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Revista Bipolar 37

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REVISTA BIPOLAR

editorial

SÍNTESE DO ESTATUTO EDITORIAL
Editoriais temáticos; Publicação de documentos técnicos e científicos sobre as doenças mentais em geral, e em especial sobre a doença Unipolar e Bipolar; Informação pedagógica de modo a contribuir para a Reabilitação, Educação e Prevenção daqueles que sofrem da doença Unipolar e Bipolar; Entrevistas, artigos de opinião e documentários; Divulgação e testemunhos de pacientes e familiares; Relatório das actividades sociais desenvolvidas pela ADEB; Espaço para divulgação das potencialidades dos associados no campo cultural, recreativo e social;

Editorial
A Constituição da República Portuguesa aprovada em 1976, através do artigo n.º 68, dita que todos os cidadãos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover. Assim, a Portaria n.º 431/76, de 20 de Julho, mais conhecida como “Despacho Arnault”, proporcionou o acesso aos postos de Previdência Social a todos os cidadãos, independentemente da sua capacidade contributiva. Nesta sequência, a Lei n.º 56/79, de 15 de Setembro, cria o Serviço Nacional de Saúde, tendo em vista assegurar o direito à protecção da saúde nos termos da Constituição, assim como garantir o direito a todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica e social, bem como aos estrangeiros, em regime de reciprocidade apátridas e refugiados políticos. Cumpre salientar a importância que o Serviço Nacional de Saúde tem vindo a ter, nos últimos trinta anos, nos cuidados de saúde de toda a população e o papel relevante que os profissionais de saúde têm na sua implementação a nível nacional. De facto, o sector da saúde, ao longo das três últimas décadas, tem sido alvo de reformas com objectivo de permitir aos portugueses mais e melhor saúde. Assim, na sequência da publicação do Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016, aprovada pela Resolução de Conselho de Ministros n.º 49/2008, de 6 de Março, o Governo aprovou a Decreto-Lei nº 8/2010, de 28 de Janeiro, prevendo “a criação de novas respostas de cuidados integrados de saúde mental, em articulação com a segurança social, em função dos diferentes níveis de autonomia das pessoas com doença mental”.

ESCREVA E DIVULGUE A REVISTA BIPOLAR

As temáticas publicadas nesta revista sobre a Intervenção dos Médicos de Família no diagnóstico das perturbações do humor, tem como objectivo destacar e reconhecer o papel fundamental no diagnóstico primário, tratamento prevenção das pessoas com doença mental.

Serviço Nacional de Saúde: Um direito de todos.
Delfim Augusto de Oliveira
Presidente da Direcção Nacional da ADEB

Índice
O Desejo Desejo de Sempre Ser e Desejar Era uma vez uma menina que nasceu com o desejo de Crescer Desejo em flor O Desejo toca sempre várias vezes “Accumbens”: Humor, desejo e prazer Mães com perturbação bipolar e comportamento parental Gestão da Mudança - Ciclo Vital e Doença Afectiva A perturbação no humor e o desejo Perturbação Bipolar - Uma breve perspectiva Histórica A ADEB em números - Primeiro Semestre de 2009 Amizade Poesia Livros Breves

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ADEB

de Pânico.tema de capa REVISTA BIPOLAR A Clínica Geral e a Depressão Na consulta ao Médico de família. muitas vezes patológica. vários estudos apontam para uma prevalência de perturbações psiquiátricas superior a 25%. o mundo. seja encaminhado para a Psiquiatria. médicos incluídos. as Fobias. presentes na Clínica Geral. do livre arbítrio e da capacidade de questionar as coisas. a Pert. ao longo da sua vida. A depressão apresenta-se geralmente com os sintomas seguintes: Tristeza e/ou falta de prazer em actividades anteriormente prazerozas. nos serviços públicos. incluindo a Doença Bipolar. Sensação de fadiga e mesmo apatia. O maior obstáculo à assistência a pessoas com perturbações psiquiátricas tem sido. a Pert. Tal. muito comum. Nessa medida pode-se dizer que a maioria das pessoas sentem ao longo da sua vida alguma ciclotimia. experimentará. de Stress Pós-Traumático. faz parte da condição humana. incluindo a Perturbação de Ansidade Generalizada. As perturbações psiquiátricas mais frequentes na clínica geral são. da consciência de nós próprios e de uma visão auto-crítica da nossa própria existência. aliás. Alterações do apetite. Pensa-se que apenas um caso psiquiátrico em 20. Sentimentos de desespero e de abandono. A depressão é uma situação. as condições de trabalho e a exiguidade de tempo dispendido com cada paciente. uma situação de depressão. as Pert. Perturbações Depressivas. Alterações do sono. Obsessivo-Compulsiva e as Reacções ao Stress incluído a Pert. na sua grande maioria: Perturbações da Ansiedade. Dissociativas e/ou Conversivas. 3 ADEB . O papel mais importante dos Médicos de Clínica Geral advém da sua grande capacidade e habilidade de "acolher" o sofrimento mental. A grande maioria das pessoas. Estudos epidemiológicos levam à conclusão de que o Clínico Geral (ou o Médico de família) é o profissional que mais intervém (não apenas numa 1ª linha) no acompanhamento e tratamento de pessoas com perturbações psiquiátricas.

