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Romances Históricos

Paula Quinn

O Senhor do Desejo

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Série Lords 1

Tradução/Pesquisas: As3 Revisão Inicial e final: Ana Paula G. Formatação e arte: Miss Bella

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Nota da Revisora: Ana Paula G.
Este é o primeiro de uma trilogia da Paula Quinn, Série Lords. Sinceramente, durante a primeira metade do livro, tinha vontade de matar o herói, por continuar obcecado por uma mulher que o tinha traído e não conseguir se livrar de sua paixão por ela. Nossa heroína é muito determinada e desde o começo resolve que vai conquistá-lo e tirar a outra da cabeça dele. Este livro me provocou emoções contraditórias! Numa hora ficava com raiva dele, depois dela, logo ficava com pena dos dois, sempre se desencontrando, por causa dos medos dele. Têm partes hot, o herói tem pegada, mas acho que a heroína, por todo o seu empenho e coragem, merecia alguém mais resolvido. Agora, o personagem 'secundário' que chama a atenção na história é um personagem histórico, William o Conquistador (nota: este primeiro livro termina justamente na decisiva Batalha de Hastings que torna William Rei da Inglaterra). Grande amigo de nosso herói, ele tem participação ativa em todo o livro e sinceramente, se o verdadeiro fosse desse jeito, queria um Willian pra mim...kkkkkkkkkkkkk

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Dois leques

Resumo
Ele é a fantasia de qualquer mulher… Misteriosamente belo e sensual Lorde Brand Risande conhecido como "O Apaixonado" é a tentação encarnada em homem. Mas sua perícia no campo de batalha e entre os lençóis esconde um amargo segredo: a traição que silenciou seu coração. Agora, enquanto este temido guerreiro toma posse das terras que ganhou por seus serviços na guerra, terá que enfrentar o mais formidável de todos os seus inimigos. … E o destino de uma mulher. Lady Brynnafar Dumont está disposta a fazer qualquer coisa para proteger sua gente, inclusive seduzir o selvagem cavaleiro normando que derrotou seu pai. Preparada para enfrentar uma besta sem coração, nunca imaginou que ia se encontrar com um homem descarado e perversamente atraente, que não quer nada com ela. A atitude desse homem faz avivar seu orgulho e fortalecer sua decisão. Mas ela é inocente… e agora deverá usar todas suas artimanhas de mulher para vencer Lorde Brand na única batalha que vale a pena lutar… conseguir seu amor.

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No ano 1065 D.C., Lady Brynnafar Dumont se verá na encruzilhada mais importante de toda sua vida. Seu pai acaba de ser derrotado por um normando e, agora, todas as propriedades da família pertencem a seu inimigo. Pelo bem de sua gente, Brynna estará disposta a tudo, inclusive contrair um matrimônio que não deseja. Disposta a assumir seu destino, e acreditando que seu futuro marido é um autêntico ogro, Brynna fica completamente assombrada quando se dá conta que Lorde Brand é o homem com o qual esteve fantasiando há um ano, quando o encontrou nadando em um lago e ficou fascinada por ele. Agora, esse matrimônio não lhe parece tão indesejável. Só existe um pequeno problema: é que Lorde Brand jurou não voltar a se apaixonar, já que a única vez que entregou seu coração a uma mulher, esta o deixou completamente destroçado ao traí-lo com um de seus melhores amigos. Brynna conseguirá conquistar o amor de Brand? Ele deixará que ganhe uma batalha que jurou não nunca mais perder?

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Sua delicada mão correu a cortina de veludo. 6 . podia-se ver sua pele pálida contra o brilho vermelho do luxuoso tecido. ostentando os brotos do verão. — Por que nos detemos? — Há uma árvore caída mais adiante. A carruagem se deteve com brutalidade num dos atalhos do caminho de terra. minha senhora.Prólogo Porthleven. Inglaterra Verão de 1064 D. temo. Tomará tempo. mas querendo aproveitar o magnífico dia. Brynna abriu impulsivamente a porta da carruagem. Seus olhos. percorreram as árvores que a rodeavam. disposta a explorar os arredores. tão verdes como as folhas que murmuravam na suave brisa.C. Devemos movê-la para poder continuar. Respirava o aroma fresco do ar matutino quando o cavalo negro de Sir Nathan passou ao seu lado. Aborrecida pela demora. Lady Brynna Dumont colocou a cabeça entre as cortinas da pequena janela para averiguar o que acontecia. Capas de linho azul caíram sobre sua refinada sapatilha antes de pisar no chão do bosque.

Brynna entreabriu os olhos e os cravou no rosto sempre zangado do guarda mais confiável de seu tio Robert. que não aprovava que as damas andassem a cavalo. Enquanto se afastava. Se ocupe da árvore caída. enquanto uma brisa suave lhe beijava as bochechas e jogava uma mecha sedosa de cabelo acobreado contra sua face. Sir Nathan era extremamente respeitado. como seu pai. tratando de esquivar e afastar as trepadeiras que aderiam ao seu vestido. Ela ainda não sabia bem se ter passado o verão discutindo com o comandante de seu tio tinha sido mau ou bom. o brilho no olhar revelava seu desejo de colocá-la sobre seus joelhos e açoitá-la até que obedecesse. mas o ignorou e levantou o rosto para a copa das árvores. A filha de Lorde Richard Dumont. mas isso nunca tinha impedido que Brynna discutisse com ele em qualquer oportunidade que se apresentasse. Estou ansiosa por retornar para casa com meu pai. Nunca. Estava ocupado ladrando ordens aos seus homens. poderoso guerreiro do Inglaterra.— Volte a entrar na carruagem — ordenou. não era ela que começava as brigas. Fechou os olhos e respirou fundo. puxando os arreios para ficar frente a ela — Pode ser perigoso ficar aqui fora. "Formoso" pensou. a menos que lhes dirigisse a palavra. Sir Nathan — ofereceu-lhe um sorriso irreverente —. O mal-humorado cavalheiro tinha estado a serviço de seu tio Robert desde que Deus criou o mundo. — Estarei bem. De algum lugar as suas costas. Nathan era um soldado velho e endurecido pelas batalhas. Ela bufou de só pensar nisso. sentiu como seu olhar queimava suas costas. podia escutar Sir Nathan ainda gritando ordens sobre a maneira apropriada de levantar uma árvore caída. Feliz por estar fora de sua vista começou a cantarolar. usassem botas ou falassem. Brynna passeou pelo bosque. Afastou o cabelo com a mão. sobretudo por seu pai. Os passos de Brynna eram imperceptíveis e ninguém notou quando escapuliu entre as árvores. É obvio. e dirigiu um rápido olhar a Nathan. Sir Nathan era alto e ameaçador. gostava de boas brigas. 7 .

esta voz não era áspera aos ouvidos. A princípio pensou que estava sonhando. Uma risada sedutora percorreu o ar e. sentou-se e olhou ao seu redor. como o jorro de uma fonte. sorveu água e lançou-a para cima. Bom. Brynna suspirou. Definitivamente era um homem. Como uma nevada estival. O esplendor da pradaria atapetada de jasmins amarelos e o azul do céu a envolveram. As árvores. Um estranho som chamou sua atenção. como um canto de sereia. rodeavam a pequena lagoa e lançavam suas frágeis sementes com a mínima brisa.Nada disso importava agora. Era maravilhosamente provocante. Por fim estava retornando para casa com seu pai e mal podia esperar para vê-lo. porque os tons eram profundos e vibrantes. achava-se o homem mais imponente que Brynna tinha visto em sua vida. com flores rosadas e brancas. Embora nadasse sozinho na lagoa. Brynna se ajoelhou entre os densos arbustos com o fôlego entrecortado e separou os ramos. no meio do paraíso. podia esperar um momento mais. desfrutando das suaves pétalas amarelas e azuis que lhe acariciavam as bochechas. Flutuava de costas há alguns metros de distância em uma lagoa banhada pela luz do sol e afastava as folhas que flutuavam. levou-a para um espesso arbusto de groselhas. Mergulhou nas profundezas cristalinas. Brynna sorriu e levantou a saia para correr pela exuberante paisagem. Estava sozinha no vale. A robusta voz de Nathan perseguiu Brynna por entre as árvores até um estreito vale onde se mesclou com o canto das aves no alto. centenas de minúsculas pétalas espalhavam-se pelo ar e caíam sobre a água. Sem dúvida. com as mãos. Mas diferente do som rude das vozes dos homens da guarnição de seu tio Robert. agia como se houvesse outros desfrutando o dia com ele. enquanto observava a cena. só para desfrutar desse esplêndido dia. E ali. Caiu de joelhos sob a sombra de um velho salgueiro e se recostou na grama. Uma luz acobreada se refletia nos músculos tensos de um peito e uns braços musculosos. corrigiu-se. 8 . era a voz de um homem. A visão de seu corpo nu acendeu as bochechas da jovem e seus lábios se separaram. cobrindo toda a superfície. Jogou a cabeça para trás.

— Colette. e abandonou seu esconderijo entre a folhagem. e despertou de sua encantadora fantasia. ruidosamente. ele emergiu. seu sorriso enlevado acendia o rosto. Com um repentino giro de seu corpo voltou a desaparecer. A água era uma amante que beijava cada parte de seu corpo ao mesmo tempo. enquanto Brynna observava a superfície banhada pelo sol. para seu mundo particular. Brynna sentiu que estava observando a um homem peixe. Parecia muito feliz em sua brincadeira aquática do que qualquer outro humano sobre a terra. tão delicado como os brotos tenros da grama que crescia ao redor da lagoa. Uma mulher. De repente. Quando a viu. procurando sinais dele. Quando voltou a abri-los.. levantou o rosto para o sol. E mais embaixo. Nunca tinha visto um homem tão erótico.entrando em um mundo que só ele conhecia. O pálido cabelo loiro caía em todo seu esplendor sobre as costas e chegava até a cintura. Queria ficar ali para sempre e observá-lo imerso em sua fantasia. Ele fechou os olhos. 9 . Ficou de pé. Começou a sentir comichões em lugares cuja existência acabava de descobrir. os músculos e o sangue de Brynna.. Voltou à cabeça rapidamente em direção ao intruso. Saiu bruscamente da água. já que não sabia nadar. mas hesitou. como uma cascata de seda. poderosa e incandescente. Os minutos se estenderam. Queria mergulhar na água. e se abandonou ao puro deleite que o consumia. chegou tarde! — gritou. sacudindo os cabelos negros. Mergulhou mais e mais fundo. o homem sorriu. O som do trote de um cavalo aproximando-se do lado oposto da lagoa a sobressaltou. O coração da jovem parou ao ver que a cor desses olhos absorvia os azuis intensos do céu enquanto refletiam a verde profundidade da lagoa. só para tornar a emergir. montada num cavalo branco apareceu entre as árvores como se fosse um sonho irrompendo na vigília. A moça pôde ver seu firme abdômen. Seu rosto era de uma beleza indescritível. alarmada. A alegria enchia seu rosto. Talvez debaixo da água serpenteasse uma grande cauda com escamas.

Ela protestou e conteve o fôlego quando a água fria lhe lambeu os pés. Quando a água chegou à sua cintura. Podia nadar com ele. viajar por seu mundo debaixo da superfície e compartilhar o êxtase que acendia sua paixão. Meu Deus. saiu da água a fazendo se sentir encantada e mortificada. dirigiu seus passos para a beira do lago. acalmando o ansioso coração de Brynna. desde suas resplandecentes costas. Queria sonhar que tinha descoberto este homem. mas ele riu e a conduziu mais para dentro da lagoa. mas não podia. 10 . que pertencia somente a ela. mordendo o lábio inferior.— Surpreende-me que tenha notado. desceu do cavalo e o amarrou a uma árvore próxima. sem soltar à mulher. Ai. — A bela dama lhe dirigiu um sorriso atrevido. suave. com suavidade. deslizando para ela tão lentamente que nenhuma onda rompeu a tranqüilidade da água ao seu redor. afinal. A moça saltou por cima da roupa com uma graça que fez com que Brynna se sentisse como uma menina. E. que com seu abraço úmido mal se mantinha a flutuando sobre seu corpo. Brynna queria dar a volta. a idéia a intrigava e perturbava. Não era um homem peixe. Brynna suspirou quando a mulher despiu. A água caía em ondas. Tinha caído em um feitiço. e. Como escaparia sem ser descoberta? Veria-se obrigada a observar? Estranhamente. Ele nadou para ela. Podia notar na voz do homem que o casal não se dedicaria só a nadar. — Está fria? — Eu te darei calor — prometeu o homem. seus ombros tirando o vestido de algodão. maravilhada pelo som de sua risada e o apetite com que seus dedos acariciavam o corpo molhado recostado em seu peito. ao mesmo tempo.se Brynna. correr. ele se deixou cair para trás. que caiu ao chão como se um anjo tivesse descartado suas asas. Sua voz era como a tênue brisa em um dia sufocante. sobre as firmes e redondas nádegas descendo pelas coxas musculosas até suas pernas. o que devo fazer ? Perguntou. pensou Brynna. macia. nua. O nadador a olhava. para surpresa de Brynna. Tomando as mãos de sua amante. ele retrocedeu na água aproximando-a com suavidade.

Entretanto. era tão intensa que vibrava e projetava o fluxo da água ao seu redor. e depois gritar. Prisioneira da força masculina desses braços sorriu e deslizou pelo corpo de seu amante. desejando que fossem para ela. Podia vê-la. Por fim a superfície da água agitou-se e o casal emergiu. Mordendo o lábio. Esperou ansiosa por ver seu rosto de novo. agitada. Brynna tentou imaginar-se o que estava fazendo à bela mulher. quando ainda estava sozinho na água. o fogo que ele tinha acendido nela não podia ser apagado. libertando a sua amante. Desapareceu de novo sob a água e a misteriosa dama lançou a cabeça para trás. empurrando-a para cima primeiro. Brynna deixou escapar um fraco gemido. O homem segurava a cintura da amante. 11 . Passou um minuto. Brynna podia ver a paixão no rosto dele. Ele emergiu novamente. Levantou-a sobre seu corpo e voltou a baixar. como tinha feito o homem apenas uns minutos antes. Por sorte. Ela o seguiu. em seus olhos. Brynna conteve o fôlego. Ele beijou sua amante no pescoço e riscou um caminho de fogo para seus seios. desta vez atrás de sua loira dama. — Amo você. Brynna pôde sufocar o gemido antes que lhe escapasse dos lábios. recuperando o fôlego que a devolvia à vida. As palavras podiam ser lidas com clareza em seus lábios. como um gêiser. pondo a prova os nervos de Brynna até que não pôde suportar a tensão. Sabia que nunca poderia esquecê-lo. Seus lábios desenharam um sorriso amplo e luxurioso enquanto bebia a água que escorria do rosto da mulher. Pôs seus braços ao redor dos seios dela e sussurrou algo em seu ouvido. com um sorriso radiante. A boca da mulher estava aberta. e Brynna esperou. depois outro. sob a água. Já deveriam ter saído. contando mentalmente os segundos. quando o sol iluminou o rosto da mulher.Ele desapareceu na água. Havia se passado muito tempo. que a fazia suspirar e gemer.

temerosa de pronunciar uma palavra. com a chegada de Lorde Brand Risande. mas o bastardo normando o tinha derrotado. até Aberdeen. Até o Norte. retornou do campo de batalha. já que ninguém tinha vencido antes a Lorde Richard. — O que pode estar levando tanto tempo? Alysia observou a sua senhora da beira da cama. As vidas de todos estavam a ponto de mudar. Brynna caminhava com pressa de um lado para outro de seu quarto. O vencedor devia reclamar o castelo e o título de Lorde Richard. A pobre Alysia tinha passado muitas noites com outras donzelas e com os servos e vassalos do castelo temendo por sua sorte. embora às vezes mostrasse um temperamento mais ardente que o fogo. nunca a tinha visto tão furiosa. Lady Brynna era uma mulher amável. tinha chegado à história sobre o cavalheiro escuro cujo coração se tornou frio e cruel.Capítulo 1 Fins de outono – ano de 1065 Nervosa. Quando já não pôde esperar mais. Fez um gesto com a cabeça. vencido. Mas havia algo pior que um lorde normando governando Avarloch: corria o rumor de que o novo senhor tinha sido corrompido pela traição. Alysia sabia que a única preocupação da jovem tinha sido que seu pai voltasse com vida. Hoje era um desses dias. muita coisa tinha mudado desde que o pai de sua senhora. Foi uma surpresa para todos os habitantes de Avarloch. se dirigiu a sua donzela com os lábios apertados e cheios de raiva. quando 12 . Por certo. Entretanto. Lorde Richard Dumont.

antes de aceitar os questionamentos de meu pai. Eduardo é débil e permitiu que o destino do país ficasse nas mãos de seu cunhado. Alysia — disse Brynna furiosa — Nosso rei. Só ficava mais furiosa com o correr dos dias. Quando um witan. Eduardo é um covarde que ofereceria sua terra a um normando. e jurava não deixar nunca seu lar. na igreja. Alysia permaneceu calada. Foi um som quase imperceptível. Mas Brynna não se preocupava.Lorde Richard e Lady Brynna fossem expulsos como trastes imprestáveis. Harold de Wessex — Brynna levava solto seu cabelo castanho avermelhado. mas Brynna o escutou e a olhou fixamente. que é ele mesmo um saxão. ondulava em brilhantes e espessas labaredas ao redor da cintura de seu vestido. Sua senhora era muito querida. — Mas por quê? — perguntou Alysia. conspirou contra meu pai. Bom. enquanto a dama lançava insultos e acusações que faziam com que a morena donzela tremesse. Mas ninguém em Avarloch a delataria por isso. — Porque meu pai expressou. Alysia a acompanhou em silêncio durante quase todo o dia. — O que? Não deveria matar esse bastardo? — perguntou. seu descontentamento com o modo no que o rei Eduardo governa a Inglaterra. podiam-se ver as chamas dentro de seus olhos esmeralda. não se atrevia a recordar a sua dama que suas palavras eram consideradas traição. um dos membros do Conselho dos nobres anglo-saxões. — Brynna deu outra volta —. chegou naquela manhã para reunir-se com Lorde Richard. — É uma traição. neste preciso momento. juro! Alysia engoliu em seco. Alysia negou com a cabeça. em mãos de um Conselho de homens que mal conheço. terá um despertar pouco agradável. — Agora meu pai perdeu seu lar e meu destino está. sem importar que classe de besta o ocupasse. proibiram Brynna de assistir ao encontro. 13 . Vou arrancar seus olhos. como Lorde Richard. exceto por duas mechas trancadas nas têmporas e presos na nuca e quando ela andava pelo quarto. Se o porco normando acredita que virá aqui tomar posse de meu lar.

— Eu... Eu não disse nada, minha senhora. — Pensa que deveria abandonar meu lar sem lutar? Alysia não tinha alternativa, agora tinha que dizer algo. —Talvez ele não... Não seja T... Tão mau — gaguejou, apertando os lençóis da cama de Brynna entre os dedos — Escutei dizer que é de aparência agradável e alto e forte, e... — Não me importa se for tão alto como Golias! — gritou Brynna. Então, vendo a Alysia tremer, baixou a voz e se ajoelhou ante ela— Perdoe-me, Alysia. Não foi minha intenção gritar. É só que... Que... — não terminou a frase. Seus lábios tremeram um instante antes de esticar- se em uma linha firme. A porta se abriu e um dos guardas de seu pai apareceu dentro do quarto. — Pode descer agora, minha senhora. O Conselho a espera. Brynna lançou um olhar furioso para o guarda, embora ele não tivesse nada a ver com a traição a seu pai, e ficou de pé. — Obrigado, Sir Martin. — Sua voz tornou-se repentinamente suave, sua expressão, uma máscara de tranqüilidade, que desejou sentir de verdade. — Que será de você, minha senhora? — perguntou a jovem donzela, retorcendo as mãos sobre a saia. Brynna olhou Alysia com um formoso sorriso e o tomou suas mãos. — Não tema. Farei o que tiver que fazer para permanecer aqui. Não te abandonarei. Entrou no grande salão com toda a graça e a elegância de uma rainha... Para delícia de Lorde Richard Dumont. Sorriu a seu pai, quando seus olhos se encontraram por cima da mesa, lotada de nobres. Deus amava-o tanto! Era o mais belo do salão, levando-se em conta que os homens sentados ao seu redor na larga mesa pareciam presuntos gordos, prontos para assar. Brynna esquadrinhou cada rosto, seu belo sorriso alargando-se mais com cada um que observava. Formado na época do rei Alfredo, o witan era um grupo de nobres que governavam junto com o rei. Outorgavam terras, administravam justiça e
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decidiam assuntos tais como a guerra e a paz, tudo com o consentimento de seu rei, é obvio. Lorde Richard ficou de pé quando sua filha se aproximou dele. Tomou sua mão e a levou aos seus lábios para lhe dar um beijo terno. — Meu raio de sol — sussurrou, e lhe ofereceu a cadeira ao seu lado. Antes de sentar-se, Brynna viu seu tio Robert sentado ao lado de Sir Nathan. O mal-humorado cavalheiro a saudou com a cabeça, enquanto ela o avaliava, em silêncio. — Minha querida — começou a dizer seu tio e se moveu, incômodo, na cadeira — Sabe por que estamos aqui. — Para decidir meu destino — disse Brynna. Manteve sua expressão neutra, embora quisesse dizer a todos que apodrecessem no inferno. Ninguém ia forçála a abandonar seu lar. — Desejaria que assim fosse, minha menina — disse ele brandamente —. Você ficaria comigo até que seu pai arrumasse um matrimônio apropriado para ti — Sir Nathan grunhiu e Brynna se sentiu tentada a lhe sorrir, antes de voltar a prestar atenção em seu tio—Temo que seu destino já estava decidido, quando o normando venceu seu pai. Brynna ergueu uma sobrancelha, perfeitamente arqueada. — O que quer dizer, tio? — Brynna — seu pai respondeu por ele. Era muito difícil olhá-la nos olhos, mas ele queria dizer-lhe pessoalmente. Tudo era sua culpa, por perder diante do normando... Um remorso com o qual teria que viver o resto de sua vida— O Conselho se nega a ceder esta terra aos normandos. — Mas, o que podemos fazer? — voltou-se e procurou entre os rostos que a observavam, fixamente— O rei permitirá que meu pai lute de novo contra este normando? — Não, filha — disse Richard, sacudindo a cabeça — O Conselho ordena que o guerreiro se case contigo. Oferecer-lhe uma esposa saxã é a única maneira de assegurar que a terra permaneça, parcialmente, sob o governo saxão.
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— Esposa? — Brynna quase se engasgou com a palavra. Sentiu que o sangue abandonava seu rosto e lutou para controlar seus sentidos, quando o salão começou a girar — Mas eu... — Tem dezenove anos, Brynna — recordou seu tio gentilmente – passou há muito da idade em que uma dama deve aceitar um marido. Não estava preparada para converter-se em esposa. Não queria casar-se com o homem que tinha vencido seu pai em batalha. Já odiava o normando. Como poderia honrá-lo e obedecê-lo, quando queria enviá-lo ao inferno? Queria protestar, mas quando abriu a boca, só pôde emitir um suave gemido. Percebeu que esse era o único modo de permanecer em Avarloch. — O rei toma o partido dos normandos em muitas questões, devido ao seu parentesco com o duque William — explicou Robert, embora fosse claro que a tarefa começava a impacientá-lo. Sua sobrinha deveria estar bordando uma tapeçaria, não se reunindo com homens e discutindo política —Lorde Brand Risande não deseja se casar, mas o rei conseguiu a ajuda de duque William para tratar do assunto. Risande foi treinado sob a tutela do duque, e nosso rei nos assegura que obedecerá a ordem de casar-se contigo. — Nosso rei?! — o temperamento de Brynna finalmente veio a tona. Entrecerrou os olhos e olhou primeiro para seu tio, e depois para cada um dos outros nobres — Refere-se ao mesmo rei que assinou um decreto oferecendo a propriedade de Avarloch a qualquer nobre que enfrentasse meu pai e ganhasse? Um rei que não se reuniu em conselho com vocês, como requer a lei antes de tomar essa decisão? E por que, depois de conspirar para expulsar meu pai de sua terra, Eduardo quereria nos ajudar? — Porque — respondeu uma voz rude, e Brynna dirigiu seu olhar para Sir Nathan — Traremos a batalha a Avarloch se o normando te rechaçar. — Não! — Brynna quase saltou de sua cadeira. A mão de seu pai sobre seu ombro a deteve. Voltou-se para ele. — Pai, você não pode estar de acordo com isto. — Não acredito que chegue a esse ponto, Brynna — assegurou — Eduardo pode ser muitas coisas detestáveis, mas não é tolo. Se o Conselho se voltar
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contra Lorde Risande, os normandos certamente tomarão a ofensiva, em especial agora que envolvemos ao duque William. Poderia começar uma guerra — Lorde Richard sorriu e deu um tapinha na mão de Brynna, quando ela sacudiu a cabeça — Não vê, preciosa? Se houver guerra, Eduardo se verá obrigado a tomar partido dos saxões e, se o fizer, perderá todas as alianças com o duque William. Tem que nos ajudar. Pode não querer um Dumont em Avarloch, mas agora não tem alternativa. Quanto ao duque William, já enviou uma missiva anunciando que chegará durante esta semana. Enviou uma solicitação ao rei para que eu permanecesse aqui, até sua chegada. Não sei por que deseja que eu fique, mas estou seguro de que não quer começar uma guerra por um castelo inglês. Então, percebe? Não haverá luta aqui. O duque convencerá este homem a tomá-la por esposa. Não terá que abandonar seu lar, e Avarloch permanecerá, em parte, como posse saxã. O coração de Brynna batia em seu peito ante a idéia de uma batalha em Avarloch. A possibilidade de que seus vassalos perdessem a vida, fazia brotar lágrimas em seus olhos. As imagens de seu lar destruído, nas mãos dos guerreiros, reafirmaram sua decisão de fazer o que fosse necessário para assegurar-se de que aquilo nunca acontecesse. Que opções tinha? Nenhuma. Seu destino, na verdade, tinha sido decidido quando seu pai perdeu diante de Lorde Brand Risande. Tinha que casar-se com o normando. Voltou-se para os numerosos nobres que a observavam. Seus ombros delicados se ergueram, com determinação. — Não deixarei que Avarloch seja destruído. Farei tudo o que me ordenarem. Mas nunca esquecerei a traição do rei Eduardo contra meu pai. Ele não merece sua lealdade, e nunca terá a minha. Um redemoinho de murmúrios se elevou no grande salão. Vencer o rei em seus próprios jogos secretos era uma coisa, a traição era outra. Sir Nathan sacudiu a cabeça, com o cenho franzido. — Arrisca-se muito, pronunciando palavras de traição, jovem. Se fosse minha filha, faria com que te açoitassem.
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Nesse momento, o sol se ocultou. Os raios de luz que se infiltravam pelos arcos das janelas no grande salão se esfumaçaram. A escuridão cobriu Avarloch, enquanto Lorde Richard ficou lentamente de pé. — Sir Nathan, nos conhecemos há muitos anos. E talvez você acredite que isso lhe dá permissão para falar com minha filha dessa maneira. Está equivocado — Os olhos de Richard eram como adagas afiadas. — Tenho muita consideração por seus serviços, porque você é um bom amigo de meu irmão. Mas nunca pense sequer em erguer sua mão contra minha filha, ou o desmembrarei e espalharei seu corpo por estes campos — O olhar desafiante de Richard percorreu o resto dos convidados — Minha filha diz o que pensa, tal como eu ensinei. Você sabe que Risande foi enviado por ordens do próprio rei para me matar. O normando me perdoou a vida, embora não saiba por que. É um guerreiro feroz, lutou como nunca tinha visto um homem lutar, seu poder só é comparável aos rumores que correm sobre William da Normandia. Os esforços de Eduardo para libertar a Inglaterra de mim deixaram um homem mais perigoso em meu lugar. O rei logo perceberá. Quando enviar alguém para lutar contra o guerreiro normando, necessitará de um homem cujo braço seja mais rápido que o vento e cujo coração pulse ao som de um tambor de guerra. E mesmo assim, duvido que possa vencê-lo. Eu não pude, e agora minha filha deve pagar por minha derrota. Mas juro: se a contínua traição do rei Eduardo chegar a machucá-la, de algum modo, retornarei do inferno, se for necessário, e o matarei. — Esperou um momento e, como ninguém falou. Lorde Richard tomou a mão de sua filha e a conduziu para a saída do grande salão. Brynna voltou para seu quarto e se jogou sobre a cama. Alysia havia saído. O fogo da lareira estava quase apagado, restavam somente algumas brasas brilhantes e fazia frio em seu quarto. O inverno chegaria logo; o normando traria seu odioso frio consigo. A jovem tremeu diante da idéia. Estava disposta a fazer qualquer coisa para salvar Avarloch e sua gente de uma batalha, mas como poderia dar sua vida e seu corpo a um homem que não amava? Como sempre, seus pensamentos voltaram-se para um dia, dois verões antes, quando estava em Porthleven; para um homem com olhos da cor do céu;
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. Nunca esqueceria a paixão de seu sorriso e o modo como acendeu seu corpo.. Suspirou profundamente contra o travesseiro.um homem cujo coração cantava com os prazeres da vida. Capitulo 2 Brynna parou sobre o parapeito que dava aos vastos campos e ao bosque distante que pertenciam a seu pai. que viesse casar-se com ela. Se fosse ele. 19 . sua magnífica fantasia.

