«Cristianismo e Democracia»

Conferência do Núcleo Católico 27 de Março 2012 Aqui ficam alguns pontos, apresentados pelo Sr. Prof. João Carlos Espada, na última conferência organizada por nós, na passada terçafeira.

O Professor Doutor José Carlos Espada tomou como ponto de partida a tese (comum) segundo a qual a Democracia nasceu com a revolução francesa. E a sessão consistiu numa desmontagem daquela mesma posição. Para tal, partiu-se daquilo que se denominou “contratese”. Esta consistiu na afirmação de que a Democracia está intimamente relacionada com o Cristianismo.

Para sustentar a sua contra-tese, o Professor tomou como pano de fundo quatro pontos da teoria política do pensador católico Tocqueville: (i) a tese de que a chamada “era democrática”, além de não ir ao arrepio do Cristianismo – contrariamente ao que é defendido pelos jacobinos da revolução francesa –, é até mesmo inevitável no mundo cristão; (ii) o

conceito de auto-controlo, que Tocqueville sustenta predominar nos cristãos – o que lhes confere uma ética de conduta e uma noção de liberdade responsável que não tendem a figurar nos estados ateus; (iii) a tendência cristã para o “abaixamento do olhar”, isto é, para uma ideia de gratificação diferida, por oposição à noção ateia de gratificação instantânea (que provoca instabilidade). (iv) e, fundamentalmente, a teoria da limitação de poder. O Professor dedicou a maior parte do seu tempo a este último ponto, por se lhe afigurar como particularmente decisivo. Procurou defender que o Cristianismo tende a incutir valores assimiláveis pelo homem interior, de tal forma que a esfera do poder é limitada naturalmente. Deste modo, não se revela necessário aquilo a que o professor chamou alternadamente “poder centralizado” e “poder vindo do exterior, não do interior do Homem”. Os dois regimes totalitários do século XX serviram de exemplos paradigmáticos para sustentar a tese de que, sem o Deus cristão e sem a religião cristã, é o próprio Homem que se destrói, também na sua vertente política. Para quem quiser desenvolver estes pontos, o Professor recomendou vivamente a obra de Tocqueville Da Democracia na América, recentemente editada pela Principia.