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BIBLIOTHECA DA LIVRARIA DO POVO

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E

do

Modinhas Brasileiras
Couteiido as mais
populares,

conhecidas e apreciadas
^

modinhas

brasileiras

com

a indicação das musicas

com que devem

ser cantadas.

Escriptas e colleccionadas

CATULIO DA PâTxãO CEARENSE
Auctor do
'

'CANCIONEIRO POPULAR'

9^

8è.9,90S

O Cayaquinho
Aos Amigos Galdiiío e Mabio

Meu

cavaquinho choroso,
!

temos noite de luar Eu ando triste e saudoso, por isso vamos chorar.

Bepara que a noite bella as tuas cordas prateia
!
.

Vamos

£rillar-lhe

á janella,

'Que é noite de lua cheia.

As
•de

tuas cordas são fibras

tua alma chrystallina,
afiua.

'^ vae epntar-lhe as magnas dibras
p^

nos tbrenos^ue a noite

Quaresma &

C. editores

Tu

tens lagrimas nas cordas,;
!

quando em mim tu te debruças Quantas lembranças me acordas,
se sob o plectro soluças
!

Quando

tristonho, indeciso,

o seu rigor

me

maltrata,

meu

coração tranquillizo
prata.

n'um teu gemido de

Os teus suspiros macios, quando tu planges sosinlio, parecem dolentes pios de uma ave que não tem ninho.

Tua alma
que só

indiscreta, incauta,

me

entende a canção,
flauta,

conhece as queixas da as magnas do violão.
Se falas
se tu

em

doce acorde,
luar,
j>íw/íO se

gemes ao

de inveja o
]3or

morde,
!

não poder

te

emitar

xVs tuas

cpiando

em mim
;

IS, ma^iasiransbordas ta te debruças

T

Quantos soluço acordas, quantos acordes soluças
!

n'um meigo acorde revela •essa Canção languorosa que ouviste dos lábios delia. e já deliras ! . Lua cheia ! . ::*'.-1 '''•'. neste penar. Traduze em nota amorosa. Mais que a viola. ! tu não padeces sosinho Eu também vivo isolado ! . . chora. Tu •de nos falas das ternuras um amor lento e penado -- nas argênteas fioritnas •do teu suspiro chorado. . tu choras no teus acceutos Tu <le és o mais brasileiro todos os instrumentos. fagueiro.*Jí . '-^- Choros ao Violão Meu cavaquinlio adorado. . que é tão agro Chora a walsa em que suspiras todo o amor que eu lhe consagro. ó cavaquinho. DO ÁUCTOR \ . Chora. ! .

chorando. Meus carmes Zulmira !. editores Ao Serena Acorda. ingrata. primores. vem doce amada. só quero te ver. Plangendo. gemendo na minha canção.V "'*: ' . carpindo. Indolente^ que a lua fluctua na tua janella. falar. descanto. amores sonhando.. saudades sentindo. inspira..íiSiSft: . saudosos. ella inspirada. . morosos. de amores Tu dormes.. Sorrindo ao prazer! Mas eu... tu.6 Quaresma & C. suspirando.. queixosos da lyra morrendo já vão!. .*í. cerrada ao luar Em noite por tão bella. com flores. Os sons merencoreos.

no fogo de um beijo. ó pátria amada etc . ! comtigo sonhar DO AUCTOR Musica ão mesmo A Canção do Africano (O BATUQUE) 1? ' Ai como eu sei te amar. cadente. 2? etc. silente. ! são sanctos . Não sinto o negro crime etc 1- ESTEIBILHO Accolhe. . teus cantos almejo escutar ! São tristes meus prantos.Choros ao Violão Á noite estrellada. Desejo. dolente.

. vem. de mim tem dó ! ! Ai. editores Eu choro o meu destino etc 4? Eu sinto acerbo espinho etc 2- ESTRIBILHO Eu clióro. Quero morrer Penar assim é neste amargor triste ! . ! . . . .8 Quaresma & 3? C. me feree mata ! Martha. tu jiartir-me viste para soffrer ! Miuli'alma não resiste ! . . P'ra que viver sem fim ! . ó pátria ingrata. Calado e só ! A dor assim maltracta. . longe da inzó ! Minli'alma se desata do térreo pó O' morte. ! .

8? Quando a macumba chora. Choros ao Violão 9 • 6? iSlmhB.. minh'alma vê toda a ijassada aurora .y.ESTRIBILHO Accolhe os pobres cantos. . e na marinha implora que a dor lhe dê azas p'ra ver-te alem 4! E ESTRIBILHO basta de maldade.'- . que d' alma são Vem dar-me os lábios santos. ó senhor ! -^S. jupá tao bella etc 3. 7? Quando o luar prateia etc. ! me Meus extende a mão ! ! ais são tantos.<K da minha ilê. basta. tantos E vem Quebra o grilhão seccar n'um beijo ! os prantos deste meu coração.i^- 'k:'~^\?^ •>'" - =? -.

e de cada apenas vae aqui o primeiro verso. pois que nada modifiquei. para mostrar a ordem uma das quaes em que devem ser cantados.10 Quaresma & C. A canção é conhecida para extender-me em outros esclarecimentos. e os três estribilhos. OBSERVAÇÃO Julguei desnecessário reproduzir por extenso todas as estrophes que o leitor encontrará no meu Cancioneiro Popular. leitor de e no final da decima. que são cantadas com a musica da primeira parte. que é cantado após as duas primeiras estrophes. ! editores E' grande esta saudade grande esta dor ~- ! A tua crueldade me faz horror ! . . Escrevi mais três estribilhos. Accrescent^ mais duas estro^ihes. Zamhi atroz. Ai. repetindo o primeiro. nâo tens piedade deste infeliz amor ! 9? Ai. também com a . cantados assaz mesma musica dos outros. Congo meu fagueiro etc 10? Astros do ceo nublado etc 5- ESTRlBIiHO Accolhe ó pátria amada etc Do Auctor. Creio não carecer o mais explicação.

Paixão insana me faz sentir. Fico damnado Com me teu andar. estaco. .(íhôxos ao Violão 11 Odio LUNDU' Eu tenho gana do teu sorrir. » . Ao ver-te.-s^m^-isfin-. ja perco a acção! Eu dou o cavaco com a perfeição Fico raivoso.-: . se tu me falas! Toda a miuh'alma de amores ralas. Não tenho calma. Tu ja nasceste p'ra meu tormento! Tu me perdeste sem salvamento. se acaso cantas! ! No timbre airoso tu me supplantas.- .. pois que pasmado faz ficar.

. de i^allido rizo amarga illuzão! de um'alma affligida. Nem sabes que a vida. ser formosa lá para o inferno! Meus ais se fartam de te chamar Raios te partam. arroubado.12 Quaresma & ' C. Arcbanjo terno I . também — amei! Tu queres que eu sonhe. que dores não vao ! que envida ser leda. editores . Váe . diga : perdido. mulher sem par! Do Auctor. í| De mim dás Tudo cabo! .. que ao menos. Tu queres que eu sonhe m (GONÇALVES DIAS) n Tu queres que eu sonhe.. dormindo. te segue! Vai p"ra o diabo que te carregue!! Linda e mimosa!. - ^-i * . menos nas azas de um sonho mentido. <lesfructe prazeres <iue ao que nunca provei. me Xo corre penosa.

direi! E. . talvez diga. nas azas de um sonho mentido. riso dos*teus. sonhe que as ondas mendaces o levão domadas. perdido.Choros ao Violão Sonhando. Brilhar em meus meu sonhos!. Vem tu como estrella de noite sombria. quando eu teu hálito insi)ire -não soffro. as vagas cruzadas.. percebo na mente agitada 13 um mar sem limites. scismando prazeres n'um coberto o roste. fôr dormido. em sustos envoltas. se o nauta sem rumo consegue dormir. Se queres que eu sonhe. mas triste desperta. escuta raivosas bramir! Talvez. . Vem juncto a meu leito. que entra em seus lares. fugisse o meu fado. arroubado. ! E queres que eu sonhe Nas aguas revoltas. quebrado aos encantos de um anjo do ceos. ás soltas. ao menos. . talvez socegado. aos raios do sol. de um plácido amor. e um marco não vejo perdido na estrada cançada. para poder adaptar-se á musica com que é cantada. que eníia os seus raios das noites nO horror. que os ventos fugaces nas faces a espuma lhe atira dos mares. que alguma alegria dormindo conheça..amei! Com leves toques do auctor. não ve'o longínquo pharol. j)orem.

pois. commigo embalada no barco que é meu! E o nauta afamado. Sem dôr e sem magnas. sem receio. Vem. zombando das fragas. me embalam. editores Meu Meu e singra ligeiro Barco barco é veleiro ao sopro grosseiro do rijo tufão ! E eu.''\^-'Z:J9^'^'C^y^*^' 'jWi/í 1 í Quaresma & C. tomando do veio. viver encantada. das ondas no meio. jamais receei. >^uft © nauta sou eu. no meio das aguas sou mais do que um r ei ! Os ventos me as ondas e as vergas falam. de ti sempre ao lado. minha amada. que estalam. lhe dou direcça.0. . VOTás desvelado.

Morena IVIorena. nos valles de Flora. nos versos me enleio de minha canção.Choros ao Violão 15 Meu barco é veleiro e singra ligeiro ao sopro grosseiro do rijo tufão! receio. vaidosa de teus encantos. perfumes de amor ? Já -e viste a rolinha. creança. Morena. E eu. sanctos. os pingos de prata calix a» da flor ? . sentiste ao romper da aurora. sem das vagas no meio. bella morena. meus puros aflfectos. que o canto desata. desdenhas amar.

não sejas altiva.ísi>^3fS5Sí-"í: _ _ i^ 16 Quaresma & C. na face mimosa. . sonho viver a teu lado. editores Doe-me tanto a desventura do meu viver isolado. tem pena Morena. não sejas assim ! De tantos tormentos. ! morena. que sonho gosos infindos. .'"• - - - .-^«^r* ''. eu vejo o meu fado.^Zrw-Z.. sorrindo entre anhelos ! Encantos tâo bellos de um negro viver. tem pena de mim.-""•#«?!. Xa trança setiuea. se o teu perfil se desenha. nos lábios de rosa.j. Nas ondas do mar*revolto. que estão sempre a arder. morena. na branca areia da praia. de goso a lua desmaia ! A tantos affagos não sejas esquiva.

. Tu eras bella e mimosa. Meus suspiros abafei.". meu coração delirava . pois eu te trago na mente E'grande. hoje.' ^ _í? ESTRIBILHO • ^'-\.iv. faceira.í'?.V*.. que esta belleza perdeu seu viço e primor. -': *:._v^. * ' ^-^ ' Mas. perdido de amor fiquei.^'í^ ---*^ . elegante. ^ mimosa gentil... e bella tu eras. Por issoTiâo tenhas medo do meu triste suspirar São dores que 'estão occultas.. . „ .1 -V _ _^ . - . é firme este amor fujas assim de Não . que por ti meu peito sente.-:-f'.r^> . ^ C' . Tinhas quinze primaveras. ::â'i^<#T.rSrj'^^^ Choros ao Violão Quando Quando os os meus olhos. eu inda muito te quero. . mim. ' .?'-*SS»i'JV'ig<^Vfít. ! * - . meus olhos te viram. '' porque consagro-te amor. e que não devo contar.

Ijede ás rolas ternura e paixão. Pede aos echos «m canto maguado. DO AUCTOR. pede ás fontes queixumes de amor..Í3B^'-' 'i^M^ . murmurejos ás lymplias dos lagos ! 3Ias ao triste não peças um canto. editores Amargura Suprema ás flores perfumes odóros. pede ás brisas queixosa canção. affagos. pede ao sol fulgurante magia. • I)ede á flauta caricias. pede ao ceo.) :. vive o bardo em (IMITAÇÃO. Pede pede ás aves poemas canoros. ii>fv^y ^'>'-'am 18 Quaresma & C. constante chorar AfFogado nas ondas do pranto. sorridente esperança. pede amores ás noites amenas. que elle um ai já não pode exhalar.-^1í^l'--Ísr. Pede á lua serena poesia. pede encantos ás bellas phaleuas. Pede ao mar quietação e bonança. ! . pede aos astros sidéreo fulgor. sonorosa lembrança ao passado.:>!i.

Meus flebeis suspiros gemiam no ar ! A dor latejava nas anciãs do peito ! . voando na walsa. atroz Teu par enlaçavas nos estos dos gyros ! . . sincero. Minh'alma a chorar ! ^'i- ^iM^r . sala n'um canto ! vertia meu pranto de dores. Jlas eis-me acordado ! .. ! ! . Meus sonhos perdi.:f f '- " A Walsa ' ^xL Amei-te em silencio. JFoi hontem no baile Teu vulto perpassa. . constante. Meu sonho desfeito ! .Choros ao Violão '~ 19 ' 'r.. n' um gyro veloz Eu da >y> triste e calado. meu peito de amante bateu só por "Votava-te ti ! um culto tão puro e sagrado .