. Nem sequer seu pai. pai de Harold de Wessex. nesta época. Retornou com tesouros de sedas e uma nova donzela chamada Alysia para servir sua esposa. Ele estava à caminho. por ter brigado contra os Godwin. agora não. Lorde Richard era um guerreiro conhecido por todos os saxões desde que era comandante do rei Eduardo. O cavalheiro normando viria tomar posse de seu lar e não havia nada que ela pudesse fazer. o Apaixonado" por seu ardor pela vida. Tinha lutado contra Godwin. que Lorde Richard Dumont se rendeu diante dele? A idéia a aturdia. — abraçou-se e levantou o queixo. logo depois que Eduardo elevasse um bispo normando a arcebispo de Canterbury. Como ela. mas o pai de Brynna iniciou uma relação amistosa com os turcos. como se o normando pudesse escutá-la — Nunca me renderei diante de ti. enviou Richard para viver entre os turcos. exceto os rumores que tinha escutado de suas donzelas.. Mas sua luta por Avarloch tinha terminado. Não sabia nada dele. Sua túnica de lã se agitava contra o vento. A intenção era castigá-lo. Brynna podia senti-lo.Não. enfrentando o frio que lhe respondeu. mas retornaram um ano depois e ganharam a aceitação do povo. Seu amigo de infância. Brynna olhou suas terras. Os Godwin foram desterrados. Seu pai nunca tinha perdido uma batalha. quando lutou com eles contra seus inimigos bizantinos. o duque William da Normandia o chamava "Brand. percebê-lo no vento que fazia dançar as copas das árvores ao longe. Brynna tinha dez anos. Tão selvagem era o normando. O sangue saxão corria profundamente pelas veias. disso Brynna estava certa. nada que ninguém pudesse fazer. Dizia-se que nunca tinha 20 . durante um ano. fixando o olhar no longínquo bosque. em troca. Tinha perdido e agora tinha que partir. nunca partirei — declarou desafiante. O rei Eduardo lhes devolveu o favor e. que planejou uma fracassada rebelião contra o rei. Lorde Richard era um grande guerreiro e viveria para lutar outras batalhas. Em realidade. — Eu.

— Fez uma pausa. havia outro homem com ele. O roçar de uma mão em seu ombro rompeu o fio de seus pensamentos e Brynna voltou-se para sorrir ao seu pai. rodeando sua filha com um braço. esperando que lhe informasse que seu prometido tinha uma cauda bifurcada. não tem presas. minha 21 . pensou Brynna com dor. recordando o homem que enfrentou na batalha. É um patife estranho. Brynnafar. — É estranho – a palavra rolou da língua de seu pai. Por um momento. É belo para um normando. se não o odiasse tanto. — Não posso te proteger disto. As donzelas de Brynna se preocupavam com os rumores: diziam que seu novo senhor normando havia se tornado frio e amargo. Ele traz o frio. Brynna se perguntava quem trairia um homem assim. — O normando. estava carregada de curiosidade e de algo que Brynna ainda não compreendia. não suficientemente selvagem. Mas. a prometida de Lorde Brand tinha sido surpreendida nos braços de um de seus guardas. Brynna teria sentido pena dele. — O que aconteceu. um cavalheiro poderoso que derrotou muitos de meus homens com sua espada. Logo depois de ser capturado. — Ele é horrível.. pai? Tem o cabelo emaranhado e comprido e presas afiadas? Lord Richard riu brandamente e apertou o abraço ao redor dela.perdido uma batalha. Conforme Lily e Alysia. Falaram por um momento e Lorde Brand riu.. Lorde Richard deu um passo para frente e olhou à distância. — Não. Ele se aproximou. filha. levaram-me a uma pequena clareira no bosque com o resto de meus homens. Mesmo com quarenta e dois anos seu pai era um homem imponente. Disseram-me que era seu irmão. um guerreiro. selvagem ao seu modo. pai? — levantou a cabeça. porque seu apetite de vitória era mais poderoso que o de qualquer oponente que enfrentou. — Sei — ela respondeu tranqüila e apoiou a bochecha contra seu largo ombro.

Deixa que a precaução te guie com este homem. E então essa inocência sumiu. — Farei o que for necessário para permanecer em meu lar. como se não soubesse o que era o ódio. pai. no jardim das ervas. Como esquecer? — O pai riu.. Mamãe ainda vive aqui. — Seu pai inclinou a cabeça para o lado e a olhou. Não havia nada frio ou calculado em seu sorriso. Pareceu-me estranho que alguém pudesse agir dessa maneira e lutar com tão pouca piedade. o ferreiro.mente não pôde compreender que esse era o mesmo homem que tinha me vencido. que me ensinou a fazer minha primeira ferradura? 22 . mas sua intenção de parecer valente ante as adversidades cortou seu coração. Ela era sua filha. ou a raiva. — sua voz se perdeu. seu guisado de cicuta. Brynna ergueu os ombros. Cresci com o povo daqui. pai — prometeu.. quase como um menino. — Farei. enquanto fixava seu olhar nas portas de madeira que levavam ao castelo. — Sim. cativada pelo som hipnótico da voz de seu pai. nas cavalariças. — Parecia. — Tem um rosto enganoso. — Por que não? — perguntou Brynna. fazendo com que seu pai desejasse abraçá-la. Lorde Richard estudou sua filha.. — Se pudesse de algum modo. Nunca me tirará de Avarloch. evitar que este matrimônio acontecesse. — O rei Eduardo já está aqui. Ainda posso sentir sua presença costurando e fiando. erguendo-se para olhar de novo sobre o parapeito.. — E o velho Gavin. Brynnafar. com olhos cheios de remorsos. — Lord Richard sacudiu a cabeça. quando seus olhos se encontraram com os meus e soube que era ele o homem contra o qual tinha lutado no campo de batalha. para assegurar-se que o normando case contigo e o duque William chegará esta noite. uma vez mais. orgulhosa e forte diante de qualquer perigo. Recorda quando tinha sete anos e a cozinheira me deixou ajudá-la a preparar o jantar? Usei algumas das ervas de mamãe para o guisado e quase envenenei todo o castelo. custava-lhe encontrar as palavras precisas para descrever o guerreiro — Inocente.

Não a tocou. Brynna deu a volta. A vestimenta que Brynna tinha escolhido fracassava. soube que lamentaria para sempre não ter se unido à batalha com Lorde Richard e não ter ganhado a mão dessa criatura fogosa. Quando viu a bela Brynna Dumont. Mas ela sacudiu a cabeça. do mesmo modo que sobrevivi aos duros invernos deste lugar. recordando sua vida em Avarloch. Luis sorriu. antes de sair ao parapeito. — O pobre Gavin chorou uma semana. Outra brisa gelada agitou suas longas mechas vermelhas e ela ergueu um dedo para tirar o cabelo dos olhos. — Não. O jovem cavalheiro inglês tinha chegado com o rei Eduardo alguns dias antes.Seu pai assentiu: — Tentou colocá-la em meu corcel e o animal deu uma patada. nessa intenção. e se queria que o normando sentisse seu ódio. Brynna. certamente o sentiria. observando-a com seus pequenos olhos 23 . estudando-a desde antes de anunciar sua presença. E ao vê-lo. miseravelmente. deixando que seu desprezo pelo cavalheiro inglês aparecesse livremente. — Venha para dentro. em silêncio. mas caiu de costas e bateu com a cabeça em uma pá. — Sobreviverei a este homem. revirou os olhos. — Seu pai tomou sua mão para consolá-la. Não tinha se vestido especialmente para receber seu prometido. e seu castelo. Era obstinada. O cabelo ondulado caía pesado sobre suas costas. Enviarei todo o meu ódio com o vento. quero vê-lo quando chegar — assegurou. atrás dela. — Fixou os olhos nas copas distantes das árvores. Seu pai sabia que era inútil discutir com ela. ao contrário: esforçou-se por ocultar sua beleza. Não gostava desse homem que parecia estar sempre movendo-se de maneira furtiva nas sombras. envoltas em meias negras de lã e botas. marcando cada palavra — Quero que sinta minha presença aqui. com lascívia. Moveu-se. Suas pernas eram longas e bem-feitas. — Brynna sorriu. Sir Luis observou o pai de Brynna desaparecer pelo corredor. embora Luis não tivesse feito nem um ruído.

— Seriamente? — perguntou risonho. e pretende me dizer que isso não a ofende? — Essa foi minha resposta. — Vá embora. Odiava tanto aos saxões? Acaso sua negativa tinha a ver com a infidelidade de sua prometida? 24 . sem olhá-lo. Luis deu outro passo à frente. Apoiou as costas contra o corrimão do parapeito. minha senhora. De fato. ela escutou o leve tom sarcástico de sua voz que tinha chegado a conhecer bem nos últimos dias. e absorveu toda a beleza de Brynna com seus pequenos olhos negros. com a intenção de que sua virilidade parecesse indecentemente grande. embora tentasse negar. — Acaso está tão desejosa de ver seu guerreiro normando que o espera de pé. O cavalheiro arqueou uma sobrancelha. nem tampouco o tom gelado de sua voz. porque embora ele fizesse um esforço para parecer preocupado por seu bem-estar. sabe? — Luis parou junto a ela. — ordenou com aborrecimento.escuros. — Isso não me importa — respondeu ela bruscamente. o rei teve que convocar o duque da Normandia para vir aqui. gelando no frio? Brynna não respondeu. — A expressão de Brynna não tinha mudado. se perguntava por que o lorde normando preteria lutar ao invés de ser seu marido. Por que teria que se importar se o selvagem queria casar-se com ela ou não? Mas. em um esforço para evitar uma batalha — Luis estudou os suaves e brancos contornos do rosto de Brynna enquanto falava e sorriu levemente diante do quase imperceptível franzir de suas delicadas sobrancelhas — Preferia lutar contra os saxões que casar-se com você. curvando a comissura do lábio superior escondido sob um fino bigode — Não a ofende obrigarem este homem a desposá-la? Lorde Brand deixou bem claro que não deseja ser seu marido. Era alto e magro e apertava suas meias. — Ele não a quer.

Rezou. minha senhora. mas se deteve e deu a volta para olhá-la uma vez mais — Talvez o faça de qualquer maneira. Luis fez um gesto para que ela fizesse o que quisesse. Deus. Sir Luis. Brynna deu meia volta para colocar-se frente a ele. com toda sua força. mas seus olhos ardiam — Nunca mais volte a me golpear. é você quem me dá asco. — Não diria isso se sentisse minha virilidade penetrando-a profundamente tentou beijá-la. — Direi que me implorou para que a tirasse daqui. Dá-lhe asco a idéia de compartilhar o leito com o normando? Incapaz de seguir suportando o som de sua voz. para ser encontrada pelos outros. — Informarei a meu pai e ao rei imediatamente sobre seu comportamento e me assegurarei de que seja castigado — cuspiu. mas Brynna jogou a cabeça para trás e lutou com fúria até livrarse de seus braços. ou que usou seus encantos para me enfeitiçar e me convencer de que me deitasse com você. quando percebeu que o odiado cavalheiro tinha partido. Você perderia sua preciosa terra — Luis sorriu. para que o selvagem normando não fosse como Sir Luis. Um calafrio percorreu suas costas. Não haverá matrimônio. em silêncio. aproximando seu rosto dela—. Ignorando o ardor que tinha produzido a bofetada. tomarei o que quero e a deixarei aqui. Brynna o observou afastar-se. — Luis ronronou. — começou a caminhar de volta ao castelo. se o rei pensar que estivemos juntos. porque se o fizer. Os olhos do cavalheiro inglês arderam por um momento.— Suas mãos demonstram desgosto. 25 . — Não. Ergueu a mão e esbofeteou seu rosto. antes de encolher os ombros. Voltou o olhar para o bosque.

Outros homens montados o seguiam. ele chegou rodeado por uma névoa carmesim. impregnando o ar com um poder viril. Cavalgava sobre um enorme corcel de guerra também tingido de carmesim. o olhar 26 . invencível. Mas Brynna não podia afastar o olhar do cavalheiro solitário. Sem temor. Cavalgava com tanto orgulho. Saíam das árvores como os trovões atrás de uma tormenta. Como uma aparição surgida das chamas. As costas erguidas como uma flecha. Besta e homem pareciam um só.Capitulo 3 Brynna entreabriu os olhos ao ver uma figura emergindo do bosque. estandartes de cor azul e dourada revoavam no frio.

puro e implacável sob seus cabelos negros. certamente não era o mesmo homem.levemente elevado como se pudesse vê-la parada ali. enquanto seus sentidos eram alcançados pela beleza de seu rosto de linhas cinzeladas. Não. Um halo de confiança o rodeava. Caía sobre a malha metálica da armadura que envolvia seus largos ombros e as grossas dobras de lã se agitavam sobre as ancas do corcel. Brynna cambaleou. O enorme poder de seu olhar a fez querer dar outro passo para trás. dando um passo para trás. Brynna observou enquanto o normando dava a ordem de deter-se e esperava que as tropas do rei o alcançassem. como se tivesse sentido os verdes e desafiantes olhos de Brynna lhe queimando a carne. radiantes ao sol. tão vasto e tão escuro como o mar sob um céu de veludo. a julgar pelo modo como levava seu elmo sob o braço. com seu cabelo de bronze formando redemoinhos sobre o rosto. À medida que se aproximava cada vez maior. não podia ser. 27 . Não. Era todo poder. De repente. Os homens do rei Eduardo já estavam cavalgando ao encontro das tropas que avançavam. Brynna notou que o carmesim que o cobria não era a névoa. o guerreiro ergueu o rosto e pousou seu olhar sobre ela. só. Era ele! O homem do lago! O homem que ela tinha fantasiado em seus sonhos. Não havia rastros de felicidade em seu olhar de gelo. seu nariz reto. Esse rosto era severo. Ele a observou fixamente um momento antes de desviar o olhar. Tinha sonhado com ele tantas noites. Esta era a besta que lutou contra seu pai e o venceu? Que seria seu marido? Levou uma mão trêmula à boca para afogar um grito. A cabeça de Brynna dava voltas. esculpido em granito. enquanto guiava o cavalo com uma só mão. Lutou para controlar-se. Mas algo tinha mudado. Brynna se envolveu em uma capa de coragem e o olhou direto nos olhos. agora eram tão frios como as pedras sob seus pés. no parapeito. mas uma larga capa. desejando vê-lo. Aqueles olhos azuis. O vazio o preenchia. e seus lábios grossos e apertados enquanto a estudavam. Já não era a criatura exuberante que a tinha cativado com sua alegria. com o rei em pessoa à frente.

por permitir que um nobre 28 . esperando sua chegada. expulsar seu pai e também a ela. e Eduardo seguiu seu olhar. mas tem que acostumar-se a sua posição. ao seu lado. — Um pouco pálida — respondeu Brand sucintamente. Eduardo apertou os dedos. O que tinha acontecido com a loira beleza do lago? A mulher que ele. evidentemente.“ Prefere lutar contra os saxões que casar-se com você”. Brynna desprezou as fantasias. — É formosa — disse um homem à direita de Brand. — A filha de Richard. por um instante. Estava montado sobre um cavalo de guerra tão grande que. como uma verdadeira dama de sua estirpe — O rei não queria uma confrontação com este homem. O coração batia forte dentro de seu peito. vislumbrando. Avarloch significava mais para ela que qualquer sonho. — Permita-me lhe assegurar. que Lady Brynna é inofensiva. As palavras soavam como um eco nos ouvidos de Brynna. Não guarda ressentimento por você. Lorde Brand. amava? Era ela quem o tinha traído? Forçando-se a recordar que esse era o selvagem normando que devia tomar posse de seu lar. carregados de anéis. o corcel do rei parecia um pônei. ressentidamente. O duque William tinha sido muito claro em suas missivas: Lorde Brand Risande devia ser tratado com respeito. Eduardo amaldiçoou sua má sorte pela centésima vez. a espessa cabeleira castanha avermelhada ondulando sobre o corrimão. sobre seus arreios e olhou Brand. Voltou-se e seu cabelo comprido açoitou o ar quando deu a volta para abandonar o parapeito. Lady Brynna Dumont. O cavalo do rei Eduardo tinha alcançado Brand e seus homens. Brand girou seu estóico olhar para o rei. — É possível que tenha congelado — disse Eduardo— Esteve ali em cima todo o dia. e não deixaria que este homem a rechaçasse e permitisse que seu lar fosse destruído. —Talvez para me transpassar o coração com uma flecha. Brand levantou de novo o olhar.

curiosa sobre o ombro do rei. acentuada por um grosso cinto que prendia uma túnica cor de oliva..normando lutasse contra Richard. enquanto elevava uma sobrancelha. — E como eu já disse. decidido. — Estranha vestimenta para uma dama — comentou ele. 29 . com passos largos e decididos. à fina cintura. — Parece a ponto de me assassinar — disse Brand. Eram dois! Pensou o rei Eduardo. com um leve sorriso curvando a comissura de sua boca. Largas ondas de cobre dançavam ao redor do rosto daquela jovem e caíam em cascata sobre seu peito. Com certeza. Este patife estava muito perto de William. — Como já disse. — Ela será a esposa de seu irmão. —Sou Sir Dante Risande — dirigiu um breve olhar prateado a Brand — O irmão deste velhaco. os nobres saxões considerarão uma ofensa se simplesmente jogar Lady Brynna à beira do caminho. Eduardo se voltou para Brand. com um altivo gesto de seu queixo.. O olhar de Brand se deslocou lentamente para as pernas bem formadas e as fortes coxas que caminhavam para ele. Suas bochechas avermelhadas pelo vento conferiam um brilho atraente ao fulgor verde de seus olhos. Apertou a boca quando Dante teve a audácia de arquear as sobrancelhas. e mais acima. — Quem se dirige a mim? — perguntou. não preciso de uma esposa. A moça dirigia-se para eles. enquanto esperava uma resposta. — Que posição seria essa? O rei observou o homem montado no enorme cavalo de guerra junto a Brand. O rosto. Sua sorte não podia ser pior. os olhos. fixos em Brand como duas gemas em chamas. agora todos seus cuidadosos planos se estilhaçariam. enquanto sua capa de lã flutuava a suas costas. — E não consideram uma ofensa que você tenha conspirado para matar seu pai? — perguntou Brand.

Teria gostado de apagar aquele ar de troça com uma bofetada. mas não tinha alternativa. Levantou o queixo. senhor do castelo Graycliff. Tomá-la como esposa desgraçaria a ambos. Sua voz era uma carícia rouca. Brand a observou durante um longo momento. Brand estava a ponto de acabar com ela. Ser duro com ela seria difícil. sob seu olhar examinador. desafiando a cada um dos normandos ali presentes — Dou as boas vindas a você e a sua comitiva ao castelo de Avarloch. Não houve resposta. Estava a ponto de anunciá-la. sentindo lástima pela mulher. Sua capa se abriu ao redor de suas pernas quando aterrissou graciosamente há apenas alguns centímetros de Brynna. meu lar. com a mesma facilidade que uma pena caindo de uma asa. sem dizer uma palavra. antes de tomar sua delicada mão e levar aos lábios. era formosa. até que Brynna começou a sentir-se incomodada. Inclinou-se de maneira educada. só que os olhos de Brand faziam com que sua vítima acreditasse que era a caça em lugar de um predador. e depois ao estandarte azul que ondulava atrás dele. Brand saltou de seu corcel. — Sou Lady Brynnafar Dumont — olhou para o escuro lorde. Reconheceu a expressão de seu irmão. com um olhar divertido. Ela não estava segura se o calor em suas bochechas era resultado do deslizar da boca sobre seus dedos ou a sutil e sensual inflexão normando-francesa de sua pronúncia. se conseguisse alcançar seu rosto. — Sou Lorde Brand Risande de Dover. Diabos. como um tigre que avalia sua presa antes de atacar. Brand relaxou e respondeu ao desafiante olhar da mulher. e a percorreu com um olhar gélido. Dante sacudiu a cabeça. teve que admitir. O leão dourado logo substituiria o emblema de seu pai nos salões de Avarloch. Era um olhar calculado. O rei voltou-se no momento em que Brynna os alcançou. quando ela o interrompeu. só uma expressão levemente divertida. Curioso e paciente.Aguardando ansiosamente a confrontação que sabia estar a ponto de começar. da mesma maneira que o fazia no campo de batalha. — Brynna esperou. Com um simples gesto 30 .

seus olhos azul-esverdeados a cativavam. Dante soltou um forte suspiro. será um prazer oferecer meus melhores homens. para convencer-se de que era real. por sua vez. certa vez. — Meu senhor. Brynna deu a volta para vê-lo afastar-se. seguido de algumas expressões confusas em francês. Não podia permitir-se esquecer por que ele estava ali. Queria ir atrás dele. Sob uma cortina de cílios negros. junto ao rei.. para evitar tornar a chorar e começar a blasfemar. desafiando-a — Se necessitar de uma escolta para onde quiser. Brynna pestanejou e mordeu o lábio inferior. — Meus homens estão ao seu dispor. Deixou-os e se encaminhou ao jardim. e olhou para o outro bruto. para evitar uma batalha por Avarloch. enquanto Brand guiava seu cavalo para o castelo.. Seu amplo sorriso malicioso só atiçou a fúria de Brynna. sentado em seu cavalo. até o rei ficou boquiaberto. enquanto lhe beijava a mão. dirigiu um olhar furioso ao rei Eduardo. Deu a volta e cravou os olhos em Sir Luis. eu. depois olhou sobre seu ombro à filha de Dumont.de seus lábios. Como pôde ser tão tola de cair sob seu feitiço? Era tão fraca de espírito que somente um olhar deste homem podia sacudi-la até os ossos? Piscou. Soltou sua mão com uma ternura controlada e deu a volta para procurar as rédeas de seu cavalo. Ninguém voltou a pronunciar uma palavra. Como se estivesse contendo o fôlego enquanto seu irmão falava.. apertou os dentes. mademoiselle.. Encontrou-se desejando aproximar-se e tocá-lo. que mordeu a língua para controlar seu temperamento. — A determinação de suas palavras e o tom desapaixonado com que as pronunciou caiu sobre ela como uma pedra. 31 . Brand. Apanhada na armadilha da ternura e do sorriso sedutor que lhe oferecia. cujo sombrio olhar cinzento pousava sobre ela. ignorando o assombro que via nos olhos dela. fez com que recordasse a alegria que tinha visto em seu rosto. rogar que mudasse de idéia. Mas assaltada por uma obstinada onda de orgulho. fez com que ela esquecesse sua raiva. — Para ajudá-la a empacotar suas coisas.

O irmão mais novo de Brand cravou as esporas em seu cavalo e o seguiu ao seu novo lar. Mas já que esta mulher partiria na manhã seguinte. Olhou ao redor do jardim e secou as lágrimas. De todas as maneiras. quando chegou ao jardim.. não importava. Brynna caminhou até que lhe doeram as pernas. Viu-se quando era menina. O que devo fazer? Brynna abriu os olhos ao escutar a um pássaro. — sussurrou. a rameira que tinha traído seu irmão. tão despojados de emoção? Não podia ser o mesmo homem que tinha produzido 32 . Como posso lutar contra ele? Se me obrigar a partir. quando ele vinha ao jardim para levá-las para casa. Que tipo de homem era Brand Risande que podia expulsá-la de seu lar. e soube o que tinha que fazer. cantando no alto. Como podiam ser tão arrebatadores seus olhos e ao mesmo tempo tão frios. Viu sua mãe plantando suas preciosas sementes.. mas não o tinha matado. Pela fúria de Deus. os olhos de Dante eram como aço fundido quando Luis finalmente o olhou. e o selvagem com o coração de pedra que odiei durante as últimas duas semanas. rindo da maneira como sua mãe acariciava a mandíbula de seu marido. Recordou sua doce risada. Mas poderia perdoar Brand por invadir seu lar? Ele tinha derrotado seu pai. haverá derramamento de sangue aqui. mãe. quando o traidor olhava para Colette.Enquanto sentia a fúria daquela jovem ainda sacudindo o ar. caiu de joelhos sobre a grama fria. sem o menor remorso? Como podia ser tão terno. Devia guardar a raiva que sentia pelo normando. e fechou os olhos para ver o rosto de Lady Tanith — Ele é o homem do lago com o qual sonhei. quando se casou com Lorde Richard. escolhendo amorosamente violetas aromáticas e romeiro para condimentar o jantar de seu marido. e depois golpear com o cálculo letal de uma serpente? — Ai. tinha que haver algo bom nele. como sua mãe tinha guardado seu ressentimento. Dante ergueu o olhar e capturou o sorriso zombador de Sir Luis. Dante tinha visto o mesmo apetite nos olhos de Sir Alexander. Brynna se perguntou o que teria acontecido durante o ano que passou. como se estivesse acariciando a bochecha de um bebê recém-nascido.

Cada terrina de bronze. Brand estudou as paredes. Havia flores recém-cortadas. Como podia chegar a ele? Sabia o que tinha que fazer. Os vassalos saltaram quando o viam. dispostas meticulosamente em todos os lugares. como roedores fugindo da sombra de um falcão que sobrevoava o lugar.uma tempestade em seu íntimo. Ela. quando o viu no lago. As botas de Brand golpeavam o piso. poder e autoridade de alguém que tivesse vivido ali toda sua vida. Capítulo 4 Brand entrou no castelo de Avarloch com a mesma arrogância. as donzelas escapuliram pelos corredores pouco iluminados. vestidos com armaduras rudimentares. — Os celtas lutaram com valentia por sua terra. Avarloch estava bem cuidado. produzindo um eco que percorria os largos corredores. Não podia abandonar Avarloch. ricamente adornadas com tapeçarias que ilustravam batalhas entre homens que ele não reconhecia. 33 . cada candelabro dourado brilhava como ouro fino.

em todos seus anos de batalha. em voz baixa. Nunca. diretamente. respeitoso em sua intenção de não ofender o mesmo homem cujo sangue tinha sido enviado para derramar. ali estava. o famoso Lorde Richard parecia menos selvagem. desumano. em seu próprio ambiente. poderoso. secamente. e deu a volta para continuar apreciando as tapeçarias. embora eu não tivesse a ver. observando-o. — Não desejo uma esposa — repetiu Brand. — Conheceu-a? Suspirando. Lorde Richard. Era simplesmente um pai preocupado pelo bem-estar de sua filha. encontrou alguém tão hábil. Brand ofereceu um sorriso frio às tapeçarias. como se pudesse vê-la — Quando vim pela primeira vez. Tanith me odiava. mas não tenho nenhum desejo de me casar. vestido com uma túnica singela e um casaco. Não eram inimigos. O olhar de Richard deslizou do ombro de Brand para a elaborada tapeçaria que cobria a parede oeste por completo. — Ela é formosa. com o massacre dos celtas. Ali. Lorde Richard estava parado a alguns metros de distância. com curiosidade. — Também eu. Brand apertou os dentes. com seu cabelo escuro e sua barba bem raspada. -Brand observou o cavalheiro mais velho. Brand se voltou para olhar o homem que tinha conquistado na batalha. Eu era um saxão e isso era suficiente. e. — O povo de minha esposa — assinalou. — Pensei que já tinha partido — respondeu Brand. somente umas semanas antes. Lorde Richard Dumont sentiu-se surpreso pela natureza gentil deste guerreiro. Mas o duque William solicitou que ficasse até sua chegada. 34 . vem encontrar com Eduardo para pôr em prática seu plano de me casar com sua filha.Brand olhou sobre seu ombro. ante seu sentimento de simpatia por Lorde Richard. — Então William está à caminho? Sem dúvida. sorrindo. Enfrentar um guerreiro no campo de batalha era muito diferente de encontrar com o rival em sua própria casa. entretanto.

algum dia. Brand encontrou o olhar firme de Richard.— Foi forçado a casar-se com uma celta? — perguntou Brand com incredulidade. Tem minha palavra de que pode ficar aqui. Mortificado pela memória do rosto de Richard enquanto falava de sua esposa. deu a volta para olhar o cavalheiro mais velho. Sabe. Não voltarei a lhe pedir que se case com minha filha. talvez para aliviar a dor de seu próprio coração. e quando. a esta altura. Isso romperá o coração da minha filha. Sir Richard. era uma chama imponente. Brand escutou. Richard fez uma leve reverência. por fim. Era apaixonada até em sua fúria. compreendendo o que significava amar outra pessoa tão completamente. Moveu-se incômodo. que haverá luta aqui. até que encontre um marido. chegou à estreita escada. que ardia dentro de minha alma. Deteve-se. Se Lorde Richard estava tentando convencê-lo de que sua filha poderia. acreditei que sua paixão me consumiria. — Sir Richard. Com o cenho franzido. Não queria recordar o amor. perdoar o fato de ser um soldado normando e chegar a amá-lo. brandamente. uma vez mais. ganhei seu amor. levado por uma espécie de curiosidade mórbida. Mas também conhecia a tortura do amor traído. mas esse marido não serei eu. Lorde Brand. passando a mão pelos negros cabelos. antes que prosseguisse. — Respeito seu desejo de permanecer solteiro. nem queria escutar falar dele. não desejo que sua filha sofra. — Forçado? Não. o amor de sua esposa ainda o consome? 35 . O pai de Brynna riu. Brynnafar ama Avarloch intensamente. Brand precisava dizer. de repente. em silêncio. então estava desperdiçando suas palavras. — Diga-me. Diabos. e apoiou uma bota no primeiro degrau. eu a amei desde o primeiro momento em que a vi. mas como podia forçar uma jovem a abandonar o único lar que tinha conhecido? — Este assunto será discutido mais tarde com o rei — Brand disse bruscamente e em dois largos passos. não lhe importavam as batalhas.

