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1- Ferros Fundidos

O ferro fundido trata-se de uma liga ternária que, tal como o próprio nome indica, é composta por três elementos: ferro, silício e carbono, situando-se a percentagem deste sensivelmente entre os 2% e os 4,5%. Consequência disso , os ferros fundidos são mais duros que o aço. A sua microestrutura pode apresentar parte do carbono na forma de grafite ou cementite, sendo que, ambas as formas não possuem ductilidade suficiente para que sejam possíveis operações de conformação mecânica. Assim sendo, só é possível a fabricação de componentes em ferro fundido a partir de processos de fundição.

1.1- Classificação dos Ferros Fundidos
Os ferros fundidos podem-se classificar em vários grupos consoante a sua microestrutura e os seus constituintes, podendo-se diferencial o ferro fundido cinzento, branco, mesclado, maleável, nodular e de grafita compactada. O ferro fundido cinzento tem como principais elementos de liga o carbono e o silício, podendo contudo existir outros elementos como o manganês, o cromo e o cobre que consoante a sua quantidade conferem outras caraterísticas. A sua microestrutura é a base de carbono na forma livre, grafita em morfologia de lamelas e carbono na forma combinada, cementite. O ferro fundido branco possui uma maior resistência ao desgaste devido à sua microestrutura que tem predominância de carbono na forma combinada com uma baixa percentagem de silício com a combinação de outros elementos como o cromo. A superfície deste tem uma coloração branca e brilhante. O ferro fundido maleável tem como base o ferro fundido branco sendo obtido pelo tratamento de maleabilização desse, isto provoca a transformação da cementite em grafita esferoidal, obtendo assim melhores propriedades mecânicas entre as quais a maior resistência, o limite de escoamento e a ductilidade. Este tem uma cor cinza claro. O ferro fundido nodular como o próprio nome indica possui uma microestrutura com carbono livre na morfologia de nódulos, o que obtém assim características mecânicas superiores ao anterior. Este é obtido através de modificações químicas na composição do material quando este se encontra no estado liquido apresentando uma cor prateada. O ferro fundido de grafita compactada ou vermicular é obtido devido à adição de titânio à composição do ferro fundido nodular para degenerar o nódulo de grafita conferindo-lhe propriedades intermédias entre os ferros fundidos nodulares e cinzento.

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este é sempre realçado por uma enérgica agitação do ferro com o agente dessulfurante. formando. superior á temperatura do banho. este vai reagir com o enxofre do banho.1. Se for utilizado um carboneto de cálcio na reacção. Também conhecido como hidrodessulfurização ou HDS. 2. Como agentes dessulfurantes tem-se compostos de elementos alcalinos. que posteriormente será retirado por decapitação. 2.2.Dessulfuração A dessulfuração é o processo de remoção de enxofre para evitar a contaminação. com o enxofre existente no banho.Temperatura Quanto maior for a temperatura do tratamento.2. Com particular atenção no sódio (formando este uma escórea sólida) e no cálcio (que formam escórea líquida). No final a reacção irá produzir uma escórea sólida granulada.1. Para que o tratamento chegue a atingir uma taxa de dessulfuração na ordem dos 85% é necessário partir de uma temperatura na ordem dos 1400ºC.Agente dessulfurante e agitação do banho 2 . maior será a sua eficácia. Tendo em conta que o ponto de fusão do carboneto é cerca de 1800ºC.Fatores que influenciam a taxa de dessulfuração 2. Ou seja. tendo como importante variável a temperatura de reacção. Não esquecendo que existe sempre um acréscimo da temperatura entre os 7 – 10 ºC/min. este irá ser um reagente sólido.1. este processo químico reduz as emissões de dióxido de enxofre e converte-os em ácido sulfúrico. a dessulfuração é o processo de formação de um sulfureto insolúvel no metal. que será facilmente separada. sendo este já um valor muito amigável (parte deste valor vem que o tratamento pode ser realizado enquanto se enche a panela). e elementos alcalino-terrosos.1. Qualquer que seja o tratamento de dessulfuração utilizado. um sulfureto de cálcio.

1. 3 . 2. ou seja. isto é. constatando que quanto mais pequeno for o tamanho de grão. maior irá ser a sua superfície específica. A quantidade de grãos de carbonetos e a sua dimensão definem a superfície total. variação de temperatura ou da dimensão dos grãos de carboneto de cálcio. Logo é mais complicado introduzir carboneto em pó ao banho do que carbonetos com maior tamanho de grão. Mas na prática a duração do tratamento “ideal” é definida por alguns factores já falados anteriormente como o aumento de superfície de separação. promove o equilíbrio de concentração no banho. explicando também o rendimento dos diferentes tipos de tratamento. dura cera de 3 a 4 minutos. pela dimensão dos grãos de carboneto e pela intensidade da mistura. Uma boa agitação do banho promove uma boa distribuição do enxofre.A superfície de separação é definida por uma fase sólida (carboneto) e por uma fase líquida (ferro). A grandeza da superfície de separação é determinada pela intensidade da mistura.Duração do tratamento A duração deste tratamento não é muito longa.3.

