P. 1
GuiaOrtografico

GuiaOrtografico

|Views: 2|Likes:
Published by Leila Kanada

More info:

Published by: Leila Kanada on Jan 31, 2013
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

01/31/2013

pdf

text

original

Desde o dia 1º de janeiro deste ano, o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está em vigor, com o objetivo de aproximar e padronizar ainda mais as grafias dos oito países que falam o nosso idioma. Até 2012 o Acordo passará por uma fase de transição, para que tenhamos tempo suficiente para assimilar e nos adaptar às suas regras. O novo acordo altera a maneira como escrevemos algumas palavras, principalmente no que diz respeito à acentuação e hifenização. Ele cria dificuldades, pois mexe diretamente com hábitos de escrita que já estão arraigados em todos nós. É, por isso mesmo, um desafio ao qual teremos de nos dedicar. O objetivo deste Guia, distribuído para todo o serviço público, é colaborar para que a implantação do Novo Acordo Ortográfico ocorra o mais depressa, e da forma mais fácil possível. Desde o fim do ano passado, a Secretaria de Estado da Educação vem realizando um amplo trabalho de capacitação com os 230 mil professores, professores-coordenadores, supervisores e diretores da rede pública estadual, criando um espaço na Internet em que eles podem estudar, pesquisar e tirar dúvidas. E também está treinando intensivamente professores de diferentes disciplinas, para que se tornem difusores das novas normas em suas escolas. Assim, os 5 milhões de alunos da nossa rede pública começam desde já a incorporar as novas regras, preparando-se para o futuro. Este Guia da Reforma Ortográfica colabora com esse trabalho. Tomara que ele seja útil também a você.

José Serra
Governador do Estado de São Paulo

ÍNDICE
A NormA ortográficA ...................................................................... 8

guiA iNStrucioNAl Sobre AS NovAS regrAS ortográficAS ................................................. 16 1. Alteração no Alfabeto ........................................................................... 18 2. Alteração nas Regras de Acentuação Gráfica ....................................... 19 2.1. Tonicidade .................................................................................... 19 2.2. Monossílabos Tônicos ................................................................... 20 2.3. Oxítonas ....................................................................................... 21 2.4. Paroxítonas ................................................................................... 22 2.5. Proparoxítonas .............................................................................. 24 2.6. Encontros Vocálicos ...................................................................... 24 3. Alteração no Uso do Trema .................................................................. 26 4. Normas para o Uso do Hífen ................................................................ 27 4.1. Compostos, Locuções e Encadeamentos Vocabulares .................. 27 4.2. Prefixação, Recomposição e Sufixação ......................................... 29 4.3. Formas Pronominais ...................................................................... 32

QuAdro SiNótico dAS AlterAçõeS ............................................. 33 1. Alfabeto ............................................................................................... 33 2. Regras de Acentuação ......................................................................... 34 3. Trema ................................................................................................... 37 4. Hífen .................................................................................................... 38

A NormA ortográficA 8 .

em ferimos. Analogamente. para que se assegure a intercompreensão. será possível identificar sete sons diferentes no Português Brasileiro. Sem esse código. ela é fechada. mas abrimos em ovos. e ela. Fixando a atenção nas vogais. esta. por isso. Em feres. concorrendo com a terminação -s para indicar a segunda pessoa do singular. sons que sofrem algum tipo de interrupção ou constrição ao passarem pela boca. em ele – ela. sons que passam diretamente pela boca. sobretudo quando usadas em mais de uma região geográfica. Se fôssemos colecionar todos os sons da Língua Portuguesa – uma tarefa quase impossível – encontraríamos depois de algum tempo três tipos: as vogais. formoso no singular. formosos no plural. a vogal do radical é aberta. Os códigos gráficos perseguem um objetivo que nunca será atingido: aproximar a língua escrita da língua falada. representam uma sorte de abstratização da execução linguística. também a pessoa do verbo pode ser distinguida jogando com vogais abertas e fechadas. O som ê se distingue do som é. e as semivogais. assim representados: a – ê – é – i – ô – ó – u. em cuja produção ficamos a meio caminho do trânsito livre e do trânsito com impedimentos.A ortografia é um dos temas permanentes da Gramática normativa. aquela com é aberto. fechamos a vogal em ovo. As línguas de grande circulação. para nos referir a uma entidade feminina. GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 9 . torna-se mais difícil sua difusão pelo mundo. as consoantes. precisam de um código ortográfico uniforme para facilitar a circulação dos textos. Dizemos ele. concorrendo com a terminação -mos para indicar a primeira pessoa do plural. As grafias. Escrever como se fala é impossível: basta lembrar a flutuação da pronúncia em qualquer país. aquele com ê fechado. Além do gênero e do número. aquele – aquela. Vamos explicar esse lance da abstratização. para nos referir a uma entidade masculina. fato que se acentua num país extenso como o Brasil. este – esta. etc. por exemplo. este.

