A HORA DA ESTRELA, E O MISTERIOSO UNIVERSO DE CLARICE LISPECTOR

Perdi-me dentro de mim Porque eu era labirinto E hoje quando me encontro É com saudades de mim.
(Mário de Sá-Carneiro)

PROFESSORA: LUCIANE MOTA 1. Clarice Lispector: Uma das maiores escritoras “brasileiras”, Clarice Lispector, nasceu em Tchetchelnik, na Ucrânia, aldeia que ficava no caminho para o Brasil, e foi criada no Recife depois que seus pais vieram para o Brasil, até os nove anos. Com a morte da mãe, sua família se mudou para o rio de Janeiro. Muito nova, Clarice passou a dar aulas particulares de português, desenvolvendo seu apreço pela linguagem. Formou-se em Direito e passou a trabalhar como jornalista, o que facilitou sua aproximação com Antônio Callado, Helio Pelegrino, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, dentre outros. Com o romance Perto do Coração Selvagem já começado, conheceu o futuro diplomata Maury Gurgel Valente, com quem se casou em 1943. Em 1944, um ano após ter se casado publicou seu primeiro romance Perto do Coração Selvagem, que desafia a crítica a defini-lo. A autora é bastante comparada a James Joyce e Virginia Woolf, os quais nunca havia lido. 2. Clarice Lispector e a Terceira Geração Modernista Brasileira: A constante pesquisa na área da linguagem fez com que o romance sofresse uma significativa alteração nesta fase do Modernismo. Entre as experiências de criação literária, destacaram-se: ●A ausência de limites entre o gêneros narrativos(o romance, o conto, a novela); ●O enredo perde a sua importância, fragmenta-se a linguagem e o tempo da ação; ●A preferência pelo herói problemático e angustiado; ●O uso do monólogo interior: uma sondagem do mundo particular do personagem; ●A fusão do regional e do universal, do erudito e do popular (Guimarães Rosa); ●Os conflitos da condição humana, a crise de valores da classe média urbana (Clarice Lispector e Lygia Fagundes Teles). A ficção introspectiva encontrou em Clarice Lispector a sua intérprete mais sofisticada. A literatura intimista desta autora coloca, de maneira tanto metafórica quanto realista, as ondulações psicológicas e os estados interiores de personagens castrados para a ação exterior e para o fato objetivo. É uma interiorização sufocante: todo o dado externo da realidade transforma-se em matéria pastosa da subjetividade. Os escritos de Clarice Lispector são sempre sobre ela mesma, sobre sua vida interior rica e profunda. Os mesmos temas aparecem em sua vida e na sua obra. A vida interior dos personagens importa muito mais que as ações ou fatos, ao mesmo tempo em que existe uma certa crueza em relação a esses sentimentos, emoções e pensamentos. A autora reúne de forma brilhante um realismo direto com uso livre de metáforas e símbolos como se escrevesse para si mesma. Aspectos centrais da obra:

o ser e o dizer são dois que no fundo é só um. M.. de tocar o enigma do ser e de sua existência. Em Clarice. embora não seja essa a dimensão mais importante do seu texto. o estilo de narrativa que ele próprio utiliza. .. 1977.●Sondagem do mundo interior. Atrás do atrás do pensamento”. portanto não aspiram apenas a um dizer. Dessa forma. bem como nas crônicas Se eu fosse eu e O que eu queria ter sido. falar. Um sopro de vida. E complementa dizendo: “enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever”. Coloca-se. ●Monólogo interior. O narrador do romance é Rodrigo S. 3. Poderíamos afirmar que se trata de uma narrativa de caráter social. ser entendido e. são tentativas de conhecer o desconhecido. escrever e pintar. uma aventura exploradora de mundos complexos. é publicado meses antes de sua morte. Em A Hora da Estrela percebemos que Clarice Lispector busca trilhar outros caminhos ao produzir um texto que apresenta dois eixos: o drama de Macabéa. Como ela mesma expressou: “O que me guia é apenas um senso de descoberta. essencialmente de escrever é o mesmo da aventura de conhecer o desconhecido. ●Fluxo de consciência. duelando com as palavras e os fatos.. A busca do ser pela plenitude da vida se reflete no desejo de um dizer correspondente. para