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A REVOGAÇÃO DAS LEIS

Uma vez concluído o processo formal de elaboração das leis, estas incorporam-se ao ordenamento jurídico passando a fazer parte deste sistema. Resta apreciar até que momento a vigência das leis irá perdurar. As leis podem ter seu prazo de vigência pré-estabelecido em seu

próprio texto. Pode ser a fixação de uma data até quando a lei vigorará, ou, ainda, um período ou um evento durante o qual manter-se-á vigente a lei. Ultrapassada a data, período ou evento, automaticamente a lei estará revogada e deixará de estar em vigor. A inércia do poder legislativo produzirá este efeito. Entretanto, as leis, na sua grande maioria, não prevêem o término de sua própria vigência, ou seja, durarão por prazo indeterminado. O órgão do poder legislativo que elaborou a lei para durar indeterminadamente pode atuar a fim de estipular o término da vigência de uma lei. Para tanto, deve elaborar, através de processo competente, ato normativo de hierarquia semelhante ao que quer revogar. Assim, para revogar uma lei, será necessária a elaboração de uma nova lei, com este objetivo. A revogação de uma lei por outra pode dar-se expressamente, através de uma menção explícita, precisa e clara do texto normativo a ser revogado pela nova lei. É a forma desejável de revogação das leis em face da certeza jurídica que proporciona. Doutro turno, cumpre ressaltar que uma lei pode ser tacitamente revogada por outra. Isto ocorre ou por haver choque de conteúdo entre duas leis ou pelo fato de uma lei nova tratar globalmente do assunto do qual se ocupava a lei antiga. Neste segundo caso, a lei antiga estará toda revogada, ainda que trate de assuntos sobre os quais a lei nova passou ao largo. A revogação pode abranger a totalidade da lei antiga, que será atingida em seu conjunto. Mesmo uma lei simples, com poucos artigos, será revogada totalmente se deixar de vigorar na sua globalidade. As leis mais complexas possuem seções e capítulos que são subdivididos em artigos que podem conter incisos, alíneas

A posterior é especial em relação à anterior e a lei especial não revoga a geral. possa exercer. inciso XXXVI da Constituição Federal e o artigo 6. • • Coisa julgada é a decisão judicial de que já não caiba recurso. Irretroatividade e processo A identificação da legislação aplicável para regular determinada situação jurídica deve levar em conta a data da ocorrência dos fatos que deram origem ao direito e não o início do processo que se leva a cabo para fazer valer este direito. Direito adquirido é aquele cujo titular. ou alguém por ele. restringidos ou esclarecidos por parágrafos. revolvendo situações já consolidadas. Caso a revogação abranja uma destas partes da lei sua abrangência será considerada parcial.ou serem complementados. quando a lei posterior que for menos abrangente que a lei anterior. Este é um dos pilares da segurança jurídica pois se sabe de antemão que uma futura lei que venha estabelecer novos direitos e obrigações não poderá produzir seus efeitos para o passado. salvo a expressa ressalva constitucional quanto à lei penal mais benéfica. esta não será revogada. ou condição pré estabelecida inalterável ao arbítrio de outrem. O artigo 5.o. EFEITOS PRODUZIDOS PELA REVOGAÇÃO DAS LEIS A lei quando entra em vigor passa a projetar seus novos efeitos para o futuro e não deve ser aplicada a fatos passados. . Cumpre ressaltar que. como aqueles cujo comoeço do exercício tenha termo pré-fixo.o da Lei de Introdução ao Código Civil asseguram ao indivíduo que a lei nova não prejudicará o direito adquirido. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada: • Ato jurídico perfeito é o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se consumou.

o.º . inciso II. Constituição Federal: artigo 5.o . pode acontecer uma mudança legislativa ocorra durante o seu curso. mas sim em mera expectativa de direito não protegida explicitamente pela Constituição Federal.o e 6. Legislação pertinente: Lei de introdução ao Código Civil: artigo 1. Nesta hipótese não podemos falar em direito adquirido.Caso o fato que dá origem ao direito seja persistente. ou seja.. XXXVI. a nova legislação deve criar regras de transição para preservar a expectativa de direito. 2. . Nesta hipótese. perdure no tempo.