P. 1
Gemorfologia e Areas Inundaveisaltorioparana

Gemorfologia e Areas Inundaveisaltorioparana

|Views: 22|Likes:
Published by pepoandino

More info:

Published by: pepoandino on Dec 06, 2012
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

09/02/2013

pdf

text

original

GEOMORFOLOGIA E ÁREAS INUNDÁVEIS NA PLANÍCIE FLUVIAL DO ALTO RIO PARANÁ PAULO CESAR ROCHA UNESP/FCT/GAIA.

pcrocha@fct.unesp.br Rua Roberto Simonsen, 305 – Presidente Prudente-SP, cep 19060-900 EDER COMUNELLO EMBRAPA/CPAO – eder@cpao.embrapa.br Resumo Este trabalho apresenta uma delimitação das zonas inundáveis da planície fluvial do alto rio Paraná, região centro-sul do Brasil, a partir da interpretação da sua geomorfologia e dos pulsos hidrológicos dos rios Paraná e Ivinheima. Foram utilizadas para este estudo, imagens de satélite de diferentes fases hidrológicas relativas aos rios Ivinheima e Paraná, e consideradas as condições de fluxo durante as fases registradas nas imagens, assim como consideradas as feições geomorfológicas na área. Foram delimitadas 3 zonas de inundação, relacionadas aos pulsos hidrológicos destes rios. Os resultados mostraram que a Zona de Inundação do rio Ivinheima é a primeira e a mais frequentemente inundada, devido à baixa topografia e diferenças nos regimes sazonais dos rios Paraná e Ivinheima. Palavras-chave: zonas inundáveis; planície fluvial; rio Paraná. Abstract This work shows a delimitation of wetland zones at high Parana River fluvial plain through the geomorphologic features and hydrological pulses by the high Parana River and Ivinheima River. Orbital images of different hydrological phases of Ivinheima and Parana rivers were used for this study, coupled with flow conditions and geomorphologic features. Three wetland zones were delimited for action of these rivers. The results show that the flood zone of the Ivinheima River is the first one flooded, and it is also the more frequently flooded zone due its low topography and the differences in the seasonal regimes between the rivers. Keywords: wetland zones; fluvial plain; Parana River. Introdução A planície de inundação é uma feição deposicional do vale do rio associada com um regime climático ou hidrológico particular da bacia de drenagem. Os sedimentos são temporariamente estocados na planície de inundação ao longo do vale e, sob condição de equilíbrio, sem aumento ou diminuição por um longo tempo (anos), a taxa de entrada de sedimentos é igual à de saída. Porém, uma alteração das condicionantes do equilíbrio, através de processos tectônicos ou por mudanças no regime hidrológico, incluindo mudanças no aporte de sedimentos e de água, controle por barragens (nota do autor), poderá resultar na alteração da planície de inundação e levar a degradação e formação de terraço, ou por outro lado levar a nova agradação (Leopold et al., 1964). Considerando a variabilidade dos fluxos, os eventos de magnitude moderada e de ocorrência relativamente freqüente controlam a forma do canal. Nessa categoria, os débitos de margens plenas (débitos com recorrência entre 1 a 3 anos) surgem como os de maior poder efetivo na esculturação do modelado do canal, pois as ondas de fluxo escoam com uma ação morfogenética ativa sobre as margens e fundo do leito, e possuindo competência suficiente para movimentar o material detrítico
60

(Wolman & Miller, 1960; 1974; em Christofoletti, 1981). Obviamente tanto a água e o transporte de sedimentos são muito importantes para o entendimento da morfologia do canal (Chorley et al. , 1985). Em decorrência dessa complexidade, um alto grau de heterogeneidade espaço-temporal faz dos ecossistemas de planícies de inundação um dos ambientes de maior riqueza de espécies. A dinâmica fluvial originada pela inundação exerce uma grande importância na manutenção da diversidade de tipos de habitats lênticos, lóticos e semi-aquáticos, cada qual representados por uma diversidade de estágios sucessionais relativos à evolução do sistema. Os ecótonos (zonas de transição entre áreas adjacentes) e a conectividade (o grau de interação entre os ecótonos) são elementos estruturais e funcionais que resultam e contribuem para a dinâmica espaço-temporal de ecossistemas ribeirinhos (Ward & Stanford, 1995). Estes elementos são diretamente afetados pelo regime hidrológico dos rios tanto no espaço quanto no tempo. Como uma conseqüência desses processos, a paisagem é constantemente modificada, e diretamente interfere nos processos de sucessão ecológica (Esteves, 1998). Este trabalho consiste na delimitação de áreas inundáveis na planície fluvial do alto rio Paraná, baseados na identificação de sua geomorfologia, dos regimes de fluxo nos canais do sistema rio-planície fluvial e os processos de inundação e efeitos hidrodinâmicos sobre os ambientes da planície fluvial.

Metodologia As principais feições morfológicas importantes nos processos de inundação e presentes no sistema rio-planície fluvial do alto rio Paraná, foram levantadas através de interpretação de fotografias aéreas 1:50.000 de 1996 e 1:25.000 de 1970, posteriormente aferidas no campo. Também foram utilizadas imagens orbitais Landsar 5 e 7, referentes à órbita 223, ponto 76 e órbita 224, ponto 76 de diferentes datas. Foram utilizadas para o estudo tanto composições em meio analógico como digitais. A seleção das bandas se deu de acordo com a disponibilidade e na maioria das cenas disponíveis, foram as bandas 3, 4 e 5 do sensor TM-Landsat. Os dados fluviométricos foram utilizados para o entendimento da relação entre o que as imagens de satélite permitiam interpretar quanto à alagamento e as feições geomorfológicas da planície fluvial. Para tanto foram estudados os dados diários das estações fluviométricas de Porto São José-PR e Ivinheima-MA, ambas da ANA (Agência Nacional de Águas).

