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MERCADOS FUTUROS E DE OPÇÕES AGROPECUÁRIAS

Marques, P.V.; P. C. de Mello & J.G. Martines Fo. Mercados Futuros e de Opções Agropecuárias. Piracicaba, S.P., Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq/USP, 2006, Série Didática nº D-129.

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OBJETIVOS GERAIS DO LIVRO Este livro tem como objetivo principal mostrar o funcionamento dos mercados futuros e de opções agropecuários e as estratégias que podem ser utilizadas para a administração de riscos de preços. Especificamente, pretende-se: • • • • Mostrar de forma teórica e prática e funcionamento dos mercados futuros e de opções agropecuárias. Desenvolver a habilidade de acessar informações e interpretá-las. Discutir estratégias atuais e potenciais com futuros e outros derivativos. Apresentar aos leitores as principais bolsas de interesse do agronegócio brasileira bem como mostrar os princípios básicos de operacionalização nestes mercados

4 Índice

1. PRINCÍCIOS ECONÔMICOS DA FORMAÇÃO DE PREÇOS 1.1 – Panorama Econômico do Agronegócio na Economia Internacional 1.2 - Algumas características da produção agropecuária 1.3 - Algumas questões importantes na comercialização de produtos agropecuários 1.4 - O papel dos preços nas cadeias agroindustriais 1.5 - Demanda de produtos agropecuários 1.6 - Oferta de produtos agropecuários 1.7 - O modelo teórico de preço de mercado 1.8 - Causalidade e formação de preços 1.9 - Negociação de preços 1.10 - Preços observados 1.10.1 - Tendência, ciclo e sazonalidade 1.11 - Tipos de mercados 1.12 - Agronegócio e Cadeia de Produção 1.13. A realidade do crédito rural e o surgimento dos novos instrumentos de financiamento Exercícios 2 – PRINCÍPIOS BÁSICOS DOS MERCADOS FUTUROS AGROPECUÁRIOS 2.1 . Contratos Futuros 2.2. Mercado de Futuros 2.3. Negociação de contratos futuros 2.4 - Funcionamento básico dos mercados futuros 2.5. Operações básicas nas bolsas 2.6 - Exemplo de hedge de venda 2.7 - Simulação de uma operação em pregão 2.8 - Explorando as informações 2.9 – Custos de operação 2.10 - Margens de garantia 2.11 Formas de encerramento das operações 2.12 - Operando soja em Chicago (CBOT) 2.13- Base 2.13.1. Hedge perfeito 2.13.2. Conceito e Importância da Base 2.13.3. Definição e cálculo da base 2.13.4. Comportamento da base e influência sobre a operação de hedge 2.14 - Nível ótimo de hedge 2.15 - Cross-hedge 2.17. Arbitragem 2.18 - Especulação

5 2.19 – Conclusões Exercícios

3. FUNDAMENTOS DE OPÇÕES SOBRE FUTUROS AGROPECUÁRIOS 3.1. Definições 3.2. O contrato de opções 3.3. Primeiro exercício básico 3.4. Entendendo opções na cbot 3.5. Precificação de opções 3.5.1 - especificação de opções 3.5.2. - lançadores (vendedores) de opções 3.5.3 - variáveis básicas na determinação do prêmio das opções 3.5.4 - terminologia 3.5.5 - fatores afetando o prêmio 3.5.5.1 - influência do preço futuro (s) e preço de exercício (k) sobre o prêmio das opções. 3.5.5.2. Influência do tempo sobre o prêmio das opções. 3.5.5.3. Influência da taxa de juros (i) sobre o prêmio das opções 3.5.5.4. Influência da volatilidade σ sobre o prêmio das opções 3.7. Cálculo do prêmio das opções 3.7.1. Modelo de Black & Schole 3.7.2. Valor negociado das opções 3.8. Análise gráfica das opções 3.8.1. Resultado para o comprador da call 3.8.2. Resultado para o comprador da put 3.8.3. Lançamento de puts e calls descobertas 4.9. Conclusões Exercícios

4. ESTRATÉGIAS AVANÇADAS COM MERCADOS FUTUROS E DERIVATIVOS AGROPECUÁRIOS 4.1. Cédula de Produto Rural (CPR) 4.1.1. Utilização de CPR Física 4.1.2. Utilização de CPR Financeira 4.2. Cash and Carry 4.3. Liquidação por Indicador de Preços 4.4. Contrato a Termo com Preço a Fixar na BM&F – EX PIT 4.5. Estudo de caso na área de originação (compra de soja) 4.6. Arbitragem 4.7. O processo de formação de preço da soja brasileira 4.8. Operações ex-pit 4.8.1. Fixação por comprador e vendedor

6 4.9. Captação de recursos com taxas pré-fixadas Exercícios

5. ANÁLISE DE PREÇOS DE MERCADOS FUTUROS 5.1. Introdução 5.2. Nível de Informações e Previsão dos Preços 5.3. Análise fundamentalista 5.4. Análise Técnica ou Grafista 5.4.1. Teorias e Conceitos 5.4.2. Gráficos mais comumente utilizados 5.5. Conclusões Exercícios 6. OPERACIONALIZAÇÃO DE CONTRATOS FUTUROS AGROPECUÁRIOS 6.1 – História dos Mercados e Bolsas 6.2 – Fundamentos do Funcionamento das Bolsas de Futuros 6.3. A Regulação de mercados futuros 6.4. Funções e características dos mercados futuros 6.5. O que é uma Bolsa de Mercadorias 6.6 – O Relacionamento Cliente e Corretora 6.7– Pregão Eletrônico x Viva Voz 6.8 – Principais Commodities e seus Mercados 6.9. Principais bolsas de derivativos do mundo 6.10 – Os Acrônimos das Principais Bolsas do Mundo 6.11 – O Rank das Principais Bolsas do Mundo 6.12. Histórico e navegação nas principais bolsas de interesse para o Brasil (CBOT, CSCE, BM&F, Rofex, Dalian e Zheng-zou) Exercícios

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

eles representam uma parcela importante da produção local e mundial e em algumas situações. Periodicamente. os principais conceitos. giram em termos de negócios muitas vezes mais do que é produzido mundialmente. índices de preços e instrumentos de políticas ambientais (tais como o mercado de carbono). mostra-se o processo teórico de formação de preços e como os preços se transmitem dentro das cadeias agropecuárias. Entretanto. etc. papéis de curto e longo prazo. com a preocupação de apresentar detalhes de funcionamento dos mercados para o público em geral que participe direta ou indiretamente desses mercados. seja para administrar riscos.). petróleo. com muitos exemplos. energia. Este livro foi organizado basicamente em seis seções: na primeira. passado relativamente recente de intervenções governamentais no setor. num ritmo impensável alguns anos atrás.7 Apresentação Cada vez mais as pessoas têm se interessado em entender o funcionamento dos mercados futuros. ganho próprio. novos contratos são lançados. barreiras ao livre comércio e preços das mais diferentes commodities (agrícolas. Este livro tem por finalidade apresentar. dólar. apresenta-se os fundamentos teóricos e práticos dos . exercer poder regulatório ou para implementar políticas públicas. Na segunda seção. objetivos e utilizações dos mercados futuros agropecuários. É interessante notar que nas principais bolsas do mundo os contratos agropecuários ainda representam uma parcela pequena do total negociado. de forma prática e objetiva. ouro. carentes de literatura em português. blocos econômicos. Trata-se de um livro prático. instrumentos financeiros. ações. taxas de juros. descapitalização do produtor que se vê obrigado a vender sua produção antecipadamente. Os mercados futuros têm se expandido além das tradicionais commodities agropecuárias e metais para os mercados de carnes. moedas. É também um livro texto. O livro também se preocupa em mostrar as fontes que podem ser consultadas para manter os alunos atualizados. outros encerrados. taxa de câmbio. O pequeno volume relativamente ao total é explicado entre outros fatos pela falta de conhecimento do uso de derivativos dentro do agronegócio. direcionado para cursos de graduação e especialização. subprodutos de madeira. Grandes progressos têm sido feitos para se entender as ligações entre políticas governamentais.

descrição de casos práticos e exercícios. dúvidas. Especializações e MBAs na Esalq e em várias escolas deste Brasil imenso. Pedro Marques teve a honra de receber três vezes nestas dez edições. faz-se um breve apanhado da análise fundamentalista e técnica. Consideramos o livro atual uma evolução do anterior resultante de nossa experiência ensinando mercados futuros agropecuários para alunos de graduação. principais bolsas e contratos. Na quarta seção. muitos dos quais estão apresentados neste texto. que acreditou nos mercados agrícolas e sempre apoiou nosso trabalho e o da Esalq. . desenvolvem-se as diversas estratégias avançadas com a utilização de mercados futuros e derivativos agropecuários. apresentamm-se os fundamentos e práticas de opções sobre futuros agropecuários. Dedicamos este livro ao Dorival Rodrigues Alves. Na terceira seção. exercícios. Os autores gostariam de agradecer o apoio da BM&F na edição do livro “Mercados Futuros de Commodities Agropecuárias – exemplos e aplicações aos mercados brasileiros”. Queremos agradecer também à Bolsa pelo oferecimento do Prêmio BM&F o qual o prof. pós. amigo e visionário. Agradecemos também aos alunos da Esalq e das várias localidades que visitamos nestes quinze anos de cursos pelos questionamentos. faz-se uma apresentação da parte operacional dos mercados futuros.8 mercados futuros com aplicações. primeira experiência nossa em escrever sobre mercados futuros numa época de muitas mudanças. na sexta e última seção. também com aplicações e exercícios. trabalhos desenvolvidos. Na quinta seção. aos projetos de cursos que nos permitiram viajar pelo Brasil e conhecer as principais regiões produtoras de commodities. sem entrar em muitos detalhes por não ser este o propósito do texto. Finalmente.

suas inter-relações contratuais. é necessário conhecer as cadeias produtivas. PRINCÍCIOS ECONÔMICOS DA FORMAÇÃO DE PREÇOS Justificativa É de fundamental importância entender as forças de mercado que dão origem às formas diferentes de formação e transmissão de preços de produtos agropecuários. . Objetivos: • • • conceituar o agribusiness e discutir suas principais tendências no Brasil. apresentar os conceitos de formação e transmissão de preços agropecuários nos mercados físicos. Estes conhecimentos compreendem o que se denominam fundamentos do mercado os quais. juntamente com o acompanhamento dos preços dos mercados futuros. fornecem as ferramentas básicas para entender as mudanças de preços e assim.9 1. poder operar nos mercados agropecuários. Para isto. fazer uma breve revisão dos contratos e instrumentos de financiamento utilizados no agronegócio. os determinantes da oferta e da demanda dos produtos e de seus substitutos e os demais elementos da estrutura do mercado que influenciam o comportamento dos preços.

O Brasil é dotado por diversas vantagens geográficas e de disponibilidade de recursos naturais. se tornar um dos líderes mundiais dos negócios nas áreas agrícolas.10 1. etc. energia e meio-ambiente. transportes. etc. Possuir vantagens comparativas num mundo com mercados globais. têm sido atraídos para as bolsas devido às imensas possibilidades de ganhos nestes mercados. certas características dessa atividade produtiva que convém detalhar. 1. basicamente. os mercados futuros têm atraído atenção de uma imensa gama de novos interessados em todos os setores da economia: financeiro. industrial. potencialmente. Para garantir uma trajetória consistente de crescimento econômico. Existem. no entanto. tais como traders de produtos agropecuários. transportes. as mesmas leis de mercado dos demais bens e serviços produzidos no restante da economia. Um dos principais instrumentos para a aquisição dessas vantagens competitivas está em contar com um mercado de derivativos eficiente e abrangente. que permitem ao País seguir uma estratégia de desenvolvimento econômico com base nesses recursos naturais. fundos de pensão. não garante que essa potencialidade seja efetivada. minerais. Assim também tem acontecido com todos aqueles interessados em montar operações com derivativos que lhes possibilitem administrar seus riscos.Algumas características da produção agropecuária A formação de preços nos mercados agropecuários segue. é necessário também que se criem vantagens competitivas na produção.2 . compradores e vendedores de commodities em geral. empresas do ramo de petróleo e derivados. comercialização e logística de transportes. Cada vez mais especuladores.1 – Panorama Econômico do Agronegócio na Economia Internacional Principalmente a partir dos anos 70. o Brasil pode. dado sua importância para um conhecimento mais abalizado de sua formação de preços: . entretanto. Com efeito. agrícola. administradores de fundos de investimentos.

7. em função disto. confrontam uma estrutura de concorrência com estruturas oligopolistas ou monopolistas. 6. precisando ser processados antes de serem vendidos aos consumidores finais. é de fundamental importância que se tenha uma clara visão do quadro conjuntural dos acontecimentos e das variáveis macroeconômicas ao seu redor. renda. ela é extremamente atomizada em termos de localização geográfica e tamanho da unidade produtiva. Além disso. demanda e produção. Além da produção estar distribuída em função do clima. Entretanto. Nesta situação. A produção agropecuária é de difícil ajustamento às necessidades da demanda porque o planejamento da produção é feito com meses ou anos de antecedência à entrega do produto. tradições e outros fatores. precisa-se também conhecer os princípios econômicos básicos que regem a . os produtos precisam ser armazenados em alguns meses durante o ano. Os produtos agropecuários são produzidos na forma bruta. muito rapidamente. Os produtos agropecuários são geralmente perecíveis. quando então as condições de mercado podem ter se modificado. 4. alguns produtores rurais investem na embalagem. Os produtos agropecuários geralmente são comercializados na forma não diferenciada. e alguns. 5. sendo então denominados de “commodities”. o que diminui o tempo disponível para sua comercialização. Isso diferencia o produto e permite estratégias de vendas baseadas na qualidade. Precisa-se saber a influência de políticas econômicas sobre taxas de juros. 3. O agronegócio está em constante competição pelos recursos escassos da sociedade. As empresas do setor de produção agropecuária enfrentam um alto grau de concorrência. 2. normalmente os produtores procuram se organizar em Associações ou Cooperativas. os produtores rurais defrontam-se com poucos vendedores de insumos e poucos compradores de seus produtos. aproximando-se da concorrência perfeita. Para conseguir melhores preços para seus produtos. A produção agropecuária é sazonal. serviços e outros elementos agregadores de valor. solos.11 1. Ou seja. garantindo assim um abastecimento adequado para o mercado tanto na safra como na entressafra. Para fazer frente a estas desigualdades de forças.

12 demanda e a oferta pelos produtos agrícolas. • mercado? • • • Que tipo de contrato de mercados derivativos deve-se fazer? Como financiar a comercialização e reduzir os riscos de mercado? Que outras políticas podem ser implementadas para aumentar a eficiência da O que pode ser feito para diferenciar o produto e expandir e diversificar o comercialização? . Do ponto de vista da comercialização. 1. Do ponto de vista do setor agropecuário. as mudanças climáticas. o problema torna-se particularmente importante porque é difícil para quem produz ajustar rapidamente sua produção às alterações de mercado. conhecer a curva de sazonalidade e os custos de armazenamento e transporte pode elevar os ganhos. os consumidores e todos aqueles com envolvimento na atividade têm muito a ganhar caso a comercialização se dê de forma técnica e economicamente eficiente. os quais também regem a alocação de recursos dentro da empresa. pragas. um sistema de comercialização será eficiente se a venda da produção resultar no máximo possível resultado financeiro após deduzirem-se todos os custos de produção e comercialização. Para complicar ainda mais esse problema. O setor agropecuário. Existem algumas questões importantes que merecem ser discutidas para que a comercialização acompanhe os movimentos de mercado e ocorra de forma eficiente: • • O que produzir e quais cuidados tomar para obter o máximo de receita na venda? Quando e onde comprar e vender? Diferentes insumos e produtos possuem diferentes curvas de distribuição de preços durante o ano. doenças e outros fatores impedem que se façam estimativas precisas de produção e preços. sem sobressaltos e interrupções.3 - Algumas questões importantes na comercialização de produtos agropecuários O chamado "problema" da agropecuária geralmente está associado a preços baixos e relativamente instáveis.

De acordo com sua teoria. os empresários estão constantemente acompanhando e tentando prever a direção da mudança nos padrões de consumo de seus produtos em conseqüência de alterações no nível e na distribuição de renda. o consumidor é quem manda. encorajando assim. Indo direto ao ponto. A condição essencial para o perfeito funcionamento da "mão invisível" imaginada pelo grande economista Adam Smith seria a competição perfeita. . os donos de restaurante e os atacadistas elevarão os preços. Os desejos dos consumidores se manifestam através de "votos" representados pelos seus gastos. de forma a atrair a preferência e lucrar com os dispêndios dos consumidores. por exemplo. individualmente.4 . estão constantemente procurando adotar novas tecnologias. de modo que cada um. os navios pesqueiros a dedicarem mais horas na pesca daquele produto. "votando" ou gastando mais quando um produto é desejado. quando. "votando" ou gastando menos quando um produto deixa de lhes propiciar satisfação real ou psicológica. Por isso. os consumidores quiserem mais camarão do que existe no mercado. Conseqüentemente. Essa atividade de acompanhamento e previsão é fundamental para que se possa proceder a ajustes na produção.O papel dos preços nas cadeias agroindustriais No sistema de livre mercado. Assim. nos preços dos próprios produtos e nos de seus competidores e nas preferências dos consumidores. formas mais eficientes de produção e lançar novos produtos. pescadores que se dedicam a outras atividades se deslocarão para a pesca de camarão. não pudesse influenciar nos preços. aqueles que dispuserem de mais "votos" ou estiverem mais dispostos a alocar recursos para consumir aquele produto poderão usufruir dele. os desejos dos consumidores são expressos diretamente no mercado e se tornam a base para a alocação dos recursos escassos pelos seus proprietários. onde deveria existir um grande número de compradores e vendedores com participação reduzida no mercado. Os empresários também estão cientes das limitações de recursos e dos custos envolvidos na produção. O aspecto mais importante do sistema de livre mercado é a orientação para atender aos desejos dos consumidores. No sistema de livre mercado.13 1. aumentando a oferta e fazendo com que o preço caia. Se aquela situação persistir por mais tempo e na ausência de sérios impedimentos.

O empresário deve estar bem atento aos acontecimentos mundiais porque a demanda e a oferta por produtos agrícolas e as demais condições de mercado estão constantemente mudando e afetando seus lucros. apenas de interesse teórico. originando. De outro lado. 1. a qual é definida como uma relação descrevendo quanto será adquirido a cada nível de preços. tem suas origens nos anseios psicológicos que caracterizam os seres humanos e é algo abstrato. gradeação. que existe uma demanda pelo produto agrícola. uma curva de demanda ao nível de . a crescente conscientização por produtos isentos de agrotóxicos. desta forma. Assim. Temos de lembrar que o produto agropecuário é o insumo que será utilizado pela indústria transformadora na fabricação de seus produtos. colheita. políticas protecionistas ou liberalistas afetam o preço do que está sendo produzido.5 . A função de demanda definida no parágrafo anterior. a demanda do consumidor não é a única curva de demanda que nos interessa. semente.Demanda de produtos agropecuários Um alqueire de terra na fazenda não apresenta nenhuma utilidade para o consumidor típico da cidade (a não ser para os amantes da beleza natural). com renda. uma nevasca que atinja a Flórida afeta a produção de laranja nos Estados Unidos. Em função de quanto imagina irá conseguir ao vender seu produto. está influenciando o consumo por produtos "limpos" a níveis nunca imaginados. preços de outros produtos e condições sócio-econômicas constantes. secagem. adubo. Da mesma forma. Apesar de sua importância. difícil de medir e por isso mesmo. aração. Quando o agricultor junta terra. também conhecida por demanda primária. seus preços. e o preço da laranja no Brasil. então. Diz-se. e os intermediários transformam o produto agrícola em algo capaz de proporcionar satisfação é que os consumidores sentem-se dispostos a pagar algo em troca do prazer de usufruir o produto agrícola. melhores seriam os resultados da "mão invisível" na economia.14 quanto maior o nível de competição. o intermediário em qualquer nível decide quanto poderá pagar ao seu fornecedor. O importante para todos que lidam com a comercialização é reconhecer a relação entre a curva de demanda do consumidor e sua origem nos anseios e necessidades dos consumidores.

gostos e preferências. De forma geral.. pst = preço dos produtos substitutos. X n ) Sujeitando-se à restrição da renda disponível: R = p1 X 1 + p 2 X 2 + L + p n X n Assumindo racionalidade do consumidor. yt = renda disponível.. Assume-se também que os consumidores são racionais. preços dos produtos complementares. que os seguintes fatores permanecem inalterados: renda disponível do consumidor. X 2 .Ot ) onde.. . é a demanda normalmente defrontada pelo produtor rural.. Esta curva de demanda. Xn) expressa como: MaxU = f ( X 1 .. porém é impossibilitado devido à limitação de renda. Sem se discutir onde começam. os preços movem-se na cadeia em resposta a movimentos que começam no varejo. pct . Esta inter-relação deverá estar bem clara. preços dos produtos substitutos. expectativas de preços e renda futuras.. chamada de demanda derivada.15 fornecedor de insumos. para um determinado espaço de tempo e para um certo local ou área geográfica. X2. pt = preço do próprio produto. no produtor ou em qualquer outro segmento da cadeia. Matematicamente. para um produto qualquer: qt = quantidade demandada. a qual é definida para cada produto. as quais ele gostaria de satisfazer. a função de demanda do consumidor pode ser escrita como (o símbolo "|" significa que os termos à direita são mantidos constantes): qt = f ( pt | y t .. pst . . que utilizam a renda disponível de forma a obter a mesma satisfação por unidade monetária gasta para todos os produtos consumidos. isto é. Assume-se. Et . pct = preço dos produtos complementares. O ponto de partida na análise da demanda é assumir-se que o consumidor tem necessidades ilimitadas. também. tem-se que o consumidor procura maximizar sua função de utilidade (a satisfação que obtém do consumo de diferentes produtos X1. obtém-se a chamada função de demanda individual.

1. De forma resumida. causam deslocamento na curva da demanda. pode-se dizer que nesta nova situação de . indicando. P Q = a . entre outras coisas. Assim. preços de outros produtos. deslocando a curva da demanda para a direita e elevando o consumo. a quantidade consumida deverá aumentar de Q1 para Q2.bP P1 P2 D Q1 Q2 Q Figura 1. composição familiar e demais ítens relevantes).Curva de demanda do consumidor individual A curva de demanda é geralmente negativamente inclinada. como mostrado na Figura 1.16 Et = expectativas.1 . que a preços menores maior quantidade do mesmo produto será consumida. se o preço cair de P1 para P2. gostos e preferências.2. Ot = outros fatores (gostos. O importante saber que variação em fatores como renda das pessoas. mostra-se o efeito do aumento da renda na demanda. preferências. Na Figura 1. etc.

Seu objetivo é teórico. Algumas vezes estamos interessados em saber como variará o consumo de um produto quando seu preço variar. para que se possa analisar os fundamentos da demanda de mercado.2 . Normalmente.17 demanda. trabalha-se com a demanda de todos os indivíduos num mercado ou demanda do mercado. A teoria nos diz que.Mudanças na demanda Conhecer a demanda do consumidor individual é de pouco ou nenhum interesse prático. A demanda de mercado é o somatório das curvas de demanda dos consumidores que atuam naquele mercado específico. É a chamada “Lei da Demanda”. se o preço diminuir. utilizando-se técnicas estatísticas e econométricas. a quantidade demandada aumenta (e vice versa). define-se a chamada elasticidade-preço da demanda EQ. a qual indica em quanto variará o consumo de um produto quando seu preço variar em . como regra geral. na prática. as pessoas estarão dispostas a pagar mais caro como por exemplo mostrado na movimentação de P1 para P2 para consumir a mesma quantidade Q1 daquele bem ou serviço. é necessário realizar estudos empíricos. Com base na Lei de Demanda.P. P P0 P2 P1 D1 D0 Q0 Q Q1 Figura 1. Para o conhecimento prático dessa demanda de mercado.

convenciona-se expressar os coeficientes em valores absolutos.P< -1). Por que o conhecimento da elasticidade-preço da demanda é importante para a comercialização? Porque safras abundantes. Normalmente.1 . inelástica (-1 < EQ. ignorando-se o sinal negativo. Dessa forma. No caso de demanda elástica. volta-se a salientar que suas demandas geralmente são inelásticas em relação ao preço. a receita total diminuirá. A Tabela 1 apresenta um resumo do comportamento da receita diante de variações nos preços em diferentes condições de elasticidade-preço da demanda. Isso se deve principalmente à essencialidade desses produtos e à maior capacidade de saturação dos alimentos para o consumidor. (EQ. o coeficiente de elasticidade da demanda tem sempre um sinal negativo. A elasticidade-preço da demanda pode ser elástica (EQ. Tabela 1. a demanda é preço-elástica. como sabemos que devido a Lei da Demanda a quantidade e o preço se movem em direções opostas. Observe que.Variações esperadas na receita total para diferentes elasticidades-preço da demanda. quando Eq. uma queda do preço dos produtos agrícolas deve provocar mais uma realocação na cesta de consumo dos . Assim.p = 1. diminuindose o preço de um produto agrícola. o aumento no consumo é menos do que proporcional à queda no preço.P < -1). com elevação da oferta. Para evitar inconveniências de se trabalhar com valores negativos. quando Eqp = 1 mostra elasticidade preço unitária. Como conseqüência. Isto porque a receita total da venda de um produto é dada por RT = pq.P= -1). fazendo com que a renda do setor agropecuário caia de uma forma geral. a quantidade consumida aumentará. Elasticidade Preço-elástica Preço-inelástica Preço-unitária Efeito na Receita Total das empresas quando o preço de mercado Sobe Cai RT cai RT sobe RT inalterada RT sobe RT cai RT inalterada No caso dos produtos agrícolas. e quando Eqp = 1.P < 0) ou unitária (EQ. a demanda é inelástica. causam uma queda no preço proporcionalmente maior do que o correspondente aumento proporcional na quantidade consumida.18 1%.

anos excepcionalmente ruins em termos de produção podem se mostrar extremamente vantajosos em termos de receita do produtor individual.13 -0. eletricidade e refeições em restaurante) tendem a ser elásticas. observamos que. uma primeira conclusão que se possa tirar disto é que.21 -0. podemos verificar que apenas carne de porco e ovos apresentam demanda elástica no Brasil. Na segunda coluna da mesma Tabela.77 -0.14 -1.2 .46 -0.31 -0. enquanto que a demanda de outros produtos e serviços (como mobília. Talvez.03 -0. Na Tabela 1.10 -0. espera-se que a renda agregada dos produtores caia.50 -0. a demanda de produtos agrícolas tende a ser inelástica.94 -2. também nos EUA.Estimativas de elasticidades-preço da demanda nos Estados Unidos e no Brasil Produtos Produtos agrícolas Milho Algodão Trigo Batata Arroz Feijão Banana Açúcar Carne de boi Carne de porco Manteiga Leite Ovos Outros Lã para vestuário -1. enquanto os demais alimentos listados apresentam um coeficiente de elasticidade menor que um.19 indivíduos do que um aumento proporcional no consumo do alimento cujo preço caiu.31 Brasil Elasticidade-preço EUA -0.69 . Por outro lado.2.32 -0. em anos excepcionalmente bons em termos de produção.41 -0. Tabela 1.16 -0.20 -0.70 -0.51 -0.

que mede como o consumo vai se alterar quando a renda variar em 1%. y > 1. de uma maneira geral.Estimativas de elasticidades-renda da demanda de alguns produtos na cidade de São Paulo e nos Estados Unidos. diz-se que o produto é de "luxo". feijão e banana seriam bens inferiores.3 apresenta valores de elasticidades-renda da demanda para produtos agrícolas em São Paulo e para outros bens e serviços nos EUA.54 EUA Q. Se E que o produto é uma necessidade. entre os produtos agrícolas.20 Fontes: Extraído e adaptado de Marques & Aguiar (1993). Tabela 1. em função de seus baixos preços.3 .45 0. y > 0. Verifica-se nessa Tabela que. y < 0. Também é de interesse na comercialização saber o comportamento do consumo diante de variações na renda do consumidor. O principal fator determinante desse comportamento da demanda de produtos agrícolas é a saturação a nível baixo de consumo desses produtos.27 -1.99 0. diz-se então.y. provavelmente porque esses produtos estariam sendo consumidos em quantidade além do desejável. Pode-se observar ainda que arroz. Caso EQ. diz-se . apenas frango teria demanda elástica em relação à renda. Produtos Café Açúcar Carne bovina Cebola Elasticidade-Renda Brasil 0. define-se a chamada elasticidade-renda EQ.20 Mobília Refeições em restaurantes Eletricidade -3. e caso 0 Eqp 1. que o produto é inferior.04 -2. Para isto. Se EQ.04 0. com tudo o mais constante.. bens normais. Os produtos agrícolas são. A Tabela 1. diz-se que o produto em análise é normal. enquanto que os bens e serviços não agrícolas tendem a ter demandas elásticas.

22 1. Produtos Alimentação Cereais e derivados Tubérculos e raízes Açúcares Leguminosas e oleaginosas Frutas Carnes e pescados Ovos.56 0. Dessa forma.36 1.Elasticidade-renda da demanda.89 0.31 0.80 5-10 SM 0. ovos.62 1. carnes.58 0.77 0. leite e queijos Óleos e gorduras Elasticidade-renda da demanda 0-5 SM 0. tendem a ter um impacto maior sobre a demanda de produtos agrícolas do que o simples crescimento (uniforme) da renda nacional.89 0.28 0. Tabela 1.78 0.25 0.14 0.20 0. alterações na estrutura de renda que favoreçam a população mais pobre.18 0.82 0.4 mostra.11 > 10 SM 0.21 Frango Laranja Leite Mandioca Carne suína Bens de consumo duráveis Vestuário Consumo em restaurantes 1.15 0. enquanto que todos os alimentos teriam demanda inelástica para consumidores com renda mensal familiar superior a 10 salários mínimos. por produto e extrato de renda no Estado de São Paulo. leite e queijos) teriam demanda elástica em relação à renda para a população com renda familiar de até cinco salários mínimos mensais.48 Fonte: Extraído e adaptado de Marques & Aguiar (1993).43 0.09 0.27 0.46 0.4 . A Tabela 1.05 0.01 1. que alguns tipos de alimentos (frutas.90 2.00 0.19 0.44 0.08 0. é fácil verificar que. pescado. É interessante também analisar o efeito da distribuição da renda sobre a demanda dos produtos agrícolas.22 0.45 0.05 . com dados agregados.79 2.

De modo geral. a elasticidadepreço cruzada da demanda EQj. a quantidade consumida do produto j aumentará.22 SM = salários mínimos mensais (renda familiar). também conhecida por oferta primária.Pi > 0. Como exemplo. Visto que esses dois produtos são. que para muitos consumidores serve como um substituto para a carne de boi. é o relacionamento entre carnes bovina e suína. se. a quantidade consumida tende a diminuir. Quando EQi. O componente básico da oferta de mercado é a oferta ao nível do produtor. .Pj < 0. se aumentarmos o preço do produto i. dizemos que os bens i e j são complementares.. xn). o consumo de um produto pode ainda variar quando o preço de outro se alterar. diminuindo também o consumo do produto i. quando o preço do pão sobe. por exemplo. pode-se pensar no consumo de pão e manteiga.6 . Um exemplo clássico. verificarmos o processo de determinação de preço. x2. isto é. . a transformação de insumos pode ser representada por uma função de produção q representada genericamente por q = f(x1 . consumidos juntos (complementares). a quantidade consumida desse tende a diminuir. Quando EQj. Nesta. diz-se que os produtos i e j são substitutos. no Brasil.Oferta de produtos agropecuários Já vimos os fundamentos básicos da demanda do consumidor por produtos agrícolas. isto é.Pi. Fonte: Extraído e adaptado de Marques & Aguiar (1993) Além dos efeitos do preço do bem e da renda dos consumidores. o preço do produto j aumentar. Define-se. Parte do consumo então se desloca para a carne de porco. A atividade de produção se caracteriza pelo processo de utilizar tecnologia para criar utilidade pela transformação de insumos. Quando o preço da carne de boi sobe. em geral. que mede em quanto o consumo de um bem i varia quando o preço de outro bem j variar em 1%. q representa as diferentes quantidades de produtos .. em seguida. o consumo dele diminui. Precisamos agora conhecer os componentes básicos da oferta para determinarmos a curva de demanda por insumos e. o mesmo ocorrendo com o consumo de manteiga. assim. 1.

isto é. que é igual à soma das ofertas individuais a cada nível de preços. Pode-se dizer. . Uma forma de se medir a resposta das empresas às mudanças nos preços é através da estimação da elasticidade-preço da oferta. O inverso também é válido.Função de oferta da firma individual A função de oferta da firma individual é sempre positiva conforme mostrada na figura 1. P S P1 Q = a +bP P0 Q0 Q1 Q Figura 1.3 . A partir das curvas de ofertas individuais define-se a oferta agregada ou de mercado. Esta mostra como a quantidade ofertada variará quando o preço variar em 1%. A função de oferta é uma representação matemática que mostra o mínimo preço que um produtor está disposto a colocar no mercado certa quantidade de mercadoria.3.23 tecnicamente possíveis de se obter. os produtores produzem menos. os produtores vão colocar mais produtos no mercado (Q1 por exemplo). também. indicando que a preços mais altos (P1 por exemplo). que ela representa quanto será colocado no mercado a cada nível de preços. enquanto xn representa a quantidade de um insumo qualquer n. quando os preços de mercado caem.

24 P S1 S2 P0 P1 D Q0 Figura 1.4 . novas tecnologias.4. o que os consumidores querem comprar) e os produtores (o que ou quanto estão dispostos a produzir a cada nível de preço) conforme mostrado na Figura 5. derrubando os preços (de P0 para P1). podem fazer com que a curva de oferta se desloque para a direita (de S1 para S2) conforme mostrado na Figura 1.Preço de mercado Acontecimentos como entrada de novas empresas no mercado. Finalmente. etc. Q1 Q . pode-se dizer que os preços de mercado são determinados pela interação entre as forças de demanda (mercado.

exportações.5 . o preço de equilíbrio.Preço de mercado. etc. . novos usos do produto. deslocando a curva de oferta para a direita e causando a diminuição dos preços. A queda destas barreiras (diminuição ou eliminação de tarifas. o preço se elevará para P1. que satisfará produtores e consumidores. ela se deslocará para a direita e dada a mesma capacidade de produção. Entretanto. ou seja. eliminação de legislação que dificultem ou impeçam a concorrência). etc). legislação de proteção a mercados. pois preferem e têm condições de manter elevados os seus ganhos. dada uma certa situação de demanda por um produto (representada pela curva de demanda D1) e uma certa situação de oferta do produto (representada pela curva de oferta S). leva a entrada de novos ofertantes no mercado. tudo que dificulte a adequação ou entrada de novos produtores no mercado. divulgação das oportunidades existentes.25 P S P1 P0 D2 D1 Q0 Q1 Q Figura 1. se um fator novo (distribuição de renda. aumentar a demanda. qualidade mínima de produto. será P0. A persistência destes fatores leva a que os preços se elevem porque os produtores existentes podem não ter interesse em aumentar a produção. Assim. É importante brevemente rever os elementos chamados “concorrenciais” como barreiras comerciais.

7 . O sistema de decisões de mercado é o encontrado nas chamadas "economias abertas" ou "capitalistas". A curva de oferta mostra o preço mínimo que o produtor aceita receber para oferecer aquela quantidade de produto. guiados por seus sinais. Na tentativa de otimização da função objetivo. determinam o preço de equilíbrio de mercado. O preço que se forma no mercado. para cada quantidade. Basicamente. em forma de melhores preços. desejo esse que irá se refletir na otimização do uso dos recursos da sociedade como um todo. Produtos que contam com o "apoio" do consumidor. por isso vale a pena se deter no exame das questões mais importantes desse processo. o sistema de livre mercado tem proporcionado uma maior disponibilidade de bens materiais em resposta aos anseios de consumo da população. as curvas de demanda e de oferta. o preço máximo que o consumidor está disposto a pagar. portanto. Embora sujeito a críticas. no que diz respeito à distribuição da produção entre os consumidores. . Alcançar este ponto de equilíbrio não é algo tão simples. A peça fundamental neste sistema de mercado é o desejo de cada firma de buscar independentemente a otimização de algum tipo de função objetivo. A curva de demanda mostra. ao se cruzarem. a firma vê-se na contingência de ter que se desenvolver tecnicamente. Outros são abandonados por não mais contarem com o "apoio" do consumidor. significa o nível de equilíbrio onde o máximo que os consumidores estão dispostos a pagar coincide com o mínimo que os produtores concordam em receber pela produção daquela quantidade de produto.26 1. Outros são desenvolvidos em resposta a necessidades de consumo. são aperfeiçoados. o que se reflete em maiores e melhores opções para o consumidor. ele requer que cada consumidor e cada firma tomem suas decisões baseadas nos seus próprios interesses.O modelo teórico de preço de mercado No modelo de concorrência.

também é interessante definir-se o sentido de causalidade. A diferença de preços entre estes mercados é tecnicamente denominada Margem de Comercialização. diz-se que a demanda pelo produto agropecuário é uma demanda derivada.6 . Na Figura 1. e a elasticidade de transmissão de preços. atacado e produtor.6 procurou-se representar estes conceitos. Preço Pv Oferta varejo Demanda varejo Oferta atacado Pa Demanda atacado Oferta produtor Pp Demanda produtor Quantidade consumida Figura 1. Neste sentido. Tecnicamente.Causalidade e formação de preços É importante que se tenha em mente que o produto agropecuário é matéria-prima no processo de transformação até que chegue ao consumidor final. que depende da demanda pelo produto ao nível de varejo.Relações de preços numa cadeia de produção Q/t . Pode-se visualisar a interligação que existe entre os mercados de varejo. que é a direção para onde caminham os movimentos de preços de origem. a qual compreende Lucros e Custos Operacionais. que é a forma como os movimentos de preços se transmitem de um nível de mercado para outro.8 . assumindo-se a causalidade varejo-consumidor.27 1.

nesta forma de transação. dependendo do poder de mercado das partes envolvidas.9 .28 O importante é visualisar que aumentos de preço ao nível de produtor refletirão ao nível de varejo e vice-versa. à medida que um dos participantes possui mais informação sobre condições atuais e futuras de mercado. Basicamente. o vendedor tenta conseguir o preço mais alto e o comprador. Várias são as formas para se chegar a este equilíbrio. 2. ele está numa situação melhor para negociar. Elevação nos custos de comercialização podem ser transmitidos para o varejo. Mercados organizados. Entretanto. Preços e volume de mercadoria transacionada são de conhecimento de todos.Negociação de preços O modelo teórico de determinação de preços apresentado anteriormente mostra o equilíbrio dos preços de mercado sem. é um dos requisitos do modelo de competição perfeita. aumentam a demanda no varejo. de forma que simples referências a padrões de classificação dispensam a visita aos locais de armazenamento. na forma de menores preços pela matéria-prima. Pelas suas próprias condições de isolamento dos centros comerciais. O processo de negociação individual é demasiadamente oneroso em termos de tempo. a comercialização é feita seguindo-se regras especificadas e conhecidas de todos. na forma de preços mais elevados. Os padrões são bem conhecidos. por exemplo. causando elevação na procura por produtos agrícolas que são componentes fundamentais na fabricação de alimentos. 1. destacando-se: 1. entretanto. Negociação individual entre comprador e vendedor. um crescimento da renda nacional ou uma melhoria em sua distribuição. Certas mudanças nas condições de demanda como. e conseqüente deficiência de informações. Na sua forma mais completa. o agricultor normalmente entra neste tipo de negociação numa situação desvantajosa. Lá. As bolsas de mercadorias são exemplos típicos desta evolução. A tendência natural dos mercados é evoluir para uma situação onde haja normas e regras regulando a comercialização. entrar em detalhes sobre como ele se forma. para o produtor. . envolvendo igualdade de informações entre compradores e vendedores. o preço mais baixo. ou afetando ambos níveis.

Adquirindo algum poder de mercado. uma "commodity". assim. aumentando. quantidade demandada e preço. Nestas condições. Por outro . total liberdade para entrada e saída no mercado. individualmente. Sabemos que esta condição é impossível de ocorrer na vida prática. restando-nos contentar com situações “de concorrência” onde os quatro maiores compradores ou vendedores detêm menos que 75% do mercado (C4 < 75%) e o poder esteja igualmente distribuído. influenciar preços de compra ou de venda. se cobrarem um centavo a mais. Evidentemente que estas pré-condições são difíceis. Nestas condições. de ocorrerem simultaneamente. isto é. é diferenciar seu produto pelo menos aos olhos dos consumidores. É claro que todo empresário gostaria de possuir poder absoluto sobre o mercado representado como uma curva de demanda completamente preço-inelástica. o empresário tenta deslocar a curva de demanda defrontada pela sua empresa para a direita. ou mesmo impossíveis. o modelo de competição perfeita é utilizado na análise de preços de produtos agropecuários em vista da riqueza de conclusões que permite. uma vez que não há razão para cobrarem menos porque podem vender o que quiserem ao preço corrente. O que elas tentam fazer. para adquirir algum poder de mercado e tornar sua curva de demanda menos preço-elástica. De outro lado. O mercado “ideal” é aquele onde nem compradores e nem vendedores têm condições de. bem como pela simplicidade e qualidade dos resultados de análise que possibilita. Mesmo assim. perfeita fluidez de informações. tentam atrair consumidores de outros mercados ou de outras empresas concorrentes. uma vez diferenciado o produto. elas. Esta é uma situação muito incômoda e indesejável para qualquer empresa. em seguida. Esta definição assume um grande número de vendedores e compradores negociando produtos não diferenciados.29 No modelo que denominamos de competição perfeita. perderão todos os clientes porque estes preferirão comprar aos preços mais baixos no mercado. a empresa vendedora é uma "tomadora" de preços e o produto. O modelo de competição perfeita assume basicamente que existe elevado número de integrantes no mercado. todas as empresas são pequenas em relação ao total do mercado e os produtos são homogêneos. então. um produto não diferenciado aos olhos dos consumidores. Ainda comparando com o modelo de concorrência perfeita. perfeita mobilidade dos fatores de produção e homogeneidade do produto. as empresas têm que aceitar o preço de mercado.

Suponhamos que os agentes (compradores e vendedores) estejam trabalhando com uma expectativa de preço de P2. . conforme mencionado.Q1 na Figura 7. por hipótese. isto é. É a chamada “commoditização dos produtos agrícolas”. é muito útil na prática para o estudo empírico do comportamento dos preços. os vendedores seriam obrigados a reduzir o preço até que. não conseguiria. portanto. igual ao dos demais e não haveria razão para algum consumidor pagar mais pelo seu produto.Q3). Haveria então. respectivamente. Esse modelo assume que o preço de equilíbrio se estabelece através de alguma espécie de leilão. condição muito comum e desvantajosa.10 .Preços observados Os preços dos produtos agropecuários estão sujeitos a grandes oscilações e são de difícil previsão. pois. 1. desvantajosos para os demais setores do mercado onde atuam. Àquele preço. A condição de homogeneidade do produto e a pequena participação na produção total faz com que o produtor individual seja um tomador de preços. os consumidores só estariam dispostos a adquirir Q2 e os vendedores estariam dispostos a vender Q3. muitas dificuldades nas tomadas de decisão. gerando. formação de um excesso de oferta (Q2 . Tanto o produtor rural como o empresário que adquire matéria prima agrícola freqüentemente defronta-se com a necessidade de antecipar o comportamento futuro de preços para o problema de tentar prever oscilações de preços de produtos agropecuários. caso o produtor tentasse vender mais caro. Para se verem livres deste excedente. o que houvesse para ser vendido fosse exatamente igual ao que os consumidores queriam adquirir.30 lado. pois seu produto é. situações onde o mercado esteja concentrado nas mãos de poucos vendedores ou de poucos compradores favorecem a união dos mesmos para a imposição de preços de venda ou de compra. O modelo de competição. ele aceita o preço que o mercado determina. Este é o ponto P1. eventualmente.

Preço de equilíbrio de mercado Vamos examinar agora as conseqüências das hipóteses da concorrência perfeita para o consumidor e para o produtor. Preços reais ou deflacionados são aqueles de onde se descontou a inflação (deflacionamento). Examinando-se séries históricas de preços observam-se pontos de equilíbrio de mercado. por hipótese. pois seu produto é por hipótese igual ao dos demais e não haveria razão para algum consumidor pagar mais pelo seu produto. é necessário deflacionar os preços. ele aceita o preço que o mercado determina. não conseguiria.31 Demanda Oferta P2 P1 Q2 Q1 Q3 Figura 1. Vender mais barato também não interessa. O deflacionamento pode ser feito com o uso de um índice de . expressos em valores de um período escolhido e podem ser comparados no tempo. pois. as condições de homogeneidade do produto e pequena participação na produção total fazem com que o produtor individual seja um tomador de preços. isto é. Se tentasse vender mais caro. ele. Para poder fazer comparações entre esses pontos de equilíbrio. Primeiramente. pode colocar tudo no mercado ao preço corrente sem afetar o equilíbrio.7 . Estes são preços nominais ou preços correntes no mercado e não podem ser comparados devido à inflação.

mas sim. para os anos de 1990 a 2006.10. A tendência pode ser observada dispondo-se de uma série histórica de preços reais. A Tabela 1. denominados tendência. queda ou estabilização dos preços. seria de se esperar que os preços mantivessem a tendência indicada pela série histórica.5 apresenta os preços deflacionados da saca de soja recebidos pelos produtores no Estado do Paraná.1 .32 preços como. 1. O comportamento dos preços dos produtos agropecuários exibe alguns movimentos característicos interessantes. o Índice Geral de Preços da Fundação Getúlio Vargas (IGP). tal como o dólar americano. Não havendo grandes mudanças nos fatores que agem sobre um determinado mercado. dificilmente se observa o processo de formação de preços. ciclo e sazonalidade. . ciclo e sazonalidade Na vida real. que permita observar a existência de uma trajetória de alta. mudanças de hábitos e diferentes taxas de crescimento entre oferta e demanda. por exemplo. Alterações na tendência estariam basicamente ligadas a fatores tais como inovações tecnológicas. os preços finais. As análises de preços de mercado que desenvolveremos a seguir serão feitas com preços reais ou deflacionados. Outra alternativa seria apresentar os valores numa moeda “forte”.Tendência.

28 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 DP Media Máximos Mínimos A análise gráfica obtida a partir desses dados mostra uma tendência histórica de subida dos preços reais ao nível de produtor rural.49 11.32 23.49 31.39 26.07 25.07 41.60 45.98 30.21 43.33 27.31 22.92 24.16 28.16 30.06 44.07 31.07 49.65 26.85 15.12 29.17 27.37 28.40 38.69 44.41 31.57 22.57 27.08 39.55 30.52 24.22 31.99 29.26 25.20 31.56 26.63 48.69 53.46 26.70 33.73 21.48 46.27 21.01 28.79 30.36 25.68 8.33 Tabela 1.81 26.02 27.37 18.38 26.09 13.94 23.93 24.07 20.58 28.21 44.75 27.52 22.09 29.58 7.67 25.35 7.24 11.25 26.74 45.54 Nov 23.99 25.46 54.54 22.23 26.76 22.35 29.77 20.32 40.53 23.76 25.28 20.66 6.46 25.37 38.49 29.07 26.19 25.78 55.12 28.55 30.90 33.93 30.35 26.32 26.11 31.17 14.05 25.86 25.11 29.43 30.89 28.61 30.03 25.87 27.63 27.62 22.45 28.66 27.00 26.99 28.68 41.18 25.58 6.79 26.37 21.67 45.65 37.13 25.69 47.08 27.35 25.83 51.59 20.97 35. 2006 = 1).81 39.59 23.93 24.30 28.77 23.34 29.85 27.02 • Deflacionado pelo IPCA (preços jul.66 15.31 9.17 16.95 22.74 22.03 30.55 49.32 27.94 42.13 37.79 30.92 22.85 27.40 24.65 32.99 28.78 18.99 27.37 55.69 25.23 Dez 26.88 31.72 49.31 34.64 12.64 30.20 24.76 23.14 7.27 26.57 31.93 51.75 33.74 8.42 29.63 22.69 49.41 29.30 29.76 25.85 24.94 26.77 14. conforme o gráfico apresentado na Figura 8.14 54.26 29.25 39.75 25.71 50.Preços médios recebidos pelo produtor de soja no Estado do Paraná em R$/ 60 kg Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set 28.83 21.04 30.66 25.99 24.43 21.94 40.50 27.76 15.75 9.82 25.35 23.83 31.52 31.99 29.05 31.63 41.89 30.55 21.92 27.45 27.66 50.59 23.83 13.48 25.58 27.46 24.84 48.86 37.98 30.06 30.66 7.43 30.75 46.87 28. Fonte: IPEADATA Out 22.83 30.29 26.05 27.72 31.83 31.30 6.97 31.31 28.23 29.17 30.28 32.21 24.75 36.33 25.29 15.5 .97 31.77 24.48 21.04 28.92 27.92 21.01 23.28 28.05 29.10 49. .92 26.72 23.93 29.00 29.95 23.45 26.21 25.38 8.69 38.22 31.11 35.

9. Conhecê-los pode permitir. Enquanto a tendência é um movimento de longo prazo. Isto é muito típico da agricultura onde a entrada e a saída no mercado é muito fácil e os 19 .34 Preço médio recebido pelo agricultor .8 . geralmente associadas ao comportamento do produtor diante do mercado e às variações de oferta de seu produto conforme mostrados na Figura 1.Soja no estado do Paraná 60 50 40 R$/60 kg 30 20 10 0 19 01 90 19 07 91 19 01 91 19 07 92 19 01 92 19 07 93 19 01 93 19 07 94 19 01 94 19 07 95 19 01 95 19 07 96 19 01 96 19 07 97 19 01 97 19 07 98 19 01 98 19 07 99 19 01 99 20 07 00 20 01 00 20 07 01 20 01 01 20 07 02 20 01 02 20 07 03 20 01 03 20 07 04 20 01 04 20 07 05 20 01 05 20 07 06 20 01 06 07 90 Fonte: Dados da Tabela 5 Figura 1. sair de uma posição que vai começar a se enfraquecer. os ciclos são indicadores de curto prazo. investir num produto cujos preços vão começar a reagir brevemente ou. mais produtores entram no mercado produzindo-se mais. por exemplo.Tendência do comportamento do preço médio mensal da soja no Paraná em R$/sc Os ciclos referem-se a flutuações que ocorrem em períodos maiores que um ano. com oferta mais alta. assim. começa a sobrar produto e os preços caem em seguida (figura 9). por exemplo. por outro lado. A idéia de ciclo de preços está associada a um fenômeno bem interessante e típico da agricultura/pecuária. quando os preços estão altos.

torna-se preferível armazenar o produto e só comercializá-lo na entressafra. caracterizada por um movimento de preços ao .35 produtores respondem rapidamente porque em geral não existem nem barreiras e nem sunkcosts muito elevados. estações do ano. longo do ano devido à safra e entressafra.Soja no estado do Paraná 60 50 40 R$/60 kg 30 20 10 0 Fonte: Dados da Tabela 5 Figura 1. tem-se a sazonalidade. 2006-2006 em R$/ saca.9 . Como conseqüência da sazonalidade. razão pela qual. em muitos casos. Preço médio recebido pelo agricultor . o produtor receberá preços menores durante a safra e mais atraentes ao longo da entressafra.Ciclos do preço da soja ao produtor. 19 01 90 19 07 91 19 01 91 19 07 92 19 01 92 19 07 93 19 01 93 19 07 94 19 01 94 19 07 95 19 01 95 19 07 96 19 01 96 19 07 97 19 01 97 19 07 98 19 01 98 19 07 99 19 01 99 20 07 00 20 01 00 20 07 01 20 01 01 20 07 02 20 01 02 20 07 03 20 01 03 20 07 04 20 01 04 20 07 05 20 01 05 20 07 06 20 01 06 07 19 90 Finalmente. hábitos dos consumidores e outros fatores.

traz o menor risco médio do período.68/sc) também apresenta o menor valor (US$ 6. 60. Se.00 20.87/sc).00 50.06/sc.10.00 10. por uma lado isto representa risco para o produtor.00 40.00 0. a sazonalidade média.2DP Jul Ago Set Out Nov Dez . O mês de Outubro. com US$ 3. A sazonalidade e a volatilidade associada a ela fazem com que o preço varie ao longo do ano conforme já visto. apesar de apresentar um dos maiores preços médios (US$ 16. apesar de não apresentar o maior preço médio (US$ 14.82/sc) com a mais alta volatilidade medida pelo desvio padrão (US$ 4. O menor preço médio histórico aconteceu em Outubro enquanto o maior aconteceu em Maio.93/sc). por outro pode permitir ganhos e representar atratividade para o especulador. A Figura 10 mostra a sazonalidade dos preços recebidos pelos produtores de soja no estado de São Paulo no período que compreende os anos de 1990 a 2006.36 Graficamente.00 Preço R$/sc 30. mínima e máxima dos preços da soja recebidos pelos produtores do Estado do Paraná no período de 2000-2006 poderia ser representada como na Figura 1. O mês de Agosto.00 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Meses Média Média +2DP Média .

o que pode não ser – e geralmente não é necessariamente verdadeiro. por exemplo. 2. a Análise Fundamentalista e a Análise Gráfica. tendem a ser mais onerosos que os contratos futuros. O ponto fundamental é que deverá haver a entrega (e o recebimento) do produto ao preço combinado. os contratos são muito particulares e seus termos podem não satisfazer terceiros em caso de transferência de titularidade. O contrato a termo resolve o problema básico de achar um comprador para um vendedor e vice-versa. A previsão de preços é um trabalho que pode se sofisticar e exigir muito treinamento. 1. Por exemplo. mas não resolve o problema de variações imprevisíveis nos preços causadas por quebra de safras.Sazonalidade do preço da soja recebido pelo produtor. Além disso.10 . Finalmente. Mercado a termo: uma forma comum é o produtor acertar um preço e efetuar a venda antes mesmo de dispor do produto. apresentam mais riscos e por esta razão. mostrados a seguir: 1. 1990-2006. Este tipo de contrato é normalmente referido como a termo e pode ou não envolver adiantamento de recursos por conta da venda antecipada da produção. Para isto. deve-se assumir que as condições existentes se mantenham constantes. o mercado de boi em Araçatuba é um mercado físico.37 Fonte: Dados da Tabela 1. onde o produtor entrega seu produto e recebe pagamento por isto (à vista ou a prazo). deve-se alertar para o risco existente na tentativa de prever preços futuros baseando-se nos acontecimentos passados.11 . Mercado físico ou disponível: onde são negociados produtos em troca de recebimento de dinheiro.5 Figura 1. . que serão apresentadas no capítulo 6 deste texto.Tipos de mercados Os mercados podem ser classificados em quatro tipos básicos. em R$/sc 60 kg. Evidentemente que o especulador necessitará de um ferramental mais sofisticado como. armazenagem inadequada ou fatores econômicos adversos. mas algumas ferramentas simples e um pouco de bom senso podem propiciar resultados satisfatórios para o produtor.

38 3. Nestes mercados. cana. onde o produtor utiliza sua capacidade empresarial para transformar os fatores de produção em café. último elo da cadeia. depois da incorporação da Bolsa de Mercadorias de São Paulo em maio de 1991. Desde sua origem nos século XIX. adubos. de escolha de um determinado curso de ação no mercado (comprar um produto a um preço pré-determinado. Mercado de opções: onde se negociam contratos de opções. torrefadora. moageira e se transforma em algo capaz de proporcionar satisfação ao consumidor. Finalmente. onde é adquirido e consumido pelo consumidor final. possuem algumas condições semelhantes. soja. a negociação com futuros tem sofrido alterações no que diz respeito aos objetivos dos agentes envolvidos. por isto. legalmente exigível. de qualidade pré-estabelecida. fast-food. até o entrando na porteira. etc. 4. mas não a obrigação. os mercados futuros se iniciaram em dezembro de 1977. Mercado Futuro: os contratos futuros evoluíram a partir dos contratos a termo e. pelo preço ajustado no pregão. restaurante. que passou a se chamar Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). o produto é comprado por um frigorífico. Depois de produzido..6. Estas etapas são apresentadas na Tabela 1. Um contrato futuro é uma obrigação. máquinas.Agronegócio e Cadeia de Produção Agronegócio é o conjunto de atividades que vai desde o antes da porteira.12 . 1. milho. No Brasil. . este produto é entregue num supermercado. sementes. de entregar ou receber uma determinada quantidade de uma mercadoria. se paga um certo valor para se ter o direito. etc. por exemplo). com a decisão da Bolsa de Mercadorias de São Paulo (BMSP) de iniciarem operações com futuros agropecuários. Os mercados futuros tal como existem hoje tiveram início em 1848 com a criação da Chicago Board of Trade (CBOT). O mercado futuro brasileiro deu outro importante passo em julho de 1985 com a criação da Bolsa Mercantil & de Futuros (BM&F). envolvendo setor de insumos.

O preço pode cair e causar problemas para o produtor ou para a trading que realizou a . Produtores precisam comprar máquinas. etc. etc. O consumidor final. ou originam-se a partir de setores específicos (produção. Produção Agricultura. outros com subida de preços. 4. Podem-se perceber facilmente os riscos envolvidos numa operação dentro de uma cadeia. típica de economias menos desenvolvidas onde apenas o excedente era comercializado sem nenhuma preocupação com qualidade. por exemplo).Agronegócio e cadeia de produção. usinas. restaurantes e super-mercados têm que programar suas compras. até detalhes como os impostos por consumidores islâmicos (animal deve morrer com a cabeça virada para Meca. O conceito do agronegócio nos permite algumas visões interessantes: 1. etc. passando por qualidade dos componentes da ração (ausência de transgênicos. 2005). não poderá haver mulher na sala de abate. exigindo cada vez mais qualidade (food quality) do que quantidade (food safety). há necessidade da existência de contratos que disciplinem e coordenem as ações dentro das cadeias e indiquem o que. processamento). cliente do varejo. etc. hotéis. pecuária. sementes. quanto e como produzir (Zylbersztajn. É importante lembrarmos que o agronegócio é um dos setores que mais cresce na economia brasileira. Assim sendo. etc. adubos. na época errada. A agropecuária deixou de ser vista como algo isolado. pode-se observar que os vários membros do agronegócio têm necessidade de planejar com antecedência suas ações. etc). Varejo Supermercados. Quanto estivermos falando de um produto.39 Tabela 1. 2. agroindústria. ou ser entregue em forma inapropriada. ou seja. Processamento Frigoríficos. 3. Insumos Máquinas. passa por uma transformação muito grande.6 . empresas fornecedoras precisam programar suas linhas de produção. fast-food. tamanho e cor do produto. As exigências vão desde níveis de antibióticos na ração. etc. O produto pode não ser entregue. existem agentes preocupados com queda de preços. A não exigência de alguma destas qualidades pode implicar na perda do cliente. Finalmente. mercado. nos referiremos à cadeia de alimentos. É bom ressaltar que os preços movem-se dentro das cadeias dos insumos para o varejo ou vice-versa.

