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LTE -. Sintese[1]

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04/10/2015

JUSTIÇA PARA MENORES

A Lei Tutelar Educativa (LTE), aprovada pela Lei n.º 166/99, de 14 de Setembro.

A intervenção tutelar educativa tem dois pressupostos: A ofensa a bens jurídicos fundamentais,

1.

“consubstanciada na prática de factos considerados pela lei penal como crime”, por menor com idade compreendida entre os 12 e 16 anos;
2.

A determinação de necessidade de educação do menor para o direito revelada na prática de facto e subsistente no momento de aplicação da medida;

Ao verificarem-se tais pressupostos incumbe ao Estado educá-lo, em primeiro lugar em nome do próprio interesse do menor, mas também em nome da segurança da sociedade, dos “outros” cidadãos. O “ponto nevrálgico” da intervenção, a execução das medidas tutelares educativas, tem como fim “o interesse do menor”, a sua educação para o direito, para a identificação, compreensão e interiorização de valores, regras e normas sócio-jurídicas fundamentais, que garantam a convivência social e favoreçam o seu desenvolvimento integrado como pessoa e cidadão, com sentido de responsabilidade. Como resultado prático, objectiva a prevenção da reincidência, de modo a que o menor não volte a praticar crimes ou, na ocorrência destes, que reduza a sua frequência e gravidade. A determinação de “necessidade de educação para o direito manifestada na prática de facto ilícito” tem, para o Instituto, duas significações e respectivas implicações: por um lado, só podemos

averiguar aquela necessidade em referência à prática de facto ilícito concreto, esteja ele juridicamente provado ou tenhamos dele apenas notícia; por outro lado, tal necessidade determina-se a partir dos meios que a lei prevê, ou seja, a informação social, o relatório social, o relatório social com avaliação psicológica e a perícia sobre a personalidade. O mesmo é dizer, que aquela necessidade determinase a partir da averiguação da conduta e personalidade do menor, bem como das suas condições sócio-familiares. Definir e operacionalizar a necessidade de educação para o direito. Ponderada e criteriosamente o estado de necessidade de educação para o direito determina-se quando a avaliação sobre a personalidade do menor patenteia alguns predicados directamente conexionados com o(s) facto(s) de que temos notícia ou indício. Tais predicados ou requisitos são: 1. A O conduta do menor da revela dificuldade ou

incapacidade pessoal para se inserir na comunidade;
2.

funcionamento

personalidade

exprime

hostilidade aos direitos dos outros e ruptura com os valores e regras mínimas de convivencialidade social; 3. Tal conduta é condizente com estilo de vida pródelinquencial;

Como

corolário

da

verificação

dos

três

requisitos

podemos afirmar que a conduta do menor excede a crise de desenvolvimento adolescente.

A verificação destes três requisitos, interdepentes entre si, permitirá determinar no menor o estado de necessidade de educação para o direito, e fundamenta a proposta de medida tutelar educativa. Tal avaliação é um processo complexo que procura identificar dificuldades no funcionamento e eventualmente deficiências de estruturação da personalidade do menor que se conexionam com o cometimento de factos qualificados pela lei penal como crimes, conjugando dados de natureza objectiva e subjectiva Dificuldade identificação /parâmetros: ou e incapacidade avaliação de pessoal das para se inserir na comunidade – A verificação deste requisito remete-nos para a específicas vida e seguintes dimensões de risco”; “estilos comportamentos

“enquadramento sócio-educativo”; “saúde”; “competências pessoais e sociais”; “atitudes delituosas”, nomeadamente “atitudes face à vítima”; e ainda o resultado personalidade. Hostilidade aos direitos dos outros e ruptura com os valores e regras mínimas de convivência social –A verificação deste requisito remete-nos para a identificação e avaliação específicas das seguintes dimensões/parâmetros: “estilos de vida e comportamentos de risco”; “enquadramento sócio-educativo”; “competências pessoais e sociais”, com particular destaque para a descentração e autonomia”; “atitudes face ao delito e à vítima”; e ainda o resultado da avaliação directamente dirigida à personalidade. Conduta condizente com estilo de vida pró-delinquencial – A verificação deste requisito remete-nos para a identificação e avaliação das seguintes dimensões/parâmetros: “estilos de vida e comportamentos de risco”; “competências pessoais e sociais”, nomeadamente descentração, pensamento consequêncial e autocontrolo; “atitudes delituosas”; e ainda o resultado da avaliação directamente dirigida à personalidade, por exemplo, indicadores de da avaliação directamente dirigida à

egocentricidade e dificuldades de envolvimento emocional, entre outros. A verificação das dimensões/parâmetros anteriores contextualiza o comportamento delinquente, de que temos notícia ou indício e coloca-o no campo dos possíveis, não permitindo, no entanto, ultrapassar o carácter hipotético e presumido da sua prática. Nesta base importa ainda caracterizar o “comportamento delituoso” segundo os parâmetros de precocidade, persistência, intensidade variedade e premeditação . A verificação dos três de requisitos ensaio anteriores e da excede crise os de de

“comportamentos carácter

risco,

transgressão”,

transitório,

característicos

desenvolvimento adolescente.

