Assuntos Tratados 1º Horário Continuação Inquérito Policial (continuação procedimento, arquivamento) 2º Horário Continuação IP Ação Penal 1º HORÁRIO Continuação

inquérito policial 9. Procedimento do IP a) Início: Portaria Para que o Delegado baixe a portaria é necessário que ele tenha conhecimento do crime. Daí o estudo da notitia criminis. Obs.: Notitia criminis - Conceito: Notitia criminis é a comunicação da ocorrência de uma infração a autoridade com atribuição para atuar. - Destinatários: Deste conceito, constata-se que os destinatários primários da notitia criminis são três: autoridade policial, ao membro do MP e o juiz. Quando a notitia criminis é dada ao membro do MP ele poderá requisitar a instauração de IP ou, caso tal notitia criminis já tenha em seu contexto indícios de autoria e materialidade, o MP poderá desde logo oferecer a inicial acusatória. Quando, por outro, a notitia criminis é destinada ao juiz, este poderá requisitar a instauração do IP ou, caso entenda já constar indícios de autoria e materialidade, poderá requisitar que tal notitita seja encaminhada ao membro do MP. - Classificação: Notitia criminis direita ou de cognição imediata → é aquela atribuída as forças policiais (seja policia civil, militar, rodoviária) ou feita direitamente pela imprensa. Obs.: notitia criminis apócrifa ou inqualificada é o que vulgarmente chamamos de denúncia anônima, sendo ela válida para a instauração de IP. Notitia criminis indireta ou de cognição mediata → é aquela fornecida por um terceiro identificado. Se é a vitima ou seu representante legal que quer informar o crime, tal notícia se fará por requerimento. Obs.: requerimento é pedido e, sendo pedido este pode ser negado. Caso seja negado, caberá recurso administrativo endereçado ao chefe de polícia. Se forem MP ou o juiz as pessoas que desejam a instauração do IP, o farão por requisição.

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O terceiro desinteressado, por sua vez, só poderá noticiar o crime caso seja de ação pública incondicionada e o fará por delação. Nos crimes de ação pública condicionada, a notitia criminis é materializada pela representação ou pela requisição do Ministro da Justiça. A notitia crime com força coercitiva é aquela notícia que se extrai da prisão em flagrante. A depender, de realiza a prisão, a delatio criminis poderá ser modalidade de notitia criminis direta (se o policial prende) ou indireta (se qualquer do povo prende). b) Evolução: cumprimento das diligências art. 6º e 7º do CPP. c) Encerramento: Relatório Relatório é a peça que simboliza o encerramento do IP, sumarizando as diligências realizadas e eventualmente as que não foram feitas por algum motivo relevante. Relatório é peça descritiva. Remete-se o relatório ao juiz, assim dispõe o nosso CPP (sistema presidencialista). Cuidado: Na prática, na BA e no RJ o relatório é remetido às Centrais de inquérito que é órgão do MP. Mas isso é uma antecipação ao código, pois o código não dispõe neste sentido. Do recebimento do relatório, o juiz dá vista ao MP. MP diante dos autos do IP terá três possibilidades: 1- Oferecer a denúncia caso consiga extrair do IP indícios de autoria e materialidade; 2- Requisição de novas diligências, caso não exista indícios de autoria e materialidade. A requisição vai para o Juiz que a remete ao Delegado. Obs.: O juiz, nesta etapa do procedimento, não poderá indeferir eventuais diligências, pois numa leitura constitucional o titular da ação penal é o MP. Observa o professor que no caso de o juiz indeferir o pedido de diligências, caberá o recurso de correição parcial, pois pressupõe por culpa do juiz um tumulto no procedimento. 3- Requerimento de arquivamento do IP, caso entenda que não há infração penal a se apurar. 10. Arquivamento do IP O requerimento de arquivamento se direciona ao juiz (Sistema presidencialista) que poderá homologá-lo caso também assim o entenda. Logo, o arquivamento seria um ato complexo, pois resulta de um somatório de vontades: requerimento do MP e decisão homologatória do juiz. Por outro lado, na esfera estadual, se o juiz discordar do pedido do MP aplicará o art. 28, CPP, ou seja, remeterá os autos do inquérito ao Procurador Geral de Justiça (PGJ) para que este decida:

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a) PGJ poderá entender pelo oferecimento da denúncia;

b) ou poderá designar outro membro do MP para oferecer a denúncia em respeito ao princípio da independência funcional. A independência funcional está relacionada à designação de OUTRO membro do MP, diferente daquele membro que entendeu pelo arquivamento. Obs.: A posição majoritária, hoje, é a de que este outro membro designado não funciona em nome próprio e sim como se fosse o próprio procurador geral (funciona por delegação – “longa manus do procurador geral” – expressão de Tourinho Filho), sendo assim estará obrigado a denunciar; c) O PGJ poderá insistir no arquivamento e, uma vez insistindo no arquivamento, o juiz estará obrigado a arquivar. Já, na esfera federal, o órgão que atua por delegação do PGR é a Câmara de Coordenação e Revisão do MPF. A Câmara terá aí dois caminhos: ou insistir no arquivamento ou designar outro membro do MP para oferecer a denúncia. Arquivamento originário → Se o requerimento de arquivamento é originário diretamente do procurador geral, nas hipóteses de sua atribuição, resta ao judiciário homologar não tendo aplicação o artigo 28, CPP. Quem se sentir prejudicado poderá provocar administrativamente o Colégio de Procuradores do MP. Súmula 524, STF x art. 18, CPP → segundo o STF o arquivamento, em regra, não faz coisa julgada material. Tanto é verdade que se surgirem novas provas, admite-se o oferecimento de denúncia (segue a cláusula “rebus sic stantibus” – como as coisas estão). Já o art. 18, CPP autoriza que o delegado continue diligenciando mesmo durante o arquivamento na expectativa da colheita de uma nova prova. Em o fazendo, remeterá ao juiz que por sua vez dará vistas ao MP. Se o promotor estiver convencido, oferecerá denúncia, ato este que simboliza o DESARQUIVAMENTO. Fundamento do arquivamento: a matéria era disciplina, por analogia, com a utilização do art. 43, CPP que tratava da rejeição da inicial acusatória. Com a reforma, o dispositivo foi revogado e vamos agora fundamentar o arquivamento com base no art. 395 (ausência de condição de ação, pressuposto processual ou de justa causa) e também com base no art. 397 (causa de extinção da punibilidade e atipicidade do fato) todos do CPP. Segundo o STF o pedido de arquivamento amparado na prova (certeza) da atipicidade do fato assim homologado faz coisa julgada material. Não se admitindo denúncia nem mesmo se surgirem novas provas! Arquivamento Indireto → amparado na jurisprudência do STF o instituto permite que o juiz, ao discordar do requerimento ministerial de remessa dos autos para outra esfera da jurisdição, invoque o art. 28 tomando este pedido como se fosse um pedido de arquivamento, remetendo-se os autos para que o Procurador Geral solucione a discussão. 2º HORÁRIO Arquivamento implícito → é o reconhecimento de que a omissão do promotor em definir a situação jurídica de todos os investigados ou de todas as infrações deve surtir efeitos jurídicos como se fosse um arquivamento (implícito), levando, caso o promotor sinalize com o aditamento,

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a exigência da presença de novas provas e o juiz ab initio poderá, percebendo a omissão, invocar o art. 28. CPP remetendo os autos ao Procurador Geral. Arquivamento Subjetivo (caiu na AGU) → é assim chamado quando a omissão recai sobre os criminosos. Ex.: IP investiga A, B e C. Já a denúncia apenas fala sobre A e B, houve arquivamento implícito sobre C.

Arquivamento Objetivo → aqui o promotor deixa de definir todas as infrações penais presentes no IP. Ex.: IP investiga as infrações A, B e C. Já a denúncia apenas imputa as infrações A e B, haverá arquivamento objetivo implícito com relação à infração C. O STJ e o STF não adotam o arquivamento implícito. 11. TCO - termo circunstanciado de ocorrência O TCO é peça que substitui o IP nas infrações penais de menor potencial ofensivo (lei 9099/95) sendo que já se tem admitido que a polícia militar elabore o TCO.

