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Reflexões sobre as invasões do Máli

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A República do Máli – reflexões sobre as reinvasões em curso

Ailton Benedito de Sousa, Do Cebela

Nota preliminar Perguntamos: o fato de não haver, numa determinada ordem jurídica, cominação para um ato reconhecível como criminoso em todos os campos da respectiva visão de mundo ou ordem moral (dimensão dos valores), tornaria esse ato legítimo, lícito, virtuoso, assim derrogando toda visão de mundo, toda a ordem moral? É o caso da extralegalidade dos hegemônicos. Eis a questão de que trata este artigo, de modo indireto. O artigo pretende levar à conclusão de que no que se refere à África, como objeto de estudo, “deglutição cognitiva”, especialmente no que se refere à subsunção total do Continente pelo “saber” e “força” europeus nos últimos séculos, nós, a humanidade, neste século 21 nos aproximamos de um ‘corte epistemológico’, aquele momento limite que prefigura um novo quadro de consciência, consoante ao qual tudo que se disse e se fez no passado perde legitimidade e sentido de modo irrevogável, desaparecendo das sedes do intelecto humano como Logus, objeto de conhecimento, saber e valor positivo, a exemplo dos sacrifícios humanos com fins propiciatórios ou da antropofagia sistemática, práticas hoje horrendas que nos inibem até o ato de sobre elas pensar (prevalência do dado moral). À ausência desse momento e sua ultrapassagem, é a Barbárie mesmo, condição em que já vivemos há alguns milênios.

Introdução Só há um meio de o projeto euro-etnocêntrico – supremacia planetária de grupo seleto de pretensas ‘etnias eugênicas” de “cor branca”, recuperar ímpeto em nível mundial, e ter concretização plena em África ainda neste século XXI: a partir do arremate final do processo de subsunção total deste Continente e ilhas iniciado no século XV. Defino subsunção, ação de subsumir, como a total “coisificação”, sujeição, classificação e controle do outro, na condição de objeto singular sem quaisquer atributos próprios, senão os deferidos, a começar por apagamento de registros e memória coletiva, rebatismo e mapeamento,

agora cartográfico-digital, da sua massa continental, mares e ilhas, inclusos solo e subsolo e seus constituintes, populações humanas, animais e vegetais, nas primeiras implícitos o escalonamento negativo das culturas, sua desvalorização, destruição, substituição e homogeneização das mesmas, a escravização desses povos, a estigmatização de seus traços físicos, a depleção de sua biodiversidade ambiental para fins de lazer, passando pela sujeição, por décadas, da população nativa à condição de cobaia (inventar o remédio antes de fazer grassar as doenças, ou o contrário), cortejo de práticas diabólicas tão bizarras e complexas, que para serem referidas cumpre lançar mão de neologismos como ‘geobiosubsunção’ ou ecobiogenocídio. Repete-se, num acrescido e crescente grau de sofisticação tecnológica e eficiência, o massacre físico e cultural que esses mesmos povos e governos europeus realizaram nas três Américas, partes da Ásia e Oceania (destaque para a Tasmânia) (http://unitedblackamerica.com/black-war-destruction-tasmanianaborigines/) a partir do século XVI, epopeia às avessas ainda hoje cultuada como os Descobrimentos, o seu grande contexto, chamado, de quebra, de Renascimento. Se o objetivo principal dessas seis vezes centenária fieira de eventos não é a supremacia racial de seus promotores, estes no mínimo são mentecaptos, idiotas, loucos, na medida em que agem sem atenção aos fins. Se o desiderato não for racismo, é o quê? A questão africana vem a assumir feição tal diante desse novo quadro de compreensão da realidade africana pelos próprios africanos, que não há argumento que justifique essa geobiosubsunção. A ausência, no universo de entes morais de uma cultura, de termos, conceitos, argumentos para justificar um específico modus operandi de seus agentes nos pareceria, à falta de outro critério, também, uma questão epistemológica, não fosse a presença sorrateira, neste caso, do dado religioso subjacente. Como justificar e legitimar o permanente contexto de guerras de rapina em pleno século XXI? Aqui não vale o argumento de que é a ação do homem contra o homem, do homem como lobo do homem etc., pois nessa hipótese há um termo comum – homem. Também não se poderia dizer tratar-se de acertos de guerra, de conflito milenar entre o homem branco e o homem negro. Como no caso americano, os primeiros contatos foram amistosos e as agressões

tiveram foco unilateral. E há também a depleção perversa de toda a biodiversidade continental, tudo isso diante de geral e multissecular silêncio e complacência. Por exemplo, o período dantesco do uso das populações africanas como cobaias para a produção de vacinas atingiu clímax entre o fim do século XIX e primeira metade do século XX, decrescendo desde então, em função das independências, mas vindo até o fim do Apartheid. No entanto, ninguém jamais o denunciou sistematicamente. É como se a prática não tivesse jamais existido. O mesmo para o extermínio, a fuzil e prêmio por cabeça, de toda a população da Tasmânia, sob a desculpa “científica” de que eram animais, já que não acendiam o fogo, apenas preservavam-no de modo eterno. Se, nesse suposto quadro de valores laicos de onde se faz a avaliação do fazer social de uma época não há peso, medida, padrão, argumentos pelos quais sopesar tais ações, sobra, então, os argumentos de natureza míticoreligiosa... E se é nela, na tradição religiosa da cultura europeia que vamos encontrar sementes de argumentos que legitimem a geobio-subsunção da África – por exemplo, a bizarrice da sodomização de um ente lendário, o problema passa a ser o próprio universo de entes morais da cultura que esses homens porfiam por defender, preservar e impor aos demais. O fato da obnubilação, aos olhos da humanidade vitimizada, quanto à clara visão das macabras e marciais ações de dominação levadas a cabo até hoje pelo conquistador, se deve à força dos atributos que, pelo exercício de nossa atividade simbólica, nos confirmam a todos como humanos: mais crer que duvidar, mais ver, que olhar e enxergar, principalmente quando se trata das coisas humanas relativas à massa do povo. Crer gera esperança e afasta aquilo que forçou nossa fuga do mundo animal: o Medo. Crer num Céu e num Inferno justifica a vida sob jugo vil e afasta a Morte que, no caso da infâmia da escravidão, é redentora. Crer nos faz ouvir Sherazade e, reverentes, seguir a narrativa desconexa do Poder, seu Discurso legitimador. Superemos o discurso do algoz dominante e vejamos nossa realidade nua, eis a senha para o Renascimento Africano e da Diáspora. A ser plenamente realizado em África este projeto de subsunção geobioecológica, TODO O MUNDO terá caído sob o jugo do auto-assumido homem-alfa eurocaucasoide, uma vez que com “povos” e “etnias” adrede fabricados por suas “ciências sociais”, e numericamente insignificantes, passam a ter no Planeta base territorial, científica, tecnológica e “moral”