Área de Estudos A Planície Fluvial ou Unidade Rio Paraná (Souza Filho & Stevaux, 1997; Stevaux et al., 1997), englobando a calha atual e a planície fluvial, constitui uma superfície plana, onde a cobertura vegetal é a principal forma de realce das formas de relevo, uma vez que as áreas altas possuem vegetação arbórea, as médias são cobertas por arbustos, as baixas por campos, e os baixios por formas higrófilas.
61

entrelaçado . a partir de recorte SRTM. Carta SF 22 y a. nos rios Paraná e Ivinheima. com grandes barragens. Trecho Porto Primavera . Localização da área de estudos. O período de cheia coincide com a estação de verão. Na região de estudo. 1993). que se desenvolve sobre um paleo-sistema fluvial anastomosado. a crescente demanda energética no sul e sudeste brasileiro levou a uma política pouco alternativa de construção de grandes usinas hidrelétrica (UHE). na forma de canais ativos (perenes ou intermitentes) e lagos (conectados aos canais ou não) (figura 1). A mesma é formada por sedimentos quaternários relictos.E. Figura 1. As feições nela existentes são resultantes deste antigo sistema .s. possíveis de serem encobertas a partir das cheias de médias amplitudes pelo rio Paraná e parcialmente pelo rio Ivinheima.cnpm.br. Fonte: www. Isso gerou um efeito cascata ao longo do tempo no trecho a jusante das grandes U. formando uma faixa que varia de 4 a 10 km de largura disposta contiguamente à margem direita do rio Paraná.Porto 18. a várzea é uma zona de inundação do canal atual.embora existam formas reliquiares de outro padrão mais antigo ainda.embrapa. 62 . Geomorfologia da Planície Fluvial A superfície da planície fluvial é o resultado da evolução de um sistema anastomosado que esteve ativo antes da implantação do atual padrão de canal. na qual parte dos paleocanais é drenada perenemente pelo sistema atual de drenagem. O trecho remanescente da várzea do rio Paraná é o último livre de barramento existente nesse rio em território brasileiro. A figura 2 mostra a média mensal histórica das estações fluviométricas da área de estudo. estendendo-se por mais de 150 km a montante de Guaíra-PR.As partes mais rebaixadas constituem corpos d’água.e de formas associadas aos canais atuais (Souza Filho. sobretudo no rio Paraná e seus principais afluentes. Nas últimas décadas.H. localizados a montante das secções tomadas para estudo.

e mais similares entre si durante a fase de inundação (Thomaz et al. A alternância entre os períodos de inundação e recessão das águas. 63 . para lêntico. 1980) e os conceitos de pulso de inundação (Junk et al.. que interpreta sistemas lóticos como uma combinação interdependente entre as feições do modelado aquático e terrestre. os mesmos constituem importantes ambientes do ecossistema local. 1995): o conceito da continuidade dos rios (Vannote et al. os dois últimos enfocam principalmente as interações laterais nos sistemas rio-planície de inundação. para terrestre.. Comportamento Hidrológico dos Rios Paraná e Ivinheima Recentemente. Atualmente existem duas hipóteses primárias de como sistemas lóticos funcionam (Johnson et al.. Independentemente da interpretação geomórfica desses depósitos. resulta em grandes variações no nível da água. Estes ambientes apresentam formas (feições) reliquiares em evolução e feições atuais truncadas ou sobrepostas a depósitos anteriores (figura 3). 1997). de predominância arenosa e a um nível de base aproximadamente 3 metros mais baixo. 1990). sobrepõe-se ao sistema anastomosado relicto o sistema atual. Tais variações promovem grandes transformações nos habitats.níveis hidrométricos (cm) Paraná Ivinheima 500 450 rio Paraná 240 220 200 180 160 140 120 jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun mêses rio Ivinheima 400 350 300 250 200 Figura 2. Variação mensal histórica dos níveis hidrométricos nos rios Paraná (Porto São José-PR) e Ivinheima (Ivinhema-MS). permanecendo diferenciados durante a fase de águas baixas. passando de lêntico para lótico. Na calha atual do rio Paraná.. os conceitos físicos e biológicos da organização dos canais fluviais têm sido combinada dentro de uma aproximação mais holística. Os habitats da planície de inundação podem ser profundamente alterados. 1989) e pulso hidrológico (Neiff. O primeiro se refere principalmente às interações longitudinais nos canais. de terrestre para aquático.

escala original 1:25.Figura 3. C) Ambientes aquáticos da Planície Fluvial / canal do rio Baía e lagoa do Guaraná.000.em destaque Lagoa do Ventura) desenvolvidos pela evolução de um paleocanal. B) Ambientes aquáticos da Planície Fluvial (canal do rio Ivinheima e lagoas fechadas próximas ao canal . 60 . Aspectos dos corpos aquáticos no sistema de inundação do Alto Rio Paraná. A) Ambientes aquáticos associados à evolução da callha atual do rio Paraná. Aerofotos GERCAIBC 1970.

Este sistema de pulsos tem tido diferentes nomenclaturas. principalmente quanto ao nível da água na sua planície. 1998). A terminologia de Neiff é considerada mais apropriada por descrever o ciclo completo (Esteves. rio Ivinheima. 1989) ou pulso hidrológico – hidrological pulse – (Neiff.Variações no nível da água nos sistemas rio-planície de inundação podem ser vistos como um regime de pulsos. geomórficos e também ecológicos entre os canais principais e secundários (p. Entretanto o rio Ivinheima tem o seu regime levemente diferenciado do rio Paraná durante a fase de vazante. Figura 4. como já mencionado. O rio Paraná é o grande controlador da hidrodinâmica de todo o sistema de inundação. Variação hidrométrica e nível do dia para os rios Ivinheima e Paraná durante a passagem do satélite cujas imagens foram avaliadas nas figuras 6 e 7. o comportamento hidrológico cíclico deve ser levado a mesmo termo. durante e posteriores ao transbordamento. onde também se pode observar o potencial de abastecimento dos sistemas perenes e intermitentes (canais e lagoas) pelo escoamento subterrâneo e sub-superficial (corredores hiporréicos). como o pulso de inundação – flood pulse – (Junk et al.. A figura 4 mostra a variabilidade dos níveis de água no rio Paraná e Ivinheima durante a aquisição das imagens orbitais. Quando em eventos de cheia intensa. 61 . devido a influência do rio Paraná nos mesmos. ex. rio Paraná. Apesar da grande importância ecológica do regime de cheia nos sistemas fluviais e suas planícies de inundação e toda sua exaustiva literatura. este último referindo aos pulsos de energia e matéria antecedentes. rio Baía/canal Corutuba) durante as águas baixas. 1990). pois existe uma considerável interação de processos hidrológicos. pode-se observar um comportamento diferenciados dos demais canais. consistindo de duas fases maiores distintas: inundação e águas baixas.

