Romances Históricos

Paula Quinn

O Senhor do Desejo

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Série Lords 1

Tradução/Pesquisas: As3 Revisão Inicial e final: Ana Paula G. Formatação e arte: Miss Bella

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Nota da Revisora: Ana Paula G.
Este é o primeiro de uma trilogia da Paula Quinn, Série Lords. Sinceramente, durante a primeira metade do livro, tinha vontade de matar o herói, por continuar obcecado por uma mulher que o tinha traído e não conseguir se livrar de sua paixão por ela. Nossa heroína é muito determinada e desde o começo resolve que vai conquistá-lo e tirar a outra da cabeça dele. Este livro me provocou emoções contraditórias! Numa hora ficava com raiva dele, depois dela, logo ficava com pena dos dois, sempre se desencontrando, por causa dos medos dele. Têm partes hot, o herói tem pegada, mas acho que a heroína, por todo o seu empenho e coragem, merecia alguém mais resolvido. Agora, o personagem 'secundário' que chama a atenção na história é um personagem histórico, William o Conquistador (nota: este primeiro livro termina justamente na decisiva Batalha de Hastings que torna William Rei da Inglaterra). Grande amigo de nosso herói, ele tem participação ativa em todo o livro e sinceramente, se o verdadeiro fosse desse jeito, queria um Willian pra mim...kkkkkkkkkkkkk

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Dois leques

Resumo
Ele é a fantasia de qualquer mulher… Misteriosamente belo e sensual Lorde Brand Risande conhecido como "O Apaixonado" é a tentação encarnada em homem. Mas sua perícia no campo de batalha e entre os lençóis esconde um amargo segredo: a traição que silenciou seu coração. Agora, enquanto este temido guerreiro toma posse das terras que ganhou por seus serviços na guerra, terá que enfrentar o mais formidável de todos os seus inimigos. … E o destino de uma mulher. Lady Brynnafar Dumont está disposta a fazer qualquer coisa para proteger sua gente, inclusive seduzir o selvagem cavaleiro normando que derrotou seu pai. Preparada para enfrentar uma besta sem coração, nunca imaginou que ia se encontrar com um homem descarado e perversamente atraente, que não quer nada com ela. A atitude desse homem faz avivar seu orgulho e fortalecer sua decisão. Mas ela é inocente… e agora deverá usar todas suas artimanhas de mulher para vencer Lorde Brand na única batalha que vale a pena lutar… conseguir seu amor.

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No ano 1065 D.C., Lady Brynnafar Dumont se verá na encruzilhada mais importante de toda sua vida. Seu pai acaba de ser derrotado por um normando e, agora, todas as propriedades da família pertencem a seu inimigo. Pelo bem de sua gente, Brynna estará disposta a tudo, inclusive contrair um matrimônio que não deseja. Disposta a assumir seu destino, e acreditando que seu futuro marido é um autêntico ogro, Brynna fica completamente assombrada quando se dá conta que Lorde Brand é o homem com o qual esteve fantasiando há um ano, quando o encontrou nadando em um lago e ficou fascinada por ele. Agora, esse matrimônio não lhe parece tão indesejável. Só existe um pequeno problema: é que Lorde Brand jurou não voltar a se apaixonar, já que a única vez que entregou seu coração a uma mulher, esta o deixou completamente destroçado ao traí-lo com um de seus melhores amigos. Brynna conseguirá conquistar o amor de Brand? Ele deixará que ganhe uma batalha que jurou não nunca mais perder?

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— Por que nos detemos? — Há uma árvore caída mais adiante. Lady Brynna Dumont colocou a cabeça entre as cortinas da pequena janela para averiguar o que acontecia. Tomará tempo. Inglaterra Verão de 1064 D. Devemos movê-la para poder continuar. percorreram as árvores que a rodeavam. Aborrecida pela demora. Capas de linho azul caíram sobre sua refinada sapatilha antes de pisar no chão do bosque. ostentando os brotos do verão. Brynna abriu impulsivamente a porta da carruagem. podia-se ver sua pele pálida contra o brilho vermelho do luxuoso tecido. 6 . Sua delicada mão correu a cortina de veludo. A carruagem se deteve com brutalidade num dos atalhos do caminho de terra. Seus olhos. minha senhora.C. Respirava o aroma fresco do ar matutino quando o cavalo negro de Sir Nathan passou ao seu lado. disposta a explorar os arredores. tão verdes como as folhas que murmuravam na suave brisa.Prólogo Porthleven. mas querendo aproveitar o magnífico dia. temo.

Se ocupe da árvore caída. Nathan era um soldado velho e endurecido pelas batalhas. gostava de boas brigas. Sir Nathan — ofereceu-lhe um sorriso irreverente —. sentiu como seu olhar queimava suas costas. podia escutar Sir Nathan ainda gritando ordens sobre a maneira apropriada de levantar uma árvore caída. Estava ocupado ladrando ordens aos seus homens. Afastou o cabelo com a mão. não era ela que começava as brigas. O mal-humorado cavalheiro tinha estado a serviço de seu tio Robert desde que Deus criou o mundo. Brynna entreabriu os olhos e os cravou no rosto sempre zangado do guarda mais confiável de seu tio Robert. "Formoso" pensou. É obvio. Nunca. A filha de Lorde Richard Dumont. Ela bufou de só pensar nisso. puxando os arreios para ficar frente a ela — Pode ser perigoso ficar aqui fora. — Estarei bem. Enquanto se afastava. Estou ansiosa por retornar para casa com meu pai. e dirigiu um rápido olhar a Nathan. mas isso nunca tinha impedido que Brynna discutisse com ele em qualquer oportunidade que se apresentasse. Fechou os olhos e respirou fundo. Feliz por estar fora de sua vista começou a cantarolar. 7 . sobretudo por seu pai. mas o ignorou e levantou o rosto para a copa das árvores. Brynna passeou pelo bosque. Sir Nathan era extremamente respeitado. Os passos de Brynna eram imperceptíveis e ninguém notou quando escapuliu entre as árvores. que não aprovava que as damas andassem a cavalo. como seu pai. a menos que lhes dirigisse a palavra. usassem botas ou falassem. Sir Nathan era alto e ameaçador. enquanto uma brisa suave lhe beijava as bochechas e jogava uma mecha sedosa de cabelo acobreado contra sua face.— Volte a entrar na carruagem — ordenou. De algum lugar as suas costas. Ela ainda não sabia bem se ter passado o verão discutindo com o comandante de seu tio tinha sido mau ou bom. poderoso guerreiro do Inglaterra. tratando de esquivar e afastar as trepadeiras que aderiam ao seu vestido. o brilho no olhar revelava seu desejo de colocá-la sobre seus joelhos e açoitá-la até que obedecesse.

Bom. podia esperar um momento mais. cobrindo toda a superfície. como um canto de sereia. desfrutando das suaves pétalas amarelas e azuis que lhe acariciavam as bochechas. Estava sozinha no vale. A robusta voz de Nathan perseguiu Brynna por entre as árvores até um estreito vale onde se mesclou com o canto das aves no alto. levou-a para um espesso arbusto de groselhas. 8 . com flores rosadas e brancas. Como uma nevada estival. sentou-se e olhou ao seu redor. rodeavam a pequena lagoa e lançavam suas frágeis sementes com a mínima brisa. corrigiu-se. achava-se o homem mais imponente que Brynna tinha visto em sua vida. Era maravilhosamente provocante. era a voz de um homem. centenas de minúsculas pétalas espalhavam-se pelo ar e caíam sobre a água. Brynna suspirou. Caiu de joelhos sob a sombra de um velho salgueiro e se recostou na grama. agia como se houvesse outros desfrutando o dia com ele. A visão de seu corpo nu acendeu as bochechas da jovem e seus lábios se separaram. Mas diferente do som rude das vozes dos homens da guarnição de seu tio Robert.Nada disso importava agora. Embora nadasse sozinho na lagoa. como o jorro de uma fonte. Uma risada sedutora percorreu o ar e. sorveu água e lançou-a para cima. Brynna sorriu e levantou a saia para correr pela exuberante paisagem. O esplendor da pradaria atapetada de jasmins amarelos e o azul do céu a envolveram. Sem dúvida. Definitivamente era um homem. no meio do paraíso. Flutuava de costas há alguns metros de distância em uma lagoa banhada pela luz do sol e afastava as folhas que flutuavam. Brynna se ajoelhou entre os densos arbustos com o fôlego entrecortado e separou os ramos. esta voz não era áspera aos ouvidos. enquanto observava a cena. Por fim estava retornando para casa com seu pai e mal podia esperar para vê-lo. As árvores. com as mãos. E ali. Uma luz acobreada se refletia nos músculos tensos de um peito e uns braços musculosos. Um estranho som chamou sua atenção. Jogou a cabeça para trás. só para desfrutar desse esplêndido dia. Mergulhou nas profundezas cristalinas. porque os tons eram profundos e vibrantes. A princípio pensou que estava sonhando.

e se abandonou ao puro deleite que o consumia. ele emergiu. — Colette. Seu rosto era de uma beleza indescritível. E mais embaixo. Talvez debaixo da água serpenteasse uma grande cauda com escamas. Queria ficar ali para sempre e observá-lo imerso em sua fantasia. poderosa e incandescente. Mergulhou mais e mais fundo. chegou tarde! — gritou. O pálido cabelo loiro caía em todo seu esplendor sobre as costas e chegava até a cintura. o homem sorriu. Uma mulher. Queria mergulhar na água. Brynna sentiu que estava observando a um homem peixe. Com um repentino giro de seu corpo voltou a desaparecer. Parecia muito feliz em sua brincadeira aquática do que qualquer outro humano sobre a terra. Ele fechou os olhos. ruidosamente. Voltou à cabeça rapidamente em direção ao intruso. A alegria enchia seu rosto. O som do trote de um cavalo aproximando-se do lado oposto da lagoa a sobressaltou.. mas hesitou. para seu mundo particular. já que não sabia nadar. seu sorriso enlevado acendia o rosto. Quando a viu. como uma cascata de seda. e despertou de sua encantadora fantasia. enquanto Brynna observava a superfície banhada pelo sol. os músculos e o sangue de Brynna. só para tornar a emergir. sacudindo os cabelos negros. A moça pôde ver seu firme abdômen. Começou a sentir comichões em lugares cuja existência acabava de descobrir. A água era uma amante que beijava cada parte de seu corpo ao mesmo tempo. Nunca tinha visto um homem tão erótico. Os minutos se estenderam. O coração da jovem parou ao ver que a cor desses olhos absorvia os azuis intensos do céu enquanto refletiam a verde profundidade da lagoa. alarmada.. 9 .entrando em um mundo que só ele conhecia. Ficou de pé. Quando voltou a abri-los. montada num cavalo branco apareceu entre as árvores como se fosse um sonho irrompendo na vigília. levantou o rosto para o sol. Saiu bruscamente da água. De repente. tão delicado como os brotos tenros da grama que crescia ao redor da lagoa. procurando sinais dele. e abandonou seu esconderijo entre a folhagem.

macia. — Está fria? — Eu te darei calor — prometeu o homem. pensou Brynna. E. a idéia a intrigava e perturbava. sem soltar à mulher. Ele nadou para ela. — A bela dama lhe dirigiu um sorriso atrevido. A moça saltou por cima da roupa com uma graça que fez com que Brynna se sentisse como uma menina. o que devo fazer ? Perguntou. saiu da água a fazendo se sentir encantada e mortificada. Brynna suspirou quando a mulher despiu. acalmando o ansioso coração de Brynna. ele retrocedeu na água aproximando-a com suavidade. que com seu abraço úmido mal se mantinha a flutuando sobre seu corpo. que pertencia somente a ela. 10 . mas não podia. sobre as firmes e redondas nádegas descendo pelas coxas musculosas até suas pernas. suave. Podia nadar com ele. que caiu ao chão como se um anjo tivesse descartado suas asas. Brynna queria dar a volta. Ela protestou e conteve o fôlego quando a água fria lhe lambeu os pés.— Surpreende-me que tenha notado. Tomando as mãos de sua amante.se Brynna. ao mesmo tempo. Tinha caído em um feitiço. com suavidade. A água caía em ondas. maravilhada pelo som de sua risada e o apetite com que seus dedos acariciavam o corpo molhado recostado em seu peito. Como escaparia sem ser descoberta? Veria-se obrigada a observar? Estranhamente. mas ele riu e a conduziu mais para dentro da lagoa. desde suas resplandecentes costas. nua. e. correr. Sua voz era como a tênue brisa em um dia sufocante. Não era um homem peixe. Queria sonhar que tinha descoberto este homem. O nadador a olhava. mordendo o lábio inferior. dirigiu seus passos para a beira do lago. Quando a água chegou à sua cintura. Meu Deus. afinal. desceu do cavalo e o amarrou a uma árvore próxima. Podia notar na voz do homem que o casal não se dedicaria só a nadar. ele se deixou cair para trás. deslizando para ela tão lentamente que nenhuma onda rompeu a tranqüilidade da água ao seu redor. viajar por seu mundo debaixo da superfície e compartilhar o êxtase que acendia sua paixão. para surpresa de Brynna. seus ombros tirando o vestido de algodão. Ai.

Desapareceu de novo sob a água e a misteriosa dama lançou a cabeça para trás. Mordendo o lábio. Prisioneira da força masculina desses braços sorriu e deslizou pelo corpo de seu amante. Entretanto. Havia se passado muito tempo. Brynna conteve o fôlego. Brynna tentou imaginar-se o que estava fazendo à bela mulher. era tão intensa que vibrava e projetava o fluxo da água ao seu redor. A boca da mulher estava aberta. pondo a prova os nervos de Brynna até que não pôde suportar a tensão. Ela o seguiu. e depois gritar. Por sorte. contando mentalmente os segundos. Por fim a superfície da água agitou-se e o casal emergiu. Pôs seus braços ao redor dos seios dela e sussurrou algo em seu ouvido. — Amo você. o fogo que ele tinha acendido nela não podia ser apagado. As palavras podiam ser lidas com clareza em seus lábios. Brynna deixou escapar um fraco gemido. libertando a sua amante. depois outro. Passou um minuto. desta vez atrás de sua loira dama. como tinha feito o homem apenas uns minutos antes.Ele desapareceu na água. quando o sol iluminou o rosto da mulher. O homem segurava a cintura da amante. e Brynna esperou. em seus olhos. quando ainda estava sozinho na água. Levantou-a sobre seu corpo e voltou a baixar. Ele beijou sua amante no pescoço e riscou um caminho de fogo para seus seios. desejando que fossem para ela. Podia vê-la. Brynna pôde sufocar o gemido antes que lhe escapasse dos lábios. Seus lábios desenharam um sorriso amplo e luxurioso enquanto bebia a água que escorria do rosto da mulher. recuperando o fôlego que a devolvia à vida. empurrando-a para cima primeiro. Sabia que nunca poderia esquecê-lo. 11 . que a fazia suspirar e gemer. agitada. Ele emergiu novamente. Esperou ansiosa por ver seu rosto de novo. sob a água. como um gêiser. com um sorriso radiante. Já deveriam ter saído. Brynna podia ver a paixão no rosto dele.

Brynna caminhava com pressa de um lado para outro de seu quarto. Mas havia algo pior que um lorde normando governando Avarloch: corria o rumor de que o novo senhor tinha sido corrompido pela traição. Lady Brynna era uma mulher amável. Foi uma surpresa para todos os habitantes de Avarloch. Hoje era um desses dias. O vencedor devia reclamar o castelo e o título de Lorde Richard. mas o bastardo normando o tinha derrotado. nunca a tinha visto tão furiosa. Quando já não pôde esperar mais. tinha chegado à história sobre o cavalheiro escuro cujo coração se tornou frio e cruel. já que ninguém tinha vencido antes a Lorde Richard. temerosa de pronunciar uma palavra. As vidas de todos estavam a ponto de mudar. Lorde Richard Dumont. quando 12 . A pobre Alysia tinha passado muitas noites com outras donzelas e com os servos e vassalos do castelo temendo por sua sorte. Alysia sabia que a única preocupação da jovem tinha sido que seu pai voltasse com vida. embora às vezes mostrasse um temperamento mais ardente que o fogo. Até o Norte. com a chegada de Lorde Brand Risande. — O que pode estar levando tanto tempo? Alysia observou a sua senhora da beira da cama. até Aberdeen. vencido. Por certo. muita coisa tinha mudado desde que o pai de sua senhora. Entretanto. Fez um gesto com a cabeça. se dirigiu a sua donzela com os lábios apertados e cheios de raiva. retornou do campo de batalha.Capítulo 1 Fins de outono – ano de 1065 Nervosa.

mas Brynna o escutou e a olhou fixamente. terá um despertar pouco agradável. não se atrevia a recordar a sua dama que suas palavras eram consideradas traição. e jurava não deixar nunca seu lar. — Porque meu pai expressou. Só ficava mais furiosa com o correr dos dias. proibiram Brynna de assistir ao encontro. na igreja. — Mas por quê? — perguntou Alysia. Eduardo é um covarde que ofereceria sua terra a um normando. Harold de Wessex — Brynna levava solto seu cabelo castanho avermelhado. que é ele mesmo um saxão. Sua senhora era muito querida. Bom. conspirou contra meu pai. podiam-se ver as chamas dentro de seus olhos esmeralda. — Agora meu pai perdeu seu lar e meu destino está. seu descontentamento com o modo no que o rei Eduardo governa a Inglaterra. como Lorde Richard. Mas Brynna não se preocupava. neste preciso momento. chegou naquela manhã para reunir-se com Lorde Richard. Alysia a acompanhou em silêncio durante quase todo o dia. em mãos de um Conselho de homens que mal conheço. Alysia negou com a cabeça.Lorde Richard e Lady Brynna fossem expulsos como trastes imprestáveis. juro! Alysia engoliu em seco. Mas ninguém em Avarloch a delataria por isso. ondulava em brilhantes e espessas labaredas ao redor da cintura de seu vestido. enquanto a dama lançava insultos e acusações que faziam com que a morena donzela tremesse. Alysia — disse Brynna furiosa — Nosso rei. Alysia permaneceu calada. Se o porco normando acredita que virá aqui tomar posse de meu lar. Foi um som quase imperceptível. — O que? Não deveria matar esse bastardo? — perguntou. exceto por duas mechas trancadas nas têmporas e presos na nuca e quando ela andava pelo quarto. Eduardo é débil e permitiu que o destino do país ficasse nas mãos de seu cunhado. um dos membros do Conselho dos nobres anglo-saxões. sem importar que classe de besta o ocupasse. Vou arrancar seus olhos. — É uma traição. Quando um witan. 13 . antes de aceitar os questionamentos de meu pai. — Brynna deu outra volta —.

— Eu... Eu não disse nada, minha senhora. — Pensa que deveria abandonar meu lar sem lutar? Alysia não tinha alternativa, agora tinha que dizer algo. —Talvez ele não... Não seja T... Tão mau — gaguejou, apertando os lençóis da cama de Brynna entre os dedos — Escutei dizer que é de aparência agradável e alto e forte, e... — Não me importa se for tão alto como Golias! — gritou Brynna. Então, vendo a Alysia tremer, baixou a voz e se ajoelhou ante ela— Perdoe-me, Alysia. Não foi minha intenção gritar. É só que... Que... — não terminou a frase. Seus lábios tremeram um instante antes de esticar- se em uma linha firme. A porta se abriu e um dos guardas de seu pai apareceu dentro do quarto. — Pode descer agora, minha senhora. O Conselho a espera. Brynna lançou um olhar furioso para o guarda, embora ele não tivesse nada a ver com a traição a seu pai, e ficou de pé. — Obrigado, Sir Martin. — Sua voz tornou-se repentinamente suave, sua expressão, uma máscara de tranqüilidade, que desejou sentir de verdade. — Que será de você, minha senhora? — perguntou a jovem donzela, retorcendo as mãos sobre a saia. Brynna olhou Alysia com um formoso sorriso e o tomou suas mãos. — Não tema. Farei o que tiver que fazer para permanecer aqui. Não te abandonarei. Entrou no grande salão com toda a graça e a elegância de uma rainha... Para delícia de Lorde Richard Dumont. Sorriu a seu pai, quando seus olhos se encontraram por cima da mesa, lotada de nobres. Deus amava-o tanto! Era o mais belo do salão, levando-se em conta que os homens sentados ao seu redor na larga mesa pareciam presuntos gordos, prontos para assar. Brynna esquadrinhou cada rosto, seu belo sorriso alargando-se mais com cada um que observava. Formado na época do rei Alfredo, o witan era um grupo de nobres que governavam junto com o rei. Outorgavam terras, administravam justiça e
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decidiam assuntos tais como a guerra e a paz, tudo com o consentimento de seu rei, é obvio. Lorde Richard ficou de pé quando sua filha se aproximou dele. Tomou sua mão e a levou aos seus lábios para lhe dar um beijo terno. — Meu raio de sol — sussurrou, e lhe ofereceu a cadeira ao seu lado. Antes de sentar-se, Brynna viu seu tio Robert sentado ao lado de Sir Nathan. O mal-humorado cavalheiro a saudou com a cabeça, enquanto ela o avaliava, em silêncio. — Minha querida — começou a dizer seu tio e se moveu, incômodo, na cadeira — Sabe por que estamos aqui. — Para decidir meu destino — disse Brynna. Manteve sua expressão neutra, embora quisesse dizer a todos que apodrecessem no inferno. Ninguém ia forçála a abandonar seu lar. — Desejaria que assim fosse, minha menina — disse ele brandamente —. Você ficaria comigo até que seu pai arrumasse um matrimônio apropriado para ti — Sir Nathan grunhiu e Brynna se sentiu tentada a lhe sorrir, antes de voltar a prestar atenção em seu tio—Temo que seu destino já estava decidido, quando o normando venceu seu pai. Brynna ergueu uma sobrancelha, perfeitamente arqueada. — O que quer dizer, tio? — Brynna — seu pai respondeu por ele. Era muito difícil olhá-la nos olhos, mas ele queria dizer-lhe pessoalmente. Tudo era sua culpa, por perder diante do normando... Um remorso com o qual teria que viver o resto de sua vida— O Conselho se nega a ceder esta terra aos normandos. — Mas, o que podemos fazer? — voltou-se e procurou entre os rostos que a observavam, fixamente— O rei permitirá que meu pai lute de novo contra este normando? — Não, filha — disse Richard, sacudindo a cabeça — O Conselho ordena que o guerreiro se case contigo. Oferecer-lhe uma esposa saxã é a única maneira de assegurar que a terra permaneça, parcialmente, sob o governo saxão.
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— Esposa? — Brynna quase se engasgou com a palavra. Sentiu que o sangue abandonava seu rosto e lutou para controlar seus sentidos, quando o salão começou a girar — Mas eu... — Tem dezenove anos, Brynna — recordou seu tio gentilmente – passou há muito da idade em que uma dama deve aceitar um marido. Não estava preparada para converter-se em esposa. Não queria casar-se com o homem que tinha vencido seu pai em batalha. Já odiava o normando. Como poderia honrá-lo e obedecê-lo, quando queria enviá-lo ao inferno? Queria protestar, mas quando abriu a boca, só pôde emitir um suave gemido. Percebeu que esse era o único modo de permanecer em Avarloch. — O rei toma o partido dos normandos em muitas questões, devido ao seu parentesco com o duque William — explicou Robert, embora fosse claro que a tarefa começava a impacientá-lo. Sua sobrinha deveria estar bordando uma tapeçaria, não se reunindo com homens e discutindo política —Lorde Brand Risande não deseja se casar, mas o rei conseguiu a ajuda de duque William para tratar do assunto. Risande foi treinado sob a tutela do duque, e nosso rei nos assegura que obedecerá a ordem de casar-se contigo. — Nosso rei?! — o temperamento de Brynna finalmente veio a tona. Entrecerrou os olhos e olhou primeiro para seu tio, e depois para cada um dos outros nobres — Refere-se ao mesmo rei que assinou um decreto oferecendo a propriedade de Avarloch a qualquer nobre que enfrentasse meu pai e ganhasse? Um rei que não se reuniu em conselho com vocês, como requer a lei antes de tomar essa decisão? E por que, depois de conspirar para expulsar meu pai de sua terra, Eduardo quereria nos ajudar? — Porque — respondeu uma voz rude, e Brynna dirigiu seu olhar para Sir Nathan — Traremos a batalha a Avarloch se o normando te rechaçar. — Não! — Brynna quase saltou de sua cadeira. A mão de seu pai sobre seu ombro a deteve. Voltou-se para ele. — Pai, você não pode estar de acordo com isto. — Não acredito que chegue a esse ponto, Brynna — assegurou — Eduardo pode ser muitas coisas detestáveis, mas não é tolo. Se o Conselho se voltar
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contra Lorde Risande, os normandos certamente tomarão a ofensiva, em especial agora que envolvemos ao duque William. Poderia começar uma guerra — Lorde Richard sorriu e deu um tapinha na mão de Brynna, quando ela sacudiu a cabeça — Não vê, preciosa? Se houver guerra, Eduardo se verá obrigado a tomar partido dos saxões e, se o fizer, perderá todas as alianças com o duque William. Tem que nos ajudar. Pode não querer um Dumont em Avarloch, mas agora não tem alternativa. Quanto ao duque William, já enviou uma missiva anunciando que chegará durante esta semana. Enviou uma solicitação ao rei para que eu permanecesse aqui, até sua chegada. Não sei por que deseja que eu fique, mas estou seguro de que não quer começar uma guerra por um castelo inglês. Então, percebe? Não haverá luta aqui. O duque convencerá este homem a tomá-la por esposa. Não terá que abandonar seu lar, e Avarloch permanecerá, em parte, como posse saxã. O coração de Brynna batia em seu peito ante a idéia de uma batalha em Avarloch. A possibilidade de que seus vassalos perdessem a vida, fazia brotar lágrimas em seus olhos. As imagens de seu lar destruído, nas mãos dos guerreiros, reafirmaram sua decisão de fazer o que fosse necessário para assegurar-se de que aquilo nunca acontecesse. Que opções tinha? Nenhuma. Seu destino, na verdade, tinha sido decidido quando seu pai perdeu diante de Lorde Brand Risande. Tinha que casar-se com o normando. Voltou-se para os numerosos nobres que a observavam. Seus ombros delicados se ergueram, com determinação. — Não deixarei que Avarloch seja destruído. Farei tudo o que me ordenarem. Mas nunca esquecerei a traição do rei Eduardo contra meu pai. Ele não merece sua lealdade, e nunca terá a minha. Um redemoinho de murmúrios se elevou no grande salão. Vencer o rei em seus próprios jogos secretos era uma coisa, a traição era outra. Sir Nathan sacudiu a cabeça, com o cenho franzido. — Arrisca-se muito, pronunciando palavras de traição, jovem. Se fosse minha filha, faria com que te açoitassem.
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Nesse momento, o sol se ocultou. Os raios de luz que se infiltravam pelos arcos das janelas no grande salão se esfumaçaram. A escuridão cobriu Avarloch, enquanto Lorde Richard ficou lentamente de pé. — Sir Nathan, nos conhecemos há muitos anos. E talvez você acredite que isso lhe dá permissão para falar com minha filha dessa maneira. Está equivocado — Os olhos de Richard eram como adagas afiadas. — Tenho muita consideração por seus serviços, porque você é um bom amigo de meu irmão. Mas nunca pense sequer em erguer sua mão contra minha filha, ou o desmembrarei e espalharei seu corpo por estes campos — O olhar desafiante de Richard percorreu o resto dos convidados — Minha filha diz o que pensa, tal como eu ensinei. Você sabe que Risande foi enviado por ordens do próprio rei para me matar. O normando me perdoou a vida, embora não saiba por que. É um guerreiro feroz, lutou como nunca tinha visto um homem lutar, seu poder só é comparável aos rumores que correm sobre William da Normandia. Os esforços de Eduardo para libertar a Inglaterra de mim deixaram um homem mais perigoso em meu lugar. O rei logo perceberá. Quando enviar alguém para lutar contra o guerreiro normando, necessitará de um homem cujo braço seja mais rápido que o vento e cujo coração pulse ao som de um tambor de guerra. E mesmo assim, duvido que possa vencê-lo. Eu não pude, e agora minha filha deve pagar por minha derrota. Mas juro: se a contínua traição do rei Eduardo chegar a machucá-la, de algum modo, retornarei do inferno, se for necessário, e o matarei. — Esperou um momento e, como ninguém falou. Lorde Richard tomou a mão de sua filha e a conduziu para a saída do grande salão. Brynna voltou para seu quarto e se jogou sobre a cama. Alysia havia saído. O fogo da lareira estava quase apagado, restavam somente algumas brasas brilhantes e fazia frio em seu quarto. O inverno chegaria logo; o normando traria seu odioso frio consigo. A jovem tremeu diante da idéia. Estava disposta a fazer qualquer coisa para salvar Avarloch e sua gente de uma batalha, mas como poderia dar sua vida e seu corpo a um homem que não amava? Como sempre, seus pensamentos voltaram-se para um dia, dois verões antes, quando estava em Porthleven; para um homem com olhos da cor do céu;
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um homem cujo coração cantava com os prazeres da vida. sua magnífica fantasia. Capitulo 2 Brynna parou sobre o parapeito que dava aos vastos campos e ao bosque distante que pertenciam a seu pai. Suspirou profundamente contra o travesseiro. Se fosse ele. . 19 . Nunca esqueceria a paixão de seu sorriso e o modo como acendeu seu corpo.. que viesse casar-se com ela.

o duque William da Normandia o chamava "Brand. como se o normando pudesse escutá-la — Nunca me renderei diante de ti. Nem sequer seu pai. Retornou com tesouros de sedas e uma nova donzela chamada Alysia para servir sua esposa. Em realidade. O rei Eduardo lhes devolveu o favor e. — abraçou-se e levantou o queixo. nunca partirei — declarou desafiante. Tão selvagem era o normando. O sangue saxão corria profundamente pelas veias. Lorde Richard era um grande guerreiro e viveria para lutar outras batalhas. durante um ano. Ele estava à caminho. exceto os rumores que tinha escutado de suas donzelas. Os Godwin foram desterrados. Lorde Richard era um guerreiro conhecido por todos os saxões desde que era comandante do rei Eduardo. Brynna podia senti-lo. fixando o olhar no longínquo bosque. que planejou uma fracassada rebelião contra o rei. Tinha lutado contra Godwin. mas o pai de Brynna iniciou uma relação amistosa com os turcos. o Apaixonado" por seu ardor pela vida. em troca. enfrentando o frio que lhe respondeu. nada que ninguém pudesse fazer. agora não. Tinha perdido e agora tinha que partir. nesta época. logo depois que Eduardo elevasse um bispo normando a arcebispo de Canterbury. Não sabia nada dele. Brynna olhou suas terras. enviou Richard para viver entre os turcos. Sua túnica de lã se agitava contra o vento. Como ela. mas retornaram um ano depois e ganharam a aceitação do povo. pai de Harold de Wessex. — Eu. Mas sua luta por Avarloch tinha terminado. A intenção era castigá-lo. percebê-lo no vento que fazia dançar as copas das árvores ao longe. O cavalheiro normando viria tomar posse de seu lar e não havia nada que ela pudesse fazer. Seu pai nunca tinha perdido uma batalha. disso Brynna estava certa.Não.. Dizia-se que nunca tinha 20 . por ter brigado contra os Godwin. Brynna tinha dez anos. Seu amigo de infância.. quando lutou com eles contra seus inimigos bizantinos. que Lorde Richard Dumont se rendeu diante dele? A idéia a aturdia.

pai? Tem o cabelo emaranhado e comprido e presas afiadas? Lord Richard riu brandamente e apertou o abraço ao redor dela. É belo para um normando. Brynna se perguntava quem trairia um homem assim. rodeando sua filha com um braço. Brynna teria sentido pena dele. Mesmo com quarenta e dois anos seu pai era um homem imponente. — Não posso te proteger disto. pai? — levantou a cabeça. pensou Brynna com dor. — Fez uma pausa. um cavalheiro poderoso que derrotou muitos de meus homens com sua espada. Falaram por um momento e Lorde Brand riu.. O roçar de uma mão em seu ombro rompeu o fio de seus pensamentos e Brynna voltou-se para sorrir ao seu pai. — Não.perdido uma batalha. porque seu apetite de vitória era mais poderoso que o de qualquer oponente que enfrentou. minha 21 . não suficientemente selvagem. esperando que lhe informasse que seu prometido tinha uma cauda bifurcada. Por um momento. se não o odiasse tanto. — O que aconteceu. filha. Ele traz o frio. um guerreiro. — É estranho – a palavra rolou da língua de seu pai. levaram-me a uma pequena clareira no bosque com o resto de meus homens.. As donzelas de Brynna se preocupavam com os rumores: diziam que seu novo senhor normando havia se tornado frio e amargo. havia outro homem com ele. — Ele é horrível. Lorde Richard deu um passo para frente e olhou à distância. Ele se aproximou. — O normando. estava carregada de curiosidade e de algo que Brynna ainda não compreendia. Brynnafar. não tem presas. Conforme Lily e Alysia. Logo depois de ser capturado. Disseram-me que era seu irmão. a prometida de Lorde Brand tinha sido surpreendida nos braços de um de seus guardas. — Sei — ela respondeu tranqüila e apoiou a bochecha contra seu largo ombro. Mas. É um patife estranho. recordando o homem que enfrentou na batalha. selvagem ao seu modo.

como se não soubesse o que era o ódio. Cresci com o povo daqui. — Tem um rosto enganoso. Lorde Richard estudou sua filha. Deixa que a precaução te guie com este homem. fazendo com que seu pai desejasse abraçá-la. — Seu pai inclinou a cabeça para o lado e a olhou. — Farei. nas cavalariças. — Parecia. mas sua intenção de parecer valente ante as adversidades cortou seu coração. — sua voz se perdeu. Ela era sua filha. Pareceu-me estranho que alguém pudesse agir dessa maneira e lutar com tão pouca piedade. Brynnafar. custava-lhe encontrar as palavras precisas para descrever o guerreiro — Inocente. cativada pelo som hipnótico da voz de seu pai. — Por que não? — perguntou Brynna.. pai. — O rei Eduardo já está aqui. com olhos cheios de remorsos. orgulhosa e forte diante de qualquer perigo. Recorda quando tinha sete anos e a cozinheira me deixou ajudá-la a preparar o jantar? Usei algumas das ervas de mamãe para o guisado e quase envenenei todo o castelo. pai — prometeu. — Se pudesse de algum modo. — Sim. Brynna ergueu os ombros. Não havia nada frio ou calculado em seu sorriso. quando seus olhos se encontraram com os meus e soube que era ele o homem contra o qual tinha lutado no campo de batalha. Como esquecer? — O pai riu. erguendo-se para olhar de novo sobre o parapeito. — E o velho Gavin. que me ensinou a fazer minha primeira ferradura? 22 . — Farei o que for necessário para permanecer em meu lar.. ou a raiva. Mamãe ainda vive aqui. o ferreiro. uma vez mais. enquanto fixava seu olhar nas portas de madeira que levavam ao castelo.. quase como um menino. seu guisado de cicuta. Ainda posso sentir sua presença costurando e fiando. E então essa inocência sumiu.. no jardim das ervas. evitar que este matrimônio acontecesse. para assegurar-se que o normando case contigo e o duque William chegará esta noite. — Lord Richard sacudiu a cabeça.mente não pôde compreender que esse era o mesmo homem que tinha me vencido. Nunca me tirará de Avarloch.

com lascívia. — O pobre Gavin chorou uma semana. observando-a com seus pequenos olhos 23 . atrás dela. miseravelmente. Sir Luis observou o pai de Brynna desaparecer pelo corredor. certamente o sentiria. e seu castelo.Seu pai assentiu: — Tentou colocá-la em meu corcel e o animal deu uma patada. — Seu pai tomou sua mão para consolá-la. recordando sua vida em Avarloch. Outra brisa gelada agitou suas longas mechas vermelhas e ela ergueu um dedo para tirar o cabelo dos olhos. e se queria que o normando sentisse seu ódio. Moveu-se. Não a tocou. Não tinha se vestido especialmente para receber seu prometido. O cabelo ondulado caía pesado sobre suas costas. O jovem cavalheiro inglês tinha chegado com o rei Eduardo alguns dias antes. Mas ela sacudiu a cabeça. Brynna. — Brynna sorriu. Suas pernas eram longas e bem-feitas. Era obstinada. A vestimenta que Brynna tinha escolhido fracassava. Luis sorriu. E ao vê-lo. estudando-a desde antes de anunciar sua presença. — Não. ao contrário: esforçou-se por ocultar sua beleza. — Venha para dentro. mas caiu de costas e bateu com a cabeça em uma pá. Enviarei todo o meu ódio com o vento. — Sobreviverei a este homem. soube que lamentaria para sempre não ter se unido à batalha com Lorde Richard e não ter ganhado a mão dessa criatura fogosa. deixando que seu desprezo pelo cavalheiro inglês aparecesse livremente. envoltas em meias negras de lã e botas. Brynna deu a volta. — Fixou os olhos nas copas distantes das árvores. quero vê-lo quando chegar — assegurou. em silêncio. marcando cada palavra — Quero que sinta minha presença aqui. Seu pai sabia que era inútil discutir com ela. Quando viu a bela Brynna Dumont. embora Luis não tivesse feito nem um ruído. do mesmo modo que sobrevivi aos duros invernos deste lugar. nessa intenção. antes de sair ao parapeito. revirou os olhos. Não gostava desse homem que parecia estar sempre movendo-se de maneira furtiva nas sombras.

embora tentasse negar. se perguntava por que o lorde normando preteria lutar ao invés de ser seu marido. — A expressão de Brynna não tinha mudado. — ordenou com aborrecimento. — Seriamente? — perguntou risonho. — Ele não a quer. ela escutou o leve tom sarcástico de sua voz que tinha chegado a conhecer bem nos últimos dias. De fato. em um esforço para evitar uma batalha — Luis estudou os suaves e brancos contornos do rosto de Brynna enquanto falava e sorriu levemente diante do quase imperceptível franzir de suas delicadas sobrancelhas — Preferia lutar contra os saxões que casar-se com você. o rei teve que convocar o duque da Normandia para vir aqui. O cavalheiro arqueou uma sobrancelha. curvando a comissura do lábio superior escondido sob um fino bigode — Não a ofende obrigarem este homem a desposá-la? Lorde Brand deixou bem claro que não deseja ser seu marido. Era alto e magro e apertava suas meias. minha senhora. Luis deu outro passo à frente. porque embora ele fizesse um esforço para parecer preocupado por seu bem-estar. sabe? — Luis parou junto a ela. com a intenção de que sua virilidade parecesse indecentemente grande. e absorveu toda a beleza de Brynna com seus pequenos olhos negros. e pretende me dizer que isso não a ofende? — Essa foi minha resposta. gelando no frio? Brynna não respondeu. Por que teria que se importar se o selvagem queria casar-se com ela ou não? Mas. — Isso não me importa — respondeu ela bruscamente. Odiava tanto aos saxões? Acaso sua negativa tinha a ver com a infidelidade de sua prometida? 24 .escuros. Apoiou as costas contra o corrimão do parapeito. nem tampouco o tom gelado de sua voz. — Acaso está tão desejosa de ver seu guerreiro normando que o espera de pé. — Vá embora. sem olhá-lo.

com toda sua força. Rezou. Ignorando o ardor que tinha produzido a bofetada. para ser encontrada pelos outros. Você perderia sua preciosa terra — Luis sorriu. tomarei o que quero e a deixarei aqui. Ergueu a mão e esbofeteou seu rosto. ou que usou seus encantos para me enfeitiçar e me convencer de que me deitasse com você. quando percebeu que o odiado cavalheiro tinha partido. 25 . Sir Luis. Os olhos do cavalheiro inglês arderam por um momento. Voltou o olhar para o bosque. é você quem me dá asco. antes de encolher os ombros. aproximando seu rosto dela—. mas Brynna jogou a cabeça para trás e lutou com fúria até livrarse de seus braços.— Suas mãos demonstram desgosto. em silêncio. Deus. mas se deteve e deu a volta para olhá-la uma vez mais — Talvez o faça de qualquer maneira. — Não diria isso se sentisse minha virilidade penetrando-a profundamente tentou beijá-la. se o rei pensar que estivemos juntos. — Não. Brynna o observou afastar-se. para que o selvagem normando não fosse como Sir Luis. — Direi que me implorou para que a tirasse daqui. — Informarei a meu pai e ao rei imediatamente sobre seu comportamento e me assegurarei de que seja castigado — cuspiu. — começou a caminhar de volta ao castelo. Não haverá matrimônio. Um calafrio percorreu suas costas. porque se o fizer. minha senhora. Luis fez um gesto para que ela fizesse o que quisesse. mas seus olhos ardiam — Nunca mais volte a me golpear. Dá-lhe asco a idéia de compartilhar o leito com o normando? Incapaz de seguir suportando o som de sua voz. — Luis ronronou. Brynna deu meia volta para colocar-se frente a ele.

invencível. Sem temor. Besta e homem pareciam um só. Mas Brynna não podia afastar o olhar do cavalheiro solitário. impregnando o ar com um poder viril. Como uma aparição surgida das chamas. o olhar 26 . estandartes de cor azul e dourada revoavam no frio. Saíam das árvores como os trovões atrás de uma tormenta. Outros homens montados o seguiam. Cavalgava sobre um enorme corcel de guerra também tingido de carmesim. Cavalgava com tanto orgulho.Capitulo 3 Brynna entreabriu os olhos ao ver uma figura emergindo do bosque. ele chegou rodeado por uma névoa carmesim. As costas erguidas como uma flecha.

Aqueles olhos azuis. De repente. a julgar pelo modo como levava seu elmo sob o braço. só. Lutou para controlar-se. puro e implacável sob seus cabelos negros.levemente elevado como se pudesse vê-la parada ali. com seu cabelo de bronze formando redemoinhos sobre o rosto. Ele a observou fixamente um momento antes de desviar o olhar. Mas algo tinha mudado. seu nariz reto. com o rei em pessoa à frente. Brynna observou enquanto o normando dava a ordem de deter-se e esperava que as tropas do rei o alcançassem. À medida que se aproximava cada vez maior. Era ele! O homem do lago! O homem que ela tinha fantasiado em seus sonhos. Esse rosto era severo. O enorme poder de seu olhar a fez querer dar outro passo para trás. Os homens do rei Eduardo já estavam cavalgando ao encontro das tropas que avançavam. enquanto seus sentidos eram alcançados pela beleza de seu rosto de linhas cinzeladas. o guerreiro ergueu o rosto e pousou seu olhar sobre ela. radiantes ao sol. Brynna se envolveu em uma capa de coragem e o olhou direto nos olhos. enquanto guiava o cavalo com uma só mão. mas uma larga capa. Não. Já não era a criatura exuberante que a tinha cativado com sua alegria. Não havia rastros de felicidade em seu olhar de gelo. Um halo de confiança o rodeava. esculpido em granito. certamente não era o mesmo homem. Brynna cambaleou. Tinha sonhado com ele tantas noites. O vazio o preenchia. Não. dando um passo para trás. A cabeça de Brynna dava voltas. desejando vê-lo. como se tivesse sentido os verdes e desafiantes olhos de Brynna lhe queimando a carne. e seus lábios grossos e apertados enquanto a estudavam. Era todo poder. agora eram tão frios como as pedras sob seus pés. não podia ser. Esta era a besta que lutou contra seu pai e o venceu? Que seria seu marido? Levou uma mão trêmula à boca para afogar um grito. no parapeito. 27 . Brynna notou que o carmesim que o cobria não era a névoa. Caía sobre a malha metálica da armadura que envolvia seus largos ombros e as grossas dobras de lã se agitavam sobre as ancas do corcel. tão vasto e tão escuro como o mar sob um céu de veludo.

Não guarda ressentimento por você. Estava montado sobre um cavalo de guerra tão grande que. expulsar seu pai e também a ela. a espessa cabeleira castanha avermelhada ondulando sobre o corrimão. e não deixaria que este homem a rechaçasse e permitisse que seu lar fosse destruído. ressentidamente. —Talvez para me transpassar o coração com uma flecha. Brand girou seu estóico olhar para o rei. Voltou-se e seu cabelo comprido açoitou o ar quando deu a volta para abandonar o parapeito. As palavras soavam como um eco nos ouvidos de Brynna. Eduardo apertou os dedos. — É formosa — disse um homem à direita de Brand. mas tem que acostumar-se a sua posição. Lady Brynna Dumont. sobre seus arreios e olhou Brand. e Eduardo seguiu seu olhar.“ Prefere lutar contra os saxões que casar-se com você”. O que tinha acontecido com a loira beleza do lago? A mulher que ele. O cavalo do rei Eduardo tinha alcançado Brand e seus homens. Lorde Brand. o corcel do rei parecia um pônei. — Um pouco pálida — respondeu Brand sucintamente. — A filha de Richard. que Lady Brynna é inofensiva. vislumbrando. amava? Era ela quem o tinha traído? Forçando-se a recordar que esse era o selvagem normando que devia tomar posse de seu lar. por um instante. Eduardo amaldiçoou sua má sorte pela centésima vez. Brynna desprezou as fantasias. ao seu lado. Brand levantou de novo o olhar. O coração batia forte dentro de seu peito. como uma verdadeira dama de sua estirpe — O rei não queria uma confrontação com este homem. O duque William tinha sido muito claro em suas missivas: Lorde Brand Risande devia ser tratado com respeito. — É possível que tenha congelado — disse Eduardo— Esteve ali em cima todo o dia. — Permita-me lhe assegurar. Avarloch significava mais para ela que qualquer sonho. por permitir que um nobre 28 . esperando sua chegada. evidentemente. carregados de anéis.

Com certeza.. Este patife estava muito perto de William. os olhos. — Estranha vestimenta para uma dama — comentou ele. Eduardo se voltou para Brand. — Como já disse. com um leve sorriso curvando a comissura de sua boca. agora todos seus cuidadosos planos se estilhaçariam. 29 .normando lutasse contra Richard. decidido. não preciso de uma esposa. e mais acima. A moça dirigia-se para eles. enquanto sua capa de lã flutuava a suas costas. curiosa sobre o ombro do rei.. fixos em Brand como duas gemas em chamas. Eram dois! Pensou o rei Eduardo. O rosto. com passos largos e decididos. acentuada por um grosso cinto que prendia uma túnica cor de oliva. enquanto elevava uma sobrancelha. — Que posição seria essa? O rei observou o homem montado no enorme cavalo de guerra junto a Brand. — E como eu já disse. Largas ondas de cobre dançavam ao redor do rosto daquela jovem e caíam em cascata sobre seu peito. Apertou a boca quando Dante teve a audácia de arquear as sobrancelhas. à fina cintura. os nobres saxões considerarão uma ofensa se simplesmente jogar Lady Brynna à beira do caminho. — E não consideram uma ofensa que você tenha conspirado para matar seu pai? — perguntou Brand. — Ela será a esposa de seu irmão. Sua sorte não podia ser pior. enquanto esperava uma resposta. — Quem se dirige a mim? — perguntou. O olhar de Brand se deslocou lentamente para as pernas bem formadas e as fortes coxas que caminhavam para ele. com um altivo gesto de seu queixo. —Sou Sir Dante Risande — dirigiu um breve olhar prateado a Brand — O irmão deste velhaco. — Parece a ponto de me assassinar — disse Brand. Suas bochechas avermelhadas pelo vento conferiam um brilho atraente ao fulgor verde de seus olhos.

— Sou Lorde Brand Risande de Dover. O leão dourado logo substituiria o emblema de seu pai nos salões de Avarloch. se conseguisse alcançar seu rosto. mas não tinha alternativa. Sua voz era uma carícia rouca. sob seu olhar examinador. Diabos. Reconheceu a expressão de seu irmão. Era um olhar calculado. só uma expressão levemente divertida. até que Brynna começou a sentir-se incomodada. — Sou Lady Brynnafar Dumont — olhou para o escuro lorde. era formosa. O rei voltou-se no momento em que Brynna os alcançou. com um olhar divertido. como um tigre que avalia sua presa antes de atacar. e depois ao estandarte azul que ondulava atrás dele. Estava a ponto de anunciá-la. quando ela o interrompeu. Ser duro com ela seria difícil. teve que admitir. Brand saltou de seu corcel. Curioso e paciente. Levantou o queixo. Brand a observou durante um longo momento. antes de tomar sua delicada mão e levar aos lábios. Brand estava a ponto de acabar com ela. com a mesma facilidade que uma pena caindo de uma asa. Tomá-la como esposa desgraçaria a ambos. Não houve resposta.Aguardando ansiosamente a confrontação que sabia estar a ponto de começar. desafiando a cada um dos normandos ali presentes — Dou as boas vindas a você e a sua comitiva ao castelo de Avarloch. sem dizer uma palavra. senhor do castelo Graycliff. da mesma maneira que o fazia no campo de batalha. Ela não estava segura se o calor em suas bochechas era resultado do deslizar da boca sobre seus dedos ou a sutil e sensual inflexão normando-francesa de sua pronúncia. Inclinou-se de maneira educada. só que os olhos de Brand faziam com que sua vítima acreditasse que era a caça em lugar de um predador. Brand relaxou e respondeu ao desafiante olhar da mulher. meu lar. — Brynna esperou. Dante sacudiu a cabeça. Com um simples gesto 30 . sentindo lástima pela mulher. Sua capa se abriu ao redor de suas pernas quando aterrissou graciosamente há apenas alguns centímetros de Brynna. e a percorreu com um olhar gélido. Teria gostado de apagar aquele ar de troça com uma bofetada.

Deu a volta e cravou os olhos em Sir Luis. que mordeu a língua para controlar seu temperamento. Deixou-os e se encaminhou ao jardim. Encontrou-se desejando aproximar-se e tocá-lo. Mas assaltada por uma obstinada onda de orgulho. Sob uma cortina de cílios negros. Como se estivesse contendo o fôlego enquanto seu irmão falava. dirigiu um olhar furioso ao rei Eduardo. para convencer-se de que era real. Ninguém voltou a pronunciar uma palavra. Apanhada na armadilha da ternura e do sorriso sedutor que lhe oferecia. Soltou sua mão com uma ternura controlada e deu a volta para procurar as rédeas de seu cavalo. fez com que ela esquecesse sua raiva. Não podia permitir-se esquecer por que ele estava ali. desafiando-a — Se necessitar de uma escolta para onde quiser. Brynna pestanejou e mordeu o lábio inferior. fez com que recordasse a alegria que tinha visto em seu rosto.. seus olhos azul-esverdeados a cativavam. Como pôde ser tão tola de cair sob seu feitiço? Era tão fraca de espírito que somente um olhar deste homem podia sacudi-la até os ossos? Piscou. certa vez. eu. Brynna deu a volta para vê-lo afastar-se. junto ao rei. Queria ir atrás dele. para evitar tornar a chorar e começar a blasfemar. por sua vez. sentado em seu cavalo. 31 .. ignorando o assombro que via nos olhos dela. Dante soltou um forte suspiro. — Meus homens estão ao seu dispor. será um prazer oferecer meus melhores homens. para evitar uma batalha por Avarloch. — Para ajudá-la a empacotar suas coisas. Seu amplo sorriso malicioso só atiçou a fúria de Brynna. apertou os dentes. e olhou para o outro bruto. rogar que mudasse de idéia. enquanto Brand guiava seu cavalo para o castelo. cujo sombrio olhar cinzento pousava sobre ela. até o rei ficou boquiaberto. depois olhou sobre seu ombro à filha de Dumont. seguido de algumas expressões confusas em francês. Brand. — A determinação de suas palavras e o tom desapaixonado com que as pronunciou caiu sobre ela como uma pedra.de seus lábios. mademoiselle.. — Meu senhor.. enquanto lhe beijava a mão.

e depois golpear com o cálculo letal de uma serpente? — Ai. Olhou ao redor do jardim e secou as lágrimas. quando o traidor olhava para Colette. quando ele vinha ao jardim para levá-las para casa. não importava. De todas as maneiras. e fechou os olhos para ver o rosto de Lady Tanith — Ele é o homem do lago com o qual sonhei. mãe. como sua mãe tinha guardado seu ressentimento. Mas já que esta mulher partiria na manhã seguinte. sem o menor remorso? Como podia ser tão terno. Pela fúria de Deus. Brynna se perguntou o que teria acontecido durante o ano que passou. Viu-se quando era menina.Enquanto sentia a fúria daquela jovem ainda sacudindo o ar. caiu de joelhos sobre a grama fria. rindo da maneira como sua mãe acariciava a mandíbula de seu marido. Mas poderia perdoar Brand por invadir seu lar? Ele tinha derrotado seu pai. Como posso lutar contra ele? Se me obrigar a partir. Como podiam ser tão arrebatadores seus olhos e ao mesmo tempo tão frios. Recordou sua doce risada. Devia guardar a raiva que sentia pelo normando. quando se casou com Lorde Richard. tão despojados de emoção? Não podia ser o mesmo homem que tinha produzido 32 . Que tipo de homem era Brand Risande que podia expulsá-la de seu lar. como se estivesse acariciando a bochecha de um bebê recém-nascido. mas não o tinha matado. O que devo fazer? Brynna abriu os olhos ao escutar a um pássaro. Brynna caminhou até que lhe doeram as pernas. quando chegou ao jardim.. a rameira que tinha traído seu irmão.. e soube o que tinha que fazer. Dante ergueu o olhar e capturou o sorriso zombador de Sir Luis. haverá derramamento de sangue aqui. Viu sua mãe plantando suas preciosas sementes. e o selvagem com o coração de pedra que odiei durante as últimas duas semanas. O irmão mais novo de Brand cravou as esporas em seu cavalo e o seguiu ao seu novo lar. escolhendo amorosamente violetas aromáticas e romeiro para condimentar o jantar de seu marido. — sussurrou. Dante tinha visto o mesmo apetite nos olhos de Sir Alexander. cantando no alto. tinha que haver algo bom nele. os olhos de Dante eram como aço fundido quando Luis finalmente o olhou.

como roedores fugindo da sombra de um falcão que sobrevoava o lugar. poder e autoridade de alguém que tivesse vivido ali toda sua vida. Capítulo 4 Brand entrou no castelo de Avarloch com a mesma arrogância. As botas de Brand golpeavam o piso. ricamente adornadas com tapeçarias que ilustravam batalhas entre homens que ele não reconhecia. dispostas meticulosamente em todos os lugares. Os vassalos saltaram quando o viam. Ela. Cada terrina de bronze. Não podia abandonar Avarloch. Brand estudou as paredes. 33 . produzindo um eco que percorria os largos corredores. Como podia chegar a ele? Sabia o que tinha que fazer.uma tempestade em seu íntimo. Avarloch estava bem cuidado. as donzelas escapuliram pelos corredores pouco iluminados. quando o viu no lago. Havia flores recém-cortadas. vestidos com armaduras rudimentares. cada candelabro dourado brilhava como ouro fino. — Os celtas lutaram com valentia por sua terra.

em seu próprio ambiente. encontrou alguém tão hábil. em todos seus anos de batalha. Nunca. o famoso Lorde Richard parecia menos selvagem. mas não tenho nenhum desejo de me casar. com seu cabelo escuro e sua barba bem raspada. respeitoso em sua intenção de não ofender o mesmo homem cujo sangue tinha sido enviado para derramar. O olhar de Richard deslizou do ombro de Brand para a elaborada tapeçaria que cobria a parede oeste por completo. — Não desejo uma esposa — repetiu Brand. com curiosidade. diretamente. vestido com uma túnica singela e um casaco. -Brand observou o cavalheiro mais velho. Lorde Richard Dumont sentiu-se surpreso pela natureza gentil deste guerreiro. sorrindo. Não eram inimigos. Brand ofereceu um sorriso frio às tapeçarias. Era simplesmente um pai preocupado pelo bem-estar de sua filha. Lorde Richard. Mas o duque William solicitou que ficasse até sua chegada. — Pensei que já tinha partido — respondeu Brand. secamente. Brand apertou os dentes. — Conheceu-a? Suspirando. Enfrentar um guerreiro no campo de batalha era muito diferente de encontrar com o rival em sua própria casa. somente umas semanas antes. observando-o. vem encontrar com Eduardo para pôr em prática seu plano de me casar com sua filha. e. — O povo de minha esposa — assinalou. como se pudesse vê-la — Quando vim pela primeira vez. — Então William está à caminho? Sem dúvida. poderoso. — Ela é formosa. Ali. 34 . Eu era um saxão e isso era suficiente. ante seu sentimento de simpatia por Lorde Richard. desumano. ali estava. embora eu não tivesse a ver. com o massacre dos celtas. Brand se voltou para olhar o homem que tinha conquistado na batalha. — Também eu. entretanto. em voz baixa. e deu a volta para continuar apreciando as tapeçarias.Brand olhou sobre seu ombro. Lorde Richard estava parado a alguns metros de distância. Tanith me odiava.

Era apaixonada até em sua fúria. então estava desperdiçando suas palavras. Com o cenho franzido. nem queria escutar falar dele. O pai de Brynna riu. e quando. Deteve-se. de repente. — Diga-me. ganhei seu amor. Tem minha palavra de que pode ficar aqui. e apoiou uma bota no primeiro degrau. mas como podia forçar uma jovem a abandonar o único lar que tinha conhecido? — Este assunto será discutido mais tarde com o rei — Brand disse bruscamente e em dois largos passos.— Foi forçado a casar-se com uma celta? — perguntou Brand com incredulidade. eu a amei desde o primeiro momento em que a vi. em silêncio. até que encontre um marido. — Respeito seu desejo de permanecer solteiro. chegou à estreita escada. Brand escutou. Mas também conhecia a tortura do amor traído. talvez para aliviar a dor de seu próprio coração. Richard fez uma leve reverência. uma vez mais. passando a mão pelos negros cabelos. Isso romperá o coração da minha filha. Sir Richard. acreditei que sua paixão me consumiria. Sabe. deu a volta para olhar o cavalheiro mais velho. — Forçado? Não. Diabos. Moveu-se incômodo. antes que prosseguisse. a esta altura. mas esse marido não serei eu. não lhe importavam as batalhas. brandamente. Se Lorde Richard estava tentando convencê-lo de que sua filha poderia. que haverá luta aqui. não desejo que sua filha sofra. Lorde Brand. que ardia dentro de minha alma. era uma chama imponente. — Sir Richard. por fim. Não queria recordar o amor. perdoar o fato de ser um soldado normando e chegar a amá-lo. levado por uma espécie de curiosidade mórbida. compreendendo o que significava amar outra pessoa tão completamente. Não voltarei a lhe pedir que se case com minha filha. Brand encontrou o olhar firme de Richard. Brand precisava dizer. Mortificado pela memória do rosto de Richard enquanto falava de sua esposa. Brynnafar ama Avarloch intensamente. o amor de sua esposa ainda o consome? 35 . algum dia.

Talvez se tivesse sido um estranho fazendo amor com ela. só ele reconhecia a dor escondida no escuro olhar de seu irmão. claramente. mas não queria saber nada dessas ilusões. o frio que tocou o seu coração não teria gelado sua alma. há três verões — disse. enquanto subia as escadas. com os braços modestamente cruzados sobre seus seios. A raiva e o remorso o invadiram. Sentia pena pelo anterior lorde do castelo de Avarloch. a surpresa e uma tortura mais profunda se viam. A cabeleira derramada sobre suas costas. Por que não podia ter sido outro homem. ilusões. Tão abruptamente como um raio atravessando as nuvens. — Assim é — Richard assentiu — Até da tumba. um manto que cobria sua nudez. 36 . Ela esperava. enquanto seu olhar se dirigia para as enormes tapeçarias penduradas nas paredes — Mas seu fogo ainda arde dentro de mim. Porque não importava quão doces fossem. Seus pensamentos voltaram-se para Colette e o dia em que a encontrou no arvoredo. O silêncio tomou conta dos três homens. em lugar de seu amigo Alexander. não muito longe do castelo de Graycliff. em seu rosto. eram só isso. percebeu o tom lúgubre que rodeava a pergunta de Brand. que tinha perdido tal amor. Brand abandonou o salão deixando o eco vazio das palavras de Lorde Richard. Só um homem com um grande controle e uma vontade de ferro poderia resistir a ela. — A tumba? — os olhos de Brand se arregalaram. como o véu de uma densa neblina. porque nunca se verá inundado pelo calor de um beijo quando ela sorrir. —Tanith morreu enquanto viajava para o sul. que se inclinou para lamber o doce ombro de Colette. Por este homem sinto compaixão. ao entrar no castelo. E arde em Brynna também — lentamente voltou seu olhar a Brand — Minha filha leva no sangue o orgulho de seu pai e a paixão de sua mãe. o homem que se aproximava por atrás. Nem sentirá a promessa da primavera liberada logo depois de um longo e duro inverno quando ela pousar o olhar em seu rosto.Somente Dante.

sua capa flutuando ao redor de suas botas de couro. Esse cavalheiro escuro era terrível em sua ira. Talvez nunca voltasse a confiar em ninguém. parecia a ponto de derrubar as paredes com seus punhos. Por que o tinha traído? Tinha se perguntado milhares de vezes.. Ele apertou as mãos. não estou zangado contigo. como se estivesse preso em um lugar muito pequeno para abrigar sua incontrolável fúria e tortura. Tudo. — Senhor? A jovem estava parada na escada.. — Está bem — Brand levantou a mão para acalmá-la —. uma 37 . impregnando o ar com aroma de rosas e gardênias. Deu voltas em círculos. — Qual destas endemoninhadas portas tenho que abrir?! — gritou às portas que o rodeavam. teria dado mais. Colette tinha decorado o castelo de Graycliff com flores frescas. tentando aliviar o temor que se desenhava nos enormes olhos negros da moça — Como se chama? — Alysia. e o sangue de Brand fervia em suas veias. Também havia flores no segundo piso. Eu. — Tratou de sorrir. eu sou uma das donzelas de Lady Brynna. Tudo o que conhecia sobre a confiança e a lealdade foi arrebatado nesse dia. — Com precaução. enquanto subia os degraus. Não lhe tinha dado tudo? E mesmo assim. Eu. Apenas uns instantes atrás.. — Desculpe-me por não tê-lo levado diretamente aos seus aposentos. As tochas dançavam.. mas nunca achava uma resposta. quando se voltou para enfrentá-la. avançou dando grandes passos.. enquanto passava pelas fileiras de portas de ambos os lados do corredor. Aonde teriam ido todas essas emoções? Tinha visto sua fúria mesclada com pena tão profunda e tão rudemente contida. Tudo o que quisesse. Subiu os últimos três degraus de uma vez.— Malditos sejam os dois — grunhiu Brand. que a tinha atemorizado. Mas ela queria Alexander. quando as olhava. Agora usava uma máscara. Alysia estudou seu sorriso.. com as costas contra a parede e as mãos trêmulas sobre o coração. deixando um vazio. furioso e tão impenetrável como as muralhas que rodeavam o castelo.

pelas escadas. com curiosidade. fizeram com que o pulso de Alysia se elevasse em um ritmo desigual. impregnados de luzes verdes. começando a impacientar-se. Em algum lugar de sua mente. depois mais e mais. enquanto o examinava. — Oui. em um amplo sorriso. lhe conferia. ela ruborizou ao ser surpreendida. com tanta firmeza contra seu corpo. Tinha o cabelo de um tom tão negro como o de seu irmão. Ele tinha razão. Tão radiante era seu sorriso que a donzela quase tropeçou ao subir outro degrau. meu senhor? Brand estava a ponto de declinar o oferecimento. Esse estranho cavalheiro tinha que ser o homem com o físico mais forte que já tinha visto. não é assim? — perguntou com sutileza. Os músculos de Alysia afrouxaram. Alysia sorriu diante do título que ele. enquanto o olhar cativado de seu irmão permanecia na juba negra que caía sobre os ombros de Alysia. Os músculos eram firmes e quentes em seu contato com ela. — Queria me dizer algo. 38 . quando seu irmão chegou correndo pelas escadas e o chamou. derretida. — Encantado — seu lento sorriso malicioso e as ternas covinhas que produziu. dando um passo para o lado. De sua posição. — Deseja o aposento do amo. Era um homem grande e teve que inclinar o corpo contra o de Alysia para passar ao seu lado. — Você é o novo senhor de Avarloch. no estreito corredor. ao ver os enormes olhos assombrados da donzela. sem mover-se de seu lugar contra a parede. Brand não podia ver o rosto de seu irmão.máscara que a estremecia de prazer. O que ia dizer a seu irmão escapou. Seus olhos eram de um hipnótico matiz cinzento. mas mais largo e sem cachos. à medida que os lábios dele refletiam os dela. Alysia escutou Brand apresentar ao homem como seu irmão. assim que viu a bela jovem de cabelos negros. tão graciosamente. Dante deteve o passo. Afastou-se. Sorriu timidamente em princípio. e o mais belo. Dante? —perguntou Brand. senhora. ela teria caído. mas a expressão aturdida e assombrada de Alysia lhe disse que se Dante não se estivesse apertando. Quando ele inclinou a cabeça e olhou-a.