concluir que “a moça alagoana é um substantivo coletivo” por personificar um drama em que ela deixa de ser o transeunte anônimo. Dizer e ser se autoconstroem. principalmente. Nos romances A Hora da Estrela. por exemplo. A OBRA: “O resultado fatal de eu viver é o ato de escrever”(. ●Discurso indireto livre. O crítico Eduardo Portella chegou a questionar se A Hora da Estrela não estaria revelando uma nova Clarice Lispector. o exercício de falar e.) “Escrevo sobretudo porque a vida é mortal mesmo antes de uma pessoa realmente morrer” (Clarice Lispector) INTRODUÇÃO: A Hora da Estrela. assim pela freqüência com que dialoga com o leitor sobre a construção da narrativa. ●Desestruturação dos parágrafos. para adquirir o sentimento incômodo de uma provocação em aberto. escritor que ironiza. se entender. Portanto. Em Clarice. Clarice pode ser definida como inquiridora de si mesmo: “quem se indaga incompleto”. Água Viva. Percebemos. e o drama do narrador. As palavras. A Hora da Estrela é a única de suas obras que enfatiza aspectos da realidade objetiva e que manifesta uma intenção explicitamente social. como uma das personagens centrais do romance. diz ela. através de contínuas intrusões no texto. que o ser humano é possuído por uma obsessão cognitiva de entender. Isso leva a escritora e seduz o leitor a navegar por labirintos diversos e desconhecidos de conhecimento da vida e das paisagens mentais. nos escritos de Clarice. O sujeito é uma incógnita para si mesmo. mas a um ser. “exterior e explícita”. ●Epifania. solitário e inconseqüente. foi o último livro publicado em vida por Clarice Lispector. pobre moça alagoana engolida pela cidade grande. e ao mesmo tempo uma profunda e angustiada reflexão sobre o ato de escrever. infindavelmente. da pontuação e dos elementos da narrativa.

● Escrever para Rodrigo S.(.”).. Por ser homem.porque escritora mulher pode lacrimejar piegas. Rodrigo S. Esse narrador parece expressar de maneira mais confiável o drama de Macabéa e também apresentar algumas respostas aos impasses existenciais e literários da autora. por um lado. que abre o livro.) Vejo a nordestina se olhando no espelho e – rufar de tambor – no espelho aparece o meu rosto cansado e barbudo. Rodrigo S. que é o da comum condição humana. Por isso. Sobre o narrador: ● Na Dedicatória do autor. uma estreita vinculação entre a autora e o narrador da obra. com Macabéa. como se tivesse sumido.(.. Rodrigo e Macabéa se confundem: Essa história será um dia o meu coágulo.não agüento ser apenas mim. a jovem nordestina vive a dimensão do não-ser: . Ela se desconhece: “Quando acordava não sabia mais quem era”.. ele vê a jovem como alguém que merece amor.) (LISPECTOR. é algo mais do que contar uma história ou fixar um drama social. Rodrigo S. meio e gran finale”. Ambos se confundem. Essa identidade. No entanto. portanto mais apto para entender a realidade concreta (“.M. ● Um dos aspectos mais complexos da obra é a relação de Rodrigo S. por outro lado.”) ● A novidade é a presença de um narrador masculino.. Se.. 1997) Sobre Macabéa: ● O primeiro aspecto que define Macabéa é a sua modesta origem e pobreza atual.M. Estabelece-se assim. Dessa forma. Tanto nós nos intertocamos.. gênero e consciência de mundo. renuncia ao modo psicológico/subjetivo da escritora anterior e anuncia uma adesão a uma forma tradicional de narrar: “Assim é que experimentei contra os meus hábitos uma história com começo. um desdobramento do próprio eu da escritora. É questionar-se o tempo todo. é uma tentativa de encontrar significado para a existência fora da própria interioridade: “Bem sei que é assustador sair de si mesmo”.... Outra preocupação é quanto à estrutura narrativa.. A hora da estrela deixa de ser uma novela especificamente social e torna-se também “uma drama” de linguagem (Benedito Nunes) e um questionamento metafísico sobre o significado último da existência. representa uma outra forma de ser e de escrever de Clarice.. diante do espelho. a característica dominante em sua personalidade é a mais completa alienação. Às vezes. A Hora da estrela parece representar