A grafia. usando nas duas situações as letras e e o. até que se decidiu regulamentar a matéria por meio de uma legislação própria. pois o analfabetismo era geral e o Português ainda não tinha se espalhado pelo mundo. entretanto. representar esses sons diferentes na escrita? Se a cada som correspondesse uma letra diferente. Aparentemente. pois representam sons diferentes por meio de um mesmo sinal gráfico. -u. o. ou seja. o léxico. o e u quando eles aparecem no final da palavra. cada copista escrevia a mesma palavra como bem entendia. Lembre-se de que nunca se pensou em tratar a língua por meio de leis e decretos. ora como -i. A grafia tornou-se. o modo de construir textos. Como. eygreia. você verá que a ortografia gerou mais desacordos do que acordos. concentrando os dois sons ô e ó numa única letra. Outra abstração. eigreia. sem dúvida. A partir do séc. igleja. ou porque uma palavra foi usada em sentido arcaico. Lendo com cuidado os capítulos desta novela. Sucederam-se várias modificações. A decisão foi representar ê e é por uma única letra. Durante o período do Português Arcaico. igreia. XVI passou-se a perseguir a “grafia perfeita” – outra utopia necessária. Não há leis formais para a gramática. eygleyga. a única manifestação linguística regulada por leis específicas. por exemplo.discutindolinguaportuguesa. Ainda bem! Já pensou. será a mesma. eygreyga.Tudo isso ocorre quando estamos falando. Essas letras são. e. igreja e ygriga (ver www. uma abstração.br). pagar multa ou ir para a cadeia em razão de uma distração na concordância. ou porque não estamos seguindo cânones na hora de escrever um bilhete? Eis aqui alguns marcos históricos da ortografia do Português. eygreya. Em algumas regiões do Brasil. porém. Você pode continuar esse exercício. assim. verificando como representamos graficamente os sons e e i. isso naqueles tempos não era um grande problema. tentando reter dezenas de sinais gráficos. 10 .com. -o. Elis de Almeida Cardoso colecionou as seguintes variantes da palavra igreja: ygreja. a semântica e o discurso. se diz leite azedo pronunciando as vogais finais ora como -e. levaríamos um tempão para nos alfabetizar.

de que resultou a “expulsão” dos dígrafos th. Com isso. quando soava como [k]). Nesse século.. Era um tempo em que os cidadãos escolarizados sabiam grego e latim. vindo a exercer uma grande influência nos anos seguintes. escrevia-se pharmacia em lugar da grafia atual farmácia porque a palavra deriva do grego phármakos. o ph. XVII Álvaro Ferreira de Vera publicou a Ortographia ou Arte para Escrever Certo na Lingua Portuguesa (1633). ph. Parece que a indústria farmacêutica promoveu uma melhora semântica nessa palavra. th e o y começaram a dançar. 1910 Com a implantação da República em Portugal. grafava-se theologia. 1907 A Academia Brasileira de Letras começou a simplificar a escrita nas suas publicações. rh e y. opondo-se à grafia etimológica. uma grafia que permitia facilmente descobrir o passado histórico da palavra. exceto rr e ss. etc. que era foneticista e lexicólogo. foi nomeada uma Comissão para estabelecer uma ortografia simplificada e uniforme. NO SÉC. EM 1904 O assunto passou às mãos de um especialista. Gonçalves Viana. ou seja.ENTRE O SÉC. etc. Veneno? Pois é. ch. NO SÉC. ch (este. GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 11 . ll. também caíram fora. chimica. Seu trabalho trazia uma proposta de simplificação ortográfica. que significa veneno. As consoantes dobradas. Duarte Nunes de Leão publicou em 1576 a sua Orthographia da Lingoa Portuguesa. veneno. XVIII Luiz António Verney publicou O Verdadeiro Método de Estudar (1746). para ser usada nas publicações oficiais e no ensino. Pela mesma razão. XVI E O COMEÇO DO XX Predominou uma escrita etimológica. Assim. de forma que não estranhavam nem um pouco essas grafias. publicou a sua Ortografia Nacional. como tt.

1915 A Academia Brasileira de Letras resolveu harmonizar a ortografia com a portuguesa. 1934 A Constituição brasileira de 1934 anulou essa decisão. e tudo voltou a ser como antes. 1938 Voltou-se à reforma de 1931. que levou em conta as propostas de Gonçalves Viana. revertendo o quadro ortográfico às decisões da Constituição de 1891. que ajustou a reforma brasileira aos padrões da reforma portuguesa de 1911. 1929 A Academia Brasileira de Letras lançou um novo sistema gráfico. Datou daqui a ideia curiosa de que através dessa convenção assegurava-se a unidade da Língua Portuguesa. Afinal. a Academia Brasileira de Letras revogou a sua resolução de 1915.1911 Primeira Reforma Ortográfica: tentativa de uniformizar e simplificar a escrita de algumas formas gráficas. 1931 Brasil e Portugal aprovaram o primeiro Acordo Ortográfico. publicando-se o Formulário Ortográfico de 1943. Ainda hoje se repete essa bobagem. desde quando uma lei unifica ou separa o que quer que seja em matéria de linguística? 12 . 1919 Curiosamente. mas que não foi extensiva ao Brasil. aprovando o projeto de Silva Ramos. 1943 Convenção ortográfica entre Brasil e Portugal. 1924 A Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras começaram a procurar uma grafia comum.

O governo brasileiro não ratificou esse Acordo. o Acordo viria a ser aprovado no Brasil apenas em 1995. Portugal e São Tomé e Príncipe – de que viria a resultar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Guiné-Bissau. Foi apresentado o Memorando sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Cabo Verde. 1973 Portugal promulgou as alterações. 1975 A Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras elaboraram novo projeto de acordo que não foi aprovado oficialmente. que se tornou lei em Portugal. 1990 A Academia das Ciências de Lisboa convocou novo encontro.1945 Surgiu um novo Acordo Ortográfico. após depositados todos os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo português”. e assim os brasileiros continuaram a regular-se pela ortografia anterior. 1986 O presidente José Sarney promoveu no Rio de Janeiro um encontro dos sete países de Língua Portuguesa – Angola. em que se propunha a supressão dos acentos nas proparoxítonas e nas paroxítonas. 1971 O Brasil promulgou através de um decreto algumas alterações no Acordo de 1943. em Lisboa. juntando uma Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Moçambique. Assinado em 16 de dezembro de 1990. reduzindo as divergências ortográficas com Portugal. As academias de Portugal e Brasil elaboraram a base do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. reduzindo as divergências ortográficas com o Brasil. Conforme seu artigo 1º. Brasil. O artigo 3º estabelecia que o documento entraria em vigor no dia “1 de Janeiro de 1994. GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 13 . estabeleceu-se que estão sujeitos à apreciação do Congresso Nacional quaisquer atos que impliquem em revisão do referido Acordo.