Sorriu ao ver Dante assentir com alegria. mas notou que seu irmão e a donzela sorriam. Dante não estava seguro se a resposta de Brand era a correta.— Desculpe? — Quase faz cair Lady Alysia em sua pressa por me dizer algo. — O duque William está aqui. Seus olhos se voltaram. para Alysia como se tivessem vida própria. Acaba de passar a muralha exterior do castelo. antes de descer as escadas. Brand passou ao lado deles e esteve a ponto de dizer a Dante que o seguisse. novamente. por uns momentos despertou de seu transe. Do que se trata? Dante deu a volta para olhar seu irmão. mutuamente. — Talvez tenha vindo por nossas cabeças — disse Brand. 39 .

quando o duque da Normandia sorriu ao seu amigo mais querido. 40 . desceu outro degrau. que estava sentado em silêncio. Passeava pelo salão com um ar dominador. Com a graça casual de alguém que tinha todo o dia para chegar aonde queria. com um gesto agudo. embora fosse tão rico como um rei. perto da enorme lareira e o observava. Vestido com uma pesada armadura sobre uma espessa túnica e calças de lã. se enrugaram nos cantos. sobre os ombros maciços e emolduravam suas espessas sobrancelhas e barbada mandíbula. e revelava seu poder e supremacia sobre todas as pessoas do castelo. voltando-se para olhar o duque. os músculos do duque estavam tensos. ele era uma visão certamente terrível. O ar ao seu redor estava carregado. severos e desumanos. — William — Brand o chamou da escada. o piso. cuidadosamente colocada sobre o respaldo da cadeira. Então. nervosamente. Os escuros olhos cinzentos que se voltaram para avaliar Brand eram imutáveis. desordenada. — O que faz aqui? — perguntou Brand com suspeita. inclusive sobre o rei. seus olhos não se detinham.Capítulo 5 O duque William da Normandia estava agitado. Não ostentava anéis nos dedos. enquanto seu pé golpeava. Sua riqueza se notava no fino couro de suas botas e na grosa pele que forrava sua capa. catalogando o que via. Para os criados do castelo de Avarloch. Sua larga juba de cabelos castanhos caía.

Voltou sua atenção para Brand. meu senhor? — concedeu graciosamente. foi terrível! O mar estava enfurecido e perdi um cavalo no caminho — grunhiu William. – os olhos do duque normando brilharam com o apetite de um guerreiro selvagem. fortes como troncos. e sua expressão se iluminou — Mas valeu a pena ver este esplêndido país de novo — dirigiu seus olhos afiados como navalhas para Eduardo — Algum dia. nunca devia ter permitido que vivesse na Inglaterra durante tanto tempo. como uma saudação — Eu sabia. — Teve uma boa viagem. meu senhor?" — dois braços. mas não se alterou sob o exame controlado de William. entusiasmado pela batalha. Promessas mortais e implícitas impregnaram o ar e Eduardo se contorceu em seu assento. Brand? O sorriso de William se ampliou e levantou seu forte braço ao encontrar-se com Brand. Lorde Brand — disse Eduardo de maneira benigna — Como sempre. por sua conta. e tomou a decisão de deixar com vida Richard. — Sua morte não era parte do decreto. embora suas suspeitas sobre o propósito da visita do duque fossem corretas. — Agh. ao pé da escada. Você não pode viver para sempre. — Não tenho nenhum desejo de viver para sempre. tudo isto será meu. quando for coroado rei da Inglaterra. Era bom ver seu amigo. por que não matou Richard? A pergunta era direta e Brand não estava preparado para ela. você não fez o que foi ordenado. secamente — Mas no que se refere a ser coroado logo depois de minha partida. — As testemunhas do decreto não concordariam com você. — É minha intenção fazer isso. primo — adicionou com um sorriso. Brand sorriu. Suas maneiras são atrozes. — Nem sequer um "teve uma boa viagem. rodearam o jovem cavalheiro quando William bateu nas costas de seu ex-escudeiro. — Então. esse é um assunto que terá que discutir com Harold de Wessex.— É assim que me recebe em seu novo lar. William — respondeu Eduardo. 41 . conhecia muito bem seu primo.

— Muito bem — disse com um rápido gesto de sua mão robusta —. — Seu pedido me pôs em uma posição extremamente incômoda — disse Brand.— Isso é correto — o sorriso que adornou os lábios de Brand era tão encantador e tão perfeito em sua sinceridade. os saxões. Nem sequer pelo duque normando. Pessoalmente. Só estou aqui porque sei os incorrigíveis tolos que são vocês. Antes que Eduardo pudesse recuperar-se. o som percorreu os corredores como uma canção robusta.. Fala por você como se sua mão fosse um acessório permanente em seu traseiro. Na verdade. acha que foi sábio poupar sua vida? —Eu estava no campo de batalha. deveria matá-lo? Os olhos de Eduardo se cravaram em Brand com desprezo. apesar do sorriso que ainda mantinha nos lábios. ao ser confrontado. Lutou muitas batalhas com coragem e grande destreza. 42 . O tom áspero de Brand fez William perceber que. e não quero que o que aconteceu com Richard aconteça também com Brand.. Brand deixou que sua suave expressão se desvanecesse antes de atacar —. Eu o respeito. também. — Ele tem razão. E William não queria que fosse de outra maneira. Por que. seu amigo não toleraria ser questionado. — Agora foi muito longe. Era minha decisão. — Respeite ou não Richard. eu gosto de lutar contra os saxões. e você sabe — interrompeu William sem incomodar-se em ocultar seu sorriso — Harold governa a Inglaterra. então. Ele não é fraco como você. que o rei Eduardo quase sorriu. inflexível. William riu. Lorde Richard Dumont se levanta desafiante contra um rei que não pode governar seu próprio país e deixa que alguém o faça. e por isso pedi que ficasse aqui. Eduardo. Brand era o único homem que ele conhecia que não fugia com o rabo entre as pernas. William pousou seu severo olhar outra vez em Brand. Eu. me alegro que Richard siga com vida.

— Decidi correr esse risco — William lançou um sorriso sigiloso e se sentou em uma cadeira de encosto alto. Com um sorriso de satisfação. Frente a ele. e não o rei da Inglaterra. cortarei sua cabeça. ele também abandonou o salão. Brand tomou assento frente a William e afundou no espesso acolchoado de brocado. Os amigos confiáveis não são fáceis de achar — olhou o duque longa e pensativamente — Sei por que está aqui. William se inclinou para frente na cadeira. ao revelar sua surpresa por ser dispensado como se fosse um criado. mon ami? — perguntou-lhe William. Brand. mas se ousar me desafiar assim. Brand. — Tenho muita admiração por você. — Sua Majestade? — o duque William empregou o título de Eduardo. — Estou bem — Brand esticou suas longas pernas para frente e cruzou os braços sobre o peito. com moderado respeito— Desejo falar com meu amigo a sós — sorriu. Os olhos de Eduardo arregalaram-se. olhos cinzentos se entrecerraram. Seu sorriso estava carregado de veneno. o duque William assentiu com a cabeça: — Oui. William. os poucos criados que restavam. 43 . junto ao rei — Mas não discutiremos isso agora — olhou ao redor do grande salão — Acaso não há cerveja neste lugar? Brand se voltou para um dos criados. — O duque tinha sentido falta de seu sorriso genuíno e lhe deu prazer vê-lo de novo — Como está. O verdadeiro amo desta casa não precisa pronunciar nenhuma palavra. sumiram em todas as direções. e o homem saiu correndo do salão. devemos falar em particular. — S'IL vous plait. como espadas finamente polidas. com mais seriedade. Mas sem uma palavra. — Que bom ver você. — Fui convocado — disse William secamente e olhou Brand e ao rei— Retire a seus criados. Quando ficaram a sós. — antes que este pudesse levantar uma mão. Quando for rei.

depois fez uma reverência e abandonou o salão. e duas taças de cerveja. — E por que não? Colette se foi. 44 . — Para curar-me quer dizer que devo me casar com Lady Brynna Dumont? —perguntou Brand. — Não quero que volte. Brand estudou as chamas pensativamente. Deu-lhes os copos e colocou a bandeja em uma pequena mesa de madeira. — Non — Brand sacudiu a cabeça — Oui. — Não posso. — Parece um normando muito decidido. localizada frente a eles. mas essa parte de sua vida terminou Brand.— O cavalheirismo requer honestidade. Não recorda bem. — resmungou e mordiscou uma maçã. quase chocou-se com Brynna. O criado retornou com uma bandeja carregada de frutas e queijos. para que ele não revelasse sua presença. Quando o criado dobrou o corredor. Sei — o poderoso duque suspirou —. — Ela era toda minha vida.. as palavras saíram quentes de sua língua. piscou e o fogo refletiu seu olhar turquesa. Apoiou a bochecha na parede fria e voltou a prestar atenção. Non. — Neste momento é o que deve fazer — respondeu com gentileza. fez um gesto para que se retirasse. mas William conhecia seu coração. Já tinha escutado quase toda a conversa e não tinha intenções de sair. Espera que esqueça tão rápido o que me fez? — Je sais. Ela franziu o cenho e levou um dedo aos lábios. depois do que fez? — Quer? —William levantou uma sobrancelha escura. É tempo de curar-se. Depois de um bom momento. pousando um olhar em seu amigo e confirmando suas suspeitas. Quando Brand abriu a boca. Não tinha falado de Colette desde que a tinha banido. William — disse brandamente — íamos casar na primavera. antes que Brand pudesse agradecer. Brand. Voltando o rosto para o fogo da lareira. — Sei! — gritou — Acha que quero que volte..

Brand abriu os olhos para esquadrinhar o olhar de seu amigo. Caminhou de um lado para outro do grande salão passando os dedos por seus cachos negros. De todos os modos. E isso era exatamente o que aconteceria se rechaçasse a dama. a única coisa que se escutava era o chiado do fogo. Brand se encaminhou para o som. — Não quer que voltem a te ferir — William terminou a frase por ele. Os dois homens escutaram o forte suspiro atrás da parede. As chamas chisparam e refletiram longas sombras sobre as paredes. Terão que queimar Avarloch? 45 . — O amor não tem nada a ver com isto. — O Conselho dos witan informou ao rei que queimarão o castelo de Avarloch se rechaçar à moça — William piscou os olhos. à luz tênue da lareira. Os velhos pisos de madeira rangeram do outro lado da parede e a cabeça de William se ergueu. para ver quem estava escutando. mas William. — Brand se deteve e fechou os olhos. — Não voltarão a me ferir — corrigiu mordaz. — Nunca poderia amá-la. Até ela sabe — William respondeu simplesmente e lançou o resto da maçã às chamas. — Por quê? — insistiu. mas ele estava ali para evitar que os saxões ficassem contra Brand.. levantou-se da cadeira e o deteve. deixando que sua preocupação por seu cavalheiro preferido fosse percebida. quando Brand ficou de pé. Farejou o ar um momento. quando Brand o olhou perplexo. — Querem uma resposta. depois levantou um dedo para silenciar Brand. que já suspeitava de quem se tratava. — Se não querer que Colette retorne então o que te impede de casar com a mulher saxã? — Simplesmente não quero me casar com ela. falou de maneira gentil. Brand. como a de um lobo.William ignorou o negro olhar de Brand porque compreendia a profundidade da dor de seu amigo. O silêncio se aprofundou. de repente. — Eu não. devorando os restos da fruta..

as bochechas aveludadas empapadas de lágrimas. O olhar de Brand percorreu o rosto triste. com pensamentos pouco castos sobre o que gostaria de lhe fazer. —Quem é você? — rugiu William — Exijo saber de quem é a cabeça que cortarei com as primeiras luzes do dia! Brynna não podia olhá-lo. caiu diretamente nos braços surpresos de Brand.. Os olhos de Brynna brilhavam com temor. Diabos. não o tinha visto até agora por ter tropeçado com Brand. Ele ficou muito satisfeito ao comprovar que tinha obtido o efeito desejado. É meu lar! Brand queria zangar-se com Brynna por escutar sua conversa particular. suplico. — Senhora. Mas havia também fortaleza nessas gemas verdes. seu lábio inferior suave e trêmulo.. era uma flecha do Cupido tentando-o. juro. fortaleza e vida que acenderam uma minúscula faísca e enfraqueceram o sangue de Brand. Não permita que queimem Avarloch. eu. procurando sua piedade. agarrada a ele. como uma rameira qualquer! — a voz de William golpeou o ar como um trovão. Seu aroma também era maravilhoso. farei o que disser. quase tinha esquecido como podia ser suave uma mulher. mas estava certa de que se tratava de um monstro. uma boca sensual. seus olhos inundados de lágrimas brilhavam como esmeraldas na água do mar — Não exigirei nada. penetrando nos ouvidos de Brynna como nenhuma outra voz tinha feito antes.. — Como ousa nos espionar. não com o rosto dela tão perto do dele. — Responda-me! 46 . Faça-me sua esposa e prometo lhe dar herdeiros e não me queixar jamais. tremendo em seus braços. A dama desapareceu no peito de Brand. Submeterei-me a sua vontade. tinha um rosto formoso. por favor! — rogou. Pelo amor de Deus. Mas não podia. meu senhor. sua espessa cabeleira acobreada derramando-se entre seus dedos..— Não! — Brynna abandonou seu esconderijo do outro lado da parede e em sua pressa. a suavidade de sua pele. Manteve o rosto apertado no peito forte de Brand. — Não.

Brynna percebeu a força na voz de Brand. Com lábios firmes e dentes apertados. Brynna captou o gesto que trocaram. Diversão. — Já basta William — advertiu Brand —. — Já é suficiente. com uma faísca em seus olhos cinzentos e um sorriso brilhante e vitorioso nos lábios — Mate. Ela se voltou para ele com lentidão. — Brincou? Brynna escutou a palavra. 47 . Uma terna preocupação enchia o olhar azul de Brand. teve que arrancar seu olhar dela para lançar um olhar severo a William. — E deve estar — bufou o tosco normando. William! Está morta de medo — a brusca ordem ecoou no salão. O duque riu. — Não está na Normandia — o fôlego quente de Brand soprou os cachos junto ao ouvido de Brynna. não é verdade? —William perguntou. Está bem.. — Senhora? — a voz de Brand era como seda ao afastá-la lentamente de seu peito e olhar seu rosto —. Perdido em seus formosos olhos verdes Brand. se ele não a estivesse segurando tão fortemente. seria açoitada até cair quase morta. Não lhe fará mal — Brynna levantou o olhar para ele. Preocupação mesclada com.Não podia.. Para falar a verdade.a e informaremos ao Conselho dos witan que preferiu tirar a própria vida. apesar que a compreensão e a fúria a invadiam. — Non. Seus olhos eram como dois vulcões em erupção. Já brincou com ela o suficiente. teria caído no chão. Ninguém podia ser tão cruel. e seu sangue começou a ferver. literalmente. Agarrou a capa de Brand com os dedos. — É verdade que os saxões queimarão Avarloch se não me desposar? — Brynna perguntou com delicadeza. sentiu o poder de seus braços enquanto apertavam seu corpo e se perguntou se Brand era idiota.. muito satisfeito de si mesmo agora que tinha Brand protegendo-a — Se ela estivesse na Normandia neste momento. sem importar-se quão temível pudesse ser. por cometer semelhante traição.. mas isso resolveria todos seus problemas. falando nesse tom a este. mas pensou que estava sonhando. Este bárbaro. antes de casar-se com um porco normando.

— Por Deus. — É um bastardo. quando as espessas mechas golpearam seu rosto. — Olhando fixamente na direção que Brynna tomou. acredito que meu pai amava minha mãe camponesa. sem temor. espero que você seja o primeiro a morrer. Brynna voltou-se para enfrentá-lo com tanto desprezo e veneno quanto o que acabava de verter sobre William. Minha espada o faria sofrer. — Podre monte de baba do demônio! — uivou. os olhos de Brand arregalaram-se e rapidamente conteve a vontade de rir. Brand! — exclamou William. até que implorasse misericórdia. Embora. Brand lançou um ardiloso olhar de regozijo a William. e Brand sentiu o fresco aroma de jasmins de seu cabelo.afastou-se de Brand e fechou os punhos. Como se. — Oui. de repente. para golpear à robusta besta a sua direita. não o culpo. — Como se atreve a brincar de maneira tão frívola sobre meu lar? Se eu fosse homem. William assentiu e voltou a sentar-se. a voz de William se suavizou e tornou-se um rouco ronrono —. mataria você aqui mesmo. Quando ficaram a sós. Atrás dela. As narinas se moveram. tem que se casar com ela. Quando me rechaçar e os nobres enviarem seus soldados para atacar. então cortaria essa garganta miserável de uma orelha a outra e meu sorriso seria a última coisa recordaria sua alma maligna em sua descida ao inferno! William voltou seu olhar surpreso para Brand. Se minha mãe tivesse uma faísca do fogo que possui a filha de Richard. absorvendo seu aroma quando ela saiu indignada do salão. mas Brynna levantou a face para ele. Isso dizem. — Olhando na 48 . meu lar não significa nada para você. — E você! Certamente. lembrasse de Brand. aproximando-se de William. gigante covarde! Mas a morte seria muito boa para você. O duque da Normandia era muito maior que ela. na verdade. imperceptivelmente. cujo rosto refletia a mesma expressão divertida e de admiração. — Voltou-se novamente.

Ainda responde ante mim.mesma direção. embora eu te permita esquecê-lo. sabendo que William tinha razão. Brand concordou com ele. às vezes. 49 . não deixarei que morra nas mãos dos saxões. e tenho o pressentimento de que essa mulher pode recordar-lhe o que significa viver. Prefiro que viva. Brand assentiu lentamente. – gabou-se William quando pareceu que Brand podia protestar pela ordem ou rir dela — Além disso. mas não disse nada. — Que temperamento! — continuou William. Voltou-se para Brand — Este lugar significa mais para ela que sua própria vida. Ordeno-lhe isso. — Como posso obrigá-la a abandoná-lo? — Não pode! Deve se casar com ela.

Deveria odiá-lo. O aroma masculino que impregnou sua roupa o testemunhava. Para Lorde Brand não importava Avarloch. odiava a todos. ‘’Ela era toda minha vida’’. Fechou a porta de sua antecâmara... recordou o frio peito encouraçado contra seu rosto. A lembrança da voz grave de Brand a inundou. amargamente. não é? Havia se sentido protegida em seus poderosos braços. entretanto. 50 . lançou a capa ao outro lado do quarto e se jogou na cama. Justamente o contrário do desgraçado sem coração que se achava lá embaixo. Protegê-la? Brynna riu. Não lhe importava se ela vivia ou morria. Sacudiu a cabeça ante a lembrança da risada de Lady Tanith no jardim. O pai de Brynna era um homem amável. Odiava-o. conforme passava. sua mãe tinha encontrado bondade em Lorde Richard e tinha chegado a amá-lo. Todos eles! Tratá-la com tanta desconsideração. Desenganchou o broche de esmeraldas. antes de terminar seu pensamento. Não! Tinha que recordar que era ele quem a obrigaria a partir com as primeiras luzes do dia.. Ele seria o primeiro a lançá-la aos lobos. Não era suficiente que o Conselho ameaçasse começar uma batalha ali? Sugerir que o witan seria capaz de queimar Avarloch era imperdoável. As chamas das velas dançaram. duro e impenetrável como seu coração. Bárbaros! Pensava furiosa. Pelo amor de Deus. com um golpe. ele é real. Contra sua vontade. Era só outra conquista o prêmio por vencer seu pai. em especial ao peludo amigo do cavalheiro. honrado. Que tipo de homem brincaria sobre cortar a cabeça de uma mulher? Ante essa idéia. E agora sabia por que.Capítulo 6 Brynna subiu correndo as escadas até seu quarto. E. Mas ainda a perseguia a lembrança do sorriso apaixonado de Brand no lago. Lorde Brand Risande a tinha defendido.. É obvio. Odiava-o. Brynna levou os dedos à garganta e engoliu em seco.

Lorde Brand tinha adorado à mulher do lago. com um olhar de veneração. — olhou Dante. como os ecos fantasmagóricos em um velho campo de batalha. Entretanto. Alysia? — perguntou Brand com gentileza. eu. Ele estava vivo nesse dia. e acender o coração deste guerreiro? Sabia que devia fazê-lo.Tortura-o. que iluminava o rosto... Escondeu o rosto no travesseiro. — Brand! — Dante balbuciou. Dante nunca soube 51 .. se quisesse ficar em Avarloch. mas o belo cavalheiro somente sorriu e levou um dedo ao cabelo negro dela. — Somente estava mostrando ao Senhor Dante seus aposentos — explicou Alysia. e exceto por Alexander. Como uma pequena sombra escura. tentando apagar as imagens dos dois no lago. Poderia penetrar em sua armadura. Alagavaos uma cálida preocupação e uma terna compaixão. Alysia se pendurava no braço de Dante e lhe sorria. irmão — a defendeu Dante.. Brynna o tinha visto. embora sabia que não havia necessidade de fazê-lo. pensando nele. quando deu a volta. não muito longe da antecâmara onde Brynna estava recostada. Ou se quisesse voltar a sentir seu abraço outra vez. não havia nada de frio em seus olhos. com desesperança. Alysia empalideceu. evitando o olhar de Brand. —Temo que a distraí de seus deveres. — Não. acariciados pelo beijo do verão. eu. e lhe deixaram só a lembrança do que tinha sido. quando a olhava.. — Já encontrou um aposento para mim. tinha tentado esquecer. O ar do castelo tinha se tornado denso quando o guerreiro normando falou de seu amor. Brand raramente se zangava com os servos e vassalos de Graycliff. mas lhe arrancaram o coração do peito.. Brand sorriu diante das bochechas avermelhadas da donzela. meu senhor. mas era real. como se seu irmão fosse a última pessoa que esperasse ver no castelo de Avarloch. Brand encontrou Dante quando saía de um aposento localizado no segundo piso.

passando ao seu lado para entrar no quarto—. — Passou por entre os dois homens e escapou pelo comprido corredor. mas Brand deu dois largos passos e tomou sua mão.. — Ah — disse a donzela com um suspiro —. Um elegante biombo. conhecendo seus deveres com o novo amo. Ao seu lado. os olhos ardentes de Dante e seu sedutor sorriso a fizeram esquecer que Brand estava parado junto a ela. rapidamente. que tem sala de banho.. estou certo de que há um aposento perfeitamente aceitável para mim. Com um gesto afirmativo.. E tire estas flores. até que. Contra a parede oeste. — Perfeito — disse Brand. — Necessita que o atenda meu senhor? — perguntou Alysia timidamente. É a única no castelo. que chegava à altura do ombro de Brand. por fim. 52 . — Esta era a habitação do pai de Lorde Richard. havia um armário de nogueira suficientemente grande para acomodar toda sua roupa. ocultava a banheira que tinha mencionado Alysia. Embora banhar a Lorde Brand não fosse. Dante ergueu o olhar. um banho era meu outro pedido. com a grande cama de dossel e a maciça lareira de pedra. adornada com um vaso cheio de rosas silvestres e uma fina bacia de ouro para lavar as mãos. O quarto tinha boa ventilação e pareceu satisfatório. além da de Lorde Richard e Lady Brynna.. havia uma mesa de cavalete.que seu irmão castigasse ou ferisse alguém a seu serviço. — Não importa. enquanto avaliava o enorme quarto. Alysia fez uma reverência com a cabeça inclinada e deu a volta para sair. de maneira nenhuma desagradável. Mas nesse momento. Alysia se deteve no final do corredor e abriu uma pesada porta de madeira. imediatamente. É obvio que Alysia não sabia. o único homem que ela queria atender nesse momento era Dante. enquanto Brand e Dante trocavam um rápido sorriso a suas costas. sugeriu sua aceitação e se voltou de novo para Alysia — Faça com que subam minhas coisas e envie alguém para que acenda o fogo. — Non — respondeu Brand.O levarei a seu quarto.

— Uma coisa mais — levantou seu olhar para a exótica e morena donzela—. Solicitará sua companhia esta noite. — Durma onde quiser. diga ao duque William que solicitei sua companhia em minha cama esta noite — se sentou na cama suave e tirou as botas. cheia de fogo e de vida e. isso. Ou isso. levantando-se da cama. examinando as rosas que floresciam como promessas de amor.. avise aos cozinheiros que quero que sirvam a ultima refeição do dia uma hora depois do pôr do sol. O sorriso em seus lábios assegurou a Alysia que havia uma razão para suas palavras. e avise lady Brynna que eu gostaria de vê-la em minha mesa. e rechaçar o duque da Normandia não é recomendável — explicou Brand. Eu gostaria de uma taça de cerveja morna todas as manhãs — fez uma pausa.. Mas nunca lhe daria seu coração. o duque gosta muito das mulheres e do vinho. Lorde Brand Risande era maravilhoso. Os olhos da donzela se iluminaram e Brand supôs que os rumores sobre o destino da senhora de Avarloch tinham sido uma grande preocupação para o povo do lugar. meu senhor? — perguntou ela. Sem querer sorriu ao recordar a língua explosiva de Brynna. ansiosa para ir contar a novidade aos outros. ou a donzela tinha aprendido com sua ama a escutar atrás das paredes. Todo o temor que ela e os outros haviam sentido agora dissipava-se. Seu pai tinha razão. — Oui. Dirigiu-se para a beira da cama. 53 . esta noite.. Passou o dedo sobre uma delicada pétala desejando aspirar seu doce e conhecido aroma —.— Não tem que inclinar-se diante de mim.. dando largos passos e provou o colchão com os dedos. apagou a lembrança de sua mente. Levantou de novo o olhar ao registrar a surpresa no silêncio dela. Rapidamente. se eu não solicitar primeiro. Levaria-a para sua cama. Casaria-se com ela se era esse seu dever. — Necessita algo mais. Brand libertou sua mão e continuou investigando o quarto. Quando não está lutando. cada vez que abro a boca. era uma mulher apaixonada. — Embora seja casado. — Seu sorriso aliviou a ansiedade da donzela.

Dante tomou seu queixo entre as mãos e levantou seu rosto para ele. ao ver uma luz de esperança em seus olhos. por cima do ombro de Alysia. — Direi meu senhor. Uma vez mais. eu não janto com. sem poder acreditar no que estava escutando. — A partir de agora. depois correu. Alysia olhou fixamente os olhos de seu novo amo.. No momento em que fechou a porta atrás deles. então deve lhe dizer que estará comigo. todos jantamos juntos. mas ele não queria que ninguém em Avarloch confundisse a bondade dele com debilidade. Recordou o poder de sua voz suave como o mel e a feroz chama em seus olhos. — Não — Alysia concordou. interrompendo suas palavras. Mas diga aos outros que o novo senhor é um guerreiro. acima de tudo. na hora do jantar. como tinha feito Alexander —. não sabendo do que outra maneira expressar sua gratidão e Brand suspirou. quase sem fôlego — É maravilhoso. Ela assentiu e observou a porta atrás da qual o novo amo do castelo se preparava para seu banho. Ofereceu-lhe seu sorriso mais radiante. mas se não quiser que seja com o duque William.. para protegê-la do guerreiro normando? Fez uma reverência. Era bom que seu irmão fosse apreciado. Dante tomou o braço da jovem donzela e a escoltou para fora do aposento. Meu irmão é um homem justo.menina. Exige respeito e o oferece em troca. — Você verá esta noite. — Então aceitará Brynna como sua esposa? — Ainda não sei o que decidiu. tão amável e gentil — Quanto se equivocaram todos ao se preocuparem. segurando saia sobre os tornozelos e desceu as 54 . mas não posso imaginar que renegue uma esposa como ela. Alysia puxou a manga da camisa de Dante. no corredor. Dante assentiu. depois sorriu para Dante. — Alysia — sussurrou Dante. os olhos de Alysia brilharam. — Jantar? Não. Acaso importavam tanto os sentimentos de uma simples donzela. quando o viu pela primeira vez.

— Acredito que tem uma língua feroz. Dante abriu a boca para proteger a honra dela. estava certo de que a donzela tinha lhe dado a cama mais confortável do castelo. Cruzou os braços atrás da cabeça e suspirou. cinco baús de madeira de vários tamanhos foram enviados ao quarto de Brand. agora desprovida de flores. — E conseguiu? — Oui. mas pensou no negro e suave cabelo de Alysia derramado sobre seus ombros cor de oliva e concluiu que Brand. tão quente que os vapores formavam redemoinhos sobre a banheira. com tanta força que salpicou água por toda parte. em silêncio. — Diga-me o que pensa de sua futura esposa — perguntou Dante. Dez minutos mais tarde. enquanto Brand se despia e lançava suas roupas sobre a mesa.escadas para contar aos outros. amassando um travesseiro antes de pousar sua cabeça. ela vai passar tanto tempo ali — adicionou. ao escutar o som ofegante e deslizou mais profundamente na água. inundando a cabeça. — Minha cama não é tão confortável como esta — Dante franziu o cenho momentos mais tarde. tinha razão. dirigiu-se para o outro lado do biombo e entrou na banheira. Brand riu. Dante se jogou sobre a cama de Brand. Deslizou dentro da água fumegante que ameaçava alagar o piso. 55 . enquanto começava a ensaboar o peito—. enquanto vertiam a água. — É estranho — disse Brand. Já que. pelo menos se Dante conseguisse o que queria. com um sorriso malicioso. assim como a água para seu banho. quando voltou para falar com seu irmão. o que faz o duque aqui? — perguntou. provavelmente. — Então. — Brand verteu um pouco do cremoso sabão aromatizado com especiarias na concha de sua mão e ensaboou os cachos negros e o rosto. Emergiu um momento depois. além de tudo. Ordenou-me isso — Brand ignorou o sorriso aflito de seu irmão. — Eduardo mandou chamá-lo para me convencer a me casar com Lady Brynna.

aceitando facilmente sua derrota. Uma expressão de aborrecimento enrugou a face do duque. Olhou fixamente Brand. saindo da água fumegante. que agora estava sentado na cama. 56 . que assinalou o biombo. — Escolheu umas meias negras e grossas e uma camisa azul escura de mangas largas. Tomou a toalha que Dante lançou da beira da cama e secou o torso molhado. sorrindo ante a divertida disputa. fazendo-o parecer um lobo. — Dou dez homens pela bela morena! — implorou o selvagem normando. — Bastardo egoísta — grunhiu William. O duque olhou para Dante. com os braços estendidos para lhe dar um forte abraço. Voltou a atenção a Dante. com um forte golpe. procurando algo dentro de um dos muitos baús que havia trazido do castelo de Graycliff — Nunca disse que não queria desfrutar de uma mulher na cama. por um momento. tentando apagar o fogo que. esquentou seu sangue. de um golpe. que se encharcava na banheira. e o irmão de Brand se preparou para a investida — Merde. Lançou a camisa sobre a cama e ajustou as meias. — Faz uma hora não queria nenhuma mulher. Ante a resposta de seu irmão. Voltou a afundar e enxaguou a espuma da cabeça. Brand deixou de ensaboar-se. — Dante! —William foi parra seu lado.Um lento e preguiçoso sorriso desenhou-se no rosto de Dante: — Uma língua pode ser uma grande vantagem para um homem. que sorriu e lançou a toalha. — Non — respondeu simplesmente. para formar uma certa imagem. A água caiu como um rio sobre seu corpo musculoso e formou um atoleiro a seus pés. está muito maior do que quando partiu da Normandia! Nunca devia ter deixado que viesse para a Inglaterra viver com este patife — William apontou em direção a Brand com o queixo. repentinamente. William estava de pé na entrada. agora quer duas? — Eu não queria uma esposa. com um bordado dourado. William — recordou Brand. William se encaminhou para a barreira e a tombou com a mão. A porta do quarto se abriu.

— Quem mais pode me ensinar como agradar a duas mulheres ao mesmo tempo? — brincou Dante. — Preocupo-me contigo. De repente. se case com a moça e me dê muitos meninos. Este seu irmão tem vinte e oito anos e tem medo de casar-se. agora vá embora daqui e deixe que me vista. com um tom de lástima na voz. quando ele tentou escapar. William — sorriu —. sua reputação com o belo sexo chegou até a Normandia . velho — Brand zombou. Volte para a Normandia comigo e te darei seu próprio harém. em uma reverência. não houve escassez de mulheres em sua cama. É como um filho para mim. alegremente e se deu conta do quanto tinha sentido saudades de brigar com seu amigo mais querido. — Olhe para ele — disse William.entrecerrou os olhos — Quantos anos tem agora. com genuíno respeito e afeto. — E você já está tão velho que não escuta as risadas das rameiras de seu harém a suas costas — replicou Brand. ignorando o insulto de Brand e sacudindo a cabeça em sua direção — Chama isso de músculos? As patas das galinhas do curral têm mais músculos que você. — Por isso. William ficou sério e tomou o rosto do jovem entre suas mãos imensas. estarei ao seu lado. ouvi falar. está no auge. William se aproximou outra vez e colocou um braço ao redor do pescoço de Brand. Dando um passo gigantesco. então. vinte? — Vinte e quatro. filho. 57 . imobilizando-o como se fosse uma cadeia de ferro. Oui. e se alguma vez precisar. depois deu um leve tapa em sua bochecha. Brand se inclinou. — Ah. E leve Dante contigo. — Muito bem. William o estudou durante um momento. — São suficientemente fortes para te esmagar sob meus pés. William lançou-lhe um olhar de lince e o golpeou no ombro. — Estou bem — assegurou em voz baixa. Ao menos seu irmão mantém o coração longe de suas calças. — Obrigado. Dante.

E como se esses endemoninhados cachos negros e brilhantes que caíam sobre seus olhos fossem pouco. Ela assentiu. enquanto prendia a pesada banda de couro na cintura. Brand cruzou o quarto e pegou o cinturão de sua espada. — Por que não me alegraria? — perguntou mansamente. Não segurava nenhuma arma.— Muito bem. Gotas cristalinas que deslizavam pelos lisos e polidos músculos dos braços e do pescoço guiaram seu olhar até mais embaixo. Ele ainda estava molhado. Quando ficou a sós. Ouviu um golpe na porta. a visão de seu peito nu fez com que ela esquecesse por que tinha vindo. Brynna empurrou a porta. Maldito seja. mas em vez de passar. — Lady Brynna — ele cruzou o quarto e se sentou na cama. 58 . —É verdade? — Que me alegra vê-la? — levantou uma sobrancelha. mas tinha os punhos apertados. para seu esculpido abdômen. Isso o divertiu. Ela encolheu seus delicados ombros. — Entre — disse. então pousaram nele. mas te advirto: a próxima moça bela que ver esta noite será minha — disse. Seus olhos percorreram as sutis mudanças que Brand havia feito no quarto. esperou na entrada. enquanto calçava as botas. Depois do modo como William tinha gritado. decidido a tratá-la com mais gentileza que antes. ao notar finalmente que ela ainda não tinha pronunciado uma só palavra — É um prazer vê-la de novo — sentenciou. ao recordar à gata selvagem que tinha atacado o duque da Normandia logo depois de descobrir que ele a havia enganado. Sentiu a boca seca. enquanto pousava um braço maciço sobre o ombro de Dante ao sair. observando-o tão fixamente que ele pensou que talvez estivesse calculando o melhor ângulo por onde aproximar-se para lhe cravar uma adaga Seu olhar recaiu sobre as mãos de Brynna. outra vez. Procurou suas botas e a olhou. ela merecia um tom mais amável. mal levantando a vista. não tinha direito de ser tão brutalmente belo e tão vivo em um quarto que havia sido de seu falecido avô durante tanto tempo.

escuro e sedento de sangue. Sorriu quando voltou a ruborizar-se. Nunca tinha esperado que seu prêmio fosse uma pequena bruxa infernal tão fogosa. Esquadrinhou. Demônios. adverti-la do que acontece ao nosso redor? Está se reunindo uma multidão. —Tem um cabelo formoso. enquanto se vestia. Não escuta bem? Lorde Brand se aproximou. talvez. com força. Afugentou-os. — Não tem nenhum parente com o qual possa ir viver? Uma irmã ou um irmão? Tia. — Posso. — Tenho uma opção. Fez um esforço para manter firme a voz. senhora. com olhos que prometiam doces entretenimentos. O quarto se tornou menor. ele tinha o aspecto de um lobo. Brynna deu meia volta e ruborizou. Estava desfrutando tanto a atitude desafiante que acendia seu temperamento que decidiu não lhe dizer ainda se podia ficar. Lorde Brand — o coração pulsava com força no peito quando ele chegou ao seu lado.. Estava tão perto agora que podia sentir a 59 .? — É óbvio que não abandonarei Avarloch. entrou no quarto e fechou a porta. mas seus olhos revelaram algo muito mais selvagem que o humor. antes de ficar de pé e recolher sua camisa da cama.— Porque tenho o cabelo vermelho. — Não abandonarei Avarloch — disse bruscamente. Brand a olhou. Mas o que tem isso a ver? Brynna o observou. à medida que ele se aproximava. mas era encantadora. seu corpo da mesma maneira que ela o tinha estudado.. ao menos. — Pronto — disse aborrecida — Contente agora? Brand se apoiou contra o suporte da lareira e a estudou.. com audácia. Você não pode me tirar tudo e me expulsar do lugar no qual passei toda minha vida. ao ver os criados escondidos atrás dela. tolo. Brynna sentiu o impulso de levar uma mão à garganta. mas as fortes linhas desse corpo lhe confundiam os pensamentos. — É muito atrevida para uma mulher que não tem alternativas.. Ele passou a mão pelos cachos molhados para tirá-los do rosto. Brynna molhou os lábios secos — Você.

Brand segurou sua mão. que Brand não teve outra alternativa que sorrir ante sua beligerância — Vilão! — o sorriso dele atiçou sua fúria ainda mais e levantou a mão para golpeá-lo. — Que opção é essa? — sua voz era arrogante. Brand pareceu muito surpreso para falar.. mudou de idéia. forte e exigente beijo que deteve sua respiração. para não ver esses belos olhos enganosos.. — Lutarei com você por Avarloch — disse fazendo um esforço para levantar o queixo.calidez de seu fôlego sobre a bochecha. que acentuava seus lábios endiabradamente pecaminosos. havia se sentido muito cativada. Logo. Ao vê-lo no lago. — Como se atreve! — Brynna falou com tanta ênfase. — O que acredita que está. Rodeou-lhe a cintura com o braço e a levantou facilmente do piso. decidida a não perder-se nesse sonho. em um gesto de desafio diante do poder que ele exercia sobre ela. Por um momento. Quando o estava espiando. e a obrigaria a abandonar seu lar. para encontrar seu olhar. desta vez por um longo.. — os olhos de Brynna se arregalaram. Seu aroma limpo e masculino não a tinha rodeado como a rodeava agora. mas uma vez mais suas palavras foram interrompidas. quando se separou dele. asseguro! Você não é diferente.. riu na sua cara. Brynna se preparou para o assalto e jogou a cabeça para trás. não tinha idéia de sua enorme e dominante estatura e do efeito que teria em seus sentidos estar tão perto. Este homem era real. Mordeu o lábio inferior. Mas logo percebeu seu engano ao notar a sensual covinha no queixo. Antes que pudesse perguntar-se como tinha chegado a esse 60 . com o sangue aceso por seu maravilhoso temperamento. observando seu prazer para que a impactassem seus traços por completo. rapidamente. — Patife! — alfinetou Brynna — Acredita que porque ser uma mulher não posso lutar contra você? Sir Nathan pensava o mesmo. Fixou o olhar em seu queixo. até que quebrei a vassoura da tia Gertrude em sua cabeça e. não é mais que um vulgar. A cabeça dava voltas e quase tinha perdido o fôlego.

— desenhou-se nos lábios um sorriso malvado. Seu fôlego não estava tão entrecortado como o de Brynna. — sua voz fogosa de barítono a envolveu como uma névoa cálida. e desviou o olhar quando ele levantou uma sobrancelha. Não disse uma palavra. Brynna o olhou fixamente nos olhos. lhe permitindo saborear a paixão que ainda rugia. saboreando-a de novo e deixando sua marca indelével. em um meio sorriso. empurrou-a contra a porta. Brynna ruborizou até a raiz dos cabelos. para imitar o que ele estava oferecendo — Poderia simplesmente matá-lo em sua cama. — Posso fingir que você não existe — prometeu Brynna. disso pode estar certo. mas sua boca se curvava. Brynna bufou diante de sua arrogância e o empurrou para libertar-se.. Brynna passou a língua pelos lábios inchados e ele afundou seu olhar neles. — Então certamente. — Você é desprezível — sussurrou. Brand afundou a boca na dela e a beijou quase brutalmente.. além de seu férreo controle. saindo correndo do quarto. Teria caído se não estivesse tão apertada contra ele. seu corpo firme e quente. e os lábios que lhe roçaram a garganta eram tão suaves e excitantes como as asas de uma fada. Afastou-se o suficiente para continuar compartilhando seu fôlego. só comparável a dele. e abriu a porta com força. aturdida por sua cor e intensidade. Simplesmente a olhou com uma excitação que iluminava seus olhos. 61 .. E se ignorá-lo não funcionar. Quando a jovem gemeu contra seu corpo. ao perceber o que queria dizer. duvido muito — assinalou ele. Brand sentiu que esses aros de fogo cor de esmeralda irradiavam fúria. — Por alguma razão.ponto. Brand respondeu com um sorriso malicioso e sensual: — Isso soa muito tentador. Apertou-se contra ela. logo tomou a outra e as uniu.. e isso era pior que se tivesse falado. Ergueu sua mão sobre a cabeça.. Sua respiração era agora tão dificultosa e pesada como a dela. — Não abandonarei Avarloch. —não vai querer ficar em Avarloch com um homem assim. Ele deu um passo atrás e observou aqueles olhos de fogo que o olhavam. Inclinou-se e lhe roçou a boca. tão luxurioso e desafiante que a assustou..

como labaredas de ouro. A filha de Lorde Richard era delicada em seus braços. e Brand se encontrou saboreando a idéia de seu corpo. A fortaleza de seu espírito o excitava. coroados pela magnificência de seu cabelo que dançava contra a luz. Seria tão ruim fazê-la sua esposa? Não a amava e nunca a amaria. devoraria-a até que fosse completamente dele. seria diferente do que tinha sido com Colette. Quanto mais pensava nisso. mais lhe atraía a idéia de casar-se com Brynna Dumont. até que soubesse que ninguém mais poderia enchê-la como ele. Era certamente formosa. Desejava-a. resistente. ou a ânsia que sentiu ao segurá-la em seus braços. Não seria gentil. mas ela seria suficientemente forte para estar com ele? Sabia que se a tomasse. apaixonada contra sua boca. entretanto. mas não era razão para se negar seu corpo. acendia em seu interior uma faísca de algo que já tinha esquecido que existia. 62 .excitantes. o excitante prazer que sentiu ao beijá-la. algo que acreditou que nunca voltaria a sentir. suave e. Aspirou longamente o aroma de jasmim que ficou em sua túnica.

devagar. durante um momento. Brand se preparou para a tarefa de falar com o experiente comandante. — Lorde Richard — o chamou. em silêncio. mas era sua intenção averiguálo.Capítulo 7 Brand saiu de seu quarto e fechou a porta. — Os dois homens se olharam. mas um pai que seria arrancado dos braços de sua filha. antes que o cavalheiro mais velho chegasse à escada. como minha esposa. na beira da escada. — Lorde Brand. 63 . viu lorde Richard encaminhando-se para a escada. com uma mão descansando comodamente sobre o punho de sua espada. Não sabia por que William queria que o guerreiro saxão permanecesse ali. Apertando a mandíbula. Quando levantou o olhar. Era terrivelmente difícil ter que expulsar um homem de sua casa. antes que o jovem falasse. — Sua filha ficará aqui. Brand era um pouco mais alto e mais largo de ombros que o pai de Brynna. Até pior. Lorde Richard não era só um guerreiro. Brand apressou um pouco o passo para alcançá-lo. mas Lorde Richard não parecia menos imponente de pé. quando o homem ainda estava nela.

Que tipo de vida podia oferecer a sua filha. e assentiu levemente: — Brynna se alegrará que lhe permita ficar em Avarloch. Não seria mais que um selvagem desalmado. a tal ponto que sentia que estava penetrando em um abismo. se não seria melhor levar sua filha para onde Deus achasse por bem conduzi-lo. se nem sequer podia lhe dar um lar onde descansar as pernas? — Não quero uma esposa — respondeu Brand simplesmente — Mas o homem a quem jurei obedecer quer que tenha uma. E não sou um selvagem. Logo depois de enfrentar Lorde Brand Risande em batalha. — Acreditei que você não queria uma esposa — disse Richard perguntandose. Alegrar-se. Sua filha também me deixou bem claro quanto significa Avarloch para ela. Ou o escuro cavalheiro estava lhe fazendo saber que Brynna não significava nada para ele. em silêncio. pensou rudemente. quando Richard olhou dentro deles. além de um meio para evitar outra batalha? — Brynnafar é fácil de amar. Só levou um instante para decidir-se. As emoções chocavam-se como ondas contra o coração de Brand. A batalha o seguia. o pai de Brynna não estaria de acordo com essa afirmação. Alegrará-se. Não era a reação que esperava quando tomasse uma mulher por esposa. ela nem sequer se alegraria. pensou Brand. Era um soldado.Richard piscou. como o vento. Richard entrecerrou os olhos. Estava disposta a ser sua esposa para permanecer em Avarloch e evitar um derramamento de sangue. O que havia ali? Richard pensou. Acaso este normando trataria a sua filha com amabilidade? Procurou a resposta nos olhos de Brand. Apenas se conheciam. Lorde Brand — afirmou Richard com gentileza. onde não existia nada mais que um vazio? 64 . se a obrigasse a abandoná-lo. Por que a vastidão do olhar do conde o enchia de inquietação. Os olhos de Brand eram como um oceano infinito. De fato. tentando conter o temor e a raiva que cresciam em seu interior — E sei que você chegará a perceber isso. Concluiu que essa era uma razão tão boa como qualquer outra. como o tinha feito tantas vezes durante as últimas semanas. mas por que teria que ser de outra maneira? Ela não o amava.

tinha escutado a conversa. Tinha vindo no corredor. e finalmente seguiu o caminho de Richard para o grande salão. Que destino tinha sido designado para sua filha. mas Richard tinha querido que sua única filha tivesse o mesmo ele e sua Tanith tinham compartilhado. enquanto se afastava Brand pensou em ir atrás dele. Farei com que sinta algo. Muitos pais entregavam suas filhas por muito menos que amor. momentos depois que Brand chamou seu pai. Mas o estavam forçando a casar-se com ela. Deveria lhe dizer algo mais. Apertou a mandíbula. que acendeu a chama em seus olhos.— Nunca a amarei — a certeza da resposta de Brand deixou gelado ao pai de Brynna — Não a maltratarei. Desviou o olhar do infinito vazio que observava. Endireitou os ombros e se afastou da parede. A promessa de Brand a tinha golpeado como um sopro de ar congelado. para deter os fortes batimentos de seu coração. — Como você disser — a voz de Richard foi apenas um sussurro. nem a expulsarei de sua casa. Estava furiosa. mas não era suficiente e Brand sabia. presa aos ecos da desesperança. enlevada por converter-se em sua esposa. as meias e deixou que 65 . Ele se casaria com ela. Nunca a amarei. Com uma renovada determinação. Agora lamentava. Não precisava ganhar. mas como sempre o orgulho de Brynna e seu fogoso temperamento saíram vitoriosos sobre seu coração. até fazê-la tremer. Queria assegurar ao digno cavalheiro que sua filha estaria segura ali. Sua promessa a atravessou como uma espada. mas jamais a amarei. se afastou de Brand e desceu sozinho as escadas. quando ele se rendeu ante este homem? Sem outra palavra. Brynna voltou depressa para seu quarto e tirou a túnica. tinha ganhado sua paixão. Devia sentir-se feliz de ficar em Avarloch. Deve haver algo que ainda possa sentir. e com apenas um leve rastro de culpa. refreando as promessas que sabia que não podia cumprir. que parecia sustentá-la. Lord Brand Risande. Pensou que depois de beijá-la. Brynna se apoiou contra a parede e fechou os olhos. Observando-o.

imobilizados em seu lugar. em seu retorno a Avarloch das terras turcas. Satisfeita por ter tudo em 66 . Revisou sua aparência duas vezes. bordando delicadamente os fios dourados ao redor do decote profundo e dos punhos. enquanto se vestia com uma fina camisa de algodão. Brynna sentiu que ruborizavam suas bochechas quando um soldado normando. nunca haviam muitos hóspedes em Avarloch. Disso Brynna estava segura. os corredores estavam cheios de homens. Lady Tanith tinha confeccionado o vestido com suas próprias mãos. mas não tinha idéia do poder que possuía ou do efeito de sua crua beleza sobre os homens. Dois dos cavalheiros do rei Eduardo se detiveram. liberado de seus deveres para jantar no grande salão. Sussurros que prometiam a vitória nublaram seus pensamentos. O vestido que escolheu era de uma seda turquesa tão fina que parecia ter sido tecida por fadas. sobre as costas nuas. Sim. tanto normandos como ingleses. quando ela os agraciou com um sorriso e os saudou. mesmo que fosse a última coisa que fizesse. Deslizou o vestido sobre sua cabeça. Recordou sua fantasia e o homem que a tinha beijado com tanta paixão em seu quarto. quando a seda aderiu aos seios e nádegas como uma capa fina e incitante. para assegurar-se de não estar exibindo nada indecente. Mas agora. mas não faltava-lhe ardor sexual. Brynna queria que Brand a desejasse. Podia ser um guerreiro frio e desumano. Escovou o cabelo até que reluziu com sua cor de cobre incandescente e o envolveu em um véu prateado. antes de chegar à escada. fazendo-a sentir-se deliciosamente feminina. Fluía entre os dedos de Brynna com tanta suavidade como o suspiro de um menino. pulsar e convocar a ser tocada. que brilhava sobre suas costas. Devido a seu pai e seus homens saírem com freqüência para lutar. A seda era tão exótica que seu pai quase tinha perdido a vida para protegê-la. brilhante. sabia exatamente o que esse "algo" seria.o cabelo caísse. Correu para o alto armário junto à cama e sorriu. Em raras ocasiões se vestia para agradar. Ao mover-se. quase se chocou contra uma parede quando a viu. Sua firme vontade e sua teimosa natureza desalentavam a maioria de seus pretendentes a cortejá-la uma segunda vez. o tecido pareceu respirar. Faria-o sentir algo.

. tentou recordar o nome do patife. Como ele — Dante se inclinou para frente em sua cadeira. cuja risada forte e exuberante fazia com que até as flores de dançassem. — O velhaco que está falando com Lady Brynna — repetiu Dante — não gosto dele. e acendeu um cru desejo nele enquanto o delicioso tecido a acariciava. Franziu o cenho. seu olhar frio e calculista abrangia a totalidade do salão.. Amaldiçoando. Sua fantasia já não existia e em seu lugar ficava a estátua de um senhor da guerra.seu lugar. o deslocamento sensual desses casulos túrgidos. enquanto emergia do acalorado feitiço no qual tinha caído. O fogo ardeu. Encontrou Lorde Brand sentado na alta mesa. — O que? — perguntou Brand a seu irmão. Ao deslocar-se. Falavam em voz alta e faziam muito barulho. Seda que se rasgaria facilmente. em voz baixa. Da mesa onde estava sentado junto a Dante. sua beleza silenciava seu coração. estudando o cavalheiro que estava falando com Brynna. quase todos pareciam estar bêbados. enquanto seus olhos percorriam o salão procurando o sério senhor dos normandos. observou o firme movimento de seus seios. Com olhos selvagens. a seda aderia a seu corpo. Um dos cavalheiros do rei Eduardo parou em frente a Brynna e obstruiu a visão de Brand.. esculpido em gelo. absorvendo tudo e todos ao seu redor. que se chocavam contra duas delicadas capas de gaze. roçava suas suaves curvas. Com parecia longe o herói de suas fantasias. 67 .. —. ante seu contato. entretanto. encolheu os ombros e se encaminhou com suas belas sandálias para o lugar onde seu prometido a esperava. Prometendo. embora o jantar mal tivesse começado. incitantes. o modo como seus quadris dançavam ao caminhar. Brynna nunca tinha visto tantos normandos juntos em um só lugar. E. Brand baixou a jarra de vinho de sua boca e cravou o olhar na magnífica deusa que acabava de entrar no salão. Brand sentiu que sua respiração interrompia-se. entre seus dentes apertados. O grande salão estava cheio de gente.

cuidadosamente. E notou a surpresa e o alívio em seus olhos. ele a olhava de um modo que já vi antes. e tremeu. Não era sua surpreendente beleza que fazia com que seu coração falhasse. com um grunhido. — Onde? — Em Alexander — Dante se arrependeu de suas palavras. com um único propósito. justo quando Brand o rodeava. não importava o quanto fosse luminoso. enganado pelo sorriso sereno do guerreiro —A dama e eu falávamos justamente de você. 68 . mas olhou para Dante. poderoso corpo. Podia escutar o agudo veneno em sua voz. Por fim. se deteve a centímetros de Brynna. Passou junto a cavalheiros e damas. o áspero tom de suas palavras ao advertir o cavalheiro que lhe permitisse passar. — Ah. Lorde Brand — o cavalheiro do rei Eduardo o saudou. — Esta tarde. mas a implacável ira em seus olhos que nenhum sorriso. lenta. olhos letais. para colocar-se junto à Brynna. Brand não disse nada. atrás do sombrio cavalheiro inglês. mas não conseguia. podia ocultar. observou cada movimento do inglês. com os olhos entrecerrados. através das dezenas de criados e escudeiros que obstruíam sua visão.— Por que não? — Brand se esforçou para ver. Pareceu que ela estava tentando livrar-se dele. como um lobo espreitando sua presa. Sir Luis também notou sua surpresa e deu a volta. Pôde entrever a manga de Brynna e logo seu ombro. alegremente. Brynna quase cai de costas quando Brand voltou seu sorriso radiante para ela. aos quais não via nem escutava. Com uma intensidade que tornou seus olhos de uma cor azul intensa. quando chegou. quando o viu por cima do ombro do inglês. Estava tão perto dele que sentiu a ameaça de seu imponente. — Já volto — anunciou Brand. Abriu caminho entre as pessoas. quando Brand se levantou lentamente da cadeira. apontando com seus olhos como geleiras ao homem que estava agarrando o braço de Brynna.

Isso é um fato. 69 . — repreendeu. senhor? — perguntou Luis. e me ofende que me chame assim. O medo a atravessou. Luis tinha medo até de abrir a boca em sua defesa. momentos antes — Não sou nenhum patife. — Sou um dos cavalheiros do rei Eduardo — interrompeu Luis. enquanto a pegava pelo braço— Como se chama este patife? No tempo que durou um suspiro.. não lhe parece? —perguntou Brand. matarei você.— Senhora — a voz de Brand soou como um ácido doce. achava impossível olhar para outro lado. enquanto Sir Luis se retorcia intranqüilo e secava as pequenas gotas de transpiração da fronte. — Não olhe para ela. Sir Luis. com uma sede tão selvagem que sua prometida temeu que fosse saltar sobre a garganta de Sir Luis a qualquer momento. sabia que seu sorriso havia se apagado. Tinha medo de olhá-lo. A confiança com a qual geralmente falava se transformou em um débil sussurro. esperando a resposta com uma paciência horrorosa. — É melhor que o chame "patife" que "cadáver". O rosto de Brynna empalideceu. — Non — resmungou como se sentisse pena do homem que estava frente a ele — Se tocar Lady Brynna de novo. Brynna olhou fixamente nos olhos de Brand.. com tranqüilidade. Suas mãos tremeram pela violência reprimida que ele já não se incomodava em ocultar. A terrível promessa de violência nos olhos de Brand o tinha imobilizado. Uma mescla de surpresa e raiva substituiu o sorriso que tinha devotado a Brand. senhor. — Ele é Sir Luis de. e de repente compreendeu como este homem tinha conseguido derrotar seu pai. por sua vez. Os olhos escuros de Luis procuraram Brynna. Os lábios de Brand desenharam um sorriso malicioso. — Está me ameaçando. a incredulidade vagando por seu rosto. e não queria ver o que o tinha substituído. Sua raiva estava agora totalmente exposta.

os acendeu com exuberante êxtase. com a mesma mão. mas não antes que um 70 . Ela o estudou. os ângulos agudos de sua mandíbula. Um calafrio subiu por sua espinha. sem uma palavra. Suas sobrancelhas e pestanas tortuosamente longas eram igualmente escuras e deixavam na penumbra seus olhos. Suspirou ao olhá-lo e ao recordar o modo como a tinha beijado. cautelosamente. mas desejando olhar para ele. Conteve-se rapidamente e desviou o olhar. entretanto.— Saiba disto — advertiu. quando lhe acariciava a pele com o polegar. quando Brynna ergueu seu olhar de seus lábios. o olhar de Brynna pousou sobre os fortes dedos que cobriam os seus. Esquecendo do temor. para seu rosto. Inundada por um temor paralisante. nem sequer seu rei poderá me deter. onde apareciam umas tênues sombras escuras. uma vez. Como o desafio não chegou. Um guerreiro que podia mudar sua aparência com um simples sorriso e converter-se em um anjo. Brynna deslizou os olhos lenta. Brand apertou a mão de Brynna e a levou. Suprimiu uma repentina urgência de suspirar e se perguntou como seu contato podia ser tão parecido a uma carícia. talvez encontre a luz que. Restava somente um rastro do fogo que tinha escurecido seus olhos. — Ninguém poderá salvá-lo se voltar a aproximar-se dela. com um grunhido. Entreteve-se nos cachos mais escuros que um céu sem estrelas. comovedora. enquanto se aproximava de Luis. Olhos tranqüilos e profundos a observavam. ficou absorta nas fortes linhas de seu nariz normando. Estava consciente da suave pressão que Brand aplicava e o agudo tremor que lhe percorria o corpo. e convidava o cavalheiro inglês a desafiá-lo. Juro — sua expressão era tão rígida como um muro. Ela quase sorriu. não importava quão cuidadosamente se barbeasse. O contorno de seus lábios carnudos era excitante. perdida nessa beleza selvagem e. Ele olhava a mesa onde Dante estava sentado esperando-o. ao mesmo tempo tão luminosos como a luz da lua sobre o mar. Era um belo. momentos depois de ter estado disposto a matar. fascinante e temível guerreiro. Se olhar mais de perto. Ainda temerosa de ver a fúria em seu olhar cristalino. como se estivesse examinando sua textura.

de agora em diante. — Honra-me com sua magnanimidade. enquanto ela o devorava com o olhar? Era zombaria o que viu em seus olhos ou ternura? Brynna tentou afastar a mão. como nesse momento. permitindo-se olhá-lo de novo. Quanto tempo a tinha estado observando. Afastou o olhar de Dante para olhar fixamente seu prometido. O medo desaparecia. voltando a fixar seu olhar à frente. — Forçá-la? Mademoiselle se me lembro bem. Brynna congelou. — Está ainda mais formosa esta noite — disse Brand. enquanto levantava uma sobrancelha invejosa em direção a seu irmão. se sentará a meu lado. você estava tão ansiosa de receber meu beijo. com chamas nos olhos. já fiz acertos para me sentar com meu pai — o atravessou com seu olhar desafiante. — Obrigado. afastando uma cadeira para que Brynna sentasse junto a ele — Assim. como eu de oferecê-lo. meu senhor — sorriu feliz por ter escolhido esse vestido — Não voltará a me forçar a beijá-lo outra vez. Tola! Quase tinha esquecido do patife no qual se converteu sua fantasia. com insolência. pensou Brynna. Dante ficou de pé e rapidamente lhe ofereceu a mão de Brynna. — Informei ao rei que me casarei com você — disse Brand. que ele beijou com ternura. Quando chegaram à mesa. mas ele enroscou seu braço mais firmemente ao redor do dela. mas lhe ofereceu uma leve reverência — Entretanto. ante a arrogância de sua voz. meu senhor — Brynna fervia. de repente. e ela entendeu quão rápido podia gelar o ardor de seus olhos. não é? — adicionou com uma faísca de fogo Dumont brilhando nos olhos. quando a raiva corria por suas veias.vermelho ardor lhe percorresse as bochechas. "Mais formosa?”. Como pôde ter desperdiçado tantas noites sonhando com essa besta? 71 . Não importava. como não me informou de sua amável decisão. — Você se lembra mau. mas só por um instante. Brand bufou e inclinou sua cabeça para olhá-la. meu senhor — replicou ela.

Mas a batalha terminou antes de começar. Brand afastou a cadeira com tanto ímpeto. Tal como seu pai iria. Queria rir de si mesma. senhora — disse Brand sem perder a calma — minha esposa se sentará comigo em minha mesa. Ao ficar sozinho. desafiante. Queria amar o homem do lago. — Se não a açoitar primeiro — ameaçou Brand e bebeu lentamente um gole de vinho. Não podia perder também seu lar. que quase lhe escapou das mãos. Não importava quão desconsiderado fosse o ogro que tomou seu lar. — Está brincando contigo — William deslizou na cadeira em que Brynna devia estar sentada. Se assim o desejar. quando se voltasse? De estripá-la com outra de suas declarações desumanas. enquanto se afastava? Ah. mas era mais galante do que parecia. — Vejo o que queria dizer quando se referia a sua língua — Dante escondeu. Brynna amava Avarloch e todos seus habitantes. com cautela. mas um soluço lhe atravessou a garganta. subiria correndo para seu quarto. Tomada de fúria. mas ele se foi. pronta para enfrentá-lo.. para deixá-la passar em direção ao seu pai. Reconhecendo que o sorriso era sua arma mais eficaz. Até viver com seu tio e o mal-humorado de Sir Nathan seria melhor que passar outro minuto com Lorde Risande. Brynna passou velozmente ao seu lado. antes de deixá-lo. — É livre para ir com seu pai — disse. Se o destino de Avarloch não estivesse em jogo. Ele seria capaz de lhe chutar o traseiro. — Até que seja sua esposa — Brynna replicou com a mesma tranqüilidade — Me sentarei onde me agradar — Se endireitou. o humor de sua voz enquanto seu irmão se sentava junto a ele —. Não podia partir.— O que você deseja não importa para mim. com um desprezo gelado adornando sua cavalheiresca oferta — Pode partir também com ele. Brand sorriu e se afastou. empacotaria seus pertences e partiria com seu pai. ela será uma esposa interessante. por um instante. Seus olhos seguiram Brynna por cima da beira da taça. ofereceu-lhe um espaço amplo para que passasse. Brynna hesitou. 72 .. Fazendo um gesto com o braço.

