TRAGTENBERG, Maurício, Burocracia e Ideologia. 1. ed. São Paulo: Ática, 1985, p.229.

TEORIA GERAL TRAGTENBERG DA ADMINISTRAÇÃO NA PERSPECTIVA DE

Trata-se de um estudo das teorias da administração Tragtenberg, neste trabalho, apresenta de forma primorosa as idéias de Max Weber reconhecido como um dos mais importantes autores na teoria da burocracia, fazendo uma interpretação histórica do pensamento de Weber. O autor apresenta também o pensamento hegeliano para quem o conceito de burocracia se apresenta completo não na iniciativa privada, mas sim na administração estatal. Desta forma o conceito de burocracia está essencialmente vinculado à esfera política e, assim, relacionado ao poder. Este ensaio examina a trajetória das teorias administrativas no tempo sob a lente dos aspectos econômico-sociais. Este Ensaio, em nível lógico, alicerçou-se em Hegel, em nível histórico, fundouse na perspectiva dialética e, em nível lógico-histórico, embasou-se na perspectiva de Marx. Capítulo I O Modo de Produção Asiático A administração, enquanto plenamente no Estado. organização formal burocrática realiza-se

Hegel foi um dos primeiros estudiosos da burocracia, enquanto poder administrativo e político. A existência da burocracia pressupõe, pelo menos, o espírito corporativo. A burocracia, no esquema hegeliano representa certas corporações ou sua combinação. É um instrumento das classes dominantes. A ideologia da burocracia surge quando se dá a divisão dos funcionários como portadores de símbolos, uniformes e signos. Segundo Hegel a burocracia é sinônimo de toda casta, seja hindu ou chinesa. Em Hegel têm-se as bases conceituais que permitem a análise da burocracia do Estado, da burocracia enquanto poder político, que antecede, em séculos a emergência da burocracia determinada pelas condições técnicas da empresa capitalista, oriunda da Revolução Industrial.

A burocracia, enquanto classe dominante (detentora dos meios de produção), elemento exercendo o poder político, apresenta-se na História como uma forma de dominação burocrático-patrimonial ou modo de produção asiático. A burocracia aparece em germe nas primeiras cidades sumerianas onde a invenção da escrita favorece esse processo. Em torno do rei, como dos templos, desenvolve-se uma burocracia real para gerir-lhe a fortuna. Na segunda metade do terceiro milênio, surgem o desenvolvimento da burocracia e a noção de Estado devido à formação dos grandes impérios. Segundo Karl Marx no modo de produção asiático, o déspota oriental representa a confluência de um processo social que se inicia com a burocracia, surgindo das necessidades técnicas (irrigação da terra arável) finalizando como poder de exploração efetuando-se assim a transitividade da burocracia cumprindo funções de organização e supervisão para o monopólio do poder político. Para Marx “a maior contribuição do governo despótico é a irrigação”. O modo de produção asiático surge na sociedade quando aparece o excedente econômico que é apropriado por uma minoria de indivíduos. Esta exploração assume a forma de dominação, não de um indivíduo sobre outro, mas de um indivíduo que personifica uma funçâo sobre a comunidade. O modo de produção asiático teria início teria início em 2500 a.C., na antiguidade1, com os primeiros Estados surgidos na Ásia Oriental, Índia, China e Egito. A agricultura era a base da economia desses Estados e era praticada pelas comunidades de camponeses presos à terra, que não podiam abandonar seu local de trabalho e que viviam sob um regime de servidão coletiva. Por pertencerem a essas comunidades os camponeses tinham o direito e o dever de cultivar as terras desta. A servidão coletiva era o modo de pagamento para o imperador, rei ou faraó pela utilização de suas terras, vistos que todas as terras eram de propriedade do Estado. O Estado se apropriava do excedente agrícola, dividindo-o entre a nobreza, formada por sacerdotes e guerreiros. Nos períodos entre-safras os servos e escravos eram deslocados para trabalharem nas imensas obras públicas, especialmente canais de irrigação e monumentos. A burocracia surge como poder funcional e político nas civilizações orientais. Esse modo de produção aplica-se, em geral nos países com grandes extensões desérticas, onde as condições climáticas exigiam a organização da

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Período de 4000 a.C. a 3500 a.C. até 476 d.C.

