Pablo Ortellado/História das políticas culturais no Brasil

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< Usuário(a):Pablo Ortellado

As políticas culturais consistem em um conjunto de intervenções realizadas pelo Estado, instituições civis e grupos comunitários organizados a fim de orientar o desenvolvimento simbólico, satisfazer as necessidades culturais da população e obter consenso para um tipo de ordem ou de transformação social [1]. As iniciativas desses agentes visam promover a produção, a distribuição e o consumo de bens culturais, a preservação e divulgação do patrimônio histórico, o ordenamento do aparelho burocrático por elas responsável, dentre outros (2). Vale salientar, no entanto, que o presente artigo trabalhará a definição da história das políticas culturais no Brasil em âmbito federal, levando-se em conta as grandes ações sistemáticas da União (por conta de escassa literatura nacional acerca do assunto em outros níveis de análise). Também partimos da concepção de que a elaboração de ações e políticas culturais, a existência de estruturas administrativas voltadas para o setor cultural e a aplicação de recursos na cultura é uma realidade mais condizente com o nível federal do que entre as demais esferas de governo (3)] Não existe uma definição precisa e conclusiva que indique o começo da "história" das políticas culturais no Brasil: desde o período do império, existiam ações do Estado voltadas para o campo da cultura, mas será compreendido como história da política cultural no Brasil somente o período que se estende de 1930 - na Era Vargas - até hoje. Os estudiosos do assunto escolheram este marco histórico considerando que uma política pública é uma ação planejada do Estado, orientada em torno de uma certa "continuidade", aspecto que foi visto apenas a partir dos anos 30.
Índice
[esconder]

1 A Política Cultural no Governo Vargas (1930 - 1945)

o o o o o o o  

1.1 O Departamento de Cultura de São Paulo 1.2 O Patrimônio 1.3 O Cinema 1.4 O Teatro 1.5 O Rádio 1.6 O Livro e a Cultura 1.7 Outras iniciativas - Conselho Nacional de Cultura (CNC)

2 A Política Cultural no Período de Democratização (1946 - 1964) 3 A Política Cultural no Regime Militar (1964 - 1985)

o

3.1 O contexto da abertura política

Documentação Histórica e Social. o enriquecimento e o conhecimento do patrimônio histórico e artístico nacional. Com as mudanças políticas que ocorreram em 1938. erudita nacional. Vale atentar para o fato do departamento ser em âmbito municipal e não federal. 4 A Política Cultural no Período de Redemocratização o o o o  4.4 Fernando Henrique Cardoso 5 A Política Cultural na História Recente o o   5. havia a pretensão de se criar quatro museus. o projeto esbarrava em assuntos complexos como o aspecto jurídico e político. a conservação. não havendo continuidade em algumas ações. conservação. . entre outras. Em 1937 foi criado o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) que previa a em sua lei nº 378 “o tombamento. erudita estrangeira.2 Governo Dilma 6 Ligações externas 7 Referências A Política Cultural no Governo Vargas (1930 . o que realça mais ainda o caráter inovador.1 Antecedentes diretos ao período de Redemocratização 4. cujo objetivo era preservar o patrimônio através de ações como organização do tombamento.1 Governo Lula 5. histórica. dado do contexto de crescente urbanização que ameaçava essa preservação. O Patrimônio No que tange ao patrimônio. abrangendo várias temáticas como expressões folclóricas a atividades infantis. restauração. Bibliotecas. Todas elas estavam alinhadas com o mesmo objetivo de promoção de cultura. ameríndia. Além disso. Esteve sob o comando de Mario de Andrade (1935-1938) e prezava pela diversidade da cultura. O SPHAN estava dividido em oito grupos: arqueológica. popular. aplicadas nacionais e aplicadas estrangeiras. Mário de Andrade deixa o cargo. Tinha como propósito disseminar cultura e não deixa-la somente nas mãos das classes dominantes. seguindo as linhas dos livros de tombamento. Mario de Andrade foi solicitado para desenvolver o anteprojeto do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN).” O principal momento histórico a ser tomado foi o período colonial. além da realização de pesquisas. No entanto.2 Collor 4.1945) O Departamento de Cultura de São Paulo O Departamento de Cultura e Recreação da Cidade de São Paulo foi um marco em termos de se instituir na administração pública um setor que tratasse de ações culturais [1] .3 Itamar 4. O Departamento tinha como subdivisões os seguintes setores: Educação e Recreios. por ser muito ousado.