— Lorde Richard olhou por uns instantes a mesa de Risande.— Sei — grunhiu Brand e seu olhar sobre Brynna endureceu. a cada minuto que passava. Endireitou os ombros. serviu-se a comida. Seu lugar era ao lado dele e agora ele parecia um idiota sentado junto a uma cadeira vazia. O duque ficou de pé. — Muito bem — brincou William— Já te colocou ofegante.. acredito que será uma esposa bem disposta. mas afastou a vista da força de seu olhar. mas seria a última. notou que sua raiva tinha mudado. enquanto tirava o miolo de seu pão —Todos jantarão juntos de agora em diante. Escutou-se uma forte gargalhada do homem sentado ao seu lado. Uma energia presa lhe contraía os músculos. e logo uma vigorosa palmada nas costas. Uma ardente fúria o inundava. Havia um brilho masculino e calculista em seus olhos. pai? — perguntou Brynna. e a moça se surpreendeu ao ver os servos compartilhando a mesa com os cavalheiros e os nobres. Essa era a atitude de um homem frio? — O que está fazendo. — Lorde Risande fez o anúncio. sem afastar os olhos dela — Neste momento. debaixo do linho azul de sua camisa. mas o 73 . Brynna podia sentir a fúria do guerreiro de onde estava sentada. mas Brand não o viu partir. Deixaria que tivesse sua vitória esta noite. e se sentia muito feliz consigo mesma. inclinando-se para Lorde Richard. ainda rindo. deixando cair o queixo em sua mão — E a julgar pelo vestido que escolheu usar esta noite. magnifique! —o duque suspirou. Por fim. que a intranqüilizou. Mas quando inclinou a cabeça sobre seu ombro para olhá-lo. Não devia ter permitido que se fosse. — Ela é. Parecia um caçador preparado para devorá-la viva. não me importa se está disposta ou não. — Os jogos podem ser perigosos — disse Brand com raiva. antes de sua chegada — seu pai respondeu.. enquanto ela se inclinava para beijar seu pai.

enquanto comiam. com amargura. e intrigantemente sensual. As duras linhas de seu rosto fluíam em um sorriso divertido. homens e mulheres cuja companhia tinha desfrutado durante muitos anos. Seus olhos percorreram o salão. A maioria dessas pessoas eram seus amigos. que caminhava para eles com um meio faisão em uma mão e uma taça na outra..novo senhor de Avarloch não estava em sua cadeira. os rapazes dos estábulos. Mas não podia evitar que seus olhos voltassem para a mesa. O frio se dissipou no castelo de Avarloch. Uma inocência 74 . Seus luminosos olhos azuis o transformavam. Richard encolheu os ombros. enquanto outros riam com os cavalheiros. Olhou ao redor do salão e o encontrou inclinado sobre a cadeira de sua donzela Rebecca. pensou Brynna. alguns pareciam incômodos em suas cadeiras. estava sentado em frente a ela e a jovem lhe ofereceu um cálido sorriso. Todo o ambiente mudou para Brynna nesse momento. Quando se deparou com o sorriso zombador de Sir Luis. suas donzelas. Brynna pensou que era uma idéia maravilhosa. esse som que a tinha atraído tempos atrás. Tinha uma mão plantada na mesa frente a ela. Sobre seu cabelo mais pálido que as asas de um anjo. tímido. Surpreendeu-se ao descobrir a cadeira de Brand vazia. quando Rebecca riu timidamente por algo que ele disse. — Disse a você que era um homem estranho. que o tornava quase terno e indefeso. Agachou-se para lhe dizer algo no ouvido e tanto o novo senhor de Avarloch como a amiga mais querida de Brynna se voltaram para olhar Dante. Brand inclinava-se sobre a formosa donzela e Brynna se amaldiçoou por não ter afastado o olhar. sua fantasia tinha retornado. Brand sorriu. sorrindo diante dos muitos rostos conhecidos. Dennis e Peter. arrependendo-se por um momento de ter saído do lado de Brand. com o que parecia ser uma espécie de brincadeira secreta que compartilhava com Alysia. A risada de Brand emanava uma calidez que a acariciava.. estavam junto a Blythe e Lily. Voltou-se para olhar o duque da Normandia e riu com vontade. Mas agora estava calado. Gerald. enquanto a outra descansava nas costas da moça. Dirigiu-se para onde estava Alysia. afastou o olhar. Estavam todos juntos. Por um momento. o jardineiro.

enquanto sua esposa estava sentada a apenas uns metros de distância? Sem querer. que não merecia sequer um sorriso. — Aonde vai? — a voz de Brand soou áspera aos seus ouvidos. golpeou as palmas contra a mesa. uma mão agarrou sua cintura e deteve sua caminhada furiosa para as escadas. um olhar terno? Para surpresa de todos. enquanto conversava com seu pai. De repente. quando sorriu de novo. cuja escura pele oliva se tornou avermelhada. surgia de seu olhar. antes de correr para a porta. Não abandonará também o salão. — Sim — seus olhares lutavam com igual força —. assim como todas as outras mulheres no grande salão. enquanto a fazia voltar-se. com amargo desprezo.pura. — É seu dever. Informar-me não lhe passou pela cabeça? — Por que deveria fazê-lo? — Brand arqueou uma sobrancelha em um gesto de arrogância. momentos antes e agora queria ganhar a batalha. sem excluir Alysia. afastou a cadeira e ficou de pé. Brynna se sentiu hipnotizada por seu esplendor. quarto — ela mordeu cada palavra. meu. Achou graça em seu olhar desafiante e decidiu brincar um pouco mais. — Já me abandonou uma vez e me deixou sentado sozinho.. logo depois de informar ao rei sobre nosso matrimônio. Brand quis sorrir ante sua audácia. Deu boa noite a seu pai rapidamente. Acaso era uma espécie de besta de carga. — A. mas não por ela. o bárbaro era capaz de sentir emoções humanas. 75 . Seria assim sua vida? Amaldiçoada com um marido que prodigalizava seu excitante sorriso às donzelas do castelo.. É — sorriu severamente —Que pena que nunca poderei amá-lo. inquieta.. Ela tinha estado escutando outra vez atrás das paredes. Seus dedos apertaram sua cintura. Brynna retorceu as mãos. Brand levantou a vista para olhá-la e a jovem lhe cravou os olhos. — Você informou ao rei. Por um instante. de seu sorriso sem artifício.. masculina. seus olhos abrasavam a carne como carvões acesos.

Lorde Risande — ela alfinetou. Recordou sua promessa. Nunca esperou voltar a vê-lo. A derrota de Brynna era real. Não era culpa desta bela moça que o estivessem forçando a casar-se com ela. ansiando não sentir mais a força de sua mão. como ele mesmo. mas estava disposta a lutar com ele por seu lar. Tinha sonhado com esse homem durante mais de um ano. Permaneceu em silêncio durante um longo tempo. Passaria o resto de sua vida com um homem ao qual não importava se ela vivia ou morria. Fogo. enquanto o via nadar. O suave tremor de seu lábio inferior lhe disse que a batalha tinha terminado. A jovem estava presa no meio da traição do Eduardo. e o sonho tinha terminado. Brand entrecerrou os olhos e a olhou. como seu pai. tinha desejado com todo seu coração ser ela que recebesse seus abraços na água. reunindo o que ficava de seu orgulho — Minha donzela o aguarda. Brynna sentiu uma profunda tristeza. a sede de vida iluminando seus olhos azuis. Afastou o olhar. E. seu beijo tinha sido apaixonado.Orgulho. Não era ela quem o tinha enganado. a moça soube que podia apaixonar-se por ele. Tinha caído sob seu feitiço nesse dia. já tinha se resignado. quando William a enganou para que pensasse que Avarloch seria 76 . vá com ela. naquele dia. Sim. mas não significava nada para ele. Desejou ser tão fria e insensível quanto ele. Por que lhe doía tanto sua maldita promessa de não amá-la? — Tire as mãos de cima de mim. inclinando a cabeça como se tentasse ler seus pensamentos. Suas bochechas arderam. Brynna — disse. por fim — Ambos seremos muito mais felizes. Mas as fantasias eram para as crianças. por hora. E ao notar isso. de repente. estudando-a com uma curiosidade predadora que Brynna agora reconhecia e contra a qual combatia. enchendo de música sua profunda risada. Mas desde o momento em que o tinha visto pela primeira vez. além de um modo de demonstrar que tinha o controle. Não havia modo de chegar a ele. as defesas de Brand caíram. Era inocente. pela primeira vez desde que tinha morrido sua mãe. — É melhor não haver amor entre nós. Beleza. Teria sido melhor assim.

que estava ali. 77 . Brand parecia estar iluminado com uma nova luz. maravilhosa emoção. Humana. muito maiores. surpresa e aturdida. pelo braço até chegar a sua mão. O corpo de Brynna deu um salto diante de seu terno contato. — Senhora? — O que? — ela piscou lentamente. compaixão. Tomou o queixo com os dedos e inclinou a cabeça para examinar seu rosto. Tinha sonhado durante tanto tempo em apenas poder tocá-lo. brandamente. em vez de olhar para ele. — Sim — a palavra rolou da língua de Brynna. Lentamente. Ela tinha vislumbrado além da escuridão algo que ele tentava destruir. quando lhe pediu que fosse sua esposa. se ele não se casasse com ela. Sorriu. como se fosse feito de relâmpagos. separando seus carnudos lábios. ser amada tão apaixonadamente por um homem cheio de vida. olhando em direção às pessoas dentro do grande salão. Seus olhos eram mares de paixão. esperando na escuridão. e um desejo luxurioso tão poderoso que emanava de cada um de seus poros. Mas havia algo mais. com os dela. incitantes e serenos. Brand passou os dedos. sem mencionar esses lábios que ansiava beijar. porque havia um pouco de luz ainda dentro dele. esperando ser libertado. fúria. — Peço que fique em Avarloch e seja minha esposa. O que diz? — a ternura de sua voz atraiu os olhos de Brynna para ele e abriu a boca. angústia. ao menos uma vez mais. nesse momento fugaz? Acabava de ver seu coração. e enroscou seus dedos. e desta vez ela estava preparada. mas também com uma emoção radiante. O brilhante olhar que encontrou e cativou o dela era cheio de emoção. uma mera sombra do que dava vida a todas essas emoções. Pena. Estava disposta a converter-se em sua esposa e lhe dar filhos. ele inclinou a cabeça. não só pelo apetite que ela tinha visto em seus olhos quando a beijou. O que tinha mudado dentro dele. Seu sacrifício o emocionava. Meu Deus estava a ponto de beijá-la novamente.destruído. sem fôlego — Serei sua esposa. alegria.

à medida que o beijo se tornava mais apaixonado. significativos. ela se sentiu mais só do que jamais havia se sentido. Era de fogo. incontrolável. e só sabia dele. bebia mais profundamente. saborear o vinho que adoçava seu fôlego. O som era como sua voz. e ela soube que nunca voltaria a sentir-se completa de novo. sua língua procurava com mais ânsia. Ele a reclamava com seus beijos. cheirar o aroma de terra. — O que? — perguntou. — Está sorrindo — Brynna ruborizou — É a primeira vez que sorri. recordando o que tinha visto em seu rosto na lacuna. As costas de Brynna se derreteram. Estava sendo transportada. um apetite que a devorava insaciavelmente. aproximando-a até que se sentiu completa e totalmente consumida por ele. sem outro motivo oculto atrás de seus olhos. pensou Brynna. enquanto seus braços rodeavam sua cintura. quando ela se mordeu o lábio inferior. o que fez com que quisesse conhecê-lo. Podia senti-lo respirar. Ele deslizou a língua sobre seus lábios antes de capturar seu suspiro na boca. teria pedido que se casasse comigo antes. Levantou a mão até seu cabelo e tocou as mechas acobreadas. Ele a apertou contra si e as pernas dela tornaram-se fracas. até que pôde sentir a calidez de seu fôlego no rosto. até que esqueceu de si mesma. A paixão. necessitando-a para sobreviver.Incapaz de resistir. ofegante. Ele riu brandamente diante do sorriso sonhador em seu rosto. sedoso e muito masculino. apaixonados. irreprimível. afogada em inacabáveis ondas. No espaço de cada nova respiração. Este é o verdadeiro. O que tinha acontecido? A tristeza tomou o rosto de Brynna e esticou a mão para tocar seu sorriso. — O que ela fez para te destruir desta maneira? 78 . Brynna o observou. devo admitir que se soubesse que veria essa felicidade em seu rosto. até que lhe pertencesse. Quando por fim se afastou. baixo. — Não acredito que meus olhos tenham ocultado meu desejo de beijá-la antes — murmurou Brand. sem poder evitar — Mas.

a luz que tinha ardido nele durante poucos momentos agora não existia.Sua mão se deteve. antes de chegar aos lábios. — Fez com que eu a amasse — sussurrou. O sorriso de Brand se desvaneceu. só sombras. Capítulo 8 79 .

Lorde Brand — disse Brynna quando ele finalmente retornou à mesa. 80 . Alysia. Percorreu o salão. timidamente quando o novo senhor a olhava. Mas Brynna estava segura de que o povo de Avarloch era a que aclamava com mais entusiasmo. conversando tranqüilamente com quase todos os presentes. — Parece que será bem aceito por meu povo. cada vez que o via. Sentou-se ao seu lado. e ela concordou em sentar-se ali durante o resto da noite. enquanto olhava de soslaio a uma ciumenta Brynna. levantou uma sobrancelha dúbia e averiguou: — É por isso que sorri para você dessa maneira? Brand se regozijava. — Os ciúmes são difíceis de ver em seus formosos olhos verdes. durante o resto dessa noite. Festejou quando Dante desafiou Sir Henry LeForre. Mas a jovem ainda suspeitava. seus olhos encontraram os de Brynna em mais de uma ocasião.Brand escoltou Brynna de volta a sua mesa. em um banco que William tinha colocado. Enquanto falava com seus novos vassalos. mais especificamente — adicionou. e embora não visse nada nele que se parecesse com afeto. enquanto o olhar agudo da moça pousava sobre os intermináveis rostos que enchiam o grande salão de Avarloch — Em especial pelas donzelas. Lorde Risande anunciou a todos seu compromisso e houve um coro de brindes por parte de seus cavalheiros. assim como dos homens de William e Eduardo. que fazia com que o coração dela se parasse. um despreocupado Brand levantava sua taça em honra ao vitorioso. o humor de seu prometido definitivamente estava melhor. Um momento mais tarde. notando como a moça sorria. um elevado cavalheiro da guarda de William: a provocação consistia em descobrir quem podia beber mais cerveja e lançar uma adaga a seis metros de distância. Tomou seu lugar ao seu lado. em sua primeira noite como senhor de Avarloch. para compartilhar um olhar silencioso e um rápido e sensual sorriso. — Os olhos de Alysia só seguem meu irmão — sentenciou Brand divertido. senhora. — Asseguro-lhe que não estou com ciúmes! — respondeu Brynna indignada — Não há razão para que esteja.

sempre o sentia quando recordava. Por ele. repleta de guardas normandos.disse com seriedade. Seu pai nunca teve uma. e ela não pôde evitar sentir um diminuto fogo que se propagava em seu interior. e se estivesse apaixonada pelo descarado? Brynna sacudiu a cabeça levemente e se reprovou por ter idéias tão infantis sobre o amor. pensou Brynna.. como ondas em um mar tempestuoso e Brynna não estava certa se devia lhe sorrir ou temer este homem que seria seu marido. do mesmo modo. depois para a cintura de Brynna. Sua voz era profunda. — É obvio meu senhor — respondeu em troca. olhando sua prometida. Era gentil com aqueles que não queriam nada dele. Olhava seus seios. a ferocidade de seu olhar suavizado só por sua voz de cetim — Assegurarei-me de que nunca haja razão para que encontre prazer na cama de outro — seus olhos a observavam. Mas mesmo assim. este homem pode ser gentil quando deseja. Brand assentiu resistente. Mas ele era gentil também com os servos. a lembrança dos braços de Brand invadia seus pensamentos. William estava fazendo gestos para que se aproximasse de uma mesa larga. A atraente promessa de Brand de agradá-la no leito não era suficiente para assegurar que não daria o mesmo prazer a qualquer mulher que se oferecesse. Brynna não pôde evitar sorrir. Surpreendeu-se pela profundidade de sua raiva ao pensar nisso. Poderia compartilhar seu leito. sabendo que nunca a amaria? A idéia a excitava e aterrorizava. não tem por que estar — deu a volta em sua cadeira para enfrentá-la. tranqüila e carregada de um apetite ávido. Nunca toleraria que tivesse uma amante. Lorde Brand Risande seria o perfeito senhor de Avarloch. — Precisam de mim . voltou a sentar-se e suspirou. e amá-lo nunca seria suficiente. Deus santo. Lorde Richard tinha amado sua esposa. O calor era conhecido. além de um lugar onde viver e alimento para encher o estômago. bêbados.. Certamente.— Non. Enquanto o povo não pedisse seu coração em troca. Brand ficou de pé. Queria lhe dizer que assim sentia-se. 81 . mas certamente. Queria ser amada por ele.

— Brynnafar — seu pai ofereceu um cálido sorriso. 82 . Enquanto olhava ao seu redor. sentenciou. Voltou-se para o cavalheiro que se achava ao seu lado. lutando para controlar o tremor que tomava conta de seu corpo. Ia deixá-la ali. no canto mais distante do salão. Ao ver seu pai parado junto a um de seus cavalheiros. até entre os selvagens cavalheiros da Normandia. mas só por necessidade. foi tão imperceptível que se não estivesse observando-o com tanta intensidade. com um sorriso amplo. fosse cavalheiro ou servo. um rosto diferente olhava em direção ao novo senhor. lutavam por seus senhores nas batalhas. enquanto se dirigia para William e seus homens. pensou que tinha mudado de idéia e ficaria. Os servos. Não tinha sentido lamentar-se por isso agora. e voltou-se para olhar os rostos que enchiam o salão de Avarloch. em geral. As risadas faziam eco no grande salão. e seu respeito seria retribuído. que tratava de esconder com tanta veemência. vassalos e servos tinham abandonado suas cadeiras e estavam conversando. Fazia com que se sentissem iguais. Estudou seu caminhar. bela dama — sussurrou. Queria que ela ansiasse tê-lo sempre perto. Lorde Richard Dumont se sobressaía.Por um momento. Aproximou-se o suficiente para não tocá-la. enquanto esticava a mão para receber a dela. Brynna notou que os homens de Avarloch seguiriam Brand por lealdade e afeto. mas sim para perturbá-la. em tempos difíceis. embora só por umas poucas noites mais. — Desculpe-me então. A cada instante. Cavalheiros. Até ali. e concluiu que tudo o que dizia respeito a Lorde Brand Risande era sensualmente masculino. e quando ficou de pé para afastar-se. no meio do rei e sua companhia. respeitava a cada homem. quando seu fôlego a tocava e seu aroma lhe enchia os pulmões. Brynna compreendeu por que se aproximou. Brynna se levantou para ir ao seu encontro. sentir o calor que fluía de seu corpo. Brynna estava intrigada pelo que o novo senhor de Avarloch fazia. tão selvagens quanto o mesmo duque. até a pena. quando este lhes devolvia o olhar. não teria notado. Avarloch ainda era dele. para permanecer sob o amparo do lorde.

O duque William me ofereceu um lugar entre seus homens. nenhum homem se atreveria a me fazer mal . olhando por uns instantes à pequena congregação de homens sentados.uma terna emoção cruzou o rosto atraente de seu pai. Já tinha sido muito difícil ser a filha de um guerreiro. Quando o cavalheiro se foi. Separou-se dela para olhá-la — Mas devemos ser fortes. e Brynna recordou que estava a ponto de perder o único homem que sempre a amaria. não lutar contra ele. — Irá para a Normandia? — perguntou. com um olhar de falcão. em voz baixa. Está discutindo agora mesmo os detalhes com Lorde Brand. Necessitava de sua completa atenção e compreensão —. levando uma mão ao peito. pai. Seus olhos se encheram de lágrimas — Acreditei que ficaria na Inglaterra. — Não tema. aliviando as pequenas linhas ao redor de seus olhos. o pai de Brynna a repreendeu. Contigo aqui para me proteger. pai.estudando Brynna com um sorriso amplo e calculista — Pode se retirar. ameaçando estrangulá-la. — Brynna — Lorde Richard deu um passo para trás e segurou-a pelos ombros. quando ele assentiu. — Sentirei saudades — disse. filha. até que não restasse nada mais que um rio de lágrimas. — Eu também vou sentir saudades. filha. minha pequena e querida Brynnafar disse. sempre esperando e rezando para que retornasse para ela e sua mãe depois da batalha. Seu pai a abraçou e acariciou seu cabelo. em um tom severo. cheia de dor. Brynna tocou o braço de seu pai. o medo agarrou-a pelo pescoço com dedos quentes. Um novo destino nos chama. Sempre 83 . De repente. — Mas para onde irá? Voltou à cabeça em direção à mesa de William. e devemos aceitá-lo. enquanto estudava o rosto de seu pai. Eldred — disse. — Esse vestido pode chegar a ser perigoso. A confusão escureceu os olhos esmeralda de Brynna.

pelo que uns poucos fizeram — as lágrimas caíram pelas bochechas da moça e seu pai as secou.Cruéis normandos mataram sua mãe. profunda e alquebrada pela tristeza . A risada irrompeu na mesa de William e a jovem levantou a cabeça para olhar o homem com o qual se casaria. observando o cavalheiro — Todos aqui parecem apreciá-lo. Sua voz era baixa. — Mamãe teria gostado. Os transformamos em nossos servos. — É mortífero no campo de batalha. Foi capaz de me amar. Não podemos ser frios com todos. Brynna.havia retornado. que a tinha cativado pelo amor que compartilhava com outra mulher? Embora seu pai não se escandalizasse com facilidade. imagino — disse. que eu não tinha tido nada a ver com o que tinha acontecido com seu povo... com ternura: — Aprenderá a amá-lo como sua mãe aprendeu a me amar. como podia admitir diante dele que queria ser amada por Lorde Brand. — Sua mãe me ensinou a perdoar. tomou o que não lhe pertencia e fez o que quis. Mas não deve odiar a todos. depois de um tempo. Sua mãe me odiava no princípio pelo que era. eu não. destruiu aldeias inteiras. Seu pai concordou. mas entendeu. com os dedos — Lorde Risande é um homem honrado. Como podia contar que tinha espionado um homem que nadava nu. Meu povo assolou aos celtas. — Mas pai. o Apaixonado? 84 . Agora iria para a Normandia e talvez nunca mais voltasse a vêlo. mas falam muito bem dele no castelo de Graycliff em Dover — e adicionou. — Que mais tirarão os normandos?! — Brynnafar — os olhos de seu pai brilhavam contra o leve fogo da lareira. Brynna queria perguntar a seu pai o que aconteceria se seu amor nunca fosse retribuído. Isso é mais importante que o país de onde vem ou o sangue que corre por suas veias.

enquanto olhava de esguelha aos dois homens que agora se aproximavam. o meu pai — Brynna observou Brand e William juntos e fez gestos a Lorde Richard para que os olhasse — Talvez não fiquemos tanto tempo separados como tememos. — Lutar do lado de William não mudará quem sou. Os olhos de Brand nunca abandonaram Brynna. e se esforçou para sorrir— Por todos os céus. e quanto mais a observava. Não precisava contar a seu pai o que a perturbava... Meu único pesar é que não poderei ver minha filha.Não tirou de nós o suficiente? Por que tem que ser consultado sobre seu futuro? — Não seria se decidisse partir para qualquer outro lugar que não fosse a Normandia — explicou seu pai— É o código de honra. O Apaixonado já não existia. Alguns homens veriam como uma ofensa que seu senhor empregasse alguém que eles venceram no campo de batalha. — Então esperemos que Lorde Brand esteja de acordo. Seu cabelo preso pela rede caía sobre suas costas como espessas ondas vermelhas. com freqüência. — Sim. Só quero que seja feliz. Brynnafar. Até agora. mais fascinado sentia-se por sua beleza. será um normando! Seu pai riu docemente. Imagino que o duque da Normandia visitará Avarloch. Fios de prata e ouro emolduravam seu rosto e faziam mais 85 . — O que importa se estiver de acordo ou não? — a resignação que sentia Brynna mudou para uma repentina indignação . pinceladas de castanho. além disso. E. Os suaves cachos cor de cobre terminavam onde começavam as sensuais curvas de suas nádegas. Sempre soube — disse ela. Eduardo não está bem e tenho o pressentimento de que Harold competirá pelo trono quando o rei morrer. — E eu. O mais desalinhado dos dois tinha apoiado seu braço musculoso sobre o ombro de seu amigo. — Serei — assegurou seu pai — William é um grande guerreiro. Eles são grandes amigos.— Sei qual é meu dever. Algo que não era bom. Brynna o escutava. Já sabe o que penso de Harold. Suspirou.

e um tolo irritante. piscando um olho a Lorde Richard— Teremos que lhe tirar dois dedos. saindo depressa do grande salão. Apertando os dentes.. Sim. nostálgica. Sua voz atravessou o ar. pai. Lorde William. o selvagem duque dos normandos. enquanto tentava conter a risada que estava certo de que ofenderia o pai de Brynna. Brand baixou a cabeça para ocultar uma gargalhada que emergia e a calada surpresa que expressava em seu rosto. Os ombros de Brand se sacudiram e Brynna percebeu que estava rindo. para onde viajarei quando abandonar Avarloch? — perguntou Richard. Brand lançou a sua prometida um sorriso que revelou seus silenciosos pensamentos e fez com que ela ruborizasse. Brand não a seguiu e deu uma cotovelada em William. — Bem. mais dócil seu queixo desafiante. assombrado e admirado pela fogosa mulher a sua frente. Quase deu um chute na parede. — Você desperdiça seu patético humor tentando me intimidar. com a boca completamente aberta. zombador. por completo. Lorde Richard parou. — Bastardo — sussurrou a William. voltou-se. com força. com audácia.. Suas cruéis brincadeiras sobre meu lar e o bem-estar de meu pai provam que você não é mais que um tolo. — É o que quer. — Para a Normandia. Estava muito zangada para falar. E William. então ficou sério. Alegro-me por você. é obvio! — o sorriso de William era tão amplo como seus ombros e Brynna quase sorriu ao olhá-lo. respondeu-lhe: — É você uma mulher extraordinária — sua voz soava profunda. rapidamente. Quando William finalmente bateu nas costas de Lorde Richard ao chegar a seu lado. Sua Senhoria. — É obvio — disse William. pela segunda vez naquela noite. e seus olhos mais verdes que o auge da primavera. congelado. além do mais. quando olhou Lorde Richard — O duque carece. Brynna lançou um olhar de fogo ao divertido duque. Recordou a cruel brincadeira que tinha feito antes e deu a volta. de moral. Está seguro de que quer ir com ele? 86 . para beijar a seu pai. Sendo que você é um saxão e tudo mais.delicado seu nariz reto.

e se retirou. seus olhos percorriam os seios de Brynna com uma avidez que lhe fez querer esbofeteá-lo. emocionado diante da pena nos olhos de Richard — Soube alguma vez quem foi que a arrebatou do seu lado? — Sim — disse olhando William. voltou a dizer: 87 . — Parece que seu vestido alcançou seu objetivo. mas ela é. três anos antes. abrindo caminho. William colocou sua enorme mão sobre o ombro de Richard. Sir Luis atravessou em seu caminho. — Então. senhor — advertiu.Lorde Richard estava ainda muito aturdido pela perigosa explosão de sua filha para responder. com um sorriso sombrio como a meia-noite. observando o caminho que sua filha tinha tomado para abandonar o grande salão —. Sir Richard —disse Brand. — Nós o fizemos — respondeu em voz baixa. A ponto de chegar a seu quarto. recordando as lendas que sabia agora serem verdadeiras. era. — Saia da frente. sobre o enlouquecido nobre saxão que tinha aniquilado os homens responsáveis por assassinar sua esposa. Mas quando ela passou ao seu lado. mas seu olhar cinzento estava fixo em Brand. para assegurar que não estava zangado. Tinham concordado em não dizer a Brand como tinha morrido Lady Tanith Dumont. notável. Também era assim sua mãe? — Sim. minha senhora. com os dentes apertados. era — Richard aspirou um profundo e purificador fôlego e o exaltou lentamente. Sir Luis obedeceu. na verdade. — Você me disse que sua esposa tinha sido assassinada. — Temo que me diverti em excesso as custas de sua filha. você é um homem abençoado por Deus — disse William em voz baixa. Já não importava. Seu normando não lutará. — enquanto falava. Brynna se deteve. temendo que usasse o ódio de Brynna pelos normandos como desculpa para não casar com ela. mas William bateu em suas costas.

informarei ao rei. seu prometido estará enchendo sua donzela com sua semente. porque o novo senhor solicitou Alysia em sua cama. Advirto-lhe. Mata amigos e inimigos da mesma forma. Para seu prometido ninguém importa. — Nesse caso. rapidamente. antes de você. seu irmão deverá cuidar suas costas — Luis lançou uma gargalhada — Sir Alexander LaRouche. Alysia! Sua querida amiga! Ai. para enfrentá-lo. descartando a imagem — Alysia está interessada em Sir Dante. — Não — Brynna retorceu as mãos no vestido. — O que quer dizer? — Alysia — um sorriso de desprezo surgiu em seus lábios. como pôde ter acreditado em Brand? Brynna tinha visto os ternos sorrisos que ele dava a sua sensual donzela. acentuando o desprezo que a jovem sentia por ele —. — Não tem importância. Por que estava escutando esse canalha? — Você é um mentiroso! — deu um passo a frente—. Luis encolheu os ombros. Estava agitada. se voltar a aproximar-se.— Lástima que sua donzela conhecerá lorde Brand. Luis secou uma gota de saliva dos lábios com a mão. um querido amigo de seu senhor Risande. Dizem que o duque da Normandia que não pode visitar seu leito esta noite. — Faça o que quiser. Nada disto era verdade. O fedor de cerveja amarga parecia penetrar por todos seus poros. mas não deixaria que o patife visse sua dor — Prefiro dar meu corpo a Brand. enquanto você enche os ouvidos do rei. Não me preocupo com o que faz — replicou Brynna. seus 88 . com um sorriso muito terno — Não — disse bruscamente. Sir Luis. cravou as unhas nas palmas das mãos. — Mentira! — reagiu Brynna. o Apaixonado. que dar a você! Brynna ofereceu um tenso sorriso ao cavalheiro e escapou para seu quarto. quando tomou o que Risande queria. com ardor. embora tenha tomado a cem de minhas donzelas. sentiu o frio aço de uma espada em seu peito. Mas. Brynna se deteve e voltou-se. mas recordou o modo como Brand se inclinou sobre a cadeira de Alysia.

também não tinha amado à mulher do lago. Tinha que falar com ele. Deve tê-la enfeitiçado também. sua mente rechaçou a idéia. Brynna não duvidava do que tinha visto naquele dia. calculista. só um sonho. quando ela se zangava. Deu um passo e se preparou para correr. Não haveria nenhuma esperança em seu matrimônio se o fizesse. Luis era um mentiroso. Saltou da cama e correu para a porta. recordando de William da Normandia. freneticamente. Mas eu o vi. na frente do selvagem que parecia obter um intenso prazer. Tinha que ser. Brynna pressentiu um movimento em suas costas. além de um frio mortal. Tinha matado seu amigo? Não. Viu uma sombra mover-se e mãos saltaram para cobrir sua boca e a cintura. Não podia respirar a mão lhe 89 . Significaria que o homem que ela recordava era. Não podia permitir. Os corredores de Avarloch estavam vazios. na verdade. desprezando a imagem de seu sorriso sensual. As numerosas tochas acesas e o fogo na grande lareira central lançavam sombras. Tinha que olhar em seus olhos e descobrir algo. Ririam dela também? Ririam esta noite quando ele levasse Alysia ao seu quarto? Como pôde ser tão fraca para cair de novo sob o feitiço do patife? Sacudiu a cabeça. mas risadas ainda se escutavam no grande salão. perguntar sobre Alysia e o "amigo”. De repente um tremor lhe percorreu as costas. Como pôde ser tão tola? Com certeza. como demônios surgidos da vasta escuridão do inferno. levantando o vestido sobre os tornozelos. que dançavam sobre as paredes dos largos corredores. Vi seu amor por ela. que a observavam como um animal agonizante. Deteve-se e voltou a cabeça para olhar sobre seu ombro. Sentiu sobre o corpo olhos de abutre.sussurros secretos. que matava seus próprios amigos. Tinha que existir uma explicação para tudo isto. insensível. pelo corredor em direção as escadas. O piso de madeira rangeu. que supostamente tinha matado. Havia dito que o sorriso angelical de Brand era enganoso. e tudo debaixo do nariz de Dante. Tinha que cuidar com sua língua. que o homem que desposaria era um bárbaro frio. E ela tinha visto com seus próprios olhos. Diminuiu sua marcha. Abandonou seu quarto e caminhou apressada. Mas seu pai tinha advertido que o normando era perigoso.

Seu atacante a empurrou contra a parede de pedra. mas desta vez ao redor do pescoço. para sufocar seus gritos. Brynna lutou ferozmente. fora do castelo. subindo a escada. como podia sequer olhar para ele. expondo seus brancos seios. Seu rosto estava muito perto. e deu a volta para que seu rosto se tornasse visível. conseguiu afastar a mão que cobria sua boca. A mão de Luis voltou a apertá-la. Meu pai. passou a mão pelo cabelo. Estou farto de sua rebeldia — grunhiu. — Disse esta manhã que seria minha — Luis apertou a palma da mão contra sua boca. vestida como uma prostituta e espera que os homens mantenham seu desejo sob controle. Merde. enquanto usava a outra mão para tocar seus seios. exceto Lorde Brand — rasgou seu vestido e a camisa debaixo dele. Brynna tinha muitas razões para odiá-lo. pensou. Foi metade arrastada. Voltou a cabeça e por um momento. para um pequeno jardim. apertando as bochechas dela com os dedos — Desfila pelo castelo. Tinha dado a ela a opção de aceitar um marido que já não sabia amar ou ser expulsa de sua própria casa.. Todos os cavalheiros. querida Brynna.. que se achava atrás dela.apertava a boca e parte do nariz. — Todos os cavalheiros em Avarloch a desejam. Caminhou em silêncio. — É homem morto. perto do quarto de Brynna. Queria lhe dizer que sabia 90 . sob as tochas que ondulavam sobre suas cabeças. metade carregada. até quase fazer com que desmaiasse. sobressaltado ao saber que os normandos tinham matado à mãe de Brynna e zangado porque tinham lhe ocultado essa informação. passando pelo corredor. dentro das calças? — riu. Quando chegou à porta. Um fôlego quente e azedo por causa do vinho e da cerveja revolveu seu estômago —. mas sem êxito. pelo longo corredor. mas parecia que a dor não existia para a força que a tinha apanhado. sem que seu coração derramasse ódio? Tinha todo o direito de odiá-lo. Arranhou o rosto. *********** Brand saiu do grande salão.

enquanto se encaminhava para as portas do jardim. Ninguém respondeu. mas os sussurros de seus sonhos invadiram seus pensamentos. mas se desfez da sensação e entrou no recinto.o que tinha acontecido com sua mãe e pedir perdão pelo que seu povo tinha feito. lutando cegamente com uma sombra. pensou Brand. mas não abriu nenhuma. que encontraria Brynna quando chegasse ao final do corredor. enquanto descia as escadas. mas o preço era. Uma fúria tão negra que ameaçava sua alma deu a Brand velocidade. Certamente. quando percorria os intermináveis corredores de Graycliff. percorreu os corredores uma vez mais. Olhou diretamente para frente. Brynna estava apertada contra a parede. Apertou os lábios para não gritar. 91 . quando ele bateu. As portas o chamavam de ambos os lados do comprido corredor. muito alto. observou o longo e silencioso corredor. não havia rastros de Brynna. Seus olhos percorreram o imenso salão. O piso rangeu sob suas botas. ainda o surpreendia. Uma explosão de ar fresco assaltou seus sentidos. O homem não tinha nada contra o povo que gerou os assassinos de sua esposa. Estava sendo usado como um peão para libertar a Inglaterra de Lorde Richard. Ia se casar com uma mulher a quem não amava e que nunca poderia amá-lo. Como tinha conseguido curar seu coração depois dessa tragédia? Ao chegar ao primeiro piso. olhou de um lado a outro do corredor. Brand empurrou a fria madeira com a palma da mão. Tinha que ter piedade dela e lhe dizer adeus. Silêncio. Mas aonde iria agora que seu pai partiria para a Normandia com o duque? A imagem de Lorde Richard lutando ao lado dos normandos. sabendo. do mesmo modo que Colette nunca o tinha feito. Sabia que não responderia. tinha retornado ao grande salão e ele não a tinha visto. Um calafrio o percorreu. Com crescente desânimo. Escutou um grito abafado e voltou à cabeça. quando abriu a porta e ingressou no jardim. agilidade e poder. em seus sonhos. na verdade. de algum modo. em direção ao som. Tentou outra vez. Onde estava ela? Queria chamá-la em voz alta. que arrancava seu vestido e afundava sua escura cabeça em seus seios.

Com um rápido e eficaz puxão. Brand ergueu o braço. Agora. preparando-se para dar o golpe final. O sangue que emanava da têmpora. Mãos enormes e poderosas imobilizaram seus braços no ar. Seus olhos selvagens passaram de Brand a Brynna.Só demorou um instante chegar até eles. sentiu que um grito se formava em sua garganta. brilhando com os raios da lua e a luz das tochas no jardim. ainda lutando para evitar que a espada caísse sobre a cabeça de Luis. Estendeu a mão com a rapidez de uma flecha e a fechou ao redor da cabeça de Sir Luis. — Ele estava tentando violá-la. Agarrando-o pela gola da camisa. começará uma guerra por matar um dos cavalheiros do rei? A dama não sofreu nenhum dano. e ardiam com uma fúria tão terrível quando olharam ao homem que o estava detendo. A espada já estava livre. que agora estava agachada em um canto. Olhe para 92 . — Deixe-me levá-lo diante do rei. em voz baixa. Não faça. Brand — suplicou William rapidamente. do nariz e da boca de Luis salpicou o rosto da moça. com absoluto terror. Quase irreconhecível em sua ira. o normando desembainhou a espada que levava na cintura. que William quase o libertou. deu a volta e com um punho que voou como um martelo. O corpo do cavalheiro inglês desabou depois do golpe. Brand — advertiu o duque. Brand tinha os olhos muito abertos. O som distante de um trovão. contra a parede—. William — foi um grunhido de advertência. O som do metal saindo da bainha de couro pareceu prolongar-se eternamente na mente de Brynna. mas Brand não permitia a Luis que afundasse no chão. — O que está fazendo? O que aconteceu aqui? — era William. Brand afastou o cavalheiro e esmagou sua cabeça contra a parede. enviou os dentes de Luis ao piso. em cima do ombro de Brynna. É seu homem. — Solte-me. e enquanto a jovem observava. — Non! Evita uma batalha casando com ela. Luis caiu aos pés do guerreiro. mas só quando viu seu salvador.

nem nada. — Ah. vê? — insistiu William. lentamente. queria acabar com ele. Brand ergueu seu gélido olhar para seu amigo. Os olhos de Brand se dirigiram para ela. e depois. devido ao medo que lhe apertava a garganta. Começou a chorar. em silêncio. — Muito bem. e com uma força que enviou William cambaleando para trás. olhando uma vez mais à mulher. mas não permitirei que o prendam. para o ensangüentado e temeroso rosto de Luis. Podemos nos bater em duelo pela manhã. onde há apenas alguns 93 . antes de lançar a espada no chão. protegendo os ouvidos do terrível trovão da voz de William. — Não. solte-me. Quando terminou. De repente. Um pranto afogado prendeu a atenção de Brand. Podia cheirar o sangue de Luis no ar. voltou seu olhar para o duque. que brilhavam com temor e lágrimas. em minha casa. com severidade. agora! Brynna afundou no piso. Baixe a espada. por matar este montão de imundície. que tinha a cabeça baixa. A rede de prata tinha sido rasgada. que produziu um eco no jardim. senhora? Por um momento Brynna não pôde responder. Ele a forçou. Não importava a prisão. viu seus olhos verdes. na luta com Luis e o cabelo de bronze caía sobre seus ombros nus. antes de abandonar. estendendo sua mão para alisar as mechas de fogo e afastá-las de seu rosto — Brynna? Ao erguer seu rosto. ou sequer tentar. Olhou o formoso e sombrio rosto de Brand. nem a guerra. — Forçou-a? — inquiriu o duque. até a saia.ela —os olhos de William não abandonaram os de Brand. Brand queria matá-lo. pela garganta de Luis. — Nenhum homem voltará a tomar o que é meu. — Está ferida? — perguntou. — Advirto a você pela última vez. gentilmente. Caiu de joelhos frente a ela. num piscar de olhos. o jardim. quando falou com Brynna —. tranqüilamente. Brand libertou seu braço com um puxão e deslizou o fio da espada. O duque da Normandia assentiu.

instantes. percorreu a carne aveludada. — Ele estava a ponto de te forçar! — gritou Brand. Nem ao duque William. Olhou-a fixamente por um momento. nem ao rei. frios. E embora ainda restassem alguns indícios disso. — Sim! E então o matou diante de meus olhos! — E isso a perturba. Não teme nada. Nem sequer à guerra. — Que tipo de demônios o possuem? — perguntou Brynna. 94 . de um tom azul cristal. — O que? Deslizando as costas contra a parede. — É tão frio. Um olhar de gelo puro.. Seus dedos arderam quando se encontraram com o rosto de Brand. A mão de Brynna açoitou o ar. —Talvez esteja desiludida. mas já não gélidos. seus olhos voltaram-se para ela. como se ela estivesse segurando uma tocha acesa sobre sua pele. completamente aterradora. porque cheguei antes que acontecesse alguma coisa. deu a volta e abandonou o jardim. Brynna ficou de pé. com a força do golpe. Colocou o tecido rasgado do vestido sobre seu seio exposto. depois do que ele fez? — Não sou um bárbaro como você. Brand se afastou. Ele girou seu rosto uns centímetros. ficando de pé. que aparecia sob seus dedos. fracamente. a paixão que governava seu coração se transformou em uma fúria. Sem dizer uma palavra.. uma terna preocupação tomava seus olhos. meu senhor — anunciou Brynna tranqüila e seca.

Como podia voltar a confiar em seus instintos? 95 . e. Havia se sentido tão seguro de seus passos. Por um momento. tinha sonhado que caía de um precipício. e balançou as pernas sobre a beira da cama. recostado de barriga para baixo. Novamente. os raios de luz iluminavam sua cabeça. a ponto de não ver seus próprios pés caminhando para a toca do lobo? Sempre tinha acreditado em seus instintos. O engano mais simples podia custar a vida a ele ou a seus homens. não podia errar. Abriu os olhos. Por que me traiu? Queria gritar. Piscou e olhou através da coluna de luz junto a sua cama.Capítulo 9 O amanhecer se infiltrava no quarto de Brand. entretanto. Como tinha permitido cegar-se pelo amor. Queria que Colette dissesse como tinha podido enganar-se tanto com ela. esgotado. Nada se movia quando a realidade caiu sobre ele. Passou os dedos pelos cachos e amaldiçoou. Sentou-se. permaneceu imóvel. entre dentes. Como guerreiro. Havia confiado a Alexander a sua. apagando as imagens de Colette de sua mente. tinha caído.

franzindo o cenho. Não tinha que me enganar. — Não tinha intenções de trazê-la para meu quarto. calçou as botas e levantou a vista para olhar as escuras sobrancelhas de William —. — Com Dante. ao não encontrar uma túnica apropriada. Não devia ter deixado que ficasse com Dante. ontem à noite. — Com Dante? — repetiu William. depois que eu a solicitei? Brand ficou de pé e procurou uma túnica em seu armário. — Alysia. Só disse isso porque gosta de Dante e eu não queria que você deitasse com ela. Brand fechou a porta do armário com força. Suspirou. Ajustou as meias de lã sobre as coxas fortes e musculosas e prendeu a calça no quadril. Não estava com humor para seu alegre amigo esta manhã. que não sabe o que é a palavra "não". — Bom dia! — William olhou a cama e o restante do quarto. É um bastardo obstinado. — Ninguém pode "só" te dizer algo. com um ruído seco e pesado e uma expressão ferida desenhada em seu rosto. — Onde está a moça? — Que moça? — disse Brand. Seu sorriso sumiu. provavelmente — disse Brand. sonolento. William fechou a porta atrás de si e desabou em uma cadeira. fazendo com que Brand caísse para trás. — Só tinha que me dizer que Dante a queria. 96 . Sentado na cama. os olhos arregalados e cheios de desdém — Deu a moça para Dante. A porta se abriu com um golpe e o sorriso zombador e alegre de William iluminou o quarto. amaldiçoou outra vez e as colocou. Bateram na porta. onde pendurava suas meias e suas calças de linho leve. — Entre. Este maldito quarto está congelado e está demorando com minha cerveja.Foi para a cadeira. — Isso não o deteve. pensou Brand grato. Alysia com sua cerveja.

disse William. não vou tolerar nenhuma desobediência. — Isso é o que eu gosto em você. despreocupadamente. sua bota gasta nas batalhas balançando no ar — Quando for rei. — E teria sido o castelo do rei. Mesmo assim. sabendo que. — Sabe — William passou a perna sobre o braço da cadeira. — Não dite normas tolas. há uma lei que impede de matar um guarda do rei. e não terá que fazê-lo. nem sequer a sua. com seu sorriso sarcástico. Este é meu castelo e esse sujo imprestável estava forçando minha prometida. — Não devia ter se envolvido. espera você em seus aposentos. se fosse o rei Eduardo — disse Brand. tolas ou não. Brand só obedeceria as leis que escolhesse obedecer. por cima do ombro. — Um fato do qual eu não me orgulharia. —Tem minha gratidão — sorriu Brand. — É inútil discutir contigo — concedeu o duque. ignorando a inocente expressão de vitória de seu guerreiro. Brand. Os cachos coroaram a abertura da túnica antes que o rosto de Brand emergisse. por cima do ombro. que tivemos nossa pequena conversa. antes de passar túnica pela cabeça. secamente. bruscamente. enquanto examinava uma túnica de veludo escarlate. Um leve sorriso complacente se desenhou nos cantos da boca de William. 97 . Coisa que não fará agora. Brand. Sir Luis era um dos cavalheiros pessoais de Eduardo. sem importar de quem viessem. — Entre . e a prometida de outro na próxima semana. zombador. Goste ou não. a tampa de um baú gasto que trouxera de Graycliff e ainda não tinha sido desempacotado e olhou brevemente William. olhando de esguelha para William. William suspirou e sacudiu a cabeça.Brand abriu. Bateram na porta. Não se importa se o Rei ameaçar te jogar nas masmorras. para que informe sobre o que aconteceu ontem à noite. se não tivesse falado com Eduardo em sua defesa.

— Agora diga-me — William se inclinou em sua cadeira e ofereceu a Dante uma careta ardilosa — o que quis dizer com "indisposta"? Dante ergueu seus olhos para seu irmão. o que é isto? — William estudou o rosto de Dante —. procurando ajuda. quando seu irmão matou Sir Luis. — Não o imite. quando viu William e seus lábios se converteram em uma linha fina. caindo uma vez mais sobre a cadeira — É perfeitamente compreensível então por que você está cumprindo os deveres da moça. — Estava tentando se passar com Brynna. Os traços severos de William relaxaram. por fim. — Então eduquei bem aos dois. enquanto resmungava. — Alysia está. em um sorriso amplo e satisfeito. Dante encolheu os largos ombros e encontrou o olhar de William.. — Também explica por que não estava ao meu lado ontem à noite. Mas espere. é mais honrado que seu mentiroso irmão. mas Brand só sorriu. chegou. preocupado. Então. patife? Sem saber o que responder. Tomou rapidamente a taça da mão de Dante e a alcançou a Brand —. levantando—se de sua cadeira.Dante entrou no quarto. Brand levantou as sobrancelhas e o humor 98 . — Graças a todos os Santos! — gritou o duque. — Matou? — a expressão de Dante passou de divertida a incrédula. Dante olhou seu irmão. indisposta! — exclamou William. em lugar de Alysia. sua cerveja. voltou sua atenção a Dante. levando uma taça de cerâmica. Indisposta. Dante —William sacudiu a cabeça — Onde aprenderam a ser tão desonestos e sedentos de sangue? — Contigo — responderam em uníssono. Ao menos. Estava a ponto de explicar a Brand por que trazia a bebida. — Sabia! Disse a você que eu não gostava do bastardo. quando William o pressionou para que respondesse. Onde está a formosa donzela esta manhã. — Ah. você não é Alysia. por cima do ombro de William. — Olhou para Brand com severidade..

Lorde Brand — disse o rei. franzindo o cenho diante da leve reverência que fez um gesto que parecia mais de ironia do que de respeito. de Eduardo a Brynna. mas ele quase não os notou. enquanto ele também esperava a resposta de Dante. pensou. que estava sentado em uma cadeira forrada de veludo dourado. costas largas e forte. enquanto avaliava o andar de seu prometido. Escudeiros e donzelas ocupados em suas tarefas matutinas se inclinavam. Os cachos caíam desordenados sobre seu rosto e o faziam parecer encantador e divertido. que parecia um urso. A rica túnica escarlate que usava o tornava especialmente sedutor esta manhã. Eduardo se arrependeu de ter escutado William e não ter apressado a morte do cavalheiro normando. Brynna levantou a cabeça quando os três homens ingressaram no aposento. com os lábios tensos. Mas nenhum tecido luxuoso pôde suavizar os severos ângulos de seus traços. já que a senhora certamente desmaiaria na presença de uma besta tão desalmada como ele. mortalmente rápido. Tinha sentido o leve aroma de jasmim no ar e uma imagem de cabelos acobreados tomou conta de sua mente. 99 . O coração pulsava com força no peito como sempre acontecia quando via Brand. quando o olhar de Brand passou de Lorde Richard ao rei. Possuía a graça de um lobo que contrastava com a musculosa densidade do tosco duque William. conforme os três homens passavam. Brynna lembrou-se que tinha que respirar. Brand saiu do quarto com William e Dante ao seu lado. antes que seus olhos se deslocassem. Menos mal. na noite anterior. Estudou o cavalheiro normando. Ela tinha passado por ali fazia apenas uns segundos. Era alto. O rei Eduardo ficou de pé. como um incêndio florestal. sente-se. Seu olhar abatido pousou ali por um momento. A cor rubi profundo do veludo trazia calor a seu olhar. — Por favor.curvou a comissura de sua boca.

que apareciam sob seus espessos cílios. que parecia frágil e diminuta em comparação. — Quero saber o que aconteceu com a dama. Meu Rei. tranqüilo. disse uma voz dentro de sua cabeça. indicando que se retirasse. diante de suas ações na noite passada? O sorriso preguiçoso de Brand era mais perigoso que um grunhido. mas terno. Ele é um homem. Mas Brynna não podia evitar a lembrança de sua carícia quando agarrou-se a ele. — Estava possuído por demônios. Ela estaria ali para acusá-lo diante do rei? Arrependeria-se de sua decisão de ficar em Avarloch se fosse assim. despedindo com um gesto rápido da mão um criado que tinha entrado no aposento. afogando um suspiro. firmeza de guerreiro. retorcendo-se inquieta em sua cadeira. em um gesto gentil. — Lorde Brand — a voz do rei trouxe Brynna ao presente —. — Quero a verdade. logo depois de ter sido descoberta pelo duque normando no primeiro dia em Avarloch. e o senhor do castelo de Avarloch sacudiu a cabeça. Brand escolheu a cadeira mais próxima de Brynna. antes de sentar-se. — Senhora — saudou-a. O criado olhou para Brand. Cruzou as pernas e levou a grossa trança acobreada às costas. Brynna podia sentir a força de Brand ao seu lado. A perna dobrada estendia-se além da sua. Lorde Brand — inquiriu o rei. Incapaz de ignorar sua imponente presença correu os olhos verdes. O amparo de seu prometido também podia tomar a forma de um abraço forte. 100 . Junto dele. quando passou ao seu lado e sentou-se junto a Lorde Richard. não uma explicação surgida do temor — advertiu Eduardo. Seu corpo. levemente. seus olhos ardiam e suas narinas se agitavam. como se um escudo de aço o cobrisse. A ira de Brand ferroou seu coração. o que tem a dizer em sua defesa. Assentiu cortesmente. para o suave linho negro que cobria as grossas coxas dele. Brynna fechou os olhos. Puro poder.William grunhiu e lançou a Eduardo um olhar mortífero. uma arma capaz de matar qualquer coisa que ameace o que lhe pertence. com uma bandeja de cerveja.

desta vez sem piedade? Os olhos severos do rei não 101 . com os cotovelos sobre os braços da cadeira. com desprezo. com minhas próprias mãos. — Não falo por temor — uma sombria neblina cobriu o azul esverdeado de seu olhar. como um gato que observa um camundongo. — São três loucos desalmados — disse Eduardo. Mas quanto tempo passaria até que o rei se livrasse de seu pai. o homem atacou minha prometida. como você mesmo decretou por sua própria mão. sabendo que tem todo o tempo do mundo para matá-lo. Um monstro com o qual você terá que lutar algum dia. e voltou o olhar para William. — Assim seja — respondeu William. seriamente. enquanto você simplesmente observa e dá ordens de uma posição bem protegida — adicionou Brand impaciente. Protegerei a todos que vivem nele com minha vida e sem temer às conseqüências. pois se tivesse apanhado seu cavalheiro tentando forçar minha filha. mas sua voz era calma — Depois de comer em meu castelo. Eduardo — adicionou por sua vez William. — E eu também sou um monstro — se interpôs Lorde Richard —. — E ele não tem por que prestar conta de seus atos. senhora? Brand ficou rígido. o teria aniquilado. meu novo amigo — William sorriu jovialmente para Richard. O rei Eduardo simplesmente olhou para Brand. O rei se voltou para a Brynna. e as mãos cruzadas. Amaldiçoou-se por pensar que este primo normando estaria do seu lado contra Lorde Brand Risande. despreocupadamente. esperando sua resposta. esperando que a dama lhe desse um relatório civilizado do que tinha acontecido. — Este homem é um monstro. Brynna sabia que esta podia ser sua oportunidade de recuperar Avarloch. — Como eu. secamente. — Achava-se em perigo em presença de Sir Luis. vendo que a presença do duque ali era inútil. Piscou lentamente. Eduardo ignorou William. — Este castelo me pertence. Teve sorte de que lhe cortasse a garganta com tanta rapidez. —E é por isso que nós lutamos nas batalhas.Brand sentou-se.

Não compreendia as atitudes dos homens. Sir Luis disse que me violaria. Não. sabia que nunca mais o questionaria. tentando ignorar o gelo que emanava de seu prometido ao olhá-la — Ele só estava protegendo o que lhe pertence — permitiu-se olhar Brand nos olhos — Como faria qualquer guerreiro. pensou Brynna rapidamente. quando Lorde Risande nos encontrou. e embora a fúria de Brand a assustasse. serei a esposa de Lorde Risande.. captando algo mais na leve curva de seus lábios. e ele estava preparando para aceitar o desafio. — Embora ele não deseje. Não tinha sido sua intenção dizer. e que todos os cavalheiros a seu serviço queriam fazê-lo. temi por minha vida — Brynna começou. Meu Senhor — afirmou ela. Todos sabiam que Lorde Risande teria preferido uma batalha do que casar-se com ela. seu prometido seria encarcerado. parecia a ponto de lhe cortar o pescoço.expressavam nada além de ódio por Brand. e se ela dissesse o que ele queria escutar. 102 . Talvez.. Não estava zangado com sua resposta. Brynna voltou a cabeça para olhar Brand. Sua fantasia sorriu. mas estava longe de sentir prazer com sua resposta. Os olhos de Brynna recaíram sobre suas mãos. — Sua Majestade — continuou Brynna com mais cuidado agora. esperando convencer Brand de sua sinceridade —. mas agora que estava dito se alegrava. seu relato —Sir Luis rasgou meu vestido e estava estrangulando-me. Recordou como havia ofendido Brand quando o chamou de "bárbaro". em vez de repreendê-lo. Mais ainda. porque pensava que ela estava brincando de modo inocente com ele. Exceto meu prometido. quando a estivesse protegendo. logo depois de ter evitado que fosse violada. que se agarravam às dobras da saia de seu vestido de cor açafrão. meu Rei. Já não tinha sentido ocultar. A sala foi invadida por um silêncio tão grande que podia escutar o crepitar das chamas sobre a cera das velas. mas compreendia o que era a honra. Sua Majestade deveria questionar a honra de seus homens. com calma. estou grata ao meu prometido por me salvar de seu cavalheiro. e me ofendem estas acusações. Provavelmente todos também sabiam que havia se deitado com sua donzela Alysia na noite anterior. — Sim.

empurrando para trás a cadeira em que estava sentado. Atrás dele. Como podia castigar o desafiante cavalheiro sem parecer que não se importava a segurança de sua própria gente? — Muito bem — suspirou—. Temo que se esqueceu. às vezes. e William estava encantado. O duque se dirigia para ela com passos largos e elásticos e um sorriso amplo desenhado no rosto. Eduardo e Richard se levantaram. e tinha fracassado. mas em lugar de seguir Brand tomou a cadeira de seu irmão. O rei Eduardo fez um gesto de despedida com a mão e antes que Brynna pudesse erguer os olhos. junto a sua futura cunhada. ao mesmo tempo. deu-lhe um sorriso branco e abandonou a sala. agora sério— Mas ele é muito mais que isso. Brynna assentiu. — Plantou-lhe um áspero beijo na mão delicada. Havia dito o correto para proteger Brand. — Oui. Sua boca carnuda desenhava um sorriso fácil que suavizava seu olhar cristalino. ou talvez tenha medo de ser quem era antes. Mas. Ele ficou de pé abruptamente. — Lady Brynna — William se inclinou sobre sua cadeira e tomou sua mão—. tinha que admitir que estava em um jogo muito perigoso com seu prometido. Brynna assentiu com um leve sorriso. e porque Sir William solicitou isso — lançou ao duque um olhar significativo — não seguirei interrogando Lorde Risande. você. — Terminamos sua Senhoria? Tenho outros assuntos para atender. uma vez que você será sua esposa. 103 . Não foi necessário. — E não esqueça mal-humorado e insensível — exalou um sonoro suspiro que fez Dante rir. ele pode ser assim — disse. na verdade. Brynna recordou o homem do lago. para abandonar o aposento. Dante se levantou da cadeira. Olhou para William. Precisava saber se ainda havia dor no olhar azul de Brand. Brand se foi. sabia que acabava de perder esta batalha. é uma digna esposa para Brand. Brynna suspirou profundamente.Os olhos do rei se suavizaram com resignação. — Meu irmão pode ser odioso e altivo.

Mas seu amor foi traído — começou. disse isso. como faria qualquer guerreiro. Brand apertou a mandíbula. protegerei o que é meu. pousando sua mão sobre a dele. E por que deveria surpreender-se? Nem todas as mulheres na Inglaterra abriam as pernas tão facilmente como fazia Colette. — Lorde Brand! — o pai de Brynna alcançou o escuro cavalheiro no corredor —. Recordou o frio brilho no olhar deste homem quando Brynna sugeriu que a única razão pela qual ele a tinha protegido era porque lhe pertencia —. madame. e por proteger sua honra. Brand ofereceu a Richard um sorriso irônico. seus olhos se tornaram sombrios.— Pode me dizer o que aconteceu. por certo. — Sim. —Mas nunca a quererá tampouco. e você pareceu zangar-se. — Nunca lhe faria mal — argüiu Brand. Dante? —perguntou gentilmente. Richard assentiu. não há necessidade de recordar minhas próprias palavras. — Não me interessa o que ela pensa de mim. 104 . O que quer que você acreditou ver. Isso é tudo o que deve lhe preocupar. — Sei o que disse senhor. Ela segue intacta. Brynna será minha esposa. por favor. sua irritação diante do insulto era evidente no tom de sua voz. permita-me expressar minha gratidão por resgatar a minha filha desse bastardo. Sua prometida era virgem. enganou-se. — Ele a amava. — Devo admitir que me preocupava que você não fosse tratar minha filha com amabilidade. Nisso tem minha palavra. — Ele morreu muito rápido — respondeu. — Richard o olhou com os olhos entrecerrados. Brand franziu o cenho. por quê? Inquieto. com voz gelada. Dante olhou seus longos e elegantes dedos e ergueu a vista para olhá-la. e como sua filha mesma declarou.

baixou a vista um segundo e logo voltou a levantá-la. 105 . — Muito bem. Equivoquei-me. — De verdade — respondeu Brand quase grunhindo. Brand grunhiu. apesar de tudo. duvidoso.— De verdade? —perguntou Richard. então — sorriu e procedeu cautelosamente—. Mas não me equivoco quando digo que minha filha necessita de amor além de amparo. — Então talvez ela não pertença a Avarloch.

Nunca pronuncia seu nome — a pena penetrava a voz de Dante e Brynna pensou que talvez tivesse esquecido que ela estava sentada ao seu lado 106 . Um vento ergueu a capa ao redor das pernas.. Brand trouxe o frio consigo. Sua voz era mais doce que qualquer néctar.” — Lady Colette de Marson. Entretanto. "Seu amor foi traído. Enquanto Dante lhe contava sobre a apaixonada de Brand.. As palavras de Dante ressoavam em seus ouvidos como o uivo do vento. posso escutá-lo de meu quarto. Brynna entrecerrou os olhos e olhou para o bosque distante. e o pronunciou quase sem fôlego. defendendo-se do frio que arrancava o feno dos fardos empilhados contra a parede. — Ele grita seu nome durante a noite — tinha confessado Dante —.. Mas Alexander a desejava. — Dante tinha dado um nome à beleza de cabelos de seda. Todos a amavam.. não menciona seu nome quando acorda. Todos sabiam. arrebatou mechas acobreadas de sua trança e as fez dançar sobre seu rosto. Mas Alex era um soldado leal e um amigo de confiança. coroado por uma miríade de cores do outono tardio. Talvez nada tivesse acontecido. seus olhos se obscureceram até adquirir um tom cinzento-O cabelo lhe caía sobre as costas como uma cascata dourada. Ajustou a capa. Um frio que protegia seu coração da angústia e da traição das pessoas que tinha amado pessoas nas que tinha acreditado.. Um frio que substituía a paixão que uma vez tinha dado vida. Devíamos ter dito a Brand. Nunca pensamos.Capítulo 10 O agudo vigor do ar invernal tocou o rosto de Brynna quando saiu ao parapeito.. pensou novamente.

enquanto uma rajada de vento soprava para o interior do estábulo. esparramando o feno a seus pés. O olhar de Brynna recaiu na enorme égua castanha que estava no estábulo com o ventre inchado. como se o peso da dor de seu irmão fosse muito para carregar sozinho. se não. Ainda está de pé. sua tenra carne congelaria.Talvez não devesse tê-la expulsado — Dante tinha sussurrado seus pensamentos em voz alta. — Como vai? — perguntou. Peter — saudou o jovem do estábulo ao abrir as pesadas portas das cavalariças. Seus olhos de cor esmeralda se ajustaram a tênue luz das velas e aos magros raios de luz que penetravam pelas velhas paredes de madeira. o dobro de seu tamanho. Peter deixou de varrer o feno e levantou a cabeça. mas que nunca poderá cumprir. — Talvez você possa fazer com que a esqueça. — Bom. — Peter deixou a vassoura e a ajudou a fechar as portas. minha senhora. Dante encolheu os ombros. Assim. em forma de diamante que a égua tinha entre os olhos. — Por que me diz isto? —perguntou. Caminhou aos estábulos para ver sua égua prenhe. Brynna tremeu e ajustou a capa. as imagens de Brand e Colette voltaram a vida na mente de Brynna.enquanto falava . — Bom dia para você. Quantas vezes essa mulher tinha visto seu sorriso? Quantas vezes ele tinha lhe oferecido seu coração? — Bom dia. — Peter seguiu varrendo. Brand tinha encontrado Colette e seu amante juntos. Pertencia a Colette de Marson. Por sorte. Um brilhante sorriso cruzou o rosto. A moça passou a mão pela mancha branca e aveludada. mas não queria escutar mais. não vai parir hoje. — Falta pouco para chegar o inverno. caminhando para a égua. o potro nascerá logo. 107 . havia algo de verdade nos rumores. Tratou de afastar suas lembranças. Quero que você o compreenda: ele vive com as promessas que tem feito. menos a do sorriso de Brand.

mas não passou muito tempo até que a égua aproximasse sua cabeça. — Ele grita seu nome durante a noite.. As portas rangeram em suas dobradiças e a brilhante luz matutina invadiu o estábulo. — O que está fazendo aqui? — perguntou Brand. Esperou. sua respiração tão suave como um sussurro. tudo está bem — a acalmou. com uma explosão de ar frio. Brand deu uns poucos passos em direção a Brynna. como se compreendesse o temor do animal. — O sorriso do Peter se desvaneceu ao ver o homem frente a ele. fechando a porta atrás de si. Brynna o observou emocionada pelo modo quase comovedor como falava com a égua. quando Brand entrou. Quase não conseguiu respirar quando ele se aproximou. Por sorte seu poderoso olhar a abandonou antes que se derretesse por completo. quando a égua soprou e afastou a cabeça diante do contato do estranho. dar vida a outro ser é algo maravilhoso. pacientemente.— Invejo você — sussurrou ao animal—.. Está prenhe.. ansiosa do contato de uma mão tão terna. acalmada por sua voz gentil. e tão formoso como um negro lobo solitário sobre um campo recém nevado. Ele levantou a mão para acariciar a suave pelagem da égua. Minha égua.. — ouviu Brynna por sobre o tranqüilo tom de sua voz—. Sua voz era tranqüila. que fez com que Peter deixasse cair a vassoura imediatamente e saísse depressa do estábulo. Sua presença a entorpecia.. enquanto ela falava. Mas como podia? Sabia que este homem não temia nada. ele era tão cru quanto o inverno mais cruel. Por amor de Deus. suas finas linhas e a redondez de seu ventre.. — Deixe-nos — havia uma crua exigência em sua voz. enquanto o animal soprava e chutava para trás. — Ssh. 108 . Elogiou a beleza da égua. Eu v-vim v-vê-la — gaguejou à medida que Brand se aproximava olhando os lábios e o pescoço. — Meu senhor. Seu olhar era tão decidido como o de uma águia que acabava de vislumbrar sua presa.