Ação Penal 1. Introdução O que é ação? Ação é o direito público subjetivo com previsão constitucional de exigir do Estado que se aplique a lei ao caso concreto solucionando a lide. Uma vez exercido o direito, ocorrerá à deflagração do processo. O processo seria, assim, um instrumento de efetividade do direito de ação. O que é o processo? O processo é um procedimento em contraditório animado/enriquecido pela relação jurídica processual. O que procedimento? Procedimento é mera seqüência/desencadeamento de atos. 2. Modalidades de ação/ classificação Aqui, trabalhamos com as classificações das ações. Só temos no processo penal a classificação quanto aos titulares da ação penal. Assim, a classificação das ações penais quanto aos titulares da ação penal: - pública - de iniciativa privada Temos duas modalidades de ação pública: as condicionadas e as incondicionadas. Para saber se o crime é de ação pública condicionada, incondicionada ou ação penal privada, basta ler o crime. Se for ação penal privada ou pública condicionada, estará expressamente descrito. 2. 1. Ação penal pública a) Conceito: Ação penal publica é aquela titularizada privativamente pelo MP com fulcro no art. 129, I, da CRFB estando também prevista na lei 11.719/08.

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Obs.: processo judicialiforme → era a possibilidade da ação ser deflagrada por portaria baixada pelo juiz ou pela autoridade policial. Com o advento da CRFB os arts. 26 e 531, ambos do CPP que disciplinavam o instituto não foram recepcionados, logo, ocorreu revogação tácita. b) Princípios

1º) Princípio da obrigatoriedade ou da compulsoriedade → O MP está compelido a exercer a ação desde que presentes dos requisitos legais. Obs.: Com a Lei 9099/95, o instituto da transação penal ensejou o que chamamos de princípio da obrigatoriedade mitigada ou da discricionariedade regrada que é a alternativa da propositura da transação penal nas infrações penais de menor potencial ofensivo trazendo ao MP uma nova via que não o oferecimento da denúncia (art. 76, Lei 9099/95). 2º) Princípio da Indisponibilidade da Ação Penal Pública → o MP não pode desistir da ação que tenha iniciado. Obs.: A Lei 9099/95 trouxe também o instituto da suspensão condicional do processo (sursis processual) ensejando o Princípio da indisponibilidade mitigada que é permite ao MP na própria denúncia requerer que o processo deflagrado seja sobrestado pelo período de 2 a 4 anos (estágio probatório), findo o qual adimplida todas as condições será declarada extinta a punibilidade (art.89, da lei 9099/95). Obs.: Em que pese à ação penal pública ser indisponível, nada impede que o MP requeira a absolvição, recorra em favor do réu ou até mesmo impetre HC. Isso em decorrência de uma leitura constitucional, pois o MP seria fiscal da justa aplicação da lei (Prova oral MPBA - para que haja sentença a lide é pressuposto?). Quanto à ação de revisão criminal, pelo mero texto da lei o MP não foi contemplado como legitimado ativo, daí, historicamente, não se admite que o MP ajuíze tal ação (última prova do cespe assim entendeu). Contudo, segundo a doutrina hoje majoritária essa posição vem sendo relida para admitir a propositura da ação de revisão criminal pelo membro do MP. 3º) Princípio da divisibilidade da ação penal pública → segundo o STF e Mirabete a ação pública seria divisível porque admite desmembramento, ou seja, o MP poderá denunciar parte dos infratores e depois aditar a denúncia para lançar os demais. Obs.: Contudo, segundo a doutrina majoritária a ação pública seria indivisível, pois o MP está obrigado a denunciar a todos os indivíduos desde que existam elementos legais para tanto. 4º) Princípio da Intranscendência ou princípio da pessoalidade (caiu na prova da BA) → os efeitos da ação penal não podem ultrapassar a pessoa do criminoso. Ate mesmo porque a responsabilidade penal é estritamente pessoal.

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