P. 1
Rousseau - Rousseau e as Relações Internacionais

Rousseau - Rousseau e as Relações Internacionais

5.0

|Views: 173|Likes:
Published by willianf

More info:

Published by: willianf on Feb 06, 2009
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF or read online from Scribd
See more
See less

10/16/2011

dizer com justiça que um governo chegou ao último grau de corrupção
quando deixou de ter outros nervos além do dinheiro. Ora, como todos
os governos tendem a se tornar frouxos, isto basta para mostrar por
que razão nenhum Estado pode subsistir se suas receitas não aumentam
continuamente.

A primeira razão dessa necessidade é também o primeiro sinal
da desordem interna do Estado; e nos seus esforços para encontrar
meios que lhe permitam atender às necessidades presentes, o administrador
prudente procurará de todas as formas descobrir a causa última das
novas necessidades, assim como o marujo, ao ver que aumentar a água
no interior do barco, não deixa de localizar e vedar o furo, enquanto
aciona as bombas.

Desta regra se deduz a norma mais importante da administração
financeira: cuidar mais de proteger-se das demandas do que com o
aumento das receitas. Com efeito, por maior que seja a diligência
empregada, o conserto só vem depois do mal feito, e mais lentamente,
deixando sempre alguma ferida. E enquanto se busca a solução para
um problema, outro começa a surgir, e as próprias soluções trazem
novas dificuldades, de forma que com o passar do tempo a nação se
endivida e o povo é oprimido, enquanto o governo perde sua influência
e precisa de muito dinheiro para fazer bem pouco. Suponho que se
deve ao reconhecimento dessa norma o fato de que na Antigüidade
os governos fizeram verdadeiras maravilhas, produzindo mais com
meios escassos do que os nossos governos com todos os recursos de
que dispõem; e talvez seja esta a origem do emprego comum da palavra
“economia”, que significa antes a administração cuidadosa do que se
tem do que as formas de conseguir o que não se possui.
Mas, ao lado do fundo público, cuja utilidade para o Estado é função
da honestidade dos governantes, qualquer pessoa suficientemente
familiarizada com o poder que tem a administração, de modo geral,
especialmente quando esta se limita aos métodos legítimos, se espantaria
com os recursos utilizados pelos governantes para atender as demandas
públicas sem avançar sobre o patrimônio dos indivíduos. Como são

31

senhores de todas as atividades do Estado, para eles nada é mais fácil
do que orientá-las de modo a que atendam todas as necessidades, sem
que isso pareça interferir com os indivíduos. A distribuição de recursos,
dinheiro e mercadorias em proporção justa, segundo o momento e o
lugar, é o verdadeiro segredo das finanças e das fontes de riqueza, desde
que os administradores tenham a capacidade de previsão necessária
para suportar uma perda aparente no presente, tendo em vista alcançar
grandes lucros no futuro. Quando vemos um governo pagando um
prêmio à exportação de milho em vez de cobrar tributos, nas épocas
de prosperidade, e premiando a sua importação, em tempos de escassez,
precisamos ter esses fatos diante dos olhos para poder aceitá-los. Se
tivessem ocorrido na Antigüidade, pensaríamos que eram inverídicos.
Mas vamos supor que para impedir a escassez de grãos em um mau
ano se propusesse a criação de armazéns públicos de cereais. Ora, em
muitos países a manutenção de instituição tão útil não seria pretexto
para novos impostos? Em Genebra, porém, esses armazéns, criados e
mantidos por administradores prudentes, representam um recurso
público nos maus anos, e também a principal fonte de renda do Estado.
Alit et ditat é a inscrição que encontramos, justa e apropriadamente,
na entrada desse edifício. Para ilustrar o sistema econômico de um bom
governo, muitas vezes me voltei para Genebra, alegrando-me de encontrar
no meu país um exemplo de sabedoria e felicidade que teria prazer em
ver em todos os demais.

Se indagarmos como crescem as necessidades de um Estado,
veremos que elas geralmente aumentam, como as necessidades dos
indivíduos, menos por uma precisão real do que pela expansão de
desejos inúteis; que as despesas são ampliadas muitas vezes apenas
como pretexto para aumentar as receitas. Assim, o Estado ganharia
por vezes em não ser rico, e a riqueza aparente é na realidade um peso
maior do que a própria pobreza. Com efeito, os governantes podem
esperar manter o povo em uma dependência mais rigorosa dando-lhes
com esta mão o que retiram com a outra. Tal foi na verdade a política
adotada por José com relação aos egípcios; mas este sofisma político

TRATADO SOBRE A ECONOMIA POLÍTICA

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->