1996 Passados seis anos. 14 . para propor a entrada em vigor do Acordo Ortográfico. página 5837. em 17 de julho de 1998. 1998 Por iniciativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).623. publicado no Diário do Congresso Nacional no dia 13 de junho de 2002. Manteve-se 1994 como a data em que o Acordo entraria em vigor. mesmo sem a ratificação de todos os membros. aprovou-se na cidade de Praia. o Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Com isso. Seção 1. Cabo Verde. seguia vigente no Brasil o Acordo Luso-Brasileiro de 1943. que tinham assinado o Acordo de 1990. 1995 O Acordo foi aprovado no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 54. de 18 de dezembro de 1971. de 18 de abril de 1995. e simplificado pela Lei nº 5. 2004 Os ministros da Educação da CPLP reuniram-se em Fortaleza. Seção 2. de 21/04/1995. resultado dos muitos debates havidos em Lisboa. e no Diário do Congresso Nacional. no Brasil. reconhecido no Brasil através do Decreto Legislativo nº 120. Brasil e Cabo Verde. o Acordo tinha sido formalmente ratificado apenas por três Estados membros: Portugal. pois esse Protocolo Modificativo deixou em aberto a data de adoção por parte dos países signatários. página 5585. São Tomé e Príncipe e Portugal. de 12 de junho de 2002. de 21 de outubro de 1955. aprovaram igualmente o dito Protocolo Modificativo. sancionado pelo Decreto-Lei nº 2.1991 Antônio Houaiss publicou A Nova Ortografia da Língua Portuguesa.765. publicado no Diário Oficial da União. de 20/04/1995. Mas ainda não foi dessa vez que a coisa andou.

concursos públicos e nos meios escritos em geral. pois as adesões formais ao Acordo. alterou-se a acentuação de algumas palavras e simplificaram-se as regras do uso do hífen. nesse mesmo ano. Basicamente. provas de vestibular. Portugal decidiu pôr em prática o Acordo a partir de 2010. o que não ocorreu com a velocidade esperada. a partir de 2009. trará poucas mudanças para os brasileiros. CNPq) Assessor do Museu da Língua Portuguesa GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 15 . Ataliba t. serão aceitas oscilações entre a norma antiga e a de 1995 em exames escolares. por parte dos países da CPLP. deveriam ser depositadas em Lisboa. Unicamp. O Ministério da Educação baixou norma segundo a qual os livros didáticos que ele adquire já devem conformar-se ao novo Acordo a partir de 2009. Esse assunto. e o Brasil. aliás. detalhado neste livro. nos obrigará a consultar os Vocabulários Ortográficos que já começam a ser publicados. de castilho (USP. que terminará em dezembro de 2012. O Novo Acordo Ortográfico.2008 O impasse continuava. nesse caso. através de Decreto assinado no dia 29 de setembro de 2008. Finalmente. Durante um período de transição.

GUIA INSTrUCIoNAL SoBrE AS NovAS regrAS ortográficAS 16 .

de Castilho. Este guia foi elaborado pelo professor e mestre Adalto Moraes de Souza. do curso de Letras da FMU. GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 17 .A proposta deste guia é explicitar as principais alterações ortográficas contidas no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. sob a coordenação do professor e mestre Carlos Vismara e a revisão do professor Ataliba T. optouse por selecionar os principais aspectos que afetam o alfabeto. Tendo como base o próprio Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. de caráter eminentemente gráfico. que não afetam a modalidade oral da Língua Portuguesa. a acentuação gráfica e os diacríticos trema e hífen. consultor do Museu da Língua Portuguesa.

com a inclusão das letras K. Y. principalmente nas seguintes situações: Para indicar símbolos de unidades e medidas. passa a conter 26 letras. sendo cada uma delas escrita em maiúscula e em minúscula. Alteração no Alfabeto Aa(á) bb(bê) cc(cê) dd(dê) ee(é) ff(efe) gg(ge/guê) Hh(agá) ii(i) Anteriormente o alfabeto português era constituído de 23 letras. as três “novas” letras já eram usadas. antes mesmo da Nova Ortografia. Jj(jota) ll(ele) mm(eme) Nn(ene) oo(o) Pp(pê) Qq(quê) rr(erre) Ss(esse) tt(tê) uu(u) vv(vê) Xx(xis) Zz(zê) Atualmente. além de suas derivadas. Aa(á) bb(bê) cc(cê) dd(dê) ee(é) ff(efe) gg(ge/guê) Hh(agá) ii(i) Jj(jota) Kk(capa/cá) ll(ele) mm(eme) Nn(ene) oo(o) Pp(pê) Qq(quê) rr(erre) Ss(esse) tt(tê) uu(u) vv(vê) Ww(dáblio) Xx(xis) Yy(ípsilon) Zz(zê) Registre-se que. Kafka kafkiano kaiser kung fu Playmobil boy yang yin Washington Wellington 18 .1. km (quilômetro) kg (quilograma) W (watts) Para expressar palavras e nomes estrangeiros. W.

Alteração nas regras de Acentuação Gráfica 2.1. já pé só sol mar faz paz (monossílabos tônicos) lhe (monossílabos átonos) o(s) a(s) um(ns) me te se GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 19 . a penúltima ou a antepenúltima sílaba. algumas podem ser tônicas. A tonicidade destaca a sílaba das outras. que as sílabas em negrito são mais fortes que as demais de cada palavra: másculo árvore herbívoro macaco casa caráter edifício construção até capaz Em palavras de apenas uma sílaba. chamadas monossilábicas.2. átonas. Observe. outras. o acento pode recair sobre a última. Em palavras de mais de uma sílaba. TONICIDADE O uso correto dos sinais de acentuação requer a identificação da tonicidade das palavras. nos exemplos a seguir. pela força articulatória com que a produzimos.