irrigação artificial pelos canais. (Egito Antigo, Mesopotâmia2, Arábia, Pérsia, Índia e Tartária3) A cultura de irrigação junto com a horticultura e a irrigação pelos grandes rios, criam a necessidade de supervisão centralizada que irá recrutar grande quantiade de mão-de-obra. Os judeus no Egito são recrutados à força para as expedições dos reis assírios e babilônicos que procuravam reunir mão-de-obra para construção de canais e cultivo das zonas desérticas. Segundo Weber a via fluvial do Nilo desempenhou papel vital na centralização burocrática. O controle da água em grande escala é dirigido pelo Estado e seu caráter centralizado e despótico no Egito, repetia-se na Antiga Mesopotâmia e na China. O modo de produção asiático engloba todas as sociedades asiáticas, como também o México e o Peru (sociedades maias e incas). O modo de produção asiático aparece também na Rússia por ocasião da invasão huna As forças produtivas que estão na base do modo de produção asiático se caracterizam por uma maior utilização da força produtiva do trabalho humano do que da força produtiva dos meios de produção; pressupõe uma superexploração da força de trabalho que compensa a subutilização das possibilidades tecnológicas. Na China a necessidade de regulação fluvial e a construção de canais, as enormes construções militares, os depósitos para armazenamento de tributos foram, entre outros, os fundamentos do poder adquirido pela burocracia patrimonial. Obras públicas, burocracia letrada, estrutura comunal de aldeia e despotismo oriental definem a existência do modo de produção asiático na civilização chinesa. Para Tragtenberg o modo de produção asiático é ao mesmo tempo um modelo histórico e um modelo sem história. É histórico, porque existiu no passado histórico das sociedades asiáticas; não tem história, porque é impossível precisar a época de seu início e desaparecimento e porque não se deu

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Localizada no Oriente Médio, delimitada entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, ocupado pelo atual território do Iraque e terras próximas. 3 Grande extensão de território da Ásia Central e setentrional que se estendia do Mar Cáspio e das Montanhas Urais até o Oceano Pacífico, habitando pelos povos turcomanos e mongóis do Império Mongol, genericamente chamados de tártaros. O território conhecido por este nome abrange as regiões atuais da Sibéria, Turquestão (com exceção do Turquestão Oriental), Grande Mongólia, Manchúria e, por vezes, o Tibete.

simultaneamente em todas a sociedades. É um modelo que revela os sistemas econômicos passados dessas sociedades. Tragtenberg, nesta evolução histórica, chega nos tempos atuais pela Rússia onde apresenta o realce do domínio da burocracia, enquanto poder político no regime de capitalismo de Estado. Segundo Lênin esse regime é uma combinação inédita de iniciativa individual4 no plano econômico com a economia de Estado5. Nesta burocracia têm-se a apropriação dos meios de produção pelo Estado. Se a produção alcança o lucro planejado o administrador de empresa recebe bonificações, contudo, a irracionalidade do sistema de bonificações leva os diretores a dissimularem sua capacidade produtiva. Aqui tem-se, acima de tudo, um poder político total. A empresa trabalha sob controle hipercentralizado. Dudorine afirma que esta centralização feroz de toda direção econômica se dá especialmente por ocasião da segunda guerra mundial. Este fenômeno da centralização burocrática da direção da empresa pelo partido, que detém o monopólio do poder se dá na URSS, Hungria ou Checoslováquia6 e Iugoslávia. A concepção hegeliana da burocracia (do estado e da corporação privada) tem suas origens nos ensinamentos de Aristóteles, Maquiavel, Hobbes Montesquieu. Aristóteles desenvolver o embrião do que seria conhecido como despotismo oriental. Maquiavel concebe a noção de despotismo oriental na observação das diferenças entre os principados ocidentais e orientais. Hobbes, no Leviatã, distingue duas formas Estado:por instituição (monarquia, aristocracia e democracia) por aquisição (paternal ou por herança, despótico ou por conquista). de e

Montesquieu, no Espírito das Leis, estuda o despotismo oriental como estrutura monocrática, ausência de codificação, igualdade na miséria, ausência da propriedade privada da terra, correlação entre o despotismo e o tamanho do Império.

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Elite industrializante Partido único, com monopólio do poder 6 Federação dissolvida pelos seus entes federados República Checa e Eslováquia que declararam, em 1993 sua independência.