(em função da deformação, homogeneização e domínio dos imaginários, principalmente o religioso) suficientes para eternamente legitimarem seu domínio a partir de dentro do próprio dominado, a partir do cerne da noção singular e íntima de cada um de nós quanto à nossa própria unidade, pertinência a si, ou seja, a partir do Ego de cada um de nós. É nesse sentido que essa experiência macabra adquirirá específicos foros morais, axiológicos negativos, ressalte-se. Cumpre também dizer que os “conceitos-iscas” humanismo-humanidade, de matiz renascentistailuminista, engodo que jamais existiu, dada, por um lado, a origem unilateral da proposição e, por outro, a ação de fato, em contradição, levada a efeito pelos pretensos demiurgos, continuarão sendo engodo, iscas, a confirmar trapaça, logro. Faço estas afirmações baseado na evidência de que “qualquer escalada multissecular de dominação, legitimada pela aprovação, complacência ou indiferença gerais, só pode distinguir como objetivo final, como alvo – ela mesma, a própria dominação. Provem-me em erro, o coletivo planetário de seres humanos (para não dizer a humanidade) agradeceria. E a multissecular escalada de dominação assumida por esses seres humanos que se distinguem como ‘caucasoides da Europa’ a partir de superficiais características biológicas e ambientais, não foge à regra. Não se busca Poder por displicência. Não se busca a extinção do outro por negligência. Não se busca eugenia sem que se cultive, a priori, a noção da imundície genética do outro. E isso é o racismo. Há uma trágica e intencional marcha cujos traços, impressos no tecido histórico não manipulado do que seria a Alma do Homem, insistem em não se deixarem apagar: marcha cujo percurso é isso que está aí, civilização greco-romanajudaico-cristã sobre o rescaldo posterior à destruição das civilizações africanas e americanas. O problema é que a compreensão dessa obviedade exige a superação, por parte desses seres, do atual universo de entes morais, imposto a vencidos e vencedores, um novo quadro epistemológico, no sentido em que já rascunhamos. Afirmo também que nesta fase de desnudamento da essência desse “tipo” da Espécie, melhor dizendo desse tipo de Homo Sapiens, nos quadros de um universo de entes morais de uma Antiguidade construída mais por lendas que por fatos, essência comprovável: a) pelos produtos do trabalho desse Homo Sapiens; b) pela afirmação de sua cultura; c) pelo seu

protagonismo trapaceiro, civilização é domínio, um domínio que, paradoxalmente, não é do reino animal, pois devia ser. Nessa área relativa a valores, nada mudou da Pedra Polida para cá. Civilização é domínio. O dado religioso, se universal, não racial, particular, aqui e ali como no Egito dos faraós, pôde sublimar aspectos irracionais do Poder na legitimação das civilizações. No âmbito da cultura dominante de que estamos tratando, porém, o dado religioso não é universal, é particular até mesmo pela procedência das respectivas lendas inaugurais. Nessa cultura, o campo da práxis estratégica, ligada aos fins últimos, é laico, ateu, particular, apanágio de uma grei mobilizada pelo brilho do metal!, portanto bárbara. Nessa cultura, a percepção do divino não se põe como opção do indivíduo frente ao universo, não está institucionalizada, como na Antiguidade egípcia, a partir dos cultos chamados “cultos de mistérios’’. Aqui, isso é tarefa atribuída à religião oficial. E religião oficial, pública, empresarial, estatal, jamais levou ou leva ao Divino. Nessa cultura, insistase, não há acesso ao Divino por meio do saber, mas por meio da moeda. Suas práticas religiosas são padronizadas e homogeneizadas para dar “função consumista” a seis bilhões de seres. Nesse contexto, aqui o conceito civilização passa a ser expressão de domínio atroz, sem qualquer outro fim senão domínio atroz em si mesmo, e destruição. Seríamos racistas se afirmássemos que o fenômeno que diante de nós se revela tem origem e vetor nos ditos brancos eurocaucasoides, termo que, a ser crido, deve incluir imponderável número de “genes culturais” e de constantes genéticas; não, a busca do poder pelo poder, hiperbolizada no exemplo de geobio-subsunção da África, pode ter como vetor qualquer tipo da Espécie, já que impulso da área instintiva. No entanto, pode ser, esse impulso, essa busca, exacerbada ou controlada, coibida, anulada e sublimada pela cultura. Mas a cultura dessa grei de asiáticos ditos europeus, é racista. Racismo é fenômeno cultural. No caso da cultura em pauta, até quando ela sublima essa busca, esse impulso, por meio desse ou daquele ente cultural, por exemplo, a música, imediatamente essa mesma cultura estabelece fronteiras sociais e raciais: “a música clássica, e a música em si?, eu, Ocidente, Europa, as inventei”. Assim, o racismo transuda de qualquer palavra emitida por quaisquer de seus santos ou sábios, até mesmo porque só falam de si como se falassem do Homem, ou do que chamam Humanidade, quando, se são um, não são

a outra. Dado seu excesso de vanguardismo, protagonismo, exibicionismo, a seus próprios olhos seu trabalho cultural, sua experiência existencial não tem expressão senão como a mais alta, a mais elevada de toda a Espécie, mesmo que para tal tenha, pelas armas e trapaças, reduzido a níveis desprezíveis as experiências e potencialidades das demais etnias, logo da Espécie. Se o leitor tem duvida, então veja e analise como tratam o acervobutim dos seus museus, franceses, ingleses ou alemães, o do Vaticano, por exemplo, herdeiro de Roma, experiência civilizatória em que a exação, o butim, a escravização eram... virtudes. Não veem o museu como a biblioteca de livros escritos pela humanidade, mas a estante de suas obras oriundas de saques. O acervo desses museus, em si exação, butim, roubo, é contabilizado como “riqueza etnico-nacional”. Ainda como exemplo, no campo da música, essa cultura, por meio de suas academias, não tem o menor pejo em impor, à crença do povo, o logro de que os estreitos padrões de composição, harmonia e fruição de sons que chama de ocidentais sejam “ocidentais” mesmo, e representem o mais elevado estágio da relação entre o homem e os sons. São ridículos os nomes gregos dados a meia dúzia de escalas de sete notas: Jônia, Eólica, Dórica etc. Até nesse campo por eles chamado chulo, o campo da música popular, o Rithm and Blues se embranquece, vira Rock and Roll, a escala pentatônica, do Jazz e do Blues, veio da China, segundo um sítio da Internet de ensino de música. Voltando à dimensão cultural como espaço para a reversão do instinto bruto, construamos um exemplo: o senso de pertinência, que é animal, estaria na raiz de nossa noção de posse exclusiva, de propriedade em termos absolutos, a qual pode ser pela cultura exacerbada, controlada, atenuada, sublimada ou tornada funcional a seus próprios fins: a propriedade pela propriedade: todo o ouro do Planeta em Fort Knox, todo o petróleo, sob controle da Potência. “Mas para isso, cumpre dominar o Planeta?” – argumenta alguém: “Já está dominado”, responde Mister Sam. Diante do exemplo, então, pergunta-se: frente à morte, frente à imponderável relação entre a força humana e a do Planeta, pode haver fruição de senso de propriedade absoluta das coisas que encontramos nesse Planeta? Agora, mais séria que a noção de propriedade do Planeta por parte de seis famílias, é a noção por parte de seis bilhões de seres de que essas seis famílias têm direito à posse desse Planeta...