2. que a palavra é paroxítona. construção até capaz (última sílaba) macaco casa caráter edifício (penúltima sílaba) másculo árvore herbívoro (antepenúltima sílaba) No primeiro caso (tônica na última sílaba). ou na penúltima. pá(s) pé(s) pó(s) Dos monossílabos tônicos.2. a tônica pode estar na última. que ela é proparoxítona. acentuam-se apenas os terminados em a. diz-se que a palavra é oxítona. ou ainda na antepenúltima sílaba. e. já dá(-lo/-la) lê vê pô(-lo/-la) 20 . no segundo. MONOSSÍLABOS TÔNICOS o (seguidos ou não de s).Como já se disse. no terceiro.

anzóis. AteNçÃo (3): continua mantido o acento agudo nas oxítonas terminadas em ditongos abertos éi(s). Ilhéus. Também está mantido o uso do circunflexo na terceira pessoa do plural dos verbos ter e vir e em seus derivados (no presente do indicativo). OXÍTONAS o.: anéis. AteNçÃo (2): continua mantido o acento circunflexo no verbo monossilábico pôr para diferenciá-lo da preposição monossilábica por. faróis. ex. em (seguidas ou não de s). GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 21 . ela tem de pôr o avental por causa da intensa poeira. jacarandá(s) Macapá cajá(s) guardá(-la) amá(-lo) jacaré(s) sapé(s) Das oxítonas. fiéis.3. céu(s) herói(s). ter e vir (na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo). ex.: eles/elas detêm/convêm/obtêm/sustêm/sobrevêm. tonéis. chapéu(s). éu(s). filé(s) fazê(-la) contradizê(-lo) judô metrô(s) robô(s) vitrô(s) compô(-la) vintém(éns) também armazém(éns) detém(-na) AteNçÃo (1): continua mantido o acento agudo nas derivações dos verbos ex.: afinal.: ele/ela detém/convém/obtém/sustém/sobrevém. são acentuadas apenas aquelas que terminam em a.2. ex. e. ói(s).

Das paroxítonas.4. Com isso. semens. o(s) e em. PAROXÍTONAS a(s). 22 . Note-se que essas terminações são específicas paroxítonas terminadas em l. de s ou de m ou n). ditongo oral decrescente e tórax látex dúplex (paroxítonas terminadas em x) júri(s) táxi(s) tênis (paroxítonas terminadas em i/is) lápis vírus bônus ônus (paroxítonas terminadas em us) quórum/quóruns (paroxítonas terminadas em um/uns) álbum/álbuns fórum/fóruns fórceps bíceps tríceps (paroxítonas terminadas em ps) jóquei(s) fôsseis (verbo) imóveis (paroxítonas terminadas em ditongo decrescente) ânsia(s) série(s) régua(s) (paroxítonas terminadas em ditongo crescente) órfão(s)/órfã(s) sótão(s) acórdão(s) (paroxítonas terminadas em vogal nasal) r. seguidos ou não de s.2. u (seguido ditongo nasal. germens. ditongo oral crescente. edens. i (seguidos ou não de s). recebem acento gráfico as ps. acentuam-se apenas as que não sejam terminadas em para a acentuação das oxítonas.: hifens. ex. x. e(s). n. automóvel amável contável útil (paroxítonas terminadas em l) caráter fêmur cadáver revólver almíscar (paroxítonas terminadas em r) éden sêmen gérmen cânon (paroxítonas terminadas em n) AteNçÃo (1): não se acentuam as paroxítonas terminadas em ens.

AteNçÃo (6): não mais se acentuam as paroxítonas terminadas em hiato ee. na terceira pessoa do plural.AteNçÃo (2): não mais se acentuam as palavras homógrafas para (verbo) e para (preposição).: voo (verbo e substantivo). odisseia. apoie. ex. apoio/apoia (verbos). acordo (subst. GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 23 . AteNçÃo (3): não se acentuam as paroxítonas homógrafas-heterófonas governo (subst.: eles/elas deem/veem/creem/leem (e seus derivados). como: indicativo). ex.) e governo (verbo). boia. mas diferentes na AteNçÃo (4): não mais se acentuam as paroxítonas com os ditongos abertos ei e oi quando seguidos de vogal. (paroxítonas semelhantes na escrita. assoo. AteNçÃo (5): não mais se acentuam as paroxítonas terminadas em hiato oo. jiboia. Coreia.: estreia/estreio (verbos). enjoo. alcateia. ideia. na primeira pessoa do singular. plateia. ex. claraboia. exceção: pôde (pretérito perfeito do indicativo) e pode (presente do pronúncia). pela (verbo e substantivo) e pela/o (combinação da preposição por + artigo definido). alcaloide. assembleia. geleia. coroo. colmeia. polo (substantivo) e polo (aglutinação antiga e popular de por+lo).) e acordo (verbo). joia. epopeia. paranoico. apoies.

pois o i/u tônicos não estão sozinhos na sílaba. o acento agudo não pode ser usado.6. 2. pois o i está antecedendo nh. ruim. acadêmico/académico. Nos exemplos feiura. ou acompanhados de s. boiuno. lâmpada público quadrilátero quilômetro desenvolvêssemos partiríamos AteNçÃo: o Acordo manteve a duplicidade de acentuação (acento circunflexo ou acento agudo) em palavras como econômico/económico. país viúva saúva caí aí caída saída faísca saía atraí(-la) possuí(-lo) destruí(-las) Nas palavras paul. juiz. trair. Nos exemplos campainha.5.2. rainha. não se usou o acento agudo. moinho. fêmur/fémur. ENCONTROS VOCÁLICOS Dos encontros vocálicos: a) ainda é usado acento agudo no i e u tônicos das palavras oxítonas ou paroxítonas. 24 . e se não estiverem antes de nh. pois antes do u tônico há ditongo decrescente. bebê/bebé. baiuca. contribuinte. para atender aos dois modos de pronunciar essas palavras. PROPAROXÍTONAS Das proparoxítonas. não foi usado o acento agudo. somente se eles forem hiatos e estiverem sozinhos na sílaba. todas devem ser acentuadas. nem depois de ditongo decrescente.

qui. Piauí tuiuiú(s) c) não se usa mais acento agudo no u tônico das sequências verbais gue. argui arguis averigue averigues oblique obliques GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 25 . quando precedidos de ditongo.b) foi mantido o acento agudo no i e u tônicos das oxítonas. que. gui.

