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Revista Bipolar 38

Revista Bipolar 38

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REVISTA BIPOLAR

editorial

SÍNTESE DO ESTATUTO EDITORIAL
Editoriais temáticos; Publicação de documentos técnicos e científicos sobre as doenças mentais em geral, e em especial sobre a doença Unipolar e Bipolar; Informação pedagógica de modo a contribuir para a Reabilitação, Educação e Prevenção daqueles que sofrem da doença Unipolar e Bipolar; Entrevistas, artigos de opinião e documentários; Divulgação e testemunhos de pacientes e familiares; Relatório das actividades sociais desenvolvidas pela ADEB; Espaço para divulgação das potencialidades dos associados no campo cultural, recreativo e social;

ESCREVA E DIVULGUE A REVISTA BIPOLAR

1. Neste número pretendemos abraçar o tema do Amor, Paixão e Sexo, bem como a interligação entre estes. Estas vivências fazem parte da nossa vida e reflectem a nossa capacidade de nos relacionarmos e ligarmos uns com os outros. O Amor está em tudo o que fazemos por quem é importante para nós e cuja presença, por si só, é um factor de protecção, companhia e reciprocidade (porque amar sabe melhor se for desta forma). A Paixão é uma exaltação da alma, uma "euforia" dos sentimentos, é a necessidade do outro e a sua procura e desejo ardente. O Sexo é o culminar de um processo em que duas pessoas se encontram e se dispõem a dar e receber algo de especial e único… A ADEB encontrou neste tema a oportunidade de elaborar uma reflexão sobre as relações interpessoais e afectivas, temas sempre actuais e pertinentes, particularmente para quem tem uma perturbação do humor. 2. Não podemos deixar de salientar também a Certificação de Qualidade obtida pela ADEB, enquadrada na Norma ISO 9001, que muito nos prestigia e que nos vem dar um impulso para que continuemos a planear, pesquisar e executar mais e melhores acções para pessoas com a doença Unipolar e Bipolar. 3. Devemos salientar ainda a abertura das novas instalações na Delegação da Região Norte, no Porto, finalmente com a dignidade há muito merecida por esta delegação, permitindo ainda um alargamento das actividades aí desenvolvidas. 4. Lembramos ainda que estes são tempos difíceis que atravessamos e, como tal, solicitamos que cumpra e mantenha o seu vínculo de associado da ADEB, regularizando as suas quotas e participando nas acções desenvolvidas: É POR SI E PELO SEU BEM ESTAR QUE PROJECTAMOS E EXECUTAMOS TODO O NOSSO TRABALHO! Bem hajam.

Editorial
Mensagem da Direcção aos Associados e Familiares
A Direcção da ADEB deseja a todos os associados e suas famílias, um Feliz Natal e um Prospero Ano Novo de 2011. A ADEB, 20 anos em Portugal na prevenção e promoção da Doença Unipolar e Bipolar.
A Direcção da ADEB

Sobre a Paixão Sabe-se lá o Amor

Índice
3 6 7 8 10 12 15 16 19 20 22 22 23

Sexo e Amor na Doença Bipolar
Afectividade Diagnóstico de Sentimentos O estranho em mim Amor, Sexo, Paixão

Certificação de Qualidade
Poesia A ADEB em números e Qualidade A Depressão Dói Poesia Livros e Legislação

Delfim Augusto de Oliveira Presidente da Direcção Nacional da ADEB

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Paixão
Em 2004 escrevi um pequeno ensaio sobre os vínculos amorosos que se tornou no primeiro capítulo de um livro publicado neste mesmo ano e que, à semelhança do ensaio, denominei de "Paixão, Amor e Sexo". Como qualquer pessoa, o tema do amor interessa-me desde que experimentei as suas primeiras alegrias e, sobretudo, os seus primeiros sofrimentos. Como psiquiatra, tentar perceber os seus mecanismos tornou-se uma obrigação desde que abri uma consulta de sexologia nos Hospitais da Universidade de Coimbra em 1975. Tem sido muito interessante para mim assistir às transformações que os temas sobre o amor sofreram ao longo destes anos. Em 1977, Roland Barthes fala da solidão do discurso amoroso que, apesar de falado por milhares de pessoas, não é defendido por ninguém. Para Barthes ele "está completamente banido das linguagens circundantes" que o ignoram, desacreditam e ridicularizam, que o afastam do "poder e dos seus mecanismos (ciências, conhecimento e artes)". Mas no final da década de 70 a situação altera-se radicalmente. "Enamoramento e Amor" de Alberoni torna-se num bestseller e na bíblia dos apaixonados de todas as idades. A paixão transforma-se num digno objecto de estudo, numa meta pessoal obrigatória e numa metáfora para tudo o que nos realiza, desafia e entusiasma. Helen Fisher, uma estudiosa notável dos sentimentos amorosos, não tem a menor hesitação em afirmar enfaticamente que "o amor romântico está profundamente gravado no espírito humano e que se a humanidade sobreviver neste planeta outro bilião de anos, esta força primordial de acasalamento continuará a persistir". Mas mais significativo ainda é constatar, como argutamente o fez Anália Torres em 1996, que "o sentimento amoroso é, nos nossos dias, a única aventura transcendente da relação conjugal e constitui, aparentemente, o seu fundamento universal e eticamente aceitável." As consequências são evidentes: é o amor que determina não só a escolha do cônjuge, como a duração da relação amorosa. O casamento persiste enquanto o amor durar. Esta é uma das origens da monogamia "seriada", ou seja, um amor de cada vez e que se vai traduzir (evidentemente, de braço dado com outros fenómenos socioeconómicos e culturais) num aumento significativo de rupturas e recomposições das estruturas familiares tradicionais. Embora com custos, houve uma democratização do amor que deixou de ser apenas um entretenimento excitante de elites entediadas e alienadas. Mas o grande problema é identificar as respostas num campo em que, segundo Anália Torres, é impossível saber o que é, para cada um, a paixão ou o fim do amor. Para ela, "o discernimento sociológico pára à porta da química dos afectos". A mesma pergunta fazemos todos nós nas nossas encruzilhadas amorosas, quer à procura duma explicação, quer duma desculpa, quando recorremos ao lugar comum das crises amorosas: ”Estou confus@, preciso de tempo e espaço para saber o que quero.” Vou tentar, com fundamento em investigações recentes, esclarecer alguns conceitos. De facto, o vocábulo amor encerra uma multidão de variações e significados. Para começar, os neurocientistas acreditam que as emoções e motivações humanas básicas derivam de sistemas neuronais distintos.

Sobre a

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Para Helen Fisher, há três grandes sistemas neuronais amorosos com a sua química muito específica: O impulso sexual (libido ou luxúria) que se caracteriza por uma forte apetência para a gratificação sexual. Pode ser dirigida para vários parceiros (mas nem sempre). Está associada aos androgénios, particularmente à testosterona que é a responsável pelo desejo sexual em homens e mulheres. A ressonância magnética funcional (RMN) mostra que o impulso sexual está associado à activação cerebral do hipotálamo e da amígdala; Atracção (amor romântico) é definida por uma intensa energia e uma focalização obsessiva num parceiro específico e com grande sentimento de posse. A dopamina é o seu ingrediente cerebral, activando os circuitos de reforço ou recompensa. Para alem da dopamina, há aumentos da norepinefrina e diminuição da serotonina, o que permite compreender o vasto leque de emoções, cognições, motivações e comportamentos característicos do amor romântico; Apego (afeição) que é a ligação amorosa afectiva a um parceir@ no quadro duma ligação prolongada e que se acompanha de sentimentos de tranquilidade, bem-estar, segurança e partilha emocional. Os estudos animais sugerem que, a oxitocina no núcleo accumbens na mulher e a vasopressina no pálido ventral no homem, serão as suas infra-estruturas cerebrais e químicas.

