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Corrupio

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Lendas Africanas dos Orixá, 4 edição ( 1997) / Segunda tiragem (Abril 1998). ©Fundação Pierre Verger/ Carybe e Corrupio Edições e Promoções Culturais Ltda.

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Reprodução proibida
Coordenação editorial: Arlete Soares Planejamento gráfico: Enéas Guerra Sampaio Produção Editorial: Rina Angulo Rojas Tradução e Produção gráfica: Cida Nóbrega Revisão: Vanya King

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Gerência Técnica da Divisão de Bibliotecas Públicas, Bahia, Brasil)

V613 Verger, Pierre Fatumbi, 1902 - 1996 Lendas africanas dos Orixás / Pierre Fatumbi Ver ger; [ilustrações] Carybé; tradução Maria Aparecida da Nóbrega. - 4a ed. - Salvador: Corrupio, 1997. 96 p. : il. 1.Índices - África Ocidental. 2. Orixás - Lendas. Lendas para catálogo sistemático: L Carybé, 1911 - II. Título iorubás : Religiões de ori 1. Lendas: Orixás : Deuses gem africana negra 299.63 2. Orixás : Deuses iorubás : Lendas: Religiões de ori CDD 299.63 gem africana negra 299.63

Pierre Verger, a quem se deve a cuidadosa coleta das lendas aqui apresentadas, viveu durante dezessete anos, em sucessivas viagens, desde 1948, pelas bandas ocidentais da África, em terras iorubas. Tomou-se Babalaô em Kêto, por volta de 1950, e foi por essa época que recebeu do seu mestre Oluwo o nome de Fatumbi: "Aquele que nasceu de novo pela graça de Ifá". A Editora Corrupio, dando continuidade à publicação da obra de Verger, sente-se mais uma vez gratificada ao editar este conjunto de lendas, todas elas recolhidas e pacientemente anotadas por Fatumbi, a partir das narrativas dos adivinhos babalaôs. Vale lembrar, entretanto, que as lendas aqui apresentadas não constituem senão uma pequena parcela do imenso universo de histórias que um adivinho é obrigado a memorizar no decorrer do seu aprendizado. Histórias que constituem, todas elas, testemunhos diretos e espontâneos da cultura ioruba, cuja influência na nossa cultura faz-se sentir de maneira tão acentuada. O desenho de Carybé, vigoroso e expressivo, aliado à sua intimidade com a coisas do candomblé e da Bahia, traduz com carinho, sensibilidade e cuidadosa informação etnográfica, o espírito da magia dos orixás. Algumas das lendas aqui reunidas já são conhecidas nos candomblés da Bahia, pelo "jogo dos dezesseis búzios". É o caso, por exemplo, da história de Oxum, onde ela aparece exigindo a oferenda de Nkan. Outras, entretanto, são desconhecidas e entre elas podemos incluir as lendas de Oxóssi e de Oxaguiã, em que se propõe, inclusive, a etimologia dos nomes desses orixás. A história de Ogum explica ao leitor as razões pelas quais o deus do ferro é conhecido pelos nomes de Ogum Mejê, Ogum Alakorô e Ogum Onirê. As origens históricas prováveis de Xangô, de Iemanjá e de Obaluaê são indicadas nas três lendas referentes a esses orixás. Orunmilá, que preside a adivinhação, não é propriamente um orixá, mas o autor o inclui no conjunto das lendas porque ele aparece ao lado dos orixás e participa de suas aventuras. Uma destas lendas mostra sua rivalidade com Ossain, o senhor das virtudes das folhas e plantas medicinais e litúrgicas, refletindo a disputa pela primazia entre adivinhos e curandeiros. A supremacia atribuída aos adivinhos não surpreenderá o leitor se este se aperceber de que, tendo eles a missão de memorizar e transmitir as lendas conhecidas dos iorubas, podem, assim, glorificar facilmente seu papel na sociedade. A "Briga entre Oxalá e Exu" é narrada com bom humor, num estilo que lembra o de Amos Turtola em livros repletos de fantasia, como "O bêbado da selva", onde as aventuras são inspiradas nas mesmas fontes tradicionais que as lendas publicadas a seguir. A publicação dessas histórias tradicionais apresenta, ainda, o mérito de esclarecer certos equívocos difundidos há mais de um século, por autores comprometidos com suas próprias ideologias e seus preconceitos, e que jamais foram questionados desde então. Uma palavra final sobre a excelente tradução do original francês, em frases feitas por Maria Aparecida da Nóbrega. Arlete Soares

Bahia. na África. Obaraim. com a amizade de Otun Mangba.Ao Babalorixá BalbinoDaniel de Paula doTerreiro Axé Opo Agunju. Gbobagunle Alade. na Bahia. Oju Obá F atumbi Pierre Verger. . novembro de 1985.

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Antigamente. os orixás eram homens. Os homens eram numerosos sobre a Terra. Muitos deles não eram valentes nem sábios. A memória destes não se perpetuou. Eles foram completamente esquecidos. . Homens que se tomaram orixás por causa de seus poderes.Um babalaô me contou: "Antigamente. Nós adoramos sua memória e os altos feitos que realizaram. Eles eram respeitados por causa da sua força. Foi assim que estes homens tomaram-se orixás. um culto se estabeleceu Sobre a lembrança de um ancestral de prestígio E lendas foram transmitidas de geração em geração. Homens que se tomaram orixás por causa de sua sabedoria. como hoje. para render-lhes homenagem". Em cada vila. Eles eram venerados por causa de suas virtudes. Não se tomaram orixás.

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o óleo que comprou no mercado. ou pensas que sou cego?" . fazer sempre oferendas a Exu. pois. esqueceram-se. cachaça e um galo preto. Ele colocou sobre a cabeça um boné pontudo que era branco do lado direito e vermelho do lado esquerdo. Depois. Foram para o campo trabalhar. numa peneira. de fazer-lhe as oferendas devidas. Certa vez. É bom fazer-lhe oferendas neste dia. um vermelho escarlate. de farofa. chegando à altura dos dois trabalhadores amigos e. "Não. cada um na sua roça. responderam-lhe: "Bom passeio. As terras eram vizinhas. Ele pode fazer coisas extraordinárias como. separadas apenas por um estreito canteiro. Ele aproveita-se de suas qualidades para provocar mal-entendidos e discussões entre as pessoas ou para preparar-lhes armadilhas. muito educadamente. A segunda-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. respondeu o homem do campo à esquerda. zangado pela negligência dos dois amigos. meus amigos!" Estes. Ele nada pode transportar sobre ela. falou para o seu companheiro: "Quem pode ser este personagem de boné branco?" "Seu chapéu era vermelho". sem que este óleo se derrame desse estranho recipiente! Exu pode ter matado um pássaro ontem. com uma pedra que jogou hoje! Se zanga-se. gentilmente. cumprimentou -os: "Bom trabalho. ele sapateia uma pedra na floresta. Exu.EXU Laroyê! Exu é o mais sutil e o mais astuto de todos os orixás. dois amigos de infância. por exemplo. o homem que trabalhava no campo à direita. nobre estrangeiro!" Assim que Exu afastou-se. de fulgor insustentável!" "Ele era branco. seguiu o canteiro. tratas-me de mentiroso?" "Ele era vermelho. e esta pedra põe-se a sangrar! Sua cabeça é pontuda e afiada como a lâmina de uma faca. numa segunda-feira. ele era branco. antes de qualquer outro orixá. de um branco de alabastro. o mais belo branco que existe! " "Ele era vermelho. se as pessoa se esquecem de homenageá-lo. que jamais discutiam. azeite de dendê. É necessário. Exu pode também ser muito malvado. carregar. decidiu preparar-lhes um golpe à sua maneira.

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Os campos de Aluman tomaram-se verdes. Dono dos campos de feijão. Ela caiu no dia seguinte e no dia de depois. não foi suficiente para matar sua sede! Exu foi à torneira da chuva e abriu-a sem pena. As rãs choravam de tanta sede e os rios estavam cobertos de folhas mortas. Uma sede tão grande que toda a água de todas as jarras que ele tinha em casa. em todas as coisa. ela caiu de noite. oferecer a Exu grandes pedaços de carne de bode.Cada um dos amigos tinha razão e estava furioso da desconfiança do outro. reconhecido. Irritados. Mais. Todos os vizinhos de Aluman cantaram sua glória: "Joro. inhame e mandioca! Joro. Só que Aluman havia temperado a carne com um molho muito apimentado. Aluman decidiu. Dono dos campos de milho. o demais é inimigo do bom. em suas casas. Exu estava vingado! Isto não teria acontecido se as oferendas a Exu não tivessem sido negligenciadas. Exu comeu com apetite desta excelente oferenda. Seus campos estavam áridos. e que tinham. joro Aluman. cujos cachos são abundantes! Joro. os vizinhos. Nenhum orixá invocado escutou suas queixas e gemidos. Pois Exu pode ser o mais benevolente dos orixás se é tratado com consideração e generosidade. Conta-se que Aluman estava desesperado com uma grande seca. eles agarraram-se e começaram a bater-se até matarem-se a golpes de enxada. Há uma maneira hábil de obter um favor de Exu. . jara. Havia chovido bastante. jara. então. Exu teve sede. ofereceu a Exu carne de bode com o tempero no ponto certo da pimenta. e o rio corria velozmente para não transbordar! Aluman. joro Aluman. Ela caiu de dia. É preparar-lhe um golpe mais astuto que-aqueles que ele mesmo prepara. Dono dos dendezeiros. caídas das árvores. sem parar. joro Aluman. A chuva caiu. cujas espigas são pesadas! Joro. a chuva não caía. joro Aluman! " E as rãzinhas gargarejavam e coaxavam. jara. jara. seria desastroso! Pois.

. Ele trazia sempre um rico espólio de suas expedições. lava-se com sangue!" Ogum lutava sem cessar contra os reinos vizinhos. perdeu a visão. também. Ogum era guerreiro sanguinário e temível.'. depois. que tendo água em casa. momentaneamente. Por isto. De outra feita. o homem louco. que tendo água em casa. Ele conheceu uma senhora. Ogum.OGUM Ogum Yêêê! Ogum era o mais velho e o mais combativo dos filhos de Odudua. Obá. o homem louco dos músculos de aço! Ogum. era coquete e vaidosa. lava-se com sangue!" Ogum teve muitas aventuras galantes. Ogum encontrou. "Ogum o violento guerreiro. chamada Elefunlosunlori" aquela-que-pinta-a-cabeça-com-pó-branco-e-vemelho. rei de Ifé. chamada Ojá. seu pai. o deus da Agricultura. ele entregava a Odudua. à margem de um riacho. o conquistador e rei de Ifé. Era a mulher de Orixá Okô. a terceira. Kawo Kabieyesi Alafin Oyó Alayeluwa! Saudemos o Rei Xangô. a segunda. Senhor do Mundo!" A primeira. era vigorosa e invencível na luta. Iansã. Oxum. além de numerosos escravos. três outras mulheres que tomaram-se. uma outra mulher. tomou-se o regente do reino quando Odudua. era bela e fascinante. dos músculos de aço. e com ela teve o filho Oxóssi. "Ogum. Teve. mulheres de Xangô. indo para a guerra. o dono do palácio de Oyó. o valente guerreiro. Todos estes bens conquistados.