Existem várias formas de administrar-se riscos de preços. a troca insumoproduto. nos concentraremos nos riscos de preços.com. Deixando-se de lado os riscos associados à parte técnica ou de produção (produto errado. mas ainda não adquiriu a matéria-prima (boi).40 compra antecipada para garantir matéria-prima.7 mostra o sistema integrado das bolsas Brasileiras (SIBB). na Bolsa Brasileira de Mercadorias. ou para a torrefadora que assinou contrato de exportação de café. A Tabela 1. perda de produção. a CPR. Mato Grosso do Sul.br ou o site do Banco do Brasil www. que acertou uma exportação e fixou o preço de venda. mas. Riscos são custos e custos podem significar a perda de clientes. a qual é o resultado da união das Bolsas de Mercadorias de Goiás.bb. Rio Grande do Sul e Uberlândia. impropriedade do produto às necessidades do cliente. ver http://www. 1 Os contratos a termo são negociados localmente (over the counter) ou em bolsas de físico existentes no país. ou o preço pode subir e causar problemas para o frigorífico. etc).com. Uma das características dos mercados a termo é que os contratos não são padronizados.br ou a ANEC no site http://www. não há divulgação dos valores e não há um órgão garantidor dos contratos. as quais acham-se agrupadas na Associação Nacional das Bolsas de Mercadorias e Cereais (ANBM). mais a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) 2.br/pages/PORTAL/index.htm 2 Para maiores detalhes.anec. dentre as quais pode-se citar os Mercados a termo (forward markets) onde os preços são fixados antecipadamente. ou seja.com. aqueles associados à queda ou subida de preços.bbmnet. Paraná. ainda não adquiriu matéria-prima. que consiste em 18 bolsas agrupadas no Sistema Integrado de Bolsas Brasileiras (SIBB).br/contratosanec. O leitor interessado em detalhes de contratos a termo pode consultar a Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) www. Minas Gerais. como exemplo. a soja verde.bbmnet.com. para a empresa que trocou máquinas por soja. etc.asp htt 1 . Tem-se. podendo haver ou não antecipação de recursos.

Agro.13.com.Sistema Integrado de Bolsas Brasileiras (SIBB) BCML BBO BBSB BCMCO BCMGU BCMM BCMMT BGARJ BHCP BIMU BMB BMCE BMCSC BML BMRE BMS BNM BCSP Fonte: http://www. e Pro. A realidade do crédito rural e o surgimento dos novos instrumentos de financiamento 3 Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina Bolsa Brasil Oeste Bolsa de Mercadorias de Brasília Bolsa de Cerais e Mercadorias do Centro-Oeste Bolsa de Cereais e Mercadorias de Gurupi Bolsa de Cereias e Mercadorias de Maringá Bolsa de Cereias e Mercadorias de Mato Grosso Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro Bolsa de H.sibb. 3 Extraído de Silva & Marques (2005) . Um sistema específico de crédito rural foi estabelecido no final de década de 60.41 Tabela 1. Cer.7 . O Sistema nacional de Crédito Rural (SNCR) incluiu os três maiores bancos – Banco do Brasil. do Estado de Pernambuco Bolsa Internacional de Mercadorias de Uruguaiana Bolsa de Mercadorias da Bahia Bolsa de Mercadorias do Ceará Bolsa de Mercadorias e Cerais de Santa Catarina Bolsa de Mercadorias e Futuros de Londrina Bolsa Mercantil do Recife Bolsa de Mercadorias da Metade Sul Bolsa Nacional de Mercadorias Bolsa de Cerais de São Paulo O crédito rural é um dos principais instrumentos de assistência à agricultura brasileira. quando o então governo criou sistemas diferenciados de crédito para vários setores da economia.asp 1.br/anbm.

os investimentos produtivos e a comercialização. a produtos específicos como o controle da comercialização do trigo. As mudanças que ocorrem a partir de então foram feitas balizadas por duas condicionantes: limitação dos gastos governamentais e maior exposição da agricultura brasileira ao comércio internacional (GASQUES ET ALI. p. envolve os instrumentos de apoio aos preços e garantias de renda. diante da necessidade de cortes de despesas. os preços mínimos definidos pelo governo. garantiam uma remuneração para a atividade. Como mostrado. no caso do crédito subsidiado e da PGPM. Os governos. representado principalmente pela Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Essa forma de intervenção tem se dado de diferentes maneiras. há algum tempo o financiamento da agricultura brasileira vem se apresentando como um dos grandes problemas da alocação de recursos da economia. inclusive como forma de compensar o esvaziamento da política de crédito rural subsidiado. Para Wedekin (2005) a política agrícola brasileira é sustentada por dois pilares: 1) crédito e 2) garantia de renda aos produtores. os preços mínimos definidos pelo governo estão abaixo do custo de produção de determinadas lavouras. havia um movimento. monitorados pelo Fundo Monetário Internacional. O primeiro engloba o custeio da lavoura. agravados pela falta de recursos oficiais para a manutenção da modalidade. o monitoramento dos preços agrícolas e o contingenciamento das exportações. Para . 2004. com maior ou menor intensidade. Já o segundo. No final da década de 80. que iria se radicalizar na década de 1990. Os sucessivos planos de estabilização da economia. além de cobrir os custos do produtor. Por outro lado. ela foi feita por meio da destinação de volumes substanciais de crédito subsidiado para agropecuária. Esse tipo de política estendia-se. Tal intervenção demandava. Nas décadas de 1960 e 1970. introduziram o componente do ajuste fiscal que foi fatal para esse tipo de política. a intervenção é mais visível na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). somas consideráveis de recursos. 90). A partir dos anos 1980. Atualmente. ainda. que foi o processo de abertura da economia brasileira.42 Banco do Nordeste e o Banco da Amazônia e outros bancos estaduais e privados. 2005. Este sistema concedeu substanciais preferências ao setor agrícola (OCDE. 16). que não puderam ser mantidas a partir das crises da dívida interna e da externa pelas quais passou a economia brasileira na década de 1980. p. têm interferindo na agricultura brasileira.

alocando mais eficientemente seus recursos e também procurando novas formas e fontes para financiar suas atividades. 4 Extraída do relatório da OCDE. 2) crédito de custeio – 17%. com a decadência do SNCR. Schouchana e Perobelli (2000) afirmam que a crescente saída do governo como agente financiador da agricultura brasileira é reflexo da dívida pública. Segundo Almeida e Bacha (1995).2). dos anos 80. Para os mesmos autores. por sua vez. 1996. como da interna. cada vez mais se distanciando das fontes públicas. de eles conseguirem operar com custos baixos e reduzirem o volume das dívidas não pagas pelos próprios produtores rurais. Enfim. o spread bancário é a taxa cobrada pelos bancos com o objetivo de cobrir os custos administrativos. ou seja. p. sendo que o custo de captação depende da fonte onde são obtidos os recursos e da política monetária do Banco Central. De acordo com OCDE (2005). páginas 93-94. o governo esta assumindo uma função de agente regulador e estimulador do que propriamente de financiador. a agropecuária demandou em 2003 um total de R$ 110 bilhões na forma de crédito para suas atividades. Araújo et ali (2001) destacam que no atual estágio de desenvolvimento da agricultura brasileira torna-se fundamental a utilização conjunta de recursos próprios (autofinanciamento) com recursos captados no mercado financeiro. o custo de crédito poderia ser reduzido através de uma diminuição nos custos de captação e/ou no spread bancário. de fontes privadas. . A prolongada crise que o Estado brasileiro vem sofrendo nos últimos anos associada à falta de uma política agrícola consistente e à transição política-econômica por qual atravessa o país. contraída ao longo da década de 70. determinam condições favoráveis para se tentar desenvolver um novo modelo onde o governo deixa de exercer o papel do principal financiador da agricultura (SOUSA. Os outros 72% foram fornecidos por financiadores nacionais e internacionais. e 3) crédito de investimento – 6%. os riscos associados aos empréstimos e ainda gerar um lucro bruto na operação. nãobancárias.43 Araújo e Almeida (1997). ou seja. outubro de 2005. os agentes do setor estão se envolvendo mais no financiamento do setor. Segundo estimativa extra-oficial do Ministério da Agricultura 4. tanto externa. os 28% concedidos pelo sistema oficial foram subdivididos em: 1) crédito de comercialização – 5%. R$ 31 bilhões. a redução do spread também depende da eficiência operacional dos bancos. sendo que o sistema oficial concedeu apenas 28% deste total.

O crédito informal ou semiformal pode ser definido como (ARAÚJO.44 É interessante notar que nos últimos anos a maior parte (70%) dos financiamentos rurais foi realizada pelo capital financeiro privado. associações de produtores. Vale ressaltar que nestes tipos de negociações as . 2000). compradores de produtos.) e de financiamento. 3. Poupança e crédito realizados por grupos ou associações informais de agricultores. agroindústrias. Para o autor. estão atuando através dos contratos de compra e venda de produtos agrícolas e de insumos. parentes e agiotas podem ser classificados como agentes do mercado informal de crédito. Escambo do tipo insumo/produto ou insumo/serviço (produzir). cooperativas. agroindustriais. exportadores. Já Schouchana (1999) complementa que na ausência do crédito formal e da participação pública como financiador ativo. enquanto os novos instrumentos estão sendo desenvolvidos. corretores de empréstimos. Vendedores de insumos. Os agentes do crédito informal surgem devido a um mercado financeiro nacional ineficiente. o emprego apropriado de instrumentos de seguro e do mercado financeiro pode gerar mecanismos capazes de reduzir significativamente os custos para produtores e demais agentes do agronegócio. entre fornecedores e produtores rurais e entre cooperativas e produtores. as duas pontas dos produtores rurais. 2. as empresas fornecedoras de insumos e tradings. com o uso da produção futura como garantia nos contratos de pagamento a prazo. o mercado informal de crédito deve responder por expressiva quantidade de recursos e parcela do financiamento no período de transição. comerciantes e produtores. Empréstimo em dinheiro obtido de particulares ou firmas ligadas à atividade agropecuária. Para Barros (1999) felizmente o setor privado está reagindo ativamente a essa necessidade e vem desenvolvendo e fortalecendo mecanismos de gerenciamento de risco (contratos a termos e de futuros. 2000): 1. próprio ou obtido junto ao mercado financeiro informal ou semiformal (PREÇOS AGRÍCOLAS. Para Gonçalves et ali (2005). casa de penhor. principalmente através de recursos externos. Compras e vendas antecipadas de produto realizadas entre empresas. ou seja. troca de insumos por produtos e etc. 4.

. Por outro lado. fornecer recursos e etc. Entretanto a alternativa que esta se desenvolvendo é a participação do setor privado como financiador do agronegócio através dos títulos de créditos destinados ao setor. 1998). (CAFFAGNI. analisar crédito.45 responsabilidades são divididas entre produtores rurais e demais agentes do agronegócio que acabam por realizar funções que não são seus objetivos. O aprofundamento das relações entre a agropecuária e a indústria tem desenvolvido mecanismos de comercialização para a complementação do escasso crédito rural oficial no financiamento da atividade rural no país. a superação da inflação elevada na metade dos anos 90 permitiu a consolidação dos diversos mecanismos de venda antecipada e até mesmo o crescimento do mercado futuro. cada vez mais as bolsas de físicos e de futuros estão se consolidando como mecanismos eficientes de controle de risco da atividade agropecuária brasileira. Segundo Gonçalves (2005). como fiscalizar e controlar a produção. um instrumento que deverá captar recursos privados e reduzir a dependência com relação aos recursos públicos.

8% 12.0% 5.4% 2. o custeio da safra passa ser realizado em grande parte por contratos de entrega futura e aquisição de insumos entre produtores rurais e agroindústrias.46 20% 18% 17. a Nota Promissória Rural (NPR) e a Duplicata Rural (DR) são títulos de crédito que lastreiam as transações (operações de compra ou venda de .1% 4% 2% 0% Arroz Algodão Trigo Milho Café Soja Leite Carne bovina Cana-deaçúcar Carne avícola Carne suína 3. São oferecidos às principais culturas um custo para captação de recursos de financiamento das atividades rurais mais baixos que as taxas normais do sistema bancário.9% 1. média 2002-2004.7% 1. A inviabilidade da disposição de crédito rural oficial como nos anos 70 convenceu os agentes econômicos que o novo padrão de financiamento deveria não depender dos recursos públicos e cada vez mais se financiar com recursos do agente privados. Com isso. Existente desde a década de 60.3% 1.2% 1.11 – Brasil: Estimativa de Apoio ao Produtor (PSE) por produto.2% Fonte: OCDE (2005).2% 16% 14% 12% 10% 8% 6% 6. Figura 1.3% Média 2. Nota 1: Percentagem da receita bruta da agricultura.

cooperativas e beneficiadoras de sementes (GONÇALVES ET ALI. Na realidade este mecanismo procura garantir a compra antecipada pelas agroindústrias. 1999): 1. ou seja. cooperativas e tradings para uma maior segurança no planejamento das suas operações. Fomento. É verdade que no mercado futuro quase que na totalidade das operações não se efetiva a liquidação física da operação. beneficiadoras e empresas comerciais. Enquanto que a NPR é emitida pelas agroindústrias. Os fundos de commodities. o Adiantamento Sobre Contratos de Câmbio (ACC) foram os grandes responsáveis na primeira metade da década de 90 no desenvolvimento desses contratos de venda antecipada. Há também a venda antecipada. De acordo com Gonçalves et ali (2005). o que oferece um risco maior do que as operações de mercado futuro que possuem a clearing como garantia da realização dos compromissos. o comprador fornece insumos ao produtor por ocasião do plantio. a DR é emitida por produtores. recebendo como pagamento certa quantidade de produto na época da colheita”. como a soja. adiantamento monetário. comerciantes e agroindústrias. troca de insumo por produto. já no segundo caso. onde ocorre o adiantamento de recursos financeiros em troca de recebimento da mercadoria na colheita. onde a indústria disponibiliza a muda e o fertilizante para o plantio e recebe uma quantidade de caixas de laranja pré-estabelecida. A operação era regulamentada pelo artigo 75 da Lei Federal no 4. a poupança rural e os recursos livres dos bancos comerciais também eram utilizados como fonte de recursos para essas operações.539 de 25 de janeiro de 1995. mas garante-se o preço fixado. “Nesse tipo de financiamento. pág. Marques e Mello (1999. A própria indústria citrícola fornece crédito aos seus produtores através de dois mecanismos (MARQUES & MELLO. . estes mecanismos são contratos entre as partes (produtores e agroindústrias). 2005). No primeiro caso. 10) definem a chamada operação de escambo.728 de 14 de julho de 1965 e dinamizados pela Circular BACEN no 2. eram financiados com lastro nas operações de ACC.47 produtos agropecuários) entre produtores rurais. No entanto. há o fornecimento antecipado de produtos. uma vez que os produtos com forte demanda internacional.

Título líquido e certo. . 2. com a CPR. na qual ela fornece crédito monetário e. geralmente.b). assistência técnica e outros insumos aos produtores para. MELLO. receberem o frango pronto para o abate (MARQUES. recebe caixas de laranja no valor correspondente à média anual dos índices praticados no mercado de suco cítrico da Bolsa de Nova Iorque. transferível por endosso e exigível pela qualidade e quantidade de produto nele previsto. quando passou a ter a opção financeira de liquidação.200 de 2001. ração.929 de 22 de agosto de 1994 e alterada pela Lei no 10. impulsionando os recursos privados para financiar a agropecuária. Uma outra medida que vem se consolidando como financiadora da agricultura através da participação do setor privado é a Cédula de produto Rural (CPR) que foi regulamentada pela Lei no 8. alienação fiduciária e aval. 3. 1999). como hipoteca. o produtor poderá antecipar a receita da sua produção. Adiantamento. Araújo et ali (2001) definem as principais características da CPR como: 1. Este fornece pintos. em troca. Preço livremente ajustado entre as partes. penhor. Sujeita as normas do direito cambial. O próprio mercado foi ajustando suas necessidades e desenvolvendo mecanismos para suas operações. Admite garantias ajustadas entre as partes. 4. no ato da emissão. Possibilita a inclusão de cláusulas estabelecidas pelas partes. Já a chamada integração é utilizada por frigoríficos para garantir o seu insumo. 5.48 2. além de aditivos posteriores. Para Bacha e Silva (2005 a. Todos esses mecanismos de comercialização discutidos complementaram a concessão do crédito rural oficial no financiamento das respectivas safras e foram sinalizando as necessidades de aprimoramento para a criação dos novos títulos de crédito para financiamento do agronegócio. utilizando um instrumento regulamentado pelo governo e que pode ser avalizado pelo sistema bancário.

as operações são realizadas por meio das bolsas de mercadorias. apesar de a CPR ter se mostrado um eficiente instrumento de captação de recursos privados para a produção. adquirindo a cédula ou concedendo a aval. Porém para Spolador (2001). é um ativo financeiro. o aval e o penhor. dependendo do tipo de operação 6. Enquanto vincenda.49 6. localizadas em vários pontos do país e conectadas via internet a uma Central de Leilão. e podem ser adquiridos por qualquer pessoa física ou jurídica. Para Barros (2000). mais duas funções: 1) fixação de um nível de lucro para a parcela comercializada (receitas e custos fixados). A CPR é uma forma de contrato entre as partes. sem a incidência de ICMS. tem o papel de servir como hedging de venda já que quando emitida. Atualmente as instituições financeiras operam com este título correndo o risco do produtor. Enfim. que pode ser registrada em cartório e ter como garantias a hipoteca. 7. de forma indireta. o preço é travado e permanece protegido contra movimentos de baixa. podendo ser negociada em bolsas de mercadorias e de futuros ou em leilão eletrônico 5 realizado pelo Banco do Brasil. 6 5 Para maiores detalhes ver Wald (2005). O mesmo autor enfatiza que além da CPR permitir o financiamento das necessidades de capital na exploração agropecuária. . e 2) viabiliza o plantio e tratos culturais de que a lavoura necessita. ela desempenha. a CPR é um título cambial emitido por produtores rurais (pessoa física ou jurídica) e suas cooperativas de produção. Gonzalez (2000) também afirma que a CPR além de servir como instrumento de captação de recursos. ela ainda esta restrita a poucos No leilão eletrônico. Negócios com a CPR são registrados nas centrais de registro a fim de evitar duplicidade de venda. as CPRs podem ser consideradas um instrumento de grande potencial tanto para assegurar os preços antecipados como para adiantamento de recursos para custeio e comercialização ao produtor.

devido à falta de um número suficiente de especuladores. os recursos estariam disponíveis para a próxima safra a partir de setembro. Uma boa parte da lavoura brasileira é formada por produtos pouco contemplados no mercado financeiro de forma que as ações de mercado não substituem por completo as ações governamentais. pela alta demanda. ao antecipar a comercialização para o produtor. caso o produtor resolva aproveitar do período de insumos mais baratos e desejar adquiri-los antes de período de plantio. que pelo cronograma. A maior demanda pelo crédito rural ocorre no período de plantio (setembro-dezembro). ou seja. A CPR. as taxas de juros da economia e a falta de tomadores de risco no mercado financeiro brasileiro também são fatores limitadores ao mecanismo de venda de CPRs. além de oferecer a oportunidade ao produtor de se financiar fora do período de plantio. ocorre após a colheita (maio-agosto). os recursos disponíveis se esgotam neste período. permite que esta captação seja em qualquer mês do ano. retornando os recursos entre maio-agosto. A concessão do crédito rural tradicional. Este ciclo apresenta dois problemas: 1) falta de recursos disponíveis para o produtor fora do período de plantio. a CPR além de captar recursos privados para o crédito rural. impossibilitando o fornecimento de crédito a taxas subsidiadas fora deste período.50 produtos e em volumes muito inferior ao necessário para suprir o volume de recursos outrora advindos do setor público. Para o autor. quando os produtores necessitam de recursos para a nova safra. No entanto. formando um ciclo entre concessão e recebimentos. . os preços dos insumos agropecuários tendem a serem mais altos do que outros períodos. e 2) neste período. O mercado futuro no Brasil. A nova concessão de crédito só ocorrerá com o retorno deste capital investido. altamente dependente das exigibilidades. 2. poderá se financiar através das CPRs. Como os recursos hoje são insuficientes para atender a demanda existente. são duas as limitações associadas ao uso de CPR como instrumento de captação de recursos: 1. O mesmo autor ainda conclui que o elevado custo do aval. aliviou os programas oficiais para possui pouca liquidez o que se torna um obstáculo para seu desenvolvimento. Somente após retorno dos recursos aplicados nesta safra é que serão disponibilizados recursos para a safra seguinte. Agora. acaba ocorrendo apenas em determinados meses do ano.

Na Figura 12. Mas por outro lado. que não estavam interessados no recebimento do produto físico.51 escoamento de produção e manutenção de renda do setor rural (AGF. exigindo menos recursos para estes programas. Atualmente. aumentando a disponibilidade de recursos para o setor. com destaque para o ano 2000 com a inclusão das CPRs financeiras. novos produtos passaram a se contemplar desta modalidade. Para maiores detalhes ver Bacha e Silva (2005b). com a instituição da CPR-financeira. Na realidade. soja e arroz) é que se utilizavam da CPR como ferramenta de comercialização. milho. algodão. boi. madeira e etc.). Após o ano de 2000. verduras. esta modalidade atraiu novos investidores ao segmento rural. onde se negocia literalmente taxas de juros para a concessão de recursos. nota-se a evolução do volume financeiro emitido de CPR pelo Banco do Brasil nos últimos anos. Até 1999. o título perdeu a verdadeira identidade do seu propósito que era um adiantamento da comercialização da safra e passou a ter um caráter estritamente financeiro. com o surgimento da CPR-financeira. as indústrias e as tradings estão recebendo altas taxa de juros (em torno de 25% 7) na intermediação financeira de capital para o setor agropecuário através da CPR. 7 Desempenho das CPRs emitidas pelo Banco do Brasil durante o segundo semestre de 2004 e primeiro de 2005. frango. . inclusive produtos que também não participavam do crédito rural oficial (camarão. frutas. Outra grande contribuição desta modalidade foi a inclusão de novos produtos agropecuários na lista das CPRs. apenas as grandes commodities (café. o que gera um retorno maior do que propriamente na operação com o produto agrícola. EGF e PGPM). quando só era permitida a emissão de CPR-física.

054 4. pois o sistema bancário passou a ser comprador de CPR. No mercado.000 0 Nº CPR Mil R$ 1994 64 26. Registrada: são as CPRs que são registradas em cartórios.262 1.741 1997 777 53.000 4. 2.000 3.363 146. chamada em alguns mercados de “CPR de gaveta”. tanto na modalidade física ou financeira.12 – Número e volume de CPRs emitidas pelo Banco do Brasil.000.462 79.000 2.000 2.061.b) conluiem que com a criação da CPR financeira.987 1995 661 62.435 1. pois a CPR passou a ser mais atrativa aos investidores.000 1.881 1998 1.543 845.000. Não registradas: não apresenta registros em cartório.166 1996 539 37. .994 Fonte: Banco do Brasil Figura 1.687 2003 29.937 2002 21.000 CPR financeira 1.533. oferecendo maior segurança financeira.082 2001 18.472.500. o volume negociado com a CPR aumentou significativamente.000.293 599.500.412 2000 13. estão disponíveis três tipos de CPRs: 1.358 2004 62.500. e não apenas o seu avalista.52 4.844 1999 2.000 3. Bacha e Silva (2005 a.000 500.000.500.

entre o devedor. dependem basicamente de dois fatores: 1) risco cliente. 237). O aval é instituto de direito cambiário. porém sem o instrumento jurídico (CPR). O avalista torna-se devedor solidário. as operações não ofereciam seguranças para os credores e. Antes da CPR. a CPR esta assumindo um importante papel como financiadora. até mesmo devido a esta falta de garantia. O custo do aval e até mesmo da CPR. 8 . porém tendo um custo mais elevado. apresentando maior segurança ao investidor. Como a grande maioria das CPRs emitidas atualmente ocorrem com o produto sem estar colhido. passando a sua obrigação a independer da relação obrigacional garantida. funcionando o aval como uma garantia. Enfim. o avalista se compromete a cumprir o vencimento. por qualquer motivo que seja. Se comparado com os R$ 39.b). podendo ser avalista qualquer pessoa física ou jurídica. 8 De acordo ainda com Bacha e Silva (2005 a. mesmo que não seja vinculada a produção agropecuária. porém de maneira autônoma. menor o risco da operação. a natureza da obrigação do avalista é idêntica à do avalizado. O aval pode ser visto pelo investidor como um seguro rural. portanto. indústria de processamento e empresas de comércio exterior.5 bilhões dos programas de empréstimo com taxa de juros controladas. podendo ser registrada ou não.53 3.avalizado e o credor. caso o produtor não honre com o compromisso de liquidação do título. p. cujas eventuais exceções de pagamento não lhe dizem respeito e por ele não podem ser invocadas (WALD. as compras antecipadas para entregas futuras de produtos rurais já eram praticadas pelos mercados. garantindo em qualquer situação a liquidação do título. consistente na garantia do pagamento do título de crédito. que pode ser tanto registrada ou não. eram operações muito mais caras. o uso da “CPR de gaveta” serve como um instrumento de garantia nas transações comerciais entre produtores rurais e fornecedores de insumos. Avalizada: possuem aval de instituição financeira. quanto mais próximo da colheita. Para Wedekin (2005). foram negociados na safra 2004/2005 um volume entre R$ 20 e R$ 30 bilhões de CPR. 2005. e 2) tempo de colheita. No caso de CPR avalizada. uma menor taxa será inserida.

a CPR ainda apresenta um custo elevado para muitos produtores. tendo a mesma função de concessão de crédito. “a CMG era um título mercantil de contrato de compra e venda nas modalidades entrega física futura garantida (CMF-G) ou entrega física disponível garantida (CMD-G)”. 9 10 Decreto Lei número 167 de 14 de fevereiro de 1967. a ferramenta pela qual se concretiza a concessão de crédito rural do SNCR. de um mecanismo moderno de securatização. Mas todos contribuíram de alguma forma para o desenvolvimento dos novos instrumentos de financiamento do agronegócio. Já no final dos anos 90 surge uma nova proposta de financiamento da atividade rural denominada de Finagro 10. De acordo com Bertucci (1999. p. não apresenta restrições na sua legislação. 31). Segundo Spolador (2001). disponibilizando apenas uma parte dele. dependendo das partes esta definição de limites e taxas de juros. este título ainda não resolveu o problema de elevada demanda pelo crédito do setor. Companhia de Administração de Negócios Agrícolas do Brasil S/A. sendo Conselho Monetário Nacional responsável pela definição da taxa de juros das concessões e os limites máximo de empréstimos para cada categoria. Mas apesar de inserirem uma nova dinâmica na concessão de crédito rural no Brasil. o sistema tinha “o objetivo de implantação. No entanto. há certas restrições quanto ao credor e ao montante de recursos aplicado. Com isso. O papel só poderia ser negociado nas bolsas de cereais ou de mercadorias conveniadas com a Central de Registro e era garantida por seguradora ou banco. A CPR muitas vezes não fornece todo o crédito demandado ou até mesmo necessário para o produtor. Já a CPR. em todo o território nacional. em 1994 surge o Certificado de Mercadoria com Emissão Garantida (CMG). tendo muitos produtores ainda que inserirem recursos próprios na lavoura ou até mesmo recorrerem às fontes informais de crédito. principalmente devido aos riscos da produção agropecuária (seguro rural não ativo) e do custo do dinheiro no país (taxa de juros básica elevada). . seja do lado do produtor rural ou do lado do investidor institucional. outros mecanismos foram propostos e não tiveram a mesma aceitação pelo mercado.54 De acordo com a própria legislação da Cédula de Crédito Rural 9. Procurando um maior envolvimento com o mercado financeiro.

sejam atrativos para o produtor rural e agentes em geral e atendam as expectativas de rentabilidade do investidor institucional.076. Esta nova Lei sobre a armazenagem de produtos agropecuários foi fundamental para a elaboração de dois destes cinco novos títulos do agronegócio: Certificado de Depósito Agropecuário (CDA) e do Warrant Agropecuário (WA). a falta de papéis representativos de produtos agrícolas com credibilidade no mercado (GASQUES. por último.973. alguns fatores que estão limitando a ampliação e consolidação do modelo de financiamento baseado nos recursos privados. O primeiro seria o elevado custos dos recursos captados devido aos encargos financeiros. 1999). que dispõe sobre o sistema de armazenagem dos produtos agropecuários. Um segundo fator seria o ainda deficiente sistema de padronização e classificação dos produtos agrícolas no país. de forma considerável. é preciso que estes apresentem segurança ao sistema. tributário e contribuição sociais que limitam. de 30 de dezembro de 2004. o recursos recebidos pelo beneficiário.55 financiamento e comercialização de produtos agrícolas”. ainda. VILLA VERDE. A padronização dos produtos e procedimentos de armazenagem seria através de centros de pesquisas das principais universidades brasileiras. há. No entanto. 1999). A Lei no 11. Baseados nos sucessos e fracassos destes títulos discutidos anteriormente e na tentativa de consolidar o financiamento do agronegócio através de fontes de recursos privados é que os novos instrumentos foram instituídos. de 29 de maio de 2000. O financiamento da lavoura se daria pela venda antecipada de produtos através da CPR com garantia do Seguro Rural atrelado ao Seguro de Garantia de Obrigações Contratuais e negociáveis em Mercados Centralizados e Organizados (Bertucci. E. Os títulos deveriam ter garantias de apólices de seguro de armazenagem ou seguro de garantia de entrega contratual. A confiabilidade do sistema estava na garantia física e quantitativa da existência dos produtos nos armazéns e da qualidade dos produtos depositados. com respaldo técnico de empresas agrícolas de assistência e extensão rural. além de dar nova redação à Lei no 9. Enfim. oficializou cinco novos títulos de créditos que poderão ser utilizados pelos agentes do agronegócio para captarem recursos privados para o seu financiamento e aumentar o giro de capital dentro do próprio setor. .

o CDCA. Os títulos apresentam duas grandes diferenças entre si no que diz respeito ao emissor e ao lastro. tem-se: o CDA e WA serão lastreados na mercadoria agropecuária depositada. não permite discussão e sofre apenas o processo executivo. De acordo com Oliveira (1998). o CDCA é de emissão exclusiva de cooperativas de produtores rurais ou pessoas jurídicas que exerçam a atividade de comercialização. a LCA e o CRA são lastreados nos Direitos Creditórios do Agronegócio que de acordo com a Lei podem ser: Notas Promissórias Rurais (NPR). porém o emissor é diferenciado. Duplicatas Rurais (DR). Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) que possuem a mesma função. para ser executado o título judicial são necessários dois processos: um de conhecimento. Cédula de Produto Rural (CPR). Com relação ao emissor. Os três títulos de crédito vinculam-se aos direitos creditórios dos negócios realizados entre os agentes do agronegócio. a LCA é de emissão exclusiva de instituições financeiras públicas ou privadas. Pode-se entender como executivos extrajudiciais o processo de aplicação das penalidades previstas em contratos sem recorrer a justiça. a lei também oficializou o Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA). Estes cinco títulos são considerados títulos executivos extrajudiciais e deve-se aplicar as normas de direito cambial sobre os mesmos. Contratos de fornecimento futuro e outros títulos que a legislação permite que estas pessoas jurídicas emitam em suas operações comerciais. da certeza e da exigibilidade. . o final. Já com relação ao lastro. Já o titulo extrajudicial.56 Além desses dois títulos. e o executivo. Certificado de Depósito Agropecuário (CDA) e o Warrant Agropecuário (WA). o qual o órgão jurisdicional determina o direito aplicável à espécie. tem-se que: o CDA e o WA são de emissão exclusiva do agente que possui o produto agropecuário e o depositou no armazém apto a emitir o título. beneficiamento ou industrialização de produtos e insumos agropecuários ou de máquinas e implementos utilizados na produção agropecuária. o CRA é de emissão exclusiva das companhias securitizadoras de direitos creditórios do agronegócio. de acordo com suas características da liquidez.

porém cada um desses títulos possui o seu emissor exclusivo. o que proporcionaria uma maior dinâmica nas negociações e viabilizaria a participação dos investidores institucionais no financiamento da estocagem dos produtos agropecuários. de 30 de dezembro de 2004. Este repasse proporcionará maior disponibilidade de capital aos agentes do agronegócio que poderão aumentar a oferta de financiamento e crédito nas compras a prazo dos produtores rurais e cooperativas. ou seja. Estes três títulos são lastreados em recebíveis originados de negociação entre os agentes do agronegócio. O CDA é definido como um título de crédito que representa a promessa de entrega do produto agropecuário armazenado de acordo com a nova Lei de armazenagem de produtos agropecuários (Lei no 9. sendo que cada título poderá ser vinculado aos direitos creditórios que o seu respectivo emissor possua.8 mostra um resumo dos instrumentos de financiamento conforme discutidos por Bacha e Silva (2005a). O CDA pode representar os produtos agropecuários. Na realidade o produtor poderá colher a produção e depositar em um armazém regulamentado. seus derivados. Os três títulos possuem a mesma função que é captar recursos dos investidores privados para aumentar a oferta de financiamento e crédito aos produtores rurais e cooperativas. A tabela 1.076. também instituiu outros três títulos de créditos para financiamento do agronegócio brasileiro: os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA). as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Este armazém irá emitir um título lastreado no produto colhido e depositado que irá ser registrado eletronicamente e negociado aos investidores.973 de 29 de maio de 2000 ). . subprodutos e resíduos de valor econômico.57 O CDA e o WA vão possibilitar que os produtos agrícolas sejam comercializados sem a transferência física da mercadoria ao comprador. atraindo assim recursos para a comercialização agrícola. A Lei no 11. é uma espécie de repasse destes recebíveis aos investidores privados antes dos seus vencimentos. Já o WA é um título de crédito que confere o direito de penhor sob o produto representado pelo CDA.

Comercializado junto ou separadamente do CDA. Podem ser renegociado até o seu vencimento. pessoa pessoa física ou física ou jurídica. compõem-se das notas promissórias rurais. produtores. CPR. Podendo ser renegociado até o seu vencimento. O Bolsas. Lei no 11. Investidores privados. duplicatas rurais. bem como plantio. São vinculados a um título de crédito denominado CDCA que é registrado em sistema de registro e de liquidação financeira de ativos autorizados pelo BACEN e negociado em mercado de balcão ou de Bolsas. garantias. Investidores Investidores privados. de Lei no 11. Medidas provisórias 2. 30/12/2004. Os DCAs são vinculados a um título de crédito (LCA) que é registrada em um sistema de registro e de liquidação financeira de ativos autorizados pelo BACEN. privados. vencimento. DCAs.076 30/12/2004. Produtor BACEN e negociado em emite a CPR e recebe emite a CPR e recebe mercado de balcão ou de o valor do título. de preço pela qtd. O o valor do título. definida. jurídica. pessoa privados. pessoa física ou jurídica. beneficiamento. Registrado em sistema de registro e de liquidação financeira de ativos autorizados pelo BACEN e negociado em mercado de balcão ou de Bolsas. Pessoa física ou jurídica responsável legal pelos produtos agropecuários entregues a um armazém agropecuário. CDCA Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio. Produtor em geral. após registro e de negocia de Produtor negocia Produtor com agroindústrias. Pessoa física ou jurídica responsável legal pelos produtos agropecuários entregues a um armazém agropecuário. agroindústrias. bem como num a colheita. Registrado em sistema após a colheita. Recebíveis Agronegócio. Confiabilidade do Confiabilidade do emissor e emissor e garantias garantias adicionais do adicionais do respectivo título.200 de 14/02/2001. e física ou jurídica. CPR financeira Cédula de Produto Rural – liquidação financeira.042 e 2. Agropecuário. Investidores Investidores privados.117 (de 2000). liquidação financeira de bancos e investidores bancos e investidores ativos autorizados pelo em geral. do Garantia Confiabilidade do Confiabilidade aval emissor. Investidores privados. pessoa física ou jurídica. de do de Emissor Comprador Sistemática Depositante de produto agropecuário. bancário e/ou outras bancário e/ou outras garantias.076 de Lei no 11.076 de 30/12/2004. LCA CRA Letra de Crédito do Certificado Agronegócio. 2. respectivo título. Podendo ser título é endossável e título é renegociável renegociado até o seu até o seu vencimento. física ou jurídica. Os Direitos Créditos do Agronegócio. de Lei no 11. plantio.929 de de criação 22/08/1994. produto Confiabilidade do emissor e/ou garantias adicionais mencionadas no título. Lei no 11. Emitido durante e depois do durante e depois do agropecuário depositado armazém. comercialização ou industrialização de produtos agropecuários. e agroindústrias. Podendo ser renegociada até o seu vencimento. CDA. Entrega do agropecuário.58 Tabela 1.017.076 30/12/2004. A LCA é negociada em mercado de balcão ou de Bolsas. rural. Agronegócio (DCA).face). de face). expressa na CPR. Investidores pessoa pessoa física ou jurídica. Forma de Entrega do produto Preço físico ou índice Liquidação agropecuário. Comercializado junto ou separadamente do WA. Fonte: Bacha e Silva (2005a) . Produtor empresas empresas agropecuárias.076 30/12/2004. e agroindústrias. Produtor rural. Emitido junto com o CDA. Emitido com o produto Emitida antes. Podendo ser renegociado até o seu vencimento. convertidas na Lei no 10. Companhias Pessoas jurídicas que Instituições de trabalham no financeiras públicas securatizadoras Direitos Creditórios do ou privadas. Securatizadoras adquirem os DCAs que são vinculados a um título de crédito (CRA) que é registrado em sistema de registro e de liquidação financeira de ativos autorizados pelo BACEN e negociado em mercado de balcão ou de Bolsas. e cooperativas e cooperativas de associações de associações produtores. Valor do título mais Valor de resgate (valor de taxa de juros pré. antes. com agroindústrias. Valor de resgate Valor de resgate (valor (valor de face). renegociável. agropecuárias. respectivo título. CDA WA Certificado de Depósito Warrant Agropecuário. WA e demais contratos.8 – Comparação entre os instrumentos privados de financiamento da agropecuária 115 Características CPR física Denominação Cédula de Produto Rural – liquidação física. aval emissor. Data e norma Lei no 8. Crédito do emissor e Crédito do emissor e garantias adicionais garantias adicionais do do respectivo título. privados. Depositante de produto agropecuário.

Tendência. movimentos periódicos maiores que um ano. para duas classes de renda. longo prazo. Os preços dos produtos (a) sempre são formados no varejo (b) sempre são formados no atacado (c) sempre são formados no produto (d) formação de preços depende do produto 4. estes valores referem-se respectivamente a: (a) populações de alta renda e baixa renda (b) populações de baixa renda e alta renda (c) ambas certas (d) é impossível concluir-se apenas com estas informações 3. médio prazo.21). Baseado em seu conhecimento teórico. anuais (b) longo prazo. encontrou-se que a elasticidade-renda da demanda media 0.22. Num estudo recente. respectivamente. ciclo e sazonalidade de preços referem-se. dentro do ano (c) dentro do ano. O que você recomendaria? (a) arroz (b) carne de porco (c) ambos (d) nenhuma 2. respectivamente a: (a) movimentos de curto prazo.89 e 0. anuais (d) todas erradas .59 Exercícios 1. O gerente de um supermercado está na dúvida entre colocar em oferta arroz (Ep = 0.10) ou carne de porco (Ep = -2.

negociam-se: (a) contratos físicos para entrega imediata (b) contratos futuros (c) compromissos para entrega e recebimento futuro de mercadorias com preços combinados (d) todas certas .60 5. No mercado a termo.

61 2 – PRINCÍPIOS BÁSICOS DOS MERCADOS FUTUROS AGROPECUÁRIOS Justificativas Os integrantes das cadeias do agronegócio enfrentam riscos de produção e de preços os quais. Objetivos: .permitir o acompanhamento informativo dos mercados futuros .familiarizar o leitor com os princípios básicos de futuros agropecuários -entender o funcionamento das bolsas de futuros agropecuários . Os mercados de futuros possibilitam a administração e redução dos riscos de preços. diminuição dos custos de transação e aumento na competitividade das cadeias. além de causarem instabilidade à própria atividade. também podem provocar instabilidade em todos os demais membros da cadeia de produção do qual participam. permitindo melhor planejamento.

Tabela 1. . de forma geral.62 2. num contrato futuro. ou uma empresa contratada para este fim (CBOT. são padronizados e garantidos no seu cumprimento pela clearing-house (câmara de compensação) das bolsas onde foram negociados 11. não se tem a intenção primária de entrega efetiva da mercadoria pelo vendedor. Na tabela 1 faz-se um resumo das principais diferenças entre os mercados futuro e a termo.1 . o comprador se obriga a pagar por uma compra efetuada enquanto o vendedor se obriga a vender (não a entregar um produto) de acordo com uma operação já realizada. Ao contrário dos contratos a termo.Contratos Futuros Contratos futuros são compromissos de compra e venda futura (mais detalhes serão vistos adiante). É importante salientar que nos contratos futuros. o que está sendo negociado. Basicamente. prazo do contrato. Ela pode ser um Departamento da própria Bolsa (BM&F. Eles indicam. por exemplo). local de entrega e recebimento e especificações do produto. é uma central de custódia onde ficam depositadas as garantias oferecidas pelos operadores de mercado. por exemplo). ao contrário do mercado a termo. Mercado futuro e a termo Características Local de negociação Padronização Prazo Liquidação Operadores Futuro Bolsas de futuros balcão Definida pela bolsa Vencimento padronizado nas bolsas Financeira ou física Profissionais (priorizam a liquidez) Garantias clearing Correções de preços Diários contrato Mecanismos de bolsa e Definida entre as partes Definido entre as partes ou usuários do mercado Física Normalmente do contrato) Definidas em contrato e confiança No vencimento do usuários finais (priorizam a flexibilidade Termo Bolsas de cereais ou 11 Clearing-house (câmara de compensação).

os contratos futuros são negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) a qual não deve ser confundida com as bolsas de físico. As operações em mercados futuros e tantas outras que direta ou indiretamente dependem dos mercados futuros são chamadas de operações com derivativos. citam algumas razões que podem levar um contrato a ser vitorioso e continuar em operação: • • • Contrato não pode existir de forma isolado. herança de outras bolsas com as quais se fundiu. o volume das commodities agrícolas nela negociado ainda é pequeno diante da enorme importância do agronegócio para o Brasil. embora ela também negocie alguns contratos físicos. Os mercados futuros são mercados de derivativos porque dependem ou derivam dos mercados físicos. Correa @ Raíces (2005).bmf.br) é uma das maiores bolsas do mundo. volatilidade suficiente a incentivar os participantes do mercado a utilizarem os mercados futuros para se protegerem de oscilações de . A BM&F (www. internacionais e não pode estar nas mãos de poucas empresas. negociando ao redor de 70 bilhões de reais diariamente. tendo que estar ligado e refletir um Deve ser relativamente livre de regulamentações governamentais. Assim. Note que a equipe técnica da Bolsa está sempre em constante estudo e freqüentemente novos produtos são adicionados e substituídos. etc. mercado a vista ativo e com boa dose de liberdade entre compradores e vendedores. onde são negociados os contratos futuros. contratos são modificados. pode-se dizer que o mercado futuro.63 Fonte: Correa @ Raíces (2005) Contratos futuros também são denominados “contratos de derivativos” porque derivam de outros contratos ou dos mercados físicos.com. por várias razões. No Brasil. Preços de mercado devem refletir as expectativas projetadas para oferta e demanda decorrentes das condições de mercado na época da negociação e não podem estar sujeitas a intervenções aleatórias do governo. derivam ou são influenciados pelos mercados físicos do produto correspondente. • É preciso que haja incerteza. Entretanto. Deve-se também chamar a atenção para as operações com derivativos que são aquelas que derivam de algum negócio tradicional do mercado físico ou de algum título no negociado no mercado financeiro.

A BM&F desenvolve uma extensa gama de promoções e apoios institucionais. de uma cultura de mercados e negociação. existem segmentos ou elos pouco organizados na cadeia de produção da commodity. Informação precisa ser clara. Do mesmo modo.Bolsa de Mercadorias de São Paulo.64 riscos de preços. A BM&F é um dos melhores exemplos dessa atuação. qualidade. sem favorecimentos e com Commodity deve oferecer facilidade de padronização em vários aspectos Produto não pode ser facilmente perecível para que comprados não se vejam na total transparência e garantia de acesso a todos participantes do mercado. Essas razões. ou mesmo ausência. de um modo geral. para estimular o uso de contratos futuros nas atividades agropecuárias. com a finalidade de lançar e manter em negociação os contratos futuros. costuma ocorrer insuficiência. em alguns países as bolsas de derivativos acabam por desempenhar um papel pró-ativo e de “construção de instituições”. peso. assim como foi no passado a BMSP. • Finalmente. A necessidade de fixar antecipadamente preços de compras e vendas para se prevenir contra oscilações de preços cria oportunidades para especuladores atraídos pela possibilidade de lucrar com movimentações favoráveis de preços. No caso brasileiro. assim como em outros países em desenvolvimento. se aplicam à todas as bolsas do mundo. disponível a todos. necessidade de livrar-se rapidamente do produto e sejam forçados a livrar-se rapidamente do . etc). deve-se considerar a competição com bolsas já existentes e onde os produtos sejam tradicionalmente negociados e o mercado acostumou-se a acompanhar os preços lá estabelecidos. • • • mesmo. Nesse caso. (volume.

Os riscos de produção não são abordados neste material.000 contratos por dia. Esse mercados funcionam como uma garantia. é necessário que haja liquidez no mercado. procurando aproveitar as melhores oportunidades ocorridas no mercado. Os preços futuros referem-se ao local de 12 Liquidez de um mercado diz respeito à facilidade de entrada e saída quando for necessário. O sistema produtivo agropecuário. Os preços futuros são negociados em pregão eletrônico e de viva-voz.2. especialmente nos últimos anos. indústrias de insumos. apresenta basicamente dois tipos de riscos: de produção e de preços. agroindústrias. principalmente. os agentes atuantes poderão se valer das operações atinentes aos mercados de derivativos agropecuários (mercados de futuros e de opções). Diz-se que um mercado apresenta liquidez quando são negociados acima de 1. tanto para o produtor rural quanto para a indústria processadora em operações de hedge de preço. colheita e comercialização. e mudam constantemente à cada dia de negociação. fixando seus preços a qualquer momento e. Entretanto. eliminando incertezas de preços na época da comercialização da safra. cooperativas. a um determinado preço no futuro. Mercado de futuros são mercados onde se negociam contratos. 12 O preço futuro desses contratos é a cotação para uma data futura. compromissos de compra e venda de um produto específico. Com relação à essa questão. vem indicando a necessidade dos agentes do agronegócio (por exemplo. facilidade de entrar e sair do mercado. para que esses mercados funcionem efetivamente como um instrumento de garantia de preços.65 2. Bom desempenho na comercialização relaciona-se diretamente ao desempenho de rentabilidade no sistema de produção. produtores rurais. Esse preço reflete as expectativas que os participantes do mercado têm sobre as condições de oferta e demanda futuras do produto. o que implica num volume considerável de contratos negociados diariamente. . Conhecer o mercado e saber utilizar adequadamente as ferramentas disponíveis são excelentes receitas para os produtores rurais obterem boa performance na sua comercialização. trading) buscarem maior eficiência na comercialização agropecuária. ou seja. pois o foco do livro recai sobre os riscos de preços. Mercado de Futuros A competitividade no agronegócio mundial. no período entre o plantio.

br). 4.bmf. macho. 7. 7. 3. Um resumo dos contratos negociados na BM&F é mostrado na tabela 2 sendo que para os interessados em maiores detalhes recomenda-se consultar o site da própria bolsa (www. 11 Região metropolitana de Vitória (ES) Todos os Araçatuba (SP) meses Campo Grande. 5. uma região geográfica representativa daquele mercado que a Bolsa considera como local de referência do preço do produto. 7. Porto de 8. ou seja. 3. 9. Apesar do Brasil colocar-se como um dos grandes produtores mundiais de commodities agrícolas. soja e milho. 4. 12 Municío de São Paulo (SP) 1. nelore ou anelorado. 9. os contratos agrícolas representam um volume muito pequeno do total de contratos futuros negociados na BM&F. açúcar e álcool. 7. boi gordo e bezerro. Dourados e Coxim (MS) Açúcar Cristal (ISU) 2. 10 Três Lagoas. ao redor de 1%. 4. 3. 9. Campinas (SP) 11 3. 7. 9. mínimo 170 kg) 270 sc de 50 US$/sc kg Meses de Local de entrega vencimento 3. algodão. 6. 7.Contratos futuros negociados na BM&F. 9. 5. Na BM&F atualmente (setembro de 2006). 6. setembro de 2006 Mercadorias/abreviaturas Tamanho do Cotação Contrato Café Arábica (ICF) 100 sc de 60 US$/sc kg cada Café Conillon (CNL) 250 sc de 60 US$/sc kg Boi Gordo (BGI) Bezerro (BZE) 330@ (@ de R$/@ 15 kg) 33 animais R$/animal (bezerro desmamado. são negociados contratos futuros de café Arábica e Conillon.66 formação de preço. 11 Álcool Anidro (ALA) Milho (CNI) 30 m3 R$/m3 450 sc de 60 R$/sc kg Soja em grão a granel 450 sc de 60 US$/tonelada (SOJ) kg (27 ton métrica Todos meses 1.com. 8. 5. 9. 5. Tabela 2 . 2. 11 Paranaguá (PR) Estabelecimentos depositários credenciados no Estado de São Paulo os Paulínia (SP) . 8. 5.

macho. Uma pergunta que pode surgir é a seguinte: e se quiser negociar. Soja e Algodão. Estabelecimentos 12 depositários métricas = libra peso 27. etc. boi em R$ por arroba. A coluna “cotação” mostra a unidade de moeda pela qual a commodity é negociada: café em US$ por saca. É importante notar que produtos de mercado interno são negociados em reais enquanto produtos exportáveis são negociados em US$ dólares. Açúcar e Álcool. É importante então lembrar que ao contrário dos contratos à termo. 7. 5. etc. cotado em reais por arroba e com contratos vencendo todos os meses do ano.3 . digamos. todos meses para boi. entressafra. etc.Negociação de contratos futuros .67 Algodão (COT) métricas) 12. Milho.50 localizados em libras-peso São Paulo (SP) Fonte: Extraído do site da BM&F (26/09/2006). Estes meses de vencimento são escolhidos em função de safra. etc. 10. maio. pesando ao redor de 15 arrobas. a última coluna mostra os meses de vencimento dos contratos: março. castrado. setembro e dezembro para café arábica. nos mercados futuros têm-se que negociar em condições pré-acertadas e padronizadas. proximidade com vencimentos em outras bolsas importantes. Assim. Finalmente. quem quiser comprar ou vender boi futuro deve ter em vista estar negociando um boi anelorado. boi gordo 330 @ (aproximadamente 20 animais). Os contratos mini não foram incluídos nesta lista A coluna “Mercadorias” mostra as commodities negociadas: Café (Arábica e Conilon). café para novembro? A sugestão é negociar o contrato para dezembro (mês à frente mais próximo) e encerrar o contrato em novembro. Boi e Bezerro.557.5 ton Cents de dólar por 3. A coluna “Tamanho do Contrato” mostra o tamanho dos contratos padronizados negociados e que geralmente correspondem a uma unidade de transporte: café arábica 100 sacas de 60 kg. 2. julho.

por exemplo. está vendido no mercado físico. Já um frigorífico que assinou um contrato de exportação para o futuro mas ainda não adquiriu a matéria prima. Já um frigorífico. vai procurar realizar uma operação de venda futura (ou hedge de venda) para garantir o preço da mercadoria. por um preço combinado entre as partes. um produtor que comprou insumos para produzir está comprado no mercado físico e deverá fazer um hedge de venda no mercado futuro. vai realizar uma operação de compra futura (hedge de compra). A Bolsa apenas organiza e fornece o local de negociação e suas regras. . Nem sempre a data de vencimento dos contratos coincide com as necessidades do hedger e neste caso. para garantir o preço da matéria-prima.68 Mercados futuros são mercados onde são negociados. no preço ou em acordos entre compradores e vendedores. fazer uma proteção. investiu na produção. não influenciando. negocia contratos na bolsa e encerra esta operação quando os contratos estiverem próximos do seu vencimento. O pregão viva-voz ocorre na sala de negociações da BM&F. então. Para se garantir contra altas de preços de matériaprima. os envolvidos procuram travar preço de venda ou compra de mercadoria em operações inversas às realizadas nos mercados físicos. isto é. assumindo nova posição em outros contratos com vencimento mais para a frente e de preferência após o encerramento do prazo da sua necessidade de garantia de preço. é muito comum a operação de rolar o hedge. Assim. ou via mercado eletrônico. sendo realizado entre os operadores de pregão que recebem – dos operadores de mesa das corretoras – ordens de venda e/ou de compras transmitidas por clientes. um produtor que comprou insumos. existindo basicamente duas funções: administração de risco de preços (também chamadas de operações de hedge 13) e especulação. 13 Conceitua-se então hedge. o contrato será finalmente encerrado quando a operação no mercado físico for concretizada. que é um local organizado e sujeito às regras da Bolsa. de forma nenhuma. hedgear significa tomar no mercado futuro uma posição oposta aquela no mercado físico. Heding é o ato de fazer o hedge e hedger é aquel que pratica a ação de fazer o hedge. que assinou um contrato de exportação de carne para o final do ano mas ainda não tem o boi. Neste caso. É importante dizer que eles são negociados a viva-voz num pregão. comprados e vendidos contratos futuros. deverá entrar comprado no mercado futuro fazendo um hedge de compra. do Inglês to hedge como construir uma cerca. para liquidação numa data futura. Por exemplo. Nos pregões ocorrem operações de compra e venda de uma determinada quantidade de um ativo padronizado. Na operação de hedge. Em síntese.

podem ser encontrados no tópico BOLETIM INFORMATIVO.br). PAt é o preço de ajuste do dia. onde os ajustes financeiros são efetuados ao final do contrato. Quadro 1. Objeto de negociação: soja brasileira. Cotação: US$ dólares americanos por saca de 60 kg. com até 14% de umidade. Estas fórmulas são usadas para operações de compra e venda. julho. mas . mas estaremos utilizando-as nos exercícios sobre operações com futuros. nos contratos futuros agropecuários atuais.bmf. Resumo das especificações do contrato de Soja em Grãos a Granel. 11. No site da BM&F (www. setembro e novembro Os contratos vencem no nono dia útil anterior ao primeiro dia do mês de vencimento. PO é o preço da operação e PAt-1 o preço de ajuste do dia anterior. 2. nos mercados futuros negociam-se contratos. no site da BM&F. Day-trade: operações de compra e venda no mesmo dia.. junho. sendo que nos deteremos em alguns detalhes do mesmo. 6. 10. abril. acompanhando a numeração dos tópicos do contrato conforme mostrado no Quadro 1.69 Ao contrário dos mercados físicos.com. Unidade de negociação: 450 sacas de 60 kg. Não entraremos em detalhes sobre as mesmas neste momento. máximo de 8% de grãos avariados. os ajustes são feitos diariamente de acordo com as fórmulas (1) e (2) do contrato: AD = (PAt-PO) x 450 x n AD = (PAt-PAt-1) x 450 x n (1) (2) Onde n diz respeito ao número de contratos negociados. que são compromissos de entrega e recebimento numa data futura a um determinado preço. etc. agosto. janeiro de 2006 1. Ajuste diário: ao contrário dos contratos a termo. maio. horário. máximo de 2% de impurezas. 5. pode ser encontrado o contrato completo de Soja em Grãos a Granel. Detalhes como data exata do vencimento do contrato. Meses de vencimento: março. BM&F.

Se tudo correr bem. 18. O item 18 do contrato trata. No caso da soja BM&F. caso haja entrega ou recebimento efetivo do produto. é calculada por 0. vendedores e compradores: • Taxa Operacional Básica (TOB) ou comissão do corretor. 14 O mecanismo de ajuste diário permite que as posições sejam ajustadas diariamente e não apenas no vencimento quando grandes diferenças poderiam colocar o sistema em risco devido à possibilidade de inadimplência. Trocando em miúdos. este ponto de entrega é o Porto de Paranaguá. . É muito comum quem opera na bolsa fazer um CDB e apresentá-lo como margem de garantia na bolsa. então. Ponto de entrega: quando se negociam contratos numa bolsa. No caso específico da BMF. Aceita-se como margem: dinheiro.3% do preço de ajuste do dia anterior do segundo vencimento em aberto.32% da TOB são as taxas recolhidas para pagar a estrutura da Estes são. cooperativas.bmf. os principais itens do contrato da soja futura negociada na BM&F e deverão ser obedecidos. o sinal da operação será positivo. ao final da operação este valor é devolvido integralmente. • Taxa de Registro. especificamente. no Paraná. dos custos de se operar na bolsa e variam de bolsa para bolsa. O ajuste diário sempre é liquidado em dinheiro no dia útil seguinte. contratos agropecuários Emolumentos: 6. os preços referem-se a um determinado ponto. cotas de fundos de investimentos. 16. existem três componentes de custos. se for operação de compra.70 devemos lembrar que se a operação for de venda. chamado local de entrega. o sinal da operação será negativo. Fonte: www. este é o valor pago para seu corretor assumir as funções de orientador e negociar na bolsa.br. são as taxas recolhidas para o governo. a bolsa exige que os participantes depositem um valor que será utilizado caso uma das partes não cumpra suas obrigações. etc. 14 12.com. calculada por 20% dos Emolumentos. bem como fornecedores de insumos. pagos no início e no fim da operação por ambos. Hedgers: a bolsa considera hedgers produtores rurais. • bolsa. Margem de garantia: para garantir as operações. 15.

