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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CÍVEL DO FORO REGIONAL DE MADUREIRA – RJ.

GRERJ Nº90717621509-81

ROCHA & FILHOS DISTRIBUÍDORA DE PRODUTOS DE PADARIA E CONFEITARIA LTDA-ME, empresa do ramo de produtos de padaria e confeitaria, inscrita no CNPJ/MF sob o n. 08.867.526/0001-85, NIRE nº 33.2.0789001-1, com sede na Rua Coruripe nº 205, Marechal Hermes/RJ, CEP: 21555-490 neste ato representado pelo sócio-administrador Sr. RAFAEL MENDES DA ROCHA vem, por seu advogado infra-assinado, à presença de Vossa Excelência com amparo nos art. 5º, inc. V da CF/88, art. 6º, inc. VI e VIII, art. 18 e seguintes da Lei. 8.078/90 art. 186 e art. 927 do CC/2002 c/c art. 273 e art. 461, incisos e §§ do CPC propor a presente:

AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM PLEITO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, PEDIDO ALTERNATIVO DE OBRIGAÇÃO DE DAR COISA CERTA E PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DE MÉRITO.
Pelo rito sumário, em face de MOTO HONDA DA AMAZONIA LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 04.337.168/0001-48, com sede na Rua Juruá, 160 - Distrito Industrial Manaus, CEP: 69075-120. FONE: (092) 237-2411, e, MOTOCLEAN VEÍCULOS LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob o nº CNPJ Nº 68.822.899/0001-61, e, Iinscrição Estadual nº 84827096 situada na Estrada do Tindiba nº 851/861 – Jacarepaguá, CEP: 22740-360 - Rio de Janeiro/RJ, TEL.: (21) 3382-9400, FAX: (21) 24248959, na pessoa de seus representantes legais, pelos fatos e fundamentos que passa a expor:

PRELIMINARMENTE

I.

DÁS PUBLICAÇÕES E INTIMAÇÕES

Requer que todas as publicações e intimações expedidas em nome dos Drs. JULIO CESAR PROENÇA PINHEIRO (OAB/RJ 64.838), e PRISCILA DA SILVEIRA PINHEIRO SALDANHA MARINHO DE ARAÚJO, OAB/RJ 167.992, ambos com escritório na Avenida Presidente Vargas nº. 583 S/ 915, Centro RJ, CEP: 20.071-000, bem como que as publicações e intimações veiculadas por correio eletrônico sejam encaminhadas ao endereço jcpin@uol.com.br e, sob pena de nulidade e violação do artigo 236, § 1º do CPC, requerendo também aplicação do Art. 4º da Resolução CNJ 121/2010 sobre a divulgação de dados processuais eletrônicos na rede mundial de computadores. __O art. 4º da referida norma dispõe que as consultas públicas disponíveis na rede mundial de computadores devem permitir a localização e identificação dos dados básicos de processo judicial segundo os seguintes critérios: número atual ou anteriores, inclusive em outro juízo ou instâncias; nomes das partes; número de cadastro das partes no cadastro de contribuintes do Ministério da Fazenda; nomes dos advogados e registro junto à Ordem dos Advogados do Brasil.

II.

FORO COMPETENTE

A presente ação discute questões que mostram conexão com "relação de consumo"; portanto, inicialmente, para justificar a escolha desse foro para apreciá-la e dirimir a questão apresentada, a Autora invoca o dispositivo constante do Código específico dos Direitos do Consumidor (L. 8.078/90), onde se estampa a possibilidade de propositura de ação judicial no domicílio do autor (art. 101, I). Além do mais, tem-se que eventuais contratos, ainda que tácitos, de prestação de serviços públicos e/ou de consumo, vinculam-se, de uma forma ou de outra, à existência de “relação de consumo”, como no presente caso trazido a baila.

III.

OS DOCUMENTOS QUE ACOMPANHAM A PETIÇÃO

De acordo com o art. 544 § 1o do CPC com a nova redação dada pela Lei n. 10.352/01, o advogado que esta subscreve autentica os documentos que acompanham esta petição inicial, não necessitando, assim, a autenticação Cartorária.

IV.

