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True Blood - Escravos do Amor - Capítulo 32 - Grandes Esperanças

True Blood - Escravos do Amor - Capítulo 32 - Grandes Esperanças

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Season Finale da Segunda Temporada de nossa novela... Voltaremos em janeiro com a Terceira Temporada!!!
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09/26/2013

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Temporada 02 Capítulo 32

Grandes Esperanças
By We Love True Blood

We are who we are, people don't change.

“Ela me fez sentir viva, o gosto é incrível.”, Jessica disse para Bill enquanto caminhava atrás dele num dos longos corredores na sede da Autoridade. “Pare com esses disparates.”, ele disse olhando para os lados. “Eu não acredito que não experimentou ainda, só assim irá acreditar em mim.”, ela agarrou o braço dele. “Jessica...”, ele disse entre dentes. “Não ouse repetir isso perante os outros, nunca mais.” “Repetir o que? O sangue de Sookita ser especial?” “Não é especial. Você está querendo nos colocar em problemas se continuar brincando dessa maneira.” “Problema nenhum, querido pai. Sookita precisa ser estudada, e não tem lugar melhor do que aqui na Autoridade.” Bill segurou com força nos ombros de Jessica, e a sacudiu várias vezes, cada vez mais aumentando a força. “Você era a última pessoa que eu esperava que me magoasse dessa maneira. Eu te dei tudo, e você quer me tirar tudo, por causa de um ciúme bobo.” “Eu não quero ser deixada novamente. Não quero ser trocada por ela.”, Jessica abaixou a cabeça quando ele parou de sacudi-la. “Você é a minha filha, meu sangue está em você. Só peço que pare de agir pelas minhas costas.”, ele a abraçou. “Eu tenho muitos inimigos, minha querida, e aos poucos você está fazendo parte deles.” “Não, não... eu não quis te magoar, eu juro. Até afastei Eric de Sookita...”, ela agarrou o paletó dele, encostando a cabeça no ombro. “Sookita casou comigo, nunca corri risco de perdê-la para Eric. Se eu precisasse de sua ajuda, eu pediria.”

“Não sou uma inimiga, por favor, não faça isso comigo.” “Se entrar lá dentro e contar essas mentiras sobre Sookita...”, ele a afastou e a encarou nos olhos. “Só que ela tem algo diferente, pai, não pode negar isso.” “Não estou negando, mas aqui não é o lugar ideal para discutirmos esse assunto. Ainda mais quando está sendo acusada de atacar minha esposa.”, ele fechou os olhos com uma expressão de dor. “E fará exatamente como combinamos.” “E se eu não fizer?”, ela recomeçou a caminhar no corredor. “Sei que fará o certo. Não te criei tão errado assim.”, ele disse a alcançando com alguns passos. Ela passou a mão no rabo de cavalo, abriu um sorriso, só que ele não sorriu de volta como ela esperava. Pararam em frente uma porta dupla que estava ladeada por dois seguranças armados. Um deles abriu a porta obrigando Jessica a entrar depois de Bill. Um novo corredor levava a outra porta dupla, novamente com dois seguranças armados. Jessica fez uma careta quando se aproximou, estava cansada desses excessos da Autoridade. Ainda sentia-se fraca pela pouca alimentação que recebeu esses dias, faria com que pagassem de alguma maneira por esses maus tratos quando ela fosse liberada. Jessica ficou surpresa com a suntuosidade da sala que adentraram. O teto em abóbada era todo pintado com imagens que lembravam a Capela Sistina, só que com sangue e pessoas sendo mordidas. A sala era larga e longa, no fundo havia uma mesa com três pessoas sentadas. Ela viu Santiago ladeado de Bastian e Delilah. Havia cadeiras e outras mesas, conforme caminhou até eles, Jessica sentiu como se fosse observava pelos retratos pendurados nas paredes. Até viu algum dos olhos se mexerem numa das pinturas. Ela não conhecia a Autoridade a fundo como seu pai, não tinha noção dos rituais, e muito menos entendia a estranha língua que falavam. Só sabia o básico e as leis enfadonhas atuais de não atacar humanos e outras baboseiras, ela pensou dando de ombros. Ela parou em frente à mesa, encarando Santiago e ignorando Bastian e a outra vampira. Bill parou ao seu lado, apertou o ombro dela e se afastou sentando numa cadeira na outra extremidade da sala. “Senhorita Los Mares, essa reunião está sendo filmada e gostaríamos que confirmasse que está ciente do crime o qual foi acusada?”, Santiago disse num tom pomposo.

“Não estou ciente porcaria nenhuma.” Bill se mexeu impaciente na cadeira ao ouvir a resposta malcriada de Jessica. Bastian se recostou na cadeira se divertindo com a situação. Santiago passou a mão na cabeça careca visivelmente nervoso. “Deixe-me refrescar sua memória.”, Delilah disse encarando Jessica com o cenho franzido. “Está sendo acusada de atacar Sookita Montenegro por motivo fútil.” “Sim, estou ciente. Eu queria tanto aquele Jimmy Choo1 que ela ganhou do meu pai.”, ela soltou uma gargalhada. Santiago fez um movimento com a mão para o guarda do outro lado da enorme sala que prontamente abriu a porta. O salto de Pam podia ser ouvido conforme caminhava de maneira petulante até onde todos estavam. Santiago indicou uma cadeira perto de Bill para que ela se sentasse. Pam sorriu quando se sentou e cruzou as pernas apoiando o braço nelas. “O que ela faz aqui?”, Bill perguntou se levantando. “Pamela Izabelita Lerõnho é a testemunha principal do caso contra sua adorável filha.”, Santiago disse limpando os óculos com um lenço. “Não fui avisado sobre isso.”, Bill respondeu não contendo o nervosismo. “Nem nós, Pamela quem se ofereceu para depor.”, Delilah disse. “Sempre estou disposta a ajudar.”, Pam disse olhando de Bill para Jessica. “Podemos começar?”, Santiago apontou novamente a cadeira para Bill, esperou o outro se sentar para continuar. “Senhorita Lerõnho, poderia descrever o que presenciou na noite do dia 19?” “Com prazer, eu vi Jessica, a filha do prefeito, atacando Sookita Montenegro.”, ela apontou o dedo para Jessica. “E o que fazia lá, Pam... digo... Senhorita Lerõnho?”, Bastian perguntou apoiando o queixo numa das mãos. “Eu estava prestando uma visita para Sookita, que é muita amiga de uma de minhas funcionárias.”, ela fez uma pausa dramática. “Quando cheguei lá me deparei com a terrível cena do ataque, graças a minha funcionária Tara que Sookita continua viva.” “Vão acreditar nessa ridícula?”, Jessica revirou os olhos na direção de Pam. “Ela está fazendo isso porque Eric Colunga está me comendo.”
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Famoso designer de sapatos

