outros só manifestam paixões e instintos grosseiros. A influência do meio, a hereditariedade e as diferenças de educação não são suficientes, obviamente, para explicar esses fenômenos. Vemos membros da mesma família,

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semelhantes pelo sangue, pelo histórico genético, educados nos mesmos princípios morais, diferençarem-se, profundamente, como pessoas. O Doutor Richard Wolman, de Harvard, incorporou o conceito de Inteligência Espiritual às demais teorias em voga. Esse conceito seria a capacidade humana de fazer perguntas fundamentais sobre o significado da vida e de experimentar, simultaneamente, a conexão perfeita entre cada um de nós e o mundo em que vivemos. Não é exatamente o que define a Doutrina Espírita, mas já é um avanço no entendimento integral do indivíduo. Pesquisadores, como Ian Stevenson, Brian L. Weiss, H. N. Banerjee, Erlendur Haraldsson, Hellen Wanbach, Edite Fiore, e outros, trouxeram resultados notáveis sobre a tese reencarnacionista. As pesquisas sobre a Reencarnação não cessam nas teses dessas personalidades apontadas. Estudos sobre esse tema crescem, constantemente. A Física, a Genética, a Medicina, e várias escolas da Psicologia vêm sendo convocadas para oferecer o contributo das suas pesquisas. Estamos convictos de que, nos próximos vinte ou trinta anos, assistiremos a Academia de Ciência, declarando esta importante constatação como, há dois mil anos, Jesus ensinou a Nicodemos: “É necessário nascer de novo”. E Allan Kardec a confirmou em “O Livro dos Espíritos”, declarando que somente com a Reencarnação entendemos, melhor, a Justiça de Deus e a Evolução da humanidade. Jorge Hessen E-Mail: jorgehessen@gmail.com Site: http://jorgehessen.net Fontes: (1) Publicada na Revista Época, edição de 15 de maio, 2006 (2) Publicado no Jornal Correio Braziliense de 12 de maio, 2006 (3) Revista Veja, edição 1800, de 30 de abril de 2003, página 63 e edição de 28 de abril de 2004 (4) Publicado na Revista Veja, edição de 28 de abril de 2004 (5) Hessen, Jorge. Tese Reencarnacionista, artigo publicado em Reformador /FEB / janeiro 2005 (6) Dellane, Gabriel. Reencarnação, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1987, cap. VII (7) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, perg. 219

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DEFINIÇÃO DE GÊNERO, GENÉTICA E ESPIRITISMO Durante toda a vida física, o corpo humano é palco de duríssima batalha interna. Os brigões são os genes do sexo masculino e feminino, que disputam a supremacia territorial. Essa afirmativa surgiu em face da conclusão de uma pesquisa conduzida pelo Laboratório Europeu de Biologia Molecular de Heidelberg, na Alemanha. Isto porque, antes, acreditava-se que, uma vez determinado nosso sexo, ainda no embrião, este predominava absoluto. Todavia, os cientistas do Laboratório de Heidelberg conseguiram provar que a definição do gênero faz parte de um processo muito complexo. Eles transformaram ratinhos fêmeas em machos, por meio de uma alteração genética. Graças a uma técnica especial, os pesquisadores conseguiram desativar o gene Fox l2, presente nas células do ovário. Em dois dias, as células que guardam os óvulos em maturação e produzem hormônios femininos, adquiriram as características das células masculinas presentes nos testículos. A descoberta aponta para a direção de que a definição, entre macho e fêmea, é bem mais complexa do que a simples presença de um gene. A sexagem artificial não é contrária às Leis de Deus, embora, no Brasil, a legislação não permita essa técnica, exceto para prevenir doenças genéticas relacionadas ao sexo. No Século XIX, Kardec perguntou aos Espíritos se era contrário à lei da Natureza o aperfeiçoamento das raças animais e vegetais pela Ciência, e obteve a seguinte resposta: “Tudo se deve fazer para chegar à perfeição e o próprio homem é um instrumento de que Deus se serve para atingir seus fins. Sendo a perfeição a meta para que tende a Natureza, favorecer essa perfeição é corresponder às vistas de Deus.” (1) Portanto, é permitido ao homem intervir na Natureza. Contudo, sem esquecer que, por possuir livre-arbítrio para agir de acordo com seu pensamento e suas convicções, tem responsabilidade por todas suas ações. Destarte, o agir humano, seja em que campo for, especialmente na intervenção sobre a vida, deve estar norteado pelos valores morais superiores e intenções elevadas. O alcance da engenharia genética é visto com naturalidade pelo Espiritismo. Entendemos, também, que não cabe, a nós, estabelecer qualquer juízo extremo, seja contra ou a favor desta ou daquela tecnologia no campo da genética, mas, tão somente, fornecer, no comentário, algumas reflexões doutrinárias, para que cada

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leitor forme a própria convicção, respeitando o livre arbítrio com que todos são dotados. Os espíritas sabem que “a genética não está submetida a leis puramente físicas, pois, encontram-se presididas por numerosos agentes psíquicos que a ciência humana está longe de formular, dentro dos acanhados postulados academicistas. Os genes (agentes psíquicos), muitas vezes, são movimentados pelos mensageiros do plano espiritual; encarregados dessa ou daquela tarefa junto às correntes da profunda fonte da vida. Eis por que, aos geneticistas, comumente, deparam-se incógnitas inesperadas, que deslocam o centro de suas anteriores ilações.” (2) Os Benfeitores elucidam que a “natureza do orbe vem melhorando o homem, continuadamente, nos seus processos de seleção natural. Nesse sentido, a genética só poderá agir, copiando a própria natureza material. Se essa ciência, contudo, investigar os fatores espirituais, aderindo aos elevados princípios que objetivaram a iluminação das almas humanas, então poderá criar um vasto serviço de melhoramento e regeneração do homem espiritual no mundo, mesmo porque, de outro modo, poderá ser uma notável mentora da eugenia, uma grande escultora das formas celulares, mas estará sempre fria para o espírito humano, podendo transformar-se em títere abominável nas mãos impiedosas dos políticos racistas.” (3) Será que as combinações de “genes”, conseguidas pela genética, podem imprimir, no ser humano, certas faculdades ou certas tendências? A tese emmanuelina diz que “alguns cientistas da atualidade proclamam essas possibilidades, esquecendo, porém, que a vocação ou faculdade é atributo da individualização espiritual, inacessível aos seus processos de observação. Os geneticistas podem realizar numerosas demonstrações nas células materiais; todavia, essas experiências não passarão dessa zona superficial, em se tratando das conquistas, das provações ou da posição evolutiva dos Espíritos encarnados.” (4) É urgente uma ética para a genética, estabelecendo limites e cerceando o desenvolvimento de sonhos trágicos que tornam o ser humano cobaia para experimentos inescrupulosos. Quando a Ciência, através dos nobres investigadores, assenhorear-se da realidade do Espírito, compreenderá a necessidade de ser estabelecido um código de respeito à vida, destarte, necessita de uma bioética fundamentada na reverência e na dignidade da criatura humana. O homem nada cria, apenas descobre formas de manipular o que está na natureza e transforma os elementos disponíveis. Desse modo, o cientista pode aproximar, artificialmente, dois gametas humanos, colocando, juntos, óvulos e espermatozóides em uma placa de cultivo. Pode, até, conseguir que se efetive a fusão inicial de

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gametas, mas, sem a presença do Espírito. Isso não passará de um amontoado de células amorfas, incapaz de desenvolver-se até a formação de um ser humano. A escolha do sexo do futuro filho é, hoje, uma possibilidade da Genética, ofertada aos pais. “Cumpre-lhes, não obstante, respeitar, obviamente, os desígnios divinos, considerando que, desde o primeiro homem na face da Terra, tal decisão é divina.” (5) Deus pode delegar, ao homem, esse poder, “desde que se processe em clima de profunda reflexão e prece, para que a intuição flua do Plano Maior.” (6) Não se pode esquecer que, desde antes da fecundação, o espírito reencarnante, ligado ao óvulo, expressa a sua polaridade sexual por uma vibração típica. Em função dessa característica, de suas energias, passará a atrair e conduzir, com equilíbrio e precisão, o espermatozóide mais credenciado à formação do sexo do futuro ser, quer seja masculino (espermatozóide Y) quer feminino (espermatozóide X). Isso, porque a sede real do sexo não se acha no veículo físico, mas, sim, no ente espiritual. O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se manifeste e "reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual e, conseqüentemente, no corpo físico.” (7) Sabemos que é um tema instigante, mas lembremos que, se a própria reencarnação, através da fecundação assistida, obedece aos planos do Mais Alto, como duvidar de que os demais progressos da engenharia genética, também, estão chegando ao planeta Terra sob supervisão do Bem? Jorge Hessen http://jorgehessen.net jorgehessen@gamil.com Fontes: (1) Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB 1999, perg. 692. (2) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB 1999, perg. 35 (3) idem perg 36 (4) idem perg 37 (5) Disponível no portal http://www.espiritismoegenetica.espiridigi.net (6) idem (7) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB 1998,

