QUARTO CEITEIIRIO DO DESCOIIRimTO Dl IIDll

SOCIEDADE DE GEOGitAPHIA DE USBOA
DOS FEITOS
D. CHRISTOVAM DA GAMA
ETHIOPIA
TRATADO COMPOSTO
MIGUEL ~ ~ O S O
FRANCISCO MARIA ESTEVES PEREIRA
LISBOA
IMPRENSA NACIONAL
1
~ 1-
... ,}
{ -·
""'--"-"'.
/
INTRODUCÇÃO
. - . ~
EMPRESA de D. Christovam da
Gama e dos quatrocentos solda-
~ ~ dos, que com c:lle entraram em
1! Ethiopia em t54t, é uma diL!
mais heroiciL! dos Porrugueses
no Orieme, de maior importan-
cia religiosa e politica, e de mais
interesse militar.
Havia mais de doze annos que
o imam Ahmad ben lbrahim al-Ghazi, conhecido mais
commummcnte pelo sobrenome de Granhe (canhoto),
com um exercito, composto de musulmanos de Adal e
de Turcos mercenarios, havia invadido o antigo reioo de
Ethiopia, vencera o seu rei em mcltas bata1h1L!, senha-
ceara quasi todas as provincias do seu reino, destruira
numerosas aldeias, incendiara as egrejas, e vendia como
escravos aquclles que não se convertiam ao isla..rnismo
VI
e não se submeniam ao seu dominio; foi cntfio que
D. Christovam da Gama com quatrocentos soldados por-
tugueses entrou em Ethiopia, c com o seu aux.ilio o rei
foi restabelecido no seu antigo poderio, o reino libertado
da oppress5o dos muaulmanos, e por ventura os habi-
tantes ãaquelle paiz foram sslvos de renegar a relisião
christã.
Esta empresa foi perpetrada nas ma'is extraordinarlas
condições, c houve innumeras c grandes diffi.culdadcs
a vencer. A marcha effectuou-se por um sertão sem
caminhos regulares; os Portugueses primeiramente per-
correram um paiz Biido dcbnixo de um sol ardentissimo;
depois subiram altissimas montanhas por ingremes ve-
redas, e transpuzeram profundos rios e torrentes, guar-
dando sempre a mais rigorosa disciplina e regular ordem
tactica. Para transpon.ar a an.ilharia, muniçõei!i e man-
timentos fizeram os carros necessarios, tendo primeira-
meme de cortar as arvores, serrar os troncos e afeiçoar
a madeira; e ainda muitas vezes os carros foram des-
feitos, e as peças de artilharia desmontadas e levadas
ás costas cada uma das suas partes. No estacionamento
o arraial foi fortificado com tranqueiras e vallos, e guar-
dado com visilancia. No combate luctaram com pros-
pero successo com um aercito muitas vezes superior
em numero, aguerrido e victorioso, comma11dado por
um capitão audacissimo e feliz, cujo nome era o terror
e espanto de toda Ethiopia.
Aos soldados portugueses animava-os o mais vivo de-
sejo de honrar a patria e o ardente zelo da rc:ligiáo
christã; e como diz o chronista do rei de Ethiopia, eram
varões valoroJDS e comtanles, que estavam Jtquiosos de
ptlejaJ como o lobo efaminlos de combates como o leão•.
O seu capitão era um moço activo e corajoso, educado
na guerra desde os ma'is tenros annos; e como diz o
1 Cllro,ic<J 4e Galav4&oo:l
1
ed. Conzelman, cap. ::.:n.
VD
mesmo chronista, va/oro!IQ con#tmle, cujo r:or.Jção era
como o ferro e o bron:re 110 conJb.Jte•. Esse moço foi
filho de D. V asco da Gruna, o grande nfi.Yegador, que
fez o descobrimento do caminho maritimo da lndia.
II
D. CHRISTOV AM DA GAMA
D. Vasco da Gama, 1.° Conde da Vidigueira, e Almi-
rante do mar da foi casado com D. Catharina
de Atha'ide; d'esre matrimonio nasceram:
l-
0
D. Francisco da Gama, 3." Conde da Vidigueira,
Almirante do mar da lmlia, e Esrribeiro mór d"el Rei
D. João IIP.
• Cllronictl GalavdWN, ed. Con1elman
1
c1p. u.
'No mQJluscriplo B-6-14 d11 Bibliorheca N1c:ional de Lilboa,
auribuido a Diogo do Couto, referem-se os successos de D. V1sco
d11 Gama e de seus filhos no Oriente. Este mllnl.lscripro um livro
d11 papel de '2IY1 folhu de o,•::agXo,•::a•, eDCaderna.lo, u.cripto com
tres lelns do seculo ll.\'111. Tem por titulo: Tro2tado
Iodas tu 1110 •aln-om Capitio Dom l''DJco da
Ga.tnJ da do Mar da
110 dr$Collrimtnto, e t:011flllllas dos e Terras da
' Iodas tU • lta. ltrdia. paswu, das aJJuas pr •
d,-am a rodos stllll jiJiros. Dirigido a D. Frarteisco da Gama
da l'"idiprira Almiratrlt do ltrdico, e •i3orr-ei da ltrd;a.
Por Diotfo do CoNto Crortisla e G11arda morda Torr"P do
da /Mia.
A dedicatorin i datado de Goa de 16 de novembro de 1!199-
0 tratado complk-se de dua..s partes; na primeira cont11m-se os
succeuos de D. Vasco da Gama nas suas Ires viagens tlndia; na
segunda rderem-se os feitos de seus filhos U. Es.tevam, D. Paulo
1
D. Christovam c D. Pedro d11 Silva no Oriente. A narraçlo i iden-
tica A das. D«adas da A1ia de Barros c d11 Couto, umas veae.s abre-
viad ... e outros rep!"Oduzida verbalmente.
' Tci-.:eira de Arasão, l'"a.rco da Ga.ma e a Vidi,8Nf!ira
1
no Bole-
tim da Lisboa, 6.•&erie, pag.lS 1 e scgs.
VIII
D. Estevam da Gama, a quem foi dada a capi-
tania da fortaleza e cidade de Malaca, por tempo de
quatro annos; com (joo:ooo reaes de ordenado cada anno,
por cana dada em Serubal a 21 de março de

$Crvindo desde J534 até •53g•; nomeado Governador
da lndia por carta de segunda successãol, servindo desde
4 de abril de 1S4D alé 7 de maio de 1S424.
3.
0
D. Paulo da Gama, a quem foi dada a capitania
mór do mar de Malaca, por tempo de tres annos, com
2oo:ooo reaes de ordenado cada anno, por carta dada
em Serubal a 29 de março de 1S325, servindo desde
J533 até 15346.
4-" D. Chrisrovam da Gama, a quem foi dada a ca-
pitania da cidade de Malaca, por tempo de tres annos,
com 6oo:ooo reaes de ordenado cada anno, por carta
dada em Lisboa a 12 de janeiro de J5387; em 1S41 foi
em Mccorro do rei de Erhiopia.
5." D. Pedro da Silva da Gama, 8 quem foi dada 8
capi1ania da fortaleza e cidade de Malaca por 1m1po de
1 Ar.:h. Nac:. da Torre do Tombo, Clranctllaria drD.Joio III,
liv. foi. ]ot'.
• Couto, IkcadtU da Asia
1
Dec. rv
1
liv. vw, cap. ••; e Dec. v
1
Jjy, YII,Cip.l.
3 A carta de primeira succesalo, na qual Martim Affonso de
Sousa en nomet1do governador da lndia
1
era datada de Lisboa,
de 10 de Março de 1 S38. {Gaspar Correa, úrtdas da lrtdia, tomo n•
1
pag. ••çe 1110). A carta de segunda su.:cessio
1
naqual D. Estevam
da Gama foi nomeado sovemador da. lndia
1
era provavelmente da
mesma data.
4 Couto, Dec. Y,liv. yu
1
cap. li e Dec. Y,liv. 't'dl
1
cap. n..
5 Arch. Nac. da TarTe do Tombo, de D. Joio III,
liv. foi. lo .,_
6 Couto, Dec. n·, liv. cap. XJ,
7 Ar.:h. Nac. da TOITe do Tombo, Clulftcrllaria dr D. Joi.o
Jiv.49,f0J. 3gt'.
a
r:res annos., com 6oo:ooo rcaes de ordenado cada anno,
por cana dada em Almeirim a 26 de janeiro de rS41'
1
desde 1S49 até .SS2 •.
6."' D. Alvaro de Alhaidc, a quem foi dada a capitania
da for1aleza c cidlldc de Malaca, por tempo de rrca
annos, com o ordenado por carta dada cm
Almeirim a 10 de março de a546', servindo desde r:tS2
até r554 ...
7·., D. Isabel de Alhaidc da Gama, que foi casada
com Ignacio de Noronha, filho do r."' Conde de Linha-

D. Olristovam da Gama era o quarto filho de D. Vasco
da Gama. Não são conhecidas ao certo a data c a 1crra
do seu llascimcnto; mas foi no anno de r5t6, ou pouco
depois
6
, provavelmente na cidade de Evora, onde seus
• Arch. Nac. da To!Te do Tombo, Cltm•c•llaria D.Jo«J li I,
liw. lt
1
foi. 18r.
:1 Couto, Dec. n, liw. '11
1
c•p. w1; c Dec. '11
1
liY. "&
1
clp. w.
l Arch. Nac. da TorTe do Tombo, Cltartc:ftlaria D. João III,
liv. Jl, roL 97 "·
4 Couto, Dec. Yl, liv. :11, car- wu; e Dec. "'• liv. z, cap. J:YUI.
, Teixeira de Aragüo, Vasco da G.vna r a • no Bolrrim
da di! Gl!ograpltia de Usboa, 6.• serie, P•B· .552.
115 D. Vasco da Gam1, quendo em 1497 puliu p1n o des.:obri-
mento do caminho da lndia
1
en solleiro
1
e tinha trin1e ennos de
edade; morreu e ll4 de daz.embro de 1Sll4 com cincoenta e oito
annos (Diogo do Couto, Tratado ro.:las as CotlJIU IIOCtdida• ao
,.tJJrrwo C.spirão Dom Vasco da Gama, rtc:., (ol. 9 ... , e 99 r); por
tanto O. Vasco da Gama nasceu em 1466 ou 1467. D. Christovam
era mais novo que scus irmãos O. Fnncis.-::o, D. Este\'am e D. Paulo.
(Luciano Cordeiro, Drsc:obrrtas e dr:u:obridorrs, no da So-
drGrograp1oi« de Lisboa, 11.•serie, pag. 29S ;Couto, Dec.1v,
liw. YIU
1
cap.11). Em IS19 O. Francisco ena de menor edade fLudano
Cordeiro,o6. cir., pag. 29S); e D. E:nevam tinha trintl e cinco a trinta
e aete annos. quando em 1S40 entrou ao carso de Governador da
pacs residiram desde rS.u7 até 619 em umas casas da
rua, que hoje tem o nome de= Vasco da Gamo•.
A educação de= D. Christovam do Gama parece ter
sido muito cuidada e bastante completa, c sem duvida
foi dirigida com o fim de seguir a carreira das armas,
como seus irmãos, c de servir na lndia, cujo caminho
por mar seu pac havia descoberto.
Quando D. V asco da Gama em 1S24 foi governar 8
lndia com o tilUio de Visorei, levou comsigo seus filhos
D. Estevam e D. Paulo; porque uma das mercês, que
el Rei D. João III então lhe fez, foi dar-lhe 8 cspitania
da fonaleza de Malaca para todos os seus filhos, que
serviram quatro d"elles
11
• D. Olristovam da Gama não
foi com elle, provavelmente por não ser ainda de edade
para fazer a viagem, porque era dos quinze aos dezoito
annos que os filhos dos fidalgos começavam a exercitar-
se nas armas.
A primeira vez que D. Cbristovam da Gamn foi para
a lndia tinha cêrca de dc::zassc:is anoos. Em março de
1532 partiu de Lisboa uma armada compmta de= cinco
naus, de que era capitão mór o doutor Pera Vaz do
lnd.ia (Gaspa.-Co.-rca. ú11d.a!l d.:J lrt.Jia, tomo IV
1
pag. • • po.- i11o
nasceu pelos annos de 1Sol a •.5oS.
·Então [em jl.llho de •54•] o capitão mor sayo •••anle com só-
mente Dl> Capitães a faUar IIi Raynha, vestido mui riquo e
que en. gen1il homem, de idade ate vinte e cinco annos.• (Gaspa.-
Corrca, Lmd.as da /rrd.ia, tomi'J •v,pas.3S1)- Es1a ia unicaindicação
que se encon1ra nos documcnlos conhecidos e oos escriptores
contemporaneos ãcêrca de D. Christovam de Gam.., o
qual portanto nasceu em ou pouco depois. Se esta eJade nio
é in1einmente ezae1a, deve ser muico approzimada, porque Gaspar
Correa estava na India em 1S.f.O, e sem duvida conhecia pessoal-
mente D. da Gama.
• Teizei.-a de Aragiio, l-"4!'roda Garrta r ti no
da Soeiedadr Grogr11pllia dr 6.• seritt, pag. SS1 •
.11 Couto, Dec. IY, liv. van, car- 11.
Amaral; os ourros capitáes eram: D. Estevam da Ga-
ma, O. Paulo dn Vicente Gil e Antonio de Carva-
lho; O. Estevsm ia emborcado em a nau Espirito Sanro
e com c:lle seu irmão O. Christovam. Quatro d"estas naus
tiveram prospera viagem, e chegaram a Goa no principio
de setembro; mas a nau, de que era capitão D. Este\"am,
tendo errado Moçmnbique, dirigiu-se a Melinde para
fazer aguada, que tambem não pôde tomar, pdo que
foi demandar a ilhn de Socotorá; mas as correntes a
desviaram, e surg1u no porto de Xael na costa da Arabia.
D. Estevam com alguns fidalgos desceu em um batel,
saiu cm terra, e andava no praia, em quanro o batel
fazia aguadat entretanto levantou-se um temporal tão
rijo, que a nau foi obrigada a virar de popa e ir cor-
rendo por onde pôde. D. Christovam, que tinha ficado
em a nau, de tal modo a soube g01.-ernar, c: assim se
houve com 09 homens, posro que era ainda muiro moço,
que elle foi a causa de se sa1var a nau; demandou a costa
de Melinde; e não podendo epproximar-se de trrra, com
muito trabalho romou o pono de Moçambique. Depois
de cessar o temporal, D. Estevam com os outros fidulgos
embarcou no batel, e andou fóra procurando a sua nau;
e como níio a encontrasse, foi a Soc.otorê e depois a Ma-
gadoxo, onde fretou uma embarcação maior, e foi para
Melinde; aqui soube: que a sua nau tinha passado para
o sul; embarcou em um3 que alli estava, e seguiu
para Moçambique, onde encontrou a sua nau, e foi muiro
festejado de seu irmiio, que jé o tinha por morto. D. Es-
tevam e D. Christonm invernaram em Moçambique es-
perando a monção de agosro, c: chegaram a Goa no fim
de Scr:embro de 1 •
Chegadas as quatro naus a Goa, como D. Estevam
da Gama níio era vindo, o Governador Nuno da Cunha
' Couto, Dec. 1w, liw. Vlllo cap. ••; Gaapar Com::a, Ülfda•4a INtlia,
tomo ln, rag. I! .5-fO.
lW
despachou D. Paulo da Gama. que provido na
capitania da fortaleza de Malaca •, para onde foi em maio
de t533. D. Estevam acompanhou o Go\·ernador a Diu,
e depois de ,·altar para Goa, pediu para entrar na capi-
tania da fortaleza de Malac.a, por ser primeiro em tempo
do que seu irmão D. Paulo, que 14 estava•. Em março de
1 o Governador Nuno da Cunha despachou D. Este-
varo, e passou-lhe uma provisão para seu irmão D. Paulo
ficar como capitão mór do mar todo o seu tempo, atê lhe
tornar a caber a capitania, que era após elle; e deu-lhe
tres galeões e alguns navios ligeiros, em que foram perto
de quatrocentos Porrugueses. Esta armada fez-se á vela
para Molaca em maio de t534; com D. Estevam foi em-
barcado seu innão D. Christonm com uma provisão,
para que, se D. Paulo .seu irmão não quize.ssc lé fic.ar
por capitão mór do mar, o .ser D. Christovam. D. Es-
tc\"am chegou a Malaca no principio de junho de 1 S34.
c logo D. Paulo seu irmão lhe entregou a fortaleza'.
Poucos dias depois succedeu a desastrada morte de
D. Paulo da Gama, que foi d'e:sta maneira. O rei de
Viantana (ou Ugcntana), cidade situada perto da fortaleza
de Malaca, procura\'& por todos os meios e ardis vingar-se
da derrota, que tinha .soffrido dos Portugueses. Por is:so
de:spediu um seu capitão, chamado Laque Ximena, com
uma armada de setenta velas, a qual se foi lançar detrés
da ilha de Pongor, que estã a duas legues de Malaca,
d"onde mandou oito ou dez lancharas para correrem á
vi.sta da fortaleza, para ver se lhe saiam alguma:s em-
1 Gaspar Correa, da l11.dia, tomo 111, pag. 47fi. A carta
regia, rorl!:m, dU: sômente da copilattia rnor do mar dr Maraco.
(Arch. N11e. da Torre do Tombo, D. João 111,
liv. 16, rol. 3ot').
• Couto, Dec. "'• fiv. YIU, cap. u:.
l Couto, Dec.1v
1
fi v. Ylll
1
cap. n:.; Gaspar CorTr:a,Lntdasda l11.dia,
tomo m, raa:- .563.
barcsçl5es dos nossos, como sempre faziam, c que lhe:
fossem fugindo ati! 4 ilha, onde cllc estava escondido.
Chegando estes navios 4 vista de Malaca, andaram a fa-
zer algumas sobrancerias. D. Estevam e D. Paulo acudi-
ram ao caes, mandaram aprestar tres bateis das naus c
algtms bantis, cm que se embarcou D. Paulo c alguns
Porruguescs, e a remo demandaram os navios dos ini-
migos; mss esro foram fugi11do para a cilada. D. Paulo
os foi seguindo o c csta11do jt perto da ilha de: Pongor,
lhe saiu Laquc Xime11a, travando-se uma temerosa briga,
que durou até i\ noite. Os inimigos acolhe:ram-se, fican-
do-lhe a maior parte da gente morta, Laquc Ximcna
mortalmente ferido, c as suas embarcsçl5es umas mel-
tidas no fundo e omras destroçadas. Doa Portugueses
morreram 110 combate 5essenta, e todos os mais ficaram
muito mal feridos, entre elles D. Paulo; e vendo que O!
inimigos se tinham acolhido, deram é. vela, e voltaram
para Malaca. Poucos dias depois D. Paulo falleccu da!
feridas; c deixou a seu irmão D. Estevam os dois annos,
que lhe restavam para servir na fonale:za, o que depois
el Rei D. João 111 confirmou, servindo D. Estevam cinco
annos seguidos•.
D. Estevam da Gama sentiu muito a morte de seu
irmão, e prometteu de se vingar, fazendo-se preste!
para ir em pessoa contra o rei de Viantana. No principio
de outubro de t534 saiu de Malaca com uma armada de
cinco naus, de que eram capitães, altm d'elle, D. Chris-
tovam da Gama, Vasco da Cunba, A11tonio de Brito
e D. Francisco de Lima, e doze fustas e alguns banris;
passou o estreito de Singapura, e entrou pelo rio de
Jor; ao outro dia embarcou em alguns navios ligeiros,
e foi reconhecer a cidade de Viantana. O rei tinba com-
sigo perto de oito mil homens, e havia fortificado a ci-
• Couto, Dec. 1v, li v. Ym, cap XI; Gaspar Correa., ú11tlt1J lia
/Mia, tomo m., pag. S63 c segs.
lUV
dade. D. Es1evam mandou entrar toda a armada, surgiu
defronte da cidade. c a bateu durante dous dias com a
anilharia dos galcóc.s. Depois disto fez desembarcar os
Portugueses, que repartiu cm dois corpos de duzen10s
c cincoenta homens cada um; o primeiro, que era aa
vanguarda, deu a D. Francisco de Lima indo com clle
D. Christovam da Gema; o segundo tomou pan si.
Na praia estava Laque Ximcna com tres mil homens
pan de-fender o desembarque; com csrcs os da van-
guarda uavaram uma renhida peleja, e os obrigaram a
recotbe.r-se uns aos fortes e oun-os 1: cidade. D. Estc-
vam seguiu com o outro corpo sobre a cidade, acommct-
teu-a rijamenr.e, c a enuou depois de nwito trabalho.
Demro da cidade bouvc grande batalha; mas por fim
os inimigos foram desbaratados, c o rei fugiu para o
senão. A cidade foi menida a sacco, c depois incen-
cfiada c desuuida complclamente. D. Estevam reco-
lhc=u-se 1: noite 1: armada, c oo cfia seguinte vol10u para
Malaca•.
D. EslcYan da Gama. depois de estar em Malaca,
fez carregar de cravo e drogu a aau Nossa
da Graça, em que fora do reino
1
, da qual deu a capita-
nia a seu irmão D. Christo\-""am da Gama, c a nau Santa
Cruz, de que era capitão Vasco da Cunha, c as mandou
para o reino. Estas naus partiram de Malaca em dezem-
bro de J5>34; a de Vasco da Cunha teve boa vi'Aem;
mas 11 de D. Chris10.am pelo caminho abr-iu tanta agua,
que foi forçado anibar a Cochim, c vciu para o reino
nas naus da cargal.
1 Cou«>. DK. "• li•. Ylill, cap. Pj Gaspar CorTe .. Úllda& da
lrtiliJI. IOIDO a'- pag. 4»6 c .ep.
1 Figw:iredo Falcla. Livro- •• •
"'"' pdlrimt:llliD, pag. d5.
1 Cou«>. DK. "• li•. w, cap. lWf Gaspar Coma, l.ntddJ da
/Mio. 1omo a'- paa. 563.
D. Chris[(n:am da Gama permaneceu no reino ct!rca
dr quatro annos; cl Rei D. João lli fez-lhe diversas mer-
cês'" c nomeou-o cavnlleiro de sua caso com a moradia
dr 3:2oo c attendcndo aos seus serviços deu-lhe
a capilania da fona1eza de Malaca por tempo de trcs
annos, com 6oo:ooo reses de ordenado cada anno, por
cana dada em Lisboa a 13 de janeiro dr 1


No meado de março de 1538 puniu de Lisboa para
governar a lndio., com o titulo de Visorei, D. Garcia de
Noronha, levando uma armada de onze naus, cm que
ia grande nwnero de fidalgos e mais de quatro m'il ho-
mens. Um dos capitães era D. ChrisloYam da Gama,
que foi 0.11. nau Santo Antonio, e esta1ra provido na ca-
pitaoi3 da fortaleza de Malaca". A armada chegou a
Goa a 12 de sererobro do mesmo annos.
Aos 20 de novembro de 15.38 o Visarei D. Garcia de
Noronha saiu de Goa com uma grande armada com-
posta de noventa velas, parã ir descercar a fonalcza
dr Diu, que os R\UJ'les esta\'am sitiando. A armada foi
navegando vagarosamente até Baçaim, d"ondr a 1 de
janeiro de 1 seguiu em direcção a Diu. Indo pelo
golphiío, na altura de Dabul, sobreveiu um grande tem-
poral, que durou mais de vinte e quatro. horas, com
• Na D. Jo:io 111 encontram-se registadas as ae-
mer.:ês: padrão de r15:ooo reaes de juro (liv. roL 173 Jl);
padrlo de 10:000 reaes de juro cm Setubal cliv. f19, rol. r6r Jl);
verba de V:ooo reaes de juro em Le.mego (li,·. rS, rol. 110 Jl);
verba de 2S:ooo reaes de juro em Setubal (li"· f19, roL 16t).
a D. Antonio Caetano de Sousa, da H1-.1oria
da Ctua Rral, tomo rr, pag. 36S.
' Arch. !liac. da Torre do Tombo, Clran&rllaria de D. Jo.'fo 111,
liv. -49. rol. Jg v; nja-se o Doe. r.
4 Couto, Dec. v, liv. cn
1
ce.p. Ylllj Gaspar Correa, Ln!d.as da ln-
dia, 1omo rv
1
pag. 10.
, Couto, Dec. "• liv. tu
1
cap. r:r.; Gaspar CorTeS. únda:J da ln-
dia, tomo IY
1
pag. 11,
lVI
que a correu grande perigo. Uma galt!: bastarda,
j4 velha, de que: era capitão D. Alvaro de Noronba
1
abriu-se toda, e com muito trabalho foi demandar a
barra de Dabul, c encalhou sobre um banco de areia.
D. Chtistovam da Gama, capitão da nau Santo Antorlio,
que estava suna na cnn-ada da mesma barra, mandou-
lhe acudir com um batel, que salvou D. Alvaro c toda
a sente da galé, c os trouxe para a nau•. A gaiC Espi-
nheiro, j&l \-elha, de que era capitão João de Sousa de
Rates, tambcm se abriu toda, e para a poderem suster,
lhe as escotilhas. Sendo noite escura a galé
andava , .. ndo sem sovemo, e • sente d"dla bradando
miscricord.ia; D. ChrUuwam da Gama, que ia em a
nau Santo Antonio, passou perto, e ouvindo a grita,
poz muitos homens por (óra pela enu.rcea, lançou cabos
c aldropn, c ptc 001 bateis que lcnva por popa,
tomou a p)é, c prolongou em wolta d'clla xm
ftla; mas o ftDto en. tio. fone, que fazia cornr mui10
a Dai, com que Dlo puck-ram. amarrar a plé; mas 10-
man:m muita pk que ficou apcpda 001 cabos c al-
dropn.. que recolbenm DI nau, no que a pres.sa foi
-que oJsuos sellfopram. Passando de Jooso • nou
IDI'QOU outn. wu :101ft para lhe tirar a anilharia;
mas o mar, que en. mui10 grande. contra
a oau a que se foi 80 fundo. O V&sorci, dqxU de
<:esoor o l<IDpOnl, ojunbnclo .......... que plde, .....
'ft:S3IW o c foi surJir na barra de Diu•,. d'ondc
i6 .., 1iolla J*1ic1o a .......S. doo RUIDOS.
R........, a ron.lcza de Diu. • prorido elo que era
D. Garcia ele---para
Goa- ele começar o ia....,•. E.uodo em Goa eles-
. c-. o.:.. .... ... ap.. a.
• ......
--.. ... -•• -.s-
J c-. li& ..
J:\'11
pachou Pera de Faria, que por provisão d"el Rei sue
cedia a D. Estevam da Gama 118 capitania da fortaleza
de Malaca; em companhia de Pera de Faria foi D. Chris-
tovam da Gama •. D. E!.tenm, acabado o seu tempo da
capitania, veiu de Malaca com seu irmão D. ChristovDm,
chegou a Cochim em março de e ahi invernou•.
Pouco depois o Visarei D. Garcia de Noronha adoe-
ceu gravemente, e falleceu a 3 de abril de
No governo da India succedeu logo D. Estevnrn da Ga-
ma. por cana de !liegunda succe11são d'el Rei D. João III,
tomando conta do estado a 4 de abril de 640. D. Es-
tellam era então de edade de trinta e cinco trinta
e sete annns, de meã estarura, genttl homem, prudente,
avisado, liberal, justiceiro, e muito entendido nas cousas
da lndia. Estava muito rico, porque herdou a fazenda
de seu innáo D. Paulo da Gama, e .serviu durante cinco
annos a capitania de Malaca; dizem que a sua fazenda
montava enrão a peno de duzentos mil pardaus4.
Entre as in§trucçõe!!l d'el Rei, que o Governador D. Es-
tevam da Gama encontrou ao tornar posse do governo
da lndia, havia uma, em que encomrnendava muito, que
se procurasse meio de queimar as galés, que os Rumes
tinham em Suez, para que não vohas!'iern é lndia. O Go-
wemador, considerando que esta empresa era muito im-
portante, pois que, cm quanto as galés dos Rumes esri-
Ycssem em Suez, ainda que fosse varadas em terra, não
só ce.usavam tanta inquietação c ns lndia, que
não deixavam correr livremente os negocias, c por isso
eram menores as rendes do estado, mas tarnbem obri-
1 Gupar Corroa, Un4a.r da ln4ia, tomo 1V
1
pag. i7 e 11:11
• Couro, Dec. Y
1
liv. Y .. cap. Yll. "
l Couro, Dec. Y
1
liv. 91, cap. YUI.
4 Couto, Dec. v
1
1iv. 'VIl, cap. 1; Gaspar Correa
1
U11d.u da Iruiitl•
tomo"· ras:. n:a.
:XVIII
ga\'a.m a despesas cxcessi"·as, porque wdos os annos na
entrada do mez de agoslo era necessario te[' grande ar-
mada no mar, aparelhada e ebnstecida; de-
terminou de ir em pessoa llqut!lla jomnda. para o que
p['eparou uma armada, que lhe pareceu ser bastante para
corr-er sem receio 10do o Mar Roxo, e ir ott! Suez•.
Em maio de 1 S4o, sendo já emrado o in"cmo, o Go-
vernador mandou !'iCu irmão D. Christo\'am da Gama,
que fosse innmar cm Cochim, e deu-lhe seus podc['es,
para que a\-iasse o concerto da armada que alli estan,
e fiEessc de novo alguns navios, para o que lhe deu di-
nheiro, e para comprar pimenta para carga das naus,
que haviam de ir do reino. Com D. Christovam foi
muita gente para Cochim, c proveu a todas as cousas
com muita ordem, e como lhe cumpria
2
• D. Quisto-
varo era homem de bom entendimento, Dlfll\-'el e liberal,
acri\'o c diligente, e muito cumpridor de suas obriga-
cõesl.
Durante o innmo de 1540, o rei de Porqua\ e um
caimal-t roubarsm o cairo, que cm uma fuSta vinha psra
Cochim. D. Christonm da Gama saiu com seiscemos
homens, c foi dar um aualto na!ii terras do caimal, que
crom siwadas entre Porqu.â e Cochim. O ca'imal espe-
rava-o com a sua gente de guerra; mas depois de uma
rija peleja, e de serem c feridos muitos dos seus,
fugiu; D. Chrisrovam mandou queimar algumas aldeias
• Couto, Dec. v, liv. VIJo caf'. li Francisco d"Andrada, Oronic11
D. Joiio III, parte 111, CBf'- 7i; Fr. Luü de Sousa_ An11a••
dr rl Rri D. Jolio III, pag.
2 Couto, Dec. v, IJv. VIJo cap. '"i Gaspar

Le11das da
4ia, tomo 1v, pas. 127-1l].
l Gaspar

LmdtU tia INlia, lomo IV
1
PIIB· 1:17.
4 •Caimaes são senhores de terras e muytos vassallot, e nome
de Caimaes sío como nomes Je Condes.• (Gaspar Corres, Urrdas
4a lrrdia, lomo 1:. puf!;. 214).
r: conar muito, palmares. O rei de Porqull veiu aonde
esta\'& (). Christovam, pedindo-lhe que não fizesse mais
destruiçiio; r: (). mandou que a sua 8entc
não fizesse mais damno; mas o caimal, aproveitando a
occuião, cm que a gente de D. Christovam estava dr:s-
c::ançando, ajuntou olguns naires • seus, acommcueu uns
poucos de c começou 8 ferir e 8 matar
nclles; acudiram outros Porcusuescs, travou-sr: de novo
u briga, c foi mono o caimal e parte dos seus. Alguns
naire:ri, parentes do caimal morto, concenaram-sc para
matar D. Christov8111; mas a troição foi descobena, e
houve uma grande revolta c briga. Por fim o rei de
Porqwl pediu a paz, que D. Christovam lhr: concedcus.
O Governador, posw que estava resolvido em ir ao
Mar Roxo, comtudo quiz pôr esta jornada em conselho,
para o que mandou ajuntar todos os fidalgo5 e capitães,
c lhe r:xpoz que el Rei D. João III, por cmr:ndcr que
cm quanto as galés, que foram a Diu, estivessem em
Suez, sempre a lndia havia de estar em sobres.alto,
lhe encommcndava muilO que trabalhasse por mandar
queimar as mesmas gab!s, para B!!isim ficar a lndia se-
gura, c o reino de Portugal dcsoppresso dos grnndcs
que era forçado o mandar todas as vezes, que
iam novas de se tornarem a annar. E como pelas in-
fonnações que tinha, sabia que as gal(!s estavam cm
Suez varadas em terra com grande descuido, e se podiam
facilmente queimar; determinava de ir em pessoa 8 esta
empresa com 8 armada, que fosse sufficiente; por isso
lhes pedia, que lhe dissessem sobre isso o qur: lhes pa-
t"ecia ser senriço de Deus c d'el Rei, c bem do estado
• Os naires eram uma nsta de gendos da provincia de Malabar
9
muito dados 110 e.ercicio das armas, em que eram muito destros,
e cuja princirai occupaçio era a (Veja-se Couto, Dec. rv,
liw. vn, cap. :..lVJ. Nayar r;ignifica lienhorcs.
1 Gupar Correa, UndtU da llfliia. tomo rv, pag. t3l e segs.
u
da lndia. Todos os fidalgos c capitães approvaram esta
jornada, sómcnte Garcia de S4, Ruy Vaz Pereira, c
Diogo Alvares Tclles foram de parecer, que se as sall!s
estavam tio descuidadas e com pouca vigia, como dizia,
bastava para as queimar mandar seis catures ligeiros,
qUE podiam enuar no Mar Ros.o sem serem
o que não succedcria com uma armada de naus, galeões
e galC:s, que forçadameme havia de cspc:nar os ininiigos;
c que o estado da lndia nâo podia então disprndcr taoto
dinheiro, quanto era necessario para esta empresa. Con-
cltiido o conselho, ficou.a ida assentada pelos votos da
maior pane.
O Governador começou logo a apressar o aperce-
bimento da annada, e repaniu os navios pelos capi-
tães que haviam de ir com ellc;, e acabado o inverno
mandou ir de Cochim seu innão D. Cbristovam da
Gama, o qual levou para Goa vinte nove velas,
c galeotas, carave:llaa c fustas, e dous galeões novos
que fizera•.
Em Goa D- Chrisrovam da Gama fazia pane do con-
selho. e era ouvido o seu parecer nos negocias de im-
portancia. Por este tempo vieram de Onnuz noticias de
certa gravidade. O sult&o de Onnuz prendeu cm seu
paço o vizir rais Nur porque este lhe não quiz
cnrresar cerla quantia de dinheiro do rendimento da al-
fandega. O capitão da fonalcza, Martim Affon.so de
Mello, sendo informado da prisão do l'izir. foi ao paço
levando comsigo alguns fidalgos c cavalleiros, que nesse
tempo residiam em Ormuz, c pediu ao sultão que s.ol-
tasse o l'izir, porque com sua prisão eram retardados
os despachos da alfandega; c acrescentou que o di-
nheiro, que lhe era devido, lhe seria pago do primeiro
rendimento. O suhâo, que andan muito agastado com
o capitão, lenntou-se para elle da cadeira em que es-
• Gupar Correa
1
UNltu da In4ia, lomo IY
1
PIB• 155.
XXI
lava assentado, nrrllflCou dr uma adaga que trazia escon-
dida, e quiz dar-lhe com ella, c sem duvida o mat4ra,
se Fernão de Lima e outros fidalgos, que rinbem ido
com o cnpitiio, o nâo toma!liscm e de:!'armassem• e drpois
d"isso o prenderam em uma casa, pondo-lhe alguns ho-
mens cm sua guarda. O capitáo mandou fazer de tudo
isto uma devassa pelos principacs do reino; mas como
os que nella deram testemunho, esperavam ficar gover-
nando o reino 11a auscncia do sultfio, sobre isso
o que lhes aprouve. O capitão remcucu a drvassa para
Goa ao Governador, pedindo que lhe dissest'le o que ha-
via de fazer da pessoa do sultão.
Sabidas estas cousRs, o Governador chamou a con-
selho os principacs fidalgos, que se nuniram aos 6
dr novembro de 1 ito- Estavam preseme.s D. João de
Castro. D. Goncolo Coutinho, Ruy Lounnço de Ta-
\"ora, Francisco de Sousn Tuvans, Ruy Voz Pereirn,
D. Christovam da Gema, D. Manuel de Lima, Amonio
de Lemos, Fernfio de Sousa de Tavora, Francisco da
Cunha, D. Francisco de Menezes, Vasco da Cunha,
D. Garcia de Castro, D. João de Mascarenhas, Garcia
de Sã. João de Sepuh·eda, D. Jorge Tello, o Bispo de
Goa, e o Vigario geral. O ouvidor referiu deante
do conselho rudo o que constava da devassa; e o Go-
vernador mandou que c8ds um dissesse sobre isso o que
se devia fazer. Por parecer de todos foi assentado que o
Gol"crnador mandasse ir para Goa o sultão de Ormuz,
que niio tinha qualidades para governar o seu reino,
pois diziam que era doudo, de maus costumes, e se em-
briagava, c porque impedia o despacho dos negocias cau-
sando damnm ao nino, do que se seguia não terem bom
pagamento as parcas devidas a el Rei; e que d'isso não
se seguiriam penurbações no seu reino, porque o sul-
tão era malquisto de seus naruracs c vassallos; e emfim
porque era necessario para o pnstigio do estado do ln-
dia, poi.s que tentara matar o capitõo da fonaleza de
Ormuz; c que cm seu logar fosse levantado o principe,
tiCIJ ftJho, COIDO<SUCCessor' do reino, O qual O fiO'"Cl"DD.5Se
a.:ompanbado W pri:n.:ipaes peuoas; c qui! o seu dlc--
aouro c as rendas do reino fossem pooiU a bom re-
udo. D"esta Rsoklção foi a't'isado o capido de Ormuz.
Martim Mooso de MeDo, o qual mandou o suldo prao
r-r• Goa•.
Pouco depois D. Chrisun-am da Gama c!Kt'e\'at a
el Rei D. João llJ duas nota\'"ltis canas sobre: o ntado
dos negocias da lodia. preparativos do Govemadoc pan.
ir a Suez, c serviços dos principacs homen.s que mili·
tanm na Jodia•.
Ao priaw:iro de ianeiro de 1 o Govemadoc cm-
bart.ou cm Goa, c se fez ' vela com a armada, que
se compunha de setenta c cinco navios, a sabcT: oovc
plcócs. quatro naus, uma caran:la, uma 8alc!:, c ses-
senta fustas e catun:s; nestes navios iam embarcados
IJUÚIOs capil:ãcs c fidal8os, c dois mil bomco:!- da me-
lhor 8entc qui! havia na lndia. D. Chrisrovam da
foi rambcm nesta armada por capitão da 8alt. Em um
galeio la embarcado o Patriarche D. Joio Bcnoodcz.,
que tinha partido do reino pan. ir para Elhiopia. A ar-
mada chcsou a •3 de janeiro' ilha de Socotort. d"ootlc,
depois de fazer 218undll, partiu a 21 na direcção W
portas do ntrei1n do Mnr ltoxo. Um• noirc a gale de
D. Christovem çom oi1o navio" perderam-se da armada;
o Govemadoc, achnndu-aa menos, c cUidando que fi-
cawam aub, foi esperando por cllaa, c mandou tres
carurc:s que f011r.c:m ... portas do csucito. ao pacto do
• Gup•r CorrM, UJtdtll 4•

&orno n, P.So 1Cio c "aj'l.
I VejlrD·It Oi Doe. III e IV.
3 Acerca d1 dn M11r Roso YO)I•M: D. Joio de Casuu_
ll• Go.2 d S11•1; "• liv. Yrt, c.r.Y • •
Corru, I.JJidtll dn IIIJin. lvmn ..... rnJI. 161 • sep; Fran.:isco d"A.o-
dnd•, 01"0Jfic« ilrl Rr1 D. Jo&J 111. rnrte nz. np. 76 a 79; Fr. Luir:
4e A11J1t1rJ b wl Rwl n. Jo&J III, r•B· J.p e '-'7·
:U.III
Bandcl dos lt1alcmo:s
1
, para tomorem algum piloto.
Quando os catures chegaram és portas do estreito cn·
contraram a de D. e os outros navios,
que linhum iJo em suta compunhiil, surtos no cnseado
de Suleiman
1
, que fica logo da banJa de dentro das
1 •A frota, entr111ndo sa portas .!o aueito, tanto que dobrou
huma ponra
1
surgio.• tD. Joio de Cas1ro, GOtJ .a SIIIPJ
1
pag. l2). •No rosw ponta ou promontorio Possoidio, rou.:o
auüs de buum tiro de pedra, esd, huum ilbeo, que se cbama o
ilheo dos Roboeens; porque Rohoio, no Arabigo, quer dizer Pi-
luto, os qu&es \'iuenJo 111qui, metiio as que vinbnm de fora,
da dentro .!o Pono e dahi as eDcaminbnYio peu. os lugares, aos
quac:.s de suas terTas vinham enderençadas.• (D. Joio da Castro,
de GOtJ as.,,.,, pa,:. 3.'i).
•E hindo &ssy com muyto tempo, buma noyte dom Christoulo,
irmão do Gouo:rnador, r.e pcrdeo da armada com oito \'eUas, o qull!
o Gouemador achando menos cuidou que fi..auão atr:Sa e foy 881lf'·
dando por elles. Entiio mandou tre.s .:atures., a uber dom Luiz.
d'AtayJe, Migull! de Caruelho, Antomo Pereira, que fossem diante
lb portas do Estreito, .a porto dos Malcmos, c que lhe tomauem
IIJBI,Im piloto; on.Je cllcs chegarlo, e achario IA dom Christouio
com os outros toJOi que forio em sua companhia. que Cillluâo
ap.rdando pelo Goucrn•llor, que roy ter no porto d' Adem, e passou
sem sorgir
1
e a vinte c oyto do mes entrou as portas com toda a
armada e foy sorgir onde e$t11Uil dom Ct:Jristouio. Com que todos
ou,·erio muyto pru:er
1
c filerio mUytll &alua d'anelharia. Neste
porto do Bandel tomio pilotos as naos dos mouros quamlo vlo
pelo Estreito dentro, e quando tomio os deisio aqui .• (Gaspar
Correa, ürtàaJ da tomo 1v, pog, tC.S).
Em outl'll passngem (LertdaJ da lrrdia. tomo 1v
1
pag. 2ll) G11spar
p,rrea chama a este pono BaneM dos Malemw. Em bandel,
• 5isnifica • maritima ou porto•, e teBundo a
pronuncia vuJsar (Dor:yJ
1
significa •mestre• subentendendo-se
o determinalivo •na\'io•; assim pois Bandel dos .Malemos quer di-
zer •Pono dos mesues da navio, ou dos pilotOs•.
• A enseada de Suleiman estli siruada 11 noroeste da Rasldjam
na costa do Mar Roso, em lat. N. 12• 281 e lon8. O. G . .._)• 8
1