Pam balançou a cabeça com um sorriso cínico, fez um movimento com as mãos indicando que Jessica não batia muito bem da cabeça. “Eu vi com meus próprios olhos Jessica atacando Sookita, Tara salvando a amiga e o lobo que é guarda-costas dela limpando a cena do ataque.”, Pam cruzou os braços. “Se não acreditam, só chamarem o lobo para depor.” “O idiota do Alcide não sabe de nada. Estou sendo difamada por causa de mulheres mal comidas.”, Jessica disse soltando uma risada que ecoou pela sala. “Senhorita Los Mares tenha decência perante todos nessa sala.”, Santiago disse batendo a mão na mesa. Bastian deu um salto com o susto que levou diante das palavras de seu criador, raramente o via perder a linha, Jessica tinha algo que tirava as pessoas do sério. “Bastian tem uma coleção de calcinhas minhas, esse conselho não é muito decente para me julgar.”, Jessica ergueu a cabeça desafiadora. “Eu... eu não sei do que ela está falando.”, ele abriu os braços negando com as mãos. “Não é Bastian que está sendo acusado.”, Santiago disse severamente. Ele olhou para o jovem vampiro como se fosse esgana-lo a qualquer momento, Bastian se encolheu na cadeira. Em seguida ele voltou à atenção para Pam. “Por que só agora, tantos meses depois, resolveu contar sobre o ataque?” “Jessica é filha do prefeito, eu temia algum tipo de represália ao meu estabelecimento. Mas, não seria justo com Sookita que nada fosse feito.”, ela passou a mão nos olhos marejados. Bill deu um soco na outra mão diante da atuação de Pam. Ele tentava controlar a irritação e a vontade de dar um fim nessa reunião patética. “Tragam o lobo.”, Santiago apontou para frente. Alcide entrou na sala sendo empurrado por um dos guardas, caminhava cabisbaixo, só ergueu a cabeça quando parou perto de Jessica. “É esse o lobo de nome Alcide Carlitos de Nóbrega que foi visto na cena do ataque?”, Santiagou voltou-se para Pam. “Sim, ele mesmo.”, Pam confirmou com um largo sorriso. “Senhor Nóbrega, queremos que diga a verdade sem nos obrigar a hipnotizalo.”, Santiago disse olhando para o lobo.

Jessica se mexia incomodada ao lado de Alcide. O lobo não ousava encara-la. Bill observava a cena calado, esperava que Alcide cumprisse o que haviam combinado. “Menina Jessica atacou Dona Sookita porque eu falhei em mantê-la longe dos problemas. Ela deveria ter ficado em casa sendo vigiada quando descobriu que o pai foi punido pelos senhores.”, ele disse de uma vez, parou alguns segundos para recuperar o fôlego. “Então, senhorita Los Mares, não tem mais como negar o ataque. O homem responsável pela sua segurança está assumindo o ocorrido.”, Santiago encarou Jessica. “Sim, foi culpa de Alcide. Eu estava descontrolada, nervosa e desesperada pelo que aconteceu com meu pai.”, ela colocou a cabeça entre as mãos chorando copiosamente. “Eu agi sem pensar...” Pam balançou a cabeça controlando o riso diante da péssima atuação de Jessica. Era o primeiro momento de alegria que tinha desde a partida de Eric, só continuaria feliz quando ele voltasse. “Senhor Nóbrega confirma que mudou a cena do ataque para proteger a Senhorita Los Mares?”. Alcide confirmou com a cabeça, olhando preocupado para Jessica que não parava de chorar. “Repetindo, o senhor confirma?”, Santiago voltou a perguntar. “Sim.” “Qual é a natureza de sua relação com a acusada?”, Bastian perguntou recebendo um leve cutucão de Santiago por baixo da mesa. “Intima, somos muito íntimos.”, Alcide respondeu envergonhado. “Então, fez isso por que os dois tem um caso?”, foi a vez de Delilah perguntar. “É mentira, eu não tenho nada com esse lobo. Nunca tive e jamais terei.”, ela ergueu a cabeça enxugando as lágrimas de sangue com as mãos. “Bem, isso é irrelevante. A senhoria será punida exemplarmente pelo ataque sem motivo que fez contra Sookita Montenegro.”, Santiago disse. “O lobo Alcide não podemos punir, pois pertence à outra raça.” “Não, eu serei punido no lugar dela.”, Alcide se colocou em frente à Jessica. “Não tem motivo para isso.”, Santiago disse impaciente. “Jessica e eu iremos no casar. Só não aconteceu porque ela foi presa.”