do diretor do Museu Nacional. inaugurando o Servuiço Nacional de Radiodifusão Escolar. de um professor indicado pelo Ministério da Educação e Saúde – MES. Esse mesmo decreto ainda previa a institucionalização do Convênio Cinematográfico Educativo. foi criado o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural. foi criado o Serviço de Radiodifusão Educativa: instituição que deveria buscar formas de produzir programas a serem transmitidos nas escolas. é inaugurado o Serviço Nacional de Teatro. que visava. facilitar a formação de artistas. A comissão de censura era formada por um representante da polícia. o DIP - . por exemplo. tal comissão estudava em todos os seus aspectos a questão do teatro nacional. racionalizou e incentivou o sistema de radiodifusão em todo país. Firmada pela lei nº 378 de 13 de janeiro de 1937. dividido em três seções: rádio. Em 1934. com o intuito de desenvolver estudos para a criação de um orgão permamente na área do teatro.O Cinema O cinema teve atenção durante o período Vargas através do Decreto Lei nº 21. por exemplo. O Teatro Em 1936 é criada a Comissão de Teatro Nacional. e cinema educativo – filmoteca do Museu Nacional e 1ª Exposição de Cinematografia Educativa. É importante notar que o Estado nesse âmbito de impunha no mercado. a política colocada em prática por Vargas se pautou em três eixos: doutrinamento político – Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC). Com o objetivo de obter mais produtividade no setor de radiodifusão. preparando-se então para utilizá-lo (em contrapartida) em proveito próprio. Um ano depois. orientar grupos teatrais. Portanto. incentivar o teatro infantil. Gustavo Capanema apresentou um projeto de reestruturação do presente serviço.240/32. a partir da criação de um programa nacional de caráter oficial (a “Hora do Brasil”): toda a experiência acumulada pelo governo na instituição destes diversos órgãos serviu para a criação de uma poderosa ferramenta de controle e produção cultural. cinema e cultura física. baseado em uma releitura dos sistemas escolares dos paises europeus e americanos. e apresentações cinematográficas quinzenais. através de uma taxa que deveria ser paga. promover ou estimular a construção de teatros. distribuiu. cujas ações seriam de cunho infantil – peças educativas. educadora indicada pela Associação Brasileira de Educação. dentre outros. do juizado de menores. regulamentação – incentivo à produção da iniciativa privada. recebeu atenção especial pois servia como uma ferramenta de poder e controle por parte do governo da época. e as formas de se valorizar e incentivar os grupos teatrais. porém o assunto tratado nesse decreto eram as censuras cinematográficas. por meio da lei nº378. dentre outros objetivos. Três anos depois. [editar]O Rádio O Rádio (área da radiodifusão). amparar companhias. competindo bravamente com as empresas menores que produziam complemento e cinejornalismo. O Estado brasileiro ordenou. como instituição de telecomunicação estratégica para o estado varguista. Havia a necessidade de o Ministério da Educação certificar esses filmes.

a conservação do patrimônio.Conselho Nacional de Cultura (CNC) Marcou também o espectro de outras iniciativas do governo vargas e da gestão de seu ministro Capanema. A Política Cultural no Período de Democratização (1946 . Eram atribuições do Conselho Nacional de Cultura: o balanço das atividades culturais e seu desenvolvimento. e por fim. Também eram suas atribuições: (i) editar as obras raras ou preciosas. Tal atitude. foi criado o Instituto Nacional do Livro (INL). bem como revisar os dicionários da lingua portuguesa. (ii) realizar uma política de incentivo. a criação do Conselho Nacional de Cultura (CNC). sempre visando preços mais acessíveis. cinema e teatro. Em 21 de dezembro de 1937 (o mesmo ano da promulgação da lei). para a sociedade brasileira. Com o fim da Segunda Guerra Mundial. além de outras demandas da época. "o esplendoroso desenvolvimento da cultura brasileira que acontece no período. (iii) incentivar a organização e auxiliar a manutenção de bibliotecas públicas em território nacional. a principal política do INL foi colocar em circulação obras esgotadas e outras ações envolvendo títulos que não geravam muito interesse nacionalmente. o setor cresceu vertiginosamente. de interesse nacional. Entre meados dos anos trinta e o fim da Segunda Guerra Mundial. a propaganda patriótica e a educação cívica.1964) O período que abrange meados da década de 1940 até a instauração do governo militar foi marcado por poucas ações do Estado no campo da cultura bem como pela ausência de propostas de ações ou políticas continuadas de promoção cultural. O decreto que instituía esta ferramenta de política cultural definia como desenvolvimento cultural a produção filosófica. nº 378. organizado em cinco divisões: divulgação. e por fim. Outras iniciativas . em seu artigo 44 previa a criação do Instituto Cairu. que seria responsável por organizar e publicar a Enciclopédia Brasileira. de atribuições similares ao conselho de educação. o sistema que prevaleceu foi constituído por um processo de concessão pública e propriedade privada. radiodifusão. o intercâmbio intelectual. bem como a delineação das instituições culturais e diretrizes de sua atuação. No caso da radiodifusão. marcou o início da expansão deste mercado no Brasil. o cultivo das artes. melhora e barateamento da edição e importação de livros no país. para o fim de opinar quanto a subvenções (financiamento público) que lhes devessem ser concedidas pelo governo federal. turismo e imprensa. científica e literária. em praticamente . O Livro e a Cultura A já citada lei. e melhor solução política encontrada foi a de parcerias e convênios diretos entre o Instituto e as prefeituras. No caso das bibliotecas. Ao INL foram direcionadas as tarefas de organizar e publicar a enciclopédia brasileira. a sugestão aos poderes públicos acerca das medidas direcionadas a ampliar e aperfeiçoar os serviços de cultura mantidos pelo Estado. que substituiu o até então Instituto Cairu. o estudo da situação das instituições culturais de caráter privado.Departamento de Imprensa e Propaganda. Para Rubim considerando a inação do Estado.