-'-- .". ." í-rjJj^/^ISS^Í^S^RK^^lígC^^ 20 Quaresma & maldicto C. Meus sonhos cabiram da dor no infinito ! Feliz. em que. traidor Libava-te o néctar dos lábios odóros ii'uiis beijos sonoros de i)erfido amor. . de amor os delubros Teus lábios tão rubros me foram punhal Do ceo constellado de losea esperança. editores Eu vi que o 11 beijava-te a face 'um beijo fugace ! de infame.-^X.': »^". ':'A^. infida. iião sae desta lueute .. :. só resta a lembrança. da noite fatal DO AUCTOK.:f35P'. foste atrozmente. '.Jv-^Íí**ÍÍl . Musica da modinha Eu vi-te sorrindo. '^-. uão posso esquecer . o maldicto me via me soíFrer ! A walsa. E jazem por terra ! .' ' . voando na walsa.•f*. .

. . . e. cli-eça sylvestre.me a berço amado em que nasci. .te.Choros ao Yiolâo 21 Partida do Sertanejo Por mil dores macerado. da aldeia. ti. 'So viso de um monte alpestre. ó serrana com mais anciã e coração. da minlia aldeia parti. Já não vejo o gado manso que ella vinlia apascentar. Despontava a lua cheia . toda a gente a soluçar ! .. nem a fonte em que descanço vinha á tarde procurar. me faz lembrar. mais conturba a razão. onde mil gosos ficou. Que prantos tinha o luar ! . quiz esquecer. fugindo apaixonado.me de Mas a saudade •que tyranua.. Parti chorando. frui. .

Yi teus lábios solettrarem. Musica ãa modinha - — Eu }Knii da minha terra. fui ditoso.t mas sorridente a captiva. O 'noites ó choça do monte.^»- .. manso gado. Um Sonho Tive um sonho dulçoroso.. 1 . : Saudosas nymplias da fonte ! '.. suspirarem juras mil de sancto amor! E nos meus lábios sedentos.*' 22 Quaresma & C. amores meus de lua. DO AUCTOR». ! se coUarem.-:. \. ! ! me falar ' í#. I)or momentos.-J*-^ '" '- ' >. ! . ' - •. meiga flor . : . adeus ! " . editores -ri* A deus. fui feliz no meu sonhar ! Não te vi cruel. esquiva.

protestavas só p'ra viver só. Desolado o coração ! Musica ãa modinha — A brisa dizia â rosa. Frio o peito ! . ' vi-me escravo da illuzão ! . fui feliz no meu sonhar! mas. Não te vi cruel. acordando. DO AUCTÔK. de Tãffi^ . sorridente a me beijar ! Fui ditoso. captiva. mas sonhando. esquiva.Choros ao Violão " 2^ Tu dizias que me amavas. melodias dos archanjos escutei Desse elance ao ceo de amores quantas dores não senti. quando acordei Tive um sonlio dulçoroso. que. Triste e só no pobre leito ! . mas mim ! Tu me deste mil venturas I nessas juras ! que tiveram logo fim \ Nas palavras que • dizias. fui ditoso.

. a lagrima harpeja . magnas cantando suavise que o pranto deslise. filtrado ao luar «&' . descantes de amar ! Que as dores. não ouves tristonhos. Saudade Cantemos. Commigo chorar I ^ ^ . «oado ao luar ! E tu. editores Cantemos. ZyíYt querida. Saudade. que as . Lembranças de outr'ora do ameno gosar Dos dias tecidos ! ! . que no leito matizas teus sonhos. n'uns sonhos de ouro. Vem. Xas tuas seis cordas ! .24 Quaresma & C. Meu pranto gotteja v -^^ fulgindo ao luar! Farpante Saudade meu peito adolora ! . . . . . desfeitos no choro. que a noite convida ! .

gjst^-ssr^»» "^c i™'t-*'r. se embebe nos raios luar! do branco DO AUCTOE Musica ão mesmo. quando o mar. tranquillo e brando. "**-. azul do céo transparente.* . » t "'*» jsr t. . ! n' areia cbora fremente. quando a esphera d' alva lua Vagueia mui docemente Quando a terra não ruidosa. Consolação nas Lagrimas ( GONÇALVES DIAS ) Como o é bello.a^r-'"^'iíg •!'. á meia noite. toda se cala dormente. • >~ ' ' ^<=»í«sj!sí _- Choros ao Yiolão 25 As notas pungidas vão graves morrendo Nos seios plangendo lateja o ! penar ! ]VIinli'alma se alando nos langues desmaios.

terra. quizera magnas pungentes neste silencio olvidar. e. que na terra passa e morre ! sem nas folhas sussurrar Os sons d'areo instrumento quizera agora escutar. pouco a pouco. que enruga a face do mar. mas sancto ! frescor em peito chagado Nâo exprimido entre dores. Kada meigo é melhor que este pranto silencio gottejando. em e doce. aos céos a mente arrebata. editores Como da qiTe é bello este silencio. mas quasi em prazer coado. toda harmonia. ! do coração despegado Nâo soro de fel. ! cheia de meiga poesia Como é bella a luz que brilha ! do mar na viva ardentia Este pranto como é doce. .26 Quaresma & C. que entorna a melancolia! Esta aragem como é branda.

dos céos encanto..i^^W^iffí^-^^^ — . Brinca o vento nos soltos cabellos delia. não gyra.-í-:-.^'^. v-vr-^-^ 1..Vf^^::^-:i:-^- 4 Choros ao Violão 27^ Rosa no mar (GONÇALVES DIAS Por uma praia arenosa. No virginal devaneíj. doce pranto.«-.^. . :-^-.. divagava uma donzella.:.^.. .^-. . doce pranto que não dura. SSf Leve ruga no semblante vem n'um instante. alisa ! que n'outro instante se Mais veloz que a sua idéa não volteia.^.-. vagarosa.. pranto e riso se mistura ! Doce rir. Dá largas ao pensamento. não foge a brisa. arfa o seio.

Vem um'onda bonançosa. impiedosa. Tinha no seio uma rosa mui formosa. A meiga flor sobrenada. dormente. Ia a virgem descu idosa. rente á beira marl . de verde musgo vestida. <lo seio quando a rosa no clião lhe cáe. . qual semx^re usava. n3. flor a comsigo retrae. Agora. divagava em seu pensar embebida. Bóia a flor: a virgem bella vae traz delia. de ver o mar se recreia. que. editores Nesse lagar seu fadário. rente. docemente suspirar na branca areia. & C.•Ti? 28 - ^ Quaresma solitário. De agastada. de o ver á tarde.o a virgem a quer deixar .

vem a rosa ! . . a fria como pallidez de falso amigo. se a onda vem Muitas vezes enganada. a virgem bella recolhe e leva comsigo ! Tão fallaz em calmaria.Choros ao Violão 29 Vem a onda bonançosa. instantes. ! ! mas foge. o mar que se encapella.' Xas aguas alguns fluctuantes. . nadaram brancos vestidos Logo o mar todo bonança. não quer deixar de insistir. Das vagas menos se espanta. Foge a onda. a praia cança ! Com monótonos latidos. a flor também Se a onda foge. Nem com tanta l^resteza lhes quer fugir. Xisto. de enfadada. a donzella vae sobre ella.

. editores Um doce foi nome querido ouvido !. . só acharam rubra flor na branca areia.30 Quaresma & C. todo o dia. Pastorinha Pastorinha. . * í -. E. « A hrisa dizia á rosa ». J:"^. ^ j^A ''^^^^^ : ' Ia a noite em mais de meia - - Toda a praia perlustraram.J ^'^ ^ ' Musica da modinha rado Taffi. tu que fazes cá tão longe do logar.do inspi- que é auctordc outras primorosas. e tu sentada na relva tantas horas sem ninguém! . que conhecemos. emquanto trazes no monte o gado a pastar ? Fecha-te o mundo esta selva nem delle os sons aqui vêm.

tu coraste. muita delicia que enlanguece os olhos. "^ mas nesses dias que vão. € muita flor para cuidar de nós.-..- -^. no valle. meu amor.._ no valle agreste..>. pastora. ' bem fias. fiandeira. 'j^j^- 'íft^- y: .Choros ao Violão 31 Ka se roca tens companheira. ^ ""^^F-^* . em que medito a sós.. ou desejo que mal vês ? ! "®i Ai. « vejo no teu rubor. que. Vae-se a estriga ou cança a mão ! Malmequeres desfolhados tens no regaço e nos pés São já folhas de cuidados. não te guardaste do Amor ! Ha muita sombra (TOBIAS BARRETO) Ha muita sombra. se o teu gado guardaste.

- . De nossas almas na linguagem mystica. para orar a Deus. falando. é tarde. do amor mais puro no encantado abrigo. Musica da modinha — J^' tarde. '*'!'-. abre o teu livro.\ 32 ' "" Quaresma & C . quero ler comtigo. eu te pudera desvendar minli'alma7 tu me i^uderas revelar teu seio. ESTRIBILHO E em que o ceo é calmo^ vago anlielo dos suspiros meus.* '-( i^N*í:. ao eu juntaria tuas mãos de seda. editores Ali. pelo ceo guardados. prezos de amoroso enleio. tu me dirias: Em que tanto scismas. nós ambos.. etc. nessas horas mãos de creança.

Tormentos. ! meus cantos escuta É grande esta lucta ti. Eu amo os teus olhos. teu rosto moreno. vermelhos. angustias padeço.g^r" -jk:% y ' '. martyrios. meu anjo.. porque não me esqueço ! de teu sancto amor Vem dar-me soccorro! . Eu amo teus lábios.'*f ^ *í^^'^ >:- Choros ao Violão 33 Alzira "Alzira. Tem pena dos prantos do teu trovador. corados! São astros banhados na luz do luar! . que eu tenho por Vem dar-me soccorro.. que a calma perdi. teu lúcido olhar! . teu ar tão sereno. que eu j)eno de amores . Abranda-me as dores. Escuta meus cantos . ..

.

jíri^-?*í«c...?^^*'-\ "k*ífi '-ríi - - -- Choros ao ..

filha querida. esfria amor.n 36 Quaresma & C. Não dês á sorte. tão linda flor. de tua vida todo o primor. qual na espessura do lirio a cor ! Cultiva atlenta. da morte disfarça o horror. Tudo perece. . Brilha a virtude na vida pura. mas a virtude zomba da sorte e até. algum valor. íilha mimosa. sempre viçosa. que tanto illude sem a virtude. editores Conselho Põe na ^"^ virtude. nmrclia a belleza.^i^ . foge a riqueza.

porque nasci tão feia <le Quando a lua no ceo azul surgia. : deía Xenhum rapaz esbelto a convidava suspirava: f para os descantes da festiva aldeia e comsigo a mesquinha Doce Jesus. no postigo do albergue a sós gemia mulher sem viço nem belleza. emfim Quando passava o singelo caixão na triste aldeia.Choros ao Violão 37 Desditada Sosinha. melancholico o povo murmurava Vae tão bonita! Olhae ! Ura tão feio! ! : . alvor banhando a murmura deveza. ao desamparo ella vivia : nesse pobre casebre abandonado não conhecera pae nem mãe fitar aquelle rosto macerado. triste Chamou-a Deos.

o teu se mimoso sorriso derrama na amplidão. ? ? ? mimosa flor da natura Da flor do prado és rainha. editores Quem És Quem és. do prado mimosa flor. da flor do prado és rainha. . ingénua flor ! Tens do prado a primasia.'•) •t 38 ' Quaresma & C. Deste pomar és a rosa. De teu olliar se irradia ardente fogo de amor. ! do prado a rosa mais pura D-alva estrella scintillante se vem nascendo um clarão. arclianjo sublime. primorosa. da rosa o divino olor ! .