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lamentou seus atos de violência. arrependido e calmo. celebrava-se uma cerimônia. finalmente. O terrível orixá. conservando para si o título de Rei. que viera agora o tempo de repousar. mas não sabia que elas estavam vazias. Ogum. ainda hoje. Ogum mejejê lodê lrê "Ogum das sete partes de Irê" Ogum matou o rei Onirê e o substituiu pelo próprio filho. tudo acompanhado de muito vinho de palma.Ogum continuou suas guerras. Por infelicidade. e disse que já vivera bastante. o homem louco dos músculos de aço. no dia de sua chegada. Daí ser chamado. ele foi autorizado a usar apenas uma pequena coroa. Ogum. regados com dendê. Ele é saudado como Ogum Onirê! "Ogum Rei de Irê!" Entretanto. lava-se com sangue!" "Os prazeres de Ogum são o combate e as brigas. Ogum tomara-se um orixá . também. "akorô". Ogum mata o ladrão e o proprietário da coisa roubada!" Ogum. Ele baixou. Antigamente. após longa ausência. Durante uma delas. Ele viu as jarras de vinho de palma. ele tomou Irê. A cerimônia tendo acabado. cuja paciência é curta. de Ogum Alakorô . Quebrou as jarras com golpes de espada e cortou a cabeça das pessoas. "Ogum. na qual todo mundo devia guardar silêncio completo. Por isto chamam-no. Ogum tinha fome e sede. encolerizou-se. sua espada e desapareceu sob a terra. esta cidade era formada por sete aldeias. . violento guerreiro. que morde a si mesmo sem dó! Ogum mata o marido no fogo e a mulher no fogareiro. ele não reconheceu o lugar. apareceu. Após instalar seu filho no trono de Irê. Quando voltou a Irê. que tendo água em casa. então. O silêncio geral pareceu-lhe sinal de desprezo."Ogum dono da pequena coroa". Ogum voltou a guerrear por muitos anos. o filho de Ogum e ofereceu-lhe seus pratos prediletos: caracóis e feijão.

o "Caçador das vinte flechas"." De ldô. Sua asa direita cobria o lado esquerdo do palácio. mas nenhuma atingiu o pássaro. Até que veio pousar sobre o teto do palácio. sua asa esquerda cobria o lado direito do palácio. se eu não o matar!" E lançou suas quarenta flechas. as penas do seu rabo varriam o quintal e sua cabeça. As pessoas reunidas comiam inhame pilado e bebiam vinho de palma. Elas comemoravam e brincavam. Cada ano. O pássaro voava à direita e voava à esquerda .. O rei lhe ordenou matar o pássaro com suas vinte flechas.OXÓSSI Okê! Olofin era um rei africano da terra de Ifé. O pássaro causava espanto a todos! Era tão grande que o rei pensou ser uma nuvem cobrindo a cidade. lugar de origem de todos os iorubas. . o "Caçador das quarenta flechas". O rei lhe ordenou matar o pássaro com suas quarenta flechas. seus ministros sentavam-se à sua esquerda. Olofin comemorava.do seu palácio. A estranha ave fora enviada pelas feiticeiras. agitando leques e espanta-moscas. De Morê. O rei mandou prendê-lo. na época da colheita. Chegado o dia. chegou Oxotogí. Oxotogí afirmou: "Que me condenem à morte. chamar os caçadores mais hábeis do reino.. Oxotogun afirmou: "Que me cortem a cabeça se eu não o matar!" E lançou suas vinte flechas. um enorme pássaro voou sobre a festa. o rei instalava-e no pátio. furiosas porque não foram também convidadas para a festa. o portal da entrada. trouxeram Oxotogun. Ninguém no país podia comer dos novos inhames antes da festa. rápido. a Festa dos Inhames. seus escravos sentavam-se atrás dele. As pessoas assustadas comentavam: "Ah! Que esquisita surpresa?" "Eh! De onde veio este desmancha-prazer?" "lh! O que veio fazer aqui?" "Oh! Bicho feio de dar dó!" "Uh! Sinistro que nem urubu!" "Como nos livraremos dele?" "Vamos. mas nenhuma atingiu o enorme pássaro. em seu reino. De repente. e os tambores soavam para saudá-lo. Suas mulheres sentavam-se à sua direita.

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ofereceu-lhe quarenta sacos. abrindo-lhe o peito." E ensinou-lhe como fazer uma oferenda que agradasse às feiticeiras. também. rápido.disse-lhe o babalaô. O feitiço pronunciado pela mãe do caçador chegou ao grande pássaro. se ele o conseguisse! Ele ganhará a metade da sua fortuna! Todas as riquezas do reino serão divididas ao meio. uma galinha. Oxowusi! Oxowui!! Oxowusi!!! . Oxotokanxoxô. que não tinha outros filhos. a mãe de Oxotokanxoxô. De Ilarê. Oxotadotá. ofereceu a Oxotokanxoxô vinte sacos de búzios. o "Caçador das quarenta flechas". finalmente. como recompensa. Oxotogí. ofereceu-lhe cinquenta. e saber o que fazer para ajudar seu único filho. Oxotodotá afirmou: "Que exterminem toda a minha fanu1ia. e foi. gritando três vezes: "Que o peito do pássaro aceite este presente!" Foi no momento exato que Oxotokanxoxô atirava sua única flecha. Faça uma oferenda e a morte tomar-se-á riqueza. "Seu filho está a um passo da morte ou da riqueza. o adivinho. chegou. cantando e batendo em seu agogô: "Oxowusi! Oxowusi!! Oxowusi!!! "O caçador Oxo é popular!" E assim é que Oxotokanxoxô foi chamado Oxowusi. O babalaô. Lançou suas cinquenta flechas e nenhuma atingiu o pássaro. o "Caçador de uma flecha só". então.o rei mandou prendê-lo. Oxotokanxoxô afirmou: "Que me cortem em pedaços se eu não o matar!" Ouvindo isto. O rei mandou prendê-lo. apresentou-se Oxotadotá. colocar na estrada. o "Caçador das vinte flechas". E todos cantaram para Oxotokanxoxô. A notícia espalhou-se: "Foi Oxotokanxoxô. Ele quis receber a oferenda e relaxou o encanto que o protegera até então. O rei lhe ordenou matar o pássaro com sua única flecha. o "Caçador das cinquenta flechas". A flecha de Oxotokanxoxô o atingiu em pleno peito. foi rápido consultar um babalaô. se debateu e morreu. o "Caçador de uma flecha só". se eu não o matar". e uma metade será dada a Oxotokanxoxô! !" Os três caçadores foram soltos da prisão e. o "Caçador das cinquenta flechas". que matou o pássaro! O Rei lhe fez uma promessa. A mãe sacrificou. juntou-se a eles. De Iremã. "Ah! . Oxotogun. O pássaro caiu pesadamente.

onde pretendes ir. Quando chegou a hora de Orunmilá retomar à casa de Ifé. Disseram-lhe. para ir-se a um país de vales. ainda." Orunrnilá fez as oferendas. Erinlê é também um guerreiro. Erinlê exclamou: . Deves fazer oferendas antes de partir. um orixá. Quando ele chegou lá. Ele sentiu vergonha e foi consultar Ifá: "Onde poderei encontrar este dinheiro?" Os adivinhos lhe aconselharam a oferecer um carneiro. encontrarás um bom amigo. que deveria oferecer vinte e um sacos de búzios da costa. Mas ele não tinha dinheiro. Erinlê tomou dinheiro emprestado a Orunmilá. Esta amizade foi grande. Os adivinhos lhe disseram: "Neste país de vales. quando Orunmilá chegou naquele país de vales. antes de deixar Ifé. Erinlê é um caçador. um galo e um cachorro. Ele ofereceu quatro pombos e oito mil búzios da costa. O montante deste empréstimo foi de doze mil búzios. ele tomou-se amigo de Erinlê. Erinlê teria de reembolsar o empréstimo.Como ERINLÊ transformou-se num rio Orunmilá consultou Ifá. para que tua viagem seja feliz. além de tudo. Erinlê é.

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que oferecessem sete cachorros. Talvez não o vereis mais. Neste lugar havia uma jarra com água. Pôs o talismã no chão e entrou terra adentro. Todo o material que ele usava para caçar. arco e flechas. encontraram seus instrumentos de caça: fuzil. mas encontrarão um sinal dele. chamar pelo pai. . Eles foram consultar Orunmilá para que ele examinasse o caso. Erinlê foi. também. graças a este talismã. Quando chegaram ao local onde Erinlê entrara terra adentro. que deveriam ir com os carneiros. Orunmilá lhes disse: "Façam oferendas para encontrar vosso pai. Seus filhos o procuraram durante muito tempo. lança. E eles foram. Os filhos de Erinlê fizeram as oferendas. Percorreram todos os lugares onde Erinlê costumava ir. ao lugar onde costumava caçar." Disse-Ihes. A qualquer momento ele poderia. Orunmilá lhes dissera."Ahl Já devo doze mil búzios! Onde poderei encontrar todas estas coisas?" Erinlê tinha um talismã na mãos. então. ainda. os cães e os galos. sete galos e vinte e um sacos de búzios da cota. transformar-se em água. sete carneiros. Quando ele assim o desejasse.

os galos saltavam da tigela. Os filhos saudaram o pai assim: "Oh! Erinlê.eles estão felizes. Os galos que naquele dia eles deixaram livres. Juntos. se pôs a correr. Mas os galos ressuscitavam sempre. Ela também se pôs a correr. pessoas ignorantes mataram alguns. eles viram a jarra com água.E. até hoje. Ninguém ousa matá-los. são os galos que Erinlê cria perto de seu rio. Suas águas formaram um grande rio e o curso de ambos tomou-se um mesmo. Esta água era abundante. o rio. o caçador. batiam novamente suas asas . cachorro e galos!" E chamaram Erinlê. Certa vez. o rio os seguiu no caminho de casa. Quando eles ofereceram estas coisas. no lugar onde os encontraram. sem descanso. Esta água começou a escorrer. cantando de novo seu cocoricô! No mesmo momento em que Erinlê.Puf! Puf! Puf! E iam empoleirar-se numa árvore Akô. retorne à casa! Nós oferecemos carneiro. Dede que o prato estivesse pronto. Oxum preparava-se para partir da cidade de Ijumu. bem no meio disso tudo. E eles se encontraram perto de Edé. Ali onde se encontraram. Erinlê lhes disse para deixar os galos livres. . eles correm para a lagoa. o leito destes rios é suave .

num galho de lroko. mas Ossain permaneceu senhor do segredo de suas virtudes e das palavras que devem ser pronunciadas para provocar sua ação. Cada um tomou-se dono de algumas delas. cujo temperamento é impaciente. ou. Falou do plano à sua esposa Iansã. levando o telhado das casas. a sorte. as doenças e os acidentes. ainda. Os outros orixás não tinham poder sobre nenhuma planta. Os orixás se apoderaram de todas. uma cabaça contendo suas folhas mais poderosas. Iansã aceitou a missão com muito gosto. Explicou-lhe que. Ele sabia que algumas delas traziam a calma ou o vigor. o senhor das folhas Ossain recebera de Olodumaré o segredo das folhas. soltando a cabaça do galho onde estava pendurada. em certos dias. O vento soprou a grandes rajadas. Graças ao poder (axé) que possui sobre elas. "Desencadeie uma tempestade bem forte num desses dias". .OSSAIN. as honras. de Ossain. quebrando tudo por onde passava e. E. como senhor absoluto. Xangô. o fim desejado. a propriedade das folhas. arrancando as árvores. assim. a senhora dos ventos. Outras. usou de um ardil para tentar usurpar. Ossain pendurava. a miséria. irritado com esta desvantagem. A cabaça rolou para longe e todas as folhas voaram. disse-lhe Xangô. as glórias. continuou a reinar sobre as plantas. guerreiro e imperioso. Eles dependiam de Ossain para manter a saúde ou para o sucesso de suas iniciativas.

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Isto vai te ajudar. Ele mata outros elefantes e. neste caso. aquele que jamais recusa um combate. Ele me ajudará como a galinha d'angola. Quando estas galinhas gritam.Um caçador torna-se ORIXÁ OKÔ Olagbirin. Oferendas de dezesseis galinhas d’angola. sempre. uma espécie de linguagem que expressa os votos feitos pela pessoa interessada. kan. Ao abrir o animal. "Que fazer para ter dias melhores?" Os adivinhos o aconselham a fazer oferendas. Olagbirin volta a caçar e mata um elefante. . eu logo terei mulheres. Kan. kan. kan. dezesseis coelhos e trinta e dois búzios da costa. Kan." As oferendas(*) feitas assim por ele cantam: "Se ele me ajudar.kan. kan". Não é difícil para ele encontrar no campo as galinhas d'angola e os coelhos. ele consegue juntar o dinheiro necessário e faz a oferenda. kan. é aquele que nós chamamos Orixá Okô . kan. no interior deles. Este homem. kan. Olagbirin sacrifica as galinhas d'angola. Olagbirin é um caçador. (*) A oferenda é. kan. transportava sua fortuna do campo para casa. está na miséria. Aquele que. como belos tecidos e lindas pérolas. kan. como pérolas maravilhosas e muitas coroas. kan. Ele vai consultar Ifá. riquezas no lugar dos intestinos. elas dizem: "Isto vai te ajudar. Se ele me ajudar. quando tomou-se rico. eu logo terei dinheiro Ele me ajudará como a galinha d'angola Kan. Olagbirin continua caçando. aquele chamado Orixás dos Campos (Orisha Oko)". Com trabalho e muito esforço. chamado Olagbirin.o "orixá dos campos". encontra. eu logo terei filhos. Ele me ajudará como a galinha d'angola. E as pessoas diziam: "É o orixá que traz a riqueza dos campos. kan. Se ele me ajudar. seus intestinos são como troncos de madeira dos quais ele retira jóias diversas.