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PRÁTICAS EXÓTICAS (republicação) Sabemos que a Doutrina Espírita é pura e incorruptível. Porém, o movimento espírita, ou seja, a organização dos homens para praticá-la e divulgá-la é suscetível dos mesmos graves prejuízos que dificultaram a ação do cristianismo tradicional, hoje bastante fracionado. Observamos com tristeza muitas diretorias das casas espíritas que se mantêm sob uma incômoda e rígida hierarquia (aquela do aqui mando e quero ser obedecido!). São dirigentes contaminados pela prepotência no exercício do cargo e totalmente vazios de consciência sobre os seus encargos. Destarte, permanecem bastante longe da prática evangélica, inventando um “Espiritismo” estranho ao projeto da Terceira Revelação. Como não se pode imaginar o espírita com duas condutas divergentes, a conduta do homem e a conduta do espírita, também não se pode imaginar o movimento espírita, ora acontecendo segundo os preceitos espíritas, ora segundo outros preceitos duvidosos, aceitos equivocadamente no seu contexto em nome da tolerância piegas. Kardec é único. Espiritismo também, por conseguinte. O mestre lionês sempre preconizou a unidade doutrinária. Não há o menor espaço para compor com outras idéias que não sejam, ou convergentes e em uníssono com as suas, ou reflexos resplandecente destas. Unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a fortaleza inexpugnável do Espiritismo. Por isso, necessita ser o nosso lema, o nosso norte, a nossa bandeira. Muitas vezes os Centros Espíritas transformam-se em ilhas de isolamento, por falta de estudo sério, aprofundado e metodizado da Doutrina, donde surgem inúmeras interpretações equivocadas sobre os seus postulados, em prejuízo da verdade doutrinária. Se abraçamos o Espiritismo, por rota de crescimento espiritual, não podemos negar-lhe fidelidade. Porém, é a lamentável falta de fidelidade aos conceitos e princípios do Espiritismo, que são difundidos de forma truculenta por dirigentes ignorantes, que têm isolado as casas espíritas, tornando-as ilhadas e desérticas de consolação!... O compromisso do Centro Espírita e dos dirigentes é com a Doutrina Espírita. A adoção de teorias e práticas exóticas, ou não afinadas com a simplicidade e pureza dos trabalhos espíritas, comprometem o objetivo da Casa Espírita e desorientam seus freqüentadores e assistidos. Quando citamos a palavra pureza, os

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“vanguardistas de plantão” arregalam os olhos o coçam as orelhas, exclamando: AH! Lá vem esse purista!! Cabe salientar, porém, que André Luiz, em “Conduta Espírita”, não deixa margem para dúvidas sobre isso, senão vejamos: "A PUREZA DA PRÁTICA DA DOUTRINA ESPÍRITA DEVE SER PRESERVADA A TODO CUSTO".(1) Infelizmente, o despreparo e os atavismos de muitos indivíduos, que colaboram de boa vontade nas fileiras espíritas, fazem com que certas práticas, pouco condizentes com a pureza doutrinária, se implantem em diversas instituições e acabem mesmo divulgadas em palestras, livros e periódicos ditos espíritas. Quem compreende essa situação deve trabalhar para modificá-la. A via mais segura, para isso, é a do esclarecimento, do estudo, do convencimento pela razão e pelo amor, jamais pelos anátemas, óbvio!... Para os mais apressados, a pureza doutrinária é a defesa intransigente dos postulados espíritas, sem maior observância das normas evangélicas; para os não menos afoitos, é a rígida igualdade de tipos de comportamento, sem a devida consideração aos níveis diferenciados de evolução em que estagiam as pessoas. Sabemos que o excesso de rigor na defesa doutrinária pode levar a graves erros, se enredarmos pelas trilhas do fundamentalismo injustificável, posto que redundará em divisão inaceitável em face dos impositivos da fraternidade. Se tivermos que nos equivocar, que seja com atitudes e jamais por omissão. Nesse tópico, veio-me à mente (como estranha moral!), porém, sublime advertência cristã: “NÃO PENSEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA.” Os espíritas não são proibidos de coisa alguma, mas sabendo que devem arcar com a responsabilidade de todos os atos, conscientes do desequilíbrio que possam praticar. Que terão que reconstruir o que destruírem e responderão pelo mal praticado e harmonizarão o que desarmonizarem, etc. Não podemos fingir que tudo está em ordem e harmônico às mil maravilhas ou que somos sublimes cristãos. Em verdade, existem inúmeras práticas não compatíveis com o projeto doutrinário que, por isso, urge sejam combatidas à exaustão, porque nas pequenas concessões é que vamos desestruturando o edifício kardeciano e descaracterizando o projeto da Terceira Revelação. Por isso, é óbvio que estejamos atentos contra ideologias estranhas aos objetivos espíritas, em nome da mais legítima fraternidade, até porque: QUEM AVISA AMIGO É!!! O Espiritismo não aceita “donos da verdade”, até porque a espiritualidade e Kardec ensinam que a Revelação Espírita é progressiva, não estando completa em parte alguma e nem precisamos fazer um esforço descomunal para nos cientificarmos de que são raros os centros espíritas que podem se dar ao luxo de

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praticar a mediunidade na sua mais pura acepção. Muito melhor, e mais prudente, seria que os núcleos e grupos espíritas despreparados intensificassem as reuniões de leitura, meditação e comentários racionais para as conclusões seguras, fugindo de um inoportuno e prematuro intercâmbio com as forças do além. Até porque, prática mediúnica sem uma robusta base cultural e moral será, inevitavelmente, uma incursão permanente no mundo das sombras. Por isso, insistimos - e temos publicado no “meu site” - o tema sobre centros espíritas que propõem aplicações de luzes coloridas (cromoterapias) para higienizar auras humanas e curar (acreditem!!!): azia, cálculo renal, coceiras, dores de dente, gripes, soluços em crianças, verminose, frieiras. Se não bastasse, recomenda-se até carvão terapia (?!) para neutralizar "maus-olhados". Nesse sentido, segundo crêem, é só colocar um pedaço de tora de carvão debaixo da cama e estaremos imunes do grande flagelo da humanidade - o "olho comprido". Não satisfeitos, ainda têm aqueles que “engarrafam” literalmente os obsessores. Difunde-se, por aqui, (DF), a coqueluche da moda: uma tal de desobsessão por corrente mento eletromagnética (sic), com as mais extravagantes proposições. Há as inusitadas piramideterapias, gatoterapia (???) (conheço pessoa que possui cinco gatos em casa para “atrair” as energias negativas), cristalterapias, apometrias e mais uma dezena de terapias bizarras, isso sem esquecermos que, na mística Brasília, aplicam-se, até, passes magnéticos nas paredes dos centros para “descontaminálas”. Há casa espírita, por aqui, que evoca “ET” para um contato imediato(!?) Conhecemos outras práticas estranhíssimas ao projeto espírita, a saber: dirigentes promovendo casamentos, crismas, batizados, velórios (tudo no salão de palestras), além das sempre “justificadas” rifas e tômbolas nos centros, festival da caridade, tribuna para a propaganda político-partidário, preces cantadas. Isso, para não aprofundar nos inoportunos trabalhos de passes com bocejos, toques, ofegações, choques anímicos (?), estalação dos dedos, palmas, diagnósticos pela “vidência": sobre doenças e obsessões, etc... Dias atrás, entrei numa certa Federação Espírita (fora de Brasília) e observei vários cartazes, convidando para cursos e palestras sobre a “kundaline”, a força da "mandala", etc... Ufa!!! Para entendermos a mediunidade, em seus conceitos básicos, temos que separar o fenômeno, em si mesmo, da Doutrina Espírita e definirmos o aspecto fenomênico, apenas por matéria de observação e Espiritismo como a luz que esclarece os fatos. Em todos os cantos da Terra existem manifestações medianímicas, pois elas não ocorrem somente nos núcleos espíritas. Por isso, na sua real interpretação, podemos assegurar que, no atual estágio do projeto espírita, os fenômenos não são prioritários, mas secundários. A questão fenomênica não mais constitui ponto de partida para o atual objetivo do Espiritismo na Terra.