•Á enseada. que jal dentro da ponta, chamio de Sullcimão bai-
saa; porque esteue [)ella com toda sua armada, quanOO hia sobre
a lnJia.• (D. Joio da Castro, Roteil'fJ Go3 11 pog, l8).
XIV
lhendo·se para os navios. No die o Go-
nmador mandou desembarcar seu irmão D. ChristO\&m
com todos os !!oldados, para darem na cidade, que foi
saqueada, dcstruida e incendiada.
A 10 de março saiu de Suoqucm a annada de remo;
mas no caminho teYe vemo!l contraries, c en-
controu tantas restingas c baixos, que 05 novios não
podiam navegar senão de dia, c tiq, vasarosamcntc, que
cm dezoito dias nio andaram mais da vinte
A de março a annada chegou ao porto de A requea
1
;
aqui o GoYcrnodor escolheu dci'zutis fustas e catures,
os mais remc:iros da annada, onde embarcou com alguns
fidalgos e duzentos e cincoemo homens, pora ir 4 força
de remo até Suez, e mandou os restantes navios para
Maçua, onde tinha deixado as naus e galeões. Com o
. Governador foi tambem seu irmão D. Christovam da
Gama cm \lm calem\ltc, qlJC tinha levado para serviço
da sua salé.
A 14 de abril o armado chegou ao pano de Alcocer•;
c q\lando estava peno da cidade, de terra lhe come-
çaram a fazer tiros de bombarda e de espinsarda, c a
apparecer algun:s T\lrcos e sente de cavallo. O Gover·
nador mandou desembarcar a scme da e a re-
paniu em tre!!!l companhias, das quacs fez capitães a
D. Ouisto'llam dn Gama, que ia na vanguarda, Tristão
1 MeNB Arrakea est• si1u:1da na costa occidel]tal do Mer
em b.t. N. sao n' e long. O. G. :Jr ui. Veja-se a descri-
pçio deste porto por D. Joio da C.ntro, no de Goa a
(plll!- 125).
:a AI Qo.:eir, em arabico, sip;nifica •o pequeno caau:llo•. Qoceir
i uma cidade da prcwin.::ia de Kench, no Egypto, situada na costa
occidc:ntal do Mar Rcs:o, em let. N. s6• 7' e long. O. G. :J4• Y.
Qo.:C"ir i o termo da antiga es-1.r.da commercial, que, partindo
de Koptos ou Kert sobre o Nilo, seguia at<! ao MRr Ros:o. Veja-se
a descripçio de Qoceir por D. Joio de Castro, no Rott•ro dt G04
"Suq tpag. •85 e sess.).
de Arhaide, c o Governador com os fidalgos. D. Chris-
tovam acommetteu a cidade, desbaratou seus dc(cn
:sares, c entrou de envolta com elles. Os naturaes aban
dunaram a cidadc, e fugiram para uma serra, que esté
perto d"ella. O Gm--ernador Babendo que s ciJude es-
tava despejada, mandou incendié-la com tudo o que
nella ha\ia, e se recolheu aos No porto estava
uma nau, um galeão_ e muitas gelvas, carregadas dc man-
timentos, todas as quaes manJou queimar.
A 19 de abril a armada se fez a nla de Alcocer, e
a 21 de abril surgiu no porto de Tor•. O Go,·emador,
sabendo que alli havia chri!iitãos, determinou de tomar
terra, pura yer se d"clles podia ter algumas n01icias de
Suez. Á vista da annoda acudiram á prsia duz.ento»
Turcos e muita gente da terra para impedir o desem-
barque, e começaram a fazer de bombarda e de
espingarda. O Governador armou-se, e mandou armar
a gente, e desembarcaram na mesma ordem que em
Akocer. Saidos em terra, D. Christovam da Gema
acommeneu Turcos, que otferecerom grande resis-
mas tanto os apenou, que fez recolher para
a cidade. Apoz elles, entraram de envolta D. Chris-
tovam da Goma e Tristõo de Athaide, um por
sua parte, e perseguiram os Turcos e a gente da terra.,
de modo que o:s fizeram abandonar a cidadc.
Com Tristão de l\tha.ide \"ieram ter, pedindo
cordia, dois monges do mosteiro dc Santa Catharin.1,
que edificaJo no cimo do monte Sinai, os quaes
neste tempo estavam na cidade em um mosteiro da
mesma invocação; levados ao Governador, se lhe pros-
taram e pediram por amor de Deus e da parte
• Tor é uma cidaJe da peninwla do Sinai, si lu ada na costa orien-
tal do golpho tle Suez, em la1. N. 16' e. long. O. G. 33• 4(1.
Veja-se n Je.r..:ripçio de Torpor D. J_oiio de Castro, no Rotriro
G0o2 D. Suer lPOS· •yõ e Mgs.).
XXVII
de Santa Catharina que não dar fogo d. cidade,
porque, queimando as casas dos musulmanos, se queima-
vam tambem os dos christâos, e bem assim um mostejro
de Santo Catharlna "e outro que na cidade havia. O Go-
vemodor, commovido e com as legrimas nos olhos por
ver religiosos, que no meio de tantos infieis guardavam
a fi!! christfi, e sustentavam o seu mosteiro e egreja, os
levantou e recebeu com muita caridade; e por lhe parecer
aenriço de Deus, e cm honra de Santa Catharina, que
na mesma cidade padeceu o martyrio, e por confirmar
e acrescentar na os christãos, que na cidade habi-
tavam, e usar de caridade com eUes, não consentiu que
dessem fogo 4 cidade. Os monges pediram ao Governa-
dor que fosse com elles ao seu mosteiro para os bonmr
e consolar os ma'is religiosos, o que elle fez com muito
gosto; e indo todos na ordem em que
arravessaram a cidade até cheanrc:m ao mosteiro da in-
voeaçlo de Soma Catharina. A porta foram recebidos
por todos os religiosos, c tornando o Governador no
meio, entraram na egreja em procissão cantando psalmos
a seu modo; na copella fez oração o Governador e pela
egn:ja os mais Portugueses com grande nlegria por serem
os primeiros christãos da Europa, que por força de armas
chegaram áquelle Jogar. E em memoria d"esta jornada
o Governador, por lhe pedirem todos os fidalgos, os
armou cavalleiros dentro da capella a elles e a alguns
Portugueses, festejando-se este acro com musica de in-
strumentos de alegria e com salvas de artilharia. Des-
pedido dos monges, que o acompanharam é praia,
se embarcou nos seus navios•.
1 Aluara de que passou o Siir. Dom Estn4ão da Gama
Sa11111 Carrrina de Sinay. no m5. n.
0
9 da doCon&le
da Vi&ligueira elllsrcnte na Na.-::ionai de Lisboa, e no
liv. 1 (foi. _. r e :v) do Registo do Are. Na.:. da Torre do Tombo.
(Veja·&e Couto, Dec. v, liv. v11, • Ylll). Este aivarA foi publica'-'o
na Revista dtU scie11cias militares (18go, tomo 11:1, pag. 25')-
No dia seguinte, 22 de abril, a annada se fez é. vela
do porto de Tor, foi nave@ando sómente de dia e sem-
pre muito de vagar por causa das restin@BS, até que a
27 de manhã surgiu em freme de Suez. O Governador
ajuntou as fustas, e mandou seu irmão D. Christo\·am
da Gamo. que se adeantasse com oito navios, que lhe no-
meou, e fosse reconhecer o porto de Suez e Jogar de
desembarque; e podendo desembarcassem em tem, e
queimassem as @&lés; e que elle iria em seu seguimento.
D. Christovam mandou armar todos os soldados. e com
os seus navios foi demandar a terra. A annada dos
Rumes compunha-se de nove naus @tosses, que estavam
surtas no esteiro do lado de Arnbin, e de quarema c
uma @ales, que eram varadas cm terra ao longo da rraia,
no esteiro do lado do Egypto. Entre os dois esteiros
havia um baluarte com muita anilharia, que defendia
a entrada do porto, e varejava a praia por detré.s das
@Bic!s. Tres dos nal-ios dos Portugueses, os mais Ligeiro!,
e de que ero.m caritães D. João de Castro, Tristão de
Athaide e D. Francisco de Menezes, adesntaram-se dos
outros, e seguiram na direcção da ponta do esteiro, onde
estavam as @&lés. D. Chrisrovam, vendo que néo podia
che@ar com elles, voltou para a outra banda, onde es
ravam as naus para as ir queimar; mas não rodendo
passar por causa de um recife, voltou para onde iam os
outros navios; e quando atravessava o canal, lhe deram
do baluarte um tiro de bombarde, cujo relouro caiu
junto d'elle. D. João de Castro, Tristão de A1haide e
D: Francisco de Menezes approximaram-se da praia,
levando s o l d a d o : : ~ ensebados e com lanças de fogo para
saltarem em terra e rõr fogo és @&lés;, e quando che-
@nvam, viram andar na povoação duas companhias de
:soldados, e dctré.s de um mome sairam dois mil Turcos
de cavallo, que correram rara a rraia a defender o des-
embarque. Um sddado ainda !!i&ltou em terra, ma5 teve
de se recolher com agua pelos reitos; os Portugueses,
vendo os Turcos peno, deram-lhes uma salva de fal-
....
c.õea, de que derrubaram alguns. fizeram-se ao mar, e
com grande pesar se tomaram para onde estava a ar-
mada. O Governador fez conselho com todos os capi-
tães, c assentou-se que, pois os T urros e a gente da
terra ntavam de aviso, se acolhessem, antes que ellcs
lançassem ao mar algumas g a ~ s , que os seguissem, por-
que lbe dariam muito trabalho. Com isto a armada se
foi afastando, e lll noite surgiu na Ponta de Pharaõ dis-
tante legua e meia de Suez.
Esta empresa, ainda que não logrou o seu intento,
que era queimar as galés dos Rumes, foi de grande cre-
diw e proveiw para o estado da JndÍa, vendo os reis
d" ella que os Ponugueses, depois de desbaratados os
Rumes em Diu, e de desfeita a sua annada, iam pro-
curé-los de tão longe em suas proprias terras com tal
detenninação e apparaw, que para Livrar do fogo as
suas g a ~ s lhes foi necessario juntar de varias partes
grande poder.
A 28 de abril, ao amanhecer, a armada se fez: á ,-.:Ja
da Ponta da PharaO, deante de Suez, e navegando por
sua derrota com vemo prospero, a n de maio chegou
a Maçua, onde foram rrcebidos com grande fesra por
tOda a geme, que esrava em as naus e galeóes, c ficou
esparando a monç.ão para passar a lndia.
Poucos dias depois que o Governador era chegado de
Suez, veiu a Maçua o bahr nagax (governador da cosra
maritima) com uma embaixada da rainha Sabia Vangcl,
mãe de Asnaf Sagad rei de Ethiopia. O Governador
· mandou armar tendas em terra, e o recebeu com muita
honra, tendo comsigo o Patriarcha D. João Bermudez
c todos os fidalgos e capitães, e a gente da annada posra
em ordem deanrc da sua tenda. O bahr nagax disse pe·
rante todos, que a rainha Sabia Vangellhe mandava os
par!J.bens de sua 'l.'inda, e lbe fazia saber que o rei de
Zcyla com auxilio dos Turcos tinha invadido o reino de
Ethiopia, senhoreado muitas provincias, queimado as
egrejas, de5truido os mosteiros, e nxado os monges, pelo
que C!õi&Va cm pcriso de se perder aquclla cbristmdade•;
e que pois Deus o troUxera alli cm 1empo de tania ac-
cessidade, por Chrislo lhe pedia o quizcssc soc.c.orn:r.
O Governador conMllou o ba:hr flii8U.., c lhe rapondcu
que se dava por diroso de 1er vindo cm u1 1e-mpo, cm
que pudc:ssc fazer tão grande serviço a Deus c -.:> n:i
de c cumprir os desejo!'. d"cl Rei de Porf\J8&1;
c que quanto -.:> soccorro uar:ari.a com seus capitães
cssc negocio, c lhe mandaria a resposta.
Despedido o bahr nagu:. o Gonmador chamou a con-
selho todos os capitães, c assentaram que se !oOCCOITe5se
o rei de Ethiopia por ser christão; c para isso se man-
dasse um capitão com quatrocentos homens c com todas
as couRas neccssarias para a guerra; c que com clle fosse
o Paaiarcha D. João Bcrmudcz.. Em todos cau!!.ou grande
alvoroço nu empresa, c a maior parte dos fidalgos a
foram pedir; mas o Governador a deu a seu irmão
D. Christovam da Gama, que a pediu com muita im-
porwnaçio, o que lodos lhe nio porque
c:Uc nio tiW"essc: t.oda.s as qualidades necc:surias a um
bom capitão, mas porque era ainda mui1o moco. O Go-
vernador nomeou-lhe qualroCcntO!!. homens, que eram
dos melhores da armada, c se foram olfereccr; c lhe
deu oi1o peças de artilharia, cem mosquc:1es, c muitas
muniçõa; c aJém das armas que os soldados levavam,
lhe mandou dar outras tantas de sobreccUc:nte".
Dcpoia de aprcs1ado para o caminho todo o exercito
de soccorro, a 9 de julho o GO\·cmador com todos os 6-
dap aaiu cm terra, dc!!opcdiu-sc dos soldados an:iman- ·
I A «Jftqi.IUU de Ethiopia pelo imam Abmad e re(erida muito
citcumM.I.QI:Udame:nte no Ji .. -ro Fflt•lr 111-Haba.ra),. escripto por
X.hd ad-Din Ahmad tK-n Abd ai-Qadr. Esta pn:cio5ll ot>n Hill
INIIdo publiQ.da pela de Letnls de Argel. (Buset. Hislpi,_
r.AJJyuirlir. Paris, •897. lii!IC. 1).
• f>lowJ do Couro, Dec. v, liv. Yll, cap. z e a1; Gaspal" Correa,
/..IJIJiu tLJ JJtdia, tomo "• pas:. 199 c •ess-
....
e encarecendo-lhes o sen·iço que faziam a
e a el Rei nesta jornada; com :5Cu innão D. Christovam
se apartou, e se despediu d".:=lle com muitas Jagrimas;
em seguida embarcou no seu galeão, c toda a annada
se fez I. vela para a c D. Chri,IO...am com o seu
exercito começou a murchar pal"a o indo com
cllc o Patriarcha D. João Bennudcz c o bahr nngax
com duzentos Abcxins para serviço do arraial•.
D. Christo,·am, depois de caminhar dummc cinco
dias por terra baixa c quentt:, no so.to subiu uma serra,
entrou nas terras abas, c chegou n Debarvn. E como j6
cr.tJ começado o inverno de Ethiopia. determinou de pu-
s.6-lo alli, c depois de acabado, continuar o caminho
poro se juntar com o re:i, que então csta\la em Xan; c
11ahcndo que a rainha Sobla Vangel estava perto na
amba de Damo, c que com inha andasse no seu arraial,
mandou por dois capitães, que a acompanharam
até ao srraial, onde foi recebida com muita honra.
A 15 de dezembro de 1 S41 D. Christovam
o seu caminho, indo com elle a J"ainha; no fim de oito
dias â comarca de Salava, onde de5cansou
tres dias, e o Natal, a 2S. de dezembro de 1S41;
partido d·ani, depois de cinco dias de caminho, chegou
I. comarca de Agame, onde descansou oito dias, e fez
a festn dos Reis, a 6 de janeiro de •S4:il. De Agamc foi
D. Christovam dar um assalto em Amba Sanayt, onde
e.11un·a um capitJ:o musulmano; a 1 de fevereiro assentou
D. Christovam o seu arraiol perto da serra, e no dia
seguinte acommetteu a amba c a tomou. Em Amba Sa-
nayt demorou-se ate ao fim de fevereiro. D'alli foi para
a cornsrca de Vajarat; c no de Ramos, a 1 de
abril de 1 S42, assentou cm Sahan o seu arraial, e o for-
tificou, porque souhe que imam Ahmad, que vinha ao
seu encontro, estava d" alli a uma lcgoa.
1 Couto, Dec. v,liv. v:u, eap. 11; Oa!par CorTea. LMtla:s da lntlia.
tomo •v, pag. 2oJ e segs.
.A 4 de abril D. acommencu os musulma-
nos, que foram vencidos. sendo ferido o imam Ahmad;
depois mudou o seu arreie] pare ilmto de uma sem
que estava peno. No domirtg;o de Pucocla., 16 de abril,
D. Christovam alacou segunda YCZ os JDU.5Uimanos, que
foram de DOYO vencidos c dcsbaraudos, c cm flt-
gida. D. Ouistonm com a rainha .X pare a sem de
OOa, onde esentou c fortificou o 5CU arraial, c ahi in-
nmou; o imam Ahmad acolheu-se oos momcs de Zabl,
onde paNOU o i.DYC'I"DO, c pediu soccorro ao baú de Za-
bid, que lhe mandou novecentos Turcos espingardeiros,
c dez bombardas. Acabado o innrno, a 28 de •80SID de
15-p,o imam Ahmad acommcttcu o lli'TaieJ de D.
tovam; o combate durou todo o dia; dos Ponugucses
morreu grande oumcro, e os restantes acolheram-se com
a rainha c com o pauiarcha D. João BcrmudeE, c foram
pare os montes de Samcn. D. Christovam, uwito mal •
ferido de uma espingardada por uma perna, e de outra
cm um braço, que lh'o quebrou, foi levado sobre uma
mula por alguns Portugueses pare um valle de espc:s.so
arvoredo; mas no dia seguinte os musuJmanos, G:ue iam
oo seu ekancc, o prenderam. D. Christovam foi levado
ao arraial do imam Ahmad, o qual, depois de lhe mandar
fazer Dlllitas afrontas, dizem que lbc cortou a cabeça por
sua propria mão
1
• Não se sabe ao ccno o dia da morte
de D. Ouistovam; mas deve ter sido cm um dos dois
1 A moMe de D. Cbristovam da Gama i o assumpto da tnai-
comedia El marlir de Etlliopia, .::omposra em linsua c:aatelhaoa
pelo capitiio Miguel Botelho de Carvalho, t.ecretario do Conde AJ-
mlranw: D. Francisco da Gama, 4 • Conde da Vidigueira, e dedi-
cada 110 mesmo conde; é um dram• de trea actos em citava rima.
em pcucc se conser-YQ\1 a verdade hilitcrin deli e sem
valor litteraric. Vide Rimas y tragi-romrd.i111 drl marlir
d'Etltiopia, por ri r:apitD.n Bottlllo dr S«rrtQI"io
drl Ezmo Conde Almirarrlr. Dfilir:ad.as ai rr1ismo Sriror.
E" /lM4N, o IIII l"''""mtlll de Maurray. Ano MDCXL VI.
ln M.• A cccupa as P•S· 10]-2.58.
ultimes diu do mez de agosro, ou mais provavelmeme
nos primeiros dias do mez de setembro de 1S41; era
então de edade de vinte e seis annos pouco mais ou
menos.
III
RELIQUIAS DE D .. CHRISTOVAM DA. GAMA•
Os descendentes de D. Vasco da Gama não se es-
queceram de prestar piedosa homenagem é memoria de
D. Christovam da Gama, fazendo procurar cm Ethiopia
os restos mortaes de tão inclyto varão, c trasladé-los
para togar digno dos seus nobres feiro!.
D. Francisco da Gama, 4.° Conde da Vidigueira c
Almirante do mar da lndia, quando governou aquclle
estado pela segunda vez com o titulo de Visarei {1622
a cncommcndou muito a D. AJfonso Mendes,
Patriarcha de Ethiopia, que cm 1fu4 partiu de Goa
para aquellc reino, e aos Padres da Companhia de
Jesus, quC estavam na missão de Ethiopia, que, infor-
mando-se do Jogar em que D. Christovam da Gama
estava sepultado, procurassem descobrir as suas pre-
ciosas reliquias, e lh'as enviassem para alndia
1

• Veja-se: Carla IIIIPIIIII dt Etlt.iopia dt 1626 a1627, do P.Ma-
nuel de Almeid11
1
pag. 5g-62; P. Manuel de Almeida, Histori11 dt
Etlliopia a alta, tomo 11, rol. 63 P. Baltheaar Tellez.
1
Hir-
taria stral Etlciopia a alta, liv. v, cap. vu, pag. 428 e 429;
P. Jeronymo Lobo, em Lcsrand, Rtlation d'Abynifsllo, pag. g5-91J.
1 As diligenciu do Conde Almirante para detcobrir c corpo de
D. Christo\·am de Gama, remontam i' ao anno de 16o8. Em uma
cuta de RU)" Lourenço de Tavor-. Governador dalndia (16og a
1612), pan. c Conde Almirante, de 17 de janeiro de 1610. se diz:
•Sobre se descobrir c corpo do Snr. Dom Cl!.ristovam se rario u
diligencias oe<:auarlui algumas peaoas me dizem que j' se fize-
ram sem se poderem descobrir, e hum destes rol o Arcebi&po; e
1:0111r.1 isto me dine hum relie;ioso que o mesmo arcebispo lhe
diuera, que nesta cidade estava hum braço do Sar. Dom Christo-
No anno de 1626, estando jd. cm Elhiopia o Patrian:ha
D. Atfonso Mendes, este e os mais Padres da Compa-
nhia de Jesus, dos merecimentos de varão tio
insigne, como foi D. Christovam da Gama, que os pro-
prios Abexins chamavam mart}7 de Christo
1
, c do de-
sejo de satisfazer a recommcndação do Conde Almi-
rante, sollicitaram o auxilio do rei de Ethiopia, Seltan
Sagad, para etfectuare.m aquelle intento. O rei por isso
ordenou ao gnvemador de T egre, T Bkla Giyorgis, que
com sete ou oi1o mil homens escoltasse ao P. Jcronymo
Lobo, que fõra designado para esta missão, indo cm
sua companhia .muitos Ponugucscs de Fremona. Aca-
bado o invHno de Ethiopia do anno de 1616, Talda
Giyorgis com o seu arraial partiu para a fronteira oriental
de Tcgre, onde estava jâ o P. Jcronymo Lobo com os
seus companbeiros. Levavam cnmsigo um musulmano,
de mais de noventa annos, e que mal se podia suster, o
qual fõra testemunha ocular de morte de D. Christovam,
c tinha visto enterrar parte do seu corpo; c tambem es-
vam, e a relação do KU martyrio, e por ventura que clle tinha
tudo; mas como o nio pude alcançar atE agora, nio alfirmo nem
huma cousa nem outra; mas farei a diligencia, e estimurei muito
descobrir-se em meu tempo este ti&ouro .• Na carta do mesmo Ruy
Louren .. -o de Tavora ao Conde Alminm'le, de 8 de dezembro de
1flog, se diz: ·Au\ &f!OJ"B nio tin carta de sua Masestade, que me
fale DO corpo do Snr. Dom Christovam; como me .:he11ar a ordem,
&n:y toda a diligencia ponivel, r estiman:y muito lnar o corpo
de tal 1111110 comi11o, porque tivera por aef!Ur& a Yia8em.• (Biblio·
lheca Nacional de Lisboa, ms. G-5-] aem numeraçlo de foi.).
• Cana do Imperador Galavdevos a ai Re:i D- Joio III, de 15!'1,
em Fr. Lui.z de Souaa, A1111at'! dt' t'l lU i D. João III, pefll- 427;
Tellez., Histori4. lfWal dt' Erlliopia G alta, li'·· u, cap. :r.rv, pa11. 1ls.
Em um manuacrirto da Bibliotheca Nacional de Lisboa (ms. Y-
s-41, r), proYenienle da caaa do Conde lE-se
a aeguinte nota dr Manual SeYerim de Faria: •Santos pCI("tu(llue·
:r:cs:------ D. Chrinovam da Gama
1
manir nas terras do Aheai,
çuja morte foi illuatrada •Isumaa manvilbaL•
lWV
tava com elles um christão, que ouvira contar muitas
vezes a seu pac tudo o que naquella oc.casiáo se tinha
passado, mostrando-lhe o legar onde tinha sido enter-
rado parte do corpo de D. Christovam, e de um tio c
de um sobrinho do imam Ahmad, que morreram na
mc.mla batalha, cm que D. Christovam foi desbaratado.
n · c ~ t a s testemunhas souberam que o corpo de D. Chris-
tovam estava sepultado proximo de uma grande arvore
mtre duas ribeiras, e cohcrto com um momc de pedras;
c perto, em outros dois montes de pedras mais pequeno!,
eram sepultados oa ditos parentes do imam Ahmad; e
ainda não lonse havia uma fonte, onde, segundo a rra-
diçio, fõra lançada a cabeça de D. Chris10vam com
. um cio morto, a fim de a tornar mais vil aos olhos dos
musulmanos.
Depois de quinze dia! de marcha, Takla Giyorgis
chegou ao termo do campo de Ofla, que então estava
occupado dos Galla, c onde segundo a tradição estava
sepultado D. Christovam da Gama; c assentou o seu
arraial cm um monte, d'ondc avinavam as sepulturas.
D"aqW enviaram algum Ponugucscs de confiança para
reconhecerem a sepultura de D. Christovam, que. se-
gundo as testemunhas, era o monte de pedras maior,
c com ordem de o desfazerem c trazerem as reliquias
que encontrassem. Assim o cumpriram, e encontraram
tudo conforme â narração dos dois velhos; c tendo tra-
balliado toda uma noite c metade do dia seguinte, acha-
ram finalmente os ossos de uma pane do corpo de
D. Christovam; c a alguns passos cm uma fonte encon-
traram os dentes c o maxillar inferior•. Todas estas re-
liquias levaram a Takla Giyorgis c ao P. Jcronymo
Lobo, que é. vista d"cllas sentiram maior alesria, do que
se tivessem descoberto um srandc abesouro.
• Segundo refere Mi,suel dt! Caatanhoso (Trabfo, pag. St) os
Turcos, que anda•am no e:.:ercito do imam Ahmad,lenram com-
sigo pan Zabid a cabeça de D. Cbristovam dt! Glilm.l.
Takla Giyorgis cncam::gou o P. Jcronymo Lobo da
guarda das reliquias até nova ordem do rei. Partidos
d'alli voltaram pelo mesmo c.minho, c poucos Was de-
pois se separaram, indo Takla Giyorgis para a fronteira
de Tegre. onde tinham apparecido os Galla, c seguindo o
P- Jeronymo Lobo com os para Fremona,
onde depuzeram as n:liquias cm lagar conveniente.
O rei Sclu.n Sagad estimou muito este bom succcsso,
c deu cm premio ao governador de T egre e aos seus
soldados duas mil vacca.s,. das que lhe vitram aqucllc
anno do tributo da queima. Nesse mes.mo anno o P. Ma-
nuel de Almeida fn'i a T egre por ordem do Pat:riarchat
c ml Fremona examinou as n:liquias, c fez lirar um in-
strumento authcntico com muitas testem]Jnhas dos mais
honrados e mais antigos os quaes com ju-
n.memo affirmaram, que pela lembranç-1 que tinham,. c
ttadiçáo de seus antepassados,. entendiam serem aquel-
les sem duvida os ossos de D. Christovam da Gama.
Em maio do anno scgujnte de •62? passou Alndia cm
negocias da missão de Ethiopia o P. ThomC Bametto
1
o qual levou comsigo as n:liquias de D. Christovam da
Gama, e as apresentou ao Conde Almirante.. assim como
o instrumento au1hentico que se tirara; tambem lhe foram
apresentados o capa.::etc e a saia de malha de D. Chris-
que foram tomados aos musulmanos till uma ba-
talha, que teve losar em dezembro de t5n•,e de que um
Abc:rim fizera presente aos Padres, c uma imagm1 da
Vll'8em Nossa Senhora, que o valoroso capi1ão n-aiia
com..sigoa. Estimou muito o Conde Almirante tio
• Femlo Gucneiro, Rd.o -"' 4• 607 e 6o8, fol 1tl r.
, O Dr. Pbi:iipp. Pnliucbke, professor di UniYCrsid•de di
V--. • M'pDiSa .u.m, q. fez DO peiz dos G.Ua de Harar,
earconuva. • 12 de ...o di 1881, em poder do sand Ahmacl.chde
dos C.U. AJ., .SO,....., de Bubasu, •o IIUl de Hlnr. uma esr-da,
... IIIi& w pertaiCIISo • .rpam h Ponusueses, que em d.f.• ea·
.. Echiapia com D. Cbristonm di Gama. Esta e1J*!.a
UJ.VII
]precioso the.souro; mas foi tio acanhado, que o nio
.:soube agradecer, escrevendo por isso ao rei, e envian·
c:io-lhe:, como era de razão, a elle e ao de Te·
.-gre algum pnsente, cousa que aos Abains não passou
_,ar altDt antes a estranharam como mereci•. O Conde
troUJ.e da lndia para Ponugales nli·
cquias da D. Christovam, as quaes eram ainda em ati6o
em grande veneraçio pelo 5.a Conde da Vi·
ooejigueira e 1.
0
Marquez de Niza, D. VascoLu'iz da Gama,
do Conde Almiraote •. Provavelmente os restos mor-
:W,..yja mais de b'U .ec:ulot, que esllft DI posse da familia do sarad
-Ahmld, cujos antepanados a conquistaram, aesundo iad.icaçio
de do proprio sarad Ahmad. DI.S pi'T'U Conb'l. os So--
.,.n. de Harar. provavelmente pelos annos dal565. O cbefeGalla,
aaim como todos as Galla de Bubassa. adoravam a mama es-
pada, e a conr.ideranm como um ubjecto maruilhoso por ter per-
uncido outr"ora, como elles diJ:i11m, a um grande beroe. Depois
de longa sollicitaçóes
1
o sarad Ahmsd vendeu a espada por roo
qcudos (thalen de Maria Thereza) ao mesmo Dr. Philippe Pau-
liucbke., o qual a trou:r.e para Vienna, e em :ao de junho da 18go
afl'e:receu-a i Sociedada de Geographia de Lisboa..
Na wa fónna actual a espada comp6e-ae de uma folha de
de comprimento e o•.pJ de largura mni.ma.ligeiramente
recu["Yada. com duu caneluras longitudinaes i pros.imo do punho
do lado esquerda tem grando um sisnal em fórma da sena, e aas
duu paginu de folha a legenda:
•AI..l'SAJfDI:O • DIMESEL e ATERRO •
Segundo a Dr. Philippe Pauliuchlte esta. leRel1da i uma for-
mula magica. muiro mada nas arma1o durante os seculos zv e :I.YI
em PofT\lp1, Hesplllha, Fnaça e PWc:s Ba.izos. O punho, em
fónn• de cruz, i de metal llDlarelloi a empunhadura tem o•,n.
de comprimento. de madein
1
e termina por uma cabeça rude-
meau. delioeadL A beinha por duas reguas de m•deira,
entre as quaes entra a folha da espada, e coberta da couro. A ba:i-
Dha tem uma correia, que le["Ye p11'11 •uspender a espada • mil•
neira dos Galla, isto l, do hombro esquerdo. O punho e btinha
sio cbra dos GaliL
I Tellez. Hütoria KWal dr E1lliopi11. a lllt11.
0
liw. w
1
Cllp. wu_
Plfl·4•9-
nmn
•••• de D. Christ<mtm foram d<posnlldos no jazigo dos
Gamas, oa antiga egtqa de Nossa Senhora das Rt:liqi.Üas,
peno da Yilla da Vidiguei:n •.
O mesmo Marquez de Nizl. D. Vasco da c seu
filho. o Conde da Victipcira, fizeram diligencias junto da
Curia Romana. pua CJI.Ir D. Christmam da Gama fosse
canonisado c declarado mart}T, por ler sido mono C(Oo
fessando a de Cbrism com .Jmiran1 conscancia•.
IV
MIGUEL DE CASTANHOSO
Miguel da C.stanboso era Ddllral de Santan:m, c dcs-
ceodenle da uma f'amjlia nol:ft de Hc:spanba'.
E1 Rei D. Joiio 10 nom<oo Mi3ud de Castmboso
escudeiro fidalgo de sua casa com 1:loo rcacs de mo-
Rdia•.
• TeiuindeAftelot • • •
• •
•T .... • ... CIIp.I"t
.... ol].
..... «ppe DO uaod• 1Jb puti• de ftiao,.. a .....

• s..ilreo- t<Autot .... liv. a. cap. n. vq.. .. B.rbosa Jla-
1otao .. L Y.; '-ocaaD dli 5itn.
__ ..,._,._ ....... oloj.

41 • .-aa ao ....-.o a.• -.:liDe. .w..so do escDdeiro&

_. 4e de Torft'lo a 1loo por-.. \Bibtiotbeca Nec:iD-
-' dli • Jol. 8l r). No L-. .. _...,._.
c-. • .s..llr Ao' D. Jeã UI• _,.,lt.y. ,.,.,_,_.o
..... ..c:.lãros .............. ....-: de
c.--...._, de FnKilce de TCIII'ftSo 1Joo nis,.. (D. A..coaio
c-•-.-·-..-.-•c--
--. ... .,J.
Tendo passado a servir na lndia, foi na urmada. em
que o Governador D. Estevam da Gama partiu de Goa,
a 1 de janeiro de .S41, para o Mar Roxo. Regressando
a Maçua a 23 de maio, o Governador mandou em soe.
corro do rei de Elhiopia seu irmão D. Christovam da
Gama com quatrocentos soldados portugueses, um dos
quaes era Miguel de Castanhoso; e desembarcando em
Maçua, a 9 de julho seguiram para o sertão.
Na segunda batalha, que os Portugueses tiveram com
os musulmanos, Miguel de Castanhoso foi ferido por um
liro de espingarda, que lhe quebrou o braço esquerdo;
e sendo depois levado em um catre aos hombros de
Abexins para uma amba, onde residia o azmach Robel,
governador de Tcgre, alli esteve em tratamento um mez;
do ferimento, mas ficou aleijado do braço.
Ainda que jé não po&a pelejar, voltou para o arraial
dos Portugueses, e assistiu á batalha, em que os Portu·
gueses foram vencidos, e D. Christovam da Gama foi
capãvado e depois mono.
Os Portugueses, que escaparam d'este desbarate, re·
braram-se para os montes de Samen com a rainha Sabia
Vangel, mãe do rei Galavdevos, e alguns Abexins; e
tendo-se juntado com o rei Galavdevos, venceram os
musulmanos em uma batalha, e mataram o Granhe.
Depois de restaurado o reino, Miguel de Castanhoso
pediu licença ao rei para vir a Maçua esperar a annada
da lndia, dizendo que nâo havia em Elhiopia quem o
curasse da ferida do braço esquerdo, e que náo podia
pelejar por ficar aleijado. O rei Galavdevos concedeu-lhe
licença; deu·lhc um cavallo, duas mulas, uma caba:ia
de veludo verde escuro, e vinte oquias de ouro (200 cru-
zados) para o caminho; e ordenou a um Abexim que o
acompanhasse ate! Maçua. Por elle enviou canas de sem
serviços para el Rei de Portugal e para o Governador
da India.
Miguel de Castanhoso embarcou em Maçua a 16 de
fevereiro de 1S44, e chagou a Goa a 19 de Neste
mesmo anno eo reino. e eauqou. a eJ Rcs
D. João W a cana do rei Gal ... • c um
composao po< •D• an Ed!iofia, das cousa que D. a.ru.
ID'fam da Gama fez com os quatroccutos POitlJ8UCSeS
que c.omsi@;o levou •.
El Rei D. João ru IODCOU ca...Ueiro da Ordem de
Olrisro a MiBu<l de Cas-oo.o, o qual proi<UOU a 13
d• julho d•
O mesmo Rei D. João DI fez mc:rc! a MiBucl de
Cas1onboso da Comm<ada d• S. Romão d• Foot< Co-
berta•, no arcebispado de pcnenc.cote é Ordem
de Chrisla. O rcndimemo da Commcoda era aYaliado-
cm 70:000 n:acs ada anno. Não se sabe a dau em
que roi kita esta mercê; mas MiBucl de Castanhoso i'
dcsfrucun a Commcnda cm 6 de janeiro de
pocque cnlâo pesou um quan.o do seu rendimc:.aro
pan as obras da ordcmt.
Miguel d• Cutanbooo foi assdo cam D. Violanl< da
Serra, de quem ICTc um 61bo chamado Alfonso de Cas--
Wibooo' •
• v .. ;. ... o Doe. ...
• Cf. CaiU d'cl Rei D. Joio m pana D. Joio de C.mo, Gcrrer-
ud« .S. lndill. de •J de a.rç:o de DI. V'wllr ü D. Jollo ••
c.-.. .... -.. ........
J kcb.. Mie. de Ton-e do Tombo. Noticia doi C..alrirw ••

D . •


5«nJ4riG c., ........ ü no.n..-•
... •
• FOGie Coberu 1: -.wna do coaoelbo de Bl:ra:Dos oo dia·
bicso de Bri8Jlt lõiru.da • a8 kilomcuos d'rsr. c:i-
cllde. A 1-cpaia, do OC'"I30 de S. RoaJio. peneocc eo arcebUpado
de 8np. Faar.e Coberta tmha 1t fogos aa 17J]
1
e .Jl em 18go.
5 Ye)I·M O Doe. IL
•v.;. .... oDoc.SI'I'.
xu
No principio do anno &: t554-t muito cl Rei
D. João 111 prover o sovemo de lndia de um fidaJgo,
a quem todos tivessem grande respeito, c desin-
teressado, para que tratasse mais do que cumpria ao
d'aquelle estado, que ao seu particular, caiu 11 es-
colha cm D. Pedro Mascarenhas. Era O. Pedro de mais
de setenta annos de cdade, muito prudente, &: grande
auctoridade, c muito rico. Fallou-lhc nisso el Rei muitas
Yc:zcs; mas O. Pedro recusou sempre o cargo, dando
por escusa a sua muita cdade; por fim instado pelo In-
fante O. Luiz, irmão d'cl Rei, que era grande seu amigo,
c a quem D. Pedro tinha muito respeito, acabou por
acccitar. El Rei deu-lhe o titulo de Vi.sorei, c concedeu-
lhe tudo o que lhe pediu para o bom sovemo d'aquellc
estado.
A 2: de abril &: t554 partiu &: Lisboa o Visorei O. Pe-
dro Mascarenhas com uma armada de seis naus, nas
quaes iam muitos fidaJgos c dois mil homrns
de armas. O Visarei ia em a nau S. Boavenrura; das
outras naus eram capitães: da Conceição, Miguel de Cu-
lanhoso; da Santa Cruz, Belcruor de Sousa; da Espa-
da.Me, Fernão Gomes de Sousa; da Framenga, O. Ma-
nuel Tello; da Victoria, Francisco de Gollveia. A.!l naus
seguiram sua derrota, cm que todas tiveram muitos con-
tratempos, e por fim foram tomar differentes portos-:
a nau S. Boaventura chegou a Goa a d de setembro;
a Conceição e a Santa Cruz tomaram Cochim no prin-
cipio de novembro; a Espada.Me foi invernar a Onnuz;
a Victoria invernou em Moçambique; e a Framenga ar-
n'bou ao reino destroçada •. Não ha noticia do que Mi-
guel de Castanhoso fez &pois na lndia; sOmente se
sahe, que ainda lá estava cm outubro de t555
11

• Figueiredo Flllclo, Liwo em fllt! • tod11 aJ11rt!ftk •
n11l p4frilft0ffio, pag. 16S; Couto, Dcc. vn. liY ... cap. m.
a Veja-se o Doe. x.
..
---·--·-·Jipd

• • ,._... ·*·-
D.W"-.. ........ -
.-.. -. • .-• ..-_c.lk-=a
·-IEJ ... ................
---·"'·-··>oõl.llz-·..-
'-*--·---.----
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.... I·--·,,... _____ ._

a F- por--.-,_ a-Go-
.-c-il:apld • •
altnl • •56;. ft:al. - lmp: ...
--------D.Y-·
s.n..--.---·-· 19.
-·1567"·
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Pwan.,. ... _l.illtc.ali ........ *all::',flillil:ll_....
.. c---.* 5io a....il:a
............
6' ..... F.-.. ün:IL"-c. ..
...... •
,.,.,.....,. .... •
• ....._ !IK. .. Tom. llalpa- • .0.
lo. a, w. )]o). IV-• Doe...,_
Por c:ana padrlo, dada cm Cintra a lil6 de julho de
1 56], cl Rei fez merce da tcnça de 20:000 reacs a
D. Violante da Serra, mulhu que foi de Miguel de Cas-o
ranhoso, filha de Affonso Lopes, por não poder verifi-
car-se cm Branca da Serra, sua mie, e mulher de
Alfonso Lopes, por ter fallecido antes de se dar licença
a este para renunciar nella o!li 4-'Y.OOO reacs de tença•.
Emfim por cana padrão, dada em Lisboa a S7 de se-
tembro de •SJ•, cl Rei confirmou a merce. feita a 13
de setembro de 1568, a Affonso de Castanhoso, filho de
Miguel de Caslanho!!io c de D. ViaJante da Serra, de
20:000 reacs de tença dos 40:000 reacs, que VBBaram
por fallccimcnto de sua mãe, mandando-lh'os pagar
desde o dia em que lhe fez a merce
1

v
TRATADO DE MIGUEL DE CASTANHOSO
O Tratado das cousas, que D. Christovam da Gama
fez em Ethiopia com quatrocentos Ponugucses, que em
sua companhia levou, composto por Miguel de Casta-•
obo!O, depois de reformado na linguagem, foi impresso
cm Lisboa em •564 com o titulo:
Hi!loria I Da3 cousas gue o muy esforçtJ- I do capi16o
Dom Clzrislouão tÜJ I GtJma fet nos do Pre 1 slr
Jo4o, com quatrocêtos Por- 1 tugurses gue consigo leuou. 1
lmprm4 por loã dtJ Barrty7·a. I E per elle dirigida
ao '""J"lo I magtJijico e illu1lre .renor Dó 1 FrarrciJCo d•
PortuKal-1
1 Arch. Nac. da TorTe do Tombo, Doaç&1 de D . .Mba11iiio,
liv. lf.\'lt, foi. 47'· {Veja-se o Doe. xm).
• Arch. Nac. da Ton-e do Doar{je1 de D. Se#Hutião,
liv. :u.vu. roi. ]]o. {Veja-ae o Doe. :uv).
tomado extremamente rara esta obrw. a
Aadcaüa Real das Scicncias de Lisboa mandou-a reim-
primir c incorporar na optdt:tdtJI rrlaliJIOS
4 lrilloria dtu naft8l3ÇÕtl. Jfiognu r Ctlltflllâltu dtu Por-
tupt;n. no tomo 1, sob o numero n. publicado em
,s;s. ·
O Corpo do Estado miÜor do cnrcito de lalia uadu-
ziu esta obra, c a publicou sob o titulo: Sloria dtUG IJN·
di;iont porloghnt irr .A.bissinia ntl J«<Oo SVI, •Gn"GIG
da }..fidttlt dt RorM, 1888.
Gaspar Corre& nas Lntdtu da lnditJ os fcilos
de D. Chris10vam da Gama segundo wr1 caderno, que
Miguel de Castanhoso trouxe de Ethiopili, e no qua1 os
rccoruava meudamerue•.
Diogo do Couto teve cm seu poder uma copia do
Tratado de Miguel de Castanhoso, c d'cllc se aproveitou
para a narracão, que incluiu nas suas DtcadtU da .AJia.
dos feitos de D. Christovam da Gama, pelo julgar muito
nrdadciro, como o certificaram a1guns Ponugucscs, que
depois vieram da
O P. Pcro Peys, da Comp11nhia de Jesus, eserevcu
-em lingua castelhana um. traladoac!rca do que se pssou
na jornada de D. Christovam da Gama c dos quatrocc.ntos
Portugueses, alguns dos quacs ainda viviam cm Etbiopil,
quando o mesmo Pam lá entrou; este tratado, tradu-
zido em portugucz, foi publicado pelo P. BalthcurTellcz
na Hi61oria dt Etltiopia 1111 alttJ. (liv. u, cap.
a n1i. Confrontando o tral8do do P. Pcro Pays cem o
de Mi8ucl de Castanhoso, não i difficil de reconhecer,
que o P. Pcro Pays seguiu a narração de Miguel de
Caslanhoso cm algumas pusagcns quasi textualmente;
c:omtudo ajuntou diversos esclarecimentos, que, pan=ce,
• 0..,... Corra, LlrtflM do /UM, 10CD0 IY
1
pes.J.t4 11: M8L
s Cooao, De.:. ..-.li..-. cap. aw. Veja-se Feruio G•rreiro, Rl/4-
c--._a U 60] r 6o3,rol. JJl r.
XLV
lhe foram ministrados pelos Portugueses residentes cm
Ethiopia.
Uma outra relação dos feitos de D. Christovam da
Gama e dos quauocentos soldados portugueses foi es-
c:ripta pelo Pstriarcha de Elhiopia D. João Bennudez,
e publicada com o titulo: Breve re/açam da embaixada
o Pat,·ittrcha D. João Bermudq trouxe do impe-
da Ethiopia, • chamado João,
Lisboa, 1565; c depois reimpressa na Coll«ção de
CJpruculru relatii!O& á hiJioria dtu nD.I!tgaçóts, Jliagem r
dos Portugue;es (tomo r, numero IV). Estare-
I ação, composta mais de vinte annos depois dos acon-
lt.ecimentos a que se refere, longe do paiz em que sue-
-cederam, servindo--se o seu autor, que era jé de edadc
.;avançada, das :r.1as proprias lembranças, e por \tenrura
oda Histori'a de Miguel de Castanhoso, muitas
confusões c nageros.
Uma copia do Tratado de Miguel de Castanhoso
existe manuscripta cm um codice da Bibliothcca Real de
Ajuda, e que t proveniente da Livraria da Congregação
do Oratorio, no palacio de Nossa Senhora das Necessi-
dades. O codice tem o numero

c ê um volume cm
fo1io, encadernado em pergaminho, tendo na lombada:
Papei1 JJarios 10bre male7"ias dijfermteJ; o Tratado
occupa os foi. l4 r a 84 11. Esta copia apresenta la-
cunas de algumas letras e palavras, de uma maneira pe-
rio&ca, o que faz crer que o manuscripto, de que se fez
a mesma copia, estava gasto nos cantos de a1gumas
fothas, talvez por effeito do tempo ou da humidade.
A letra do mesmo codicc moderna, provavelmente
.!o seculo xv1n; c esta copia do Tratado foi talvez feita
do proprio original apresentado a cl Rei D- Joio III por
Miguel de Castanhoso. A orthographia primitiva do Tr·a-
tado foi sem duvida alterada nesta copia, modificando-a
para a conformar com a usada na cpocha em que esta
foi feita; comtudo a da copia ê muito irregular; e a
troca muito frequente, quasi constante, do f pelo :r, como
J.L\1
alc:a,..,t. auima, rm sima. comt'Do2r, €cnuer/ar.l'IUtrTdr,
1iwnuão. partutr, profmia, Jtdo, Jtra (ctra). Jtri·
monia. nirco, n"rtgr"r. sinta. sU-
Umat. mo!IUam que o amanucnse, que fez esta copia,
provavelmente algum religio!IO da Congregação do Ora-
torio, era originaria da provinda do Minho. Outras faltas
de onhograpbia como ara_ral. are/Jtftlar. GJ"«ear.
dar, rtcadar (arrecadar). rnntlln- (arrnrJdn-). dilp4-
rale(thsbaralt),piquma. cli1.ulla rmbaxador.
ptlt!jar. talcmgutira ma•d001 (marulo11-os).
rtpar1ios (repartr"u-os), mo!ltram que o a.manuense pos-
sui& pequena instrucção lineraria. Nesta copia do Tr4·
tado cnconuam·se tambem algwnas palavras da linsua
castelhana, trort lpag. 1.lin. gl, tftltmcn (pag. 4, lin. 2!i!J,
coadrada, planto, plantear, pi ater. FOCQ. ropcu,
e por ventura no original existiam ouuas, que foram
substiruidas pelo ams.nuense que fez a copia; isto in-
dica que Miguel de Castanho!10
1
apesar de ter cscripto
em português, não tinha ainda esquecido completamente
a lingua de sew paes.
A redacção d'csta copia parece ser a prim'itiva do
Tratado; a HUtoria impressa, que dilfere bastante d'a-
qucUc, c! wn arranjo d-este, rerormado na linguagem,
c feito pelo impressor João da Barreira.
E desnecessario encarecer o subido valor historico do
Tratado. o qual ta narração comemporanca, circwn-
stanciada c a mais authentica, dos fcito!l de D. Olris-
tovam da Gama e dos quatrocentos Portugueses, que
com cUe enuaram cm Ethiopia, e a fonte primordial
d'onde derivam todas as outras relações dos mesmo!l
succcssos; i um episodio interessantissimo da historia
das conquistas dos Ponugueses no Oriente, c uma con-
tribuição valio!la para a historia do reino de Ethiopia
em uma da!l cpochas mais angustiosas c criticas da sua
cxistencia.
A impres.são do Tratado foi feita reproduzindo, tão
cxac1amcnte quanto possivel, a copia do codice da Bi-
XL\'11
bliotheca Real de Ajuda; comtudo, para tomar a leitura
corrente e mais facil a comprehensão, uniformizou-se
a onhographia, completou-se a pontuação, e preenche-
ram-se por meio da Historia impressa as lacunas, as
quaes são indicadas por ~ J.
Lisboa, 28 de agosto 1 ~ 7 ·
TRATADO

