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Manual de Administração de Energia

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.....................................................................3 Turbinas a Vapor ....6 2.......................... 16 4................. 10 4 COGERAÇÃO ..................................................3 Monitoração da Eficiência da Caldeira ...........................................4 2....7.....................................................................1 Para o Usuário da Cogeração: ....................9 2..............................Manual de Administração de Energia SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............. 21 4..............................6 Caldeiras e Equipamentos de Transferência de Energia Térmica ...5.....................................5 2.. 7 2..........5 2........8.......5 2........8...........................9 3 ISOLAMENTO TÉRMICO .................6... 22 4.............4 A turbina a Gás ....................................................4..... 21 4............................... 7 2......................8......................................................... 22 4......... 18 4.........2................3....................... 17 4......................... 19 4.........................................................2 Para o meio ambiente .............6........... 23 4................. Ciclos de Cogeração com Turbinas a Gás ..........4............................................2.................................................... Conclusão ........................................2....1 Regulagem a Combustão .............2.3 2 CALDEIRAS ....2.............10.............................................6..............................................4..... 20 4..2 Caldeiras Flamotubulares ......................1....................................5......2.........11.. 16 4.........................1 Equipamentos de Transformação de Energia Térmica ...................... 24 4........................................................................................................2..................................................................................................................................... 20 4.........4 Cogeração com Ciclo Combinado ................. Tipos de Cogeração ....................... 26 2 .....2 Motores Alternativos de Combustão Interna ......... 20 4...................................................4....... Ciclos de Cogeração com Produção de Frio .. 16 4.........3 Estrutura de uma Caldeira ..........................4... 18 4.......................................................................................5 Alternador ............1 Caldeiras para Queima de Combustíveis e Produção de Vapor ....................................................................................................12......................................... 20 4......................8.........................................6....... 26 4........2........................... Principais Atrativos da Cogeração na Indústria ..................................................................4 Poluição do ar .........................................................................................................8 2............................................ 20 4..........................................4 Redução das Perdas de Calor .......... 16 4..............4 2..... Viabilização da Cogeração na Indústria ...........................2...... 16 4. 23 4....3 Geração Elétrica com Ciclo Combinado ......... CALDEIRAS ELÉTRICAS .....5 Equipamentos de Produção de Frio ................................2.....................................................................................................................................................................................4............................. Ciclos de Cogeração com Motores Alternativos de Combustão Interna .5.................................1...................................5.................4......5 2...............1 Energia na exaustão das turbinas a gás ................. 25 4.........................................1 Caldeiras Aquatubulares ................8..................................... CALDEIRAS A COMBUSTÍVEIS ...................................................5....................5........5...........................................................................................................4.....3 Trocadores de Calor ..................... 21 4............................................. O Potencial de Cogeração .................................6.6. 21 4....2......................................................... 17 4...................................................................................7 2.3.........13..... 22 4..............................................................4........................4..........................................................................................9...........5 Ponto de Operação da Caldeira ..................................................2 Caldeira de Recuperação de Calor ..........................................................................5 Economia de Energia nas Caldeiras ... 26 4.................. As Receitas da Cogeração ................. Definição ....2 Cogeração com Turbina a Gás ....... Ciclo de Cogeração com Turbinas a Vapor ...3. 17 4.. Equipamentos Utilizados em Instalações de Cogeração .......................... 16 4.........................4...................................................................................4 Equipamentos Auxiliares ...................................2................. Ciclos de Cogeração ...................................2 Controle da Fuligem e das Incrustações ....

Seu conteúdo simples e didático aborda os temas: Caldeiras. Isolamento Térmico e Cogeração. Constitui-se por isso em mais um instrumento útil na busca da redução de custos e também do aumento da competitividade.Manual de Administração de Energia 1. utilizada amplamente nos processos industriais e também em outros setores como o comercial e de serviços. Boa leitura! 3 .INTRODUÇÃO Este é o terceiro fascículo da série “Manuais de Administração de Energia” reeditada pela Secretaria de Energia. Trata-se de mais uma publicação voltada ao uso eficiente de energia enfocando principalmente os aspectos relacionados à energia térmica.

Segundo a fonte energética utilizada. quando foram estabelecidos incentivos tarifários para seu uso. 2. utilizam um dos dois processos de aquecimento: resistores ou eletrodos. As instalações das caldeiras e de seus sistemas associados devem ser abordadas no âmbito de qualquer programa de conservação e uso racional de energia. he=entalpia da água de alimentação da caldeira (kJ/kg). a água é aquecida através de resistências elétricas blindadas imersas diretamente no líquido. Em ambos os tipos o aquecimento da água é obtido pela passagem da corrente elétrica diretamente através da água. As caldeiras são muito utilizadas na indústria e. CALDEIRAS As caldeiras industriais empregadas na produção de vapor de água ou aquecimento de fluidos térmicos e os sistemas associados de condução e transferência de calor podem apresentar desperdícios e elevadas perdas de energia. e · Caldeira de Jato de Água. As caldeiras elétricas mais comuns. Quase sempre são detectadas oportunidades de redução de consumo e melhorias de processos. em (kJ/kg). podendo atingir 99. m=massa (kg) η =eficiência da transformação (>95%) Existem dois tipos básicos de caldeiras por eletrodo: · Caldeira de Eletrodo Submerso. A quantidade de energia elétrica requerida para vaporizar a água é: Q= m * ( hs − he ) η .Manual de Administração de Energia 2. São equipamentos de concepção bastante simples.5% em casos especiais. as caldeiras podem ser dividias em dois grupos: caldeiras elétricas e caldeiras a combustíveis. que se aquece por efeito Joule 4 . da ordem 95-98%. hs= entalpia do vapor à temperatura e pressão desejadas (kJ/kg). A eficiência da transformação da energia elétrica em vapor é sempre muita elevada. sendo compostos basicamente por um vaso de pressão onde a água é aquecida por eletrodos ou resistências. os custos dos combustíveis representam uma parcela significativa da conta dos insumos energéticos. A redução dos desperdícios e as melhorias de processo podem contribuir para a redução dos custos de produção industrial. Nas caldeiras com resistores. onde Q = quantidade de calor requerido. em geral. se não tiverem sido adequadamente dimensionados e se a operação e a manutenção não forem praticadas de acordo com certos critérios e cuidados. As caldeiras elétricas são fáceis de usar e de automatizar. Caldeiras elétricas As caldeiras elétricas foram muito utilizadas em uma época em que havia excesso de oferta de energia elétrica de origem hidráulica.1.

