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DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2009

APONTAMENTOS DE DIREITO COMERCIAL II - PROF, MENEZES CORDEIRO
Universidade de Lisboa Faculdade de Direito

DIREITO COMERCIAL Manual de Direito Bancário Prof. Doutor Menezes Cordeiro

Luís Nascimento/ João Castilho/ Vera Correia 2005/2006 Introdução ● Direito da banca e do dinheiro O direito bancário abrange normas e princípios jurídicos conexionados com a banca, abarcando o universo relativo aos bancos, às instituições de crédito, às sociedades financeiras e, em geral, à actividade desenvolvida por essas entidades, com os seus clientes. Atentemos no REGIME GERAL DAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO E SOCIEDADES FINANCEIRAS (D.l. n.º 298/92, de 31 de Dezembro), art. 2.º: São instituições de crédito as empresas cuja actividade consiste em receber do público depósitos ou outros fundos reembolsáveis, a fim de os aplicarem por conta própria mediante a concessão de crédito. São também instituições de crédito as empresas que tenham por objecto a emissão de meios de pagamento sob a forma de moeda electrónica. As instituições de crédito comportam diversas espécies: desde os bancos às entidades enumeradas no art. 3.º do RGIC, realizando os bancos a

generalidade das operações reservadas às instituições de crédito. Às restantes instituições de crédito cabe realizar as actividades que se lhes apliquem por via legal. As sociedades financeiras podem, também, realizar apenas operações que lhes sejam especialmente facultadas e não são instituições de crédito (art. 5.º RGIC),sendo que o legislador enumera quais as sociedades financeiras (art. 6.º, n.º1 e 2 RGIC). O Direito Bancário regula duas grandes áreas: Direito bancário institucional ou Organização do sistema financeiro: debruçase sobre os bancos e demais instituições, as condições de acesso à sua actividade, a regulação ou supervisão, a fiscalização e as diversas regras conexas. Este dispõe de uma forte delimitação: - Direito público: tem a ver com a função e actuação financeira do Estado. Entre nós esse papel é, de modo alargado, assegurado pelo Banco Central o BANCO DE PORTUGAL (Lei Orgânica – Lei n.º 5/98, de 31 de Janeiro). A este cabe-lhe gerir as disponibilidades externas do País; agir como intermediário nas relações monetárias internacionais do Estado; velar pela estabilidade do sistema financeiro nacional; aconselhar o Governo nos domínios económico e financeiro (art. 12.º da LOBP). Compete-lhe como banco emissor, emitir moeda (art. 6.º LOBP e art. 106.º TCE), ser entidade fiscalizadora (art. 17.º LOBP), detendo ainda poder normativo através da publicação de avisos (art. 99.º RGIC). Acrescentemos ainda o poder de superintendência do Governo (art. 91.º do RGIC) - Direito das sociedades comerciais. - Direito privado: cumpre referir o Título VI do RGIC, atinente a regras de conduta, onde surgem importantes deveres. - Direitos instrumentais e acessórios: Por exemplo, regras de registo (art. 65.º e ss RGIC) ou regras contra-ordenacionais (art. 201.º RGIC). Direito bancário material ou Actividade das instituições de crédito e sociedades financeiras: relações que se estabeleçam entre a banca e os particulares. O dinheiro é a razão de ser do direito bancário, pois sendo este a bitola de valor das coisas e meio geral de trocas implica a intervenção de entidades especializadas, a banca («intermediação financeira»). À partida é um direito contratual, reportando-se a determinados contratos comerciais, submetendo-se ao Direito das obrigações, com as particularidades ditadas pela sua natureza comercial. Os actos bancários não esgotam, contudo, o universo do Direito bancário material: - Vinculações extranegociais: deveres de informação e de lealdade assentes na lei ou no princípio geral da confiança (pré-negociais ou pós-eficazes). - Responsabilidade bancária: instituto geral de responsabilidade civil. - Deveres legais e as situações jurídicas absolutas que devem ser particularmente aplicáveis nas situações bancárias. Dogmática Bancária Geral Capítulo I – ORGANIZAÇÃO DA MOEDA

SISTEMAS FINANCEIROS ● A moeda Moeda: bem divisível ao qual determinada sociedade atribua a qualidade de instrumento geral de troca. Reconstruções históricas descrevem-nos sociedades primitivas nas quais cada unidade humana seria auto-suficiente. Uma diferenciação subsequente levou certos agregados detivessem excedentes os quais seriam directamente trocados. De instrumento geral de trocas passou a ser bitola de valor dos bens (permitia determinar o quantum necessário para determinada troca). A organização humana apercebeu-se que não seria necessário a efectiva circulação material de metais, bastando que o depositário entregasse ao seu dono um documento representativo da mesma, que habilitasse o seu portador a proceder ao seu levantamento. O Estado e o direito terão papel importante na moeda fiduciária dado que esta assenta no depósito da moeda metálica e na emissão dos títulos representativos. Por fim cabe fazer referência à moeda bancária (emissão de ordens de pagamento sobre o crédito de determinada pessoa na instituição bancária). ● O sistema financeiro Sistema financeiro material: conjunto ordenado das entidades especializadas no tratamento do dinheiro. Será o conjunto ordenado dos bancos e entidades similares e das instâncias que, sobre eles, exerçam um controlo. Sistema financeiro formal: conjunto ordenado das entidades que o Estado entende incluir na noção de direito bancário institucional. Os dois sistemas tendem a coincidir, doutro modo o Estado iria abdicar de regular entidades que, materialmente, se ocupam do dinheiro ou iria tratar como financeiras entidades estranhas ao fenómeno subjacente. ● Organização internacional O Direito bancário é assunto interno de cada País soberano. Não obstante, há diversas regras que se ocupam das relações financeiras internacionais. Na origem da cooperação entre sistemas financeiros estão o G.A.T.T. e G.A.T.S. Cumpre recordar a Conferência de Bretton Woods, em 1944, levada a cabo por 44 nações aliadas e que criou o FMI e BIRD. O primeiro é uma agência das nações unidas com incumbências indicadas no art. 1.º do Acordo FMI. Este tem cumprido a sua tarefa, no tocante à cooperação internacional e à correcção de desequilíbrios. NO entanto, o seu papel mais directo na defesa da estabilidade cambial e na eliminação das restrições perdeu-se com o termo da convertibilidade do dólar nos anos 70.

Só em 1983 se vem reabrir à iniciativa privada a actividade bancária. bem como a prática de certos actos bancários. o exercício das funções de crédito e demais actos inerentes à actividade bancária. Em 1846 verifica-se uma fusão entre o Banco de Lisboa e a Companhia Confiança Nacional donde resulta o Banco de Portugal (com exclusivo de emissão de notas ou obrigações no continente). O primeiro banco aparece em 1821. sendo o diploma mais relevante a Lei n. havendo agentes de diversos bancos europeus. Em 1894 estabeleceu-se o primeiro quadro normativo geral da actividade bancária em Portugal. como Banco de Lisboa.º 46/77. João IV a formação de um banco. nalgumas feiras. EM 1688 surgiu em Portugal a moeda de papel. data do sec. no sentido actual do termo. Na Idade Média os cambistas já operavam. em 1844 na Companhia Confiança Nacional. a qual veda a empresas privadas e outras entidades da mesma natureza a actividade económica em determinados sectores. O segundo é uma instituição vocacionada para promover o desenvolvimento dos países mais necessitados[2]. de 8 de Julho. Os juros estavam proibidos pela lei canónica. A restauração e o esforço de guerra subsequente motivaram alguma agitação pró-bancária. apesar de aceite em 1653. o surgimento de bancos. embora tal pudesse ser contornado por várias vias (cedência de capital a troco de uma renda). O irlandês David Preston propôs a D. Em 1841 criou-se a Companhia de Crédito Nacional. a proposta não terá tido seguimento. Em 1911 organizou-se o crédito agrícola. XIX. Os descobrimentos provocaram um afluxo de capitais ao País. depois transformada.Hoje tal é garantido pelos grandes centros financeiros mundiais no que se poderá chamar uma privatização de certas funções do Fundo[1]. SISTEMA FINANCEIRO PORTUGUÊS e ELEMENTOS EUROPEUS ● Das origens ao Banco de Portugal (1846) Em Portugal. As letras de câmbio eram usadas para financiar navios. Com a revolução de 1974-1975 dá-se a nacionalização da banca. Faziam-no de forma circunstancial. Já em . Em 1957 uma novo DL vem reservar para o Estado e para as instituições de crédito.

81-89 Capítulo II – A CIÊNCIA JURÍDICO-BANCÁRIA CARACTERÍSTICAS DO DIREITO BANCÁRIO ● Direito privado O Direito bancário é direito privado.º do TUE. regulado nos arts. 43. 56. por exemplo. Direito bancário material é privado: assenta em contratos comerciais. em cláusulas contratuais gerais e na autonomia das partes. será privada quando preencha um mútuo). No que toca ao Direito bancário teve a maior importância a prática do direito de estabelecimento.1992 dá-se a reforma que aprovaria o RGIC.º e ss. consoante a sua inserção: uma obrigação pecuniária. ● União Monetária PAGS. este pressupõe a supressão gradual das restrições à liberdade de estabelecimento dos nacionais de um Estado membro. no território de outro Estado membro. mas apenas a sistemas ou subsistemas (uma mesma regra pode ser pública ou privada. será pública se corresponder a um dever tributário. ●Tratado da União Europeia A construção europeia tem um pilar importante na livre circulação de capitais: arts.º a 60. Direito bancário institucional é privado: nasceu como Direito público e ainda hoje postula poderes dele derivados (supervisão ou fiscalização por poderes . O qualificativo público ou privado não cabe a normas isoladamente tomadas.

64. Para além disso recorre-se a institutos civis ou comerciais preexistentes. podendo falar-se numa aplicação directa: veja-se o art.º. 78.º1 da LOBP. 12. Todavia. No campo bancário. o tecido bancário repousa em instituições que. Os seus vectores e as suas soluções empenham-se na salvaguarda do valor da moeda e dos créditos a ela relativos.º. ocorram valores sectoriais prosseguidos pelo ramo normativo visado.º da CRP: o sistema visa garantir a formação. al.º. 101. a captação e a segurança das poupanças. O direito privado é subsidiariamente aplicável nas áreas públicas. esse fenómeno surge mais flagrante. Art. pois uma aplicação sábia implica o conhecimento da realidade subjacente. devem assumir o tipo de sociedade anónima. ● Direito fragmentário e dependência científica O Direito bancário tem natureza fragmentária. A de que o Direito bancário exige um estudo especializado. Tal ideia é redutora. Funcionalização de um sector: quando. dever de informação e dever de segredo – arts. 73. em economia de mercado. Estamos perante um sistema que vê atribuído a tarefa de assegurar um sistema financeiro estável. ● Direito técnico O Direito bancário pode ser apresentado como Direito técnico.º TCE: objectivo primordial do SEBC é a manutenção da estabilidade dos preços. embora encontremos alguns institutos que dispõem de regimes bastantes completos (como o regime do BP).º RGIC). n. Art. c) º LOBP: comete ao BP velar pela estabilidade do sistema financeiro. bem como no fenómeno do lucro. . introduzindo depois algumas especificidades. 75. Este acompanha a lógica do dinheiro e da sua circulação. A expressão tem alguma ambiguidade. poderia exprimir uma de duas ideias: A de que o estudo e aplicação implicariam conhecimentos de técnica bancária. ●Direito funcional específico O direito bancário não é valorativamente neutro. No campo do direito bancário tal é evidente: Art. cuja regulação acolhe na íntegra.º a 84. Compreende também diversos deveres genéricos estruturalmente privados (competência técnica.públicos). 105. bem como a aplicação dos meios financeiros necessários ao desenvolvimento económico e social. por lei. além do pano de fundo civil.

distinguir: Delimitação vertical: ligada às disciplinas com as quais o Direito bancário mantém relações de especialidade: fundamentalmente. Assim. onde a acresce aos factos e à lei.º1. temos a escolha humana do aplicador. 200. cabendo-lhe salvaguardar os valores subjacentes. Delimitação instrumental: que opera face ás disciplinas que assegurem a concretização de institutos bancários: o registo. o Direito civil e Direito comercial. podemos considerar que os cânones de interpretação correspondem aos fixados por Savigny no séc. Subjaz ao art. 4. Delimitação horizontal: perante disciplinas que versem matéria vizinha: os seguros e os valores mobiliários.º da CRP e aos arts. Esta dimensão poderá ter consequências interpretativas: as fontes bancárias deveriam ser interpretadas num sentido conducente à realização óptima da sua função. ele está envolvido na problemática do crédito e do dinheiro. espírito e vontade da lei e legislador.º. ao intérprete posicionar dentro do subsistema jurídico bancário.º1. cabendo. da transparência. INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO DO DIREITO BANCÁRIO ● A realização do Direito como decisão unitária Na interpretação e na aplicação do Direito bancário há que ter presente as regras gerais. XIX: Letra. a função de realizar o direito é volitivo-cognitiva. tal coo apuradas na actualidade pelo Direito civil. ● Interpretação funcional O Direito bancário assume uma natureza funcional específica: para além do Direito comum. Para além disso.º2 e 5.º. por razões de articulação formal e de fundo.º todos do RGIC. Em traços gerais. al. cumpre proceder a uma delimitação de disciplinas próximas. por isso. baseada em múltiplos factores normativos. ● Os tópicos do investimento. Desenvolvido com base na boa fé vigente no campo . do consumo e os direitos de personalidade Pergunta-se se a interpretação do Direito bancário não deveria prosseguir certos valores? Primeiro: tutela do investimentos dos depositantes. Contudo. o Direito bancário apresenta áreas diferenciadas (por ex: a contratação onde está em causa a tutela do consumidor de produtos financeiros). n. Podemos. 2. n. Segundo: transparência. 101. a. o processo e o Direito penal. o intérprete deve ponderar o elemento sistemático (a norma faz parte de um sistema) e teleológico (os comandos valem como instrumentos para alcançar uma ordenação de valores e de interesses). o problema que se lhe depara.DELIMITAÇÃO DE OUTRAS DISCIPLINAS Na fixação das coordenadas jurídico-bancárias. n.

176.º1) e os princípios fundamentais da Administração Pública: legalidade.º1 e 6.º do RGES. assegurando-se de que ele as entendeu).º. Comercial de 1888. 278. livro II (contratos especiais de comércio) com quatro arts: 362. ●O Código Comercial e legislação extravagante A Direito bancário material dispõe de uma fonte unitária. 124). n.º1 da LCCG.º) a matéria atinente aos títulos de crédito.º CRP). Comercial incluíra ainda. Terceiro: defesa do consumidor (art. imparcialidade e boa fé (266. 75.º. o direito de acesso aos tribunais (20. justiça. outras regras importantes para o sector bancário. n. deve ser reconstruído com recurso a uma multiplicidade de fontes. ● O regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras . mesmo incompleta: o Direito da actividade bancária. proporcionalidade. livranças e cheques – arts. 60.º. ainda.das cláusulas contratuais gerais (arts. Capítulo III – AS FONTES DO DIREITO BANCÁRIO FONTES INTERNAS e FONTES EUROPEIAS ● A Constituição e a Lei Orgânica do Banco de Portugal Na própria Constituição encontramos regras básicas de Direito bancário [institucional] (arts.º1 RGIC.º a 365. 101. O Cód. Desde logo.º a 12. como as que consagram o direito à reserva da intimidade da vida privada (26.º 5/98.º da CRP). cumpre referir o Cód.º.º. n.º do CVM que impõem que o banqueiro deveria comunicar todas as cláusulas ao seu cliente-aderente.º a 343. 5. as quais se encontram viradas para a captação e para a segurança dos depósitos dos particulares e para a sua aplicação produtiva. Temos ainda uma série de leis extravagantes referentes a actos bancários (pag.º e 102. de 31 de Janeiro). A nível infraconstituiconal temos a LOBP (Lei n.º 1). no seu título IX.º. n. n. base do segredo bancário. designadamente no tocante às relações entre o banqueiro e o seu cliente.º2). igualdade. 7. n. no seu título VI (das letras. A Constituição contém.

º. 126). sob pena de ilegalidade ser contrárias às leis fixadas por órgãos de soberania. Comercial. muitas vezes. em cláusulas contratuais gerais. abertura de conta. Muitas vezes ocorre através da «codificação». via interpretação extensiva do 407. que incluem. garantida pelos poderes de autoridade do BP). n. Não é contudo imaginável que. sendo estes positivados pela vontade das partes.º1 CC no Direito civil e no art. embora no direito português a falta de consagração legal para o costume frusta a eficácia das normas consuetudinárias.º1 CC [3](a violação de regras aprovadas pelo BP é a violação de regras que visam a protecção de interesses alheios. surgem as cláusulas contratuais gerais. Estas regras não podem. 3. Daqui resulta uma prática reiterada. ● Os usos bancários. aquando da prática de cada acto bancário. ● Códigos de conduta e fontes privadas Trata-se de regras estabelecidas. 77. Os actos bancários assentam na autonomia privada. por via da 2. por aviso.º Cód. O depósito bancário surge. não se aplicam a entidades que não estejam sujeitas à supervisão do BP e não podem transcender o âmbito da sua supervisão.º. Podemos admitir a vigência. 77. quando provoque danos num particular. Porém. Pela lei: referimos o art.º. Os usos bancários podem ser juridificados por uma de três vias: Autonomia privada: aqui remete-se directamente para os usos. n. não podem ser constitutivas de direitos para particulares (não é possível constituir direitos para uns sem se onerar outros).ª parte do art. concessão de créditos entre outros. um uso. se proceda a uma actividade criativa. designadamente por parte dum banqueiro. a violação das regras aprovadas pelo BP. As regras gerais e abstractas aprovadas pelo BP são leis em sentido material cuja positividade deriva das normas que instruam o poder regulamentar do BP.º 298/92.º da LO e do art. pelo BP. n. integrado em séries negociais complexas. as cláusulas contratuais gerais Cabe aqui papel importante como fonte mediata.º1 do RGIC (códigos de conduta). 407.Como diploma nuclear (principalmente no campo institucional) surge o RGICeSF (DL n. 483. Temos ainda uma série de Legislação diversa no campo das instituições de crédito e das sociedades financeiras (pag. de usos que abarquem todo esse negócio complexo.º do Cód. dá azo a um dever de indemnizar. 17. No campo do Direito bancário material. de 31 de Dezembro). n.º. ex lege.º2 do RGIC prevê a elaboração de códigos de conduta pelas . Para além disso. Comercial. O art. Pela convicção da sua obrigatoriedade: aqui temos direito consuetudinário. de práticas bancárias consagradas. como exemplos. que acolhem muitos usos bancários dando-lhe jurisdicidade. nos termos do art. ou seja.

● As directrizes institucionais Pags. No âmbito estritamente associativo. ● As directrizes materiais Pags. A DIFERENCIAÇÃO CONCEITUAL . compete às referidas associações aprovar regras de conduta para os seus membros. 137 a 138.associações representativas das instituições de crédito. ● Os regulamentos Pag. Capítulo IV – OS PRINCÍPIOS BANCÁRIOS GERAIS GENERALIDADES. os quais serão submetidos à aprovação do BP. 138 a 139. cuja jurisdicidade depende da livre adesão aos estatutos que as legitimem. 135 a 137.

º). no Direito comercial.º do D. a ideia de simplicidade daria corpo às regras seguintes: · Liberdade de escrituração (art.º.833.º). seja qual for a forma por que se revele. 398. Podemos apontar. · Direito comercial: mútuo celebrado entre comerciantes. nalguns negócios. · Liberdade de forma do mandato geral (art.● Os princípios no Direito Os princípios correspondem a proposições que resultam de valorações operadas por diversas normas. diversos papéis. n. 249.º CC). mesmo que a outra parte contratante não seja comerciante e seja qual for o seu valor. Assim: · Direito civil: exige-se a entrega efectiva da coisa (art. · Direito bancário (1. · Direito bancário: mútuo. pode provar-se por escrito particular (art. 666.º29. por oposição a exigências de formalidade e de solenidade No Cód. 396 Cód. uso da informática e unilateralidade. admite todo o género de prova (art. seja qual for o valor. 96. Quanto ao Mútuo: · Direito civil: mútuo superior a 2. n. 396. Comercial. Um percurso similar pode ser seguido no caso do Penhor.000Î exige escritura pública (art. 1143. 398. uma caminhada para a simplificação formal.º Cód. 30.º 32. de 29 de Abril de 1943). . ● Consensualismo e reformalização normalizada No direito bancário a vontade dos intervenientes produzirá os seus efeitos. Papel regulativo. · Liberdade de língua (art.º1 CC).º).º). Comercial). · Direito comercial: entrega meramente simbólica (art. Os princípios têm. de 17 de Agosto de 1939). Distinguem-se destas por não assentarem numa previsão e numa estatuição[4]. O PRINCÍPIO DA SIMPLICIDADE ● A simplicidade bancária A ideia de simplicidade impôs-se. Comercial).000Î exige documento assinado pelo mutuário. Simplicidade bancária: A actividade bancária deverá reduzir-se ao mínimo exigível para a sua consubstanciação e para a sua ulterior prova. sendo superior a 20. · Possibilidade de celebrar penhor com entrega meramente simbólica da coisa (art. ainda.L.765. Papel programático. único do D. Esta exigência tem sido prosseguida com recurso a três sub princípios: consensualismo e reformalização normalizada. n.L. A saber: Papel ordenador. · Possibilidade de provar o empréstimo mercantil por qualquer modo (art.º).

por um dos intervenientes (DL n. Temos ainda de considerar o dispositivo do art.º e 940.º do CC: a promessa unilateral de uma prestação só obriga nos casos previstos na lei. Através de forma convencional ou voluntária recorre-se a um documento. Cordeiro discorda.º 343/98.º CC). surja apenas um interveniente). de 7 de Janeiro. mas inferior a 20000Î. de 6 de Novembro. Há também a hipótese de actos realmente unilaterais. O PRINCÍPIO DA RAPIDEZ ● A rapidez bancária . com larga aplicação bancária. nelas. a normalização substancial . ● A unilateralidade Muitas vezes os actos bancários são simplesmente cartas assinadas e não contratos formais. O Prof. 457. De todo o modo. formalmente. assinado apenas por uma das partes.No direito bancário a simplificação formal não dispensa a forma escrita ou equivalente. ● O uso da informática Em traços largos poderemos considerar que a informática simplifica: · Contratação e a prática de diversos actos bancários: revelo para o DL n. só seja válido se for celebrado por documento assinado pelo mutuário. os quais podem ocorrer (dogmaticamente ultrapassou-se as ideias de que: ninguém pode ser beneficiado sem vontade. embora. Muitas vezes os contratos por escrito só se tornam eficazes após tratamento informático. Deste preceito tem-se procurado inferir uma regra de tipicidade dos negócios jurídicos unilaterais. através da construção histórica destes institutos – 863. determina que o mútuo de valor superior a 2000Î. A unilateralidade pode ser: · Real: nas hipóteses de surgirem vinculações pura e simplesmente unilaterais. O mútuo não deixará de ser contratual. · Execução de deveres de informação e de comunicação. de modo a permitir. Aqui acresce uma exigência de boa fé e lealdade de informação. apenas. dobrada pela proibição de doação de bens futuros. 458. em termos genéricos. Isso não sucede: as categorias de actos unilaterais surgem na lei. · Aparentes: nos casos em que tenha havido um acordo de vontades normal (contrato) depois formalizado num texto assinado.º CC). admitindo-se a renuncia à vantagem. para exprimir um acordo de vontades a que ambas chegaram.º 7/2004. assinalamos as figuras da promessa de cumprimento e do reconhecimento de dívida (art. · Manutenção da contabilidade e o exercício da supervisão. e da natureza contratual da remissão e da doação. pois esta regra só daria azo a tipicidade quando as regras relativas às diversas figuras unilaterais se mantivessem dentro do que se espera venha a ser uma tipicidade normativa. a inclusão dum número indeterminado de figuras.

dela. Como já foi dito colige os usos do sector e dão corpo a contratos básicos que não dispõem de regimes legais supletivos ou que. próprio do comércio bancário. Daí a . ● A desmaterialização Desmaterialização: possibilidade de representação e de comunicação das realidades atinentes à banca através de suportes automáticos e electrónicos. à declaração. estabelece-se. ●A interpretação segundo o primeiro entendimento A interpretação dos actos bancários deveria efectivar-se segundo as regras contidas nos arts. na falta dele. 10.Rapidez bancária: trata-se de ao actuar na própria substância de actos. Implica. o operador venha retirar. apenas desfrutam de leis muito elementares. a esse nível. Às declarações proferidas. No desenvolvimento das concretas relações bancárias. facilitar a tomada de decisão conducente à sua celebração. O recurso a cláusulas contratuais gerais implica. pergunta-se se estamos perante um sector especialmente dominado pela confiança. Exige normalização substancial. na prática. todos devem dar o mesmo sentido. a prevalência das realidades Ponderação bancária: Modo de realizar o Direito. vale a regra do primeiro entendimento: a declaração negocial vale com o sentido codificado que dela resulte ou. Normalização bancária: trata-se da pré-definição de negócios tipo oferecidos pelos banqueiros aos clientes. estes. nos termos do art. Essencial é que todos dêem. em regra.º da LCCG. a utilização dessas mesmas regras. estando os clientes ordenados por segmentos em função do rendimento. 236. O contrário já não é certo pois o cliente tem melhor conhecimento da sua situação do que o banqueiro. as garantias do cumprimento. obedecem a tipos predeterminados. do cliente para com o banqueiro. Assim. O PRINCÍPIO DA PONDERAÇÃO BANCÁRIA ● Essência do princípio . um esquema de interpretar. sendo-lhe propostos negócios em função desse segmento. o mesmo sentido. com o do primeiro entendimento que. apesar de lidarmos. ● O recurso a cláusulas contratuais gerais Trata-se de um recursos muito importante que a seu tempo irá ser estudado. com um numerus apertus de actos. fundamentalmente: uma fórmula de contratar. Podemos ainda falar de normalização a nível de negócios preconizados. Resulta daqui que. Isso conduz a uma interpretação objectiva das declarações bancárias. ● A eficácia sancionatória No Direito bancário. uma relação unilateral de confiança.º CC.

transferências e créditos. entre outros. no âmbito do comércio bancário. depósitos em dinheiro. se venham a relacionar com instituições de crédito. em cujo decurso se inscrevem os mais diversos actos : abertura de conta. depósitos. A situação típica a partir da qual se estruturam as realidades jurídicobancárias é a de um relacionamento duradouro entre o banqueiro e o seu cliente. envolve o tráfego bancário. pagamentos. emissão de cartões bancários. mais precisamente : as situações das pessoas que. no topo das suas preocupações. O sistema auto-sustenta-se até porque os esquemas coercivos do Estado. No limite. em casos de incumprimento injustificado (o que significa o paralisar para a maioria das empresas). A sanção mais eficaz é a hipótese do corte do crédito. muitas vezes. AS TEORIAS CLÁSSICAS . Capítulo V – A RELAÇÃO BANCÁRIA GERAL ● Apresentação e razão de ordem O Direito bancário pode ser apresentado pelo prisma das operações de crédito ou pela via da regulação prudencial. É a relação bancária geral. quando eficazes. porém tudo tende para reger situações de pessoas e. funcionam em tempos e por preços proibitivos. Dá antes preferência a garantias pessoais. Uma dogmática bancária deve inscrever. emissão de cheques. depósitos em valores. a relação bancária geral. Contudo o banqueiro não procura a garantia mais forte: a hipoteca.multiplicação de garantias que.

acabando por ser substituída por institutos mais precisos. Esta “relação bancária”. Pelo contrário. tinha a ver com um eventual dever de contratar. base de responsabilidade pela confiança. A ideia de basear a relação estabelecida entre o banqueiro e o cliente num contrato unitário próprio.● A doutrina do contrato bancário geral Entre o banqueiro e o seu cliente não ocorre. A questão em aberto. A doutrina da relação de negócios perdeu importância. de modo a que não sejam provocados danos nas respectivas esferas. a mais marcante e clássica é a doutrina do “contrato bancário geral”. ela tende a prolongarse no tempo. antes surgiriam sequências de negócios encadeados no tempo. intensificando-se mesmo. . um contrato-promessa ou um contrato normativo. à luz do Direito português. Pela nossa parte. apenas um único negócio jurídico. no tocante ao contrato bancário geral. Mas para além disso.XX. O contrato bancário tinha o duplo mérito de explicar a relação complexa entre o banqueiro e o cliente e de esclarecer a natureza das próprias cláusulas contratuais gerais. Tais deveres são claros na pendência contratual. ficaria o banqueiro obrigado a conceder crédito futuro ao cliente? A resposta era negativa: mesmo no auge da concepção do contrato bancário. por parte do banco. determinadas prestações – as prestações primárias. pactuada uma obrigação comum. com a prática de novos e mais complexos negócios. Em traços largos podemos dizer que. rejeitámos em tempo essa construção. mutável mas sempre presente. representando um valor autónomo acrescido.E designadamente: mercê do contrato em causa. De entre elas. de natureza complexa. a tanto dirigido. no comércio. A relação (duradoura) assim expressa – a relação de negócios – teria um início e um termo. A relação bancária complexa estabelecida entre o cliente e o banqueiro teria a virtualidade de provocar o aparecimento de novos contratos: daí o considerar-se o invocado contrato bancário como um contrato de angariação de negócios. como a culpa in contrahendo e as diversas vias de tutela da confiança. iniciada uma relação. constitui um dos aspectos mais marcantes e mais característicos do Direito bancário. remonta ao séc. a regra da boa fé implica que elas fiquem adstritas a certos deveres de cuidado e de protecção . sempre se entendeu que o banqueiro era livre de celebrar contratos futuros. uma perante a outra. Têm surgido diversas teorias explicativas. em regra. as partes assumem. ● A doutrina da relação de negócios Nas relações de negócios que se prolongam no tempo verificar-se-ia que em vez de um único negócio isolado. ● A doutrina da relação legal e de confiança Em substituição do contrato bancário geral surgiu a doutrina da relação legal.

o contrato-promessa. o promitente fiel poderia sempre obter. entre eles. derivados da boa fé. de conteúdo variável e que teriam em vista uma futura composição de interesses. concluir certo contrato.à contratação mitigada. numa opção tomada pela jurisprudência. Ambas as partes terão deveres de conduta. Dentro desta possibilidade abriram-se. outras sub-hipóteses e. DEVERES BANCÁRIOS MITIGADOS ● A negociação mitigada Perante uma esquematização de tipo tradicional. O espaço que fica entre a completa ausência de compromissos e o contratodefinitivo foi-se densificando. a concluí-lo. susceptível de ser preenchida com os mais diversos negócios. . dentro de determinados parâmetros. uma sentença que suprisse a abstenção do faltoso . depois. No primeiro caso. ser estabelecidos vínculos mais lassos. ocorrendo o incumprimento. a abertura de conta – estabelece-se. impõe-se fazer o ponto em relação: . Essa relação tenderá a ter continuidade.● Desenvolvimentos recentes Desde o momento em que o cliente e o banqueiro concluam um primeiro negócio significativo – normalmente. A contratação mitigada surge consignada pela prática dos negócios. há uma relação bancária contínua. as partes teriam meios de fazer surgir o contrato definitivo. embora sem se obrigar a tanto. no final do séc. Diversas figuras têm sido automatizadas. não querendo ainda o contrato.XX renasceu um apelo ao contrato bancário geral. As necessidades do tráfego vieram determinar outra hipótese : a de os interessados. Chamaremos a essas figuras “contratação mitigada”. No segundo caso. em determinadas condições. O grande problema que tolhe os estudiosos do Direito bancário é o de lidarem com concepções não actualizadas dos fenómenos contratuais e de deixarem de lado a dogmática das relações duradouras. do tribunal. Todos esses deveres surgem num conjunto que tem uma unidade económica e social evidente . o incumprimento do contratopromessa apenas poderia dar lugar a medidas compensatórias. Poderiam. em suma: celebrado o contrato-promessa. A saber: . a postura dos interessados em face de um eventual contrato só poderia ser de aquiescência ou de recusa. pelas partes. se obrigarem. Devemos assinalar que. uma relação social e económica. . Antes de passar à reconstrução da relação bancária geral. no futuro.a carta de intenção: trata-se duma declaração. Teremos. dos usos ou de acordos parcelares que venham a concluir.às relações duradouras. designadamente : a de haver contratos-promessa com e sem execução específica.o acordo de negociação: ocorre em negociações complexas e consigna uma vontade comum das partes de prosseguir negociando. normalmente em forma epistolar e que consigne uma vontade já sedimentada de. então. .

. não releva para o Direito.o acordo de cavalheiros pelo qual alguém compra um automóvel pagando ao vendedor o preço que entender justo ou é nulo – art. as negociações prosseguirão.o acordo – quadro : em negociações tendentes a originar múltiplos contratos. a não ser no plano do cavalheirismo. as partes concluem um convénio acessório. 777º/1. Põe-se o problema de saber se. Não podem. ambos do Código Civil. o conteúdo deve ser acatado. sobre uma matéria que. patrimoniais e pessoais : tem apenas a particularidade de assentar na palavra dada e na honra de quem a dê. podem as partes. como a nulidade das obrigações indetermináveis – art.. 809º do Código Civil. as partes podem abdicar. todos do Código Civil. a parte faltosa apenas poderá ser condenada em indemnização. Além disso funcionam numerosas outras regras. O acordo de cavalheiros é um convénio que as partes pretenderam colocar fora do campo do Direito. sobre questões protocolares. . de qualquer protecção jurídica. Assim: . 280º/1 – a proibição de doar bens futuros – art. as obrigações naturais só são possíveis nos casos admitidos por lei. Não o sendo. para aplainar os aspectos secundários. A grande dúvida tem a ver com o incumprimento: pode a parte faltosa ser coagida ao acatamento? Tudo dependerá de saber se o acordo mitigado tem um conteúdo suficientemente explícito ou se se limita a obrigar as partes a prosseguir nas negociações. Visto o disposto no art. . antes. por interrupção injustificada das negociações. até a acordos de cavalheirismo.o acordo de cavalheiros pelo qual alguém empresta uma quantia a outrem que este pagará quando puder será cumprido nos termos do art. recair sobre quaisquer assuntos. desde logo. do Código Civil: . 778º. é inevitável o aparecimento de obsequiosidades. Sendo bastante. de gentilezas e de atenções que podem dar azo a declarações de cortesia ou. Um exemplo de contrato preparatório frequente entre nós e que podemos reconduzir à contratação mitigada é o do “contrato de reserva”. ● Acordos de cortesia e de cavalheiros Ao longo de uma relação que se prolongue no tempo.o acordo de base : também em negociações complexas. O acordo de cortesia não se distingue do contrato (apenas) por as partes o terem colocado fora do Direito : ele recai. a nível técnico. depois. tendente a completá-lo. 942º/1 – ou a possibilidade de fixar prazos às obrigações – art. Pode teoricamente. não tendo conteúdo patrimonial. obtido um acordo em área nuclear. as partes assentam num núcleo comum a todos eles. formalizá-lo desde logo. 280º/1 – ou encontrará um preço fixado nos termos do art. Chamaremos acordo de cortesia ao convénio relativo a matéria nãopatrimonial e que releve do mero trato social. ao concluir um acordo de cavalheiros. Ele poderá recair sobre a hora e o local de um encontro.o protocolo complementar : tendo em vista um contrato nuclear.o acordo de cavalheiros pelo qual as partes irão celebrar certo contrato : ou satisfaz os requisitos de forma e de subsistência do contrato-promessa e . 883º/1. Antes de mais há que fixar a terminologia.

vale como tal, ou não existe. ● Acordos bancários mitigados No âmbito de um relacionamento bancário complexo, é frequente o banqueiro prontificar-se para estudar propostas e ponderar soluções. Quando o faça, poderemos estar perante declarações de intenções, perante acordos de negociações ou, até, perante acordos de base. A relação bancária complexa poderá compreender tais deveres mitigados. Pergunta-se, porém, se tais declarações têm, necessariamente conteúdo jurídico – não têm. Finalmente, uma relação bancária complexa pode incluir acordos nãojurídicos, que as partes pretenderam manter no cavalheirismo. Quando alguma das partes o queira, tais acordos regressam ao campo não do jurídico. A RELAÇÃO BANCÁRIA DURADOURA ● Ponto básico e evolução A relação bancária geral, como relação de negócios, é uma clara obrigação duradoura. A distinção das obrigações em instantâneas e duradouras remonta a Savigny. Este clássico põe em destaque o facto de, nas primeiras, o cumprimento se efectivar num lapso juridicamente irrelevante; pelo contrário, nas segundas, o cumprimento prolongar-se-ia no tempo, correspondendo à sua natureza. Otto Von Gierke chama a atenção para : - nas obrigações instantâneas, o cumprimento surge como causa de extinção, - nas duradouras, o cumprimento processa-se em termos constantes, não as extinguindo. Um dos aspectos significativos das regras próprias das obrigações duradouras estaria nas formas da sua cessação: - a determinação inicial da sua duração, seja pela aposição de um termo certo, seja pela de um termo incerto ( p.ex., a vida de uma pessoa); - a indeterminação inicial , podendo, então, sobrevir a denúncia, prevista na lei ou no contrato ; a denúncia poderia operar com um prazo (pré-aviso) ou ser de efeitos imediatos; - a impossibilidade superveniente

● Dogmática geral Nas obrigações duradouras – ao contrário das instantâneas – o cumprimento vai-se realizando num lapso de tempo alongado, em termos de relevância jurídica. Na obrigação duradoura, ainda podemos encontrar duas situações : - ou a prestação permanente é contínua, exigindo uma actividade sem interrupção;

- ou essa prestação é sucessiva, quando implique condutas distintas, em momentos diversos. As obrigações duradouras apresentam algumas regras ditadas pela natureza das coisas. Desde logo, elas não se extinguem por nenhum acto singular de cumprimento. Tão-pouco elas podem dar lugar à repetição, na hipótese de ser anulado ou declarado nulo o contrato em que assentem : ou se restitui o valor ( art. 289º/1 do Código Civil) ou não há quaisquer restituições. ● A denúncia ; a longa duração As obrigações duradouras são, ainda sensíveis à denúncia. Uma vez que elas não se extinguem pelo cumprimento, há que prever outra forma de extinção, diversa da resolução (unilateral, justificada e retroactiva), como vimos a de revogação, que exige mútuo acordo. E aqui ocorre a figura da denúncia. A denúncia estará, em princípio, prevista por lei ou pelo próprio contrato Direito preocupa-se com a matéria no âmbito de situações em que, de modo tipificado, procede à tutela da parte fraca: como no Direito do trabalho, do arrendamento ou no contrato de agência, regulado pelo Decreto-Lei nº 178/86 de 3 de Julho, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei nº 118/93 de 13 de Abril : art. 28º. Trata-se de um esquema aplicável, por analogia, à concessão e à franquia e que redunda no seguinte: - na falta de prazo, qualquer das partes pode fazer cessar o contrato de agência; - para tanto, há que fazer uma denúncia com pré-aviso : tanto maior quanto mais longa tiver sido a duração do contrato; - na falta de pré-aviso, a denúncia é eficaz, mas há responsabilidade. Põe-se o problema de saber o que sucede perante obrigações duradouras de duração indeterminada, quando as partes nada tenham dito sobre a denúncia e quando elas não possam ser reconduzidas a nenhum tipo contratual que preveja essa figura. A proibição de relações perpétuas – que justificaria sempre a denúncia – surge apoiada na regra constitucional da liberdade de actuação. Isso possibilitaria a livre denunciabilidade de relações duradouras de duração indeterminada, o que poderia atentar contra legítimas expectativas de continuação e de estabilidade e contra a regra do respeito pelos contratos. O problema tem conhecido uma abordagem recente diversa, graças à doutrina dos contratos de longa duração. As partes podem, ao abrigo da sua autonomia privada, concluir contratos que durem ilimitadamente; basta que fixem uma associação de interesses que tenha essa aspiração. Nessa eventualidade, o facto de elas não terem previsto uma cláusula de denúncia, ainda que com pré-aviso alongado, poderia significar: - ou que houve erro ou esquecimento, seguindo-se o seu regime próprio; - ou que há lacuna contratual, a integrar pela interpretação complementadora. Não se verificando nenhuma dessa hipóteses – ou , a fortiori, quando as partes excluam expressamente a denúncia ou equivalente – quedará o recurso à alteração das circunstâncias. O DIREITO PORTUGUÊS : ABERTURA DE CONTA ● A flexibilidade das explicações contratuais

Quando se inicie um relacionamento bancário – normalmente pela abertura de conta – ambas as partes têm uma clara intenção de prosseguir. O banqueiro existe, justamente, para desenvolver a sua actividade e, por isso, tem uma vontade explícita de celebrar novos negócios bancários, enquanto o cliente, estando satisfeito, pretende precisamente obter do banqueiro os inúmeros produtos de tipo bancário. Pois se ambas as partes já concluíram um negócio, com uma relação duradoura dele subsequente e com a vontade comum de completar essa relação com outros negócios, há uma clara fenomenologia contratual. É certo que desta relação bancária, não resulta, para nenhuma das partes, o dever de celebrar novos contratos. E isso num duplo sentido: - observados os limites contratuais ou ex bona fide, qualquer das partes pode, a todo o tempo, pôr cobro à relação; - o novo negócio que uma das partes proponha à outra pode ser objecto de livre rejeição. Mas daqui não se impõe o afastamento dogmático do contrato bancário geral. Uma das características da moderna contratação é a de admitir deveres de diligência, de acompanhamento, de disponibilidade para negociar e mesmo de negociação sem que, por este último, se entenda a obrigação de concluir qualquer contrato. Estes deveres podem ter natureza contratual, surgindo como obrigações mitigadas. Além deste aspecto, qualquer contrato é acompanhado de deveres acessórios, isto é, de deveres cominados pela boa fé e que adstringem as partes a regras de segurança, de informação e de lealdade e que,no nosso Direito, resultam genericamente do art. 762º/2 do Código Civil. Finalmente, um contrato comercial – e, para mais bancário – é sempre complementado pelas cláusulas contratuais gerais e pelos usos. Com os apontados elementos, parece-nos possível indicar uma orientação e traçar uma construção para a relação bancária geral. Dois pontos básicos podem ser demonstrados pela observação : tal relação existe e ela tem origem contratual, embora seja complementada pela lei e pelos usos. A relação existe : consumado um contrato duradouro entre o banqueiro e o cliente há, entre ambos, deveres de lealdade, com especial incidência sobre o profissional : justamente o banqueiro. A relação tem origem contratual. Tudo se inicia porque as partes o quiseram e exteriorizaram vontades livres e válidas nesse sentido. ● Abertura de conta Restam três questões: quando surge o tal “contrato bancário geral”, qual a sua extensão e que regime lhe aplicar? A relação bancária geral surge com o contrato de abertura da conta. Ou noutros termos: o contrato de abertura da conta, tipicamente bancário embora sem desenvolvimento legal, compreende, entre os seus efeitos, o surgimento de uma relação bancária duradoura. A abertura de conta deriva da adesão a determinadas cláusulas ou “condições” contratuais gerais preconizadas ou utilizadas pelo banqueiro. De acordo com a prática geral da banca portuguesa, existem “condições” distintas – embora não muito diferentes – consoante o cliente seja uma

elas remetem para os usos bancários. à movimentação. As cláusulas contratuais gerais regulam o envio de correspondência: para o local indicado pelo cliente. o direito. A concessão de crédito por descobertos em conta depende duma decisão a tomar pelo banqueiro. . As “condições gerais” definem-se como aplicáveis à abertura. As cláusulas contratuais gerais atinentes à abertura de conta prevêem . três negócios subsequentes: . Têm-se verificado nos últimos tempos . de crédito ou outras – fica dependente de um acordo paralelo ou ulterior. Mais rápido e. considerando-se recebida com o seu envio. à manutenção e ao encerramento de contas de depósito junto do banco. acordadas por escrito. Elas admitem estipulações em contrário. . A primazia do contrato de abertura de conta como fonte da relação bancária geral subsequente foi recentemente acolhida no ordenamento bancário português. a alteração tem-se por aceite. O banqueiro pode alterar as cláusulas contratuais gerais. vezes. O contrato de abertura de conta conclui-se pelo preenchimento de uma ficha.a convenção de cheque. O mesmo raciocínio pode ser aplicado a instituições especializadas. de não emitir cheques. A convenção de cheque fica na disponibilidade do banqueiro: todas as “condições” reservam.a concessão de crédito por descobertos em conta. dentro de determinado prazo.pessoa singular – ou um “particular”. entre as partes. mais barato do que montar uma rede de agências será adquirir um banco que já as tenha. por. ainda. a este. e para a legislação bancária.a emissão de cartões. remetendo as alterações ao cliente. com assinatura e pela aposição da assinatura num local bem demarcado. E no omisso. na linguagem bancária – ou seja uma pessoa colectiva – por vezes dita “empresa”. Capítulo VI – TÓPICOS EVOLUTIVOS DA BANCA DIVERSIFICAÇÃO E APROFUNDAMENTO DA ACTIVIDADE BANCÁRIA PÁG. Não havendo oposição do cliente. A emissão de cartões – de débito. 199 a 206 REORGANIZAÇÃO DA BANCA: FUSÕES E OUTSOURCING ● Reorganização e fusões A necessidade de investir leva a fenómenos de concentração bancária. com a intervenção de novas cláusulas contratuais gerais.

resultante das fusões modernas vem a ser compensada pelo fenómeno do outsourcing. Desde logo. resulta da junção dos vocábulos outside. depois. Desde logo ao nível da concorrência : nas economias de mercado. . quer perante as entidades reguladoras quer em face da opinião pública. resource e using : a utilização de recursos do exterior. retirada da economia. apontar: .os perigos na fase de transferência.os riscos de dependência.megafusões. numa questão de eficiência. Apontam-se. . complexo. a (excessiva) dimensão. Esta poderá manter um domínio directo ou indirecto sobre a empresa prestadora o que. O sobredimensionamento obriga a burocratizações e a esquemas de gestão descentralizada. o contrato de outsourcing assume as feições de um contrato-quadro. a prestação dos correspondentes serviços. surgem também dificuldades. Os motivos que podem levar ou justificar o outsourcing centram-se. um contrato do mesmo nome. para além de vantagens. num segundo momento. não esquecendo os custos da transacção. com riscos de disparidade e de eficiência. num primeiro momento. ele pode respeitar : . .aproveitamento de know-how. facilitará a coesão subsequente. A concentração bancária coloca problemas. O outsourcing tem. na origem da operação estará uma prévia operação de cisão : a empresa exterior resultará da cisão de um estabelecimento antes pertencente à empresa principal. Verifica-se ainda que se as fusões permitem . Por vezes. Na origem. depois. além disso. o outsourcing atingirá actividades instrumentais. a novos custos e a perdas contingentes. basicamente de prestação de serviço e do qual emerge uma relação duradoura. em princípio. Em certos casos.as dificuldades de avaliar a relação custos/benefícios da operação. . os seguintes: . ● Segue .concentração no cerne do negócio. concluídos acordos concretizadores. um ponto sensível. o outsourcing poderá implicar riscos. Será um contrato atípico. Num prisma de gestão.a serviços técnicos periféricos. Torna-se ainda importante sublinhar que o outsourcing poderá .ou não – implicar regimes de exclusivo. questões específicas no sector bancário No sector bancário. como típicos. entregando-as a entidades exteriores com as quais contratam. . que não tenham a ver com o negócio em jogo. ● Outsourcing A expressão inglesa outsourcing. a dimensão conduz. baixar nos custos. Podemos. na base. Todavia. no âmbito do qual serão.a limitação de custos. O outsourcing designa o fenómeno pelo qual as grandes empresas abdicam de algumas das suas valências. De todo o modo. como é natural. para além dos problemas acima aludidos. o outsourcing apresenta certas especificidades.

a tutela dos clientes do banqueiro.regras institucionais. estão externalizados vectores bancários .a serviços bancários. ● A tutela no sector financeiro O Direito bancário visa proteger o crédito. serviços informáticos ou serviços jurídicos. também. o Conselho adoptou um “programa preliminar da CEE para uma política de protecção e de informação do consumidor”. 110º . No segundo caso estão envolvidos.. .o direito à representação ou de ser ouvido A consagração comunitária em conjunto com a divulgação dos temas dos consumidores levaram à aprovação da Lei nº 29/81 de 22 de Agosto : o primeiro regime de defesa do consumidor. de segurança ou de restauração. .regime das cláusulas contratuais gerais. Em 1975. não continha nenhum preceito relativo aos consumidores. podemos dizer que o Direito do consumo vem dispensar ao consumidor. podemos apresentar o seguinte quadro : . À partida. na versão de 1957. Adiantando a referência a certas rubricas. ligadas à casa – mãe.o direito à reparação dos danos sofridos . A TUTELA DO CONSUMIDOR DE PRODUTOS FINANCEIROS ● Aspectos gerais do Direito do consumo O Direito de consumo é matéria civil.o direito à protecção dos seus interesses económicos . assente em cinco direitos fundamentais. como exemplos. ● O Direito europeu e as leis nacionais O Tratado de Roma. As regras que prosseguem essa tutela estão dispersas por todo o Direito bancário.hoje 60º .Mas a partir daí visa.a serviços técnicos nucleares. a Lei nº 24º/96 de 31 de Julho. um regime especial. tendencialmente mais favorável. Na primeira hipótese teremos outsourcing de serviços de limpeza. Surgiu uma autorização legislativa : a da Lei nº 60/91 de 13 de Agosto.ex. a ele reconhecidos: .relativo aos “direitos dos consumidores”. A prática colhida e os elementos comunitários recomendavam uma revisão mais aprofundada da Lei de Defesa do Consumidor. o crédito automóvel.o direito à protecção das suas saúde e segurança . . tomado como elo terminal do sector económico ( portanto :depois do produtor e depois do distribuidor). p. Na terceira hipótese. fixou o regime legal aplicável á defesa dos consumidores (lei de defesa dos consumidores ou LDC). Verificava-se um amadurecimento que justificou o passo seguinte: a Revisão Constitucional de 1982 introduziu um art.o direito à informação e à formação . Apenas cinco anos mais tarde. de 1981. o crédito ao consumo ou a locação financeira são entregues a instituições especializadas. .