“Entendo que queria fazer de tudo para ajuda-la, caro rapaz. Mas, a acusada negou qualquer vínculo com o senhor.”, Santiago respondeu fazendo um movimento dispensando Alcide. “Eu tenho como provar.”, o lobo estufou o peito tirando um celular do bolso. Jessica quase desmaiou quando viu o celular que desapareceu em Tijuana nas mãos de Alcide. Ele havia roubado, ela balançava a cabeça inconformada. Como tinha sido ingênua ao pensar que o lobo era um tapado. Ela tinha sido passada para trás. Alcide estendeu o celular para Santiago. O vampiro forçou a vista para ver o conteúdo, arregalou os olhos com o que viu. Passou o celular para Delilah que sufocou o riso, em seguida Bastian pegou o celular e apertou o aparelho nas mãos conforme passava as fotos. “Bem... o aparelho terá que ser confiscado para averiguação.”, o jovem vampiro disse guardando o celular no bolso rapidamente. Santiago encostou a cabeça na cadeira sem acreditar no quanto essa reunião foi surreal. Tinha acontecido de tudo um pouco, seria motivo de chacota de seus superiores que assistiam a tudo. Teria que tomar uma atitude drástica. “Diante de tudo que foi apresentado, não restando dúvida da culpa de ambos.”, ele apontou para Alcide e Jessica. “Senhorita Los Mares será punida com as presas sendo removidas.” Jessica soltou um grito de desespero, ela tinha ouvido histórias aterradoras de vampiros que tiveram as presas arrancadas e sofreram diariamente durante 3 meses até voltarem ao normal. Agora as lágrimas de sangue escorriam sem parar pelo seu rosto, dessa vez com intenção, sem usar artifícios. “O Senhor Nóbrega enfrentará a Dama de Ferro.” Um estremecimento passou pela sala, quase todos ali sabiam o que significava essa punição e o quão extrema era. Bill apoiou a cabeça nas mãos chocado com o que presenciava na sala, tudo tinha saído errado. Alcide era para ser punido, mas não de maneira rigorosa e Jessica era para ter escapado. Bill se aproximou de Jessica, segurou-a nos braços, como se a ninasse. Jessica não parava de chorar, ergue o rosto marejado de lágrimas para ele. “Pai, diga que não é verdade... que não irão fazer isso comigo.” “Deveria ter me ouvido, querida. Pelo menos uma vez, deveria ter me ouvido.”, ele balançou a cabeça. “Eu... Alcide mentiu sobre o casamento, não vou casar com ele.”, ela disse encostando a cabeça no peito dele.

“Infelizmente, isso já está estabelecido. Irão se casar quando saírem daqui.” “Você já sabia?” “Sim, foi a minha tentativa desesperada em te poupar dessa punição. Se tivesse se comportado como eu pedi.” “Está me mandando embora, como eu imaginei.”, ela se afastou dele chocada. “Não é isso.”, ele abriu os braços para ela, mas Jessica continuou se afastando dele. “Levem-nos daqui. A reunião está encerrada.”, Santiago disse irritado se levantando da mesa e sendo seguido por Bastian e Delilah. Os guardas se aproximaram de Alcide e Jessica, puxaram os dois sem gentileza pela sala. Bill tentou dizer algumas palavras para Alcide, mas foi impedido. Só restaram ele e Pam na sala. Pam passou por Bill com um leve sorriso, por alguns momentos parecia que estava assistindo a cena de uma novela. Se livrar de Jessica tinha saído melhor do que imaginava. Estava com pena do pobre lobo que se casaria com uma moça desmiolada como a filha do prefeito, e Pam raramente sentia pena dos outros. Bill a puxou pelo braço impedindo que continuasse a caminhar para a saída da sala. Aproximou-se de Pam e disse baixinho: “Foi Eric quem te mandou bancar a dedo duro?” “Ele nem sabe que estou aqui, está ocupado salvando mais uma vez a tua pele, vossa excelência.”, ela abaixou a cabeça como se o reverenciasse. “Não faz mais do que a obrigação, está compensando o erro que cometeu na missão.”, ele a soltou, e passou a mão no bigode. “Entregue isso para ele.”, Bill estendeu um celular. “O que é isso?” “O pagamento pelos serviços prestados.”, ele ajeitou o paletó. “Foi proveitoso te encontrar aqui, me poupou em ir naquela espelunca.” “Sempre um prazer fazer negócios com vossa excelência.”, ela abaixou novamente a cabeça. “Espero ser convidada para o casamento de sua filha, sem querer banquei o cupido.” “Sua amizade com Santiago não irá salvá-la todas às vezes.” “Está me ameaçando?”, ela colocou as mãos na cintura.

“Você é peixe pequeno, não é de meu interesse.”, ele passou por ela caminhando para a saída. “Só não pense que esqueci o que fez com Jessica.” Pam usando a velocidade vampírica derrubou Bill com um chute nas costas. O vampiro escorregou pelo chão de mármore, batendo a cabeça na pesada porta de madeira. Ela saltou ao lado dele apoiando o salto no peito de Bill. “Eu só preciso apertar.”, ela furou com o salto a camisa branca que ele usava. Bill agarrou o pé dela virando para o outro lado. O osso estalou e uma parte saiu na pele, Pam caiu de cara no chão. Usando uma mão, Bill a pegou pelo pescoço e a levantou vários metros do chão. “Agora eu só preciso arrancar.”, ele apertou os dedos com força, não teria dificuldades em arrancar a cabeça dela. “Eu só preciso gritar.”, ela segurou na mão dele. Ele a jogou de encontro à parede. Deu de ombros arrumando o paletó para esconder o furo na camisa. “Eu te esmagaria como um inseto. Mas, não vale a pena me sujar por tão pouco.” Pam só ouviu a porta batendo após a saída dele. A dor na perna era insuportável, reunindo toda a coragem que tinha enfiou o osso que saltou para fora com a mão. Soltou um grito de raiva misturado com dor. Levantou-se com dificuldade, esperaria se recuperar antes de ir embora. Não queria que os outros a vissem tão vulnerável. ----------------------------------Eric sentou-se na cadeira do escritório irritado, a música da boate estava especialmente alta nessa noite, alias tudo o estava irritando desde que deixou Sookita horas atrás. Não havia sinal de Pam, e tinha um monte de papéis jogados em cima da mesa, uma verdadeira bagunça. Ele passou a mão nos cabelos tentando recobrar a compostura, estava em ponto de explodir e gritar para desligarem aquele som. Ele fechou os olhos tentando se lembrar de tudo que tinha acontecido nesses dias que ficou fora. Nunca esteve tão perto de morrer como dessa vez e nunca esteve tão perto de sucumbir para uma pessoa depois de tanto tempo. Não estava arrependido em ter tirado a virgindade de Sookita, já tinha feito isso com tantas outras. Só que se sentia estranhamente ligado a ela. Mesmo depois do sexo, ele acreditava que essa sensação passaria depois do que fizeram. Só que continuava ali, no fundo, como se o estivesse confrontando.