uma tentativa da autora de fugir da sufocante introspecção de suas obras anteriores (“.M. diferentes.. enfrenta para escrever... é um elemento de grande significação no romance.. que ultrapassa as questões de classe. O narrador opta pela simplicidade.M. Um deles diz respeito à questão do estilo a ser empregado. uma espécie de heterônimo. São um só e ao mesmo tempo. preciso dos outros para me manter em pé. ele estabelece com ela um vínculo mais profundo.O QUE OBSERVAR Em relação à obra de Clarice Lispector: ● Narrativa escrita quando Clarice Lispector já se encontrava enferma. pode ter uma visão menos intimista e sentimental e. Tal inconsciência não resulta apenas da ignorância do mundo. piedade e que provoca até um pouco de raiva por ser despreparada para a vida inteligente. não se enxergava. ● As primeiras vinte páginas do texto discutem problemas que Rodrigo S. há uma advertência: Na verdade Clarice Lispector. Confundindo-se com a autora. M.M.

. bichos da mesma espécie que se farejam”.(. Mas – mas eu também?!” ● A conclusão implícita do narrador é a de que ele. e o senhor?” Nas outras vezes que se encontraram também chove. Macabéa não tem sequer presente. eu sou. pergunta-lhe Glória). Ao ser atropelada.. que não se indagava. esta sequer experimenta a vertigem de um autêntico sofrimento. O narrador e o fim do relato ● Terminar a narração. pensou ela. só chega a ter consciência de si mesma na hora de sua morte. disposto a tudo. talvez até deputado. Em toda a sua mediocridade interior. Olímpico quer ser muito rico. eu sou. Macabéa descobre sua essência: “Hoje. para Rodrigo S.. antes de morrer repete sem cessar: “Eu sou. sob a chuva. originária das informações da Rádio Relógio. intelectuais e de visão de mundo que os separam. ele percebe que o fato de a moça ser carioca lhe dá a condição de integrante do “ambicionado clã do Sul do país”... No primeiro encontro. é como um vegetal: “era subterrânea e nunca tinha tido uma floração. No sertão. Macabéa e a própria Clarice.. Perplexo. amiga de Macabéa. (. Não sabia para quê. só agora me lembrei que a gente morre. têm uma . na verdade ela não existe. mas as previsões da cartomante a animam. Macabéa constata que sua vida fora horrível até então. Então Olímpico abandona Macabéa. Olímpico irrita-se: “Você só sabe chover”. O namoro com Olímpico ● “O rapaz e ela se olharam por entre a chuva e se reconheceram como dois nordestinos. Pela primeira vez. ou seja. matara um desafeto seu e com a namorada não tem qualquer gesto de delicadeza. Por isso. 1997) ● Normalmente.. senão se perderia nos sucessivos e redondos vácuos que havia nela. A única coisa que queria era viver. Sua pobre cultura. Há uma situação paradoxal: ela só nasce. Tampouco o futuro e o passado a preocupavam. Por ter definido sua existência é que Macabéa pronuncia uma frase que nenhum daqueles que passavam pela rua naquele momento entende: “Quanto ao futuro”. Minto: ela era capim”. Só que precisava dos outros para crer em si mesma. Assim começa o namoro dos dois. representa não apenas o fim de uma história melancólica como também a percepção de sua finitude pessoal. param diante da vitrine de uma ferragem e Macabéa. É um homem duro. assim como um cachorro não sabe que é cachorro.) (LISPECTOR. apesar das diferenças sociais. sente que sua existência está “grávida de futuro”. eu sou”. diz a Olímpico: “Eu gosto tanto de parafuso e prego. Ao conhecer Glória. não suportando o silêncio.Só uma vez se fez a trágica pergunta: quem sou eu. é ridícula. nem saber que não faz falta a ninguém ou que é muito feia e desinteressante (“Ser feia dói?”. Apenas rir quando o namorado lhe comunica o rompimento. ● Ao contrário de Macabéa. O encontro com a cartomante e com a morte ● Na casa de Madame Carlota. Assustou-se tanto que parou completamente de pensar (. Nada a desespera. ele visualiza na morte de Macabéa a sua própria: “Meu Deus.M. Macabéa age como uma mentecapta. é o primeiro dia de minha vida: nasci”.) Sua vida era uma longa meditação sobre o nada.) Essa moça não sabia que ela era o que era. Daí não se sentir infeliz.