O regime das cláusulas contratuais gerais foi aprovado pelo Decreto-Lei nº 446/85 de 25 de Outubro. No domínio institucional. Em pontos importantes. se inteirar do andamento de processos. 21º e 22º precisamente visados para os consumidores finais. sendo as dos artigos 20º. no domínio da responsabilidade pelo uso permitido do cheque ou no da violação de deveres profissionais – art. A responsabilidade bancária é. junto dos diversos departamentos administrativos.. ele tende a concretizar-se em torno de danos causados aos pequenos clientes ou “ a consumidores finais” de produtos financeiros : assim sucede. 225 A 228 . no campo estadual. 73º e seguintes do RGIC. propondo determinadas soluções. Uma referência especial ao fundo de garantias de depósitos – artigos 154º e seguintes do RGIC : um fundo que tem por objecto garantir o reembolso de depósitos constituídos em instituições de crédito que nele participem ( art. mas com a possibilidade de. O artigo 22º/2 e 3 da LCCG reporta-se a aspectos bancários. obrigatoriamente. encontramos diversas regras que visam a tutela do consumidor. 155º/1 ).. as instituições de crédito com sede em Portugal ( art. De todo o modo. entre outras. pelo art. . A ideia teve êxito. Consiste numa figura independente. isentando-os de algumas regras. sendo que.regime da responsabilidade bancária. um capítulo clássico nas exposições de Direito bancário. o grosso das proibições específicas relativas a cláusulas contratuais gerais aplica-se ás condições dos banqueiros. O PROGESSO TECNOLÓGICO PÁG. ● O provedor bancário A figura do provedor remonta à experiência sueca de 1809. sem poderes de decisão. no campo da culpa in contrahendo. designadamente. 23º da Constituição. participam nele. 156º/1). na actualidade. sendo acolhida.regime do crédito ao consumo e das transferências bancárias.

quando sejam pelo Direito comum não devem ser consideradas como situações bancárias.Direito Bancário Material Capítulo III – A SITUAÇÃO JURÍDICA BANCÁRIA Secção I – DETERMINAÇÃO E CONTEÚDO GERAL NOÇÃO. de uma instituição de crédito não irá conduzir à aplicação de normas específicas que lhe confiram feição bancária. Os bancos podem desenvolver actividades não-bancárias. . que verificar se a presença. O recurso à ideia de situação jurídica bancária recusa uma definição subjectiva do tipo: situação bancária é a que implique a presença de um banqueiro ou de uma instituição de crédito ou sociedade financeira. a realização do Direito bancário. no entanto. Estas. MODALIDADES E FACTOS · Noção A situação jurídica bancária traduz pois. Haverá. numa situação jurídica comum. se se quiser.

●Os factos constitutivos. nas segundas isso não sucede. o mapa das fontes que nos advém do Direito das obrigações e que opera também no Direito comercial. a autonomia privada Fontes das situações jurídicas privadas são os seus factos constitutivos. Mas com adaptações: ela visualiza as situações pelo prisma da instituição de crédito e simplifica-as. Outra classificação bancária clássica distingue as operações bancárias comerciais das operações de investimento. Depois. ● Modalidades A situação jurídica bancária pode ser classificada em função do facto constitutivo ou do seu conteúdo. subdividindo-se os 1ºs em unilaterais – . Em princípio podemos utilizar. à partida. uma vez que na grande maioria dos casos todas elas têm elementos activos e passivos. as garantias ( do penhor bancário às cartas de conforto) e os serviços e produtos financeiros ( da administração aos empréstimos CRISTAL). ao abrigo de regras bancárias. consoante o Direito considere os factos constitutivos subjacentes como produto da vontade humana ou como eventos a ela alheios. os câmbios e a moeda estrangeira. contratuais ou onerosas: mas com excepções. de acordo com as classificações das situações jurídicas e dos negócios jurídicos. emissão de cheque e emissão de cartão). a presença do banqueiro – são ainda objectivamente comerciais. perante a realidade do Direito bancário português. Classificação tipicamente bancária seria a contraposição entre operações activas e passivas. por norma. no Direito bancário. Em regra. Os actos podem ser lícitos ou ilícitos. giro bancário. porquanto exigindo. em função do seu teor económico. 362. às situações bancárias. um facto em sentido estrito. De todo o modo. Na origem encontramos a contraposição anglo-saxónica entre commercial banking e investment banking : o 1º tem a ver com simples entregas de dinheiro enquanto o 2º se reporta já à aquisição de produtos financeiros e à actuação no mercado de capitais. etc. enquanto a destruição de um bem dado em locação financeira é. Daí resulta a aplicação. distinguimos os actos dos simples factos stricto sensu. Trata-se à partida da classificação comum das situações em activas e passivas: nas primeiras. do regime geral dos actos comerciais. é possível afirmar que as situações jurídicas bancárias são patrimoniais. Será acto bancário uma abertura de conta. só por si. Não obstante parece-nos preferível. são consideradas passivas as situações em que o banco se apresenta devedor – as contas e o depósito – e activas aquelas em que ele é credor – concessão e abertura de crédito. os efeitos dependem da vontade do sujeito a quem assistem. os actos de crédito ( do mútuo bancário ao reporte). Perante o disposto no art. as situações bancárias – já de si subjectivamente comerciais. designadamente no campo gerador da responsabilidade civil.º do Código Comercial. poderá ser ou não bancário: sê-lo-á quando concedido por um banqueiro.Um mútuo. optar por uma classificação de actos mais imediatamente funcional: teremos a abertura de conta e os actos a ela especialmente ligados (depósito. Na base temos o evento relevante para o Direito: facto em sentido amplo. locação financeira.

Temos pois 1 afirmação jurídica da liberdade económica ( empresa e trabalho) subjacente ao Direito bancário material. Novas categorias de relações de facto forma apuradas pela dourina ( relações contratuais de facto). para a gestão de negócios e para o enriquecimento sem causa. Os protagonistas limitam-se a aderir a esquemas sociais de comportamentos predeterminados sem formarem qualquer vontade consciente.a emissão de um título – ou em contratuais – um mútuo bancário. para os contratos de maior vulto. há limitações de ordem prática. Apenas as administrações dos bancos dispõem de latos poderes de estipulação. Em concreto. Por isso. Além disso. Fica-nos como núcleo impressivo relevante o dos comportamentos concludentes. recorrer à tradição civilística: teremos espaço para diversas manifestações de responsabilidade objectiva. seja dos seus efeitos. já não haverá aqui negócio mas apenas uma relação negocial de facto. Tudo isso se verificará nas margens em que não surjam normas restritivas. no . Assim sucederia em situações de contratos sociais típicos (por ex culpa in contrahendo) ou de prestação de serviços e bens essenciais (por ex água e electricidade) que se iniciaram independentemente de qualquer acordo de vontades. que agem em representação dos bancos: por razões de ordenação funcional eles têm instruções para efectuar certas categorias de actos. como fonte de situações bancárias? Na sequência das análises a que ficou ligado o nome de Gunther Haupt alguma doutrina apurou a existência de relações de tipo contratual sem que surgisse qualquer contrato a antecedê-las. uma actuação puramente material mas juridicamente concludente. ●Comportamentos concludentes Cabe depois perguntar pelo âmbito da autonomia privada e designadamente: a vontade jurígena das partes manifesta-se apenas através da contratação e de actividades unilaterais formalmente jurídicas ou admite-se. ainda. Os diversos actos são realizados por funcionários habilitados. a liberdade de estipulação está muitas vezes limitada em termos práticos. por definição for apenas o facto humano voluntário. No tocante aos factos em sentido estrito é possível. predeterminadas. porém. O Direito bancário material é totalmente dominado pela autonomia privada: as partes podem determinar a existência de efeitos – liberdade de celebração – a natureza das desses efeitos – liberdade de estipulação – e o modo por que eles ocorram – liberdade de forma. reservando-os. Deve ficar claro que em Direito bancário é possível efectuar todos os actos que a lei não proíba. Se o acto jurídico. A autonomia privada mantém-se. completam-se sem uma manifestação de vontade. no domínio bancário. a generalidade da actuação bancária subordina-se a cláusulas contratuais gerais. em regra. designadamente os praticados através de autómatos. As instituições de crédito tornam-se centros de contratação maciça. Mas haverá contrato? O pensamento jurídico-privado actual inclina-se para admitir uma concretização da autonomia não apenas através da vontade mas também através da adesão a esquemas sociais de comportamentos concludentes. Muitos actos bancários correntes. seja do acto. Sucede. A tais ocorrências aplica-se o regime negocial. Neste domínio o Direito bancário tem uma experiência importante. como fonte de juridicidade dos actos e de legitimação das soluções a que se chegue.

º).º). a actuação desenvolve-se com uma mira da benefício. Teremos clientes singulares e colectivos e dentro destes associações. A lei portuguesa tipifica as formas que pode assumir o banqueiro: instituições de crédito (art.º) e sociedades financeiras (6. simplificando a situação anterior. quer as colectivas que se dedicassem profissionalmente à actividade bancária.º/1. A pessoa que contacte com o banqueiro é tradicionalmente designada cliente.entanto. O RGIC. Surgem os bancos e equiparados com uma capacidade bancária genérica e depois as diversas outras entidades com um teor especializado (arts. in concreto não é verificável). Abrangia assim quer as entidades singulares. com as empresas de investimento. 362. desenvolver actividades bancárias (art. que o negócio jurídico é. na realidade.º todos do RGIC). uma sociedade financeira ou uma empresa de investimento. A ideia de prática profissional deixa-se precisar com recurso aos seguintes parâmetros: ¾ é uma prática habitual: o banqueiro não se limita – como em qualquer profissão – a praticar actos ocasionais ou isolados. A necessária sindicância do Direito é assegurada através do controlo das cláusulas contratuais gerais. ¾ é uma prática tendencialmente exclusiva e isso em 2 sentidos: só o banqueiro pode. profissionalmente. o banqueiro só deve. sempre uma combinação entre a autonomia privada e a tutela da confiança. São entidades legalmente habilitadas a praticar . Os bancos são apenas um dos tipos admitidos de instituições de crédito. 3. No comportamento concludente dominará a vertente da confiança sempre que falte uma vontade conformada ( o que por definição. de modo necessário. ¾ é uma prática lucrativa: o banqueiro pretende cobrir os custos da sua actividade e ainda realizar um determinado lucro. numa sequência articulada. pública ou . em termos profissionais actos bancários. Daqui para a frente designadas como banqueiro. mesmo quando por razões conjunturais ou de fundo haja prejuízos.º/2 e 7. pelo menos em termos nucleares. na enumeração hoje resultante do RGIC. sociedades ou instituições de diversa natureza. OS SUJEITOS E O OBJECTO ●O banqueiro e o seu cliente Como sujeito surge necessariamente uma instituição de crédito. 8. por influência comunitária. Os clientes podem ser classificados em função da sua própria natureza. 14. O Código Comercial referia. 4. adoptou uma bipartição em instituições de crédito e sociedades financeiras depois completada. basta ver que o negócio vale enquanto vontade expressa e com o alcance em que o seja e não como pura volição.º/2 do RGIC). por isso toda a organização do banqueiro assume. praticar actos bancários (art. uma feição empresarial. Em suma: a doutrina clássica do negócio jurídico pode ainda reduzir dogmaticamente o fenómeno dos comportamentos concludentes.c) do RGIC). simplesmente os “bancos” (art. antes os leva a cabo em cadeia.

Os menores.º do CC). Assim. Contudo. ●Situações bancárias sem banqueiro. 127. Assim. Por influência comunitária encontramos no RGIC uma enumeração de operações consideradas bancárias (art. relativamente aos bens que lhe advenham por essa via.º) numa regra que. Quando isso não suceda deverão ser representados ou assistidos nos termos legais. No tocante aos menores a regra básica é a da incapacidade (art.º do CC). apenas seriam admitidas. podemos considerar que quem tenha capacidade para a prática de determinado acto patrimonial tem.b).c) do mesmo diploma.124. que tenha capacidade patrimonial privada. capacidade para o fazer em modo bancário. A actividade bancária pelo prisma do cliente é hoje pura e simplesmente instrumental. poderá igualmente fazê-lo (127. salvo excepção. No entanto: ¾ o menor de 16 anos poderá praticar os actos bancários relativamente a bens que haja adquirido pelo seu trabalho (art.º/1). Os menores devem ser representados junto do banqueiro (art.privada. nos termos prescritos e com as devidas adaptações. recorde-se que a idade mínima de admissão para prestar trabalho é de 16 anos (art. Do Trabalho).º/1. Tem actualidade uma contraposição entre pequenos e grandes clientes: aos primeiros é dispensada uma tutela pelas regras de protecção do consumidor. A situação bancária. Normalmente o complexo em causa é sinteticamente designado pelo facto jurídico que o origine.º/2 do Cód. singular ou colectiva.º/1. A lista é meramente exemplificativa. Poucos actos bancários poderão ser considerados “…próprios da vida corrente do menor…” (art. 127. 153. à semelhança do que ocorre com as diversas situações de tipo profissional.º) e aos inabilitados (art.a) CC) ¾ o menor autorizado a exercer determinada actividade. Exige-se ainda um objecto especificamente bancário. o abusivismo Este tipo de situações são excepcionais. 55.º/1. os interditos e os inabilitados podem aceder à banca na medida em que estejam em causa actos ao alcance da sua capacidade de exercício. Tanto basta para proclamar como princípio que pode ser cliente qualquer pessoa. provavelmente. 127. não se define apenas pelos seus sujeitos. por ex. se aplica aos interditos (art. abrir uma conta. pequenas operações de câmbio. ●Os menores O princípio acima enunciado tem uma aplicação tendencial às pessoas singulares. 138. Uma melhor exposição de conjunto requer a antecipação duma classificação . podemos falar na situação jurídica “abertura de conta” para exprimir os direitos e os deveres que emergem para as partes – cliente e banqueiro – da celebração dum contrato de abertura de conta.º) aqui através da assistência de um curador. ●O objecto O objecto (imediato) da situação jurídica bancária é o complexo de direitos e deveres emergentes do concreto acto bancário considerado. por essa via. 123. 4. há excepções a ter em conta (art.

os praticados pelas entidades do art. O acto de natureza bancária absoluta só pode ser praticado por instituições de crédito. 211. ¾ actos de natureza bancária eventual. é o que sucede com as actividades referidas nas alíneas b) a i) e r) do nº1 do RGIC (art.a) do RGIC que prevê. designadamente. a tal propósito. O CONTEÚDO GERAL ●Elementos normativos e voluntários: os tipos bancários Os actos bancários implicam um conjunto de efeitos a que podemos dar a designação global de conteúdo. ser afastados pela vontade das partes. quanto aos actos bancários eventuais. temos 2 hipóteses: ou a prática. por razões estruturais não será possível imaginá-los sem banqueiro. 8. Pense-se. Os actos bancários sem banqueiro seguem o regime próprio dos actos bancários. a título profissional. por não banqueiro. pelos actos bancários praticados por entidades publicas. Perante essa classificação podemos apontar as seguintes situações bancárias sem banqueiro: qto aos actos de natureza bancária absoluta. O Direito bancário faculta ainda diversas subclassificações. Os elementos normativos são injuntivos ou supletivos. O acto de natureza bancária relativa só pode ser praticado. Encontramos: ¾ actos de natureza bancária absoluta. pelas instituições de crédito e sociedades financeiras.de actos bancários em função da entidade apta a praticá-los.º do RGIC. conforme possam. Finalmente e por exclusão de partes serão eventualmente bancários os actos referidos nas alíneas j) a r) do art. Em abstracto. os elementos voluntários são necessários e eventuais. por exemplo. A 1ª hipótese é objecto de incriminação: é o que resulta do art. Por seu turno. celebrados pelas partes. 4. Assim os . normalmente contratos. é o que sucede nos casos do art. 8.º/1 do RGIC. 200.º/2 do RGIC. consoante advenham de normas jurídicas ou de actos. A 2º tem a ver com ilícitos de mera ordenação social com relevo para o art. tenham exclusivamente a ver com a profissão de banqueiro. num contrato de câmbio em que as partes não indicassem as moedas em presença. por sua natureza ou finalidade. O abusivismo bancário consiste na prática de actos bancários vedados. ¾ actos de natureza bancária relativa. Os necessários devem ser providenciados pelas partes. ¾ as regras que. uma infracção especialmente grave. Apenas haverá que excluir: ¾ as regras afastadas ou substituídas por preceitos específicos: é o que sucede. de actos de natureza bancária absoluta ou a prática profissional de actos relativamente bancários. Podemos distinguir diversos elementos e.º/1 do RGIC. sob pena de não se consubstanciar o negócio ou de surgirem irregularidades irreparáveis.º. ou não. em especial. 8. os normativos e os voluntários.º/3. Os eventuais limitam-se a afastar normas supletivas.

Podemos apontar exigências físicas (instalações. 73. o espaço próprio dos actos bancários tais normas fixam para este limites inultrapassáveis. de salvaguarda do sistema e. regulamentares ou usuais: a sua origem estará.º A competência técnica dá azo a deveres de qualidade e de eficiência. prevalentemente. 76. 74. A actividade bancária é dominada por parâmetros tecnológicos e culturais em permanente ascensão. O especial papel da autonomia privada. para os actos bancários. mais recentemente. no tocante a deveres gerais. A existência de um conteúdo positivo de relativa extensão tem a ver. precisamente. O conteúdo negativo liga-se a normas de proibição: sem definir. de tutela dos consumidores que nele dominam. 75. Esta norma é importante. o tipo bancário. o banqueiro terá de racionalizar os . criação de novos serviços). isto é. através de deveres cominados ao banqueiro. determinados efeitos. O conjunto representado pelos elementos normativos e pelos elementos voluntários necessários constitui o tipo contratual e. para o caso. em aproveitamento de terminologia habitual: trata-se de actos configurados por elementos repetidamente vertidos em cláusulas contratuais. Por seu turno. ●Conteúdo positivo No estudo do conteúdo dos actos bancários podemos distinguir um conteúdo positivo e um negativo. adequação e eficiência O RGIC tem um Título VI relativo às regras de conduta do banqueiro. em regulamentos ou nos usos bancários. respectivamente. provindo os segundos de acordos especificamente concluídos. o conteúdo positivo dos diversos actos configura-se. no sector bancário. Para oferecer boas condições ao seu cliente. Dada a natureza predominantemente relativa das situações bancárias. Os poderes de supervisão concretizam todos esses elementos. acesso. A prossecução destes objectivos obriga o banqueiro a um esforço permanente de reorganização do trabalho e métodos e de formação de seu pessoal. com as preocupações de política económica.etc) e exigências bancário-culturais (disponibilidade de produtos. nos elementos voluntários podemos distinguir os voluntários gerais dos voluntários específicos: os primeiros advêm de cláusulas contratuais gerais. Aí. na lei. surgem-nos 4 figuras: ¾ a competência técnica: art. com regras que prescrevem.º ¾ o dever de informação: art.elementos normativos podem ser legais. particularmente quando vertida em cláusulas contratuais gerais. O conteúdo positivo tem a ver com normas de imposição.º ¾ o critério de diligência: art.º ¾ as relações com os clientes: art. ●Os deveres de competência. permite distinguir os “tipos sociais”.

º. deve ser aproximada dos deveres prescritos no RGIC quanto às relações com os clientes (art. de natureza legal ou contratual. no limite. induzirem responsabilidade bancária. meras normas programáticas e de enquadramento. assim entendida. conforme com a lei e determinável (art.º/1 do CC). a regras precisas de conduta. Pergunta-se se os arts 73. O critério de diligência. pela legislação relativa à lavagem de dinheiro e ao branqueamento de capitais. enquanto instituição. A competência técnica. conformação legal: possibilidade e determinabilidade O conteúdo das situações das situações jurídicas bancárias deve obedecer às regras jurídicas dos negócios jurídicos. 74. 942. Os arts 73.º). se podem considerar como verdadeiras normas de conduta. Tratase. serão meras regras programáticas. de todo o modo.º e 76. apenas o mercado poderá. de um acto aleatório que pode facultar largas margens de arbítrio e que inclusive pode ser configurado como doação de bens futuros. destinado ao próprio banqueiro. em suma. como nos casos dos arts.º/1 do CC. e de respeito consciencioso dos interesses confiados ao banqueiro.º do CC. descrição.custos o que. 74.º. eles terão de ser completados por outras regras. 76. Trata-se da recuperação. 74. e bem. No 2º caso o acto é indeterminável porquanto na celebração não é de todo configurável a feição que este irá assumir afinal. em suma. Trata-se. fontes de direitos para os clientes. A jurisprudência tem vindo. em ultima instância afirmar se o banqueiro cumpre ou não os seus deveres de adequação e de eficiência. Se bem se atentar. No campo bancário múltiplas regras de ordem pública. desenvolvidas designadamente pelo poder regulamentar do Banco Central. neste domínio. aparentemente orientado para os administradores e para o pessoal dirigente mas. com fins bancários. 280. da eterna tensão entre a qualidade e o preço.º e 883. As relações com os clientes levam o legislador a referir deveres de diligência.º e 76.º do RGIC são. vedada pelo art. 400. O acto bancário deve ser física ou legalmente possível. a invalidar negócios bancários de conteúdo indeterminável. da figura do bonus pater famílias.º) e quanto ao critério de diligência (art. no fundo. Na prática. num drama que sendo já bem conhecido da indústria convencional chega agora à banca. susceptíveis de. A determinabilidade obriga a recordar a distinção entre actos indeterminados e actos indetermináveis. Um papel importante é ainda o desempenhado. A conformidade com a lei é um requisito óbvio.º do RGIC com o conjunto de deveres de adequação e de eficiência que deles resultam. No 1º caso encontramos uma actuação desconhecida aquando da celebração do negócio mas dotada de elementos que podem proporcionar a sua determinação antes do cumprimento. lealdade. aponta para a bitola do banqueiro criterioso e ordenado. podem inviabilizar diversos actos ferindo-os de nulidade. de modo a dar azo a verdadeiros direitos subjectivos ou. poderá pôr em causa o objectivo pretendido. se pelo contrário. bons costumes e ordem pública O conteúdo bancário deve ser conforme com os bons costumes e a ordem . ●Segue. ou. quando violadas. assim. ●Conteúdo negativo.

mesmo e em regra. 281. No Direito bancário surgem importantes vectores de ordem pública. um dever acessório cominado pela boa fé. O raciocínio afigura-se correcto. 281.º do CC configura a hipótese de apenas o fim do negócio jurídico ser contrário à lei ou à ordem pública ou ofensivo dos bons costumes. Podemos avançar que os bons costumes abrangem 2 áreas: ¾ a das regras de comportamento pessoal. à partida. A inobservância de regras deontológicas significativas é indutora de nulidade. Assim. 280. ¾ a dos códigos de conduta e deontológicos. do próprio contrato. A 1ª categoria de actuações contrárias aos bons costumes não é de fácil configuração no Direito bancário. Nestas hipóteses o art.º/2). de pagamentos – e conhece excepções legais. Secção II – SEGREDO E INFORMAÇÃO BANCÁRIOS O SEGREDO BANCÁRIO E A JUSTIFICAÇÃO ●O segredo em geral Diz-se obrigação de segredo o dever de não revelar determinados conhecimentos ou informações. por seu turno. Trata-se de um dever de non facere. A ordem pública exprime. com 2 precisões: ele é válido para operações de caixa . O art. Noutras operações. os códigos de conduta poderiam ser aproveitados como normas de protecção para efeitos de indemnização. . o conjunto de princípios injuntivos que não podem ser postergados pela autonomia privada. o banqueiro teria mesmo a obrigação de não indagar o fim último dos actos praticados. o seu cumprimento poderá. etc. sexual e familiar. que embora não explicitadas no CC. 280. Trata-se de um dever que serve o cliente mas. o Direito bancário move-se num plano estritamente patrimonial sendo-lhe indiferente o que se passa nas esferas das pessoas intervenientes. designadamente as induzidas das regras sobre branqueamento de capitais. por parte do banqueiro. são reconhecidas e observadas na sociedade. prevista no art. designadamente na concessão de créditos significativos. na prática dos diversos actos bancários. a finalidade do negócio consta. manifestação especializada da ética dos negócios. A 2ª categoria tem um papel crescente. nos negócios com o seu cliente.pública (art. No campo contratual o dever de segredo é. Todas as informações ou conhecimentos que um co-contratante obtenha. Reparese: a não ser esta construção. no tocante aos limites existentes para a remuneração do capital.portanto operações passivas e conexas tais como recepção de depósitos ou realização.º é claramente aplicável no domínio bancário. a observar em determinadas profissões. Em princípio. usar cofres. Os códigos de conduta exprimem uma deontologia bancária que autolimita o banqueiro. o próprio banqueiro: este não poderia ser responsabilizado por finalidades que deveria desconhecer. Podemos ainda fazer aqui intervir a ética bancária. por via da violação da regra dos bons costumes. por exemplo. na base destes. A doutrina e a jurisprudência têm apontado a existência de um dever de nãoingerência. em simultâneo. num plano acessório exigir actuações positivas: fechar portas e gavetas. todavia.º do CC.

Ninguém confiará no seu advogado se tiver a ideia que este poderá revelar. por seu turno. tenham ou possam ter acesso às informações. Nessas condições está. ●O regime do RGIC Deu-se um enfraquecimento do segredo bancário mas tal enfraquecimento deu-se perante o Estado. 78. do direito à intimidade sobre a vida privada e. 195. surgida entre os contratantes. Desta feita. O segredo aproxima-se. não devem ser usadas. desta forma. Mas facultar tais elementos a 3ºs é pôr cobro à intimidade das pessoas. No 1º tempo eram essencialmente destinados a deter o Estado. 79. mais latamente. a qualquer título.por via do contrato. O Direito bancário acompanha hoje quase todas as operações patrimoniais praticadas pelas pessoas. A regra do sigilo contratual corresponderá a uma concretização da tutela da confiança. Em termos jurídico-positivos. o Estado. dos direitos fundamentais relativos à personalidade. desde logo. movimentos e despesas pode ser fonte de pressão. assim. O banqueiro. também sofreram uma evolução. art. A revelação de depósitos.º/1 e 25. fora do que exija a defesa dos interesses.º/1 do RGIC e 195. para prejudicar a outra parte ou fora das expectativas dela. Pode dizer-se que a confiança é tanto mais forte quanto maior for a personalização da relação.º e 79. o segredo bancário só cessa com o consentimento do cliente: é o que resulta do art. Tem interesse relevar os preceitos penais. Além do problema da intimidade privada. quanto lhe confiar. O segredo deixa. religiosas ou deontológicas. O enunciado geral do dever de segredo não pode fazer esquecer que neste domínio. como noutros. os institutos abstractos são precedidos por manifestações periféricas ditadas pelas mais diversas necessidades: económicas. de ser uma exigência da tranquilidade contratual e da confiança bilateral. O RGIC dedicou ao segredo profissional o capítulo II do título VI (arts.º). 26. Estes. posteriormente eles vieram a mostrar-se eficazes na tutela das diversas posições erga omnes. culturais. fora do âmbito do contrato. por exigências policiais e fiscais e não propriamente perante os particulares. Sendo assim. O banqueiro pode através da análise dos movimentos das contas de depósitos ou dos movimentos com cartões. não o fará: não o deve fazer. o segredo bancário começa por se apoiar na própria Constituição e designadamente nos seus arts. o desrespeito pelo segredo bancário põe ainda em causa a integridade moral das pessoas atingidas. o problema põe-se não já perante indiscrições do co-contratante mas em face de outras entidades que.º. Ele assume a dimensão de uma exigência pública necessária para o funcionamento das instituições. Tal consentimento equivale a uma limitação voluntária de um direito de personalidade ( o direito . troça ou suspeição.º do CP. até por ter muitos milhares de clientes. ●A defesa do segredo bancário O segredo bancário deve ser preservado nas nossas sociedades. O passo seguinte tem a ver com oponibilidade do sigilo a 3ªs.ª do CP. seguir a vida dos cidadãos.

se vão descobrir as grandes manigâncias e os grandes tráfegos. Resta sublinhar que a “prevalência do interesse preponderante” deve ser tomada em termos substantivos e valorativos: apenas os interesses subjacentes a um crime prevalecem sobre os bens de personalidade em jogo no segredo. 81. mas também a outros (art. o diploma prevê o seguinte: ¾ uma obrigação do banqueiro de identificar o seu cliente habitual ou o ocasional que efectue uma transacção que atinja ou ultrapasse os 12.º/1.º/1 e 26. LIMITAÇÕES AO SEGREDO BANCÁRIO: BRANQUEAMENTO E FISCALIDADE ●O regime processual do levantamento O segredo bancário conhece algumas excepções. O banqueiro.º do CC. que é o .500 euros e de apurar. O segredo bancário deriva.º do CC com cobertura constitucional dos arts. ainda. Temos. Os contratos são também “propriedade privada”: devem ser respeitados pelo Estado. Há por isso que lhe aplicar o regime do art. na hipótese de actuação por conta de outrem. aditado pela Lei 11/2004). de 4 de Dezembro foi transposta pela Lei 11/2004. É o que sucede em face dos sucessores do cliente ou os seus credores em processo executivo. A lei de processo penal pôs a maior dignidade na quebra do segredo. A Directriz nº 2001/97. Ela deve limitar-se ao minimum necessário enquanto o segredo se mantém como tal. 25. Perante o Direito privado o segredo só cede em face de quem tenha um direito bastante relativo ao bem que esteja. 135.º do CPP.à reserva sobre a intimidade da vida privada. viola a relação bancária básica. ●O branqueamento de capitais O branqueamento designa. 762. os (pequenos) incautos e incomoda-se muita gente por puro sensacionalismo ou por retorção pessoal ou pública. Hoje os “activistas” reivindicam-se de democracia. Ao concluir a abertura de conta o banqueiro e o seu cliente. Umas e outros podem ser mascarados de movimentos legítimos e titulados ou deslocalizados para paraísos sem interferência. na posse do banqueiro. entre outros aspectos. de base contratual.º/2 do CC). 80. imiscuir-se numa relação contratual. da existência de uma relação jurídica bancária. ainda. art. sim. explícita ou implicitamente. seja ele o Estado. a quebra do segredo exige imperiosas razões de interesse geral a confirmar pelo tribunal. Todavia é ingenuidade pensar que. quebrando o segredo. Quando não o façam: o sigilo sempre se imporia como dever acessório. assentam em que o sigilo será respeitado. por via bancária. Além disso não vemos a que título poderá um 3º. imposto pela boa fé (art.º-A do CP. de 27 de Março. ao quebrar o sigilo. Apanham-se. em geral. fora do processo onde foi revelado. 368. razões públicas que recomendam a defesa do segredo bancário. No Direito público. para além dos casos específicos do branqueamento e da fuga fiscal. ou possa estar. art.º/4 do CPC remete a quebra do sigilo para o disposto no processo penal. O problema liga-se ao crime organizado e ao tráfico de droga. a utilização de banqueiros para dissimular a origem criminosa da obtenção de fundos. O art. 519.

19. a Administração e a Fiscalização Tributárias tinham acesso a elementos bancários ou similares dos contribuintes. Além disso. corrupção e outras infracções. viera punir o branqueamento de fundos provenientes de crimes de terrorismo. entre os quais o sigilo bancário e o que ele representa. sem prévio controlo judicial. no art. lenocínio. com relevo para os arts. Esta matéria foi alterada pela Lei nº 55-B/2004.º) O Decreto-Lei nº 325/95. 15. 25. Classicamente. a contrario). Diversos preceitos constitucionais o exigem. a tudo quanto respeite sem o prévio consentimento destes seria um extraordinário retrocesso na ideia de Estado de Direito e da separação dos poderes.º/1. demagogicamente apresentada por forças políticas opostas como sendo a causa do défice das contas públicas. Processou-se depois todo um debate relativo a uma reforma fiscal que limitaria o segredo bancário.º/6 e 34.º 103. . o art. Trata-se de um preceito claramente inconstitucional: viola o art. 20. o art. ¾ um dever de não praticar actos de branqueamento (art.º/2 (princípio da tipicidade tributária) e o art.º). 3º. do segredo bancário ter uma ideia francamente oposta à actual panorâmica da doutrina. 63. apenas em casos muito pontuais. de 2 de Dezembro. Acabaria por ser revogado pela Lei nº 11/2004 que absorveu as suas regras. Admitir que a Administração pudesse aceder. tráfico de armas. ¾ um dever do banqueiro de denunciar à autoridade judiciária competente suspeitas de operações capazes de implicar o crime de branqueamento (art. 18.º/1.dominus (art. rapto.º-B da LGT já permite à Administração Fiscal aceder aos elementos bancários que entender: dará as justificações que lhe aprouver sem hipótese do recurso judicial (nº 5. viola o art. Em suma: a defesa dos direitos de personalidade e dos direitos fundamentais requer. de 30 de Dezembro. todos da CRP. quer por subscrever uma aplicação isolada do principio da tributação pelo lucro real. 32. nem mesmo devolutivo. O nº 1 do art. lei expressa e via jurisdicional como modo de limitar certos direitos. além. alargou a estas situações os deveres do banqueiro já impostos quanto à matéria dos fundos provenientes do tráfico de droga. entende que os aludidos poderes limitam o segredo bancário. 26. liberdades e garantias fora do que permite a CRP.º). Seria a forma de reduzir uma alegada fuga fiscal. ●A fiscalização tributária O segundo ponto que poderá exigir a quebra do sigilo fiscal é o da fiscalização tributária. Mas além disso. sempre.º/2 (princípio da proporcionalidade. 266. 4. quer por. Esta não pode ser invocada quando convenha e esquecida nos restantes casos. extorsão de fundos. Uma linha mais radical. todos da CRP.º/1. pois há uma suspensão de direitos.º/1 e 26. naturalmente. contrária à da sua aproximação dos direitos fundamentais.º/1.º.

573. O dever de informação. Mas no Direito bancário.A INFORMAÇÃO BANCÁRIA ●O tema As operações monetárias mais simples são. actuações simbólicas dos operadores. aqui. o do dinheiro e das operações a ele relativas. em grande parte. na banca. uns perante os outros. temos.º do CC é o mais característico exemplo. no fundo. muito mais isso sucede com a restante actividade do banqueiro. No 1º caso o dever de informação decorre de prescrições indeterminadas. A relação bancária duradoura. as informações redobram de valor e assumem um papel pioneiro. para todos os sectores sócio-económicos das modernas sociedades pós-industriais.º/1 ambos do CC. as informações há muito perderam a sua natureza instrumental e acessória: antes surgem como objecto principal de muitas obrigações. tal a situação das remissões para a boa fé objectiva. ¾ de lei estrita. É certo que essa afirmação vale. Um cliente engana o seu banqueiro quanto às suas possibilidades económicas. Se o núcleo bancário mais duro. estabelecida O Direito bancário é um Direito de informações. no direito bancário. adquire um mau produto e tem prejuízos. também ditas cláusulas gerais. . arts. Em suma: temos. noutros finalmente uma vontade directa. De acordo com a fonte os deveres de informação podem resultar: ¾ de cláusulas gerais.º/1 e 762. proveniente de cláusulas gerais. Seja para executar operações seja. e tendo em conta o valor das operações e a necessidade extrema da precisão. múltiplas hipóteses de responsabilidade cujos contornos devem ser previamente determinados. assim. banqueiro e cliente. Nuns casos houve engano de boa fé. No 2º o dever é inculcado por lei expressa a tanto dirigida: o art. ●Modalidades São vários os critérios possíveis. Tudo isto só é possível através de comunicações permanentes entre todos os intervenientes ou. ¾ cláusulas gerais legais. Banqueiros emitem informações preliminares ou trocam informações inexactas. quando a própria lei as prescreva directamente. de informações. em termos muito analíticos. Digamos que. actuações essas a que se associa o surgimento de vínculos abstractos. noutros. simplesmente. Um banqueiro dá informações inexactas a um cliente que. há. em face da perfeita predeterminação dos intervenientes. necessária ou eventual de enganar. vive já sob o signo da informação. uma permanente troca de informações. 227. com relevo para a boa fé in contrahendo ou para a observância da boa fé na execução dos contratos. Pode incluir-se aqui também o dever de informação que tivesse sido expressamente pactuado por contrato. pode ainda subdividir-se. para reconhecer as diversas posições dentro do sistema. em termos de regulação. negligência.

poderemos considerar que os deveres de informação decorrentes de cláusulas gerais são indeterminados. em termos gerais. ¾ deveres de informação formais. Tendencialmente. Assim.º. o obrigado deverá descrever toda a realidade relevante para a contraparte procurando termos adequados para o fazer com fidelidade. o obrigado fica vinculado. Ainda quanto ao conteúdo. de alguma coisa. ¾ determinação heterónoma.º. Temos 2 hipóteses básicas: ¾ determinação autónoma. encontramos: ¾ lei estrita geral: o caso do art.º/1 e 1038. Surge. nos arts. o art. nos formais. quanto mais indeterminado. objectivamente. E então 2 são as sub-hipóteses: ¾ determinação automática. já no do dever de comunicar uma recepção tardia o obrigado apenas dirá: recebi tarde ou fora de tempo. Há determinação autónoma quando o próprio obrigado tenha o encargo de. daqui. a hipótese de surgimento do dever de informar. maiores as exigências da substancialidade. ir fixando os termos a informar e a matéria a que respeitam: pense-se na culpa in contrahendo. acima referenciados. que prevê. Mas não fatalmente: em certos contratos. 229. por hipótese. Em princípio a substancialidade variará na razão inversa da precisão: quanto mais preciso for um dever. A determinação é automática quando resulte. na recepção tardia ou na própria boa fé contratual. a transmitir uma mensagem prefixada.¾ cláusulas gerais honorárias ou doutrinárias.º/1 do RGIC. Entre os 2 extremos apontados. Também o dever derivado de lei estrita admite uma subdistinção. apenas. Nos deveres de informação substanciais o obrigado está adstringido a veicular a verdade que conheça. 75. enquanto leis estritas específicas só in concreto permitem fixar o teor informativo a transmitir. há múltiplas graduações possíveis. Pense-se no caso do dever de comunicar a recepção tardia ou a cedência do locado. mais formal será o seu cumprimento. ¾ lei estrita específica: as diversas hipóteses em que a lei manda comunicar. por exemplo. O dever é preciso quando a sua predeterminação seja viável. g) ambos do CC. enquanto os provenientes de leis estritas específicas são precisos. Tal a situação típica das informações in contrahendo. no caso de boa fé in cotrahendo. a boa fé obriga a prestar informações predetermináveis. De acordo com o conteúdo. Assim ocorre. avisar ou informar alguém. é possível dostinguir: ¾ deveres de informação substanciais. à medida que a situação progrida. A determinação é heterónoma sempre que a fixação da informação não caiba ao próprio. ¾ determinação pelo beneficiário. descrevendo-a em termos explícitos. da situação em causa. 573. previstos. no Direito bancário temos. respectivamente. quando haja que recorrer a doutrinas tais como a dos deveres do tráfego. o dever de informação pode ser: ¾ indeterminado ¾ preciso O dever de informação é indeterminado quando não seja possível determinar previamente o seu conteúdo. como exemplo. . o critério da autoria da determinação dos deveres de informação. Assim.

ela deve ainda ater-se ao essencial. devemos assentar em que o problema se põe. Já o regime jurídico envolvido pode tornar-se mais complexo sobretudo por assentar muitas vezes em usos bancários ou em cláusulas contratuais gerais. a cargo do banqueiro. uma agência de informações e mesmo esta teria de ser contratada para informar. 485. A instituição financeira tem conhecimentos tem conhecimentos e experiência para perante cada negócio reconhecer. como qualquer outra entidade. em assembleia-geral (art. no âmbito do art. ou podem ficar. em geral. adstritas a trocar determinadas informações. pelos administradores. apenas. secundário ou acessório: integra-se assim o art. ainda. proceder à configuração do dever de informar. é plausível a presença de cláusulas não dominantes que prevejam informações: a prestação é secundária. ou mesmo pré ou pós-contratual. a situação de especial carência em que se encontre o cliente do banqueiro. de prestação secundária ou de deveres acessórios. a menos que estejam disponíveis elementos muito seguros. Anónimas. Por fim encontramos o critério da inserção no vínculo.A determinação opera pelo beneficiário sempre que caiba. de apreensão mais complexa. Num negócio com diversos elementos. por exemplo um contrato de engenharia financeira. Tal será o caso das informações a fornecer. Além de atinente. que o banco se reserva o direito de. A informação bancária contempla.º/1 do CSC). de deveres de acompanhamento e atingindo novos níveis com a automação. Perante um contrato cujo objecto seja. a boa fé pode determinar a prestação de informações. precisamente. até à conclusão do contrato. o ponto que deve ser informado ao cliente. ●Informações ao cliente Numa situação bancária ambas as partes ficam. Em suma: a informação bancária distingue-se da comum por ser tendencialmente técnico-jurídica. esta vai surgir como objecto da prestação principal. Ora. Assim num processo tendente à concessão de crédito haverá que informar. por parte do banqueiro. o aconselhamento e a informação. No Direito comum a informação diz essencialmente respeito a questões de facto. não conceder qualquer crédito. ●Informações do cliente . de prestar informações: o banco não é. com toda a clareza. a questões jurídicas. de imediato. simples. As previsões que o banqueiro faça sobre a evolução de variáveis económicas só devem ser comunicadas ao cliente sob reserva. Como base de estudo. segundo os produtos a que respeite dobrando-se. por profissão. directa e eficaz. Já no Direito bancário a informação requerida aos bancos é. Ela é muito diversificada. no essencial. quando o banqueiro deva informar.º/1 do CC: só é responsável se agir com dolo. 290. Fora dessas hipóteses o banqueiro que preste uma informação coloca-se. a este.º/2 do CC. A informação pode ser objecto de prestação principal. Por isso o dever de informação só ocorre quando o banqueiro o tenha assumido ou quando a boa fé o exija. 485. técnico-jurídica. Estas diferenciações são relevantes para a determinação do âmbito e da intensidade da informação a prestar. trata-se de um dever acessório. Finalmente em qualquer situação contratual. aos sócios das socs. à partida não há qualquer dever geral. principalmente. a título principal.

Nessa altura passamos a distinguir: ¾ informações de ordem geral sobre a existência e a normalidade de relações bancárias prévias. por ex. As informações relativas ao cliente são. Este regime da informação sobre o cliente funciona no interesse de ambas as partes envolvidas: cliente e banqueiro.. mediante prévia autorização jurisdicional. O cliente que inicie uma relação bancária nova poderá fornecer ao banqueiro diversas referências abonatórias e.º do CVM. solicitadas no domínio dos negócios. etc. os seguros e o mercado mobiliário potencia novos deveres de informação. a indicação de contactos bancários anteriores com outros bancos. o banqueiro conhece os meandros da vida patrimonial e pessoal dos clientes. sobre os volumes envolvidos em relações bancárias ou sobre quaisquer outros elementos específicos do conhecimento do banqueiro. ou se a isso for obrigado por contrato ou por lei. por vezes melhor do que a mais cuidadosa autoridade policial. óbvia . Pode prestá-las? Todas as informações relativas ao cliente estão a coberto do dever do segredo. noutros ordenamentos. Mercê da amplitude hoje assumida pela actividade bancária. por vezes. Mesmo quando autorizado o banqueiro só informa se o entender. ¾ nos casos previstos pela lei. ao seu banqueiro elementos pessoais de tipo confidencial: residências secundárias. Por isso deve entender-se que o banqueiro não tem qualquer dever geral de prestar informações sobre o seu cliente. telefones. ou possa prestar. de âmbito diverso. um banqueiro está já a autorizar a sua revelação mas apenas ao destinatário da referência. com a aproximação crescente entre a banca. designadamente. ¾ limitadamente.Outro ponto relevante das informações bancárias tem a ver com as contas que o banqueiro preste. Em relação às 1ªs deve entender-se que o cliente. para prestar um serviço ao cliente. particularmente no tocante às relações interbancárias. ●Informação ao mercado A integração do mercado financeiro. dos usos e das cláusulas contratuais gerais impõe-se entre nós por via do regime da limitação voluntária dos direitos de personalidade. Além disso o cliente fornece. Em relação às 2ªs o cliente terá de contactar directamente o seu banqueiro e autorizá-lo a prestar a informação pretendida. art. sobre o seu cliente. Este pode ser responsabilizado por informações incorrectas. no âmbito do Serviço de Centralização de Riscos de Crédito. 7. As informações mobiliárias têm um campo lato. Além da área clássica das informações privilegiadas procede-se a um agravamento da responsabilidade por informações inexactas ao mercado de capitais. está na posse de informações importantes sobre o cliente. além disso nenhuma vantagem directa lhe advém de prestar informações sobre os seus clientes para além do acréscimo de trabalho que isso representa. Tudo isto que resulta. normalmente. O banqueiro só as poderá revelar: ¾ com autorização do cliente. Daqui resulta que o banqueiro. ¾ informações específicas sobre operações concretas. ao dar como referência.

ainda que carecidos de clara base jurídica. seja no plano legal. no tocante a informações a prestar ao mercado. Para além das indicações mais directas que dêem aos seus clientes directos. a profissão do banqueiro não parece ser de molde a provocar especiais danos: ele não envolve perigos para a integridade das pessoas e dos bens. Os bancos. No direito francês. poderiam ser pedidos sacrifícios. Por vezes. particularmente no aspecto característico da concessão de crédito. perpetuar factos ilícitos. Hipótese marginal seria a do banqueiro provocar danos em virtude da lesão de direitos absolutos pela inobservância de normas genéricas. que traduzam danos para o devedor ou para os seus credores. ele é responsável (responsabilidade civil em geral). A responsabilidade bancária é a responsabilidade profissional do banqueiro. perante o Direito positivo português. CONCRETIZAÇÃO DA RESPONSABILIDADE BANCÁRIA · Responsabilidade obrigacional e aquiliana: a causalidade Na concretização do banqueiro. nas diversas ocorrências de insolvência ou similares. Assim. poderia evitar ou retardar a insolvência.. das sociedades e dos titulares dos órgãos das sociedades. (+ pág. Ficam abrangidas a responsabilidade dos emitentes. os banqueiros são operadores activos na confecção da opinião pública do mercado. a dar-se. dos seus específicos deveres: seja no plano contratual. em nome de uma equidade informe. À partida. como qualquer outro interveniente. 309 a 311). i.RESPONSABILIDADE BANCÁRIA A RESPONSABILIDADE DO BANQUEIRO · O problema em geral No decurso da sua actividade profissional. · Um serviço público? O Direito Português Afasta-se a existência de uma responsabilidade pública dos bancos pela concessão de crédito. porém. no seio do Direito Privado. Quando isso suceda. é hoje fundamental a contraposição entre a responsabilidade obrigacional e aquiliana. a responsabilidade exige que alguém pratique um dano. a área correspondente ao não cumprimento. o banqueiro pode.quando dolosamente propaladas nos meios de comunicação social. Secção III .e. movem-se em Portugal. A essa presença da banca soma-se a ideia difundida da força económica das instituições de crédito às quais. Os banqueiros surgem como agentes privilegiados. a actividade da banca pode surgir associada a diversos prejuízos. pelo banqueiro. . e uma reunidos os demais requisitos legais. seja como entidades cuja intervenção.

a mera falta de informação a nada conduz. O responsabilizado só se liberará se lograr provar que. requer-se um dano ilícito e com culpa. do exposto. com culpa. na responsabilidade bancária. tal dever. O banqueiro responde ainda. · Aplicação perante o dever de informar Numa situação de tipo obrigacional. A natureza híbrida da responsabilidade civil portuguesa tem consequências importantes. A responsabilidade bancária concretiza-se. contra o devedor inadimplente. perante a administração de património. há uma clara contraposição entre a culpa e a ilicítude. . No primeiro preceito. Na presença de um acordo entre o banqueiro e o seu cliente. a ilicítude. Competirá. A responsabilidade bancária pode alargar-se a situações nas quais o banqueiro remeta o cliente para outros prestadores de serviços. depois. de demonstrar que o visado não cumprira. perante informações que determinem importantes decisões. prestara a informação ou que beneficiara dalguma causa de justificação ou de escusa. uma denominada “presunção de culpa”. Já se estivermos perante a inobservância de deveres genéricos.na responsabilidade aquiliana a culpa e ilicítude estão contrapostas. a simples falha do resultado normativamente prefigurado implica presunções de ilicítude de culpa e de causalidade. resulta do confronto entre os arts 483º/1 e 799º/1 do CC. porém. O prejudicado terá de provar todo o condicionalismo que originaria o dever de informar por parte de outrem e. a mera falta de informação do beneficiário responsabiliza. O esquema português é misto: . pois. contra ele. A demonstração jurídico-positivista mais clara. A responsabilidade por questões ligadas às informações prestadas pelo banqueiro domina boa parte do panorama da responsabilidade bancária. automaticamente. perante recomendações de produtos arriscados a clientes inexperientes. 317). como hipóteses clássicas: perante o banqueiro que atesta factos inexactos ou que dá falsas indicações a um terceiro. em simultâneo. ao devedor inadimplente apresentar alguma causa de extinção de obrigação ou de justificação do inadimplemento. .na responsabilidade contratual domina a “culpa” e traduz. Já numa situação de tipo aquiliano. a presunção de “culpa”/ilicítude prevista no artigo 799º/1 do CC. perante o giro bancário. perante os cheques. afinal. tudo fica nas mãos do prejudicado que deverá provar os diversos pressupostos de responsabilidade civil. “churning” · Jurisprudência portuguesa (pagina 319 a 323). pelo risco de falsificações (+ pág. em geral. No artigo 799º/1 surge. o obrigado: joga. perante elementos de que tenha conhecimento que possam pôr em jogo um mútuo que vai celebrar. mesmo em clientes experientes.No alemão.