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Destarte, para evitarmos determinadas práticas perfeitamente dispensáveis em nome da pureza doutrinária, entendamos que prática de fidelidade aos preceitos kardecianos é processo de aprendizagem, com responsabilidade nas bases da dignidade cristã, sem quaisquer laivos de fanatismo, tendente a impossibilitar discussão sadia em torno de questões controversas. Porém, não olvidemos que espírita-cristão deve ser o nosso caráter, ainda mesmo que nos sintamos em reajuste, depois da queda. Espírita-cristã deve ser a nossa conduta, ainda mesmo que estejamos em duras experiências. Espírita-cristão deve ser o nome do nosso nome, ainda mesmo que respiremos em aflitivos combates íntimos. Espírita-cristão deve ser o claro objetivo de nossa instituição, ainda mesmo que, por isso, nos faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

EXISTE O "MEIO HONESTO", O "QUASE HONESTO", O "MAIS OU MENOS HONESTO?" (republicação) "Mais vale repelir dez verdades que admitir uma só mentira, uma só teoria falsa". Erasto (1) Quando o tema diz respeito à HONESTIDADE de dirigentes e trabalhadores das hostes cristãs, o assunto é muito preocupante, ante as evidências. Uma delas, das mais dramáticas, refere-se a líderes religiosos que enriquecem - ficam milionários, eu diria -a custa do dinheiro arrecadado dos fiéis. Acresce-se, aqui, uma observação: Não sou o primeiro, o único, ou o último a divulgar esse cortejo de vícios, mas a Mídia, freqüentemente, anuncia e expõe tais fatos, francamente, abomináveis e com grande repercussão negativa. Proferimos palestras em vários centros sobre esse tema e destacamos da tribuna que o lídimo cristão é honesto em tudo que faz. Se alguém deve um centavo que seja, obrigatoriamente, tem que quitar esse débito com seu credor, por simples questão de honestidade. Não se pode "fingir" que esqueceu a dívida. É indispensável haver transparência na prestação de contas, mensalmente, com os contribuintes da casa espírita. Cremos que é simples obrigação afixar, no 'quadro de avisos' ao público, a comprovação da correta aplicação dos recursos recebidos. Os dirigentes que assim procedem vêem patenteadas a credibilidade da instituição que administram e a pureza de suas

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intenções. Por outro lado, evitam-se rumores, do tipo: -"fulano(a) está cada vez mais rico(a)"; -"sicrano(a) construiu uma mansão com o dinheiro doado ao centro" e, -"beltrano(a) comprou um carro do ano, caríssimo", olhem só pra isso! Lembramos que certa vez após uma palestra sobre o incômodo tema, houve rumores nos corredores do centro, alguns dirigentes espíritas me arremessaram uma saraivada de 'chumbo grosso' (em nossa ausência, é claro!) e sutilmente, proscreveram-nos da escala de oradores. Essa decisão em nada nos afetou, mesmo porque isso implicaria em que admitíssemos contemporizar com as suas artimanhas obscuras com dinheiro dos outros. Confessamos que nos surpreendemos com alguns deles, totalmente desarmonizados (aqueles que dissimulam gestos de santidade, palavras mansas, olhar de superioridade, julgam-se donos da verdade, etc., etc., etc..) ditando normas de conduta, que nem mesmo eles têm suporte doutrinário para exemplificá-las. É uma pena. E o pior é que estão todos lá como se nada tivesse acontecido. Estão com as mentes narcotizadas na ilusão de que são missionários. Será que os meios justificam os fins, quando os dirigentes são omissos quanto a prestar contas? Se não devem, não têm o que temer, não é verdade? É evidente que ficamos atônitos e envergonhados quando sabemos, pela imprensa, que algumas instituições "filantrópicas" desviam recursos, emitem recibos forjados de falsas doações, etc.. Há centros que dão, até, uma 'ajudazinha' aos confrades, driblando o Imposto de Renda retido na Fonte... imaginem! Instituições outras recebem, à guisa de doações, roupas, calçados, alimentos, eletrodomésticos, etc., e os dirigentes se apropriam delas, com a maior naturalidade. Temos conhecimento de instituições que aceitam doações, até, de objetos valiosos e que os dirigentes se apropriam dos melhores, é claro, antes de os exporem em bazares ditos "beneficentes", objetivando arrecadar fundos para obras "assistenciais". Daí, pergunto: isso é fruto da minha imaginação? Será que estamos obsedados abordando o tema? Não, meus irmãos. Estamos completamente conscientes da responsabilidade cristã. A prudência continua sendo a nossa melhor conselheira. Intimidar-nos, para que desanimemos da tarefa de divulgar a Doutrina Espírita, conforme a recebemos do espírito "Verdade", através de Kardec, é tempo perdido. Recordamos, ainda, que os "proprietários" de alguns centros - centros esses, que os donos se eternizam nas alternâncias da direção - que na ocasião ouviram a nossa palestra, sobre o teminha instigante, fizeram um grande barulho na consciência, ficaram alvoroçados, realizaram reuniões solenes e privadas, é claro, para avaliarem a obsessão que tomou conta do orador. Ah! Ele está sendo muito influenciado pelas trevas, pois ele não está respeitando os que buscam o centro espírita pela primeira vez, ao dar tanta ênfase à desonestidade. Oh! Podem pensar, até, que a mensagem é para a nossa diretoria. É imperioso salientar que não fazemos uso da palavra para proferir

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mensagens espíritas direcionadas para a instituição A, B, ou C, e muito menos com o intuito de denegrir a sua imagem. Dirigimo-nos a todas, indistintamente, como alerta geral. Difundimos os conceitos sem privilegiar esse ou aquele grupo espírita, mas por questão de consciência ética, acreditamos que um autêntico espírita tem que ser fiel aos princípios que a doutrina impõe e saber que HONESTIDADE é prática OBRIGATÓRIA (com letra maiúscula, mesmo!) para todo ser humano, que dirá, para um cristão (?) Não conseguimos ver lógica num homem "meio honesto", "quase honesto" ou "mais ou menos honesto". Ou se é honesto, ou desonesto, não há meio termo. Seja sua palavra sim! sim! - não! Não! Ensinou-nos Jesus. Portanto, que seja, definitivamente exorcizada toda e qualquer evasiva, que tente justificar concessões fraudulentas, como se fossem normais para certas ocasiões. As falanges das trevas se organizam para obstruir muitos projetos cristãos. Os obsessores são inteligentes, organizados e vão dando um passo de cada vez, por conhecerem muito bem nossos pontos vulneráveis. Nesse caso, não cremos que advertir sobre a obrigatoriedade da conduta honesta seja artimanha das trevas, mas sim que o ideal espírita seja cada vez mais ético, transparente consoante os preceitos evangélicos ... Jorge Hessen http://jorgehessen.net

NO MUNDO TEREMOS AFLIÇÕES? Chama-nos atenção a seqüência de catástrofes naturais que têm ocorrido no Brasil. São as "tempestades que se reúnem num conselho de deuses, feitas de ventos, de chuvas e raios”, que se espalham nos Estados do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de São Paulo, inundando lares, desmoronando sonhos e destruindo vidas. São circunstâncias em que as pessoas precisam estar dispostas a ajudar, pois estão jungidas pela tragédia para ocuparem as ambulâncias unidas pela solidariedade dolorida. Devido aos estrugidos da natureza, irrompem, em várias localidades da Terra, grupos de fanáticos que criam seitas e cultos estranhos, que abandonam emprego e família, à espera do “juízo final". No Japão, vários "gurus" prevêem o "final do mundo". Nos Estados Unidos, 55 milhões de americanos acham que falta pouco para o mundo acabar. Para esses, as tempestades, que têm destruído várias regiões