a existir uma sobreposição entre as funções dos SNT. Com a criação dessa nova legislação passou. Contudo. dentro do Ministério das Relações Exteriores (MRE).todas as suas áreas. sem que houvesse. como a Sociedade Brasileira de Antropologia e Etnologia. não tem qualquer correspondência com o que ocorre nas políticas culturais do Estado brasileiro". o estímulo à produção de obras teatrais. no começo da década de 1940. Como exemplo desse processo pode-se lembrar do apoio pontual concedido ao Teatro do Estudante em 1950 e ao Teatro Nacional de Comédia (TBC) em 1959. o que gerou um cenário de regulamentações sucessivas. Esta comissão embora não tivesse grande montante de recursos estimulou a expansão do tema para diversos estados com a criação de comissões estaduais de folclore . O desenvolvimento „esplendoroso‟ esteve diretamente ligado ao crescimento do mercado de consumo de produções culturais da época. A partir da Comissão foi organizado o I Congresso Brasileiro de Folclore que a partir de discussões com especialistas propunha a criação de um orgão de defesa do patrimônio folclórico. a organização/manutenção do museu do teatro além do incentivo ao “teatro ambulante”. essa expansão se deu também em virtude do aumento da produção nacional. TNC e CNT.principalmente de produções norte-americanas.912/56) que tinha como objetivo principal promover espetáculos teatrais em todo o país. Contudo. Destacam-se. cursos de formação. Em 1958 criou-se a Companhia Nacional de Teatro (CNT) com objetivo de fomentar o desenvolvimento do setor. motivada por uma proposta do governo que tornava obrigatória a exibição de filmes nacionais em todas as salas de cinema do país. preocupação em efetivá-las. de fato. E neste mesmo ano foi ainda instituido o regimento do SNT (decreto 44. apoiado por personalidades do movimento modernistas surgiram iniciativas de apoio a cultura popular e ao folclore com o objetivo de ampliar os estudos sobre o tema. a grande expansão das emissoras de rádio e do consumo de produções cinematográficas . as mais influenciadas. No campo das políticas culturais a ação estatal caracterizou-se principalmente pela regulamentação e administração das instituições criadas durante o governo Vargas sendo as áreas teatral e da cultura popular. o Instituto Brasileiro de Folclore e a Sociedade Brasileira de Folclore. Ciência e Cultura (Ibecc) liderado por Renato de Almeida. nesse sentido. No campo do Teatro a partir do Serviço Nacional do Teatro (SNT) foi criado o Teatro Nacional de Comédia (TNC) (decreto 3. folclore. então. No caso do cinema. Em 1946 foi criado. nenhuma destas iniciativas significaram de fato avanços na construção de políticas públicas para o setor. No campo da cultura popular.318/58) que deu maior amplitude às suas ações contemplando o intercâmbio cultural entre os grupos existentes. folclorista de destaque e funcionário do Ministério. isso . o Instituto Brasileiro de Educação. Ele foi responsável pela instalação da Comissão Nacional de Folclore (CNFL).sediadas nas capitais brasileiras.