do canal Ipuitã. tal influxo se dá com maior freqüência no período de cheia (dezembro-março). qualidade e sazonalidade dos processos geomorfológicos. Já no rio Ivinheima. Tal inversão de fluxo pode se dar nos canais do rio Baía. principalmente. Tais interações afetam também a conectividade hidrológica com as lagoas ligadas a estes sistemas. suas velocidades de fluxo são diminuídas ou até mesmo o fluxo pode ser invertido (Rocha. ora de outra. Dentre os canais secundários da margem direita (sistema anastomosado). A ação combinada dos eventos hidrológicos (níveis d'água) nos rios Paraná e Ivinheima. O canal Cortado (canal secundário do sistema entrelaçado) têm correlação direta com o nível da água nos canais principais do rio Paraná. 2002). A maior ou menor intensidade do efeito depende do relacionamento entre a intensidade do débito proveniente das partes a montante nestes canais secundários. Condições de fluxo nos canais secundários e de ligação “vaso-comunicantes”. a magnitude do transbordamento dos rios Paraná e Ivinheima. Fonte: Comunello (2001). e a sincronização sazonal de tais eventos hidrológicos. apesar de terem seu nível elevado. Isso influencia na intensidade.Quando o rio Paraná está em regime de cheia e os canais secundários ficam afogados. O influxo no sentido rio Ivinheima . assim como ecológicos.canal Corutuba só é possível durante cheia de alta magnitude do rio Ivinheima. Figura 5. e raramente no canal Corutuba. desde que a contribuição do rio Baía para o canal Corutuba não tenha tal proporção (figura 5). são responsáveis pelos principais processos geomórficos 62 . sejam elas conectadas (abertas) ou não (fechadas). Tal comportamento é ainda de grande importância no entendimento funcional dos ecossistemas locais e das áreas de ecótono. pois ora recebem água proveniente de uma fonte (canal). o rio Baía/canal Corutuba sofre freqüentemente influxo do rio Paraná.

outras áreas começam a ser inundadas. as inundações na planície fluvial podem apresentar diferentes magnitudes. Desse modo. topograficamente num nível mais baixo no sistema atual. Tal área é representada por inúmeras lagoas e baixios (paleocanais) em diferentes estágios de sucessão hídrica. porém com correntes de fluxo restrito aos canais reativados. tanto em cheias coincidentes entre os rios Paraná e Ivinheima. Em níveis inferiores a 460 cm. Conforme o nível do rio vai subindo. desde a região do rio Baía até a região do rio Ivinheima (figura 6-C). existe tanto o domínio de inundações provenientes do rio Paraná. barras e ressacos. Influência dos pulsos hidrológicos e conectividade Variadas condições de inundação podem se apresentar durante um ciclo hidrodinâmico (vazante-cheia-vazante). quanto em eventos isolados do rio Paraná ou do rio Ivinheima. quanto do rio Ivinheima. Considerando o pulso de cheia dos rios Paraná e Ivinheima. nas proximidades da conexão com os rios Ivinheima e canal Corutuba. quando os eventos de pulsos hidrológicos não ocorrem conjuntamente. podendo estas inundações ainda serem provocadas por elevações dos níveis d'água concomitantemente dos dois rios. transicionais ou terrestres. do ponto de vista da ocorrência de inundações. como discutido por Comunello (2001). 63 . As áreas alagáveis a partir de níveis superiores a 460 cm aproximadamente. Sua topografia baixa reflete a presença de paleo-formas de canais principais e secundários do sistema relicto. com na região do rio Baía (figura 6-B). considerando a flutuação dos níveis dos rios Ivinheima e Paraná. como será discutido a seguir. na régua da estação fluviométrica de Porto São José/ANEEL se restringem às áreas da calha principal. Quando os níveis ultrapassam os 700 cm. apenas os ambientes associados às barras de canal e a paleocanais sofrem o controle do rio Paraná (figura 6-A). Em níveis superiores a 600 cm aproximadamente.e ecológicos ocorrentes tanto nos canais de todo o sistema. e na várzea. quer sejam aquáticos. além da drenagem pelos canais Corutuba e rio Ivinheima. quanto nos demais ambientes da Planície Fluvial. há transbordamento do rio Paraná e se inicia o fluxo sobre toda área inundada (figura 6-D). à região das lagoas. A figura 6 mostra as áreas inundadas a partir dos pulos hidrológicos exclusivos no rio Paraná. os reflexos de suas intensidades são representados pela área inundada na planície fluvial. 2001). quanto do rio Paraná (Comunello. podese avaliar a magnitude da inundação e a área inundada relativa a cada rio avaliado (Paraná ou Ivinheima). Nesta região. As figuras 6 e 7 mostram as diferentes fases hidrológicas e representadas nas imagens avaliadas para os rios Paraná e Ivinheima. Por outro lado. ou ainda em chuvas intensas locais. dependendo da intensidade das elevações de cada rio. pois tanto sofre os efeitos do rio Ivinheima. Esta é a área primeiramente inundada. Pode-se observar que a região de contato entre o canal Corutuba e o rio Ivinheima é uma região crítica. há inundação generalizada na planície fluvial.

