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HISTÓRIA MEDIEVAL

1

SOMESB
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Medieval

História

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Organização da Religião e a Importância para o Expansionismo. Legado Cultural ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Os Elementos da Transição da Idade Antiga para a Idade Média ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Discutindo a Idade Média ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ O INÍCIO DA IDADE MÉDIA E O S URGIMENTO DO ISLAMISMO (S ÉCULOS IV -VIII) ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ FUNDAMENTOS E CONSOLIDAÇÃO DA SOCIEDADE MEDIEVAL OCIDENTAL ○ 07 07 07 09 13 15 18 18 20 21 22 29 29 3 .SUMÁRIO ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ A IDADE MÉDIA CENTRAL ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ APOGEU E TRANSFORMAÇÃO NA EUROPA OCIDENTAL ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ A Questão da Terra na Idade Média ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Os Elementos Formadores do Feudalismo ○ ○ ○ ○ ○ As Transformações Políticas. Econômicas e Sociais da Alta Idade Média ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ A Aliança entre a Igreja e o Poder Político Germânico: O Império Carolíngio ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ A ALTA IDADE MÉDIA (S ÉCULOS VIII-X) ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ O Islã na Península Ibérica ○ ○ ○ ○ ○ ○ O Islamismo: Maomé.

XVI) ○ ○ ○ ○ ○ ○ A Cultura Medieval e a Influência da Igreja Católica ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ O Renascimento Comercial e Urbano ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ História A Expansão Populacional e Territorial: As Cruzadas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ A Sociedade Feudal 29 31 34 36 40 46 56 57 58 .Medieval A Guerra dos Cem Anos e a Importância para o Processo de 42 Formação dos Estados Nacionais (França e Inglaterra) As Transformações da Europa Medieval e o Início da Modernidade ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 4 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Referências Bibliográficas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Glossário ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Atividade Orientada ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ A BAIXA IDADE M ÉDIA (SÉCULOS XIV .

compreender este longo período da História que desperta em nós tantas questões. tão distantes e. social. Prof. cultural e político? Que grupos étnicos. Como pensavam os homens da Idade Média? Qual o papel atribuído à Igreja na construção deste modelo de sociedade? Como se deu o processo de consolidação da mesma do ponto de vista econômico. Buscaremos aqui conhecer e. tão próximos de nós devido às práticas culturais. Espero que nos diferentes momentos deste estudo você reflita sobre os processos históricos que estudaremos e os homens da Idade Média.(a) Tânia de Santana 5 .Apresentação da Disciplina Prezado (a) aluno(a). em certa medida. lingüísticas. Saudações! É com prazer que inicio com você esta viagem ao mundo do Ocidente Medieval. religiosas e sociais que nos legaram. culturais participaram desta construção? Teria sido a Idade Média um “período de trevas” como conclamaram os iluministas do século XVIII? Será muito bom percorrer estes caminhos juntos. Encare esta viagem como um desafio e que o conhecimento seja a sua meta mais preciosa. ao mesmo tempo. Um abraço.

Medieval História 6 .

a vida social e política organizada segundo os parâmetros da fé católica. Os homens que construíram este conceito sobre a Idade Média buscaram condena-la em todos os aspectos que caracterizaram a vida social da mesma: a arte sob influência de povos ditos bárbaros. No século XVI.VIII) Discutindo a Idade Média O Conceito de Idade Média: Durante muito tempo a Idade Média ficou conhecida como Idade das Trevas. em especial do Ocidente. lingüística. Seus estudos têm revelado a importante contribuição étnica. Nos séculos posteriores. acabou por barbarizá-la. ao admitir outras influências sobre a sua arte. movidos pelo desejo de compreender o homem do passado em seu próprio tempo. Teria sido um período dominado pela barbárie e pela cegueira do conhecimento. levaram-nos a compreender a riqueza da produção cultural deste período e a forma como o mesmo influenciou na construção da Europa Ocidental. 7 . política. os renascentistas estavam desenvolvendo um novo conceito de arte baseada no que havia sido produzido no mundo greco-romano. além da clássica. Os historiadores do século XX. daí designarem a arte deste período como gótica. os burgueses e os iluministas acrescentaram novas críticas ao período e ampliaram ainda mais a visão negativa da Idade Média. cultural que estas sociedades legaram para o mundo europeu moderno. os intelectuais racionalistas. dentre outros fatores. a Idade Média. Para estes. o XVII e o XVIII. Foram alguns destes homens que primeiro utilizaram os termos “Idade Média” e “Idade das Trevas”. desenvolveram métodos e novas teorias que. Isto significa dizer que ela não teria trazido nenhuma contribuição para a história do mundo. os protestantes.FUNDAMENTOS E CONSOLIDAÇÃO DA SOCIEDADE MEDIEVAL OCIDENTAL O INÍCIO DA IDADE MÉDA E O SURGIMENTO DO ISLAMISMO (SÉCULOS IV . ao serem aplicadas ao estudo da Idade Média.

o renascimento urbano e comercial. Medieval História É possível condenar de forma tão dura um período histórico? E nós. onde vigoram em sua máxima expressão o feudalismo. p. pestes e fome. Logo.. numa resposta a crise do início do período. IDADE MÉDIA CENTRAL (séculos XI-XIII): período de apogeu da Idade Média. por trabalhar com a concepção de história como resultado de um processo e não de fatos isolados (Franco Júnior. 2001. 2001. Hilário Franco Júnior. o renascimento artístico e cultural. professores. marcado pela recuperação econômica e pela expansão territorial e cristã. 14-17). A Cronologia da Idade Média Neste trabalho adotamos uma cronologia que consideramos mais completa. que culminou no Império Carolíngio. o poder da Igreja. o único referencial possível para se ver a Idade Média é a própria Idade Média” (Franco Júnior. Este autor divide o período que compreende os séculos IV a meados do XVI em quatro momentos distintos que trazem uma relativa coesão interna: PRIMEIRA IDADE MÉDIA (séculos IV-VIII): é o período de encontro entre os elementos que vão fundamentar as sociedade medievais – a herança romana. ALTA IDADE MÉDIA (séculos VIII-X): período de alianças entre o poder germânico e a Igreja. pela recessão demográfica e monetária.Para refletir. Mas também gestam-se os valores e as transformações do mundo moderno como a reforma protestante. BAIXA IDADE MÉDIA (Séculos XIV-XVI): período de crise. 8 . p. as artes. conforme nos alerta o autor do texto em que a extraímos. não a de julgar o passado. os descobrimentos.. estudantes e pesquisadores de história podemos continuar a reproduzir este conceito? O historiador pode fazer julgamentos sobre o passado que estuda? Para que serve a história? Para julgar o passado ou para buscar compreendê-lo? Hilário Franco Júnior nos lembra que “a função do historiador é compreender. dentro outros fatores. marcado por guerras. a herança germânica e o Cristianismo. 13).

Uma das mais significativas mudanças operadas na Europa Ocidental com a decadência do Império e o início da Idade Média foi o deslocamento do centro da sua vida social para o norte. verificamos como os romanos conquistaram praticamente toda a região ao redor do Mar Mediterrâneo. e aqui destacaremos alguns dos que consideramos mais significativos: · Pax Romana: o fim das guerras de conquistas e de ampliação do Império põe fim aos recursos representados pelos saques e a fácil obtenção da mão-de-obra escrava. · Declínio do comércio e da vida urbana. o Império Romano estava vivendo um grave momento de declínio interno quando se soma a estes fatores a invasão dos povos germânicos na sua parte ocidental. Os povos germânicos invadiram a Europa Ocidental em dois momentos distintos: a) Uma primeira geração . movimento de ruralização. a vida urbana e as relações comerciais deixaram de ter na região a referência que tinham durante o mundo antigo. sobrevivendo durante alguns séculos num ritmo de vida em que o mar. ostrogodos e vândalos – ocupa diferentes territórios da Europa ocidental a partir de 406.Os Elementos da Transição da Idade Antiga para a Idade Média Observando o mapa abaixo. suevos. burgúndios. afetando os pequenos proprietários de terras e levando a concentração da riqueza e de poder aos grandes latifundiários.visigodos. Como podemos ver. · Elevação do sistema tributário. consolidando um Império em que este foi seu eixo principal. Os visigodos e suevos 9 . para a manutenção do Estado. A decadência do mundo romano é atribuída a diferentes fatores. que desenvolvia o trabalho produtivo.

fixaram-se na Península Ibérica organizando reinos na região. alamanos. francos. O que mais sobreviveu foi o dos visigodos. Os ostrogodos fixaram-se na península itálica sofrendo no século VI as ameaças do Império Bizantino e depois com as invasões de lombardos. bávaros – ocupam a área da Grã-Bretanha. Gália e outros territórios do centro europeu a partir da segunda metade do século V. o que facilitou o contato com os romanos. Composta de povos pagãos e conservando o contato com a pátria-mãe germânica tiveram mais oportunidade de estabilidade. graças à conversão ao catolicismo. b) Segunda geração de invasores – anglos-saxões. Os vândalos História fixaram-se e organizaram um reino no norte da África e os burgúndios no centro Medieval da Europa. como vemos no mapa abaixo: 10 . que foi destruído pelos árabes em 711. além de se caracterizarem pela superioridade militar O resultado da presença germânica na Europa Ocidental foi a substituição da unidade política do Império romano pela pluralidade dos reinos germânicos.

· Os fortes laços pessoais e familiares. então. filosofia. que iremos estudar no próximo bloco. de maneira que toda a classe de divindade que habita a morada celeste seja propícia a nós e a todos os que estão sob a nossa autoridade. 3-5): HERANÇA ROMANA: · O latim. reunidos felizmente em Milão para tratar de todos os problemas que se relacionam com a segurança e o bem público. vindos de diferentes grupos sociais. a Igreja organizou seu clero regular. política. Podemos concluir. · O pensamento político. · A sacralidade do poder real. cremos ser o nosso dever tratar junto com outros assuntos. HERANÇA GERMÂNICA: · A pluralidade política que substituiu a unidade romana. Constantino Augusto. por encontrá-las hostis e pouco apropriadas à nossa 11 . a fim de conceder tantos aos cristãos quanto a todos os demais a faculdade de seguirem livremente a religião que cada um desejar.O Cristianismo. Ao final deste período. tornou o Cristianismo uma religião livre de perseguições e em 380 o Imperador Teodósio transformou o Cristianismo em religião oficial do império através do Édito de Tessalônica. Como herdeira do legado cultural e do patrimônio do Império Romano. CRISTIANISMO: · Valores culturais impostos ao conjunto da vida social: direito. que a união dos três elementos descritos acima caracterizou o desenvolvimento das sociedades medievais no Ocidente: a herança do mundo romano. arte. Vejamos qual foi. Assim. Em 313. o Imperador Constantino. economia. Licíno Augusto. e teve a oportunidade. filosofia. Durante este período. vida privada. Por isso. veio se desenvolvendo de forma significativa ao longo deste período. Conhecendo as Fontes da História ÉDITO DE MILÃO (313) Eu. temos tomado esta saudável e retíssima determinação de que a ninguém seja negada a faculdade de seguir livremente a religião que tenha escolhido para o seu espírito. 1989. a fim de que a suprema divindade a cuja religião prestamos esta livre homenagem possa nos conceder o seu favor e benevolência. os reis francos iniciaram um processo de expansão territorial e política. a herança do mundo germânico e o Cristianismo. seu clero secular o seu patrimônio e a sua liturgia. por outro lado. segundo Fernand Braudel. arte. seja a cristã ou qualquer outra que achar mais conveniente. estabelecendo alianças com os invasores à medida em que estes conquistavam o poder. que merecem a nossa atenção para o bem da maioria. e eu também. de organizar-se internamente. · A literatura. é conveniente que vossa excelência saiba que temos resolvido anular completamente as disposições que lhe foram enviadas anteriormente com relação ao nome dos cristãos. · Manutenção do legado cultural da Antiguidade Clássica que estava em consonância com o cristianismo. Prestou. também. importante assistência a população durante as invasões germânicas. p. direito. e da união de seus interesses com os da Igreja Católica nasceu o Império Carolíngio. tratar também daqueles assuntos nos quais se funda o respeito à divindade. através do Édito de Milão. a religião cresceu em número de adeptos. A partir de então. cultura intelectual. a Igreja tornou-se a mais homogênea e duradoura instituição do Ocidente. com a ajuda do Estado. · O espírito guerreiro. a contribuição de cada um deles (Braudel.

SOBRE A ORIGEM DOS FRANCOS (. que de acordo com a disciplina apostólica e a doutrina evangélica. na medida em que a religião por ele introduzida tem prosperado até os nossos dias. também. É a nossa vontade que todos os povos regidos pela administração de nossa Clemência pratiquem a religião que o divino apóstolo Pedro transmitiu aos romanos. decidimos que lhes sejam devolvidos os locais onde anteriormente se reuniam.. passaram à Turíngia e aí. p. sejam eles propriedade do nosso fisco. que providenciaremos de acordo como juízo divino. E além.. 28-9. 1-2. acreditamos ser o nosso dever dar a conhecer com clareza estas decisões à vossa solicitude.Clemência. isto é. continuará ao nosso lado constantemente.. de agora em diante. que foram buscar na primeira. aos quais consideramos dementes e insensatos.. É evidente que esta é a religião que professa também o pontífice Damaso. ÉDITO DE TESSALÔNICA (380) Os imperadores Graciano. Desta maneira. Levou-nos a agir assim o desejo de não aparecer como responsáveis por diminuir em nada qualquer religião ou culto . que o façam livremente sem ter que sofrer nenhuma inquietação ou moléstia. Em todo o dito anteriormente (vossa excelência) deverá prestar o apoio mais eficiente à comunidade dos cristãos. Madrid: Gredos. à mais nobre das suas famílias. disso. In: Tuñón de Lara.. e que os cristãos não tenham de pagar por eles nenhuma classe de indenização . assumirão a infâmia dos dogmas heréticos.127 (Historiade EspañaXI).. ordenamos que lhe sejam devolvidos sem nenhum tipo de equívoco nem de oposição . Dado no terceiro dia das calendas de março. XVI. no ano de quinto consulado de Graciano e do primeiro consulado de Teodósio Augusto . (De mortibus persecutorum) Sobre la muerte de los perseguidores.) Muitos autores contam que estes povos saíram da Panômia e que se estabeleceram primeiro na margem do Reno. no que diz respeito aos cristãos.. se assim posso dizer. In: Apud Pedrero Sanchéz. Lactancio. e temos resolvido permitir a todos os que queiram observar a religião cristã. Española e notas de R. Barcelona: Labor. para que as nossas ordens sejam cumpridas o mais depressa possível e para que também neste assunto a nossa Clemência vale pela tranqüilidade pública.. XLVIII. para que saiba História que temos concedido aos cristãos a plena e livre facilidade de praticar a sua Medieval religião . introd... Valentiniano e Teodósio Augusto: édito ao povo da Cidade de Constantinopla. Media y Moderna. depois. nas aldeias ou nas cidades. e. Ordenamos que todas aquelas pessoas que seguem esta norma tomem o nome de cristãos católicos. 12 .. escolheram reis cabeludos. homem de apostólica santidade. 1984. do Filho e do Espírito Santo com igualdade de majestade e sob (a noção) da Santa Trindade.. e Pedro. p. Textos y documentos de Historia Antigua.. M. o resto. pois. ou tenham sido comprados por particulares. Assim. tendo em seguida atravessado este rio. In: Apud Pedrero Sanchéz. o favor divino que em tantas e tão importantes ocasiões nos tem sido propício. mas também outros pertencentes à sua comunidade . 27-8. como já temos dito anteriormente... trab. devemos acreditar na divindade do Pai. p. p. Teja. bispo de Alexandria. e.2-3. os lugares de suas reuniões não receberão o nome de igreja e serão castigados em primeiro lugar pela divina vingança. e como consta que os cristãos possuíam não só locais de reuniões habitual. (28 de fevereiro de 380). (por justo castigo) pela nossa própria iniciativa. para o êxito das nossas empresas e para a prosperidade do bem público. Porém. Código Teodosiano.. 1982.

