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Moçambique - Radiodifusão Pública em África (AfriMAP 2010)

Moçambique - Radiodifusão Pública em África (AfriMAP 2010)

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Tomas Vieira Mario, a Mozambican media and freedom of expression lawyer and a long-time media activist, explores the country’s media landscape, where an array of laws regarding ‘national security’, introduced during the 16-year civil war, are still on the statute books. He argues that because the culture of secrecy in the public administration is still very strong, the tendencies for impunity, corruption, and lack of transparency could threaten rights of citizens as guaranteed by the constitution. Other aspects of media reform are explored in this publication as well as programming, funding, digital migration, and legislation of media. The report has put forward 43 recommendations aimed at improving public broadcasting and press freedom in Mozambique.
Tomas Vieira Mario, a Mozambican media and freedom of expression lawyer and a long-time media activist, explores the country’s media landscape, where an array of laws regarding ‘national security’, introduced during the 16-year civil war, are still on the statute books. He argues that because the culture of secrecy in the public administration is still very strong, the tendencies for impunity, corruption, and lack of transparency could threaten rights of citizens as guaranteed by the constitution. Other aspects of media reform are explored in this publication as well as programming, funding, digital migration, and legislation of media. The report has put forward 43 recommendations aimed at improving public broadcasting and press freedom in Mozambique.

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Moçambique é uma democracia multipartidária emergente, com a Constituição de
2004 garantindo a liberdade de expressão e de imprensa. Isto está em consonância
com a Declaração de Princípios sobre a Liberdade de Expressão em Africa e outros
instrumentos internacionais. Contudo, na prática o ambiente político, económico e
cultural prevalecente ainda coloca sérios obstáculos ao pleno exercício destes direitos
fundamentais.

A Lei de Imprensa de Moçambique restringe, e em alguns casos, penaliza a
disseminação de informação pela imprensa. Ela contém, igualmente, dispositivos
que contradizem a Declaração Africana sobre a Liberdade Expressão, onde se pode
mencionar a criação do Conselho Superior da Comunicação Social, o qual goza agora
de dignidade constitucional, depois de ter sido incluso na Constituição de 2004. A
imprensa deverá assumir a sua quota parte de responsabilidade neste caso, pois os seus
profssionais jamais tomaram decisões sérias no sentido de adoptar a auto-regulação
em Moçambique, tal como sucedeu em outros países africanos – `a excepção de duas
experiências de curta duração, relativas `a cobertura de processos eleitorais.
Moçambique ainda se ressente de uma herança colonial de uma cultura secretismo
em torno de assuntos de interesse público, o qual constitui a principal barreira para
uma efectiva liberdade de informação e de imprensa. A falta de uma lei de acesso `a
informação sob custódia do estado claramente contradiz as intenções e os dispositivos
constantes da Declaração dos Princípios sobre a Liberdade de Expressão em Africa.
A maior ameaça `a liberdade de imprensa presentemente é o recurso excessivo aos
chamados “crimes de abuso da liberdade de imprensa”, com reacções criminais e civis.

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RADIODIFUSÃO PÚBLICA EM ÁFRICA: RELATÓRIO SOBRE MOÇAMBIQUE

Recomendações

A Lei de Imprensa deve ser revista, `a luz da nova Constituição.

Não deve haver ofensas agravadas na forma de difamação e de injúria na Lei

de Imprensa.
Casos de difamação devem ser abordados `a luz da lei civil comum que

é aplicável a todos os cidadãos, sem agravamentos quando se tratando da
imprensa.
Disposições legais consagrando protecção especial a fguras públicas não são

adequadas a sociedade democrática – elas devem ser eliminadas.
A Assembleia da República deve dar consideração renovada `a proposta de

projecto de Lei de Acesso `a Informação que o MISA-Moçambique preparou
e submeteu ao órgão legislativo em Novembro de 2005.
A Assembleia da República deve rever as leis sobre a segurança do estado, de

modo a limitar o seu escopo `as medidas estritamente indispensáveis para
garantir a segurança pública numa sociedade democrática.
A Assembleia da República deve rever as leis sobre a segurança do estado, de

modo a limitar o seu escopo `as medidas estritamente indispensáveis para
garantir a segurança pública numa sociedade democrática.
Os propósitos e o papel do Conselho Superior da Comunicação Social

devem ser revistos, apesar de se tratar, agora, de um órgão constitucional.
Se a revisão chegar `a conclusão de que o Conselho não serve qualquer
interesse efectivamente relevante, a sua continuidade deverá ser repensada
cuidadosamente, considerando-se a sua substituição por uma entidade de
auto-regulação que receba reclamações do público e que seja constituída pelos
próprios profssionais de imprensa.
A fraternidade no seio da imprensa deve ser seriamente considerada,

incluindo para o estabelecimento de um órgão de auto-regulação e para a
adopção de um código de padrões profssionais – tudo em consulta entre os
jornalistas e empresas jornalísticas e que seja aceitável para todos – na base
do qual deverão ser analisadas as reclamações a serem recebidas junto do
público.
Deve ser repensado o papel do Gabinfo como instituição de supervisão do

sector público da comunicação social.
A adopção de leis ordinárias, em cumprimento do comando inserido no

Artigo 49 da Constituição, o qual determina que aos partidos políticos com
assento na Assembleia da República, que não façam parte do Governo,
exerçam direito a tempos de antena e de réplica política, deve ser considerada

LEGISLAÇÃO E REGULAMENTAÇÃO DOS MEDIA

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como matéria urgente, assegurando-se ao mesmo tempo que outros sectores
da sociedade não sejam discriminados.
A limitação ao investimento estrangeiro nas empresas de media deve ser

revista.

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