Compreenderão agora os meus leitores o que entendo por paixão (amor romântico), amor (apego/afeição prolongados) e sexo (impulso sexual). Parecem ser três sistemas absolutamente diferentes, mas em minha opinião têm um denominador comum: o sexo. É este que se constitui como o traço diferencial do amor (seja de que tipo for) e que o distingue de todos os outros afectos. Veja-se o caso das ligações amorosas de longa duração e dos seus ingredientes químicos: a oxitocina e a vasopressina. Há quem as denomine como as hormonas da "satisfação". Mas, atenção, estas hormonas são muito mais carnais do que se pode pensar: elas aumentam durante a excitação sexual e, aquando do orgasmo, sofrem uma elevação brutal: a vasopressina no homem e a oxitocina na mulher. Por outro lado, estes sistemas, ainda que tendo em conta os seus circuitos cerebrais e os seus neuromediadores, não são independentes uns dos outros, podendo coexistir e havendo transacções e transições entre eles. Daí as dificuldades em destrinçar os emaranhados afectivos que ocasionalmente provocam. Reparem como é possível compreender, nesta perspectiva, determinadas situações triangulares que tantos estragos provocam. De acordo com o que me pediu a revista "Bipolar" , irei focar um pouco mais a minha atenção na paixão. Diga-se, para já, que dos vínculos amorosos, a paixão ocupa o lugar máximo da hierarquia. É a

mais estudada, a mais glorificada e a mais ambicionada. Não me levem a mal, mas às vezes custa a saber porquê! Denis de Rougemont, um crítico da felicidade da paixão, encara esta como um sofrimento, afirmando que a paixão do amor significa, de facto, uma infelicidade, que reduz o amor/paixão, em nove de cada dez casos, a revestir a forma de adultério. Para Rougemont, o amor feliz não tem história. De facto, paixão e doença partilham a mesma etimologia -pathos. Em muitas zonas do nosso país, depressão tem o mesmo significado que paixão. Isto não impede que David Mourão Ferreira estabeleça, em 1986, as condições para haver um amor feliz: "uma pessoa casada... só com uma pessoa casada." Foi a fórmula inteligente para ultrapassar a assimetria dos clássicos triângulos amorosos, embora um amor desses dificilmente venha a ser um amor feliz. As características psicológicas e emocionais da paixão são sobejamente conhecidas: "o especial significado do objecto amoroso e as suas virtudes únicas, a forma como ele é engrandecido pelo apaixonado(a), o pensar obsessivamente nele e a forma como este pensamento se torna num intruso que altera todas as prioridades, a turbulência emocional que se gera, quer na sua presença, quer na sua ausência, causando uma intensa dependência, a inorme energia que consome - perda de apetite, emagrecimento, alterações do sono e um forte desejo sexual, variações do estado de humor, passando-se facilmente do êxtase ao desespero, exclusividade

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sexual, sentimentos de posse e ciúme, que Fisher, citando Capellanus, denomina, benignamente, como "alimento do amor", ou seja, o combustível que mantém viva a fogueira do amor." Os estudos com RMN mostram que a área tegmental ventral é a região cerebral onde a concentração de dopamina é mais significativa. Esta área é o elemento central do sistema de gratificação cerebral, o que leva Fisher a afirmar que, "apesar dos seus componentes emocionais, o amor romântico é sobretudo um sistema motivacional." É esta concentração de dopamina a responsável pela dependência dos apaixonados que, Fisher caracteriza como "abençoada quando a paixão é correspondida e uma privação destrutiva, quando o apaixonado é rejeitado." Mas o mais interessante é que estudos posteriores com RMN mostram dois fenómenos curiosos: (i) a activação da paixão partilha zonas cerebrais com a apetência para a cocaína; (ii) quer a paixão seja ou não correspondida, a activação cerebral é muito semelhante, sendo que nos amantes rejeitados há mais activação de áreas ligadas à dor e à raiva. É uma excelente explicação para a dependência amorosa "abençoada" ou "amaldiçoada" e vem, até certo ponto, dar razão a Denis de Rougemont ao demonstrar a íntima relação entre paixão e sofrimento, e a todos aqueles que mais poeticamente celebram as torturas do amor (pois Camões já dizia ser : "um contentamento descontente"). O amor dói! Mas os estudos com RMN trazem também

boas notícias: casais com ligações de mais de vinte anos e que se declaram ainda apaixonados, mostram activações cerebrais semelhantes aos casais a viverem os primeiros estádios da paixão. Quer dizer que a paixão não tem que ser necessariamente breve. Breve será, por definição, o turbilhão emocional que a acompanha. É este arrefecimento emocional que permite aos amantes alargarem o seu espaço íntimo a outras pessoas e investirem em outros projectos familiares e profissionais. Ficamos, pois, a saber, que os diversos vínculos amorosos, têm uma base neuroquímica incontestada e que são muitos os ingredientes que neles interagem. A grande e eterna interrogação reside em saber quais os ingredientes que permitem que a turbulência da paixão se transforme numa relação de intimidade e companheirismo ou, ainda melhor, que a paixão possa sobreviver, por ciclos variados, nas vicissitudes duma relação de grande duração. Autênticos "ataques de paixão" que permitem aos amantes continuarem a surpreender-se. Este é o grande desafio do processo amoroso que, por definição - pelo menos no que respeita ao amor heterossexual - é assimétrico: nos sexos, na atracção, nas personalidades, nos géneros e no erotismo. Daí que, no meu referido pequeno ensaio, me tenha debruçado com particular atenção sobre a continuidade do amor. O que implica muita atenção, poder de negociação e criação de um património erótico e afectivo.
Francisco Allen Gomes Médico Psiquiatra

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Amor
Basta uma frase para me incendiar a cabeça. Uma frase escrita a vermelho em letra pequenina. Uma frase ouvida ao telefone sem ter a certeza de ser essa a que ouvimos. Uma frase encontrada num papel por descuido amarrotado. É sempre preciso uma frase para me pôr fogo aos cabelos. Uma frase inquietante. Uma frase sem propósito. Uma frase denunciadora de perigos. É o fogo que é imperioso salvar acima de tudo. Tudo o resto se arruína em pó e cinzas. O que mais queremos é que o outro nos queira tão desvairadamente como nós o queremos. Que seja o único que, por fim, chegue e diga quem somos, a nossa face revelada. Mas logo que o outro nos quer perdemos o rasto do enigma que se alimentava do longe e vivia na distância. O problema não está nele mas em nós, embora possamos compor mil desculpas que nos justifiquem a cegueira. Ao desejar-nos morre o nosso desejo. Cai. Não precisa de ser logo. Pode ser devagarinho, lentamente. Deixou de ser o único para ser um entre os outros. Um qualquer como todos os outros. Um como eu que não conhece as respostas nem sequer sabe fazê-las. Não é por isto ou por aquilo em particular: por existir é como nós, abandonados ao que os dias trazem, indefesos ao que as noites roubam. Há aqui uma contradição insuperável: procuramo-nos num outro que igualmente ignora quem é. Por isso as alucinações, os jogos de espelhos e a dor que começa alastrar do centro para os lados. Insistimos uma e depois outra vez. E não há maneira. Tu, afinal, és só tu. E não existe prova que me diga que és tu, desde sempre e para sempre tu, e não outro. Queremos continuar a acreditar e não há maneira. Podemos mudar de corpo para nos lembrar melhor o primeiro. Mas este é igual ao outro embora seja muito diferente. Mas não o bastante. Duplicamos a dose de comprimidos para que a noite venha e nos leve daqui para fora. E não há maneira. De manhã, em frente ao espelho, com maior ou menor dificuldade, reconhecemo-nos. Sem saber quem somos. Só quando o outro parte voltamos a sentir o que afinal não sentimos. Desejamos o corpo que não nos pertence, milímetro a milímetro. Os minúsculos defeitos, as frágeis pálpebras, a suave rugosidade dos lábios em sangue. Não há maneira de adormecer. Só a inconsciência nos pode livrar daquilo que não nos larga, dentro da boca debaixo do céu. Quando por fim se entrega, o nosso desejo, a princípio vagarosamente como se tivesse vergonha, prepara-se para de novo levantar voo. Sem sossego. O corpo do outro nunca pode ser nosso. O nosso corpo nunca lhe pode pertencer. Na verdade apenas desejamos o que não alcançamos porque a satisfação dura o exacto tempo de se desfazer em nada. E um corpo nunca é mais do que um corpo: por mais belo que seja, o tempo destruirá qualquer vestígio da sua beleza. Procuramo-nos numa inútil correria. Uns aos outros. Os mortos e os vivos. Tropeçamos, caímos, voltamos a levantar-nos. Tudo por causa de uma frase que pôs fogo aos nossos dedos. Valha eu assim. O narrador enlouquece ao imaginar o corpo da amada ao ser beijado pelas maravilhosas amantes.
Prof. Dr. Pedro Paixão Filósofo e Escritor