DÁ INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Inciso VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do Juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências; II – DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO. a. A história da Segunda-Ré no Brasil teve início na década de 70, quando não existia praticamente mercado para motocicletas no País. Com a fundação da Honda Motor do Brasil, em 1971, cresceram a importação de motocicletas e, dois anos depois, a de produtos de força. b. O grande passo ocorreu em 1976, com o início da produção nacional. Hoje, na Moto Honda da Amazônia LTDA. (HDA), em Manaus (AM), são produzidos motocicletas, quadriciclos (All Terrain Vehicle ― ATV) e motores estacionários. A Honda é líder nacional no setor de motocicletas e, em 2012, ultrapassou a marca de 17 milhões de unidades produzidas. c. Sob o controle da Moto Honda da Amazônia estão outras duas empresas, localizadas na mesma área: a Honda Componentes da Amazônia LTDA. (HCA) e a Honda Tecnologia da Amazônia Indústria e Comércio LTDA. (HTA). d. Em 1992, houve mais um avanço, com o início das importações de automóveis para o Brasil. A boa aceitação dos produtos resultou na inauguração, em 1997, da fábrica da Honda

Automóveis do Brasil (HAB), na cidade de Sumaré (SP), que, em 2011, superou o volume de 900 mil unidades produzidas. e. O acesso aos produtos da marca é facilitado pela Honda Serviços Financeiros (HSF), que abrange o Consórcio Nacional Honda, o Banco Honda e a Corretora de Seguros Honda LTDA. Com planos especiais para toda a linha de motocicletas e automóveis nacionais da empresa, a Divisão Financeira concretiza há 29 anos o sonho do veículo próprio a um número cada vez maior de pessoas. f. Nascia, assim, o contrato de concessão da indústria automobilística, imposto pelas montadoras às empresas que quisessem representá-las. E tal imposição se mostrava notória, pois de um lado do contrato estava uma empresa de grande porte (no caso a montadora) e de outro uma empresa, normalmente nacional e de pequeno porte (no caso o concessionário). g. E depois de aderir aos termos da contratação e se tornar um concessionário, a desistência representava enorme prejuízo a esta empresa de pequeno porte, em razão do prévio investimento que tinha que fazer, não apenas com a estrutura do empreendimento, mas também com a especialização da mão de obra. Daí porque o concessionário, para se manter em atividade, tinha que obedecer às regras impostas pelas montadoras.
h.

i. No caso vertente, como é de conhecimento notório, a Segunda-ré é velha conhecida montadora de veículo, atuando no país há muitos anos e possuindo inúmeros concessionários, que prestam serviços em nome delas, com exclusividade. j. Importante observar que a vasta rede de concessionários em todo o território nacional é utilizada pela Segundaré como marketing de venda, diferenciando-as das concorrentes. k. A rede de distribuição de veículos automotores da Segunda-ré é formada com base na figura contratual da “concessão comercial”, que é uma forma de contrato onde uma das partes, no caso a montadora, promove a venda de seus produtos ao comerciante (concessionário), cuja área de atuação é definida no instrumento contratual, vindo este a auferir lucro com a revenda na

área territorial que lhe foi demarcada. E para a garantia das partes, há a concessão recíproca de exclusividade. l. Desta forma, o concessionário distribuidor se compromete a vender somente os produtos da marca (HONDA), na estipulada área territorial, ao passo que a fabricante (montadora), por sua vez, se obriga a não vendê-los a outro negociante, na mesma área. m. E assim está formada a rede submissa de distribuição de veículos e peças de cada uma das empresas rés, com a clara desigualdade existente entre a grande empresa multinacional (no caso a montadora) e a pequena empresa nacional (no caso o concessionário). Resumindo, você paga um seguro caríssimo, uma franquia caríssima e a concessionária não tem peças para realizar o serviço? PA-LHA-ÇA-DA! Se isso não causa constrangimento, aborrecimento, raiva. Se isso não abala psicologicamente, se não revolta, se não causa stress, o que causará? É sempre bom lembrar que a concessionária é representante legal do fabricante e tem por obrigação, do mesmo modo, de manter componentes e peças de reposição em estoque, para atender, com eficiência e rapidez, a demanda dos consumidores. E o fabricante, por esta razão mesma, também é solidariamente responsável pela inexistência da peça ou do componente de reposição na concessionária.

V.

