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CRISTIANISMO-SOCIALISMO-ESPIRITISMO e DIALÉTICA ESPÍRITA

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Uma visão humanista do socialismo e de como se processa a dialética espírita.
Uma visão humanista do socialismo e de como se processa a dialética espírita.

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A palavra dialética em sua epistemologia grega significa
diálogo. A dialética numa forma inicial se manifesta pelo
diálogo entre opostos que procuram uma resposta comum a um
questionamento determinado. Dialética é movimento,
movimento ocasionado pelo contraditório, é um movimento
contínuo de ciclo aberto e espiralado. O movimento possui três
momentos iniciais, que podem ser denominados tese
(afirmação), antítese (negação) e síntese (negação da negação).

O estudo do desenvolvimento da sociedade humana se
expressa a partir da dialética, sendo o representante moderno
deste pensamento o materialismo histórico dialético marxista.
Mas o pensamento dialético é uma construção, algo inacabado
que permite somente uma abstração de como se processa o
progresso humano verificado em sua história.

Segundo Konder (p.03) a dialética é o modo de
pensarmos as contradições da realidade, o modo de
compreendermos a realidade como essencialmente contraditória
e em permanente transformação.

No sentido moderno da palavra, o pensador dialético mais radical da
Grécia antiga foi, sem dúvida, Heráclito de Efeso (aprox. 540-480

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a.C.). Nos fragmentos deixados por Heráclito, pode-se ler que tudo
existe em constante mudança, que o conflito é o pai e o rei de todas
as coisas. Lê-se também que vida ou morte, sono ou vigília,
juventude ou velhice são realidades que se transformam umas nas
outras. O fragmento nº 91, em especial, tornou-se famoso: nele se lê
que um homem não toma banho duas vezes no mesmo rio. Por quê?
Porque da segunda vez não será o mesmo homem e nem estará se
banhando no mesmo rio (ambos terão mudado). (KONDER, p.03)

As leis da física demonstram que não existe na natureza
algo estático, parado, e que tudo está em constante movimento.
O progresso humano é resultado deste movimento. Movimento
que transforma a essência do homem, já que o ser de hoje foi
formado no ontem e o de amanhã é resultado do agora.

A dialética não serve para justificar o atavismo da
sociedade. O não reconhecimento deste movimento e de que o
homem é capaz de agir no curso da história, serve somente aos
interesses daqueles que não querem a mudança do status quo,
que são geralmente representados pelos que detém o poder sobre
os demais homens. A dialética neste sentido foi relegada ao
esquecimento no pensamento filosófico durante muitos séculos.

A ideologia dominante - a ideologia das classes dominantes - era
monopólio da Igreja, elaborada dentro dos mosteiros por padres que levavam
uma vida muito parada. Por isso, a dialética foi sendo cada vez mais expulsa
da filosofia. A própria palavra dialética se tornou uma espécie de sinônimo
de lógica (ou então passou a ser empregada, em alguns casos, com o
significado pejorativo de "lógica das aparências"). (KONDER, p.05)

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A concepção dialética do mundo difere principalmente
sob a ótica idealista e materialista. Conforme a corrente o
homem pode ser resultado da sociedade ou a sociedade ser
resultado dele. Esta sociedade e este homem pode ser
consequência da ideia que transforma a matéria ou da matéria
que transforma o homem. Vários pensadores divagaram sobre o
assunto, todos contribuindo para a formação do método dialético
de conceber o mundo.

Diderot compreendeu que o indivíduo era condicionado por um
movimento mais amplo, pelas mudanças da sociedade em que vivia.
"Sou como sou" - escreveu ele - "porque foi preciso que eu me
tornasse assim. Se mudarem o todo, necessariamente eu também
serei modificado." E acrescentou: "O todo está sempre
mudando".No Sonho de D'Alembert, imaginou que D'Alembert, seu
amigo, sonhando dizia coisas tais como:
"Todos os seres circulam uns nos outros. Tudo é um fluxo perpétuo.
O que é um ser? A soma de um certo número de tendências. E a
vida? A vida é uma sucessão de ações e reações. Nascer, viver e
passar é mudar de formas". D' Alembert ficou chocado com a
"loucura" que Diderot tinha escrito e o texto, redigido em 1769,
acabou só sendo publicado em 1830. (KONDER, p.08)

Já Hegel é o representante máximo da dialética sobre o

ponto de vista idealista.

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Hegel subordinava os movimentos da realidade material à lógica de
um princípio que ele chamava de Idéia Absoluta; como essa Idéia
Absoluta era um princípio inevitavelmente nebuloso, os
movimentos da realidade material eram, freqüentemente, descritos
pelo filósofo de maneira bastante vaga. (KONDER, p.13)

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