Stuart Mill observara o Estado como elemento receptor do excedente econômico, a existência de uma economia de prestígio e a dependência da classe comerciante da burocracia. CAPÍTULO II AS HARMONIAS ADMINISTW4LTWAS DE SAINT-SIMON A ELTON MAYO Revolução Industrial na Europa – cenário:  alteração das condições de produção - substituição da manufatura pela fábrica;  absorção do êxodo rural na nova mão-de-obra industrial;  transferência de capitais do campo para a cidade. A Revolução Industrial inicia-se no séc. XVIII na Inglaterra porque fora o país mais afetado pela Revolução Comercial7. Aqui a primeira indústria totalmente mecanizada foi a textil. Nesse processo a era da agricultura foi superada, a máquina superou o trabalho humano, surge uma nova relação entre capital e trabalho bem como uma nova relação entre nações, surgindo o fenômeno da cultura de massa entre outros. A Revolução Industrial na França iniciou-se em 1825 com a derrota napoleônica. A Revolução Industrial na Alemanha deu-se de forma incompleta e gradualmente devido à predominância do trabalho manual e à persistência das pequenas oficinas. Até 1850 a Alemanha estava industrialmente atrasada, a agricultura ainda era a principal ocupação da população. Em 1868 e 1869 surge uma legislação que legaliza a liberdade industrial, sendo assim removidos todos os obstáculos para o desenvolvimento industrial. A máquina têxtil e a máquina a vapor alavancam a industrialização.8

Com essa infra-estrutura tecnológica surge o sistema fabril que consiste na reunião de um grande número de trabalhadores em um único espaço - as fabricas, e a necessidade dos capitalistas de controlar o processo de produção e impor um novo ritmo. A inspeção era inicialmente temporária e esporádica, por ocasião da distribuição de matéria-prima e recolhimento do produto acabado, posteriormente transforma-se na presença constante do processo
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A Revolução Comercial ocorre entre 14500 a 1800 trazendo mudanças econômicas na Europa, saindo da economia de subsistência da Idade Média e indo para o capitalismo, uso de métodos fabris em certas linhas de produção e aperfeiçoamento técnico.
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Dentre as invenções que alavancaram a industrialização se destacaram a máquina de fiar, o

tear hidráulico, o tear mecânico, o barco a vapor, a locomotiva a vapor, que revolucionaram a história do transporte.

fabril, com aplicações de multa piorando as condições de trabalho. Três quartas partes dos trabalhadores de fábrica eram mulheres e crianças. As jornadas de trabalho eram de 14 a 16 horas diárias. Nas minas a situação não era melhor, mulheres e crianças trabalhavam de 12 a 16 horas em poços subterrâneos. Essa situação obrigou o Estado a intervir nas relações industriais regulando as horas de trabalho. A resposta à Revolução Industrial na Inglaterra, França e Alemanha será fornecida pelos teóricos, Saint-Simon, Proudhon, Fourier e Marx que contestarão a nova ordem de coisas que emergiu com a Revolução Industrial, em um nível global. Para Saint-Simon a ciência e a industrialização constituiam-se em dois pilares que sustentariam o progresso da humanidade. Propunha a criação de um novo regime político econômico pautado no progresso científico e industrial. Saint-Simon entende que os produtores constituem a sociedade legítima e postula a afinidade dos interesses da indústria com a sociedade, na medida em que a sociedade global tem por base a indústria. Saint-Simon enunciava que é pelo estudo direto e positivo da sociedade que se descobrirão as regras da vida social; nelas é que é necessário descobrir as bases da política”. Saint-Simon é um precursor do socialismo e seu trabalho o marco inicial para o desenvolvimento da ciência política moderna . Ele escreve o Catecismo dos Industriais, com o intuito de dar -lhes o sentimento de seu valor próprio e induzi-los a constituir o partido industrial. SaintSimon ve os industriais como os verdadeiros professores em administração, porque aprederam às próprias custas. Charles Fourier teórico socialista é considerado como predecessor das técnicas de dinâmicas de grupo, enfocando a empresa como grupo. São elementos da teoria de Fourier o estabelecimento de uma harmonia universal, a solidariedade básica. Afirma que seu verdadeiro desejo é ajudar a humanidade e critica todas as formas que justificam e perpetuam o sofrimento humano. Critica a Declaração dos direitos do homem e do Cidadão denunciando-a como incompleta e desprezível por omitir o direito ao trabalho, sem o qual, todos os outros seriam inúteis. Fourier vê a indigência como a chaga mais triste e entende a pobreza como “a mais escandalosa desordem social”. Fourier antevê uma sociedade onde a jornada de trabalho serão curtas e o trabalho variado e parcelado. Vê ainda o elemento afetivo como fator de solidariedade social, estruturando “a concepção social das paixões humanas” Para ele o estabelecimento desta sociedade perfeita demanda um prazo curto, dois anos para sua organização local e seis anos para sua expansão global.

