Definições e usos da Epidemiologia

Profa. Ethel Leonor Noia Maciel
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

Epidemiologia
Estudo da distribuição da freqüência de doenças, de agravos à saúde e seus determinantes em populações humanas Aplicação deste estudo para controlar problemas de saúde

Pesquisa epidemiológica
Empírica Baseada na coleta sistemática de dados Quantificação dos dados encontrados
  

Mensuração de variáveis aleatórias Estimação de parâmetros populacionais Testes estatísticos de hipóteses

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Diferentes Metodos Monitoramento de indicadores de Saúde. Diferentes Dados. econômicos e sociais Inteligência Epidemiológica Vigilância em saúde pública Resposta rápida a Epidemias Ações de Controle Análise da Situação de Saúde Políticas de Saúde Alocação de Recursos Indicadores de Desempenho de Programas Avaliação epidemiológica de serviços Dados Administrativos Monitoramento do Sistema de Saúde .Epidemiologia Aplicada a Serviços de Saúde Diferentes Objetivos. Demográficos.

Objetivos • Entender como a doença influenciou a história. • Entender as principais contribuições que os epidemiologistas deram à disciplina de Epidemiologia. .

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História das Epidemias e Epidemiologia de Doenças Infecciosas .

Sarampo . Maiores assassinos antes de 1800 .Breve História das Doenças Infecciosas Historicamente as epidemias eram vistas como punições de Deuses nervosos.Peste bubônica .Varíola .

As epidemias foram responsabilizadas por influenciar .O crescimento da xenofobia na Europa .A queda do Império Romano .A aceitação de idiomas comuns para se fazer negócios (Inglês substitui o Latin) .A derrota de Atenas para Sparta (429 AC) .

.Lepra • As mais antigas enfermarias na França. • A invenção do hospital como um lugar para segregar e alojar os doentes nasceu das casas de leprosos. Itália e Inglaterra começaram como casas de leprosos. • Nos anos de 1300 roubar casas de leprosos e envergonhar-se deles eram válvulas de escape para pessoas frustradas com a fome e outras desgraças.

mulheres e crianças que morreram no planeta. os africanos desenvolveram a deficiência G6PD .Malária • Matou metade de todos os homens. •A 1ª pandemia européia foi em 1557-58 • Para sobreviver à malária.

Peste Negra Dois tipos de pragas: Bubônica (de pulgas infectadas) . .Mata mais da metade de suas vítimas dentro de uma semana. Pneumônica . As vítimas morriam dentro de 24 horas.espalhada por tosse e escarro do infectado.

aproximadamente 23 milhões de pessoas morreram. o solo estava tão putreficado que um corpo humano se decompunha em 9 dias. a praga matou de 10 a 15% de cada nova geração. • Em Paris. . • A Europa levou 300 anos para recuperar sua população.1351. • Por um período de 100 anos.Peste Negra • Entre 1348 .

. altares e universidades. Inglês) • A autoridade da igreja foi minada quando o latim deixou de dominar as cortes.Peste Negra • Trouxe o fim ao Feudalismo. (ex. • Muitos sacerdotes falantes do Latim (Elite educada) morreram e foram substituídos por aqueles que falavam e escreviam a língua comum.

milhões de escravos africanos foram trazidos para as Américas. • Para repor estes índios.Varíola (maldição do Velho mundo) • A maior de todas as viroses . .se tornou um parasita humano da domesticação de animais. • O “Grande Fogo” (“Morte Fácil”) matou 2/3 da população Maya.