O que se vê na história desses povos orientais que, estacionados nas extremidades ocidentais da Ásia, se disseram e se dizem europeus, é a exaltação, hiperbolicamente exacerbada pela respectiva cultura, do culto ao impulso instintivo da posse, da pertinência e propriedade exclusivas do Planeta, de Deus e da Vida, enfim, exaltação do culto ao protagonismo absoluto “nos jogos das narrativas inaugurais” de povos e civilizações necessariamente mais antigos que esses próprios europeus, povos antigos que há menos de um milênio esses europeus, sem pejo de expressar seus instintos, vêm retirando do palco da história e tomando-lhes o lugar, por trapaça, tendo em vista que o princípio da causalidade história não pode reconhecer demiurgo na origem de fenômeno complexo como uma civilização. A doçura e poesia que deveria envolver o termo civilização No nível dos ideais (se formulamos ideais, em princípio nada impede que os levemos à prática), o termo Civilização, agora que temos acesso à produção do essencial, deveria alegoricamente ilustrar um grandioso desfile carnavalesco de dimensão planetária, eminentemente espontâneo (a vida deveria ser Dom e Graça) no qual as culturas singulares, como alas e carros alegóricos num desfile atual, em performances coreográficas totais, ‘dionisiacamente’ se interpenetrariam, permutariam seus produtos e dons e se transmitiriam sem solução de continuidade (senão na aparência), geração após geração, século após séculos, desse modo o transcorrer desse desfile deixando claro que a Vida, performances coreográfica de Culturas e Civilizações, o caos harmonioso, “não podia nem pode ter Demiurgo, Pai único, determinado”. Mas o que temos é uma civilização, filha de pais monstruosos, em que a Vida, para a maioria, é tornada maldição. A ser atribuída a esse ou àquele Pai ou Demiurgo, isso que temos chamado de civilização passa a ser o que é: rescaldo de guerra. A análise desse fenômeno, civilização, exige, como já sublinhamos, sua submissão ao princípio da causalidade histórica, caso se tente atribuí-la, a paternidade civilizacional, a uma ou a apenas algumas culturas segmentadas, insuladas a determinadas conformações históricas e geo-ambientais. O princípio da causalidade histórica exige que se determine: a) quem concebeu o fenômeno enquanto projeto, plano, hipótese?; b) quem financiou a execução?; c) quem se encarregou da logística?; quem operou como mão

de obra bruta?; quem foi a tropa de assalto e segurança?; em benefício de quem e de quem? Que os demiurgos da chamada civilização greco-romana-judaico-cristã venham a campo apresentar um a um os itens inerentes ao princípio da causalidade histórica do que dizem ser criadores. Especificamente, como apagaram a memória dos predecessores, quem eram esses, onde estão? A propósito, são perguntas como essas que estão fazendo historiadores como Jean Charles Goovy Gomez com vista a bem determinar a causalidade histórica de um importantíssimo fenômeno pouco estudado pelos europeus: o Tráfico Negreiro como sistema de comércio internacional, e a Diáspora negro-africana. O que se está condenando nessa pretensa civilização grecoromana etc. é seu ostensivo caráter de trapaça, na medida em que inumana, bárbara, cruel, faz-se passar como produto de um homem por Deus redimido... É ridículo ver e ouvir, na televisão a cabo, as baboseiras que intelectuais velhos, geralmente de procedência judaico-sionista, patrocinados por fundos acadêmicos “iluminatistas” via BBC, despejam em séries de documentários do tipo “a origem da agricultura no mundo a partir do Crescente Fértil” e equivalentes sandices. Aqui não é a história que escrutina a Lenda, isto é, a Bíblia, mas esta que quer criar aquela... Documentários destinados aos jovens das nações do Norte, para legitimarlhes o fel do racismo vil pelo outro, e orgulho exacerbado por si mesmos. Está aí a escola onde aprendeu “história” o soldado genocida norueguês, 96 mortes em ação de terrorismo contra a humanidade, mas apena... 21 nos de prisão, com direito a apresentar-se às câmaras com uniforme real de gala. Aos jovens das nações subjugadas econômica e culturalmente, por outro lado, a narrativa visa a lhes legitimar, também, a noção de baixa estima, essencial a que se assumam como filhos de chocadeira, parasitas da cultura dos brancos. O Máli reinvadido e nosso universo de entes morais No universo de conceitos para a compreensão do mundo e da vida em que vive o íncola da cultura greco-romana-judaico-cristã não há termo para a relação nômade-Planeta. Há um vazio entre o conceito de nômade e a sua ambiência, suas rotas de sobrevivência e subsistência e noção de pertinência às mesmas, sua história e cultura. A propriedade do mundo

exige o sedentarismo, diz o demiurgo. Em curtas palavras: nômade não tem direito à vida, uma prática de vida quebra-galho, são biscateiros no Planeta, devem morrer, principalmente se negro. O Máli invadido pode-se dizer ter sido berço de um nomadismo estrutural às formas de produção e comércio dos seres humanos durante milênios. Há milênios mesmo esses tuaregues negros, morenos e brancos, sentinelas de caravanas nas rotas comerciais transaarianas, circuito do sal, do ouro, de pedras preciosas essenciais ao desbaste das demais (usada na arquitetura e estatuária egípcia e grega), coisa que até há pouco se desconhecia, na crença de que tecnologia fosse saber privativo do demiurgo: Como foi feita a estátua de Júlio Cesar em granito, como eram feitas as estelas e obeliscos inteiriços de mais de cem metros de altura e dois metros de diâmetro na base? “Seres extraterrestres”, respondem os racistas. Antes das rotas marítimas de comércio, era pelas sendas do deserto que passavam os bens produzidos na Arábia, Índia, China ou mesmo Japão e Coréia, via portos e entrepostos ligados a nomes como Madagascar, Mombaça, Gao, Tombuctu, Alexandria, Sicília, Nápoles e Gênova. A África é dos nômades também Têm eles pleno direito à propriedade exclusiva do solo em que pisam há milênios, até porque até ontem, antes da descoberta das inesgotáveis jazidas de petróleo, gás e minerais raros e totalmente desconhecidos, ninguém jamais quis saber dessas terras. Dos seus habitantes, “positivamente”, só se dizia e ainda se diz a toda hora (consultem a quantidade de sítios específicos na Internet), que os tuaregues são brancos como o são os berberes em geral... “os negros aí encontrados são escravos ou seus descendentes”. A propósito, procurem saber o porquê dessa fixação na exclusiva cor branca dos berberes (?).Exemplo da psicossocipatia racial dos europeus (continuemos com os neologismos). A reinvasão do Máli numa espúria aliança entre o ex-colonizador, na medida do apoio logístico de todas as nações signatárias e/ou beneficiárias do Congresso de Berlim (1894/95), juntamente com uma dezena de excolônias e failed-states (estados prêt-à-porter, governos ditatoriais que pensam viabilizar a própria legitimidade cobatendo o que lhes disseram ser o terrorismo), essa reintegração de posse a partir do século XIX, inscrevese num contexto de reatualização da geobio-subsunção, agora também por