A limpeza dos tubos é mais simples que a flamotubular e pode ser feito automaticamente através de sopradores de fuligem e. Apresenta. 2. · Caldeiras flamotubulares.1 Caldeiras aquatubulares Nas caldeiras aquatubulares a água a ser aquecida passa no interior de tubos que por sua vez são envolvidos pelos gases de combustão. embora as caldeiras elétricas sejam equipamentos de alta eficiência. geralmente de pequeno porte.2. 5 . Ainda é muito utilizada em razão do seu baixo valor de investimento comparado com as caldeiras aquatubulares. que contém a água a ser aquecida. Esse tipo de caldeira. entre elas a maior capacidade de produção de vapor por unidade de área de troca de calor e a possibilidade de utilização de temperaturas superiores a 450 oC e pressões acima de 60 kgf/cm 2. Utiliza qualquer tipo de combustível.2 Caldeiras a combustíveis As caldeiras que produzem vapor pela queima de combustíveis podem ser classificadas em dois grandes grupos: · Caldeiras aquatubulares. A vida útil destas caldeiras pode chegar a 30 anos. sólido ou gasoso. deverá ser analisada a viabilidade da sua troca por outro equipamento utilizando outros insumos energéticos.2.Manual de Administração de Energia O custo de operação de uma caldeira é muito elevado em razão do custo da energia elétrica. • câmara de água. onde o combustível é queimado. 2. ou fornalha.2 Caldeiras flamotubulares Nas caldeiras flamotubulares (ou pirotubulares) os gases quentes da combustão circulam no interior de tubos que atravessam o reservatório de água a ser aquecida para produzir vapor. 2. algumas vantagens.2. em razão do volume reduzido de água que ela contém. Assim. e da facilidade de manutenção. apresenta baixa eficiência e é utilizada apenas para pressões reduzidas. líquido. A partida deste tipo de caldeira é relativamente rápida. 2. É muito comum o seu uso com óleo e gás.3 Estrutura de uma caldeira A caldeira é constituída por três partes principais: • câmara de combustão. porém. Os tubos podem estar organizados em feixes como nos trocadores de calor e as caldeiras que os contém apresentam a forma de um corpo cilíndrico ou em paredes de água como nas caldeiras maiores. Uma caldeira aquatubular pode custar até 50% mais que uma caldeira flamotubular de capacidade equivalente.

Atualmente dáse preferência para as caldeiras conhecidas como “de fundo úmido”. As caldeiras eficientes geralmente são de três passes. melhoria da qualidade do ar. A expectativa de vida útil deste tipo de caldeira é de cerca de 15 anos. e que recebe vapor formado. Esta disposição aumenta a eficiência da caldeira. reagem na atmosfera produzindo ácido sulfúrico Gases formados pelo nitrogênio.2. apresentando cor variável entre o cinza claro e o preto Partículas sólidas de carbono e óleo parcialmente queimados Combustível parcialmente queimado Monóxido de Carbono (CO) Óxidos de enxofre (SO2 e SO3) Óxidos de nitrogênio (NOX) Fumaça Particulados Hidrocarbonetos Tabela 1 . A queima de um combustível produz gás carbônico e água e as seguintes emissões gasosas que são poluentes: Gás tóxico. a sua partida é mais lenta do que nas caldeiras aquatubulares.Emissões de uma caldeira 6 .4 Poluição do ar A redução do custo de operação de uma caldeira através da redução do consumo de combustível traz como conseqüência. A limpeza dos tubos exige a parada da caldeira e deve ser executada manualmente. isto é. isto é.Manual de Administração de Energia • câmara de vapor. participando da formação de azoto na atmosfera Materiais sólidos e gasosos produzidos pela queima incompleta do combustível. nas quais a câmara de reversão é montada no interior do corpo da caldeira. Devido ao maior volume de água que envolve os tubos. 2. A temperatura dos gases na câmara de reversão atinge valores próximos a 1. são irritantes. A distribuição de fluxo se dá na câmara de reversão. resultante da queima incompleta do carbono Formados pela oxidação do enxofre. os gases quentes são obrigados a cruzar por três vezes o feixe de tubos que conduzem a água a ser aquecida. situada acima do nível d’água. em razão da redução da quantidade de poluentes emitidos.000 oC. embora o seu custo inicial se torne mais elevado. incolor e inodoro.

Deve-se utilizar a menor quantidade possível de ar para combustão.2. A formação de incrustações. 7 . reduzindo a eficiência e pode ser detectada pelo aumento da temperatura na chaminé. coletados na chaminé. Como primeiras providências para promoção de economia de energia. das características das caldeiras e das condições de operação e do estado de manutenção dos equipamentos. deve-se executar as seguintes medidas: 2. O acúmulo de fuligem no circuito dos gases forma uma barreira isolante que prejudica a troca térmica.1 Regulagem da combustão Ajustar o ar de combustão para a combustão mais econômica. O controle da quantidade de ar a ser injetado na câmara de combustão é feito geralmente através da medição da percentagem de CO2 (dióxido de carbono) e O2 (oxigênio) remanescente nos gases. 2. que melhor atenda às características do combustível e do queimador empregado.5. a pressão e a temperatura do óleo. Excesso de ar reduz a eficiência da caldeira. estabelece uma segunda barreira isolante reduzindo a troca de calor entre o gás e a água. do seu ajuste e de uma manutenção adequada.5.2. do lado da água. Na câmara de combustão. a operação correta da atomização pode se constituir no principal item para a obtenção de uma combustão eficiente. A boa combustão depende da operação correta do queimador.2. Para reduzir a fuligem deve-se ajustar o ar de combustão e utilizar aditivos especiais quando o combustível utilizado for o óleo pesado. em geral um pouco mais que a quantidade suficiente para a reação estequiométrica da combustão. Na utilização de óleos mais densos. 2. aumenta o risco de degradação das superfícies de troca. fundamente. reduzindo a vida útil da caldeira. Melhorando-se a eficiência e diminuindo-se a emissão de poluentes economiza-se também no consumo das reagentes necessários à lavagem dos gases para mantê-los dentro dos padrões exigidos pela legislação.Manual de Administração de Energia Os poluentes emitidos pelas caldeiras dependem. É fundamental controlar a vazão.5 Economia de energia nas caldeiras Algumas medidas de economia de energia são fáceis de serem executadas sem que sejam necessárias intervenções significativas nas instalações das caldeiras.2 Controle da fuligem e das incrustações Temperatura elevada na chaminé da caldeira significa maiores perdas através dos gases de exaustão. do tipo de óleo queimado. Além de reduzir a eficiência. A fuligem pode ser removida por meios manuais e com o uso de produtos químicos. o combustível é misturado com o ar para promover a sua queima. Quando é queimado o óleo combustível usa-se o atomizador que é um dispositivo que melhora a mistura do óleo com o ar e o injetá-lo no interior da câmara de combustão.

Estes dois parâmetros podem ser aceitos. reduz a oxidação do material. Para efeitos práticos e para os tipos de caldeiras mais comuns. instalando-se pré-aquecedores de água (economizadores). A necessidade de desincrustação indica que o tratamento da água de alimentação pode não estar correta. Pode ser notado. a câmara será resfriada e o ar rouba energia sem prover a troca de calor com a água a ser evaporada. pela deterioração das características de operação da caldeira. também. normalmente. e contribui para produção de vapor mais seco. cerca de 1% de combustível para cada 6 oC de aumento da temperatura da água de alimentação da caldeira. Esses valores podem variar um pouco de acordo com os tipos de caldeira. 1% de economia de combustível. para cada 22 oC de aumento da temperatura do ar.3 Monitoração da eficiência da caldeira As principais causas das perdas de energia em caldeiras são as elevadas temperaturas de exaustão na chaminé e a combustão incompleta. reduz a freqüência das purgas.5%. o percentual de C02 contido na chaminé deve-se situar em uma faixa entre 11. A tiragem dos gases da chaminé é outro fator que merece atenção. e os gases de saída aumentam a sua temperatura. a redução do ar de combustão pode provocar um aumento da emissão de C0 (monóxido de carbono). os gases de combustão demoram a deixar a abandonar a câmara de combustão e podem surgir pulsações. É importante dispor de equipamentos que permitam monitorar a operação da caldeira e a atuação sobre os parâmetros da combustão. em média. Esta atuação proporcionará maior eficiência na caldeira. Com esta instalação pode-se poupar. posterga ou mesmo evita a necessidade de lavagens químicas e mecânicas da caldeira. O ponto ótimo de operação será um compromisso entre a eficiência e as emissões. como indicadores da eficiência da caldeira.também. O bom tratamento da água melhora as trocas térmicas.5. Se o combustível contiver enxofre. esta temperatura não é alcançada. O aumento do teor de C02 exige redução do excesso de ar de combustão. Com a instalação de pré-aquecedores de ar de combustão obtém-se. A caldeira mais eficiente apresentará menor temperatura dos gases na saída da chaminé. Se a tiragem for insuficiente.2. em média. São comuns caldeiras flamotubulares com temperaturas na chaminé da ordem de 200 oC. Se a tiragem for excessiva. Muitas vezes é possível reaproveitar o calor perdido na chaminé. Podem ser detectadas através da análise do teor de CO2 e da temperatura nos gases de exaustão. tais como redução na produção de vapor. Obtém-se queima constante quando a tiragem na chaminé permanece constante. aumento do consumo de combustível e elevação da temperatura dos gases na chaminé. As caldeiras mais eficientes são construídas com dispositivos internos (por exemplo economizadores e pré-aquecedores de ar) que permitem a o maior aproveitamento da energia residual dos gases.Manual de Administração de Energia As incrustações podem ser detectadas através de inspeção visual. Procura-se manter o teor de CO2 mais elevado possível sem que provoque emissão de fumaça densa na chaminé. aumento de particulados e enegrecimento da fumaça. 2. Aumento na temperatura de exaustão é o sinal da necessidade de limpeza e desincrustação da caldeira. de queimador e de combustível.0 e 13. a temperatura máxima de exaustão será limitada à temperatura de formação de ácido sulfúrico. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de controle e monitoração: 8 . Nas caldeiras aquatubulares. Por sua vez.

Para manter a eficiência é necessário limitar estas perdas. 2. A condição de operação a cargas reduzidas dos queimadores pode.5. 2. atuando sobre a quantidade de caldeiras em operação para atender às necessidades do momento.2. contribuir para esta redução de eficiência. Sempre que possível. também. com indicação de no mínimo teor de CO2 e. Na manutenção deve-se eliminar todas as perdas de calor e vazamentos de água quente e de vapor e refazer os isolamentos térmicos do vaso e de todos os circuitos que contenham fluidos quentes. permanecendo fixas as perdas das trocas de calor.4 Redução das perdas de calor As caldeiras. • termômetro para controle das temperaturas dos gases de saída (na faixa de 100 a 500 oC). • aparelhos de medição do índice de enegrecimento dos gases de escape (fuligem).5 Ponto de operação da caldeira Geralmente as caldeiras apresentem eficiência máxima quando em operação entre 80% a 90% da sua capacidade nominal. de O2.Manual de Administração de Energia • analisador dos gases de combustão. como qualquer outro equipamento térmico perde calor para o meio ambiente. reduz a eficiência global da caldeira. Por outro lado. a energia necessária para motorizar a tiragem e outros serviços da caldeira.5. 9 . • manômetro para a medição da depressão na chaminé (tiragem). deve-se evitar essa zona de funcionamento. Operar acima destas condições pode comprometer a vida útil do equipamento. ao operar muito abaixo dos 80%.2. eventualmente. Recomenda-se verificar periodicamente e estanqueidade do corpo da caldeira e as aberturas em torno dos queimadores e dos visores da câmara de combustão.

quando há uma diferença de temperatura de 1 oC entre as faces opostas. os materiais apresentam valores de k maiores à medida que a temperatura aumenta. e seu valor está associado a uma determinada faixa de temperaturas. A eficiência do isolamento térmico é medida através de uma propriedade denominada condutibilidade térmica.Condutibilidade térmica. portanto são bons isolantes térmicos. Cada material possui um valor típico de k. significa a quantidade de calor que atravessa um cubo com um metro de lado no período de uma hora. Os materiais com baixos valores de k são aqueles que apresentam baixa condutibilidade térmica. Em geral os custos de melhoria do isolamento térmico são relativamente baixos e representa um bom retorno econômico para os recursos investidos. designada pela letra k pode ser expresso em Kcal/h.Manual de Administração de Energia 3 ISOLAMENTO TÉRMICO Os sistemas que produzem. Nas aplicações industriais mais comuns. Em geral. e. tubulações e acessórios para reduzir as perdas de calor. face às economias que representam a eficiência do isolamento é um item importante na redução dos custos da energia térmica e da elétrica se for este o insumo para produção do calor.oC. Aplica-se isolamento térmico a equipamentos. o fluxo de energia térmica não desejada. tubulações e acessórios. Em geral. transportam ou utilizam energia térmica (calor ou frio) apresentam perdas de calor devidas aos fenômenos físicos de condução. O k é uma função da temperatura. como pode ser observado na tabela a seguir: 10 . Por isto serão abordados somente estes tipos de perda. seja para dentro ou para fora do equipamento considerado. a maior parte das perdas ocorre na condução do calor através das paredes dos equipamentos. A função básica do isolamento térmico é retardar.m. convecção e radiação. manter as temperaturas requeridas nos processo e para fins de segurança pessoal.

057 0.033 0. do interior e t2 do ambiente externo para cada um dos equipamentos.m.080 0. meça a espessura (e).Coeficientes de condutibilidade térmica Para avaliar o potencial de economia que pode ser obtido através do redimensionamento do isolamento térmico. Assuma os valores médios apresentados na tabela. transporte e armazenamento do calor.050 0. acessório ou tubulação. Quando o isolamento for constituído por várias camadas isolantes.114 0. • Meça as temperaturas t1.°C) 0. 11 .056 0.075 0.020 0.062 0.066 0.200 k (kcal/ h.089 0.096 0. identifique o material utilizado e o respectivo coeficiente de condutibilidade térmica (k).051 0.073 0.041 0.080 0. adote o seguinte roteiro: • Faça um levantamento dos principais sistemas ou processos que utilizem energia térmica na indústria incluindo os equipamentos.048 0.078 0. • Se os mesmos possuírem isolamento térmico.025 0.198 Tabela 2 .154 0.000 1.400 600 800 1.035 0.068 0.077 0.041 0. considere o k de cada uma das camadas e as respectivas espessuras.Manual de Administração de Energia Coeficientes de Condutibilidade Térmica para Diversos Isolantes Térmicos Material isolante Poliuretano Temperatura máxima de utilização °C 100 Temperatura de operação °C 0 100 200 300 Silicato de Cálcio 650 400 500 600 650 100 200 Fibra de Vidro 550 300 400 550 100 200 300 Lã de Rocha 750 400 500 600 700 750 200 400 Fibra Cerâmica 1.047 0. na falta de dados melhores de (k). de acordo com a temperatura.057 0.

m) L=comprimento da tubulação (m) • Para os equipamentos que possuem isolamento térmico determine as perdas de calor Q1. figura 1 a seguir). considerar cada uma das superfícies. considere a área desenvolvida como uma superfície plana que irradia calor. é a exterior (S). utilizando as seguintes expressões: Superfícies planas: Q1 = S ( t1 −t 2 ) åK 2 πl ( t 1 − t 2 ) ln de da K e Para tubulações: Q1 = onde: å Q1= perdas atuais de calor (kcal/h) k=coeficiente de condutibilidade térmica do isolante. onde: Q1=perdas de calor (kcal/h. Nos casos de equipamentos ou locais com superfícies com isolamentos diferentes. em anexo. em metros. • Determine as perdas Q1. No caso de equipamento com corpo cilíndrico. em kcal/h.oC. • Para tubulações meça o diâmetro externo do tubo (d2) e o diâmetro externo do tubo mais o isolamento térmico (da). a correspondente perda de calor (q).m) conforme gráfico q=perdas de calor (kcal/h. onde: Q1=perdas de calor (kcal/h) q=perdas de calor (kcal/h.m²) conforme gráfico S=área exterior do equipamento (m²) Tubulações: Q1=q x L. da seguinte forma: Superfícies planas: Q1=q x S. à sua temperatura média: 12 .Manual de Administração de Energia • A área considerada para as superfícies planas. • Para as instalações sem isolamento térmico obtenha nos gráficos (Ábaco de Wrede. Meça também o comprimento (l) das tubulações.m.