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do planeta, são anjos enviados para punir os homens, anunciando o "grande final” (!?...). Não é confortador o aparecimento de pregoeiros dessas bizarras crenças, que se multiplicam mundo afora, obscurecidos na razão pela expectativa de uma "nova era". Até mesmo no meio espírita, têm surgido livros que induzem leitores ao pânico ou à hipnose catastrofista “do quanto pior melhor”...!Os terremotos, os furações, as inundações, as erupções vulcânicas e outras catástrofes naturais são parte inevitável do pulsar da natureza. Sabe-se, no mundo acadêmico, que poluição de veículos automotores no Velho Continente mata mais do que acidentes de trânsito. Percebe-se o vigor da expansão do consumo das drogas, a banalização do comportamento sexual veiculado por revistas, jornais, televisão, cinema, teatro, videocassete, tv a cabo, internet, etc. Discute-se a legalização das drogas, cita-se o desemprego estrutural, comenta-se a ruptura da ordem, especula-se sobre a sombria previsão da drástica redução do manancial de água potável para daqui a quatro décadas, etc. Acerca disso, alguns estudiosos prevêem conflitos mundiais, tendo como nexo causal a corrida pelo controle do líquido precioso. Os rios estão secando na Amazônia, onde existem 12% de água doce da Terra. Entretanto, na maioria dos casos, as tempestades têm por objetivo o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da natureza. Os pessimistas insistem sempre em considerar que a maneira negativa e sombria de perceber as coisas do mundo é uma maneira realista de viver. Os preceitos espíritas indicam que a atual geração desaparecerá, gradativamente, e uma nova lhe sucederá, naturalmente, ou seja, uma parte dos espíritos que encarnavam na Terra não mais tornará a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um espírito inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um espírito mais adiantado e propenso ao bem. Por mais difícil que seja o inevitável processo da seleção final dos valores éticos da sociedade, não podemos esquecer que Jesus é o Caminho que nos induz aos iluminados conceitos da Verdade, onde recebemos as gloriosas sementes da sabedoria, que dominarão os séculos vindouros, preparando nossa vida social para as culminâncias do amor universal no respeito pleno da vida do Planeta. Enquanto as penosas cenas televisivas das tragédias naturais nos acicatam as retinas, as forças espirituais reúnem-se para a grande reconstrução do porvir. Lembremo-nos de que, na luta dolorosa das civilizações, Ele, O Cristo, é a luz do princípio e em Suas mãos repousa o ordenamento da natureza terrena. Por isso, o Mestre advertiu: "Nesse mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo - Eu venci o mundo”.

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MENSAGENS SUBLIMINARES SÃO POSSÍVEIS? UMA REFLEXÃO ESPÍRITA A Teoria Subliminar (1) remonta ao filósofo grego Demócrito (400 a.C.) e é descrita por Aristóteles, Montaigne, pelo físico brasileiro Mário Schenberg, pelo filósofo da linguagem Vilem Flusser e muitos outros. Os efeitos dos estímulos sensoriais, imperceptíveis conscientemente, vêm sendo medidos pela Psicologia Experimental. A percepção subliminar é um tema amplamente estudado, há mais de 100 anos, pela psicologia. Em 1919, o Dr. Otto Poetzle, ex-discípulo de Freud, prova que as sugestões pós-hipnóticas têm o mesmo resultado prático dos estímulos subliminares para alterar o comportamento humano. (2) Os cépticos afirmam que subliminar é o que não é visto conscientemente; se viu, deixou de ser subliminar. Para eles, uma imagem ou uma idéia sugerida, nas entrelinhas, sutil ou periférica, não é subliminar. O especialista em psicologia do marketing Paul Buckley, da Cardiff School of Management, no País de Gales, afirmou que não há evidências de que mensagens subliminares funcionem em situações reais do dia a dia. Um estudo britânico, porém, diz que as pessoas são capazes de perceber mensagens subliminares, particularmente se seu teor é negativo. Em três experimentos, realizados por pesquisadores da University College London, de Londres, participantes foram expostos, durante curtos períodos de tempo, a imagens que continham palavras neutras, negativas ou positivas. As palavras apareciam de forma camuflada, ou seja, não eram facilmente identificáveis. Após observar as imagens, os voluntários tinham que classificá-las, dizendo se elas sugeriam alguma emoção ou não. No final, os participantes foram capazes de categorizar, corretamente, 66% das palavras negativas subliminares em comparação com apenas 50% das positivas.

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Segundo creio, em quaisquer situações de repetidas informações negativas ou positivas, a questão das mensagens subliminares é um fato inconteste, conforme já propomos em comentário anterior. (3) Experiências demonstram que temos a mente supraliminar e a mente subliminar. A Psicologia Profunda e a Parapsicologia confirmaram essas conclusões. Nossa mente de relação, que estabelece nossa relação com o mundo e com os outros, repousa sobre uma espécie de patamar, abaixo do qual se encontra a nossa mente de profundidade. Por isso, alguns estudiosos chamam a mente de relação de consciência supraliminar e a mente de profundidade de consciência subliminar. A primeira está sobre o limítrofe da consciência e a segunda está abaixo desse limiar. Quando sentimos um impulso inconsciente ou temos um pressentimento, há uma invasão, segundo alguns pesquisadores, da mente de relação pelas correntes psíquicas do pensamento e da emoção da mente de profundidade. Há uma relação constante entre as duas formas mentais, que aumenta na proporção em que se desenvolve o ser psicológico. O pesquisador Mathias Pessiglione, da Unidade "Motivação, cérebro e comportamento" do Inserm (Instituto Nacional de Pesquisa Médica), propõe demonstrar que é possível, graças a um sistema de recompensas, condicionar a escolha dos indivíduos, com a ajuda de desenhos abstratos, não percebidos de maneira consciente. Pessiglione e seus colegas identificaram alguns componentes do circuito cerebral que operam o condicionamento subliminar através de imagem por ressonância magnética. O "aprendizado instrumental" (com uma ação) é um processo mental que pode acontecer sem nosso conhecimento, como propõe estudo recente. Para muitos experts, toda mensagem subliminar pode ser dividida em duas características básicas, ou seja, o seu grau de percepção e o de persuasão. A percepção subliminar é a capacidade de o ser humano captar, de forma inconsciente, mensagens ou estímulos fracos demais para provocar uma resposta consciente. Segundo a hipótese, o subconsciente é capaz de perceber, interpretar e guardar uma quantidade muito maior de dados que o consciente. Como exemplo, são as imagens que possuem um tempo de exposição pequeno demais para serem percebidas conscientemente, ou sons baixos demais para serem claramente identificados. (4) Dados, que passariam despercebidos pela mente consciente, seriam, na verdade, interpretados e guardados. Um dos principais problemas na análise, e na definição do que seria esse "limiar de percepção consciente", é que os fatores se apresentam de uma forma, exageradamente, circunstancial e pessoal. Um mesmo estímulo poderia se apresentar como subliminar, ou não-subliminar, dependendo do momento e

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contexto em que ele foi apresentado, e dependendo da pessoa que está recebendo. Existe uma grande variação na capacidade de percepção de cada ser humano, seja o potencial "bruto" de cada um dos seus sentidos, seja o tipo de informação que é percebida pelo cérebro - que possui uma absurda variação, dependendo da personalidade e da vivência de cada pessoa. O "limiar de percepção" seria um limiar único e momentâneo, diferente para cada pessoa e em cada momento em que é analisado. Qualquer pessoa que saiba manejar a própria atenção observará a mudança, de vez que o nosso pensamento vibra em certo grau de freqüência, a concretizar-se em nossa maneira especial de expressão, no círculo dos hábitos e dos pontos de vista, dos modos e do estilo que nos são peculiares. (5) Sabemos que a televisão é o meio de comunicação mais popular. Suas ondas informatizadas chegam aos lares dos ricos e, quase integralmente, entre a camada mais pobre. Será que a fusão de imagem e som garante o sucesso que o aparelho de TV tem hoje? E por que, mesmo com o advento das telecomunicações e da Internet, a TV continua sendo a peça chave na construção e formação de opinião do público em geral? Muitas vezes, o indivíduo não consegue desenvolver uma consciência crítica, através da qual lhe seria possível "se defender" das manipulações e modos alienativos pregados pela TV. Em verdade, não é fácil resistir a todo apelo de propaganda. Estamos sob uma lavagem cerebral diária, guerra psicológica subliminar que nos bombardeia por todas as mídias: do cinema e TV às revistas e outdoors, passando pelos computadores, vitrines de lojas e palanques políticos. Hoje, as telenovelas usam o merchandising, inserindo os produtos (motos, sorvetes, sandálias, bancos, perfumes, roupas, etc.) na narrativa, de modo, aparentemente, inocente e “inofensivo”. Essas formas de persuasão estão ligadas, diretamente, com os nossos prazeres inibidos, retraídos, quais sejam: o sexo, a morte e a autodestruição (fumantes, alcoólatras, drogados). É em cima destes prazeres que as propagandas subliminares "atacam" os consumidores. Nosso universo mental possui seus meandros emblemáticos. Concebemos que "a matéria mental é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que não se reduzem, efetivamente, a abstrações, por representarem turbilhões de força em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva, atraindo, para si mesma, os agentes (por enquanto imponderáveis na Terra), de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade.” (6) Pelos princípios mentais, que influenciam em todas as direções, encontramos a telementação e a reflexão, comandando todos os fenômenos de associação. Essas impressões se apóiam nos centros do corpo espiritual, que funcionam à guisa de