num comprometimento da capacidade de lidar com os problemas da mesma forma a que estava habituada. A depressão pode realmente estar relacionada com doença física de várias maneiras: A depressão pode ser consequência de uma doença física. De facto. é hoje inquestionável a pertinência de uma assistência pluridisciplinar. A depressão pode apresentar-se na Clínica Geral através de uma manifestação orgânica. por exemplo. como. António Sampaio Médico Psiquiatra Membro do Conselho Científico e Pedagógico da ADEB 4 ADEB .REVISTA BIPOLAR tema de capa A Clínica Geral e a Depressão Muitas vezes a depressão pode ser considerada patológica e assim necessitar de tratamento. O envolvimento da equipa clínica do Centro de Saúde na abordagem e acompanhamento do doente depressivo poderá mesmo ser. (Continuação) Evidentemente. apresenta ao seu Médico uma série de preocupações hipocondríacas. em vez da pessoa se queixar de tristeza. que a probabilidade de existirem manifestações psicopatológicas decorrentes de real doença orgânica é mais provável nas: doenças neurológicos. o tratamento farmacológico é fundamental. Também aqui o envolvimento de toda a equipa e de elementos da família do paciente é da maior importância pois permite um acompanhamento mais contínuo da terapêutica farmacológica permitindo uma maior adesão e um esclarecimento atempado dos possíveis efeitos secundários dos fármacos. Uma boa articulação da equipa médica com o(a) Enfermeiro(a) pode aumentar o apoio real à pessoa com depressão. através de dores locais ou generalizadas. Tal acontece quando a intensidade ou a duração da sintomatologia depressiva levam a uma diminuição no funcionamento da pessoa. Acresce que muitas vezes. mais desenvolvida e sistematizada. Assim. é muitas vezes com o(a) Enfermeiro(a) que o doente "desabafa" fora da consulta. Muitas vezes é possível a criação de "grupos de apoio" em que sessões regulares com as pessoas com depressão. Importa dizer que nas depressões mais graves. Tais sessões são geralmente terapêuticas e reforçam elos sociais. cardiopatias. daqueles resultantes de uma doença física concomitante. incluindo a depressão com ideias deliroides. Importa contudo ter em conta que muitas vezes o quadro depressivo se encontra "mascarado" por manifestações somáticas que vão desde crises "asmatiformes" a perturbações digestivas e dermatológicas. mental e somático. Nesse sentido. no entanto. é muitas vezes útil o envolvimento da Enfermagem do Centro de Saúde no sistema de apoio ao doente com depressão. Podemos dizer. um estado depressivo decorrente de uma patologia grave e/ou incapacitante. tantas vezes frágeis nas urbes. em algumas situações. É contudo de realçar o papel "centralizador" do Médico de família porquanto é neste que o doente deposita de forma "inteira" a sua confiança para alcançar um equilíbrio e um bem estar compatível com uma vida saudável. Entre nós. quando adoece. Um problema que se põe com frequência ao Médico é distinguir. na maioria das vezes. São cada vez mais frequentes as evidências das reais implicações somáticas que acompanham a depressão. a "depressão da involução" e as perturbações depressivas unipolar grave e bipolar. com vantagens nítidas. o(a) Enfermeiro(a) e mesmo elementos da família do paciente. por exemplo. como. doença oncológica e incapacidade física e artrites. é muitas vezes suficiente para mudar o quadro clínico depressivo. Uma boa articulação entre o especialista em Clínica Geral e o especialista em Psiquiatria torna-se fundamental. doenças pulmonares crônicas. Com efeito. Pode existir co-morbilidade entre a depressão e a doença de origem somática. que as situações de depressão mais graves e/ou resistentes ao tratamento devem ser encaminhados para a consulta de Psiquiatria. é consensual que a pessoa com depressão. os sintomas somáticos resultantes de uma depressão. desencadeia um adoecer global. inibição ou fadiga. a oportunidade que o Médico dá à pessoa com depressão de exprimir os seus sentimentos e a capacidade de estabelecer com esta uma relação empática que manifeste compreensão e ao mesmo tempo seja tranquilizante.

medidas de suporte ou internamento. Doença somática crónica. Baixa condição socio-económica. Sexo feminino. em grande parte. no tratamento da Depressão Regras básicas Avaliar a gravidade da depressão (ligeira/moderada/grave/psicótica) porque determinará. Avaliar a capacidade funcional. 5 ADEB . O risco suicida aumenta com a gravidade depressiva e a ideação e tentativas de suicídio são comuns. A utilização conjunta de medicação antidepressiva e psicoterapia é frequente e revela maior eficácia terapêutica. Desemprego de longa duração. A depressão grave geralmente inicia-se após um acontecimento vital negativo (divórcio. Factores de personalidade predisponentes. sendo frequentemente um factor de stress psicológico o factor desencadeante. Período pós-parto. Risco Episódio anterior de depressão. Adultícia e meia-idade. Avaliar o risco de suicídio e a necessidade de seguimento em regime ambulatório ou de internamento. Prevalência e história natural da doença A perturbação depressiva é uma doença comum com uma prevalência de 4-5% nos estudos populacionais e ao longo da vida de 15%.tema de capa REVISTA BIPOLAR Norma de Orientação Clínica para médicos de clínica geral. Factores de História familiar de perturbação depressiva. o risco de morte por suicídio é superior ao das mulheres. Divórcio. desemprego. Alterações vitais negativas e graves. realização de tarefas domésticas e laborais e necessidade de incapacidade temporária para a actividade profissional. o contexto e modo de seguimento. Nos homens. Abuso de álcool ou de outros tóxicos. Factores hereditários e de personalidade estão associados a depressão. Episódios recorrentes são comuns (50%). viuvez e viver só. perda).

Devem estar presentes pelo menos dois dos três primeiros sintomas mencionados. geralmente. de acordo com a gravidade e a sintomatologia associada. Os doentes podem apresentar-se não comunicativos. Depressão grave: geralmente 8-10 sintomas . como insónia e cansaço. num período mínimo de duas semanas. queixando-se frequentemente de dificuldades com concentração e memória.ideias de auto-destruição. com pessimismo pouco realista. concentração e sentimento de indecisão lentificação psico-motora ou excitação perturbações do sono alteração de apetite e peso Aspectos clínicos Frequentemente.Para além dos sinais e sintomas de depressão grave. tentativas e planos de suicídio médicos de clínica geral. Depressão ligeira: geralmente 4-5 sintomas .incapacidade funcional . geralmente em meio hospitalar Depressão psicótica: . mas não revelem ou escondam as alterações de humor que vivenciam. o doente apresenta sintomas psicóticos (estupor depressivo. Os principais sintomas depressivos são: humor depressivo perda de prazer e interesse fadiga perda de confiança e respeito pelo próprio auto-crítica e culpa aumentados ideias recorrentes de morte ou suicídio ou comportamento suicida perda de iniciativa.Capacidade laboral mantida Depressão moderada: geralmente 6-7 sintomas . A entrevista deve concentrar-se em: sintomas e gravidade da depressão possíveis sintomas psicóticos outros sintomas psíquicos essenciais factores precipitantes na situação de vida (família e trabalho) . Analisar os sintomas organiza as experiências pessoais do doente. alucinações). seguro e livre.Capacidade laboral e tarefas diárias comprometidas. (Continuação) Gravidade dos sintomas e capacidade funcional dos doentes O estabelecimento do diagnóstico de depressão indica que o doente sofre de síndrome depressiva grave. Na depressão psicótica o sentido de realidade está alterado e. Muitos doentes apresentam alteração das funções cognitivas. o doente não reconhece o seu humor depressivo e não consegue caracterizar o sofrimento como depressão. que permite a colocação de questões relacionadas com o humor. incapacidade temporária para o trabalho geralmente indicada. 6 ADEB .REVISTA BIPOLAR tema de capa Norma de Orientação Clínica para no tratamento da Depressão Diagnóstico e sintomas O diagnóstico de depressão é feito com base na entrevista clínica. delírio. A sua aparência é triste e pouco expressiva. o doente pode referir queixas somáticas ou sintomas isolados associados à depressão.Necessária vigilância contínua. O diagnóstico de depressão requer a existência de quatro sintomas da lista apresentada anteriormente. É frequente que os doentes que procuram os cuidados de saúde primários descrevam queixas somatizadas relacionadas com a depressão. Os estados de depressão podem ser divididos em categorias. isolados e com má aparência. A consulta deve iniciar-se com perguntas abertas. Muitos doentes deprimidos apresentam discurso lentificado e dão respostas curtas. O seu reconhecimento pode ser facilitado por um ambiente tranquilo. avançando para perguntas mais fechadas que permitam a identificação de sintomatologia depressiva específica. Durante a consulta.