como o judaísmo.. observando a Península Arábica. com as quais manteve contato através de viagens à Palestina.) Mas este povo mostrou-se sempre entregue a cultos fanáticos sem ter qualquer conhecimento do verdadeiro Deus. no período medieval marcando a história universal desde então.(. 13 . . os califas iniciaram o processo de expansão do Islã e do poder árabe sobre outros territórios.Fraqueza dos adversários (Bizâncio e Pérsia estavam exauridos pelas contínuas lutas). vamos sair um pouco da Europa Ocidental e deter o nosso olhar sobre outro espaço geográfico do mundo medieval. esmola e jejum. De Guadet e Taranne. C. pelo Oriente explica-se pela: . que ele passa a reconhecer como o único deus . O Islamismo: Maomé. origens.)” São Gregório de Tours [Bispo de Tours – 538-595 – 1º historiador da França]. Maomé era filho de mercadores da tribo coraixitas que mantinham acordo com tribos pastoris de Meca. Paris. Em Medina ocorreu a organização definitiva do Alcorão e a instituição da peregrinação. Trad. em 632. 1836. Legado Cultural. O conteúdo que resultou desta experiência revestiuse de um aspecto nacional (língua. Após a morte de Maomé.onde diz receber as profecias de Alá. onde inúmeros deuses eram cultuados. Vamos seguir o nosso caminho em direção ao mundo islâmico! Maomé e as Origens do Islamismo O Islamismo nasceu e expandiu-se.. que não aceitava o monoteísmo de sua pregação. devido ao santuário de Caaba. a história da humanidade. primeiros adeptos árabes) e um aspecto internacional (acolhendo todos os povos sem distinção de raça tal qual o Cristianismo). Fez imagens das florestas e das águas. do outro lado do mar. II. A Península Arábica teve um papel decisivo nas relações econômicas entre Ocidente e Oriente devido às caravanas que atravessaram os desertos transportando mercadorias e a navegação de cabotagem através de seu extenso litoral. IX-X. In: Apud Pedrero Sanchéz. Após sua experiência de revelação. Lib. Os árabes eram povos politeístas e nômades cuja língua era semita. prece regular.Maomé sofreu a perseguição da aristocracia mercantil de Meca. a aramaica. Historiae Ecclesiasticae Francorum. Organização da Religião e Importância para o Expansionismo. Ele fugiu para Medina em 16 de julho de 622 e esta data ficou conhecida como hégira marcando o início do calendário islâmico. dos pássaros. e por conseqüência do Islamismo. Este nasceu em Meca em 570 d. lugar onde nascia uma nova sociedade que viria marcar de forma permanente. 33.. dos animais selvagens e dos outros elementos aos quais tinha por hábito prestar um culto divino e oferecer sacrifícios (. Maomé foi o sintetizador de doutrinas e preceitos existentes em outras formas religiosas. O Islã nasceu no século VII com Maomé. Agora. A Expansão do Islã O sucesso da expansão dos árabes. nos séculos futuros. Meca era um importante centro comercial da Arábia Ocidental e de peregrinação. p.. para além das fronteiras da Península Arábica.

judeus e egípcios os árabes foram considerados libertadores). . Os xiitas não concordavam com o califado nas mãos de não familiares de Maomé e pretendiam uma interpretação rigorosa dos preceitos do Alcorão. No século X as contradições do sistema de governo centralizado e burocrático levaram a fragmentação do mesmo. . Estes levaram a capital do império para Damasco e avançaram até o norte da África e Península Ibérica e deram os primeiros passos em direção a Índia. Este período foi marcado pelo declínio desta sociedade após aliança entre o califa de Bagdá e os turcos seldjúcidas. A partir do séc.. tem um governo marcado pelos conflitos com Medina.Umar Ibn Abd al-Khattab (634-44) – avança até Damasco. parte do Império Sassânida (Pérsia). províncias sírias e egípcias do Império Bizantino. gerando conflitos com os conversos antigos e recentes do islamismo. que transferiram a capital do império para Bagdá. 14 . Após séculos os Omíadas foram substituídos pelos Abássidas. que não possuíam laços familiares com Maomé e tornaram a transmissão do califado hereditária. .O entusiasmo dos adeptos movidos por motivos religiosos e pela possibilidade de riqueza. História Os primeiros califas foram: Medieval . no Iraque.Uthman ibn Affan (644-56) – desloca o poder de Medina para as cidades do norte. A subida ao poder desta família dividiu os árabes em sunitas e xiitas. . XI. Os conflitos levaram ao poder a família dos Omíadas. conquista a Arábia e o sul da Palestina. iniciou-se a intolerância religiosa e a guerra santa.Ali ibn Abi Talib (656-61) – primo de Maomé.O bom acolhimento dos povos dominados por Bizâncio (para sírios. que pretendia retomar o controle do império. da Síria e do Iraque.Abu Bakr (632-34) – sogro de Maomé.

envolve-se em política em diferentes cortes do mundo muçulmano. 4. Ibn-Khadûn [nasce em Tunis. O CORÃO E A INSTRUÇÃO DA CRIANÇA MUÇULMANA (1332-1404): “É sabido que o ensino do Corão às crianças é um símbolo do Islã. [. grande intelectual].. 60-1. quer estejam mortos.. Em 711 árabes e berberes – povos islamizados do norte da África . p. In: Apud Pedrero-Sanchéz. p. onde se formou o 15 . Aqui pretendemos em breve exposição chamar a atenção para este importante processo histórico que marcou a formação dos Estados português e espanhol. já controlavam a península a exceção de regiões montanhosas do Norte. os quais [derivam] dos versos do Corão e de certas tradições proféticas. O Islã na Península Ibérica Comentamos agora sobre a significativa presença de povos islâmicos na Península Ibérica durante a Idade Média.) Combatei na tenda de Allah contra os que compram a vida mundana com a última! Àqueles que combatem na senda de Allah.Conhecendo as Fontes da História OS MUÇULMANOS E A GUERRA SANTA OU JIHAD: “Ó crentes! Ponde-vos em guarda! Lançai-vos contra os nossos inimigos em grupos ou em blocos. o fundamento de todos os hábitos que podem ser adquiridos mais tarde. Corão. 73-79... em 718. 62-3. O Corão tornouse a base da educação. quer estejam vitoriosos.invadiram a Península Ibérica e.The Muqaddimah. In: Apud Pedrero-Sanchéz.]”. Os muçulmanos têm e praticam tal ensino em todas as cidades. porque ele imprime nos corações uma firme crença nos artigos da fé. (. conceder-se-á uma enorme recompensa”.

– Impossível! – recrutou Jeha – os ratos não comem ferro. iniciou-se o processo de retomada cristã do território. e recebeu a denominação de Emirado de Córdova: em 756 tornou-se emirado. Observamos ali uma relativa tolerância religiosa. – Os ratos comeram-no – respondeu seu sócio. amanhã iremos ao magistrado. como veremos Medieval abaixo (Oliveira Marques. E não esqueça que elas também são fontes para a história. conhecida como Guerra da Reconquista. nas diferentes partes por ele atingidas. Jeha. onde. alcançar bom preço neste momento. Entenderam-se para comprar ferro.Forte comércio. Mas o judeu começou a vender o ferro de pouco a pouco. · Numa das últimas fases do domínio islâmico a península alcançou sua independência do domínio do império árabe organizando-se o Califado de Córdova (Al-Andaluz): na segunda metade do século IX. a península caracterizou-se pela presença de uma sociedade multilingüística e multiracial. a partir de 979. as relações que os árabes mantinham com os povos submetidos. Durante este período. – disse o judeu – mas já é noite. com capital em Toledo. incursões nórdicas e agitações religiosas levam Abd elRahman III (912-61) a iniciar um processo de pacificação proclamando-se califa em 929 (líder espiritual e temporal). mas não religiosa. 1995. o judeu e o Cádi eha associou-se com um judeu para fazer comércio de ferro. pois se assim foi. o território da península teve diferentes História formas de organização política durante o domínio islâmico. 25-31): · Primeiro. o território esteve sob domínio do Califado de Damasco: durante os primeiros 40 anos dominados pelos representantes encaminhados pelo Califa de Damasco. Mas as lutas lideradas por Al-Mansur. – Entendido. . Quando os preços tornaram-se vantajosos. contra os cristãos levam ao enfraquecimento do califado. Procuraram-se adquirir quantidade de metal que o judeu armazenava no porão de uma casa em que morava. Jeha apresentou-se ao judeu e disse: – Vamos vender o nosso ferro. Durante este período os árabes buscaram organizar uma sociedade marcada por: . navegação e produção artesanal nos centros urbanos. guardá-lo e revendê-lo quando os preços subissem. com grandes comunidades judaicas e de moçarabes cristãos. Selecionei uma história que trata da relação com os judeus. mas que não se converteram – como foi o caso de judeus e alguns cristãos. séculos depois. também. 16 . sem que o sócio soubesse disso. · Depois alcançou autonomia política. eu te levarei diante do cádi. Segundo Oliveira Marques. Boa leitura. O território português sob domínio árabe chamava-se Al-Garb Al Andalus (ocidente de Al-Andalus). o poder destes fragmentou-se e organizaramse pequenos reinos conhecidos como taifas: desintegração do califado ocorreu em 1002. transformando o emirado em califado e mantendo a sede em Toledo. Isto tornou a região totalmente independente do poder central exercido pelos ábassidas em Bagdá. · Na última fase do domínio islâmico. Conhecendo as Fontes da História Muitas histórias transmitidas através da tradição oral nos revelam informações sobre o cotidiano do império árabes.Reino das Astúrias. p.Eficiente forma de comunicação com a manutenção e ampliação da rede de estradas. Elas mostram.

seguindo de seus trabalhadores e chegou à casa do judeu. . –Demoli estas fundações! – disse-lhes. deu-lhe uma soma de dinheiro superior ao valor do ferro. Critérios para a avaliação: . Pare. Diz aí.” No dia seguinte. os ratos comem ferro. A. Rio de Janeiro: Ed. O Sultão fez redigir um dahir (*) em que pôs o seu selo. ordenou aos homens que demolissem suas fundações. Leia atentamente o enunciado antes de respondêlas. s/d. nosso homem dirigiu-se ao lugar em que ficam os trabalhadores à procura de trabalho. Lembro-me que. Jamil A. tranqüilo em casa. Leia isto aqui – respondeu Jeha. respondeu: “Sim. Tecnoprint S. 135-6. Lá. 17 . investindo Jeha do título e das prerrogativas de caid da tribo dos ratos. ficando com o dinheiro com que o judeu o subornava – venha amanhã com a parte contrária. Você deve redigir um texto para cada uma das questões propostas (mínimo de 15 e máximo de 30 linhas). Que significa isto? – disse. no seu domicilio pessoal.” Jeha partiu e foi rápido à casa do Sultão a quem pediu que o nomeasse caid da tribo dos ratos. percebeu que ela vacilava. Desceu correndo e viu Jeha e seus homens ocupados em demolir as fundações. Aí viu uns vinte robustos saarianos munidos de suas enxadas (sabe-se que as pessoas dos oásis do Saara são famosas na abertura de poço. sendo muito jovem. [ ] TRABALHAR Agora é hora de Responda as questões abaixo. Contos Árabes. p. Não tens nada a reclamar do teu sócio. tomando a palavra no lugar do judeu. O cádi.Clareza na exposição do tema proposto. saiu de sua casa e disse: O que é isso? Jeha mostrou -lhe o dahir do Sultão e acrescentou: “Eu sou caid da tribo dos ratos e procuro os que furaram o pilão de cobre para comer o sebo. maravilhado com a astúcia de Jeha.Articulação entre as diferentes partes do texto. . In: HADDAD. introdução e notas). (seleção. senhor! – gritou o judeu. Os ratos atravessaram o pilão e comeram o sebo. senhor.” O caid. que é o caid da tribo dos ratos! É em virtude deste titulo – disse Jeha – que eu procuro os ratos que comeram o meu ferro para condená-los – (os ratos vivem nas fundações das casas marroquinas). Jeha e o judeu apresentaram-se diante do cádi e o primeiro expôs o caso. O cádi acreditando que se escavava a terra. / Ediouro. – disse-lhes – eu lhe darei dois riais por dia. “Pois bem. meus caros filhos. “Venham trabalhar comigo. Garantido por esse título. Jeha embolsou a soma e levou os saarianos à casa de cádi. trabalhos de irrigação e sondagens).Domínio dos conceitos.Então o judeu foi à casa do cádi. mostrando-lhe a dahir do Sultão. e contou-lhe a história. minha mãe colocou sebo num pilão de cobre.” Depois pôs-se a caminho.Argumentação. mas pare com suas buscas. – disse o juiz. . – Eu lhe dou o preço do seu ferro e outro dia ainda. O judeu.

2. das invasões germânicas e do cristianismo para a formação das sociedades medievais ocidentais. Medieval História A partir da análise dos mapas e do texto sobre a origem do Islã e sobre a sua expansão e presença na Península Ibérica. os francos iniciaram sua presença na região da Europa Ocidental. Pepino. a pedido do papa Estevão II. Parte deste território foi doado à Igreja. e teve em Carlos Magno sua figura principal. foi sagrado Imperador do Ocidente pelo papa Leão III. entre 756 e 760. Desde o início desenvolveram um projeto expansionista. A ALTA IDADE M ÉDIA (SÉCULOS VIII-X) A Aliança entre a Igreja e o Poder Político Germânico: O Império Carolíngio Conforme vemos no texto de Jacques Le Goff.Comentar sobre a importância da crise do Império Romano. ocupando os reinos dos burgúndios e dos alamanos. especificamente na Gália. que reinou entre os francos entre os anos de 751 a 987. foi sagrado rei pelo papa e em 800 Carlos Magno. Um passo importante para a solidificação desta aliança foi a ocupação da península italiana. Pepino. inaugurando a dinastia carolíngia e ampliando a aliança com a Igreja que já havia sido estabelecida no reinado da dinastia merovíngia. novo rei dos francos (768-814). 1. Abaixo faremos um breve resumo da história da dinastia carolíngia. que via neste projeto a oportunidade de recuperar o território do antigo império 18 . A liderança da dinastia carolíngia só fez acelerar este processo. o breve. tomada dos lombardos. sob o poder da dinastia merovíngia (Le Goff. que usaremos como base para a redação deste. sucedeu Carlos Martel em 741. p. onde foi fundado o Estado Pontífice. Reinando entre 751 e 754. 6585). o breve. comente sobre a sua importância na Idade Média.

estimulando o uso do latim na administração e no campo jurídico (capitulares e ordenações). o calvo (França Ocidental). Com o Tratado de Verdun. inclusive sobre Bizâncio. mas num sistema de relações pessoais que tinham como objetivo a manutenção da fidelidade de seus subordinados. estabelecendo as formas de um contrato jurídico que viria a dar origem às relações de susserania e vassalagem que marcaram o modelo de sociedade feudal. cultural. e também afirmar a supremacia do poder espiritual sobre o temporal (todo o poder vem de Deus. tornando impossível a recuperação de uma concepção romana de governo almejada pelos reis carolíngios. Do ponto de vista administrativo. A Igreja fortaleceu seu poder aproximando-se no poder estatal franco (funcionários régios. Carlos Magno organizou o Estado franco a partir de um modelo centralizado com funcionários régios em todo o território (delegados nobres e missi dominici. 843. o piedoso. social. bispos conselheiros régios) e da sociedade exercendo nela diferentes funções (assistencial. rei sucessor de Carlos Magno. Tal divisão esboça a área das futuras nações da França. Luís. Quase ao fim do reinado de Carlos Magno. o germânico (França oriental) e Lotário (França central). parlamento aristocrático). A crise que levou ao fim do título imperial em 924 deveu-se à inexistência de um sentido de Estado (poder público) por parte dos reis germânicos. leis canônicas tornadas leis civis. que promoveu a reforma religiosa no Império. Carlos Magno e seus sucessores reinavam como verdadeiros reis germânicos. que alienavam progressivamente tanto o território como o poder imperial que exerceram. onde ampliou as alianças com a aristocracia em troca de fidelidade. O projeto expansionista dos francos foi um sucesso. Baseavam os seus poderes não num sistema jurídico centralizado e territorial. A divisão deu-se da seguinte forma: Carlos.e renovar a supremacia papal. apenas permaneciam fora do império dos francos na Europa ocidental o território da GrãBretanha. a Espanha islâmica e o novo Estado Pontífice. Alemanha e Itália. Criou os “benefícios”. educacional). por intermédio do papa). Mas embora detivesse o título de Imperador Romano do Ocidente. o reino franco foi dividido entre os filhos de Luís. 19 .

os normandos tornaram-se senhores da Inglaterra. verificamos a partir do século IX uma recuperação da economia medieval no Ocidente. Abaixo. desestabilizada desde o século V pela decadência romana e invasões germânicas. fizeram isto devastando o litoral. a partir de 899. comentaremos algumas destas mudanças: Novas invasões desestabilizam o espaço europeu (islâmicos. . Ao norte e por mar . em 911 criaram o reino da Normandia no norte da Gália de onde enxameiaram o ocidente e deixaram sua marca. . Instalaram-se no território russo no século VII. Os húngaros sedentarizam-se e cristianizaram-se fundando o reino da Hungria. e em 1029 ocuparam a Itália meridional e a Sicília. . conquistando-a definitivamente em 1066. 1995. além de excursões na França e Itália também. controlando boa parte do mediterrâneo e o comércio nele realizado. normandos. Econômicas e Sociais da Alta Idade Média Medieval História No século IX várias transformações modificaram o cenário europeu ocidental. Suecos atacaram a Rússia. p. 20 . resultado de uma renovação do comércio nos séculos VIII e IX. Recuperação econômica: Segundo Jacques Le Goff. noruegueses atacaram a Irlanda e dinamarqueses invadiram pelo mar do norte e Canal da Mancha. divisões de terrenos cultivados. Ao leste e por terra: húngaros ou magiares. Em 980. apogeu do comércio da Frísia e do porto de Duurstede. O século X foi um período de novidades decisivas. que durou de 936 a 1806. pelo rei Otão I.os islâmicos invadiram a costa italiana ao longo do século IX. sob o território da Itália e Germânia. de onde foram expulsos por povos turcos iniciando.escandinavos ou normandos (vikings): seus objetivos eram a pilhagem. . reforma monetária de Carlos Magno. avanços das técnicas de cultivo. Este século foi decisivo no campo das transformações econômicas para a Cristandade Ocidental (Le Goff. 80-5). fundando o Sacro Império Germânico. . Foi o início do renascimento econômico. Os normandos controlavam o comércio através do mar do Norte. especialmente no domínio do cultivo e da alimentação. .As Transformações Políticas. A vitória sobre os húngaros em 955. decorrentes do: . Ao sul e por mar . ajudou no surgimento do poder da dinastia otoniana que restaurou o poder imperial carolíngio. melhoria da produção agrícola: novos sistemas de atrelamento de animais. húngaros): . Otão I foi sagrado pelo papa João XII. abadias e cidades européias. em 961. invasões sistemáticas nas fronteiras do leste da França Oriental e da Germânia.