Funcionamento básico dos mercados futuros A Figura 1 mostra uma fotografia típica de um pregão à viva voz em operação. um produtor rural tentando fazer um hedge de venda liga para a corretora e conversa com seu corretor para saber como está o . Convém notar que os pregões eletrônicos estão gradualmente substituindo esse tipo de pregão. A seguir explicaremos seu funcionamento.71 2. e cada ano aumenta o número de bolsas e de contratos operando eletronicamente.Pregão em funcionamento A figura 2 mostra a mesma fotografia numa forma mais didática para que se possa compreender o papel de cada um dos elementos presentes num pregão típico. Por exemplo. Primeiramente.4 . é necessário entender que uma operação de futuros começa sempre com um comprador (1) e um vendedor (2) conforme mostrado na figura 2. Figura 1 .

uma fábrica de ração.72 mercado. preocupada que o preço da soja suba até abril.Fluxo das operações . pergunte as condições de mercado e dê uma ordem de compra de 10 lotes de soja para abril a US$ 12. Vamos supor que ele dia 17/11/2005 queira vender soja para abril de 2006. Seu corretor transmite a ordem para o operador de pregão.85. ofertá-la em voz alta.95/saca e comprador a US$ 12. também ligue para seu corretor. que vai passar a apregoá-la em voz alta.85/saca. Ele será informado que existe vendedor a US$ 12. Vamos supor que neste mesmo momento.95/saca. esta ordem vai ser transmitida para o operador de pregão que vai apregoá-la. Vamos supor que ele dê ordem para vender 10 lotes para abril a US$ 12. (2) (1) (3) (4) Figura 2 .

auxilia nas anotações. a primeira coisa que chama a atenção é a presença de pessoas com crachás diferentes. No pregão. o negócio é registrado no posto de registro e ambas partes estão garantidas.Boleto de operações BM&F. cada um tem uma função. isto é. A Figura 4 mostra o fluxo completo de operações. Feito isto. não podendo comprar ou vender para terceiros. .73 A primeira coisa importante é saber que para todo negócio realizado. Figura 3 . É ele quem apregoa.89/saca. representa a operadora. para cada contrato vendido. é autorizado a operar apenas para si próprio. procurando cumprir as ordens emitidas pela corretora. O operador de pregão (crachá amarelo). no entanto. O operador especial (scalper). Houve então uma negociação e que o negócio foi fechado a US$ 12. O auxiliar de pregão (crachá vermelho). O operador de pregão preenche um boleto de operações (Figura 3) que é levado pelo auxiliar de pregão para a outra parte conferir e assinar. sempre haverá um contrato comprado. coleta as assinaturas e procede ao registro. o número de contratos vendidos se igualará ao número de contratos comprados.

A literatura também diz que o hedger não está preocupado apenas em garantir preços mas em otimizar ganhos observando movimentos da base (este conceito será explorado mais oportunamente).Operações básicas nas bolsas São duas as operações básicas nas bolsas: hedge. distribuidoras.Fluxo de operações no pregão. exportadoras. 16 15 .). A definição clássica de hedge 16 é ato de procurar proteção para quem tem o produto (produto rural. que é colocar uma cerca.) ou tem interesse no produto para usá-lo como matéria-prima (torrefadoras. proteção ao redor. fábricas de ração. armazenadores. etc. Exemplo de hedgers no mercado de boi gordo: pecuaristas. usinas. indústrias processadoras e comerciantes de carne. indústrias de óleo.5 . cooperativa.74 FLUXO DE OPERAÇÃO CLIENTE A ORDEM DE COMPRA OPERADOR DE PREGÃO A COMPRA AUXILIAR DE PREGÃO A OPERADOR DE MESA DA CORRETORA A OPERADOR DE MESA DA CORRETORA B OPERADOR DE PREGÃO B VENDE POSTO DE REGISTRO CLIENTE B ORDEM DE VENDA AUXILIAR DE PREGÃO B Figura 4 . Hedge vem do Inglês to hedge. frigoríficos. frigoríficos. etc. 2. operação de proteção de preços e especulação 15.

75 Uma vez posicionado no mercado futuro. o lucro estaria assegurado. uma indústria procuraria garantir a margem conhecendo ou o custo de aquisição da matéria-prima (hedge de compra da matéria-prima) ou garantindo preço de venda do produto (hedge de venda do produto). no pregão subseqüente. Quer dizer. participem desse mercado por meio de grande variedade de estratégias operacionais. Esse sistema de liquidação diária não só permite que os hedgers utilizem os mercados futuros. pois o investimento realizado na compra futura da mercadoria se valorizou e pagam ajuste à medida que os preços futuros caiam aquém da posição anterior. . os mercados futuros desenvolveram um mecanismo denominado ajuste diário. Um produtor também poderia também garantir a margem se. Vendedores recebem ajuste diário se o preço futuro for negociado abaixo de sua posição anterior. mas também que outros investidores com objetivos distintos. Ao negociarem contratos para um mês futuro. De acordo com a definição. pois o mercado espera que a mercadoria física se desvalorize e pagam ajuste diário se o preço futuro subir além da posição anterior. conhecido o custo de produção. de acordo com elevações ou quedas no preço futuro da mercadoria. se. Outro aspecto é que o ajuste diário implica que o risco de todo o sistema (Bolsa e participantes do mercado) fique circunscrito a um só dia. em que os vendedores e compradores acertam a diferença entre o preço futuro anterior e atual de forma diária. Da mesma forma. tivesse já assegurado o preço de venda numa exportação. por exemplo. os compradores recebem ajuste diário se os preços futuros subirem acima da posição anterior. vendedores e compradores deverão ajustar suas posições de acordo com a nova realidade. uma vez que conseguisse travar o preço de compra da matéria-prima. para diminuir o risco de não cumprimento do contrato. já que a mercadoria física deverá valer menos no vencimento. o preço do vencimento em questão variar. se ela. pudesse travar o preço de venda do produto através de uma operação de hedge de venda. poderia garantir sua margem fazendo um hedge de venda de soja na bolsa. como especuladores e arbitradores. Uma trading que compra soja antecipada. pois a mercadoria física deverá estar se valorizando. pagando ou recebendo um valor financeiro referente à variação do preço futuro.

apesar de facilitadora. para facilidade da explicação. O produtor dá uma ordem a seu corretor para vender 10 contratos futuros de soja na BM&F. é irreal. vamos considerar que o preço da commodity caiu entre a data do início da operação e o encerramento da mesma conforme mostrado na figura 6 17/novembro/05 vende contratos p/ maio/06 a US$ 12. . Esta hipótese que. época em que deverá estar colhendo.6 .89/sc para maio de 2006. No primeiro cenário.89/sc 13/04/06 preço maio06 vai a US$ 12. dia 17 de novembro de 2005 está preocupado com o comportamento do preço da soja até abril.50/sc Figura 6 . será descartada mais à frente quando definirmos o conceito de base.76 2.Exemplo de hedge de venda com cenário de queda de preços. com vencimento em maio de 2006. Após a ordem. Vamos supor alguns cenários entre o momento da operação e o vencimento do contrato e. o corretor apregoa e consegue o valor de US$ 12.Exemplo de hedge de venda Vamos supor que um produtor de soja localizado em Tangará da Serra/MT. vamos assumir que o preço na cidade onde será negociado o produto e o preço na bolsa sejam os mesmos.

com cenário de queda de preço. Ele venderá mais barato e receberá da bolsa. Hedge de venda em 17/11/05 a US$ 12. ou melhor dizendo.77 Toda a operação com mercados futuros pode ser resumida na Figura 7. não precisa ser o caso e quase nunca acontece). . o que. para facilitar o raciocínio. O produtor vende seu produto mais barato (lembrando-se que. os quais somados ao valor obtido pela venda do produto. necessariamente. resultam no valor segurado com a operação.89/sc Preços Maio06 caíram para US$ 12.Resultado para o hedge de venda (short no futuro).50/sc 12.89 US$/sc preço objetivo US$ 12.50/sc (VENDE LOCALMENTE) = + RECEBEU US$ 0. assumiu-se que o preço na cidade é o mesmo da bolsa. através da Bolsa.39/sc NA BOLSA (AJUSTES DIÁRIOS) Figura 7 . os ajustes diários.

O que acontecerá agora? O produtor venderá mais caro.50/sc 17/novembro/05 vende contratos p/ maio/06 a US$ 12. que os preços futuros subiram entre novembro e abril. Este raciocínio está resumido na Figura 9.78 Vamos assumir agora. conforme mostrado na Figura 8. .Exemplo de hedge de venda com cenário de elevação de preços. neste mesmo exemplo.89/sc Figura 8 . descontará o que pagou de ajuste diário na bolsa e o líquido será o preço que ele pretendia garantir no início da operação. 13/04/06 preço maio06 vai a US$ 13.

79

Hedge de venda a U$ 12,89/sc Preços Maio subiram para US$ 13,50/sc

12,89 US$/sc preço objetivo

US$ 13,50/sc
(VENDE LOCALMENTE)

=

PAGOU

US$ 0,61/sc
NA BOLSA (AJUSTES DIÁRIOS)

Figura 9 - Resultado para o hedge de venda (short no futuro), com cenário de elevação de preço. Desta forma, uma vez fixado o preço na bolsa, seja qual for o comportamento do mercado, aquele preço está garantido (excluindo-se as variações da base que serão discutidas em outro capítulo). No caso de uma operação de venda futura (ficar short, como se diz), se os preços caírem, o vendedor recebe os ajustes diários, se subirem, ele os paga. Graficamente, esta operação pode ser representada como na Figura 10.

80

Saldo
+0,39

12,50

12,89

13,50

Preço Futuro

-0,61

Figura 10 - Fluxo de ajustes diários – Diagrama de retornos para uma posição vendida. A pergunta que o leitor deve estar fazendo é: de onde vêm estes recursos? Da bolsa, do governo? Não, eles vêm da contraparte na operação, o outro lado que, neste caso, comprou os contratos. Vamos assumir que este outro lado da operação fosse uma indústria de ração que utiliza soja como componente de rações. Em novembro de 2005, ela sabia que precisaria de matéria-prima em abril, mas não queria (ou não podia), adquirir matéria-prima naquele momento. Ela então faria uma operação de hedge de compra, digamos a US$ 12,89/sc. No pior dos cenários, se o preço tivesse subido para US$ 13,50/sc em maio, ela compraria a soja mais cara de seus fornecedores tradicionais, mas descontando o que recebeu através da bolsa, obteria o resultado que pretendia (ou podia) pagar. Esta situação está ilustrada na Figura 11.

81

Hedge de compra de soja a US$ 12,89/sc Preços Maio subiram para US$ 13,50/sc

12,89 US$/sc preço objetivo

US$ 13,50/sc
(COMPRA LOCALMENTE)

=

RECEBEU

US$ 0,61/sc
NA BOLSA (AJUSTES DIÁRIOS)

Figura 11. Resultado para o hedge de compra (long no futuro), com cenário de elevação de preço. Graficamente, esta situação pode ser ilustrada como na Figura 12.

82

Saldo

+0,61

12,50

12,89

13,50

Preço Futuro

- 0,39

Figura 12 - Fluxo de ajustes diários – Diagrama de retornos para uma posição comprada. Repetindo, para quem está numa posição comprada (long) no futuro, uma elevação de preços futuros resultará num ganho na bolsa (ajustes diários positivos), enquanto uma queda de preços resultará numa perda (ajustes diários negativos). Resumindo as idéias, pode-se dizer que: 1. 2. Comprado paga se os preços caem, recebe se os preços sobem; Vendido recebe se os preços caem, paga se preços sobem.

Outra forma de resumir é dizer que se os preços forem a seu favor, você paga, se forem contra, você recebe. Sabemos que soa meio estranho, mas é assim mesmo! Situação pior passa

83

o contador da empresa ao ver dinheiro entrando, sem sair produto e dinheiro saindo, sem entrar produto. Além disso, vende-se sem entregar e sem receber, compra-se sem receber o produto e também sem receber dinheiro.

2.7 - Simulação de uma operação em pregão Vamos agora resolver um exercício completo (sem introduzir o conceito de base), envolvendo o que foi explicado até aqui. Suponhamos que uma fábrica de óleo de soja localizada em Primavera do Leste, em abril de 2005, fez uma operação de hedge de compra de 10 contratos de soja na BM&F, com vencimento no mês de setembro. Considerando que cada contrato de soja na BM&F representa 450 sacos de soja, monte uma operação de proteção de preço contra subida de matéria prima utilizando os dados mostrados na Tabela 3. Tabela 3 - Movimentação mercados futuros soja BM&F, contrato setembro05 entre 02 e 06/08/05.
Datas (1) 02/08 03/08 04/08 05/08 VENCTO (2) Set05 Set05 Set05 Set05 PREÇO ABERT. (3) 15,05 15,25 15,00 14,60 PREÇO MÍN. (4) 15,05 15,10 15,00 14,60 PREÇO MÁX. (5) 15,25 15,25 15,00 14,75 PREÇO MÉD. (6) 15,14 15,15 15,00 14,66 ÚLT. PREÇO (7) 15,25 15,10 15,00 14,75 15,25 15,10 15,00 14,75 AJUSTE (8) VAR. PTOS. (9) 0,25+ 0,150,100,25ÚLT. OF. COMPRA (10) 15,20 14,90 0,00 14,65 ÚLT. OF. VENDA (11) 15,30 15,10 0,00 14,80

Fonte: BM&F(2005). A coluna (1) mostra as datas de referência para quais os dados foram coletados. A coluna (3) mostra a cotação da soja no mercado futuro com vencimento em setembro, em cada uma das datas em que os preços foram coletados. As colunas (4), (5) e (6) mostram, respetivamente, os preços mínimo, máximo e médio cotados durante o pregão para os contratos com vencimento nas respectivas datas . A coluna (7) mostra o último preço praticado no pregão daquele dia. A Bolsa precisa de um referencial para ajustar os preços durante o dia. Este é o chamado preço de ajuste (coluna 8). A BM&F considera como preço de ajuste o último

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negócio realizado no call de fechamento 17, melhor oferta de compra ou melhor oferta de compra. Esta regra está mudando e já houve alteração para o contrato de milho 18. Na tabela 4 apresenta-se um exemplo completo incluindo ajustes diários. Vamos supor que um produtor, com o objetivo de garantir um preço que considera adequado para seu produto, tenha dado uma ordem de venda para o seu corretor e ele conseguiu vender 10 contratos para vencimento em setembro a US$ 15,05/sc. No final do dia, houve a apuração do preço de ajuste e o mesmo foi US$ 15,25/sc. A coluna (5) mostra o ajuste total nos contratos negociados, calculado pela equação (1) do contrato: – (PAt – PO) x 450 x n = – US$0,20 x 450 x 10 = – US$900,00 19 Desta forma o vendido terá até às 10:30 horas do dia seguinte para depositar US$ 900,00, representados por um valor negativo na coluna (7)

Os pregões têm horário para abertura, fechamento, onde os contratos são negociados à medida que chegam as ordens, sem preocupação com o mês de vencimento. Na BM&F, o call de fechamento ocorre nos últimos 15 minutos do pregão do dia. 18 O cálculo do preço de ajuste varia de bolsa para bolsa e também entre contratos. Na BM&F, para muitos produtos, o preço de ajuste é estabelecido pelo último negócio registrado durante o call de fechamento ou pela melhor oferta de venda ou de compra. É considerada uma melhor oferta de venda uma oferta para vender a um preço menor do que o último negócio realizado; é considerada uma melhor oferta de compra uma oferta para comprar a um preço mais elevado do que o do último negócio realizado. Se não houver negociação durante o call de fechamento, o preço de ajuste será o do último negócio do dia; se não houver negociação durante o dia, o preço de ajuste será a última oferta de compra. Se não houver negociação nem oferta de compra ou de venda durante o dia e existirem contratos em aberto, o preço de ajuste será o do último dia em que houve negociação. Na BM&F, este processo está mudando e por exemplo, desde o dia 05 de agosto de 2005, o preço de ajuste do milho é a média ponderada das cotações dos negócios realizados no call de fechamento. 19 O sinal negativo foi incluído na equação (1) do contrato porque esta é uma operação de venda. Se fosse de compra, a equação seria mantida no seu formato original.

17

00.00 (PAt-1-PO) = + 900. o produtor continuava posicionado nos mercados futuros. Utilizando-se. um valor superior ao que o produtor queria garantir. chegando a US$ 15. Isto porque. no final do contrato.75 Ajuste Total (5) -(PAt .00 C10Set05 14.(PAt-PAt) x 450 x 10 (porque é uma operação de venda).85 Tabela 4 – Simulação de fluxo de caixa para posição vendida com redução de preços.PAt-1) x 450 x 10 = + 675.00. Assim. o produtor receberia US$ 450. estará valendo US$ 15. a equação (2) do contrato. agora.00 AD = .00 AD = -(PAt .20 x 450 x 10 = . No dia 03 o preço da soja para setembro caiu mais ainda. o qual multiplicado por 450 (número de sacas no contrato) x 10 (número de contratos).05 Preço Ajuste (4) 15.00/sc.900.25 15. O preço de ajuste para aquele dia foi de US$15.15 por saca.PO) x 450 x n = 02/08 03/08 04/08 05/08 V10Set05 -0.10/sc.10. Neste caso. Note que os resultados estão coerentes com a proposta de garantir um preço para o produtor de US$ 15.05/saca.00 +225. encontramos o ajuste total de US$675. chegando a obter resultado financeiro positivo. obtém-se ajuste positivo de US$0. naquele dia. ou seja.00 +1125.00/450 x 10) e obter o valor desejado.00. Data (1) Operação (2) Preço Negociado (3) 15. Ou seja. o produtor receberia US$ 675.00 Fluxo Caixa (6) Fonte: Dados da Tabela 3.00 -900. No dia 03 de agosto.00 -225. dada por AD = . Descontando-se o ajuste já pago no primeiro dia (US$900.00 da Bolsa (ou através da bolsa. ele poderia vender por este preço e descontar os US$ 0. se preferirem).PAt-1) x 450 x 10 = +450.00) ele obteria ainda um resultado líquido negativo de US$ 225.(PAt . em US$. o mercado estava acreditando que a soja.10 15. .05 por saca (US$225. no final daquele dia.80 14.

25. que. somados aos US$ 14. Esta é uma das formas mais comuns de encerramento dos contratos.00.Explorando as informações O site da BM&F traz também muitas informações interessantes que serão introduzidas à medida que forem necessárias.(PAt . .US$1.125. partindo-se do pressuposto de que o ajuste total para a posição vendida deverá ser igual a . por reversão de posição: se estiver vendido.00 no total.00. dentro do mesmo dia.125. teria-se . Para o presente exemplo. que é igual ao valor que o produtor queria garantir no início da operção. no total.(PAt . Já o teste para verificação das contas seria dado por (POencerramento – POinício) ou . pode-se verificar que o produtor recebeu. então o último ajuste seria dado por (PAt .86 Finalmente.PAt-1) = -14. resultaria em +0.PAt-1. no encerramento da operação. o correto seria fazer o ajuste de um dia para o outro e depois. divida pelo número de sacas totais e some ao valor de encerramento da operação.80 = -0.PO) porque a operação de reversão seria de venda. Ele deverá sofrer mais um ajuste diário segundo a equação (1). dá ordem para comprar. conseguindo “comprar” seus contratos por US$ 14.(POencerramento .14.8 . divididos pelo número de sacas hedgeadas (450 x 10) resulta em US$ 0.05 = + US$0.25 x 450 x 10 = US$1.20/sc.POinício) x 450 x n = 0. Simplificando. dá ordem para vender. os quais.20 Observando a coluna (7). Se a operação inicial tivesse sido de compra. Simplificando. igual a (15.75 + 15. US$ 1. que foi exatamente o que obtivemos fazendo a operação diretamente do preço de ajuste do dia anterior para o preço de encerramento da operação (operação abreviada). O ajuste no encerramento da posição será.PAt-1) . 20 Note que.05.00 .75/sc. (PAt .00.80 (projeção do preço da saca da soja naquele momento) fornece exatamente US$ 15. ou seja. Esta é uma forma muito simples de conferir o raciocínio e as contas: pegue então o valor final da coluna (7).75 – 14. Pode-se realizar um teste simples para verificar erro nas contas. vamos imaginar que no dia 05 o produtor encerrasse a operação.(PAt – PAt-1) + (PAt .05 Somando-se os dois.00 = 0. correspondente ao ajuste diário de um dia para outro. se estiver comprado. A Tabela 5 mostra o quadro completo de movimentação para o contrato futuro de soja na BM&F no dia 05/08/05.PO).25 – 0. chega-se a PO . Outra forma de examinar os cálculos seria seguir exatamente as fórmulas (1) e (2) do contrato no momento do encerramento da operação: .PO).125.20 por saca ou US$ 900. 2.PO) = 14. esta operação abreviada justifica-se porque dispensa a necessidade de esperar o preço de ajuste do dia para o cliente saber o resultado da operação. tem-se (PAt-1 – PO).80) = +0. pela diferença entre o preço de ajuste do dia anterior e o preço de encerramento da operação (PAt-1. portanto.25 por saca.

87 Tabela 5 .00 0.752 642.25+ 0. Dados VENCTO (1) SET5 NOV5 MAR6 ABR6 MAI6 CONTR. OF.85 ÚLT.75 15.200.517 0 0 86. 14.20 13.00 13.65 0. 14.60 15.08 0. (6) 243.10 0. (2) 777 920 306 104 138 (1) Volume CONTR. (4) 3 11 0 0 3 (1) (2) Contratos em aberto na abertura do dia.20 0. .80 PREÇO MÍN.60 13.85 PREÇO MÉD.6 0. cotação = US$/ 60 kg . Contratos em aberto no fechamento do dia. FECH.80 13.80 0.75 15. COMPRA 14.00 0. Fonte: BM&F (2005). (5) 16 41 0 0 6 VOL.00 0.75 15.85 14.20 0.00 13. PTOS.00 13. ABERT.200.00 0.326 PREÇO ABERT.00 ÚLT. contrato = 450 sacas.85 AJUSTE VAR. 0.60 15.Cotações para o contrato futuro de soja na BM&F. dia 05/08/2005.150. 14. 14.00 14.00 0.10 14. VENDA 14. PREÇO 14. OF. NEGOC.10 0.00 NÚM.15ÚLT.00 13.00 13. NEGOC. (3) 787 942 306 99 138 (2) Dados CONTR.80 15.80 PREÇO MÁX.00 0.00 13.66 15.

respectivamente. por exemplo. Fevereiro=G. Maio=K. inicialmente. Bcomprado=5 Avendido=5. Vamos supor que B resolveu encerrar sua posição e vende seus contratos para Vencimento em aberto é um termo utilizado para denominar meses em que já há contratos sendo negociados. 5 contratos tenham sido negociados. No site da BM&F. Outubro=V. Dezembro=Z. Na CBOT. internacionalmente. a única alteração ocorrida foi que A ficou “amarrado” com C sem se conhecerem e sem tomarem conhecimento do fato (a Clearing acompanha esta movimentação). encontram-se o mês e o ano (Set05 quer dizer setembro de 2005. usa-se outra nomenclatura: Janeiro=F. Ccomprado=2. este número pode se alterar conforme mostrado na Tabela 7. Tabela 7 . O número de contratos em aberto não se encerrou. Em seguida.88 A coluna (1) mostra os vencimentos em aberto naquele dia 21 e podemos ver que já haviam contratos negociados até maio de 2006. Avendido=0. Agosto=Q. Setembro=U. Avendido=2. que estava fora do mercado e assumiu sua posição. 21 . Contrato em aberto é um contrato que foi negociado mas ainda não foi encerrado.Movimentação teórica de contratos em aberto Vende para A vende 5 B vende 2 B vende 3 C vende 2 Compra B compra 5 C compra 2 A compra 3 A compra 2 Situação Avendido=5. Julho=N. Junho=M. dependendo da situação de quem compra ou vende. Novembro=X. 5 contratos foram vendidos e 5 foram comprados. por exemplo). Partindo-se de um mês em que não haja nenhum contrato em aberto e que. Bcomprado=0. Março=H. soja para setembro de 2005 seria representada por SYU5. mas. A tabela 7 dá um exemplo do funcionamento lógico de acompanhamento dos contratos em aberto. isto é. B vendeu 2 contratos para C. Ccomprado=2. Bcomprado=3. As colunas (2) e (3) mostram os contratos em aberto na abertura e fechamento do dia. Contratos em aberto 5 5 Inicialmente A vendeu 5 contratos para B. Ccomprado=0. 0 2 No. abrindo-se 5 contratos.

000 contratos em aberto e negocia ao redor de 1. o número de contratos terá zerado. De qualquer forma que se olhe.89 A. Conforme apresentado anteriormente. quanto mais contratos em aberto existirem.9 – Custos de operação Os custos envolvidos nas operação de compra e venda de contratos é um tópico que merece ser discutido mais detalhadamente com seu corretor. 2. Taxas Operacionais Básicas (TOB). e. fixado em 20% da TE. a falta do produto para entrega e liquidação do contrato. Se os dois resolverem encerrar e fizerem negócio entre si no pregão. tendo A e C nas duas pontas. Assim. ou comissão do corretor. ou seja. Nos mercados futuros utilizamos muito o conceito de liquidez que se refere ao número de contratos em aberto. apenas fornecer uma explicação geral. 3. restariam apenas 2 contratos em aberto. estes custos são pagos na entrada e na saída da operação e também por compradores e por vendedores. Conforme visto no contrato. Neste caso.000 contratos por dia. Ela é fixada pela Bolsa em 0. a TOB deveria ser calculada com referência no preço de ajuste do dia anterior do contrato com vencimento em novembro. Diz-se que um mercado é líquido quando possui cerca de 4. pretendemos-se aqui. percebe-se que o mercado de soja ainda é um mercado com pouca liquidez na BM&F. são estipuladas em 6. É importante também se ter uma idéia . Em certas situações pode ocorrer o que se denominou squeeze.32% da TOB. para operações realizadas a partir dos dados apresentados na Tabela 11. Assim. portanto. Taxa de Emolumentos (TE): são as taxas que mantêm a Bolsa funcionando e Taxa de Registro (TE).3% calculado sobre o preço de ajuste do dia anterior do segundo vencimento em aberto. Embora pouca ou raramente utilizado. existem três custos para se operar na BM&F: 1. é o quinhão do governo. mais liquido será o mercado e mais fácil será entrar e sair dele. 2. pode haver a entrega física nos contratos futuros.

Custo no início da operação2 • Taxa Operacional Básica (TOB – 20. .25 21. Tabela 8 – Custos de Operação Itens 1.05/saca x 450 sacas = US$ 6.30% do preço de ajuste do dia anterior do segundo vencimento em aberto • • Taxa de Emolumentos (TE): 6.50.49 43.28 1.80.772.05 e US$14. Assim. Isto representaria um volume de negócio de US$ 6.32 corretagem): 0.26 21.25 por contrato e dado que o gasto seria de US$ 43.86 19.32% da TOB Taxa de Registro (TR): 20% da TE 0.64% do volume negociado. O valor base utilizado para os cálculos foi US$ 15. vamos considerar como US$ 14.26 Valores aproximados. 22 Média de US$15.35. Custos no encerramento da operação3 • Taxa Operacional Básica: 0.30% do preço de ajuste do dia anterior do segundo vencimento em aberto • • Taxa de Emolumentos (TE): 6.32% da TOB Taxa de Registro (TR): 20% da TE 0.716.35 TOTAL 2 TOTAL DOS CUSTOS DE OPERAÇÃO POR CONTRATO (450 SACAS DE 60 KG) 1 2 US$/contrato1 1. pode-se dizer que operar na BM&F custa ao redor de 0.93 22 o valor médio garantido entre a entrada e a saída da operação.90 de quanto eles representam na operação como um todo.98 TOTAL 1 2. A Tabela 8 apresenta um maior detalhamento dos custos de operação.

ouro. ações ou títulos do governo. A Margem como já dissemos é uma garantia do sistema e só será utilizada caso o cliente se torne inadimplente. A Tabela 9 mostra as margens de garantia requeridas no dia 11 de agosto de 2005. dentro de cenários preestabelecidos pelo Comitê de Risco da Bolsa.17 1.39 . As Margens de Garantia podem variar de acordo com a volatilidade do mercado.049.77 1. 11 de agosto de 2005. Hedger (R$) Contrato Vencimento Comprado Vendido FUT . quanto mais o mercado estiver oscilando.045.SOJ .91 3 O valor base utilizado para os cálculos foi US$ 14. A Margem de Garantia fica depositada na bolsa até o término da operação e serve para cobrir uma eventual falha no pagamento do ajuste diário.39 1.114.114.SOJA NOVA FUT .045. Tabela 9 .SOJA NOVA FUT .58 1.SOJ . A Bolsa aceita depósito em dinheiro. 2. a margem é devolvida.049. Trata-se de um depósito (em dinheiro ou em ativos aceitos pela Bolsa) exigidos de todos os clientes para cobrir o risco de suas posições. certificado de depósito bancário (CDB). carta de fiança.Margens de garantia Para garantir que esses ajustes diários sejam honrados pelos participantes. É muito importante não confundir Margem de Garantia com a necessidade de recursos para fazer frente aos ajustes diários. isto é.SOJA NOVA SET5 NOV5 MAR6 ABR6 MAI6 1.00.77 1.58 1.73 1.660.Margens de garantia para soja.114.SOJA NOVA FUT . maiores podem ser as margens necessárias para manter a segurança do sistema e garantir todos os recebimentos. Encerrada a operação e todos os compromissos sido saldados.SOJ .SOJA NOVA FUT .114.SOJ .153.10 .153. a Bolsa exige que cada cliente tenha uma margem de garantia. enquanto os recursos para ajustes diários são necessários para pagar eventuais ajustes negativos.SOJ .17 1.73 1.80/saca x 450 sacas = US$ 6.

a possibilidade de ter que receber um produto sobre o qual não tenha nenhum conhecimento e também a tributação incidente na operação se constituem em fatores inibidores de atuação. Outro fator menos visível diz respeito à elevação do . eles são vendidos ou comprados. Do ponto de vista do investidor financeiro. 2. Nesta Tabela pode-se ver que a margem pode variar de acordo com o vencimento do contrato e também. elemento fundamental para assumir riscos e dar liquidez aos contratos agropecuários. de desacordos quanto ao padrão do produto. se o mercado estiver subindo muito. O mercado chama essa alteração.11. de “reforço de margem”. o cliente ordena à corretora que venda/compre de volta seus contratos se estiver. comprado/vendido no mercado. os contratos serão ofertados e encontrando-se interessados. A corretora transmite então a ordem para o pregão. respectivamente. a posição do cliente é zerada naqueles contratos que foram efetivamente revendidos/recomprados. por exemplo. pela posição assumida.92 Fonte: BM&F. quando um cliente dá uma ordem inversa à que está posicionado para o mesmo mês e a mesma sendo efetuada. O princípio de funcionamento é que. Liquidação por entrega/recebimento: A formação de lotes em concordância com as exigências do contrato futuro para entrega pode não ser tarefa fácil em virtude. os comprados podem ser chamados a depositar mais margem. Outros fatores também podem ser problemáticos nos contratos que prevêem entrega física tais como aspectos tributários e legais decorrentes de compradores e vendedores estarem situados em regiões diferentes e custos de transportar o produto para o ponto de entrega. enquanto que se estiver caindo muito. 2. indevidamente. Assim. os vendidos podem ser chamados a depositar mais margens. Formas de encerramento das operações Podem existir três formas de encerramento das operações nas bolsas de futuros: 1. Reversão da posição: neste caso.

as posições são encerradas através de uma operação inversa. • Sejam evitadas quaisquer possibilidades de manipulação nas informações que suprem a base de cálculo do Índice de Preços. existe um período onde o mesmo deverá manifestar suas intenção de entrega. • com a Finalmente. prejudicando os produtores que tenham feito hedge. Isto pode elevar os preços muito mais do que na Bolsa. É importante lembrar que a opção de entregar o produto é do vendedor e para isto. diminuindo a variação e permitindo a previsibilidade da base. os custos de transação da liquidação financeira com a liquidação pela entrega física. devendo-se discutir quantos e quais mercados incluir no mesmo e quais serão as formas de ponderação. é preciso que: • O Índice de Preços utilizado represente de forma acurada os preços correntes no mercado físico. onde se faz um ajuste final em relação ao Indicador. Neste caso. seria desejável que os utilização do Índice de Preços devem ser menores do que aqueles incorridos mesmos fossem menores do que os custos de outras formas contratuais. Para ser aceito pelo mercado e ter sucesso. Liquidação financeira de posições em aberto. com uso dos Indicadores de Preços. Os contratos com liquidação financeira utilizando índices de preços baseados em preços físicos.93 risco de base que os hedgers de venda podem sofrer. foram concebidos para superar estes problemas. independentes do mercado futuro. Por exemplo. depois do último pregão. • Haja um convergência de forma consistente do Índice de Preços para o preço físico no vencimento do contrato. vendidas ou compradas. idealmente. imagine-se que as necessidades para entrega se concentrassem predominantemente numa determinada região. A composição do índice é importante. 3. .

são atraídos como compradores do risco na contraparte do seguro de preço. As vantagens da utilização do indicador são: • Na liquidação dos contratos é mais transparente para compradores e vendedores. Sentindo-se livres de entregas não desejadas. pelo menos na liquidação. • Apenas aqueles efetivamente interessados na entrega e recebimento do boi promovem a liquidação em curral único de Araçatuba sob a supervisão da Bolsa. sem importar a distância do ponto de entrega. • Viabiliza a participação dos envolvidos na produção e comercialização de carne bovina em qualquer ponto do país. (b) acompanhar a tendência dos preços regionais. outros participantes. inclusive os institucionais. para refletir mais facilmente o preço de . credibilidade e eficiência. um indicador de preços deverá refletir (a) o preço de negociação. • As distorções fiscais provocadas pelas políticas fiscais dos Estados não comprometem o resultado do hedge. deve-se levar em consideração duas características fundamentais: maximização de aceitação pelo mercado na sua fase de concepção e implementação.94 Este tipo de contrato continua oferecendo as mesmas vantagens em termos de fixação de preços. preservando-se as relações de negócios já estabelecidas. • Não há possibilidade de distorcer a liquidação final. Para um indicador ser visível também é necessário que a variabilidade dos preços das praças em relação ao indicador seja a menor possível. No que diz respeito à visibilidade. reforçando-se o aspecto de que os mercados futuros devem ser utilizados como um referencial de preços e as compras e vendas devem ser feitas nos clientes tradicionais. O CEPEA apoia-se em três aspectos que devem ser considerados na análise da aceitabilidade de um indicador de preços: visibilidade. No cálculo de indicadores de preços. pois o preço usado é uma média de cinco dias. e minimização das insatisfações quando da rotina de seu cálculo diário.

Visibilidade é uma característica de confiabilidade.95 negociação. A participação de cada região é definida pela soma dos volumes de abate das unidades que possuem cadastro no Serviço de Inspeção Federal . A variabilidade dos preços é muito maior quando se utiliza um indicador nacional do que quando se utiliza um indicador regional. desta forma.cepea. isto é. observando alguns preços indicativos: a) b) c) a partir dos preços regionais prevê-se a tendência do indicador a partir do indicador prevê-se a tendência dos preços regionais a partir de uma série histórica do indicador prevê-se o comportamento do próprio indicador Para que um indicador seja considerado eficaz. Assume-se que o diferencial do preço físico em relação ao indicador vai se comportar dentro de padrões esperados.SIF. onde os participantes do mercado acreditam no indicador. Bauru/Marília e São José do Rio Preto. Tem-se. o risco de base deva ser menor que o risco de preço. 2) Os pesos de cada região na composição do Indicador são definidos com base nos dados de volume de abate dos frigoríficos amostrados .atualizado mensalmente. Araçatuba.esalq. um painel mensal de ponderação que leva em conta os padrões sazonais de abate de cada . consideradas no levantamento do dia.br) 1) Os preços do boi são coletados em quatro regiões do Estado de SP: Presidente Prudente. é necessário que as operações de hedge sejam bem sucedidas. A credibilidade tenta definir a capacidade dos participantes do mercado em prever uma certa tendência futura.usp. a seguir. têm plena confiança de que as oscilações do indicador serão acompanhados por seus preços regionais. Apresenta-se. um resumo dos procedimentos para cálculo do Indicador de Preços do Boi Gordo segundo informações obtidas no site do CEPEA (http://www. Para isto.

3) Quando uma unidade sai da amostra. d = data de vencimento do contrato. d–4 = quarto dia útil anterior à data de vencimento do contrato. serão liquidadas pela BM&F na data de vencimento. relativo ao último dia de negociação.Operando soja em Chicago (CBOT) . Os valores relativos à liquidação da posição por índice de preços serão liquidados financeiramente no dia útil subseqüente ao último dia de negociação.96 região. Desta forma. devido à falta de relato do preço ou exclusão pelo critério estatístico. 2. Quanto à liquidação por índice de preços. apurado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) e divulgado pela Bolsa em seu Boletim Diário. as posições em aberto. que não atenderem às condições necessárias à liquidação por entrega. expresso em reais por arroba líquida. após o encerramento do pregão do último dia de negociação. na mesma quantidade de contratos.12 . pelo preço calculado de acordo com a seguinte fórmula: onde: POi = preço da operação relativa à liquidação por índice de preços. de acordo com a participação dos frigoríficos na amostra. mediante o registro de operação de natureza (compra ou venda) inversa à da posição. expresso em reais por arroba líquida. o sistema de ponderação pode modificar-se diariamente. IBG t = Indicador de Preço Disponível do Boi Gordo ESALQ/BM&F. o peso relativo dessa unidade é redistribuído entre as demais.

mini Wheat (contrato mini de trigo). contrato Chicago).cbot. 12/08/05 A Tabela 10 mostra que são negociados Corn (milho).000 bushels. Soybean Oil (óleo de soja). Deve-se destacar que a soja negociada é a número 2 amarela para entrega em Chicago. É então importante lembrar que as cotações de soja na CBOT são válidas para o porto de Chicago e para serem comparadas com as cotações brasileiras. Soybean Meal (farelo de soja). ou seja.Commodities agropecuárias negociadas na CBOT. devem ser internalizadas. originando uma base geralmente negativa.97 É na Chicago Board of Trade (CBOT) onde se reúne hoje o maior volume de operações com soja no mundo. Rough Rice (arroz em casca). Wheat (Trigo). SA Soybeans (soja. o . Fonte: www. O contrato de soja com base em Chicago é o mais negociado no mundo e a bolsa apresenta um resumo em Inglês e outro em Português devido ao grande fluxo de brasileiros que operam naquela bolsa. A cotação é em cents de bushel por libra peso e a unidade de negociação dos contratos é de 5. chegando a movimentar 14 vezes a produção mundial de soja.com Tabela 10 . Soybeans (soja. mini Corn (contrato mini de milho). Oats (aveia). Ethanol (álcool). A tabela10 mostra as commodities agropecuárias negociadas na CBOT. contrato Latino-americano). mini Soybeans (contrato mini de soja).

março. maio. and 3 Variação mínima de apregoação US$ 0. A Tabela 11 apresenta um resumo do contrato de soja negociado na Chicabo Board of Trade (CBOT).50 (doze dólares e cinqüenta centavos de dólar dos Estados Unidos) por contrato Cotação Centavos e quartos de centavo de dólar dos Estados Unidos da América. julho. nº 3 amarela (*) a US$ 0.6:00 a.000 bushels Tipos para entrega Nº 2 amarela (*) ao par.m.m.1:15 p. nº 1 amarela (*) a US$ 0.98 preço equivalente ao da soja CBOT em qualquer cidade do Brasil deve ser menor do que aquele cotado em Chicago. agosto Último dia de negociação Dia útil anterior ao 15º dia do mês de vencimento do contrato Último dia de entrega Segundo dia útil após o último dia de negociação do mês de vencimento Horário de negociação Pregão viva-voz: 9:30 a. novembro.S. de domingo a sexta. ou US$ 12. . 2.0025 (um quarto de centavo de dólar dos Estados Unidos) por bushel. exceção feita a produtos estrangeiros. (horário de Chicago). Veja Capítulo 10S – Contrato Futuro de Soja na seção de Regras & Regulamentos). de segunda a sexta Eletrônico: 7:31 p.06 (seis centavos de dólar dos Estados Unidos) por bushel acima do preço do contrato. janeiro. Símbolos Pregão viva-voz: S Eletrônico: ZS Limite de preço diário . Negociações de contratos em vencimento encerram-se ao meio-dia do último dia de negociação.m.Contrato futuro de soja na CBOT Unidade de negociação 5. Meses de vencimento Setembro.06 (seis centavos de dólar dos Estados Unidos) por bushel abaixo do preço do contrato (nº 3 somente é aceita para entrega quando todos os fatores forem iguais ou melhores ao do tipo nº 2. . Tabela 11 . (horário de Chicago). yellow Nº 1.m. (*) padrão adotado nos Estados Unidos: U.

ou US$ 2.500 (dois mil e quinhentos dólares dos Estados Unidos) por contrato.99 US$ 0. a CBOT lançou um contrato de soja para a América do Sul com as características descritas na Tabela 12. . acima ou abaixo do preço de fechamento do dia anterior.50 (cinqüenta centavos de dólar dos Estados Unidos) por bushel. Em maio de 2005. Não há limite de preço no mês de vencimento (limites são suspensos dois dias úteis antes do início do mês de vencimento).

A coluna (4) mostra os contratos encerrados financeiramente e a coluna (5). A coluna (1) mostra os meses com contratos em aberto. os contratos encerrados por entrega/recebimento. mas traz uma grande vantagem: FOB (ponto de entrega no Brasil). Isto elimina o componente “prêmio” do Porto e torna muito mais visível o processo de fixação de preço.000 bushels. A Tabela 13 mostra o número final de contratos de soja em aberto (open interest) na CBOT no dia 11 de agosto de 2005.Contrato Futuro da CBOT para Soja Sul-Americana Vale à pena ressaltar que a soja especificada no contrato é padrão ANEC para entrega no Porto de Paranaguá ou de Santos mediante deságio. Ela também é contada em cents de dólar por libra peso e o contrato mede 5. obtém-se o volume total negociado naquele dia (404 para contrato com vencimento em agosto). A coluna (2) mostra o total de contratos negociados de forma eletrônica. É um contrato novo que merece ser estudado com cautela. enquanto a coluna (3) mostra o volume de contratos negociados no pregão viva voz. . Somando-se tudo.100 Tabela 12 .

766 Give Ups (7) Trans (8) Open Interest At Close(9) 3 577 8.344 2.893 139 89 282 52 0 0 133 0 10.862 11.168 3 20 559 0 125 0 0 0 0 0 0 707 349 25. 2005 08:04 CDT Fonte: CBOT .361 949 1.101 Tabela 13 – Total de contratos futuros de soja negociados na CBOT.298 05Aug 05Sep 05Nov 06Jan 06Mar 06May 06Jul 06Aug 06Sep 06Nov 07Nov TOTAL 2 35 838 39 4 23 1 0 0 0 0 942 397 5.326 448 5 0 493 1 39.785 12.322 945 1. 11 de agosto de 2005.464 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Total Volume (6) 404 5.922 30 256.838 27.032 5.448 Change (10) -197 +536 +606 -18 +170 +125 -36 -1 Unch +112 +1 +1.941 2.119 26.935 217 61 4.210 183.045 12.360 Table generated August 12. Month (1) Electronic (2) Open Auction (3) Cash Exch (4) Wholesale Trades (5) 5 684 759 0 0 16 0 0 0 0 0 1.287 447 5 0 493 1 37.

102 A Tabela 14 apresenta uma tabela do site da CBOT que mostra os preços praticados durante o dia 11 de agosto de 2005. temos a cotação na abertura (4). preço de ajuste do dia anterior (8). limites máximos e mínimos. obtém-se as opções para este vencimento (mercado de opções será visto em outro capítulo). preço de ajuste (8). A coluna (1) mostra os meses de vencimento e apresenta dois tipos de figuras: clicando na figura clicando na figura obtém-se o gráfico de comportamento dos preços naquele dia. Em seguida. . preço mais baixo (6). A coluna (3) mostra a variação do último negócio realizado neste vencimento em relação ao ajuste do dia anterior. A coluna (2) mostra os últimos negócios realizados (Last 1) e o penúltimo negócio realizado (Last 2). preço no fechamento (7). preço mais alto (5).

. em cents de US$/bu. 2005 09:40 CDT = Chart Fonte: CBOT.103 Tabela 14 . Exp (1) 05Aug Last 1 Last 2 (2) 648'0 9:37 647'0 B 9:37 647'4 9:39 648'0 9:39 655'2 9:39 655'0 9:39 660'4 9:39 660'0 9:38 659'0 9:37 658'0 9:37 655'0 9:39 654'0 9:37 655'0 9:39 654'0 9:37 Net Chg (3) +7'0 Open (4) 634'0 9:30 High (5) 648'0 9:37 Low (6) 634'0 9:30 Close (7) Settle (8) Prev Settle (9) 641'0 Hi/Lo Limit (10) 05Sep +4'2 638'0 638'4 9:31 644'2 647'0 9:33 650'0 652'0 9:31 650'0 652'0 9:31 647'0 649'0 9:32 649'0 648'0 9:33 627'4 626'0 9:34 648'2 9:38 638'0 9:30 643'2 693'2 593'2 05Nov +5'0 657'0 9:37 644'2 9:30 650'2 700'2 600'2 06Jan +5'6 661'0 9:37 650'0 9:30 654'6 704'6 604'6 06Mar +3'4 659'0 9:37 650'0 9:31 655'4 705'4 605'4 06May +3'6 655'0 9:39 647'0 9:32 651'2 701'2 601'2 06Jul +3'0 655'0 9:39 648'0 9:33 652'0 702'0 602'0 06Nov Unch 627'4 9:34 626'0 9:34 624'6 674'6 574'6 = Option Table generated August 12.Preços no mercado futuro de soja na CBOT.

214 kg x ------------. utilize-se o fator 0. Reservou-se a palavra trading para definir genericamente uma empresa que compra e vende mercadorias. estaremos utilizando o fator recomendado pela ANEC. Para que nossa análise fique coerente com a dos traders 24 brasileiros. Utiliza-se também transformar a cotação de cents/bushel para dólares/sc também utilizando-se uma regra de três simples 1 bu ----. embora no mercado brasileiro (ANEC).214 kg x ---60 kg (1 saca) ou x= 2. Os cálculos para internalização estão sistematizados na Tabela 15.02205. aparentemente quando não havia facilidade de cálculo como agora alguém obteve este número e o mesmo se manteve por tradição.104 Vamos agora verificar como interpretar as informações da Tabela 17. multiplicamos a cotação da tela por 0. 23 . uma empresa comercial exportadora.605 /bu. utilizaremos a cotação de soja para janeiro de 2006. 24 Define-se trader ou operador de mercado como a pessoa física ou jurídica que opera nos mercados futuros.367437 para transformar de US$/bu para US$/toneladas. tem-se 1 bu -------------. de opções e derivativos. por regra de três simples.214 kg e então.27. Este número apresenta o seguinte significado: 660+4/8 = 660.20475 ou se quisermos obter direto em US$/sc. 660'4.367454 23.5 cents/bu = US$ 6.27.1000 kg (1 tonelada) A CBOT recomenda utilizar o fator 0. Não existe uma explicação lógica para isto. Um bushel significa 27. Para isto.

chega-se a 0.Sequência para transformação UScents/bushel em US$/sc soja.56 A cotação CBOT significa soja colocada em Chicago. A Tabela 16 apresenta um exemplo dos cálculos de paridade Rondonópolis . tem-se que deduzir custos como transporte. corretagens. Se esta soja for comprada no Brasil.70337 US$/ton)/1000]x60 = US$ 14.56/sc 60 kg Simplificando todas as contas.367454 = 242.02205 660.02205 = 14. para se ter o equivalente na cidade onde o negócio está sendo realizado.5 x 0. perdas.5 x 0. etc. Cotação cents/bu Cotação em US$/ton Cotação em US$/sc Forma abreviada 660´4 = 660+4/8 = 660. .5 660. com vencimento em novembro 2005.105 Tabela 15 .70337 US$/ton [(242.soja CBOT. Note que os cálculos apresentados nessa Tabela podem variar de empresa para empresa.

estiver localizado mais distante de Chicago.00 -20. É importante também perceber que esta diferença entre o preço do produto colocado em Chicago e o preço do produto adquirido em Rondonópolis tecnicamente é chamada base. comissões. Não inclui ganho de performance 2. etc.25% de 14 Isentos R$/ton R$/ton R$/sc 60 kg US$/sc US$/sc % 2.00 705. ela inclui transporte.42 1. ou negativo se o porto for de difícil operacionalização.93 24. o mercado estiver muito comprador.56 613.06 0.106 Tabela 16 – Exemplo de cálculos para internalização do preços da soja para Rondonópolis com referência na CBOT. demanda do mercado interno e externo e inclui também custos do exportador.84 10.367454 259.1875% de 14 R$/ton 0. Fator de conversão ANEC O fator “prêmio” depende da oferta.15 30.37 725.00 166. quebra de transporte. Cambio SYX5 Prêmio US$c/bu Subtotal Conversão para tonelada FOB porto Comissão corretor físico Receita bruta Receita bruta Corretagem de câmbio Despesas portuárias Quebra de transporte Tributos (PIS. De forma geral.53 0.00 413.00 0.47 Observações: 1. Ele pode ser positivo se as condições do porto forem extremamente favoráveis.98 34. etc) Frete para o porto Paridade Rondonópolis Paridade Rondonópolis Paridade Rondonópolis Cotação CBOT Desconto em relação CBOT DRQ5 Soybean Nov-05 US$c/bu (7+8) Fator US$/ton US$/ton US$/ton R$/ton 0.47 15. impostos. COFINS. oferta e .50 258.03 1. etc. Prêmio do porto e algumas destas despesas podem variar 3.

na realidade o hedge quase nunca é perfeito e ainda segundo Hull. 3. Devido a alguma estratégia o contrato futuro poderá ser encerrado antes mesmo da data de vencimento. Geralmente o hedger. Conceito e Importância da Base Conceitualmente.Base 2. Portanto. condições das estradas para transporte. Dessa forma. 2. a base é a diferença entre o preço físico da região onde o hedger encontra-se e o preço negociado em Bolsa. O conceito de Hedge perfeito é aplicado quando na data de abertura de um contrato a base do seu vencimento for conhecida e permanecer a mesma até seu vencimento. 2.13. O ativo a partir do qual é feito o hedge poderá ter diferenças com os especificados no contrato futuro.13. está preocupado em assegurar seu preço de compra ou venda no mercado físico. e será vista com mais detalhes no próximo tópico. Hedge perfeito Conforme já vimos. A base varia de acordo com a época do ano. conseguindo obter exatamente o preço que tinha planejado (Hull. Não se sabe com antecedência a data exata em que o ativo será comprado ou vendido no mercado físico. 2. etc. é para esses agentes do mercado que as variações da base têm maior importância. como por exemplo produtores rurais e cooperativas (geralmente vendendo contratos) e agroindústrias e exportadores (comprando contratos). condições do produto. Porém. etc.107 demanda locais. isto acontece devido aos seguintes motivos: 1. o vendedor ou comprador do contrato eliminaria todo seu risco. 2003). os hedgers são os vendedores e compradores de contratos futuros que ou têm o produto ou têm interesse no mercado.13.1. Segundo a Futures Industry Institute (1998) a base . ao contrário do especulador.2.

A incerteza sobre a base em determinado período futuro é denominada risco de base. As diferenças entre preço futuro e físico podem variar tanto positiva (mesma direção) como negativamente (direções opostas). com precisão. custos de mão-de-obra. No segundo caso. o preço futuro ainda representa o melhor sinalizador de mudanças agregadas de oferta e demanda (Futures Industry Institute. devido ao custo de transporte. mesmo havendo risco de base. Mas segundo a Futures Industry Institute (1995). pode ser expresso do seguinte modo: S1: preço à vista no instante t1. Essa diferença ocorre. Porém. não seria alcançado. os hedgers aceitam eliminar o risco de preço e retém o de base. o preço que se deseja fazer o hedge. segundo Hull (2003). que possui um risco relativamente pequeno. . O primeiro corresponde à diferença do preço à vista onde o hedger encontra-se e os pontos de entrega do ativo (que são especificados no contrato futuro). pois sem seu conhecimento não é possível determinar. apesar dessas possíveis oscilações. mas regionalmente haver uma escassez do produto. relacionado à fatores como custos de armazenagem. Portanto. o propósito básico para operar em mercados futuros. porém as intensidades podem ser diferentes. 1995). principalmente. F1: preço futuro no instante t1. Desta forma. F2: preço futuro no instante t2. S2: preço à vista no instante t2. O risco de base.108 é um elemento crucial. margem de lucro de vendedores e escassez local. Ainda segundo a Futures Industry Institute (1998) a base possui dois componentes principais. que é o de diminuir o impacto das mudanças adversas do nível de preços. como por exemplo no caso de uma demanda global fraca por um certo produto (depreciando os preços futuros). sem este conhecimento. O segundo componente é o valor que o preço à vista no ponto de entrega difere do negociado em futuro. este é muito mais previsível que flutuações de preços da maioria das commodities. Este último. fatos importantes de oferta e procura podem afetar tanto preços futuros como preços à vista. valorizando o preço físico. os preços podem variar em direções opostas. No primeiro caso.

A partir da definição de que base é a diferença entre o preço físico da região onde o hedger encontra-se e o preço futuro. 2. Se a base ao final da operação (b2) for exatamente igual à base prevista no início da operação (b1) tem-se o chamado “hedge perfeito” onde o resultado obtido ao final é exatamente igual ao esperado no início da operação. por exemplo. Definição e cálculo da base A base é definida então como a diferença entre o preço no mercado físico e o preço no mercado futuro no ponto de entrega para um determinado mês de vencimento. b2: base no instante t2. .3.109 b1: base no instante t1. o hedger terá recebido: S2 + (F1 – F2) = F1 + b2 Dessa forma. Assim. Formalmente. a incerteza do hedger está exatamente associado a este valor. ao qual é denominado risco de base. no início do contrato.13. o que o hedger recebe é a soma entre o preço futuro no início do contrato e a base no instante de encerramento do contrato. tem-se: b1 = S1 – F1 b2 = S2 – F2 Considerando-se. a base é definida como: Baset = (Preço no Mercado Físicot – Preço no Mercado Futurot). No instante t2. chega-se à conclusão que no final de uma operação em mercados futuros. Porém. b2 não é conhecido. um hedge de venda que é iniciado no instante t1 (venda de um contrato) e encerrado no instante t2 (compra do mesmo contrato).

por exemplo.110 A base possui três dimensões: tempo. Nas nossas discussões não nos preocuparemos em explicar os componentes da base. A base pode ser positiva. qualidade do produto. ou seja. US$ 2. que tem como ponto de entrega Paranaguá. demanda local. transportar o produto da cidade onde se localiza para o ponto de entrega. pelo custo em transportar a soja do interior para o porto. Isto é explicável. Como exemplo prático. por exemplo. ela pode ser explicada pelo custo de carregamento de um mês para outro. mas em reconhecer sua existência e mostrar como a mesma pode influenciar os resultados das operações com contratos futuros. Isto ocorreria. no Porto de Paranaguá onde pode existir uma demanda particular de exportadores para completarem um navio e evitarem custos com espera no porto. também de 2005. impostos. etc. significando que o preço na cidade é maior do que o preço da bolsa. Embora transporte não seja o único componente da base. barreiras sanitárias. Convencionou-se calcular a base sempre em relação ao primeiro vencimento em aberto. . espaço e qualidade. A Tabela 17 apresenta um exemplo de cálculo da base para a cidade de Primavera do Leste para o mês de janeiro de 2005 com referência no preço do contrato futuro de março. ele é um dos fatores mais importantes. MT. Levantamentos junto a produtores e comerciantes nos permitiram calcular a base para um período curto em janeiro de 2005 e mostrou que o preço naquela localidade estava.65 abaixo do preço na BM&F. veremos a situação da soja em Primavera do Leste. A base pode ser também negativa. significando que o preço na cidade é menor do que na Bolsa. aproximadamente.

05 11. 2.18 -2.95 12.95 12. por ser uma média de preços.10 12. ENFRAQUECIMENTO DA BASE -2 -1 0 1 2 Figura 13 .61 -2. Primavera do Leste Data 10/jan 11/jan 13/jan 14/jan 18/jan 19/jan 26/jan 27/jan 28/jan Base média Preço PrimaLeste US$/sc 9.25 9.95 11.00 12.44 9.Exemplo de cálculo da base. e deve ser analisada juntamente com o desvio-padrão. Costuma-se dizer que a base enfraquece quando torna-se mais negativa e que fortalece quando torna-se mais positiva.32 9.82 BM&F mar/05 11.65 11.33 -2.13.46 -2.11 -2.79 8.69 -2.Comportamento da base .70 -2.26 9. etc.43 8.21 -3.111 Tabela 17 . Comportamento da base e influência sobre a operação de hedge A base pode ser calculada para a safra.65 Base Fonte: Sun Web(2005) e BM&F(2005).70 11.4. A Figura 13 sistematiza estas informações. Ela também não é um valor constante.64 9.52 -3.00 -2. entressafra.59 9.

45 esperados.10 de ajuste diário. Para início de raciocínio. para US$ 12.10 9.65).00/sc e em Primavera do Leste para US$ 10.10 = 11.45/sc (preço objetivo) assumindo-se que esta diferença (base).10/sc.35 em Primavera do Leste e receberá US$ 2. Cotação BM&F final Preço que deverá estar ocorrendo em Primavera do Leste US$ 12. Tabela 18 . Vamos supor que o preço futuro caia.65 abaixo (-US$ 2. A base agora é –US$ 2. Esta operação é resumida na Tabela 18 que se segue. Sabendo-se que a base em Primavera do Leste é 2.00.112 Vamos agora examinar algumas possíveis situações para avaliar o comportamento da base sobre o resultado da operação de hedge.35 +2.10 da Bolsa. ele venderá sua soja a US$ 9. não haverá alteração nos resultados esperados para o hedger.35 + 2. pode-se dizer que. na BM&F. Como resultado final. ele estará garantindo US$ 11. não se altere. completando os US$ 11.1) onde Pobj = preço objetivo ao se iniciar a operação de hedge PN = preço negociado na Bolsa Base = base esperada.00 9. Assim.45 (mesmo que o esperado) Ajustes na Bolsa Resultado Final . geralmente calculada como a diferença média entre o preço negociado no primeiro vencimento em aberto no contrato futuro correspondente ao produto negociado Vamos agora imaginar que um produtor em Primavera do Leste vendeu um contrato futuro de soja para vencimento em Agosto de 2005 a US$ 14.Resultado de operação de hedge de venda com base constante. define-se Preço Objetivo ao iniciar-se a opera-se de hedge dado por Pobj = PN + base (2. caso a base permaneça constante.00 e o produtor receberá US$ 2.

Tabela 20 .10 (menor que esperado) De outro lado. O possível efeito da base sobre o resultado da operação de hedge é mostrado na Tabela 21. melhor do que o esperado (Tabela 23).10 Resultado Final 11. ou seja.00.10/saca para US$ 12. Como resultado final.10 (menor que esperado) Como o preço na bolsa caiu.113 Vamos imaginar outra situação que tenha ocorrido uma queda no preço na Bolsa de US$ 14. A Tabela 22 apresenta o resumo desta operação. a base caiu da média histórica de US$ -2. o produtor receberá US$ 2. tendo como resultado financeiro US$ 11.Resultado da operação de hedge de venda com fortalecimento da base Cotação BM&F final US$ 12.10/saca da bolsa.10 = 11. o preço da saca da soja tenha atingido US$ 9.00 + 2.00/saca mas em Primavera.10/saca de ajuste. enfraqueceu. mas vai vender sua soja por US$ 9. o produtor venderia a US$ 11.00 Ajustes na Bolsa +US$ 2.00/saca.Resultado de operação de hedge de venda com enfraquecimento de base Cotação BM&F final US$ 12. resultando em US$ 13. com conseqüente fortalecimento da base.10 Resultado Final 9. abaixo do esperado. ou seja. Tabela 19 . .10/saca.00/saca. o fortalecimento da base é pior para o comprado e o enfraquecimento da base é bom para o comprado.00 Ajustes na Bolsa +US$ 2.00 Preço Primavera 11.10/saca.00/saca.65/saca para US$ 3.00 + 2. Vamos imaginar agora uma situação onde a cotação na Bolsa tenha caído para US$ 12.00/saca.00 Preço Primavera 9. passando a –US$1.10 = 13. receberia US$ 2.00/saca mas em Primavera caiu menos.

114 .

dependendo da posição que o hedger encontra-se (comprado ou vendido). Existem modelos matemáticos para se determinar o nível ótimo de hedge em função da variabilidade do mercado. compromissos assumidos.” (Futures Industry Institute. fica impossível tomar decisões bem embasadas. mas a regra prática é: i. Dessa forma. qualidade do produto. aceitar ou rejeitar certo preço. o valor da base varia de acordo com custos de transporte. 1998.é muito importante obter informações sobre a base local. associado ao fato da mesma não ser constante e geralmente medido pelo Coeficiente de Variação. nível de risco. 2. deve-se considerar que há um risco de base que pode lhe ser favorável ou não. Faça a melhor análise possível sobre a expectativa do mercado quanto à subida Faça hedge apenas daquela porção da mercadoria que precisa para garantir ou descida de preço. ou quando e como transformar uma base incomum em oportunidade de lucro. Define-se então o chamado risco de base. condições locais de oferta e demanda. pg.Resultado da Base sobre a operação de hedge Hedge Venda Compra Base fortalece Bom Ruim Base enfraquece Ruim Bom Como pode ser observado. . Este volume poderá ser maior ou menor em função do resultado da análise de mercado.14 . quando e para que mês de vencimento hedgear. quando encerrar (ou suspender) um hedge. se e quando armazenar colheitas.. ii. como. se. Sem o conhecimento da base costumeira e de seus padrões para determinadas commodities. uma oscilação na base do início para o final do contrato afeta de maneira inversa o lado comprador e o lado vendedor do contrato. por exemplo.. ao iniciar-se um contrato futuro.115 Tabela 21 . etc.127-128) Conforme já foi dito. “.Nível ótimo de hedge A grande pergunta que se faz é quanto da produção ou da necessidade de insumo deve ser hedgeada.

hedge de álcool e açúcar para contratos de cana. Assim. podem-se usar os contratos da CBOT com os devidos cuidados e nas épocas corretas.116 iii.67 até agosto-setembro e a partir daí. hedge de soja em Chicago para proteção da soja brasileira. Por exemplo. às vezes precisamos administrar riscos. mas nos falta um contrato futuro correspondente. onde a correlação não é perfeita.00. procura-se tirar proveito das . que os preços se movimentam juntos e que as únicas diferenças devemse à qualidade. localização e tempo. ou seja. Para se protegerem. Quanto mais alta a correlação. é preciso que os movimentos nos mercados físico e futuro sejam altamente correlacionados e previsíveis. administradores precisam fazer um cross-hedge. R2 = 1. todavia. Na prática. A situação ideal seria aquela em que a correlação entre os preços dos dois produtos fosse perfeita. Arbitragem Arbitragem é uma operação onde se visa tirar proveito de variações na diferença de preços entre dois ativos ou entre dois mercados ou então. 2. Entretanto.Cross-hedge Até agora se admitiu que as posições nos mercados físicos e futuros são para as mesmas commodities. Como exemplo.16 . diminui. Para as operações de cross-hedge serem efetivas. mais efetiva a proteção do hedge.17. tem-se hedge de boi gordo para proteger gastos com boi magro. ou seja. 2. Vá encerrando algumas posições e assumindo outras à medida que o mercado se O importante é conseguir um preço médio bom e não tentar acertar na mosca do movimenta favorável ou contrário. nem sempre os preços se movimentam em uníssono. iv. ou seja. “melhor” preço.00. sabemos que a correlação entre o preço da soja brasileira e o preço da soja em Chicago é ao redor de 0. tomar uma posição num mercado futuro ou contrato correlacionado onde R2 < 1.

É utilizada quando a diferença de preços entre contratos comprados e vendidos é considerada “fora de sintonia” e basicamente. vamos assumir dois aspectos para facilitar o raciocínio mas que não necessariamente precisam ser verdadeiros: • • Preço está mais elevado no mês mais distante. dividem-se as operações de “spread”em “spread de baixa “ (bull spread). Se este prêmio superar o custo de carregamento da mercadoria do mês presente até o futuro. do mês mais próximo e do mês mais distante. busca-se ganhar com as diferenças nos preços. Os dois preços. mercados de mesmo produto numa mesma bolsa. etc.).117 expectativas futuras de mudanças nas diferenças entre dois mercados. Existem vários tipos de operações de arbitragem: entre mercados do mesmo produto em diferentes bolsas. A lógica da operação consiste em permitir aqueles que se anteciparem e entrarem primeiro no mercado lucrarem com a operação. Define-se então “spread” como a operação de compra/venda e venda/compra simultânea de outro contrato. A existência de “spread” implica por exemplo. quando o trader acha que diferença entre os dois meses está muito grande e que . Tradicionalmente. entre mercados de diferentes produtos (arbitragem entre contratos de soja e farelo de soja. milho e boi gordo. até alcançarem a diferença histórica. cairão. os agentes serão atraídos para este mercado. porém com vencimentos diferentes. provocando o alinhamento dos preços. Esta última operação é chamada de operação de “spread”. reservando-se o termo “arbitragem” para a compra e venda simultânea de uma mesma commodity em bolsas diferentes. Diz-se que surge oportunidade para arbitragem quando os preços estão fora do que seria teoricamente esperado. na existência de um prêmio do mês futuro em relação ao mês mais próximo. Para efeito didático de montagem de operações de “spread”.

Isto poderá acontecer.118 deverá diminuir. por exemplo. Supondo-se que os dois preços caiam. a premissa básica do raciocínio é que o preço no mês mais distante caia mais rapidamente do que no mês mais próximo. com o preço do mês mais distante caindo mais rapidamente do que o preço do mês mais próximo. Neste caso. Spread de baixa Em termos práticos. o trader compra o mês mais próximo e vende o mês mais distante. será compensado por ganhos no outro mês. na tabela 22 coloca-se uma operação day trade com spread de baixa na CBOT . A figura 14 mostra a representação didática da operação obedecendo à linha de raciocínio de o que se perder num mês. Figura 14.

75/bu em set e perda de 1.75 -1. .50 +25. resultando num ganho líquido de 25.50 +0. soja CBOT.119 Tabela 22. Houve um ganho de +26. Suponha-se por exemplo que o operador percebeu que a diferença está muito pequena em relação ao nível histórico e resolve apostar numa alta desta diferença. Spread de baixa.75 Vende 620 Compra 620. day trader Data Soja Set05 Compra USc/bu Soja Mar06 USc/bu 30/08/05 Abertura 30/08/05 Fechamento Resultado 593.75. O resultado final da operação seria um ganho de 0. a premissa básica será que o mês mais próximo deverá cair mais rapidamente do que o mês mais distante. comprando setembro e vendendo março simultaneamente.25 Vende 619.50 +26.00 +25. vendendo-se set05 e comprando-se mar06. acima do que seria considerado normal. Ele então realiza uma operação de spread.25 No dia 20/08/05. Supondo-se que esteja-se esperando uma queda dos dois preços.25 ¢/bu.2525 x 5000 = US$ 1. ele deverá vender o mês mais próximo e comprar o mês mais distante conforme mostrado na figura 2. a diferença diminuiu durante o dia para +0. A operação é então encerrada.50/contrato.50.262.50/bu no contrato de março. Outro tipo de spread é o “spread de alta”ou “bear spread”. Como era esperado pelo operador. Então. um operador observou que a diferença entre os contratos futuros de soja em Chicago de Setembro 2005 e Março 2006 estava +25.

55 .75 -0. soja CBOT.120 Figura 15.70 Compra 14. Tabela 23.20 +0. Spread de alta.60 Vende 15.05 04/07/2005 Compra 14. day trader Data Soja Set US$/sc Soja Nov US$/sc 13/06/2005 Vende 14.10 +0.45 +0.60 Resultado +0. Spread de alta Coloca-se na tabela 23 um exemplo prático de um spread de alta.

é provável que um pouco deste efeito sobre para o outro mês. Ele então realiza uma operação de spread de alta. eventuais perdas no mês vendido poderão ser cobertas por ganhos no outro mês onde estiver comprado. um operador observou que a diferença entre os contratos futuros de soja em Chicago de Setembro 2005 e Novembro 2005 estava em -0. comprando-se set05 e vendendo-se novembro 05.750. 2. estas são algumas das vantagens de operar-se o “spread”: 1. Assim.60. em segundo lugar é porque mesmo que por exemplo o mês mais curto suba ou desça.10/bu em setembro e ganho de +0. vendendo setembro e comprando novembro simultaneamente. Como era esperado pelo operador. muitas vezes ocorrem grandes oportunidades de operar “spreads” enquanto o restante do mercando está apenas olhando os níveis individuais de preços .55¢/bu.00/contrato. O resultado final da operação seria um ganho de 0. Houve um ganho de +0. Deve-se notar que as operações de “spread” são operações especulativas embora de menor risco comparativamente aquelas de simples compra e venda e podem eventualmente dar errado em virtude do comportamento do mercado (veja na seção de exercícios um exemplo de operação que não deu certo). chamadas de margens são menores são menores para spreads do que para posições compradas ou vendidas. operar com spreads pode trazer menos riscos em mercados com alta volatilidade.05 ¢/bu. 3. Em geral.121 No dia 13/06/05. abaixo do seria considerado normal. a diferença aumentou durante o dia para +0. ou seja.2525 x 5000 = US$ 2.450/bu no contrato de novembro. A primeira razão para isto é que não se está apostando numa direção do mercado (de subida ou de queda) para cada um dos meses envolvidos na operação. não precisa acertar na alta ou na baixa de cada um dos mercados. se ele estiver vendido num mês e comprado no outro. A operação é então encerrada. resultando num ganho líquido de 0.

verifique sempre se há liquidez no mercado que lhe permita liquidar a posição a qualquer momento.Especulação Uma definição simples para o termo especulação é estar vendido quando espera. se houver erro no posicionamento.122 É importante. fique de olho nos custos da operação. recebem-se ajustes. Tecnicamente. entretanto. o qual pode ser operado sem comprometer a saúde financeira do especulador. Após feito isto deve-se comparar estas taxas com as que seriam obtidas em investimentos alternativos para se conhecer a real rentabilidade da operação.18 . as bolsas oferecem cotações de spread automaticamente mas às vezes pode haver demora na divulgação dos dados.Diz-se que é um “jogo de soma zero” porque para todos os ganhadores sempre há alguns perdedores. nunca inicie ou liquide a operação de spread uma ponta de cada vez. É um processo que envolve informação. pagam-se ajustes.se que os preços cairão e estar comprado quando espera-se que os mesmos subirão. é importante estabelecer um plano de trabalho e ter disciplina para cumpri-lo. Outro ponto importante a ser lembrado são os custos envolvidos na operação os quais devem ser deduzidos do resultado obtido para se avaliar o real resultado financeiro da operação. tal como estabelecer até quanto pode-se perder ou até quanto pode-se . antes de assumir uma posição especulativa é preciso ter-se um “capital de risco”. análise de mercado e autocontrole. Uma vez que todos especuladores ganham e perdem. especulação é muito mais do que apenas comprar e vender. Assim. Se houver acerto na posição tomada. 2. É importante também se ter um plano de trabalho. recomenda-se: • • • • • nunca coloque uma perna de cada vez na operação de spread. Para administrar suas posições. tentando antecipar movimentos de preços. lembrar que o “spread” não é uma operação sem risco.

um vendido e outro comprado. Os contratos são padronizados e garantidos por uma clearing-house que se responsabiliza pelo cumprimento das obrigações de ambas partes. A diferença entre hedger e especulador é muito tênue.19 . 2. o especulador faz pouco ou nenhum uso de análise fundamentalista (Veja Capítulo 5). em todos movimentos. O especulador faz uso intensivo de informação e geralmente utiliza a análise técnica (grafista) por ser um instrumento de acompanhamento mais rápido e também por trazer. etc. se posicionar no mercado futuro sempre numa posição inversa à que estiver no mercado físico de forma que eventuais perdas num dos mercados serão compensadas por ganhos no outro mercado. compradores e vendedores. que vendeu na bolsa no início do plantio está fazendo uma operação de hedge. O hedger vai. Atua-se na bolsa procurando proteção de preço (hedge) ou especulando. por exemplo). mas 25 Sobre isso. não colocar mais do que um certo valor num só mercado ou contrato. Geralmente. . todo conhecimento dos demais atores do mercado. ele compra. por exemplo). Dois comportamentos são sugeridos: nunca arrisque mais do que o planejado e tenha sempre uma ordem de “stop” pronta com seu corretor 25. então.123 ganhar. compromissos entre duas partes. ele recebe os ajustes. Assim. se realmente subir. ou realizaram operações cujo resultado financeiro depende do comportamento do preço do produto objeto de negociação (troca soja x máquinas. Em toda operação de mercado futuro haverá sempre dois lados. por exemplo. A primeira operação ocorre para aqueles que têm o produto (produtor rural. por exemplo). Já o especulador não tem interesse nenhum no produto e apenas tenta antecipar o movimento dos preços e lucrar com os ajustes diários. veja o excelente artigo do Ivan Sant´Anna: “Controle suas emoções. estão comprometidos com o produto (trading que comprou soja antecipada. se achar que o preço subirá.Conclusões Mercados futuros são mercados onde se negociam contratos. use stops”. Um produtor de soja.

estará especulando. comprará o produto (boi) mais barato e poderá honrar seus compromissos sem perder dinheiro. a partir de então.) . Qual o risco? Comportamento dos spreads (diferença de preços entre bolsas. etc.124 se ele não encerra a operação quando colhe o produto e realiza a venda no mercado físico. em outubro. Qual o risco? outubro. Qual o risco? Indústria de refrigerantes vai precisar de açúcar para cumprir contrato de Confinador compra boi magro em maio para engorda e realiza a venda em Frigorífico. ele estará apenas pagando ajustes sem ter onde recuperar seus gastos. mas realiza a venda. Por exemplo. terá a desvantagem de pagar ajustes se o preço no mercado futuro cair. fecha contrato de exportação para abril. um frigorífico que comprou futuro para garantir preço da matéria-prima. porém. Um ponto muito importante nesta discussão hedge x especulação é que o hedger tem de onde recuperar eventuais perdas no mercado futuro. entre meses de Cobertura de posições Empresa faz compra antecipada e adianta dinheiro para produtor. Qual o risco? Distribuidora de combustível vai precisar de álcool para misturar. Mas se esta mesma operação de compra tiver sido feita por especulador e o preço cair. Qual o risco? vencimento. Algumas possíveis aplicações dos mercados futuros seriam: • • risco? • • • • • • Cooperativa recebe milho a fixar. Qual o seu fornecimento.

q. b. g. ele recebe ou paga antecipadamente na bolsa ? Pode-se utilizar a margem de garantia para pagar o ajuste diário na BMF ? Defina e mostre uma utilização prática de cross-hedge Discuta rapidamente as principais diferenças entre análise fundamentalista e análise técnica ou grafista. responda as perguntas O preço futuro se refere a qualquer região do Brasil ? O que é Margem de Garantia ? Por que alguns contratos são cotados em dolares na BM&F? O que ocorre quando a mercadoria entregue é diferente daquela que foi contratada ? Quando um cliente vende ou compra na Bolsa. d. l. Respostas rápidas a. e. h. Qual a diferença entre uma ordem “stop” e uma ordem “a mercado” ? Apresente e explique rapidamente três vantagens dos mercados futuros em relação aos mercados à termo Explique as diferenças entre análise fundamentalista e análise técnica “As traders preferem operar futuros de soja na CBOT por uma questão de liquidez”. 2. o.125 Exercícios 1. c. A partir das informações contidas no quadro a seguir. m. n. . j. i. k. Discuta a operação de especulação Explique a ordem stop Explique a diferença entre ajuste diário e margem Explique a diferença entre fazer um “own hedge” e um “cross hedge” Explique o significado dos termos “bearish” e “bullish”. f. Discuta. p. r.

que a base em Primavera do Leste é de US$ 2.00 0. .20 140.50 142.00 abaixo. 3.00 141.126 MERCADO FUTURO Dados Volume Dados CONTR.60 142. FECH.00 0.115 224 50 196 4 131 35 0 0 430 26 354 74 0 0 (a) (b) (c) Qual significado de contratos em aberto ? Explique o conceito de liquidez e indique no quadro qual o mês com maior liquidez ? Explique o significado do “preço de ajuste” na BMF especificamente no caso do preço de ajuste do contrato com vencimento em julho de 2005.00 ÚLT. PREÇO ÚLT. VENCTO ABERT. CONTR.812 973 12. CONTR.75 142. Considerando que cada contrato de soja na BM&F representa 450 sacos de soja.30 0.40 138.20 0. NEGOC.60 142. OF. AJUSTE OF. Uma fábrica de óleo de soja localizada em Primavera do Leste fez a seguinte operação de hedge de compra de 10 contratos de soja na BM&F.00 140.00 0.20 141.00 0.15 0.20 145. NÚM.00 140.140 224 50 2. ÚLT.713 6.00 0. ABERT.20 144.00 0.00 0. (1) (2) NEGOC.00 140.15 148.00 0.755 998 12.00 145.00 MAI5 JUL5 SET5 DEZ5 MAR6 SET6 2. monte uma operação de proteção de preço contra subida de matéria prima utilizando os dados abaixo. COMPRA VENDA 138.726 6. PREÇO 139.50 150.00 0.

55 13. OF.050.40 13.85 ÚLT.50 13.77 13.00 0.00 0.70 13. (d) Mostre como faria para ter certeza que não errou nas contas. ÚLT. 13.55 13. .75 Preço Data (1) Operação (2) Compra futuro de 11/04 12/04 13/04 14/04 15/04 soja Venda futuro de soja 13.70 13. OF.50 13.50 13.40 13. PREÇO 13.75 MÁX.50 13.75 0.00 13.70 13.70 13.60 0.50 13.50 13.127 VENCTO PREÇO PREÇO PREÇO PREÇO ABERT. MÍN.70 13.44 13.77 Negociado (3) Preço Ajuste (4) Ajuste Ajuste (5) Total (6) Fluxo (7) Preço em Leste Caixa Primavera do (a) Monte a operação de hedge utilizando a planilha acima (b) Qual foi o comportamento da base no período ? (c) Explique o resultado financeiro da operação com encerramento dia 15/04.03- ÚLT.50 13.50 13.50 13.50 13.78 13.75 AJUSTE VAR.40 13.00 13.50 13.050.70 13.50 13. PTOS.100.50 13. 0.50 13. 13. 11/04 12/04 13/04 14/04 15/04 COMPRA VENDA 0. MÉD.00 13.50 13.40 13.70 13.

128 4. Exercícios com spread (a) Monte um exercício de spread de alta e explique o resultado (b) Monte um exercício com spread de baixa e explique o resultado c) Spread é uma operação de risco ? explique .

A partir das informações contidas no quadro a seguir. responda as perguntas (d) Qual a diferença entre número de negócio e contratos negociados ? (e) o que significa “preço de ajuste” ? explique o preço de ajuste do contrato com vencimento em setembro de 2004.129 5. .

25 43.28 Feriado bancário Sábado Domingo Preço de Ajuste Contrato Abril de 2002 43.79 40.05 42.00 Preço em Nova Esperança 43.93 Feriado Bancário Sábado Domingo 43.00 41.15 41.20/@ e preencha todas as colunas desta planilha de operação (b) Como você poderia se certificar de que não cometeu nenhum erro no preenchimento desta planilha ? (c) Faça o encerramento financeiro da operação.23 41.15 42.14 41. Calcule a base média para o contrato futuro de boi gordo na cidade de Nova Esperança Data 25/março 26/março 27/março 28/março 29/março 30/março 31/março 01/abril Base média Preço de ajuste Contrato Março 2002 44.30 41.17 40.22 41.57 40. um investidor que acompanha café futuro na BM&F percebe que o preço do .65 42.17 C10MAI01 (a) Faça o encerramento da operação por reversão ao preço de R$ 40.00 41.6 41.84 43.30 41.82 42.15 41. O Spread histórico entre o contrato de café fevereiro e março é de US$ 0.98 41. Um produtor de boi fez a seguinte operação de hedge de venda de 10 contratos de Boi Gordo na BM&F (0.82 Base diária 5.50/sc.68 42.130 3.19 Feriado bancário Sábado Domingo 42.13 41.5 pontos cada questão) Data (1) Operação (2) 21/mai 22/mai 23/mai 24/mai 25/mai 28/mai 29/mai 30/mai 31/mai V10Mai01 Preço Ajuste Fluxo Indicador Preço Ajuste Ajuste Negociado Total R$ Caixa R$ Esalq/BM&F R$/@ (4) R$/@ (5) R$/@ (3) (6) (7) R$/@ (8) 40.22 41.21 41.20 43. Dia 25/12/02.15 43. indicando o valor de encerramento da operação e o valor total pago ou recebido por arroba 4.

00/@ abaixo.05/sc (a) (b) No que se baseia a operação de spread ? ela é uma operação de risco ? Monte uma tabela de operação de spread entre estes dois meses.40 e março 2003 está cotado a US$ 54.93/sc enquanto Mar03 está cotado a US$ 55. Um produtor de boi gordo deseja se proteger contra uma possível queda de preços quando estiver no pico da safra em outubro de 2003.23/sc. Verifica os preços nos mercados futuros BM&F para Outubro e decide vender 50 contratos.5 pontos cada questão).00/@.00/@ e encerra a operação na Bolsa ao preço de R$ 60. o preço historicamente situa-se em R$ 2. o produtor decide vender sua produção localmente a R$ 59. Considerando um preço futuro para julho/03 de R$ 57.00% ao mês e base constante ? (b) Qual estratégia deveria ser assumida no mercado futuro pelo investidor ? . abaixo da média histórica. Pergunta-se (a) Qual era a base no momento de encerramento da operação ? A base fotaleceu. resultado final para o investidor. encerrando-a dia 05/02/03 quando café para fevereiro de 2003 está cotado a US$ 55. enfraqueceu ou permaneceu constante ? (b) O resultado financeiro final para o produtor ficou acima.131 café no contrato futuro vento. abaixo ou dentro do esperado ? explique 7. Fev03 está cotado a US$ 55. O investidor inicia então uma operação de spread. 5. (a) quanto o investidor deveria pagar pela CPR/@ assumindo uma expectativa de remuneração de 2. conseguindo R$ 62. Em outubro de 2003.40/@ mas sabendo que na sua cidade.90/@ e base R$ 0. indicando meses vendidos e comprados.70/sc com uma diferença de US$ 0. diferencial no momento da abertura. Um investidor dia 13/03/2003 está propenso a comprar uma CPR física de boi com vencimento dia 13/07/2003.50 abaixo (0.

especifica como local de entrega da soja a granel. utiliza a margem de garantia para honrar o ajuste e. uma unidade de carregamento de navios via corredor de exportação no Porto de Paranaguá (PR). o qual está especificado no contrato futuro. este ponto de entrega serve também como ponto de referência do preço. em determinado momento de vigência do contrato. Na . em que incorre tanto o comprador e o vendedor de um contrato futuro. de maneira concomitante. iii) o participante que não honrou o ajuste diário (e teve sua margem utilizada) é excluído da operação e não pode mais fazer negócios na bolsa. b) A Margem de Garantia refere-se a um depósito obrigatório. Preencha o quadro abaixo Datas 1 2 3 4 5 Comprador A D E B C Vendedor B C D A E Contratos Negociados 1 2 2 1 2 Situação Contratos em aberto RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS QUESTÃO 01) a) Não. negocia o contrato para outro participante que tenha condições de prosseguir com a operação. ii) a bolsa. O preço futuro refere-se ao preço do produto para entrega em determinado local. o Contrato Futuro de Soja a Granel. e tem a função de servir de garantia contra eventual inadimplência dos ajuste diários por parte do comprador ou vendedor. no ato da contratação. A utilização da margem da garantia da seguinte forma: i) uma das partes do contrato (comprador ou vendedor) não honra o pagamento do ajuste diário. através de sua clearing. Por exemplo. e leva em conta a volatilidade do preço da commoditie objeto do contrato. O valor que deve ser depositado é calculado e divulgado diariamente pela bolsa.132 8. negociado na BM&F. Portanto. a Margem de Garantia não utilizada é devolvida ao participante do mercado. Ao final do contrato.

títulos públicos federais. pois tal produto tem sua negociação apenas a nível interno. localizada no EUA. o comprador da mercadoria poderá solicitar o arbitramento por parte da bolsa. c) A cotação de preço na BM&F é em Dólar dos EUA quando o atual centro de formação do preço da commoditie localiza-se no exterior. títulos do EUA (T-Bonds. por exemplo) e pode sofrer sanções por parte da bolsa. e) Não. a parte . Como exemplo. ouro. o vendedor. por meio de supervisoras de qualidade credenciadas. f) Não. sendo que este último é divulgado diariamente pela bolsa. apenas a margem de garantia (estipulada pela bolsa) deverá ser depositada. o qual tem o seu preço cotado em dólar em virtude do centro de formação do preço desta commoditie atualmente ser a Bolsa de Chicago. d) De modo geral em análise aos contratos negociados na BM&F. mas também de outros países. T-Notes e T-Bills). diariamente ocorrerá o pagamento e recebimento de valores entre vendedor e comprador. no caso de divergências entre a qualidade do produto estipulada no contrato e a qualidade do produto entregue no vencimento do contrato. ações e cotas de fundos fechados de investimento em ações. que realizará novas análises no produto. são aceitos como Margem de Garantia. não havendo expressivo comércio internacional. No ato da compra ou venda de um contrato futuro nenhum valor será pago antecipadamente. cotas do Fundo de Intermediários Financeiros (FIF) e. o seu preço é cotado em Real. Mas neste caso. No caso do Contrato Futuro de Boi Gordo negociado na BM&F. Durante a vigência do contrato. Para não residentes. A margem de garantia é um mecanismo de proteção e deve ser utilizada apenas quando o mesmo não honra o pagamento do ajuste diário. títulos privados. dólares dos EUA e. limpeza ou outro tipo de operação. tem-se o caso do Contrato Futuro de Soja a Granel negociado na BM&F. sob autorização da bolsa. ocasionada não apenas por participantes norte-americanos. mediante negociação com o comprador. conforme a variação do preço de ajuste.133 BM&F são aceitos como Margem de Garantia: dinheiro. mediante autorização. como no caso da soja. terá um prazo para adaptar o produto (por meio de secagem. cartas de fiança. em virtude de sua grande liquidez. Se estas análises apontarem uma real diferença das características estipuladas no contrato.

Desta forma. mas a obtenção de lucro decorrente da mudança da cotação do preço futuro da commoditie. recomenda-se que o especulador tenha determinado volume de capital de risco que não prejudique de maneira mais séria o patrimônio do especulador. i) A operação de especulação diz respeito a uma tomada de posição no mercado futuro objetivando não a proteção de preço. diante da inexistência de um contrato futuro de boi magro.134 inadimplente (que teve sua margem utilizada) é excluído do contrato e fica impedido de operar na bolsa. Um produtor que desejasse garantir um determinado preço pela arroba do boi magro. a definição de um nível máximo aceitável de perdas e taxa de retorno esperada. que deve envolver as análises grafista e fundamentalista. Confirmando a queda no preço. este realiza uma operação de venda do contrato futuro. Desta forma. Uma aplicação de cross-hedge seria o hedge de boi magro. g) O cross-hedge refere-se à tomar uma posição no mercado futuro de uma commoditie diferente daquela que desejamos proteger o preço. Já a análise técnica ou grafista estuda o movimento do mercado com o uso de gráfico. a técnica grafista considera que os preços contém toda a informação . objetivando prever a trajetória futura dos preços. expectativas e temores do mercado. cujo contrato é negociado na BM&F. porém. se o mesmo acredita que o preço irá subir. Quando o indivíduo acredita que o preço de determinado contrato futuro irá cair. De maneira análoga. pode-se efetuar o hedge esta commoditie tomando uma posição vendida (Short) no mercado futuro de boi gordo. Trata-se de uma operação de risco. que analisa os fatores que afetam oferta e demanda para prever o comportamento dos preços. h) A análise fundamentalista procura deduzir a trajetória de futura de preços baseando-se no comportamento dos fatores que tem maior influência sobre a demanda e oferta da commoditie. sendo que a dedução dos preços correntes é feita a partir dos preços passados. altamente correlacionada com esta última. por meio dos ajustes diários. pois o movimento contrário do preço pode causar prejuízos ao especulador. entre outras coisas. juntamente com um plano de trabalho que envolva. a diferença entre o preço de ajuste divulgado pela bolsa e o preço contratado. . diferentemente da técnica fundamentalista. o indivíduo entre como comprado no mercado futuro. o mesmo recebe.

elas podem entrar e sair do mercado com facilidade sem alterar muito o mercado e sem precisar elevar ou abaixar muito os preços negociados.00). (iii) compradores e vendedores não precisam desembolsar totalmente o valor negociado. o) (i) garantia do sistema. o investidor decide o preço máximo que a ordem deverá ser executada. acompanhe aproximadamente seu produto (R2<1. o vendedor não realizará negócios. q) As traders operam grandes volumes de contratos e como Chicago tem um grande volume de contratos em aberto. . Se o preço negociado estiver abaixo deste preço mínimo. é uma análise de longo prazo. é uma análise de curtíssimo prazo. O comprador efetuará negócios apenas a um preço inferior a este preço máximo estabelecido. (ii) permite encerrar a operação a qualquer momento.135 j) A ordem stop (ou on-stop) serve para definir o preço mínimo pelo qual a ordem deve ser executada. a análise técnica (grafista) assume que o efeito das forças de mercado está se refletindo nos gráficos e portanto. l) Fazer um “own hedge” significa fazer um hedge num contrato que represente perfeitamente seu produto (R2=+1. No caso de ordem stop de venda. m) Estar “bearish” significa estar acreditando na queda do mercado e estar “bullish” significa estar acreditando que o mercado vá subir. Ordem a mercado é uma autorização para o corretor negociar a qualquer preço. a partir do qual a ordem será executada. p) A análise fundamentalista procura entender os movimentos de preços a partir dos fatores básicos de oferta e demanda de mercado.00). k) Ajustes diários: valores a serem pagos ou recebidos diariamente em função da movimentação dos preços futuros em relação à posição assumida (vendida ou comprada). Margem de garantia é uma garantia do sistema. No caso de ordem stop de compra. (iv) contratos padronizados e portanto podem ser re-negociados sem a necessidade da concordância dos players. n) Uma ordem “stop” é uma ordem de limitação de prejuízo ou de ganho e autoriza o corretor a encerrar a operação quando o mercado alcançar determinado preço. o vendedor define um preço mínimo. Cross hedge significa operar num mercado que represente. certos padrões gráficos indicam certos comportamentos de mercado.

o preço de ajuste para um contrato futuro com vencimento em julho/2005 (JUL5) é de 140. No caso do quadro. mostrando também que o processo de formação de preço tem menor probabilidade de ser influenciado por algum participante deste mercado.60 u.60).136 QUESTÃO 02) a.60 ao que está em uma posição vendida no mesmo contrato. para o mesmo contrato e o mesmo vencimento. c. conforme o contrato futuro). No quadro em questão. A realização de uma transação futura para liquidar um contrato consiste em assumir uma posição contrária daquela em se está. Se o preço de ajuste do pregão anterior foi superior ao preço de ajuste atual (140. A liquidez se refere à facilidade em negociar determinado contrato futuro na bolsa. b. o indivíduo que está em uma posição comprada do contrato futuro deverá pagar a diferença entre o preço de ajuste do dia anterior e o valor de 140. O preço de ajuste refere-se ao preço de referência divulgado diariamente pela bolsa e utilizado para cálculo do ajuste diário a ser pago e recebido pelo comprador e vendedor do contrato futuro.60) e o preço de ajuste anterior ao indivíduo que está em uma posição comprada neste mesmo contrato futuro. Se o preço de ajuste do dia anterior foi inferior ao preço de ajuste do dia atual (140.m (dependendo da unidade monetária utilizada para negociação do contrato) por volume negociado (o qual pode ser sacas ou outra medida. Contratos em Aberto refere-se ao número total de contrato futuros de uma determinada commodity que ainda não foram liquidados por transações opostas. o mês com maior liquidez é setembro/2005 (SET5). que está vendido neste contrato futuro deverá pagar a diferença entre entre o preço de ajuste atual (140. O volume de contratos em aberto é um indicador da liquidez do contrato futuro. .60).

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QUESTÃO 3) a)
Preço Data (1) Operação (2) Negociado (3) Compra futuro 11/04 12/04 13/04 14/04 15/04 de soja Venda futuro de soja 13,77 13,75 +0,07 +315,00 +1.215,00 10,34 13,50 13,50 13,40 13,55 13,70 0,00 -0,10 +0,15 +0,15 0,00 -450,00 +675,00 +675,00 0,00 -450,00 +225,00 +900,00 10,50 10,55 10,45 10,30 Preço Ajuste (4) Ajuste (5) Ajuste Total Fluxo Preço em Primavera do Leste

(6) Caixa (7)

(b) A base se enfraqueceu no período, passando de US$ -3,00 em 11/04 para US$ 3,43 em 15/04. (c) Em 15/04, a fábrica de óleo comprou o soja pelo preço em Primavera do Leste: US$ 10,34/sc, recebendo o valor de US$ 1.215,00 / 4.500 = US$ 0,27/sc. Desta forma, o preço efetivamente pago pela fábrica foi: US$ 10,34 – US$0,27 = US$ 10,07. A fábrica teve ganhos com o enfraquecimento da base, pois, no início da operação, a sua expectativa era de pagar US$ 13,50 – US$2,00 = US$ 11,50/sc. Com o enfraquecimento da base, a compra foi efetuada por US$ 10,07/sc, ou seja, US$ 1,43/sc abaixo do previsto. (d) Para conferir as contas, basta verificar que a fábrica assumiu uma posição comprada em 11/04 ao preço de US$ 13,50/sc e encerrou sua posição em 15/04 vendendo o contrato ao preço de US$ 13,77/sc. Desta forma, o ajuste recebido pela fábrica corresponde a: US$ 13,77 – US$ 13,50 = US$ 0,27/sc. Como o preço negociado em Primavera do Leste era de US$ 10,34/sc, a empresa comprou a este preço. Abatendo o valor recebido no mercado futuro do preço pago, temos que o valor efetivamente desembolsado pela fábrica para compra da soja foi de: US$ 10,34 – US$ 0,27 = US$ 10,07.

138

QUESTÃO 4) a) O Spread Alta é uma operação que emerge da expectativa do investidor de que aumente com o passar do tempo. Neste caso, o a diferença entre os preços de dois contratos futuros (referentes à mesma commoditie, porém com vencimento em meses diferentes) exemplo desta operação segue abaixo:
Data 03/06/05 Abertura 03/08/05 Fechamento Resultado (US$/saca) Fonte dos preços: BM&F (www.bmf.com.br). -0,46 +0,63 +0,17 Compra 15,15 Vende 15,43 +0,28 Soja Set/05 Vende US$/saca 14,69 Soja Mai/06 Compra US$/saca 14,80 Resultado -0,11

investidor deve vender o contrato do mês mais próximo e comprar o mês mais distante. Um

No exemplo acima, em 03/06/05 o investidor vendeu um contrato futuro de soja com vencimento em setembro/05 ao preço de US$ 14,69/sc e comprou um contrato futuro de soja com vencimento em maio/06 pelo preço de US$ 14,80. Percebe-se que em 03/06/05, a diferença entre o preço do contrato com vencimento em maio/06 e o de vencimento em setembro/05 é de US$ 14,80 – US$ 14,69 = US$ 0,11/sc. Em 03/08/05, momento que o investidor decide liquidar sua posição, esta diferença aumentou, passando para US$ 0,28/sc. Desta forma, em 03/08/05 o investidor assume posições opostas nos dois contratos, zerando sua posição e, contabilizando as perdas e ganhos da reversão da posição, o investidor teve um lucro de US$ 0,17/sc. b) O Spread de Baixa é uma operação realizada em virtude da expectativa de que

a diferença entre o preço futuro de dois contratos (referentes à mesma commoditie, porém, com vencimentos diferentes) diminua com o passar do tempo. Neste caso, o investidor deve

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comprar o contrato futuro do mês mais próximo e vender o contrato futuro do mês mais distante. Segue um exemplo desta operação.
Data 05/05/05 Abertura 31/05/05 Fechamento Resultado (US$/saca) Fonte dos preços: BM&F (www.bmf.com.br). +0,82 -0,78 +0,04 Vende 14,62 Compra 14,70 -0,08 Soja Ago/05 Compra US$/saca 13,80 Soja Set/05 Vende US$/saca 13,92 Resultado +0,12

No caso do exemplo acima, em 05/05/05 o investidor comprou um contrato futuro de soja para vencimento em agosto/05 ao preço de US$ 13,80/sc e vendeu um contrato futuro de soja com vencimento em setembro/05 ao preço de US$ 13,92/sc. Em 05/05/05, a diferença entre os preços do contrato futuro com vencimento em setembro/05 e com vencimento em agosto/05 era de US$ 13,92 – US$ 13,80 = US$ 0,12/sc. Em 31/05/05 essa diferença havia diminuido para US$ 0,08. Em 31/05/05 o investidor decide liquidar a sua posição assumindo posições opostas e acaba por contabilizar um lucro de US$ 0,04/sc. c) Sim. Tomando como exemplo uma operação de Spread de alta, se a diferença

entre os preços dos contratos futuros não aumentar (o qual é a expectativa do investidor e a motivação para contratação da operação), o mesmo terá prejuízos ou, na melhor das hipóteses, não terá lucro nem prejuízo. De maneira análoga, a operação de Spread de baixa gerará lucro ao investidor apenas se a diferença entre os preços dos dois contratos futuros for dimuindo ao longo do tempo. Do contrário, o mesmo poderá incorrer em prejuízos.

140

5. (i) Contratos negociados significa número de contratos abertos e ainda não encerrados já número de negócios significa o número de negócios ocorridos para que certo volume de contratos fosse negociado. (ii) Preço de ajuste significa o último negociado realizado ou melhor oferta de venda (oferta de venda a preços mais baixos) ou melhor oferta de compra (oferta de compra a preços mais altos) ocorrido após o último negócio embora não tenha se concretizado em negócio efetivo (houve a oferta mas não o negócio). 6. Um produtor de boi fez a seguinte operação de hedge de venda de 10 contratos de Boi Gordo na BM&F (a)

Data (1) 21/mai 22/mai 23/mai 24/mai 25/mai 28/mai 29/mai 30/mai 31/mai

Operação (2) V10Mai01

Preço Preço Negociado Ajuste R$/@ (3) R$/@ (4) 40,6 41 41,3 41,3 41,15 41,15 41 41,13 41,17

Ajuste R$/@ (5) -0,4 -0,3 0 0,15 0 0,15 -0,13 -0,04 0,87

Ajuste Total R$ (6) -1320 -990 0 495 0 495 -429 -132 2871

Fluxo Caixa R$ (7) -1320 -2310 -2310 -1815 -1815 -1320 -1749 -1881 990

Indicador Esalq/BM&F R$/@ (8) 40,57 40,79 40,98 41,14 41,22 41,23 41,22 41,21 41,17

C10MAI01

40,3

Teste (b)

990

141

Data (1) 21/mai 22/mai 23/mai 24/mai 25/mai 28/mai 29/mai 30/mai 31/mai Teste

Operação (2) V10Mai01

Preço Preço Ajuste Negociado R$/@ (3) R$/@ (4) 40,6 41 41,3 41,3 41,15 41,15 41 41,13 41,17

Ajuste R$/@ (5) -0,4 -0,3 0 0,15 0 0,15 -0,13 -0,04 -0,04

Ajuste Total R$ (6) -1320 -990 0 495 0 495 -429 -132 -132

Fluxo Caixa R$ (7) R$/@ (8) -1320 -2310 -2310 -1815 -1815 -1320 -1749 -1881 -2013 40,57 40,79 40,98 41,14 41,22 41,23 41,22 41,21 41,17

Indicador Esalq/BM&F

C10MAI01 41,21 R=-(41,2140,60)*330*10 = -2.013,00

142

7. Base média para o contrato futuro de boi gordo na cidade de Nova Esperança
Data Preço de ajuste Contrato Preço de Ajuste Contrato Preço em Nova Esperança Base diária

mar/02 25/mar 26/mar 27/mar 28/mar 29/mar 30/mar 31/mar 1/abr Base média 44,2 43,15 43,25 43,28 Feriado bancário Sábado Domingo

Abril de 2002 43,15 42,65 42,82 42,93 Feriado bancário Sábado Domingo 43 43,05 42,68 42,84 43,19 Feriado bancário Sábado Domingo 42,82 -0,18 -0,46 -1,15 -0,47 -0,41 -0,09

8. (a) operação de spread se baseia na diferença histórica entre os dois contratos, é uma operação de risco porque o movimento que se espera pode não se concretizar (b)
25.12 05.02 Resultado Fev V 55,93 C 55,40 +0,53 Mar C 55,70 V 54,05 -1,65 Spread +0,23 -1,35 -1,12

O resultado final para o investidor foi uma perda de US$1,12 por saca porque a diferença entre os dois vencimentos diminuiu em lugar de aumentar como era esperado
Datas 1 2 Comprador A D Vendedor B C Contratos Negociados 1 2 Situação Avendido=1, Bcomprado=1 Avendido=1 Bcomprado=1 Contratos em aberto 1 3

Dvendido=0 Avendido=0 Bcomprado=0 Cvendido=0 3 4 B A 1 2 5 C E 2 0 . Dcomprado=2 3 E D 2 Ecomprado=2. Dvendido=0 Avendido=0 Bcomprado=0 Cvendido=2 Ecomprado=0. Dvendido=0 Avendido=1 Bcomprado=1 Cvendido=2 Ecomprado=2.143 Cvendido=2.

90-0.02883 (b) Estratégia que deveria ser assumida no mercado futuro pelo investidor: o investidor deveria fazer um hedge de venda na bolsa 8.144 9. Preencha o quadro abaixo .40. Investidor deveria pagar pela CPR/@ assumindo uma expectativa de remuneração de 2.40/@ Quando encerrou a operação.40 de ajuste + 59. o resultado financeiro foi (2. estava esperando um resultado financeiro final igual a 62.00 venda no mercado local) = 61.00. base se fortaleceu (b) Quando o produtor realizou operação na bolsa.02)^4 = (57.40-2. 10.00 = 60.08243) = 53.00% ao mês e base constante Pcpr = (57.40/1. (a) Base no encerramento da operação = (pfís – pfut) = 60-59 = -1.50)/(1+0. acima do esperado devido ao fortalecimento da base.

145 PLANILHA PARA SIMULAÇÃO DE OPERAÇÃO EM FUTUROS Nome do Participante: Natureza da Operação: Tamanho do contrato: Contratos Negociados: Produto: Vencimento do contrato: Preço Negociado/(@.(POencerramento – POinício) x q x no. n diz respeito ao número de contratos negociados). etc) Ajustes para vendidos AD = -(PAt-PO) x q x n (1) (q diz respeito ao volume em cada contrato. AD = (PAt-PAt-1) x q x n (2) do contrato. sc. n diz respeito ao número de contratos negociados). contratos Ajustes para comprados AD = (PAt-PO) x q x n (1) (q diz respeito ao volume em cada contrato. contratos . AD = -(PAt-PAt-1) x q x n (2) do contrato Ajuste no encerramento para vendidos = (PAt-1 – PO) Teste dos ajustes para vendido: . Ajuste no encerramento para comprados = PO-PAt-1 Teste dos ajustes para comprado: (POencerramento – POinício) x q x no.

146 Data (1) Movimentação diária Operação Preço (2) Negociado/ Unidade (3) Preço Ajuste (4) Ajuste Total (5) Fluxo Caixa (6) Resultado final por unidade Vendeu localmente: + ajustes Total ou – .

147 .

da compra ou venda de um volume de contratos futuros de uma determinada commodity na data prevista no contrato. Apesar de relativamente recentes (no formato atual começaram a ser negociadas nos anos 70). Objetivos: • • • familiarizar o leitor com os princípios básicos do mercado de opções sobre futuros agropecuários permitir o acompanhamento dos principais mercados de opções apresentar estratégias com opções para administração de riscos e formatação de derivativos agropecuários .148 3. assumiram um importante papel na administração riscos e na formatação de derivativos agropecuários. mas não a obrigação. ou anterior a ela. FUNDAMENTOS DE OPÇÕES SOBRE FUTUROS AGROPECUÁRIOS Justificativas Opções são negociadas em Bolsas ou em Balcão e consistem em contratos que dão o direito. por um determinado preço.

Opção de venda (Put): dá ao titular o direito de vender o produto subjacente até certa data por um determinado preço (strike price). o titular da opção não é obrigado a exercê-la e isto é uma das principais vantagens da opção em relação aos contratos a termo nos quais o titular normalmente tem que cumprir a obrigação de vender ou comprar algo. mas não a obrigação de vender ou comprar ao preço estipulado.149 3. ou anterior a ela. Definições Opções são negociadas em Bolsas ou em Balcão.1. Quanto aos fins a que se destinam. Quanto ao prazo de exercício. por um determinado preço. As opções sobre físico referem-se a contrato de produto físico (por exemplo. Deve-se salientar que as opções dão ao seu titular (ou detentor) o direito. as opções da Conab) já as opções sobre futuros referem-se a contratos futuros que vencem logo após o vencimento da opção. e consistem em contratos que dão o direito. A data no contrato é conhecida como data de vencimento. da compra ou venda de um volume de contratos futuros de uma determinada commodity na data prevista no contrato. . as opções podem ser classificadas em: • Opção Americana: o titular pode exercer seu direito até a data de vencimento da opção (data de exercício) a qualquer momento que lhe interessar a partir do dia seguinte ao da compra da opção. existem dois tipos de opções: • • Opção de compra (Call): dá ao titular o direito de comprar o produto subjacente até certa data por um determinado preço (strike price ou preço de exercício). Isto é. mas não a obrigação. O preço no contato é conhecido como strike price ou preço de exercício.

O prêmio é negociado entre as partes no pregão ao vivo ou eletrônico. etc) dentre uma série de preços de exercício possíveis. alguém (o lançador da opção). margem de lucro. Ele assume o compromisso de comprar ou vender a certo preço no futuro. Já o lançador é o vendedor da opção. É também o valor recebido pelo vendedor. Já o vendedor recebe um valor (prêmio). O lançador pode lançar opções de compra ou opções de venda. Muitas opções européias são negociadas nos Estados Unidos e muitas opções americanas são negociadas na Europa ou outros países. faz seus cálculos utilizando suas habilidades de negociação (com 26 Esta denominação não significa que estas ações somente são negociadas na Europa ou nos Estados Unidos. Prêmio é o valor pago pelo titular para ter. para “dar. dá-se a ordem para o corretor apregoar a compra daquela opção naquele preço de exercício e no vencimento desejado.150 • Opção européia: o titular pode exercer seu direito somente na data de vencimento da opção. 26 Define-se como titular o comprador da opção. tem a obrigação de cumprir o contrato caso ele seja exercido. adquirir o direito de vender ou comprar a certo preço no futuro. Ao mesmo tempo. Resumindo. adquirir o direito ou a garantia de vender ou comprar a um determinado preço no futuro (preço de exercício ou strike price). quem compra a opção paga um valor (prêmio) para “ter”. É interessante lembrar que o comprador de uma opção pode exercê-la (reclamar o valor de compra ou venda a que tem direito) e receber a diferença entre o preço de exercício e o preço de ajuste negociado no contrato futuro correspondente (adjacente) ou revendê-la. Note que o preço de exercício é escolhido pelo comprador dentro de certos parâmetros (custo de produção. uma vez escolhido o nível de preço ao qual se quer assegurar a venda ou compra do produto. mesma commodity na mesma data de vencimento e com mesmo preço de exercício). aquele que tem o direito de exercício se lhe interessar. . ceder” este direito. Já o lançador de uma opção pode encerrar sua posição comprando uma opção semelhante (ou seja. o qual passa a ter uma obrigação para com o titular. Explicando de outra forma.

vendedor) se obriga a comprar ou a vender determinado produto numa determinada data a determinado preço para o titular. havendo comprador do contrato. O preço será negociado e.151 cada vez maior uso de modelos matemáticos e estatísticos) e dá ordem para seu corretor apregoar no pregão a disponibilidade daquela garantia aquele preço.O CONTRATO DE OPÇÕES Nas bolsas negociam-se contratos padronizados (Puts e Calls).2. que são compromissos entre as partes onde uma delas (lançador. Vamos examinar de maneira breve o contrato de opções de soja na CBOT mostrado na Tabela 1: . 3. o negócio será registrado na bolsa.

Option exercise results in an underlying futures market position. 20 cents per bushel for all other months. Mon-Fri. Margin Information Find information on margins requirements for the Soybeans Options. Nov.m. Electronic: 7:33 p. Ticker Symbols Open Auction: CZ for calls / PZ for puts Electronic: OZS Daily Price Limit 50 cents/bu ($2.000 bu Tick Size 1/8 cent/bu ($6. For serial option contracts: The last Friday which precedes by at least two business days the last business day of the month preceding the option month. Mar. list 5 strikes above and 5 below the at-the-money strike.6:00 a. For example. an October option exercises into a November futures position. Central Time. a monthly (serial) option contract is listed when the front month is not a standard option contract. Limits are lifted on the last trading day.m. Note bem que o objeto de negociação do contrato de opções sobre futuros é um contrato futuro o qual servirá de referência para observação da variação dos preços.1:15 p. May. At the comencement of trading.000 bu. on the last day of trading. The monthly option contract exercises into the nearby futures contract. Exercise The buyer of a futures option may exercise the option on any business day prior to expiration by giving notice to the Board of Trade clearing service provider by 6:00 p. . Contract Months Sep.25/contract) Strike Price Intervals 10 cents per bushel for the first two months. de um determinado mês futuro.-Fri.m.m. Expiration Unexercised Soybean futures options shall expire at 7:00 p.m. Last Trading Day For standard option contracts: The last Friday preceding the first notice day of the corresponding soybeans futures contract month by at least two business days.m. Ou seja. Jan.152 Tabela 1 – Contrato de opções de soja (CBOT) Contract Size One CBOT Soybean futures contract (of a specified contract month) of 5. Jul. . Aug. Central Time. Sun. em lugar de .500/contract) above or below the previous days settlement premium. que neste caso é um contrato futuro de soja. Fo Fonte: CBOT. Trading Hours Open Auction: 9:30 a. Options in-the-money on the last day of trading are automatically exercised. Chicago time. com 5. 01/09/05 • Contract size significa tamanho do contrato sendo negociado.

Neste contrato é de 1/8 em 1/8 cent/bu ou US$ 6. é a última sexta-feira precedendo o primeiro dia do início do período de aviso de entrega por pelo menos dois dias úteis. vai-se utilizar o preço do contrato futuro correspondente como referência de preços. Na Tabela 2 colocamos os vencimentos das opções sobre futuros de soja e os contratos futuros correspondentes . • Tick size significa a movimentação mínima permitida nas negociações de prêmio. o preço caiu ou subiu. • • Strike price intervals significa os preços de exercício que serão disponibilizados para negociação. 41/8. • Exercise o comprador de uma opção pode exercê-la a qualquer momento a partir do dia seguinte a sua compra. O exercício da opção Put joga o titular numa posição vendida (short) no futuro e o lançador numa posição comprada (long) no contrato futuro correspondente. Assim. Já o exercício de uma Call joga o titular numa posição comprada (long) no futuro e o lançador.153 argumentar que em tal lugar. Tabela correspondentes Mês de vencimento da opção Setembro Outubro Novembro Janeiro Março Maio Julho Agosto Contrato futuro correspondente Standard/Serial Setembro Standard Novembro Serial Novembro Standard Janeiro Standard Março Standard Maio Standard Julho Standard Agosto Standard 2 - Vencimentos das opções e contratos Fonte: CBOT. Para opções Standard. 4 4/8 ou 4 ½ . 4 3/8 . uma opção pode ser negociada a 4 ¢/bu. 01/09/05 • Last trading day ou último dia de negociação. etc. numa posição vendida (short) no contrato .25/contrato. 4 2/8. tal cidade. numa negociação. Contract months significa os meses de vencimento das opções.

Além disso. costumam exercer a opção e encerrá-la para evitar margens. se está sujeito às regras dos mercados futuros. etc.54/sc para novembro daquele ano. 3. A partir daí.3. Somente para relembrar. Ele então dá ordem para comprar Put que garanta preço a US$ 12. as opções dificilmente são exercidas porque o prêmio que se consegue ao revendê-la no mercado é maior do que ela renderia ao seu portador (valor intrínseco) se exercida. ajustes diários. o preço de exercício de US$ 12. deve-se colocar que na CBOT. vamos imaginar que o produtor esperou até esta data para tomar sua decisão de exercer ou não a opção. Opções dentro do dinheiro (explicaremos este termo mais adiante) no último dia de negociação são automaticamente exercidas. nível que ainda acha satisfatório pagando US$ 0. Vamos imaginar um produtor de soja em Tangará dia 10 de setembro de 2004 com soja para colher e não vendida está preocupado com o movimento de queda do preço da soja e quer garantir pelo menos soja a US$ 12. Isto é devido à possibilidade da mesma sofrer uma eventual valorização entre o momento do negócio e seu vencimento.00. Finalmente. a opção vence antes do contrato futuro e neste caso. Vamos imaginar dois cenários possíveis: preços caindo e preços subindo. Quanto às margens.PRIMEIRO EXERCÍCIO BÁSICO Neste exercício. • Expiration (vencimento): opções não exercidas vencem às 19:00 horas do último dia de negociação.154 futuro correspondente. não nos preocuparemos com custos da operação e nem com a existência da base. conforme a regra. Vamos começar também com um exercício sobre uma opção de venda.46/sc. mas os corretores por experiência própria.00 por saca. isto é. por exemplo. A figura 1 mostra uma situação de queda de preço da soja para US$ 11.54 é posto em Chicago e correspondente a um valor menor em Tangará. apenas os lançadores têm que se preocupar com isto. venceria dia 04 de outubro de 2004 e só por facilidade. assumiremos que o preço praticado na cidade (mercado físico) é o mesmo preço praticado na Bolsa. .

155 .

Exerce Put a US$ 12.00/sc.00/sc.54 USD 12.Hedge contra queda de preços – garantiu preço Hedge contra queda de preços (compra put soja NOV/04 a US$ 12.não exercido . recebendo a diferença de US$ 1.Hedge contra queda de preço . Assumindo-se que ele vá vender a soja por US$ 11. Ele exerce então seu direito. Vamos agora assumir que o preço da soja para novembro subiu para 13.04 USD 10. seja qual for o preço de mercado.54/sc Como cotação do futuro está a US$ 11.00.04 Preço Futuro (US$/sc) USD 12.08/sc. GARANTIU PREÇO Para facilidade.46 pagos de prêmio ou US$ 12. ele somaria ao valor recebido da bolsa e conseguiria o valor segurado.54 10/9/04 16/9/04 22/9/04 Tem po 28/9/04 4/10/04 Preço do dia Opção de venda Hipótese 1: Chega novembro e soja cai para US$ 11.00/sc . Como regra geral.54/sc da Bolsa.54/sc) USD 13.156 Figura 1 .04 USD 11. vamos assumir que o titular da opção espere até o último dia e que naquele momento.54 USD 11.50/sc conforme mostrado na Figura 2 Figura 2 . o produtor teria sempre assegurado 12. o preço do contrato futuro correspondente (novembro) esteja a 11.54/sc da bolsa. recebe US$ 1.54 – 0.

43/sc.54/sc.04 10/9/04 16/9/04 22/9/04 28/9/04 4/10/04 Tempo Preço do dia Opção de venda Hipótese 2: Chega novembro e soja sobe para US$ 13. Vamos supor que no dia 04 de outubro. vamos supor dois cenários. Não exerce Put a US$ 12.54 Preço Futuro (US$/sc) USD 13.54/sc Como cotação do futuro está a US$ 13. possibilidades favoráveis ilimitadas na alta Neste caso. no dia do vencimento da opção. Ela precisará de soja em novembro. vendendo a soja a US$ 13.50/sc. vende no mercado a este preço. ii) preço da soja cai em novembro. Neste caso. i) preço da soja sobe na data do vencimento da opção e. a opção de venda (Put). Vamos imaginar agora outra situação na qual uma esmagadora está preocupada com a possível subida de preço da matéria-prima soja em grão. protege contra queda de preços. a esmagadora compra. Protegido na queda. no dia 10/09/04. o preço da soja tenha subido para US$ 13.50 (Figura 3). a empresa exerce a Call e recebe . pagando US$ 0. o produtor não exerceria seu direito. dia do vencimento da opção.00/sc até novembro.54 USD 12. Ou seja. Preocupada em que o preço da soja suba acima de US$ 13.157 Hedge contra queda de preço (compra put soja NOV/04 a US$ 12. Para facilitar o raciocínio.50/sc.50/sc . contratos de opção de compra de soja (Call) com preço de exercício de US$ 12.54/sc) USD 13. mas ainda não fixou o preço.04 USD 12. mas permite também ganhar nas elevações de preços de mercado.