PRINCÍPIOS GERAIS A AUTONOMIA PRIVADA .Capítulo II .DOS ACTOS BANCÁRIOS EM GERAL Secção I .

escolher um tipo legal previsto na lei. . enquanto direito privado. designadamente: . . Cabe referir os mais habituais: . celebrar os contratos que entenderem. As partes podem. quando as normas de conflitos o permitam.engendra figuras contratuais antes desconhecidas. . pois. preposições inteiramente novas.contratos de tipo duplo ou geminados: uma das partes está ligada à . que a autonomia surja restringida na sua efectivação prática. os contratos mistos podem-se multiplicar até ao infinito. . .eleger um tipo social que. Em sentido amplo. · Actos Mistos Em rigor. de sua lavra. um postulado de numerus apertus: o número de actos bancários teoricamente possíveis é ilimitado. a própria aderência da comercialidade bancária a regras económicas obriga a uma concretização de actos por vias preestabelecidas. todos os contratos mistos são atípicos.contratos típicos: aqueles cuja regulamentação geral consta da lei.inserir. esteja consagrado pelos usos e pela prática do comércio.contratos mistos em sentido estrito. Isto permite dois corolários significativos: . num único instrumento contratual. No tráfego bancário dominam exigências claras de normalização. junto de cláusulas típicas. ainda que submetendo-se. embora sem previsão legal específica.adoptar contratos comerciais apenas consignados em leis estrangeiras. Uma vez que resultam da autonomia privada. Além disso. seria possível distinguir: . . .remeter pura e simplesmente para um modelo estrangeiro ou na prática estrangeira. no que as partes não regulem. regras provenientes de dois ou mais tipos legais ou sociais.contratos atípicos (em sentido estrito): aqueles que surjam como total criação da vontade das partes. . . Compreende-se. .as regras bancárias são susceptíveis de aplicação analógica. deste modo. no tocante a actos correntes (ver cláusulas contratuais gerais). aqueles que resultem da junção.contratos múltiplos ou combinados: uma das partes está vinculada a prestações específicas de vários tipos contratuais enquanto a outra está obrigada a uma prestação própria de um único tipo. num mesmo contrato. à lei nacional.associar.· Numerus apertus e normalização bancária O direito bancário material. . Essa ambiência de grande configurabilidade dos actos bancários é contrabalançada pelas necessidades de normalização bancária. por isso. Vigora.contratos mistos em sentido amplo: aqueles que correspondam a um conjunto de cláusulas próprias de tipos contratuais legais e de cláusulas engendradas pelas partes. é dominado pela autonomia privada. genericamente consignada no artigo 405º/1 do CC e.as descrições legais relativas a contratos bancários não são contratualmente típicas. de cláusulas retiradas de dois ou mais contratos típicos.

prestação típica dum contrato enquanto a outra deve realizar a prestação própria do outro; - contratos mistos em sentido estrito, indirectos ou cumulativos: as partes escolhem um certo tipo contratual mas utilizam-no de tal modo que, com ele, prosseguem o escopo próprio do outro; - contratos complementares: a obrigação própria de um contrato é acompanhada por obrigações retiradas de tipos contratuais diferentes; O contrato misto rege-se, em princípio, pelas regras pretendidas pelas partes. Deve entender-se que apenas por excepção a lei interfere na liberdade contratual associando, aos negócios por elas celebrados, cláusulas ou regras da sua autoria. Nos contratos mistos, este princípio é, ainda, mais ponderoso. De facto, o contrato misto é, por definição, atípico ou não previsto na lei. Não obstante, pode suceder que as partes estabeleçam um contrato misto, mas sem prever, para ele, um particular e explícito regime. Nesta ocasião, poderá ser necessário recorrer à lei, ainda que a título supletivo. Têm sido apresentadas três teorias para explicar regime aplicável aos contratos mistos: a teoria da absorção, a teoria da combinação e a teoria da analogia: - pela teoria da absorção haveria que determinar, em cada contrato misto concretamente surgido, qual o elemento tipicamente prevalente; esse elemento ditaria, depois, o regime do conjunto; - pela teoria da combinação impor-se-ia uma dosagem entre os regimes próprios dos diversos tipos contratuais em presença; todos eles contribuiriam para fixar o regime final do contrato misto e integrar; - pela teoria da analogia considerar-se-ia que o contrato misto, por definição, seria um contrato não regulado na lei; assim sendo, liderar-se-ia com uma lacuna que não poderia deixar de ser integrada, nos termos gerais. A teoria da combinação aplicar-se-ia a contratos múltiplos e aos geminados, ficando a da absorção para os contratos cumulativos e para os complementares. Na verdade, o essencial terá de residir sempre na autonomia privada: quando esta seja omissa, impõe-se recorrer aos princípios gerais da integração dos negócios jurídicos, com relevo para a vontade hipotética das partes e para a boa fé. Este último aspecto tem vindo, na doutrina mais recente, a dar um certo fôlego à teoria da absorção. Trata-se de um ponto com relevo específico no direito bancário. As necessidades de normalização, de simplicidade e de previsibilidade económica levam a que, as partes, mesmo quando acrescentem determinadas cláusulas atípicas, tenham em vista determinado padrão típico a que, apesar de tudo, ainda seja possível reconduzir o contrato. As regras típicas mais próximas serão, assim, aplicáveis, quando, in concreto, não se imponham outros esquemas. · As coligações ou uniões de contratos Os contratos em coligação ou em união distinguem-se dos contratos mistos: nas primeiras, diversos negócios encontram-se associados em função de factores de diversa natureza, mas sem perda da sua individualidade; nos segundos, assiste-se à presença dum único contrato que reúne elementos próprios de vários tipos contratuais.

Nas uniões de contratos, distinguem-se: - a união externa; - a união interna; - a união alternativa. Na união externa, dois ou mais contratos surgem materialmente unidos, sem que entre eles se estabeleça um nexo juridicamente relevante. Na união interna, dois ou mais contratos surgem conectados porquanto alguma das partes – ou ambas – concluem um deles subordinadamente à conclusão de outro ou em função desse outro. Na união alternativa, a concretização dum contrato afasta a celebração do outro. Este quadro afastaria a relevância jurídica das uniões externas; pelo contrário, nas uniões internas e nas alternativas, haveria uma interacção capaz de interferir no regime das figuras em presença. Outros autores apresentam quadros ordenados segundo linhas diversas ( Michele Giorgiani): - conexões funcionais - conexões causais - conexões unitárias Nas conexões funcionais, verifica-se uma união entre dois ou mais contratos para melhor prosseguir certo fim; nas conexões causais , um dos contratos estabelece uma relação donde deriva, depois, o outro; nas conexões unitárias, uma figura aparentemente una releva, a uma análise mais atenta, vários negócios. Francesco Messineo contrapõe, no essencial: - situações de dependência ou interdependência; - conexões genéticas ou funcionais; - conexões económicas Numa tentativa mais abrangente, é possível apresentar um novo quadro. Deixando de parte as uniões externas e as alternativas, verifica-se, no tocante às internas, que elas podem ser arrumadas em função de vários critérios. Assim, de acordo com o tipo de articulação, podem-se distinguir: - uniões processuais - uniões não-processuais As primeiras ocorrem quando vários negócios se encontrem conectados para a obtenção de um fim ( p. ex: um pacto quanto à forma, um contrato promessa e o contrato definitivo) ; as segundas, nos restantes casos. De acordo com o conteúdo surgem: - uniões homogéneas; - uniões heterogéneas. Nas primeiras, os vários contratos em presença são do mesmo tipo (p. ex: várias compras e vendas); nas segundas, eles reconduzem-se a tipos diferentes ( p. ex: mútuo e compra e venda). O modo de relacionamento entre contratos coligados permite apurar: - uniões hierárquicas - uniões prevalentes - uniões paritárias Nas uniões hierárquicas, um segundo contrato encontra-se subordinado a um primeiro, porquanto encontra neste a sua fonte de legitimidade; tal será o caso, p. ex: da agência/ subagência. Nas uniões prevalentes, um contrato especifica o objecto, o conteúdo e o regime de um certo espaço jurídico o qual irá, depois, ser retomado, por remissão pelo segundo; por ex., uma compra mercantil e a subsequente revenda. As uniões prevalentes são

frequentes nas situações em que um contrato de base seja servido por vários contratos instrumentais ou, simplesmente, em que tal contrato seja concretizado por outros – p. ex., contrato - promessa e contrato definitivo. Às uniões prevalentes também se pode chamar uniões com subordinação. Nas uniões paritárias, vários contratos surgem conectados internamente, mas em pé de igualdade; p. ex., várias compras e vendas. O tipo de articulação, por fim, permite distinguir: - uniões horizontais ou em cadeia - uniões verticais ou em cascata. Na união horizontal ou em cadeia, vários contratos conectam-se na horizontal, celebrados em simultâneo ou sem que, entre eles, se estabeleçam espaços de tempo relevantes. Na união vertical ou em cascata, os contratos articulam-se na vertical, dependendo uns dos outros ou justificando-se, nessa linha, entre si, de modo a dar corpo a uma ideia de sucessão. As diversas classificações, acima apresentadas, podem interpenetrar-se. Temos que ter em conta alguns aspectos jurídicos em que as coligações de contratos relevam. Desde logo, no domínio da validade. Nas uniões verticais, pode suceder que os contratos posteriores vejam a sua validade dependente da dos anteriores. E isso por uma de três vias: - a da legalidade; - a do vício na formação da vontade; - a da ilicítude. Uma coligação de contratos pode estruturar-se tal modo que a legitimidade para a celebração de um segundo contrato dependa da idoneidade de um primeiro. Por ex., a invalidade da agência determina, ipso iuri, a ilegitimidade da subagência. Numa segunda combinação verifica-se que, em certos casos, um dos contratos é celebrado na convicção da existência válida de outro; uma falha a nível deste último abre brechas no primeiro, por vício na formação da vontade. Tal o caso radical do contrato - promessa/ contrato definitivo. Um terceiro caso traduz ocorrências nas quais um primeiro contrato inviabilize a celebração de certos negócios. Pense-se num pacto de não concorrência. As coligações revelam, depois no conteúdo. E por isso, por algum dos três caminhos seguintes: - por remissão; - por condicionamento; - por potenciação. Há remissão quando um contrato, de modo implícito ou explícito, apele para outro, no tocante às regras que estabeleça. Há condicionamento nos casos em que o contrato não possa, na sua regulamentação ir além se certos limites prescritos em contrato anterior ou, muito simplesmente deva seguir vias por eles predeterminadas. Há potenciação sempre que os contratos unidos sejam necessários para a obtenção de objectivos comuns, os quais ficarão perdidos na falha de algum deles. ·Consensualismo e formalismo A liberdade de forma dos actos jurídicos, genericamente prevista no artigo 219º do CC, é ainda um corolário do princípio da autonomia privada: as partes podem obrigar-se livremente, pela forma que bem escolherem, salvo

um estrangeiro e um português recorrerão à língua em que ambos se entendam. A desformalização dos actos bancários é. 7º/3 da Lei nº 24/96. a actual lei de . não puderem ter natureza comercial e se tiverem sido praticados no exercício da sua actividade comercial. no essencial. (+ página 336/337). O uso de línguas estrangeiras vem. reconhece a validade dos documentos passados no estrangeiro (exarados em língua estrangeira). contudo. com recurso a cláusulas contratuais gerais. . (+ página 339). contidas nos arts 96º e ss. Com efeito. actos comerciais.actos bancários subjectivamente comerciais: os actos praticados pelo comerciante – aqui pelo banqueiro . devem sê-lo em português (139º/1 CPC). Os actos bancários serão. Por ex. como se disse. a língua portuguesa impõe-se. para certos actos. Com e pode ser formulado como o da liberdade de língua: os títulos comerciais são válidos qualquer que seja a língua em que estejam exarados. Dum modo geral. para os descriminar em relação aos estrangeiros. actos subjectivamente comerciais. naturalmente. finalmente. do C. Inferimos daqui que os actos bancários são. Por isso. pois. apenas se exceptuará. Quanto aos actos civis particulares praticados em Portugal não conhecemos nenhum preceito que obrigue ao uso do português. contraditada pelas necessidades de rapidez e de segurança que reinam nesse sector. em última instância. os actos públicos praticados em Portugal.actos bancários objectivamente comerciais: “actos especialmente neste Código” – artigo 2º C. podemos considerar que. por natureza. segundo o referido artigo 2º. O primeiro princípio resulta do artigo 96º do C. nenhuma razão havendo .º 29/833. Assim teremos: . o penhor bancário dispensa qualquer entrega – artigo 1º DL n. de 31 de Julho.regra em contrário. O direito bancário material é o direito da profissão especializada no dinheiro. Com.. PRINCÍPIOS COMERCIAIS · Os actos bancários como actos de comércio Os princípios de direito comercial são aplicáveis aos actos bancários. · O uso de línguas estrangeiras A natureza comercial dos actos bancários implica as disposições gerais relativas aos contratos de comércio. Por outro lado. O artigo 365º do CC. Nos contratos comerciais concluídos em Portugal.. Muitos deles são-no. Impõe-se. também a título objectivo. porém. segundo o art. os usos tendem a impor a língua inglesa. Nos contratos comerciais internacionais. Com. mesmo no domínio comercial. a hipótese de alguma regra especial determinar outra solução. um formalismo menos exigente do que o requerido no direito civil. Dois estrangeiros que contratem em Portugal usarão a sua língua. encontramos derrogações na forma exigida para certos actos: normas comerciais específicas prescrevem. no Direito comercial. as exigências formais são menores.salvo se. dois portugueses poderão querer aproveitar um texto já elaborado em língua estrangeira. algumas delimitações e restrições. assim a ser permitido nos contratos comerciais.

a telecópia é um documento particular que atesta a sua existência.o mandato e “ toda a prestação de consentimento” transmitidos telegráficamente com a assinatura reconhecida “. Havendo dados. Resulta daqui um vector geral a ter em conta: a primeira preocupação do direito bancário é a de que os diversos operadores se entendam… o que. a violação do Decreto-lei nº 238/86 não é sancionada com a nulidade dos contratos prevaricadores. tratando-se de cláusulas contratuais comuns – deve ser usada a língua portuguesa. 2ª parte. cumpre distinguir entre a prática do acto em si e a sua prova.. 3º do Decreto-lei nº 238/86. de 17 de Agosto retiramos a regra de que. Inferir uma nulidade por via do art. Um documento escrito e assinado não deixa de o ser pelo facto de ser enviado por cópia à distância..” O art. vamos entender que os documentos telecopiados. e retomando em termos actualistas. 294º do Código Civil pode redundar num dano maior para o consumidor. nos termos do art. uma regra da maior importância e que contradita a aparente liberdade de uso de línguas estrangeiras. perante consumidores finais . . Os preceitos aqui em causa que impõem o uso do português. · As comunicações à distância O art. para se fazer prova plena ou melhor prova. 97º do Código Comercial. mas o titulo de contra-ordenação.. 97º em causa surgiu logo no início das telecomunicações. O direito bancário institucional tem. obriga o uso do Português. Documentos autênticos ou autenticados remetidos por telecópia valem enquanto actos. As leis tem tardado a adaptar-se. nas obrigações . Apenas cumpre assinalar o Decreto-Lei nº 28/92. a ver coma tutela do consumidor: não com a validade dos actos. em juízo. com relevo especial para o art. os originais. 483º/1 . quando estabeleçam sucursais no País. Em síntese. a usar língua portuguesa na escrituração de livros: uma regra sem paralelo no Direito comercial comum. Simplesmente veio exigir que fosse utilizado ou o serviço público de telecópia ou equipamento de advogado ou solicitar.. do código Civil. valem como documentos particulares. Na fixação das regras relativas a comunicações negociais à distância.e logo. que se pretende proteger. são válidos e fazem prova em juízo.os telegramas cujos originais houvessem sido assinados pelo expedidor ou mandados expedir por quem figure como expedidor valem como documentos particulares. Assim. o velho art. ainda. que veio admitir o uso de telecópia na prática de actos processuais. · Solidariedade e regime conjugal de dívidas O art. Assim. em Portugal. sempre. cujos originais tenham sido assinados pelo próprio. de 27 de Fevereiro. podendo ser exibidos. 97º do Código Comercial fixava o valor da “ correspondência telegráfica”. 100º estabelece a regra supletiva de solidariedade. De todos estes preceitos. era o seguinte: . têm contudo.defesa dos consumidores – informação ao consumidor é prestada em língua portuguesa. ela pode dar azo a deveres de indemnizar por violação de normas de protecção. PO artigo 55º do RGIC obriga as instituições de crédito com sede no estrangeiro.

as partes devem respeitar os valores fundamentais da ordem. dentro deste. por via do art. . O princípio da ponderação bancária origina a prevalência das realidades. O princípio da rapidez faculta a normalização substancial. De seguida. a interpretação segundo o primeiro entendimento e a eficácia sancionatória. assim: . ela apresenta-se. cada vez mais. Desenha-se. .comerciais. Desde logo temos uma manifestação da natureza acessória da fiança: esta será comercial quando a obrigação principal o seja. Dada. a sua concretização preferencial através de deveres de informação. dos serviços bancários. 513º do Código Civil. ao contrário da primitiva solução do código permite evitar a comunicabilidade das dívidas comerciais através da elisão da presunção de proveito comum. Nas negociações preliminares. ou seja vigorar entre os cônjuges o regime da separação de bens”. Este preceito. no entanto. Teríamos. nos contratos mistos quanto aos não-comerciantes: aí a exigibilidade terá de ser convencionada.o princípio da rapidez. no tocante à responsabilidade dos cônjuges. nos termos do referido art. 1691º /1. Segundo o art. 638º/1 do Código Civil.comerciante. 513º do Código Civil. O único número do art. um tipo contratual próprio da fiança comercial. aqui. como um instituto vocacionado para actuar no campo dos serviços e. O art. Recorde-se que no Direito comum. vigora a regra inversa. da informatização e da unilateralidade. O princípio da simplicidade dá azo a subprincípios do consensualismo e da reformalização normalizada. mesmo que não . salvo se se provar que não foram contraídas em proveito comum do casal. Secção II . al. porém. 101º estabelece uma solidariedade do fiador da obrigação mercantil. OS PRINCÍPIOS BANCÁRIOS · Remissão Num sentido de crescente concretização aos princípios comerciais dever-seiam seguir os princípios bancários.o princípio da ponderação bancária. ocorre um afastamento do benefício da excussão previsto no art. As obrigações comerciais originam um regime especial. d) do Código Civil. jurídica pautando-se pela boa fé. . ambos são responsáveis: “ pelas dividas contraídas por qualquer dos cônjuges no exercício de comércio.A CELEBRAÇÃO A CULPA IN CONTRAHENDO EM GERAL · Deveres bancários prévios A culpa in contrahendo é um instituto geral do direito privado. 100º afasta essa regra. o recurso a cláusulas contratuais gerais e a desmaterialização.o princípio da simplicidade.

se não o quiser fazer basta-lhe não contratar. venham a causar danos a outrem. presta-se todos os esclarecimentos e informações necessários À celebração de um contrato idóneo. Isso implica. duma completa e exacta informação. são vedados os comportamentos pré-contratuais que inculquem. . posteriormente dados. um dever de celebrar o contrato visualizado. e no do dever. na fase preparatória de um contrato. apenas. desviando-se de uma procura honesta e correcta dum eventual consenso contratual. desde logo: . as partes – ou alguma delas – não acatem certos deveres de actuação que sobre elas impedem. são ilegítimos os comportamentos que. E fê-lo. nela. recorda que a autonomia privada é conferida às pessoas dentro de certos limites e sob as valorações próprias do Direito. Mas há.Acórdão de 14 de Outubro de 1986 . · A jurisprudência portuguesa A jurisprudência portuguesa. um dever de negociar honestamente. tem. efectivamente concretizado a culpa in contrahendo. por certo. dado a sua dimensão.Acórdão de 5 de Fevereiro de 1981 . Da mesma forma. em consequência. 227º /1 do Código Civil dá lugar a responsabilidade obrigacional e não. aquiliana. 227º. quando não. · Sentido e consequências A violação do art. há responsabilidade.deveres de lealdade: a necessidade de respeitar. também prénegocial . uma ideia distorcida sobre a realidade contratual.O Código Civil Português di-lo. ser precisada. também de imediato comunicar à contraparte.deveres de protecção: as partes devem abster-se atitudes que provoquem danos nos hemisférios pessoais ou patrimoniais umas das outras.deveres de informação: as partes devem mutuamente. . Em principio – e salvo a presença de normas legais aplicáveis que a tal conduzem – não há nas negociações preliminares. Curiosa e sugestivamente. na contraparte.que a parte que detenha nas negociações informações vitais para a outra parte. Temos assim três acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça: .Acórdão de 4 de Julho de 1991 O sentido da jurisprudência acima sumariada é bastante claro. esperanças vãs que induzam danos. . o sentido das negociações preparatórias não se esgota num nível informativo. com especial acuidade. o instituto da culpa in contrahendo. A culpa in contrahendo ocorre quando. no entanto. podem surgir deveres de comportamento material. as decisões emblemáticas sobre a culpa in contrahendo giram em torno de questões comerciais. as deva. Em termos gerais. ancorado no princípio da boa fé. no domínio dos deveres de lealdade pré-negociais . de modo expresso no seu art. deve . E tais deveres analisam-se em três grupos: . Foram violadas obrigações legais e .que a parte que não tenha a intenção de levar por diante as negociações o deva de imediato comunicar à contraparte de modo a não provocar. de modo a evitar contratos distorcidos e .

outros deveres tipicamente bancários. Logo no campo pré-negocial. in contrahendo. e designadamente. pela natureza da situação considerada.não. pode suceder que as partes troquem informações na perspectiva da (hipotética) relação subsequente. Deve entender-se que. 799º /1 do Código Civil. · Aspectos evolutivos (página 359 a 362) · Outros deveres bancários prévios Além do dever de informar ocorrem ainda. Ficam envolvidos tanto os danos emergente – incluindo todas as despesas perdidas . mas ainda por determinados aspectos a ele ligados. por vezes implicações jurídicas conhecidas por uma das partes e. O dever de informar não é apenas. . há que transmitir. dados correctos sobre o futuro do contrato e sobre condutas relevantes de terceiros. .sobre o objecto do contrato: há que evitar que. não seja conhecido pela contraparte. Consumada a violação há um dever de indemnizar por todos os danos verificados (483º CC). outros deveres prévios À partida. a ilicítude e a causalidade. sempre que ocorra uma inobservância (objectiva ) da boa fé: dispõe neste sentido. a contraparte caia em erro quanto ao objecto material do contrato. somente.como os lucro cessantes. à outra parte.sobre aspectos materiais conexos com esse objecto: por vezes o contrato revela não apenas pelo objectivo estrito sobre que recaí. Independentemente desta vir a surgir. o dever de informar poderá recair: . o sigilo deve ser respeitado. à que leva-las ao conhecimento do parceiro nas negociações. o art. 483º/1 do Código Civil. . o dever genérico de respeito implícito no art. violada a boa fé in contrahendo. A culpa envolve. . Em termos descritivos. conformado pelos elementos objectivos acima enunciados. sobre o seu empenho a levar a bom termo a contratação. Sendo obrigacional. Também in contrahendo e no campo bancário faz sentido referir deveres de . por acção ou por omissão .sobre a conduta do próprio obrigado: a pessoa adstrita à formação deve esclarecer a outra parte sobre a sua intenção de contratar e. o dever de informação tenderá a abranger tudo quanto. · A codificação da culpa in contrahendo (página 355 a 357) A CULPA IN CONTRAHENDO NO SECTOR BANCÁRIO · A conformação do dever de informar. Paradigmático é o dever de sigilo. nos termos legais. devem ser ressarcidos todos os danos causados. designadamente pela preponente. presume-se a culpa. aqui.sobre perspectivas contratuais ou sobre condutas relevantes de terceiros: aquando da contratação de acordo com as circunstâncias.sobre a problemática jurídica envolvida: os contratos em estudo assumem. A Doutrina e a jurisprudência tem vindo a focar o relevo da pessoa da contraparte nessa conformação.

. na falta de rigidez. os intervenientes não têm. que poderá chegar ao banqueiro. Além das características apontadas outras há que não sendo necessárias.lealdade. As CCG devem-se à necessidade de rapidez e de normalização ligadas às . Dogmática básica As cláusulas contratuais gerais são um conjunto de preposições préelaboradas que preponentes ou destinatários indeterminados se limitam a propor ou a aceitar. Não havendo generalidade.a rigidez: as cláusulas contratuais gerais devem ser recebidas em bloco por que as subscreva ou aceite. assistir-se-ia a uma simples proposta feita por alguém decidido a não aceitar contra-propostas enquanto. fora do âmbito que a estas respeite. no plano dos factos a possibilidade de modelar o seu conteúdo. contudo e com frequência nas cláusulas contratuais gerais. de larga superioridade económica e juridico-científica em relação ao aderente . se assistiria a um comum exercício de liberdade negocial. Assim sucede com a informação privilegiada. assim: . nelas alterações. A noção básica pode ser decomposta em vários elementos esclarecedores.A ADESÃO A CLÁUSULAS CONTRATUAIS GERAIS CLÁUSULAS CONTRATUAIS GERAIS · As cláusulas e a banca. surgem. Assim: . Secção III .a complexidade: as cláusulas contratuais gerais alargam-se por grande número de pontos. introduzindo. O banqueiro não pode agir em função de elementos colhidos nas negociações.a desigualdade ente as partes : o utilizador das cláusulas contratuais gerais goza em regra. de documentos escritos extensos onde o aderente se limita a especificar escassos elementos de identificação.a natureza formulária: as cláusulas constam com frequência.a generalidade: as cláusulas contratuais gerais destinam-se ou a ser propostas a destinatários indeterminados ou a ser subscritas por preponentes indeterminados .

Provavelmente. nem teria sido necessário alterar o Decreto-lei nº 446/85 de 25 de Outubro. uma necessidade. para satisfazer a Directriz nº 93/13/CEE. 4º. foram estabelecidas regras especiais para determinados contratos bancários.da forma da sua comunicação ao público. surgiu a Directriz nº 93/13/CEE de 5 de Abril de 1993. ·Evolução. Por indicação comunitária. A influência do Direito europeu do consumo O Decreto-Lei nº 446/85 de 25 de Outubro. uma tabuleta de aviso ao público. al. ex. no interesse dos consumidores e dos profissionais concorrentes.8º .art. tanto se abrangem os formulários como. As cláusulas devem ser redigidas com clareza – art. 5º. A apreciação é efectuada tendo em conta as diversas circunstâncias relevantes e o conjunto das cláusulas – art. p. existam meios adequados e eficazes para pôr termo à utilização de cláusulas abusivas. Eles podem – art. A CONTRATAÇÃO POR ADESÃO A CLÁUSULAS CONTRATUAIS GERAIS · Âmbito e a inclusão nos negócios singulares A lei das cláusulas contratuais gerais visou uma aplicação de princípio a todas as cláusulas – art. os Estados-membros deverão providenciar para que. al. a) e b). mas assim foi feito. . 7º da Directriz. Os dois primeiros artigos da Directriz fixam o âmbito de aplicação e apresentam definições O art. a necessidade de leis específicas (página 369 a 373) · A doutrina do consumidor e a influência europeia (página 373 a 376) A LEI PORTUGUESA DAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS GERAIS · O regime aprovado pelo DL 446/85. surgindo o Decreto –Lei nº 220/95 de 31 de Outubro.. . o art. a) e 3. A realização efectiva de negociações pré-contratuais em todos os contratos iria provocar um retrocesso na actividade jurídico económico em geral. 3º/1 define o que seja uma “ cláusula abusiva”. sendo por isso. 22º/2. Com a lei das cláusulas contratuais gerais em plena aplicação.modernas sociedades técnicas. para assegurar um nível de protecção mais elevado para o consumidor. 2º especifica que elas ficam abrangidas independentemente: . 1º. Segundo o art. “relativa às cláusulas abusivas nos contratos celebrados com os consumidores”.da extensão que assumem ou que venham a apresentar nos contratos a que se destinem.adoptar ou manter disposições mais rigorosas. aprovou o regime das cláusulas contratuais gerais.

d) – “ cláusulas de instrumento de regulamentação colectiva de trabalho” – não tem por efeito o remover a LCCG. no negócio jurídico. como os restantes. O art. As CCG inserem-se. 3º/1. O recurso a cláusulas contratuais gerais não deve fazer esquecer que elas questionam. mediante a sua aceitação – art. . uma série de requisitos postos pelos artigos 5º e seguintes da LCCG. ainda que legal. apenas a liberdade de estipulação e não a liberdade de celebração. 342º do Código Civil. para além da adesão em si. já têm a ver com a problemática do consumo. 5º . De facto. através de mecanismos negociais típicos. 3º /1. do Direito do trabalho.a comunicação adequada e atempada.de uma efectiva comunicação – art. é especifico. à luz das regras sobre a perfeição das declarações negociais: há que lidar com figuras tais como o erro. nos termos do art. isto é. E como tal dever. alíneas a) e b) – seja em função da matéria – art. A excepção do art. a falta de consciência da declaração ou a incapacidade acidental.do conteúdo que as enforme.. pois. pelo destinatário ou por terceiros. não basta a mera aceitação exigida para o Direito comum : é necessária. Assim. na prática. 4º da LCCG: não são. d) e e). 3º/2. 799º/1 de código Civil.a comunicação na íntegra – nº1. necessariamente excluídas da disciplina das cláusulas contratuais gerais. da matéria que venham regular. in fine: deve ser apreciado in abstracto. 7º A exigência de comunicação vem especificada no art.de uma efectiva informação – art. . . 5º/2. na LCCG. garante apenas que os níveis laborais colectivos não sejam limitados pelo dispositivo da LCCG. dispõe sobre o melindroso ponto do ónus da prova: ao utilizador que alegue contratos celebrados na base de cláusulas contratuais gerais cabe provar. a inclusão depende ainda: . al. ainda. c) – “contratos submetidos a normas de direito público” – deve ser limitada ao preciso alcance dessas normas: um contrato que tenha aspectos públicos e privados incorrerá. Algumas matérias ficariam. 5º/1 melhor precisado pela alteração introduzida pelo Decreto-lei nº 220/95 de 31 de Agosto. al. As alíneas c). 3º /1. efectivamente incluídas nos contratos as cláusulas sobre que não tenha havido acordo de vontades.de terem sido elaboradas pelo preponente. A excepção do art. 5º. nestes últimos. d) e e). Mas dada a delicadeza do modo de formação em jogo. 6º .da inexistência de cláusulas prevalentes – art. Por isso. alíneas c). mas de acordo com as circunstâncias típicas de cada caso. na redacção hoje em vigor. o efectivo cumprimento do dever de comunicar – art. seja por razões formais – art. de acordo com bitolas a apreciar segundo as circunstâncias – nº2 O grau de diligência postulado por parte do aderente – e que releva para efeitos de calcular o esforço posto na comunicação – é o comum – art. elas incluem-se nos diversos contratos que as utilizem – os contratos singulares – apenas na conclusão destes. As alíneas a) e b) – portanto: cláusulas aprovadas pelo legislador e cláusulas resultantes de convenções internacionais – são fáceis de entender: têm a ver com a hierarquia das fontes. em absoluto. o seu incumprimento envolve presunção de culpa. que referencia: . no entanto. os negócios originados podem ser valorados.

no contrato singular. como se viu a propósito da não inclusão de certas cláusulas. O art. A primeira tendência exigiria que as cláusulas contratuais gerais fossem interpretadas em si mesmas – sobretudo quando forem completas – de modo a obter soluções idênticas para todos os contratos singulares que se venham a formar com base nelas.o aderente pode escolher entre o regime geral ( nulidade com hipótese de redução) ou a manutenção do contrato.art. a segunda. 292º do Código Civil. é o do maior aproveitamento possível dos contratos singulares: estes são. por seu turno. viesse multiplicar as nulidades. soluções diferentes. salvo a hipótese de redução . das cláusulas referenciadas no art. A inserção. Os inconvenientes para o aderente poderiam multiplicar-se. CLÁUSULAS CONTRATUAIS GERAIS NULAS E PROIBIDAS · Proibição e Nulidade O cerne da LCCG reside na proibição de certas cláusulas. · Interpretação e integração O art. 8º de LCCG. Mas desde logo se previu a hipótese de novos desvios. 13º/1 e 2 e art. . para o entendimento do aderente normal. querendo pôr cobro a injustiças.impede as próprias cláusulas contratuais gerais de engendrarem outras regras de interpretação. com o seguinte resultado. 10º da LCCG aponta para a segunda solução.quando escolha a manutenção. . as “ cláusulas – surpresa”.O dispositivo do art. 10º da LCCG dispõe sobre a interpretação e integração das cláusulas contratuais gerais. a) e b). As alíneas c) e d) penalizam. põe o problema do contrato em causa. al. muitas vezes. Por isso se fixou o regime esquematizado que se segue – art. 7º determina uma prevalência das cláusulas específicas sobre as gerais. A nulidade de cláusulas incluídas em contratos singulares deveria acarretar a invalidade do conjunto. segue-se a pura e simples exclusão dos contratos singulares atingidos – art.remete para uma interpretação que tenha em conta apenas o contrato singular. 8º. 12º. os quais seriam prejudicados quando o legislador. na parte afectada pela nulidade. pelo contrário abriria as portas a uma interpretação singular de cada contrato em si. remetendo implicitamente para os artigos 236º e seguintes do Código Civil. conforme os casos. Esses desvios inserem-se no regime da nulidade (“… nos termos deste diploma”). O princípio básico. paradoxal na aparência: as mesmas cláusulas contratuais gerais poderiam propiciar. Segundo a LCCG. O art. aplicam-se. no domínio das cláusulas contratuais gerais. . 14º da LCCG: . A LCCG sentiu a particular necessidade de reafirmar o principio geral da nulidade das cláusulas que contundam com a proibição – art. O princípio em causa aflora nos artigos 9º e 13º. 11º da LCCG precisa a temática das cláusulas contratuais ambíguas remetendo. de grande relevo ou mesmo vitais para os aderentes. Esse preceito releva a dois níveis: .

Temos. O teor geral das proibições segue as linhas seguintes: . em moldes materiais. . No domínio dos negócios correntes do dia-a-dia. na redacção dada pelo Decreto-Lei nº 220/95 de 31 de Agosto. intentam a recuperação dos contratos singulares atingidos. .18º e 21º de LCCG. terá de se perfilhar a nulidade.podendo. . além disso. lhes caiba. um princípio comum. A lei portuguesa distinguiu. os dispositivos que determinam a nulidade das CCG proibidas e que. tal juízo deve ser formulado pela entidade aplicadora. incida um juízo de valor suplementar que a tanto conduza. Em termos gerais.caso estas não cheguem. Outro aspecto tecnicamente importante tem a ver com a estruturação das cláusulas contratuais gerais proibidas e assenta numa contraposição entre cláusulas absolutamente proibidas e cláusulas relativamente proibidas: .elencou determinadas proibições relativas às relações entre empresários ou entidades equiparadas.20º.as regras supletivas. A diferenciação fica clara perante o conteúdo das normas em presença. quando intervenham apenas nessa qualidade e no âmbito da sua actividade específica – art. a lei determinou a aplicação de todas as proibições já cominadas para as relações entre empresários e. posto o que se seguirá o esquema da redução. assim. caso contrário. ser incluídas em contratos através do mecanismo de adesão. Na proibição das cláusulas. houve que ir mais longe: para além da intangibilidade da responsabilidade. a qualquer título.art. singulares ou colectivos.as relações entre empresários ou os que exerçam profissões liberais. a maior autonomia. 19º e 22º de LCCG. só funcionarão perante negócios de vulto.nas relações com consumidores finais. Deve ainda notar que a LCCG utilizou a categoria de empresários e não comerciantes. apenas se previndo. todas as não abrangidas pela caracterização acima efectuada – art. . as cláusulas que considera proibidas. prescreveu novas proibições. . foram assegurados outros dispositivos de protecção. ou entre uns e outros.as cláusulas absolutamente proibidas não podem. . no caso concreto. nesse domínio. ser bloqueado por exigências da boa fé. 17º .isolou as disposições comuns por natureza. para efeitos de proibições: . tudo isto. possível. às partes. porventura. assente na boa fé. dentro do espaço para tanto indiciado pelo preceito legal em causa – art. naturalmente.as cláusulas relativamente proibidas não podem ser incluídas em tais contratos desde que. . a lei.as relações com consumidores finais e genericamente. faz-se apelo às normas relativas à integração. aplicáveis a todas as relações. que elas se exoneram da responsabilidade que. depois.passando às relações com consumidores finais. · Sistema geral das proibições A LCCG ficaria impraticável se não concretizasse. adoptou o seguinte sistema: . se for.nas relações entre empresários deixa-se. nenhum consumidor iria mover uma custosa e sempre incerta acção para fazer valer a nulidade de alguma cláusula.

art.432º). No decurso desses prazos.assim: . nas relações com consumidores finais. sempre que apareça uma cláusula com o teor. por vezes. ela será proibida e daí. da resolução por incumprimento (art. O art. a responsabilidade. g). A alínea l) pretende prevenir que.cláusulas relativamente proibidas nas relações com consumidores finais – art. com os seus esquemas. a responsabilidade por danos causados à vida. a coberto de esquemas de transmissão do contrato. de facto. por via interpretativa. a favor de quem as predisponha. A alínea e) visa evitar que se procure conseguir. uma das partes fica submetida à vontade da outra.o art. 19º da LCCG proíbe. se poderá afirmar a “ excessividade de determinado prazo”. nas suas alíneas a).22º Deve-se ter presente que as proibições fixadas para as relações entre empresários e equiparados se aplicam.21º . Das combinações dos diversos parâmetros resultam as quatro hipóteses básicas contempladas na lei: . se venha a limitar. Surgem referenciados os dois aspectos. prazos excessivos para a aceitação ou rejeição das propostas.cláusulas absolutamente proibidas entre empresários e equiparados – art. à integridade moral ou física ou à saúde das pessoas. · As cláusulas proibidas O sistema geral acima sumariado desenvolve-se.18º da LCCG começa. apenas em concreto e perante uma realização dos valores aqui figurados. A rapidez do tráfego de massas justifica que . h) e i) têm a ver com os institutos de excepção do não cumprimento do contrato (art. também na alínea a). em catálogos de proibições específicas. aquilo que o utilizador não pode directamente alcançar.cláusulas absolutamente proibidas nas relações com consumidores finais – art. 15º. 841º e ss). 19º . na alínea a). de modo directo ou indirecto. O núcleo do diploma é dado pela proibição de cláusulas contrárias à boa fé – art. 847º) e da consignação em depósito (art. 18º . As alíneas f). O art. 19º da LCCG reporta-se a proibições relativas no quadro das relações entre empresários. 16º procura precisar um pouco essa remissão. as cláusulas que estabeleçam. também. nula: . b) e d) por proibir as chamadas cláusulas de exclusão ou da limitação da responsabilidade. As alíneas a) e b) têm a ver com prazos dos contratos. A alínea c) proíbe cláusulas penais desproporcionadas aos danos a ressarcir.o art. depois. se dispensem . 18º da LCCG proíbe. A alínea j) visa evitar obrigações perpétuas ou – o que seria ainda pior – obrigações cuja duração ficasse apenas dependente de quem recorra às cláusulas contratuais gerais.cláusulas relativamente proibidas entre empresários e equiparados – art. todos do Código Civil. 428º). próprios da boa fé : a tutela da confiança e a primazia da materialidade subjacente. as cláusulas que excluam ou limitem. 754º) e das faculdades de compensação ( art. do direito de retenção (art.

as alíneas e).21º. As proibições relativas do art.formais declarações de vontades. na prática. Aproxima-se das cláusulas contratuais gerais pela rigidez. Secção IV – O ACTO NUCLEAR : A ABERTURA DE CONTA ABERTURA DE CONTA : ELEMENTOS E NATUREZA · Generalidades A abertura de conta é um contrato celebrado entre o banqueiro e o seu cliente. deve ser justificado por equivalentes interesses da outra parte. Verifica-se que o tema dos contratos pré-formulados veio a ser encarado. b). por exemplo. ainda as constantes dos art. As limitações das alíneas h) e i) têm a ver com a concessão de poderes excessivos e exorbitantes a uma das partes. substituindo-as por outros indícios . o tronco comum dos diversos actos bancários subsequentes. se pôr termo a uma situação duradoura. da faculdade de. A garantia das qualidades da coisa cedida ou de serviços prestados pode ser posta na dependência do recurso a terceiros: caso a caso. A abertura de conta não dispõe de qualquer regime legal explícito. Nas relações com consumidores finais aplicam-se as proibições acima referidas e. com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei nº 220/95 de 31 de Agosto. Por isso. Os comportamentos concludentes têm aqui particular relevo: caso a caso será necessário indagar dessa suficiência: tal o sentido da alínea d). nos termos da alínea e) haverá que o demonstrar. A abertura de conta não deve ser tomada como um simples contrato bancário. Quando isso não suceda. pelo qual ambos assumem deveres recíprocos relativos a diversas práticas bancárias. prevenindo a possibilidade de recurso a vias oblíquas para defraudar a lei. Por seu turno. visam assegurar que os bens ou os serviços pretendidos pelo consumidor final. de facto os que ele vá alcançar. 21º e 22º . sem admitir contrapropostas ou negociações. distingue-se delas pela falta de generalidade. c) e d) do art. o art. g) e h) pretendem garantir a manutenção eficaz duma tutela adequada. 9º/3 da LDC mandava aplicar a esse tipo de contratos o regime das cláusulas contratuais gerais. a ordenar entre diversos outros contratos dessa natureza: ela opera como um acto nuclear cujo conteúdo constitui. A alínea f) trata da denúncia. a competente cláusula é nula. · O problema dos contratos pré-formulados O contrato pré-formulado é aquele que uma das partes proponha à outra. f). Ela . isto é. 22º/1 acentuam também esta mesma via. unilateralmente e sem necessidade de justificação. nos termos da alínea g). pela Directriz nº 93/13 de 5 de Abril. Trata-se do contrato que marca o início de uma relação bancária complexa e duradoura. através duma ponderação feita nos termos do seu nº 2. sejam . O estabelecimento de um tribunal competente que envolva graves inconvenientes para uma das partes. o contrato pré-formulado coloca problemas semelhantes aos das cláusulas contratuais gerais. Quando apresentado a um consumidor. As proibições absolutas inseridas nas alíneas a). em razão da distância ou da língua.

. nas cláusulas contratuais gerais dos bancos e nos usos bancários. à manutenção e ao encerramento de contas de depósito junto do banco. de crédito ou outras fica dependente de um acordo ulterior. O banqueiro pode alterar as cláusulas contratuais gerais.o giro bancário : ela prevê regras sobre os seus movimentos. De notar que. temos aqui uma assunção . comissões e despesas que o banqueiro poderá debitar e sobre os extractos. As “ condições gerais” definem-se como aplicáveis à abertura . isto é: qual o regime que. com assinatura e pela aposição da mesma assinatura. com a intervenção de novas cláusulas contratuais gerais. De todo o modo. incluindo as taxas de juros. na linguagem bancária – ou uma pessoa colectiva – por vezes dita “empresa”. Implicitamente. Além disso. considerando-se recebida com o seu envio. impõe-se verificar qual o seu conteúdo. remetendo as alterações ao cliente. a própria celebração do contrato de abertura de conta depende de um depósito inicial. · Conteúdo eventual As cláusulas contratuais gerais atinentes à abertura de conta podem prever. A abertura de conta é um negócio jurídico complexo e corresponde a um negócio tipicamente bancário. a este. à movimentação. À partida. dentro de determinado prazo. em termos de crédito e de débito é movimentada . · Conteúdo necessário Antes de quaisquer considerações tendentes a definir a relação bancária complexa ou a qualificá-la. de todo o serviço de caixa. dela. . deriva para as partes. a alteração tem-se por aceite. E no omisso. nalgumas cláusulas contratuais gerais . o direito de não emitir cheques. As cláusulas contratuais gerais regulam o envio de correspondência : para o local indicado pelo cliente. existem “condições” distintas – embora não muito diferentesconsoante o cliente seja uma pessoa singular – ou um “particular”.a emissão de cartões : de débito. elas remetem para os usos bancários e para a legislação bancária. ficam assentes os termos em que a conta. relacionado com a conta aberta. acordadas por escrito.a convenção de cheque : esta fica na disponibilidade do banqueiro: todas as “condições” reservam. no essencial. isso não sucede. pelo banqueiro . A abertura de conta prevê um quadro para a constituição de depósitos bancários que o banqueiro se obriga. enquanto noutras . os aspectos essenciais relativos à convenção de cheque constam.a conta-corrente bancária : quanto à conta-corrente. entre as partes. Não havendo oposição deste. logo das cláusulas relativas à abertura de conta. a receber. Elas admitem estipulações em contrário. O contrato de abertura de conta conclui-se pelo preenchimento de uma ficha. ela regula dois aspectos da maior importância prática : .assenta. desde logo. num local bem demarcado. ainda três negócios subsequentes : . A análise subsequente assenta nas cláusulas contratuais gerais.

reconhecem ao banqueiro o direito de compensar. com recurso ao regime do mandato. preferível a “conta de depósito” : pode não haver qualquer depósito e funcionar uma abertura de conta na base. respondendo. usado pelas cláusulas contratuais gerais dos nossos bancos. isto é : de “debitar tais créditos na conta”. como elemento necessário. às questões que lhe sejam postas. As cláusulas contratuais gerais regulam diversas modalidades de depósito. um conjunto de regras atinentes a uma conta-corrente : a conta-corrente bancária. por vezes. Tem. nos termos do art. giro bancário). Ex. O Direito comercial conhece e regula um contrato comum de conta-corrente. origens e evolução A conta-corrente comercial (ou comum. Trata-se de um contrato concluído em torno de uma técnica contabilística . na altura devida. que se não confundem com a abertura de conta. Embora o banqueiro não fique obrigado a celebrar contratos ulteriores. com o saldo favorável ao cliente.. · A conta-corrente comercial . ela deverá ser colmatada. de “contrato de depósito” e de “ contacorrente bancária”. A abertura de conta tem características difíceis de reduzir. A abertura de conta deve ser tomada como um negócio materialmente bancário. apenas do crédito.. Ex.a concessão de crédito por descobertos em conta : pela admissão dum saldo favorável ao banqueiro e não ao cliente depende duma decisão a tomar pelo banqueiro. Pela nossa parte. Em última instância. Todavia. Aparece “conta bancária”. por oposição à bancária) surge como um negócio típico i nominado. uma vez que regula toda uma actividade jurídica ulterior. provavelmente. em termos de razoabilidade. Sem prejuízo por esse factor. · Terminologia e natureza A abertura de conta tem surgido com diversas denominações que escondem. Por vezes. 1156º do Código Civil. Quanto à sua essência última : é a de uma prestação de serviço. Ela surge como contrato normativo. Entre nós já se falou. ela articular-se como negócio misto. flutuações dogmáticas. para a designar. ficamos por “contrato de abertura de conta”. É um contrato a se : próprio. pois. Fica ressalvado que a conta-corrente bancária não tem autonomia e que. por excelência. A CONTA-CORRENTE BANCÁRIA · Generalidades Na abertura de conta inclui-se. esses termos têm sentidos conceituais próprios. ele compromete-se a ficar disponível para examinar quaisquer propostas que lhe venham a ser formuladas. quaisquer outros créditos que sobre ela detenha. a convenção de cheque ) ou atípicos (p. com características irredutíveis e uma função autónoma.. com elementos da conta-corrente e de outros negócios. ainda que facultativa. traços do que acima chamámos contratação mitigada. ela terá antecedido a própria conta-corrente comum. típicos (p.

uma função de simplificação e de unificação. duas grandes tradições : 1) a francesa : a doutrina chama a atenção para três dos seus elementos e sucessivamente : as entregas recíprocas. as partes poderão ficar. quaisquer valores transmissíveis em propriedade. · O regime de Veiga Beirão Vigora entre nós.uma função de crédito. o dispositivo inserido no Código Comercial de 1888. 344º · Dogmática actual De acordo com o sistema de Canaris . 345º.. Trata-se de um aspecto que prevalece sobre o iter : “. Finalmente. Em termos práticos. de sorte que só o saldo final da sua liquidação seja exigível”. pelo maquinismo da compensação . até ao encerramento da conta. propriamente dito. apurar-se-ia o saldo : apenas este seria devido... . não há concurso de credores.. uma obrigação assumida pelas partes de manter uma determinada relação de negócios sob a forma contabílistica duma conta-corrente. na situação de credor e de devedor. podemos ajustar três funções para a conta-corrente: . veremos que o objectivo aí apontado à conta-corrente é o de só permitir a exigibilidade do saldo : “ .”..”. uma simples posição de crédito ou de débito. ínsita. no final. Na autonomização do contrato de conta-corrente formaram-se. reciprocamente.. Resulta daí. resulta daqui que o credor de parcelas incluídas em conta-corrente. Se atendermos na definição do art. a virtualidade de consignar determinados valores à satisfação de certos débitos. .uma função de segurança. O Código de Comércio italiano de 1882 influenciou o nosso Código Veiga Beirão quanto ao contrato de conta-corrente..” e “... 344º. XX.. Ou seja : a conta- . XIX. antes de mais. as partes abdicariam da individualidade de cada uma delas. novando as respectivas obrigações em vínculos obrigacionais de sinal contrário .. No séc. uma função de crédito : consoante o sentido do saldo e. vai ser preferencialmente satisfeito pelo desaparecimento dos seus próprios débitos para com o devedor : em relação a elas. O contrato de conta-corrente implica. Partindo de entregas mútuas de bens ou de valores. o efeito novatório e a compensação mútua. no séc.obrigam a transformar os seus créditos. através de compensações. no art. segundo o art. O objecto da conta-corrente é muito lato : “todas as negociações entre pessoas domiciliadas ou não na mesma praça. acabaria por se passar de simples conta-corrente contabilística ao contrato de conta-corrente. A orientação italiana surgiria como um misto das duas anteriores. 2) a alemã: esta tradição vê na conta-corrente. a conta-corrente tem. consoante a parte que detenha um saldo positivo.com raízes na mais alta Antiguidade. uma simplificação e uma normalização no modo de apresentar um conjunto complexo de operações. de seguida.. A conta-corrente tem.