Abriu os olhos tendo a certeza de que a continuava desejando muito mais do que gostaria de admitir para si mesmo. Talvez o sangue dela fosse especial, tivesse algo que o prendesse, ele pensou girando a cadeira. Roubar Sookita de Bill era muito pequeno e mundano para o seu gosto, e como disse para ela na praia, não queria cometer os mesmos erros do passado. Passou a língua nos lábios, ainda sentia o gosto dela, o cheiro, a pele delicada. Eric se colocou em pé de uma vez, tinha algo de errado com ele. Não poderia se sentir como um adolescente, até pensar como um. Sookita era só mais uma em sua longa vida como vampiro, nada mais do que isso. Ele repetiu várias vezes como se fosse um mantra. Teria que descobrir uma maneira de lidar com esse desejo. Ela era correta demais para aceitar ter um caso com ele, mesmo tendo traído Bill uma vez, sem dúvida não faria novamente. Ele não acreditava que ela não estava arrependida como disse no carro. Ainda mais que era um pecado mortal para a Igreja dela, provavelmente estava nesse momento se autoflagelando por ter perdido a virgindade com um vampiro como ele. Eric riu diante desse pensamento. Ele não poderá oferecer o tal amor que ela acredita sentir, ele só amou duas vezes e não teve final feliz. Além do que, nem ele tinha certeza de que realmente sentiu algum tipo de amor, provavelmente foi apenas paixão. Não entendia como sobreviver com esse tipo de sentimento por muito tempo. Ele não se sentia bem com a sensação de entrega total ao outro, a perda da individualidade, era como andar constantemente pisando em ovos. Para um vampiro tão antigo quanto ele era a mesma coisa que abdicar da imortalidade, não tinha como conciliar a crueza de ser um vampiro e amar intensamente ao mesmo tempo. Godric o havia ensinado tão bem a fechar os sentimentos para os humanos, e ele foi um excelente aluno. Não percebeu quando a porta do escritório abriu e fechou, estava tão absorto em seus pensamentos, o passado se confundindo com o presente. Virou quando sentiu um toque no ombro, encontrou Pam com cara de poucos amigos. “Não está feliz por me ver de volta?”, ele perguntou abrindo os braços. Pam deu um tapa no braço dele e sentou-se na poltrona passando a mão na perna dolorida e depois arrumando o cabelo. “Eu sabia que voltaria, não é novidade.”, ela estendeu o celular para ele. “Seu amigo Bill mandou te entregar.” “Onde o encontrou?”, ele perguntou surpreso ligando o aparelho. “Na Autoridade.”, ela fez uma careta de dor.

“Aconteceu uma festa e você foi me representar?”, ele sentou-se na cadeira dando risada. “Apesar de que seu visual não é dos melhores” “Não. Fui testemunhar no julgamento do ataque de Sookita.”, ela abriu um sorriso diante da expressão assustada dele. “Não pense que fiz isso com boa intenção.” “É um círculo vicioso.”, ele disse para si, esquecendo-se de Pam por alguns segundos, tudo sempre levava a Sookita. “E o que você tem com essa história?” “Eu vi quando Jessica atacou Sookita naquela noite, apenas isso, nada de muito importante.” “Nada de muito importante... você sabia o tempo todo.”, ele bufou de raiva. “Mais uma vez se divertiu as minhas custas.” “Eric, meu adorado criador, você estava completamente distraído comendo Jessica. Não se importava com quem tinha atacado a noivinha do prefeito.” “E por que você se importou o suficiente para ir até a Autoridade?” “Eu estava cansada daquela mimada dando ordens por aqui como se fosse a Primeira-Dama e você nada fazia para mudar isso. Usei as armas que tinha a disposição”, ela se levantou. “Se usasse menos o seu pinto e mais a sua cabeça.” “Saia daqui...”, ele deu um soco na mesa. “Não estou com disposição para aturar suas provocações.” “Como sempre sendo o último, a saber, das coisas. Eu quem não vou mais aturar suas atitudes estúpidas quando se envolve com mulheres.”, ela o encarou friamente. “Não é obrigada a ficar aqui, sabe bem disso.” “Eu fico por quero, porque sou tão burra quanto você.”, ela gritou cravando a unha na palma da mão antes que enfiasse a mão na cara dele. “Nunca é tarde para mudar.”, ele apontou a porta. “Eu sempre temi o dia que você faria isso. Sempre convivi com esse pavor.”, as lágrimas começaram a descer pelo rosto dela. “Acho que eu precisava disso para acordar de uma vez por todas.” Ele levantou se aproximando dela, mas Pam saiu velozmente do escritório não dando tempo dele dizer mais nada. Eric desabou na poltrona, tudo estava de cabeça para baixo, e agora havia brigado com Pam porque era orgulhoso de admitir que precisava dela ao seu lado.