— as palavras da jovem ficaram presas em sua garganta. Aproximava-a mais e 109 . Brynna? — Seu fôlego roçou o rosto. Sua mandíbula era agressiva. — Não.. até que seu peito firme roçou os seios ofegantes.. — Estava tão perto que podia sentir o aroma de seu cabelo. — Eu. — Mas não o teu — assinalou ele com doçura. — Sua boca voltou a subir encontrando a dela. — Sou um bastardo sem coração e desumano. meu senhor. Ela baixou a vista. mas se moveu mais perto ainda. para aproximá-la da firmeza de sua virilidade. eu não quis dizer. Não é assim. a meio caminho entre um suspiro e uma exclamação. já sem nenhum toque de ternura. Brynna riu. em um beijo ávido que lhe tirou o fôlego. —E acha que não te desejo. Brand voltou o olhar para ela. Apoiou os lábios brandamente contra a têmpora de Brynna —. Sua voz se tornou mais profunda. na realidade. Brynna podia sentir a força de seu olhar. — Sou um guerreiro possuído por demônios. que vê o que quer e toma. um fogo que subia direto até seu coração. Ele tinha acendido um fogo abrasador em algum lugar debaixo de sua cintura. meu senhor... O som era forte e forçado. — Quis dizer o que disse — aproximou-se mais dela. Até na tênue luz do estábulo.. onde ele beijou sua leve pulsação.. Os lábios de Brand enviaram uma chama ardente que desceu pelo canto de seu rosto para o pescoço. Mas eu te desejo. enquanto ele roçava o suave contorno de seu rosto com a ponta do dedo. — Não tenho medo. meu senhor. Observou-a com olhos que sondavam sua alma. sua boca sensual quando lhe ofereceu um sorriso franco. enquanto acariciava a cabeça da égua. não esqueça. Fechando os olhos. muito perto. Deslizou a mão ao redor de sua cintura. estudando-a. ela deixou que seu quente fôlego a tomasse. masculino. — Acha que não posso ser gentil. eu.—Você acalma muito bem o medo. Ele levantou uma sobrancelha preguiçosa.

acalmando a dor de sua paixão com sua voz de mel.mais. Tinha esquecido como era bom segurar uma mulher em seus braços. 110 . Uma paixão crua se agarrou nela. Levantou uma mão e suspirou... O desejo de Brand a devorou. Incapaz de olhar esses formosos olhos e não ver a emoção que ansiava. estava certa de que a tomaria meigamente. entretanto. Que Deus tivesse piedade dela. mas o desejava. e o corpo de Brynna se entregou as suas carícias. tinha deixado aceso partes de seu corpo que enviavam rastros ardentes a suas bochechas. inclinando a cabeça para beijar a comissura de seus lábios. Ele se afastou tão lentamente que ela quase caiu em seus braços poderosos. mas a lembrança do êxtase de Brand enquanto nadava. Sua língua passou sobre a dela.. Tinha-o desejado desde o primeiro momento em que o viu. Queria que a olhasse como tinha olhado a seu anjo. Queria cobrir sua pele com o duro. Assolou sua boca com cruel perícia. seu contato era tão terno sobre sua pele que tinha vontade de chorar. ávido calor de seu corpo. — É tão formosa — sussurrou. sem resistência. Ela o desejava ansiosa por sentir sua força cobrindo-a. Como poderia sobreviver a suas carícias. enquanto deixava que ardentes flechas de fogo percorressem suas veias. tornava-a completamente fraca em seus braços. Nunca tinha estado com um homem. Ele sussurrou seu nome. lhe deixando ver o veludo escuro de suas pestanas. Brynna baixou o olhar. — Entregue-se a mim agora. Brynna gemeu. Mas queria mais. confirmando que podia ser gentil. até que ela pensou que se fundiria a ele. Quando passou as palmas quentes das mãos sobre o batimento do coração em sua garganta. Queria ser amada por este homem sensual. Queria fazê-lo sorrir como Lady Colette tinha feito.. senti-lo quando a acariciava. ante a suavidade de seu cabelo enquanto o alisava sobre sua fronte. A respiração de Brand tornou-se pesada e entrecortada. brandamente. e queria ver-se em seus olhos. surpreendendo-a. Queria ser tudo para ele. a sua paixão? Sua força a consumia.

tinha razão. você será mais.. sua voz baixou para um ronronar provocante. Nunca o amor voltaria a cegá-lo. manteria os olhos bem abertos e não cairia nunca mais desse precipício. Um ar gelado penetrou nos pulmões de Brand quando saiu do estábulo. e então já não pedirei. — Não. com toda a força que Brynna pôde reunir. Sabia que tinha que tomar cuidado com esta mulher. Somente tomarei. e se separou dele. — Serei mais que uma donzela para ti. seus lábios esculpidos tão perigosamente excitantes. — Não! — ela deu um passo para trás—.. Ela o observou sem poder fazer nada enquanto ele levava o dedo a sua própria boca. — Tomarei o que quero como o selvagem possuído pelos demônios que sou. — Deslizou a ponta do dedo sobre a boca de Brynna.. Exigiu. deixando que o frio cortante atravessasse seu coração.. — Brynna. a surpresa e um certo aborrecimento encheram seus olhos. Apertou os dentes. secando a umidade que tinha ficado ali quando molhou os lábios. Desta vez. Podia perder-se em seu 111 . Seu sorriso era como uma espada desembainhada. — Oui. nervosamente. — Ele a aproximou novamente. Brynna já tinha uma opinião formada sobre ele.E então. e toda a dor que podia suportar.. com sensualidade. Oui. Os olhos de Brand endureceram. Brand se deteve. Era um bastardo desalmado que se deitaria com suas donzelas numa noite e com ela na seguinte. Seus olhos azuis nublaram-se. resistiu. senhora — prometeu com um tom afiado no tom de voz— Será minha esposa. Mas a voz de Brynna cobriu a sua. ao saboreá-la. Lorde Brand — ela insistiu. Aspirou profundamente. não serei o que Alysia foi para ti ontem à noite. — Não me deitei com Alysia! Eu só disse a William.. pronta para atacar.

Mas teria concordado com Peter de que o novo senhor de Avarloch parecia a ponto de cravar os dentes em alguém. e instantaneamente. como se estivesse em uma missão. Se houver alguma mudança em sua condição. O lobo o tinha avistado. Tinha que resguardar-se. A imagem de um pássaro não foi a primeira coisa que veio à mente de William quando Brand entrou. Não era difícil cair vítima do calor de seu olhar e da inocente paixão de seus beijos. quero que relate imediatamente — Brand não diminuiu a marcha enquanto falava e continuou caminhando para o castelo. Diferente do calculado controle que se escondia atrás dos tímidos sorrisos de Colette. O duque normando descansava comodamente em frente da enorme lareira. Olhos agudos observavam. A escura capa que flutuava ao redor do corpo do Brand parecia um par de asas de falcão. — Peter. Não o comeria vivo? — Sim. o sorriso de Brynna era tão franco quanto seu encanto. preparar-se para este matrimônio como se preparava para a batalha. Brand caminhou rapidamente para ele com olhos severos e a mandíbula tensa. apontando Peter com o dedo— Como se chama? O moço do estábulo deu um pulo e parou. no grande salão. Ao sair das cavalariças. vestindo uma armadura resistente às flechas do Cupido. Peter viu Brand aproximar-se. como se fosse um tenro pedaço de carne. cuide da égua. 112 . uma taça de cerveja na mão e uma donzela de cabelos escuros em seu colo. fixamente. meu senhor! — gritou o moço. Lady Brynna Dumont era um rival perigoso. ainda tremendo. apressado. “Isso é tudo?” pensou Peter. meu senhor. segundos mais tarde. pelas portas da frente. com uma perna envolta em couro apoiada sobre o braço da cadeira. — Você! — gritou Brand.temperamento incitante e na ternura que via em seus olhos. Mas era muito tarde para correr. — P-Peter. sentiu urgência de retornar ao interior. prontas para baixar sobre o castelo de Avarloch e devorar todos seus habitantes.

William riu. desprendendo o broche de prata do pescoço. — É digna — disse. Brand pensou no modo como os dedos de Brynna se agarraram a sua capa e o modo como seus olhos se fecharam. enquanto seu amigo ria. Jogou-se em uma cadeira e fez gestos a um criado. Seu sorriso se desvaneceu. sem dizer nada ao rei. suas calças estão apertadas. — Por quê? — Está convidado para minhas bodas.— Quando vai partir? — perguntou. — Non. com lânguido desejo. Agora William voltou-se para prestar toda sua atenção em Brand. — Ah! Está com ciúmes e nega suas atenções. — Algo quente para beber — disse. — De fato. William murmurou algo no ouvido da moça. —William suspirou. enquanto abandonava o salão. até que a compreensão tomou conta do rosto do duque. quando ele a beijou. — Por quê? Está muito ansioso para me ver pelas costas? — O duque observou o suave vaivém dos quadris da donzela. — Brand permaneceu em silêncio. Acredita que me deitei com sua donzela Alysia — disse secamente. — Ah. — Suas bodas! Primeiro não queria casar com a moça e agora está apressado como um homem que tem fogo nas calças. sem olhar para William. Um ar severo dominava seu semblante. pesadamente — e por que não a toma agora? Para assegurar-se de que seja digna de seu leito matrimonial. e observou enquanto o homem desaparecia para cumprir com seu dever —. a dispensou com um sorriso terno e uma piscada libidinosa. 113 . — Brand lançou sua capa sobre o encosto da cadeira e começou a caminhar de um lado para outro. quero que protele sua partida por uns dias.

— Não é seu afeto que quero.. estudaram-no atentamente. e ela não. — William levantou sua taça vazia em direção a um escudeiro que passava e só teve que esperar o tempo de um piscar de olhos para que o escudeiro corresse para ele e enchesse sua taça. de aço. William riu brandamente. Os olhos escuros. Suspirando com impaciência.. Brand relaxou em sua cadeira e cruzou os braços sobre o peito. e bebeu sua cerveja de um gole. O duque arrotou sonoramente e lançou a Brand um alegre sorriso. espero. Lady Brynna Dumont fará sua vida muito excitante. Desgraçada. — Não espero nada deste matrimônio. — Às vezes. e diga o que está pensando. é obvio? Silêncio. — Vê o que quero dizer? — William mostrou um sorriso e bebeu seu gole —. as coisas que menos esperamos nos surpreendem de forma extremamente agradável. Feliz. ansiosos para beijar meu traseiro.Brand lançou um olhar de aço para o fogo e as chamas dançaram crepitantes sobre a superfície de seus olhos. Observando114 . foi como se o sol iluminasse o grande salão e brilhasse especialmente sobre ele.. estou seguro. O duque encolheu seus maciços ombros.. — E o que é que quer Brand. terei o que quero — a voz de Brand soou tão vazia como uma promessa quebrada. Os anos se esfumaçaram com a luz. além de sua carne sob a tua. Brand não pôde fazer mais do que rir. — Economize suas profecias. você ainda está esperando sua bebida. William. e quando o fez. Olhos grandes e luminosos como os de um menino dançavam com despreocupado abandono e jubiloso entusiasmo. mon ami.. estará mais disposta? — Disposta ou não. mas você não. — Acha que só porque se casará com ela. sabia isso? Todos passam correndo daqui para lá. — É um bastardo interessante.

o, William percebeu, com o coração pesaroso, quanto tinha sentido saudades desfrutar da vida com seu amigo mais querido, Lorde Brand, o Apaixonado. — Ela te devolverá à vida — disse William, em voz baixa enquanto era envolvido por uma onda de dor por tudo que seu amigo tinha perdido. Rápido, aspirou um forte fôlego que repôs seu espírito naturalmente alegre —. Sua Lady Brynna é um anjo fogoso. Se tivesse vinte anos a menos, brigaria contigo por ela. — Perderia. Mais risadas. O som era rico e cheio de jovialidade; os que passavam pelo salão sorriam ao escutá-los. — Ficará então? — perguntou Brand. — É obvio — uma vez mais, a calidez fluiu do tosco duque, quando sorriu a Brand. — Esperava que me pedisse isso. Eu gosto deste lugar e não me entusiasma a longa viagem para casa com este tempo. — Mas tem sangue viking, certamente umas poucas ondas tempestuosas não lhe assustam — brincou Brand. — Não me assustam — respondeu, com um gesto brusco—, revolvem meu estômago. — Então fique até a primavera. — Non. Mas ficarei um tempo — de repente, seu rosto escureceu: — devo preparar meus homens para a batalha. Brand notou que sua bebida ainda não tinha chegado e olhou ao seu redor, procurando um criado. — De quem é a terra que sonha governar agora? — perguntou impassível, sabendo que não passava um dia no qual um duque normando não estivesse brigando ou pensando nisso. — A de Eduardo. Brand deu a volta para olhá-lo, surpreso. — Inglaterra?

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William sorriu, examinando uma unha. Brand sentiu-se consternado, como tantas outras vezes, diante da ferocidade dos olhos do guerreiro. William parecia um leão excitado pela matança, contra a suave luz da lareira. — Brincou muitas vezes sobre isso, mas nunca pensei que fosse sério. — Por que não? — ergueu os olhos —. Eduardo me prometeu o trono. Harold de Wessex me desafiará, estou certo. Já está tomando decisões pela Inglaterra e Eduardo não faz nada, porque teme o pequeno bastardo. Mas terei a cabeça de Harold. E depois, terei toda a Inglaterra. — Alegra-me não ser o rei — suspirou Brand, recostando-se na cadeira —. Com tantos homens planejando meu funeral antes de estar morto. — Eduardo não é um homem jovem e não está bem, se por acaso não notou. — Não notei — murmurou Brand secamente, e William lançou um olhar ardiloso, antes de continuar. — Devo planejar meu futuro. — Acho que ainda restam alguns meses antes que o homem estique as pernas — sugeriu com frieza. — Se ficar, isso significa que Lorde Richard ficará também. Brand assentiu. — Sei. Acredito que deveria estar aqui para as bodas de sua filha. Quando não está me seguindo de perto, tratando de assegurar-se de que não maltrato Brynna, é um homem bastante agradável. — Seus olhos se entrecerraram sobre as ardentes chamas da lareira. — Pergunto-me quanto tempo levará Eduardo para enviar alguém para lutar comigo, como fez com Lorde Richard. — Está preocupado? O sorriso que Brand deu fez rir de novo o duque. William ficou de pé e bateu nas costas do amigo, com força. — Isso significa que o rei não está convidado para suas bodas? Brand jogou a cabeça para trás e riu e William ficou feliz. Porque embora seu cavalheiro preferido fosse tão desumano como ele no campo de batalha, sua risada podia encantar até seu mais odiado inimigo.
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O duque deixou Brand momentos mais tarde e procurou pelos corredores a sua bem disposta donzela. Explodiu em uma sonora gargalhada ao escutar o forte e quase suplicante alarido proveniente do grande salão. — Muito bem, pelo amor de Deus! Onde está minha maldita bebida?!

Capítulo 11
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Brynna arrancou uma rama de hortelã do chão e provou. O broto fresco se derreteu em sua boca. Teria que recolher tantas ervas quanto fosse possível antes que o clima gelado destruísse a maior parte de seu jardim. O romeiro e o tomilho podiam pendurar na adega para a secagem, e quase toda a salsinha podia ser salva, se trabalhasse rápido. Seus malmequeres já estavam murchando. Ao ver as pétalas murchas, franziu o cenho. Levantou-se ao amanhecer para poder começar cedo e ter um pouco de tempo a sós, antes que o castelo se enchesse de gente. Não recordava quando Avarloch tinha estado tão lotado. Quase não podia caminhar pelos salões, sem chocar-se com um soldado ou com o escudeiro de um soldado. Inclusive suas donzelas tinham deixado os bordados para atrair a atenção de algum guarda normando ou inglês. Brynna ansiava por um pouco de paz e tranqüilidade para poder ordenar seus pensamentos, que estavam concentrados quase todo o tempo em seu futuro esposo. Não havia tornado a vê-lo desde que a tinha beijado no estábulo no dia anterior, e isso a aliviava. O modo como ela reagia cada vez que o via, desgostava-a terrivelmente. Não parecia uma gata no cio, choramingando com seus ávidos beijos? Surpreendia-se pensando nele todo momento. Até tinha insultado o rei na noite anterior quando quis sustentar uma conversa com ela durante o jantar! Era suficientemente inteligente para dar-se conta de que a voz monótona do rei Eduardo a teria submerso em um estado de letargia, até se não estivesse procurando o rosto de Brand entre os presentes no grande salão. Ao não encontrá-lo, ficou de mau humor e se retirou para seu quarto. Possivelmente, seu prometido estava na cama com outra de suas donzelas, pensou Brynna, e arrancou com força um ramo de hortelã do chão frio. O que precisava era uma bofetada que a devolvesse a razão. Escutou um som atrás dela e deu a volta, percebendo que não havia nenhuma esperança de que sua razão retornasse. Brand estava parado ali,
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simplesmente olhando-a fixamente, enquanto sua determinação murchava como o repolho aos pés dele. — Como me encontrou? — conseguiu dizer quando ele se aproximou. Não queria estar a sós com ele. Não podia confiar que não se jogaria em seus braços se lhe pedisse outro beijo. — Seu pai me disse que podia estar aqui. Levantou a vista para olhá-lo quando chegou ao seu lado. Queria perguntarlhe por que tinha estado procurando-a, se tivesse tido coragem para ouvir sua resposta, ou se o vento parasse de brincar com seus cachos espessos, fazendo-os dançar ao redor de suas têmporas. — Este era o jardim de minha mãe — disse e baixou os olhos para defenderse de seu tranqüilo olhar — Devo salvar o que puder, antes que a geada... — as palavras engasgaram, quando ele repentinamente se agachou ao seu lado. — Lamento a morte de sua mãe. — O tom de sua voz era de aço aveludado. Brynna levantou a vista e logo se amaldiçoou por fazê-lo. Sua proximidade perturbava seu pensamento e fazia com que seu sangue fervesse. — Eu... — Maldito seja. Não podia recordar o que estava para dizer. Olhou-o, zangada por convertê-la em uma tola. Ele respondeu oferecendo um sorriso que acelerou seu pulso. Como conseguiria fazer algo agora que ele tinha interferido em seus pensamentos, como um raio de sol penetrando a escuridão? — O que quer? — disse bruscamente. — Você. — Já tem meu senhor — disse Brynna, tentando ignorar o verdadeiro sentido que se infiltrava através de suas palavras: a excitante promessa de que a possuiria por completo — Obteve quando venceu meu pai. — Nem sequer sabia que existia quando lutei com seu pai — argüiu Brand. Mas ela sabia que ele existia. Detenha-se, Brynna, repreendeu-se recordando a crua, radiante emoção que tinha provocado o apelido "o Apaixonado": Esse homem se foi. Encolheu os ombros e colocou um molho de folhas em uma cesta, que tinha pendurada no braço.
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Sua risada era contagiante. Asseguro-te. 120 . mesmo depois que deixou de rir e sorriu com algo mais que humor. — Eu nunca reneguei meu pai! Certamente contou que coloquei fogo no cabelo da duquesa dos York. — Nossas bodas acontecerão dentro de três dias. Um silêncio tomou conta do jardim. mas se surpreendeu sorrindo também. será. entretanto. — É irresistível. — Só pensava como deve ter sido vigorosa a vida de seu pai enquanto a criava. era um matrimônio forçado para ambos. Certo. deixando um rastro de terra na bochecha. ela temia prometer entregar sua vida ante os olhos do Todo-poderoso. sensual. quando ele jogou a cabeça para trás e riu —. eu estava segurando a vela tão perto de seu rosto porque pensei que havia uma aranha caminhando pelo nariz. Teve anos de prática lutando com uma leoa. indignada. O sombrio olhar de Brand deslizou para o seu. outra vez. Limpou a terra da bochecha com os dedos. Com razão. enquanto ele contemplava algo que esculpia linhas desumanas em seus traços. Surpreendeu-se olhando para ele. Não tinha idéia do que seria sua vida e tinha pensado que teria ainda algumas semanas para pensar. — Tão cedo? — Brynna não quis que pensasse que a idéia de ser sua esposa fosse repugnante. Brynna jogou a cabeça para trás e tirou uma mecha dos olhos. Lorde Brand. por um momento e desatou a rir. Sentou-se na grama. Teremos que aprender a nos odiar com um pouco mais de discrição. Como ia saber que era um lunar? Brand a olhou. Não deixarei que meu povo saiba como somos desgraçados — ela o olhou. esmagando alguns ramos de hortelã e abraçou suas longas pernas contra seu peito. é tão bom guerreiro. Brynna queria zangar-se com ele.— O que tiver que ser. — Seu olhar capturou o dela um momento antes que uma sombra atravessasse em seus olhos. e na verdade. Não consigo ver a graça no assunto. e completamente sedutora.

pensou ela enquanto lágrimas indesejadas inundavam seus olhos. Lorde William a assustava. Dessa maneira. maravilhado. quando colocou os fortes dedos ao redor do caule frágil de tal forma que não se machucasse com os espinhos. Voltou para seu lado. agachou-se em frente a Brand e deu sua oferenda. Desejava que fosse ela e não Brynna a mulher com quem se casaria. De repente. Seu marido não só nunca a amaria como também amava outra pessoa. — Desculpe-me. — Ele assentiu e pousou os olhos nas copas distantes das árvores. Não havia razão para chorar por isso. já que o vermelho representava o amor. Agradeço sua consideração. William também irá logo. À medida que se afastavam do castelo de Avarloch. mas seus olhos eram como janelas abertas para expor seu interior. Simplesmente não se permitiria jamais apaixonar-se por ele. Pena que o duque da Normandia não partiu também pensou enquanto o vento soprava sua nuca. que Brynna soube que tentar não se apaixonar por ele seria impossível. Ela não era a mulher que ele amava. mas ao menos nunca o trairia. pareceu tão infeliz quanto Brynna tinha notado minutos antes. Com esse pensamento fortalecendo o ânimo. não importaria a quem pertencia seu coração. Ainda amava Colette de Marson. mas mudou de idéia. Brynna decidiu fazer as pazes com ele no jardim de sua mãe. Dante disse que Brand era um homem difícil de entender. decidindo-se pela branca. Só pensei que teria mais tempo para me preparar. Era verdadeiramente uma tragédia. mais se alegrava de que tivessem partido. Estendeu a mão para tomar uma rosa vermelha. Observou as outras e finalmente sorriu. De sua janela Brynna observou o rei Eduardo e suas tropas perderem-se na distância. E. Observou como sua inflexível expressão se dissolvia em um olhar silencioso. poderiam ser amigos. Pensei que te agradaria que seu pai estivesse aqui no dia de suas bodas. que significava pureza. Ao menos. 121 .— Eduardo partirá amanhã. não? Afastouse e cruzou o jardim até onde ainda floresciam suas apreciadas rosas selvagens. o rosto de Brand se transformou numa expressão de gratidão tão comovedora.

Lorde Brand Risande sabia qual era seu lugar ali. O que tinha mudado? Lorde Brand o Apaixonado era um homem prisioneiro de seu próprio coração e Brynna ansiava libertá-lo. Brand tinha apressado a cerimônia para que seu pai pudesse estar presente? Ou queria desposá-la depressa para poder levá-la para seu leito? Não permitiria que voltasse a rechaçá-lo.embora nunca deixaria que ele visse seu temor. 122 . nem lutaria com ele quando a tomasse. Aceitaria-o como seu marido e tentaria lhe ensinar a amá-la. não por amor. Brynna se surpreendeu de ver Alysia em seu lugar. que Brand tivesse convidado seu pai para ficar para as bodas. Suas pobres donzelas tinham trabalhado dia e noite para prepará-lo a tempo. Tocou a branca e brilhante seda e mordeu o lábio inferior. dizendo que era bela. protegida e cuidada além da imaginação? Levantou o vestido de noiva e o levou ao peito. mas sempre apareciam mais. Ela não significava nada para ele. Parecia não lhe afetar a presença do velho cavalheiro em Avarloch. resignou-se a casar-se com ele sabendo que nunca a amaria. não importava. Não abandonou seu quarto durante o resto do dia. Brynna se afastou da janela com um longo suspiro e observou seu vestido de noiva estirado sobre a cama. Mesmo depois de saber que seu futuro esposo era o homem com o que tinha sonhado. Não era Colette. Brynna recordou o modo como ele tinha falado com a égua. A posição de seu pai não o ameaçava. Mas ao menos sua estadia significava que seu pai ficaria Estava grata e surpresa. Como seria ser amada por ele. atreveria-se a amá-la? Deveria tentar? Tinha muitas perguntas. Não o rechaçaria. Acaso alguma vez lhe importaria seu desejo de que seus apaixonados sussurros fossem reais? Sua união não significava nada para ele. e quando chegou a noite pediu a sua donzela Lily que levasse o jantar a seus aposentos. Puxou o vestido e caiu na cama com um grande suspiro. momentos antes de dizer a Brynna que era formosa. Por que lhe importava? Dias antes se contentava em casar para manter a paz. Seria igual se ela fosse um cavalo. Mas como? Como podia romper o escudo e alcançar a escuridão? E se conseguisse. apreciada.

Os olhos de Brynna se entrecerraram. — Ocasião maravilhosa? — perguntou Brynna com suspeita. — Está se formando uma tormenta na véspera de suas bodas. — Acha que é um presságio. É já é a quarta noite consecutiva — adicionou Alysia arqueando a sobrancelha.. com os braços. — Temíamos que Lily fosse encontrada na cama do duque totalmente ensangüentada. É um cavalheiro tão galante. — Alysia ficou séria. Alysia olhou para a janela aberta e se abrigou. a felicidade iluminava seus traços exóticos —. — Ai. — E o faria se fosse a senhora de Avarloch. mas a moça nunca esteve mais vigorosa e saudável. O tom agudo de sua voz não foi registrado pela morena donzela. desde que era um bebê! Brynna esquadrinhou a jovem donzela. tentava detectar se sua donzela também parecia "vigorosa e saudável" depois de passar as noites com Brand.. Ou sem fôlego.— Onde está Lily? — perguntou da cama. só um infortúnio em uma ocasião tão maravilhosa. Sem perceber o olhar examinador de sua ama. deixando a bandeja em uma mesa próxima. tocando a grossa manta que cobria sua cama. e se eu não gostasse tanto de Sir Dante — anunciou Alysia com todo o entusiasmo de uma moça dez anos mais jovem. 123 . Lorde Risande será um bom marido.. minha senhora. minha senhora. — Sir William ordenou que jantasse com ele. É tão atraente. tão amável. — Pobre moça — murmurou Brynna com amargura. um. mas acredito que ele a fará feliz. quase triste enquanto olhava Brynna. A donzela lhe dirigiu um amendoado olhar cor de carvão e assentiu. — Sei que não o quer. Alysia riu como uma menina. — Talvez você deva se casar com ele e não eu — a interrompeu Brynna mordaz. sim! — Alysia se deu a volta para olhá-la. Alysia? — Não. — Sir Dante? — Brynna piscou surpresa.. um verdadeiro senhor.

recordando a raiva de Brand quando o acusou de dormir com sua donzela. Brynna empalideceu. — E você não acreditou? — Alysia se sentou na cama junto à Brynna e. se seus olhos não seguem a ninguém mais. Brynna tomou a bebida antes que a cerveja derramasse sobre sua saia. — Não! Lorde Risande me advertiu que dissesse ao duque que ele tinha me solicitado. tentando clarear a confusão que a invadia. não dormi com seu prometido. além da senhora. para me salvar dos braços do duque. franziu as sobrancelhas e sacudiu a cabeça. — Nem sequer dei a oportunidade de se explicar. ainda tremendo. — Acredito. Brynna levantou o olhar. abandonando seu triste pensamento. — Minha senhora! — Alysia suspirou levando as mãos ao peito. como se a surpresa fosse muito para ela. é obvio. minha senhora — suspirou a donzela —. vendo as lágrimas cristalinas suspensas sobre as longas e negras pestanas da moça — Tentou me dizer isso nas cavalariças — disse mais para si que para Alysia. e fixou o olhar em sua donzela. Juro. — Ai. Está bem — a consolou. Alysia. — A cama de Lorde Brand.. — O que quer dizer? — Você tem que ter notado — insistiu Alysia. tomou sua mão.— Viu alguma vez um homem tão maravilhoso? — perguntou-lhe enquanto vertia cerveja morna em uma taça e a oferecia a Brynna.. Sua ama a olhava fixamente. incapaz de abrir a boca. — E Dante não se ofende que seu irmão tenha levado você para a sua cama? — Que cama? — A cabeça de Alysia se ergueu de maneira tão brusca que quase deixou cair a taça. — Nunca estive na cama de Lorde Risande! — Mas disse ao duque. — Notar o que? 124 .

— Brynna franziu o cenho. Os homens têm orgulho..Alysia emitiu um som que pareceu um resmungo. Não revelaria que está ansioso para ter sua companhia. tolices! — agora a donzela bufou sonoramente. um leve sorriso se formou em seus lábios à medida que foi compreendendo. tentando provar a seu acelerado coração que não se importava com seu prometido. viu? — Minha senhora — Alysia disse brandamente. — Você o quer. anteontem. mas ele nunca vai retribuir. Por certo. — Perguntou por mim? — Não. homens ou duques ou mesmo reis. 125 . Assentiu. mas seu sorriso tornou-se radiante. Sir Conrad quase lhe cortou o braço. só para olhá-la passar. — Ah. significa que me deseja isso é tudo. Não sou mais que uma posse que ele deve vigiar. — Onde está agora? — perguntou. Alysia estudou Brynna com atenção. Sim. Brynna só suspirou com os ombros cansados. — Ai. mas de repente sentiu-se muito cansada de negar o que havia em seu coração. está com todos seus homens e com o duque William. quando você passava por perto.. mas. impacientando-se com a obstinação de sua ama — Quando um homem não pode tirar os olhos de cima. sabe. Brynna esteve a ponto de protestar. ririam na cara dele. e quase parou o treinamento. nota a maneira como olha para a senhora. Seu Brand a viu. — Acredito que sim. significa que é mais que uma posse para ele. vendo a desilusão cuidadosamente dissimulada nos olhos verdes de Brynna—. — Lorde Brand não se importa com o que os outros pensam dele. — Observa-a todo o tempo com olhos ardentes. quando anunciassem que você prefere comer sozinha. — Jantando com o duque e todos os outros. — Isso não significa nada. olhando fixamente a taça.

conte de seu amor. levantou o vestido de noiva e o colocou. — Deixe que a atenda — rogou sua donzela. Brynna olhou a escuridão do parapeito e mais à frente.— Isso não é verdade. sorrindo. Não pensaria mais em tudo isso. sem tocar no jantar. Colocou a camisola de gaze e se meteu na cama. Alysia. Ao vê-lo no marco da porta. a donzela tocou seu braço e saiu do quarto. Sentiu calor em todos os lugares. Percebeu que a camisa de gaze que a cobria era fina demais. 126 . com cuidado... e quando o encontrar. Vestia túnica e calças negras. Não pensaria em nada. — Ai. mas quando sua ama deu volta para olhar pela janela. — Vá. Olhe nos olhos dele e deixe que seu coração fale por ti. Ficarei bem. — É —a voz de Brynna cobriu a de Alysia —. Momento mais tarde alguém bateu na porta. Com um suspiro resignado. Seriamente — assegurou Brynna em uma voz mais relaxada. Vá procurar seu cavalheiro. — levantou-se da cama e foi até a janela para observar a noite que caía sobre Avarloch —. Provavelmente nem sequer se dá conta de que não estou ali. estou bem. Aparecia grande e poderoso contra a porta e o aroma do bosque o envolvia. mas Brynna se voltou. Como pensou que era uma de suas damas. Tenho muito que fazer. em silêncio. desejando que Alysia tivesse razão a respeito de Brand. minha senhora — Alysia se aproximou dela. sobre uma cadeira de encosto alto perto da cama. o bosque distante. A jovem pensou que parecia mais selvagem do que nunca. — Não. Brynna conteve o fôlego: a expressão de Brand era tão sombria como seus cachos escuros. Alysia suspirou. não desejava partir. devo me preparar para amanhã. Brynna não se incomodou em colocar uma bata quando se levantou para abrir. mas a escuridão que o cobria não podia diluir o glorioso turquesa de seus olhos. quando seus olhos a percorreram ardentes. mas não importa Avarloch sempre deve estar em primeiro lugar. não ocultando nada de seu corpo.

ele a penetrava com seus olhos. tão selvagem que Brynna pensou que arrancaria sua camisa e a tomaria ali mesmo. Intensificou seu olhar: — De agora em diante. Entendeu Brynna? — Sim — respondeu ela sem fôlego. como se fossem chamas lambendo seu corpo brandamente. Quando ela assentiu com a cabeça e repetiu a pergunta. mas gostava do modo como os olhos dele a faziam sentir. Sabia que devia cobrir-se. libertou-a com a mesma força. Se negar. Reclamou sua boca com uma completa posse e domínio. Passou os dedos pelo cabelo porque o que tinha descoberto o tinha incomodado —. — Está doente? — perguntou. Torna a noite mais agradável. Brynna quase derreteu ali mesmo. Ele assentiu. 127 . Brynna. — Por quê? — repetiu ele. Oui — assentiu como se ele mesmo acabasse de perceber isso. queimando sua carne sob uma ardente carícia. meu senhor — Olhou seus olhos e piscou. — Por quê? — olhou—o fixamente. Ficou parado. firme e. ele piscou — Porque seu lugar é ao meu lado — observou-a baixar os olhos e suspirar. Sua língua penetrou na profundidade de sua boca. — Sentará comigo todas as noites enquanto jantamos e não voltará a me perguntar por que. confuso pela pergunta. apertando a mandíbula. devorando-a. virei te buscar em pessoa. E fez o que tinha desejado fazer durante todo o ano. antes de partir. você janta comigo. apertando. Seu corpo se tornou mais firme e tenso. — Não. Levantou a vista e lhe ofereceu um sorriso que o fez gemer. com um tom brusco na voz. Antes que Brynna percebesse. como se suas palavras tivessem ferido a moça de algum modo —. entretanto. O resto de seus pensamentos se perderam quando lhe envolveu a cintura com seus braços e devolveu seu beijo inocente com um mais ardente. estranhamente tenro. sem nem chegar à cama. perfeitamente disposta a fazer o que lhe ordenasse. E — acrescentou — porque torna mais suportável a companhia desses idiotas enganadores de William.

e seu corpo reagia ao dele. afundar os dentes em seu pescoço e descer até encontrar os bicos de seus exuberantes seios. estava certo disso. seus gloriosos olhos esmeralda o seduziam. A porta se abriu. mulher. propondo-se a apagar a lembrança dela de seus pensamentos. reservada para a dama do castelo. A rigidez de seus seios. desejava-a mais que qualquer outra mulher que tinha conhecido. Queria Brynna em sua cama. Oui. nunca o teria tentado tão cruelmente. Nem sequer Colette o tinha deixado aceso dessa maneira. Disse a si mesmo que era a raiva que fazia com que seu coração pulsasse com tanta fúria. golpeou-a com o punho. Brand amaldiçoou entre dentes. o que está me fazendo? — Brand estava ofuscado e tirou bruscamente a túnica. Seu sorriso era tão sincero mesmo quando o estava desafiando.Brynna fechou a porta e se apoiou contra ela. incliná-la para que encontrasse o ardor de seu desejo. seu espírito tão intenso que o sentia mesmo quando não estava perto. — Maldita seja. Brand fechou com força a porta de seu quarto e tirou as botas. um sorriso cruzou seu rosto. Queria morder seus sensuais lábios carnudos. inchando seu sexo. abriu a porta com um puxão e saiu tempestuosamente de seu quarto. surpresa de vê-lo de novo. Chamas corriam por suas veias. As imagens do corpo de Brynna turvavam seus pensamentos. o modo como seus mamilos se apertavam sob a camisola transparente. com um pontapé. Por Deus! Queria tocá-la. Mas sabia pela ânsia e o feroz pulsar abaixo de sua cintura que uma crua paixão era a verdadeira culpada. O sangue corria por suas veias. seu sorriso o provocava. Mas seu rosto permanecia ali. fazendo com que seu coração se acelerasse. Quando chegou à porta. a raiva de ser abandonado e ter que sentar-se sozinho de novo junto a uma cadeira vazia. E ela o desejava. Amaldiçoando furiosamente entre dentes. Seus lábios 128 . gravado em sua mente. Caminhou de um lado para outro de seu quarto tentando controlar a necessidade de tomá-la. quisesse ou não. antes de saltar à cama. Queria enroscar os dedos em sua espessa cabeleira. Não conseguindo. Brynna estava do outro lado. Se não.

Sentiu-se embriagada. Sua boca se apertou contra a dela e colocou suas grandes mãos sob suas nádegas. com as coxas. nem tempo para perguntar o que o havia trazido de volta para ela. enquanto sustentava com uma mão suas nádegas e com o outro braço a apertava fortemente contra seu corpo musculoso. com um desejo incontrolável. Instintivamente Brynna se agarrou. Queria tomá-la dessa maneira. molhando o tecido. Passou os braços ao redor de seu pescoço e emitiu um gemido tenso e suave. sem soltá-la. sem deixar de beijá-la. mas Brand cortou a breve distancia entre eles. Separou as coxas da jovem e apertou sua potente ereção contra o doce lugar entre suas pernas. em sua cintura para sustentar-se. e brutalmente. forte. rápida. Brynna conteve o fôlego e entrou em pânico. para levantá-la do chão. quando escutou o pai de Brynna chamá-la do outro lado da pesada porta. Brand inclinou a cabeça e o apertou nos lábios. que quase rompeu em gargalhadas. 129 . Brand amaldiçoou William e se amaldiçoou por permitir que Richard Dumont permanecesse em Avarloch. despreocupada. colocou as palmas das mãos sobre seus seios e se deleitou ante o contato. Quando seu mamilo endureceu sob seu polegar. Ele empurrou seu corpo contra a porta. Puxou a camisola.estavam separados como se fosse a dizer algo. Alguém bateu na porta e — não pela primeira vez —. Os dedos impacientes subiram até o decote. mas em vez de rasgar a fina gaze. fechou a porta com um pontapé e a carregou em seus braços. seus músculos. mesmo sabendo que se transformaria em sua esposa na manhã seguinte. Não teve tempo de assustar-se pelo brilho lascivo em seus olhos. Brand ficou tão encantado ao perceber que se sentia mortificada por ter sido descoberta dessa maneira. que fez com que o corpo de Brand explodisse. enquanto a língua ávida de Brand afundava em sua boca. mas o tecido estava enroscado entre seus corpos ansiosos. tentando tirá-la por seus quadris. seus nervos gritavam que a possuísse ali mesmo.

antes de abrir a porta. Ele sentiu que seus lábios se curvavam em um sorriso diabólico. filha. Brand apertou-se contra ela uma última vez antes de separar seus corpos. — Descarado — disse em um tenso sussurro. — Espero ansiosamente amanhã. Richard ansiava por esta segurança. colocando as mãos em seu peito. 130 . distraindo a atenção de sua filha do homem que se afastava pelo corredor. Levou o polegar à boca dela e deslizou sobre seu lábio inferior. Então. Pensou que era melhor não saber —.— Um momento. pai! — disse sem fôlego e lançou a Brand um olhar assassino. A voz de Lorde Richard atrás da porta fez Brynna pular. — Vim dar boa noite — disse Richard. e ele ficou muito satisfeito diante do modo sonhar com que ela o olhava. antes que seus olhos escuros pousassem sobre o homem que estava de pé atrás dela. em seu quarto. já estava saindo — Brand deu um sorriso tranqüilo e voltou seu olhar para Brynna. Quis afastar Brand com um empurrão. como se tivesse todo o direito de estar ali. — Quando ela ruborizou. mas suspirou com alegria e fechou a porta de seu quarto. que parecia bastante aturdida e um tanto confusa. Não perguntou o que fazia Brand no quarto de sua filha uma noite antes de suas bodas. mais alegremente: — Já vou. não muito seguro de como reagir. — Richard a beijou no rosto e lançou um olhar para a porta do quarto de Brand uma última vez. ao ver sua expressão divertida — Solte-me — sussurrou frenética. Richard olhou sua filha. Boa noite. com as mãos ainda trêmulas. com um movimento lento e implacável que quase a faz gemer alto como se fizesse isso para que seu pai a escutasse. com um afeto sincero que fez com que o coração da moça pulsasse em seus ouvidos. — Lorde Richard. especialmente quando sua filha não respondeu. Sentia-se aliviado ao ver que o lorde normando sentia algum afeto em seu coração por Brynna. — Lorde Brand? — disse Richard. por favor. ele riu brandamente. Seus pés tocaram o chão. Ele mal se moveu. pai — alisou o cabelo para trás e a camisola amassada.

131 . ao cair brandamente sobre o contorno dos seios insinuando os rosados mamilos. O tecido tinha sido confeccionado para agradar um marido. e fluía em espessas e brilhantes dobras até o chão. Lily e Alysia fecharam os numerosos botões do vestido de noiva de Brynna. de seda trançada. Uma capa. forrada de cetim e bordada na parte externa com motivos celtas cobria à noiva dos olhares alheios. Desenhado em um estilo saxão antigo.Capítulo 12 Com dedos ansiosos. o traje estava confeccionado com uma capa de fina seda branca que acariciava a pele e se ajustava abaixo da cintura com um cordão prateado.

é uma romântica incurável que sonha com tempos passados. Seus olhos se suavizaram com a emoção. Ajustou a capa de sua filha para fechá-la completamente e sorriu com ternura — Recordo minha noite de bodas com sua mãe. enquanto Alysia se afastava dela. filha. quando a vir esta noite — respondeu à donzela. enquanto ela procurava a capa de cetim. pai — Brynna sorriu e o olhou. embora prefira não pensar nisso — adicionou com um gesto de desagrado. — Brynnafar — se aproximou dela e tomou as mãos —. — E você. — Está tão parecida com sua mãe — pronunciou cada palavra com um nó na garganta. Tinha começado a amarrar os laços da capa.— Você é a visão de uma virgem pela qual um dragão daria a vida — Alysia deu um passo para trás para examinar sua ama logo depois de amarrar o cordão prateado ao redor da cintura.. Brynna juntou suas delicadas sobrancelhas. quando me casei com sua mãe. — Sua voz se perdeu e os olhos de Brynna se encheram de lágrimas. 132 . Alysia. quando Lorde Richard entrou no quarto. — Pode ser. O lorde saxão parou na porta simplesmente observando sua filha. enquanto Lily escovava o cabelo de Brynna até obter um brilho de cobre e colocava um aro de diminutas margaridas brancas trançadas em um cordão de fina prata sobre a fronte. observando a calidez e o amor que suavizavam o belo rosto de seu pai. — Pai. então começou a rir.. eu não poderia. — Espero que agrade Brand. mas estou certa de que fará seu marido ficar louco de desejo. Alguém bateu na porta e Alysia indicou a Lily que abrisse. É uma beleza muito especial e seu prometido sabe exatamente como eu soube. então não há nenhuma esperança e a levarei para a Normandia comigo.. — Obrigado. levantando a mão para calá-la. Ficará encantado.. — Estou brincando. Ele sorriu. se não agradar.

ontem à noite o teria passado pelo fio da minha espada — piscou um olho para sua filha antes que ela pudesse responder. Brynnafar — assegurou. As velas dançavam sobre os polidos bancos de mogno. percebi que cheguei a gostar dele — Richard se aproximou dela e lhe sussurrou ao ouvido para que suas donzelas não o escutassem —. Lorde Richard a atraiu ao círculo de seus fortes braços e beijou sua bochecha brandamente —. ela não tinha feito nada para negar que o desejava tanto como ele a ela. Os homens de Brand estavam alinhados ao longo da parede enquanto os homens de Lorde Richard estavam parados. enquanto seus olhos azuis observavam. O colete metálico de Brand brilhava contra às milhares de pequenas chamas hesitantes. se não fosse hoje seu casamento. Estava a ponto de começar uma nova vida com uma mulher que o considerava um bastardo frio e cruel. Essa simples certeza tinha bastado para mantê-lo acordado muitas horas depois de havê-la deixado a 133 . Como conseguiria fazê-la feliz algum dia? Perguntou-se solenemente. E como tinha Brynnafar Dumont conseguido fazer com que se importasse com sua felicidade? Pensou nos muitos momentos que tinham passado juntos desde que chegou a Avarloch. O incenso impregnava o ar da capela de Avarloch. secando as lágrimas dos olhos com seus dedos— Depois de passar um tempo com ele. apesar de que. as grandes escadas esculpidas que levavam ao castelo. Mas também tinha saboreado seus ardentes beijos. Oui. Brynna riu e passou o braço pelo de seu pai. era uma mulher apaixonada.— Será feliz com este homem. Os homens de William estavam sentados entre os convidados. E que essas paixões ardessem até mais quando estava furiosa só a tornava mais atraente. Por Deus. imperturbáveis. na parede oeste. antes que William mate de um susto nosso capelão e o matrimônio não possa ser celebrado. Mas. nunca tinha dado razões para que pensasse de outra maneira. Agora venha. deixando que a guiasse para fora do quarto. como estátuas de prata. na verdade.

Recorda as bodas de Lady Winifred? Tornou-a viúva antes que pudesse dar o sim. mas quando observou Brand. viu seu olhar maravilhado. — Com toda certeza — concordou o duque normando com uma forte palmada nas costas de Brand. — Está esperando que a qualquer momento estripe alguém — disse William com um tenso sorriso de soslaio —. William escutou o homem ao seu lado inalar profundamente. _ Bom. Fez-se silêncio na capela quando a noiva apareceu na entrada acompanhada por seu pai. Como pôde tê-lo afetado tanto um ato tão simples? Não teve mais tempo para pensar. O sorriso de Brand se tornou mais amplo. recordando as fatídicas bodas. não é? — sussurrou William perto de seu ouvido. que idiota era. De pé atrás deles. não temos que nos preocupar de que aconteça algo assim hoje — bateu novamente nas costas e olhou o capelão sobre o ombro.noite anterior. Merde. aspirou profundamente. embora não tenho dúvida de que você saltaria para tomar meu lugar. mas lhe tinha dado uma rosa e o tinha protegido de seus espinhos. — Não está pensando em fugir. 134 . Soou mais como um grunhido e quando William se voltou para olhar para ele. Sorriu à luz cálida das velas. oui. voltou a iluminar-se. se apenas me movesse. Então. — Não é de admirar —disse Brand —. Quando se ouviu o suave som da harpa na igreja. o homem de Deus o olhou indignado. Minha reputação me precede. — Ah. com um sorriso ameaçador. O duque entrecerrou os olhos. como se estivesse preparado para uma execução. O duque da Normandia sorriu levemente e se afastou uns passos de seu mais querido amigo. — Non. surpreso pelo efeito que essa mulher provocava nele. agora recordo! — sua expressão se nublou um momento. o capelão limpou a garganta.

—Também o seu. com um sorriso de genuína calidez. como as asas de um enorme pássaro negro e se escutaram votos dos cavalheiros e vassalos que os rodeavam. Como se Brynna fosse muito formosa para contemplar sem suspirar. Brand não podia ver nada mais que seus olhos. Conquistaria o frio vazio que tinha sitiado seu homem fantasia. honra e amor. temendo uma vez mais que não fosse real e que se desvanecesse se fechasse os olhos. Escutando Brand prometer que a amaria. tão meigamente. O prazer que sentiu desenhou um sorriso nos lábios e o fez inclinar seu corpo para o dela com avidez. Não importava quanto tempo levasse. E o traria de volta. Quando chegou o momento de beijá-la. Brynna separou os lábios desejando seu beijo. Quando seus braços a rodearam por completo. Os olhos de Brynna percorreram os numerosos rostos sorridentes de seus cavalheiros. Um sorriso tão inesperado como uma chuva de verão tomou conta de seu rosto e Brynna lhe tocou a bochecha. — Seu povo me aprova — a voz dele em seu ouvido lhe enviou uma comichão pelas costas. meu senhor.As chamas refletiam sombras que dançavam sobre as paredes escuras e tingiam Brynna com uma luz estranhamente dourada. Levantou o queixo. Lorde Richard lhe ofereceu a mão de sua filha. Era a filha de um guerreiro. mas Brand quase não o viu. Desejava com todo seu coração poder fazêlo. seu prometido afastou o olhar. 135 . o bem-estar de seu próprio coração dependia disso. Tinha que fazê-lo. Repetiram os juramentos com promessas de obediência. Brand deslizou as mãos ao redor de sua delicada cintura sob a capa e sobre o fino tecido. endireitando os ombros. que chegou tão lentamente. a capa de Brand a envolveu. Brynna percebeu a esperança misturada em suas palavras. O coração de Brand sofria ao pronunciá-los. Mas o mais forte veio de William. Queria respeitá-los. Ao observar sua fogosa deusa. Brand finalmente se afastou. o coração deste homem seria dela. que a fez tremer.

— Então não devemos decepcioná-los — Seus lábios estavam quase sobre os dela e seu fôlego era tão quente como a paixão em seus olhos. Com uma mão na cintura de sua esposa, Brand a guiou para o grande salão, onde a festa estava a ponto de começar. Havia largas mesas alinhadas que ocupavam todo o contorno do recinto, adornadas com ramos de rosas frescas. Grossos pratos de prata e taças localizados na frente de cada cadeira. A cerveja e o hidromel esperavam nos barris para encher as jarras de prata. Um verdadeiro banquete estava disposto: truta fresca assada e arenque salgado, porcos cozidos, enfeitados com uma miríade de frutas, além de aves e pães condimentados com especiarias. Os trovadores enchiam o ar com o doce som da harpa e do alaúde, enquanto os cavalheiros escoltavam às damas a suas cadeiras, junto aos numerosos servos e vassalos de Avarloch. Brynna observou atentamente o salão luxuosamente decorado e não deixava de maravilhar-se, enquanto caminhavam para a mesa. — De onde saiu toda esta comida? A dispensa está quase vazia devido à geada que se adiantou este ano. — Dante e eu passamos quase todo o dia ontem caçando para ter comida fresca, e depois viajamos até a aldeia para fazer algumas trocas — Brand jogou um brincalhão olhar de soslaio —. Não sentiu saudades? Estive fora todo o dia. — Foi você mesmo? — perguntou surpresa, enquanto avaliava a enorme quantidade de comida sobre as mesas — Por que não enviou os cozinheiros para fazer a troca? Brand encolheu seus musculosos ombros. — Só queria me assegurar de que tudo fosse de seu agrado. Brynna finalmente deu a volta e levantou a vista para olhá—lo. — Fez tudo isto por mim? Brand se deteve e encontrou seu olhar maravilhado. — Oui — disse simplesmente, como se fosse lógico que ela esperasse tal coisa.
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— Obrigado — foi um sussurro. Não conseguiu dizer nada mais ante tanta consideração da parte de um homem que nem sequer a amava. Por todos os Santos, não podia nem imaginar o que teria feito se a amasse. Lorde Richard foi o primeiro a oferecer sua bênção ao casal. Prodigalizou a sua filha com um grande abraço e, quando lançou seus braços ao redor de Brand, o sombrio guerreiro olhou por sobre o ombro para sua esposa, com os olhos muito abertos e incrédulos. Um momento mais tarde, William rodeou Brand e tomou Brynna pelos ombros. — Posso beijar a noiva? — implorou o duque. — Naturalmente — Brand tomou a mão de Brynna e a colocou frente ao rosto desiludido do duque. William observou o oferecimento como se estivesse chateado, e olhou Brand indignado. — Isto não é o que tinha em mente. — Mas é tudo o que vai obter — respondeu Brand, com um doce sorriso. Com um olhar áspero, o duque beijou levemente a mão, balbuciando ainda antes de levantar a cabeça, que seu mais querido amigo nem sequer lhe tinha confiança com sua esposa. Brynna observou o poderoso duque afastar-se, decepcionado, e finalmente ofereceu ao tosco guerreiro um sorriso que ele não viu. — É um gatinho com enormes e mortais presas — concluiu em voz alta, e deslizou seu verde olhar para seu marido — Igual a você. Voltando-se para ela com um sorriso de seda, Brand lhe roçou o lábio inferior com o polegar. — Às vezes ser mordido pode ser intensamente agradável, esposa — adicionou a última palavra com um brilho feroz e sensual nos olhos. Brynna lambeu o lábio onde o dedo de Brand havia tocado, enquanto seu sangue empreendia um selvagem caminho para seu sexo. — Talvez eu possa morder a ti..., marido — replicou ela. A expressão no rosto de Brand era tanto de surpresa como de encanto. Fez uma leve reverência, olhando-a fixo nos olhos com uma intensidade predadora sob suas escuras pestanas.
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— Um rival feroz torna mais interessante a batalha. Uma que poderia durar toda a noite... Até a manhã — rebateu com um sorriso devastador e seus olhos brilharam com tanto ardor que Brynna sentiu que sua boca se tornava seca. Foi incapaz de sufocar um suspiro, ao sentir um estranho fogo lhe percorrendo o corpo. Juntou coragem e se aproximou, enquanto ele se endireitava e dirigia sua mão para a sedutora curva de suas nádegas. Ela pôde sentir a plenitude dele, ao levar seus lábios até seu pescoço. — Quanto mais prolongada a batalha, mais doce a vitória, guerreiro — ronronou contra sua pele, então se afastou, olhando-o nos olhos com um sorriso triunfal. Mas Brand a puxou de novo para ele, pousando a mão obstinadamente em suas nádegas. Apertou, levantando seus quadris até seu membro ereto, o que fez com que os olhos da moça se arregalassem. — Ou uma derrota mais desumana — Sua voz era um grunhido baixo e rouco. Estava surpreso pela selvagem urgência que tomava conta dele, que o fazia sentir-se a ponto de explodir, se não a possuísse em seguida. Nunca tinha desejado tanto uma mulher. Não podia pensar em outra coisa que não fosse a corrente fluindo, envolvendo-o, aceitando sua plenitude. Saborear seus seios ávidos que tinha querido devorar a noite anterior. Ao vê-lo queimando com o calor de seu corpo, com um apetite instintivo em seus olhos, Brynna de repente se deu conta de que este homem era exatamente isso... Um guerreiro. Se escolhesse jogar este perigoso jogo de sedução com ele, teria que estar preparada para suportar a força de seu abraço, o ataque do fogo que o impulsionava e a resistência que sempre lhe concedia a vitória. Olhando-o nos olhos, apertada contra seu corpo firme e elástico, Brynna soube que tinha que tentar. Estava se apaixonando por ele e estava decidida a conseguir que ele também a amasse. — Já lutou contra um Dumont na batalha e ganhou. Desafia a sua filha agora, e embora nos encontremos em outro campo de batalha, asseguro que desta vez a derrota será sua — Seus olhos dançaram com o desafio, ao mesmo tempo que um sorriso provocante se desenhava em seus lábios. Com um
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cuidadoso puxão se libertou de seus braços e se afastou, olhando por cima do ombro para deleitar-se pelo estado no qual tinha deixado seu marido. Brand a observou com olhos duros como diamantes que lhe roçavam o corpo dos pés a cabeça. Esfregou a ponta dos dedos, recordando o contato da fina seda entre eles. Sua esposa estava jogando outro jogo com ele, e desta vez perderia. Sua expressão se enrijeceu, ante a idéia de derrotá-la. Aproximou-se dela. Num instante Brynna foi carregada em seus braços. — O que está fazendo?! — gritou assustada ante a força e o apetite animal de seu olhar. — A batalha — disse, enquanto se dirigia para as escadas — começou.

Capítulo 13
— Ponha-me no chão! Todo mundo está olhando! — Brynna percorreu com o olhar o salão e ruborizou intensamente ante as expressões surpresas dos convidados — Brand... — olhou-o, rogando que não a humilhasse dessa maneira, mas sua expressão era severa, exigente e voraz. — Participa de jogos perigosos, senhora, e acendeu minha curiosidade — as comissuras de seus lábios se elevaram em uma careta selvagem. — Espero sinceramente que possa sobreviver ao seu desafio. O coração de Brynna pulsou com fúria em seu peito. Sobreviver? Por que diria tal coisa? Tinha ido muito longe? Tinha-o desejado tantas vezes, logo depois de vê-lo no lago luzindo somente um sorriso que parecia o de um anjo em um êxtase pecaminoso. Mas estava com uma mulher que ele amava, nesse dia. Isto era diferente, porque embora agora fosse sua esposa, Brynna sabia que ele não sentia nada por ela, além de uma ardente paixão. Quanto ardente? Perguntou-se e lhe encheram os olhos de pânico. Castigaria-a por tomar parte de um jogo do qual ela não sabia nada? Mordeu o lábio furiosamente, preocupada com o dilema que ela mesma tinha criado.
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— Está assustada? — sussurrou Brand. Seus olhos ardiam com um poder puramente masculino... E uma faísca de diversão. — Teria que estar? Ele assentiu. O pulso de Brynna pulsou grosseiramente em seu pescoço e ele o acariciou muito suave. Com a língua enquanto a levava pelas escadas. O sabor de sua pele o fez desejá-la mais. Afundou o rosto nesse pescoço. — Eu nunca... — Brynna começou a dizer. — Sei — sussurrou ele contra sua pele. Abrindo a porta com um pontapé, Brand entrou em seu quarto e se deteve frente à enorme cama. — O campo de batalha? Ou algum lugar mais neutro? — ofereceu, assinalando um tapete espesso de pele de urso no chão frente ao fogo que rugia na lareira. Brynna quase engasgou. Ambos os lugares pareciam igualmente aterradores. Em realidade, tinha ido muito longe com este homem, lhe prometendo um prazer que não sabia dar. Ele se zangaria, impacientaria-se, a tomaria sem ternura. Tinha imaginado este momento com ele tantas vezes que se sentiu segura de saber o que fazer, como agradá-lo. Mas agora, com o fogo da lareira esquentando o tapete de pele, a enorme cama esperando o começo da apaixonada batalha, e suas mãos obstinadas com força ao redor dela, uma nova onda de pânico invadiu os nervos de Brynna. Levantou a vista esperando encontrar consolo na beleza daquele olhar azul esverdeado. Só viu um cru apetite. — Onde, Brynna? — Eu... eu... — gaguejou. Seus olhos se suavizaram um momento. — Neutro, então — decidiu, dando três passos até o tapete. Baixou-a como se fosse um bebê recém-nascido. Os sapatos de Brynna desapareceram no espesso tapete. Ele esboçou um meio sorriso; deu a volta e se encaminhou ao pequeno baú do outro lado do quarto, lançando ao passar sua capa descuidadamente sobre a cama. Ficou de joelhos, procurando algo no baú.
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enquanto outro fio de fogo lhe lambia as costas. Brand ficou de pé. Acariciou sua cabeça. Suspirou extasiado. Desatou as cintas que mantinham sua capa fechada. Surpreendeu-se quando seus dedos deslizaram pela parte de trás de seu pescoço tão brandamente como um suspiro. 141 . do mesmo modo que enchia em seus sonhos. tão devagar que a fez estremecer. gentilmente. — O que é isto? — perguntou surpresa. ardente em seu corpo. Não. até em seu estado de pânico. Sitiada por imagens de seu corpo nu. sentindo o fogo que queimava como o da lareira. e girou a jovem até colocá-la de costas. Ao encontrar o que estava procurando. lentamente. quando suas deliciosas mechas enroscaram-se em seus dedos como se estivessem vivas. ficaria. Afastou-lhe o cabelo da nuca. enquanto se aproximava. mas quando deu a volta para enfrentar Brynna de novo. inundando-se na água. delineando a silhueta de seu corpo sob a fina seda. pensou desafiante. os firmes músculos de suas coxas quando se agachou. — É formosa — disse em uma voz baixa. quando Brand terminava de fechar a gargantilha de esmeraldas. esperando que lhe arrancasse o vestido. Brynna continha o fôlego. mas a Brynna soou mais como um grunhido e tentou desesperadamente acalmar o bater de seu coração. ergueu os olhos. Inalando profundamente. poderosa. Sentiu algo frio roçar a pele e levou a mão instintivamente ao pescoço. E se chegasse a amá-la? A idéia fez com que Brynna quisesse sair correndo do quarto. Amar esse homem assustava até mais que a paixão de seu marido. deteve-se. deslizou os dedos por seu cabelo e fechou os olhos. acendiam um ardente fogo em seu corpo. A luz da lareira brilhava atrás dela.Brynna o observou surpresa ao notar. respondendo ao chamado de seu desejo. aturdido com a visão de sua figura. Deixaria que seu marido a enchesse. O cetim caiu aos seus pés como se fossem plumas. e beijou-a com doçura. As curvas voluptuosas o chamavam.

seus olhos cheios de paixão —. — Passou a ponta do dedo pela leve covinha de seu queixo.. Ele deu um passo para trás. — Sua boca voraz encontrou a dela. De pé frente a ele. lambendo. — Brand — suspirou Brynna. 142 . Só olhar para você me agrada. por seus ombros. Sua língua procurou acariciar a de Brynna como uma chama ardente. Reclamava-a com sua boca. penetrava mais fundo em sua boca e retrocedia. Apertou-a com mais força entre seus braços. antes de dar a volta para olhá-la novamente. — Não era mentira. — Vai me agradar. quero. bebendo-a de um modo que ela nunca acreditou possível. enquanto sua língua trabalhava gentilmente. — Amo você — sussurrou a moça. deslizando uma mão ao redor de sua cintura. mas não era o que queria dizer. e com cada estocada de sua língua se tornava mais fraca. Brynna. Não podia confessar que queria seu coração. Brynna sentiu-se consumida pela força de seu corpo. — Mas é claro que tem — a corrigiu com uma voz profunda. — O que? — aproximou sua boca da dela. e Brynna se amaldiçoou por expressar bruscamente em sua paixão o que seu coração tentava que ocultar.— Um presente de bodas — seus lábios revoaram no lóbulo. — Não tenho nada para te dar. Era um guerreiro alto e rude. tomando seu rosto entre as mãos — O que quer? — Quero te agradar. Aproximou-se dele... enquanto ele lambia seu pescoço. Teria que ganhá-lo. mas a intensidade de seus olhos a fizeram duvidar de que pudesse conquistar esse frio alguma vez. mordendo-a com um cuidado delicioso. Deu um passo para trás para admirar seu presente — E mesmo assim seus olhos são mais verdes. estendendo a mão para tocar o cacho negro que caía sobre seus olhos. As mãos caíram. seu amor. — Brynna.. Brand ficou rígido. — Shh — ela se aproximou e levou um dedo aos lábios dele — sinto muito. do mesmo modo como ele tinha ganhado Avarloch. Brynna ficou sem fôlego.

Apertou os dentes. A imagem de sua cabeça arremessada para trás. o fez temer não poder ser gentil ao tomá-la. desatou os laços da túnica enquanto seu coração pulsava loucamente. Ele o fez por ela. Ardendo com um desejo para o qual nem sequer os sonhos a tinham preparado. Absorveu o delicioso aroma de seu cabelo. lançando a túnica no chão. Brynna fechou os olhos e sentiu o corpo dele estremecer. que endurecia ante o mais leve gemido que arrancava da garganta de sua esposa. enquanto ela tremia em seus braços. Brincou com seus lábios enquanto o prazer lhe açoitava o corpo. arrancou os botões do vestido e rasgou o fino tecido que cobria seu corpo como se fosse de papel. como se lhe tivesse causada dor. Ficou rígido quando com a língua e os dentes percorreu um ofegante caminho para o monte sedoso sob seu umbigo. Voltou a olhá-la. Brand grunhiu incapaz de dominar o efeito palpitante e maravilhoso que sua esposa lhe causava. De repente. lisos músculos de seus braços. Beijou-lhe os seios. impulsionava-o a recostá-la sobre a pele para poder livrar-se do confinamento das calças. com um forte som no piso e Brynna o chutou. Passou a túnica por cima do peito. Sem tirar os dedos do peito de seu marido. em um lânguido êxtase. Com terno cuidado. Brand fechou os olhos quando ela beijou seu peito. O metal de prata caiu.onde começou a desabotoar as travas metálicas do colete. saboreando a força de seus braços que se elevavam sobre sua cabeça. acariciando seu firme abdômen. Ele caiu de joelhos e começou a lhe beijar o ventre plano. E finalmente. ficou de pé e a carregou em seus braços. Passou a ponta dos dedos pelas costas e as curvas voluptuosas das nádegas. 143 . levantando a cabeça brevemente para admirá-los com olhos selvagens antes de voltar a percorrer com a língua seus mamilos que se tornaram até mais rígidos com seu contato. percorrendo. com os dedos os tensos. apreciou sua verdadeira altura quando se deu conta de que não podia tirar o objeto. à medida que a paixão o inflamava. quando sentiu seus dentes sobre a pele.