O legislador não dispôs para a hipótese de. como resulta desse mesmo preceito.. este preceito opera como uma concretização da regra geral do art. não haveria compensação possível : porém.. com vencimento do saldo. essa conversão terá de resultar do negócio subjacente à conta e não da própria conta em si. Assim: 1º A transferência de propriedade do crédito indicado em conta-corrente para a pessoa que por ele se debita: em rigor. até ao ponto em que se sobreponham.remuneração. as partes prosseguissem na relacionoação da conta-corrente. 397º do Código Comercial. no fim do ano civil.. Os efeitos vêm enumerados no art. extinguem-se. sendo esse o caso. Nos termos do parágrafo único do art. os créditos e os débitos recíprocos. que se torna exigível. sem procederem à liquidação e pagamento do saldo.. expirado o prazo. Cumpre depois distinguir: 1º ) o encerramento ou fecho: é o facto e o efeito de actuar a compensação por ela prevista. 346º do Código Comercial. o lançamento em conta-corrente de mercadorias ou títulos de crédito presumese sempre feito com a cláusula “salva cobrança”. há que respeitá-las.. de que resultou o crédito em conta-corrente : a novação permitiria explicar a conversão em dinheiro – ou noutra realidade homogénea equivalente – dos bens levados à conta-corrente : de outra forma. os créditos e débitos recíprocos. 4º A exigibilidade só do saldo resultante da conta-corrente : trata-se duma decorrência da compensação : tudo o mais se extinguiu. A conta-corrente é uma forma de extinção de obrigações sucessivas. 5º O vencimento de juros das quantias creditadas em conta-corrente a cargo do debitado desde o dia do efectivo recebimento : estamos no domínio comercial .” e “. Segundo o art.. até ao limite da sua concorrência. o encerramento e subsequente liquidação da conta operam no termo fixado pelas partes ou.corrente pode recair sobre operações patrimoniais e sucessivas. 3º A compensação recíproca entre os contraentes até à concorrência dos respectivos crédito e débito ao termo do encerramento da conta-corrente : trata-se do efeito fundamental da conta-corrente : no encerramento ou fecho. Nos termos do disposto no art. 102º do Código Comercial.. Desaparecem assim. que apenas a exprime. antes do encerramento. 2º A novação entre o creditado e o debitado da obrigação anterior. 348º do Código Comercial. com o encerramento fixam-se as relações entre as partes e determina-se. as pessoas do credor e do devedor. por compensação : não faculta por si. . supletivamente. nenhum dos correntistas é considerado como credor ou devedor do outro.” nas palavras do art. sobejando um saldo. em dinheiro ou em outros bens. outras extinções ou beneficiações. 346º.. 350º do Código Comercial. a titularidade aí visualizada foi proporcionada pelo acto subjacente à remessa e não pela conta-corrente em si. ficando apenas o saldo.reembolso das despesas das negociações. A conta-corrente não visa só por si modificar as relações jurídicas – “.

777º/1 do Código Civil. num contrato de abertura de conta. Ela acarreta necessariamente o fecho da conta. O GIRO BANCÁRIO . assim.ela postula uma emissão contínua de saldos : estes surgem sempre que alguma remessa seja levada à conta. a movimentos em dinheiro. o banqueiro nunca surge como credor: o saldo deve ser favorável ao cliente ou. igual a zero. Como especificidades. como se vê. em geral. seria então de exigir um pré-aviso minimamente razoável. consolida os movimentos dele constantes. de a organizar e apresentar. abaixo examinadas e que se integra no contrato mais vasto de abertura de conta. expressa ou tácita. · Conta-corrente bancária A conta-corrente bancária é uma espécie da conta-corrente comum que se integra. mas celebrada entre o banqueiro e o seu cliente e incluída num negócio mais vasto : a abertura de conta. . a emitir pelo banqueiro e cuja aprovação pelo cliente. apenas . . se inclui na execução de um contrato de abertura de conta. Vamos distinguir claramente das seguintes situações: . funcionando o saldo anterior como o primeiro movimento do novo ciclo.ela dá lugar a extractos. . . .o cliente pode.o termo imediato que apanhe a outra parte desprevenida em termos de a prejudicar. além disso. O termo do contrato ocorre – art. 349º do Código Comercial – no prazo estipulado pelas próprias partes ou por morte ou interdição de alguma delas : trata-se . como a contacorrente.abertura de conta: é um contrato nuclear do Direito bancário. com outros elementos. dispor. 344º do Código Comercial.salvo convenção em contrário. . celebrado com um banqueiro e sujeito a regras próprias e que. nenhuma parte pode pôr cobro ao contrato em termos que contundam com o acordado.A conta prossegue até ao termo do (próximo ) ano civil. celebrado com o banqueiro.ela reporta-se. e com determinadas especificidades. Ficamos com a noção estrita de conta-corrente bancária: é uma contacorrente no sentido do art. .havendo prazo estipulado para o encerramento da conta. atentando contra a sua confiança legítima. no máximo. 2º) o termo do contrato: põe cobro ao próprio relacionamento em termos de conta-corrente. em regra tácita. Mas com dois limites: . de um contrato intuitu personae. de novo contrato. permanentemente do seu saldo. é contrário à boa fé. salvo celebração. notaremos as seguintes: . eventuais – como o depósito bancário – ou necessários. Na hipótese de nada se ter estipulado. qualquer das partes pode pôr-lhe fim. com aplicação dos arts 348º e 350º do Código Comercial . . dá azo à relação bancária duradoura e complexa e integra diversos elementos . .conta-corrente : trata-se de regras próprias do contrato de conta-corrente.depósito bancário : é um depósito especial. no que surge como concretização da regra do art.ela inclui-se num negócio mais vasto – a abertura de conta.ela pressupõe um dever a cargo do banqueiro. ele impede a retoma de um novo ciclo.

por via escritural. na parte relativa à abertura de conta.transferências bancárias simples: são deslocações de fundos de uma conta bancária para uma conta diferente. a pedido do seu cliente ou a favor dele. às múltiplas transferências e recepções de fundos. pois. O giro bancário deriva de um contrato de abertura de conta.: pagamento da renda da casa) . ele faculta. tem acesso imediato a diversos produtos e. No conjunto fala-se.· Noção geral e integração na abertura de conta Giro bancário: é o conjunto das operações escriturais de transferência de fundos . salvo justa causa : proibição administrativa ou prudencial. de todo o modo e em termos latos. a transferência é internacional .pagamentos por conta bancária: é uma transferência expressamente destinada a solver uma divida (ex.outras operações de transferência de fundos O giro bancário assenta em suportes técnicos consideráveis capazes de canalizar e operar um número crescente de operações. mediante as competentes retribuições. O banqueiro não deve recusar a ordem de transferência que o cliente lhe transmita. ao abrir a conta. · Construção e regime jurídicos O cliente do banqueiro. uma “convenção de giro”. cujo conteúdo integra. são pouco explícitas. nas contas : aflora aí. Pergunta-se depois quando e onde se efectiva uma determinada transferência .Os usos bancários e a própria interacção dos princípios . esses produtos. realizados por um banqueiro. fundos destinados a satisfazer um crédito do seu cliente (ex. As cláusulas contratuais gerais portuguesas. água ou gás) . com a inerente conta-corrente bancária. facturas relativas ao fornecimento de electricidade. a seu propósito. o movimento é inverso : o banco recebe em conta bancária e vindos de outra conta.transferência internacionais: quando a deslocação de fundos se faça para um banco no estrangeiro. dúvidas quanto à operação ou à sua legalidade ou dificuldades técnicas. Os actos concretos de transferência de fundos não estão sujeitos a qualquer forma específica. em sistemas de pagamento. Há. As ordens concretas de transferência são actos de execução do contrato de giro bancário. como elemento necessário. pelo menos. pela qual o banqueiro põe à disposição dos seus clientes. Referem. a ocorrência de débitos d e de créditos. implícita na abertura de conta. designadamente. · Operações incluídas e sistemas de pagamentos O contrato de giro bancário pressupõe a prévia celebração de uma abertura de conta. A partir daí. . ou pode facultar. as operações seguintes: . a ideia duma convenção tácita de giro.cobranças por conta bancária: na cobrança.

o risco será do utente. logo que receba a ordem. terá de pagar ao banqueiro as despesas ocasionadas. CELEBRAÇÃO DA ABERTURA DE CONTA E MODALIDADES · Formalidades A abertura de conta é um contrato de fácil celebração. de 27 de janeiro. efectivamente. na disponibilidade do beneficiário. Alguém pode ser surpreendido com um crédito em conta inesperado e cuja origem desconheça. Assim surgiu a Directriz nº 97/5/CE do parlamento Europeu e do Conselho. As ordens bancárias são unilaterais. este não é responsável. dando-lhe outro destino ou pedindo ao banqueiro que o devolva. um período durante o qual os fundos já não pertencem ao mandante. são visadas as transferências em euros. quando a débito do mandante. A quem pertencem os rendimentos processados nesse período ? os usos atribuem-nos ao banqueiro. Consequência prática é a de que a ordem de transferência pode ser revogada. Efectivamente.Havendo erro do banqueiro e responsabilidade já será dele. ele postula algumas formalidades. Segundo o regime adoptado por esse decreto-lei. Elas permitem inferir que o risco da operação corre. mas ainda não ingressaram na disponibilidade do beneficiário. · Transferências transfronteiriças . . As cláusulas contratuais gerais dos bancos procuram. 3º do D. através do bilhete de identidade ou equivalente. há assim. o Decreto –lei nº 41/2000 de 17 de Maio A matéria das transferências bancárias veio suscitar diversos problemas. o mandante. aquando da abertura : art. uma variedade de mandato sem representação. Cumpre distinguir: . o banqueiro adstringe-se a praticar determinados actos jurídicos. 3º do . retire os fundos visados da disponibilidade do mandante. Cominam-se deveres de informação a cargo do banqueiro – art. De todo o modo. por conta do seu cliente. no contrato de giro bancário. poderá rejeitá-lo.L nº 313/93 de 15 de Setembro e art. por via da legislação destinada a combater o branqueamento de capitais.gerais levam a concluir que uma transferência se tem por efectuada no local de destino dos fundos e no momento em que eles fiquem. relativa às transferências transfronteiras.na hipótese de haver um erro puro e simples do sistema de transmissões alheio ao banqueiro. o banqueiro é obrigado a identificar devidamente o seu cliente. Pelas regras civis. Entre nós . por vezes.3º e 4º . isentar o banqueiro de responsabilidades. porém. Não obstante. a responsabilidade é excluída em caso de força maior – art. antes de produzir esses efeitos . no espaço económico europeu. A doutrina reconhece. A não se demonstrar outra fonte de imputação. Assim. em geral. a Directriz nº 97/5/CE foi transposta pelo Decreto – Lei nº 41/2000 de 17 de Março. contra o banqueiro. A prática leva ainda a que o banqueiro. 14º.e regras sobre indemnizações – arts 6º e seguintes. de valor inferior a 50 000 euros.

nº 325/95 de 2 de Dezembro . 10º) . O Aviso nº 11/2005 distingue: . dos quais um subdividido em secções. por fotocópia notarial da acta. 3º/1). 3º/2). 6º). Fotocópia do cartão de pessoa colectiva. 8º). à Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo e às caixas de crédito agrícola mútuo ( art. elas devem disponibilizar as “condições gerais” que irão reger o contrato a celebrar. às caixas económicas. .as instituições de crédito devem actuar com “elevado grau de cuidado”. quando não resultem do contrato . não pode haver movimentos ( art. . acrescentando o art. na identificação das pessoas e na verificação dos poderes de representação (art. Os procedimentos de identificação devem assentar em documentos comprovativos idóneos (art. 13º). em papel ou outro suporte duradouro eficaz (art. . .a abertura não presencial de “ conta de depósito”: especifica-se a forma de comprovar os elementos exigidos ( art.a abertura presencial de “conta de depósito”: são fixados os elementos de identificação ( art. Assim: . dessas mesmas .. no processo. è ainda necessário a apresentação do cartão contendo o número fiscal : o “cartão de contribuinte”. 2º).a exigência da comprovação do número fiscal (art. quando exigível.a proibição de celebrar convenção de cheque na falta. procurações quando existam . Enquanto não estiverem reunidos os requisitos necessários para a abertura de conta. 1º). 14º). surgem vários preceitos. fotocópias do bilhete de identidade. O Aviso nº 11/2005 ordena-se em três capítulos. essas mesmas operações são devidamente adaptadas : escritura de constituição ou exemplar do DR onde tenha sido publicada . Nos termos seguintes: Capítulo I – Disposições gerais ( 1º a 3º) Capítulo II – Procedimentos de identificação : Secção I – Princípios gerais ( 4º a 8º). 9º) e os meios de comprovação (art. nomeação de administradores.D. 15º/4 o dever. cabendo-lhes fazer prova do cumprimento deste dever (art.15º/1 a 3). 7º). deles sendo extraídas e conservadas cópias legíveis (art. Secção III – Abertura não presencial de contas de depósito (11º e 12º) Capítulo III – Disposições finais (13º a 17º) Como disposições gerais temos as regras seguintes: .previamente. No domínio das disposições finais. As entidades do sector financeiro têm um regime mais aligeirado ( art. do número de pessoa colectiva ( art. O empregado bancário deve exarar. · O Aviso nº 11/2005 do Banco de Portugal O aviso nº 11/2005 de 21 de julho do BP veio. Tratando-se de pessoas colectivas. a cargo das instituições de crédito ( art.L.o dever de actualizar os registos e os ficheiros. a data e a sua própria identificação (art. segundo o sumário oficial regular “as condições gerais de abertura de contas de depósito bancário”. 12º). Secção II – Abertura presencial de contas de depósito (9º e 10º). alterações a esse contrato . 5º ).o aviso dirige-se aos bancos. 4º).

conta mista : alguns dos titulares só podem movimentar a conta em conjunto com outros. As dúvidas que surjam podem ser dirigidas ao Departamento de Sistemas de Pagamento do Banco de Portugal (art. .. sociedades civis. Pois bem : feito o depósito. Na referida hipótese. dada a regra da relatividade dos contratos. . nos seguintes termos: .. Os próprios menores podem. a propriedade do dinheiro transfere-se para o banqueiro. exige-se então. Perante uma conta – solidária. de resto. As contas dos cônjuges gozam. . a conta pode ser individual ou colectiva. tendo o titular da conta um mero crédito ao saldo. funciona a presunção do art. abrir conta. associações não reconhecidas. em princípio. 16º). a abertura de conta traduz um contrato a se. 9º do presente aviso”. surge-nos. no limite. Quanto à titularidade . misto. Perante sociedades em formação. na hipótese de contas de menores ou de interditos. Questão suplementar põe-se quanto a entregas fiduciárias para a conta bancária alheia : uma pessoa entrega a outra uma quantia em dinheiro para depósito na conta da segunda e com o encargo de a restituir quando solicitado. comissões.prever expressamente. Esse crédito é fiduciário : postula um acordo entre o titular da conta e o “dono” dos fundos. pode ter sido estipulado entre os titulares qual a quota-parte ideal que a cada um compita. oponível ao banqueiro. ainda do regime especial do art. a conta pode ser. condomínios ou similares. conjunta ou mista.conta conjunta : só pode ser movimentada por todos os seus titulares em simultâneo. Nada se dizendo ou sabendo sobre o tema. O acordo fiduciário não é. REGIME DA ABERTURA DE CONTA · Um contrato misto socialmente típico Como foi visto. a obrigação de os seus clientes lhes comunicarem quaisquer alterações verificadas nos elementos de identificação previstos no art. pelo qual este receberá o saldo em causa. Há ainda que observar as competentes regras de representação. consoante seja aberta em nome de uma única ou de várias pessoas: neste último caso pode falar-se em contitularidade da conta. 516º do Código Civil: presume-se que todos os titulares têm idênticas percentagens sobre o saldo.instituições de “. · Modalidades Desde logo. entregando a totalidade do depósito a um único dos titulares. temos contas de pessoas singulares e de pessoas colectivas. 1680º do Código Civil. o banqueiro exonera-se . que fique bem expresso quais as pessoas autorizadas a movimentar a conta e como se procederá à sua substituição. a figura da “entidade equiparada a pessoa colectiva” : as contas são abertas com referência a essa situação . ainda solidária. nas condições gerais que regem os contratos de depósito.conta solidária :qualquer dos titulares pode movimentar sozinho livremente a conta. na prática bancária.

eventualmente. com determinadas pessoas singulares.elementos da conta-corrente comercial (art. por força da LCCG. nº 27-C/2000 de 10 de Março. não conhecemos nenhuma regra que obrigue o banqueiro a contratar. Em Portugal. O banqueiro que pretenda recusar uma abertura de conta terá. relativo a “serviços mínimos bancários”.elementos do giro bancário ( Decreto. nº 27-C/2000. 3º da Lei Uniforme do Cheque e outra legislação) e do cartão bancário. que ninguém é obrigado a abrir uma conta bancária. de invocar e provar uma dessa causas e. apenas teremos as regras da concorrência e mais precisamente o disposto no art. Este diploma veio prever que as instituições de crédito que se mostrassem interessadas pudessem celebrar com o BP e com o “membro do Governo responsável pela área de defesa do consumidor” um protocolo pelo qual elas aceitariam celebrar contratos de abertura de conta. o legislador decidiu intervir : aprovou o D. designadamente. cartão de débito e serviço de caixa.Lei nº 41/2000 de 17 de Março e outros elementos). da convenção de cheque ( art. . · Cessação e bloqueio A cessação de uma conta bancária provoca o termo dos diversos negócios . aplicando-se-lhes o mandato (art. As disposições legais supletivas exigem que se determine a composição típica da abertura de conta. . 3º/1 do D.cláusulas contratuais gerais. 1185º e seguintes do Código Civil) . 1157º e seguintes do Código Civil). as regras que impõem a identificação pessoal e fiscal dos beneficiários. nº 370/93 de 29 de Outubro. nesse caso. . temos: . Como limite. pois. Essa conta permitiria apenas serviços mínimos : depósito à ordem.L. O nº3 do mesmo artigo alinha causas justificativas para a recusa. · Direito à conta ? Na actualidade. O interessado não deverá ter qualquer outra conta bancária e o banqueiro só poderá cobrar custos muito limitados – art. Descendo mais profundamente nos elementos que condicionam o seu regime. a da alínea g). . Este poderá recusar a abertura de quaisquer contas.disposições legais supletivas.L.L. Questão diversa e bastante curiosa é a de saber se o banqueiro é obrigado a abrir conta a qualquer pessoa que se lhe dirija. elementos do depósito ( art.preceitos legais injuntivos: estão.elementos de prestação de serviços. . Ela envolve: . em termos bastante latos.socialmente típico e com uma função nuclearmente bancária. que proíbe determinadas práticas individuais restritivas do comércio. Entendemos contudo. De todo o modo. 14º e seguintes do Código Comercial). eventualmente expurgadas de cláusulas proibidas. 4º do D. quase todos os cidadãos economicamente activos têm uma ou mais contas bancárias.

Quando duas pessoas sejam. muitas vezes. através da compensação com a obrigação do seu credor. previsto no art. A lei das cláusulas contratuais gerais – art. 346º. Esse tipo de convenção pode ser implícito : resulta. ajustar com o seu cliente a realização de operações de compensação fora de quaisquer requisitos legais : com ressalva. no seu art. reciprocamente. os contratos de depósito. Secção V – A COMPENSAÇÃO NO DIREITO BANCÁRIO COMPENSAÇÃO BANCÁRIA EM GERAL · Generalidades A compensação é um instituto geral. no campo bancário. por aplicação directa ou analógica dos artigos 349º do Código Comercial e 777º/1 do Código Civil. uma hipótese de denúncia com pré-aviso. Um dos elementos básicos da conta-corrente é. caducam as convenções de cheque. Para além da denúncia. alínea h) – impede o afastamento da compensação (legal). qualquer delas pode livrar-se da sua obrigação. por ordem do tribunal ou por morte do cliente. resultantes de cláusulas contratuais gerais. o fluxo contínuo de compensações anómalas que permite. 18º. o direito de cancelar livremente as “contas à ordem”. 847º/1 do Código Civil. porventura. e portanto : de cessação unilateral. da compensação convencional. o da pessoa contra a qual ele é invocado é o compensado ou passivo. podendo advir de múltiplas razões : a pedido do próprio cliente. Encerrada a conta. As cláusulas contratuais gerais dos bancos atribuem. em cada momento. os acordos relativos a cartões e os outros acordos acessórios. 3º refere a compensação como um dos efeitos da conta – corrente comum. das regras imperativas que. Tecnicamente temos. depende dum pré-aviso. A conta bancária pode ainda ser bloqueada – o bloqueio é decidido pelo banqueiro. todavia. Tal . ao banqueiro. O banqueiro pode. disponibilizar um saldo. discriminatória e não retroactiva. verificados que sejam certos requisitos. · Compensação convencional O primeiro problema é constituído pela aplicabilidade. livremente. O crédito da pessoa que invoca a compensação é o crédito compensatório ou activo . precisamente. consoante os bancos. feito com 8. a conta pode cessar por acordo das partes ( revogação ou distrate). depois referenciados. cumpre ter em conta a compensação em conta – corrente. de regras de funcionamento da conta – corrente. 15 ou 30 dias de antecedência. · A compensação em conta – corrente Independentemente de compensações convencionais. O cancelamento por iniciativa do banqueiro. credor e devedor. possam ocorrer.dela dependentes. Ela não veda a sua facilitação. O cliente pode a todo o tempo denunciar a conta. aqui. O próprio Código Comercial.

h) da LCCG. um crédito que não se inserisse. · Depósitos com regimes diferenciados . desde que dê as ordens correspondentes à declaração de compensação. o cliente do banqueiro pode dispôr. como vimos : mas não deixa de ser compensação. Pode haver compensações entre elas? De acordo com as regras próprias da abertura de conta. Mas esse tipo de compensação anómala não se confunde com a compensação civil regulada nos artigos 847º e seguintes do Código Civil. na conta – corrente bancária. Esta compensação funciona sempre. Assim sendo. ela estará sempre em condições de efectuar as compensações que entender. do saldo. O expendido significa que. Uma abertura de conta. nula. de contas diferentes. primeiro ( ou em simultâneo) proceder à declaração do art. 18º. por via do art. interpretar o contrato de abertura de conta. A COMPENSAÇÃO NOS DIVERSOS TIPOS DE CONTAS BANCÁRIAS · Contas diferentes do mesmo titular O primeiro problema põe-se perante a existência. 848º do Código Civil. o banqueiro não pode operar movimentos entre contas . dependendo dos seus requisitos. pura e simplesmente. Se este nada disser. numa conta –corrente bancária. No silêncio do contrato. Por exemplo : o cliente parte uma cadeira numa agência bancária : pode o banqueiro compensar o valor do crédito da indemnização com o saldo que deva ao cliente? Reunidas as condições da compensação (civil) nada o impede. · Débitos avulsos do titular de conta As considerações acima expendidas podem ser transpostas para a hipótese de compensação entre o saldo do cliente ( débito do banqueiro) e um crédito avulso do banqueiro sobre o mesmo cliente. depósito a prazo . Saber se o pode fazer é questão de interpretação do contrato de abertura de conta. isto é. Queda agora. somos levados a pensar que o banqueiro não pode empreender a miscegenação de contas bancárias : uma vez que aceitou aberturas separadas. al. optamos por esta última hipótese. 767º/4 do Código de Seabra – não se aplica ao “depósito” irregular pressuposto pela abertura de conta. Tal renúncia sempre seria de resto. junto de um mesmo banqueiro e de um mesmo titular. Tem um regime diferenciado. não tendo de aguardar pelo fecho. tem que respeitar essa separação. para saber se o banqueiro pode. em permanência. de modo a fazer funcionar a “compensação” automática própria da conta – corrente. ab initio . não envolve qualquer renúncia à compensação comum. só por si. debitar na conta – corrente o crédito que quer compensar ou se deve. A ideia de que o depósito envolveria o afastamento da compensação – e que ainda surgia no art.compensação é generalizada. na falta de outra convenção. O banqueiro só poderá operar as compensações próprias da conta – corrente desde que efectue movimentos de uma conta para a outra.

sem condicionalismos. 1206º do Código Civil. designadamente tornando-o mobilizável. nenhum obstáculo existe a que o faça por compensação. no tocante a depósitos a prazo. a solução é a seguinte : quando se esteja em face de um depósito sujeito a um regime diferenciado. pode haver contas bancárias colectivas ou com mais de um titular – serão: . que entrega os fundos e recebe os juros . na falta de autorização de todos os contitulares. mas apenas nos limites do depósito que couberem ao devedor do banqueiro. em regra.O problema seguinte coloca-se perante depósitos em regime diferenciado : poderá o banqueiro compensar débitos de depósitos sujeitos a regimes diferenciados com créditos que detenha sobre clientes seus? Em tese.conjuntas quando os movimentos exijam a intervenção simultânea de todos os seus titulares O problema da compensação põe-se nestes termos: quando o banqueiro seja credor de apenas um dos titulares. o art. por essa via. parte da doutrina vê. faltará. de todo possível . 1147º permite ao mutuário antecipar o pagamento. Noutros casos. No chamado depósito a prazo. 847º/1. a jurisprudência assume uma posição intermédia : a compensação seria possível. nele um verdadeiro mútuo. a solução favorável à compensação resulta directamente da lei. o requisito de homogeneidade previsto no art. temo-lo como “depósito bancário” no qual. · Segue . · Contas solidárias Como vimos. que recebe os fundos e deve o capital e os juros é o “mutuário”. A compensação não será possível. aparentemente algo restritiva. parece responder pela negativa : a compensação não seria. b) do Código Civil. o banqueiro pode usar o correspondente crédito para efeitos de compensação: . exonerando-se o banqueiro entregando a totalidade do saldo a quem o pedir. al. Como vimos. Pois bem: desde que satisfaça tais juros. . Noutros finalmente. antes do vencimento. Nalguns casos. poderá ele operar a compensação com o saldo de uma conta colectiva? A jurisprudência é. É o problema que se põe nos casos dos depósitos a prazo. o regime aplicável . O prazo é estabelecido em benefício dos dois : todavia. logo que o prazo se tenha vencido. . O banqueiro. podendo pagar. Já assim não será quando o banqueiro possa “ modificar” unilateralmente a natureza do depósito. o banqueiro pode pagar antecipadamente. os créditos tornam-se homogéneos. por via dos artigos 1147º e 1206º do Código Civil. o cliente. a jurisprudência aceita a compensação de débitos de um cliente em conta solidária. Podemos concluir que. desde que satisfaça os juros por inteiro.solidárias quando qualquer dos titulares possa movimentar sozinho e livremente a conta. Pela nossa parte. todavia haverá que aplicar as regras do mútuo e na medida do possível – art.pagando antecipadamente os juros. sem restrições. o “mutuante”.

ele não pode . Outra ideia a afastar é a de que os bancos não teriam a faculdade de escolher perante qual dos depositantes solidários se poderiam exonerar. a solidariedade é uma cláusula de funcionamento da conta : opera seja no interesse dos depositantes. Admitir uma compensação pelo débito de apenas um deles iria forçar a vontade das partes. pura e simplesmente. importa refutar a ideia de que a solidariedade. que a conta conjunta se torna indisponível. Como ponto de partida. O art. Aí só se torna viável movimentar a conta com a assinatura de todos os seus titulares. Nesta hipótese funcionará a presunção de igualdade das participações – art. O banqueiro não pode. todos do Código Civil. daqui. Não se infira. por força das dívidas de apenas um dos seus contitulares. mas apenas na parte que cabe ao contitular devedor. quando foi concluída a abertura de conta.. 528º do Código Civil não se lhes aplicaria. seja no interesse do banqueiro.As contas bancárias solidárias têm um regime que resulta das respectivas aberturas de conta. assim se exonerando · Contas conjuntas Numa situação de conta conjunta. tenha sido estabelecida “no interesse dos depositantes”. Não é. em regra.. Nos depósitos bancários. de facto escolher perante qual dos depositantes solidários se pode exonerar porque. de todo. 534º. então operar a compensação. O banqueiro poderá. 528º/1 para entregar o saldo a algum dos depositantes solidários. . 1403º/2 e 1404º. o problema é diverso. nos depósitos bancários. impenhorável ou intangível. O banqueiro pode prevalecer-se do art. exonerar-se. assim.

o prazo de restituição presume-se estabelecido a favor do depositante : este pode. porém sendo o depósito remunerado. a defesa. apenas. Por isso. as hipóteses de se tratar de coisa objecto de reivindicação por terceiros ou de coisa supostamente proveniente de crime. ambos do Código Civil. o depositário não pode recusar a restituição da coisa com o fundamento de que o depositante não é o verdadeiro titular : art. salvo justa causa – idem. ex bona fide. 1195º. Segundo o art.Capítulo III – ACTOS BANCÁRIOS EM ESPECIAL Secção I – ACTOS BANCÁRIOS SIMPLES DEPÓSITO BANCÁRIO ● O depósito comum O contrato de depósito vem definido no art. Desde logo. 1187º.ficando as despesas a cargo do depositante – art. Segundo o art. 1185º do Código Civil como : “o contrato pelo qual uma das partes entrega à outra uma coisa móvel ou imóvel. c) A restituir a coisa com os seus frutos O dever de custódia suscita algumas dúvidas. perante . para que a guarde e restitua quando for exigida”. nessa hipótese direito à remuneração convencionada por inteiro. ex contractu e não de um dever acessório. sem autorização do depositante – art. Os números 2 e 3 desse preceito exceptuam. Basta ver que ele funciona sempre que o depositante desconheça o perigo e não. no silêncio das partes. 1194º do Código Civil. presume a gratuitidade do depósito. O art. 1189º. 1196º. no local onde encontrar – art. quando saiba que algum perigo ameaça a coisa ou que terceiro se arroga direitos em relação a ela. desde que o facto seja desconhecido do depositante. 1192º/1 do Código Civil. al. 1186º por remissão para o mandato. pois a todo o tempo – e mesmo havendo prazo – pedir a imediata restituição da coisa . o depositário fica essencialmente obrigado : a) A guardar a coisa depositada. quando o depositário não possa assegurar. ele próprio. O dever de aviso previsto no art. 1187º do Código Civil. A coisa é restituída. o depositário tem. b) A avisar imediatamente o depositante. O depositário não pode usar a coisa nem subdepositá-la. em certos termos. Ele pode guardar a coisa de modo diverso do convencionado quando deva supor que o depositante concordaria.b) do Código Civil não se confunde com o dever de defesa da coisa. O dever de restituição opera ex contractu. ele não pode ser reconduzido a um dever de protecção : trata-se de um dever principal.

de acordo com as regras normais do depósito. teria de devolver o equivalente. cabe ainda referir o depósito mercantil. Finalmente. podemos apresentar como tipo próprio : precisamente o do depósito irregular. o exercício de tal ius variandi deve ser comunicado ao depositante.indemnizá-lo do prejuízo . as regras do mútuo. que é um contrato misto. ambos do Código Civil. dedicando-lhe dois preceitos : os arts 1205º e 1206º. os artigos 1143º (forma). . ao contrário do comum. quando esse seja o caso . por nós. Desde a Antiguidade se tem verificado a transposição linguística e. Desde o início surgiu. São aplicáveis. o depositante tem os deveres de – art. uma permanente disponibilidade. que o depósito é considerado mercantil quando “…seja de géneros ou de mercadorias destinadas a qualquer acto de comércio”. azo a remuneração – art. Trata-se . logo à cabeça. não se tratando do dinheiro). mantendo. por esta via. A esta figura vieram os comentadores chamar depósito irregualar. O primeiro define depósito irregular como o “…que tem por objecto coisas fungíveis”. de um acto objectivamente comercial. dá.pagar a retribuição devida. devendo restituir precisamente o que recebeu. quer beneficiar da conservaçãodaquele preciso valor. verifica-se que o depósito mercantil. depois. mesmo irregular. um depósito particular : aí. 1206º manda aplicar.reembolsar o depositário das despesas. O depósito cerrado não pode ser devassado pelo depositário. . São inaplicáveis. o depositário. assim. ● O depósito irregular Pela natureza das coisas. quanto à retribuição dispõe o art. Basta ver que não se lhe aplicam as regras existenciais relativas ao dever de custódis. O art. Esse preceito dispõe. No tocante ao regime. Temos. das categorias do depósito para os casos em que o “depositário” recebe algo com o dever de restituir (apenas) o equivalente. ao depósito irregular. sobre ele. 1210º do Código Civil. conceptual. por estar há muito nominado e autonomizado. 1190º. salvo se o depositante tiver agido “sem culpa”.as circunstâncias. o depositário não pode consumir a coisa depositada : nessa altura a restituição não seria possível. 1148º (prazo da restituição) e 1149º (falta de género. 1444º (transferência da propriedade para o depositário). pois. em vez de restituir a própria coisa depositada. todos do Código Civil. O Código Civil vigente tem uma secção expressamente aplicável ao depósito irregular. as regras relativas ao mútuo oneroso – arts 1145º e ss. na medida do possível. é celebrado no interesse do depositante que. 1199º do Código Civil: . entre outras. ● Depósito mercantil e depósito bancário Antes de abordar directamente o depósito bancário. 1191º. logo que possível – art. com elementos do depósito e do mútuo e que. Trata-se duma definição deficiente : as partes podem perfeitamente celebrar um depósito comum relativo a coisas fungíveis :nessa altura o depositário não as poderá consumir. regulado nos arts 403º e ss do Código Comercial. . 404º do Código Comercial. presumindo-se a culpa deste quando o invólucro ou recipiente que contenha a coisa de mostre violado – art. O depósito irregular não é um verdadeiro depósito. como regra. Mas também não é um mero mútuo : o depósito.

ao BP – art. No omisso aplicam-se. do contrato que ao caso couber. do Decreto –Lei nº 372/91 de 8 de Outubro. contudo. 2º. por via do art. 1º distingue “depósitos de disponibilidades monetárias nas instituições de crédito”. 405º. O art. por um cliente – o depositante – junto de um banqueiro – o depositário. 2º/1. a sua criação é livre devendo. feito com a antecedência fixada no contarto . emitidos pelas instituições depositárias – art. em dinheiro. ainda os prazos remetendo-os para o . . definiremos depósito bancário como o depósito feito. ● Modalidades O Decreto – Lei nº 430/91 de 2 de Novembro. Este diploma regula.Estando em causa um depósito de “papéis de crédito com vencimento dejuros”. o depositário é obrigado à cobrança e demais diligências necessárias para a conservação de um valor e efeitos legais. a todo o tempo. aqui. 408º do Código Comercial refere os depósitos feitos em bancos ou sociedades os quais “… reger-se-ão pelos respectivos estatutos em tudo quanto não se achar previndo neste capítulo e mais disposições legais aplicáveis”. 406º.depósitos a prazo : são exigíveis no fim do prazo para que forem acordados . com ela se transmitindo todos os direitos relativos aos depósitos que representem – art. ao depósito mercantil. depósitos constituídos ao abrigo de legislação especial. seja em operações recomendadas pelo depositante . pelo cliente. designadamente no campo bancário. O art. Na vida do comércio. 3º.depósitos a prazo não mobilizáveis : não admitem tal antecipação. Os depósitos a prazo e os depósitos a prazo não mobilizáveis dão azo a um título normativo. aplicam-se . Temos. com ou sem possibilidade de mobilização antecipada – são transmissíveis por endosso.depósitos à ordem : são os exigíveis. ainda. . a emitir pelas instituições depositárias. De todo o modo e para maior clareza. 4º do Decreto – Lei nº 430/91 refere. pode suceder que a celebração de um depósito mercantil seja acompanhada de permissão expressa para o depositário se servir da coisa. apresenta-se como aprovando o “regime geral das contas de depósito” O seu art. 1º do Decreto –Lei nº 372/91. Estes certificados – ao contrário dos títulos nominativos relativos a depósitos a prazo. nos termos e com as características referidas no art. . Ele vem.depósitos com pré-aviso : são exigíveis apenas após um pré-aviso escrito. apresentar múltiplas hipóteses de actuação. sob pena de responsabilidade – art. ainda.depósitos em regime especial : todos os outros. as regras relativas ao depósito comum. as regras do empréstimo mercantil ou da comissão ou. nas condições acordadas. nessa altura. ser dado conhecimento das suas características. as instituições de crédito podem conceder uma mobilização antecipada. respectivamente. com 30 dias de antecedência. Os depósitos constituídos em instituições de crédito podem ser “representados” por certificados de depósito nominativos . seja para sí próprio. . O contrato de depósito apresenta uma extraordinária versatilidade. referindo as seguintes modalidades: . de 8 de Outubro. uma primeira alusão ao depósito bancário.

O depósito bancário à ordem tem sido considerado . temos: . Na verdade. o acto é válido . levando à conta. outros contratos aos depósitos em jogo. exclusivamente destinadas a financiar obras em partes comuns e que têm (ligeiros) benefícios fiscais. com benefícios fiscais e cujo saldo só pode ser mobilizado para a aquisição ou beneficiação de habitação própria. aquando da efectivação. entre nós. cabe ao banqueiro. Os diplomas falam em “contas” e associam. agro-pecuárias ou piscatórias – art. o depósito de certificados. Assim. 4º. a sua prova subsequente pode ser feita por qualquer via admitida pelo Direito. Trat-se de uma operação que surge sempre associada a uma abertura e conta. quando não haja culpa deste. sobretudo. Perante depósitos à ordem. Nos termos gerais. Diversa legislação especial fixa. na doutrina e. outros tipos de depósito bancário.contas poupança-habitação : Decrteto – Lei nº 27/2001 de 3 de Fevereiro : trata-se dum depósito com o prazo mínimo dum ano. as diversas remessas feitas a título de dinheiro depositado. condicionada. Já os depósitos a prazo – os depósitos de poupança – distinguir-se-iam dos depósitos a prazo : teriam a natureza de mútuos e não de depósitos irregulares. A forma dos depósitos bancários está. por cláusulas contratuais gerais. ● Regime e natureza O depósito bancário em sentido próprio é um depósito em dinheiro. de tal modo que. ainda. respectivamente. os elementos obrigatórios que eles devem conter e as condições a fixar pelo BP – arts 3º a 7º. . . com a assinatura muito semelhante à autêntica. Cumpre distinguir entre a forma dos actos e a prova de que tal forma foi seguida. o banqueiro já deu o seu assentimento genérico : ele mais não pode fazer do que aceitar as diversas manifestações da sua concretização. podemos falar numa única convenção de depósito. .contas emigrantes : Decreto-Lei nº 323/95 de 29 de Novembro : trata-se de contas facultadas apenas a emigrantes e que visem o financiamento de habitação ou da instalação e desenvolvimento de actividades industriais.contas poupança-reformados : Decreto-Lei nº 138/86 de 14 de Junho: reportam-se a depósitos a constituir por reformados com pensões médias/baixas e que apresentem alguns benefícios fiscais. sendo o cliente um simples credor. prazos a fixar pelas partes e juros vantajosos. os juros.acordo das partes contratantes. como de viu. por vezes. Também pelo banqueiro corre o risco do aparecimento de cheques falsificados. por vezes. aí já falta a ideia de restituição/disponibilidade. . O risco do que possa suceder na conta do cliente. como um depósito irregular : o banqueiro adquire a titularidade do dinheiro que lhe é entregue. a forma em causa é ad substantiam e não ad probationem. na jurisprudência. ao preenchimento de impressos ou à actuação de esquemas informáticos. Observada a forma. anexa à abertura de conta e que obriga o banqueiro a receber. constituído junto de um banqueiro.contas poupança-condomínio: Decreto –Lei nº 269/94 de 26 de Outubro : são depósitos construídos pelos condomínios de prédios em propriedade horizontal.

29º/I – podendo ser revogado depois desse prazo – art. funciona como título de crédito. 32º/II.O cliente diz-se sacador . enquanto documento normalizado. autonomia por o seu adquirente. . Além disso e enquanto obrigação cambiária. 28. caso o banqueiro recuse a pagamento. tendo apresentado. 33º. O portador de um cheque pode demandar o sacador. até.uma ordem de pagamento dirigida ao banqueiro. aspectos cambiários No cheque. de 7 de Junho de 1930. todos da LUCh. O cheque pagável a determinada pessoa pode ser transmitido por endosso. · Elementos do cheque . muito claros. dos limites e das modalidades do direito . em 1912. o pagamento – art. assim. simplesmente beneficiário. quando pagável no país em que foi passado – art. abstracção por ser independente da relação jurídica que esteve . chegar-se-ia às Convenções de Genebra que aprovam as leis uniformes e. ser havido como titular originário do direito . ao próprio mandante . ou por uma declaração do sacado. porém. 5º da LUCh. 14º da LUCh. mesmo quando pós-datado – art. A obrigação cambiária traduz-se no facto de o beneficiário poder exigir o pagamento ao sacador. O cheque.18º da LUCh. ainda. da autonomia e da abstracção. A eficácia do cheque não é prejudicada pela morte ou pela incapacidade superveniente do sacador – art. em tempo útil. Quando o endosso não designe o beneficiário ou consista. surgem. ou por uma declaração equivalente duma câmara de compensão – art. deve conter os elementos explicitados no art.uma obrigação cartular do sacador. No tocante à ordem de pagamento trata-se de uma ordem. dada por um cliente ao seu banqueiro. directamente. 1º da LUCh. o endosso garante. datada e exarada sobre o cheque . se não tiver sido revogado. caso o banco o recuse. o beneficiário diz-se terceiro beneficiário ou. ditam a sua natureza: . 32º/I . O sacador tem o “direito” de dar ordens de pagamento a um banco em virtude de um contrato celebrado entre ambos. a Lei Uniforme sobre Cheques. estando de boa fé. simplesmente. em especial. o sacado pode pagá-lo mesmo depois de findo o prazo – art.CONVENÇÃO DE CHEQUE ● Generalidades . Literalidade por a letra do título ser decisiva para a determinação do conteúdo. na assinatura do endossante. Deve ser apresentado no prazo de oito dias. de efectuar um determinado pagamento a um terceiro . ao portador ou. em sentido técnico. dois elementos que. o banqueiro diz-se sacado . é considerado cheque ao portador – art. os endossantes e outros co-obrigados quando. de todo o modo. o cheque a pagamento. tenha ou não a cláusula “à ordem” – art. ela está incorporada no próprio cheque que. a Lei Uniforme O cheque é um documento em regra normalizado e do qual consta uma ordem. quando não o faça. considera-se em branco . O cheque pode. indicar a pessoa do beneficiário. O cheque é pagável à vista . este não lhe for pago e a recusa for verificada : ou por um facto formal (protesto). 40º da LUCh. Surgem as conhecidas qualidades da literalidade. de acordo com as regras da circulação . Após a iniciativa de Haia.

recordando-se ainda. como conteúdo. segundo a qual o sacador tem o direito de dispor desses fundos por um meio de cheque. revogado depois : perde-se. Considera-se como não escrita qualquer declaração pela qual o sacador se exima a esta garantia. A característica da abstracção anda ligada à da literalidade . Se o primeiro elemento da convenção de cheque – o relativo às partes – não oferece dúvidas. tal como vimos resultar da LUCh. a convenção resultará. 38º da LUCh e designadamente : o de o cheque só poder ser pago a um banqueiro ou ao banqueiro determinado . a menção “em conta” – art. 3º da LUCh: “ o cheque é sacado sobre um banqueiro que tenha fundos a disposição do sacador e em harmonia com uma convenção expressa ou tácita. o conteúdo de atribuir ao cliente o direito de dispor de fundos por cheque. todavia. prejudicada no caso de inobservância destas prestações”. Nesta última hipótese. · A convenção de cheque e o seu conteúdo Cumpre ter presente o art. ambas. na disponibilidade do cliente. se revogado antes do prazo. Esse factor tem força própria e dá azo a dúvidas : quanto a saber se o cheque prescrito vale como título executivo e quanto a essa mesma qualidade . aos cheques. o primeiro deve ter fundos à disposição do segundo. pela LUCh : sacar cheques ao portador ou a beneficiário determinado . este preceito é claro. · Regime e natureza . que. Tal direito envolve o livre exercício das diversas possibilidades conferidas. Normalmente. necessariamente. havendo revogação : aparentemente.na sua origem. implicado no cheque. a convenção tem. os restantes requerem algumas explicações suplementares. expirado o prazo da apresentação. tal qualidade mantém-se. o cheque é pagável à vista. por seu turno. por fim. A convenção de cheques tem. São partes no contrato ou convenção de cheque. Trata-se de aspectos que emergem da LUCh e mais precisamente do seu art. de o banqueiro pôr uma caderneta de cheques à disposição do cliente ou de ele facultar impressos para operar a sua requisição. Tem-se como não escrita qualquer menção em contrário. têm a ver com o factor título de crédito. apor. de modo a produzir os efeitos previstos no art. 28º da LUCh. A validade do título como cheque não fica. 12º . preencher o cheque. a convenção pode ser expressa ou tácita . segundo o art. Tais fundos à disposição podem resultar de prévia obrigação assumida pelo banqueiro de um crédito concedido ou que o banqueiro se tenha obrigado a conceder ou de decisão livremente tomada pelo banqueiro. atribuir ao sacador o direito de dispor dos fundos por cheque. nos termos que entender e nos limites da lei . Finalmente o direito de sacar cheques envolve o direito de os revogar. Na sua simplicidade. designadamente. 39º da LUCh. nele. O direito de dispor de fundos por cheque equivale ao direito de sacar cheques. a convenção reportase ao uso de um número indeterminado de cheques.o sacador garante o pagamento. A convenção pode ser expressa ou tácita. a tutela do cheque . cruzar cheques com ou sem menção do banqueiro. O banqueiro deve ter fundos à disposição do cliente : é a chamada relação de provisão. um banqueiro e o seu cliente .

assim. A rescisão da convenção permite. versão em vigor . entre outras : e) “Transacções por conta própria ou da clientela. opções e operações sobre divisas. Particularmente grave é a emissão de cheque sem provisão. 6º. Por seu turno. 11º do Decreto –Lei nº 454/91 de 28 de Dezembro.Lei nº 454/91. à partida. as entidades que “tenham sido objecto de rescisão de convenção de cheque” são incluídas numa lista de utilizadores que oferecem risco. 3º/1 do Decreto . Não parece possível abordar um tema de moeda estrangeira sem recordar a matéria atinente às obrigações pecuniárias. instrumentos financeiros a prazo. Apenas passados dois anos poderão ser celebradas novas convenções. taxas de juro. uma dimensão comercial. qualquer montante não superior a 5. num título de crédito – o próprio cheque – que funciona como instrumento de pagamento e que. obrigações pecuniárias Segundo o art. sobre instrumentos do mercado mobiliário e cambial. O Código Civil trata das obrigações pecuniárias de forma tripartida. A confiança no cheque é um ponto importante. O banqueiro que forneça módulos de cheques em violação do dever de rescisão deve pagá-los. como tal circula. As outras instituições de crédito devem rescindir as convenções existentes – nº2. Isso está previsto nas cláusulas contratuais gerais. A tutela do cheque tem. quando emitidos – art. Resulta do art. 14º/2 – assim se reforçando o dever do banqueiro. sobre moeda estrangeira ou valores similares expressos em moeda estrangeira. com todo um regime subsequente. os bancos podem efectuar. em princípio.000$00. Porém. salvo antecipação decidida pelo BP – art. São obrigações pecuniárias aquelas cuja prestação consista numa entrega em dinheiro. Distingue: . que se repercute na convenção de cheque. Interessa revelar as referências ao mercado cambial e às operações sobre divsas. isto é. uma ordem de pagamento. 4º. Cláusulas do tipo : “ O Banco reserva-se o direito de não emitir cheques em nome do cliente”. dada a um banqueiro. A não-rescisão da convenção de cheque constitui contra-ordenação punível com coima – art. nas modernas economias. a comunicar pelo BP a todas as instituições de crédito. A lei tipifica. o crime de emissão de cheque sem provisão – art. obriga a instituição de crédito sacada a pagar. MOEDAS ESTRANGEIRAS E CÂMBIOS · Generalidades . essa ordem fica corporizada. o que justifica a sua liberdade de aceitar convenções de cheque. cujo pagamento será. Segundo o art. mercadorias e valores mobiliários”.O cheque é. não obstante a falta ou a insuficiência da provisão. 1º do Decreto – Lei nº 454/91 um dever de rescisão da convenção de cheque. 8º/1 do Decreto . contudo. O banqueiro é pois coresponsável pelos cheques emitidos pelo seu cliente. O art. 9º/1 do regime aprovado pelo Decreto – Lei nº 316/97 de 19 de Novembro. recusado pelo banqueiro. 4º/1 do RGIC. contudo “cheques avulsos” e. as operações de câmbio implicam a conversão – normalmente por compra ou por venda – de moeda nacional em moeda estrangeira e vice-versa. portanto : a celebração duma convenção relativa a um único cheque – art.Lei nº 454/91 de 28 de Dezembro.