apesar de inculto e grosseiro. cai e. e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes. simbolizado pela metáfora “a hora da estrela”. Macabéa procura uma cartomante. com a própria morte. seu estilo e sua capacidade de compreender Macabéa. pois “a cartomante lhe decretara sentença de vida”. b) O nível de Macabéa: é o registro da medíocre trajetória de uma alagoana de dezenove anos que mora no Rio de Janeiro. também a agudeza na investigação da . É. Esta. Alienada e sonsa adora ouvir a Rádio Relógio. ou seja. Ele questiona continuadamente seu próprio modo de narrar. que se interligam de maneira contínua: a) O nível do narrador: Rodrigo S. ascender socialmente e até tornar-se deputado. pronuncia uma frase enigmática: “Quanto ao futuro”. Madame Carlota. espécie de pungente referência a Macabéa. Dessa maneira. muito rico. estenógrafa. CONCLUSÃO: Podemos concluir da leitura de A Hora da estrela. além de ser uma datilógrafa de segunda categoria. que nesta obra a autora Clarice Lispector parece estar envolvida numa nova perspectiva para a sua escrita. é atropelada por uma Mercedes amarela. Percebendo a limitação de Macabéa (“Ela era incompetente para a vida”. Simultaneamente. Porém. sinceramente horrorizada com a vida que a moça leva. a sua hora de estrela. Olímpico troca-a por Glória. em um quarto de pensão. A hora da estrela leva esta proposta às últimas conseqüências e por isso sua leitura torna-se tão instigante. Alguém coloca junto ao corpo uma vela acesa. Escrita esta. desvendar o significado da literatura e da existência. e a si própria: Saída discreta pela porta dos fundos. Aconselhada pela própria Glória. a Rodrigo S. moça de extração sócio-cultural inferior. diz o narrador). o único narrador masculino da obra de Clarice. alguém sem vida interior. também nordestino. No transcurso da história.M. ENREDO: O relato é construído em dois níveis. resolve animá-la com a perspectiva de um futuro risonho. Várias pessoas observam a moribunda. sonha em integra-se ao Sul. na qual a linguagem será concebida de forma bem mais importante. antes de morrer. Este. Macabéa alcança. com quem se casará. feia e solitária. coleciona pequenos anúncios e gostaria de ser artista de cinema. atormenta-se ao escrever uma novela sobre uma jovem nordestina. ao atravessar a rua distraidamente.identidade comum. loira oxigenada e amiga de sua ex-namorada. o metalúrgico Olímpico de Jesus. Macabéa sai feliz da consulta. (LISPECTOR. ele tenta desvelar o complicado jogo entre ficção e a realidade. o último. Macabéa arruma um namorado. figura um. garantindo-lhe que encontrará um estrangeiro alourado. sem futuro e com um passado sem qualquer importância. de “olhos azuis ou verdes ou castanhos ou pretos”. é o instante de glória de cada um. dividido com quatro balconistas das Lojas Americanas. a morte: pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema. procurando. Muito mais importante do que relatar um fato será praticar o autoconhecimento e o alargamento do conhecimento de mundo através do exercício da linguagem. Macabéa é moça raquítica. enfim.M. irmanam-se e convergem para um mesmo destino. Encontramos nesta obra.. em última instância. antiga prostituta e cafetina. 1997) ● Em uma série de doze títulos paralelos que Clarice Lispector – no corpo do próprio texto – apresenta para A hora da estrela.