DOS FATOS

1) Em 26 de janeiro do ano de 2012, o Autor- Arrendatário, através de seu representante legal, comprou uma Moto, modelo 022417-CBR 600F, Cor: Branca, Ano fabr/Modelo 2011/2012, Renavam nº 015117, Chassi nº. 9C2PC4230CR700216, no valor de R$ 34.500,00 (Trinta e quatro mil e quinhentos reais), através de Contrato de Arrendamento Mercantil(LEASING) na Revendedora-ré, conforme N.fiscal (em anexo); 2) Em 15/06/2012 o representante legal do Autor- Arrendatário , sofreu um acidente, danificando o veículo;

3) Em 15/06/2012, o Autor- Arrendatário, ou seja, no mesmo dia do acidente, procurou a concessionária segunda-ré para fazer o ORÇAMENTO, e, os reparos necessários, a fim de dar continuidade ao seu trabalho de vendedor, sendo emitidas três fls., com o código *14491*, com prazo de validade de 91 dias, e, com a descrição das peças referentes ao ORÇAMENTO para concerto do veículo acima descrito; Adite-se a presente que após, 06 (seis) dias, da entrada do veiculo na concessória, a seguradora autorizou o conserto do veículo. 4). Em 16/08/2012, ou seja, após 60 (sessenta) dias, emitiu outra nota com o código *15335*, com prazo de validade de 30 dias, e, também com a descrição das peças referentes ao ORÇAMENTO para concerto do veículo acima descrito, informando no item “Observações Gerais”, estampado no corpo da referida nota o seguinte: DAV anterior 0000097669 “Gilberto estas são as peças que “FALTAM”. As peças acima já foram pedidas para fábrica (HONDA), MAIS AS MESMAS ESTÃO EM BO (NÃO TEM NA FABRICA); 5) Após a seguradora ter autorizado o conserto, a segunda-ré, informou ao Sr. RAFAEL MENDES DA ROCHA, sócio do AutorArrendatário, de que o prazo para o conserto do veículo era de até 10 (dez) dias a partir da data de emissão do orçamento, em 16/06/2012. 6) Adite-se que o orçamento dos serviços e peças teve sua validade expirada em 18/09/2012. Entretanto, após idas e vindas, telefonemas, emails, do Sr. RAFAEL MENDES DA ROCHA, para concessionaria-Ré, as repostas são sempre as mesmas. Ou seja, “AS PEÇAS QUE FALTAM ACIMA, JÁ FORAM PEDIDAS PARA FÁBRICA (HONDA), MAIS AS MESMAS ESTÕ EM BO (NÃO TEM NA FABRICA)”. (doc.anexo) 7) Em 18/09/2012, novamente o Sr. RAFAEL MENDES DA ROCHA, representante legal e sócio do Autor- Arrendatário, entrou em contato com a Autorizada, segunda-ré que, o informou de que não havia ainda as peça para realizar os reparos. Devendo, assim, o Autor ficar entrando sempre em contato para saber se a peça fora fabricada. 8) É importante ressaltar que por mais que um veículo(moto) seja um bem de conforto, no caso em tela, essa MOTO é essencial, uma vez que o sócio da autora Sr. RAFAEL MENDES DA ROCHA exerce também a função de VENDEDOR, já que o mercado não anda bem, ou

seja, muita concorrência, e, para aumentar o(s) lucros e, a sobrevivência da sua empresa, o que torna, ainda mais grave essa situação. SE JUNTA A PRESENTE, RELATÓRIO DE VENDAS POR CLIENTES COM MOVIMENTO. 09) Cansado de aguardar, de ligar, uma vez que a peça continua em falta, o Autor, sem alternativa, vem a este M. M. Juízo requerer a prestação jurisdicional a fim de que se faça justiça. VI - DOS FUNDAMENTOS Da Responsabilidade Civil Objetiva  Pela Teoria do Risco do Empreendimento, todo aquele, que se disponha a exercer alguma atividade no campo do fornecimento de bens e serviços, tem o dever de responder pelos fatos e vícios resultantes do empreendimento, independente de culpa.  A responsabilidade decorre do simples fato de dispor-se alguém a realizar atividade de produzir, distribuir e comercializar produtos ou executar determinado. No caso em tela, o Fabricante-réu, e a Revendedora-ré , ao produzir, distribuir produto e prestar serviço de conserto, respectivamente, assumiram o risco do empreendimento.  De acordo com o preceituado no Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 18, o fornecedor e o fabricante de produtos viciados respondem solidariamente, in verbis: Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.