Tralado das cousas que o muito efforçado capilão
Dom Clrrislováo da Gamafe.J nos reynos da Presle
João com quatrocentos Portugueses, que em .Jua
companhia /eJJOu,feilo por Migutl de Castanhoso,
que a tudo foi presenJe. 1S41.
Estando Dom E.steYão da Gama, Governador da ln-
dia, em Maçua suno com toda a armada, que ao es-
treito de Meca levou, veyo a elle hum capitão do Preste,
que se chamava Barnaguais, o qual lhe trove canas, pe-
dindolhe que olhasse como os seos reynos estavam usur-
pados de mouros havia car:orze annos, e a mor pane
de seu povo estava c"m cativeiro; e pois el Rey seu
irmão tinha por costume dar socorro aos que pouco
podem, que lhe pedia de sua parte lhe qtiizesse man-
dar algum, pois aquelles reynos erão de S. A., e elle
em seu nome os tinha. Vistas pelo Governador as car-
tas, mandou chamar todos os capitaens da armada e
fidalgos, para com cllcs haver conselho o que sobre tal
caso faria; e acordarão ser serviço de Deos c de S. A.
mandalo socorrer em tamanha necessidade; a qual em-
presa cobiçarão todos os capitaens muito, e foi pedida
daquellcs que lhes parecia que lha darião; c o Gover-
nador com importunação a deu a seu irmão Dom Chris-
tovão pello apenar muito por eUa. O qual se fes logo
prestes com toda a sua geme, e desembarcarão em
terra para dabi começarem seu caminho.
Cap. j. De como Do,r Chr"liloJ•tfo comf'ÇOII a caminhar,
e do recebi,rmlo que lb.r foi feito nas tn·ras do Bar-
n.:zguar8.
A hum sabbado á tarde, aos ilove dias do mes de
Julho de 1541, despedido do Gm1ernador e de toda a
gente, se partia com seu arrayal, levando a anelharia
e moniçiio para a guerra t e roda a gente levava
dobradas, e hião mui bem apercebidos e mui lustrosos;
e foi donnir equella noite a huns pocos de egoa salobra,
e aqui repousou; e ao outro dia domingo náo caminhou
por ser a terra DU.Iito quente e aspera, e não se poder
caminhar por ella senão de noite; e este mesmo dia, ao
por do sol, se pos em caminho, c foi repousar a outrds
poços mals doces, donde era o campo cheyo de galinhas
bravas, donde a pane da noite, que ficou, se vlgiou o
arrayal por amor de DUJitas alimerias, que no campo
havia, mui disfonnes. E desta manevro caminhamos seis
dias todos de noite por ser a terra- muito quente, e de
mui pouca agoa.. o que dava muito trabalho á gente; c
Dom Christovão com todos hia a pee por não haver ali
cavalgaduras; e a anelheria, mo"niçoens e mantimento
hião em camellos e em DU.IIas. que o Barn8guais em
sua companhia trouxe; e muitas vezes as descarregava-
mos, e levavamos o fato ás costas, e a artelheria por
passos mui fragosos, donde os camellos e mulas não po·
dião passar carregados; no qua1Iraballi.o, que era muito
grande, Dom ChristoVio bern dava 8 entender o grande
fervor e vontade que leva"8 em tão saneia demanda;
porque elle era o primeyro que tomava o fato és
tas. dando ordem que o outro se levesse; com esta fra-
gueirice e vontade dobrava a dos soldados para tra-
balharem dobrado sem sentir, porque era o trabalho
ramanho, que se isto as!!im nõo fora, nõo nos sahiramos.
E desta maneyra caminhamos seis dias, como atras dis-
semos; o derradcyro destes dias subimos huma serra
tõo alta, que desde que amanheceo gasta-
mos cm a subir. E como fomos cm nba della, desco-
brimos grandes campinas, e terra muito châa c mui fria,
c de bons ares e boas agoas; e ahi descansou Dom
Christovio dous dias cm huma igreja, que ahi estava,
mui grande, a qual estava derribada mouros. e a
terra toda destroida, e daqui viemos ao mar; c ao outro
dia fomos nosso caminho por esta terra fria, por onde
folgamos mais que pella outra; c por ella andamos Ut:s
dias, passando multas ribeyras de muito boa agoa, e
chegamos a hum lugar mui grande com a casaria de
pedra com terrados por riba como de mouros. E esra
çidade he do senhorio deste capitâo, que em nossa com-
panhia levavamos; e por huma pane a cerca bum rio
mui fennoso, em que ba muito pescado, e ao longo
delle muitas aldeas de lavradores, assim. de huma pane,
como da- outra, com muitos gados, e tudo 4 wista da
cidade; as quais aldeas a este tempo despovoa-
das com medo dos mouros, e a gente della se recolheo
a huma serra com seos gados, donde andavão escondi-
sem curar de lavouras; c com nossa nada rodos
se vicrâo para suas cuas. E sahirio a receber Dom
Christovão desta cidade muitos frades com cruzes nas
maons com buma procissâo solemne, pedindo a Dcos
misericordia; e como chegarão a Dom Christovão, lhe
disserio, que pois o Senhor Deos o trouxera 4quella
terra, e em tempo de tama necessidade, que hawia ca.-
torze annos, que os inimigos de nossa sancta fee a seoho-
n:avão, e destroião as igrejas c mosteyros, que elles wião
que elle era o Apostolo de Deos para os tirar do cati-
veiro e sobjeição, e que lbe pedjáo vingança de tam mt
gente; e isto lhe pedirâo com tão grande clamor, que
verdadeyramente não sinto homem que isto ouvira, que
não chorasse mil lagrimas. E daqui foiD:>s a seu mos-
rcyro fazer oração, o qual estava todo dern"bado; e o
que tinha [são], era lavrado de pilares c cantaria; e ti-
nha [o altar] armado 4 de huana pobre en:n'ida
_4_
coberta de palha, porque mais não se atrevião a fazer
de medo dos mouros. Despediose Dom Christovão dei-
tes consolandoos muito, que com ajuda de Nosso Se-
nhor mui cedo se verião em sua prosperidade, porque
clle não vinha áquelln terra a outra cousa senão a lan·
çar os mouros fora della, e morrer pela fee de Chrisro;
c ficarão os frades mui consolados com esta resposta;
e Dom Christovão com os soldados se foi para as ten-
des, que lhe ja tinha mandado armsr o Barnaguais no
campo pesado com a cidade. E aqui nos aposentamos
mui bem; e por mandado do Barnaguais nos trazião
os lavradores todo o mantimento que podião, e não era
muito por estarem mui desbaratados, e haver mtllro
lempo, que não lavravii.o nem semeavão.
Cap. ij. Do come/Iro que teve Dom ClzrWovlo com o
Barna(!Uait gmJe da ten·a, &obre o que devia fafer.
Ao outro dia pella manhãa mandou Dom Chmtoviio
chamar ao Bamaguais e a dous capitaens Abni11s, que
ja crão j1mtos com11osco, para se i11fonnar da terra,
e saber o que havia de fazer, e quiio longe dahi estava
o Preste, e se se poderia primeyro ajuntar com elle, que
peleijar com el Rey de Zeyle.. E depois de serem jun-
tos, e saberem o que Dom Chrlstovão queria, lhe dis-
scrão que ao presente não era tempo de caminhar por
se começar entollCcs ahi o inverno, o qual naquellas
partes era muito fone, e muito as ribeyrM, c a
terra era mui fria e de muitas nevoas; pois isto assim
era, e otava alj naquella cidade, que era do seu senho-
rio, que invernasse nella athe o fim de Outubro, porque
emão era tempo para se por em caminho; e que quanto
ao que lhe pergumava do Preste, que se se podia pri-
meyro aju11tar com elle, que com el Rey de Zeyla, que
a isto lhe dizião, que havia dous meze!i que hou•;erão
el Rey de Zeyla e o Preste huma grande batalha, na
qual fora desbaratado o Preste; e tanto que: se retro-
vera para tras, se recolhera a humas serras trez:enw
lesoas pella terra dentro, por serem muito fones, c estar
nella mui seguro dos inimigos; e que rinhão por novas
que estava com mui pouca gente, porque a mais se lhe
lançara com os mouros; e que pois a terra toda es-
tava pello mouro, que de necessidade haviemos de pe-
leijar com seos capitaens muitas vezes:, e que lhes pa-
recia, que o proprio Rcy de Zeyla nos viria a esperar
ao caminho, porque na mayor pane da terra tinha ca-
pitacns com gente de guarnição; e que hum dia de ca-
minho estava a Raynha mãy do Preste em huma serra
mui forte; a qual, depois que o Preste seu marido fal-
lccera, se recolheo a esta serra com suas mo1heres e
alguns homens de serviço; e que devia Dom Christovão
de mandar por clla, porque era mui necessaria por
amor da gente da terra. porque acodissem com man-
limentos e cousas n«essarias. A qual nova ouvida por
dlc, e sabendo quáo perto a Raynha estava, foi mui
alegre, e logo lhe mando111. dizer como era ali chegado
com os Portugueses cm serviço de seu filho e seu; e que
logo mandaria cem soldados para virem em sua .suarda,
porque era mui nccessario andar S. A. cm pessoa entre
oa scos, porque desta mancyra lhe obedcccrião mais a
ella, c nõs seriamos mdhor agasalhados.
Cap. i'ij. Como Dom [alardo] dt sua
a r·qartio como llle bem partci!O.
Depois de ter Dom Christovão mandado recado 4
Ra}nha, fes alardo de sua gente, porque, quando panio
de Maçua. pareceolhe que em volta dos que o Gover-
nador lhe dera, viriáo mais, por quanto alvoroço e co-
biça houve na vinda; e toda via não se achou, que fos-
6
sem mais de quotrocentos homrns mui bem annados,
e entre ellcs mais de seiscentas espingarJas; c logo or·
denou cinc<? capitacns cmre esta gente desta mancyra:
cincoema soldados a cada capitão. que são duzentos c
cincoenta, e os cento c cincoenta deixou é bandcyra
real; e daqui por diante cada capitão tinha cargo de
sua gente, e lhe dava mesa do que na terra havia, por-
que o Barnagua'is como fiCnhor della dava para o arrayal
cada dia dc:z vacas muito gordas, c são mayores que
as de Portugal, e muitos bolos de m'ilho c de uma se-
mente, que fiC chama dachcry. E com isto passamos
este inverno e com algum arros, que rrouzemos da ar-
mada, athe que o Senhor Deos foi de nos .so-
correr com sua miscricordia. E os nomes dos capitaens
são estes: Manoel da Cuoha, João da Fonseca, lnofre de
Abreu, Francisco de Abreu, e Francisco Velho; e todos
os mais fidalgos e criados de S. A. ficarão debahto da
bandeyra e com elles Luiz Rodrigues de Carvalho,
a quem Dom Christovão deu cargo da gente da ban-
deyra real.
Cap. iiij. De como Dom Christovão mandou pella. RtJy-
raha. e dos Gasalhados que ell.tJ fes tJos que
por elltJ fortJm.
Acabado tudo de concertar se gastou o dia; e ao ou-
tro mandou Dom Christovão [a Manoel] da Cunha e a
Francisco Velho, que [fo!lfiem] amh05 com suo gente
pella Raynha:; [e logo] se poserão em cami11ho, e no
mesmo dia é tarde chegarão 80 pee da serra, e as5en-
tarâo suas tCildas, e fi.zerão saber a huma guarda da
serra coroo erão ali chegados os Portugueses para sua
guarda e companhia:; foi mui alegre; e de mui contente
mandou ás guardas, que deixassem !!!iubir arriba os dous
capitaens:; os qusis se vierão 80 passo da 5Crra, e lhes
deitarão humas correas de couro mui fortes, e neUas
_7_ •
.atado hum enscnho como hum cesro grande; c lbc:s
diucrão que a Raynha manda,.·a que subisstm ambos
arriba, que os queria ver, cm quanto se Cuiio prestes
.,.... a partida; c o fizerlo, c sobirio cada hum
per :si no cesto, e 1cvarãonos '' casas da Raynha, a qual
lbc:s psa1hado. c fallou muito com clln, per-
guntando como Yinha Dom Ouistovão c todos os Por-
rusueso SCOS tilhM, que assim DOS chaman sempre;
c loso se fcs prestes com rodas suas molheres c scni-
cb'e3, dei.J:ando na serra a lilho segundo, c duas filhas
mui fcrmosas com sua mãy, a\·tJ das lnfantas. a mui
bom ruado; c porque não tirou consil{O o Infante, pan
que nos aiudasse na guerra, pois que a-a de idade .,....
o podu fazer, adi.ank se d"ITá. E .:orno se wio a Raynha
fon da serra, da. muitas p;racu a Dcos, chorando de
prazer por tio grande mcrcc, que lhe fazia, em a tirar
daquclla sem, que tantos annos havia que oclla esran
cnccrnda; pois que Deqs lhe manda"a pan seu rr:me-
dio os Portugueses, que tio crão de todos os
moradores daquclla • que clla espera.,.. na sua mi-
sericordia de (haver muiro crdo] ,;ngança de scos inimi-
Fs; e assim se passou .cstr em se fazer preste$,
pan o outro dia começar a caminhar.
. •. lk toiM) ,a R"!,.t-.IH cJ.rsoll ao dJ"TIIr42lth Dotrr
Oris/oNo. • pe 1M eUe fe1.
E como TC}"' a a Raynba, que por seu
oomc se cha.ma Sahclc Oengel, com todas suas damas,
e molheres, se poxrio em som de caminhar, e os Por-
rugocxs com clla; e porque esta sem hc a mais forte,
que ha na 1ern., e a mais que se nunca rio,
.tirei aqui a mancyn dr sua porque parece
ser feita por mio de Dcos, para se oclla saJnr esta
seobon c sua geme do catiwciro, e nio ser doii'Oido
8
bum mostcyro de frades, que em riba está, no qual se
fas muito serviço a Deos; porque sobre ella esteve el
Rey de Zeyla com todo seu poder hum anno, sem ounca
a poder tomar; e i!:llO não por cobiça de the!§Ollros, que
demro estivessem, porque não os havia ahi, e elle bem
o sabia; mas por haver és maons a Raynha, que elle
muito desejou por ser mUito fennosa; e quando no fim
deste anno vio que 4 fome a não podia tomar, levantou
seu arrayal, e foise, porque foi informado da fonaleza
da serra, a qual he desta [ maneyra ].
Elia tem em roda por riba hum quarto de legoa gran-
de; e nesta terra de riba ha duas cisternas grandes, nas
quais se recolhe muita agoa no inverno, e tanta que
bem abasta e sobeja a todos os que em riba estão, que
podem ser quinhentas pessoas; e na propria terra se-
meão mantimentos de trigo e cevada, milho e outros
legumes; c trazem em riba cabras, e galinhas; c ha
muitas càmeas, porque he terra muito para ellas; assim
que he impossivel tomane esta" serra por fome nem por
sede. E a serra por baixo he desta maneyra, toda coa-
drada, e talhada a pique, tam alta duas vezes como a
mais alta torre que ha em Portugal; e vay sendo para
riba cada vez m,a.js estreita; e no fim della fas hum som-
breyro todo á roda, que perece feito por mão, c bota
tanto para fora, que senhores todo o alicerce da serra;
c não se pode ao pee della esconder nenhuma gente
dos de riba,- porque ncnhwna sane de concavidade,
nem recanto ha em toda a roda, nem tem nenhuma en-
trada senão esta, que he hum caminho mui estreito, de
maneyra de caracol mal feito, que com muito trabalho
pode huma pessoa hir por eUc athe chegar a hum passo,
aonde se não pode mWs subir, por n ~ o haver caminho
nenhum, c sobre ellc está a porta onde cstiioas guardas;
[e] estará [esta porta, daqui donde se não pode mais
sobir], altura de dez, ou doze braças; nem se pode en-
trar, nem descer da serra, senão por este cesto, que
acima digo. Assim que hc impo:ssivcl poderse esta serra
_9_
1omar, cm que a nio guardem mai!l que dez homens;
c por a fonaleza della he costume destes reynos, como
os Infantes, que não são herdeyros, nascem, os lcvio a
esta ali estio c se crião como filh05 de reys., sem
nunca descerem abaixo, nem verem outra nenhuma ter-
salvo se o herdeyro, que por fora anda com seu pay.
faUcce, vão a esta serra pelo mais velho, c os outros
6cam neUa athe que o herdeyro ca[ sa e] tem fil.llo5, c
possue o reyno, o qual náo fas senam por mone de
seu pay. Assim que o herdeyro depois de ter filhos,
sayem os Infames da sci'T8., e vãosc para scos senho-
rios, que ja para ellcs são linUrados. [Estes] e1ames se
rem, porquc o povo he tio mao, que por qualqul!l' es-
candalo, que do herdeyro houvessem. a terem hum dos
outros Infantes, se lcvantariiío com elle; assim que por
nellcs sentirem esta mi sojeiçio, hc cosrumc isw que
acima digo. De maneyra que como a Raynha de.sceo
com suas molheres e servidores, {que seriam as molhe-
res 111. e os homens 1), logo cavaJgou rlla c suas da-
mas cm mulas, que ao da para isso e!ltavão.
que lhe o Bamaguais mandou; e se pos em caminho
para o a.rrayal de Dom Chriswvio, onde foi recebida
dtllc com sua mUito bem. porque todos cstavão
mu.iw bem concenados c: por sua ordem, e os capi-
tacns com soldados, todos de espingardas, com
s.eoll guiocns de damasco azul e branco com cruus
c a bandeyra real.dc: damasco carmcsi c
branco com a cruz de Christo com toda a outra gente;
e o capitão mor muito gentilhomem, vestido de calças
e jubão de set'im roxo e teUa de ouro com muia:os re-
ceamos, c huma roupa franceza de paoo preto fino toda
recramada de ouro, e huma gorra preta com huma me-
dalha mW rica; e os capitacns, c fidalgos, c toda a ou-
tra f!;Cnte com os melhores atuios que t'inhão, que crão
· muiw bons. E salvamola duas Yezes com toda a artc-
lharia e cspin@;ardaria, que ceno fizemos amolltra dt
mais de mil Porrugucscs; c dtpois da amostra feita po-
lO
semonos em dua! fieyras, e a Raynba ficounos no meyo
com todas suas molheres, a qual vinlla toda cobena de
seda athc o chio com grandes oparlandas. E trazião-
Dle huns homens pello caminho hum esparavel de seda,
que a cobria toda e a mula athc o chão, com sua pona
diante, por onde via. Elia vinha vestida ck: panos bran-
cos da lndia muito delgados, e hum albomoz ck: sctim
pardo a>m fiores c cadilhos ck: ouro como bedem, c a
cabeça toucada é ponuguesa, c rebuçada com huma
touca muito fina, que lhe não appsreciáo senio os olhos.
E o Barnaguais senhor de!lita terra vinha a pee, despido
da cinta para cima, com huma pele ck: leão ou de tigre
lancada nos hombros é maneyra de vestimenta, com
o braço direyto todo fora, e assim a levava pela redea;
porque hc cosrume, onde o Pte!'ite ou a Raynha entr5o,
levalos o senhor da terra ck: redes, da maneyra que te-
nho dito, sinal obediencia; e vinte dias vay ao
paco de!!ltB propria mnneyra \lestido; e mais vinhão
junto da Rsynha dous senhores como marquezes, aos
quaes chamão Azayes; e o seu vestido ninguem o
trazer daquella maneyra senão elles, c ror ellc !!lfio co·
nhecidos, que he .sobrecam'izas athe o chão, cabayas
quarteadas de seda das suas coces athe o dtão com
dous palmos de rabo c mayoces, que parecem de mo-
Dleres; e e!ltas cabayas atadas, c sobre ellas bedcns;
e assim levavão a Raynha hum de huma pane e outro
da outra, chegados a clla a>m as maon!!l na mula; e a
Raynha hia sobre uma sella com o a.-ção dianreyro
muito nzo, huma no ree csque.-do, c a
perna direita dobrada sobre o arçio, e muiro cobena
com !'iU&s roupas, que vin a maneyra de seu
assento; e suas damas da propria mancyra em mulas
rodas de bedcns rebuçadas. E como se a Raynha vio
entre os Ponugue!ies, e!'i.tcve queda mui espantada do
nunca vira; c Dom Christovio com os capitaens e ·
fidalp:os se chegou a lhe falia.-; a qual, por lhe fazer
muita honra e gasaDlado, mandou tirar o esparavel
11
com que vinha coberta, e abaizou o rebuço hum pouco,
cm quanto lhe Dom Christovfo fallava, mostrandolhe
muito gasalhado; e as palavras que lhe disse são estas.
FAU..A. DO CAPITÃO IIOR Á UY"HA
Mui Christiani.ssima Raynha. Estando o Governador
da lndia com toda sua annada, que ao estreito do Mar
Roxo trouxe, conqWstando os in6eis de nossa sancta
fee, por serviço do mui christianissimo Rey de Por-
tugal meu senhor, depois de ter destroidas muitas cida-
des e lugares; estando no porto de Maçua para se tor-
nar para a lndia, chegou este capitão, que tem de redea
a V. A., com a embayxada do Preste vo5:so filho c car-
tas vossas, nas quais pedião ao Governador da parte
de Deos e dei Rey de Portugal, que se doesse daquelle
reyno de christaons, que tão destroido e 9enhoreado
estava dos inimiRos; e lhe quizesse mandar algum so-
corro, pois era seu costume ajudar aos desamparados;
que: havia catorze anDos que nas suas terras ondaváo
os inim'if!:Os fazendo muitos males c danos. E sahida
pello Governador ta.m8llha necessidade aquelle reyDo
tiDba de socorro, e tamanho serviço fazia a Deos c a el
Rey cm o socorrer tm tal tempo, lhe mandava a elle
e aquelles :soldados por entanto; e que para o aDno lhe
mandaria mais gante; e com ajuda de Nosso Senhor
Dcos mui cedo se veria cm sua prosperidade; e que
confiasse no que lhe dezia, porque todos os Ponu-
gueses que ali via, vinháo offerecido.s a moi'Ter pela fee
de Olristo
1
c pella salvação daquelle reyno.
E todas estas palavra!. lhe declarava huma linf!:oa, que
comnO!oCO hia, Portugues que muito bem e sabia, o qual
estava diante ds Raynha de f!:iolhos t e ficou muito con-
tente, e alegre destas palavras, e deu os afj:rsdccimcDtO!o
a Dom Christováo por elle ser o que a empresa quis
tomar, c a todos os Portuf!:Ueses agradeceo muito sua
vinda; c que tamanho socorro como el Rey de PortUf!:al
RU irmão lhe mandava, não tinha cllo nem nenhum
principe poder para lho satisfazer, senio o Senhor dos
Ceos, que tem poder sobre rodos; e que aqueUe socorTo
que o Governador lhe rnandB.ra a ella e a seu filho,
que a el Rey de Portugal se fazia, porque aquelles rey-
nos erão seos, e elles por os tinhiio. Acabada a
pratica levamos a Raynha a suas tendas, que ja os Ros
lhe tinhão armadas no campo pegado com a cidade.
Cap. Jlj. De como Dom Christor•5o foi a Rayrrlra,
e no que gaslou esle inJ-'erno aU começar a •
Passados dous dias foi Dom Christovão visitar a Ray-
nha para se infonnar de sua vontade, e saber o que R
dcterm'inava fazer; e foi com toda a gente armada
com armas mui luzidas e mui com pifano
e e todos em ordenança, com lanças e espin-
gardas; e diante da tenda da Raynha fizemos sacia
com caracol cerrado c aberto duas vezes; a Raynha
estava olhando tudo isto por huma fiSBa da cerca dn
sua tenda, ficando mui espantada de ver os Portu-
gueses com outra invencáo de guerra, principalmente
no cerrar e abrir do caracol, do que a sua gente ca-
rece; e estava mui contente de sy, dando muitas gra-
ças a Dcos por ver tamanho prazer corno aquelle, por
que via caminho para ella tornar a sua prosperidade.
E como isto foi feito, entrou Dom Christovão com o
Parriarcha e capitaens 8 fallar com ella cousas, que
curnpriáo a seu serviço e de seu filho; e acabada a pra-
tica, despedido della, nos fornos para o nos.!IO arrayal.
E determinou Dom Christovão de gastar o inverno em
cousas necessarias para a guerra, em carros para levar
a artelharia e rnonição, e para fazermos forte o nosso
por onde quer que fossemos; os quais fizemos
com assaz uabalho, porque nós cortavamos 8 madeyra,
c a :scrravamos, porque os da terra não 1cm engenho
para nada; e Dom era mestre deslas obras,
e cllc as ordenava como se Ioda a sua l'ida fora carpin-
leyro; e o seu gosto era gastar todo o dia nellas. E ha-
vendo hum mez que aqui chegou hum em-
bayxador do Pres1e com cartu suas para sua mãy e
para Dom Christováo, nas quais dezia mui boas pa1a-
l'ras; e que de tanto socorro, como seu irmão lhe man-
dara, se não espantava nada, porque de mui certo o ti-
nha de rey de tam1111ho nome; c que a geme de sua
terra tinha huma profecia havia mui[Os annos, ames
que o reyno se perdesse, que elles seriiio remidos por
humas gemes brancas de mui longes partidas, os quais
crão verdadeyros christaons; e que es1es havião de ti-
rar do catiniro toda a Ethiopia do poder dos inimigos
de nossa sa.ncta fee, e que havia catorze a.nnos que a
possuião de poder absoluto, e moradores que por pa-
r:ria a havião; c pois que o Senhor Deos lhe quis fazer
1:a.Jll8flha merce, que no seu tempo fosse o que tamos
desejarão, que pedia a Dom Christovão que se fosse
chegando para elle, e que elle faria o mesmo; porque
de outta maneyra se não poderião ajuntar tão cedo,
por ser a distancia do carrünho de entre ambos muita;
e no fim se encomendava muito a todos os Porrugueses.
E com esta carta acordou Dom Christovão com lodo:.,
como viesse o \"eráo, de se porem em caminho, e traba-
lharem de se ajunlar com o Prese; e com este all'o-
roço demos muita mais pressa aos carros, de ma.neyra
.que fizemos vime quatro carros, antes que o inverno
com bem de trabalho, como jé digo. E assim
fuemos onze grades para os carros, em que: hião cem
mosquetes, porque esta era a nossa &Melharia: estes
mo5quetes, que digo, e scys meyos berços, e dous
berços; e estas oito peças hião em cada carro a sua;
e os outros cinco carros lenvão poll'ora e pelouro. E no
meyo do inverno, com licença c mandado da Raynha,
demos dous saltos em huns lugares, que perto de nós
erão, que estavão a1enntados, sem quererem obedecer;
onde tomamos muitas mulas, em que nos enca\·alga-
mos, que athe aqui viemos a pee como ja tenho dito,
e não tinhamos em que caminhar; e e ~ s i m tomamos
muitos hoyes e vacas, as quais amansamos, e fizemos
11 canga para levarem os carros, e custounos bem de
trabalho. E todo este inverno vigiamos nosso arrayal
muito como cumpria, e aos quartos armados; porque
rinhamos por nova que d Rey de Zeyla mandava es-
pias para saber como cstavamos, c quantos ers.mos, e
que concerto rinhamos; assim que para isto, como para
nos fazer ao trabal_ho, nos armavamos cada noite, por-
que esperavamos que o inverno, que esta.va por vir,
fosse de mayor trabalho; c vigiandonos desta maneyra,
tomamos duas espias dei Rey de Zeyla, que entre nós
andavam vestidos como A bexins, dos quais soubemos
onde o inimigo estava, c quantos erão, c o que nos mais
cumpria. Como Dom Ouistovão soube isto delles, man-
douos despedaçar nos carros, da qual justiça os A bexins
ficarão espantados, tanto que não quis mais nenhum por-
se nesse perigo.
Cap. JJij. lN como Dom Christováo começou a caminhar.
~ da ordem que leJJaJia em seu cami,ho.
Acabado o inverno e tudo aparelhado, a xb de De-
zembro de 1S41, começamos a caminhar, e a Raynha
e suas molhcres, c gente de serviço com duzentos Abe-
x.ins, que nos ajudavão a levar o fato e carriagem; c
desta maneyra hia o nosso arrayal na milhar ordem
que podia ser, e caminhamos desta mancyra. Hiâo dous
capitaens com sua gente hum dia a pee com os carros
por bom caminho, porque não havia gente da terra mais
que estes duzentos Abexin!l, que acima Wgo, para nos
ajudar; os quais traziiio a recovagem, que erão muitos
hoyes de carga, em que vinha o serviço do arrayal; as-

sim que, em quanto estes doua capitaens biáo a pc:c, a
mais ocntc hia armada dando guarda a tudo; e a Ray-
nha vinha mais da tras, e em sua guarda hia eu com cin-
wenta Ponugueses todos arcabuzeyros e armados com
os murroens acesos, que assim foi encarregado.
E Dom Christovão cada dia duas vezes corria todo o
lliTayal com quatro de cavallo, e via como hiio, e se
tinhão necessidade de alguma cousa; c para isto trazia
mulas mUito andadoras e corredoras, que as ha na terra
mui boas. Assim que cada dja se revczavão os dous
capitacns de pc:c a cavallo, c outros dous se desciam
para hir com os carros; e assim ca.minhavamos levando
muito trabalho com os carros; porque por muitos lu-
gares, por onde os boyes os niio podião levar, os leva-
vamos nós por força e és costas:; e elles crão ferrados
todos. E trabalho se mostrava Dom Christovâo
mui fragueiro; e assim ca.niinhavamos levando na dian-
teyra dous homens de cavatlo com trt:s ou quatro Abe-
xirnl a cavallo descobrindo o campo, a fora outras espias,
que a Raynha tinha mandado diante para saber alguma
nova dos mouros. E assim fomos oito clias; por todos os
Iusan:s, que passavamos, a gente da terra, que crão to-
dos la'Wradores, se vinhão meter debaixo da bandeyra
real; c alguns mouros, que esuvão oestaa aldeas arreca-
dando as rendas, se acolhiio com a nova que tinhâo
de [nOs outros]. E no fim destes oito dias chegamos 4
serra do senhorio do Barnaguais, a qual logo se nos en-
tregou; c aqui tivemos o Natal, a que cUcs chamáo Ca-
bdaa; c Dom mandou armar huma tenda
grande, e nella hum altar com hum n:tabolo mui devoto
do nascimento de Nosso Senltor Jesus Christo, onde
se fes o olficio por o Patriarcha c dous clerigos de missa
Portugueses, que na nossa companhia foráo; e toda a
ooite estivemos annados diante do altar; e as matinas
foráo rtll.ii solellllles para em tal terra, porque tinhamos
charamellas, atabales, e frautas, e trombetas, e toda a
cerimon'ia; e esta noite nos confessamos todos, c é missa
J6
do galo recebemos o sancto Sacramento. E tudo isto a
Raynha estava olhando da sua que defr-onte cs·
tava, e mUi espantada de ver os nossos costumes, pa-
recendo-lhe muito bem; a qual folgava tanto de O! ver.
e o nosso offi.cio, que para o milhar ver se sahio da
tenda muito secretamente com huma dama sua rebuça-
das, sem os proprios seos a acharem menos; porque
muito mayor caso fazião os seos, que disso crio sabedo-
res, assim as damas que esta vão dentro [da renda, como
os] que estavão é porta da entrada (apartando a gente
diante d]a vista da renda; e desta maneyra andou olhando
(tudo], como outras muitas senhoras, que disso leva vão
muito gosto. Este mesmo dia [celebrarão elles] a mesmo.
festa, com virem muitos frades de toda a comarca, e
muitos que a Raynha consigo uas, assim clerigos como
frades, porque lhe dizem missa, onde quer que chega;
assim que todos juntos celebrarão o nascimento com
toda a e solemnidade que poderão. E passadas as
oitavas do Natal caminhamo.s dous dias por caminho
mui aspero, por onde os carros hião com muito traba-
lho nosso; e no cabo dclles chegamos a huma serra
mui alta, e tão comprida, que cinge todos aquelles
campos; a qual de necessidade haviamos de subir por
ella por seguir nosso caminho; e a Raynha e sua gente
mui duvidosos de podermos passar mais que
nossos pessoas, e tinha por muito certo ser isto assim;
e Dom Christovão, vendo que os carros não podiam
mandouos desfazer cada peça por sy, e toda
a anelharia e monição sobre sy, a qual toda subimos
ás costas pouco a pouco com grandissimo trabalho; e
Dom Christovão era o primeyro que levava ãs costas
o que podia. E pozemos tres dias c:m subir esta serra
arriba e com tanto trabalho, que se fora em outro tempo
[se podere escrever] tanto deste [trabalho], como do
que [ AnDibal passou] em passar os Alpes; porque, por
[quão poucos e ramos], muito mais fizemos em a subir
tnJ tres dias, que AnnibaJ o setl arrayal em hum mez.
Aqua acabou a Raynha de crer que não havia ahi ouU'a
@ente senão Portugueses, porque tinha por mui difficul-
t:oso levarmos évante a subida; assim que em riba na
serra estava huma cidade, que de fora parecia muito
'bem, com todas as janellas [e as paredes c as
casu por riba todas de terrad.os, c as ca!llls de dentro
crão é mourisca.
CAp. Jliij. De como Dom Chn610Jião andou Jlmdo
atrra por riba. e do que nella acltou.
Acima desta cid&de, no mais alto, estava huma ermida
muito branca e tão ingreme, que com u-ahalho podia al-
swna pessoa hir a clla pello caminho ser muito estreito c
em voltas; e pegado a esta ermida estava huma casinha,
a qual tinha dentro trezentos homens, pouco mais ou
menos, todos mirrados, [cosidos com] cour'03 mui secos,
e os [couros] mui gastados, c os corpos entcyros;e dezia
a B[entc daquclla terra], que aque11es homens [havia
muitos annos], que vicrão équclla terra, e que a con-
quistarão em tempo dos Romanos; c: outros dezilo que
erão sanctos; c: o Patriarcha Dom João Bc:rmudes dezia
o mesmo que c:ráo BBnctos
1
c: que forão ahi martirizados,
c que isto ouvira dizer no tempo que la da outra vez an-
dara. E alguns homc:ns tomarão rcliquias dc:lles; mas
nio havia nc:nhum dos naturais que soubesse dizer
como c:ra, nem rinhão nenhuma escriptura do que: podia
ser; mas náo pode deixar de sc:r alswna cousa, pois ha
tantos annos que ali estaviio trezentos homc:ns brancos
juntos todos mirrados, cm que a terra he tão fria c: tão
sc:ca, que não he nada mlrraremse ali naqueUa serra os
corpos monos, porque os vivos correm muito risco;
porque em outra tal terra nunca fui, porque c:ra [o frio
c] o vento tão seco, que cuidava.mos todos de
Assim que depois de dos u-abalhos pas-
sad.os1 e sermos todos armados e postos [em ord.em],
18
- acomiobor; _rarquoda....,. pono:- da serra
11E dlill _e sem Ldccida, .W. por Ioda c.am-
p... .pa<oad< --........ ....,.._.bum
--., cpoo .. cboma o A-; • oupoio dcllo oro
Abaioa,oquolonlapdo<lllllm_•.__modo
... - cbopdo ... foeido _.. bolria; ........
-...:s .. Slhirio L• caa mlliiDs. mabmmlos,.
- ....... deoculpo-.- • Royaloo. -. .... .ue.
alopodiom....._cpoo poriorçoe>bodociom;o.-o.., ...
- bum apoio, inllio .., copilio cr .... ......, opoc
.. lo......toresuuiom ....--.-.0..--
..... - .. __.da......,..,.. de
-inDio,--ll'""'klraJ<il> ........ ..., Roy-
E como 1Cft.,.... cp: .p ..-.m coaa
a Rayubo. .. "")" .,... on--io, • ... deu
-41:--...-.... -....-....... bo......Jo
....,... ..... ..rn.;... ........ - loi ....,; loal,
........ .p.e... ........... •RoJ111oo, ....... -

poao4oa; • - IOda • ,..... da ....... po<5mo
,..- oco upoio • ..-.v- Dom a.n-.rio •
_.s._ ....... _ ........... 4o:iooo-
................... ....... -_...
....... ..,. ...... __

·----41:---lop-
..... 41:--........ -·- -
E ·-o4il4o:R-,..•quolos.U.....-
.....,..._,.,..- _ _......_..._..,. __
ten'-.l _. fas.. a direi ..p.
ND4il ...
--.... ----.. --..... 41:
.... ali---a.---
--,·----41:--
• lt.a,rMI.;. c o • 1r.1r:s 6:rio a
.......... ._ .. _
...... ...... .. -·--=
c depois de benta, c a Raynha (toda cobena] com muitos
panos, que a não podessem ver, !C meteo na ag:oa
despida, e se banhou; e dahi se foi para sua tenda, e
{todas as] suaa molheres fizel"ão outro tanto. [E o Pa-
triarcha] com rodos os frades [e clerigos mais apanados
hum pedaço] se lavarão; e dahi forão dizer a missa com
grandu rangeres e festas, cm que se gastou todo o dia;
e ao outro caminhamos. E hindo peUo caminh<>t vicrão
para Dom Chrisrovão os capitaens que cstavio reco-
lhidos em serras fones; e com a nova dos Ponugueses,
que andavão pela terra com sua Raynha, todos se sa-
hião das serras, c se vinhão para nós, os quais não tra-
iião poder para nos ajudar, senão suas pessoas e pa-
rentes de obrigação; e desta meneyra caminhamos muito
devagar, não podendo mais andar, que duas, ou trcs
lego&.! por dia ...
Ca,Y. _ix. Dt como Dom Clrrislov6o hindo &tu caminho
achou h11ma aura muilo f o r t ~ , t 1t pos em ordem dt
a combater.
Muiro peno daqui soube Dom Christovão que estava
huma serra no meio de hum campo, por onde ha-
viamos de passar, a qua1 estava por el Rey de Zeyla;
[e nella hum capitão] seu mouro com m'il e quinhentos
[frecheyros] e adargueyros; e [a serra em si era] muito
fone, a qual [be toda redonda] e muito a1ta; [e havia
nclla aos tres passos de muita] resistencia, e cada passo
• estará hum do outro hum tiro de espingarda. E o pri-
meyro passo tem no começo da subida huma parede de
pedra multo fone com sua porta; e pa5sando esta porta
tem huma subida muito ingremc, e por ella hum cami-
nho muito estreito, que os de riba podem muito bem
5enhorear; c no cabo dclla está outra porta na mcama
rocha, por onde he a entrada; e aqui neste passo está
hum capitão com quinhentos homens. E o segtmdo
00
passo nio be tio fone. mas 1odaYia um o camioho
muito perigoso, por !ICT umbcm. scoboreado dos de riba,
como lenho dito; c no cabo tem outra porta, oodc esd
oub"' captio com OU1J"o. quinbeutos homens para de-
fender a subida. E o ruccyro passo bc mais fone que
IOdos, porque parece de fon que bc imposaircl podersc
tomar, porque nenhuma maocyn de caminho tem, se-
não tudo pedra escorres:adia c mui descubeno de cima,
que com qualquer pedra se fari muito dano, [porque
oio se] podem os bomcT15 ter [por clla smio] dncalços,
oodc faz bum e dcUc] aniba haftrj, quatro
braças; [c bc de rocha] ulbada, sau ler mais que buos
feitos ao picão, c b.umas fendas;, c por este
lupr se ha de entrar, ou subir peJos fains; c cm riba
ati outro capilão com quinhentos bomrens, que defende
o seu passo. E a serra la cm riba hc [muito chãa] com
eJgum ourcyros; c no meyo hum pico mui aJ[O, que
se vc de mui longe; c do pec dcllc sabe hum.a fom:c
de mui singular·ll808
1
e tanta que rega a Hrn e
assim stmeio dentto dclla mamimcntos cm abastança.,
e trazem mWtas vacas e todo o sado; e seni de huma lc-
p de grandura de roda; e la tinhâo nove cavallos, com
que sahiio a fazer saltos cm baixo, c catinrio muita
8C:Oir: da comarca da HITa.i e faiiâo tanto dano, que
os proprios n•turais
1
quE lhe obedcciio, não ou.sPio
passar por ali. E assim está cm riba buma igreja grande,
CJ.IE cllcs fizerio mesquita; e antes que esta serra fouc
tomada, era costume do reyno viremsc todos os reys
.qw coroar. como em Ro[ ma os] cz:npcradoro, c cm nc-
nbwna [outra pane] o podião fazer: senão nesta; c toma-
ramna os) mouros por tnyção [desta maneyra]. Man-
dou el Rey de Zeyla muita gente da sua, que 'Yicsscm
como mercadores, que fizessem grande frira ao pce da
se:J"f'a, e assim o fizerioi e desde que 'Yirâo toda a gente
da sem embebida na feira. c com os gostos de comprar,
subio a gente que para isso havia, com cor de se la
querer ir apo::.entar; assim quE desde que se la. virão,
..
awenhoreario.sc da serra. Este foi o principio que cl Rey
de Zeyla teve para entrar por esta terra; porque como
soube que estava a serTB por sua., vcyo com seu arrayaJ
senhcreando aquclla pane mais frsca, que entre clle c a
serTB havia; e porque o Preue a este tempo estava da-
qui apartado, e nio lhe podia socorrer tam Minha, e com
tudo isto nunca fora desbaratado, se os seos forão tão
leais como os Portugueses, ainda que Corão muito mais
fracos do que são. Assim que Dom Christovão, como
[soube que] esta serra [estava] no caminho, informouse
delJa, e determinou de a tomar por não deixar atras
cousa, que lhe fil.esse dano. [E como a Raynha] soube
a tenção de Dom Christovão, mandouo chamar, e lhe
disse que [não curasse de em prender tão grande cousa]
com tão pequeno exercito; que ca.minha.ssem e se ajun-
tassem com o Preste, e que depois fariio rude; porque
menos era peleijar com doze mil homens no campo c
desbaratalos, que entrar esta serra. E a isto lhe respon-
deo Dom Christo"t'áo, que não temesse nenhuma cousa,
porque cllcs erão Portugueses, r com ajuda de Dcos
esperava com mui pouco perigo a tomar; e que descan-
sasse, primeyro todos morrcrião, que a ella ser
feito nenhum danoj assim que com estas paJBVras ella
e os seos ficarão algum tanto alegres, c consentio a
Dom Christováo fazer nisso o que quize.ssc, mui des-
confiada de se a empresa levar avante i assim que nos
fomos chegando é serra.
Cap. x. De como Dom CltriJ/o•ão aue,tou o arTayal
na fralda da serra. como st pos nn som de a com-
batn-.
O ourro dia pella manhãa assentamos nosso arnyal,
primeiro dia do mes de Fevereiro de 1 vcspora do
dia de Nossa Senhora da Purificação; c por quanto
do galo recebemos o sancto Sacramento. E tudo isto a
Raynba e.!ltava olhando da sue tende, que defronte es-
tava, e mui espantada de ver costumes, pa-
recendo-lhe muito bem; a qual folgava tanto de os ver,
e o nosso officio, que para o milhar ver se sahio da
tenda muito secretamente com huma dama sua rebuça-
das, sem os seos a acharem menos; porque
muito mayor caso fazião os seos, que disso erão sabedo-
res, usim as damas que esta vão dentro [da tenda, como
os] que estevão é porta da entrada [apartando a gente
diante d]a vista de tenda; e desta maneyra andou olhando
[tudo], como outras muitas senhoras. que disso lnavão
muito gosto. Este mrsm.o dia [celebrarão elles] a
festa, com virem muitos frades de toda a comarca, e
muitos que a Raynha consigo Iras, assim clerigos como
frades, porque lhe dizem missa, onde quer que chega;
asaim que todos juntos celebrarão o nascimento com
toda a festa e solemnidade que poderão. E passadas as
oitavas do Natal deus dias por caminho
mui espero, por onde os carros hião com muito traba-
lho nosso; e no cabo delles cbegamos a huma serra
mui alta, e tão comprida, que cif18e todos squelles
campos; 11 qual de necessidade ha,·iamos de subir por
ella por seguir nosso caminho; e a Raynha e sua gente
estevão mui duvidosos de podermos passar mais que
nossas pessoas, e tinha por muito certo ser isto assim;
e Dom Christovão, vendo que os carros não podiam
passar, mandouos desfazer cada peca por sy, e toda
a artelharia e monição sobre sy, a qual toda subimos
és costas pouco a pouco com grandissimo trabalho; e
Dom Christovão era o primeyro que levava ãs costas
o que podia. E pozemos tres dias em suhir esta serra
aniba e com tanto uabalho, que se fora em outro tempo
[se podere escrever] tamo deste [trabalho], como do
que [Annibal passou] em passar os Alpes; porque, por
(quão poucos muiw mais em a subir
em tres dias, que Annibal o sen arrayal em hum mez.
23
Cap. xj. Dr! como [m Porlllgvtltl C'omhaleram] ftla
.wra. r a lomar·.io com morte de al1J117U.
Ao outro dia. como nos c:llcomendamoa
todos a No!!s& Senhora, c: dissemos a confiMão gera1
diante de um crucifixo, que hum padrt de missa linha
nas maons, e fomos absol10s pello Patriarcha; c como
i!lto tivemos feito, começamos a porno!l em ordem, c
fomos para 11. serra cada hum para seu passo, como de
antes csta\'a ordenado. E como Dom Christovio fcs
aina1, acomrtC!IllOl'! lodos a hum r.:=mpo, e o nossa arte-
lharia nos ajudou muito, porque tirava toda por a1to, e
mc:ria grande medo aos mouros, que Dão ousavão chegar
tanto a [meu ]de sobre a serra, donde nos faziáo muito
dano com penedos em grande numero; que se nio fora,
como digo, a artelharia c espingardas, que descobrião
tudo, de riba m[ a tavão] muita gente, e isto nos uleo.
E L todavia] nos rratoróo muito mal., c n[os matar]ãodous
homens Blltes [que começassemos a subir] a serra; c
Dom Christovõo, vendo o mao trato que nos davão, aco--
meiCo muito rijo a s.ubida, c Ltodos o seguimos, pondo
cm balança tudo; c como ficamos abrigados da serra,
faziõonos menos dano ns pedradas; c logo] começamos
a entror o passo; c Dom Christovão comcçouo a escalar
pelos fains c fendas da serra, onde ferirão muitos, e
derribarão duas ,·ezes ao subir; mas as espingardas
dcfendião nwito aos mouros, que não chegassem ao
passo; e com o favor dcllas o entramos, sendo Dom
Christovão dos primeyros, que certo bem mostrou neste
dia o grande animo que tinha; e o seu esforço foi a
principal causa de se tam asinha entrar o passo; e houve
tanta pressa nos mouros, que o capitão delles niio teve
tempo para cavalgor; e como vio os Portugueses em
riba. se posem [se defender] com seus quinheniOs com-
panheyros, [anijnandoos c fazcndoos chegar; e [com
tudo] não poderão esperar o impcto dos Portugueses.
E a este tempo, que se os mouros retirarão, era ja
[Manuel] da ClDlha c Francisco V e lho [com sua gente
em riba, custandolhes a entrada muito trabalho; por-
que antes que entrassem a primeyra porta, lhes fizerão
muito dano, c lhes ferirão muitos Portugueses; e cnue
as portas lhes matarão os mouros dous Ponugueses.
E ao entrar da dcrradcyra porta, os mouros a não qui-
zerão] fechar, parecendolhc que la dentro se vingarião
melhor. E como farão os nossos dentro, acharãonos
todos em hum mansote, c o capitão a caYBUo com ou-
tros trcs; c os nossos, como os virão em conclusão, derio
Santiago ncllcs, misturandose todos 4s lançadas c és co-
tilad.as, que foi uma baralha mui grande; c o capitão
deste passo pelcijou como muito valente homem, porque
arremeteo a bum Porrugues com hum zarguncho. que
trazia, e o varou de huma parte a outra armado; e levou
do traçado, C deu tamanho soJpe ptlla cabeça B OUtro,
que lhe amolou o cspacete todo na cabeça, e deu com
clle no chão sem acordo. E neste tempo, [vendo os nos-
sos a destruição que este mouro fazia, forãose tres juntos
para ellc:, e] o derribarão, e morreu por seu justo preço.
Andando isto desta maneyra, o outro [passo de) Joio da
Fonseca [c Francisco de Abreu era ja entrado com o
mesmo trabalho que os outros; c na entrada lhe matarão
outros dous homens; e quando os mouros se virão en-
trados, recolhcrãose huns para os outros, sem saberem
huns dos outros do seu desbarate] i de mancyra que se
ajuntarão todos entre as espadas e fains dos nossos, e
ficarão Da rede, onde não escapou nenhum; e os que de
antes disso fusirão, escondiáosc nas casas, os quais todos
farão monos por mão dos Abexins, que com srande
vontade o fazião; c alguns mouros se querião lançar
pella rocha, parecendolhc que se salvassem, e esptdaça-
vãose todos. E depois da serra tomada, nos fomos para
as casas, onde achamos muitas molhcres catiV8.8
com outras muitas mouras; e assim achamos nove ca-
vallos c dez mulas muito fennosu, afora outras muitas
que serião setenta ou oitenta. E depois que nos ajun-
um.os, achlllllos menos oito Ponugueses, que na entrada
matarâo, c mais de quarenta feridos i e Dom Christovão
foise logo é mesquila com esta victori.a, e mandoua ben-
zer pello Pauiarcha e os padres, que na volta hião, para
o ow:ro dia nella se dizer missa. E poseramlhe nome:
Nossa Senhora da Victoria, e enterramos neUa os oito
Portugueses. E isto feito mandou Dom Christováo dizer
é Raynba, [se que]ria [S. A.] hir ver [a serra da ma-
neyra. que os mouros a tinhâo; a qual ficou espantada
de quam prestes J a entramos; e parecialhe que não podia
ser, serem ja os mouros todos, que em riba estevão,
mortos; e des que foi infonneda dos seos da verdade,
dez:ia que verdadeyramente eramos homens enviados por
Deos, e que ja nenhuma cousa lhe perecia impossivel
para nós; que não queria subi.r acima, pois o caminho
estava tão cheyo de mortos, que havia nojo delles; e como
Dom Ouistovão deixou tudo a recado, veyose pera a
Raynha, deixando la em riha os feridos que nio poderão
descer, porque estaváo muito cansados e com as feridas
frias. E a Raynha deu logo a serra a hum capitio seu,
porque fora de seus antecessores, a qual serra se chama
Baçanete; e aqui estivemos todo este mez descansando
para se curarem os feridos. E como a nova foi pella
terra, nos acudirão os naturais com muitos mantimentos.
e com tudo o que nós haviamos mister. E no fim de
Fevereiro, antes que nos daqui pertissemos, chegarão a
nós dous Ponugueses com seis Abexins que os guiavio,
os quais [man]dava Manoel de Vasconcellos, que ficava
em Maçua por capitão mor de [cinco navios], que Dom
Estevão mandou da India., [para] saber que era feito de
nós, e se haviamos mister algum socorro, ou alguma
cousa, que de tudo seriamos providos; com as quais
novas Dom Christovio especialmente e o povo nos ale-
gramos muito; e logo mandou fazer prestes a Francisco
Velho com quarenta home11s para se hir ver com Ma-
noel de Vasconcellos, e darlhe canas para o Governador
seu irmão, no qual maço hião canas para cl Rey nosso
senhor, em que lhe dava conta do terra que ate cntiio
tinha obediente â Raynba, que seriáo quarenta legoas,
c todas estas com só o nome de Ponugut:ses; c assim
hião para da armada rrazcrem polvon c cousas
sarias para a guerra. Assim que partido Francisco Velho,
determinarão a Raynha e Dom Christovio de se muda-
rem daqui a oito legoas para huns campos, por serem
mui abastados de mantimentos; e porque o senhor
era christão, e sojeito aos mouros"conrra sua von-
tade, escreveo é Raynha que se fosse para la, porque
seria melhor proYida;e que elle e sempre o fora;,
e desculpandose da obcdiencia que dan ao mouro por
força, e pc:dindolhe disto perdão. E fomonos todos para
la; e ahi [esperamos osJ Portugueses, porque não [po-
diiio tardar quinze dias em] hir e vir, LJlorque] hião em
mulas muito andadocas, e não levavão mais que suas ar-
mas, e não em razão tardarem mais.
Cap. xij. como chegando Dom ChriStov.io cam-
pos do Jarte llte veyo h11"' Embayxador do Pre1te,
do avi10 que de como Rey de Zeyla
per lo.
Havia deus dias que caminhavamos para o Jarte, que
he o senhorio deste capitão que digo; e querendo as-
sentar o arrayal, chegou hum embayxador do Preste com
recado ao capitão mor, que mui depressa caminhasse
quanto podesse, porque elle faria o mesmo, por se ajun-
tarem antes que se visse com el Rey de Zeyla, porque
trazia muita gente, e seria grande perigo pc:leijar com
elle só. Assim que camioha.mos avante athe
aos campos, onde se veyo o capitão da terra a pedir
perdão e misericordia é Raynba, a qual lhe perdoou,
porque sempre teve mLÜtos avisos dellc, e sempre fora
christão; c foise para Dom Christovão, c [ deulhe J qua-
II'O cavallos mui fermosos, c disse[1hc] como sabia que
el Rcy de Zeyla vinha cm nossa busca; e que se não
podiáo passar muitos dias, que se não ajuntassem; por
isso que visse o que nos cumpria; e que elle mandaria
espias [para saber o que] passava. E Dom Christovão
lhe rogou [que assim o fizesse; e se determinou de hir
caminhando de vagar], esperando pellos nossos; c re-
ceoso de se ajuntar conmosco el Rcy de Zeyla, antes
que se visse com o Preste. E assim fomos caminhando
com muitas espias diante; e dahi a deus dias tornarão
a nós dandonos rebate, que o arrayal dos mouros vinha
peno, c que não tardaria at6: o outro dia, que não fosse
comnosco. E Dom Christovão, qtumdo vio GUe não po-
dia escusar de pelcijar com elles, por nio perder o ae-
dito que tinha ganhado, determinou de o fazl!:r, porque
aentio nos da terra, que se se r e c o l ~ a 4 serra, GUC
elles o desobedccerião, c lhe não acodirião com nenhum
mantimento; c muito mayor perigo era avenrurarsc 4
f"ome c a não ter credito, que a peleijar com os mouros;
porque a victoria estava nas maons de Deos. E deter-
minado fomos por nosso caminho; e chegando a huns
campos grandes vierão a nOs deus de cavallo, GUe na
dianteyra andavão descobrindo o campo, e disserão
como el Rey de Zeyla ficava dahi a huma legoa; c logo
m;sentamos nosso arnyal hum sabhedo de Ramos. E
Dom Christovão, porque a Raynha vinha auas, e tinha
nova de quão perto os inimigos vinhão, [a sahio a rece-
ber] com grande folia c [prazer, porque era] molher,
[c Vinha chea de medo com a nova; e J esforçando&
muito a metemos no meyn do arrayal, o qual neste pro-
prio dia foi posto por ordem, e concertado para ali es-
perarmos os mouros, porque era a terra mui aparelhada
para isso; c tinhamos nós o milhar do campo, porque
estanmos sobre hwn tezo que clle fazia. E toda esta
noite nos vigiamos com muito cuidado; e ao outro dia
em a amanhecendo assomarão por rihe de hum outeyro
•8
cinco mouros de cavallo, que vinhão descobrir o campo;
c quando nos descobrirão virarão as costas, c farão dar
novas a cl Rey. E Dom Christovão mandou logo dous
Portugueses com mui bons cavallos, que .subissem arriba
do outeyro a descobrir se era grande o arrayal dos irU-
migos, c onde assentavão; c logo tornaria dizendo que
cobrião os campos, c que logo pegado no cabeço se
assentavão. E el Rey de Zeyla, cm quanto os seos assen-
tavão o arrayal, subia a hum cabeço com muita geme de
canllo e alguns de pcc a darnos vista; e como foi cm
riba, esteve quedo com "trezentos de cavaDo e tres ban-
dcyras grandes, as duas brancas com luas vennelhas,
e huma vermelha com lua, brancas, as quais com clle
sempre andavão, c por ellas [era conhecido;] c dali nos
esteve vendo, e toda a outra [gente deceo abaixo do ou-
teyro] com !ICOS guiocns, e [nos cercarão a todos. E] era
tanta a tromberinha, atabales e alaridos dclles, e escara-
muça, que parecia que era muita mais gente, e de muito
mais conclusão. E Dom Christoviio, parecendolhe que
nos acometessem, andava visitando todas as estancias;
e esta\·amos prestes para peleijar; e elles não fizerão
mais, que ternos cercados todo o dia e toda a noite, fa-
zendo muitos fogos por todu as panes e com os mes-
mos alaridos e tangeres. E nós tememolos esta noite
D'Ulito, que sempre nos pareceo que dessem em nós; e
esrivemos prestes e armados com panelas de polvora
nas maons, e murroens acesos para a anelharia e es-
pingardas, desparando de quando em quando os berços
na vigia, porque nos temiamos muito de!ita gente de
cavallo. E depois soubemos por Abexins que la an-
davão, que se não &reverão dar em nós de noite,
porque o nosso arrayal parecia de la de fora mui te-
meroso, assim pellos tiros que desparavamos de quando
em quendo, como pcllos muitos morroens que vião
acesos, de que elles havião muito medo; e dezião que
não podia ser sermos tão poucos, como de dia pare-
ciamcs.
Cap. XJij. Da tmbaJ'xada qut ti Rt}' de Zeyla mandou
a Dom Christovtlo.
Pa!sada a noite com C!te trabalho que digo, ao outro
dia peUa manhãs mandou el Rey de Zcyla hum rey
de annas a Dom Christovio; c mandoulhe dizer, que
se espantava mUito como tivera tamanha ousadia de
com tão pequeno poder parecer perante elle; que bem
parecia tão moço, como lhe dczião, e innoccnte sem
e.xpericncia; e pois vinha tão enganado, que lhe não
punha culpa, senão é gente da terra, que sabia a verdade
della; c que não era muito aquillo, pois não tinhão leal-
dade com !CU proprio rey; c que bem sabia que aquclla
molhcr o trazia enganado, que não curasse mais deUs;
e que elle, como rey padoso, queria haver dcllc doo; c
por tamanho atrevimento, como cllc tivera cm lhe ter
o rostro dircyto (cousa que cm catorze annos não achara
naqucUa terra), lhe perdoava tamanha ousadis, com tanto
que logo se fo!se para cllc com todos os Portugueses;
c que se não quizcsse andsr na sua companhia, que se
tornasse para sua terra; e que cllc o &scsurava de lhe
não ser feito mal nenhum; e que queria u!ar com clle
esta grandeza pella sua idade c c porque
sabia certo que aquella molher o trazia enganado, com
lhe dizer que naquellcs reynos havia ouuo rey senão
cUe; c que pois sgora via a verdade, que fizesse o que
Dtc mandava. E com isto mandou hum capcllo de frade,
e hum rosario de contas, fazendo de nós todos frades,
porque assim oos chamáo. E ouvida por Dom Chris-
tovão a cmbayxada dei Rey, fcs nruita honra e gasa-
lhado ao que lha trazia, c dculhc: uma roupa de setim
rezo, e lruma gorra de grâa com hwna medalha de
bom preço, e dis.!ielhe que se fosse, que clle mandaria
a resposta a el Rcy. E despedido mandouo 4Compa-
nhar athc salür do arrayal; c praticou com os capi-
taena c homen.!i fidalgos o que seria bem mandar dizer
3o
ao IIDDWO, c quem lbc lcnria a RpOSIII; c a:uauario
Dio - Por<_., - do - Dio .. pode
lia-; ma que foac bum- do bum ............. seu
aãYo c bnoco; e lap o aa.d:uio ftSUr a:ui.ID bem.
e doromlbc buma ada em que '-o, c b rcopoadoo
-poucos ....... acrila- ........ onbia, por·
- d Rey a lossc. As tp1Z doziio, que dle ""' oli
clxpdo por IDODIIado do Grio Leio :do ...... ;. c ....,;
podamo .. laTa; o quol - bo- ._....., ....
--que pouco p<>dom, c que .... ojoda hão mio-
la'; c que por dle SCI' que o muito c.brie-
üai:aimo Rcy do Prcsac. IICil irmio cm armas, CSUYa
lio........., de IICOS R'}'Dm por io-
ifts c IIOISa saoa:a Fu Cadiolica, lbc mao.
dora _.. p<qOCDO OOC<liTO que oli rio. o quol ......
.-...... c:omra lio pessim8 c mi .-,c; c que a ruio
c • jaoãça. que dle babo do """ pono. -. para ..
daberaur; porque dles aqoella tem,
oeaio por Nosoo Scobor que= dar casliBo aos Abc·
Jlioa por scos pecados; que dle _..,. odlc "«"'"
-rem li'ft'a, e IOI'Dalos • posse an que estawio; c que
.a oaao dia Ycria o para q.aoto o. crio.
e aio cm biraase para elk-; porque da aio obcdcciio
a ouuo aeubor .aio a c:l Rcy de Ponu8al., cujos Yas-
Niol crio todos os R'\"S da lodia, da Anbia, da Per-
... e da IDOI' paru .h Africa; c que assim esperava
4e faur deDc com ajuda de Nosso Senhor. E com isto
lhe mandou humas tcoaus pequenas de sobrancelhas,
c bum apdlto IDlli grmdc, fazendo dcUe molber; c com
iMo K foi o acruo dar a cmbayxada, com a qua1 o
mouro aio folgou nada; mu todavill disse que geme
que Ull'-.obo cstOm8fJO linha, que sendo tio poucos
querião pe!eiiar com cUc, que crão de to-
elos O& nys lhe fazerem muita honra e mcru:; c com
iMo M tomou o cscrawo. E determinou o mouro de noa
ter auim cercados, para ver se d. fume nos podessc as-
..m &omar; c este dia não fizcrão mais que ternos cer-
cados, c cbcgarãoac mais para n6s; os quais crão quinze
mil homens de pee, todos frecheyros c e
mil c qWnhr:ntos de cavallo, c duzentos Turcos arcabu-
uyros. de que cllcs fazião muita conta; c com cstcs
conquistarão a terra toda; c crão clica homens de mais
conclusão, porque se chcgavão mais a nos, que os outros
todos, c faziáolhc muita vc:ntagcmo c chegar-dose tanto,
quc Yicrão fazer humas paredinhas de pc:dra solta muito
peno de nós, donde nos fazião algum dano. E foi nc-
cessacio mandar Dom Christovio a Manocl da Cunha
c a Jnofrc de Abreu com setenta homens para os dei-
tarem deli, os quais o fu:erão; c os de cavello qu'izcrão
dar costa!! aos Tuccos, c aqui houve ferirem Portugue-
ses; c do nõsso arraya1 matarãolhc com a anelharia
homens de cava1lo, c ferirão muitos mouros. E Dom
Christovão, quando vio andar isto tão travado, mandou
tocar huma trombcta a recolher, e asSim o fizcrão; c
nisto se pas!lou o dia. Esta noite determinou Dom Chris-
to\·ão (porque nos fa1taváo os mantimentos, c o capi-
tão da terra, que cm nossa companhia andava, nos não
podia socorrer, porque cstavamos cercados) de der ao
outro dia pella manhãs a baulha, pois clles nos nio aco-
merião; e assim passamos a noite com grão Yigia, c no
quarto dah"B nos começamos a fazer prestes.
C.rp. xiii}. De como Dom Clrr;3tovão deu a primf!)Ttl.
6.ltallra a el Rey de Ztyla, •za qual o mouro foi J'tn-
crilo e feri.Jo th h11ma
Pondo a artelharia nos carretoens, e carregando as
tendas e todo o fato nas mulas, c isto feito começou
Dom Christovio de por a gente em ordem, c cada ca-
pitão com sua gente per fora, c a Raynha com suas
molhc:re:s e com todo o fato no meyo, e a bandeyra
real com toda a outra gente dctras, de mBJleyra que
3•
ficamos todos em arcos, porque eramos cercados de
todas as bandas; e tudo isto foi feito antes que amanhe-
cesse, sem sermos sentidos. E rompendo a alva, terça
feira quatro dias de Abril de 1543
1
começamos a abalar
para os inim'igos, andando Dom Christovão com oito
Ponugueses a cavallo, e quatto ou cinco cor-
rendo o arrayal todo e concertando a gente. E os mou-
ros, quando virão que sahiamos a elles, foi tamanha a
grita, e as trombetinhas, e Btabales, que parecia que se
fundia o mundo, mostrando muita alegria, parecendo-
lhes que nos tinhão ja na E nisto começamos a
fazer nosso offi.cio com o espingardaria e anelharia, que
não fuião senáo jogar por todas as panes, de ma-
neyra que faziamos o campo franco por onde hiamos;
e os Turcos, que na dismeyra andavão, vendo o dano
que faziamos, se chegarão muito para nOs, e travouse
muito a cousa. E quando o mouro vio que os Turcos
erão os que mais lhe ajudavão, elle em pessoa abalou
contra nós com mais de quinhentos de cavaDo, e com
as tres bandeyras, que sempre o acompanhavão; e aqui
nos vimos em grande trabalho; mas a nossa anelharia
nos vBieo aqUi multo, porque os que a rinháo a caiTego,
fazião como valentes homens e sem medo; e tiravão
tão a meude, que os de cavallo não podião chegar,
porque os cavallos haviáo medo do fogo; e 10davia os
mouros fazião muito dano, especialmente os Turcos
com as espingardas. E Dom Christoviio vendo isto fes
estar toda a gente queda, e que não peleijassem se-
não com a anelharia, com a qual lhes fizemos muito
dano; e porque se chegavão muito a nOs cem
mandou Dom Olristovão a MBiloc:l da Cunha que desse
com sua gente nelles, que serião cincoenta Ponugueses;
e assim o fes; e foi tão ttavado o negocio, que os Tur-
cos pegarão do guião, e matarão o alferes com outros
tres Ponugueses:; e elles matarão muitos dos
Turcos, e ferirão; e recolheose Manoel da Cunha fe-
rido de huma espingardada por huma perna. E
33
tempo Dom Chrisrováo andan esforçando a gente, pon·
dose sempre nos mayores perigos, sendo muita gente
da nossa ferida; e o feriráo a clle de outra espingar-
dada por ouua perna, que foi para rodos grande de-
sasrre, e para ellc honra, pois assim ferido se havia de
amostrar, c fazer o que em his10rias antigas c moder-
nas se não acha. quc nenhum cxccllcnre capitão fizesse.
E estando a batalha em C:!IIC' estado, que digo, que l!!IC-
rião ja horas do mcyo dia, quiz: o Senhor Deo:s lem-
brarse dos seos servos, como sempre fas em tempo de
tanta necessidade, onde sua misericordia obra; que pa-
recendonos a nós que levanmos o peor da baralha,
pareceo 11. el Rcy de Zcyla, que estava vendo de fora, o
conuario; e logo Yeyo a favorecer os seos; e chegouse
tamo a nós, que o ferirão de huma espingardada por
huma coxa, e passarãolhe o can11o, de maneyra que
logo cahio com cllc morto; c os scos alferes, quando
o virão cahir, abaiaarão as rres bandeyras, que com cllc
andavão, que hc sinal de recolher, c abaixaramnas ues
vezes; c logo o tomarão nos braços, e se farão com eUc.
E Dom Chrislovio nndo isto, conhcceo hir o mouro
ferido; e locando as trombetas c atahalcs, demos San-
tiago nclles com os Abeiin:s, que em nossa companhia
andavão, que scrião duzentos; e matamos muitos deUes,
e seguimolos hum pedaço, onde se os Abexins vingarão
dos mouros, porque assim matavão ncUc:s, como cm car-
neyros. E Dom Christovão, vendo que não tinha gente
de cavaDo para os seguir, c que todos hiamos mui can-
sados, temendo que os mouros de cavallo tor!lBssem
sobre nós, se quis contentar com a Yictoria, que lhe
Nosso Senhor aqucllc dia deu, e não foi pequena. E a
Raynha, em quanto seguimos o alcance, mandou annar
huma lenda, c meter nella os feridos, onde ella em pes-
soa com suas molheres andaváo atando os feridos com
seos proprios toucados, e chorando com prazer de tão
grande merce, que lhe o Senhor Deos aquellc dia fizera;
que verdadeyramenle ella se vio cm grande medo e trl-
bulação. E nisto Dom Chri!Jtovão, onde a tenda
estava, e logo farão armadas todas as outras; e foi
bu.!lcado o campo logo dos monos, para enterrartm
os Ponugueses que faltavio; os quais erão entre
os qullis erão Luiz Rodrigues de Carvalho, que foi o
prime}TO homem que matarão de huma espingardada
pela cabeça, e Lopo da Cunha, homem fidalgo, e hwn
collaço de Dom Chri!!itoviio; e os feridos passavio de cin-
coenta, e os mais de espingardadas; porem os contraries
bem o pagarão, porque estava o campo cheyo delles,
entre os quais os Abexins quatro capiraens
dos principais dei Rey de Zeyla, e ficarão no campo
quarenta cavallos monos, e trinta Turcos. E como en-
terrarão os monos, ja que queria mos de;scansar, disse
o capitâo da terra. a Dom Christov.io, que se não assen-
tasse ali, porque havia pouca agoa, e poucn erva para
as mulas, que se achegasse á fralda de huma serra,
que e!'.tava de nOs deus tiros de espingarda, onde havia
muita agoa;que seriamos senhores da terra, por onde lhe
poderia vir muito mantimento de suas terras, sem que
os mouros o podessem estrovar; e assim foi acordado,
que como comemos, logo nos alevantamos, e fomos
para la. Este dia levou Dom Christovão muito trabalho,
porque curou de todos os feridos por sua mão, porque
o cirurgião, que hia comnosco, e!llava ferido da mio
direyta; assim que depois de os curar a todos, se cu-
rou a sy por derradeyro; e oomo foi noite, despedia
hum homem mui secretamente, que andasse de dia e
de noite, athe chegar aos Portugueses que erão cm Ma-
çua, para lhes dar conta da victoria e do ferimento dei
Rey, e que se dessem a toda a pressa, que esperava
em Deos com sua chegada se acabaria a conquista.
Assim que nOs estivemos aqui curando e descansando
athe domingo de Paschoela, assim pellos feridos por
não estarem para tomar armas, como por ver se vinhâo
os Ponugue!'.e&; e depois de termos a Paschoa e as oi-
tavas, vendo Dom Christovâo que tardavão, e que os
35
.i.nim:igos neste tempo se poderião refazer de gente, de·
aerminou de! [lhe dar] a segunda batalha ao domingo,
Forque estavamos huns A vista dos outros. E nesta ba·
talha primeyra o Patriarcha e outros homens viráo o
'bemaventurado Santiago ajudamos na forma, que elle
costuma fazelo; e não ha duvida que sem a sua ajuda,
-e de Nosso Senhor principalmente, impossivel fora ven-
ccla.
Cap. xb. Da segundo. bala/Iro. que Dam Clu·istovão deu
a ~ ~ Rey de Ze_rla, na qual ~ ~ Re_r foi vrncido.
Assim que como veyo o domingo de Paschoela ante
manhãs, levantando o arrayal, todos postos por ordem
com a anelharia em seu lugar, e a Raynha com suas
molheres no meyo, depois de nos o Patriarcha ter dita
a confissão geral, e absolvernos, movemos contra os
mouros;os quais, quando nos virão, fizerão outro tanto;
e el Rey vinha lancado em hu.m catrc cm colos de ho·
mcns, ainda mal ferido; c vinha esforçando os scos, cm
que lhe era escusado, porque elles ecão tanlOs, que com
"Yerem quão poucos nós eramos, se esforçavão; e mais
eca chegado hum capitão seu com quinhentos de ca-
vallo e trcs mil de pee; e se ma'is sguardaramos muita
mais B'!nte lhe viera; porque tinha os seos capitaens es-
palhados pella terra, e quando se vio ferido, mandou cha-
mar todos, e cada dia lhe vinhão. E este capitão, que
lba chegou, se chamava Geada Amar; e este foi o que
primeyco nos acomcteo, e fuia chegar os outros, dizendo
que como podia ser tão pouca gente como nós ceamos,
aturarmos tanto a tamanho poder; c com esta soberba
arremeteo com quinhentos de cavallo a nós; e se todos
6zerão como clle o fes, verdadcyramentc que nos fizerão
muito dano; mas com medo da nossa artelharia, que
matava muitos, e por esta cause não nos romperão;
mas o capitão com quatro ou cinco mouros valentes
homens vierãose meter nos nossos fains, e morrerão
36
como bons cavalleyros. E Dom Christovão neste tempo
dava toda a boa ordem que podia ser, e todos pelcijavão
com grande animo; mas se nos romperão os de cavallo,
mui claro estava nosso desbarate; porque, quando nos
este capitão acometeo com os seos de cavallo, toda a
ouua gente, que a cavaUo estava, fcs outro tanto por to-
das as partes. E quis Nosso Senhor, que neste tempo se
nos pos fogo por desastre em huma pouca de polvora
daquella pane, donde menos força havia; c verdadcyra-
mente que cuidamos de arder todos, quando vimos o
fogo na polvora; e como quer que foi para nossa victoria,
não sentimos a perda que fes, que foi matamos dous
Portugueses, e queimar oito, de que estiwerão mui mal
tratados. E a gente de cavallo não nos pode emrar por
razão deste fogo que digo, porque foi tanto o medo nos
cavallos, que andavão fugindo pello campo com seos se-
nhores; assim que em todo este tempo faziamos todo
nosso oflicio, assim com a como com espin-
gardas, e estava o campo todo cheyo de mortos. E oito
Portugueses, que anda vão a cavallo, fizerão cousas tama-
nhas, que se em outro tempo fora, ficara delles muita
memoria; c não os quero nomear, porque os de pcc a
mesma honra ganharão, se tiverão cavallos; porque o que
elles fizerão a pee, mosuava ser isto assim; porque sa-
hirão aos Turcos, que se chegarão muito a nOs, e pclei-
jarl'o grandemente, e tanto que os fizerão retirar a fora
muito longe, ficando no campo muitos mortos e feridos.
E como os Turcos se arredassem, e os de canllo não
apertassem comnosco, conhccco Dom Christovão que
hião enfraquecendo, e demos nelles com grande impeto,
de maneyra que os levamos pelo campo athe se porem
em fugida. E este dia se acabara a conquista, se tivera-
mos cem cavallos para seguir a wictoria; porque el Rey
hia em hum catre em colos de homens com os seos de ca-
vallo, e hiãose acolhendo sem nenhuma ordenança; e
Dom Christovão o seguio obra de mcya legoa, onde
matarão muitos mouros, os quais com [a pressa], que
lcvavão, não curarão de suas [tendas nem] arrayal; o
qual despojo todo [recolhemos]. E porqw: não podia-
mos mais [seguir aos mouros] por estarmos muito [can-
!Bdos, nos] tornamos; e como fomos Ountos, achamos]
menos [catorze Portugueses, e logo Corão] buscados e
enterrados. E porque o campo estava mui destroido
de erva, determinou Dom Otristovão com a Raynha
de hirem adiante assentane ao longo de hwna ribeyra,
que perto daqui estava, para aqui descansarmos, e os
feridos tc:re:m mais refrigerio, que passaram de sessenta,
dos quais depois morreria quatro ou cinco; c começa-
mos de h ir nosso caminho com ficarem os campos cheyos
de monos. E aqui nos mataria hum capitão Abcxim,
que andava comnosco muito valeme homem; c como
chegamos A vista da nbeyra, vimos os mouros, que cs-
tavão assentados ao longo della; que quando passarão,
pareceo a cl Rey que náo fosscmos atras dcllc!l; c quis
ali de:scansar por ser ja tarde, e a terra apparelhad.a
para isso; c tanto que nos virão, se poserão cm fugida;
e dissenos depois hum Abexim, que de la veyo, que
andava entre clles, que disliera el Rcy: muito he náo
me quererem deixar estes frades; porque elles assim
nos chamão. E poserãose os mouros em caminho, an-
dando toda aquelln noite, c oito dias sem descansar;
no qual caminho lhes morreo muita gente por hirem
feridos. E porque Dom Christovão não quis seguir, não
passou avante; mas aqui assentamos o nosso arrayal,
curando os feridos; c dahi [a dous dias chegarão] os
Ponugueses, que crio hidos a Ma[çua, c com elles o
Barnaguais] com obra de xxx de cavallo, [c quinhentos
de pee ], os quais Corão recchidos de nós com muita
alegria; [mas] os Portugueses vinhão tão tristes, que
[se náo podia crer] por se não [acharem nas batalhas],
e porque [não negacearão nada do que forão buscar,
nem virão] a nossa armada por causa das galees dos
Turcos, que ali cstavão guardando o porto, por as nossas
Custas náo saberem de nós, nem nós dcllas.
38
Ülp. xbj. De como com .J chegada M r Por-
IUJfiJtstJ Dom ClrriJlol'ão o íllcance Rr_y
d< Z9"la.
Com • che!Sada &Ata gente se alvoroçou muito Dom
Chri.stovão, c determinou de seguir os mouros; c logo
se concertou, mandando catorze Portugurscs, que esta-
vão muito mal feridos, dos quais tenho dito que morrerão
quatro ÇtU cinco, a huma serra de hum capitão, que em
nossa companhia andava, que se chaman Trigucmahon.,
que hc como VÍ!K)rcy; c cllc foi na nossa companhia
IIÍ. serra, c fomos todos cm catres, que custou bem de
trabalho a nos levava. E verdadcyramcnte que se
não pode dizer quanto gasalhado e honra recebemos
de sua molhcr e dellc, porque eramos tio providos, e
tio bem curados, que em de nossos pays nos não
fizcrão ventagem; c encareço isto tanto, porque era eu
presente a isso. E como nos alguns sentimos bem, dahi
a hum mcz nos fomos para Dom Dlristovão; porque,
como nos despedio a curar, se pos em caminho apos o
mouro; c pos dez dias athe chegar donde elle estava,
que era huma serra grande c forte conLtra as] portas do
porque se não arreveo a rr:colherse em outra
parte, porque a gente da terra vendoo desbaratado
não lhe quenão nem dar mantimentos; e por
isto lhe conveyo recolherse a esta onde se fes
fone. porlJlle lhe poderia vir o socorro da fralda do
mar dos scos e dos Turcos, como lhe vq:o. Assim que
aqui foi Dom Christovão dar com elle, c ja com trabalho
por amor das chovas e porque começa aqui o
inverno no fim de Abril athc Setembro, como na lndia.
E porque ja entrava o inverno, como digo, parr:ceo
ã Raynha chcgarse para outra serra, que 11. vista estava,
a qual se chama Ofala, c ali invernarem; porque a
vntc da terra lhe obedecia ja toda, c na terra ha muitos
mantimentos em abastança; c mais era aquellc o ca-
minho por onde o Preste havia de Vir, c que podia stt
que neste tempo chegasse. E pareceo bem a Dom Otris-
tovão; c determinou de mandar hum homem ao Preste
para lhe fazer saber a Victoria da!l batalhas, para que
com esre alvoroço caminhasse mai!l depressa; assim que
como escreveo, mandou a hum mulato, que se chamava
Ayres Dias, que sabia mui bem a lingoa dll terra, porque
ja aqui ondara no tempo de Dom Rodrigo de Lima,
que la foi por cmbayxador; e mandou a este, porque as:sim
pdla cor, como pclla lingoa, podia passar por mouro; e
foi ter com o Preste, o qual folgou muito de saber o
que pa.ssua. E a Raynha mandou chamar muitos lavra-
dores, para fazerem c&!IBS de palha para invernarem:; o
que logo fiz.crão com mui1a deligencia, porque ha na
tcrTa muiro aparelho para is!lo, que he madcyra c palha;
e assim trazião todos O!l mantimentos necessarios cm
muita abastança, porque hc terra mui fcnil, e ha muitos.
E cl Rey de Zeyla, vcndosc desbaratado, c que lhe não
queriáo os da terra obedecer, nem dllr1be mantimcnros
1
foilhe ncccssorlo mandatos tomar por força; mu os seos
cada vez tornavão menos dos que vinhãoo usim que
nenhuma maneyra tinhão, se= não o que lhe vinha dll
fralda do mar, que era bem pouco; o qual lhe nós nio
podíamos defender, porque a serra era graode, que
cingia toda a terra, de mancyra que era senhor da outra
pane. E determinou neste tempo, vendo tanta de sua
necessidade, e gente morta, c tio amcdronrado, de man-
dar pedir socorro sccreumcntc ao capitão de Az.cbide,
que hc do Turco, c tinha tres mil Turcos cm sua compa-
nhia, mandandolhe dizer o seu dezbarate, e que olhazse
que era vassallo do Grõo Turco, c que nio quiz.cssc
dcinr perder, o que cllc tinha ganhado; c com isto lhe
mandou muito dinhcvro para clle e para os Turcos; os
quais por este interesse vicrõo novecentos todos espin-
gardeyros, c Rente mui luzida c mui boa; c assim lhe
mandou dez bombardas de campo, sabcodo que todo
o dano que recebera de nós, fora da artelharia c cspin-
gardas, porque adie aqui c11e nio linha nenhum tiro de
campo; e assim lhe Yierão lllliitos que lhe man-
dou outro senhor arabio KU amigo; naquella volu. vi-
nhão uinta Turcos de cavallo de estribcyra.5 douradas,
e os cavallos todos ferrado!, porque no Preste IOdos
andiio desferrados; e rodo este socorro lhe: weyo na sa-
bida do inverno sem serem sentidos.
Cap. xbij. Do qut Dom Clrri•tOPão fa tslt irwtrno. r
como tomou serra ffDiilo fortr. qut fora h huM
capftáo jwdm.
Neste tempo 21oubc Dom Chrisrovio, que estava peno
de nós hwna 21erra de judeos. pela qua1 o Preste de
força havia de passar por não ha..-er outro caminho, c
que cstan tomada dos mouros; e que o capitão della, que
era judeo, era (Mgido, porque eUc obedecia ao Preste;
c quando os mouros a quiserão tomar, se pos em de-
fensa; e vendo que o entravio, se acolbco; o qual Dom
Christorio desejava muiro ver, para se enformar dellc
dos mouros que havia na serra, c trabalhar se a podia
tomar. E estando com este desejo, o judeo que era sa-
bedor de como ellc ahi invernava com a Raynha. de-
terminou de se vir para elle, para ..-er se podia haver
sua terra; porque peUa noticia que de nós tinha, lhe pa-
recia que podia aquillo ser assim. E mais quis Nosso
Senhor ordenar isto, pois havia de ser causa de se o
restaurar; porque como veyo este judeo informar
Dom Christováo da serra, e disselhe como neUa havia
poucos mouros, c que eUe o levaria por pane, por onde
nio fosse sentido adie ser cm cima, e com ajuda dos da
tcrn nio era nada tomala; e que nella acharia muitos
cavaDos c muito bons, que se na serra criaváo; e que
o Presae em nenhuma fonna do mundo podia passar,
senão por ali; c que trazia tão pouco poder, que a não
...
pockrio -;-qumclo .. .u. po< IIIi--
., senão. doadc ....- a san aio cn. ...._
IOCDada dos mouros; qoe se o fon., cDe a aio ..tw.a.
E quaado Dom Cbri>lorio ..,be, qaio pou<e>
Prcsll: II"Uia, [iicoo IIIIIÍ dcoaJaoolado • •
11)',. foi Nbor da Rayaba ...... werdade o pou<O
que cruia :.eu filbo;l c como a soube cldla. leoa auiiD
mais ai:nc, Km lbo d.r a CDlaldcr; pcwquc: .me .t cDe
aio o ãnba sabido, -apernaqoe [o Prcsll:l"-
cedo com elle,-..., ja DO abo do ......... E po<
aio .:bar 8ljUdla lnDopl<ira DO meyo,e pela cobiçaqoe
anba doo caYIIIoo, ...,....._,do bir la.., pcoooo; po<-
qoe oabia do judeu qoe com cem boas allllpOIIbcyroo
poderia cobrar a san por maaha;c que podia por..._,
pou<OO dias, CIICIIIKI"IICIIÚdo do .......... pant .. po-
deria 10I1J.U' ., com muitol unlos.. E aio quis
Dom <llril<orio bir com IOdo o orrayol .....,. a oun,
po< aio cuidar el Rey d< Zeyla qoeo d<scaurio,e qoe
K JJill; p«quc: K &uim. O fizera. saJJirio OS IIIDIII'OiSt C
senborariooc: da oun,emqoe dles eo111rio,cc:obrwio
momimomos, do qoe tinbio necasidod<; e ,...
qoe o lq!Uin, poreceodolbe qoe fo8ia; e com equolle ....
banr botalba .-.e aem t<mpo,
c faze:rem..lbc cobrar animo, de que cllcs au.rio mui
IIIÍilJOadoo p<llo medo peuado. Asoim qoe po< aio po<
isto ...... coadiçio, o .... r.ur.--.......,..,