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Homem valente em casa. Homem valente à direita homem valente à esquerda. Lakangê teve um filho. Para grande surpresa de todos. Ele foi o fundador do reino de Oyó e o pai de Xangô. pois a pele de Odudua era muito clara. Uma destas escravas. Mas. alguns falsos amigos apressaram-se em denunciá-lo ao seu pai. ele entregou sua bela mulher a Odudua. homem valente na guerra. baixou a cabeça e nada soube dizer. ele trouxe sete mulheres. . mandou chamar Ogum e falou-lhe. Metade branco. fez dela sua companheira predileta. Mais tarde. Nove meses mais tarde. era tão bonita que ele a escondeu para si. Com a morte na alma. Odudua. encantado. pois a pele de Ogum era muito escura. segundo disseram-me. à esquerda. confuso. você deixou para si a mais bela. amando-a secretamente. assustado com a cólera de seu pai. metade branco. Metade preto. traga-me esta mulher sem mais um minuto de demora!" Ogum. Este. à direita. gritando: "Que atrevimento! Você traz-me seis mulheres.Nascimento de ORANIAN Quando Ogum fez a guerra contra Ogotum. Odudua. o corpo do recém-nascido tinha a originalidade de ser metade preto. que parece ser uma jóia delicada. verdadeiras feiúras e. não ousou confessar o que se passava entre ele e Lakangê. Ah! Os jovens não têm mais respeito nem consideração por seus pais! Onde vamos chegar com tanta insolência e desrespeito? Ogum. Lakangê. esta criança tomou-se um guerreiro famoso. furioso.

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Ele tem compreensão e sabedoria. Baayani é um ser calmo e pacífico. ainda no além. que se ele não é capaz de brigar. ele agradece a Olodumaré tê-lo dado um irmão valente. mas não tem força. Se as pessoas entregam-se a atos de violência. Olodumaré deu a seu irmão mais novo. ele não se zanga. Baayani nasceu irmão mais velho. Baayani não se envolve. . Estas qualidades. Xangô. Xangô nasceu em seguida. Ele é o irmão mais novo. As pessoas fizeram um provérbio: "Se Baayani não é capaz de brigar.DADA BAAYANI' AJAKÁ é o irmão mais velho de Xangô Quando Baayani e Xangô forarrifriados. nem bravura. ele tem um valente irmão caçula". Se alguém o incomoda. Baayani sabe disto e diz de vez em quando.

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Existe uma dúvida a respeito de Baayani. esperada de Ixelê. é Xangô que responde. Xangô dizia constantemente: "Se alguém resmungar qualquer coisa sobre Dada Baayani. que se trata de sua mãe. ele era muito rico. Alusão. sem dúvida. Quando Dada Baayani fundou a cidade de Ixelê. a dançar em honra de seu irmão mais velho Dada. ele trouxe uma parte da sua riqueza e. Tudo o que as pessoas perguntam a Baayani. então. É por esta razão que as pessoas que adoram Xangô. trazia mais e mais de Ixalê. ainda outros. As pessoas de Ixelê chegam na estrada Dê. Quando Xangô quer possuir um de seus sacerdotes. as pessoas cantam primeiro: Dada ma sokun mon "Dada não chore mais Dada não derrame mais lágrimas de sangue. isso lhes causará desgostos. Alguns acreditam que este é um dos nomes do irmão mais velho de Xangô. Dizem. às necessidades de dinheiro de Dada e à vinda de provisões. Pois se trata de meu irmão mais velho". Xangô põe-se. Quando os dois descem à Terra. Quando tomou-se rei em Oyó. Por causa de Dada Baayani. devem adorar primeiro Dada Baayani.me um búzio para amarrar na minha cabeça". Xangô conhece os talismãs para a proteção e a vitória.Aqueles que Xangô combate são incontáveis. Muita gente lhe pedia dinheiro emprestado. . vez por outra. Baayani era chamado Dada por causa de seus cabelos anelados. enquanto outros pensam tratar-se de uma das sua irmãs. Yamassé.

a pessoas assustadas disseram: "Quem é este perigoso personagem?" "Ele é brutal e petulante demais!" "Não o queremos entre nós!" "Ele vai atormentar-nos!" "Ele vai maltratar-nos!" "Ele vai espalhar a desordem na cidade!" "Não o queremos entre nós!" Mas Xangô os ameaçou com seu oxé. Encolerizava-se facilmente. seu caráter valente o levou a partir em busca de aventuras gloriosas. Xangô só pensava em encrenca. homem valente à esquerda. ele passava sempre por Empé. pendurado no seu ombro esquerdo.XANGÔ Kawo Kabiyesi le! Xangô era filho de Oranian. Homem valente em casa. gritando: Kabiyei Sango. na terra dos iorubas. Oranian foi o fundador do Reino de Oyó. seus adversários. sua filha em casamento. ele ia roubar os frutos das árvores. Kawo Kabiyei Sango Obá Kossôf "Vamos todos ver e saudar Xangô. um saco de couro. Durante suas guerras. Elempê. Homem valente à direita. Aí chegando. Todo mundo de Kossô veio pedir-lhe clemência. Rei de Kossô!" . em território Tapá. Sua respiração virou fogo e ele destruiu algumas casas com suas pedras de raio. O primeiro lugar que Xangô visitou chamava-se Kossô. fez uma aliança com Oranian e deu-lhe. valoroso guerreiro. também chamado Nupê. homem valente na guerra. chamado Xangô. adorava dar ordens e não tolerava reclamação. era impaciente. Durante sua infância em Tapá. Nele encontravam-se os elementos do seu poder ou axé: aquilo que ele engolia para cuspir fogo e amedrontar. Xangô tinha um oxé . cujo corpo era preto à direita e branco à esquerda.machado de duas lâminas. Xangô só gostava de brincadeira de guerra e de briga. tinha. Crescido. o rei do lugar. e a pedra de raio com as quais ele destruía as casas de seus inimigos. também. assim. Desta união nasceu este filho vigoroso e forte. Comandando os pivetes da cidade. também.

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Iansã. Ele adorava as viagens e as aventuras. Ela ajudava Ogum em suas atividades.. para o reino de Oyó. a ponto de trançar seus cabelos como os de uma mulher. Era ela. fuku. seguindo depois. senhora dos ventos e das tempestades. onde morava Ogum. Ogum o terrível guerreiro. que acionava os sopradores para atiçar o fogo. ele pôs-se à obra. ainda. o reino fundado. E Ogum batia sobre a bigorna: beng. Xangô gostava de sentar-se ao lado da forja para ver Ogum trabalhar. num novo bairro que chamou de Kossô. também. Vez por outra. Xangô instalou-se em Oyó.Quando Xangô tomou-se rei de Kossô.um rei pacífico. Iansã o acompanhava à forja e o ajudava. onde pendurava argolas. fuku. Mas esta vida calma não convinha a Xangô.. Contrariamente ao que as pessoas desconfiavam e temiam. com seus súditos. Usava braceletes e colares de contas vermelhas e brancas. Xangô voltou por pouco tempo a Kossô."Rei de Kossô". chamado Dadá-Ajaká . espiava furtivamente Xangô. Assim. Ogum o poderoso ferreiro. que amava a beleza e a arte. assim. Xangô fazia as coisas com alma e dignidade. beng. Ogum estava casado com Iansã. Iansã fugiu com ele e tomou-se sua primeira mulher. antigamente. ele olhava para Iansã. . Ele realizava trabalhos úteis à comunidade. E conservou. por seu pai Oranian. Que elegância! Muito impressionada pela distinção e pelo brilho de Xangô. Toda manhã. Xangô era vaidoso e cuidava muito da sua aparência. carregando suas ferramentas. O vento soprava e fazia: fuku. Ele fizera furos nos lobos de suas orelhas. seu título de Obá Kossô . O trono estava ocupado por um meio-irmão de Xangô. mais velho que ele. partiu novamente e chegou à cidade de Irê. beng .

Xangô bateu violentamente com os pés no chão e afundou-se terra adentro. servos. Sete anos mais tarde. Vivia entre suas mulheres e seus filhos. Xangô. sua segunda mulher. espalhado e reduzido a cinzas. acompanhado de lansã. Kabiyei Sango Alafin Oyó Alayeluwa! "Viva o Rei Xangô. Ele se estendeu para o Leste e ele se estendeu para o Oeste. Baoummm!!! A fórmula era tão boa que destruiu todo o seu palácio! Adeus mulheres. foi o fim do seu reino: Xangô. fez o mesmo em Irá. orixá da tempestade. crianças. cuja vista dominava seu palácio de cem colunas de bronze. Oxum e Obá transformaram-se em rios e todos tornaram-se orixás. sua primeira mulher. solidária. Êpa Heyi Oiá! Oxum. lansã. Xangô. Ele queria experimentar uma nova fórmula que inventara para lançar raios. orixá do trovão. Ele tinha um exército de cem mil cavaleiros. Entretanto. era bonita e ciumenta. destronou seu irmão Dadá-Ajaká e fez-se rei em seu lugar. chegando a Kossô. seguido apenas de lansã. então. seu coração não suportou tanta tristeza. Xangô. sua terceira mulher. cavalos. Ele se estendeu para o Norte. era coquete e dengosa. dono do palácio de Oyó e Senhor do Mundo!" Xangô construiu um palácio de cem colunas de bronze. Ele se estendeu para o Sul. riquezas. Tudo havia desaparecido fulminado. Oxum. Orê Yeyê ô! . Obá. orixá das águas doces. subira à colina Igbeti. lansã. era robusta e trabalhadora. voltou para Tapá. desesperado. bois e carneiros.Xangô guerreava para seu irmão Dadá. O reino de Oyó expandia-se para os quatro cantos do mundo. Kawo Kabiyei le! lansã.

de repente. Partiu. Ogum avaliou logo a distância que os separava e preparou-se para matar o animal com a sua espada. . Lá. em seguida. Ogum insistiu e disse-lhe que a esperaria. muito bela. Desta pele saiu uma linda mulher. Assim que Iansã partiu. logo a desejaria. "Ah! Que contrariedade! Que teria se passado? Que fazer?" Iansã voltou ao mercado. sem desconfiar que Ogum tinha visto tudo. Ogum foi subjugado e pediu-a em casamento. em direção ao mercado da cidade. guardou-a no celeiro de milho e seguiu. Ogum apoderou-se da trouxa.OIÁ IANSÃ Êpa Heyi! Ogum foi um dia caçar na floresta. e viu Ogum que a esperava. Iansã enrolou sua pele e seus chifres. já vazio. Iansã voltou à floresta e não encontrou seu chifre nem sua pele. foi para casa. baixar a cabeça e despir-se de sua pele. ele encontrou a bela mulher e cortejou-a. Mas viu o búfalo parar e. Ele não duvidava de que ela aceitasse sua proposta. coberta de belos panos. vestida com elegância. Era Iansã. fez uma trouxa e escondeu num formigueiro. Ele ficou na espreita e viu um búfalo vindo em sua direção. Sua beleza era tal que se um homem a visse. também. Iansã apenas sorriu e recusou sem apelo. um turbante luxuoso amarrado à cabeça e ornada de colares e braceletes. era a mais bela mulher do mundo. Iansã era bela. num passo leve. para o mercado.

Ela perguntou-lhe o que ele havia feito daquilo que ela deixara no formigueiro. Ogum fingiu inocência e declarou que nada tinha a ver, nem com o formigueiro nem com o que estava nele. Iansã não se deixou enganar e disse-lhe: "Eu sei que você escondeu minha pele e meu chifre. Eu sei que você se negará a me revelar o esconderijo. Ogum, vou me casar com você e viver em sua casa. Mas, existem certas regras de conduta para comigo. Estas regras devem ser-sespeitadas, também, pelas pessoas da sua casa. Ninguém poderá me dizer: Você é um animal! Ninguém poderá utilizar cascas de dendê para fazer fogo. Ninguém poderá rolar um pilão pelo chão da casa".

Ogum respondeu que havia compreendido e levou Iansã. Chegando em casa, Ogum reuniu suas outras mulheres e explicou-lhes como deveriam comportar-se. Ficara claro para todos que ninguém deveria discutir com Iansã, nem insultá-Ia. A vida organizou-se. Ogum saía para caçar ou cultivar o campo. Iansã, em vão, procurava sua pele e seus chifres. Ela deu à luz uma criança, depois uma segunda e uma terceira ... Ela deu à luz nove crianças. Mas as mulheres viviam enciumadas da beleza de Iansã. Cada vez mais enciumadas e hostis, elas decidiram desvendar o mistério da origem de Iansã. Uma delas conseguiu embriagar Ogum com vinho de palma. Ogum não pôde mais controlar suas palavras e revelou o segredo. Contou que Iansã era, na realidade, um animal; que sua pele e seus chifres estavam escondidos no celeiro de milho. Ogum recomendou-lhes ainda: "Sobretudo não procurem vê-los, pois isto a amedrontará. Não lhes digam jamais que é um animal!" Depois disso, logo que Ogum saía para o campo, as mulheres insultavam Iansã: "Você é um animal! Você é um animal!!"