. Suspira .. e um novo bocejo ! - espalha o aroma do nardo Desperta. na branca roupagem. soluça. . as formas realça do corpo gentil ! Em sonhos descora Depois estremece ! Que pallida imagem Que somno febril ! I Exhalam murmura. de leve A bocca entre-aberta dos ! Que dentes de neve ! lábios. a furto. disse. . . ! seus lábios o ! ! . sorrio aroma do nardo « Sim. ! em redor Em meus braços furtava-lhe foi um beijo ! l " Mnguem me condemne.o Choros ao Violão 39 ' Dormindo Dormia ! Que somno ! Qufí doce dormir ! Palpita-lhe o seio. boceja. lhe deixa surgir Envolta. ó bardo Amemos » e o peito com as mãos comprimio. Arqueja . amo-te». que o réo amor. pauzado.. . sem arte. «Eu amo-te.

mas consola. cadenceia um ai maguado no clirysol do peito seu. clioro. da saudades nos esse altares.— • .f. 40 Quaresma & C.*!i. ! nem jamais me esquecerei ! . porque de não me esqueço. amar ! ! 2ÍÕ silencio. desolado. ! porque gemo porque quando é noite de luar Fere a lua as chagas d'alma. Juro então sempre encontrares. quando a geíite sabe mas acalma. lembra o bardo com saudade tantos sonhos que perdeu ! Suspirando. editores Não 2íão direi Perg^iintes como eu e te adoro. -•'i^-v.. te votei amor que eu ti Eis porque soífro e padeço. em soledade.^j5^-.

Choros ao Violão i -í— 41 O bardo sente na calma que a lua remexe n'alma com seu marfineo pallor ! . como íías os sinto agora aqui minhas nocturnas preces. >. eu me recordo de ti DO AUCTOR Musica da modhiha <Caz€miro de Ahreu. ^ão me perguntes se a magua ! ! faz os olhos rasos d' agua. de- . cmquanto de mim te esqueces. ! A mente alada insinua Eis porque a noite de lua relembra o primeiro amor. — Sympathia ê um sentimento.

nevada. falta a poesia da côr morena ! Branca. da côr morena ! Á côr do leite. alva açucena. falta o enfeite da côr morena.'1Wi^^ 42 Quaresma & C. és a creada . minha pequena. cannella da côr morena ! A côr da lua e serena pura não cliega á tua. ó côr morena Á côr do dia. editores A cor Morena (IMITAÇÃO) A côr mais bella.'•#^:Í55{!Í?SM'S^- : . és tu. amena. côr de quem pena. . mais linda.

te adoro. minha Sirena....v^'3. . o cravo. Choros ao Violão ' 43 ^ Ninguém de gosto.-.T- .-t . feroz. condemna ! Mata de amores a côr morena! E deste modo ! . Helena Sou todo. despreza o rosto da côr morena ! Só ella ás dores.~. morra a açucena.vr---. DO AUCTOir . -._^-T:_.. todo da côr morena ! ESTRIBILHO Pereça. que eu sou escravo da côr morena.'i-r^._.-^-^-^.=^:-^T.

vermelha. seu gosto não se descreve ! A cintura é fina e breve A perna bem contornada Tem uma ><3ujo ! ! cousa estimada. .' >. A é bocca de minha amante . editores 2L. . pela flor delicada* nome não é uma ..' 44 Quaresma & C. . E' um pedaço de aurora a bocca de minha amante. -tem duas manchas escuras Duas cerejas maduras ! . a nota impressionadora. sei bem.. Os seus dous globos de neve ! . que liba o seu doce mel Xão creio que haja pincel. ^ a mais pura e eu sou a cúpida abelha. mas. forma que tem. . .. uma os flor delicada e Após fica meus beijos quentes pendida murchada. . Dentre as flores do vergel. ! nem colorido que dêm o brilhante tom provocante.

e mais dizer eu não ouso . seu perfume é rescendente ! Depois. mas a flor é caprichosa.. ( Tom de fado ) .. extenuada. pois quando está murcha ! e triste . ene exhausta. fica pendida e murchada. só direi que. se contorce a flor amada. em anciã crescente. aos beijos meus não resiste seu revigor é completo . Sou jardineiro dilecto dos seus canteiros virentes.Choros ao Violão . 45 A essa flor tenho aífecto. abre as pétalas de rosa E' mais que o mel saborosa. ! . . após tal goso. Ha milhões de pretendentes. só tem vida e está viçosa após os meus beijos quentes. Quando os meus lábios presente.

Sanctinha. quem ai. ! Cultivava os seus encantos. editores Minha Saudade Eu deite Mas riã.46 Quaresma & C . flor ! ! primorosa e linda tiveste piedade do emblema do meu amor A minlia flor.o aquella saudade. uma flor tão linda assim Sem ella agora quem ha de te dar lembranças de mim ! ! ESTRIBILHO Oh. coitadinlia tinha de ser infeliz ! ! ! Cedo se foi por ser minha Tinha em meu peito a raiz ! . me dera. ! por terra o meu coração ! Perdeste a minha saudade. . quem me dera essa flor ! ! ! Perdeste-a só por ser minha Que será de meu amor . quando era tenro botão Por brisas tinha os meus cantos.

dona Auzenda. yae e « « De lá lhe vieram cartas uma carta lhe dizia : Teu amigo. Dona Auzenda. em busca de su' alma. e tuas irmãs sem vida Pouco importa a Dona Auzenda quem na Hespanha morra ou viva. Dona Auzenda. com seu bordão e esclavina. chora de noite e de dia. dorme.' '""-í^ Choros ao Violão 47 O Acalentar da Neta Dorme. que em Palestina é captiva. mãe cahirá morta. . dorme que eu te embalo o berço e te canto uma cantiga Yae a bella dona Auzenda Caminho de Palestina. em sabendo tua que és fugida. leva traje de romeiro. minlia neta. senão não sou tua amiga.

ajoelha com fé viva. neta. Uma tarde. soes e chuvas caminha . era sol posto. era de Xossa Senhora. Tendeu jóias e arrecadas.'^pW-- 48 Quaresma & C. ao pé da Virgem Maria. porque scisma que ha de morrer sem mais verte.!i"^l. com elles vae mais asinha. .4^S^^.^Vr. liem ver-te quer na mourisma.^3pw. Dorme. jiedindo lhe restitua su' alma. fia. comjHou bordão e esclavina e trajada de romeiro ja demanda a Palestina. quando avistou uma ermida.:. minha e tu fuso. editores As cadêas não pezas-llie tu. lhe pezam. Vae pedindo l)or pelas portas. soccos descalça á porta. trabalhos não a quebrantam. dorme. que faz caj)tiva. fia. mãe Os dos homens se apj)ellida. que eu canto á minha candêa.

perdi a mãe que lá tinha. tinha medo. com suas penas conversa. o corpo em folhas reclina. não dormia. que j)rocurando vinha. : cerrou se-lhe logo a noite e ella nos bosques sosinha . . tolhia. mais triste sae do que vinha . coitada da peregrina. \ K'uma raiz pousa a face. I)erco-me agora a e o mim mesma. Perdi a terra e o palácio. - Choros ao Violão 49 Os olhos da Virgem Santa deram mostras de affligida ergueu-se : um vento da serra que toda tremeu a ermida. ! Queria andar e não pôde.»^-dí?Í:^:^WW?^^':'^t^^ -':•:' }'' " :%. Coitada de dona Auzenda. que o grande escuro a necessitava encostar-se. ^''•V ' -' /"f^^i.

editores ii 'í Dão Geraldo. que vá levar-te por sonlios esta minlia despedida. e eu sei como sou querida. Dorme. I' só a fé não é perdida. neta. ^ € ouvio folhas abanadas. minlia e tu. fuso.50 . fia. Assim dizia a formosa dona Auzenda de Moliua. dorme. . e sou da Virgem Maria. Então dos olhos cançados lhe borbotou a dor viva. que eu canto à minha candêa. Peço ao meu anjo da guarda. Quaresma & C. e viu uma luz esquiva. e ao dizer — anjo da guarda — ^ lembrou -lhe a irmã pequenina. pois tu sabes que te adoro. se hei-de aqui ficar perdida. fia. dão Geraldo.

porque o pavor a conquista. e uma voz. . de relance extende a vista. tu' alma quer Deus que esteja com meu corpo em Palestina. mas eram terra . nâo via. eu procuro a peregrina. O andar do phantasma branco nenhum ruido fazia . Eu sou dão Geraldo. com mãos postas. parou e poz nella os olhos . Extendeu-lhe os braços longos. E viu uma sombra grande. Tu buscavas o captivo. . Í-/BRAR1C . — Salve Rainha. co' lhe diz : i. que mui devagar caminha não deu com a . que em mim já se não divisa. benzeu-se errado.Choros ao Violão 51 Logo para aquella parte. quiz rezar. em joelhos. como brisa.

que tantas penas sentira e ! Quem ha de enterrar seu corpo nessa noite desabrida. dorme. Tinha dado meia-noite dona Auzenda cahira: ai. jaz morta dona Auzenda. envia . fia. editofes Os nossos anjos da guarda deram palavra sem lingua. / Dorme. à alma envia 6 ao corpo um corpo. que a mela noite aqui mesmo findaria-a nossa mingua. uma alma . minlia e tu.". Deus. fia. neta. ou quem aos j)és da Senhora a irá sepultar na ermida 1 . Ja estas finaes palavras dona Au'.enda não ouvia. que eu canto ao pé da candêa que accendo á Virgem Maria.íl - '"^^r^Jíf^vif-^'''^'!'^'' 52 Quaresma & C. fuso.

com seu canto á reza incita. » e falava em Palestina. •Se ia ou rinha. as velas do altar accesas. a Senhora mui garrida. nunca o disse. que por taes horas. .Choros ao Violão 53 Nessa noite. indo o septe-estrello acima. à meia noite. volta. Entrou a orar um extranho peregrino ou peregrina que de tudo dava mostras . que ora falava . em ser ia. E o gallo. abriu-se a porta da ermida. calou de repente as vozes mocho que maguas lastima. cxuando o ermita o requeria. Tocou sem mão a sineta. ora falava que se . bateu as azas calado ao pé do leito do ermita.

neta. editores E Deus me encommenda três. Ora. surgiu um coriDO defunto. que eu canto á minha candêa. que a todos atemorisa. nessa mesma noite. Nossa Senhora a guiava.i4 Quaresma disse: a três. dorme. Da cova de dão Geraldo. fia. vinha-lhe um anjo na pista. fia. &C . Dorme. fuso. qyiz a bondade divina que outra grande novidade succedesse em Palestina. ouça-me á Virgem Maria ! E veio um' alma voando. minha e tu. . e três dias. por mais que ao cabo de uma novena findarão mil agonias. que pelos ares foi vista. á meia noite precisa.

assim como o primeiro^ muito ao velho desatina. ambas de prata e saphira. 55 poz-se com o anjo a caminho. vinha pela ermida entrando outro romeiro á porfia. e a Os dous romeiros se olhavam. reluziam duas azas. um padre moço surgia. à Senhora era já'ida.:bí-"Ç Choros ao Violão Metteu-se dentro ao finado. mãe dos homens sorria ! e O ermita estava pasmado. "#' •tS E este. que também não cáe na conta se é romeiro ou peregrina. Como a novena acaba va^ ao cabo do nono dia. e o finado cobrou vida. Por debaixo do roquete que era neve sem mentira. .

56 Quaresma & C. e ninguém os lá trazia. ao dar da meia noite. quando. e poz-llie a estola por cima. Nove ânuos eram passados. logo entrou por ella acima um caixão com dous defuntos. Vinham ambos abraçados. . Mãos que pegavam a argolla €ram mãos que se não viam. todo de obra muito j)rima. com c'rôas de flores brancas. e após uove ânuos. lá na porta se batia. nem se enxergava i^essôa nos cantares que se ouviam. com mostras de quem dormia. : e disse conjungo-vos. um dia. editores Tomou-llies as mãos direitas com signaes de muita estima. Como se abriu a caijella.

querendo a Virgem. 6 tu fuso. qne ainda agora em Biscaya vae-se ver áquella ermida. inda por morte casaram. Dorme. Poi escripta esta memoria ii'uma taboa bem polida. dorme. ( Por devoção que esse par com o sancto rosário tinha. A campa ficou sem nomes. que tenho a rccada finda Amanhã. fia.Choros ao Violão 57 Dorme. ! te direi outra ma:s linda- . filhos da Virgem Maria. dorme. sendo a Senhora madrinha. minha neta. que eu canto á minha candèa ao pé da Virgem Maria. minha neta. fia. mas toda a gente dizia que era Auzenda e São Geraldo.

Não queira se passar miséria . . ^- agarre Q. Yá Saindo LUNDU' . . . Eu ando mesmo a nênê. a minha vida desanda .paio de geito G vá saindo de frente. não supporto mais a espiga O feijão vae muito caro vá saindo de barriga. ! . vá já saindo de lado. .58 Quaresma & C. . Senliora don» Josepha. . Ha mais de quatro semanas ! . Estou na fui ãisga. tem algum pretendente. A carne secca é fidalga vá já saindo de banda. . senhora! ! hontem desempregado . editores ^ %.