O celular que Bill deu começou a apitar. Eric pegou o aparelho e se deparou com um ponto vermelho num mapa, se movendo devagar, não muito longe dali. -------------------------------Tara continuava trabalhando na boate, mesmo após a fracassada visita a casa de Ágata com Pam. Imaginou que poderia perder o emprego quando Pam perdeu os sapatos na saída do cortiço por conta da sujeira deixada por algum cachorro. Mas, por sorte nada aconteceu, tudo voltou ao normal como sempre foi. Ela só não tinha mais a companhia de Ágata. Não se conformava por ter sido tão ingênua e contar tudo sobre sua vida particular. Pelo jeito andava muito carente para não ter percebido, e agora admitia que sentia falta de Sookita. Esperava que tudo desse certo com o resgate feito por Eric. Ela sentiu calafrios quando Eric surgiu na boate, bonito como sempre, mas igualmente irritado como sempre. Passou por todos, não cumprimentou nenhum funcionário e se trancou no escritório. Será que Sookita estava bem? Ela pensou torcendo as mãos. Tentou se distrair atendendo algumas mesas, quando sua atenção foi novamente atraída pela chegada de Pam. Sua chefa parecia que tinha voltado de alguma briga, estava descabelada, com sangue no canto da boca e mancava. Entrou no escritório batendo a porta, igual Eric fez. Irmãos siameses, Tara pensou com um sorriso de canto. A música estava alta, a boate lotada e Tara equilibrava a bandeja na mão quando chegou ao balcão. Mariano, o barman bonito que a paquerava se aproximou com um sorriso de orelha a orelha. “O patrão voltou...”, ele disse apontando com a cabeça para o escritório. “E voltou com aquele humor.”, ela sorriu sem graça para ele. “Estão brigando, não é novidade.” “Quero saber o que estão falando. Você consegue ouvir.”, ela apoiou os braços no balcão se aproximando dele. “Não... nem pensar, já fiz isso uma vez pra Ágata e ela não cumpriu o que prometeu.”, os olhos castanhos dele se estreitaram. “E ela te prometeu o que? Um boquete?” “Não, arranjar um encontro com você.” “Eu não saio com vampiros.”, ela cruzou os braços no peito. “Eu sou um vampiro legal, não sou como nosso patrão.”, ele empinou a cabeça deixando à mostra a linha perfeita do queixo.

“Ninguém é como Eric.”, ela fez uma careta. “Você está falando tudo isso para não contar o que eles estão falando.” “Só conto se você sair comigo.” “A curiosidade matou o gato.” Ela queria ouvir algo sobre Sookita, qualquer coisa que indicasse que tivesse viva. Ela olhou para Mariano que era bonito, alto, forte, usava só camisetas regatas expondo os braços torneados. Mas, era um vampiro e Tara não queria cometer os mesmos erros de Sookita. Só que dessa vez faria o esforço, não teria nada demais em sair algumas horas com ele. No máximo falariam sobre a boate e depois ela manteria a amizade que tinha com ele. “Só uma vez e nada mais.”, Tara apontou para ele. “Agora desembuche.” Mariano contou pausadamente a discussão entre Pam e Eric. Tara ficou horrorizada em descobrir que foi Jessica quem atacou Sookita. Ela tinha certeza de que tinha sido um vampiro, por mais que forçasse a mente, as lembranças daquela noite eram de um vampiro. Isso significava que tinha sido hipnotizada, sentiu o sangue ferver de raiva. Mariano ficou quieto, fez um movimento com a cabeça e Tara viu Pam sair correndo do escritório de Eric. “Ela vai embora mesmo?”, ela perguntou chocada. “Não sei, nunca vi isso acontecer antes. Estou aqui desde que abriu.”, ele parecia tão chocado quanto ela. “Se Sookita estivesse morta, ele teria tido, claro que teria.” “Essa Sookita parece ser bem importante.” “Tenho que ir.”, ela bateu no balcão. “Hey, e o nosso encontro?” “Depois combinamos... uma tia minha ficou doente agora.” “E como você ficou sabendo disso?”, ele perguntou debochando. “Por telepatia.”, ela jogou um beijo e foi abrindo caminho entre os clientes. Tara pegou o ônibus que parava perto da casa de Sookita, não se importava que estivesse tarde e que fosse perigoso andar na estrada escura até a casa. Não queria mais adiar em encontrar a amiga, ainda mais depois da conversa tensa entre Eric e Pam. Tara queria esclarecer o que tinha acontecido naquela noite do ataque, não gostava da sensação de perda de controle em ter sido hipnotizada. Pediria para Sookita tentar reverter os efeitos da hipnose.