Na figura 7-B. pode-se observar uma área mais restrita. Ver detalhes no texto. na régua da estação de Ivinheima/ANEEL. o período de 64 . rio Paraná. Quando os níveis atingem valores superiores a 400 cm. A seqüência segue com uma cheia conjunta com o rio Paraná. Existe certa variabilidade na periodicidade de ocorrência dos eventos de cheia e vazante. à de Ivinheima. onde as inundações se iniciam em níveis fluviométricos superiores a 250 cm. onde os dois rios estão baixos. Nesta região. PSJ se refere à estação fluviométrica de Porto São José. Também a intensidade das variações no fluxo respondem da mesma forma para os dois sistemas. A foto da figura 7-A mostra uma parte da região das lagoas (Lagoa dos Patos) e o rio Ivinheima em situação de vazante. aproximadamente. que geralmente são mais previsíveis em grandes rios de que em pequenos rios. todas as áreas baixas são alagadas. A figura 7 mostra as áreas inundadas a partir de pulsos hidrológicos provenientes exclusivamente do rio Ivinheima. com linhas de fluxo sobre a várzea (figura 7-D). exceto nos canais ativos. Ivinh.A B D C Figura 6. sobrando somente os diques marginais nesta região (figura 7-C). no rio Ivinheima. provocadas exclusivamente pelo rio Paraná. Adaptado de Comunello (2001). na região das lagoas e baixios. Não é provável fluxo sobre a área alagada. Ilustração com Imagens Landsat demonstrando a condição de inundação em diferentes níveis fluviométricos.

no rio Ivinheima. provocadas exclusivamente pelo rio Ivinheima. Como mencionado anteriormente (figuras 6 e 7). Ilustração com fotografia aérea (A) e Imagens Landsat (B. provavelmente devido à 65 . à de Ivinheima. que geralmente ocorre entre o inverno e a primavera. Adaptado de Comunello (2001. que pode ter a mesma magnitude do período principal no verão. os dois rios citados assumem forte controle hidrológico na dinâmica dos ecossistemas aquáticos e transicionais dessa parte da Planície Fluvial. Ivinh.ocorrência das cheias do rio Paraná ocorrem geralmente junto ou muito próximo da cheia do rio Ivinheima (dezembro a março). com um segundo evento de cheia. entretanto a sazonalidade do controle pode ser diferente. os processos locais assumem maior controle durante o período de vazante. Entretanto. As águas dos diferentes canais do sistema podem se misturar com diferentes intensidades. Ver detathes no texto. com águas provenientes do transbordamento dos rios Paraná e Ivinheima. PSJ se refere à estação fluviométrica de Porto São José. rio Paraná. Por outro lado. e qual área é afetada. C e D) demonstrando a condição de inundação em diferentes níveis fluviométricos. Percebe-se então que a freqüência de ocorrência das cheia nos rios Paraná e Ivinheima (figura 8-A) pode indicar de qual ambiente fluvial os ecossistemas sofrem maior influência. o rio Ivinheima pode apresentar um regime hidrológico bimodal. A B C D Figura 7.

ricos em material orgânico e compostos húmicos (figura 8-B). considerando os diversos estágios dos corpos aquáticos presentes no sistema. e por conseguinte interferir de forma espacialmente diferenciada na biota inundada. desencadeando outros processos sucessionais. As águas fluem através dos canais interligados com maiores velocidades. Do ponto de vista da evolução geomórfica. mais baixa. os eventos de cheia podem homogeneizar os ambientes e conectá-los (Thomaz et al. e de processos de rompimento de dique provocados pela energia da água durante tais eventos. justamente onde estão presentes os canais do rio Baía e Corutuba. há um deslocamento das águas do rio Paraná no sentido da várzea. por outro lado. quanto aos de vazante (baixos fluxos). 1997). a freqüência dos processos geomórficos e ecológicos desencadeados pelo pulso de cheia é maior do que nas demais áreas da região estudada. quando os eventos não são tão intensos. A região das lagoas. A coloração mais clara indica diferentes intensidades de material particulado (principalmente inorgânico) em suspensão. os quais drenam regiões de diferentes litologias e tipos de solos a montante. Adiante tais eventos serão discutidos separadamente. Já do ponto de vista ecológico. 66 . os eventos de cheia são responsáveis pela esculturação das formas no canal e pelos processos geomórficos que conduzem aos estágios de sucessão hídrica (e/ou evolução geomórfica). e sobre a várzea. dependendo da morfologia dos canais e dos depósitos da planície.. em menores velocidades. dependendo do objetivo do estudo. é importante frisar que. Assim. durante cheias extremas. Tais fatos acabam por provocar diferentes intensidades no processo de homogeneização das características físicas e químicas das águas. apresentam pouca atividade geomórfica. Os extremos mínimos. considerando-se os eventos hidrológicos do rio Paraná e do rio Ivinheima. maior importância pode ser dada tanto à freqüência de eventos de transbordamento (altos fluxos). No entanto. porém podem ser fator limitante para as espécies que necessitam da manutenção de água nos ambientes lênticos do ecossistema rio-planície de inundação. A coloração mais escura deve estar indicando maior presença de compostos húmicos. quando em cheias de grande magnitude. que drenam inúmeras lagoas e ambientes de brejos e várzeas. De qualquer modo. derivados dos processos de runoff nas vertentes e carreados para os rios Paraná e Paranapanema. se apresenta como a primeiramente inundável e a que mais freqüentemente é inundada. por rompimentos de diques. derivados dos ambientes de várzea. Assim. torna-se mais complicado a delimitação das áreas e o entendimento dos processos geo-ecológicos conduzidos pelas inundações.interferência da geomorfologia dos depósitos sobre o escoamento. que fica parcialmente misturada na porção esquerda e pouco misturada na porção direita (região dos paleocanais reativados). além de interferirem nas rotas de migração de várias espécies.