Logo que as mulheres chegaram do mercado. lá não é um bom lugar para vocês. todas as mulheres saíram para o mercado. roçando seu corpo carinhosamente no deles e dizendo-lhes: "Eu vou voltar para a floresta. Cada parte do seu corpo retomou exatamente seu lugar dentro da pele. nossa mãe! !! Que será de nós?" O búfalo os consolou." Retirou seus chifres. pisou sobre os corpos e redou-os no ar. entregou-lhes e continuou: "Quando qualquer perigo lhes ameaçar. vou lhes deixar uma lembrança. pode exibir-se. Ela os vestiu novamente e se sacudiu com energia. Com grandes chifradas Iansã rasgou-lhes a barriga. Abriu a porta e. Foi um tremendo massacre. sob grandes espigas de milho. Mas. ela saiu bufando. encontrou sua pele e seus chifres. escutarei suas queixas e virei socorrê-los. bem no fundo. nossa mãe! É você mesma? Nossa mãe.Elas cantavam enquanto faziam os trabalhos da casa: "Coma e beba. quando vocês precisarem dos meus conselhos. nossa mãe!! Que você vai fazer? Nossa mãe. mas sua pele está no celeiro de milho!" Um dia. Em qualquer lugar que vocês estiverem. . Iansã poupou seus filhos que a seguiam chorando e dizendo: "Nossa mãe. esfreguem estes chifres um no outro. em qualquer lugar que eu estiver." Eis porque dois chifres de búfalo estão sempre no altar de Iansã. pelo qual passaram todas. Iansã aproveitou-se e correu para o celeiro.

Como o são. A primeira chamava-se Oiá-Iansã e a terceira Obá. sobretudo. Numerosos vãos permitem atravessar de um lado a outro. Antigamente. uma grande paixão pelas jóias de cobre. entretanto. entre margens cobertas de brilhante vegetação. Ela gostava de panos vistosos. Oxum era cliente dos comerciantes de cobre. Oxum foi a segunda mulher de Xangô. Oxum tem o humor caprichoso e mutável. geralmente. dengosa e vaidosa. marrafas de tartaruga e tinha. . Omiro wanran wanran wanran omi ro! "A água corre fazendo o ruído dos braceletes de Oxum!" Oxum lavava suas jóias antes mesmo de lavar suas crianças. Mas tem. as belas mulheres. Só uma mulher elegante possuía jóias de cobre pesadas. elas deslizam com graça. a reputação de ser uma boa mãe e atende as súplicas das mulheres que desejam ter filhos. frescas e límpidas.OXUM Orê Yeyê ô! Oxum era muito bonita. este metal era muito precioso na terra dos iorubas. suas águas correm aprazíveis e calmas. Alguns dias.

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para que eu possa atravessar e seguir para a guerra. o rei de Owu. Ninguém pode atravessar de uma margem para a outra. filha do rei de Ibadan. algum tempo depois. tinha que atravessar o rio num dia em que este estava enfurecido. Olowu fez a Oxum uma promessa solene. e se eu voltar vencedor. Olowu. . boas coisas. prometo a você nkan rere". Por infelicidade. pois nenhuma ponte faz a ligação. Oxum compreendeu que ele falava de sua mulher. isto é. ia para a guerra seguido de seu exército. Ele declarou: "Se você baixar o nível de suas águas. Ela baixou o nível das águas e Olowu continuou sua expedição. mal formulada. ela leva para longe e destrói as canoas que tentam atravessar o rio.Outras vezes. Oxum não toleraria uma tal ousadia! Quando ela está em fúria. entretanto. suas águas tumultuadas passam estrondando. Quando ele voltou. transbordando e inundando campos e florestas. Nkan. cheias de correntezas e torvelinhos.

uma das suas filhas fora banhar-se. bois. aí instalou-se e fez um pacto de aliança com Oxum. e declarou que Oxum a havia bem acolhido no fundo do rio. que ela exigia. Olowu mandou jogar sobre as vagas toda sorte de boas coisas. a mulher de Olowu. Larô. o primeiro rei deste lugar. soberbamente vestida. O rio Oxum passa em um lugar onde suas águas são sempre abundantes. para mostrar sua gratidão. sabendo do fim trágico de sua filha. veio trazer-lhe oferendas. escrupulosamente.vitorioso e com um espólio considerável. búzios. galinhas e escravos. Olowu foi obrigado a submeter-se e jogar a sua mulher nas águas. Por esta razão é que Larô. Na época em que chegou. declarou indignado: "Não foi para que ela servisse de oferenda a um rio que eu a dei em casamento a Olowu!" Ele guerreou com o genro e o expulsou do país. O rei de Ibadan. Oxum. feijão fradinho. Nkan estava grávida e a criança nasceu no fundo do rio. Era Nkan. O rio estava turbulento e com suas águas agitadas. sal e camarões. mel de abelhas e pratos de mulukun. as nkan rere prometidas: tecidos. . iguaria onde misturam-se suavemente cebola. O rio a engoliu sob as águas. Ela só saiu no dia seguinte. devolveu o recém-nascido dizendo: "É Nkan que me foi solenemente prometida e não a criança. novamente encontrou Oxum com o humor perturbado. Tome-a!" As águas baixaram e Olowu voltou tristemente para sua terra. Mas Oxum devolveu todas estas coisas boas sobre as margens.

então: Oxum bgô! "Oxum está em estado de maturidade. ele estendeu suas mãos sobre a água e o grande peixe saltou sobre ela. que Larô recolheu numa cabaça e bebeu. um pacto com o rio. título dos reis do lugar. O peixe cuspiu água. Um grande peixe chegou nadando nas proximidades do lugar onde estava Larô. aí. os alimentos jogados nas águas. Todos os anos faz-se. em sinal de aceitação. suas águas são abundantes. O que deu origem a Ataojá. assim. fazendo." Dando origem ao nome da cidade de Oxogbô. Isto é dito em ioruba: Atewo gba ejá. mensageiros da divindade. Em seguida.Numerosos peixes. vieram comer. grandes festas em comemoração a todos estes acontecimentos. . Ataojá declarou.

Ela derrubou Obatalá. seu primeiro marido. Seu maior prazer era lutar. Obá tomou-se a terceira mulher de Xangô. Obá venceu todas as disputas que foram organizadas entre ela e diversos orixás. Na hora da luta. desta maneira. que era coquete e vaidosa. Seu vigor era tal que ela escolheu a luta e o pugilato como profissão. Faltava-lhe. Chegou a vez de Ogum! Ogum teve o cuidado de consultar Ifá. Obá pisou na pasta viscosa e escorregou. libertou-se do pano que vestia e a possuiu ali mesmo. Obá parecia dominar a situação. Ogum recuou em direção ao lugar onde ele derramara a oferenda. Ogum seguiu fielmente estas instruções. Obá chegou dizendo: "O dia do encontro é chegado. Ela desafiou Obaluaê e botou Exu pra correr. pois ela era forte e corajosa. um pouco de charme e refinamento. Oxumaré não resistiu à sua força. A primeira mulher de Xangô foi Oiá-Iansã. Rapidamente. que era bela e fascinante. A segunda foi Oxum. Esta substância deveria ser depositada num canto do terreno onde eles lutariam." A luta começou. um contra o outro.OBÁ. Ogum aproveitou para derrubá-Ia. Mais tarde. tomando-se. compostas de duzentas espigas de milho e muitos quiabos. a terceira mulher de Xangô Obá era uma mulher cheia de vigor e coragem. antes da luta. tirou Oxóssi de combate e deixou no chão Orunmilá. Tudo pisado num pilão para se obter uma massa viscosa e escorregadia. então. No início. Os adivinhos lhe disseram para fazer oferendas. ." Ogum confirmou: "Nós lutaremos. Mas ela não temia ninguém no mundo. talvez.

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Xangô trovejou sua fúria. ruidosamente e com deleite. Na semana seguinte. que ela cozinhava. desta forma. Ambas disputavam a preferência do amor de Xangô.Uma rivalidade logo se estabeleceu entre Obá e Oxum. as águas destes rios são tumultuadas e agitadas no lugar de sua confluência. Obá chegou na hora combinada e encontrou Oxum com um lenço amarrado à cabeça. assistir à preparação de um prato que. Até hoje. vaidoso e altivo. Obá sempre procurava surpreender o segredo das receitas utilizadas por Oxum quando esta preparava as refeições de Xangô. Ele achou repugnante o prato que ela lhe preparara. Uma verdadeira luta se seguiu. retirou-se com Oxum para o quarto. Ela preparava uma sopa para Xangô onde dois cogumelos flutuavam na superfície do caldo. agradava infinitamente a Xangô. em lembrança da briga que opôs Oxum e Obá pelo amor de Xangô. escondendo as orelhas. segundo ela. um dia de manhã. Enraivecido. Convidou Obá a vir. foi a vez de Obá cuidar de Xangô. fugiram e transformaram-se em rios. Oxum irritada. decidiu preparar-lhe uma armadilha. para preparar o prato favorito de Xangô. Neste momento. Ela decidiu pôr em prática a receita maravilhosa. Engoliu. nem comidas. mostrando à sua rival que suas orelhas não haviam sido cortadas. Xangô não sentiu nenhum prazer ao ver que Obá se cortara uma das orelhas. Furiosa. Oxum e Obá. apavoradas. Este logo chegou. Oxum chegou e retirou o lenço. . Oxum convenceu Obá que se tratava de suas orelhas. a sopa de cogumelos e galante e apressado. Obá precipitou-se sobre Oxum com impetuosidade.

tratava Iemanjá com consideração e respeito. Iemanjá aceitou mas. chegando a Abeokutá. ela tornou-se a esposa de Olofin-Odudua. um dia. disse-lhe: "Jamais você ridicularizará da imensidão dos meu seios. Okere desejou-a e propôs-lhe casamento. Iemanjá recebera de sua mãe. Okere. antes do seu primeiro casamento. impondo uma condição. Certa vez. Olokum. Um deles foi chamado Oxumaré. Mas. Tropeçando em Iemanjá. ele bebeu vinho de palma em excesso. ajejê lodõ. "aquele-que-se-desloca-com-a-chuva-e-revela-seus-segredos". Ao norte de Abeokutá.IEMANJÁ Odô Iyâ Yemanjá Ataramagbá. A garrafa quebrou-se e dela nasceu um rio. com seus seios grandes e trêmulos!" Iemanjá. gentil e polido. gritou: "Você. vexado. rei de Xaki. com seus seios compridos e balançantes! Você. dissera-lhe esta: "Nunca se sabe o que pode acontecer amanhã. Iemanjá continuava muito bonita. Em Ifé. vivia Okere. jogando-a no chão. Ele não sabia mais o que dizia." Okere. quebre a garrafa. Iemanjá fugiu na direção do "entardecer-da-terra". o Arco-Íris. como os iorubas designam o Oeste. Estas crianças receberam nomes simbólicos e todos tomaram-se orixás. De tanto amamentar seus filhos. fugiu em disparada. uma garrafa contendo uma poção mágica pois. os seios de Iemanjá tornaram-se imensos. Ele não sabia mais o que fazia. Em caso de necessidade. ofendida. a deusa do mar. Cansada da sua estadia em Ifé. com o qual teve dez filhos. ." Em sua fuga. Iemanjá tropeçou e caiu. ajejê nilê! Iemanjá era a filha de Olokum. Voltou para casa bêbado e titubeante. esta chamou-o de bêbado e imprestável.

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Kawo Kabiyesi Obá Kossôl " Saudemos o Rei Xangô. Okere. Iemanjá.. Querendo barrar-lhe o caminho. vendo assim bloqueado seu caminho para a casa materna. Iemanjá foi-se para o mar de sua mãe Olokum. Seus filhos fazem oferendas para acalmá-Ia e agradá-la. chamada. Aí ficou e recusa-se. contrariado. chamou Xangô. Iemanjá quis passar pela esquerda. ela não volta mais." Ela tem filhos no mundo inteiro. Okere. Ela abriu-se em duas e. Iemanjá quis passar pela direita. Paz nas águas! Paz na casa!" . a voltar em terra. residência de sua mãe Olokum. a rainha das águas. Okere deslocou-se para a esquerda. e um prato de "gbeguiri". no dia seguinte. Ouviu-se então: Kakara rá rá rá .. Começaram a aparecer nuvens dos lados da manhã e da tarde do dia. chegou Xangô com seu raio.. que usa roupas cobertas de pérolas. ele pediu uma oferenda de um carneiro e quatro galos. Yemanjá. Nesse dia. desde então. o mais poderoso dos seus filhos. Iemanjá. Iemanjá encontraria por onde passar.. ainda hoje. Odô Iyá. queria impedir a fuga de sua mulher. Okere deslocou-se para a direita. ele transformou-se numa colina. Ele havia lançado seu raio sobre a colina Okere. Começaram a aparecer nuvens da direita e da esquerda do dia. Iemanjá está em todo lugar onde o mar vem bater-se com suas ondas espumantes. e colocou-se no seu caminho.As águas tumultuadas deste rio levaram Iemanjá em direção ao oceano. saudemos o Rei de Kossô!" Xangô veio com dignidade e seguro do seu poder. um prato de "amalá". Kawo Kabiyesi Sango. que estendeu-se ao longe na amplidão. preparado com farinha de inhame. Xangô desfez todos os nós que prendiam as amarras da chuva. suichchchch . feito com feijão e cebola. Iemanjá. Seus filhos chamam-na e saúdam-na: "Odo Iyá. a Mãe do rio. Ataramagbá Ajejê lodôl Ajejê nilêl "Mãe das águas. E declarou que. Quando todas elas estavam reunidas.