CllR aio pode acr amido; 10ma11do coosiflo a 11.aDoe1
da Cuoba, e o Joio da Foooeco, e<1111 cem ........,. po<
muito, .c putio • mcya noite, c fcs seu camiobo maito
lc .. ndo muitos odns pan passar lm:m
rio, que aa.na jUDIO da sem.. qoe lha aio oetcssuios..
E auim. ca.mi:ahario alhc cbcsar a elle. o cpal acbario
mui cuido; c com muita dcligeoc:ia corurio quami-
dadc de madcyra c rama, de que fizcrio com
estes odra cbcyos de ft1lt0, c IIIIIilo baD amarrados,
porque lnaYáo aparelbos para mo; c pusario poucos
a poucO!, e lnarão as espingardas e polvora e IJllliTOCns
dentro em oulros odres por se não molharem; e assim
passaria todos, e alguns a nado. E como todos forâo
passados e as mulas, começario a subir a serra sem
serem ttntidos athe ser em riba:; e como os mouros
os 'rirão. K poserão em armas mui prestes, e seriáo ues
mil bomell5 de pee, e quatrocentos de cava11o. E Dom
Christováo cavalgou com os ouuos oito PortUgueses,
que bião de cava1lo, e Manocl da Cunha de uma banda
com uinta espingardeyros, c João de Fonseca da outra
com oUlros trinta, e os outros quarenta no mcyo com a
bandeyra rea1, derâo Santiago neUes com grande i.mpeto;
e o capitão dos mouros, que se chamava Cide Amede,
vinha diame dos seos, e enconuouse com Dom Chris-
tovão, no qual encontro morreu; e os outros de cavallo,
que com Dom Christovão hiáo, tambem derribarão os
scos1e a este tempo os de pce erão ja juntos todos, e não
fizerão senão matar nos mouros; os quais, quando virão
o seu capitão mono, e que não tinbão de quem haver
vergonha, nem quem os mandasse., l'õe poserão cm fogida,
c morrerão muitos, pocque os proprios judcos os mata-
vâo, de mancyra que escaparão muito poucos. E como
a serra ficou livre, Dom Christovão recolheo o despojo,
que foi rico de fato, e de escravos, e tudo isto de muito
preço; c assim houve oitema cavallos escolhidos, com
que foi mais alegre que com tudo; e mais de trezentas
mulas com muito gado infindo. E depois de acabado
isto entregou a serra ao judeo, cuja ella dantes era,
porque sempre obedeceo ao Preste; c o judeo como vio
tamanha obra, c como R>S Deos favorecia, tornouse
christão com doze irmaons seos que tinha, todos cnpi-
taens de lugares. que ha naquella serra, que hc de doze
legoas em comprido, e mui fertil de tudo, e mui povoada
de lugares e aldeas, e muito fone; que nâo tem mais
que deus passos, c toda he de rocha talhada; e haverâ
nella dez ou doze mil judeos; c :eeré de quatro legoas
de largo;e em riba são tudova1cse ribeyrasmui frescas;

c pella fralda da serra corre hum rio tio poderoso como
o o qual se chama Tagaccm, que he o que Dom
Christovão passou. c cerca toda a serra, que quasi fica
cm ilha; c hc a mai.s viçosa serra que pode ser; e bem
se podam estes gabar, que gozão ainda do maná, pois
estio cm tanto viço que pcllas fendas da rocha vão tirar
o mel, c hc tanto que nâo tem dono, e cada hum vay
apanhar o que quer. E esta serra estará pouco mais ou
a )oeste das portas do estreito, e podem ser
quarenta lcgoas. Assim que como Dom Christovão cn-
ll"egou ao iudco a serra, deixoulhc recado que mandasse
ao Preste a lhe fazer saber a tomada dclla. E posse
cm caminho para o arrayal; e passando o rio, porque
o caminho era ospcro, deixou trinta homens com os
cavallos, para que viessem devagar; e eUe foise com
os setenta muito de pl"asa, arrcceando não nos aconte·
cesse algum desastre; c caminhava de noite c de dia. E
aquclla noite, que chegou, chegaria os Turcos de socorro
a el Rcy de Zeyla; e eo outro dia fizerio huma amostra
de mais de mil espingardas; c logo se vierão pura a
(ralda da serra, e assemario seu arrayal bem peno de
nós: e dali nos salvaria outra vez com o artelharia e
espingudas, e meteria alguns pelouros no nosso arrayal.
E como Dom Christovão isto vio, conhccco o socorro
que lhes e houve mm todos conselho do que devia
razel"; c assemaráo esperBI"] athe o outro dia, c que veriio
bem o poder do mouro, e que deviâo não peleijal" até não
virem os ca\'allos. que não podião tardar mais que dous
dias;, e que se os mouros acometessem, que se defen·
dcriâo o melhor que podessem, porque o nosso errayal
estava alguma cousa rone com tranqueiras, que estevão
reitas do innmo; e nisto asscntuiio, porque conbecco
Dom Christovão que se esta noite levantara o arrayal,
que a mesma gente se alevantara contra nós, e não
ocharamos que comer; e por isto nos era rorç.ado pe·
leijar, e sobstcr o que Unhamos ganhado. E logo des-
pedia hum recado aos que ficarão com os cavaUos, que
andassem quanto podessCD4 porque era chegado ao
mouro socorro de Turcos. c que lhe parecia lhe barião
de dar cedo batalha. E toda esta noite eariveiJlO!, com
grande •igia c cuidado, que não roi bom rerriserio pan.
os que Yinhão cansados do caminho :o c assim que todos
arinmos armados toda a noite,
Cap. xbiij. De como lrou11eráo biUalha Dom OlrÜiol'4o
Rey na t{llalfoi desbo2ro.tado Dom Clrris-
loP4o.
Ao ouuo dia pdla manhãa. quana rcira :u.büj dias de
Agosro de 1S>42, dia da Desolação de Sio João Baptisu,
se vcyo o mouro com todo seu poder, cm que vinhão
mil Turcos na diantcyra, a damos batalha, uazcndo a
artclharia diante com todo o concerto. E vendo Dom
ChristOYão a sua tenção, pondo toda a gente cm suas
cstanciu peUa melhor ordem que pode, se pos cm dc-
rensão; c começou a anclharia em amanhecendo a jogar,
porque estas horas se vicrão cUcs a nos; esim que com
ella, c e espingardas rcririo muita gente de ambas as
partes. E os Turcos, como crio muitos, c chegados de
novo, andavão mui soberbos fazcndonos muito dano. E
vtnd.O Dom Christovão O grande dano que DOS raziâo,
c que as rranquciras do nosso arrayal nlo crão tão rortes,
que se podcssem defender c mais de Turcos, dctenninou
de sair a elles, c darlhcs SantiBBo muius vezes, c tor-
narse a recolher, parcccndolhc que desu maDCyra ha-
veria victoria; porque a qualquer corpo de Portugueses
não po&io eUcs esperar o primcyro impeto; c assim o
res, sendo elle o primcyro [que] com cincocnta soldados
de espingardas e lanças em obra de cem Turcos, que
daquclla banda endavão, deu, c rcs rctiralos hum grão
pedaço, m&Uindo ncllcs, c rcrindo muitos; c tomousc a
recolher, porque carregou ali a mayor rorça da gente; c
ao rrcolher lhe matacão quatro homens, e 01 mais ria'io
lodos feridos, c Dom ChrisJovio de huma espingardada
por huma perna. E como foi rrcolbido, deu Maooel da
Cunha por ouua parte, que &Mim cstua orda:wJo. c
f c ~ arredar os Turcos outro pedaço; porque estes crio
05 que mais se chegado a nós, c nos dariio mais pr-essa;
c umbc:m matou c ferio muitoa; mas ao recolher lhe
matarão cinco ou seis homens, c lhe feriria muilos; e
01 outros capitacns das cstancias, como hum ac recolhia.
dava o outro, mas sempre 80 recolher nos maraYão ho-
mens; c andava a cousa tão baralhada, que dentro DO
arrayal nos matarão alguns homens; c dcsu. maocyra
andamos grande pedaço do dia; c a gente do mouro an-
dan muito coruentc, vendo os Turcos de aua pane, c
o dano que nós reccbiamos. E Dom Ctuistovio assim
ferido andava visitando as cstancias,c esforçando a geme,
que estes são 01 dias cm que se 01 capiracos oonbcccm.
Não sei palavras por onde diga seu esforço; assim que
vendo cllc as cstancias c o arrayal, viu a geme andar
mui cansada, c a mais dclla ferida. E a Ravnha csran
na sua casa cm grandissima tribulação, ~ d o pela
hora em que se via; c a casa csrava cbeya de feridos,
que oio podião pclcijar; c dia com suas motbercs lhes
eiU.n atando as feridas, que este dia bem scnirão disto;
c aqui lhe meterão muitos pelouros nas suas casas, c
lbe ferirão duas molhercs. E vendo Dom Christodo isto,
e o muito dano que lhe os Turcos fazião, c que sempre
80 recolher lhe matavão gente, mandou a Francisco de
Abreu que desse ncUes com aua gente por aqudla parte,
e a seu irmão lnofrc de A b ~ que lbe sahiMe nas costa,
para que 80 recolher desse elle de fresco, porque oio
tivessem lugar de fazer taniO dano; c como deu ncllu
matando muitos, qUis sua ventura que 80 recolher o ma-
tarão com huma espingardada; e o seu irmão, quando
isto vio, arrcmeteo para o uazcr, fazcndoos afastar por
força, toiDindo seu innão para o trazer, lhe derão ouua,
c derribaramno sobre cllc, c assim ficarão ambos; c 05
no!sos se recolherão com grande: trabalho, porque acodião
aqui a mor força dos mouros, e matarão muitos dos
nossos • .E Dom Christovão, vendo que lhe mo.tavão a
mais da geme:, ajumou a que pode al bandryra real, que
erão b ~ pouc05, pocque ja não havia q ~ podesse
peleijar, porque passava do mcyo dia; e como os teve
juntos, deixou dito a Manocl da Cunha que ao recolher
desse com sua gente nos mouros. por lhe nQo fazerem
tanto dano; e logo deu Santiago nelles, e levouos pelo
campo hwn grande pedaço; e verdade)ramente que se
tiver-amos os cavallos, que vinhão por caminho, a vi-
ctoria era nossa; mas merecemos por nossos pcccados
endrrençarse isto desta maneyra, para ser o que foi;
pocque assim como os nossos andavão dando Santiago
nclles, os levaváo como carneyros; mas andavão já tão
cansados, que nio podião &Ofrer o tr-abalho. Assim que
quando Dom Christovão se rccolheo, era tanto a dentro
pello campo, que ao recolher lhe matarão muita gente,
e a elle ferirão de outra espingardada, que lhe quebrou
o braço di.reyto, e vinha em grande fadiga; onde lhe foi
bom Manoc:l da Cunha, que deu Santiago nos mouros,
e recolheose logo com elle, e tambc:m lhe matarão c fe-
rir3o muitos. E João da Fonseca, que de sua estancia
sahia a dar Santiago nos mouros. depois de tc:r sahido
duas ou tres vcses, o matarão; e a Francisco Velho da
propria maneyra. E vendo Dom Christovão que lhe tinháo
mortos quatro capitaens, e toda a mais da gente, e elle
tâo mal ferido, não quis mail!! sahir, mas andava esfor-
çando a geme, c faziaos chegar és c:stancias, que niio
havia ja quem as guardasse:, nem quem peleijasse, porque
ja era mui tarde; e a este tempo os Turcos entravão ja
pellas estancias, e duas vezes os lançarão fora, e andava
o negocio ja nestes termos., que ja não havia q ~ oco·
disse 4 bandeyra real. E o Patriarcha quando vio isto,
cavalgou em huma mula, e acolheose por hum& serra que
nos nossas costas tinhamos; e a Raynha quizcra fazer
outro lanto, mas Dom Chrlstovão mandou ter mão delis,
por se lhe não hirem os Portugueses com ella. E neste
1empo j8 os mouros erão muitos dentro nas tr8nqueiras,
e dos nossos não ha1ria, quem pelcijasse. sendo os mais
feridos c monos; c foinos forçado de nos recolher pela
serra acima, o que Dom Christovio nfio queria fazer,
determinando d.: morrer. E os nossos, vendo que não
servia de nada esperar ali, pois que nlo bavi8 quem pe·
o recolherão dizendolbe, que olhasse que todos
os Portugueses se hião recolhendo, e os que ali esta\'ão
com erão muito poucos para resistir aos contrarias;
c que com tudo elles morrerião lodos com ellc, pcllo
que cumpria ais suas honras; mas que melhor seria ajun·
w-cmse com os seos, pois que o Senhor Deos era ser·
Yido de lhes dar aqucllc açoite pello peccado de lodos;
c com isto o fu:erão r.:colher em riba de huma mula, c
8 Raynha diante, a qual andava offerecida a ser della,
o que fosse de nós. E assim nos recolhemos peUa serra
acima com muito uabalho, porque todos hiamos feridos,
c cada hum hia por onde podja; e o que nos valeo foi
ser a serra espera, e a sente de cavallo não nos poder
seguir o alcance, senão muito de vagar; porl!m a gente
de pee nos fes muito dano, porque nos seguião muito,
e 4.! frechadas e pedradas matarão muitos homens, que
Dão podjão andar. E rindo a ooite huns hião para huma
parte e outros para outra, sem aguardar huns por outros.
E Dom Christovão foi por outro caminho, e com elle ca-
torze Portusueses, que sempre o acompanharão; c a
Raynha por outra pane com a mais sente dos nossos;
e com esta fogida e trabalho nos hiamos acolhendo. E
os Turcos :ficavão no arrayal recolhendo o despojo; e en-
ttarão nas casas da Raynha, onde acharão mais de qua.
rente feridos, que se não podiáo bolir, e começarão a
fazer 8 sazua nellcs; e hum Portugu.:s, quando viu isto
por lhe não deiJ:ar lograr aquelle contentamemo, deter-
minou de morrer e vingarse delles; e levantouse em ga-
tinhas, com hum marrão que ah'i estava junto dcllc aceso,
c foise onde estava a polvora, e poslhc fogo, e logo a
casa foi abrasada, xm ficaran lnms Mm outros; porque
Dom Christovlo linha polrorw. cm muita quantidack, que
fizera no invrmo, ou casas da Raynha por
serem mais de -soa· E br de crer que aio
pos este c.avalleyro o foso ' casa umo por os Turcos
os matarem a clles, que ja mortos, como por
clles se não lograrem da poi1'DI'a, com a qual elles po-
derio fazer mWto dano, porque era muita.
G>p. m. n. ,_, ... --wpirodo a Do• Qris.
lofllllirJ o o protdft-.io, r M ..-ra-
Ca:miobando Dom Ouism't'io c caron:c PoruJsueacs
com cUc. IOda CSb. ooite: aadari.o o:m a:ssaz de o-abllbo
por todos feridos c mW cansados; por oade lbc
foi nccc:ssario do camiobo, que lcnrio; c mc-
I'CIDM por l:uD nUe sombrio de muita apesaura di: ar-
voredo pano IIIi 1IDIIIOr oJsum pedaço de E por
ser ja muito perto da maubi.a. c terem mW grmdc rc-
ccyo de ......, dcscobcnos pcllos inimigoo, que DO seu
okaDcc lôóo, c .....,-do camiobo, como cfiso, mrte-
riooc pdo nllc oboDo DO mais escuso lupr que ser
podôo, oade ocborio bamo pouca de -· que nacia
de bamo qudnda; c opurio a Dom Cluislorio da
mula pano CIIIW", porque ad:tc ali aio liftrio limpo;
c os alo ICOdo com que o fazer. maaa-
rio a .... cm que bia Dom Cbrisrovio_ c ãraramD.c
o 1m10 a.. qac o cunrio, c a sy mesmos, quem o
bnia llliiRr .. E os 1110111'05w ccmo Cdnrio DO arrayel,.
........ alo .p..rio - adie, mas rorio cocami-
ç..!oa .............. c !"crio pdlo ,_, de Dom Quis.
- doao y....,. de pcc, c ......, Anbioo de cnaJ1o,
dcocjoaoa de o._ [c] IIIDalboccrio alem doado:
.. iuoa;.-.,.no quc oalopodiioacbar, .. --
-E....,_ .. -,comooadeDom a.n.o...ão
se embrenhara, sahio huma velha do mato, que parecia
que se não p:>dia ter, c atravessou o caminho correndo;
c os mouros, por saberem alguma nova della, a quizcrão
alc:ançar, c mcteriose pello mato sem n poderem tomar,
por lhe sahir de huma mouta c se meter noutra; c como
sahio em hum vallc, atravessou muito corrcndo, c foise
meter cn1rc as arvores, donde Dom Christovão com os
Portugueses cstavio. E os mouros, porque hião ja c:om
aqueDa peninacia, não quizerio desistir de a seguircm.,
de maneyra que farão dar com Dom Olristovão; c to-
mandoo de sobrcsalto c:om grandes gritos a Mafamede,
[o prenderam]. E destes escapou hum, que por cstar
menos ferido se meteo pello mato, do qual soubemos
a causa da sua prisão. E não pode ser que fos.se aquella
velha senão o diabo, porque se sumia de anrrt clles
sem a mais verem i de que os mouros ficarão mui es-
pantados, e havião que Mafamedc lha mandara para
lhos amostrar, segundo depois dizião:o c hião mui con-
tentes com a presa, porque toso conhecerão a Dom
Cbristovão pellas armas que trazia; c assim se forio
com cites, fazendolhe peito caminho nwitos escamros, c
dandolhe nwito mal trBIO. E assim os levarão diante dei
Rey, o qual estava mu'i contente da victoria, com mais
de cento e sessenta cabeças de diante
sua tenda, porque tinha elle posto hum preço, que o
ganhasse qualquer mouro, que conasse cabeça a Portu-
gues; e os seos, pello ganhar, as levavio das que achavão
peUo campo. E como Dom Christovão cbcgou â sua
tenda, o peno lhe mandou uazer ali as cabeças dos
Ponugu.::ses para o mais magoar, dizendolbe cousas de
quem elles são; que ali cstavão os com que= elle deter-
minava de lhe tomar a sua terra; e que se coohuia a
sua loucura de tal cUidar; c que por este atrevimento lhe
queria fazer huma grande honra, a qual foi mandalo
despir com as maons atadas auas, c mandouo açoutar
mui cruamente, e dar em o rostro com os sapatos de
seos ncgros; e das barbas lhe mandou fazer candeas,
So
c cacbendoa de ccn, lbc: IDIIIIdoa poc foso; c .......SOU
,;. a ......, que lbc: dle - moodado, • maodoulbc
àrar as SiiObnDcelbas e: paaoas, cizcDdalbe que sempre
• f!UUdora ...... dle, - aio .. ..mio clelloo dlc:
nem os -... E depois .-.., rciro, IIIODdou que rosx
.Wtar IOdu as suas ICDdas c os c:ap.ms para seu
rdriBcrio. oode ... - rãas ................ o qual
ruclo- CODl- paóeD<ia,- ....... -
• D<os pcllo ......... ai alado, depois de .... c.ooqua..
1a<1o cem 1<ps de tans de chrisoaoas. E """" .. des-
...r..tuio ...... o-.-dei Jlc<, o qual allll
sua prorria mão lbc a.nau. a abeça, aio a hneDdo
poc sa'lislãlo de ... mmclar COI'UI"; c IE:ID .. .-:alw.do
de IX1I1W -.poollc pn>pÕD lupr, oode .. D-der-
_ .. ahriobuma-de-quedna-.de
--que .. ----0 ........ __
diio eo ftftS. Noer proprio dia c ---. cm haa:l
_...,deliacles ..
., dlu:sav.. aà c stlbc poserão as niles para
cBa. c as rama para mim. ..to o dia aà iplino
•-;cdb.,..-queooiocn ...... _
ecl'na'io o dia c ..... IOdos
.......... J*11donmiDb-cliao.EdepaiJ
que .... _..0_ ·-de o..a.n.-
-.-que.., ......... diacllon,queo--
...ao., - .......... .w110ft;, c dcpais de. .a.. qoc:-
---.... ocniço ._,..,-.
-- -.s.. o dia llfX-- • ... cllteT
.. z..,to. que o---..--... .;;
--c:: in'c. esle: .a.o dia---.--
-..e: a ...no. asnilll:sp6.tan.-..k