A raiva e o remorso o invadiram. E arde em Brynna também — lentamente voltou seu olhar a Brand — Minha filha leva no sangue o orgulho de seu pai e a paixão de sua mãe. —Tanith morreu enquanto viajava para o sul. O silêncio tomou conta dos três homens. ilusões. enquanto subia as escadas. eram só isso. porque nunca se verá inundado pelo calor de um beijo quando ela sorrir. que tinha perdido tal amor. Talvez se tivesse sido um estranho fazendo amor com ela. enquanto seu olhar se dirigia para as enormes tapeçarias penduradas nas paredes — Mas seu fogo ainda arde dentro de mim. Ela esperava. como o véu de uma densa neblina. A cabeleira derramada sobre suas costas. um manto que cobria sua nudez. — Assim é — Richard assentiu — Até da tumba. que se inclinou para lamber o doce ombro de Colette. há três verões — disse. Nem sentirá a promessa da primavera liberada logo depois de um longo e duro inverno quando ela pousar o olhar em seu rosto.Somente Dante. Brand abandonou o salão deixando o eco vazio das palavras de Lorde Richard. o frio que tocou o seu coração não teria gelado sua alma. em seu rosto. com os braços modestamente cruzados sobre seus seios. Seus pensamentos voltaram-se para Colette e o dia em que a encontrou no arvoredo. percebeu o tom lúgubre que rodeava a pergunta de Brand. Por este homem sinto compaixão. Sentia pena pelo anterior lorde do castelo de Avarloch. Só um homem com um grande controle e uma vontade de ferro poderia resistir a ela. em lugar de seu amigo Alexander. a surpresa e uma tortura mais profunda se viam. não muito longe do castelo de Graycliff. claramente. ao entrar no castelo. Tão abruptamente como um raio atravessando as nuvens. Por que não podia ter sido outro homem. mas não queria saber nada dessas ilusões. só ele reconhecia a dor escondida no escuro olhar de seu irmão. — A tumba? — os olhos de Brand se arregalaram. o homem que se aproximava por atrás. 36 . Porque não importava quão doces fossem.

. enquanto subia os degraus. Mas ela queria Alexander. quando se voltou para enfrentá-la. Não lhe tinha dado tudo? E mesmo assim.. Talvez nunca voltasse a confiar em ninguém. furioso e tão impenetrável como as muralhas que rodeavam o castelo. Esse cavalheiro escuro era terrível em sua ira. tentando aliviar o temor que se desenhava nos enormes olhos negros da moça — Como se chama? — Alysia. eu sou uma das donzelas de Lady Brynna. e o sangue de Brand fervia em suas veias. Eu. enquanto passava pelas fileiras de portas de ambos os lados do corredor.. parecia a ponto de derrubar as paredes com seus punhos. avançou dando grandes passos. Subiu os últimos três degraus de uma vez. — Senhor? A jovem estava parada na escada. Ele apertou as mãos. Colette tinha decorado o castelo de Graycliff com flores frescas. Aonde teriam ido todas essas emoções? Tinha visto sua fúria mesclada com pena tão profunda e tão rudemente contida. Apenas uns instantes atrás. sua capa flutuando ao redor de suas botas de couro. com as costas contra a parede e as mãos trêmulas sobre o coração. — Desculpe-me por não tê-lo levado diretamente aos seus aposentos. — Está bem — Brand levantou a mão para acalmá-la —. como se estivesse preso em um lugar muito pequeno para abrigar sua incontrolável fúria e tortura. quando as olhava. Eu. impregnando o ar com aroma de rosas e gardênias. — Qual destas endemoninhadas portas tenho que abrir?! — gritou às portas que o rodeavam.. Por que o tinha traído? Tinha se perguntado milhares de vezes. — Tratou de sorrir. Deu voltas em círculos. As tochas dançavam. teria dado mais. Alysia estudou seu sorriso. Tudo o que conhecia sobre a confiança e a lealdade foi arrebatado nesse dia.— Malditos sejam os dois — grunhiu Brand. que a tinha atemorizado. Tudo. deixando um vazio. uma 37 . Tudo o que quisesse.. mas nunca achava uma resposta. — Com precaução. Agora usava uma máscara. Também havia flores no segundo piso. não estou zangado contigo..

com tanta firmeza contra seu corpo. sem mover-se de seu lugar contra a parede. Brand não podia ver o rosto de seu irmão. Tão radiante era seu sorriso que a donzela quase tropeçou ao subir outro degrau. ela ruborizou ao ser surpreendida. assim que viu a bela jovem de cabelos negros. começando a impacientar-se. Os músculos de Alysia afrouxaram. Dante deteve o passo. dando um passo para o lado. derretida. — Queria me dizer algo. ao ver os enormes olhos assombrados da donzela. mas a expressão aturdida e assombrada de Alysia lhe disse que se Dante não se estivesse apertando. enquanto o examinava. Seus olhos eram de um hipnótico matiz cinzento. — Deseja o aposento do amo. Tinha o cabelo de um tom tão negro como o de seu irmão. no estreito corredor. senhora. Em algum lugar de sua mente. Sorriu timidamente em princípio. lhe conferia. enquanto o olhar cativado de seu irmão permanecia na juba negra que caía sobre os ombros de Alysia. Dante? —perguntou Brand. mas mais largo e sem cachos. De sua posição. em um amplo sorriso. Alysia sorriu diante do título que ele. Esse estranho cavalheiro tinha que ser o homem com o físico mais forte que já tinha visto. ela teria caído. quando seu irmão chegou correndo pelas escadas e o chamou. pelas escadas. — Encantado — seu lento sorriso malicioso e as ternas covinhas que produziu. Era um homem grande e teve que inclinar o corpo contra o de Alysia para passar ao seu lado.máscara que a estremecia de prazer. não é assim? — perguntou com sutileza. fizeram com que o pulso de Alysia se elevasse em um ritmo desigual. Alysia escutou Brand apresentar ao homem como seu irmão. Os músculos eram firmes e quentes em seu contato com ela. impregnados de luzes verdes. O que ia dizer a seu irmão escapou. e o mais belo. depois mais e mais. 38 . — Você é o novo senhor de Avarloch. com curiosidade. meu senhor? Brand estava a ponto de declinar o oferecimento. tão graciosamente. Quando ele inclinou a cabeça e olhou-a. Afastou-se. à medida que os lábios dele refletiam os dela. Ele tinha razão. — Oui.

por uns momentos despertou de seu transe. novamente. mutuamente. mas notou que seu irmão e a donzela sorriam.— Desculpe? — Quase faz cair Lady Alysia em sua pressa por me dizer algo. 39 . Acaba de passar a muralha exterior do castelo. Dante não estava seguro se a resposta de Brand era a correta. — Talvez tenha vindo por nossas cabeças — disse Brand. Brand passou ao lado deles e esteve a ponto de dizer a Dante que o seguisse. Sorriu ao ver Dante assentir com alegria. Seus olhos se voltaram. para Alysia como se tivessem vida própria. — O duque William está aqui. antes de descer as escadas. Do que se trata? Dante deu a volta para olhar seu irmão.

Não ostentava anéis nos dedos. sobre os ombros maciços e emolduravam suas espessas sobrancelhas e barbada mandíbula. seus olhos não se detinham. os músculos do duque estavam tensos. desceu outro degrau. se enrugaram nos cantos. — O que faz aqui? — perguntou Brand com suspeita. severos e desumanos. que estava sentado em silêncio. inclusive sobre o rei. Com a graça casual de alguém que tinha todo o dia para chegar aonde queria. cuidadosamente colocada sobre o respaldo da cadeira. — William — Brand o chamou da escada. perto da enorme lareira e o observava. ele era uma visão certamente terrível. Então. Sua riqueza se notava no fino couro de suas botas e na grosa pele que forrava sua capa. voltando-se para olhar o duque. 40 . e revelava seu poder e supremacia sobre todas as pessoas do castelo. O ar ao seu redor estava carregado. o piso. Sua larga juba de cabelos castanhos caía. com um gesto agudo. catalogando o que via. Vestido com uma pesada armadura sobre uma espessa túnica e calças de lã. Para os criados do castelo de Avarloch. enquanto seu pé golpeava.Capítulo 5 O duque William da Normandia estava agitado. quando o duque da Normandia sorriu ao seu amigo mais querido. Os escuros olhos cinzentos que se voltaram para avaliar Brand eram imutáveis. desordenada. embora fosse tão rico como um rei. Passeava pelo salão com um ar dominador. nervosamente.

— Agh. 41 . por que não matou Richard? A pergunta era direta e Brand não estava preparado para ela. Brand? O sorriso de William se ampliou e levantou seu forte braço ao encontrar-se com Brand.— É assim que me recebe em seu novo lar. secamente — Mas no que se refere a ser coroado logo depois de minha partida. ao pé da escada. você não fez o que foi ordenado. rodearam o jovem cavalheiro quando William bateu nas costas de seu ex-escudeiro. Voltou sua atenção para Brand. – os olhos do duque normando brilharam com o apetite de um guerreiro selvagem. como uma saudação — Eu sabia. — É minha intenção fazer isso. meu senhor?" — dois braços. — Nem sequer um "teve uma boa viagem. Brand sorriu. — Não tenho nenhum desejo de viver para sempre. — Teve uma boa viagem. por sua conta. quando for coroado rei da Inglaterra. meu senhor? — concedeu graciosamente. Suas maneiras são atrozes. Você não pode viver para sempre. Lorde Brand — disse Eduardo de maneira benigna — Como sempre. entusiasmado pela batalha. — Então. esse é um assunto que terá que discutir com Harold de Wessex. foi terrível! O mar estava enfurecido e perdi um cavalo no caminho — grunhiu William. William — respondeu Eduardo. nunca devia ter permitido que vivesse na Inglaterra durante tanto tempo. conhecia muito bem seu primo. tudo isto será meu. mas não se alterou sob o exame controlado de William. — As testemunhas do decreto não concordariam com você. Promessas mortais e implícitas impregnaram o ar e Eduardo se contorceu em seu assento. fortes como troncos. Era bom ver seu amigo. e tomou a decisão de deixar com vida Richard. embora suas suspeitas sobre o propósito da visita do duque fossem corretas. primo — adicionou com um sorriso. — Sua morte não era parte do decreto. e sua expressão se iluminou — Mas valeu a pena ver este esplêndido país de novo — dirigiu seus olhos afiados como navalhas para Eduardo — Algum dia.

William riu. e por isso pedi que ficasse aqui. que o rei Eduardo quase sorriu. Pessoalmente. Antes que Eduardo pudesse recuperar-se.. — Seu pedido me pôs em uma posição extremamente incômoda — disse Brand.. e você sabe — interrompeu William sem incomodar-se em ocultar seu sorriso — Harold governa a Inglaterra. Lorde Richard Dumont se levanta desafiante contra um rei que não pode governar seu próprio país e deixa que alguém o faça. acha que foi sábio poupar sua vida? —Eu estava no campo de batalha. Brand era o único homem que ele conhecia que não fugia com o rabo entre as pernas. Por que. Eu. ao ser confrontado. também. me alegro que Richard siga com vida. Lutou muitas batalhas com coragem e grande destreza. — Ele tem razão. o som percorreu os corredores como uma canção robusta. inflexível. William pousou seu severo olhar outra vez em Brand. eu gosto de lutar contra os saxões. Fala por você como se sua mão fosse um acessório permanente em seu traseiro. deveria matá-lo? Os olhos de Eduardo se cravaram em Brand com desprezo. Eu o respeito. os saxões. 42 . Na verdade. então. — Respeite ou não Richard.— Isso é correto — o sorriso que adornou os lábios de Brand era tão encantador e tão perfeito em sua sinceridade. seu amigo não toleraria ser questionado. — Muito bem — disse com um rápido gesto de sua mão robusta —. e não quero que o que aconteceu com Richard aconteça também com Brand. Brand deixou que sua suave expressão se desvanecesse antes de atacar —. Eduardo. Era minha decisão. — Agora foi muito longe. E William não queria que fosse de outra maneira. Ele não é fraco como você. Só estou aqui porque sei os incorrigíveis tolos que são vocês. apesar do sorriso que ainda mantinha nos lábios. O tom áspero de Brand fez William perceber que. Nem sequer pelo duque normando.

William se inclinou para frente na cadeira. mon ami? — perguntou-lhe William. ao revelar sua surpresa por ser dispensado como se fosse um criado. olhos cinzentos se entrecerraram. como espadas finamente polidas. — Que bom ver você. Brand. Brand. — Sua Majestade? — o duque William empregou o título de Eduardo. com moderado respeito— Desejo falar com meu amigo a sós — sorriu. O verdadeiro amo desta casa não precisa pronunciar nenhuma palavra. Quando ficaram a sós. o duque William assentiu com a cabeça: — Oui. — Fui convocado — disse William secamente e olhou Brand e ao rei— Retire a seus criados. os poucos criados que restavam. — Tenho muita admiração por você. mas se ousar me desafiar assim. 43 . e o homem saiu correndo do salão. sumiram em todas as direções. junto ao rei — Mas não discutiremos isso agora — olhou ao redor do grande salão — Acaso não há cerveja neste lugar? Brand se voltou para um dos criados. Quando for rei. Os amigos confiáveis não são fáceis de achar — olhou o duque longa e pensativamente — Sei por que está aqui. — S'IL vous plait. William. Seu sorriso estava carregado de veneno. Os olhos de Eduardo arregalaram-se. devemos falar em particular. ele também abandonou o salão. com mais seriedade. Frente a ele. cortarei sua cabeça. — antes que este pudesse levantar uma mão. Mas sem uma palavra. — Estou bem — Brand esticou suas longas pernas para frente e cruzou os braços sobre o peito. Com um sorriso de satisfação. — O duque tinha sentido falta de seu sorriso genuíno e lhe deu prazer vê-lo de novo — Como está.— Decidi correr esse risco — William lançou um sorriso sigiloso e se sentou em uma cadeira de encosto alto. e não o rei da Inglaterra. Brand tomou assento frente a William e afundou no espesso acolchoado de brocado.

e duas taças de cerveja. Brand estudou as chamas pensativamente. depois fez uma reverência e abandonou o salão. É tempo de curar-se. as palavras saíram quentes de sua língua. Apoiou a bochecha na parede fria e voltou a prestar atenção. Não recorda bem. — Não posso. — resmungou e mordiscou uma maçã. Ela franziu o cenho e levou um dedo aos lábios. Já tinha escutado quase toda a conversa e não tinha intenções de sair. Espera que esqueça tão rápido o que me fez? — Je sais.. Quando o criado dobrou o corredor.. pousando um olhar em seu amigo e confirmando suas suspeitas. localizada frente a eles. depois do que fez? — Quer? —William levantou uma sobrancelha escura. mas William conhecia seu coração. quase chocou-se com Brynna. — Non — Brand sacudiu a cabeça — Oui. para que ele não revelasse sua presença. piscou e o fogo refletiu seu olhar turquesa. Não tinha falado de Colette desde que a tinha banido. Sei — o poderoso duque suspirou —. — Sei! — gritou — Acha que quero que volte. fez um gesto para que se retirasse. Deu-lhes os copos e colocou a bandeja em uma pequena mesa de madeira. Non. mas essa parte de sua vida terminou Brand. O criado retornou com uma bandeja carregada de frutas e queijos. — Parece um normando muito decidido. Depois de um bom momento. William — disse brandamente — íamos casar na primavera. — Ela era toda minha vida.— O cavalheirismo requer honestidade. antes que Brand pudesse agradecer. — Não quero que volte. Quando Brand abriu a boca. Brand. — E por que não? Colette se foi. 44 . — Neste momento é o que deve fazer — respondeu com gentileza. — Para curar-me quer dizer que devo me casar com Lady Brynna Dumont? —perguntou Brand. Voltando o rosto para o fogo da lareira.

. falou de maneira gentil. Terão que queimar Avarloch? 45 . — Nunca poderia amá-la. Os dois homens escutaram o forte suspiro atrás da parede. Os velhos pisos de madeira rangeram do outro lado da parede e a cabeça de William se ergueu. — Por quê? — insistiu. — Não voltarão a me ferir — corrigiu mordaz. De todos os modos. — Não quer que voltem a te ferir — William terminou a frase por ele. a única coisa que se escutava era o chiado do fogo. mas ele estava ali para evitar que os saxões ficassem contra Brand. — Querem uma resposta. quando Brand o olhou perplexo. Brand.William ignorou o negro olhar de Brand porque compreendia a profundidade da dor de seu amigo.. Farejou o ar um momento. Brand se encaminhou para o som. depois levantou um dedo para silenciar Brand. de repente. Caminhou de um lado para outro do grande salão passando os dedos por seus cachos negros. O silêncio se aprofundou. — O Conselho dos witan informou ao rei que queimarão o castelo de Avarloch se rechaçar à moça — William piscou os olhos. que já suspeitava de quem se tratava. — Se não querer que Colette retorne então o que te impede de casar com a mulher saxã? — Simplesmente não quero me casar com ela. Brand abriu os olhos para esquadrinhar o olhar de seu amigo. quando Brand ficou de pé. As chamas chisparam e refletiram longas sombras sobre as paredes. Até ela sabe — William respondeu simplesmente e lançou o resto da maçã às chamas. E isso era exatamente o que aconteceria se rechaçasse a dama. levantou-se da cadeira e o deteve. — Eu não. — O amor não tem nada a ver com isto. mas William. — Brand se deteve e fechou os olhos. deixando que sua preocupação por seu cavalheiro preferido fosse percebida. para ver quem estava escutando. à luz tênue da lareira. como a de um lobo. devorando os restos da fruta.

Ele ficou muito satisfeito ao comprovar que tinha obtido o efeito desejado. por favor! — rogou. não com o rosto dela tão perto do dele. eu. Submeterei-me a sua vontade. agarrada a ele. as bochechas aveludadas empapadas de lágrimas. — Responda-me! 46 . A dama desapareceu no peito de Brand. quase tinha esquecido como podia ser suave uma mulher. — Senhora. O olhar de Brand percorreu o rosto triste. fortaleza e vida que acenderam uma minúscula faísca e enfraqueceram o sangue de Brand.. Os olhos de Brynna brilhavam com temor. — Não. Manteve o rosto apertado no peito forte de Brand. Mas havia também fortaleza nessas gemas verdes. era uma flecha do Cupido tentando-o. farei o que disser.. juro. Mas não podia. caiu diretamente nos braços surpresos de Brand. suplico. Pelo amor de Deus. procurando sua piedade. Não permita que queimem Avarloch. tinha um rosto formoso. seu lábio inferior suave e trêmulo. não o tinha visto até agora por ter tropeçado com Brand.. seus olhos inundados de lágrimas brilhavam como esmeraldas na água do mar — Não exigirei nada. Seu aroma também era maravilhoso. meu senhor. mas estava certa de que se tratava de um monstro.. a suavidade de sua pele. penetrando nos ouvidos de Brynna como nenhuma outra voz tinha feito antes. Faça-me sua esposa e prometo lhe dar herdeiros e não me queixar jamais. sua espessa cabeleira acobreada derramando-se entre seus dedos. É meu lar! Brand queria zangar-se com Brynna por escutar sua conversa particular.— Não! — Brynna abandonou seu esconderijo do outro lado da parede e em sua pressa. Diabos. como uma rameira qualquer! — a voz de William golpeou o ar como um trovão. — Como ousa nos espionar. uma boca sensual. com pensamentos pouco castos sobre o que gostaria de lhe fazer. tremendo em seus braços. —Quem é você? — rugiu William — Exijo saber de quem é a cabeça que cortarei com as primeiras luzes do dia! Brynna não podia olhá-lo.

antes de casar-se com um porco normando. apesar que a compreensão e a fúria a invadiam. Ela se voltou para ele com lentidão. Está bem. — Já é suficiente. mas isso resolveria todos seus problemas. — Non. Brynna percebeu a força na voz de Brand. seria açoitada até cair quase morta. Perdido em seus formosos olhos verdes Brand. — Senhora? — a voz de Brand era como seda ao afastá-la lentamente de seu peito e olhar seu rosto —.a e informaremos ao Conselho dos witan que preferiu tirar a própria vida. muito satisfeito de si mesmo agora que tinha Brand protegendo-a — Se ela estivesse na Normandia neste momento. mas pensou que estava sonhando. Ninguém podia ser tão cruel. literalmente.. O duque riu. — Brincou? Brynna escutou a palavra. William! Está morta de medo — a brusca ordem ecoou no salão. 47 . — Já basta William — advertiu Brand —. Diversão. Já brincou com ela o suficiente. Seus olhos eram como dois vulcões em erupção. teria caído no chão. Não lhe fará mal — Brynna levantou o olhar para ele. sentiu o poder de seus braços enquanto apertavam seu corpo e se perguntou se Brand era idiota. — É verdade que os saxões queimarão Avarloch se não me desposar? — Brynna perguntou com delicadeza.Não podia. Preocupação mesclada com. Com lábios firmes e dentes apertados. falando nesse tom a este. Agarrou a capa de Brand com os dedos.. teve que arrancar seu olhar dela para lançar um olhar severo a William. por cometer semelhante traição. não é verdade? —William perguntou. sem importar-se quão temível pudesse ser. — Não está na Normandia — o fôlego quente de Brand soprou os cachos junto ao ouvido de Brynna. Para falar a verdade. Brynna captou o gesto que trocaram. — E deve estar — bufou o tosco normando. Uma terna preocupação enchia o olhar azul de Brand.. e seu sangue começou a ferver.. com uma faísca em seus olhos cinzentos e um sorriso brilhante e vitorioso nos lábios — Mate. Este bárbaro. se ele não a estivesse segurando tão fortemente.

lembrasse de Brand. mas Brynna levantou a face para ele. — Olhando na 48 . cujo rosto refletia a mesma expressão divertida e de admiração. Quando me rechaçar e os nobres enviarem seus soldados para atacar. Brand! — exclamou William. — Oui. aproximando-se de William. espero que você seja o primeiro a morrer. — Como se atreve a brincar de maneira tão frívola sobre meu lar? Se eu fosse homem. Minha espada o faria sofrer. Como se. e Brand sentiu o fresco aroma de jasmins de seu cabelo. O duque da Normandia era muito maior que ela.afastou-se de Brand e fechou os punhos. na verdade. quando as espessas mechas golpearam seu rosto. — Podre monte de baba do demônio! — uivou. tem que se casar com ela. Embora. Brand lançou um ardiloso olhar de regozijo a William. — Olhando fixamente na direção que Brynna tomou. de repente. acredito que meu pai amava minha mãe camponesa. — Voltou-se novamente. os olhos de Brand arregalaram-se e rapidamente conteve a vontade de rir. não o culpo. então cortaria essa garganta miserável de uma orelha a outra e meu sorriso seria a última coisa recordaria sua alma maligna em sua descida ao inferno! William voltou seu olhar surpreso para Brand. gigante covarde! Mas a morte seria muito boa para você. para golpear à robusta besta a sua direita. a voz de William se suavizou e tornou-se um rouco ronrono —. mataria você aqui mesmo. William assentiu e voltou a sentar-se. meu lar não significa nada para você. Isso dizem. Brynna voltou-se para enfrentá-lo com tanto desprezo e veneno quanto o que acabava de verter sobre William. até que implorasse misericórdia. Quando ficaram a sós. — É um bastardo. Atrás dela. absorvendo seu aroma quando ela saiu indignada do salão. Se minha mãe tivesse uma faísca do fogo que possui a filha de Richard. — E você! Certamente. — Por Deus. As narinas se moveram. sem temor. imperceptivelmente.

Brand assentiu lentamente. Ainda responde ante mim. e tenho o pressentimento de que essa mulher pode recordar-lhe o que significa viver.mesma direção. 49 . não deixarei que morra nas mãos dos saxões. sabendo que William tinha razão. às vezes. – gabou-se William quando pareceu que Brand podia protestar pela ordem ou rir dela — Além disso. mas não disse nada. Ordeno-lhe isso. Brand concordou com ele. Prefiro que viva. — Como posso obrigá-la a abandoná-lo? — Não pode! Deve se casar com ela. Voltou-se para Brand — Este lugar significa mais para ela que sua própria vida. — Que temperamento! — continuou William. embora eu te permita esquecê-lo.

Justamente o contrário do desgraçado sem coração que se achava lá embaixo.. Desenganchou o broche de esmeraldas. Protegê-la? Brynna riu. E agora sabia por que. Pelo amor de Deus. Que tipo de homem brincaria sobre cortar a cabeça de uma mulher? Ante essa idéia. odiava a todos. Todos eles! Tratá-la com tanta desconsideração. Não! Tinha que recordar que era ele quem a obrigaria a partir com as primeiras luzes do dia. Não era suficiente que o Conselho ameaçasse começar uma batalha ali? Sugerir que o witan seria capaz de queimar Avarloch era imperdoável.Capítulo 6 Brynna subiu correndo as escadas até seu quarto. Mas ainda a perseguia a lembrança do sorriso apaixonado de Brand no lago.. amargamente.. não é? Havia se sentido protegida em seus poderosos braços. Deveria odiá-lo. ‘’Ela era toda minha vida’’. As chamas das velas dançaram. 50 . E. com um golpe. recordou o frio peito encouraçado contra seu rosto. Brynna levou os dedos à garganta e engoliu em seco. conforme passava. É obvio. O aroma masculino que impregnou sua roupa o testemunhava. Fechou a porta de sua antecâmara. Contra sua vontade.. O pai de Brynna era um homem amável. Era só outra conquista o prêmio por vencer seu pai. Para Lorde Brand não importava Avarloch. sua mãe tinha encontrado bondade em Lorde Richard e tinha chegado a amá-lo. Lorde Brand Risande a tinha defendido. em especial ao peludo amigo do cavalheiro. Ele seria o primeiro a lançá-la aos lobos. antes de terminar seu pensamento. Não lhe importava se ela vivia ou morria. ele é real. Bárbaros! Pensava furiosa. A lembrança da voz grave de Brand a inundou. Odiava-o. duro e impenetrável como seu coração. Odiava-o. honrado. Sacudiu a cabeça ante a lembrança da risada de Lady Tanith no jardim. lançou a capa ao outro lado do quarto e se jogou na cama. entretanto.

— Somente estava mostrando ao Senhor Dante seus aposentos — explicou Alysia. Brynna o tinha visto.. tinha tentado esquecer.. como os ecos fantasmagóricos em um velho campo de batalha. Alysia? — perguntou Brand com gentileza. e lhe deixaram só a lembrança do que tinha sido. — Já encontrou um aposento para mim. — Brand! — Dante balbuciou. se quisesse ficar em Avarloch.. Brand sorriu diante das bochechas avermelhadas da donzela. —Temo que a distraí de seus deveres. eu. Lorde Brand tinha adorado à mulher do lago. Dante nunca soube 51 . O ar do castelo tinha se tornado denso quando o guerreiro normando falou de seu amor. e acender o coração deste guerreiro? Sabia que devia fazê-lo. e exceto por Alexander. Alagavaos uma cálida preocupação e uma terna compaixão. Ele estava vivo nesse dia. Poderia penetrar em sua armadura. — olhou Dante. evitando o olhar de Brand.. com um olhar de veneração.Tortura-o. mas lhe arrancaram o coração do peito. não havia nada de frio em seus olhos. não muito longe da antecâmara onde Brynna estava recostada.. Escondeu o rosto no travesseiro. Como uma pequena sombra escura. quando deu a volta. Alysia se pendurava no braço de Dante e lhe sorria. — Não. Brand encontrou Dante quando saía de um aposento localizado no segundo piso. irmão — a defendeu Dante. Ou se quisesse voltar a sentir seu abraço outra vez. acariciados pelo beijo do verão. Brand raramente se zangava com os servos e vassalos de Graycliff. tentando apagar as imagens dos dois no lago. mas o belo cavalheiro somente sorriu e levou um dedo ao cabelo negro dela. Alysia empalideceu. pensando nele. eu. Entretanto.. como se seu irmão fosse a última pessoa que esperasse ver no castelo de Avarloch. mas era real. embora sabia que não havia necessidade de fazê-lo. meu senhor. com desesperança. quando a olhava. que iluminava o rosto.

com a grande cama de dossel e a maciça lareira de pedra. Ao seu lado. Dante ergueu o olhar. conhecendo seus deveres com o novo amo. Alysia fez uma reverência com a cabeça inclinada e deu a volta para sair. passando ao seu lado para entrar no quarto—.O levarei a seu quarto. os olhos ardentes de Dante e seu sedutor sorriso a fizeram esquecer que Brand estava parado junto a ela. 52 .. — Ah — disse a donzela com um suspiro —. E tire estas flores. havia uma mesa de cavalete. — Perfeito — disse Brand. — Necessita que o atenda meu senhor? — perguntou Alysia timidamente. — Não importa. ocultava a banheira que tinha mencionado Alysia.. estou certo de que há um aposento perfeitamente aceitável para mim. havia um armário de nogueira suficientemente grande para acomodar toda sua roupa. por fim. rapidamente. Contra a parede oeste. adornada com um vaso cheio de rosas silvestres e uma fina bacia de ouro para lavar as mãos. além da de Lorde Richard e Lady Brynna. É obvio que Alysia não sabia. Embora banhar a Lorde Brand não fosse. enquanto avaliava o enorme quarto.que seu irmão castigasse ou ferisse alguém a seu serviço. enquanto Brand e Dante trocavam um rápido sorriso a suas costas. que chegava à altura do ombro de Brand. Um elegante biombo. É a única no castelo. até que. — Esta era a habitação do pai de Lorde Richard. — Non — respondeu Brand. o único homem que ela queria atender nesse momento era Dante. que tem sala de banho. O quarto tinha boa ventilação e pareceu satisfatório.. Alysia se deteve no final do corredor e abriu uma pesada porta de madeira. um banho era meu outro pedido. sugeriu sua aceitação e se voltou de novo para Alysia — Faça com que subam minhas coisas e envie alguém para que acenda o fogo. Com um gesto afirmativo. Mas nesse momento. de maneira nenhuma desagradável. — Passou por entre os dois homens e escapou pelo comprido corredor. imediatamente.. mas Brand deu dois largos passos e tomou sua mão.