§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III - o abatimento proporcional do preço. Adite-se ainda que O Código de Defesa do Consumidor garante que a empresa forneça peças para linhas descontinuadas por um “período razoável“. De acordo com a Fundação Procon de São Paulo, esse tempo deve ser de no mínimo cinco anos. “PORÉM, NO CASO CONCRETO, TRATA-SE DE VEÍCULO NOVO”. Portanto, as peças já deveriam

ter sido reposta há muito tempo.
ART. 32. OS FABRICANTES E IMPORTADORES DEVERÃO ASSEGURAR A OFERTA DE COMPONENTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO ENQUANTO NÃO CESSAR A FABRICAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DO PRODUTO. Art. 34. O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos. Art. 40. O fornecedor de serviço será obrigado a entregar ao consumidor orçamento prévio discriminando o valor da mão-de-obra, dos materiais e equipamentos a serem empregados, as condições de pagamento, bem como as datas de início e término dos serviços. Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: III - transfiram responsabilidades a terceiros; O Código de Defesa do Consumidor prevê duas espécies de responsabilidade civil: pelo fato do produto ou serviço (art. 12 a 17), e pelo vício do produto ou serviço (arts. 18 a 25). Quanto à primeira – fato do produto ou serviço – o defeito, além de impedir o correto funcionamento do produto ou do serviço, CAUSA

UM DANO MAIOR AO CONSUMIDOR, ultrapassando o limite valorativo do produto ou do serviço. Revela-se como fato do produto ou serviço o acontecimento externo que, em razão de um defeito de concepção, de produção ou de comercialização, cause dano material ou moral ao consumidor. Doutrinariamente, são chamados de “acidentes de consumo”, uma vez que atingem a incolumidade físico-psíquica do consumidor e o seu patrimônio. Melhor situando a questão, por defeituoso se tem o produto ou serviço quando não fornece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: sua apresentação ou modo de seu fornecimento; o uso ou resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam, e a época em que foi colocado em circulação ou foi fornecido (arts. 12, § 1º, e 14, § 1º, incisos I, II e III). Nestes termos, o seguinte precedente do TJRJ: 2009.001.18502 - Apelação Des. CHERUBIN HELCIAS SCHWARTZ – Julgamento: 09/06/2009 – Décima Segunda Câmara Cível. APELAÇÃO CÍVEL. SUMÁRIO. OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZATÓRIA. APARELHO DE TELEVISÃO. RELAÇÃO DE CONSUMO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Com fundamento na teoria do Risco do Empreendimento, aquele que se disponha a exercer qualquer atividade no mercado de consumo deverá suportar os ônus decorrentes dos vícios e defeitos do produto ou do serviço oferecido. Responsabilidade que somente poderá ser ilidida, verificada a ocorrência de uma das hipóteses de excludente de responsabilidade. De acordo com o art. 18 do CDC, quando o produto adquirido pelo consumidor apresentar vício de qualidade, em que impeça o seu uso normal, tanto o fabricante quanto o comerciante são responsáveis pelo ressarcimento dos danos ocasionados. Considerando, entendo que o quantum arbitrado observou os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Sentença que se mantém. Recurso improvido. Registre-se, ainda, que o Autor tem direito de exigir a substituição do produto por outro da mesma espécie em perfeitas condições de uso,

uma vez que já se passaram mais de 30 dias sem o vício do produto ser sanado, conforme o art. 18, § 1º, I do CDC. Assim, não há dúvidas quanto à responsabilidade dos réus pelo vício do produto comprado pelo autor.

DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA
In Casu, não há dúvidas quanto à verossimilhança dos fatos narrados pelo Autor e a sua hipossuficiência, não apenas econômicas, mas também jurídica, mormente no plano processual. Assim, o ônus da prova deve ser invertido, na forma do art. 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor. Conforme salientado na jurisprudência deste Tribunal: 2009.001.30602 - APELACAO DES. JOSE GERALDO ANTONIO - Julgamento: 01/07/2009 - SETIMA CAMARA CIVEL RESPONSABILIDADE CIVIL - RELAÇÃO DE CONSUMO COMPRA DE BLOCOS DE CERÂMICA - PEÇAS FALTANTES E QUEBRADAS VÍCIO DO PRODUTO - FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA - DANOS MORAIS CONFIGURADOS - VALOR - PROPORCIONALIDADE E GRAVIDADE DO DANO. O Artigo 13 do Código de Defesa do Consumidor dispõe que o comerciante responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes dos produtos.A frustração da expectativa de usufruir o produto adquirido é capaz de gerar transtornos e angústias passíveis de reparação moral. O valor do dano moral deve ser proporcional à sua gravidade. Provimento parcial do recurso. Desta forma, a inversão do ônus da prova deve socorrer o direito alegado pelo Autor.

DO DANO MORAL
A demora excessiva na solução do vício apresentado pelo produto, no caso, a reposição de peças, impossibilitou o autor de utilizar um bem que era seu por mais de 06 (seis) meses, e, era usado pelo Sr. RAFAEL MENDES DA ROCHA, representante legal e sócio do AutorArrendatário nos deslocamentos para vender os produtos comercializados pela mesma. Sendo certo que tal fato não pode ser enquadrado no que a doutrina classifica como mero aborrecimento, uma vez que ocasionou danos ao Autor que devem ser reparados. Sucessivas ligações, com as transferências e esperar já costumeiras na prestação dos serviços de atendimento ao consumidor, somado a tudo isso a frustração causada pelo insucesso das tentativas de troca do produto ou devolução do valor despendido, certamente resta configurado o dano moral. A propósito: 2009.001.26114 – Apelação – 1ª Ementa Des. PEDRO FREIRE RAGUENET – Julgamento: 09/06/2009 – Décima Oitava Câmara Cível Cível. Consumidor. Vício do produto não solucionado pela assistência técnica autorizada pela ré. Pedido de troca do produto e indenização por danos morais. Procedência parcial, determinando a substituição do produto. Apelação. Embora se admita eventual falha ou vício de produto que obrigue o consumidor a enfrentar as filas de atendimento técnico, em contrapartida espera-se pronta solução aos problemas apresentados pelo computador adquirido. Mas se isso não ocorre e o consumidor se vê lançado em sucessivas idas e vindas em busca de solução deste problema, ao final não resolvido, se tem por ofendida a lógica do razoável em relação ao tema. Inoperância do sistema comercial da empresa ré que ultrapassa o mero aborrecimento, típico das atividades do dia-a-dia. Não aplicação da Súmula nº 75 deste Tribunal. Dano moral configurado a ensejar indenização. Fixação deste com atenção aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Provimento de apelo.

Aliás, se assim não fosse, encontraria a conduta protelatória dos fornecedores importante respaldo no Poder Judiciário, uma vez que as promessas não cumpridas ao consumidor nenhuma conseqüência produziriam além daquelas operadas já com o eventual cumprimento espontâneo da obrigação legal, em verdadeira afronta ao dever de prestação de serviços seguros e adequados. Neste sentido, é o seguinte aresto deste Tribunal: 2009.001.46361 – Apelação – 1ª Ementa Des. ALEXANDRE CÂMARA – Julgamento: 14/08/2009 – Segunda Câmara Cível. Direito do consumidor. Demanda reparatória. Vício do produto. Negativa de troca ou devolução do dinheiro. Conduta protelatória, consistente na prestação de informações inverídicas relativas ao processamento da reclamação do consumidor e à solução efetiva do problema. Criação de legítima expectativa, frustrada, ao final pelo não cumprimento. Dever de prestação de serviços seguros e adequados. Reconhecimento do dano moral, fixado. Provimento parcial da apelação, na forma do art. 557, § 1º-A, do CPC. Registre-se, ainda, que os réus que produziram e comercializaram o bem de consumo carente de peças de reposição, muito embora novo, impuseram ao Autor à sujeição de desgaste pessoal, perda de tempo útil, esperas e impedimentos no desfrute despreocupado do bem adquirido. Corroborando, assim, a seguinte decisão: 2009.001.30511 – Apelação – 1ª ementa Des. ROGÉRIO DE OLIVEIRA SOUZA – Julgamento: 12/08/2009 – Sexta Câmara Cível. Direito do consumidor. Aquisição de telefone celular novo com defeito. Conserto pela autorizada. Permanência do vício. Resistência injustificada do fornecedor e fabricante em promover a substituição do produto. Dano moral configurado. Não sendo sanado o vício do produto, poderá o consumidor fazer uso de qualquer daquelas alternativas previstas no art. 18 do CDC (substituição do produto,