• O tratamento com mercúrio resultou em morte por envenenamento por mercúrio. • No século 16 o medo da contaminação levou ao desaparecimento do público das casas de banho. • O cumprimento público pelo beijo foi substituído por aperto de mão.Sífilis • Levada de volta do novo mundo para a Europa por Colombo e seus homens. .

mas menos de um quarto morreram da doença. tornando-o quase invencível. .Durante os anos de 1800 mais de 70% de todos os Europeus foram infectados com TB. O vírus Influenza sofre mutações e mudanças a cada 10 .14 anos. Flu .50 milhões morreram em 18 meses.Maior número de mortes da história mundial: 1913 .Tuberculose (TB) & Influenza (Flu) TB(peste branca) .

um comissário de bordo de uma empresa aérea Canadense.AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) • Causada por um retrovirus conhecido por debilitar o sistema imunológico.Gaetan Dugas . • 1981 . • “Paciente Zero” . Vírus descoberto pelos Drs Barre-Sinoussi e Montagnier em 1983. . E Roberto Gallo.Primeiro caso reportado nos EUA. • Permanece o maior desafio da Saúde Pública.

377 aC) .(129-199 dC) .(460 .reconheceu a associação da doença com o local (geográfico). Usa os termos “epidêmicos” e “endêmicos”. . clima.Os Primeiros Epidemiologistas • Hipócrates . hábitos alimentares. Acreditava que a doença era resultado do desequilíbrio do estado de espírito do corpo. “Teoria do Miasma” o ar ruim causava doenças. • Galeno . condições da água. e habitação.Fatores do estilo de vida e personalidade podem influenciar a saúde e doença.

Observationnum Medicarum – Febris scarlatina. Sydenham . • N.A observação deveria ser precedente à teoria no estudo da história natural da doença. Compilou o primeiro dicionário Americano.(1758-1843) .Os Primeiros Epidemiologistas • T.(1624-1689) .As epidemias foram relacionadas a certos fatores ambientais. Webster . .

(1478-1553) Teoria do Germe de Infecção. Fracastorius .O Conceito de Contágio e a Teoria do Germe da Doença • H. A doença era transmitida de uma pessoa por outra por partículas pequenas demais para serem vistas. •1883 – Vibrio cholerae . Koch – (1843-1910) Quatro postulados para provar que o agente infeccioso causa uma doença particular. • R.

Pasteur – (1822-1895) Mostrou que a imunização prevenia a raiva.(1818-1865) Demonstrou que a febre puerperal (febre do nascimento) poderia ser reduzida quando os médicos lavassem suas mãos antes de fazer o parto. Dissolveu a teoria do miasma. • E. . • L. Semmelweis .O Conceito de Contágio e a Teoria do Germe da Doença • L. Jenner – (1749-1823) Preveniu a infecção por Varíola vacinando pessoas saudáveis com material vacinal retirado de pessoas que haviam contraído a doença de modo natural.

• W. Graunt . .(1620-1674) Primeiro a quantificar os padrões de ocorrência de nascimento. notando as disparidades entre homens e mulheres. ocupação e altitude. diferenças urbanas-rurais e variações sazonais.O Nascimento de Estatísticas Vitais • J. Desenvolveu o conceito de vigilância da mortalidade. morte e doença. Farr – (1807-1883) Notou os efeitos do estado civíl. alta mortalidade infantil.

Assim os marinheiros britânicos ficaram conhecidos como “limeys”.Estudos epidemiológicos Clássicos J. . Lind (1716-1794) Estudo epidemiológico experimental da etiologia e tratamento do escorbuto. Conclui em 1753 que a ingestão de cítricos tratava o escorbuto e preveniria sua ocorrência. Levou a marinha Britânica a requerer lima ou suco de lima na dieta dos marinheiros.

L. Sugeriu que um ataque de sarampo conferia uma imunidade por toda a vida. Panum (1820-1885) Estudou o sarampo nas Ilhas Faroe. . Concluiu que o sarampo se transmitia por contato direto entre infectados e indivíduos suscetíveis.Estudos epidemiológicos Clássicos P.

. conduziu estudos de ataques de cólera.1858) .“Pai da Epidemiologia de Campo” . Acreditava que a água era a fonte da infecção.Estudos epidemiológicos Clássicos J. Snow (1813 . Removeu a manivela da bomba da Broad Street para controlar a epidemia.20 anos antes da descoberta do microscópio. Usava mapas de pontos para mostrar a distribuição dos casos.