Meia hora depois ela caminhava pelo acostamento da estrada, de vez em quando passava um carro, alguns buzinavam e ela apontava o dedo do meio. Ela apertou o passo para chegar logo na casa de Sookita, uma vez havia dito que era perigoso ela morar num lugar tão isolado assim, deveria se mudar para o centro ou um bairro mais movimentado. Mas, foi em vão, Sookita deu de ombros e disse que não deixaria a casa que cresceu. Tara puxou forte o ar quando subiu a varanda da casa, estava tudo apagado. Será que ela já estava morando na mansão? Tara bateu na cabeça por ter se esquecido desse detalhe. Resolveu arriscar e tocou a campainha várias vezes. Esperou alguns minutos, não houve resposta. Respirou fundo ao imaginar que perdeu esse tempo e ainda arriscou saindo do emprego mais cedo. Tara ouviu barulho de chave a porta escancarou. Sookita estava parada encostada na porta, suando e com o rosto pálido. “Você está um lixo... o que aconteceu?”, Tara perguntou se aproximando. “Obrigada pelo elogio.”, Sookita respondeu numa voz fraca. “Não queira saber o que aconteceu.” “Eu sei que Eric foi te salvar. Só não esperava te encontrar nesse estado deplorável.” “Eu estou bem, estou muito bem.”, ela disse tentou andar e cambaleou. “Talvez eu não esteja tão bem... assim...” “Vou te levar para o hospital.”, Tara a segurou antes que caísse no chão. “É só uma dor de cabeça”, ela bateu de leve na testa. “Meu Deus.”, Tara quase a derrubou com o susto que levou. “O seu dedo, cadê o seu dedo?”, ela olhava boquiaberta para a mão esquerda de Sookita. “Senador fez isso...”, Sookita disse numa voz pastosa. “E fez muito mais do que isso, pelo que estou vendo.” Tara sentou Sookita numa das cadeiras da varanda e caminhou até a sala. Remexeu em cima de uma mesinha que ficava perto da porta procurando pela chave do carro. Demorou alguns minutos para encontrar, quando voltou para a varanda encontrou Sookita desacordada. “Só essa que me faltava.”, Tara puxou o braço de Sookita colocando em volta do ombro. “Senti sua falta...”, Sookita disse baixinho. “Eu também...”, Tara respondeu com um sorriso levando a amiga até o carro.

“Bill... tem que avisá-lo... ele... me buscar.”, ela disse deslizando o corpo no banco e encostando a cabeça para descansar. “Não agora, primeiro tenho que salvar o seu rabo.” Tara deu partida no carro que teimou várias vezes em funcionar. Depois de algumas tentativas e tapas no painel, o carro funcionou. Ela fez uma manobra para sair da garagem, quase batendo numa árvore que fica no lado de fora. Sookita balbuciava algumas palavras que Tara não entendia. Tinham que chegar logo no hospital. ----------------------------Jessica não conseguia parar de chorar, virava de um lado para o outro na cama dura na cela que se tornava cada vez mais incomoda. Seu coração estava pesado diante da traição de Bill, considerava uma traição ter que se casar com Alcide. Ele a estava punindo da pior maneira possível, ela preferia ter as presas arrancadas milhares de vezes do que passar alguns anos junto do lobo. Seriam apenas alguns anos, pois ela o acabaria matando por conta da convivência forçada. E também pensava numa maneira de se vingar de Pam, o capacho de Eric. Sabia que a outra pretendia alguma coisa, os olhares invejosos que a seguiam toda vez que estava ao lado de Eric. Mas, antes de acabar com Pam, perguntaria como ficou sabendo do ataque. Será que estava armada com Sookita de alguma maneira? A cabeça de Jessica fervilhava de perguntas sem respostas. Esfregava as lágrimas de sangue quando ouvi uma voz mandando o guarda sair. Ela se colocou em pé numa fração de segundos e deu com rosto sorridente de Bastian. Ele segurava o celular dela nas mãos, fazia malabarismos com o aparelho, até derruba-lo no chão. Bastian se abaixou sem graça pegando o celular rapidamente. “Eu poderia fazer uma grana vendendo essas fotos para algum site pornô.”, ele se aproximou da cela. “Bondade de sua parte, assim outros babacas poderão se masturbar igual você com minhas fotos.” “Já bati tantas que perdi as contas.”, ele fez um olhar sonhador. “Seu maldito.”, ela avançou de encontro à cela, colocando os dois braços para fora tentando alcança-lo. “Poxa, eu vim aqui devolver o celular e me trata dessa maneira?”, ele balançou a cabeça se afastando dos braços dela.

“Não quero essa porcaria, pode enfiar...” “Eric parece ser mais dotado que Alcide...”, ele disse correndo o dedo na tela do celular. “Só que sou bem mais do que Eric... então, faça as contas.”, ele deu uma piscadela. “Deixe-me em paz, pivete. Se antes não tinha chance, depois do que me fizeram não terá nunca mais.” “Eu não dei a sua punição, foi Santiago.” Ela se sentou na cama, passou novamente a mão no rosto, imaginava que estaria todo sujo de sangue. “Você não serve para nada mesmo.” “Sirvo para muita coisa. Se eu quisesse, você sairia daqui sem que ninguém soubesse.”, ele cruzou os braços ofendido. “Duvido, você é apenas o menininho daquele pedófilo do Santiago.” “Ele nunca encostou um dedo em mim, só quando me transformou.”, ele deu um chute na cela fazendo com que Jessica desse um salto. “Não está mais aqui quem falou.”, ela abriu os braços. Ele jogou o celular na cela que parou perto do pé de Jessica. Ela pegou o aparelho e o amassou com a mão. Em seguida se levantou e segurou nas barras da cela que a separavam de Bastian e da liberdade. “Volte aqui...” ela gritou quando o viu caminhando para a saída. “O que quer?”, ele disse sem se virar. “É verdade que pode me tirar daqui?”, ela perguntou escondendo a ansiedade na voz. “Posso, mas não vou fazer isso.” “Por quê?”, ela falou de maneira sedutora o forçando a se virar. “Você não merece. Já me meti em problemas quando fui aquele dia na sua casa.”, ele a encarou ainda mantendo distância. “Eu não fiz nada.” “Contou para Eric sobre o policial.”, ele estava com uma expressão carrancuda. “E por causa disso brigou com seu namoradinho?” “Adeus, você será uma linda vampira banguela.”, ele deu de costas.

