CRESCIMENTO MICROBIANO

em suspensão em meio líquido

Fases da divisão celular – fissão binária (p.ex. E.coli)
Microscopia de contraste de fase Microscopia de fluorescência (coloração do nucleóide com DAPI) Detecção das proteínas que formam o anel FtsZ)

(combinação de colorações – nucleóide e anel FtsZ)

- Anel proteico (~10000 moléculas FtsZ) no centro da célula, quando começa a segregação dos dois nucleóides (DNA). Fts – “Filamentous temperature sensitive” - Proteinas Fts do anel proteico → divisoma (no centro da célula em divisão; orquestra síntese da membrana plasmática e da parede celular durante enlongamento da célula, seguindo-se constrição para formar o septo e separação das células).

Ciclo celular (ex. Eschericia coli)

Fase C

Fase D

E. coli
Tempo de geração médio, em condições óptimas ~ 25 minutos

EXPERIÊNCIA DE CRESCIMENTO DE UMA POPULAÇÃO MICROBIANA EM SUSPENSÃO EM MEIO LIQUIDO
1. INOCULAÇÃO

A B

2. INCUBAÇÃO COM AGITAÇÃO ORBITAL CONSTANTE E TEMPERATURA CONTROLADA

3. DETERMINAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO DE CÉLULAS, AO LONGO DO TEMPO

coli em crescimento exponencial durante 24 horas.488.CRESCIMENTO EXPONENCIAL Imagine que arranja uma forma de manter uma população de células de E.737. Se partir de uma única célula.400.000 células (~1. Escherichia coli – tempo de duplicação ~ 25 minutos 24 horas ⇒ 57 duplicações 1 célula (10-12 gramas) = 140.000. estime quantas células obteria após esse período de 24 horas.4 x 1017) ~ 144 Kg de biomassa .

2n (após n gerações) Concentração de células no início da fase de crescimento exponencial log Nt .2n ⇒ n = g=t/n g é o tempo de duplicação (ou.22 2n (após n gerações) N0.utl.Evolução da concentração de células da população microbiana CRESCIMENTO EXPONENCIAL (http://www.nº de gerações ocorridas durante o período t de crescimento exponencial Nt = N0.pt) [células] [células] 1 N0 21 N0. de geração) (min ou h) .Nt.log N0 log 2 Concentração de células após um periodo de tempo t de crescimento exponencial .e-escola. 21 22 N0. n .

Representação gráfica do crescimento exponencial .

N0 g t0 Prescott. X. 2002 Crescimento exponencial equilibrado – células completamente adaptadas às condições de crescimento → N pode representar: .Nt de crescimento da população microbiana Equivalente a lnNt = lnN0 + µ (t-t0) (1) Ou Nt = N0 e µ (t-t0) N. th edition.ex.Densidade óptica da cultura. . Harley & Klein.concentração de qualquer componente celular (p.concentração de biomassa. DO.Concentração de células.Mc GrawHill. Microbiology.Cinética do crescimento exponencial Escala logaritmica Representação matemática (fase exponencial) Fase exponencial dNt dt µ -taxa específica = µ. . N. proteinas) . .

N0 g= ln 2 µ (h.declive (= µ) b – ordenada na origem (= ln N0) µ . µ A equação que representa o crescimento exponencial de uma população microbiana corresponde à equação de uma recta ( onde y = lnNt . min) . g Substituindo na equação (1) (t-t0) = g quando Nt = 2. min-1) Estimativa do tempo de duplicação da população. x = (t-t0)) ln Nt = lnN0 + µ (t-t0) (1) y = b + ax a .Estimativa da taxa específica de crescimento da população.taxa específica de crescimento da população microbiana (o valor de µ corresponde ao declive da recta lnNt vs. (t-t0)) Unidades : tempo-1 (h-1.