.-.--.-• .;... ... que....,
-----que-....
.,.._ .. ____ que __
_____ ._cquelioiicmoõool•---
;,
dade de tamanho povo E quando nos isto dia-
serão, porque o mostcyro estava no caminho de Maçua,
e onde nós fomos depois da liberdade do reyno, fomos
todos ao mosteyro a ver a arvore para darem dito della;
e eu a vi com muita9 descobertas, toda cortada
como os frades dezião, e estava verde de pouco; e era
a an·ore tamanha, GUC parecia cousa de admiração po-
derse sobster sobre a terra com tão poucas raizes de-
baixo. Assim GUC depois Gue el Rey de Zeyla cortou a
cabeça a Dom Christovão, soubese pelas tendas dos Tur-
cos, aos Guais pesou muito em e!!ltrcmo, e forãose logo a
cl Rey mui irados, Guc como matara o capitão dos Por-
tuguc:S6, sem lho fazer saber; porque nenhuma cousa
poderio levar deGuella terra ao Grão Turco, com Gue
mais folgara, Gue com elle, sabendo Guão esforçado
era; e Guc o levavão cm sinal de tio grande victoria,
para receberem do Turco merce. E indignsrãose tanto,
que se desavir:rão com elle, tomando os Ponugueses
para os levaccm consigo; e acharão hum menos ao ou-
tro dia GUe se quizerl.o panir, GUe era fugido, c depois
vcyo ter comnosco, de mancyra GUe se facão com doze,
c com a cabeça de Dom Christovão; c forl.o para se
embarcar para Azcbidc; onde o Governador de todo o
eslreito está com tres mil Turcos, da Gual companhia
elles erão; c ficarão com el Rey de Zcyla duzentos, por-
que dos Gue morrerão na batalha lhos tornaria a re-
fazer destes, porque lhos mandeva o Grão Turco dar
pellas parcas GUC lhe dava. Assim GUe ficou el Rey no
campo trt.s dias com o contentamento delta victoria, por-
que assim hc o seu costume delles, fazendo grandes fes-
tas, porque lhe parecia GUe eramos todos desbaratados;
c GUe os GUC ficavamos, Gue scciamos metidos pelo ser-
tão, c por essas serras, donde no! não podesscm achar,
determinou de se hir para sua molher e seos filhos. Gue
havia muito que a não vira, c tinha em huma sua cidade,
que estl. ao longo da alagoa, onde o cio Nilo sahc, a mais
viçosa e a mais fertil terra Gue nunca se vio. E assim
o fcs, oesta terra capitaeas seos com
para tomarem a tomar da terra que rinhio pcl'-
dida, porque de DÓS ja COOI& (aziio mi QCID
boa; mas o Senhor- quis usar de sua gr"mde mi-
scriconfia.
Cap. xx. a.o GjJnt/Gr6o COflll G RtzyUa obra tk
uruo .,;,, Porl•lfJif!ltl, r tk C'OIIJIO o
di ..,.ii do6 ,i-1-. ., &_rUa SI&QI .... _,. os
Purntgw>ft o apartlmtio.
Acontecco no DOSSO desbarate, qoe hiodo a Raynb•
mui •tribulada diante com suas ndbcTes fuBindo, como
se pode crer qoe bàia, lüão os oa sua rc-
çap. muito (eridos c ..mhio dez ou doze
de b"as de todos. por aio poderem andar; c 'rinhiooos
raWO«Cendo dous """"Bu ..... que -rinhio ........ (cri-
dos, fazendoos andar e dles 6c:andolhc oas cos-
w,osquaissecbamario bum Fc:mioücdoso,e o outro
Lopo de Almama. E ao ouvo dialls oove ou dez bol'as
•irio vil' muitos IDOUI'OS de p«- srpmdoos, e dous de:
canllo; depois de serem peno ddles demminario de
morrer, por • se podcriio sakar os companbe)TOS,
que dianlc hilo eos quais di:sscrio qoe aodas-
acm quanto podcsscm, porque dles os clefmdcriio, ou
morrerilo por isso; e se winrio ambos a:JPtra os mou-
ro•, porque trullo unbos adarwas c faias; e COOJO che-
B•rlo jumo dos mouros de anilo, qoe .mhio diante,
acometer; c os IDOUI'05 espe-
rando de p«- para os IUDU'aD lls mK!Ils_ di-
llndolhcaquC" lhes dessem as armas.. c qoe se RDdcsecm,
• que o• nlo mallriio. E dles.. quaDCio üio I&IRa gente,
rancaol'lca lls fn:.thadas e pNr.das sem.
.trnn 1 boiC" de falm. nem a espeda, os des&rilo os
mouro•\ Cl 110i• nio ac pocUo ajwsar 00111 eUes para
tuor u que que ae -;c que poderia
53
ser. que se tornarião com ellcs, porque nio tinham vista
de outros; e que se os mouros os metessem a tormento,
que não confcssarião corno os outros Porruguescs hião
diante; c que desta mancyra salvariéo scos companhcy-
1"03 com ellcs morrerem, pois o não podião escusar; e
determinando isto, se ferio para os de cavallo, fallan·
dolhe pella lingoa Lopo de Alman.sa, que alguma cousa
sabia delis, dizendo lhes que se querião enuegar, que
10msssem. as armas. E indo para lhas entregar, parece
que inspirou Nosa Senhora ncllcs; porque disse hum
contra o outro e ambos a hum tempo: Sancta Marie, com
as nossas armas nos hão de matar; c com estas pala-
•ras lançarãose oos de cavallo, que erão ja peno dcllcs,
e ambos os derribarão dos primeyros botes, hum mono
c outro ferido di!! hum braço; e tanto que carurão, os
cavallos estiverão quedes sem bolirem consigo, e a gente
de pee sendo muita começou de fugir, que parece ser
mui grande milagre e mui claro. Assim que os dous
cavalleyros cavalgarão nos cavallos dos mouros; e depois
de fazerem que seguiáo a gente de pee hum pouco, se
farão em busca dos companheyros; e tomando os mais
feridos nas ancas, lhes contarão o que passarão; os quais
ficaráo mui espantados do acontecimento, e Dllli alegres
de os ver, porque ja os havião por mortos ou cativos.
E desta maneyra se salvarão todos, pondose estes deus
t\ mone por salvar os outros; e Nossa Senhora vendo
sua tenção os quis socorrer naquelle tempo com tanto
esforço; assim que estes farão causa de salvar .seos com-
panheyros, e os que mais diante hião; porque se os se-
guirão aquelles mouros, não deixaria de os matar a to-
dos, porque ja não levavão nem as armas nem folgo.
E assim andarão com bem de trabalho athe chegarem
t\ Raynha, que bem claro estll a tribulação com que
hirião; e não descansarão athe chegar a huma serra
muito s,spera, onde por não poderem mais andar des-
cansarão. E ja aqui crio juntos a mayor parte dos Por-
tugueses, que escaparão; e ao outro dia chegarão os
trinta Portuguese!l com os caTaDos, os quais nio sabiio
do nosso desbarate; c como nos ajuntamos, c DOS Yirio
cm aquclle estado, c souberão da perda de Dom Olris-
tovão, foi o pranto cm D6s.. que era cousa para ha•cr
doo, c não DOS podiamos acaJamar; c o que mais eco-
riamos todos., era não sabermos novas de Dom Olris-
tovão, mais que sabc:J"'DDS quam ferido hia. E a Raynha
mandou muitas espias pellos caminhos. c matos, a
se podião descobrir alguma nova, ou se achavão aJsuns
Ponuguest:s embrenhados para os guiarem. E aqui cs-
tinmos algtms dias esperando por recado athc nos vir;
e aqui nos ajuntamos com a Raynba cento c vinte ho-
mens, entre os quais veyo aquclle que fugia da prisio
de Dom Cbristovâo, [que nos conlOu o que ia disse; c
assim veyo outro, que fugia do arraya1 dos
o qual nos dtu conta do manyrio de Dom Christovão
c da wa mone,J como ja 6ca dito; com a qual nova
sentimo! o que hc de crer. E vcyonos huma espia dos
da Rayuba., [c disscnos] com[ o] Manocl da Cunha com
cincocnla Portugueses., se farão por outro caminho sem
saberem por onde hiâo; os quais farão ter .As terras do
Bamaguais, onde farão agasalhados; c assim cstiverão
athc sabc:r novas de nõs c da Raynha; a qual com suas
molhcrcs fes por Dom Christovão grandissimo senti-
mento., c foi tão pranteado dcllas como se fora sru filho.
E ao outro dia nos mandou chamar a todos, c fcsnos
huma falta con.solandonos de tamanha perda, c da nossa
fortuna ser tão contraria; c isto por palaVI"as mui dcs-
crctas c 'Virtuosas; c nós pedimos ao Patriarcha, quc
lhe respondesse por nós todos csforçandoa; c clla ficou
mui satisfeita, dizendo que o esforço dos Portu,guescs
era mui grande. E logo determinou com nosso conselho
de DOS birmos para a serra dos judeos, para ali cspe-
rarmos ao Preste, que ja lbc: era recado hido, como a
serra estava por sua; c ao outro dia panimos,.c fomos
mui bem recebidos pelo capitão da serra, c mui pro-
vidos de todas as cousas nccessarias. E dahi a dez dias
chegou o Preste; c vinha com cllc nwi pouca gente, c
tão pouca que se Dom Christovão não tivera tomada a
serra, impossivel fora ajuntannonos com elle, nem ter
maneyra de restaurar o rcyno.
Cap. xxj. Do recebimento que os Portupe!esfi;erão ao
Prnte. e como depois de juntos com elle determina-
rão de hir todos Pingar a mm•te de D. Chr·isto11áo.
A s ~ i m que como tivemos nova, que o Preste estava
ao pec d.!!. serra, fomolo receber, e levamos a banckyra
da Misericordia na mio ck hum padre de missa, que
comnosco and.11.va;, e quando chegamos a eUe, vendonos
daquello maneyra e tão poucos, e sabendo da mone
ck Dom Christovão, e do nosso desbarate, fes tão
grande sentimento, como era razão; porque elle vinha
mui desejoso de ver Dom Christovão pella fama que
delle tinha; e o sentimento que mostrou, cena que por
hum seu filho herdeyro o não podero mostrar maynr;
e fesnos a todos muita hmua c agasalhado, com pala·
vras de principe; c dizendonos que nos não achassemo!!l
estranhos em aquellc reyno, mas fize!!l&emos conta que
era nosso natural; porque os reynos e elle erio ckl
Rey nosso senhor, c seu irmão. E logo nos mandou
prover de todo o que nos era nece!!l!!lario; e mandou
dar a todos mulas em que caminhassemos, porque athe
aqui viemos a pee do desbarate passado; e assim man-
dou dar a todos cabayas e calçocns de seda, porque
este he o trajo d.!!. terra; e a cad.11. dol.l9 homens huma
tend.!!., e criados que nos servissem cm abastança, e
alcatifas, e colchas, com todo o mais nccessario. E aqui
estivemos todo o Dezembro, assim porque o Preste aqui
quis ter o Natal, como para ajuntar gente, que cada
dia lhe vinha; onde ajuntaria oito mil de pee, e qui-
nhentos ck cavallo. E como vimos esta gente junta, fo-
56
- .. Prcsu, pcdiDdoloo qac .................
a -.1e de Dom Olriscorio; e o Prc:sae, que: o dae-
,..... csua mui rcccoeo de aos RI' lio pouco5; e 10-
doria dclamiaou de o fou<; ............. pelloo Par-
........ qac - ............. de llamoflulio.,. polias
- qac Dom Chrisluriodciuno .. -----
- a Royabo, qac, por aer o ..... -doBou as
que IIWia de as ')lllis ... ferio muito
-.porqacâabamos jamui poacas; e em..,......,..
&...... - ........ --........... qac Dom
CbrisaJrio ..... iuo ....... quio l!ioooo s...o.-
........,ponafou<em.....,.de-....,.._
oõdode;porqac ........... doo judooo ....... -
e cmofre, e IOdo o DCCC!ISU'io..A.ssim que: estcft o Pn:ste
..,; r.-paus, • _....... pelloo Ponupeocs
adie todo .Jmepo, os ')lllis ja aio esblrio • do
porqac qac a6o eramoolodos
1D01't05. e que se Dio podtriio .pmar COD o Preste.
... - comioloo de Moç-. ....... abõ- olp-
mos r.-......., se cmborcarcm ....0.. pon a IPoiL
As.im qac wiDdoooo em: n:cado deks, e as armas que
.. ..,.. licMio, dclamiaou o Pree de .... buscar os
"""'"""porqac ja en ...,...-, qac 01 Tun:m. que
fterio an seu socano. se c que: Dio Õllba
mais doo......._ qac elle CXJIIOÔ80- ........ 01
aaaoaturais.
C.->aii- Dr-·-·-·----
.Porto&-. •"""-., Rrr• z.:p. ---
..,_ do Nilo, • 4o _..,. fi" ol Rr.T. bJW
-,......-··-·----··
-. an ordem coa,._ o comioloo dio de &-
,.-.a seis deFe.-.ràrode
de pce fr<chc)-rose ......... deC&TIIIo,
c: tor:ios mui boa ltf:Die e e o:t*lo c 'Willte Portu-
gueses, entre os quais hião alguns oleijados, e com ns fe-
ridas abertas, os quais não quizerão ficar por se acharc.m
na volta da vingança ou morrerem na demanda; e hia
a bandeyra da sancta Misericordia diante, que nós leva-
Yamos; e o Preste quizera fazer entre nós hum capitão,
e nós não quizemos senão que a bandeyra ou elle o fos-
sem, que não era razio que tivessernos outro, perdendo
o que perdemos. E assim fornos nosso caminho, deixando
a Raynha sua mãy nesta serra, por não levar consigo
pejo. E indo assim tivemos novas como estava hum ca-
pilii.o dei Rey de Zcyla no caminho, por onde haviamos
de passar, em hum senhorio que se chamava Ogara; e
que tinha trezentos de cavallo, e deus mil de pee; e cha-
mavase o capitão delles Miraizmáo; chegando ao lugar
huma ante manhãa, deu o Preste nelles indo cincoenta de
cavaUo na dianteyra; e com a sua chegada poserão os
mouros em desbarate, matandolbe o capitão com muitos
delles, e tomando muitos cativos; dos quais soubemos
que el Rey de Zeyla estava com sua molher e filhos ao
longo da alagas, donde o rio Nilo nasce, que seria dali
cinco dias de caminho de nosso andar. E logo caminha-
mos sthe chegar é vista delis., que he tamanha que a vimos
de seis ou sete legoas. E como chegamos é. l'ista dos
mouros, assentamos o nosso arrayal é. vista delles; os
quais ficarão mui espantados em saber que era o Preste
c os Portugueses, que os hiamos buscar, sendo tão des-
baratados, o qual lhes meteo algum medo; e logo se
aparelharão o melhor que poderão, que bem vião que
nio h ~ e r n o s senão a vingarnos do passado. E porque ti.-
nhamos novas dos Portugueses, que erão em Maçua,
que não acharão embarcação, e que ja sabião de nós e
do Preste, e que vi11hão caminhando a toda a pressa
para nós, houve o Preste conselho com todos de não pe-
leijar athe não chegarem, porque erão peno de nós; c
cincoenta Portugueses naquella terra he mayor socorro,
que mil naturais. E 11estes d1ns que esperavamos por clles,
cada dia havia escaramuças no campo dambas as partes;
58
c andado ja sessenta Port1J8UeKS a caYIIIJo, porque
todos os cavallos, que o Preste bana.. lhos dawa; os quais
fizcrio mui boas soncs nu escaramuças, pol'quc uhia
sempr-e hum capitio dos mouros com duzcmos de c:a-
vallo, que entre ellcs t i n h a ~ grão fama, c em que ellcs
cscoravio muiro; c foi tão mofino, que andaodo cscan-
muçando com os Portugueses, o mau.rão com doze cun-
panheyros, que foi para cllcs grio prrda; c os AbcUos
de cavallo tambem fazião grandes sabidas, quen:odosc-
nos mosuar; c o capitão gcraJ do campo, que se chaman
Azcmache Cafilão, faz.ia nestes dias todos marawilhas
com a gente de cavallo;, c nenhuma cousa sabia ao campo
dei Rcy de Zcyla, que não fOsse corrido por ate ca-
pitão; e sempre os mouros lcwavão o peor ... pe-rdeodo o
gado c as vida!.. E quando o moW'O vio quio esforçado
este nosso capitão era, determinou de uabalbar muRo
por ver se o podia matar 4 uayçio; c mandou chamar
hum cavallcyro seu., c dissclhc que mandase a este ca-
pitão hum ncado sospeitNO de ser algum drsafio; c que
lhe desse o ncado por huma banda do campo, por onde
corria hum ribeyro, estando clle de buma banda e o ca-
pitão Abesim da outra; e que em humas moutas, que ali
estavio da sua parte, se escondessem de noite quauo ou
cinco Turcos com espingardas; e que csundolhc dando
o recado, despanuan neOe as espingardas; e que desta
mane}T8 o matariio. E uaim foi, que de madrugada .se
esconderão 01 Turcos nas moutas; c COIIX) ama.nh«eo,
se poscrão doua da canllo na borda do ribeyro com
huma bandcyn branca; e começarão a chamar o ca-
pitão do campo por acu nome; c os nossos acodirão logo
para aabcr o que era; c os mouros lhe não quizc:rão
dizer m.lit, H1lio que chamassem o capitão do campo,
que lhe querião dizer cousa que relevava muito. E como
o capitão iRo IOUbe, que i• Ub\'1. a cavallo
1
abalou para
o ribeyro com muita gente; c como vio que não crão
m.lit que dout mourot, fea ficar toda a gente de uase pa-
recendolhc que qucrilo vir para n61, ou dar algum avtzo
que foase bom, r por nêo :serem ~ m t i d o s dos seos, se
chegarão iiquellr lugar de tras dQs moutes; assim que
ae foi para elles com os dous de cavallo de qur se fiava;
e como chegou ii falia com clles, perguntandolhes o que
querião; e os mouros estando fingindo mentira!!!, despa-
rarão todos os Turcos ncllc as espingardas; e como o
virêo caido sobre o arçéo, virarão as costas á redes soha;
e os Turcos tinhão cevallos sellados ahi muito perto, nos
quais se salvarão. E os nossos de cavallo, quando virêo
que os mouros fugião a todo corrrr, se chegarão pare
la, parecendolhes trayçáo; e quando virão seu capirêo
mono nos braços dos dous que o acompanhavão, come-
çarão de seguir os mouros, os quais hião ia em salvo;
e em seu favor sahirão tantos, que foi necrssario recolhe-
remse os nossos com o cepit.lio morto, com o qual fize-
rão griio !lentimrnto e o Preste sobre todo:s, assim por-
qur era casado com huma prima com irmãa sua, como
por quão e.sforçado era; e os Abexins hião perdendo o
esforço que tinhéo com elle, e cm tanta maneyra, que
havia ja muito.s aconsrlhados para sr hirem, parecen·
dolhrs impossivel a victoria. E como o Preste soube isto
1
e o conheceo nelles, mandouos chamar, e determinou,
pois os Portugueses tento tardaváo, de dar a batalha ao
outro dia, porque sentia nos seos, se dilatasse aquillo
mais, que se lhr hiriáo todos com medo.
Co.p. xxiij. De como o Pre!te ~ el Re_y dt! Ze_ylo. hour,erão
bato.lha. n.:z qual os mouros Jorão vn1cr"dos, e el Re_y
morlo.
Em amanhecendo farão todos postos por ordrm, c fi-
zemos oração á bandeyra da sancta Misericordia, pe-
dindo a Nosso Senhor que s houvesse de nós, e que
no.!l quizesse dar Vingança e Victoria de nossos inirriigos;
e dite a confissão geral por hum padre de missa, e ab.5ol-
6o
vendonos, nos levantamos, c Jomos para os i.nimigos, )C!-
vando nós a dianteyra c esta bandeyra, ou nós com dia;
e hiáo em nossa companhia duzentos e cincoenta Abexins
de cavallo c tres mil c quinhentos de pec; c na reta-
guarda vinha o Preste com outros duzentos e cinUM:ota
de cavallo, e com toda a mais sente de pee; c desta
maneyra acometemos aos contrarias, os quais vinhão
wnbc:m em duas batalhas repartidos, c cl Rc:y de Zeyla
cm pessoa vinha na di8nteyra com duzentos Turcos cs
4
pingardeyros, c .seiscentos de avalio, e sete mil homens
de pee; e os que hião na diantcyra rompcráo de ambas
as partes; c na retaguarda vinha hum capitão seu, que
se chamava Guana Gradr, com seiscentos de cavallo,
c sete mil homens de pee, e como os dianteyros
terão mui poderosamente; e os vendo que
os Turcos nos desbaratado, derão Santiago neUes de
mancyra, que matarão muitos, c fizerão retirar os outros;
porque os Portugueses de a.vaUo, que erão sessenta,
fazião maravilhas; c os Abexin.s com vergonha de os
verem assim peleijar, mctiãose tanto, que se fazião co-
nhecer por onde andaváo. E el Rcy, vendo que os seos
JUão perdendo o a.mpo, cllc cm pessoa os fcs chegar
esforçandoos; c com elle aadava hum seu fi.lbo mancebo
ajudandoo; e chegarãose tanto., que foi conhecido pellos
Ponugueses, que:, quaodo o virão tão carregarão
sobre cllc com as espingardas. E como tudo se ordena
pello Senhor Dcos, permitia que o tomasse hum pelouro
pellot peitos, e a.hio ttObre o arção, c hiase saindo; c
os seos, como conhecerão que rua ferido de morte, desa-
conoarão, c forão postos cm desbarate. E o capitão dos
Turcos como wio, que os mouros fugião, determinou de
morrer; c fcs hum grande terreiro diante de si, com os
braços arregaçados, e hum traçado largo na mão, c pc-
como valente cavalleyro, porque estaviio cinco
Abcxins de cavaUo ttOlre elle sem o poderem render
nem matar; e hum delles o quis encontrar com hum
zarguncho, e elle o tomou das mãos; c a outro lhe cortou
as pernas do can11o; e nlo ousawão cbq:ar a clle. E
"'eyo por ali bum Portugues de cavaUo, por nome Gon.
çalo Fernandes, e foi sobre elle com a lança baixa. e
•moo muito bem mal; e o Turco lhe pegou della tio ri;o,
< e : ~ u e primcyro que se desembaraçasse deUc, o mouro lhe
~ u buma srão cutilada por riba de hum jiolbo, que lhe
conou os nervos todos, e ficou aleijado; o qual vendose
"Íerido, levou da espada, e acabou de o matar. Neste
'lempo os nossos lhe hiio seguindo o alcance aos mouros,
principalmente os Portugueses, que se não fanawio de
ringarse; c seguirão muito aos Turcos, porque deites
atavio mais magoados; de mancyra que não ncapario
delles mais de quarenta, de duzentos que crio, os quais
se: forão para a molher dei Rey; 8 qual como soube que
seu marido era morto, se pos cm fogida com ue.zenros
de cavallo, que cm sua guarda estevão, e com estes qua-
renta Turcos, levando consigo todo o thesouro, que o
marido tinha tomado ao Preste, que não era pequeno;,
c salwouse. porque 8Ddavio o:s nossos tão encarniçados
nos do campo c do arrayal, que lhes nio lembran outra
cousa, e não davão vida senão 8 molheres c mi.ninos,
os quais ficarlio cabvos; e entre estes se achario muitas
molheres christans, que foi o mayor prazer c contenta-
mento que podia ser; porque huns achavio irmans, e
ouuos filhas, e outros suas molheres, que não foi pe-
queno contentamento para e.Jies veios liwres de tal cati-
veiro. E era Wllo seu prazer. que nos vinhão beijar os
pees e adorar, e darnos o preço do jogo, dizendo que
por nossa causa se vião naquclle tempo. Assim que co-
lhido o despojo, que não foi pequet!o, BMC:ntou o Preste
seu arrayal ao longo desta alagoa, por ser a terra abas-
tada de mantimentos. E neste tempo. que riverão reco-
lhido o despojo, chegou ao Preste hum seu capitão, que
se chamava Azcmachc Cal:ite, mllllccbo, com a cabeça
dei Rcy de Zcyla nos dentes, e elle a r:odo correr do ca-
wallo com grande prazer; porque este c o Bamaguais o
seguirão por terem mais conhecimento delle; c este mE-
abo cb<f1ou prim<yro, e o 8Cabou de -· e ..._ a
ab<ça ao Pr<slo com ..- o!Yoroço, pcDas promcoou
que elle balut .,........00.., que erio .....,S... a - o
A.ba:im que o tromc:uc: de o casar com ... irmia., c: se
...,.l'anupes ra..rtbe muilo- axru. E como o
- ..... coboça do-............... do •adade.
e .-:3Ubc COIDD hia ferido dos Portupescs
o seu cçilio. por lbc b"Ua" a ... cabeça., Dio
- iirmia. pois o Dio assim 9Je Dali • alE: deu
... irmia. DaD: ao Ponupe:s porque ae Dia
- quem o r.rino; P"<''"" ae !ICJUbon, elle cumprin
...., paJnra. Assim que .....too_. a cabeça dd Rcy
de Zc)ia, que loi, cm buma laDça, op: a lnauem a
IDOSirar por IOdas .... - .,.. aba- o - que
en jo mono, quem - ...t Ddlas balut foilo; e lap
a lnario 6 Rayaha, .,.. cWi a _..por.,.... lu-
pra; • Cjllll ............. prua- dos .n.o..a., que

crio em Jbçua. a .s-coma mm
aJ0t11e COGb:lllamc:DIO dctcrmiatu de se wir .,... seu
ao; e ... l'l:>nupaes - .... - ............ oa
..... b-lo mui bem opsobdoo dol're*,e-
ks darl'OCIIs a e • Rayal:l-. 6zeno
.,-r..a. •. E--prua-es-cado dia
...to- Abuim lnar sr-de doojudla
wi<aia, e daqudla libcrdodo- que se...._ Ncoa ba-
-....no 'l\*l'>l'l:>nupaes: JoiD Cana, F._
ci.tc:D \-11yra, f'r1IDàaco Fid:IO e .._ ....
C.-.aõii- c....,..r • ...,___fW.-..,.._
_....,_,_..-.e•-•,.;.

---..,...-...... -
- .. " .. .._.....que-'-I-<a. .. Rey
63
de Zeyla, porque lhe pareceo que o reyno se não havia
nunca de restaurar; c era mui estimado do mouro, c
tanto que era ayo de .seu filho e capitão de geme; o
qual, quando vio el Rey morto, se recolheo com o prin-
cipe, e salvou se; c mandou dizer ao Preste, que .se lhe
quizesse perdoar, que lhe entregaria o prindpe de Zeyla,
que escapara da batalha, que estava em seu poder. E o
Preste, com quanto estava iodignado contra elle, e de-
terminado de lhe não perdoar, lhe mandou hum seguro,
niío tanto pello principc que lhe dava, quanto pellos .ser-
viços que tinha recebido do Barnaguais seu filho; porque
o trazia tão favorecido, por elle ser o que foi buscar os
Ponugueses a Maçua, e os meteo no reyno, que ne-
nhuma cousa lhe podia pedir, por grande que fora, que
lha não outorgara; porque alem de dar seguro e perdáo
a seu pay, que foi mui grão merce, o res a elle gover-
nador de hum grande senhorio. Assim que como foi o
seguro a seu pay, se veyo trazendo o principe consigo,
o qual entregou ao Preste; e elle como piedoso o niio
quis mandar matar; mas traio em sua casa com mui
grande guarda; e vierão com elle muitos christaons, que
la andavão alevantados, parecendolhes que com se en-
tregarem, lhe perdoaria o Preste; e cm clles chegando,
lhes mandou cortar as cabeças, e a outros muitos, que
de la mandarão pedir seguro, lho deu; porque erão tati-
tos,que [se] a todos houvera de mandar matar, ficara só.
Entre os quaes deu segoro a hum capitão do mouro, que
ja fora christão, que tinha feitos muitos males na terra;
e depois que ahi foi, conhecerão que elle era hum dos
que prenderão Dom Olristovão; e sabido peito Preste
desejou muito matalo; e por não quebrar o seguro, que
lhe dera, o não razia. E os Portugueses andavão tão indi-
gnados contra ellc, que se não sentirão esta vontade no
Preste, pareceme que sempre o mstarão, em que se po-
serão a risco de lhe dar desgosto; e com esta má tenção,
que trazião, se forão ao Preste a dizerlhe quanto ellc
merecia a mone, que o devia de mandar matar; e elle
Uaes rnpondeo que nio era rezão de lhe quebrar o se-
pro.. que lhe tinha dado;, mas senãrio.. não
pesaria ele o matarem; assim que se forio • sua tenda
doa ou b'es homens, c mataramno •s punhaladas; com
a qual nio pesou ..:. Preste.
c.. ...... &o fW """'" "" GWIJO", tloed. .....,. o rio
Nilo, ..., '-I!" 4• qa..J o Prnl• ,.,. " P.ucioo, tio
i1W Cll .Ntcxiru U. ,... ...,.... I4Jida.
Desta .....,., que - oito, sobe o rio N"do, o quol
..... elles chlmio Ab.uy. c atn.n:ssa IOda • tem do
......... ClOIUndo IOdo o ERMo; e ft}'., Joaso do ci-
dodt do IJ'io Coiro, ... y sollir por- Alcuodrio .........
dt u.-. E .... o1os<>o bo .......-.que .. não..,
_.. dt luDo boDdo ncm do....,.. • .-.., AbcDns
q. ..... dt rudo dez dios dt ..... dt ..... homem
que - muito ....... que são ..... .S. <ola qou; •
--.-....-..
lracos. E,......_ oc criio ...._ ........ como
C8'f"6a IDII"iaa:Ps. e drftm o ser; são .....mas como
.-co..-_ e do foiçio e cor dt -.;e tan
• aboço- mui
....,...,.- • ....-.s.-.dtboiooedtribodo
_,....que .. p.ae .. -· ...... dooqooc;-
·--·do----foro<IIIDO
............. .,_ •• ._.. ..... boa, ...
luabo-
_.,...._ ........... .,.. ... .......,dt
......... .......... ....... .....
..., .. .....,._..__;.->LE-

.-. ............ -·.são-.... ..-
.... __ ,... __ . __ ...

65
golpe de agoa para o ceo da! boca! mais que ba1eas.
Assim que ao longo desta alagoa teve o Preste com todo
seu arrayal a Paschoa, onde se fes o officio nuii solemne;
e do dia em que encerrarão o Senhor ati! que o desen-
cerrarão, clle e a Raynha sua mãy, e todos os fidalgos,
se vestem de doo, c estio sempre diante do sacramento
athe que o dcsencerrão, sem comer nem beber com
grande abstinenc1a. E o seu jejum he mui grande, por-
que não comem cousa que padcç& morte, nem leite, nem
qucijo, fl(Dl ovos. nem mameiga, nem mel, nem bebem
vinho; e he de mancyra. que nestes dias de jejum não
comem senão pão de milho, e de triBo, e de tudo
misturado, bredos e cozidas com azeite, que fazem
de huma semente como gergeli.m.. E o seu jejum he da ley
velha, porque não jantão ao meyo dia; e como se quer
por o sol, vão é igreja, e ouvem missa, e confessãose, e
comungão; e acabado isto vão cear; c a missa dizemna
tão tarde os dias que jejuão, porque dizem cllcs, que nio
podem tomar o sancto Sacmmcnto senão aquella! hora!
por amor do jejum. E aos dias sanctos c domingos dizem
8 m'issa ao mcyo dia, como na igreja de Roma; e 8 sua
missa he sempre canuda com diacono c subdi8cooo, e
com hum vco diante do altar; c a sua hostis he de trigo
nuii escolhido, sem outra nenhuma mistura; c fazem
hum bolo tamanho como huma hosba grande, o qua1 he
cozido em huma forma de barro, onde rem huma cruz no
mcyo, c ao redor humas letras cm caldeu, que são as da
!lacra; com o qual bolo ou hostis comungiio rodos os fra-
des, c os que ajudáo é missa, e os que estão confessados
para iS!Io. E todos os domingos cl Rey, c a Raynha, c fi-
dalgos, e toda a gente nobre, c todo o povo se confessio
c comungiio; cntrão na igreja descalços sem ncnlmma
mancyra de calçado; não escarrão na igreja; e se querem
escarrar, hlDll pano cm que cospem, porque hc
mui tachado entre clles. A sua igreja he redonda com
hum chapitco no mcyo; e ao redor por fora tudo de al-
pendres; os seos sinos, com que tangem é missa, são de
'
.....,_ .......... deampaiobasli ..... uzaaça.
Saaraa-Joode.-;.,..,cmpee,obmiooelllllilos-
lbciiio a a::rra. c IOr'Dão a aa:r cm pcc.. c assim.IDIDio
o carpo do Sc:alo-. Assim. que: acsa MDCta se
........ ooliciooi-riaomuilo n.

-s. a ariiDoaia, amo cm Portapl; parqrx a moiJe...
.... -.,.......- abcças. .... IDacados, de r-
.. ........,.[lenrioJ-
_,_ ....... de palmqras, c islo lcnTio pua ..,
.,..._ E o dio de Resartq-çio ......, ...... pocissio
_. solaaae ClliD mudos cn.. c a.ii sr-la. cm IUJio

... que podem bnu cm -o PIJnupL E Dio se eo-
- disso. - o md "" ialiaioo, • dae poliu
pollos ampoo;. "" de - o qua- bir -
obor; "" - 'I"" &z.m dclle ...... 'I"" &na .....
o poto. E IDCios m DObra sr pn2io IDiilo de .,.. mui&u
IOdln c órios; c ada capilio ClliD cl Rq-.. que lml qui..
......... IOCbu;ossim 'I"" ........ poclcmjulpr.,.......
Joiriõo,. prociosio.a qual foi....,;-. porque biriio
..u. .... de quiaheoooo - """ -........,. •
seu COSbJIDI:: c derio a wulla ll ipqa CDD o SID:IO Sa-
<niDOIIIO, 'I"" .... - Carl>co; .. ...,...., bia
o Praoe. ... mly, .... Ponusuesa ...... ..-. .s..-
.,..-.... pinprdu • • ........_'!""_ao
- muilu ..,..., e......, ......... de ..... que
lbe DOo &z.mos; com o qual o Ptcsoe ....... muilo, e
......... ppruerde r ............. rc.a.cm ai dia.
C., . .atj. o.S"'..--0,-,.....,..-,
fts ,.,,. •'- .. 0.. OrisloNo, ....
,.,...,,.,.,.,u.-.so.
No qual .._ .. pusario dous ....... desde • ,;.
aoriaatbell Pucho.;em:doo Pratrpc:se...a..lcbc-
o inverno, que começa em Mayo, e que se não
podia por cm caminho para visitar suas terras, e alim-
palas da desobedicncia; determinou de invernar daqui
a trcs lcgoas, por catarem aqui os campos mui gastados
da erva c sujos dos mouros, que ali e:stiveráo muito
tempo; e foi assentar o seu arrayal em huma cidade
muito grande, que estã ao longo da mesma alagoa, onde
lhe concertarão humas casas e outras á Raynha; e man-
dou aposentar os seos por muitos lugares e aldeas, que
.estão ao redor desta cidade, e todos á vista della; e
mandou aos capitaens com a gente de cavallo para huma
pane, e a gente de pee para outra, por estes lugares que
digo, que erão muitos. E o Preste ficou com sua casa na
cidade; e mandoooos dar aos Ponugueses hum bairro,
que estava dous tiros de espingarda do sw, e certas
aldeas para comermos, onde nos deráo trigo e cevada
para os cavaUos e mulás, e todo o mel, manteiga, carnes,
e cousas necessarlas em grandíssima abastança. E nós
vinharnos cada dia huma vez RO paço, e os capitaens
com a gente do campo de oito em oito dias; assim pas-
samos o inverno; e na salllda delle, nomes de Agosto,
o dia em que Dom Christováo morreo, lhe fes o Preste
hum mui granda saimento; porque [vierão a este officio
ma'is de seiscentos frades, e] mandoulhe ermar muitas
tendas no campo. E mandou recado por todos os lugares
comarc:aens, que todos os pobres se viessem ali aquelle
dia ajuntar; e pare elles estaváo ermadas as tendas; e
juntarsehiio mais de seis mil pessoas; e a todos mandou
dar de comer e vestir; e acabadas estas obsequias fesse
prestes para se por em caminho; e gastouse todo o mes
de Agosto, primeiro que estivessem para
caminhar. E porque aos catocze dies de Setembro fazem
grandissima festa no dia da Exaltacão da Cruz, determi-
narão de náo partirem athe não celebrar a festa, e assim
o fizerão; porque a vespora deste dia sahio o Preste de
suas casas descoberto, o que elle não fas em nenhum dia
do anno, porque ninguem lhe ve o rostro senão os do
.. COIDdbo, c prindos de asa; assim que ubio DXD
- auz sr-Jc de poo .,.. ........., c IDIIitoo l'nda
a. ele cm muims D'OIDbctas c alabalcs,
m.uomcuiOS.., seu cosamx, c um lwma t.o-
deyn pado, • quallc .. ,.. bum doo prmópois ...mora
do tal ftYDO. se Auyc Dcplão, com muita
PI* .. procissio; c assim dcrio lwma YOita li
c bK pen .-. casa .a1 mais c.crimooia... E todos esta
...... Clll ..... lizcrio BJ""D'Ics CIIIDD DÕS fa-
zaDDS. a DDilc de Sio Joio; prilx::ipalmcat as iurio
.. -. • de rodo< do poço do o qual es-
.... dedcoao....SO bJdop<ll"lwmoj....U., que ....
bc o seu costume wer a IOdos, c _que] 1Jin8uan o •r:ja
a cBe. E todos estes SCDbor'CS priocipm 1be ftlll 01a
DDilc dar risla um bJdo seu atado c nlia; ada hum
- ...S. clmdo .; ... de rodo< dos .... do Preslc,
cln a ca'f'.Jio.. c todos os scos a pu a:m IIIUilas 10-
cbas .cc:s.as; e o que mais fu. bicuo pm- a.yor esado;
........... os ........... ..., - o mois do po<o,
todoscm ............ de_cm...........,ccomo
se acertaYio; e estes todos ca:D IIDCbas oas maoas; c
como passulo todos os nroc:os. 'riDbio as lllOihctt.a
IOdas canlallldo muitas CUMips, e de IIIUilas a.-
DC)T8S c laDJUeS.. e IOdas com ãrios c wdla aas ..aos;
e dcsaa maneyra pstario toda a DOilc.. E como ft)""O a
mubla. nlo bouft lnli& festas. sorDCDit • igqa ao
meyo dia o ol6óo di1ill0; c .., OUiro dia comcçuio de
no caminho., umaodo a tmda do e
IOdas as ouuu no (;alDpo. porque a:ssia:li bc seu cos-
c sahindo o 'fiCl' eslleja de pR quer de
sucrra. coatinuunente: anda no campo; e a:ssia:li se 6-
acrio prata. e o todos assim. os de pee como
os de ca,..Uo; e aos àto ciu de Oulubro de
cuninhar.
Dlp. xxbiJ. Como o hindo por canri11ho. foi
ter aos campos de Jarttifaa, r dlu cousas que nel/es
acho11 i como a/guru Portuguesn Jlin-âo a Maçua
· buscar rmbarcaçâo pal"a st hinm pa1·a a lndia com
_licença do Preste.
E a geme, que com ellc era junra, c que comnosco
abalou, serião mais de cem milalmos; c de guerra entre
todos estes não havia mais de vime mil de pee, c dous
mil de cavallo; os quais se vicrlo para o Preste depois
da victoria com suas desculpas roins c de povo desleal;
c roda a mais geme era de serviço c molberes; porque
cm todos estes rcynos não ha offi.ciaes, que ganhem de
comer por seos officios, como nas outras panes; c como
sabem de lavradores, todo o outro gcnero de geme de
nobres athe mesquinhos anda na corte com suas mo-
lheres; e o povo scha aqui mais que comer, que nas
outras panes do reyno; porque o Preste anda sempre
no campo, como digo, no verão, e sempre he tudo franco
por onde anda; e esta he a causa porque o segue todo
o povo; porcp.le de todos estes se servem os nobres, e
a todos ocupão, e dão de comer com lhe custar muito
pouco; porque he o mantimento em tanta abastança para
ourros tantas, se em sua companhia andassem. E usim
porque não podiiio hir todos jumos, mandouos em duas
partes, e por dous caminhos, e que andassem athe che-
sara humas terras, que estio na fralda do mar, que
se chamam Janafaa, porque havia ncllos mouros, c que-
risos acabar de alimpar. E desta mancyra caminhamos
athc oito dias; c daqui da alasoa fomos direitos ao mar
sem ir por outro caminho; e por todos os lugares, por
se entregavão logo, e cm todos dci-
:uva o Preste capitacns, que os senhoreassem, tirando
os que o não mcrecião;.c fazia suas just"aças, coJnl lhes
parecia rezão. E assim fomos athc chegar a huma serra,
cm riba da qual estavão doze mosteyros de frades, ou
igrejas, em que estavão estes religiosos, poucos em cada .E
hum, e de cada huma sua advocação; e cada igreja era ..-:;
de huma só pedra lavrada ao picão por dentro; e crão <
feitas ao nosso costume, de duas naves mui altas com I
seos pilares e abobada, tudo de huma aõ pc=dra sem .IC-
outro nenhum pedaço, e com altar mor e outros altares .ôi2
da mesma pedra, como digo, sem em todo o corpo da •
igreja haver nada trazido, mas feito de hum.a mesma •
rocha rYWcissa; c cada igreja ser4 tamanha como São
Francisco de Evora; e isto passa assim, como digo na
verdade. E eu medi a mais pequena para ver quantos
passos linha, e achey cincocnta passos; e as outras ti-
nhão muita v,:ntagem de grandes. E sobre estes frades
todos ha hum, que elles chamão Abadclc, que he como
provincial ou custodio; e estes cdificios (segundo dizem
os Abc:r.ins) farão feitos por homens brancos; e o pri-
mcyro rey christão, que houve nesta terra, era estran-
geiro, sem 5aberem donde era, que trazia muita gente
a trabalhar nesta rocha ao picão; e que lavravão cada
dia hum cevado, e pclla manbáa achavam feitos ues;
e que el Rey acabados de fazer estes edificios morreo
.sancto. E mostrarãonos onde jazia, e tomavão todos
terra da sua sepultura, e traziãona por relíquias; e affi.r-
mavão tudo isto, que tenho dito, de que os frades tinhão
muitas escrituras, as quais nos amostravio, parecen-
dolhes que as saberiamos ler, que estavão cm caldeu,
todas cm pergaminhos, que cscaçamente, ainda que sou-
beramos a lingoa, se poderão ler de gastadas c velhas.
E eu lhes ouvi dizer que cl Rey de Zeyla viera ver estes
edificios; e que dous mouros quizerão entrar dentro a
cavallo, e em emparelhando com a porta lhes arreben-
tarão os cavallos; o qual milagre ellcs tinhão escrito, e
fallavão muito nelle; e o mouro mandou aos seos que
ae afastassem, que náo queria Mafamede, que ellc derri-
buse tio nobres edificios; e pois a terra era sua., que
mandaria fazer nelles mesquitas. E como hc tudo por
vontade do Senhor Deos, permiuio hlremse os mouros,.

..... que--.....-. pouooo ...
hum, • de cada boma ... 81hocaçáD; • ada ip'<ja ....
de boma ... pe&a ........ 00 põcão .... deaoro; • crio
fcilas ao DOUO C051111Dc:, de duas llft"CS mui U. CIOIIl
..... pi..-.. • oboboda, - de boma o6 pe&a .....
outro oenhum com altar IDOI' .ar-ea
de mesma pe<b, como .... ...,. cm- o corpo ..,
içei• ... er oada vuido, .,.. fám de boma .......,.
rocJ. mucissa; e cada ip'cia .n aa.aba como Sio
Francisco de ETOR; c isto p:ssa a:sim, como clip aa
'"erdadc. E eu medi a mais ,-a w:r .,.....
passos linha, c a.:bcy ciDooema passos; e as auaas li-

todos .. hum, que ..... c.bamão AJ.dele. que be .._,
prooiocial ... cusoodio;. - edi6cioo (squado-
os AbeUD) r.rio r.iooo po< bomeas .._.,.;c o pri-
meyro rey cbri:srio.. que bouft ae:su. ter"n., era au.D-
po, ..... ..--..... - ........... -
a uwba.hr DC3ta roem. ao picio; c que lawnrio cak
dia- condu, .............. --IJ'eS;
c que d ROJ oabadas de&-...,. edi6cioo........,
saac1o. E waaionns oadc jazia, c a-rio IIDdos
............. __.. ............................. _
mniobloisto,quelalbo.-.,dcqueosfndostiallia
muila ac:riD:Ins. as cpis DOIS -.znrio. puuea-
dollos que .. ........._ ..... que - .... uldm,

.................. podmio .... depstadasc-
E cu .... oari ...... _dRcydeZqta ....... ...-..-
edi6cios; e que di.& ....... qaizcrio GIIIV deauo a
...... 1 f
ario ......... o..- ............. - escrim,.
r.a.rio _..., acle; e o maoro o.odoa - SUIS que
.. -.------queollo: dorri-
'-c lio DOlns aiicim; c pois a llel'n era ma, iip
-.;.&-.,........,..__Eoomobeblopoc
-elo 5alllo< Deot, permiaio-.,. ...........
e la tenm 18Dto cm que entender
1
que lhe não lanbrou
aWs delles. E dlhi fomos nouo caminho arbe Jartafu..
oade o Preste as\entou seu arrayal em buns c.ampo5
mui pncles; e ali estivemos athe os mouros wirem a
obcdicocia. porque= toda esta terra be povoada dcllcs;
e IDiiguamente crio sobjcitos ao Presle, c lhe pagawão
parcas. c cUr deiuvaos river por amor do trato, que
wiDha por suas mãos, pocquc: os Abc1ins não são cu-
rio.os das cousas do mac, nem são bomens delle; e a
mn be tamanha, que ainda que haja muitos maia, para
todos ba terra; assim que o Preste a estes mercadores
IDOW"'S c lavradores· mandou que lhes não b.se feito
Dmhwn daoo, mu a gente de 8'JerTa foi lançada. e os
moradores ficarão debaiJ:o da mão do Preste pqan-
dolhe u parea.a costumadas. Depois disto feito, pocquc:
o tanpo eta p.sudo
1
tiwcmoe aqui o Natal de ~ ~ ­
E porque ja na terra não hawia que fazer
1
c estava
IOda livre, e cu mal tratado de buma ferida, que me
não queria cerrar, nem baria quem ma curasse, pedi
licença ao Preste para me bir a Maçua. csperv a DOSSa
embarcação, que naqudle tanpo ba"fil de vir; um
porque ja não podia servil", porque a ferida era de buma
cspi:agardada c alcijáo de bum bnço. E a elle pesou
muito por me cu querer Yir em tempo, que elle c:sun
tão dcsuoido, c andava tão de lcnotc; porque certo
cOe nio era rq mais que de muita terra c mantimen-
tos; porque o seu thesouro l0018f811Ühe os mouros, c
as tcrt'U CSDYão todu lennu.das; de ~ que se
alguma cousa do sertio trow:c, bem tCTc em que o gas-
rar; pello que me disse muila wezcs, que nx nio 'Yicue.
alhe me poder fazer nxrcc. porque era menos preço
de sua pessoa wirme 3Cill. ma fazer, c que IC't'ava de cu
me Yir muito grande ~ r o ; e todaTia qoe peD.a De-
ccssidade,que cu tinha, de saude.ma dan sc=m Y'OIJl8dc;
porque muito mayor o teria cllc. se cu com a cspt:raDÇI
de suas merccs perdesse a ~ pois na tcrTI. não hawia
rcmedio, ocm quem mo soubeue dar. E cksla 1011c
ma deu bem dcsgosto50; c mandoumc dar para oca-
minho hum c.avallo c duas mulas muito fennosas da
sua estrebaria, e huma cabaya de veludo 1'erde avclu-
tado com flores de ouro, c hum homem seu para que
me o qual me hia fazendo, por onde cu lUa,
tudo franco, c prestes com muita abastança, como se
cu fora seu irmão; assim me recebiam, c me agasalha-
vão, e offcreciáo mulas para me levarem mantimentos.
E me mandou dar para o caminho vinte onças de ouro,
receoso de que os seos me não pmvesscm de todo o
necessario; e isto com buma vontade, que certo bem
mostrava, que se se achara em tempo, me fizera mui
grossa mcrce, se cu dellc a quizera. E depois que me
despachou, e me deu cartas para el Rey nosso Senhor,
determinarão cincoenta Portugueses de lhe pedir licença
para se tambem virem, que na terra não ha\ia ja que
fazer, nem eráo ja necessarios; c mais desejavão de se
vir para a lndia, porque lhes parecia que estavão la
tão lonse, que se ouua vez se a meter pella
terra dentro, que nunca tomarião at lndia; assim que
lhe pedirão licença, com lbe dizerem o que ja disu; e
cUc o semio muito, porque os quizera trazer sempre
na sua companhia. Mas vendo que os não podia ter por
força, lhes disse que a tornassem cllcs, muito pesaroso;
todavia lhes [mandou du] todo o nccessario, c mulas
em que fossem, dizendolhes muitas vezes, porque se
querião hir naquellc tempo, que cUc lhe não podia
fazer merce, do que recehia grão pe5ar.
Cap. Kxbiij. Como 01 Portuguun sr desptdirão do AY3-
te pua Matlla.
Mandou vir [então o Preste] todos os cales e cruzes,
e toda a prata das igrejas que linha, c todas as joyas
c manilhas de sua mãy, irmans c parentas; c lhas dava,
pesaodolhe muito nl.o lhes poder dar mais; e dez:ialhes
que ee não fossem, porque nas suas terras haYia muito
ouro, que lhes la daria; porque muito pelo dentro
ba:ria c.afres bcstiaes, que Yinhão em cafilas a pec com
omito ouro em saquinhoe '' costu a fazer buna feira no
4erndeyro rcyno que confina com estes c.afrcs, a
qual terra se chama Damure; e que estes negros davão
O ouro a ttoco de pan01 muito ba.Uos e 8f'OUOS da lndia,
e de contas de barro vermelho, e azul, e verdes, e que
as estima•l.o muito, e o ouro muito pouco; e que ee
querião bir com elle 4quella terra, que conquistariio
aqueDas minu, onde se podcriio encher de ouro. E to-
daYia com isto os não pode connner, nem quizerio
aceitar a prata e ouro que lhes dava, asSim pella moeda
em que vinha, como por quão desbaratado o vião; dizen-
dolhe que as merces ellc:s as esperavão dei Rey nosso
scnbor, e que elle lbas faria; porque elles não vicrão
aqueDe R)"DO por uenhum mais que por .er·
W a Dcos c a el Rey nosso scnbor. E assim se despe-
dirão delle, ficaodo em sua companhia cento e -..iDte
Portugueses. E oós nos partimos com levarmos por
nosso capil:ão a bandcyra da saneia Misericordia nu
maons de bJ.m padre de missa, de dOU3 que co1'11n031C0
la andauão, os quais fizcrl.o muito fruito, e tirarão mui
ma05 costwncs da ICJT&, e fizcrio muitos christaoDS,
mm ficar a esperança ao Preste. que se não acbasscmos
nossa armada. cm que todos nos podessemos embarcar,
e cm alguma Justa viesse do Go•cmador para ser capi-
tão de todos, que ficarião. Desta mancyra, fomos atbe
che-gar a Maçua, onde não achamos mais que huma Justa
pequena_ em que hia Diogo de Reyno.so, o qual desparou
a anelbaria e espingardas, para que se no campo bou·
vessc algum Portugueses, que ouvindo acodissem por
saber novas de nós, que na lndia a todos nos ünhio
por monos; porque com reccyo das &alces d05 Turcos
não estavamos é 'rista do pono. Assim que como ou-
vimos, farão os de cavallo la descobrir; c como conhe-
cerão ser fu.sta nossa, nos vierão a dar a nova com
grande alegria. assim sua, como a que sentirão os da
fusta; e logo levantamos as tendas, e nos fomos para la,
e nos ajuntamos com muito prazer e lagrimas. E acor-
darão todos, pois que não havia mais de huma fusta tão
pequena, que vinha com os homens com que se nella
podia navegar, e que se não podiio embarcar ~ l i a se-
não muito poucos, a:ssentarão de ficarem elles, e que
embarcasse t!U, assim pclla necessidade que eu tinha
disso, como peUas cartas que do Preste a el Rey nosso
senhor trazia, com me encarregarem muito, que desse
conta de como ficavão ao Governador, c lhe pedisse
mtbarcaçâo para elles com muita importunação, se sem
clla o nio quizcsse fazer; e não lha querendo mandar,
que a pedisse a el Rey nos:so senhor. E eu lhe fiquei
de lha pedir e trabalhar nisso quanto podesse. E ao ou-
tro dia pella manhãa, domingo 16 de Fevereiro de 1S44
annos, me embarquei, deixando aos companheyros mui
desejosos de fazerem ouuo tanto; e despcd..tdo dellc.s,
c dos da fusta com muita saudade, ficarão os outros
fazendo oração ao crucifiJ.o, que na bandeyra trazião; c
como a acabarão de fazer, com grandes soluços se tor-
narão; cavalgando nos cavallos e mulas, se meterão pella
terra dentro, para oode o Preste estava, que ja ali erão
mUitos seos, para se não embarcassem tomar em sua
companhia; e nós nos fizemos a vela caminho da lndia,
onde o Senhor Deos teve por bem de levamos a salva-
mento. Chegamos a 19 de Abril do dito anno, e praza
a elle que se queira lembrar de mim, c a elles trazelos
a salvamento.
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NOTAS
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NOTAS
P88. 1,lin.8
ftJ"D • 111le tn11111 apldo oSo Prwte
.Chegando (D. Estnlo da Gama, Gonmador da India] 6 Ilha
de Maçua, YeJD ali ter com elle llum scnbor dos da casa da Ade-
san•, que se charru1va Isaac, que entam era Babar N8Ba}'l; e com
e:lle outro senhor srande, que se chamava Robel, com Cllrta!l da
Emperatril Cabelo Oanguel, miy do Emperador Claudio. que i'
nynava.• (Telle.r., HiJtoria Ellriopitl. ,a Glta.liv. Do cap. TW
1
pas. 117)-
Pas. •,liD. 9
BoR ......
Bahr naga:r. (rei do mar) era o tirulo do governador da comarca
de Tegre, que vizinha com o mlll' peno de Maçua, e cuja principal
rO\·oaçlo era DebiJ"''a. O bahr naga:r., que entio era, chamava-se
Yesbaq, e era • hum senhor dos da caaa. da AdegiJll•- (T ellez,
Hi.ftoria Ktral de EtAiopiJz 11 Glta, liv. n. cap. Ylll
1
Pll.8· 117}. Ye.sbaq
acompanhou D. Christowam da Gama e os Portugueses nasguern11
contra os musulmanos.
Nos ultimas annos do reinado de Galavdev01
1
Ye1haq pelejou
com o buli Ezdemir, que com quinhentos Turcos se assenhorettra
da ilha de Maçua, e invadin 11 provinda de Tegre. (C.\roreiC"a dtt
Gtlltwdwol. ed. Conzelman, C8p. uv-uxn). Mais tarde revoltou-
se contra o rei Minas, e alliou-se com o bad EJ:demir (Hilloria
44! MirrtU, pag. 47 e lle{I:S. e nota 94)
1
11111lenrando-se como rebelde
no principio do reinado de Sarr.a Dengel, até que foi morto em
ba111lha aos 17 de tahsas de "JD'Jl M. (13 de dezembro de 1S79 de
J. C.). (Citroniaz 44! Sar.1a ms. er.h. n.• llJ:rs da Bibliotheca
Bodleiana. foi. 79 "• a e segs).
O dia 9 da julho da d-41 foi elfectivamenre um aabbado. A par-
rida de D. Christovam da Gama foi a 9 da junho, segundo a RU-
Ioria impreasa (pag. 7)
1
e a 15 de julho, segundo CouUl (Dec. v,
li v. Yno cap. XI); estas duas ultimas datu atão ern.da.s. porque
não só nio concordam com o dia de semana indicado, que en um
sabbado, mas tambem porque, segundo refere Bell'Jludez (Brwe
rrloç.am dt1 cap. lll), no mesmo dia, em que D. Cbris-
tm;am da Gama começou a marchar, a armada do Governador
da lndia se fez IIi vela de Maçua, o que foi a 9 de julho de •54.•·
(D. João de Castro, Rotrir"O de Goa a S11er, PIB· 2f7)- No tratado.
que o P. Pero Pays escreveu acErca das cou111s de Elhiopia, diz-se
que a partida de D. ChrUtova.m da Gama foi aos 9 de julho de
1S4.1. (Tellez, Historia de E1Aiopia 11 Dita_ liv. u
1
cap. na.
pag. ••7}• ·
Pag. 3,1in . .5
.....
Segundo Al..-arez (Vdadri.-a i'!fonrtGçam dtU • dt1 P.-es1e
cap. Ynl e n), indo de Arkiko para Debarva, passava-ae no
terceiro dia de marcha perto do moneuu de Bizan, e oo quarto
dia che8aYa-se a um outro pequeno mosteiro, cuja egreja en1 da
invocação de S. Miguel, e o sitio do mosteiro se chamava Diie {?).
O conde de Salimbeni rnconrrou vest.igios de uma antiga eg;reja
perto de Asmara, I. direita da estrada que se percorrei e o Corpo
do Eatado Maior Italiano identifico•• esta egreja com a de S. Mi-
suei, a que Alvarez ae refere. Ludolf (C4Z11a de Elltiopia) men-
ciona o moueiro de S. Migue1
1
situado entra Arklko e Asmare. e
ao norte do de Bizan.
Paa:.l
1
li.n.11

Sep;undo Couto (Dec. v, liv. Yllt ap. s1) e Telle1 (HUioria snval
de Etltiopia G 11lte
1
liv. u
1
cap. YIU, pag. 117), esta aldeia chamaYl-se
Debarva, e era a cabeça das terras, que governava o bahr aagu.
Debarw. I situada na provinc:ia de T egre, em lat. N. 1S• )I e long.
O. G. 38- 5o'. (De Clwura.nd, Carta 4dl'Etiopill).
Pag. 4, lin. 10

Gupar Correa acrescenta, que D. Christova.m de Gamo mandou
lançar pregão, de que seria cutiJ!;ado como traidor, todo aquelle
que se aparta..siC da bandeira real; e coma que, apezar da prohi-
biçlo1 fugiram tres escravos, que foram mortos; e que um Portu-
su&, que fugU"a de arrayai pera ir dar ao rei de Ethiopia a nova
da vmda de soccorro, fõra preso, e tivera as mãos con;adas. (Gupar
Correu, LftdoJ da l11dia. rt'
1
pag. l-4fi).
Pag . .....,lia. :as
• •
MiJuel de Castanha:ao designa por Rey de Zeyla D imam Ahmad
ben lbrahim al-Gbui, o qual
1
de :aimplcs CIYll11eiro
1
ae elevou pela
aua coragem emir de Hanr, O imam Abmad imad.iu Ethiopia
COID um estreito composto de mwulmanoa de Adal e de alswu
Turcos. as maiore1 dnutaçóea. e IUbmetteu quasi todo o pall
ao aeu dominio.
O imam Ah.m.ld en conhecido YUJaarm.ente entre 01 AbelWJ1
pela alcunha de Gn.nhe
1
que lignifica canhoto.
As IUU (açanba& slo COOtld8S DO livro, que tem por titulo FM·
111.1! 111-HGbtualr. (CongMUta da Aby.uinia). escript:o por Xihab ad-
liiD Ahmad bcn Abd ai-Qadr bco S&lim ben Utbman. D'estc pre-
cioso Jiyro existem copias manuscript•• no Museu Brir.aonico (ms.
oriental 1409), nB Bibliothcca de Argel (Catlllop• Khlf!l"al du
ms.r. pwbliqw& d• Fral'lct, 2.'VIIIt Algcr, n.• t6:a8),
n11. C'Ol1ecção de A. d'Abbad.Je (CarCIJQpC d•z I'IIDNMscripr.r lr.l!io-
picru, n.• 104), em (l05se de Prideaux (Schleicher, Cd&clliclrl• der
Cid/la, pag. 1)
1
c de Menilck II, rei de Ethiopia. (Neru.zini, I...a ÚIN·
f"Ura Mll.l'llllmallad•li'Etiop•a nclsccolo .rPJ, pag. :r.11). Nel'l..lzini pu-
blicou uma ttaJucçio ou antes um imperfeito resumo d'ene livro.
(Ncraz:t:ini, I...a conpi.rlll rmu.nd'lrl4'114' dftl'Eiiopia ncl .rcmlo .11'1,
1891). Artbur Suong rublicou o principio do mesmo livro
segundo o manuscripto do Museu BriuuuUco (S. Arthur Strong,
FMtiiA 111-HIIlxl:Mlllr, Qr nc oj Aby.uilllia, Part .•• London
18g.t). Esta obra est4 sendo publicada pela Escola de Letras de
Argel. (Basset, la. de Paris.

rasc.t).
&lbre u guei'I1LI do imam Ahmad \'eja-IC ainda a
(Basset
1
Dr l'IJisroire Pll8· J3-:ao.
101-113 e nolas), e • Cllronic4' (Conzelman, Oro-
• de GaWv4wos, Paris 181).5).
Pag. 5,1in. 2.
•C que [o Preste] com muy pouqua gente :se recolhera pola tem!l
dentro.• (Gaspar CotTea
1
ündtU da tomo 1v
1
Pll8· l47).
Pag. 5,1in.l
•ncolhen•biiiii&INI'TU
•E quando (GIIla\'devos] esta\'11. al1i [na terra de Sard], vciu
contra ellc o garad Emar; e o receberam cm ordem de batalha,
8o
e pelejaram aos :ag nUyazya [de 70l:J M., t.f de abra! de 1S41 J. C.]1
a os mwulmmws diSK"ram: Nlo VImOS nem ouvimos que niD-
guem foste lio valente a corajoso, quando era criança; porque aio
t•m• a morte, nlo tendo muitos soldados, mas poucos. E dcpou
4'iato marchou, c cbcgou 4 terra de Xeme [var. Samen].• (CIIm-
•lciJ de Sarsa ms. eth. n.• un. de Bibliotbeca Bod1eiana.
rol. 42 r-, dõ Cllro11ica rtlriopka. cm Banct, €t11des Nr I'AisroiN
4'€t1Jiopie, pag. 18 c 19; Pcrruchon, Not•ll polll' l'lrUtoin! d'€tlrio·
pi•, na R,..e SimilifJie, pag. 158).
Na de {cap. 1:.:, cd. Con.r:clman, pag. 127)
coata-se que o rei roi de Tcgrc para Xava.aonde cbciJOU no mcz
de une (26 de maio a t.f de junho), c alli invernou. Couto tDec. ••
lit'. vn, cap. •) dis que o rei Galavdcvos se tinha retirado pan.
Oulljam.
e: provucl, pelo que lica di10, que Galavdevos., sendo vencido
pdo garad Emar na terra de Sare!, na provincia de sere-
ÚrtiM para Samen, donde, passando pDr" Guajam, se acolheue •
Xan, onde passou a keremt, ou es1açllo das chuvas.
Segundo Couto (Dec. v, liv. vn., e TeUu tHi.ttorid
d' Er1riopia a af111, liv. n, c.ap. vm, pag. 118),a serra (amba), ern que
esrava a Rainha, chamBYa-se Damo. A amba de Damo l situada na
provincia de Tegrc, em l11t. N. 14• 22' e long. O. G. Jg• 18'. (De
Ch1111rand, CIJI"ta tkmostralil'a deZI'Ethiopia).
Pag. 5,1ifL ....
O rei Lebna Dena:el falleceu a 5 de maslr.aram de 70l:i M.
(s ae1embro de r.540 J. C.) em Dabra Damo, e roi sepuhado na



tl'€tlliopie, na Rtwe Smtitiqwe, 18gl
1
pag. 27g-a8o; Conti
Rossini, Storia di Uh11a pag. 14).