Le Goff atribui este despertar do Ocidente ao: 1) Estímulo externo: formação do mundo islâmico – administrando metrópoles urbanas e consumidoras - que suscitaram no Ocidente germânico o aumento da produção de matérias primas para exportação para Córdoba, Fustat, Cairo, Damasco, Bagdá. São madeiras, ferro, estanho, mel e escravos. 2) Estímulo interno: progresso técnico verificado no próprio solo ocidental – agrícola, com aumento das áreas cultivadas e seu rendimento; militar, no uso do estribo que permitiu melhor domínio do cavalo e gerou uma nova classe de guerreiros, os cavaleiros. - Os grandes proprietários promoveram exploração intensa do solo e geraram pequenos excedentes de produção entregues aos mercadores (Le Goff, 1995, p. 84-5).

Os Elementos Formadores do Feudalismo
O Feudalismo não possuiu as mesmas características e nem teve uma evolução simultânea em toda a Europa. Embora concretamente só podemos falar de uma sociedade feudal na Idade Média Central, iniciamos a discussão sobre este tema neste espaço dedicado à Alta Idade Média para mostrar como sua consolidação dependeu de processos históricos deste período. Segundo Loyn, no Dicionário da Idade Média, “...as origens da sociedade feudal situam-se melhor na França setentrional dos séculos IX e X, com o declínio da monarquia carolíngia (na Inglaterra, de maneira mais dramática em 1066, com a conquista normanda), e seu desaparecimento no século XVI (Loyn, 1997, p.146). Considerando a visão deste autor, listamos alguns dos elementos que caracterizam o feudalismo e a sua origem, seguindo uma ordem de importância: - A supremacia de uma classe de guerreiros especializados, chamados cavaleiros, que formavam a classe dominante, surgindo o feudalismo deste processo de ascensão da cavalaria; - Relações de suserania e vassalagem, marcadas por vínculos de obediência e proteção que ligam homem a homem e, dentro da classe guerreira, assumem a forma específica denominada vassalagem (Bloch, Marc APUD Loyn, 1997, p. 146). Esta relação foi originada de uma “forma de encomendação germância antiga, pela qual um homem livre se submetia a um outro por um ato de homenagem (as mãos juntas colocadas entre as do senhor), confirmado por um juramento sagrado de fidelidade e vassalagem e usualmente acompanhada pela outorga de um feudo” (Loyn, 1997, p.146). - A existência do feudo, “ que é a essência dominial do feudalismo e vincula o senhorio e as relações feudais à terra” (Loyn, 1997, p.146). O feudo era outorgado por investidura. Segundo Loyn, feudo era a terra de um senhor, confiada a seu vassalo em troca de serviços meritórios, os quais incluíam serviços militares, ajuda e conselhos. (Loyn, 1997, p.146). - A existência da propriedade senhorial, representada no castelo que “ era o símbolo e a essência do senhorio feudal, que se impunha à terra por meio dos homens montados que tinham sua base dentro de suas sólidas muralhas” (Loyn, 1997, p.146). - A existência de um campesinato mantido em sujeição dentro de um senhorio. É bom lembrar que, além de cavaleiros, nobres possuíam relações feudalizadas com monarquia medieval e a Igreja. Esta última recebia a concessão de feudos “em troca do serviço de rezar” (Loyn, 1997, p. 146). Mas sobre isto falaremos no próximo bloco, ao tratarmos sobre a sociedade feudal.

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Texto Complementar
Medieval
História
Charles Parain (...) O FLORESCIMENTO DO REGIME FEUDAL
a) No século X o feudalismo acha-se ainda em formação. Os vínculos feudais forjam-se entre os grandes proprietários agrários e antigos altos funcionários carolíngios (“duques”, “condes”) que conservam os vestígios de uma autoridade de Estado. Em nível dos camponeses, continua havendo uma distinção clara entre livres e não livres. Os livres, bastante numerosos, dispõem de “alódios”, ou seja, de propriedades completamente independentes. Participam da justiça. Se têm um “senhor”, podem trocá-lo quando o desejarem. O mesmo não sucede com os vassalos. Numa palavra os vínculos feudais são fracos. As solidariedades familiares ou morais também o são. Os traços do feudalismo estão apenas esboçados. b) A partir do ano 1000 até 1150 podemos falar de feudalismo em ascensão. O sistema começa a se caracterizar. A dissociação que já havia chegado ao poder real, alcança agora o poder dos duques e dos condes. No alto há risco de anarquia, mas na base, a vitalidade da exploração camponesa livre trouxe consigo uma renovação demográfica – há muitos espaços vazios, mas as terras facilmente cultiváveis estão superpovoadas – e uma renovação técnica; adota-se cada vez mais a brida rígida para o cavalo, o arado com rodas, a debulhação; cultiva-se mais a cevada e a aveia, cereais de introdução relativamente recente. (...) c) De meados do século XII ao fim do século XIII, o regime feudal europeu conhece seu florescimento e seu apogeu; não obstante, o aumento das forças produtivas, sob os aspectos nos quais a sociedade feudal as havia captado, alcança então seus limites; as contradições internas do sistema fazem-se sentir e isto obriga as instituições e o direito a cristalizarem-se, fixarem-se. A evolução em profundidade ataca a lógica do mecanismo. (...)

lenta gênese do regime feudal tem, naturalmente, sua “periodização”. Entre as forças materiais em vias de desenvolvimento (demografia, técnicas agrícolas) por um lado, e por outro as superestruturas jurídicas, políticas e morais que se dissolvem (o poder dos imperadores e reis) ou que se constituem (os vínculos feudais) existe, de fato, uma interação dialética contínua que desemboca, segundo as datas nas quais são levadas a cabo, em determinadas combinações características. Entre o século IX, depois do fracasso da renovação imperial carolíngia, e o século XIII, no qual o ocidente europeu feudal alcança seu apogeu, podemos assinalar duas fases distintas. As que vamos indicar servem, sobretudo, para a região da Borgonha, uma das que foi melhor observada. Indubitavelmente, podem ser utilizadas para uma visão geral, ainda que sempre com as necessárias reservas.

PARAIN, Charles. “Evolução do Sistema Feudal Europeu”. IN: SANTIAGO, Théo (org.) Do Feudalismo ao Capitalismo: uma discussão histórica. São Paulo: Contexto, 2000, p.20-36.

A Questão da Terra na Idade Média
Os senhores A posse dos domínios territoriais era de três grupos distintos: a Igreja, a Coroa e a nobreza. Os domínios da Igreja eram indivisos, ao contrário dos outros que sofriam divisões sucessivas devido a doações e partilhas sucessórias. Isto explica o fato de a Igreja possuir a maior parte das terras do Ocidente cristão ao final da Alta Idade Média.

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Os trabalhadores Encontramos, nas propriedades feudais, os camponeses. Temos camponeses livre, não-livres e escravos. A tendência é que a partir do século XII os encontremos em sua maioria na condição de servos. Estes trabalhadores colocavam-se sob o domínio dos seus senhores em troca de proteção e de um pedaço da terra para usufruto pessoal. Para isto, sujeitavam-se ao cumprimento de obrigações pessoais e encargos como descreveremos no item abaixo, sobre as propriedades senhoriais. Os domínios e os senhorios: a divisão interna Vejamos como estavam divididas as propriedades do clero e da nobreza ao longo da Idade Média: a Alta Idade Média predominou a economia agrária dominial, baseada no modelo da villa romana. Neste período a grande propriedade era designada de domínio. O domínio era dividido em: terra indominicata (reserva senhorial) e terra mansionaria (mansus). Os mansus eram partes do território destinadas ao usufruto dos camponeses, desde quando estes cumprissem sua parte no contrato estabelecido com os seus senhores. As prestações pagas por servos ao senhor eram em forma de encargos em espécie e em dinheiro por ano e encargos em prestações de serviços na reserva (corvéia). O fundamento da economia dominial: prestação de serviços na reserva senhorial pelos camponeses livres, mas dependentes. No século IX este regime já encontrava-se descaracterizado, sendo as corvéias substituídas por dinheiro.

a Idade Média Central observamos a passagem da agricultura dominial para a senhorial. Segundo Hilário Franco Júnior o “senhorio era um território que dava a seu detentor poderes econômicos (fundiários) ou jurídicos-fiscais (banal)” e o feudo “era uma cessão de direitos, geralmente, mas não necessariamente sobre um senhorio” (Franco Júnior, 2001, p. 37). Portanto, não se deve confundir senhorio com feudo. O senhorio era assim caracterizado: “era um território que dava a seu detentor poderes econômicos (senhorio fundiário) ou jurídico-fiscais (senhorio banal), muitas vezes ambos ao mesmo tempo (Franco Júnior, 2001, p. 37)”. Durante este período observamos a diminuição das terras destinadas aos camponeses, e os mansus foram transformados em tenências, lotes menores e com maiores encargos. Os encargos destinados aos camponeses eram de duas espécies: - Senhorio fundiário: censive (pequena renda fixa – censo) paga em dinheiro ou espécie. Mão-morta - transferência hereditária. Champart - proporcional ao rendimento da colheita. Corvéia.

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De Fulbet de Chartres ao Duque de Aquitânia Guilherme V (1020) [. porque não é suficiente abster-se do mal. charrua. talha. honesto. Delisle. honesto. nem tornar impossível o que para ele seria possível..X.173. sem punição. fácil ou possível. v. força motriz animal. Recueil dês historiens dês Gaulês et de la France. Incólume. se alguém o ataca.] Aquele que jura fidelidade ao seu senhor deve ter sempre presente na memória estas palavras: incólume. moinho de água e de vento). seguro. ao progresso das técnicas agrícolas que não exigiam necessariamente terras tão extensas para manter o mesmo nível de produção e a cessão de feudos para os vassalos. visto que não deverá tornar difícil ao seu senhor o bem que ele facilmente poderia fazer. em adição conceder fielmente conselho e ajuda ao seu senhor nas seis coisas acima mencionadas. O senhor deve proceder da mesma maneira com o conselho e ajuda. multas e taxas judiciárias. p. auxiliar o seu senhor. Cit. p. e obedecer-lhe em todos os casos legítimos. para que não enfraqueça os seus direitos de justiça ou de outras matérias que pertençam à sua honra. no assassinato e naquelas coisas que não são consentidas a ninguém. útil. seguro..463. e deve ir em auxílio do seu homem em todas as vicissitudes. 24 . Com o seu poder ampliado devido ao poder banal sobre o senhorio. útil. lagar. se deseja ser considerado merecedor do seu benefício e digno de confiança na fidelidade que jurou. retribuir da mesma maneira todas estas coisas ao seu fiel. exceto no roubo. bosques albergagem. Medieval Verificamos também uma diminuição da reserva senhorial devido a criação de novas tenências. para que não traia os segredos ou armas pelas quais ele possa manter em segurança. O senhor deve. para que não cause prejuízo às suas possessões. Conhecendo as Fontes da História Sobre a Organização Feudal: DIREITOS E DEVERES FEUDAIS (S.Na Inglaterra do século XI É permitido a qualquer um.n.. Se o não fizer. op.. exatamente como seria (considerado) pérfido e perjuro (o vassalo) apanhado a fazer ou consentir tais prevaricações. na medida em que não deve causar prejuízos corpóreos ao seu senhor. adubo mineral. a menos que faça também o que é bom..Senhorio banal: taxas pelo uso de moinhos. será como razão acusado de má fé. forno. este acabava aumentando a exploração História sobre os camponeses através da criação das taxas listadas acima. XI) A . 1874. que agora o senhor passava a possuir. fácil e possível. sem malícia. alojamento. também. sendo reconhecidas como infames pelas leis. Paris: s. Apud Espinosa. Portanto. não será só por isto que merece benefício. L. B . Todavia se é justo que o (vassalo) fiel evite estas injúrias. Este foi um período marcado por um intenso crescimento da produção conseqüência da ampliação da mão de obra e de terras e da difusão de diferentes técnicas (sistema trienal.

174-5. jurou o mesmo sobre as relíquias dos santos. sem reservas. Vita Karoli Comitis Flandriae. mas fica obrigado a cumprir aquilo que promete por postura.É permitido a todo senhor convocar o seu homem. Homenagem tanto quer dizer como tornar-se homem de outrem e se fazer como seu para dar-lhe segurança sobre a coisa que promete dar ou fazer. tendo juntas as mãos.] Na sexta-feira (7 de abril) foram de novo prestadas homenagens ao conde. as quais eram feitas por esta ordem. H. o homem de uma honra não é obrigado por lei a ir a outro pleito. op. cit. salvo se a causa pertencer àquele para o qual o senhor o convocar. cit. com estas palavras: “Comprometo-me por minha fé a ser fiel daqui por diante ao conde Guilherme e a cumprir integralmente minha homenagem. 94-5. De que maneira se deve dar e receber o feudo: Podem os senhores outorgar e dar o feudo aos vassalos desta maneira: ficando o vassalo de joelhos ante o senhor. p. XII E XIII) A . desta maneira. In: M. deverá ir ao pleito se o seu senhor o convocar. Primeiro prestaram homenagem desta maneira: o conde perguntou (ao vassalo) se ele deseja tornarse o seu homem. Galberto Brugense. p. o conde deu a investidura a todos aqueles que por este fato tinham prestado lealdade. deve colocar suas mãos entre as do senhor e prometerlhe. e mesmo que (o vassalo) seja residente no mais distante mansus e honor de quem o protege. 3. Boston. Apud Espinosa. com uma varinha que segurava na mão. Se um homem está ligado a vários senhores e honras.Como um homem se pode fazer vassalo de outro Um homem se pode fazer vassalo de outro segundo o antigo costume da Espanha. 1922 p. 4. e em terceiro lugar. 1856..]1 Henrique I. VASSALAGEM E INVESTIDURA (S. Scriptores. p. que a cumpra.[.. outorgou-se por vassalo daquele que o recebe e. então. Readings in English History drawn from the original sources. Hannover. In: Apud Pedrero Sanchéz. ele respondeu: “Quero”. e sta homenagem não somente tem lugar em pleito de vassalagem mas em todos os outros pleitos e posturas que os homens ponham entre si com intenção de cumpri-las.132. t. que deve estar à sua direita no tribunal. B . beijando-lhe a mão por reconhecimento de senhorio e ainda há outra maneira de fazer homenagem que é mais grave porque por ela se torna um homem não somente vassalo de outro. juramento e fazendo pleito e homenagem que será sempre leal e verdadeiro e que dará bom conselho a cada um que o zelo ordenar e que não contará seus segredos e que ajudará contra todos os homens do mundo a seu poder e que evitará seu dano e guardará e cumprirá ¹ Vassalagem Total 25 .591. IXXXXII. 172. Finalmente. XII.. em expressão de fidelidade e garantia. não obstante o muito que depende dos outros. p. P.. Em segundo lugar.. homenagem e juramento. E. In: Cheyney.. aquele que havia prestado homenagem jurou fidelidade ao porta-voz do conde. de boa fé e sem dolo. Apud Espinosa. colocaas entre as mãos do conde e aliaram-se por beijo. G. deve mais e estará sujeito à justiça daquele de quem é o homem lígio [. op. contra todos”. Se o senhor possuir diferentes feudos.