Se alguém recolhesse água em eu leito. Depois. elegante senhora do pente de coral. com elas. Olokum fez as oferendas. senhora da lagoa. consulta Ifá. consulta Ifá. Ele disse que Olokum deveria oferecer duzentas cobertas pretas. Oxum. Ela chegou a empregar-se como serva. o rio. Poderiam elas tornar-se as maiores do mundo? Orunmilá respondeu que se elas pudessem fazer as oferendas que ele escolhera para elas. Porque ela estava pobre de água. Eles correriam para frente ou para trás? E haviam pedido conselho a Oxum . recolheria. aos pés de Orunmilá rogar-lhe examinar o seu caso. Se alguém quisesse. areia. Os rios não sabiam em que direção seguir. Olossá. numa época em que suas águas não eram bastantes para que alguém nelas se lavasse o rosto. Olokum e Olossá foram. um carneiro e vinte e seis mil búzios da costa. ambas. suas vidas seriam um sucesso. Pois havia na lagoa muito pouca água. Mas suas oferendas não foram completas. Ela empregou tudo o que possuía.Como OLOKUM tornou-se a rainha das águas Olokum. lavar os pés. Olossá fez também as oferendas com tudo o que possuía. porque ela não encontrou onde se empregar. também. sujar-se-ia de lama e areia. para completar as oferendas. duzentas cobertas brancas. consultou Ifá no dia em que ia conduzir todos os rios. numa época em que suas águas não eram bastantes para que alguém nelas se lavasse os pés. ele recomendou à Olossá fazer o mesmo. senhora das águas.

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. Eles discutiam aqui e ali. então. Quando chegaram à beira da lagoa (osa). eles cobriram completamente o mar (okun).Ifá respondeu: "Tu. E os rios seguiram todos juntos. Quando deixaram a lagoa. A cada ano. Olokum foi. Assim. Mas. todo os rios vêm adorá-la. serás muito bem recebida. a questão de saber quem seria a rainha das águas. Olossá ordenou aos rios que se retirassem das suas terras. por direito. vais a um certo lugar e. eles a cobriram completamente. Olodumaré manifestou-se a respeito: "A que possui o território é a rainha". neste lugar. Nenhum outro poderá te preceder em qualquer lugar onde estejas presente. a rainha. os rios não encontraram saída por onde passar. Os outro rios te seguirão." Oxum reuniu todos os rios. Foi assim que Olokum e Olossá tomaram-e populares na Terra e famosas no mundo dos deuses. Oxum. Olokum declarou: "O território onde vocês se encontram é meu". Colocou-se. Olossá foi eleita segunda pessoa de Olokum.

até. "Como tomar-se rico. a remessa de seus pagamentos habituais. por esta razão. O rei Oni não era um rei generoso. Oxumaré recebeu um recado: Olokum. rolava no chão e queimava-se nas cinzas do fogareiro . consultou Ifá. magoado com esta triste situação. humilhou Oxumaré. a cada semana. No momento que Oxumaré fazia estas oferendas. que estava doente.OXUMARÉ Oxumaré era. Oxumaré. conhecido e admirado por todos?" Ifá o aconselhou a fazer oferendas. recriminou-o e negligenciou. tal como seu filho. desejava consultá-lo a respeito de seu filho. O rei. um adivinho (babalaô). Sua única ocupação era ir ao palácio real no "dia do segredo". Oxumaré respondeu: "Pois não. As pessoas da cidade não o respeitavam. Ele não podia manter-se de pé. O adivinho do rei Oni. Entretanto. Ele dava apenas. voltando à sua casa. chegarei tão logo tenha terminado a cerimônia". O pai de Oxumaré tinha um belo apelido. Chamavam-no "o proprietário do xale de cores brilhantes". vivia na miséria com a sua família. uma quantia irrisória a Oxumaré que. ele não tinha poder. caía. a rainha de um país vizinho. Mas. antigamente. dia que dá início à semana de quatro dias dos iorubas. o rei mandou chamá-lo. quatro pombos e quatro sacos de búzios da costa. Disse-lhe que oferecesse uma faca de bronze. irritado pela espera. respeitado.

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Quando Chuva reunia a nuvens. todos gritavam: "Oxumaré apareceu!" Oxumaré tomou-se muito célebre. Entretanto. em grande estilo. O arco-íris aparecia e Chuva fugia. o rei Oni ofereceu a Oxumaré uma roupa do mais belo vermelho. Oxumaré tomou-se rico e respeitado. O rei Oni ficou surpreso e disse-lhe: "Oh! De onde vieste? De onde saíram todas estas riquezas?" Oxumaré respondeu-lhe que a rainha Olokum o havia consultado. o deus supremo. acompanhada de muitos outros presentes. Um escravo fazia rodopiar um guarda-sol sobre a sua cabeça e músicos cantavam seus louvores. Oxumaré foi saudar o rei. Oxumaré agitava sua faca de bronze e a apontava em direção ao céu. Desde este dia. aquele que estende a esteira real em casa e caminha na chuva. servidores e um cavalo. Todas as doenças da criança foram curadas. Ele mandou chamar Oxumaré e o mal dos seus olhos foram curados. encantada com este resultado. Olodumaré não deixou mais que Oxumaré retomasse à Terra. . Olokum. feita de um rico tecido. Depois disto. recompensou Oxumaré. Olodumaré.Oxumaré dirigiu-se à corte da rainha Olokum e consultou Ifá para ela. como se riscasse de um lado a outro. Nesta época. "Ah! Foi então Olokum que fez tudo isto por você!" Estimulado pela rivalidade. é no céu que ele mora e só tem permissão de visitar a Terra a cada três anos. começou a sofrer da vista e nada mais enxergava. É durante estes ano que a pessoas tomam-se ricas e prósperas. Oxumaré não era amigo de Chuva. Assim. Ela ofereceu-lhe uma roupa azul. com o qual Oxumaré retomou à sua casa. Ela deu-lhe muitas riquezas.

Ele massacrava sem piedade aqueles que se opunham à sua passagem.OBALUAÊ Atotô! Xapanã nasceu em Empê. conduzindo seus ferozes guerreiros. no Daomé. percorria o céu e os quatro cantos do mundo. chegou Xapanã em território Mahi. apavorados. chegou! Se o povo não aceitá-lo. também chamado Nupê. Façam-lhe muitas oferendas. também. e saudaram-no: Totô hum! Totô hum! Atotô! Atotô! "Respeito e submissão!" . que o respeitem e o sirvam. feijão. muita pipoca! Será necessário. os habitantes desta região. consultaram um adivinho. farinha de milho. Seus inimigos saíam dos combates mutilados ou morriam de peste. mas protegerá a todos!" Quando Xapanã chegou. azeite de dendê. Quando souberam da chegada iminente de Xapanã. que todos se curvem diante dele. Desde que o povo o reconheça como pai. todas as que ele goste: inhame pilado. A terra dos mahis abrangia as cidades de Savalú e Dassa Zumê. E assim ele falou: "Ah! O grande Guerreiro chegou de Empê! Aquele que se tomará o senhor do país! Aquele que tomará este terra rica e próspera. seguido de suas tropas. no território Tapá. ele o destruirá! É necessário que supliquem a Xapanã que vos poupe. Assim. picadinho de carne de bode e muita. encostando suas testas no chão. Era um guerreiro terrível que. os habitantes de Savalú e Dassa Zumê reverenciaram-no. Xapanã não o combaterá.

minha terra natal. no território Tapá. também chamado Nupê. desde Empê.Xapanã aceitou os presentes e as homenagens. " e o Grande Guerreiro não voltou mais a Empê. sempre encontrei desconfiança e hostilidade. . Construam para mim um palácio. dizendo: "Está bem! Eu os pouparei! Durante minhas viagens. O país prosperou e enriqueceu. É aqui que viverei a partir de agora!" Xapanã instalou-se assim entre os mahis.

Jeholú. várias vezes. Jeholú Ainon do Daomé e obrigaram-no a voltar. Seu verdadeiro nome. também. pois eles também usavam estes títulos. Quando Xapanã instalou-se entre o mahis. também. o "Filho do Senhor". Ele tem. era preferível chamá-loAinon. Senhor da Terra" ou Omulú. o "Senhor da Terra". em uma nova terra. Enciumados. o poder de curar. o "Senhor das Pérolas". o "Rei. Jeholú Ainon vingou-se: vários reis daomeanos morreram de varíola! Atotô! . os Jeholú de Abomey expulsaram. Por prudência. O fato de ser chamado Jeholú e Ainon causou mal-entendidos entre Sapatá e os reis do Daomé. punições aplicadas àqueles que o ofenderam ou conduziram-se mal.Xapanã é considerado o deus da varíola e das doenças contagiosas. o nome de Sapatá. transitoriamente. recebeu. então. ou. As doenças contagiosas são. à terra dos mahis. é perigoso demais pronunciar. na realidade. Aí. é preferível chamá-lo Obaluaê.

Eles falam sobre Orunmilá. Eles discutem sobre os seus poderes. São eles que utilizamos para esquartejar os animais". os trabalhos que ele realiza?" Os demais orixás respondem: "É graças a seus instrumentos que trabalhamos pelo nosso alimento. Eles falam muito sobre Obatalá. eles vão a uma reunião. Declaramos que é o mais importante entre nós!" Nanã Buruku contesta. aquele que criou os seres humanos. É a reunião dos duzentos Imalés da direita e dos quatrocentos Imalés da esquerda. vinda de muito longe e há muito tempo. Um dia.Disputa entre NANÃ BURUKU e OGUM Nanã Buruku é uma velhíssima divindade das águas. Ele dizem: "É graças a seus instrumentos que nós podemos viver. então. Eles falam sobre Exu: "Ah! É um importante mensageiro!" Eles falam muita coisa a respeito de Ogum. então: "Não digam isto. Que importância tem. o senhor do destino dos homens. Ogum é um poderoso chefe guerreiro que anda sempre à frente dos outros Imalés. É graças a seus instrumentos que cultivamos os campos. .

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Nanã. absolutamente nada. N anã responde que não reconhece sua superioridade. Não se pode utilizar faca de metal para cortar sua carne. por causa da disputa que. eles passaram a se servir de um pedaço de pau. fabricado por Ogum e. cobre." Os filhos de Nanã eram caçadores. Ogum questiona: "Como você o fará? Você não sabe que sou o proprietário de todos os metais? Estanho.Nanã conclui que não renderá homenagem a Ogum. ainda assim." Nanã. . Os animais oferecidos a Nanã são mortos e decepados com instrumentos de madeira. chumbo. Ogum diz então: "Muito bem! Você vai saber que sou indispensável para todas as coisas. opôs Ogum a Nanã. me parece justo. Eu os possuo todos. ferro. Ogum perguntando: "Você pretende que eu seja dispensável?" Nanã garantindo que isto ela podia afirmar dez vezes. Para matar um animal. poderá tudo realizar. a partir daquele dia. para esquartejá-lo. que você também o faça". afiado em forma de faca. desde aquele dia. por sua vez. "Por que não haverá um outro lmalé mais importante?" Ogum diz: "Ah! Ah! Considerando que todos os outros lmalés me rendem homenagem. ela não utilizará. Ambos discutem por muito tempo. declara que.