3. o trema ( ¨ ) foi totalmente abolido das palavras portuguesas. Apenas em palavras estrangeiras (e. Alteração no Uso do Trema linguiça consequência frequência frequentar unguento tranquilo tranquilizar arguir bilíngue aguentar cinquenta delinquente quinquênio sagui sequestro eloquente ensanguentado lingueta Na nova ortografia. Müller mülleriano 26 . em suas derivadas) é que se usa. consequentemente.

madressilva. numerais ou verbos) constituam uma unidade sintagmática e semântica e com acento próprio.4. LOCUÇÕES E ENCADEAMENTOS VOCABULARES Uso do hífen em “compostos.1. mandachuva.3. o hífen deve ser usado basicamente em três situações: em compostos. a) Usa-se o hífen em palavras compostas por justaposição cujos elementos (substantivos. consulte o Vocabulário Ortográfico nos casos não previstos nas normas abaixo. ainda que o primeiro elemento esteja reduzido. COMPOSTOS. pontapé. Por isso.).) e nas formas pronominais (4. locuções e encadeamentos vocabulares (4.: girassol. ex. O uso do hífen tem sido mal sistematizado em nossas ortografias. locuções e encadeamentos vocabulares”.1. Normas para o Uso do Hífen De acordo com a nova ortografia. recomposição e sufixação (4. ano-luz arco-íris médico-cirurgião cirurgião-dentista decreto-lei rainha-cláudia tenente-coronel tio-avô turma-piloto norte-americano guarda-noturno mato-grossense sul-africano azul-claro primeiro-ministro segundo-sargento primo-infecção segunda-feira finca-pé guarda-chuva conta-gotas fura-bolo AteNçÃo: palavras compostas por justaposição que tenham perdido a noção de composição devem ser grafadas sem hífen. GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 27 . em formações por prefixação.2. passatempo. paraquedas.). paraquedista. adjetivos. 4.

Belo Horizonte. Santa Rita do Oeste. exceção: Guiné-Bissau. ou ainda se houver artigo entre seus elementos constituintes. abóbora-menina couve-flor feijão-verde erva-doce louva-a-deus erva-do-chá ervilha-de-cheiro bem-me-quer cobra-d’água bem-te-vi cobra-capelo d) Emprega-se hífen nos compostos formados pelos advérbios (2º elemento). quando se mantém a noção da composição.: América do Sul. ainda que esse seja iniciado por consoante. Castelo Branco. malnascido) bem-visto (cf.b) O hífen também é usado em topônimos compostos iniciados pelo adjetivo grão/grã. c) O hífen também deve ser usado em palavras compostas que designam espécies botânica e zoológica. bem-criado (cf. malditoso) bem-nascido (cf. Cabo Verde. bem-aventurado bem-humorado bem-estar mal-afortunado bem ou mal (1º elemento) e por qualquer palavra iniciada por vogal ou h mal-estar mal-humorado AteNçÃo: o advérbio bem. Grão-Pará Grã-Bretanha Passa-Quatro Quebra-Costas Traga-Mouros Baía de Todos-os-Santos Entre-os-Rios Trás-os-Montes AteNçÃo: os demais topônimos compostos devem ser grafados sem hífen. ou por verbo. malcriado) bem-ditoso (cf. malvisto) 28 benfeitor benfeito benquerença benfazejo . ex. pode não se aglutinar com o segundo elemento. ao contrário do advérbio mal.

2. etc. macro. extra. ex. vice. sobre. contra. hidro. maxi.e) O hífen deve ser empregado nos compostos com os elementos aquém. pré. adverbial) abaixo de acerca de a fim de (loc. aquém. eletro. neo. conjuntiva) g) Deve-se usar o hífen em encadeamentos vocabulares ocasionais ou nas combinações históricas. Principais prefixos e falsos prefixos na formação/recomposição de palavras: aero. super. des. PREFIXAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO E SUFIXAÇÃO Uso do hífen em vocábulos formados por prefixação. proto. micro. auto. soto. sub. bio. in. adjetiva) cada um ele próprio nós mesmos (loc. semi. co. mini. anti. pró. circum. tele. inter. não se usa o hífen. entre. multi. pseudo. a divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade a ponte Rio-Niterói o percurso Lisboa-Coimbra-Porto Angola-Brasil Áustria-Hungria Tóquio-Rio de Janeiro 4. pan. recém e sem. vizo. ante. cão de guarda fim de semana (loc. pluri. arqui. geo. supra. ultra. pronominal) à parte em cima por isso (loc. GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 29 . sota. hiper. substantiva) cor de açafrão cor de vinho (loc. recomposição e sufixação. prepositiva) a fim de que ao passo que logo que (loc. agro. aquém-fiar aquém-Pirineus recém-casado além-mar além. infra. retro. além-Atlântico além-fronteiras recém-nascido sem-terra sem-teto sem-vergonha f) Nas locuções de qualquer tipo. intra. pós.

coobrigação coocupante coordenar cooperação c) se o prefixo for circum. anti-higiênico circum-hospitalar co-herdeiro contra-harmônico extra-humano AteNçÃo: após os prefixos pré-história proto-história sub-hepático super-homem ultra-hiperbólico eletro-higrômetro geo-história neo-helênico pan-helenismo semi-hospitalar segundo elemento perdeu o h. h.geralmente aglutina-se com o segundo elemento. circum-escolar circum-hospitalar circum-murado circum-navegação pan-africano pan-helenismo pan-mágico pan-negritude 30 . m. n. ainda que iniciado pela vogal o.e in-.e o segundo elemento iniciar por vogal. anti-ibérico contra-almirante infra-axilar supra-auricular arqui-inimigo arqui-irmandade auto-observação eletro-ótica micro-onda semi-internato AteNçÃo: o prefixo co. usa-se hífen apenas: a) se o segundo elemento é iniciado por h. o hífen só não é usado se o inumano desumano desumidificar b) se o prefixo/falso prefixo (1º elemento) termina com a mesma vogal que inicia o 2º elemento.Nas palavras prefixais ou recompostas.e pan. inábil inapto des.

