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Combustíveis 

Combustível  é  toda  substância  capaz  de  reagir  com  o  oxigênio  e,  desta 
reação, liberar energia térmica. 
Uma  substância  para  ser  utilizada  como  combustível  deve  ser  abundante 
na  natureza,  desprender  quantidade  de  calor  suficiente  na  queima  e 
apresentar  custo  relativamente  baixo.  Os  combustíveis  orgânicos, 
principalmente aqueles derivados do petróleo, são os mais abundantes e, 
conseqüentemente,  os  mais  comumente  utilizados.  Os  combustíveis 
orgânicos  podem  ser  genericamente  classificados  em  fósseis  (e.g., 
derivados do petróleo) e de origem biológica (e.g., etanol, biodiesel). 
Outra  classificação  dos  combustíveis  orgânicos  se  refere  ao  estado  físico 
em que estes se encontram: sólido, líquido e gasoso. Esta classificação se 
justifica  pelas  diferenças  que  o  estado  físico  do  combustível  promove  na 
natureza  da  combustão,  nos  meios  de  armazenagem  e  transporte,  e  nas 
configurações especiais de equipamentos que utilizam o combustível. 
Os  combustíveis  líquidos  se  destacam  com  relação  aos  sólidos  e  gasosos 
pela  facilidade  e  segurança  que  estes  proporcionam  no  manuseio, 
armazenagem  e  transporte,  e,  também,  por  permitirem  menores  custos 
de  equipamentos  de  combustão  quando  comparados  aos  outros  tipos  de 
combustíveis  (sólidos  e  gasosos).  Além  disso,  constituem  os  tipos  de 
combustíveis  mais  comumente  empregados  no  setor  de  transporte  e  no 
setor industrial. 
Os  combustíveis  líquidos,  por  sua  vez,  podem  ser  classificados  em  fósseis 
(de  fontes  não  renováveis)  e  em  biocombustíveis  (de  fontes  biológicas 
renováveis).  Os  principais  combustíveis  líquidos  fósseis  são  a  gasolina,  o 
Diesel e o óleo combustível, todos derivados do petróleo, uma fonte ainda 
abundante,  porém  não  renovável.  Os  principais  combustíveis  de  fontes 
renováveis,  atualmente  sendo  produzidos  industrialmente  e  utilizados 
principalmente no setor de transporte, são o etanol e o biodiesel. 
Independentemente  da  origem  (fóssil  ou  biológica),  os  combustíveis 
líquidos apresentam, em sua composição, o hidrogênio (H) e o carbono (C) 
como elementos químicos combustíveis. No caso dos combustíveis fósseis, 
a  composição  química  é  bastante  heterogênea,  constituída  de  inúmeros 
compostos  orgânicos,  que  tornam  impraticável  o  estabelecimento  de  um 
padrão  de  composição.  Portanto,  a  composição  química  de  combustíveis 
fósseis  líquidos  é,  em  geral,  descrita  pelo  percentual  de  elementos 
químicos neles presentes, ou seja, utiliza‐se a composição elementar. Para 
a composição elementar orgânica, consideram‐se apenas cinco elementos 
químicos: o hidrogênio (H), o carbono (C), o oxigênio (O), o enxofre (S), e o 
nitrogênio (N). Além destes, os combustíveis contêm substâncias minerais 
não  combustíveis,  denominadas  cinzas  (A),  e  umidade  (água),  à  qual  se 
designa a letra W para representação. 
A  composição  elementar  de  um  combustível  pode  ser  expressa  de  cinco 
diferentes  formas:  composição  de  massa  de  trabalho;  composição  de 
massa  seca;  composição  de  massa  combustível;  composição  de  massa 
analítica; e composição de massa orgânica. 
A composição de massa de trabalho é descrita por 
C
t
+ E
t
+ 0
t
+ N
t
+ S
t
+ A
t
+ w
t
= 1uu%    (1) 
em  que  C
t
,  H
t
,  O
t
,  N
t
,  S
t
,  A
t
  e W
t
  são  os  percentuais  determinados  para  as 
massas de carbono, de hidrogênio, de oxigênio, de nitrogênio, de enxofre, 
de  cinzas  e  de  água,  respectivamente.  Este  tipo  de  composição  é  próprio 
para  a  descrição  do  combustível  em  seu  estado  natural,  principalmente 
em  situações  de  armazenagem  e  transporte.  O  enxofre  contido  no 
combustível geralmente está presente em duas formas: combustível e não 
combustível.  O  enxofre  não  combustível  é  computado  como  parte  da 
fração mineral (cinzas) do combustível. 
A composição de massa seca é aquela obtida após a remoção da umidade 
do combustível: 
C
s
+ E
s
+ 0
s
+ N
s
+ S
s
+ A
s
= 1uu%      (2) 
A  composição  de  massa  combustível  é  aquela  constituída  somente  por 
elementos orgânicos, eliminando‐se, portanto, a fração mineral 
C
c
+ E
c
+ 0
c
+ N
c
+ S
c
= 1uu%        (3) 
 