meios digitais: – dos drones às fortalezas voadoras munidas de armas inteligentes guiadas por satélites. E, pasmem, os poderosíssimos inimigos desse exército de “guerra nas estrelas” são os tuaregues. A palma seja dada aos “companheiros” do Partido Socialista francês. Pela terceira ou quarta vez (Segunda Guerra Mundial, Indochina, Argélia etc.., vocês a merecem. Elucubrações sobre uma hipotética Euráfrica Em vias de concretização, mesmo na hipótese da saída do Inglaterra, a União Europeia já se vê centro de poder. Nela, os elementos essenciais de constituição são, como se sabe, de natureza imprecisa, ambígua, midiática, diríamos: a) continente que não é continente; b) o mesmo no que se refere a fronteiras étnico-culturais, fixáveis em atenção à vontade do vencedor turco ou eslavo; c) legitimidade discutível, já que a exigência de constituição vem de cima para baixo. Como centro de poder, cumpriu-lhe primeiramente eliminar, a partir de guerra preemptiva, aquela que podia com ela concorrer ou colidir: a Federação Iugoslava. É fato documentado que “caído o Muro de Berlim”, as potência europeias avisaram diretamente às “quintas-colunas” estacionadas nas diversas repúblicas daquela federação: “Iniciem o processo revolucionário de secessão que nós garantimos.” (Stripping bare the body: – politics violence war, de Mark Danner, in comunicação&politica, v.28, jan-abril,20 ). E lembre-se que muitos povos que pertenciam à ex-Iugoslávia, agora sob novos senhores, porfiam por pertencer à UE. É neste momento que a jovem União Europeia já teria meios de divisar os hipotéticos contornos de uma eventual concorrente: Os Estados Unidos da África. E mais uma guerra preemptiva, essa maravilhosa invenção romana. Tendo em vista a importância da base territorial na constituição objetiva da relação de domínio, conclua-se que, territorialmente reconquistada a África, uma relação direta de pertinência e continuidade territorial pode ser estabelecida entre esses asiáticos ditos europeus e os demais a eles assemelhados nos continentes restantes, com destaque para o que ainda é chamado africano, o qual, sob nova denominação – Euráfrica, passaria a ser o mais importante bloco continental do Planeta, pois depósito de minérios. Em sequência, uma vez que jamais existiu Europa como continente, à União Europeia não restaria opção senão a de redefinir-se

como bicontinental, localizada na “Eurásia” e na “Euráfrica”, desaparecendo para o francês ou espanhol simples, o apodo de simples europeu, sofisma para a afirmação de uma questionável pertinência singular. Passariam a ser euro-asiáticos e euro-africanos. Na dita Oceania, os grupos Austrália e Nova Zelândia remanescem como a eterna retaguarda do lado anglo-saxão. Do lado francês, a miuçalha restante. Nas Américas, vários vagões e uma só locomotiva. Redefinida como Eurásia, a UE teria ou terá que definir nova identidade diante de povos eventualmente mais brancos – as imensas greis das Planícies asiáticas, até aqui pela Europa discriminadas, terras por onde andou Alexandre – Federação Russa, Índia e China, estas realmente continentais. Redefinida como Euráfrica, impõe-se um multiculturalismo forçado, a extinguir-se por si mesmo a longo prazo. A importância da base territorial para a “exibição do Poder” se explica ao sermos lembrados de que quando nos encontramos num aeroporto ou supermercado, somos súditos virtuais dos titulares desses espaços, relação de poder-sujeição que não é por nós plenamente percebida dada a ausência tática, no local, ou melhor, no território, dos titulares desses espaços. Em certo sentido, o mesmo ocorre quando assinamos eletronicamente nossa anuência aos termos de um protocolo, como o de uso desse ou daquele produto da web. A ausência, no local, no território, da parte contratante hegemônica torna imprecisa, ambígua, a relação contratado-contratante, ou melhor, torna imperceptível a natureza assimétrica dessa relação, por isso para nós atraente, aparentemente vantajosa ou inócua. Cumpre torná-la precisa para que seu caráter de “isca” a uma vinculação assimétrica imediatamente seja percebido como tal. É nesse quadro que a ressurgência da Françáfrica, parideira de uma ainda hipotética futura Euráfrica, em cujos termos se inscreveria a recente reinvasão do Máli, é uma questão de presença efetiva do mandante no território “em que se encontra” ou se encontrou o subjugado (a forma aspeada indicando que evitamos o genitivo “território do subjugado” para mais enfatizar os aspectos trágicos do drama africano, aqui e ali promovido e patrocinado por suas próprias elites, cumpre denunciar). Quer-se insistir que diante da ausência, no intervalo das últimas cinco décadas, do ostensivo poder francês não só no Sahel, mas em toda a antiga África Ocidental Francesa, poderia caber dúvida quanto à dominância francesa

sobre a área, principalmente a olhos indianos, russos ou chineses, dúvida que não mais pode caber, em função mesmo da reinvasão em curso.

Necessidade de redefinição de método, termos e conceitos na análise das questões africanas Se não existe, no imaginário de uma pessoa ou de um povo, por exemplo, o conceito de Diabo, personagem e gesta, cumpre, a priori, construí-los e do construído fazer exposição e apresentação didáticas, caso se queira que esse Diabo diga, faça ou peça alguma coisa a esse povo ou pessoa. No imaginário das populações africanas, seguramente, não existia a noção de estado-nação como a que se desenvolveu nos países da Reforma do Norte (o norte ocidental asiático, dito Europa), especificamente a noção de um lócus a três dimensões, acima e abaixo da superfície, espaço de definição da noção de pertinência e/ou de propriedade exclusiva de um povo, quer no sentido animal (instintivo) quer no não-animal – como origem ou marco das narrativas ou mitos inaugurais, esse espaço implicando esferas separadas de bens públicos e privados (bens dos vivos, enfatize-se, pois a herança greco-romana-judaico-cristã apaga a noção de posse para os mortos, tão cara a várias culturas hoje ditas tradicionais). Caracteriza ainda o perfil desse estado-nação territorial a organização e ordenamento dos segmentos sociais em condição exclusiva (ou seja, ele é o titular único, oficial, desse ordenamento), indisputável titular da gestão, do controle e realimentação dos imaginários (propaganda, ensino público gratuito [bem que virou maldição] com disciplinas definidas pelo Poder) tudo isso “amparado, do lado material, em instituições como exércitos e corpos de funcionários específicos etc., e, pelo lado simbólico, ideológico, em base tecnológica sofisticada, a partir mesmo da universalização da literalidade – primado das leis e seus códigos, constituições, acervos reverenciados e cridos porque escritos, tudo isso implicando a folclorização da oralidade, conjunto de elementos que na sociedade moderna dão função primordial à propaganda, à publicidade, a arte de mentir como atividade legítima, criadora de produtos transientes, com o aparecimento e desaparecimento fugazes de ídolos, santos, sábios ou heróis específicos, que jamais seriam tidos como tais em outras experiências sociais, de que são exemplos coisas

ambíguas e imprecisas como a democracia, o valor das grifes, os Steve Jobs, uma das mais perigosas sendo mesmo a tecnologia, termo, significado e produtos.