Fourier e Saint-Simon são os últimos que defendem soluções sociais a curto prazo. O marxismo aparece como filosofia da ação, onde a vontade humana tem um papel criativo para a constituição do proletariado como classe, a derrubada da supremacia da burguesia e a conquista do poder. É um conjunto de ideias filosóficas, econômicas, políticas e sociais, baseadas na concepção materialista e dialética da História, interpreta a vida social conforme a dinâmica da base produtiva das sociedades e das lutas de classes daí consequentes. O marxismo tem como fontes principais o idealismo de Hegel (1770-1831), o materialismo filosófico francês do séc. XVIII e a economia inglesa do começo do século XIX. Para o marxismo a característica central de qualquer sociedade está no modo de produção (escravista, feudal ou capitalista) que varia com a história e determina as relações sociais. Pelo processo produtivo o homem cria as próprias condições de sua existência. A história seria, então, o resultado das lutas entre os interesses das diferentes classes sociais. Karl Marx denuncia os artifícios da burguesia para conter a riqueza em seu seio e que foram elas que fizeram dos operários seus opositores, sendo, para ele, inevitável a queda da burguesia e a vitória dos operários. Karl Marx elabra uma filosofia do conflito social, estruturando uma visão da sociedade global cuja premissa é o homem, no seu processo de vida em sociedade. O trabalho aparece como fator de mediação que enriquece o mundo materialista e empobrece a vida interior do trabalhador. Karl Marx apenas incidentalmente aborda o processo de burocratização da empresa, a patologia industrial, sem, porém desenvlver de forma sistemática uma teoria da organização formal. Com o aumento da dimensão da empresa na Segunda Revolução Industrial as teorias sociais de carater totalizador e global (Saint Simon, Fourier e Marx) cedem lugar para as teorias microindustriais de alcance médio (Taylor e Fayol) e surge uma reestruturação da empresa, separando funções de direção de funções de execução, por exemplo a função inspetora do trabalho passa a ser agora função de uma classe especial de assalariados. Entre 1880-1890, nos EUA, instala-se a produção em massa, ocorre um grande aumento do número de assalariados e se torna necessário evitar o desperdício e economizar mão-de-obra. A industria tornou os EUA a primeira grande potência industrial do mundo, com um terço da capacidade manufatureira mundial. Surgem as práticas monopolísticas da grande empresa e estas por suas dimensões e influências no mercado permitem o planejamento a longo prazo da produção. A estabilidade criada pela redução da concorrência lhe da

condições para o planejamento. Há uma grande divisão entre os que pensam e os que fazem, cabendo aos que pensam, descrever cargos, fixar funções, estudar métodos de administração e normas de trabalho criando condições para o surgimento do taylorismo. Para Taylor os que executam devem ajustar-se aos cargos descritos e às normas de desempenho. A capacidade do operário tem um valor secundário, o essencial é a tarefa de planejamento. O taylorismo implantado, permite altos lucros com baixo nível salarial, a curto prazo, a custo de tensões sociais. A implantação do taylorismo pressupõe os seguintes pré-requisitos: a. a existência de empresas com grande poder econômico e político; b. debilidade sindical dos operários; c. ausência de legislação social; d. predomínio da oferta sobre a procura no mercado de mão-de-obra. Taylor objetivando a racionalização do trabalho, a perda de tempo, decompõem, com a ajuda de um cronômetro, cada operação. No plano salarial Taylor manifesta-se favorável a baixos salários, dizendo que este deve ser dosado gradativamente. No plano de sua Teoria da Administração, Taylor define a burocracia como emergente das condições técnicas de trabalho, pela separação entre as funções de execução e planejamento, predominando a organização sobre o homem, sendo o fator monetário o único fator motivador. Para Taylor o interesse dos trabalhadores é o interesse da administração, desconhecendo as tensões entre a personalidade e a estrutura, da organização formal. A separação entre direção e execução,a autoridade monocrática, o formalismo acentuado na organização, a visão de interesses iguais entre a organização e o operário definem a ética burocrática de Taylor, complementada por Fayol. Fayol, seguindo a linha de Taylor, entende que o homem deve ficar restrito a seu papel, na estrutura de divisão ocupacional. Na questão de remuneração Fayol segue a tradição de Taylor “não pecar por excesso”. Para Fayol administrar é prever, organizar comandar e controlar. Os modelos administrativos Taylor-Fayol correspondem à divisão mecânica do trabalho onde o parcelamento de tarefas é a mola do sistema. Nesse sistema é importante que o operário saiba muito a respeito de pouca coisa.