552º e ss. pactuada uma obrigação por certo valor – ou tendo-se. que resulta dos artigos 550º e ss. . . indiferentemente.obrigações com curso legal apenas no estrangeiro: o seu objecto consiste em dinheiro que tenha curso legal noutro espaço jurídico. e constando. 558º e ss. ela. 100 euros em moedas de 2 . . pelos devedores ou pelos credores.obrigações de quantidade : o seu objecto traduz-se apenas por uma determinada quantidade ou soma de dinheiro. Com o princípio nominalista prendem-se outros aspectos jurídicos de relevo. pelo seu valor nominal ou facial. depois. nessa eventualidade. expressas em permissões legais de actualizar as prestações pecuniárias. alterações no valor económico em jogo. 100 euros.valor nominal ou valor extrínseco : imposto por lei a cada moeda. quando se pretendesse dar-lhe uma outra qualquer aplicação. isto é. Esta classificação. do Código Civil dá lugar a termos impernetráveis. para certos indicadores. é sempre pelo valor facial no momento do cumprimento que se afere o poder liberatório em jogo. traduzam a moeda considerada.. Recorde-se que tais valores podem ser: . A regra relativa às obrigações de quantidade vem referida no art. isto é. que as moedas de quantidade releva. pelas regras económicas. procurando pôr cobro a uma viva discussão anterir. quando. 551º do Código Civil remeteu.valor metálico ou valor intrínseco : que corresponde ao valor da matéria – do metal – incluída nas espécies monetárias. como princípio nominalista. a faculdade reconhecida à moeda com curso legal de provocar.valor de troca : que traduz o poder aquisitivo da moeda. por exemplo. através do cumprimento. em primeiro lugar. O art.obrigações de moeda específica : o seu objecto é expresso não só numa determinada quantidade mas também na quantidade particular da moeda considerada. O risco das alterações no valor da moeda corre. Em primeiro lugar o princípio nominalista move-se no seio dos diversos “valores” atribuídos à moeda. . em concreto. O princípio nominalista diz. consoante o sentido da modificação. . tal regra é a do poder liberatório. a extinção das obrigações que exprima. apenas o valor nominal ou extríseco. proporcionar. efectivamente. há que contar com as denominadas excepções ao nominalismo. efectivamente. a quantidade de mercadorias que a moeda considerada possa. por exemplo. a qualquer título. 550º do Código Civil. dos exemplares que. Desde logo. obrigações próprias e impróprias. o valor de troca ou o valor corrente ou cambiário – apenas uma regra jurídica muito particular poderia dar uma certa consistência ao primeiro . juros As obrigações em moeda estrangeira também são chamadas obrigações valutárias. O valor nominal relevante é o do cumprimento .valor corrente ou cambiário : que exprime a razão existente entre a moeda considerada e outras moedas estrangeiras. constituído – e sobrevindo. ● Obrigações em moeda estrangeira . A moeda legal tem um poder liberatório irrecusável pelo valor nominal . surjam desvios entre o valor nominal da moeda e os outros valores acima referidos – o valor metálico. de modo publicitado.

cláusulas que imponham. quando as partes insiram. Quando as partes constituam obrigações valutárias próprias ou puras.Na obrigação em moeda estrangeira ocorre. uma verdadeira remissão para todas as regras aplicáveis á moeda estrangeira considerada. O recurso a obrigações em moeda estrangeira pode ainda assumir duas configurações bem distintas. nos seus instrumentos negociais. mas admitiram. vale a taxa nacional. Manual de Andrade introduziu uma terceira categoria. ● Operações cambiais . de averiguar a intenção das partes que estipularam a moeda estrangeira como objecto das vinculações e. . . uma moeda estrangeira. Nestas. nos termos da ordem jurídica em que ela se integre e salvo. as partes pretendem um efectivo cumprimento na moeda estrangeira. aplica-se a estrangeira. em tudo o mais aplicam-se nos termos gerais. A presença de obrigações em moeda estrangeira pode advir de estipulações directas ou indirectas: directas. embora não o disponha de modo directo. pelo contrário. se está em causa verdadeira moeda estrangeira ou apenas o seu valor. para o devedor. podendo o cumprimento ter lugar na moeda nacional que equivalha ao quantitativo estrangeiro estipulado. 3º do Decreto – Lei nº 295/2003. As obrigações em moeda estrangeira vencem juros de acordo com a lei nacional respectiva. algo intercalar em relação às impróprias. A determinação da natureza pura ou impura de certa obrigação pecuniária em moeda estrangeira constitui um comum problema de interpretação contratual. válido em face de determinada ordem jurídica. A possibilidade. sempre que o recurso à moeda estrangeira resulte de preceitos contratuais dirigidos a outras latitudes. Em rigor. Se o pagamento ocorrer em moeda nacional. perante a ordem jurídica portuguesa. a liberalização A noção de operação cambial deriva do art. Pode tratar-se de: . em concreto. a jurisprudência tem apelado às taxas de juros do País. pressupõe a validade de cláusulas a tanto destinadas.Obrigações valutárias próprias ou puras : quando o pagamento deva ser realizado em moeda efectiva. as partes dêem lugar a meras obrigações impróprias impuras ou fictícias. esta disposição. como objecto de vínculo. segundo os princípios gerais. antes. não está em causa um pagamento a efectivar em moeda de certa nacionalidade: há. Quando.Obrigações valutárias impróprias . desde logo. de estipular em moeda com curso legal apenas no estrangeiro. a presença de conexões sectoriais mais fortes. está em causa . em relação ao da nacional. um débito pecuniário. Trata-se. resulta do art. designadamente. indirectas. simplesmente o objecto desse débito recai sobre uma moeda diferente da do espaço correspondente à ordem jurídica considerada. e a que chamou obrigações valutárias mistas. evolução . impuras ou fictícias : quando as partes tenham pretendido utilizar a moeda estrangeira como bitola do valor da obrigação. se for no momento do pagamento. na sua estrutura como no seu regime. 558º do Código Civil. há que ver quando se faz a conversão : se for ab initio. a faculdade de pagar na moeda nacional. apenas o valor da moeda estrangeira. as regras próprias da ordem jurídica a que pertença a moeda nacional.

● Condicionalismo legal O Decreto – Lei nº 166/95 de 15 de Julho. cancelados ou esquecidos na própria ranhura e. simplesmente. dispõe: 1 . o número pessoal ou PIN. os cartões caducados. introduzido na ranhura de um processador. vindo. 2º. . EMISSÃO DE CARTÃO BANCÁRIO ● Cartões bancários . O art. Por via mecânica ou electrónica. denominados ATM ou CD : o portador insere o cartão na ranhura do terminal. duas modalidades : . Ajustado um negócio que implique um pagamento. 8º do Decreto –Lei nº 205/2003 consagra a liberdade de contratação e de liquidação de operações económicas e financeiras com o exterior. na gíria quotidiana. 10º do mesmo diploma apenas autoriza o comércio de câmbios às instituições de crédito e às sociedades financeiras para tanto habilitadas. pedindo. A primeira distinção a operar nos cartões bancários separa os cartões de levantamento. O cartão de levantamento automático põe. As operações cambiais são fundamentalmente operações relativas a dinheiro não nacional. Ocorrem.este realiza automaticamente a operação – normalmente. “VISA” ). digitando o código pessoal – o PIN. sob a epígrafe “condições gerais de utilização”. frente a frente. por três vezes consecutivas. a autenticação é sumariamente feita pela comparação das assinaturas. ainda. O cartão é utilizado em terminais automáticos. a despesa vai ficar consignada em nome do cliente. depois a ser paga ao comerciante pelo banqueiro . aqui. se engane a introduzir o PIN. de 21 de Novembro. que procede à sua leitura. Os levantamentos têm limites máximos diários. Uma efectiva liberalização das operações com moeda estrangeira foi alcançada pelo Decreto – Lei nº 295/2003. O art. O cartão de crédito relaciona três pessoas : o banqueiro.As entidades emitentes de cartões de crédito devem elaborar as . simplesmente o banqueiro e o seu cliente : dá azo a uma denominada relação entre duas pessoas. automaticamente. reserva a emissão de cartões de crédito às instituições de crédito e instituições financeiras autorizadas para o efeito e às sociedades financeiras que tenham por objecto a emissão desses cartões – art. 3º.de 21 de Novembro. evolução e modalidades O cartão bancário é. sendo-lhe ainda equiparadas operações com não residentes. o portador do cartão autentica o acto. que opera a sua leitura automática. outro tanto podendo suceder com o cliente. O seu art. o cliente vai realizá-lo por meio do cartão.quando opere o crédito ( normalmente. O comerciante pagará uma comissão ao banqueiro. nessa gíria. os cartões cujo portador. o cliente e um terceiro – normalmente : o comerciante ou fornecedor de bens e de serviços. dos cartões de crédito.quando a operação ocorra a contado ( normalmente dita. O ATM apreende. que a debitará ao cliente. “multibanco”). levantamentos ou transferências – emitindo um talão. A natureza e o montante da operação são digitados no processador .

o cliente deve indicar o nome que será gravado no cartão. American Express). pretenda proceder à substituição do cartão. de 17 de Novembro de 1988. de resto. do BP. 4º . sobre relações entre os titulares e os emissores de cartões. renunciar.respectivas condições gerais de utilização de acordo com as normas aplicáveis. e a recomendação nº 88/590/CEE. ● O contrato de emissão Num prisma de Direito bancário. 6º. ao cartão. As “recomendações comunitárias” têm a ver com a recomendação nº 87/598/CEE. mesmo no estrangeiro. pode. No tocante a simples cartões de pagamento – cartões “ Multibanco” – verifica-se que a emissão depende da aceitação.ainda que celebrado por adesão – art. O contrato de emissão de cartão de crédito corresponde a um tipo social vertido em cláusulas contratuais gerais. a anuidade que já tenha pago. há que lidar. . nomeadamente o regime jurídico das cláusulas contratuais gerais. A submissão ao regime jurídico das cláusulas contratuais gerais é importante. de conteúdo especial. O regime aplicável aos cartões bancários consta ente nós de cláusulas contratuais gerais. ser apenas parcialmente debitada. por seu turno. Há. pelo banqueiro.Das condições gerais de utilização devem constar os direitos e obrigações das entidades emitentes e dos titulares de cartões. Tecnicamente temos. relativa a pagamentos electrónicos. com o Aviso nº 11/2001 de 6 de Novembro. devolvendo-o ao banco : perderá. destinado à sua emissão. como cartão de pagamento. contudo. Simplesmente. mas com alguma dilação. entre outras indicações. As importâncias são debitadas na conta do cliente. ele permite o acesso à rede nacional (Multibanco) e à internacional (VISA. a todo o tempo. desde logo. nesse domínio. da Comissão. Além disso. 5º O contrato deve. relevamos. de 8 de Dezembro de 1987. Este tem o direito de “…proceder à retenção ou exigir a sua restituição…” quando : se verifique a sua inadequada utilização. e ter em conta as recomendações emanadas dos órgãos competentes da União Eurupeia. um mandato sem representação. Entre nós. extensa jurisprudêncis inibitória. da Comissão. nas palavras do aviso. em data acordada.a redigir em termos claros e em língua portuguesa – art. 2 . O cliente poderá. 3º . de uma proposta de adesão constante de um impresso normalizado. Nessa impresso. O cartão é considerado propriedade do banqueiro. a forma escrita a assmir pelo contrato – art. ainda. Funciona. designadamente a discriminação de todos os encargos a suportar por estes últimos. aqui. estabelecer todos os direitos e deveres das partes – art. O cartão de crédito apresenta diversos pontos semelhantes ao cartão de pagamento. bem como levantamentos em numerário. Entre essas regras. subscrito pelo cliente. nos estabelecimentos aderentes. ele permite aquisições a crédito. nos termos das presentes condições gerais . que fixou regras referentes a cartões de crédito. porém. de acordo com o que se tenha acordado. desde logo. os cartões dependem dum contrato específico.

coisa do mesmo género. por causa que não lhe seja imputável. ou o grupo. ultrapassada a dificuldade e invertidas as posições o beneficiário restituiria. quantidade e qualidade. isto é. Surgiram algumas acções inibitórias quanto a cláusulas contratuais gerais usadas nos cartões. 1143.º admite que o mutuário proceda. O mutuário fica essencialmente adstrito a: ¾ pagar a retribuição. de todo o modo não haverá dificuldades. Assim ele só produziria os seus efeitos pela entrega da coisa mutuada. mútuos meramente consensuais. na altura. O mútuo é um negócio consensual ou formal consoante o seu valor (art. quando a esta haja lugar. Secção II – CRÉDITO BANCÁRIO MÚTUO BANCÁRIO ● O mútuo civil O art.º do CC define mútuo. tal como vimos com o depósito. a retribuição se torne impossível ou . O art. Igualmente nulas são as cláusulas que façam correr. em admitir ao lado do mútuo típico real. que permitem aproximar o cartão de crédito da moeda. a falsificação e uso de cartão de crédito envolve crime de moeda falsa.º CC). que detivesse um excedente momentâneo de bens de consumo cedia-o a quem. Assim. São nulas as cláusulas que façam correr contra o cliente uma presunção de culpa inilidível. por interpretação da vontade das partes. apenas contra o cliente. Quanto à responsabilidade dos clientes do banqueiro : tratando-se de cônjuges com cartões reportados à mesma conta. bem como as que atribuam um poder probatório absoluto aos registos informáticos. em equivalente da mesma espécie. Na origem do mútuo encontramos relações simples de solidariedade e de convívio humanos: a pessoa. os juros. Trata-se de uma concepção em clara regressão. estivesse necessitado. Celebrado o contrato e entregue a coisa ao mutuário torna-se este proprietário da mesma (art. ¾ restituir o tantundem. 1149. 1144.º). ela é solidária.● Casuística Temos a considerar decisões penais. 1142. O mútuo tem sido considerado real quoad constitutionem. ao pagamento do valor da coisa quando o mútuo recaia sobre coisa que não seja dinheiro e. os bens que recebera. No comodato sucede o inverso: a propriedade nunca deixa a esfera do comodante. em alternativa. o risco de extravio do cartão. perante o abuso de cartões.

Na verdade.º e 396. entre outras. figura fundamental no Direito bancário. o próprio mutuário poderá operar a restituição a todo o tempo nos termos gerais do art. 394. não vemos qualquer obstáculo a que entre comerciantes e no exercício do seu comércio sejam celebrados mútuos gratuitos. mais largamente.º). A natureza comercial do empréstimo surge quando “… a cousa cedida seja destinada a qualquer acto mercantil” (art.º. Além disso seria pouco curial admitir a prova dum mútuo…. 1134. que as partes estipulem um destino determinado para a coisa mutuada.º/1 do CC. na disponibilidade do mutuário.º do Cód. Compreende-se tal orientação: os juros não têm a ver apenas com o mútuo oneroso antes ligando-se a numerosas situações. 1147. mesmo no Direito comercial. está no cerne do mútuo e. 395. Comercial deve ser entendida como liberdade de forma. 1148.º. a de capital. Finalmente.º.º). qualquer meio de prova legitimaria a obrigação de restituição. ¾ quando celebrado entre comerciantes ele admite. A liberdade de prova consignada no art. Não havendo estipulação de prazo a obrigação do mutuário. nessa hipótese.º do CC. de todo o comércio bancário. ou juros. O preceito comercial não exige. Aparentemente teríamos aqui uma prefiguração do mútuo de escopo.º. Sendo o mútuo oneroso qualquer das partes pode pôr-lhe cobro operando a denúncia com 30 dias de antecedência ( art. 1151. O mútuo é celebrado pelo prazo acordado pelas partes. A natureza comercial do mútuo releva.º/1). ambos do Código Comercial. Posto isso ela é .º). ● Os juros A obrigação de juros. vence-se 30 dias após a interpelação (art. A retribuição “automática” tem hoje pouco mais sentido do que reforçar a presunção de onerosidade do art. 559. 395.º ambos do CC. assim. O CC inseriu-a como uma espécie.º).º a 561. 1145. no entanto. no mútuo gratuito.ao que denomina empréstimo comercial. O destino mercantil será.º).extremamente difícil. Teremos. um acto comercial por via da teoria do acessório. essencialmente. 1147.º/1e2). o mutuante só responde pelos vícios ou limitações do direito ou pelos vícios da coisa se. expressamente. de todo o género de prova (art. A obrigação de juros pressupõe uma outra. 777. no mútuo gratuito. em 2 pontos: ¾ o contrato é sempre retribuído (art. Não faria sentido sujeitar o mútuo comercial às pesadas formalidades prescritas na lei civil. dono da coisa.nulo: nessa eventualidade. Caso o mutuário não pague os juros no seu vencimento pode o mutuante resolver o contrato (art. de obrigações: arts. 396. 1150. seja qual for o seu valor.394. ● O empréstimo mercantil O Código Comercial consagra três arts . ex vi art. se tiver responsabilizado ouse tiver procedido com dolo: art. um mero facto jurídico. Sendo o mútuo oneroso o prazo presume-se estipulado a favor da ambas as partes: o mutuário pode todavia antecipar o pagamento desde que satisfaça os juros por inteiro (art. 396.

No sector cooperativo. Porém o nº 3 considera inaplicáveis todas as apontadas restrições “… se forem contrárias a regras ou usos particulares do comércio”. como mutuante. ● Modalidades. estende-se pelas regras gerais aos diversos elementos acessórios. Temos.º) e os moratórios (art. ● O mútuo bancário Desde logo ele distingue-se de quaisquer outros por ser celebrado por um banqueiro.º). 102. ¾ ou mediante notificação judicial feita ao devedor para capitalizar os juros vencidos ou proceder ao seu pagamento. 7. O nº 2 do mesmo preceito só admite a capitalização de juros correspondentes ao período mínimo de 1 ano. No campo bancário devemos ainda lidar com algumas regras específicas de ordem pública. acrescida de 3% e de 5% consoante houvesse ou não garantia real. no tocante a taxas de juros e outros custos.º do CC só permite o anatocismo por uma de 2 vias – nº 1: ¾ ou por convenção entre as partes. O DL 344/78 de 17 de Novembro veio estabelecer critérios de classificação de prazos de vencimentos de créditos bancários. o anatocismo é considerado vedado pela jurisprudência. Temos juros voluntários e juros legais consoante resultem da vontade das partes ou directamente da lei. respectivamente. uma porta aberta ao anatocismo bancário. O art.determinada em função do montante desta. assim exigida para os mútuos bancários. dados os fins não lucrativos que devem imperar. A forma escrita. posterior ao vencimento. sob pena de capitalização. Assim. Anatocismo é a prática que consiste em fazer vencer juros de juros. .º/1 do CC fixou a taxa legal. por aqui. repor a degradação do capital devido ou incitar o devedor ao pagamento. juros remuneratórios e juros de mora conforme visem a retribuição do capital mutuado ou o ressarcimento dos danos criados pela mora na restituição. 5.º/1 do CCom. juros convencionado e juros legais stricto sensu em função da natureza pactuada ou não das respectivas taxas. com as alterações introduzidas pelos DLs 83/86 de 6 de Maio e 204/87 de 16 de Maio: temos os juros remuneratórios ( art. A prestação de juros não tem de ser pecuniária mas é-o porém em regra. cifras essas que ascenderiam a 7% e 9% na hipótese de cláusula penal (nº 2). comerciais ou bacários em função dos intervenientes na operação. visto o disposto no art. De todo o modo e no tocante à taxa de juros ela sempre deveria ser fixada por escrito. da sua duração e duma determinada relação que se estabelece entre elas: a taxa. 560. anatocismo Os juros são susceptíveis de diversas classificações. aos seus clientes.º/2). 1146. 7. Os juros moratórios não podem exceder os remuneratórios em mais de 4% (art. O DL 220/94 de 23 de Agosto estabelece o regime das informações a prestar pelo banqueiro. Classificação importante é a que separa os juros em civis. em regra de base anual. Quanto aos limites das taxas de juros o art. agindo no exercício da sua profissão. juros compensatórios e juros compulsórios quando pretendam. Trata-se de um esquema que permite multiplicar a taxa efectiva de certa operação pelo que ela é valorada com alguma reserva pela lei.

De todo o modo e na falta de normas diversas funcionam os limites gerais vigentes no país quanto a taxas máximas. quando for superior a 1 ano e inferior a 5. A prorrogação do prazo duma operação deve imputar-se no prazo global. contudo. O DL 344/78 procede à sua classificação segundo o prazo e o regime de juros. Encontramos depois regras específicas para determinadas categorias de operações. quando exceda os 5 anos. ser considerada uma nova operação.º/1 do DL 344/78. ¾ créditos a longo prazo.De notar ainda a importante alteração introduzida no nosso ordenamento pelo DL 255/93 de 15 de Julho. pelo banqueiro. ¾ créditos a médio prazo. Pois bem: ¾ tais contratos podem ser celebrados por documento particular com reconhecimento de assinaturas (art. O art. Trata-se de um aspecto que assumiu grande relevo no período do dirigismo bancário. ● O mútuo de escopo O mútuo bancário pode ter a particularidade importante de ser um mútuo de escopo. concluir um acordo nesse sentido. 4.º e 2. a consignação num contrato de mútuo de determinado escopo para a aplicação do financiamento redundava na assunção de um dever a cargo do mutuário. Esse dever tinha uma vertente pública – a adveniente de considerações dirigistas – e uma vertente privada – o . 877 da colectânea. um mútuo no qual. 1.º) – pg. Elas consistem numa sobretaxa de 2% a aditar. 1. 2. se ocorrer por circunstâncias imprevisíveis e insuperáveis. Este diploma é referente à compra e venda com mútuo (art. contratualmente. 7.º do DL 344/78. Tal uso deve.º). o mutuário fica adstrito a dar um determinado destino à importância recebida. altura em que se pode. ¾ ficando sujeitos a registo obrigatório (art. 6.º: ¾ créditos a curto prazo. se tem sido renovada ou à taxa de juro máxima permitida para as operações de crédito activas de prazo igual àquele por que durar a mora. Temos consoante o prazo do vencimento – arts. Actualmente as taxas de juros bancários estão praticamente liberalizadas nos termos do nº 2 do Aviso 3/93 de 20 de Maio. permite a capitalização de juros correspondentes a um período igual ou superior a 3 meses: nos termos gerais haverá que.º/6 do DL 344/78. Encontramos também regras específicas no tocante a juros. de todo o modo. Os juros de mora bancários observam o dispositivo do art. ser alegado e provado em concreto. Os mútuos bancários dispõem de certas regras especificas. em alternativa. a contrario. à taxa de juro que seria aplicada à operação em causa. contando-se novo prazo (art. quando não exceda 1 ano. após o vencimento. As taxas de juro podem ser alteradas no decurso da operação mediante acordo prévio: é o que resulta do art. 5. Em termos jurídicos.º/1). para efeitos da referida classificação: assim não será. Temos aqui um 1º caso em que exigências do Direito bancário vêm alterar áreas jurídicas circundantes: princípios básicos e tradicionais do nosso ordenamento.º). 3. O anatocismo tende ainda a ser admitido em função de um uso bancário. isto é.

uma cláusula resolutória correspondente à inobservância do escopo.banqueiro ficaria melhor garantido com uma utilização produtiva ou racional das importâncias mutuadas devendo. garantia hipotecária. sob pena de resolução. requer negociações morosas. Além disso e quanto à forma: aplicam-se as regras próprias do mútuo bancário que exigem forma escrita. CONTRATOS ESPECIAIS DE CRÉDITO ● Generalidades. Mas poderá ser requerida escritura pública se a abertura de crédito incluir negócios que o exijam e. A abertura de crédito é um contrato consensual por oposição a real quoad constitutionem: fica perfeito com o acordo entre as partes sem necessidade de qualquer entrega monetária ao contrário do que sucede no mútuo clássico. A abertura de crédito serve necessidades importantes do tráfego comercial. Porém. além disso.º do CCom como uma operação de banco. quando contratualmente consignado. Existem diversas modalidades de abertura de crédito. há que negociar taxas de juros e garantias. A lei portuguesa não regula de modo expresso a abertura de crédito. ser respeitado. 362. Não obstante ela vem referida no art. Alguns bancos têm assim o cuidado de inserir em CCGs relativas à concessão de crédito. O banqueiro pretende ser habilitado com múltiplos elementos comprovativos da situação económica do cliente e ilustrativos da sua actividade. expedito em si. Essa faculdade de resolução por desrespeito do escopo deve ficar contratualmente consignada. No caso de incumprimento o banqueiro poderia resolver o contrato provocando o vencimento imediato da obrigação de restituição. perante créditos a médio e longo prazo com bonificações de juros ou com vantagens fiscais o escopo recupera o seu papel decisivo: deverá. As necessidades de um escopo e do seu respeito absoluto. Muitas vezes o crédito bancário. A abertura de crédito é . a abertura de crédito A prática e as necessidades da normalização bancária têm levado à autonomização de diversas figuras. ser respeitado o acordo das partes. têm vindo a atenuar-se com a recente liberalização da economia. por exemplo.

A garantia.000 euros ou múltiplos desse valor de cada vez. o crédito surge. Trata-se.º do CCom – mas legalmente atípico e que corresponde. Fala-se então na gíria bancária em conta-corrente caucionada. 362. é a situação que se gera quando. caso tenha sido acordada. as regras do mandato quanto à disponibilidade. Por exemplo: na falta de prazos convencionados. é muitas vezes de ordem pessoal. um saldo negativo . A abertura de crédito diz-se garantida quando seja acompanhada de uma garantia pessoal ou real. Em todo o processo de renovação ou de cessação de aberturas de crédito há que manter contínuos fluxos de informação sob pena de se poderem criar situações de confiança que. o cliente já não poderá mobilizar mais importâncias mas disporá dos 30 dias previstos no art. Posto isso. 349. também chamado facilidades de caixa. quando exista. depois a serem desamparadas. no 2º o cliente pode sacar diversas vezes sobre o crédito solvendo as parcelas de que não necessite numa conta-corrente com o banqueiro. havendo cessação de contrato. as regras do mútuo quanto ao saldo. uma abertura de crédito de 100. pois. A cessação de uma abertura de crédito pode dar azo a dúvidas mas para a qual não há regime legal directo entre nós. Constitui um bem autónomo. dum contrato bancário nominado – recorde-se o art. Do mesmo modo na movimentação do crédito há que atender às exigências da boa fé. são debitados ora mensal ora trimestralmente. isto é. Os juros bem como a comissão de imobilização. mas por via potestativa e em simples execuçaõ do contrato. Na hipótese de mobilização pode ainda pactuar-se que as importâncias a mobilizar o sejam por fatias de valor pré-estabelecido: por exemplo. 1148.º do CCom. 780. efectivamente. a um tipo social sedimentado nos usos e em CCG. e a descoberto na hipótese inversa. Nesta última hipótese há ainda que lidar com as regras da contacorrente. perfeitamente conhecido por todos os operadores e que não equivale a um crédito. hoje. A solução desejável reside na regulação contratual: as partes devem prever com clareza o termo da operação e as condições da sua eventual renovação. próprio.º do CC) para o antecipar. de acordo com o combinado.simples ou em conta-corrente: no 1º caso o crédito disponibilizado pode ser usado 1 vez. Havendo prazo há que invocar a perda do respectivo benefício nos termos gerais (art. ● O descoberto em conta O descoberto em conta. podendo o cliente mobilizar parcelas de 10. A abertura de crédito dá azo a uma disponibilidade que o cliente pode mobilizar através de actos subsequentes. podem originar responsabilidade. o banqueiro admita um saldo a seu favor. O regime do mandato será sempre o Direito subsidiário. na prática bancária portuguesa em que as aberturas de crédito operam a favor de sociedades recorre-se a livranças subscritas pela própria sociedade e avalizadas pelos sócios mais significativos. Não o fazendo iremos aplicar as regras da conta-corrente em geral quando seja o caso.º/2 do CC para pagar o saldo em dívida. A doutrina mais recente salienta que a abertura de crédito visa a disponibilidade do dinheiro. qualquer das partes pode pôr termo ao contrato por via do art.000 euros. numa conta-corrente subjacente a uma abertura de conta.

O descoberto pode advir dum negócio prévio com o banqueiro – abertura de crédito ou crédito pessoal. ●A antecipação bancária Antecipação bancária é um contrato pelo qual um banqueiro concede. Além disso ela está económica e funcionalmente ligada ao penhor “antecipado”. a questão vem tratada nas CCGs relativas à abertura de conta. De todo o modo. as regras do mútuo bancário. com prejuízo para a tranquilidade social. A antecipação bancária é um contrato de crédito caracterizado pela associação entre 2 elementos: um penhor ( normalmente de títulos) e a entrega duma quantia em dinheiro de valor proporcional ao da garantia constituída. o cliente cede ao banqueiro um título que incorpora o débito do 3º. porém. Por vezes. um crédito mediante um penhor equivalente de títulos. entre nós e na falta de regulação legal. no entanto não há. Em casos-limites quando o corte do descoberto em conta opere de modo totalmente inesperado e contrário à boa fé poderá haver venire contra factum proprium. duma figura claramente delimitada pela prática.para o seu cliente. ainda não vencido. a tesouraria de certos de clientes. pessoal e económica. nada os obriga a isso. De outra forma. ● O desconto bancário O desconto bancário já terá sido o mais frequente e significativo contrato de crédito. Trata-se. O desconto vem nominado no art. no Direito português. por curto período. Mas ela distingue-se também do comum empréstimo sobre penhor por traduzir. de todo o modo.º do CCom. O desconto bancário é o contrato pelo qual o banqueiro entrega ao seu cliente uma determinada quantia em troca de um crédito. os banqueiros evitarão conceder descobertos. Na sua forma mais típica o descoberto é tolerado pelo banqueiro. uma pré-realização do valor da garantia e não apenas uma garantia dum empréstimo. dinheiro ou outros bens. resta tratá-la como um contrato misto de mútuo e penhor de títulos combinando os respectivos regimes com preponderância do penhor. Pode também ser consequência automática de outros dispositivos. ao seu cliente. por oposição a real quoad constitutionem. o desconto funciona sobre títulos de crédito. sobre um 3º. Normalmente. como modo de facilitar. na prática bancária. Ela não está sujeita a nenhuma forma especial aplicando-se a exigência comum da forma escrita nos . em vez de vender esses bens para realizar dinheiro se dirige ao banqueiro o qual “antecipa” o preço dando-lhe um crédito e recebendo os bens como garantia. tendencialmente. momentaneamente. lançamento de despesas. O desconto poderá assim ser afectado pelas vicissitudes que atinjam o título. 362. O banqueiro deduz uma parcela correspondente ao juro e a extinção opera salvo boa cobrança. Digamos que o cliente. por exemplo. regras legais específicas. isto é. Ao descoberto em conta aplicam-se. A antecipação bancária distingue-se do mútuo por não pressupor a entrega do dinheiro: é consensual.

uma vez efectuada. à distância. Trata-se do cash against documents (CAD). há mútuo. há um mútuo garantido ou uma venda do crédito. um mútuo com restituição pro solvendo. Já não haverá desconto na operação em que o banco adiante importâncias à próprias subscritora: será um simples mútuo. O desconto apenas traduz o fenómeno do crédito mediante entrega do efeito ou do direito contra 3º. do tipo acima descrito. em alternativa. a pedido do cliente. Parecem dominar as orientações que vêem. todas as taxas e encargos. ● O crédito documentário Esta é a operação pela qual um banqueiro. lançar mão da relação cambiária. crédito esse que o 3º em causa poderá mobilizar mediante a entrega ao banqueiro de determinados documentos. embora também se defenda a existência dum negócio sui generis. No entanto. o comprador diz-se ordenante. em 20 anos. ou pelo menos. é essencial atender às cláusulas do concreto desconto considerado. No essencial discute-se se. invocando-as e interpretando-as. em suma. não havendo outro prazo. independente das vicissitudes ulteriores. entre o beneficiário do desconto ( o descontário) e o banco descontador. Não deixa de ser um negócio de crédito tipicamente bancário uma vez que nele o banqueiro disponibiliza uma importância em dinheiro que irá depois reaver com lucro. a qualidade e a entrega da mercadoria acordada. ou não. Quando o banqueiro receba definitivamente o efeito ou o direito o desconto encobre uma venda. A abertura de crédito documentário é revogável ou irrevogável conforme o ordenante se tenha. salvo cláusula em contrário. Assim. Contudo surge uma 2ª e clara função: a do pagamento à distância – transferência .e a da conferência de determinados documentos. A abertura de crédito documentário tem assim uma função dupla. com essa mesma cláusula. Assim ele não tem. Ele pode. o comprador duma mercadoria num local distante pedirá ao banqueiro que efectue um pagamento ao vendedor mediante a entrega por este de documentação que ateste a existência. subsiste uma relação de empréstimo que pode ser accionada: teremos. Resta acrescentar que as posições jurídicas derivadas do desconto prescrevem. Quando o receba para se pagar com cláusula pro solvendo. constitui-se perante este devedor da importância em causa suportando ainda. A abertura de crédito documentário tem dado azo a múltiplas teorias . o desconto tende a ser assimilado a um mútuo especial. reservado o direito de revogar a ordem de pagamento. natureza unitária: tudo depende do negócio que subjaza à entrega. no desconto. cliente do banqueiro. um mútuo com datio pro solvendo. ele visava facultar pagamentos internacionais. abre um crédito a favor dum 3º. no desconto. O crédito documentário irrevogável funciona como uma verdadeira garantia. A natureza do desconto mantém aberta uma discussão. Fundamentalmente. Numa situação jurídica de abertura de crédito documentário. O comprador. o banco diz-se emitente e o vendedor diz-se beneficiário.empréstimos bancários. Na prática portuguesa. necessariamente. Na verdade.

No fundamental. assim não será se o banqueiro for avisado de que os documentos que lhe são apresentados são falsos. muitas vezes. por escrito. por mútuo acordo a compra e venda. Mais tarde os banqueiros vieram associar-se à operação concedendo créditos especificamente destinados ao consumo ou lançando institutos ou departamentos especializados no financiamento de aquisições a prestações. esses preceitos vêm concretizar deveres de informação que já se imporiam. no entanto. Seria. numa base anual. O crédito ao consumo exige assim redobrados deveres de informação: além da sua delicadeza intrínseca ele dirige-se.º do DL 359/91 não se retira que a nulidade da compra e venda implique a do crédito ao consumo. O DL 359/91 prevê ainda medidas de tutela aos consumidores perante a concessão de crédito em conta-corrente (art. Nessa base. que aprovariam múltiplas regras de tutela no domínio do crédito ao consumo. revogado fica o crédito ao consumo. e designadamente as Directrizes nº 87/102/CEE de 22 de Dezembro de 1986 e nº 90/88/CEE de 22 de Fevereiro de 1990. uma ideia particularmente acolhida pelo nosso . ● O crédito ao consumo O crédito ao consumo foi. Recorrendo à jurisprudência podemos apurar algumas proposições práticas interessantes.especulativas.º). a nossa jurisprudência tem vindo a aplicar a regra de que. 12. que tem a natureza duma abertura de crédito. nos termos gerais. nos 7 dias úteis subsequentes. a legislação comunitária. Entre nós as Directrizes comunitárias relativas ao crédito ao consumo foram transpostas pelo DL 359/91 de 21 de Setembro. O crédito ao consumo é dobrado pela consignação de um regime especial de falência do consumidor. concedido pelo próprios vendedores sem juros: recorriam pois a capitais próprios e com o fito de melhor colocar a sua mercadoria. de contrato com determinados requisitos. Encontramos estas regras vertidas nas CCGs praticadas pelos banqueiros mais cuidadosos. O banqueiro deve proceder a um exame formal da documentação em causa. O crédito documentário pode. ¾ a celebração. a particulares sem experiência de contactos bancários. 14. o contrato entre o ordenante e o 3º que justificará o pagamento a efectuar. ¾ do art. o crédito deve ser satisfeito. ¾ todavia: revogada. ser cedido. 13. Assim: ¾ comete venire contra factum proprium o particular que só ao fim de 3 anos invoca a nulidade de um contrato de crédito ao consumo por falta de indicação escrita do fornecedor do bem. Em rigor ela assenta em 2 contratos: o contrato entre o ordenante e o banqueiro. inicialmente.º). sendo irrevogável. nos termos gerais. ¾ a existência dum “ período de reflexão”: o consumidor pode. Este diploma tem como linhas de força: ¾ a necessidade de informar o consumidor da “taxa anual efectiva global” ou TAEG que exprima os reembolsos e encargos por ele suportados. revogar a sua declaração negocial relativa ao contrato. dobrada por um mandato sem representação. e sob a forma de descoberto (art.

Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas de 2004. o colocá-lo no mercado: mas com todas as contingências inerentes ao facto de estar em jogo um bem usado. de uma entidade bancária que não poderá dar ao bem. perante esse panorama. formalmente. Os locadores pretendem. Salvo. que adquiriu para ceder ao locatário qualquer destino produtivo ou sequer útil. em regra. como um débito. Trata-se. A locação financeira não surge. porém. de equipamento ou outro. ●Traços gerais e modalidades A locação financeira postula uma intervenção de 3 sujeitos: o fornecedor. poderá ainda nada fazer. as empresas que a ela recorrem não vêem aumentar o seu endividamento ao contrário do que sucederia perante um mútuo tradicional. muitas vezes mal conservado. Estas encarecem o produto onerando o locatário com encargos não produtivos. este irá pagar uma retribuição que traduza a amortização do bem e dos juros. Além disso a locação financeira permite diluir contabilisticamente os custos das aquisições com múltiplas e potenciais vantagens de ordem fiscal e no tocante à própria imagem da empresa. Do ponto de vista da facilidade de concessão as vantagens são claras: o financiador ficará a dispor da própria titularidade do bem. Muitas vezes a locação financeira obriga a celebrar outros contratos: seguros e garantias. o locador financeiro dispõe do domínio: a garantia máxima. um contrato de compra e venda. é a garantia por excelência. . Assim ele poderia dispensar maiores indagações sobre o cliente contentando-se com a existência do bem locado. Infere-se. A própria locação financeira consigna depois. o locador e o locatário. no final o locatário poderá adquirir o bem pelo valor residual ou celebrar novo contrato. o interessado dirige-se a um banqueiro. Haverá pois que procurar um equilíbrio assente numa repartição razoável e equitativa dos riscos. A sua expansão tem sido constante. ainda. pelo menos. que ela surge em união com. e porventura demasiado especializado para colocações imediatas. acordam no seguinte: o banqueiro adquire o bem em causa e dá-o ao interessado em locação. Em princípio. LOCAÇÃO FINANCEIRA ● Origem e vantagens Locação financeira é o contrato pelo qual uma entidade (o locador financeiro) concede a outra (o locatário financeiro) o gozo temporário duma coisa corpórea adquirida para o efeito pelo próprio locador a um 3º por indicação do locatário. O problema de base derivado da locação financeira tem a ver com o destino dos bens no caso de incumprimento. naturalmente. uma opção de compra a favor do locatário. daí. Em 1º lugar ela traduz um crédito de escopo bem delimitado: o financiador paga directamente o bem ao fornecedor. A locação financeira tem diversas vantagens enquanto fórmula destinada a proporcionar crédito bancário. assegurar-se multiplicando as garantias. O esquema creditício encontra-se vertido nos moldes da velha locação: pretendendo adquirir um bem. muito aderente ao bem a financiar: acompanha o seu valor e a sua força produtiva. ou seja. para o qual não tenha disponibilidades imediatas. Ela está.

Tomando-a na sua globalidade a locação financeira é um contrato oneroso. temporário mas originando relações duradouras e de feição financeira. sintetizado o novo regiem da locação financeira. shortleasing e long-leasing conforme dure menos de 10 anos ou 10 anos ou mais anos. first ou secondhand-leasing quando se reporte a bens novos ou usados. Fundamentalmente tratava-se de dar mais alguns passos na liberalização da figura de modo a acompanhar quer os progressos gerais do Direito bancário nacional quer a evolução do Direito europeu. terme-leasing e revolving-leasing respectivamente para os contratos de duração pré-definida ou de duração indeterminada. kommunal-leasing para os contratos contraídos por autarquias para equipamentos públicos. Entre nós a distinção fundamental tem operado entre o leasing mobiliário e o imobiliário consoante a natureza dos bens locados seja móvel ou imóvel.º do novo diploma que estabelece um esquema expedito para o locador reaver o bem no caso de cessação do contrato. no preâmbulo. bivinculante. Na origem. 21. assim. efectivamente. como um núcleo apto a suportar os fenómenos da união de contratos e dos contratos mistos. as inovações seguintes: ¾ alarga-se o objecto do contrato a quaisquer bens susceptíveis de serem dados em locação. ¾ simplifica-se a forma do contrato limitando-se a simples documento escrito. Visou- . é o dispositivo do art. Assim. consoante os custos das reparações. Muito importante. Podemos considerar que nestas simples proposições está. A locação financeira comporta múltiplas classificações. ¾ enunciam-se mais completamente os direitos e deveres do locador e do locatário de modo a assegurar uma maior certeza dos seus direitos e portanto a justiça da relação. sinalagmático.A locação financeira ocorre. cumpre apontar as seguintes: net-leasing e gros-leasing. sale-lease-back-leasing quando o interessado venda o bem ao financiador o qual lho devolve em locação financeira. ¾ possibilita-se que o valor residual da coisa locada atinja valores próximos de 50% do seu valor total. ●O regime vigente A locação financeira viu a sua 1ª regulamentação legal aprovada pelo DL 171/79 de 6 de Junho. O regime de locação financeira foi depois regulamentado pelo DL 149/95 de 24 de Junho. em termos práticos. ¾ reduzem-se os prazos mínimos da locação financeira podendo a locação de coisas móveis ser celebrada por um prazo de 18 meses e a de imóveis por um prazo de 7 anos. dos seguros e outros corram pelo locatário ou locador. o próprio legislador enunciou. à vontade do locatário. Trata-se duma providência cautelar especificamente adaptada que permite a rápida recuperação do bem.

Em especial ela veio a fixar-se em que o locador.º veda operações similares ao leasing. o locador é ainda o possuidor da coisa em termos de propriedade exercendo a sua posse através do locatário ( pode usar embargos para defender a sua posse. Esta última hipótese poderia estar contemplada no contrato. através das suas cláusulas contratuais gerais. como alternativa e perante o incumprimento. bastante circunstanciadas. um negócio de crédito ainda que vertido nos moldes da velha locação. O incumprimento tende a colocar o locador numa situação melindrosa: sendo uma instituição de crédito ele pouco proveito poderá tirar do objecto locado. O fornecedor é estranho à relação verificada entre locador e locatário não respondendo solidariamente pela situação criada. Tais cláusulas sujeitam-se à fiscalização jurisdicional: desde cedo a jurisprudência entendeu que tal fiscalização não era afastada pelo facto de ocorrer uma aprovação pelo BP dos modelos dos contratos. aprontadas pelas sociedades locadoras. Transmitida. De todo o modo a cepa da locação também faz valer o seu peso: o locador deve assegurar a entrega da coisa. porém. obter os documentos da viatura locada.º/2 do DL 171/79. na pendência do contrato. Só por si o contrato de locação financeira não é. A ele compete. o qual revogou expressamente o DL 171/79 deixou uma duvida: teria sido revogado o DL 10/91 de 9 de Janeiro? Surgiu assim o DL 265/97 de 2 de Outubro. além disso haverá dificuldades em colocá-lo no mercado visto tratarse de um bem usado e normalmente em mau estado de conservação. A publicação do DL 149/95 de 24 de Junho. agindo no caso de vício da coisa. de acordo com o depois revogado art. Assim não lhe são aplicáveis as regras da compra e venda e designadamente as regras da venda a prestações. A jurisprudência tem actuado no sentido de moderar tais esquemas de protecção.se assim responder às lições da prática: o locatário podia. A locação financeira é. com juros. ou resolve o contrato ou faz vencer as obrigações vincendas.º do CC. através de diversos esquemas dilatórios frustrar o domínio do locador. ele introduziu diversas alterações no DL 149/95 de 24 de Junho de modo a contemplar o leasing de imóveis para habitação. A locadora poderia ainda resolver o . essencialmente. 1057. O art. de modo expresso o DL 10/91. tende assim a rodear-se de garantias pesadas gizando ainda cláusulas penais de grande extensão. segundo o tipo de leasing. título executivo. O locatário é responsável pelas consequências advenientes do funcionamento da coisa designadamente pelo seguro obrigatório de responsabilidade civil. ●A prática da locação financeira. no essencial. Visando esclarecer o problema este diploma revogou. a propriedade do bem locado o novo proprietário passa a locador por aplicação do art. ainda que só responda por dolo ou culpa grave. 4. Paralelamente. 23. o incumprimento Os contratos de locação financeira são concluídos na base de cláusulas contratuais gerais. O locador financeiro. Desta feita pretendeu-se. por exemplo. duma opção de compra: é nula a cláusula que obrigue o locatário a comprar a coisa. reforçar a autonomia privada pondo termo a algumas regras restritivas. No termo da relação o locatário dispõe. Finalmente o DL 285/2001 de 3 de Novembro veio alterar novamente a locação financeira.