Alternativas: . imediata ou involuntária se necessário. organizar apoio social com o apoio do serviço social.tema de capa REVISTA BIPOLAR Tratamento As opções de tratamento para a depressão major incluem: .2007 Traduzido e adaptado a 01.combinação da terapêutica antidepressiva e psicoterapia .terapêutica antidepressiva .perda de sentido da realidade .incapacidade de auto-cuidados .suspeita de doença bipolar . O efeito pode ser avaliado após uma semana. .Quando necessário. pois as fases de transferência são perigosas. deve ser feita perante: .Psicoterapia cognitiva1 . Informar o paciente e seus familiares acerca da depressão.necessidade de tratamento psicoterapêutico Terapia electroconvulsiva Indicada na depressão grave. Monitorização do estado clínico do doente e resposta ao tratamento a cada 1 ou 2 semanas.Psicoterapia psico-dinâmica .06.psicoterapia . Realizada conjuntamente com tratamento psiquiátrico em regime de internamento. Tratamento do episódio depressivo agudo Farmacoterapia Deve-se considerar se o paciente também necessita de terapêutica ansiolítica ou antipsicótica.Deve realizar-se o seguimento da resposta à terapêutica e sua possível mudança com intervalos de poucas semanas. Alguns doentes necessitam de tratamento farmacológico contínuo. psicótica ou melancólica. até ausência de sintomas do paciente. especialmente se existir risco imediato de suicídio. deve considerar-se manutenção de tratamento por vários anos.08. Psicóloga clínica da ADEB .Terapia interpessoal Critérios de referenciação Deve recorrer-se a um especialista perante: risco de suicídio dificuldades diagnósticas ou terapêuticas dificuldades graves na cooperação com o doente absentismo laboral com duração prevista que excede os 3 meses . Perante episódios de depressão major recorrentes. O doente deve ser motivado e estar disponível para um seguimento semanal regular.pt ) Adaptação: Renata Frazão. considerando por exemplo o risco de suicídio. do seu curso e tratamento. 7 ADEB Autor: Erkki Isometsä Criado a 07.2009 (texto extraído do sítio www. Psicoterapias As intervenções psicológicas estão particularmente indicadas na depressão ligeira e moderada.apmcg. Devem utilizar-se abordagens psicoterapêuticas nas consultas de seguimento: ajudar o doente a clarificar a sua condição de vida reforçar a auto-estima do doente ajudar no processo de luto ajudar na alteração do pensamento depressivo cooperar com a rede social do doente informar o doente e sua família sobre a depressão e seu tratamento .previsão de início de tratamento crónico . Tratamento após fase aguda Deve manter-se o tratamento farmacológico durante 6 meses após remissão de sintomas. A variação na sua disponibilidade é um problema.em alguns casos outras formas de terapia (fototerapia ou terapia electroconvulsiva) Fototerapia Eficácia demonstrada na depressão de aparecimento no Inverso (alterações afectivas sazonais).comportamento suicida ou incapacidade de cooperação Deve garantir-se tratamento até que o doente esteja internado. Eficácia superior ou comparável à farmacoterapia A referenciação para o hospital. A luz é administrada a uma intensidade de 2500 lux durante 30-60 minutos. Avisar os pacientes sobre os risco de recorrência e informar como pedir assistência médica.

Sendo o direito à saúde um direito fundamental de todos os seres humanos. assim como do desenvolvimento social e económico global da comunidade. desde 1983. tarefas nobres e difíceis que se dirigem a todos os cidadãos. 98) 8 ADEB . e de expansão do Serviço Nacional de Saúde (SNS).REVISTA BIPOLAR tema de capa Cuidados de Saúde Primários Os Cuidados de Saúde Primários (CSP) fazem parte integrante do sistema de saúde. podemos dizer que. devem ser actividades prioritárias do Ministério da Saúde em articulação com outras áreas do Governo como a Educação e a Segurança Social. na história da organização dos serviços de saúde em Portugal é possível descrever um desenvolvimento dos cuidados de saúde primários em quatro fases relativamente bem delimitadas: Fases do desenvolvimento dos cuidados de saúde primários Uma primeira fase. De facto. Fazendo uma revisão histórica dos cuidados de saúde primários. 2000. a preocupação dos cuidados de saúde primários deverá privilegiar a promoção e educação para a saúde e a prevenção da doença. Proporciona desta forma o primeiro nível de contacto do indivíduo e da família. na óptica das cidades saudáveis. toda a prevenção da doença e promoção da saúde. A fase dos centros de saúde integrados. (Serrão. de 1975 a 1982. todas as imensas actividades da moderna saúde pública. A fase actual. desde 1971 até ao período revolucionário de 1974-1975. se tivermos em conta o conceito e as características definidas na Conferência Internacional dos Cuidados de Saúde Primários de Alma-Ata (1978). criado em 1979. A fase do serviço médico à periferia. os cuidados de saúde primários têm uma história de trinta anos. de transição. Toda a educação para a Saúde. permitindo a aproximação da assistência de saúde o mais perto possível dos locais onde a população vive/trabalha e constituem o primeiro elemento de um processo permanente de assistência. em Portugal. entre outras. p.

