C. E.

RAIMUNDO NONATO SILVA CARDOSO POVOADO PLACA, ARAIOSES-MA, ____/ ____/ 2012 SÉRIE: 8º ANO PROFESSORA: REJANE FONTELES ESTUDANTE: _________________________________ nº.: ____

POEMAS DE FLORBELA ESPANCA
Fumo Longe de ti são ermos os caminhos Longe de ti não há luar nem rosas Longe de ti há noites silenciosas Há dias sem calor, beirais sem ninhos Meus olhos são dois velhos pobrezinhos Perdidos pelas noites invernosas Abertos sonham mãos cariciosas Tuas mãos doces, plenas de carinhos Os dias são outonos, choram, choram Há crisântemos roxos que descoram Há murmúrios dolentes de segredos Invoco o nosso sonho, estendo os braços E é ele, ó meu amor, pelos espaços Fumo leve que foge entre meus dedos. Amar! Eu quero amar, amar perdidamente! Amar só por amar: Aqui... além... Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente Amar! Amar! E não amar ninguém! Recordar? Esquecer? Indiferente!... Prender ou desprender? É mal? É bem? Quem disser que se pode amar alguém Durante a vida inteira é porque mente! Há uma Primavera em cada vida: É preciso cantá-la assim florida, Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada Que seja a minha noite uma alvorada, Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8/12/1894 — Matosinhos, 8/12/1930), batizada como Flor Bela de Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida, de apenas 36 anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo. Fonte: Wikipédia. Fanatismo Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida Meus olhos andam cegos de te ver! Não és sequer razão de meu viver, Pois que tu és já toda a minha vida! Não vejo nada assim enlouquecida... Passo no mundo, meu Amor, a ler No misterioso livro do teu ser A mesma história tantas vezes lida! “Tudo no mundo é frágil, tudo passa...” Quando me dizem isto, toda a graça Duma boca divina fala em mim! E, olhos postos em ti, vivo de rastros: "Ah! Podem voar mundos, morrer astros, Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful