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Da Silveira Consideracoes Sobre o Ordo Missae

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Antes de procedermos à análise da Tradução portuguesa do novo Ordinário da Missa, é
necessário fazer duas observações de suma importância:
1º) Na crítica da versão portuguesa do novo ―Ordo‖, o que nos move não são preocupações de
natureza lingüística. Nada objetaríamos contra uma tradução livre mas fiel – embora seja
sumamente perigoso fazer traduções livres em certas matérias, como teologia, filosofia, liturgia,
Direito. Mesmo contra uma tradução infiel mas ortodoxa, em princípio nada diríamos, pois nossa

atenção está voltada exclusivamente para aqueles pontos em que o novo ―Ordo‖ nos parece ofender

a fé católica. Assim sendo, se em alguns tópicos nos detemos em questões semânticas ou

1

D. Clemente Isnard, O. S. B., ―Apresentação‖, ao novo Ordo Missae – em ―Presbiteral‖, Vozes, Petrópolis, 1969, P. 5; e ―Liturgia
da Missa‖, Edições Paulinas, São Paulo, 1969, p. 3.

2

Há quem tenha afirmado que, sendo o Papa infalível no baixar leis para a Igreja universal, ao católico nunca é dado pôr em questão
a ortodoxia de qualquer determinação disciplinar ou litúrgica da Santa Sé.
A isso devemos inicialmente observar que de modo algum poríamos em questão a tese da infalibilidade papal nas leis para a Igreja
universal. Essa tese, comum entre os autores, é considerada teologicamente certa.
Entretanto, a sagrada teologia ainda não chegou a um aprofundamento completo do sentido e do alcance dessa tese. Em artigo

publicado no mensário ―Catolicismo‖ em outubro de 1967 (―Qual a autoridade...‖), já tivemos ocasião de aludir a essa lacuna,

fazendo uma consideração que nos permitimos transcrever aqui:
―A legislação da Igreja não pode obrigar a pecados mortais. Isso é inquestionável. Nem mesmo recomendá-los. Poderia determinada
lei eclesiástica terminar por insinuá-los? Poderia permiti-los expressamente? Poderia permiti-los tacitamente? E, por outro lado,
poderia obrigar a pecados veniais? Poderia recomendá-los?, insinuá-los, permiti-los expressa ou tacitamente? Estes pontos, que não
nos consta tenham sido versados pelos tratadistas, são entretanto da maior importância para uma exata conceituação da

infalibilidade‖.
Por outro lado, a História apresenta casos de Papas – Libério, Honório I, Pascoal II, etc. – que baixaram leis que pelo menos
favoreceram os hereges de seu tempo. Tendo portanto em vista que paira uma certa imprecisão quanto ao verdadeiro alcance da tese
da infalibilidade papal em matéria de leis eclesiásticas, não vemos como negar ao católico a faculdade de não dar o assentimento a
passagens indubitavelmente inaceitável quer da ―Institutio‖, quer no novo ―Ordo‖. E o mesmo se há de dizer, com mais razão, das
diversas traduções da Missa, as quais nem sequer contam com aprovação especificamente pontifícia.
Outrossim, segundo o parecer de bons canonistas, o novo ―Ordo‖ não se tornou estritamente obrigatório – fato esse teria repercussões
de vulto na avaliação do grau em que Paulo VI empenhou sua autoridade ao promulgar a nova liturgia da Missa.

3

―Instrução para a tradução de textos litúrgicos para a celebração com o povo‖, de 25 de janeiro de 1969 – ―Notitiae‖, n.º 44, pp. 3-

12.

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gramaticais, é porque a isso nos obrigam as subtilezas do erro. ―A heresia – escreveu São Paulo –
alastra-se como o câncer‖ (II Tim. 2, 17). E, por outro lado, como ensina São Tomás, ―se se fala de
modo não ordenado sobre as coisas da fé, daí pode decorrer a deturpação da fé1

‖.

2º) Em segundo lugar, devemos observar que não é sobretudo neste ou naquele ponto
particular que a tradução portuguesa do ―Ordo‖ – como também o original latino – é passível de
reservas que reputamos graves. Muitas das críticas que faremos seriam vãs caso fossem
consideradas isoladamente. O que há de mais grave nas infidelidades de tradução é o fato de que
elas convergem para uma mesma direção. Uma análise atenta do novo ―Ordo‖ – e, mais ainda, de
sua versão portuguesa – revela a todo momento expressões mal sonantes, ambíguas, equívocas, etc.
Mas revela sobretudo que há unidade no conjunto dessas expressões.

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