OBTENÇÃO DA CURVA DE CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO MICROBIANA MÉTODOS PARA AVALIAR A CONCENTRAÇÃO DE CÉLULAS NUMA POPULAÇÃO MICROBIANA Contagem de células viáveis (N) . X) Contagem directa de células – Câmaras de contagem (microscópio óptico) – Contadores electrónicos .Método das diluições sucessivas e espalhamento em meio sólido Método espectrofotométrico (DO) • Determinação da massa celular (biomassa.

59 x 105 UFC / ml .CONTAGEM DE CÉLULAS VIÁVEIS [expresso em UFC (Unidades Formadoras de Colónias) por ml de suspensão] Método das diluições sucessivas e espalhamento em meio sólido As placas devem ter entre ~ 20 e 300 colónias N = 1.

DETERMINAÇÃO ESPECTROFOTOMÉTRICA DA DENSIDADE CELULAR (Densidade Optica – DOλ .Mc GrawHill. particular) I0 – intensidade de luz incidente ( λ particular) I – intensidade de luz transmitida através da suspensão de células I0 I Transmitância (T) = (I/Io) x 100 (%) I0 I DO = Abs = . 2002 . th edition. λ.medida a um comprimento de onda. Harley & Klein. Microbiology.log T/100 = log (I0/I) Prescott.

Teórico Medido DO640nm Medições no espectrofotómetro 0 Concentração de células .

BIOMASSA - representado normalmente por X Estimativa da biomassa seca (peso seco) . o aumento da massa pode não reflectir crescimento da população.É usado em circunstâncias específicas. por exemplo quando se pretende obter o rendimento em biomassa do crescimento.Peso seco ou húmido . mas aumento de compostos de reserva . .Pesagem da massa de células presentes na cultura microbiana. Em certas condições. como.

Harley & Klein. Não distingue células viáveis de mortas. 2002 . Microbiology.Mc GrawHill. sendo possível estimar o volume de suspensão de células sobre o reticulado.5 Prescott. também é conhecida a distância da lâmina à lamela. onde está marcado um reticulado com dimensões conhecidas. Observação no Microscópio Óptico • • • Figure 6.Câmara de contagem • Lâmina de vidro especial. barato e rápido. Útil para contar células de eucariotas e procariotas. th edition. Fácil.

Harley & Klein.CURVA DE CRESCIMENTO DUMA POPULAÇÃO MICROBIANA EM DESCONTÍNUO (“BATCH”) Cultura “batch” – sistema fechado (excepto troca de gases) Fase estacionária Fase de morte Fase de latência Prescott. ---) . Microbiology. th edition.Mc GrawHill. 2002 Fase exponencial Log Optical Density (OD.

5 1 2 2.0 x 104 1.7 1 0 1 2 3 4 Estacionária População duplica em 1h Tempo (h) Estimativa da taxa específica de crescimento da população.ln (1.5 3 4 N (células / mL) 1.7 h-1 ) = ln (3.9 x 104 5.7 → µ = 0.7 = 1 h .0 x 104 3.5 x 104) = 0. a 37ºC) Tempo (h) 0 0.0 x 104 1. t ln N2 – ln N1 µ= (2-1) → declive = 0.0 x 104) .7 h-1 Estimativa do tempo de duplicação.6 x 104 4. g g = ln2 / µ = ln2 / 0.Exemplo – cálculo da taxa específica de crescimento x 104 N (Escala logaritmica) Variação da concentração de células duma população bacteriana (incubação em meio de cultura líquido. µ (Análise de regressão linear: ln Nt vs.0 x 104 Latencia Exponencial 5 4 3 2 Declive: 0.5 x 104 3.

Harley & Klein. etc. .Valores de g e de µ dependem de: . th edition.composição do meio de cultura. disponibilidade de água. nível de oxigénio.) Prescott. 2002 .potencial genético da estirpe microbiana. . Microbiology.condições ambientais (Temperatura. pH.Mc GrawHill.

Repressão da expressão do operão da lactose (Fenómeno: Repressão Catabólica) . glucose e lactose.Crescimento diáuxico Exemplo: Crescimento de população de Escherichia coli em meio de cultura com duas fontes de C e energia. lactose β-galactosidade glucose + galactose ln [ Células viáveis] Consumo de lactose Glucose esgotada Consumo de glucose Tempo Glucose rapidamente metabolizada.