Sabe-se lá o

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e amor na Doença Bipolar
Ninguém poderá subestimar a importância da sexualidade ao longo da vida. É certo que essa importância é muito variada de pessoa para pessoa e nas várias etapas da existência. Na espécie humana, a sexualidade, sem perder naturalmente a sua base biológica e a finalidade reprodutora, é modelada por factores socio-culturais e históricos que resultram em tantas e tão diversas variantes de condutas sexuais e amorosas. As perturbações da Doença Bipolar interferem significativamente na sexualidade. A base instintiva da sexualidade, a libido, modifica-se de modo muito variado nas diferentes fases da Doença Bipolar, repercutindo na esfera amorosa e social como adiante explicaremos. De um modo muito geral poderemos dizer que nas fases de elevação do humor, mania e hipomania, há um aumento da energia sexual e do desejo, enquanto nas fases depressivas acontece precisamente o contrário, a diminuição da libido. Estas variações não são o resultado de factores psicológicos ou sociais, mas o impacto directo da doença na vida instintiva. Mas estas modificações, por vezes muito acentuadas, afectam evidentemente a vida, tanto conjugal, como das relações amorosas em geral. Há diminuição da vida sexual, do desejo? Estas alterações podem estar incluídas num estado depressivo, em concomitância com outros sintomas. Há um aumento significativo da libido? Poderemos estar perante um reacender duma fase de elevação do humor. As pessoas que sofrem de doença bipolar e os seus familiares devem saber que as oscilações do humor podem ser acompanhadas por alterações do comportamento sexual e amoroso. Se numa fase depressiva a pessoa se desinteressa pela vida íntima, tal não significa em geral que os sentimentos pelo companheiro ou companheira estejam alterados. Não se devem tomar decisões que ponham em causa a vida em comum. Depois da remisssão da crise depressiva, voltará o desejo e o prazer. Numa fase de elevação do humor, mesmo se for leve (hipomania), pode gerar-se uma alteração da conduta na esfera sexual e amorosa. A pessoa quer fugir à rotina, está mais sociável, mais predisposta a uma aventura, que pode ser inconsequente e prejudicial para a vida futura. E precipitar mesmo a ruptura numa relação conjugal estável até aí. Nas fases de Mania as coisas podem ser ainda mais graves, com uma desinibição sexual caótica, compromissos totalmente inadequados e condutas arriscadas e promíscuas. Embora as alterações do comportamento, tanto na fase depressiva como na fase de elevação do humor, não se cinjam à esfera da sexualidade, pois estão acompanhadas por outros sintomas, por vezes as modificações na conduta sexual são o sinal mais evidente de que algo está alterado e diferente, indicando a presença da doença. Estas alterações levam a que muitas pessoas com perturbações bipolares, tanto de tipo I como de tipo II, se divorciem com maior frequência do que a população em geral. Para os conjuges é difícil aceitar a irregularidade do comportamento, o "0" ou "80", as infidelidades, em que a doença parece ser um álibi. É claro que o tratamento de estabilização do humor poderia melhorar o panorama, desde que cumprido e adequado. Por sua vez o conjuge deverá estar informado de que as anomalias do comportamento não traduzem uma perda de amor, mas apenas uma desinibição fortuita. Daqui decorre que, para além do tratamento farmacológico apropriado para estabilizar a doença bipolar e compensar as suas diferentes fases, é muito útil e necessário fazer um apoio psicológico do casal e uma psicoeducação para saber melhor viver e superar os males da doença.
José Manuel Jara Médico Psiquiatra Membro do Conselho Científico e Pedagógico da ADEB

Sexo

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Afectividade
“De facto, a palavra "afecto" que está na origem do termo "afectividade" vem do latim "affecere" que significa afectar, tocar, o que supõe que a afectividade se constrói pela experiência, pelo convívio, pela relação com os outros, pelo toque.“
Definição da Afectividade
A afectividade é de facto a palavra-chave não só para definir e perceber melhor os estados de humor mas também as perturbações do humor. No entanto, o termo "afectividade" é difícil de definir, porque abrange todas as experiências internas e externas do indivíduo, constitui toda a sua vida emocional, todos os acontecimentos passados e as perspectivas do futuro. De facto, a palavra "afecto" que está na origem do termo "afectividade" vem do latim "affecere" que significa em latim afectar, tocar, o que supõe que a afectividade se constrói pela experiência, pelo convívio, pela relação com os outros, pelo toque. Aliás a primeira experiência advém da relação primária mãe-filho. Claro não é só a experiência em si que define a afectividade, mas também toda a carga emocional associada a esta. Por exemplo, o escritor Marcel Proust associava o cheiro das bolachas madalenas a toda a sua infância porque era a sua avó quem costumava cozinhá-las quando era pequeno. Vallego-Nágera (1997) entende a afectividade como o modo através do qual o nosso ser interior é afectado por tudo aquilo que ocorre à nossa volta, o que provoca sensações que oscilam entre dois pólos opostos: amordesamor, alegria-tristeza, recusa-aceitação. Por essa razão, António Damásio no seu livro "O Erro de Descartes" reformula a expressão "penso, logo existo" por "emociono-me e depois penso"…

Psicopatologia da Afectividade
Mas como perceber a afectividade quando esta reage de forma desadequada ou exagerada a estímulos, entra-se assim no campo das perturbações do humor. Enquanto o humor eutímico corresponde a um estado de ânimo dito normal, ou seja em que as oscilações entre tristeza e alegria são provocadas por factores desencadeantes e com reacção proporcional ao estímulo que o provocou. Nas perturbações do humor, classifica-se as Perturbações Distímicas, as Perturbações de Adaptação com Humor Depressivo, Perturbação Unipolar e as perturbações bipolares, tal como o demonstra o seguinte gráfico e o define o DSM-IV:

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Perturbação Distímica
Caracteriza-se por pelo menos 2 anos de humor depressivo (apetite diminuído ou aumentado, insónia ou hipersónia, fadiga ou pouca energia, baixa auto-estima, dificuldades de concentração, sentimentos de falta de esperança) durante mais de metade do dia. Humor Eutímico

Perturbação Bipolar Tipo I
Caracterizado pela presença de um ou mais episódios maníacos (elevação do humor definida por auto-estima aumentada ou grandiosidade, diminuição da necessidade de dormir, mais falador do que o habitual, fuga de ideias… com duração de pelo menos 1 semana, suficientemente intensa para provocar uma deficiência marcada no funcionamento ocupacional, pode necessitar de hospitalização para prevenir danos para o próprio ou outros e pode existir características psicóticas), habitualmente acompanhados por Episódios Depressivos major. Perturbação Bipolar Tipo I

Perturbação Distímica

Perturbação Bipolar Tipo II Perturbação de Adaptação com humor depressivo
Resposta psicológica a um ou mais factores de stress identificáveis, em que as manifestações predominantes são sintomas tais como humor depressivo, choro fácil ou desespero. Perturbação de Adaptação com humor depressivo Perturbação Bipolar Tipo II Caracterizado pela presença de um ou mais Episódios Depressivos Major acompanhados com pelo menos por um Episódio Hipomaníaco (elevação do humor tal como referido anteriormente durante pelo menos 4 dias mas o episódio não é suficiente intenso para provocar uma deficiência marcada no funcionamento social e ocupacional, nem necessita de hospitalização e não existem características psicóticas.