Com Taylor-Fayol tem-se um processo de impessoalização, com definições claras de tarefas e a especialização das mesmas. A decisão burocrática é absolutamente monocrática, havendo apenas um fluxo de comunicação. Para Fayol a empresa é vista como um conjunto de funções: técnicas, comerciais, financeiras, de . segurança, contábeis e administrativas. Vários fatores entre eles a desvalorização progressiva do trabalho qualificado e a valorização da percepção, atenção, mais do que da habilidade profissional, inauguram a atual era pós-industrial. Neste cenário o conjunto volta a ter prioridade sobre as partes. E alcança-se um alto nível de automação. Na nova classe operária vai se caracterizar o predomínio de funções de comunicação, sobre as de execução. Em uma fábrica automatizada é impossível manter a hierarquia linear simples (modelos Taylor-Fayol); são necessários especialistas funcionais que devem comunicar-se entre si. Nesse cenário surge a Escola das Relações Humanas com Elton Mayo. Para Mayo a cooperação dos operários reside na aceitação das diretrizes da administração. Apesar os esforços de Mayo para tornar agradável o trabalho, as máquinas evitam que este torne satisfatório em nível absoluto Mayo cria condições para o surgimento de uma crítica ao seu sistema. A crítica estruturalista surge na Alemanha. Mayo buscava a harmonia entre os operários e em sua relação com a empresa pelo uso da Psicologia. Mayo combatia o formalismo na administração mostrando que a a fabrica era uma instituição social e que a hierarquia supervisora encontrava limites na vontade da sociedade fábrica. A ideologia da harmonia administrativa iniciada por Taylor, reafirmada por Fayol, é continuada por Mayo, na sua preocupação em evitar os conflitos e promover o equilíbrio ou um estado de colaboração definido como saúde social. A Escola das Relações Humanas só examina a relação homem x grupo na área da empresa, não as ultrapassa. No plano metodológico a Escola das Relações Humanas é behavorista, procura por através de estímulos adaptar o indivíduo ao meio sem transformar este.

CAPÍTULO III A CRISE DA CONSCIÊNCIA LIBERAL ALEMÃ

A Alemanha realiza sua Revolução Industrial, no final do século XIX, após a Inglaterra e a França. Um aspecto original da industrialização alemã é a ação do Estado, que tinha como suporte político a união do Partido Conservador, da Igreja Protestante e da burocracia prussiana, que permitiu a hegemonia no Estado do estamento burocrático recrutado na classe junker. O processo de industrialização alemão permitiu o enobrecimento da burguesia e o aburguesamento da nobreza; a burocracia seria o elemento mediador entre essas classes. Tem-se o declínio do artesanato e a migração rural-urbana despovoa várias regiões alemã. Apesar do nível de miséria não ser comparável ao da Inglaterra após a Revolução Industrial, havia na Alemanha jornadas de trabalho longas, disciplina rígida na fábrica, trabalho infantil e feminino. Em 1890, o Estado intervém nas relaçoes industriais pela criação dos Tribunais de arbitragem para os conflitos trabalhistas. Apela-se pela intervençao do Estado e nesta época surge a figura do chefe patrimonial do bom rei que realiza políticas sociais em proteção do pobre em defesa dos abusos praticados pela classe dominante. A República de Weimar9 assiste ao surgimento de uma nova classe média; com a diminuição dos produtores independentes e dos operários, aumenta o número de funcionários e empregados, futuros adeptos do nacional-socialismo. A direita alemã considerava a Constituição de Weimar obra não alemã, mas traição cometida por judeus. O peso dos investimentos estrangeiros onde mais da metade eram norteamericanos, notando-se a constante participação da (General Motors na Opel, o desenvolvimento da Ford alemã, os interesses da General Eletric no Grupo Siemens, o fato da linhas de créditos alemães para pagamento das reparações provirem dos EUA, criam as condições para o desenvolvimento do pangeraimanismo (movimento do séc. XIX que defendia a união dos povos germânicos da Europa central) e do anti-semitismo como ideologias atuantes. Um grupo intelectual que girava em torno de Stefan George passa adotar a suástica ou cruz gamada, fuundamentando-se no racismo e conservadorismo. Sob Weimar deu-se a formação dos maiores trustes que a Alemanha conhecera: a Ig Farbenindustrie e a União Siderúrgica, as maiores concentrações de capital da época, surgindo grandes impérios industriais à custa da classe média e do operariado. No lugar de partidos começam a surgir
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Estado surgido ao final da 1ª guerra mundial - período de 1920-1933.