só se tornou possível durante a terceira edição do evento. produtores estrangeiros associavam-se a produtores nacionais para realização de seus projetos. a partir do Ministério da Educação e Cultura (MEC) foi criada a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro (CDFB) (decreto 43. Com o golpe militar de 1964 o Iseb passou a ser visto como um instrumento de grupos revolucionários de esquerda. notadamente da sociologia. eram intensificados os mecanismos de controle da censura e repressão política. O Iseb. neste momento da historia brasileira. que embora não concordassem sobre vários aspectos tinham como consenso o uso do Iseb com o objetivo de criar um projeto ideológico comum para o país. Havia grande investimento de capital estrangeiro. reformulações. Em 1955 foi criado o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb) (decreto 37. era pautada como atividade meio para efetividade de políticas educacionais. artesanato e grupos folclóricos organizados além de formação de pessoal especializado para a pesquisa do assunto. quando o então presidente Juscelino Kubitschek anunciou a criação de um grupo de trabalho para planejar da implantação de um órgão de defesa da cultura popular. o ensino e a divulgação das ciências sociais. Compunham o instituto um grupo muito diverso de personalidades. em todo o país. A esfera estatal sofre. a pesquisa e divulgação do folclore brasileiro. da história.608/55) como um órgão vinculado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC). atuando também em sua defesa por meio da edição de documentos e obras folclóricas. fonográfica e televisiva tiveram suas produções intensificadas por meio do crescimento de empreendimentos privados direcionados a estes campos. proposição de medidas de proteção das artes populares. sendo criadas novas e modernas instituições voltadas à cultura.1985) O contexto da abertura política Durante a década de 1970 o Brasil vive um período conhecido como modernização conservadora. capaz de mudar a história de atraso econômico e alienação cultural. 1958.178/58) que pretendia realizar. em 1957. segundo o decreto que o cria tinha como objetivo: o estudo. cooperação à instituições e eventos relacionados ao tema. A cultura. da economia e da política. sobretudo em áreas ligadas a indústria cultural. pois ao mesmo tempo em que ocorria relativo crescimento econômico. especialmente para o fim de aplicar as categorias e os dados dessas ciências à análise e à compreensão da realidade brasileira. e para que pudessem driblar imposições postas pelo Estado brasileiro à entrada do capital externo. no período. O Iseb foi a instituição que melhor representou a ação no engajamento intelectual na vida política e social do país. Neste contexto. A Política Cultural no Regime Militar (1964 . as indústrias cultural. esclarecimento da opinião púbica quanto ao significado do folclore. No ano seguinte. sendo logo extinguido. estando os assuntos relacionados a atividades culturais subordinados a .

revalidação dos patrimônios históricos e científicos. novos órgãos na área da cultura. a saber: apoio direto e acompanhamento das fontes de cultura. de dança e implementação das artes plásticas. difundir as criações e manifestações culturais e contribuir para o processo de integração nacional. circo. preservar os bens culturais. uma vez que este não possuía nenhum departamento especifico para área cultural. o novo Ministro Ney Braga. incentivar a criatividade. vista por muitos autores como marco divisório de ruptura com o período anterior. Pode-se citar o Conselho Nacional de Direito Autoral (CNDA). a Campanha de Defesa do Folclore . na gestão do Ministro Ney Braga. Ainda no ano de 1973 foi lançado o Plano de Ação Cultural (PAC). A Política continha. folclore e cinema. Ao plano caberia também capacitação de pessoal e abrangência do setor de patrimônio. um projeto do DAC. as diretrizes que deveriam ser seguidas pelo MEC. o Conselho Nacional de Cinema. Com isso. Em 1970 a estrutura administrativa do MEC é reformulada. dinamização do mercado de publicações. sendo utilizados recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para financiamento do PAC. Após a implementação do PAC a área cultural é fortalecida dentro do Ministério da Educação. musical. sendo criado o Departamento de Assuntos Culturais (DAC). alega que no referido ano o plano passará a ser fundamentado em diretrizes mais sólidas e a política cultural do MEC irá focarse em três atitudes fundamentais: difusões de manifestações no âmbito cultural. preservação e defesa dos bens culturais. Em 1973 o Conselho Federal de Cultura. Em 1974. projetos e políticas culturais. entrega ao ministro Jarbas Passarinho um documento com as diretrizes para políticas públicas de cultura – Diretrizes para uma Política Nacional de Cultura – as quais deveriam ser distribuídas pelo DAC em planos. programas. Dentre as perspectivas do referido Ministério estava a estruturação de um sistema de modernização das principais entidades culturais do país e o desenvolvimento de um sistema de execução do Plano Nacional de Cultura.divisão de assuntos extraescolares do Ministério da Educação e Cultura. teatro. que possuía como meta a execução de um calendário de eventos culturais nas áreas de música. cinematográfica. aponta para a necessidade de desenvolvimento de uma especificação mais precisa da política executada pelo PAC. o Conselho Federal de Cultura passa a configurar-se como instância normativa e consultiva. em que não havia políticas para área. responsável pela execução de programas culturais. foram criados. incentivo à criatividade artística brasileira. Visando cumprir os objetivos estabelecidos na Política Nacional de Cultura de gerar conhecimento sobre a cultura brasileira. Em 1976 é lançada a Política Nacional de Cultura. apoio às áreas de produção teatral. após apreciação do Presidente da República. além de definições e fundamentos legais. que visava a criação de uma Secretaria de assuntos culturais dentro do Ministério da Educação e Cultura. Com isso. difusão da cultura através dos meios de comunicação de massa.