. gálio. como quizer. ! de banda. V No salteado affianço que será cabra ou cavallo Agora o melhor palpite será talvez — vacca. ! . ! no moderno o cão Mas será o touro ou tigre. sem demora mulher barriga. olha os bichos. . . ! . : ! — Pode dar a se der borl)oleta. . De lado. que eu tive um sonho de truz Teremos hoje na ponta Águia. . burro ou avestruz. se nelle der o leão.^*- Choros ao Violão Saia saia 5^ ! saia jád'aqui. . DO AUCTOR Os Bichos O' freguezia. ou frente.

! Freguezia joga que jogas hoje na certa. mas é jogo mais acertado. Será tolo e multD tolo elephante ! . .\ • R- T^í^stiJ^ís-í-w-Eí^^^i^?^-: ^ 60 Quaresma & C. jVIeus bons freguezes. alerta nelle. jogue u'um bicho de péllo. Coelho. o urso ! ! No pavão Alerta.^ . também nos merecem fé Mas não será muito esperto quem deixar o jacaré. carneiro. mas ao certo nâo affirmo. gato. porque pode ser camelo. editores Quem arriscar uo macaco. . quem não comprar no ! Esse bicho é de massada Bem pôde dar o tratante. o peru vae na ponta. ! O porco é -que hoje o bichano tenho mais carregado.

que perder por um somente. foi só j)ara te zangar ! Xão brigues assim commigo. te fez esse beijo 1 que mal E' só por isso que agora tão brava.2i3^-. Choros ao Violão 61 Mas quem quizer sem medo de ser jogue firme e fazer jogo logrado. Beijo Criminoso Lundu Sinhá. receio ! sem no vinte e quatro — o veado Será tolo todo aquelle. deixando de lado a cobra. ficaste enfadada por um foi beijinho te dar ? Xão por querer.- '".*. Sinhá. te juro. pois que apenas um lhe sobra. te vejo ? 'S«teír^.T/'- . Do Auctor.^í^jjicíSwí^íji-^i.

. sinhá. >' . . -Sr í. conforme eu peço e desejo. vou com quatro ou seis beijos eu a tua bocca fechar ! Mas. se quietinha ficares. trinta beijos As Borboletas Azues LUNDU' •Queres saber j)orque os poetas. "_. é crime ! ! E' se atirar no escarcéo nos faz subir para o céo. eu juro não mais beijar-te. V -- ' -- /"'" ^ 62 Quaresma & C. se não deixas de falar. vinte. editores Se tu não fechas a bocca.??jâÊíiií7. " íi. nos dizem que as borboletas mais bellas são as azues ! . . sellando a jura n'um beijo. çiue tanto gostam de luz... ESTKIBILHQ Um beijo..>.^. -.-: " " V. Mas dez.--T.

e.^-.^-:a-.«'»t?"-^^^. deu uns piques pelo céo. . .„•:: - _-J!. Deus pretendendo de ornar o noturno véo.'-^^^'-^-Z- •^'íí!â'&-^. -S:..5_..-•S::u-:-L:-'-^^^^:r^Ã^ ^-»^-v3.^: :i^^:^£.--^. E. -*-. -.-r-f- -f. a rainha delias cruel Armania ^:^."í-.=?-?íi.SStóf^-ôv ''.v. Ciúmes (LUNDU') Desterra teus vãos ciúmes. por onde jorrou a luz..>^ '^^:'^ •'^^^-«iír^ Choros ao Violão 63 Eu vou dizer-t'o lei sem medo vedada.-.'jií-. . . -' ' ' -. de infringir a desde que a causa é segredo só entre gente inspirada.-- . estrellas para fazel-as..'.. pensou. desses recortes sahiram as borboletas azues.-> . festejo a quantas são bellas ! Mas sempre és tu. --_-^. . quando os furos se abriram.

meu coração Não não t'o nego. fiel.^'-"f 64 Quaresma & C. dous beijos ou três a Estella. Fartei. quiz ver como era nos seus ! Se a Ismene pedi cabello. fui rico do teu thezouro. editores De sâo é teu semblante as lindezas.-S27". foi só por também ser louro. Toquei no seio de Tirse de rosa uns botões fechados ! Tu és bella em teus enfados. confesso. viu -me por ter nos brincos teus modos ! De Armia os segredos todos os teus me fazem lembrar. meus i)assos inconstantes.. adoro n'outros semblantes. com Armia segredo . Gabavam-me os beijos delia. falo ás vezes em t'o nego. quiz ver se eram como os teus. sem o obter da tua mão ! . este arvoredo : com Lilia brincar porem com Lilia só brinco. e tu viste.f.

! e até hoje inda a teu lado não tive enganos eguaes Quanto mais julgas. em Jonia l^rézo nas cartas de Aonia tua escripta e descripção. que não tinhas que vão teu carro i)uxar.Choros ao Violão 65 Amo em Gertruria o amo^os teus olhos teu riso. ingrata. seis Themires. após estas quantas vires ! de semblante encantador i^ . tanto mais se augmenta a lista dos teus triumphos sem par De^ ! meu coração te queixas ! serem sem conto as rainhas São escravas. e tu és a flor das bellas ! Nem mesmo entre te fora infiel os braços delias ! jamais Por distracção tenho ás outras vezes mil teu nome dado. Dez Analias e te abandono. . perder a tua conquista. Um só coração me coube. Jonias duas.

:. prendendo-me o coração.. )-- ^^ /tí Vi^^^Si-'-. & C.--. #?.: : : J-v: . TroTas ao Sereno Não quero ser teu escravo. é muito tarde. . . porque temo e com razão. :- ' --.:^-- %- 66 Quaresma ! . Eu jurei não mais não te ter amar-te. por tuas rivaes levada. mas agora ja não tenho liberdade. ." . .. /-. ..^V.. carta ventifrosa... I - - Vae-te. has de subir coroada ao Capitólio do Amor. editores Arménia sobre áureas rodas. ^-^ae ver a quem quero bem fico ir ¥'-^-^^ I *:•- Diz -lhe que chorando -yi^fi-^-S por não poder também. _ríi:-i"„Bi" . que a liberdade me prendas.".••. mais amizade..

-í-'"^- '-i' . as estrellas. que de tanto confundil-os. que perdes a rubra côr. não tém a luz de teus olhos. C rosa que «mpallideço de amor. €U também me vou finando. r'"^''.-=»^S>'. estás murchando.í-. é porque vago pois já não sei sem rumo. :---• Choros ao Violão • ^^ 67 Eu ando morto. alquebrado se vivo tão triste assim. já nem sei quaes são os meus. A lua. o sol. nem de mim. leva as lagrimas que choro. Costumei tanto os meus olhos a namorarem os teus. quando me estão namorando.. O' rio busca ver que vaes correndo. os astros todos brilhando. um bem que adoro.. se te faltarem as aguas..

que não tem cheiro — a virtude. ( TO 31 DE FADO ) #? \- . modera o andar meus ais escuta ligeiro. editores Eegato. um pagem de seda e ouro. os degráos são de marfim. . Quem me dera lá mandar. não corras tanto. como arauto do Desejo. tua belleza 110 perfume nos illude ! Tu és a belleza morta. E' tua bocca ideal um palácio com jardim. que tem o nome de Beijo. As portas são de coral. e te juro ser no curso companheiro. Camélia.68 Quaresma & C.

de amores zombava. engraçada. . gentil. tão bella. Depois o fingido. TJm joven.Choros ao Violão • 69 \ Eulina Eulina formosa. amada vivia feliz ! Tranquilla dormia. <los somente á verdade seus cultos rendia. perdeu a razão. tranquilla acordava íi vida enfeitava de bello matiz. sorrindo e zombando. roubando-lhe a paz de su' alma. -dos anjos . traidor humilhando seu bom coração. homens fugia. Prazeres fruirá da paz no regaço. brincando lhe disse: Que linda donzella ! Coitada. seu peito de aço ninguém dominava. fingido e com calma firmeza jurou A cândida pomba seus votos ouvindo. ! nos laços cahindo tal joven amou.

Morreu Maria ( * IMJTAÇlO '^ ) ^ -^ As sombras descem da serrania. Ij Morreu Maria '-^í . o seio da vaga por triste jazigo . or- nado! suspirando.it5 o . seu rosto occultar..70 Quaresma & foi C.^f . A louca não teme Não foge á tormenta A onda rebenta e leva-a comsigo ! \ ! Foi lirio que as dores só teve por paga. • * ':*' V^'' • '. : . : >. "sf/íL : ' . mas logo tristonha sahiu lacrimosa. ---'-. .)W : gemem ! -^M . editores louca e chorando.' Atraz de um rochedo.!--''. e foi vagarosa caminho do mar.. ''^t K"a praia deserta conchinhas catava..-:í. no seio as guardava com toda a affeição. mas eis que em furores o mar se encapella^ e logo a procella despede o trovão.^:.lív'!:H/" . os ventos ' ^^ .

que ao mar sorria.Choros ao Violão^ r 71 í¥". porque. Vésper esponta triste e sombria. saudosa. A terna rola que amor carpia. nuvens Morreu Maria. entre :. morreu Maria. no fim do dizendo ás flores Morreu Maria A fonte chora n'uma agonia. Morreu Maria. diz. na terra. porque. tristonha arrulha Morreu Maria ! A branca lua..-L-' As brisas passam dia. \ .

.. ^ Do Auctor.wgf^^^ssíex^p---^. . . editores Chora o cypreste na louza fria. Soluça a lyra triste elegia ! .:-f^'íi...rf:'a^í^p:.. só porque a morte levou Maria. gemendo ás auras Morreu Maria ! : Fugiu da terra toda a alegria. vem ser meu guia ! Chora em minh' alma Morreu Maria ! ! ! . Minh' alma chora Morreu Maria ! ! Feral saudade. 72 Quaresma & C.. ''-j.y ^5-.

-^-^ '"' ft • —-^^i-rrX-' Choros ao Violão 73 E's Quantos queixumes. mais eu te quero Que amor sincero foi esse ! meu ! .r '" '' '' ' ^ --''.'^^i--^'' i'<^'. á noite. se penso. ' Se tu me odeias. dias fluidos do nosso amor ! ? Passam na mente mais de mil sonhos desses risonhos dias de então ! Guardo em segredo cá na memoria toda essa historia - do coração ! ! .. . nos tempos idos. quantos quebrantos má choram n'uns prantos de magna e dor.

Que importa agora viver soffrendo. quando é paixão Eras o anjo do bardo triste Porque fugiste ! Amor ! do coração 1 ! Eu fui tão louco crendo nas phrazes cruéis. mostrar-me o inferno de teu rigor. que já te ouvi. fallazes. . no pranto eterno. se vou morrendo ti I de amor por Mas se devias. desses protestos ! Gelados restos no peito teu Hoje. te quero ainda ! não finda. editores Nem te recordas. sonhando.^-^-^i'^-^^^^^^^^-^^- 74 ' Quaresma & C. .

Dize-lhe as maguas agora. suspiro Casta saudade.Choros ao Violão porque primeiro 75 me ver fizeste a luz celeste de um céo de amor ? BO AUCTOR Yae. que eu sofifro e que por ella minha alma chora. Conta meus males. . leva-lhe agora sentimento. vem dar-me nlfeu alento. tristes. e meus ais doridos. meus suspiros sentidos.

Moãifieaãa pelo aucton . lhe estou na mente ! Conta-lhe tudo que o peito sente. Vê se esquecido .76 Quaresma & C. editores Dize que eu vivo nesta espessura curtindo as anciãs desta amargura. suspiro. Que estas saudades são immortaes. Dize que eu vivo soltando ais ! . não te constranjo ! Demanda os lares desse meu anjo. ESTRIBILHO Parte.

estabas a assar questanhas.Choros ao Violão 77 Fado Portuguez Nem te leimbras. Seltando domingo in terra bou a tosca da Curada. . ? . meu curação te aduíou. Cando os meus olhos te biram. daquêllas nossas façantas cando os meus olhos te biram. rola o cacete no aire. inté que fai ovrigueiado pruma janella a seltaire. e na quêdáia dos vraços minh' alma preza íicou. mandei bir uma canada. Palavras num eram dietas. ó Maricas. e cumbido um marinheiro.

. qui murreu sem ter bintuiria. Meninas cando eu murreri.78 Quaresma & C. bai gritando : oh. O bento truie um r'cado ! que a minha vella enbiou A vrisa da i lebou-li um veijo ficou. ! cando bejo a minha vella Bou murreri apexunado Nã. quero a bida sem ella. alto lá se ! O r'-paz nunca teme dá. alma quê cá t'tf-^:í^i' . das boltas que o mundo Turrada e mais turradas.~ . turradas na quero mais. pur cauza das tâes turradas as filhas perdem ses pães. grabai : Eu sou cantor luxinoli. editores Cando o Zé põe mão no leme. M na sipultuiria Aqui jaz um pêgudista.