Fazer que nunca esquecesse.. Estão cheios de uma paixão ainda por descobrir. E estes seios. sobre a carne ardente e brilhante. mais formosa que mil amanheceres — levou o polegar a seu mamilo e acariciou o contorno do seio. tenho medo. Inclinou-se sobre ela. mas não posso.. — afundou o rosto no vale entre eles — tão firmes e formosos — sua boca encontrou os tensos mamilos cor de rosa e sua língua deslizou sobre eles. te fazer gritar com um deleite e um prazer tão intenso que seu corpo me anseie mais a cada momento que não estou dentro de ti. — Entrará — sussurrou ele. — Mas como vai entrar em meu corpo? — lamentou-se ela. não te farei mal. — Mas disse. Ajoelhou-se diante dela e lhe acariciou o cabelo. — Brand. Mas é tão delicada como uma flor. Seu contato era mais suave que um suspiro e Brynna mordeu o lábio enquanto o fogo ardia entre suas pernas — Sua beleza me entorpece — deslizou a língua por seu lábio inferior —. queria ser brutal. — Pensei te possuir sem cuidado. enquanto tomava-os com as mãos —.. sedutoramente. Queria lhe dizer que ela já o ansiava.. sentir cada abraço. Quero saborear cada carícia. Quero me afundar na calidez de seu cabelo e me perder no aroma que me chama. Ele sorriu ante sua doce inocência. Ah. As sombras dançavam sobre seu enervado membro enquanto o fogo brilhava. Seus olhos mantinham cativos os dela com uma estranha força que era tão poderosa como os músculos que dançavam em seus braços. beijando-a — Irei devagar e com suavidade. na verdade. O calor de seu corpo a abrasou. seus olhos são mais radiantes que a mais estranha das gemas. Brynna escutou suas fogosas promessas como um eco em sua mente. mas seu corpo se movia tão febrilmente sobre o 144 . Quero tomar lentamente.Brynna ficou em silêncio olhando o guerreiro completamente erguido que estava suspenso sobre ela. Brynna. — Non.

à medida que os rosados mamilos que coroavam seus seios se erguiam. Ele a levou em uma dança ondulante. As chamas se estendiam e chispavam na lareira. enquanto sua virilidade palpitante deslizava sobre a úmida entrada de seu corpo. Estava preparada. — Acho que morrerei se não te possuir — gemeu. Suas mãos agarravam seus quadris com uma força que até o assustava. com cada suave gemido que lhe arrancava. enquanto uma luz explodia e a banhava com um delicioso calor. seus dentes trabalhavam para impulsioná-la para um esquecimento encantador. com o ardor primitivo de uma besta selvagem. Agarrou-se à pele de urso debaixo de seu corpo. lhe abrindo as pernas com as mãos. para agarrar os cachos negros que roçavam suas coxas. Seus lábios. Ansiava tomá-la com força. enquanto um calor úmido começou a pulsar e bombear em seu sangue. abriu mais as pernas e se esticou. deslizando por seu corpo. Estava sendo banhada em calor. — Um tenro casulo que logo florescerá em uma encantadora flor — escutou que lhe dizia antes que seu rosto desaparecesse entre suas coxas. Gritou quando mais chamas a alcançaram. Olhou fixamente seus olhos azuis. exceto os gemidos de paixão que brotavam do mais profundo de sua garganta. Penetrou bem 145 . Lentamente. com os dedos apertados. e a ânsia de seu sexo era suficiente para fazê-lo esquecer suas promessas sussurradas e afundar-se na profundidade de seu corpo. Desceu.seu que não podia emitir nenhuma palavra. sua língua. Sua respiração se tornou pesada. colocou-se sobre ela. O sabor de sua doce paixão ficou nos lábios de Brand ao passar por sua boca. Mas se agarrou ao último fio de controle que possuía. Brynna gemeu e suspirou quando seus gentis dedos repartiram as suaves dobras de seu sexo. Seu firme controle se desvanecia com cada ardoroso movimento do corpo de Brynna. mas a boca de Brand era mais ardente. entre uma miríade de ondas que a balançavam para frente e para trás. Brynna tremeu ao escutar sua voz selvagem. Sem qualquer vergonha. consumida por um fogo tão descontrolado que desejava que a tragasse para que a consumisse inteira.

Ela gritou.lentamente. Sentiu que não podia enchê-la o suficiente. O chão sob Brynna balançava. como tinha prometido. enlouquecido pelos sensuais movimentos do corpo debaixo do dele. afundando mais profundamente. entretanto. — Sua força me consome. Tremores pulsantes se acumularam em seu interior até tornarem-se insuportáveis e ergueu as pernas para rodeá-lo. Sussurrava-lhe ao ouvido. quase saindo dela. gemeu. E então começou a mover-se. Um mormaço a percorreu. levantando a cabeça como uma besta a ponto de uivar. apertando fortemente. Retirou-se uma vez mais e sorriu quase pecaminosamente. Seu corpo se esticou. cálida e tensa e tão docemente sedosa. umedeceu os lábios com a língua e Brand empurrou mais forte. O corpo dele queria mais e mais. Arqueou as costas. Olhou-a nos olhos com uma ternura que a surpreendeu. as 146 . Mas a dor cedeu e o prazer tomou seu lugar. Retrocedeu lenta. dizia-lhe como se sentia dentro dela. respondendo ao chamado de seu impulso luxurioso. Brynna pensou que não conseguiria sobreviver a suas investidas. enquanto o aveludado ritmo dessas lentas invasões movia seu corpo contra a pele de urso debaixo de seu corpo. A voz de Brynna foi como um látego nas costas de Brand. Ele fechou os olhos. a paixão em seu olhar ameaçava transbordá-la. Gemeu profundamente. Deslizou dentro dela outra vez. então voltou a penetrá-la tão devagar que Brynna se queixou com um ardoroso gemido. Mas o som se perdeu na suavidade de seus beijos. embora ela pudesse ler na tensa linha de seus lábios que lhe custava um imenso autocontrole fazê-lo dessa maneira gentil. É tão firme. Pegou suas mãos. mais profundamente. longo e lânguido. a dor começava a abrir caminho até fazê-la gritar. tão rígido. Um êxtase tão completo a empurrou que afundou as unhas em seus músculos. o corpo dela o aceitou. aceitando-o completamente. Encheu-a mais do que Brynna tivesse acreditado se possível. e. tortuosamente. enquanto o suave deslizar do corpo de Brand a tomava uma e outra vez. desejando explodir dentro dela. desfrutando de cada apertado espasmo com o que o agarrava. Como Brand tinha previsto.

Ele provocou espasmos que convulsionaram seu corpo. ao longo de suas coxas. e desatou sua paixão por completo. tornando-a fraca debaixo dele. cravou-lhe as unhas nas mãos e gritou. Tomou as nádegas entre as mãos. — Isso significa que ganhei meu senhor? — Brynna repousava lânguida e relaxada debaixo dele. Os olhos de Brynna se arregalaram. As estocadas de seu corpo eram como trovões. Acariciou-lhe o pescoço. Brynna — respirou com esforço. Todo o peso de Brand caiu sobre ela. esposa — levantou a cabeça e a olhou nos olhos com a paixão que ainda persistia. outra vez? — mas enquanto perguntava sentiu que a espada em seu interior começava seu segundo ataque. enquanto suas mãos vagavam indomáveis por seus seios. lambeu-lhe os lábios e os mordeu brandamente..sustentando sobre sua cabeça. e todo o tempo a olhava como se apenas vê-la o impulsionasse e não os sedosos espasmos que o tomavam. — Oui. não era o encanto exuberante que tinha visto uma vez. uma e outra vez. — Não pode querer dizer. Brynna sentiu seu líquido precipitar-se em seu interior como uma maré. à medida que as ondas de prazer a devoravam. Ela o olhou e viu que estava sorrindo. Minha espada ainda está faminta pela batalha — suas mãos se moveram sobre seus seios. Abandonou-se. depois jogou para trás a cabeça. ganhou — a paixão obscureceu seus olhos — Mas foi só o primeiro assalto. erguendo até mais seus quadris. — Surpreendeu-me. 147 . Desta vez Brand a assolou. puxando-a para que se aproximasse mais. rodeando-a com um calor delicioso e dominante. Ele franziu os lábios apenas. mas o incandescente fogo em seus olhos lhe disse que seu prazer estava a ponto de ser liberado. — Minha derrota chega rápido. apertando-as com os dedos. Feixes de músculos esticaram seu pescoço quando um rouco gemido penetrou o ar. enquanto lhe beijava o pescoço e chegava a seus lábios.. para que seus assaltos lentos e devoradores chegassem mais profundamente.

embora a derrota de Brynna chegasse docemente. enquanto ele a provava. guerreiro. E no final saiu vitorioso. senhora? — Sim. E assim foi oferecendo sua vida ao guerreiro que a tomou até a manhã seguinte. 148 . com a urgência instintiva que lhe tinha dado a fama de "o Apaixonado". saboreando o sal de sua pele e sussurrando promessas de um prazer tão completo que não só se renderia. desfrutando seu corpo do mesmo modo que desfrutava na vida. entra perfeitamente. Brand a tomou como tomava todas as coisas. do modo que lutava no campo de batalha.— Entrou bem. Saboreou-a como se fosse à última vez que a possuía. não é assim. mas também morreria para que acontecesse uma e outra vez.

traçar a linha cheia de seus lábios. entretanto. Observou-a enquanto dormia. Embora quisesse permitir que Brynna tocasse essa crua e danificada parte de si mesmo. Tinha-lhe feito o amor toda a noite. amigo — anunciou e prodigalizou Brand com um sorriso malicioso. mas uma tensão tomou seu peito ante a idéia. um amplo sorriso iluminando seu rude rosto. de algum modo. A sombra da traição ainda o ferroava com seus espinhos. achava difícil tocá-la agora. Parte dele queria tomá-la em seus braços. apaixonadamente sensual. O que a fazia sorrir? O que enchia de lágrimas esses formosos olhos? Seu olhar percorreu um cacho de cobre caído sobre a bochecha. ficou de pé. William o deteve nas escadas. Queria tocar esse cacho e beijar a bochecha de alabastro. compassiva e amável. Colette lhe tinha tirado muito. briosa. né? — bateu nas costas do jovem cavalheiro — Agrada-me ver que não perdeu o fogo que queimava entre suas pernas antes que essa rameira Marson entrasse em sua vida. desejando perder-se na calidez que a envolvia. descobrir as coisas que acendiam esse fogoso temperamento. e afastou o olhar de seu rosto sereno. Apaixonada. — Perdeu um festim espetacular. Ela era sua esposa. Irradiava calor e perfeição. Era como se fazê-lo. fosse arrancar seu coração e deixá-lo nu diante dela. Gemeu. Mas Brynna era o tipo de mulher pela qual se travavam batalhas. como pressentindo a batalha que se formava dentro da mente de Brand enquanto acordava ao lado de sua esposa. bela. Tinha visto Brand levar sua esposa na noite anterior e o luxurioso brilho nos olhos de ambos —. desejando-a. 149 . e Brand levou a mão ao seu cabelo. Queria conhecê-la. percorrer com a ponta do dedo seus cílios. Mas estou certo de que teve um particular. gloriosa. vestiuse rapidamente e saiu do quarto. Passando as mãos pelo cabelo. não podia.Capítulo 14 O sol se ergueu sobre o horizonte.

— Temos que falar — disse. William — respondeu Brand em voz baixa. Quando por fim abriu a porta. Não quero amá-la. Seus olhos se encontraram com os dela. houve uma calidez que ultrapassou a raiva de Brynna e as 150 . Uma faísca de determinação brilhou em seus olhos. perdi algo muito mais valioso. Disso é do que temos que falar. e por um momento algo passou entre os dois. por isso teve que procurar algo de seu marido para colocar.— Não serve de nada. — Acaba de sair. Ajustado o objeto. — Que aconteceu? Onde está Brand? — Brynna se sobressaltou ao ouvir a seriedade na voz do duque. O coração batia em seu peito quando se deu conta de que o sol mal tinha saído e seu marido já não estava. a compreensão se desenhou no rosto do duque e uma grande pena encheu seu olhar cinzento. quando escutou batidas na porta. levantando a vista para olhar William antes de partir —. Colocou meias negras que ficavam bastante bem. William olhou para a porta do quarto de Brand. até que a amarrou na cintura com o cordão prateado de seu rasgado vestido de noiva. Os pertences de Brynna não tinham sido trazidos ainda para o quarto de Brand. De repente. — Aconteceu algo errado. Agora era hora de ensinar essa lição a sua esposa. entrando no quarto. levando uma mão ao peito. enquanto se dirigia a ela. junto a lareira. Ficava grande nos ombros e lhe chegava até os joelhos. William ficou olhando o brilho dos cachos negros quando Brand desceu rapidamente a escada. exceto pelo fato de que sobravam nos tornozelos. recordou como ficavam belamente apertadas em seu marido. milorde? — perguntou. Foi ele quem tinha ensinado a Brand que tudo o que tinha valor podia ser obtido com uma boa briga. Brynna estudou o homem selvagem que sentou em uma cadeira. A túnica de cor ocre que tirou de seu armário era outra coisa. surpreendeu-se ao ver William em toda sua estatura.

— Realmente é. uma calidez e um carinho que ambos compartilhavam pelo mesmo homem. — Dante me contou — disse Brynna. — Diga-me o que devo fazer. Meus homens e eu a encontramos vários dias mais tarde. Estive tentado a tomá-la. Lady Colette é a imagem da beleza. A força nos olhos do duque William lhe fez sentir que podia fazê-lo. — Seu marido está perdido e depende de ti para encontrar o caminho. Ma cher. O duque sorriu com um sorriso suave e gentil que surpreendeu Brynna. Sentou-se a seus pés e levantou a vista. Fui ver o pai da moça. Lorde Fredric de Marson. uma malcriada cujo pai mesmo estava tão aliviado para livrar-se dela. — É uma sedutora de olhos andarilhos e fogosos — disse William —. Você o quer — disse William com sábia certeza —. e a rameira me rogou todo o caminho que a devolvesse à casa de Brand.brincadeiras toscas de William. e sabe como atrair os homens para suas garras. Não viu razão para contar ao duque que ela tinha visto Brand com sua amante. com outro homem. — Não estou seguro de que seja contra Colette que deve lutar. Embora não acredito que tenha mostrado esse aspecto de si mesma a Brand até o final. então já sabe dessa perdida. queria saber. Como faço para que Brand se esqueça de lady Marson e da dor que lhe causou? — Ah. Necessitava-o muito. até se ofereceu como recompensa. porque é mais perfeita que a terra mais cobiçada. — Como posso lutar contra ela? — perguntou Brynna. Arrastei-a novamente à casa de seu pai. Brynna assentiu. vivendo a umas poucas léguas de distância. só para me inteirar de que Colette tinha fugido uma semana depois que Brand a enviou de volta para sua casa. mas contra o que fez a Brand. mas sua beleza é enganosa. — Parece uma malvada. Se havia algum modo de romper as grossas defesas de Brand. embora não estivessem casados. para poder escapar do rígido domínio de seu pai. 151 . que aceitou que vivesse com Brand. Se vê claramente em seus olhos.

— Então seja paciente e pormenorizada. para resguardar-se dela e evitar que chegasse a ele. e seu amor será digno de sua luta. Seus olhos eram 152 . Cavalgou sobre erva espessa e logo entre nogueiras e carvalhos. Brand cavalgava a toda velocidade. é certo. A terra tremia sob os cascos de seu negro corcel. e isso era o que estava destruindo-o. E o bosque.— Sim. da incerteza por ter desfrutado de sua esposa. não eu. Parecia tão real. para convencê-lo. com seus retorcidos ramos esticando-se para o sol para obter a calidez vital que lhe seria negada durante o inverno vindouro. Até ali não estava a salvo. ele viveu sua vida com paixão. E o que era real? Já não sabia. por querer estar com ela. Pensava que havia se preparado bem para casar-se com Brynna. Desmontou e deixou cair descuidadamente as rédeas para observar a superfície do lago. No bosque podia esconder-se da raiva e da dor que o perseguiam. — William se pôs de pé e tomou mãos da jovem entre as suas. Leva sangue de guerreiro nas veias. Não o pressione muito cedo. Ajude-o a viver deste modo outra vez. com a respiração pesada e difícil. Finalmente deteve o cavalo quando chegou a um lago que começava a congelar. levantando-a do chão. Ele só obedece as ordens que quer. Brynna. Já não estava seguro de ter tido êxito. Fechou os olhos contra a luz do sol e viu o rosto de Brynna. podia entender o frio vazio que sentia porque não queria amá-la. Mas foi você que o fez mudar de idéia. ele estava tão decidido a não casar-se que o rei teve que me arrastar até aqui desde a Normandia. embora não soubesse para aonde se dirigia. — Lute por ele. Certa vez. Por que seria tão tolo de deixar que outra mulher entrasse em seu coração? Acaso não tinha aprendido a lição? Alexander estava morto porque Brand se deixou cegar pelo que nem sequer tinha sido algo real. Luta por ele. Já conquistou muito. Arbustos e árvores frondosas podiam ocultá-lo dos demônios que o infestavam. Cavalgava como alguém açoitado por demônios. por desejar sentir seu aroma.

Suas expressões tão abertas. o cauteloso olhar lhe tirou o fôlego. — Quero estar sozinho — respondeu com menos convicção do que tinha sentido no último ano. Como podia confiar em seu bom julgamento quando se equivocou tanto anteriormente? Inclusive assim. sobre as raízes e as rochas. Ao dar a volta. Saberia o efeito que teve nele ao cuidar que sua carne não fosse ferida por um espinho? Protegeria seu coração com tanto cuidado? Seus pensamentos voltaram-se para noite anterior e uma cálida coluna de fogo lhe lambeu as costas.. E o assustava mais que o próprio demônio. dançando quando ela ria e ardia como seu temperamento quando se zangava. simplesmente se sentou ao seu lado na grama. viu Brynna saindo das árvores. ela tocou seu coração quando lhe deu essa maldita rosa. fogosos e provocadores. isso era o pior. olhando o lago. guiando o cavalo de seu pai pelas rédeas.. e diabos.tão fáceis de ler. — Que está fazendo aqui? — perguntou. Mas até isso não era suficiente para ele. Brand não tinha idéia de quanto tempo tinha passado ali sentado. Amava seu pai. Tampouco sentiu o frio que tocava seus músculos. tornando-os rígidos. afastando seu olhar turquesa. Queria que desejasse sua paixão a tal ponto que nunca pudesse ser satisfeita por ninguém mais.. e seu amor e lealdade por Avarloch eram perfeitamente claros quando se ofereceu para lutar com ele pelo castelo. Mas era ele quem a desejava. podia ver o vívido verde de seus olhos. para evitar uma batalha que nem sequer teria estado ali para ver.. Ela não disse nada. E quase nem escutou a voz que o chamava. Olhou fixamente a superfície iluminada da água e permaneceu em silêncio. Até mesmo quando se casou com um descarado frio e distante. Caminhava com a capa amassada ao redor de corpo. Em sua mente. 153 . Como tinha conseguido acender um desejo tão cru nele? Tinha querido que Brynna o desejasse. — Não quero que fique sozinho. Sabia que nenhuma mulher o satisfaria como fazia Brynna. Seu longo cabelo lhe cobria os ombros e Brand ansiava tocá-lo para encontrar sua própria calidez dentro das mechas de bronze. Quando seus olhos se encontraram.

— sua voz se perdeu e baixou os olhos ante seu penetrante olhar. não lhe importava o que pensasse. Seus ombros ficaram tensos e inclinou-se. Dante e William me contaram.— Sei sobre ela. Já era hora de que soubesse a verdade. Sei de Colette. rompendo o silêncio que se estendia em seus olhos cheios de fantasmas —. Os olhos de Brynna se encheram de lágrimas. Os olhos de Brynna se entrecerraram. — Non. — Como posso esquecer que meu marido ama outra? — Isto não tem a ver com o amor. Estava sozinho no começo e te observei. nadando em uma lagoa muito parecida com esta — se voltou para o lago congelado e seu olhar parou ali. ama como te fiz sentir ontem à noite.. Brand — admitiu Brynna. marido.. vi você com ela. Logo ela chegou. — Não. Brand por fim a olhou. Ela não significa nada para mim. enquanto recordava esse belo dia —. Não confunda as duas coisas. Como pode não significar nada? Ele piscava. observando a fria. eu te amo. não é certo — suspirou ele —. mas não deixou que caíssem. — Não significa nada? — perguntou Brynna com incredulidade —. Bem. procurando em seus olhos o homem do qual sentia saudades —. meu amado — o corrigiu. Brand — sussurrou. vi em Porthleven. Brynna. — Deve esquecer o que lhe contaram. — Não deveriam ter dito nada. Brand — Brynna voltou seu olhar para ele —. Você e eu não nos casamos por amor — respondeu inexpressivamente. quando sacudiu a cabeça. 154 . e afirmou com um leve sorriso de dúvida: — Queria me ver morto quando cheguei a Avarloch. — Não. A dor lhe apertou o coração. Ainda está apaixonado por ela. Você reclamou meu coração na primeira vez que te vi. Ele certamente não confundia as duas coisas. disso estava certa. Eu a vi. cristalina superfície da água que fazia jogo com seus olhos. — Mas eu te amo.

Brynna. Fez um esforço para produzir um bom gesto de recriminação e lhe fazer saber que não aprovava seu costume de espiar e escutar atrás das paredes. com uma ternura acolhedora. acha que me ama? — Sei que te amo. — Sabia que havia alguém em sua vida a quem amava. compreendendo agora tudo o que ela tinha visto. notou que ela estava vestida com sua roupa e lutou para não sorrir. quando nossa carruagem se deteve devido a uma árvore caída — Deus querido. — Meu povo matou a sua mãe. Recordava o dia que ela tinha mencionado. Que estranho. — Sei — ela quase não respirava. Mas ele piscou e seus olhos se suavizaram.— Viu-nos? — foi tudo o que pôde dizer muito surpreso pela confissão para dizer algo mais. Brynna assentiu. pensou. Procurou sua raiva em sua alma. Brynna se esforçou para sustentar seu olhar. —E depois de tudo. Te vi. — Estava visitando meu tio. e nunca esqueci. A confusão enredou sua mente. —O que estava fazendo em Porthleven? — no mesmo instante em que perguntou. Queria estar zangado com ela porque não lhe havia dito que sabia sobre Colette desde o começo. Minha companhia passou por Porthleven de volta para casa e eu fui caminhar sozinha. que somente a olhava. esse sentimento sempre espreitava perto de seu coração. seu pai vai partir de Avarloch por minha culpa. — Soube de Colette todo o tempo — disse. mas não pôde achá-la. sentia-se tão aliviada ao falar disso com ele —. Brand a estudou. — Mas tomei seu lar — recordou em voz baixa —. observando-o enquanto voltava a cabeça para 155 . Suas palavras finalmente começaram a fazer sentido para ele. — Sim. Brand . Perdoe-me por não lhe dizer isso. tão formoso e apaixonado pela vida. Inclinou a cabeça tentando discernir se estava dizendo a verdade. quando pensava em Colette.— respondeu.

Admita — persistiu ele. aproximando-se mais. Era um sorriso que Brynna tinha visto antes.. Acariciou-lhe a áspera bochecha. — Indignada. e o coração de Brynna deu um salto. seus olhos eram como a água brilhante. Estava nu deixando que a água te banhasse com um alegre abandono. não seu corpo. ela cruzou os braços sobre o peito e tentou afastar o olhar. as sombras que povoavam seus olhos se desvaneceram. — Asseguro senhor. À luz do sol. inesperado e totalmente radiante. — Não admito nada. — Agrada-me saber que a visão de meu corpo te encantou dessa maneira — seus olhos dançaram com humor e afeto. arrebatou-te minha imagem — riu em um murmúrio. quero dizer a felicidade em seu rosto o que me cativou. O sorriso dele era real e não calculado. divertido.dirigir à água seu pensativo olhar. feliz. Ela acreditou ver os cantos de sua boca elevarem-se em um leve sorriso. — Obrigado por ontem à noite — adicionou. Inclinou a cabeça até que seus lábios pousaram sobre os dela —. e enquanto ele voltava esse maravilhoso sorriso para ela. algo cheio de sentido.. e enquanto Brynna os olhava. com um sorriso libidinoso: — e por esta manhã. inocente e malicioso ao mesmo tempo. mas ele tomou seu queixo entre as mãos e levantou o rosto para olhá-la. que já estava ruborizada e sem fôlego. — O que é que viu. E logo ela chegou e não pude partir. maravilhas marinhas. aspirando o aroma do cabelo de Brynna. atrás desses malditos arbustos morta de medo de ser descoberta. quando Brynna revirou os olhos e lhe deu um empurrão —.. Estava presa ali.. acreditou ver algo em sua vastidão. O rosto de seu marido se abriu em um sorriso mais amplo. exatamente? Brynna suspirou ao recordá—lo. — Foi meu corpo — insistiu ele.. — Tudo. que era seu rosto. — O que acha tão engraçado? — perguntou ela.. 156 .

mas quando viu que Alysia aplaudia freneticamente e pulava de alegria. — Quantos de seus homens venceu até agora? — interrogou Brand. Não gosta de perder em nada. Brynna conteve o fôlego. encontraram William no parapeito da entrada observando atentamente enquanto Dante lutava com um dos cavalheiros do duque. — Alguns podem chamar assim — disse com um suspiro exasperado. Brynna? — Sim — respondeu ela ofegando. para que William o estivesse tomando com tanta seriedade. As espadas chocavam-se e cintilavam. sabendo que o número devia ser elevado. parece que está perdendo. que agora bramava ao seu homem porque tinha perdido. ******************* Ao retornar ao castelo. William mal olhou em sua direção quando Brand chamou-o. — Foi mais que um simples dever — sussurrou. antes de afrouxar as rédeas e galopar para ele. e continuou repreendendo seu cavalheiro vencido.— Não tem necessidade de agradecer a sua esposa por cumprir com seu dever. William? — sorriu Brand soltando as rédeas. — Isso é uma prática? Brand sorriu levemente sacudindo a cabeça ante o duque normando. Ah. — Vamos — gritou para Brynna. cheio de malícia. pensou. 157 . Dante sorriu e trocou um rápido olhar de assentimento com seu irmão. — Praticando um pouco de batalha amistosa. — Brand lançou um largo olhar de soslaio. senhor. por isso até as práticas se convertem em uma batalha. e lhe roçou a boca com os lábios —. E neste momento. era mais que isso. enquanto ele a recostava no chão e desamarrava sua capa. olhou perplexa para seu marido. antes que a beijasse. —William é muito competitivo. Não é assim.

piscando um olho antes de voltar-se para o duque. Dirigiu-se para Brynna e a ajudou a descer do cavalo. mas se Dante ganhar terá que se inclinar diante de todos nós e me beijar o traseiro. Brynna observou o musculoso guerreiro de seu cavalo. lançando um beijo a seu pai quando piscou um olho. ele — assinalou Lorde Richard. arqueando uma sobrancelha em sinal de admiração. Brand desmontou. — Seu irmão tem que brigar com um homem mais.. Isso. De seu cavalo. cético. Então o duque sorriu como um lobo a ponto de saltar. antes de ser declarado campeão. Os vassalos de Avarloch o aclamaram e Brynna se uniu à aclamação.. com satisfação. Dante tinha derrotado sete homens e não estava nem cansado.Dante jogou a longa espada sobre seu ombro e deslizou o olhar para o duque. faziam-no parecer como se acabasse de descer do monte Olimpo. sabendo que isso enlouqueceria William. Brand deu a volta e dirigiu-se para sua esposa. passando as rédeas a Peter. calçando uma grossa luva de couro na mão. me parece que terminou. — E quem é esse homem? Você. — Sete. — Não sei. Brand levantou uma sobrancelha. Seus ombros sacudiram levemente ao rir. enquanto ele sorria. somado ao modo como os raios sol brilhavam sobre seu colete de malha. sua expressão divertida se transformou em um sorriso vitorioso. Uma de suas donzelas gritava algo sobre Hércules e Dionísio. — olhou para Brynna e piscou um olho. — Isto não terminou ainda — anunciou William a todos os presentes. 158 . E se sir Richard ganhar. Brynna teve que admitir que Lorde Dante Risande era um homem extremamente atraente. — Muito bem! — gritou Brand enquanto William caminhava para o campo de batalha —. — Non. que acabava de sair da torre de entrada. William? O duque devolveu o sorriso zombador e escuro do Brand e sacudiu a cabeça. você se inclinará ante sua esposa e me beijará o. — Oui — concordou William —. Will.

Lutaram durante muito tempo. Diga-me. Brand observou. e voltou seu olhar tranqüilo para a luta. quando o duque gritou para que todos fizessem silêncio. que pegou Brynna de surpresa. levantando as enormes espadas sobre a cabeça. mais do que Brand tinha 159 . Nunca o trairia como tinha feito Colette. Dante conseguirá inquietar William e isso o deixará louco. Brand não se alterou. Sir Nathan é um dos guardas de meu tio... — Não sei formosa. mas era bom saber que seu marido estava começando a sentir ciúmes. Brynna pôde ver a satisfação em seu perfil e sorriu. mas sei por experiência. e quero estar aqui para ver. com expressão divertida. que ameaçou me açoitar. que seu pai é muito habilidoso. Dante e Richard ficaram frente a frente. Deus santo. — Feriu-o quando quebrou a vassoura em sua cabeça? — Sim. quem é Nathan? Perguntou tão despreocupadamente. não — Brynna riu e estremeceu ante a idéia —. Dante é um guerreiro poderoso. Era alguém a quem seu pai tinha lhe prometido? — Ai. com sua enorme espada reluzindo ao sol. e se voltou para ela. Recebeu uma feia ferida em cima do olho direito. enquanto Richard caminhava em direção a Dante. — O que? Como sabe de Sir Nathan? Seu marido riu de William. Qualquer que seja o resultado. — Disse que lhe tinha partido a vassoura de sua tia Gertrude na cabeça quando ele acreditou que não podia lutar com ele. — Bem feito — disse seu marido em voz baixa. Com os braços cruzados sobre o peito.E o fez. William ladrou ordens para que todos se afastassem e abrissem caminho a seu cavalheiro campeão. Um tolo mal-humorado. — Pensa que meu pai perderá? — perguntou Brynna e lhe beliscou o braço. Por que de repente lhe perguntava sobre um homem que ela tinha mencionado mais de uma semana antes? Sorriu porque não lhe tinha perguntado sobre Nathan antes.

lançando um olhar perigoso ao homem a quem tinha ensinado a ser tão diabólico. E um exército sem seu líder é vencido rapidamente. Os movimentos do jovem guerreiro eram precisos. tinha a esperança de que sua esposa se encarregasse de pagar sua aposta. — Toma a espada. — Que pena — respondeu o duque. Em resposta. —Se esta fosse uma batalha real. Brand lhe ofereceu seu mais radiante sorriso e se inclinou. venci. Descarado. —Tirou sua espada e deu um passo atrás. perto de seu ouvido —. — É desumano — disse o duque normando em tom de brincadeira. William girou lentamente. neste mesmo instante. — Cancele o trato — ouviu o grunhido a suas costas. Devolvia os golpes com astúcia e evitava as contundentes investidas sobre sua cabeça. Deu a volta para procurar Brand. meu amigo. mas Brand o sossegou com um leve movimento de sua espada. 160 . não ganhou.previsto. mas a experiência de Richard finalmente ganhou o título de campeão. e estava a ponto de abrir caminho para Richard quando sentiu o frio e duro aço entre as pernas. pensou William triunfalmente. Eu. selvagens e carregados de um poder devastador. e um sorriso cruzou seu rosto. quando chegasse o momento. E tire esse sorriso zombador de seu rosto. William aclamou exaltado ante o triunfo de seu homem. de um lado para o outro. fingindo estar aflito —. mas seu amigo não estava em nenhum lugar. William começou a protestar imediatamente. Ficou rígido. não te beijaria a mão. Brand levou a mão ao coração. porque estou bastante seguro de que ela lhe teria arrancado isso com uma dentada. levantando seus olhos cinzentos para olhá-lo a cada dois segundos. muito menos essa diminuta amostra de virilidade que minha espada está ameaçando. estaria morto. E para deleite de Brand. William caminhava nervoso. William. confiando que o duque não lhe cortaria a cabeça. Brand moveu a espada uns milímetros e William se sacudiu.

quando chegou junto a eles. Richard lançou um rápido olhar de soslaio a sua filha. — Devemos muito ao duque — Brand focou seu olhar em Brynna e o modo como seu cabelo brilhava. Lamento. — Seus olhos procuraram Brynna como o faziam sempre quando ela não estava ao seu lado. um fato que sua mente não podia compreender. — Oui. — Fiz assim. enquanto se dirigia para onde estava William. não é? Seu genro assentiu. 161 . — É um bom começo — disse sabiamente. — Os guerreiros carecem de tato.— Obrigado. como teria feito William. não lutei contra homens tão habilidosos desde que enfrentei os bizantinos em batalha. — Brynna está muito formosa um dia depois de suas bodas. — Brynna passou seu braço pelo de seu marido. Seu sorriso se ampliou. então? —perguntou o velho cavalheiro com um tom malicioso. obrigado por perguntar — tropeçou com as palavras. — É seu pai! Por que queria saber algo assim? Ela encolheu os ombros. — Tudo foi bem na noite de bodas. o sorriso congelou em seu rosto. Sorriu amplamente e lhe deu uma palmada nas costas. Richard não notou a inquietação de Brand. como o fogo sob o sol. a incredulidade ante a pergunta de seu sogro nublou seus olhos. assim é. a ti e a seu irmão — admitiu Richard logo depois que Brand o felicitou por sua vitória —. — Bem. Encontrou-a perdida sob o peso do abraço de seu pai. Brand levou a mão de sua esposa até sua boca. — Estava preocupado pensando que me tomaria a golpes. Os olhos de Brand se tornaram maiores. — William os treinou bem. deixando os recém casados olhando-o fixamente. Voltando-se para ela com um repentino ar sensual.

sempre parecia acontecer quando pensava nela. ele também se afastou. Brynna o olhou afastar-se e tremeu ante a crua masculinidade que possuía. Logo riu para si e se encaminhou para o estábulo. 162 . mas Brand a beijou. Até luzindo uma túnica duas vezes maior que seu corpo. sua esposa o deleitava e encantava sua alma.. e logo sorriu a seu pai. Para ver sua égua. o qual sorriu ao perceber.. caminhando. Capítulo 15 Brand subiu as sinuosas escadas com um coração que parecia mais leve que de costume. antes que pudesse dizer uma palavra. caminhando de costas para ela. _ depois de ontem à noite. apaixonada e espontaneamente. — À cama — deu a volta. deixando-a sem fôlego. Sorriu recordando quando viu Brynna parada no parapeito vestida com sua roupa. Estava muito cansado para excitar-se novamente.A jovem abriu a boca para protestar. — Aonde vai? — perguntou ela a suas costas. Tirou a imagem da cabeça. quase não posso permanecer em pé.

como o trovão. e as simples brincadeiras cotidianas. E Brand tinha uma grande afeição por ele. O duque tinha o braço nas costas de Richard e havia um brilho endiabrado nos olhos de William. o amor. Seu pálido cabelo loiro solto sobre os ombros era como uma névoa de seda que ricocheteava. quando cruzou com Rebecca. para tomá-la em seus braços. que Brand podia ver de sua janela. Por um instante. Por Deus. logo depois de voltar de uma batalha. procure o escudeiro Kennet e diga que traga a água para meu banho. — Bom dia. Quando Brand entrou em seu quarto.Quase tinha chegado ao final das escadas. a primeira coisa que viu foi o vestido de noiva de Brynna sobre o tapete de pele de urso. Brand sorriu. Brand ficou rígido. — Non — começou a subir. e se viu esperando que se aproximasse. que descia. saboreando-a com uma paixão que os impulsionava na batalha. Aconteceu algo? Voltando para o presente com uma piscada. pensou enquanto saía em busca do Kennet. Riu. a donzela de Brynna. — Em seguida. Com apetite. tinha visto o mundo girar 163 . para a batalha. o coração de Brand se abrandou. até depois de Colette. mas voltou a deter-se e voltou-se para ela— por favor. o homem era tão belo. Eram homens que preferiam morrer antes que não sentir mais a gloriosa calidez do sol no rosto ou o vento lhes tocando a pele ao partir. William sempre o fazia rir. milorde. O que houve. adivinhando que seu amigo estava planejando algum tipo de represália contra ele. milorde — Rebecca suspirou em silencio ao vê-lo afastar-se. notando que o novo senhor a olhava fixamente —. para aspirar seu perfume. retornou ao castelo de Graycliff e observou Colette. Foi para ele e o levantou. Deteve-se ao passar por seu lado. na planta baixa levou Brand à janela ainda com o vestido apertado contra o nariz. milorde — o saudou a pálida beleza. quando caminhava. Tinham compartilhado a vida do mesmo modo. Mas Brand tinha mudado. O som da risada forte de William. proveniente do parapeito. Ao observar o duque patife. levando o delicado tecido a sua bochecha.

até que encontrou a cor da primavera nos olhos de Brynna. Rebecca o olhou. Antes de sentar-se. Para seu deleite. — Está bem — disse —. Observou da janela enquanto quatro jovens escudeiros arrumavam o biombo e vertiam água na tina de banho. estou cansado e temo que talvez durma e me afogue — sorriu à donzela. — Está doente? — N-não. mas não a via em nenhuma parte.. entretanto. eu me encarrego do resto. precisava dormir e sabia que se as mãos de sua esposa lhe tocassem o corpo. lembrou-se de respirar. — Quer que o atenda. procurando seu aroma no vestido. Na realidade. exalou tão explosivamente que Brand se voltou para vê-la. E lave o cabelo também. por favor — pediu Brand. quando chegou a água quente para o banho. permaneceria acordado ao menos outra hora. Rebecca aguardava na porta até que terminassem. sem perceber o efeito que produzia nela. encantada enquanto preparava o sabão e as toalhas. Preferia que Brynna o atendesse. Brand olhou pela janela.. Além disso. como resto de sua roupa. Rebecca de repente. ele não se cobriu quando tirou as calças. Lançou o vestido de Brynna sobre a cama e começou a despir-se. Dava-lhe as costas e a donzela sentiu uma comichão. — deslizou-se dentro da tina. ajoelhou-se e tomou uma pequena toalha para banhá-lo. afundando a cabeça na água 164 . lançou a toalha no chão. — Onde està Kennet? — Não pude encontrá-lo. senhor? — perguntou logo depois de despedir os escudeiros. dando um grunhido tão denso como o vapor que se elevava ao seu redor. Brand se meteu na água. milorde. e olhou a Brand que ainda agarrava o vestido de sua esposa entre as mãos. Inalava. — Foi até a tina. — Só as costas e os braços — disse—. — Alcance-me uma dessas.horrivelmente insípido e descolorido. enquanto observava suas nádegas esculpidas e suas fortes coxas. e ela estendeu uma toalha limpa para cobrir-se.

Suas pálidas mechas eram agora um tom mais escuro e pendiam ao lado do rosto. Abriu a porta esperando encontrar Brand e seu irmão compartilhando um brinde. Rebecca se colocou atrás dele. Quando voltou a sair. Logo depois de uns minutos. irei procurar em seguida. Esfregou e massageou o couro cabeludo com os dedos. nunca foi divertido banhá-lo. perdoe-me — disse Brand abruptamente. — Está tão tenso. — Aaaaah! — chiou ela. enquanto os dois riam juntos agora. enquanto gotejava água de cada fio. — Se quiser azeites — sua voz atravessou o ar com uma mescla de mel e estricnina —. Enquanto deslizava a toalha molhada e ensaboada pelos braços de Brand. afundou de novo para enxaguar-se. O coração de Brynna gritou em seu peito.. mas se sentia excelentemente bem e deixou que a alegria o alcançasse. A profunda. sacudiu a cabeça com força. Brynna estava a ponto de entrar no quarto. Ele sorriu. O que precisa é uma boa massagem com azeites medicinais. quando escutou o maravilhoso som.. isso soa maravilhoso. fazendo-a sorrir. — Diabos. mas ficou quieta.para molhar o cabelo. Já era suficiente! Brynna não suportava escutar outra palavra. quando voltou a emergir e começou a lhe ensaboar as grossas mechas negras. — Umh. voltando-se para vê-la. —Brand suspirava. tão lentamente que pôs Brynna furiosa —. — Que agradável sensação. Seu sorriso se desvaneceu rapidamente quando viu Rebecca. salpicando à donzela com água morna. robusta música da risada de seu marido encheu os corredores e ecoou em seu coração. 165 . levemente a princípio. se cobrindo com as mãos para proteger-se da água que a molhava. — gemeu Brand —. sem ser vista. Marchou para a tina com as mãos formando punhos. Brand surpreendeu-se com sua própria risada. Ele gemeu e a donzela fechou os olhos a suas costas. e depois jogou a cabeça para trás e começou a gargalhar. — Você é muito diferente de Lorde Richard — a beleza de cabelo loiro o adulou.

pode ir ajudar Peter a limpar o esterco dos estábulos. Quando a moça se retirou. Depois olhou para Brand e à toalha que jazia no piso ao lado da tina —. você. tomou a toalha molhada e a lançou em seu marido. fétido pedaço de esterco de inseto? Abriu muito os olhos. — Cuida dessa boca. jurando não lhe deixar ver a ferida que acabava de causar. — Nunca houve — Suas palavras a atravessaram.. Brynna.Rebecca se surpreendeu tanto pelo som e a presença de sua ama que caiu para trás. quando saiu correndo do quarto. com a dor que lhe provocou a fria afirmação. — Não seja tola. 166 . — Ai! — Brynna se dirigiu para ela —. minha querida moça? Lamento tanto — tomou o braço de Rebecca e com um puxão a levantou e a olhou com fúria. como se alguém a tivesse empurrado com força. — Mas sou uma tola. Te assustei. escurecidos pela fúria que se apoderava dele. e todo traço de humor se desvaneceu de seus olhos. enquanto um fogo azul emanava dos olhos de Brand. Os olhos de Rebecca estavam cheios de lágrimas.. você. mas ela o ignorou e olhou indignada a sua assustada donzela. mas se conteve. lançando adagas verdes. — Que pena... Estava de pé agora. jorrando água de cada parte de seu corpo. esposa — Brand advertiu ameaçador. Por um instante Brynna quase cambaleou. Seus olhos se entrecerraram. — Agora pode terminar de banhar meu marido. e quando terminar. Brynna voltou seu indignado olhar esmeralda para Brand. — Brynna! — a voz de Brand era como gelo. saliva de rato! Uma tola por te amar e por pensar que havia uma possibilidade. — Está zangado porque te interrompi. agora terá que se banhar sozinho — alfinetou Brynna com veneno. Deixou cair isso — se agachou rapidamente.

— Na verdade é uma besta fria e desalmada. Não te importa de quem é a flor que floresce em suas mãos, se a minha ou a de uma donzela, as duas significam o mesmo para ti. Brand assentiu. — Assim é — confirmou com um sorriso gelado. Mas não o sentia. Nunca ninguém o tinha excitado como tinha feito Brynna, como o fazia até agora enquanto cuspia seu ódio por ele. Seu fogo o fazia sentir-se vivo, enquanto os aguilhões da paixão se cravavam em seu sexo, uma paixão que lutava por controlar antes que crescesse ante os olhos dela. _ A um selvagem não importa quem grita debaixo dele, sempre e quando gritarem pedindo clemência. Mas não a terá. As palavras de Brand a assustaram, mas também a enfureceram, e sua raiva, como a de sua mãe, sempre dominava seu temor. Brynna endireitou os ombros e desafiou o olhar de seu marido. — Não escutará nunca mais um grito de meus lábios, nem de paixão, nem de medo. Juro isso, você, sujo caipira. — Voltou-se para partir, mas a mão dele se estendeu e se fechou ao redor de sua cintura. Saiu da banheira e a atraiu para seus braços. Não havia nada gentil em suas ações, nem em seus olhos, só fúria e paixão rugindo desatadas. — Esta é a segunda vez que me acusa falsamente. Nunca volte a fazê-lo, a não ser que me veja fazendo amor com uma de suas donzelas. Quanto a gritar, juro isso, esposa, não só te farei gritar debaixo de mim, mas também me rogará que não me detenha. Rogará penosamente até que te encha uma e outra vez, e nunca será suficiente — sua respiração era quente contra seu rosto, seu corpo rígido e preparado para tomá-la. — Nunca! — disse Brynna, tentando furiosamente escapar de seu abraço, mas ele se precipitou sobre ela e a levantou do chão. Com três passos gigantescos Brand a levou para a cama, ignorando os insultos. Deixou-a cair sobre o colchão, com descuidada desconsideração. Ela ricocheteou como uma mola. — Vou deste quarto, Brand.
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— Non, não o fará. Não até que termine contigo — Tire a roupa antes que lhe arranque isso. — Não o farei! — afirmou Brynna, balançando as pernas para o beira da cama. Ele saltou sobre ela, como um felino. Eram as roupas dele que usava, mas as arrancou da mesma forma. Brynna queria gritar, mas tinha jurado que não o faria. — Nunca voltarei a me render diante de ti, escória normanda! — gritou com os dentes apertados, enquanto seu marido lançava a roupa ao chão e a recostava, com um empurrão. — Então a batalha vai recomeçar. — Sua voz lhe ferroou os ouvidos com tanta força como a mãos que a seguravam à cama. — Que seja bem-vinda — Brynna levantou a cabeça do travesseiro para lhe gritar no rosto, mas ele só a olhou, admirado. — Pensei que era minha imaginação — ofereceu um sorriso enfurecedor —, mas, na verdade, é até mais bela quando está zangada, Brynna. Se soubesse o que está me fazendo neste momento, estou certo de que te submeteria rapidamente. — Nunca, mentiroso! — ela lutou com fúria debaixo dele, mas sua pressão era muito forte, seu corpo a cobria como o aço. Podia sentir a carne excitada contra sua coxa e se surpreendeu de que a ele ainda sentisse um pouco de desejo. Não importava. Ignorou o ávido palpitar, a feroz luxúria em seus olhos. — Isto te faz sentir como um homem? — zombou. Um canto de sua boca carnuda se levantou, formando um meio sorriso lascivo. — Por que não me diz isso você? — Agarrou, com força, a mão e levou a palma para baixo, ao longo de seu corpo, balançando seu peso sobre ela. Ela mordeu o lábio quando ele deslizou seus dedos além de seu abdômen de aço, até sua ofegante vara de ferro. Sua voz se tornou rouca com o esforço para controlar-se, quando fechou os dedos ao redor de sua rigidez —. Como o sente você?
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Brynna conteve o fôlego ante a vida que pulsava entre seus dedos. Um calor inflamado fluía dele e parecia enchê-la, mesmo contra sua vontade. Brand gemeu. Tomou o mamilo com os dentes, banhando-o dentro de sua boca com a língua. O bico rosado se ergueu até enquanto lutava contra ele. Sua língua umedeceu a crescente dureza, e depois lambeu ferozmente. A dor, e um sobressalto de prazer, levou a mão de Brynna até mais embaixo. Queria gritar, mas não podia... tinha jurado não fazê-lo. Soltou-lhe a mão, mas ela não a tirou de sua rígida carne. Deslizou os dedos pelo interior da coxa, seu contato a provocava, acariciando-a, lhe fazendo apertar a dureza entre seus dedos. — Está pronta para mim, esposa? — sussurrou com uma voz rouca. — É um selvagem — respondeu Brynna sem fôlego. De repente, seu dedo mergulhou profundamente dentro dela, Rolando, acariciando delicadamente e levando-a a um êxtase inimaginável. Ofegou, arqueando as costas. Brand lhe mordeu o pescoço, esforçando-se para não parti-la em duas com a endurecida lança que estava a ponto de explodir em sua mão. Acariciou o botão de seu desejo com o polegar e Brynna se sentiu assaltada por ondas de êxtase sexual. Era tão intenso que queria gritar, clamar, rogar que a penetrasse e a enchesse com sua poderosa carne. — Nunca — disse sufocada, respondendo a si mesma em voz alta. Brand sorriu em cima dela. — Oui, agora — a corrigiu, tomando sua mão uma vez mais para que ela o guiasse —. Agora, Brynna — sussurrou, e ela o levou dentro de seu corpo, e logo o soltou e ele avançou ferozmente, grunhindo. Brynna tremia enquanto os espasmos de prazer percorriam seu corpo. Toda idéia de negar que quisesse a paixão deste homem sem seu amor se pulverizou como folhas caídas no vento outonal. Queria tudo o que estava lhe dando. Queria que a enchesse, como estava fazendo agora. Deu-se conta que amava o peso de seu corpo sobre o dela, a aspereza de sua mandíbula ao roçar sua bochecha delicada. O modo como seu corpo se movia em perfeito ritmo com o dela, a impulsionou a elevar os quadris, até que os fogos que
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lambiam sua carne e suas costas e vinham de dentro da úmida caverna, onde ardia seu prazer, se fizeram quase insuportáveis. A paixão de Brand era tão tumultuosa como o mar durante uma tormenta. Cavalgou sobre Brynna com um passo febril, já não lhe importava a ternura, só o prazer, quente e doce e selvagem em sua avidez. Queria consumi-la, ser consumido por ela. O apertado túnel de desejo de Brynna acariciavam sua virilidade e Brand sentia cada um dos músculos voltando a reclamá-lo, quando retrocedia, enquanto suas dobras aveludadas o acariciavam como lábios úmidos. O êxtase chegou ao topo envolvendo Brynna. Mordeu-lhe o ombro, afundando as unhas em suas costas. Agarrou-se a ele desenfreadamente, movendo-se com ele, como lhe ordenava. Todo controle se desvaneceu e ela encontrou no ardor de sua boca uma urgência igual à sua. E logo ele emitiu um som que não era como nenhum que tivesse escutado. Era o som do prazer que se tornava audível, tangível. Era sensual e erótico, masculino e cru. Não um grunhido, mas uma série de sussurros roucos e primitivos. Brynna não sabia se não tinha sido esse mero som que a fez gritar. Quando o êxtase a transbordou. Abriu os olhos para ver o rosto que tinha desejado, e ali estava. Um regozijo estranhamente angelical em seu feroz e exuberante êxtase, formava em seus lábios um amplo sorriso. Seus olhos se fecharam quando a encheu, movendose dentro das águas de seu corpo. Inalou, como se o ar fosse uma delícia para seus pulmões, depois apertou os lábios, impulsionando-se mais profundamente dentro dela. Sua paixão era tangível, manifestava-se em seu sorriso ardente e selvagem. Brynna afundou as unhas em sua carne, enquanto as cores explodiam dentro dela em infinitas convulsões, que pensou que nunca acabariam. Gemendo, contendo gritos de êxtase que ameaçavam sair, ela foi se aquietando. E sua sensual fantasia permanecia ali, jogando a cabeça para trás como uma formosa e primitiva fantasia feita realidade. Ele franziu os lábios e um áspero grito gutural saiu de sua garganta. Logo paralisou-se em seus braços,
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esgotado, completamente exausto. Queria dizer algo, mas não pôde. Rolou para o lado e a atraiu para seus braços, e em segundos estava dormido. Brynna descansou ao seu lado, aconchegada em seu peito e fechando com força os olhos, para deter as lágrimas que ameaçavam afogá-la. O homem da lagoa ainda existia. Estava ali, com ela agora. Tinha empurrado Brand para a borda do que se acreditava que era a paixão, do modo como o tinha feito a mulher na água, quando o viu pela primeira vez. Só que era uma paixão diferente, mas não menos intensa. Suas paixões... as coisas que experimenta... consomem-no. Seja felicidade, ódio, luxúria, ou amor, igualmente o consomem, disse-se Brynna, recostada junto ao seu homem. E soube, nesse momento, que não importava o quanto maravilhoso fosse seu desejo por ela, precisava ver a paixão de seu amor dessa mesma maneira. Precisava senti-la, tocá-la, vivê-la. Seus pensamentos voltaram-se para aquele dia em que o duque da Normandia tinha ido ao quarto de Brand para falar com ela. Tinha pedido que fosse paciente. Fez-lhe prometer que tentaria, jurando que seu marido era um bom homem pelo qual valia à pena lutar. — Digno da batalha. Brynna escutou em sua mente as palavras do duque William, enquanto estava deitada na cama com Brand, olhando as negras e densas pestanas que repousavam sobre seus olhos. Sabia que não tinha opção além de lutar. Por sorte, era algo que sabia fazer bem. De algum modo, tinha que ganhar o amor deste guerreiro. Tinha que encontrar um modo de derreter seu gelado coração. — Digno da batalha. — Sim, certamente é — sussurrou Brynna e acariciou seus cachos negro —, e, meu amado esposo guerreiro, vencerei.

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— Brand. meu amor. com a leve consciência de estar despertando para a realidade. — Colette! Brynna sussurrou o nome de seu marido na escuridão. por favor. quando se sentou na cama. pousou a ponta dos dedos em seu ombro —. 172 . O fogo intenso da lareira se reduziu a umas poucas brasas acesas. Voltou a cabeça para Brynna e ela retrocedeu. Seu coração se quebrou em pedaços que cravaram em seu peito. Com cautela. como se tocar sua pele pudesse feri-la.Capítulo 16 O som de um grito carregado de dor despertou Brynna na metade da noite. acorde — o chamou meigamente. ante o horrível vazio que reinava em seu olhar. Seus olhos se abriram. acorde. mas havia suficiente luz para ver seu marido dormindo.

173 . a jogou sobre os ombros nus e se aproximou do fogo. sem voltar-se para Brynna—. Brynna — fez uma pausa recordando a angústia de sua traição refletida no olhar aterrorizado de Alexander. Ela o observou. Mas eram suas próprias emoções que o tinham traído. Sempre deixei que me governasse o coração. — A odeia. sustentá-lo em seus braços e lhe prometer coisas nas quais pudesse confiar e acreditar. separaram-se dela. em silêncio. e esticou as mãos para esquentá-las. por favor. Ao achar sua capa carmesim. parecia quase luminoso apesar da palidez que o cobria. Brand tirou a colcha de cima e abandonou a cama. Brand se ergueu. Brynna o observou afastar-se e levou a colcha até o pescoço. fiz escolhas com as quais devo viver o resto de minha vida. com renovada força dando mais luz ao quarto e mais calor.. afrouxaram-se à medida que o fogo o aliviava de um modo em que Brynna não podia fazê-lo. Mas parecia não escutá-la. O amor transforma os homens em idiotas — disse. e Colette era a mulher que Brand queria. Mas o que lhe diria? Ela não era Colette de Marson. Brand — Brynna mal sussurrou—. já não a amo. Turbulentos oceanos azuis procuraram seus olhos por um momento. uma vez mais. Nunca voltarei a cometer o mesmo engano. Seus ombros. tão largos e poderosos. e depois saltaram. enquanto tomavam o rosto. Inclinou-se para alimentar as faíscas moribundas com lenha. mas entendo que ainda a ame. Seu corpo nu movendo-se na tênue luz do fogo da lareira. como se não encontrassem o que necessitavam. Saiu da cama. a odeia. precisava chegar até ele. antes de morrer—. não vá. O que poderia penetrar o gelo que envolvia Brand e encerrava seu apaixonado coração? Brynna queria ir para ele.— Brynna — As mãos fortes e seguras agora tremiam.. As chamas se alastraram. como se estivesse brotando do ávido fogo. Logo. enquanto ele esticava as mãos para frente para esquentá-las. — Non — sua voz soou tão profunda como as sombras —. Desejava aproximar-se dele. — Brand. a jovem esposa chorou. Ante a cena.

pensando na noite que tinha compartilhado com ele. Com a esperança brilhando em seus olhos. colocou no pescoço a gargantilha de esmeraldas que Brand tinha dado. Penteou o cabelo de maneira tal que seu 174 . enquanto se apressava para fora do quarto e procurava. marido — lhe tremiam os joelhos enquanto avançava. Ele inclinou a cabeça e lhe roçou a têmpora com os lábios. Debaixo. rígida. com aberturas em ambos os lados das pernas até os joelhos. Levantou a mão até seus braços e traçou seus músculos.— Deixe-me te ensinar a confiar no que seu coração sabe que é bom — disse brandamente. Era ardente. comovendo-a. assustado por um amor cheio de engano e de sangue. arrebatado êxtase. mas por suas veias corria o sangue Dumond. tão feroz que somente a recordação a devorava. que não era Brand contra o que tinha que lutar. Seus braços tomaram. Logo a aproximou de seu corpo e capturou sua boca em um beijo que era tão quente quanto o fogo da lareira. Lutaria para salvar Brand o Apaixonado. Sabia que a batalha seria difícil. Parou em frente a ele. Mas também estava ferido. Traçou o contorno de seus seios com a mão. Pequenas pérolas adornavam o corpete. A saia era amplia e fluída. lentamente a princípio. esperando. duas capas de gaze agitavam-se sobre sua carne. que empurrava seus seios para cima. aproximando-se um passo mais — Deixe-me te curar. Era encantador. Vestiu-se devagar. entre seus vestidos. apaixonado e puramente masculino. A silhueta de Brand era como uma obra de arte esculpida. em um decote exagerado. rezando que não a rechaçasse. cheia de incerteza. O veludo verde esmeralda mais suave que a pétala de uma rosa. resistindo sua oferta. Sabia. As imagens de seu rosto. Brand já havia partido quando o sol da manhã refletiu sua luz no rosto de Brynna. Sorriu vitoriosa ao encontrar o vestido que combinava perfeitamente com seus olhos. ansiosamente. recordando como tinha sido o contato de sua boca ali. caiu como líquido a seus pés. voltavam para sua mente. uma formosa máscara de puro. mas contra o que amar Colette de Marson tinha feito a ele. insinuando suas pernas bem feitas.

Estava formosa. enquanto que o resto caía sobre as costas. William bebeu seu hidromel antes de responder. entrecerrados. com olhos lascivos. Cada movimento de seu corpo fazia balançar o suave veludo que a cobria tão deliciosamente. Ela era misteriosamente sensual. William — grunhiu Brand. Brand sorriu. colocando uma mecha para trás com um grande broche de esmeraldas. William foi o primeiro a ver Brynna quando entrou no grande salão. e quando sorriu. . e expor mais as fortes e formosas pernas que o tinham rodeado na noite anterior.rosto ficasse descoberto. — É muito vaidoso para lhe dar um sorriso. homem! — comentou o duque. — Este é um jogo que joga comigo — disse Brand. A observou. Transbordava de vida e era tão fresca como uma manhã primaveril. Aceitando o desafio. e alagava de desejo cada um de seus sentidos. — Que preço terá essa vitória. seu corpo se esticou com uma pressa que o fez sentir-se poderosamente estimulado. Colocou seus delicados pés em sandálias douradas e saiu do quarto com um suave balanço no andar. — Olhe e aprenda cachorrinho. sem adular primeiro a si mesmo. como te invejo. se perder. — Ganharei. pensou Brand. A batalha continuava e seu homem era digno de cada golpe que ela tivesse que desferir. Dante lançou uma gargalhada. — Por Deus. — É o único jogo com o qual se pode chegar a ti. 175 . mas não afastou os olhos de sua esposa enquanto ela caminhava através do salão. seu audaz amigo era o único com a coragem de ofegar ao vê-la. mataria por ela. O tosco duque fixou seu olhar no guerreiro. Sentado junto a William. amigo? — A morte — respondeu Brand — Minha morte. mais para si que para o duque. William deslizou seu olhar para o irmão de Brand. Ou ao menos.Se não te quisesse tanto. ainda observando-a.

Brynna escolheu o assento localizado frente a seu marido. fogoso contra a mais tenra pele com a qual Deus. que fez com que seu marido se retorcesse.— Talvez. nenhuma mais esculpida com tão reverdecido fogo. Estava com ciúmes. meu senhor — respondeu Brynna. Logo depois de devolver a piscada afetuosa de William e o encantador sorriso de Dante. Ela ruborizou e estava a ponto de responder. posso lhe dizer o maravilhosamente encantada que está nesta manhã? — Pode. quando Brand se jogou para trás na cadeira e cruzou os braços contra o peito. não há esmeralda na terra que seja mais brilhante. à medida que ela se aproximava da mesa. E seus olhos. minha senhora. os olhos entrecerrados e a mandíbula apertada a desafiavam a continuar. voltando o rosto para vê-lo. entrecerrou seus verdes olhos em direção a Brand e formou com os lábios um sorriso sensual e ardente. foi William que lhe sorriu. incomodamente na cadeira. inclinando-se para frente—. O sorriso de William se fez mais amplo... Os olhos de Brynna brilharam quando sorriu. mas o que acontecerá se sua derrota te trouxer de volta para a vida? Brand bebeu de um sorvo. ignorando as perguntas de William e a silenciosa preocupação delineada no rosto de seu amigo. — Palavras tão bonitas na boca de um selvagem tão sedento de sangue. seu cabelo é como o bronze fundido. marido? — Sua voz era uma chama que açoitou as costas de Brand. — Perdeu a fala esta manhã. Quando por fim chegou. — Minha senhora — disse o duque. ela esperava que assim fosse e deu a William seu mais deslumbrante sorriso. a vestiu. — Oui — assentiu William e lançou um olhar confidente a Dante —. tão generosamente. _ Você faz regozijar a alma — cortejou William —. Seus olhos seguiram Brynna com uma intensidade selvagem. outra vez? Com o coração batendo. Brynna quase retrocedeu ante o aço frio do olhar de seu marido. 176 .

177 . — Uma mulher que pode aniquilar homens poderosos só com a língua. O sorriso de William era tão amplo que Brynna riu.. você também é um normando — recordou. ignorando o olhar de seu marido. Você atemoriza e debilita com apenas um de seus olhares de aço. pode ser uma arma letal. A batalha estava de pé e ela se colocou ali. O lento sorriso de Brand lhe chegou à alma. Brand. — Ah. senhor. — Tamanha traição! E finalmente. ao escutar o ensurdecedor grito de William.. ou realmente te roubarei isso. — Oui — suspirou o duque. –Vê o que tem aqui. olhou diretamente a seu marido e lambeu os lábios. que brotam de cada poro de seu corpo endurecido pelas batalhas. quando usada corretamente.. Mas não muito. — Uma língua. enquanto voltava a sentar. deixando ver toda sua sensualidade. William explodiu em uma gargalhada. O coração de Brynna golpeava com força em seu peito. com um golpe. pesaroso. mas o brilho azul no olhar de Brand nunca abandonou o rosto de Brynna. De repente. está cheio de poder e força. jogando a cabeça para trás e sustentando o estômago. de maneira intencional. meu senhor. Entretanto.. é quente como uma manta de lã em uma fria noite de inverno. ele plantou as enormes palmas de suas mãos sobre a mesa.— E você. e ficou de pé. Fazendo um esforço para manter seu sorriso. como uma menina cobrindo a boca com a mão. meu senhor. é uma mulher especial. e voltou a iluminar-se — Renunciarei ao trono e me proclamarei saxão! A moça conteve o fôlego. — Deixe este normando degenerado e foge comigo! Todos no grande salão se sobressaltaram até quase caírem de suas cadeiras. — Mas. Verdadeiramente especial — proclamou. Agora tinha que ser cuidadosa. fingindo sentir-se escandalizada.

advertiu-se a si mesma. precisamos conversar sobre o castelo de Graycliff. Cuidado. mas conteve a respiração ao ver o modo como a estava olhando. Brynna.William cuspiu sua bebida. esposa. mas era cru o desejo em seus olhos. a sensação de algo tão fino sob meus dedos me faz esquecer a raiva. Brynna olhou sua mão. logo voltou seu olhar para Brand e estava a ponto de dizer algo. querendo permitir a Brand e Brynna ficar um momento a sós —. voltou a levantar a vista e olhou fixamente Brynna —. saboreavam o frio metal. e a percorria com uma intensidade crua e masculina. levantando da cadeira. seu sorriso apaixonado o que conseguia seduzi-la. enquanto roçava levemente a beirada de sua taça com a ponta dos dedos. — Já te adverti antes sobre como joga de uma forma perigosa. quase com lástima—. Tremeu ao imaginar que era seu seio que ele desfrutava sob seu terno contato. Por sorte. própria de um homem de muitas paixões. sensual. vai precisar. Logo. Seduzir outros homens ante meus próprios olhos — sua voz era tranqüila. — Por quê? — Porque é ali que viverá. A visão de sua língua foi tão excitante para ele como se tivesse acariciado seu corpo. calosos dedos. 178 . assim como seu crescente desejo por ela. pegando um pedaço de pão para levar aos lábios. Longos. e deu uma palmada nas costas de Brand. com dedos trêmulos. — riu novamente com uma gargalhada vigorosa. Brynna observou o duque arrastar consigo Dante. como era o duque da Normandia. Mencionou a sedução. quase se afogando. mas controlou suas emoções. a careta de sua boca sensual. Passou seu enorme braço debaixo do braço de Dante e pôs de pé o jovem cavalheiro — Venha — disse. — Desejo-te boa sorte — disse. Seu olhar poderoso a abandonou um segundo. O sorriso de Brand era sombrio. quando o oferecia a sua esposa. para admirar a fina taça dourada. rastreavam.

devo aprender onde está cada monte. atraindo-a para ele — Sua terra é desconhecida para mim. A deslumbrante paisagem logo desapareceu sob uma cúpula de folhas pintadas de ouro e verde profundo. vamos nos aquecer. como se estivesse tocando o gelo e derretendo-o. Era uma expressão real e aberta. O mordaz ar outonal intumesceu as bochechas de Brynna. deveria. cavalgando juntos. Quando deslizou os braços ao redor de sua cintura e tomou as rédeas. Quando tentou montar um de seus cavalos. Ela o divertia. estava segura. saltando sobre a montaria —. e isso a deleitava. Observou cada 179 . para esconder-me em nossa cama e esperar meu castigo.. Brand seguiu as indicações de sua esposa. e Brand ficou de pé e lhe estendeu o braço. seus olhos eram lacunas azuis de uma calma cristalina. — O fôlego de Brand atrás do ouvido de Brynna foi suficiente para esgotar suas terminações nervosas. era um afeto real estendendo-se para ela do outro lado da mesa. que os guiaram entre labirintos de árvores e barrancos de pedra. enquanto Brand cavalgava passando o parapeito exterior e o jardim de sua mãe. — Venha cavalgar comigo. ele a deteve e a montou sobre seu próprio corcel. sobre os planos firmes de seu peito. ver cada caminho e saber aonde leva. Compartilharam o precioso momento em silêncio. — Já enviei Alysia e Lily para essa tarefa. ela se aconchegou. se sentia mais perto dele. sentindo que. Ele não a voltou a soltou.—Então é realmente uma sorte que meu marido se deleite acariciando sua taça. Se for proteger Avarloch.. Levantou-se da cadeira e tomou a mão. e não queria fazê-lo. o fazia rir. Venha — a chamou. de outro modo sua raiva me atemorizarìa tanto que sairia correndo para nosso quarto. Brand a estudou um momento. mesmo quando caminhavam juntos para os estábulos. e lhe deu um sorriso que a estremeceu. sua voz era o sussurro de um feiticeiro. Devolveu-lhe o sorriso. Brynna não podia negar-se. — O tempo está frio — disse. comodamente. — Mas meu jardim. e cada vez que a agraciava com esse tipo de sorriso.