O projeto ocorreu por meio de um convênio entre a Secretaria de Educação e Cultura do Distrito Federal e o Ministério da Indústria e comércio por meio da Secretaria de Tecnologia Industrial. foram levantados alguns principais pontos a se considerar no concernente às duas grandes áreas de atuação do ministério. no entanto. Também foi realizado. conjunturais. no entanto. das Relações Exteriores. em 16 de julho de 1979. bem como ao abandono de cidades que sofreram decréscimo populacional e perda de significado local. o projeto do Centro Nacional de Referência Cultural (CNRC). problemas relacionados à falta de mão de obra especializada e dificuldade de financiamento fizeram com que o SPHAN não conseguisse arcar com a conservação e manutenção do patrimônio. relatórios na tentativa de se estabelecer Sistemas Nacionais de Arquivos e de Bibliotecas e um Sistema Museológico Brasileiro. Ainda na gestão de Ney Braga. seus trabalhos acabaram ficando dispersos ou não foram concluídos. No aspecto cultural. em princípio. A preocupação em preservar e revitalizar o patrimônio cultural brasileiro levou a criação do Programa de Cidades Históricas. durante a realização de conferência na Escola Superior de Guerra. estavam relacionados a questões. muitos conceitos gerados foram aproveitados pela Secretaria de Cultura do MEC. Devido a grande autonomia cedida ao CNRC. São gerados a partir de então. como à desigualdade na distribuição de renda e consequente marginalização de estratos mais baixos. O programa buscou realizar ações de maneira planificada e sistemática. a Caixa Econômica Federal e a Universidade de Brasília. o patrimônio torna-se uma das áreas de maior preocupação nacional. seguidas por considerações referentes a . sendo possível que estas se transformassem em Políticas Públicas. com distribuição de responsabilidades. A Política Cultural no Período de Redemocratização Antecedentes diretos ao período de Redemocratização Já na gestão de Eduardo Portela. buscou-se investir no turismo cultural. sendo incluídos: a Secretaria de Planejamento da Presidência da República. em 1973. realizado por meio de parceria entre os Ministérios do Planejamento e Educação. Ministério do Interior. Teve como ponto forte também a qualificação de mão de obra técnica para conservação e restauração de bens móveis. Devido ao processo acelerado de urbanização. a Fundação Nacional de Arte (Funarte). O Objetivo inicial do CNRC era criar um banco de dados sobre a cultura brasileira. Em 1978 passam a integrar o convênio o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Banco do Brasil. Para solucionar os problemas gerados por meio dos fatores apresentados acima. e também a reformulação de Embrafilme de 1969. no ano de 1975. na Busca de um Sistema Nacional de Cultura. sendo incorporados a Constituição Federal de 1988.brasileiro. Em 1976 é feito um novo convênio. Surge também a proposição para a criação da Política de Integração Nacional de Cultura. entra em debate a necessidade de se harmonizar as ações dos diferentes níveis de governo.