VAZANTE PARANÁ sem dados Ivinhema 7% IVINHEMA 28% PARANÁ 40% CHEIAS 23% VAZANTE 71% PARANÁ E IVINHEMA 30% PARANÁ sem dados Ivinhema 2% A B B Figura 8. aqueles dos canais secundários da margem direita (semi-lóticos). pode-se avaliar tal freqüência para os processos ecológicos. Zoneamento de áreas inundáveis Com base na freqüência espaço-temporal dos processos hidrológicos e geomórficos. assim como lagoas conectadas e não conectados aos canais (lênticos). sejam eles ambientes fluviais (lóticos). deve ser considerado o grau de conexão entre os corpos d’água existentes no sistema. A) Distribuição da freqüência com que os rios Paraná e Ivinheima provocam inundação na "área núcleo" da planície fluvial. e na morfologia do sistema rio-planície de inundação aqui mencionados. Aspectos de Transbordamento no trecho multicanal do Alto Rio Paraná. Fonte: Comunello (2001). Para tanto. e 67 . A e B nesta figura indicam os locais de rompimento de dique marginal e entrada das águas do rio Paraná na Planície. B) Alterações nas características físico-químicas das águas durante uma cheia de grande magnitude.

Baía e Ivinheima são os principais reguladores hidrológicos dos ambientes de várzea. 1989). no caso dos ambientes fechados (sem conexão com os canais). zona de inundação do rio Ivinheima Z. a dizer. brejos e paleobarras/paleoilhas e diques marginais. ou da drenagem a que estão associados. podendo ser interpretados como intermitentes (ou temporários) ou áreas permanentemente secas. constituírem ambientes diferentes. Nesta. A estação de Ivinheima (no rio Ivinheima). incorporando 2 tipos de ambientes perenes: canais e lagoas . De qualquer forma nesta área de estudo. podem ser encontrada em diferentes estágios de sucessão hidrológica e. os rios Paraná. desta forma.I. sendo necessária a introdução de registradores de nível d'água (linígrafos) nos ambientes de várzea. e 3 tipos (estágios) de ambientes transicionais da ZTAT (ambientes em terrestrialização): lagoas temporárias. sendo os mais estudados aqueles de corpos aquáticos.P.(ATTZ de Junk et al. Uma variedade de biótopos associados a este sistema rio-planície fluvial são conhecidos entre Porto Primavera e Porto 18. numa primeira aproximação. Infelizmente. 3 zonas de inundação (zona de inundação do rio Paraná Z. foram levadas em consideração primeiramente a localização dos corpos (na calha do Rio Paraná ou na Planície Fluvial).I. os corpos d'água que se mantém com água mesmo em níveis inferiores aos níveis mínimos podem ser referidos como corpos aquáticos perenes (A). transicionais e terrestres da Planície Fluvial e Ilhas do Rio Paraná. transicionais e terrestres neste sistema.). Os que permanecem secos diante de tais situações. podem ser incorporados à zona de transição aquática-terreste (B) . ou o nível do lençol subterrâneo. apenas o rio Paraná possui estação fluviométrica com amostragem diária precisa dentro dessa região (Porto São José).contendo vários tipos de canais fluviais (ambientes semi-lóticos e lóticos). subsistema canal Corutuba e subsistema baixo rio Ivinheima.B. que possam mantê-los perenemente.das áreas periodicamente secas/úmidas (ZTAT). foram classificadas..I.. o relacionamento da topografia com as alturas hidrométricas são a base para o entendimento funcional dos corpos aquáticos. só inundadas em eventos extremos (paleobarras e paleodiques). Assim. vários tipos de lagoas perenes (ambientes lênticos). zona de inundação do rio Baía Z. no subsistema rio Baía. Para um melhor entendimento dos efeitos das pertubações provocadas pelo fluxo (tais como os pulsos hidrológicos) dos canais sobre os outros corpos aquáticos. e em segundo plano o tipo de ligação hidrodinâmica (superficial ou subterrânea = conectado ou fechado) e a herança e o estágio geomórfico dos corpos aquáticos (sucessão hídrica) (figura 9). Para tanto.. Uma medida conveniente para se identificar aqueles corpos d'água perenes (canais e lagoas) ou temporários (lagoas e baixios) pode ser a partir da definição dos níveis mínimos de água dos rios. apesar de um pouco distante a da Planície Fluvial também fornece importantes registros diários.I. Cabe lembrar que formas que compõem uma mesma feição do relevo destes ambientes (como um paleocanal). frente às condições hidrológicas de controle (pulso hidrológico e/ou precipitação local). 68 .