Factores que influenciam a taxa de carburação 3. esta concentração é tanto maior quanto mais elevada for a temperatura.1. de uma necessidade de corrigir rapidamente o teor em carbono e desgrafitização do banho.Temperatura do metal 4 . a superfície de contacto da grafite com o banho e ainda a espessura camada. No limite de fases. A partir desta fase. na vizinhança do carbono.3. 3.1. e ainda que a espessura da camada seja o mais pequena possível. e por último uma possibilidade de produção de várias qualidades de ferro vindas de uma carga constante. com a utilização de carga metálica sucata á base do ferro e aço de custo reduzido. correspondendo a concentração à solubilidade dada pelo diagrama de equilíbrio.1. É de referir que existe uma grande dificuldade em dissolver o carbono no ferro. o ferro está saturado pelo carbono. com um agente carburante sólido. irá ser examinado o mecanismo de recarburação segundo a teoria de Nernst sobre a dissolução de um sólido num líquido. como tal. sendo este constante a uma dada temperatura. líquido ou gasoso (preferencialmente sólido). A necessidade de carburação advém de alguns factores como sendo a redução de custos e fusão. Para que se atinjam melhores resultados é necessário que a razão entre a superfície de contacto com o volume do banho seja a maior possível. Essa espessura depende da agitação do banho. a velocidade de carburação tende de factores como. sendo este função de agitação do banho. para esclarecer este problema. onde se faz a difusão como apresentado na figura. É de referir que. o coeficiente de difusão. a uma dada temperatura. o carbono difunde-se no ferro e mantém-se. o volume de banho a tratar.Carburação Para aumentar o teor em carbono do ferro fundido pode conseguir-se através de um tratamento de metal na panela.

Composição química do metal Numa solução a quantidade de carbono que pode ser dissolvida depende da temperatura e também da composição química do ferro de base. principalmente nos ferros fundidos onde o teor de carbono é superior aos 3%. A solução do carbono no ferro é uma reacção endotérmica e a redução da temperatura pode ser da ordem dos 6ºC por cada o. 5 .1. O seja o que s pode dizer é que neste processo quanto maior for a temperatura melhor vai ser a eficácia do processo. Neste caso o rendimento é maior quanto maior for a diferença de temperaturas entre a temperatura do banho e do líquidos.1% de carbono dissolvido. Para concluir.Como a recarburação é uma operação endócrina é beneficiada pela elevada temperatura.2. quanto menor for a percentagem de carbono e carbono equivalente numa solução maior vai ser a percentagem de recuperação da solução. 3. A facilidade com que o carbono se consegue dissolver num banho está pendente da diferença entre o teor em carbono do metal a tratar e ainda do grau de saturação em carbono. Sendo também influenciada pelo peso do metal tratado e o tempo de tratamento.

O magnésio adicionado reage de forma violenta. O cálcio tem um poder de desoxidação e dessulfuração. 4. Após este processo o cério inicia a sua ação sobre a grafite. O magnésio normalmente é adicionado na forma de liga Fe-Si-Mg.03 e 0. obtendo um ferro 6 . A utilização do ferro fundido nodular em diversas peças e componentes mecânicos deve-se às suas boas características de resistência mecânica.1. o Ca e algumas terras raras. transformando-a em nódulos. A formação destes dois compostos fixa o S. O cério é introduzido no metal líquido combinando-se com o enxofre. mas a sua utilização leva à formação de lamelas de grafite não sendo utilizado de uma forma isolado.5 e 30%. o Ce. com realce para o Mg. O elemento ativo normalmente pertence ao grupo dos elementos alcalino terrosos. com uma percentagem em Mg que varia entre 1. O sistema portador. formando um composto à base de sulfeto de cério que flutua na superfície liquida do metal designando-se o efeito por dessulfuração. mas o suporte dos elementos ativos também pode ser efetuado com ligas de Cu ou Ni.05% de Mg.Nodularizantes Os nodularizantes são constituídos por dois componentes distintos: o elemento ativo o sistema portador. apesar do seu efeito nodularizante sofrer um desvanecimento que pode ser entendido como a perda de um qualquer elemento ou efeito. sobretudo do tempo. após a formação do sulfureto e do óxido exista ainda um teor residual entre 0. normalmente magnésio. com vista a modificação da forma final da grafite. geralmente é uma liga de Fe-Si. na forma de uma liga Fe-Si-Mg. este tem um papel mais importante no processo de inoculação. Dos elementos ativos referidos. neutralizando o enxofre e o oxigénio. do qual resulta o aumento da tensão interfacial entre os planos de crescimento da grafite e o banho. de lamelar para esferoidal ou nodular. em função da temperatura e. O bário é normalmente adicionado em conjunto com o magnésio de modo a otimizar a ação do magnésio e auxiliar a precipitação de ferrita. o Mg é o preferido pelas empresas de fundição por ser o mais económico. O magnésio adicionado deve ser tal que. ductilidade e tenacidade. O processo resume-se simplificadamente à adição ao banho de um elemento nodularizante. formando MgS e MgO respectivamente. promovendo o crescimento da grafite na forma esferoidal. Com a utilização de cério obtém-se também um ferro fundido com um teor baixo de enxofre.4.Nodularização A nodularização é um tratamento efetuado ao banho de ferro fundido.