8 04 TU BU LA ÇÃ O EM ME TR OS 21 6 3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000 10000 13000 0.O ábaco de WREDE pode ser utilizado quando a temperatura ambiente é em torno de 20oC e qundo as paredes não sofrem ação de ventos relativamente fortes. 7 06 3 0. 15 0 0. 43 3 0. 0. 5 05 0. 0 0. 94 42 0 Superfície plana Notas: 1.h 3.Ábaco de Wrede 420 430 13 . 12 0. 8 12 1 0. 03 03 400 OR 2 DA Perdas de calor para tubulações ou superfícies 500 600 700 800 900 1000 1500 2000 15 04 7 0. 24 1 0.Manual de Administração de Energia Diferença de temperatura em oC 50 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 260 280 300 320 340 360 380 400 100 150 200 DI 300 ÂM ET RO EX TE RI 0. 68 3 0. 3 14 0 0. 2 31 0. 19 1 0. 0.Perdas de calor para superfícies em kcal/m2h Figura 1. 1 05 0. 07 6 0. 2.Perdas de calor para tubulações em kcal/m. 2 3 0. 10 0. 89 09 5 0. 7 29 0. 0. 5 07 0 0. 26 0.

ou kCal/litro. • Calcule o potencial de economia de energia (E) utilizando a seguinte expressão: E = R x h (kcal/mês) • O potencial energia térmica economizada. eliminando os trechos desnecessários. reduza o comprimento de tubulações. utilizando as expressões anteriores. em kCal/kg. 14 . evitando. E= Potencial de economia em kCal/mês PCS = Poder calorífico superior do combustível. desperdícios de energia.Manual de Administração de Energia t m = (t1 − t 2 ) / 2 t1 = temperatura interna do equipamento ou da tubulação (oC) t2 = temperatura ambiente (oC) e = espessura do isolante (m) S = área externa de condução de calor (m2) L = comprimento da tubulação (m) de = diâmetro externo do tubo (m) da = diâmetro externo do tubo mais isolante térmico (m) Nota: Quando o isolamento térmico for composto por várias camadas de materiais diferentes considerar efeito de cada uma das camadas e tomar a somatória destes valores. assim. aumentar a espessura do isolamento ou pode-se adotar ambas as soluções simultaneamente. em kg/mês. • Para reduzir as perdas de calor pode-se trocar o isolamento por outro com menores perdas (com menor coeficiente de condutibilidade térmica). Sempre que possível. expressa em quantidade de combustível é determinada por: Ec = E/PCS. ou litros/mês. Escolha a alternativa mais adequada para seu caso. onde: Ec = Economia mensal de combustível. • Calcule a redução das perdas conseqüentes da melhoria do isolamento térmico através da expressão: R = Q1 – Q2 Onde: R = redução de perdas devido à melhoria do isolamento térmico (kcal/h) Q1 = perdas atuais do equipamento ou tubulação (kcal/h) Q2 = perdas do equipamento ou tubulação com o novo isolamento térmico (kcal/h) • Estime a duração média mensal de operação (h) do sistema que consome energia térmica. • Calcule as novas perdas Q².

Cada situação deve ser analisada separadamente. A decisão e a aplicabilidade do redimensionamento do isolamento térmico é fundamentalmente econômica. 15 . expresso em kWh/ mês: EE= E/860. Em princípio. em kWh/mês.Manual de Administração de Energia • Se a energia térmica for proveniente da energia elétrica o potencial de economia será. onde: EE = Economia mensal de energia elétrica. o investimento feito deverá ser compensado pelo custo evitado no consumo dos insumos energéticos (combustível ou energia elétrica). e 860 = Equivalente mecânico para conversão de kCal para kWh. não havendo regra geral para recomendação de um tipo ou do outro de isolamento térmico.

pode haver maior flexibilidade na escolha de insumos (combustíveis) regionais. A energia térmica é utilizada diretamente no atendimento das necessidades de calor para processos. e • Maior eficiência energética global. 4. dependendo do combustível utilizado na cogeração. sem ter renegociar contratos de energia elétrica.1.3. definida como o processo de transformação de energia térmica de um combustível em mais de uma forma de energia útil.3. • Maior independência energética e maior controle e gestão dos custos totais da energia. • Possibilidade de modular as cargas de acordo com suas necessidades. 4.Manual de Administração de Energia 4 COGERAÇÃO 4. Viabilização da cogeração na indústria Para que seja viável a implantação de cogeração em uma indústria. As formas de energia útil mais freqüentes são a energia mecânica e a térmica. • Dependendo do processo de cogeração. • O custo da energia cogerada seja inferior à soma dos insumos energéticos adquiridos (energia elétrica mais combustível). e • Não ocorram restrições ambientais à implantação do empreendimento.1 Para o usuário da cogeração: • Independência total ou parcial do sistema da concessionária de energia elétrica. A energia mecânica pode ser utilizada diretamente no acionamento de equipamentos ou para geração de energia elétrica. 16 .3. é necessário que: • A indústria seja consumidora das diferentes formas de energia cogerada (energia mecânica ou elétrica e de calor ou frio). 4. Principais atrativos da cogeração na indústria Sendo viável a implantação do empreendimento.2. a cogeração pode apresentar os seguintes atrativos: 4. • Existam garantias de suprimento de combustível. • Possibilidade de redução do impacto ambiental. Definição A cogeração. ou indiretamente na produção de vapor ou na produção de frio.2 Para o Meio Ambiente • Redução da carga térmica rejeitada para o ambiente ao utilizar de forma mais eficiente a energia contida no combustível.