Os  elementos  combustíveis  de  um  combustível  são  o  carbono,  o 
hidrogênio  e  o  enxofre.  O  carbono  é  o  elemento  principal,  tendo  um 
poder calorífico de 34,1 MJ/kg e o percentual do mesmo em combustíveis 
líquidos é da ordem de 80‐85 %. O hidrogênio tem um poder calorífico de 
120,5 MJ/kg, com um percentual da ordem de 10 a 15 % em combustíveis 
líquidos.  O  enxofre  tem  um  poder  calorífico  de  9,3  MJ/kg,  com  um 
percentual de 0 a 5 %, não sendo, portanto, de grande valia como material 
combustível.  Além  disso,  a  presença  de  enxofre  em  combustíveis  pode 
gerar,  na  combustão  deste,  compostos  indesejáveis,  tais  como  os  óxidos 
de enxofre, que corroem superfícies metálicas e causam danos ambientais 
diversos. 
Propriedades de combustíveis líquidos 
As  propriedades  físico‐químicas  de  um  combustível  são  definidas  e 
determinadas  por  Normas  específicas  de  um  País  ou  Região.  No  Brasil 
estas  normas  são  regidas  pela  Associação  Brasileira  de  Normas  Técnicas 
(ABNT).  
A  principal  propriedade  a  ser  determinada  para  um  combustível  é  o  seu 
Poder  Calorífico,  que  determina  a  qualificação  daquele  combustível  para 
as  aplicações  desejadas  para  o  mesmo.  A  quantidade  de  calor  liberado 
durante  a  combustão  de  uma  unidade  de  massa  ou  volume  de  um 
combustível  é  denominada  Poder  Calorífico  (PC)  e  pode  ser  dividida  em 
duas categorias: Poder Calorífico Superior (PCS) e Poder Calorífico Inferior 
(PCI). O Poder Calorífico Superior é a quantidade de calor liberado durante 
a  combustão  de  um  quilograma  ou  um  metro  cúbico  de  combustível 
líquido,  sob  a  condição  de  condensação  do  vapor  de  água  gerado  na 
combustão  e  arrefecimento  dos  produtos  de  combustão  até  a 
temperatura em que o combustível se encontrava antes da combustão. O 
Poder  Calorífico  Inferior  diferencia‐se  do  Poder  Calorífico  Superior  pelo 
calor  de  condensação  do  vapor  de  água  constituindo  a  umidade  original 
do combustível e pelo calor latente de vaporização da água formada pela 
combustão  do  hidrogênio  no  combustível.  Portanto,  quanto  maior  for  a 
umidade do combustível, menor será o seu PCI. 
 
O PCI pode ser calculado por 
µ
ìn]
= µ
sup
- µ
w
        (4) 
em que Q
W
 é o calor de condensação do vapor de água e dos produtos de 
combustão, kJ/kg. 
Quando  a  umidade  do  combustível  varia,  o  novo  valor  de  PCI  pode  ser 
calculado por 
µ
ìn]
2
= (µ
ìn]
1
+ 2Sw
1
) [
100-w
2
100-w
1
¸ - 2Sw
2
      (5) 
em  que  os  índices  1  e  2  se  referem  às  condições  de  umidade  inicial  e 
modificada,  respectivamente.  O  calor  de  condensação  Q
W
  pode  ser 
calculado por 
µ
w
= 2Suu [
9H
100
+
w
100
¸ = 22SE + 2Sw k[¡kg  (6) 
em  que  H  e  W  são  as  porcentagens  de  hidrogênio  e  de  umidade  no 
combustível,  e  o  valor  2500  se  refere  ao  calor  de  condensação  de  um 
quilograma de vapor de água à pressão atmosférica, em kJ/kg. 
O  PCS  é  determinado  experimentalmente  em  um  equipamento 
denominado  calorímetro  ou  bomba  calorimétrica.  O  PCI  pode  ser 
calculado por meio de equações empíricas: 
µ
ìn]
= SS9C
t
+ 1uSuE
t
- 1u9(0
t
- S
t
) - 2Sw
t
k[¡kg    (7) 
em  que  C
t
,  H
t
,  O
t
,  N
t
,  S
t
  e  W
t
  são  os  percentuais  dos  elementos  e  da 
umidade na massa de trabalho do combustível. 
Exemplo 1 
A  composição  da  massa  de  trabalho  de  um  óleo  diesel  foi  determinada 
como sendo: C
t
 = 87%, H
t
 = 12,6% e O
t
 = 0,4%. Calcular o poder calorífico 
inferior do óleo diesel referenciado. 
Solução 
Da equação (7), calcula‐se o PCI diretamente: 
µ
ìn]
= SS9(87) + 1uSu(12,6) - 1u9(u,4 - u) - 2S(u) = 42427 k[¡kg  
Exemplo 2 
Calcular  o  PCI  de  um  óleo  combustível  cuja  composição  foi  determinada 
como  sendo:  C
t
  =  85,3%,  H
t
  =  10,2%,  S
t
  =  0,5%,  N
t
  =  0,3%,  O
t
  =  0,2%,  
A
t
 = 0,5%, W
t
 = 3%. 
Solução 
Da equação (7): 
µ
ìn]
= SS9(8S,S) + 1uSu(1u,2) - 1u9(u,2 - u,S) - 2S(S) =
S9S8u k[¡kg   
 