gabinetes de técnicos e sob a capa de governo de técnicos se oculta uma política antidemocrática. A impossibilidade de o Parlamento não conseguir controlar o Gabinete foi o primeiro sintoma de sua decadência. Weimar assiste à decadência do Parlamento. A maior arma do Parlamento, o controle orçamentário, passou às mãos do Executivo durante Weimar; a Constituição restringiu os poderes do Parlamento drasticamente, ao proibi-lo de aumentar os gastos propostos pelo Gabinete. Com o apoio da União Federal da Indústria Alemã, o Tribunal de Contas do Reich substituía o Parlamento no controle orçamentário. Isto está ligado ao aumento de poderes do presidente e da burocracia ministerial.

Na República de Weimar convive-se o socialismo reformista, o liberalismo burguês do Partido Democrático e o catolicismo político do Partido do Centro.. No sistema educacional alunos protestantes e católicos frequentam escolas confessionais onde os professores de formação tradicional com manuais que davam ênfase no passado pastoril e agrário no lugar do presente mecanizado. A República de Weimar como regime, segundo o enunciado do teórico nazista Schmitt, onde as totalidades restritas arruinam a totalidade nacional pela existência da autonomia dos Estados, multiplicidade partidária e de grupos de pressão econômica, inevitavelmente acabaria como vítima de suas contradições internas não resolvidas. A dualidade da realidade alemã é vivida por Weber em suas reflexões sociológicas.

CAPÍTULO IV MAX WEBER A produção intelectual de Max Weber ocorre entre 1889 e 1920. Weber preocupa-se em estudar os mecanismos do capitalismo a bolsa de valores e as relações entre a ética derivada das religiões e os sistemas econômicos. Weber foi precursor da pesquisa empírica. Weber estuda as variações cotidianas e semanais do ritmo de trabalho, as motivações individuais, o papel e a atitude dos operários, sindicalizados ou não e a questão da piedade religiosa das mulheres operárias. Weiber procurou estudar os problemas utilizando o conceito de probabilidade. Quanto ao método, Weber estuda a ação referida a valores na sua sociologia da religião, nas vinculações da ética calvinista com o espírito capitalista, mostrando as possibilidades de uma teoria generalizada na ciência da cultura.

Para Weber a Ciência não indica juízos de valor, nem indica deveres ou programa de ação; pode indicar o custo de certas operações, os meios necessários para conseguir certos fins, mas não pode pronunciar-se a respeito dos fins, não faz juízo de valor. Essa doutrina da neutralidade axiológixa de Weber é fundada em Kant. Weber desenvolve o conceito de ação social significativa tendo como ponyo de partida o indivíduo trazendo a coirrelação do sujeito-obketo como polos de uma mesma realidade. Quanto à burocracia e à política, pode-se dizer que foram seus estudos sobre a realidade social alemã que determinaram seu interesse pelo político na sociedade, reconhecendo que o pergo não está na massa, mas sim na qualificação política da classe em ascensão. Para Weber qualquer empregado ou dirigente sindical que vive os problemas políticos tem mais maturidade do que qualquer diplomado a quem falte a praxis política. Weber critica a Alemanha dominada ilegitimamente e manipulada por funcionários que nada entendem de política, especialmente o militarismo que tomou o comando do Reich. Dá ênfase à Nação mais do que ao Estado. Weber é crítico severo do bismarckismo e seu ethos burocrático. Para Weber Bismarck contribuiu para a impotência política do Parlamento e dos líderes político, concluindo que o domínio de um grande homem nem sempre é o meio mais idôneo para uma educação política. Mas Weber , também manifestou-se contra os partidários do corporativismo como representação profissional e do corporativismo como estrutura de Estado, alegando ser estas ignorância a respeito da natureza do capitalismo. Weber critica a concepção do Estado corporativo e vê no Conselho de Estado como função consultiva órgão praticamente inútil, pois não podem substituir os partidos como órgãos de luta e compromisso. Para Weber o socialismo moderno é produto de fábrica, da disciplina da fábrica. Weber acreditava ser possível no plano teórico o socialismo e contribuiu para a teoria da plena socialização sob a denominação de Economia Planificada Racional. Ressalta a importância dos fatores morais na luta de classes, onde os sentimentos de solidariedade das massas são decisivos nas suas lutas reivindicatórias. A passagem da teoria da administração para a sociologia da organização se dá com Weber, especialmente com seus estudo a respeito da burocradia.