nem de estilo. o livro é difícil. estaremos mergulhando no misterioso universo desta grande autora. É uma verdadeira ‘saída discreta pelas porta dos fundos”. 1997: Rocco. ela é ao deus- . (UFRS) O romance de Clarice Lispector: a. d. mas sim do ser humano e o seu estar no mundo. Renova.M. a obra nos leva a questionar o emparedamento do homem moderno. é certo dizer que ela não encontra respostas que justifiquem este exílio. e. Clarice. Mas. Defini-se como literatura feminista por excelência. A Hora da Estrela. Sergius. c. São Paulo. GONZAGA. Clarice Lispector constata o exílio do homem na própria terra. LISPECTOR. b. O narrador encontra no livro as mais diversas alternativas para falar da personagem. Rio de Janeiro POSITIVO – Livro didático – Ensino médio . aí que está: esta história não tem nenhuma técnica. ao criar heroínas idealizadas e mitificar a figura da mulher. se lermos o livro como um retrato da condição humana. que vivem incógnitas e nem ao menos se dão conta de sua própria existência. In Clarice Lispector e a Paixão da linguagem INTERNET. 2002: Cultrix. História Concisa da Literatura Brasileira.: CLARICE LISPECTOR: O SER E O DIZER. 2004: Leitura XXI. Curso de literatura brasileira. define e intensifica a tendência introspectiva de determinada corrente de ficção da segunda geração modernista. falar de Macabéa também é muito difícil. 40ªed. inserido num contexto de modernidade que transita entre a alienação e a ignorância. encontrada por esta fantástica escritora. Lúcia. • • Exercícios: 1. A escrita de Clarice se torna dolorosa. para tentar revelar um pouco mais do seu mundo misterioso e da solitária e dolorosa arte da escrita. de si mesmo e quem sabe da própria Clarice. tão peculiares à Clarice Lispector. Mas. patente no trato dado à palavra. A feia. Alfredo.natureza e psicologia humanas e o gosto pela minúcia. Porto Alegre. ao propor uma visão da mulher oprimida num universo masculino. (Fuvest) Será que eu enriqueceria este relato se usasse alguns difíceis termos técnicos? Mas.Terceiro ano – 2005 HELENA. 2. o retrato de muitas pessoas. Explora até às últimas conseqüências. utilizando a temática urbana em transformação. Percebemos que a revelação de Macabéa vai sendo construída ao longo da narrativa pelas inferências do narrador Rodrigo S. Filia-se à ficção romântica do século XIX. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: • • • • BOSI. ao analisar com grande senso de humor uma sociedade urbana em transformação. e não somente no final do relato. Prende-se à crítica de costumes. virgem e despossuída Macabéa representa talvez. O foco principal da narrativa não é a história de Macabéa.

(Clarice Lispector. que aspira a um grau de objetividade máxima no relato. forma que escapa à gramática da língua. Autocrítico. c. paraibano e metalúrgico.. vivendo o mesmo drama de Macabéa e identificando-se com ela. De acordo com o trecho acima. alma que não cabe bem no corpo. Iniciante. “vejo a nordestina se olhando no espelho e (. que se faz personagem. Nesse excerto de A Hora da estrela. Entre os trechos abaixo. História do narrador Rodrigo S. Tanto nós nos intertrocamos”. narrando-se a si mesmo e competindo com a protagonista. “Queiram os deuses que eu nunca descreva o Lázaro porque senão eu me cobriria de lepra”. no caso a outra”.. (Fuvest/94) “Talvez a nordestina já tivesse chegado à conclusão de que a vida incomoda bastante. (Fuvest/2003) “A ação desta história terá como resultado minha transfiguração em outrem (. isso deriva do fato de ele ser um narrador? a. Imaginavazinha. “enquanto isso Macabéa no chão parecia se tornar cada vez mais uma Macabéa. mesmo alma rala como a sua. quanto a possibilidade de narrar a história. b. b. b. d. História de Macabéa.) no espelho aparece o meu rosto cansado e barbudo.)”