A Feira e o Mercado na África A África há milênios conhece a Feira, o Mercado – plataforma de encontro e interação entre o profano e o sagrado, o individual e o social, os vivos e os mortos, fronteira entre o Ilê Aiyê e o Ilê Orum. Nesse sentido, a África terá dificuldade em conhecer, reconhecer e reconhecer-se numa formação social – o estado-nação territorial dito pós-Reforma, penduricalho de uma coisa chamada “sociedade de mercado”, que aos africanos serão impostos pela aparente descolonização dos anos 50 e 60, criação eminentemente laica, plataforma da laicização e coisificação da vida, produto direto da geobio-subsunção que já conceituamos. Dado os paroxismos do absurdo, na cabeça dos africanos, toda essa inovação tecnológica da convivência dita civilizada, toda essa “parafernália dos gringos” vai ter por modelo a velha Feira e Mercado africanos, ambos ao mesmo tempo profanos e sagrados. É como se o africano visse, nos termos da subsunção que lhe impõe o invasor, sua visão de mundo confirmada às avessas. Na realidade, porém, as características marcantes deste estado-nacional territorial contrapõem-se, contrastam com a compreensão africana, no que este é: a) Espaço para a produção e distribuição de bens e serviços estranhos, elaborados, circulados e consumidos a partir de tecnologias desconhecidas em África (para o homem simples da África, aceitar esse estado territorial e modo de produção é aceitar sua indigência intelectual, é tornar-se filho de chocadeira). É desconhecido em África esse modo de produção, em que um setor financeiro externo domina todos os aspectos do processo produtivo, e que hoje se põe a cavaleiro de todas as instituições sociais, como ensina Karl Polanyi, sistema solidamente vinculado a congêneres também a cavaleiro das instituições sociais em suas sociedades. É isso desconhecido não só em África, mas em todo o mundo. b) Espaço para veneração de uma mágica moeda hegemônica como meio universal de trocas, credo aceito pelas massas em razão do poder de

fascinação da mercadoria ou das armas “do branco” (estão aí a literalidade, a propaganda, a publicidade e, de quebra, o celular, o PC, a Internet, os bloqueios totais [Cuba, Irã, Iraque]): faça o que quiser, para viver você só terá minha moeda na venda de seus produtos e na compra do que lhe oferto sem alternativa (países árabes, Japão etc.). C) Espaço para a submissão da moeda e economias locais ao escrutínio contábil das agências de um único mercado financeiro internacional, observando a relação de cada economia particular frente a um “todo” que não pode ser contabilizado “ accountability para todos, diz a Secretária de Estado, exceção aberta para o emissor hegemônico cuja moeda é necessariamente hegemônica e tem emissão sem limites (lorota falar-se em déficit orçamentário norte-americano ou em sua dívida pública). D) Controle e gestão absolutos dos imaginários dos indivíduos (até pela Internet) para que em última análise o convencionado padrão internacional de riqueza, de valor [aí implícitos até e necessariamente o Bem, a Virtude, a Felicidade e a Governabilidade] continue como tal criação ocidental, acumulando cada vez mais valor. Desafios ao Renascimento africano Conhecer o “mundo-tempo” à sua volta e reconhecer-se como partícipe, como agente, na condição de conjunto de estados-nações territoriais adrede demarcados pelos colonizadores com o perverso intuito de fazer com que jamais gozem de estabilidade, num Planeta de economia mundializada ou globalizada, cujas potências já lhe definiram função ancilar de fornecedora de bens minerais, eis o desafio, com etapas escalonadas, que se impôs e se tem imposto aos povos da África desde o século XVI. Observe-se que “as independências, com o afastamento da presença ostensiva do colonizador no período entre 1945 – 1989, deve ser visto como dádiva de revolucionários que hoje seriam chamados terroristas, amparados por armas e ideologia fornecidas pelo sistema socialista mundial – com destaque para a URSS e, pesquisem, para Cuba. Se numa síntese das sínteses nos pedissem a descrição da unicidade, singularidade, especificidade do drama africano, seria este: senhora esbulhada da herança material e cultural de seu passado, seus reinos e impérios, de seu milenar acervo cultural, artístico, científico e tecnológico, hoje ter que viver segundo as imposições de outrem a partir do fato de que lhe cortaram ,

apagaram ou sabotaram todos testemunhos documentais de seu passado, a começar pelo sistema internacional de sequestro para escravização de nada menos que duzentos milhões de seres num período de quatro séculos, e a finalizar pela dispersão de epidemias, todas de etiologias misteriosas, principalmente a Aids. É o significado do termo geobio-subsunção. Afere-se também o drama e desafio africanos pela compreensão de um possível encaminhamento estratégico desse processo multissecular de geobio-subsunção: primeira fase) desqualificar sua população para justificar o butim; segunda fase) subqualificar sua população para justificar a apropriação exclusiva do território num esquema aparentemente multiétnico. É a Euráfrica. Nesse sentido, a referência a método se faz necessária, tendo em vista que não se pode analisar a África com os métodos e instrumentos conceptuais ofertados pelo “saber” hegemônico, seus conceitos e representações sociais, quadros de referência, axiomas ou conclusões implícitas. A África não pertence ao mundo atrasado ou subdesenvolvido ou o que valha, pois qualquer que seja o “nome” do mundo a ela atribuído, esse terá sido a ela deferido no processo de geobio-subsunção já referido, este, sim, é crime de definição em processo, pois dependente de um quadro de valores ainda ausente da mente não só dos hegemônicos, mas da maioria das vítimas, crime de genocídio ecossistemático, denominação que quer legitimar-se diante de fatos objetivos como a singularidade da Vida no Planeta, a unicidade da Espécie Homo Sapiens, seu processo várias vezes milenar de acumulação cultural, tudo isso negado pela brutalidade do processo de geobio-subsunção que povo e a biosfera africanos sofrem desde o chamado Renascimento. A propósito, quem não se lembra dos safáris da classe média norteamericano nos anos 50?, simples desejo de imitar os ingleses de um ou dois séculos anteriores, os grandes “desbravadores” adrede feitos para vender jornais em Londres ou Paris, no decorrer dos séculos XVIII , XIX e XX?... Como estudar a África a partir dos métodos e materiais coletados nessas expedições, por esses exploradores ou mesmo por Napoleão ou o rei Leopoldo II da Bélgica? A África só pode ser estudada a partir dela mesma. O estudo da África, a mais simples avaliação de um pormenor em sua paisagem, requer nova tela, novos pincéis, tintas e traços. Requer a redefinição, mesmo a reconstrução de novos significados e desconstrução

dos antigos, requer remanipulação ao corpo de signos com que operamos a comunicação; requer também permanente reexame de conceitos ditos científicos – verdadeiras representações sociais, ou verdades prêt-à-porter, de graça ofertadas pelo “sistema de saber” hegemônico, armadilhas conceituais que nos fazem cultuar a mentira como se verdade fosse, apanágio das disciplinas ideológicas do dominador – suas ciências sociais.