50 + 0.20 USD 13.96/sc da bolsa.43 = .50 USD 13.13. de US$ 12.35 USD 13.30 10/09/2004 18/09/2004 26/09/2004 USD 13.05 USD 12.97 TRAVOU PREÇO DE COMPRA DA MATÉRIA-PRIMA A Figura 4 ilustra o segundo cenário.40 USD 12.80 USD 12.54/sc. porém.50/sc.45 USD 12.0. . Figura 3 – Hedge contra subida de preços – Hipótese 1: preços sobem.54) USD 13.54/sc.96/sc da bolsa. o que resulta no valor assegurado inicialmente. A queda do preço da soja permite que a esmagadora compre o produto mais barato.12. RESULTADO: .00 04/10/2004 Tempo Opção de compra Preço do dia Hipótese 1: Chega novembro e preço da soja sobe para US$ 13. recebe US$ 0.20 USD 13.96 . descontará o valor recebido.75 USD 12.60 USD 12. A esmagadora comprará a soja mais cara.50/sc. Hedge contra subida de preços (compra Call Soja nov/04 a US$ 12.90 USD 12. Como cotação no futuro está a US$ 13.158 US$ 0.00 USD 12.60 USD 13. de modo que ela não exerce a opção.20 USD 12. Exerce Call de US$ 12.40 USD 13.60 USD 12.

00/sc. Analisaremos detalhadamente esse contrato.cbot.50 USD 10.11.45 USD 12. Devemos iniciar selecionando soybeans no lado direito do quadro conforme apresentado na Tabela 3.60 USD 12.159 Figura 4 – Hedge contra subida de preços – Hipótese 2: preços caem.11.43 PROTEGIDO NA ALTA. Não exerce a Call de US$ 12. a empresa ficou protegida contra subidas de preço. começando pela tela de entrada no site www.43 (prêmio pago) = .75 USD 12.30 10/09/2004 18/09/2004 26/09/2004 USD 10.90 USD 12.50 USD 11.0.00 USD 13. POSSIBILIDADES FAVORÁVEIS ILIMITADAS NA BAIXA. Desta forma.35 USD 13. Compra soja a US$ 11. .50 USD 12.com. Hedge contra subida de preços (compra Call Soja nov/04 a US$ 12.00 Tempo Opção de compra Preço do dia Hipótese 1: Chega novembro e preço da soja cai para US$ 11.05 USD 12.00 USD 12. ENTENDENDO OPÇÕES NA CBOT Existe um grande volume de opções sobre futuros de soja sendo negociado na CBOT.54) USD 13.4.00 04/10/2004 USD 11. 3.20 USD 13.54/sc.00 .00/sc RESULTADO: . sendo também favorecida pela queda no preço da matéria-prima.50 USD 13.

160 Figura 3 – Commodities agropecuárias negociadas na CBOT Fonte: CBOT (2005). . representada pela Tabela 4. Clicando sobre soybeans. Os meses seguidos pelo símbolo indicam que também são negociadas opções para aquele mês. Por simplificação foram excluídos os demais vencimentos e trabalharemos apenas com o contrato futuros e opções com vencimento em novembro de 2005. que mostra todos os negócios realizados naquele momento. abre-se outra tela.

Open Auction | Electronic | Combinations | Real-Time Quotes Exp Last 1 Last 2 Net Ch g 05Sep 592'0 12:42 591'4 12:42 05Nov 600'4 12:49 600'6 12:48 -6'4 -3'6 595'0 594 '4 9:30 607'0 605 '4 9:31 = Chart = Option 607'0 9:30 597'4 10:22 607'0 657'0 557'0 595'0 9:30 587'4 10:21 Open High Low Close Settle Prev Set tle 595'6 Hi/Lo Limi t Table generated September 02. por sua vez.161 Tabela 4 – Cotações no Open Auction (leilão viva voz) para contratos futuros de soja na CBOT. são apresentados apenas alguns preços de exercício. . Por simplificação. 2005 12:50 CDT Fonte: CBOT (2005). 02 de setembro de 2005. o site apresenta outros mais que também podem ser negociados. A Tabela 5. no entanto. mostra vários preços de exercício para Puts e Calls.

Open Auction | Electronic | Combinations | Real-Time Quotes 05Oct | 05Nov Underlying Contract Price:600'4 (05Nov Future) Type Strike (1) (2) Last (3) Net C h g (4) Open (5) High (6) Low Close Settle Prev (7) (8) (9) S e tt le (10) Hi/Lo Li mit (11) Put 560'0 4'0 Unch 4'0 9:35 4'6 9:55 6'6 12:06 11'0 9:55 20'4 10:22 25'4 11:44 23'0 9:30 4'0 9:34 6'0 11:10 8'2 9:30 16'0 9:30 24'0 9:31 19'0 9:55 4'0 54'0 Put 570'0 6'6 +0'6 6'4 10:30 6'0 56'0 Put 580'0 10'0 +1'2 9'4 9:35 8'6 58'6 Put 600'0 19'4 +2'5 17'4 9:35 16'7 66'7 Put 610'0 25'4 +3'0 24'0 9:35 22'4 72'4 Call 600'0 19'4 -4'2 23'0 9:35 23'6 73'6 .162 Tabela 5 – Preços de exercício para Puts e Calls de soja no Open Auction da CBOT 02 de setembro de 2005 .

A segunda coluna mostra os diferentes preços de exercício disponíveis (560´0. A coluna 3 mostra o prêmio do último negócio realizado. Por exemplo. foram negociadas Puts com preço de exercício de 560´0 cents/bu ao prêmio de 4´0 cents/bu ou US$ 0. Na linha seguinte verificamos que o contrato futuro de novembro é referência para opções com dois vencimentos diferentes: outubro de 2005 (05Oct). estes valores são escolhidos em função de variações históricas e colocados no sistema. A sexta coluna mostra o preço mais alto até o momento. a oitava.08820 por saca. Conforme já explicado anteriormente.08820 por saca de 60 kg. mostra a cotação do contrato futuro subjacente a esta opção. A quinta coluna mostra a cotação na abertura e o horário em que houve apregoamento. O termo Open Auction significa que estas opções são negociadas no leilão ao vivo e não no eletrônico. Put ou Call. o conteúdo da Tabela. e novembro de 2005 (05Nov). cotado naquele momento a 600´4 cents/bushel ou 600. serial exercível sobre o contrato futuro de novembro.5 cents/bushel ou ainda. e a décima coluna mostra o preço de ajuste do dia . Os significados são os mesmos para as opções seriais e standards. A linha seguinte (underlying contract price). não houve (Unch. o preço no fechamento. custou US$ 0. Caberá aos interessados escolherem o nível de preço ao qual querem trabalhar e negociar o prêmio.163 Call 610'0 16'2 -3'2 17'0 9:35 17'0 9:30 16'0 10:03 19'4 69'4 Table generated September 02. sendo que. A quarta coluna mostra se houve mudança no último negócio em relação ao preço de ajuste do dia anterior. US$ 13. a sétima mostra o preço mais baixo. opção standard também exercível sobre o contrato de novembro. Ou seja. a nona. o preço de ajuste (importante para os lançadores). neste caso. Vamos analisar agora.348 por saca. comprar uma Put de preço de exercício US$ 12. etc). 2005 13:00 CDT Fonte: CBOT (2005). A primeira coluna mostra o tipo de opção. Novembro de 2005. abreviação para unchanged. 610´0.24 US$/sc. sem mudança).

etc. Como pode ser visto na Figura 6. a coluna onze mostra o valor mais alto/mais baixo pelo qual a opção poderia ser negociada naquele dia.164 anterior (o que defini se os lançadores pagarão ajuste ou não). . a barra no topo do site também possibilita a obtenção de informações interessantes como. volume diário de negócio. volatilidade. por exemplo. Finalmente. preços de ajuste diários.

920 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4. .313 +968 +444 -47 +70 +20 +2 +10 +2 +896 Change (10) Auction Exch Trad Volume 12.298 -1.735 0 0 37 0 0 0 0 0 2.291 0 126 0 0 30 0 1.426 2. Tabela 6 – Volume negociado de contratos futuros de soja na CBOT.095 4.369 580 145 3.150 40.125 148 2.367 43.324 4.963 8.568 32. O volume negociado diariamente é mostrado na TABELA 6.036 791 1. 2005 08:06 CDT 69 1.711 314 99 5.555 3.834 5.215 3.979 32 15.(S) Final Soybeans Total Volume / Open Interest for September 01.165 Figura 6 – Informações disponíveis no site da CBOT.955 754 1.266 20 2 335 2 53.995 3.886 +1.375 Fonte: CBOT (2005). Soybeans Futures Volume (Final) . 02 de setembro de 2005.802 14.963 496 1 0 325 2 18.921 13.052 45.953 180.266 20 2 335 2 57.814 246.256 457 1.045 129 81 0 0 0 0 0 0 1. 2005 Month Electron (1) (2) ic Open (3) Cash Wholesale (4) (5) es Total (6) Give Ups (7) Trans (8) Open Interest At Clo se (9) 05Sep 05Nov 06Jan 06Mar 06May 06Jul 06Aug 06Sep 06Nov 07Nov TOTA L Table generated September 02.

Precificação de Opções 3.m. até mesmo produtores.814) e finalmente. fundos. Data do vencimento: dia. É importante salientar que. Lançadores (vendedores) de opções Quem lança (vende) opções são investidores. hora Preço de exercício Contrato futuro referêcia 3. são elas: i. 3.166 A coluna 1 mostra os meses negociados. a coluna 2 mostra os negócios efetuados via leilão eletrônico e a coluna 3 mostra os negócios realizados via pregão viva-voz.5. apesar de no momento da negociação da opção os lançadores receberem o prêmio adiantadamente. .369 contratos). iii. A coluna 7 mostra os contratos encerrados (Give Ups). A coluna 6 mostra o volume total de opções negociadas no dia 02 de setembro.5. a coluna 8 mostra os negócios ocorridos no dia (45. dado o risco que os mesmos representam para o sistema. mês. as opções necessitam conter três informações fundamentais. a coluna 9 mostra o total de contratos de opções em aberto (246. em Chicago (57.375) até aquele momento.5. utilizaram seus conhecimentos e modelos e concluíram que estão dispostos a assumir o risco de garantir o preço de venda ou de compra mediante um certo pagamento (prêmio). os mesmos devem depositar margem de garantia. os quais fizeram suas contas.1. ii. Especificação de opções Para serem corretamente negociadas. até às 8:06 p.2.

pelo menos cobrirá os custos de compra da opção. . diz-se que. “virará pó”). “virará pó”. e i = taxa de juros. Terminologia Quanto ao fluxo de caixa que pode ser gerado para o detentor da opção. diz-se que. Também. Está “No dinheiro” (at the money): se S = K (a opção não será exercida) Está “Fora do dinheiro” (out of the money): se S < K (a opção não será exercida e caso esta situação permaneça até o vencimento.4. n =tempo para o vencimento. geralmente medido pela variância dos preços).167 3. para a Call: • • • Está “Dentro do dinheiro” (in the money): se S > K (a opção será exercida e gerará fluxo de caixa positivo para o detentor seu detentor). como se diz no mercado). K = preço de exercício.5. σ = volatilidade do preço futuro (variações. as opções dentro do dinheiro serão sempre exercidas no seu vencimento porque gerarão valor positivo que. Variáveis básicas na determinação do prêmio das opções São cinco as variáveis básicas que influenciam o prêmio das opções: S = preço futuro. 3. As opções apenas serão exercidas quando estiverem dentro do dinheiro.5. no que diz respeito ao fluxo de caixa que pode ser gerado para o detentor da opção. Desconsiderando-se qualquer custo de transação.3. para a Put: • • • Está dentro do dinheiro (in the money) se S < K (a opção será exercida e gerará um fluxo de caixa positivo para seu detentor) Está no dinheiro (at the money) se S = K Está fora do dinheiro (out of the money) se S > K (a opção não será exercida e caso esta situação permaneça até o vencimento.

o resultado da operação varia em direção contrária ao ∂S ∂K comportamento do preço futuro e na mesma direção que o preço de exercício. ou seja. se o preço futuro aumentar. respectivamente. a possibilidade de um menor ganho financeiro. o prêmio diminui. se a perspectiva for de redução do resultado. R = S – K. isto é. o resultado futuro aumenta. se diminuir. Logicamente. . os resultados da operação variam na mesma direção que o preço ∂S ∂K futuro. Isto é. respectivamente. menor a expectativa da opção ser exercida e menor será o prêmio negociado. Se a opção for exercida no futuro. o prêmio cobrado pela opção também se elevará. Influência do preço futuro (S) e preço de exercício (K) sobre o prêmio das opções. Se exercida no futuro. o prêmio aumenta. Se a expectativa é de que o resultado da operação aumente. se diminuir.1. por ∂R ∂R <0. se o preço futuro aumentar. <0. uma vez que o lançador estará visualizando a possibilidade de um maior desembolso financeiro e os compradores da opção. Se a expectativa é de que o resultado da operação diminua. As medidas independentes da influência de S e K sobre R são dadas.168 3. então o prêmio negociado no momento da negociação também diminuirá. preço futuro e prêmio variam inversamente. Assim. quanto mais elevado o preço futuro.Fatores afetando o prêmio 3.6. isto é. se a perspectiva for de redução do resultado . então o prêmio negociado no momento da negociação também diminuirá. o resultado futuro se reduz. As medidas independentes da influência de S e K sobre R são dadas.6. a possibilidade de um maior ganho financeiro. Logicamente. o retorno (R) de uma Put para o seu detentor será o total pelo qual o preço de exercício (K) exceder o preço futuro (S). Assim. >0. isto é.. . Colocado de outra forma. o retorno (R) de uma Call para o seu detentor será o total pelo qual o preço futuro (S) exceder o preço de exercício (K). o prêmio cobrado pela opção também diminuirá uma vez que o lançador estará visualizando a possibilidade de um menor desembolso financeiro e os compradores da opção. R = K S. por ∂R ∂R >0.

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Já em relação ao comportamento do preço de exercício (K), a relação esperada é positiva, ou seja, quanto mais alto o nível de garantia de preço que se quiser (K mais elevados), maiores serão as possibilidades de resultados melhores para o comprador e, portanto, maior será o prêmio que ele deverá pagar na aquisição da opção.

3.6.2. Influência do tempo sobre o prêmio das opções. Para avaliarmos a influência do tempo a transcorrer até o vencimento sobre o prêmio das opções, vamos imaginar uma situação onde duas opções sejam iguais em tudo exceto pelo prazo de vencimento. Uma das possibilidades, nessa situação, é que o titular daquela opção com vencimento mais longo tenha mais tempo para tomar decisões, montar estratégias do que ocorre com aquela com vencimento mais próximo. Assim, aquela com vencimento mais longo valerá mais. Outra forma de se ver a questão é imaginar que quanto mais tempo houver até o vencimento, maiores são as chances das opções serem exercidas e maior será o prêmio negociado. 3.6.3. Influência da taxa de juros (i) sobre o prêmio das opções Considerando que o preço de exercício K é um valor que serve como referência K onde i é a taxa de para recebimentos no futuro, o valor presente dele é dado por (1 + i ) n juros em pontos percentuais , n é o tempo que falta para o vencimento da opção. K ∂R −S e < 0. O resultado de um possível exercício de uma Put será dado por R = n ∂i (1 + i ) Assim, por exemplo, à medida que a taxa de juros aumenta, o resultado esperado R da Put diminui e o prêmio pago também.

Já o resultado de um possível exercício de uma Call será dado por R = S − e

K (1 + i ) n

∂R > 0 . Assim, por exemplo, à medida que a taxa de juros aumenta, o resultado ∂i esperado R da Call aumenta e o prêmio pago também.

170

3.6.4. Influência da volatilidade σ sobre o prêmio das opções

A volatilidade é a medida da oscilação dos preços futuros com o passar do tempo. Ela é uma medida de risco; quanto maior a incerteza sobre o comportamento dos preços futuros do ativo objeto da negociação, maior o risco e maiores serão os preços da opção Put ou Call. Em geral, a volatilidade é medida estatisticamente como o desvio padrão de uma série histórica expressa em bases percentuais. A tabela 7 mostra um resumo dos fatores que afetam o prêmio (P) da Put enquanto a tabela 8 mostra um resumo dos fatores que afetam o prêmio (P) da Call.

Tabela 7 Análise dos fatores que afetam o prêmio (P) da Put

S K i N Σ

P P P P P

171

Tabela 8 Análise dos fatores que afetam o prêmio (P) da Call

S K i N Σ

P P P P P

3.7. Cálculo do Prêmio das Opções 3.7.1. Modelo de Black & Scholes (B-S)

Basicamente, existem duas formas de se calcular o prêmio das opções antes do seu lançamento: o modelo binomial e o modelo de Black & Scholes ( que é o mais utilizado nas aplicações práticas, tanto na sua forma original como em suas modificações e aperfeiçoamentos. Para mais detalhes sobre o Modelo B-S, veja Hull, 2002.) . O Modelo B-S utiliza as cinco variáveis já discutidas (preço futuro da commodity, preço de exercício, taxa de juros, dias até o vencimento da opção, volatilidade) para estimar o preço da opção no seu lançamento. Logicamente que o resultado está associado a um certo nível de risco incluído no modelo e será um valor para início de negociação uma vez que o prêmio realmente efetivo será obtido em leilão no pregão. C = [F/(1+i/100)(t/dias úteis)] * N(d1) - [K/(1+i/100)(t/dias úteis)] * N(d2)

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N(d1) = função de densidade normal cumulativa de uma variável padrão com distribuição normal, variando entre 0 e 1 Idem para N(d2) F = preço futuro da commodity no contrato futuro correspondente K = preço de exercício i = taxa de juros t = dias até o vencimento σ = variância (volatilidade, medida de risco) O modelo de Black & Schole nos permite a análise da sensibilidade dos preços a mudanças nestas cinco variáveis. Definem-se então as chamadas “letras gregas” das quais a mais conhecida é a Delta que mede a mudança no valor da opção dada a mudança de uma unidade no preço futuro do contrato correspondente. Matematicamente, o Delta é definido como Delta (%) = mudança percentual no valor da opção / mudança de um por cento no preço futuro. O delta é negativo para as Puts e positivo para as Calls. Por exemplo, delta de uma Put = -0,30, significa que se o preço futuro aumentar em 1%, o prêmio da opção deve diminuir em 0,30%. Vejamos uma Call com preço delta de 0,50. Isto significa que se o preço futuro aumentar em 1% unidade, o prêmio da opção sobe em 0,50%.

3.7. 2. Valor negociado das opções

Uma vez que a opção foi lançada, seu valor passa a ser calculado pelo que ela renderia ao titular detentor da mesma. Para analisarmos o valor negociado das opções, é preciso primeiro introduzir o conceito de Valor Intrínseco (VI) que é o quanto a opção renderia ao seu detentor se fosse exercida. Logicamente, ela só tem um valor se estiver dentro do dinheiro. Matematicamente, o VI da Call é dado por Max (S-K, 0) e para a Put, o VI é dado por Max (K-S, 0).

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Ou seja, em ambos casos calcula-se o quanto a opção renderia se fosse exercida. No caso de uma Call, por exemplo, se a mesma estiver fora do dinheiro, S < K e portanto, S-K <0. Neste caso, o operador matemático indica que o VI da opção será 0. No caso da Put, se S>K, K-S < 0, então VI será 0. A Tabela 9 faz um resumo dos possíveis resultados a serem alcançados pelo Valor Intrínseco das opções.
Tabela 9. Valor Intrínseco (VI) das opções Opções Dentro do dinheiro No dinheiro Fora do dinheiro De compra (Call) Se Pf>Pe, então
Vi=Pf - Pe

De venda (Put) Se Pf<Pe, então Vi=Pe -Pf Preço exercício = preço futuro (Vi=0) Se Pf>Pe, então Vi=0 (no vento, opções
“viram pó “)

Preço exercício = preço futuro (Vi=0) Se Pf<Pe, então Vi=0 (no vento, op ções
“viram pó “)

Este conceito é importante porque observa-se que antes do vencimento, as opções são negociadas por valores às vezes maiores do que seu VI. A pergunta então é, porque alguém compraria uma opção a qual se exercida renderia menos do que foi pago pela mesma? ou seja, porque alguém pagaria um prêmio maior do que o VI ? a resposta está em que o mercado pode estar apostando numa valorização da opção entre o momento do negócio e seu vencimento, daí definir-se o chamado Valor de Tempo (VT), que é um algo a mais a ser adicionado ao VI pela expectativa do passar de tempo. Define-se, então, outra forma de olhar o prêmio da opção, o qual vamos chamar de Valor da Opção (VO), dado por VO = VI + VT

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As opções “dentro do dinheiro” possuem este valor adicional “extra” porque seu Valor Intrínseco pode ainda aumentar mais. Já as opções “fora do dinheiro” possuem este valor extra porque o mercado pode mudar e elas serem exercidas. Mas é importante lembrar que na data do vencimento, as opções valem apenas seu VI uma vez que não há mais tempo para uma possível reversão do mercado. É interessante lembrar que em mercados líquidos como na CBOT, as opções dificilmente são exercidas (rendendo ao seu detentor o VI), mas sim negociadas no mercado quando VO > VI. A título de exercício, vamos examinar a tabela 10 extraída do quadro de cotações da CBOT do dia 05 de junho de 2005.
Tabela 10. Quadro de negociações de opções Soja, CBOT Contract month Q5 Underlying Contract Price:716'0 (05Aug Future)
Type Put Put Call Call Strike 710'0 720'0 710'0 720'0 Last 17'4 21'4 24'0 20'4 Net Chg -8'0 -10'4 +7'4 +7'4 17'0 10:06 25'0 9:35 16'0 9:34 15'0 9:34 18'0 10:49 26'0 9:42 24'0 10:21 21'0 10:12 16'0 10:14 21'0 10:13 16'0 9:30 13'0 9:30 Open High Low Close Settle Prev Hi/Lo Settle Limit 25'4 32'0 16'4 13'0 75'4 82'0 66'4 63'0

Fonte: CBOT 05/06/05

A primeira linha diz que esta opção refere-se ao mês de agosto de 2005 (Q5), que o contrato futuro correspondente de Agosto de 2005 estava sendo negociado a 716´0 por bushel. Olhando-se a Put de Pe = 710, vê-se que o VI da mesma é 6 uma vez que 716 – 710 = 6 > 0. Então, porque esta opção estaria valendo 17´4 (último negócio no mercado) ? a resposta é que esta opção venceria no final de julho então restando cerca de um mês e meio durante o qual ela poderia eventualmente valorizar-se e render algo ao seu detentor. Matematicamente, teríamos VI = 6 e VO = VI + VT ou 17,5 = 6 + VT ou seja, VT = 11,5 ¢/bu, ou seja, as pessoas estariam pagando 11,5 ¢/bu por algo que no momento valia apenas 6 apenas pela expectativa de que no período restante a opção viesse a valorizar-se

vê-se que a mesma está fora do dinheiro e seu VI = 0.8. Análise gráfica das opções A análise gráfica mostra graficamente o resultado para o comprador ou vendedor das opções diante de várias possibilidades de comportamento dos preços futuros. Neste caso. caso contrário. ela renderia apenas 6 ¢/bu mas sendo negociada. nota-se que o Pr =21. resultado = . o comprador arca totalmente com o prejuízo medido pelo prêmio pago. Então.5. Como o preço futuro para soja Agosto05 estava cotado a 716 ¢/bu. 3. 20.175 e VI se tornasse maior do que o prêmio pago. Se exercida. 3. que o VI dela se valorizasse. a Call de preço de exercício Pe = 710 ¢/bu estaria dentro do dinheiro com VI = 6 ¢/bu.5 ¢/bu é quanto está sendo pago a mais pela expectativa de que o preço futuro suba e esta opão eventualmente venha a ser exercida. no caso de uma Call. gerando um valor que será deduzido do prêmio pago e diminuirá seu “prejuízo”. rendeu 17. se o preço futuro for maior do que o preço de exercício. Resultado para o comprador da Call O resultado para o comprador de uma Call é dado por (Pf – Pe) – Pr se PF ≥ Pe.8.5 = 0 + VT e VT=20. Neste caso.Pr.5 ¢/bu por esta opção que no momento não renderia nada para seu detentor ? a resposta é que havia a expectativa de uma queda de preços e portanto. Isto também explica porque em Chicago a maior parte das opções é negociada em vez de ser exercida. Olhando-se a Call de Pe = 720 ¢/bu. VI desta opção é 0. . Caso a opção não seja exercida. a opção é exercida. Ou seja. 24 = 6 + VT e VT = 18 ¢/bu estaria sendo pago a mais agora diante da expectativa de que o preço futuro se elevasse no restante do tempo e eventualmente. como o Pf = 716.5 ¢/bu devido às expectativas em relação ao preço futuro. por que alguém estaria pagando 21. esta opção passasse a render mais para seu detentor.1. Olhando-se a opção Put de Pe = 720. Ou seja. Vamos às Calls.

23 -0.32 16.60 Preco Futuro 15.40 0..60 Resultado 0.65 0.88 0. o resultado final será 0.45 -0. ele receberá da Bolsa 0.20 0.13/sc da bolsa os quais. Resultado para o comprador de uma Call Esta tabela e gráfico basicamente mostram para cada nível de preço futuro. se o preço futuro for 15. a opção será exercida e seu titular receberá 0.45 pagos.98 Figura 7.76 16. De outro lado. quando o preço futuro for 16. se o preço futuro subir a 16.44 15. deduzindo dos 0.45 -0.44 15. Assim. Portanto.44/sc. ele exercerá a Call.66 15.23 /sc de prejuízo.43 0.45/sc. para preços abaixo de 15. Por exemplo.45. vamos imaginar o comprador de uma Call de soja de Pe = US$ 15.45/sc).98 Resultado 15.01 0. Na figura . receberá a diferença 0.66 15.88 PE 16.88. a opção não será exercida. qualquer valor .45 Resultado -0.22/sc. Resultado para o comprador de uma Call Comprador Call Pe P Preço Futuro 15.21/sc.45 -0.54 16.88 16.176 Para exemplificar..1/sc.10/sc. Estas várias combinações possíveis estão dispostos na tabela 11 e Figura 7.1 16.88/sc e Pr = US$ 0.40 -0. Tabela 11. colocamos várias alternativas de preços futuros e correspondente resultado.80 0.32 16.54/sc. Para preços futuros acima disto.21 0. resultará ainda num resultado negativo de 0. devendo-se daí deduzir o valor do prêmio para se chegar ao resultado final.20 -0. Se o preço futuro for 16. seu resultado será -0.76 16.66 dos quais subtraindo os 0.1 16. qual será o resultado para o detentor da opção.45 pagos.54 16. Por exemplo. ele não exercerá a Call. Deduzindo-se o valor do prêmio pago (0. comprará mais barato e perderá o prêmio pago. resultará num resultado positivo de 0.00 -0. Ou seja.32. a opção será exercida e o portador receberá a diferença entre o preço de exercício e o preço futuro.

resultando pelo menos na diminuição do prejuízo decorrente do prêmio pago. para preços abaixo de US$ 15. Figura 12. então. Projeção do ganho usando alternativa de hedge Diagrama de retorno ganho numa posição comprada numa Call x Comprado Futuro pe prêmio preço futuro pq perda . ele apenas recuperará o prêmio pago mas acima deste valor. Assim.33/sc. Resumindo. uma Call sempre deverá ser exercida se no vencimento o preço futuro exceder o preço de exercício porque no mínimo. Para preços futuros acima deste valor e até US$ 16. a opção deverá ser exercida mas do valor recebido deverá ser deduzido o prêmio pago para se chegar ao resultado final da operação. Em geral.177 acima do preço de exercício a opção deverá ser exercida. Long em futuro x comprado numa Call. Já sabemos que tanto comprar futuro como comprar Call ambas fornecem uma alternativa de hedge protegendo contra subidas de preço.88/sc. para valor acima do preço de exercício. estará ajudando a diminuir o gasto com o pagamento do prêmio. Na figura 12 fazemos uma comparação da proteção obtida em ambas posições. ela virará pó e seu titular arcará com o prejuízo total do prêmio pago. a opção não será exercida e no vencimento. ele já consegue resultados positivos que vão ajudar a diminuir o custo de aquisição da commodity.

44 15.39 -0.39 -0.66/sc e Prêmio =US$ 0.77 0.2.66/sc 0.88 16.76 15. margens de garantia. Resultado para o comprador da Put O resultado para o comprador da Put é dado por (Pe-Pf) .54 16. No geral.66 15.50 15.P se Pe≥Pf. 3. se os preços caírem abaixo do Preço de Exercício. A figura 13 mostra possíveis resultados assumindo-se uma opção Put com Pe = US$ 15.17 -0.00 15. etc.39 -0. Os preços futuros e os resultados são simulados na tabela 13. não considerando os inconvenientes de ajustes diários. caso contrário o resultado é dado por –P.).39 . o resultado líquido da posição futura seria melhor (é claro.39/sc.178 Esta figura mostra o resultado líquido decorrente de várias combinações de preços futuros.39/sc Resultado (por saca) 0.8.39 -0. a opção é exercida e do resultado tem-se que deduzir o que foi pago como prêmio. Se os preços não caírem abaixo do preço de exercício. mas percebe-se que apenas para preços futuros muito baixos (abaixo de pq) a cobertura da Call seria melhor. a opção não é exercida e o comprador perde o prêmio.27 -0.10 16. Ou seja.39 -0. Ambas posições oferecem a mesma cobertura.32 16. TABELA 13: Resultados para o comprador da Put Pe P Preço Futuro (por saca) 14.

o comprador da Put já teria recuperado todo o prêmio pago e o exercício já traria um excedente para complementar o preço de venda do produto.98 -0.39 1 0. apenas para preços futuros acima de p1 seria interessante estar comprado na Put.88 16.179 16.1 16.44 15.4 0. Conforme pode ser visto. Apenas para efeito de comparação entre as alternativas de hedge em futuro e hedge com opções. Para preços menores do que US$ 15.2 0 14.8 0. .98 -0.2 15 15.6 Preço final (por saca) FIGURA 9: Resultados para o comprador de uma put A figura 9 mostra então que para preços menores do que US$ 15.27/sc.4 -0. Para todos os demais.5 -0.6 Resultado (por saca) 0.32 16.76 16. colocamos na figura 10 o gráfico das duas posições. a posição Short no futuro seria preferível.54 16.66 15. a opção seria exercida recuperando-se parte do prêmio gasto.66/sc.

O potencial de risco e lucro numa posição a descoberto difere muito daquele numa posição coberta.8. caso contrário resultado=P. Assim. Os preços futuros e os resultados são simulados na tabela 14.3. ou uma posição a descoberto e adquirir a posição no futuro somente se a posição for exercida pelo comprador. . o resultado da operação é dado por P(Pf-Pe) se Pf ≥Pe. o lançador é obrigado a tomar uma posição no mercado futuro. A figura 11 apresenta o resultado para vendedor numa Call descoberta. o lançador pode vender uma opção já possuindo uma posição no futuro quando a opção é lançada (opção coberta). Para o lançador de uma Call descoberta. Lançamento de Puts e Calls descobertas Conforme já sabemos. no vencimento da opção se ela for exercida. De interesse neste momento é o comportamento gráfico de lançamento de opções descobertas e as mesmas serão discutidas a seguir.180 Ganho Short no futuro pe Prêmio p1 Preço futuro Perda Figura 10: Diagrama de retorno em uma posição comprada numa Put x Vendido no futuro 3.

4 -0.32 0.6 -0.98 -0.01 16.45 15.66 15.88 0.66 0.10 0.76 16.2 0 15.45/sc P-(Pf-Pe) se Pf ≥Pe.98 -0.8 Preço futuro (por saca) FIGURA 11: Resultado para o vendedor de uma Call descoberta .6 0.54 16.32 16.43 16.181 Pe 15.2 -0.4 Resultado (por saca) 0.21 16. caso contrário resultado = P Preço Futuro (por saca) Resultado (por saca) 15.1 16.65 TABELA 14: Resultado para o vendedor Call descoberta 0.45 16.88 16.45 15.76 -0.54 -0.44 0.88/sc P 0.44 15.23 16.

76 0.39 16. caso contrário Resultado=P.1 0. a mesma será exercida e o lançador terá que pagar a diferença entre o indicado no contrato futuro correspondente e o preço de exercício.17 15.88 0.88/sc e US$ 16.5 -0.44 0.33/sc). o resultado para vendedor = P. Num determinado intervalo (entre US$15.66 0. resultando numa sobra ainda positiva. caso contrário resultado = P Preço Futuro (por saca) Resultado (por saca) 14.54 0.39 16.39/sc P Resultado = P. A partir de US$ 16.88/sc.33/sc já começará a haver um resultado negativo para o lançador podendo crescer infinitamente.(Pe-Pf) se Pe ≥ Pf.27 15.77 15 -0.39 .27/sc Pe 0. TABELA 15: Resultado para o vendedor de uma Put descoberta 15.98 0.(Pe-Pf) se Pe ≥ Pf. a opção não será exercida e o lançador embolsará totalmente o prêmio. Na tabela 11 e na figura 14 apresentamos o mesmo exemplo do comprador da Put apenas que agora na posição de lançador.39 16.32 0.88/sc.39 15. No caso do lançador de uma Put. Para valores acima de US$ 15.39 16.39 16.182 A figura mostra que para preços futuros menores do que US$ 15. o pagamento correspondente será descontado do prêmio recebido.

88 16.54 16.4 -0.44 15.4 0.2 15 15.2 Resultado (por saca) 0 14. as opções.27/sc. . o lançador começará a entrar numa região de prejuízos totais. ele será exercido.6 -0.76 16.5 -0. desembolsando a diferença da qual será abatido o prêmio recebido.8 -1 Preço futuro (por saca) FIGURA 14: Resultado para o vendedor de uma Put descoberta Os resultados mostram que para preços maiores do que US$ 15. resultando ainda num resultado positivo.27/sc.9 Conclusões Em comparação com as operações de proteção de preços dos mercados futuros.6 0. Entre US$ 15.66 15.1 16.32 16. para os titulares.183 0.98 -0. Para preços futuros abaixo de US$ 15.66/sc. apresentam as seguintes vantagens e desvantagens: 1. 3. o lançador não será exercido e embolsará totalmente o prêmio.66/sc e US$ 15. As opções limitam os prejuízos ao valor do prêmio pago.

seu vencimento’. implica no pagamento de ajuste pelo titular. c.184 2.As opções de commodities agrícolas negociadas na BM&F e na CBOT são a. b. d. do tipo europeu e só podem ser exercidas no vencimento. c. implica na assunção do titular de uma posição comprada no mercado futuro. permitem ganhos extras caso o mercado se movimente favoravelmente. d. implica em depósito de margem de garantia pelo titular. os compradores não depositam margem de garantia. Exercícios 1. c) é o contrato futuro correspondente d) é a CPR referente ao produto 2. b. 4. e. Já as principais desvantagens das opções são que o valor do prêmio pode ser muito alto e também que o risco de base continua existindo. 3.O exercicio de uma Call a. 3. 5. . o mais importante. elas garantem contra queda ou subida de preços mas ao mesmo tempo. implica na assunção do titular de uma posição vendida no mercado futuro.O objeto do Contrato de Opções sobre Futuros a) é o contrato referente ao produto físico correspondente b) é o contrato sobre as opções do governo. até seu vencimento’. o comprador da opção não necessita se preocupar com o pagamento do ajuste diário. do tipo europeu e podem ser exercidas a partir do dia útil seguinte a sua aquisição até do tipo americano e podem ser exercidas a partir do dia útil seguinte a sua aquisição do tipo americano e só podem ser exercidas no vencimento.

o qual passa a ter uma obrigação para com o titular. ii. compradores e vendedores. é depositada por ambos. a monthly (serial) option contract is listed when the front month is not a standard option contract. Ao serem exercidas opções sobre futuros. no dia seguinte) a sua compra. d) todas certas. não é depositada por nenhuma das partes.A Margem de Garantia nos contratos de opções a. May. Explique.exercid 6. Explique o conceito de opção serial iii. Nos mercados de opções. . Explique a influência da taxa de juros sobre o valor do prêmio de uma Call iv. é facultativo cumprir o contrato caso seja exercido. b. 5. Mar. b) Lançador: é o vendedor da opção. Respostas rápidas i.Nos contratos de opções a) Titular: é o comprador da opção. adquirir o direito b) É o valor recebido pelo vendedor. é depositada apenas pelos vendedores. Jul. tem a obrigação do exercício. Jan. d. As opções podem ser exercidas (a qualquer momento. prêmio a) É o valor pago pelo titular para ter. Nov. Aug.185 4. é deposita apenas pelos compradores. A especificação do contrato de opções na CBOT diz que Contract Months: Sep. as bolsas colocam os lançadores e titulares em posições nos mercados futuros. c) todas certas. tem o direito do exercício se lhe interessar. c. c) Titular: é o comprador da opção. d) todas erradas 7. Explique este mecanismo. The monthly option contract exercises into the nearby futures contract.

“ . responda as questões propostas . Como você explicaria isto ? vii. É muito mais comum na CBOT opções serem vendidas em lugar de serem exercidas. O que você acha mais interessante para os produtores de soja: vender antecipado.. vender futuro ou comprar Put ? discuta 8. Utilizando os dados apresentados..186 v. Na CBOT. O quadro abaixo apresenta um resumo da movimentação dos mercados futuros e de opções de soja na CBOT no dia 05 de junho de 2005. Explique vi. Options in-the-money on the last day of trading are automatically exercised”.

O que você infere destes números ? negociado). f. e. c. negociado). Explique uma operação de proteção de preço para um produtor com limitador entre 710 relação ao prêmio das mesmas. Discuta o custo e os benefícios da operação de proteção apenas via compra de Put comparativamente à proteção e custos na operação com limitador. . b. d. e 730 cents/bushel. g.187 Contract month Q5 Underlying Contract Price:716'0 (05Aug Future) Type Put Put Put Put Call Call Call Call Strike 700'0 710'0 720'0 740'0 710'0 720'0 730'0 740'0 Last 12'0 17'4 21'4 34'0 24'0 20'4 17'4 13'0 Net Chg -7'0 -8'0 -10'4 -13'0 +7'4 +7'4 +7'0 +4'4 16'0 9:34 17'0 10:06 25'0 9:35 37'0 9:46 16'0 9:34 15'0 9:34 13'0 9:37 8'4 9:34 16'0 9:30 18'0 10:49 26'0 9:42 38'0 9:50 24'0 10:21 21'0 10:12 17'4 12:48 13'4 11:39 11'4 10:15 16'0 10:14 21'0 10:13 34'0 12:33 16'0 9:30 13'0 9:30 13'0 9:37 7'4 9:34 Open High Low Close Settle Prev Settle 19'0 25'4 32'0 47'0 16'4 13'0 10'4 8'4 Hi/Lo Limit 69'0 75'4 82'0 97'0 66'4 63'0 60'4 58'4 a. indicando quanto esta operação custaria para o produtor em US$/saca e qual o intervalo de proteção também em US$/sc h. Expresse preço de exercício e o prêmio de Puts e Calls em US$/sc Escolha uma Put e uma Call e calcule o Delta estimado Calcule o Valor Intrínseco e o Valor de Tempo destas opções (todas) e discuta em Trace o diagrama de retorno na posição comprada da Put (utilize o último prêmio Trace o diagrama de retorna na posição vendida da Call (utilize o último prêmio Explique o significado do Delta da Put e da Call. indicando se é positivo ou negativo.

simule algumas situações 9. uma opção serial teria vencimento em fevereiro. a opção teria que ser exercida sobre o contrato futuro com vencimento em março. Como ele Monte uma operação de lançamento de uma Put coberta poderia fazer para participar de eventuais ganhos nos preços da soja. 5(c). desta forma. Em termos de operação de hedge. De maneira análoga. Discuta Respostas 1 (c). j. (iii) A taxa de juros é uma das variáveis considerada no modelo de precificação de uma opção de compra (call) do tipo europeu desenvolvido por Black & Scholes em 1973. desta forma. 6(a) 7. devendo. opções são sempre melhores do que futuros. 2(b). Este procedimento faz com o titular e o lançador estejam sujeitos às regras do mercado futuro.50. o exercício de uma opção Call coloca o titular numa posição comprada no mercado futuro e o lançada deste Call numa posição vendida. (ii) A opção serial refere-se a uma opção com vencimento em um mês em que não há vencimento do contrato futuro. efetuar o ajuste final e encerrar as posições. Desta forma.188 i. 7. Imagine um produtor que já vendeu sua produção antecipada a US$ 10. pois este mês não tem vencimento do contrato futuro e. No exemplo da CBOT. (i) O exercício de uma opção Put joga o titular para uma posição vendida no contrato futuro e o lançador da Put é jogado numa posição comprada no mercado futuro. a opção serial é exercida para o vencimento do contrato futuro mais próximo. 4(c). 3(a). Segundo . Suponha que você seja o administrador de um fundo de investimentos: monte uma operação com CPR Financeira e esquematize uma operação de proteção com opções e simule algumas situações 10. 7.

(a) O preço de exercício e o prêmio de Puts e Calls em US$/sc consta na tabela abaixo: Preço do contrato futuro subjacente: US$ 15. e opções americanas. 7. o hedge da produção passa a ser uma alternativa atrativa. e/ou necessita de financiamento para efetuar o plantio. no vencimento de uma opção. Se o produtor possui disponibilidade de recursos em caixa. a CBOT exercerá a mesma automaticamente. pois o produtor tem um processo de formação de preço mais justo. Devido à maior rigidez. há uma relação positiva entre taxa de juros e o valor do prêmio da uma call. debitando o lançador da opção e creditando o comprador. que podem ser exercidas a qualquer momento a partir do dia seguinte à sua compra. (vi) Se exercer a opção dentro do dinheiro. se o produtor tem conhecimento dos possíveis preços que pode obter pelo seu produto na bolsa.79 (vencimento em agosto/2005) . O texto em questão salienta que. (vii) Trata-se de uma escolha que depende da avaliação do produtor. garante um determinado preço que cobre seus custos garante uma margem de lucro e tem um instrumento de barganha que pode ser usado na negociação com as trandings. o titular receberá apenas o VI mas se revendê-la. (v) As opções dentro do dinheiro (in the money) são aquelas que geram fluxo de caixa positivo para seu detentor. que podem exercida apenas no vencimento estipulado no contrato. Ou seja. Por exemplo. “virando pó” no seu vencimento. bem como não necessita comprometer sua produção futura para efetuar o plantio. 7. A venda antecipada da soja torna-se um recurso interessante para o produtor que não tem fluxo de caixa disponível para adquirir uma opção ou arcar com os ajustes diários de um contrato futuro. 8. maior o prêmio da call. 7. se a mesma estiver dentro do dinheiro. geralmente as opções européias possuem um prêmio menor que as opções americanas. quanto maior o nível da taxa de juros.189 este autores. Se a opção está fora do dinheiro (out of the money) então o preço do mercado futuro desestimula que a mesma seja exercida. esta informação pode servir de subsídio em uma negociação com as tradings. (iv) Existem dois tipos de opções: as opções européias. poderá receber algo mais devido ao VT 7.

82 0.10 0.46 0.66 1.53 0.04 0.57 0.56 0.35 0.33 8.45 0.23 1.66 15.33 0.40 0.37 0.46 0.b CÁLCULO DO VALOR DO DELTA REFERENTE AO EXERCÍCIO 1) Opção de Call para o contrato de soja negociado na CBOT com vencimento em novembro/06 e preço de exercício de 600`0 cents/bu = US$ 13.55 0. Informações necessárias para o cálculo: Soybeans Calls Settlement (CZ) as of November 22.29 0. 2005 17:00 CST Open Auction Calls 06Nov .53 0.29 0.39 0.17 +0.29 0.88 16.23 -0.23/sc.39 1.39 -0.17 +0.66 15.35 0.190 Type Strike Last Net Chg Open High Low Close Settle Prev Settle (U S$/ sc) Hi/Lo Limit (US$/sc) (US$/sc) (US$/sc) (US$/sc) (US$/sc) (US4/sc) (US$/sc) Put Put Put Call Call Call 15.71 1.75 0.81 2.29 0.35 0.15 0.47 0.84 0.39 0.14 1.29 +0.32 15.18 -0.36 0.75 0.88 16.47 1.

000 bu) Expiration Opening High Low Closing Settle Net Change 06Nov 599'0 600'0 600'0 596'4 596'4 597'0 596'6 -1'4 Table generated November 22. 2005 17:00 CST .191 Strike Opening High Low Closing Settle Net Change 300'0 600'0 620'0 640'0 660'0 34'0 27'0 34'0 27'4 33'0 27'0 50'0 50'0 46'2 296'6 N 46'2 39'0 N 33'0 27'4 296'6 46'2 39'0 33'0 27'4 -1'4 -0'2 -0'4 -0'4 -0'4 Soybeans Futures Settlement (S) as of November 22. 2005 17:00 CST Open Auction Futures Price Unit: Cents and quarter-cents/bu (5.

00 cents/bu = US$ -0.00 .50 – 596.25 cents/bu = US$ -0.25 / -2. .625 Tal valor indica que o aumento de 1% no preço do contrato futuro subjacente a esta opção causará um aumento de 0.625% no prêmio dessa opção de Call.028/sc Variação na cotação do contrato futuro de soja com vencimento em Nov/06 (diferença entre a cotação do dia 23/11 e o valor de fechamento do dia 22/11) 594. 2005 10:00 CST Open Auction 06Nov Underlying Contract Price:594'4 (06Nov Future) Type Strike Last Net Chg Open High Low Close Settle Prev Settle Hi/Lo Limit Call 600'0 45'0 -1'2 45'0 9:40 45'0 45'0 46'2 96'2 9:40 9:40 39'0 19'4 89'0 69'4 Call Call 620'0 700'0 38'0 19'0 Unch Unch → Delta da Call = (variação no prêmio da opção) / (variação no valor do ativo objeto) Variação no prêmio da opção (prêmio do dia 23/11/05 – prêmio do dia 23/11/05.46.044/sc Portanto o Delta dessa opção de Call é: -1.00 = 0.50 = -2.192 Soybeans Options (PZ/CZ) Delayed 10 minute data as of November 23. considerando o menor valor (Low)): 45.25 = -1.

000 bu) Expiration Opening High Low Closing Settle Net Change 06Mar 581'4 580'6 583'6 579'0 580'0 580'2 580'0 +0'2 .79/sc. Soybeans Puts Settlement (PZ) as of November 22.193 2) Opção de Put sobre contrato futuro de soja negociado na CBOT com vencimento em março/06 e preço de exercício de 580. 2005 17:00 CST Open Auction Puts 06Mar Strike Opening High Low Closing Settle Net Change 580'0 23'4 24'0 22'0 23'0 23'4 23'2 -1'0 Soybeans Futures Settlement (S) as of November 22. 2005 17:00 CST Open Auction Futures | Calls | Puts Price Unit: Cents and quarter-cents/bu (5.00 cents/bu = US$ 12.

o valor do prêmio dessa opção de Put diminuirá 0. considerando o menor valor (Low)): 24. 8.194 Soybeans Options (PZ/CZ) Delayed 10 minute data as of November 23.75 = .055/sc Variação na cotação do contrato futuro de soja com vencimento em Mar/06 (diferença entre a cotação do dia 23/11 e o valor de fechamento do dia 22/11) 577.061/sc Portanto o Delta dessa opção de Put é: 2.50 / -2.00 = 2.50 cents/bu = US$ 0.75 cents/bu = US$ -0.0%. 2005 10:30 CST Open Auction 06Mar Underlying Contract Price:577'2 (06Mar Future) Type Strike Last Net Chg Open High Low Close Settle Prev Settle Hi/Lo Limit Put 580'0 25'0 +1'6 25'4 9:34 25'4 9:30 24'4 9:34 23'2 73'2 → Delta da Put = (variação no prêmio da opção) / (variação no valor do ativo objeto) Variação no prêmio da opção (prêmio do dia 23/11/05 – prêmio do dia 23/11/05.50 – 22.00 = -2.0.91%.25 – 580. c) Cálculo do Valor Intrínseco e do Valor de Tempo: .91 O valor do Delta indica que se o preço do contrato futuro subjacente a esta opção variar 1.

0) Call = Max (S – K .00 0.47/sc.39 0. As opções que possuem VI diferente de zero são aquelas que. O baixo VI de uma opção indica que há alta tendência da mesma ser negociada ao invés de ser exercida.45 0.88 16.22 0.39 Valor Intrínseco (US$/sc) 0.13 0.75 0. No caso da Put da tabela acima com PE de US$ 15.88 16.00 0.38 0. correspondente ao VI.09 0.45 0. d) O gráfico de resultado para uma posição comprada na Put é dado abaixo: Retorno de uma posição comprada na Put Preço de exercício (US$/sc): Prêmio (US$/sc): 15. Se esta for exercida renderá um ganho de apenas US$ 0. pois os compradores destas acreditam que o preço do contrato futuro irá mudar no futuro.195 Valor Intrínseco (VI): Put = Max (K – S .66 0.00 Valor de Tempo (US$/sc) 0. no momento. 0) Valor de Tempo (VT): VT = VO – VI Preço do contrato futuro: US$ 15.39 O Valor da Opção (VO) é dado pela soma do Valor Intrínseco (VI) e do Valor de Tempo (VT).66 15.79 (vencimento em agosto/2005) Tipo Put Put Put Call Call Call Preço Exercício Prêmio (VO) (US$/sc) 15.09/sc.88/sc. Se for negociada renderá o prêmio no valor de US$ 0. 8.40 0.10 (US$/sc) 0.66 15. geram um fluxo de caixa positivo para seu detentor (estão dentro do dinheiro).32 15.53 0.39 .39 0. As opções com VI igual a zero possuem a totalidade de seu prêmio referente ao VT.47 0.53 0.

00 0.48 15.48 0.39 -0.39 -0.39 Ganho da Put (US$/sc) 0.42 15.196 Preço futuro (US$/sc) 15.60 15.27 -0.39 -0.72 15.03 -0.90 15.33 -0.15 0.39 -0.39 -0.54 0.39 -0.39 -0.15 -0.06 0.78 15.39 -0.39 .39 -0.09 -0.30 15.36 15.12 15.39 -0.24 15.39 -0.21 -0.39 -0.54 15.84 15.00 0.00 0.36 0.30 0.00 Resultado (US$/sc) 0.39 -0.96 Prêmio (US$/sc) -0.12 0.03 -0.24 0.00 0.00 0.18 15.39 -0.66 15.39 -0.18 0.39 -0.39 -0.42 0.09 0.39 -0.39 -0.

36 15.84 15.48 15.12 Resultado (US$/sc) 15.54 15.4 -0.1 0 15.60 15.90 15.197 Gráfico de retorno para uma posição comprada na Put 0.2 0.5 Preço futuro (US$/sc) .2 -0.42 15.1 -0.30 15.96 -0.66 15.18 15.72 15.78 15.3 -0.24 15.

53 0.e) O gráfico do retorno de uma posição vendida na Call é dado abaixo: Retorno de uma posição vendida na Call Preço de exercício (US$/sc): Prêmio (US$/sc): Preço futuro Prêmio (US$/sc) 15.53 0.53 0.47 0.53 0.12 -0.53 0.96 16.02 16.29 0.14 16.53 0.30 -0.53 0.32 16.13 -0.00 -0.53 Perda da Call (US$/sc) 0.66 -0.11 0.07 -0.20 16.41 0.66 15.53 0.198 8.53 0.53 0.24 -0.53 0.00 0.53 0.01 -0.53 0.72 15.06 -0.53 0.84 15.38 (US$/sc) 0.08 16.53 0.90 15.42 -0.19 .23 0.54 15.78 15.53 0.48 15.35 0.00 0.17 0.66 0.60 15.26 16.18 -0.36 -0.53 0.53 0.54 -0.72 15.48 -0.53 Resultado (US$/sc) 0.53 0.05 -0.00 0.60 -0.

00. 8.14 16.4 0.00 cents/bu = US$ 16.38 -0. Um exemplo desta operação: O produtor compra uma Put de preço de exercício igual a 710.96 16.54 15.5 0.10/sc recebendo um prêmio de US$ 0. indicando que um aumento no preço do contrato futuro causa uma redução no prêmio da opção.1 15.39/sc e vende um Call de preço de exercício igual a 730. Supondo que o produtor esteja em Dourados (MS) e a base naquela localidade seja de US$ -2.84 15.00 cents/bu = US$ 15.3 Preço futuro (US$/sc) 8.90 15.g) A operação de proteção de preço para um produtor com limitador caracteriza-se por uma operação que limita os ganhos do produtor.08 16.72 15. O quadro abaixo apresenta alguns possíveis resultados para o produtor.0%.f) O Delta da Put e da Call indica qual é a variação percentual no prêmio de uma dada opção se o preço futuro do contrato que a opção se refere aumentar em 1.66 15.32 16. .66/sc pagando um prêmio de US$ 0.2 0.26 16.60 15.02 16.20 16.39/sc. porém custa menos ao mesmo. Já para a Call o delta é positivo. indicando que o aumento no preço futuro acarretará o aumento no prêmio da opção.78 15. No caso da Put o delta é negativo.2 -0.48 -0.3 Resultado (US$/sc) 0.1 0 15.6 0.199 Gráfico do retorno para uma posição vendida na Call 0.

60 0. pois o mesmo pagou um prêmio de US$ 0.39 -0. a operação sem limitador faz com que o comprador tenha que arcar com todo o custo referente ao prêmio. o que garante o abate no prêmio pago pela Put ou até mesmo lucro para o vendedor da Call.20 0.10.06 Base em Dourados Preço esperado de venda em Dourados Prêmio pago pela Put Receita da venda da Call Ganho no exercício da Put Perda ao ser exercido na Call Resultado líquido 13.39 -2.06 15.39 -0.00 14.66 16. o hedger limita os ganhos decorrentes do aumento do preço. haverá o pagamento do prêmio referente à compra da Put mas o mesmo também receberá o prêmio oriundo da venda de uma Call. o produtor deve estar comprado em uma Call.00 -0. No caso da operação com limitador.10 0.10 16.00 13.00 0.10 14.00 0.00 0.66 13. No caso de uma operação com limitador.30 Conforme verifica-se acima.00 13.40 0.00/sc e para se proteger comprou um Call na CBOT com preço de exercício de US$ . esta operação não teria nenhum custo para o produtor.00 0.66* -2.00 14. 8.39 0.39 -0. Por outro lados.00 13. 8.00 0.39 0.200 Preço CBOT março/2006 15. Além disso.39/sc pela Put mas recebeu um prêmio de igual valor pela venda da Call.26 -2. h) A operação de proteção via compra apenas de Put tem o benefício de dar ao seu comprador a possibilidade de aproveitar todo lucro decorrente de uma possível alta nos preços.26 15.39 0.39 -0. intervalo de proteção foi de 13.66 a 14.66 14.39 0.66 13.39 0.30 -2. Suponha que o produtor vendeu a soja antecipadamente ao preço de US$ 14.i) Para participar de eventuais ganhos com alta no preço da soja.10** -2.00 -0.

00 16.00 Na tabela acima podemos ver que.61 antecipada Prêmio pago pela Call Ganho no exercício da Call Resultado líquido 13. A tabela abaixo apresenta os diferentes resultados para esta operação.00 -0. uma posição vendida (Short) no mercado futuro): .26 14.26 15.201 16.61/sc.j) Operação de lançamento de uma Put coberta (venda de uma Put assumindo. De outro lado.18** 14.06 Preço da venda 14.39/sc.00 16.00 – US$ 0.39 = US$ 13.39 0. se o preço no mercado futuro for menor ou igual ao preço de exercício da Call. se o preço futuro foi maior que o preço de exercício. 8.00 13.08 -0.26 14. de maneira concomitante.61 13.39 0.10* 14.00 -0.39 0.00 -0.61 13.87 -0. então o mesmo será exercido e o produtor auferirá lucros pela alta do preço no mercado futuro. então a mesma não será exercida e o produtor ganhará a diferença entre: US$ 14.00 16.39 0. Preço CBOT 15.10/sc pagando o prêmio de US$ 0.69 13.39 0.

40 15.29 0.38 0.11 -0.50 16.01 -0.38 0.16 0.49 0.47 0.30 15.31 -0.36 0.11 -0.47 Resultado na futuro opção (US$/sc): -0.38 0.81 15.10 16.40 16.19 0.47 0.61 -0.70 15.09 -0.21 -0.06 -0.90 16.47 Lucro/Prejuízo (US$/sc) 0.20 16.47 0.60 (US$/sc) 0.19 0.38 0.88 15.47 0.47 0.26 0.47 0.38 0.47 0.202 Resultados para o vendedor de uma Put coberta Preço de exercício da Put (US$/sc): Posição Short no mercado futuro (US$/sc) para 03/2006: Prêmio da opção (US$/sc): Preço futuro final Prêmio recebido (US$/sc) 15.47 0.47 0.47 0.04 -0.00 16.30 16.09 0.79 0.34 .47 Resultado no mercado (US$/sc): 0.60 15.47 0.41 -0.50 15.47 0.47 0.47 0.14 -0.47 0.71 -0.47 0.38 0.39 0.47 0.29 0.47 0.01 0.39 0.47 0.24 -0.51 -0.80 15.47 0.