] ele detém 2 mansos livres com 7 bunuaria2 de terra arável. ou com outra coisa daquele que dá em feudo ou colocar-lhe a possessão dele por si ou por homem certo a quem História o mandasse fazer. um colonus e mordomo. carretos. Fac-símile: Salamanca. 62 (VI. ou castelo. oscilando entre 18 e 26 litros.. p. AS OBRIGAÇÕES DOS COLONOS (S. Las Siete Partidas. E as darão segundo a lei tal como é costume. o Sábio. In: Apud Pedrero Sanchéz. B. p. XIII) [. 97-8. e a sua mulher. IX) Walafredus. XIII) Feudo é o benefício dado pelo senhor a algum homem porque se tornou seu vassalo e lhe fez homenagem de ser-lhe leal. p. 3v. o Sábio. a mesma coisa com relação ao feno. Ele lavra 4 varas4 para um cereal de Inverno e 2 varas para um cereal de Primavera.6. 6 acres de vinha e 4 de prados. medida de capacidade variável segundo os locais da época.II. p. Apud Espinosa. equiparavam-se ao alqueire. E depois que o vassalo houver jurado e prometido todas estas coisas. tomou este nome da fé que deve o vassalo guardar ao senhor. 105-6. XXVI. 1. todo ano em sua câmara.] Polyptyque de l‘abbé Irminon. têm 2 filhos [. 4 Cerca de 1. ou com vara. XXV.. In: Apud Pedrero Sanchéz. l. este se faz quando o rei doa maravedís [moeda castelhana] a algum vassalo seu.] homens de St. uma colona [. p. op.1844. Germain.. t. 1985. 26 . O FEUDO (séc. Outra maneira é o chamado feudo de câmara... ou outra coisa que se constitua um bem de raiz e este feudo não pode ser tomado do vassalo a não ser se falecer o senhor com o qual tratou ou se fizer algum erro pelo qual o deva perder.] Os camponeses devem entregar ao vigário no tempo da colheita duas gavelas por cada quatro de terra. Esta renda pagar-se-á desde São Martinho até o jejum. 3 galinhas e 15 ovos [. segundo o censo. In: Apud Pedrero Sanchéz. assim como é mostrado adiante. XXVI. três medidas de aveia e um quarto de cevada ou mistura de trigo e centeio.. Afonso X.. trabalho manual. Ed. op. Cit. A vara francesa era uma medida de superfície. Cit. E se não quiserem entregar a mistura de uma só vez. ou com luva. Em Portugal. uma vila. Afonso X. l. um porco no seguinte.III). 65). segundo o salário dos ceifadores. v. Devem entregar por cada quarto de terra o peso que um homem pode levar normalmente desde a casa do lavrador à do vigário sem utilizar-se de artimanhas. cortes de arvores quando para isso receber ordens. t. é a seguinte: dois sectários por quarto. p. Guénard. 96-7. 2 modios3 de vinho pelo direito de usar as pastagens e uma ovelha e um cordeiro. Madrid: Boletín Oficial del Estado. t. 1555.III) p. o senhor deve investilo com um anel. ao entregá-la acrescentarão à quantidade indicada uma medida cheia e não rasa de cevada. Las Siete Partidas (IV.. medida de superfície correspondendo aproximadamente a um quarto de acre. l. p185. acrescentarão 2 3 Bunuarium. Modio.66 (IV. 4 denários pelo direito de usar a madeira. São duas as formas de feudo: uma é a outorga. e este feudo tal pode o rei cancelar quando quiser. RENDAS E SERVIÇOS (S.60 acre.Medieval todas as posturas que com ele tratou por conta daquele feudo. Deve corvéias. Deve por cada manso uma vaca por ano.. Quanto à mistura de trigo e centeio que devem abonar os camponeses.

coletor de censos. 106-7. o senhor. Deloche. e em sinal de senhorio. Os homens do território de São Paulo não se casarão com mulheres de fora.uma medida colmada e de mistura de trigo e centeio em medida rasa. a mulher. Responderam os ditos senhores que não sabem nem acreditam que tal servidão ocorra no presente no principado. pretendem alguns senhores que quando o camponês toma mulher. p. p. e o homem ou mulher voltarão para a sua terra. quando a mulher do senhor pare. 5 Payeses de remessa: Trata-se dos camponeses da Catalunha os quais revoltaram-se contra os senhores durante o final dos séculos XIV e XV.. E se o juiz ou o vigário tivessem infringido esta lei por qualquer razão. o Católico. 1859. Histoire des institutions et des faits sociaux. um mau exemplo e ocasião para o mal.). VIII – Que o senhor não possa dormir a primeira noite com a mulher do camponês: Item.50. toma alguma mulher de um camponês como ama-de-leite sem pagamento nenhum. suplicam e desejam que isto seja suprimido. à força. Sobre o feudo do juiz. enquanto possam encontrar do domínio mulheres com as quais possam casar legalmente. mantidos em ferros e cadeias e freqüentemente recebem golpes. como foi afirmado no dito capitulo. rompem e anulam os ditos senhores tal servidão como coisa muito injusta e desonesta. nem sobre os bosques senhoriais. DIREITOS SENHORIAIS SOBRE OS SERVOS (1462) (Capítulo do Projeto de Concórdia entre payeses de remessa5 e seus senhores). pedem e suplicam que isto seja totalmente abolido. o vigário não tem jurisdição nem poder de embargo: nem tampouco o vigário tem jurisdição nem o juiz poder de embargo sobre o feudo do despenseiro. o senhor há de dormir a primeira noite com ela. (Ed. renunciam. sem recorrer a enganos. paguem ou abade ou ao preboste a multa determinada pela lei que é de 60 soldos. As mulheres ficarão igualmente sujeitas a esta norma. 1448 e 1462. VI – Que seja suprimido o direito de maltratar o camponês: Item. 1956. Foram críticos os levantamentos 1413. a noite em que o camponês deva contrair núpcias.. M. E se o camponês tivesse agido sem consentimento deles pagará segundo a lei. J. assim. sem pagar e sem remuneração. Paris. a não ser por meio de justiça. acontece às vezes que. Respondem os ditos senhores que estão de acordo e outorgam o que lhe é pedido pelos ditos vassalos no dito do capitulo. data deste documento. estando deitada. nem do cozinheiro. In: Apud Pedrero Sanchéz. guarda-bosques. (X-XIX sèles) Paris: PUF. Respondem os ditos senhores que estão de acordo no que troca aos senhores alodiais que não tem outra jurisdição a não ser aquela que afirma que o dito senhor pode maltratar o vassalo. alguns senhores pretendem e observam que os ditos camponeses podem justa ou injustamente ser maltratados à sua inteira vontade. Apud Imbert. nem tenha sido jamais exigida por senhor algum. pescador. do qual se segue grande dano e indignidade e. Desejam e suplicam os ditos camponeses que isto seja suprimido e não possam ser mais maltratados por seus senhores. Se isso é verdade. em muitas partes do dito principado de Catalunha. VII – Que a mulher do camponês não seja obrigada a deixar seu filho sem leite para alimentar o filho do senhor: Item. passando sobre a dita mulher e como isso é infrutuoso para o senhor e uma grande humilhação para o camponês. IX – Do abuso de que o filho ou filha do camponês tenha que servir ao senhor. deixando o filho do camponês morrer por não haver forma alguma de dar ao dito filho de outra parte. vem o senhor e sobe à cama. Charte de l´abbaye de Beaulieu em Limousin. O desfecho final do conflito viria com a Sentença Arbitral de Guadalupe (1486) sob o reinado de Fernando. 27 .

religiosa. usam e praticam alguns senhores que quando o camponês tem um filho ou filha já em idade de casar. El Régimen Señorial y la cuestión agraria en Cataluña durante la Edad Media. ideológica. para: .. p. 108-9. Critérios para a avaliação: . o campesinato e a nobreza. 1. p. SP: Brasiliense. Discutir o conceito de Feudalismo. p. Leia atentamente o enunciado antes de respondêlas.Argumentação. 88). . . . econômica. para que lhe sirva algum tempo sem nenhum pagamento e remuneração do qual se seguem coisas desonestas e grande humilhação do História camponês.Item. institucional. Analise o que foi e quais as principais conseqüências do progresso agrícola do Ocidente. com suas facetas política. Medieval Respondem os ditos senhores que já responderam acerca do presente no capitulo VIII. E. cultural. [ ] TRABALHAR Agora é hora de Responda as questões abaixo.” (Franco Júnior.Articulação entre as diferentes partes do texto. . verificado entre os séculos IX e X. . 2001. 1905. social.O desenvolvimento de novas formas de exploração da terra e organização do feudalismo. Cit. 28 “O que se deve chamar de feudalismo ou termo correlato. 2. op.Domínio dos conceitos. Madrid.O desenvolvimento de novas relações sociais entre a Igreja Católica. In: Apud Pedrero Sanchéz. . apresentando os elementos que caracterizam este modelo de sociedades na Europa Ocidental a partir do século X. forçam o camponês a deixar-lhe seu filho ou filho. In: Hinijosa.. é o conjunto da formação social dominante no Ocidente da Idade Média Central.78-9.Clareza na exposição do tema proposto. p.. a partir da definição dada por Hilário Franco Júnior. Apud Artola. Você deve redigir um texto para cada uma das questões propostas (mínimo de 15 e máximo de 30 linhas).366-8.A expansão territorial e comercial do Ocidente. A Idade Média: o nascimento do Ocidente.

O autor lembra que a Igreja era a maior detentora de terras e detinha o controle da vida dos indivíduos. resultado do renascimento comercial e urbano do período. outros grupos começam a crescer dentro deste: eram trabalhadores assalariados. da ideologia da ordem. séculos mais tarde. p. outros combatem e outros trabalham. Vamos definir cada um destes grupos: Mas. além de ser a legitimadora das relações de suserania e vassalagem e da dependência dos servos em relação aos seus senhores (Franco Júnior. em primeiro lugar. a conexão entre os vários elementos que compunham esta formação social. burgueses. 89). que leva a mesma a ser pensada dentro de uma lógica de imutabilidade e dificulta a mobilidade social.Esta ideologia por outro lado.APOGEU E TRANSFORMAÇÃO NA EUROPA OCIDENTAL A IDADE MÉDIA CENTRAL (S ÉCULOS XI-XIII) A Sociedade Feudal É preciso destacar a importância da Igreja na consolidação do modelo de sociedade feudal. além de promover a tradição e a obediência nas relações sociais. deu origem a uma forma de divisão social em que uns oram.Podemos lembrar. alterar profundamente este modelo de sociedade. 2001. Que elementos caracterizam esta sociedade? . segundo Franco Júnior. pois é através do seu intermédio que se dá. baseada na idéia de uma ordem celeste e imutável que inspiraria o modelo de vida dos homens. artesãos. 29 . Estas transformações viriam. . principalmente a partir da Idade Média Central.

. p. que acreditam uma.. o piedoso. é um homem como os demais.. é mau cavaleiro aquele que jamais ajuda o povo do que o seu senhor. e é assim que a lei pode triunfar. ou que quer fazer-se dono e tirara os estados do seu senhor. por se só. pois nem o rei. op. pois. XI) “A sociedade dos fiéis forma um só corpo. In: Apud Pedrero Sanchéz. pois por temor dos cavaleiros não se atrevem as gentes a destruí-las nem os reis e príncipes a invadir uns aos outros. está. são chamados lavradores. os serviços prestados por uma são a condição das obras das outras duas. o Sábio. p. distingue duas outras classes: com efeito. Cit. nem príncipe. Mas o cavaleiro malvado que não ajuda o seu senhor natural e terrenal contra outro príncipe é cavaleiro sem ofício [. os antigos houveram por bem que os homens que fazem tal obra fossem muito escolhidos porque para defender são necessárias três coisas: esforço. 30 . se o povo ou algum homem se opõe ao mandamento do rei ou príncipe. Poema dirigido ao rei Roberto.] Ofício de Cavalaria é guardar a terra.) O povo celeste forma. op. (..70.114-5. t.. Por isto. enfim. sem ajuda... outros combatem. honra e poderio. Por conseguinte. Adalbéron de Laon [bispo no império carolíngio – 977-1030]. os que têm de defender a todos são chamados defensores. E. porque Deus quis que se mantivesse o mundo: e assim como aqueles que rogam a Deus pelo povo são chamados oradores e os que lavram a terra e fazem aquelas coisas que permitem aos homens viver e manter-se. Sobre a Ordem da cavalaria: DOS CAVALEIROS Os defensores são um dos três estados. e o mundo gozar a paz. Estas três partes que coexistem não suportam ser separadas.Conhecendo as Fontes na História Sobre a Sociedade Estamental: Medieval História AS TRÊS ORDENS (S. nem alto barão poderão. Cit. devem os cavaleiros ajudar o seu senhor.. A FUNÇÃO DO CAVALEIRO (S. In: Apud Pedrero-Sanchéz. p. não cumprindo como ofício pelo qual é chamado cavaleiro [. outros. nobres e servos não são regidos pelo mesmo estatuto. 101. vários corpos.. In: Apud Pedrero Sanchéz.] Raimundo Lúlio. p. (. Las Siete Partidas (II. trabalham. Afonso X. p. Porque a outra lei. portanto.. Portanto. este triplo conjunto não deixa de ser um.. assim. 91-2.XXI).XIII) Ofício de cavaleiro é manter e defender o seu senhor terrenal. a lei humana. 99-100. dividida em três: uns oram. mas o Estado compreende três. e é a sua imagem que se encontra organizado o povo da terra”. cada um por sua vez encarrega-se de aliviar o conjunto.. Libro de la Ordem de Caballaría. que. manter a justiça entre seus vassalos..) A casa de Deus. outrossim.

. quando cavaleiro. pois sem isto não conheceria. p.Seus participantes seriam agraciados com a remissão dos pecados. saiba cuidar do cavalo. . Libro de la Ordem de Caballaría. mas não foi capaz de pacificar a Europa. na sua mocidade. Além disto.A PREPARAÇÃO DO CAVALEIRO (S. que procurava impor a ordem dentro (Cruzada contra hereges) e fora (Cruzada contra muçulmanos) da Cristandade (Franco Júnior. 74-5). Páscoa. mas tendo adquirido bastante respeito e poder através destes movimentos a Igreja passa a pregar a Guerra Santa que buscava principalmente preservar a ordem religiosa. 101-2. In: Apud Pedrero Sanchéz. Remete à tentativa da Igreja de estabelecer uma teocracia papal. Os cavaleiros eram pressionados a jurar sob relíquias que respeitariam as igrejas. então.Por aproximar a ordem terrestre da celeste. Esta então organizou dois movimentos visando a pacificação e o controle sobre estes cavaleiros e a sociedade em geral. Por esta razão o cavaleiro deve submeter o seu filho a outro cavaleiro. social e política. que a mesma põe em ação na Idade Média Central. quaresma. A pregação conclamando os europeus a participarem da primeira cruzada foi feita na cidade de Clermont.As Cruzadas funcionariam como elemento de pacificação interna da Europa levando para fora dela a nobreza feudal. op. através da manutenção da paz o clero considerava-se autorizado a exercer o domínio sob os homens. a suspensão do pagamento de juros (franco Júnior. 2001.. cujo objetivo era impedir abusos por parte dos cavaleiros contra as pessoas não armadas (clérigos e camponeses) e seus bens. Em fins do século XI deriva para a idéia de Guerra Santa. quando escudeiro. a nobreza do seu senhorio. Este movimento durou até 1040. sob pena de excomunhão. XIII) A ciência e a escola da Ordem da Cavalaria é que o cavaleiro mande ensinar o filho a montar a cavalo. pretende ampliar o seu poder sobre a sociedade em geral. se não aprender então. Sem conseguir pacificar a sociedade. p. p. não convém menos que seja súdito antes de ser senhor e saiba servir a um senhor. A Expansão Populacional e Territorial: As Cruzadas A Igreja e as Cruzadas Um dos elementos que caracterizam as Cruzadas na história do Ocidente cristão é a sua relação com o projeto de ampliação do poder da Igreja. 2001.. Cit. pelo papa Urbano II.111. p. Ela busca a autonomia perdida desde a intervenção do Império carolíngio em seus assuntos internos. investiu em um novo movimento que ficou conhecido como a Trégua de Deus que determinou a proibição do uso de armas alguns dias da semana e de lutas em certos momentos do calendário litúrgico – Advento. para que aprenda a adereçar e guarnecer as demais coisas que pertencem à honra de cavaleiro. a proteção eclesiástica sobre famílias e bens. porque. não o poderá aprender na maioridade. os membros do clero e os bens dos humildes. Convém também que o filho do cavaleiro. Pentecostes. Assim: . em 1096. Raimundo Lúlio. . O primeiro foi a Paz de Deus. 31 . 75). A Igreja. O crescimento econômico que marcou a Europa neste período levou muitos cavaleiros a iniciarem movimentos de saques contra os camponeses e muitas vezes contra propriedades da Igreja. através do fortalecimento do poder papal..