•e contado• achou quatrocentol meno1 Ires homens. onde auia
cento e lrinta walen1e1 homen1 pera bem ajudarem NUS
aellhore1.• (Gupar Correa, Leltdtu d.::t lltdia, tomo rv, pag. l47),
Sr
P18.1i,lia.7
Mesa, do luim mi!'IU"a
1
significa em par-ticular a alimeruaçlo dos
•Dida.Jos em commun (Gaspar Correa, LPrtdtU da lruJia, tomo rv,
pa&- J,.S), como modernamenle cm italiano mn.se e em in81ez Meu
sieUfi.nm a me.u. (alimenuçio) dos afficiaes em commwn.
P18-f5,1in. 11
.... ,
Dacbery estl!: por na.::henim. (Cou1o, Dec:, '1
1
liv. m., cap. llli
Gaspar Correa, Ll!'rrdas 4a lndia, tomo IV
1
pag. !,.a). O nachenim
um cereal da lmlia, ao qual os Abexim cbumam daa:ussa (rlrM-
sine caracama). (Cf. Almeida, Hisroria de Etltiopia a tllta, tomo '-
rol. u r; Sdlweinrurth, Ahyuinisc1re [IIII fl.7 i
A. J'AbbaJic, Dictiolllllaire de la la"KK'e AmariiNa, c.194; DeVi1o,
J!oca6olario drlla Tigripa, ras- ro5).
Pas.f5,1in. r8
Lloiiii:D<lri1undrCarl.dho
Seguo,Jo Gaspar Correa (úndas da INdia, tomo IY
1
Plll· 3.t8
e 353) este capitão chamava-se Luiz Femlllldes de Carvalho.
6, lin. 29
elllerlo•ber •.••..
O e&lil corrupto, ou he uma la.:una, ainda que o
cripto a nlio indi;;a, que não passivei preencher com sesurança
pela Historio. impressa. Nesta ((1118. •3) 1!-se: •e fuerio saber a
huma suarda da serra como erão chegados, que o fizessem saber
á Raynha como vinhão por ella. A Raynha de muJ1o con1en1e
mllllliou aos su11.rdu que deinssem sobir os dois capities.•
por lanto deva ler-se: •e fizeram s.:1ber IIli [Raynha por]
huma suarda da RITII como erlo ali chegados os Portusueses
pan. sua suarda e companhia;; [ella] foi nwi alegre, e de mui
contente mandou lis guardas, que dei11.assem subir aniba os
caritaens.• (C(. Gaspar Correa, Úlldtn da l"dia, tomo IY, ptl3. 3-tB).
Pas.
7
,Iin. •
ee.to.,....::•
·A serra em que a Raynha estaua era de pedra moci<ia, tio 18-
lhada a como se fora cortada ao picio. Tinha d'.Jtura obra
. 82
de oiiEilla braças, em qur auia bum caminho em .. olws.,
per que nom podiio stlbir mllis que hum homem ante ouvo. que
aobiio tn.balho ale os dous da oade fuia
hum 1auoleiro pequeno, • acima s.obiio meti&. em bam
cesto, que da cima lanç.uio per hum que eaUtll ft.JIO Dll
pedn
1
rorque em cima a sena fazia huma borda pen fOra. como
e:auea de: nao; e D crsto pendurado per corllu de cru.•
!Gaspar CorTca, l.fttda 44 /1Wi12
1
tomo IY
1
Jl&t'o l,.S).
P
118
.
7
,am. •o
... _
O r-ei Lebna Dengcllevcqultroti.lhos c tresfilhu:
foi mono em uma batalha pelo prad Esman, aos 12. & aliyazr•
de ]Oll M.; Gll)a ... dcYos, que lhe succedeu; Yeeqob, qoe falleceu
no aMo de 70So M.; Mino. que succNeu a GalaTdC'IOii Amau
GiyorJPs. Sablna Giyorgis., e Vll)au QcdUAn.
""'!J'"OS,I,PII&VD).
Pas. ;.lin. •1

A mulbu do rt'i Lcboa Dmgc:l e mie de GalaYdcTos cb.IDIIT&-
se Sabia Vansclõ que siBnifica Esrip do EYDgelbo. nome enco-
miatico de Maria
1
em cujo YCntre se e:arou Jesus Christo
1
como
• espip de uiso se e:era o grio. (Cr. Guidi, Di l•e
r-dariri 11lla .,.;a 4i Abi.ssillliQ, pas. ao, no1a :a).
A rainha Sabia Vangel havia qu«ro annos que estna n:fil-
flild• • aatJ. d• Demo. (Gapu Corra, l...ntJMd.s htdNt, tomO "•
.,..149)·
Pas. 9olin. :a
.. _,.-,a..,_ .... ...
Alnrez ( Vwtladrir12 iltforrtrAfll"' diJJ d.o P,.,Rr Jo.a.
ap. u•m-UD.) e Tellez tHUiorW awl21 de E11rWpi12 a 111111• an·.
rdcftm as n.diyões que corriam em Ethiopia acêrc.e
d• prido doi filhos dos reis na amba de Guc:sea, que
çonfwldiu com • amba de DIUDO.
Pag:9olin.g
fCo m111-=ripm 11-M •Mrimoaia., que foi çorrig.ido pcl• HU-
Ilrif ..,.. .... (ptlf. 16).
83
.....
No manuscripro lê-se •.Ogcilo•, que foi corrigido rt-1• HgtoriJJ.
impreua tpg. 161.
Paf!. 10, lin.4
lffiiCII\'tl
•Le.-a ... m lbc alguns homens hum donllk aeda, com que hia
cuberta llc man<eyn. que nem poJit t·islll, ror dillnrc.•
fT rllcz. HiJtori<J Kr,.al de J-:t1riopiíl a altlf,liv. 11, cap. va, pag. 118).
•E auen1ada em sua mula a cobriria com bum eaparaucl da
puno branco, que a cobria toda e a mula ati! o .. ""blo, o qual es-
pV111ud lcUIIuio bomens com humu Yll.ru allas.abeno pur dianta
pcn cUa ver quando queria.• (Gaspar CoJ"TeZ. LnJas da lrt4itZ,
tomo "'• pag. lSo).
•o,lin. :ao
.... ,..
·Auges parece respon.Jem aos nossos De!.embf.rsadores do
paço .• tTeUcz. Hi•toria grral de Etltiopla a alta, liv. a, cap. :u
1
rag. ):a). Azaj e o titulo de quarro dos juizes do supremo tribunlll.
(A. d'Abbadic. de III lartpr Altfarl.oiia, c. U6).

•••
O aqui parece estar corrupto; Gaspar Correa (blldds da
/Mia •• .,mo "'• pas. ]5o) •o vesudo he sobre as camisas
bumas lk se.J. quarteadas lle suas compridos
o chio, e por detnb dous palmos de rabo como mo1heres
1
e sobre
as cabayas bedens lle seda nstidos.•
Pag. •s.lin. di
Guru- Correa (l.ndasda lrlflia
1
tomorY, pag. di.r.: •lodos
pos10S em ordem da çoiça, forio dianre da lenda da Rll)'flha
1
onde
lberlo o caracol e brando 11ua espingardaria, a: o tor·
oarlo abrir com muita ordem.•
A ordem de soda ou çoiça era uma formatura de marcha.
muito wada pela infantaria da Suiu.. (8&rdin, de
l"llnlfh lle twn. s. v. Taclique suWa}.
O caracol, evoluçlo muito usad• da antiga uctic• de inran·
taria, consistia na disposição diU 6leiru do batalhão em form•
de espiral. Esta disposiçio obtinha-se pelo enrolamento iucces-
aivo daiS fileii"'U por urãa murcha de Aanco com quatru homens.
de frente. tVeja-!'ie Bardin
1
dr de urrr. s, v,
L..irnaçon c Caracole).
No manuscrirto lé-R •\linha•, que foi corrisido pelóill Hisro,.itJ
imprcsu. (pag. :10).
Pa7.13,lin.u
........
•E diso que cu aio lllcmbrado que "Y huma carta que bum
mouro principlll d'Ormul, chamado Mirabercu1:
1
escreueo a dom
Esteuio
1
quando vco do Estreito, que lá deiu.ua uu irmão com
cata f!Cnte pera o Preste, c antre outraa cousas lhe dizia que eDes
em suas lendas tinhio de muyto tempo buma profecia que dizi•
que o Rey daTiopW acria •rertado, e seu Rcnw tomado da mouros.
c que os christios de rnuy lonses terras o viriio r.ecorrer, c lhe
torniiJ"iio seu Reyno, auentado em sua cadeira pacifiquamente;;
e que o tempo d'asta profecia era acabado, e que pnu:e:ria a Ocos
que Dom Christouão seu irmio isto 11ssy ac11baria, porque elles ti·
nhiio noua certa que o Prt:ste en de todo desrroido, e elle fogido
e escondido em llltas serrar..• (Gaapar Correa, Lmda• da
tomo '"• pag. lg7).
1l,lin. 17
-
No manuscripto lê-se •petriarcha•, que foi corriB;ido peia Hi•lc·
ri.a impressa (pag. so).
Pag. •:J.Iin. 3t
•cem mosquetel, que crio buns espingardóes compridos que o
Patriarqua troUJ:en do Reyno.• (Gaspar Corres. Úl'ld..as dtJ /Mia.
tomo n·
1
pag. 353).
•E oeste anno [7033 M., 15,.0-1S41 J, C.J sairam [do rn•rJ 01
Franges, que se separaram de Ber'Bual [Portuglll); e o seu ca-
8>
pitlo 1!1'11 Donsestobu [Dom ChriatoYam ]; e matanm • Abba Es-
man Nur; e fi:r:enm a sua estancil de inYerno em Dcbarva; e o
Grlllhe invernou em Darasge.• (0r0flica em 8aue1,
s11r l'lrisloirt: d'Êthiopir, pç. '!iii Po:rTUchon
1
Norts ptntr
l'lli$IOIJ"t: na Shnitigu.t:
0
11'19+, pat;. 158 e d9}.
D. Joâo Bermudez fB,.t)!t: rr1ofa'" dll cap. \lrd e 111.)
refere que um capitlo, chamado Noro, do rei de Zeyla, que estna
em Arkiko
1
foi morto pelos Porrugucsu; mu 4! mais pronvel
que Abba Esman Nur fosse morto cm um dos dois saltos, que Cll
Portusucses fizeram durante o inYemo, como çonta Castanhoso,
Pag.t41lin.2S
•E depois d'ino [no anno 7034 M., t34r-13.p J. C.) ...•.. o
Graohe Jewantou-se no me:r: de tahsas
1
e foi pana terra de Tegre;
e os Franses sairam de Dcbarva, sendo com elles a ite Sabia
Vangel, mie do re1, conforfando-os com sua prudencia e con.selho,
e danJo-lhes rnantimento.s e uten!oilios.• (Cia-olaia:l rrhiopir:a, cm
B11sse1, F.rudrJ 8ur l'lliJtoirl d'Êtlliopir, pag. 19; Perrucbon, Notrs
p0N1'1"hisloirt d'Êthiopir, na Shruligur, 1894. pag. 1J9).
Pas.•S,Iin.g
No manuscripto lE-se •andarosas•, que l erro do amar:1uense
1
que fea a copia; corrigiu-se peta Hi,toriD. iltiJireua (pag. u).
Pag. 1S
1
lin. 28
Pela palavra •Cabelaa•
1
que na Hialori11. impru.sa se I! ccabe·
da•, parece que o 11uctor quiz desisn11r o nome ethiopico de festa
do Natal; mas Couto (Dcc. v,liv. vm, cap. v11) diz que •Che!pram
a humtt serra que chamam o Gane•; e Gaspar Correa (U,.dtu da
l11dia, tomo "'• pag. 354) diz: •11 qucl sem se chamava Caboa,
onde os nossos tiveram a festa do natal-• •
Como se v!, ha. grsnde confuslo nnta p11Sugem; sem duvida
Cabelaa, Cabeda e Caboa aão umo mesma pal11vra., que, como nome
geogrsphico poderia ser escripta por Çaloa (Salava), nome
de uma comarca de Teg,re, e como nome de festa de II!Brqll po·
deria ser a tra.nscripçio de qabala, nome ethiopico da festa do
começo do jejum quadragesimal O nome da serra o Gane, mcn-
86
ciontdo por Couto, 1: pi'CMIYt:lm nte o mnmo que Apme, de que
faUa Ceslanhoso (cap. viijJ; mas tambem pos:ainl que seja o
nome da fcsla do nataJ. que cm i p:cna.
Pag. •fi.lin. 19
Segundo o Corpo de E6ttdo Maior Italiano, oestes dois dias de
march& a dc&eeu p&n!. o rio dr Marab; comtudo é para
notar que o auctor nio f"aça mençlo d'cste importante .:uno de
llftUIL (Storia tlftlo s,FNiriorte porroKiresc in ..üi.JJi11i11, p.,. 17,
nota 1).
Pa&•fi.lin.':ll
mr..-a-..Mn'll
Como ba cena confulio acêrca Jos nomes das povoações, ror
onde a npediçiio passou, é diffidl traçar o seu itinenrio, A co·
marca ft:O\·emadc pelo bahr oagu era limitada ao sul pelo rio de
Marab. As jornadas. como se v! do fim do capitulo o;iij, enm de
10 a 1S (cf. Guper Corru. 4tJ. lnflia, tomo no
pag. 3S+l• o que nos oito dias de man:ha, desde Debarn •
KITB, cm que pauaram o nataJ. rerfaz 8o a 11t0 lulometros. O
Corpo do Estado Maior Italiano suppóe que a serra, de que falia
Cuumhoso., eram os montes situados 110 aul de Gundct. eStaria
ddllJ i111 AhiJJi11ia, pag. •6. note 1).
Pag.lfi.lin.3-a
A e:r.pediçiio subiu para os montes di! por entre Amba
Krcstos e Amba Beéuo e na 1],• jornada csta,·a no p1anait.o
de Daro Taltle. in AN.uirr.ia,
p•fl· 17, nota 1; cr. • carta de Abyuinia em Mwu:inacr,
St.,4im: De Chaurand, dmtOltn:lli'lltJ dtdl' EtiopiG).
Pag.•7,lin. 1!
lllpeploa_......,_ .•. •
Segundo Markham. (A Hi.slory of
peg. esu ermida era uma egreja de in\lo.:açiio de S. Romanos
e dos tre.r:entos companheiros manyres, situada na akleia de
Barakit., perto de Senafé. Os Abcrins celebram a festa de S. Ro-
mllllos e dos KUS comranheiros no dia 18 do mez de tcqemc (cf.
Spudrit:l "lliopica). e possuem a lenda tra.Juzida em 11eez.
(Zotenberg, • da rMnUJCrit•ltlliopirru dr la
/1/t:lfiorr<Jlr, •if.; Wright, of Etlriopic rrJtJnll·
•cript• i11 tlrr British .\fustPIIrn, p11g. 16o, 166
1
t(ig).
A egeja Je S. Romanos 1: si1uada ao sul de Barak.it, e em lar.
N. 14• ]3
1
e long. O. G. l9" J.5'. (De Chaunnd. ürta
drli'Etiopia).
t ubido que os Abuins têem o costume de desenterrar dos
cemi1erios das suas esrejas os esqueletos dos aeus part:ntes, e tras-
lad4-los para outras da Lflyo.::ação de •'Bum dos santos mais cele-
brados para os pôr sob a sua (Cecclli, Il2 ZtPila Glle
Jrorcrier-e dei 1, pag. 3f4).
Como não é provanl, que a ellpediçlio, que SC::f{Uia plllll o sul
pela margem direita do rio de Marah, aningilsc a aldeia da
pr01.1mo de plllll depois -woltar para Iene at6 Amba Sa-
aayt, 1: possiYel que esta parle da narração nio seja senão uma
vaga e confuu reminiscenc:ia das nolic:ias, que o autor ouviu aos
na1uraes do paU:.
Paft. ll!l,lin.4
·- Depois de as montanhas de T esre, a expediçio nto pro-
seguiu para o sul, mas \"nllou plllll leste, e dirigiu-se p11la cumiada
dos montes para a comarca de Asame. (Storia drlla
porloghe•r in AbiJ.Jinia, pag. 19, nota IJ. A comarca de Asume 1:
situada na parte oriental de T egre, ao sul da ribeira de Mai Mena,
e a das montanhas de Scnafé. (Salt. A Vo.ra.re lo Aby..,illia,
ras . ..SS•·
Pas. •8, lin. 11
tlodlacbRcJI
Os celebram aos 11 do de 1er a resta da Epiphania
ou anles do Bap1ismo de Christo; o respectiva liturgia roi publi-
cada por Carl "·on Amtlard. (C[ Litu,.Bir pm • • Ae-
tlriopi•c1rrn Munchen 188ciJ. Acerca da mesma resta nja-se
Alvarez ( Vr,.d.tdl!'ira infonnaçam das lrrras do Prrsltl' Joam, cap.
s.cv), Tcllez (Hisloria di!' ErJriopiQ a alta, liY. 1
1
cap. SJ:J:.Yll)
e Ludolf (Historia MthiopiM, liv. m, cap. "r. n.• f]-.f.S).
Pag. 1fl
1
lin. 11
aD.lnqllf.,.aGIICiil
No manusa-ipto em vez d2 •antes•, 11!-se ••the• i mas corri8iu-
se p11la Hi•toriG impressa (pss. :27).
88
Pag. 1 g, lin. 20
esta,·a huma serra
Esta serra, chamada adeante (cap. xj) Baçancte, sem duvida
Amba Sanayt, é situada a 5o kilometros a leste de Aksum, e em
lat. N. •4o 7' e long. O. G. 3go 11
1
• (De Chaurand, Carta demostra-
tiva deli' Ethiopia).
•A principal d'estas entradas se chama Amba Çanet, e este
mesmo nome dam a toda a serra ..... A segunda entrada se
chama Amba Xembut ...... A terceira se chama Amba Gadabut.•
(Tellez, Historia geral de Ethiopia a alta, liv. u, cap. 1x, pag. 120).
Pag. 20, lin. 1 1
releyxo
Releyxo significa saliencia, caminho estreito na borda de um
fosso; berma.
Pag. 20, lin. 14
fains
Fains é o nome do ferro da lança ou de outras armas de cabo;
espadim.
Pag. 20, lin. 28
virem-se os reys aqui coroar
É costume tradicional em Ethiopia serem coroados os reis na
cgrcja de Aksum. Acêrca das notaveis cerimonias usadas neste
acto veja-se Tellez (Historia geral de Ethiopia a alta, liv. 1,
cap. xxu, e liv. nr, cap. xxxv) e Dillmann ( Ueber di e Regierung,
insbesondere die Kirchenordnung des Konigs Zara Jacob pag. 18,
nota 1).
Pag. 20, lin. 36
com cor de S\! la ir aposentar
No manuscripto lê-se • sem la querer ir aposentar•,
que foi corrigido pela Historia impressa (pag. 29).
Pag. 22, lin. 19
chegamos
No manuscripto lê-se •chamamos•, que foi corrigido pela His-
toria impressa (pag. 3a ).

kan '""' Mlç• ,_ cçitlll mar.t1 dia> llftM
No rnanuscripto lê-• •ficasses por capitlio mor na \lia•, que
fo1 corTiaido pela HisiDI"ia impressa (J'ag. 35).
Pag.:36,1in. 19
nft\PilldoJinr
•Com is10 começou D. Christovio 111 marchar na mesma ordem
em que ate alli viera, e foy entrando pelas terras do Jane (que
era outro senhor Abexim) QUe tambem anda\la com 01 Mouroa .•
(Couto, Dec. ""• liv. VJJJ, cap. Ylll).
AI pala\lru •campos do Jane•, que rrovayelmente no rnan\1-
scripto original eram •Campos dojane., i:no 11:!, campos
d"Ojarte, parecem designar o mesmo que IJ1l 1 'Plf I
1Dro.Uca de Sw,-'!YOJo cap. :36
1
lin. 861. Vajarilt e uma comarca
de Tegrc, QUC! confina ao none com a de Endcrta,ao poente com
a de Sahart, ao sul com a de Eda Moeni, e ao nascente com aa
terra!! bains babitadas pelos Taltal (De Chaurand, Carla
traliva drll' Ethiopia). Esta con1arca é um paiz bnvio, onde abun-
dam os elephantes, rhinocerontcs; e caça grosaa; i famoaa
pela producçlo de mel branco. (Salt. A Voya8'" lo Ahy.l6illia,
pag. 4&J e 490).
O Corpo do Estado Maior helia11o identificou Jane com Sahan,
que l uma comarca de Tegre
0
situada entre os rios de Gbihll:! e
Zamra, oo sul de Haramat, e QUe ainda hoje l indicada como uma
terra rica. (Storia d,-lla 6pt4irione po,-IOKI"se in Abiuinia, pag. 27,
001&2.\.

.W.l•lll<lu.dlu
Na rclaçlo do P. Pera Pa\'S ll-se: •D'ali a dous dias entrando
por huma terra cham, que chamam Sahane, limites do Reyno dE
Tigrll:!., \lieram as espi111s, dizendo que o Granhe estl\la d'ali menos
de hum dia de caminho, e trazia Btnte sem conto ... (Telle., Hi.J-
toria Ke,-ol de Etlriopia a alta, liv. 11, .::ap. :r., pag. 122). Parece pois
QUC os Porrugueses, pertindo de Amba Sanayt, se dirigiram para
Vajant, e em chegando a Sahart ahl acamparam, por estar perto
o imam Ahmad.

aMenllrnc.-arrayll
-Millldou Jogo Dom Cbristovam assentar seu arrayal em hum
outeyro que se alenntova no meyo do campo, muyto a proposito
,_. o que pretendia, ptr'lo .S. uma fermo.a ribeJra, que se chama
Afsol.• CTellez., HiJtoria de Etltiopla a alta, li.-. a. cap. 1o
r-g. IUI. As o:artas de E1hiopia mencionam um monte denoml-
aad.o Algol Giyo'l{is, si1uado a 11 kilometros a leste de Antf.lo,
entre dua1 ribeirus, e em lat. N. 13° •7' c IDfl8. O. G.l9" 38'. (De
Cbaunod. dam!JIIrali,.ll drll' EtiopitJJ.
Pag. 2.7
1
lin. :a6
No armo de 1i4:1 a Paschoa foi 11 9 de abril, e portanto o sab-
bodo de Ramos a 1 do mesmo mez.
Pas. :a7,lin.lJ
IICibrebtii!IHIO
·Dom ChristOYam n'lo se mudou, nem turvou cm cousa alguma,
.nlcii com arümo e conse1bo ordenou sua em bum
fcrmoso campo, e assentou seu exercito com aa costas cm buma
litrTa, Cazendoo na mais pequena forma que pode., ord.enando1he
seus nllos
1
fossas e trincheiras, rlôlntando sua artelbaria ' roda, c
repartindo ns estancia.s pelos Capitle!!, ficaado a Rainha com o
Patriarcha cm meyo com toda a bagagem, e o Bamagah em sua
guard.11 •• (Couto, Dcc. v
1
liv. vtu
1
cap. vu1).
Pag. 29. lin. 27
ho5n,porq1MUII.III-d!UDID
Provavelmente Frangcs, que era o nome, pelo qual em Elhic-
pia e111m conhecidoa o& Ponugueses. (Ct: Cltronic:a etltio,pic:a, em
Banct, Jllrl'ltistoin d'Êtltio,pie, pag. I!Jt lin. S, 11
1
17 e •
fo:ln qu.alro dlu de
•E no 194-• anno da GlliÇ& [7oJ" M.J os Franges encontra-
ram-se com o Granhe na terra de Avnaba, e pelejaram com ella
aos 29 de mafõ:abit [d de março de 1}42 J. C.], e dispararam contra
elle as espingardas, mas nlo morreu.• IC.VOnica SarJo Ik"Kel,
ms. clh. n.• .I:XJX da Bibliolheca Bodleiana, foi. 41 "• 6; Cltronicd
rllrioprr11., cm Basset, Êt11deJ ..,,. l'lri•toir« pag. 19i
Perruchon. NolrJ pour l'lrisloir-r na Sfimitig11••
• •
P-s. 3J,lin. 2r
---
No manuscr1pro lê-se •conhecemos•, que foi COITigido pela
HiJtoritJ impressa (pag. #l·
l4,lin. 36
-
No anno de rS-4-2. a Paschoa foi a 9 de abril.
Pag.U,lin.J
Slall ..
•Indo polia ladeira antes de chesar a aquelte lusar, vio dom
Christoui'io e alguns Portugueses, e o Bem118a.i.l, e huma tia dei rey,
hum homem em hum cauallo brllllco armado de todas armu
diante do empondose fennosamente, o qual cremos todos
ser o ApoSiolo Santiaso, e por isso nos encomendamos R elte muy
deuotamente: e logo em chegando ao rechio deu.pareceo, e nam
no virlo mais os Christíos, mas os mouros o virlo r:1a batalha,
e que fazia nelles grllllde estrago •• t.D. João Bermudez
1
relararn da embai.rada, cap. :.:vr).
P-s. 3S,liD. 11
d...:Uqode'-:'-1•
O domingo de Paschoela anno de rS.p. foi R rõ de abril.
Pa,B. 35
1
lin. 2.6
•No r!)l.• anno da Gn.ça [7011 M.] o rei GalaYdevosleYantou-se
d'alli [de Samen], e passou o TRkaz.e, e chep:ou é terra de Sard, e
alfi fez a festa da Puchoa, commemoraçio de Resurreiçlo de nosso
Senhor JciUs Chrisro. E quando alli estava. veiu contn elle o sa-
nd Emar, c o receberam cm ordem de batalha, c pelejaram aos
lll9 de miyazya [24 de abril de 1S-4-r J. C.), e os musulmano• diue-
nm: Nli!io vimos nem ouYi.mos que ninguem foiSe tio valente c
corajoso, quando era criança, porque nío reme morrer, nío rendo
muitos soldados, mas poucos. E depois d'isto partiu, e chegou •
terra de Xeme.• (Chronica de ms. erh. n." Xlllll. de
BibJiotheca Bodleiana, foi. r, a; Chronica ethiopicc, em Basset,
l'l&isloin d"Étlliopie, pas.

Pem.Jchon, • pour
l"llistoire d'Étlliopie, na Rwut Sémitipe, rll94. pag. 1.58).
an.!andD lOiSa ioqiRII& IIQÕN edlll dla111111.se-t
No manuscrip1o lE-se •e oi1o dias•, mas ao Hi!Itoria impres•a
fPil8· -Vil lê-:.e •C ho outro dill.•
1
o que 11! confinnado por Gaspa.-
Correa dJ lnditJ, 1omo IV
1
pag. e por Coulo (De(;. "'•
liv. '"III, v111); mas o P. Pero Pays (Tellez, HisloritJ lf"lll de
Etlriopia a tJittJ, Ji,·. 11, car. s.r, pa.g. 127) diz que 01 Mouros •fu-
siram oyto.dias.•
Pag.3],liD. aS
No manuscrip1o li!-ae lliiOS morrco•, que foi corrigido pela Hi6-
laritJ imrreua (pa.g. 491·
Pag. 3S. lin. g
Tl'if'leiTIIIIOII
Tcsrc makuanen (governador de Tcgrc) niio 11! nome propr1o de
f1C:Ssoa
1
mas de cargo.
Pag. 3S.Iin. 21
111m • e to" e tona-. u pon1o1 do bi"'JIII
·E o Granhe cm Zabl.• (CIIronictJ de StJr•a IN1f8el
1
ms. eth. n.• •••• da Bibliotheca Bodlciana, foi. -42 r, b; ClrrOflica
etlriopica, em Basse1, s11r d"Êthiopir, pag. rg).
A HistaritJ impressa accrcscenla (pag.l•): •C cl Rey
c51aua se cham11ua Mangadafo.• A comarca, denominada Zabl, e
silu&da por hn. N. n• ]o' e long. O. G. 40" s5
1
; 11! propriamente
um grupo de mom&nhiiS, limitadas ao sul pelo rio de Golima,
ao norte fiCios morllcs dos Azaho Galla, ao poen1e relo planallo
dos Galla Raya, c 110 nascente pela planicie de Ao.lal. As monra-
nh15 de Zabl siio cobcnu de espesso arvoredo, e do lado do poente
elo Kuli Kassai floresce • oliveira silvestre. Enconlram-se alli o
elepbante, o leopardo negro, 11 hyena e o anrilope. A popu.laçlo
muito disseminAilL (D. Juan Victor Abargucs de Sostcn, Noticia•
aurta la expediâon geora.ficay mercantil rMii-
rada Afrir:ol oriental, no d• la Soriedad
dr Madrid, n.• 10 e 11 ele J883
0
pag. 25o e t.51; Bulletir1 dr la So-
ciiU KMdi11itJie de n.• 6 de 1885, pa.g. 3:nl; De Chau-
nnd, (Àrta demostrtJtiva t."tiopia).
A comarce de Zabl era an1igamentc occupad• pelos Doba; e em
uma das 5UBS terras, chamad1 Saveta, que 11! o mesmo que Mnn-
fladafo, habi1ou ala;um tempo oreiYeshaq (1412-1-41i J. C.). O rei
Ba Ed• (1468-1478 J. C.), indo fazer guerra aos Doba.
tamhcm acampou em Mangadafo; e depois de os nncer e os coo-
verter !ICI chrBci.ru.smo, construiu um em nome de Ma-
rill, nossa Senhora, e junto d'elle plancou mUius arvores, tacs
como ci.J.ras e limoeiros, e fer. reconstruir a aldeia dos Dob&. {Chro-
reica Ba. Edd cd. Perrucbon
1
pag. 1l6, 1l7 e •.:tHJ-
A da comarca de Zabl correm actualmenlt: enrre os
Abexins mUitas lendas. Llir.em que em ancisos tempos houve um
reino cbri1tio em Zabl, que ainda alli egrejas
1
e que os
ainos se ouvem tocar ao longe; mas que 11 nenhum per-
mittido porque os guiiTdam estes santos
logareL Uma tradição do povo de l.asta refere que Menilek, filbo
de Salomão e ninha de Saba
1
encrou em Ethiopis pela costa
oriental, e que o seu primeiro asKnto foi em Zabl; ajuntam que
Nakucto la Ab, ultimo rei da dynastia de Lasm, l Ainda \ivo, di-
'-.18aodo entre Jer!a8lem e Zabl; e que elle o rei Tbeodoro, e
que ba de vir no futuro, e estabelecer em EdliopU. uma espc.:ie
de millenio. (Markham, A HUiory oJ IM u:pt4ilio"•
pog.,..S).
Pag. 38,1in. 33
06111
•E a rainha Sabia Vangel invemou em Ofla com 01 Franges.•
{CitronicG de Sar•cr lk1f.gtl, ms. ech. n.• llllUI. da Bibliocheca Bod-
le•;ma. foi. 42 r-, 6; Chronica em Bas:oet, .,-
pag. 19). No tratado do P. Pero Pav' diz-se:
••cooselharam a Emperacriz e os 5eus; a D. Cbristo\·am. que in-
110 pê outra .erra, que se cham11 Ofl•, e que cst• no11
confins do Reyno de Tigrê, quasi na entrada do de Ansot, c i
vista da do Granhe.• (Tcllez, Historia gtral EtlliopiD. a D.11a,
li\l,ll
1
cap.z't pag. 12li) •
.[J. Chríscovão da Gama estava invernando na cidade de Otfar,
esperando cada dia pelo Emperador da Abasia.• (Couco, Dec. "•
liv. v111,cap. r.m).
OHa l uma comarca situada ao norte da lagoa de As.llJ18Ui
1
por
lac. N. 15° 3o' e lons. O. G. 38" Si'. (Carta de Abargues de Sosten
nas Noricia.s IJU7TQ. de III grograjica r
t:anril reali:rada 1!11 e1 Ajrit:iJ oriental, no de IG Soe•r4ad
RtogrtJjic.J de Madnd, r883; De Ctuta demoslrtJiiYtJ
de11'Etiopia).
Pag.lg,lin. 7
A,....DJ.u
Alvarez (Vrr-d'Gdftn:r d11s lrrrtJs do Joam,
cap. 1v, pag. -1 e cap. u.:w.v1
1
pag. 10J) conta, que Ayrcs Di11s fora
('Omo creado de Joio Et1colar escriwlo da rmbai:r.ada, que D. Ro-
driso de l..ima levou ao rei de Ethiopia.
•E aeodo o arrayal asseorallo, dom Christoulo e 11. Ray11ba mu-
dado cartas ao Preate, em que lbe daulo conta da todo o que era
rassado
1
com aa quaes Clilrlas dom Christouio mandou bum Avres
Uiu, mulato casado em Can1U10'r
1
pera que com estu nouas o
Presle caminbaue mais da pressa; o qual mulato bem ubia a
linJO& da terra. porque andára U. com dom de Uma. que
III. mandll.n por embaiaador o Gouemador Diogo l..opes de S.·
queira o anDo de rS22.• (GasparCoi'Tt'a,UIIdiUtla lrtdia,tomo IV,
pag. l71).
•E no mt,mo anDO f7o13 M.) •.•••.. o rel m11r GalaYdeYOI di-
risiu o seu caminho para Tesra'"• oode estaYa o imam Abmad e
todos os seus soldados; e com elle [com o rei] esraYa juntamente
Marqos, o Franp:e, o qual linha Yindo com uma carta dos
quoc: lhe escn:Yeram apressando-o para que pu2esse a wa sombra
(pr01ecção] no arraial d'elles, e pela sua aombn fanem ulYos da
in da gentes ... (Chronka dr! Gala'II4WM, ed. Com:elman, cap. :n).
Sesundo refere D. Joio BermudeE, depois da mane de D. Chris·
tovam da Gama, foi capitão dos Portugueses Affonso Caldeira, que
morreu de desasrre, e lbe succedeu Ayres Dias. Parece comtudo
ter haYido algumas dissenções por causa da eleiçlo do capitlo dos
e que Miguel de Ca.Sianhoso tambem rretendia sel-o.
(D. Joio Bermudez, rtlaçarrt tla Drlbai.1r.1tl11, cap. :r;:r.n, xn
e x:u.Y; cf. Traratlo, cap. :r.z.ij). D. João Bennudez refere ainda,
que Atres Dias. a quem o rei GalaYdeYos en mui1o affeiçoado_
dei:r.l.n. a ca1holica pela de Alnandria
1
e trodn. o seu nome
pelo de (D. Joio Bennuder:, op. eit .• cap. xu.rr:); e effe-cli·
Yamenle Ayres Diaa era conbecido er11re os Abe'lills pelo nome
de Marcos. (Veja-&e Doe. Vll
1
e ClrrOflica dr! Gala'lldevos
1
ed. Con-
zelman. cap. :n·J.
A)Tts Diu moJTeu pouco depoi5 da uma expediçlo, que o rei
GlllavdeYos fez contra os Galla, que 1inham iDYII.dido a provinci11
de DaYIIro. {D. João Bermudez, op. cit.
1
cap. xuv), Esra invaslo
dos Galla succedeu em um dos tres annos (7015-7038 M.) se·
suintcs ao da morte do imam Ahmad (Chro11ica dr!
ed. Con2elman
1
cap. :.OJ!i\"1}, e quando Kilole era lub11 dos Galla
(7012--?039 M.J. (Schleicl;er, Galla. r•· 17).
Pag. l9,lin. 28
Aziltlt&
Labid l uma cidada do Tehama do Yaman, situada na costa da
Arabaa em laL N. 14• 11a
1
a lons. O. G • .ofJ• 8
1
. Foi fundada no kba·
lifado de Al-Mansur na primeira metade do-se.:ulo u. da an di!!
J, C. 'Z.abid era o nome do vaUe, onde a cidade foi conttrWJa;
o nome da cidade era Husa.ib, que caill em deauso. As antigas
muralbu, destruides pelas torrentes, que se prccipiUim clu mon-
taDhas durante os metes de chuvas. foram rc!.taura4as ao seculo
pa,.lldo. A cidllde tem mUitas mesquitas bem conser-..dat, mas
as casas do mb; a ropula,io de quinae mil habitantes appro-
JJ.madamenre. A cidade de Zabid foi outr"ora a capital do Tehama,
c a mab. importante praça de commen:io do Yaman. lNicbur, Ck$-
tription 11, Pll!- S. de Sa.:y, rt
rrus. la Bibliotllig&" IY
1
p•8- Gtog,.ap'lrü
d'€drisi, tnd. Joubert. •, pag. -49; Jobllllsen, Histori12
pag. ug-no e ll99-3oo; Renzo Man.roni, EI )"ll'm,.., ras.
DAwid Lares, &tr.J,Ios do Hlltorro d.2 cortguist• fio }'QmQIII pYIN
Vt.4oOifiO'IIos, pag. ']6).
P ... ]g.lln..S
Quando em -o19 M. (t527 J. C.) o iman AhmaJ fe1 a primeira
in.:::unão no reino de Ethiopia o •Capitio de A.r:ebide• crn Suleiman,
emir de Zabid. al-Hob.Jxoh, ed_ Basset, pag. 19, lin. to;
Strong;, pag. 22, lin. (•; Nerauini, 1...11 Mll3slllmarrf2
nel ncolo .l'n, pag. g).
P11.g . ..f0t lin. 12
Na Hi:stori12 impressa lf-se: ·huma serra de Judeus.
por nome a serra de Gimen.• E no tntlldo de P. Pero (Tel-
lez, Historia N"oJ de Etl!iopia alllla,liv. "• cap. :r.11, pag_ 1:1171 lf-se:
•huma serra muyto forte, que se chama Ouy, da Prmirlda de
Cemen. que estaYa perto.•
A ;unba de V ati, siruada na proYincia de Samen,
ne Ci'lrorrica dr (cap. 74. lin- tS).
O CarJeal diz, quf! na proYincia de Samrn ba uma
amba muito forte, rhamada Jalakii.-Amba. ou Haonza, junto da
qual nasce o rio de Euua. que foi tomada de assalto pelos Por-
IUftUCSC:S. (Storia qediJiOIIe i11 Abiuiaia. Pll!· 11,
nota •J- •
Bruce identifica a •sem do1 Judeus• com a Amba GedeYOn, c
observa qua nas chronir;:as niio se fu mençiio d'es111
conquista do5 Portupnes. (Bruce, VoycJKI! 171 A!yui11ie, Tm, PB8·
]o3-:ln>J.
Pag . .J2
1
1in. 1l
A tomada da amba de Vafi
1
em Samcn, foi roucos dias antes
de :a3 de agosto de: 1542-

lin. 2l; Perruchon
1
Nolt!l fllisloirY d'ÉtlrioJ'itt, na Rftllltt Si-
lflilifwt, •fl94.. pag. 1!i9) refere-se que o rei GaiMvdn-os e 05 Por-
IUgueses pelcjanm com os mmulmanos a ll de bed..-
1
e mataram
a Sid I ODd1t1DF: I (Cllro11ic-a rtJriopica, pag. 19.
lin. :al) ou liU I ODifaODF;- I (lJrro11ic-a de Galavdf!'fDJ
1
car. XVI
1
raa- n, hn. JJ.
Prova,·elmente ba confusãO em uma das duas narrações.
Pag. lin. :a
T-=
Na Historia impressa (PKB· 56) o nome d'e51e rio e escripto
Tagazl!, e no tratado de P. Pero Pays Tacazl: (TelleE, HisloritJ
Bttral dtt Etlriopia tJ alta, liv. rr
1
cap . .-u, pag. 128)
1
que e a forma
correc:ta.
Veja-se a descripçio do curso d'este rio em Tellez (Hi.rtona
Btral dtt EtJriopia a alta,liv.l
1
cap. v111, pag. :u).
Pag.44,1in. 10
O dia 28de 1180110 de •542 foi uma segunda feira, e a degolaçlo
de S. João Baptista 1: commemorada na ea:reJa catholica 110 dia
29 de agono. Com1udo na Histor-Ia impressa (pag. !í7) diz-se tam-
bem: •IIII quarla feyra vinte e oyto dias do mea de Agos10 de rNl
e quinbenEos c quol"enla e dous annos, que era dia da desolaçam
de sam João ha(ltista.• Nas Le11das da /11dia (lomo 1v, p1g. J7S): •RO
ou1ro di•, que era quarta feyra vinte e oyto di11s d'llf!Osto, dia de:
São Jolio dqj;olado.e Nas Decadu de Cou1o (Dec. v
1
1iv. VW, c ar. 1111)
diz-se: •ao outro dia, que f01·fio vin1e e nme de Af!oslo. em que se
celebra A festa da Desolação de S. João Bauti5111.• No 1ra111do do
P. Pero Pays (Tellez, Hi&tor-it(B"Ill Ethiopla a.alla, liv. u,
cap. :1:11 .. pag. • lê-se: •vinte oyto de:' Agosto de mil e quinbcnto•
qunrcnta e dous.•
•E no 1!jS.• anno da Graç• os Franges pelejaram aos 2 de
m1skaram, e r:nornu o capilão •• (CI!r-onica d' Sar-&a DtJt6tl. ms.
elh. o.• KS!:t da Bibliotheca Bodleiana, foi. 42 r, 6; CAI'Ofliu f't.laio-
pica. em Bassec_ IIII'" l'lli11oir' d'Erlliopif'
1
pag. 19; Per·
ruchon, Nout JIO'I" l'lli•loirf' d'Et1riopif', na RWIIf' Strnitigtl.,
p•s- dg). O dia 2 de maskaram do 1g.5.• anno da Gnça (;>03.5 M.)
foi uma quarta feira lo de agosto da 1.5-4-2 J. C.; data coo-
corda no dia da semana com a indicada pelas relaçftes portuguesas,
mu differe em dois dias do mez. ·
Pag.441lin. 16
Markbam (A Hr:rtory oftllf' Abytsinian expedition, pag. '28 e 29)
ii de parecer que esta batalha se deu peno de SenafC; mas atrU
(cap. zvj) 6ca dito, que o arrayal dos PortlJBileses en em Vafla.
Pag. S1
1
1in. 36
• •
a lagoa da Sana, que atruessada pelo rio de Abavi (Nilo
uul).
P11g . .5,,ün. 17