a adição de Mg normalmente é feita na forma de ferro ligas Fe-Si-Mg que possuem uma densidade relativamente baixa. pelo que têm tendência a flutuarem. Estes processos são utilizados consoante o tipo de tecnologia instalada. o magnésio também sofre perdas por ação térmica associada à vaporização. isto acontece porque. 7 . quantidade de metal a tratar. Não obstante. 4.Variáveis que afetam o número de nódulos de grafite Umas das caraterísticas dos ferros fundidos nodulares. tamanho da série e os custos associados ao processo. a nodularização por fio fluxado (figura 7) e a nodularização na moldação (figura 8).Técnicas de modularização Como já foi referido. a introdução de terras raras na forma de floretos ao banho metálico permite obter ferro fundido nodular embora a sua percentagem tenha que ser elevado uma vez que caso contrário poderá apresentar lamelas de grafite. O ítrio em baixa percentagem com a existência de enxofre permite a obtenção de ferro fundido nodular semelhante ao tratado à base de magnésio. 4. para os quais aquela tensão de vapor atinge valores próximos de 11 atmosferas. tipos de nodularizante utilizado. “Sandwich” (figura 6).4. formando sulfuretos e óxidos.fundido ferrítico bruto de fundição o que significa que não necessita do tratamento térmico.2. Para minimizar as perdas de magnésio desenvolveram-se técnicas para adição do nodularizante como o processo “Tundish Cover” (figura 5). Por a fim. quando comparadas com a do banho de ferro fundido. Isto acontece.Desvanecimento do magnésio O teor de Mg que fica dissolvido no banho após o tratamento de nodularização. é sempre inferior ao teor que é adicionado. além da presença de ferrite e perlite é a presença de grafita em forma de nódulos dispersos na matriz metálica.3. o Mg reage com o oxigénio e enxofre que se encontram no banho metálico. porque a tensão de vapor do Magnésio atinge uma atmosfera aos (1100ºC) enquanto o tratamento do banho se realiza a temperaturas entre os 1400 e os 1500 ºC. 4.

esferoidização ou modularização e inoculação. substancias com efeitos nucleadores durante um período de tempo limitado. e pode ainda ser em simultânea com o tratamento de esferoidização. Segue-se o vazamento. A inoculação é sempre a última operação metalúrgica a efetuar-se sobre o metal líquido.Inoculação A inoculação é uma operação que consiste em adicionar ao metal líquido. O principal efeito pretendido com a inoculação é a solidificação segundo o diagrama estável e a correspondente eliminação de carbonetos de solidificação duros e frágeis. contendo. O inoculante pode ser adicionado ao jacto de metal durante o vazamento ou mesmo colocando no interior do sistema de gitagem.5. efetuando-se a esferoidização e a inoculação em simultâneo. o inoculante é normalmente colocado no fundo da colher. Quando se usa a mesma colher para esferodização e vazamento. e o aumento da quantidade de ferrite são consequências naturais do aumento do poder germinador do banho de grafite. pequenos teores em certos elementos como Sr . Ce e Ca que são praticamente insolúveis no banho.Tipos de Inoculantes Um dos inoculantes mais utilizados na industria é composto de Ferro e Silício. A ordem normal é a seguinte: fusão. (nunca na cavidade da peça) mas o gito deverá estar preparado para captar qualquer partícula sólida que não se dissolva. ou então o inoculante é adicionado na superfície do metal já esferodizado sendo necessário promover a dissolução do inoculante por qualquer meio mecânico. A inoculação pode também ser efetuada durante o vazamento. um aumento de concentração de átomos de Carbono que se vão ligar pela acão de um 8 . A função do Si do inoculante no banho é provocar. pouco antes ou durante o vazamento (tardiamente). Mg . O aumento do número de nódulos por milímetro quadrado. de moda a que durante a subsequente solidificação aumente o número de pontos a partir dos quais essa mesma solidificação se dá. Al . 5. adicionando o inoculante no jacto de metal durante a trasfega. Ba .1. O caso mais vulgar é aquele em que se usa uma colher para fazer a modularização e o metal é depois transferido para uma colher de vazamento. A inoculação é feita quando da trasfega do metal de uma colher para outra. normalmente. em determinados pontos.