— Durma onde quiser. Solicitará sua companhia esta noite.— Não tem que inclinar-se diante de mim. Passou o dedo sobre uma delicada pétala desejando aspirar seu doce e conhecido aroma —. Todo o temor que ela e os outros haviam sentido agora dissipava-se. o duque gosta muito das mulheres e do vinho. e rechaçar o duque da Normandia não é recomendável — explicou Brand.. examinando as rosas que floresciam como promessas de amor. Brand libertou sua mão e continuou investigando o quarto. Seu pai tinha razão. esta noite. ou a donzela tinha aprendido com sua ama a escutar atrás das paredes. Levantou de novo o olhar ao registrar a surpresa no silêncio dela. — Oui. Levaria-a para sua cama. — Seu sorriso aliviou a ansiedade da donzela. cada vez que abro a boca. cheia de fogo e de vida e. O sorriso em seus lábios assegurou a Alysia que havia uma razão para suas palavras.. meu senhor? — perguntou ela. Dirigiu-se para a beira da cama.. Rapidamente. 53 . se eu não solicitar primeiro. isso. Mas nunca lhe daria seu coração. levantando-se da cama. — Uma coisa mais — levantou seu olhar para a exótica e morena donzela—. Ou isso. Casaria-se com ela se era esse seu dever. e avise lady Brynna que eu gostaria de vê-la em minha mesa. — Necessita algo mais. era uma mulher apaixonada. avise aos cozinheiros que quero que sirvam a ultima refeição do dia uma hora depois do pôr do sol. dando largos passos e provou o colchão com os dedos. — Embora seja casado. Quando não está lutando.. ansiosa para ir contar a novidade aos outros. Lorde Brand Risande era maravilhoso. Sem querer sorriu ao recordar a língua explosiva de Brynna. Os olhos da donzela se iluminaram e Brand supôs que os rumores sobre o destino da senhora de Avarloch tinham sido uma grande preocupação para o povo do lugar. diga ao duque William que solicitei sua companhia em minha cama esta noite — se sentou na cama suave e tirou as botas. apagou a lembrança de sua mente. Eu gostaria de uma taça de cerveja morna todas as manhãs — fez uma pausa.

no corredor. mas se não quiser que seja com o duque William. depois sorriu para Dante. Alysia olhou fixamente os olhos de seu novo amo. os olhos de Alysia brilharam. mas ele não queria que ninguém em Avarloch confundisse a bondade dele com debilidade. — Jantar? Não. eu não janto com. — A partir de agora. Dante assentiu. quando o viu pela primeira vez. No momento em que fechou a porta atrás deles. — Você verá esta noite. Ofereceu-lhe seu sorriso mais radiante. Acaso importavam tanto os sentimentos de uma simples donzela. Dante tomou o braço da jovem donzela e a escoltou para fora do aposento. Recordou o poder de sua voz suave como o mel e a feroz chama em seus olhos. — Alysia — sussurrou Dante. Alysia puxou a manga da camisa de Dante. interrompendo suas palavras. Meu irmão é um homem justo. para protegê-la do guerreiro normando? Fez uma reverência. Mas diga aos outros que o novo senhor é um guerreiro. — Então aceitará Brynna como sua esposa? — Ainda não sei o que decidiu. sem poder acreditar no que estava escutando. tão amável e gentil — Quanto se equivocaram todos ao se preocuparem. — Direi meu senhor. ao ver uma luz de esperança em seus olhos. Ela assentiu e observou a porta atrás da qual o novo amo do castelo se preparava para seu banho. todos jantamos juntos. Uma vez mais.. Exige respeito e o oferece em troca. — Não — Alysia concordou. por cima do ombro de Alysia. na hora do jantar. mas não posso imaginar que renegue uma esposa como ela. como tinha feito Alexander —. então deve lhe dizer que estará comigo.. Era bom que seu irmão fosse apreciado.menina. não sabendo do que outra maneira expressar sua gratidão e Brand suspirou. segurando saia sobre os tornozelos e desceu as 54 . acima de tudo. depois correu. quase sem fôlego — É maravilhoso. Dante tomou seu queixo entre as mãos e levantou seu rosto para ele.

— Diga-me o que pensa de sua futura esposa — perguntou Dante. cinco baús de madeira de vários tamanhos foram enviados ao quarto de Brand. — Brand verteu um pouco do cremoso sabão aromatizado com especiarias na concha de sua mão e ensaboou os cachos negros e o rosto. estava certo de que a donzela tinha lhe dado a cama mais confortável do castelo. mas pensou no negro e suave cabelo de Alysia derramado sobre seus ombros cor de oliva e concluiu que Brand. Dante se jogou sobre a cama de Brand. assim como a água para seu banho. enquanto Brand se despia e lançava suas roupas sobre a mesa. 55 . provavelmente. tinha razão. — Então. — E conseguiu? — Oui.escadas para contar aos outros. em silêncio. enquanto começava a ensaboar o peito—. o que faz o duque aqui? — perguntou. Brand riu. com tanta força que salpicou água por toda parte. ela vai passar tanto tempo ali — adicionou. amassando um travesseiro antes de pousar sua cabeça. — Eduardo mandou chamá-lo para me convencer a me casar com Lady Brynna. ao escutar o som ofegante e deslizou mais profundamente na água. Dez minutos mais tarde. — É estranho — disse Brand. Emergiu um momento depois. enquanto vertiam a água. inundando a cabeça. — Acredito que tem uma língua feroz. com um sorriso malicioso. tão quente que os vapores formavam redemoinhos sobre a banheira. agora desprovida de flores. — Minha cama não é tão confortável como esta — Dante franziu o cenho momentos mais tarde. Já que. além de tudo. Ordenou-me isso — Brand ignorou o sorriso aflito de seu irmão. Dante abriu a boca para proteger a honra dela. Cruzou os braços atrás da cabeça e suspirou. Deslizou dentro da água fumegante que ameaçava alagar o piso. quando voltou para falar com seu irmão. dirigiu-se para o outro lado do biombo e entrou na banheira. pelo menos se Dante conseguisse o que queria.

A porta do quarto se abriu. agora quer duas? — Eu não queria uma esposa. está muito maior do que quando partiu da Normandia! Nunca devia ter deixado que viesse para a Inglaterra viver com este patife — William apontou em direção a Brand com o queixo. O duque olhou para Dante. sorrindo ante a divertida disputa. saindo da água fumegante. Brand deixou de ensaboar-se. Voltou a atenção a Dante. — Bastardo egoísta — grunhiu William. Olhou fixamente Brand. A água caiu como um rio sobre seu corpo musculoso e formou um atoleiro a seus pés. tentando apagar o fogo que. que agora estava sentado na cama. por um momento. repentinamente. que se encharcava na banheira. Ante a resposta de seu irmão. que sorriu e lançou a toalha. — Escolheu umas meias negras e grossas e uma camisa azul escura de mangas largas. com um forte golpe. — Dou dez homens pela bela morena! — implorou o selvagem normando. com um bordado dourado. 56 . aceitando facilmente sua derrota. que assinalou o biombo. Voltou a afundar e enxaguou a espuma da cabeça. William — recordou Brand. — Dante! —William foi parra seu lado. — Faz uma hora não queria nenhuma mulher. Lançou a camisa sobre a cama e ajustou as meias. de um golpe. procurando algo dentro de um dos muitos baús que havia trazido do castelo de Graycliff — Nunca disse que não queria desfrutar de uma mulher na cama. William estava de pé na entrada. Uma expressão de aborrecimento enrugou a face do duque.Um lento e preguiçoso sorriso desenhou-se no rosto de Dante: — Uma língua pode ser uma grande vantagem para um homem. para formar uma certa imagem. com os braços estendidos para lhe dar um forte abraço. — Non — respondeu simplesmente. e o irmão de Brand se preparou para a investida — Merde. esquentou seu sangue. Tomou a toalha que Dante lançou da beira da cama e secou o torso molhado. William se encaminhou para a barreira e a tombou com a mão. fazendo-o parecer um lobo.

William se aproximou outra vez e colocou um braço ao redor do pescoço de Brand. e se alguma vez precisar. não houve escassez de mulheres em sua cama. depois deu um leve tapa em sua bochecha. — Olhe para ele — disse William.— Quem mais pode me ensinar como agradar a duas mulheres ao mesmo tempo? — brincou Dante. — Muito bem. imobilizando-o como se fosse uma cadeia de ferro. está no auge. ouvi falar. William ficou sério e tomou o rosto do jovem entre suas mãos imensas. filho. vinte? — Vinte e quatro. — Por isso. velho — Brand zombou. estarei ao seu lado. com genuíno respeito e afeto. ignorando o insulto de Brand e sacudindo a cabeça em sua direção — Chama isso de músculos? As patas das galinhas do curral têm mais músculos que você. É como um filho para mim. E leve Dante contigo. Este seu irmão tem vinte e oito anos e tem medo de casar-se. com um tom de lástima na voz. William lançou-lhe um olhar de lince e o golpeou no ombro. De repente. — E você já está tão velho que não escuta as risadas das rameiras de seu harém a suas costas — replicou Brand. — Estou bem — assegurou em voz baixa.entrecerrou os olhos — Quantos anos tem agora. — Preocupo-me contigo. Dante. — Ah. 57 . agora vá embora daqui e deixe que me vista. — São suficientemente fortes para te esmagar sob meus pés. Ao menos seu irmão mantém o coração longe de suas calças. William o estudou durante um momento. Volte para a Normandia comigo e te darei seu próprio harém. sua reputação com o belo sexo chegou até a Normandia . Brand se inclinou. William — sorriu —. em uma reverência. então. Oui. alegremente e se deu conta do quanto tinha sentido saudades de brigar com seu amigo mais querido. Dando um passo gigantesco. quando ele tentou escapar. — Obrigado. se case com a moça e me dê muitos meninos.

decidido a tratá-la com mais gentileza que antes. ao recordar à gata selvagem que tinha atacado o duque da Normandia logo depois de descobrir que ele a havia enganado. enquanto prendia a pesada banda de couro na cintura. ao notar finalmente que ela ainda não tinha pronunciado uma só palavra — É um prazer vê-la de novo — sentenciou. mas te advirto: a próxima moça bela que ver esta noite será minha — disse. — Entre — disse. Isso o divertiu. enquanto calçava as botas. a visão de seu peito nu fez com que ela esquecesse por que tinha vindo. Procurou suas botas e a olhou.— Muito bem. Ele ainda estava molhado. ela merecia um tom mais amável. Brand cruzou o quarto e pegou o cinturão de sua espada. Ouviu um golpe na porta. — Por que não me alegraria? — perguntou mansamente. Não segurava nenhuma arma. Brynna empurrou a porta. enquanto pousava um braço maciço sobre o ombro de Dante ao sair. Quando ficou a sós. outra vez. mas tinha os punhos apertados. então pousaram nele. E como se esses endemoninhados cachos negros e brilhantes que caíam sobre seus olhos fossem pouco. não tinha direito de ser tão brutalmente belo e tão vivo em um quarto que havia sido de seu falecido avô durante tanto tempo. —É verdade? — Que me alegra vê-la? — levantou uma sobrancelha. Maldito seja. Gotas cristalinas que deslizavam pelos lisos e polidos músculos dos braços e do pescoço guiaram seu olhar até mais embaixo. — Lady Brynna — ele cruzou o quarto e se sentou na cama. observando-o tão fixamente que ele pensou que talvez estivesse calculando o melhor ângulo por onde aproximar-se para lhe cravar uma adaga Seu olhar recaiu sobre as mãos de Brynna. Seus olhos percorreram as sutis mudanças que Brand havia feito no quarto. Sentiu a boca seca. Ela assentiu. mas em vez de passar. esperou na entrada. mal levantando a vista. 58 . para seu esculpido abdômen. Depois do modo como William tinha gritado. Ela encolheu seus delicados ombros.

Estava tão perto agora que podia sentir a 59 . mas as fortes linhas desse corpo lhe confundiam os pensamentos. com força. talvez. Ele passou a mão pelos cachos molhados para tirá-los do rosto. senhora. mas seus olhos revelaram algo muito mais selvagem que o humor. seu corpo da mesma maneira que ela o tinha estudado. com olhos que prometiam doces entretenimentos.— Porque tenho o cabelo vermelho. Estava desfrutando tanto a atitude desafiante que acendia seu temperamento que decidiu não lhe dizer ainda se podia ficar. Não escuta bem? Lorde Brand se aproximou. entrou no quarto e fechou a porta. mas era encantadora. —Tem um cabelo formoso. Você não pode me tirar tudo e me expulsar do lugar no qual passei toda minha vida. O quarto se tornou menor. adverti-la do que acontece ao nosso redor? Está se reunindo uma multidão. Mas o que tem isso a ver? Brynna o observou. Brynna molhou os lábios secos — Você. tolo. — Não tem nenhum parente com o qual possa ir viver? Uma irmã ou um irmão? Tia. — É muito atrevida para uma mulher que não tem alternativas. Brynna sentiu o impulso de levar uma mão à garganta. Esquadrinhou. antes de ficar de pé e recolher sua camisa da cama. enquanto se vestia. ele tinha o aspecto de um lobo.. ao menos.. escuro e sedento de sangue. Lorde Brand — o coração pulsava com força no peito quando ele chegou ao seu lado. — Tenho uma opção. ao ver os criados escondidos atrás dela. com audácia. — Pronto — disse aborrecida — Contente agora? Brand se apoiou contra o suporte da lareira e a estudou. Demônios.. Brand a olhou.. — Posso. Brynna deu meia volta e ruborizou. à medida que ele se aproximava.? — É óbvio que não abandonarei Avarloch. Nunca tinha esperado que seu prêmio fosse uma pequena bruxa infernal tão fogosa. Afugentou-os. Sorriu quando voltou a ruborizar-se. Fez um esforço para manter firme a voz. — Não abandonarei Avarloch — disse bruscamente.

decidida a não perder-se nesse sonho. — Como se atreve! — Brynna falou com tanta ênfase. Brand segurou sua mão. Brand pareceu muito surpreso para falar. Seu aroma limpo e masculino não a tinha rodeado como a rodeava agora. Logo. para encontrar seu olhar. Mas logo percebeu seu engano ao notar a sensual covinha no queixo. Por um momento. rapidamente.. que acentuava seus lábios endiabradamente pecaminosos. Antes que pudesse perguntar-se como tinha chegado a esse 60 . Quando o estava espiando. e a obrigaria a abandonar seu lar. que Brand não teve outra alternativa que sorrir ante sua beligerância — Vilão! — o sorriso dele atiçou sua fúria ainda mais e levantou a mão para golpeá-lo. não tinha idéia de sua enorme e dominante estatura e do efeito que teria em seus sentidos estar tão perto. — Que opção é essa? — sua voz era arrogante. com o sangue aceso por seu maravilhoso temperamento. observando seu prazer para que a impactassem seus traços por completo. — os olhos de Brynna se arregalaram. forte e exigente beijo que deteve sua respiração.. — Patife! — alfinetou Brynna — Acredita que porque ser uma mulher não posso lutar contra você? Sir Nathan pensava o mesmo. Rodeou-lhe a cintura com o braço e a levantou facilmente do piso. para não ver esses belos olhos enganosos. em um gesto de desafio diante do poder que ele exercia sobre ela. Brynna se preparou para o assalto e jogou a cabeça para trás. — Lutarei com você por Avarloch — disse fazendo um esforço para levantar o queixo. não é mais que um vulgar. Este homem era real. Fixou o olhar em seu queixo.. Mordeu o lábio inferior. desta vez por um longo. Ao vê-lo no lago. até que quebrei a vassoura da tia Gertrude em sua cabeça e. A cabeça dava voltas e quase tinha perdido o fôlego. — O que acredita que está. havia se sentido muito cativada.calidez de seu fôlego sobre a bochecha. mas uma vez mais suas palavras foram interrompidas. quando se separou dele. asseguro! Você não é diferente. riu na sua cara.. mudou de idéia.

— Você é desprezível — sussurrou. além de seu férreo controle. e isso era pior que se tivesse falado. — desenhou-se nos lábios um sorriso malvado.. Simplesmente a olhou com uma excitação que iluminava seus olhos. Apertou-se contra ela. duvido muito — assinalou ele. — sua voz fogosa de barítono a envolveu como uma névoa cálida. e os lábios que lhe roçaram a garganta eram tão suaves e excitantes como as asas de uma fada. saboreando-a de novo e deixando sua marca indelével. 61 . tão luxurioso e desafiante que a assustou. para imitar o que ele estava oferecendo — Poderia simplesmente matá-lo em sua cama. mas sua boca se curvava. e desviou o olhar quando ele levantou uma sobrancelha. Ele deu um passo atrás e observou aqueles olhos de fogo que o olhavam. disso pode estar certo. Brynna bufou diante de sua arrogância e o empurrou para libertar-se. Brand respondeu com um sorriso malicioso e sensual: — Isso soa muito tentador. Brynna o olhou fixamente nos olhos.. aturdida por sua cor e intensidade.ponto. Brand afundou a boca na dela e a beijou quase brutalmente. Ergueu sua mão sobre a cabeça. logo tomou a outra e as uniu. — Não abandonarei Avarloch. Brand sentiu que esses aros de fogo cor de esmeralda irradiavam fúria. Brynna ruborizou até a raiz dos cabelos. — Então certamente. Inclinou-se e lhe roçou a boca. lhe permitindo saborear a paixão que ainda rugia. ao perceber o que queria dizer. empurrou-a contra a porta. em um meio sorriso. E se ignorá-lo não funcionar. Afastou-se o suficiente para continuar compartilhando seu fôlego. Brynna passou a língua pelos lábios inchados e ele afundou seu olhar neles. Sua respiração era agora tão dificultosa e pesada como a dela. e abriu a porta com força.. — Posso fingir que você não existe — prometeu Brynna. —não vai querer ficar em Avarloch com um homem assim. — Por alguma razão. Quando a jovem gemeu contra seu corpo.. só comparável a dele.. Não disse uma palavra. Teria caído se não estivesse tão apertada contra ele. Seu fôlego não estava tão entrecortado como o de Brynna. seu corpo firme e quente. saindo correndo do quarto..

62 . resistente. A fortaleza de seu espírito o excitava. coroados pela magnificência de seu cabelo que dançava contra a luz. Quanto mais pensava nisso. até que soubesse que ninguém mais poderia enchê-la como ele. o excitante prazer que sentiu ao beijá-la. mas ela seria suficientemente forte para estar com ele? Sabia que se a tomasse. mas não era razão para se negar seu corpo. entretanto. acendia em seu interior uma faísca de algo que já tinha esquecido que existia. como labaredas de ouro.excitantes. e Brand se encontrou saboreando a idéia de seu corpo. Desejava-a. algo que acreditou que nunca voltaria a sentir. apaixonada contra sua boca. Não seria gentil. A filha de Lorde Richard era delicada em seus braços. mais lhe atraía a idéia de casar-se com Brynna Dumont. Aspirou longamente o aroma de jasmim que ficou em sua túnica. Seria tão ruim fazê-la sua esposa? Não a amava e nunca a amaria. devoraria-a até que fosse completamente dele. Era certamente formosa. seria diferente do que tinha sido com Colette. ou a ânsia que sentiu ao segurá-la em seus braços. suave e.

Apertando a mandíbula. quando o homem ainda estava nela. Até pior. mas era sua intenção averiguálo. Lorde Richard não era só um guerreiro. Brand era um pouco mais alto e mais largo de ombros que o pai de Brynna. — Lorde Brand. — Lorde Richard — o chamou. em silêncio. Não sabia por que William queria que o guerreiro saxão permanecesse ali. antes que o jovem falasse. — Sua filha ficará aqui. devagar. Brand apressou um pouco o passo para alcançá-lo. viu lorde Richard encaminhando-se para a escada. Quando levantou o olhar. na beira da escada.Capítulo 7 Brand saiu de seu quarto e fechou a porta. como minha esposa. com uma mão descansando comodamente sobre o punho de sua espada. mas Lorde Richard não parecia menos imponente de pé. durante um momento. antes que o cavalheiro mais velho chegasse à escada. mas um pai que seria arrancado dos braços de sua filha. — Os dois homens se olharam. 63 . Brand se preparou para a tarefa de falar com o experiente comandante. Era terrivelmente difícil ter que expulsar um homem de sua casa.

o pai de Brynna não estaria de acordo com essa afirmação. se a obrigasse a abandoná-lo. E não sou um selvagem. Por que a vastidão do olhar do conde o enchia de inquietação. A batalha o seguia. além de um meio para evitar outra batalha? — Brynnafar é fácil de amar. se não seria melhor levar sua filha para onde Deus achasse por bem conduzi-lo. ela nem sequer se alegraria.Richard piscou. Que tipo de vida podia oferecer a sua filha. Era um soldado. Só levou um instante para decidir-se. Concluiu que essa era uma razão tão boa como qualquer outra. Lorde Brand — afirmou Richard com gentileza. como o tinha feito tantas vezes durante as últimas semanas. se nem sequer podia lhe dar um lar onde descansar as pernas? — Não quero uma esposa — respondeu Brand simplesmente — Mas o homem a quem jurei obedecer quer que tenha uma. tentando conter o temor e a raiva que cresciam em seu interior — E sei que você chegará a perceber isso. De fato. Logo depois de enfrentar Lorde Brand Risande em batalha. pensou rudemente. As emoções chocavam-se como ondas contra o coração de Brand. Alegrará-se. mas por que teria que ser de outra maneira? Ela não o amava. Apenas se conheciam. Estava disposta a ser sua esposa para permanecer em Avarloch e evitar um derramamento de sangue. Sua filha também me deixou bem claro quanto significa Avarloch para ela. Alegrar-se. Acaso este normando trataria a sua filha com amabilidade? Procurou a resposta nos olhos de Brand. Richard entrecerrou os olhos. e assentiu levemente: — Brynna se alegrará que lhe permita ficar em Avarloch. Ou o escuro cavalheiro estava lhe fazendo saber que Brynna não significava nada para ele. em silêncio. Não era a reação que esperava quando tomasse uma mulher por esposa. Os olhos de Brand eram como um oceano infinito. — Acreditei que você não queria uma esposa — disse Richard perguntandose. pensou Brand. O que havia ali? Richard pensou. quando Richard olhou dentro deles. a tal ponto que sentia que estava penetrando em um abismo. Não seria mais que um selvagem desalmado. como o vento. onde não existia nada mais que um vazio? 64 .

Apertou a mandíbula. Deveria lhe dizer algo mais. Que destino tinha sido designado para sua filha. Pensou que depois de beijá-la. mas como sempre o orgulho de Brynna e seu fogoso temperamento saíram vitoriosos sobre seu coração. nem a expulsarei de sua casa. Desviou o olhar do infinito vazio que observava. e finalmente seguiu o caminho de Richard para o grande salão. Mas o estavam forçando a casar-se com ela. Lord Brand Risande. Brynna voltou depressa para seu quarto e tirou a túnica. que parecia sustentá-la. e com apenas um leve rastro de culpa. até fazê-la tremer. Farei com que sinta algo. tinha ganhado sua paixão. mas Richard tinha querido que sua única filha tivesse o mesmo ele e sua Tanith tinham compartilhado. Observando-o. que acendeu a chama em seus olhos. Ele se casaria com ela. Nunca a amarei. Com uma renovada determinação. Tinha vindo no corredor. refreando as promessas que sabia que não podia cumprir. Não precisava ganhar. mas jamais a amarei. para deter os fortes batimentos de seu coração. quando ele se rendeu ante este homem? Sem outra palavra. — Como você disser — a voz de Richard foi apenas um sussurro. Endireitou os ombros e se afastou da parede. Deve haver algo que ainda possa sentir. momentos depois que Brand chamou seu pai. enlevada por converter-se em sua esposa. Sua promessa a atravessou como uma espada. Queria assegurar ao digno cavalheiro que sua filha estaria segura ali. Devia sentir-se feliz de ficar em Avarloch. Estava furiosa. presa aos ecos da desesperança. tinha escutado a conversa. A promessa de Brand a tinha golpeado como um sopro de ar congelado. enquanto se afastava Brand pensou em ir atrás dele. Agora lamentava. se afastou de Brand e desceu sozinho as escadas. as meias e deixou que 65 .— Nunca a amarei — a certeza da resposta de Brand deixou gelado ao pai de Brynna — Não a maltratarei. Muitos pais entregavam suas filhas por muito menos que amor. mas não era suficiente e Brand sabia. Brynna se apoiou contra a parede e fechou os olhos.

Em raras ocasiões se vestia para agradar. Disso Brynna estava segura. sabia exatamente o que esse "algo" seria. quando ela os agraciou com um sorriso e os saudou. Dois dos cavalheiros do rei Eduardo se detiveram. Sua firme vontade e sua teimosa natureza desalentavam a maioria de seus pretendentes a cortejá-la uma segunda vez. Ao mover-se. quase se chocou contra uma parede quando a viu. Deslizou o vestido sobre sua cabeça. brilhante. sobre as costas nuas. Brynna queria que Brand a desejasse. os corredores estavam cheios de homens. Satisfeita por ter tudo em 66 . enquanto se vestia com uma fina camisa de algodão. Recordou sua fantasia e o homem que a tinha beijado com tanta paixão em seu quarto. Brynna sentiu que ruborizavam suas bochechas quando um soldado normando. fazendo-a sentir-se deliciosamente feminina.o cabelo caísse. Sim. bordando delicadamente os fios dourados ao redor do decote profundo e dos punhos. antes de chegar à escada. em seu retorno a Avarloch das terras turcas. o tecido pareceu respirar. Faria-o sentir algo. imobilizados em seu lugar. nunca haviam muitos hóspedes em Avarloch. Podia ser um guerreiro frio e desumano. Revisou sua aparência duas vezes. mas não tinha idéia do poder que possuía ou do efeito de sua crua beleza sobre os homens. Lady Tanith tinha confeccionado o vestido com suas próprias mãos. que brilhava sobre suas costas. Escovou o cabelo até que reluziu com sua cor de cobre incandescente e o envolveu em um véu prateado. tanto normandos como ingleses. liberado de seus deveres para jantar no grande salão. Correu para o alto armário junto à cama e sorriu. Sussurros que prometiam a vitória nublaram seus pensamentos. mesmo que fosse a última coisa que fizesse. quando a seda aderiu aos seios e nádegas como uma capa fina e incitante. O vestido que escolheu era de uma seda turquesa tão fina que parecia ter sido tecida por fadas. Mas agora. pulsar e convocar a ser tocada. mas não faltava-lhe ardor sexual. Devido a seu pai e seus homens saírem com freqüência para lutar. A seda era tão exótica que seu pai quase tinha perdido a vida para protegê-la. para assegurar-se de não estar exibindo nada indecente. Fluía entre os dedos de Brynna com tanta suavidade como o suspiro de um menino.

seu olhar frio e calculista abrangia a totalidade do salão.. observou o firme movimento de seus seios. — O que? — perguntou Brand a seu irmão. 67 . Com olhos selvagens. Seda que se rasgaria facilmente. o modo como seus quadris dançavam ao caminhar. tentou recordar o nome do patife. —. que se chocavam contra duas delicadas capas de gaze. entretanto. esculpido em gelo. O fogo ardeu. E. Um dos cavalheiros do rei Eduardo parou em frente a Brynna e obstruiu a visão de Brand. Amaldiçoando. Franziu o cenho. Brynna nunca tinha visto tantos normandos juntos em um só lugar. Prometendo. entre seus dentes apertados. embora o jantar mal tivesse começado. O grande salão estava cheio de gente. — O velhaco que está falando com Lady Brynna — repetiu Dante — não gosto dele. Como ele — Dante se inclinou para frente em sua cadeira. Ao deslocar-se... Com parecia longe o herói de suas fantasias. quase todos pareciam estar bêbados. em voz baixa. roçava suas suaves curvas.. Brand sentiu que sua respiração interrompia-se. incitantes. ante seu contato. Da mesa onde estava sentado junto a Dante. o deslocamento sensual desses casulos túrgidos.seu lugar. cuja risada forte e exuberante fazia com que até as flores de dançassem. Sua fantasia já não existia e em seu lugar ficava a estátua de um senhor da guerra. a seda aderia a seu corpo. Encontrou Lorde Brand sentado na alta mesa. sua beleza silenciava seu coração. enquanto seus olhos percorriam o salão procurando o sério senhor dos normandos. encolheu os ombros e se encaminhou com suas belas sandálias para o lugar onde seu prometido a esperava. estudando o cavalheiro que estava falando com Brynna. Brand baixou a jarra de vinho de sua boca e cravou o olhar na magnífica deusa que acabava de entrar no salão. absorvendo tudo e todos ao seu redor. Falavam em voz alta e faziam muito barulho. e acendeu um cru desejo nele enquanto o delicioso tecido a acariciava. enquanto emergia do acalorado feitiço no qual tinha caído.

observou cada movimento do inglês. com um grunhido. e tremeu. Pareceu que ela estava tentando livrar-se dele. o áspero tom de suas palavras ao advertir o cavalheiro que lhe permitisse passar. com os olhos entrecerrados. E notou a surpresa e o alívio em seus olhos. quando chegou. Lorde Brand — o cavalheiro do rei Eduardo o saudou. Sir Luis também notou sua surpresa e deu a volta. aos quais não via nem escutava. — Onde? — Em Alexander — Dante se arrependeu de suas palavras. justo quando Brand o rodeava. poderoso corpo. alegremente. Brand não disse nada. lenta. não importava o quanto fosse luminoso. com um único propósito. Estava tão perto dele que sentiu a ameaça de seu imponente. através das dezenas de criados e escudeiros que obstruíam sua visão. quando Brand se levantou lentamente da cadeira. mas olhou para Dante. Por fim. podia ocultar. como um lobo espreitando sua presa. Abriu caminho entre as pessoas. — Já volto — anunciou Brand. se deteve a centímetros de Brynna. atrás do sombrio cavalheiro inglês. Passou junto a cavalheiros e damas. apontando com seus olhos como geleiras ao homem que estava agarrando o braço de Brynna. Pôde entrever a manga de Brynna e logo seu ombro.— Por que não? — Brand se esforçou para ver. enganado pelo sorriso sereno do guerreiro —A dama e eu falávamos justamente de você. Com uma intensidade que tornou seus olhos de uma cor azul intensa. para colocar-se junto à Brynna. 68 . quando o viu por cima do ombro do inglês. olhos letais. Podia escutar o agudo veneno em sua voz. — Ah. ele a olhava de um modo que já vi antes. mas não conseguia. Brynna quase cai de costas quando Brand voltou seu sorriso radiante para ela. Não era sua surpreendente beleza que fazia com que seu coração falhasse. mas a implacável ira em seus olhos que nenhum sorriso. — Esta tarde. cuidadosamente.