. Rocha & Souza Filho. quer seja na região montante do rio Baía ou montante do Canal Corutuba. considerando o regime hidrológico dos dois rios. Thomaz et al. 1996. . Os ambientes da calha principal apresentam maior conectividade (canais secundários. Comunello. pouco comuns. lagoas abertas e lagoas fechadas sem diques marginais respectivamente). têm origem idêntica àquelas da planície fluvial (paleocanais). as precipitações locais e o fluxo dos córregos de baixa ordem. 69 . os ambientes aquáticos semi-lóticos e lênticos da planície fluvial (canais.. 1995. Rocha.. No entanto. e sobrepõe-se à parte oriental da ZIP. hoje controladas pela variação hidrológica dos outros corpos lóticos.Ambientes da planície fluvial / sistema anastomosado: Nesta zona. Baseando-se nos aspectos topográficos do sistema Rio Paraná-Planície Fluvial (cartas topográficas). 1997. Entretanto. na análise de fotografias aéreas e imagens de satélite de diferentes períodos hidrológicos (secas. 1997. 2001). em similar posição topográfica. Nesta área são importantes os refluxos causados pela elevação do rio Paraná. transbordamento). O entendimento dos processos físicos e ecológicos devem ser interpretados de acordo com as características locais do ambiente associadas com o controle hidrodinâmico do rio Paraná. os poucos lagos cercados por diques marginais e lagos em ferradura. considerando as zonas de inundação aqui referidas. cheias parciais. além de baixios (brejos).Zona de Inundação do Rio Paraná / Ambientes da calha e ilhas do rio Paraná: Tais ambientes são diretamente influenciados pelas características físicas e bióticas dos canais principais do rio Paraná.Ambientes da planície fluvial / sistema anastomosado: Em tais ambientes. não sofrendo influência dos ambientes da planície fluvial. Fernandez & Souza Filho. cabe aqui apresentar uma nova aproximação quanto aos níveis fluviométricos necessários para os diferentes estágios de conectividade hidrodinâmica superficial para os ambiente da calha do rio Paraná e da Planície Fluvial. que seja do rio Ivinheima. Tal área é relativamente mais baixa. Veríssimo. tal área tem como característica a bimodalidade de inundações anuais. as lagoas oriundas do alagamento de paleocanais nas ilhas. encontram-se as áreas que primeiramente são alagadas. Em seguida. no entanto. relacionadas aos pulsos hidrológicos dos rios Paraná e Ivinheima. assim como das atividades geomórficas de importância nos diferentes sub-sistemas. Zona de Inundação do Rio Ivinheima . Nesta área estão concentradas muitas lagoas conectadas e fechadas. É necessária a compreensão da proveniência dos processos hidrológicos para se poder avaliar a interação com os processos locais em cada trecho deste subsistema. 1995. quer seja devido a um pulso hidrológico do rio Paraná. são menos passíveis de serem conectados. Por fim. há uma certa complexidade nos processos hidrodinâmicos que controlam os ecossistemas locais. normais. lagoas conectadas e lagoas das ilhas. e a partir da correlação de dados físicos e bióticos obtidos no campo com os níveis fluviométricos (Rocha et al. do ponto de vista genético. margens plenas.Zona de Inundação do Rio Baía . respectivamente). 1994.

70 . quanto no sentido da conectividade. apresentando recorrência de 1.Figura 9. cuja importância está tanto no sentido geomórfico. considerado como estágio de margens plenas (Fernandez & Souza Filho.I. Note a sobreposição das mesmas na região das lagoas . é possível o ressecamento de grande parte dos corpos aquáticos de todo o sistema. 460 cm. Áreas Inundáveis e Níveis Fluviométricos Com base na régua linimétrica da estação fluviométrica de Porto São José (ANEEL).I.09 anos. a partir do qual as barras do rio Paraná são encobertas.parte baixa desse trecho da Planície Fluvial do Alto Rio Paraná. -N. a partir do qual se mantém perenes os corpos aquáticos fechados do interior das ilhas do rio Paraná.A. 1995). a partir do qual pode se iniciar a entrada das águas do rio Paraná pelos canais de ligação. podendo chegar às lagoas e iniciar a inundação da parte mais baixa da Planície Fluvial. se sob influência do rio Paraná.A. Abaixo deste. 350 cm. localizada na Z. 4 classes de níveis de água assumem grande importância no processo de inundação na planície fluvial pelo rio Paraná (tabela 1): -N. Delimitação das 3 zonas de inundação na região núcleo dos estudos. através do nível do lençol subterrâneo nestas.

Baía Provável predom. Paraná corpos aquáticos ilhas e Planície Fluvial. Z. Início de inundação na região das lagoas (foz do Corutuba/lagoa dos Patos) Grande influência do rio Paraná sobre os corpos aquáticos desta zona. pode haver manutenção do fluxo livre no Ivinheima.I. > 700 cm Transbordamento para as ilhas e planície fluvial. Processos locais influenciados p/ chuvas locais e peq. iniciam trocas de fluxo nos secundários. Influência dos níveis fluviométricos do rio Paraná sobre as 3 zonas de inundação do sistema rio-planície fluvial. Provável predomínio de ligação. com fluxo sobre as superfícies. Z. Sem influência sobre esta Possível refluxo nos canais A influência do fluxo dos canais maiores sobre os menores e lagoas se dão com maior intensidade. No caso Transbordamento para a do fluxo sobre as lagoas e elevação nos níveis de água dos corpos aquáticos e do canal. Transbordamento para a planície fluvial. Manutenção dos corpos aquáticos tempor.A.A. planície fluvial. Típica mistura das características físico-químicas das águas provenientes da várzea e do rio Paraná lençol freático. Processos locais positivo.Tabela 1. 71 . de fluxo p/ jusante na saída. dos corpos aquáticos pelo Intensificação da influência Inundação parcial. ídem à ZIP. fluxo. das características do rio nos demais corpos aquáticos. Ivinheima. Intensificação da mobilização de formas de leito e de processos erosivos nas margens. condicionados de fluxo tributário no canal ao nível local. Em caso de cheia conjunta dos rios. com fluxo sobre as superfícies. e diminuição das vel. com fluxo sobre as superfícies. Local < 350 cm Nível d'água do lençol freático pode abaixar além do fundo da maioria dos > 350 cm Nível a partir do qual há manutenção dos corpos aquáticos da ZIP e se > 460 cm Influência sobre os ambientes associados às barras atuais e canais > 600 cm Inundação parcial. Elevação no N.I. possíveis depósitos de leque de crevasses a partir de partes baixas das margens. e/ou chuvas locais. temporários no interior das ambientes conectados. parte jusante do rio. Tributários. Influência no N. Predom. Toda área é inundada. canal Corut. de fluxo do rio Baía para a várzea: através das partes baixas marginais e paleocanais. O fluxo para jusante pode se restringir ao canal Corutuba.. zona. Típica mistura das características fisico-químicas das águas provenientes da várzea e do rio Paraná. afogamento do baixo r. na planície. assim como das lagoas p/ a várzea. Ivinheima e/ou dominados p/ regime do rio Ivinh. Em caso Ipoitã.I. Intensas trocas locais. Lagoas abertas podem passar a canais secundários. Início de processos de refluxo e afogamento na Z.