J. In Formação de mais sensível às patologias psiquiátricas. Porto: Departamento de clínica geral e instituto superior de estudos empresariais da Universidade do Porto. com características específicas tudes negativas face à doença psiquiátrica. ciência e tecnologia. cerca de 6700 cina geral e familiar nas instituições públicas do clínicos abandonaram a função pública para traSistema Nacional de Saúde (SNS). esta apresenta uma dualidade de critérios. (2008). & Cabral. Revista Portuguesa de Saúde Publica. sendo o Por outro lado. Mendes. obtendo uma melhor e tribuem para as dificuldades de identificação de eficaz prescrição terapêutica traduzindo-se em casos psiquiátricos nos Cuidados Primários de ganhos de saúde. (2000). particularmente em especialidades da de conhecimentos requerem uma cultura de Saúde Mental. Lançando um olhar crítico sobre esta temátiBibliografia: Branco. “ um tempo pré-estabelecido problemas. Refundação do Sistema Nacional de Saúde. especialidade de Psiquiatria. D. ficando e reconhecendo as doenças.. Chaves. para cada consulta. em particular na doença tadas pela importância das características dos psiquiátrica é não esquecer o doente enquanto Médicos como a personalidade individual. (1996). A. identieconomia de saúde. a prática médica isolada tem. Cuidados de Saúde Primários. impossibilitando um "cuidar" Assim. sendo que por um lado. 567-574. um estudo feito nização organizativa e técnico-científica da medirevelou que entre 2005/2009. Patologia Psiquiátrica nos Cuidados Primários de Saúde. & Caria. Adriano. 2. as atipessoa singular.Estudo Epidemiológico. (2001). de Saúde e outras unidades de prestação de Desta forma. baixos rendimentos não consigam garantir um cada vez mais. Saúde. Caça aos Médicos. I. 17. o 119. doentes. & Ramos. complede saúde primários. I. Psiquiatria Clínica. ainda muito há a fazer para que o tomas físicos. J. Ruela. 9 ADEB Texto produzido por Dr. apoio e posteriormente encaminhando para a 297-307. A acompanhamento médico assíduo e em tempo vivência científica e uma razoável actualização útil. inconvenientes e perigos sérios. A. como a Psiquiatria e Psicologia. que é perigosa mesmo período cerca de 7500 clínicos optaram para o médico e pode ser perigosa para os pelo regime de contrato individual de trabalho. 12. o e com necessidades próprias. & Teixeira. educação. quebrando a balhar em regime de privatização sendo que no obsolescência da prática a "solo".). Cuidados de Saúde Primários em Portugal. grupo. cabendo ao clínico tempo de prática clínica. de Saúde apresentam maioritariamente sinEm suma. O que se pretende quando se fala em cuidados Estas características dos doentes. 108-115. prestando Simões. Em contraponto com esta perspectiva. 4. Toda esta conjuntura leva a que doentes com Assim sendo. com a análise de práticas e procedimuitos clínicos estarem em final de carreira. o que inviabiliza de forma mais acenque a prestação de cuidados de saúde primários tuada a agilização de consultas com listas de desempenham um papel preponderante na aborespera reduzidas. ou seja. médico de família/clínico geral está cada vez Serrão. e do próprio contexto dos cuidados. passando para a tia). o "setting" médico de clínica “Sendo o direito à saúde um direito terapêutico nas Unidades de geral/médico de família o fundamental de todos os seres Saúde onde são prestados os agente melhor posicionahumanos. M. conatribuição do diagnóstico. J. Doença Psiquiátrica nos cuidados de saúde primários . (s. J.a isto se refere trabalhar no sentido da que torna visível a falta de clínicos nos Centros multidisciplinaridade. procurando em primeira instância Sistema Nacional de Saúde funcione de forma a o Médico de Família em detrimento dos profisresponder às solicitações de quem o procura. V. os doentes que recorrem aos Centros adequado às necessidades de cada doente. dagem dos problemas psiquiátricos. (2010). com discussão regular das situações dos Outra problemática prende-se com o facto de doentes. C. As controvérsia no que se refere à transição dos unidades de saúde familiar (USF) visam a modercontratos de trabalho. consensual será também dizer cuidados. a preocupação dos cuidacuidacuidados de saúde primários do para uma correcta dos de saúde primários deverá privinão se apresentam os mais abordagem diagnóstica e legiar a promoção e educação para a favoráveis uma vez que existe terapêutica deste tipo de saúde e a prevenção da doença.ª Diana Aguiar Estagiária de Psicologia da Delegação da Região Norte da ADEB .d.tema de capa REVISTA BIPOLAR na Doença Psiquiatrica exclusivamente em sintomatologia orgânica/físiOs centros de saúde na actualidade organica.. ca. ao longo dos tempos. In Revista Visão. não se focando Teixeira. as aptidões de comuniestar disponível e atento ao reconhecimento precação e as técnicas e estilo de entrevista (empacoce da doença (sintomas). zam a sua estrutura assistencial em unidades Portugal está a atravessar um período de grande operativas com missões complementares. sionais de Saúde Mental. o mentos .

nestas unidades funcionais assentam equipas multidisciplinares que servem a população que a eles recorrem. Dr. Afurada e Sta. na aceitação do diferente. mas também a preveni-los da passagem a esse estado e a fomentar relações saudáveis com o meio físico. especialista em Medicina Geral e Familiar a exercer funções na Unidade de Saúde Familiar de Santo André. prestação de cuidados na doença e ligação a outros serviços para a continuidade desses cuidados. segundo Lopes (1993). Marinha. A chamada "doença física" não é mais simples ou menos importante e mais fácil que as restantes "doenças". Necessitamos pois de conhecer pessoa a pessoa. na procura da sua autonomia. Assim. A isto se denomina "disponibilidade". facto este que tem vindo a sofrer profundas alterações ao longo do tempo.ª Mónica Mozes Especialidade: Medicina Geral e Familiar O Programa do XVII Governo Constitucional reconheceu os cuidados de saúde primários como o pilar central do sistema de saúde. já que o médico não se limita a tratar doentes. estando imbuído nelas.Vila Nova de Gaia. servindo utentes de Canidelo. inclusive com a mesma doença. apesar da ciência médica a privilegiar até há bem pouco tempo. os centros de saúde constituem o primeiro acesso dos cidadãos à prestação de cuidados de saúde.ª Mónica Mozes. a aproximação ao conhecimento existencial de um doente não nos permite o conhecimento de todos os doentes. recebendo-o. De facto. este forma-se com o doente. Desta forma. os médicos de medicina geral e familiar. Ora. Contudo. Reflectindo um pouco sobre o papel do médico. fundamentandose na abertura ao novo. biológico e humano. 10 ADEB . sempre que possível sobre os "agentes afectantes" e a vigilância e ajuda aos "afectados". de entre outras. a acção do clínico geral/médico de família assenta em dois princípios. procurando-o. tendo por base importantes funções de promoção da saúde e prevenção da doença. a respeito desta temática. foi levada a cabo uma entrevista a uma médica. já que o factor humano de existir é por ser único e pessoal. cuja essência reside na relação. em Canidelo .REVISTA BIPOLAR entrevista A Actuação do Médico de Família e Clínicos Gerais no Entrevista Dr. Desta forma. sendo eles na identificação e acção. a formação do médico é mantida pela atitude de conhecer.

Seguidamente. também já cheguei a ver na internet linhas de apoio. já conhecemos os utentes há algum tempo. não só para vigiar a evolução do seu estado. que outro tipo de encaminhamento faz nestes casos em especifico? Além do encaminhamento para a especialidade (Psiquiatria). explicamos a gravidade do caso. faz algum tipo de acompanhamento a estes doentes? Durante esse período. dias e depois acompanhamento de quinze em quinze dias ou três em três semanas. Nestes casos. mais concretamente na doença depressiva ou bipolar. como a alegria excessiva. afirmando não querer que ninguém saiba e aí temos um problema. Na sua experiência. Nos casos de dúvida. possibilitando-nos a perceber melhor quando algo não está bem junto dos familiares mais próximos. temos uma percentagem extremamente elevada de pessoas com este tipo de patologia. um mês. o utente inicia medicação por ordem do Psiquiatra e o utente é visto passadas três semanas. tento perguntar como vai a família. o primeiro recurso somos sempre nós. mas também para verificar se a medicação prescrita está a surtir algum efeito. de que forma é que sensibiliza/envolve o núcleo familiar neste processo? Temos duas situações diferentes nesta Unidade de saúde. estas têm vindo a aumentar. o envolvimento da família no processo torna-se mais difícil. Nestas situações. grupos de ajuda. é quando o doente vem com um familiar e aí explico o que envolve a doença. Sendo a família um pilar primordial para o êxito no tratamento/estabilização dos doentes com perturbação de humor. nestas situações? Em primeiro lugar ouvir o doente. Além disso. No caso especifico das perturbações de humor. asso- 11 ADEB . se está doente. rondam os 5 meses. ligamos para os serviços no Hospital. logo. medicamos com anti-depressivos e nos casos mais graves. qual a afluência destes doentes a procurar ajuda nesta Unidade de Saúde Familiar? Sendo esta uma população maioritariamente pobre. perceber concretamente o que se está a passar. até que me chegam a dar mais detalhes sobre o utente. mas quando indicamos urgência. enquanto médica de família. como eles reagem e como se expressam. ou seja. marcamos consulta com um familiar e sem particularizar. a solidão. quanto tempo demora uma consulta de Psiquiatria? As consultas de Psiquiatria. tentamos fazer a primeira avaliação do doente ao fim de quinze Além do encaminhamento hospitalar. formas de tratamento e modos de operar perante a situação.ª Mónica Mozes: Por norma como somos médicos de família. Em casos mais extremos. somatizar de forma excessiva. Em média. E qual o acompanhamento / tratamento que pode dar. ou seja. encaminhamos para o Hospital de Vila Nova de Gaia. não considera um período de espera excessivo? Enquanto aguardam pela consulta de especialidade. falar demasiado. fruto de factores exógenos como a falta de emprego. permitindo-nos ver alterações. muitas vezes não perceptíveis pelo doente. pode intervir perante o diagnóstico das perturbações de humor? Dr. devido ao sigilo profissional. rondam os 3 meses. nas fases de depressões. porque não têm dinheiro para recorrer aos médicos particulares e porque as listas de espera nos hospitais são muito longas. conseguimos ter uma percepção emocional do doente. entre outras.entrevista REVISTA BIPOLAR Diagnóstico e Tratamento das Perturbações de Humor Revista Bipolar: De que forma. Outra situação. e em específico no caso das depressões. causas. tudo isso faz com que percebamos que alguma coisa não está bem. para consulta de Psiquiatria. como médica de família. a vantagem que temos é que conhecemos o seu enquadramento familiar. uma dela é quando o doente é adulto e chega sozinho.

