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OLAVO BILAC SAGRES (Commemoração da descoberta do caminho da índia) RIO DE JANEIRO MDCCCXCVIII .

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.A Antônio Snnes 7-Maio-98.

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em cachoes. Só. na trágica noite e no sitio medonho. impassível. o Promontorio dorme. . E.—Hist. Berço de um mundo novo. Mais largo do que o mar sentindo o próprio sonho. que. . oppondo ao mar o vulto enorme. como um fantasma. se reuniam il noite os deuses. que se desencadeia. Sob as trevas do céo. em mysteriosas ccnversas com esse mar cheio de enganos e tentações». aferrando os pés sobre um penhasco a pique. a uivar. de Portugal. OL. Ao tufão.«Acreditavam os antigos celtas. Em Sagres. o Infante Dom Henrique. Sorvendo a ventania e espiando a escuridão. A água negra.. Inquieto como o mar sentindo o coração. pelas trevas do mar. Queda. MARTINS. — S ó . no templo circular do Promontorio Sacro. Retorcem-se gemendo os zimbros sobre a areia. se precipita. do Guadiaua espalhados até a costa.

E. na confusão do horrendo desenlace. Immune de paixões. ao clamor dos pifanos de guerra.qLAVO BII. a bocca da Mulher. Entre as mesnadas (quando a chacina sem dó Dizimava a moirama e estremecia a terra) Viram-no levantar. sem um tremor na face. A alma de um Sonhador Guarda em si mesma a terra.AC Casto. .—em Ceuta. sem um grito sequer Na carne suffocada em plena adolescência : E nunca approximou da face envelhecida O nectario da Flor. immortal. — D u r o . Forte. atravessa a existência. Sem um tremor na voz. dentro de um pensamento. Entre os raios do sol e entre as nuvens do pó. — T u d o quanto perfuma o deserto da vida. cujo fogo interior A si mesmo. immortal e brilhante. o mar. Vive como um vulcão. — e n s o p a n d o os pés em sangue portuguez. Calmo.—fugindo o amor. A alma de Portugal no aceiro do montante. Toda a vida captiva. na jornada atroz do desbarato. —Vira partir o irmão para as prisões de Fez. Em Tanger. e o firmamentQ. Empedrado na teima e no orgulho insensato. E' que o Sonho lhe traz. se nutre e se devora. cerrada de todp á inspiração de fora.

Quem sondara ess. atravéz de selvas e areiaes. amoroso. sob a meiguice e a limpidez do céo. Como nymphas. todo o grande poder. AtJantida fqrmosa! Mar tenebroso ! aqui recebes. A syncope da vida. Aos teus pés.. Começa o Chãos aqui. Virgens.. Toda a força se esváe do Oceano Tenebroso. no seu furor sagrado ? Que rios. a agonia da luz.SAGTIES « Terras da Fantasia ! líhas Afortunadas. erguendo ao sol a Cruz. á flor das a g u a s remansadas! —Pondo o rumo das naus contra a noite horrorosa. ? De onde vem elle ? ao so} de que remotas plagas Borbulhou e dormiu ? que cidades reaes Embalou no regaço azul de suas vagas ? . Terras Christans do Preste ! Promontorio Sagrado ! Aos teus pés. a gemer.. ignorado. porventura. Vós sorrides ao sol.. á algidez do rochedo ? Que montanhas mordeu. Que palavras confia essa bocca. Que anciedade lhe agita os flancos ? Que segredo...e abysmo e rompera esse vép ? O' sonho de Platão.. Vieram nelle encontrar um túmulo. Entre beijos de espuma. Chora o monstro. na orla da praia escura? E' a mortalha do mundp a bruma que te veste ? Mas não ! por traz da bruma.

como um fantasma.. A voz incomprehendida. entre o ventoe asalsugem. d'essa ponta de terra. Em que ninho de treva os astros vão dormir ? Em que soidão o sol sepulta-se. Dominas a Natureza. Erguendo os braços no ar. sobre o penhasco a pique. . havemos de sentir Estas aspirações. privado de medo E provido de Vontade. affastado da guerra. ao surdo bater dos macaréos que rugem: «Ao largo.—porque..OLAVO BILAC Se tudo é morte além. torturado e só. Queda. Alguém.—em que deserto horrendo. Sonha. Tu. Entreoszimbroseanevoa. Argus ! Tomará corpo a Visão. a soffrer.. com anciedade. Com os olhos febris furando a escuridão... De tudo !—em tua fraqueza. a voz da Tentação Canta. morrendo ? Se tudo é morte além. Ousado ! o Segredo Espera. como azas dentro da alma ? » E.. Verás destes mares largos Dissipar-se a cerração ! Aguça os teus olhos. o Infante Dom Henrique. sem calma.