O estado-feira em que vivemos Contextualizemos mais algumas das funções do Estado-nação-territorialfeira-livre em que vivemos, tendo em vista que à ausência de uma compreensão funcional desse instrumentos de nossa organização social, resta imbatível a noção de que somos superiores, daí não poder essa evoluída instituição ser transferida à atrasada África senão a partir de sua submissão total ou mesmo destruição. Por outro lado, sob o nome de sociedade de mercado essa experiência é hoje hegemônica no Planeta, portanto semente para a repetição de experiências semelhantes num hipotético futuro, caso não as critiquemos e transformemos. O recurso à alegoria da Feira justifica-se, também, na medida em que para este autor não existe no universo dos entes morais da atual civilização conceitos, instrumentos com que se possa avaliar a práxis racista dessa mesma civilização, um de cujos instrumentos de dominação é seu arsenal de práticas e teorias econômicas legitimadas pelas armas. Antes de qualquer consideração, cumpre que se tenha em mente que essa Grande Feira ou Mercado Mundial se constituiu e estruturou, principalmente quanto às suas atuais feições, nos últimos quinhentos anos, através da exclusão do homem africano como ser ativo, através da atribuição, à África e a seu povo, da função de fornecedor, pela violência, de trabalho essencial e gratuito às unidades produtivas dessa mesma Feira, vista como um “Tesouro” pretensamente constituído por cotas-partes de todos os estadosnações territoriais à época existentes. O estudo desse “Tesouro” como objeto de conhecimento faz ressaltar seus paradoxos. É algo concreto, mas só referido em abstrato, como “a economia mundial”, agora também, para efeito de justificar guerras de rapina como “Comunidade Internacional”. Por um lado esse “Tesouro” impõe respeito à propriedade privada, por outro, cresce a partir do roubo,

da exação. Subsume toda a realidade como mercadoria, e lhe dá um valor que restringe e limita a uma minoria a fruição daquilo que na realidade tem valor. A configuração que apresenta em tempos de paz muda em tempos de guerra, quando passa a ter donos singulares, específicos, que na paz se escondem atrás da denominação de empresas, famílias, proprietários, cotistas, rentistas, acionistas, coletividades concretas cujos constituintes jamais recebem um nome que os singularize como donos do “Tesouro”, a não ser o de “ricos”, “bilionários”, daí também mais absurdos lógicos. Nesse sentido, é fato que a chamada economia mundial constitui-se de um imenso e variado conjunto de mercados ou feiras. Aqui e ali, ou sempre entre si concorrentes, a interligação eventual dessas feiras dá-se mais pelos pactos que seus titulares mantêm entre si num quadro de completa assimetria econômica e militar, quanto a questões pontuais como, pela ordem: a) aderência e/ou obediência a um mercado internacional de títulos, de papéis, signos suposta ou acreditadamente resgatáveis do referido “Tesouro” , que é de alguns, mas que se faz passar por de todos e de ninguém. Esse mercado de caução, valorização e compensação de títulos tem toda sua estruturação baseada na fé, oriunda dos acordos e normas pelos quais esses papeis “terão” que agregar valor monetário a si próprios até mesmo para dar perenidade ao “Tesouro” , e ao fluxo produtivo agora mundial. Exemplifica a mentira crida como verdade, porque “ninguém pode apostar no caos”, como dizem entre si. Nesse mercado de títulos estaria a cave do Santo dos Santos, onde tem lugar o ritual da permanente morte do trabalho vivo do trabalhador e ressurreição do trabalho morto na seara dos bilionários. Roma foi senhora do mundo antigo, mas sua economia – constituída pela riqueza do estado imperial (determinada pela receita(butim)-despesa do aparelho estatal, principalmente os exércitos); pelo patrimônio dos patrícios e ricos plebeus, e pelos tesouros dos templos, não tinha, essa economia, intercomunicação, câmara de caução e compensação e refinanciamento. Não lhe restava saída para um orçamento estatal em déficit a não ser cortar suas próprias carnes ou a de terceiros. Suas províncias, cada qual com sua moeda e modo de produção, nada mais eram que áreas preferenciais de saque. Na época do declínio, do disband das legiões, quando o orçamento fechava em déficit crônico, virou moda a prática de mandar matar alguns patrícios e plebeus de grande fortuna para lhes confiscar os bens. Fácil

fica imaginar que então ninguém quisesse demonstrar riqueza. Para Roma não existia um “mercado de títulos”, por via do qual ela pudesse emitir títulos a 10% de juros ao mês ou ano, plenamente confiante de que esses títulos seriam comprados (tornando o orçamento superavitário), vendidos, transformados em moeda de curso e eventualmente jamais cobrados ao emissor, “enquanto este fosse potência”, caso dos EUA e outros atuais. Na modernidade, se o ancestral dos Gulbenkian recebeu tal “papel” dizendo ser devida a ele, possuidor do papel, 5% do valor do contrato de exploração ou da produção dos poços de petróleo em determinado lugar no mundo, a disposição documental careceria de qualquer significado ou valor não fosse a existência, de fato, de um sistema mundial que até hoje cauciona o valor “eterno” dessa declaração, garante e transmite seus efeitos de geração a geração – enquanto perdure a ordem econômicojurídica e militar no mundo. Temos nesse exemplo ilustrado o princípio da causalidade histórica. Fato a ser observado e guardado como base para a eventual compreensão das graves questões sociais em curso no mundo é o de que, do século XV para cá, no processo de sua evolução, instituições ou áreas institucionais inteiras dessa Feira ou Mercado Mundial foram apropriadas por grupos étnicos ou grupos religiosos, desse modo há séculos concentrando riqueza, poder e funções hereditárias inerentes à operacionalização das respectivas instituições do mercado. Assim, aquela área da Feira que se responsabilizava pela troca e equivalência das moedas, ou seja, câmbio, guarda de títulos, empréstimos e contagem de juros, por ter sempre observando um padrão organizacional de família , casta ou de grupo, continua em nossos dias praticamente nas mãos dos primeiros banqueiros e prestamistas, intacta em sua linhagem. O fato adquire importância capital quando se constata que hoje o sistema capitalista mundial tem o setor financeiro lato sensu, na condição de setor hegemônico em sua estrutura. Observe-se também que sem medo nenhum de errar ou exagerar, afirmamos que em termos de funções no sistema produtivo mundial à África coube e tem cabido só e exclusivamente a de fornecer trabalhadores e matéria-prima. Para as Américas saíram do Continente, num período de quatrocentos anos, um total na ordem de 200 milhões de seres – homens, mulheres e crianças, permanente força de trabalho plenamente apta para atividades como agricultura, mineração, serviços braçais ou especializados, contingente que nos quatro séculos de vigência

do trabalho escravo nada fez senão produzir riqueza nova. E assim continua na medida em que recebe salário degradado insuficiente à manutenção da vida como pária. Quer-se enfatizar que o “Tesouro” aumenta pela agregação a ele de riquezas por parte daqueles que produzem riqueza. Do ponto de vista da produção de riquezas, da acumulação de bens ao “Tesouro” e aos tesouros particulares, não pode haver tergiversação: este só aumenta seu volume, variedade de itens e valor, através do processo de acumulação, pelo permanente acréscimo de “riqueza nova”. E só o trabalho, na sua mais nua e crua expressão pode produzir “aquele bem concreto e novo”, caracterizador da riqueza nova, principalmente o que substitui aquilo que se esvai todo dia, a toda hora, em função do processo natural de nutrição/agregação e decaimento da matéria orgânica: contrariando os teóricos do neoliberalismo, ninguém vive de celular. Como diz em suas conferências no Youtube o professor Jean Charles Coovy Gomez, Voltaire, Newton, Rousseau – citados aleatoriamente como exemplos, só puderam dedicar-se à produção intelectual que lhes marca o nome, porque o Sistema Internacional do Tráfico Negreiro remunerava em até mais de 1000% as poupanças particulares nele aplicadas. E que se saiba e se divulgue também que este sistema era propriedade dos mesmos segmentos sociais, étnicos e religiosos, que dominavam e ainda dominam essa mesma Feira ou mercado financeiro mundial. A propósito, é válida mais uma bifurcação neste ponto, para fazer menção à crise financeira de 2008 ainda em curso no mundo, dado que tem causa e ponto de origem nesse nível institucional da Feira, genericamente referido como mercado financeiro. O evento se deve à gestão fraudulenta de títulos especialmente os do setor imobiliário norte-americano, cujo Tesouro Federal concede juros subvencionados e outras garantias, as sub-prime, a papeis do setor imobiliário, considerando a função social da aquisição da casa própria. Bancos e Fundos cujos patrimônios se constituíam desses títulos, para atraírem investidores apressados em faturar lucros, pagavam juros mais altos a particulares e empresas, como os fundos de aposentadoria dos trabalhadores norte-americanos e europeus em geral, além de todo e qualquer banco açulado pela perspectiva de ganhos fáceis, inclusive mesmo estados, como o da Finlândia, que os donos do “Tesouro”