em moldes similares aos propostos nos Estados Unidos desde 1917. a lei propunha um mecanismo simples de abatimento de porcentagens específicas do imposto de renda devido pela iniciativa privada. que surge legislação brasileira de incentivos fiscais à cultura. conhecida como Lei Sarney. caracterizada por aspectos liberais que visavam a captação de recursos privados para os projetos e produção culturais. promovendo diretamente a cultura. em 1986. prevê-se que o montante de recursos canalizados para o setor cultural tenha chegado à ordem de 110 milhões de dólares. em 1980. que este assuma papel não mais de “mecenas”. física e jurídica. para a qual se apreende ser a melhor alternativa. acesso e consumo de bens e serviços culturais. Basicamente. concretizada no ano seguinte através da promulgação da Portaria Ministerial nº 276. fora do âmbito federal.505. esta e a Funarte adquirem papel destacado no apoio à SEC. Noções de Estado mínimo e delegação máxima de atribuições à iniciativa privada emergem também nas proposições de política cultural. e chegada do general Rubem Ludwig. durante a gestão do ministro Celso Furtado. Aloisio Magalhães. de pessoas físicas e jurídicas. porém. relegando Cultura a condição de extrema fragilidade. diretamente relacionados à democratização da cultura. Não é . mas que se limite à facilitação via ajustes legais e execução de mecanismos que induzam o estabelecimento de parceria eficiente e eficaz com a iniciativa privada. através da Lei 7. assumindo como fato a inevitável incapacidade do Estado em promover a integralidade da cultura nacional pelo envolvimento de seus mais diversos segmentos e especificidades regionais. É neste contexto que. foram vinculadas duas subsecretarias: do Patrimônio Histórico e Artístico e de Assuntos Culturais.distribuição. nomeou-se para a diretoria da Secretaria de Assuntos Culturais. Exemplos que podem ser citados são: Plano Nacional de Desenvolvimento Educativo para 1980-1985 e Conselhos Federal e Estaduais de Educação e de Cultura. tratada especialmente em reuniões do Fórum Nacional de Secretarios da Cultura. Com a crise generalizada dos modelos de bem-estar social e nacional-desenvolvimentismo. A proposta visava o aperfeiçoamento da política nacional de cultura e seus instrumentos educativos e de gestão. Com a saída. de Eduardo Portela. À SEC. de educação. começaram a se fortalecer processos de proposição à institucionalização do campo da cultura como independente à sua área conciliada. após a queda do regime militar o Brasil é envolvido. desde o início do período de sua redemocratização. por concepções de política econômica neoliberais. incumbindo este de fundir Seac e SPHAN com o objetivo de criar a Secretaria de Cultura (SEC). A partir de 1982. Uma das principais premissas. por meio da formulação de projetos e atividades. resultado de um anteprojeto de lei que já tramitava no Congresso Nacional desde a década passada. em troca do investimento por estas de seus respectivos valores em projetos culturais de seu interesse. era a de que a Educação acabava tomada como prioridade nos orçamentos do ministério. A Lei Sarney durou apenas de 1986 a 1990. Além da vinculação de diversos orgãos/institutos à Fundação Pró-Memória.

esta incorporação não se deu de forma adequada. Fundação do Cinema Brasileiro . assumiu o cardo em 1990 a 1991. Departamento de Produção Cultural e pelo Departamento de Cooperação e Difusão Cultural. O responsável a chefia da Secretaria da Cultura foi Ipojuca Pontes. pagamentos dos direitos do autor e emissão de autorização e etc. A Lei Rouanet deu um novo . nem de sua origem. avaliar se tal valor foi eficientemente alocado. em 1991 a 1992. Com o Decreto nº 99. A criação do Instituto Brasileiro da Arte e Cultura (Ibac) e do Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural (IBPC) serviram para incorporar as entidades dissoluídas na questão que se refere a gestão do quadro pessoal e das receitas anteriormente vinculados. porém. Fundação Nacional Pró-leitura e Embrafilme). No entanto.Funarte. O Departamento de Produção Cultural tratava do cumprimento da legislação e fiscalização do direito do autor nas áreas cinematorgráficas e a venda de livros.Fundacen. O Departamento de Cooperação e Difusão Cultural tratava da questão de difusão da manifestação cultural e da produção cultural. No dia 12 de Abril de 1990 promulga-se as leis nº 8028 e nº 8029. já que.FCB. o orçamento destinados ao Ibac e ao IBPC foram drasticamente reduzidas ocasionando a falta de continuidade de projetos e programas e também o afastamento dos servidores dos cargos.180 de 15 de março de 1990. a primeira lei se refere a transformação do Ministério da Cultura para uma Secretaria e a segunda. Fundação Nacional de Artes Cênicas . de 30 de dezembro 1990) dando benefícios fiscais a projetos aprovados pela Prefeitura de São Paulo. Collor visou a reorganização da Secretaria da Cultura e dos demais os órgãos vinculados ao poder Executivo. houve grandes manifestações de produtores e artístas no município de São Paulo para a criação de leis de incentivo. Fundação Nacional Pró-Memória. A Lei Sarney nesse período vigente foi extinta e foi substituído pela promulgação da lei nº 8313. antes da promulgação da Lei Rouanet. O Conselho Nacional de Politica Cultural (CNPC) tinha diversas atribuições no campo da cultura como auxiliar a formação de política cultural. A secretaria era composto pelo Conselho Nacional de Política Cultura (CNPC). Collor O começo da década de 1990 foi marcado por um período conturbado na área da cultura com a posse da presidência pelo presidenteFernando Collor de Mello. posteriormente assumido por Sérgio Paulo Rouanet. como dito supra. a dissolução de entidades da administração da cultura (Fundação Nacional de Arte .possível. e na atividades cinematográficas.de 23 de dezembro com o Programa Nacional de Incentivo à Cultural mais conhecido como Lei Rounet que visava o aperfeiçoamento nas leis de incentivos. o que ocorreu com a Lei Mendonça (Lei nº 1093. a unidade da política cultural entre os orgãos e o intercâmbio cultural. Nesse contexto. a legislação não exigia a apresentação da forma como os recursos foram utilizados. tratar das questões de direito do autor.