INFLUÊNCIA DA CONCENTRAÇÃO DE NUTRIENTE LIMITANTE NO CRESCIMENTO MICROBIANO .

[Nutriente]. A tracejado (azul) – Evolução da concentração do nutriente S ao longo do tempo de crescimento. S (---) 5 4 3 30 .[Biomassa] X (mg/L) 2 1 15 0 0 1 2 3 4 Tempo (h) A cheio (vermelho) .Curva de crescimento expressa em termos de evolução da concentração total de biomassa formada (escala logaritmica) em função do tempo.

. At low nutrient concentrations both growth rate and growth yield are affected. growth rate (green curve) and growth yield (red curve) in a batch culture (closed system).The relationship between concentration of limiting nutrient.

µ. depende da concentração de nutriente limitante (S) fornecida no meio de cultura µmax EQUAÇÃO DE MONOD S µ = µmax µmax 2 Ks + S Ks .A taxa específica de crescimento. onde um ou mais nutrientes estão normalmente presentes em concentrações limitantes ( ⇒ µ < µmax ) .S Concentração saturante de S → Situação raramente encontrada nos ambientes naturais.

pH. .das caracteristicas intrínsecas do microrganismo. Temperatura.4 0.8 0. – reflecte a afinidade dos sistemas de transporte transmembranar para a molécula do nutriente limitante (maior Ks ⇒ menor afinidade ⇒ menor µ) Os valores das constantes µmax e KS dependem: . tropicalis) .9 0.numericamente igual à concentração de substrato que permite uma taxa de crescimento igual a metade da µmax.das condições ambientais (ex. .Taxa específica máxima de crescimento .do substrato limitante. – sistemas de transporte transmembranar para o nutriente S estão saturados – Constante de semi-saturação . S.Competição entre diferentes microorganismos (p.ex.) Microrganismo Temperatura 37ºC 37ºC 37ºC 30ºC 30ºC Nutriente limitante Glucose Glicerol Lactose Glucose Glucose µmax (h-1) 0.quando concentração de S é saturante.8-1.µmax .6 Ks (mg/L) 2-4 2 20 25 50-75 KS Escherichia coli Escherichia coli Escherichia coli Saccharomyces cerevisiae Candida tropicalis .5-0.5 0. cerevisiae e C. etc.

S Rendimento do crescimento.Y reflecte a eficiência do crescimento microbiano relativamente ao nutriente (substrato) limitante usado para crescimento (fins comerciais / custos de produção) .Inibição pelo substrato . Y = Biomassa total formada (fase estacionária) = Massa de nutriente usada X S .

e. expulsão activa de metabolitos tóxicos. fermentiscível (p. biossíntese de novo de biomassa) a energia que produz. Gastos em renovação de macromoléculas (proteínas. etc. RNA). Quanto mais afastadas das condições óptimas. maiores são os gastos de energia para manutenção: ⇒ ↓ YATP . Conceito de ENERGIA DE MANUTENÇÃO Exemplo: S – fonte de C e energia. glucose) verifica-se que YATP real < YATP teórico (i.e. Para uma dada estirpe microbiana. manutenção de gradientes electroquímicos de iões e do pH intracelular em níveis óptimos. o valor YATP depende das condições ambientais..Biomassa produzida (g) FACTOR DE RENDIMENTO EM ATP (YATP) = ATP produzido (moles) Medida da eficiência com que a célula utiliza para crescimento (i.ex. admitindo que todo o ATP sintetizado é usado para biossíntese) BIOSSÍNTESE DE MATERIAL CELULAR (CRESCIMENTO) S ENERGIA ( ATP) Energia de MANUTENÇÃO (desvio) (Ex.

Esquema de bioreactor (ou fermentador) industrial para microrganismo aeróbio (Note os sistemas para medição e controlo de temperatura. nivel de oxigénio e para análise de metabolitos – biosensor unit) Prescott. 2002 . th edition. Microbiology. pH.Mc GrawHill. Harley & Klein.