sota-. soto-. inter. prever. não se usa hífen: a) se o prefixo/falso prefixo terminar em vogal e o 2º elemento iniciar por r ou s.e super.e o segundo elemento inter-resistente super-revista hiper-requintado e) se o prefixo for ex. pré-escolar pré-natal pró-africano pró-europeu pró-reitor AteNçÃo: em palavras como pospor. hiper-. ex-aluno ex-diretor ex-hospedeiro ex-presidente ex-rei sota-piloto soto-mestre vice-presidente vice-reitor vizo-rei ex-primeiro-ministro f) se os prefixos pós-.e pró. vice-. antirreligioso antissemita contrarregra cosseno contrassenha extrarregular infrassom minissaia biorritmo eletrossiderúrgica microssistema microrradiografia GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 31 .d) se o prefixo for iniciar por r. vizo-. Nas palavras prefixais ou recompostas. pois o prefixo perdeu sua tonicidade própria. promover não se usa hífen. pós-graduação pós-tônico pré-conceber pré.forem tônicos e graficamente acentuados. devendo essas consoantes ser duplicadas.(no sentido de estado anterior ou efeito de cessar).

-mirim (tupi-guarani de valor adjetivo). para fins de clareza gráfica.b) se o prefixo/falso prefixo terminar por vogal e o 2º elemento iniciar por vogal diferente. Eu vo-lo daria. usa-se hífen para separá-las. antiaéreo coeducação extraescolar aeroespacial autoestrada autoaprendizagem agroindustrial hidroelétrica pluriestatal c) nas derivadas por sufixação. a) Usa-se hífen em casos de ênclise e de mesóclise. esse sinal gráfico deve ser repetido na linha posterior. somente quando o 1º elemento terminar com -açu. no-las contariam. se fosse meu. -guaçu. b) Usa-se hífen após o advérbio eis seguido de formas pronominais. amoré-guaçu anajá-mirim andá-açu capim-açu acento gráfico ou a pronúncia exigir e o 2º elemento for um dos sufixos: Ceará-mirim 4.3. obServAçÃo: caso o final da linha coincida com o uso de hífen. No Aeroporto Internacional de São Paulo. adorá-lo(s) querê-la(s) merecê-lo(s) pediu-lhe avistá-la-íamos contar-te-emos dar-se-ia AteNçÃo: caso haja combinações pronominais. FORMAS PRONOMINAIS Uso do hífen nas formas pronominais. Ei-lo que surge dentre os desaparecidos! Eis-me pronto para o novo ofício. Caso surja alguma novidade. estava o ex-presidente da Argentina. 32 .

w. com o Novo Acordo Passa a ter 26 letras. GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 33 . z. r. d. c. n. g. c. i. p. e. y. x. o. j. t. a. m. t. m. z. p. g. o. s. v. h. b. h. s. q. x. u. l. i. v. a.QUADro SINÓTICo DAS AlterAçõeS 1. f. ALFABETO Antes do Novo Acordo Havia 23 letras. q. b. f. d. e. n. r. u. k. l. j.

34 .: anéis. etc. anzóis. Antes do Novo Acordo Usava-se acento grave. com o Novo Acordo Deixou-se de usar o acento. herói(s). ex. estreia (verbo e substantivo) estreio assembleia plateia alcateia colmeia ideia Coreia epopeia geleia boia paranoico apoio/apoia (verbo) a) Nos ditongos abertos éi e ói paroxítonos. troféu(s). pastéis. estréia (verbo e substantivo) estréio assembléia platéia alcatéia colméia idéia Coréia epopéia geléia bóia paranóico apóio/apóia (verbo) Quando oxítonos. antecedidos de um ditongo. éu e ói (seguidos ou não de s) são acentuados.: Piauí.2. céu(s). os ditongos abertos éi. ex. tuiuiú. etc. REGRAS DE ACENTUAÇÃO Antes do Novo Acordo Usava-se acento. feiúra baiúca boiúno com o Novo Acordo Deixou-se de usar o acento grave. o acento permanece. b) No i e u paroxítonos. feiura baiuca boiuno Se o i ou u forem oxítonos (seguidos ou não de s).

via-se o pardal.c) Em certas paroxítonas homógrafas. ex. por isso convide-a.: por que você não péla o gato ainda hoje? (verbo) Chute a péla (=bola) para o lateral direito! (substantivo) Pelo retrovisor do carro. pôr (verbo). (substantivo) Polo (= pelo) amor de Deus. ex.: afinal. Hoje Joana pode vir para o almoço. para diferenciá-los da 3ª pessoa do singular. a temperatura é baixíssima. (prep. el-Rei!! (por+lo) AteNçÃo O acento diferencial ainda permanece nos seguintes casos: pôde (3ª pessoa verbal do pretérito perfeito do indicativo). (preposição) péla (verbo e substantivo)/pélo (verbo) e pela/pelo (combinação da preposição por + artigo definido). + artigo) No polo Norte.: ela vem/convém/tem/mantém. ex. (substantivo) Polo (= pelo) amor de Deus. para diferenciá-lo da preposição por.: a vida não pára. via-se o pardal. Elas vêm/convêm/têm/mantêm. para diferenciá-lo de pode (3ª pessoa verbal do presente do indicativo). ex. Antes do Novo Acordo Usava-se acento agudo para diferenciar os seguintes pares: pára (verbo) e para (preposição). ex. a temperatura é baixíssima. filho. (preposição) Por que você não pela o gato ainda hoje? (verbo) Chute a pela (=bola) para o lateral direito! (substantivo) Pelo retrovisor do carro. ter/vir (e seus derivados) na 3ª pessoa do plural.: no pólo Norte. + artigo) pólo (substantivo) e polo (aglutinação antiga e popular de por+lo). (verbo) Daqui para lá. ex. (prep. (verbo) Daqui para lá. el-Rei!! (por+lo) com o Novo Acordo Deixou-se de usar o acento agudo para diferenciar esses pares de palavras: ex.: Joana não pôde vir ontem à noite para o jantar. ela tem de pôr (verbo) o avental por (preposição) causa da intensa poeira.: a vida não para. GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 35 . filho.