Havia um grande mercado.OXAGUIÃ Exê êêê! Oxaguiã era o filho de Oxalufã. um grande adivinho. Sua Majestade. comia no jantar e. não se usava jamais o seu nome. por sua vez. era sempre iyan que devia ser-lhe servido. compradores e vendedores de mercadorias e escravos. que era então um pequeno vilarejo dentro da floresta. até mesmo. Awoledjê. pois seria falta de respeito. Disse-lhe. que o aconselhava no que devia ou não fazer. Ejigbô tomou-se uma grande cidade. ao meio-dia e depois da sesta. era babalaô. ainda. comia de manhã. Elejigbô vivia com pompa entre suas mulheres e seus servidores. Awoledjê viajou para outros lugares. duas galinhas. em frente ao palácio. como previra Awoledjê. seu companheiro. Ele nasceu em Ifé. uma cidade grande e poderosa e povoada de muitos habitantes. cujo leite fosse abundante. que significa "Orixá-comedor-de-inhame-pilado". Awoledjê aconselhou Oxaguiã a oferecer: dois ratos de tamanho médio. Quando falava-se dele. desejou. Ejigbô. Elejigbô comia deste iyan a todo momento. durante a noite. Partiu. que se ele seguisse seus conselhos. para que fosse preparado seu prato predileto! Impressionados pela sua mania. Oxaguiã tinha uma grande paixão por inhame pilado. Chegou num lugar chamado Ejigbô e aí tomou-se Elejigbô . que nadassem majestosamente. que deveria ser empregada. acompanhado de seu amigo Awoledjê. e assim passou a ser chamado. que atraía. . duas cestas de caramujos e muitos panos brancos. Era a expressão Kabiyesi. comida que os iorubas chamam de iyan. valente guerreiro. Ela era cercada de muralhas com fossos profundos. Chegou ao ponto de inventar o pilão. muito em breve. Depois disto. Oxaguiã. Certa ocasião. conquistar um reino. de muito longe. tomar-se-ia. dois peixes. duas cabras. Músicos cantavam seus louvores. Oxaguiã não tinha ainda este nome. bem antes de seu pai tomar-se o rei de Ifan. isto é. os outros orixás deram-lhe um apelido: Oxaguiã. cujos fígados fosses bem grandes."Rei de Ejigbô". se sentisse vazio seu estômago! Ele recusava qualquer outra comida. as portas fortificadas e guardas armados vigiavam suas entradas e saídas.

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precisou ir suplicar-lhe que esquecesse os maus tratos sofridos e o perdoasse. na entrada do palácio. será necessário que você envie muita gente à floresta. Awoledjê voltou. Ele desconhecia ainda o novo esplendor de seu amigo. no fim da seca. os habitantes de dois bairros de Ejigbô. enquanto Oxaguiã vem dançar com energia. Awoledjê pediu. aqueles de Ixalê Oxolô e aqueles de Okê Mapô. e na esperança de verem. as pessoas batem-se umas nas outras. Por ocasião das cerimônias em louvor de Oxaguiã. Elejigbô. Oxaguiã.respondeu-lhe. até que estas varetas estejam gastas ou se quebrem". batem-se todo um dia. por ocasião da sua festa. e recebem. todo os anos. desesperado. uma porção de inhame pilado. foi-se esconder no fundo da mata. consultou um babalaô para remediar esta triste situação. uns aos outros. Desde então. deverão golpear-se. toda esta infelicidade é resultado da injusta prisão de um de meus confrades! É preciso soltá-lo. símbolo das preferências gastronômicas do orixá "Comedor-de-inhame-pilado". Kabiyesi! É preciso obter o seu perdão!" Awoledjê foi solto e. Chocados pela insolência do forasteiro. A lembrança deste costume conservou-se através dos tempos e permanece viva também na Bahia. cortar trezentos feixes de varetas. com familiaridade.Ao cabo de alguns anos. trazendo uma mão de pilão. com leves golpes de vareta . decidiu vingar-se. Durante sete anos a chuva não caiu sobre Ejigbô. utilizando sua magia. em seguida. Awoledjê. as mulheres não tiveram mais filhos e os cavalos do rei não tinham pasto. apesar de rei tão importante. em sinal de contrição. notícias do "Comedor-de-inhame-pilado"... Este respondeu-lhe: "Kabiyesi. mortificado pelos maus tratos. Eu permito que a chuva volte a cair. Chegando diante dos guardas. Elejigbô. novamente. divididos em dois campos. Exê ê! Baba Exê ê! . a chuva cair. cheio de ressentimento. mas tem uma condição: Cada ano. Os habitantes de Ejigbô. "Muito bem! . os guardas gritaram: "Que ultraje falar desta maneira de Kabiyesi! Que impertinência! Que falta de respeito!" E caíram sobre ele dando-lhe pauladas e cruelmente jogaram-no na cadeia.

ajude-me a colocar este pote no ombro. Será necessário que você leve. Oxalufã. O babalaô respondeu-lhe: "Não faça esta viagem! Ela será cheia de incidentes desagradáveis e acabará mal. Exu. Exu estava sentado à beira da estrada. Exu Elepô virou o pote sobre Oxalufã. Será necessário que você leve três panos brancos. então. Oxalufã decidiu viajar em visita a. sim. Oxalufã tinha um temperamento obstinado." "Sim. como vai a família?" "Oh! Bom dia Exu Elepô. sim. Disse." Oxalufã partiu. Ele estava muito velho. com prazer e logo. ao babalaô: "Decidi fazer esta viagem e eu a farei. sabão e limo da costa. ele encontra Exu Elepô. na longínqua África. Antes de partir. deverá aceitar fazer tudo que lhe pedirem." Mas. apoiado no seu opaxorô. perguntando-lhe se tudo ia correr bem e se a viagem seria feliz. a terra dos ancestrais. Este respondeu-lhe: "Qualquer que sejam suas oferendas.seu velho amigo Xangô. Ao cabo de algum tempo. também. o adivinho. de repente. lentamente. seguindo os conselhos do babalaô. Você não deverá queixar-se das tristes conseqüências que advirão. chamado opaxorô. com um grande pote cheio de dendê. se oferendas e sacrifícios melhorariam as coisas. a viagem será desastrosa. Um dia. Foi limpar-se no rio mais próximo. quando fazia um projeto. ficou calmo e nada reclamou. Exu "dono do azeite de dendê"." E fez ainda algumas recomendações: "Se você não quiser perder a vida durante a viagem. como vai também a sua?" "Ah! Oxalufã. apoiado num grande cajado. rei de Oyó. "Ah! Bom dia Oxalufã. aconteça o que acontecer!" Oxalufã perguntou ainda ao babalaô." Mas. Oxalufã consultou um babalaô. nunca renunciava. curvado pela idade e andava com dificuldade. então. .OXALUFÃ Êpa Baba! Oxalufã era o rei de Ilu-ayê.

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apoiado em seu opaxorô. Xangô. Duas vezes mais. Outra vez. o gado dizimado. respondeu-lhe o babalaô. mostrando-lhe uma espiga de milho. Exu "dono do óleo do caroço de dendê". assim. mas não pense no entanto . E continuou corajosamente seu caminho. consultou um babalaô.Passou o limo da costa sobre o corpo e vestiu-se com um novo pano. com Exu Onidú. Oxalufã trocou. tudo isto é conseqüência de um ato lastimável. como oferendas. do fundo da prisão. Durante sete anos o reino de Xangô foi devastado.. Sango. Exu divertiu-se às custas dele. Ele conhecia o animal. Alayeluwa! "Saudemos Xangô. imprestável. apoiado no seu opaxorô. "Kabiyesi Xangô. Eis a fonte de todas as desgraças!" . sem que.. Eles estavam perseguindo o animal e gritaram: "Olhem o ladrão de cavalo! Miserável. Eles o agarraram e arrastaram até a prisão. contudo. deixando na margem do rio os que usava. Oxalufã. Kawo Kabiyesi. Senhor do Palácio de Oyó. até que passou a fronteira do reino de seu amigo Xangô. roubar com esta idade!! Não há mais anciãos respeitáveis! Quem diria? Quem acreditaria?" Caíram todos sobre Oxalufã. as mulheres estéreis. Alafin Oyó. aquele que usava ficou perto do rio. Duas vezes mais ele encontrou-se com Exu. andando com lentidão. para saber a razão de toda aquela desgraça. há tempo. seus últimos panos. Oxalufã foi vítima das armadilhas de Exu. Oxalufã retomou a estrada. a colheita estava comprometida. lembrando-se das recomendações do babalaô. Duas vezes mais. com Exu Aladi. Um velho sofre injustamente. por sua vez. ambas semelhantes à primeira. Usou então dos seus poderes. Neste instante. como oferenda. Ele não podia vingar-se. Senhor dó Mundo!" Logo. preso há sete anos. chegaram correndo os empregados do palácio. as pessoas eram vitimadas por doenças terríveis. Uma vez. permaneceu quieto e nada disse. lho oferecera. Ele nunca se queixou. para amarrá-lo e devolvê-lo a Xangô. cobrindo-o de pancadas. conseguisse tirar-lhe a calma. pois havia sido ele que. Não choveu mais. amigo do bem alheio! Como os tempos mudaram. Oxalufã tentou amansar o cavalo. Oxalufã sujeitou-se às conseqüências. Oxalufã avistou um cavalo perdido que pertencia a Xangô. Exu "dono do carvão".

em todos os terreiros de candomblé da Bahia. preso por meus próprios empregados! Hei! Todo vocês! Meus generais! Meus cavaleiros. a cada ano. uma multidão lava o chão da basílica dedicada ao Senhor do Bonfim que. para os descendentes de africanos dos outro tempos e seus descendentes de hoje. vergonhoso. Êpa.gritou Xangô. meus músicos! Meus mensageiros e chefes de cavalaria! Meus caçadores! Minhas mulheres. Também. na prisão! Êpa Baba!! Não posso acreditar e. numa quinta-feira. todos os anos. meus eunucos. Êpa Baba!!! . para lavar os axés. guardai o silêncio em sinal de arrependimento! Todos e todas. ainda por cima. imperdoável!!! Ah! Você Oxalufã. objetos sagrados de Oxalá. "Ah! Mas vejam só!". "É você. no dia das "Águas de Oxalá" quando todo mundo veste-se de branco e vai buscar água em silêncio. com a mesma intenção. vão buscar água no rio! É preciso lavar Oxalufã! Êpa Baba! Êpa. Êpa! É preciso que ele no perdoe a ofensa que lhe foi feita!!" Este episódio da vida de Oxalufã é comemorado. as yabás! Hei! Povo de Oyó! Todos e todas. Oxalufã! Êpa Baba! Exê ê! Absurdo! É inacreditável. é Oxalufã.Xangô fez vir diante dele o tal ancião. vesti-vos de branco em respeito ao rei que veste branco! Todos e todas.

Todo os Imalés estavam reunidos na praça de Ifé. reunidos numa assembléia. Exu. Oxalá fez as oferendas prescritas. ambos. Oxalá. Exu negligenciou a prescrição. Oxalá apoiado em seu poder. Oxalá bateu-lhe na cabeça e ele tomou-se anão.Briga entre OXALÁ e EXU Oxalá e Exu discutiam sobre quem era o mais antigo deles. insiste ser o mais velho. Oxalá deu uma palmada em Exu e boom! Exu caiu sentado. Oxalá tomou a cabeça de Exu e sacudiu-a com violência. contando com a magia mortal e a força dos seus talismãs. Ifá foi consultado pelos adversários e foram. A cabeça de Exu tomou-se enorme. orientados a fazer oferendas. machucado. Os Imalés gritaram: "Êpa!" Exu sacudiu-se e levantou-se. maior que o seu corpo. diante dos outros Imalés. Exu. Os Imalés gritaram juntos: "Êpa!" Exu sacudiu-se e recuperou seu tamanho. O dia da luta chegou. O desentendimento entre eles era tal que foram convidados a lutarem entre si. decididamente. Os Imalés gritaram juntos: "Êpa!" . proclama com veemência que já estava no mundo quando Exu foi criado. decididamente também.