500 x 13.24)88/252 = US$ 12.06 = US$ 54.10 15.40 Preço futuro (US$/sc) 9.30 0.00 no ato da compra da CPRF e deverá pagar ao fundo de investimento o valor de 4. Desta forma. o produtor receberá 4.06/sc.70 15.60 -0.20 Resultado (US$/sc) 0.500 x 12.500.30 -0. O fundo de investimentos estipula que a taxa de juros desta operação será de 24% ao ano.500 sacos de soja para vencimento em 01/08/2005.40 0.10 0.50 0. . o valor recebido pelo produtor será de: Psaca = (Pfuturo) / (1 + Z)n/252 = 13.90 16.40 15. Operação de CPRF: Em 01/04/2005 um produtor rural emite uma CPR Financeira de 4. Portanto.00/sc.270.00 / (1.203 Resultado para o vendedor de uma Put coberta 0.30 -0.20 -0.30 16.50 15.20 16.50 16.00.40 16.00 15. O valor do contrato futuro de boi gordo com vencimento em agosto/2005 é de US$ 13.10 16.00 16.00 = US$ 58.80 15.60 15.

50 12. e vencimento em agosto/05.56 11.06 -0. A escolha entre a utilização de contrato futuro ou opções como instrumento para realizar o hedge deve considerar as vantagens e desvantagens de cada um deles.50 0.00 11.00/sc/ Vamos considerar algumas situação na tabela abaixo. Não.06/sc.50 -2. Juntamente com esta operação.40/sc.66 -0. Preço no mercado futuro 13. Suponha que um produtor emita uma CPR Física em 01/04/05 correspondente a 4.500 sacas de soja.00 13. os quais constam abaixo: .00 14.00 -0. Suponhamos que a base seja de US$ -2.50 15. com vencimento em 01/08/05.00 -2.50 0.00 10.00 Base esperado Prêmio pago Ganho exercício da Put Resultado líquido 11.50 no 1. ela assume uma posição comprada na Put com preço de exercício de US$ 14.06/sc.00 -0.50 -0.40 14.40 -2.204 10.00 -2.00 12.00 12.56 11.50 0. pagando o prêmio de US$ 0.00 12. O fundo de investimento compra esta CPR pagando ao produtor o valor US$ 12.06* -2.50 0.00 13.00 Preço de venda 11.

tamanho. porém.205 Contrato Futuro Permite fixar um preço futuro para a mercadoria. local de entrega). Não há pagamento antecipado pelo contrato. Desvantagens Impedem a obtenção de lucros decorrentes de um movimento favorável dos preços. Intercambialidade de posições. Vantagens Risco de crédito menor do que o contrato de balcão. Contratos padronizados (meses de vencimento. Opções Limitam o valor do prejuízo ao prêmio pago e permitem ganhos Vantagens com movimentos favoráveis do preço. o mercado futuro soa como uma boa alternativa. Necessário que comprador e vendedor depositem margem de garantia. se o produtor deseja apenas garantir um determinado preço. Transparência de preços. porém. padronização do produto. deve-se considerar o fluxo de caixa . Risco de base. Necessidade de fluxo de caixa para honrar os ajustes diários. Comprador não deposita margens. Se o hedger esperar que os preços futuros terão um movimento favorável. então as opções podem ser uma alternativa a ser pesquisada. Desvantagens Valor do prêmio pode ser muito alto. Não há ajuste diários. Por outro lado. deve-se considerar o custo das mesmas. Risco de base.

. Desta forma. não se deve preterir um instrumento antes de analisar os demais disponíveis e.206 necessário para a operação. utilizar-se de uma ou mais técnicas de previsão de preço. Deve-se atentar também para o risco de base. como as análises grafista e fundamentalista para embasar a tomada de decisão. cujo cálculo e volatilidade tornam-se indispensáveis para determinação do preço recebido. principalmente.

. ESTRATÉGIAS AVANÇADAS COM MERCADOS FUTUROS.207 4. OPÇÕES E DERIVATIVOS AGROPECUÁRIOS JUSTIFICATIVA: mercados futuros são utilizados em vários tipos de operações diretamente ou através de derivativos Objetivos: introduzir os alunos em estratégias avançadas com mercados futuros e derivativos agropecuários.

1.929 de 22/08/94. 8.1. Figura 1. Quadro de funcionamento da CPR física Tempo Dia inicial 0 0 0 0 aval Produtor vende CPR CPR $ Investidor compra CPR Dia vencimento Produtor colhe produto produto CPR Quitada Investidor Vende o produto . um título cambial criado pela lei no.1.208 4. A CPR pode ser emitida por produtores rurais e suas associações em qualquer fase do ciclo produtivo. Cédula de Produto Rural (CPR) A Cédula de Produto Rural (CPR) é um dos instrumentos mais utilizados hoje em dia nas operações de financiamento do agronegócio. Utilização de CPR Física A figura 1 mostra de forma esquemática a emissão de uma CPR Física por um produtor rural. Existem basicamente dois tipos de CPR: física e financeira 4. Ela é uma evolução dos contratos a termo tradicionais.

Transcorrido o período entre o plantio e a colheita. base. Assumindo-se base constante. Ele então procura uma agência do Banco do Brasil e emite uma CPR pagando pelo aval bancário. O investidor vende o produto e a diferença entre o que pagou e o que recebeu é seu lucro que pode ser expresso como uma taxa de ganho. o risco da operação está com o comprador . Para commodities. Ambos. imaginemos um produtor rural necessitando de recursos num certo momento (dia inicial) para iniciar o plantio. A primeira pergunta que se faz é sobre como é decidido o preço a ser pago pela CPR no momento inicial. Matematicamente. de meses até o vencimento da operação. o referencial é o preço futuro descontando-se a base para o local onde será comercializado o produto ao qual a CPR se refere. taxa de juros e período a transcorrer durante o financiamento. se expressa como: PCPR = Pfut − base n (1+ j ) 30 Onde PCPR = preço a ser recebido pelo produtor Pfut = preço futuro da commodity Base= média (preço físico – preço futuro) j = taxa de juros embutida na operação n = número de dias úteis até o vencimento da CPR n/30 = no. A CPR é colocada num leilão onde quem oferecer mais compra a mesma.209 Para fins de raciocínio. o produtor colhe e entrega o produto para o investidor o qual retorna a CPR quitada. considerando meses de 30 dias. vendedor e comprador. o comprador da CPR precisa ter certeza de quanto estará valendo o produto no vencimento da CPR. utilizam a fórmula do valor presente para calcular a quanto deve ser negociada a CPR em função do preço futuro. A segunda pergunta diz respeito a como se calcular o preço a ser pago pela CPR. ou seja.

o produtor oferece uma CPR num certo valor financeiro. Houve um leilão. era de R$ 2. Como no dia da operação o dólar estava cotado a R$ 3.332% ao mês ou 31.15824 ou j = 1. correspondente a uma determinada quantidade de produto no momento da emissão da CPR. no caso. Neste caso. 63− 2 .2.1 = 1. Naquele dia. O leilão fará com que ela caia. A negociação da CPR nada mais é do que a negociação da taxa de juros embutida na operação.02/dólar. significa que o café estava cotado a R$ 215. resultando num valor presente maior para o emissor.40/saca. vamos assumir que um produtor de café localizado em Patrocínio (MG) emitiu dia 21/08/03 uma CPR Física com vencimento para 31/12/04. resultando num preço líquido de R$ 213. Utilização de CPR Financeira A figura 2 mostra o esquema básico de emissão da CPR financeira. Exemplificando. Por simplificação. o valor da CPR por saco seria calculado por (considerando-se 333 dias úteis entre o início e o final da operação e um total de 252 dias úteis no ano).63/sc. Assim. Se o investidor pretendesse ganhar 2. esta taxa foi negociada e diminuída e o produto foi negociado a R$ 183. PCPR = 215.63/sc.00% am na operação.00/saca.90/sc que corresponde a uma taxa de juros mensal dada por 213 (1+ j) 30 = 183. 4. setembro de 2004. o café futuro com vencimento em março (vencimento mais próximo ao da CPR) estava cotado a US$ 71.97 j11.97 pela saca de café. ele deveria ofertar R$ 170. Há um leilão e os interessados descontam este valor baseando-se na taxa de juros pretendida segundo a fórmula . 62 (1+ 333 j ) 30 = (1+21310) = R$ 170.90 = 1. ele deveria fazer hedge de venda no contrato futuro correspondente para logo após o vencimento da CPR. um dos pontos de formação de preço do café.19% ao ano.15824 333 (1+ j)11. a base foi calculada apenas como custo de frete entre as cidades de Patrocínio e Araguari. Resumidamente.1.210 da CPR.

vamos imaginar um exemplo de aplicação de troca de máquinas (plantadeira) por sacas de milho na região de Campinas. Esquema básico de emissão de uma CPR financeira. Assim. • • Data da operação: 03/04/2003 Preço de 10 plantadeiras na data do negócio: R$ 206. vendendo o produto no mercado futuro. ele para se precaver deveria fazer um hedge de venda. Como exemplo.00 . o valor da CPRF correspondia a certa quantidade de produto e se até o vencimento da CPRF o preço do mesmo cair.211 PCPR = Pfut − base n (1+ j ) 30 Pode-se ver que o risco da operação agora está com o emissor da CPRF porque na época da emissão da mesma.965. Figura 2. o produto precisará vender mais produto para pagar a mesma dívida.

Isto porque se o preço cair.300.000 sacas de milho.000 sacas de milho O risco da operação poderia estar com a indústria se o produtor emitir uma CPR física e ela concordar em receber as sacas de milho porque até lá o preço pode cair e ela.300. Data de liquidação do contrato de troca: primeiro dia útil de setembro Preço futuro do milho para setembro de 2003: R$ 25.70/sc. • • A Relação de Trocas no momento da operação era dada por RT = (preço das plantadeiras + custo financeiro )/preço do milho futuro RT = (R$ 232.00/25. O risco da operação poderá estar com o produtor se o mesmo emitir uma CPR Financeira e aceitar pagar a dívida em dinheiro no valor estipulado de R$ 232. A forma de proteção seria então a fabricante de máquinas fazer um hedge do produto no contrato futuro de milho para setembro de 2003.212 • • Preço de 10 plantadeiras + custos financeiros: R$ 231. A forma de proteção da operação seria então o produtor fazer um hedge de venda do produto no contrato futuro de milho vencendo em setembro de 2003. ao vender o produto.300.00. Vamos supor que o negócio foi feito na base da troca de máquinas por sacas de milho com emissão de CPR Financeira e neste caso. ele precisará vender mais sacas de milho para pagar a mesma dívida. o risco estaria com o produtor e a questão: qual será o preço do milho em setembro? Vamos assumir que em 03/04/03 o produtor vendeu 20 contratos futuros para o vencimento setembro/03 a R$ 25. Quantas sacas de milho o produtor deverá pagar pelas plantadeiras? de 2003.70) ≈ 9. pode não recuperar o dinheiro suficiente para pagar as máquinas. correspondiam a aproximadamente 9.70/sc e vamos simular algumas situações: .00 que à época da operação.

um produtor tem o produto estocado e está na dúvida entre vendê-lo ou não.700.00 operação de hedge de venda das sacas de milho quando da emissão da CPR. 27 A decisão será sempre baseada em Pfut – Pfís > C estocagem (custos armazenamento. 4.00 – 20.00 Receita total = 252. pode-se dizer que a lucratividade existirá se preço futuro compensar custos com estocagem ou de variações na base.00) ) Receita total = 180. custos financeiros. porém descontando o que foi pago de ajuste diário resultaria no valor líquido esperado. . • • • milho sobe para R$ 28.213 1. perdas.300.70 – 20.300.00 Isto é.700.300.00 = R$ 231.). Vamos agora apresentar um exemplo de 27Extraído de SOUSA & MARQUES (1995). Cash and Carry Tecnicamente.R$ 20. transporte.00 posição no futuro: ajuste positivo dado por (25. milho cai para R$ 20. o produtor venderia o milho mais caro. juros. seguro. tem-se a situação onde um comerciante compra e estoca a commodity e faz a operação de hedge para se proteger. De forma geral. etc.00 + 51.000. armazenagem. comissões e demais custos envolvidos no carregamento da mercadoria.00/sc em setembro: posição no físico: R$ 252.300.00 posição no futuro (25. significa custo e carregamento pagos pelo mercado. o produtor garantiu sua relação de troca com a x 9. mantendo a relação de troca. Como exemplo de aplicação.00 Nesta situação.00) = . seguro.000.000 sacas = R$ 51. São operações realizadas quando os preços futuros cobrem o custo de aquisição do produto. 2.00 = 231.000.70 – 28.000.2.00/sc em setembro: • • • posição no físico: R$ 180.

por exemplo.1) .. Baseados em informações que permitem fazer inferência sobre preços futuros. 2.. com parcelamento das vendas. RBt = Receita bruta esperada se o produto for vendido no mês t. sem dúvida. são de difícil previsão e geram muitas dificuldades nessa tomada de decisão.. podem-se analisar diferentes estratégias.1): RLt = RBt . Pelas suas características. armazenar o produto até o vencimento do encerramento do contrato. Para o esclarecimento deste problema. A receita líquida esperada no mês t pode ser calculada pela equação (2. imagine-se.Cct . tais como vender o produto na colheita (t=0) ou no futuro (t=1. Cct = custo de comercialização e armazenamento até o mês t.214 aplicação onde o produtor está na dúvida entre vender seu produto no mercado físico agora ou vender no futuro. uma época em que estará precisando de recursos. Uma forma simples de avaliação desta decisão consiste em comparar a rentabilidade esperada das alternativas disponíveis. (2. a de comercializar ou armazenar o produto à espera de melhores preços. um produtor rural que está na dúvida entre vender sua produção em abril ou armazená-la até outubro..Cot onde: RLt =Receita líquida se o produto for vendido no mês t. Cot = custo da produção armazenada até o mês t.n) ou fazer um "mix" dessas duas opções. os preços dos produtos agrícolas estão sujeitos a grandes oscilações. O acesso às cotações dos mercados de futuros pode ajudar nesta tomada de decisão desde que se considerem os chamados “custos de carregamento” que serão discutidos nesta seção. O risco de flutuações adversas de preços é um dos que mais incomodam os produtores rurais e todos os possuidores do produto e uma das decisões mais fundamentais é.

Cot+n ≥ RLt. seguro. eletricidade e outros) e custos fixos (juros sobre o capital não depreciado.215 Os custos de comercialização.3) RBt+n . no caso. no exemplo correspondente a abril. podem ser definidos de forma a incluir custos variáveis (defensivos.fa ou ou (2. parcela de depreciação e outros). n = 6. necessita-se atualizar os valores da receita líquida. de forma a torná-la comparável em períodos diferentes. então. Cc. outubro. Uma vez que são feitas análises envolvendo períodos diferentes. Neste caso.2) onde: i = taxa de desconto mensal relevante ou custo de oportunidade do capital n = tempo em meses Só valerá a pena esperar para vender a produção daqui a n períodos se: RLt+n ≥ RLt. taxa de manipulação. no caso. f a + Cct+n + Cot+n onde fa = fator de atualização. medido por (1+i)n. juros sobre o financiamento. 1. e i é o custo de oportunidade do capital.3% ao mês. e o mês objetivo. onde n é o número de meses entre o mês t.Cct+n .fa RB t+n ≥ RLt . um fator de atualização (fa): f a = (1+ i) n (2. Define-se. correspondente à taxa real de juros .

o problema se resume em se tentar predizer o preço esperado.5. RLt. Cot+n = custo de produção da saca de milho estimada em outubro. Atualizando-se este valor.0806. tem-se Cct+n= 0.0806 = 5.13 dólares por saca. fa = (1+0.fa = Receita Líquida atual atualizada para o mês de outubro RLt = Receita Líquida esperada na época da colheita. ou Cot+n = 5. Cot = Custo da produção total da saca de milho no mês da colheita.5403 + 5.00) x 1. Portanto.0 x 1. f a + Cct+n + Cot+n (2. Consequentemente. US$ 5.50 x 1. consideram-se os custos de armazenamento iguais a zero.10 .0806 = 1. Havendo mercado futuro para milho.1887 Cct+n = custo de armazenagem entre os meses de abril e outubro. taxa de administração e quebra técnica. Neste caso. valerá à pena armazenar do ponto de vista econômico se a receita por unidade esperada para outubro for: RB t+n ≥ RLt .1887 + 0. correspondente a 5 meses de armazenagem.5403.4030 = 7.4) ou se RBoutubro ≥ 1.216 médios dos quatro primeiros meses deste ano pagos pelos CDBs pré-fixados. ad-valorem. tem-se um custo extra de US$ 0. Computando-se apenas os custos variáveis em função da armazenagem.0806 = 0.00 (segundo informações de produtores da região de Uberaba). o produtor poderia observar as cotações para outubro e se estas .013)6 = 1. no caso.50 por saca de 60 kg. RLtfa = (6.4030. Ou seja.

maior deve ser a receita bruta (e os preços de venda) para compensar reter o produto no tempo presente para vendê-lo no futuro.13 por saca. Estas operações acontecem para se evitar a entrega física do produto quando os contratos de boi gordo não são encerrados até o vencimento ou não há manifestação do desejo de entrega. valeria à pena fazer um “hedge” para outubro e armazenar o produto até aquela data.. do contrato: Preço Negociado: Boi Gordo jul/03 R$54. Liquidação financeira de contratos de boi gordo SIMULAÇÃO DE OPERAÇÃO EM FUTUROS .5 Fluxo Caixa R$ (7) 165 82.80 /arroba Média das cinco últimas cotações Indicador ESALQ/BM&F(8) 51.7 54. Liquidação por Indicador de Preços A liquidação das posições por indicador de preços é possível de acontecer nos contratos futuros de boi e bezerro da BM&F.05 -0. (2.5 -231 2 3 4 Junho Junho Junho . A liquidação por Indicador de Preços consiste basicamente na reversão da posição para ambas as partes (comprados e vendidos).217 fossem maiores do que US$ 7. o item “custo de produção” nas equações substituído por “custo de aquisição mais a margem esperada”.1).96 51. Em caso de intermediários. os custos de carregamento e as taxas de juros.Liquidação financeira Nome : Cassiano Bragagnolo Natureza da Operação: Tamanho do Contrato: Contratos Negociados: Venda 330 5 @ contratos Produto: Venc. Quanto mais altos forem estes últimos.19 Ajuste Total R$ (6) 165 -82.3) deve ser 4. A tabela 1 mostra um exemplo de encerramento de contratos utilizando-se o Indicador de Preços.3.2) e (2.99 52 Data (1) Operação (2) V JUL03 Preço Negociado R$/@ (3) 54.8 Preço Ajuste R$/@ (4) 54.75 54.5 -313.1 -0. Deve ficar bem claro para o leitor a relação entre a Receita Líquida esperada (RLt+n) e a Receita Bruta esperada (RBt+n). Uma observação final sobre o modelo de decisão apresentado.94 Ajuste R$/@ (5) 0. utilizando a média das cinco últimas cotações diárias do Indicador de Preço Disponível do Boi Gordo ESALQ/BM&F. (2. Tabela 1.

5 478.5 -462 -660 165 -445.22 -0.79 52.95 54.64 54.97 55.79 56.5 379.57 53.5 -742.48 54.91 0.5 -148.2 0.54 56.5 660 660 82.5 56.5 -1765.5 33 49.63 54.02 0.03 -0.65 54.39 -0.5 -2640 -2260.5 363 132 -49.17 55.12 0.218 5 6 9 10 11 12 13 16 17 18 20 23 24 25 26 27 30 1 2 3 4 7 8 10 11 14 15 16 17 18 21 22 23 24 25 28 29 30 31 Junho Junho Junho Junho Junho Junho Junho Junho Junho Junho Junho Junho Junho Junho Junho Junho Junho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho Julho 54.71 54.6 55.4 54.7 55.79 55.5 -1072.05 0.5 330 198 363 -247.3 -0.25 0 -0.18 0.5 181.66 54.21 52.95 55.5 -1435.3 0.36 52.17 -0.96 54.07 54.5 -1815 -1963.12 0.79 55.73 54.25 55.5 52.87 55.76 54.09 0.72 56.63 52.5 -627 -1138.91 54.5 -1897.09 0.67 54.09 0.8 54.85 54.04 52.94 C JUL03 54.01 55.35 53.5 -198 825 -610.01 52 52.92 55. evitam-se os problemas da entrega de organismos vivos como o boi .01 52.5 -1072.07 -0.45 55.5 -1930.5 52.63 56.5 -1320 -990 -1138.98 53.5 -0.16 52.23 0.08 54.5 330 -148.09 52.09 55.99 55.4 56.45 55.03 54.5 -495 -297 -643.2 -0. utilizando-se para isto a média das cinco últimas cotações do Indicador de Preços do Boi Gordo Esalq/BMF.8 55.5 -495 297 115.06 55.1 55.84 54.35 -0.75 54.28 54.5 0 -495 -792 -1435.9 55.1 56.15 0.08 -0.5 -264 -231 -181.22 0.4 54.1 55.37 0.9 54.5 82.4 55.5 -1633.78 54.5 0 -577. Com o uso do indicador de preços.15 53.5 379.18 -0.2 54.04 -0.15 0.5 -66 -148.29 0.04 0.67 55.38 -0.08 55.08 55.91 Fonte: Boletim Online BM&F Note que a única diferença em relação ao encerramento tradicional por reversão é que não há um leilão para achar-se o preço de encerramento.5 -247.5 -1518 -2145 -3283.23 0.5 66 330 280.5 412.03 478.05 -0.02 52.5 -2805 -2871 -3019.28 55.5 -1633.2 0.69 0.11 0.67 55.29 -0.5 82.49 55.5 -165 -82.5 247.88 54.

que visa resguardar o patrimônio da empresa quanto à inadimplência e obter máximo retorno sobre os investimentos na obtenção de matéria-prima para o seu negócio.00 por saca. Estudo de caso na área de originação (compra de soja) 28 Esta seção mostra a aplicação da prática de “trading” numa empresa localizada na cidade de Sorriso. Para estas empresas viabilizarem e darem sustentação a essas operações de crédito.219 gordo.4. Esse foi um passo estratégico e muito importante para as empresas processadoras ou exportadoras de soja e derivados. por exemplo. vendo os custos aumentarem pesadamente para o produtor. Ao concordar em utilizar o mesmo número como parâmetro da operação. que enxergaram um meio de garantir o abastecimento de suas fábricas e possibilitar melhores negócios na comercialização do produto soja. Crédito No agronegócio da soja brasileira. 4. investiram pesadamente na cadeia da soja nos últimos anos e hoje se tornaram peças indispensáveis à cadeia como um todo. 28 Extraído de Assarisse (2005) . nenhuma das partes é favorecida ou prejudicada. que se viu sem recursos para a viabilização da safra e encontrou nas empresas processadoras e exportadoras a parceria para a solução dos problemas financeiros. as empresas ligadas ao setor. • São adiantados U$5. A parte de financiamento agrícola veio com a saída parcial do governo federal das grandes políticas de financiamento agrícola na década de 80 e conseqüente descapitalização do produtor. Estado do Mato Grosso. as principais regras a serem respeitadas são apresentadas a seguir: • O crédito é relativo a somente 70% da área em que o produtor deseja dar como garantia de penhor de safra. Na Empresa estudada. participando desde a parte do financiamento da safra ao produtor. até as exportações dos produtos da soja já industrializados. cada uma delas possui uma política de crédito interna.

estocagem. doenças. A soja grão negociada hoje no país. Por isso na negociação diária de soja. armazenagem. comprovando a importância do instrumento de fornecimento de crédito ao produtor. de acordo com o manejo dado a soja desde o plantio até a póscolheita. 2 para 1 quando se referir a cliente novo – soja a fixar. época de colheita.00 por CPF é exigido penhor de safra de 1º grau e avalista com relação entre área de penhor e área financiada de: 1 para 1 quando se referir a soja fixa. Esta é a política imposta pela empresa para a liberação de crédito além das documentações afins que comprovem a idoneidade do proponente ao crédito.5 para 1 – no caso de armazéns graneleiros.220 • Até U$250000.5 para 1 quando se referir a soja a fixar.5 para 1 quando se referir a cliente novo – soja fixa. Fatores considerados na negociação Qualidade da soja. 1. enfim. • Crédito acima de U$250. secagem. e o . • Contrato de arrendamento e autorização de penhor para áreas arrendadas (carta de anuência). 1.000. possui índices de qualidade muito variados de acordo com vários fatores: ataque de pragas.00 é obrigatória a hipoteca de 1º grau como garantia nas seguintes proporções: De 2 para 1 – terrenos/fazendas. Com esta política de crédito a empresa chega a garantir 40% do volume total de compras anual. • É necessário uma CPR registrada. é necessário se admitir um determinado padrão para facilitar o trabalho e a linguagem entre compradores e vendedores no mercado. De 1.

0 10. Nesta portaria especifica-se o produto soja grão. determinado através da portaria nº 262.8 mm . quase sempre para esmagamento e obtenção de óleo e farelo. Pecuária e Abastecimento. imaturos.221 responsável por averiguar se a soja em negociação está dentro ou fora dos padrões e aplicar os respectivos descontos no caso da soja fora de padrão. mofados. grãos avariados. chochos.0 No entanto negocia-se soja fora de padrão com os devidos descontos de acordo com as partes interessadas. ardidos. seguindo os padrões representados a seguir: Tabela 2. uma breve descrição fatores de qualidade: Umidade Percentual de água encontrado na amostra em seu estado original. materiais estranhos e/ou impurezas. Padrão de qualidade da soja. O padrão adotado pelo mercado é o padrão especificado pelo Ministério da Agricultura. é o comprador. Fator de qualidade Umidade Grãos quebrados Impurezas e/ou materiais estranhos Grãos avariados Grãos esverdeados Padrão básico (%) 14. suas respectivas características físicas. com as seguintes características: Espessura de chapa: 0. Matérias Estranhas e/ou Impurezas Todo material que vazar através de peneiras.0 30 1.0 8. danificados. Na classificação são analisados teor de umidade. quebrados e esverdeados. brotados. denominado soja tipo exportação. A seguir. Normalmente a soja fora de padrão se destina ao mercado interno. as impurezas e modo de amostragem. de 23 de novembro de 1983.

Grãos com casca enrugada ou com alteração na cor. pela ação do calor e/ou umidade.222 Quantidade de furos: 400/100 cm² Diâmetro dos furos: 3. afetados por processos de secagem ou por qualquer outra causa. que ficam retidos na peneira especificada no item impurezas. com desenvolvimento fisiológico completo. mofados ou danificados. Quebrados Pedaços de grãos sadios. sendo . Ardidos Grãos ou pedaços de grãos que se apresentam. Danificados Grãos ou pedaços de grãos que se apresentam atacados por pragas e/ou doenças.0 mm ou que nela ficar retido. por não terem atingido o seu desenvolvimento completo. inclusive cotilédones. Mofados Grãos ou pedaços de grãos que se apresentam claramente afetados por fungo. brotados. inclusive vagem não debulhada. Imaturos Grãos ou pedaços de grãos que se apresentam verdes. Avariados Grãos ou pedaços de grãos que se apresentam ardidos. Esverdeados Grãos ou pedaços de grãos que apresentam coloração esverdeada na casca e na polpa em decorrência de maturação forçada. chochos. Brotados Grãos que se apresentam com indícios de germinação ou germinados. imaturos. Para a negociação FOB é retirada uma amostra do armazém para análise prévia do lote e averiguação do interesse da empresa pelo respectivo lote. inicia-se o carregamento. ou seja. Sendo fechado o negócio. mas que não seja soja. visivelmente fermentados com coloração marrom ou escura na casca e interiormente. preço fixo ou a fixar e limite de qualidade para o lote. somente não considerados avariados se sua polpa estiver alterada. Chochos Grãos que se apresentam enrugados e atrofiados no seu desenvolvimento.

Normalmente o produtor entrega CIF por não possuir estrutura suficiente para padronizar todo o volume de soja durante o curto espaço de tempo da colheita. a amostragem é realizada na chegada dos caminhões a filial de entrega. seguro e demais custos (o produto posto no armazém do comprador). e levada diretamente para o porto ou para fábrica. A soja balcão tem no seu valor o custo de armazenagem. Para entrega CIF. seguro e frete).38 por tonelada de grãos. com taxas respectivas de 2. Na prática os termos CIF e FOB. modalidade na qual a responsabilidade sobre a carga fica por conta do vendedor.3% e R$5. Normalmente a soja. desde frete até o seguro sobre a carga. podem ainda receber os nomes no ato da negociação da soja. pois irá influenciar o preço do produto. frete e impostos deduzidos enquanto a soja disponível somente deduz-se o frete e os impostos. já limpa e seca é obtida pela trading em armazéns de terceiros ou diretamente junto ao produtor (vendedor). Modalidade de entrega Ao produtor restam duas opções no momento de entregar seu produto. não menos importantes que a escolha do tipo de negociação. Insurance and Freight (custos.223 amostrada toda carga que sai da fazenda ou armazém. com precificação fixa ou a fixar. A amostragem é realizada através de calagem carga a carga. frete. modalidade na qual o vendedor é isento de responsabilidade sobre a carga a partir da sua retirada do armazém. Os impostos incidentes sobre as negociações entre trading e produtor são: Funrural (Federal) e Fethab ( Fundo Estadual para transporte e habitação). FOB: Free on Board (livre de carregamento). CIF: Costs. de soja balcão ou soja disponível respectivamente. Estes termos são utilizados diariamente nas negociações. como o próprio nome diz. poder de barganha no momento da comercialização e na independência quanto à empresa a ser realizada a venda. ou por não terem capacidade de armazenagem suficiente. 8 pontos de amostragem para caminhões com até 20t e 12 pontos para caminhões com mais de 20t. . os quais ditam diferenciais de preços.

custos portuários.Paranaguá) e 1 – Bushel para toneladas: 1 bu -------------. A título de exemplo. cotado em cents de dólar por bushel. que será conceituada a seguir. Dentro dos custos totais estão embutidos os custos de frete. se for o caso de soja CIF.00/t Prêmio praticado para soja FOB no dia 14/06: +15 CONVERSÕES Lembrando que: 1 bushel (bu)= 27. custos de armazenagem e padronização como secagem e limpeza. O preço da soja a ser paga ao produtor segue o modelo abaixo: Componentes do preço: . pelo frete marítimo diferencial de porto. valor este influenciado pela força da oferta e demanda no mercado interno. .Prêmio praticado no porto no dia da negociação.214 kg .Cotação da soja em Chicago do mês de vencimento que segue o dia de negociação. O cálculo do preço da soja é realizado no ato da negociação junto ao vendedor de acordo com as cotações de Chicago e taxa de câmbio daquele momento. e.27. mas não necessariamente no momento da entrega. tomemos os seguintes dados para o cálculo do preço da soja disponível em Sorriso – MT: Data de negociação: 14/06 Cotação da soja em Chicago para o mês 06: 645 cents/ bushel Custo total do dia 14/05 para Sorriso: U$ 90.Despesas ou custos totais.214 kg 1 tonelada (ton) = 1000 kg 1 saca (sc) = 60 kg (Chicago .224 Cálculo do preço da soja. .

60 kg (1 sc) fator de conversão de tonelada para saca x = 0.1000 kg (1 ton) fator de conversão de bushel para tonelada x = 36.06 1 – Bushel para sacas: 1 bu -------------.52/t U$152.52/t U$242.60/bu U$6.74541 = U$242.1000 kg x ------------.204724 / 36.60 kg (1 sc) fator de conversão de bushel para saca x = 2.00/t = U$152.2047541 De modo que: U$6.15/bu = U$6.06 SACA X 2.225 x ------------.74541 2 – Toneladas para sacas: 1 ton -------------.74541 / 0.214 kg x ------------.15/sc .45/bu + U$0.60/bu x 36.52/t – U$90.27.74541 TONELADA X 0.52/t x 0.06 = U$9.06 BUSHEL X 36.

normalmente.0977 = R$21. Na realização deste tipo de negócio.69 por saca de 60 kg. têm a finalidade de garantir maior quantidade de matéria-prima para suas atividades e diminuir o risco de inadimplência. com a cotação de Chicago de 645 cents de dólar por bushel. Normalmente são adiantados recursos relativos a 70% da área a ser plantada e um valor de U$5.15/sc x 2.35. dificilmente chegarão a esse patamar. visto que os níveis históricos de preços.00/saca.01 – R$0. o produtor fica obrigado a entregar uma certa quantidade de soja relativa ao adiantamento.3% e Fethab de R$5. pagando por isso uma certa taxa de juros aplicada sobre os meses de adiantamento.01/sc R$21. ficou em torno de R$20. e encontra uma gama de opções para realizar a negociação de sua produção. prêmio praticado no mercado de +15 cents por bushel.50 x . A fixação de preço e taxa de câmbio ficam a cargo do vendedor dentro do prazo estabelecido pelo comprador. dentre as quais foram observadas durante o estágio: Soja verde: modo pelo qual o agricultor vende a sua safra no mercado futuro e recebe o valor do hedge via trading no ato da operação. Adiantamento: negociação na qual o produtor rural consegue um adiantamento financeiro pela sua produção sem a fixação de preço futuro.226 U$9.69/sc descontando FUNRURAL descontando FETHAB Desta forma o preço da soja para Sorriso no dia em questão. Para o cálculo do preço da soja CIF teria mudança nos custos totais e prêmio encima da soja a fixar.50/sc R$21. Tipos de negociação. taxa de câmbio de 2.35 = R$21. Neste tipo de negociação é travada a quantidade de sacas a ser entregue a compradora. Estas medidas tomadas pelo financiador (Comprador). o produtor procura as empresas compradoras ou corretoras.38/t. Funrural de 2. Para a comercialização da safra de soja.32 = R$20. .

O produtor possui tempo indeterminado para fixar o preço do produto. Basis: modo pelo qual o agricultor trava diferentes constituintes do preço separadamente como câmbio. Para os cálculos tomam-se os seguintes dados em 04/10/05: SX5 = 580. mas acredita na reação do mercado e quer participar dele até dezembro. se o produtor quer vender em outubro a sua soja porque necessita do dinheiro. A operação fecha quando ocorrer o travamento do último componente do preço. calculado em relação às cotações de Chicago e a taxa de câmbio do dia de fechamento da transação. e participar do mercado por tempo pré determinado. cotação de Chicago.227 Normal: a fixar – modalidade de negociação na qual o produtor entrega a sua produção para o comprador e espera o melhor momento para a tomada do preço. Fixo em reais – neste tipo de negociação o produtor vende o seu produto e recebe o valor do dia. Garantia plus: modalidade semelhante ao mercado de opções sobre futuros com alguns aspectos da modalidade Basis . por exemplo. armazenagem.0 cents/bu SF6 = 592. do contrário fica somente com o piso.0 cents/bu Prêmio = +100 . Fixo em dólar – tipo de negócio no qual o produtor fixa o preço em dólar do produto entregue ou a ser entregue. porto. ele receberá o adicional. custos totais (frete. Neste contexto ele vende sua soja na modalidade Garantia Plus com participação até dia 10/12/2005. A partir da data de fechamento do negócio assume-se um determinado mês limite de participação do mercado por parte do produtor. etc) e prêmio. e travando o prêmio e os custos totais. Assim. Neste tipo de negociação é possível receber um certo preço base (piso) por saca de soja. daí em diante ele assume posição de especulação na taxa de câmbio.4 cents/bu Piso CBOT = 590. pagando-se um determinado valor pela ferramenta. esperando a definição da colheita americana. Neste período é calculado a média dos preços praticados no mercado futuro do mês base da operação em Chicago e se a média dos preços estiver acima do preço já recebido pelo produtor.

Média CBOT para o período de 04/10 a 10/12/2005 = 550 cents/bu. como a média das cotações de Chicago no período acima indicado ficou menor que o piso garantido pelo Garantia Plus.228 Custos totais: U$100. O produtor agrícola ou administrador de comercialização de uma propriedade agrícola. que se convertidos em reais por saca a taxa de câmbio a 2. Estratégias de negociação e tendências. Média CBOT para o período de 04/10 a 10/12/2005 = 620 cents/bu. Supomos também agora 2 cenários possíveis. em que a média de todos os fechamentos da CBOT desde 04/10/2005 até 10/12/2005 seja maior e menor que a cotação base de Chicago. Neste caso. o produtor não recebe e nem paga nada a mais do que o já contratado.00/t Câmbio: 2. Neste caso o produtor recebe a diferença entre a média 620 cents/bu e 590 cents/bu (piso garantido pelo garantia plus). pois é ele quem optará pelo melhor momento para a comercialização de sua safra e quais as estratégias para se chegar . e SF6 = cotação do mercado futuro CBOT para janeiro de 2006. Essa ferramenta não permite o vendedor escolher o momento de saída do mercado. possui atualmente papel fundamental na gestão da empresa agrícola.5. Desta forma percebemos que a ferramenta Garantia Plus vem para limitar o risco de perda ao produtor. e possibilitar a participação na tendência de alta. teremos um adicional de R$1.30/saca ou R$20. participando de todo o período contratado através da média dos fechamentos de Chicago (principal diferença entre o mercado de opções sobre futuro). Com esses dados supomos um piso de U$8.50 Custo da ferramenta: -19 cents/bu Em que SX5 = cotação do mercado futuro CBOT para novembro de 2005.65/saca creditado ao vendedor.75/saca resguardando os cálculos à empresa.

Por outro lado. especulações. prêmio. Nesse contexto foi observado na região de Sorriso algumas estratégias com relação à negociação e administração de risco de preço de safra por parte dos produtores: • Troca fixa insumo-produto: o produtor fecha um pacote com um fornecedor de insumos. • Travamento de componentes do preço: o produtor procura não só travar o preço como um todo da soja. até operações mais rebuscadas envolvendo operações com opções sobre mercados futuros em mercados internacionais. as empresas compradoras tentam. fertilizantes e agroquímicos. Desta forma ele trava os custos dos insumos em sacas de soja. mas com possibilidade de participação na alta de preços de Chicago. Estas opções passam desde a simples venda de um produto agrícola para um certo interessado e recebimento a vista. Essa troca pode ainda ser feita insumo a insumo. em dólar ou em reais travando o preço adiantado para a soja que ainda vai colher. também. mas sim seus componentes como custo total (frete + custo de padronização + custo portuário). e se compromete a entregar na colheita um certa quantidade fixa de produto quando da colheita. • Contratos futuros: o produtor fecha um contrato futuro de entrega física de soja por um determinado preço estipulado no dia da negociação. • Garantia de preço com possibilidade de participação na alta de preços: modalidade recentemente utilizada pelo produtor para garantir e receber um dado preço pela sua soja no ato da negociação. Esta tarefa não se perfaz tão simples nos dias atuais haja visto a gama de opções que o mercado coloca para a comercialização de produtos agrícolas. cotação de Chicago e câmbio. através de algumas estratégias se manterem competitivas não só pelo preço mas também na flexibilidade de operações junto a seus clientes. . Como algumas das principais estratégias foram observadas: • Desenvolver as ferramentas de negociação para melhor atender às exigências e anseios de seus clientes e assegurar rentabilidade e segurança para a sua atividade. Nas visitas a campo pôdese observar que o principal problema para muitos produtores está na hora de comercializar o grão.229 a este fim. pacote este que inclui sementes. hedges. entendendo que cada componente tem seu momento específico de negociação.

00 . soja verde. seja na compra de máquinas e insumos. escolha do porto para escoamento da soja até o fechamento de grandes contratos com transportadoras para o transporte rodoferroviário da soja até os portos ou fábricas Uma tendência observada nos dias atuais é a união de forças por parte dos agricultores. CBOT Rondonópolis. Tabela 8. o comprador basicamente olha o preço futuro esperado para a época da entrega do produto e o internaliza até a região onde está sendo feita a negociação.5. A título de exemplo cita-se o condomínio Celeiro do Norte como uma das mais novas reuniões de produtores de Sorriso. Ao se utilizarem das diferentes negociação nas formas a fixar. resultando no preço da soja na região de produção. seja na venda de seus produtos. Ao todo englobam 13 produtores da região e que juntos são responsáveis por 10% da produção total de Sorriso. em torno de 200 mil toneladas em praticamente 70 mil hectares. Operação Unidade (1) Cotação futuro CBOT Soja Março 06 Valor 584. troca-troca.230 • • • Oferecimento de crédito aos produtores como forma de estimular a produção e Realizar as trocas de insumo-produto com prazo safra. eles já conseguem uma redução de até 20% na aquisição de insumos. CPR. Segundo a publicação da revista Notícia de dezembro de 2004. 4. A formação de preço da soja brasileira Boa parte da produção brasileira de soja tem seu preço firmado em Bolsas de Futuros ainda no período de plantio. A Tabela 3 apresenta um exemplo deste processo de formação de preço na época do plantio da soja brasileira (outubro de 2005) com soja a ser entregue em março de 2006 utilizando-se dados da CBOT. através de associações e cooperativas que visam única e exclusivamente obter vantagens na comercialização. Planejamento logístico com a finalidade de redução de custos passando desde a garantir a entrega antecipada do produto. Internalização do preço da soja.

Como a soja CBOT futura para março de 2006 estava cotada .00 13.494.58 US$/ton 121. etc) (12) Frete para o porto (13) Paridade Rondonópolis (14) Paridade Rondonópolis US$c/bu (1+2) Fator US$/ton (3*4) US$/ton US$/ton (5-6) 0.00 Isentos -20.52 0.59 em relação ao preço futuro é a “base” e varia de acordo com condições de transporte.Fretes internmo e externo Fonte: elaborado pelos autores a partir de informações de tradings. A base pode variar de acordo com oferta e demanda na região 12.74 0.00 US$/ton (7-8-9-10-11) 71. custo de armazenamento. Vamos imaginar que uma empresa em Rondonópolis forneceu 51. Prêmio do porto.40 no dia 05/10/05 para serem pagas em sacas de soja em março de 2006. Fator de conversão ANEC 4.88 e será adquirida por US$ 7. oferta e demanda na região de produção. Esta diferença de US$ 5. A soja que está sendo negociada antecipadamente na época do plantio em Rondonópolis e que será entregue em março de 2006 terá o preço fixado em Chicago por US$ 12.00 564.800 kg de semente de soja no valor de US$ 24.3674 54 207. Não inclui ganho de performance 2.29 60) (15) Cotação CBOT US$/sc 12.0220626) -5. impostos e qualidade do produto. que pode variar segundo o interesse momentâneo do importador e a efetividade do porto 3.00 US$/ton 0.54 US$/sc (13/1000 * 7. COFINS.00 0.88 (1)*0.59 Desconto em relação US$/sc (14 – 15) CBOT(base) Observações: 1.24 0.29/saca de 60 kg em Rondonópolis.11 0. disponibilidade de armazéns.50 206.231 05/10/05 (2) Prêmio US$c/bu (3) Subtotal (4) Conversão para tonelada (5) FOB porto (6) Comissão corretor físico (7) Receita bruta (8) Corretagem de câmbio (9) Despesas portuárias (10) Quebra de transporte (11) Tributos (PIS.

29/sc ou US$ 24. lista-se: descapitalização do produtor. perfazendo um total de US$ 7. recebendo adicionalmente da Bolsa US$ 0. A decisão de exposição a risco varia com o nível de aversão a risco dos produtores e de suas necessidades financeiras a serem cumpridas em débitos futuros.494. máquinas e equipamentos.88. quando receber a soja a empresa terá mantido o valor do produto.41/sc. emissão de CPR com venda de Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).US$ 6.88/sc.40 que era o valor da venda das sementes. ela deveria ter feito um hedge de venda de soja na CBOT para março 2006 a US$ 12.494. Neste exemplo não se considerou a preocupação com respeito ao comportamento da taxa de câmbio para se transformar e internalizar os preços em US$ para R$ mas se poderia também fixar a taxa de câmbio para março de 2006. Para ter certeza que em março de 2006. em futuros.360 sacas x US$ 7.88. mantendo o produto armazenado à espera de melhores preços. operações ex-pit para contratos de entrega de soja a fixar. neste momento de negociação. Esta mesma operação de proteção de preços poderia ter sido feita por um produtor na BM&F ou na CBOT na época do plantio. após a colheita. Vamos assumir que em março de 2006 a soja CBOT tenha caído para US$ 12. a operação de financiamento equivalia a 3. ele fixa antecipadamente a safra para fazer caixa para o plantio.00/sc e que em Rondonópolis esteja a .29/sc ouUS$ 24. operações de garantia de preços futuros são plenamente utilizadas por tradings. que o obriga a vender Com isto. Dentre as razões porque isto ocorre. De uma forma geral. empresas de insumos.40. antecipadamente o preço com o comprador e desaparece a necessidade de operar . ou seja.232 a US$ 12. A empresa vai receber a soja e vendê-la a este preço. mas muito pouco por produtores rurais. Com isso toda a operação seria fixada em reais e não em US$.360 sacos de 60 kg de soja grão no dia. descontando-se a base a empresa teria a receber 3.

e. superando 8 mil contratos futuros. por receio de perder negócios. Essas operações podem ser efetuadas até o dia estabelecido nas respectivas especificações contratuais.instituições financeiras e corretores não estão preparados para lidar com o produtor rural.o produtor em geral acha muito difícil acompanhar mercados.6. Dentro deste contexto. não confia nos mercados financeiros. A BM&F passou a admitir operações ex pit para seus contratos futuros agrícolas com o propósito de oferecer mais uma alternativa de fixação de preço aos negócios a termo realizados por participantes da cadeia agrícola. por exemplo). A lógica das operações ex pit baseia-se no fato de que. De certa forma. muito ainda precisa ser feito para que haja um real incentivo à utilização de mercados futuros como instrumento de administração de riscos de preços e a estabilização da renda dos produtores. desconhecendo sua linguagem e necessidades. desde que sejam atendidas as condições determinadas pela BM&F.233 . seria muito importante que a BM&F se firmasse como centro formador e divulgador de preços futuros agropecuários. Entretanto. faltalhe escala e estrutura financeira para operar. o mercado está tentando reverter esta situação lançando novos produtos (CPR. elaborando novas operações (ex-pit. 4. foi registrado volume recorde de operações nessa modalidade. 29 Extraído de Quaino (2005) . também conhecida como troca de futuros por produtos físicos. provavelmente o fariam por preços diferentes. se os hedgers (as duas partes do contrato a termo) fossem obrigados a liquidar suas posições futuras no mercado. Operações ex-pit 29 A operação ex pit. CDCA). CPRF. Em 2004. . falta-lhe o conhecimento necessário. representa uma técnica avançada de hedge por meio da qual as partes de um contrato a termo podem precificar a mercadoria negociada usando o mercado futuro. .alguns agentes de mercado não têm interesse na divulgação destas novas ferramentas.

As operações ex pit possibilitam que cada participante seja responsável pela fixação de seu preço (e margem de lucro) de forma independente. Por sua vez. esse tipo de operação origina-se de uma negociação a termo acertada no mercado físico. cada parte assume uma posição (independente) no mercado futuro da Bolsa. data de vencimento. Isso porque. Ocorrem situações em que as especificações padronizadas dos contratos futuros podem não refletir a realidade dos negócios efetuados com a mercadoria no mercado físico. Nos mercados agrícolas. com o intuito de fixar o preço da mercadoria contratada. não sofrendo influência do mercado. com o preço de faturamento vinculado a um vencimento futuro. Em data próxima ao vencimento. os participantes poderão optar por realizar uma transação a termo. Essa padronização é vantajosa para os participantes. cujo valor de faturamento (ou de liquidação). Nesses casos. Por que realizar operação ex pit Nos mercados futuros. em data futura acordada. os participantes revertem suas posições (no mercado futuro) um contra o outro. os contratos são padronizados. executando suas estratégias na BM&F de forma totalmente individual. um declínio nos preços daquele momento em diante. avaliando e determinando o momento adequado para reduzir seus riscos de preço por meio do hedge. assumirá posição vendida no mercado futuro correspondente no momento que considerar adequado. por meio de operação executada fora do pit de negociação. as partes assumem posições contrárias. ao longo da operação ex pit. forma de cotação. A partir do contrato a termo negociado fora do pregão. em que a maior parte das características do negócio é estabelecida no momento da assinatura do contrato. tamanho do lote. Assim. tenha por referência a cotação de determinado vencimento do contrato futuro da mercadoria na BM&F. com especificação definida sobre itens como: qualidade. ou seja. no mercado futuro. ou pregão. também acertada entre as partes. o participante que estiver vendido em uma negociação a termo. sua contraparte na negociação a termo assumirá posição . especialmente quando se busca visibilidade para o preço futuro e razoável grau de intercambialidade e de liquidez para os contratos.234 O que é operação ex pit As operações ex pit são negociações realizadas fora do pit de negociação (ex pit).

Em ambas as hipóteses. Essas operações também podem ser úteis no caso da entrega da mercadoria negociada a termo ocorra em praça diferente daquela em que o preço da Bolsa para essa mercadoria está baseado e/ou cuja qualidade seja distinta da estabelecida no contrato futuro correspondente. cujo preço será indexado a um vencimento futuro da BM&F na data de liquidação. Fixação por comprador e vendedor O participante A firma contrato de compra e venda. No primeiro caso. por exemplo). a diferença de qualidade (relativa ao contrato futuro) poderá ser compensada por ágio ou deságio. o casamento entre o contrato a termo e um contrato futuro. Fixação do Participante A: Participante A BM&F Vende contratos futuros . ao participante B determinada quantidade de uma mercadoria (café.1. no momento em que lhe parece adequado fixar o preço de venda. transparência e capacidade de transferir riscos e compromisso de entrega e recebimento da mercadoria (especificidades do contrato a termo).8. em uma operação integrada que aproveita as vantagens de ambos os mercados: visibilidade. o deságio o ágio é sempre negociado entre as partes.235 comprada no mercado futuro em outro instante. portanto. O ex pit constitui. mas a base do preço é estabelecida pelo mercado futuro. Participante A Contrato a termo Participante B O participante A vende contrato futuros de café. quando sua expectativa for de alta de preço até o vencimento da operação. No segundo caso. 4. em certa data futura. dependendo das especificações da mercadoria contratada. é possível. na BM&F. estabelecer que um contrato de suprimento esteja baseado no preço da Bolsa menos um deságio de frete. comprometendo-se em entregar.

236 O participante B compra contratos futuros de café. como qualquer negociação normal no mercado físico. É importante ressaltar que a fixação do participante B não necessariamente ocorre após a fixação do participante A. Fixação do Participante B: Participante B Compra contratos futuros BM&F Na data de liquidação do contrato a termo. na BM&F. Troca de Futuros: Participante A Participante B BM&F . os participantes revertem sua posição no mercado futuro (um contra o outro) e a mercadoria física é entregue contra pagamento. no momento em que julgar conveniente fixar seu preço de compra. A entrega da mercadoria e o pagamento são feitos fora da Bolsa.

ponto(2) -. referente ao vencimento fevereiro de 2006. O pagamento será feito contra a entrega da mercadoria. prevendo novas elevações no preço do açúcar. permitindo a cada um ajustar-se segundo sua conveniência.00/saca. Ou seja. no dia da assinatura do contrato a termo. pois é a parte compradora do negócio. Enquanto a usina (vendedora) espera beneficiar-se das situações de elevação de preço. até a data limite de fixação (01 de dezembro de 2005). comprando 100 contratos futuros de açúcar para o vencimento setembro de 2005 por US$ 9. Na figura 16 simula-se a variação do preço do açúcar no período de vigência do contrato. . Supõe-se que as duas empresas estejam localizadas em São Paulo.237 Exemplo: No dia 1º de setembro de 2005. Nas semanas seguintes. Esse fato oferece a oportunidade de fixação de preço para comprador e vendedor em momentos diferentes. quando a operação ex pit foi iniciada. Os preços futuro do vencimento fevereiro de 2006 variaram ao longo do tempo. o preço de faturamento acertado entre ambos no contrato será a cotação de fechamento do dia 02 de dezembro de 2005 do Contrato Futuro de Açúcar Cristal Especial da BM&F com vencimento em fevereiro de 2006.00/saca. no ex pit. o preço praticado no mercado futuro do açúcar para aquele vencimento se situava em US$ 8. a indústria decide fixar seu preço. O contrato estabelece que as respectivas aberturas de posição no mercado futuro de açúcar (com as correspondentes fixações dos preços de venda ou compra) para o vencimento fevereiro de 2006 poderão ser efetuadas (individualmente pelas partes) a qualquer tempo. em 1º de setembro de 2005. por exemplo. Em outubro de 2005 . a partir da assinatura do contrato a termo. uma usina açucareira e uma indústria de chocolate firmam um contrato a termo para negociação de 1350 toneladas de açúcar a serem entregues em setembro de 2005. esse preço seguiria trajetória de alta. de expectativas de redução da safra de açúcar na Índia. a indústria tem interesse em fixar seu preço em uma baixa do mercado. em função. até o vencimento do contrato. O ponto (1) mostra o preço futuro do açúcar na BM&F. Por hipótese. grande produtora da mercadoria.

Com os preços futuros em US$ 11.0 1 Indústria: compra 100 contratos futuros a US$ 9.00/saca em novembro (3). apenas acompanhava o mercado sem fixar seu preço de venda. e não com o comprador original do contrato a termo.0 2 8. vende 100 contratos de açúcar para o vencimento fevereiro de 2006 pelo preço de US$ 11.0 4 9.00/saca. Assim. Por intermédio de seu corretor. Com os preços elevados. data fixada no contrato a termo para a liquidação das posições futuras.00/saca (4). fora do pit de negociação.00/saca. No dia 02 de dezembro. cotado em US$ 10. que até então.0/saca Troca de futuros Ex Pit a US$ 10. suponha que o vencimento fevereiro 2006 no mercado futuro estará.00/saca e a indústria. isto é.00/saca 3 11. a usina decide vender contratos de açúcar no mercado futuro. em hedge de compra por US$ 9. na altura do ponto (3) do gráfico. as estratégias da usina e da indústria estão finalmente estabelecidas. Ressaltando-se que a operação foi efetivada com o mercado.00. 100 contratos somam o equivalente a 1350 toneladas (270 x 50 x 100 = 1350000 kg). Os preços do vencimento fevereiro 2006 no mercado futuro continuaram subindo até alcançar o patamar de US$ 11.0/saca Usina compra Indústria vende set out nov dez Cada contrato futuro de açúcar negociado na BM&F refere-se a 270 sacas de 50 kg. as corretoras que intermediaram as operações a futuro solicitam à BM&F proceder à inversão das posições ex pit. Isso é feito com a usina comprando da indústria 100 contratos futuros de açúcar para o vencimento .0 P 10. ou seja. o momento pareceu favorável para o vendedor. a usina está posicionada em um hedge de venda por US$ 11.238 Figura 16 – Demonstração de operação ex-pit Usina: vende 100 contratos Futuros a US$ 11. Nesse dia.

conseguiu apurar ganho de US$1. No entanto. que estava posicionada na compra. conforme especificado no contrato a termo – base de operação ex pit. que também se protegeu usando o mercado futuro. a indústria de chocolate. a usina açucareira obteve receita final de US$ 11.00/saca e no dia 01 de dezembro recomprou sua posição por US$ 10. com a estratégia de hedge no mercado futuro. que havia fixado (vendido a futuro) 100 contratos por US$ 11. Resultados: A usina faturará o carregamento de açúcar vendido para a indústria pelo preço de US$ 10. Este é o preço de fechamento (no dia 01 de dezembro) do contrato futuro de açúcar da BM&F para o vencimento fevereiro de 2006.00/saca. pelo mesmo preço. dessa forma encerrando sua operação vendida no mercado futuro. . conjugando as duas operações (físico e futuro).0/saca. pagou US$ 10. encerra sua posição vendendo 100 contratos para a usina.00/saca no fechamento em 01 de dezembro).00/saca. O exemplo não considera os custos de corretagem.00/saca) e o ganho obtido no mercado futuro (US$ 1. teve um ganho de US$ 1.00/saca (isto é.00/saca na operação a futuro. Computando-se as duas operações – o faturamento na venda do açúcar para a indústria (US$ 10. Por outro lado.239 fevereiro 2006 (pelo preço de US$ 10. A usina. Esse resultado está de acordo com o que foi estabelecido pela usina no mês de novembro.00/saca) -.00/saca.00/saca referente ao ganho obtido no mercado futuro).00/saca. pois os preços de mercado subiram em relação à posição de abertura do hedge de compra (US$ 9. ambas as operações configurando a realização de um negócio ex pit.00/saca no mercado físico e recebeu US$ 1. o preço final de compra é de US$ 9. a indústria. É importante observar que as diferenças entre os preços de compra e de venda registradas por ambos os participantes no mercado futuro resultaram de posições assumidas por outras contrapartes no mercado futuro para o vencimento fevereiro de 2006. acabou pagando pelo açúcar (no físico) o valor de US$ 10. Os resultados da indústria.00/saca na abertura da posição em outubro para US$ 10. Por sua vez.00/saca). quando a montagem da operação de hedge. as taxas da Bolsa e a margem de garantia. para simplificar o entendimento da operação.

independentemente do preço da mercadoria na data de vencimento. aquele que necessita de capital de giro por um tempo pré-determinado e a uma taxa de juros pré-fixada. Estas operações são chamadas de operações box e justapõem duas figuras de mercado. fazer retornar estes recursos mais uma taxa de juros ao Fundo de Commodities. com a operações assinaladas feita na Bolsa de Futuros. em operações em Bolsa. possibilitando assim acessar uma nova fonte de capitais para o setor agrícola. a figura do captador de capitais. Ela resolve. a uma taxa de juros pré-fixada. por US$ 60. e a outra. Porque. .240 Operações ex pit podem ser consideradas importantes para a de fixação de preço e hedge para os participantes do mercado agrícola. Porém. geralmente o setor bancário através dos Fundos de Commodities.50/saca. o resultado final da negociação de compra e venda será a da operação de hedge realizada por cada participante do mercado futuro. independentemente da flutuação e da tendência de preços. os participantes devem definir corretamente a estratégia a ser adotada e o preço-alvo. e não encontra no setor bancário disponibilidade de recursos neste prazo ou a taxas de juros compatíveis com a realidade financeira da Cooperativa. uma delas sendo aquela que oferece o capital para empréstimo por um tempo pré-determinado. é possível com o uso de opções tomar recursos emprestados. e quando exercidas. envolvendo um Fundo de Commodities: (I) Fundo de Commodities compra uma opção de compra de café para abril. Com efeito.00/saca lançada pela Cooperativa e paga US$ 27. Captação de recursos com taxas pré-fixadas Uma utilização bastante importante do mercado de opções está na captação de recursos. que deverão transferir para a Cooperativa um montante de recursos hoje. recorrer a uma Corretora da Bolsa de Futuros que lhe esquematiza a seguinte operação de Box. para que atendam adequadamente às necessidades do comprador ou do vendedor. Para compreender esta operação vamos supor que uma Cooperativa necessita de capital de giro hoje por um prazo de 3 meses. 4.7. então. Esta operação é montada com "quatro pontas" envolvendo Opções de Compra e Venda.

por Fundo de Commodities vende uma opção de venda de café.00/saca. Tabela 16 .10/saca.00/saca. II) Exerce. US$ 140.00/saca e US$ 140. em três situações diferentes.20/sc 77. por US$ US$ 140.00 e assim por diante.20/sc Débitos (-) 0. para mostrar que o resultado líquido para o Fundo de Commodities será sempre o mesmo. 60.00/saca. Vamos verificar o que ocorrerá daqui a 3 meses. na época de exercício destas opções. serão transferidos US$ 76.10/saca Total (=) 76. se forem negociados um contrato de 100 sacas. implicando num retorno pré-estabelecido.00/saca. 1.Balanço da operação de Box Cooperativa Fundo de Commodities Operação (US$) (US$) Créditos (+) 77. e se o preço ficar acima de US$ 140. No caso. III) Não é exercido.00. . I) Não exerce.00/saca. para abril. caracterizando uma operação de juros pré-fixados.990. Resultado para o Fundo de Commodities se o preço de mercado for US$ 40.241 (II) (III) (IV) Fundo de Commodities compra uma opção de venda de café.99/saca Os resultados apresentados são em US$/saca.10/saca. será transferida para a Cooperativa a quantia de US$ 7. comprada pela Cooperativa e recebe $ 0.00/saca e vende para a Cooperativa por US$ 140. por Fundo de Commodities vende uma opção de compra de café.69/saca.00. para abril. iremos analisar o que acontece se o preço ficar abaixo de US$ 60. para abril. comprada pela Cooperativa e recebe $ 0. compra no mercado a US$ 40. lucrando US$ 100.00/saca. lançada pela Cooperativa e paga US$ 49.99/saca 77.00/saca. O balanço da Operação Box é mostrado na Tabela 17.00 e se forem negociados 10 contratos.19/sc 0.699. se ficar entre US$ 60.