(1993). Walter. R. Avaliação de atitudes do médico de família face à intervenção psiquiátrica na comunidade. encontra-se a trabalhar na Unidade de Saúde Familiar Stº André em Canidelo desde 7 de Abril de 2008.. Porto: Colégio de Psiquiatria ed. M. intervindo na família e no meio. (2009). Assim estamos todos em sintonia. mesmo quando temos encontros em congressos. Porto: Colégio de Psiquiatria ed. 27-46. Actualmente. Formação do Clínico Geral/Médico de Família em Saúde Mental. O ideal seria termos um de cada especialidade que viesse de tempos em tempos. dores no peito.. Entrevista Realizada por Dr.ª. porque tem que haver acordo entre a ARS e o hospital. uma vez que muitas das queixas trazidas pelos doentes. Lampe. Psiquiatria e Clínica Geral. como considera que a comunidade em geral vê as doenças psiquiátricas e a ida ao médico psiquiatra? Ainda há um estigma muito grande sobre as consultas de Psicologia/Psiquiatria. & Mendes.. mantendo cuidados satisfatórios para o doente. Adams. promovendo o conhecimento dos avanços farmacológicos e ter o feedback de médicos psiquiatras sobre a segurança dos fármacos em concomitância com outros fármacos. sendo ambos técnicos de saúde mental. Clinical Pratice recommendations for bipolar disorder. Bibliografia: Araújo. mas principalmente o que possam colocam em comum. apoiando-se na acção da comunidade terapêutica. Araújo. no Porto. sendo que patologias mais específicas. procure. não só o que os torna específicos. G. C. onde todos os anos fazem umas jornadas e conferências sobre patologias Psiquiátricas. em vez de encaminharmos para o hospital. Mitchell. o clínico geral/médico de família ocupa um lugar privilegiado na relação com o doente e com o seu envolvimento familiar possibilitando-lhe conhecimentos sobre a sua estrutura dinâmica muitas vezes fundamentais na compreensão do adoecer mental. (1993).. O'Connor. M. porque a formação do médico de família abarca todas as áreas. evitaria o tempo de lista de espera e tantos encaminhamentos. G. quer o Psiquiatra quer o médico de clínica geral/Médico de família. R. Estamos cada vez mais sensibilizados para isso. 119. Desta forma. ainda não está a ser posto em prática. Estas conferências e formações apuram a nossa prática clínica. Psiquiatria e Clínica Geral. L. Qual a sua opinião a respeito disso? Essa formação já existe.. 439. são fruto de ansiedades e depressões e não causas orgânicas. Considera que a comunidade médica em geral está sensibilizada para este tipo de doenças? Nesta nova geração. Porter. seria ideal um médico psiquiatra de tempos em tempos para fazermos a ponte. In Taborda. pergunte e veja que não está só. apenas actuam a níveis diferentes. N. Perante este depoimento. É fundamental considerar que. D.REVISTA BIPOLAR entrevista A Actuação do Médico de Família e Clínicos Gerais no Diagnóstico e Tratamento das Perturbações de Humor (Continuação) ciações para que o utente vá. Newton. hoje em dia aceita-se muito melhor ter uma doença psiquiátrica do que antigamente. no fundo para ajudar o doente cada vez mais e melhor. necessariamente complementares e valorizando através da comunicação. (1993). 280-305. Efectuou internato geral em 2001 e especialidade em Medicina Geral e Familiar em 2003. G. (1993). tirar dúvidas. Contudo. Do médico de Família à Psiquiatria . Australian and New Zealand journal of psychiatry. Contudo. Em suma. Para terminar. sou a favor uma vez que o principal objectivo é o relembrar. data de inauguração da mesma. Taylor..Estudo da informação de referência. Malhi. as pessoas pensam que não são "maluquinhas" e por isso tentam encontrar causas físicas para as suas doenças. A. Mulder. João.. começam-nos a fugir das mãos. como dores musculares. A entrada de médicos psiquiatras nesta unidade de saúde já está a ser posta em prática? Desde que esta unidade abriu. Informações adicionais: Entrevista efectuada à Dr. E sim. 38. Australian and New Zealand clinical practice guidelinesfor the treatment of bipolar disorder. P. Paton. M. não descuramos nem uma parte nem outra. A sua informação sobre este contexto é sempre valorizada na avaliação e orientação de cada situação. o médico de família actua nas situações de risco orgânico e psíquico. Diana Aguiar Psicóloga De acordo com o Plano de Saúde Mental 2011/2016. os médicos de família vão receber formação na área da Saúde Mental. Existiam casos em que teria de enviar o utente ao neurologista porque não aceitava ir ao psiquiatra. palestras..ª Mónica Mozes. M. nós médicos assumimos que é tão importante a parte física como a parte psicológica. & Berk. M. 12 ADEB . M. mas é a nível dos laboratórios. In Taborda. Lopes. Acta Psychiatr Scand. L. sem quebra da relação terapêutica.. licenciada em Medicina pela Faculdade de Medicina do Hospital S.. (2004).