Para o etanol combustível, o cálculo do PCI é dado por 
µ
ìn]
= 2617u - 27Sw
t
k[¡kg        (8) 
Em  que  W
t
  é  a  porcentagem  de  água  na  massa  de  trabalho  do  etanol.  A 
equação (8) é válida na faixa u ¸ w
t
¸ Su%.  
Exemplo 3 
Calcular o PCI de do etanol 96% de composição: C
t
 = 50,05%, H
t
 = 13,05%, 
e O
t
 = 36,9%. 
Solução 
Para o etanol 96%, W
t
 = 4%, portanto, da equação (8): 
µ
ìn]
= 2617u - 27Sw
t
= 2617u - 27S × 4 = 2Su78 k[¡kg 
 
O  etanol  dissolve‐se  facilmente  na  água  e  absorve  a  umidade  do  ar.  Da 
equação  (8),  nota‐se  que  o  poder  calorífico  do  etanol  diminui  com  o 
aumento  da  quantidade  de  água  presente  no  mesmo.  O  etanol  96%  tem 
um  poder  calorífico  de  25,08  MJ/kg  e  o  etanol  80%  tem  um  poder 
calorífico  de  20,7  MJ/kg.  Portanto,  nota‐se  que  a  umidade  deve  ser 
veementemente  evitada  para  que  se  possa  aproveitar  o  poder  calorífico 
que o etanol proporciona. 
Por  questões  tecnológicas  e  econômicas,  o  etanol  industrial  contém  em 
torno de 4% de água e, portanto, é designado etanol 96%. O etanol anidro 
(isento  de  água)  apresenta  custos  muito  elevados  devido  às  dificuldades 
tecnológicas para a remoção da água do mesmo. Com relação à massa de 
trabalho,  a  composição  do  etanol  96%  é  C  =  50,05%,  H  =  13,05%  e  O  = 
36,9%.  O  elevado  percentual  de  oxigênio  no  etanol  proporciona  a 
possibilidade  de  diminuição  do  volume  de  ar  teoricamente  necessário 
para  a  combustão  quando  comparado  aos  hidrocarbonetos  derivados  do 
petróleo  (Diesel,  gasolina  e  outros).  Por  exemplo,  pode‐se  usar  até  um 
mínimo de 8 m
3
 de ar/kg de combustível para o etanol, ao passo que, para 
o  óleo  combustível  (derivado  do  petróleo),  pode‐se  usar    até  um  mínimo 
de 10,3 m
3
 de ar/kg de combustível. 
O  biodiesel  apresenta  valores  de  PCI  da  ordem  de  37  MJ/kg.  Por  ser  um 
combustível de produção e utilização recente, equações para o cálculo de 
seu PCI, em função de sua composição de massa de trabalho, ainda não se 
encontram disponíveis. 
Para efeito de comparação, apresentam‐se, no Quadro 1, os valores de PCI 
para  os  combustíveis  líquidos  mais  comumente  utilizados  no  setor  de 
transporte e industrial. 
Quadro 1. Valores de PCI para combustíveis líquidos. 
Combustível  Gasolina  Diesel 2 Iso‐octano Metanol Etanol  Biodiesel
PCI (MJ/kg)  44,0  42,6  45,0  19,9  25,8  37 
 
Além  do  poder  calorífico,  as  principais  propriedades  a  serem 
determinadas para a qualificação de quaisquer combustíveis  líquidos são: 
a  viscosidade,  que  constitui  fator  determinante  para  a  aplicação  do 
combustível;  o  ponto  de  fluidez,  que  constitui  a  temperatura  mais  baixa 
em  que  o  combustível  irá  escoar  nas  condições  prescritas,  e  que 
determina a viabilidade de se usar o combustível em climas frios; o ponto 
de  fulgor,  que  é  a  temperatura  mais  baixa  em  que  o  vapor  acima  da 
superfície  de  um  líquido  volátil  irá  entrar  em  ignição  quando  este  líquido 
for aquecido sob condições padronizadas.