Quem será que está cantando ! tão linda canção de fado E' de certo um ruxinoli.-^' . eu quero cantari o fado.Choros ao Violão CaimõeSj o grande cantori das glorias de Portugali.:-. Se me xair na taluda o surteio do Xatali dou ao demo a bersalliada. íS. cum elle fui envallado Até na oira ! da morte.-. ou um t' -nor constipado Do fado sou cantadori. bou ser rei de Portugali. 79 pagou tambam seu balori na enxerga d'um hospitali..

suja. . é a tranca de velho portão. editores '- ^ "^^S* Este Tango (Imitação) Este tango é um rato matreiro ! a roer o pão duro no armário EUe Vale vale um montão conto . um queijo já velho e mofado. seboso. feijoada com meia bem ou banco de pinho quebrado. nm rabo de gato ladrão. . é um turco gemendo com frio. um cigano feliz. E' chapéu de gatuno.S^" Quaresma & C. um sacco de estopa vasio. é ** . E' a cará de feia coruja é um pinto um no ovo gorado. cabuloso. de dinheiro um talvez de vigário Este tango é é é um livro bichado.

uma bota sem salto e cambaia. . Este tango parece a careca de um velhote que ainda é pachola. o casaco de antigo poeta. Este tango parece um canudo.Choros ao Vioiao E' a ponta de gasto cigarro. & é a cara de velha. E' cartola cuspida. ou parece uma horrivel rabeca de qualquer tocador mariola. é um jambo. é um j)reto africano beiçudo. é a cara de um besta e pateta. este tango parece um buraco. è 81 um lenço banliado em catharro. E' é um tanho medonho. que já sabe e conhece o que é vaia. molambo. um capão affogado n'um sacco. am velho e furado lençol. engelhada. amassada. este tango parece ura ou a tampa de um grande ourinol.

uma uma canja de sapo inda tenro. editores cobra. . . E' a cara da peste bubonica . E' purgante qne a gente aborrece. . Do AUCTOR. uma lata mas de graxa de frango. Musica do lunãâ — Esta poJJca é um dente de velha. este tango parece uma sogra a metter o cacete no genro. uma cara exquesita e canónica E' o rubro nariz de um abbade. .82 E' . ! . Quaresma & C. um gallo pellado. . este tango só não se parece com tudo parece com um tango ! Tem a feia carranca de um frade.

€m dor acerba mudada ! ! Ai. que tristeza acerada agora ferir- me vem . amor que nunca tem fim Tu me juravas que o peito os meus carinhos guardava ! € que tua alma escutava minha dor no bandolim ! De noite^ quando nas cordas do meu sonoro instrumento deixava que o pensamento se alasse aos astros do céo. ouvir a voz em mago encanto. tu vinhas sobre a janella debruçada. meu devaneio ! que a brisa levava alem Ai. mais altivo que um trophéo.Choros ao Violão 83 Falsa jura Tu me juraste constância. Meu bandolim seguindo o pipilava. de meu canto. ii'um doce e débil anceio. fidelidade e ternura. afifeição sincera e pura. que ventura suprema.

84 Quaresma ESTRIBILHO & C.me o ceo . ! Os sonhos foram-se. porque não vens apagal-o com teu riso de ventura ! Tu se meus olhares cobrem de espesso véo. nâo tenho mais illusáo . ando qne sò pois me vês a scismar. editores Perdi meus sonlios dourados. ! como queres que eu se eu soffro por te adorar Tu dizes que em minha fronte vê-se um sulco de amargura. ria. . Do AUCTOR Tu Tu dizes que dizes triste. as magnas ficaram no coração. dizes que mas com teu beijo oloroso ! não queres mostrar.

Tu dizes que eu vivo em trevas. pois. nem sou morto.Choros ao Yiolão 85' Tu dizes que as miulias falas são echos da minlia dor. um carinho. a carregar minha porque negas cruz.me n'um raio de teu amor. Do AUCTOE . mas não queres alentar. 4a-me logo um desengano <que me venha aniquilar. mas não queres em minh'alma accender um sô conforto. nem sou vivo. e luz ! ! '# que seja esperança Tu dizes que neste fado. ESTRIBILHO Se. não queres que eu riva neste constante penar.

. editores . Kos combates. : nem bramidos do canhão é de ferro o coração. ! qual penhor. no valor serei constante Bubro sangue palpitante faz a gloria do soldado. quando empunho a espada nua. jamais vencido. ! Mas est' alma soluçamente não te esquece.86 Quaresma & C. Morrerei. sempre ousado. mas te adorando neste peito enternecido. lembrança tua 'i^'-:-'>- . vencedor. ó anjo amado ! Kão receio a guerra crua.^r O You soldado p'ra guerra destemido. Tu me deste uma oração. na victoria só pensando vidas mil irei ceifando.

. O furor vou da guerra enleia. por feroz inimigo oppressa luctar. que o ronco funerário do canhão j a escutei ! . ! . A bandeira 6 meu sudário ! Péla pátria morrerei. nesta vida amargurada te esqueças lias da promessa. mas sem temor Quando a pátria geme. das ternuras da piedade Combater com feridade nossas magnas não consola. de sempre ser amada. mas acalma-se a saudade nas dolências da viola. Fiime. Geme You Não que a pátria consternada. minha . ó minh' aldeia flor ! ! Adens.Choros ao Yiolão 87 O combate o peito isola . Lydia.. que a dor não cessa ! . erecto luctarei contra o fado ingrato e vario ! Vou. !- luctar. anceia. ninguém j)ensa mais no amor ! Fica em paz.

Sancta Iria (Entoada de fado) Tocam tocam que sinos em Nabancia. oh. Yem me dar um beijo d' alma neste ledo e triste adeus .88 Quaresma & C. Se vencer. ! não te afflijas. sinos á porfia. . louros mil irei colhendo ! . é por São Pedro e São Paulo. se festeja o seusdia. editores Para a teus pés vir depor. é tua a palma. Velloso. Do Musica <lo Auctor. tem calma Guardarei bem firme os teus I . Pois teu nome irei dizendo ! das metralhas no fragor Mas o peito vae ardendo no clarão do teu amor ! Guarda pois os votos meus. .

filho 1 ' I í ^ Curiosidade o lá trouxe do muito que ouvio de Iria. de quanto o ceo nella ria. Iria. nem no povo se revia mancebo do que em Nobancia regia Britaldo. Desde aquelía negra hora. sonha as noites acordado. o pavo galas ^ Mas nem no altar se enlevava. nunca vio freira tão linda. nem sancta de egual Valia Logo em a vendo foi cego. . perdeu comer e alegria. é toda da gloria.Choros ao Violão 89 / i A' Matriz são vindas todo o altar freiras.l quantas em São Bento havia: i um ramalhete. não cuida em ai todo o dia. Britaldo é todo de Iria. vestia. - .

: chora sua mãe Cássia. a própria vida promette. se ella acceital-a queria. quer delicias e riquezas. . por sogra a Virgem Maria. Gastado dos vãos desejos. Quer Jesus por seu esposo. porem de mór jerarcljia. editores e segredo. murchados. os aujospor companliia. o ceo por palácio e hortas. Todo o povo anda pasmado. j)romette ouro e pedraria. morrer Britaldo se via geme seu pae Castinaldo.\ 4 90 Quaresma Promette amor & C . Marido quer a donzella. mas não ouro e pedraria. pender para a terra fria. que é dó ver tal louçania. annos tão verdes.

sohia. recobrou nova alegria dos olhos. lastimou -se a bôa Iria : deu-lhe licença a abbadessa de ir ver a quem se morria. Entrou manso ao pé do enfermo que nada mais ver queria. Ambos os braços alçava. e disse-lhe : Sus Britaldo ! Elle acordou e tremia. faces e bocca logo a morte sacudia. como d'antes não e por julgal-a rendida.Choros ao Yioláo 91 r' Chegou a nova ao Mosteiro. . abraçal-a já queria. Como que foram ella os serpentes. : braços lhe fugia e contra o fogo da carne sanctas razões lhe dizia. Reconhecendo ser ella.

» Palavras não eram dietas. com fé mui pia : — «Nome do Padre e do Filho e do espirito que alumia. Britaldo mui são se erguia. foi pôr-llie as e disse mãos na cabeça. Iria. se te daria. me lias salvado. Que jamais se me sôa amor terrestre de Iria. sim. morte crua eu . com esta fala a seguia:— morte. qual a vida que me lias dado. accuda-te o anjo da guarda. não do Amor de que morria «Da Não ! sei se é favor.92 Quaresma & C^ editores E vendo que ás razões sanctas o doente se rendia. e vendo-a que se apartava. se é damno o que ora me lias feito. salvete a Virgem Maria.

>^-í>».-'ESn. Xamorou a formozura.' . logo com gran desi:)ejo. Votou perdel-a e perder-se quem lhe semx)re fora guia. Pasmou mas Iria. varão d'aunos e virtudes. aterrada de tão extranha ousadia. :^ de sua cova í como dava meia noite. - "<-''" ^Urài' -- - • ' " ^-«-^ Choros ao Violão Adeus. ^ . . .v'. e pela ^3 Virgem Maria. » Um monge dicto Remigio a confessal-a sahia. o maior monge que havia. e jicrque vás certa que ninguém te livraria. | hervas nos montes colhia.. por Deus te juro isso mesmo.-^*'>.:-rV---~ .. da alma que núa "llie via.>. suas tenções rebatia Como veio a meia noite..^>-. saia.

Poi Britaldo te^r a occultos com um que na terra havia. . mostras de dona pejada nenhuma lhe fallecia. . comofoi crescendo o ventre. -4«S . Daquella infernal peçonha temp'rou a mesa de Iria! . O parecer do semblante de panno se lhe cobria. .~. logo o seio se lhe enchia. editores com com palavras que sabia seu bafo peçoulieuto o sumo se denegria. Nada supx)unha e comia Comidas que teve as hervas. logo o ventre lhe crescia.'í. Iria estava innocente.1^' " 1 í)i Quaresma Misturava o sumo verde & C. acostumado a alugar-se em qualquer malfeitoria.

que houveras tu ouro e prata » se a ferro morresse Iria. — Quantas monjas tem São Bento. Hecebido o ouro e prata. Banão. por livrar do somno. lhe disse bôa nova eu te daria. vamos. manso e manso.Choros ao Violão « 95 Sus. alli vinha ajoelhada lN"as noite. a afiada espada afia. ^ tantas eu te mataria ! Dá-me agora o que promettes. : á façanha soube se partia em que parte da teria. eu posto em via. •que ella é morta. «horar mais rezas Iria Banão. n'uma pedra. que no esperar-lhe crescia. . cerca aso ^e a colher horas mortas da quando do coro saía.

. o corxjo em terra batia . . luzia. . Iria. uma espada que a garganta attravessada.96 Quaresma & C. — dizia: ! ! ó celestes postetades meu casto guia Tirae do escândalo o povo e o e Convento da agonia. ? Britaldo. Eis mão de ferro que a garganta lhe tolhia. » . editores Detem-se. olha e ! em redor. que ouviu i^assadas surge. Iria » E logo um tenir de ferro. que eu morra . ó sancta Virgem ó anjo. n'uma lagem mui branca de joelho avista « Jesus. Estas palavras nialdictas nos seus ouvidos rangia « : Britaldo agora te mata. . entendes. esposo desfalma. . espia.

Choros ao Violão

U

O sangue que borbotava E um lume que ao cet» subia
e,

em

roda

delle,

mil anjos

com

celeste melodia.

o

corpO da virgem martyr

vae na corrente

fria,

nií

dos hábitos sagrados,
trazia.

que desde a infância

De sangue vae purpurada
por mais nobre galhardia,

dado aos ventos o cabello, que era as velas que trazia.

Todos os anjos e archanjos
(Ja celeste jerarchia

no fundo d'aquellas aguas
trabalharam todo

um

dia.

Lavraram-lhe

um moimento

de pedra mui luzidia,
depois cantaram exéquias

M

de extremada melodia.

i^-

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.~rxs:iS>"f:i^ísfíS^'-S;~-:-

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98

Quaresma

&

C. editores

Sobre a campa lhe entalharam

-

Um lettreiro que dizia

:

Livre da terra, aqui pouza

a virgem mui sancta Iria
\-

V

Diya
Pendem da
fronte mimosa,

sobre teus hombros divinos,
«s cabellos ondulados,
setinosos, negros, finos.
'

Scintillam langues de
olhos túmidos de luz
.
.

amor

Fiquei cego de paixão,

quando

os

meus

nelles depuz.

Dorme -lhe

o coUo velado

sob a nitente cambraia,

apenas desenha a forma,

quando

oflfegante desmaia.