“Bastian, por favor, estou brincando com você.”, ela gritou. “Eu sei onde ele está. Posso te falar, por favor.” “Você não combina implorando, ruiva.”, Bastian abriu um sorriso de canto ao se virar novamente. “Podemos fazer uma troca. Eu te digo onde ele está e você me dá uma mãozinha.", ela juntou as duas mãos. “Uma mãozinha sua cairia bem agora.”, ele passou a língua nos lábios. “Se me ajudar... pode ter mais do que isso.” “Não caio mais nas suas promessas... só tenho as suas calcinhas como lembranças vazias.” “Te dou a que estou usando e o policial.”, ela tirou a calcinha que estava usando por baixo do vestido. “Só o policial está bom...”, ele se aproximou. “Se for verdade, posso pensar em te ajudar.” “Seja um bom menino, Bastian. Ele não está muito longe daqui.”, ela começou a falar onde poderia encontra-lo. Ele anotou mentalmente tudo que ela disse, pediu para repetir algumas vezes. Ela pacientemente repetiu, sem reclamar uma vez sequer. Bastian fez um movimento com a cabeça e se afastou em direção a saída. “Ah sim, faltou à calcinha.”, ele disse estendendo a mão. Jessica jogou a calcinha com um sorriso. Quando o viu saindo, ela sentou-se na cama torcendo para que o plano de fuga que tinha montado durante a conversa com Bastian funcionasse. ----------------------------Jason andava de um lado para o outro no pátio ao lado do La Puta Madre. Bill havia deixado que voltasse para o Vale uns dias antes para visitar Sookita, mas deveria ficar escondido, sem falar com ninguém. Só que Jason não aguentava mais viver se escondendo, mudando de cidade e conversando só com Bill através do telefone. Ele mantinha em segredo contato regular com Jessica por e-mail. A vampira havia dado um jeito de conversarem na mansão antes dele ir embora da cidade. Apesar de que não conversaram muito, só se sexo for considerado conversa também. Não negou quando ela se ofereceu para ele, além do que foi uma boa diversão no meio dessa confusão toda. Só que ele estava no limite, fazia dois meses que não via Sookita, nem Lafa e os outros amigos que tinha. Acreditava que tinha sido punido o suficiente e

agora que Bill deixou que voltasse temporariamente, ele iria aproveitar a situação para resolver o que tinha pendente. O V tinha sido perdido, e Eric já sabia sobre ele. Agora o jeito era encontrar uma solução para se livrar desse último obstáculo que restava. Esperava que Lafa tivesse alguma ideia brilhante, mas que dessa vez funcionasse. Jason não iria mais cometer besteiras, tinha aprendido a lição, ainda mais em não confiar em bandidos idiotas que eram parentes de uma prostituta. Sookita havia se casado, agora não teria mais problemas de dinheiro, estava bem encaminhada. Ele sentiu raiva da irmã por tê-lo entregado para Bill, mas com o passar do tempo, entendeu que foi para o seu bem. O que mais queria era abraça-la e pedir desculpas verdadeiras por toda merda que fez, ele pensou animado. Ele só não entendia porque até hoje Bill nunca tentou se livrar de Eric, claramente os dois eram inimigos e se odiavam. Para Jason teria sido perfeito se algo acontecesse ao seu algoz. Talvez Sookita pudesse ajudar de alguma maneira, ela odiava Eric tanto quanto ele. Sua irmã já tinha feito tanto, não custava fazer um último favor. Ainda mais se queria ele de volta na cidade em definitivo. Olhou para o relógio no pulso, eram quase uma da manhã e Lafa ainda não tinha vindo encontra-lo. Jason tinha receio de lugares escuros e nunca gostou da localização do puteiro de Lafayette. O irônico era ser policial e supostamente não ter medo de nada, mas certas coisas não tinha como evitar. E também nunca se considerou um bom policial. Do outro lado da rua, perto do puteiro, Jason viu uma movimentação estranha, algo correndo como se fosse o vento. Ele sentiu um nó na garganta, ele sabia muito bem que só vampiros se movimentavam daquela maneira. Ele se encolheu perto do poste, olhou para os lados procurando um lugar para se esconder. No beco ali perto havia uma enorme lata de lixo, não era uma ideia brilhante se esconder ali, mas pelo menos o vampiro não sentiria o seu cheiro no meio de tanta sujeira. Ele se esgueirou pela parede, segurando a respiração e caminhando o mais devagar possível. Não havia sinal do vulto, de repente o vampiro só deve ter passado e não pretendia pegá-lo. Mas, não queria correr o risco. Ele andou pé ante pé se aproximando da lixeira, levantou a tampa em câmera lenta, rezando para que não rangesse. Para sua sorte não fez barulho, se apoiou na beirada e se jogou lá dentro caindo num amontoado de lixo fedorento. Jason respirou aliviado, mesmo sentindo aquele cheiro fétido. Depois tomaria vários banhos para se livrar do cheiro. Ficaria pelo menos meia-hora escondido, depois sairia. O celular vibrou no seu bolso, ele pegou rapidamente se movimentando de maneira estranha na lixeira. Havia uma mensagem de