artistas. com a Lei nº 8490 cria-se novamente a Funarte e o IPHAN.494.salto para a produção cultural. Este encontro contou com a participação de dois secretarios do Minc: Ottavianno de Fiore. o Fundo Nacional de Cultura. Já o Fundo de Investimento Cultura e Artístico (Decreto nº 1. estudantes etc. com incentivos de abater 100% do investidos na área e ocasionando um maior aumento na produção do cinema nacional. Entre os três mecanismo o destaque se dá no mecanismo de patrocínio e doação. e dessa forma foram exitintos o IBAC e o IBPC. O Fundo Nacional tinha como intuito contribuir para a correção do desequilíbrios regionais com maior equidade de distribuição de recursos aliado a um maior atendimento da demanda coletiva e também o financiamento de recursos com as intuições demandadas. Esta conferência pode ser considerado como marco para mobilização social por meio de das discussões e reuniões referente ao tema da cultura envolvendo diversas entidades da sociedade civil. 17 de maio de 1995) não entrou em funcionamento efetivo. de 20 de julho de 1993) que contribuiu para resolver as sérias dificuldades de financiamento no setor de filmes. e o Fundo de Investimento Cultura e Artístico (Fincat). Secretário Política Cultural do e José Álvaro Moíses. esta organização não deu continuidade. a sua qualifiquação e da necessidade de uma melhor distribuição de competências e responsabilização entre os entes federativos e a sociedade civil. Secretário de Apoio à Cultura. A gestão de Nascimento Silva é destacado pela criação da Lei do Audio Visual ( Lei nº 8685. Em 1993 realiza-se a 1º Conferência Nacional de Cultura organizado pela sociedade civil. a Lei nº 8490 em vigor. Ottavianno Fiore tratou de questões dos recursos humanos. agindo conforme o contexto neoliberal de privatizações. trazendo o . produtores. Itamar Com a posse do Presidente Itamar Franco. Fernando Henrique Cardoso No governo de Fernando Henrique Cardoso. A ação do ministro se deu especialmente na aprimoração das leis de incentivo. o cargo de ministro da cultura foi passado a Francisco Correa Weffort que assumiu o cargo nos dois mandatos de FHC (1995-2002). Dessa forma. com novos mecanismo de incentivos que são: patrocínio ou doação (mecenato). professores. Em 1995 o Ministério da Cultura realizou os “Encontros Malraux”. Em 1993 por pouco período de mandato(setembro a dezembro de 1994) assume José Jerônio Moscado de Souza e posteriormente Luiz Roberto do Nascimento e Silva até 1994. neste encontro se reuniram diversos especialistas franceses e brasileiros para discutir as novas formas de agir da cultura dado a falta de recursos oriundos nessa aréa. o Ministério da Cultura é restituído a cargo do Ministro Antônio Houaiss em 1992. No entanto. José Álvaro Moíses tratou da necessidade de aprimorar e reformular as leis de incentivos para que ocorram a maior participação dos recursos privados.