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condensadores, atingem, de imediato, os cabos do sistema nervoso, a desempenharem o papel de preciosas bobinas de indução, acumulando-se, aí, num átimo e reconstituindo-se, automaticamente, no cérebro, onde possuímos centenas de centros motores, semelhantes a milagroso teclado de eletroímãs, ligados uns aos outros, e em cujos fulcros dinâmicos se processam as ações e as reações mentais, que determinam vibrações criativas, através do pensamento ou da palavra, considerando-se o encéfalo como poderosa estação emissora e receptora e a boca por valioso alto-falante. “Tais estímulos se expressam, ainda, pelo mecanismo das mãos e dos pés ou pelas impressões dos sentidos e dos órgãos, que trabalham à feição de guindastes e condutores, transformadores e analistas, sob o comando direto da mente. "(7) Quando estamos em estado hipnótico, o subconsciente assume um papel mais dominante do que o consciente. Os operadores de marketing, aqueles que querem vender os seus produtos, utilizam o processo de reação condicionada (de compra), baseado em Pavlov. As condições são: repetição, intensidade e clareza (ou simplicidade) dos estímulos. Observe que os anúncios são cheios de cores, rápidos e repetitivos. Quantas vezes não vemos uma mesma informação? "Sempre que pensamos... criamos formas-pensamentos ou imagens-moldes que arrojamos para fora de nós. Sobre todos os que aceitem o nosso modo de sentir e de ser, consciente ou inconscientemente, atuamos à maneira do hipnotizador sobre o hipnotizado, verificando-se o inverso, toda vez que aderimos ao modo de ser e de sentir dos outros.” (8) Os reflexos adquiridos ou condicionados são respostas conseguidas por estímulos diferentes daqueles que, primitivamente, provocavam-nas por meio de associação ao estímulo normal em condições preestabelecidas para se obter o chamado condicionamento (Enciclopédia Luso-Brasileira). Em outras palavras, são os que se produzem sob determinadas condições, independentemente, do estímulo direto. “O reflexo precede o instinto, tanto quanto o instinto precede a atividade refletida, que é base da inteligência nos depósitos do conhecimento. Toda a mente vibra na onda de estímulos e pensamentos em que se identifica. Nos cães de Pavlov, comer é ato automático. A carne é hábito adquirido. São nesses reflexos condicionados da atividade psíquica que principiam para o homem de pensamentos elementares os processos inconscientes da conjugação mediúnica, ou seja, emissão e recepção de ondas. Nesse sentido, conversação, leitura e filmes representam agentes de indução, extremamente, vigorosos. "(9) A Doutrina Espírita é o alimento do íntimo e da personalidade dos que tiveram ou que venham a ter a ventura de conhecê-la; é o paradigma, acatado pela razão e não imposto, que o Espírito assimila, após vidas sucessivas. Estimula aqueles que se

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aprofundam nos seus ensinos, princípios e valores, à prática do Bem e do Amor ao próximo, do Perdão ao inimigo, da Beneficência e da Caridade. Por esta razão, o problema da reformulação de nossas atitudes é uma questão de profundidade. O que seria a reforma íntima no contexto dos reflexos condicionados? Seria mudar as nossas respostas aos velhos estímulos. É como uma pessoa aborrecida em que costuma esbravejar ao estímulo de uma contrariedade. Até que, exercitando-se, acaba por compreender a situação adversa, não se aborrecendo com a adversidade, mantendo, sempre, o controle sobre si mesmo. Jorge Hessen Site http://jorgehessen.net Email: jorgehessen@gmail.com Fontes: (1) Subliminar significa "abaixo do limiar de percepção". Simples assim. Um som numa freqüência mais alta do que o ouvido pode escutar ou uma imagem tão rápida que o olho não possa captar são exemplos de estímulos subliminares. (2) Fisiologicamente, o olho humano tem umas células chamadas bastonetes, que formam a visão periférica (chamada de fundo, pela psicologia da Gestalt), e outras chamadas de cones, que constituem a fóvea, nosso foco de visão consciente (figura, na Gestalt). Tudo o que é percebido pelo consciente-foco-fóvea-cones-figura... é o subliminar-inconsciente-bastonetes-fundo! (3) Comentário publicado no site do http://espiritismo.net, em janeiro de 2009 (4) A técnica de ocultar mensagens em músicas é conhecida como "back masking" (algo como "escondido atrás") e é uma das mais usadas como argumento por defensores de teorias conspiratórias para justificar teses de dominação mental em massa. (5) XAVIER, Francisco C., VIEIRA, Waldo. Mecanismos da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 23 ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004. (6) XAVIER, Francisco C., VIEIRA, Waldo. Mecanismos da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 23 ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004, cap. IV (7) Idem (8) Idem (9) Idem

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ANO DE 2009

CONTROLE UNIVERSAL DOS ENSINAMENTOS DOS ESPÍRITOS, UMA REFLEXÃO SOBRE JESUS E O ESPIRITISMO Escrevi há cinco anos sobre o Espiritismo religioso. Citei à época O Controle Universal dos Ensinamentos dos Espíritos – CUEE que foi um método científico empregado pelo Codificador na consolidação da estrutura da Doutrina nascente e na implementação de seus pilotis. Kardec, sabendo que a morte não tornava mais sábio ou mais ignorante o espírito desencarnado, precisava de um critério seguro para poder compilar as diversas informações trazidas pela espiritualidade. Sabendo que havia espíritos mistificadores, brincalhões e pseudo-sábios, Kardec fez com que todo o conteúdo doutrinário passasse pela filtragem do CUEE, ou seja, toda mensagem ditada pelos espíritos tinha que ser confirmada por diversos médiuns, preferencialmente, sem que tivessem qualquer contato entre si, e que ocorressem quase que simultaneamente. Na Revista Espírita, em abril de 1864, o mestre lionês explica que um homem pode ser enganado, ou mesmo enganar-se. Contudo, tal fato não se dá, quando milhões de homens vêem e ouvem a mesma coisa: é uma garantia para cada um e para todos. Sabemos que essa universalidade do ensino dos Espíritos constitui o baluarte do Espiritismo. O primeiro controle das mensagens é o da razão, à qual é preciso submeter, sem exceção, tudo quanto vem dos Espíritos. Segue-se, ao supremo controle da razão, a opinião da maioria. Compreende-se que, aqui, não se trata de comunicações relativas a interesses secundários. O controle universal é uma garantia para a futura unidade do Espiritismo e tende a anular todas as teorias contraditórias. Por essa razão, o que torna o Espírito André Luiz ou Emmanuel cridos é que, por toda parte, observamos a confirmação das suas mensagens, através do testemunho de líderes sérios e consagrados no mundo inteiro. Que influências poderiam exercer André Luiz ou Emmanuel, com suas mensagens, se elas fossem desmentidas, tanto pelos Espíritos, quanto pela liderança espírita mundial? Se um Espírito afirma uma coisa de um lado, enquanto milhões de pessoas dizem o contrário alhures, a presunção da verdade não pode estar com aquele, cuja opinião é única, contrariando as demais.

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Há pessoas, nos píncaros do delírio, acreditem!!! Recriando o “Controle Universal dos Espíritos” e, para tais indivíduos, essa é a única forma de se aceitar, com boa margem de segurança, os ensinamentos provenientes, sobretudo, das obras de Chico Xavier. (!!??) Por que essa prevenção contra o médium de Uberaba? Há os que afirmam que Kardec, o Codificador, era o coordenador do Controle Universal. Depois de sua desencarnação, não houve quem desse seguimento à condição de controlador. Em verdade, esses confrades se apresentam eivados de despeito contra a FEB, informando, com desdém, que os grupos de pessoas, que deram origem à Federação Espírita Brasileira – FEB, criaram um sistema espírita muito diferente daquele idealizado por Allan Kardec e nele nunca esteve presente o Controle Universal dos Espíritos, o que se constituiu numa grave falha Febiana. (sic) Atestam, os “kardequeólogos” contemporâneos, que apesar de o Espiritismo Ter sido introduzido no Brasil por membros da “aristocracia dominante”, no século XIX, houve, desde o início, forte junção da Doutrina com as religiões, principalmente, a umbanda e o catolicismo, ou seja ocorreu o surgimento de um Espiritismo à brasileira, ou à moda da casa. Para esses incautos detratores da CasaMater do Espiritismo no Brasil, pretensos “sábios”, tanto os livros de Chico, quanto os do Divaldo apresentam mensagens que nada acrescentam e, até, contrariam a Doutrina . Acreditem, se quiserem..(!?) Encharcados de fértil imaginação e intoxicados de raciocínio, reverberam que o jovem “católico”, Chico Xavier, quando teve a visão mediúnica daquele que teria sido o Padre Manoel da Nóbrega, em pretérita encarnação, e que passou a ser identificado como Emmanuel, certificou-se de que este seria o seu Mentor Espiritual. Com isso, todo o processo mediúnico do extraordinário médium mineiro foi plasmado por um “misticismo católico”, que, imediatamente, os diretores da Federação Espírita Brasileira (FEB) entronizaram. Com tal misticismo, vislumbraram um meio de divulgar um Espiritismo que fosse aceito pela sociedade brasileira que, então, era católica em sua esmagadora maioria. Meu Deus!!! Nunca vimos tão incomensurável parvoíce!! Para tais kardequeólogos, (repito) muitos livros de mensagens psicografadas por Chico Xavier, nada possuem de “específico”, no que se refere à Codificação. São opiniões de Espíritos que têm seu valor, como opinião pessoal (sic), mas não podem ser incorporadas como parte da doutrina básica, pois não se submeteram à chancela da paixão do momento, - o Controle Universal dos Espíritos. Isso equivale afirmar que, as teses abordadas pelo Espírito André Luiz não receberam a chancela do filão da discórdia (Controle Universal dos Espíritos) e, por isso, as mensagens de André Luiz, de Emmanuel e outros só devem ser admitidas