O IRS faz assessoria técnica aos tribunais na fase pré– sentencial (inquérito e fase jurisdicional)

De acordo com o disposto na LTE,

o IRS assiste o Ministério

Público na fase de inquérito ( art.º 75º n.º 1). Tal assistência tem por objectivo a realização dos meios de obtenção da prova informação, relatório social e relatório social com avaliação psicológica (art.º 71º e art.º 75º n.º 3), os quais têm por finalidade auxiliar a autoridade judiciária no conhecimento da personalidade do menor, incluída a sua conduta e inserção sócio - económica, educativa e familiar ( art.º 71º n.º 2e n.º 5).

No âmbito do regime previsto para as perícias, o M.º P.º poderá igualmente solicitar ao IRS, durante o inquérito, a realização de perícia sobre a personalidade

Os meios de obtenção da prova previstos no art.º 71º - informação e relatório social - podem também ser solicitados pelo Juiz, na fase jurisdicional, como apoio à tomada de decisão. Nesta fase, podem igualmente ser solicitados ao IRS relatório com avaliação psicológica e perícia sobre a personalidade - obrigatoriamente quando for de aplicar medida de internamento ( art.os 71º n.º 5 e 69º). Na audiência preliminar o juiz pode determinar a assistência de médicos, de psicólogos, de outros especialistas ou de pessoas da confiança do menor (art.º 99º n.º 2); pode ainda ser convocada qualquer pessoa cuja participação seja necessária para assegurar as finalidades da audiência preliminar (101º n.º 2 al. d)). No que respeita à audiência, o menor, os pais, o representante legal ou quem tenha a sua guarda de facto e o defensor, indicam, entre outros, os peritos ou técnicos de reinserção social (art.º 116º, n.º 5). (A fase jurisdicional compreende, no período pré - decisório, a comprovação judicial dos factos, a avaliação da necessidade de aplicação de medida tutelar e a determinação da medida tutelar (art.º 92º n.º1; ver também art.º 93º, n.º1 al. b), relativo ao arquivamento, art.os 93º, n.º 1 al. c) e 94º n.º 3 al. b), referentes ao despacho que designa dia para a audiência preliminar, e art.os 93º n.º2, 104º n.º5 al. b) e 115º, relativos ao prosseguimento do processo - audiência).

GRELHA DE AVALIAÇÃO
Nome : D. N.: ___/___/___, Idade : _________ Escolaridade :
ENQUADRAMENTO EDUCATIVO Meio sócio – residencial SÓCIO – AVALIAÇÃO

(natureza do meio e imagem do menor)

Situação económica e habitacional
(condições materiais de existência)

Integração familiar
(vínculo familiar, normas e controlo parental)

Integração escolar/ocupacional
(envolvimento escolar, formativa ou profissional)

SAÚDE

(psicopatologias, dependências)

ESTILOS DE VIDA COMPORTAMENTOS DE RISCO Relacionamentos/Associações pares Rotinas
(organização e gestão do quotidiano)

E com

(tipo de grupo de pertença e respectiva influência no menor)

Comportamentos de risco
(consumo de álcool, drogas, vivência de rua,...)

COMPETÊNCIAS PESSOAIS E SOCIAIS Descentração
(ter em conta o ponto de vista do outro)

1

Níveis 2 3 4

5

Pensamento consequencial
(avaliar consequências comportamento a curto, médio e longo prazo)

Auto – controlo
(adiar impulsos e escolher respostas)

Comunicação
(estilos interactivos adaptados às circunstâncias)

Resolução de problemas
(processo de tomada de decisão funcional)

Autonomia
(independência de gestão do quotidiano)

DIMENSÕES AVALIATIVAS
COMPORTAMENTO DELITUOSO Precocidade
(Idade inicial de cometimento de ilícitos)

AVALIAÇÃO

Persistência
(continuidade de cometimento de delitos)

Variedade
(diversidade dos factos qualificados pela lei penal como crimes)

Intensidade
(nível de gravidade das infracções)

Premeditação
(programação dos actos delinquentes)

DIMENSÕES AVALIATIVAS
ATITUDES DELITUOSAS Atitudes face ao delito e à mudança
(reconhecimento e assunção de responsabilidades)

1

2

Níveis 3 4

5

Atitudes face à vítima e de reparação
(empatia com vítima e compensação)

Observações :

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