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os brancos. Oxalá ordenou-lhe: "Venha aqui!" Exu aproximou-se. fazendo. O poder de Oxalá ultrapassa o dos demais. Este a tomou firmemente e a jogou no seu saco. Exu a entregou nas mãos de Oxalá. Os Imalés exclamaram: "Êpa!" E disseram: "Oxalá é. Tu és maior que todos os orixás. Oxalá continuou: "Traga sua cabacinha". Os Imalés disseram: "Está bem! Que Exu mostre agora seu poder sobre Oxalá. Os Imalés gritaram juntos: "Êpa!" Oxalá esfregou-se. Tu és maior que Exu. Ele bateu na própria cabeça e dela extraiu uma pequena cabaça. Tocou com ele sua boca e chamou Exu. Exu respondeu com um sim.Exu esfregou a cabeça com as mãos e esta recuperou seu tamanho natural. Uma nuvem de fumaça branca saiu da cabaça e descoloriu Oxalá. até hoje. "É esta cabaça que Oxalá utiliza para transformar os seres humanos em albinos. Mas foi em vão. . assim. daí. sem dúvida. tentando readquirir sua antiga cor. Oxalá tomou a cabaça que ele utilizava para o seu poder.na direção de Oxalá. Exu não tem mais poder a exercer. O senhor da iniciativa e do poder (alabalaxé). Ele abriu-a repentinamente e virou-a. tirou o seu poder (axé)." Exu caminhava pra lá e pra cá. Ele falou: "Está bem!" Oxalá desfez o turbante enrolado sobre sua cabeça e. o senhor do poder (axé).

entre esses deuses. permanecer ao seu lado durante as sessões de adivinhação. para desespero de Orunmilá. em verdade. o testemunho do destino dos seres humanos. por exemplo. está precisando de um criado. arrancar plantas tão necessárias à saúde e a felicidade!" Orunmilá impressionado. ainda. Ele vai ao mercado e. pouco a pouco. vangloriava-se de ser mais importante que Orunmilá. protege contra os efeitos de trabalhos maléficos. Ossain. Ossain lhe responde: "Todas estas plantas. a partir de então. pois ele possuía o poder da magia mortal e dos medicamentos que preparava. Ossain volta à noite. cura a febre. para guiá-lo na escolha dos remédios que deverá prescrever a seus consultantes. decide que Ossain deverá. Impossível. ele escolhe Ossain. . acalma as dores de dentes. esta outra.Rivalidade entre ORUNMILÁ e OSSAIN Orunmilá (Elerin Ipin). sofrendo por ser mantido em submissão. Entretanto. estas folhas e estas ervas têm virtudes. esta outra. sem ter cumprido sua ordem. Elas não podem ser destruídas. Uma surda rivalidade se estabelece. Esta folha. entre os escravos que estão à venda. Orunmilá lhe pergunta por que ele nada fez. Manda-o desmatar o campo para preparar as novas plantações.

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Os dois serão enterrados durante sete dias. chamado Sacrifício. acompanhados de seus primogênitos. com uma voz clara e forte. uma mensagem a Orunrnilá. tinha direito a seu respeito. O rei decide submetê-los a uma prova. Ossain apresenta-se com o seu.Ossain chegou a declarar ao rei Ajalayé que ele viera ao mundo antes de Orunrnilá e. entre ele e Ossain. qual o mais importante dos dois. então. verá seu pai ser declarado vencedor. . no fim do último dia. Ele quer saber. chamado Remédio. Orunrnilá chega com seu filho. Ele os convoca. Orunrnilá responde ser ele mais antigo que Ossain. ao chamado que será feito. sendo mais antigo. O rei Ajalayé envia. Aquele que sobreviver à provação e responder primeiro.

Orunrnilá preparou a oferenda. "Meu filho estará ainda vivo. numa encruzilhada. um bode. . Sacrifício e Remédio foram colocados dentro e as covas foram fechadas. o coelho levou alimento para ele. Ela foi colocada em quatro lugares: na estrada. passados os sete dias?" Ifá aconselhou-o a oferecer muito ekuru . Assim. um pombo. o filho de Orunrnilá. Orunrnilá. pimenta. Exu exerceu seu poder sobre o coelho sacrificado. diante de Exu e no mercado. consultou Ifá.um prato saboroso. voltando para casa. bolo de feijão.Duas covas foram abertas. Este ressuscitou e cavou um buraco que foi terminar na cova de Sacrifício. um galo. um coelho e dezesseis búzíos da costa.

depois. Mas. Remédio não responde. igualmente vivo. . dar-lhe comida. Significando que sacrifício é mais eficaz que Remédio. Sacrifício responde: "Ah! Como posso eu. filho de Orunmilá. assim. Comida contra silêncio! Este pacto tomou-se provérbio: "Sacrifício não deixa Remédio falar". "Bem! Remédio está morto" . encontrar Sacrifício no fundo da sua cova. Remédio narra o pacto feito com Sacrifício. Sacrifício está são e salvo! Remédio sai. em seguida. Chamam.Remédio. Remédio pede-lhe comida. o filho de Orunmilá: "Sacrifício !" Imediatamente. quando há uma disputa em jogo? Tu não vês que assim causarás o sucesso de Ossain. Os juízes chamam o filho de Ossain: "Remédio! Remééédio! Remééééédio! Eles chamam em vão.concluem eles. ele possuía alguns talismãs que agiam sobre a terra e permitiram-lhe. estando vivo para responder ao chamado que será feito no fim dos sete dias?" Remédio insiste e promete a Sacrifício permanecer calado quando for feito o apelo. o filho de Ossain. quando foi chamado o seu nome. Sacrifício. Ossain pergunta ao filho a razão do seu silêncio. dá de comer a Remédio. então. Razão pela qual. nada tinha para comer. escutam um forte sim. E chegou o final da prova. Orunrnilá tem uma posição mais elevada que Ossain.

ekuya. Foi. Foram os ekuya que os homens comeram de início. Eles disseram-lhe para preparar muitas sementes. "Não é fácil viver sobre a Terra!" Obá Jomijomi é o nome de Orixá(*) Oodumaré voltou a chamar os seres humanos e escolheu Orixá para suceder Ogum. . Olodumaré concordou: "Muito bem. escolheu Ogum para reinar sobre eles. Orunmilá declarou que ele seria o enviado para substituir Orixá. Ogum cortou varetas tenras de madeira pra que os homens comessem. milho. Quando chegou na Terra. Do além. Quando chegou ao mundo. rei do terceiro mundo Ifá é consultado por Obá Jegijegim. o "rei comedor de varetas de pau". Eles beberam. fava. o "rei comedor de alimentos". ele ofereceu água de beber ao seres humanos. Orixá recusou-se a fazer as oferendas. Elas cresceram eli onde caíram. Ifá é consultado por Obá Jeunjeun. Oferendas foram pedidas a Ogum. Havia muitos legumes tètè e ekuya. a vez dos tètè. Oferendas foram pedidas a Orixá. para conduzí-los ao mundo e cuidar deles. depois. Esta foi a alimentação deles. ele espalhou estas sementes sobre a Terra. Ogum não fez as oferendas. eu te escolho". durante muito tempo. antes da sua partida. Eles morreram todo e voltaram a Olodumaré. Obá Jeunjeun é o nome de Orunmilá. Sementes de legumes tètè. feijão. Orunmilá chamou os adivinhos para que eles lhe indicassem as oferenda que deveria fazer. mas morreram todos. Obá Jegijegi é o nome de Ogum. Antes mesmo que Olodumaré falasse. Ifá é consultado por Obá Jomijomi. inhame. o "rei bebedor de água". antes de sua partida. Quando Olodumaré criou os seres humanos.ORUNMILÁ.

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vestido de branco. comer a colheita de Orunmilá". devem beber água para enxaguar a boca e. então: "Apenas tu possuis este mundo!" Orunrnilá respondeu: "Eu Orunmilá. A Terra tornou-se confortável. Quando dos dois chegaram a Aro. muito vinho de dendê. não possuo o mundo. Após. onde todos os Imalés costumam parar. enquanto o de Orunmilá era uma vitória. logo ao raiar do dia. Eles comeram. quando vêm a Ifé. A Terra tornou-se confortável. E ele explica a significação desta história: "Os seres humanos devem. Disseram-lhe. Ninguém morreu mais. para limpar os dentes. Orunmilá.o milho amadureceu em seguida e o feijão cresceu. matá-los e cozinhá-los. no reino de Orunmilá. O reino deles não tivera sucesso. Os seres humanos se reproduziram e tornaram-se numerosos. Orunmilá. (*)i Orixá é uma expressão reservada sempre para designar os orixás funfun (orixás brancos). São você dois que o possuem". agora. Matar duas cabras e cozinhá-las. da família de Oxalá ou Obatalá. que nos preparaste toda esta comida?" Orunmilá respondeu: "Sim". foi encontrá-los. Eles decidiram arruinar a Terra. Orunmilá foi consultar Ifá: "Como proteger a Terra desta criaturas más?" Orunmilá recebeu as seguintes instruções: Ele deveria procurar dois cães. ficaram satisfeito e disseram: "Foste tu. o inhame produziu seus tubérculos. mastigar varetas de madeira. quebrar muitos caramujos e cozinhá-los. . Preparar inhame e massa de milho. Ogum e Orixá ficaram enciumados. Nós estamos. levar tudo na encruzilhada Aro. apenas em seguida.

Ele aí vivia arrodeado de seiscentos lmalés. No além de um mundo que ainda não existia. Orunmilá Eleri-Ipin. as divindades criadas por ele. Eles eram maus. mantém-se a seu lado. Oxalá. Quatrocentos permaneciam à sua esquerda. Todos. Vocês. chamado. . Obatalá os examina. O homem louco dos músculos de aço que. então. Dos primeiros. Num instante de impaciência e de cólera. menos Ogum. e lhe dá os poderes (abá e axé) do mundo (é por esta razão que é saudado com a expressão "Alabalaxé"). Num dia deste passado longíquo. também. o Deus Supremo. o valente guerreiro. É a ele que Olodumaré encarrega de criar o mundo. desleais e mentirosos. orgulhosos. Duzentos lmalés permaneciam à sua direita. coloca um sob o boné e o outro dentro do seu saco. tudo o que prometera. os quatrocentos e um lmalés. aí serão numerosos. tendo água em casa. residia no além. Cada um terá seu poder e seu trabalho próprios". Um lugar que será para vocês. o testemunho do destino. o rei do pano branco. Ele é a segunda pessoa de Olodumaré. Ele mostrará a cada um deles. pouco falaremos. ele devolveu ao nada todos os lmalés da direita. o "Grande Orixá". O primeiro a responder é Obatalá.OLOFIN-ODUDUA cria o mundo em lugar de OXALÁ Olodumaré. Olodumaré os convocou e disse: "Eu vou criar um outro lugar. o caminho a seguir. Olodumaré reúne. num só lugar. Deu a todos o que necessitariam e criou. com perfeição. Todos os lmalés deverão pedir-lhe a palavra. Ogum. Eles discutiam e lutavam sem parar. Olodumaré não tinha mais um minuto de descanso. Cada um será um chefe e terá um lugar para si. lava-se com angue! E o colocou como guia dos quatrocentos lmalés da esquerda.

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Obatalá. Ele tapa os ouvidos. Orunmilá responde: "Se tu fores capaz de fazer a oferenda que vou te indicar. este mundo que criarei. o caminho que ele deverá seguir e o que deverá fazer. que ofereça um camaleão. Orunmilá. que ofereça um pombo. e não faz as oferendas. Mas ele não tem posição nem reputação comparáveis às de Oxalá. que é Deus Supremo. tu serás o chefe!" Olofin pergunta qual é a oferenda. por que? Que necessidade de fazer oferendas?" Obatalá contradiz Orunmilá. Oxalá! Olodumaré. alabalaxé! Mas. Lá. que devo fazer oferendas para ser capaz de realizar meu trabalho com sucesso! Que acontecerá se não faço oferendas? Oferendas para a missão que vou realizar? Eu. que é muito obstinado. nós te demos. Eu. Orunmilá lhe diz: "Olodumaré lhe confiou a criação de um outro lugar. me envia em missão.O saco da criação que Olodumaré lhe confia. Olofin-Odudua é o que mais se evidencia. portador do poder (abá e axé). É uma espécie de Obatalá. ele vai a Orunmilá pedir-lhe a palavra. Tu. Que ofereça uma galinha que tenha cinco garras. foi por nós decidida. respondeu: "Oh! Orunmilá! A missão que tens. Todo os outros Imalés vão consultar Orunmilá. quatrocentos mil búzios. Orunmilá lhe diz que ofereça quatrocentas mil correntes. ele será teu. me dizes agora. sua segunda pessoa. Este escolhe para cada um deles uma oferenda determinada. Faça uma oferenda para ser capaz de realizá-la e para que a realize com perfeição". recusando-se a escutar. . Olofin-Odudua faz a oferenda completa. antes quefosses criado! Olodumaré e eu. ainda. Antes de partir. que ofereça.