00/saca.00/saca.00/saca 2.00/saca. comprando a US$ 60. (IV) FIC não é exercido. pré-fixado. em qualquer situação de preços o Fundo de Commodities vai receber da cooperativa US$ 80.242 IV) É exercido.00/saca. dois meses após o seu "empréstimo" de US$ 76. RESULTADO: o FIC tem um resultado líquido de US$ 80. tendo um resultado líquido negativo de US$ 10. lucrando US$ 60.00/saca e vendendo no mercado a US$ 150.00.00/saca e vende no mercado a US$ 80. (II) FIC não exerce.00/saca (I) O FIC exerce a opção de compra.00/saca. o Fundo vai receber US$ 3. RESULTADO: o FIC tem um resultado líquido de US$ 80. tendo um prejuízo de US$ 20. tendo um resultado líquido positivo de US$ 90. tendo que comprar a US$ 60.00. tendo que comprar no mercado a US$ 150.00/saca.00/saca.00/saca e vender a US$ 140.00/saca.01/saca a mais do que emprestou. vendendo no mercado a US$ 40. A combinação das diferentes opções de compra e venda permite estes tipos de aplicações que se traduzem em diferentes níveis de rendimento . (III) FIC é exercido. o que se traduz numa taxa de juros real pré-fixada de 1.00/saca e exerce a opção de venda por US$ 140. 3.00/saca.00/saca. (II) O FIC compra no mercado a US$ 80. RESULTADO: a operação resultou num resultado líquido para o FIC de US$ 80.94% ao mês.00/saca.00/saca (I) O FIC exerce a opção de compra. (IV) O FIC não é exercido.99/sc. Resultado para o Fundo de Commodities se o preço de mercado for de US$ 150. Conforme pode ser visto. Isto é. comprando a US$ 60. Resultado para o Fundo de Commodities se o preço de mercado for de US$ 80. (III) O FIC não é exercido. tendo um lucro de US$ 20.00/saca.

utilizamos os dados extraídos da página da CBOT conforme mostrado na tabela 18.243 4.Opções sobre futuros de soja negociados na CBOT. Troca insumo x produto Nas aplicações que se seguem.10. Underlying Contract Price:602'2 (06Mar Future) Type Strike Last Net Chg Open High Low Close Settle Prev Settle Hi/Lo Limit Put Put Put Put Put Put Call Call Call Call Call Call 520'0 540'0 560'0 580'0 600'0 640'0 600'0 620'0 640'0 660'0 700'0 1000'0 5'4 Unch 10'0 Unch 18'0 Unch 26'4 +1'0 33'0 62'0 35'0 -3'2 -0'4 -2'4 27'0 27'0 26'4 9:43 9:43 10:55 33'0 33'0 33'0 12:52 12:52 12:52 62'0 62'0 62'0 11:06 11:06 11:06 33'0 35'0 32'0 9:47 12:47 10:10 21'0 23'0 20'0 9:35 11:47 9:43 18'4 18'4 18'0 9:35 9:35 11:56 12'0 12'4 12'0 9:35 12:58 9:35 2'4 2'4 1'4 10:28 10:28 11:44 5'4 10'0 16'6 25'4 36'2 62'4 37'4 30'0 24'0 19'4 13'0 1'5 55'4 60'0 66'6 75'4 86'2 112'4 12'4 87'4 80'0 74'0 69'4 63'0 51'5 27'0 Unch 23'0 18'0 12'4 1'4 -1'0 -1'4 -0'4 -0'1 Table generated September 13. TABELA 17 . 2005 13:00 CDT .

descontando o prêmio pago de US$ 0.000. época da colheita. O produtor estava localizado em Tangará da Serra/MT onde a base média era de US$ -2.44 sacas de soja no momento da negociação.14/sc que a soja estará valendo em Tangará menos US$ 0.00 que correspondem a 8.23/sc pagando prêmio de 33 cents/bu = US$ 0.53/sc em março de 2006.85/saca as quais multiplicando por 8. a soja deverá estar cotada localmente a US$ 11. Ou seja. A operação foi feita via CPR tendo uma trading de soja como compradora da CPR e a empresa de defensivos como avalista.73) e a empresa de defensivos receberá os US$ 85.00 que serão repassados para a empresa de defensivos e quitarão a dívida.00 do seu produto em setembro de 2005 para o produtor pagar em março de 2006. No momento da operação. Neste caso.90 (DP).629.23 – 2. Cenário: soja em Chicago vai a 620 cents/bu ou US$ 13. se as coisas permanecerem como na média histórica. Vamos imaginar que chegou março de 2006 e o produtor entregou a soja para a trading.244 Uma empresa de defensivos forneceu US$ 85.28/saca para março.000. o preço em Tangará deverá se localizar entre US$ 9.44 vão completar o valor de US$ 85. Cenário: soja em Chicago cai para 580 cents/bu ou US$ 12. No momento da colheita. a cotação da soja CBOT para março de 2006 era de 602 ¼ cents/bu = 602. a trading fixa a soja na CBOT comprando Put de Pe = US$ 13. houve um acordo e o preço foi fixado em US$ 9.65 – 0.44 US$/sc os quais somados aos US$ 10.629.73/sc e US$ 11.67/sc e se os preços se comportarem como historicamente. 2º. Ou seja. o produto será repassado para a trading que comprará ao preço da cidade e repassará o dinheiro para a empresa de defensivos.25 cents/bu ou US$ 13. Vejamos dois cenários no vencimento da opção em março: 1º.65/sc ± 0.85/sc (13. resulta num valor líquido de US$ . e a soja em Tangará está cotada a US$ 10. Neste exemplo.02/sc os quais.79/sc.73/sc. Para se garantir. recebendo 20 cents/bu = 0.14/sc. A operação consistirá em a empresa de defensivos fornecer o produto e ficar com a CPR que será repassada para a trading.73/sc pagos de prêmio fecha a conta da operação. a trading exerce a opção.000. a trading acabará recebendo a soja ao preço de US$ 9.73/sc. independente do preço final.

ao mesmo tempo.53/sc.58/sc em março de 2006. Para se garantir. podendo haver ou não adiantamento de recursos para o produtor. Vamos imaginar que a trading compra antecipadamente a soja.23/sc pagando prêmio de 33 cents/bu = US$ 0. .90 (DP) abaixo que está agora em meados de setembro de 2005 planejando plantar para colher em março de 2006. o risco é da trading porque em março de 2006 o preço da soja poderá ter caído ou subido.260.245 10.73/sc e US$ 11.65 ± 0.45 sacas de soja. Neste caso. 4. lucrando com a operação.85/sc soja. Neste caso. a trading fixa com os produtores o pagamento de US$ 9. a trading pagará à empresa de defensivos o equivalente a 8. dentro da variação esperada considerando-se Chicago como formador de preços e conhecendo-se a base média e o respectivo desvio padrão. possibilitou ganhos extras com a subida do preço da commodity. Se as coisas permanecerem como na média histórica. a cotação da soja CBOT era de 602 ¼ cents/bu ou US$ 13. mostramos na tabela 19 algumas possibilidades em termos de retorno para a trading.11 Compra antecipada de soja Esta operação consiste basicamente na trading comprar a soja antes do plantio mediante um contrato a termo com o produtor.73/sc. Vamos supor que. No momento da operação. o preço em Tangará deverá ser em média de US$ 10. Vamos imaginar que a operação envolva um produtor em Tangará da Serra/MT onde a base média histórica é de US$ -2.29/sc. Resumindo. a operação permitiu à trading proteção contra queda de preço e. variando entre US$ 9. a trading fixa a soja na CBOT comprando Put de Pe = US$ 13. Deixando de lado a possibilidade de não entrega do produto.28/sc para março. baseando-se nestes custos.

73 0.34 Base Tangará Preço esperado Tangará Prêmio pago Ganho exercício Put Resultado líquido 9. Proteção de preços com limitador A operação anterior permitiu à Trading travar um preço de venda do produto mas teve um custo relativamente alto.12. Ou seja. a operação garantiu contra quedas de preços mas permitiu ganhar nas subidas de preço.73 0 14.85 9.61 Conforme pode-se ver. onde a trading trava a operação limitando suas possibilidades de ganho mas a operação em si custa muito menos.69 12.99 -2.13 -0.73 0 9. 4.23 e vendeu call de preço de exercício Pe = 14.89 -2.11 ao preço de US$ 0.46 -0.45 13.65 10.73 11.65 10.65 9.65 12. Vamos agora montar uma operação chamada de proteção de preço com limitador. De outro lado.73 0. ela também tirará proveito vendendo mais caro e não exercendo a opção. qualquer que seja o preço futuro.85/sc.Simulação de resultados de trava de uma operação com compra de Put Preço CBOT março 2006 US$/sc 12.58 -0. . a trading terá garantido o preço de US$ 9.11 -2. vamos assumir que a trading comprou Put de preço de exercício Pe = 13.85 10.73 0 14.34 -0.23* -2.85 no da -0.246 Tabela 18 .65 11.78 -2.51/sc. Para isto. qualquer que for o resultado.

51).99 -2.51 0 0 10.36 -0. Note que esta situação é a mesma mostrada no exercício anterior. limitou a possibilidade de ganhos a um patamar máximo que no caso foi de 11.51 0.65 -2. Numa situação como esta. Resumindo. a Trading exerce seu direito recebendo a diferença entre o preço garantido pela Put e o preço vigente no contrato futuro mas não é exercido pelo comprador da Call de Pe = 14.13 10. resultando num resultado líquido de 10.58 11.89 0 10. apenas que o produtor teve um ganho positivo com a venda da Call.22/sc (-0. ela será exercida na Call. Em compensação.73 0.73 0. qualquer que for o preço futuro.45 0 10.73 0.24/sc ao contrário do exemplo anterior. A partir daí.36/sc com a venda da soja. o resultado melhora mas tem um limite. Se o preço da soja subir acima de 13.73 0.78 13. US$ 11.46 14.23/sc.51/sc seja para quanto caia o preço da soja. com esta operação de limitador a Trading conseguiu fixar seu preço a um custo de apenas 0.34 -0. resultando sempre no mesmo resultado líquido.36 -0.247 Tabela 19 .24/sc.51 0 -0.51 0 0 11.65 10. a Trading poderá ou não .88 11.73 0.65 12.65 9.11.24 Para preços abaixo de 13.36 -0.24 -0.34 -2.24/sc. o que melhorou o resultado em 0.69 Preço CBOT março 2006 US$/sc 12. onde as possibilidades de ganhos eram ilimitadas.23* 14.Simulação de resultados de trava de uma operação com compra de Put e venda de Call Base Tangará Preço esperado venda soja Tangará Prêmio pago Receita Venda da Call Ganho no exercício da Put Perda ao ser exercido na Call Resultado líquido 12.11** -2.51 0.65 -2.73+0.

60/sc.25 Preço CBOT março 2006 US$/sc 13. se os preços caírem. Se os preços subirem.99 9. mas se o fizer.67** 14.85 -0.Cenários possíveis no vencimento da opção Preço venda antecipada Prêmio pago Call Ganho no exercício da Call Resultado líquido 12.25 -0. Vamos neste exercício.60 1.85 9. para se proteger.57 -0. evitando-se problemas de não entrega por insatisfação com o negócio realizado. vamos imaginar que o produtor vendeu a soja antecipadamente a US$ 9. se colocará numa posição potencialmente mais competitiva.85 14.25 -0. comprou uma Call Pe = 620 cents/bu = 13. mostrar uma operação que pode ser realizada para permitir ao produtor ganhar mesmo que o produto já não lhe pertença ou por tê-lo vendido antecipadamente ou por ter feito uma operação de troca insumo x produto.11 9.248 repassar parte destes ganhos para o produtor.67/sc pagando 0.60 0. lucrando com a subida do preço do produto.78 9.60 0 9.13. Tabela 20 . o produtor estará garantido porque já vendeu antecipado e poderá também revender a opção no mercado.85 -0. Por facilidade.85 9.60 0 9. 4.69 Ou seja.32 10.44 9.28* 13.85 /sc e. aproveitando os mesmos números anterior.Possibilidade de ganho mesmo com venda antecipada de soja Um problema que freqüentemente ocorre com a venda antecipada de soja ou troca insumo x produto é o produtor não querer entregar o produto caso o preço da soja suba. . Na tabela 21 são mostrados alguns cenários possíveis no vencimento da opção.60 0 9. ele exercerá seu direito e receberá a diferença entre o preço pelo qual vendeu antecipadamente a produção e o preço vigente no mercado.

t+1 Em que FUTt. do contrato futuro com vencimento em t+1. ou seja. A base foi calculada como a diferença entre o preço spot e o a cotação do contrato futuro do mês seguinte ao mês em análise. BASE = SPOTt .preço futuro) na praça de Feira de Santana (BA) foram utilizados os preços spot e no mercado futuro de boi gordo na BM&F no período de 2002 a 2005. Cálculo da base para boi gordo em Feira de Santana (Ba) Para o cálculo da base (preço spot . e assim por diante. Na tabela 29 colocam-se os dados utilizados para o cálculo da base no mês de janeiro de 2002 chamando-se a atenção para o fato de que a base foi calculada para o mês de vencimento mais próximo.FUTt. Assim que aquele mês vence.t+1 significa a cotação no período t.249 4. . a base é então calculada em relação ao próximo vencimentos. a base nos meses de fevereiro foram calculadas com a diferença entre os preços spot/fev e do contrato com vencimento em março do mesmo ano (cotações em fevereiro). a base nos meses de janeiro foram calculadas como a diferença entre os preços spot/jan e do contrato com vencimento em fevereiro do mesmo ano (cotações em janeiro).14. Os demais dados não foram colocados neste exercício porque iriam tomar demasiado espaço.

32 44.00 R$ 47.00 R$ 47.91 43.96 43.87 R$ 2.95 44 44.00 R$ 46.4 44.00 R$ 46.00 R$ 47.88 43.34 44.00 R$ 47.59 R$ 1.95 43.68 R$ 2.00 R$ 47.Tabela 29 .60 R$ 2.00 R$ 47.Exemplo de cálculo de base de boi gordo em Feira de Santana. FEIRA DE SANTANA Data 4/1/2002 7/1/2002 8/1/2002 9/1/2002 10/1/2002 11/1/2002 14/1/2002 15/1/2002 16/1/2002 17/1/2002 18/1/2002 21/1/2002 22/1/2002 23/1/2002 24/1/2002 28/1/2002 29/1/2002 30/1/2002 31/1/2002 Produto Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Boi Gordo Tipo Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Frigorífico Unidade arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba arroba Preço R$ 46.00 R$ 2.36 . Ba.08 43.79 R$ 1.14 R$ 3.00 R$ 47.05 R$ 3.4 44.00 R$ 47. Preço 4/1/2002 7/1/2002 8/1/2002 9/1/2002 10/1/2002 11/1/2002 14/1/2002 15/1/2002 16/1/2002 17/1/2002 18/1/2002 21/1/2002 22/1/2002 23/1/2002 24/1/2002 28/1/2002 29/1/2002 30/1/2002 31/1/2002 Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Boi gordo Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro Futuro FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 FEV2 44.12 R$ 3.00 R$ 47.13 44.39 44.86 43.00 R$ 46.66 R$ 1.92 R$ 3.60 R$ 2.09 R$ 3.04 R$ 3.00 R$ 47.00 Data Produto Tipo Vento.00 R$ 47.4 44.00 R$ 46.64 Base R$ 1.00 R$ 47.60 R$ 2.61 R$ 2.00 R$ 47.4 44.60 R$ 1.05 R$ 3.41 44.21 44.00 R$ 47.

49 R$ 1.50 -R$ 0.79 R$ 2.05 -R$ 0. ou seja.84 2005 R$ 1.29 -R$ 5. No período da entressafra.19 -R$ 0.37 -R$ 1.89 R$ 2. no período das chuvas.83 -R$ 2.63 -R$ 0.761492 2.14 -R$ 1. A base assim calculada permite se ter uma estimativa do valor da base bem como seu comportamento para cada um dos doze meses do ano.13 R$ 0.73 -R$ 5.22 -R$ 6.27 -R$ 4.21 -R$ 8.37 -R$ 9.39 R$ 1.03 R$ 1.51 -R$ 9. portanto.48 -R$ 6.02 R$ 1. a base apresenta um período de contínuo fortalecimento.35 -R$ 9. fazem com os preços no mercado futuro distanciem-se cada vez mais dos preços spot na praça de Feira de Santana.13 R$ 0.231498 1.42 -R$ 2.30 -R$ 4.96 R$ 1.64 R$ 1.84 -R$ 6.029817 m+2dp R$ 4.36 -R$ 7. pode-se verificar que. Assim.83 -R$ 9.382869 0. a base média alcança seu menor valor em outubro (maior enfraquecimento) e o maior valor em fevereiro (maior .90 R$ 1. Além do cálculo da base.22 m-2dp -R$ 3. o processo de enfraquecimento da base acelera a partir do mês de maio.13 R$ 8. Conforme pode-se ver.872721 0. principalmente as incertezas climáticas. sempre no mês de outubro.68 -R$ 2. a base passa por um contínuo enfraquecimento.55 R$ 0.851971 1. de outubro/novembro até fevereiro/março.80 -R$ 4.39 -R$ 3.50 -R$ 7.62 2004 -R$ 3.44 -R$ 7. chegando ao enfraquecimento máximo. o preço spot tende a ficar cada vez mais próximo do preço futuro do contrato com vencimento no mês subsequente em análise. com poucas chuvas.04 -R$ 2.23 -R$ 5.25 -R$ 2.23 -R$ 1.13 -R$ 1.34 R$ 2.22 -R$ 5.43 -R$ 0. é mais favorável à realização de operações de hedge de compra.69 R$ 0.91 R$ 6.87 -R$ 7.481135 2.00 média (m) R$ 0.99 -R$ 4.90 -R$ 0.78 -R$ 5. Este período.251 Na tabela 30 colocam-se os resultados calculados para base mensal bem como o pior valor obtido (base – 2 desvios padrão) e melhor resultado obtido (base mais dois desvio padrão).69 -R$ 8.51 -R$ 5.83 -R$ 3.48 R$ 2.23 -R$ 1.16 padrão(dp) 2.66 -R$ 8.14707 3.21 -R$ 5.77 -R$ 8.66 -R$ 0. Tabela 30 – Simulação de bases. de modo que.818344 2.84 -R$ 0. é preciso ter-se uma idéia do comportamento médio da mesma o que é mostrado na Figura 17.62 -R$ 0.89 -R$ 5.20 -R$ 1. este período mostra-se mais favorável à realização de operações de hedge de venda.15 -R$ 0.95 -R$ 9.56 -R$ 3.499443 4.42 -R$ 9.93 -R$ 6. De um modo geral.37 -R$ 0.98 -R$ 2.797315 3.62 -R$ 7.97 R$ 1.49 -R$ 3.83 -R$ 5. JAN FEB MAR APR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ 2002 2003 R$ 2.91 -R$ 2.06 De um modo geral.095351 3.

00 -R$ 15. No dia 20 de setembro de 2006 a análise de fatores fundamentais do mercado de milho indicavam maior demanda internacional do produto para a fabricação de etanol e possível .4. o que pode levar a melhores estratégias na fixação dos preços. Figura 17 . sendo que o milho participa com 65% a 80% na composição destas rações. Desta maneira torna-se necessário à utilização de instrumentos financeiros para garantir a a estabilidade das granjas produtoras de frangos.00 -R$ 10.00 R$ 0. Ba.6% do custo de produção total do frango de corte. A figura 17 também dá uma idéia da oscilação da base.Comportamento médio e oscilações da base para o boi gordo em relação ao contrato futuro de boi gordo na BM&F.00 média (m) média + 2 desvios padrão média . R$ 10. Hedge de Compra de Milho para Granjas e Industrias de Ração O setor de rações (suínos e aves) representa 90% da demanda interna de milho.252 fortalecimento).2 desvios padrão 6.00 JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC -R$ 5. Feira de Santana.00 R$ 5. Dados da pela Embrapa Suínos e Aves mostram que a ração representa 56.

Data 20/09/2006 (BM&F) 30/11/2006 (BM&F) RESULTADO BM&F 30/11/2006 (Campinas) Compra Física 1350 sacas R$ 24. a industria de ração ou granja tradicional compradora de milho ou farelo nos meses de novembro e dezembro.37/sc A tabela 9 mostra o resultado operacional da compra de contratos futuros de milho BM&F com vencimento em janeiro de 2007.33/sc = R$ 18.futuro): -R$ 0.00 Total (R$ 25.00) R$ 32.400.994. foi possível identificar o início de tendência de alta. 3 contratos 3 contratos Cotação R$/sc R$ 18.00 RESULTADO BM&F + Compra Física Como resultado da operação.44/saca pagos pelos demais compradores que não efetuaram a operação na Bolsa.70/sc (BM&F) .14 por saca de milho bem menos do que os R$ 24.253 aumento de preços domésticos com a realização de leilões governamentais.44 Operação COMPRA VENDA Vencto. a granja pagará R$ 19.245.155.00 R$ 7.350 sacas ou 3 contratos de 450 sacas Valor da Base (físico .00) R$ 25. JANEIRO JANEIRO Quant.000 Aproximação das sacas de milho necessárias: 1.R$ 0.00 (R$ 32.33/sc Preço objetivo pretendido pelo produtor para aquisição do milho: R$ 18. poderia realizar hedge de compra de contratos futuros de milho utilizando contratos com vencimento em Janeiro de 2007 de acordo com as informações a seguir: Total de aves: 18.70 R$ 24. .839. Dada a relação direta entre os preços das rações e o preço do milho. Tabela – 9 Resultado da operação de hedge de compra de contratos futuros de milho na BM&F. confirmada com a reação de preços no início do mês de setembro.

ANÁLISE DE PREÇOS DE MERCADOS FUTUROS JUSTIFICATIVA: uma primeira pergunta que todos fazem ao começar a estudar os mercados futuros e de opções é como as pessoas fazem para negociar preços de mercadorias que só estarão disponíveis no mercado daí a meses ou mesmo anos ? pode-se dizer que existem técnicas mas que basicamente. Objetivos: introduzir os leitores nos fundamentos básicos da análise fundamentalista e da análise técnica (grafista) de mercados futuros agropecuários . procura-se projetar para o futuro as expectativas de oferta e demanda e consequentemente. o preço futuro.254 5. ao se negociar futuros e opções.

procurando padrões que possam se repetir. ao menos. faz um resumo de atuação de hedgers e especuladores nas suas análises. de fornecer um contraponto à intensa variabilidade de preços que estes produtos apresentam. nestes mercados. Particularmente para o especulador. A escola mais tradicional é chamada de “fundamentalista”. Vários tipos de métodos têm sido tentados para prever preços . tentando compreender como e porque determinado movimento de alta ou baixa ocorreu e qual a probabilidade de se repetir e em qual intensidade: os Fundamentalistas e os Técnicos ou Grafistas. um importante potencial lucrativo pelo qual estão dispostos a assumir riscos. do ponto de vista do produtor rural. . Introdução A razão do sucesso dos mercados futuros de commodities (especialmente agrícolas) para fins de hedging deve-se a sua capacidade. Duas escolas se firmaram como principais durante a evolução dos mercados futuros.255 5. Esta é a característica que atrai os hedgers e também os especuladores que vêem.1. ambas procurando se adiantar aos movimentos de preços ou.1. a possibilidade de usar esses mercados como ferramenta de alavancagem para se adiantar aos movimentos de preços tem uma utilidade óbvia. A segunda escola é chamada de “técnica” (ou “grafista”)” e se preocupa com a forma gráfica das variações de preços. e tem por objetivo analisar os fatores ligados à oferta e demanda que possam indicar para onde se movem os preços.desde os mais simples até os mais sofisticados em termos econométricos (sem contar o “feeling” do especulador). A figura 5.

Previsão de preços. seus produtos substitutos e complementares.1. Baseia-se no pressuposto de que o preço observado resulta do embate das forças básicas de oferta e demanda do mercado. desempenho da . Essas forças básicas são representadas principalmente pela oferta e demanda potencial do próprio produto. pelo grau de competitividade de sua estrutura de mercado. nível dos estoques existentes. fundamentalistas x grafistas A abordagem fundamentalista é um estudo de causa e efeito.256 Figura 5.

Existe um consenso no mercado de que a análise fundamentalista é mais apropriada para entender o comportamento do mercado no longo prazo. como é freqüentemente chamada. Os analistas acreditam que. do ponto de vista dos praticantes de mercado. as principais características e exemplos práticos de aplicação dessas duas abordagens. gráficos e/ou matemáticos mostrando como estas forças interagem para influenciar os preços. exceto. Serão vistas a seguir. 30 . medidas de políticas agrícolas e macroeconômicas que influenciam no comportamento desta variável e outros fatores relevantes. Estes fatores podem ser utilizados para desenvolver modelos lógicos. Embora sejam bem distintos nos seus pressupostos teóricos e nas suas metodologias e técnicas empíricas. acredita que os padrões de comportamento de grupo de compradores e vendedores nos mercados futuros possam ser registrados e estudados. de tal forma a se extrair quais as ocorrências mais freqüentes e típicas. A análise grafista é freqüentemente utilizada por detentores de posições. geralmente especuladores. os dois enfoques. Para essa última tarefa a análise grafista é mais recomendada 30. que precisam tomar decisões rápidas. Já o próprio Schwager (1996) se confessa um fundamentalista novo crente no grafismo. e como essas se expressam em preços de mercado. é claro.257 exportação e importação. com maior detalhe. os preços se comportarão da mesma maneira. mas não é muito informativa para previsão de preços no curto prazo. Existe uma enorme controvérsia sobre qual melhor tipo de técnica para se analisar os preços de mercado. O enfoque fundamentalista acredita que o conhecimento do comportamento destes fatores ajudará a predizer quando o preço da commodity poderá mudar. Schwager (1995) na página 4 cita Jim Rogers o qual. geralmente se complementam e não devem ser consideradas isoladamente. junto com George Soros. aqueles que vendem seus serviços e conseguem um monte de dinheiro”. O enfoque da Escola de análise técnica ou grafista. sempre que estas figuras se repetirem. geriu um dos mais lucrativos fundos de Wall Street: “Eu nunca encontrei um analista técnico que ficou rico. que por sua vez possam servir de base para previsões de certas formações que se refletiriam em figuras gráficas características.

com idêntico nível de informação e ativamente voltados para maximizar seus lucros. Ou seja. A existência de um grande número de profissionais especializados na análise de mercados. deve-se alertar que existe uma ampla controvérsia no meio acadêmico sobre esse assunto. Visto de outro modo. os preços refletem toda a informação passada e presente. Nesse mercado. e o preço de ontem é também independente do preço de hoje. em qualquer tempo.258 5. Nos mercados eficientes as variações de preços são independentes e seguem um padrão chamado de “random walk”. A razão para isso encontrase no grau existente de eficiência do mercado. a qual costuma ser classificada em três níveis: a) forma fraca de eficiência do mercado. Dois conceitos são muito discutidos nesse contexto : mercado eficiente e “random walk”. . de publicações técnicas e de empresas especializadas na previsão de preços indica que a realidade não se comporta exatamente dessa maneira. não existiria fundamento para tentar prever os preços de amanhã (futuro) usando os preços de hoje (presente) e os de ontem (dados históricos). e mesmo com relação aos eventos com ocorrência esperada num futuro previsível. Nível de Informações e Previsão de Preços Para os hedgers e especuladores que se interessam em estudar mais profundamente as mudanças de curto prazo nos preços das commodities. A conseqüência prática de se aceitar a hipótese de mercado eficiente é passar a acreditar que seja extremamente difícil ou quase mesmo impossível fazer uma previsão sobre os preços futuros. o preço de mercado do café ou do boi gordo de antes de ontem não tem nada a ver com o preço de ontem. em que os preços refletem toda a informação disponível dos preços passados. Um mercado eficiente é aquele em que existe um grande número de participantes.2.

os preços já refletem toda a informação conhecida ou que possa sê-lo por via de pesquisa e levantamentos. mesmo aquela que possa ser adquirida por meio de árduos esforços de coleta e análise. A discussão se os mercados são ou não eficientes. considera-se que em geral o mercado de ações está mais próximo de ser um mercado eficiente em termos de formação de preços do que o mercado de commodities. Uma conseqüência prática da adoção desse enfoque é acreditar que a previsão de preços é útil. permite uma vantagem de atuação e . Os próprios preços futuros valeriam precisamente o preço pelo qual estariam sendo vendidos. com base em pesquisas e estudos técnicos. uma forma intermediária de eficiência do mercado que advoga – e empenha-se na coleta de informações e no emprego de técnicas quantitativas para comprovar – que toda informação publicada já está refletida nos preços. mas necessita de mais informação e refinamento do que está disponível nas fontes usuais de publicação. A realidade dos mercados de commodities é outra. caso o sejam. mas nesse caso trata-se de uma atividade ilícita. A experiência mostra que existe campo lucrativo para a previsão de preços. se de forma fraca. semi-forte ou forte. não havendo margem para ganhos adicionais com base em previsão de preços. sem que se chegue a uma conclusão definitiva. e. seria inexorável concluir que os preços no mercado futuro refletem com precisão os valores correntes. em que o preço da commodity já reflete toda a informação.259 b) forma semi-forte. Caso fossemos aceitar que os mercados de commodities se adequam a hipótese de mercado eficiente na forma forte. Nesse caso. Numa visão pragmática. c) forma forte. e deverá continuar a sê-lo no futuro. e apenas mudam com a ocorrência de novos eventos. e que um conhecimento mais qualificado. A única exceção possível diz respeito à informação privilegiada (“ïnsider information”). para ser fiscalizada e punida pelos órgãos reguladores e auto-reguladores no caso das commodities com contratos negociados em bolsa. já vem se travando há vários anos. no entanto.

O objetivo dos fundamentalistas é então antecipar de que maneira os preços provavelmente irão se mover e quais os fatores responsáveis por estes deslocamentos. podem ser observadas a tendência e a sazonalidade do preço da soja recebido pelo produtor do Paraná. quando um fato novo é noticiado. antes que a competição no mercado incorpore e dissemine essa nova informação aos preços. Um dos maiores desafios desse mercado. Análise fundamentalista Conforme já visto anteriormente. os preços dos produtos agrícolas seguem certos modelos de comportamentos . como notícias diárias ou tendências de opinião pública. A abordagem fundamentalista baseia-se na teoria de que o preço de uma commodity representa o ponto de equilíbrio entre a sua oferta e procura e o desafio do analistas é prever o deslocamento das duas curvas e antecipar onde estará o preço no momento em que lhe interessa.tendência. de forma que a determinação de seu preço futuro deve refletir o consenso das expectativas entre seus participantes.9. influenciados por diversos fatores. refere-se à capacidade dos agentes de se antecipar na previsão desses preços. apesar da alta volatilidade dos preços. aumentando suas oportunidades de lucros e chances de sucesso. sazonalidade e ciclos discutidos no capítulo 1 e aos quais os analistas devem estar particularmente atentos. denotando o elevado grau de informação dos agentes que atuam nos mercados futuros.8 e 1. portanto. na maioria das vezes. Pode-se perceber que. as Bolsas de Futuros são locais para onde convergem as forças de mercado que atuam em uma determinada commodity. Nas figuras 1. Eles . Assim.260 que se saia na frente dos concorrentes. grande parte do efeito já foi absorvido pelo mercado sob a forma de aumento das cotações. é importante observar que. como por exemplo um relatório do USDA indicando uma quebra de safra de soja norte-americana. 5.3.

Na atualidade brasileira. . Serão em seguida discutidos sucintamente alguns aspectos importantes para este tipo de abordagem comumente utilizados por operadores de mercados futuros e cujas técnicas podem auxiliar nas previsões dos agentes que atuam nos mercados como produtores.261 tentam antecipar como e quando esses fatores irão afetar o preço de mercado na forma sumarizada na figura 5.2.2. toda informação pública sobre uma commodity acaba se refletindo no preço. Existem principais na análise fundamentalis parei aqui !!! Resumindo-se. Figura 5. muitas oportunidades de negócios aparecem justamente porque existe um lag temporal entre um evento e a resultante resposta do mercado antes que a informação seja incorporada ao preço. pode-se agrupar em três os setores mais importantes em termos de análise de mercado: grãos (soja. Oferta. na Análise Fundamentalista o preço deve ser entendido como um ponto onde a quantidade de um produto ofertado se iguala à quantidade do produto demandado ou. mas também os efeitos psicológicos nos traders quando eles processam essas informações. carnes (boi. principalmente) e sucroalcooleiro. café). as expectativas são vitais no processo. Os fundamentalistas estudam não só como esses eventos alteram o valor da commodity. milho. Assim. Em outras palavras. os setores. comsumidores e traders. Demanda e Preços na Análise Fundamentalista Oferta Demanda Preço Sobe Cai Não muda Não muda Sobe Cai Não muda Sobe Cai Não muda Cai Sobe Sobe Cai Cai Como foi comentado.

• • • • • nível de produção dos principais países produtores consumo mundial da commodity ritmo das exportações estoque nos países produtores e consumidores questões político-econômica dos países produtores. previsões de safra do United State Department of Agriculture (USDA) no site www. p.gov. o operador procura prever o preço de uma determinada commodity como sendo o reflexo da situação de oferta e demanda do produto na época considerada. nessa abordagem. etc.262 dada uma equação de demanda. 36). da mesma forma.usda. os preços serão mais elevados quando a quantidade ofertada for pequena e mais baixos com uma maior quantidade ofertada. políticas de subsídios Segundo Corrêa e Raíces (2005. taxa de fatores meteorológicos nos países produtores preços relativos das commodities e seus substitutos tendência. mais café será demandado a preços mais baixos e menos a preços mais altos. nos países produtores. o consumo pode ser dimensionado como Consumo = EI + Prod – EXP – EF onde EI = estoque inicial ou estoque de passagem 31 Vide. o analista fundamentalista procura entender como outros fatores.br . Assim. Pode-se mesmo dizer que a análise fundamentalista oferece ao analista uma antecipação do que vai acontece muito antes da sinalização dada pela análise técnica. que não o preço propriamente dito. taxa de câmbio. influenciam o deslocamento das curvas de demanda e oferta. na análise do quadro geral. tentando projetar suas estimativas com o objetivo de responder a pergunta: vai faltar ou sobrar produto ? Os principais fatores a serem estudados na análise dos fundamentos dos mercados agropecuários são: • • • • • juros. ciclo e sazonalidade dos preços relatórios de safra dos órgãos governamentais e de organismos internacionais 31 acordos internacionais e blocos econômicos. por exemplo. Da mesma maneira.

00 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 ano-safra (set-ago) Fonte: Dados originais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos . em inglês).stocks to use. Esta relação é dada pela divisão entre os estoques finais e o uso total (consumo + exportações) em um determinado ano ou safra e espera-se preços mais elevados quando essa relação for baixa (forte demanda em relação à oferta) e cotações menores quanto o STU for alto (grande oferta em relação à demanda). constata-se que os preços ficam mais sensíveis a qualquer variável que possa afetar as culturas em anos com baixos estoques e viceversa. Da mesma forma. 30% 8.00 US$/bu 15% 5.00 5% 3.00 10% 4. esta mesma equação poderia ser apresentada como CONSUMO = EI + IMP – EF.00 25% STU Preço 7. onde EI = estoque inicial ou estoque de passagem IMP = importação EF = estoque final Um dos números mais comumente observados e que pode oferecer uma rápida leitura sobre a oferta e demanda de um determinado produto refere-se à relação dos “estoques para uso” (ou STU .1 e 5.USDA 97 . segundo os mesmos autores. conforme mostrado nas Figuras 5.2.263 Prod = produção EXP = exportação EF = estoque no final da safra ou estoque de passagem Já nos países consumidores.00 20% 6.00 0% 2.

97 .264 Figura 5.50 US$/bu 30% 20% 2.1. para obter esta relação. a partir da análise das variáveis que podem afetá-las e que serão vistas à seguir. entre 1981 e 1997 70% 60% 3. 1. em US$/bushel.“Stocks- to-use ratio” e preços médios anuais da soja nos Estados Unidos. em US$/bushel. alguns fatores são considerados relevantes na previsão de preços futuros e variam conforme a evolução do estágio do plantio.“Stocks- to-use ratio” e preços médios anuais do milho nos Estados Unidos. Relação de estoques finais e uso total (consumo + exportações) . Relação de estoques finais e uso total (consumo + exportações) . o analista deve procurar projetar a oferta e demanda de uma determinada commodity.00 1. No caso específico de culturas anuais de grãos.50 STU Preço 50% 40% 3.50 10% 0% 1.00 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 ano-safra (set-ago) Fonte: Departamento de Agricultura dos Estados Unidos .2.00 2.USDA Figura 5. entre 1981 e 1997 Assim. Oferta: a oferta será composta pela produção prevista em determinada safra mais os estoques remanescentes da(s) safra(s) anterior(es).

bastando apenas pequenas adaptações no maquinário. os estoques remanescentes oficiais e privados e. seguramente. a estimativa de produção e estoques dos países tradicionalmente importadores (ou exportadores. O preparo da terra para a implantação destas culturas é realizado nos meses precedentes ao plantio e o analista fundamentalista deve procurar examinar inicialmente a intenção de plantio dos produtores.265 a) Antes do plantio: o período de plantio da maioria das culturas anuais como o milho e a soja se inicia a partir do mês de setembro podendo se prolongar até o início do mês de dezembro. finalmente. prática esta facilitada pela utilização das mesmas máquinas e implementos. em importantes referenciais na determinação de intenção de plantio. a soja e o arroz . b) Durante a safra: neste período. De fato. o produtor de grãos ao longo do tempo é levado a fazer rotações de cultura. época em que se espera que a quase totalidade do plantio da safra de verão esteja concluída em todo o país. dependendo do produto considerado) constituem-se.que podem variar dependendo das expectativas dos produtores. Desta forma. pode-se estimar a produção a partir da confrontação da área plantada com o rendimento esperado. a análise da política agrícola e disponibilidade de recursos oficiais e privados (como a CPR) para o custeio. seja por decisões econômico-financeiras. seja por imposição agronômica (como a ocorrência de pragas e doenças de difícil controle). que é uma combinação da tecnologia utilizada no plantio com as condições climáticas e muitas destas informações podem ser acompanhadas através de boletins de acompanhamento de safras divulgados por órgãos oficiais como a CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) e o IBGE (Instituto . O primeiro aspecto a considerar é a flexibilidade para se alternar as culturas de verão como por exemplo o milho. o resultado financeiro de safras anteriores que vão indicar o grau de endividamento do setor.

seguidos pela indústria moageira seca e úmida.1 na seção de conclusões deste capítulo mostra alguns “sites” onde o leitor poderá encontrar informações que o ajudarão a realisar análises do comportamento do mercado. Espera-se que a pressão de venda no início da safra seja tanto menor quanto maior for a disponibilidade de recursos oficiais e/ou menor forem os custos de carregamento envolvidos. que para o milho se inicia a partir de meados de fevereiro. ANFAR (Associação Nacional dos Fabricantes de Rações) e Sindirações (Sindicato Nacional das Indústrias de Rações). durante a colheita. seria de cerca de 16 a 17 milhões de toneladas ao ano. Já no caso da soja. cujo consumo se dá sob a forma de rações.266 Brasileiro de Geografia e Estatísticas) 32 e por empresas privadas de consultorias e análises conjunturais. no caso do milho a maior dificuldade para sua determinação está relacionada ao elevado nível de consumo dentro das propriedades e nas perdas expressivas na colheita e armazenagem. alguns fatores devem ser analisados. segundo suas associações. lançados a partir desta última safra) assim como os custos financeiros e de armazenagem. têmse como principais consumidores diretos as esmagadoras que produzem o óleo e o farelo de soja e os exportadores do grão. Demanda: para esta análise. Quanto ao nível de consumo. determinar o consumo de rações comerciais no país que. é importante que o operador determine quais são No caso do os agentes consumidores do produto e o nível de procura de cada um deles. . Pode-se. c) Durante e após a colheita: finalmente. no entanto. canjiquinha e o gérmen para a produção de óleo e na moagem úmida obtém-se o amido como principal produto. 2. que são de difícil quantificação. seus principais demandantes são os setores avícola e suinícola. 32 A Tabela 6. No processo a seco os principais produtos são a farinha de milho. milho. fubá. como a política de crédito para a comercialização (como AGF e EGF e a evolução dos Contratos de Opções de Venda.

Outros aspectos. os passos a serem tomados no desenvolvimento de um modelo simples para auxiliar nas previsões de preço de um produto armazenável. o comércio internacional e a taxa de câmbio (que afetam diretamente a competitividade das exportações e importações) são igualmente importantes na análise do nível de demanda dos produtos. De forma geral. comparar a oferta total e a procura total.267 O outro importante segmento consumidor. ou carry over de fim de ano) para cada um dos anos anteriores. Na análise fundamentalista é preciso que o agente conheça os fatores relacionados com a commodity estudada e a influência que podem exercer na determinação de seu preço. as condições econômica gerais (como o nível de renda da população. utilizando-se a abordagem fundamentalista. ou outros óleos vegetais como a colza. os hábitos de consumo e preferências dos consumidores. para obtenção de óleo e farelo. composta pela moagem a seco e úmida. a fim de determinar a diferença líquida no fim do ano (estoques. como a oferta de produtos substitutos (como a soja. 2. reunir informações indicativas dos componentes e dos níveis de oferta e procura para os anos anteriores (séries históricas). e exportadores. cujas estatísticas são divulgadas através de suas associações como ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) e ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) e órgãos oficiais nacionais e do exterior (como USDA Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). o óleo de palma e o girassol. pode-se obter estimativas mais realistas já que o seu consumo é inteiramente destinado à indústria esmagadora. como o café ou a soja. a indústria transformadora. Assim. taxas de juros e inflação). Para a soja.5 milhões de toneladas. processa anualmente cerca de 3 e 1. para a soja). são os seguintes: 1. . sorgo e trigo de baixa qualidade nas rações animais para o caso do milho. respectivamente. uma técnica de previsão bem sucedida não pode prescindir de uma descrição sistemática destes fatores e a formulação de um modelo econômico.

projetar.268 3. a oferta total. Pode-se. Nestes casos.denominado econometria . estar atento às . Finalmente. • Esperar colher para vender • Esperar sempre melhores preços na entressafra. para tanto. Modelos mais sofisticados podem e devem ser utilizados por operadores profissionais e deverão incluir uma descrição completa da interação entre os diversos fatores econômicos que determinam os preços à vista e todos os preços a futuro e.e que permitem descrever como os diversos fatores afetam os componentes de oferta e procura de um determinado produto. também. buscando-se obter preços médios ao longo do ano e. decisão válida na maioria dos anos mas que nem sempre se aplica. a nível de ilustração. normalmente balizando sua decisão de plantio nos preços praticados na safra anterior. procura total e carry over de fim de ano. utilizar a previsão do nível de carry over e o relacionamento histórico entre os preços e o carry over para estimar os níveis futuros de preços. principalmente. cabe salientar que a presente análise (da oferta e demanda de grãos influenciando diretamente os preços dos produtos) deve ser feita. pelos produtores. para o ano seguinte. é sempre preferível fazer vendas parceladas. é recomendado o uso de métodos estatísticos que facilitem a análise de uma relação econômica . 5. relacionar os níveis de preços correspondentes com essas informações históricas de oferta total. tentar apontar os principais erros que os produtores comumente cometem em sua análise: • “Olhar para trás”. a procura total e o carry over resultante. desconsiderando muitas vezes as perspectivas da nova safra. 4.

começa a falta bezerros e boi para abate e eventualmente. Ciclo de preços do boi . estar atento ao mercado e. Figura 5. o produtor é um tomador de preços. O lucro é afetado pelo preço de mercado e pelo lucro de criar e engordar o animal. Portanto. os preços sobem. Deve-se considerar que. Neste caso. troca de insumos). os pecuaristas se animam. Assim. entender os novos instrumentos de comercialização (mercados futuros. aumentam a oferta e o preço cai. No caso da pecuária.269 oportunidades de relações de trocas entre seu produto e os insumos necessários para o custeio de suas lavouras. sendo a questão principal saber quão lucrativa será essa operação. portanto não se pode estocar animais vivosde um ponto de vista econômico. conhecer o histórico. opções. pela estrutura do mercado da produção agrícola. jornais e fontes de informações na Internet. em números redondos. os pecuaristas determinam qual vai ser a oferta de bois e bezerros. o produtor deve se cercar do maior número de informações. vendem matrizes. A análise fundamentalista aplicada para a pecuária mostra uma diferença básica com relação ao mercado de grãos.2.2. não se pode carregar estoques. consultando revistas técnicas. Quando a lucratividade é alta. muitas vezes inatingíveis já que são idealizados sem critério. • Querer estabelecer um preço. Todo este processo é esquematizado na figura 5. finalmente. A queda na lucratividade opera na direção oposta: os pecuaristas diminuem a criação e engorda. CPR. a oferta corrente é o principal fator a ser examinado na análise dos fundamentos do mercado.

atenuaram um pouco o tempo necessário para este ajustamento. Como principal desvantagem da análise fundamentalista alega-se que ela é boa para explicar porque os preços estão naquele determinado patamar. assim como as técnicas de confinamento. O aumento ou diminuição do rebanho leva alguns anos embora os avanços da genética e do manejo da pecuária. consegue-se ter mais segurança nas decisões. . A lógica do raciocínio é que. Ou seja. mas está-se completamente perdido até onde o mercado vai ou pode-se até mesmo já ter perdido o ponto mais lucrativo. tenta-se explicar a razão do mercado estar se comportando daquela forma. mas péssima para antever para onde os preços irão. Como principais vantagens da análise fundamentalista aponta-se o fato de que quando se analise um mercado baseando-se em seus fundamentos. pode-se estar certo sobre a direção que o mercado vai tomar. quando se entende o processo.270 ►aumenta a oferta de bezerro (mais bezerros) Preços em alta Preços em queda ▼diminuição do abate (menos vacas nascidas) ▼aumento do abate (mais vacas para o abate) Preços em alta ◄diminuição da oferta (menos bezerros) Preços em queda Este processo não é instantâneo.

De qualquer forma. o processo é muito dinâmico e rico de informações e ainda não existem máquinas capazes de substituir o ser humano no processo de análise de mercados. automatizou o processo de decisão sobre posições nos mercados. . Na sua especificação e análise utilizam-se dados passados para tentar antever o futuro. os fundamentalistas acreditam que o preço de uma commodity está em constante movimento em direção a um ponto de equilíbrio definitivo que pode estar numa posição totalmente diferente da observada num dado momento qualquer. que procuram identificar e relacionar os fatores mais importantes para explicar os acontecimentos. O que se observa no dia-a-dia são posições intermediárias ou de curto prazo. relacionar preços com oferta. demanda e estoque à partir destas informações. em alguns casos. o que é sempre um risco uma vez que tais condições podem não mais prevalecer. utilizar estas informações para projetar preços para o futuro. Uma forma de praticar e adquirir confiança é reunir dados históricos sobre oferta e demanda e entender como se formam estoques. Entretanto. projetar para o próximo ano oferta. Modelos sofisticados podem ser desenvolvidos com a ajuda de técnicas estatísticas e econométricas. o que pode ser feito pela pesquisa e análise do relacionamento entre os preços do produto e as demais condições de mercado.271 Modelos econômicos: uma digressão Modelos econômicos são simplificações da realidade. A condição básica para se tentar estabelecer modelos é conhecer o mercado. demanda e estoques. O desenvolvimento dos computadores tornou possível análises que antes nem se imaginava e que. Prever qual seria o próximo passo neste movimento e onde se localiza o preço de equilíbrio de longo prazo é um desafio que promete grandes recompensas.

com o objetivo de prever a tendência futura dos preços. A análise técnica é uma das principais ferramentas para a tomada de decisão nos mercados de derivativos. enquanto para o . O objetivo da análise técnica é desenvolver critérios quantitativos para estimar o poder relativo das forças de compra e venda. a Análise Técnica ou Grafista é o estudo do movimento do mercado. Nas operações com mercados futuros. é a compra. Quando o número de compradores aumenta em relação à oferta. os preços se movem lateralmente. e não no longo prazo. Quando há um equilíbrio entre oferta e demanda. tanto nos financeiros quanto nos agropecuários. também fatores psicológicos. determinar o que comprar e o que vender e quando agir.4.1. controlar e limitar o risco. basicamente procura-se projetar para o futuro as curvas de oferta e demanda tentando-se antecipar qual será o preço prevalecente no mercado na data do vencimento do contrato.272 5. principalmente com o uso de gráfico. Análise Técnica ou Grafista 5. os preços caem.Murphy. mas sabemos que nem tudo que nos é apresentado tem valor relevante e o mais difícil é saber quais informações devemos captar e utilizar nas tomadas de decisões. Teorias e Conceitos Segundo John J. para um . Pode se dizer que toda e qualquer informação. podem achar que a oportunidade melhor. De outro lado. pois este tipo de análise representa o movimento da “massa” no momento. os preços aumentam. Sabemos que a capacidade de analisar informações e tomar decisões envolve além de conhecimentos técnicos. seja de conhecimento geral ou de um “insider” será refletida no preço e portanto é essencial para todos aqueles que atuam no mercado conhecer e interpretar o comportamento dos gráficos. dois participantes. No mundo da globalização e informática convive-se com o fato de que a informação é cada vez mais presente em nosso dia-dia. prever até que ponto há indicação de um movimento de preços.4. Por esse motivo é dito que a análise técnica tem principal função nos mercados especulativos e sua utilidade é pertinente em um horizonte muito curto. com base na mesma quantidade e qualidade de informação. A premissa básica da análise é que a interação entre a oferta e a demanda de contratos futuros determina seus preços. o que faz com nos nos mercados futuros. se a oferta exceder à procura.

Muitos destes fatores nem mesmo conseguem ser mensurados. há sempre a desconfiança (ou insegurança) de que alguma informação importante esteja sendo omitida ou não está disponível para aquele determinado operador e disponível para outros. são de fácil acesso. Determinar até onde uma oscilação pode chegar 5. Dos três elementos. Medir as forças de oferta e demanda 2. . Estabelecer uma estratégia de risco. os dois podem basear-se num idêntico rol de fatores fundamentalistas. a ganância e as percepções em geral de todos os agentes do mercado. as incertezas. A Análise Técnica se baseia em apenas três informações: preços. que são os seguintes: 1. Procurar o melhor momento tanto para entrar quanto para sair do mercado 4. volume e contratos em aberto. Além disso. o medo. Senão. como explicar compradores e vendedores no mercado futuro? Ou seja. mas chegar a conclusões bastante divergentes com respeito ao impacto dessas informações sobre a formação dos preços. os preços são os principais fatores enquanto volume e contratos em aberto reforçam ou desmentem um determinado movimento de preço (alta. bastantes atualizados. baixa ou indefinido).273 outro é a venda. o humor. Segundo a visão da Escola Técnica. Assim. Identificar operações atrativas 3. Esses dados estão permanentemente disponíveis. A Escola Técnica estuda como os preços se comportaram no passado e procura atingir basicamente os mesmos objetivos da escola Fundamentalista. a grande dificuldade da Análise Fundamentalista é que o número de variáveis que afetam a formação do preço de um produto qualquer é tão grande que é muito provável que se esqueçam de colocar algum deles no cômputo final ou que se atribuam pesos errados à importância relativa de qualquer um deles. fica-se sempre com a sensação de que “será que tenho todas informações do que está ocorrendo no mercado”. tais como as esperanças.

os preços se movimentarão tal como no passado. Ou seja. o mercado não olhará mais para os outros fatores mais para aquele determinado indivíduo. Se a maioria dos agentes acreditar que o mercado vai subir. os fundamentalistas estudam os fatores externos. caberia ao analista técnico identificar estes padrões (e várias técnicas são utilizadas como veremos a seguir) para identificar estes sinalizadores de mudanças de preços.. como mostrado na figura 5. Isto também elimina a figura do “ganhador persistente” ou seja.. quando estes padrões característicos se repitam..274 Um dos princípios básicos da Análise Técnica é que todos os fatores que influenciam o preço são instantaneamente transmitidos ao pregão sob a forma de oscilação de preço. a qual é comandada pela média de opinião de todos os agentes que participam das negociações (chamados de massa). ao assumir que toda a informação fundamental se consubstancia nos preços.. Em resumo. enquanto que os analistas técnicos estudam os efeitos destes fatores tal como mostrado nos padrões de preços. está tomando um atalho em relação aos analistas fundamentalistas. Assim. . o que comanda a oscilação de preço não é o fator fundamentalista em si. Outro princípio básico da análise técnica é que movimentos de preços no presente foram precedidos por padrões característicos de comportamento de preços no passado e é de se esperar que. mudando a lógica do mercado e desaparecendo a oportunidade de ganhos oportunísticos. daquele que acerta sempre porque se de alguma forma alguém começar a acertar todos movimentos de preços. O analista técnico. a pressão compradora será mais forte do que a pressão vendedora e os preços realmente subirão e vice-versa. mas a média das opiniões dos participantes do mercado sobre este fator.

em geral. Diferenças de métodos entre analistas fundamentalistas e técnicos Preços futuros Acontecimento no mundo real afetam Os analistas fundamentalistas estudam os eventos afetando o mercado a fim de efetuar a previsão de preços Os analistas técnicos tomam um atalho e partem diretamente para o estudo dos padrões de preços a fim de efetuar a previsão de preços Resumindo. . por exemplo). o analista técnico acredita que os preços passados dão origem aos preços correntes e que um movimento anterior de preços pode e deve motivar um movimento subseqüente. Considera-se que os mercados futuros. são . mas o que a massa pensa sobre isto... A expressão “o mercado sobe no boato e cai no fato” é muito conhecida pelos operadores de mercado futuro e retrata com precisão esta idéia. Não são os prejuízos efetivos que motivam a variação nas cotações num primeiro momento.275 Figura 5. É muito comum que em mercados futuros agrícolas as oscilações de preço variem de forma desproporcional a um determinado fato fundamentalista (falta de chuvas sobre a produção de soja.

do qual se ouvem muitas histórias. será adotada uma determinada estratégia de volume de produto quando o mercado estiver em alta ou em baixa. Nos mercados futuros. determinar o momento de colocar ordens e por qual preço. geralmente num clima de muita excitação e pouca informação. manias e pânicos nos mercados. os movimentos de alta ou de baixa tendem a ser magnificados pela entrada tardia ou saída prematura no mercado. pode-se dizer que os gráficos de preços serão utlizados por duas razões principais: estudar a tendência corrente de preços. 5. Assim. Os gráficos também auxiliarão quando entrar ou sair do mercado. Assim.2. Essa dimensão comportamental da psicologia dos mercados futuros ainda é pouco estudada pela literatura de economia e finanças. embora todos reconheçam seu poder de influência. Os traders frequentemente utilizam gráficos para ajudar a implementar suas estratégias. principalmente no lado dos especuladores. etc. Os gráficos mais comumente utilizados são: . Esse “instinto de rebanho” e a formação de “bolhas especulativas” atinge a todos indistintamente (hedgers e especuladores). Essa análise é chamada de “gráfica” (nos Estados Undos de “chartist”) • • • • • • porque os analistas preparam gráficos de movimentos de preços e buscam Gráficos de barras Gráficos de linhas e barras Gráficos de médias móveis Gráficos de tendências e retas de tendências Gráficos de volume e contratos em aberto Gráficos de velas encontrar padrões repetitivos.276 mais afetados por fatores psicológicos do que os mercados físicos. Um fenômeno de ordem psicológica bastante conhecido é o do “instinto de rebanho”.4. Gráficos mais comumente utilizados A análise técnica se baseia na premissa que os movimentos de preços seguem padrões históricos consistentes. principalmente nos episódios de crises.

contrato soja. Gráfico de barras. Figura 5. A “marca” horizontal à direita da linha de fechamento mostra o preço de fechamento do dia (muitas vezes. Diariamente. cada dia de negociação. CBOT . mensais. o preço mínimo do dia. O topo da linha representa o preço máximo de cada dia e a base da linha vertical. etc.3. formado um desenho como o da figura 5. Os gráficos semanais e mensais dão uma perspectiva mais ampla do comportamento do mercado. enquanto o gráfico de barras diário deverá ser utilizado para determinar o “timing” dos negócios. semanais. Os gráficos de barra podem ser diários.277 • Gráficos de oscilações de “Bollinger Bands” Gráficos de barras Estes são os mais fáceis de utilizar e entender uma vez que na linha vertical colocamos os preços praticados e na linha horizontal. A atividade de preço de cada dia é marcada por uma única linha vertical. uma marca à esquerda da linha vertical também está presente para assinalar o preço de abertura).3. uma nova linha é traçada.

ajuste (ou fechamento). assim. Os gráficos diários são. identificando. mínima e de fechamento são plotadas como uma linha vertical ligando o mínimo ao máximo e o fechamento é representado por uma pequena barra horizontal à direita. que pode ser transformado em volume total de produto multiplicando-se estes valores pela quantidade de produto em cada contrato. A cotação máxima. portanto. As cotações são expressas em valor por unidade (não por unidade de contrato. A Figura 5. O mesmo é feito para o mensal. costuma-se utilizar sempre as cotações de um determinado mês cotado. para o contrato de soja maio/06 negociado na CBOT. utilizando como fechamento o valor da última sexta feira do mês. Na verdade são três gráficos em um com três escalas e duas unidades diferentes. o início e o final de cada semana . São plotados apenas os dias úteis da semana procurando usar um traço mais forte para cada segunda-feira. de preferência aquele que historicamente tem o maior número de contratos em aberto e que costuma ser o primeiro ou o segundo (de preferência o segundo pois geralmente há uma diferença significativa entre as cotações do O volume é apresentado em colunas enquanto os contratos em aberto são apresentados por um gráfico de . No semanal. o volume e contratos em aberto são expressos em número de contratos. com uma pequena diferença.278 Gráfico de linha e barras Este gráfico contém cinco informações diárias (sempre construídos para um contrato. o mínimo da semana e o fechamento da sexta feira. ou seja. para um mês específico): cotação máxima. mas na unidade pela qual o produto é negociado). linhas. elaborados para cada contrato em negociação.3 mostra o gráfico de linha e barras. os quais tem uma vida média máxima de 1 ano e 4 meses (Bolsas internacionais). O analista que deseja estudar o produto em prazos mais longos (anos) se utiliza de gráficos semanais ou mensais. mínima. o número de contratos negociados e o número de contratos em aberto. cada barra representa o máximo da semana. Para que os gráficos tenham continuidade.