Perturbação Unipolar
Caracterizada por um ou mais episódios depressivos graves e causam mal-estar clinicamente significativo ou deficiência no funcionamento social ou ocupacional. Perturbação Unipolar
Lídia Águeda Psicóloga da Delegação da Região Norte da ADEB Bibliografia: American Psychiatric Association. DSM-IV. 4ª Edição, Texto Revisto, Climepsi Editores, 2002 http://www.aefml.pt/download/desgravadas/4ano/psiquiatria/Psicopatologia %20da%20Afectividade_07_11_07.pdf José Álvarez Rodríguez & Manuel Fernández Cruz. Análise descritiva da afetividade nos professores em formação na faculdade de ciências da educação da universidade de Granada. Revista Lusófona de Educação, 2009,14, 125-144

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Dianóstico de Sentimentos
Com os novos adventos próprios dos tempos modernos, frequentemente tendemos a confundir amor e sexo, como se se tratassem de duas palavras com o mesmo significado.
Considerando que cada ser humano pode fazer uma interpretação mais ou menos pessoal de um vocábulo, eu procuro sempre partir do seu significado tido como oficial, ou seja, o descrito no dicionário de língua portuguesa. Vejamos: Amor - bem-querer; amizade; afecto; afeição; mimo; estima; Sexo - órgãos genitais; relação sexual; segundo a teoria freudiana "prazer que pode provir de diversas zonas do corpo". À partida, notam-se diferenças óbvias. Porém, actualmente, parece haver um acordo tácito entre os media no sentido de misturar os dois conceitos e nós, como bons consumidores que somos, vamos "engolindo" esta ideia, sem reflexão ou contraposições assumidas. Não se subentenda pelo que mencionei, que defendo o puritanismo ou algum refreamento baseado em crenças religiosas. A minha intenção é, apenas, salientar o que se vem perdendo, ou desvalorizando. Há cerca de vinte anos, ou seja, quando eu era jovem, era comum entre os jovens um certo romantismo, um idealismo sobre o que podia ou devia ser uma relação de amor. Experimentem falar com os adolescentes de hoje, de forma casual, questionando-os sobre o que pensam desse sentimento e rapidamente ficam esclarecidos sobre a crueza com que a nova geração perspectiva algo que se supunha nobre. Se é certo que enfrentar a realidade é saudável e que a sociedade vai evoluindo, tenho algumas dúvidas sobre a vantagem do cinismo com que os nossos descendentes encaram aquela que deveria ser a linha mestra de qualquer relação familiar ou de amizade, já para não falar de relacionamento humano. E a culpa é somente deles? Não me parece, até porque a responsabilidade de transmissão de princípios básicos é nossa e algo falhou pelo caminho, para tantos deles partilharem essa ideia. Será que concluíram pelo que vêem em casa? Será que apreenderam isso na escola e nos media? Será antes um somatório de factores que os levou a uma conclusão matemática? Sobre sexo penso que os jovens estão esclarecidos até demais, embora, por vezes, não dêem a devida atenção a detalhes importantes para o seu próprio bem-estar. Já sobre amor, esse sentimento romanesco, ultrapassado e obscuro para alguns, é bom lembrá-los que se trata de algo que devia persistir entre pais e filhos, avós e netos, entre familiares em geral e entre amigos também. É a base gregária da humanidade, para além da necessidade de sobrevivência pura, é o que devíamos sentir por qualquer ser humano que não seja um monstro e mesmo por esses, defendeu há muitos séculos, um exótico chamado Jesus que devíamos ter compaixão, algo positivo, próximo do amor. Do presente desprezo por esse sentimento ridículo que é preocuparmo-nos com o conforto e felicidade dos que nos cercam (alguns supostamente importantes para nós) resultam populações que morrem vitimas da fome e da guerra, diariamente, mas sobretudo vitimas da indiferença, jovens que crescem sem serem realmente educados por alguém, sem aprenderem sobre o milagre que é termos quem nos mime, quem partilhe afectos, aquelas coisas que não custam dinheiro, apenas vontade e tempo, deficientes que são ignorados e ostracizados como animais tinhosos, idosos que são vergonhosamente abandonados em lares ou hospitais como se nunca tivessem cuidado e acarinhado alguém, a troco de qualquer justificação prática para o injusti-

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ficável, resulta fingirmos que não vemos quem implora ajuda na rua, ou mesmo quem dela necessita em silêncio, aborrecermo-nos em casa e inventamos formas de gastar dinheiro para nos compensar emocionalmente (o que não passa de mera ilusão) quando inúmeras instituições urgem por participações de voluntários para apoiar as mais diversas áreas. Isso, meus amigos, seria AMOR, aquela dádiva sem outro interesse senão o de fazer alguém feliz. E quem pensar que vai encontrar a felicidade no sexo na sua versão pura e simples, mais tarde ou mais cedo, vai secar por dentro, como planta que não é regada, porque sem amor, é apenas um prazer imediato, como uma garrafa de oxigénio que parece tornar muito mais fácil respirar e que, quando se esvazia, nos deixa numa angústia maior. Porque sexo é um complemento do amor, sentimento que nos distingue de alguns animais, considerando que outros são melhores progenitores que certos humanos, por exemplo. O amor é o que dá sentido ao prazer físico ou apenas emocional de querer estar com alguém e por vezes não deixo de lastimar intimamente, ainda que muitos teóricos me possam acusar de blasfémia, que Freud se tenha posicionado, ao "psicanalisar" os humanos, na faixa animal dos sentimentos. Mas se está na moda contestar a Bíblia, porque não Freud? Podemos ter sobre a vida opiniões tão variadas quantos somos, mas há opiniões que se transformam em factos e factos que transformam a humanidade. Segundo a história, que alguns teimam em menosprezar, os factos que mais marcaram a humanidade partiram de opiniões e atitudes a que não se deu a devida atenção em tempo. Se não se importarem, pensem um pouco nisto, no intervalo das novelas, do futebol, dos sms e dos emails… E façam o favor de voltar a amar.
Ana Cristina Dinis Secretária da Direcção da ADEB

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O estranho em mim
"Tudo o que vejo está, por princípio, ao meu alcance, pelo menos ao alcance do meu olhar, edificado sobre o plano do "eu posso". Cada um destes planos está completo. O mundo visível e o dos meus projectos motores são partes totais do meu ser"
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Concebe-se a inter-relação com o mundo a partir do que se consegue alcançar. O olhar, o toque, alimenta a expectativa; esta relaciona-se com a visão, com o movimento. A noção de possibilidade, de "eu posso", encontra-se vinculada a esta relação. Uma criança, quando quer jogar "às escondidas", tapa os olhos, julgando assim estar invisível para o que o rodeia. Ela pode ver logo de seguida, quando o seu corpo é tocado, que a relação com o mundo não se limita ao que ela vê e toca, mas, também, a ela como matéria vista e tocada. Ela pode ser solicitada porque está presente, porque a sua presença se manifesta nesta interacção. A realidade (pelo menos a realidade imediata) é conceptualizada pelos binómios ver e ser visto, tocar (ou poder tocar) e ser tocado (ou poder ser tocado). No entanto, tudo sofre alterações quando a percepção se diferencia. Uma pessoa que não vê cria estratégias para interagir. E um bipolar, por exemplo? Que ideia do mundo ele recriou e que ideia o meio em que está envolvido criou acerca dele? A matéria é a mesma, as pessoas são as mesmas, mas a forma de ver não é a mesma. As cores são mais ou menos intensas, carregadas; as vozes são demasiado audíveis ou, pelo contrário, pouco perceptíveis. O mundo é o mesmo: amigos, família; mas, afinal, não é bem o mesmo mundo. Tudo se transformou, pensa-se, e, no entanto, fomos nós que mudámos para o mundo. A interacção torna-se problemática. Eu sou eu e as minhas circunstâncias, disse Ortega Y Gasset. O equilíbrio entre adaptar a vida à doença e não deixar que a doença nos domine é ténue e difícil de manter. Somar-se e adaptar-se às circunstâncias… Talvez seja um dos objectivos mais difíceis nesta doença: a manutenção.