Para os estudiosos da sociologia das organizações Weber representa o ponto central na análise da burocracia. Para Weber o s meios mais racionais para se atingirem os objetivos de uma organização seria ma burocracia. Para Weber burocracia é um tipo de poder; é igual à organização. É um sistema racional em que a divisão de trabalho se dá racionalmente com vista a fins. Para Weber a burocracia implica predomínio do formalismo, de existência de normas escritas, estrutura hierárquica, divisão horizontal e vertical de trabalho e impessoalidade no recrutamento dos quadros. A administração burocrática para Weber apresenta tem a ver com especialização e não em honraria.

CAPÍTULO V BUROCRACIA: DA MEDIAÇÃO À DOMINAÇÃO Neste capítulo Tragtenberg faz uma retrospectiva de todo o conteúdo desde o modelo de produção asiático até Weber para quem londe de ser um ideólogo da burocracia é seu grande crítico. Tragtemberg ensina que a Teoria da Administração, até hoje, reproduz as condições de opressão do homem pelo homem; seu discurso muda em função das determinações sociais. A Teoria Geral da Administração dissimula a historicidade de suas categorias, que são inteligíveis num modo de produção historicamente delimitado, são como expressão abstrata de relações sociais concretas, fundadas na apropriação privada dos meios de produção, que permitem a conversão do negro em escravo, a emergência do príncipe no pré-capitalismo, do burguês após a Revolução Comercial, do cidadão na Revolução Francesa e do quadro no burocratismo soviético. Tragtemberg traz a contribuição da informática neste contexto, reforçando o sistema econômico, revelando as relações de poder, racionalizando e diminuindo o custo da reprodução ampliada do capital. A pesquisa científica surge orientada para a área militar após a Segunda Guetra; a eletrônica aparece como setor dominante na economia capitalista mundial, ao mesmo tempo em que a informática a ela ligada satisfará a necessidade de uma administração integrada, centralizada, acompanhando a centralização do capital. Atualmente, a informática favorece a centralização das decisões e constitui-se num recurso para impedir a queda da taxa média de lucro, oferecendo, para tal, redução das despesas gerais, dos custos de produção e aumento dos lucros.

O computador acelera o processo de concentração, o que proporciona grandes lucros às fábricas de equipamentos de outro lado são pagos salários insignificantes aos operários neste setor. Para Tragtenberg a informática aprofunda a separação do produtor dos meios de produção, o planejamento da execução. O conceito informação emerge indevidamente ampliado gerando a confusão entre informação eletrônica e a dos sistemas sociais. Tragtemberg destaca que a informação está sempre ligada a fins sociais, seja aumento do Produto Nacional Bruto, da taxa anual de crescimento a 8% ou mais, etc. Destaca o autor que máquina não pensa, não possui capacidade dedutiva. Vinculada ao sistema capitalista rege-se pela lógica do lucro máximo. Esta ideologia aparece ligada a valores como máxima produtividade, racionalização, eficiência, vinculada à utilização de modelos substituindo a formulação de teorias, o que é patente nas teorias sistêmicas de administração onde o modelo aparece como mediador entre a teoria e o real. O modelo econômico, em um plano, está subordinado à significação que se é atribuída a determinadas variáveis que presidem o desenvolvimento econômico-social. O o modelo equilibra os imperativos da razão científica com os dogmas da economia capitalista e da teoria administrativa. O modelo procura situações de equilíbrio, porém, os antagonismos sociais que eclodem na forma de greves, perturbam sua racionalidade.