Movimento de peregrinação dos cristãos a Terra Santa.Ao propósito dos papas de recuperar o controle de Jerusalém e unificar as Igrejas cristãs do Ocidente e Oriente sob o domínio da Igreja de Roma.A fundação de Ordens Militares como a dos Templários e a dos Hospitalários.As Cruzadas Medieval História As Cruzadas também estão relacionadas ao: . Delas resultaram: . “Cruzada Popular” – em 1096 pobres juntamente com Pedro. 1ª Cruzada (1096-1099): “Cruzada dos Nobres” – em 1099 ocorre a tomada de Jerusalém e funda-se o reino latino de Jerusalém (Síria e Palestina) sob o governo de Godofredo de Bulhão. e 32 . onde foram massacrados pelos turcos.A fundação de reinos com características feudais nos territórios bizantinos. . mas que tiveram vida breve. da França.Ao interesse comerciais das cidades italianas no Oriente. os Hospitalários e os Cavaleiros Teutônicos. Os líderes desta cruzada foram o rei Luís VIII. . Vamos a um breve resumo das cruzadas e de suas conseqüências: 2ª Cruzada (1147-1149): empreende combate aos turcos seljúcidas que ameaçam o reino latino de Jerusalém.Ao avanço turco. . A defesa do reino é feita por ordens militares e religiosas – os Templários. islamizados. o Eremita. . em direção ao Império Bizantino que faz com que seus imperadores solicitem auxílio do Ocidente. alcançam penosamente a Ásia Menor.

os corações dos homens ficaram grandemente tocados e muitos tomaram a cruz. e sabei que por ele Nosso Senhor fez muitos milagres. mandando por ele o perdão. 3ª Cruzada (1189-1192) – reação dos reis cristãos – Filipe Augusto. 1952. Ele era padre e pároco dessa vila. Em 1261 os gregos expulsaram os cruzados que abandonaram Antioquia e Trípoli. La conquête de Constantinople. do Califado do Egito e de Jerusalém pelo Sultão Saladino. Inocêncio. Sabei que a fama deste santo homem cresceu tanto. tal como vos vou dizer: todos aqueles que tomassem a cruz e fizessem o serviço de Deus na hoste por um ano ficariam quites de todos os pecados que tivessem feito e de que estivessem confessados. de nome Mestre Pedro de Cápua. Apóstolo de Roma. Os cruzados foram derrotados e retornaram para a Europa. A. Ali foi feito um acordo. da França. particularmente em Roma. 7ª e 8ª Cruzadas – foram organizadas pelo rei da França.) Historiens et chroniqueurs du Moyen Âge. Ricardo Coração de Leão. 4ª Cruzada (1202-1204) – esta foi a principal cruzada do ponto de vista das conquistas comerciais do ocidente. Como este perdão era tão grande. e Ricardo (1189-1199). A TOMADA DE JERUSALÉM PELO CRONISTA IBN AL-ATHIR (1187) Após a queda de Jerusalém – narra ibn al-Athir – os franj (cruzados) vestiram de negro. Imperador Germânico. que chegou até o Apóstolo de Roma. Os reis cristãos tiveram algumas vitórias.6 Geoffroy de Villehardouin. Rodes e Chipre. (org. Na sétima cruzada o rei foi preso no Egito. In: Pauphilet. mas os cristãos teriam livre acesso a mesma. 5ª Cruzada (1217-1221) e 6ª Cruzada (1228-1229). e partiram alem dosa mares a fim de pedir ajuda e socorro em todos os países. no tempo de Inocêncio (1198-1216). 86-7. do Sacro Império Germânico – contra a tomada da Síria. havia em França um santo homem chamado Foulques de Neuilly. p.97. em 1204. mas não conseguiram reconquistar Jerusalém. Para incitar as pessoas à vingança levavam um desenho 33 . Luís IX (São Luís). no norte da África. permanecendo no Peloponeso. In: Apud Pedrero Sanchéz. Seu objetivo inicial de ajuda aos bizantinos na retomada do poder em Constantinopla não foi realizado. p. Foi transformada numa verdadeira empresa comercial pelos mercadores de Veneza. Conhecendo as Fontes da História A PREGAÇÃO DA QUARTA CRUZADA (1198) Sabei que mil cento e noventa e sete anos depois da encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. a Grande. E depois disto [o papa] enviou um seu cardeal. já cruzado. a cidade permaneceria sob domínio islâmico. Paris: Bibliothèque de la Pléiade. morrendo de peste durante a oitava juntamente com o seu exército nas proximidades de Tunis. Ali os cruzados empreenderam saques contra os bens cristãos da cidade e fundaram o Império Latino do Oriente. da Inglaterra e Frederico Barba Roxa. Rei de França. Este dito Foulques começou a falar de Deus através da França e das outras religiões à sua volta.Conrado III. e o apóstolo deu ordem para França e mandou ao bom homem que pregasse a cruz por sua autoridade. Rei da Inglaterra. e Felipe (1180-1223).

que a paz esteja com ele. op. transferências. como um árabe que o moia de pancadas.Desenvolvimento da indústria da construção (igrejas. Eles diziam: Olhai! Eis o Messias. .Monetarização da economia. O Renascimento Comercial e Urbano Renascimento Comercial As transformações na agricultura da Europa Ocidental a partir do século X levaram à produção de um excedente agrícola que gerou o revigoramento do comércio na região.Surgimento e o renascimento de muitas cidades européias.representando o Messias. E o que resultou disto? Vejamos: .193. O crescimento demográfico e urbano gerou a ampliação das atividades artesanais em cidades próximas a rios e estradas. e eis Maomé.Desenvolvimento da indústria têxtil: panos de lã em Flandres. In: Maalouf. todo ensangüentado. Itália e Inglaterra. p. empréstimos. crédito. cit. inclusive as mulheres. mosteiros. profeta dos muçulmanos. estimuladas por reis e nobres. promovendo o retorno da circulação da moeda.Desenvolvimento do comércio marítimo e fluvial. castelos. prédios públicos e militares). 88-9. In: Apud Pedrero Sanchéz.Nascimento das atividades bancárias: nasce na Itália . . p. . . através da emissão de salvo-condutos para os mercadores garantindo a sua segurança na região. Isto levou a um amplo crescimento demográfico e urbano na região: havia mais mão-deobra e melhor qualidade na alimentação o que ampliava cada vez mais a produção. Ibn-al-Athir.Organização da produção nas cidades através das corporações de ofício.câmbio. depósitos. e aqueles que não podiam História vir. Um dos Medieval prisioneiros inimigos me contou que era filho único e que sua mãe tinha vendido a própria casa para lhe fornecer o equipamento. 34 . palácios.. . que o espanca mortalmente! Comovidos os franj se uniram. . produzindo um progresso econômico. pagaram as despesas daqueles que iriam bater-se em seu lugar. Este processo era resultado do povoamento dos pontos de encontros das atividades comerciais feiras. As motivações religiosas e psicológicas dos franj eram tais que eles estavam prontos a vencer quaisquer dificuldades para chegar aos fins.

Renascimento Urbano Segundo Jacques Le Goff as cidades medievais nasceram como sucessoras das antigas cidades. e da construção. mercadores alemães criaram associações. ou sejam. . Em 1161. 35 . Le Goff (1995. mar Egeu e mar Negro (matéria prima para indústria têxtil). perfumes). 36-46) em especial permitiram a seleção das informações acima sobre o comércio e as cidades. seda. Hansa Teutônica – associação formada por cidades alemãs do norte. Os pontos de encontros entre o eixo mediterrânico. controlado pelas cidades alemãs eram as feiras e os burgos. Conhecendo as Fontes da HIstória APARECIMENTO DE UM BURGO: BRUGES (SÉC. Aqui identificamos algumas destas cidades: . ligada a expansão germânica sobre a Europa oriental. controlado pelas cidades italianas. vamos encontrar nestas a formação de corporações de ofícios. que deu origem a uma cidade. sal da França e de Portugal. p. O eixo que caracterizou as atividades comerciais por elas desenvolvidas foi: . devido ao despertar da vida comercial e do desenvolvimento agrícola do Ocidente. XIII) [. cobre e ferro da Suécia. destinadas a devoção e caridade. ou de um entreposto comercial ou de um mercado rural (Le Goff. negociantes. . 87-140) e Franco Júnior (2001. peixe da Noruega e da Islândia. A leitura de dois textos. e o eixo nórdico. lã da Inglaterra e tecidos de Flandres. Itália e Inglaterra -. junto da saída do castelo. que derivaram de confrarias religiosas. trigo e madeira da Polônia e da Prússia. Nasceram ao longo dos rios ou estradas freqüentadas por comerciantes... Vale a pena você ampliar seus conhecimentos recorrendo a eles. como o de Champanhe. Elas funcionavam como um conjunto de oficinas com monopólio da atividade comércio ou artesanal para impedir concorrência. minerais da Hungria. p. Devido às atividades artesanais e comerciais que ocorriam com cada vez maior intensidade nas cidades. Estas corporações generalizaram-se após 1120. para satisfazer as faltas e necessidades dos da fortaleza. Veneza e Gênova – cidades italianas. vinho da Alemanha do sul. desenvolvendo-se a partir desta função econômica: renovação das trocas de mercadorias. p. 1995. ampliadas pelo desenvolvimento do artesanato urbano.Novgorod-Reval-Lubeck-Hamburgo-Bruges-Londres. As cidades são também áreas de produção “industrial”. com parcas possibilidades agrícolas que empurram-nas para as atividades mercantis. Estas cidades foram também importantes espaços de trocas das grandes rotas comerciais. também por iniciativa senhorial. XIV transformaram-se em associações de cidades.] Com a continuação. 102-13). Temos o desenvolvimento da indústria têxtil -Flandres. As mais antigas eram de mercadores e as mais recentes de artesãos. As Cruzadas promoveram o seu crescimento pelo Extremo Oriente (especiarias. começaram a afluir diante da porta. para poder taxá-las. que em meados do séc. devido as crescentes necessidades de uma população (rural e urbana) em expansão e mais exigente.Eram comercializados: mel e cera da Rússia.

p. Etroux. depois hospedeiros para a alimentação e albergue dos que mantinham negócios com o senhor. 149-50. e dos que construíam casas e preparavam albergarias para as pessoas que não eram admitidas no interior da praça. em seguida taberneiros.) Recueils de textes d histoire pour l enseigement secondaire. recurso a fonte cristã e do pensamento clássico para fundamentar as idéias defendidas.Leis da razão: utilizável para uma compreensão mais profunda. 2001. D . In: Gothier. e da medicina. 105. Os habitantes de tal maneira se agarravam ao local que em Medieval breve aí nasceu uma cidade importante que ainda hoje conserva o seu nome vulgar de ponte. transformando-se em universidades no século XIII. 199. principalmente no ensino e na arquitetura (Franco Júnior. T. (ED. Apud Spinosa. leitura. muitas vezes presente. que permitiu a ampliação dos estudos. In: Apud Pedrero Sanchéz. p. na Idade Média Central o primado cultural transferiu-se dos mosteiros para as cidades. A Cultura Medieval e a Influência da Igreja Católica A cultura e a arte na Idade Média desenvolvem-se principalmente no ambiente monástico. II. num lento processo de dessacralização da natureza. Também verificamos neste período a revalorização do estudo do direito antigo. Lectio. uma forma de provar certa posição recorrendo a argumentos contrários. 102-122). 118). O seu dito era: História “vamos à ponte”. C . L. O método de estudo destas escolas urbana era a escolástica.mercadores de artigos custosos.Lei da autoridade. vemos a partir do século XI as escolas urbanas ganharem mais destaque que as monásticas. A. B .Leis de linguagem para buscar o sentido exato da palavra. Disputatio ou debate sobre o assunto.Leis de demonstração usando a dialética. p. cit. Quais eram estas leis? Vejamos o que nos diz este autor: A . A escolástica consistia num “conjunto de leis sobre como pensar determinado assunto” (Franco Júnior. 2001. op. As etapas de estudo eram: . devido à necessidade das monarquias nascentes e da população urbana. EDUCAÇÃO Devido ao crescimento das cidades e dos grupos sociais nela existentes. comentário e análise do texto. Segundo Hilário Franco Júnior. p.. porque brugghe significa ponte em linguagem vulgar. 36 . p. que funcionavam como corporações eclesiásticas. . Jean Lerlong. cronista de Saint-Bertin. .

111). grossos pilares e poucas janelas). jamais verá lago semelhante! Não só lá. 2001. os homens começaram a levar até Chartres os carros cheios de pedra e madeira. A escultura também adquire função decorativa e pedagógica (Batista Neto. Novas necessidades espirituais e práticas. para a obra da igreja cujas torres estavam então sendo construídas. 1872. Vós teríeis visto as mulheres e os homens – com os joelhos nos charcos profundos. feita pelo seu valor estético e sim eram elaboradas com finalidade exclusivamente didática.238.Anterior a Idade Média Central: Arte românica. ligadas a valorização da relação entre fé e razão. mas há influência da cultura popular na sua elaboração. O estilo gótico resultou do renascimento urbano e comercial verificado na Europa. víveres e outras coisas.311. terminando por volta de 1140-60. Esta arte marca o período posterior as invasões dos normandos.. p. Chronique. Dir-se-á que se cumpriu a profecia: Spiritus vitae erat in rotis. no sul da França. Deus como luz (vitrais) e valorização do seu lado humano (culto à Virgem). p. (Ed. A respeito deste acontecimento singular. Arte arquitetônica expressa na construção de templos a idéia de construir “fortalezas de Deus” (largas paredes. açoitando-se. 1988. valorização da natureza como parte essencial da criação (realismo).). inclusive estará sempre ligada ao sagrado. cit. Este estilo nasce por volta de 1140. bispo de Amiens. p. Ocorreu um desenvolvimento importante da arquitetura que levou as igrejas góticas a elevarem-se “a grandes alturas”. .Idade Média Central: Arte gótica. a Teodorico. E. ali a penitência e a remissão dos pecados. islâmicos e húngaros – séculos XI e XII. op. Quais as suas características? Vejamos: .. 111). 215). verificando-se também a introdução de vitrais. p. 114-5. p. da burguesia local e da monarquia. existe uma carta de Hugo. Neste período a arte não deixa de ser religiosa. arcebispo de Ruão. 37 .. O que caracteriza este estilo artístico? Vejamos: Não havia arte pela arte.IN: delisle. p. e a cultura que está se desenvolvendo nas escolas urbanas. In: Apud Pedrero Sanchéz. Normandia e muitos lugares: aqui a humildade e a aflição. Arquitetura busca equilíbrio entre a vida ativa e a contemplativa (Franco Júnior. lá a dor e a contrição.. os milagres a se reproduzirem – entoando cânticos e clamando alegremente a Deus. Conhecendo as Fontes da História A ARTE DAS CATEDRAIS: ENTUSIASMO NA CONSTRUÇÃO DA CATEDRAL DE CHARTRES (1145) Neste mesmo ano. Robert de Torigny. Apud Calmette. marcada pelo simbolismo. mas também através de toda a França. . arcos ogivais e rosáceas. Quem não viu estas coisas. e a primeira experiência verificou-se na construção da basílica de Saint-Denis (1132-44). transmitindo a idéia de que somente dentro da igreja (edifício religioso) e da Igreja (instituição) era possível a salvação (Franco Júnior. Inúmeras igrejas foram construídas. informando-o do ocorrido. 2001.

na antiga e nova Dialética. p. e no quarto livro dos Tópicos. pelos juizes delegados pelo papa [. Por esta razão. 1944. Apud Espinosa. ou pelo menos em um deles. enquanto de manhã realizavam-se as leituras pelos mestres de maior categoria. In: Apud Pedrero Sanchéz. op. em Paris.239.] E lerão nos livros de Aristóteles.12. New York: Columbia University Press. Chartularium Universitais Parisiensis..10 e nas Éticas se lhe agradar. Cit. Não lerão nos livros de Aristóteles de Metafísica e Filosofia Natural11 ou nos seus sumários ou no que respeita à doutrina de mestre de Dinant ou do herético Amaury ou Mauritius de Espanha. exceto nos filósofos e em Retórica e no Quadrivium e nos Barbarismus.A IGREJA E A UNIVERSIDADE: A IGREJA E A “LICENTIA DOCENDI” (III CONCÍLIO DE LATRÃO –1179) Medieval História A Igreja de Deus. Todo aquele se opuser a esta lei perderá o seu beneficio eclesiástico. New York: Columbia University Press. antes de ter 20 anos de idade. Por isso parece justo que quem quer que por cobiça tente impedir os interesses da igreja vendendo a licentia docendi seja privado do fruto do seu trabalho na Igreja de Deus. In: Lynn Torndike. 38 7 . no século XII e nas escolas catedralícias. p. p. cada igreja catedral deverá estabelecer um benefício suficientemente largo para promover as necessidades de um mestre. In: Apud Pedrero Sanchéz..12 Chartularium Universitatis Parisiensis. University Records and Life in the Middle Ages. 8 As leituras ad cursum eram feitas à tarde. Esta licença para ensinar costumada ser conferida. Sua obra estava dividida em duas p artes: Priscianus Maior (livro 1-16) e Priscianos Minor (17 e 18). deverá ter ouvido leituras pelo menos durante seis anos antes de começar a lecionar e prometerá ler pelo menos durante dois anos.. salvo por impedimento com causa razoável.234. IV. Apud Espinosa.7 nem exigir nada dos professores (como era habitual anteriormente). seus dirigentes. em ambos os Priscianos. ordinariamente nas escolas e não ad cursum. 9ordinariamente. p.] Ninguém deverá levar dinheiro pela concessão da licentia docenti. In: Thorndike.8 Lerão. como uma mãe piedosa. 9 Priscianos. 182-3.10. Não deverá estar manchado por nenhuma infâmia e quando estiver pronto a ler deverá ser examinado de acordo com a forma exarada na carta do senhor bispo de Paris. 78. é obrigada a velar pela felicidade do corpo e da alma. o qual ensinará o clero da respectiva igreja e. op. CONDIÇÕES PARA SER MESTRE EM ARTES NA UNIVERSIDADE DE PARIS (1215) Ninguém poderá ser leitor em Artes. p.. Não lerão nos dias santos. também. p.27-8. 181-2. onde está contida a paz confirmada entre o chanceler e os escolares. n. como convém [. os escolares pobres.. sem pagamento.. para evitar que os pobres cujos pais não podem contribuir para o seu sustento percam a oportunidade de estudar e progredir. a qual deverá revelar publicamente ou perante examinadores. também não poderá ser negada a licença para ensinar a nenhum solicitante qualificado. I. L. l. pelo arcediago ou pelo scholasticus. gramático do s. 1944. University Records and Life in Middle Ages. Cit.