Na Historia impre518 (pag. 71) 11-se •filho herdeiro•, que
preferivel a •filho verdadeiro•, que ae IE no manuscripto, e que
prOYavelmeate foi erro do amanuense.
Pag. ,S,Iin.17
No manuacripto lE-se •mais•, que foi corris;ido pela Historia
impressa (pag. 71).
Pag . .5.5,lin. :a:a
o:aaolrm.lo
•No mez de teqemt veiu o rei Asnaf SBB•d, e encontrou-se
com sua mãe e com os Fnnges. que restavam, na terra de Sa-
men; e tendo feito conselho, fizeram o kuama em Xevada.• (CIIro-
ftica de Sar:Ja Df'"K''• ms. ed1. o.• J::l..llt da Bibliotheca Bodleiana,
foi. 4-1 ""• 6; Chronica •tlliopica, em Basser, I1IIT l'llistoir-t
d'Et1riopie, pag. 19; Pcrruchon, Notf't JIO'I" l'lliltoir-t d'Ét1riopif'
1
na RWIIe • 1B9+, pag. 1.5g).
Pag . .56, lin. 26
cPoucos di1n1 depois lhe cher,:arlo novas de como o Rey de Ze_vla,.
havendo-se ror aenhor da terra com a vitoria que alcançara, des-
pedira os Turc;ps pen Zebit. ficando-lhe só os d\aentos que trBZia
de ordinario pcra sua guarda; e que com parte de sua gente ae pas-
aara pera a provinda de AB;l, por onde o Nilo atnve'"o rera se
untificar, e recrear nelle com &ua mulher e famlliL• (Coulo, Dec. "•
liv.n:,cap. IV).
Pag. l6,1in.l+
Gaspar CorTea da tomo 1v, pag. 38.5) cfu: que oa
Ponugueses eram cento e trinta.
Pag. S7,lin. 10
.. e caminhando [o Emperador] por onde as Buias o levado,
antes de chegarem a huma sem, que se chamava Nad qas na
Provincia de Ambea, hum dia pela miiDbia CJU:ontrario hum capi-
tlo d'EI Rey de Zeyla com trezentos de cavaHo, e deus mil de p!,
que parece que ae hia per a El Rey por haver j.é novas de chegada
do Emperador.• (Couto, Dec. v,liv. u., cap. IV).
Nad qas na pro,·incia de Ambea• é uma imperfeiu. escri-
pu. de •Vayna Daga o.a provincia de Dambya•.
Vagara é uma provincia de E1hiopia, 1iruada BC norte da lagoa
de Sana. (De Cbaurand, Car1a dermnrratiya deli"EtiopiaJ.
PBB· S7,1in. 14
No manuscripto 1@-se Meralmlio, e na Historia impres-sa (pag.
7ll Mira hmão, que é a trllrlscripção de emir Esman. SegunJo a
Clrro11ica •rltiopica (Buset, €tiMI•• € r•B· -:aS,
lin. -:a3} EIUlan tinha o cargo de garad.
•E no mea de tasrin segundo, que l o aeptimo mez dos mezea
-=1os Hebreus, 1: o quinto mez dos mezes de Pcntapolis, [o rei Ga-
Ia,-de,·os] chegou a Vagara; e pelejou com os Ylllorosos_do imam
e os nnceu. e matou a Seid Mahamlld
1
capido dos sol-
c:lados de guern; e destruiu todas as nsu dos musulmanos, que
alli haYi.a, e outras abrasou com fogo; e fez presa de todas as a].
c!eias, que eram sob o dominio do lsJam.• Gala.,dft'08,
-ed Coru:elman, cap. J:VI). •No mez de hedar aos 17 [o rei Galav-
odevos c os FrangesJ pelejaram com os musulmllllos cm Vagara;
matou Seid Mohamad
1
Esman e Tlllila; e os restantes disper-
saram-se como fumo; e alguns vieram tr'ILZendo pedras .• (Chro-
de Sar:ra lh"Eel, ms. cth. n.• ••u• de Bibliotheca Bodleiana,
foL 4'1 r-, b; Clzronica erlriopica, cm Busct, ÊtudrJ :111r l"lziJioi.-,.
d'Êt111opie, pag. 190 Perruchon, Nole:r pDII'I'I'IIi.Jroir-e ...
DI Rrvue pAg. 159}·
O mc:r. de tasrin segundo C o septimo do calenderio dos Syrios,.
corr-esponde ao mc:r. de athyr, terceiro mes do calendario dos Co-
ptos, c ao mez de hcdar, terceiro mcr. do calendario dos AbexinL
O dia 17 de hedar do armo da era da Graça (7035 M.) foi o-
dia 1l de novembro de t.54::1 J. C. Ha pois confuslo na dat11 dada.
ao principio do capitulo n:ij..
•Dos quaes souberam, como o Granhe enava pouco avante, no
Fleyno de Dambea, em hum lugar chemado Darasgué, perto da.
lllOBOO, por onde possa o Nilo, com sua mulher c filhos.• (TelJez,
HiJIOria seral de Etlriopia Q alta, ljy_ 11, cap. u, pag. Ilt)-
•E aos 19 de hcdar [o rei Golavdevos] desceu lil Darasge,eabra-
sou com fogo as casas dos musulmanos,. apresou os seus bens, c
'Vollou para Xcvade; e ficou a]li dous mezes. E o Granhe voltou
de Zabl par1 Dambya; e o rei levontou-se de Xevada, e chegou a
Vayna Daga aos .5 de yakuit, e alli ficou. E o Granhe, levlllltan-
do-se de Daruge, assentou-se na proa.imidade do rei; c os solde-
dos do rei c ossoldedos do G1"8Dhe permaneceram em um mesmo
100
logar "-endo-se rosto 1 rostO.• (Chronic.a de Dl'lrgel, ms.
cth. n.• ntK da Bibliotheca Bodleiana, foi. 42 r, 6; CJrro11iC'OJ rtHio-
pka, em Bauet, Jll,. flli:rroin d"Étluopie, pa,g. 19; Penu-
chon1 NDie:r powr l"lli:rtoir-e d"Étlriopie, na Rwue St!mitigvt>,
pag.•6o).
O dia 19 de heda.r de M. corresponde a r5 de noYembro
de 1542 J. C.; e 5 de yakuit de ]03.5 M. corresponde a lo de ja-
neiro de •.543 de J. C.
oChesou o Emperador 6 ,-ista dos Mouros, assentou seu ll.IT'ayal
em huma terra, que chamam OinaJaaa.• (Tellez. Hi:rtoritJ srral
de Etlliopia a olra, liv. d
1
cap. :II:Y\o pag. 11.5).
Pai!:- SS.lio. n
AJ:IaKbcc.tillo
As cbron:icu etbiopicu nlo fucm mençlo do umad:J. Kefto.
Pai!:-C:.O.Iin. I)

Na Clrro11icG de Sana Dl'lrgel (ms. eth. n.• un; da Bibliolheca
Bodleiana, foi. 42 r, a) i chamado Garu: gan.d isto
Samradin, 80vemador de Ganzi mas lliiiS copias mais modernas da
Cltrortica rdriopiar aquellc nome lê-se N•sndin. (Basset
1
Ét11dr•
•wr rlti•toirt Plll8- 18, lin. 2l; Perruchon, Notr• pOfl.r
l'lrisloi,.e n• Rn11e 5mrili1Jilt, 1eg.., pag. JS8).
•Como 01 oouos forlo usy enuol101 com 01 mourea, que oa
nonos espingardeiros wit'io o Rey mouro, que •ndaua niOrçando
e br-adando aos seus, e com d.le hum aeu filho mancebo de pouqa
idadc
1
tantos tiros lhe o• oouos fizerlo
1
que com hum pilouro o
acertaria polos peitos. que CIIJO logo de bruços .abre o •rçio
diii.Dteiro.• (Gaspar CorTea
1
úrtdat da /rtdi .. tomo IT, pag. 388).
•Mu permitia Dros que bum desse twma espingardada
pela ba.rrlaa a El Rcy de Zeyla, que o passou da outra ba.nd-.,
caindo .abre o arçio dianreyro sem hir 110 chio, pOI" andar precin-
udo no CIIYI!llo, que desatinado com o estrondo d• ucabuuria, fo7
fugindo pelo campo desenfreadamente.• (Couto, Drc. w
1
liv. a,
cap.n-).
•O que Yendo o Granbe acodio elle mesmo com bum seu lilbo
..-,ancebo, e os que o acompanhavam, e Cez, que se deth·essem, e
"Peleyjassem, e cflesou se tanto esforçando os, que foy conhecido
..:los Portusueus, logo cnreaaram todos équell& banda, e tantos
'iros lhe fizeram com as que hum o acertou pelos
K'eytos, e cahio debruças sobre o arçam diantey·ro.• (Tellez
1
HiJ-
•oria K.ral di! Ellliopia a t:Jlla, liv. 11, cap. :I.VI
1
PBB· 1]6).
P&g.OO.Iin. lo
•E no mesmo ten:eiro anno [do reinado de GalavdevosJ, no
ultimo mez dos mn:es dos Hebreus, no sexto mez dos mezes dos
Coptos, me:r. do jejum, que e o maior dos jejuns da egreja, no anno
7ol!i dos annos do Mundo; no • dia do mesmo mez que foi men-
cionado, em di& de quarta feira, o nosso senhor mer Galavdevos
pelejou com o imam Aflmad ben Jbrehim. cujos soldados eram
11nt01 como a multidão de safanhotos, e e:.:cedia o seu numero,
porque o seu numero era de milhares de milhares e de milhões de
milhões; os quaes es1avam promptoa para a peleJa. sendo fones
como o leão e ligeiros como a aguia. Uns eram moc1ados de ca-
Y&Ilo e \'es1idos de couraça de Cerro; outros eram peões, que se de-
fendiam com o escudo, e tinham firmes a espada e a lança; ou1ros
faziam tenao o arco, e arremessavam frechM, como os lilhos de
Ephraim; e outros combatiam com tiros depol\'ora
1
como os suer-
reiros d& Jonia, e pereciam ferventes. a quem os Yia, como o broiUe
para o none; e outros srremessanm pedru com e palma d& funda;
10dos elles não tinham por cosrume temer o combe1e; e alguns na
occasiio do combate corriam inlrepidos como o cão do caçador,
que Yiu feras, e as viu pela primeirs vez. Mas os soldados do mar
GalavdeYos eram poucos, corno os solJ..adas de Gedeão escolhidos
na ribeira; mas ia com elles uma forçB poderosa, que se r-evolvia,
como o plo de Set'ada no acampamento de Madiam. E o rei mu
Gal&Ydevos não ae espan1ou da mult11.lão dos aoldados do lsl&m,
nem do seu terror, nem da dureza dos seus coraç6es, llem da tran-
quilidade dos seus animas; e nio se lembrou d& vida d"elles. como
viveram an1es, veocendo palejas invenciveis e e:.:pugnando cidades
Cecbadas, que eram ines.pugoaveis; mas era sequioso de paleJ&r com
elle.s
1
como o ceno junto dea fon1es das agues. E boun um srende
combete entre elle e o imam Aflmad; e Deus ahi"imo, bemdilo
seja o seu nome I adornou com a victoria ao rei Galavdevos, a pu
eejn com ellel e o imam .Ahmad morreu por mio de um dos seus
servos; e mataram a mui1os IOidadoa dos Turcoman e de Bar
102
c dos que restaram, parte dos soldados fusi..am pelo
caminho do mar com a mulher do imlial Ahmad; e pane doa sol-
dados capturaram a Mabmad, filho do imam Ahmad, e o entre-
sanm na mio do DDbre rei Galavdevos. e dles foram submettidos
debaixo dos pl!s d'elle; mas eUe foi mis-ericordioso e clemente, e
nlo pB(I:OU o mal ao que o tinha offendido, mu fez-lhe bem como
bemfeitor.• (Cirr-o11ica de ed. Conulman. cap. lru:) •
• E aos 17 de yakatit (do 1gS.•anno da Graça, ]035 M.,o Granhe]
lenntou-se no p6 de soberb., confiando nas bombard-. aas es-
pinsardas, e nos Turcos. e disse: Di.Jei qu1111tos 11.nnos os tenho
acaso rermiU\ecerão hoje deame do meu rosto? E o
rei Asnaf Sagad, tendo fé em Deus e confiando na inter.;es:do de
Mllri-. Dossa Senhora, o Ciperou; mas os soldados do rei, que o
rrecediam, o mataram, antes que chegasse 1110 rei; e caiu na en-
costa de Zan1ara, que se chama Granha Bar (desfiladeiro do G["a·
nhe) i c morreu por de Deus. ao tempo das rrea
horas, em uma quarta feira; e entio os seus soldados dispersa-
ram-se como ciDa de fomo; e uns fugiram ati! Atbara com SUII
mulher Dei Vambara por grande medo; outros woltaram tendo
etado uma corda ao seu pescoço, e tendo deixado a espada e oca-
wallo; a outros mataram os que estavam em Uarha. E a Yoram
mataram, depois que se entregou, para que nlo fosse esquecido a
vinsança doa de Israel. foi no mesmo dia a lncamaçlo e a
Resurreição; e o dia da morte do Gnnhe foi aos dois annos, cinco
meus, e vinte e dois dias depois que o rei Asnaf Sagad foi feito
rei.• (C.I!toxica de Sarsa ma. eth. n.• nu; da Btbliotheca
Bodlei11na, foi. 42 r, c; Cltrorrica dlriopim. em B11net.
111r p11g. 19; Perruchon, Notei po11r
d'Etltiopir, na pag. 16J-162.).
•[No terceiro anno do reinado de Gali!Ydevos., 70lS M.] aos 17
de yakatit o Gnnha levantou-se no pl de soberba, confiando nu
bombardas, nas e nos Turcos; e disse; Aquelles. que
eu penegui durante 1an10s annos, acaso persistirão hoje deante
do meu rosto] M115 o rei AAnaf S118Bd, crendo no Senhor c con-
fiando na oração de Maria, nor;sa Senhora, o C!iperou; e um Frange
o matou, e conou a orelha d'elle; e antes que [o Grsnhe] cbeg;a.sM
i enco5ta de Zantara, morreu por vontade do Senhor,fs tres horas,
e o seu di& foi uma quana feira; e depois d'eUe [do F["ange] um
homem de Ethiopia conou o pescoço d'alle, e clamou deante do
rei, dizendo: Eu E o rei deu-lhe todos os adornos [do
Granhe?]. E qu&ndo não encontrou a orelha d'elle [do Granbe]
1
o rei disse: Onde es16 a soe orelha] E aquel.le FrJ.DRe trout.e a
orelha d'elle [do Gnnhe], e o [rei] ordenou, que aquelle homem
de Ethiopia mentiroso desse ao Frange todos os adorno& d't!lle
103
[do Granbe?], e ainda ordenou que todu as sentes de Ethiopia o
hoorasaem, e se levantassem deantc elle, não só no acampamento,
mas tambcm co mercado, e em todo o legar em que o encontras-
sem. E entio 01 .oldados d"ellc [do Granhe] se dispersaram como
fumo e cinza de fomo; uns fugiram até Atbara com sua mulher
Dei Vambara, por cauaa do seu muito medo; e outros vieram
entrepr-se tendo atado uma corda ao seu pescoço, e tendo dei-
xado a espada e o cayaJio; e a ourros m1naram os que residiam em
Dara. E lambem a V oram mataJlllm
1
depois que veiu entregar-se,
para que cio fosse esquecida 11. vmgança dos de lsnel. Entlo a
Jncamaçio e a Pascoa foram em um mesmo dia. E a monc do
Granhe foi aos dois acnos c seis mczc1 menos ci10 dias depois
que Asnaf Sagad foi feito rei.• (GuiW, Di rrlativi
afl12 sloria di Abi.JJillia, pa,g. 8-g).
•Os mouros vendo nos sair, ordenarão de nos Yir receber. Indo
nós poJa ladeira abaixo, sayo o Gort1nha rey de Zeila diante dos
aeua em hum cauallo branco annado de todas armas, e com elle
dousturcos tambem a cauKllo, cada hum desu1. parte; e chesando
parto de nós, espaço que podião despar1.r os arcabuzes, aparta-
rio se todos Ires como vinham a h uma parte, pera dar lusar aa aua
que pelejasse. Nisto, hum Pero de Liio, que fora criado de
dom Chri:stoulo homem muito pequeno de corpo, mas bom espin-
sardeiro, e de viflaar a morte de seu senhor, desparou o
Becabw nelle
1
fi derr1bou o do cauaUo mor1o. O mesmo fizeram
outros arcabuzeiros acs dous, que vinham com elle; tambem os
matarlo despBnlndo os arcabuaes nelles. Os mouros tanto que
viria seu rey mono, fu:erio volta delles, e delles detinbamaqueUcs;
de feiçam que se embrulhauão, e estoruauam huns a outros, e
nem pelejauam, nem fogillrll. Os nossos vendo a sua deiOI'dem
1
e
confusam, deram IU!Iles, e matauam muitos. A este tcmposobreueo
a gente dei rey Gradeus, e os mouros e os turcos poseram se em
(ogida, e o campo e arrayal ..••. Hum c:apitem dei rey
Gradcus, que vio m:nar elrey de Zcila, foy ae a elle, e o:onou lhe
a cabeça; e com ella roy se apresentar a seu Rcy, rlizendo que elle
o mat,ra, porque lhe fizesae elrey 11. merce que por isso merecia,
qua era porque aquella morte foy a principal causa dâ
victoria, depois de Dcos, e de resteuraçam daqueUes reynos. Elrcy
(oiROU muito de saber quem m111êra seu imigo, e agradeceo lho
mui1o; c mais o (ez cnpitlo geral de todos os seus reynoa. Mas o
capitão Ayrcs Diz, que sabia 11. verdede, c cstaua prescnle qunndo o
abeltim trouu a cabeÇ'II,e mais sabia que Pero de Liio tinbasuar-
dada a orelha czquerd11. do Rcy mouro, a quKllhe cortou quando o
marou, e disse a elrey: Senhor, mande vossa Kltera ver essa cabeça
quantes orelhas tem. Olharlo na, e acharam lhe uma .O. Dine Ayrcs
Diz: A outnl qaclhc &lta.tcm miJbotca..lldn:tqac
use. que o a.IOU. • lhe conou, qoaado '1101101 ct. ..,.
o que e 901 esse •couel:wlu.a E madou
logo ciwullr Pero ct. l..iio, que II'OtmaM • orelbll !lo RryiDOIIIO.
Veyo. c mDIInN • Of'dM. que bem pe.-ce:;. ct.
e rirad.. d.qudle lupr. coaforme .o t.Jbo com que fuy awudL
E mais disse Pero de Li.io. o •be:!Um • • com
que o 11111(jn_ e que feridulhc llkn; •o qac elll: aio l'eSpOOIIeu
nad... Eat:am disse Pentde üio: V., biJSIC8:I"ocotpo do morto; e
•cbario que fuy mono a- ..ubuz, com que o •bes..ua-. abe
bnr. Ferio 110 .w. e Kt..n.m. aer ....ad.de.. Do que c:Jrq e
01 .-us ficalio corrio:los. c .qudie 1n1 apitio 111ai10 afronudo.•
(D. Joio Bamudez, M IBIIIr&r.U, ap. nut).
-Nestll hlltdal. que o Preste oan com o RrylllO.o IDCin'CIIo
sómeole qum-o ponupeaes., a Mber Joio Corree., F V"aeüa.
Fnocixo Fi.U.O. c hum Joio G.üe!o, que se .&mou qac se me-
ten pu anlrC todolos fuy daparw a aoa
peitos .o Rry mouro. oode fuy IIDOf10,..., CGna., l..aM.D
da l.dit1, tomo "' pag. )go).
N• O:rollic4r 4• Gal-.lwot (e4. Coaadmat, ap. ma) re&rc-.
que a hllt.Jhll de V•na Dap., - q.J. f0111101"10 o UDGD Abmad
bea lbrabim, o Gnnbe. foi cm uma qaana rar.. 38 de ,...til: ct.
.,olS M.; ma como o dia aS de ,-.bzit de ,olS K.foi-.., quinu.
feita, rarece que deft emmd•-- - 7J de J*aót. Na aro.iell
lt)iopiar dia-sa qua o meMDO acoarecima.IO foi ac. 17 de )'lllallt..
mu dew: emeodar-ae em :17. Com ell"eito • Clro.ial4• s-.:r
IJew•l etb. D.• SJ;n: ct. Bibliol:beca llodlei.la. foL .56 •· I)
a dela nacu. paU .Ui azA escripto: •t •-ultima
Yictoria na queda do Gnnbe. que dsammam O& _.ios au-
nlmanos. foi aos s7 de J*aót.• Esra data • f'CI'1I'M
desde o dia J de mub.nm de ?03311..., em que..,rrev,o ra Lebo&
Deogd, e começou a reiow o rei IIIi •o &. 71 4e
J"'latit de ?03311..., em que foi • hlltlllb. ct.v.,.. Dlrp,decor-
ren.m doãs annos, cinco IIDIIZa e "rime • dois d.iM., coao .e 4i&

O dia s7 de ,-.blit do 1g!S.• aaao ct. Graça tJalS .11.) corres-
porde. '&I de rt-reiro de •itl de J. c.
A Puchc-. do aaao de ?033 M. foi - .g ct. IIII!Bibit, e DCSnl
dia • ewrei• de Etbiopia cdlebn. • ct. (l...uilaU.
HislrwWM 41s; Dill-

p.,., •• ,,_ c.ac-r. A,..,..,.,._ iJ; Z..cabel-& c. .
........ ., ......... .

105
Pag:.61,1in.:a8
....... ....,
Na Hi•loria impreua (pag. 78) em YeJ de •preço do f'ogo•, 11-
se orpreço da batalha•.
Pag:.61
1
1in. lt
A_..Callte
Kalid
1
J\11"7l- I IJU '· Em um manuscriplD
e1hiopico do seculo li.YJJ
1
per1encente ao Museu Brilllllnico, meo-
ClOna.se um personagem do nome az11j Kalid. (Wright,
ofrlle Et1rio;ic m.:znwcri}'t.r in rlle Britüll P88· 3o).
Pag:.tlf.,Jin._.
lmbRmOD .. puqhlli•du
•E neste dia. que foi mencioMdo no principio d'esta narnçlo,
muitos que tinham offendido a elle [ao rei GalaYdevos]
1
e' casa
de aeu pae e de aua mãe, e a todas as que eram dcbais.o
do seu dornin:io, quando se entree,lll'am na aua mio, foram absol-
"idos pela sua misericorJia e pela sua clemencia; e nio hou"e
quem 01 offendesse por mal, nem ainda um elo 01 lambeu com a
sua lingua; mas a um d'elles, cuja maldade se tinha elC"Vado at6
lia matou 4 traiçto um dos soldados de Portugtl
1
nlo de-
aejando isto a vontade do 11o:sso rei mar GalaYdevos
1
a pu seja
t=om etlel• (Chro11ica dr Galavdwos, ed. Conzelman, cap. u).
Nem nas chronicas etbiopicas., nem nu portugues11,se
menciona o nome do que foi morto; parece comrudo que
era Yoram. Este Abellim, quando no anno de 70J1 M.. o Rei Lebna
De-ngcl estava na comarca de Salava, Emar veiu contra elle, e a
".27 de sane captivou todos 01 seus soldados; o rei escapou com
•18uns poucos soldados. e chegou ' tem de Salamt, e permaneceu
em um monte, que se chamava Chelemfera; e d'aqui tambem o
exrulsou V oram com um ma!auy, aos 14 da hamle. E neste dia
Deus fez em favor do rei um grande milagre; o rei pBS50U a pé
o Takaze depois da festa da Reun:iio dos Apo:stolos; e pusou o
inverno em Tabr, que uma amba srandc e alta de Sire. (Citro-
nica dr Sar$a Dmgel, ms. eth. n." u1x da Bibliotbeca Bodleiana
1
rol. 41 v, a; Cllro11ica erh.io;ica, em Basset
1
Étwdt$ 8/Jr l'h.i•toirr
d'Eth.io;i•, pag. 16; Perrucbon, Nolt$ po11.r d'l1tltiopir,
na Rnw Sérnitiqur, 18gJ, pag. r;8). Eate mesmo Yoram
1
com
alguns capitães musulmano:s, pelejou contra o rei Ga!aYdevos aos
11 de tabsaa do primeiro anno do reinado do mesmo rei (]o3:i M.).
(O,o11ica StlT"sa ms. eth. n.• xxtx da Bibliothec:a Bod-
Jeiana, foi. 41 "• c; Clrro11i.:a rllriopil:a, cm Basset, E111drs !JIIT l'lris-
roi'e d'Etlliopir, pag. 18; PerTucbon. Notrs po11' l"ltuloin d"Êtlrio-
pir, na Rn-11r Stwtiti'l"'• pag. 1}]). A \"oram ma1arazn. depois.
que ae para que não fosse esquecida a Yilll!lança dos Cle
Israel. dr Sa,.sa lk'lf8rl, i6idrm, r, c; Clr.NIIIica.
erlriopica, i6idrm, pag. Perrucbon, i6idr"'! pag. 161).
P18-6.f,lin.g
·-
Esta lagoa tem o nome de Babar Sena, e C atravessada pelo
rio da AbaYi. (Nilo azul). Pode ler-se a de"ripçío d"esta lagoa em
Tellez (Historia gwal Etltiopia a alta, liY. r, çap. VT
1
pag. 14
esegs.).
P18-6.f,lin.IO
O rio Ni.lo en1re os tem o nome de Abavi, e enb"e os
Arabes o de Bahr al-Azraq (rio azul).
Pag. fi.t, lin. t8
Este animal l o hirropotamo amp.l!ibia}, a que
em E1hiopia chamam em seez babe, e em amarinha gomari. (Veja-
&e • des.:ripção deste amphibio em Ludolf, Hi!Jto,-ja kdtiqpica, 1
1
1u, r, e Commr11ta,.i11s ad s11am Hi!JitwiD.m 1 SS
e segs; Hanis, nadl Sdlaa, Anbansen. pag. Jo).
Pag. 65
1
lin. 3
A Pascboa Cle ]03S do M. fol a 29 de m-sabit Je março de
.S4l de J. C:).
PBB. 65, lin. 27
Isto não 1!: inteiramente e'IIICto; a hostia (querban), com que em
Elhiopia se celebra 11 mi.Jsa. (qedase)
1
não tem impresso nenbum
!Usnal, 11em cruz nem letru.
Pag. 65, lin. 3 5
a sua egreia
Póde ver-se a descripção das egrejas dos Abexins em Tellez
(Historia geral de Ethiopia a alta, liv. •, cap. xxxv, pag. 87) e em
Bent (The sacred city of the Ethiopians, pag. 3g e segs.).
Pag. 65, lin. 37
o ~ seus sinos •... aio de pedra
•Os sinos sam de pedra, e desta maneira: pedras compridas e
delgadas, penduradas, atrauessadas per cordas, e damlhe com huns
paos feitiços, e fazem som como sinos quebrados ouuidos de lon-
ge.• (Alvarez, Verdadeira informaçam das terras do Preste Joam,
cap. xt, pag. to). ·
Os sinos usados em Ethiopia são constituídos por duas laminas
compridas de schisto, suspensas, por cordas, de uma trave suppor-
tada horizontalmente por dois esteios. Estas laminas são percu-
tidas com um pau, e produzem um som, que não é inteiramente
desagradav«:l. Os sinos collocam-se deante da porta da egreja.
(Bent, The sacred city of the Ethiopians, pag. 41).
Pag. 66, lin. 17
fazem delle vinho
•O seu vinho ..... consta de cinco ou seis partes de agoa, lan-
çada em huma jarra, e huma parte de mel, com um punhado de ce-
vada torrada, que a faz ferver, e depoys lhe lançam huns pedaci-
nhos de certo páo, a que chamam sardó, o qual a qualifica de tal
maneyra, que em cinco ou seys dias lhe modifica a doçura do mel;
e ainda que não tem o gosto do nosso vinho, lhe leva a ventagem
em ser mais sádio.• (Tellez, Historia geral de Ethiopia a alta, liv. 1,
Cap. XVI, pag. 42).
Pag. 66, lin. 24
Corbam
Em Ethiopia a hostia do sacramento da eucharistia tem o nome
de querban, que significa offerenda.
Pag. 66, lin. 34
dous mezes de vitoria athe a Paschoa
A batalha, em que foi morto o Granhe, foi aos 27 de yakatit,
e a Paschoa a 29 de magabit de j035 M., pouco mais havia passado
do que um mez.
108

•E aos Franges estabeleceu-os em muitas l!m conformi-
dade do seu lutado, que os do seu por i&so que houwe
,grande juramenlo entre Asna( Sagftd e o rei dos Fnanses, de que
lhe dava a terça parte de Ethiopia.• (Guidi
1
Di f'a'"'"'"'i

pour 11riszoin d'Êtlriopic, na Rwue Stmiligllf!, 18g6, pag. 16:a).
Eulu.çlodfiCnu
Em E1hioria calebra-se com gnndell aos 17 de mas-
karam a Baala Masqal, que I!: a festa da Euh111Ç1D da Crua:.
Pag. 68, li11.6
O azaj Dq:alhan era casado com uma irmi do rei Lebna Densel,
chamada Valeta Calames [VIIlata Qedusanl]. (Nenuini, 1...4 con-
IJUilta mu.uulmana deii'E11opia ncZ ...-rJ
1
pag. 41; Stroog,
F111111t a1 pag. v•)-
0 azaj Dq:alhan 11!: mencion11do nas Chron:icu erhiopicas. (Cirro-
nica de SarJa Dntgtl, ms. eth. n.• 'XXIX da Bibliodleca BoJieiana
1
foi. 41. r, a; ChroNca rrlliopica, em Basser,
d'Éthiopir, pag. 1l; Perruchon, pot1r l'lli6toire d'Étlliopir,
na 1B!;l3
1
pag. 1.7S; Guilli, Di rrla-
tivi alia $lori.:J di • pas. 4i Hisroria dr Niruzs, PI!!· 27).
Paa:.fi9.lin.2
A palavra Jartara-. que se I! tres Ye&es (pag. 69, lin. ::a; pag. fig,
lin. 1.7;, PI!!· 71
1
lin. 2), nio C conhecida como nome geographico
de Ethiopia; 11! pai! licito suppor, que ha aqui uma confuslío. Lendo
em sentido imerso as syllabas da palavra Jar-ta-re.a. obrem-5e
Faa·ta-jar, em anb1co
1
e em seez Lm;JC •. que C um
nome geograpbico de Elhiopia muito conheádo. E muito provavel
que a leitura invena da palavn seja a origem do oome
Jartafa.
O reino de Fatasar mencion11do Da Historia das gflrrras
.-tmda S4!'_yon (ed. Pcrructlon, P•S· to, lin. a6) e r1a Clronic.z
-Zara }'a4!'goh (cd. Pcrruchon, pag. 1.5
1
lin. 2). Na COIIilli.sta da
(Fallul!: al-Raba.rall, cd. Bauet, pag. :a1
1
lin. 7; ed. Ar-
-.hur Stronss, pag. 24. lin. fi) conta-ac que o imam Ahmad, na
)'rimejra invaSão que fe11 naqucllc paiz
1
chegou 1116 um sitio cha-
mado Vadu Mauk
1
na terra de Fatajar,c encontrou toda c&IR regilio
despovoada c deserta. (Cf. Neranini, La colfguisla 171111.SIIlrttall!f
dcll"Eiiopia nel .s«olo .l'1'l
1
pag. 10). Na Clrronica de Galav4WOJ
(ed.

cap. :1::1:111 a xs.v) refere-se que este rei
1
no 3.• ann.o
do seu reinado (,035 M .. a.53:a-1.533 J. C.), esuabelcceu o seu arraial
de inverno no comarca de Agaye, e que no mesmo tempo o vizir
Abbas
1
que reinava sobre os que habitavam em Bali,
Fatagar e Davaro, acommctreu aJsumas aldeias do dominio de Ga-
lavdcvos. este rei foi para a comarca de Vaj, c pelejou com
o vi&ir Abbas
1
o qual foi morto com a maior parte dos seus sol-
dados.
Segundo a Ctvla de Ethiopia, elaborada pelos Padres da Com-
panhia de Jesus (Cf. Perruchon
1
Clrror1ipe de Zar"a }'a.rgo&; Tcllcz,
Historia Ftr"al de Etlriopia a alta), o reino de Fetasar confinava
com o de Bali, era situado ao sul do rio de HaYaJ:, c no angulo for-
mado pelo mesmo rio e pelo rio de Machi
1
que saindo da la.soa
de Zavay desaguava no rio de Havas.. Deve
1


haver con-
fusão, porque sabido que da lagoa Zavay tllo sac rio algum, que
déteglle no rio de Havax.
Fatag:ar era prov::avelmente a regifio formada pelas 1erras bailas
e desertas cnl.V •), estendendo-se •o sul allm do rio de Kasam,
e limitada 110 oriente pelo rio de Havu, 110 norte pelo rio de Guan,
e ao poente pelos montes de Xava; tleste regiJo existe a lagoa
de Malaara e uma aldeia, chamada Massacha, em lat. N. 9·'" :aS' e
long. O. G. 40• &. (De Chauranlf. Carta dmrOII,.aliN dcll'Etiopia).
Pag.f9,lin. 10
depo•od .. l..:l
No manuscripto lE-se •de pouco desleal.•, o que erro evidente,
que foi corrigido pela Historia impreasa (pag. S,).
Peg. 70, lin. 14
Abadelc parece ser uma incorrecta transcripç'!io do arabico abba
deir
1
que significa abbade do convento; se nlo deva ler-ae
aba delc
1
isto abbade d'elle (do mosteiro).
P .. ?Otlia-1
-
e II'Wiiçio. esas tmaW!Iei'O de oue, b'llm
_.... Cllllell:l'-.ir ua I"'Chhl rin. pdo rei l...alibala. qui! Yin:u ao
...- --.e qui! em Etbiopil e ftfta'8do como ...ao. A leoda diz
.. tu:..- condo de dia,eosmljosdo ceu faiam
...-. .tlt -.iii:. Esus cpej.u esdo aa .-Jdeill de y..,_. ou Roha.
... .m..t. eaa l&t. X. 1.- •' e loo&- O. G. 2'; foram
......._ pdoP.Fnacisco Alnn::r: (•»•-•Súl
1
qul! •
por Robl& e RafhJ. (Akuu. Fe-.b.l'""- i•for·
.... csep;Gl.,.._IOIDOur
1
.aDB., &.U«i. P..U..
..... •
fWil ... 18g:a) •
.... ,., ......
- E..- acriprans
.a. -.cripta em ... aJdioe de perp:Diallo !lo piacipio do
-=-lo X"' ao II'IIICVo Briaaoico tWriPI, c....r.w- fi E,.,_,;c
....,..._. .i. lk 8-ii:UI ..,.__ p11.. 4a qMl foram
plbicaJo& a.cap105 por PaNc::ba. tl..r .... Paris.
....
.............
____ .,.. .. ..,_s-.
0.0.: f-. .... 4a f.: ....... msul4a
wob Abni tNito Moli-nv
.,. • ao sul.tlt O..:,C. ._--..
..._4a
_, .. '"" ,... ..., .. Ak.- ........ - .... ...-.de
llMMt • •
•OW. ...U. ..... MSIIN '"------illlliltdo Ola'O,
•.-""'*"'" ...,.__. ,......_..._ .. o-.easin1
,.. ................ --...-,de n.ut
• ........
.,... ..... .-.. ...

.... • ...... ..._
DOCUMENTOS
DOCUMENTO I
Dom João a quamtos esta mjnha carta virem ffaço saber que
comffiamdo eu de dom christouão da gama ffidalgo de mjnha casa
que no que o emcaregar me seruira com todo recado cujdado
ffieldade e diligcmcya que a meu scruiço cumpre e a vendo respeito
a seus seruiços q ueremdo lhe ffazer graça e merçe ey por bem e
me praz de lhe trazer mcrçe da capitanja da cydade de malaqua
por tempo de tres anos e com seis cemtos myl reaes dordenado
cadano acabamdo seu tempo ou vagamdo a pessoa ou pessoas que
da dita capitanya forem prouidas per minhas prouisões feitas amtes
desta, notificoo asy ao meu capitão mor c governador nas partes
da Imdia e ao vedor de mynha fazemda em elas e mamdo que tamto
que ao dito dom christouão couber emtrar na dita capitanya o metão
em pose dela e lha leixem ter e s ~ r u i r e posuir os ditos tres anos
e auer os ditos seis cemtos mvl reaes de hordenado cadano com
, ... J
todolos proeis e percalços que lhe direitamente pertencerem sem
nyso lhe ser posto duuyda nem comtradição nem embargo algum
porque asy he mynha merçe c o dito dom christouão amtes que
deste reino parta me ffara menagem da dita capitanya e leuara
certidão do meu scripuão da purydade de como me fez a dita me-
nagem e jurara na chancellaria aos samtos avamgelhos que bem
e verdadeyramente syrua guardando em todo yntciramcnte meu
seruyço e as partes seu direi to e por ffirmeza de lo lhe mandey dar
esta carta por mym asynada e aselada do meu scllo pemdemte,
manuel da ponte a fez em Lixboa aos xij dias do mes de janeiro
ano do nacymento de noso senhor Jesu Christo de j b
0
xxx biijo
fernam daluarez a fez screpuer.
(Arch. Nac. da Torre do Tombo, Ch.2ncellaria de D. Jol.o III, li\·. ~ 9 , foi. 3g v).
DOCUMENTO II
lato sobre ellley doromu
Em st:i• dias do mes de DOYembro de mil b• R•• nesta cidade da
BOa .aas asas do sóor gouemador Jdom esteuio da gama estamdo
de lly e os capitães e fidalgos abaizo asynados lhes dise que mar·
tim af'onao da melo capitio doromuz e outros fidalgos e pe1011
que eatauão na dita cidade lhe espreucrio que cl Rey doromw:
premdel'1l em aua casa ao guazil Re .. l'loordimfe per força quisera
que lhe emtregue ceno dinheiro do remdimento da allfamdega e
que o dito capitão semdo emf'ormado da priúo do dito guuil por
se temer/e! Rq·Ihe (azer algila oremsa como muitas veres cosruma
fuer aos myres e pesoas que ho seruem e se nlo seguir llllgua mao
recado lhe mandara pedir que midiiiSe soln.r o dito guad/ o qual
recado lhe leuan. francysquo manboz Limgoa e niS pode acabar
com ele que o fezeseJmas antes lhe mldou dyser que ho n6 avia
da soltu /pelo que comveyo ao dilo capitam ir a casa do dito Rey 1
leuamdo comsyso osfidallgose caualeiros e puoas que a ese tempo
se ahy acb.&rio I E emtramdo pela porra achara eU Rey ag:utado
temdo ya escrauos seus com espimprdas e armas I e propom-
dolhe o dilo capitlo a cawa da prylio do suazi.l e lfu:emdolhe
que o deuia de mamdar soltar porque com sua prisam se rerar-
dauão os despachos da elfamdeg:a do Regno e que o dinheiro
que lhe era deuido que se ajumtaria e lhe pagaria do pl')'meyro
Remdimern1o I O .Jito Rey asy •SBstado como amdaua se veyo a
ele capitam cõ as mlliosl dizemdo que o niS avya da soltar e que nll
podia ele capitio niso ru.er cous.a nenhila e que aJTamcara de hila
adl8& que trazia secreh e queremdo dar com da ao dito c.pitllio f
remão de lima que era pre!oemte lhe Jamçaro mio dela que foy a
eausa porque não deu ao dito capitam I e que de tudo i11o eram
feitos autos que o ouuidor jeral que preaemte estaua tinbe perque
tudo constauatede feito o dito ouuidor aprcsemtou os ditos autos
feytos a \limtaseta diu de setembro desta llDO I perque dise que
116
constaua o que o 1oôor souemador e perpunhafdizcmdo
maes sua silrya/qut:. martim afonso tinha el Rcy I! hlla casa etm
guarda dele allgüs homes te se prouer !IOb.-e yso f e que por tamto
ele os mamd.ira chamar e eram aly jumlm pera darem seus pare-
ceres que era o que se deUia de fuer neste c no 1 e da pe&Oa dci-
Rey doromu&/se o tirariio do Re,sno c se o trariam a esta q·dade
ou se iria c6 marrim afooso ao estreyto ou ae deui.a de ficar no
RegnoJe depois de uda hii dezcr seu pareccrftot;Jos
que sua sill')'& deuia de midar Y"JT cl Rcy doromw: por su mUito
parfudicial oa lera ao seruiço dei Rey noJO llllor f porque por ser
doudo e bebodo c muyto mal acustumado e por ele acr empedido
o despacho do Regno perque era deneficado I e el Rey ooso slor
DÓ avill do bom p-samemto de a1.1.1s parcas como aueria o6 so-
uernldoelc/c que deste abllllo nõ aucria oenhll escamdllllo oaterra
por cio mal quyste o dito Rcy be dos seus propios naturus e 't'&-
u.Uosf.-lem &:nnros mUitos 'IJ'ciOs que tinha como era a todos DO-
torio c per cyma de tudo cometer tamanho CIIO agora como cn.
querer o capitão I e que por taiillo .ua :silrya o dcwa de
mldar Y"JT f e midar que cmuuamto em sua auscmcya 5CU filho
be ale\lamtaóo e acomp&llbado como primcipc c IOÇUOr do
Regnoldeiuadoo com pe:soas prjcipaes perque o Resno se so-
uemuelc as rem.du se puses.e i! boa lli'J"eadaçio pera ddas se
pouer Q dilo Rer e o psto de wu filho 1 c a outros psiOI aeçc-
&&rios ao Regno 1 c o remane.:emtc por em boa sem
dele ac fazer cousa allgila Km seu mandado 1 E que quull.o erw. ao
tbesouro c luemda li: tinha cl Rcy que se deuia de poer em boa
arncadaram I procuramdo muyto por se uber oroJc esun11 e IIC
aftT a mão das resou que ho tinham 1 fuemdose ni10 todales dc-
lysemcyas que pareçes.em oeçesar'jas 1 de maneira q podese tudo
'l"ff' cm boa arr«a.!Açio c de modo q bo dito Rey nõ podese deur
que b en leyso ruo avido o dito dinheiro c fuemda
ae de IDCUT per cõto c peso e medida cm hUa arca I di que
o apilio eune bGa cbaue c u pelOU que sua :silrya ouuese
de pera os despachos do teuesem cada bum sua
dlalelc que oesta llrC& ac recolbue todo o dinheiro dos readi-
IDCDIOI. du remdas c que do diDbeiro do dito remdimemto se fe.-
Rtelll DOI pstos neçcsarios por despachos dll5 dius pesou a't'cmdo
pera Do Liuro de Receyu e despesa pera ac ubcr o que dele ae
&na e üuro de Registo das prouis6cs que se p11585em c que es
chapu cõ que u ditaa prouisôes ouuesem de ser cbapadu este.
aese a bom recado cm bii cofre com ourn.s ch11ues po1a diu m.-
oeyn c por que todos roram. oeste pareçer asyo.arlo e ea
Jo.a de costa secretario q ba tudo fuy presemta o sobespnu:y e
&..: cspreuer DO dito dia ma e Clll atlli.S I c a caiu do tcKIUI'O do
117
dito Rey estara fechada como dito hc sem se abryr n! t i r a r ~ dela
cousa allgüa se não quamdo sua sftrya mãdase/E quamto ao rem-
dimemto do Regno avera outra caixa ê que se meterá e se farão
os gastos como acima decrara I
PESOAS QUE FORÁO PRESEMTES
dom Joam de Castro 1 dom Gonçalo Coutinho I Ruy Lourenço
de tauora 1 francisco de sousa tauares I Ruy Vaz Pereira 1 dó xpuã
da gama I dom manoel de Lima I amtonio de Lemos 1 femio de
sousa de tauora I O ouvidor geral/ o Vigario geral/ francisco da
Cunha I dom francisco de meneses I Vasco da Cunha I dom garcia
de castro I dom Joam mascarenhas l-
O bispo 1 garcia de saa I Joam de sepulveda I dom Jorge tello I
estes asynarão depois.
(Arcb. Nac. da Torre do Tombo, Coryo Chro,ologico, parte r.•, maço 68, n.• 72
e 73).
DOCUMENTO III
Senhor
Quamdo dom rstcuam chcsou a cochim achou tais noua1 asr do
pmde aquccymeDto que do seruyço de V. A. qua avya como do
descuydo que em soa se tynha asy da armada como do ai afinnl-
dose muyto a yymda dos Rumes e esus nouu com a womtadc que
de sempre teue de 5eruir V. A. [o] f:yzerem vyr a soa omde vldo
cal denruyçio nas cousas de YOIO suuyço lbe compryo por se com
IM\IS parcm1cs e amyguos a ae perder por que muyto myl.hor en
.-r ele destruydo que ver esta ten que meu pay saynhou l"erdydL
E nesta detrymynaçlo que tomou pen1 fazer ho que deu} .. achou
tam pouquos que com pouquo tnbaJiio 01 poderya nome.r por que
como dysto vyesem aos omla da 1en pouquo proueyto e muyto
dano todo• ac lamyauam de fora e nlo acbou mays que dom pedro
de Cutelo bnmquo e trynio dataydc e o vcador da lazemda e
seus parem1es. de mS' nlo ralo por que omdc M meu irmlo per-
dcse aio era bem saynbarme eu, dysto nlo dyrey tudo por quam
aos:peyto IOU n e t ~ a p11rte porem prouue 11. Deus de leuar ho vyao
Rey pera sr por que .em duuyda foy um neceuryo 1ua mone
pera es111. lera como 11 V.A. muy bem pode uber.
Dom eneuam tomou ho carguo d e a ~ ter. em tempo que se nlo
tyuera tamta obrygação II.S coisas de seu servyço como tem lbe
acomce1han. que ho não ueytara por que alem de ser neseuryo
edafyquele de nouo sabydo esta quam gramde trabalho heremedear
ho (lerdydo, dyguo ysto porque os almaz& que he cou1a que mays
neceuryo be 11. 11ta tera estarem prouydos estauam tam niguo1
c desbaratados que se aymda nlo asertara de ter quauo reaes com
que vos seruyo nlo lhe acba.ua remedyo porqua armada 10da es·
taua no mar e o Jmuerno era chesado e 11. mays dela estaua na
YIJI por se nlo poder ter sobre a aguoa e tudo bo que pera esta
armada en. ne1e1aryo se avya de yr busquar fora delta ylha. e
por aquy pode V. A. wer ho trabelho que quem ysto arya de fazer
lhe comt'ynbii tomar e se se esperara que estamdo os almufs desta
maneyra as feytoryn estarylllll ryquu e abastado for. ho mal
120
ponm pode apaacr nto .S. _.eJ'R 4p1e ..uaa
__., <oa q• houyrame pcll'qae•alo JICI& dyJel' llll5o queM
alo I!J"pn a. dncu7.b dwa DIZiil! muym w-tt.o., ho alo flço por
4p1e esta lera be um aacyuu. pcn Ot q-alo II"Ueell cuydll4o elo
NniJ'ÇO de V. A. .._ mb que ... uobo pcn mi q- _.,.
CMO te ps1c mi.J"' lptlta elo que am de d8r ........_e J'&IO aio
por dpeftm bera de qaaa 'ftJI IMI por dpeftmmal de qaaa
erva; era V. A. tjiiX •'!• ..- tUIIIIDbo tScscuplo da cousa .S.
paen leal ouuo comde dom Julyio • paden renSer rstlllnw
e _, lalp) pcn se CORpF en ja UIDIO DO J111fti'DO 4ple puecy&
com.a por qucraem ......,. tamto DnJO perdydo porque
pcn 1'10awya my•1n-hoque V. A. aiolTI!blitjiiX en mUfiOdy-
abeyror. e os o(ycy.es miiJ e o PJ1DCTPII en. alo
c.Dar qaaa a uaWbo ae puu:se e o q- ayao meu yr:mlo
kr: e a Yomlldc com aenae V. A. alo dJ'Te7 f'da raüo que
em syma d!se por 4p1e ncahl. COUSII u-.Dto XDio de bo wa"
en:r por quam posto amda em bo aio fu:er e aaul'yquo a V. A-
se ysto YVr lbo espftueref e alo mo .pr&ça por que bt:m.
dcuc de saber que aio a ynnlo que queyra nr OUII'O aap
tjiiX sy.
Por o 9)'10 Rey dom prcya aio deuymyaar dyr.u estre:yro dy-
-aemdo que tamanha cousa comoen poderse qocym.rnu armada
• awya diii'J'squar todo bo poder di! Ymdya po1' que em quamto
a eles tyuesem se alo pode cbamude V. A. porque com to ateRm
Yanda daram a esta ta-a ramta apreçio e gasto que nos COIIn'eoha
luguala por que todolos uos n11 emtr'D dapto 001 comyem
tela armada DO mar coregyda e ap..-elt.da e .tlatecyd. de mi-
CTmemtos por que 1105 aio tomem dc:larydados, e este SM1D bc
umanho com outros que se cm u:ra ftcn:sem e 01 proue)"'o. de
V. A. um tam pouquoa que he muy pouquo bo a
JICI& remder pua se mster JSl:o; e todas esus ruóa e ouh11:s
muy1as dauamoa em tempo de u quaes aio espccuo
• V. A. ror quam fora de mynha he_ c ar;on depoys
dom e.r.euam tomou ho CUJIUO desu.tera parecco a todos bem
tiuer ho que dezyam e como TYri q- de to&o em to&o s.e punham
a JT e 10uberam quam pyrysosa cn a wyagem e de nmt:o lnbalho
e quanta romt e pyryguo • ada podya paçar pol'que de Juda
8le IUtl se posm muy1as waes em yr e I! vyr dous meSl$ e IDI.J'&
c quem a dyr e wyr cm de remo compre!hedc comer e beber
•uJI:O pouquo • de aer pen bo trabalho • Y"lO filiE tomar 01 omb
IINJ10 auu prymcypalmente al&üa que llltl mi.J"' pen amdarem
na cone que pua ne:lhl par1ca acruyrem V. A. como ac ada re-
qu«e t ee11s nouaa que na tal ryagem telll05 aos ru puec:C'I' que
se deuya descuur a yda omlla hm polK(UO pro!M)'tO pua 01
121
e tamto trabalho e pyryguo se aparelha. porem ysto deue V. lt. a
dom esteuam que he tam comstamte nas cousas de seu seruyço
que não ha quem no mude, e esta lembramça me parece bem faz
a V. A. porque desta tera não dcue de tomar emformação senão
de quem lhe doya muyto ou de quem tyuer tãta obrigasão a seu
seruyço que não aya cousa fazer dyzer o comtrayro do que em-
temde.
Por que nestas fustas era nesesaryo yrem fydalguos por capitães
por que se embarquasem com mylhor vomtade e não olhasem pela
sua embarquasão e quam pyryguosa era por me parecer seruyço de
V. A. me lbarquo nü barganty de cambaya e não quys hü galeão
que me dom esteuanf daua em que atrauesase ho golfam, por que
vemdo os desta tera que hü yrmão do gouemador om! que eles
qua tem por omrado e que merece merçe tomaua tal embarquasão,
razão era que n!hü quyzesse outra embarquasão e crea V. A. que
verem me asy yr fez tamto abalo que não ha om! que queyra yr
senão em fusta e ysto quero que me agardeça V. A. por que bem
fora que não amdara eu tamto por debayxo daguoa não dyguo
nysto mays por quam mal parecera aos fylhos de meu pay dyzerem
tudo ho que fazem. beyjo as reaes mãos de V. A. cuyja uyda e es-
tado noso senhor acrecemte por muytos anos. deste goa a quyze
de noulbro de j b
0
R.
dó xp
0
uã da gama.
( . A r ~ h . Nac. da Torre do Tombo, Corpo Chro11ologico, parte 1.•, maço 73, doe. 17).
DOCUMENTO IV
Senhor
Por me parecer que em lhe espreuer esta lhe faso muy sramdo
aeruyço a fyz porque como me ponbo a dar lhe esta comta de quem
oo qua bem 5-erue eyde trabalhar por que rudo ho que lhe ea-
preuo seya 11a verdade e asy como quero que me .gt.rdeça V. A.
ene seruyço que lhe faço me obryguo a toda a pena que merece
quem espreue falcydadea a V.A.
Sem duuyda que deue V. A de fazer gnnde c:omta de dom joio
de craslo ror que ate nio vy oml!! que mays neceMryo
fose pera a Ymdya que ele por que cenefyquo a V.A. que mays me-
recem estes dout anos que o qua seruyo que dez doulrem muyto
bem aeruydos por que altm de ho ser-uyr com ho seu na yda dw
Rumes ele foy caUA de ae despachar armada ao temro que 1e
acabou por que segumdo a comdysio fone de dom sucya se nlo
ouvera quem lhe soportal"'l. tudo lhe lembrlllnl. per muytas vezes
bo que comprya a voao acruyso muy mal IC pudera aquabar nada
c depoys de nosa vymda e:stamdo ho vyso Rey cmtreuado por ver
a total denruysio em aua armada c em tndas as outras elo
.e pos a todo ho risquo a lhe fazer lembrança do que comprya a
seruiço de V. A. e n!o foy pouquo acometer ysto ror quamto are-
ceauam todos as rt'J'IOStU do vyso Rey por quam pyrygo111s eram
pera os que querem Hr omrados nesta ten a qual lembnmsa a
ele lhe c:ustou qaro c crea V. A. que a maneyra de seu vyuer he
111m necuarya qua quomo as pcrgasóes e seno eu tenho pera
mY que IC aJgQ omf pode merecer muvto cm pouquo tempo
que he ele em outra cousa ho nio YC)'O trabalhar scnio nas de
.seu seruiso e ele ho ".1)' seruir nena "Y•s:em tam onrada que dom
esteuam fa& nO galeio em que ade gastar ho que per vcmtura
nio tem e leua huma fusra em que adyr de Juda a sue1.
Ho que dom padro de castelo bnmquo e trystio da1ayda qua
fucm no que cilpre a seruyço de V. A. nio dyguo por quam
1101peyto sou nesra pane porem abane serem om& que tem obri·
gasio as cousas de seu seruno.
Posta que sarcya de sa he merecedor de lbe V. A. fuer muyta
merçc par que quem esta tam egrauada e aranada como ele abas-
tau.o.lbe esta nüo pera nio fu:er ho que fez porque sertefyquo •
V. A. que como YC cousa de seu seruyso ele he ho prymeyro que
com suns eis de.seya de ho acuparem e llo seu dvnhcyro hc ho
mays •erto que qua ba pera ho 5eruyr e aaoua que dos Rumes
ouue quom pouquos rogues ou n!hlls do vyso Rey porque a
nfguem os fa.q11 ele por seruyr a V. A. fez hil &sleio tamanho
quomo ha mayor que na Ymdya ha muy fremoKI e des mylbores
pcsn que qua ha c nesta "JBf!Cill nymsucm ho faz como ele, dom
clleuam lhe deu bii galeão em que vay e hli11 fu1ta pcra de Yuda
yr a sues a qual vyagem hii oml! tam vclbo c tam homrado bem
pudera escuzar yr em Iii pequena vuylba cm tam pyrygoso qua-
mynbo e ysto crea V. A. que faz gnmde cmves aiJ!ums oml!s
que quatam esQusas pera la nlo yrem e aos mlcebos faz parrcer
que fazem muy pouquo em yrem por debayxo e sem du-
uyda que polo que qua wcmos se ho V. A. nio tem desagrauado
e feyta mcrçe hc por nio ser emformado de seu seruyso.
Do wcador da fezcmda nlo tenho que por que !oerto •
womtade e a dylysencya quom que serne V. A. nlo se pode es-
preuer e a outra núo nio por ele mays que saber V. A. que
aio ba feytor nem ofycyal de wosa fu:emde que nlo dese muyto
pelo ver ydo desta tera c oml que tam mal esta com aeus ofy-
naes me parece que he dyno de muyta mcrçe e sem duuyda que
nlo synta qua o! bfi de que ele scya amyguo e quem perde oa
omfs por amor de fu:emda de V. A. nlo se pode dele dyzer nada.
Dom fnnciKo de mcnesesemcstepouquo tempo que qua amdou
ho tem seruydo muy bem c yso que nio tem gasta pelo seruyr e
ele deyu a fortalna de que lhe V. A. tem feyto merçe por yr
cesta wyagem e quem tem tam pouquo corno ele e a largue polo
seruyr omde a ahy lllsils que se fazem copos par la nlo yrem
merecedor he que lho asardesa V. A.
Nio ICr V. A. feyta merçe •ntonio de lemos de b'li C8f8UO
IIIU)'10 omrado nio sey a que bo ponha por que quem ho tem
seraydo tamto5 anos ca tem bem e quom tamlo tnba1ho e gasto
de - pe50a Dlo tar muytu e muy grosa& merçcs de V. A. he ou
por nlo ter quem lhe .lembre seus seruyços ou par os guovcma-
don:s nlo quererem fazer ho que deuem e sem duuyda que pera
dos que qua ltindamos he neiCSaryo fucrlhe V. A. muy
grosa merce e aertefyquo1be que nestas partes nl!buma lhe pode
fazer que seus 5eruysoa ho nio mereçam e ele ho uay seruyr nes1a
Y)'llgem nQ &aleio como bo sempre fez a muytos anos e seno
que me espamta de ho wer Iam velho e quõu,do e quad• ,..e.z
mylbar vom1ade pera ho seruyr. A mf me pare'ie que pen. V.
A. a este oml! be neccs.ryo IIJe.m da merçe que lhe fyrer
du-lhe a!pa temça p;rn111 nalfamdcgua de p que coma ate que
emtrc no carguo de que ho prouer.
De francisco mede& de vascomcelos n1o espreuo a V. A. por
que do que tem (eyto ate yr a dyo cu cuydo que estua bem em-
formado poya la he amtonlo da aylue}Ta do que ele no serquo fu
V. A. bo aaben.
Amryqua memdez da nscomcelos seu yrmlo tem qua seruydo
V. A. deroyto anos tAm bem que nlo avmto quem no mylbor fJ-
;rese a poys clc he tam ferydo por tamtu flllncs c aleyjado em seu
seruyço eu tenho pena m:f que t11mto que V. A. dele for emfor-
mado lhe fara merçe porque 'luem tlto 1cmp0 bo serue e • doae
111:101 que os vasos guouemadores ho cmcareaaram de cousas de
GlUJla .onamcya c de todu deu boa comia choque uoyu c o que
qua ouve todo llo tem sutado em scruyço de V. A. a lhe n1o ter
feyto merçc ata aguora sera por quam pouquos requeredores em
portusal tem porem os oml!s que qua ha que bo mays tem 5cruydo
e menos merçc recebyda de V. A. be clc e amtonyo de lemos
por que Dilqua qua Yy&gem de proueyto seDio muyto
pto e muyto pyryBuo.
Manoel sodre seruyo qua V.A. cm tempo dafom10dalbuquerque
c era de dezoyto anos quãdo bo emcarcgou de e:e.mte de pe c
do!. espymgardeyros e beste)·ros e no serquo de soa fez ele 111es
touus que aynda aguora se falam nelas e des anulo ate aguara
ho tem seruydo de maneyra que se a proucza bo nio fJbrygara a
casar c fora a portuaal requerer merçe a v. A. ele lha firera tal
que nYguem qua trouucra mayor porem sua vynude he tal que
ho que nio feJ ao pey rara aos fylhos por que ele he ya de ydade que
podcn losrar pouquo do que lhe V. A. fyzer muçe e amda um·
acostumado ao 1eruyr bem que hil fylbo 'QUC de quymae anos
1em lcuou com1yguo pera dyo e o mãda nesta armada que pera
aue!o vay. Dom esteuem lhe deu 11 capyllllnya de cochym por Dia
aver qua nenhum dos que V. A. 1ern prnuydos que a quyrese pera
comer ho orJenado dela111e que V. A. lhe faça merçe e ela me pa-
reçeo que auen que lha fu muy sramde em lhe d&r a d)1.8 ca-
pitanya pera nela poder seruyr V. A. e aquabar utea pouquos de
dyas que lhe fyquam.
Manoel de vascomcelos que do rCfllO veo na era de trimta e
aete ho seruyo qua tam bem pera tam pouquo que me parece
que :te daquy em dysmte asy ho fyzer mere,;;era a V. A. por
que bo ano que cbegou a esta tera se foy loguo 110 malauar e
amdou com many afomso de 1o0usa ! quito ele no malauar
amdou seruymdo V. A. nlla fusta c em bcadõlla foy ferido de hüa
espyasardada c de hna frechade de que nio coreo pouquo rysquo
126
de sua pe101 e por alo IYCr no mabuar que e tu noua que
auya fJUCI"'ii em malaqua ho foy la serupr domde dom mcuam ho
acupou em cousas de que ele deu muy boa c6ta e aymda que ho
que de ponutpl rroyxc tem sntado nesta Y)'8'Cm ho YIJ seruyr
nOa (usta com ho que amyguos lhe empreatsm a mj me
parece que pcn ho 1eruyr com mylhor vomtade lhe deuya V. A.
de eaprcuer por que com hi:la carta sua e saber que he V. A. em-
formaJo de seu seruyso uabalbara pera que lhe mereça muy
gramde merçe e lllembro a V. A. que os omls des11 tua IDIIJI
yyuem com c:spuamças que com ho que tem.
Luys memdes seu ynnlo veo comysuo do reyno t:ru muyta
\'Omtade em V. A. e foy aos Rwne1. com ho ryso n:y aDa
(usta porque ho que tynhe pera mays do abastaua e bo 't'lf -suora
acruyr ao c1trcyto cm outra.
Dom Joio manoel scruc qua V. A. muy bem nestes pouquos
de dyas que ha que qua amda asy quldo foram aos Rumes cm
hG tpldo como •suor• em bü.l f1111u. e ha dos que qua empor-
tunam dom esr.eu11m que ho I! cousas de seu seruyço e ele
me r-rece que se leuu auAmte ho que quomeça que I! pouquo
tempo merecen mays q1.1e os ouuos.
Eu uy que I! lhe comta dos (ydalguos que ho qua tl aer-
uydo e seruem ho syruo porque se:yque V.A.nãoq1.1ermayaqu•
aer desemeanado e ser sabedor di! quem ho serue e crea que 5e
as.y não passn l verdade como lho espreuo que me não atreuert
a raselo porque ouuera que nyso emcorya em aso de trcysio que
uas hc mil!tir a V. A. e se lhe parecer bem espreuedhe pelo
meudo os que qua seruem faloey porque em todalas cousas que
me parecem que he seu seruyço leuo r:nuyto .:omtemtameauo cm
u f11zer. bcyjo as rraes mios a V. A. vyda e estaJo 00.0
senhor acresemtc por muytoa anos. deste soa a deaoyto de no-
urbro de J b• R.
DOCUMENTO V
OIIDD • A"'llt.ildo.C • 1"11-11 • Hlo..f.'l-4.1\'1' j ""
&lo.. t.1i". t.'i't.. "'"""""'. t.1i" ..... ,..,. • H11.
h ... 1\11").11. "'1"''. ""'"'"'"'. i-4.) ... '1-. llt •
DDll"d,<f. • DDAAh'l- • AP""\R • ,,.,.. • 1'1 .... 1..l"ll •
"'A'- • "''i'"'• • 11-1" • "'A'- • 'i' • 11-1" •
"'A'- • • 11-1" • "'A'- • OA1. • .,C1P" •
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1-I>.A • 'lllll.ll"- • MP" • '1-1111.1. • "\0 • l'"d,11l • 1
,_.,. • 11C'I-..7A • ""'i'+& • t."'llt.ildo.C • .,,,.'1'+
& • l'f.""i''l- • "'AA • 11-1" • Ht..,).I>.A • Ci:D •
1',-,'l''l- a 11.,11 • OA1i" • "tiJI>.A • 111Cb • HDDll"
t. • "\IL) • Hol.)l" • 10C) • 1-C • 11"111\ • 1-hCII.,_II- •
,.:>., • rlll( • t."H.,'f • h"" • • ·ut. • 1111
A a "'1111:A • "tiJI>.A • i""'D • 'I'+ • 1\t.., '1-P.t. 1 •
..._,.;1'1'1\ • 11"111\ • AMP" • OA1i" • hCII.,_/1 • A1H •
""""" • • Allh • i"A'fll • D..7.,f. • t.Jf. • 0)'1'
'I' • "'0.!.?1. • A"'llt.ildo.C • t.P" • ...,m • t.
P"1.'rP. • 'i'P. • ol.'l''i'P. • "\ILh • "'t.1i"t • "'RC •
"""' • ..... 1-f" • i"Hh.lh • 'i'olol • • "''i'olol•
ilt.)'L ..... Ai:A • oi.IIDD • DDMhi"h • hDD • A.'I'C'
128
ll • 11.4' • dt'I'Cf't • IDAIJJoll•ll • A•U • 6"'l't • IDO
1.1_,.11 • '1-"1111: • II"Y.IJII.A • hll.,.'f11 • 11'-Ç'h • ID
"J/I.h • h"" • f.'t.e.f.J. ' ID1ill • OhdD • hll11t> • ID
h.rilm/1 • ""AAh_,.h = 1Dh1_,.t • _,.llh.lh • "IDC •
11-1: • lldtllf • Ali- • llh..lldt"'Ç' • 11Joll_,. • 1111: • ""
11" ... '- • ,.AAh't • m1,Mt • 110 • 1Ar6 • u.ç • 11
li: • dDAhh't • l'l-1."1.1. • ilh • 1Df.h11Jol • 'i'JI."" •
"'"'Q • 01111: • "liiC a
TRADUCÇÃO
Em nome de Deus, Trindade indi'Yisiveli que v! o que l e:ue-
rior, e o que C interior; que enfraquece o fone.ee&força
o cansado. E5t& caru e enviada de parte do rei Galavdevoa. filho
do rei Vanag Siipd, filho do rei Naod, filho do r-ei filbo
do rei Ba Eda Maryam, filho do reiZara Yar:qob, filho do rei
filho do rei Salomão; reis de Israel, a paz seja com elles I pua 5er
entregue a Joio, Rei de Ponugal
1
amador de Deus e amador da Fl,
filho do Rei Manuel•, Ouve isto a respeito de M4;uel,
• tio luto dn11 li-ae Z.-Ammuel. Em Elbioplallio H IIIMI egmao;oms
proprioo OS. t.pdlmolll.....,ltllllmpladeDeat,,.._Marlo,ChrlltO,EiplrilliSooniD,
oa dulabjlllc •nlal; mil aquella DOmei slo liBidOI aumapal .. n,lonP&IIdooain-
Otlllllllndl'bl,pli-coarp6em·..,FUIII:IIt-dedoia
ll'lcm-; o vpdo IIi o nome dr Snlhor, Jnuo, Cbril'lo, üpiritoSaaiO, M.r-1.1, w
doo nu..,.,. moi.o ""'""",.,d, li.•qdbo, drFI!i,ell:"-iOplilll<'iro.
C!,UR o! lmlllllbolloll•o ou adjco:tiYO ooelll.dode
Do:•. 0'1 •poadent'l .. Gbmilillo, 011 proftççio de nlc dni ... oio pola oqundo .. 1.
mcniD Autm .. o por •umplo: E,:oie (Amado do Seohor), Gabnl IJ-
(Sano Ke!a CbnoJol, Gen M.aW..Qeda• (Ser'"' de
Elprtlo Smlto}, AIIUIII )i.ariara • • t!e Manl.}, S..na Den,cl illcbcato dt \'irseml.
Amü Mikacl (Coi>IIIIIII dR S. Mt,!MI), Amall GiJorp !Sr"a de S. JOfle), Sabll
v..,cl 4o T .. .la HoJmaiiDI (Planto dR CK- Mllltu ftUI o