Cultura e comunicação.No documento de campanha – “A imaginação a Serviço do Brasil” – Lula manifestou todas as suas propostas para o setor cultural brasileiro. a Secretaria do Audiovisual e a Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural. pois muitos dos recursos são destinados ao Sudeste. mas sem ações efetivos nos planos e diretrizes de governo nessa aréa. e Gestão Democrática. A Agência Nacional (Ancine) fez parte também desta reestruturação.551 de 4 de agosto 2000. isto é. a Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura.conceito de marketing cultural como uma das formas para que a empresa atue a sua marca com as comunidades beneficiadas pelos projetos culturais.o artigo 18 da Lei Rouanet foi mudado com a Lei nº 9874. muitos dos recursos ainda são destinados a região sudeste e faltam-se maior seletividade e critérios para o Fundo Nacional de Cultura. o que se encontra é que não houve a inversão da lógica. foram instituídas diversas Secretarias para a reestruturação do Ministério da Cultura com a Secretaria de Articulação Institucional.805. O Decreto nº 3. Transversalidade das Políticas Públicas de Cultura. No entanto. Indústria e Comércio Exterior. o ministro Gilberto Gil assume o Ministério da Cultura. Através do Decreto nº 4. Outro problemas é que as leis de incentivo vigente neste período. a implantação do Sistema Nacional de Cultura (SNC) e do Plano Nacional de Cultura (PNC) foi colocada como prioridade durante a campanha presidencial de Lula. foi marcado por grande descontinuidade e distorção. Em específico. a lei de incentivos foi fortemente utilizado para o financiamento da cultura. que especifica os segmentos da cultura que podem obter 100% de abatimento total sobre o imposto de renda. mais da metade dos recursos eram provenientes do recurso público Federal e aliado a isso a queda da participação dos empresários. Outras ações foram realizado pelo ministro Gil juntamente com o presidente Lula no campo da cultura. Dessa forma. Desse modo. . com a sua vinculação transferida para o Ministério da Cultura. instituiu o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial e o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial que são voltados nas ações de material e imaterial dos bens de patrimônio cultural brasileiro. a gestão de Álvaro Moisés visou reforçar a ideia de parceria do Estado com a entidade produtores culturais e empresas no intuito de desenvolver maior ambiente favorável coletivo para a produção cultural. E também a importância do Fundo Nacional para minimizar as disparidades regionais no acesso dos recursos. a Secretaria de Políticas Culturais. Direito à Memória. dividindo seus projetos a partir de seis eixos temáticos: Cultura como Política de Estado. Assim. pois pertencia ao Ministério do Desenvolvimento. o período de FHC foi marcado com aumento da legislação cultural. Economia da Cultura. em 2002. ou seja. a Secretaria de Programas e Projetos Culturais. A Política Cultural na História Recente Governo Lula Com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Rio de Janeiro: Associação dos Amigos da Funarte.dos anos 1930 até o século XXI.) Um olhar sobre a cultura brasileira. CANCLINI. é a da economia criativa. Cultura e Desporto – primeiramente.SOUZA. regionalizando-as com a participação popular junto com o Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) e também com a realização da 1ºConferência Nacional de Cultura (CNC). Políticas culturais no Brasil . Vale destacar na gestão do ministro Gil os programas implantados em 2004 com o Programa Cultura Viva abrangem diversão ações que são: os Pontos de Cultura. 5. Nestor García. e assim. Com relação ao PNC – apresentado devido a uma notada necessidade de estruturação de uma política específica para a cultura. e tinham como objetivo descentralizar a administração das políticas públicas de cultura. Frederico A. Conclui-se que as principais dificuldades de implantação do SNC decorrem dos arranjos e articulações internas conturbadas no interior do ministério.MOISÉS. um marco recente tranta-se da Economia Criativa. intelectuais e conferencistas da 1ª Conferência Nacional de Educação. Apesar de todo o apoio público. . Buenos Aires: CLACSO. São Paulo. não foi bem conduzido na gestão de Francisco Weffort por conta na redução das responsabilidades do Estado em um período influenciado pelas prerrogativas neoliberais assumidas pelo então presidente FHC. 2009 2. 1998. Paula. sociais e econômicas construídas a partir do ciclo de criação/produção/distribuição/circulação/difusão e fruição/consumo de bens e serviços oridundos dos setores criativos. Barbosa. A economia criativa contempla as dinâmicas culturais. prevendo a ampliação do orçamento do Ministério da Cultura (MinC). CALABRE. Lia. os Agentes Cultura Viva. Caderno de Campanha. um ato criativo de dimensão simbólica ganha status de empreendimento criativo. Política cultural no Brasil: análise do sistema e do Plano Nacional de Cultura. Márcio (org. 2009 1.O SNC e o PNC estavam incluídos no último item (Gestão Democrática). Através do talento e criatividade.Os efeitos das leis de incentivo. o governo passou por dois mandatos sem finalizar nenhuma das duas propostas. 2001. a Cultura Digital. José Álvaro. gerador de um produto . A imaginação a Serviço do Brasil. a Escola Viva e o Griôs-Mestre dos Saberes. Governo Dilma Na história das políticas públicas. Definiciones en transición. SILVA. Brasília: Ministério da Cultura. Lia. Rio de Janeiro: Editora FGV. In:WEFFORT. 2002 6. PT.dos anos 1930 até o século XXI. econômica e social. 1. têm-se em mente que a cultura serve como um ato criativo. Rio de Janeiro: Editora FGV. produção e fomento cultural atrelado também com a participação social. relações essas necessárias para a condução desta política.Francisco. 4. 3. Estes programas abarcam diversas ações no campo da cultura na difusão. Política cultural no Brasil: 2002-2006.PARTIDO DOS TRABALHADORES. Políticas culturais no Brasil . traduzida pelo anseio de muitos artistas. Através desta interface.traduzido em riqueza cultural. FELIX DOS REIS. Uma temática recentemente institucionalizada. ↑ a b CALABRE.

7. . Dicionário Crítico de Política Cultural. José.2007a. 1997. TEIXEIRA COELHO NETO. São Paulo: Iluminuras.

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