Brynna se voltou tão rapidamente que teriam despencado. preparado para negar-se a cumprir sua tola solicitude. embora se sentisse tão cativado pelas doces ondulações de sua voz que. É obvio nunca nos atrevemos a contar a minha mãe. por duas vezes.. — Que? Mulher é tão tola como. — Por favor. Estava a ponto de responder a esse comentário com a risada que merecia quando a besta voltou a escorregar. se Brand não tivesse tido firme controle sobre seu cavalo. — Feche os olhos! — ordenou ela. mas maldita seja. se perdeu no que lhe mostrava. apertou os dentes e fechou os olhos. Um instante antes de alcançar o topo. meu pai estava acostumado a me levar ali. mas Brynna só fez uma pausa em seu despreocupado bate-papo por um instante. Brynna o agraciou com um sorriso travesso que ele teve o impulso de tirar com um beijo. há um lugar que quero te mostrar. Duas vezes seu corcel quase perde pé no monte rochoso. — Ah. — E por que razão? Voltando a cabeça. Pousou um severo olhar nela. — Já verá. para lhe dizer que já estavam chegando. Brand guiou seu cavalo sobre o que começava a pensar que era a ladeira de uma montanha.. suas bochechas estavam tão rosadas.sinuoso atalho que lhe assinalava. Cada monte coberto o maravilhava com sua beleza. Vá até aquela ladeira e suba. 180 . que vai deixá-lo sem fôlego! —disse Brynna e seu marido sorriu ante a emoção que se mesclava em suas palavras —. Não queria fechar os olhos. Brand. Feche os olhos ou arruinará a surpresa. enquanto a água gelada lhe salpicava as pernas. Queria amaldiçoar e talvez até estrangular a sua esposa por ser tão pouco cautelosa. e seus olhos tão abertos e suplicantes que Brand franziu o cenho. Seu corcel se cansa facilmente. Brand. Ela teria esfolado vivo meu pobre pai. Cada borbulhante arroio que cruzavam era celebrado com um grito de deleite. — Devia ter me deixado trazer meu cavalo.

certamente tem alguma idéia má sobre o que fazer comigo. mas Brynna voltou a cobri-los novamente e apertou seu corpo contra o dele. até que ficou recostado totalmente contra a fria rocha debaixo de seu corpo — Pode abrir os olhos agora. — Posso abrir os olhos agora? — Ainda não. Assim está melhor. Deixou que o guiasse alguns passos. — Brynna — de repente. logo depois de desmontar —. está tirando toda a graça da aventura. ele se moveu. caindo da beira de um precipício. deve confiar em mim. mas não deu outro passo. enquanto o coração lhe pulsava freneticamente. Brand se deteve. sério. 181 . marido. se sentiu assaltado pelas imagens de seus sonhos. não abra os olhos! Faz o que digo e deixa de parecer tão assustado. Brand abriu os olhos. — O sibilante vento fustigou sua bochecha com uma mecha do cabelo de Brynna. quando ela se sentou ao seu lado. — Escutou-a rir e franziu o cenho. quando tinha nove anos. — Por favor — seus lábios sussurraram contra os dele —. — Venha. Vá. — Não — Ela não tinha idéia do que lhe estava pedindo. desça do cavalo. — O puxou pela manga. Abriu os olhos. Sua risada lhe enchia os ouvidos. _ Deve te recostar sobre o estômago — voltou a rir como uma menina —. verdade? — acalmou-o — Meu pai me fez fazer isto. e te asseguro que foi o dia mais mágico de minha vida. Manteve os olhos fechados. Brand. — A única coisa que me assusta são estas vontades que tenho de te jogar pela ladeira deste gigantesco monte. — Agora sente-se. — Tome minha mão — disse ela. Brynna pegou sua mão.— Agora. e o que viu quase parou o coração. Prometo não te deixar cair. Não. — Só me siga. Pegou sua mão novamente e desta vez.

— Deus meu — quase não podia respirar. — Por que não o fez? — Porque é valente. não parece que está voando? — Ele não respondeu. Brynna voltou à cabeça para olhá-lo e viu o assombro em seu sorriso. Um arroubo que lhe detinha o coração e que lhe arrebataria qualquer palavra. brandamente. — Ela assentiu com a cabeça e o observou voltarse outra vez para as ondas. Graycliff estava construído sobre os altos escarpados de Dover. Brynna se comoveu ao olhá-lo nos olhos. "Arrepiar a pele" não era a expressão que teria escolhido Brand para descrever o que estava sentindo. mas já o tinha pressionado suficiente por um dia. Brynna mordeu o lábio inferior para afogar as perguntas que essa resposta sugeriu. — Por que me conhecer te faz agradecer a Deus por havê-lo deixado viver? — Se o tivesse matado. teria me odiado. 182 . se tivesse tido a audácia de pronunciar alguma. mas nunca havia se sentido suspenso no ar. isso era mais preciso. desse modo. fechou os dedos ao redor da parte de trás de seu pescoço e a beijou. a menos de sessenta metros abaixo. É um grande guerreiro e o respeitava mesmo quando sua espada caía sobre a minha. mas nunca tinham falado disso. e agradeço a Deus não ter tomado a vida de seu pai. — Escute como soam as ondas quando se mesclam com o vento? Ainda me arrepiam a pele. — Agora vê por que minha mãe se zangou? Ele riu. Quando retrocedeu. Brynna piscou. Uma excitação que fazia com que o sangue fluísse por suas veias como o fogo. Sorriu com ele. enquanto se pendurava na beira do mundo. — Cada dia que passa eu te conheço melhor. — Não é magnífico? — sorriu Brynna — Com a cabeça pendurada desta maneira. Também ela estava grata. mas Brynna não estava esperando que fizesse. olhando diretamente para baixo às espumosas ondas que batiam contra a ladeira do escarpado. Não entendia por que mencionava agora.

Transportou-se com o vento e se mesclou com o poderoso rugido do mar. A risada de Brand foi rápida. até momentos mais tarde. apoiou as costas contra o marco de madeira e fez um gesto com a mão para que passasse. abriu uma das folhas com um empurrão. A boca de Brand desenhou um meio sorriso e deu a volta para seu irmão e Brynna. — Merde. Sorriu. até que ele entrou como um redemoinho no salão e com sua voz de trovão e os fez calar. Instantes depois. Dante foi o primeiro a saudá-los quando entraram em Avarloch. — Seus galgos chegaram de Graycliff — respondeu Dante. Dante não respondeu.— Não teria odiado durante muito tempo. a caminho do grande salão — William quer sua cabeça. entretanto — quando ele levantou uma sobrancelha e a olhou. para olhar aos enormes cães. muito antes que tivesse a oportunidade de sentir pena de mim. mostrando sua famosa covinha ao passar ao seu lado. por cima do ombro e seguiu caminhando. Enquanto descia tranqüilamente as escadas. 183 . mordendo uma maçã. dois deles caminhavam ao redor dos bancos e roubavam comida do prato dos comensais. ela enviesou os lábios em uma careta aflita —: teria te atravessado com uma flecha. Onde estão agora? — perguntou Brand seguindo-o. rica e profunda. Brand encontrou seus cães logo que entrou no salão. mas assinalou as duas grossas portas em frente a eles. quando ele lhe disse que queria levá-la para casa e fazer o amor em uma cama quente. — aterrorizaram seus homens durante quase uma hora. — Depois de ti. — Por quê?! —gritou Brand a suas costas. que estavam ao seu lado. Brynna estava segura de que nada soaria mais doce a seus ouvidos. — Parecem bastante selvagens — Brynna deu um passo atrás de Dante e apareceu do lado de seu braço. — Os homens de William parecem estar a ponto de molhar as calças.

Brynna o olhou fixamente. para grande alívio do cavalheiro. — Sentiu saudades então. é? Brand levantou a vista e viu que William caminhava lentamente para ele. uma enorme besta prateada saiu correndo para ele. obrigado. bela dama — inclinou a maciça cabeça da cadela e plantou um firme beijo em sua brilhante pelagem prateada. — Tem que se fazer amiga dela. voltando—se para ela — acaricie minha cadela. que tinha permanecido rígido como uma estátua enquanto a criatura lhe limpava o prato. enquanto sua incredulidade se transformava em raiva. Ofereça um pouco de comida desse prato ao seu lado. que fez com que os cães levantassem a cabeça e soltassem a comida roubada. — Não. juntando os lábios e emitindo um breve assobio. para carregar o enorme animal em seus braços. mas este se esticou em suas patas traseiras. agarrando a boca aberta do animal. — Seu incessante latido não te dizia nada. — Brynna — disse Brand. quase derrubando Brand no chão. Brand se inclinou para frente. por não ter te esfolado para fazer uma manta nova para o inverno. mas a expressão divertida que dançava nos olhos de seu marido lhe disse que isso era exatamente o que ele pretendia. o custo sairá de suas arcas. para deter o sorriso que lhe cruzava o rosto. — eu também. Quando Dante mordeu a maçã. quando lhe pôs o nome? — ao aproximar-se de Brand. O que é que diz? Teria que estar choramingando a meus pés. A idéia de aproximar a mão da boca da besta a aterrorizava. William balbuciou entre dentes e voltou para sua cadeira.— Podem chegar a sê-lo — respondeu Brand. a cadela grunhiu e mostrou as presas. Se seus cães pulguentos incapacitarem algum de meus homens. com uma grande jarra de cerveja entre as mãos. Sussurro? — perguntou Brand. Ao ver Brand. ou não gostará de você e te arrancará a garganta quando se aproximar para mim. — Quoi?! — grunhiu William à cadela —. — Sussurro. Não estava disposta a ser derrotada por 184 . — Lançou seu ameaçador olhar a Brand —.

Se não acendesse sua raiva. exatamente como seu amo — disse Brynna. viveria constantemente atemorizada por seus enormes galgos. Fechou os olhos. O calor e a saliva tocaram sua pele. Um tremor percorreu suas costas. não tinha dúvidas de que Brand dizia a verdade —. e tomou uns pedaços mais de carneiro e os segurou na frente das bestas. Olhou Brand desafiante. — São uns descarados e tomarão o que querem. — Mmm. queria amaldiçoá-lo com veemência. mas sua esposa não sabia. se qualquer dos dois tentasse atacá-la. não mascotes. Brand encolheu os ombros e continuou acariciando a cabeça de Sussurro. —Tranqüila Sussurro — a acalmou Brand. que agora babavam ao lado de Dante. fechou os olhos de novo. Logo. mas estava decidida a ganhar a batalha que seu marido havia começado com seus galgos. Parecia preparado para segurar os cães. conteve o fôlego e levantou a mão lentamente para acariciar Caos na cabeça. Como se chamam? Ele sorriu. — Caos e Triturador. São caçadores por natureza. As enormes presas brancas tomaram delicadamente a carne dos dedos de Brynna. logo depois de engolir o medo. Mas não é necessário que os toque. Estava zombando de Brynna. Brand libertou Sussurro e deu a volta para olhar para Dante. — E os outros dois? — desafiou Brynna. O escuro galgo lambeu seus dedos e Brynna se permitiu exalar. e levou os dedos à boca da besta.uma cadela. sem pedir. A jovem lhe ofereceu um pedaço de carneiro. Em seguida. disse uma silenciosa prece. Sorriu quando Brynna aceitou o desafio. Com um olhar cheio de assombro. Seu marido não estava disposto a permitir que lhe fizessem mal. — Tranqüilos — ordenou. Brynna sorriu. 185 . Observando os dois cães. ofegando enquanto se aproximavam dela. como tinha sugerido com sua atitude cruel. sabendo que Sussurro era tão dócil como um gatinho. mas mudou de opinião quando olhos tão escuros como um pesadelo se voltaram para ela. percebeu a mudança na posição de Brand. como ele sabia que faria.

— Envie Dante — sugeriu ela. alerte à guarnição.— Deveríamos levar a nossa senhora à batalha conosco. saiu correndo a procurá-la. — Desculpe-me. milord — retorceu sua túnica. antes de dar a sua esposa um sorriso que a fez estremecer antes de voltar-se para partir. Estarei lá. Tremendo de desejo. — O que aconteceu. em seguida. — Está bem — suspirou Brand oferecendo a Brynna um gesto contrariado e de desculpa —. Brand afastou seu ardente sorriso de Brynna. você é a besta mais selvagem de todas. não vê que estou beijando minha esposa? As bochechas do escudeiro se tornaram de um pálido doentio. com um ronronar—. Não podia tirar os olhos de cima do suave balanço de seus quadris. Tem uma língua e um tato que acalma às bestas mais selvagens. mas ele já havia saído. Brand levantou o olhar. — Levam insígnias? — Não. Seu corpo o chamava. 186 . o guarda da torre me enviou para lhe informar que se aproximam uns cavaleiros. Juntou os lábios e passou ao lado de seu marido. faz-me sentir mais selvagem do que jamais me senti. roçando seus sólidos músculos com as delicadas curvas de seu corpo. tomou-a em seus braços e a beijou. Saboreou suas deliciosas curvas com olhos luxuriosos. convidava-o a seguila. Deixou que o veludo de seu vestido o acariciasse. — Lamento. milorde. — É verdade — respondeu Brand. Ele inalou seu aroma. que a suave elasticidade de sua carne debaixo do tecido o excitasse. um pouco perturbado pela interrupção do jovem escudeiro. Brynna ruborizou e se voltou para Dante. com voz rouca. e ainda não te acalmei. ardentemente. — Não. Inclinou o rosto para o dela e passou o polegar pelo lábio inferior —. Te necessito aqui. milorde. por um momento. nervosamente—. meu senhor — Brynna lançou um sedutor olhar decidida a prosseguir a batalha —. Ele a observou. agora.

a seus pés.Fechou os olhos contra a sedução aveludada de sua voz e a promessa ardente que a acompanhava. Só quando Sussurro começou a choramingar. Brand parecia estar reunindo toda a força que restava em uma última. exceto pelos choramingos de Sussurro. Vou retirar-me com minha esposa. Estavam em silêncio. rapidamente. Só havia uma pessoa que provocava tal ansiedade em sua cadela. Seu irmão o olhou da cadeira onde estava sentado e lançou o resto da maçã a Caos —. uma só pessoa que fazia com que esse animal se escondesse a seus pés como se uma calamidade estivesse a ponto de acontecer. de alguma maneira. — Dante! — rugiu Brand. fazia retroceder seu marido. quase não notou dois de seus cães correndo ao seu lado. repentinamente. já sabia que o esperava. O duque lançou a Brynna um olhar interrogativo. 187 . antes que seu irmão abrisse as portas de entrada. O rosto de Brand se tornou mais pálido que a lua em uma fria noite de inverno. Veja o que querem e me faça saber quem são. Depois. William saiu do salão para ver o porquê de tanta comoção. como se temesse ver o que. Brand se afastou de Brynna e alcançou Dante em dois grandes passos. Os cães se sentaram. com seu agudo nariz e afiado ouvido podia perceber. no momento em que Dante abria as portas. aproximam-se uns cavaleiros. Ela pôde sentir como se esticava seu corpo e sorriu. mas ela encolheu os ombros e voltou seu olhar novamente para Brand. começou a bater num ritmo acelerado em seu peito. Com um rápido e profundo suspiro. o senhor de Avarloch levantou a vista. — deu a volta para partir. ante o poder que tinha sobre ele. — Espere! — gritou. uma calamidade que só Sussurro. Em sua pressa para levar Brynna para a cama. lenta inalação. com uma mão na cintura dela. Dante se deteve e deu a volta. em direção às portas de entrada do castelo. O coração da moça. assentiu com a cabeça. Quem quer que estivesse ali fora.

— Que Deus nos ajude — a voz de William atrás de Brynna lhe arrepiou a pele e fez com que seu coração desse um pulo. com um golpe! Brand levantou a mão para silenciar William. Mas ele não escutou. cheio de desesperança. quando um gemido de seu marido a deteve. incluindo William. Brynna deu a volta para ver por si mesma. cavalgando para Avarloch. como tinha ordenado William. os delicados traços do cavaleiro se tornaram mais nítidos. temerosa de olhar para qualquer outro lado. e se afastou para cumprir o pedido de seu irmão. nem parecia respirar. Estava a ponto de dar a volta para olhá-lo. — O que devo fazer? — a profunda voz de Dante quebrou o silêncio. como negando-se a ver quem via. temerosa de ver o que seu coração lhe dizia. mas ele não a olhou. quando se deu conta de quem era. montando a cavalo. Por fim. Dante titubeou. em seu silêncio. mas não fez nada. A cor não retornou a seu rosto. Olhou-o. — Encontre-a no portal e veja o que quer. O tenso silêncio dos homens de Brand. Brynna se voltou para o duque. Seus olhos nunca abandonaram à sombria mulher lá fora. não piscava. Brand — foi a tensa advertência do duque da Normandia. gritar. cravando a vista em seus enfurecidos olhos. Desejava correr para as portas e fechálas com um golpe. Olhando fixamente ao cavaleiro. Ela queria chorar. Quase não podia mover-se. disselhe o que sua mente se negava a aceitar. Só observava como se. enquanto observava Dante subir de um salto em sua montaria. — Brand. 188 . sob a sombra do capuz de sua capa. Os olhos de seu marido agora estavam fechados. só feche a maldita porta na cara dela. Seus olhos já estavam fixos na escura figura que se aproximava. para fora das portas. Brand quase não respirava. coberta com uma capa tão negra como a esperança de Brynna. pudesse capturar alguma palavra pronunciada no vento. — Não seja idiota. como se seu ofegante coração estivesse a ponto de explodir no peito.— Brand? — foi até ele e colocou uma mão delicadamente no braço. Mas ele afastou o olhar. Rodeada por uma patrulha de menos de quinze homens. Uma figura se aproximou do portal do muro exterior.

Seu rosto estava esculpido em mármore. Inalou profundamente. O único som provinha de Sussurro. Cravou-lhe os olhos. Sua mente lutava. — Quer refugiar-se de seu pai aqui. duros como o aço. e exibirá esse amor frente a mim como. envelhecer. pronunciou as palavras que ecoaram no coração de Brynna como um trovão. Avarloch permaneceu em silêncio durante o que pareceu uma eternidade. exceto Brynna. — Não tenho necessidade de perguntar se a mulher ali fora é Lady Colette de Marson. bruscamente. Ninguém respirou. marido: por que lhe permite a entrada? Por que ignora meus sentimentos com tanta desconsideração? — Apertando os dentes. quando Dante retornou ao castelo.. que continuava com sua choramingação.. e se deteve de novo. antes de falar com seu irmão. — Por quê? — perguntou Brand em voz baixa. O mundo pareceu mudar. Ninguém. — Não quis dizer isso. e Brynna estava segura de que todos no salão o haviam sentido. quando começou a dar voltas sua cabeça. como se negasse algum cataclismo que sabia estava a ponto de ocorrer. é ela quem se aproxima de minha casa. nem por um momento. a figura que aguardava lá fora. no espaço desse silêncio que levou Brand para tomar uma decisão. — Silêncio! — interrompeu-a Brand. Brynna respondeu sua própria pergunta: — A ama. aos pés de seu amo. Por fim. seus olhos. Voltou-se para olhá-lo de frente e apertou seu braço. só disse que queria falar contigo. e o notou. — Deixe-a passar — disse claramente. exigindo que a olhasse. A ama ainda.Brynna também tinha deixado de respirar. Mas te pergunto. pelo forte batimento de seu coração. com um mandato em sua voz que ninguém se atreveu a questionar. Ninguém falou. O olhar de Brand não tinha abandonado. Seus olhos se dirigiram a ela. Já que claramente. Piscou lentamente e pareceu 189 . arrastando-a a inacabáveis ondas de dor e tortura.

Levantou uma delicada mão para sua bochecha. e quase o derrubou no chão. Quando chegou até onde estava Brand. 190 . como se temesse prometer algo. silenciosa. —Tudo estará bem entre nós. que a olhava com olhos cautelosos e em chamas. inundados em lágrimas. Colette não se alterou ante a fúria do duque da Normandia. Lady Colette de Marson entrou em Avarloch com uma lufada de ar frio. Seus olhos procuraram os dela. os olhos azul céu abandonaram à mulher que agora esperava a entrada em Avarloch. Pela primeira vez desde que as portas tinham se aberto. ou farei que lhe retirem. revelou olhos grandes e negros. Brynna — foi quase um sussurro. Silêncio é o que terá — prometeu em uma voz carregada de tranqüila determinação. chocando um maciço ombro contra um dos homens de Colette. Beliscou as grossas dobras de seu vestido de veludo e fez uma breve reverência frente a Brand. sua capa negra voava atrás dela com o vento. Olhos negros. Brand deu a volta para seguir Brynna. assombrou Brynna. — Por que está aqui? — perguntou secamente. mas Brynna os afastou. indignada. mas ele a tirou com a velocidade de uma serpente e a deteve. penetrantes como carvões ardentes percorreram o salão e pousaram em Brynna. deteve-se e lentamente e tirou o capuz. Brynna o olhou. Fará silêncio. sua compostura e graça. como se temesse dizê-lo.recompor-se. — Imbecil! — William já não pôde conter seu desgosto e saiu violentamente do castelo. de fato. sem mencionar o impacto da angelical beleza de seu rosto. — Muito bem. Quando se ergueu. quando ela o rodeou e parou junto a William e a seu pai. defendendo-se uma vez mais atrás de intermináveis capas de pedra sólida —. lutando contra as ondas de lágrimas e fúria que a transbordavam. — Milorde — a voz de Colette de Marson era o som de um suspiro pronunciado no vento.

191 . voltou o olhar para Brand e esperou. milorde — lentamente. e Brynna quase podia escutar as perguntas que desejava fazer e a dor misturada em cada uma. Colette deu a volta e convidou as mãos de Brand para que a retirasse de seus ombros. por fim. talvez houvesse visto seu marido se voltar para procurá-la. Morta de raiva. E se Brynna não tivesse fugido do salão nesse instante. Ele a olhou durante um longo momento.— Queria falar em particular. Colette sorriu e esperou que Brand devolvesse o gesto. — Muito bem — respondeu. enquanto olhava fixamente Colette. Quando ele o fez. Não o fez. Brynna não pôde reconhecer a rigidez que percorria os traços de seu marido. uma cabeleira tão loira que parecia iluminar toda a Avarloch se derramou em seus dedos. Desatando os laços de sua capa.

— Maldita seja. partindo o ar com sua presença. Non. Suas pernas grossas o levaram pelos campos que rodeavam Avarloch. Colette de Marson. Encaminhava-se para o bosque. como um ramo seco. Não havia uma mulher como ela em toda a Inglaterra. Tanta vida.. O duque da Normandia quase não notou. ************** 192 . enquanto espancava o joio e a erva sob suas pesadas botas de couro. mas agora Lady Brynna também seria destruída. seus furiosos olhos cinzentos olhavam mais à frente do bosque. nunca. estava certo disso. e a fez em migalhas contra uma árvore. Sua terrível fúria desafiava o frio que tentava penetrar sua carne. Não deixarei que os destrua — a escura promessa ressoou através do bosque e os pássaros que se aninhavam nos altos ramos.. Pensou na filha de Lorde Richard Dumont. não podia pensar em nada mais que em partir o pequeno pescoço da cadela francesa. mas ali estava! Já era frustrante ter que ver como um dos mais poderosos guerreiros que tinha conhecido se debilitava e caía sob o feitiço de uma bruxa sedutora. amaldiçoando. esse condenado idiota! Deu—se conta de que ainda tinha a taça de vinho na mão. Pensou que nunca voltaria a ver Lady Colette de Marson. Oferecidos a um homem que ele amava como ao seu próprio filho. Via seu rosto nas flores que desafiavam o frio.Capítulo 17 William passou às pressas pela torre de entrada. tanto fogo e paixão oferecidos a um homem que os pisotearia como se não fossem nada. Não sentia nada. chiaram de medo e saíram voando.

.. sem pensar. suas palavras entrecortadas traíam sua dor. — Então lutará por ele? Os lábios de Brynna desenharam uma careta irônica. Tinha que fazer dessa maneira. — Brynna. deixando que seu pai se contagiasse com o sorriso — Tentarei. secando os olhos com uma determinação que seu pai conhecia e admirava.Brynna entrou em seu quarto e arrancou o vestido. afastando a sua filha.. — Um momento. por favor — disse. as palavras saíram de seus lábios —.. Sem saber como tinha chegado ali. — Brynna! — a voz de seu pai ressoou do outro lado da porta. pai — antes que pudesse detê-las. Lorde Richard sorriu gentilmente. Amo-o. — Em realidade. — Brynnafar. — Onde estão minhas botas?! — gritou. e ela deixou que suas lágrimas fluíssem sobre o largo ombro do único homem que a amava. Secou as lágrimas com o dorso da mão e se dirigiu à porta. seu coração se partiu.. Não tem por que ficar aqui. Devo ficar.. para olhá-la nos olhos. porque se se permitisse pensar. não — disse ela. que viverá em minha própria casa. — Posso lutar contra um fantasma. Uma mulher a quem ele ama com todo o coração. Quando Richard viu sua filha.. — Não. Movia-se rapidamente. — Levarei você para a Normandia comigo. a jovem estava nos braços de seu pai.. Ela se afastou de seus braços abertos e deu a volta para procurar as botas. pai. Correu para o armário e procurou entre sua roupa. mas não com uma mulher de carne e osso. consumida por um amor que quase tinha esquecido que existia. — Já passou muito tempo com o duque William — Brynna suspirou. até que encontrou um vestido marrom de cavalgar e uma quente túnica de lã. não 193 . — Filha — sussurrou ele. vestindo-se.

Antes de que pudesse dizer outra palavra. — E bem? — perguntou Brand em voz baixa. preciso cavalgar estar longe daqui para ordenar meus insensatos pensamentos. Brand observava Colette caminhar de um lado para outro do aposento. Sorrindo ao escutar o nome completo que sua mãe lhe tinha dado. caminhava Caos. mas manteve a promessa que tinha feito a seu pai. quando ela dava voltas. Com olhos de falcão. procurarei alguém. — Leve Dante contigo. Notou a tensa contração nervosa de seus lábios e as pálidas mechas de cabelo que voavam. de todos os modos. — Agora. Brynna beijou a áspera bochecha de seu pai e se separou de seu abraço. — Está bem. talvez seria. filha. viu sua filha sair do quarto. pelo próprio bem do cavalheiro normando. Prometo. em sua contínua e frenética marcha. — ajustou um cinturão de couro ao redor da cintura e trançou seu espesso cabelo acobreado.. Deu um passo adiante e lhe rodeou o pescoço com os braços. só para me agradar. Se abandonasse Brand se transformaria no mesmo em que se transformou sua fantasia. Brynnafar Grenalyn. Franziu o cenho delicadamente e olhou seu pai. incluindo os dos dedos que agarravam e soltavam as dobras de seu vestido de veludo. não foi sozinha: junto com ela. ou algum de meus homens. para comer algo. 194 . Suspirou profundamente e decidiu encaminhar-se para a cozinha.tinha outra alternativa. mas leva-a igual. Não perdia nenhum só de seus movimentos. — Desde quando necessito escolta para cavalgar por minha própria terra? — Não necessita. — A preocupação de seu pai a comoveu.. como ele. ir procurar algo para encher o estômago era o melhor para todos os envolvidos. Embora se ficasse. Brynna saiu às escondidas do castelo de Avarloch. Seu coração lhe disse que fosse procurar lorde Risande. mas sua mente refutou a idéia sabendo que. — É verdadeiramente a digna filha de sua mãe. Lorde Richard assentiu.

O rosto de Colette apareceu por cima de suas trêmulas mãos. pensou que lhe faria bem lhe fazer as perguntas que o atormentavam. Brand. — Deve retornar a seu pai — disse a Colette. 195 . tinha-a ferido! Exalou um longo fôlego. Não pode ficar aqui. concluiu. Tinha pensado que. Por um instante.. nem lhe lançou suas palavras mais raivosas quando lhe gritou que fizesse silêncio. Sua esposa o fazia sentir-se vivo outra vez. pensou em ir para Colette e acalmá-la. então não teria que preocupar-se em tomar decisões apressadas das quais se arrependeria mais tarde. Não sentia nenhum desejo de senti-la outra vez em seus braços. Por Deus. mas não discutiu. Tinha um mau gênio terrível. — E? — respondeu ele apenas. Fechou os olhos para saborear a lembrança de seus lábios carnudos. Mas logo se deu conta de que era a familiaridade que sentia em seu presença o que o tinha feito considerar consolá-la. se alguma vez voltasse a vê-la. Oui. Com um leve sorriso. Quando permitiu sua entrada em Avarloch. antes de levar as mãos ao rosto e chorar.. Não posso! Ele é um selvagem! Brand encontrou uma cadeira de encosto alto e desabou nela.Colette fez uma pausa durante um instante. muitas mulheres se vêem forçadas a casar-se com homens que não amam. Cometi um e. se sentiria tentado a perdoá-la. Só o olhou como se acabasse de lhe arrancar o coração do peito e estivesse sustentando a confusão frente a seu rosto. Acaso Brynna não tinha sido forçada a casarse com uma besta também? E não tinha enfrentado seu destino sem lágrimas? —. Mas ali estava Colette e a única coisa em que ele podia pensar era em Brynna. quando lhe cuspiam seu veneno. — Não posso. — Meu pai prometeu-me a uma besta. Por que as mulheres tinham que ter sentimentos tão delicados? Os homens seguiam melhor sem eles. recordou como se sentiu ao beijá-la com o vento gelado lhes açoitando o rosto e ameaçando jogá-los para as nuvens.

Seus olhos a escrutinaram como um relâmpago atravessando uma árvore —. mas a ignorou. Oui. Via-o tão arrebatador como o céu antes de uma tormenta. e o mel de sua boca quando a beijava. que o fazia tão vivo que ela sempre havia sentido que tinha que correr para alcançá-lo. ela tinha poder sobre ele. Só tinha que recordar-lhe — Brand — sua voz foi um suave ronronar. Recordava o amor em seu olhar. Mas tinha conhecido um Brand Risande diferente. — Se alguma vez me amou me ajude agora. suas palavras não feriram a mulher a seus pés. Levantou a mão e lhe tocou a bochecha. deixe-me ficar até a primavera.— Não. Ao olhá-lo. — Não tirará a vida. o que supõe que direi a seu pai? Devo lhe pedir que perdoe uma desonra a mais com a que sua própria filha segue manchando seu nome? Devo lhe dizer que esqueça que seu coração não pertence a ninguém? Que deve apagar de sua mente a realidade de que sua filha abre as pernas a qualquer homem que a deseja? Curiosamente. não o faça de novo. Porque desta vez me matarei antes de chegar à porta. — Já me abandonou uma vez. Ama muito a si mesma para fazer isso. Lady Marson se maravilhou. um homem a quem consumia seu ardor pela vida. A mulher ficou de pé e cravou os olhos diretamente nos dele. por favor. — E dizer o que?! — gritou Brand. que nem sequer notou. não. Então meu pai terá esquecido a idéia de me casar com essa besta e você pode voltar comigo e falar com ele. nem se importou que o que estava escutando eram as acusações sentidas do próprio Brand. E se ele tivesse estado menos consumido pela profunda raiva que o queimava por dentro. milorde! — ela saltou para ele e caiu a seus pés —. a suave carícia de seus braços fortes. Com olhos feiticeiros percorreu o rosto dele. que estava acostumado a banhá-la tão meigamente. talvez tivesse notado que para Colette não parecia importar o que pensava dela. Rogo. Viu a raiva ali quando lhe devolveu o olhar. rogo isso. 196 . Tinha conhecido a Lorde Brand o Apaixonado. uma raiva que precisava sentir para poder curar-se.

Casei-me com outra e desejo me libertar de ti — no momento em que pronunciou essas palavras. — Quis me casar com ela — a interrompeu. Sei que o forçaram a casar-se com sua filha saxã para poder ficar com sua terra. seguiu adiante —. e ele não a desejava. meu prometido já me bateu uma vez. esperou ver uma cabeleira cor de bronze enroscada ao redor de seus dedos. lutando por ordenar seus pensamentos. Quando não chegou. Ela estava ali. ante o rosto tão perto do dele. — Não posso! — Soluçando. Quase se surpreendeu de ver Colette. afastando-a com um empurrão—. — Sei que está casado. — Posso ficar milorde? Por favor? — a doce brisa de seu fôlego o acariciou. não me obrigue a partir! Está gelado e morrerei antes de chegar a Canterbury — fez silêncio um momento. por favor. —A ama? Silêncio.. — Amo você. Afastou violentamente as mãos. Brand — levou a ponta do dedo aos lábios para silenciá-lo. Brand soube que era verdade. à medida que o aroma conhecido de Colette lhe assaltava os sentidos. Tenho medo de voltar para minha casa. o rumor de sua batalha com Sir Richard Dumont se difundiu rapidamente por todo o país. Abriu os olhos. Brand.— Não me fale de amor. alagando-o de indesejadas lembranças do tempo em que viveram juntos. Ele fechou os olhos. — O corpo de Colette se elevou como uma nuvem até que sua cintura se acomodou entre as fortes coxas de Brand. 197 . ante os lábios que estava acostumado a morder — Colette — pronunciou seu nome e pareceu soar estranho em seus ouvido. Brand. Colette — ficou de pé. esperando uma resposta. Oh. partirá ao amanhecer. Por favor. ignorando seus desejos —. Por um momento. ela se lançou a seus pés—.. — É adorável. Já não queria voltar a estar com ela. Ele inclinou a cabeça para os suaves dedos que acariciavam sua bochecha. Não te devo nada. — Non.

Brynna cavalgou a toda velocidade. Teve o impulso de tocá—lo. Ele não era um bastardo desalmado. se apaixonar-se por sua bela esposa não o matasse primeiro. com um golpe que sacudiu a terra. enquanto estiver aqui. Brynna tentou segurar-se. sem dar uma resposta. Colette. Os cascos de seu cavalo retumbavam sobre o bosque. com uma repentina faísca de raiva no olhar. Cavalo e cavaleiro caíram no chão frio e atapetado de vegetação. mas o animal estava correndo muito rápido. diria que está apaixonado pela saxã.. De repente. Não quero ferir seus sentimentos mais do que já os fere sua presença aqui. mas essa não foi a razão de seu silêncio. advertindo às criaturas menores que deviam fugir antes de serem pisoteadas. Colette secou os olhos e o olhou fixamente. a trança lhe golpeava as costas como um látego urgindo-a a cavalgar mais rápido. o corcel se levantou sobre suas patas. 198 . e freou repentinamente. — Muito bem. enquanto se afastava dela. Brynna seguiu forçando o cavalo. as lágrimas ardiam em seus bochechas momentos antes de serem arrancadas pelo vento . espantado por algo no caminho.Brand olhou seu cabelo loiro pálido. — Se não te conhecesse bem. Brand a deixou. e nem de minha esposa. E sentiu um suor frio. Quer dizer. O vento frio penetrou em seus pulmões e lhe açoitou o cabelo. ansiosa para escapar da dor que sempre parecia estar espreitando em suas costas desde que Lorde Brand Risande tinha chegado a Avarloch. O focinho da besta exsudava uma espuma que desaparecia no ar congelado. Caos manteve o frenético passo junto ao cavalo. Ver Colette em carne e osso tinha provado que ainda havia lugar em seu coração para amar uma mulher. Mas. não te aproxime de mim. Amor! Por Deus. O coração pulsava muito ferozmente no peito para falar. E mesmo assim. Entrou no bosque sem diminuir a marcha. seria mais fácil lançar-se sobre sua própria espada nesse momento e acabar com tudo. evitando árvores e ramos baixos. Pode ficar até que decida o que fazer contigo. e maldita seja Brynna também. Não a merecia. Maldita seja..

enquanto segurava a carne frente a seus olhos. — Retornou à fogueira e pôs toda sua atenção em uma fatia de carne que estava assando em uma churrasqueira improvisada. logo tentou sentar-se. isso não aconteceria nunca. sou eu — William sussurrou perto de seu rosto. ele encolheu os ombros—. 199 . Arrancou um pedaço com os dedos e ofereceu. — Por que me pergunta isso? — antes que ela tivesse tempo de responder. — O que é? — Coelho. — Non. Mas um fogo ardeu ante seus olhos e caiu de costas contra a capa que William tinha enrolado. — Isso é o que aconteceu? Sonhei que me lançavam do paraíso. Ofereceu-lhe seu sorriso mais cálido — caiu com muita força do cavalo. deve-se usar todos os recursos que Deus deu. — Com o que matou o coelho? O sorriso selvagem do duque normando apareceu.Brynna despertou horas depois. — Tranqüila. mas logo uma aguda dor explodiu em cores brilhantes dentro de sua cabeça. Esteve a ponto de gritar. A moça levou uma mão à cabeça e se queixou. sentindo o calor de uma fogueira que ardia a centímetros de onde estava recostada. come. bela dama. — Você o matou? — O que? —olhou-a por cima da fogueira. — Tem que se recostar e ficar quieta até que chegue ajuda Brynna — ordenou William gentilmente. Para ser um verdadeiro guerreiro. para lhe fazer um travesseiro. para examiná-la. William riu brandamente. Uma enorme figura estava inclinada sobre ela. — Toma. com olhos que brilhavam como prata polida. Observou a oferenda durante um momento.

— Fique quieta. quando arrancavam a carne assada da carcaça do coelho. se te disser que matei o animal com minhas próprias mãos. — Non — William lambeu os dedos e continuou mastigando—. o enorme galgo negro levantou a cabeça de seu tranqüilo sono e a olhou. Acreditava. 200 . com uma enorme mão em seu ombro. William riu e o lançou um pedaço de carne para Caos. — Posso te fazer a mesma pergunta. Brynna sorriu. nem arco. Estaria com Colette? — Tinha que sair por um momento. mas William a deteve. Recordou que o duque tinha saído furioso do castelo de Avarloch. — Também eu — William compreendia a dor que via nos olhos dela. mas nunca para ti. — Posso ser bastante perigoso. Perguntava-se o que estaria fazendo nesse momento.Brynna olhou ao redor da pequena fogueira. bela dama. — Foi Caos que matou o coelho? — perguntou. Suspirou lentamente. Ele parecia uma besta contra a vegetação silvestre dos arbustos e os grossos troncos. Ao escutar seu nome. A jovem observou o duque e imaginou-o correndo entre os grandes arbustos como uma besta indomável. As sombras refletidas pelo fogo que dançavam sobre seu rosto lhe davam uma aparência selvagem. O olhar de Brynna se elevou para o céu. perseguindo a sua presa. mas sua voz era gentil. que estava escurecendo. seus pensamentos retornavam a Brand. nem espada. talvez só precise saber quão perigoso pode chegar a ser meu novo amigo. mas tal como suspeitava não viu nem adaga. olhando-o fixamente —. — O que está fazendo aqui no bosque? — perguntou. pensaria mal de mim? — Não — respondeu Brynna. sem nada mais que uma taça nas mãos. Brynna tentou sentar-se de novo. com um respeito reverencial crescente pelo homem ao que tinha chamado de monstro. seus enormes dedos quase delicados.

— Não. cautelosamente. Ela se deteve. Prepare-se para a batalha agora. Não sei quanto dele segue com ela. te render. olhando—a fixamente nos olhos.. — Mas. — William suspirou. — Brynna — começou a dizer lenta... mas não neste momento. olhandoa —. — Non — a deteve —. Não temos cavalo e estamos muito longe para voltar caminhando. William olhava o fogo.. . Tal como tinha previsto. E me acredite. te prepare agora mesmo. sabia que não se derramavam somente pelo cavalo. poderia te dar por vencida. Use todos os recursos femininos com os quais Deus te benzeu. lutando para libertar-se da mão que lhe impedia de mover-se. — Não devi forçá-lo tanto — soluçou incapaz de conter a pena que a atormentava. — Não há cavalo? Mas. mas é melhor se preparar para uma batalha sem trégua — uma careta de lobo se apoderou de seus lábios—. deixando que seus prateados olhos a encontrassem na penumbra —. E enquanto a mulher que admirava mais do que qualquer outra amaldiçoava sua própria imprudência. Brynna fechou os olhos para deter o pranto que procurava fluir. Brynna. — olhou ao redor da pequena clareira — onde está meu corcel? O duque permaneceu em silêncio um minuto. tenho que retornar — disse. respeitando suas lágrimas em silêncio. Mas não o fará. 201 . — Seu cavalo quebrou o pescoço ao cair.. ou não te incomode em retornar. — Retornará. Brynna. deve reunir toda a força que sei que tem. Sei quanto Brand deu a Colette de Marson. mulher.. sua raiva contra Brand e Colette se acendeu uma vez mais. quando voltar a Avarloch. benzeu-te com muito.

— Fiz por merecer. Vi-o. — Certo. estou pedindo que me seja leal e compartilharei algo contigo que ninguém mais sabe. Os músculos dançavam em sua mandíbula e sua garganta enquanto mastigava. e notou quão imponente era o homem sob todo esse cabelo e essas maneiras rústicas. mas o luxurioso brilho nos olhos de William lhe disse que não estava brincando — Mas não sou um cavalheiro — recordou incrédula. —Tem uma reputação monstruosa. William sorriu gentilmente e outra vez ela se surpreendeu pela natureza terna desse homem. milorde William — disse ela. William. Presta-me juramento. — Sim. Levantou seu sombrio olhar e deixou que sua ferocidade a inundasse. Agora. — Lealdade — riu ela. seu braço pendurando sobre o joelho. com reputação de selvagem. como se algo estivesse dando voltas em sua mente. de repente. Assentiu com uma nova determinação ardendo em seus olhos e William assentiu em resposta. Brynna Risande. Brynna ficou séria. bela dama? Apanhada no fogo de seus olhos e o suave resplendor do fogo que o banhava em uma luz misteriosa e majestosa. 202 . Sei que será leal a Brand. não importará. — Jure-me lealdade. — Mas sou saxã — recordou Brynna com uma nova faísca nos olhos.A moça secou as lágrimas e olhou ao tosco guerreiro. O duque lançou mais carne a Caos. Ele jogou a cabeça para trás e se riu. Ele a apanhou avaliando-o e levantou a comissura de sua boca barbada em um sorriso. destroçando a suculenta carne. mas é uma guerreira. Nem sequer seu marido. até fazê-la tremer pelo que via. Fez uma breve pausa. Ofereceu-lhe uma fatia de coelho e desta vez ela aceitou. Corre por suas veias. e te contarei uma história que seus filhos contarão a seus filhos. — Logo. Brynna o estudou. É leal ao seu pai e ao seu lar. — Conte-me de suas batalhas. farei o juramento. Agora estava sentado com uma perna dobrada contra o peito.

para sentar-se junto ao escuro guerreiro. ante os olhos de Deus. — Sinto-me um pouco tola. vagamente consciente de que Caos se levantou de seu lugar de descanso. Brynna repetiu o juramento e quando terminou. disse a si mesma.O duque normando se ajoelhou frente a ela. e Brynna estava convencida de que podia escutar o coração do guerreiro golpeando dentro de seu peito. juro lealdade ao duque William da Normandia. William tomou suas mãos e as beijou. sua voz era profunda e baixa. e depois por sua força física e poder. O duque a olhou direto nos olhos e ela teve a sensação de que tudo era um sonho. parecia tão ameaçador e dominante como assegurava sua reputação. Ali estava. Mas ele era muito mais que isso. Assegurou-lhe que sim. — Brynna — confiou maliciosamente —. esposa de Lorde Brand Risande de Avarloch. — Repita depois de mim — disse o guerreiro contra o chiado do fogo —: Eu. ouviu falar de uma pequena aldeia no sul chamada Hastings? 203 . Lady Brynna Risande. Acomodou-a lentamente até sentá-la e perguntou se estava cômoda. Uma paixão sobrevoava seu ávido olhar. — Não — sussurrou ele. Quando ele voltou a falar. O duque William da Normandia era um homem governado por sua habilidade e sabedoria em primeiro lugar. frente à luz da fogueira. excitada e um pouco nervosa pelo que estava pedindo que fizesse. a ponto de jurar lealdade a um normando! A um homem que. Brynna suspirou. que ela jamais tinha visto em outro homem. Brynna teve que recordar que não eram dois meninos fazendo um juramento secreto de sangue de ser amigos para sempre. — Já está — disse quando ela reuniu a força suficiente para permanecer sentada sem sua ajuda. Prometo lealdade e honra em minha vida.

Capítulo 18 Brand percorreu os salões do castelo apressado. que tivesse tido uma boa razão para 204 . pelo bem do velho cavalheiro. As tochas que ardiam de ambos os lados ondulavam em seu caminho. Procurou lorde Richard esperando.

Tinha-o acusado de desejar também Alysia. Maldita seja por não acreditar nunca nele. Sua pele começou a arder. Enquanto descia as escadas. 205 . Não compreendia por que custava tanto confiar nele. e tinha querido perder-se neles para sempre. os olhos de sua esposa eram duas esmeraldas consumidas pelo fogo. Acaso pensava que só porque tinha permitido a entrada de Colette em Avarloch fugiria com ela? Recordou sua ira quando encontrou à donzela banhando-o. Sabia que tinha sido muito rude com sua esposa. qualquer um pensaria que tinha sido ela a traída. quando lhe disse que a faria retirar-se do salão. em lugar dele. com apenas um de meus cães. Brynna tinha saído há muito tempo. Peter me disse que saiu daqui sozinha. Seu coração pulsou mais forte quando pensou em seu olhar sensual. em sua formosa risada que o fazia esquecer o passado e não pensar em ninguém mais que nela. Pensou que era formosa. Suspirou profundamente. recordando os gemidos. assim como o desafio. Mas. Pela natureza desconfiada de sua esposa. Tinha visto a dor em seu olhar. — Onde está minha esposa? — continuou sua lenta descida. mas a irresistível combinação de ternura e paixão que oferecia fazia com que lhe afrouxassem todos os músculos. e com o passar dos minutos Brand ficava mais furioso com seu pai. diabos.permitir que sua filha saísse para cavalgar com apenas um cão ao seu lado. Ele precisava reafirmar que nunca trairia esse amor. quando a viu pela primeira vez. e se amaldiçoou. não dando importância ao fato de que Richard só se deteve brevemente para olhá-lo —. como se uma língua de fogo o tivesse percorrido ao pensar no amor de Brynna por ele. Ela o amava. viu lorde Richard entrando no castelo. Por Deus. antes de seguir caminhando para o grande salão. detendo-se a meio caminho em sua descida. lânguidos que lhe tinha arrancado. — Onde esteve? — perguntou Brand bruscamente. Teria que conversar com ela a respeito. tinha necessitado tempo para pensar com clareza e não podia fazê-lo com ela ali lhe dizendo o quanto ele amava Colette. — Nas cavalariças — Lorde Richard levantou o olhar impassível.

Tinha que deter o que sentia por Brynna. mas nunca deixaria que esse sentimento voltasse a governá-lo. Podia estar apaixonando-se por sua esposa. era por sua vez conquistado. uma tormenta que podia destruir tudo em seu caminho. quando seus olhos eram tão mortíferos como sua espada. e Richard soube que o sério cavalheiro não acreditava. Seu olhar severo imobilizou Richard em seu lugar. Observou as mãos pendentes ao lado do corpo. tinha que detê-lo porque estava certo de que se o permitia. desumano guerreiro que tinha enfrentado no campo de batalha. e a compressão seguida do remorso tomaram conta de Brand. até que Brand finalmente o alcançou. Por um momento. com maior paixão do que tinha amado Colette. Mas durou só um instante. poderia amá-la até com maior intensidade.. Lorde Risande — disse Richard.. 206 . — Cavalgar — repetiu suas palavras. Observou como um autocontrole nascido só para conquistar. Mas não podia esquecê-lo. Oui. ante seus próprios olhos. antes que o guerreiro vitorioso retornasse. a batalha que Brand lutou consigo mesmo se evidenciou em seu rosto. entre dentes. — Aonde foi? — perguntou de novo. No espaço de um momento. Lorde Richard se maravilhou ao observar o marido de sua filha desarmar-se e logo recompor-se. — Saiu para cavalgar — Richard enfrentou seu genro diretamente. estava muito consciente de cada movimento que fazia o jovem cavalheiro. quase tinha feito com que o pai de Brynna esquecesse o ardiloso. Mas lutou contra suas emoções tão grosseiramente como se fossem um inimigo que enfrentava na batalha.Ver Brand era um pouco perturbador para Lorde Richard Dumont. Com seus sentidos alertas. o guerreiro desapareceu. sem lhe importar as conseqüências. Viver no castelo com ele. em especial agora. Vê-lo era como ver a calma antes da tormenta. compartilhando vinho e risadas. — Minha filha precisava livrar-se da desonra a qual você a submeteu hoje. perto de sua espada. antes que fosse muito tarde. E agora o guerreiro não fazia nada para ocultar sua raiva.

correr para ele com sua espada.— Aonde foi e por que não retornou ainda? — exigiu Brand. Duas horas mais tarde. mas ao olhar dentro das vastas profundidades dos olhos de Brand. ante suas palavras. porque está ferida em seus sentimentos — replicou furioso. pergunta? — Richard estava furioso. de algum modo. Havia esperado que o normando chegasse a amar sua filha. nunca retornará para você — alfinetou —. Brand? Brand assentiu. por havê-lo obrigado a percorrer as almenas todo o dia. Lamentava ter ferido os sentimentos de sua esposa. Queria odiar este bastardo normando. mas não estava disposto a permitir que o abandonasse por isso. Richard o olhou. e não fez nada além de olhar para os olhos gelados de Brand. maldita seja. talvez não tenha piedade de você. que Brynna. — Está me ameaçando. as ordens de Brand podiam ser ouvidas trovejando pelos corredores de Avarloch. com os olhos entrecerrados em uma expressão mortífera — A você não interessa se ela retornar ou não. — Rogue — advertiu Brand em uma voz completamente aterradora — que ela volte para mim ou você nunca chegará a ver a Normandia. — Oui. beijaria-a até deixá-la sem sentidos. indignado. Encontraria-a e logo depois de estrangulá-la. Queria que Dante se preparasse para cavalgar e que seus outros dois cães estivessem preparados imediatamente. e olhou Richard com uma intensidade imperturbável. Cavalgará e seguirá cavalgando e nunca voltará. Richard estava agora muito zangado para reconhecer o pânico nos olhos de Brand. Lorde Risande? Não ter que casar-se com minha filha? — Não serei humilhado por uma esposa que me abandona. Não é isso o que queria no princípio. — Se ela for tão forte como lhe ensinei. 207 . pudesse ultrapassar suas defesas. — odiou-se nesse momento por ter se rendido ante esse homem e por ter tido que dar sua filha a um patife tão desalmado. E desta vez. suas esperanças se desvaneceram —. mas seu coração sabia muito bem quanto tinha falhado com sua filha. — Por quê? Por que.

apressando-se para alcançá-lo antes que abandonasse Avarloch. Colette. quase como agora. Ele tinha saltado da sela de seu cavalo de guerra. A capa carmesim que usava se levantou de seus ombros. Ela acomodou o capuz sobre a cabeça e correu para ele. apertava os dentes. para se proteger do intenso frio. Colette. para deleitar-se com o contato de seu corpo apertado contra o seu. com seus olhos grandes e feiticeiros — Sentirei saudades. seu aroma me embriaga. —Volte para dentro. tinha-a tomado em seus braços para desfrutar de seu aroma. 208 . Acomodou a capa ao redor dos ombros. quando o vento uivou no parapeito. e para lhe sussurrar seu amor ao ouvido. Por que corre atrás dela? — repetiu. enquanto observava Brand saltando sobre um corcel tão negro como os cachos que caíam soltos sobre a fronte de seu cavaleiro. milorde. — Brand! — chamou-o. — William também se foi. Ela tinha saído correndo de Graycliff para lhe dar um último adeus. Brand a observou com olhos escuros. Agora. — Por que corre atrás dessa mulher? Deixe-a ir. enquanto o frio lhe mordia a carne. quando baixou a vista para olhála de seu cavalo. amado meu. em uma época em que ter que deixar Colette partia sua alma. furioso pela demora. Quando chegou até ele. e fica comigo. mas o vento esparramou a cabeleira como um halo ao redor da cabeça. — Não respondeste minha pergunta. — Porque. colocou uma pequena mão enluvada em sua coxa e olhou para cima. mas ofereceu um encantador sorriso. Não notou? Talvez estejam juntos. Brand.Colette saiu do castelo quando os homens se preparavam para abandonar o parapeito. tentando sustentar o mel em sua voz. Pensou naquele dia em que estava saindo de Graycliff para lutar contra os homens do barão Hawthorn. Sobre o cavalo. Um fino sorriso se desenhou em seus lábios. O leve bater das asas de seu nariz disse a Brand que suas palavras tinham tido o efeito que esperava. Brand riu. mas não havia rastros de alegria no som zombador.

Imperturbável e ignorando sua ameaça. fazendo com que os que estavam ao seu lado se unissem a sua alegria. sua paixão não emergia. enlouquecido por ter que engolir sua raiva. a próxima vez que me chamar de "amado meu" farei com que cortem sua língua. com uma expressão de desprezo que desenhou uma covinha em sua bochecha. Na verdade. Dante a olhou. só olhar para os turbulentos olhos de seu irmão para ver o fogo que tinha ardido com tanto ímpeto. A dor que o havia consumido por completo já não existia. mas a imagem de compridos. Dante cavalgava ao seu lado em silêncio. Mas sua escuridão era tão mortal como sua luz. Não havia mais lágrimas para derramar por ela. nem todas as mulheres acham tão difícil manter as pernas fechadas — agarrou. pensou Brand zangado. voltando-se para olhar seu rosto—. conhecia aquelas sombras nos olhos de seu irmão. atravessava a vida deixando que sua energia enchesse suas veias até que sua risada soava contundente e real. que tentava protegê-lo do amor. Uma brisa fria levou uma mecha negra de cabelo sobre o rosto e cobriu o brilho trêmulo de seus olhos. Não restava nada mais que uma insensibilidade letal sobre seu coração. sinuosos corredores se transformava no rosto de Colette. inundando seu coração. Colette de Marson dirigiu seu sorriso feiticeiro para o forte e belo irmão de Brand. Dante sabia muito bem por que Brand era chamado "o Apaixonado": Como uma espada.O corcel de Brand se encabritou e protestou. Mas sim se 209 . com força. pela repentina pressão das coxas de seu cavaleiro. O rosto de um anjo enviado para destrui-lo. Já não existia o impulso de gritar como um norueguês frenético. Quando Brand cavalgava para a batalha. ocultando por um instante a repugnância que sentia. embora certa vez tinham caído como a chuva. Não concordaria com ninguém que lhe dissesse que Brand já não sentia paixão. as rédeas para partir —. Colette — adicionou rude. Sacudiu a cabeça para clarear seus pensamentos. — Isso não importa — a desafiou —.. transformado em seu inimigo.. Atraindo-o. Em resposta. chamando. sua alma. E. O bosque se abria diante de Brand como mil portas que emitiam ecos.

— Por aqui — ordenou. diretamente em frente deles. Sussurro e Triturador uivaram e ladraram. — Oui. embora Brynna notasse um tom de desilusão em sua voz —. E porque ele o conhecia tão bem. Talvez estejam juntos. O guerreiro ainda vivia. o fogo ainda ardia. podia sentir a vida que ele amava pulsando em seu corpo. A forte gargalhada soou no silêncio do crepúsculo. e qualquer que lutasse junto a ele. reverberando contra os escuros ramos e fazendo-se soar nos ouvidos dos homens que percorriam o chão úmido e coberto de folhas. A voz de Colette zombava dele. mantendo seu cavalo em um rápido galope curto junto ao de Brand. enquanto Caos respondia a seus chamados detrás de uma pequena elevação.acendia. Puxando as rédeas e guiando seu cavalo para o som conhecido. como seu irmão. Dante sabia. William. na distância. Ainda vivia. Em algum lugar. As emoções ainda se acendiam dentro dele. Dante. minha mais bela e leal guerreira — 210 . — Encontraram-nos — William sentou-se ao lado do fogo e olhou a elegante mulher sentada junto a ele. mas mesmo assim. Sorriu. Brand só tinha substituído sua risada pela dor. Silêncio: — A mim também. Recorde. me preocupa. — Preocupa-me que talvez tenha acontecido alguma coisa — aventurou Dante. mas ainda podia sentir. Brand deteve seu cavalo para escutar. era o único que reconhecia as chamas que brilhavam novamente quando Brand fixava seu olhar em sua esposa. Brand manteve o olhar fixo espessura das árvores. — Seu pai me assegurou que ela conhece estes bosques como se fossem parte de sua própria casa. em seu frenesi pela descoberta. recordando a destreza e a fúria com que seu irmão tinha empregado para conquistar o exército de Lorde Richard.

— Sim. e eu espero sua vitória. O amigo de Brynna se foi e em seu lugar estava um homem de majestosa autoridade. milorde — Brynna apertou a enorme mão e rapidamente plantou um beijo em sua bochecha —. Escutou a voz de seu marido como uma lufada de ar gelado contra sua pele. Fechou os olhos à escuridão que ameaçava tragá-la. A jovem tentou ficar de pé quando viu Brand. que estudava a penumbra do bosque esperando a acusação que sabia estava a ponto de descer sobre ele. e eu também espero a sua. em um instante. deve saber que sempre será importante para mim. As lágrimas alagaram os olhos da moça e o duque suspirou profundamente. — Isto te parece acolhedor. — Brynna. antes de ficar de pé em toda sua enorme estatura. não para sua esposa.sussurrou. — Machucou-se muito? A terna preocupação em seus olhos fez com que quisesse assegurar que a ferida não era séria. Brand desceu de sua montaria e. 211 . Por um momento. mas a dor da ferida em sua cabeça a fez cambalear. — Seque as lágrimas. mas os olhos tão selvagens descansavam como pétalas sobre seu rosto. parecendo aturdida. seu marido se aproxima — sua voz tinha mudado no espaço de um segundo. enquanto o trovejar dos cavalos se fazia mais forte —. parece — sorriu William. e se alguma vez não se sentir amada. — É só minha cabeça — disse brandamente. recorda que seu futuro rei te ama de verdade. — Oui. mas infelizmente. Caiu do cavalo e está ferida. William? — disse Brand ao entrar na pequena clareira. senhora. uma batalha te espera. William levou um dedo aos lábios dela e o manteve ali. mas sua voz era tão afiada e decidida como o ar invernal —. estava ajoelhado junto a Brynna . como se a estivesse vendo pela última vez. iluminada pela fogueira. Brynna pensou que pretendia silenciá-la. Seu olhar descansou sobre Brynna que estava sentada frente às chamas.

como um manto. e o fogo em seus profundos olhos cinzentos devia manter acesa sua amizade. enquanto Brand olhava fixamente por cima de sua espada à pessoa em que tinha acreditado. Brynna emitiu um som de protesto. Enfrentou William com tal severidade que Dante descendeu de seu cavalo e se aproximou. não tentando convencer Brand da verdade. William? — perguntou Brand. Brand sentia-se selvagem. — Saí a pé. atentamente. uma fúria imensa apossando-se de seus pensamentos. sua voz era um grunhido ameaçador. mas lhe permitindo chegar as suas próprias conclusões. suas mãos tremiam fazendo com que a espada oscilasse em frente dele. por favor. Tinha que pôr fim a esses pensamentos rapidamente. — O tempo suficiente para fazer o que você mais teme. William? Diga. guarde a espada! — Dante deu um passo para seu irmão. A cena era familiar para Brand. — Não há uma ferida aberta. — Quanto tempo faz que está aqui com ela? William lançou a seu amigo um sorriso benigno. e William sabia o que seu amigo estava pensando. Mas William deu um passo atrás. O coração pulsava tão furiosamente no peito que pensou que vomitaria. — Por que não a levou de volta a Avarloch. Enfrentou os demônios da 212 . — Brand. nas espessas mechas de cobre que enroscavam em sua mão. Brynna não. você me diz. — Non. O quente fôlego de sua boca caiu sobre a bochecha de Brynna e ansiou voltar a cabeça para lhe dar um beijo. o aço apontava para o duque normando. com cautela. e o cavalo da senhora morreu na queda. — Fez algo.Levou os dedos ao couro cabeludo e procurou. de seu irmão. antes que o duque respondesse. mas seu marido já estava de pé. incapaz de acreditar no que estava vendo. O silêncio caiu. só um calombo do tamanho de meu punho. amigo — respondeu William suave e serenamente —. Os dois guerreiros se olharam um momento. seus olhos fixos em Brand. mas o mortal assobio da espada de Brand ao sair de sua bainha a paralisou.

estava perdendo. por cima do ombro. Seu mais querido amigo o trairia? Brand soube. mas estava aliviado de têla de novo em seus braços. Terá que descansar. Ajoelhou-se junto a ela e tomou a mão para levar aos lábios. Mas Brynna não era Colette. Dando um passo a frente. imediatamente. Passou a mão pela boca e fechou os olhos. Tinha bárbaro.traição. afetuosamente. — Já perdoei ami. Baixou a espada. compreendendo que a profundidade do amor que podia sentir por Brynna era muito mais intensa que qualquer coisa que tivesse sentido por Colette. eu. por certo! Mas em vez de cair. Vamos para casa. em seguida. Que Deus o ajudasse. e ele a havia seguido. e deixou que seus lábios se atrasassem ali em um longo. já o tinha levado a beira do mundo. mostrou-lhe como era voar. em uma desesperada tentativa de negar. ou te estriparei na frente dos formosos olhos de sua esposa — disse. Roçou a bochecha contra a sua cabeça. durante alguns dias — Deslizou os braços embaixo dela. — deu a volta. Tinha provado sua lealdade para com seu lar e o povo que estava sob o amparo de seu pai. derretia-se como o mel aquecido pelo sol — Brand. Brynna. Era tão perigoso permitir-se amála? Retrocedeu. quase sem fôlego ante seu terno olhar. Cegamente. — quando ia continuar. Brand embainhou a espada e olhou para Brynna. tranqüilo e se dirigiu aos cavalos — Mas não volte a me provocar. doce beijo. como ela o chamava. cambaleando a beira do precipício uma vez mais. Teria que estar estrangulando-a por ter causado tanta preocupação. tocou o braço de Dante.. os dedos acariciaram seus lábios.. — Ssh. erguendo-a do chão frio. — E você? Também me perdoa Brynna? — Sim — sussurrou ela. 213 . a resposta. Seu coração se retorcia. Diabos. Não era uma egoísta. como se não pesasse nada. Queria lhe dizer que só de vê-lo. o duque se aproximou e bateu em seu rosto. — Rogo que me perdoe William. Mas este era William. Escutou os passos de seu irmão que abandonavam a clareira.

apertou-as e as acariciou.. — Sim — respondeu Brand. Brynna esperou que continuasse. Brand podia sentir os lábios de sua esposa sobre a pele. A fúria se desatou como um relâmpago esmeralda. Respirou profundamente. e como a idéia de que ela pudesse abandoná-lo o tinha enlouquecido. Voltou o rosto levemente para cima para banhar-se no calor de seu pescoço. lutando para ser liberado. mas tomou posse de minha casa. Um fogo ardeu de seu umbigo até seus joelhos. despertando todos seus sentidos como pequenos fogos que ardiam e a derretiam. pressionando a bochecha contra sua cabeça. Sua voz estava carregada com a tensão do desejo que ardia. Gemeu brandamente. Desejo. e me fez sua esposa só para satisfazer a luxúria de seu membro normando. Examinando a firmeza flexível de suas coxas com uma mão. A palavra soou como se tivesse sido arrancada contra sua vontade.. entretanto —. Recuperou a voz. — Minha falta de. e agora zomba de mim. trazendo sua amante para minha casa para que também zombe de mim. — Brynna — sussurrou. Sentiu que sua esposa ficava rígida em seus braços e suspirou —. Enviavam línguas de fogo por suas costas. não amor. quando levantou a cabeça e o olhou indignada. diminuindo o passo. Brynna fechou os olhos e deixou que o aroma masculino a invadisse. mas ele não disse nada mais. — Colette continua em Avarloch? — perguntou. e não permitirei que minha esposa saia sozinha por aí cada vez que falo com essa rameira. Só a apertou mais forte. — estava tão zangada que não pôde terminar. Você e eu devemos ter uma conversa sobre sua falta de confiança. Queria dizer como estava feliz por tê-la encontrado. 214 . para poder tomá-la ali mesmo onde estava de pé. disse a si mesma. levou-a até seu cavalo.Aconchegada e segura contra seu peito. descansando a cabeça no vão de seu ombro. queria afastar-se de William e de seu irmão. Brynna. sem erguer o olhar. Que razões me deu para confiar em ti? Não só tenta ocultar que ainda ama Colette.

mas o rápido movimento fez doer a cabeça. Tentou afastar-se dele. Daria-me pena ter que fazer amor e te ferir ainda mais. perdoarei você por me acusar de zombar de ti. mas ele rodeou sua cintura com seu braço e a arrastou novamente para si. Foi bastante gentil. — Disse que não a amo. Recorda. indignado. Brynna queria gritar. lentamente. Uns olhos cinzentos se encontraram com os seu. Outro cavalo trotou junto ao de Brand. ou de permitir que alguém mais o faça. tanto que pensou que perderia os sentidos. porque compreendo que esse galo na cabeça deve ter te deixado tonta. uma batalha te espera. 215 . Esteve tentado a soltá-la.Brand se deteve e a olhou. e eu espero sua vitória. em silêncio. minha mais bela e leal guerreira. pelos enjôos.. Essa é outra conversa que devemos ter logo — voltou a caminhar —. — Ordenarei a Alysia que cuide de você. quando a acomodou entre suas fortes coxas. Parece ter dificuldade para acreditar em mim. Brand alcançou seu cavalo e colocou Brynna na sela. mas a mensagem de William era clara e retumbou na cabeça dolorida de Brynna. logo que chegarmos — sua voz era fria e seca — E pare de rebolar em meu colo.. Ela levantou a vista.