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como hipóteses de estudos, até que possam ser submetidas ao “Controle Universal dos Espíritos”, através do aval supremo dessa facção tangida pela histeria. A rigor o que está escamoteado na retórica desses andróides da ilusão, sob o tema, é, nada mais, nada menos, o aspecto religioso da Doutrina Espírita sustentado dignamente no Brasil pela FEB e abrilhantado por Chico Xavier na prática mediúnica. Isso que estamos chamando de “questão religiosa“ refere-se, obviamente, à discussão que já tem se tornado psicopatológica: saber se o Espiritismo é ou não é religião. A freqüência com que tal discussão tem acontecido, no âmbito do Espiritismo, é tão grande que já se tornou, há muito, cansativa, estéril e obsessiva. Para tais hermanos, a postura religiosa, Xavieriana, tem um caráter cerceador sobre o crescimento do Espiritismo, enquanto filosofia.(!?) Acredite de puder!!! Esses kardequeólogos, longe do uso do bom senso, insistem em divulgar a “progressista” tese de que se é preciso fugir do “Cristo Católico”, do religiosismo, do igrejismo no Espiritismo e transformá-lo numa academia de expoentes do “saber”, sob a batuta deles,obviamente! Sob o império dessa compulsiva tendência filosófica, vão para a internet, redigem livrescos, artiguelhos, promovem palestras inócuas, aguilhoados às diretivas telepáticas dos “sabichões das sombras”. Queiram ou não, o Cristo é o modelo de virtudes para todos os homens . E mais ainda. Jesus Cristo e incomparável em face da dedicação e a santidade que Ele dispensa à Humanidade. Nós, que ainda estamos mergulhados nos pântanos das questiúnculas teológicas, não temos parâmetros para avaliarmos a Sua magna importância para o Espiritismo, isto porque a Sua excelsitude se perde na escura bruma indevassável dos milênios. Digo mais. O Espiritismo sem Evangelho pode alcançar as brilhantes expressões acadêmicas, mas não passará de atividade fadada a modificar-se ou desintegrar-se, como todas as conquistas perfunctórias da Terra. E o espírita cristão, que não cogitou da sua iluminação com o Evangelho do Mestre, pode ser virtuose da inteligência, Phd de qualquer coisa e filósofo, com as mais subidas aquisições científicas, mas estará sem bússola e sem norte no momento do “furacão” inevitável da dor moral. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

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A UNIDADE DE POLÍCIA PACIFICADORA, UMA REFLEXÃO ESPÍRITA SOBRE A VIOLÊNCIA URBANA As estatísticas demonstram que a violência cresce à medida que aumenta a distribuição de drogas em determinadas regiões. Por isso, é mister reprimir os criminosos, obviamente. Porém, junto a isso, urge o envolvimento, também, da sociedade em todo esse contexto, nas áreas onde eles atuam. A tibieza policial do Estado forja os líderes do crime que "governam" as comunidades com as suas próprias "leis". Por isso mesmo, além dessas estratégias pacificadoras, é mister que todo governante invista em projetos de asfaltamento de ruas, ampliação da iluminação pública, recuperação das praças, construção de escolas e postos de saúde, controle dos horários dos estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas nos locais mais afetados pela criminalidade. São medidas eficazes para reduzir a barbárie da violência social. O Rio de Janeiro vive uma situação muito semelhante à cidade de Medellín, na Colômbia dos anos 90. Os narcotraficantes controlam os territórios das favelas, e o aparelho policial do Estado tem extrema dificuldade em combatê-los, seja pela falta de coordenação entre os governos, nas suas diversas esferas, seja entre as polícias civil, militar, federal e as guardas municipais. Nos idos dos anos 90, Bogotá, na Colômbia, era considerada uma das cidades mais violentas do mundo, e, atualmente, conseguiu reduzir, em 70%, seu índice de violência urbana, fruto das medidas sócio-educativas ali empreendidas. Seguindo o exemplo colombiano, percebemos um enorme esforço do governo do Rio de Janeiro, para a conquista da pacificação social nas favelas. Para esse objetivo, adotou-se, na prática, uma nova estratégia de Segurança Pública com ocupação, permanente, das favelas através da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O plano que diminuiu as áreas sob comando do crime organizado, contudo, também, redundou no acirramento dos confrontos entre facções criminosas pelos pontos de vendas de drogas ainda disponíveis (que não estão sob a ação das UPPs) nos morros cariocas. Apesar da reação dos criminosos, o clima tenderá à convivência pacífica entre policiais e moradores, sem tráfico ostensivamente armado, permitindo que os moradores do asfalto voltem a conviver com a favela.

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Aposta-se que, com a entrada da classe média na favela, horizontes poderão ser abertos para a transformação social. Em verdade, a violência do homem civilizado tem as suas raízes profundas e vigorosas na selva. O homo brutalis tem as suas leis: subjugar, humilhar, torturar e matar. O pragmatismo das sociedades atuais coisificou o homem, equivalendo dizer que o nadificou no aspecto moral. O homem contemporâneo vive atormentado pelo medo, esse inimigo atroz que o assombra, uma vez submetido às contingências da vida atual, de insegurança e de incertezas. Vivemos tempos complexos e tormentosos. A violência não está só nas favelas cariocas. Há violências, de várias nuanças, em toda parte do planeta. A violência urbana é reflexo natural dos que administram gabinetes luxuosos e desviam os valores que pertencem ao povo; que elaboram leis injustas, que apenas os favorecem; que esmagam os menos afortunados, utilizando-se de medidas especiais, de exceção, que os anulam; que exigem submissão das massas, para que consigam o que lhes pertence de direito... produzindo o lixo moral e os desconsertos psicológicos, psíquicos e espirituais. A criminalidade tem seus fulcros na desigualdade social, no elevado índice de desemprego, na urbanização desordenada e, de modo destacado, no tráfico de drogas, na difusão incontrolada da arma de fogo, sobretudo clandestina, situações essas que contribuem, de forma decisiva, para o aumento da criminalidade. Atualmente, quase metade da população mundial mora nas grandes cidades. Nos próximos 20 anos, a população urbana vai superar os 5 bilhões. Sete pessoas, em cada dez, estarão morando em uma dessas megalópoles, provocando mudanças (não para melhor) do sistema de vida da população. Estudiosos afirmam que as megalópoles serão enormes regiões interligadas, superpovoadas, que englobarão cidades vizinhas e, nas quais, mais da metade da população concentrar-se-á em bolsões de miséria, favelas ou "barracópoles". Segundo as projeções demográficas, daqui a duas décadas, as megalópoles estruturar-se-ão com centros luxuosos e ultra modernos, habitados por uma classe poderosa e rica, mas rodeados, ou melhor, sitiados por enormes extensões de favelas, de marginados, como se pode perceber, embora em dimensões, ainda, reduzidas, nas atuais metrópoles do Rio de Janeiro e São Paulo. Há uma síndrome perversa, em que os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos, equitativamente, e o fosso, entre afortunados e deserdados (ricos x pobres), está aumentando. Essa tendência é, extremamente, perigosa, mas podemos evitá-la. Caso contrário, as bases da segurança global estarão, seriamente, ameaçadas, muito mais do que já estão. Temos o conhecimento e a tecnologia a nosso favor, necessários para sustentar toda a população, equilibradamente, e reduzir os impactos de agressão ao meio ambiente, até porque, os desafios