“Scale-up” na produção industrial de microrganismos (exemplo.produção de células da levedura Saccharomyces cerevisiae) .

TIPOS E EXEMPLOS DE PRODUTOS DE ORIGEM MICROBIANA .

secundários Metabolito primário Crescimento associado ao metabolismo essencial do microrganismo (Ex. antibióticos produzidos por fungos miceliais ou por bactérias) Formação de metabolito primário ( ) . normalmente a partir de um metabolito primário ou de substrato usado para crescimento que esteja em excesso Ex. etanol. produzido em resultado da fermentação alcoólica) ) Concentração de células ou massa celular Crescimento Formação de metabolito secundário Tempo Concentração de produto formado ( Metabolito secundário após a fase de produção das células (após o crescimento exponencial).Metabolitos primários vs.

CULTURA CONTÍNUA DE MICRORGANISMOS NO QUIMIOSTATO .

de modo que a densidade celular (biomassa) e a taxa específica de crescimento do microrganismo se ajustam a este fornecimento.quimiostato) X.S0. . S. F QUIMIOSTATO – opera por fornecimento do nutriente limitante do crescimento a uma taxa constante (relacionada com o caudal de entrada do meio de cultura fresco). F Esquema de funcionamento de um bioreactor para a cultura contínua de microrganismos (exemplo .

na fase de crescimento exponencial. .TAXA DE DILUIÇÃO Caudal de alimentação do meio fresco = caudal de saída da cultura = F (Litros/hora) Volume da cultura no quimiostato = V = constante (L) F D – taxa de diluição = V (h-1) (inverso do tempo de retenção médio da célula no interior do quimiostato) ESTADO ESTACIONÁRIO O quimiostato permite manter a população microbiana em crescimento equilibrado. isto é. durante períodos de tempo longos – i.e. em ESTADO ESTACIONÁRIO.

X (não há morte celular. não há entrada de células do exterior. F X – massa celular (g/L) F – caudal (L/h) ⇒ . F = = - dX dt µ.X = F V F V X. S.X - F V .X ⇒ µ= =D S – concentração de nutriente Limitante (g/L) T – tempo (h) µ – taxa específica de crescimento (h-1) D – taxa de diluição (h-1) µ=D .X Estado dX =0 ⇒ estacionário dt µ. X0=0)) Variação da massa celular no quimiostato Massa celular produzida Massa celular que sai no efluente V = volume de cultura no quimiostato (L) S0.Equação do estado estacionário no quimiostato Balanço de massas à massa celular.

D “WASHOUT” (quando D ≥ Dc Dc – taxa de diluição crítica) .5 h-1 Nota: alteração de F → alteração da taxa de diluição.Estado estacionário (“steady state”) no quimiostato Dependência da concentração de biomassa (X).D = 0. Caudal através do quimiostato. (X) (S0) (S) (D) Exemplo: Volume cultura = 5000 mL. da concentração de nutriente limitante (S) e do tempo de duplicação da população microbiana no estado estacionário. F = 2500 mL/hora --. em função da taxa de diluição a que o quimiostato opera (D).

Mensurável quando a taxa de diluição a que o quimiostato opera é muito baixa (X) (S0) (S) (D) ..limitação do crescimento pela fonte de C Microrganismos quimiorganotróficos hetrotróficos (p. nutriente limitante S é fonte de Carbono e de energia) → uma parte significativa da energia produzida a partir de S é desviada para gastos energéticos de manutenção (Energia de Manutenção).Desvio ao modelo estabelecido para o quimiostato (X em função de D): Caso .ex.

. e eliminação de tempos mortos Vantagens na selecção de microrganismos que sejam mais competitivos na utilização do nutriente limitante Vantagens no estabelecimento de culturas de enriquecimento para isolamento de populações microbianas específicas a partir de populações mistas (por ex. amostras ambientais) .Vantagens/aplicações do crescimento microbiano em contínuo no quimiostato (versus crescimento descontínuo ou “batch”): População microbiana na fase exponencial do crescimento durante períodos longos (semanas. meses) Culturas em crescimento exponencial com taxas específicas de crescimento diferentes (através da (simples) modificação da taxa de diluição → útil para estudos fisiológicos) Produto com características constantes durante períodos de tempo longos Maiores produtividades.