O medo a atravessou. senhor? — perguntou Luis. Luis tinha medo até de abrir a boca em sua defesa. momentos antes — Não sou nenhum patife. A confiança com a qual geralmente falava se transformou em um débil sussurro. Os olhos escuros de Luis procuraram Brynna. senhor. Tinha medo de olhá-lo. Uma mescla de surpresa e raiva substituiu o sorriso que tinha devotado a Brand. por sua vez. sabia que seu sorriso havia se apagado.. — Sou um dos cavalheiros do rei Eduardo — interrompeu Luis. Sua raiva estava agora totalmente exposta. matarei você. O rosto de Brynna empalideceu. enquanto Sir Luis se retorcia intranqüilo e secava as pequenas gotas de transpiração da fronte. enquanto a pegava pelo braço— Como se chama este patife? No tempo que durou um suspiro. e não queria ver o que o tinha substituído. — Non — resmungou como se sentisse pena do homem que estava frente a ele — Se tocar Lady Brynna de novo. com tranqüilidade. — É melhor que o chame "patife" que "cadáver".— Senhora — a voz de Brand soou como um ácido doce. Os lábios de Brand desenharam um sorriso malicioso. achava impossível olhar para outro lado. não lhe parece? —perguntou Brand. a incredulidade vagando por seu rosto. 69 . Sir Luis. Isso é um fato. — Não olhe para ela.. Suas mãos tremeram pela violência reprimida que ele já não se incomodava em ocultar. Brynna olhou fixamente nos olhos de Brand. — repreendeu. — Ele é Sir Luis de. esperando a resposta com uma paciência horrorosa. — Está me ameaçando. e me ofende que me chame assim. com uma sede tão selvagem que sua prometida temeu que fosse saltar sobre a garganta de Sir Luis a qualquer momento. e de repente compreendeu como este homem tinha conseguido derrotar seu pai. A terrível promessa de violência nos olhos de Brand o tinha imobilizado.

os acendeu com exuberante êxtase. — Ninguém poderá salvá-lo se voltar a aproximar-se dela. Ainda temerosa de ver a fúria em seu olhar cristalino. com um grunhido. uma vez. o olhar de Brynna pousou sobre os fortes dedos que cobriam os seus. Esquecendo do temor. sem uma palavra. mas não antes que um 70 . como se estivesse examinando sua textura. Suspirou ao olhá-lo e ao recordar o modo como a tinha beijado. não importava quão cuidadosamente se barbeasse. Brand apertou a mão de Brynna e a levou. ao mesmo tempo tão luminosos como a luz da lua sobre o mar. cautelosamente. Estava consciente da suave pressão que Brand aplicava e o agudo tremor que lhe percorria o corpo. enquanto se aproximava de Luis. Juro — sua expressão era tão rígida como um muro. Conteve-se rapidamente e desviou o olhar. fascinante e temível guerreiro. Suas sobrancelhas e pestanas tortuosamente longas eram igualmente escuras e deixavam na penumbra seus olhos. quando lhe acariciava a pele com o polegar. Entreteve-se nos cachos mais escuros que um céu sem estrelas. os ângulos agudos de sua mandíbula. Ela o estudou. Um calafrio subiu por sua espinha. mas desejando olhar para ele. Inundada por um temor paralisante. Se olhar mais de perto. Ele olhava a mesa onde Dante estava sentado esperando-o. momentos depois de ter estado disposto a matar. Olhos tranqüilos e profundos a observavam. Como o desafio não chegou. ficou absorta nas fortes linhas de seu nariz normando. Suprimiu uma repentina urgência de suspirar e se perguntou como seu contato podia ser tão parecido a uma carícia. Era um belo. Brynna deslizou os olhos lenta. O contorno de seus lábios carnudos era excitante. quando Brynna ergueu seu olhar de seus lábios. entretanto. e convidava o cavalheiro inglês a desafiá-lo. Restava somente um rastro do fogo que tinha escurecido seus olhos. Um guerreiro que podia mudar sua aparência com um simples sorriso e converter-se em um anjo. onde apareciam umas tênues sombras escuras.— Saiba disto — advertiu. perdida nessa beleza selvagem e. nem sequer seu rei poderá me deter. talvez encontre a luz que. com a mesma mão. para seu rosto. comovedora. Ela quase sorriu.

Quanto tempo a tinha estado observando. não é? — adicionou com uma faísca de fogo Dumont brilhando nos olhos. O medo desaparecia. mas ele enroscou seu braço mais firmemente ao redor do dela. Quando chegaram à mesa. Como pôde ter desperdiçado tantas noites sonhando com essa besta? 71 . enquanto levantava uma sobrancelha invejosa em direção a seu irmão. Brynna congelou. você estava tão ansiosa de receber meu beijo. de repente. como não me informou de sua amável decisão. — Honra-me com sua magnanimidade. e ela entendeu quão rápido podia gelar o ardor de seus olhos. Não importava. quando a raiva corria por suas veias. com chamas nos olhos. "Mais formosa?”. de agora em diante. se sentará a meu lado. afastando uma cadeira para que Brynna sentasse junto a ele — Assim. — Está ainda mais formosa esta noite — disse Brand. Afastou o olhar de Dante para olhar fixamente seu prometido. Tola! Quase tinha esquecido do patife no qual se converteu sua fantasia. Brand bufou e inclinou sua cabeça para olhá-la. mas só por um instante. que ele beijou com ternura. — Informei ao rei que me casarei com você — disse Brand. permitindo-se olhá-lo de novo. meu senhor — sorriu feliz por ter escolhido esse vestido — Não voltará a me forçar a beijá-lo outra vez. enquanto ela o devorava com o olhar? Era zombaria o que viu em seus olhos ou ternura? Brynna tentou afastar a mão. com insolência. meu senhor — replicou ela. voltando a fixar seu olhar à frente. já fiz acertos para me sentar com meu pai — o atravessou com seu olhar desafiante. Dante ficou de pé e rapidamente lhe ofereceu a mão de Brynna. pensou Brynna. — Forçá-la? Mademoiselle se me lembro bem. — Você se lembra mau. mas lhe ofereceu uma leve reverência — Entretanto. como nesse momento. — Obrigado. meu senhor — Brynna fervia.vermelho ardor lhe percorresse as bochechas. ante a arrogância de sua voz. como eu de oferecê-lo.

Fazendo um gesto com o braço. com um desprezo gelado adornando sua cavalheiresca oferta — Pode partir também com ele. — Até que seja sua esposa — Brynna replicou com a mesma tranqüilidade — Me sentarei onde me agradar — Se endireitou. Se assim o desejar. Ao ficar sozinho. Se o destino de Avarloch não estivesse em jogo. Não podia perder também seu lar. Brynna amava Avarloch e todos seus habitantes. 72 .— O que você deseja não importa para mim. Queria rir de si mesma. subiria correndo para seu quarto. Até viver com seu tio e o mal-humorado de Sir Nathan seria melhor que passar outro minuto com Lorde Risande. Brynna passou velozmente ao seu lado. mas um soluço lhe atravessou a garganta. Não podia partir. Seus olhos seguiram Brynna por cima da beira da taça. quando se voltasse? De estripá-la com outra de suas declarações desumanas.. — É livre para ir com seu pai — disse. enquanto se afastava? Ah. pronta para enfrentá-lo. empacotaria seus pertences e partiria com seu pai. Não importava quão desconsiderado fosse o ogro que tomou seu lar. desafiante. antes de deixá-lo. ofereceu-lhe um espaço amplo para que passasse. Queria amar o homem do lago. Brynna hesitou. mas era mais galante do que parecia. — Vejo o que queria dizer quando se referia a sua língua — Dante escondeu. Tal como seu pai iria. mas ele se foi. Brand sorriu e se afastou. para deixá-la passar em direção ao seu pai. senhora — disse Brand sem perder a calma — minha esposa se sentará comigo em minha mesa. Brand afastou a cadeira com tanto ímpeto. Reconhecendo que o sorriso era sua arma mais eficaz. que quase lhe escapou das mãos. por um instante.. Ele seria capaz de lhe chutar o traseiro. Mas a batalha terminou antes de começar. com cautela. o humor de sua voz enquanto seu irmão se sentava junto a ele —. — Está brincando contigo — William deslizou na cadeira em que Brynna devia estar sentada. — Se não a açoitar primeiro — ameaçou Brand e bebeu lentamente um gole de vinho. ela será uma esposa interessante. Tomada de fúria.

Havia um brilho masculino e calculista em seus olhos. enquanto tirava o miolo de seu pão —Todos jantarão juntos de agora em diante.. antes de sua chegada — seu pai respondeu. magnifique! —o duque suspirou. mas Brand não o viu partir. — Os jogos podem ser perigosos — disse Brand com raiva. Essa era a atitude de um homem frio? — O que está fazendo. e se sentia muito feliz consigo mesma. enquanto ela se inclinava para beijar seu pai.. Mas quando inclinou a cabeça sobre seu ombro para olhá-lo. Escutou-se uma forte gargalhada do homem sentado ao seu lado. notou que sua raiva tinha mudado. pai? — perguntou Brynna. Uma energia presa lhe contraía os músculos. Uma ardente fúria o inundava.— Sei — grunhiu Brand e seu olhar sobre Brynna endureceu. e a moça se surpreendeu ao ver os servos compartilhando a mesa com os cavalheiros e os nobres. — Muito bem — brincou William— Já te colocou ofegante. Seu lugar era ao lado dele e agora ele parecia um idiota sentado junto a uma cadeira vazia. Não devia ter permitido que se fosse. mas seria a última. — Ela é. acredito que será uma esposa bem disposta. Por fim. sem afastar os olhos dela — Neste momento. deixando cair o queixo em sua mão — E a julgar pelo vestido que escolheu usar esta noite. — Lorde Risande fez o anúncio. debaixo do linho azul de sua camisa. inclinando-se para Lorde Richard. mas afastou a vista da força de seu olhar. Deixaria que tivesse sua vitória esta noite. serviu-se a comida. e logo uma vigorosa palmada nas costas. ainda rindo. mas o 73 . Brynna podia sentir a fúria do guerreiro de onde estava sentada. que a intranqüilizou. a cada minuto que passava. Endireitou os ombros. O duque ficou de pé. Parecia um caçador preparado para devorá-la viva. não me importa se está disposta ou não. — Lorde Richard olhou por uns instantes a mesa de Risande.

afastou o olhar. As duras linhas de seu rosto fluíam em um sorriso divertido. Richard encolheu os ombros. Surpreendeu-se ao descobrir a cadeira de Brand vazia. enquanto a outra descansava nas costas da moça. com o que parecia ser uma espécie de brincadeira secreta que compartilhava com Alysia. Seus olhos percorreram o salão. tímido. Dennis e Peter. Dirigiu-se para onde estava Alysia. que caminhava para eles com um meio faisão em uma mão e uma taça na outra. esse som que a tinha atraído tempos atrás. Brand sorriu. Estavam todos juntos. — Disse a você que era um homem estranho. sua fantasia tinha retornado. Uma inocência 74 . o jardineiro. Sobre seu cabelo mais pálido que as asas de um anjo. Gerald. quando Rebecca riu timidamente por algo que ele disse. com amargura. enquanto comiam. A maioria dessas pessoas eram seus amigos. homens e mulheres cuja companhia tinha desfrutado durante muitos anos. pensou Brynna. Mas não podia evitar que seus olhos voltassem para a mesa. Olhou ao redor do salão e o encontrou inclinado sobre a cadeira de sua donzela Rebecca.novo senhor de Avarloch não estava em sua cadeira. Brand inclinava-se sobre a formosa donzela e Brynna se amaldiçoou por não ter afastado o olhar. Todo o ambiente mudou para Brynna nesse momento.. Quando se deparou com o sorriso zombador de Sir Luis. Por um momento. estava sentado em frente a ela e a jovem lhe ofereceu um cálido sorriso. enquanto outros riam com os cavalheiros. sorrindo diante dos muitos rostos conhecidos. A risada de Brand emanava uma calidez que a acariciava. alguns pareciam incômodos em suas cadeiras. que o tornava quase terno e indefeso. Mas agora estava calado. O frio se dissipou no castelo de Avarloch. Brynna pensou que era uma idéia maravilhosa. Agachou-se para lhe dizer algo no ouvido e tanto o novo senhor de Avarloch como a amiga mais querida de Brynna se voltaram para olhar Dante. os rapazes dos estábulos. e intrigantemente sensual. Seus luminosos olhos azuis o transformavam. Voltou-se para olhar o duque da Normandia e riu com vontade. arrependendo-se por um momento de ter saído do lado de Brand. Tinha uma mão plantada na mesa frente a ela. suas donzelas. estavam junto a Blythe e Lily..

uma mão agarrou sua cintura e deteve sua caminhada furiosa para as escadas. 75 . Deu boa noite a seu pai rapidamente. antes de correr para a porta. golpeou as palmas contra a mesa. o bárbaro era capaz de sentir emoções humanas. com amargo desprezo. De repente. É — sorriu severamente —Que pena que nunca poderei amá-lo. de seu sorriso sem artifício. Achou graça em seu olhar desafiante e decidiu brincar um pouco mais. masculina. Por um instante. assim como todas as outras mulheres no grande salão. enquanto sua esposa estava sentada a apenas uns metros de distância? Sem querer. cuja escura pele oliva se tornou avermelhada... Brynna se sentiu hipnotizada por seu esplendor. Brand levantou a vista para olhá-la e a jovem lhe cravou os olhos. quando sorriu de novo. — Sim — seus olhares lutavam com igual força —. que não merecia sequer um sorriso. Acaso era uma espécie de besta de carga. Brand quis sorrir ante sua audácia. quarto — ela mordeu cada palavra. Seria assim sua vida? Amaldiçoada com um marido que prodigalizava seu excitante sorriso às donzelas do castelo. — Aonde vai? — a voz de Brand soou áspera aos seus ouvidos. sem excluir Alysia. momentos antes e agora queria ganhar a batalha. Não abandonará também o salão. Seus dedos apertaram sua cintura. inquieta. Ela tinha estado escutando outra vez atrás das paredes. — A. — É seu dever. afastou a cadeira e ficou de pé. enquanto conversava com seu pai. seus olhos abrasavam a carne como carvões acesos. enquanto a fazia voltar-se. Brynna retorceu as mãos. — Já me abandonou uma vez e me deixou sentado sozinho. Informar-me não lhe passou pela cabeça? — Por que deveria fazê-lo? — Brand arqueou uma sobrancelha em um gesto de arrogância. mas não por ela. surgia de seu olhar. um olhar terno? Para surpresa de todos. meu. — Você informou ao rei. logo depois de informar ao rei sobre nosso matrimônio...pura.

Mas desde o momento em que o tinha visto pela primeira vez. por hora. enchendo de música sua profunda risada. A jovem estava presa no meio da traição do Eduardo. Mas as fantasias eram para as crianças. ansiando não sentir mais a força de sua mão. tinha desejado com todo seu coração ser ela que recebesse seus abraços na água. a sede de vida iluminando seus olhos azuis. Não havia modo de chegar a ele. e o sonho tinha terminado. reunindo o que ficava de seu orgulho — Minha donzela o aguarda. enquanto o via nadar. quando William a enganou para que pensasse que Avarloch seria 76 . Beleza. Tinha sonhado com esse homem durante mais de um ano. Desejou ser tão fria e insensível quanto ele. — É melhor não haver amor entre nós. como ele mesmo. Passaria o resto de sua vida com um homem ao qual não importava se ela vivia ou morria. inclinando a cabeça como se tentasse ler seus pensamentos. Brynna sentiu uma profunda tristeza. de repente. mas estava disposta a lutar com ele por seu lar. Era inocente. seu beijo tinha sido apaixonado. Nunca esperou voltar a vê-lo. mas não significava nada para ele. Suas bochechas arderam. Fogo. as defesas de Brand caíram. Brynna — disse. pela primeira vez desde que tinha morrido sua mãe. A derrota de Brynna era real. Sim.Orgulho. Afastou o olhar. estudando-a com uma curiosidade predadora que Brynna agora reconhecia e contra a qual combatia. por fim — Ambos seremos muito mais felizes. naquele dia. Brand entrecerrou os olhos e a olhou. O suave tremor de seu lábio inferior lhe disse que a batalha tinha terminado. Por que lhe doía tanto sua maldita promessa de não amá-la? — Tire as mãos de cima de mim. Lorde Risande — ela alfinetou. como seu pai. já tinha se resignado. E ao notar isso. Permaneceu em silêncio durante um longo tempo. além de um modo de demonstrar que tinha o controle. Não era ela quem o tinha enganado. a moça soube que podia apaixonar-se por ele. Teria sido melhor assim. vá com ela. Tinha caído sob seu feitiço nesse dia. Não era culpa desta bela moça que o estivessem forçando a casar-se com ela. E. Recordou sua promessa.

sem fôlego — Serei sua esposa. Estava disposta a converter-se em sua esposa e lhe dar filhos. angústia. Sorriu. alegria. Tomou o queixo com os dedos e inclinou a cabeça para examinar seu rosto. Tinha sonhado durante tanto tempo em apenas poder tocá-lo. sem mencionar esses lábios que ansiava beijar. O brilhante olhar que encontrou e cativou o dela era cheio de emoção. esperando na escuridão. Seus olhos eram mares de paixão. em vez de olhar para ele. Pena. não só pelo apetite que ela tinha visto em seus olhos quando a beijou. esperando ser libertado. Mas havia algo mais. pelo braço até chegar a sua mão. e desta vez ela estava preparada. O corpo de Brynna deu um salto diante de seu terno contato. 77 . fúria. Seu sacrifício o emocionava. Brand parecia estar iluminado com uma nova luz. como se fosse feito de relâmpagos. se ele não se casasse com ela. quando lhe pediu que fosse sua esposa. e enroscou seus dedos. mas também com uma emoção radiante. — Peço que fique em Avarloch e seja minha esposa. incitantes e serenos. Ela tinha vislumbrado além da escuridão algo que ele tentava destruir. — Senhora? — O que? — ela piscou lentamente. ao menos uma vez mais. Humana.destruído. compaixão. separando seus carnudos lábios. O que diz? — a ternura de sua voz atraiu os olhos de Brynna para ele e abriu a boca. Brand passou os dedos. e um desejo luxurioso tão poderoso que emanava de cada um de seus poros. ele inclinou a cabeça. olhando em direção às pessoas dentro do grande salão. maravilhosa emoção. nesse momento fugaz? Acabava de ver seu coração. Meu Deus estava a ponto de beijá-la novamente. muito maiores. Lentamente. que estava ali. ser amada tão apaixonadamente por um homem cheio de vida. porque havia um pouco de luz ainda dentro dele. uma mera sombra do que dava vida a todas essas emoções. com os dela. brandamente. O que tinha mudado dentro dele. surpresa e aturdida. — Sim — a palavra rolou da língua de Brynna.

Ele deslizou a língua sobre seus lábios antes de capturar seu suspiro na boca. irreprimível. No espaço de cada nova respiração. Ele a apertou contra si e as pernas dela tornaram-se fracas. baixo. aproximando-a até que se sentiu completa e totalmente consumida por ele. incontrolável. e só sabia dele. significativos. Quando por fim se afastou. à medida que o beijo se tornava mais apaixonado. recordando o que tinha visto em seu rosto na lacuna. um apetite que a devorava insaciavelmente. Este é o verdadeiro. Ele a reclamava com seus beijos. Era de fogo. quando ela se mordeu o lábio inferior. Brynna o observou. A paixão. — O que ela fez para te destruir desta maneira? 78 . O som era como sua voz. até que pôde sentir a calidez de seu fôlego no rosto. — Está sorrindo — Brynna ruborizou — É a primeira vez que sorri. sua língua procurava com mais ânsia. apaixonados. o que fez com que quisesse conhecê-lo. e ela soube que nunca voltaria a sentir-se completa de novo. cheirar o aroma de terra. afogada em inacabáveis ondas. Ele riu brandamente diante do sorriso sonhador em seu rosto. Podia senti-lo respirar. sedoso e muito masculino. pensou Brynna. bebia mais profundamente. saborear o vinho que adoçava seu fôlego. Estava sendo transportada. até que esqueceu de si mesma. As costas de Brynna se derreteram. — O que? — perguntou. ela se sentiu mais só do que jamais havia se sentido. — Não acredito que meus olhos tenham ocultado meu desejo de beijá-la antes — murmurou Brand. teria pedido que se casasse comigo antes.Incapaz de resistir. sem outro motivo oculto atrás de seus olhos. enquanto seus braços rodeavam sua cintura. ofegante. sem poder evitar — Mas. necessitando-a para sobreviver. devo admitir que se soubesse que veria essa felicidade em seu rosto. O que tinha acontecido? A tristeza tomou o rosto de Brynna e esticou a mão para tocar seu sorriso. até que lhe pertencesse. Levantou a mão até seu cabelo e tocou as mechas acobreadas.

— Fez com que eu a amasse — sussurrou. só sombras. O sorriso de Brand se desvaneceu. Capítulo 8 79 . a luz que tinha ardido nele durante poucos momentos agora não existia.Sua mão se deteve. antes de chegar aos lábios.

Brand escoltou Brynna de volta a sua mesa. senhora. durante o resto dessa noite. 80 . assim como dos homens de William e Eduardo. que fazia com que o coração dela se parasse. o humor de seu prometido definitivamente estava melhor. levantou uma sobrancelha dúbia e averiguou: — É por isso que sorri para você dessa maneira? Brand se regozijava. — Parece que será bem aceito por meu povo. enquanto olhava de soslaio a uma ciumenta Brynna. notando como a moça sorria. e ela concordou em sentar-se ali durante o resto da noite. Festejou quando Dante desafiou Sir Henry LeForre. Lorde Brand — disse Brynna quando ele finalmente retornou à mesa. seus olhos encontraram os de Brynna em mais de uma ocasião. Sentou-se ao seu lado. em um banco que William tinha colocado. Percorreu o salão. e embora não visse nada nele que se parecesse com afeto. um elevado cavalheiro da guarda de William: a provocação consistia em descobrir quem podia beber mais cerveja e lançar uma adaga a seis metros de distância. para compartilhar um olhar silencioso e um rápido e sensual sorriso. timidamente quando o novo senhor a olhava. — Asseguro-lhe que não estou com ciúmes! — respondeu Brynna indignada — Não há razão para que esteja. Mas Brynna estava segura de que o povo de Avarloch era a que aclamava com mais entusiasmo. Alysia. um despreocupado Brand levantava sua taça em honra ao vitorioso. Tomou seu lugar ao seu lado. — Os olhos de Alysia só seguem meu irmão — sentenciou Brand divertido. enquanto o olhar agudo da moça pousava sobre os intermináveis rostos que enchiam o grande salão de Avarloch — Em especial pelas donzelas. Enquanto falava com seus novos vassalos. em sua primeira noite como senhor de Avarloch. Mas a jovem ainda suspeitava. cada vez que o via. Lorde Risande anunciou a todos seu compromisso e houve um coro de brindes por parte de seus cavalheiros. — Os ciúmes são difíceis de ver em seus formosos olhos verdes. Um momento mais tarde. conversando tranqüilamente com quase todos os presentes. mais especificamente — adicionou.

Lorde Brand Risande seria o perfeito senhor de Avarloch. e se estivesse apaixonada pelo descarado? Brynna sacudiu a cabeça levemente e se reprovou por ter idéias tão infantis sobre o amor. O calor era conhecido. William estava fazendo gestos para que se aproximasse de uma mesa larga. bêbados. e amá-lo nunca seria suficiente. olhando sua prometida. Brand ficou de pé. Certamente. voltou a sentar-se e suspirou. Queria ser amada por ele. do mesmo modo. Seu pai nunca teve uma. Surpreendeu-se pela profundidade de sua raiva ao pensar nisso. — Precisam de mim . Lorde Richard tinha amado sua esposa. Brand assentiu resistente. Por ele. pensou Brynna. este homem pode ser gentil quando deseja. mas certamente. sempre o sentia quando recordava. sabendo que nunca a amaria? A idéia a excitava e aterrorizava. depois para a cintura de Brynna. tranqüila e carregada de um apetite ávido. Queria lhe dizer que assim sentia-se. Enquanto o povo não pedisse seu coração em troca. Mas ele era gentil também com os servos. 81 . Nunca toleraria que tivesse uma amante. a ferocidade de seu olhar suavizado só por sua voz de cetim — Assegurarei-me de que nunca haja razão para que encontre prazer na cama de outro — seus olhos a observavam. Mas mesmo assim.— Non. além de um lugar onde viver e alimento para encher o estômago. Sua voz era profunda. Deus santo. Poderia compartilhar seu leito. Olhava seus seios. não tem por que estar — deu a volta em sua cadeira para enfrentá-la.disse com seriedade. e ela não pôde evitar sentir um diminuto fogo que se propagava em seu interior. Brynna não pôde evitar sorrir. Era gentil com aqueles que não queriam nada dele. — É obvio meu senhor — respondeu em troca. repleta de guardas normandos.. a lembrança dos braços de Brand invadia seus pensamentos. A atraente promessa de Brand de agradá-la no leito não era suficiente para assegurar que não daria o mesmo prazer a qualquer mulher que se oferecesse. como ondas em um mar tempestuoso e Brynna não estava certa se devia lhe sorrir ou temer este homem que seria seu marido..

em geral. Lorde Richard Dumont se sobressaía.Por um momento. um rosto diferente olhava em direção ao novo senhor. 82 . Brynna notou que os homens de Avarloch seguiriam Brand por lealdade e afeto. A cada instante. vassalos e servos tinham abandonado suas cadeiras e estavam conversando. enquanto se dirigia para William e seus homens. e concluiu que tudo o que dizia respeito a Lorde Brand Risande era sensualmente masculino. Ao ver seu pai parado junto a um de seus cavalheiros. Enquanto olhava ao seu redor. — Brynnafar — seu pai ofereceu um cálido sorriso. respeitava a cada homem. lutavam por seus senhores nas batalhas. Avarloch ainda era dele. não teria notado. mas só por necessidade. foi tão imperceptível que se não estivesse observando-o com tanta intensidade. mas sim para perturbá-la. no meio do rei e sua companhia. enquanto esticava a mão para receber a dela. Queria que ela ansiasse tê-lo sempre perto. Brynna estava intrigada pelo que o novo senhor de Avarloch fazia. pensou que tinha mudado de idéia e ficaria. fosse cavalheiro ou servo. Brynna compreendeu por que se aproximou. Não tinha sentido lamentar-se por isso agora. quando seu fôlego a tocava e seu aroma lhe enchia os pulmões. Os servos. para permanecer sob o amparo do lorde. Voltou-se para o cavalheiro que se achava ao seu lado. Fazia com que se sentissem iguais. no canto mais distante do salão. Cavalheiros. quando este lhes devolvia o olhar. sentir o calor que fluía de seu corpo. e seu respeito seria retribuído. Ia deixá-la ali. Aproximou-se o suficiente para não tocá-la. que tratava de esconder com tanta veemência. — Desculpe-me então. e voltou-se para olhar os rostos que enchiam o salão de Avarloch. tão selvagens quanto o mesmo duque. embora só por umas poucas noites mais. Até ali. com um sorriso amplo. em tempos difíceis. lutando para controlar o tremor que tomava conta de seu corpo. As risadas faziam eco no grande salão. até entre os selvagens cavalheiros da Normandia. sentenciou. e quando ficou de pé para afastar-se. Brynna se levantou para ir ao seu encontro. bela dama — sussurrou. até a pena. Estudou seu caminhar.