correram a salvar (por questão racial?), não dando aos finlandeses o mesmo tratamento dado à Grécia. Pacto notável a unir as células do Mercado Mundial é o que diz respeito “ao que fazer” com o dinheiro ganho no âmbito de suas atividades. Este pacto é especialmente válido para os ditos estados árabes produtores de petróleo e, também, para os titulares dos países africanos detentores de recursos minerais estratégicos. De modo geral, a estabilidade geopolítica no Planeta num momento dado depende dos termos desse Pacto. O desrespeito a ele, hoje, depois de 1989 e da independência sistêmica da Otan, implica a imediata perda do mandato por parte do transgressor, guerra de rapina às riquezas nacionais e morte indigna dos responsáveis. Expliquemos: carentes de petróleo ou de qualquer outro recurso raro, a Potência e suas congêneres – até mesmo para dar fluxo internacional à moeda, assim afastando-se do modelo do Império Romano, troca a termos assimétricos, sua moeda pelo produto essencial desejado. O contrato, “de livre comércio”, como se diz, não acabou aí, porém. De posse do dinheiro, o vendedor do recurso energético pode muito bem entesourar suas receitas ou comprar (principalmente armas) apenas nas mãos dos inimigos ou concorrentes da Potência, ou pior ainda, reservar parte dos ganhos para adquirir infraestrutura científico-tecnológica – militar, industrial etc. visando a livrar-se da relação assimétrica que o mantém dependente de seu comprador – Saddam Hussein e Muammar al-Gaddafi da ex-Líbia , Laurent Gbagbo, da Costa do Marfim, incluindo-se todo o governo sírio de Bachar Al-Assad, há um ano e meio sob ataque total, como lídimos exemplos recentes.

Concluindo com mais algumas pinceladas o perfil desse nível institucional da Feira, o das finanças, repitamos com Karl Polanyi que este setor durante o século XX se constituiu na mais importante subestrutura do sistema capitalista, período em que, com as tecnologias da informação e da comunicação assume o controle e a direção de todas as instâncias sociais, praticamente pondo-se acima da sociedade, na medida em que esta produz do jeito que ele quiser, a custos que só ele cabe fixar. Sua elevação ocorre na fase de rescaldo consequente às duas últimas guerras mundiais, de ascensão dos Estados Unidos, em que a Inglaterra,

feirante destituída de um império, reconhece não mais ter meios políticomilitares para continuar se referenciando como a dona exclusiva do “Tesouro” mundial. Hegemônico na estrutura do modo de produção como o maior cotista e gestor do “Tesouro”, ao setor financeiro mundial cabe em última instância a tarefa de dar curso à produção planetária, não só a de tecnologia de ponta , dos reatores nucleares e trens de alta velocidade a peças do vestuário, passando pelo arroz, o dendê ou a mandioca, que vão à boca de seis bilhões de seres humanos. A assunção dessa responsabilidade em tese não deveria admitir a hipótese de que nas diversas economias nacionais vinculadas, os escalões estruturais diretamente ligados à produção e distribuição, ao reinício de novo ciclo produtivo não encontrem “capitais” a custo sustentável, em outras palavras – a crise econômica deveria estar proscrita do cenário da produção mundial. Dadas as questões relativas às ausências inerentes ao universo de entes morais da civilização que está aí, é a partir da própria crise que pretende negá-lo que o setor hegemônico do sistema retira legitimação e energias para se eternizar. Relação entre os Estados Unidos da África, a Líbia de al-Gaddafi, as aristocracias africanas e as reinvasões em curso no Máli Se nossos modelos, método, conceitos e definição ou redefinição de termos têm consistência no processo de percussão ou determinação das causas explicativas do drama africano hoje, julgamos como dados os elementos básicos para a compreensão do subtítulo. Os Estados Unidos da África, eis a Federação que teria justificativa legítima para, como mediadora entre o Continente e o resto, superpor-se a toda e qualquer formação social subjacente, tribo, reino ou nação africanos, desde que essa federação estivesse nas mãos de africanos afinados com as teses do Renascimento Africano. Como um paradoxo aparente, observe-se, a proposta dessa federação é considerada viável, também, pela ação de geobio-subsunção em curso, hipótese em que a liderança da novel federação, do lado africano, necessariamente estaria nas mãos de líderes saídos da atual safra neoliberal empreendedorista, como Alassane Uattara, Paul Kagame, Alpha Kondé, homens cuja visão não ultrapassa os limites dos negócios escusos em que estão atualmente envolvidos. São incapazes de ver e entender que o Continente sofre processo de geobio-subsunção multissecular por parte de uma “Europa-Mundo”, que não tem nem pode

ter outro objetivo senão a ocupação e dominação continental para efeito de redefinição de pertinência (no sentido de “a quem pertence a África), algo nos moldes do que ocorreu e ocorre nas três Américas. Dadas as diferenças de tempo e contexto, na África pode-se chegar a admitir consórcios entre governos e sociedades civis caucasoides, chinesas e indianas, por um lado, e lideranças neoliberais negro-africanas, por outro, tudo sob o disfarce de um nome que fira o multiculturalismo assimilacionista como Federação Eurafricana. Considerada a profundidade e abrangência do projeto de geobiosubsunção, é difícil alimentar ilusões que se afastem do previsível. A invasão em curso pretende corrigir o projeto barbaramente iniciado na fase do imperialismo marcial cujo paradigma é o fatídico Congresso de Berlim de 1894-1895, primeiro lance da legitimação internacional do esquartejamento da África, ou melhor, da sua geobio-subsunção. Com a morte do coronel Gaddafi e destruição da Líbia, de par com a desarticulação e enfraquecimento das forças políticas identificadas com o movimento de renascimento africano, tem mãos livres o grupo que propugna por uma federalização formal paulatina, a começar pela transformação da OUA num parlamento de coonestação de medidas supranacionais tomadas por um condomínio anglo-europeu. Acresce que num contexto em que as Potências definem e estigmatizam o terrorismo a seu bel-prazer e interesse, qualquer governo carente de legitimação interna e externa – apanágio permanente do ambiente político africano, tudo fará para enviar destacamentos de combate ao Máli. É o caso do Tchad. De modo que a lição se repete: assim como a solução final para o povo judeu acabou sendo financiada por capitais judaicos cedidos ao Reich, a geobiosubsunção da África em qualquer de suas etapas contou e conta com o apoio das aristocracias africanas. A Líbia do coronel Gaddafi Com relação à Líbia do coronel Gaddafi, já demos elementos para a compreensão das justificativas, da parte do “Tesouro”, para a invasão da Líbia numa série de operações marciais muitas vezes superiores à capacidade de defesa de qualquer país da região. No poder desde 1969, o coronel não conseguiu institucionalizar seu governo e movimento político para efeito de apoio e reconhecimento externo. Do ponto de vista interno e segundo o olhar da maioria das populações urbanas, fez bom governo, nos