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ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e, juntos, podemos criar, de início, soluções emergenciais, para que evitemos o caos absoluto em pouco tempo. Erguemos altos muros com fios eletrificados ao redor de nossas residências, tentando evitar que ela (a violência) nos atinja. Contratamos seguranças para protegerem nossas empresas e nossos lares. Instalamos equipamentos sofisticados que nos alertem da chegada de eventuais usurpadores de nossos bens. Contudo, existe outro tipo de violência que não damos atenção: é a que está fincada dentro de cada um de nós. Violência íntima, que alguns alimentam, diariamente, concedendo que ela se torne animal voraz. É o ato de indiferença que um elege para apunhalar o outro no relacionamento doméstico, estabelecendo silêncios macabros às interrogações afetuosas. São os cônjuges que, entre si, pactuam com a mudez, como símbolo do desconforto por viverem, um ao lado do outro, como algemados sem remissão. A violência de fora pode nos alcançar, ferir-nos e, até mesmo, magoarnos, profundamente, mas a violência do coração (interna), silenciosa, que certas pessoas aplicam todos os dias, em seus relacionamentos, é muito mais perniciosa e destruidora. A paz do mundo começa em nossa intimidade e sob o teto a que nos albergamos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações? Nesse panorama, a mensagem do Cristo é o grande edifício da redenção social, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas como um dia penetrou, no desprendimento de Vicente de Paulo, na solidariedade de irmã Dulce, na bondade de Chico de Assis, na dedicação de Teresa de Calcutá, na humildade de Chico Xavier e na não-violência de Mohandas Karamchand Gandhi, o Mahatma da Índia. Os postulados evangélicos, sob a ótica espírita, são antídotos contra a violência, posto que quem os conheça, sabe que não se poderá eximir das suas responsabilidades sociais, e que o seu futuro será uma decorrência do presente. Nesse contexto, devemos considerar que o espírita-cristão deve se armar de sabedoria e de amor, para atender à luta que vem sendo desencadeada nos cenários da sociedade, concitando à concórdia e ao perdão, em qualquer conjuntura anárquica e perturbadora da vida moderna. Os Centros Espíritas, como ProntosSocorros espirituais, muito podem contribuir no trabalho de prevenção e auxílio às vítimas das drogas, nas duas dimensões da vida, através de medidas que os incentivem ao estudo das Leis de Deus. O Centro Espírita, além de estimular as famílias à prática do Evangelho no Lar, oferece recursos socorristas de tratamento espiritual: passe, desobsessão, água fluidificada, atendimento fraterno (trabalho assistencial que enseja o diálogo, a orientação, o acompanhamento e o esclarecimento, com fundamentação doutrinária a todos, indistintamente.

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A Doutrina Espírita, embora compreenda e explique muitos fenômenos sociais e econômicos, através da tese reencarnacionista, é revolucionária, porque propõe mudanças estruturais do ser humano; não contemporiza com a concentração de riqueza e com a ausência de fraternidade, que significam a manutenção de privilégios e de excessos no uso dos bens, das riquezas e do poder de uns poucos em detrimento do infortúnio da maioria. O mais amplo sentido de Justiça Social, segundo a visão do Espiritismo, é a que está gravada no escrínio da consciência humana, que estimula o homem a cumprir seus deveres, honestamente, e a proteger seus direitos, respeitando os direitos alheios. Jorge Hessen http://jorgehessen.net email jorgehessen@gmail.com

O ESPIRITISMO SIMPLICIDADE

PRECISA

VOLTAR

À

SUA

ORIGEM

A

A Doutrina Espírita, como princípio de uma Nova Ordem mundial, no campo dos projetos espirituais, é inexpugnável em qualquer quadrante do Orbe. Porém, lamentavelmente, o movimento Espírita é muito fracionado. Cada qual quer fazer um “espiritismo particular”. Muitas lideranças doutrinárias complicam conteúdos que deveriam ser simples. Coincidentemente, o Cristianismo, durante os três primeiros séculos, era, absurdamente, diferente do Cristianismo oficializado pelo Estado Romano, no Século V. O brilho translúcido, nascido na Galiléia, aos poucos, foi esmaecendo, até culminar nas densas brumas medievais. O que observamos, no movimento Espírita atual, é a reedição da desfiguração do projeto inicial, de 1857. Os comprometidos com o princípio unificacionista brasileiro precisam manter cautela para não perderem o foco do Projeto Espírita Codificado por Allan Kardec, engendrando motivos à separatividade entre os adeptos da doutrina. Recordemos que a alma do Cristianismo puro estava estuante nas cidades de Nazaré, Jericó, Cafarnaum, Betsaida, dentre outras, e era diferente daquele Cristianismo das querelas e intrigas de Jerusalém.

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O Espiritismo está sendo invadido pelo joio, extremamente prejudicial à realidade que a doutrina encerra, uma vez que vários pretensos seguidores/dirigentes introduzem perigosos modismos à prática Espírita, com inócuas terapias desobsessivas e, como se não bastasse, por mera vaidade, ostentam a insana idéia de superioridade sobre Kardec, alegando que o Codificar está ultrapassado. Será crível que Kardec imaginou esse tipo de movimento Espírita? Ah! Que falta nos fazem os baluartes da simplicidade kardeciana, Bezerra, Eurípedes, Zilda Gama, Frederico Junior, Sayão, Bitencourt Sampaio, Guillon Ribeiro, Manoel Quintão! Estamos convencidos de que o Espiritismo sonhado por Kardec era o mesmo Espiritismo que Chico Xavier exemplificou por mais de setenta anos, ou seja, o Espiritismo do Centro Espírita simples, muitas vezes iluminado à luz de lampião; da visita aos necessitados, da distribuição do pão, da “sopa fraterna”, da água fluidificada, do Evangelho no Lar. Sim! O grande desafio da Terceira Revelação deve ser o crescimento, sem perder a simplicidade que a caracteriza como revelação. O evangelho é a frondosa árvore fornecedora dos frutos do amor. Urge entronizar a força da mensagem de Jesus, sem receio dos “kardequiólogos de plantão”, os chamados “intelectuais” de nossas fileiras, sem medo das críticas dos espíritas de “gabinete”, dos patrulheiros ideológicos que pretendem assumir ou assenhorear as rédeas do movimento Espírita na Pátria do Cruzeiro do Sul. O movimento Espírita não deveria se organizar à maneira dos movimentos sociais de hoje, sob pena de incentivar hierarquização com recaídas na pretensão vaticanista de infalibilidade. O que os Espíritas precisam é atentar, com mais critério, para os fundamentos doutrinários que nos impele à íntima reforma moral. Nessa tarefa, individual, intransferível e impostergável, está a nossa melhor e obrigatória colaboração para com o avanço moral do Planeta em que vivemos, pois, moralizando-se cada unidade, moraliza-se o conjunto. Um grande exemplo de espírita anti-burocrático foi Chico Xavier, considerado ultrapassado por muitos pretensos cientificistas ressurgidos das cinzas, do Século XIX, que tiveram, em Torterolli, a enfadonha liderança. Atualmente, jactam-se quais pretensos inovadores, porém, não conseguem acrescentar, sequer, uma palavra nova à Codificação. É urgente, pois, que preservemos o Espiritismo tal qual nos entregaram os Mensageiros do amor, bebendo-lhe a água pura, sem macular-lhe a cristalina fonte. A maior frustração do “Convertido de Damasco” se deu, exatamente, no Aerópago de Atenas, quando os intelectóides, de então, o dispensaram, alegando que haveriam de ouvi-lo em outra oportunidade.

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O Espiritismo desejável é aquele das origens, o que nos faz lembrar Jesus, ou seja, o Espiritismo Consolador prometido, o Espiritismo em sua feição pura e simples, o Espiritismo do povo (que hoje não pode pagar taxas e ingressar nos pomposos Congressos que só aguça vaidades), o Espiritismo dos velhos, o Espiritismo das crianças, o Espiritismo da natureza, o Espiritismo “céu aberto”. Que tal? A rigor, a Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Chico Xavier já advertia, em 1977, que "É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...)." (1) Louvemos os congressos, simpósios, seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas nunca nos esqueçamos de que a Doutrina Espírita não se tranca nos salões luxuosos, não se enclausura nos anfiteatros acadêmicos e nem se escraviza a grupos fechados. À semelhança do Cristianismo dos tempos apostólicos, o Espiritismo é dos Centros Espíritas simples, localizados nos morros, nas favelas, nos subúrbios e não nos venham com a retórica vazia de que estamos propondo o “elitismo às avessas”! Graças a Deus (!), há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Graças a esses Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec. Jorge Hessen http://jorgehessen.net jorgehessen@gmail.com Fonte: (1) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.