— Eu também vou sentir saudades. ameaçando estrangulá-la. — Esse vestido pode chegar a ser perigoso. não lutar contra ele. pai. — Sentirei saudades — disse. cheia de dor. Um novo destino nos chama. — Irá para a Normandia? — perguntou. levando uma mão ao peito. o medo agarrou-a pelo pescoço com dedos quentes. e Brynna recordou que estava a ponto de perder o único homem que sempre a amaria. com um olhar de falcão. Brynna tocou o braço de seu pai. enquanto estudava o rosto de seu pai. — Brynna — Lorde Richard deu um passo para trás e segurou-a pelos ombros. até que não restasse nada mais que um rio de lágrimas. Contigo aqui para me proteger. Quando o cavalheiro se foi. filha. Já tinha sido muito difícil ser a filha de um guerreiro. Está discutindo agora mesmo os detalhes com Lorde Brand. — Mas para onde irá? Voltou à cabeça em direção à mesa de William.estudando Brynna com um sorriso amplo e calculista — Pode se retirar. O duque William me ofereceu um lugar entre seus homens.uma terna emoção cruzou o rosto atraente de seu pai. olhando por uns instantes à pequena congregação de homens sentados. Seu pai a abraçou e acariciou seu cabelo. filha. pai. De repente. nenhum homem se atreveria a me fazer mal . Eldred — disse. Necessitava de sua completa atenção e compreensão —. quando ele assentiu. A confusão escureceu os olhos esmeralda de Brynna. Separou-se dela para olhá-la — Mas devemos ser fortes. — Não tema. sempre esperando e rezando para que retornasse para ela e sua mãe depois da batalha. Seus olhos se encheram de lágrimas — Acreditei que ficaria na Inglaterra. minha pequena e querida Brynnafar disse. o pai de Brynna a repreendeu. aliviando as pequenas linhas ao redor de seus olhos. Sempre 83 . em voz baixa. e devemos aceitá-lo. em um tom severo.

— É mortífero no campo de batalha. — Mas pai. mas falam muito bem dele no castelo de Graycliff em Dover — e adicionou. A risada irrompeu na mesa de William e a jovem levantou a cabeça para olhar o homem com o qual se casaria. imagino — disse. — Mamãe teria gostado.Cruéis normandos mataram sua mãe. Isso é mais importante que o país de onde vem ou o sangue que corre por suas veias. Brynna queria perguntar a seu pai o que aconteceria se seu amor nunca fosse retribuído. que eu não tinha tido nada a ver com o que tinha acontecido com seu povo. Sua mãe me odiava no princípio pelo que era. Como podia contar que tinha espionado um homem que nadava nu. Sua voz era baixa. mas entendeu.. eu não. tomou o que não lhe pertencia e fez o que quis. Meu povo assolou aos celtas. observando o cavalheiro — Todos aqui parecem apreciá-lo. Seu pai concordou. com ternura: — Aprenderá a amá-lo como sua mãe aprendeu a me amar. Foi capaz de me amar. como podia admitir diante dele que queria ser amada por Lorde Brand. depois de um tempo.havia retornado. — Sua mãe me ensinou a perdoar. que a tinha cativado pelo amor que compartilhava com outra mulher? Embora seu pai não se escandalizasse com facilidade. Os transformamos em nossos servos. Mas não deve odiar a todos. Agora iria para a Normandia e talvez nunca mais voltasse a vêlo. com os dedos — Lorde Risande é um homem honrado. destruiu aldeias inteiras.. Brynna. — Que mais tirarão os normandos?! — Brynnafar — os olhos de seu pai brilhavam contra o leve fogo da lareira. pelo que uns poucos fizeram — as lágrimas caíram pelas bochechas da moça e seu pai as secou. profunda e alquebrada pela tristeza . o Apaixonado? 84 . Não podemos ser frios com todos.

Brynnafar.— Sei qual é meu dever. Os suaves cachos cor de cobre terminavam onde começavam as sensuais curvas de suas nádegas. — O que importa se estiver de acordo ou não? — a resignação que sentia Brynna mudou para uma repentina indignação .. Já sabe o que penso de Harold. Meu único pesar é que não poderei ver minha filha. O mais desalinhado dos dois tinha apoiado seu braço musculoso sobre o ombro de seu amigo. Só quero que seja feliz. Eduardo não está bem e tenho o pressentimento de que Harold competirá pelo trono quando o rei morrer. Seu cabelo preso pela rede caía sobre suas costas como espessas ondas vermelhas. Suspirou. — Lutar do lado de William não mudará quem sou. — Serei — assegurou seu pai — William é um grande guerreiro. o meu pai — Brynna observou Brand e William juntos e fez gestos a Lorde Richard para que os olhasse — Talvez não fiquemos tanto tempo separados como tememos. e se esforçou para sorrir— Por todos os céus. Algo que não era bom. Não precisava contar a seu pai o que a perturbava. Brynna o escutava. Eles são grandes amigos. Fios de prata e ouro emolduravam seu rosto e faziam mais 85 .Não tirou de nós o suficiente? Por que tem que ser consultado sobre seu futuro? — Não seria se decidisse partir para qualquer outro lugar que não fosse a Normandia — explicou seu pai— É o código de honra. e quanto mais a observava.. O Apaixonado já não existia. será um normando! Seu pai riu docemente. além disso. Sempre soube — disse ela. mais fascinado sentia-se por sua beleza. — Então esperemos que Lorde Brand esteja de acordo. Até agora. pinceladas de castanho. — E eu. Alguns homens veriam como uma ofensa que seu senhor empregasse alguém que eles venceram no campo de batalha. Imagino que o duque da Normandia visitará Avarloch. — Sim. Os olhos de Brand nunca abandonaram Brynna. com freqüência. enquanto olhava de esguelha aos dois homens que agora se aproximavam. E.

nostálgica. Estava muito zangada para falar. Sendo que você é um saxão e tudo mais. piscando um olho a Lorde Richard— Teremos que lhe tirar dois dedos. quando olhou Lorde Richard — O duque carece. Brand lançou a sua prometida um sorriso que revelou seus silenciosos pensamentos e fez com que ela ruborizasse. com audácia. de moral. E William. Sua voz atravessou o ar. zombador. voltou-se. — Para a Normandia. — É o que quer. — É obvio — disse William. Quase deu um chute na parede. Apertando os dentes. é obvio! — o sorriso de William era tão amplo como seus ombros e Brynna quase sorriu ao olhá-lo. Sim.delicado seu nariz reto. saindo depressa do grande salão. assombrado e admirado pela fogosa mulher a sua frente. Recordou a cruel brincadeira que tinha feito antes e deu a volta. — Você desperdiça seu patético humor tentando me intimidar. pela segunda vez naquela noite. para beijar a seu pai. congelado. Alegro-me por você. enquanto tentava conter a risada que estava certo de que ofenderia o pai de Brynna. Brynna lançou um olhar de fogo ao divertido duque. Suas cruéis brincadeiras sobre meu lar e o bem-estar de meu pai provam que você não é mais que um tolo. além do mais.. com a boca completamente aberta. Brand baixou a cabeça para ocultar uma gargalhada que emergia e a calada surpresa que expressava em seu rosto. para onde viajarei quando abandonar Avarloch? — perguntou Richard. Quando William finalmente bateu nas costas de Lorde Richard ao chegar a seu lado. e seus olhos mais verdes que o auge da primavera. o selvagem duque dos normandos. respondeu-lhe: — É você uma mulher extraordinária — sua voz soava profunda. então ficou sério. Brand não a seguiu e deu uma cotovelada em William. rapidamente. Está seguro de que quer ir com ele? 86 . Sua Senhoria. Lorde William. — Bastardo — sussurrou a William. Os ombros de Brand se sacudiram e Brynna percebeu que estava rindo. — Bem. mais dócil seu queixo desafiante. pai.. com força. Lorde Richard parou. por completo. e um tolo irritante.

notável. Tinham concordado em não dizer a Brand como tinha morrido Lady Tanith Dumont. sobre o enlouquecido nobre saxão que tinha aniquilado os homens responsáveis por assassinar sua esposa. na verdade. temendo que usasse o ódio de Brynna pelos normandos como desculpa para não casar com ela. Já não importava. Também era assim sua mãe? — Sim. — Então. observando o caminho que sua filha tinha tomado para abandonar o grande salão —. mas ela é. Sir Richard —disse Brand. três anos antes. com os dentes apertados. — enquanto falava. Seu normando não lutará. mas William bateu em suas costas. — Saia da frente. Mas quando ela passou ao seu lado. você é um homem abençoado por Deus — disse William em voz baixa. seus olhos percorriam os seios de Brynna com uma avidez que lhe fez querer esbofeteá-lo. e se retirou. recordando as lendas que sabia agora serem verdadeiras. emocionado diante da pena nos olhos de Richard — Soube alguma vez quem foi que a arrebatou do seu lado? — Sim — disse olhando William. para assegurar que não estava zangado. senhor — advertiu. — Parece que seu vestido alcançou seu objetivo. voltou a dizer: 87 . Brynna se deteve. A ponto de chegar a seu quarto. abrindo caminho. era — Richard aspirou um profundo e purificador fôlego e o exaltou lentamente. com um sorriso sombrio como a meia-noite. minha senhora. Sir Luis obedeceu. — Nós o fizemos — respondeu em voz baixa. Sir Luis atravessou em seu caminho. — Temo que me diverti em excesso as custas de sua filha. mas seu olhar cinzento estava fixo em Brand. era.Lorde Richard estava ainda muito aturdido pela perigosa explosão de sua filha para responder. — Você me disse que sua esposa tinha sido assassinada. William colocou sua enorme mão sobre o ombro de Richard.

Mata amigos e inimigos da mesma forma. Para seu prometido ninguém importa. Luis encolheu os ombros. acentuando o desprezo que a jovem sentia por ele —. com um sorriso muito terno — Não — disse bruscamente. Nada disto era verdade. sentiu o frio aço de uma espada em seu peito. — Mentira! — reagiu Brynna. com ardor. cravou as unhas nas palmas das mãos. informarei ao rei. porque o novo senhor solicitou Alysia em sua cama. O fedor de cerveja amarga parecia penetrar por todos seus poros. mas recordou o modo como Brand se inclinou sobre a cadeira de Alysia. que dar a você! Brynna ofereceu um tenso sorriso ao cavalheiro e escapou para seu quarto. — Nesse caso. Luis secou uma gota de saliva dos lábios com a mão. — Não — Brynna retorceu as mãos no vestido. seu prometido estará enchendo sua donzela com sua semente. mas não deixaria que o patife visse sua dor — Prefiro dar meu corpo a Brand. Por que estava escutando esse canalha? — Você é um mentiroso! — deu um passo a frente—.— Lástima que sua donzela conhecerá lorde Brand. Estava agitada. embora tenha tomado a cem de minhas donzelas. Não me preocupo com o que faz — replicou Brynna. antes de você. Mas. — Faça o que quiser. enquanto você enche os ouvidos do rei. — Não tem importância. se voltar a aproximar-se. Sir Luis. descartando a imagem — Alysia está interessada em Sir Dante. o Apaixonado. seus 88 . quando tomou o que Risande queria. rapidamente. como pôde ter acreditado em Brand? Brynna tinha visto os ternos sorrisos que ele dava a sua sensual donzela. para enfrentá-lo. um querido amigo de seu senhor Risande. Brynna se deteve e voltou-se. Advirto-lhe. Alysia! Sua querida amiga! Ai. — O que quer dizer? — Alysia — um sorriso de desprezo surgiu em seus lábios. seu irmão deverá cuidar suas costas — Luis lançou uma gargalhada — Sir Alexander LaRouche. Dizem que o duque da Normandia que não pode visitar seu leito esta noite.

Tinha que olhar em seus olhos e descobrir algo. pelo corredor em direção as escadas. Sentiu sobre o corpo olhos de abutre. Os corredores de Avarloch estavam vazios. Como pôde ser tão tola? Com certeza. As numerosas tochas acesas e o fogo na grande lareira central lançavam sombras. Significaria que o homem que ela recordava era. Não haveria nenhuma esperança em seu matrimônio se o fizesse. Tinha que cuidar com sua língua. Abandonou seu quarto e caminhou apressada. Viu uma sombra mover-se e mãos saltaram para cobrir sua boca e a cintura. Não podia respirar a mão lhe 89 .sussurros secretos. Tinha que falar com ele. perguntar sobre Alysia e o "amigo”. Deve tê-la enfeitiçado também. e tudo debaixo do nariz de Dante. recordando de William da Normandia. só um sonho. quando ela se zangava. calculista. Saltou da cama e correu para a porta. desprezando a imagem de seu sorriso sensual. na verdade. que dançavam sobre as paredes dos largos corredores. Luis era um mentiroso. Tinha matado seu amigo? Não. Deteve-se e voltou a cabeça para olhar sobre seu ombro. que a observavam como um animal agonizante. E ela tinha visto com seus próprios olhos. Tinha que ser. Mas seu pai tinha advertido que o normando era perigoso. Tinha que existir uma explicação para tudo isto. Mas eu o vi. Ririam dela também? Ririam esta noite quando ele levasse Alysia ao seu quarto? Como pôde ser tão fraca para cair de novo sob o feitiço do patife? Sacudiu a cabeça. além de um frio mortal. mas risadas ainda se escutavam no grande salão. insensível. freneticamente. que matava seus próprios amigos. Deu um passo e se preparou para correr. que supostamente tinha matado. De repente um tremor lhe percorreu as costas. sua mente rechaçou a idéia. Brynna pressentiu um movimento em suas costas. Brynna não duvidava do que tinha visto naquele dia. Não podia permitir. na frente do selvagem que parecia obter um intenso prazer. Diminuiu sua marcha. levantando o vestido sobre os tornozelos. O piso de madeira rangeu. Havia dito que o sorriso angelical de Brand era enganoso. Vi seu amor por ela. que o homem que desposaria era um bárbaro frio. como demônios surgidos da vasta escuridão do inferno. também não tinha amado à mulher do lago.

Arranhou o rosto. como podia sequer olhar para ele. — É homem morto. A mão de Luis voltou a apertá-la. mas desta vez ao redor do pescoço. Merde. Todos os cavalheiros. enquanto usava a outra mão para tocar seus seios. apertando as bochechas dela com os dedos — Desfila pelo castelo. Brynna tinha muitas razões para odiá-lo. perto do quarto de Brynna. metade carregada. exceto Lorde Brand — rasgou seu vestido e a camisa debaixo dele. — Todos os cavalheiros em Avarloch a desejam. sem que seu coração derramasse ódio? Tinha todo o direito de odiá-lo. Tinha dado a ela a opção de aceitar um marido que já não sabia amar ou ser expulsa de sua própria casa. Caminhou em silêncio. Queria lhe dizer que sabia 90 . *********** Brand saiu do grande salão. Quando chegou à porta. Seu rosto estava muito perto. passou a mão pelo cabelo. sob as tochas que ondulavam sobre suas cabeças. Um fôlego quente e azedo por causa do vinho e da cerveja revolveu seu estômago —. mas sem êxito. — Disse esta manhã que seria minha — Luis apertou a palma da mão contra sua boca. expondo seus brancos seios. querida Brynna. pensou. mas parecia que a dor não existia para a força que a tinha apanhado. passando pelo corredor. fora do castelo. Estou farto de sua rebeldia — grunhiu. Meu pai. Brynna lutou ferozmente. e deu a volta para que seu rosto se tornasse visível. dentro das calças? — riu. que se achava atrás dela. Seu atacante a empurrou contra a parede de pedra. para sufocar seus gritos. para um pequeno jardim.. Voltou a cabeça e por um momento.apertava a boca e parte do nariz. Foi metade arrastada. vestida como uma prostituta e espera que os homens mantenham seu desejo sob controle. conseguiu afastar a mão que cobria sua boca. subindo a escada. pelo longo corredor. sobressaltado ao saber que os normandos tinham matado à mãe de Brynna e zangado porque tinham lhe ocultado essa informação. até quase fazer com que desmaiasse..

muito alto. Tinha que ter piedade dela e lhe dizer adeus. Brynna estava apertada contra a parede.o que tinha acontecido com sua mãe e pedir perdão pelo que seu povo tinha feito. quando percorria os intermináveis corredores de Graycliff. Seus olhos percorreram o imenso salão. Ninguém respondeu. Escutou um grito abafado e voltou à cabeça. do mesmo modo que Colette nunca o tinha feito. Sabia que não responderia. Silêncio. quando abriu a porta e ingressou no jardim. agilidade e poder. que arrancava seu vestido e afundava sua escura cabeça em seus seios. em seus sonhos. 91 . mas se desfez da sensação e entrou no recinto. Olhou diretamente para frente. em direção ao som. mas não abriu nenhuma. Ia se casar com uma mulher a quem não amava e que nunca poderia amá-lo. olhou de um lado a outro do corredor. ainda o surpreendia. de algum modo. enquanto se encaminhava para as portas do jardim. Com crescente desânimo. Certamente. não havia rastros de Brynna. mas os sussurros de seus sonhos invadiram seus pensamentos. sabendo. na verdade. Mas aonde iria agora que seu pai partiria para a Normandia com o duque? A imagem de Lorde Richard lutando ao lado dos normandos. mas o preço era. Apertou os lábios para não gritar. observou o longo e silencioso corredor. que encontraria Brynna quando chegasse ao final do corredor. Brand empurrou a fria madeira com a palma da mão. Uma explosão de ar fresco assaltou seus sentidos. O homem não tinha nada contra o povo que gerou os assassinos de sua esposa. Uma fúria tão negra que ameaçava sua alma deu a Brand velocidade. enquanto descia as escadas. Como tinha conseguido curar seu coração depois dessa tragédia? Ao chegar ao primeiro piso. O piso rangeu sob suas botas. Tentou outra vez. percorreu os corredores uma vez mais. pensou Brand. Um calafrio o percorreu. tinha retornado ao grande salão e ele não a tinha visto. lutando cegamente com uma sombra. As portas o chamavam de ambos os lados do comprido corredor. Estava sendo usado como um peão para libertar a Inglaterra de Lorde Richard. Onde estava ela? Queria chamá-la em voz alta. quando ele bateu.

Seus olhos selvagens passaram de Brand a Brynna.Só demorou um instante chegar até eles. sentiu que um grito se formava em sua garganta. preparando-se para dar o golpe final. com absoluto terror. William — foi um grunhido de advertência. Quase irreconhecível em sua ira. mas só quando viu seu salvador. e enquanto a jovem observava. O som distante de um trovão. É seu homem. O som do metal saindo da bainha de couro pareceu prolongar-se eternamente na mente de Brynna. Brand — suplicou William rapidamente. em voz baixa. Luis caiu aos pés do guerreiro. Brand tinha os olhos muito abertos. em cima do ombro de Brynna. Olhe para 92 . Brand afastou o cavalheiro e esmagou sua cabeça contra a parede. — O que está fazendo? O que aconteceu aqui? — era William. que William quase o libertou. mas Brand não permitia a Luis que afundasse no chão. Com um rápido e eficaz puxão. começará uma guerra por matar um dos cavalheiros do rei? A dama não sofreu nenhum dano. que agora estava agachada em um canto. brilhando com os raios da lua e a luz das tochas no jardim. e ardiam com uma fúria tão terrível quando olharam ao homem que o estava detendo. enviou os dentes de Luis ao piso. Mãos enormes e poderosas imobilizaram seus braços no ar. Agora. contra a parede—. Estendeu a mão com a rapidez de uma flecha e a fechou ao redor da cabeça de Sir Luis. O sangue que emanava da têmpora. — Ele estava tentando violá-la. — Deixe-me levá-lo diante do rei. — Solte-me. Não faça. Brand — advertiu o duque. o normando desembainhou a espada que levava na cintura. deu a volta e com um punho que voou como um martelo. do nariz e da boca de Luis salpicou o rosto da moça. Agarrando-o pela gola da camisa. — Non! Evita uma batalha casando com ela. Brand ergueu o braço. ainda lutando para evitar que a espada caísse sobre a cabeça de Luis. A espada já estava livre. O corpo do cavalheiro inglês desabou depois do golpe.

protegendo os ouvidos do terrível trovão da voz de William. Brand libertou seu braço com um puxão e deslizou o fio da espada. em minha casa. com severidade. O duque da Normandia assentiu. gentilmente. Um pranto afogado prendeu a atenção de Brand. Quando terminou. nem nada. até a saia. mas não permitirei que o prendam. antes de lançar a espada no chão. Baixe a espada. onde há apenas alguns 93 . e com uma força que enviou William cambaleando para trás. viu seus olhos verdes. Podia cheirar o sangue de Luis no ar. Brand ergueu seu gélido olhar para seu amigo. ou sequer tentar. que brilhavam com temor e lágrimas. nem a guerra. — Ah.ela —os olhos de William não abandonaram os de Brand. De repente. — Forçou-a? — inquiriu o duque. — Nenhum homem voltará a tomar o que é meu. — Muito bem. e depois. olhando uma vez mais à mulher. solte-me. Ele a forçou. por matar este montão de imundície. estendendo sua mão para alisar as mechas de fogo e afastá-las de seu rosto — Brynna? Ao erguer seu rosto. pela garganta de Luis. — Está ferida? — perguntou. A rede de prata tinha sido rasgada. em silêncio. que produziu um eco no jardim. Não importava a prisão. lentamente. tranqüilamente. Começou a chorar. vê? — insistiu William. que tinha a cabeça baixa. queria acabar com ele. num piscar de olhos. agora! Brynna afundou no piso. senhora? Por um momento Brynna não pôde responder. Caiu de joelhos frente a ela. quando falou com Brynna —. voltou seu olhar para o duque. devido ao medo que lhe apertava a garganta. — Advirto a você pela última vez. para o ensangüentado e temeroso rosto de Luis. Brand queria matá-lo. o jardim. antes de abandonar. Os olhos de Brand se dirigiram para ela. na luta com Luis e o cabelo de bronze caía sobre seus ombros nus. Olhou o formoso e sombrio rosto de Brand. Podemos nos bater em duelo pela manhã. — Não.

a paixão que governava seu coração se transformou em uma fúria. — Sim! E então o matou diante de meus olhos! — E isso a perturba. mas já não gélidos. ficando de pé. —Talvez esteja desiludida. — Ele estava a ponto de te forçar! — gritou Brand. E embora ainda restassem alguns indícios disso. Brand se afastou. — O que? Deslizando as costas contra a parede. Um olhar de gelo puro. de um tom azul cristal. Sem dizer uma palavra.. Não teme nada. 94 . seus olhos voltaram-se para ela. completamente aterradora. Brynna ficou de pé. Seus dedos arderam quando se encontraram com o rosto de Brand. Nem ao duque William. que aparecia sob seus dedos. como se ela estivesse segurando uma tocha acesa sobre sua pele. fracamente. porque cheguei antes que acontecesse alguma coisa.. — Que tipo de demônios o possuem? — perguntou Brynna.instantes. nem ao rei. percorreu a carne aveludada. A mão de Brynna açoitou o ar. Olhou-a fixamente por um momento. Nem sequer à guerra. — É tão frio. Ele girou seu rosto uns centímetros. meu senhor — anunciou Brynna tranqüila e seca. uma terna preocupação tomava seus olhos. com a força do golpe. Colocou o tecido rasgado do vestido sobre seu seio exposto. deu a volta e abandonou o jardim. depois do que ele fez? — Não sou um bárbaro como você. frios.

permaneceu imóvel. Como podia voltar a confiar em seus instintos? 95 . Passou os dedos pelos cachos e amaldiçoou. e balançou as pernas sobre a beira da cama. a ponto de não ver seus próprios pés caminhando para a toca do lobo? Sempre tinha acreditado em seus instintos. O engano mais simples podia custar a vida a ele ou a seus homens. Havia se sentido tão seguro de seus passos. Queria que Colette dissesse como tinha podido enganar-se tanto com ela. Abriu os olhos.Capítulo 9 O amanhecer se infiltrava no quarto de Brand. Como guerreiro. e. Piscou e olhou através da coluna de luz junto a sua cama. recostado de barriga para baixo. tinha sonhado que caía de um precipício. Novamente. apagando as imagens de Colette de sua mente. os raios de luz iluminavam sua cabeça. tinha caído. Por que me traiu? Queria gritar. não podia errar. entre dentes. Nada se movia quando a realidade caiu sobre ele. Havia confiado a Alexander a sua. Por um momento. Sentou-se. Como tinha permitido cegar-se pelo amor. esgotado. entretanto.

sonolento. Este maldito quarto está congelado e está demorando com minha cerveja. Só disse isso porque gosta de Dante e eu não queria que você deitasse com ela. — Ninguém pode "só" te dizer algo. ao não encontrar uma túnica apropriada. ontem à noite. A porta se abriu com um golpe e o sorriso zombador e alegre de William iluminou o quarto. Seu sorriso sumiu. — Só tinha que me dizer que Dante a queria. Alysia com sua cerveja. Ajustou as meias de lã sobre as coxas fortes e musculosas e prendeu a calça no quadril. calçou as botas e levantou a vista para olhar as escuras sobrancelhas de William —. — Alysia. — Com Dante? — repetiu William. Não tinha que me enganar. Não devia ter deixado que ficasse com Dante. pensou Brand grato. — Com Dante. que não sabe o que é a palavra "não". amaldiçoou outra vez e as colocou.Foi para a cadeira. William fechou a porta atrás de si e desabou em uma cadeira. 96 . com um ruído seco e pesado e uma expressão ferida desenhada em seu rosto. Brand fechou a porta do armário com força. onde pendurava suas meias e suas calças de linho leve. — Entre. — Isso não o deteve. — Não tinha intenções de trazê-la para meu quarto. — Onde está a moça? — Que moça? — disse Brand. Sentado na cama. fazendo com que Brand caísse para trás. provavelmente — disse Brand. franzindo o cenho. — Bom dia! — William olhou a cama e o restante do quarto. depois que eu a solicitei? Brand ficou de pé e procurou uma túnica em seu armário. Suspirou. os olhos arregalados e cheios de desdém — Deu a moça para Dante. Bateram na porta. É um bastardo obstinado. Não estava com humor para seu alegre amigo esta manhã.