é expulso do quimiostato. se a população for mista).. um microrganismo invasor (p. se for competitivo. que é inversamente proporcional à eficiência com que o microrganismo utiliza o nutriente limitante).e. sofre “washout”) Se KSB < KSA ⇒ µB > µA ⇒ µB > D ⇒ B permanece no quimiostato. isto é.ex. KS. juntamente com A Em cultura contínua. contaminante ou mutante viável) pode acumular no quimiostato. Mas. . se não for competitivo. se utilizar o nutriente limitante eficientemente face à estirpe microbiana original ⇒ contaminação da cultura original. EXEMPLO Quimiostato a operar com D = µA Microrganismo A Microrganismo B S S µB = µmax B KsB + S D = µA = µmax A µmaxA ~ µmaxB KsA + S Se KSB > KSA ⇒ µB < µA ⇒ µB < D ⇒ Só o microrganismo A permanece no quimiostato B não permanece no quimiostato (i.ex. depende da relação entre os coeficientes de Monod para os microrganismos em causa (depende em particular da constante de semi-saturação para o substrato S.A afirmação (ou não) de um dado microrganismo face a outro (p.

NOTAS sobre crescimento microbiano .

ex. (iii) massa celular (biomassa). maior parte das bactérias) ou por gemulação (p. Este aumento está normalmente associado ao aumento do número de células em consequência da multiplicação celular. É definido como o crescimento duma população de células dum microrganismo.ex. lípidos ). É normalmente quantificado em termos do aumento no tempo de: (i) nº de células. poli-β-hidroxibutirato. Em certas condições. Em consequência do processo de multiplicação celular.CRESCIMENTO MICROBIANO O crescimento microbiano é definido como o aumento coordenado de todos os constituintes celulares (por exemplo.ex. . ácidos nucleicos. proteínas. glicogénio. maior parte das leveduras). mas aumento de compostos de reserva (p. (ii) densidade óptica da cultura. etc. uma célula dará origem a duas ao fim de um certo período de tempo que é designado por tempo de geração ou duplicação. ou seja. o aumento da massa pode não reflectir crescimento da população. ou. o aumento do número de células do microrganismo ao longo do tempo.) Grande parte dos microrganismos multiplica-se por fissão binária (p.

da Temperatura. enquanto estiverem disponíveis no meio de cultura nutrientes em quantidade suficiente para assegurarem os metabolismos catabólico (bioenergético) e anabólico (biossíntese) das células e enquanto as condições ambientais forem favoráveis. acumulação de produtos tóxicos. . estabelecer métodos que permitam controlar o crescimento de microrganismos. O conhecimento dos valores de µ (taxa especifica de crescimento) e de g (tempo de duplicação) para um dado microrganismo permite: . modificação do meio de cultura. ou outros factores.ex. A duração do crescimento exponencial de bactérias em meio de cultura laboratorial depende da bactéria em causa e pode ficar limitada por falta de nutrientes. etc.O tempo de duplicação (ou geração) pode repetir-se várias vezes.testar o efeito de uma determinada alteração das condições ambientais sobre o crescimento do microrganismo (p.prever como evoluirá a concentração de células ao longo do tempo de incubação num determinado meio de cultura e/ou em determinadas condições ambientais.) ⇒ OBJECTIVOS ESSENCIAIS: seleccionar as condições de cultura óptimas para um dado microrganismo. privação de oxigénio. .