(eles) argúem obliqúem (tu) argúis com o Novo Acordo Deixou-se de usar o acento. (eles) arguem obliquem (tu) arguis 36 . eles/elas deem veem creem leem (e seus derivados) voo (verbo e substantivo) enjoo coroo assoo zoo e) No u tônico das sequências verbais gue. Antes do Novo Acordo Usava-se acento. eles/elas dêem vêem crêem lêem (e seus derivados) vôo (verbo e substantivo) enjôo corôo assôo zôo com o Novo Acordo Deixou-se de usar o acento circunflexo no e/o do encontro vocálico. que e qui. gui.d) Em palavras terminadas em eem e oo. Antes do Novo Acordo Usava-se acento circunflexo no primeiro e/o do encontro vocálico do hiato.

ex. Em caso de dúvida. mülleriano. consulte o Vocabulário Ortográfico. Antes do Novo Acordo Recebia trema. lingüiça conseqüência freqüência freqüentar ungüento tranqüilo tranqüilizar argüir bilíngüe agüentar cinqüenta delinqüente qüinqüênio sagüi seqüestro eloqüente ensangüentado lingüeta com o Novo Acordo Deixou de receber trema. TREMA Quando pronunciado. sem qualquer comparação com a norma anterior a ele.3. o u dos grupos gue. GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 37 . linguiça consequência frequência frequentar unguento tranquilo tranquilizar arguir bilíngue aguentar cinquenta delinquente quinquênio sagui sequestro eloquente ensanguentado lingueta O trema só é usado em palavras estrangeiras e em suas derivadas.: Müller. obServAçÃo: dada a complexidade do assunto. que e qui. gui. os quadros a seguir conterão apenas as alterações expressas no Novo Acordo.

ano-luz arco-íris médico-cirurgião cirurgião-dentista decreto-lei rainha-cláudia tenente-coronel tio-avô turma-piloto norte-americano guarda-noturno mato-grossense sul-africano azul-claro primeiro-ministro segundo-sargento primo-infecção segunda-feira finca-pé guarda-chuva conta-gotas fura-bolo Havendo perda da noção de composição. paraquedista. etc. Belo Horizonte. Nos topônimos. ou ainda se há artigo entre seus elementos.: América do Sul. ex. paraquedas. etc. ou verbo. Grão-Pará Grã-Bretanha Passa-Quatro Quebra-Costas Traga-Mouros Baía de Todos-os-Santos Entre-os-Rios Trás-os-Montes Os demais topônimos compostos devem ser grafados sem hífen. Se o 1º elemento e o 2º elemento formam unidade semântica e possuem acento próprio. ex.: girassol. HÍFEN a) Em palavras compostas por justaposição (radical + radical). (Exceção: Guiné-Bissau. Santa Rita do Oeste. a palavra deve ser grafada sem hífen. Cabo Verde.4. Castelo Branco. passatempo. se o 1º elemento é adjetivo “grão”/“grã”. madressilva. usa-se hífen nas tabelas abaixo.) 38 . pontapé. mandachuva.

malnascido). a divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade a ponte Rio-Niterói o percurso Lisboa-Coimbra-Porto Angola-Brasil Áustria-Hungria Tóquio-Rio de Janeiro GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 39 . pode ou não se aglutinar com o segundo elemento. abóbora-menina couve-flor feijão-verde erva-doce louva-a-deus erva-do-chá ervilha-de-cheiro bem-me-quer cobra-d’água bem-te-vi cobra-capelo Se o 1º elemento é formado pelos advérbios “bem”/“mal” + 2º elemento iniciado por vogal ou “h”. ao contrário do advérbio mal. ex. bem-aventurado bem-humorado bem-estar mal-afortunado mal-estar mal-humorado O advérbio bem. etc.Na composição relativa a espécies botânica e zoológica. além-Atlântico além-mar além-fronteiras aquém-fiar aquém-Pirineus recém-casado recém-nascido sem-terra sem-teto sem-vergonha Se os elementos derivam encadeamentos vocabulares ocasionais ou combinações históricas. “aquém”. malvisto). Se o 1º elemento é constituído de “além”. bem-nascido (cf.: bem-criado (cf. “recém” e “sem”. bem-visto (cf. malcriado). bem-ditoso (cf. ainda que esse seja iniciado por consoante. malditoso).

inumano. vizo. micro. multi. contra. desumidificar. pluri. neo. etc. pré. arqui. pós. sobre. cão de guarda fim de semana (locução substantiva) cor de açafrão cor de vinho (locução adjetiva) cada um ele próprio nós mesmos (locução pronominal) à parte em cima por isso (locução adverbial) abaixo de acerca de a fim de (locução prepositiva) a fim de que ao passo que logo que (locução conjuntiva) b) Em palavras derivadas de prefixos/falsos prefixos. tele. pseudo. soto. uSA-Se HÍfeN Se: 1º elemento (= prefixo/falso prefixo) + 2º elemento (iniciado por “h”). eletro. mini. maxi. auto. proto. inapto.NÃo Se uSA HÍfeN nas locuções de qualquer tipo. sub. ante. anti-higiênico circum-hospitalar co-herdeiro contra-harmônico extra-humano pré-história proto-história sub-hepático Após os prefixos des. pan. aquém. macro. infra. semi. entre. in.: desumano. extra. inter. ex. retro. geo. super. hiper. intra. ultra. anti. vice. tais como: aero. o hífen não é usado se a palavra seguinte perdeu o h. inábil. ex. bio.e in-. hidro. etc. super-homem ultra-hiperbólico eletro-higrômetro geo-história neo-helênico pan-helenismo semi-hospitalar 40 . agro. circum. co. pró. sota. des. supra.