Ser conservador quando se está equilibrado, entre quedas e subidas. Alcançar mais do que um período de repouso antes de se ser ocupado por esse inquilino misterioso, esse estranho que cá dentro vive. E anseia-se (doentiamente) em se manter entre os pólos opostos. O chão que nos suporta move-se, tornando-nos receosos de subidas e descidas que aparecem sem pré-aviso. Nesta época em que realmente somos nós que dominamos a doença e não o contrário, a consciência marca uma presença aguda, quase física, demonstrando quem fôramos anteriormente. É a altura de mirarmos as consequências: A intensidade com que nós vivemos as palavras, os gestos e os acontecimentos; perceber que fomos colonizados por um outro ser, um outro eu, que de mim é componente, que falou pela nossa boca aquilo que não queremos pensar, não queremos sentir e muito menos dizer. Através das acções exorcizámos o pensamento plural e contraditório e, assim, vertemos para o domínio público o que em nós se passou. Como se pode explicar que as mãos que agem, a boca que fala não é a minha, mas a da doença? Como se pode apelar a essa interpretação quando é a nós que vêem e que nada da doença temos de tangível para mostrar? Apetece ter uma radiografia e mostrar que é aquele ponto, aquele tumor (ou o que seja) que nos faz isto, que é o nosso inimigo. Esta doença é um líder informal; debita as suas posições, opina pela nossa boca, mas não se assume. Em qualquer das fases em que se está, a manutenção (ou criação) de rotinas é imprescindível para a higiene mental. Numa situação de absoluto desregramento, o ritual disciplina o comportamento. Certamente já ouviram isto muitas vezes e nada de novo vos apresento, mas o apoio da família e amigos é essencial. As ocorrências irão garimpar os amigos; ficam aqueles que são mais valiosos.

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ADEB

REVISTA BIPOLAR

Dói (muito), mas se nada é nosso, então muito menos tivemos aquilo que nunca o foi. Há que perceber porque vão; não é uma situação fácil para quem junto de nós não fica, mas, não se esqueçam, também nos perdem; também ficam sem nós. Na fase depressiva, suporta-se os dias nos ombros e (quase) se sucumbe a um peso, hipoteticamente, maior do que a força. "A minha alma está descosida e dela tudo cai. /Estou cheia de nada, tudo o que cai a meus pés é pisado/ [sem pena. Porque me custa sofrer." ii Sentimos que não partilhamos a mesma linguagem, nem nos baseamos nos mesmos protocolos de conduta. Tudo se escurece e a negrura cola-se-nos à pele, às mãos, à cara impedindo-nos de respirar. Somos um ambiente hostil, que criámos e nele vivemos. A ausência de partilha isola-nos; ninguém lá fora sabe o que cá dentro chove. A alegria alheia é ofensiva, contra-natura e o sol sublinha a noite que em nós se instalou. Este inquilino, este estranho em mim, mostra os dentes quando menos se espera. Esta tristeza minha é irmã dessa tristeza vossa. É, tal como a morte, igual para todos, mas cada um tem a sua morte pessoal, individual e solitária. O raciocínio ausenta-se, as mãos demitem-se do movimento e o corpo quer que o deixem em paz. É-se impermeável aos outros; a emoção é estéril. Não há objectivo na tristeza. Lêem-se os artigos académicos sobre a bipolaridade; entende-se a engrenagem do sentimento, mas nenhum, ninguém, consegue demonstrar cientificamente o desespero nos olhos das pessoas que gostam de nós. A vida não tem sentido, pensa-se. O seu objectivo é a sua continuação, adiar o inevitável, o terminus que acabará por acontecer. A morte tem algo de glórico, de pragmático. Existe para se consumar; o seu objectivo mora em si mesmo e atinge-se na sua concretização. (mas continuamos a respirar) Os dias colam-se uns aos outros, tornando-se indistintos. Os medicamentos são o Norte e orientam-nos através das horas. Somos o que estamos e em nós nos consumimos.

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Na fase de mania, provoca-se acontecimentos e é-se agente (demasiado) activo sobre o meio que o rodeia. Absorve-se tudo, é-se tudo em todo o lado. "Lá das alturas ela viu e fez muitas coisas maravilhosas e algumas grotescas mas sentia-se tão forte que nada lhe faria mal pois ela tinha O Poder para fazer O Bem. (…) Encarnou poderes muito superiores a qualquer outro ser humano."iii Tudo aumenta e, por ser maioritariamente (muito) bom, considera-se o oposto do mal-estar, da doença; no entanto, é um sintoma. Accionam-se acontecimentos sem se ter acabado os anteriores e tudo, mas tudo, o que não nos acompanha nos agride; quem não partilha a alegria e a energia que nos motiva, não nos compreende. É-se um tsunami que arrasta tudo e todos. O corpo é uma máquina infalível e insaciável. E o homem moderno, bipolar ou não, é plural e pleno de incoerências. A produção laboral aumenta consideravelmente, sendo, no entanto, errónea e, por vezes precipitada. O sexo torna-se uma (quase) obsessão animal, visceral. A verdade é-nos subserviente e tornamo-nos amorais, aquém e além do bem e do mal. A razão é uma média aritmética e além de (só) se aplicar aos outros, somos nós que a instituímos. Deixamos de ser quem somos para outrem, alguém que também sendo eu ou vocês, tomar de nós posse. Na subida, deixamos para baixo aqueles que gostam de nós (sublinhe-se este alguém que para mim tem determinados rostos; para si outros, mas com denominador comum: gostam e ficam) e tornamo-nos viciados em estar bem, em estar doentiamente bem. Estando livres da razão e da moral o âmbito da acção torna-se brutalmente vasto. Queria, antes de terminar este texto, de dizervos o seguinte:

A aceitação da doença por nós tem que ser feita. "Tornou-se mais fácil para mim aceitar-me a mim mesmo como um indivíduo irremediavelmente imperfeito e que, com toda a certeza, nem sempre actua como eu gostaria que actuasse. (…) quando me aceito a mim mesmo como sou, estou a modificar-me" iv Não ocorrendo, hipotecamos a qualidade de vida, condenamos a tolerância alheia perante nós e, principalmente, não conseguimos ajudar porque continuamos, incessantemente, a precisar de ajuda e a consumir todos os recursos afectivos que nos rodeiam. "Não podemos mudar, não nos podemos afastar do que somos enquanto não aceitarmos profundamente o que somos. Então a mudança parece operar-se mesmo sem termos consciência disso" v A psicoterapia é uma ajuda preciosa. Acontece muitas vezes quando entro para uma sessão lembrar-me da condição de Dante na "Divina Comédia": Ele desceu aos círculos do inferno acompanhado por Virgílio e, posteriormente, por Beatriz Há, nestas companhias, um companheirismo que me diz para ir, para descer, para descobrir-me, tendo medo, certamente, mas sem solidão, pois alguém está ali comigo. A serenidade, no que me diz respeito, atinge-se quando nos transformamos em palavras, acções que dão… simplesmente dão. A bondade é isso mesmo: dar, subordinar as nossas necessidades ao acto de dar. Talvez seja a melhor forma de derrotar a doença; sairmos de dentro de nós e dizermos "estou aqui virado para ti e disponível para dar".
Mário Rufino mario.coelhorufino@gmail.com
i Merleau-Ponty, "O olho e o espírito"; Vega, 2000 Egéria, "A espiral do amor" in Bipolar- Revista da Associação de apoio aos doentes depressivos e bipolares Nº 37; pp. 21 iii Joana Plácido,"Transmutações" in Bipolar- Revista da Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares Nº 37; pp. 17 iv Carl Rogers, "Tornar-se pessoa"; Moraes editores, 1985 v idem ii