Oxalá se aproxima e bebe à vontade. amarra-as a uma estaca. de cor marrom. Eles começam a caminhar e se vão. Todos os outro Imalés sentam-e à sua volta. nem o que faz. para que a viagem seja feliz. Ele está plenamente satisfeito. O vinho escorre copiosamente. Já na estrada. mas fica embriagado. Ele não sabe em que lugar está. Obatalá chama todos os outros Imalés. eles chegam à fronteira do além. tu que encontraste o saco da criação toma-o. Exu é o guardião (onibode) desta fronteira e o mensageiro dos outros deuses. Toma as quatrocentas mil correntes e. Respeitosamente. Obatalá recua-se a fazer oferendas neste lugar. caído ao lado de Obatalá. Ele perdeu o saco da criação. ainda no além. Ele desce até a extremidade da última corrente. de onde vê uma substância estranha. Agita seu cajado de estanho (opaxorô) e se serve dele para perfurar o tronco da palmeira.Chegou o dia de criar o mundo. A sede começa a atormentá-lo. eles não ousam acordá-lo. aquele a quem entregaste o poder de criar. De repente. Exu aponta uma cabacinha mágica na direção de Obatalá. Ele vê um dendezeiro. Esperam que ele acorde espontaneamente. Olofin-Odudua volta aos Imalés reunidos. Eu o trouxe de volta!" Olodumaré responde: "Ah! Se assim é. Olofin-Odudua levanta-se e apanha o saco da criação. vá criar o mundo!" Então. bebe muito vinho de dendê. Ele volta a Olodumaré e diz: "A pessoa que fizeste nosso chefe. O sono o invade e ele adormece à beira da estrada. Dorme profundamente e ronca. É terra! .

Ele constata que o saco da criação lhe foi roubado. Obatalá volta a Olodumaré e queixa-se do roubo do qual foi vítima. "não beba mais. os pássaros e as árvores". furei o seu tronco com o meu opaxorô. Olodumaré lhe pergunta: "Que fizeste para adormecer assim?" As pessoas desta época não mentiam jamais. Seu olhar não pode alcançar os limites. responde com sinceridade: "Eu vi uma palmeira de dendê. . O que fizeste foi grave!" Por esta razão. Encolerizado." "Ah! diz Olodumaré. Obatalá. o vinho de dendê é proibido a Oxalá e a seus descendentes. tu criarás todos os seres vivos: os homens. Todo os outros Imalés ainda estão no além. até hoje. nunca mais. A terra resiste e ele caminha. Deste furo começou a sair água. Ela cisca a terra e a espalha sobre a superfície da águas. que veio a ser o nome da cidade santa de Ilê Ifé. os animais. "Ah! Quem ousou fazer este furto?" Os deuses que permaneceram fiéis lhe dizem: "Foi Odudua que se apoderou do saco da criação". Odudua grita: "Ilè nfè!"(a terra se expande). A Terra se forma e vai e alargando cada vez mais. Esta substância forma um montícolo na superfície da água. Ele anda sobre ela com passos cautelosos. Odudua só ousa descer porque está atado à ponta da corrente. Apenas alguns deles o seguem. Olofin-Odudua coloca o camaleão da oferenda sobre a terra. Ele entende o que ocorreu.A galinha de cinco garras voa e vai pousar obre o montícolo. Olodumaré declarou: "Não tendo criado a Terra. Odudua os convida a descer sobre a terra. Dela eu tomei e adormeci. os demais permanecem sentados à volta de Obatalá adormecido. Obatalá acorda. enfim. desta água.

Odudua os convida a descer sobre a terra. os demais permanecem sentados à volta de Obatalá adormecido. A terra resiste e ele caminha. . Apenas alguns deles o seguem. Seu olhar não pode alcançar os limites. Todo os outros Imalés ainda estão no além. Ela cisca a terra e a espalha sobre a superfície da águas. Olofin-Odudua coloca o camaleão da oferenda sobre a terra. que veio a ser o nome da cidade santa de Ilê Ifé. Ele anda sobre ela com passos cautelosos. Odudua grita: "Ilè nfè!"(a terra se expande). Odudua só ousa descer porque está atado à ponta da corrente.A galinha de cinco garras voa e vai pousar obre o montícolo. A Terra se forma e vai e alargando cada vez mais.

senão tu. afirmava que fora ele o enviado para criar o mundo. a combater Odudua. inquieto. Esta batalha tornou-se uma verdadeira fúria e não demorou a generalizar-se. Eles são comandados por Ogum e começaram a combater Oxalá. pois. Oxalá os encorajava dizendo-lhes: "Sejam combativos!" Odudua encorajava os seus dizendo-lhes. Orunmilá lhe disse que fizesse oferendas e que ele lhe prepararia folhas de Ifá com perfeição. se fizeres as oferendas convenientemente. se ele morrer. Que deveria fazer para não ser morto? Pois. pois. Muitos lmalés acreditaram e submeteram-se a ele. Oxalá lembrou aos lmalés reunidos que fora ele o encarregado por Olodumaré de criar o mundo. tu não morrerás!" . por sua vez." Odudua.Guerra entre OXALÁ e ODUDUA Odudua havia criado o mundo. Os seguidores de Odudua são os demais. Os conselheiros de Oxalá lhe diziam: "Procure um meio de liquidar Odudua. quem. por sua vez. Mas. Os seguidores de Oxalá são aqueles que. o seu verdadeiro senhor. Era ele. até hoje. "É verdade que eles têm a intenção de te matar. os que faziam oferendas para matá-lo eram numerosos. São orixás brancos (orixás funfun). ficará como chefe? Porque tu não podes morrer. também: "Sejam combativos !" Oxalá não queria submeter-se a Odudua. Mas. Os que apoiavam Oxalá puseram-se. chegando enfim sobre a Terra. esfregam o corpo com giz (èfun). foi consultar Orunmilá. Odudua.

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uma cabra. Era imprescindível escolher este momento para atacá-lo. um caramujo e vinte e um sacos de búzios da costa. todos. absolutamente todos. mas que Odudua tinha muitos talismãs protetores. . Que pêlos brancos cresçam em todo o meu corpo! Cabra! Substitua-me na morte! Um pombo não abre jamais o caminho para os mortos! Ifá traga calma à casa! Pai. esfregou o corpo de Odudua com estes medicamentos. destrua comigo o complô do malfeitor!" Odudua não morreu. Orunmilá aceitou tudo e preparou para ele medicamentos protetores com as folhas de Ifá. dê-me calma na estrada! Ifá. Depois. Oxalá mostrou-lhes que. um carneiro. Odudua fez as oferendas para não ser morto. E Odudua permanecia sempre lá. pronunciando as palavras encantadas: "Que este medicamento atue fortemente! A folha de Iyéyé diz que vais viver(yé)! O respeito vem com as folhas de Agidimagbayin! Deus Supremo feche a porta do além Nós não vamos morrer! Ifá deixe que me torne muito velho! O carneiro branco veio com a cabeça coberta de pêlos brancos. um pombo. Oxalá disse então aos Imalés que queriam ajudá-lo "todos vós. quereis me ajudar a matar Odudua?" Os Imalés responderam que o matariam sem perdão. de um em um ou de dois em dois. tentaram tenazmente. Mas. morreram.Aconselhou-o a oferecer uma vaca sem chifres. Por isto chamaram-no "Rei Aboba" (nós retomamos ao mundo e o encontramos ainda lá) A guerra entre Odudua e Oxalá durou muito. retirava todos os talismãs que carregava consigo. Houve um tempo em que Odudua foi abandonado por todos. quando Odudua ia tomar seu banho. Todos aqueles que prometeram a Oxalá matar Odudua.

" O poço que Odudua mandara cavar estava pronto. chega de disputa! V ós. Um dia que todos os lmalés reuniram-se na casa de Oxalá. Ah! chega de lutas. "Ah!" Alguns caíram de bruços. " Oxalá disse: "Nada mal! Eu irei saudar-vos depois de amanhã. Eu reconheço que sois mais antigo que eu. Do primeiro ao último. não estou mais om raiva. Odudua resolveu vingar-se. todos. Quando Odudua ensaboou a cabeça. deveis um dia vir à minha casa para que todos possam ver que a guerra. O que recebeu nas pernas ficou aleijado. Eu parei a luta. Fingindo considerar-se inferior a Oxalá. Odudua. agora que a disputa terminou. Ogum gritou: "Venham todos! E o momento!" Eles se levantaram ao mesmo tempo e. verdadeiramente. Tempos depois. Outros cegaram. Oduduajuntou-se a eles e ficou. jogou espuma de sabão sobre eles. Eles esperaram que Odudua fosse tomar seu banho e se despojasse dos seus talismãs. vendo-os chegar. Que caminho seguir para eliminar Oxalá? Ele achou um meio. também. circundaram Odudua. ele declarou: "Meu pai Oxalá. aquele que luta com um arco e flechas. Odudua mandou cobrir este poço com belas esteiras . modestamente. Mandou cavar um poço profundo no palácio. aquele que tem o poder sobre o fogo. terminou. Aquele que luta com um sabre. aquele que luta com um fuzil. todos se prepararam. Ninguém foi capaz de se aproximar de Odudua.Os lmalés se prepararam. eu vim visitar-vos. O que recebeu espuma na boca não podia mais abrí-la. no último lugar. sem poder se levantar.

Sua roupa branca arrastava sobre o solo. ele levava sua bengala de estanho (o opaxorô). Oxalá e Odudua queriam. venham render homenagem!" Oxalá chegou ao palácio de Odudua. Ambos declaravam que. senhor do opaxorô! Escravos. Como Odudua hesitasse. . dissimulado sob as esteiras. se vencidos. venham render homenagem! Oxalá. pois os exércitos de Oxalá e Odudua preparavam-se para um combate final. Os que o acompanhavam gritavam: "Alayeluwa. Por onde passava. reflita! Não foste tu que Olodumaré enviou para criar o mundo e vigiar aqueles que tu nele criastes? O mundo é teu! Odudua me encarregou de dizer-te que ele tem vergonha. Eles estavam decididos a destruí-lo. fechou-se sob seus pés. senhor do mundo! Escravos. se sua ambição fosse frustrada. Oxalá estendeu-lhe a mão e o atraiu para si. para a criação do qual eles haviam contribuído. Passou pelo buraco. sem cair. Por onde passava. destruiriam o mundo. Orunmilá estava inquieto com esta interminável guerra. A guerra se etemizava. Em uma de suas mãos. Oxalá dirigiu-se para o lugar onde ficavam dispostas as almofadas.Oxalá preparou-se e tomou a estrada. os buracos fechavam-se imediatamente. "Ah!" Odudua caiu na própria armadilha! Oxalá retomou triunfante para casa. Orunmilá foi ver Oxalá e lhe disse: "Oh! Obatalá-Oxalá. as colinas tomavam-se planícies. Por onde passava. Seu receio tomava-se mais forte ainda. fundador da cidade de Igbô! Escravos. venham render homenagem! Oxalá. Ela arriscava destruir o mundo que Olodumaré o havia encarregado de proteger. ser reconhecidos como senhores deste mundo. ambos. Sentou-se confortavelmente e convidou Odudua a vir juntar-se a ele. Oxalá ia em direção ao palácio de Odudua. O poço. por instantes. as árvores caíam fora da estrada.

Não seria conveniente que um velho suplicasse a um mais novo! É por isso que. possuis o mundo. Ele quer apenas ajudar-te a dirigir o mundo. Oxalá falou: "Como? Ele compreendeu finalmente? A questão está encerrada!" Orunmilá. enfim recuperada! Eles dançaram e dançaram. então. Tu. . não pode pedir-te! Cuidas." Lisonjeado. levantou-se e foi ver Odudua. pois. Disse-lhe: "Oxalá me encarregou de dizer-te que ele não passa de um velho. Nós todos te rendemos homenagem! O mundo é teu.Ele não ousava vir pedir-te de novo. Odudua. Orunmilá acalmou Oxalá e pacificou Odudua! Eles celebraram a paz. deste mundo!" Odudua declarou: "Nossa disputa terminou! O mundo não perecerá mais!" Assim. ele mesmo.

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Índice Prefácio 9 Exu 11 Ogum 14 Oxóssi 17 Erinlê 20 Ossain 24 Orixá Okô 26 Oranian 28 Dada-Baayani 30 Xangô 33 Oiá-Iansã 37 Oxum 42 Obá 47 Iemanjá 50 Olokum 53 Oxumaré 56 Obaluaê 59 Disputa entre Nanã Buruku e Ogum 62 Oxaguiã 65 Oxalufã 68 Briga entre Oxalá e Exu 72 Rivalidade entre Orunmilá e Ossain 75 Orunmilá. rei do terceiro mundo 80 Olofin-Odudua cria o mundo no lugar de Oxalá 83 Guerra entre Oxalá e Odudua 88 .

284 . 1997) e impressão de Hamburg Gráfica e Editora.500 exemplares. São Paulo. Rua Almirante Barroso.1833 Para pedidos em São Paulo. 19~5) e FJPN (Texto.0301 . CEP: 40210-010 . telefax:(Oll) 280. com fotolitos de Linoart (ilustrações.RioVermelho -Salvador/Ba.Esta segunda tiragem da 4° edição de Lendas Africanas dos Orixás foi de 1. Abril de 1998 CORRUPIO EDIÇÕES E PROMOÇÕES CULTURAIS LTDA.Telefax: (071) 245.

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