Goldberger (1874-1929) Demonstrou que a pelagra não era uma doença infecciosa.Estudos epidemiológicos Clássicos • W. • J. Budd (1811-1880) Inferiu que a febre tifóide era uma doença contagiosa por notar 3 ou 4 casos sucessivos ocorrendo numa mesma habitação. . mas relacionada a dieta (carne fresca e leite faziam a doença desaparecer) •Deficiência de vitamina do complexo A e B.

B. • R. Doll .Estudo de Coorte Clássico da doença cardiovascular. . Hill . • O Estudo de Framingham (1948) .Desenvolveu os ensaios clínicos randomizados para avaliar a eficiência de um novo tratamento para doenças.Trabalhou com Hill para relacionar o fumo ao câncer de pulmão.Epidemiologia Moderna • A.

Epidemiologia Moderna • A. geravam crianças com cataratas. Observou que mulheres grávidas sofrendo do sarampo Alemão. • Sir Gregg .Associou o sarampo Alemão com a catarata. Oschner .Tabagismo com câncer de pulmão. .

as doenças infecciosas ainda requerem vigilância.História da Epidemiologia • Historicamente. • Enquanto os esforços atuais são despendidos em estudar as doenças crônicas que impedem que as populações vivam mais. . as doenças infecciosas infestaram a humanidade por centenas de anos mudando as culturas de muitas populações.

História da Epidemiologia À medida que os microorganismos se tornam resistentes a antibióticos existentes. existe o perigo de um dia não termos nada para nos proteger de agravos fatais. Historicamente. a Epidemiologia como ciência surgiu do registro de observações sistemáticas cuidadosas do fenômeno natural. .

História da Epidemiologia • Através do tempo. . com a ajuda dos avanços tecnológicos. •Mas a tecnologia ainda não pode substituir a importância da observação cuidadosa. a Epidemiologia tornou-se apta a estudar e controlar as doenças de uma maneira mais adequada.

" (Thucydides. era prejudicial para outro. como elas próprias. levando embora seu poder de resistência. Nenhum remédio foi encontrado que pudesse ser utilizado como específico. todos sucumbiam. Por um lado. e já não tinham medo por eles mesmos. pelo desespero em que imediatamente caía. Esse foi especialmente o caso daqueles que tiveram pretensões à bondade: a virtude tornou-os cruéis consigo mesmos ao darem assistência à casa dos amigos. e tornando-se uma presa mais fácil do mal . outros em meio a toda atenção. Constituições fortes e fracas mostravam-se igualmente incapazes de resistência. pela própria experiência. historiador grego) . sucumbindo à força do desastre. havia o terrível espetáculo de homens morrendo como carneiros ao pegarem a infecção cuidando uns dos outros. onde mesmo os membros da família estavam por fim abatidos para lamentar os mortos."Alguns morriam sem assistência. caso se aventurassem a fazê-lo. por outro lado. ao lado disso. Foi naqueles que se haviam restabelecido que os doentes e mortos encontraram maior compaixão. Isto é que causava a maior mortalidade. Estes já sabiam do que se tratava. a mais terrível característica da doença. a doença nunca atacava o mesmo homem duas vezes . se tivessem medo de visitar uns aos outros. certamente muitas casas ficaram vazias por falta de alguém para prestar socorro. era o desânimo que sucedia quando alguém se sentia doente. o que era bom para um caso. iludiam-se na vã esperança de que estavam salvas de qualquer outra doença no futuro. embora seguissem regimes com extrema precaução. a morte seria a conseqüência.pelos menos não fatalmente. E tais pessoas não somente eram felicitadas por todos. De longe. no enlevo do momento. pereciam abandonados.

A Peste de Tebas - Charles François Jalabeat (1819-1901) Museu de Marseille .

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