Equipamentos utilizados em instalações de cogeração 4. Os dois ciclos são mostrados nas figuras seguintes: Figura 2 .Motores alternativos ciclo Oto 17 . ao substituir o insumo elétrico do sistema.4.Motores Alternativos Ciclo Diesel Figura 3 . e • Redução dos poluentes dos efluentes gasosos se o insumo da cogeração for um combustível mais limpo que o utilizado na produção do calor do processo.4.2 Motores alternativos de combustão interna Os motores alternativos de combustão interna são máquinas que transformam a energia térmica de um combustível em energia mecânica através do acionamento de pistões confinados em cilindros. 4. 4.Manual de Administração de Energia • Postergação de ampliação de reservatórios de usinas hidroelétricas.4. Os ciclos de operação mais comumente utilizados são o Diesel e Oto.1 Equipamentos de transformação de energia térmica São os equipamentos que transformam a energia térmica dos combustíveis em energia útil de acionamento.

Turbina a gás e gerador de energia elétrica 18 . para diversas pressões. de extração simples e controlada. câmara de combustão e a turbina de expansão. diferentes números de estágios. O ar comprimido é injetado na câmara de combustão fornecendo o oxigênio para a queima do combustível. de condensação. O gás resultante é expandido na turbina.Tipos de turbinas a vapor 4. Podem ser fabricadas sob uma extensa gama de configurações. transfere a energia química do combustível para os gases.5. simples e múltiplas entradas.4. São produzidas na faixa de potência desde poucos kW até pouco mais de 1.4 A turbina a gás As turbinas a gás são equipamentos constituídos por compressor.Manual de Administração de Energia 4. A figura a seguir mostra alguns dos tipos de turbinas a vapor usualmente utilizadas em instalações de cogeração: Figura 4 . elevando sua temperatura.3 Turbinas a vapor São máquinas que convertem a energia térmica do vapor em energia mecânica para acionamentos. Nas turbinas usadas em aviões a jato. Figura 5 . Esta reação exotérmica à alta pressão. os gases quentes são exauridos através de bocais que transformam a energia dos gases em empuxo. de onde se extrai a energia mecânica para acionamento do compressor e da carga acoplada ao eixo. etc.000 MW.

nos últimos anos. Algumas turbinas possuem mais de um eixo: neste caso. gira a velocidade diferente. os gases de exaustão da turbina contém ainda uma quantidade significativa de oxigênio. As turbinas a gás estão disponíveis desde a potência de poucas centenas de kW até quase 300 MW. além do compressor de ar do conjunto. Assim. extraindo calor do meio em que está contido (câmara frigorífica. É mostrado um ciclo frigorífico com solução de amônia. Em seguida. A evolução tecnológica dos fatores que afetam estes parâmetros tem promovido. Figura 6 . O exemplo mostrado na figura seguinte ilustra o princípio básico de funcionamento de um destes ciclos. As turbinas de pequena e média potência giram a rotações mais elevadas.4. O líquido condensado é conduzido ao evaporador “D”. através de uma válvula de expansão. 4. O compressor de ar consome uma parcela significativa da energia mecânica resultante da conversão da energia térmica dos combustíveis. e quanto mais reduzida for a temperatura dos gases de exaustão. o vapor de amônia a baixa pressão junta-se no absorvedor “A” com a solução. a massa de ar injetada na câmara da combustão é muito superior à quantidade requerida para se estabelecer a reação estequiométrica da combustão. Por razões de limitação de temperatura suportável pelos materiais utilizados na construção das turbinas. onde ao condensar cede calor que é rejeitado do processo. por exemplo). pode ser necessário inserir um redutor de velocidade entre a turbina e sua carga.Manual de Administração de Energia A carga acoplada ao eixo (ou eixos) da turbina. Quanto mais elevada for a temperatura e a pressão dos gases na entrada do primeiro estágio da turbina. maior será a eficiência da turbina a gás. agora de baixa concentração. Esta solução (de concentração elevada) é bombeada do absorvedor “A” para o interior de um trocador de calor “B” onde evapora absorvendo a energia proveniente de uma fonte quente dando origem ao vapor de amônia (em alta pressão).5 Equipamentos de produção de frio Os equipamentos frigoríficos com ciclo de absorção são utilizados para produção do frio. cada eixo acionado por um conjunto de pás de turbina. e se reinicia o ciclo. Dependendo da carga. No evaporador “D” o líquido condensado evapora.Ciclo de refrigeração 19 . o contínuo aperfeiçoamento destas máquinas. O vapor de amônia é conduzido ao condensador “C”. compressores ou um eixo motor qualquer. pode ser constituída por gerador de energia elétrica. bombas.