citómetro de fluxo) • • • • • São instrumentos usados para contar partículas em suspensão. esporo. mas não para a maior parte das bactérias . Os períodos de interrupção da corrente eléctrica são contados.Contadores electrónicos (ex. • • • Fácil e rápido Não permite distinguir células viáveis de mortas Útil para microrganismos grandes. Suspensão de células é forçada a passar pelo orifício. sendo essa contagem uma medida do número de partículas presentes na suspensão.) causa uma diminuição momentânea da condutividade eléctrica entre os eléctrodos. A passagem de cada partícula (célula. Contador coulter. etc. Possuem um pequeno orifício onde é estabelecida uma corrente eléctrica por recurso a 2 eléctrodos.

etc. Algumas espécies bacterianas exibem. Duração da fase de latência – pode ser longa (várias horas). os microrganismo dividem-se e a população cresce com uma taxa específica de crescimento máxima. síntese de novas enzimas) e a condições ambientais novas. quando estão presentes compostos tóxicos. disponibilidade de água. Fase de morte Perda irreversível da capacidade de divisão celular. Fase de adaptação ao novo meio (p. da composição do meio de cultura e das condições de crescimento (temperatura. devido a esgotamento de nutriente essencial ou acumulação de metabolito tóxico. pH. Parte das células podem permanecer viáveis durante algumas horas à custa do consumo de materiais de reserva endógenos. .FASES DO CRESCIMENTO MICROBIANO EM DESCONTÍNUO Cultura “batch” – sistema fechado (excepto troca de gases) Fase de latencia Não ocorre aumento mensurável do número de células.). em que todos os nutrientes estão presentes em excesso. Fase exponencial Crescimento da população com taxa (velocidade) constante. Durante esta fase. Fase estacionária O crescimento da população pára. O valor desta taxa de crescimento depende do potencial genético do microrganismo. a produção de endósporos. nesta fase de crescimento. substratos dificeis de metabolizar ou o inóculo é insuficiente (nº de células viáveis ou vitalidade das células insuficientes).ex. ocorre o decréscimo progressivo no nº de células viáveis da população.

parte da cultura é removida. X). muito baixa ou aproximadamente nula. assim como produto(s) sintetizado(s) pelas células. A concentração de nutriente limitante à saída (S) é. O efluente removido contém células do microrganismo (biomassa. Meio de cultura fresco (esterilizado) é fornecido contínuamente (caudal F).NOTAS SOBRE CULTURA CONTÍNUA QUIMIOSTATO – opera por fornecimento do nutriente limitante do crescimento a uma taxa constante (relacionada com o caudal de entrada do meio de cultura fresco). em condições operacionais adequadas. entre outros nutrientes. o nutriente limitante (concentração S0). com o mesmo caudal F a que meio de cultura fresco entra. Simultâneamente. de modo que a densidade celular (biomassa) e a taxa específica de crescimento do microrganismo se ajustam a este fornecimento. . o qual contém.

é válida a equação µ = D) e.. Modelo para o crescimento no quimiostato – equação de Monod i. sendo válida a equação X = Y (S0-S) onde Y é o rendimento do crescimento para o substrato limitante e S representa a concentração residual do nutriente limitante no quimiostato. pela razão entre o caudal (F) e o volume de cultura no recipiente (V) ⇒ é possível obter populações microbianas em crescimento com taxas específicas de crescimento diferentes através da alteração da taxa de diluição aplicada no quimiostato a densidade celular (biomassa.e. o valor da taxa de diluição. consequentemente.No estado estacionário (no quimiostato): a taxa específica de crescimento do microrganismo (µ) é controlada pela taxa de diluição a que o quimiostato opera (D) (i.D . KS µmax . D. X) obtida no quimiostato é controlada pela concentração do nutriente limitante.e. relaciona-se com a concentração de nutriente limitante do crescimento com base na equação de Monod S D=µ → D = µmax Ks + S → S= D.