— Sabe — William passou a perna sobre o braço da cadeira. enquanto examinava uma túnica de veludo escarlate. ignorando a inocente expressão de vitória de seu guerreiro. antes de passar túnica pela cabeça. há uma lei que impede de matar um guarda do rei. se não tivesse falado com Eduardo em sua defesa. a tampa de um baú gasto que trouxera de Graycliff e ainda não tinha sido desempacotado e olhou brevemente William. William suspirou e sacudiu a cabeça. despreocupadamente. Um leve sorriso complacente se desenhou nos cantos da boca de William. por cima do ombro. — Não dite normas tolas. — E teria sido o castelo do rei. não vou tolerar nenhuma desobediência. olhando de esguelha para William. zombador. tolas ou não. e a prometida de outro na próxima semana. Coisa que não fará agora.Brand abriu. espera você em seus aposentos. — Um fato do qual eu não me orgulharia. — Isso é o que eu gosto em você. Os cachos coroaram a abertura da túnica antes que o rosto de Brand emergisse. Bateram na porta. e não terá que fazê-lo. se fosse o rei Eduardo — disse Brand. sua bota gasta nas batalhas balançando no ar — Quando for rei. Mesmo assim. — Entre . com seu sorriso sarcástico. Este é meu castelo e esse sujo imprestável estava forçando minha prometida. para que informe sobre o que aconteceu ontem à noite. secamente. que tivemos nossa pequena conversa. Brand. Brand só obedeceria as leis que escolhesse obedecer. Goste ou não. Sir Luis era um dos cavalheiros pessoais de Eduardo. Não se importa se o Rei ameaçar te jogar nas masmorras.disse William. Brand. bruscamente. nem sequer a sua. — Não devia ter se envolvido. — É inútil discutir contigo — concedeu o duque. sem importar de quem viessem. —Tem minha gratidão — sorriu Brand. por cima do ombro. 97 . sabendo que.

em um sorriso amplo e satisfeito. sua cerveja. Dante —William sacudiu a cabeça — Onde aprenderam a ser tão desonestos e sedentos de sangue? — Contigo — responderam em uníssono. em lugar de Alysia. levantando—se de sua cadeira. Indisposta. Ao menos. indisposta! — exclamou William. quando seu irmão matou Sir Luis. Mas espere. preocupado. por fim. levando uma taça de cerâmica. — Olhou para Brand com severidade. — Alysia está. — Estava tentando se passar com Brynna. Estava a ponto de explicar a Brand por que trazia a bebida. — Também explica por que não estava ao meu lado ontem à noite. Então. caindo uma vez mais sobre a cadeira — É perfeitamente compreensível então por que você está cumprindo os deveres da moça. — Matou? — a expressão de Dante passou de divertida a incrédula. Dante encolheu os largos ombros e encontrou o olhar de William.. Os traços severos de William relaxaram. procurando ajuda. — Agora diga-me — William se inclinou em sua cadeira e ofereceu a Dante uma careta ardilosa — o que quis dizer com "indisposta"? Dante ergueu seus olhos para seu irmão. o que é isto? — William estudou o rosto de Dante —. Dante olhou seu irmão. mas Brand só sorriu. quando William o pressionou para que respondesse.. — Não o imite. patife? Sem saber o que responder. enquanto resmungava. — Sabia! Disse a você que eu não gostava do bastardo.Dante entrou no quarto. é mais honrado que seu mentiroso irmão. chegou. — Ah. Onde está a formosa donzela esta manhã. — Então eduquei bem aos dois. Tomou rapidamente a taça da mão de Dante e a alcançou a Brand —. — Graças a todos os Santos! — gritou o duque. você não é Alysia. quando viu William e seus lábios se converteram em uma linha fina. voltou sua atenção a Dante. por cima do ombro de William. Brand levantou as sobrancelhas e o humor 98 .

curvou a comissura de sua boca. quando o olhar de Brand passou de Lorde Richard ao rei. já que a senhora certamente desmaiaria na presença de uma besta tão desalmada como ele. O rei Eduardo ficou de pé. sente-se. pensou. que parecia um urso. com os lábios tensos. Mas nenhum tecido luxuoso pôde suavizar os severos ângulos de seus traços. Era alto. Brynna levantou a cabeça quando os três homens ingressaram no aposento. enquanto avaliava o andar de seu prometido. como um incêndio florestal. Escudeiros e donzelas ocupados em suas tarefas matutinas se inclinavam. Lorde Brand — disse o rei. Brand saiu do quarto com William e Dante ao seu lado. Tinha sentido o leve aroma de jasmim no ar e uma imagem de cabelos acobreados tomou conta de sua mente. Ela tinha passado por ali fazia apenas uns segundos. A cor rubi profundo do veludo trazia calor a seu olhar. que estava sentado em uma cadeira forrada de veludo dourado. antes que seus olhos se deslocassem. conforme os três homens passavam. Possuía a graça de um lobo que contrastava com a musculosa densidade do tosco duque William. mortalmente rápido. Seu olhar abatido pousou ali por um momento. na noite anterior. enquanto ele também esperava a resposta de Dante. Estudou o cavalheiro normando. Os cachos caíam desordenados sobre seu rosto e o faziam parecer encantador e divertido. Eduardo se arrependeu de ter escutado William e não ter apressado a morte do cavalheiro normando. O coração pulsava com força no peito como sempre acontecia quando via Brand. franzindo o cenho diante da leve reverência que fez um gesto que parecia mais de ironia do que de respeito. Menos mal. Brynna lembrou-se que tinha que respirar. mas ele quase não os notou. A rica túnica escarlate que usava o tornava especialmente sedutor esta manhã. 99 . costas largas e forte. — Por favor. de Eduardo a Brynna.

retorcendo-se inquieta em sua cadeira. tranqüilo. Seu corpo. Puro poder. Ele é um homem. disse uma voz dentro de sua cabeça. A perna dobrada estendia-se além da sua. seus olhos ardiam e suas narinas se agitavam. Brynna podia sentir a força de Brand ao seu lado. antes de sentar-se. com uma bandeja de cerveja. como se um escudo de aço o cobrisse. Mas Brynna não podia evitar a lembrança de sua carícia quando agarrou-se a ele. O amparo de seu prometido também podia tomar a forma de um abraço forte.William grunhiu e lançou a Eduardo um olhar mortífero. despedindo com um gesto rápido da mão um criado que tinha entrado no aposento. Assentiu cortesmente. logo depois de ter sido descoberta pelo duque normando no primeiro dia em Avarloch. Incapaz de ignorar sua imponente presença correu os olhos verdes. — Senhora — saudou-a. Lorde Brand — inquiriu o rei. Meu Rei. não uma explicação surgida do temor — advertiu Eduardo. diante de suas ações na noite passada? O sorriso preguiçoso de Brand era mais perigoso que um grunhido. Brand escolheu a cadeira mais próxima de Brynna. — Lorde Brand — a voz do rei trouxe Brynna ao presente —. uma arma capaz de matar qualquer coisa que ameace o que lhe pertence. — Quero a verdade. e o senhor do castelo de Avarloch sacudiu a cabeça. em um gesto gentil. — Quero saber o que aconteceu com a dama. Cruzou as pernas e levou a grossa trança acobreada às costas. afogando um suspiro. — Estava possuído por demônios. Brynna fechou os olhos. indicando que se retirasse. A ira de Brand ferroou seu coração. que parecia frágil e diminuta em comparação. que apareciam sob seus espessos cílios. Ela estaria ali para acusá-lo diante do rei? Arrependeria-se de sua decisão de ficar em Avarloch se fosse assim. para o suave linho negro que cobria as grossas coxas dele. O criado olhou para Brand. firmeza de guerreiro. 100 . Junto dele. mas terno. o que tem a dizer em sua defesa. levemente. quando passou ao seu lado e sentou-se junto a Lorde Richard.

seriamente. desta vez sem piedade? Os olhos severos do rei não 101 . e as mãos cruzadas. o teria aniquilado. sabendo que tem todo o tempo do mundo para matá-lo. Protegerei a todos que vivem nele com minha vida e sem temer às conseqüências. como você mesmo decretou por sua própria mão. mas sua voz era calma — Depois de comer em meu castelo. Eduardo ignorou William. — E eu também sou um monstro — se interpôs Lorde Richard —. despreocupadamente. Mas quanto tempo passaria até que o rei se livrasse de seu pai. — São três loucos desalmados — disse Eduardo. — Assim seja — respondeu William. meu novo amigo — William sorriu jovialmente para Richard. Amaldiçoou-se por pensar que este primo normando estaria do seu lado contra Lorde Brand Risande. senhora? Brand ficou rígido. — E ele não tem por que prestar conta de seus atos. Eduardo — adicionou por sua vez William. enquanto você simplesmente observa e dá ordens de uma posição bem protegida — adicionou Brand impaciente. — Este castelo me pertence. —E é por isso que nós lutamos nas batalhas. secamente. — Não falo por temor — uma sombria neblina cobriu o azul esverdeado de seu olhar. pois se tivesse apanhado seu cavalheiro tentando forçar minha filha. — Este homem é um monstro. esperando sua resposta.Brand sentou-se. O rei Eduardo simplesmente olhou para Brand. — Achava-se em perigo em presença de Sir Luis. com minhas próprias mãos. com desprezo. e voltou o olhar para William. O rei se voltou para a Brynna. vendo que a presença do duque ali era inútil. como um gato que observa um camundongo. Brynna sabia que esta podia ser sua oportunidade de recuperar Avarloch. — Como eu. Teve sorte de que lhe cortasse a garganta com tanta rapidez. esperando que a dama lhe desse um relatório civilizado do que tinha acontecido. com os cotovelos sobre os braços da cadeira. Um monstro com o qual você terá que lutar algum dia. o homem atacou minha prometida. Piscou lentamente.

— Sim. esperando convencer Brand de sua sinceridade —. Mais ainda. seu prometido seria encarcerado.. Já não tinha sentido ocultar. mas compreendia o que era a honra. serei a esposa de Lorde Risande. Não tinha sido sua intenção dizer. quando Lorde Risande nos encontrou. Recordou como havia ofendido Brand quando o chamou de "bárbaro".expressavam nada além de ódio por Brand. pensou Brynna rapidamente. meu Rei. Não. seu relato —Sir Luis rasgou meu vestido e estava estrangulando-me. tentando ignorar o gelo que emanava de seu prometido ao olhá-la — Ele só estava protegendo o que lhe pertence — permitiu-se olhar Brand nos olhos — Como faria qualquer guerreiro. Sir Luis disse que me violaria. Provavelmente todos também sabiam que havia se deitado com sua donzela Alysia na noite anterior. — Sua Majestade — continuou Brynna com mais cuidado agora. temi por minha vida — Brynna começou. Exceto meu prometido. — Embora ele não deseje. mas agora que estava dito se alegrava. com calma. estou grata ao meu prometido por me salvar de seu cavalheiro. e que todos os cavalheiros a seu serviço queriam fazê-lo. mas estava longe de sentir prazer com sua resposta. em vez de repreendê-lo. porque pensava que ela estava brincando de modo inocente com ele. e embora a fúria de Brand a assustasse. A sala foi invadida por um silêncio tão grande que podia escutar o crepitar das chamas sobre a cera das velas. e me ofendem estas acusações. logo depois de ter evitado que fosse violada. e ele estava preparando para aceitar o desafio. e se ela dissesse o que ele queria escutar. que se agarravam às dobras da saia de seu vestido de cor açafrão. Não estava zangado com sua resposta. Talvez. captando algo mais na leve curva de seus lábios. Brynna voltou a cabeça para olhar Brand. Sua Majestade deveria questionar a honra de seus homens. sabia que nunca mais o questionaria. Os olhos de Brynna recaíram sobre suas mãos. quando a estivesse protegendo. Meu Senhor — afirmou ela. 102 .. Todos sabiam que Lorde Risande teria preferido uma batalha do que casar-se com ela. Sua fantasia sorriu. Não compreendia as atitudes dos homens. parecia a ponto de lhe cortar o pescoço.

Brynna recordou o homem do lago. — Plantou-lhe um áspero beijo na mão delicada. Mas. — Lady Brynna — William se inclinou sobre sua cadeira e tomou sua mão—. tinha que admitir que estava em um jogo muito perigoso com seu prometido. Brand se foi. Não foi necessário. você. e tinha fracassado. junto a sua futura cunhada. Dante se levantou da cadeira. Olhou para William. — Oui. é uma digna esposa para Brand. e porque Sir William solicitou isso — lançou ao duque um olhar significativo — não seguirei interrogando Lorde Risande. uma vez que você será sua esposa. Como podia castigar o desafiante cavalheiro sem parecer que não se importava a segurança de sua própria gente? — Muito bem — suspirou—. — E não esqueça mal-humorado e insensível — exalou um sonoro suspiro que fez Dante rir. Ele ficou de pé abruptamente. O rei Eduardo fez um gesto de despedida com a mão e antes que Brynna pudesse erguer os olhos. empurrando para trás a cadeira em que estava sentado. na verdade. às vezes. sabia que acabava de perder esta batalha. Brynna assentiu com um leve sorriso. e William estava encantado. para abandonar o aposento. Temo que se esqueceu. Brynna assentiu. Atrás dele. mas em lugar de seguir Brand tomou a cadeira de seu irmão. Havia dito o correto para proteger Brand. — Meu irmão pode ser odioso e altivo. Brynna suspirou profundamente. O duque se dirigia para ela com passos largos e elásticos e um sorriso amplo desenhado no rosto. deu-lhe um sorriso branco e abandonou a sala. ele pode ser assim — disse. ou talvez tenha medo de ser quem era antes. Sua boca carnuda desenhava um sorriso fácil que suavizava seu olhar cristalino. Eduardo e Richard se levantaram. — Terminamos sua Senhoria? Tenho outros assuntos para atender. 103 . ao mesmo tempo. Precisava saber se ainda havia dor no olhar azul de Brand. agora sério— Mas ele é muito mais que isso.Os olhos do rei se suavizaram com resignação.

Sua prometida era virgem. com voz gelada. Mas seu amor foi traído — começou. Recordou o frio brilho no olhar deste homem quando Brynna sugeriu que a única razão pela qual ele a tinha protegido era porque lhe pertencia —. Brand franziu o cenho. 104 . Brand ofereceu a Richard um sorriso irônico. e você pareceu zangar-se. — Não me interessa o que ela pensa de mim. protegerei o que é meu. por quê? Inquieto. Nisso tem minha palavra. não há necessidade de recordar minhas próprias palavras. — Devo admitir que me preocupava que você não fosse tratar minha filha com amabilidade. como faria qualquer guerreiro. por certo.— Pode me dizer o que aconteceu. —Mas nunca a quererá tampouco. — Richard o olhou com os olhos entrecerrados. Ela segue intacta. e como sua filha mesma declarou. — Lorde Brand! — o pai de Brynna alcançou o escuro cavalheiro no corredor —. enganou-se. sua irritação diante do insulto era evidente no tom de sua voz. e por proteger sua honra. — Ele a amava. madame. E por que deveria surpreender-se? Nem todas as mulheres na Inglaterra abriam as pernas tão facilmente como fazia Colette. Brynna será minha esposa. disse isso. Dante? —perguntou gentilmente. — Ele morreu muito rápido — respondeu. — Sim. pousando sua mão sobre a dele. Isso é tudo o que deve lhe preocupar. Brand apertou a mandíbula. Richard assentiu. Dante olhou seus longos e elegantes dedos e ergueu a vista para olhá-la. O que quer que você acreditou ver. por favor. — Nunca lhe faria mal — argüiu Brand. — Sei o que disse senhor. seus olhos se tornaram sombrios. permita-me expressar minha gratidão por resgatar a minha filha desse bastardo.

Mas não me equivoco quando digo que minha filha necessita de amor além de amparo. — De verdade — respondeu Brand quase grunhindo.— De verdade? —perguntou Richard. 105 . — Muito bem. Brand grunhiu. Equivoquei-me. duvidoso. apesar de tudo. então — sorriu e procedeu cautelosamente—. baixou a vista um segundo e logo voltou a levantá-la. — Então talvez ela não pertença a Avarloch.

arrebatou mechas acobreadas de sua trança e as fez dançar sobre seu rosto.. não menciona seu nome quando acorda. "Seu amor foi traído. Todos sabiam. Um vento ergueu a capa ao redor das pernas. Brynna entrecerrou os olhos e olhou para o bosque distante. As palavras de Dante ressoavam em seus ouvidos como o uivo do vento. Mas Alex era um soldado leal e um amigo de confiança. Sua voz era mais doce que qualquer néctar. Enquanto Dante lhe contava sobre a apaixonada de Brand..Capítulo 10 O agudo vigor do ar invernal tocou o rosto de Brynna quando saiu ao parapeito. defendendo-se do frio que arrancava o feno dos fardos empilhados contra a parede. e o pronunciou quase sem fôlego. coroado por uma miríade de cores do outono tardio.” — Lady Colette de Marson. Talvez nada tivesse acontecido. posso escutá-lo de meu quarto. seus olhos se obscureceram até adquirir um tom cinzento-O cabelo lhe caía sobre as costas como uma cascata dourada.. Um frio que substituía a paixão que uma vez tinha dado vida. Ajustou a capa.. Mas Alexander a desejava. Devíamos ter dito a Brand. — Dante tinha dado um nome à beleza de cabelos de seda. Nunca pronuncia seu nome — a pena penetrava a voz de Dante e Brynna pensou que talvez tivesse esquecido que ela estava sentada ao seu lado 106 . Entretanto... pensou novamente. Brand trouxe o frio consigo. Todos a amavam. — Ele grita seu nome durante a noite — tinha confessado Dante —. Nunca pensamos. Um frio que protegia seu coração da angústia e da traição das pessoas que tinha amado pessoas nas que tinha acreditado.

Ainda está de pé. — Falta pouco para chegar o inverno. como se o peso da dor de seu irmão fosse muito para carregar sozinho. Quantas vezes essa mulher tinha visto seu sorriso? Quantas vezes ele tinha lhe oferecido seu coração? — Bom dia. em forma de diamante que a égua tinha entre os olhos.enquanto falava . Um brilhante sorriso cruzou o rosto. Seus olhos de cor esmeralda se ajustaram a tênue luz das velas e aos magros raios de luz que penetravam pelas velhas paredes de madeira. Assim. — Como vai? — perguntou. O olhar de Brynna recaiu na enorme égua castanha que estava no estábulo com o ventre inchado. enquanto uma rajada de vento soprava para o interior do estábulo. o dobro de seu tamanho.Talvez não devesse tê-la expulsado — Dante tinha sussurrado seus pensamentos em voz alta. menos a do sorriso de Brand. A moça passou a mão pela mancha branca e aveludada. minha senhora. Brynna tremeu e ajustou a capa. Por sorte. Quero que você o compreenda: ele vive com as promessas que tem feito. — Por que me diz isto? —perguntou. o potro nascerá logo. não vai parir hoje. — Peter seguiu varrendo. caminhando para a égua. 107 . mas que nunca poderá cumprir. Dante encolheu os ombros. Peter deixou de varrer o feno e levantou a cabeça. Pertencia a Colette de Marson. havia algo de verdade nos rumores. Tratou de afastar suas lembranças. esparramando o feno a seus pés. Brand tinha encontrado Colette e seu amante juntos. as imagens de Brand e Colette voltaram a vida na mente de Brynna. mas não queria escutar mais. Peter — saudou o jovem do estábulo ao abrir as pesadas portas das cavalariças. — Bom. sua tenra carne congelaria. — Peter deixou a vassoura e a ajudou a fechar as portas. se não. Caminhou aos estábulos para ver sua égua prenhe. — Talvez você possa fazer com que a esqueça. — Bom dia para você.

. — Ele grita seu nome durante a noite. Seu olhar era tão decidido como o de uma águia que acabava de vislumbrar sua presa. Brynna o observou emocionada pelo modo quase comovedor como falava com a égua. Ele levantou a mão para acariciar a suave pelagem da égua. Minha égua. ansiosa do contato de uma mão tão terna. Está prenhe. quando a égua soprou e afastou a cabeça diante do contato do estranho. — Deixe-nos — havia uma crua exigência em sua voz. sua respiração tão suave como um sussurro. tudo está bem — a acalmou. Por amor de Deus. enquanto o animal soprava e chutava para trás. suas finas linhas e a redondez de seu ventre. — O que está fazendo aqui? — perguntou Brand. — ouviu Brynna por sobre o tranqüilo tom de sua voz—. Por sorte seu poderoso olhar a abandonou antes que se derretesse por completo.. Elogiou a beleza da égua. Mas como podia? Sabia que este homem não temia nada. Eu v-vim v-vê-la — gaguejou à medida que Brand se aproximava olhando os lábios e o pescoço. quando Brand entrou.. com uma explosão de ar frio. Quase não conseguiu respirar quando ele se aproximou. — O sorriso do Peter se desvaneceu ao ver o homem frente a ele. Brand deu uns poucos passos em direção a Brynna. que fez com que Peter deixasse cair a vassoura imediatamente e saísse depressa do estábulo. pacientemente. e tão formoso como um negro lobo solitário sobre um campo recém nevado. Esperou.. enquanto ela falava.. As portas rangeram em suas dobradiças e a brilhante luz matutina invadiu o estábulo. mas não passou muito tempo até que a égua aproximasse sua cabeça. ele era tão cru quanto o inverno mais cruel. — Ssh.— Invejo você — sussurrou ao animal—. fechando a porta atrás de si. acalmada por sua voz gentil. como se compreendesse o temor do animal. 108 . dar vida a outro ser é algo maravilhoso. Sua voz era tranqüila.. — Meu senhor. Sua presença a entorpecia.

meu senhor. — Sua boca voltou a subir encontrando a dela. Mas eu te desejo. Fechando os olhos. Brynna riu. Brynna podia sentir a força de seu olhar.—Você acalma muito bem o medo. Os lábios de Brand enviaram uma chama ardente que desceu pelo canto de seu rosto para o pescoço. meu senhor... eu não quis dizer. Deslizou a mão ao redor de sua cintura. na realidade. Sua voz se tornou mais profunda. enquanto acariciava a cabeça da égua. — Mas não o teu — assinalou ele com doçura. Ele tinha acendido um fogo abrasador em algum lugar debaixo de sua cintura. onde ele beijou sua leve pulsação. O som era forte e forçado. — Sou um bastardo sem coração e desumano. Brand voltou o olhar para ela. não esqueça.. — Não. — Não tenho medo. Não é assim. — Estava tão perto que podia sentir o aroma de seu cabelo. em um beijo ávido que lhe tirou o fôlego.. Ele levantou uma sobrancelha preguiçosa. a meio caminho entre um suspiro e uma exclamação. Até na tênue luz do estábulo. que vê o que quer e toma. estudando-a. já sem nenhum toque de ternura. meu senhor. — Acha que não posso ser gentil.. mas se moveu mais perto ainda. Apoiou os lábios brandamente contra a têmpora de Brynna —.. — as palavras da jovem ficaram presas em sua garganta. até que seu peito firme roçou os seios ofegantes. — Quis dizer o que disse — aproximou-se mais dela. ela deixou que seu quente fôlego a tomasse. muito perto. enquanto ele roçava o suave contorno de seu rosto com a ponta do dedo. — Sou um guerreiro possuído por demônios. Brynna? — Seu fôlego roçou o rosto. um fogo que subia direto até seu coração. para aproximá-la da firmeza de sua virilidade. eu. Ela baixou a vista. Observou-a com olhos que sondavam sua alma. Aproximava-a mais e 109 . sua boca sensual quando lhe ofereceu um sorriso franco. —E acha que não te desejo. Sua mandíbula era agressiva. masculino. — Eu.

Mas queria mais. Ele se afastou tão lentamente que ela quase caiu em seus braços poderosos. lhe deixando ver o veludo escuro de suas pestanas. estava certa de que a tomaria meigamente. mas a lembrança do êxtase de Brand enquanto nadava. Levantou uma mão e suspirou. e o corpo de Brynna se entregou as suas carícias. mas o desejava. Tinha esquecido como era bom segurar uma mulher em seus braços. sem resistência. entretanto. acalmando a dor de sua paixão com sua voz de mel. surpreendendo-a. Quando passou as palmas quentes das mãos sobre o batimento do coração em sua garganta. Ele sussurrou seu nome. Tinha-o desejado desde o primeiro momento em que o viu. inclinando a cabeça para beijar a comissura de seus lábios. tornava-a completamente fraca em seus braços.. O desejo de Brand a devorou. e queria ver-se em seus olhos. ávido calor de seu corpo. ante a suavidade de seu cabelo enquanto o alisava sobre sua fronte. A respiração de Brand tornou-se pesada e entrecortada. Nunca tinha estado com um homem. Uma paixão crua se agarrou nela. Sua língua passou sobre a dela. tinha deixado aceso partes de seu corpo que enviavam rastros ardentes a suas bochechas. Queria cobrir sua pele com o duro. a sua paixão? Sua força a consumia.. confirmando que podia ser gentil. — Entregue-se a mim agora. Assolou sua boca com cruel perícia.mais.. brandamente. seu contato era tão terno sobre sua pele que tinha vontade de chorar. Queria ser amada por este homem sensual. senti-lo quando a acariciava. Como poderia sobreviver a suas carícias. Queria que a olhasse como tinha olhado a seu anjo. Ela o desejava ansiosa por sentir sua força cobrindo-a. Brynna gemeu. enquanto deixava que ardentes flechas de fogo percorressem suas veias. — É tão formosa — sussurrou. Que Deus tivesse piedade dela. 110 . até que ela pensou que se fundiria a ele. Incapaz de olhar esses formosos olhos e não ver a emoção que ansiava. Queria fazê-lo sorrir como Lady Colette tinha feito. Brynna baixou o olhar.. Queria ser tudo para ele.

— Tomarei o que quero como o selvagem possuído pelos demônios que sou. e toda a dor que podia suportar. ao saboreá-la. com sensualidade. Podia perder-se em seu 111 . — Brynna. Seu sorriso era como uma espada desembainhada.. Brynna já tinha uma opinião formada sobre ele. — Não me deitei com Alysia! Eu só disse a William.. Oui. pronta para atacar. Ela o observou sem poder fazer nada enquanto ele levava o dedo a sua própria boca. — Serei mais que uma donzela para ti. Lorde Brand — ela insistiu. Um ar gelado penetrou nos pulmões de Brand quando saiu do estábulo.. não serei o que Alysia foi para ti ontem à noite. senhora — prometeu com um tom afiado no tom de voz— Será minha esposa. Mas a voz de Brynna cobriu a sua. e então já não pedirei. sua voz baixou para um ronronar provocante. Apertou os dentes. Os olhos de Brand endureceram. — Deslizou a ponta do dedo sobre a boca de Brynna. Somente tomarei. deixando que o frio cortante atravessasse seu coração.. Era um bastardo desalmado que se deitaria com suas donzelas numa noite e com ela na seguinte. com toda a força que Brynna pôde reunir. Seus olhos azuis nublaram-se. Aspirou profundamente. — Não. Exigiu. tinha razão. nervosamente.. — Ele a aproximou novamente.E então. e se separou dele. Sabia que tinha que tomar cuidado com esta mulher. Desta vez. — Oui. a surpresa e um certo aborrecimento encheram seus olhos. — Não! — ela deu um passo para trás—. seus lábios esculpidos tão perigosamente excitantes. Brand se deteve. Nunca o amor voltaria a cegá-lo.. manteria os olhos bem abertos e não cairia nunca mais desse precipício. resistiu. secando a umidade que tinha ficado ali quando molhou os lábios. você será mais.

sentiu urgência de retornar ao interior. e instantaneamente. — Peter. meu senhor! — gritou o moço. com uma perna envolta em couro apoiada sobre o braço da cadeira. Não era difícil cair vítima do calor de seu olhar e da inocente paixão de seus beijos. O lobo o tinha avistado. A imagem de um pássaro não foi a primeira coisa que veio à mente de William quando Brand entrou. apressado. uma taça de cerveja na mão e uma donzela de cabelos escuros em seu colo. — P-Peter. apontando Peter com o dedo— Como se chama? O moço do estábulo deu um pulo e parou. cuide da égua. Tinha que resguardar-se. Olhos agudos observavam. segundos mais tarde. preparar-se para este matrimônio como se preparava para a batalha. ainda tremendo. fixamente. Diferente do calculado controle que se escondia atrás dos tímidos sorrisos de Colette. prontas para baixar sobre o castelo de Avarloch e devorar todos seus habitantes. O duque normando descansava comodamente em frente da enorme lareira. Peter viu Brand aproximar-se. quero que relate imediatamente — Brand não diminuiu a marcha enquanto falava e continuou caminhando para o castelo. no grande salão. o sorriso de Brynna era tão franco quanto seu encanto. — Você! — gritou Brand. como se fosse um tenro pedaço de carne. Não o comeria vivo? — Sim. Lady Brynna Dumont era um rival perigoso. pelas portas da frente. Ao sair das cavalariças. Mas era muito tarde para correr. Brand caminhou rapidamente para ele com olhos severos e a mandíbula tensa. meu senhor. A escura capa que flutuava ao redor do corpo do Brand parecia um par de asas de falcão. como se estivesse em uma missão. Mas teria concordado com Peter de que o novo senhor de Avarloch parecia a ponto de cravar os dentes em alguém. Se houver alguma mudança em sua condição. vestindo uma armadura resistente às flechas do Cupido. “Isso é tudo?” pensou Peter.temperamento incitante e na ternura que via em seus olhos. 112 .