restituição do valor pago ou abatimento do preço) Resistência injustificada do fornecedor e fabricante do produto para substituição do mesmo. Hipótese que acarreta desgaste emocional e perda de tempo útil do consumidor. Dano moral configurado. Reforma parcial da sentença. Conhecimento e provimento do recurso. Resta claro, assim, o dano moral em razão da FALTA DE PEÇAS DE REPOSIÇÃO para o devido concerto do bém.

DO PEDIDO
Diante do exposto, requer a V. Exª: A) A citação das empresas requeridas, nos endereços já declinados no preâmbulo desta peça, nos termos do Art. 223. Com a advertência a que se refere o art. 285, segunda parte, comunicando, ainda, o prazo para a resposta e o juízo e cartório, com o respectivo endereço. (Redação dada pela Lei nº 8.710, de 24.9.1993) Parágrafo único. A carta será registrada para entrega ao citando, exigindo-lhe o carteiro, ao fazer a entrega, que assine o recibo. Sendo o réu pessoa jurídica, será válida a entrega a pessoa com poderes de gerência geral ou de administração. (Incluído pela Lei nº 8.710, de 24.9.1993),para contestar, querendo, em audiência no dia e hora determinado e acompanhá-la até final decisão, quando, por r. sentença, para que seja julgada inteiramente procedente a presente ação proposta, para o fim especial de condenar a empresa requerida ao pagamento da indenização pelos danos causados a autora; B) Que seja recebida a presente peça no Rito Sumário; C) DA INDENIZAÇÃO PELOS DANOS MORAIS CAUSADOS a serem arbitrados por vossa excelência, segundo os critérios mencionados nos fundamentos desta petição, devendo o valor ser devidamente atualizado também segundo os critérios legais até a data do efetivo pagamento, acrescidos ainda de juros de mora à taxa legal a

partir da citação, com observância aos dispositivos dos artigos enumerados no código de defesa do consumidor (lei 8078/90),com o sagrado direito à indenização que faz jus pelo dano moral que causou a requerente. D) Requer a inversão do ônus da prova a teor do artigo 6º viii do código de defesa do consumidor, por ser a requerente a parte mais frágil e, sobretudo pelas alegações e provas carreadas aos autos, pedese e espera-se afinal desse ínclito juízo, que acolha as razões acima explicitadas, assim como a inversão do ônus da prova. E) Conceder na conformidade do art. 18 e incisos da Lei 8.078/90, do art. 273, inc.I, §3º c/c o art. 461 e incisos do CPC, a Tutela Antecipada de forma “initio littis” e “inaudita altera pars”, para os fins de a requerida ser obrigada a entregar a moto DEVIDAMENTE REPARADA, no prazo DETERMINADO por V.Exa., e, ou então, que seja compelida a entregar uma moto nova, de modelo igual e/ou diverso e de igual valor em questão, com as despesas de licenciamento de responsabilidade dos réus, sob pena de multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais) a ser arbitrada por este(a) nobre julgador(a). F) A condenação dos réus solidariamente, ao pagamento do ônus da sucumbência; G) Confirmar a antecipação dos efeitos da tutela pretendida, nos termos do art. 18 e incisos da Lei 8.078/90; Após, cumpridas as necessárias formalidades legais; G.1) Por derradeiro vale esclarecer, que apesar de se tratar de ação de RITO SUMÁRIO, desnecessária a produção de prova PERICIAL, já que os documentos acostados, falam por si, em razão da confissão da Seguda-Ré (Motoclean), de que a Primeira-Ré(Honda), não possui as peças para reposição e efetivo reparo do veículo em questão. H) Atribuindo-se à presente causa, o valor de R$ 34.900,00 (trinta e quatro mil, e novecentos reais), nos termos do art. 259, inc. II do CPC.Pede e espera, com os suplementos do elevado saber jurídico de vossa excelência ("iura novit curia"), seja a presente ação julgada totalmente procedente, nos termos propostos. Pede Deferimento. Rio de Janeiro, 19 de Setembro do ano 2012.