— Acredito que todas as mulheres em Avarloch dariam sua benção por vê-la fazer isso. — Deve comer para recuperar suas forças. quando a bandeja que empurrou para Brynna foi devolvida. mas um sorriso se desenhou em seus lábios carnudos. — Seu comportamento é tão detestável? 216 . cravar as unhas e arrancar os olhos dessa bruxa da Colette. — A donzela voltou a suspirar. Brynna voltou a cabeça no espesso travesseiro em que estava reclinada e olhou sua donzela. Os grandes olhos de Alysia se abriram ainda mais. enquanto Alysia suspirava ao ver a comida de sua ama intocada.Capítulo 19 Brynna estava de mau humor na cama. — Já tenho forças — disse furiosa — Força suficiente para descer. minha senhora.

Podia ver a dor de Brynna refletida no brilho de seus olhos e os tensos lábios que tremiam. Estava tão ocupado adoecendo por sua apaixonada. Ele merecia. talvez? — Não— respondeu. Que Colette acabe com o que restar de seu coração. ele nem sequer.. — Há alguém que queira ver? Seu pai. Não choraria. arde como o ferro forjado nas chamas.. entendeu? — Mas. Agora ela apertava os punhos. Pode ir. desde que a trouxe de volta para casa. que não tinha tido tempo sequer para visitar sua esposa. Estava cansada de permitir que seu pai visse sua dor constantemente. Alysia assentiu e recolheu a bandeja da cama... Podia lutar contra Colette de Marson? Brand a amava. E leve esta bandeja contigo. decidiu rapidamente. Brynna se indignou ao recordar que tinha sido carregada como um bebê indefeso. colocando-a ali sem dizer uma palavra. frente ao sorriso divertido daquela bruxa. O único homem ao qual não presta atenção é o duque William. — Bem. Brand escolheu permitir que Colette ficasse em Avarloch. lamentou. Desde que pudesse extasiar-se com sua acetinada cabeleira loira. sempre amaria. Que passe seus dias com essa sedutora. Já era bastante difícil para ele saber que Brand estava ali por 217 . — Não quero saber o que está fazendo com ela. nos lençóis da cama. tentando conter sua dor. apertava os dentes para impedir que fluíssem as lágrimas que ameaçavam alagá-la. Brynna lutou para controlar a fúria que crescia em seu interior. seus brilhantes e escuros olhos marrons. — Sim. Alysia. sem importar a tortura que causasse. Brand havia lhe trazido diretamente para a cama.— Sim — Alysia assentiu e sentou na beira da cama — Quando está com Dante. obstinados. minha senhora. Brynna não sabia se amaldiçoava à perdida ou soluçava pela dor que seu comportamento estava causando em seu marido. — Entendeu? — a voz de Brynna soou tão afiada como uma adaga.

— Obrigado. mas já não podia. Queria falar com ele. Era frio. como nos de Brynna nesse momento. Nunca uma donzela tinha visto tanto vazio em uns olhos. Então o tosco normando tinha abandonado Avarloch. Como pôde fazer isso? Tentou deter as lágrimas. representando a figura 218 . Tinha estado certa disso. Bom. — Partiu minha senhora. que dormia recostada aos seus pés. — Partiu? — Brynna sentou-se na cama. — Peça ao duque William que venha. e não importava o quanto tentasse impedir. A prata estava finamente trabalhada. Mas como apareceu. reuniu seus homens e partiu.sua culpa. como seu marido. Mal a donzela saiu. a princípio. Alysia queria largar a bandeja e correr para sua ama. Disse para si mesma que William da Normandia não era mais que um selvagem. ela também podia ser como eles e não se importar ninguém. o grande salão de Avarloch estava frio. Brand estava sentado em uma cadeira acolchoada que ostentava o exuberante emblema verde e amarelo de Lorde Dumont. Mas seu coração ardia ante estes pensamentos. Brand se fixou vagamente no trabalho artesanal da taça. Seus olhos arregalaram-se. Falou com Lorde Risande durante uns minutos. até que a escuridão que a consumia venceu e acabou adormecendo. suas lágrimas caíram sem cessar. quando piscou. Agarrou os lençóis tão fortemente. sumiu. que seus dedos ficaram dormentes. Pensou em uns olhos da cor do aço e suaves como o veludo. Apesar do crepitante fogo que ardia na lareira. sem sequer dizer adeus. Dispensou a moça com um breve movimento da cabeça. Brynna afundou a cabeça no travesseiro. — Quando? — Esta manhã. Alysia — disse a jovem com toda a força que pôde reunir. Estava sozinho com Sussurro. Não desejava torturá-lo mais. Brand percorreu com um dedo o belo trabalho esculpido em uma taça de prata que repousava ociosa sobre a mesa frente a ele.

de uma mulher com a cabeça jogada para trás. Sussurro se levantou com um salto e gemeu preguiçosa. Brand conhecia o som. como o suspiro de um anjo. As sombras dançaram em seus olhos. gentilmente. — Não me visitou desde que cheguei meu senhor. até para sua esposa? — perguntou Colette. antes que Brand o matasse. — Deixe-me sozinho. com olhos nublados e cansados. antes de dar voltas em círculos e tornar a recostar-se. como o abraço do amante. 219 . beijando-lhe o pescoço. — Brand? A voz era de seda pura. Brand a observou. roçando a superfície da mesa com a ponta do dedo. meu senhor — a música de sua voz emitiu um eco ao redor do salão. Colette. — Por que nega algo que é tão evidente para todos. depois. Traição. — Não. Tal como Colette fez com Alexander. enquanto sua mente o levou de volta ao lugar onde perdeu sua alegria. tinha escutado muitas vezes e tinha sonhado com ele. enquanto os ramos caiam em cima deles. dando voltas ao redor da mesa para chegar perto dele. As flores se abriam com cores invisíveis ao redor do casal. Estavam fazendo amor no bosque. até alcançar a taça e a jogou contra a parede atrás dele. antes de trazê-la a casa. à medida que se aproximava. pensou Brand. — Cadela — Brand esticou a mão com violência. enquanto o corpo de seu amante se inclinava sobre ela. com uma doce inocência e uma feminilidade sedosa que drenou sua alma e o deixou esgotado. nem me chamou ao seu quarto — Colette se movia para ele como se deslizasse — Rogo que me diga por que. O ar ao redor dela parecia dançar como se estivesse impregnado de calor. Olhou por cima das mãos com as quais tinha coberto o rosto. Colette. tal como ele quis fazer com Brynna.

Até sua raiva tinha desaparecido.. Brand fechou os olhos. Sua mente deu voltas. sobressaltada pela inexprimível dor de Brand. e afastarei toda a dor que te causei. chegou até ele e ficou de joelhos frente a sua cadeira. olhando para cima e sorrindo. e te prometo. Lentamente. — Como uma aparição.— Não nego nada — disse Brand. Era como um sonho tornando-se realidade. desde que me forçou a abandonar Graycliff. — Porque seu coração me pertence.. — Levou tanto de mim. com os quais tinha sonhado tantas noites.. levantou a mão para seu rosto e roçou a bochecha com o dedo.. Não havia fogo ardendo em seu interior que o impulsionasse a tomá-la.. Não havia nada. Livre-se dela.. Mais perto. — Não posso dar meu coração por sua culpa. 220 . por que me traiu? — Eu não traí nosso amor. — Colette — o som de sua voz arrancou outro gemido da cadela a seus pés —.. Não me importa. Brynna. subindo por seu corpo até que seu rosto esteve muito perto dele. sentiu-se embriagado com o vinho doce que esteve tomando toda a noite.. meu amor. Nunca deixei de te amar.. Trair você? Não. Colette. enquanto a luz da lareira resplandecia sobre seu cabelo. mas ela deslizou para mais perto. Estava a ponto de aproximar-se para beijá-lo. Colette. Colette respondeu ao contato com um leve suspiro. Colette deteve-se. Faça com que sua esposa se vá. Encha-me de novo com seu amor. Brand — corrigiu ela. — Não pensei em ninguém mais além de você. Ele abriu os olhos e a observou deslizar entre suas pernas. quando o horroroso vazio que tomava conta de sua alma se fez visível no brilho de seus olhos turquesa. até que pôde olhar diretamente em seus olhos.. Brand. Brand. Que gritava mais forte que um trovão. — Me ame de novo. é você quem me traiu quando se casou com outra — acariciava sua coxa enquanto falava.

só que ainda não estou tão desesperado. rapidamente. A espada de qualquer um — se afastou dela — Me temo que me tornei como você. Isso é o que estou tentando dizer. — Afastou a mão que ela tinha em sua coxa e se levantou da cadeira. e isso te partirá o coração esta noite. uma grande verdade. Você é feliz apenas tendo a espada de alguém em suas coxas. Brand entrou no quarto de sua esposa quando ela já estava dormindo. — Minha esposa nunca ficará satisfeita apenas com meu desejo carnal. Tal como na noite anterior. recorda como me sentia embaixo de ti? Brand procurou em seus olhos e riu. apesar dele estar expressando seu desprezo por ela.Mas enquanto ela falava. Para te desejar. Colette. — Esse aniquilador poder dava a Brand uma beleza tão devastadora que Colette ficou sem fôlego. nesse momento. Recorda? — rogou. sorrindo. Divirta-se. — Brand! — Colette ficou de pé. Até a você. — Encontrarei outro para esquentar meu leito — afirmou —. Restavam só faíscas do fogo da lareira. meu doce anjo. Observou-a dormindo profundamente em sua própria cama. lançando seus prateados raios sobre a fina 221 . Brand sacudia a cabeça. descobrindo. Nego-me a amar alguém. porque deseja também meu amor. enquanto que o amor nunca foi suficiente para ti. Falou lenta e tranqüilamente. se não poder me amar. até a porta do quarto de Brynna. — Non. mas ainda podia vê-la. — Não tenho coração. Colette. então faça amor comigo. Colette. Colocou um dedo nos lábios para calá-la. quando ele quis sair do salão —. Ele sacudiu a cabeça. tão simples que sentiu-se um tolo por não tê-la compreendido antes. mas o som arrancou outro gemido de Sussurro. A luz da lua se infiltrava através das janelas. Sussurro seguiu seu amo para fora do grande salão e subiu com ele as largas e sinuosas escadas. Como se houvesse pronunciado uma ordem. puxando seu braço para que ele a olhasse —.

em alguma parte. Mas deixou a mão cair. Ela queria amor e ele estava muito assustado para dar. nem em nenhuma outra noite. incitando-o a entrar. Havia dito a si mesmo que não tomaria novamente Brynna. frente a cama de Brynna para observá-la. Ela estava ali. Ela desejava o sussurro de doces promessas enquanto era tomada. Colette. Brand se aproximou para tocá-lo. O que merecia. Temia que nunca pudesse dar a Brynna o que desejava. Brand fechou os olhos e inalou profundamente. e o amor à vida que ele tinha perdido. O espesso cabelo acobreado lhe acariciava o rosto. nem o questionava. seu corpo tremia de só vê-la. Colocou. Com os 222 . levantando redemoinhos de pó e um aroma acre que aderia a sua pele. Suas botas golpeavam o chão. a sinceridade. Simplesmente queria observá-la. com cuidado. Seu rosto o perseguia em cada momento de sua vigília. afastou-se da cama e se dirigiu para a lareira.. sabia que não poderia resistir. Enquanto o quarto se aquecia. Escutou a canção de sua respiração profunda e rítmica e adormeceu na cadeira. enquanto as portas dos flancos o chamavam com vozes fantasmagóricas. Não permitiria que ela perdesse seu coração por um homem que nunca poderia dar o que necessitava. Seu coração pulsava com força.. A porta no final do corredor estava aberta. Já a desejava. Entretanto. Brand tomou seu lugar habitual em uma cadeira. para sentir o fogo que a envolvia.camisola que se aderia a suas curvas sensuais. nem nessa noite. recordando o suave aroma de jasmim que banhava seus sentidos. e ele não podia pronunciá-las. Com seus olhos azuis bebia todo o seu corpo. Brand abria caminho entre corredores escuros e sinuosos. Não queria pensar por que sentia a necessidade de estar ali com ela. como a enorme boca de um dragão esperando tragar sua confiança e seu amor. Com um esforço. mais lenha sobre as faíscas moribundas e observou as chamas lamberem vorazmente os pedaços de madeira. enquanto sonhava. sempre que o olhava do outro lado de um aposento. quando ela estava perto e o brilho de seus olhos tão cheios de paixão. junto aos aromas de rosas e gardênias. Mas vendo-a agora.

Algo se agitou dentro de sua alma ante o contato. — Acorde e me permita te amar. Foi até sua cama e se sentou. com certeza. Onde mais passaria a noite? — Em minha cama talvez? — replicou ela bruscamente antes de olhá-lo —. então se voltou. não caiu de joelhos ante a visão de sua angelical amante. exaltado ao ver Alexander. que estavam agarrados ao braço da cadeira. — O que está fazendo aqui? Brand a observou. Observou o cabelo aderido a seus seios e quis brincar com suas mechas de fogo. De costas para ele. o protegia dos espinhos. — Acorde. acorde e farei com que viva de novo — oferecia-lhe uma rosa perfeita. Se fosse assim. ou com Colette. inacabáveis campos verde esmeralda o olhavam. seria sincero com você desde o principio. num redemoinho de gaze. olhando para a janela.olhos fixos. com terna preocupação. Com as mãos. ante as palavras ditas com tanto sentimento. Mentir leva a desconfiança e eu valorizo 223 . deitada sobre a relva. Brand — era Brynna. — Brynna — Brand pronunciou seu nome com tanta ternura que ela quis chorar ao ouvir o doce som —. Suspirou. acariciá-la tão sedutoramente como ela acariciava seu cabelo. não desejo Colette. o brilho esmeralda escureceu até um tom oliva. Sua cabeleira caía como labaredas sobre os dedos de Brand. Ele sorriu ao vê-la —. Brand abriu os olhos. — Oui. ao alcançá-la. Levou tudo de mim. Brand caminhou diretamente para a última porta. enquanto as sombras a alagavam. Brynna o estudou durante um momento. perdendo-se no amor que encontrou nos olhos de Brynna. — Sou seu marido. pegou um pente e Passou-o pelo cabelo. Sorriu ao vê-la inclinada sobre ele. — Seu sonho está cheio de fantasmas — disse ela. Era de manhã. Acorde. Alguém se moveu e Brand ergueu o olhar. Desta vez.

Brynna sentiu que sua determinação se dissolvia quando ele parou frente a ela. — Mas sonha com ela. a esta altura? — ela levantou os olhos para olhá-lo. por que permite que sua deusa persiga-me também? Brand sacudiu a cabeça.muito a confiança. Quero me empapar da paixão pela vida que pulsa dentro de ti. Seu apetite a convocava. Brand? — a sincera e aflita curiosidade em sua voz apertou o coração de Brand —. — É tão formosa. Com a ponta dos dedos percorreu sua bochecha até a suave curva de sua boca —.. enquanto ele falava —. enquanto ele a bebia mais profundamente e traçava um atalho ardente ao longo de seu pescoço —. meu coração se romperá em pedaços. Ajuda-me? — aproximou-se mais dela até que os lábios de ambos se roçaram e sua língua começou a saboreá-la. Brynna estava perdida em um beijo que era como seu marido. crua e totalmente masculina. — Brynna ofegava.. 224 . O contato de seu olhar era quase físico. Ajoelhou-se diante dela e levou sua mão aos lábios. Seu sorriso me renova a alma. como disse que o faria.. Como pode não saber disso. Custava-lhe respirar. — Não. — Sua voz cobriu a dela. O que significa isso. — Você é a deusa.. olhando-a com seus formosos olhos —. — Oui. enquanto a percorria. Roçou com um beijo a parte interna de seu pulso. mas não se moveu da cama —. A respiração dela vacilou. Diga-me. fechou os olhos para defender-se da paixão a impulsionava para ele. sedutora. É onde quero estar. deve saber que se a tomar e te perder. bela Brynna — procurou em seus olhos. quero saborear o néctar destes lábios. íntimo. como o teu. Estou aqui contigo. feroz e terno. — Brand. Seu cabelo é como uma labareda que queima quando toca minha pele — disse com voz rouca enquanto ficava de pé. intenso. um pouco perdido e ansioso.

Bebendo seus lamentos. Só peço sua ajuda. Brand. e farei o que me pedir. O escuro olhar que a jovem descobriu era tão real como seu desejo por ela. desde o início — deixou que um sorriso agraciasse seu rosto. seus lábios percorreram a fronte. Estou renovando sua alma. enquanto afastava uma mecha de cobre que tinha caído sobre a bochecha —. Esperarei lá fora enquanto se veste. — Está bem — sussurrou Brynna —. tocando-a como uma profunda carícia. amava este homem. Por Deus. Quero tanto você. mas só a lembrança de seus seios me enlouquece. — Oui. agradeço por ter me dito a verdade. — Assim é. e outra vez os lábios. capturando as lágrimas cristalinas que ela tentava negar —. o nariz. — Sei que me ama — seu sorriso se desvaneceu levemente —. marido. Ele se afastou para olhá-la. beijando os cílios de Brynna. — Não sei quanto poderia te machucar — sussurrou. Mas não sei como recuperar o que me tirou a traição. — Não tem por que sair — protestou ela —. Brynna assentiu com a cabeça. temo que não seria capaz de me controlar se os visse de novo e não pudesse saboreá-los. por isso me mantenho afastado. 225 . Seus olhos caíram sobre ela. Brand se afastou dela. tremendo com um apetite sensual que era tão forte como seu controle. Brand deixou cair seu corpo poderoso sobre o dela. Deixou de beijá-la por um instante para falar. O sorriso dele era tão belo como o despertar do amanhecer. — Sente-se suficientemente bem para tomar o café da manhã comigo esta manhã? — perguntou-lhe. as bochechas. é meu marido. — Diga-me como te ajudar. — ficou de pé com um autocontrole que surpreendeu a si mesmo e tomou as mãos de Brynna. marido? Uma risada leve e a excitação sensual enredaram a garganta de Brand. e ruborizou quando Brand inalou fortemente —.

fazendo com que cada nervo de seu corpo ardesse. se ele tivesse sido capaz de renunciar a Colette tão facilmente. pertenceria-lhe para sempre. preparado para escoltar sua esposa à mesa do café da manhã. Arrumou o cabelo em uma espessa trança. Todos os bons e leais guerreiros sabiam. O coração de Brynna pulsava freneticamente. Ansiava que a tomasse. Algo lhe dizia que as altas paredes das muralhas que Brand tinha construído ao redor de seu coração estavam começando a cair. recebeu-a com um sorriso cálido e ficou de pé. essas paredes eram fortes.— Um fogo próprio assaltou Brynna ao ouvir essas palavras e a paixão em sua voz. digno de sua paciência. Desejava escutá-lo pronunciar seu nome. Brand tinha se afastado para protegê-la dele mesmo. Brand saiu do quarto. Não o teria amado. Mas ela entendia porque quando o olhava nos olhos. pela primeira vez desde que estavam casados. Brand dava tudo de si em tudo o que fazia. e isso incluía o amor a Colette. Brand estava sentado em um pequeno banco contra a parede com suas longas pernas esticadas. ele era digno de sua luta. Queria ser amada com esse tipo de compromisso total. A esperança se agitou uma vez mais dentro de Brynna. e saiu tranqüila do quarto. Mas as grandes vitórias levavam tempo. queria senti-lo penetrando-a com seu primitivo poder. queimando-a. Brynna se deu conta com uma clareza reveladora que provavelmente não se teria apaixonado por ele. Ah. E era seu amor por ele que fazia arder sua paixão. com confiança e lealdade. Sairia vitoriosa. Saltou da cama e colocou um vestido de suave veludo carmesim. Quando abriu a porta. e ela retribuiria. como um incêndio descontrolado. refugiou-se na determinação que necessitaria para travar essa batalha até o final. que deixou cair sobre as costas e completou o penteado com um fino aro de rubis diminutos que caíam sobre sua fronte. — Sem esperar sua resposta. Por Deus. A idéia fez com que o amasse ainda mais. enquanto a embalava. como o oceano contra um escarpado rochoso. — Esperarei lá fora. Ofereceu-lhe um sorriso luxurioso. se não fosse testemunha de sua entrega total naquele dia no lago. 226 . Era um coração que se ela pudesse conquistar. Quando terminou de vestir-se.

Brand levantou uma sobrancelha negra. é tão belo — sussurrou apenas ela. Mas já não estavam vazios. Sempre seria fiel. Ele estremeceu ao falar. Perguntou-se se poderia sobreviver ante tanta felicidade quando verdadeiramente a encontrasse de novo. Brynna roçou os lábios com a ponta dos dedos e o observou. — É tão bela que me tira o fôlego — disse levando sua mão aos lábios. — E você o meu. e se acontecesse. senhor. soube nesse momento que nunca 227 . irradiava uma alegria que acelerou o coração de Brynna. lagos sem fundo. escapasse antes que pudesse dizer. com medo de que o que sentia. intensamente. Sabia que tinha falado com a verdade. E nesse momento não importava. — Deus santo. — Prometa que nunca me deixará sem seu sorriso. a emoção que expressavam era tão poderosa que. divertido e surpreso. E prometo sempre ser fiel a esse amor. nesse momento. acredito. Desafiante. Ergueu o olhar de sua mão e Brynna estremeceu de desejo diante do sensual olhar que lhe deu. Olhe-me sempre como neste momento. — Então é melhor não nos olharmos. Ela riu ante a imagem que ele evocava. enquanto ele os beijava. Deslizou os braços ao redor de sua cintura até que ela pôde sentir o batimento de seu coração contra o peito. Juro. e deteve-se quando seu marido começou a rir com ela.. moldando sua firme calidez contra seu corpo. marido. me banhando na luz do sol da primavera.Ao erguer o olhar. — Obrigado. Seus olhos eram vastos oceanos. posso sentir seu amor me chamando. — Aproximou-a dele. Sim. Brynna. estava derrubando essas muralhas. Seu rosto tinha mudado. Brynna pensou que morreria em seus braços. esposa. De fato. Os olhos de Brand percorreram seu rosto e estudaram seus suaves contornos. por um momento. com um sorriso verdadeiro e modesto desenhado nos lábios.. Brynna encontrou um olhar azul marinho que a observava. Dando um passo para trás. ela se atreveu a manter viva a esperança. morreria feliz. ou não vamos descer as escadas. fez uma reverência.

nem por um instante. Os sons das risadas se mesclavam com o alaúde e a harpa. sentir seu aroma. com todo meu coração. Capítulo 20 O grande salão estava cheio de gente. e embora seu pai fosse um homem justo e amável. meu formoso guerreiro. dava-lhe vida. pensou Richard desconcertado. Este era seu lar. Lorde Richard Dumont observou o casal que se aproximava entrecerrando os olhos e se perguntou se o sorriso de sua filha era genuíno. dava todas as oportunidades para isso. um fato que ele tinha deixado muito em claro até frente ao rei. As títulos e posições significavam pouco para Lorde Brand Risande. Brynna sorriu para seu marido enquanto a guiava através do salão. Quando o encontrou. nas últimas vinte e quatro horas. enquanto os cavalheiros e as damas comiam e os vassalos e os servos batiam as taças. Mas. Brynna percorreu o enorme recinto com o olhar e ergueu os olhos para o homem de que a levava pelo braço. Brand a beijou. e finalmente as vozes que o perseguiam silenciaram. O homem realmente irradiava tanta felicidade que Richard Dumont se perguntou o que tinha acontecido entre sua filha e seu marido. Prometo. nada calculado no cálido sorriso que Lorde Brand lhe oferecia. na manhã anterior.mais iria separar-se dele. mas sim tinham que ganhá-lo. ao tratar a todos em Avarloch com justiça. Brand procurou com o olhar Lorde Richard entre a multidão. Não importava se a amava ou não. nunca tinha visto Avarloch tão cheio de vida. logo depois de tê-la visto tão triste em seu quarto. Duvidava. tomou Brynna pela mão e a guiou para seu pai. O aroma do faisão recém assado impregnava o ar. não havia nada oculto. — E eu serei fiel ao meu amor por ti. somente vê-lo. em inúmeros brindes. Brand não outorgava seu respeito facilmente. 228 .

para Brynna pareceu uma eternidade. que agora estava tomando assento junto a seu irmão. Lorde Richard ficou sem palavras. Juro olhava para você como se fosse um escudeiro doente de amor. Sussurrou-lhe ao ouvido que precisava falar com Dante e a deixou a sós com seu pai. 229 . O coração de Brynna saltou ao escutar as palavras de seu pai. Richard o olhou durante o que. cautelosamente. peço que aceite minhas desculpas pelo modo como falei. então. teria. Brynnafar — aproximou-se para beijá-la no rosto —. — O que aconteceu entre vocês dois? — perguntou —. Richard olhou para sua filha.. —Temo que fui mais que desrespeitoso com seu pai no outro dia.. — Se pensasse que você estava preocupado por minha filha nesse momento. — Estava — o interrompeu —. Surpreso pela desculpa de Brand e por admitir que sentia algo por sua filha. Brand deu um sorriso tão radiante que Brynna estremeceu. como se sente? — Estou bem. quando chegaram junto a ele. muito mais do que estava disposto a admitir. — deu a volta e fixou em sua esposa um olhar significativo — muito. mas ela não tinha idéia a que se referiam e portanto não pôde dar nenhuma resposta. Aceito sua desculpa. Não há desculpas para meu comportamento. — Muito bem. — Senhor — respondeu o pai de Brynna com uma leve inclinação da cabeça e voltou sua atenção para sua filha —. enquanto seus olhos seguiam obstinados a Brand. Brand lhe respondeu. dando um passo para frente para colocar-se frente a frente com seu pai.— Lorde Richard — Brand o saudou serenamente. pai — seus olhos passaram de um ao outro homem. Lorde Richard. Franziu o cenho ao perceber a raiva de seu pai — O que aconteceu? — perguntou. Quase podia ver seu pai procurando a sinceridade dentro de Brand.

— Ela não me engana com sua beleza angelical. William me disse como. William não voltou para a Normandia. Seus olhos continham o encanto e a inocência de uma menina. partiu para lutar por você..— Acredito que meu marido está se transformando no homem fantasia — deu a volta para olhar seu pai e as cálidas lágrimas em seu rosto o emocionaram. Com os olhos entrecerrados. Seu mais leal servente. um dos homens que a tinha escoltado a Avarloch. Brynna olhou estupefata a seu pai. por um breve instante. O sangue de Brynna fervia. Mas antes que pudesse interrogá-lo. — Não — disse Brynna. o duque. imaginava que iria para a Normandia com ele. Não partiu com ele! — Com quem? — Com o duque.. Os olhares das duas mulheres se encontraram.. Finalmente acreditava que Brand já não amava Colette de Marson. Colette gemeu 230 . e acredito que ele está começando a corresponder. pai — explicou —. Voltou-se bem a tempo de ver Colette jogar a cabeça para trás. expressando sua confusão. Seu pai sorriu com ternura e rodeou seus ombros com o braço. — Isso não é nada difícil. Brynnafar. convidando sua escolta a enterrar o rosto mais profundamente em seu pescoço. Seu cabelo era da cor do trigo banhado pelo sol. — Amo-o. seus olhos se arregalaram ao olhar seu pai—. Brynna pôde entender por que Brand a tinha amado tanto. a traição dela o deixa prisioneiro. como uma coroa. Seu coração não era cativo do amor. Suas sobrancelhas se arquearam. o som de uma risada doce assaltou seus ouvidos. e Colette sorriu antes de baixar o olhar. e o tinha preso ao redor da cabeça. — Minha querida — sussurrou enquanto Colette passava ao seu lado—. Partiu sem ela! Seu pai se inclinou mais.. mas do temor de voltar a amar —. Enquanto observava sua pequena figura entrar em salão. — de repente. Colette de Marson entrou no salão de braço com Sir Jeffrey Hamlin. Richard deu a volta para seguir o olhar de sua filha. embora não tivesse idéia do que estava falando.

A guerra. Amou-o no primeiro instante em que o viu. Brynnafar. Todos. Ficou de pé para recebê-la. Os olhos de Brand escureceram e a observou com um sorriso ostensivamente masculino. A batalha. — Não vale morder. tirou os broches do cabelo e cruzou o salão com a graça digna de uma rainha. inclusive Colette. _ Guarde isso para o quarto — voltou a cabeça em direção a Brand. — Tenta zombar de meu marido frente a seus homens — observou furiosa. Sabia o que ele queria. como um falcão guiado pelo assobio de seu amo. que foi muito diferente do que tinha previsto. Quando ela se aproximou. Jeffrey! — Colette riu como uma menina e afastou o homem com um empurrão. Brynna ficou paralisada em seu lugar observando a reação de seu marido. Brand viu sua esposa aproximar-se e a expressão em seus lábios e o olhar de desejo disse a Brynna que todos outros no salão já não existiam. sabia como fazer com que seu marido se sentisse feroz e vivo. mais para si que para seu pai. Brynna queria arrancar os olhos da mulher. vivo e exuberante. Passou a mão ao redor de sua cintura e ofereceu 231 . Os olhos de Brynna se acenderam e endireitou os ombros com determinação. A paixão de Brynna chamava a seu marido. A energia infundiu o ar com uma sensualidade indomável que fez com que todas as cabeças se voltassem para olhá-la passar. E então. A única coisa que não tinha perdido com a traição de Colette era o desejo. inclusive Brand. Mas Lorde Richard respondeu de qualquer forma. — Então vá e o faça sentir como o homem que é.suficientemente forte para que todos no grande salão se voltassem para olhar para ela. aspirou seu conhecido aroma de jasmim. com um sorriso sensual formando-se em seus lábios. Mostre-lhe que se casou com uma mulher e não com uma menina malcriada. Amava Brand. Brand mal levantou a vista com um vago interesse para o apaixonado casal e continuou sua conversa com Dante. coroada por sua magnífica cabeleira que caía sobre os ombros e o peito ao andar.

Brand compreendeu tudo. à vista de todos. Seus olhos nunca abandonaram os dela. sabia que devia possuí-la. Mas acreditei que havíamos concordado que. A expressão de Brand mudou em seguida. Por que seus olhos rogavam que a arrastasse para seu quarto? Ele não queria usar seu corpo sem dar o que ela necessitava. — Tem muitos assuntos para tratar aqui esta manhã. De repente. Como se lesse os pensamentos de seu marido. Brand inalou com todo seu ser. respondendo: — Nada que não possa esperar. sorriu.uma cadeira junto à sua. meu senhor — baixou a voz para que ninguém além de seu marido pudesse escutá-la —. em voz baixa. — Por que me tenta desta maneira? Quando ele falou. — O que aconteceu. — Maravilhoso.. — Faz isto só para que não preste atenção nela — acusou-a. Perguntou-se. enquanto seu amante lhe apertava os seios. e seu sorriso se desvaneceu. O mel gotejou sobre seu lábio inferior e ela recolheu com a língua. enquanto o apetite levitava como uma espessa névoa ao redor de ambos. enquanto se sentava. Mas além de um anseio selvagem.. — Ora! — riu Brynna e voltou a mastigar sua bolacha —. querida. por favor — interrompeu Brynna. Brynna? — O que aconteceu com o que. marido? Ele sorriu. e sabia que ela tampouco queria isso. Apresse-se com Dante. Surpreendeu-se ao descobrir as claras intenções de sua jovem esposa. escutou-se a risada de Colette outra vez. a moça entrecerrou os olhos e captou o modo como a avaliava. O que estava fazendo?. Sou eu que tenho toda sua atenção. marido? — os lábios de Brynna roçaram seu ouvido. A insinuação erótica em sua voz enviou uma labareda de fogo através do corpo de Brand. é meu corpo que se deleitará com seu ardente 232 . Observou-a recolher uma bolacha e levar à boca. ela podia ver a confusão em seus olhos.

enquanto lutava para controlar a ofegante dureza que crescia sob a mesa. esfregar sua carne sedosa e. golpeando a mesa com a palma de sua mão —. jurou fidelidade. Não tenha pena de mim. Quero te saborear — concluiu ela. A certeza em sua voz lhe assegurou que ela acreditava no que havia dito. Permaneceu sentado desse modo. Brand quase podia sentir o calor que emanava dela. Brynna. 233 . enquanto os segundos tornavam-se minutos e Brynna se perguntou se não tinha ido muito longe. Ela se voltou em sua cadeira. enquanto usa a língua para acelerar o pulsar em minha garganta — sua voz era um murmúrio sensual que o provocava. o anseio que fazia tremer sua voz. Um sorriso malvado apareceu no rosto dela. e a ardente necessidade que fazia com que seus seios se elevassem inchados.. em nossa cama. Quero sentir seu cabelo enroscado em meus dedos. desfrutando do efeito que tinha em seu marido. — Está zangado comigo. Seus olhos eram faíscas ardentes enquanto se inclinava mais perto de seu rosto. Recorda — acrescentou. — Faz isto porque sente pena de mim — concluiu ele. Brand estudou sua esposa com suspeita. Quero te agradar. Brand? Deslizou seus olhos brilhantes para ela.. para ficar frente a frente com seu marido. atormentava e colocava Brand tão tenso como um látego. com uma faísca nos olhos—. Quero olhar dentro de seus olhos e que você olhe dentro dos meus. enquanto nossos corações batem um contra o outro e nossos corpos gozam. Inclinou-se ainda mais perto e beijou o sorriso que ficou em seus lábios.desejo. Brand apoiou o cotovelo sobre a mesa e levou um punho embaixo do queixo. Sobre seu vestido quando respirava. — Não tenho pena de você. meu amor. Minha carne que te sentirá pulsando dentro de mim. Voltando-se em sua cadeira. ao vê-lo retorcer-se em sua cadeira e continuou torturando-o ainda mais — Quero acariciar sua dureza com a palma de minha mão.

mas necessito uns minutos. relaxar antes de te carregar pelas escadas e te tomar como merece — Ficou em silencio durante algum tempo e depois ficou de pé. Seu corpo poderoso se inclinou para beijá-la apaixonadamente. Moveu os quadris acrescentando pressão aos dedos dele. diante dos rostos surpresos sem que seu selvagem olhar abandonasse os olhos de sua esposa —. — Dói só te olhar — sussurrou ela. Ela olhava-o extasiada... Brand fechou a porta com um pontapé e levou Brynna para a enorme cama com dossel. com um movimento rápido e levantou sua esposa em seus braços.— Non — disse simplesmente —. O vestido caiu de seus ombros até a cintura. Brynna — sua voz ofegante era quase irreconhecível por seu desejo incontrolável. para. Deslizou suas mãos sob o tecido. roçando com as palmas o cetim de seus seios e os sensíveis mamilos que endureciam com seu contato. Os dedos de Brand trabalharam com uma lenta delicadeza enquanto desatava um a um os laços de seu vestido. que excitou-se ainda mais sob seu contato sedoso —. desenhando um sorriso encantador quando viu que o corpo dele não havia ‘relaxado’ completamente. senhoras e senhores. Brynna riu e jogou os braços ao redor do pescoço de seu marido. Brand correu a cadeira dela para trás. enquanto era carregada para fora do grande salão. — Onde? — levantou a saia carmesim e roçou com os dedos o aveludado monte. enquanto ele a recostava gentilmente sobre o colchão de plumas. 234 . quando ele se afastou lentamente. O gemido profundo que Brand arrancou de seus lábios fez com que seu corpo se esticasse pela urgência feroz de estar dentro dela. — Falou de me dar agradar. Um canto da boca de Brynna ergueu-se. mas me deixe-me te agradar primeiro. dói aqui? Ela assentiu excitada. — Vamos nos retirar — disse em voz alta. Desfrutem do resto do dia. Brand levantou as mãos e simplesmente observou a beleza que tinha exposto. acariciando seus joelhos.

Brynna o observou com olhos arregalados. Quase não podia respirar enquanto seus dedos continuavam traçando um ardente caminho para o monte acobreado entre suas pernas. Seu prazer estava se convertendo em agonia. tão ardente quanto o líquido que empapava os dedos dele. Passou as pontas dos dedos lentamente sobre seu sexo. A ponta de sua língua traçou um círculo ao redor de seu mamilo e lentamente o envolveu com os lábios. — Agrado-te? — perguntou Brand.— É terrivelmente selvagem. enquanto ele se despia. ele seguia sondando. E arrancava lânguidos gemidos de sua garganta. — É formoso. — Sinto-me terrivelmente selvagem — o sorriso que deu era tão indomável quanto a carícia de seus dentes contra sua carne —.. tão tenso que parecia a ponto de explodir. 235 .. magnífico. observando a reação de sua esposa enquanto enviava fogo para o pescoço com as doces pinceladas de sua língua —. parecia um caçador que tinha encontrado sua presa. O calor fluía como correntes através dela. Não posso descrever o que é para mim. Os dedos ásperos tornaram-se suaves ao sondar as delicadas dobras que se amoldavam a ele. além das delicadas pétalas que pulsavam de desejo. Deleita minha língua com o mel mais doce — lambeu o vale entre seus seios. Mesmo assim. Brynna. observando seu poder masculino. fazendo-a tremer enquanto um trovão explodia dentro dela. entre seus dentes apertados. Ficou de pé. marido — gemeu ela. Ela sorriu cativa do êxtase diante de seu corpo poderoso e resplandecente de desejo por ela. — Sim — ofegava ela. estou acendendo sua paixão? Brynna não podia responder. — Non — Brand sacudiu a cabeça —. Brand inspirou profundamente. enquanto sua carne dura lutava para libertarse das calças. — Floresce para mim tão rapidamente.. A carícia de sua boca se transformou em intensa lascívia. Estava completamente excitado. você é formosa..

ansiando. Deslizou a mão dela para baixo e para cima. Brand se retirou lentamente. mais intenso se tornava o desejo dele. enquanto seu corpo a possuía. uma e outra vez. arqueando cada vez mais as costas. Ela agarrou-se a ele com as pernas. deliciosamente primitivos. como se a paixão estivesse sendo arrancada brutalmente de seu corpo. Ergueu-se sobre os joelhos até levantar-se em toda sua estatura acima dela. quente e viva. que apertava e soltava. já não posso esperar para sentir esta força dentro de mim. as unhas. até que o prazer explodiu dentro de Brynna. depois deslizou dentro dela outra vez. Lenta. O leve roçar de seus dedos enviou fogo pela poderosa coxa do Brand enquanto empurrava para abrir suas pernas e se ajoelhava entre elas. Brand fechou os olhos e emitiu um som abafado. 236 . fechou a mão acariciando delicadamente o aveludado aço. seus olhos a penetravam tão profundamente como seu corpo. fazendo-a tremer enquanto gritava seu nome. rodeando-o com as pernas enquanto ele descia sobre seu corpo. — Abra-se para mim — ordenou. Deleitava-se com cada espasmo que pulsava. Permanecia em silêncio enquanto a tomava.— Então mostre-me isso. os assaltos do corpo de Brand tornaram-se mais urgentes. meu belo cavalheiro — convocou-o e ele obedeceu. enviando onda atrás de onda de ardentes convulsões por seu interior. enroscando os dedos em seu cabelo. Ela obedeceu. Seus olhos a imobilizaram quando a penetrou. Saboreando cada fragmento de seu calor. Balançou-a. até que Brynna pensou que gozaria em sua mão. vorazmente. Seu corpo tenso acariciava cada centímetro dele. procurando sua boca com a língua enquanto todo seu corpo a reclamava. Ela a percorreu com os dedos. como uma besta selvagem. Abriu os olhos e sorriu tão maliciosamente que ela se assustaria se não estivesse sentindo o mesmo. —Toma o que quiser — sussurrou sensualmente —. Quanto mais fortemente se agarrava. provocando-a até gozar. Sua virilidade pulsava contra a carne de Brynna. provocativamente. Um sorriso transformou o rosto selvagem.

com uma de suas poderosas pernas em cima das dela. e Brynna entendeu que tomá-la já não era suficiente. Levantando a cabeça para vê-lo. medindo sua carne excitada. as bochechas. presa na força de seu peito e se perguntou se o que tinha visto em seus olhos era real ou só sua obcecada esperança agitando-se uma vez mais. Vivia no harém de um sultão antes de meu pai trazê-la para cá. Brynna fechou os olhos. mesmo depois de cair esgotado e trêmulo sobre ela. — Eu também — respondeu com voz rouca. É turca. ela pôde escutar seu coração batendo em doce rendição. Ele não tinha pronunciado uma palavra. acariciando as linhas de seu peito com os dedos. — Deixe-me te agradar. ficou deitada. mas não se atreveu. no silencioso desejo de seus olhos enquanto beijava seu rosto. delicados dedos tocaram-no. Mais tarde. como prometi — ela acariciou seu rígido órgão e sorriu. beijando a fronte. Brynna sorriu enquanto o gentil brilho de seus olhos transformava-se em uma labareda voluptuosa.E foi em seu silêncio que Brynna escutou o coração dele. Brynna tinha pensado que seu triunfo chegaria com esse sorriso. Aconchegou-a em seus braços. temia estar equivocada. Queria perguntar. no sutil arco de sua sobrancelha. Tinha ansiado olhar dentro desse sorriso pecaminoso e sensualmente sombrio. Brand se moveu na cama aproximando-a dele. — Tenho fome — sussurrou ela. — Oui. os lábios. tudo com um delicioso cuidado. 237 . Ele queria dar. No silêncio de sua paixão. — Onde aprendeu a agradar a um homem assim? — ofegou Brand fechando os olhos sob o amado contato de sua mão. sentindo o tenso tremor percorrendo seu marido. Ver o êxtase que uma vez a sobressaltou enquanto ele nadava. Mas estava ali. e novamente quando a tomou tão grosseiramente. — O guerreiro volta a despertar. Sob as colchas. — Alysia me contou muitas coisas. como sabe. enroscada em seus braços.

Brand gemeu. O corpo de Brand se esticou com a selvagem paixão que o percorria com cada carícia da mão de sua esposa. chupou e sorriu secretamente.. O sabor de seu salgado aroma masculino a embriagou como se estivesse bebendo vinho. mas ao sentir os grossos músculos das coxas convulsionaremse debaixo dela. ásperos lamentos arrancados da garganta de seu marido. Recordou como ele tinha sugado docemente seus mamilos.. Quando Brand pensou que já não podia suportar um segundo mais dessa deliciosa agonia. tencionando seus músculos até uma dolorosa agonia. A língua percorreu todo o comprimento de seu membro. — Realmente? — perguntou Brynna. Sua língua traçou um fogoso atalho até seu peito. Sua língua revoou sobre os mamilos dele. ao escutar os profundos. meu guerreiro — Brynna pressionou os lábios contra o quente e musculoso pilar de seu pescoço. — Venha aqui. antes de abraçar sua paixão no calor de sua boca. e a guiou. sua paixão voltou a crescer. enquanto o êxtase convulsionava seu corpo. mulher — Brand disse ofegante. Penso que deve doer. — Aonde? 238 . levantou a cabeça. Tomou sua cabeça entre as mãos. observando sua acobreada juba deslizar para baixo por seu corpo. mesmo se for beijado. dirigindo-a lentamente. — Como estará você amanhã. — Como pode um instrumento aveludado tão esplêndido crescer tão rígido entre meus dedos? — Cresce diante de sua presença. atraindo-a com insaciáveis embora delicados beijos. diante do tenso gemido que arrancou. sacudindo o corpo de Brand enquanto os lábios dela o acariciavam e o calor pulsava de suas sedosas carícias.— Isso explica por que Dante sempre está sorrindo. acendendo fogo ao passar para o interior de sua coxa —. — fez uma pausa levantando o olhar de sua carne e provocando um sorriso—. O fogo rugiu indomável. Brynna nunca tinha imaginado que dar prazer pudesse ser tão maravilhoso quanto receber.

Ela gritou seu nome novamente. E Brand saboreou cada duro e completo assalto. queria-a mais perto.. convulsionando-a em um febril arrebatamento em cima dele. enquanto o puro prazer os percorria. Dormiram.. Desfrutava da força com a qual ela o reclamava. Deslizou as mãos sob seus braços. Brand empurrou ao seu encontro. — Aqui. sua boca desejosa encontrou a dela. — Deixa que seu perfume me inunde. encontrando seus mamilos eretos. assaltada por espasmos tão tentadoramente pecaminosos que pensou que morreria empalada em cima dele. provocando ondas de calor até transformar-se em pequenas explosões. cravando as unhas nos musculosos ombros enquanto as explosões se tornavam incontroláveis. Seu nome foi arrancado da garganta de Brynna com uma rudeza que coincidia com os assaltos dele. afundando sua espada até o punho. O tempo deixou de existir. Seu cabelo se derramava sobre o peito de Brand como fogo incandescente. apertando-se contra ele. Brynna jogou a cabeça para trás.Levantou-a sem esforço. até que finalmente gritou. Pela primeira vez. — gentilmente baixou a sua esposa para sua palpitante carne — Possua-me como eu te possui. Brynna — sussurrou. — Oui — sussurrou enquanto deslizava para baixo. mordendo-os meigamente. enquanto seus corpos se moviam em um ritmo perfeito. enquanto a noite cobria Avarloch como uma névoa. alagando-a com tudo o que tinha para dar. E atrás da cortina de cabelo acobreado. Empurrou-a para baixo. Brand não sonhou. necessitava dela ainda mais perto. Uma umidade quente e suave os cobria. mais tensa que sua própria carne. 239 . sacudindo-a.

— Sempre desperta assim? — Assim como? — por força do hábito Brand olhou para a lareira. Não era uma cena 240 . Brand! O guerreiro se levantou na cama tão rapidamente que Brynna quase cai da beira onde estava sentada. As chamas consumiam vorazmente pequenos pedaços madeira. Brynna sorriu ironicamente e sacudiu a cabeça.Capítulo 21 — Acorde. Seu marido a segurou com suas mãos rápidas e fortes.

— Como se alguém tivesse se escondido em seu quarto durante a noite e estivesse esperando que despertasse para te assassinar. e olhou novamente pela janela. essa é uma boa notícia. e quando voltou-se para Brand. como se estivesse sonhando. enquanto ele dormia serenamente. — Sério? — Brand a olhou fixamente e deu um sorriso —. Amava seu sorriso — William retornou enquanto nós dormimos quase todo o dia. — A moça saltou da beira da cama e procurou por todos os lados o broche de rubis que tinha tirado na noite anterior. tocando os lábios com os dedos e marcando seu sorriso —. Brand olhou-a. — Sentiu saudades de William? O mais selvagem dos selvagens? Brynna desdenhou suas palavras com um gesto de mão. — Não! — o rosto de Brynna abriu-se em um enorme sorriso que fez Brand sorrir também. Como se o sol não estivesse o suficientemente brilhante. por que está tão contente com isso? — Porque senti saudades. — E? — perguntou. quando despertava de um sonho. vista-se. — É tarde. Olhou para a janela. O incomum era que não sentia frio. tolo — disse ela alegremente — Vamos. marido. — Non. sua alegria o inundou de calor. beleza — Brand riu facilmente e se recostou sobre o cotovelo —. — Quanto faz que o sol saiu? — ignorou sua pergunta e esfregou os olhos. viu que estava observando-a. — William é tão inofensivo como os gatinhos de Gritã no estábulo. A noite tinha passado e se feito dia. 241 . Encontrou-o perto da janela e se agachou para pegá-lo.incomum. Tinha que estar sonhando. — Não comigo. Temo que dormiu quase toda a manhã. que estava surpreso. Colocou na cabeça para recolher a massa de cabelos avermelhados que caía ao redor de seus ombros. Fazia tanto tempo que não dormia até tão tarde. é mais perigoso que uma toca de leões famintos. O sol iluminava o céu como um gigantesco girassol recebendo o dia.

e ninguém podia negar isso. seu pequeno nariz reto e a vida nova na chama verde de seus olhos. William é muito peludo para meu gosto — riu como uma menina e Brand absorveu sua felicidade. mas Brynna reconhecia o sorriso desenhado na comissura de seus lábios. da ponta da cabeça passando pelo vestido carmesim até os pés. Brynna sorriu diante do modo como a olhava.. carregadas de raiva e agonia. Brynna era a mulher mais bela que tinha visto em sua vida. Não tem por que preocupar-se. — Está levantando? — Ah. uma calculada 242 . entre vocês dois durante as horas que passaram sozinhos no bosque? — a leve ruga em suas negras sobrancelhas o tornava perigoso... falamos de batalhas e realezas e outras coisas aborrecidas. na realidade. Mas não necessitava da luz do sol para resplandecer. Ela se surpreendeu de não ter notado antes como eram penetrantes seus olhos. toda ela. cheia de vida como a primavera despertando à terra de seu sonho invernal.Ele olhava para ela. Ele assentiu e seu olhar a imobilizou. meu amor — se dirigiu para ele e caiu nos braços que a esperavam —. Para ele. oui. — Ah. — Fará William esperar? — O que aconteceu. Ela levantou uma sobrancelha. nada — disse ela alegremente —. Por um momento temi que teria que deixar crescer o cabelo até os cotovelos para te agradar. lagos sem fundo de emoções ocultas ou perdidas. pensou Brand. gravando em sua mente o perfeito arco de sua sobrancelha. Tinham mudado? Recordava sombras fantasmagóricas. claro que sim. A exuberante luz solar da janela derramava-se sobre ela. Tinha visto ondas tempestuosas.. A primavera que chamava as sementes a surgir do chão em diminutos brotos e elevar-se para a promessa da esperança e do calor vital do sol. banhando-a em luz. Ela era fresca. Mas ele também via um tipo de beleza diferente em sua esposa. — Alegro-me. — Faria isso? — Brynna suspirou muito perto de sua boca.

—Tolo — disse. — Nesse caso. mas o que quer que tenha visto em seu olhar tinha desaparecido. Algo vital. uma reação ao seu amor. depois de passar a noite enrugado e feito uma bola no chão. Levantou-se sem vontade do calor de seu peito nu. vá saudar seu guerreiro preferido antes que eu o obrigue a esperar outras duas horas. falando como o faziam agora. disse a si mesma. não importava o quanto fossem pequenas. — Ande. algo diferente o emocionava. mulher — Brand roçou o sorriso com a ponta do dedo —. Acabava de chamá-la de amor? Era a primeira vez que usava essa palavra com ela. — É meu amado — Brynna sussurrou perto de seu rosto. enquanto a porta se fechava atrás de sua esposa. mas nunca tinha visto seus olhos querendo chegar até ela. por cima do ombro. Seu temperamento é temível — zombou Brand.inocência que era tão formosa como o céu antes de uma tormenta. diga que necessito dez horas mais de sono. Alisou o veludo da saia e se inquietou pelo amassado. recordando a pobre Rebecca... — Certamente. como uma menina que quer ver os 243 . diziam seus olhos. Levou a mão ao peito e suspirou profundamente. pelo menos — concordou ele e caiu sobre o travesseiro. mas não estava certa do que era. — Oferecerei a William suas desculpas e direi que a paixão de sua esposa te deixou muito esgotado para descer e recebê-lo apropriadamente. —Deus meu — seu rosto desenhou um amplo sorriso e desceu correndo as sinuosas escadas para o grande salão. Seu rei tinha retornado e ela estava ansiosa para lhe contar suas vitórias. Brynna estalou a língua e desprezou suas palavras com um gesto. meu amor. estão todas muito assustadas para pôr o pé aqui dentro. Brand riu ao captar o olhar triunfal que ela lançava. A jovem parou do outro lado da porta. — Por que as donzelas ainda não trouxeram minha roupa para seu quarto? Não posso continuar me vestindo com sua roupa ou com o mesmo vestido dois dias seguidos. Brynna esperou outro momento. Algo. Nada podia alterar seu ânimo neste dia. beijando o queixo enquanto se afastava.

A Inglaterra seria nossa ao cantar do galo. Dirigiu-se para ele. — Onde está ele? 244 . — Meu rei — sussurrou ela. William piscou um olho. sorriu com astúcia ao ver o brilho em seus olhos — Assim tão bem? — perguntou. depois de uma longa viagem. surpreendendo-se ao notar quanto tinha sentido saudades do tosco patife que zombou dela de maneira tão desumana. devo te levar para minha próxima batalha. olhando por cima de seu ombro. Suas bochechas estavam avermelhadas e sua respiração acelerada quando se deteve ante a enorme porta. convidando Brynna para ser consumida por sua pelagem quente e seus músculos. Olhou-a com um sorriso tão terno que pareceu um abraço. — O braço maciço que segurava o ombro de Dante se ergueu. com admiração —. — Como está minha mais bela guerreira? — olhou-a longamente. perto de seu ouvido enquanto ele a rodeava com seus braços como troncos de árvores. William encontrava-se a alguns metros de distância. — A primavera retornou à terra! — exclamou William admirado. Usava o cabelo escuro cheios de mechas cinzentas preso. Brynna riu e levou um dedo delicado aos lábios para lhe advertir que fizesse silêncio. quando chegou a Avarloch na primeira vez. como uma brisa que agita as folhas caídas. ela renova meu espírito cansado.presentes que seu pai tivesse trazido. estudandoa. enquanto dezenas de pessoas se moviam ao seu redor. Dante estava muito perto para escutá-los. Soou uma grande gargalhada do grande duque e suspirou. deixando que o aroma de Brynna o impregnasse. suficientemente forte como para que ela o escutasse —. falando em voz baixa com Dante. Voltou-se como se houvesse sentido os olhos de Brynna sobre ele. mas se o fez não prestou atenção diante da declaração de traição expressa por William. Minha querida. expondo os agudos ângulos que em geral ficavam ocultos atrás de sua juba selvagem.

.— Na cama — as bochechas de Brynna ruborizaram.Meu pai me disse. mas o malicioso brilho em seus olhos a delatou. 245 . e Brynna respondeu ao olhar enganoso de William. . desculpe-me — disse o atraente cavalheiro. — O perdão é uma virtude bendita. doçura. — Não era uma pergunta.. é só que ele não dorme bem há tanto tempo. obrigando-a a aproximar-se. — Agradeço. non? — Oui — concordou Dante com um sorriso terno nos lábios. — Só por ti. O duque franziu os lábios sob a barba. bom trabalho — bateu em seu ombro brandamente e bebeu um gole da cerveja. — Lutar por mim. a primavera — William suspirou diante do formoso sorriso que Brynna lhe deu. Brynna lhe lançou um olhar severo. — Não. — Cortarei sua cabeça. — Esteve tudo muito tranqüilo aqui em sua ausência. ah. — Brand está dormindo? Neste momento? — Dante falou finalmente. não o fará! — golpeou-o no braço musculoso. perdoarei sua vida. mas lhe apanhou a mão. William bateu nas costas de Dante. — Lady Brynna. arrependido ao ver seu desconforto —. — Ah. e eu tinha um assunto urgente para atender. — Onde o deixou — sentenciou o duque orgulhoso —. olhando Brynna com tal admiração que ela baixou o olhar. — Ela está lhe fazendo bem. milorde. — Bem — William estendeu suas duas grandes mãos e Triturador e Caos correram para ele —. envergonhada pelo que ele devia estar pensando. Prefiro passar o tempo com sua esposa. o que tenho que dizer pode esperar umas horas mais. E você partiu sem uma despedida sequer. e a conduziu à mesa onde os aromas do café da manhã o chamavam como uma amante longamente desejada.

nem se tinha mentido como suspeitava William. atraído pelo delicioso aroma de pão fresco e pelo pensamento de pousar seus olhos sobre a mulher que tinha sacudido sua alma e a tinha trazido de volta à vida. Mas ele sabia que já não era assim. — Quando o alcançou. Compreendo o quanto te feri. feliz por ter se libertado de Colette. Não se importava se nunca voltava-se a vêla. Pensou que não poderia amar a ninguém mais. olhou-a nos olhos e mal sorriu. sentindo-se como um homem recém libertado da masmorra. sabendo que quaisquer que fossem as notícias que William havia trazido. — Meu senhor? Brand se deteve antes de chegar às escadas. Os olhos de Brand percorreram seu corpo. antes de colocar a túnica negra e sorriu. ver-me neste vestido fazia com que seu sangue se convertesse em fogo. Vê-la fora de seus sonhos tinha permitido dar-se conta de que o quer que tivesse sentido por ela. Mas a Brand não importava seu compromisso. Brand parou. Fechou a porta de seu quarto. Que a lembrança de meu corpo em seus braços voltaria a trazer você para mim — completou o círculo e se deteve em frente dele. — Certa vez.Brand demorou para vestir-se. Sorriu-lhe angelicalmente e afastou uma mecha do loiro cabelo sobre o ombro. 246 . depois do que Colette tinha feito. não faz muito tempo — disse zombeteira —. colocando um dedo delicado sobre seus lábios —. O duque normando tinha ido a Canterbury para ver o pai de Colette e averiguar a verdade sobre seu compromisso. Brand. podiam esperar. Mas estava enganado. tinha desaparecido. Voltou-se no momento em que Colette entrava no corredor. Brynna o tinha acusado de amá-la ainda. Alegrava-lhe que Colette tivesse vindo a Avarloch. — Vejo que ainda te produz o mesmo efeito — caminhou em círculos ao redor dele como uma gata — Sempre soube que me perdoaria. saindo de seu quarto. Nem sequer tinha considerado isso. ele levantou a vista. enquanto ela se aproximava e se detiveram em seus brancos seios mal escondidos sob uma seda turquesa. Dirigiu-se para as escadas.

no modo como seus dedos brincavam com os laços de sua túnica. —. além de satisfazer a selvagem luxúria que sente por mim? Brand sorriu levemente. E o tinha feito. sentia paixão somente por seu próprio bem-estar. Um sorriso provocador se desenhou nos lábios de Colette. sufocando-o. Tinha estado disposto a lhe dar o que ela quisesse. quando os lábios de Colette percorreram sua bochecha tão delicadamente como pétalas de rosa. Ela era egoísta. tomava sutilmente o controle dos sentidos. quer provar o doce sabor de meus lábios. Seu coração me deseja tanto como seu corpo — de repente. medindo sua força e sua musculatura.Brand sacudiu a cabeça enquanto seu aroma enchia seus pulmões. — Mentiroso — sussurrou Colette perto de seu ouvido — Por que outra razão levaria a filha de Dumont para a cama. Deu um passo mais perto. até que ele pôde sentir o calor de suas palavras sobre o rosto. Era hipnótica em seus movimentos. — Permite que eu fique porque ainda me deseja milorde — deslizou as mãos por seu peito. mas Brand viu algo em seus olhos que nunca tinha notado antes. Tinha dado seu mundo. O quanto tinha sido cego. enfeitiçava. E agora o queria de volta. não é? — Non. por seus ombros. Alguma vez o tinha amado de verdade? Ou havia dito todas as coisas que ele queria escutar. — Você não compreende nada. mas agora sabe que foi um engano. Tudo em Colette de Marson era muito perturbador para que um homem pudesse resistir. ela franziu os lábios levantando a vista para olhá-lo com enormes olhos tristes — Estava tão zangada contigo por ter me obrigado a partir. Fui um tolo ao permitir que ficasse aqui. meu amor. Ela encantava. até deixar os homens rendidos a seus pés. Mas não era um sorriso de 247 . só para manter-se longe da férrea disciplina de seu pai? Surpreendeu-se ao dar-se conta disso. embora estivesse certo de que sempre tinha estado ali. Colette. no piscar de seus olhos.

Brand deixou Colette sozinha com sua humilhação. mas luxúria selvagem é algo que nunca me fez sentir.. a vida da qual ele sentia saudades.prazer. profundo som da alegria de William. mas de triunfo ao notar outra singela verdade que. embriaga o coração dos homens com sua falsa inocência. Tentando-o como nem sequer Colette tinha 248 . Mas a vida o chamava como a lua chama o mar. podia tirar a vida antes que tivesse tempo sequer de gritar — Seus lábios unem-se para beijar. inclinou-se em uma leve reverência e continuou sua marcha para o grande salão. ao sentir sua mão lhe apertando o pescoço. Levou os dedos brandamente sobre a carne acima de seus seios. enquanto movia a mão sobre a curva de seu pescoço. Havia lhe trazido a morte. Por um instante. minha senhora. convocando-o a recordar o calor do sol ao banhá-lo em sua gloriosa luz. até a morte parecia tentadora. ávidos e gentis. Nem sequer estava zangado com ela. enquanto seu inquietante olhar a imobilizava. ao inalar seu aroma. — Formosa Colette — disse com um suspiro —. Reúna seus homens. Os lábios de Brand se elevavam ameaçadores. — Brand. Brand podia quebrá-lo em um instante. É encantadora. Colette — disse bruscamente. fazendo-a derreter-se como manteiga. e ao vê-la. As pontas de seus dedos se moveram. Oui tinha amado uma vez. antes de chegar às portas do recinto. com deliberada lentidão. Ao reconhecer o exuberante. e sempre estará tão morta por dentro como me fez sentir. A risada invadiu seus pensamentos. os olhos de Colette se abriram com temor. Brand não pôde evitar de sorrir. a vida que queria de volta.. tinhase negado a ver.. e vá para casa. Era o som da vida. — Mas invocar uma luxúria selvagem em mim? — sua voz cobriu a dela e a escura paixão em seus olhos se desvaneceu em nada mais que uma expressão de diversão — Nunca me provocaste isso. — O que insinua não é verdade. enquanto vertem mentiras. Sabia na verdade que já não amava Colette. Seu cabelo cai como asas sobre seus ombros de alabastro criados para serem acariciados. Está.. Colette. — Colette tremia ante seu contato. como um tolo.