Choros ao Violão

-

^

49

fria,

Qual uma estatua marmórea, muda, indifferente,
nos lábios erra-lhc o
riso
riso,

de escarneo pungente.

Sobre o seio alabastrino
traz o symb'lo de Jesus
!

Se eu pudesse, nos seus braços, morreria até sem luz

Teus Juramentos
Onde
estão teus juramentos,

onde está tua affeição, onde estão aquellas juras que me fez teu coração ?

Muitas vezes de teus lábios,
desses lábios de carmim,

eu ouvia mil protestos

de só amares a mim.

. Kão posso sem ti Os meus penares futuros B'um breve instante previ. pois hoje. meu Y iver lindo archanjo. se foram quando eu viver te vi ! . socego e calma. ! mas por fora ingratidão.^. onde está tua affeição. ! Agora é soffrer calado . ^^?' i:.r< -. onde estão aquellas juras que me fez teu coração ? 'A-U ':-?! • . teus juramentos.•-. editores No coração da mulher nunca existiu a paixão Por dentro risos fingidos. t _ .-. .100 Quaresma & C. Bão posso sem ti \ '*. Onde estão..%^ -'?* Não Posso Descauço.

eu juro. que é morta Eulina Quanta amargura ! ! . minh'alma.-^W^'^' Choros ao Violão Pois antes de ver-te. Chora. quantos males já soffri Agora é soffrer sosinho ! 2íão posso viver sem ti ! Eulina V •»'. meu anjo. não posso viver sem Estou bem certo. Depois dessa tarde. •que para amar-te nasci Eis porque digo e redigo: não. .posso viver sem ti. ^:'^a -Que horrível sina. ÍOl que nenhum mal conheci ! Mas mesmo soflfrendo agora. ingrata. ti.

quem me dera morrer também Perdi Eulina. ! & C. alma tão para. minh'alma E' morta Eulina ! . Pois lá na campa lhe votarei toda a amizade que llie jurei ! Quanta saudade Que negra sina ! Chora. tudo sumiu-se na sepultura.162 Quaresma Ai. :^. Tanta belleza. . editores meu doce bem.

Se no mago arrebol matutino ouço ao longe saudosa canção.i. Se nas brisas de noite encantada.^r^r -^ ' ' - -J7„. por quem gemo e suspiro de dor. eu recordo meus dias risonhos. ^ -. Vem-me logo reeordos dos tempos em que tu me tiveste affeição ! Modificada pelo auctoi\ . j*-'í Vem-me logo lembranças de um anjo. Se eu escuto de tarde .A- -- •-. um gemido. de uma bella por mim tão querida. sinto n'alma saudade de um anjo. da fontiuha de límpidas aguas. e suspiro de or de de magnas."í--^ ~ Choros AO Violão 103 Se eu escuto Se eu escuto na matta florente um soluço de um' ave perdida. ouço ás vezes um canto de amor.

editores •'%.. lhe peço. não tenha susto. descanse. Í5-.*?- 104c Quaresma & C. •a.. com toda a sinceridade: s. Meu Casamento E' triste. se podia dar vestidos e sapatos p'ra cal(. Uespondi-lhe sem demora.-.^íí:'-::. Ao pae da minha futura contf i meu O velho pergunta logo se eu podia me casar. ^=*^^ ^' ^% . que eu toco bem violão. mas vou contar €omo foi meu casamento: procedimento. que a sua filha não passa necessidade Trabalho de noite e dia. s^'W " '-'• .ar. tenho a minha profissão.

-do sacco do meu . os cinco dedos do pé! A camisa que eu vestia nesse dia de funcção. 'meu sogro.Choros ao Violão Sua. mandei fazel-a do panno violão. chapéu do meu casório tinha mais sebo que palha! o Com seus sessenta buracos".X- que fiz. Casei-me afinal. vos peço. v_ -*" -J - . não riam. 105 é louca. pareciam uma cangalha. chora.fííhâ por modinhas. A gravata. suspira! Não tenha susto. meus senhores. e digo que foi líão um bello riam da m^ successo! figura . que eu sei cantar n'umaj^ra. era *ÇÍ um lenço de rapé! As botas novas mostravam.

:^ -\ 106 Quaresma & C. ' n'um gorduroso Belchior. " mas estava um tanto sujo. mas do panno melhor! Aluguei-a por três lonas foi \ • >v. editores A casaca era ja velha. pois achei-o n?um munturo. vos affirmo. tinha mais de e um remendão. A calça estava na hora. sahiram os cinco dedos de fora Só vos peço que não joguem sobre mim cruéis desdéns. -M Do casório o colarinho custou-me quatro vinténs. era de linho bem puro . ''•4 . minhas meias cheirosas estavam da côr do chão A As luvas eram modernas. estavam mesmo na Jiora! Quando calcei-as.JZ -^^-i^-^i*. O collete.

por ver os noivos chibantes u'uma carroça quebrada. X O jantar que eu tinha em para dar aos convidados casa x- eram canja de doisgalios que morreram empestados. para entrar na casa santa. com uma saia emprestada Indo em caminho da igreja.Choros aò ViolSo Afinal a fatiota 107 de que o povo ja se ria. riu-se á farta a garotada. que apresentei como caça. Dous frangos ja meio podres. ! em leilão fora comprada Três patacas não valia. A noiva com que foi casei de rica não tinha nada. e para as litro e damas eu tinha meio de cachaça .

hí«?mÍ. como adorno. - Lelia é pallida e bella em gase coUo e mão de alabastro " i^íll '^r. que me trouxe atrapalhado! Depois da festa três dias. - 'CWS^^. ""•í-"^í"-:/:' c dentro um da frigideira grande gato de forno Eis a historia do casório. ^^-^'^'-iQffM O vèo cinzento que sombreia a terra. € doces sonhos de volúpia encerra. Alya occulta a meio e Morena como a lua nebulosa. -•"e-^ÍS-r t -^'-.108 Quaresma & C. ^.iÚ lábios tingidos de punicea rosa. como enfeite.' ' fz'-':^'^ V. transparente. cada um foi p'ra seu lado Modinha modificada pelo auctor. editores Quatro velhas compoteiras.íÍS-. como o crepusc'lo que visões povoam. como da tarde . E' morena Leonor. .

como a vaga. c^^S t Lelia nos leva o pensamento ao ceo. - ii -^ - :^ ^1 J" . Como e as azas do côrvo. sobre os hombros de Lelia se desata. tem. ' ^ " .:--: . ^^ De ouro cendrado a coma.^ Dizem no langue brilho das pupillas / segredos que advinha a phantasia. em desalinho. chispas.&/->"T\i^'. como os raios do sol beijando a alvura do alpino gelo ou de nitente . onde o interno pensar brilha sem véo.Choros ao Violão Olhos azues.'í:. .de ardentia.Leonor. um paraiso ! i.^ Ví. com seu sorriso Ah Morrer com Leonor fora bem doce ! ! E com Lelia viver. \ Os olhos de Leonor são cor da noite.í-í- como as vozes do órgão. 109 _ ^3 . O meigo olhar de Lelia me enfeitiça! ! Fascina-me Leonor. como a noite são negras as madeixas de . . profundos como o ether. em espiraes luzentes se devolvem --tJVÍ! por sobre o collo de morena côr. como o incenso.prata.

.1.

os colibris inconstantes. abre em meu peito àquella flor de chimeras. vida de muito sentir.. a teu seio abrigado minhas crenças embalava. Aos palpites dos desejos. se beijam nos cafezáes Mas eu. Vem. formosa. Olha o prado ! O prado é verde !. de que vivi n'outras eras. os amantes colhem beijos. quando. € meus olhos alongava para as bandas do porvir. abrir as rosas das crenças «'um i^eito de crenças nú.Choros ao Violão 111 Ah! dize que vens dos mundos das flores de que té incensas. a exemplo dos amantes. € os cupidinhos das flores. e a mocidade sem fé. a alma estéril de flores. agora seiíi crenças. á sombra dos laranjaes. '^ . a vida farta de dores.

noite. | i '^^ seguindo a sombra do tédio. Eu fui n'um jardim colher uma flor.-. somente i)'ra dar-te.^ ! Mas tu foges Não me queres Vou profanar-te os regaços ! - . ^ .-""- '" Dá. • i ". MM». ! mirrado tronco de pé '-.^. A ai ! Nossa Amizade ! A nossa amizade.•-<-' . virgem.""í^M -jí. í^i-Miíf: no meio dos ditosos. e as crenças que jà perdi ! ! • ? / .í "^^í^ . <^ qual terno penhor.112 ' '" ' I Quaresma— & "—— C.»«»^. .' . '':--::'^^' que eu também anoiteci. já se acabou Assim foi a rosa que se desfolhou. '^. SOU. _ .' '•*^ "~- •. . editores •—" ' " •.~%^wr ' -?-V^i • Vem tu..< "ifeíírf como entre arbustos viçosos. . abre-me os braços. que se renovem em meu seio as primaveras d'aquellas saudosas eras.

cedo.'â%:\.?: . fiearam-me apenas agudos espinhos. que Deus perdoou quando Magdalena a seus pés chorou. . Assim foi se acabou ! a rosa que. murcbou. meu bem. A nossa amizade bem cedo acabou.«Si . donzella. foi como a rosinha se desfolhou. Da flor que me deste de tantos carinhos. 'fSsáí^&È^^Sifcs. que ESTEIBILHO Perdoa. - -íiàS ij i3i*'-iiÃ.Choros ao Violão 113 A nossa amizade.

Por ílor <9 isso docemente desabrocha nas urzes da minh' alma endurecida. .114 Quaresma & C. branca e loira. . meu Deus. feita concentrada de espuma.• :. j 1 : ^^^J. cuja essência subtil e delicada alma e os sonhos me perfuma ! ''^"S^^Vi. e a desfolhem na minha sepultura. o sol e a neve n'uma pureza ideal que me deslumbra. editores Ultima Yontade lia minha modestissima penumbra. 4 beijo-lhe o rosto claro e a trança leve. Se um dia a morte me levar.. n'um chuveiro de pétalas de neve. . vida. casto amor de toda a minha Uma existência inteira nessa única lae adoça a flor. que eu leve nas máos cruzadas essa flor tão pura. aberta nas fendas de uma rocha.

Choros ao Violão

115

x^m^^".

Serenata
t

Murmura

O trepido arroio,

:'^;^;
:'-'r^"^'^^:]

--,/".

alem, na veiga, á distancia,

y-rU

e das auras a fragrância, í Tem embalsamando a rua Canta alegre na guitarra o trovador namorado,

,

V|í

!.

V

.

^
' r/^
.

^-^

da terra aos ceos elevado
nos frescos beijos da
lua.

^

':

Olha que noite formosa para iconversa de amores Desata o laço de flores

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^^
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"

?<iue a trança maguar-te deve

^>|

Mal sabes tu quanto eu amo
ver teus compridos cabellos
desfiazerem-se
,
-

-

^

.-

'^^

em

novellos
'

>

í|

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sobre teu coUo de neve.
''^
-^

-----

J

i^ J-a

Olha as

estrellas,

que lindas

!

Parece no azul celeste

que Deus com ellas se veste, por essa noite, de gala
!

-,t

-

Vr

's^^;>^^ -:•-

''^;';r\:3^-^^^^^^3^'^^i^^^r^-

116

Quaresma
!

&

C. editores V

-

f

-

'>;

Acorda, acorda

A guitarra

.-

*

que por ti geme e suspira, nas anciãs do amor delira,
de tanto cantar
estala.
.

j

j;
.

"vi ^
í%^
-^ ».í|ir^

i

-

Cantemos, que a lua é

bella,

-•

^.^'
-^iC

emquanto a noite o consente,
nesta guitarra dolente,

vC/.

que geme sob as meus dedos Descerra as amplas vidraças
e,

!

pelas grades que vejo,

vem receber neste beijo do meu amor os segredos

!

Alminha
'i

Jà que assim Amor me ordena, Anninlia sempre hei de amar, que sò pôde a dura morte da memoria te arrancar
!

Emquamto
liei

viver, te juro,

de sempre te adorar.

s*

Choros ao Violão

-

117

A bella rosa do prado,
o suspirar da rolinlia

me fazem

lembrar, saudoso,

da minlia querida Anninha. Sua fala era tão terna <?omo o choro da fontinha.

,

v

As

noites passo velando,

'

os dias passo a seismar,
e quando choro mais sinto

as dores do

meu penar ...

Vejo aos pés

um

fundb abysmo,

bem como

o nauta o do mar.

Jà que assim Amor me ordena,
Anifinha,
fiel serei,

porque sempre, de joelhos,

a teus pés o protestei. Embora tu me desprezes,
«empre
e

sempre

te amarei.

Finaliso aqui

meus

cantos,
!