I); uoim tio: Z.1 KreoiDI, Z.1 Mai"J'arn, Z.1 Dca,g.:l, Z.1 Mi ... cl, Za GlJoraU- (YifJo-111
Tcllu, Hlllrintl ••t"fll tlrlillllopita a G/111, lit. 1, cap . ....,,, P'll·lloi Galdl, Pro_,.,
.rrqfc t r<l<'<'!llllt Abú•i••· a.• cd. plll )4,&ubnollt; Guidl, CJidw.fra-ttrrJ•
lillilllll&lfJ'iildiJUoi ...... ,pl •.
0eterido4ortldrE'.Ih,p..r-ronlode.ilniJ'GTfldri'Drlll#.llptlonomedt.M.I-
aad (em lftl .a. ... aad),lljlllol doo nomn.doiiV.-...IellL 7olf;llltb. 1,al),
aolepo• • • pt'IIYn a panlculo n, do que rnulroa cnomr Z.·Amaou",lliiM"' li-
• •
teu servo, que veiu para nós_ a quem o Governador en'fiou com
D. Christovam da Gam-, Capirlo mórl
1
pBnl noa aoccorTerem na
accasiio da guerTL E este Migue1 foi muito dadi.clldo a Elhiopia,
e combateu por Christo contra as musulmanos, expondo-se a si
mumo, ad: que o seu braço esquerdo foi quebrado por uma espio-
pr-da; por vontade de Deus depois se restabeleceu da sua doença;
agora 1'a enviamos. Tu faze-lhe bem, lembrando-ta do amar de
Cbristo, e tambem por amor de nós; pois elle cumpriu a tua men-
Agem, como Pedro, principe dos Apostolas, c Peulo, liogua de
balsama. E por esta aelo da Miguel de CastanholO, teu criado,
que ru cnviuta para n01 soccorrer, e fe1: como lhe ordenaste. e
nlo tomou vi a tua mensagem; tu tambem
1
em lembrança, far:e-
lbe o que pensou a seu coração, que nía escrevemos r1esta cana.
E riÓS. quando auvirmos ooticias d'esta mensagem, seremos coo-
temes de ti, e d'esta modo aerã satisfeita a noua affeição.
•oo""o flll{ • A"11"7'f • • 1."11"71- •
..... ftli,queo-=r'iY.,
olo r.ti de Ellliopl.o o:n deTqre. (Vaja.<le Prtrvriaa, Gn--'it.,. Ti6rl-
pq. 11!9e Mp.; Bnawn.,.,. fW Gnn.Wllflrtlft Gnf,JII<II·4
... ,..).
(An:b. Nac. de TOITI oloTombo, alia U, •-•)-
DOCUMENTO VI
Muito poderoso Rei. Eu Dom Johio rer gnça de deos Rei de
Portu!JII YOC emvio muito uudar. Vi a carta que me es.crcuestcs
em que me dAis conta do çoscedimcnto de vossas cousa11 c do f'a-
licimento dei Rei y_ pai, de que muir:o me des-rrouve, e pois nos10
senhor disso foi scruido dcueis de comfurmar no que ele ordena
vossa vontade com a sua, e dar lhe por isso tantu e louvores
como se llle deuem flOr todaa suu obraa. cspenndo nel,- que apos
tamlllllha rerda C lOm grandes trabalhos YOI d .... O dCSCBiliO C
contcntamclltO que vos desejaUi e que dlc sempre daa aqueles que
ta.ato o dcsejio seruir. E quanto ao que me diaeis que YOS .Wde
c fa.oceça contra imiguos, eu estimo tanto vossas cousas, e
tenho per11. ellas tlim bfta vont.da, que nunqua minba ajuda c &uor
'105 pode ur neccssaria, que a nio acheis em mf e cm meus capi·
tlcs morea. a muito me res.a de nlo aYcr caminho polo qual eu
poua tantas Yezee, como saber o ntedo de Y. cousaa. e o
çoscedimento delas, e do socorTO e ajuda que recebe.JI:es do meu
capitão mor e meu sOYOmador de india, e do que meus vassalos fi-
aerío em v. seruiço, do que tomei mais largua imfonnaçlo de que
tinha por miguel de castanhom, polo qualassi mesmo recebi outra
arta v., li"Ye cu mui grande comentamento, e posto que a perda
deles seja tllflto pera sentir, ei hos por bem emrrcgedos, pois aca-
baram em seruiço de n . .1., e em de(caslo do Y. estado, que eu tenho
na conta de proprio meu. e podeis ser mui ceno que sempre de
mj e de minhas e;entea e capitles sereis ajudedo comforme a
es1a minha vontade e amor que vos tenho. e quanro aos vossos na-
runes, que dizeis que CJõtio cativos em rode.- dos poi'TUBUeiCI
1
e
que os vendem a mouroa. eu mando ao meu capirlo more sover-
Dodor que o nio consinta fazer. e do que la tem feito Joio ber·
mudez; que el Rei "· pai em .. iou a mi por seu embai:udor, me
desaprouYe muito porque slo cousas muito contrarias ao seruiço
de n. s. pera as quacs sabido he que lhe nlio podia der algum fauor
bem ajuda, aem dela conheço m11is que ser hum deriguo simprea,
a dos poderes, que diz que o Mncto Padre lhe concedeo, nlo sei
nada, e rolos breues de s. s1111clidade sabereis mllbor o que Disao
be pusadc; e ainda que por i11o mereça tam grande as tipo, aio
me parece que lho deueis da mandar dar, sellio da 111 maoeiJ'a.
que licenCio com vida, fique com a pena devida a sew CIT05, por-
que sendo clla ourra, c usando ja dcsra dignidade da Parriar.:Jw.,
que ele stm lhe flinauem dar quiJ tomar
1
e da tais poderes posto
que tio indiuidameOlf!!o Hria srande descredito oa chriatandade
aabcrse que doutl'8 maneira o mandavai.s usliguar. e porque eu
descia que todas Yoasas co111as aejlo tam bem IICerudas que ao
efeclo dellas ae 't'eia a 1ençlo com que u fuei5o c lambem porque
dalps., que toda a noua sancta fce catholicll M de o remedia
oecenario e com·eoicnte ao que compre ao nrdadeiro cooileci-
mcnto dela c i saluaçio dl5 almas, detremioo da mandar a 't'OS e
a vouo reigno pcra o ano que Yem
1
deos quereado, hii.a pessoa
por PatrW.rcha, que seja tal, e de tal ze1o, e bom de viela,
que nestu cousas todas posN. c saiba scruir bem nouo senhor, e
de que 't'OS recebais muito contentamento_ e com que pouaia pn-
ticar mais larsame11tC as cowas de Joio bermudez, e IOIIMU" acer-
qua dele a que 't'OI bem parecer, c pcn: que qua
possa saber de vÕs e do es1adode 't'. cousas mais brnementc deveis
da mandar saber por la dalgO. caminho ou navcsuaçlo, que de Y.
terras e aenborioa possa vir ter i cotta de milinde, ou a qualquer
oUlnll parte daquclla banda, donde com mais breuidadc possa aver
anue DOI cita dimunicaçlo
1
que aeguodo i.Júormaçlo que tenho
parece que scrt mui facil de achar, e eu mando aos pOrtllB'Je&es
mew vasullos que la ficaram que H nlo venblo e wos sirulo cm
todas as cousas que tocarem Citado, e fo'Bucm da a&Si o
fazer como o farilo em meu aeruiço; c porque hc redoque quando
eles i.no fu:crem recebam de 't'OI ajucla pera suprimento de suas
neccuidadei, que leram tio gnmdes, como u de't'em ler estando
IIm apanados de sua nllurc.ra, vos roguo que os subtan1eis c oU:Jcis
por eles usi como o deucis a vul&los meus. e que com IIUU 't'idu
wos 1cm Iam bem aeruido e a defender "'· reinos da Y.
imistJos. n. s. aja sempre v. peuoa e real estadc em sua sancta
guarda. escripta cm lllmeirim. Lopo Roiz a fez a xüj de muço
A.m.d.1s.u..wj.
ForU: Trclado da cuta que Sua Alten csa:cuc ao preste Joio.
DOCUMENTO VII
Treslldo da caril dei Rey de Elhlopla
Em nome da santa trindade. DOSSIII Yida eterna em que cremos,
em que estl. nos.so saude. Es1a carta en"Yia de sua pr-esens.a E1 Rey
de Ethiopia Asenaf Segued. filho dei Rey Vienag Segued. filho dd
Rey Naod, filho dei Rey Bdemari.n
1
filho dei Rey Zera Jacob, da
Cbta de David e de S.lamio Reis de e juntamente :u.ude
a El Rey de Ponugal Dom Joio filho dei Rey Emanuel. Ouui e
ponde em vona lembrança que fRrey ludo o que me mandardes,
Deos vos fe11: srande senhor na ICrTI, e em l'Otsa mio poz m11r e
illu.s e terra firme. Elle vos fasa m.:ior nos Ceos pera sem-
pre, como fa.s aos seus amigos e santos. Deos nos fu muyto bem
por vossas masôes, e com ajuda dos vossos vencemos os Mouroa,
e sempre contra cllrs alcansamos vitoria. O capitio Dom cris-
lOuio slh)'D do mar e entrou em minhas tern.a com quatrocentos
frllllgues e muytu bombardas e espingi.rdu e outraa muytas ar•
mas. Contra o qual ae iuntarlo logo muytos Mouros. Os noaaos
erio poucoa, e assi o tempo nio l"oy entio nosso. Eu nio cheguey
a tempo que me podesse aiuntar com o Capitio, porque est11ua
muyto longe em outra terra que ae c:hama Seoa. Dom criatouio
estando em Tegray me irruiou hum messageiro dizendo que me
aprenas!e porque era neceuario iuntarmonos ambos, o meiU-
seiro veo a my, e era Ayres dias, criado do CapitiOi a senta desta
terra lha chama Marcos. Lollo como ouui o recado comesey a ca-
minhar a srande presu pera nos iuntarmos ambos; e no caminho
me derlio nouas que Guerad abamed matara a Dom cristouio e a
muytos franaues, e tinha tomado todas as bofl'i)ardas e munisõea
e &Tmas que traziio, e que os frangues que escaparão erio espa-
lhados polia tera. Com esta noua fuy tio triste, que certo chorey
com dor e paydo. Guered ahamed ao com aua sente nio os pode
vencer. Mu alem da sente que tinha fRz vir mais aeissentos turcos,
com aiuda doa quays como erlo muytos alcaosou a witoriL Eu to-


_....,.. ... ......
• •
• •
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---,.......c.---....o.. .. .mlpft Da. ...... 'riloriL
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......... .......-. q. .-no
.. o.cn ft& ricrio c:GIIII"-. IIÓs c.- O'IU:DIIt
• Dlol, ..a.no Gwnd .a..med.. E
llld. BKJI"'D &a.noa o pouo .. aalrO porDOII:le
s.o•. 1'01' ..-c. -'rio drslnã4o. de...-.. qua
&canm -.10 plUCOio, .. tMIIbe:m a. 1IWCOI rcrio destnqdos quui
Dlol, e toa. • ....... .p tiiiWo riedo • aDssO
poder e • poder doa ........ Ponupl. T.-. ale bem c ri-
que:a e Ioda ab. •co lle aoao t.mio c IDSIO
uape e -.. nt. .leAa Oaisca.. Mio pode nc.a
crisloulo coaa 400 .,...._ damãl' m. e o bem ÚOI"hh·
•do Ayres c5MI M!l:l criado com •:Jo ....._.a. tSeJt.ratoa e des-
ti"UJJ ele toclo. e c:Gmrudo Dum cridollio aam 1«n.
pde;ou muy aJIIInlosl&aarot.. Deos padoe •-
UDii e o poã DO c:oato Ulbrty1u.. Ao:lm. Eu Iii: Ayret dia
muyto p-Mde em lodo o a.u pouo, e lllellcy p-se. tenu. EDt
:10freo UIIDDOS(o muyt01 D'1biJhos e r.dip:s aa pdeijeado
coab'11 os llomos.. Este Arra cSMt liabl. i6 YiDdo • ata 1e1n ele
Elhlopia era terapo dei Rey - pey V__,: Sesued, era
muyto .miso qomdo Dom Rodnf;o de liml e Jor'Be
dabreu f"orlo cora o erabaudor Abasa Guu-to•, o q...J leuou
hum• cana dei pay Vimas • El Rey YOaO peJ
E1111auel. Este embaudor morn:o.. Deos U sua .Jma e a
DO.Reyno dos Ceos. Os fnDpes que a fi....-io riaem CCiftÜso •
sua •ontade, e com muytos bens e riqaeus lhes cu dou onde
ellu querem. Dapois ele morte de Ayres dia pua em •u tu&-r
s•sp•r de SouSII, o qUIIJ muyto pR"Iotesmellte lu tudo o que lhe
Os fransue.. que furio buscv embu"'Çio ntlo em Bde-
'&..'prvn...lmfllle_ ... .._. .. pi ...... •
..._ • ..t.Coqcl-.ap. ta • .. ......, .. .....
• ........... __ .......... lr'llduiolo • .nbe.
•o-•etdllillllllor'"•»-:S...,•A.b.
• • •
o tT1o .. kNMr deO..,.rd•So-. t/lls-,).
135
barrua. femão de sousa faz isto bem, folga muyto de agasafuar os
que vem de fora, e com muyto boa vontade os vay receber, e ser-
ueme muito bem, e folga de fazer tudo o que lhe mando. He hir-
mão de Gaspar de Sousa, que viue comigo e he muyto diligente em
tudo o que lhe mando. A femão de sousa, hirmão de gaspar de
sousa, dey eu muytas terras e muyta fazenda e o fiz meu Guarda
mor e Capitão muy principal, e elle tudo isto deixou por se hir
pera vós, tanto he vosso amigo: tudo isto crede de verdade.
Escrita no anno do nascimento de Christo de 1S42, segundo a
conta de Ethiopia e de Egipto, e segundo a conta dos frangues no
anno de r55o. Aos seis dias do mez do Natal.
(Bibliotheca Real de Ajuda, ms.- Fr. Luiz de Sousa, A a a ~ • d ~ ~ I Rd Do•
Jo4o III, pag. 427 a 429).
DOCUMENTO VIII
Tmlado li Wll do Preste Joio per& o Gooeroador li bdl&
Qlll UIJO DO UO di 15111
Em nome de Deos Padre e de Deos filho e de Deos spiritu aanctu
bum aoo Deos todo podero10. Amen.
Mando cala cm-ta eu Asnaf&MgarReydl! Elhlopiaao Gouem.dor
da lndia por El Rey dom Joio, filho de El Rey dom Manuel, que
sancta Bloria aja, bonrra do mundo e graça do eco. Pu seja sobre
oos, como tendes mando sobre mar e terra e ilhas pella merce
de Deos sejais participante da coroa do reino dos ecos pen todo
sempre. Amen. Senhor irmão caa me foi dada buma car1a que
ueyo da lndia mandada por Abaa meu embai'la..!or que cm Goa
está. A qui! foi enWad& por laquaria mero:ador, que embiii"ÇOU
de Cananor dandome nela muy larga conta dos f!;tlll'ldes poderes
que me truia de toda a christandalle
1
e depois soube por outrU
cariaS como Abu era fallecido e deiu.ua oa papeis c roderes a
hum aeu capelão, pello que uos ro,guo meu muyto amado innlo,
e uos peço da parte do aenhor Jesu Christo que me façais tanto
prazer e merce que mandes der todo auiamento a e.e capelão e
aos seus bomeens, como me pO!isam traxer os pepeis, que muito
estimo e de5ejo de os uer, e niso leuarey muito srande cootcntll·
mento
1
c noso senhor uos dara sua grac;a pera que o posais fuer.
& nouas da caa aão que dom cristouio quando chegou do mar
a estas terras dos meus reinos com 400 portugueses e com muitas
bombardas e esoping;ardaa e outras cousoas necesariaso pera a !'Jern,
c com tudo isto nio ouue vitoria contra os mouros porque ynda
nem era chegalloseu tempo nem hora. e nós tembem e11.auamos
lomge delle e elle lomse da nós, porque nos estauamos em Axe-
naa1 e elle estaua em o reino de Tigray, e dahi me mandou seu
138
recado por Aires t'liu, e ouuindo eu &eu recado mandei abalar meu
arrayal pera vrme ajun1ar com e hindo jaa no camiaho me
derlo nouas como c'lom crislouão e portugue5es eno DKlr1DS
pelejando com Grada IU1lcde c os desbaraur .. c tomara tOilas as
annas, bombardas c C'spingardas c toda • roluora, c que a1gun.a
portugueses 5e saluariio fustm.'lo pcra Am11çu' e Daonoo
1
que alo
panos de mar. E porccne.J:a t'lcsta noua ouue entre nós muy grande
tristeza, penr, e choro, e choramos amargoumcote por
mos tantos cristãos eatransciros que nos uicrlo ajudar. Esta ui-
toria nio na ouuera Grada amcdc se uicra :wo, senão que tnúa
con5iguo pas1.11tc de 6oo turcos pera sua ajuda que lhe vicriio de
Zebidc, c com isto lllcançou a uitoria, e cu a Trigai
mmdei buscar e ajuntBr os portupses que eslauJio espalhados, e
forlo achados c ajuntados 1lo homens, os quais andauio buscando
embarcações pera si! yrem pera sua terra, e assi juntos todos por
aprazimento de cada hum emlcgemos ror aeu capiEiíO Aires dias,
e acabado isto fizem01 guerTtl aos mouros Eodos juntameaEe Ires
vezes, e de huma uez ouuemos uitoria deles. E na primeira balaJha
que ouuem01 com Grada amed.; trazia comsiguo 210 turcos c
ouEn muiEe gente, bombardas c espinsardas dos. turcos, e des que
tomarom a dom cristouio • on de sua mone
1
c a se,81JDd• uez
trouu comsiso 6oo turcos, e destes niío nos escapou nhum
1
e a
Grada amcde deu fim a sua vida e mOI'TCO nesta batalha e o aeu
sozd lambe"" c ma1s ouuemos todas as bombardas c es-
pinprdas c todas as armas, com a gnça c misericordia do senhor
Deos c com ajuda c fauor da sente dei Rey de portugãl, começou
dom cristouio c e.:abou Aires dia. E morreo dom cristoulo como
muy ualenre e es.rorçedo martire de Jesu Christo pelejando com
os mouros. Ao qual noso senhor de a coroa de seus merecimentos
e aos que ficarão sua sancta graça c miscricordiL
Os que equi estio comiguo :liiíO r1111os c abanados e recebem
de my cada dia nouas mer,es. A1suns dos portugueses que cstiio
cm baroi que esperiio de yr dahi pera suas teras
1
yndo laa uos
peço muilO de parte de nouo Redentor e saluador Jcsu Cbristo
que os recebais com amor e bom s:asalhado, por quanto siío muy
leais e uerdadeiros. Senhor irmão tomouos a pedir que nlo uoa
esqueça pordes por obra o que uos peço. feira bje 7 dias depois
do n.bl. .ss •.
ICert• --4e.IWir'ro iliJ • a.. IIII Bibllalbec:& IIII .A.:.
dlalillae.ldNSdNO:IP,-Iofiiii7'5•••:J6.-).
DOCUMENTO IX
Titulo dos ! das comendas notas este ano de tDM
Recebeu mais o dito Recebedor oje seis de janeiro de 1SS1 de-
zasete mill e quinhentos rs. de frey miguel de castanhoso comen-
dador da comenda de sam Romão de fonte cuberta do arçebispado
de braga, do quarto de Lxi rs. em que lhe foy avalliada a dita
comenda e asynou aquy (digo) dezasete mill e quinhentos rs.
frei gaspar frey duarte
(Arch. Nac. da Torre do Tombo, Uvro da R«eita e d e ~ p n a do COIIWIIIO. no-
mar, o. • 101, fol. 6-t).
DOCUMENTO X
Reverendo in Christo padre primas I eu a Rainha vos
emuio muito saudar como aquele de cuio virtuoso acrescentam!to
ltluito me prazeria I Donna Violam te molher de miguel de casta-
nhoso que com o Visso Rey Dom Pedro foy aa Imdia por capitam
de hilua naao me fez saber como o dito seu marido tinha nese
Arcebispado a comenda de sam Romio de fomte cubertta e duas
anexas e que pelo vosso vesitador fora mandado por nela algGuas
cousas 1 as quaes ela nam podia comprir attee a vimda do ditto
seu marido I E me pedi o que vos se reuese que quiseseys sospemder
o comprimento das dittas cousas attee a vinda do ditto seu marido 1
E por que eu se nisto que ela pede nam ouuese algQu imcomve-
niemte e se podese fazer rtceberia com iso muito comtemtam!to 1
vos emcomendo que podendo ser o façaes I por que o receberey
de vos em muito prazer I scripta ! Lixboa A ...... de octubro
de t555.
Para o Arcebispo de Bragua.
Arch. Nac. da Torre do Tombo, Coll«fáo S. a, fol. a2S.
DOCUMENTO Xl
Recebeo mais o dito Recebedor antonio tauares treze mil e tre-
zentos e trinta e tres rs. da comenda de são Romão de fomte
cubena que está vaga, e são do 4° de Liij iijc xxx rs. os quaes arre-
Cadou felipe da costa executor e os entregou no dito convento
ao dito Recebedor, que asjnou aquj comigo ao primeiro de julho
de t565.
antonio tauares frej luis
(Arch. Nac. da Torre do Tombo, Livro da B«eita ~ de1pna do C ~ t o de Tho-
waar, n.• Jo3, foi. 34)·
..

'
DOCUMENTO XII
Dom Sebastiam, &. A quamtos esta mynha carta virem faço saber
que avemdo respeyto aos seruiços que afonso Iopes que foy cs-
cripvam dalfamdega desta cidade de lixboa ffez a el Rey dom ma-
noel meu visauo e a el Rey meu sfior e avo que samta gloria ajã
e asy a my e a me deyxar e renüciar ora ! mynhas mlos o dito
oficio de cscripuão dalfamdegua pera eu fazer dele o que ouuer
por meu serujço segumdo se vyo per hii publico estorm!to da
dieta renüciação q dizia ser sobescripto e asynado per Jeronymo
Luis 1 tabelliam das notas nesta dita cidade aos noue dias deste mes
dagosto deste ano presente de qynhemtos sasemta e tres cõ teste-
munhas ! ele nomeadas e queremdo lhe ffazer merçe l satisfação
dos ditos serujços e oficio ey por bem de o apousemtar com co-
remta mill reaes de temça que quero e me praz que tenha e aja
de mynha fazemda do primejro dia do mes de Janejro do ano que
vem de qynhemtos sasemta e quatro l diamte l cada hüu ano! sua
vida as!tados e pagos na casa da portag! da dita cidade aos quartês
do ano per imteiro e se quebra posto que a hy aja per esta so carta
gerall sê mais outra provysam e por tamto mãdo ao almoxarife ou
Recebedor da dita casa que ora he e ao diamte for que do dito
Janeiro do ano que v! ê diamte dee e pague ao dito afonso Iopez
os ditos quoremta mjll reaes cada ano aos quartês por esta so carta
geral como dito he.- E pelo trelado dela q sera registada no Liuro
omde se registão os padrões e cartas geracs das temças que estão
asemtadas na dita casa pelo espriuã dela cõ conhecimento do
dito afonso Iopez mãdo q lhe sejã levados l comta e aos veedores
de minha fazemda q lhos fação as!tar no Liuro dela e leuar cada
ano no caderno dasetamento da dita casa pera lhe ser! pagos na
maneira sobredita E a carta que o dito afonso Iopez tinha foy
rota ao asynar desta cõ ho dito estormcnto de renüciação e no
registo da chancellaria da dita carta se pos verba de como o dito
1
Por equivoco tem Juiz em ,·ez de Luiz.
lO
afonso Iopez renunciou o dito oficio l mynhas mãos por lhe eu
fazer merçe de o apous!tar cõ os ditos R reaes de temça cada
ano ê satisfação dele e de seus serujços e por lhe tão bem fazer
quyta e merçe de quatrocemtos sasemta e cymquo mjll reaes q
deuia a mynha fazemda e careguauão sobre meus oficiaes a qual
verba se pos pela di ta maneira como constou per certidam de
damyam de goes goarda mor da tore do tombo e por firmeza delo
mãdei dar esta carta ao dito afonso Iopez asynada (per ma) e ase-
lada cõ ho meu selo pemdemte dioguo Iopez ho fez ! lixboa aos
xxiij dias do mes dagosto ano do nacymento de noso sefior Jhú
xpõ de mjll lx e tres e eu duarte diaz o fiz esprever /Riscou-se
o que dizia dita por verdade
com certada
Ant.
0
daguiar
Amtonyo Vieira

COTA A
comcertada
Joam da Costa
Afomso Iopez contheudo no registo desta carta renunciou per
licemça dei Rey noso sõr vimte mil reaes de temça dos coremta
que cadano tinha pelo padrão aquy registado ê dona violamte da
serra sua filha aa qual se hade fazer padrão dos ditos ii reaes
pera os começar de ven1çer de dezanove dias de feuereiro do ano
presente de belxbij e do sobredito se pos aquy esta verba per man-
dado de barão Vedar da fazenda e lixboa a XXX dias dabrill de J b•
lxbij -Amtonyo Vieira-
SEGL"NDA COTA
El Rey noso sõr ouue por bem de tomar a Afonso Iopez dez mil
reaes de teça dos xx reaes q peHo padram aqui registado lhe fi-
cauã dos R reaes nelle contiudos e isto em paguamento de oytenta
mil reacs q ainda ficaua dcuêdo aa fazenda de S. A. como fiador
de Andrc godinho. E por tanto nã ha dauer mais pelo dito padrã
de (que) x reaes somente daquy e diante e por tanto se pos disso
esta verba por mandado de S. A. lixboa a xxxj de dezembro de
mil be e lxix -
pero ferenandez
TERCEIRA COTA
Ouue S. A. por b! por outro seu aluara de tomar e pagamento
a Afonso Iopez de outros oytemta mil reaes da mesma diuida
14i
os dez mil reaes q ainda lhe ficauã desta tença e lhe quitou a de-
masia e por tanto se riscou este registo e se pos esta verba por
mandado de S. A. ! lixboa a xxxj de dezembro de lxix. 1
pero fernandez
(Arch. Nac. da Torre do Tombo, Doaf&e' de D. Seba1tiJo, liv. a, foi. 3']9) .
....

DOCUMENTO XIJI
Dom 5ebutiio, etc. aos que esta carta virem faço 111bcr que
por prte de dona Vyolsmte da SeiTa molher que foy de Mysd de
Castanhoso filha de A!omso Lopez que foy espriulo dallilmdega
da cydade de Li:r.boa me foy apresemrada bOa mynha carta da
padrio de corem ta mjll reaes de temça cada Ano que o dito Afom1o
Lopes iynha asynada e puada pela chamceUaria da qulll o trelado
ha o seguimte:
Dom Sebasriiío per graça de deus Rey de Ponusall e dos Al-
garues daqui! e dllem mar em AfriquR Senhor de Guine da com-
qujsra navegaçlo comercio dEthiopia Arabia Persya e da lndiL
A quamtos esta mynha carta virem lilço saber que avl!do Respeito
aos seruiços que Afàmso Lopez que foy e5priul dalfamdega desta
cidade de Li:a:boa fez a el Rey dom Manocl meu bisauo e a el Rey
meu senhor e avo que samca gloria aja e asy 11 my e a me dey:.:&T e
Renliciar ora f mynbas mãos o dito oficio de scprid dallilmdesa
pera eu fazer dele o que ouver por meu 5eruiço se vyo
per bOm publico estormemto da dita Renunciaçlo que dil.ia ser
e asynado per Jcronymo Lujs tabelilo das Dotas nesta
dita cidade aos noue dias deste mes dagosto do Ano presemte de
j b• bdij cõ tntemunhas nele nomeadas e queremdo lhe fazer merçe
! utisfaçlo d01 ditos seruiços e oficio ey por bem de o apousemtllf'"
com coremta mjU reaes de temça que quero e me pn11: que tenha
e aja de mynha fwemda do primejro dia do mes de Janeiro do ano
que vem de b• b:iiij•l! diamte e cada hilu ano! sua Vida asemmdos
e pag01 na casa de portagl da dig cidade aos quartes do ano per
ymtejro e sem quebn posto que a by aja per esta so carta gerall
aem mals outnt prouysio e por tamto mande ao almo'larilil ou
Recebedor de dita caaa que ora he e ao diamte (01' que do dito
Janeiro do ano que vl f diamte dee e pague ao dito Afomao Lopez
os ditos R reaes cada ano aos quartes per esta ao carta serill como
dito he e peio trelado dela que seri Registada DO Liuro omde ae
Registlo os padroes e cartas genes das temças que estam asem-
u.das ma dita casa pelo e5priui dela cõ Conhecimemto do dito
I 5o
Afomso Lopea mlido que lhe sej1m1 leuadm ! comta e aos Tee-
dores de mynha fazemc'la que lhes faç11 ufUlf' no Liuro dela cleuu
cada Ano no caderno do asentiBmeollO da dita casa penlbe aerem
pagos na maneira .abredita e a cana 'iJUIC o dito Afomao
tinha foy Rota ao uynar desta cõ o dito estonnemlo de Renun-
CIBÇio e no Resisto da chancellaria da dita carta se pos werba
da como Q dilo Afomso Lopez Renunciou Q dito oficio l! minhas
mãos por lhe eu fazer merce dep iipOUsentar com os ditos R reses
de temça cada Ano f sati&façlo dele e de seus seniiços e por lhe
dobem fu:er quyta e merc! de qucatrocemtos suemta e cymquo
mjll reaes qne deuia a mynha fazcmda e can:gauio 50brc mew
ofidaes 11 qual Yt:lba se pos pela dita m.neira como constou per
certidam de Damyi de goarda morda Tore do Tombo e
por lirmeaa dela m'ldey d&r e11ta carta ao dito Afomso Lopez asy-
ll&da e &selada cõ ho meu selo pendemte. Dioguo LopC'Z a I!
Liaboa a niij dias do mes daaono. Ano do nacymcnto de No10
Senhor JhCiu Xpó de 1 b• h erres c eu Duarlc Diu a fia espre't'er.
C6 a qual carta me a dita dona Vyolamte maia bil
meu .Juara dere,gido aos Yedores de myoha fal:!da per que ouue
por bem por algils RespeytD& e por Q dito A(omso Lopea ter hiiu
meu aluar! per que fazia merçe a Briiqua Serra aua molher de
wymte mjll reaeJi de temça dos ditos R reaes que ele tynha pera
per seu (ale.:ymento ficari! a dita sua molber o qual aluara nio
ouYen cfeyto por ela ralecer amtes de 1e .Jar lyçemça ao dito
Afom:so Lopea pera poder Renunciar yymte mil reaes da dita temça
na dir:a dona V)"dR.Ota sua filha poato que Qs ditos R reacs de
temça estiuesem embarASdoa por diuidas que o dito Afomso Lopea
deuia a minha fazemda de mais cõtia de que os ditos R reaea de
temça Yalyam de cõpra ficamdo ho dito fbargo posto no asem.to
dos ii reaea da: tençs que somente 6qui ao dito Afumso Lope.z
posto que de compra Yalcsf menos do que na côtia do
dir:o fbargo como tudo era declarado DO dito aluara de licemçL
Pedimdome a dita dona Vyolamte que por quamto o dito Afumso
Lopez aeu Renunciara Dela os ditos ii reaes de temça dos 1{
reaes que a&y tinha cô(orme ao dito aluara de licemça como cõs-
taua de hiiu publico estormemto de Renunciaçlo que diso apre-
aenraua que parecia Jier feyto e uynado em publico por Joam da
Peua tabelilo do Judicial! e dcs notas na ujlla dObvdos aos dua-
noue dias de reuereiro do ano de J b• b hij testemunhas
nele Domea.Jas ouvese por bi! de lhe m1idar dar padrío! aeu 11ome
dos ditos vymte mjll reaes e visto aeu Requcrimemto e o pt;drlo
Desta lreladado cõ ho dito aluan de lycemçs e estonuemto de
RenOciaçio e queremdo fezer merçe a dita dona Vyolamte tenho
por bem c me praz que ela tenha e aja de mvnha razcmde do pri-
meiro dia do me-s de Janeiro de-ate ano que vem di! j b- b: biij• !
diamte os ditos ii react. de temça I! cada hDu ano f sua vida d01
corem1a mjll reoet que ho dito seu pay tinha pelo dito padrão os
quaes rn11l reaes ey por bem que lbe KJio uamtados e pa-
JIIli.IOS na casa da pona.s! da cydadc de Lisboa ao(a) quanes do
ano per Intevro e si quebra posto a by aja por esta sõ carta
Rerall s! maia outra prourslo da qual ma1:1ejra ae papulo os co-
remta mjll reaes na dita cua da ponaRem ao di10 AJomso
•u pay c por um1o mido ao almo:s:arife ou Recebedor da dita
C'ba que ora be e ao dyamte for que do dito Janeiro do Ano que
Yem e diam1e dae e pasue a dita dona Violamte 05 di1os ii reaea
cada ano a., quartes per eiiM so carta f!:eroll como di10 he, e por
o trelado dela 111ue serlli Rea:istado oo Liuro omde se Registio os
p!M!roes e carias geraes das te-mças que atam asemtadu na di1a
cua por hilu dos cspriuies dela c6 Conbecimento da dita dona
Violamte mldo que lbe sejam lauados ! comta e 1001 vedares de
mynha fulda que lhos faça uem1ar no Liuro dela e lh01 despa-
chem pera lhe 11erem pagos na dita ca11a no modu e o
padrio do dito Afomso Lopez dos R reaes e o aluarA di! lyçemça
e estormemto de Renunciação foy ludo Rolo .o asynar dene pa-
drío e doutro que rnidey pasar ao dito Afomao Lopez de vymte
mjll reaes 111ue lhe fiqulo e nos Registes de Padrio dos R n:aea
que es1a na chancellaria e no Liuro das rnerces 111ue tem Grauiel
de Moura e asy oa cua da portagem ae poscram verbas de como
o dito Afomso Lopez asy Renunciou os ditos ii reaes de temça
na dita dona Vyolamte sua filha aegumdo se vyo per Cl!rtidão do
stprivlo da dita chaocellaria e dos mais oficiaes que poscrio as
dilas verbas e por 6nncza dislo lhe mandey dar esta carta de pa-
drão asynada e aselada de meu selo pemdt:mte N)·co1au Lujs a
fez l Symtn a vvm1e e seis dias de Julho do ano do naqmemto
de noso senhor Jhll Xpõ de mjll quynhentos e sete. E por
quamto 01 ditos ii rcaea de temça declarados Deste padrão per·
temccrio a dita dona Vyolamte da Serra a dezanove dias de feue-
reiro deste ano presemte de b• b. e sele· e que o dito Afomso Lope.t:
seu pay Renilciou nela e pOI" este PaJriio os comesa a vemcer de
Janairo do ano que vem de b• lx c oy1o l diamte cu lhe mãdey
pasar prouyaio pera o almourife da casa da portasem da cyd.ade
di! Lisboa lbe pagar dezasete mjU e l)Uynhemtos reaes dos qua-
remta mjll reaes que forio no lruro dos pagamcmtos que de my-
nha fazemda foy !viado a di1a casa rera os pagar ao dito Afomso
Lopez de sua 1ern'i=a, 01 quaes ihlj b• reaes se m6tio 11 dita dona
Vyolamte a Respeito dos ditos ii reaes de tcmça dos ditos deza-
ooue dias de feuereiro des1e Ano prescmte fim de dezembro
do dito Ano. E posto que diga que se Rompea o padrio dos R da
temça que o dito Afomso Lopez tinha nã foy Roto e pose nele
postilla pera per vertude dela o dito Afomso Lopez aver os xx
·reaes de temça que lhe somemte fiquio de Janeiro deste Ano pre-
semte de b• lx e sete em diamte. Manoel Soarez a fez espreuer.
(Arcb. Nac. da Torre do Tombo, Cluucctll4rla D. Sebatiáo e D.
liv. xvn de Doações, foi. 471 v).

DOCUMENTO XIV
Dom Sebastiam etc. faço saber aos que esta mjnha carta virem
faço saber (sic) que eu ey por bem h e me praz por fazer mercee ha
fonso de castanhoso, filho de migcl de castanhoso e de dona vyo-
lante da serra que elle tenha he aja em cada hü ano de mjnha
fazenda de janeyro do ano que vem de mil e quynhentos setenta
e dous em diamte vymte mill reaes de temça dos coremta mill reses
que vaguarão per fallecimento da dita sua may, pelo que mamdo
a dom martinho pereira do meu comselho he vedor de mjnha fa-
zemda que lhos faça asemtar nos Liuros della e despachar cada
ano em parte homde delles aja bom paguamento,he por quamto lhe
eu fiz a dita merce a xiiJ dias de setembro do ano de ubiij lhe foy
dado mãdado pera Ruy Gomes de Carualhosa meu thesoureiro
mor lhe paguar Lxbjc
10
b reaes que lhe momtarão dos ditos xiij de
setembro do dito ano de Lxbiij até fim de desembro deste ano pre-
sente de b•Lxxj. E por firmeza do que dito be lhe mandey dar esta
carta per mjm hasynada e asellada com ho meu sello pemdemte.
dada na çidade de lixboa a xxbij dias do mes de setembro Ano
do naçimento de noso senhor Jhü xo de jb•Lxxj. e eu gualyote de
moura a fiz escrepver.
(Arch. Nac. da Torre do Tombo, D. livro uvu, foi. 33o).
Acabou de Imprimir-se
Aos 28 dias do mez de fevereiro do anno
M DCCC XCVIII
IMPRENSA NACIONAL DE LISBOA
PAIU A
COMMISSÃO EXECUTIVA
DO
CENTENARIO DA JNDIA

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