tais como: motores auxiliares.1 Caldeiras para queima de combustíveis e produção de vapor As caldeiras são equipamentos construídos para aquecer um fluido ou produzir vapor a partir da queima de combustíveis. este equipamento pode ser muito sofisticado. São muito utilizadas em cogeração de energia elétrica e térmica. Nas aplicações que exigem maior produção de vapor. algumas vezes dotados de queima suplementar de combustível. Nos demais circuitos a recuperação é feita com trocadores de calor líquido. pode ser a fonte quente desse ciclo.4. líquidos e gasosos.. gás-gás e líquido-líquido são amplamente utilizados em instalações térmicas industriais em geral. maior pressão e temperatura ou maior flexibilidade de operação. são. com múltiplas pressões. e de cogeração em particular. 4.4. Quando possível.4.2 Caldeira de recuperação de calor As caldeiras de recuperação são equipamentos destinados ao aproveitamento do calor residual de algum sistema ou processo. outro combustível mais barato que o da turbina a gás. etc.6. sistemas de tratamento de água e efluentes.4 Equipamentos auxiliares São todos os equipamentos necessários para completar as instalações de cogeração.3 Trocadores de calor Os trocadores de calor dos tipos gás-líquido. exaurindo ou não. Nas caldeiras para vapor d’água. ar comprimido. 20 . utiliza-se como combustível suplementar. 4. o vapor pode ser produzido nas condições de saturação ou superaquecido. Dependendo da quantidade de combustível adicional pode ser necessário adição de ar para queima. a recuperação da energia residual dos gases é feita com caldeiras mais simples em razão do seu conteúdo energético. para recuperar a energia residual dos gases de exaustão de turbinas a gás ou de motores alternativos.4.6 Caldeiras e equipamentos de transferência de energia térmica 4. Neste caso o ciclo chama-se de absorção.4. de acordo com as necessidades do processo. 4. na configuração de geração elétrica em ciclo combinado. para a geração de vapor ou para aquecimento de algum fluído.Manual de Administração de Energia O calor residual proveniente de algum processo ou equipamento como uma turbina ou um motor. Nas aplicações de recuperação de calor de turbinas a gás. o oxigênio residual da queima do combustível da turbina a gás. Os motores alternativos de combustão interna permitem outras formas de recuperação de energia além contida nos gases de exaustão. 4.6. Os circuitos de refrigeração das camisas e o sistema de resfriamento de óleo são duas outras fontes de energia recuperáveis (com temperaturas menores que a dos gases de exaustão).líquido. As caldeiras de combustão utilizam uma gama muito extensa de combustíveis sólidos.6. Nos motores alternativos.6. e circuitos complexos de troca de calor.

Ciclos de cogeração A escolha de um dos sistemas apresentados a seguir.7. • A cogeração de “topping”. 4. 21 .6. Ciclo de cogeração com turbinas a vapor Neste ciclo de cogeração a energia térmica resultante da combustão é transferida. O vapor superaquecido é expandido em uma turbina que aciona uma carga mecânica (ou gerador elétrico). as necessidades estratégicas e outras variáveis como disponibilidade de água.Manual de Administração de Energia 4. por permitirem diferentes configurações. Na cogeração de “bottoming” o processo utiliza a energia a temperaturas mais elevadas e a energia cogerada é o resultado da recuperação do calor residual do processo. As figuras a seguir ilustram os dois tipos: a primeira é “bottoming” e a segunda “topping”. condições ambientais. Geralmente o fluido é devolvido à caldeira no estado de condensado para re-iniciliazar o ciclo de transferência de energia.5. nas condições de temperatura e pressão requeridas para o processo que utiliza este calor útil. e. Figura 7 – Cogeração “bottoming” e “topping” 4. deve levar em conta a viabilidade técnico-econômica.6.5 Alternador Os alternadores são acionados por motores ou por turbinas a gás ou vapor.4. espaço. Na cogeração de “topping”. a energia utilizada (acionamento) é extraída no nível mais alto da temperatura da combustão. O vapor é extraído na saída da turbina. De acordo com a velocidade da máquina motora pode ser necessário utilizar-se de redutores de velocidade. para a água que vaporiza e superaquece. Tipos de cogeração A partir da fonte de calor disponível para a cogeração. através de caldeira. etc. e a energia recuperada (cogerada) no nível mais baixo. 4. combustível. esta pode ser classificada em dois grandes grupos (tipos): • A cogeração de “bottoming”.

Manual de Administração de Energia Figura 8 .Ciclo de cogeração com turbina a gás 22 .8.. 4. Estes gases possuem um elevado conteúdo energético.8. os gases de exaustão apresentam ainda uma temperatura relativamente elevada. geração de vapor através de uma caldeira de recuperação. 4. bagaço de cana.2 Cogeração com turbina a gás A figura seguinte mostra uma instalação de cogeração onde uma turbina a gás aciona um gerador que produz energia elétrica que alimenta a fábrica que hospeda a instalação.8. da ordem de 380 a 600 oC. aquecimento de fluído térmico. Os gases quentes da saída da turbina produzem vapor em uma caldeira de recuperação que alimenta a fábrica com esta utilidade. como resíduos industriais. Figura 9 . etc.1 Energia na exaustão das turbinas a gás Na saída da turbina a gás. Ciclos de cogeração com turbinas a gás 4. condicionamento ambiental. Dependendo das características da carga térmica. etc. Os usos mais freqüentes para esta energia são a utilização dos gases quentes para secagem.Ciclo de cogeração com turbina a vapor Esse ciclo de cogeração permite a utilização de combustíveis mais baratos. A cogeração se baseia no aproveitamento de parte desta energia térmica. lenha. da ordem de 50 a 70% da energia contida no combustível. o aproveitamento pode ser maior ou menor. carvão. muitas vezes os únicos disponíveis no local. Os processos que utilizam temperaturas mais baixas podem aproveitar mais energia residual dos gases de exaustão.

condensação parcial.8.Ciclo combinado 4. O vapor da caldeira de recuperação aciona uma turbina a vapor de condensação.3 Geração elétrica com ciclo combinado O ciclo combinado é o processo de produção de energia elétrica utilizando turbinas a gás e turbinas a vapor. etc. Tanto a turbina a gás quanto a turbina a vapor acionam geradores para produção de energia elétrica. queima suplementar de combustível na caldeira de recuperação. As grandes instalações em ciclo combinado atingem atualmente eficiências superiores a 55%. que é a única forma de energia útil retirada do sistema. Este ciclo prioriza a eficiência de conversão da energia do combustível para a energia elétrica. É constituído basicamente de um ciclo combinado com flexibilização da geração elétrica e de energia térmica (normalmente vapor) através da extração de vapor na turbina a vapor.4 Cogeração com ciclo combinado Esta forma de cogeração é utilizada nas situações em que se deseja produzir energia elétrica e energia térmica úteis em quantidades variáveis de acordo com as cargas consumidoras ou para atendimento de mercados específicos. Existem plantas tão flexíveis que podem operar desde a produção máxima de energia elétrica sem extração de vapor para o processo industrial até a produção máxima de vapor para processo sem produção de energia elétrica.) ao invés de geradores elétricos.Manual de Administração de Energia 4. 23 . O combustível é queimado em uma turbina a gás e a energia contida nos gases de exaustão produz vapor em uma caldeira de recuperação. Figura 10 . Outra forma de cogeração deste tipo é aquela em que os acionamentos são de equipamentos mecânicos (bombas.8. compressores.