I. Início de inund.I. (Zona de Inundação do rio Ivinheima) quando o rio Paraná não excede 350 cm.I.A. 250 cm. as lagoas transbordam e baixios e áreas baixas (brejos) ficam alagados.A.A. 600 cm. No entanto. aquáticos desta ocorrência de zona. para os canais na fase de vazante Ivinh. nível a partir do qual toda a planície fica encharcada/alagada. Nos demais ambientes. No rio Ivinheima (estação fluviométrica de Ivinheima-MS). nível médio histórico do rio. dada à elevação nos níveis do rio Paraná.I. 700 cm.I. (tabela 2): -N. nível de margens plenas naturais. em determinado estágio do pulso. até atingir nível superior a 700 cm na régua da estação referida. nos ambientes Ivinheima com abertos. 400 cm. Grande contrib. Tabela 2. caso o freático processos locais. Local < 215 cm Processos locais nos amb. porém a ZTAT ainda se mantém sem fluxo na sua maior parte. A partir deste há transbordamento completo para a planície fluvial e pode haver fluxo sobre a mesma. -N. descrita anteriormente. Tal inundação se dá através do transbordamento de lagoas sem diques e pela elevação do lençol freático./L. na região das lagoas (saída do Corut.. 215 cm. os dados conhecidos até o momento permitem a identificação de 3 classes de níveis fluviométricos de importância restrita à Z. Tal situação é similar àquela que ocorre quando o rio Ivinheima está abaixo de 250 cm e o rio Paraná está com nível se elevando a partir dos 460 cm. cujo nível d'água atinge o topo dos diques marginais relictos na calha do rio Paraná e as partes altas da planície fluvial.A.. suficiente para a manutenção dos corpos aquáticos perenes e transicionais com água dentro da Z.I.I. Paleocanais podem se comportar como lagoa nesta zona. Inund. É comum a ação do contra fluxo nos canais de ligação (Ipoitã e Baía). nível a partir do qual se inicia a inundação da várzea da Z. abaixe muito seu nível. maior intensidade. Patos) Z.Possível ressecamento em >215 Conexão com o rio >250 Influência do rio >400 Grande contib do rio Ivinheima nas trocas na fase de enchimento.I. quando os níveis do rio Paraná estão próximos à sua média. Tal situação se revela similar à que ocorre quando o rio Paraná chega aos 600 cm e o rio Ivinheima permanece abaixo de 250 cm. com algumas entradas por diques rompidos. Influência dos níveis hidrométricos do rio Ivinheima sobre a Z.I. -N. dos amb. 72 . sem conexão.I. geralmente no início do pulso de cheia.. mesmo com os níveis do rio Paraná abaixo dos 460 cm em Porto São José-PR. -N.I.A.-N. amb.I. nível a partir do qual ocorre inundação generalizada na Z.

a zona de transição aquática-terrestre se apresenta como ambiente terrestre no período de águas baixas. A ZII se apresenta como a primeira área a ser inundada nesta região. e um controle local sobre os processos geo-ecológicos se estabelece regionalmente. no período de águas altas. Assim. Esta situação permite que haja transbordamento local sem que haja o transbordamento no rio Paraná. é de fundamental importância o entendimento dos processos hidrológicos envolvidos nos ambientes em estudos. quando se considera o sistema de inundação do Alto Rio Paraná. Do ponto de vista temporal (diário. e como área inundada. Neste sentido. 1990). nos níveis acima de 250 cm e 460 cm nas estações 73 . um cuidado deve ser tomado quanto a proveniência do pulso – canal principal (rio Paraná) ou tributário (rio Ivinheima).A. e o sentido do fluxo no momento da amostragem. assim como dos processos ecológicos decorrentes. cuja dinâmica fluvial originada pela inundação é responsável pelos diferentes estágios sucessionais dos ambientes aquáticos e transicionais. As zonas de inundação representam as áreas por onde os pulsos hidrológicos dos canais escoam. a grande riqueza de espécies está relacionada diretamente à uma grande diversidade de habitats e ecótonos. para se compreender o relacionamento momentâneo de tais variáveis. a um nível altimétrico superior ao do rio Paraná. tanto no rio Ivinheima quanto no rio Baía. e uma intensa contribuição do lençol freático na calha total permite que o sentido normal do fluxo se restabeleça. ou ainda precipitação local. semanal. cabe incorporar a estes biótopos os conceitos de “limnofase” (ambiente lêntico) e “potamofase” (ambiente lótico) no que diz respeito ao comportamento funcional sazonal dos subsistemas aquáticos (Neiff.um comportamento isométrico dos níveis de água nos canais se estabelece. Existe um alto grau de heterogeneidade espaçotemporal nos processos geomórficos e hidrodinâmicos nestes ecossistemas. quando ocorre um pulso hidrológico do rio Ivinheima. ou do rio Paraná. mensal ou sazonal). ex. No entanto. porém com o devido cuidado a respeito aos ambientes reguladores (hidrometria dos canais ou pluviometria local) e com as variações hidrométricas dos canais em relação à posição topográfica dos corpos aquáticos (conectividade espaço-temporal). como a relação entre o nível da água e as velocidades de fluxo. as variações hidrométricas em uma sequência anterior e posterior ao período de amostragem (p. os depósitos e a hidrodinâmica assumem grande importância na estrutura e função dos ecossistemas rio-planície de inundação. Tal fato pode perdurar até a fase de vazante na hidrógrafa de cheia. Conclusões A geomorfologia. Com referência à alternância do regime hidrológico e à geomorfologia do sistema. com o aumento do N. últimos 15 dias e os 15 dias posteriores). Tais prerrogativas exercem grande importância na definição e delimitação das áreas mais ou menos afetadas (influenciadas) por uma determinada magnitude de pulso hidrológico no sistema.