limites de uma ditadura de heranças e práticas de mando marciais. Teve a visão de conceber e dirigir a realização do Great Man-Made River, que a seguir transcrevemos a partir de texto que elaboramos no final dos anos 90 do século passado, em função de pormenores esclarecedores sobre a invasão da Líbia:
“Em setembro de 1996, a matéria de uma revista técnica inglesa muito nos mobilizou. Water&Environment (v.5, n.43) deu destaque à reportagem de Alan George, “Golden mines of sand”, que se referia a um gigantesco empreendimento na Líbia, considerado pelo governo do Coronel Kadhafi como o maior projeto de engenharia jamais empreendido em qualquer parte do mundo. Era o GMR – Great Man-Made River, um sistema de dutos de 4 metros de diâmetro estendendo-se dos extremos do deserto líbio até o litoral, distância de mais de 4.000 quilômetros, com uma vazão por dia de 6 milhões de metros cúbicos de água fóssil, recuperada a partir de mais de seiscentos poços profundos. O custo total do projeto foi orçado em 25 bilhões de dólares. Essa vazão, visualizada, corresponde a um cubo de água de um metro quadrado de área e quase setenta metros de altura, caindo a cada segundo num reservatório. O consumo médio diário na cidade do Rio de Janeiro é de 400 litros por habitante, ou 0,4m3, que multiplicados por 6 milhões de habitantes nos dá um total em torno de 2.400.000 metros cúbicos por dia, ou seja, um cubo de mesma área e quase 28 metros de altura a cada segundo. Grosso modo, com o GMR líbio tem-se uma estrutura de oferta de água bem superior à atual população do país, em torno de 6 milhões de habitantes. Já quanto ao custo, 25 bilhões de dólares, basta dizer que em 94 o total das exportações da Coréia do Sul somou 96 bilhões. Há milênios explorando os aqüíferos litorâneos, o povo líbio a partir da elevação dos seus índices de concentração demográfica na faixa praial, num país em que 90% do território são desertos, tem provocado o esgotamento das águas desses aqüíferos, causa da atual mistura com as do mar, problema cuja solução é a onerosíssima dessalinização. Assim, o empreendimento é essencial para a sobrevivência do país, além de apontar alternativa para problemas semelhantes em outros países do Maghreb e do mundo. . A concorrência para a realização das principais obras da primeira fase do MGR foi ganha em 84 por uma empresa sul-coreana, a Dong Ah Construction & Industrial Company, envolvendo a fabricação e a colocação de dutos em linha dupla numa extensão de mais de 1.900 quilômetros, a um valor de 3,6 bilhões de dólares. Em 1996 essa primeira fase estava praticamente pronta, não obstante os atrasos provocados por acidentes nos poços perfurados por uma empresa brasileira, a Braspetro.

Em 90, a mesma Dong Ah ganhou o contrato de 3,5 bilhões de dólares para executar o GMR – 2, nada sendo dito sobre a Braspetro ou sobre a ação judicial em que esteve envolvida. Em síntese, o GMR é uma joint venture meio a meio entre o governo líbio e grupos ingleses representados pela empresa Brown & Root Overseas and Waterworks Ltd. Pelo que se vê, o governo de Sua Majestade mandou às favas as interdições do embargo do Tio Sam. À época da publicação do artigo (set. de1996), 60% do projeto já estavam concluídos. O texto da revista finalizava levantando alguns problemas trazidos ao governo líbio pelo GMR. O projeto previra o aproveitamento de 80% dessas águas em irrigação, ampliando em muito a área de terras aptas ao cultivo na pequena nação norte-africana. O desafio, então, seria arranjar agricultores para ocupar essas terras, uma vez que também lá o brilho das cidades nas últimas décadas atraíra a população rural, com as conseqüências sócio-culturais que esse deslocamento sempre provoca. A solução visualizada – a atração de camponeses pobres de vizinhos como o Egito – antecipava outros problemas. Bem, infere-se hoje que a situação, ou melhor, a imagem internacional do coronel Khadafi melhorou. O embargo já foi ou está sendo suspenso. O povo líbio deve estar entrando no ano 2000 do calendário “rumani” com o sentimento de haver realizado algo de duradouro, que responderá pela sobrevivência de sua cultura num futuro bem distante.”

Neste novo século, beneficiado pelo crescente preço do petróleo e aparentemente vitorioso no arremate de ações visando a fazer reconhecer seu governo externamente, o coronel Gaddafi, julgando-se redimido e respeitado, assumiu de peito aberto o patrocínio do projeto “Estados Unidos da África”. Revigorou a União Africana, pagando cotas em atraso de países membros em débito crônico, além de competir com os chineses na realização de projetos de infraestrutura em muitos países da região. Sem medo de errar, a nova visão da áfrica cuja paternidade já está sendo por trapaças transferida às potencias da geobio-subsunção, deve-se essencialmente aos investimentos chineses e líbios em todo o continente (http://www.dw.de/africa-fears-loss-of-libyan-investment/a-14940564-1), principalmente em países que formam a coligação que invade o Máli hoje, sob a justificativa de que entraram na guerra para combater soldados tuaregues líbios que defendiam Gaddafi. Imaginando que o leitor tem uito sobre que refletir, fiquemos por aqui. Bibliografia consultada
Drimmer, Melvin, editor, Black history – a reappraisal, N. York, Doubleday & Company, Inc.1967.

Foucault, Michel, História da loucura, São Paulo, Editora Perspectiva, 1972 Grimm, Harold J. The reformation era – 1500 – 1650, N.York , The Macmillan Company, 1954-6 Littlefield, Henry W. History of Europe – 1500-1848, N York, Barnes & Noble Inc, 1939 Maffesoli, Michel. Logique de la domination, Paris, PUF, 1976 Marai, Alexandre & Laszlo Dormandi, 1914 1930 – seize années d’histoire 700 photographies, Paris, Ernest Flammarion editeur, 1931. Segal, Ronal. African profiles, Middlesex,USA, Penguin Books Ltd., 1962 Séjourné, Laurette. Burning water – thought and religion in ancient Mexico, London, Thames & Hudson, 1956 Simic, Charles. Stripping bare the body – politics violence war, in Comunicação&política, v.28, Cebela, jan/abril 2010 Sousa, Ailton Benedito de. A sociedade no mercado – ensaios em torno do pensamento de Karl Polanyi, 2ª. Ed.,Create space, Amazon Kindle e-books, 201

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