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testemunho

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amor, sexo, paixão,
3 palavras distintas, 3 estados que podem ser separados uns dos outros.
Depressão, sinto-me profundamente deprimida, não quero sexo, cansada, exausta, deixei de ter auto-estima, tenho vergonha de me mostrar: estes 3 estados deixaram de me ser permitidos experienciar: nem sequer os mereço. Um homem sensual cruza o meu caminho, mas eu perdi o poder de encantamento, baixo a cabeça porque nem sou digna de olhar para ele. Já nem sou mulher. O sofrimento é profundo, perdi uma parcela da minha identidade. Mania, tão bela e estrondosa, eu existo novamente, até que enfim!!! Sou mulher e sensual; sinto o meu poder de pertencer ao género feminino. Reparo em alguns olhares furtivos e interessantes durante a minha vida diária; alguns têm deveras charme, amam mulheres, quiçá procurem amantes para suprir a rotina da vida de casal. Na verdade reparo que a grande maioria deve ser comprometida, porque pertencemos à faixa "depois dos trinta e...". Já somos "cotas". Assedio 1 médico especialista em sexo feminino, não no gabinete, mas depois. Telefono-lhe. Mas que ousadia, tornei-me ousada … Ele é lindo claro, voz máscula, alto e olhos azuis onde eu gostaria de flutuar, sorriso sensual. Recorda-se de me ter visto, viu-me de soslaio 2 vezes na vida, afinal perante tantas mulheres que atende, o meu rosto marcou-o. Fico contente. Ligo-lhe porque fico obcecada com ele, não quero trair o meu marido, mas preciso de acabar com a obsessão que apenas terminará depois de lhe dizer que é um "gato".

Tenho problemas sexuais, seria o homem ideal de acordo com a profissão dele, para me iniciar aos prazeres do sexo. Sonho com um encontro de olhos vendados… Quero apaixonar-me de novo e descobrir finalmente os prazeres do sexo. Quero apoderar-me e gozar de uma parte da minha energia vital. Sou mulher novamente, mas apenas nos meus pensamentos; já consigo mimar-me com peças de vestuário que nos meus estados depressivos nunca consigo vislumbrar. Voltou uma parte da minha segurança, gosto de mim. Sedução, não existe coisa tão bela existente e que prolonga a paixão, faz nascer o amor, queres seduzir-me? A dualidade odeio-me/ amo-me está sempre presente na doença bipolar. A mania é nova para mim e ainda ligeira, ainda parece uma ilusão de doença... Afinal quase sempre vivi na depressão.
Anónimo

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Certificação da Qualidade
não um fim mas um começo
As IPSS vivem hoje em dia num ambiente cada vez mais consciente da necessidade de atingir níveis mais elevados de eficácia e de satisfação dos seus utentes e associados. O papel preponderante que estas instituições desempenham, hoje em dia, não é alheio à ADEB, que adoptou este objectivo como a sua missão, especificamente no apoio aos doentes depressivos e bipolares e aos seus familiares. Existe a necessidade de, com limitados recursos financeiros, optimizar os seus processos operacionais, administrativos e de gestão. A melhoria contínua está presente em todas as estratégias que planeia, adopta e implementa, enquadrados na legislação em vigor e na resposta às necessidades dos nossos utentes e associados. Enquadrada nesta lógica, a ADEB candidatou-se em 2008 ao Programa Operacional Potencial Humano (POPH), tendo implementado a formação no âmbito do programa Arquimedes para os seus trabalhadores e dirigentes, durante perto de 2 anos, com vista à aquisição de conhecimentos para a criação e implementação de um Sistema de Gestão de Qualidade adequado às nossas necessidades e que pudesse potenciar aquilo que temos para oferecer, bem como para identificar e corrigir situações cuja melhoria pudesse ser uma opção desejada. O modelo identificado para enquadrar a certificação de qualidade da ADEB é o ISO 9001. A expressão ISO refere-se à International Organization for Standartization, organização não-governamental fundada em 1947, em Genebra, e hoje presente em cerca de 157 países e designa um grupo de normas técnicas que estabelecem um modelo de Gestão da Qualidade para organizações em geral, qualquer que seja o seu tipo ou dimensão. A adopção das normas ISO é vantajosa para as organizações uma vez que lhes confere maior organização, produtividade e credibilidade - elementos facilmente identificáveis pelos seus utentes, aumentando a sua competitividade na sua área de intervenção específica. Os processos organizacionais são verificados através da realização de auditorias internas e externas periódicas. Esta família de normas estabelece requisitos que auxiliam a melhoria dos processos internos, a maior capacitação dos trabalhadores, a monitorização do ambiente de trabalho, a verificação da satisfação dos utentes e associados, trabalhadores, colaboradores, parceiros e fornecedores, num processo contínuo de melhoria do sistema de gestão da qualidade.

Uma organização deve seguir alguns passos e observar alguns requisitos para ser certificada. Dentro desses podem-se citar: Padronização de todos os processos-chave da organização, processos que afectam o serviço e consequentemente o utente/ associado; Monitorização e medição dos processos para assegurar a qualidade do serviço, através de indicadores de performance e desvios; Implementar e manter os registos adequados e necessários para garantir a rastreabilidade dos processos; Inspecção de qualidade e meios apropriados de acções correctivas quando necessário; Revisão sistemática dos processos e do sistema da qualidade para garantir a sua eficácia.

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A Norma NP EN ISO 9001:2008 - Sistemas de gestão da Qualidade foi adoptada como modelo para a Certificação de Qualidade da ADEB, tendo em vista: Assumir um posicionamento de diferenciação, pela Qualidade dos seus serviços e pela demonstração efectiva da sua preocupação com os utentes e associados que apoia; Antecipar e cumprir a legislação aos vários níveis da sua aplicação Reforçar e divulgar uma imagem de Qualidade e de Responsabilidade Social, enquanto organização certificada de acordo com uma Norma Internacionalmente estabelecida, obtendo com isso ganhos significativos ao nível da qualidade do serviço prestado e da imagem projectada junto dos nossos potenciais ou efectivos parceiros ou patrocinadores Analisar detalhadamente e reflectir sobre os diversos processos, funções, tarefas, sistematizando-os, melhorando-os e, obtendo por essa via, possíveis ganhos de produtividade e de qualidade de funcionamento Melhorar a comunicação entre as diferentes áreas funcionais e geográficas da ADEB, bem como prepará-la para transformações e desenvolvimento futuro levados a cabo de forma harmoniosa para com as disposições das normas de referência Responder de forma inequívoca às exigências impostas pelos Modelos de Avaliação da Qualidade desenvolvidos pelo Instituto de Segurança Social.

