As Letras e o nosso Legado

Em tempo de um Brasil em desenvolvimento, em que a expansão de novas fronteiras se faz em várias áreas e níveis, é com pesar que me dirijo à imprensa — de forma ampla e abrangente — e me questiono com qual liberdade ela está comprometida. É a liberdade perniciosa que subsidia suas verdades, ou a comprometida com a verdade em qualquer forma que se apresente? Não se engane achando que vim aqui baseada ou norteada por desejos políticos, estou apenas fomentando uma discussão saudável e com fins bem claros: a literatura nacional. Pertenço ao grupo chamado Clube de Novos Autores, sou autora de três livros e como eu, muitos lá existem na obscuridade do anonimato. Não tenciono também que esse artigo leve meu nome ou de qualquer um de nós a pícaros de audiência, mas proponho que se discuta com base na liberdade que vocês tanto prezam, o que é legado à nova safra de autores nacionais que surge mais e mais a cada ano, e que não há um incentivo por parte da imprensa a nós. Constantemente somos assaltados por divulgações em massa de livros estrangeiros, onde o marketing feito pelas grandes editoras utiliza-se de seus canais de mídia para distribui-los sem filtro algum do que é ou não boa literatura. Apenas consumimos. Não há a intenção de se investir em âmbito algum do que é desconhecido, mas sim daqueles apregoados como vendável e com amplo direcionamento dos meios de comunicação. Mas o que é o desconhecido? É aquele autor que você, ou eu mesma, torcemos o nariz porque não conhecia sua editora, porque o livro não tem um banner imenso na livraria apresentando-o, não há uma entrevista dele num cantinho de um jornal — nem ao menos isso! Desta maneira, devemos concordar que não há porque se investir nele, já que não se tem a certeza de retorno

financeiro imediato. E seguimos como nossas mentes embotadas de textos importados, ignorando o que culturalmente deveria ser o nosso legado aos nossos filhos. Não digo que somos bons ou melhores que qualquer um, diga isso quem nos lê. Queremos apenas ter a oportunidade de mostrar nosso trabalho da mesma forma, com as armas que quem não nasceu aqui. Quem não está culturalmente comprometido com o Brasil consegue ter divulgação sem esforço algum. Não somos contra qualquer tipo de literatura também, mas que haja a igualdade que tanto defendemos em nosso solo, quando abrimos os braços para receber um negro, um índio, um europeu, um asiático... Por que não podemos ser abraçados da mesma forma, como mesmo carinho? Se não acreditamos em nós mesmos, como podemos fazer outros acreditarem? Vestir nossa camisa... Ler nossas letras? Abraça Brasil tuas letras e ama teus filhos como um igual! Vamos dizer sim à Literatura Nacional!

Roxane Norris