Notificada a resolução. por via de cláusulas contratuais gerais.contrato por incumprimento independentemente de accionar o segurocaução prestado por uma companhia seguradora. Para além destas considerações haverá que ponderar. aplicável ao incumprimento culposo definitivo. 16. a resolução por incumprimento mas apenas a resolução por impossibilidade culposa imputável ao devedor (art. ●Aluguer de longa duração e renting O art. de 1/5 das rendas vincendas e do valor residual. com hesitações essa orientação veio a sedimentar-se na jurisprudência a qual acrescentaria ainda mais 20% do valor residual e os juros vencidos desde a resolução até ao efectivo pagamento. 801. Segundo o art. Tudo depende de ter sido devidamente acatado o dever de informação e de esclarecimento aquando da conclusão do contrato. o valor deste e o das rendas vincendas (haveria uma duplicação). 798. que não pode haver lugar à cobrança das prestações vincendas. não se entenderia que recebesse também as rendas subsequentes a essa recepção. o locador suporta múltiplos investimentos que devem ser compensados. O interesse positivo deve ser considerado: danos emergentes e lucros cessantes. em regra.º do DL 149/95 proibiu a realização por qualquer entidade. assim. salvo cláusula mais favorável a este. directamente. dum modo geral. de acordo com o tipo de contrato em causa. Uma vez resolvido o contrato por incumprimento a jurisprudência tem entendido. A lei é clara: a resolução opera “… independentemente do direito à indemnização…”. de forma . ao interesse que teria na não celebração dum contrato que seria incumprido e que é. Registe-se. o eventual excesso de cláusula penal. mesmo excessiva. Havendo resolução há uma limitação da indemnização mas por via diferente: recebendo o bem de volta o locador não poderá facturar. que a multiplicação de garantias. substancialmente menor. A jurisprudência não aceita que. A solução do pagamento duma percentagem das rendas vincendas e do valor residual parece razoável. o locador ganhe mais com o incumprimento do que com a comum execução do contrato. Bem se compreende: se o locador recebe o bem locado. A resolução. As dúvidas surgem por o CC não referir. Assente esse ponto a jurisprudência encaminhou-se para admitir a inclusão de cláusulas penais. o locatário pode precludi-la pagando o montante em dívida acrescido de 50%. A sua actividade é puramente financeira: ele não colhe as vantagens reais quando receba de volta o bem locado. de ser pactuada. O DL 149/95 precisou os termos da resolução: esta já não tem. Trata-se duma opção consolidada nos últimos anos. Quando recorra à resolução nenhuma norma limita a indemnização ao chamado interesse negativo. nos termos gerais. não é só por si abusiva. isto é. que deve ser pactuada. arts. Esta. Esta norma é. por fim. Seriam admitidas cláusulas que consignassem o pagamento.º/2).º e 562. 23.º entre outros do CC. simultaneamente. Contudo a mera restituição do bem não é ressarcitória: como tem sido reconhecido na jurisprudência. pelo locatário inadimplente. porém.º a resolução é possível perante uma mora de 60 dias do locatário. é incompatível com a cláusula penal de recepção das rendas vincendas. deve colocar o credor na posição em que estaria se não fosse a violação.

a cessão financeira dispensa meios de pagamento que. a prática levou à consagração do contrato de aluguer de longa duração (ALD). o cliente ou o aderente. os seus créditos sobre um 3º. para o factor meios monetários que. ¾ incrementa a sua rendibilidade: dispondo de liquidez a aderente pagará de imediato aos seus próprios fornecedores conseguindo com isso preços mais favoráveis. o devedor ou debitor. liberta assim os seus patamares bancários para operações de fundo. só lhe seriam atribuídos dentro de semanas ou meses. por um período longo. doutro modo. CESSÃO FINANCEIRA ●Noção e papel Contrato de cessão financeira. A cessão financeira é. a créditos a curto prazo. de outro modo. como créditos imobiliários. é o contrato pelo qual uma entidade. atrás das comissões e dos ágios. assegurar a manutenção dos bens locados. em princípio. ou de factoring. para investimentos em bens . a automóveis: o locador proporciona ao locatário. Acresce que o locatário não tem o direito de opção final. ¾ impulsiona a expansão: numa situação de perfeito equilíbrio. No entanto. Nessa medida ela apresenta. Estas figuras regem-se pela autonomia privada sendo patente. O contrato não teria natureza financeira antes visando directamente o que resulta de qualquer locação. uma orientação consistente em não lhes aplicar os regimes restritivos da locação. cede a outra. impulsione essa mesma expansão. o cessionário financeiro ou o factor. por parte da jurisprudência. Uma 2ª fórmula contratual próxima da locação é o renting ou aluguer operacional. os custos do factoring serão repercutidos nas facturas emitidas (para o futuro) e imediatamente liquidadas pelo factor. mediante uma remuneração. antes do mais.habitual. entre outras. compreendese que o factoring interesse a empresas em expansão e. uma forma de financiamento a curto prazo do aderente ou cedente financeiro. o uso e a fruição de um veículo. de operações de natureza similar ou com resultado equivalente aos da locação financeira. um contrato de factoring irá drenar. Trata-se de um produto relativo. uma vez celebrado. ficariam no aderente. num cenário de expansão. ¾ limita o endividamento: a empresa “factorizada” não recorre. além disso pressionada pela lógica do factoring ela tudo fará para colocar no mercado rapidamente os seus produtos de modo a conseguir emitir as almejadas facturas. na prática. Desta feita temos igualmente uma locação de veículos ou equipamentos por uma longa duração mas associada a serviços: o locador deverá. porém. por exemplo. as seguintes vantagens: ¾ confere maior liquidez à empresa: uma vez que faculta a imediata realização das facturas.

a transferência do risco para o factor. há que contar com os juros relativos às antecipações de capital. Perde pois independência negocial face ao factor. ¾ problemas psicológicos. acesso a informações que lhe permitem uma melhor apreciação.duradouros. Nesse domínio a empresa factorizada tem. há que pagar a comissão geral ao factor sobre o volume das facturas tratadas. ¾ aumenta o fundo de maneio: justamente pelo aumento de liquidez e pela maior rendibilidade. ¾ desvantagens na gestão. obter . A empresa factorizada pode ser levada a centralizar os seus produtos evitando novos mercados porventura mais avançados mas com riscos. Este tende a ficar enfeudado ao grupo do factor sentindo dificuldades depois em dirigir-se a outros grupos de modo a. Por fim. (para mais vantagens: pag 578) A cessão financeira não é uma panaceia. ¾ favorece o balanço: a apresentação das contas da empresa “factorizada” é favorecida pelo factoring. sobretudo. o factoring implica um produto relativamente caro. ¾ o aderente fica dispensado de recorrer a outros esquemas destinados a enfrentar incumprimentos: seguros de crédito. tal comissão oscila consoante os países. as seguintes vantagens: ¾ pode dispensar um departamento de cobranças: todas essas tarefas passam para o factor. os sectores e as próprias facturas falando-se de margens entre 1% e 3% e entre 3% e 5%. por exemplo. tirando partido das regras do mercado. ou pode implicar em função do clausulado adoptado. a empresa factorizada vai perder valências e experiências no tocante à gestão das facturas e dos clientes. Além disso. como especial vantagem. a cessão financeira está crescentemente implicada na prestação de serviços. Desde logo. tem experiência e tem. as empresas. Por fim o factoring é um contrato total e exclusivo que traduz uma associação duradoura entre o factor e o aderente. ¾ também a gestão da carteira de clientes passa para o factor. a créditos de emergência ou de manter activos esquemas como as contas-correntes caucionadas. Ela comporta alguns inconvenientes que será possível agrupar em: ¾ custos. nos aspectos materiais. Daí resulta. a diminuição dos riscos para o aderente. provisões para incobráveis e especiais assistências jurídico-económicas. pense-se na diminuição ou supressão do passivo. A gestão das sociedades factorizadas pode sofrer. Depois computa-se uma margem ou comissão de garantia que funciona como prémio pelo risco assumido pelo factor. A lógica das sociedades de factoring tenderá a ser financeira e comercial. ¾ a avaliação dos 3ºs credores é feita pelo factor que em princípio está melhor colocado para esse efeito: tem conhecimentos. A cessão financeira implica depois. Por fim. No tocante aos custos. Temos mais precisamente: ¾ o aderente pode laborar sem a insegurança das facturas não pagas. por ex. ¾ o aderente poupa nas medidas de emergência destinadas a enfrentar incumprimentos: não tem de recorrer.

não notificado ao 3º devedor. Pode. como modo de tornear os referidos problemas psicológicos. Assim. este deverá ficar desagradado quando. Também se chama a atenção para problemas psicológicos colocados. ou eventualmente colocados. seja interpelado por uma impessoal sociedade financeira. mas que escolham a via da expansão.º o contrato de cessão financeira deve ser celebrado por escrito e a transmissão de créditos ao abrigo da cessão deve ser . Reflexos psicológicos negativos surgem também junto do 3º devedor. O DL 171/95 relativo às sociedades de cessão financeira compreende 2 arts. por aí. Em 18 de Março de 1986 foi publicado o DL 56/86 o qual. por vezes até em termos de cordialidade pessoal. O DL 41 403 de 27 de Novembro de 1957 aprovara a organização bancária portuguesa. ¾ o factoring atrai empresas equilibradas: os desequilíbrios estruturais ou sérios requerem medidas de saneamento que o factor. Segundo o art. pelo factoring. as de pequena dimensão não têm margens de absorção dos custos do factor enquanto as grandes têm departamentos de cobranças de contabilidade. as cobranças dirigidas a “consumidores finais” ou a pequenos clientes não são rendíveis. no espaço jurídico português. o jogo das vantagens e desvantagens do factoring confirma a existência de empresas factorizáveis. foi preconizada a pura e simples abolição da regulamentação legal do contrato de cessão financeira. que actua apenas na franja do curto prazo e com conhecimentos de gestão limitados.º ele vinha enumerar o que considerava as diversas instituições de crédito. pela 1ª vez em diploma legal.º. de acordo com o sumário oficial inserido no Diário da República. Em suma: a empresa factorizada pode perder autonomia. Muitas vezes (por falta de informação) grassa a ideia de que recorrem ao factoring as empresas em dificuldades. Tendo contratado com um fornecedor. ¾ o factoring opera nas áreas das vendas por grosso. 7.melhores produtos. diminuir a margem de manobra da empresa factorizada com perdas. O legislador seguiu parcialmente essa indicação. Algumas destas desvantagens podem ser suprimidas ou amenizadas com recurso a diversos esquemas contratuais. ¾ o factoring prefere os sectores com margens confortáveis de modo a absorver o acréscimo de custos que implica. não pode amparar. inclusive. A sua regulamentação apresentava-se desnecessariamente restritiva. Tinha em vista no seu art. 3. para a credibilidade dos seus produtos. para o pagamento. Assim: ¾ o factoring interessa a empresas de média dimensão. ¾ o factoring é apetecível para empresas com poucos capitais próprios. De todo o modo. ●A experiência portuguesa O factoring vem referido.º embora sem as nomear as denominadas instituições parabancárias. Por exemplo: pode-se recorrer a um factoring não aparente.º e o 8. sobre o contrato e o seu funcionamento: o 7. Em suma: podendo escolher o fornecedor preferirá trabalhar com uma empresa “normal” que com uma factorizada. no âmbito das reformas subsequentes à publicação do RGIC. sistematiza as bases económico-jurídicas da actividade de factoring no país. No seu art. 5.

mais precisamente: uma transmissão dum crédito mediante um contrato entre o antigo credor e o novo credor. como um contrato organizatório. ou devem preceder. embora empiricamente. irão operar e designadamente: ¾ a venda de créditos. consensual por não implicar a entrega de qualquer coisa e ainda por não estar sujeito a qualquer forma. antes do mais. No 1º caso haverá um contrato-quadro que depois obrigará a celebrar diversas cessões de créditos. isto é.º contém limitações quanto ao pagamento dos créditos transmitidos. ¾ os serviços a prestar pelo factor. Tais limitações serão aparentes. O nº 2 reporta-se. a uma actividade jurídica ulterior.acompanhada pelas correspondentes facturas ou suporte documental equivalente. mediante o denominado contrato-base ou contrato-fonte. um contrato que conduz a uma colaboração duradoura entre as partes com vista à satisfação de interesses respectivos. depois. Efectivamente o nº 1 deste preceito prevê uma regulação global das relações do factor com o aderente através do contrato de factoring. assim. Regressando à cessão financeira verifica-se. 7. além disso ela documenta as especiais precauções que acompanham a sua preparação e que precedem. consensual. um contrato oneroso. O contrato de cessão financeira apresenta-se. Ambas as figuras são logicamente possíveis tudo dependendo da vontade das partes. com ou sem financiamento prévio. que a solução dualista é a que melhor assegura a sua tutela (arts. Quanto ao conteúdo atípico misto verifica-se que o factoring tem os seguintes elementos: ¾ uma promessa de venda de créditos futuros. parece ter acolhido a estrutura dualista do factorig. ainda. não se extinguindo com o seu cumprimento. O art. sinalagmático por as prestações das partes operarem como contrapartida umas das outras. 8. no 2º surgirá um único contrato de cessão de créditos futuros. um modo de transmitir obrigações. Esse contrato ai estabelecer as diversas funções que.º). 577. que a operatividade da figura só se reforça distinguindo os 2 momentos que a animam. a sua cessação.º e 578. sinalagmático. ¾ o regime do risco. Num 1º momento as partes celebram entre si o denominado contrato de factoring pelo qual regulam o conjunto das suas relações. . porém. ●Estrutura e modalidades O contrato de factoring é susceptível de se estruturar em termos duais ou em termos unitários. A natureza organizatória da cessão financeira explica a intensidade dos deveres de lealdade e de colaboração que dela ressaltam para as partes. com estes elementos. duradouro por perdurar no tempo. O factoring é. A cessão de créditos constitui.º do DL 171/95. Duradouro e de conteúdo atípico misto: oneroso por pressupor contrapartidas. Distingue-se da sub-rogação que pressupõe um cumprimento da assunção de dívidas que tem a ver com o lado passivo da relação obrigacional e da cessão da posição contratual que se perde com a transmissão duma posição complexa que envolve direitos e obrigações. com um eventual papel “segurador” do factor. in concreto. mediante a competente remuneração. isto é. Ponderados os interesses em presença parece. O art.

pelo factor. Pode. o factoring implica uma ulterior actividade jurígena. ¾ a prestação de diversos serviços. mas não individualiza nenhum contrato no sentido habitual do preliminar. ¾ a cessão financeira sem serviços. também surge designada como factoring multi-serviços. Não há pois aqui. De facto. afinal. uma verdadeira cessão de créditos. Aparentemente tudo estará em saber se o factoring concreto implica. suficientemente determinada. no factoring. de consultadoria e de acompanhamento que tenham sido acordados. ¾ a cessão financeira de serviços ou factoring de serviços. exclusivamente. Consoante postule. ao factor. No factoring sem serviços passa-se para o outro extremo: o factor desempenha. um núcleo de contrato-promessa no sentido do art. que se faculte a sua celebração apenas a sociedades de factoring ou equiparadas para defesa dos próprios aderentes. È tecnicamente atípico embora corresponda a um tipo social de actuação. porém. ou não. ou não. normalmente agregará a transferência do risco e a prestação de serviços. na hipótese do incumprimento. a expressão não é violentada uma vez que as facturas são cedidas. 410. Na cessão financeira própria o risco do incumprimento do 3º devedor transfere-se para o factor. na imprópria isso não sucede. seja porque o factor só pagará ao aderente após boa cobrança do crédito. estruturalmente. Resta concluir que o factoring se apresenta como um contrato-quadro organizatório. Em termos práticos. Ela segue boa parte do regime da cessão própria: basta ver que ele é celebrado por sociedades de factoring. a notificação ao devedor há que distinguir: . seja que ele. depois de feita a ressalva. O factor limita-se a assegurar a cobrança das facturas do aderente e a prestar-lhe os serviços de contabilidade. É possível distinguir: ¾ a cessão financeira própria. com elementos do seguro e da prestação de serviços e com uma função predominantemente financeira. É possível estabelecer um quadro das modalidades da cessão financeira. O factoring de serviços vem bulir com o sigilo bancário e com aspectos técnicos e deontológicos delicados: bem parece. ¾ a cessão financeira imprópria. pois.¾ uma asunção de risco.º/1 do CC. acabará. por ser um mútuo com restituição atípica (doutrina alemã) ou um mandato (doutrina francesa). O factoring propriamente dito tem um núcleo centrado na cessão de créditos com escopo financeiro. a função seguradora com a consequente assunção do del credere. estruturalmente centrado em ulteriores vendas de créditos. materialmente. falar-se numa promessa de celebrar futuros contratos. um papel financeiro. nenhuma cessão de créditos. Ainda de acordo com as funções cumpre distinguir: ¾ a cessão financeira propriamente dita ou factoring “tout court”. O factoring de serviços corresponde ao maturity factoring norte-americano e postula a eliminação das funções financeira e seguradora. dispõe dum regresso contra o próprio aderente. porém. Tecnicamente há bastante mais: o factoring impróprio não traduz. em rigor. É muito duvidoso que se possa descobrir.

No factoring de grupo surge ainda outra distinção curiosa: o factoring monocedido e o factoring monocedente. O risco corre. No factoring monocedido a sociedade de factoring adquire todos os créditos que fornecedores tenham sobre empresas do grupo. que ela exija um elevado nível de confiança entre os celebrantes. pelo contrário. visto o disposto no art.º/1 do CC.º/1 do DL 171/95 a cessão financeira deve ser . A cessão financeira aberta é notificada ao devedor (rectior): é-o cada acto concreto de cessão concluído em execução do factoring. só irá. O factoring pode ser em branco ou selectivo: o factoring em branco obriga o factor a aceitar e pagar ao aderente todas as facturas que este lhe envie. recebendo o seu valor à medida que se confirme a sua existência e que não operem excepções. Como variante do factoring internacional surge-nos a figura do exportforfaiting: o exportador aliena a um banqueiro os seus créditos sobre o estrangeiro. ou que tenham a ver apenas.¾ a cessão financeira aberta. com determinada categoria de clientes. na cessão financeira. informar-se a seu respeito. A cessão financeira fechada não é dada a conhecer a 3ºs. a cessão financeira fechada não produzirá efeitos perante o devedor. O factoring pode ser interno ou internacional consoante apresente conexões apenas com a ordem interna ou. O factoring fechado visa precaver o aderente contra os aspectos psicológicos nocivos que possa ter. todavia. Em termos práticos isso significará que. o factoring pode abranger apenas as facturas que ultrapassem certo montante mínimo. assim. Se o factoring não for total perde-se a sua função de aliviar o aderente de serviços de cobranças e de contabilidade. na praça considerada. pois. Em princípio qualquer empresa de factoring legitimamente constituída será de confiança: elas sujeitam-se a regras rigorosas aquando da constituição e. A cessão financeira é um negócio duradouro que implica uma relação organizatória entre as partes. ● Formação e conteúdo No tocante à formação do contrato de factoring a doutrina sublinha a sua sujeição às regras comuns habituais para todos os contratos. ¾ a cessão financeira fechada. algumas particularidades para que cumpre chamar a atenção. também com outros espaços. O factoring é total ou parcial consoante abranja todas as facturas do aderente ou apenas as de certo tipo. 7. além disso. 583. Neste último caso haverá ainda que referir o factoring para importação e o factoring para exportação. Compreende-se. no factoring monocedente a sociedade de factoring adquire todos os créditos que as empresas do grupo tenham para com 3ºs fornecedores. o factoring selectivo confere ao factor a faculdade de aprovar as facturas que pague remetendo as demais para boa cobrança. no período pré-contratual. Neste último caso o factor actuará como simples mandatário do aderente e não como cessionário. o saber-se da sua factorização. encontram-se sob a fiscalização dos bancos centrais respectivos. Este será determinado quantitativa ou qualitativamente: por exemplo. De acordo com o art. Quanto às empresas aderentes cumpre ao factor. pelo exportador. De todo o modo há.

¾ cláusulas que regulem o regime de pagamento de créditos. ¾ uma cláusula relativa ao dever do factor de aceitar os créditos oferecidos. com ou sem antecipação.celebrada por escrito. Além disso. formalmente. ¾ a remuneração do factor. caso a caso. pensável que se possa assistir a cessões das posições contratuais sem o consentimento da contraparte. o contrato poderá conter. ¾ uma cláusula que preveja a obrigação de notificar o devedor da cessão operada. pelo menos nessa parte. de todos os créditos do aderente ao factoring (princípio da globalidade). perante insuficiências contratuais. naturalmente. Para além da identificação das partes e do contrato a cessão financeira compreenderá: ¾ uma cláusula que preveja a entrega. por certo de. Ambas as partes contratam personalizadamente na base das qualidades uma da outra. Nessa altura é conveniente as partes explicitarem-no no contrato. ou encontra outro factor. O recurso a CCGs é duplamente necessário: trata-se de contratos relativamente complexos tornando-se inviável uma conveniente estruturação na base de um empirismo casuístico. no próprio contrato estipular o regime da sua cessação. Particularmente no tocante à oposição perante a renovação conduzida pelo factor: cumpre sublinhar que o aderente irá ficar numa situação melindrosa uma vez que. mau grado a sua nominação legal. As sociedades de cessão financeira predispõem. Logo. em função das opções das partes. Em regra. o contrato será celebrado para vigorar durante determinado lapso de tempo admitindo-se a sua renovação. 424. Além disso. haverá que recorrer ao regime da compra e venda. ela tenderá a apresentar outras cláusulas. E. que recorrer ao regime do mandato. ele não dispõe de nenhum regime supletivo claramente aplicável. é um contrato misto atípico. por exemplo: ¾ cláusulas que restrinjam os créditos a oferecer. Desta feita o regime supletivo é dado pelo art. Na cessão financeira o elemento dominante é a cessão.º do CC: haverá. ¾ a duração do contrato. ¾ uma cláusula que preveja o pagamento dos créditos tomados. O factoring contém depois uma área de prestação de serviços. assim sendo. as cláusulas acidentais típicas. com as devidas adaptações. As partes não deixarão. Caso a caso e lacuna a lacuna será necessário proceder à complementação do contrato. dos créditos. apresentar as mais diversas configurações. Admitem-se. por venda. condições gerais que as partes se limitam depois a subscrever. Reforçada fica pois a regra geral do art. Não é. Em certas modalidades de factoring podem faltar cláusulas acima descritas como essenciais. para efeitos da cessão. com uma determinada antecedência. 1156. em regra. A não-renovação deverá ser comunicada pela parte interessada à outra. condições especiais acordadas por elas. Para mais exmps pag 592. por isso. ou terá de . A cessão financeira pode.º do CC. Os contratos de factoring tendem a formar-se por adesão. O contrato de factoring.

º/2 do CC.º do CC). Em regra. na hipótese de o aderente ser uma pessoa singular. O aderente só pode.º. Sugere-se. por exemplo. ainda que de modo implícito. o contrato caduca pela morte desta nos termos do art. Outros deveres são possíveis dependendo do clausulado das partes. Estão nessas condições os deveres instrumentais relativos ao modo de apresentar facturas e outras regras de procedimento. 1172. Além disso ele não deve hostilizar o devedor no interesse do aderente. a aplicação analógica do art. A título principal o aderente fica adstrito a oferecer todos os seus créditos ao factor: é o princípio da globalidade. Além disso. ainda.º) a parte a ele obrigada deve indemnizar a outra pelos danos causados com a omissão. A título principal o factor deve prestar com toda a diligência os serviços incluídos no contrato. a) do CC. Nos termos gerais. a comissão de risco e os juros pelas antecipações. ●Efeitos A factorização é celebrada em regime de exclusivo. As suas posições activas são a contrapartida dos deveres do factor. 29.engendrar um departamento de cobranças e. Uma vez consumada a cessão não pode ser revogada: o credor será o factor.º. ter um único factor: ele fica contratualmente adstrito. 587. a aderente. pode este embargar de 3ºs. Na falta de pré-aviso (art. assim. O factor deve aceitar e pagar os créditos que lhe sejam submetidos. Assim. o aderente. fica adstrito a manter uma gestão sã e prudente de modo a não prejudicar o factor. 1170. o contrato poderá ser resolvido por qualquer das partes com base no incumprimento perpetrado pela outra. fontes alternativas de financiamento. Seguem-se diversos deveres secundários eventualmente acordados pelas partes. Estas regras parecem pouco adequadas para o factoring. Também a título principal ele deverá ainda pagar as retribuições a que o factor tenha direito: a comissão ad valorem. Acessoriamente. Quando muito o factor teria de indemnizar. apenas. o aderente não garante a solvência do 3º devedor. Nos termos do art. o aderente poderá ficar onerado com um dever de. 8. ex bona fide. 28. 1174.º do DL 178/86. Não é assim: a cessão financeira permite . E se as partes não estipularem nada? A aplicação das regras do mandato levaria a que a sociedade de factoring pudesse revogar a todo o tempo o contrato enquanto a aderente (semelhante ao mandante) só o poderia fazer com justa causa (art. para evitar documentar-se sobre o 3º devedor. O contrato caducará se alguma das partes se extinguir. pagar as facturas que o factor não tenha conseguido receber. a não celebrar novos contratos de factoring na vigência do anterior. supletivo. por via de regresso. O art.d) do CC. Na hipótese de factoring selectivo ele deve aceitar os créditos de acordo com critérios de normalidade e de razoabilidade: nunca rejeitá-los. requerendo os trabalhadores o arresto de créditos já cedidos. nos termos do art. se não tivesse procedido com a antecedência conveniente.º do DL 171/95 parece impedir antecipações dos pagamentos em relação à data do vencimento: embora o nº 2 o permita. pois. o aderente deverá notificar os 3ºs devedores da cedência dos respectivos créditos. o nº 3 poderia ser entendido em sentido contrário.

como se infere do art. Na hipótese dum conflito de cessões prevalece a que 1º for notificada ao devedor. . Segundo o art. para o cessionário.º/1 do CC. segundo o art. 577. o aderente fica inibido de convencionar cláusulas de incedibilidade com os 3ºs potenciais cedidos. serão particularmente flagrantes no domínio dos serviços quando estes não tenham sido arvorados pelas partes a explícitos deveres principais. No entanto. a cessão de créditos opera sem necessidade do consentimento do devedor. Tais cláusulas são inoponíveis ao factor. Posto isso. ainda que extrajudicialmente.º/1 do CC. do factor. A compensação já não opera com créditos posteriores à notificação: nessa altura. Quando sejam procedentes. Os deveres acessórios. tenha sido inserida alguma cláusula de incedibilidade. cumpre sublinhar que. Já na hipótese de insolvência ou de não cumprimento ad nutum. o 3º devedor poderá opor ao factor todos os meios de defesa de que dispusesse contra o aderente (art. já não pode opor o factoring ao 3º incedível: resta-lhe pedir contas ao aderente. Mas. Nos termos legais. impostos pela boa fé. ex bona fide.º/2 do CC. 585. ele deverá prevenir. designadamente. tendo celebrado um contrato de cessão financeira.º) e. na falta de convenção em contrário. Se o fizer está a violar o próprio contrato de factoring. Porém. O dever de sigilo é evidente.º do CC. uma vez prevenido. Este postulado tem um conteúdo normativo: a posição do devedor não deve tornar-se mais onerosa. para produzir efeitos em relação a este. Os meios de defesa posteriores à comunicação da cessão já não são operacionais. 584. Assim. Feita a notificação o devedor (só) se exonera perante o factor. o aderente das deficiências que apure ou dos riscos desnecessários que o veja assumir. o crédito anulado já não vale. Tome-se o exemplo da compensação: o 3º devedor pode compensar o seu débito com créditos que tenha contra o aderente desde que constituídos antes da notificação da cessão. o factor apenas poderá agir contra o aderente. 587. salvo se este as conhecesse no momento da cessão. segundo o art. o aderente já não é credor. O factor.pagamentos antecipados mas por conta de créditos cedidos (ainda que não vencidos). e do qual resulte o crédito a ceder.º/1 do CC este garante a existência e a exigibilidade do crédito no momento da cessão. não por créditos inexistentes. em princípio. mesmo quando cedido. O factor terá deveres procedimentais a observar para com o aderente. fora da cessão financeira. o risco é. isso seria um mútuo puro e simples. Pode acontecer que no contrato celebrado entre o 3º devedor e o aderente. Toda a lógica da cessão de créditos assenta no postulado de que a posição do devedor cedido não se torna mais onerosa por força da alteração verificada na pessoa do credor. além disso. tal posição é ocupada pelo factor. uma vez que. ela terá de lhe ser notificada. das garantias e outros acessórios do direito transmitido que não sejam inseparáveis da pessoa do cedente. 582. a cessão de crédito importa a transmissão. 583. a excepção do não cumprimento do contrato. noos termos do art.

enquanto as pessoais poderão ser típicas ou atípicas : no primeiro caso. sempre típicas. o credor pretenderá um suplemento de garantias. As garantias especiais podem ser ordenadas de acordo com as mais diversas classificações. relativo às obrigações em geral. ponderar se o património do devedor constitui garantia suficiente para o seu direito. a designação de garantias especiais. Podemos ainda distinguir: . Designadamente.garantias pessoais : implicam como fim da garantia simples prestações de terceiros. 405º do Código Civil – para criar uma nova figura de garantia.garantias típicas: dispõem de regulamentação legal . insuficiente. As necessidades do sistema levam. o credor ir. por determinada dívida. para garantia duma obrigação . aí. por incumprimento e mercê duma acumulação de dívidas subsequentes.todo o património do devedor . Quando a resposta seja negativa. uma coisa móvel é entregue. as garantias reais são. o Direito Português prevê o penhor e a hipoteca : no primeiro . sucede outro tanto com um imóvel ou semelhante.: na segunda.apenas o património do devedor O património funciona como garantia geral das obrigações. o património do devedor seja. Este título. as partes aproveitam uma figura prevista na lei. do Código Civil. sejam estabelecidos esquemas suplementares destinados a assegurar os direitos do credor. salvo desvios. para além da garantia geral.garantias atípicas : não dispõem de regulamentação legal No Direito português. Assim. elas fazem uso da sua liberdade contratual – art. responda : . os direitos reais estão sujeitos a um princípio de tipicidade : art. elas serão: . naturalmente. E mesmo quando seja positiva : poderá sempre suceder que. 1306º. comporta um capítulo VI. por seu turno. Segundo o art. Tais esquemas recebem. em determinadas circunstâncias. A lei comercial admite. por seu turno. dedicado ao Direito das Obrigações e. no momento da execução patrimonial .Capítulo IV – DAS GARANTIAS DO DIREITO BANCÁRIO Secção I – PENHORES BANCÁRIOS PENHOR BANCÁRIO COMUM · Generalidades A responsabilidade patrimonial leva a que . De entre as garantias reais tradicionais . em princípio.garantias reais : implicam como fim da garantia uma coisa corpórea . o penhor mercantil. intitulado garantias especiais das obrigações. · O penhor civil Surge-nos o penhor no livro III do Código Civil. no segundo. 669º/1 : “ o penhor só produz os seus efeitos pela entrega da . com 7 secções. a que. Aquando da contracção de uma dívida. no título I. já.

“. · Penhor mercantil e penhor bancário O regime comum do penhor . Quanto ao objecto. O art. A grande especialidade do penhor mercantil reside no dispositivo do art. a qual se efectuará : 1º Por declarações ou verbas nos livros de quaisquer estações públicas onde se acharem as coisas empenhadas. estando. proíbe os pactos comissórios : “ É nula mesmo que seja anterior ou posterior à constituição da hipoteca. tal como consta do Código Civil – ou penhor civil – serve. ou de documento que confira a exclusiva disponibilidade dela. PENHORES BANCÁRIOS ESPECIAIS · Penhor de conta bancária Como primeira figura derivada do penhor bancário temos o “penhor de conta . atende-se no Decreto – Lei nº 29:833 de 17 de Agosto de 1939. No tocante ao penhor de direitos . 678º. 668º do Código Civil aponta para tanto. na prática consigam precisamente o que a lei quis proibir. O figurino do penhor pode ser usado pelas partes para confeccionar garantias atípicas. 399º do Código Comercial. Trata-se de uma proibição material : ela atinge os mecanismos que. 2º Pela tradição da guia de transporte ou do conhecimento da carga dos objectos transportados. como referência geral. apenas e na prática. Assim nos surgem o que designamos “ penhores bancários especiais”.em tudo o que não seja contrariada pela natureza especial desse penhor ou pelo preceituado nos artigos subsequentes” – art.. 649º. Um primeiro regime a considerar é o do penhor comercial – art. principia-se por uma regra geral de aplicabilidade do0s preceitos relativos ao penhor de coisas. hoje.coisa empenhada. No Direito bancário . Temos quanto à forma e à publicidade – art. Na verdade. a convenção pela qual o credor fará sua a coisa onerada no caso de o devedor não cumprir”. 3º Pelo endosso da cautela de penhor dos géneros e mercadorias depositadas nos armazéns gerais. o penhor é considerado como uma “ actividade industrial”.. O art. ainda mais elástico : assim.” Quanto ao penhor em títulos de crédito rege o art. 681º. deve tratar-se de direitos que visem coisas móveis e sejam susceptíveis de transmissão – art. 397º do Código Comercial. 680º. A entrega do penhor mercantil pode ser simbólica. o regime do penhor é. aplicável por via do art. no essencial sujeito a regimes especiais. 398º do Código Comercial : “ Pode convencionar-se a entrega do penhor mercantil a terceira pessoa. ao credor ou a terceiro”. particularmente actuantes no campo bancário. 679º.

os depositantes autorizam o Banco a debitar . antes duma garantia pessoal dobrada pela autorização de debitar na conta garante. limita a responsabilidade do garante ao montante da conta em jogo : não é pis. no sentido dum direito real de garantia . Cumpre questionar. se a proibição do art. . Pode caracterizar-se como : . Daí o falar-se em “penhor de seguros”. distingue-se do penhor comum. . perante os artigos 694º e 665º do Código Civil se esta figura é admissível. ao saldo desta. Em princípio funcionarão as regras próprias do penhor de créditos. no entanto. perante o art. 694º não teria ainda aplicação : afinal há uma evidente analogia de situações. Além disso. perfeitamente viável. pela própria especificidade do seu objecto. ele obriga o garante a manter a conta provisionada : é uma garantia pessoal e não real. A resposta é negativa. na conta dos depósitos em causa. a posição jurídica do beneficiário de um seguro. o negócio seria nulo. Secção II – ACORDOS DE GARANTIA FINANCEIRA OS ACORDOS DE GARANTIA FINANCEIRA · Origem e noção geral Os acordos de garantia financeira correspondem a uma criação do Direito . implícita uma cláusula de principal pagador.os depositantes obrigam-se a não os movimentar. Pergunta-se. al. . de facto. trata-se . .finalmente. as dívidas garantidas vencidas. Na verdade : . reporta-se.determinados depósitos bancários ficam afectos ao pagamento de certas dívidas. determinadas importâncias.bancária”. Tal penhor.ele recai sobre uma coisa corpórea ou a ela assimilável : o dinheiro depositado é propriedade do Banco : antes respeita aos créditos do garante sobre o Banco. · Penhor de seguros A prática bancária actual aceita como garantia.. um penhor – direito real de garantia : trata-se antes de um penhor de conta bancária. do Código Civil. Não temos. a). Esta solução tem. Se estivesse em causa um penhor – direito real de garantia. porém. O penhor de “ conta bancária”. uma garantia de conteúdo indeterminável. enquanto subsistirem as dívidas garantidas. com as alterações que as partes tenham introduzido. ao abrigo da autonomia privada.ele postula um regime particular de funcionamento : o débito das importâncias garantidas na conta do declarante. O denominado “penhor” de conta bancária não é um verdadeiro penhor. por ter natureza comissória. 640º.

. um tanto preso à lógica da Directriz que veio transpor. para obter a noção de garantia financeira. no art. realidade que agrupa o penhor financeiro. São elas: . · Os sujeitos Os contratos de garantia financeira (cgfs) estão submetidos à autonomia privada. de modo directo . eles apenas são acessíveis a determinados sujeitos de Direito.das obrigações garantidas ( art. não define . incluindo instituições de crédito. Remete. Garantia financeira : é uma garantia real. seria necessário partir: . 6º ) e a prova ( art.Bancário europeu. tendo sido transpostos para a ordem interna portuguesa pelo Decreto – Lei nº 105/2004 de 8 de Maio. como o desapossamento ( art. em rigor. de fidúcia ou de reporte. São pois verdadeiros contratos. um agente de liquidação ou uma câmara de compensação e instituições similares que operam nos mercados de futuros e opções. bancos multilaterais de desenvolvimento e BEI c) Instituições sujeitas a supervisão prudencial.o reporte As figuras típicas não se definem : descrevem-se pelos traços essenciais do seu conteúdo. os acordos de garantias financeiras. 3º ) .dos sujeitos ( art. organismos de investimento colectivo e entidades gestoras de organismos de investimento colectivo d) Uma contraparte central . concluída entre a instituição de crédito ou entidade para o efeito equiparada e uma pessoa colectiva . Resultaram da Directriz nº 2002/47/CE de 6 de Junho. 2º/1 para os contratos que preenchem os requisitos previstos nos artigos 3º a 7º Ora. Banco de Pagamentos Internacionais. destinada a assegurar obrigações pecuniárias ou instrumentos financeiros. duas figuras típicas.de alguns traços do regime . 4º ) . 5º ) . Assim sendo. compreende-se a dificuldade extrema em definir “ garantia financeira”. instituições financeiras. Todavia. legalmente previsto. outros bancos centrais. na base desses preceitos. BCE. empresas de seguros. 3º /1 ): a) Entidades públicas. às quais o legislador decidiu juntar uma terceira : o reporte. a fidúcia financeira e o reporte. que recaiam sobre “ numerário “ e que as partes tenham decidido submeter a um regime financeiro especial. b) Banco de Portugal. incluindo os organismos responsáveis pela gestão da dívida pública e os autorizados a deter contas de clientes. O Decreto – Lei nº 105/2004 prevê seis categorias de entidades que podem celebrar cgfs ( art. empresas de investimento.do objecto ( art.a fidúcia financeira ou – na terminologia legal – a alienação fiduciária em garantia (financeira ) . nos mercados de instrumentos financeiros derivados não abrangidos pela referida legislação e nos mercados de natureza monetária. O Decreto – Lei nº 105/2004. sob a forma de penhor.o penhor financeiro . FMI. 7º) As garantias financeiras abrangem.

surge a obrigação financeira garantida. Por seu turno . nos termos do art. al. Em termos de classificação de coisas. . São: “(…) quaisquer obrigações abrangidas por um contrato de garantia financeira cuja prestação consista numa liquidação em numerário ou na entrega de instrumentos financeiros” O art. Aproveitando os elementos recolhidos .ou entre as entidades referidas nos pontos a) a d) . 2º/1. Esta ditará diversos aspectos atinentes à própria garantia.e) Uma pessoa colectiva que actue na qualidade de fiduciário f) Pessoa colectivas. Os “instrumentos financeiros” são “valores mobiliários. instrumentos do mercado monetário e créditos ou direitos relativos a quaisquer dos instrumentos referidos”. As garantias financeiras devem ter por objecto – art.deve estar garantida por “garantia financeira”. Recordemos que a garantia financeira é acessória de uma obrigação : a principal. obrigações e outros valores mobiliários negociáveis no mercado de capitais.ou entre as entidades referidas nos pontos a) a d) e as referidas no ponto e) . O art. nos termos do princípio da acessoriedade.“numerário” . as alíneas d) e e) dão-nos definições úteis: . verificamos que o objecto das garantias financeiras : .ou entre as entidades referidas nos pontos a) a d) e as referidas no ponto f). al. ou créditos similares que confiram o direito à restituição de dinheiro.numerário : dinheiro creditado numa conta. . isto é : em créditos em dinheiro mobilizável ou em valores mobiliários negociáveis. em qualquer moeda.“instrumentos financeiros” O “numerário” é definido como o “saldo disponível de uma conta bancária” ou “ créditos similares que confiram direito à restituição de dinheiro” . 5º: . desde que a outra parte pertença a alguma das categorias a) a d) Os cgfs terão de ser celebrados: . 5º.é “financeira” : apresenta-se como credor uma instituição de crédito ou entidade equiparada. podemos considerar que a obrigação garantida: .instrumentos financeiros : acções. . 4º contém uma noção operacional de obrigações financeiras garantidas.é uma coisa móvel.f) da Directriz 2002/47 dá a seguinte fórmula para o que se chama “obrigações financeiras cobertas” : as obrigações que são garantidas por um acordo de garantia financeira e que dão direito a uma liquidação em numerário e/ou entrega de instrumentos financeiros. 3º/1. · As obrigações financeiras garantidas e o objecto das garantias Como segundo elemento da noção de garantia financeira. tais como depósitos no mercado monetário . estamos pois próximos da definição da Directriz – art. a). .implica uma prestação em “numerário” ou em “instrumentos financeiros”.

7º do Decreto – Lei nº 105/2004. em consonância com o art. “desapossamento” esse que terá de ser objecto de prova. o “ desapossamento” A exigência de uma garantia financeira dependerá.o reporte . na garantia financeira. . . com suporte electrónico ou outro suporte duradouro ). 4º. ainda. O art. Segundo o art. a garantia financeira opera quando o seu objecto tenha sido efectivamente prestado. alíneas a) e b).o “desapossamento” deve poder ser provado também por escrito ou equivalente.o penhor financeiro.eventualmente: uma coisa representativa. respectivamente. Além disso e como veremos surgem. ● Forma e prova Podemos adiantar as conclusões a retirar do art. 2º/2 do Decreto – Lei nº 105/2004. de um acordo das partes a tanto dirigido. complementado com o nº 3 permite distinguir três modalidades de garantias financeiras : . O art. ASPECTOS GERAIS E MODALIDADES DE GARANTIAS FINANCEIRAS ● Conteúdo . Tal prova deve ser feita por escrito ou equivalente e isso de modo que o objecto seja devidamente identificado . A garantia financeira requer. um determinado conteúdo mínimo. O essencial reside em que o objecto da garantia fique no controlo do beneficiário da garantia. Uma ligeira interpretação correctiva leva-nos . O primeiro ponto desse conteúdo mínimo é a exigência do “ desapossamento”. maxime : por conversa telefónica gravada. há que operar o “desapossameneto”. . ● Modalidades O já referido art. A especialidade do objecto – pode consistir em créditos e em realidades de base escritural – obriga a prever um leque largo de meios de “ desapossamenteo”: tal o enunciado do transcrito art. a proclamar que a garantia financeira deve ser prestada por escrito ou por via equivalente: declaração electrónica ou em suporte equivalente e. especifíca o que entende por suficiente para identificar o objecto das garantias financeiras. Mas além do contrato em si. A garantia financeira além do penhor pode abranger a fidúcia. direitos de “uso e de disposição”que só podem operar se tiver havido “entrega da coisa. 6º/2. assim. 6º/1 do Decreto – Lei nº 105/2004.corpórea ou incorpórea : neste último caso poderá consistir num crédito . isto é : um clausulado com determinada feição. 3º da Directriz nº 2002/47: . 7º não dispõe directamente a sujeição à forma escrita : antes refere “ cuja celebração …seja susceptível de prova por documento escrito”.a alienação fiduciária em garantia ( financeira). .. sobre o numerário e sobre o valores mobiliários escriturais. necessária e naturalmente.o contrato de garantia financeira deve ser celebrado por escrito ou equivalente (isto é.

679º do Código Civil. 9º do Decreto – Lei nº 105/2004 e art. este aspecto põe-se porque. o exercício do direito de disposição depende : . quando o contrato o preveja. para o beneficiário da garantia. 666º e seguintes do Código Civil. de modo a figurar um clássico direito real de garantia. de menção na conta de depósito. À partida esse direito de disposição não é automático : antes deve ser clausulado pelas partes. . 5º da Directriz nº 2002/47. alguma das seguintes três obrigações: a) ou. ● O direito de disposição Uma das especialidades do penhor financeiro é a possibilidade de estabelecimento de um direito de disposição sobre o seu objecto – art. havendo cumprimento. a solução supletiva para o exercício do direito de disposição é a restituição. Esse objecto “…substitui.A distinçãoentre o penhor e a alienação fiduciária reside em que nesta e ao contrário daquele. como se fosse proprietário” – art. havendo cumprimento da obrigação garantida.quanto aos valores mobiliários escriturais. a garantia financeira original e considera- . propriamente sobre coisas corpóreas. c) ou. sendo o crédito do prestador avaliado nos termos da alínea anterior. de menção no respectivo registo em conta. À partida teríamos um penhor comum – art.quanto aos valores mobiliários titulados. Incidindo sobre “numerário” e sobre “instrumentos financeiros”. no competente contrato. entregar-lhe em dinheiro o valor que o objecto teria no momento do vencimento . Todavia o prestador da garantia mantém-se titular do objecto. em rigor. 10º/1 dispõe com cuidado sobre os efeitos do exercício do direito de disposição. ele não recai. um penhor de direitos O penhor financeiro é uma garantia caracterizada pela entrega do seu objecto ao credor pignoratício ou tomador da garantia sem que. Ele implica. Na verdade. de um objecto equivalente. uma vez que lidamos com realidades fungíveis: b) ou havendo cumprimento e permitindo-o o contrato. livrar-se da sua obrigação de restituição por compensação . por isso. Segundo o art. Quanto ao reporte : ele é apresentado como modalidade de fidúcia financeira. No penhor financeiro haverá. o art. no vencimento. para todos os efeitos. a propriedade se transfira para este último. um penhor de direitos – art. Como se vê. Por isso. ele deve restituir ao prestador um objecto equivalente : solução natural. o valor do objecto pode não ter expressão imediata e objectiva. O PENHOR FINANCEIRO ● Noção básica . 9º/2. 9º/3. O direito de disposição permite ao beneficiário da garantia alienar ou onerar o objecto da garantia prestada “…nos termos previstos no contrato. ele antes traduz a afectação de coisas incorpóreas a fins de garantia. “nos termos acordados pelas partes e segundo critérios comerciais razoáveis”. há transmissão de propriedade.

como é sabido.não pode ter natureza real. Trata-se da fidúcia. por contundir com a proibição dos pactos comissórios . havendo uma garantia pignoratícia. Segundo o art. esta figura tem três óbices: . Desde que: a) tal tenha sido convencionado pelas partes. De todo o modo. sendo aplicável ao penhor por via do art. o beneficiário da garantia fica obrigado a restituir ao prestador a diferença entre o valor do objecto e o montante das obrigações financeiras garantidas – art. O art. O Decreto – Lei nº 105/2004 versa a figura em causa no título III como . o credor faça pura e simplesmente sua a coisa objecto . 1306º/1 do Código Civil. no art. A noção de “objecto equivalente” é cuidadosamente fixada no art. 11º do Decreto – Lei nº 105/2004. 9º/4. b) havendo acordo delas quanto á avaliação dos instrumentos financeiros. 678º.é muito violenta para o devedor. do domínio e à mercê do que. transmite. vencimento antecipado e compensação Os pactos comissórios permitem que. 10º/3. Um fenómeno equivalente opera com os direitos de beneficiário sobre o objecto da garantia – art.pode suscitar problemas de nulidade . depois. O art. . 12º/2 explícita o que entender por “ facto que desencadeie a execução”. privado. o beneficiário da garantia pode proceder à sua execução. essa proibição foi considerada injustificada : art. Utilizada como garantia . Hoje. relativo á hipoteca. mercê do princípio da tipicidade. 4º/2 da Directriz e art. possa suceder. desde logo. o credor deveria retransmitir a propriedade da coisa – garante para o devedor. a favor do credor . Será: “ (…) o não cumprimento do contrato ou qualquer facto a que as partes atribuam efeito análogo” A FIDÚCIA FINANCEIRA ● Noção e terminologia Na fidúcia o devedor . a propriedade de determinada coisa.se como tendo sido prestado no momento da prestação desta” – art. consagrado no art. 12º/1 estabelece que as partes podem convencionar o vencimento antecipado da obrigação de restituição do beneficiário da garantia e o cumprimento da mesma por compensação . fazendo seus os instrumentos financeiros dados em garantia. No caso do penhor financeiro . em relação à coisa. na hipótese de incumprimento. . A Directriz nº 2002/47 veio. 6º dispor “o reconhecimento de acordos de garantia financeira com transferência de titularidade”. 11º/2 : assim se previne o perigo do seu enriquecimento à custa do devedor. quando ocorra um facto que desencadeie a execução. com a observância do devido formalismo . 694º do Código Civil. a proibição dos pactos comissórios tem assento . 11º/1. Quando a obrigação fosse cumprida. 13º ● Pacto comissório . no seu art.

mesmo quando presente o poder de disposição e enquanto este não for exercído . ele corre pelo credor. a possibilidade de. No penhor financeiro . O examinado art. é uma opção sempre na esfera do beneficiário – fiduciário . O art. depois. em vez de uma coisa equivalente à empenhada. Assim e até ao momento convencionado para o cumprimento das obrigações financeiras garantidas. na fidúcia financeira. na fidúcia. A regra fundamental consta do art. A hipótese de restituir a própria coisa ou o equivalente fica. dos termos da liquidação e do saneamento. vencimento antecipado e compensação O art. a (re)transmissão da titularidade. ● Fidúcia financeira e penhor financeiro com poder de disposição Perante as regras enunciadas. ocorre perguntar se a fidúcia financeira não equivale. ele deve: a) restituir ao prestador a garantia prestada ou objecto equivalente. 8º da Directriz. 17º do Decreto – Lei nº 105/2004 assegura a validade dos . 16º começa por definir “ processo de liquidação” e “medidas de saneamento”. no momento do vencimento da obrigação de restituição . tal poder resulta do simples facto de o fiduciário ser titular plena. No penhor financeiro . b) ou entregar ao prestador o valor em dinheiro correspondente ao objecto da garantia . o poder de disposição tem de ser expressamente “aditado” pelas partes . em mais simplesmente : do fiduciário financeiro. depende de acordo prévio . aqui na disponibilidade do tmador da garantia. A referida regra aplica-se às hipóteses de prestação de novas garantias ou da sua substituição – art. ASPECTOS COMPLEMENTARES DAS GARANTIAS FINANCEIRAS ● Validade e eficácia na liquidação e no saneamento O Decreto – Lei nº 105/2004 ocupa-se. No penhor financeiro . Trata-se de matéria contida no art. o risco da perda da “coisa”corre pelo devedor . na fidúcia.“ alienação fiduciária em garantia”. c) ou livrar-se da obrigação por meio de compensação . ● Os deveres do fiduciário financeiro . por remissão do art. 12º . tudo visto. “restituir” envolve. nos termos acordados pelas partes e segundo critérios comerciais razoáveis. se entregar dinheiro . avaliando –se o crédito do prestador nos termos da alínea anterior. 17º/2. 15º : ambos do Decreto – Lei nº 105/2004. ao penhor financeiro com poder de disposição. 17º. Quanto às hipóteses de vencimento antecipado e de compensação : tem aplicação o disposto no art. Os contratos de garantia financeira celebrados a as garantias financeiras prestadas nos seus ternos não podem se resolvidos pelo facto de a celebração ou a prestação terem ocorrido – nº 1. 4º do Decreto – Lei nº 105/2004 refere os deveres do beneficiário da alienação fiduciária em garantia ou. aqui.

relativo a fiduúcia financeira. expressamente proclamada na lei como acessória – art. a esta. em cenário de insolvência. em pontos importantes. vem salvar essas duas possibilidades. 18º/2 confirma ainda a eficácia dos contratos e das garantias celebradas a prestadas após a abertura da insolvência. 20º. No resto. a propósito do penhor financeiro. 15º. 18º/1. “caso ocorra um facto que desencadeie a execução”. O art.extingue-se com a extinção da obrigação principal. tem aplicação o regime comum. pois. 627º/2 do Código Civil – verifica-se que a mesma: . 12º . 23º .tem âmbito limitado pelo âmbito da obrigação principal – art. 21º do Decreto – Lei nº 105/2004 ( norma de conflito ) transpõe. O diploma aplica-se aos contratos de garantia financeira celebrados depois da sua entrada em vigor – art. manda aplicar. A figura da garantia autónoma á primeira solicitação está hoje de tal modo . esse mesmo regime. . 22º. Assim. tomando como exemplo a fiança. mandatos de crédito. ● Norma de conflitos e preceitos finais O art. Uma distinção muito relevante no domínio das garantias é a que separa a garantia acessória da garantia autónoma. garantias acessórias e autónomas As garantias bancárias são garantias pessoais prestadas por bancos. 9º da Directriz nº 2002/47. que as partes convencionem o vencimento antecipado da obrigação de restituição do beneficiário da garantia e o cumprimento da mesma por compensação. Podem consistir em fianças. ● Vencimento antecipado e compensação O art.não é válida se não for a obrigação principal – art. deste mesmo crédito. assegurada. A matéria das novas garantias prestadas no giro comercial pode esclarecer – se com recurso a diversas distinções. como vimos. . Esta está. 631º/1. 24º. O seu regime dependerá . . aceites bancários ou ter natureza autónoma. O art. O Decreto – Lei nº 105/2004 assume expressamente tratar. A vacatio foi fixada em 30 dias – art. Secção III – GARANTIAS BANCÁRIAS E CARTAS DE CONFORTO GARANTIAS BANCÁRIAS ● Generalidades . o art. em princípio. com grande aproximação .deve seguir a forma da obrigação principal – art. 632º/1 e com a excepção prevista no nº 2 desse mesmo preceito. . A norma é simples : são reguladaspela lei do país onde esteja localizada a conta na qual é feito o registo da garantia. admite. 18º ocupa-se da sua eficácia.tem natureza civil ou comercial consoante o que se passe com a obrigação principal.contratos de garantia financeira. Isso mesmo dispõe o art. avales. apenas de normas especiais. 628º/1. A garantia acessória está funcionalmente ligada ao crédito garantido. “ …nas condições e segundo os termos convencionados pelas partes” – art. O art. em cenários de insolvência. O art.

nos seus artigos 425º e seguintes. materialmente. como é natural. Por vezes .em sentido lato : caução surge como sinónimo de garantia. Mais precisamente: . Melhor seria dizer : garantia a mera solicitação . o regime da negocial. foram admitir qualquer tipo de garantia . Assim acontece no art. ● Regime da garantia autónoma A garantia autónoma é. Na garantia autónoma. constitui ainda hoje base legal dos contratos de seguro. ele é configurada como um contrato celebrado entre o garante e o beneficiário . o Tribunal só é chamado a apreciar a idoneidade da caução. uma vez que não há segunda. a lei não fixa o tipo de garantia. ordens de fornecimento . que já é objecto de expressa nominação legal. al. sendo de notar que. O Código Comercial de Veiga Beirão de 1888. a escolher pelo devedor nos termos gerais das obrigações genéricas – art. a favor de um terceiro – o garantido ou beneficiário. Entre as garantias possíveis como modo de dar corpo a uma caução está seguro de crédito . o tipo de garantia a prestar. o garante obriga-se a pagar ao beneficiário uma determinada importância.caução legal: quando imposta ou autorizada por lei . é o mandante que o garante recebe a comissão. de 25 de Março.caução convencional: quando estipulada pelas partes . elas próprios essa atitude .ancorada. 623º/1 e 2 do Código Civil. no essencial.em sentido estrito ou técnico : caução designa a garantia destinada a assegurar o cumprimento de obrigações eventuais ou de amplitide desconhecida. procede à breve análise de determinados documentos: facturas. a propósito do papel comercial. o seguro de crédito O chamado seguro – caução desempenha uma função que permite.caução judicial: quando determinadapelo tribunal Quando se trate de caução legal. ou as partes tomaram . inseri-lo no domínio das garantias autónomas. assim que este lha peça. Não é outro o sentido do art. por expressa remissão feita no seu nº2 . a própria lei tem de fixar . Tal pagamento operará à primeira solicitação isto é : o garante pagará ao beneficiário determinada importância.c). Em Direito. tal o sentido do art. É possível distinguir três tipos e cauções: . antes de efectuar qualquer pagamento. ● O seguro – caução . caução pode surgir em duas acepções : lata e estrita. 4º/1. Não . nessa altura. 539º do Código Civil – desde que seja idónea. do decreto – Lei nº 69/2004. a garantia exige que o garante. havendo então que cumprir o acordado ou não fizeram e. no Direito português. um contrato celebrado entre o interessado – o mandante – e o garante. Normalmente. 624º do Código Civil. boletinhs de transporte ou de embarque. porém. Na caução convencional. porém. . A caução judicial segue. por fim e com as necessárias adaptações.