por isso sua aplicação mais freqüente é nas instalações que necessitam de pequenas quantidades de calor a temperatura moderadas e maiores quantidades de energia elétrica ou força motriz. Figura 11 . nas potências de poucas dezenas de kW até potências da ordem de 20 MW ou pouco mais. o calor dos sistemas de lubrificação de resfriamento das camisas dos pistões. Figura 12 . A eficiência pode ser muito elevada. A quantidade de energia residual recuperada não é das mais expressivas. e eventualmente. dependendo do balanço de massa e energia que se obtém em determinados projetos.Ciclo combinado com cogeração 4.9. em determinadas situações por utilizar combustíveis mais baratos.Manual de Administração de Energia A queima adicional de combustíveis pode reduzir os custos globais de operação. A figura seguinte mostra uma configuração deste ciclo. São comuns plantas de cogeração utilizando estes ciclos.Cogeração com motor alternativo 24 . Ciclos de cogeração com motores alternativos de combustão interna Este ciclo de cogeração utiliza motores alternativos de combustão interna produzindo trabalho (energia elétrica ou acionamento mecânico) recuperando a energia térmica residual dos gases de exaustão.

Manual de Administração de Energia 4. de condicionamento ambiental ou sistema de refrigeração.000 toneladas de refrigeração por hora. São comuns os de um e de dois estágios.10. Figura 13 . Os equipamentos ideais para este uso são os resfriadores por absorção.Princípio do ciclo de refrigeração por absorção 25 . além da energia elétrica. que necessitam. A figura a seguir ilustra algumas aplicações deste tipo. Ciclos de cogeração com produção de frio Os mercados potenciais para este ciclo são: os hospedeiros da planta de cogeração. A figura a seguir mostra o princípio de funcionamento de um equipamento desta natureza. Figura 14 .Cogeração com produção de frio Os equipamentos de absorção são produzidos industrialmente para capacidades de 100 até cerca de 2.

das quais. as principais são listadas a seguir: • Análise e balanço de massa e de energia dos requisitos de energia térmica (nas suas diferentes modalidades). acionamentos. As receitas da cogeração As receitas da cogeração são as resultantes da venda da energia cogerada: energia elétrica.Manual de Administração de Energia 4. suprimento de utilidades necessárias à operação (por exemplo: água). 4. 26 . 4. ar comprimido. de operação e de manutenção sejam asseguradas. • Modelagem de diversas alternativas de cogeração e análise econômica destas alternativas. • Modelagem e análise do impacto ambiental provocado pela implantação deste projeto. A compra da energia elétrica pode ser contratada com terceiros. Dependendo da personalidade jurídica do Cogerador. etc. outras utilidades tais como água tratada. Este contrato e seus custos são regulados pela ANEEL. A disponibilização de maiores volumes de gás natural às industrias e ao comércio tornam ainda mais atraentes estes empreendimentos. com a concessionária local de distribuição de energia elétrica ou adquirida no mercado. e • Se o projeto envolver a produção de energia elétrica. nas condições atuais e no horizonte de vida útil do projeto. Para isto deve-se contratar reserva de capacidade com a concessionária local (ou com o sistema de transmissão). calor e eventualmente.12. a receita pode ser constituída pelo diferencial de custos entre a compra dos energéticos convencionais e os custos da energia substituída pela instalação da cogeração.13. de mercado. • Análise e modelagem econômica das condições de operação atuais e futuras. dar destino aos efluentes. • Se ocorrer excedentes de energia elétrica.. vapor. independentemente de ser auto-suficiente ou não haverá necessidade de ser prever “back-up” de energia elétrica. A elevada eficiência no aproveitamento de combustíveis aliada à proximidade do mercado da energia térmica torna alguns destes empreendimentos muito competitivos. prover acessos. Para que o projeto possa se viabilizar é fundamental que as garantias de suprimento de combustível. O potencial de cogeração A determinação do potencial de cogeração associado a um processo industrial ou a uma instalação comercial envolve um conjunto de providências. Normalmente as “receitas” destes projetos são a garantia do próprio financiamento. de qualidade técnica. • Assegurar o abastecimento de combustível. prever condições de operação e manutenção. frio. Conclusão A cogeração está sendo responsável por uma parcela significativa da energia elétrica produzida em diversos países.11. • Modelagem técnica das necessidades de energia nas condições atuais e no horizonte de vida útil do projeto. assegurar seu mercado e condições de transporte. energia elétrica. como seria o caso do um Autoprodutor.

e por isso. o mercado e o dimensionamento mais conveniente e mais econômico. o processo. As aplicações comerciais envolvendo o condicionamento ambiental são muito atrativas. 27 .Manual de Administração de Energia As vantagens da cogeração na área industrial são mais conhecidas. Muitos insucessos nos estudos de viabilidade deste tipo de instalação deveram-se a falhas nestas avaliações. muitos projetos deixaram de ser implantados. principalmente quando se consideram os investimentos evitados nas instalações convencionais de produção de frio e na redução da demanda e consumo de energia elétrica possível de se obter através desta tecnologia. A decisão de se implantar cogeração em uma instalação industrial ou comercial nova ou existente depende de uma análise muito criteriosa para se determinar qual o balanço.