Por ter aproximado os dois mundos. Idade Média: o nascimento do Ocidente. social e política desejada por Deus.. Comente as principais características do renascimento urbano e comercial ocorrido entre os séculos XI-XIII na Europa cristã Ocidental. 75). p. .. conquistadora mais turbulenta. 101).Clareza na exposição do tema proposto. p. Critérios para a avaliação: .Argumentação.. 1.. que procurava impor aquela ordem dentro (.. Goff. a Igreja e o papado calculavam que. dividida contra si própria . cujo ideal é refletir o melhor possível a ordem celeste. . 2.Domínio dos conceitos. Segundo Hilário Franco Júnior: “(.. vol 1.. 39 .) Como a idéia básica da Paz e da Trégua de Deus era a preservação da ordem religiosa. Assim estaria garantida a ordem terrena. Você deve redigir um texto para cada uma das questões propostas (mínimo de 15 e máximo de 30 linhas). Para Le Goff: “. 1995. (Franco Júnior. 2001.) da Cristandade. o clero consideravase autorizado a exercer seu domínio sobre este. A Civilização do Ocidente medieval.) e fora (. . entende-se que a partir de fins do século XI ela tenha derivado para a idéia de Guerra Santa. Lisboa: Estampa...” (Le.. Leia atentamente o enunciado antes de respondêlas.[ ] TRABALHAR Agora é hora de Responda as questões abaixo.Articulação entre as diferentes partes do texto. SP: Brasiliense. ® Com base nas afirmações acima comente a importância da Reconquista Ibérica e das Cruzadas para o fortalecimento do poder papal e da idéia da Cristandade no Ocidente. graças à cruzada cuja direção espiritual assumiam. enquanto se aguarda a chegada do outro”. iriam dar-se meios para dominar no próprio Ocidente aquela Respublica christiana.

eles haviam abandonado as pretensões sobre a Normandia. conceito de fronteiras. portanto. O rei inglês desistiria as suas pretensões à coroa francesa. o rei da Inglaterra. A coroa passou a um primo do rei falecido. sem deixar herdeiros. Maine. 40 . Filipe VI. Carlos VII iniciou a resistência aos invasores e dela participou Joana D’Arc. recebendo em troca a suserania sobre o ducado da Aquitânia. Vários conflitos nas relações entre tais territórios poderiam levar a guerra: 2ª A pirataria. com queixas 3ª levadas aos soberanos dos dois lados. Morreu o último soberano francês. O conflito mais importante e que determinou o início da guerra: a sucessão ao trono francês. A guerra terminou em 1453 com a expulsão dos ingleses da Normandia. A segunda fase da guerra iniciou-se com a ação de Carlos V d a França que recuperou boa parte do território meridional perdido para os ingleses. Anjou. Isto é o que verificamos na França durante a guerra (Franco Júnior. 178-203). A região de Flandres: 4ª que economicamente estava subordinada à Inglaterra e politicamente a França. em 1328. da Inglaterra também tinham pretensões ao trono por ser sobrinho do rei. Touraine e Poitou. conservando. O senhor da Gasconha era. língua nacional. Em 1360 foi assinado o Tratado de Brétigny que põe fim a primeira fase da guerra. assinado em 1259. A guerra ajudou a França e a Inglaterra a organizarem seus exércitos nacionais. 1988.Medieval História A BAIXA IDADE MÉDIA (SÉCULOS XIV-XVI) A Guerra dos Cem anos e a Importância para o Processo de Formação dos Estados Nacionais (França e Inglaterra) 1ª Posse de regiões feudais pertencentes A Guerra de Cem Anos foi um longo conflito entre a Inglaterra e a França que durou de 1337 a 1453 e sua primeira fase coincidiu com uma crise provocada por más colheitas gerando fome e epidemias na França. porém a Gasconha. A idéia de Estado-nação se consolida no plano prático pelo desenvolvimento dos exércitos nacionais e do desenvolvimento do protecionismo econômico e no plano simbólico pelo surgimento de bandeiras. o Condado de Ponthieu e o território que circulava Calais. Carlos IV. a fortalecer o poder real e diminuir a força das relações feudais. Na França o sofrimento produzido pela guerra da origem ao sentimento nacionalista e a mesma consolidou as fronteiras do território francês (Batista Neto. 2001. 51). a dinastia normanda – dos plantagenetas – da Inglaterra em território francês. A guerra entre os dois reinos iniciouse 1337 com a confiscação da Gasconha. No Tratado de Paris. mas Eduardo III. p. pois seu conde era vassalo do rei francês. Sob a liderança de Henrique V a Inglaterra iniciou a ocupação.

ll. pois quando ele faz as leis.Conhecendo as Fontes da História O PODER REAL E A NOBREZA (S. É por isso que os reis da França não são somente ungidos pela ordem humana: mas são ungidos. para o proveito comum. t. op. como lhe aprouver. Mas. nem deve estabelecer por direito.. por causa das suas faltas. P.. nós escutamos daqueles que se apagam os baronatos que cada barão é soberano em seu baronato. pois ele é ungido da Santa Ampola. que não possa estabelecer-se na sua corte por falta de direito ou falso julgamento em tudo o que diz respeito ao rei. enquanto a norma estabelecida seja obrigada a se manter.. cit. pois cada barão. consagrados e coroados pela ordem do Pai. E. (Ed. nem novos mercados. In: Apud Pedrero Sanchéz.II. porque ele é soberano acima de todos.L.] Deve-se saber que o rei faz alguma norma nova (lei) para o bem comum. Salmon. op. E cada um dos barões ou outro qualquer que tem jurisdição em suas terras e cobram as multas de seus súditos. pois uma vez que é especialmente ungido de forma mais maravilhosa que qualquer outro rei. p. In: Brunet.. a qual foi enviada pelo anjo do céu. Ninguém pode fazer novas leis. pode colocar as mercadorias de seus súditos como nós dissemos acima. durante todos os dias até ser derrogada. do soberano e do que pode e deve fazer. onde o rei não foi nomeado. LXXX].. podem interferir e cobrar as multas que correspondem.. mas em todos os lugares. p. In: Apud Pedrero Sanchéz. 228.74. nem novas imposições sem o consentimento do rei. A. cit. O que quer que seja dito dos outros reis.) Traitez des droits et libertés de l‘Église galicane. que foram feitos pelo rei. Apud Imbert. por isso ele pode fazer todas as normas (leis). também determina a multa para aqueles que possam ir contra o estabelecido e taxado pelo rei. tendo necessidade. Mas o rei pode bem fazê-los quando ele o quiser e quando ele vir que é para o bem comum [..81-2. Beaumanoir. ele recebe a graça do santo Espírito por unção especial. Paris. nós o reconhecemos quando falamos de alguma soberania que lhe pertence. 221-2. com ou sem necessidade.78-80. em vários lugares deste livro. da mesma maneira. fora do rei no reina da França.23-4. Visto que o rei é soberano acima de todos e tem o direito à guarda geral do seu reino. E assim não há ninguém tão grande abaixo dele. parece que ninguém deve duvidar que o rei da França possui graças especial do Santo Espírito pela santa unção. ele não prejudica as coisas que foram feitas no passado nem as coisas do momento presente. J. p. p. alguém poderia não compreender o que nós denominamos conde ou duque. segundo a taxação que o rei fez.. p.). e o que ele estabelece deve ser observado. Le songe du Verger. XIII) Para isto vos falamos. 41 . Dupuy. uma vez estabelecida. E. o rei. que infringem as leis. (Ed. do Filho e do Espírito Santo. 1900.. Apud Imbert. A UNÇÃO REAL [Cap. e se são rebeldes ou negligentes. nem nova imposições. segundo o estabelecido pelo rei ou por seu conselho. Costumes de Beauvaisis. se alguém for contra a norma receberá uma multa. devem entender que mantêm em suas terras o estabelecido pelo rei. t. mas ele não pode fazer novos mercados. deve-se manter firmemente da maneira que foi estabelecida. p. antes de qualquer outro.

leis. cultura e educação.Portugal resultou da junção entre duas áreas distintas – o norte. que permite a organização do território que não existia até então e a origem e consolidação do poder dos reis portugueses que controlam todo o processo de tomada do território das mãos dos islâmicos. a primeira realeza portuguesa. que manteve-se cristão e feudal durante todos os séculos de penetração dos árabes na península. cristianismo. A Formação do Estado Português e a Reconquista Ibérica: 42 . 1995.A Formação do Estado Português Faremos abaixo um breve resumo sobre a história política da História organização do Estado português. divisão social. Precisamos lembrar Históriatrês Portugal (Oliveira a você elementos importantes desta história: 1º . língua.A importância da guerra da Reconquista Ibérica. a partir das informações fornecidas por importante historiador português. 33-77). que consolidou o poder real e organizou as instituições que caracterizaram o Estado português moderno – fronteiras. p. pois se associou às riquezas e o saber guardados no sul do território ao modelo de sociedade monárquica e cristã do norte. 3º A participação da dinastia de Borgonha. que ali depositaram sua cultura e modelo de sociedade. ocupado durante séculos pelos árabes. 2º .Marques. e o sul. Isto foi muito importante para o seu sucesso como Estado centralizado e sua participação nas navegações marítimas. em Breve de Medieval Oliveira Marques.

conquistando Lisboa em 1147. Inicia-se a dinastia de Borgonha que vai de D.Passagem do condado de Portucale a reino de Portugal . e afirmação da monarquia nacional frente aos grupos sociais que formavam Portugal.feudal: · Afonso Henrique. no início do século X. entre 1096-97. C . Afonso Henrique concentrou seus esforços na reconquista. D. imperador de Leão. Foi outorgada a Henrique de Borgonha. seu reino abrangia dois terços de Portugal moderno.Doação do antigo condado Portucale ao nobre francês Henrique de Borgonha. os galegos e os almorávidas. tendo como fiel ajudante a Igreja Católica através de suas ordens religiosas. Ao norte do rio é confiada aos monges de Cister. Afonso Henrique permanece expandindo-se em direção a Badajoz. por casamento com Teresa. Esta região tinha.Povoamento das terras ao sul do Tejo com a ajuda dos Templários.Reconquista recomeça em 1220. com a ajuda de cruzados alemães e ingleses. Em 1179 o papa reconheceu o rei de Portugal. uma região dependente do reino das Astúrias. Afonso Henriques a Fernando I que reinou até 1383. após derrotar sua mãe. como uma concessão feudal por sua participação na guerra da Reconquista. 43 . Este é também um período marcado pela atuação dos demais reis desta dinastia visando a consolidação do Estado português. · Reconquista do território: . estando completa em 1249. o status de condado. cujo centro ali era a grande Abadia de Alcobaça. · Afonso VII declara-se imperador em 1143. Seu reino foi reconhecido em 1143 através do tratado de Zamora. resolução do conflito entre poder temporal e espiritual. Afonso Henrique encaminha declaração ao papa Inocêncio II constituindo-se consual da Igreja de Roma (só reconheceu autoridade papal e paga a Roma tributo anual). por ocasião da morte deste rei. ocupando-a em 1170. passa a utilizar o título de rei em 1139. como se deu? Esta era agora a preocupação principal de Afonso Henrique. E a reconquista do território. quando a última parte de Algarve se rendeu a Afonso III. B .Veremos aqui as etapas que caracterizam a formação do território português: A . · Portugal teve sua origem na parte meridional da Galícia. filho do casal. embora ainda submetido em alguns aspectos a Afonso VII. . filha ilegítima deAfonso VI de Leão e Castela.A última fase de organização das fronteiras do território de Portugal coincide com o período de busca da independência das relações feudais mantidas como os reinos de Leão e Castela. Depois de garantido o seu poder real. Em 1185. Vejamos algumas das principais realizações do período de reinado da dinastia de Borgonha: · Século XIII: período de consolidação do Estado português.

Segundo Hilário Franco Júnior observamos a partir de 1316 uma crise generalizada que afetou toda a Europa Ocidental. Dinis (1279-1325): promoveu reforma cultural com a fundação da primeira universidade (1288). entre maio e junho de 1358. · Desenvolve-se o papel cosmopolita dos portos atlânticos portugueses. As Crises do Século XIV: Fome. E para piorar a situação as monarquias 44 . favorecidos pelo rei Afonso IV com a isenção de impostos. Isto produziu uma crise de subsistência com conseqüências como o aumento da mortalidade e das tensões sociais. com Afonso II (1211-1223) o enfrentamento da nobreza feudal com apoio eclesiástico. que comentamos mais acima. · D. fome metálica. A Europa foi assolada por terríveis calamidades como a fome. visto que os senhores intensificaram a exploração sobre os camponeses e estes reagiam através de revoltas populares.Medieval · Com Sancho I (1195-1211) o repovoamento. E a guerras mais significativa e que teve conseqüências mais duradouras foi a de Cem anos. No que diz respeito a peste temos o exemplo da peste Negra. alteração climática e efeitos de guerras prolongadas. depressão moral provocada pela peste. Pestes e Guerras. A redução da mão de obra provocada pela peste também levou a queda do consumo e conseqüente aumento de preços e salários. Do ponto de vista da economia Franco Júnior nos revela que a baixa produtividade técnica leva a busca de mais terras que tornam-se menos férteis com reflexos no equilíbrio natural. o clero História e a nobreza. Período da Peste Negra que afeta a demografia portuguesa verificando-se no reinado de Fernando I (1367-1383) o êxodo de semi-servos devido a intensa exploração feudal da terra e a peste. 2001. a peste e guerra. p. que ocorreu na França. e dizimou 1/3 da população da maior parte do Ocidente. Segundo este mesmo autor a abundância de recursos naturais e força de trabalho em oposição a pequeno capital teria produzido a estagnação do sistema (Franco Júnior. A fome teve o seu momento mais forte entre 1315 e 1317. 46-8). A crise prolongou-se até o século XV no sul e XVI na região do norte/centro do continente. Esta crise teria sido decorrente de estagnação tecnológica. e presidindo o grande florescimento da lírica palaciana galaicaportuguesa. promovendo também o desenvolvimento do comércio externo e fazendo concessões a nobreza. Um exemplo disto foi a Jacquerie. · Afonso IV (1325-1457) promove a afirmação do Estado português centralizado tornando o judiciário uma função do Estado. que ocorreu entre 1347 e 1350. excesso demográfico. Afonso III (12481279) abole definitivamente os direitos feudais de Castela sobre o reino português e forma as cortes que reúnem em assembléias a burguesia.

tornaram-se os trigos e os cereais tão caros por todas as partes do reino de França e outros diversos lugares e países da Cristandade que aquilo que alguma vez se tinha dado por quatro soldos. (Ed. A Europa viu-se mergulhada numa crise econômica que somente foi saneada a partir do abandono das terras menos produtivas. cumprindo as obras de misericórdia. Vitae Paparum Avenionensium Clementis VI. a vítima ficava privada de toda assistência. todos os outros moradores terem sido contaminados e mortos da mesma maneira súbita. É a razão pela qual tanto cristãos como judeus inocentes e pessoas irrepreensíveis foram queimadas e assassinadas e outras vezes maltratadas em suas pessoas. mesmo que tudo isso procedesse da constelação ou da vingança divina. Havia algumas cidades que os expulsavam da sua senhoria. que pegaram esta doença e dos quais se acreditava que morreriam com certeza imediatamente sobre o chão. não tinha acontecido. tanto príncipes como outros.). particularmente os judeus. visando financiar suas guerras e saldar os empréstimos contraídos com as mesmas. quase não conseguiam enterrar os mortos. assim.nacionais. Paris. p. pois. Os vivos. ou os evitavam com horror. E a este mal acrescentou-se outro: corria o boato de que certos criminosos. moeda de França. foram transportados. 1348. E era coisa muito dolorosa e triste vê-los morrer de fome nas boas cidades e jazer sobre as estrumeiras em grande bandos. PESTILÊNCIAS E FOMES (1437) Item. os galos. Não é surpreendente. op. p. de tal maneira que no momento que aparecia em alguém uma úlcera ou inchaço. e houve também outras que os receberam e administraram por bastante tempo. E esta peste se prolongou além do ano anteriormente dito. E foram feitos por esta cousa vários editos pelos senhores. E. jogavam venenos nos rios e nas fontes. de acordo com as suas possibilidades. Por ocasião da qual carestia houve uma tão grande fome universal que grande multidão de pobres morreu por indigências. Um terror tão grande tinha-se apoderado de quase todo o mundo. as galinhas e todos outros animais domésticos tiveram o mesmo destino. E assim. E durou esta pestilência até o ano de 39. acontecesse muito freqüentemente. vendia-se por 40. um grande número foi enterrado vivo. os cachorros. sem a mínima descriminação até a fossa de inumação. Aqueles que estavam sãos fugiram apavorados de medo. Primvita. Os reflexos sociais. Cit. aconteceu sobre quase toda a superfície do globo uma tal mortandade que raramente se tinha conhecido semelhante. primeiramente. Apud Calmette. os quais talvez teriam escapado de outro modo. muitos morreram por descuido. os gatos. 2001. Entre aquelas que os receberam e administraram estava a cidade de Cambrai.252. 194-5. diminuição populacional e início da expansão ultramarina (Franco Júnior. 45 . Muitos ainda. promoveram constante aumento de impostos e desvalorização da moeda.. e também pelos das boas cidades. In: Apud Pedrero Sanchéz. políticos e culturais da crise nós veremos no próximo conteúdo estudado quando trataremos do início da modernidade. espalhandose pelas regiões onde. A recuperação ocorreu a partir de 1470. que quando numa casa alguém tinha sido tocado por este mal e tinha morrido. p. geralmente embaixo da virilha ou da axila. durante dois anos seguidos. neste ano de 1437. o que fazia aumentar tanto a peste acima mencionada. ou mais. e mesmo abandonada por seus parentes. 19151922. Conhecendo as Fontes da História A GRANDE PESTE (1348) No ano do Senhor. coisa horrorosa de ouvir. e ainda mais. e o filho fazia o mesmo com o pai. de fato. Mollat. O pai deixava o filho em seu leito.236-7. p. 48).