Seu coração desejava viver novamente. preso no humor cáustico. sorrindo de forma maliciosa. Estudou a elegância de seus dedos quando ela levou a taça aos seus lábios. meu senhor — disse. sentir a paixão de voltar a sorrir.. Brynna levantou seu olhar brincalhão para seu marido e sorriu. — Sonhei com fogo e campos tão verdes que queria deleitar-me em sua beleza para sempre — enquanto Brand falava. pensando em sua esposa. Brand sacudiu a cabeça. Brand sorriu. quando ele se aproximou. Rodeou Brand em um abraço tão estreito que por um momento o deixou sem fôlego. No instante em que Brand entrou no concorrido salão. Os olhos de Brynna. e mais esplêndido para ele que as assombrosas costas da Normandia. Uma careta zombeteira ampliou o sorriso do duque. Atraído por ela.me. poderoso senhor de Avarloch — interrompeu William antes que Brynna tivesse a oportunidade de ruborizar. — Nosso guerreiro finalmente despertou de seu sono! — gritou alegremente William. William deu um passo para trás e o segurou pelos ombros.conseguido. Deteve-se simplesmente para observá-la sentada à mesa com William e Dante. — Não dormiu muito. 249 . — Solte. o modo como as chamas que saltavam na lareira corriam como raios de sol por seu cabelo solto. momentos antes de seu amigo levantar-se. com os braços. sem perceber quanta verdade havia em suas palavras. como se resplandecesse por dentro. degenerado.. E agora sabia por onde começar. seus olhos a encontraram. seus olhos pousaram sobre o rosto de sua esposa — Desci com um apetite voraz — adicionou com voz rouca. De saborear o vento no rosto enquanto seu cavalo galopava como um trovão pelos campos cheios de cores tão brilhantes como. — E agradecemos por nos agraciar com sua presença. aberto. O sorriso que agraciava o rosto de sua esposa era real. Brand deu um passo em direção à mesa. Não conhece sua própria força.

com voz rouca —. ao notar uma faísca de felicidade nos olhos de Brand que tinha pensado que nunca mais veria. — Ela nunca poderá te amar. Ela nunca poderá me amar enquanto você estiver vivo.— Oui. levantando contrariada uma sobrancelha. e de sua esposa. — Então não voltará comigo para Graycliff? — preguntou a seu irmão com um sorriso ladino. — A mais refinada horda de selvagens que já puseram os pé em Avarloch! O salão tomou vida com as risadas e gritos dos homens de William e Brand. — Estou esgotado pela viagem. Desfrute do resto do dia. esticando-se tanto que parecia chegar até o teto. assim ignorou a névoa que cobria os olhos de William. o duque se levantou de sua cadeira. Levantou sua taça para todos.. Falaremos mais tarde. Meus filhos viverão em Avarloch. — Senti saudades — o roçar dos lábios de seu marido na palma da mão fez com que a jovem se movesse em sua cadeira. Brand não queria que nada mudasse seu bom humor nesse dia. suas bochechas tomaram um forte tom carmesim quando Brand a olhou e ela viu seu sorriso tomado pela a emoção. Depois. Quase nem se importava com 250 .. sentada ao lado de Dante. Do outro lado. — Muitos filhos — disse ele. — Filhos? — repetiu Brynna. mas a conheço. antes de bater nas costas de Brand. quando tudo o que restava do festim matinal eram miolos e taças vazias. Brand se sentou na cadeira que Dante tinha ocupado. tantos quantos tivermos forças para fazer. William grunhiu exasperado. Sem soltá-la. é muito peludo. — Brand piscou um olho para sua esposa. Mais tarde. de qualquer modo. — Normandos! — Sim — disse Alysia. — Non. empurrou para o lado o tosco duque e tomou a mão de Brynna. Seu irmão estava muito feliz de poder agradá-lo.

Brynna — olhoua profundamente — O que sentia por Colette é uma lembrança que se desvanece a cada dia que passa. Brand e Peter estavam ajoelhados no espesso feno esperando. — Oui. — Deitou-se ao pôr do sol — disse Peter sem fôlego.o que seu amigo tinha descoberto. e Brand observou a imagem de sua esposa. anunciando a promessa de um inverno brutal. a primeira geada aderia ao telhado do estábulo onde Brynna. para preparar um local suave para o potro. tranqüilizadora. marido? Seus dedos fortes se fecharam ao redor das mãos delicadas. enquanto se ajoelhava junto à cabeça da égua e a acariciava brandamente. quando deram a luz — informou Brynna a seu marido. — Parece mais agitada que as outras. não se esforce tanto — a voz de Brand era baixa. de um modo que não deixou lugar para dúvidas. Era um raio de sol contra seu coração. como que desafiando essa promessa. com a preocupação marcada no semblante. a vida que emergia da égua prenhe. Capítulo 22 O vento nórdico uivava sobre os campos que agora pertenciam a Lorde Brand Risande. Queria. 251 .a fora de Avarloch antes que caísse a noite. afofando o feno com os dedos. em sua busca por saber a verdade sobre Colette. Para prová-lo. sei — disse Brand — Mas não precisa preocupar-se. temendo respirar. — De verdade — respondeu e a beijou. — Tranqüila. — Sabe por que William cavalgou até Canterbury. um raio de esperança. Traçou o contorno de seus lábios com a ponta do dedo. — De verdade? — perguntou Brynna.

Uma poderosa pata traseira quase golpeou Brynna. tranqüilizada por sua calma. e o efeito que tinha em sua égua era assombroso. Brand! — gritou Brynna. ou pela tortura da vida que vai chegar. A égua chutou e tentou ficar de pé novamente. — Está vindo. virá. muitas vezes. Sorriu e ergueu o olhar para sua jovem esposa por um momento. e nenhuma promessa se romperá jamais em Avarloch. magnífico. Ficará bem — sua mão nunca abandonou à égua. — Bem. quando a adulava. Não importa quanto lute. prometeu-me que me deixaria montá-la quando chegasse a primavera. Os movimentos ascendentes e descendentes do ventre inchado da égua pareciam seguir o ritmo gentil de sua voz. sacudindo a cabeça—. Confie em mim — acrescentou com um suave murmúrio —. fique por aqui. — Brynna? Pelo suave sorriso no rosto de seu marido. a égua levantou a cabeça. ela é forte. não pode deter a vida quando decide vir. então deve colocar-se atrás dela. percebeu que ele a tinha chamado mais de uma vez. Acredito que necessitará de ajuda.— Non — sussurrou Brand com segurança. Suas patas são poderosas e rápidas e sua vontade de ferro não pode ser derrotada pelo frio ou o calor intenso. Mas não muito perto de suas patas. Tentou ficar de pé com as patas dianteiras. — Já fez isto antes. Brynna observou seu marido na luz dourada das velas. antes de retornar à égua castanha que acariciava tão delicadamente. enfeitiçada pelos cachos negros que caíam sobre as sobrancelhas. — Deixe que seu potro chegue bela dama — sussurrou o guerreiro perto da orelha da égua —.. Estava sereno. Brynna o escutava. não é? — Sim. 252 . sei o que digo. sentada ao seu lado. — É uma boa égua — sussurrou—. tranqüilo. nem se alterou o tom com o qual falava —.. a melhor que vi em minha vida. De repente. Peter.

— Quando nascer nosso bebê quero você ali. — Um momento. era suficiente para querer dar a vida por ela? Já tinha feito isso e tinha sido pior que sofrer uma morte lenta no campo de batalha. A moça viu a mancha branca na cabeça do potro. meu amor? Ele queria lhe dizer. Aproximando-se de Brand. — Tem sede. entre mais maldições. dizer o que? Que alguma vez queria ficar sem ela? Que só de ver seu rosto. Não podia dizer que tinha medo de tal morte. — Brand. apaixonadamente.Brand amaldiçoou em voz alta. esquecendo o homem que a tinha tranqüilizado com tanta ternura e cuidado. enquanto o coração saltava dentro do peito. Brynna. Satisfeitos de que a égua e seu potro estivessem bem. A diminuta criatura tentou 253 .. Falou em voz tão baixa que Brynna não podia ouvir o que dizia. fazendo dançar os músculos de seu pescoço grosso enquanto sua língua saía em busca de água. comigo. — Afaste-se de suas patas. Seus olhos percorreram cada centímetro de seu rosto e suspirou profundamente. voltou a falar com a égua com amabilidade. Brynna tomou o rosto de seu marido entre as mãos e o beijou. que saía por entre as patas da égua. assim afastou o olhar e sorriu ao potro. — O que aconteceu. seu rosto se tornou de um doentio tom de branco. A égua ficou de pé. mais medo que da morte em sí. — Estarei — prometeu ele. Vendo que sua esposa não tinha se machucado. Brynna acariciou a boca de Brand com os dedos. Brynna! — gritou. O animal se acalmou de novo e o potro deslizou até quase chegar à Brynna.. Peter saiu em silêncio do estábulo. vem vindo! A égua tragou. Brand levantou gentilmente a cabeça da égua e a colocou sobre seu colo. acalmando o maciço corpo da égua com suavidade. seu sorriso.

brandamente. e quando piscou. O castelo estava em silêncio. sua boca. Sua única resposta foi um sorriso mais ardente que o fogo. meio congelados. — Um pequeno e débil potro pode assombrar tanto a um guerreiro? Por um momento Brand não respondeu. Brynna. Ele simplesmente a olhou durante um momento.. até que já não possa mais suportar. até deixá-lo de um tom castanho.equilibrar-se sobre suas trêmulas patas. Tinha escutado a voz maravilhada de seu marido e olhou seu perfil forte. Estava acostumado a desfrutá-la. — A vida também te torna amoroso? — sorriu sua esposa. antes de recostála sobre o feno fresco. delineado contra a luz das velas. a aproximou e lambeu. Brand — prometeu —. e recuperarei seu coração e te amarei. É a vida que estranho. até que vi a luz em seus olhos. Atraiu sua esposa para ele e a abraçou. saborear cada momento como o mais refinado bocado — ela assentiu comprensivamente. quando retornaram caminhando do estábulo. Brynna. Um leve resplendor que se infiltrava pela parte inferior das portas do local atraiu a atenção de Brand. como se a lembrança fosse muito difícil de suportar —. 254 . ele suspirou.. — É a vida. Deixei que ela me tirasse a vida e não sabia como recuperá-la. As lágrimas esperavam nos cílios da jovem. correram por suas bochechas e caíram sobre os dedos dele. e deixei que tudo escapasse. marés de emoção assolavam seu coração. — Ajudarei você a confiar de novo. — É magnífico — concordou a jovem. desfrutando que ela o amasse tanto. Até que te segurei em meus braços. enquanto sua mãe o limpava. — acariciou o cabelo com suavidade — Nem sequer sabia se queria recuperar a vida. em voz baixa. — É belo — anunciou Brand ofegando.

William? O duque falou em voz baixa. O duque aspirou profundamente antes de começar. Seus olhos azuis brilhavam contra a luz da lareira. porque já não podia esperar. — Está bem. Terminemos com isto. embora não de amor —. Em seguida. — desabotoou a capa e a lançou sobre uma cadeira próxima. Brynna não queria partir sem ele. 255 .. assim posso libertar Avarloch dela e voltar para minha esposa. por favor. Perguntava-se se não era Colette que queria ver. como seu potro. prepare um banho para dois. — Como está a égua? — perguntou o duque. Esperou até que desapareceu. — Ficou acordado para me esperar. venha logo. quando Brand entrou no aposento. — Oui.. Sentou-se em uma cadeira forrada de veludo com encosto alto — Diga-me. — Está bem — concedeu. — Ela me enganou outra vez. tenuamente iluminado.— Brynna — tomou-a em seus braços —. mon ami. antes de dirigir-se ao local onde sabia que William o esperava. Ele assentiu e observou sua lenta subida pelas sinuosas escadas. confiando em sua promessa de fidelidade. disse: — Mentiu para mim — foi uma certeza. — Um gole. Podia ver a preocupação no rosto de William e a dor que causava ao duque normando contar o que tinha descoberto. então? — Oui. — Não vem comigo? — Estarei lá em um momento. Vou te lavar com muito esmero — prometeu com um sorriso luxurioso antes de beijá-la. — Não tem importância — assegurou Brand tranqüilamente ao seu melhor amigo. Brand sacudiu a cabeça. levantando sua taça. antes de deitar-se. primeiro? — ofereceu.

nem ninguém que queira te poupar de mais dor que eu — suspirou e olhou dentro de sua taça. Brand permaneceu em silêncio. imóvel. mentiu.. somente surpreendeu-me e atiçou minha curiosidade.— Oui. Brand.. William? Conhece você o suficiente para saber que não lhe faria mal. — Mas ele tinha medo. Estava aterrorizado de verdade. que era casado. deve ter informado a De Marson que tinha retornado a Normandia — Brand.. já que todo mundo na Inglaterra. — Por que teria medo de você. intranqüilo —. 256 . — Temo que desta vez te traiu de uma forma muito pior que antes. seus dedos golpeando contra o braço da cadeira. incluindo lorde de Marson. a não ser que. sabiam que vinha para cá. tinha um medo terrível quando me viu. non? — Não esperou a resposta de Brand. então o pressionei ainda mais. mas sua única resposta foi que o rei Eduardo tinha informado que eu tinha retornado a Normandia — os olhos do velho guerreiro se entrecerraram até que só se viam duas finas linhas —. — Encontrei-me com Lorde de Marson em Canterbury — continuou William —. Brand. incidente com um cavalheiro local em Canterbury. para falar a verdade. Aparentemente Lady Colette estava residindo no palácio do rei devido a um. O sorriso do duque era inexpressivo. Mas ninguém sabia que não tinha partido quando o rei se foi. Os olhos de Brand ardiam como o fogo incandescente. nem selvagem nem de nenhum outro tipo. Não há tal prometido. E como suspeitava. — Sua maciça figura delineava-se contra as faiscantes chamas enquanto inclinava-se na cadeira — Não há modo de dizer o que vou dizer de uma maneira simples. — Isso foi o que perguntei. Perguntei-me por que o rei consideraria tão importante contatar de Marson sobre meu paradeiro. De todos os modos. e William continuou. E dado que Eduardo não estava aqui para me ver partir. não disse nenhuma palavra.. era por sua culpa que ele me temia. Tremia. enquanto considerava o que William lhe contava.

Por isso. Para Eduardo não importam as alianças. — Há uma conspiração contra você. com a esperança de melhorar sua vida. Você não é nenhum favorito do rei. E não haveria ninguém aqui para te ajudar.? A guerra seria inevitável. como acredita o Conselho dos witan. Mas quando Eduardo retornou.. mas os olhos de Brand disseram a William que não estava aborrecido com a mulher que certa vez tinha sido sua prometida. Brand. Os saxões nunca aceitariam que trouxesse uma normanda para Avarloch. Marson ficou tão 257 . com um brilho prateado nos olhos mais afiados do que qualquer espada —. — Há mais. quero que saiba que já me encarreguei deste assunto. Do mesmo modo que houve contra Richard. você abandonasse Brynna. Ameaçaram recuperar Avarloch pela força. William. — Por quê? — Pensa.. Esperava que. se não casasse com Brynna. Brand. com a bênção de seu pai. — Conte-me. encontrou um melhor uso para a moça. homem! — aproximou-se de Brand e se inclinou sobre sua cadeira. Brand — acrescentou aflito. E já que você tinha deixado claro que talvez fizesse isso. William levou a taça aos lábios. Colocou uma mão no ombro de seu amigo — Eduardo sabia que a rameira loira era sua debilidade. — Prometeram-lhe terras e casamento com um dos cavalheiros mais ricos de Eduardo.. ami — disse lamentando-se —. Colette foi enviada a Winchester para servir à rainha. liderada por Eduardo e Harold e levada a cabo por Colette. Seus olhos tão ardentes como o enxofre. não suportando mais ficar confinado em sua cadeira. olhavam fixamente o fogo da lareira. bebeu de um gole a cerveja e levantou-se. de qualquer forma. Sua tarefa era vir aqui e afastá-lo de Brynna..A voz do duque se perdeu. quando Brand sorriu.. afirmou: — Sua traição se estende muito além do que fez a Richard. — deixou que a idéia deslizasse para Brand e com um gesto de sua enorme mão. enquanto Brand digeria as palavras de William. uma vez que Colette chegasse aqui. mas abandoná-la por uma normanda..

. Ele estará contigo em um momento.. O único som no grande salão vinha de fora. Brand permaneceu paralisado em sua cadeira. cortarei a cabeça de seu precioso Harold..apavorado. Sorriu. O duque subiu os degraus lentamente olhando para Brynna todo o tempo. saber a resposta. O vento uivava e gemia golpeando contra as janelas. E quando o fez. Assim como vê. informando que sei de tudo e que se um fio de seu cabelo for sequer tocado. Parecia mais atormentado que Brand quando chegou em Avarloch. A jovem assentiu. E logo. William exalou um forte suspiro e retornou à mesa para procurar mais cerveja. — O que aconteceu.. nem olhou para William enquanto falava. o duque imaginou se não seria seu cavalheiro preferido que estava provocando a tormenta invernal. bela Brynna. e Colette. Cruzou os braços contra o peito. Uma conspiração para livrar—se dele. o plano era quase infalível. caminhando nas pontas dos pés até as portas onde Brand 258 . ao ver que eu continuava na Inglaterra — William se afastou da cadeira de Brand com um sorriso orgulhoso — Com você morto. se eu me erguesse contra ele. levantouse e saiu do quarto. mas ela podia ver. enquanto o duque percorria o longo corredor em direção ao quarto de Colette. Brynna olhava fixamente o vapor que se elevava da tina em frente da sua cama. como se um frio ártico exigisse entrar em Avarloch. Harold de Wessex assegurou ao rei sua ajuda. — Enviei um mensageiro a Eduardo. brandamente. mas não se moveu de seu lugar. disposta a vê-lo morrer. O tosco duque levou uma de suas mãos ao rosto de Brynna. sem desejar. Em silêncio. até na penumbra. digerindo tudo o que William havia dito. Do alto das escadas viu William sair de seus aposentos. Brand não piscou. William? — perguntou. desceu as escadas. — Vá para a cama. esperando Brand. — Traga-me Colette. logo a tormenta desabaria. Finalmente. Eduardo reclamaria Avarloch. realmente. a consternação em seus olhos.

— O que está acontecendo? — exigiu. tranqüilo —. enquanto ela se retorcia. como o amargo fel. Brynna observou seu marido com uma preocupação que misturava-se em seu interior. Voltou-se para olhar para ele. Algo estava terrivelmente errado. A visão da cabeleira de Colette enroscada ao redor dos pés de seu marido. A voz de William atrás dela a sobressaltou e quase a faz cambalear. Não se movia. Brynna — ordenou William gentilmente —. ela correu para Brand e caiu aos seus pés. Brynna. volte para seu quarto. é um homem de grande sabedoria e nunca foi tão imbecil quanto eu. — Volte para a cama. Feche a porta. William. Um frio gelado lambeu suas costas ao abrir levemente as portas e um pressentimento arrepiou-lhe.esperava. exceto pelos dedos que agarravam e soltavam os braços de sua cadeira. Deu outro passo para frente. meu senhor! — disse em um lamento lacerante —. — Oui — disse Brand. — Ela fica. enfureceu Brynna. Segurava Colette por um cotovelo. por favor. sua boca em uma fina linha de ódio e de fúria? — Meu amor? — sussurrou ela. esposa? 259 . Que novidades havia trazido William que tinham transformado os olhos de Brand em espadas em chamas. não é verdade. mas Brand a deteve com o olhar. — Brand? Não respondeu. sabe que sempre me odiou. — O que quer que tenha dito sobre mim. Brand estava sentado em frente ao fogo. Aproximou-se de onde ele estava sentado. seu tom era suave —. Apesar de sua ira quase tangível. Will — o som da voz de Brand fez com que Brynna se voltasse para ele. — Ainda acha que sou um selvagem sem coração. No silêncio. No momento em que o duque libertou Colette. observando as chamas que se refletiam em seus olhos. — Por favor.

mas conteve o fôlego. mas Colette de Marson conspirou contra minha vida. tomou o rosto entre as mãos e o aproximou do seu. marido. — Não sabe o que pode fazer de sua vida entregar o coração. Em realidade. Porque protegerei você com minha vida. enquanto os soluços de Colette se tornavam mais fortes. Pede meu amor? — seus olhos a devoraram. Todas as riquezas do mundo não podem comparar-se. já é teu. Brand. Deveria matála e terminar com tudo? — Não — Brynna engoliu as lágrimas ao ver a emoção que rugia dentro do homem que amava. brandamente. — Brynna não respondeu.— Não. que continuava ajoelhada no chão. amo 260 . mas você lutou com mais força que eu. Brynna — disse Brand. morrerei antes de deixá-lo partir. amou-a certa vez. tão aberto que até William viu e sufocou um tenso soluço. a emoção que ardia como um fogo selvagem dentro dele. — Ela é o demônio que tem me atormentado — seu marido continuava olhando para Colette —.. meu amor — Brynna derreteu-se diante do modo como a olhou. É um tesouro precioso pelo qual eu luto. A luz da lareira que dançava em seu olhar refletia algo tão terno. como se fossem suas próprias emoções que estivessem sendo arrancadas.. Brynna — disse. — Confio que tratará meu coração com ternura. Vi como ama. — Tentei lutar contra a que estava sentindo por você. como se tentasse convencê-la. quando seus olhos se encontraram. E se alguma vez o possuir. seu fôlego estava entrecortado de emoção —. Na verdade. Aproximou-se de sua esposa com dois grandes passos. Baixou o olhar para a mulher caída a seus pés —. Ela deu um passo para frente. Brand fixou os olhos em sua esposa. retornando da morte —. Sua fúria se desvaneceu. Recorde isso como uma honra que concedeu a um coração ingrato e nada mais. Brand ficou de pé e caminhou ao redor de Colette. — Não sou um desalmado. Não teria que cortar essa língua mentirosa? Farei o que você disser. Como se fosse impulsionado pela incomensurável força do amor de Brynna. Ali estava sua fantasia.

Brynna. — A vitória enfim — esperou.. puxoua pelo cotovelo. Brand voltou-se para olhar Colette. — Meu pai vai matar você — alfinetou Colette. Dando três passos gigantescos para a mulher que o olhava indignada. Quando Brand se afastou levemente de sua esposa. minha querida. Brand assentiu. venenosa. mas quero que saia de Avarloch esta noite. com todo meu coração. — Sem outra palavra nem olhar em sua direção. eu não sou tão misericordioso quanto Lorde Brand de Avarloch. — Duvido — respondeu. — Minha esposa salvou sua vida. — Como disse. com um negro desprezo em seus olhos. que Deus decida. — Mas está gelado lá fora. amo você — inclinou-se para ela e capturou sua boca.. com um puxão. com sarcasmo. Atrás deles William deu um forte suspiro de alívio. estava apresentando-se ao Criador — baixou os olhos agudos para ela — Verá. antes de limpar a garganta. Ou como sua esposa. oui.você. enquanto seu cavalheiro preferido beijava a sua amada. Reúna seus homens e seus cavalos e que Deus decida seu destino Colette levantou-se do chão e o olhou fixamente. 261 . guiou Brynna para a porta do aposento. o duque fez um gesto para Colette com o queixo — O que se deve fazer com ela? Ainda segurando Brynna em seus braços. — Venha rameira — ordenou William. o duque normando enquanto a arrastava para fora da sala — quando o deixei. aturdida e incrédula.

Dando-lhe um beijo nos lábios entreabertos. acariciando seu cabelo. Embora sentisse frio açoitando Avarloch. mas só um tolo poderia resistir a esta mulher incrível. enquanto se escovava o cabelo. desceu por seu braço e pela redondez de suas nádegas. Por Deus. Era uma paixão mais intensa que qualquer outra que tinha conhecido. como a amava! Não havia temor nele. Mas ele a silenciou com seus beijos. Ele suspirou. pensando como facilmente tinha derrubado suas defesas. — Brand? — sussurrou meio adormecida. levantou os dedos e traçou o suave contorno de seu ombro. só felicidade. para não perturbar seu sono sereno. — E Brynna voltou a respirar calmamente. recordando a paixão em seus olhos quando fazia o amor. num sono tranqüilo. Abraçou-a mais forte e finalmente adormeceu. Aproximou-a mais e sentiu seu corpo esticar-se. Brynna despertou pouco depois de Brand adormecer. e beijando-a delicadamente para não voltar a despertá-la. O contato lhe arrancou um leve gemido enquanto dormia que fez com que quisesse despertá-la e voltar a fazer o amor. Tinha jurado nunca mais transformar-se em um tolo por amor. Vestiu-se em silêncio. 262 . deixou o calor dos braços de seu marido.Capítulo 23 Brand não podia dormir. Brand ficou acordado até a saída do sol. abraçando-a. a luz do sol que se derramava dentro do quarto a impulsionou a começar o dia. Sorriu ao observá-lo. meu amor. — Durma. na noite anterior. quando ela se acomodou em seu abraço. Com Brynna aconchegada contra a curva de seu corpo.

Nasceu ontem à noite — explicou ela. Brand moveu-se na cama. Trouxe-a para a Inglaterra comigo faz quatro anos. apesar da pergunta inesperada de Brynna. Estava amarrando os laços da capa. — E seus pais? — Brynna perguntou. — E o que existe no castelo de Graycliff que te leva a nos abandonar? — preguntou bruscamente. antes de poder deter suas palavras. Brand não podia manter os olhos abertos.Tinha entregue seu coração tão completamente como seu corpo. belle. e tomou o braço. e Brynna se entregou à luxúria dessa lembrança. — Katherine tem treze anos. — Aonde vai? — perguntou sonolento. quando ele o ofereceu. Por mais que se esforçasse. Ela também sentiria saudades. Aonde vai com tanta pressa? — Ver meu potro. — Bonjour. pensando como Alysia ficaria triste quando ele partisse de Avarloch. — Nem sequer sabia que tinha uma irmã. quando ele voltou com uma capa cor de anil presa ao redor de seus largos ombros e um sorriso divertido desenhado em seu belo semblante. com uma alegria exuberante que fez Dante sorrir. enquanto desciam as escadas. 263 . — Descanse marido — dirigiu-se para ele e fechou seus olhos com beijos. passou por cima de Sussurro e saiu do quarto. Brynna sorriu ante a negra cortina de cílios que se curvavam levemente. — Minha irmã — o sorriso de Dante manteve-se intacto. — Ainda não o vi. — Não demore. Espere que procure minha capa e irei contigo. Desapareceu pelo corredor e Brynna o observou. Ela piscou ao olhá—lo. Sua natureza tranqüila e seus despreocupados sorrisos faziam com que até os dias mais sombrios parecessem mais luminosos. procurando-a. momentos depois. quando ergueu o olhar bem a tempo para evitar se chocar contra o peito de Dante. percebeu. — Ao estábulo para ver o potro.

. lamento — bateu suavemente em seu braço e mordeu o lábio inferior. mas suas palavras se perderam no vento. mas lembrou-se do sorriso sensual nos lábios de Dante quando viu Rebecca. Brynna adivinhou que falava de Alysia. do que com o patife encantador que era. Abriu a porta do estábulo. do grande salão.. com a mão —.. Brand foi enviado para servir William como seu pajem.. — Non — Dante sacudiu a cabeça e exibiu sua covinha para Rebecca quando ela o saudou. Caminharam até o estábulo. quando tinha sete anos. mas o cabelo negro que soprou em seu rosto o fez parecer mais como um perigoso guerreiro. notando o pouco que sabia da vida de seu marido — Você e Brand devem sentir muita saudade de seus pais. Dante voltou—se para dar um sorriso zombador. — Você. — Certamente não tão quente como Alysia. Quase nunca víamos nossos pais. E o brilho de uma adaga que se afundava em suas costas. ou o corpo de quem se referia antes —Brynna riu atrás dele. Brynna foi arrastada. Meu pai morreu a serviço do rei Felipe. com esforço contra o vento que lutava contra ela. Enviaram-me três anos depois. manchados de verde encontraram o olhar esmeralda de Brynna. Abriu as pesadas portas e uma rajada de vento soprou o cabelo de Brynna afastando-o de seu rosto. Foi uma gravidez tardia e muito difícil. antes que o corpo de Dante caísse no chão. Estremeceu pelo frio intenso. tão surpresa que não podia nem gritar. como se estivesse rodeada por redemoinhos de vento. E depois. 264 . — Duvido que esteja mais quente aqui dentro — disse ao entrar. Disse algo sobre um corpo quente. No instante seguinte. Estava ali. enquanto o rangente gelo golpeava a capa de Dante. Olhos cinzentos.— Minha mãe deixou esta terra ao dar a luz à Katherine. já não estava mais. levantando-a como asas cor anil. — suas palavras se perderam no uivo de uma feroz rajada. — Oh.

havia fúria em seus olhos. — Onde está Brynna? — agarrou a túnica de William. O duque levou as maciças mãos ao rosto. já que o terror lhe era completamente desconhecido. enquanto as imagens de seu irmão enchiam seu pensamento. Onde está. Olhou por cima do ombro de Brand para a porta do quarto. num gesto de dor e quando olhou para Brand. Mas William não escutava 265 . um grito que atravessou sua própria alma.Momentos mais tarde. quando os dois se encontraram no corredor lotado de homens de ambas as guarnições. ao ver o horror e a incredulidade no rosto de Brand — O fio penetrou entre as omoplatas. — É Dante —William chegou até seu amigo em dois grandes passos. o povo corria de um lado para outro. Apertou seu coração de um modo que fez com que sua mente se rebelasse. quando jogou a cabeça para trás querendo gritar. O estábulo! Um novo horror iluminou os olhos de Brand. — Não está contigo? A cor abandonou o rosto de Brand. — Encontraram-no no estábulo. enquanto o pânico se apoderava dele e apertava seu coração. despertou Brand. Brand. lutando para clarear sua mente. para dar lugar à dor que pareceu invadi-lo por completo. não compreendeu o temor e o pânico de Brand. onde um lamento intenso explodiu em seus lábios. William já estava à caminho do quarto de Brand. tinha uma adaga nas costas. que corriam pelas escadas. O terror percorreu o poderoso duque da Normandia. Sem amarrar as calças saiu correndo de seu quarto e entrou no caos que tinha descido sobre Avarloch. com dedos frios e mortais —. Ao redor deles. mas está inconsciente e quase congelado. um de seus irmãos tinha sido atacado por um inimigo. William? — Brynna? — durante um instante. O som correu por suas veias e alcançou sua garganta. mon ami — apressou-se a dizer. Vive. Os cavalheiros davam ordens aos servos para que procurassem suas espadas. — Dante? — perguntou. A mente de Brand girava.

nem gritou. Ou só por não poder ver seu rosto angelical. Não falou. Brynna era guiada através do bosque. 266 . Uma fúria negra mesclada com um temor inexprimível rodeava Brand. caiu sobre o chão frio. o som que as seguiu foi um grunhido mais profundo e mais letal do que o suportável. Não via ninguém além do homem que tinha em sua frente. este é um lugar tão bom quanto qualquer outro. Vamos parar aqui. — Por que Brynna não está contigo? — a voz de William trovejou pelos corredores de Avarloch — Onde está. Mãos ásperas se fecharam ao redor das mãos de Brynna. E a pálida máscara de temor que cobria seu rosto era suficiente para convencer William de que o terror que ele mesmo sentia era real. Só disse a seus captores que seus destinos seriam piores que a morte mais desumana. quando já não conseguia mais suportar continuar andando sobre suas pernas exaustas. para emboscá-lo quando vier procurá-la. Eles riram. Horas mais tarde. — Levante se! — exigiu a voz de um homem. o verdadeiro caráter de Colette se tornava tão transparente? — Não parece surpresa — Colette desceu de seu cavalo e fez um sinal a dois de seus homens. Sua doçura já não estava ali.nada. As mesmas mãos selvagens que tinham atacado Dante arrancaram sua capa. Brynna reconheceu a voz da mulher. caminhando atrás dela. — Colette — sob a escuridão da venda. só ouvia o brutal batimento de seu coração. — Não — disse alguém mais—. à medida que a empurravam mais e mais profundamente dentro do bosque. enquanto os outros cavalgavam. empurrando-a para frente. O rosto e os braços sangravam pelos arranhões dos ramos. Brand? — quando Brand pronunciou suas próximas palavras. com os olhos vendados e quase congelada. — Ela foi ao estábulo. o sorriso inocente que mascarava a verdadeira maldade de seu coração.

algum rastro de emoção humana.— Como pode me surpreender algo que faça Colette? — replicou Brynna. Brynna estudou sua fria expressão. — Diga-se de passagem. tirando a venda dos olhos de Brynna —. querida. Brynna prometeu arrancar os olhos de Colette. minha senhora — disse Colette por cima do ombro —. A dor era insuportável. e não tínhamos tempo. Os olhos de Brynna se acostumaram à luz que se infiltrava por entre as árvores e olhou indignada para a mulher. — Não. seu doce sorriso tinha sido apagado pelo vento. 267 . — Mas vamos congelar. delataria nossa posição. — Surpreendi Brand — Colette riu. — Não — respondeu um dos homens —. obrigada por me salvar a vida. A mão se moveu como um látego. frente a essa besta que chama de marido. é quase feia à luz do dia. Precisaria mais que uma adaga para matá-lo. afastando-se dela. envolta em uma capa negra. ou me verei forçada a te matar antes que chegue Brand. — Cuidado. — Não se atreva a me ameaçar. Enquanto lutava com fúria contra as cordas que a imobilizavam. assim que estivesse livre. golpeando a bochecha machucada de Brynna. Não havia. quando. Clyde só o feriu. não tinha idéia de meus planos até que o bastardo de William me delatou. Mas sua captora só riu e deu meia volta. Colette. — Necessitamos uma fogueira — disse. por fim. A angelical beleza tinha desaparecido dos olhos escuros e cheios de ódio de Colette. já abusou o suficiente da misericórdia que tinha para te dar. e tiraram sua venda. enquanto era arrastada pelo chão frio. Colette — advertiu Brynna —. venenosamente. — Sabe. conseguiram colocá-la de pé. procurando algo. — Matou Dante — disse. enquanto amarravam suas mãos com grossas cordas em uma árvore a suas costas. — Colette se moveu entre o círculo dos homens que a haviam escoltado até Avarloch.

seu rosto suavizou—se. A expressão de Colette era tão angelical quando Jeffrey finalmente olhou para ela. repreendendo-o em voz baixa.. mas perdoarei você. — É bela — murmurou —. se vier aqui e mostrar a ela a quem deseja. a jovem não pôde ler sua expressão. Colette — disse.— Eu te manterei quente — a mão do homem se esticou para tocar uma mecha do cabelo loiro pálido que tinha caído do capuz negro. seus olhos muito abertos destilavam fúria. tenho afeto por ele. com lástima. Ele riu. — Ela não brinca. você gostaria de me usar? — Toque nela e arrancarei seu coração. mas o ódio em seus olhos era tão ardente como o aço incandescente —. Brynna sorriu diante dos olhos marrons e ávidos de Jeffrey. divertia-lhe o temperamento de Brynna. – assegurou — Mas coloque uma mão em cima de mim e o que eu arrancarei será muito mais doloroso. senhor cavalheiro — ronronou Colette —.— disse divertida encolhendo os pequenos ombros. eu mesma a vi fazer isso. enquanto um novo pensamento cruzava seu olhar — É uma lástima. — de repente. sem voltar-se — Vejamos se seu fogo pode ser amordaçado. Sir Jeffrey não tinha tirado os olhos de cima de Brynna desde que tinha falado com ele. Ele levantou a mão para acariciar seu rosto. Aproximou-se e a olhou de cima abaixo. idiota — explicou Brynna. e com um sorriso tenso sentenciou: — Brand vai morrer. — Vamos desamarrá-la. — Ela usou você para chegar a ele. Colette afastou sua mão. atrás de longas e espessas pestanas. Ah. na verdade. levantando-se da pedra sobre a qual estava sentada. e agora que Brand não está aqui para ver. Por um instante. Jeffrey — ameaçou Colette. que ele pareceu derreter-se frente aos olhos de Brynna.. o que vamos fazer com ele. Colette voltou-se para Brynna. ferozmente. Como você. — Põe a prova minha paciência. 268 . na realidade. Brynna o reconheceu: era Sir Jeffrey. Usou você. desdenha-te.

E Eduardo. com mais lascívia. Já está morta. rogava que William o matasse quando invadisse a Inglaterra. — Cuidado onde crava a adaga. com seu irado olhar. desabará a guerra sobre a Inglaterra.. entre os dentes apertados —. Se graças a alguma intervenção milagrosa.. Colette empunhou a adaga e cortou a bochecha de Jeffrey. nós podemos ferir o duque para que não possa lutar. a frustração refletida em seu rosto. O plano só mudou um pouco. Tentou gritar. apontando sua adaga para ela —. enquanto ele se inclinava para morder seu pescoço. 269 . Para Eduardo não importa quem assassine Brand. todos os rostos —. Colette abriu os braços para recebê-lo e jogou a cabeça para trás. — O que aconteceu em sua vida que fez com que sua alma se tornasse tão negra? — perguntou Brynna.. — A única cabeça que levará ao rei será a de Brand. Clyde — a expressão vazia de Colette não tinha mudado. Provocou-lhe só uma ferida superficial. Todos vocês podem retornar. Colette era uma demente capaz de tudo. Farei isto eu mesma e a recompensa será só minha. — Mais tarde. mas já era tarde. saltou sobre um ramo caído para chegar ao seu lado. Tudo o que o rei queria era a morte de Brand.Jeffrey. Não pensou nisso? Colette fechou os olhos. só importa que sua cabeça role. se desejarem. exceto para revelar um tom de brincadeira oculto atrás de sua frustração —. — Alguém riu e Colette percorreu. rameira — Um homem com a pele marcada de varíola e uma larga cicatriz cruzando um olho. nem nos perseguir. O sangue de Brynna congelou ao escutá-la. Jeffrey — disse. ai. com indignação —. — Nós. virtualmente. ficou de pé e olhou Colette. A adaga apareceu só por um instante.. — E a cabeça do duque William? — perguntou Clyde.. quase sentindo pena da jovem mulher. quando ele tentou beijá-la de novo. ou levarei sua cabeça ao rei Eduardo. conseguirmos matá-lo também. Não abra a boca. mas o sangue que gotejava do rosto de seu amante fez com que seus olhos ardessem. mas Brynna a viu. e a terá. — Cale-se! — gritou.

— Como pôde ter amado você algum dia? A única réplica da normanda foi um sorriso radiante. O poder que minha beleza exerce sobre os homens — segurou a ponta da adaga na garganta de Brynna e a deslizou sobre sua carne. a cortaria com uma dentada. mate-a. é você que morrerá esta noite — a ameaça foi pronunciada com tão terrível convicção que Colette quase acreditou. para beijá-la —. Capítulo 24 270 . vou vê-lo morrer. observando a folha enquanto traçava os contornos do pescoço de Brynna.Os olhos de Brynna ardiam. se ela sequer sussurrar. — Não de todo — Colette se recompôs rapidamente. A jovem sabia que tinha que se calar. serenamente. — Silêncio! — voltou-se para o homem mais próximo—. — Odeia Brand porque não teve o poder para convencê-lo a retornar contigo — abriu os olhos e lançou um severo olhar esmeralda sobre Colette. quando nem sequer sabe o que é o amor. enquanto se aproximava de Brynna — Amo o poder. A mulher piscou e os lábios de Brynna desenharam um fino sorriso —. mas eu sei — zombou Colette. Colette? — perguntou. mas a fúria se apoderou dela. não pode trair um amor. não é? Ele foi o único homem que te derrotou. Seu sangue fervia. sua ira aparentemente esquecida surgindo uma vez mais. Ela fechou os olhos e Colette se inclinou. Brynna apertou os dentes com força. amo o poder que me dá o fato de não me importar com ninguém — sussurrou. — Ah. — Não traiu Brand. É assim. e se tivesse que moderar sua língua um instante mais. compreendendo agora aquela mulher —. mas a mão que segurava a adaga caiu ao seu lado —. não é mesmo. Tendo escutado mais do que podia suportar. — Não o matará — a voz de Brynna era um grunhido baixo —.

se esta idéia tivesse sequer uma remota possibilidade de realizar-se. Da distância se podia ver a fumaça elevando-se sobre a copa das árvores. — Planejam te assassinar. Não duvidava que a resgataria viva. Impulsionou seu cavalo com força e rapidez.Quatro cavalheiros seguiram o trovejar dos cavalos de Brand. Não podia duvidar. A noite desceu mais cedo no bosque sobre os troncos pálidos que elevavam seus incontáveis ramos ao céu. com mortífera segurança. só restaria afundar sua própria espada no coração. seus rostos refletiam uma impetuosa determinação. mas Brand não sentia o frio sob sua capa negra. 271 . depois de matar Colette. quando o duque explicou que acreditava que tinham sido Colette de Marson e seus homens que tinham ferido Dante e seqüestrado Brynna. que ele estaria mais que feliz em acreditar. Prosseguiu — levamos um cão para que nos ajude a encontrá-los. — Vou matá-los um por um — tinha prometido Brand. e massacramos o resto. A geada caía das folhas murchas. inventar uma história qualquer para Eduardo sobre sua traição. A decisão de esperar o cair da noite e levar somente um dos cães tinha sido idéia de William. Sua mente bem treinada e tática raciocinou que Brynna tinha sido capturada por uma simples razão: fazer com que Brand a seguisse. Brand estava de acordo. estava de acordo com o plano. William e Lorde Richard pelo bosque. Não levaram muito tempo para encontrar o acampamento de Colette. até que todos os raptores de Brynna estivessem mortos. a fúria tinha acendido um fogo dentro dele que não seria extinto. preparados para aniquilar seus inimigos com um só movimento de suas potentes espadas. Só a presença de Caos e a ausência dos elmos e armaduras revelava que cavalgavam para uma caçada e não para uma batalha. porque se o fizesse. O rosto de Brand se manteve frio e indecifrável. enquanto nos aproximamos. depois o manteremos calado. severos e poderosos. Cavalgavam como guerreiros prontos para a batalha. — Resgatamos Brynna. — Oui — assentiu William.

voltando-se para o pai de Brynna — Tiveram que acender uma fogueira. tentando evitar que vissem suas lágrimas. uma maneira de salvar a todos os homens que amava. O fogo o trará diretamente até nós. e as palavras que havia dito na noite anterior.. Mas não podia evitar a lembrança de seus olhos. como uma besta enjaulada. — Non — o duque normando sacudiu a cabeça. De repente. Escutei dizer que te amava.— Idiotas — sorriu William. se chegar a vir. Talvez não importasse para Brand. tentando vislumbrar qualquer sinal de movimento. Viria procurá-la.. — Pode ser um truque — advertiu Lorde Richard. — Escutei o bastardo dizer que não ama ninguém — disse Clyde. impaciente. Viria com seu pai e com William. desviava sua atenção de Brynna. grosseiramente. mais rápido poderemos retornar para Eduardo. retorcia as mãos sob a grossa lã de sua capa. com voz rouca ajustando a espada — Talvez não se importe se ela vive ou morre. Colette caminhava de um lado para outro ao redor do fogo. — Deixe aceso — Colette olhou-o com raiva —. Sem esperar seus companheiros. Cada som de um animal correndo pelo bosque. os cavaleiros. — Ele já teria que estar aqui. 272 . o modo como sua mão se fechava sobre a dela. de qualquer forma. quanto antes morrer. Brand agitou as rédeas e cavalgou com William e os outros. — Estão ali — concordou Brand — Caos nos guiará — assinalou o galgo que tinha saído correndo na direção da fumaça. Se não tivessem feito. quando a olhava. estariam congelados. Ele tinha assegurado que nunca importaria. Brynna fechou os olhos. mas se deteve para olhar. afastando o pânico que tomava conta de sua mente. que o seguiam de perto. Está gelado. passou uma idéia por sua cabeça. o brilho de seu sorriso genuíno. Talvez tivessem razão. Por que não veio? Os olhos de Brynna procuraram entre as árvores. E cairiam diretamente na armadilha de Colette.

quando se sentou em um grande tronco e começou a esculpir um ramo seco com a adaga. sabendo que Brynna provavelmente tivesse razão. Talvez o rei a recompensaria de qualquer modo. Brand seria assassinado e o rei teria suas terras e ela. Brand escutava o testemunho de Brynna e um tremor atravessou sua alma. O duque colocou o capuz de sua capa negra sobre a cabeça e saiu dos arbustos. A alguns metros de distância. — Disse que te amava. — Sabe por que William veio para cá? Para comunicar a Brand a ordem de que me tomasse como esposa — respondeu — Brand preferia começar outra batalha antes de casar-se comigo. Não virá. Os normandos atacariam a Inglaterra. o resultado seria o mesmo. confundindo-se com as sombras e os homens da patrulha de Colette. mas não consegui que me amasse. Brynna sacudiu a cabeça. Nada tinha saído como o tinha planejado de qualquer forma. arrastando-se em silêncio. Na escuridão Brand voltou-se para William e assentiu com a cabeça. Colette deteve-se em seu ir e vir e olhou para Brynna com os olhos entrecerrados. se algo acontecesse ao duque bastardo. as suas. outra figura tão escura como a primeira ingressou na pequena clareira como um fantasma. — Fiz tudo o que pude. Diria que Brand tinha assassinado sua esposa. e uma vez que a notícia chegasse aos nobres saxões. eu mesma escutei. Logo.— Brand não virá me buscar. e Clyde certamente tinha razão a respeito de William. Você o destruiu. 273 . assim é melhor que me mate agora mesmo e vá embora. — Esperaremos até o amanhecer. Não pode me amar. — As falsas lágrimas de Brynna arderam em sua pele e brilharam como a geada em suas bochechas. Ele não me ama. Jurou passar o resto de sua vida convencendo sua esposa de que a amava. Passou despercebido. para proteger-se do frio. a mataremos e retornaremos ao rei Eduardo — disse Colette mal-humorada. com a capa e o capuz firmemente ajustado contra o corpo. Disse a William e a meu pai que nunca me amaria. Colette. escondido atrás de densos arbustos de amoras e groselhas.

que prazer ver você de novo. refletindo sombras ao longo dos grossos troncos. Em segundos. com raiva — Por que não espera e o obriga a observar? — Não. Colette chutou a terra no fogo. com uma pálpebra caindo sobre sua pupila escura. — Tenho o pressentimento de que entrarei dentro de ti muito comodamente — o olhar luxurioso de Clyde. com ironia. Clyde ficou de pé ajustando a capa ao redor dos ombros. — Colette! Ma cher! — exclamou. então. e sobre os homens. O tempo pareceu parar. — E talvez não faça — disse William secamente. o duque da Normandia puxou sua espada. Atrás dele ergueu-se uma sombra.. William jogou a capa sobre os ombros. De repente. Passou um momento. enquanto chocava o aço das espadas. e se me interromper tomarei também a ti. — Pode ser que ainda apareça. com uma explícita intenção fez Brynna tremer tanto que caiu de joelhos. enquanto o duque levantava seu olhar para Brynna. tomarei a ela. mas ele deu um passo atrás. e na luz da fogueira. antes de te matar. até que a surpresa que imobilizou seus homens desapareceu de seus rostos. os capuzes foram jogados para trás revelando rostos que Colette tinha visto no castelo.. Colette. com uma careta zombadora —Talvez só faça você em pedaços. incluindo o de Lorde Richard. Brynna observou os olhos de William que brilhavam com a excitação da batalha. Resplandeceu à luz da lua por um instante e desapareceu nas costas de Clyde. Clyde — Colette o olhou. Sorriu —. — Tenho frio e necessito o calor de uma mulher — seus olhos se dirigiram para Brynna. agarrando Brynna. enquanto o bosque cobrava vida a seu redor —. enquanto observava o homem cair.Com um grunhido digno de um animal selvagem. voltou-se tão rapidamente que sua capa se elevou e estalou contra suas pernas. As chamas dançaram. tenho frio agora — disse o cavalheiro de pele marcada. 274 .

mas é um bastardo desumano. Antes que sua vítima caísse no chão. Merde. — Onde está Brand? — perguntou Brynna quando a soltou. William retirava a espada. três de suas donzelas estavam atendendoo. teria sido belo de observar. jogou os braços ao redor de seu pescoço e se pendurou dele. Brynna olhava seu marido lutar. É o que empunha a espada que derrama mais sangre. — Está ali. e tanto alívio na profunda exalação que escapou de sua garganta que pareceu mais um grunhido do que um suspiro — Graças a Deus. Havia uma ternura paternal no seu abraço. E embora diante de um 275 . A espada de Brand brilhava grosseiramente ao descer. mas seu sorriso contava uma história muito diferente sobre o que pensava de seu amigo preferido. — Dante está vivo? — Oui. No momento em que suas mãos estiveram livres. desumanos em sua destruição. e voltou-se para a jovem. — Oui. como órfãs carentes de amor. limpava o sangue na capa do homem e voltava a embainhála com a mesma rapidez com que a tinha tirado. balançando sua pesada espada com ambas as mãos. — Está bem? — tirou uma adaga de sua bota esquerda e começou a cortar as cordas para libertá-la. O duque desatou os laços do pescoço e com um movimento da mão. pôs sua capa ao redor da jovem. a mais bela de todas as mulheres — o tosco guerreiro normando fechou os olhos contra o cabelo acobreado de Brynna. como uma indomável paixão libertada.A arma do duque afundava com destreza e sem esforço no ventre dos atacantes que se aproximavam. Seus olhos resplandeciam na escuridão. — Sim — ela respirou profundamente. cortando o ar e derramando sangue em todas as direções. Quando o deixamos. está bem. Estudou a pequena batalha com um sorriso satisfeito. Se sua fúria não tivesse sido tão aterradora. tão rápido. está. não? — William parecia escandalizado. Assinalou para uma sombra que se movia. como um borrão pela velocidade com que lutava. tão letal enquanto girava. Era tão seguro.

sobre os corpos e ramos. A ponta de sua espada permanecia tão quieta que parecia ser uma ilusão. o pequeno campo de batalha. Seu coração gritava. Brynna assinalou Colette. seu olhar suavizou-se. 276 . Seus ombros tensos relaxaram como se somente vê-la o tornasse humano outra vez. por trás de Brand. O terror consumiu completamente Brand ao ver o braço que rodeou o pescoço de sua esposa. quando uma figura saltou das árvores atrás de Brynna. lentamente. Estava a centímetros de distância. Sua voz era baixa e mais letal que qualquer arma forjada a fogo. Atrás de sua enorme figura. para Brynna era admirável e magnífico. Brynna. O atacante de Brynna sacudiu a cabeça. ansiando tomá-la em seus braços e dizer que significava mais para ele do que a própria vida. quando Brand desceu a espada e voltou seus olhos selvagens para sua esposa. — Eu o treinei — disse William. Só dois dos homens de Colette seguiam vivos e Lorde Richard os estava despachando rapidamente. com orgulho. sentia-se totalmente protegida da luta que tinha lugar ao seu redor e lançou ao duque um rápido e sardônico olhar de zombaria. enquanto Lorde Richard e outros se aproximavam. — Solte-a e não te cortarei em pedaços — prometeu Brand ao seu captor. A adaga brilhou sobre sua garganta. Instantaneamente. Ambas as mãos sustentavam o punho da arma. Abriu caminho até ela. "Fiz tudo o que pude.inimigo ele fosse um pesadelo feito realidade. William sorriu com malícia e saiu atrás dela. — E um cavalo e tempo para fugir ou a matarei em seguida — replicou seu atacante. que estava a ponto de montar em seu cavalo e fugir. Mas eu te amo. com um gesto. mas não consegui que me amasse”. Seus olhos a chamavam do outro lado da fogueira. — Você não teria que estar brigando junto com ele? — Mas se já não fica virtualmente ninguém contra quem brigar! — argüiu William mostrando. A espada de Brand se ergueu como um trovão.

O fio de minha espada jamais teria sequer te roçado — sussurrou. Brynna deixou que seu olhar percorresse o rosto de seu marido. Brand acariciava seu cabelo. na serenidade do momento que passou docemente entre eles. Seus olhos ardiam como terríveis labaredas. — Sei que nunca teria deixado que me fizessem mal. só uma ira tão negra que cortava o ar. A primeira coisa que Brynna sentiu quando despertou foi o calor do corpo de Brand. Não houve um sorriso quando falou. Brand — disse. mas sim porque já não podia viver sem ela. — Desculpe-me por assustar você. Brand estava imóvel. Cada fibra do corpo de Brynna enfraqueceu. ao voltar-se lentamente para ver quão perto o fio tinha passado ao seu lado. franzindo o cenho. não porque lhe pertencesse. — Que assim seja — pressionou mais forte a adaga sobre o delicado pescoço. Falava de uma necessidade masculina de protegê-la. 277 . E. como se fosse mais preciosa para ele do que o ar que respirava. inundando-a com a paixão que ela tanto ansiava. os olhos de Brand disseram o quanto a amava. Um temor selvagem cruzou o rosto de seu atacante. Elevando os dedos para sua áspera mandíbula. assobiando a milímetros de distância do rosto de sua esposa e atravessou a garganta do atacante. revelava seu temor de perdê-la e sua transbordante felicidade por tê-la. Com a velocidade de um raio que sobressaltou até Lorde Richard. sua espada voou como uma flecha lançada diretamente do arco. Com seu perfeito olhar. Ela abriu os olhos e ele baixou a cabeça e sorriu. — Solte-a agora. Olhou para seu marido e desmaiou. brandamente. Estava recostada em seu colo. Cortou o ar. mesmo ao passar por seus dentes apertados. Franziu o cenho.Silêncio. Brand só grunhiu. Seus olhos falavam. preparado para matá-la. com tal força que o cravou na árvores as suas costas.

só me beije e deixe que te dê meu coração — traçou o contorno de seu sorriso com os lábios — Amo você. Brynna — seus lábios eram a luz do sol e a escuridão. com impaciência. — Mas tenho feito mal. uma terna carícia e um anseio primitivo ao atraí-la para ele.O remorso cruzou seus olhos. ao mesmo tempo. — Brand. menino queixoso? 278 . Capítulo 25 William caminhava de um lado para outro da clareira. lançando a Brand um olhar selvagem — Não tocaram em um só fio de cabelo dela. Brynna. Podemos ir agora? Brand riu e enquanto se aproximava de William falou o suficientemente alto para que seu amigo pudesse escutá-lo. — Merde. até que ela sentiu o batimento de seu coração.. arrastando Colette com ele.. Nunca foi minha intenção. — Como diabos fará para sobreviver neste país se alguma vez o conquistar. — Non — silenciou-a. inclinando seu rosto até o dela —. enquanto esperava que Brynna terminasse de abraçar seu pai. estou congelando! — gritou o duque normando.

Parece muito apropriado. — Colette? — disse com um tremor—. o Conquistador". não é? Os olhos da jovem brilharam com alegria. — Estou certa. gritando e chutando. Brynna retirou-se da clareira com Brand. — O que vão fazer comigo? Brynna reuniu-se com seu marido. por isso disse. mas o jogo certamente será muito interessante. O olhar de Brynna percorreu o alto e largo corpo musculoso de William e seus severos olhos de aço.William estava a ponto de responder. Colette foi conduzida e lançada sobre o cavalo do duque. agora sim tenho pena de você. — Esperem! — William deu um gigantesco passo para detê-los. "William. — Pode levar um longo tempo para descobrir. com malícia. Seu braço a rodeou. Os olhos de William falavam de um amor terno e profundo. sabia que a única coisa que esta criatura ama é o poder que exerce sua beleza sobre os homens? — sem esperar a resposta de William. Brynna dirigiu um sorriso ameaçador a Colette — Que tipo de poder pensa que ela pode exercer sobre você"William o Conquistador"? William olhou-a. danificada por nenhum destes bastardos? Brynna sorriu e beijou sua bochecha. com um sorriso novo e um orgulhoso movimento de seus ombros maciços disse — sabe. — É obvio. Dirigiu-lhe um sorriso selvagem e intensamente masculino ao considerar Colette de Marson de uma maneira totalmente nova. — Bem — respirou aliviado. Oferecendo a William uma delicada reverência. Depois de um rápido gesto para um dos homens de Brand. enquanto seus olhos verdes cristalinos encontravam os de Colette —. 279 . eu gosto de como me chamou antes.. meigamente. que não fez nada para ocultar a admiração que sentia por sua esposa. cegamente.. — Meu senhor — disse a William. quando tomou a mão de Brynna — Está certa de que não foi. quando Colette formulou um suave rogo.

desprezando o segredo que compartilhavam seu melhor amigo e sua esposa. — Rei? – zombou Brand. com uma piscada travessa. 280 . No alto. — Quero aprender a nadar. desde que você está nele. beijando-lhe o pescoço. — Vamos para casa fazer alguns herdeiros — sussurrou no ouvido de Brynna. enquanto aspirava seu aroma. — Brand? — Brand gemeu. meu rei — adicionou. — Duvidou que viesse te buscar. enquanto saíam da clareira. quando chegar o verão. não é? Brand assentiu. — O que é? — perguntou. o mundo é muito mais luminoso para mim. sabendo que este homem seria seu amigo para sempre —.A gargalhada do duque lançou um eco pelo bosque sombrio e rodeou o pescoço de Brynna com um braço que quase a derruba no chão. meu amor? — perguntou. Brynna fechou os olhos e deixou que seus lábios afastassem o frio. Brynna se apertou ainda mais contra seus braços. Seus braços a rodearam. Deixar que os nobres batalhassem pela terra. Queria levá-la para casa em Avarloch e começar uma vida juntos. com um sorriso — Acaso minha esposa sabe algo que o resto da Inglaterra ignora? — Non — disse o duque tão inocente como um menino — sempre disse à você que governarei a Inglaterra algum dia. — Podia sentir seu sorriso contra o pescoço e seu peito alargar-se atrás dela. — Senhora. o lago brilhava como o cristal sob a luz e Brynna olhou-o enquanto recordava a fantasia pela qual se apaixonou. À direita. ele tinha deveres muito mais importantes para atender. refletindo sua luz prateada sobre a fina geada que cobria os ramos. perto de seu ouvido. — Nem sequer por um momento. Suspirando diante da calidez de seu fôlego e o tremor que percorreu as costas. — Obrigado — disse sinceramente. Saltou sobre seu cavalo. a lua descia no céu aveludado. desfrutando de seu aroma e do som de seu nome em seus lábios — Há algo que quero fazer. enquanto tomava as rédeas.

O elmo esmagava a espessa cabeleira. 281 . agora sob seu comando. preparada para a guerra. enquanto uma parte mais fina de metal protegia seu nariz. enquanto o som da trompeta de batalha anunciava o novo dia e uma numerosa cavalaria reunia-se na praia.Epílogo Bahia de Pevensey. Inglaterra – Outono de 1066 O vento era favorável e arrastava a tormenta para oeste. A cavalo. O sol se elevava sobre o horizonte. — Parece um dia tão bom como qualquer outro. por onde guiaria seu exército para a vitória. Seus olhos cinzentos percorreram o canal de onde seus navios já tinham zarpado de Hastings e onde seus normandos encontrariam-se com Dante e os quatrocentos soldados. William estudava os montes distantes.

contigo — Brand voltou-se e sorriu. William suspirou feliz. — Vamos. William. — Ela é mais assombrosa que o mar — disse Brand com voz rouca. — É bom que o coração ame tão profundamente — disse o poderoso duque com toda seriedade. Meu coração se detém cada vez que olho para ela. — Então. seus olhos turquesa sob o prateado de seu elmo normando. entre milhares de cavalos enlameados e suados. e finalmente voltou-se para olhá-lo.— Oui — ressoou a poderosa afirmação de seu cavalheiro mas leal. voltando seu olhar ofegante para os campos e montes em frente a eles. — Não poderia estar em nenhum outro lugar. como se Brynna pudesse escutar sua adulação — É perfeitamente formosa. iluminou o rosto de Brand. que esperava ao seu lado. meu amigo. — Assim faremos. por estes dias — recordou William. como os braços ávidos de uma amante. William riu. — Alegra-me que esteja aqui — disse William. William levantou uma sobrancelha sardonicamente. Para William pareceu como se seguisse para ela. — A amo além de toda razão. Ao pensar em sua guerreira de cabelos de fogo. além de aqui. o duque ficou sério. o que tenta dizer é que a ama — brincou. Brand? 282 . Brand? Como está minha querida Brynna? Seu severo olhar suavizou-se e um gentil sorriso substituiu a careta de Brand. — Então teremos que acabar rapidamente com o exército de Harold — um sorriso tão sinistro quanto os cuidadosos planos de William para tomar a Inglaterra. — Como está ela. olhando diretamente para a terra que se desdobrava frente a ele. Assim faremos. podia ver na expressão de Brand como sentia seu aroma até ali. — Seu bebê está a ponto de chegar. mas o viu tão apaixonado que lhe enfraqueceu o coração e já não conseguiu zombar.

seria deles. Sorriu.— Oui. fixando seu ávido olhar na direção de Hastings. A vitória. nascido em Falaise. ao escutar a profunda risada de seu mais querido amigo atrás dele. Ele levantou o semblante para o sol para desfrutá-lo enquanto cavalgava. — Falou com ela de Hastings antes de me dizer? É um bastardo. — Por Brynna! — gritou. William levantou a mão em um silencioso sinal que ordenava a seus homens para seguir. ficou também conhecido como William o Bastardo ou William da Normandia. sem dúvida. por cima do ombro. olhou uma vez mais ao homem que queria como um filho. que se tornou duque da Normandia (1035) e respeitado como um os maiores 283 . A paixão pela batalha corria tão feroz pelas veias de Brand que William quase podia senti-la e seu próprio olhar escuro refletiu o dele. William o Conquistador! Fim NOTA: WILLIAM OU GUILHERME DA NORMANDIA Rei inglês (1066-1087). E um momento antes de levar seu cavalo a um galope rápido. meu senhor — respondeu o jovem guerreiro. levantando sua feroz espada normanda para o céu — Que esteve esperando minha vitória tão ansiosamente como eu esperei a sua! O vento fustigou o cabelo de William e golpeou contra seu rosto. O duque estalou as rédeas com um poderoso movimento das mãos e o trovão lançou um eco. quando seus olhos se encontraram. ou Guillaume De Normandie. e em francês como Guillaume Le Conquérant ou Le Bâtard. sob os cascos de seu cavalo. Normandia.

tinha lhe prometido o trono (1051) e que. seu antigo aliado. partiu para Londres e encontrou as tropas de Haroldo II em Senlac. A sangrenta batalha só terminou com o Rei Haroldo e seus irmãos mortos e um saldo de 1500 a 2000 guerreiros mortos do lado normando e outros tantos ou mais. saxões e dinamarqueses haviam lutado longa e duramente para alcançar. assim. Haroldo II era então um usurpador. filha do Conde Baldwin V de Flanders. teve o apoio de Imperador Henry IV e a aprovação papal.soldados da Idade Média. foi reconhecido pela família dele como o herdeiro. o Rei o Henry I da França. O exército de Henry I da França. Filho ilegítimo do Duque Roberto I da Normandia e de Herleve ou Arlette. e por esse feito ficou conhecido na história como The Conqueror. Liderou com sucesso uma rebelião dentro da própria Normandia (1047) liderada pelos nobreza favorável a submissão ao rei francês. Aos 15. incluindo 3000 de cavalaria e atravessou o Canal da Mancha e aportou em Pevensey e. 7000 homens. 284 . Além disso. dentro e fora da Normandia unificada. Na época da invasão dele de Inglaterra. com cerca de 600 navios. do lado inglês. na época. era um chefe militar muito experimentado e temido. Sussex. Hastings. tendo um tio como regente do ducado durante sua menor idade William. com a morte do pai (1035). Pensando assim. foi derrotado na Batalha de Mortemer (1054). onde após derrotar as tropas de seu rival Haroldo II. de quem era um primo distante. Seus sucessos e sua reputação o ajudaram a negociar o matrimônio dele a Mathilda. o sagrou cavaleiro. filha de um curtidor de peles de Falaise. preparou uma grande força de invasão. O Bastardo havia conquistado em poucos dias uma vitória que romanos. O confronto final foi uma das batalhas mais famosas da história inglesa: a Batalha de Hastings (1066). com a morte de Eduardo e a coroação de Haroldo. Ganhou ao reino inglês e foi coroado no dia de Natal na Abadia de Westminster. Ele havia conquistado um país de um milhão e meio de habitantes e provavelmente o mais rico da Europa. A sua reivindicação do trono inglês baseava-se na sua afirmação de que o casto Eduardo o Confessor.

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