Entre mappas e astrolabios Encaneces e porfías..SAGBES Na escuridão que te cinge. Ficar mais perto de Deus ). Deuses pisaram a areia Hoje pisada por ti. entre os teus sábios. . T u . apartado dos teus.. No olhar da liquida sphynge O olhar mergulhas. Aqui. ( Para dos homens fugindo. casto. e lês . Reproduzes os milagres Da edade escura dos Celtas : Vê como a noite está cheia D e vagas sombras. Ninho das naves esbeltas. no agro templo de Sagres. Tu. buscando o oceano infindo. CEdipo ! com altivez. Fanando a flor dos teus dias. Tu.. Tu que.

Já. como cestas de flores. sem fim. Nessas taboas oscillantes. tu. Que o mar de leve balança. enfunadas as velas Como azas a palpitar. Já. mortal. do fundo do mar vario.]0 OLAVO BILAC E. pequenino. Tu. . como elles poderoso. Abrem se ao sol os Açores. Já. Espalham-se as caravellas —Aves tontas pelo mar. Verdes.. Vences o Mar Tenebroso. Sob essas azas abertas. A alma dos teus navegantes Povoa as águas desertas. Surgem as ilhas. da côr da Esperança. assim Como as contas de um rosário 4 Soltas nas águas. Ficas senhor do Destino.

. no oceano azul. com o olhar em chamma. abrazada Pela inclemencia dos soes. Teu Sonho estará cantando A flor das águas revoltas. . ao ultimo porto. recolhido Em calma. O vôo das náos do Gama. Vencido. o peito arquejante. Nãq basta ! A v a n t e ! Tu. —Porto da paz e do olvido. Cheia a bocca e regougante D e escuma e de imprecaçqes. De rôstros feitos ao Sul.. teus heróes Pisam a África. morto Em breve. Abrir-se.SAGRES 11 Vencida a ponta encantada p o Bojador. tu. Levantado em furacões. Não verás. Que importa ? Vivo e offegando No offego das velas soltas.

12 OLAVO B1LAC Rasgando em fúria. No tope de cada mastro. Zelozo do seu thesouro. O Sant'Elmo de Lisboa. e contra os escolhos Golfando. Os relâmpagos dos olhos. .—impotente Como um verme. Infante Dom Henrique Passou a Esphera Armillar ! Fartar !. —Olha. pela tua gente.. Galgado o cabo do Horror Como o reflexo de um astro. Scintilla e a frota abençoa.. ás unhadas. em flammas iradas. Louco. a brilhar. Como um sanctuario. Que ao toque de um temerário Largas abre as portas de ouro.—Adamastor Verá. de Moçambique A Calicut. O peito. E alta já. ullulante.

Movendo para o sol posto. Fartar!. Da água atravez.. . Todo o marfim africano. Do seio fecundo Do Oriente abrazado em luz. o rosto Da nave. — S o b o pallio cor de rosa Da aurora. anciosa. .SAGRES 13 —Eis as terras feiticeiras Abertas. Verá uma terra. com ousadia. inda não b a s t a ! um dia. Deslisem fustas ligeiras. Toda a prata que fascina. Todas as sedas da C h i n a .. Corram ávidas galés ! Ahi vão. Derramem-se sobre o mundo As pedrarias de Hormuz! Mas. opprimindo o Oceano. . esperando o sol. No áureo banho do arrebol. Um outro imprudente.

falia a voz da Sereia. na água que vae e vem. Sonha. como um tabeniaculo. sobre as pérolas da espuma. Tu. Desenrolar se vivo o Drama das Conquistas. Passa o vento. Dominas a natureza ! » Longa e callida. N'uma scintillação de nacar e amethystas. Invadida do fogo. . Infante ! Em tua fraqueza. súbito.—filha Da Pátria dona das naus. irradia. E o olhar do Infante vê. E.14 OLAVO BILAC E olhando-a. —Como uma virgem que o 9eio Aos beijos do noivo entrega. Doce agora. a principio. Terá visto a Pátria. ameigando os zimbros sobre a areia. Sorri pallidamente o dia. —Longe. Dansa torvelinhando a chuva de ouro. arde e palpita a bruma. Além. Tênue. no anceio Do medo e pasmo que a cega. casta. um roxo clarão rompe o nocturno véo. Que abriam em cada quilha Uma parcella do Cháos. assim. o céo Entre faixas de prata e purpura. d'essa ponta de terra.—affastado da guerra.

Crespas selvas sem fim de mastros deslumbrantes. Costas de âmbar. . E impassível. segue entre as rochas abruptas. Galeões descommunaes.SAGRES 15 Todo o Oceano referve. Continentes de fogo. ilhas resplandecendo. Illuminam-se as grutas. Fim de um mundo sondando o deserto do mar. — . .. Dissipam-se as visões. —Berço de um mundo novo—o Promontorio dorme. Como um fantasma. parcéis de aljofres e coraes. —Surgem. a meditar. E' o dia !—A bruma foge. oppondo ao mar o vulto enorme.. Desmanchado em rubis. redomoinhando e desapparecendo.^ Í S I Y I Í B ^ * . incendido em diamantes. O Infante.

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 .610. de 1971.

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