«urtindo incessante dôr

Ai não te esqueças, Anninha, do teu pobre trovador
!

.í-:'

118 i—^1—a^lÉII—^—I^MJfc»^— — I II II Quaresma— & O. sancto. bramir na voz do trovão. I m. se Quando a se noite fôr bem calma e brilhar no ceo a lua. eterno e firme amor. Meditores — MH — MM I IH •««••••t «»«™m«» M. escuta o que diz maguado. não fujas.f'' Não te esqueças que juramos junto aos pés do Eedenx)tor sincera e firme amizade. nâo fujas. um vulto ao lado. um beijo queimar-te a face. Se o ceo. alguém chegar a teu leito. não tema§^ não. Não Fujas Nas horas negras da se vires noite. de horrores coberto. tua. « •-. não tenhas medo.MI. ' não fujas com a face .

teus passos. fiel. na veiga. - O vulto que te acompanha. Contaria ao silencio do ermo que o tormento pois se ao ermo sufifoca o amor. contasse. dos beijos. : <-_ p os teus rigores ameiga. . dos teus abraços Eu ^ W %. ijem ouvir "^ /^ em teu nome falar.Choros ao Violão 119 Se on vires queixas sentidas í da brisa na flor. »' y ' e de ti bem onde nunca pudesse verte. não fujas. só vive de teus olhares. que segue. Quizera JJu quizera um momento esquecer-te distante habitar. meus males calmaria no peito esta dor. não te apavores.

gemeria meus fundos lamentos que ao bulicio meu peito calou.. Mas se alem do sepulcliro gelado fitn.:>^'' 120 Quaresma & C. editores - E qual rola perdida sem ninho eu proscripto que a pátria adorou. tem noss'alma outra vida sem €u terei tua imagem querida. sempre e sempre bem juncta de mim. .

X Queres que eu chore? <^ueres que eu ria. morrerei.. triste lidar sem fim! Tudo a força de meu braço Ninguém se condoe de mim que ' . quero expandir as toadas que á noite fazem chorar. . pelas auras perfumadas. que vida. sorrirei <^ueres que chore. que cansaço. . nap ouviste. chorarei meu anjo também ! ! <^ueresque eu cants. cantarei na lyra ! Queres que eu morra. vae buscar! Das minhas dores maguadas. 121 A noite é bellal A baunilha'' deita aromas ao 1 aar Anda. meu bem. filha? . ESTRIBILHO Ai. Meu bandolim.Choros ao Violão .

- ''^''•^í* ""í' . que as dores sente sem poder falar* ! •*"?'' ~^. que não te pôde revelar amor ! Por isso. ! Queres que eu caia de joelho timido escravo. . fugirei. gemerei contente Queres que eu soífra. soffrendo embora lacerante dor. Humilde. penarei calado. soffrerei por ti Queres que eu fuja. serei ' -'f* Mas de se me ordenas que te adore louco. ficarei aqui ! ! ! . te juro Queres que eu fique. pobre. ó bella. juncto a ti em terra. Sou pobre artista. que não pode amar-te.122 Quaresma &C. no throno serei mais que - ' Amor um rei.ÍfisM^^^'. sem ventura e triste não tenho a gloria de poder te amar E' dura a vida do modesto artista. editores Queres que eu gema.

! surgir cheia de belleza Ve^i gosar alegremente os mimos da natureza. falando de amor estão . . * !. louco amor tudo respira Vem. . do romper de um bello dia. Vé como é lindo este quadro. quando em tudo a natureza^ respira . ! "íi^iJ&^^fefeÃÍ-íí^S-^íMSiS^^í^^^íví-" wvji^.. desprendem seus doces cantos. ouvir o som desta lyra. Eepara como é formosa a rosa íibrindo em botão ! Vê como as flores mais vivas. Onde quer brilhem teus olhos.Choros ao Viólâo 125 f-K. Analia. acalentando os filhinhos. Analia Vem.í: ! .^íiíài^S^^:íl- . meigos passarinhos. ver a aurora. Analia carinhosa. amor e poesia Por entre as flores odoras ternos.

affectos. You triste morrendo. jurei adorar-te com muito fervor. que ha muito morreu. de dor alquebrado.*•. a editores Eu 3Iullier. ouviste Por outro deixaste quem tanto te amava. chorando vivi.' eu te amava com ternos afifectos. ternuras infindas. infância.124 Quaresma & C. meus cantos de amor. mas tu nem meus puros meus votos sinceros. Perdido na vida que passo tão longe dos teus lindos olhos de brilho sem fim. ! fugiste do peito que ainda é só teu Nem mais tu do tempo da te lembras do tempo passado. te amaya . I no mundo existia somente por ti Teus passos seguia bem triste e calado pois triste chorava. porque te esqueceste bem cedo de mim ! . ! ã:^'^y- Jurei-te constância.

transformada no corj)o esbelto da pombinha afflicta. qíie um pobre morrera noivo. no abandono.lhe a campa outro — . Em derredor brotara o triste e. A noi^a lhe fizera uma promessa. ? naquella cruz de mármore. goivo. que o consolou bastante na agonia: ir visitar. pouzada Éra a alma desse noivo. e já naor ia ! esquecera-o i3or bem depressa. fazia um dormia o eterno somno. lá dentro. Mãs quem gemia assim sua y- desdita.Choros ao Violão - 125 Esquecimento e Saudade ' . . mez apenas. eu vi pouzada uma pombinha branca na cruz singela de uma sepultura.' (Para recitar) ' v A soltar uns gemidos dé amargura. moço. que a cada instante n'um momento arranca. .

as azas rufiam no ar.i. ora esquecida. : respondeu — Tu não vês . 'r . firmando-se ao galho de um cypreste. deixa-te disso. nesse retiro. ? em voz dolente^ Gemo e suspiro !» díf «Ora. Que lembrança o socego. para a cruz investe. «Não vês que me perturbas «que aqui dentro não ha mais esperança ? «Não Nunca mais Aqui apenas medra ! l «o esquecimento em todo o seu requinte . . . ? «sempre a gemer.-'^ * oí -'-fii : :'ÁL:>^%£àit^Í£^S^Éí^'^1^í'Ú^t^à!^àÉe. a - 5' 1 sempre a carpir á craz enegrecida • da própria sepultara. «Quem entra cá.^' Passa um morcego. assim pergunta n'um sorriso alvar: s^^' l «O que fazes ahi. Tendo a pombinha.- r'.St£j^"Á\>.. e quasi occulta pelas trepadeiras. .. no dia ja seguinte «fica esquecido sob a fria pedra ! » ..»»- ^ 126 Quaresma assim ficava alli & C._. editores E horas inteiras. gemer constantemente E a pombinha branca. e.»'. .-. i. «vae-te embora d'aqui!» disse o morcego. «Fala». ! .

Choros ao Violão Disse.^^--. ! — ! — A. perdeu-se inda um lamento Era esse atroz morcego O Esquecimento E essa pombinha branca era A Saudade." f - trazendo a pá sinistra e a enxada ao hombro. -V Já não existe Já nSto existe minha querida. morte crua. " . pouco a pouco. Lamego. vinha o coveiro. ' t- -i Aquelle affecto que eu possuia jaz sob a terra . na campa fria .*Ç':.\ '=. e fagiti.me a vida.- . vem. roubar.^ Ficou deserta a cruz! 'Na immensidade. deixando 127 V - em grande assombro I * — a pombinha a gemer juntito ao salgueiro Cantarolando alem.

Qual linda rosa que a foice corta. nesta agonia. editores Lá mesmo ainda lhe votarei toda a ternura que lhe jurei. ' : ! ESTRIBILHO Neste momento. vou ter com ella na campa fria. meu mal renova! leva meu corpo p'ra mesma cova . Vem morte ingrata! ' '"-^-y . w .128 Quaresraa & C. minha Marília jaz hoje morta.

.Choros ao Violão / 129 Lucinda Sem ti não vivo.-r .í^i-^^í S-. morro sem ti líasci captivo. ''^í-. n' um mar de gozo. Lucinda. podes ditoso fazer-me ainda. me enleias no teu rigor. preso nasci Só tu. a primavera dos teus carinhos ! Mas tu chasqueas do meu amor ! Feroz. quem me dera nos meus espinhos Ai.

morte dura. ^ :^Í-^-í v?^=^' Só tenho prantos na vida triste ! -^: .:' • tu repelliste . busca o carinho da assim minh'alma. " Meus - ' ~\ ^ ^j^â. «uspira i)or teu em ! delirio.'^' . insensata. fere. ESTRIBILHO Vem. me me abate e mata.130 Quaresma ternos cantos ! .- ''. & C. amor Mas teu desprezo. -1. editores ' . vem me levar ! Cesse a amargura do meu penar ! A morte ó sonho Como o orvalho da noite flor.

Choros ao Violão 131 Mas se eu pudesse encontrar nos teus lábios um sorrir. meus lábios aos teus junctinhos. teus braços sorrindo sem dor. ! nem. ! que hei de morrer desprezado ^.. pois a penar neste mundo. tens caridade Permitta Deus que algum dia mais feliz eu possa ser. minha ventura seria ! de bello e róseo porvir Mas com tanta crueldade. prefiro logo morrer.^vtí ^•«- _/k'Í=*' . '._ _ - «^-âs^&. Ár?-'-^ ' __ .ilí . sequer._ .. A morte é sonho dourado para quem é desprezado Eu morrerei em feliz. n'um beijo quente de amor ! Mas tudo é sonho dourado.

. reflectindo.i . disse então : Vosmincê que quer de mim . Mas a velha. de sopetão. sem dizer-lhe não ou sim ! ^. que sorria.". moço.f*: r ^ -'j ^^^'^r^f^^Spií^fí' -'- f^ 132 Quaresma & C. fui sorrindo. /: E só p'ra ver-lhe o carSo. Fiquei todo atrapalhado. Quaudo bispo uma velhota ua maciota ( bis vindo a mim. me dizia . Ora... pois levado fora alli por um derriço ! . deixe disso ! Quiz fugir ! Mas. editores Um Accidente N^uina uoite de luar fui flanar ( bis na Praça da Acclamação.

que massada ! 2íisto a velha então suspira e se atira toda cheia de ternura ! E fincando-se ao pescoço. : diz-me Basta fria.-^J*l-**^^**^ Choros ao Violão 133 A velhota. ííisto chega a minha amada A damnada da velhota. : me diz Moço. quando avisto minha bella rapariga De prompto mudando a telha. ! disse : ó velha. ! senhor não quero nada agora vendo-a lhe dizia : ! minha velha. . d' aqui se diz -lhe Jà ponha. quero ser sua roxura ! As cousas estavam nisto. : n'um gemido. Do jyias que se agasta. ! sem vergonha Este moço é meu marido. vá saindo de barriga.

não me para o - quarteL "Ç A musica apenas um pretexto : quasi que é recitada.. deu um tra . dou tal murro no maldicto do canhão.i Logo então com força a empurro. ."'^*V*^ 134 Quaresma & C.. «ij Todos os versos de três syllabas são bisados. me Mas acalmando. X ' .. . um trabalho de matar. Consideravelmente modificada pelo aucUyr do liiTO encontrar o original..- . editores .. pw í não lhe ter sido possivel 8ão canção: estes versos cantados com a musica antiquíssima ãa leve '**• — Seu soldado é nã. que a velliota.^'.. ! quiz a peste levantar a velha. gorda e má.i Que se macliucou pensando. como um raio.o me prenda. n'um desmaio foi de ventas para o cMo.A«..-^!."'rP3^^!?T^4?í'S.

. se eu te aborreço com phrazeados queixosos.. meu bem. : os sábios. corada logo te vejo. ! .Choros ao Violão 135 Beijo Quente j Tu não te ponhas com luxo Não me queres dar um beijo Mas se as orelhas te puxo. que os pode assim perfumar f Pois se bem respondam-me em beijos podem falar. Nonoca^ ! que mal fazer posso a ti ? " Perdoa pois eu. . não me esqueço ! dos teus43eijinhos cheirosos Que mel que banha os teus lábios. ? Vem dar-me agora a beijoca^ que outro dia te pedi Não fujas de mim.

editores Quem der um beijo de amor em ti. . trará no lábio -^.136 Quaresma & C . um calor. nasceu-me logo um desejo. . Musica ão mesmo O Pereg*rino (PAULO EIEÓ) Sou peregrino. pois tenho os lábios braza. . 'v - . e minh'alma já te imj)lora amor que tens a Deus ! me Depois que o primeiro beijo deste na tua casa. Por isso é que eu peço agora um só pelo beijinho dos teus. Do AUCTOR. boquinha florida. os vestigios sem conta do meu bastão atraz de mim se apagaram no livro do coração ! \ /TÈÍsi^^tóS»: . em . - que ba de durar toda a vida..