Lafa avisando que demoraria ainda uns quinze minutos. Jason respondeu mandando ele se danar, que já estava cansado de ficar esperando como um idiota. Estava tão distraído apertando a tela que nem percebeu um barulho perto da lixeira do lado de fora. Um som forte chegou até ele, um barulho de unhas arranhando no metal. Ele sentiu a espinha gelar, nunca sentiu tanto medo na vida antes. Tinha alguma coisa ali no lado de fora e ele não queria descobrir o que era. Afundou mais ainda no lixo, torcendo para que não fosse encontrado. Mas, o barulho continuou, cada vez que ouvia, o seu coração acelerava. Ele começou a rezar desesperado, algo dizia que a coisa estava lá fora atrás dele, pronto para pegálo assim que fizesse algum movimento brusco. Ele não queria morrer, não tinha feito nada de importante ainda na vida, não estava pronto para rever seu pai e sua mãe no outro lado. Queria compensar Sookita por tudo que fez de ruim, queria ser uma boa pessoa. Só não queria morrer, apenas isso. Que a coisa lá fora fosse embora, que o deixasse em paz, que não o assombrasse. De repente, foi uma má ideia voltar, teria sido melhor continuar se escondendo, vir até Lafa foi muito perigoso. A tampa da lixeira saiu voando, indo parar do outro lado do beco. Jason enfiou a cabeça embaixo de sacos de lixo, não queria que o encontrasse. Mas, em seguida os sacos de lixo saíram voando, só restava ele tendo que encarar o que tinha ali fora. “Olá, Jason! Você é difícil de encontrar.” Ele ouviu uma voz zombeteira, abriu os olhos lentamente e encarou a última coisa que gostaria de ver. Ele soltou um grito de pavor que ecoou pela noite. Ao longe um gato respondeu com um lamento o grito ouvido. ---------------------------Tara estava sentada na ponta da cama do hospital observando Sookita dormindo enquanto recebia soro na veia. Ficou chocada em descobrir o estado da amiga. O médico disse que estava severamente desidratada, havia tido uma perda grande de sangue e uma estranha marca vermelha na barriga. Através de um raio-x, ele viu uma laceração na parte interna, mas que não era grave. Só que tinha ocasionado uma infecção no sangue, se não fosse tratada em tempo, poderia piorar o quadro. Ela ficaria uns dias no hospital para se recuperar, só depois receberia alta. O médico ainda perguntou como Sookita havia perdido uma parte do dedo, Tara inventou uma história qualquer, dizendo que foi quando criança. O médico não questionou, apesar de achar o ferimento parecendo recente, mas estava bem cauterizado, e era o menor dos problemas que ela tinha nesse momento.

Tara deu um pulo de susto quando Sookita sentou-se na cama dando um grito. Ela suava muito, o peito subia e descia com a respiração acelerada, o soro que estava espetado se soltou bruscamente fazendo com que o sangue escorresse do braço dela. “Vou chamar o médico.”, Tara correu para apertar o botão que ficava na cabeceira da cama. “Não, foi só um pesadelo.”, Sookita apertava a mão no peito. “O que sonhou?”, Tara perguntou obrigando Sookita a se deitar. “Não lembro, mas está doendo o meu peito... não sei explicar.” “Vou chamar o médico, não quero saber.” Tara apertou o botão, uma enfermaria apareceu rapidamente. Tara explicou o que aconteceu, a enfermeira observou Sookita, tirou a pressão e assegurou que estava tudo bem. Recolocou o soro e saiu da sala dizendo que o médico voltaria dali uma hora. “Você costuma ter pesadelos como se estivesse num filme de terror? Quase me matou do coração, sorte que estamos no hospital.”, Tara disse tentando amenizar o ambiente. “Raramente... mas, nunca me recordo.”, ela passava a mão no peito. “Só não entendo essa dor...” “Deve ser trauma de tudo que você passou. Eu não sei como foi, mas pelo que o médico disse você estava mesmo um caco.” “Sim, será demorado esquecer tudo.”, ela virou o rosto para o outro lado. “Sorte que seu marido é rico e poderá comprar uma prótese perfeita para o seu dedo.” “Não quero.”, ela levantou a mão olhando para o dedo indicador pela metade. “Por que não?” “Quando eu olhar isso, sempre irei lembrar que ainda estou viva.” “Espero que me conte tudo o que aconteceu. Sei que não fui uma boa amiga nos últimos tempos, mas... só de imaginar em te perder, eu...”, ela segurou na mão de Sookita. “Eu também fui uma péssima amiga. Mas, não quero que fique longe de mim. Senti falta de seus xingamentos.” “Sua vaca...”, Tara disse e Sookita sorriu alegremente.

Horas depois, Tara andava pelo corredor do hospital, tinha comprado um café e um salgadinho naquelas máquinas. Sookita voltou a dormir profundamente depois do pesadelo que teve, o médico voltou e garantiu que tudo estava bem. Ela demorou em avisar Bill, fez proposital. Quando Sookita se recuperasse teria uma conversa séria com ela sobre esse casamento. No fundo, sentia-se arrependida de não ter tentando impedir o maior erro da vida da amiga. Ao se aproximar do quarto se surpreendeu em ver Bill parado em frente à porta. Estava perto de amanhecer, ela pegou o celular e viu que eram cinco da manhã. Por alguns segundos pensou que talvez pegasse pesado demais com Bill por conta de sua aversão por vampiros, mas ele parecia preocupado com Sookita e até se arriscava em vir tão perto do amanhecer. “Bom dia.”, Tara disse com um aceno de cabeça. “Sookita ainda está dormindo.”, ele disse evitando o olhar dela. “Sim, ela está descansando. Falou com o médico?” “Uma enfermeira me deixou a par do estado dela.”, ele apertava o celular na mão. “Ela ficará bem, não corre perigo.”, ela tocou no braço dele tentando confortálo. “Preciso de sua ajuda.” “Para que?”, ela não fazia ideia em que poderia ajuda-lo. “Algo aconteceu...”, ele baixou a cabeça. “O que?” “Não sei como dizer pra ela.”, ele apontou para a porta. “Bill... dizer o que?” “Jason...” “Ele foi preso?”, Tara não entendia o motivo da aflição de Bill. Não era surpresa isso acontecer, Jason teria que pagar pelo que fez. “Não, ele está morto.”, ele respondeu olhando para o vazio. Tara sentiu o corpo mole, não esperava ouvir algo assim, não depois de tudo que Sookita passou. Ela derrubou o copo de café no chão, espalhando para todo o lado.

Voltamos em Janeiro de 2013... (se não tiver o fim do mundo) para a Terceira Temporada... Até a volta!!!!

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