subsequente : desde o momento em que a instituição destinatária não devolva ou não recuse a carta. pelo menos. Nessas condições. que no tocante às promessas unilaterais apenas requer a assinatura da parte que se obrigue. concedendo o crédito – há aceitação. saídas contratuais : bastará. prévio. lembrar o art. por vezes. b) seguros contra incêndios.a entidade subscritora afirma ou pressupõe conhecer um compromisso assumido ou a assumir pela terceira entidade. pretensamente imposto pelo art. ● A estrutura unilateral aparente e a juridicidade As cartas de conforto apresentam-se . por exemplo.normalmente uma instituição de crédito. materialmente. c) seguros contra furtos d) seguros agrícolas e) seguros cinematográficos f) outros II) Seguros contra danos sobre o património: a) seguros de créditos b) seguros de despesas legais III) Seguros contra danos a pessoas a) seguros contra infortúnios b) seguros de doença CARTAS DE CONFORTO ● Generalidades . perante a destinatária. terminologia A carta de conforto é uma missiva dirigida a uma instituição de crédito por uma entidade que detém interesses dominantes ou significativos numa terceira entidade. é.obstante. 410º/2 do Código Civil . Mas. Gasperoni. poder-se-ia mesmo invocar o art. de resto. 234º do Código Civil ou citar os requisitos relativos à aceitação tácita. 1538º do Código Civil. uma única declaração de vontade. assim. Nessa carta. pois. Tal acordo. Os seguros são susceptíveis de diversas classificações. antes procedendo como se com ela concordasse – maxime. como verdadeiras cartas em sentido próprio : um texto. A carta de conforto resulta de um acordo entre o emitente ou patrocinante e o destinatário . As cartas de conforto surgem. O facto de a carta – documento surgir assinada apenas pelo promitente não preclude . Sendo necessário . 457º do Código Civil. . é. ele não define esse tipo contratual : ter –se-á bastado com a definição do art. Tais negócios deveriam passar pelo crivo da tipicidade dos actos jurídicos unilaterais. poder-se-ia entender que elas consubstanciaram meros negócios unilaterais. dirigido a um destinatário e com assinatura do remetente. assim no cruzamento de dos institutos complexos : o das participações sociais e o das garantias atípicas assentes em simples declarações unilaterais. apresenta o quadro seguinte: I) Seguros contra danos sobre coisas : a) seguros de transportes terrestres. Elas consubstanciam.

conforto fraco. além da parte informativa faz ainda uma declaração negocial vinculando-se a actuações de meios.conforto fraco . médio e forte Existem três tipos de cartas de conforto : . o emitente estabelece a relação de participação existente entre ele e a sociedade participada e apresenta tal relação com um mínimo de estabilidade. patentes nas cartas de conforto médio. tendo-a dotado do capital razoavelmente necessário. ● Regime e natureza O regime das cartas de conforto depende. a participada não pode cumprir perante a banca. como transparece do art. ele implicaria dois traços essenciais: . por parte da emitente. recomendações ou informações. Se o conforto forte fosse uma fiança. Os deveres de meios tendentes a acautelar a posição do banco. O dever de apoio genérico dá lugar a responsabilidade quando violado. 627º/2 do Código Civil – sofrendo as vicissitudes da relação principal. 628º/1 do Código Civil. Deve notar-se que a responsabilidade da sociedade – mãe para com os credores da sociedade subordinada tem base legal: art. Tratar-se-ia. do tipo fraco. A parte informativa das cartas de conforto deve ser fidedigna . tendo-lhe dado o apoio e tendo preenchido convenientemente os seus cargos sociais. a entidade emitente a desenvolver um certo grau de esforço no sentido do cumprimento da participada. Há uma concessão de informações e um dever genérico de diligência. sob pena de gerar responsabilidade. Na carta de conforto médio . O mais simples seria reconduzi-la à fiança. o emitente. assume declarações negociais de resultado. obrigam . em princípio . a entidade emitente não é responsável se. não obstante e por ocorrências a ela estranhas. o emitente.● Tipificação . sempre para além dos aspectos informativos. Perante uma carta de conforto médio . pois de uma simples garantias pessoais atípicas. que. 485º do Código Civil – conselhos. .ele conferiria ao garante o benefficium excussionis – art.ele teria natureza acessória – art. È difícil determinar o regime da garantia em causa. . O óbice : tradicionalmente a fiança exige uma específica manifestação de vontade nesse sentido. médio ou forte da carta considerada. 501º do Código das Sociedades Comerciais. Na carta de conforto forte. nos termos do art. verificar. naturalmente. 638º/1 do Código Civil. As cartas de conforto forte dão lugar a deveres de prestar. tendo cumprido todos os seus deveres para com a participada.conforto forte Na carta de conforto fraco .conforto médio .

em termos políticos. uma especial impressividade. Direito Civil.º 1103/97. o facto. o euro traduz uma enorme simplificação na vida dos europeus. de a moeda nacional ter sido substituída por moeda europeia dá.º a 561.Direito Bancário Institucional ● Razão de ordem (pág. Por sua vez. ao sistema financeiro europeu. De todo o modo.663) Capítulo I – SISTEMA FINANCEIRO EUROPEU Secção I – A MOEDA ÚNICA O EURO ● Instituições e fontes A fase mais visível do sistema financeiro europeu (SFE) é o euro. o euro foi saudado como poderoso passo da unificação da Europa. de 17 de Junho. Deve esclarecer-se que as regras atinentes à moeda são. Em termos práticos. no CC (arts 550. Secção II . A introdução do euro deu origem a regras europeuias e a regras nacionais (+ páginas 666 a 668). sobre o princípio da continuidade dos contratos.º) encontramos as regras básicas sobre as obrigações pecuniárias.O SERVIÇO EUROPEU DE BANCOS CENTRAIS E O BANCO . tradicionalmente. Especial relevo prático teve o artigo 3º do Regulamento n.

o Tratado contém regras institucionais –arts 112º a 115º. em si. nominalmente.pelo presidente.definição e execução da política monetária da comunidade. 8º) Uma importância especial assume o artigo 7º que fixa a independência do BCE e dos bancos centrais nacionais. Sobre a política económica monetária tem interesse os arts 98º a 104º do Tratado.o SEBC apoiará as políticas da comunidade. um Sistema Europeu de Bancos Centrais (SEBC) e um Banco Central Europeu (BCE. Finalmente. Cabe-lhe.o SEBC actuará de acordo com o princípio de uma economia de mercado aberta e de livre concorrência. . o SEBC é dirigido pelos órgãos de decisão do BCE (art. BANCO CENTRAL EUROPEU ● Organização. não tem personalidade jurídica: esta assiste ao BCE. atribuições e autonomia De acordo com o Tratado e segundo o artigo 2º do Protocolo.pelos membros da comissão executiva. o objectivo primordial do SEBC é a manutenção da estabilidade dos preços. No tocante à política monetária – arts 105º a 111º. o Conselho. A matéria atinente ao SEBC e ao BCE surge. Além disso mas sem prejuízo para esse aspecto fundamental e segundo o mesmo preceito: . . ● Objectivos.CENTRAL EUROPEU O SERVIÇO EUROPEU DE BANCOS CENTRAIS ● As fontes O texto básico do BCE é o artigo 8º do TUE.pelo vice-presidente. desenvolvida num Protocolo relativo aos seus estatutos. . ● A natureza do SEBC e dos bancos centrais nacionais O SEBC. através dos seus órgãos. os quais actuarão nos limites das atribuições que lhe são conferidas pelo presente Tratado e pelos Estatutos do SEBC e do BCE”. No tocante à organização. . são elas: . Quanto às atribuições.promoção do bom funcionamento dos sistemas de pagamento. dispõe: “São instituídos. de acordo com os procedimentos previstos no presente Tratado. . Na cúpula do BCE está. A comissão executiva é composta: .realização das operações cambiais compatíveis. depois. Este é composto (artigo 10º): . .pelos governadores dos bancos centrais nacionais. a autonomia O BCE é o verdadeiro centro em torno do qual orbita o SEBC. dirigir o serviço em causa (8º do Protocolo).

com as alterações introduzidas em 2001 e 2004. . A REFORMA DE 1998. A orgânica do BP vem prevista nos arts 26º a 49º. mediante acordo dos EM´s por oito anos não renováveis. Capítulo II – ORGANIZAÇÃO E SUPERVISÃO BANCÁRIAS Secção I – ORGANIZAÇÃO BANCÁRIA ..no âmbito monetário (16º a 23º). na versão em vigor: fundamentalmente a de 1998. Secção III .no âmbito prudencial (artigo 25º/1 e 2).as operações de banco (24º e 25º). . .por quatro vogais.a supervisão (17º).669 a 724 ● Funções e organização Cabe examinar a Lei Orgânica do Banco de Portugal.as relações com o Estado (18º e 19º). As funções do BCE no SEBC são exercidas pelo conselho.no âmbito da gestão (110º do TCE). .º/1). . a autonomia aflora.O BANCO DE PORTUGAL A EVOLUÇÃO DO BANCO DE PORTUGAL ATÉ 1990 (páginas 684 a 698). . Solenemente proclamada a propósito do artigo 7º do Protocolo.as relações monetárias internacionais (20º a 23º). no reconhecimento da personalidade jurídica do BCE (9. ● Atribuições e competências O BCE tem atribuições (funções): . A REFORMA DE 2001 e de 2004 Pág. As funções do BP abrangem: . ainda. Todos eles são nomeados.a política monetária e cambial (15º e 16ª). Em relevo fica a autonomia do BCE.

transpôs a Directiva n. interna diversas regras comunitárias. veio alterar o regime da locação financeira. de 30 de Maio – relativa aos sistemas de garantias de depósitos. foi alterado até hoje nove vezes.º 252/2003.º 246/95.L. num único texto.º 201/2002. Podemos apontar os seguintes planos normativos no RGIC: · Plano institucional e funcional – o RGIC ocupa-se de reger instituições de crédito. 285/2001. e sociedades gestoras de fundos de investimento mobiliário. · Introduzir soluções mais aperfeiçoadas.L. sociedades de investimento. a legislação dispersa. · D. V. não se limitou a acolher.L. Foi também acolhendo regras nas áreas societárias (art.REGIME GERAL DAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO ● Origem e sentido geral O RGICSF foi aprovado pelo D. II. Completou-se o Fundo de Garantia de Depósitos. · Plano Comunitário – referente ao reconhecimento de instituições de . formulam-se princípios (art.L: n. de 22 de Junho. · Simplificar o sistema de fontes. apesar da heterogeneidade do seu conteúdo.º 95/26/CE. ● Regulação e planos normativos O RGIC introduziu uma regulamentação envolvente. de 10 de Maio – relativa aos serviços de investimento. de 26 de Setembro. n. · D. de 13 de Outubro.L.º RGIC). n. ● As alterações O RGIC.º 96/13/CE. de 17 de Outubro. de 22 de Junho. n. serviços e empresas de investimento.L.º ou 11.L. 8. n. · D.º 298/92. com a sua aprovação foram revogados uma série de diplomas legais. · D.º 232/96.º 319/2002. de 29 de Junho – reforço da supervisão prudencial. n. X e X-A. O Sistema assegura o reembolso de créditos relativos a fundos ou instrumentos financeiros até ao máximo de 25. de 31 de Dezembro. de 5 de Dezembro.L: n. procedendo a uma tarefa coordenadora. Podemos considerá-lo. 13. veio criar e regular o funcionamento do Sistema de Indemnização aos Investidores. de 3 de Novembro. O RGIC visou essencialmente: · Receber.º 98/33.º 93/22/CE.º 250/2000. providenciando quanto à sua dinâmica – Título I. na ordem. · D. de 28 d Dezembro · D. transpôs a Directiva n. Directriz n. de 14 de Setembro: transpôs para a ordem interna a Directriz n. escapando-lhe apenas a matéria contida na LOBP e os regimes próprios das instituições de crédito em especial. A visão desta evolução permite-nos ver como foi evoluindo o direito bancário nacional e o acolhimento de elementos europeus. · D.000 euros.º). Apresenta-se definições preambulares. · Codificar as regras existentes.º 222/99. a Directiva n. n. · D.L. como um pequeno código de Direito Bancário institucional. de 16 de Março.º 94/19/CE.

Estados membros, no País, e do País, na União – Título III e IV. · Plano de actuação dos sujeitos em situações normais – Título VI e VII – e anormais – Título VIII e IX. · Plano penal – Título XI.

Secção II – A SUPERVISÃO BANCÁRIA DA REGULAÇÃO EM GERAL ● A regulação económica; aproximação Regulação: traduz o acto e o efeito de regular, isto é, de estabelecer regras gerais e abstractas de conduta. Regulação económica: trata-se ainda de fixar regras gerais e abstractas de conduta, mas de modo economicamente ordenado, destinando-se a encadear a realidade. A regulação tem-se manifestado ao longo da história, dispondo sobre o modelo preferível de sociedade (capitalista ou socialista, por exemplo). Temos pois uma temática ideológica subjacente. ● Origem e evolução; o teor técnico Desde o direito romano, passando pela Idade Média e mais recentemente nas experiências norte-americana e europeia, podemos considerar uma confluência de vectores: · Estabelecimento de regras com objectivos económicos. · Aprontadas por entidades diferentes das que fazem as leis «normais». Assim, de origem estruturalmente económica, a regulação permitiu o desenvolvimento de técnicas de ordenação, susceptíveis de utilização em áreas não-económicas. ● Tipos de regulação · Quanto à origem: espontânea; corporativa; legal. · Quanto à autoria: estadual; administrativa; corporativa. · Quanto ao âmbito: geral ou sectorial. · Quanto ao escopo: para tutela da actividade; para tutela de terceiros; mista. · Quanto ao objecto: económica; social; deontológica. Já de acordo com a natureza das normas temos uma distinção importante: · Supervisão técnica: assegura-se das características de certos bens e serviços. · Técnico-jurídica: prepara regras adaptadas ao sector, em obediência a

regras físicas ou da natureza. · Deontológicas: assegura cânones de conduta profissional. · Legal: preocupa-se com regras gerais, abstractas e objectivas de actuação. ● Poderes de regulação; vantagens e desvantagens · Poderes de informação – inteira-se de situações que caiam na sua alçada. · Poderes normativos – regras gerais e abstractas para o sector. · Poderes de decisão concreta – facultam autorizações, licenças, proibições, registos e outras. · Poderes de fiscalização – visam apreender a observância do que tenham sido determinado. · Poderes de sanção: previnem e retribuem violações. Vantagens: Independência do Estado; competência técnica; capacidade persuasiva dos agentes; flexibilidade dentro da lei. Desvantagens: despesismo; corporativismo; burocracia; autoritarismo.

A SUPERVISÃO EM GERAL: ELEMENTOS EUROPEUS ● Conceito e objectivos gerais A supervisão surge uma designação tradicional da regulação, dentro do sector bancário. Por influência anglo-saxónica a referência a uma regulação bancária ou financeira, em detrimento da tradicional. Em Direito bancário, a supervisão tem um alcance bem mais lato do que a «supervisão» administrativa ou a «tutela» privada. Supervisão bancária: actuação desenvolvida pelo Estado ou por outros entes públicos sobre os banqueiros, de modo a controlar a sua actividade. Será possível uma distinção entre a supervisão geral (reporta-se ao acompanhamento dos mercados monetário e financeiro e ao acompanhamento da banca enquanto sector económico) e a supervisão estrita ou supervisão em sentido próprio (prende-se com o controlo individual de cada instituição, proporcionando actos administrativos singulares, determinações concretas e sanções). Tem três objectivos essenciais: · Sujeição da banca ao poder do Estado, de modo a ter controlo sobre os mecanismos económico-financeiro. · Manutenção da estabilidade nos mercados. · Prevenção e repressão da corrupção. ● Supervisão prudencial

A presença destes objectivos parece ser contraditória. Assim, a supervisão bancária deve restringir-se a um controlo dos banqueiros exercidos pelo Estado ou por outras entidades públicas, de modo a assegurar os valores da banca. Tais valores são dominados pelas ideias de prudência na actuação bancária e da confiança do público. Assim temos na actual supervisão bancária: relação com outras entidades reguladoras, limites à assunção d riscos, boa reputação e desenvolvimento da arte bancária. ● O Comité de Basileia e as directrizes O Comité de Basileia surgiu em 1974, sendo constituído pelos presidentes dos bancos centrais do Estados. A sua tarefa era a harmonização da supervisão bancária internacional, tendo em vista a solidez do sistema bancária, nos planos, nacional e internacional. Em 1988 concluiu-se um acordo conhecido como Basileia I (na base da Directriz n.º89/299, de 17 de Abril). Em 2003 concluiu-se o acordo Basileia II, assentando em três pontos: exigência mínima do capital próprio; supervisão do Estado sobre essas salvaguardas; exigência de publicidade e de transparência dos negócios. Toda a matéria da supervisão está hoje condimentada por directrizes europeias (Directriz n.º 2000/12/CE do parlamento e do Conselho).

SUPERVISÃO PORTUGUESA ● O papel Ministro das Finanças No Direito português a supervisão é essencialmente levada a cabo pelo BP. Os artigos 91.º e 93.º do RGIC permitem traçar uma contraposição entre a superintendência dos mercados monetário, financeiro e cambial, que compete ao M.F. e a supervisão das instituições de crédito, que incumbe ao BP. O art. 199.º da CRP, fixando a competência administrativa do Governo distingue, na sua al. d): · Dirigir os serviços e a actividade da administração directa; · Superintender na administração indirecta; · Exercer tutela sobre esta e sobre a administração autónoma;

O artigo 91. mais consentânea com as exigências comunitárias (SEBC/BCE) de independência do Governo. previsto nos arts.º.º2 e 92. prevalece. no tocante à supervisão. Não é possível estabelecer uma fronteira entre os mercados monetária. financeiro e cambial se verifique perturbação que ponha em grave perigo a economia nacional …». associações públicas e empresas públicas. institutos públicos.º2: prevê poderes excepcionais do Governo. · Artigo 92. n.º RGIC). positiva e negativamente. Trata-se. Articulação com o Instituto de Seguros de Portugal – este está sujeito à tutela do Governo. ● As atribuições do Banco de Portugal O RGIC refere a supervisão das instituições de crédito. ainda com outras entidades «reguladoras» sejam gerais sejam sectoriais.º: a redacção de 2002 veio dar-lhe uma nova forma. em termos bem distintos da superintendência do MF. «… nos mercados monetário.º. logo verificamos que a superintendência referida no art. pelos arts. 352. n. Articulação com a autoridade da concorrência – neste campo a supervisão do BP. a enfrentar de modo imediato. Temos aqui um dispositivo que vem alargar a superintendência do Governo pelo que falaremos numa delimitação positiva. sendo sectorial em relação à concorrência. designadamente. por portaria do PM e do MF.º1 do RGIC não atribui.º CVM). A superintendência do MF é delimitada. pode o Governo. não se confundindo com o saneamento das instituições de crédito. n.º. Articulação com a CMVM – tem poderes de supervisão no campo mobiliário (art. especialmente a prudencial. e tendo em conta a supervisão prudencial (art. quaisquer poderes concretos de superintendência. 93. de ocorrências extraordinárias. Trata-se de uma norma que pressupõe outras regras fixem a relação de administração indirecta e depois concedam ao Governo. «… nomeadamente a suspensão temporária de mercados determinados ou de certas categorias de operações. e daí resulta.º.º e ss do RGIC. financeiro e cambial que tenham a qualidade de administração indirecta ao Estado e. . n. uma sujeição simultânea à fiscalização do BP (art. · Artigo 91. porém. Quando. 139. tendo poderes de supervisão e podendo emitir instruções vinculativas.º RGIC. A supervisão das instituições de crédito. ouvido o BP.º1 do RGIC se reporta com os agentes dos mercados monetário. 91. ordenar medidas apropriadas. 91. 94. ou ainda o encerramento temporário de instituições de crédito».º2 RGIC).Com estes elementos. ● A articulação com outras supervisões As funções do BP. relação a nenhuma dessas entidades. articulam-se. determinados poderes. As medidas em causa têm a ver com a perturbação dos mercados. na verdade.º. n. sem possibilidade prática de se recorrer a qualquer outro órgão que não seja o Governo. financeiro e segurador.

incumbe ao BP. sobre o BP a supervisão das empresas de investimento e das sociedades gestores de fundos de investimento mobiliário.º: alarga a supervisão do BP às sociedades gestoras de participações sociais. 16. 15. · Vigiar a observância das normas a elas relativas (al. · Tomar providências extraordinárias de saneamento (al. 122.º: deveres de informação a cargo das instituições de crédito. b)).º do RGIC. 119. sempre que o valor das suas participações lhes confiram maioria de direito de votos. Ainda no campo da supervisão em geral temos: · Art. Normas prudenciais: regras de conduta e confiança do público. d)). ● As normas prudenciais. · Sancionar infracções (al.º e 200.º). no exercício de poderes de supervisão: presumindo-se que a suspensão da sua eficácia determinava grave lesão do interesse público (foi revogado). ao Banco central.º (supervisão geral. 127. de acordo com a sua LO e o RGIC. segundo o artigo 93. Não menciona a matéria dos pedidos de constituição e similares. no RGIC em rubricas próprias (art. 17. a supervisão das sociedades financeiras cabe. E por via do art. ● A supervisão das instituições de crédito A supervisão da IC (supervisão restrita) encontra-se no actual art.s 139. O art. também. · Art. com aplicação das mesmas regras. c)). · Art.º do RGIC era relativo aos recursos interpostos das decisões do BP. evidente que tudo isto pode ser reconduzido à ideia de supervisão. O antigo 129. A matéria das últimas duas als. 116.incluindo a actividade que exerçam no estrangeiro. é autonomizada.º. a ratio de solvabilidade A gestão bancária deve ser prudencial: as instituições de crédito devem .º e 128. A LOBP tem em vista a supervisão genérica enquanto ao RGIC se reporta à supervisão propriamente dita.º da LOBP explicita a competência do BP quanto aos mercados. 117. n.º a 125. finalmente. · Art. dando poderes de notificação ao BP (a violação deste art. · Emitir recomendações para sanar irregularidades (al. é infracção especialmente grave – art.º). ao BP.º.º: revisões oficiais de contas. conferido por lei. 14.º-B.º e 130. idoneidade dos administradores e base consolidada (por lhes ter dado específicos arts. e)). 199.º: abrange as entidades não habilitadas.º1 do RGIC. Parece. 121. quanto à supervisão. 197. 30.º LOBP. · Art. Em compensação distingue: · Acompanhar a actividade das instituições de crédito (al.º. Nos termos do art. a)).º: princípio da gestão sã e prudente das instituições de crédito. 211. porém. que inclui matéria financeira). Na actual LOBP temos o art.º: no que diz respeito a instituições estrangeiras. o)).º1. efectua uma lista de competência do BP estreita. O art. n. Supervisão BP: poder.º: apoio financeiro adequado dos accionistas.º. recai. 17. 118. · Art. · Art. 120.º (orientação e fiscalização dos mercados monetário e cambial) e o art. 126. salvo as necessárias adaptações. al.º.

no art.tendentes a exprimir. ● Supervisão em base consolidada A existência de grupos de sociedades pode originar operações mais ou menos reais. em termos unitários. é decisivo a pessoa que nela detenha participações significativas. no tocante aos riscos e às participações. 103. 13.º1 e 2. presumindo-se tal se tiver 5% dos votos – art. a situação real dum grupo de sociedades.º 36/92.º. n. no BP. 112. Assim.e registados. 20%. Quanto à natureza da supervisão: trata-se de uma prerrogativa de tipo público.º RGIC. Tais operações passam pela agregação das contas individuais das sociedades dominantes às da sociedade dominada.º7) ou ultrapassar quaisquer dos limites de 5%.º).manter níveis adequados de liquidez e solvabilidade. Os cuidados prudenciais reinantes neste domínio. · No que respeita à ratio de solvabilidade e aos riscos (Directriz n. 105. cruzam-se.º. a lei prevê normas prudenciais a quatro níveis: · No tocante aos capitais. n. 99. através do adicionamento dos saldos das contas constantes em cada rubrica do balanço e da demonstração de resultados e a eliminação dos valores correspondentes à operações realizadas entre as entidades.º). O RGIC limita a aquisição de imóveis que não sejam indispensáveis à sua instalação e funcionamento (art. Devem ser publicadas listas de accionistas – art. 33% a 50% do capital ou dos direitos de voto deve comunicar previamente o seu projecto ao BP (arts.º1 RGIC). n. a prática da consolidação das contas.º e 100.º. desenvolveu-se.º RGIC).º. ● Participações qualificadas. com faculdades de acompanhamento. 102. · No que tange à idoneidade dos detentores de participações qualificadas.º e 196. n. entre elas.º 92/121. de informação e de regulamentação. de 28 de Março. · No que se prende com a aquisição de imóveis e outros activos imobilizados. 109. os acordos parassociais relativos ao exercício do direito de voto – art. a falta desta comunicação pode levar à inibição dos direitos de voto que permita a influência (art. fundos próprios e reservas (arts. de 21 de Dezembro e arts. no plano contabilístico. todos do RGIC. 111.º . 110. imóveis. O RGIC estabelece um sistema de controlo nesse campo: a pessoa que pretenda deter uma participação qualificada (que permita ao seu detentor influenciar de forma significativa a gestão da entidade participante.º1). que assiste ao BP e à qual as instituições de crédito e sociedades financeiras estão sujeitas dispensa-se um poder genérico. Consolidação de contas: conjunto de operações contabilísitcas. 95. determinou a obrigatoriedade das diversas instituições de crédito elaborarem contas consolidadas e um relatório .º. natureza da supervisão As instituições de crédito são sociedades anónimas. Para tanto. Para evitar essa expressão irreal de riqueza. 10%. O DL n.

448.º quando impõe a publicidade de determinadas participações sociais.º. continua a ser possível vogar no sistema financeiro e mobiliário. como relação entre duas ou mais pessoas. Esta surge como uma decorrência de certas participações qualificadas. n. elas permitem surpreender facetas significativas do espírito do Direito bancário institucional.º7 RGIC). referentes Às participações qualificadas. ligadas entre si através de uma participação directa ou indirecta de 20% ou de uma relação de domínio. n. 14. a relação de proximidade Um dos aspectos marcantes da supervisão bancária é o controlo sobre os titulares de participações em instituições de crédito.º RGIC. tal regra seria ilusória: qualquer titular poderia contorná-la. 13. ● Participações indirectas Um regra destinada a regular participações sociais deve ter em conta o fenómeno das participações indirectas. EXCURSO: PARTICIPAÇÕES QUALIFICADAS ● Participações qualificadas. Participação social qualificada: quando atinja um de terminado patamar quantitativo ou quando se reporte a partes sociais significativas.consolidado de gestão. Hoje as regras relativas às contas consolidadas estão nos arts. Impunha-se uma reforma corajosa. que devem sempre adoptar a forma de sociedades anónimas (art. Também o CSC a elas se refere no art.º.. De outra forma. singulares ou colectivas. o RGIC dispensou uma série de regras. n. procedentes da transposição de uma Directivas de 2000. b) Estatuto CMVM). n. com diversas previsões. sendo definida. al. Para já apenas o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros está nessa óptica de supervisão harmonizada.º13 RGIC. Chame-nos ainda a atenção para o art. ● As necessidades de uma supervisão integrada O direito bancário lida com realidades imateriais e abstractas só funcionando o sistema na medida em que todos os participantes obedeçam às regras mínimas Esta mesma lógica de supervisão estende aos valores mobiliários e aos seguros (arts. 358. b) RGIC) estão em causa acções. No caso das instituições de crédito. pelo mencionado preceito.13.º CVM e 4.º. al. definições e precisões. com obrigação d comunicação ao BP em certos casos (art. Procurando surpreender a materialidade do fenómeno.º1.º1.º. para harmonizar o direito de regulação/supervisão. recorrendo a pessoas interpostas. que refere a relação de proximidade. Tais regras são importantes: além do seu relevo intrínseco. Apesar de estes e outros diplomas conferirem aos grandes organismos de supervisão nacional poderes muitos extensos.º a 138. 130. pelo que o RGIC lhe deu uma maior preocupação. .

105. opor-se ao projecto de aquisição. duma situação que decorre da 2. podendo considerar-se um minimum. na medida necessária e adequada para impedir a influência na gestão que foi obtida. para efeitos de haver «participação qualificado» essas alíneas.ª directriz de Coordenação Bancária (art. . depois. quanto à determinação de participações sociais indirectas. O modo como o RGIC tratou as participações indirectas leva a pensar que o legislador teve em vista. prosseguindo pois uma tripla finalidade: . n. a esta entidade. a constituição ou o aumento de participação qualificada. só faz sentido colocar. n. tida por verificada.º 2000/12 de 20 de Março). Consideram-se. uma situação surja como participação qualificada. quando a decisão a tomar seja verdadeiramente esclarecida. 103.º RGIC). a situação materialmente qualificada (ainda que não o seja formalmente) é. dos direitos de voto integrantes da referida participação.º. no tocante a certas participações «qualificadas». A comunicação a fazer ao BP visa permitir.º CSC relativo à publicidade de participações de accionistas dispõe neste campo.ºs seguintes regulam o modo como esta inibição funciona e as consequências e sanções para as deliberações eventualmente tomadas com os votos «inibidos»:a anulabilidade. O RGIC foi mais longe que o CSC e da definição de participação qualificada.O CSC apresenta uma primeira regulamentação para o fenómeno no art. então. por qualquer outro motivo. . situações formais. Os n. na instituição de crédito participada. por remissão pelo próprio CSC. um poder tão significativo como o de vetar aquisições qualificadas ou o reforço dessas aquisições. 447.º1 e 3 RGIC.º 7 apresenta uma série de alíneas que vieram precisar e alargar esta noção básica.º da Diretriz n.Tutela do mercado e os valores a ele inerentes. Ora. Não obstante este regime já alargado o n.º7. quando. aponta desde logo: a) Para uma situação que.º. Segundo o art. O próprio art. 448. além disso. . a inibição dos direitos de voto A intenção de deter uma participação qualificada ou de ultrapassar alguns dos patamares fixados na lei deve ser comunicada ao BP: este decidirá. também. Trata-se. equiparadas aos direitos de voto do participante. b) Como tal se presumindo a que ultrapasse os 5% do capital da participada. Ele é usado. a propósito de participações qualificadas. ainda. formalmente.º.Tutela do sistema bancária no seu conjunto. nas mãos do BP. possibilite uma influência significativa. 16. haverá que levar ao BP os mais diversos elementos. aliás. ● A apreciação do BP. esta tem-se por verificada. da idoneidade da participação (art. situações materiais de qualificação e. Ou seja.Tutela da instituição de crédito considerada e tudo o que ela representa. no artigo 13. sem que o interessado tenha procedido à comunicação prevista ou aos quais o BP se tenha oposto. Para tanto. O BP supervisiona e dá selo de seriedade à operação. o mesmo BP poderá determinar a inibição do exercício.

O primeiro elemento da noção de instituição de crédito provém da sua assimilação a “empresas”. não pode ser integralmente aproveitada. 9º/1 do RGIC afasta do universo dos fundos reembolsáveis os obtidos “… mediante emissão de obrigações. não se considerará “público”. O BP.Direito ao inerente dividendo. nos termos e limites da legislação aplicável”. 2º/1 do RGIC define instituições de crédito como: “ (…) empresas cuja actividade consiste em receber do público depósitos ou outros fundos reembolsáveis. Receber do público equivale a receber de pessoas indeterminadas e. pela lógica da definição. 230º do Código Comercial. consequências preceptivas. 24º/1. Temos. o art. na definição do art. que não é jurídica. O pensamento jurídico-bancário reclama uma noção muito ampla de concessão . a fim de os aplicar por conta própria mediante concessão de crédito”. na medida em que pode aceitar depósitos das instituições de crédito – art.Direito a realizar eventuais mais-valias. instituição de crédito. Finalmente – e sempre segundo a definição legal – os fundos reembolsáveis serão aplicados por conta própria mediante a concessão de crédito. daí. Também não é “público” o conjunto – ainda que indeterminado – das instituições de crédito: estas. a sanção de inibir o voto não põe em causa a legitimidade e a eficácia da transacção (estão em causa valores bancários não de concentração de riqueza): as acções em excesso mantêm todos os seus direitos e. designadamente: . de seguida. al. Além disso. para efeitos desta noção.f) da Lei Orgânica – não é. o banqueiro fica obrigado á restituição. Designadamente: tratar-se-ia de empresas comerciais. indetermináveis. nos termos e limites do Código das Sociedades Comerciais…” e “…os fundos emitidos através da emissão de papel comercial. os depósitos e outros fundos reembolsáveis. contrapõem-se ao público. Finalmente. porém. o conjunto dos sócios de uma sociedade ou o das entidades que. surge a actividade das instituições de crédito: a de receber do público depósitos ou outros fundos reembolsáveis. 2º/1 do RGIC. Como segundo elemento.Note-se. pelo menos por isso. á partida. Trata-se de dinheiro ou de equivalente a dinheiro. procedendo à aproximação das “empresas” previstas no art. Capítulo III – DAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO EM GERAL ASPECTOS BÁSICOS ● Noção e espécies O art. A doutrina já tem procurado retirar. estejam numa relação de grupo. A noção de empresa. Assim. . com o beneficiário.

na indeterminação dos beneficiários. sejam qualificadas por lei. 4º/1 do RGIC. como tal. 5º do Decreto-Lei nº 171/95 de 18 de Julho – e com as sociedades financeiras para aquisições a crédito – art. O Livro Branco afirma que são excluídas as formas de “natureza restrita”. como se infere do art. boa parte das entidades incluídas no art. 4º do Decreto-Lei nº 260/94 de 22 de Outubro . a Caixa Geral de Depósitos:estes podem praticar a generalidade dos actos bancários. está. 2º. A chave da concessão de crédito. No fundo. Na verdade. é possível apontar alguns princípios tendencialmente . o crédito é concedido ao público. 3º não visa “receber do público depósitos”: é o que sucede com as sociedades de investimento – art. como a abertura de crédito c) a prestação de garantias d) a locação financeira e) a cessão financeira f) a aquisição de obrigações e outros títulos de dívida Pela negativa. 5º do Decreto-Lei nº 260/95 de 14 de Agosto: entre os recursos de que essas entidades dispõem. verificamos que elas tem em comum a predeterminação dos intervenientes e. A enumeração do art. em especial. do destinatário de crédito. Ficariam abrangidos.de crédito. Na verdade. surgem-nos os bancos que incluem. 9º/2 do RGIC. ● Princípios Com base no RGIC. citando a legislação comunitária: a) os contratos reais. na enumeração do Livro Branco. Vai mais longe. nº3. se bem atentarmos nas exclusões do art. As restantes instituições de crédito só podem praticar as operações permitidas pelas normas legais e regulamentares que regem a sua actividade – idem. hoje. para efeitos de localização de uma instituição de crédito. do art. 3º do RGIC complementa a noção legal. 2º e. O art. com as sociedades de locação financeira – art. Dentro das instituições de crédito. 9º/2 do RGIC consta o que o diploma exclui da concessão de crédito. 3º não se limita a precisar a do art. 5º do Decreto-Lei nº 72/95 de 15 de Abril – com as sociedades de cessão financeira – art. A institução de crédito deve ter personalidade jurídica e apresentar a conformação de uma das entidades enumeradas: a) bancos b) caixas económicas c) Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo e as caixas de crédito agrícola mútuo d) instituições financeiras de crédito e) sociedades de investimento f) sociedades de locação financeira g) sociedades de “factoring” h) sociedades financeiras para aquisições a crédito i) sociedades de garantia mútua j) as instituições de moeda electrónica l) outras empresas que correspondam à definição do art. não se conta a recepção de depósitos do público. como o mútuo e o desconto bancário b) os contratos consensuais. assim.

expressões que sugiram actividades bancárias – art. estão habilitados a exercer actividades bancárias: . representado por acções nominativas ou ao portador registadas (capital mínimo e determinabilidade dos titulares).só as instituições de crédito podem “exercer a actividade de recepção.só as instituições de crédito e as sociedades financeiras podem exercer. Segundo o art. a dois membros dos órgãos de administração – nº2. há instituições de crédito que. com sede em Portugal. ele tem uma dupla formulação: .sede principal e efectiva em Portugal ( sede em Portugal).o público em erro quanto ao âmbito das operações que a entidade possa praticar”.adoptar a forma da sociedade anónima (anonimato). só as entidades habilitadas como instituições de crédito ou sociedades financeiras podem usar. Prosseguindo. do público. . Neste último caso há diferenciação de regime.aplicáveis às diversas instituições de crédito e às suas actividades. encontramos o que denominaremos o princípio da conformação legal. dedicação exclusiva. por outro. o princípio da verdade das firmas e denominações. . 11º. diversas designações devem ser usadas de modo a não induzir “. como princípio de exclusividade. as instituições de crédito. assim. a recepção de depósitos do público é. 11º/1. Segundo esse princípio. para utilização por conta própria” – nº1. com excepção da consultadoria referida na alínea i) – nº2. na sua actividade. Ocorre. 8º/3. Segundo o art. Nos termos desse preceito. A primeira formulação carece de dupla precisão: por um lado. com poderes de orientação efectiva – nº1. 8º. pelo menos. o art. 14º -. 15º do RGIC autonomiza um princípio de colegiabilidade: o órgão de administração do conselho de administração das instituições de crédito deve ser constituído por um mínimo de três membros. as actividades referidas nas alíneas b) a i) e r) do nº1 do art. De seguida. capital mínimo e determinabilidade dos titulares e sede em Portugal. a própria gestão corrente deve ser confiada. Por fim. consoante se trate – ou não – de entidades com sede na União Europeia. a título profissional. depois.. 4º.corresponder a um dos tipos previstos na lei portuguesa (tipicidade). por via da lei que as regulamenta. de depósitos ou outros fundos reembolsáveis. referidas no art. O princípio da conformação legal analisa-se. anonimato. não podem receber tais depósitos. 10º do RGIC. . devem obedecer aos seguintes pontos: . explicitado no RGIC – art.ter por objecto exclusivo o exercício da actividade bancária (dedicação exclusiva). como se viu.as instituições de crédito e sociedades financeiras com sede em Portugal. . também acessível ao Estado e a outras entidades. temos o princípio da abertura internacional. . O princípio da verdade é complementado no nº2: mesmo no universo bancário. . em cinco subprincípios: tipicidade. no art. O primeiro surge.as sucursais de instituições de crédito e sociedades financeiras com sede no estrangeiro. .ter determinado capital social mínimo..

quando já sejam do conhecimento do BP – nº3 – o qual.a legislação civil.faltem informações ou documentos necessários. implantação geográfica. Quando os accionistas fundadores sejam pessoas colectivas. . O RGIC prevê.não se mostre acatado o art. 20º/1 do RGIC. Perante os dispositivos em vigor. cabendo ao BP verificar o seu acatamento. de todo o modo. Apresentado o pedido. pode solicitar aos requerentes informações complementares ou levar a cabo as averiguações que considere necessárias – nº4. 14º ( conformação legal). Assim. segundo o art.a instrução do pedido enferme de inexactidões ou falsidades. sucessivamente. o pedido deve ser instruído com os elementos seriados no art. Assim. prevista no art. em geral. um sistema de fontes. Segundo as alíneas d) a g) do citado art. o BP recusará a autorização sempre que: . Tratando-se de autorização relativa a uma instituição de crédito que seja filial de instituição autorizada noutro Estado comunitário. 17º/1: tipo de instituição a constituir e projecto de contrato de sociedade. programa de actividades.a legislação comercial. devem ser apresentados os elementos. todo um processo de autorização. 16º/1 RGIC. o BP decide. .· Sistema de fontes As instituições de crédito regem-se por diversos factos normativos. a autorização. . .a idoneidade material de certos factores envolvidos. depois. Mais melindrosa é a verificação da idoneidade material de certos factores envolvidos. . o pedido de autorização será recusado sempre que: . Tais elementos podem ser dispensados. O próprio RGIC não fixa. 16º/3. de uma instituição de crédito envolve a atribuição do “passaporte comunitário”: donde a Comunicação à Comissão. A regularidade formal da instituição é. previstos no nº2. evidentemente requerida: o Direito estrito deve ser cumprido. aplicável: .a sua legislação específica.a regularidade formal da instituição a constituir. . 20º/2. dando-lhes um prazo razoável para suprir a deficiência – art. A uma instituição de crédito considerada. a elas referentes.o RGIC e demais legislação bancária. pelo Banco Central. pelo BP – art. caso a caso. VICISSTUDES · Constituição e modificação A constituição de instituições de crédito depende de autorização a conceder. será. de acordo com uma dupla ordem de factores: . 18º/1. o BP notifica os requerentes. estrutura orgânica e meios humanos. Quando o pedido de autorização esteja deficientemente instruído. 20º/1 do RGIC. depende ela de consulta prévia à autoridade de supervisão do Estado em causa – art.

ocorrendo a dissolução da instituição. Tratando-se dos factos supervenientes referidos no art. além de outros legalmente previstos. b) deixar de se verificar algum dos requisitos do art.havendo renúncia dos requerentes.a adequada supervisão seja inviabilizada por uma relação de proximidade. há. pela revogação da autorização de que beneficiem – art. devendo processar-se pela forma prevista no art. superior a 30 dias – idem. . do RGIC. A revogação cabe ao BP. ao fim de 30 dias – idem. o BP nada objecte. que observar o disposto no art. 72ºdo RGIC ou noutras leis. quando. porém.decorridos 12 meses. . Obtida a autorização. As alterações dos contratos de sociedades das instituições de crédito estão sujeitas a prévia autorização do BP. O registo abrange os elementos tipificados no art. 22º/1. O registo deve ser requerido no prazo de 30 dias a contar da data da ocorrência do facto a ela sujeito – art. O registo considera-se efectuado perante um silêncio. · O registo Além do processo de autorização. desde logo. sem que a instituição autorizada inicie a sua actividade. o BP poderá. com observância do previsto para a constituição da instituição. Tratando-se de fusão ou de cisão impõe-se.faltem os meios técnicos e os recursos financeiros para o tipo e volume de operações que a instituição candidata pretenda realizar. São eles: a) ter sido obtida por falsas declarações ou outros expedientes ilícitos. c) a actividade da instituição não corresponder ao objecto autorizado. também. recebido o pedido. quando se reportem aos aspectos seriados no art. nº2. organização . salvo as que impliquem mudança do tipo de instituições. Ela pode ter lugar com algum dos fundamentos previstos no art. 66º. 19º. . · Dissolução As instituições de crédito dissolvem-se. pelo BP. 65º/1: “ As instituições de crédito não podem iniciar a sua actividade enquanto não se encontrarem inscritas em registo especial do BP”. do BP. 70º. prorrogar esse prazo por igual período. necessário para a constituição da instituição candidata.ou por disposições legais ou regulamentares de um país terceiro. por período superior a 12 meses. . autorização do BP mas. 22º/3 do RGIC.nos seguintes casos: .. 71º/1 e 2. A decisão deve ser comunicada aos interessados no prazo de seis meses a contar da data de recepção do pedido ou – sendo esse o caso – da recepção das informações complementares solicitadas aos representantes : mas nunca decorridos mais de doze meses sobre a data da entrega inicial do pedido. 34º/1. 21º . O registo é recusado nos casos taxativamente previstos no art. esta caduca – art. Quando não: há presunção de indeferimento tácito – art. d) cessara actividade ou redução da mesma para um nível insignificante. Consideram-se. . nº 4. 14º (conformação legal). desta feita. tacitamente autorizadas. e) ocorrerem irregularidades graves na administração. aplica-se este mesmo preceito. 23º. ainda.não considere idóneas todas as participações qualificadas. a pedido dos interessados.

particularmente no tocante à segurança dos fundos que lhe tenham sido confiados. do RGIC. Os artigos 36. por exemplo. As instituições de crédito em dificuldades submetem-se a u regime especial de saneamento. 152º do RGIC.º 201/2002. Essa actividade pode ocorrer por uma de duas modalidades: . a instituição interessada deve notificar previamente o BP. directamente. A gestão desta – idem. ensaiaríamos.º/1: o País onde pretenda estabelecer a sucursal. a competente autorização é revogada. o programa de actividades. f) Não poder. do RGIC. o endereço.º. no segundo. uma referência a “filiais”. tratando-se de País menbro da UE.º . os responsáveis pela sucursal. INSTITUIÇÕES PORTUGUESAS NO ESTRANGEIRO · Na União Europeia O RGIC regulamenta. de 26 de Setembro. 139º e ss. que o artigo 39.º . no seu título III. 43º. define filial como: pessoa colectiva relativamente à qual outra pessoa. operações inerentes à actividade da empresa. inaplicável. com as necessárias verificações e adaptações. nos termos do art. introduziu ainda. a “actividade no estrangeiro de instituições de crédito com sede em Portugal”.ou mediante a simples prestação de serviços. g) Não cumprimento das obrigações decorrentes de participação do Fundo de Garantia de Depósitos ou no Sistema de Indemnização aos investidores. 1. de modo a pôr em risco os interesses dos depositantes e demais credores e as condições normais dos mercados monetário. às filiais.a sucursal é o estabelecimento de uma empresa desprovido de personalidade jurídica e que efectue. Não vemos como lhes aplicar o correspndente regime. enquanto.contabilística ou fiscalização interna da instituição. a instituição. nem às caixas económicas que não revistam a forma de sociedade anónima. h) Inobservância de regras bancárias. previsto nos art. tendo en conta o princípio da interpretação conforme com as directrizes. 36º e ss do RGIC.º. 5.º e seguintes nada dizem quanto a filiais. A primeira modalidades não é aplicável às caixas de crédito agrícola mútuo. 41º. considerando-se que a filial é igualmente filial da empresa-mãe de que ambas dependem.A ). financeiro e cambial. dispõe o art. excepto quando estabelicidas em países terceiros ( 42. honrar os seus compromissos. No primeiro caso regem os arts. . . se encontre numa relação de domínio. sujeitos aos requisitos requeridos aos admnistradores.º lhe é. do regime das sucursais.º. na epígrafe do Capítulo I. O artigo 13. Pretendendo estabelecer uma sucursal no estrangeiro. nº2 – deve ser confiada a um mínimo de dois gerentes. Para efeitos do RGIC – artigo 13. designada por empresamãe. Quando as providências aí previstas não permitem recuperar a instituição de crédito. com excepção da Caixa Económica Montepio Geral – art. de todo.ou através do estabelecimento de sucursais ou filiais. A reforma levada a cabo pelo Decreto-Lei n. a aplicação. sendo patente. especificando – artigo 36. no todo ou em parte.

a ratio de solvabilidade da instituição eo sistema de garantia de depósitos de que ela participe – idem. ainda.º 5.º/1 b ). de 26 de Setembro. noutro Estado da União.º/2 e 4. A sucursal não poderá efectuar operações que a instituição não esteja autorizada a efectuar em Portugal ou que não constem da lista comunicada n.º/3. o BP dispõe de três meses para estudar a pretensão. a instituição interessada deve transmiti-lo.º/2. do RGIC. referidos no artigo 36. nos termos do artigo 36. Devem comunicar previamente a pretensão ao Banco de Portugal que poderá recusar com fundado motivo. as operações constantes do anexo à Directriz n. nº 3. quando concorde. O silêncio. por escrito. ocorram modificações nos elementos comunicados. acima examinados. Segue-se.º aditado pelo Decreto-Lei n. caso a considere ajustada. com antecedência mínima de 30 dias. para um mês. Têm o BP três meses para decidir. Têm aplicação os artigos 37.º do RGIC. uma mera prestação de serviço constante da lista anexa à Directriz n. c) e d). sempre do RGIC. comunicá-la-á à entidade supervisora do Estado de acolhimento. por inadequação admnistrativa ou financeira – em decisão fundamentada e notificada à interessada – artigo 42. Fá-lo-á se houver dúvidas fundadas sobre a adequação das estruturas admnistrativas ou da situação financeira da instituição – 38. O BP pode recusar a pretensão com motivo fundado – por exemplo.Recebidos os elementos em causa. ao BP e à autoridade de supervisão do País de acolhimento. implica presunção de recusa – idem. comunicará à autoridade de supervisão do país de acolhimento as informações que a acompamham. As recusas são comunicadas à Comissão – nº 4. dispõe sobre hipótese de as instituições de crédito com sede em Portugal pretenderem constituir filiais em países terceiros. dos novos elementos: este. supervenientemente. depois. certificando que as operações projectadas estão compreendidas na autorização artigo 43. Efectuada a comunicação. especificando todos os elementos aí requeridos. comunicá-lo-á à entidade supervisora do País de acolhimento. A instituição portuguesa se pretender iniciar.º 89/646/CEE. a sucursal pode realizar. a apreciação pelo BP. no termo do prazo legal dos três meses. no País de comunitário de acolhimento. o BP comunicará. a instituição interessada notificará previamente o BP da sua pretensão. o silêncio vale como recusa – 42.º/1. no prazo máximo de um mês. Caso. o montante dos fundos próprios. a instituição de crédito que pretenda estabelecer sucursais em países terceiros deverá notificar previamente o BP.º/2: artigo 40.º/1. apenas com redução. nº 2. O BP pode recusar a comunicação. nº 2.º do RGIC. Outro tanto sucederá quando a alteração se reporte ao sistema de garantia referido no artigo 37.º/1 – em decisão fundamentada e notificada à instituição interessada – idem. do prazo de apreciação pelo BP. O artigo 42.º e 38. . em termos similares aos previstos para sucursais.º/1 e 2. Além disso. · Em países terceiros Segundo o artigo 42.º/1. à entidade supervisora do País de acolhimento.º 89/646/CEE. certificando também que as operações projectadas estão comprendidas na autorização.º 201/2002. nos termos do artigo 40. este. A instituição interessada é informada da comunicação – artigo 37.