“vice-”. hiper-requintado inter-resistente super-revista Após os prefixos “ex-” (no sentido de estado anterior ou efeito de cessar). em geral.: coobrigação. ex. “n”). etc. “m”. “soto-”. 1º elemento (= prefixos “circum-” e “pan-”) + 2º elemento (iniciado por vogal.1º elemento (= prefixo/falso prefixo terminado por vogal) + 2º elemento (iniciado por vogal idêntica à vogal final do prefixo). “h”. ainda que iniciado pela vogal o. “vizo-”. ex-aluno ex-diretor ex-hospedeiro ex-primeiro-ministro ex-presidente ex-rei sota-piloto soto-mestre vice-presidente vice-reitor vizo-rei GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 41 . coocupante. coordenar. circum-escolar circum-hospitalar circum-murado circum-navegação pan-africano pan-helenismo pan-mágico pan-negritude 1º elemento (= prefixos “hiper-”. “sota-”. aglutina-se com o 2º elemento. anti-ibérico contra-almirante infra-axilar supra-auricular arqui-inimigo arqui-irmandade auto-observação eletro-ótica micro-onda semi-internato O prefixo co-. cooperação. “inter-” e “super-”) + 2º elemento (iniciado por “r”).

promover não se usa hífen. “pré-” e “pró-” forem tônicos e graficamente acentuados. pós-graduação pós-tônico pré-conceber pré-escolar pré-natal pró-africano pró-europeu pró-reitor Em palavras como pospor. prever. pois o prefixo perdeu sua tonicidade própria. antirreligioso antissemita contrarregra cosseno contrassenha extrarregular infrassom minissaia biorritmo eletrossiderúrgica microssistema microrradiografia 1º elemento (= prefixo/falso prefixo terminado por vogal) + 2º elemento (iniciado por vogal diferente). devendo dobrar essas consoantes). NÃo Se uSA HÍfeN Se: 1º elemento (= prefixo/falso prefixo terminado em vogal) + 2º elemento (iniciado por “r” ou “s”.Se os prefixos “pós-”. usa-se hífen. amoré-guaçu anajá-mirim andá-açu -açu. antiaéreo coeducação extraescolar aeroespacial autoestrada autoaprendizagem agroindustrial hidroelétrica pluriestatal c) Em palavras derivadas com os sufixos de origem tupi-guarani -guaçu e -mirim. capim-açu Ceará-mirim 42 .

Ei-lo que surge dentre os desaparecidos! Eis-me pronto para o novo ofício. usa-se o hífen quando colocadas após os verbos (ênclise) ou no meio deles (mesóclise). para fins de clareza gráfica. usa-se hífen para separá-las. esse sinal gráfico deve ser repetido na linha posterior. adorá-lo(s) querê-la(s) merecê-lo(s) pediu-lhe Caso haja combinações pronominais.: eu vo-lo daria. GUIA INSTRUCIONAL SOBRE AS NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS 43 . avistá-la-íamos contar-te-emos dar-se-ia Quando colocadas após o advérbio “eis”. No Aeroporto Internacional de São Paulo. estavam o ex-presidente da Argentina e sua comitiva. ex. se fosse meu. e) Caso o final da linha coincida com o uso de hífen. no-las contariam. Caso surja alguma novidade.d) Nas formas pronominais.

R e a l i z a ç ã o comPleXo educAcioNAl fmu Prof. José Aristodemo Pinotti Presidente do Instituto Metropolitano de Altos Estudos goverNo do eStAdo de SÃo PAulo – muSeu dA lÍNguA PortugueSA José Serra Governador do Estado de São Paulo João Sayad Secretário de Estado da Cultura Antonio carlos de moraes Sartini Diretor do Museu da Língua Portuguesa frederico barbosa Diretor-Executivo Poiesis . labibi elias Alves da Silva Reitora Arthur Sperandéo de macedo Vice-Reitor Prof. edevaldo Alves da Silva Presidente Profa. Arthur roquete de macedo Presidente do Instituto Metropolitano da Saúde Prof. Angelo Palmisano Pró-Reitor de Graduação Prof. dr.Organização Social de Cultura Ataliba teixeira de castilho Consultor do Museu da Língua Portuguesa . dr.

. Ataliba T.eScolA PAuliStA dA mAgiStrAturA desembargador Antonio rulli Junior Diretor o guiA dA reformA ortográficA É um ProJeto do dePArtAmeNto de mArKetiNg e comuNicAçÃo do comPleXo educAcioNAl fmu Sandoval Nassa Diretor de Marketing e Comunicação raquel Soriano Coordenadora de Relações Públicas APoio thiago Nassa Coordenador de Comunicação clésio ferreira Designer Gráfico criAçÃo e diAgrAmAçÃo luis Peres Maracujá Propaganda coNteÚdo O conteúdo do Guia foi elaborado pelos professores do Complexo Educacional FMU. com revisão do Prof. Carlos Vismara e Adalto Souza. de Castilho (Consultor do Museu da Língua Portuguesa).

L í n G U A P O r t U G U E s A Professor Edevaldo Alves da Silva Presidente do Complexo Educacional FMU P A í s E s d E .Angola Brasil Cabo Verde Guiné-Bissau Moçambique Portugal São Tomé e Príncipe Timor Leste A língua é o traço cultural mais marcante de uma nação. O Guia vai ao encontro daquilo tudo pelo qual a FMU mais prima: compromisso que vai além das salas de aula. É por meio dela que nos definimos como cidadãos e nos identificamos como partícipes da vida em sociedade. A FMU não se furtou diante do desafio de elaborar e editar este importante Guia. que servirá a centenas de milhões de pessoas espalhadas pelos oito países de Língua Portuguesa no mundo. abrangendo cidadania e justiça social. O Guia da Reforma Ortográfica. de um povo. é um marco na evolução cultural dos países que adotaram essa complexa e maravilhosa língua. elaborado pelo Complexo Educacional FMU em parceria com o Museu da Língua Portuguesa.

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->