mulheres ou homens. Este tinha por nome Guilherme Carlos.]. Entre eles estava um homem muito sabedor e bem-falente. porque. mataram muitas mulheres e crianças nobres. Mas de fato os Jacques tomaram-no e fizeram dele seu chefe. p. Liv. que todas as gentes pobres matassem os seus cães e que ninguém mantivesse nem História alimentasse cadela. op. La chronique d´Enguerran de Monstrelet. 46 .proibindo sob pesadas penas que nenhum trigo ou outro cereal fosse levado para fora. p. mataram vários e ainda fizeram pior. que lhes dizia que se mantivessem unidos.332-3. (Ed. t. fez-lhe boa cara e mandou dar-lhes viveres. e começaram a ir em direção de Saint-Leu d´Esserent e de Clermont no Beauvoisin. 27-30): . mas nem por isso o deixaram de fazer. Tais e semelhantes Medieval ordenanças foram feitas em muitos países. p. que aí estava. (Ed. Douët D´Arcq. Os Jacques fizeram-no seu chefe. In: Apud Pedrero Sanchéz.Transformações políticas: centralização monárquica com apoio da burguesia. os gentis-homens cair-lhe-iam em cima. 1861. Apud Espinosa. Porque eles estavam acostumados a que. Então Guilherme Carlos viu bem que as coisas não podiam ficar assim. Por isso ficaram contentes os generais dos três Estados e escreveram a Guilherme Carlos que estavam prontos a presta-lhes socorro. Também as tinha visto Guilherme Carlos. pelas cidades e lugares por onde passavam. a condessa de Valois.). fora de si e de baixa condição. pelo que recusou a governá-los. de bela figura e forma.II. se eles se separassem. desconfiou deles. perseguiram os homens nobres. p. as pessoas. CCXXIII. pelo que Guilherme Carlos lhes disse muitas vezes que se excediam demasiadamente.. Da mesma maneira foi determinado na cidade de Gand que se abstivessem de fabricar cervejas ou outras bebidas semelhantes. Paris: Société de l´Histoire de France 1862. como gente tresloucada. cap. Paris: Société de l´Histoire de France. enviou os mais prudentes e os mais notáveis perante o preboste dos mercadores de Paris e escreveu-lhe que estava pronto a ajudá-lo e que ele também o ajudasse e socorresse.71 Apud Espinosa. Estes Jacques vieram até a Gaille-fontaine. E quando os Jacques se viram em grande número. p. com um homem que era hospitalário. Simeon Luce.. Cit. 195-6. que tinha visto guerras.. L. op. pusessem as mesas nas ruas. 203. Portanto. M.). In: Apud Pedrero Sanchéz. p. Na realidade. Mas ele viu bem que eram gente miúda. incendiando as casas dos gentis-homens [. aí comiam os Jacques e depois passavam adiante. e revitalização das noções de soberania e de Estado. SOBRE AS REVOLTAS POPULARES: A JACQUERIE (1358) Neste tempo revoltaram-se os Jacques em Beauvoisin.V.319-20. Chronique dês quatre premiers Valois (1327-1393). p. se ela não tivesse castrada.336. buscando diminuir o poder da nobreza feudal. Abaixo apresentamos algumas delas extraídas do texto de Mário Giordani (Giordani. se necessário fosse. Cit..1992. As Transformações da Europa Medieval e o Início da Modernidade A Baixa Idade Média é marcada por várias transformações que deram origem a sociedade moderna. a fim de prover à comum pobreza do povo miúdo e dos mendigos.

30). “Terminava. nacionalismo religioso. . Com o surto comercial tem-se o capitalismo e a expansão da rede bancária. mas alimenta-se mais da devoção do que do sacramento e da oração coletiva. A hierarquia eclesiástica e suas prescrições perdem a força.Transformações religiosas: crise na Igreja que ameaça a sua estrutura hierárquica e doutrinária (heresias.Entre a massa popular a piedade é mantida.Reforma Protestante.Entre a elite intelectual verifica-se um fosso entre a religião e a vida.Comoções sociais: violência no campo e nas grandes cidades (população pobre oprimida revolta-se). p. .Renascimento artístico e cultural. 47 .Formação de um espírito crítico e individualista: análise em oposição à síntese. exércitos permanentes. (Giordani.Transformações econômicas: ao lado da riqueza territorial surge uma fortuna mobiliária nas cidades. . Verificamos como estas transformações estão na origem de movimentos que caracterizam o início do mundo moderno como: .Nobreza: passa de líder da comunidade a simples proprietária. assim.XIV: comércio de caráter internacional desenvolvido.“O sentimento nacional ia substituir o sentido universal da comunidade cristã”.Navegações marítimas. .Nova nobreza: civil (em oposição a militar/feudal) e real (criada pelo rei) substitui a antiga. com destaque para a Itália (intermediária entre Oriente e Ocidente) conservando a hegemonia sobre a economia. o Cisma do Ocidente)..Sociedades diferenciadas. . . impostos e tribunais com juízes permanentes. intensificando a cunhagem de moedas de ouro.Transformações culturais: a Europa perde o sentido de unidade.1992. . restrito de cada povo.Autonomia dos diferentes ramos da arte e das ciências. perde a função política. a unidade da sociedade ocidental que tinha a Igreja como base sólida” (Giordani. . . Religião deixa de ser a mestra dos atos do indivíduo que pretende ter dela um modo de ver pessoal. liberdade em oposição à disciplina. Séc. . p. .Novas instituições ligadas ao ideal de centralização: assembléias. reflete o caráter nacional. 1992. . 28). . .

acompanhava um sobrinho seu a “um desses cursos em que os pais são admitidos para poderem depois obrigar os filhos a trabalhar”. Texto Complementar Repensando a Idade Média no Ensino da Hitória José Rivair Macedo A historiadora Régine Pernoud conta-nos uma anedota exemplar a respeito da banalização da imagem da Idade Média no século XX. em que pesem os reiterados esclarecimentos de historiadores especializados na pesquisa sobre a Idade Média a respeito dos estereótipos que envolvem aquele período.Argumentação. . Critérios para a avaliação: . concluiu placidamente.. s. 1. muitos preconceitos ainda persistem. .. Passemos à Geografia. a historiadora francesa Régine Pernoud procura desfazer uma série de mal entendidos. Leia atentamente o enunciado antes de respondêlas. Jêrome? 13 Jêrome (grave): A peste. . Entretanto.Clareza na exposição do tema proposto.Domínio dos conceitos. O mito da Idade Média. Você deve redigir um texto para cada uma das questões propostas (mínimo de 15 e máximo de 30 linhas). preconceitos. Emmanuel? Emmanuel (entusiata): A cólera. juízos apressados e lugares-comuns relativos aos mil anos de história européia situados entre os séculos V e XV. 48 . Mem Martins: Publicações Europa-America. quando ouviu a professora conduzir a aula de História da seguinte maneira: A professora: Como se chamavam os camponeses na Idade Média? A classe (em coro): Chamavam-se servos. 2. A professora: Que doença. A professora: E que é que eles faziam? Que é que eles tinham? A classe: Tinham doenças. A professora: Vocês sabem muito bem a lição de História.Medieval História [ ] TRABALHAR Agora é hora de Responda as questões abaixo.d. Caracterize as causas da crise econômica que marcou a Europa Ocidental na Baixa Idade Média (séculos XIV ao XVI) e a sua superação. A professora: E mais.Articulação entre as diferentes partes do texto.13 No livro O mito da Idade Média. Estabeleça a relação entre a Guerra de Cem Anos e a formação dos Estados Nacionais da França e Inglaterra. p.. Regime Pernoud. Em certa ocasião.

Explica o sucesso de jogos de videogame e de computador relativos às conquistas de territórios por príncipes guerreiros. os PCNs. dragões. e da História que aí é ensinada. na difusão de conhecimentos relativos ao período? Antes. Sabese que essa visão esteve condicionada por uma perspectiva racionalista. isto é. à configuração dos grupos sociais. Uma certa idéia de “Idade Média” subsiste entre nós por esse viés. com a ação de forças sobrenaturais de caráter mágico. embora ausente na listagem de conteúdos do terceiro e quarto ciclos de ensino a ênfase deixou de recair na noção de período histórico –. Ocorre que. um certo fascínio da arte e da cultura de massa por essa obscura Idade Média – na qual pulalam magos e fadas. caberia perguntar qual Idade Média vem a ser divulgada nos bancos escolares e qual a pertinência de seu ensino num país como o Brasil. os marcos temporais tradicionais da 49 . defender o avanço das “luzes” da razão e progresso. uma vez que se sabe que.Mil anos de Trevas? Tr Sabe-se hoje que a visão retrospectiva da Europa medieval como uma “idade das trevas” foi elaborada por eruditos renascentistas e. de acordo com os PCNs. o outro lado da cavalaria – com seu código de ética e com os nobres sentimentos dos cavaleiros andantes. subordinados a pressupostos pedagógicos e conceitos muito abrangentes. e tais pesquisas contribuíram decisivamente para reabilitar aquele período aos olhos dos estudiosos. duendes e elfos. os livros apresentam a caracterização de tratados. Isso não quer dizer que os estereótipos relacionados com a Idade Média tenham desaparecido. por eruditos iluministas. destinados a promover a apreensão da realidade social com base nas múltiplas dimensões temporais. Explica o sucesso de obras romanescas envolvendo os mistérios e segredos da poderosa Igreja. como apontaremos páginas diante. ou então na formação e decadência do feudalismo e a germinação do capitalismo moderno. também. o governo temporal dos reinos e do império. sobretudo. liberal e anticlerical. Em todos esses casos. com particular ênfase nas relações de denominação entre senhores feudais e camponeses. Entretanto. Estes explicam. num momento em que ser humanista significa colocar em questão os pressupostos teocêntricos defendidos pelos representantes da Igreja. Hoje nenhum credito defenderia com seriedade aqueles velhos chavões. a imaginação e o divertimento. Nada a estranhar. têm demonstrado inúmeros traços originais da Europa durante a Idade Média. Econômica e Cultural. inclusive. quando se observam os programas e planos contidos nos livros didáticos destinados ao estudo da História no ensino fundamental e médio. desde pelo menos o princípio do século XX. na diversidade étnica e cultural. da Filosofia e das Artes. certas questões relativas à Idade Média podem perfeitamente vir a ser exploradas em sala de aula. as pesquisas no campo da Filologia e da Literatura. e o governo espiritual/temporal da igreja. as pesquisas acadêmicas sobre História Política. No que respeitas às formas de governo. Social. a Idade Média constitui apenas um pretexto para a criação ficcional. Prendem-se. ou seja. pouco espaço está reservado ao tratamento cronológico dos eventos situados entre os séculos V e XV da História européia. Na perspectiva aberta pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para a área de História. Não obstante. cavaleiros errantes e aventuras fabulosas. conflitos diplomáticos e batalhas. os eventos e os sujeitos históricos encontram-se incluídos em contextos variados. que não participou diretamente de uma experiência histórica propriamente medieval. Mas qual o papel da escola. tem-se que as linhas de rumo que norteiam a reprodução do conhecimento relativo à Idade Média européia estão ligadas a evolução de formas de governo.

a função social da História tem estatuto diferente do conhecimento erudito e acadêmico. Em meados do século XVI. para os europeus a Idade Média corresponde às origens. Devemos fazer tabula rosa do passado? Sobre a história e os historiadores. do Estado moderno e da supremacia ocidental no mundo14. inventando desse modo o rótulo e a delimitação cronológica do período. Com efeito. Nas relações de dominação entre senhores e camponeses. 1995. os camponeses (às vezes confundidos pura e simplesmente com servos) como oprimidos e passivos. naquilo que alguns ensaístas denominaram “ocidentalização do mundo”15. não obstante a forma esférica da Terra. aqueles empregados na identificação de estruturas sociais e econômicas. as regras do jogo vindo a se alterar apenas no momento a partir do qual o “rei” alia-se como burguesia. os Estados europeus não se confundiram com as cidades-estado nem com os impérios da Antigüidade. prepondera um certo mecanismo e um certo maniqueísmo. que inspirou o atual planisfério. Nesse caso. todavia. seus problemas de delimitação de fronteiras. Quanto aos aspectos mais gerais. fortes. 15 Serge Latouche. os “descobridores” e “conquistadores” da África. mas organizaram-se com base no modelo do reino cristão. situava geograficamente a Europa no centro do mundo. Ática. muito se debateu a respeito dos sistemas de valores. mil anos depois. ambos os grupos parecem compactos e claramente definidos. Embora herdeiros das noções greco-romanas de política e de cidadania. Diferentemente da posição vigente entre os especialistas em Historia Medieval. Ver especialmente o capítulo “As armadilhas do quadripartismo histórico”.história política. das representações e dos traços do imaginário medieval. ao momento em que aquilo que um dia viria a ser chamado de Europa ganhou seus contornos políticos e culturais. suas instituições representativas (cortes. ali estão os traços originais das nações contemporâneas. História a “sociedade feudal” ou o “sistema feudal” não passam de conceitos Medieval operatórios de análise. inermes e inertes. por outro lado. Numa visão em restrospecto. o Grande. É evidente que nos últimos trinta anos muito se pesquisou a respeito das especificidades nacionais e regionais da Europa Medieval. Vozes. que daí em diante passaria a se confundir com os desígnios europeus. e situando a Europa no centro da linha de tempo da humanidade. A Idade Média ensinada na escola. sua diversidade étnico-cultural. das formas culturais. Seu objetivo último é demonstrar as razões (explícitas ou implícitas) pelas quais os sucessores dos “bárbaros” que saquearam o Império Romano no século V (ou seja. a maior política constituída até aquele momento) viessem a se tornar. assembléia. nos livros didáticos esses conceitos acabam conferindo uma lógica ao desenvolvimento histórico de toda a Europa. Nesse tipo de abordagem do feudalismo.o erudito alemão Cristophe Keller publicou um livro denominado História da Idade Média desde os tempos de Constantino. E DO CENTRO. Petrópolis: Ed. do Extremo Oriente e da América. o “rei” aparece sempre fraco e os “senhores feudais”. A ocidentalização do mundo. ficando a sugestão de que o ingresso na Era Moderna dependeu da superação do “atraso feudal”. São Paulo: Ed. a representação plana da terra elaborada pelo humanista Gerhard Mercantor (1512-1594). para quem o “feudalismo”. não é Idade Média dos pesquisadores. 14 Jean Chesneaux. Algum tempo depois. Não se reivindica aqui necessariamente a renovação conceitual e temática resultante do avanço dos estudos medievais. os senhores como arrogantes e opressores. 1994. continuando a estar ligado à constituição da memória da nação. parlamentos). dos grupos sociais. etários e gênero na Idade Média. quer dizer. como se houvesse um mesmo “feudalismo” ou uma mesma “sociedade feudal” nos quatros cantos do continente. 50 . até a tomada de Constantinopla pelos turcos. UMA HISTÓRIA VISTA DE CIMA.