o RGIC regula a actividade.º .constem da lista anexa à Directriz n. uma vez “habilitada”. O respeito pele lei portuguesa vem afirmado logo no artigo 44. hoje anexo I à Directriz n.º . Em princípio. por parte dos gerentes de sucursais ou de escritórios de representação. Devem. se tiver conhecimento da revogação ou da autorização do país de origem.º 2 – apenas se exige que a gerência seja confiada a uma direcção com o mínimo de dois gerentes.º do RGIC.º: . No entanto. As alterações dos elementos relativos à sucursal devem ser comunicados. de sucursais de instituições de crédito autorizadas noutros Estados da União e sujeitas à supervisão das autoridades respectivas – artigo 48. no tocante às matérias que lhe compitam.º 2.º 89/646/CEE. em Portugal.º/1. INSTITUIÇÕES ESTRANGEIRAS EM PORTUGAL · Instituições estrangeiras em Portugal. . o BP mais não fará do que velar pela regularidade formal da actuação da instituição estrangeira. a firma ou a denominação de origem.º.salvaguardará os interesses dos depositantes e de outros credores. obedecer às prescrições do artigo 46. perante a lei do País de origem. que a pretensão foi recusada – 42.impedirá novas operações.º 2000/12/CE. então. cumulativamente – 52. em Portugal.º a 64. no artigo 45.depende da recepção.º/1.estejam autorizadas. no silêncio. o BP tomará as medidas do artigo 47. Recebida a comunicação. notificará a instituição de crédito da “habilitação” para estabelecer a sucursal. pelo BP.A/3. que chama uma especial atenção para as normas reguladoras das operações com o exterior e das operações sobre divisas. tem o BP dois meses para organizar a supervisão da sucursal candidata. generalidades Nos seus artigos 44. com poderes bastantes para resolver definitivamente todos os assuntos que respeitem à sua actividade. as instituições de crédito com sede no estrangeiro podem usar em Portugal.E também aqui a decisão será tomada em três meses entendendo-se. do RGIC. subentendendo-se que pode haver recusa. que – perante as instituições não provenientes da União – determina.º: . n. assinalando – quando seja caso disso – determinadas condições de exercício – artigo 50. um mês para “organizar a supervisão”. da qual constem os elementos básicos enumerados no artigo 49. Ele aflora. pode efectuar em Portugal as operações bancárias que reúnam as seguintes três qualidades. de instituições de crédito com sede no estrangeiro.º/1. posto isso. no País de origem.º. A sucursal. a verificação de todos os requisitos de idoneidade e de experiência estabelecida para admnistradores das instituições de crédito com sede em Portugal. A observância da lei estrangeira é pressuposta. .º do RGIC. De resto – n. ainda. Em princípio. o BP tem. · Sucursais O estabelecimento. o silêncio vale como assentimento – idem. no entanto. com a antecedência de um mês – artigo 51. nos termos acima explicitados. duma comunicação da autoridade supervisora do País de origem. . pela instituição de crédito. à entidade interessada.

ainda.º 5. n. ainda. no BP. na primeira sucursal estabelecida em Portugal. quando não o façam. presume-se que a suspensão de eficácia dos actos tomados determina grave lesão do interesse público – artigo 53.”… o Banco de Portugal poderá.º/2 – idem. na medida em que seja possível efectivar tal responsabilidade.º 3. toda a contabilidade das operações realizadas no País.º. o BP determinará que ponham termo à irregularidade – artigo 53. às relativas à autorização ex novo. pode responder o activo da sucursal estabelecida em Portugal. o uso da língua portuguesa é obrigatório – artigo 55. em Portugal. nos termos gerais. a instituição de crédito interessada centralizará. O estabelecimento de sucursais de instituições de crédito de países terceiros – portanto: de países extracomunitários – fica sujeito às regras referidas e. se isso nada “resolver.º/7.º/1 – capital esse que deve ser depositado em instituição de crédito antes de efectuado o registo.º/3 – e. pois a ponderação de tipo público do artigo 27. · Escritórios de representação O escritório de representação é um estabelecimento de actuação bastante .º 2. com privilégio. A responsabilidade patrimonial por d´vidas dá lugar a regras especiais. A sucursal deve dispor de um capital não inferior ao exigido para instituições portuguesas equivalentes – 59. Em caso de urgência. As operações por elas realizadas. ao BP. Finalmente. em geral. Por dívidas contraídas em Portugal responde o activo da sucursal e. em Portugal – 59. Por dívidas assumidas noutros países.º 2. Opera. de filiais de instituições de Estado terceiros – artigo 57.º/1. o da instituição de crédito visada. nos termos aplicáveis às filiais extracomunitárias – 58. Há diversos deveres de comunicação. quandoo BP considere insuficiente o sistem de supervisão a que a instituição de crédito estiver sujeita. o BP solicitará à autoridade supervisora do País de origem as providências apropriadas – idem. n. De modo a facilitar a supervisão e a fiscalização. pela entidade supervisora do País de origem.º. tomar as providências que entenda convenientes para prevenir ou reprimir novas irregularidades. mas apenas depois de satisfeitas todas as obrigações contraídas no País – artigo 54.º/5. designadamente obstando a que a sucursal inicie novas operações em Portugal” – idem.º/1. n.º/1: temos pois. n. devem respeitar as normas nacionais sobre liquidez. A autorização cabe ao MF – ou ao BP. n. Ocorrendo recurso. O BP exerce a supervisão sobre as sucursais de instituições estrangeiras da União. por delegação – precedendo uma apreciação que recai sobre os elementos referidos no artigo 58.º 1. após informar desse facto a autoridade de supervisão dopaís de origem. o BP pode reagir imediatamente – idem.constem da lista certificada. Se o não fizerem. uma separação de patrimónios.. do RGIC. Tal regra mantém-se mesmo perante a falência e liquidação da instituição estrangeira – idem. O capital em causa – bem como as reservas constituídas e os depósitos e outros recursos aqui obtidos – devem ser aplicados no País – idem. 2 e 3. A autorização pode ser recusada. política monetária e dever de informação. a instituição de crédito responde pelas operações realizadas pela sucursal.

a adopção de providências extraordinárias deve ser precedida da consulta prévia das autoridades de supervisão do país de origem – art. As regras do saneamento financeiro aplicam-se às filiais.adquirir imóveis que não sejam os indispensáveis à sua instalação e funcionamento. 140º do RGIC: quando uma instituição de crédito se encontre impossibilitada de cumprir as suas obrigações ou em risco de o ficar. Tratando-se de filiais comunitárias. o BP pode mediante motivo fundado. . financeiro ou cambial. 139º/2. ● Processo e medidas Temos o importante dever de comunicação do art. apenas dependem de registo prévio no BP – artigo 62. e que especifique o regime da instituição por referência à lei que lhe é aplicável – idem.proteger os interesses dos depositantes. a sua instalação e funcionamento. por outro tanto. os assuntos que respeitem à sua actividade. os gerentes dos escrtórios de representação devem dispor de poderes bastantes para tratar e resolver definitivamente. . o escritório tem três meses para iniciar a actividade. designadamente por . Perante a realidade descrita. porrugar. aqui.realizar directamente operações que se integrem no âmbito de actividade das instituições de crédito. para além das regras do registo comercial. O n. Dado o alcance limitado dos escritórios de representação de instituições estrangeiras.º/1. o Estado. INSTITUIÇÕES ESTRANGEIRAS EM PORTUGAL ● Objectivo e âmbito A eventualidade de falência de um banqueiro coloca sempre um ponto delicado no funcionamento de qualquer sistema financeiro. do RGIC: . apenas lhes sendo permitido – artigo 63.º 2 do citado preceito veda. 151º. Verificada uma situação de desiquilibrio financeiro. . investidores e outros credores. Tais medidas podem ser tomadas pelo BP em relação às instituições com sede em Portugal – idem. adopta medidas especiais destinadas – segundo o art. esse prazo – 62. .limitada.informar sobre realização de operações em que elas se proponham participar. havendo banqueiros em dificuldades.º. Obtido o registo.salvaguardar as condições normais de funcionamento do mercado monetário. especialmente. Ele actua “…. Segundo o artigo 64. aos escritórios de representação: . o órgão de administração ou de fiscalização deve comunicá-lo imediatamente ao BP. aplicação – art. no País. apenas na escrita dependência da instituição de crédito que representa …”.adquirir acções ou partes de capital de quaisquer sociedades nacionais.º/1. 139º/1 do RGIC – a: . O regime geral derivado do CPEF não tem.zelar pelos interesses das instituições que representam.º/2. Tal registo obtém-se mediante apresentação de certificado emitido pelas autoridades de supervisão do País de origem.

154º do RGIC criou. 145º. que introduziu alterações ao RGIC. pode o BP designar administradores provisórios. 141º do RGIC: . . de 30 de Maio de 1994. para poderem receber depósitos. do Parlamento e do Conselho. 143º. a garantia dos depósitos é assegurada pelo país de origem da instituição de crédito.limitação de dividendos. Trata-se de uma Directriz que formalizou a obrigatoriedade de as instituições de crédito. é revogada a autorização. pode o BP determinar as providências extraordinárias referidas no art. Além disso pode o BP designar uma comissão de fiscalização com o âmbito referido no art. 3º/1. Entre outros aspectos. . A providência da designação de administradores suspende todas as execuções contra a instituição e interrompe todos os prazos de prescrição ou de caducidade por ela oponíveis – art. dotada de autonomia administrativa e financeira. Em conjunto com a designação de administradores provisórios. . Perante o risco de cessação de pagamentos. pertencerem a um ou mais sistemas de garntia – art.restrições a certos depósitos. seguindo-se a sua liquidação – art. como pessoa colectiva de Direito público. a idoneidade da administração ou insuficiências graves de organização contabilística ou de controlo interno. o Fundo de . ainda que se trate de fundos captados por vis de sucursais ou em prestações directa de serviços.restrições a certos tipos de actividade. 146º ● Liquidação Quando as providências tomadas não permitem recuperar a instituição. ● O Fundo de Garantia de Depósitos O art. As providências extraordinárias subsistem apenas enquanto se verificar a situação que as haja determinado – art. .sujeição de certas operações ou actos à aprovação prévia do BP. 142º: . GARANTIAS DE DEPÓSITOS ● A garantia de depósitos A garantia de depósitos veio a ser regulada pela Directriz nº 94/19/CE.nos termos desenvolvidos no art. esse diploma consignou o princípio segundo o qual. 144º e com poderes do conselho fiscal. junto do BP. na Comunidade.apresentação de um plano de recuperação e saneamento. o desequilíbrio financeiro agravado. 147º. com os poderes especiais referidos no art. pode o BP adoptar algumas das sete medidas referidas no art. A Directriz nº 94/19/CE veio a ser transposta pelo Dcreto-Lei nº 246/95 de 14 de Setembro. .redução dos fundos próprios a um nível inferior ao mínimo legal ou por inobservância das rationes de solvabilidade ou de liquidez.constituição de provisões especiais. 152º A liquidação é remetida para a “ legislação aplicável”.restrições à concessão de certo crédito ou a determinadas aplicações de fundos.

O objecto do Fundo é garantir o reembolso dos depósitos constituídos nas instituições de crédito aderentes – art. quando os recursos do Fundo se mostrem insuficientes – art. al. b). 165º. As contribuições das participantes podem ser iniciais. rendimentos.Garantia de Depósitos. ● O Sistema de Indeminização aos Investidores Em paralelo com o Fundo de Garantia de Depósitos. considerando equivalente. 159º: contribuições das participações e do BP. no valor fixado por aviso do BP. desde que se mostrem reunidas determinadas condições: . Este sistema visa permitir o ressarcimento dos operadores que actuem sobre determinados valores mobiliários e instrumentos financeiros e que. até ao limite de 25. O reembolso é efectuado. no prazo de três meses a contar da indisponibilidade – art. Esse diploma foi pontualmente alterado pelo Decreto-Lei nº 252/2003 de 17 de Outubro. a designação é feita para três anos. 155º/1 . O Fundo é gerido por uma comissão directiva de três membros: um membro do Conselho de Administração do BP. nº4. do Parlamento e do Conselho. liberalidades e produtos de coimas. 160º/1. de 3 de Março. Os recursos do fundo são aplicados em operações financeiras. em transposição da Directriz nº 97/9/CE. periódicas e especiais: as iniciais são entregues no prazo de 30 dias a contar do registo do início da actividade. as especiais são determinadas por Portaria do MF. pelo Decreto-Lei nº 222/99 de 22 de Junho.sem prejuízo de poder participar em operações destinadas a eliminar situações de desiquilíbrio financeiro em que se encontram instituições suas participantes – art. Ele. 156º/1.Admite o nº2 desse preceito que o Fundo colabore. empréstimos. a) – outro tanto sucedendo com as instituições extracomunitárias. 163º . As instituições de crédito. 158º/1. O Sistema de Indemnização aos investidores é uma pessoa colectiva de direito público dotada de autonomia administrativa e financeira. calculando-se em função dos saldos mensais dos depósitos. O Fundo dispõe dos recursos financeiros referidos no art. pelo BP – idem. 164º e 166º. relativamente aos depósitos captados pelas suas sucursais em Portugal. transitoriamente. segundo o plano acordado com o BP – art. 167º-A. autorizadas a receber depósitos. detenham o maior volume de depósitos garantidos – art. 162º. com sede em Lisboa e funcionando junto da CMVM. 161º. Ficam excluidos da garantia os depósitos referidos no art. em regra. como presidente e dois vogais: um nomeado pelo MF. participante no Sistema. salvo se eles estiverem garantidos por um sistema do país de origem. por caução idónea – art. não possam ver satisfeitos os seus direitos devido à situação financeira da entidade prestadora de serviços de investimento. com sede em Portugal. 167º/1 – cabendo ao BP a fiscalização do sistema. e o terceiro pela associação que represente as instituições de crédito participantes que. renováveis – idem. al. participam obrigatoriamente no Fundo – art.000 euros. podendo ser subtraídos. até 75%. as periódicas são anuais . no seu conjunto. O Fundo garante o reembolso dos depósitos até ao limite de 25. depois.000 euros por depositante – art. garante os créditos dos investidores. no ano anterior. sob proposta do Fundo – art. que aprovou os organismos de investimento colectivo. em medidas de saneamento. o Sistema de Indemnização aos Investidores foi lançado.

202º a 204º. 222º. o BP pode intervir na fase contenciosa – art. 13º. 205º . A prescrição é quinquenal – art. 219º/3 – mas a sua revelia não prejudica o andamento do processo – art. desde que não excluídas no art. perante as entidades envolvidas – art. 200º. Subsidiariamente aplica-se o regime geral dos ilícitos de mera ordenação social – Decreto-Lei nº 433/82 de 27 de Outubro. Concluída a instrução. as instituições de crédito devem adoptar a forma de sociedade anónima. 206º.tratar-se de entidades participantes – art. 221º. 201º e seguintes. 219º. . todos do Decreto-Lei nº 222/99 de 22 de Junho. para que se sane a irregularidade – art. 214º. A tentativa e a negligência são puníveis – art. 213º. Designadamente . O processo pode ser suspenso.estarem em causa créditos cobertos pelo sistema: as operações de investimento referidas no art. A responsabilidade pelo pagamento é solidária. 229º . 6º. 226º.sendo competente o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa – art.procedendo-se a uma particular graduação das sanções – art. O arguido é notificado para se defender – art. O processo e a aplicação das sanções cabem ao BP – art. As instituições de crédito podem ser estruturadas segundo o figurino latino. 9º. com conselho de administração e . ILÍCITOS PENAIS E DE MERA ORDENAÇÃO SOCIAL ● Crime de banca não autorizada O RGIC contém um Título XI relativo a sanções penais e contraordenacionais. . quer em termos espaciais – art.quer pessoais – art. Sanções acessórias surgem prescritas no art. 8º.. 228º . No Capítulo I desse Título prevê-se um ilícito penal a que poderemos chamar “ crime de banca não autorizada” – art. Os ilícitos são tipificados nos arts 210º e 211º: este último refere as infracções especialmente graves. 201º . As competentes normas têm um âmbito largo de aplicação. 212º. 223º. podendo a execução da sanção ser suspensa – art. PESSOAL BANCÁRIO · Os Administradores Nos termos do artigo 14º/1 b) do RGIC. os autos podem ser arquivados ou – havendo matéria de informação – será deduzida acusação – art. 209º. A decisão pode ser judicialmente impugnada – art. 231º. são responsáveis pessoas singulares. A decisão deve conter os elementos do art.tratar-se de investidor que não tenha sido pronunciado por actos de branqueamento de capital – art. pessoas colectivas ainda que irregularmente constituídas e associações sem personalidade jurídica. ● Ilícitos de mera ordenação social Segue-se a matéria dos ilícitos de mera ordenação social – art.

o conselho de administração tem a exclusividade dos poderes de representação da sociedade (405º/2) e a generalidade dos poderes de gestão (artigo 406º). o fenómeno ocorre em quaisquer sociedades (ver 397º do CSC e 85ºe 86º do RGIC – negócios das sociedades com administradores). como leis especiais. de 20 de Agosto. De resto.º 287/93. em termos semelhantes aos dos outros bancos. conselho geral e revisor oficial de contas (278º CSC). pelas Misericórdias e instituições similares. à Caixa. com direcção. · Os trabalhadores Os trabalhadores das instituições de crédito e das sociedades financeiras pautam-se pelo Direito do trabalho privado.transformou a CGD em sociedade anónima. este diploma: . praticamente. para além de algumas regras específicas (como por ex. Assim. no que sejam incompatíveis com ele. com relativa facilidade. cabe recordar a existência de regras bancárias especiais (por ex.determinou. Os arts 85º e 86º do RGIC. essa competência cabe à direcção. nos termos do artigo 431º do CSC. Para além do regime geral. prevalecem sobre o artigo 397º do CSC. Os administradores das instituições de crédito podem. 33º. Capítulo IV – DAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO EM ESPECIAL OS BANCOS ·Generalidades. próprio do direito das sociedades comerciais.conselho fiscal e o germânico. Em Portugal. … CAIXAS ECONÓMICAS (págs 848 e ss. nesse âmbito. no inicio. deriva do DL n. o papel de prestador ter sido assumido. ter interesses com ela conflituantes. CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS O regime vigente no tocante à CGD. cessaram os antigos privilégios e regimes exorbitantes.) CAIXAS DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO ● O crédito agrícola e a sua evolução O mundo rural desde cedo conheceu mutualísticos e. No primeiro caso. Os bancos são instituições de crédito que podem efectuar a generalidade das operações bancárias não vedadas por lei – arts 3º a) e 4º/1 do RGIC. 69º do RGIC). No essencial. . de concessão de crédito. a aplicação do Direito Privado.. artigo 31º. No segundo. nos arts 78º e 86º do RGIC) eles regem-se pelas diversas regras laborais do País. . embora de capital exclusivamente público e na titularidade do Estado.

de excedentes anuais: assegurava-se assim o reforço dos capitais próprios. no sector do crédito agrícola. de 12 de Setembro.º 320/97. de 25 de Novembro. que dispôs sobre o destino das multas: o Fundo de Garantia do Crédito Agrícola Mútuo.000c. . Alargou-se o seu âmbito de intervenção comercial. O regime do crédito agrícola mútuo foi alterado pelo D. reforçado pelo das suas associadas. como um banco universal. À semelhança dos bancos comerciais. Ampliaram-se os poderes da Caixa Central.º 230/95. n. um regime especial. a Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo funciona hoje. Manutenção do Fundo de Garantia. que aproveitaria para melhorar o sistema. assim surge o sistema integrado do crédito agrícola mútuo – arts. 49. as regras do RGIC. Tal foi o desempenho do D. XIX. a Caixa Central tem vindo a participar em múltiplas empresas especializadas na prestação de serviços conexos. Aplicou-se. n. em pontos recomendados pela experiência.L. n. em complementação com os inúmeros balcões das diversas caixas. permitindo. tomaram-se as medidas seguintes: Eliminou-se a proibição de distribuição. 24/91. no tocante a certas regras internas.L. As caixas que adiram ao sistema integrado teriam de apresentar um capital de 10. No essencial a reforma saldou-se no seguinte: As caixas e a Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo passaram a constituir uma organização mais estreita e permanente. veio a ser aprovada pelo D. constituída ao abrigo do art. para as caixas integradas no sistema. em 1987.L. As caixas adquirem maior solidez: passaram a cooperativas de responsabilidade limitada. 62. Com um capital social não inferior a uma quantia fixada pelo MF.º 24/91.000c. as demais. tendencialmente. pelos associados. No essencial. 5000. Este diploma aproveitou. impunha-se uma revisão do Regime aprovado pelo D. As caixas perdem a qualidade de interesse público.º e ss. ● O regime vigente A reforma legislativa anunciada. das teses mutualistas do séc. n. de 11 de Janeiro. Facilitação.º 77/780/CEE.L. permitindo pelo anexo XXXII do Tratado de Adesão de Portugal à CEE. aos membros dos corpos gerentes das caixas. A origem remonta ao pensamento cooperativo alemão. de 11 de Janeiro.As actuais caixas de crédito rural surgiram como produto da aplicação. Cabe ainda fazer referência à Federação Nacional das caixas de Crédito Agrícola Mútuo. Após a publicação do RGIC.º. ao BP aproximá-la dos Bancos.L. para isentar as caixas de certas exigências prescritas na Directriz n. tratada em termos consolidados e de co-responsabilidade.º 201/2002. de 26 de Setembro. Alargamento das operações activas da Caixa Central e das diversas caixas. que veio melhorar os fundos próprios e a distribuição do risco e mais tarde pelo D. de resto.

depois. dos quais o primeiro dá a noção de Sociedade de investimento. verificou-se que havia 16 sociedades de investimento autorizadas. Foi. o financiador adquire o bem pretendido pelo financiado.º 46302. formalmente. Mais tarde. o número de sociedades de investimento tenha caído drasticamente: elas passaram a bancos. As exigências comunitárias levaram as sociedades de investimento ao universo das instituições de crédito.L. porém. foi aprovado o D. de 27 de Novembro de 1957. Implicou uma grande simplificação no regime das sociedades de investimento: o diploma em questão reduz-se a 5 artigos. em locação.. de 27 de Abril de 1965. de resto. enquanto algumas das sociedades de investimento existentes procuravam passar a bancos. como bancos de investimento sem a fonte dos depósitos e com uma capacidade reduzida. depois da liberalização da constituição dos bancos. entregando-lho. SOCIEDADES DE LOCAÇÃO FINANCEIRA ● Origem e evolução Na locação financeira ou leasing. As sociedades de investimento surgiram. o segundo remete para o RGIC e o quinto revoga a legislação anterior.SOCIEDADES DE INVESTIMENTO ● Origem e evolução As sociedades de investimento remontam à previsão do art. ● O regime vigente . incluiu. a ele não teriam acesso. al. ● O regime vigente Aquando da elaboração do RGIC. do RGIC. Na sequência do RGIC. Trata-se de instituições parabancárias. só viriam a obter uma consagração expressa e uma regulação mínima através do D. b). 3. O art. n. de 22 de Outubro. suprimida a antiga categoria das sociedades parabancárias.º. assim.º.C. n. as sociedades de investimento entre as I.L. Estas. Tratava-se de uma forma de abrir o sector bancário a operadores que. Compreende-se que. Findo o contrato. do D. o locatário-financiado decidirá se pretende adquirir o bem por um valor residual ou se prefere o termo completo do contrato. de outro modo.º 260/94. o interesse por este tipo de instituição veio a cair: a constituição ou a aquisição de bancos privados deixava maiores possibilidades. 5.L. por indicação deste. n.º 41 402.

de 15 de Abril. alterou o art. havia duas operações de fundo prévias a enfrentar: A exclusividade perfeita.º. tendo regulamentação somente em 1986. n. Na verdade. SOCIEDADES DE CESSÃO FINANCEIRA ● Origem e evolução A cessão financeira ou factoring tem raízes remotas. em exclusivo.Na preparação do RGIC. só estava aberta a essas sociedades e aos bancos – art. à cessão financeira. 1. As sociedades de locação financeira eram apresentadas como tendo o exclusivo do exercício da actividade de locação financeira – art. em relação às sociedades de locação financeira. 4. com Portugal a representar papel d destaque. Tratava-se de permitir a celebração de contratos de locação financeira por parte das instituições financeiras de crédito. embora possam contratá-los por terceiros. como ocorre no leasing. 1. respectivamente.º. tãopouco se colocavam problemas de raiz fiscal.º. de resto. Contudo.º. 285/2001.L. Em 2005 apenas 4 destas sociedades estavam registadas no BP. que advêm da antiguidade oriental. Foi revogado o art. a repartição entre sociedades de locação mobiliária ou imobiliária. As sociedades de factoring dedicavam-se. pois não diferia muito do tratamento da banca. 4. questões muito complexas. O D.º. à partida. a prática de operações cambiais necessárias e a constituição de consórcios. 5.L. a primeira referência legislativa em Portugal dá-se apenas em 1965.º. Os recursos das sociedades de locação financeira estão consignados no art. de 21 de Agosto. não se defrontam. 3. n. concepções diversas.º 72/95. ponderou-se que não havia razões para conservar. De tudo o modo. o factoring moderno surgiu na expansão atlântica. permitindo os arts.º e revogou o art. Só elas – art. ● O regime vigente A reforma das sociedades de factoring não parecia suscitar. esta. desaparecendo a divisão entre locação financeira mobiliária e imobiliária. abaixo examinadas.A. de modo a suprimir a referência a «exclusivo». através do D. O novo esquema operou uma grande simplificação no regime aplicável às sociedades de locação financeira. facultando-lhes o «passaporte comunitário».L.º e 7. 8. como sucede com as SFAC. O art. neste campo.º 186/2002. Todos estarão de acordo em que a actividade de factoring fique vedada a .º1. proíbe às sociedades de locação financeira a prestação de serviços complementares dessa actividade (renting). aditado pelo D. 6. A reforma das sociedades de locação financeira ocorreu já em execução do RGIC. n. 1.º .º. NO entanto. De todo o Modo o RGIC limitou-se a incluir as sociedades de locação financeira entre as instituições de crédito: trata-se dum alargamento artificial.se podem designar «sociedades de locação financeira» ou «leasing».

Neste sentido o D. emissão de obrigações e «papel comercial».º 206/95.L. bancos e outras instituições de crédito autorizadas. A exclusividade seria perfeita se a actividade do factoring estivesse completamente vedada a todas as entidades que não às próprias sociedades de factoring. construção. art. de 18 de Julho. art.º. Este fenómeno passou então a merecer regulação jurídica. passado desenvolvera as aquisições a crédito. al.a suprimentos e operações de tesouraria intragrupos. . SOCIEDADES FINANCEIRAS PARA AQUISIÇÕES A CRÉDITO ● Origem e evolução SFAC derivaram de necessidades da própria vida económica. ● O regime vigente O RGIC veio consagrar as SFAC. Os recursos dessas sociedades são limitadas: . veio reformular as sociedades de cessão financeira. A generalização das regras do RGIC. AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS DE CRÉDITO .instituições que apresentem menos garantias e menor envergadura que as sociedades de factoring.Terminologia: defesa da língua portuguesa e por isso propõe-se a locução «cessão financeira». . de 21 de Agosto.º .veda a pratica de financiamento da aquisição. 4 – delimita estas operações a SFAC.às emissões de obrigações e de «papel comercial».º) e referiu-se a terminologia (cessão financeira). veio reformular este artigo e abrir o factoring às instituições financeiras de crédito.º . de modo expresso. n. A reforma levada a cabo no D. 1. recuperação ou ampliação de imóveis e da aquisição de valores mobiliários. quanto a instituições como os bancos. e o D.operações permitidas. 4. Quid Iuris. No que toca à exclusividade. o art.L. n.Regulamentação específica do contrato de factoring.L. Ora a legislação comunitária permite o factoring aos bancos. 3. Art. . art. financiamento de outras instituições de crédito.definição. 186/2002. suprimentos e operações de tesouraria intragrupos. 2. 7. 3.º 171/95. h). porém.a financiamento de outras instituições de crédito. Em 2005 havia três sociedades de cessão financeira. A expansão económica dos anos 60 e 70 do séc.º reserva a cessão financeira para as sociedades de factoring e para os bancos. de 14 de Agosto simplificou grandemente o esquema em vigor. art. Tem alguns preceitos sobre o próprio contrato de factoring (arts.º . embora existam questões técnicas que não foram abordas pelo RGIC: .º e 8. 5 – fundos disponíveis: fundos próprios. como instituições de crédito – art. Em princípio deve reger o RGIC.

·A reforma de 2002 As instituições financeiras de crédito correspondem a um tipo de instituição de crédito criado pelo DL 186/2002 de 21 de Agosto. Pretendeu-se criar um tipo de instituições de crédito que pudesse, por si, realizar as operações antes reservadas às sociedades de locação financeira, de cessão financeira e financeiras para aquisições a crédito. O DL 186/2002 fez apelo à então alínea k) (hoje l) ) do art. 3.º do RGIC que previa a criação de outros tipos de instituições de crédito pelo legislador. Todavia o DL 201/2002 de 26 de Setembro entendeu inserir as instituições financeiras de crédito, explicitamente, na enumeração do referido art. 3.º/d). ·Objecto e regime: perspectivas As instituições financeiras de crédito, ou IFIC, têm por objecto a prática de operações permitidas aos bancos com excepção da recepção de depósitos (art. 1.º do DL186/2002). Na prática trata-se de permitir a celebração por uma mesma entidade, que não um banco, de locações financeiras, de cessões financeiras e de financiamento de aquisições a crédito. As IFIC dão corpo a uma nova fase de concentração de instituições de crédito. No tocante ao regime o art. 2.º do DL 186/2002 limita-se a remeter para o RGIC e legislação complementar. É suficiente. Elas devem incluir na sua firma a expressão “instituição financeira de crédito”: e apenas elas o podem fazer num afloramento do princípio da verdade da firma. O DL 186/2002 revogou os arts 4.º e 4.º/1, respectivamente do DL 72/95 de 15 de Abril e do DL 171/95 de 18 de Julho de modo a permitir às IFIC o acesso à locação e à cessão financeiras. AS SOCIEDADES DE GARANTIA MÚTUA

·Objectivo e noção geral As sociedades de garantia mútua foram introduzidas pelo DL 211/98 de 16 de Julho, depois alterado pelo DL 19/2001 de 30 de Janeiro. Trata-se de sociedades financeiras destinadas a facilitar o financiamento de pequenas e médias empresas e de microempresas tanto junto do sistema financeiro, em geral, como do mercado de capitais. A noção geral das sociedades de garantia mútua ou SGM resulta do art. 1.º do DL 211/98 na redacção dada pelo DL 19/2001. (pág. 903) ·Regime O DL 211/98 abarca 19 arts. O seu objecto abrange (art. 2.º): ¾ concessão de garantias a accionistas beneficiários; ¾ promoção, a favor deles, da obtenção de recursos financeiros; ¾ participação na colocação de acções, obrigações ou outros valores mobiliários; ¾ serviço de consultoria aos accionistas beneficiários. Pressupõe-se, além dos outros, accionistas beneficiários (art. 3.º) os quais

para obter as garantias devem realizar 1º, integralmente, determinada participação (art. 10.º/1). A solidez das SGM é assegurada por um Fundo de Garantia Mútuo devidamente dotado e gerido (arts 17.º e 18.º). AS INSTITUIÇÕES DE MOEDA ELECTRÓNICA ·A Directriz 2000/46 de 18 de Setembro O desenvolvimento tecnológico, designadamente no domínio da electrónica, permite a moeda electrónica, isto é, a representação monetária que, em vez de peças de moeda ou de bilhetes de banco, se analisa simplesmente em impulsos magnéticos, ópticos ou outros armazenados num “cartão inteligente” ou num computador. Depois, designadamente através da prática de outsourcing, a questão técnica dos respectivos meios foi entregue a entidades especializadas. Nesta linha surgiu a Directriz 2000/46/CE do Parlamento Europeu e do Conselho relativa ao acesso à actividade das instituições de moeda electrónica e ao seu exercício bem como à sua supervisão prudencial. Neste regime avultam: ¾ a defesa dos utentes: podem pedir o reembolso (art. 3.º), isto é, o equivalente em moedas ou notas de banco ao registo electrónico; ¾ a protecção do sistema: as instituições devem ter capital e fundos próprios condignos (art. 4.º), devem fazer investimentos sólidos (art. 5.º), mantendo uma gestão sã e prudente (art. 7.º); ¾ a supervisão pelas autoridades competentes (art. 6.º). A Directriz deveria ser transposta até 27 de Abril de 2002. ·O DL 42/2002 de 2 de Março Trata-se do DL que transpôs a Directriz 2000/46 criando as instituições de moeda electrónica. Estas são definidas no art. 2.º/1 do referido DL. Além do objecto indicado na sua noção apenas podem exercer as funções previstas no art. 2.º/2. Às instituições de moeda electrónica aplica-se, em princípio, o RGIC (art. 3.º) sendo de notar uma alargada noção de moeda electrónica e o seu regime (art. 4.º), com relevo para o direito ao reembolso (arts. 3.º/3 e segs). Podem emitir moeda electrónica, além destas instituições, as entidades referidas no art. 5.º/1. O Banco de Portugal pode autorizar outras instituições de crédito idóneas a fazê-lo (art. 5.º/2). As participações noutras sociedades estão limitadas àquelas que exerçam funções operacionais ou acessórias associadas (art. 6.º). Podem realizar operações cambiais (art. 7.º). O capital social é fixado na termos do art. 8.º. Estas instituições devem ter ainda fundos próprios fixados nos termos do art. 9.º. As aplicações, em execução da Directriz comunitária, estão regulamentadas no art. 10.º, podendo recorrer a certos instrumentos derivados para cobertura dos riscos do mercado, nos termos do art. 11.º. O DL 201/2002 de 26 de Setembro introduziu as instituições de moeda electrónica no RGIC: no art. 2.º/2 e ainda no art. 3.º/ alínea j). Não existe nenhuma registada em Portugal.

Capítulo V - DAS SOCIEDADES FINANCEIRAS ASPECTOS GERAIS ·Origem e evolução Historicamente elas têm uma origem híbrida: algumas delas eram antigas “instituições auxiliares de crédito” enquanto outras pertenciam à também extinta categoria das “instituições parabancárias”. No essencial o RGIC reorganizou a matéria: ¾ pôs cobro à tripartição entre instituições de crédito, instituições parabancárias e instituições auxiliares de crédito substituindo-as pela bipartição entre instituições de crédito e sociedades financeiras; ¾ dividiu as antigas instituições parabancárias: 4 delas – as sociedades de investimento. As de locação financeira, de cessão financeira e as financeiras para aquisição a crédito – passaram a instituições de crédito, enquanto as restantes, em conjunto com o que resultou das instituições auxiliares de crédito, veio a compor a nova categoria das sociedades financeiras. Fixados esses quadros o RGIC pôde regular, em moldes genéricos, as sociedades financeiras. ·Determinação e regime geral Na determinação das sociedades financeiras o RGIC usou um triplo critério. Trata-se, segundo os arts 5.º e 6.º: ¾ de “empresas” cuja actividade principal consista em exercer uma ou mais das actividades referidas no art. 4.º/1, b) a i); ¾ que não sejam instituições de crédito; ¾ e que, como sociedades financeiras, sejam qualificadas por lei. O art. 6.º/1 do RGIC enumera as empresas financeiras e admite que outras leis possam completar a lista. O nº 2 desse preceito acrescenta ainda a FINANGESTE. Por seu turno, o art. 174.º/1 do RGIC, fixando os requisitos gerais das sociedades financeiras articula os seguintes: ¾ corresponder a um dos tipos previstos na lei; ¾ ter por objecto alguma ou algumas das actividades referidas no art. 5.º (que remete para o art. 4.º); ¾ ter capital social não inferior ao legal. Perante estes dispositivos temos aqui uma consumpção de normas: no fundo bastará que a sociedade, legitimamente entenda-se, preencha um dos tipos de sociedades financeiras. Trata-se dum requisito formalmente suficiente; os outros constituem, porém, auxiliares de interpretação. Em relação à sua constituição e regime da autorização do Banco de Portugal (arts. 175.º a 183.º). Finalmente num capítulo que intitula “outras disposições o RGIC determina a aplicação, às sociedades financeiras, de múltiplos preceitos relativos às instituições de crédito. Assim sucede no preceituado pelos arts 194.º, 195.º, 196.º e 198.º. Em tudo o resto há remissão para eventual legislação especial (art. 199.º). O RGIC regula com algum desenvolvimento a actividade, no estrangeiro, de sociedades financeiras com sede em Portugal (arts 184.º e segs)., tendo

salvo para instalações (art. ·Sociedades mediadoras dos mercados monetário ou de câmbios O regime das sociedades mediadoras dos mercados monetário ou de câmbios está hoje regulado pelo DL 110/94 de 28 de Abril.º).º/1).º/1/d) do RGIC mantém uma referência às sociedades gestoras de fundos de investimento. Deve sublinhar-se que estas entidades estão entre os universos da banca e dos valores mobiliários.º). O seu objecto (arts. A reforma pretendeu. 5. proibir-lhes determinados actos (art. conforme as áreas. conceder crédito ou adquirir valores mobiliários (art. A matéria está hoje tratada pelo DL 252/2003 de 17 de Outubro que fixa o regime jurídico dos organismos de investimento colectivo (antigos fundos de investimento mobiliário) e pelo DL 60/2002 de 20 de Março muito alterado pelo DL 13/2005 de 7 de Janeiro. sociedades financeiras (art. Este DL limita-se a especificar alguns deveres das sociedades mediadoras (art. 2.º/1/a) e b) ).especial relevo os 184.º e 188.º). DAS SOCIEDADES FINANCEIRAS EM ESPECIAL ·Sociedades corretoras e sociedades financeiras de corretagem As sociedades corretoras e as sociedades financeiras de corretagem são consideradas. prestar garantias a terceiros ou adquirir imóveis. Resta acrescentar que. 5. no RGIC vigente.º/2). que versa os fundos de investimento imobiliário. Hoje elas regem-se pelo DL 262/2001 de 28 de Setembro. 6. o número de sociedades corretoras tem vindo a diminuir. estando elas sujeitas às supervisões do BP e da CMVM (art.º) é definido por remissão para o CVM sendo-lhes vedados: ¾ às sociedades corretoras e às financeiras de corretagem.º. 5. · Sociedades gestoras de fundos de investimento (organismos de investimento colectivo) O art.º). mercê do fenómeno de concentração. Este diploma pretendeu transpor as Directrizes 2001/107 e 2001/108 ambas de 21 de Janeiro que vieram alterar a Directriz 85/611 de 20 de Dezembro. membros de órgãos sociais e empregados (art. 3.º). Por isso aplica-se-lhes o RGIC e o CVM.º/1. As sociedades mediadoras têm um objecto exclusivo definido no art. 2. Ambos os diplomas tratam das respectivas sociedades gestoras.º/1 do DL110/94.º). 1. 4. no essencial: ¾ apurar um esquema que permita conferir o “passaporte comunitário” às sociedades gestoras. ¾ às sociedades corretoras. A revisão dos fundos de investimento mobiliário foi levada a cabo pelo DL 252/2003. 185. 1. estas foram ainda dotadas de maior versatilidade . 6. Tudo o mais é remetido para o RGIC (art.º e 3. bem como aos sócios. pelo RGIC e pelo CVM (art. como sociedades financeiras. que procedeu a sua republicação. 8.

º-A/4 e 199. No tocante ao passaporte comunitário foram introduzidas ao Título X-A do RGIC de modo a aproximar os fundos de investimento mobiliário das empresas de investimento. 9.definindo-se aspectos de outsourcing. O DL 17/97 de 21 de Janeiro introduziu uma alteração no sentido de facilitar o seu acesso ao mercado de derivados enquanto o DL 99/98 de 21 de Abril revogou o seu art. ¾ melhorou-se a informação através da figura do “prospecto simplificado”.º. 1.º. Foram ainda aprovadas normas relativas às condições gerais e aos poderes do BP (arts. O essencial da regulamentação das sociedades gestoras de patrimónios é de modo expresso remetido para o RGIC. 1.º). O legislador viu nelas um meio para desenvolver as regiões mais deprimidas e para captar poupanças de emigrantes. Seguiram-se algumas alterações introduzidas pelo próprio DL 252/2003. com um âmbito territorial .º). 2. · Sociedades de desenvolvimento regional A Lei 46/77 de 8 de Julho na sua redacção primitiva vedava a actividade bancária à iniciativa privada. · Sociedades emitentes ou gestoras de cartões de crédito A 1ª regulação atinente a cartões de crédito foi introduzida pela Portaria 644/70 de 16 de Dezembro. O regime dos fundos de investimento mobiliário foram regulados. no essencial. é remetida para a CMVM (art. 59. Na linha geral do diploma também aqui a supervisão é. de novo.º). A supervisão. no essencial. · Sociedades gestoras de patrimónios As sociedades gestoras de patrimónios haviam visto o seu regime aprovado pelo DL 229-E/88 de 4 de Julho. Enumerando as sociedades financeiras o RGIC referiu no seu art. para a órbita da CMVM.º do DL 163/94. Estas vieram a ser definidas pelo DL 166/95 de 15 de Julho como as que têm por objecto exclusivo essa emissão ou essa gestão (art. 3. pelo DL 60/2002 de 20 de Março. 1. no essencial. 82. remetida para a CMVM (art.º). O outsourcing foi tratado e aprofundou-se a contraposição entre fundos abertos e fechados. 6. A emissão fica reservada às entidades referidas no art. Estas só vieram a ser regulamentadas pelo DL 499/80 de 20 de Outubro. em especial: art. A matéria passou.º/1/e) as sociedades emitentes ou gestoras de cartões de crédito.º-B. Todavia o art. 199. A ateria foi fortemente revista pelo DL 13/2005 sob o signo da simplificação.º/2 permitia as sociedades de desenvolvimento regional. Uma regulamentação mais completa adveio da Portaria 360/73. O objecto das sociedades gestoras de patrimónios consta com clareza do art. 3. ¾ a actividade das sociedades gestoras foi flexibilizada. Assim as sociedades de desenvolvimento regional ou SDR foram definidas como “instituições especiais de crédito” (art. A sua regulamentação foi revista pelo DL 163/94 de 4 de Julho em obediência à nova realidade normativa resultante do RGIC.º).º e 4.

num esquema pelo qual diversas pessoas. A ideia seria de as usar para administrar fundos públicos de proveniência comunitária. entre todos os participantes de tal modo que todos vão obtendo sem encargos financeiros e.º. O DL 499/80 foi alterado pelo DL 300/85 de 29 de Julho recebendo alguns aperfeiçoamentos. 1. passaram a sociedades financeiras (art. Publicado o RGIC as SDR. em traços largos. No decurso dos anos 80 o sistema de compras em grupo conheceu um surto. 13. por idêntico período. 9. que nunca foram muito procuradas.º/1/g) ). vão pagando prestações relativas à compra de um bem. mesmo sem regulamentação. Esta apenas surgiu através do DL 393/87 de 31 de Dezembro que regulou as sociedades administradoras de compras em grupo ou SACEG.º). Nessa ocasião o seu regime foi simplificado suprimindo-se a diferença entre sociedades de capital de risco e de fomento empresarial. devidamente agrupadas.º). As SDR eram. Apenas haverá que contar com encargos administrativos e com o risco do incumprimento de algum ou alguns dos participantes. constituídos por autarquias ou obter financiamentos de instituições de crédito (art. Os 4 primeiros arts tinham a ver com alguns aspectos gerais: o âmbito do diploma. O DL 25/91 foi alterado em consonância com o novo quadro pelo DL 247/94 de 7 de Outubro. Resultou daí uma simplificação do seu regime específico.º) e dependentes de autorização nos termos do art. 9. elas deixaram de ser sociedades financeiras: passaram para o campo da CMVM e do Direito mobiliário. 19. Surgiu uma nova regulamentação através do DL 237/91 de 2 de Julho sobre as entidades que procedem à respectiva administração revogando-se o DL 393/87. antecipadamente o bem em causa. periodicamente. instituições de crédito particularmente limitadas mercê dos pruridos legais e constitucionais contrários à iniciativa privada bancária. por vezes. Ultrapassado esse estádio as SDR. em nova qualificação.º). que revogou mesmo a alínea h) do RGIC. definição por portaria do objecto e do prazo dos contratos e princípios fundamentais do sistema. Quanto a operações passivas elas podiam emitir obrigações.delimitado (art. receber depósitos em moeda estrangeira por prazo não inferior a 1 ano constituídos por emigrantes ou em moeda nacional. . Elas foram reformuladas pelo DL 25/91 de 11 de Janeiro. 6. noções fundamentais. entretanto um bem do tipo pretendido vai sendo sorteado ou licitado. ·Sociedades de capital de risco As sociedades de capital de risco são hoje reguladas pelo DL 319/2002 de 28 de Dezembro alterado pelo DL 151/2004 de 29 de Junho.º). perderam perspectivas. Em consonância as SDR perderam a capacidade de receber depósitos (art. De acordo com aquele 1º diploma. Elas poderiam conceder crédito a médio e longo prazo e participar no capital doutras sociedades (art. Este diploma retirou-lhes o qualificativo de instituições especiais de crédito passando-as a sociedades parabancárias (art. 7. · Sociedades administradoras de compras em grupo O sistema das compras em grupo consiste. no fundo.

EMPRESAS DE INVESTIMENTO NOÇÃO E REGIME ·Serviços de investimento e empresas de investimento A matéria atinente a serviços e a empresas de investimento consta do título X-A do RGIC (arts. 1. A FINANGESTE foi criada pelo art. em 3 arts.º-A/3. O DL 252/2003 de 17 de Outubro alargou a matéria de modo a inserir os fundos de investimento mobiliário: uma forma de lhes poder conferir o “passaporte comunitário”. com personalidade jurídica. SA.º/2 do DL 10 /78 definia a FINANGESTE como uma instituição parabancária constituída sob a forma de empresa pública. 199. Empresa Financeira de Gestão e Desenvolvimento.º-A a 199. Foi introduzida pelo DL 232/96 de 5 de Dezembro. fixado no art. Elas devem estar sujeitas aos requisitos de fundos próprios. 198. O seu capital social seria subscrito pelo BP e por outras instituições do sector público. · FINANGESTE.º. na época. neste ponto em transposição da Directriz 93/22/CEE de 10 de Maio. autonomia administrativa e financeira e património próprio. 6. 199. O art. a sua forma e denominação e a obrigação de negociar em escudos.Ver DL 237/91 (pag 536 da colectânea). · Agências de câmbios As agências de câmbios pautam-se pelo DL 3/94 de 11 de Janeiro. O objecto desta SA vem fixado no art. A Directriz europeia corresponde a uma dupla ordem de preocupações: por uma lado ela traduz uma extensão nos modernos conceitos de poupança e de banca progressivamente alargados às áreas do Direito mobiliário.º um nº 4. Trata-se de 1 diploma que. Também o DL 53/2001 de 15 de Fevereiro veio aditar ao art. 1. 6. era exclusivamente a realização de operações de compra e venda de notas e moedas estrangeiras ou de cheques de viagem.º do DL 250/82. versa o seu objecto. O objecto das agências de câmbios. Capítulo VI . SA O art. 2.º-A define serviços de investimento (nº 1 e 2). de concretizar a extinção do Banco Intercontinental Português. O DL 250/82 de 26 de Julho veio extinguir a FINANGESTE como empresa pública criando em sua substituição uma sociedade anónima com a mesma designação. 6. previstos na Directriz 93/22/CEE com determinada delimitação negativa. por outro ela emerge da consciência da integração dos sectores bancário e mobiliário com relações crescentes de contágio entre eles. Tratava-se. As empresas de investimentos são definidas no art. O art. .º/2 do RGIC refere a FINANGESTE. como sociedade financeira.º/1 do DL 10/78 de 19 de Janeiro.º-H). Este objecto foi alargado pelo DL 298/95 de 18 de Novembro.

º 43341. 199.º-E. 199. em geral. com as particularidades do art. [3] STJ 17-Jan-1989.º-B/1) e ainda pelas regras que lhe sejam especialmente dirigidas. [4] Cabe fazer referência a quarto conceitos que nos são apresentados no manual. Uma vez autorizadas elas dispõem de passaporte comunitário: podem desenvolver actividade noutros países da União (art. BMJ 383 (1989). · Conta-corrente bancária: surge como um elemento típico do contrato de abertura de conta. ainda que não implique a nulidade dos actos prevaricadores. de 21 de Novembro de 1960. cujas regras só caso a caso e após verificação. de 22 de Novembro de 1960.º-D).º 43337. [2] Portugal aderiu ao BIRD através do DL n. ditadas por cláusulas contratuais gerais. Paralelamente podem actuar em Portugal empresas de investimento com sede noutros países da União. A autorização de empresas de investimento com sede em Portugal deve observar o previsto no art. 199. pode dar azo a responsabildiade civil. O que bem se compreende atentando no desempenho destas entidades. podem ser transpostas para o campo bancário. 200-204 (203): a violação de circulares do BP. [1] Portugal aderiu ao FMI através do DL n. o conceito sobrepõe-se ao do contrato de depósito. o conceito sobrepõe-se à contra-corrente comercial. . Ela parece corresponder à moderna tendência para o alargamento do universo bancário e à crescente integração entre banca e valores mobiliários. pelas disposições aplicáveis às sociedades financeiras (art.·Regime As empresas financeiras regem-se. 199. levando o intérprete desprevenido a pensar que existe um contrato ad hoc de depósito bancário.º-C. Em toda a temática das empresas financeiras avulta o papel da CMVM. · Depósito bancário: trata-se de um acto de execução de um contrato previamente celebrado: a abaertura de conta. com regras específicas.

quando apenas traduziria um regime contratual e não a aplicação da massa de regras sobre solidariedade. o conceito sobrepõe-se ao penhor bancário (de coisa). por certa dívida. sem cuidadosa verificação prévia .· Penhor de conta bancária: trata-se de uma garantia específica que implica um conta bancária com um saldo bloqueado. o seu titular responde. com relevo para a inaplicabilidade da proibição de pactos comissórios. o conceito sobrepõe-se à solidariedade das obrigações. · Depósito solidário: trata-se de uma abertura de conta em que se acordou poderem os movimentos e outras operações ser particados por apenas um dos contitulares. quando segue regras específicas. até à concorrência do saldo.

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