a partir de certa altura na história da humanidade. em certas alturas. se calhar estou mesmo deprimido. Alguns não lhe ligam nenhuma e nem por isso estão fora do "grande" grupo. sem nada dizer. falar. Só nos resta repetir ou reinventar. Neste mundo interactivo. e global. também. que escreveu que se fartou. são as maiores armadilhas. tudo podem ficar a saber. Serão nossos? Pessoais? Ou serão energia flutu- ante que captamos conforme o estado da frequência em que vibramos? "Só sei que nada sei" . constantemente. Sócrates. e li. Então. dizer coisas e pensar coisas.Esta expressão já foi inventada há séculos por um filósofo Grego. porque é que continuamos a escrever. Outros drogam-se a ler e a ler o que outros escreveram. se é que existe normalidade no comportamento dos humanos.testemunho REVISTA BIPOLAR Crónicas de um deprimido Alguém vai ler isto? Tenho dúvidas. estar agarrados às rotinas do fazer. em que uns fazem parte dos que a produzem e outros que se alimentam dela. à distância de um "clique". Algo viscosamente social e ou "socializante". sempre que pensamos em escrever alguma coisa para alguém. Apesar de que o pensamento é uma "constante permanente" enquanto fazemos e dizemos. É o normal. Já tudo foi inventado. E quem sou eu para acrescentar seja o que for aos anais do conhecimento. E se estes pensamentos.… Perece que a depressão é inata. para além do que outros disseram de outra forma. Eu escrevi. Já tudo foi dito. se transformou numa "secreção". são autênticos catalizadores da acção. do dizer e do pensar. advém de algum vírus humanóide. já agora o que será isso daqui a cem anos? Associado Nº 3012 13 ADEB . noutras alturas.estão a ver! . que não conhecemos parece um absurdo. E vamos continuar a escrever e escrever e escrever. O que é que as pessoas ainda não sabem? E se não sabem. Não paramos de fazer coisas. Os pensamentos absorvem-nos constantemente como raios cósmicos que atravessam toda a matéria. etc. Quase parece que escrever. Até há pessoas que se drogam em escrever e escrever. Temos de. Já agora o que é isso de estar deprimido? E.

provocando alterações biológicas. abordou o tema. o comportamento e o próprio organismo. Já no século IV a. aumento de apetite e do peso Ideias de culpa ou de inutilidade Ideias de auto-agressão ou suicídio Sintomas físicos inexplicáveis (por exemplo. sintomas gastro-intestinais. uma vez que podemos encontrar várias descrições ao longo da história. não havendo por isso actualmente qualquer exame laboratorial ou imagiológico que substitua a observação feira por um médico. ect) 14 ADEB . embora não seja uma enfermidade apenas do nosso tempo. o diagnóstico da depressão é clínico. Baixa auto-estima Diminuição da energia e cansaço fácil Falta de atenção e concentração Incapacidade para tomar decisões Alterações de sono Perda de interesse e incapacidade para sentir prazer Ideias pessimistas quanto ao futuro Diminuição do apetite e perda de peso ou. mais raramente. Na época.. e durante muitos séculos. a depressão poderá ser definida como uma constelação de sinais (porque são observáveis) e sintomas (que são referidos pelo doente) que atinge várias áreas. a doença era conhecida como "melancolia". a cognição. considerado o pai da medicina. nomeadamente os afectos. Hipócrates. sintomas dolorosos.REVISTA BIPOLAR Humor deprimido A Depressão é uma doença. Porém. Em termos médicos. ao contrário do que acontece com outras patologias.C. o pensamento.

levante-se e procure ocupar-se com uma tarefa Não durma sextas durante o dia Procure fazer exercício físico regular Para algumas pessoas. O doente pode ter dificuldade em adormecer (insónia inicial). As situações variam entre dormir menos tempo (insónia) ou. o indivíduo fica sonolento durante o dia. associando-se. como é feito o seu tratamento? O tratamento da insónia na depressão deve ser acompanhado de algumas regras básicas (ver quadro). 15 ADEB . mas mesmo assim surgirem queixas sobre a qualidade do sono. torna-se irritável. Se não conseguir adormecer ao fim de 20-30 minutos. a leitura na cama ajuda a adormecer Evite ver televisão na cama Tome banho quente e relaxante antes de se deitar O ambiente do quarto deve ser tranquilo e silencioso e com uma temperatura adequada O jantar deverá ser uma refeição ligeira e deve-se evitar o álcool. embora se desconheçam as verdadeiras razões que nos obrigam a dormir diariamente cerca de 7-8 horas. nos casos mais graves. etc. Mas se a insónia é um dos sintomas que mais frequentemente acompanha a depressão. a duração do sono pode não estar alterada. dormir tempo de mais (hipersónia). chá. uma vez que a noite não se revela reparadora e. sente-se fatigado e perde capacidades cognitivas. mais raramente. Sabemos que o sono é indispensável à vida. acordar uma ou várias vezes ao longo da noite (sono fragmentado) ou acordar demasiado cedo e depois não conseguir voltar a adormecer (insónia terminal ou matinal). não fique na cama.REVISTA BIPOLAR Tratamento da insónia: aspectos práticos Procure cumprir horários regulares de sono Evite os estimulantes a partir da segunda metade do dia (café. Em alguns casos. ao acordar de manhã. O sono é um estado fisiológico organizado por dois estados (sono lento e sono paradoxal) que se vão alternando ao longo da noite. A depressão é acompanhada habitualmente por alterações de sono. existe uma sensação de cansaço Quando não se consegue dormir bem (sono repousante) por um período de tempo prolongado.) Sim. uma terapêutica específica (antidepressivos. por exemplo ao nível da memória e da atenção. sedativos e hipnóticos).

Pedro Afonso. é difícil antever como irá evoluir a doença. já que alguns doentes não recuperam do episódio depressivo. existindo maior oferta terapêutica. O conteúdo deste artigo foi retirado do Guia Depressão: Muitas Perguntas. Se nuns casos o episódio depressivo será ultrapassado por completo e não voltará a ocorrer. O Guia encontra-se disponível na Sede e Delegações da ADEB. irão ter novos episódios ao longo do tempo. podemos afirmar que o prognóstico da doença melhorou em comparação com o que acontecia há 20 ou 30 anos. mesmo que recuperam. irão ser tratados pelo médico de família . álcool) Uma vez realizado o diagnóstico da depressão. Por vezes. Factores de risco associados à recorrência da depressão Factores hereditários Múltiplos episódios anteriores Gravidade dos episódios Remissão incompleta dos sintomas Características endógenas Baixo suporte social Comorbilidade com abuso de substâncias (por exemplo. Outros. a depressão pode adquirir contornos de doença crónica.2007. para além de efectuarem uma terapêutica antidepressiva. se um doente tiver indicação para fazer psicoterapia. terão que ser seguidos por um psiquiatra e. lamentavelmente noutros poderão surgir como tempo novos episódios com recuperação total ou não dos sintomas depressivos.que é quem de resto conhece melhor o doente . Ou seja. poderão ainda ter de ser acompanhadas através de psicoterapia individual ou de grupo. acaba por ser difícil (senão mesmo impossível) prever quem vai ter apenas um episódio. haverá certamente maior probabilidade de sucesso no tratamento. apresentam uma gravidade ligeira ou moderada.e não necessitarão de mais ajuda. Outros. a maioria dos casos. já que. quem vai ter várias recorrências ou quem irá ficar com sintomas acabam por "cronificar" porque não aderem à terapêutica antidepressiva levando a que tenham por isso um tratamento inadequado e um maior número de recaídas da doença.a biológica e a psicológica que não se excluem entre si e podem até ser complementares. A este nível. poderá beneficiar de efectuar em simultâneo um tratamento farmacológico. 16 ADEB . Perturbação de personalidade associada Doença física crónica Evolução da depressão 6 meses: 12 meses: 10 anos: 53% dos doentes recuperam 26% dos doentes apresentam recorrência 76% dos doentes apresentam recorrência 12% dos doentes apresentam depressão resistente Diante de uma patologia tão heterogénea.REVISTA BIPOLAR No tratamento da depressão. Algumas Respostas. Persistem duas grandes formas de abordagem terapêutica . O seguinte resume as principais características associadas à recorrência e consequentemente cronocidade da depressão. Nos últimos tempos têm sido feitos alguns avanços relativamente ao tipo de tratamentos que temos para oferecer aos doentes.