dos criadores de programas escolares e autores de manuais didáticos dos séculos XIX e XX. Aquilo que se convencionou chamar por esse nome teria sido a elaboração de eruditos dos séculos XVI-XVIII. Gradiva. Se a Europa quer ser um modelo para o mundo moderno. associada à razão (entende-se. Barcelona: Editorial Crítica. 1885. Foi abrindo-se aos outros que. a república e sua capacidade de oferecer paz e segurança social aos cidadãos. o negro de cultura francesa é francês em tudo”. “salvo pela cor da pele. a Idade Média equivale ao período de formação de uma identidade supranacional de fundo cristão. de julgamento a posteriori. romanos e francos”. p. cabe destacar o caso da África negra sob domínio francês. pois. a querer um mundo à sua imagem. a confundir a civilização européia com a civilização universal. através destas propostas onde o historiador se alia ao cidadão. ela fez grandes coisas17. momento em que se alicerçam costumes e práticas coletivas orientadas por uma fé que se quer única e uma. 1995. Trata-se. a da criatividade. Além disso. La invencion de la Edad Media . no recurso às heranças como força de inspiração. enaltecer o presente. aos brancos e aos primeiros negros admitidos às escolas a História ensinada dizia respeito aos “antepassados gauleses. nunca existiu uma “Idade Média” francesa. Essa supremacia diante de outros povos e a pretensão de estar no centro do mundo teve conseqüência inclusive para a Europa.112. Lisboa: Ed. a Idade Média cumpria bem o seu papel de formadora de uma consciência “européia”. que nunca é neutro. deve respeitar o próximo. Os méritos desse Estado rigidamente estruturado acabavam sendo ressaltados quando seu modelo de organização vinha a ser comprado com aquilo que parecia o seu contrário. com demasiada freqüência. No ensino de tipo metropolitano. a anarquia feudal. desde os gregos antigos. em que. Quando o professor francês Franz Fanon iniciava o ano letivo 16 17 Jacques Heers. 51 . Nas próprias palavra do historiador: “a imagem do feudalismo sempre foi manchada pelo vício abominável da completa dissolução do poder. A linha de rumo básica a orientar a imagem da Idade Média teria se desenvolvido em função da existência de pobres centrais unitários e fortes. parece-me. Entre outros exemplos. abrir-se aos outros. PARA UMA “DESCOLONIZAÇÃO” DO ENSINO DA IDADE MÉDIA Marc Ferro nos relata os vínculos profundos existentes entre a História transmitida nas escolas e a formação ou deformação da consciência social e política em áreas coloniais. Está no bom uso das tradições. 64. A velha europ a e a nossa. articulando o saber e a técnica – responsável por sua supremacia diante de diversas culturas por ocasião das grandes navegações. Uma anedota curiosa indica-nos as dimensões da relação passado-presente no ensino. até pelo menos meados do século XX. Ao estudar aquele período recuado no tempo o que interessava em última instância era valorizar o modelo de governo contemporâneo ao estudo. para os europeus. p. cuja função é. mirando-se no passado. e a França colonizadora aparecia como promotora do progresso e da civilização. Jacques Le Goff: É notório. que o debate pela Europa não está entre a tradição e a modernidade. quer dizer. promoveu desde pelo menos o século XIII o nascimento do pensamento cientifico moderno. fonte de anarquia e desgraças” 16. à razão aristotélica). Em nome dessa fé os ocidentais fizeram as cruzadas e cortaram os oceanos. como ponto de apoio para manter e renovar uma outra tradição européia. Conforme um dos grandes medievalistas da atualidade.Para o medievalista Jacques Heers. Foi essa mesma fé que. Jacques Lê Goff. Nesse ponto. Um dos maus demônios da Europa tentou-a. e todo o sistema tem sido acusado e condenado à sua própria natureza.

é preciso que fique bem claro de que Europa se fala e de Europa convém falar. judeus e cristãos na Espanha e em Portugal. na reflexão sobre a propriedade de continuarmos a transferir conhecimentos relativos a uma Europa que. os ouvintes. Referimo-nos aqui ao problema da coexistência étnico-religiosa entre mulçumanos.de 1948 com seus alunos da cidade de Oran. que História pertenciam a uma cultura mulçumana. Descolonizar o ensino de História significa. compreender o papel desempenhado por grupos de diferentes etnias no processo de formação medieval da Península Ibérica poderia nos ajudar a compreender traços da colonização ibérica posterior e da constituição de identidade coletiva na América latina. em primeiro lugar. No momento em que afirmou aos quarenta pied-noirs18 que. quanto no período de Reconquista cristã. o ensino de História cumpriria melhor seu papel de revelar aos estudantes aspectos de nosso passado que continuam a interagir com o presente. justamente a parte na qual situavam-se os povos que. A manipulação da história no ensino e nos meios de comunicação de massa. uma particularidade ibérica que nada deveu a outros povos. proposto para o terceiro ciclo do ensino fundamental. A questão da convivência entre os adeptos das três grandes religiões monoteístas revela-nos. depois da queda do Império Romano e dos reinos bárbaros houve o florescimento da civilização árabe. é na especificidade da formação dos reinos cristãos ibéricos que se encontram os elementos explicativos do por que a Portugal e Espanha esteve reservado o papel de alargamento marítimo do mundo europeu. relacionados com a questão da construção das identidades e alteridades em outras temporalidades. Desse modo. na realidade.41. nem mesmo à Igreja. ao falarmos de Europa Medieval tratamos quase sempre de França. na Argélia. portanto. o iberoamericano. o Leste (países eslavos) e a Península Ibérica (Portugal e Espanha). Sem “Pés-Negros”: designação dos franceses nascidos na Argélia. começaram a rir: “civilização” e “árabe” Medieval eram duas palavras que pareciam não poder andar juntas19! O episódio nos indica algumas pistas sobre os efeitos de uma História centrada na Europa quando ensinada em territórios não-europeus. apresentou-lhes o programa que iria desenvolver em História. A ênfase no ensino de aspectos históricos da Península Ibérica teria muito mais propriedade educativa do que o ensino da História modelada na França ou na Inglaterra. Inglaterra. Com efeito. por isso nos permite compreender melhor nossas características herdadas. faz muito sentido compreender a formação dos povos ibéricos. aliás. na verdade. Alemanha. Itália) daquele continente. tanto no período de domínio islâmico. o ensino de História Medieval ganha outra dimensão. Tendo isso em mente. a Europa Ibérica. Marc Ferro. Entre outras palavras. ocupam posição hegêmonica no continente. inclusive no Brasil. p. Alemanha e Itália. repensar o ensino da Idade Média implica. em verdade. embora ao ser ensinado Idade Média se pretenda tratar da realidade européia. 19 18 52 . pelo simples fato de permanecemos a um conjunto cultural específico. no caso. mantendo em segundo plano os dados relativos ao Norte (países escandinavos). 1983. parte do nosso modo de pensar. da cultura e do trabalho”. São Paulo:IBRASA. reconhecer identidades em geral deixadas por nós em segundo plano. a experiência incorporada aos fatos e processos tradicionalmente evocados diz respeito a apenas uma parte daquele continente. segundo nos interessaria mais saber. Porque. Ao tomar a Península Ibérica como núcleo gerador da consciência histórica a respeito da Idade Média. nos séculos VIII-XI. Antes de tudo. Inglaterra. a Europa Nórdica e. na atualidade. inclusive. se restringe à parte ocidental (França. No mesmo sentido. o que nos diz respeito diretamente. Isso estaria em conformidade com a proposta dos PCNs de subtemas do eixo temático “ História das relações sócias. nos séculos XI-XIII. Ele nos ajuda a repensar alguns pontos sobre o que ensinar de História Medieval no Brasil. Outra seria a Europa do Leste Europeu. Para nós.

140 min. Distribuição: Hipervídeo. Direção: Vincent Ward. Portanto siga em frente. Distribuição: Alpha Vídeo. 136 min. Da Unesp. cujo melhor exemplo no campo intelectual é a conhecida Escola de Tradutores de Toledo. mas também de ampliação da sua formação cultural. São Paulo: Ed. História na sala de aula: conceitos. Distribuição: Flashstar Bell Trru. não deixa de ser interessante propor reflexões a respeito daquele período recuado de nós pó pelo menos meio milênio. o panorama histórico da Europa pode vir a ser um excelente laboratório de estudo das razões e circunstâncias do desenvolvimento técnico e cultural. Estados Unidos. 1965. José Rivair. Direção John Boorman. 1981. São Paulo: Contexto. “História Medieval: repensando a Idade Média no ensino de História” In: KARNAL. 20 Eis alguns bons exemplos de trabalho que vão nessa direção: Georges Duby. 1988. MERLIN. 1989. Itália/Alemanha/França. baixo nível tecnológico e surtos recorrentes de doenças infecto-contagiosas. 105 min. Maria Luiza Marcílio. Para nós será sempre importante refletir sobre as alternativas encontradas para problemas como desigualdade social entre ricos e pobres e o problema do abandono infantil – cujas raízes históricas ultrapassam os limites cronológicos da própria Idade Média. Distribuição: Warner Home Vídeo. Direção: Oliver Donner. 144 min. Direção: Ridley Scott. Itália. aquele tempo poderá vir a constituir um importante referencial de estudo para compreendermos. EM NOME DE DEUS. Os pobres na Idade Média. Distribuição: Hipervídeo. 1986. NAVIGATOR: odisséia no tempo.. 1988. como nós próprios lidamos com nossos dilemas sociais20. Direção: Jean-Jacques Annaud. Rio de Janeiro: Ed. 1998. 1998 Michel Mollat. como fome e crises de abastecimento periódicos. São Paulo: Ed. Leandro (org. EXCALIBUR. França. O INCRÍVEL EXÉRCITO DE BRANCALEONE. Nova Zelândia. Direção: Mário Monicelli. 90 min. Direção: StevenBarron. Inglaterra/Estados Unidos. 120 min.! O NOME DA ROSA. Com efeito. ano 2000 – na pista de nossos medos. quando a parte européia que hoje constitui um centro econômico mundial via-se às voltas com problemas perfeitamente atuais vividos pelos países pobres. p.essa convivência não teriam havido trocas culturais tão profícuas. Campus. Sugestões de Filmes Para você que gosta de ir além dos estudos eu preparei uma lista de sugestões de filmes e obras literárias sobre a Idade Média. 2003. Ano 1000. Hucitec.). CRUZADA. práticas e propostas. Distribuição: Flashstar Home Vídeo. 1998. em boa parte responsável pela difusão do conhecimento grego no Ocidente por meio de obras árabes convertidas ao latim por tradutores judeus! Para o professor de História e seus alunos. por aproximação ou por distanciamento. 53 . É uma forma de entretenimento. 92 min.. Estados Unidos. Macedo. Dessa perspectiva. História social da criança abandonada. 109-126.

1991. Chrétien Troyes.com/Athens/Academy/6240/ Dicionário da Idade Média: http://www. 1989. São Paulo: Martins Fontes.com. Religiosidade e Messianismo na Idade Média. Trad. São Paulo: Martins Fontes. 1991.htm Revistas eletrônicas: . Os Contos de Cantuária. Correspondência de Aberlardo e Heloisa.geocities.net/clionet/fichas/mede_fortalezas. São Paulo: Contexto.abrem.br 54 . Associação Brasileira de Estudos Medievais http://www. ______________. Pequenas Fábulas medievais: fabliaux dos séculos XIII e XIV.ocsp. São Paulo: T. Romances da Távola Redonda. 1999. [ Para saber mais acesse: ] Cenas medievais: http://www.he. Queiroz Editor. São Paulo: Martins Fontes. Rivair.pt .com/Athens/Forum/4185/medieval. Abílio.htm Links sobre Idade Média: http://www. 1995. Ordem de Cavalaria do Sagrado Portugal http://www. 1996. Abílio. A. LIVROS PARADIDÁTICOS: MACEDO. São Paulo: Contexto. Trad Rosemary C.geocities.clio. ______________. Rosemary A. 2002. 13ª reimp. Movimentos populares na Idade Média. A Mulher na Idade Média.Medieval História Obras Literárias Geoffrey Chaucer . São Paulo: Moderna.

brathair.cjb.net Revista Mirabilia http://www.com (Footnotes) 55 .Brathair: Revista Eletrônica de Estudos Celtas e Germânicos http://www.revistamirabilia.

. . Seu texto deve ser escrito conforme regras da ABNT. Os conteúdos foram tratados no tema 1 do bloco 2: A Sociedade feudal. Orientações: . Você deve seguir as regras abaixo: . para isto a imagem deve ser do período e não atual – uma reconstituição.Selecione cinco imagens. fonte). analisando a sua proposta em relação a um ensino de história medieval que privilegie outros conteúdos para além do estudo do Ocidente cristão europeu. O contexto histórico no qual ela foi produzida. Atividade Etapa que você já fez sua leitura e estudo do nosso texto. Compartilhe dos resultados com colegas e seu professor.Deverá ser produzido um cartaz com as imagens e uma breve legenda com as informações básicas sobre a mesma (data. b) Você deve destacar cinco elementos importantes para cada período. 3 56 . As Cruzadas. Ela será muito útil em seus futuros estudos sobre o período. A apresentação deverá ser oral e feita em sala de aula. Alta Idade Média. O objetivo é a sondagem dos seus conhecimentos. mas também levá-lo a vivenciar outros tipos de experiência neste processo de aprendizagem. O Renascimento comercial e urbano. mapas e documentos que aparecem neste tema.de Rivair Macedo. Espero que esta experiência lhe traga novos e valiosos conhecimentos. c) Cada elemento destacado deve vir acompanhado de um breve comentário de cinco linhas. Seguem as instruções: a) Construir cronologia comentada da Idade Média a partir dos períodos históricos aqui propostos – primeira Idade Média. Estabeleça no seu texto uma relação com os conteúdos sobre o islamismo – sua origem e presença na península ibérica – tratados nos conteúdos 3 e 4. uma para cada tema medieval listado abaixo. Você pode e deve enriquecê-lo fazendo referência as imagens. Idade Média Central e Baixa Idade Média. do bloco 1. . 1 2 Etapa um comentário do texto complementar – “Repensando a Idade Média no Ensino de Elaborar História”.Medieval História Orientada A partir deste momento. A cultura cristã medieval. . . autoria quando houver. acreditamos que poderá construir sua Agora própria cronologia do período medieval. Siga as orientações estabelecidas para cada etapa.Você deverá fazer a análise de cada imagem considerando os seguintes aspectos: . iniciaremos uma atividade de avaliação dividida em três etapas. onde você deve expor sobre a importância do mesmo para aquele período. Etapa você vai fazer uma análise de gravuras medievais encontradas em um livro didático que Agora trate sobre o conteúdo de medieval. O comentário deve possuir o mínimo de 20 e o máximo de 30 linhas. Fazer uma análise clara e concisa.

Variava muito. p. GÓTICO: sinônimo de bárbara. MISSI DOMINICI: significa enviados do senhor. 1991. 54). 1989. 237). 70). ESTADO: Em princípio ligado a idéia de “corpo místico secular”. Há dois senhorios: o fundiário e o banal” (Batista Neto. religiosa” (Franco Júnior. econômica. SENHORIO: “unidade territorial e econômica na qual vivem e trabalham os camponeses os quais têm diversas obrigações para com o senhor. Esta concessão criava obrigações recíprocas entre as partes. 88). 57 . como forma de aumentar o número de vassalos. posteriormente. um vasto domínio ou mesmo uma quantia em dinheiro”. 83-4). SUSERANO: “o senhor do senhor. p. rei cabeça de um corpo. Depois. 2001. punir. 237). Estava entre as obrigações que o camponês tinha a que se submeter pelo fato de ser posseiro” (Monteiro. eram nomeados pelos imperadores carolíngios para “fiscalizar os poderes concedidos aos condes nas terras reais e iam aos pares (um leigo e um clérigo) visitar os condados e elaborar relatórios a respeito” (Franco Júnior. p. social.Glossário BAN: “no começo da Idade Média. com suas facetas política. FEUDALISMO: “o conjunto da formação social dominante no Ocidente da Idade média Central. CLERO REGULAR: parte do clero católico que vive em comunidade submetido a uma regra específica de vida. CORVÉIA: “prestação de trabalho e serviços gratuitamente ao senhorio. 181) BENEFÍCIO: “terra cedida a uma pessoa a título de posse. o senhor e o vassalo. reino. orientar espiritualmente. p. 84). institucional. cultural. p. a princípio como forma de remuneração por serviços prestados e. (Franco Júnior. sendo peça importante na estruturação da vassalagem” (Monteiro. A partir do século XIII ganha sentido de corpo político submetido a um governo e a leis comuns. podendo ser um pequeno lote de terra. 2001. Esta designação foi atribuída a arte medieval pelo pintor Rafael Sanzio (1483-1520) devido a mesma fugir aos padrões clássicos (Franco Júnior. 237) VASSALAGEM: laço contratual que unia dois homens livres. p. p. 2001. 1989. (Batista Neto. p. p. ideológica. ajudar os necessitados (Franco Júnior. tributar. FEUDO: “bem concedido a um vassalo para o seu sustento. (Batista Neto. Usado também como sinônimo de senhor”. CLERO SECULAR: clero voltado para atividades em sociedade – ministrar sacramentos. este termo designava o poder de comando do chefe militar. 2001. 1989. p. o conjunto de poderes regalianos (do rei) que a partir do século X foi confiscado e explorado por grandes latifundiários: julgar. 2001. 1991. 11) LITURGIA: ritual que orienta a organização do culto.

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