Brazil. 134-141 pp.. Brasília-DF.E... 7. Efeitos do regime hidrológico sobre a evolução de um conjunto de ilhas no rio Paraná. 1990. 74 . E. Vol. Fish. W.P. & A. Quanto à sazonalidade das inundações. 47 p. 1989. FERNANDEZ. W. 1983.V.J. Rio de Janeiro-RJ. ao GEMA. Present. BAYLEY. 2001. ITAIPU BINACIONAL. Aquat..P. V. Agradecimentos Os autores agradecem à CAPES/CNPq.B. 1995. 1998... & SOUZA FILHO. 1994. os quais se apresentam atualmente como lagoas e brejos. Rev. PAIVA. 1990. & NAIMO. 106.). Região Sul. DAG.. Rio de Janeiro. S.. PPGEUFRJ. Ideas Para la Interpretacion Ecologica del Parana. and Future Concepts in Large River Ecology. Spec.Q. geralmente na primavera e no verão. 424440 pp. Can. n° 43. Editerra.J. Geociênc. JUNK. F. Referências COMUNELLO. Boletim Informativo. Dodge (Ed) Proceedings of the International Large River Symposium. Franco (eds. 1995. ESTEVES. Maringá-PR. P. a ZII é a mais freqüentemente inundada. vol IV. Public. e do rio Ivinheima.. vol 15. Curitiba. Considerations on the Ecology of Wetlands. & FÚLFARO. Foz do Iguaçu-PR. NEIFF. F. Ecophysiological Strategies of Xerophitic and Amphibious Plants in the Neotropics. Séries Oecologia Brasiliensis. M. Interciencia. ed da UFPR. 45. devido a maior presença de paleocanais dos sistemas pretéritos. N. IBGE. The Flood Pulse Concept in River-Floodplain Systems.Geologia da Chapada dos Parecis. NUPELIA e PEA da UEM. à UNESP pelo apoio logístico. In: D.C. n.3.. 2. R. J.J. Sci. & SPARKS. L. Geografia do Brasil. 1982. p161-171. geralmente no verão. Past.J. With Emphasis on Brazilian Floodplain Ecosystems.E.A. BioSciece. 110-127 pp. O. UEM/CBS/PEA. Dissertação de Mestrado. Brasil. PETRI. 6. JOHNSON.. inédito. Brasil. CNPq/CT-Hidro e à FAPESP pelo apoio financeiro.. T.fluviométricas dos rios Ivinheima e Paraná respectivamente.B. Grandes Represas do Brasil. E. Tal área é mais baixa. n.J.. Mato Grosso. Dinâmica de Inundação de Áreas Sazonalmente Alagáveis na Planície Aluvial do Alto Rio Paraná.R. pois sofre os efeitos dos pulsos do rio Paraná. In: Scarano. RICHARDSON. Boletim Paranaense de Geociências...

Santiago-Chile. J. Anais.C. Inédito. SPARKS. WARD..E. E.& CUSHING. na Planície de Inundação do Alto Rio Paraná. MINSHALL.M. R.. D. N. vol. Ed.L... 45. vol..V. de Geógrafos. 1994.B. CUMMINS. 1997. & SOUZA FILHO. Águas de São Pedro-SP. & BINI.. S. M. Entre Porto Primavera-MS e Porto 18-PR. 47.M. 1995. na Região de Porto Rico-PR.L. P.. J. O.C. P. M. Instituto de Geociências/ USP. THOMAZ. E. C. VANNOTE.. E. J. Inédito. J. Tese de Doutorado. 1995. Alterações no regime hidrológico do alto rio Paraná como resposta ao controle de descargas efetuado por grandes barramentos a montante. and Hahnn. STEVAUX. São Carlos: UFSCar. E. PR-Brasil.W. N 44.C. SOUZA FILHO. ALLAN..L. 1995. Aquat.. 168-182. ROCHA. ). n. FERNANDEZ. J. 130-137..D.. SOUZA FILHO.E. Need for Ecosystem Management of Large Rivers and Their Floodplains. A Planície De Inundação Do Alto Rio Paraná.. KARR. 105-119 pp. Dissertação de Mestrado. (eds).. L. VIII Encuentro de Geógr.Q. Agostinho. VII Encontro Sul-Mato-Gross. J. E. P. N. SPARKS.S. 1993. Bol Resumos IV Simpósio de Geologia do Sudeste.. vol.. Instituto de Geociências/USP..R.3.POFF.C. BioScience. SANTOS.. & STROMBERG. Aspectos Fisiográficos da Planície Aluvial do Alto Rio Paraná. BAIN.A. 769-784. S.C.E. São Paulo-SP. RICHTER.W. P. Can. UEM-Nupelia. ROBERTO. Bioscience. 1997. Ilha Porto Rico. 1997. R. Boletim Paranaense de Geociências. O Rio Paraná: Geomorfogênese.. p..R. 1996. In: Vazzoler. ROCHA.. The natural flow regime: a paradigm for river conservation and restoration. UFPR. Erosão Marginal em Canais Associados ao Rio Paraná. K.A. 77 p. Tese de Doutorado. Três Lagoas-MS. 11. B. & STANFORD. A. Aspectos da Geologia e Estratigrafia dos Depósitos Sedimentares do Rio Paraná entre Porto Primavera (MS) e Guaíra (PR).E. SEDELL.E.E. 75 . pp 28-39.A. R. ROCHA. 1993.37.. K. G.. 11. ROCHA.E. Regulated Rivers: Research & Management. Ecological Connectivity in Alluvial River Ecosystem and Its Disruption by Flow Regulation. The river continuum concept.. Sedimentação e Evolução Quaternária do seu Curso Superior (região de Porto Rico-PR). de América Latina.. 2001. Caracterização Limnológica dos Ambientes Aquáticos e Influência dos Níveis Fluviométricos. M. 1980. H. Curitiba-PR.C. P. Inédito.C. Abrangência de Enchentes Sobre a Planície Aluvial do Rio Paraná Entre Porto Primavera-MS e Porto Camargo-PR. Variações na Composição da Ictiofauna em Três Lagoas Sazonalmente Isoladas.L. Maringá-PR. J. Sci. PRESTEGAARD.. VERÍSSIMO.M. & SOUZA FILHO. São Paulo-SP.V. A. Fish.

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->