Choros ao Vioiao

137

Não guardo memoria alguma,
^ue fora guardar

em

vão.

A pedra,
em

á beira da estrada,

que, suando, sentei,

no meu incessanta gyro <le novo não a verei
! .

E as

flores

que

me sorriram,

nunca mais

as colherei

E' que o sangue que esvaiu-se, não pode tornar-me ao peito
!

E' que os meus viçosos sonhos

me

foram cahindo a

eito.

O' calabouço de barro,
-quando te verei desfeito
?
!

Insensível

como a

folha

que o vento varre do chão, nada espero, nada temo, ninguém amo, ninguém não

!


.ViT'--;

'?;.--

-aV.'^',

138

Quaresma

&

C. editores
í-y-^"::

Se alguma cousa hoje amasse,
Serias tu,

meu bordão

!

Tu, que nesta negra vida não lias de me abandonar
Tu, que

!

.

Tu, que sustentas meus passos

!

me

falas

do

lar

!

Tu, que nunca

me

trahiste
!

!

Tu, que só

me

vês cliorar

•l^í'^

Adeus

!

e

mais esta vez

em

ti,

amigo,

me

inclino

!

Separar-nos vae a morte,

mas, desde

ja, te destino

.

--;-;

/

'•

para indicio, para a cruz

da cova do peregrino.

Musica ãe

C. Mi.

kl

Choros ao Violão

139

Mulher, escuta
Mulher, escuta meus cantos,
mulher, nâo sejas assim
!

Vem aparar
Ingrata,

meus prantos tem dó de mim.
os

!

Eu vou viver solitário fagir do mundo enganoso,
e,

cumprindo

este fadário,
!

morrer ao longe saudoso

Irei soffrer

no deserto
!

sem que me possas ouvir O teu amor foi-me incerto.
E' força de
ti fugir.

.

.

Chorei por
desfiz-me

ti

noite e dia,
ais
!
.

em prantos e

!

Minhas dores escondia

E

tu cruel mais a mais

1

ESTRIBILHO

Eu

parto, mulher, eu parto,
!

Tou viver na solidão De maguas estou bem Levo cheio o coração

farto
.

!

.

'Í*te2í'^*"

" -"''-

':-'--^

tão bella. Confesso. qual pallido escravo. pedindo perdão. tão pura. cahi prisioneiro . tão cbeia de encantos. vencido. ' f *^ . nos laços traidores. pois tenho o remorso pungindo minli'alma. meus lábios se embebem na esponja do fel. tão cbeia de amor. Francelina. Francelina Perdão. . não nego que fui peccador. mas triste. perdido.T'. "V Por ella deixei-te. deponha em teu coUo. trazendo em minh'alma mais forte paixão. se o peito do bardo «m novos' amores tornou. varri teus amores da mente illudida n'um louco sonhar Qual misero escravo seus.' ^ >. que as «onsente que um beijo Eendido. ! Agora que eu volto saudoso.se infiel. pés osculava. trazendo no peito remorso invencivel. Amei uma virgem. . editojes Perdão. porque teus afifectos vilmente deixei. '''': '£ : . sem mesmo corar.*.- ^ c 2 140 Quaresma & C. qual monstro me rojo. humilhado. minhas loucuras bem caro paguei.

não posso me esquecer.. ! cresceu-me mais este amor ESTRIBILHO \ Adeus morena E' triste o bella ! meu soífrer De ti.:''' »:' í Choros ao Violão 141 Eu parti.'i 'V^^-. em quem mais eu hei de crer ? Vim mas buscar distante delia é maior doce allivio á minha dor. desta paixão que no peito augmentava noite Eu julguei fosse possivel da memoria te varrer. ^x. minha magua. 9*i. Eu parti de rainha terra para ver se me esquecia e dia. .. morena ingrata.-^. mas não crendo na morena.

mulher. atado n'um supplicio de punhíaes. não amo mais ! Sob o guante dos I>enetrei ludibrios. editores Não te amo mais Vou deixar-te. já te .' . mulher. Volvo ao sol da Liberdade. não te amo mais te quiz.142 Quaresma & C. que soffrido minfalma . . Nossas dores são mortaes !. não te amo mais -3 ! Tudo um dia se anniquila . . Já tem demais te Prosternado eu te adorava. vilmente .. ! Cuspinhado. pois. no tetro averno Mas.. mulher. mulher. . •>- -•»- dos ecúleos infernaes. . rastejei aos pés. meus tristes ais ' r: ! Já amei muito Mas. Mas. Mas. não te amo mais . .. mulher.. pobre. ! DO AUOTOR . Cessem. amei perdidamente. Mas. não te amo mais te Eu !!.

chorando. %ue até hoje. Minhas crenças se foram murchando. tu pensavas em mim. * ESTEIBILHO Viverei cá distante tranquillo.^^ 143 Já não posso Já não posso soffrer os martyrios soffri. que minha alma fugio-me quando o beijo primeiro Muito modificada pelo auetor .f Choros ao Violão . te dei. sequer.. pois que emfim do sonhar acordei. não me podem de todo matar. que estes' males que o peito abafaram. mas vim só. quero agora sem ti descançar. os meus olhos seccaram por fim. mas nas minhas cruéis amarguras nem. é preciso que eu fuja de ti. de penar vou morrer muito moço. Já não posso com tantos rigores.

qual gingando á frente de alasabria n'um cabrito novo. ! Fugir fazia de meus pulos cueras dez mil urbanos . f^. sempre fui de lei Ka cabeçada n-uma esbodeguei mil caras. uma volteio doido Eodopiava mais do que um pião. de marquez até ! . e ditores O Capang^a Eleitoral MELIOSIBUS ANNIS _ * - - Foram-se os tempos em que as honras tive d^alto fidalgo. passe breve da navalha minha. rasteira muitos tombos dei Quando eu pulava. bajulado eu era tinha excellencias n'uma eleição . com sangue ! n'um gordo sem pezar nem dó ¥" . riscava .144 Quaresma & C. . .: — ! Cartas eu dava. meu tlirouo. as caras onde eu punha o pé Quantas victorias não contei nos dias que já lá se vão do meu reinado CSt. N' um. ! . pelo gostinho de estreal-a só. 1 um traço de união ventre. procissão.:. . .^^ % ! ' ' Era meu sceptro meu cacete dextro. ^=£4^- F- .

quando a creoula avelludando o olhar. e pagava caro por querer trahir Pois o meu ferro sempre alerta nunca fez graças p'ra ninguém prompto. sorrir Eu fui turuna e fui moleque "cuera. fú!!. Fazia o "cujo" dár no chão dois beijos. mas. aos meus. e vinha o peito de paixão magoar Mas. 10 -•r .Choros ao Violão 145 Tive taes honras. leal! No ])é. ' | ^1 i . na capangagem nunca vi rival .. tirei sem magoas. . . se desfolhava em contracções dengosas. no ferro e no cacete dextro.. Deos parecia recear de mim « Não tinha pernas no sambar sestroso. ai d'aquelle que a tentar quizesse fui N'um bello samba sempre tútú . muita vida ruim A minha faca não fazia graças . "destabocado". que na própria egreja. sacava a "bicha" sem mais nada. f Meu nome lego ás tradições da pátria Altos poderes com a cabeça eu dei ! . Mas se a creoula desse corda ao cabra.

quando eu nos rolos espalhava o pé . com brevissimas (*) A faca. raio o parta e que me deixe em paz a — ! DO AUTOR Musica do modificações. a "faceira" (*) trago sempre cá! Foram-se os tempos de prazer... m.146 ' Quaresma "besta" & C. esbandalhado e pobre. editores De muita Da monarchia fiz um deputado. de glofias. — Nasci como nasce. olé A minha gente nem do rei temia.. mas mas Hoje estou velho. "fui" segundo rei! Deixo meu nome ás tradições da pátria Eu fui "nagôa" destemido. .uito sangue derramei eu já Arrebatou-me um chefe ingrato Fui p'ra Que um magestade um dia Sampaio Ferraz Fernando de Noronha logo. FIM .

. Francelina 70 Eu parti 25 27 De Tarde A 103 104 108 iio 112 114 115 116 118 119 120 121' 12^ 124 125 127 129 130 Um 132 135 136 130 140 14 1 má yT. suspiro Fado portuguez 75 Já não posso yy O capanga . O Vá '. A que é valsa Partida do sertanejo 19 21 loi Um sonho Cantemos.: Minha saudade acalentar da neta . saudade Consolação nas lagrimas Rosa no mar Pastorinha 22 Meu cazamento 24 Alva e Morena Ha ' muita sombra Alzira Conselho Desdichada Quem és Dormindo Não perguntes A côr morena X... 142 143 144 .i^-' ÍNDICE Pags. saindo Os bichos Beijo criminoso As borboletas azues .... . ... Pags.. Não te amo mais eleitoral Vae... 58 A morte é sonho 59 accidente 61 62 Beijo quente 63 O peregrino 66 Mulher escuta 69 Perdão... Não posso Chora minh'alma morta Eulina Se eu escuto Amargura suprema .Quando os meus olhos . 80 83 . Ciúmes Trovas ao sereno Eulina Morreu Maria E's nossa amizade 30 Ultima vontade 31 Serenata 33 Anninha 36 Não fujas 37 Eu quizera 38 Magoas 39 Queres que eu chore? 40 Analia 42 Eu te amava 44 Escjuecimento e saudade 46 não existe 47 Já Lucinda . O Ao cavaquinho sereno 3 Este tango 6 Falsa jura 7 II O O ' batuque Ódio eu sonhe Tu dizes Tu queres que Meu barco Morena soldado 12 Sancta Iria 15 17 18 O 14 Diva Teus juramentos 84 86 88 98 99 100 ...

parabéns. felicitações. enterros. 2S000 significado de todas as flores. Amor filial. baptisados. por Horácio 2Í000 Brazileiro. arte de fazer signaes por meio do leque e da bengala. Ódio. etc. Vingança. o génio. estar á mesa. Um grosso volume bem impresso em Paris. LIVRARIA QUARESMA— RUA DE S. Ambição. por Don Juan SECRETARIO POÉTICO. etc. 71 e 73 . vestir com elegância. 2S000 e da mulher. L. com esplendida ca]. Um grosso volume ricamente impresso em Paris com linda capa em chromo-lithographia. verdadeiro 2£ooo MANUAL DO NAMORADO. todos moderníssimos e escriptos em linguagem fluente e estylo ele- vado pelo Dr. segando Lavater e Gall. Espirito de imitação. . 28000 grosso volume encadernado Um TROVADOR marítimo.LIVRARIA QUARESMA — editora ESCOLHIDA COLLECÇHO DE DONS LIVROS PENSAMENTOS dos grandes vultos da Litteratura Universal sobre O amor — O casamento — A paixão — A amisade — A afFeição — A belleza — O ciúme — O ódio. casamentos. fadinhos. etc. coUeccionadas por João Embarcadiço. folhas e fructos. JOSÉ Ns. Adulação. etc. Avareza. pedidos de casamento e vários outros. etc. folhas e fructos. emblemas das cores. etc. ou collecção de discursos familiares e populares para baptisados. paternal e maternal. etc. recepções.Alibert. de Botafogo. Benevolência. . collecção de poesias de bom gosto. etc. taes como Egoísmo. contendo innumeras modinhas e canções marítimas. trabalho executado em Paris e próprio para presentear as namoradas 3S000 contendo a maneira de agradar ás moças. novíssimas e elegantemente escriptas em estylo elevado. com linda capa em chromo-lithographia DICCIONARIO DAS FLORES. grosso volume com grande numero de retratos de todos os typos de mulheres. etc. próprias para serem enviadas por escripto e recitadas em dias de anniversarios natalícios. etc Um grosso volume de 300 paginas encadernado 2S000 : moraes do homem O PHYSIONOMISTA ou arte de conhecer o caracter. exames e festas collegiaes. etc. .>a. ou lyra do marinheiro. etc. Orgulho. Annibal Demosthenes. ORADOR DO POVO. Inveja. Baixeza. anniversarios natalícios. fazer declarações de amor. em em passeios. as inclinações. Um grosso volume. Justiça. declarações amorosas. Um grosso volume ricamente impresso e bem encadernado com ânissimo chromo-lithographia. PHYSIOLOGIA DAS PAIXÕES e sentimentos . etc. o príncipe da eloquência. casamentos. Seguido de cem cartas de 7iamoro. etc. bailes. manifestações. grosso e ele- Um gante volume impresso primor de elegância em Paris. 3S000 Um . Contem este grandioso trabalho. as qualidades e os sentimentos moraes das mulheres pela physionomia. pelo sábio/. contendo o . desenvolvidamente todas as paixões humanas.

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