.dará. Livro com muito títulos que se resumem à história de uma inocência pisada. como se chegasse a si mesma”. História da própria narração. e. Objetivista. c. A Hora da estrela) Em A Hora da estrela.. c. para quem as preocupações de estilo estão ultrapassadas. Eu que também não mancharia por nada deste mundo com palavras brilhantes e falsas uma vida parca como a da datilógrafa.” (Clarice Lispector. e. moça anônima e que não fazia falta a ninguém.. que não domina as técnicas necessárias ao relato literário. “É paixão minha ser o outro. d. que conta a si mesma. de Clarice Lispector. até. que se por acaso viesse alguma vez a sentir um gosto bom de viver – se desencantaria de súbito de princesa que era e se transformaria em bicho rasteiro. que ele irá reiterar ao longo de todo o livro. . o único que não expressa tendência correspondente é: a. e. Impessoal. 3. (PUC/SP) A respeito de A Hora da estrela. toda supersticiosa. 5. de uma miséria anônima. A Hora da estrela) a)Descreva o recurso poético utilizado pela autora em “imaginavazinha”. problematizando a difícil tarefa de narrar. História de Olímpico de Jesus. Pós-moderno. o narrador expressa uma de suas tendências mais marcantes. que percebe a inadequação de um estilo sofisticado para narrar a vida popular.M. d.. identifique a alternativa que não confirma as possibilidades narrativas do romance: a. “Eu te conheço até o osso por intermédio de uma encantação que vem de mim para ti” 4. o narrador questiona-se quanto ao modo e. que se preocupa apenas com a precisão do relato.

Percebendo as próprias limitações de escolher. . 5 linhas 9. assim como um cachorro não sabe que é cachorro. violenta da “angústia”. é incorreto afirmar que: a) Adotam a terceira pessoa. Estabeleça uma relação do fragmento lido com o narrador da obra de Clarice Lispector. A única coisa que queria era viver. utilizando dados do contexto em que se acha e considerando também a posição do narrador em relação à personagem central. d) Traço de tempo psicológico.. Seus aspectos físicos e psicológicos.) Sua vida era uma longa meditação sobre o nada. A Hora da Estrela. Só uma vez se fez a trágica pergunta: quem sou eu.. 1997) Quem é a personagem principal do livro de Clarice Lispector? Tente falar um pouco sobre ela levando em consideração a sua caracterização explícita na obra. 5 linhas 10. UNIMONTES / 2006 Sobre os narradores de A Hora da Estrela e São Bernardo. de Clarice Lispector... que não se indagava. a alternativa: a) Uso de intertextualidade.b)Justifique o uso de “imaginavazinha”. representada tal fragilidade na personagem Macabéa e sua natureza etérea. a existência é o modo de ser do homem no mundo. Assustou-se tanto que parou completamente de pensar (. c) Projetam seus anseios em personagens femininas d) São ambos narradores-personagens. expõe a fragilidade das vidas. Não sabia para quê. o homem sente a “náusea”. Só que precisava dos outros para crer em si mesma. b) Fluxo de consciência. O próprio processo de elaboração do livro revela-se sofrido e intenso. para refrear o lirismo. senão se perderia nos sucessivos e redondos vácuos que havia nela.) Essa moça não sabia que ela era o que era. UNIMONTES / 2006 Só não pode ser apontada como característica da obra A Hora da Estrela. Para a autora Clarice Lispector. UNIMONTES / 2006: O ambiente da grande cidade em A Hora da Estrela.) (LISPECTOR.. que é a forma emocional. b) Apresentam uma escrita auto-reflexiva. DISCURSIVAS: 8. 7.(. em A Hora da estrela. Daí não se sentir infeliz.(. 6.. A Filosofia é a tentativa de penetrar e analisar essa condição humana no mundo. na voz do narrador Rodrigo. c) Manutenção do mesmo foco narrativo.

A partir da informação em referencia e da leitura de Clarice Lispector. explique por que razão o momento da morte da personagem Macabéa pode ser considerado a sua “hora da estrela”. 5 linhas .