uma manifestação interna da pessoa. Agora ela já acredita que pode RECOMEÇAR. Arrastou-se como pôde durante largos meses em total desalento. o Não ser. nos sofrimentos mas também nas alegrias. Com ajuda ? Sim. Um dia ela viu um fantástico e caleidoscópico arco-íris num céu muito azul. O coração estalou com a pancada pois era tão frágil como uma porcelana da Índia. Começou assim a sua lenta recuperação. Uma sensibilidade apurada numa vida sem muitos sobressaltos. Encarnou poderes muito superiores a qualquer outro ser humano. Aliás era a única certeza que ela tinha. Será que valia a pena continuar? Melhor seria o esquecimento total. O NADA! Passou o Inverno num Inferno. Lá das alturas ela viu e fez muitas coisas maravilhosas e algumas grotescas mas sentia-se tão forte que nada lhe faria mal pos ela tinha O Poder para fazer O Bem.REVISTA BIPOLAR TRANSMUTAÇÕES Ela era meiga e rebelde. Joana Plácido 17 ADEB . cedo descobriu que a mente não se tornava sã por milagre.sobreviver. Ela sobreviveu mas foi apenas isso . Um dia cruzou-se com alguém que lhe falou duns tais poderes de cura da mente pela imposição das mãos. A vasta gama de emoções por que já passou do endeusamento ao anulamento . e da sua boca desesperada e quase sempre fechada saíam por vezes as palavras "PORQUÊ A MIM? PORQUÊ??????". Isso requeria à partida um exercício de vontade . Diziam-na muito inteligente. Cravou as unhas nessa promessa de salvação da insanidade da sua mente. o Não pensar. um desejo de desacelerar e viver a Vida sem lhe atribuir muito sentido e sem a levar demasiado a sério. As feridas profundas deixaram cicatrizes brutais assim como os momentos de loucura divina se lhe apresentavam numa retrospectiva visceralmente humilhante.trouxe-lhe de algum modo uma facilidade em sentir empatia com outros seres humanos. Mas um dia os deuses resolveram vingar-se da sua presunção e atiraram-na para um precipício. as emoções espatifadas. Como ainda possuía umas centelhas de inteligência. Agora tinha mais que nunca a certeza que nada fazia sentido. De repente um violentíssimo tufão arrancou-a do chão em movimentos vibratórios sobre o seu próprio eixo. No entanto agora não quer desistir de "ser". pois todos nós precisamos de ajuda e louco é aquele que o nega.

a pensar que nunca mais me ia acontecer outra…puro engano! Em 2003 a minha mãe adoeceu gravemente. minorá-los. são e continuarão a ser relevantes no meu equilíbrio e no saber lidar mais e melhor com situações complicadas que me surgem ou venham a surgir na vida. Tenho tido uma luta difícil com a (s) depressão(ões). a dormir mal e aí estava eu com uma depressão. a aparecer com mais insistência ideias suicidas. começando a ter muita dificuldade de sair de casa e da própria cama. sem saber bem o que isso era ainda. já sabia agora um pouco mais o que se estava a passar mas. até que um dia se fez o "click" definitivo. Deixando de ser exaustivo. de conflito em conflito comecei naturalmente a não me apetecer ir para o local de trabalho. atendendo a que as chefias também não ajudaram em nada. eis que em 2000 me surge um conflito no emprego violento com uma colega. prevenindo ou minorando o despoletar de outros episódios depressivos. apenas estados de tristeza naturais (não gosto da palavra "normal"…). a regressar às minhas atividades. é importante que esclareça que as minhas depressões são do tipo reativo. etc. voltei obviamente a precisar de psiquiatra. "vitórias". Nesta luta tentei informar-me o mais possível sobre esta problemática. com uma ânsia de poder e protagonismo enorme aliada a uma incapacidade de aceitar a critica. o amanhã nunca se sabe. quando a auto-estima está nas lonas e aparecem ideias de morte e suicídio. a ficar muito mais irritável e ansioso. voltei então a ter problemas no emprego. "derrotas" . consultei um psiquiatra e aí comecei um tratamento que veio a ter resultados positivos. para além de tudo. falando com técnicos. algumas boas amizades! Tinha conseguido ultrapassar mais esta fase. agravou então mais a situação. dentro dos mesmos processos anteriormente falados. mas não conseguindo este resolver o problema. lendo. subtil e até perversa. foi um choque enorme! E eis-me então a entrar noutra depressão. também fiz. fundamental e precioso. Recorri ao médico de família. foi longa (mais de um ano). que havemos de ultrapassar as crises. mas aos poucos fui saindo da dita. medicação e apoio psicológico. pelo menos. embora esteja determinado a continuar a Ser quem Sou! Foi assim: até aos 50 anos (tenho agora 60) nunca tinha tido nenhum episódio. aos meus "sítios". sempre. quanto mais a conhecermos e mais nos conhecermos a nós (e aos outros também…) mais fácil será evitar outros episódios ou. tanto em pessoas do interior como do exterior. e com muito sofrimento. depois de uma discussão em que pus em causa o seu desempenho. a não responder lá muito bem à medicação. que me conduziu a uma depressão mais profunda ainda. a perda dos meus ritmos de vida. acabando por me conduzir. fiquei numa situação quase sem saída e complicada de lidar. ela. o mau estar. pertencer a este Universo Infinito (?) do qual algo sabemos mas muito ignoramos. desta vez com um Chefe demasiado preponderante e "ditador". começou a boicotar o meu trabalho de uma forma sistemática. mesmo nas fases de maior desespero. também tive o apoio de uma psicóloga (nessa altura ainda não conhecia a ADEB) tão importante como a medicação. para além de termos cortado relações. a perder a vontade de fazer as minhas actividades habituais.REVISTA BIPOLAR testemunho O CAMINHO FAZ-SE Estou Bem com a Vida. de acordo com o meu psiquiatra e a minha 18 ADEB . às amizades. etc. a angustia. também é importante acreditarmos. como nos Grupos de Auto-Ajuda ou outras atividades promovidas por esta Associação de âmbito mais cultural/social. feliz por Existir. exógenas. voltando a trabalhar (entretanto a minha colega tinha sido despedida…). foi nessa altura que soube da existência da ADEB e tanto no acompanhamento individual. E aí estava eu. foram.