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FANTOCHES DA ILUSÃO, BOM SENSO OU SOMOS “DONOS DA VERDADE”? Infelizmente, os Centros Espíritas estão repletos de modismos e práticas vazias de sentido, oriundos da falta de conhecimento das recomendações básicas do Espiritismo. Muitas Instituições Espíritas mantêm práticas e/ou discussões estéreis em torno de temas como: crianças índigo; Chico é ou não é Kardec? Ubaldismos, ramatisismos, apometria, cromoterapias, e tantos outros enfadonhos "ismos" e "pias", empurrados goela abaixo no corpo doutrinário. Há médiuns que confiam, cegamente, nos efeitos das pomadas "cura tudo", como se essa enganosa prática lhes fosse trazer algum benefício. Por relevantes razões, devemos estar atentos às impertinências desses visionários, propagadores de placebos “bentos”. Outros, pela apometria, Crêem revolucionar o universo da "cura espiritual", mas, a bem da verdade, a cura das obsessões não se consegue por um simples toque de mágica apométrica, como fazem os ilusionistas com uma varinha de condão. Desobsessão não ocorre de um momento para outro, pois, quase sempre, é um tratamento que depende de um longo prazo. Portanto, não tão rápida como sói acreditar alguns incautos apometristas de plantão. O legítimo Centro Espírita não promete a cura para quem o procura. A Doutrina Espírita afirma que a “cura” de uma influência espiritual (obsessão) ou doença física depende de uma série de fatores, entre os quais a modificação moral do enfermo, sua necessidade de disciplina mental, seus problemas relacionados com encarnações anteriores e, sobretudo, se há ou não a concessão divina para a solução da dificuldade. O sofrimento é, sempre, a conseqüência de atos que contrariam as Leis de Deus. É o período necessário para que o Espírito, encarnado ou desencarnado, reflita sobre sua natureza íntima e decida por onde e quando reparar as faltas cometidas, pois Nosso Eterno Pai respeita a nossa singularidade. Já o sofrimento compulsório é uma imposição do Divino Criador, quando o Espírito, deliberadamente, persiste no erro ou insiste no mal, e Ele é o Único que sabe como agir, para o bem do filho rebelde, e até quando deva, ele, sofrer.

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O Centro Espírita é um pronto-socorro aos necessitados de amparo e esclarecimento, seja através da evangelização, das orações, dos tratamentos espirituais, ou seja, pelas orientações morais e materiais. A Casa Espírita oferece as bênçãos do passe, que é um método, tradicionalmente, eficaz para transmitir fluidos magnéticos e espirituais, pelas mãos dos médiuns sobre a fronte daqueles que se encontram - moral e fisicamente - descompensados, fortalecendo-lhes o corpo físico e o tecido espiritual, ou seja, o perispírito. É evidente que o passe não poderá, em tempo algum, ser aplicado com movimentos bruscos, utilizando-se de objetos, de baforadas de cigarro ou charuto, de estalos de dedos, cânticos estranhos, toque direto no corpo do paciente, e, muito menos, ainda, estando incorporado e, psicofonicamente, verbalizando “aconselhamentos” para o receptor. Isso não é prática recomendável pelos Orientadores Espirituais. Há confrades que insistem em usar trajes especiais no Centro. Cabe alertá-los de que o Espiritismo não adota paramentos especiais para exercê-lo e o que dignifica o trabalhador espírita é a pureza de intenções. A Doutrina Espírita não adota enfeites, amuletos, colares, roupas brancas (“significando o bem”) ou roupas pretas ou vermelhas (“significando o mal”). Os trabalhadores cônscios da realidade Espírita trajam roupas normais, de forma simples, até porque, a discrição deve fazer parte dos que trabalham para o Cristo. Há médiuns que se ajoelham diante de imagens sagradas e de determinadas pessoas; mantêm-se genuflexos e beijam a mão dos responsáveis pela Casa Espírita, como forma de reverenciá-los; benzem-se; sentam-se no chão; fazem sinais cabalísticos; e outros, por incrível que pareça, proferem palavras esquisitas (mantras) para evocar os Espíritos. Casa Espírita séria não comporta imagens de Santos ou personalidades do movimento espírita; amuletos de sorte; figuras que afastam ou atraem maus Espíritos; incensos, preces cantadas, velas e outros quejandos alienantes. Como se não bastasse, há, ainda, palestrantes que promovem, das tribunas, verdadeiros shows da própria imagem, mise-en-scène, essa, protagonizada pelos ilustres oradores, que não abrem mão da ridícula imposição do “Dr.” antes do nome. Há Instituições Espíritas que cobram taxas para o ingresso nos congressos, simpósios, seminários, tendo, como meta, o fomento de querelas doutrinárias. A questão é: como evitar esses disparates? Como agir, com tolerância cristã, ante os Centros mal orientados, com dirigentes perturbados, com médiuns obsidiados, com oradores “show-men”? Enfim, como agir, diante dos espíritas cegos, que querem guiar outros cegos? Para os líderes “mornos bonzinhos”, é interessante a prática do "lavo as mãos" do "laissez faire", "laissez aller", "laissez passer". Porém, os Benfeitores espirituais

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dizem o contrário e nos advertem que cabe, a nós, a obrigação intransferível de defender os ensinamentos de Allan Kardec, seja, OBVIAMENTE, pelo exemplo diário do amor fraterno, seja pela coragem do debate elevado. A Casa Espírita que se orienta pelos ensinamentos dos Espíritos superiores não realiza práticas bizarras, pois elas nada têm a ver com a Doutrina codificada por Allan Kardec. O Espiritismo ensina, tão somente, a moralização do indivíduo, e o Projeto Espírita é desprovido de aparatos exteriores. Suas propostas terapêuticas, como as de Jesus, fundamentam-se na instrução moral e na reposição de energias e fluidos espirituais, seja pela fluidificação da água, seja pela imposição das mãos através do passe, mas sempre e, fundamentalmente, pelos pensamentos elevados. Os Centros que praticam as terapias ou rituais aqui denunciados, têm liberdade para fazê-lo, porém, não deveriam nominar-se "Espíritas". O bom senso sussurra para que os seus estatutos sejam alterados, IMEDIATAMENTE. Até porque, é por causa das Casas Espíritas mal dirigidas que existe uma confusão muito grande a respeito do que seja Doutrina Espírita ou Espiritismo. Os que estão fora do movimento, e não conhecem a Doutrina Espírita, Crêem que “o espiritismo é coisa do diabo”; que “comunicação com os mortos é pecado”; que “espírita não acredita em Deus, muito menos em Jesus Cristo”; que “espírita não ora”; que “espírita faz macumba, sacrifica animais, tem rituais”; que “os espíritas são lunáticos, loucos e desequilibrados”; e, ainda, afirmam que “se alguém entrar nessa "coisa" de Espiritismo, jamais poderá sair”. Isso, porque, essas pessoas não sabem que as palavras, "espírita e espiritismo", foram criadas em 1857, na França, pelo Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec. Sabemos que, para alguns confrades “mornos bonzinhos” (!?), o tema que abordamos, aqui, ressona como algo obscuro, subjetivo, mas vale lembrar-lhes que qualquer escritor sensato não se coloca como imprescindível, e muitíssimo menos, ainda, tenta impor sua idéia, e nem, tampouco, considera seu ponto de vista o mais acertado, devendo ser aceito por todos, esperando adesões sem questionamentos. Chega a ser primário demais estarmos, aqui, afirmando, para os leitores, que não somos donos da verdade. Que a nossa opinião é, apenas, um ponto de vista pessoal, fruto de diuturno estudo das obras basilares e resultante de observação pessoal dos fatos, o que, obviamente, difere da experiência dos outros, que - sabemos - não pode ser desconsiderada no contexto. Se alguém insiste nas práticas inócuas, aqui descritas, com certeza, não está bem informado sobre o que seja Espiritismo. Os Códigos Evangélicos nos impõem a obrigatória fraternidade para com os adeptos equivocados, o que não equivale dizer que devamos nos omitir quanto à oportuna admoestação, para que a Casa Espírita não se transforme em academia de fantoches dos distúrbios psíquicos.

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Jorge Hessen http://jorgehessen.net jorgehessen@gmail.com

O ESTADO DE COMA ANTE OS CONCEITOS ESPÍRITAS A palavra “coma” advém do termo grego koma, que significa "estado de dormir", mas estar em coma não é o mesmo que estar dormindo. Alguns pacientes em estado comatoso podem sair do problema depois de algum tempo. Porém, há uma grande diferença entre estar em coma e estar em estado vegetativo. Este último é um tipo de coma em que o paciente, quando desperto ou quando dorme, não reage aos estímulos. Há vários conceitos e muitas incertezas sobre esses estados de inconsciência. Sabe-se, porém, que as taxas de sobrevivência ao coma são de, até, 50%, e pouco menos de 10% saem do coma e conseguem uma recuperação completa. Os pesquisadores acreditam que a consciência depende da constante transmissão de sinais químicos do tronco cerebral e tálamo para o cérebro. Essas áreas estão conectadas por caminhos neurais chamados Substância Reticular