Nesta perspectiva a ADEB esquematizou o seu funcionamento numa rede de interligação entre os seus diferentes processos, nomeadamente de Gestão (Planeamento, Gestão e Melhoria), Processos Chave (essenciais para o trabalho

desenvolvido com os utentes e associados) e os Processos de Suporte (que asseguram o funcionamento dos processos de gestão e chave). No seguinte esquema, esta interligação é mais clara:

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ADEB

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A ADEB tem como missão a prestação de cuidados continuados integrados, em meio institucional e na comunidade, a doentes depressivos e bipolares e suas famílias, ao nível da reabilitação, educação para a saúde, prevenção da doença e inserção social, promovendo uma resposta de forma sustentada, para o desenvolvimento dos seus objectivos e valências. A ADEB visa ainda ser um modelo de referência enquanto instituição, aproximando pessoas através da consolidação de princípios e valores, do desenvolvimento humano, da valorização do indivíduo e da Qualidade dos serviços prestados. A Política de Qualidade, assumida pela Direcção, bem como por todos os trabalhadores da ADEB compromete-se com os seguintes princípios: 1 No quadro do Plano Nacional de Saúde Mental, a ADEB actua ao nível da Informação, Prevenção, Educação e (Re)Habilitação das pessoas com a Doença Unipolar e Bipolar e seus familiares e disponibiliza aos seus associados um conjunto de serviços, com o propósito de obter ganhos de saúde, melhorar a sua qualidade de vida e promover os seus direitos. Responder às exigências e expectativas dos nossos associados e parceiros e proporcionar um apoio cada vez melhor a todos os que nos procuram, dentro do respeito pelos requisitos legais e estatutários e dos princípios da conduta ética e respeito pelo Outro. A Direcção assegura a definição, comunicação e revisão das políticas e objectivos, a gestão dos processos e dos recursos e a valorização dos trabalhadores, promovendo a sua motivação, responsabilização e envolvimento na planificação, organização e realização das actividades e na melhoria contínua do Sistema de Gestão da Qualidade. Os trabalhadores comprometem-se a cumprir com diligência as directivas emanadas da Direcção, a realizar com empenho, ética e deontologia as tarefas inerentes à sua função e a aperfeiçoar as suas competências pessoais e profissionais.

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3

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Com as sólidas bases alicerçadas em 20 anos de trabalho e de evolução e crescimento da ADEB, dos seus dirigentes e trabalhadores, esta certificação permitiu-nos uma profunda reflexão sobre o trabalho que já desenvolvíamos, dando-se assim um passo mais em frente, com vista à melhoria do apoio que prestamos aos nossos associados e utentes.

Renata Frazão Psicóloga Clínica Gestora Executiva do SGQ Bibliografia: IPSS Instituições Particulares de Solidariedade Social (Melhorias Organizacionais e de Gestão, Enquadramento Legal e Regulamentar, Certificações - Qualidade e Segurança Alimentar) ; Iberogestão - Janeiro 2009. Norma ISO 9001.

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poesia

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Aguaceiros
Até quando? Ate quando a solidão e a dor? Quero um verdadeiro amor vê-lo sorrir ao chegar e em seus braços descansar Quando? Quando virá a paixão que em amor se tornará a febre no coração corpo e alma ao deus dará Será uma tola ambição querer viver em sintonia ter o desejo latente mistura de corpo e de mente? O todo é a soma das partes? Amor, Sexo e Paixão 3 vertentes de 3 artes com salpicos de razão numa teia de ilusão Desprograma o inconsciente usa a auto-sugestão vive as emoções a quente solta a imaginação!
Joana Plácido

Qu'est-ce qui se passe avec moi? Je ne sais pas Mais attends un instant Je suis parfois Triste, parfois brillante Parfois heureuse parce que J'aurai un futur pleins De surprises comme la Peinture de Monet. Je souhaite que toutes Les personnes que je connais Soient contentes: parce que c'est vraiment spéciale Ce printemps est arrivé Achetez une bonne année. Las razones de mi felicidad Soy feliz porque tengo Razones para estarlo: Una familia fabulosa y unos/as amigos/as cuyo adjetivo más concreto para definirlos es como una rafaga de viento que pasa por nosotros y se queda en el corazón y en el alma. Prefiro a paz á guerra Que bonita é esta terra Por isso vamos aproveitar Tudo o que de bom há nela Que cidade mais bela! [...]
Isabel Rivero Machado

Poligamia Seriada
Eu amei-te a ti e a todas. As altas, baixas, magras e gordas. Com todas elas muito aprendi. Foi tão mágico tudo o que vivi. Namorei, brinquei e até casei. Fui escravo, príncipe e rei. mas uma coisa não posso negar. Contigo escrevi a palavra amar.
L. Rouxinol

Inconfundível é a tua meiguice Numa explosiva alegria sem fim, Emanas frescura de um teu jardim Sempre ao sabor da tua traquinice A tua energia contagiante Movimenta todo um enorme mundo, Onde todo o nosso amor é profundo Revelando ternura a cada instante... Descobre a tua jovem caminhada Em busca de algo muito especial. Parte pois numa colorida estrada!... Ao longo de uma vida cordial Irá por nós ser, docemente amada Sempre com um carinho sem igual...
Pescador...

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estatistica

A ADEB em Números e Qualidade
SEDE da ADEB
Dados Associativos e das Valências DADOS ASSOCIATIVOS
A evolução do número de associados, no decorrer do primeiro semestre de 2010, espelha o trabalho desenvolvido e a adesão das pessoas com a patologia Unipolar, Bipolar ou seus familiares à ADEB e ao trabalho que procuramos implementar, com qualidade, rigor e excelência, no dia a dia. Existiram 120 novas pessoas que procuraram o nosso Apoio Psicossocial, em semelhança do que aconteceu em igual período do ano passado. A patologia mais representada é a doença Bipolar, o que também se mantém como característico comparativamente com o ano 2009. O SOS ADEB, ao nível do Apoio Telefónico, registou 217 situações de apelações ou SOS, menos 106 que no ano anterior. O número de familiares atendidos diminuiu, sendo neste semestre de 24 e no 1º semestre de 2009 de 41 pessoas. Foram realizados 2 Grupos Psicoeducativos na Sede Nacional, estando programados mais 2 grupos para o segundo semestre. Realizou-se menos uma Sessão psicopedagógica que em idêntico período do ano passado, mas mais um Colóquio que nessa altura. A ADEB tem procurado realizar Colóquios em locais periféricos à cidade de Lisboa, descentralizando desta forma esta importante área de intervenção psicoeducativa junto dos associados e da comunidade. No que diz respeito às actividades culturais e recreativas foram desenvolvidas 4 acções, contribuindo para o combate ao isolamento, adopção de estratégias para uma vida mais saudável e promoção do convívio entre os associados. Foram distribuídos 9210 materiais psicoeducativos, entre Revistas, desdobráveis e guias, maioritariamente sobre a doença Unipolar e Bipolar, distribuídos em contexto das nossas acções de promoção de saúde mental, bem como aos associados e à comunidade, quando solicitado.

Número de Associados em Lisboa e resto do País
EVOLUÇÃO DAS VALÊNCIAS EM R.P.S.

2016

N.º de pessoas atendidas em Apoio Psicossocial

Unipolar Bipolar Outras

32 50 38

PATOLOGIA

TOTAL

120

SOS ADEB Apoio Telefónico Grupos de Auto-Ajuda (8 grupos) Atendimentos Apoio Psicossocial - familiares Grupos Psicoeducativos
EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE MENTAL

217 75 pessoas 24 2 grupos

Sessões Psicopedagógicas Colóquios Actividades Culturais Materiais Psicopedagógicos distribuídos

2 2 4 9210

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ADEB

estatística

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[Até ao Primeiro Semestre de 2010]
Delegação da Região NORTE da ADEB
Dados Associativos e das Valências DADOS ASSOCIATIVOS

Delegação da Região CENTRO da ADEB
Dados Associativos e das Valências DADOS ASSOCIATIVOS

Número de Associados
EVOLUÇÃO DAS VALÊNCIAS EM R.P.S.

640

Número de Associados
EVOLUÇÃO DAS VALÊNCIAS EM R.P.S.