feira ou no jacto de metal entre a colher de vazamento e a bacia de vazamento. ou no interior do sistema de gitagem. O inoculante tem efeito transitório. o tipo de moldação. deixa de ter um efeito germinador. de certo modo. O tempo de desvanecimento é função da quantidade de metal tratado. a inoculação tardia. A clássica e a tardia. 5.3. Ao fim de um certo tempo “desvanece”. A temperatura do banho no momento de adição é um fator importante porque condiciona.substrato (geralmente sulfuretos) dando origem aos cristais de grafite. impedindo uma boa homogeneização.2. No entanto. E são susceptíveis de oxidação. a inoculação tardia. A função do ferro no inoculante é de aumentar a densidade deste. A inoculação clássica é efetuada antes da operação de vazamento. o estado físico-químico do banho e. a natureza e a estabilidade dos germes resultantes da inoculação. isto é. Na prática a inoculação tardia é. A divisão feita desta maneira baseia-se no tempo.Fatores que influenciam a eficácia da inoculação A granulometria do inoculante tem uma influência importante sobre a marcha do processo: os grãos demasiado grosseiros são difíceis de dissolver. enquanto os demasiados finos ou pulverulentos tendem flutuar. uma vez que a composição química final do banho poderá ser alterada (alterando também a estrutura e propriedades mecânicas). usa-se a inoculação clássica e só em casos muito especiais. Para vazamentos em coquilha a inoculação tardia muito especiais.Métodos de inoculação Há dois grandes grupos de métodos de inoculação. da composição química do banho. quanto maior for o teor em inoculante. Já atrás fizemos referência os métodos de inoculação clássica. portanto. na grande maioria dos casos. da natureza do inoculante. não se pode adicionar inoculante de uma forma indiscriminada. Para moldações em areia. natureza do ferro fundido e o modo de inoculação. Para vazamentos em coquilha a inoculação tardia é praticamente obrigatória. Sem dúvida o mais usado é o que consiste em adicionar para a colher de vazamento. das temperaturas de adição e manutenção do bando e. O teor de inoculante adicionado ao banho vária segundo a espessura da peça. permitindo uma melhor homogeneização. mais eficaz é o tratamento de inoculação. Normalmente. em parte. 5. 9 . geralmente.

Colocar o inoculante no fundo da colher de esferoidização por cima da liga de magnésio.Segundo Stephen Istvan Karsay (1975) quando apenas se usa uma colher para realizar as operações de tratamento e vazamento temos três possibilidades: 1ª). È o mais simples dos três. Em moldação permanente de ferro nodular a inoculação tardia é absolutamente necessária. Produz piores resultados que os outros dois e obriga a uma agitação mecânica da colher para promover a dissolução do inoculante. 10 . Além disso o inoculante terá que ser da melhor qualidade.Adicionar o inoculante na superfície do metal após o tratamento de esferoidização. Este método é o que produz melhores resultados. Curiosamente é mais usado que o primeiro método apesar de produzir piores resultados e ser mais trabalhoso. 3ª). Este método é largamente utilizado. 2ª).Esferoidizar dois terços do metal e acabar de encher a colher com o resto do ferro adicionando o inoculante durante a adição do terço final. produzindo resultados aceitáveis.

“Processos de Fundição . Francklin.” Influência do Número de Nódulos de Grafita nas Propriedades Mecânicas do Ferro Fundido Nodular Austemperado”. Clênio. Acedido em 15 de Novembro de 2012 4).”Produção de Ferros Nodulares Austemperados Vazados em Coquilha por Austempera Directa” Acedido em 19 de Dezembro de 2012 7). Alfredo Marques. Acedido em 19 de Dezembro de 2012 11 . Acedido em 19 de Dezembro de 2012 6). “Ferros Fundidos”.Bibliografia 1).Ferros Fundidos Nodulares”. G. Moreira e Susana M. Alexandre Reis. 3). Acedido em 4 de Novembro de 2012. De Souza. José Diogo Costa “ Tratamento do ferro fundido no estado liquido”. Marcelo F. Acedido em 20 de Outubro de 2012 2). “Um Breve Estudo Sobre Ferro Fundido Nodular”. Pedro Alvim e José Joaquim ”Estudos de Inoculação de Ferros Cinzentos Lamelares Elaborados em Forno Electrico de Indução”. António Manuel Rincón de Aguiar Vieira. Brenno Ferreira. Acedido em 4 de Dezembro de 2012 5). Silva.