4. contrato maio/06.o seu valor reside no fato de que elas determinam as grandes tendências e não o topo ou fundo do mercado.4 exemplifica o uso da técnica da média móvel para o contrato de algodão Soja/06 negociado na CBOT. Fonte: CBOT Média móvel A média móvel utilizada na análise gráfica é a média aritmética móvel dos últimos n dias de negociação (n é determinado pelo analista . ou seja. Gráfico de linhas e barras. Por ser média.o salto para o contrato seguinte pode dar uma falsa impressão de forte oscilação de preço que na verdade não houve). A Figura 5. Figura 5. caminha atrás do preço .279 primeiro e do segundo mês em negociação quando o primeiro mês cotado chega ao final . movimentando-se para frente a cada novo dia de negociação.geralmente variando de 3 a 20 dias). apresenta oscilações menos acentuadas do que as cotações diárias. . soja CBOT.

Ou seja. Assim. no entanto. ela mesma pode ser utilizada como um critério. abandonada antes ou quando a média móvel cair abaixo da posição comprada. dez. um sinal de venda para quem está compado é gerado quando os preços fecham abaixo da linha móvel.280 Combinada a um gráfico de barras. Por exemplo. O primeiro sinal de venda é quando a média móvel cruza. Os traders utilizam médias móveis de 3 dias. as médias móveis não acompanham o mercado diário. de cima para baixo. As médias móveis podem ser utilizadas para determinar tendências de preços e mudanças de tendência. A média de três dias está agora em movimento. como anotado no gráfico. Por exemplo. o mercado sobe para 730 cents/bu. Resumindo. Primeiramente. o primeiro sinal de mudança de tendência é dado quando a linha que une os preços de fechamento cruza a média móvel. daí o nome do gráfico. Então. plota-se a média de fechamento dos três dias. No dia seguinte. . as posições de compra devem ser liquidadas. podendo continuar a subir ou cair mesmo que o preço do dia caiu ou subiu. imaginemos que o mercado tenha fechado em 740. o fechamento dos preços e. vinte ou mais dias. tira-se a média dos três dias e que representa o segundo ponto do gráfico. uma posição comprada pode ser mantida enquanto a média móvel estiver subindo (mesmo que no dia. mesmo que não se tomem posições de venda. indicando a tendência com mais segurança. ela deve ser. Observe-se que as vezes o fechamento diário pode ser sido menor do que nos últimos dias mas que a média móvel continuou a avançar. colocando-se o primeiro ponto no gráfico. Para quem acha que “seguro morreu de velho”. respectivamente. cinco. posições de venda só deveriam ser tomadas quando a média caísse. 720 e 700 cents/bu em dias consecutivos. Há várias formas de se utilizar as médias móveis para avaliar o mercado. o preço caiu).

281
Figura 5.5. Gráfico de médias móveis, CBOT

Sinal de venda

Figura 5. Média móvel, contrato soja CBOT, maio/06. Fonte: CBOT

O gráfico de médias móveis é para quem não está interessado nas oscilações diárias, muito menos dentro do dia, mas apenas as grandes tendências e usa somente os preços de fechamento e trabalha com as médias destes valores, identificando a grande linha por onde os preços estão caminhando e evitando as pequenas oscilações que podem dar a impressão de que os preços estão mudando ou irão mudar de rumo. Geralmente a média móvel é construída junto com o gráfico de linha e barras, se constituindo em outro elemento de análise. O valor do método de média móvel não está na avaliação do topo ou do fundo de um movimento, mas na identificação de tendências e na obtenção de lucros decorrentes do acerto na previsão destas tendências. O número de dias a serem incluídos na média móvel é determinado através do estudo do comportamento histórico das cotações do produto, procurando medir a amplitude média dos vários movimentos e, assim, qual a média móvel que, usada nesta amplitude, daria

282 uma indicação a ¼ do movimento, de forma a possibilitar um lucro equivalente a ¾ do movimento. Como esta análise não é assim tão fácil, os analistas determinam o período “a olho” e usam mais de uma média (com amplitudes diferentes) no mesmo gráfico. A utilização de mais de uma média “reforça” a tendência apontada por uma delas (a mais curta).

Tendências e retas de tendência

Tendência é a palavra chave da análise técnica e os operadores esperam atuar a favor da tendência seja ela de horas, dias, meses ou anos. O objetivo não é descobrir até onde vai um movimento ou quando ele vai chegar lá (topo ou base), mas identificar a direção de uma tendência e constatar sua reversão no momento em que acontecer. São consideradas tendências de longo prazo as superiores a 6 meses. As de curto prazo normalmente são reações da tendência de longo prazo, ou seja, são pequenas ondas (para cima e para baixo) ao redor da linha de tendência de longo prazo (ou principal). As tendências são traçadas unindo-se, através de uma reta, os pontos de vale das reações no caso de uma tendência de alta ou os picos das reações no caso de uma tendência de baixa . Quanto maior o número de pontos e quanto mais distantes entre si, mais confiável será a reta. Distinguem-se dois tipos de tendências
Tendência de alta (bullish) - É definida pela sucessão de picos e vales mais altos, ou seja,

cada pico e cada vale ocorre em valor superior ao anterior (Figura 5.5).
Tendência de queda (bearish) - É definida pela sucessão de picos e vales mais baixos, ou

seja, cada pico e cada vale ocorre em valor inferior ao anterior (Figura 5.6).

283

Tendência de alta Tendência de queda

Figura 5.6. Linhas de Tendência, contratos soja CBOT , maio 06.

Fonte: CBOT.

Quando uma tendência de alta está para reverter, uma das seguintes situações costuma ocorrer:
• Um determinado topo da tendência não consegue ultrapassar o topo anterior; • A linha de tendência é ultrapassada.

A primeira situação indica apenas que a tendência de alta não conseguiu ser restabelecida e poderá ser revertida. A segunda, no entanto, é indicação mais forte se a reta ultrapassada é de longo prazo e indica que a massa deve estar mudando de idéia sobre o rumo dos preços. É um bom momento para liquidar posições compradas (long).

284 Não é nada fácil traçar retas de tendência sobre as cotações de um produto qualquer, exigindo, normalmente, que ao menos três destas retas sejam elaboradas durante a vida útil de um contrato, sendo revistas a cada novo topo ou vale.

Volume e contratos em aberto

Segundo uma imagem muito utilizada por aderentes da Escola Técnica, “se os preços são as batidas do coração, o volume e os contratos em aberto correspondem à temperatura e à pressão sangüínea”. Afigura 5.7 apresenta o volume de negócios e o número de contratos em aberto de soja na CBOT. Estes dois indicadores – o volume de negócios e o número de contratos em aberto - são complementares à análise dos preços, muito embora considerados com menor significado pelo fato de ambos serem afetados pelas distorções causadas pelos elementos discutidos a seguir.

Figura 5.7. Volume e número de contratos em aberto, soja/06, CBOT

Fonte: CBOT

285 O primeiro é o efeito dos “spreads” (também chamados “straddles”) que aumentam o volume mas não implicam em fortalecimento da tendência. “Spread” é quando um operador assume uma posição vendida num contrato (ou mês de entrega) e posição comprada em outro contrato (outro mês de entrega) procurando ganhar na diferença. As operações de spread podem confundir a interpretação sobre o comportamento dos indicadores de volume de negócios e contratos em aberto, pois podem alterá-los sem que isso tenha nenhum significado analítico para o exame da tendência em curso num determinado contrato. O segundo fator deve-se ao efeito da sazonalidade do volume de contratos em aberto. Essa característica sazonal é especialmente afetada pela ação do hedger 33. Além disso, o primeiro ou segundo mês cotado de uma commodity tende a apresentar maior volume de contratos em aberto do que os demais meses e abrigar maior número de operações o que, por si só, não é um fator exclusivo de indicação da tendência. O acompanhamento dos contratos em aberto deve ser utilizado comparando o movimento dos preços com a evolução destes contratos. Se durante um movimento de alta, por exemplo, os preços caírem - e se os contratos em aberto também diminuírem - é porque a maioria das operações realizadas foi de agentes saindo da posição comprada, o que pode indicar que a tendência de alta deverá ser retomada depois que este grupo realizar seus lucros. Se o volume de contratos aumentou, significa que a maioria das negociações foi de abertura de novas posições vendidas, o que indica que há um significativo grupo acreditando na baixa que pode estar se iniciando. O volume é utilizado para saber se determinado movimento de preços tem força ou não. Se os preços sobem (ou caem) com um volume decrescente, o mercado está
33 Observe, por exemplo, em qualquer época do ano, o número de contratos em aberto e volume negociado para o contrato de soja para novembro, por exemplo, que tende a ser sempre maior do que para qualquer outro mês do ano por coincidir com a safra americana.

286 tecnicamente fraco. Se o movimento nos preços é acompanhado por um aumento no volume, o mercado está tecnicamente forte, ou seja, esta tendência pode ser para valer. Desta abordagem inicial sobre algumas das principais técnicas de análise gráfica, algumas regras básicas podem ser obtidas:
• se os preços, volume e contratos em aberto estão na mesma tendência, a atual tendência de

preços deve continuar;
• Picos de volume costumam coincidir com picos de mercado, ou com o início de uma

tendência; e
• Se as tendências de preço, volume e contratos em aberto estão em desacordo, então a atual

tendência deve estar para reverter.

Gráficos de Velas (candlestick chart)

O gráfico de velas é uma outra abordagem da análise técnica, utilizando uma técnica desenvolvida no Japão onde a distância entre o preço de abertura e o de fechamento é representada por um retângulo vertical (a vela). O intervalo de preços máximos e mínimo é representado por uma linha vertical que corta o retângulo (o pavio). A vela quando está pintada de preto mostra que o preço de fechamento está abaixo do de abertura e vela não preenchida (em branco), mostra que o preço de fechamento está acima do preço de abertura. A Figura 8 mostra um Gráfico de Velas com base nos contratos de soja negociado na Bolsa CBOT.

8. recomenda-se comprar quando o oscilador passa a tomar valores positivos e . um especialista em análise técnica.287 Figura 5. Gráfico de velas. áreas de sobrecompra e sobrevenda e ainda servir como filtro a fim de evitar entradas estimuladas por falsos sinais quando utilizado conjuntamente com um outro oscilador que fixe o Stop tanto de compra como de venda. indicado para detectar flutuações anômalas dos preços . O oscilador de Bollinger mostra ao usuário a diferença percentual entre os preços de fechamento de cada barra em relação à posição que estas ocupam nas faixas . contrato soja/06 CBOT Fonte: CBOT Oscilador de Bollinger Bands John Bollinger. De forma prática. divergências . De forma simplificada. desenvolveu a técnica de utilizar médias móveis com duas bandas de negociação ao redor da media móvel. Bollinger Bands simplesmente adiciona e subtrai um desvio padrão da média móvel.

As bandas irão se expandir e se contrair à medida que as mudanças de preço de uma commodity tornam-se mais voláteis (movimento de expansão) ou ficarem presas à linha média (contração). o analista pode ter certeza que quase todos dados necessários para a análise serão encontrados entre as duas bandas. Figura 5. Gráfico representativo do Oscilador de Bollinger Bands.9 representa o Oscilador de Bollinger Bands com base nos contratos de soja negociados na Bolsa CBOT. . A linha média é uma média móvel exponencial e os canais de preço são desvio padrão dos preços sendo estudados. um acima e ouro abaixo da linha média. A Figura 5. CBOT. soja maio 06. Bollinger Bands consistem de uma linha média e dois canais de preços. Desta forma.288 vender quando ele passa a tomar valores negativos.9. Fonte: CBOT Sabemos que desvio padrão é uma fórmula estatística que mede volatilidade. conseguindo-se com isto mostrar o preço da commodity e como este pode se distribuir ao redor de seu valor de seu “valor verdadeiro”.

que peso cada um atribui a eles. estão se aproximando da linha de suporte. . Da mesma forma. por exemplo) acharam por bem realizar o lucro de algumas posições vendidas dando pouca ou nenhuma importância à continuidade ou não da tendência. sinalizando a hora de vender e/ou comprar. alguns instrumentos utilizados nesta análise. de maneira introdutória. Traders sabem que quando os preços continuamente tocam a Bollinger Band superior é um bom sinal de que os mesmos estão próximos do limite de resistência. No meio de uma nítida tendência de alta. neste enfoque. é mais fácil de compreender porque a perspectiva de que um fato venha a ocorrer é mais importante. Traders normalmente combinam Bollinger Bands com linhas de suporte e resistência para antecipar movimentos que irão romper as mesmas. 5. da mesma forma quando tocam continuamente a linha inferior.289 Preços variam aleatoriamente durante o pregão. Conclusões Este capítulo apresentou os princípios básicos da análise técnica de mercado e abordou. nas bolsas internacionais. os preços revertem por alguns dias sem que tenha havido nenhuma novidade fundamentalista sobre o mercado daquele produto.5. as operações determinadas por fatores técnicos (análise gráfica) o que gera oscilações de preços para os quais aqueles que não têm nenhum conhecimento destas ferramentas. É muito expressiva. do que a sua efetiva ocorrência . ou seja. Um fato. mas os preços reverteram porque alguns agentes (fundos de commodities. é de importância crucial para todos aqueles que estão ligados ao setor agrícola e seus desdobramentos: os mercados futuros não refletem apenas os fatores “fundamentalistas” (os fatos deslocadores de oferta e demanda) mas também (e porque não principalmente) o que os agentes do mercado pensam sobre estes fatos. por exemplo. não conseguem entender. no entanto. Adiantar-se ao mercado é a chave do sucesso na especulação em mercados futuros.

Como toda ferramenta nova. . exige prática e treinamento antes de ser utlizada com segurança.290 Uma recomendação importante é que a análise grafista pode ser útil ao especulador e ao hedger se utilizada em conjunto com uma análise fundamentalista cuidadosa.

New York.futuresource. No seu entender. 1992/93. de & P. SP. p. O mercado futuro como instrumento de comercialização para o empresário rural. Schwager on Futures – Technical analysis. de. The Basics of Bollinger Bands.J. 1. maio 1992. 1995. Decisão entre vender e armazenar: um exemplo de milho na região de Uberaba.995. Discuta o papel de modelos econométricos na análise de mercados. J. jan. 556 p. Vol. de & P. Analysis and Trading Tools. Schwager.291 Referências Bibliográficas AGUIAR. L. 25. New York Institute of Finance (a Prentice-Hall Company). L. http://www.V. John Wiley & Sons. 4. E. qual é mais importante para o hedger. Março de 2006 MURPHY.asp Exercícios 1. Anais do XVIII Encontro Anual da Associação Nacional dos Programas de Pós Graduação em Administração.p.A.D. D. 1986. SOUZA. J.R. a análise fundamentalista ou a técnica ? 3. Minas Gerais. . John Wiley & Sons. Séries históricas de preços e a tomada de decisão na agricultura. Taylor.investopedia.67. MARQUES. Shaun. Informações Econômicas.V. News. 2001. New York. Piracicaba.com. 1996 SOUSA. Preços Agrícolas. v. Schwager on Futures – Fundamental Analysis.D. MARQUES. 53 a 76. October 22..994. de 26 a 28 de setembro de 1.D. Charts.com/articles/technical/102201. W. J. Consulte um trabalho de análise de mercado da commodity de seu interesse. Você consegue identificar os elementos básicos de demanda e oferta e sua influencia na previsão do comportamento dos preços ? 2. FutureSource. New York. Technical analysis of the futures markets. http://www. nº 1. Schwager.Your Source For Quotes.com .1-1a. n.

A fixação de locais para comercialização de produtos para a entrega no ato da negociação e para o fechamento de contratos para entrega futura remota a períodos anteriores a Roma e Grécia antigas. Os acordos eram particulares e não possuíam padrão preestabelecido. que. as trocas de propriedade dos produtos tomam lugar no mercado de balcão. depois se manifestam nas feiras medievais de Flandres e do Norte da Europa. Com o decorrer do tempo. a proteção contra os riscos financeiros implícitos na volatilidade de preços é o principal produto negociado nessas instituições. é preciso voltar ao passado. desde cedo estimularam a invenção de instrumentos. e ganham significativa importância na Bolsa de Londres.1 – História dos Mercados e Bolsas Os fundamentos e quadros mentais para a negociação de futuros e opções começaram a surgir ainda na Antiguidade. passaram a se chamar derivativos.292 6. século XVIII e começos do século XIX. As origens dos mercados futuros remontam portanto à Grécia e a Roma antigas. OPERACIONALIZAÇÃO DE CONTRATOS FUTUROS AGROPECUÁRIOS 6. Por essa razão. com preços garantidos ou não. . Em 1752. As primeiras Bolsas de mercadorias. com características de futuros e opções. eram essencialmente de mercados disponíveis. Esses mercados construíram as fundações para várias das atuais Bolsas de mercadorias norte-americanas. Já por essa época. Hoje. no século 19. Para entender o mercado de futuros. presentes nas atividades econômicas. recentemente. já existia em Nova York uma Bolsa onde a produção local era negociada. um grande número de pequenos mercados desenvolve-se naquela cidade e foi se multiplicando pelos Estados Unidos. Daí se espalham para outras cidades. no tempo em que os compradores visitavam as províncias para negociar alimentos e acertar com os produtores o recebimento dos produtos das safras seguintes. Era uma prática vantajosa para ambas as partes e um instrumento que assegurava um comércio futuros. portanto. e aparecem com grande força em Amsterdam. em meados do século XVII. as operações e os mecanismos e instrumentos de mercados futuros já eram conhecidos e utilizados. para lidar com essa situação. Daí migraram para os Estados Unidos. A preocupação com os elementos de risco e incerteza. enquanto as Bolsas se especializam na negociação de contratos para liquidação em data futura.

Atravessou séculos até chegar aos sofisticado e complexo mercado de derivativos financeiros.com. durante um momento político de transição muito importante para o País. mas a prática de contratar a compra e venda de bens se manteve. Naquele período. governança das bolsas. demonstrando a evolução do mercado financeiro no Brasil. esta entre as cinco maiores Bolsas do mundo. principalmente as corretoras. e o sistema de intermediários. Em dez anos de existência já havia sido atingida por seis choques econômicos. Hoje. mas conseguiu superar todas as adversidades. Conquistou o respeito do mercado e firmou-se com peça fundamental para economia brasileira. Os últimos anos do século passado foram cruciais para a amplitude e eficiência de negociações desse tipo. operações e descoberta de preços.agronegocios-e.1. No mercado internacional. 1Estrutura: A estrutura típica de uma bolsa de futuros pode ser vista na Figura 6. a bolsa onde se efetivam as operações de compra e venda de contratos (que pode ser em pregão viva voz ou eletrônico). as práticas de comercialização foram formalizadas e as Bolsas estabeleceram a padronização de contratos. as normas de conduta e os procedimentos de compensação e liquidação. Seus elementos básicos são a Câmara de Compensação e Liquidação (chamada de “Clearing House”).2 – Fundamentos do Funcionamento das Bolsas de Futuros Os fundamentos para o funcionamento das Bolsas de Futuros podem ser analisados segundo quatro aspectos: estrutura. a BM&F é ponto de referência para o mercado nacional.293 Estima-se que os contratos futuros estiveram em uso na Chicago Board of Trade desde 1860. Atualmente existem 29 bolsas de mercadorias em atividade no Brasil segundo o site de agronegócios do Banco do Brasil (http://www. hoje em dia a alma de qualquer Bolsa de futuros. A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) é a única bolsa de futuros brasileira tendo iniciado suas atividades em meio a uma economia conturbada e estagnada. . 6.br/leilao/informacoes. Os tempos mudaram.lel). onde é líder absoluta na negociação de contratos derivativos.

294 Figura 6.1 Estrutura típica de uma bolsa de futuros fiananceira .

295 .

296 .

Comitê de Ética e outras Assessorias e Comissões. Relações Internacionais e Governamentais e o Banco de Liquidação e Custódia. Por exemplo. Câmara de Derivativos. É composto por 17 Conselheiros e quatro suplentes. é o seu executivo principal. Comissão de Regulação. Câmara de Ativos. Cabe apenas acrescentar aqui que a estrutura e governança constituem a base estática do sistema de . c) Diretor Geral: tem a responsabilidade de gerenciar e desenvolver as atividades da Bolsa. existem três Diretorias Executivas. e) Diretorias diretamente subordinadas ao Diretor Geral: Auditoria e Compliance. A Diretoria Executiva de Infraestrutura tem sob sua direção três diretorias de área: Sistemas e Tecnologia. Administrativafinanceira e Jurídica. Comunicação e Mídia. Câmara de Câmbio.297 2 – Governança das Bolsas: O sistema de governança das bolsas varia de entidade a entidade. Finalmente. Pregão. a Diretoria Executiva de Regulação e Risco tem sob sua direção três diretorias de área: Regulação. e participa do Conselho de Administração. b) O Conselho de Administração é assessorado pelas seguintes entidades: Conselho Consultivo. Câmeras Consultivas. Comissão de Auditoria. Comitê de Risco. mas em geral se constitui por uma mescla entre a auto-regulação e a regulação governamental. a estrutura de governança da BM&F tem as seguintes características principais em seu organograma: a) Conselho de Administração: é a instância da BM&F responsável por traçar as diretrizes gerais da instituição e zelar pelo seu cumprimento. A autoridade máxima é o Presidente do Conselho de Administração. Produtos Financeiros e Ambientais e de Agronegócios e Energia. 3 – Operações: as operações das bolsas já foram descritas anteriormente. Sistema de Riscos e o Instituto Educacional e de Treinamento. A Diretoria Executiva de Desenvolvimento de Mercados tem sob sua direção três diretorias de área: Projetos de Desenvolvimento e Fomento de Mercados. d) Diretorias Executivas: Sob a direção do Diretor Geral.

instituições e governos que não operam nos mercados futuros também se beneficiam por essa descoberta de preços. falada e televisiva. Essa Bolsa também se destaca por oferecer modernas facilidades para que as grandes agências de notícias econômicas e financeiras operem dentro das suas instalações. a presença de especuladores sempre traz a idéia de . convém destacar os seguintes aspectos: a) as bolsas são mercados de livre concorrência.3. os mercados futuros desempenham um importante papel social. b) como essas forças influenciam a formação de preços em geral. Infelizmente. A Regulação de mercados futuros A necessidade de regulação dos mercados futuros tem-se feito presente desde o surgimento dos mesmos. que sofrem a influência de inúmeras forças competitivas de oferta e demanda de commodities. 6. d) muito importante para esse papel de descoberta de preços é a disseminação dessas informações. no entanto. empresas. Um bom exemplo é dado pela BM&F.Descoberta de Preços: com relação à descoberta de preços. enquanto que as operações constituem a parte dinâmica do funcionamento do sistema.298 negociação. existe um paralelismo entre as mudanças nos preços futuros e nos preços à vista. Esse conjunto de forças. onde existe um grande esforço para divulgar os preços pela imprensa escrita. Em alguns mercados – como o de soja em grãos – os preços futuros são preponderantes para a determinação dos preços a vista. e por meios eletrônicos. converge para um único grande e sintético indicador: os preços. 4 . c) mesmo as pessoas. As bolsas são então instituições que servem como “barômetros” de mercado. Desse modo.

essa última entendida como a regulação promovida pela própria entidade auto-reguladora. No Brasil. cuja superação requer a atuação do órgão governamental regulador: . incluindo os dois tipos de regulação.deveria buscar uma minimização de custos da regulação. os mercados futuros têm crescido no mundo todo sem maiores escândalos ou grandes abalos. existem dois tipos de sistema de regulação para os mercados derivativos negociados em bolsa: a regulação governamental e a auto-regulação. embora seja evidente que existam esferas separadas de atuação. Com relação a justificativa para a regulação governamental. essa regulação deveria ser feita segundo os princípios de uma análise de custos e benefícios para a regulamentação vigente e proposta. A regulação governamental apóia-se no conjunto de leis e normas existentes sobre mercados de capitais e outros assuntos econômicos. ao mesmo tempo que procurasse uma maximização da confiança dos investidores e da equidade no mercado.299 pessoas querendo ganhar dinheiro a qualquer custo com práticas de manipulação de preços que incomodariam o público. Muitos pensam haver um antagonismo entre os dois tipos de regulação. como por exemplo a BM&F. contribuindo para a redução do risco sistêmico. O que é mais importante a se destacar é a forte complementaridade existente entre os dois tipos de regulação. A auto-regulação é conduzida e exercitada pela BM&F. Idealmente. Acontece frequentemente que se confundam os conceitos de regulação governamental e auto-regulação. Contudo. como os principais órgãos reguladores. também. estamos longe de contemplar uma situação onde exista uma substituição perfeita entre os dois. como se um fosse um substituto completo ao outro. e conta com a Comissão de Valores Mobiliários – CVM e o Banco Central do Brasil-BACEN. aponta-se a existência das seguintes falhas de mercado. Do ponto de vista do ideal a ser alcançado. Apesar de alguns problemas passageiros e de menor importância. a prática de regulação.

principalmente levando em conta que os derivativos são operações financeiras altamente alavancadas. como por exemplo o insider trading. no entanto. podem ocorrer problemas associados com a avaliação dos múltiplos atributos das commodities sendo negociadas em bolsa. (2) a credibilidade do mecanismo proposto. eficiência e transparência. Os objetivos principais da auto-regulação não se afastam daqueles da regulação governamental. reduzindo o risco sistêmico. c) externalidades negativas : elas podem ocorrer em situações em que a inadimplência de posições individuais cause instabilidade financeira no mercado como um todo. tendo em vista os aspectos de equidade. A regulação governamental. disseminar princípios éticos entre seus membros. assumem as características de bens públicos. A falha de mercado ocorre em razão das bolsas não poderem internalizar todos os benefícios sociais que geram com a oferta desses produtos. Do mesmo modo. proteger os investidores. . d) bens públicos : algumas atividades das bolsas. (3) comportamento de “rent seeking” das partes direta ou indiretamente afetadas pela regulação. Segundo a IOSCO. acarreta custos: (1) custo de criar e administrar as agências reguladoras. sob a forma de “corners” e “short squeezes”. esses objetivos são os seguintes : preservar a integridade do mercado. e (4) restrições à inovação financeira. b) poder de mercado : a concentração de poder econômico pode criar incentivos para a manipulação do mercado. preservar a integridade financeira.300 a) assimetrias de informação : elas induzem a uma falha de mercado quando os indivíduos usam informação privada e valiosa de maneira oportunista. coletar informações e monitorar os mercados. tais como a descoberta de preços e a disponibilidade de contratos.

estabelecer padrões de qualificação e treinamento para a intermediação do mercado. Na auto-regulação as regras são feitas por participantes do mercado possuindo um conhecimento íntimo do mercado. poupa recursos. fiscalizar a conduta de negócios de seus intermediários. e também de resolver disputas surgidas por meio do Juízo Arbitral e outras maneiras. Esse conhecimento detalhado do mercado é essencial para a criação de um quadro de regulação que seja percebido como apropriado e razoável pelos participantes que são abrangidos pela regulação. A experiência da Auto-Regulação mostra que ela proporciona uma regulação eficiente. Desse modo o governo. ao usar a auto-regulação de modo complementar à regulação governamental. que sabem como maximizar os benefícios da regulação ao mesmo tempo que minimizam os custos que possam afetar adversamente os negócios. a Auto-Regulação. sempre em transformação. Essa percepção positiva. De um modo geral. alterar.301 Geralmente os orgãos auto-reguladores buscam : estabelecer padrões das melhores práticas entre seus participantes. irá facilitar a tarefa de “compliance”. implementar e fazer cumprir regras de conduta com respeito às entidades sujeitas à jurisdição do orgão auto-regulador. A indústria é quem geralmente paga para manter o instrumental da autoregulação. fiscalizar os mercados onde atuam. por sua própria natureza. a Auto-Regulação abrange a autoridade de criar. que podem ser utilizados em outras atividades do estado. incluindo o relacionamento com os clientes. Com efeito. . por sua vez. tem uma grande flexibilidade para adaptar os requisitos de regulação para o ambiente de negócios.

Os proponentes de uma menor regulação governamental ressaltam os custos associados com a ação governamental. isto é. Primeiro. A existência de falhas de . a regulação governamental e a auto-regulação são raramente examinadas de uma maneira comparativa. envolvendo inclusive quebras de instituições. assim como pode incluir questões de natureza ética. quer as de maior intervenção governamental ou de maior auto-regulação.ótima” do ponto de vista da sociedade. por uma avaliação simultânea das vantagens e defeitos dos dois mecanismos. tem apenas contribuído com respostas limitadas para esse tema. Em segundo lugar. atualiza-las e modifica-las. torna-se mais fácil moderniza-las. apontou-se a falta de regulação governamental como a responsável. Em casos recentes de crises nos mercados de derivativos (ressalte-se que essas crises quase que exclusivamente ocorrem no mercado de balcão e não nas bolsas organizadas). em contraste com o difícil processo de se alterar uma regra imposta por legislação pelo governo. difíceis de serem embutidas na legislação governamental. no entanto. mas usualmente não se avalia adequadamente as dificuldades de se por em prática as medidas propostas. Esse debate. mas negligenciam as falhas da auto-regulação. existem alguns problemas: (1) falta de competição entre as bolsas e outras modalidades alternativas de negociação de contratos derivativos. principalmente por duas razões. já os defensores de um regime de regulação governamental mais atuante tendem a minimizar os diversos custos envolvidos com a regulação governamental. e (3) provisão de serviços “não. a justificativa para a intervenção governamental costuma apoiar-se fortemente na existência de um alegado conjunto de falhas de mercado.302 Quando as normas de regulação são estabelecidas pelo orgão auto-regulador. Embora existam diversas vantagens para o uso da auto-regulação. Qual é o balanço ótimo entre a regulação governamental e a auto-regulação nos mercados de derivativos ? Esse tema é fonte de um intenso debate. (2) problemas de “agência” na estrutura organizacional da bolsa. O seu alcance também pode extrapolar as fronteiras políticas do país.

As agências reguladoras acabam por ter uma existência própria.4. Funções e características dos mercados futuros Os mercados futuros desempenham várias funções. o quadro de profissionalização das bolsas pode ser muito instrumental para a melhoria dos mecanismos de auto-regulação. Vai depender muito do quadro institucional de cada país e da organização de suas bolsas. Em especial. d) um objetivo ideal de política a ser perseguido diz respeito a busca de uma eficiente complementaridade entre regulação governamental e auto-regulação.303 mercado não implica necessariamente que exista um remédio que possa ser proposto e aplicado com sucesso. a priori. a experiência de regulação em vários países aponta os seguintes aspectos: a) não existe. . Com o tempo. a despeito da mudança das condições subjacentes que a tornaram necessária originalmente. Para concluir. são criados interesses e esferas de influência que dificultam o processo de mudança dessas agências. podendo-se citar: • Facilitar a administração de riscos. b) um determinado quadro regulador tende a perpetuar-se . um balanço ótimo entre regulação governamental e auto-regulação que se aplique a todas as situações. 6. c) as considerações quanto as falhas da auto-regulação mostram que a melhoria das condições de governança das bolsas podem desempenhar um papel importante.

a informação flui sem obstáculos. e os custos de entrada e saída. são muito pequenos. Servir como fonte de informações para tomada de decisões como plantar ou não. os produtos negociados são commodities. Prover meios para as firmas levantarem capital adicional. não diferenciados. etc. Os mercados futuros evoluem dos contratos a termo e envolvem tanto aqueles que necessitam de proteção como os que procuram simplesmente especular. . vender antecipado ou armazenar. analisada e negociada. o que ajuda muito na administração de riscos e tomada de decisões. não há barreiras à entrada e saída. Acredita-se também que os mercados futuros tornem os mercados físicos mais eficientes por proverem informações confiáveis sobre o comportamento futuro dos preços. Mercados futuros são efetivos em representar os desejos e anseios do mercado devido a sua aproximação do conceito clássico de mercado em competição pura. de obter informações. Os dois mercados. estão entrelaçados e para entender os mercados futuros é preciso conhecer o mercado físico. isto é. e seu propósito é fazer os mercados físicos funcionarem melhor. Mercados futuros são uma extensão do mercado físico. físico e futuros. uma necessidade do mercado físico. os mercados futuros tornam-se um instrumento de descobrimento de preço para muitas commodities. etc. Devido ao estreito relacionamento entre mercados físicos e futuros. todos têm acesso a informação instantânea e (quase) sem custo. Mercados futuros é um lugar onde informação é interpretada. confinar ou não. de forma que pode ser uma fonte muito rica de análise para participantes e não participantes do mercado.304 • • • Ajudar empresas a descobrirem preços para contratos a termo. Contratos são perfeitamente homogêneos exceto pelo preço e data de vencimento. não há ingerência do governo na formação dos preços. Da forma como as bolsas são constituídas e pela representatividade do mercado. A existência de mercados futuros cria uma extensa rede de informações. Ele evoluiu como uma conseqüência.

como uma possível alternativa para administrar riscos. de forma que mesmo valores relativamente pequenos permitem que se negociem grandes . executar e encerrar uma operação é longo. apenas tentando tirar algum proveito de movimentos de preços sem muita análise. isto é. Muitos especuladores são iniciantes. Os especuladores têm um papel importante nos mercados futuros.conhecem os riscos na lucratividade causados por variações de preços de insumos e produtos. então. analisar e interpretar informações. os riscos tornam-se elevados e riscos são custos que podem tornar uma empresa menos competitiva nos mercados onde elas operam. apenas administram os fluxos financeiros e a entrega de mercadorias. É importante também lembrar que mercados futuros constituem-se num “jogo de soma zero”. Todos que operam nos mercados – para comprar insumos. Nesta tentativa de ganhar com o movimento dos preços nos mercados. Trabalha-se com margens e diferenciais entre preços. além de garantir que todos que têm a receber irão receber no momento de encerramento de suas operações sem depender de demorados processos judiciais. produzir e colocar no mercado . onde o tempo entre planejar. Outro fator importante nas bolsas é a possibilidade de “alavancagem” porque não é necessário despender todo o total de dinheiro para comprar um contrato e nem se recebe o valor total ao se vender um contrato. para cada real ou centavos ganhos há um real ou centavos perdido por alguém. estabilizando margens e lucros. Eles precisam dominar a arte de interpretar informações para compor seus próprios portfolios de operações. tornam viável que os hedgers entrem e saiam do mercado nos momentos que melhor casem com suas necessidades. eles provêm a liquidez para os hedgers. Principalmente para commodities agropecuárias. Os mercados futuros apresentam-se. Desse modo.305 Entender os mercados futuros melhora o conhecimento dos mercados físicos e facilita o comércio de bens e serviços por propiciar um parâmetro para transações futuras. As bolsas não criam dinheiro. mas existem aqueles que atuam profissionalmente e tornam-se hábeis em acessar.

já anunciou que vai seguir esse modelo de abertura e capital enquanto a BM&F admite que está estudando o assunto e o processo está adiantado e correndo célere. a Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa. pode-se dizer que as bolsas de futuros não são lugares onde se possa simplemente aplicar dinheiro e esquecer dele lá. convém acentuar que os mercados derivativos. se constituíram talvez na principal área de inovação financeira. essas duas tendências – inovação financeira e internacionalização – são as principais características dos modernos mercados de derivativos. Finalmente. constituídas pelos próprios corretores. desenvolvem pesquisas. contratam pessoal técnico e administrativo. Mercados futuros seguem regras complexas impostas pelas bolsas e pelos órgãos reguladores. Em geral. O que é uma Bolsa de Mercadorias Os mercados futuros com pregão só podem ser negociados em Bolsas de Futuros. os riscos para quem está especulando são grandes e conceitualmente. eram entidades sem fins lucrativos. A maior parte dos negócios são liquidados mediante operações de reversão (comprado vende. por exemplo. tradicionalmente. Esta situação jurídica está mudando e nos Estados Unidos. investem em sistemas de informação e divulgação das informações. os mercados futuros são mercados praticamente “de papéis”. Mesmo para hedgers recomenda-se um acompanhamento constante das posições para se garantir um valor médio dentro das expectativas. 6. Então. elas são dirigidas por um Conselho que elege um Presidente para traçar as linhas gerais determinadas pelo Conselho e . realizam cursos. nos últimos anos. algumas bolsas estão se transformando em Sociedades Anônimas com ações negociadas em bolsas e objetivos de lucro. Como a economia mundial cada vez mais opera em mercados globalizados.306 quantidades de mercadorias. As bolsas. As Bolsas são semelhantes às cooperativas na forma de se organizarem. Assim.5. No Brasil. vendido compra) e existe muito pouco ou quase nenhum movimento físico. As bolsas vivem das taxas cobradas nos negócios efetuados e com estes recursos.

além disso.307 pô-las em prática.). mostra-se o organograma de funcionamento da BM&F dia 03/04/07. etc.br . diretorias para acompanharem os vários aspectos da bolsa (financeiro. várias câmaras setoriais que acompanham os mercados e sugerem novos contratos.2. etc.2. marketing. agrícolas.bmf.com. existe um executivo para administrar o dia-a-dia da entidade. Organograma da BM&F Fonte: www. riscos. Figura 6. Na figura 6. normas.

Se este não pagar. com estruturas adequadas ao gerenciamento de risco de todos os participantes. 34 6.6 – O Relacionamento Cliente e Corretora Normalmente. a contrapartida já recebeu. 62. que. Assim. que assume a contrapartida de todas operações e é. cobra do devedor. mediante um sistema de compensação que chama para si a responsabilidade pela liquidação dos negócios. por sua vez. Existem corretoras especializadas em operações de 34 Sugere-se ler o interessante artigo do Ivan Sant’Anna sobre clearing houses: Do burro sem rabo ao SPB publicado na Resenha BM&F no. Outra característica importante é a existência de uma clearing house ou câmara de compensação. em última análise. p. garantindo a efetividade todas as operações. necessitando fazê-lo através de corretoras. Uma das características mais importantes dos mercados futuros é que todos têm acesso instantâneo e gratuito às informações. transformando-se no comprador para o vendedor e no vendedor para o comprador. garantindo a segurança e a liberdade das mesmas. pelas câmaras de registro. a responsável por todos pagamentos ou recebimentos. 154. são levados às cortes. A clearing pode ser uma empresa contratada ou um departamento da bolsa. violações de leis como manipulação de preços. os clientes não podem operar diretamente nas Bolsas. cabendo à clearing tomar as providências cabíveis em relação ao devedor.308 É muito importante nas bolsas o comitê de arbitragem que intervém e toma uma decisão final sempre que existe uma disputa que não possa ser resolvida dentro do âmbito do mercado. compensação e liquidação. Isso é proporcionado. A maior parte dos problemas é resolvido internamente pelos comitês de arbitragem e apenas problemas constitucionais. Uma das condições necessárias ao perfeito funcionamento dos mercados financeiro e de capitais é a certeza de seus participantes de que seus ganhos serão recebidos e de que suas operações de compra e venda serão liquidadas nas condições e no prazo estabelecidos. Outro ponto importante é o sigilo nas operações. quem tem a receber recebe da clearing. . o que proporciona transparência às operações. ou clearings.

mas corre o risco de sua ordem não ser executada.com. ela será ao preço mais baixo se for ordem de compra ou ao preço mais elevado se for ordem de venda. Assim.20/sc. A BM&F apresenta no seu site (www.br → INSTITUCIONAL → Associados e participantes) uma lista completa de corretores da sua clearing de derivativos. aceitação de ordens. Para facilitar a comunicação entre o cliente e a corretora.bmf. prestar esclarecimento quanto à estrutura e detalhes dos contratos. Neste tipo de ordem. ordens a mercado: ordem de compra ou venda ao melhor preço possível no momento em que o corretor a recebe. o cliente tem a possibilidade de ganhar mais. rejeitando ordens dúbias. O corretor especializado se encontra numa posição de esclarecer dúvidas e prestar um primeiro assessoramento aos interessados em operar nestes mercados. ordem com limite: ordem de compra a determinado preço ou abaixo. a ordem não deve ser executada. delineamento de operações de engenharia financeira. ordem stop: este tipo de ordem tem a intenção de proteger o cliente contra um determinado prejuízo. Por exemplo. com limite de US$ 13. existem alguns procedimentos que são freqüentemente utilizados. no dia útil imediatamente seguinte aos acontecimentos.20 a saca. seu saldo. por exemplo. As corretoras emitem relatórios diários. Estes tipos de ordens são à seguir especificados. destacando-se o uso de uma nomenclatura padrão para as ordens de compra e venda. ordem de venda a determinado preço ou acima dele. significa que se o preço não atingir os US$ 13. se o corretor receber uma ordem de venda de soja para março 2006. uma posição comprada pode ter uma ordem de stop para . como.309 futuros e opções agropecuárias e uma lista delas pode ser obtida no “site” de qualquer uma das bolsas existentes. a remuneração de sua margem e o custo operacional da negociação. avaliação dos riscos de operações e da situação financeira do cliente. informando ao cliente sua posição no mercado.

7– Pregão Eletrônico x Viva Voz Cada vez mais as grandes bolsas de futuros se apóiam em plataformas eletrônicas para conduzir seus negócios. não pode ser executada acima do preço limite quando a ordem for de compra ou abaixo do preço limite quando a ordem for de venda. entretanto. e as migrações para o “pit eletrônico” deverão crescer no futuro próximo. a ordem será executada se ou quando o preço atingir US$ 13. por exemplo.20/sc. que se torna a mercado quando são negociados contratos ao preço fixado ou abaixo dele.20/sc. o corretor estará autorizado a procurar negócios até US$ 13. em muitos mercados. no mesmo mercado ou mercados diferentes. 6. com limite até US$ 13. A BM&F já opera. Porém. Spread: venda simultânea de um contrato futuro e venda de outro contrato futuro.20/sc. . Muitas bolsas já estão com a totalidade de seus negócios realizados em pregões eletrônicos. Assim. para meses diferentes se a ordem for executada no mesmo mercado. ordem de compra para limitar um prejuízo: ordem com preço fixado. ordem na abertura ou no fechamento: deve ser executada na abertura ou no fechamento do pregão. ordem stop com limite: semelhante à ordem com limite.310 encerrar a operação a mercado vendendo quando o preço se elevar e atingir um determinado patamar ordem de venda para limitar um prejuízo: ordem com preço fixado. em pregões eletrônicos. se não for possível fechar negócio ao preço de US$ 13. se um frigorífico der ordem para comprar contratos de soja para março 2006. que se torna a mercado quando no pregão são negociados contratos ao preço fixado ou acima dele.20/sc.

e um grande número de estabelecimentos agrícolas e industriais de médio porte.8 – Principais Commodities e seus Mercados . 6. As vantagens apontadas para o pregão eletrônico são as seguintes: • • • • Maior transparência dos preços Execução e confirmação instantânea dos negócios Menores custos por transação Economias de escala no sistema de execução de ordens As vantagens apontadas para o pregão a viva voz são também muito fortes. em teoria os meios eletrônicos – que não tem essa limitação de capacidade do ser humano – poderão um dia ultrapassar essas vantagens. As principais vantagens são as seguintes: • • • Uso imediato das informações obtidas no próprio pregão Habilidade dos operadores de obter melhores negócios para os clientes. a expansão da negociação eletrônica deverá beneficiar esse segmento da nossa economia. Duas características do agro-negócios brasileiro são a grande dispersão geográfica numa enorme extensão territorial. e cada vez mais conseguem oferecer instrumentos mais eficientes e mais baratos de negociação eletrônica.311 Os pregões eletrônicos procuram substituir os encontros e interfaces pessoais num “pit” localizado na bolsa. apoiandoUm ambiente mais propício pata executar estratégias e táticas de negociação se na psicologia de compra e venda no trato inter-pessoas O problema das vantagens do pregão a viva voz é que o limite é a capacidade do ser humano de se comunicar por gestos. e com grande velocidade. falas e outras maneiras. A indústria eletrônica e a indústria de software aplicados estão tendo um grande progresso. por um encontro “virtual” desses agentes negociais. Devido à essas características. Mesmo que façam isso bem.

Figura 3 Categoria de Commodity GRÃOS Mercadorias Milho Aveia Arroz Trigo ÓLEO E TORTA Soja ANIMAIS Porco Boi ALIMENTOS Cacau Café Suco de Laranja Batatas Açúcar FIBRAS TEXTEIS Algodão PRODUTOS FLORESTAIS Madeira Polpa de Madeira METAIS Ouro Prata Platina Paládio Cobre Alumínio ENERGIA Crude Oil Heating Oil Álcool Gasolina Gás Natural Gás Propano Eletricidade .312 A Figura 3 apresenta as principais commodities que são negociadas nas bolsas de futuro dos diferentes países onde se operam esses mercados.

Figura 5. apresenta um site onde consta uma lista das principais bolsas de commodities existentes atualmente (http://www.gov/dea/deadcms_table.htm#Designated_Contract_Markets.unctad.313 6. órgão que trata de comércio na ONU.asp?intItemID=2068). A figura 5 mostra os acrônimos das principais bolsas do mundo.org/Templates/StartPage. Existem 12 bolsas de futuros nos Estados Unidos (veja descrição completa no site da CFTC-Commodity Futures Trading delas a CME.cftc. Principais bolsas de derivativos do mundo A UNCTAD (United Nations Conference on Trade and Development). sendo a maior Netherland s Zambia Thailand Multi Commodity India Exchange of India Mercado Español Spain de Opciones y Futuros Financieros Mexican Mexico Derivatives Exchange Minneapolis Grain USA Exchange Mercato Futures Italiano Italy BCE BM&F BMD BRM BSE Hungary Brazil Malaysia Romania Hungary MGEX MIF MME MX NCDEX Malaysia Monetary Malaysia Exchange Bourse de Montréal Canada National Commodity Derivatives India & .9. Acrônimos das principais bolsas do mundo Acronym AEX ACE AFET Exchange Name Euronext Amsterdam Agricultural Commodity Exchange Agricultural Futures Exchange of Thailand Budapest Commodity Exchange Bolsa de Mercadorias & Futuros Bursa Malaysia Derivatives Romanian Commodities Exchange Budapest Stock Exchange Country Acronym MCX MEFF MexDer Exchange Name Country Commission no endereço http://www.

314 Exchange. India National Commodity Exchange Limited National MultiCommodity Exchange of India New York Board of Trade New York Mercantile Exchange OMX Group of Nordic & Baltic Exchanges Osaka Securities Exchange BXS CBOE CBOT C-COM CME COMME X Euronext Brussels Chicago Board Options Exchange Chicago Board of Trade Central Japan Commodity Exchange Chicago Mercantile Exchange Commodity & Monetary Exchange of Malaysia (now part of BMD) Dalian Commodity Exchange Dubai Gold & Commodities Exchange Intercontinenta l Exchange International Petroleum Exchange Mercado de Futuros y Opciones sobre Cítricos Futures & Options on RTS Jakarta Futures Exchange JSE Securities Exchange Kenya Belgium USA USA Japan USA Malaysia NCEL NMCE NYBOT NYMEX OMX OSE Pakistan Índia USA USA Sweden Japan DCE China PACDE X ROFEX RTS SAFEX SES DGCX ICE IPE FC&M UAE USA UK Spain Pan-African Botswana Commodities & Derivatives Exchange Rosario Futures Argentina Exchange Russian Trading System South African Futures Exchange (now part of JSE) Stock Exchange of Singapore (now part of SGX) Sydney Exchange Singapore Exchange Shanghai Exchange Singapore Russia South Africa Singapore FORTS JFX JSE KACE Russia Indonesia South Africa Kenya SFE SGX SHFE SICOM Futures Australia Singapore Futures China Singapore .

Province of China KLOFFE Malaysia TAIFEX KLSE Malaysia TFX Tokyo Financial Japan Exchange (formerly TIFFE) Tokyo Grain Japan Exchange Tokyo Commodity Japan Exchange Turkish Derivatives Turkey Exchange KOFEX KSE LIFFE Republic of Korea Republic of Korea UK TGE TOCOM TurkDex LME MATba MATIF MCE UK WCE WTB ZCE Mercado a Argentina Término de Buenos Aires Euronext Paris France Moscow Commodity Exchange Russia Winnipeg Commodity Exchange Warenterminerbörs e Hannover Canada Germany China Zimbabw e Zhengzhou Commodity Exchange ZIMACE Zimbabwe Agricultural Commodity Exchange .315 Agricultural Commodities Exchange Kansas City USA Board of Trade Kuala Lumpur Commodity Exchange (now part of BMD) Kuala Lumpur Options & Financial Futures Exchange (now part of BMD) Kuala Lumpur Stock Exchange (now part of BMD) Korean Futures Exchange Korea Stock Exchange Euronext London International Financial Futures Exchange London Metal Exchange Malaysia Commodity Exchange SIMEX KCBT KLCE SSE Singapore Singapore International Monetary Exchange (now part of SGX) Shanghai Stock China Exchange Taiwan Exchange Futures Taiwan.

316 .

11 – O Rank das Principais Bolsas do Mundo Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) é a única bolsa de futuros localizada no Brasil e situa-se tradicionalmente entre as 10 maiores do mundo (figura ?). Maiores bolsas de futuros do mundo Fonte: Resenha BM&F no.São Paulo. Figura 6.7 apresentamos os contratos agropecuários negociados na BM&F em dezembro de 2006. 165.12.317 6. Figura 6. 2005 6. 99.7. Brasil. Histórico e navegação nas principais bolsas de interesse para o Brasil Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) Na figura 6. p. Contratos agropecuários negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) . dezembro de 2006 Mercadorias/abreviaturas Tamanho do Contrato Cotação Meses de . A figura 2 também mostra que a principal Bolsa Chinesa ( Dalian) e as bolsas da Índia e do México também estão bem posicionadas e praticamente eram desconhecidas alguns anos atrás.

5. 4. soja sul americana.5 ton métricas = 27. 8. a CBOT foi adquirida pela Chicago Mercantile Exchange (CME).557. 3.8. 3. 7. soja e trigo. 6. 10.com A CBOT iniciou suas operações em 1848 e hoje é a bolsa mundialmente mais importante em termos de negociação de commodities agropecuárias (foram negociados 674 milhões de contratos em 2005). 5.br O = negociação de contratos de opções sobre 100 sc de 60 kg cada 250 sc de 60 kg 330@ (@ de 15 kg) 33 animais (bezerro desmamado. óleo de soja. aveia. 11 Todos os meses 1. 3. Contratos agropecuários negociados na CBOT em dezembro de 2006 Commodity Ref. arroz com casca e mini contratos de milho. 7. 6. 11 Todos os meses 2. etanol. macho.cbot. 4. 10 Café Arábica (ICF) Café Conillon (CNL) Boi Gordo (BGI) Bezerro (BZE) Açúcar Cristal (ISU) Álcool Anidro (ALA) Milho (CNI) 2. 12 Algodão (COT) libras-peso dólar por libra peso Nota: F = negociação de contratos futuros futuros. trigo. 11 12. 5. 4. Na CBOT negociam-se mais de 50 diferentes contratos de futuros e opções como. 8. 7. 5. Tamanho do Vencimentos Cotação do preço contrato . por exemplo.50 Cents de 3. 12 1. milho. 9. 7. Figura 6.com. 9. soja. mínimo 170 kg) 270 sc de 50 kg 30 m3 450 sc de 60 kg US$/sc US$/sc R$/@ R$/animal US$/sc R$/m3 R$/sc Chicago Board of Trade (CBOT) www. 9. métricas) a métrica 9. 5. chegando a negociar 14 vezes a produção mundial de soja por exemplo. 7. 9. nelore ou anelorado. 7.318 vencimento 3. Fonte: BM&F (2006). Recentemente. 11 Soja em grão a granel (SOJ) 450 sc de 60 kg (27 ton US$/tonelad 3. 8.bmf. 5. www. 9. 7. farelo de soja.

Set. Set.000 lbs/short ton) 5. Mar. Ago. Mai. Nov. Jan. Set. Jul.000 bushels . Jul.000 bushels 1.000 bu 50. Jul.000 bushels.000 bushels 1. Set. Ago. Set. Mar. Jul. Set. Out.A.000 bushels 2. Set. Jan. Jul. Mar.000 bushels Soja . Jul. Ago. Mai. Out. Mai.) 29. Set. Jul. Dez. Aug. Set.000 hundredwei ght (cwt.000 galões (U.000 bu) Cents/bushel Cents/bushel Cents/lb Dólares e cents/short ton C YC Dez. Jan. Mai.S. Dez. 60. Ago. Mai. Nov. Jul. Jan. Mai. Jan. Mar. Mai. Dez. Mar. Mai. Jul. Dez. Mai. Nov. Jan. Jan. Mar. Mar. Out. Mar. Cents/bushel Cents/hundredweig ht Etanol (F) Milho (F/O) Milho – mini (F) Soja (F/O) Soja – mini (F) Óleo de Soja (F/O) Farelo de Soja (F/O) AC Todos os meses Dólares e cents/gal ão Cents/bushel Cent/bushel (1. Set. Dez.América Sul (F) Soja esmagada (O) Trigo (F/O) BS BCX Cents/bushel Dólares e cents per bushel Cents/bushel W 5. Nov.000 lbs 100 tons (2. Jul.) (aproximadame nte um vagão) 5.319 Aveia (F/O) Arroz em casca (F/O) O RR 5. Mai. Mar. Ago. Set.000 bushels. Dez. Mar. Mar. Jul. S YK BO SM 5. Mai.

9. de segunda a domingo. principalmente de lavouras permanentes e seus produtos. Óleo de soja (ZL). Soja (ZS).com) A NYBOT é uma das maiores bolsas do mundo.000 bushels Jul. September. Fonte: CBOT (2006). etanol. os contratos mini são identificados pela letra Y antecendendo o código da commodity. Os códigos listados referem-se às negociação no Open Auction (leilão de viva voz). December Dollars per metric ton Cents per pound KC 37. Mar.500 pounds . Aveia (ZO). Dez. tais como açúcar no. December March. Cents/bushel O = negociação de contratos de opções sobre futuros. 11. September. na CBOT. Trigo (ZW). Arroz em casca (ZR). • New York Board of Trade (NYBOT) (www. 14. Note que. Mai. 2. (FCOJ). May. Contratos agropecuários negociados na New York Boad of Trade (NYBOT) – Nova Iorque. July. são eles: Milho (ZC). CC Tamanho do contrato 10 toneladas métricas Vencimento Cotação do preço March. de forma a operar continuamente por 24 horas. Farelo de soja (ZM). July. Etanol (ZE). Figura 6.nybot. Set. EUA. negociando contrato futuros e de opções. dezembro de 2006 Commodity Cacau (F/O) Café (F/O) Ref. May. suco de laranja concentrado. café. polpa de madeira. Os contratos negociados no leilão eletrônico são identificados pela letra Z antecedendo o código da commodity. açúcar no.320 Trigo – mini (F) Nota: F = negociação de contratos futuros YW 1. cacau. Soja – América do Sul (ZK). a NYBOT foi adquirida pela Intercontinental Exchange (ICE). algodão no. Recentemente.

Argentina) http://www. June. June. September & November Cents and hundre dths of a cent per pound Cents per gallon Cents per pound Etanol (F/O) Açúcar #11 (F/O) Açúcar #14 (F) Polpa de madeira (F/O) XA 7. April. October January. metric Eight delivery ton periods listed for trading at any time Nota: F = negociação de contratos futuros O = negociação de contratos de opções sobre futuros. pound November 20 air dry metric February.rofex.000 pounds net weight March. • ROFEX (Rosário Futures Exchange – Bolsa de Futuros de Rosário. May.ar/ A Bolsa de Comercio de Rosário negocia atualmente contratos de soja. índice Soja Rosafé. July. September. Fonte: NYBOT (2006). December (Current month plus one or more of the next 23 succeeding months) February. Índice de Trigo Rosafé.321 Café – mini Algodão (F/O) MK CT 50.000 pounds (50 long tons) 112. US dollars and tons August. gallons SB SE P 112. Cents per July. July.com. Índice Futuro de Liniers (índice de preços futuros de boi). May. Índice Milho Rosafé. October cents per and December. May. trigo. March.750 U. April. milho. . October.000 pounds March.S.

algodão e açúcar. preços. é uma das três bolsas de futuros da China e negocia contratos futuros agropecuários de trigo.com.jsp) Estabelecida em novembro de 1993. .czce. negociando contratos futuros de soja.com. • Zhengzhou Commodity Exchange (ZCE) (http://english. Observe e compare itens como número e tamanho dos contratos. farelo de soja e milho. vencimentos. a bolsa chinesa de Dalian já se situa hoje entre as 10 maiores bolsas do mundo. Exercícios 1.cn/portal/en/index.322 • Dalian Commodity Exchange (DCE) (http://www. Faça uma análise do contrato da commodity de seu interesse na BM&F e na principal Bolsa de negociação no mundo.dce.cn/ ) Estabelecida em 1990. formas de liquidação e outros aspectos.

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