quanto maior a taxa de diluição. uma vez que este nutriente está a ser consumido pelas células da cultura em crescimento) . o crescimento celular não consegue compensar a diluição da cultura. no quimiostato é mantida com um valor baixo. D. A densidade celular (biomassa. porque não é consumido . nessas condições.Notas sobre as representações gráficas da concentração de biomassa (X). menor é o tempo de duplicação ou geração). da concentração de nutriente limitante (S) e do tempo de duplicação da população microbiana no estado estacionário. quando D ≥ Dc ⇒ S=S0) A taxa de diluição torna-se crítica e ocorre o “Wash-out” quando a taxa de diluição a que o quimiostato opera ultrapassa a taxa específica máxima de crescimento da população microbiana (µmáx) . a que o quimiostato pode operar é limitada. a taxa específica de crescimento pode variar com a variação da taxa de diluição que é aplicada no quimiostato (porque µ = D). Apesar da concentração de biomassa permanecer constante. A gama de valores de taxa de diluição. S. Para valores muito altos da taxa de diluição (D ≥ Dc). a concentração residual de nutriente limitante. X) é igual. inversamente. em função da taxa de diluição a que o quimiostato opera (D). consequentemente. para uma gama larga de taxas de diluição a que o quimiostato pode operar (consequentemente. O valor limite é a taxa de diluição crítica (Dc). maior a taxa de crescimento da população (e. a concentração de nutriente limitante aumenta. e a população de células sai do quimiostato (“Wash-out” – “lavagem” do quimiostato) .

que seja muito competitivo e metabolize muito eficientemente um composto orgânico face a outros microrganismos menos competitivos eventualmente presentes numa população mista inicial.) P. sofrerão “washout”.ex. etc. é possível seleccionar uma população de células dum microrganismo único. com µ < D) eventualmente presentes na amostra ambiental. mais ou menos competitivos na utilização do composto orgânico. prolifera(m) preferencialmente o(s) microrganismo(s) que seja(m) capaz(es) de metabolizar eficientemente o composto em causa. permanecem no meio de cultura ⇒ cultura “batch” é menos eficiente quando se pretende seleccionar microrganismos muito eficientes na utilização do composto em causa como substrato para crescimento. o meio de cultura fresco contém o composto em causa como substrato limitante para crescimento e é fornecido contínuamente com taxa de diluição adequada. em cultura descontínua/“batch”. (nestes casos. Útil para o isolamento de microrganismos capazes de biodegradar hidrocarbonetos do petróleo. mediante a selecção de taxa(s) de diluição adequada(s). a partir de solo (população mista). nestas condições. esgoto.Cultura contínua permite estabelecer condições selectivas para o enriquecimento de amostras ambientais (populações mistas) em microrganismos específicos Por exemplo: microganismos capazes de metabolizar eficientemente nutrientes tóxicos ou dificilmente metabolizáveis (comparativamente a outros microrganismos presentes numa amostra ambiental.ex. água. Pelo contrário. benzeno. pesticidas ou outros compostos orgânicos. o quimiostato é inoculado com a amostra ambiental.ex. ácido benzóico. sendo expulsos do quimiostato) Em cultura contínua. p. fenol. solo. . outros microrganismos que não tenham essa capacidade (p. todos os microrganismos.

condições especiais. e surgir um mutante viável na cultura. se não for competitivo.Se ocorrer: 1 Contaminação da cultura Em cultura contínua. é expulso do quimiostato. A adição contínua de meio fresco e o arejamento aumentam a probabilidade de ocorrer contaminação da cultura. mutante viável) capaz de utilizar o nutriente limitante acumula no meio de cultura. é necessário manter condições de esterilidade durante períodos longos. 2 Degenerescência da cultura Durante a multiplicação celular dum certo microrganismo pode ocorrer uma mutação expontânea. Na cultura “bacth”. Contudo. Consequências Em cultura contínua. . tais como temperaturas elevadas. isto é. um microrganismo invasor (contaminante ou mutante viável) acumula no quimiostato se for competitivo. valores de pH extremos e substratos pouco usuais podem reduzir a probabilidade de ocorrer contaminação da cultura. Mas. se utilizar o nutriente limitante eficientemente face à estirpe microbiana original ⇒ contaminação da cultura original. juntamente com o microrganismo que se pretende cultivar ⇒ contaminação da cultura original. todo o contaminante (ou.

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