493

N.º de pessoas atendidas em Apoio Psicossocial

Unipolar Bipolar Outras

9 23 17

PATOLOGIA

49

N.º de pessoas atendidas em Apoio Psicossocial

PATOLOGIA

Unipolar Bipolar Outras

2 4 1

TOTAL

TOTAL

7

SOS ADEB Apoio Telefónico Grupos de Ajuda-Mútua (6 grupos) Atendimentos Apoio Psicossocial - familiares Grupos Psicoeducativos
EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE MENTAL

224 50 pessoas 3 1 grupo

SOS ADEB Apoio Telefónico Grupos de Auto-Ajuda - utentes Grupos Psicoeducativos Fórum Sócio-Ocupacional - utentes
EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE MENTAL

246 2 grupos 2 grupos 40 pessoas

Sessões Psicopedagógicas Colóquios Actividades Culturais Materiais Psicopedagógicos distribuídos

2 1 615

Sessões Psicopedagógicas Colóquios Actividades Culturais Workshops

2 7 2

No primeiro semestre de 2010, recorrerem aos nossos serviços 49 pessoas com o diagnostico unipolar ou bipolar, ou mesmo familiares, o que se traduziu em 19 novos sócios. Notamos também uma maior procura das nossas valências em Apoio Telefónico em SOS, em reabilitação psicossocial, o que denota uma relação mais próxima entre a nossa delegação e os seus associados para em conjunto trabalhar para uma melhor qualidade de vida. No âmbito da Educação para a Saúde Mental, organizámos 2 sessões psicopedagógicas: Doença Afectiva e Comportamento Desviante, com o Medico Psiquiatra Dr. Freitas Gomes (dia 6 de Março de 2010) Criatividade e Doença Bipolar, com o Membro do Secretariado António Azevedo e com a Dra. Lídia Águeda, psicóloga ADEB D.R.N. (dia 22 Maio 2010) Ambas as acções obtiveram um feedback extremamente positivo. Para promover o convívio entre os nossos associados, organizamos também nesses mesmos dias um almoço que contou com a boa disposição de todos. No dia 22 de Maio, visitamos igualmente a Casa Museu de Santiago com a colaboração da Câmara Municipal de Matosinhos. Acolhemos os alunos do 12º ano das Escolas Secundárias João Gonçalo Zarco e Abel Salazar. Participamos na Feira da Saúde da Maia nos dias 5 e 6 de Junho. Finalmente, no final deste Primeiro Semestre, a Delegação mudou de Instalações, o que nos permite acolhê-los a todos com mais conforto e profissionalismo. Todo o trabalho desenvolvido foi para ir ao encontro das necessidades psicoeducativas dos doentes unipolares e bipolares, bem como dos seus familiares para promover mais e melhor saúde mental.

No primeiro semestre de 2010, a ADEB - Delegação da Região Centro - sediada em Coimbra, continuou a desenvolver as valências instituídas no campo da reabilitação psicossocial, sendo que foram recebidos 127 contactos em contexto de SOS e efectuados 119 contactos, no mesmo contexto. Iniciou-se o apoio psicossocial com 8 pessoas que recorreram pela primeira vez aos serviços desta Delegação, tendose acompanhado outros associados, em registo de apoio psicossocial periódico, totalizando 141 sessões de apoio psicossocial nestes últimos casos. Os grupos de auto-ajuda, num total de 2, realizaram-se com a frequência prevista, tendo decorrido 16 reuniões com um total de 69 presenças. Da mesma forma, os grupos psicoeducativos, também num total de 2, decorreram em 20 sessões com o número total de presenças de 39. No campo das actividades sócio-ocupacionais, realizaram-se 7 actividades: 3 almoços convívio, 1 lanche de Páscoa, 1 Visita a Cantanhede com um Jogo de Bowling, 5 Sessões do Workshop " Estilos de Vida Saudável" e 1 Sessão de cinema " The Hours". No que diz respeito ao apoio e orientação profissional, 6 pessoas foram acompanhadas neste registo, sendo que existiram 2 integrações em emprego e 2 integrações em formação profissional. Como a procura dos serviços desta Delegação, por potenciais novos associados, tem diminuído, apesar dos associados já vinculados continuarem a frequentar a Delegação com interesse, foi decidido investir mais na divulgação externa da ADEB, nesta região do país, estando-se a desenvolver parcerias com a ARS - Centro - e por consequência com o Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Mondego II. Paralelamente, está a investir-se no fortalecimento de parcerias já existentes nomeadamente com a Ordem dos Enfermeiros, com a Clínica Psiquiátrica dos Hospitais da Universidade de Coimbra e com o Centro Hospitalar Psiquiátrico - Unidade do Sobral Cid. Esperamos, assim, que os nossos associados continuem a demonstrar o envolvimento que têm tido e que mais pessoas com vivência de doença mental possam beneficiar dos serviços da ADEB.

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ADEB

REVISTA BIPOLAR

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ADEB

REVISTA BIPOLAR

LIVROS
Existem à venda na ADEB os seguintes livros:
Como lidar com a Doença Bipolar
Um Guia para viver com a Depressão Maníaca
Steven Jones, Peter Hayward, Dominic Lam Plátano Editora

LEGISLAÇÃO
No Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016, está definido no âmbito da “ACTIVIDADE DE PREVENÇÃO E PROMOÇÃO”, a sensibilização e informação em diversos sectores, como os Cuidados de Saúde Primários, escolas, centros recreativos, locais de trabalho, programas na televisão e Internet e comunicação social em geral. A Direcção da ADEB defende que uma comunidade informada consegue lidar melhor com as perturbações psiquiátricas e os problemas de saúde mental. Deste modo, a seguinte legislação é divulgada na Sede e Delegações da ADEB assim como no site www.adeb.pt.

Como deuses entre nós
Romance
António Sampaio Padrões Culturais Editora

Designação
Plano Nacional de Saúde Mental

Código

Era uma vez... o stress e a depressão
Contos ficcionados de psiquiatras
António Gomes Bento, António Sampaio, Bernardo Barahona Corrêa, Joana Alexandre, Maria Antónia Frasquilho, Maria Filomena Patrício, Maria Helena Lopes, Soledade Coutinho Varela Padrões Culturais Editora

Aprovado na Resolução Cons. Minis. n.º 49/2008

Designação
Lei de Saúde Mental

Labirintos da Solidão
Poesia
Luis Carlos

Código
Decreto-Lei n.º 35/99

Designação

Código

Pétalas Caídas - Sonhos e Vidas
Poesia
Augusto Oliveira, Cristina Real, Daniel Ricardo, Otília Ferreira, Iria Alves, Julieta Lys, L. C. Melo, Cristina Melo, Andreia Casimiro, Carlos Homem, Iola Cunha, Aldina Heitor, Carla Pinheiro Padrões Culturais Editora

Condições de atribuição de representatividade genérica, de registo e de apoio às associações de família que pretendam usufruir desse estatuto.

Decreto Lei nº 247 / 1998

Livro Verde

Tocados pelo Fogo

Bruxelas, 14/10/2005 COM(2005) 484 final, Comissão das Comunidades Europeias

A doença maníaco-depressiva e o temperamento artístico
Kay Redfield Jamison, prefácio do Dr. José Manuel Jara Grito de Alma, Pedra da Lua

Quadro normativo da atribuição de apoios financeiros pelo Estado no domínio da saúde Direcção Geral de Saúde Alto Comissariado da Saúde conjunto de unidades e equipas de cuidados continuados integrados de saúde mental

Decreto Lei nº 186 / 2006

Portaria nº 418 / 2007 Portaria nº 1418 / 2007 Decreto Lei nº 8 / 2010

Ansiedade e Depressão
Stuart A. Montgomery Climepsi Editores

Depressão e Mania
na primeira pessoa
Vários Autores ADEB

Apoios:

Perturbação Bipolar
Francis Mark Mondimore Climepsi Editores

guia para doentes e suas familias

Para além do mal

Pré-história e história de um psicopata Romance
António Sampaio, Miguel Vieira Padrões Culturais Editora

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