Há cerca de um ano que tenho andado equilibrado e. mais ou menos. de mim e dos outros. de uma maneira ou de outra. no meu caso. a uma internamento numa clínica que durou cerca de 5 semanas: remédio "santo"! Reencontrei lá uma rotina de hábitos e de vida e a partilha de problemas comuns com as outras pessoas que lá estavam e que. Entretanto. Sintam Saibam Conheçam Confiem em Vós nos Outros e tudo será possível! António Ventura 19 ADEB . e que num passado ainda recente me levariam a deprimir. outros problemas complicados me têm aparecido na vida. dificuldades económicas mas. e boas amizades! Todos estes items.testemunho REVISTA BIPOLAR CAMINHANDO…! psicóloga. embora entrando com alguma facilidade em estados depressivos. para além de todo o apoio dos técnicos de saúde. agora não. lidei bem dessa vez com a situação. embora há pouco tempo o meu pai também tenha falecido. a minha mãe veio a falecer. faço desporto e yoga (não sendo uma terapia ajuda imenso ao nosso equilíbrio psico-fisiológico). um apoio psiquiátrico e alguma medicação. tive alguns outros problemas de relacionamentos afectivos. foi relevante para a minha estabilização. mas porque não? Tenho mais conhecimentos da patologia. tenho um enquadramento importantíssimo e fundamental na ADEB. estes têm sido desde então menos violentos e de mais curta duração. puderei vir a prescindir. da qual. Tornou-se de todo impossível regressar a este local de trabalho e tive de arranjar outras alternativas de sobrevivênvia. tento fazer uma boa alimentação. Será que nunca mais voltarei a entrar em depressão? A palavra "nunca" não existe no dicionário dos humanos. são fundamentais na prevenção e no combate a toda esta problemática da nossa saúde.

Há coisas que não têm palavras. em que não entendia nada. Nessa altura. Depois. dificuldades em expressar-me e explicar a mim mesma… O que entendo! É-me difícil falar daquilo que entendo. E encanta-se e espanta-se e esquece-se que está ali. Talvez seja essa a grande aventura da vida. Associado Nº 991 20 ADEB . tenho de ir. então. então. Elas custam a fechar porque eu gosto. custa-me ir embora. gosto de ouvir a passarada que está do lado de fora. fechar as portas da Alma. Mas eu gosto de ir à procura das palavras! Quando as encontro. mas às vezes. que é o sítio onde nem tudo passa. Para além disso. que entre ar puro lá dentro. acabando por estar a escrever outra vez. ainda. à sombra do cabelo e olha através das janelas dos olhos. há sempre a tal barreira da explicação. não sei o que é. E. Depois. Escrever é benéfico para mim. Custa-me. parece que agora entendo melhor as coisas… Os tempos em que tudo era um turbilhão. há o exterior que esbate muito as coisas. Ela sente uma enorme distância entre o que vai dela ao que ela vê. tento voltar a cabeça para o outro lado e penso: "É preciso. entro numa atitude de contemplação. quando. sempre. Por isso é que falo pouco… Entro numa de espanto e de abstracção! Parece que há uma pessoa (eu) dentro de um corpo que podia ser o de qualquer um. Mas. que se senta confortavelmente num banco. desespero. Depois. Nessa altura. Parece mentira. me empurra para a frente. já lá vão! Contudo. sinto algo de belo no coração e gosto de as voltar a reler. sinto. E algo. mas sei que entendo! Também. sei que as coisas existem… Tenho a certeza absoluta. finalmente. entre o que eu entendo e o que o outro entende. não as fecho. é necessário!".REVISTA BIPOLAR testemunho As malvadas são imperfeitas e incompletas. fico radiante porque estou a escrever e a prolongar o que sinto. talvez seja esse o gosto da vida.

era invencível. Rodeada de ilusões. sem medos. Porque me custa sofrer. Os meus amigos voltaram.só o Amor. Olhavam-me sem remorsos. que quero bebê-lo duma taça erguida [de minhas mãos. sem ser…eu!!! Mas conseguia superar todas as dificuldades. [onde o Amor era irradiado [e um castigo… Eu hoje creio. Porque a inquietude fala comigo e não tu? Podia tocar com as minhas mãos nas tuas [mas apenas me sinto sozinha [por via das horas imensas de silêncio [que tenho contigo. Hoje. E eu. [chovem como aguaceiros do Inverno [e são quentes como o calor do verão. dura e capaz de ganhar: Todas as batalhas. As minhas mãos ardem e não respeitam a ternura [porque é desrespeito que sinto por mim. O mundo das outras pessoas. Estou cheia de nada. Sozinha num mundo próprio. pois. leiam os sinais. não precisava de ninguém. Estou comigo!!! Orlanda Correia (Fev. [unidos em bocas ternas… POESIA POESIA POESIA A minha alma está descosida e dela tudo cai. E sem ajuda. Já não são vagos os sonhos nem são fantasmas os beijos. [num cativeiro profano. parece qualquer coisa [de inacreditável. Faço amor com a solidão e. Lda. E o mundo era só meu! Era…o meu mundo próprio! Não precisa de ajuda. sem lutas. É uma cidade cheia de passos. Já não importa o mundo . isto. Título: A Espiral do Amor Autora: Egéria Sócio nº: 3088 Edição: Temas Originais.2009 POESIA POESIA POESIA POESIA POESIA POESIA POESIA POESIA 21 ADEB António Sampaio A . crivei-o e nasci para ele. Contra aquele que achava o meu maior amigo: O álcool. tudo o que cai a meus pés é pisado [sem pena. cansada. foi-se o emprego. se o inferno entrou [no nosso céu. Ai o Amor. E triste. A minha voz está com calafrios. finalmente. mas é um pleno caso amoroso… [que tenho sozinha. E realmente fiquei sozinha. Guardo-o no peito. Em que os meus fantasmas sorriam entre si. Abram alas porque ele chegou cheio de luz. todos os obstáculos. 1ª Edição . O álcool fazia-me sentir forte. sentia-me fora de mim. eu hoje acredito nele. E eu. alcançar todas as metas e vencer…tudo e todos!!! Era eu./2010) A Espiral do Amor POESIA POESIA Homem que nasceste prisioneiro do mundo. A minha família está ao meu lado.POESIA POESIA POESIA POESIA POESIA poesia POESIA REVISTA BIPOLAR Era Eu Era eu. já vivo num mundo real. fraca e sem capacidade de lutar.

o Stress e a depressão contos ficcionados de Psiquiatras 22 ADEB ROS .ROS LIVROS LIVROS REVISTA BIPOLAR LIVROS LIVROS livros LIVROS LIV LIVROS Existem à venda na ADEB os seguintes livros: LIVROS Tocados pelo Fogo Kay Kay Redfield Jamison Como lidar com a Doença Bipolar LIVROS Para além do Mal António Sampaio e Miguel Vieira Labirintos da Solidão Luis Carlos LIVROS Pétalas Caídas.. El-Mallakh S.. Sonhos e Vidas Antologia Poética “Depressão Bipolar” Rif S. Nassir Ghaemi LIVROS Até ao Amanhecer Michael Greenberg Era uma vez.

VROS LIVROS LIVROS LIVROS LIVROS REVISTA BIPOLAR LIVR LIVROS Ansiedade e Depressão Stuart A. Montgomery Depressão & Mania na primeira pessoa A Manta António Sampaio e Nazaré Tojal Uma Mente Inquieta kay Redfield Jamison Como deuses entre nós António Sampaio A Depressão Como lidar com a doença do nosso tempo Perturbação Bipolar Francis Mark Mondimore Depressão Daniel Widlocher 23 ROS LIVROS As lógicas da LIVROS LIVROS LIVROS ADEB .

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