William riu. Um ar severo dominava seu semblante. — Algo quente para beber — disse. William murmurou algo no ouvido da moça. sem olhar para William. —William suspirou. desprendendo o broche de prata do pescoço. Acredita que me deitei com sua donzela Alysia — disse secamente. — De fato. — Non. — Suas bodas! Primeiro não queria casar com a moça e agora está apressado como um homem que tem fogo nas calças. — Ah. enquanto seu amigo ria. até que a compreensão tomou conta do rosto do duque. enquanto abandonava o salão. a dispensou com um sorriso terno e uma piscada libidinosa. sem dizer nada ao rei. — Por quê? — Está convidado para minhas bodas. — Por quê? Está muito ansioso para me ver pelas costas? — O duque observou o suave vaivém dos quadris da donzela.— Quando vai partir? — perguntou. 113 . suas calças estão apertadas. pesadamente — e por que não a toma agora? Para assegurar-se de que seja digna de seu leito matrimonial. quero que protele sua partida por uns dias. Agora William voltou-se para prestar toda sua atenção em Brand. — É digna — disse. e observou enquanto o homem desaparecia para cumprir com seu dever —. com lânguido desejo. Brand pensou no modo como os dedos de Brynna se agarraram a sua capa e o modo como seus olhos se fecharam. — Ah! Está com ciúmes e nega suas atenções. — Brand permaneceu em silêncio. quando ele a beijou. — Brand lançou sua capa sobre o encosto da cadeira e começou a caminhar de um lado para outro. Jogou-se em uma cadeira e fez gestos a um criado. Seu sorriso se desvaneceu.

sabia isso? Todos passam correndo daqui para lá.. Suspirando com impaciência. — Economize suas profecias. é obvio? Silêncio. e diga o que está pensando. — Às vezes. Os anos se esfumaçaram com a luz. Desgraçada. mon ami.. estará mais disposta? — Disposta ou não. Olhos grandes e luminosos como os de um menino dançavam com despreocupado abandono e jubiloso entusiasmo. ansiosos para beijar meu traseiro. — Não é seu afeto que quero.. — É um bastardo interessante. de aço. William riu brandamente. O duque encolheu seus maciços ombros. Os olhos escuros. terei o que quero — a voz de Brand soou tão vazia como uma promessa quebrada. espero. O duque arrotou sonoramente e lançou a Brand um alegre sorriso. — Vê o que quero dizer? — William mostrou um sorriso e bebeu seu gole —. — E o que é que quer Brand.Brand lançou um olhar de aço para o fogo e as chamas dançaram crepitantes sobre a superfície de seus olhos. estudaram-no atentamente. mas você não. — William levantou sua taça vazia em direção a um escudeiro que passava e só teve que esperar o tempo de um piscar de olhos para que o escudeiro corresse para ele e enchesse sua taça. — Acha que só porque se casará com ela.. e ela não. Observando114 . Feliz. além de sua carne sob a tua. Lady Brynna Dumont fará sua vida muito excitante. — Não espero nada deste matrimônio. William. Brand não pôde fazer mais do que rir. estou seguro. Brand relaxou em sua cadeira e cruzou os braços sobre o peito. e bebeu sua cerveja de um gole. foi como se o sol iluminasse o grande salão e brilhasse especialmente sobre ele. você ainda está esperando sua bebida. as coisas que menos esperamos nos surpreendem de forma extremamente agradável. e quando o fez..

o, William percebeu, com o coração pesaroso, quanto tinha sentido saudades desfrutar da vida com seu amigo mais querido, Lorde Brand, o Apaixonado. — Ela te devolverá à vida — disse William, em voz baixa enquanto era envolvido por uma onda de dor por tudo que seu amigo tinha perdido. Rápido, aspirou um forte fôlego que repôs seu espírito naturalmente alegre —. Sua Lady Brynna é um anjo fogoso. Se tivesse vinte anos a menos, brigaria contigo por ela. — Perderia. Mais risadas. O som era rico e cheio de jovialidade; os que passavam pelo salão sorriam ao escutá-los. — Ficará então? — perguntou Brand. — É obvio — uma vez mais, a calidez fluiu do tosco duque, quando sorriu a Brand. — Esperava que me pedisse isso. Eu gosto deste lugar e não me entusiasma a longa viagem para casa com este tempo. — Mas tem sangue viking, certamente umas poucas ondas tempestuosas não lhe assustam — brincou Brand. — Não me assustam — respondeu, com um gesto brusco—, revolvem meu estômago. — Então fique até a primavera. — Non. Mas ficarei um tempo — de repente, seu rosto escureceu: — devo preparar meus homens para a batalha. Brand notou que sua bebida ainda não tinha chegado e olhou ao seu redor, procurando um criado. — De quem é a terra que sonha governar agora? — perguntou impassível, sabendo que não passava um dia no qual um duque normando não estivesse brigando ou pensando nisso. — A de Eduardo. Brand deu a volta para olhá-lo, surpreso. — Inglaterra?

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William sorriu, examinando uma unha. Brand sentiu-se consternado, como tantas outras vezes, diante da ferocidade dos olhos do guerreiro. William parecia um leão excitado pela matança, contra a suave luz da lareira. — Brincou muitas vezes sobre isso, mas nunca pensei que fosse sério. — Por que não? — ergueu os olhos —. Eduardo me prometeu o trono. Harold de Wessex me desafiará, estou certo. Já está tomando decisões pela Inglaterra e Eduardo não faz nada, porque teme o pequeno bastardo. Mas terei a cabeça de Harold. E depois, terei toda a Inglaterra. — Alegra-me não ser o rei — suspirou Brand, recostando-se na cadeira —. Com tantos homens planejando meu funeral antes de estar morto. — Eduardo não é um homem jovem e não está bem, se por acaso não notou. — Não notei — murmurou Brand secamente, e William lançou um olhar ardiloso, antes de continuar. — Devo planejar meu futuro. — Acho que ainda restam alguns meses antes que o homem estique as pernas — sugeriu com frieza. — Se ficar, isso significa que Lorde Richard ficará também. Brand assentiu. — Sei. Acredito que deveria estar aqui para as bodas de sua filha. Quando não está me seguindo de perto, tratando de assegurar-se de que não maltrato Brynna, é um homem bastante agradável. — Seus olhos se entrecerraram sobre as ardentes chamas da lareira. — Pergunto-me quanto tempo levará Eduardo para enviar alguém para lutar comigo, como fez com Lorde Richard. — Está preocupado? O sorriso que Brand deu fez rir de novo o duque. William ficou de pé e bateu nas costas do amigo, com força. — Isso significa que o rei não está convidado para suas bodas? Brand jogou a cabeça para trás e riu e William ficou feliz. Porque embora seu cavalheiro preferido fosse tão desumano como ele no campo de batalha, sua risada podia encantar até seu mais odiado inimigo.
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O duque deixou Brand momentos mais tarde e procurou pelos corredores a sua bem disposta donzela. Explodiu em uma sonora gargalhada ao escutar o forte e quase suplicante alarido proveniente do grande salão. — Muito bem, pelo amor de Deus! Onde está minha maldita bebida?!

Capítulo 11
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Brynna arrancou uma rama de hortelã do chão e provou. O broto fresco se derreteu em sua boca. Teria que recolher tantas ervas quanto fosse possível antes que o clima gelado destruísse a maior parte de seu jardim. O romeiro e o tomilho podiam pendurar na adega para a secagem, e quase toda a salsinha podia ser salva, se trabalhasse rápido. Seus malmequeres já estavam murchando. Ao ver as pétalas murchas, franziu o cenho. Levantou-se ao amanhecer para poder começar cedo e ter um pouco de tempo a sós, antes que o castelo se enchesse de gente. Não recordava quando Avarloch tinha estado tão lotado. Quase não podia caminhar pelos salões, sem chocar-se com um soldado ou com o escudeiro de um soldado. Inclusive suas donzelas tinham deixado os bordados para atrair a atenção de algum guarda normando ou inglês. Brynna ansiava por um pouco de paz e tranqüilidade para poder ordenar seus pensamentos, que estavam concentrados quase todo o tempo em seu futuro esposo. Não havia tornado a vê-lo desde que a tinha beijado no estábulo no dia anterior, e isso a aliviava. O modo como ela reagia cada vez que o via, desgostava-a terrivelmente. Não parecia uma gata no cio, choramingando com seus ávidos beijos? Surpreendia-se pensando nele todo momento. Até tinha insultado o rei na noite anterior quando quis sustentar uma conversa com ela durante o jantar! Era suficientemente inteligente para dar-se conta de que a voz monótona do rei Eduardo a teria submerso em um estado de letargia, até se não estivesse procurando o rosto de Brand entre os presentes no grande salão. Ao não encontrá-lo, ficou de mau humor e se retirou para seu quarto. Possivelmente, seu prometido estava na cama com outra de suas donzelas, pensou Brynna, e arrancou com força um ramo de hortelã do chão frio. O que precisava era uma bofetada que a devolvesse a razão. Escutou um som atrás dela e deu a volta, percebendo que não havia nenhuma esperança de que sua razão retornasse. Brand estava parado ali,
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simplesmente olhando-a fixamente, enquanto sua determinação murchava como o repolho aos pés dele. — Como me encontrou? — conseguiu dizer quando ele se aproximou. Não queria estar a sós com ele. Não podia confiar que não se jogaria em seus braços se lhe pedisse outro beijo. — Seu pai me disse que podia estar aqui. Levantou a vista para olhá-lo quando chegou ao seu lado. Queria perguntarlhe por que tinha estado procurando-a, se tivesse tido coragem para ouvir sua resposta, ou se o vento parasse de brincar com seus cachos espessos, fazendo-os dançar ao redor de suas têmporas. — Este era o jardim de minha mãe — disse e baixou os olhos para defenderse de seu tranqüilo olhar — Devo salvar o que puder, antes que a geada... — as palavras engasgaram, quando ele repentinamente se agachou ao seu lado. — Lamento a morte de sua mãe. — O tom de sua voz era de aço aveludado. Brynna levantou a vista e logo se amaldiçoou por fazê-lo. Sua proximidade perturbava seu pensamento e fazia com que seu sangue fervesse. — Eu... — Maldito seja. Não podia recordar o que estava para dizer. Olhou-o, zangada por convertê-la em uma tola. Ele respondeu oferecendo um sorriso que acelerou seu pulso. Como conseguiria fazer algo agora que ele tinha interferido em seus pensamentos, como um raio de sol penetrando a escuridão? — O que quer? — disse bruscamente. — Você. — Já tem meu senhor — disse Brynna, tentando ignorar o verdadeiro sentido que se infiltrava através de suas palavras: a excitante promessa de que a possuiria por completo — Obteve quando venceu meu pai. — Nem sequer sabia que existia quando lutei com seu pai — argüiu Brand. Mas ela sabia que ele existia. Detenha-se, Brynna, repreendeu-se recordando a crua, radiante emoção que tinha provocado o apelido "o Apaixonado": Esse homem se foi. Encolheu os ombros e colocou um molho de folhas em uma cesta, que tinha pendurada no braço.
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e na verdade. esmagando alguns ramos de hortelã e abraçou suas longas pernas contra seu peito. Asseguro-te. Certo. Como ia saber que era um lunar? Brand a olhou. Sentou-se na grama. é tão bom guerreiro. — Só pensava como deve ter sido vigorosa a vida de seu pai enquanto a criava. sensual. — Tão cedo? — Brynna não quis que pensasse que a idéia de ser sua esposa fosse repugnante. indignada. Brynna queria zangar-se com ele. quando ele jogou a cabeça para trás e riu —. — Nossas bodas acontecerão dentro de três dias. Não consigo ver a graça no assunto. Teve anos de prática lutando com uma leoa. 120 . — Seu olhar capturou o dela um momento antes que uma sombra atravessasse em seus olhos. será. Não tinha idéia do que seria sua vida e tinha pensado que teria ainda algumas semanas para pensar. Com razão. entretanto. Limpou a terra da bochecha com os dedos.— O que tiver que ser. e completamente sedutora. outra vez. Sua risada era contagiante. enquanto ele contemplava algo que esculpia linhas desumanas em seus traços. Teremos que aprender a nos odiar com um pouco mais de discrição. mas se surpreendeu sorrindo também. deixando um rastro de terra na bochecha. — Eu nunca reneguei meu pai! Certamente contou que coloquei fogo no cabelo da duquesa dos York. O sombrio olhar de Brand deslizou para o seu. Brynna jogou a cabeça para trás e tirou uma mecha dos olhos. mesmo depois que deixou de rir e sorriu com algo mais que humor. Lorde Brand. Não deixarei que meu povo saiba como somos desgraçados — ela o olhou. Surpreendeu-se olhando para ele. ela temia prometer entregar sua vida ante os olhos do Todo-poderoso. Um silêncio tomou conta do jardim. — É irresistível. era um matrimônio forçado para ambos. por um momento e desatou a rir. eu estava segurando a vela tão perto de seu rosto porque pensei que havia uma aranha caminhando pelo nariz.

Com esse pensamento fortalecendo o ânimo. pareceu tão infeliz quanto Brynna tinha notado minutos antes. mas ao menos nunca o trairia. Ao menos. Agradeço sua consideração. Lorde William a assustava. Observou como sua inflexível expressão se dissolvia em um olhar silencioso. agachou-se em frente a Brand e deu sua oferenda. De sua janela Brynna observou o rei Eduardo e suas tropas perderem-se na distância. Simplesmente não se permitiria jamais apaixonar-se por ele. mas mudou de idéia. Observou as outras e finalmente sorriu. Só pensei que teria mais tempo para me preparar. quando colocou os fortes dedos ao redor do caule frágil de tal forma que não se machucasse com os espinhos. já que o vermelho representava o amor. À medida que se afastavam do castelo de Avarloch. Dante disse que Brand era um homem difícil de entender.— Eduardo partirá amanhã. — Desculpe-me. E. mais se alegrava de que tivessem partido. maravilhado. que Brynna soube que tentar não se apaixonar por ele seria impossível. Desejava que fosse ela e não Brynna a mulher com quem se casaria. — Ele assentiu e pousou os olhos nas copas distantes das árvores. Brynna decidiu fazer as pazes com ele no jardim de sua mãe. Pensei que te agradaria que seu pai estivesse aqui no dia de suas bodas. Não havia razão para chorar por isso. Seu marido não só nunca a amaria como também amava outra pessoa. Estendeu a mão para tomar uma rosa vermelha. Ela não era a mulher que ele amava. decidindo-se pela branca. o rosto de Brand se transformou numa expressão de gratidão tão comovedora. poderiam ser amigos. que significava pureza. não importaria a quem pertencia seu coração. De repente. Pena que o duque da Normandia não partiu também pensou enquanto o vento soprava sua nuca. não? Afastouse e cruzou o jardim até onde ainda floresciam suas apreciadas rosas selvagens. pensou ela enquanto lágrimas indesejadas inundavam seus olhos. William também irá logo. Dessa maneira. Voltou para seu lado. mas seus olhos eram como janelas abertas para expor seu interior. Ainda amava Colette de Marson. Era verdadeiramente uma tragédia. 121 .

Puxou o vestido e caiu na cama com um grande suspiro. Brynna se surpreendeu de ver Alysia em seu lugar. Brynna se afastou da janela com um longo suspiro e observou seu vestido de noiva estirado sobre a cama. apreciada. Não era Colette. Tocou a branca e brilhante seda e mordeu o lábio inferior. Lorde Brand Risande sabia qual era seu lugar ali. Brand tinha apressado a cerimônia para que seu pai pudesse estar presente? Ou queria desposá-la depressa para poder levá-la para seu leito? Não permitiria que voltasse a rechaçá-lo. momentos antes de dizer a Brynna que era formosa. nem lutaria com ele quando a tomasse. O que tinha mudado? Lorde Brand o Apaixonado era um homem prisioneiro de seu próprio coração e Brynna ansiava libertá-lo. Mesmo depois de saber que seu futuro esposo era o homem com o que tinha sonhado. Não o rechaçaria.embora nunca deixaria que ele visse seu temor. Parecia não lhe afetar a presença do velho cavalheiro em Avarloch. protegida e cuidada além da imaginação? Levantou o vestido de noiva e o levou ao peito. mas sempre apareciam mais. A posição de seu pai não o ameaçava. dizendo que era bela. Ela não significava nada para ele. Aceitaria-o como seu marido e tentaria lhe ensinar a amá-la. Suas pobres donzelas tinham trabalhado dia e noite para prepará-lo a tempo. Brynna recordou o modo como ele tinha falado com a égua. Mas ao menos sua estadia significava que seu pai ficaria Estava grata e surpresa. 122 . e quando chegou a noite pediu a sua donzela Lily que levasse o jantar a seus aposentos. Como seria ser amada por ele. resignou-se a casar-se com ele sabendo que nunca a amaria. Por que lhe importava? Dias antes se contentava em casar para manter a paz. não por amor. que Brand tivesse convidado seu pai para ficar para as bodas. não importava. Mas como? Como podia romper o escudo e alcançar a escuridão? E se conseguisse. Não abandonou seu quarto durante o resto do dia. atreveria-se a amá-la? Deveria tentar? Tinha muitas perguntas. Acaso alguma vez lhe importaria seu desejo de que seus apaixonados sussurros fossem reais? Sua união não significava nada para ele. Seria igual se ela fosse um cavalo.

— Está se formando uma tormenta na véspera de suas bodas. Alysia olhou para a janela aberta e se abrigou. 123 . Lorde Risande será um bom marido. É um cavalheiro tão galante. — Sei que não o quer. um verdadeiro senhor. — Talvez você deva se casar com ele e não eu — a interrompeu Brynna mordaz. tão amável. Sem perceber o olhar examinador de sua ama. só um infortúnio em uma ocasião tão maravilhosa.. minha senhora. tentava detectar se sua donzela também parecia "vigorosa e saudável" depois de passar as noites com Brand. — E o faria se fosse a senhora de Avarloch. tocando a grossa manta que cobria sua cama.. — Alysia ficou séria. — Temíamos que Lily fosse encontrada na cama do duque totalmente ensangüentada. — Sir William ordenou que jantasse com ele. com os braços. Os olhos de Brynna se entrecerraram. — Acha que é um presságio.. minha senhora. — Sir Dante? — Brynna piscou surpresa. É tão atraente. A donzela lhe dirigiu um amendoado olhar cor de carvão e assentiu. — Ocasião maravilhosa? — perguntou Brynna com suspeita.. desde que era um bebê! Brynna esquadrinhou a jovem donzela. Alysia riu como uma menina. deixando a bandeja em uma mesa próxima. Ou sem fôlego. O tom agudo de sua voz não foi registrado pela morena donzela. a felicidade iluminava seus traços exóticos —.— Onde está Lily? — perguntou da cama. É já é a quarta noite consecutiva — adicionou Alysia arqueando a sobrancelha. sim! — Alysia se deu a volta para olhá-la. mas acredito que ele a fará feliz. Alysia? — Não. — Ai. e se eu não gostasse tanto de Sir Dante — anunciou Alysia com todo o entusiasmo de uma moça dez anos mais jovem. um. quase triste enquanto olhava Brynna. mas a moça nunca esteve mais vigorosa e saudável. — Pobre moça — murmurou Brynna com amargura.

Brynna levantou o olhar. — E Dante não se ofende que seu irmão tenha levado você para a sua cama? — Que cama? — A cabeça de Alysia se ergueu de maneira tão brusca que quase deixou cair a taça. — O que quer dizer? — Você tem que ter notado — insistiu Alysia. para me salvar dos braços do duque. — Ai.. — Não! Lorde Risande me advertiu que dissesse ao duque que ele tinha me solicitado. recordando a raiva de Brand quando o acusou de dormir com sua donzela. — Notar o que? 124 . Sua ama a olhava fixamente. — Nunca estive na cama de Lorde Risande! — Mas disse ao duque. abandonando seu triste pensamento. Está bem — a consolou. ainda tremendo. vendo as lágrimas cristalinas suspensas sobre as longas e negras pestanas da moça — Tentou me dizer isso nas cavalariças — disse mais para si que para Alysia. incapaz de abrir a boca. além da senhora. minha senhora — suspirou a donzela —. franziu as sobrancelhas e sacudiu a cabeça. tomou sua mão. Brynna tomou a bebida antes que a cerveja derramasse sobre sua saia. — Nem sequer dei a oportunidade de se explicar. é obvio. — Minha senhora! — Alysia suspirou levando as mãos ao peito. — Acredito. não dormi com seu prometido. — E você não acreditou? — Alysia se sentou na cama junto à Brynna e. se seus olhos não seguem a ninguém mais.— Viu alguma vez um homem tão maravilhoso? — perguntou-lhe enquanto vertia cerveja morna em uma taça e a oferecia a Brynna.. — A cama de Lorde Brand. como se a surpresa fosse muito para ela. tentando clarear a confusão que a invadia. e fixou o olhar em sua donzela. Alysia. Juro. Brynna empalideceu.

e quase parou o treinamento. olhando fixamente a taça. Alysia estudou Brynna com atenção. — Ai. — Acredito que sim. quando você passava por perto. um leve sorriso se formou em seus lábios à medida que foi compreendendo. anteontem. viu? — Minha senhora — Alysia disse brandamente. — Lorde Brand não se importa com o que os outros pensam dele. ririam na cara dele. Sim. nota a maneira como olha para a senhora. está com todos seus homens e com o duque William. Os homens têm orgulho. — Perguntou por mim? — Não. Por certo. mas seu sorriso tornou-se radiante. — Isso não significa nada. sabe. Assentiu. — Observa-a todo o tempo com olhos ardentes. significa que me deseja isso é tudo. 125 . homens ou duques ou mesmo reis. Brynna esteve a ponto de protestar. — Você o quer. Sir Conrad quase lhe cortou o braço. vendo a desilusão cuidadosamente dissimulada nos olhos verdes de Brynna—.. só para olhá-la passar. tolices! — agora a donzela bufou sonoramente. significa que é mais que uma posse para ele. — Brynna franziu o cenho. — Onde está agora? — perguntou. Não revelaria que está ansioso para ter sua companhia. impacientando-se com a obstinação de sua ama — Quando um homem não pode tirar os olhos de cima. Não sou mais que uma posse que ele deve vigiar. — Jantando com o duque e todos os outros.. quando anunciassem que você prefere comer sozinha. mas de repente sentiu-se muito cansada de negar o que havia em seu coração. — Ah. tentando provar a seu acelerado coração que não se importava com seu prometido. Seu Brand a viu.Alysia emitiu um som que pareceu um resmungo. mas. mas ele nunca vai retribuir. Brynna só suspirou com os ombros cansados.

. Colocou a camisola de gaze e se meteu na cama. o bosque distante. mas não importa Avarloch sempre deve estar em primeiro lugar. não desejava partir. quando seus olhos a percorreram ardentes. Não pensaria mais em tudo isso. com cuidado.. A jovem pensou que parecia mais selvagem do que nunca. Olhe nos olhos dele e deixe que seu coração fale por ti. minha senhora — Alysia se aproximou dela. sobre uma cadeira de encosto alto perto da cama. a donzela tocou seu braço e saiu do quarto. sem tocar no jantar. Como pensou que era uma de suas damas. Vestia túnica e calças negras. não ocultando nada de seu corpo. Aparecia grande e poderoso contra a porta e o aroma do bosque o envolvia. Sentiu calor em todos os lugares. Tenho muito que fazer. — Deixe que a atenda — rogou sua donzela. Com um suspiro resignado. Seriamente — assegurou Brynna em uma voz mais relaxada. mas quando sua ama deu volta para olhar pela janela. levantou o vestido de noiva e o colocou. Brynna conteve o fôlego: a expressão de Brand era tão sombria como seus cachos escuros. devo me preparar para amanhã. Vá procurar seu cavalheiro. mas Brynna se voltou. Alysia. Momento mais tarde alguém bateu na porta. — Não. 126 . Brynna não se incomodou em colocar uma bata quando se levantou para abrir.— Isso não é verdade. — Ai. em silêncio. — É —a voz de Brynna cobriu a de Alysia —. estou bem. Ao vê-lo no marco da porta. mas a escuridão que o cobria não podia diluir o glorioso turquesa de seus olhos. Alysia suspirou. sorrindo. Provavelmente nem sequer se dá conta de que não estou ali. desejando que Alysia tivesse razão a respeito de Brand. Ficarei bem. — Vá. Brynna olhou a escuridão do parapeito e mais à frente. e quando o encontrar. Não pensaria em nada. conte de seu amor. — levantou-se da cama e foi até a janela para observar a noite que caía sobre Avarloch —. Percebeu que a camisa de gaze que a cobria era fina demais.

virei te buscar em pessoa. O resto de seus pensamentos se perderam quando lhe envolveu a cintura com seus braços e devolveu seu beijo inocente com um mais ardente. — Por quê? — repetiu ele. Sua língua penetrou na profundidade de sua boca. Levantou a vista e lhe ofereceu um sorriso que o fez gemer. Ele assentiu. devorando-a. Brynna quase derreteu ali mesmo. como se suas palavras tivessem ferido a moça de algum modo —.ele a penetrava com seus olhos. Entendeu Brynna? — Sim — respondeu ela sem fôlego. Oui — assentiu como se ele mesmo acabasse de perceber isso. — Sentará comigo todas as noites enquanto jantamos e não voltará a me perguntar por que. mas gostava do modo como os olhos dele a faziam sentir. — Por quê? — olhou—o fixamente. sem nem chegar à cama. com um tom brusco na voz. Sabia que devia cobrir-se. — Está doente? — perguntou. como se fossem chamas lambendo seu corpo brandamente. Seu corpo se tornou mais firme e tenso. E fez o que tinha desejado fazer durante todo o ano. confuso pela pergunta. Intensificou seu olhar: — De agora em diante. Brynna. meu senhor — Olhou seus olhos e piscou. apertando. — Não. firme e. E — acrescentou — porque torna mais suportável a companhia desses idiotas enganadores de William. 127 . perfeitamente disposta a fazer o que lhe ordenasse. Antes que Brynna percebesse. Torna a noite mais agradável. Ficou parado. apertando a mandíbula. antes de partir. Se negar. Quando ela assentiu com a cabeça e repetiu a pergunta. libertou-a com a mesma força. tão selvagem que Brynna pensou que arrancaria sua camisa e a tomaria ali mesmo. queimando sua carne sob uma ardente carícia. Reclamou sua boca com uma completa posse e domínio. entretanto. você janta comigo. Passou os dedos pelo cabelo porque o que tinha descoberto o tinha incomodado —. estranhamente tenro. ele piscou — Porque seu lugar é ao meu lado — observou-a baixar os olhos e suspirar.

gravado em sua mente. nunca o teria tentado tão cruelmente. Oui. seu sorriso o provocava. Se não. O sangue corria por suas veias. Seus lábios 128 . com um pontapé. surpresa de vê-lo de novo. Amaldiçoando furiosamente entre dentes. desejava-a mais que qualquer outra mulher que tinha conhecido. reservada para a dama do castelo. Seu sorriso era tão sincero mesmo quando o estava desafiando. propondo-se a apagar a lembrança dela de seus pensamentos. abriu a porta com um puxão e saiu tempestuosamente de seu quarto. o modo como seus mamilos se apertavam sob a camisola transparente. antes de saltar à cama. Queria morder seus sensuais lábios carnudos. seus gloriosos olhos esmeralda o seduziam. Quando chegou à porta. seu espírito tão intenso que o sentia mesmo quando não estava perto. Por Deus! Queria tocá-la. — Maldita seja. Chamas corriam por suas veias. Nem sequer Colette o tinha deixado aceso dessa maneira. Brand fechou com força a porta de seu quarto e tirou as botas. o que está me fazendo? — Brand estava ofuscado e tirou bruscamente a túnica. A porta se abriu. fazendo com que seu coração se acelerasse. Brynna estava do outro lado. um sorriso cruzou seu rosto. Mas sabia pela ânsia e o feroz pulsar abaixo de sua cintura que uma crua paixão era a verdadeira culpada. golpeou-a com o punho. A rigidez de seus seios. quisesse ou não. a raiva de ser abandonado e ter que sentar-se sozinho de novo junto a uma cadeira vazia. Brand amaldiçoou entre dentes. estava certo disso. E ela o desejava. Mas seu rosto permanecia ali. Caminhou de um lado para outro de seu quarto tentando controlar a necessidade de tomá-la.Brynna fechou a porta e se apoiou contra ela. Queria enroscar os dedos em sua espessa cabeleira. As imagens do corpo de Brynna turvavam seus pensamentos. Não conseguindo. Disse a si mesmo que era a raiva que fazia com que seu coração pulsasse com tanta fúria. incliná-la para que encontrasse o ardor de seu desejo. mulher. e seu corpo reagia ao dele. inchando seu sexo. Queria Brynna em sua cama. afundar os dentes em seu pescoço e descer até encontrar os bicos de seus exuberantes seios.

sem soltá-la. Sentiu-se embriagada. em sua cintura para sustentar-se. fechou a porta com um pontapé e a carregou em seus braços. rápida. Os dedos impacientes subiram até o decote. colocou as palmas das mãos sobre seus seios e se deleitou ante o contato. sem deixar de beijá-la. que fez com que o corpo de Brand explodisse. Não teve tempo de assustar-se pelo brilho lascivo em seus olhos. Passou os braços ao redor de seu pescoço e emitiu um gemido tenso e suave. despreocupada. mesmo sabendo que se transformaria em sua esposa na manhã seguinte. Instintivamente Brynna se agarrou. seus músculos. quando escutou o pai de Brynna chamá-la do outro lado da pesada porta. tentando tirá-la por seus quadris. Alguém bateu na porta e — não pela primeira vez —. Queria tomá-la dessa maneira. Sua boca se apertou contra a dela e colocou suas grandes mãos sob suas nádegas. para levantá-la do chão. que quase rompeu em gargalhadas. Brynna conteve o fôlego e entrou em pânico. nem tempo para perguntar o que o havia trazido de volta para ela. Brand ficou tão encantado ao perceber que se sentia mortificada por ter sido descoberta dessa maneira. Brand inclinou a cabeça e o apertou nos lábios. enquanto sustentava com uma mão suas nádegas e com o outro braço a apertava fortemente contra seu corpo musculoso. 129 . forte. Separou as coxas da jovem e apertou sua potente ereção contra o doce lugar entre suas pernas. Quando seu mamilo endureceu sob seu polegar. mas o tecido estava enroscado entre seus corpos ansiosos. com um desejo incontrolável. Puxou a camisola. mas Brand cortou a breve distancia entre eles. com as coxas. molhando o tecido. e brutalmente. seus nervos gritavam que a possuísse ali mesmo. Ele empurrou seu corpo contra a porta. Brand amaldiçoou William e se amaldiçoou por permitir que Richard Dumont permanecesse em Avarloch. mas em vez de rasgar a fina gaze.estavam separados como se fosse a dizer algo. enquanto a língua ávida de Brand afundava em sua boca.

não muito seguro de como reagir. em seu quarto. 130 . — Descarado — disse em um tenso sussurro. Richard olhou sua filha. Quis afastar Brand com um empurrão. com as mãos ainda trêmulas. ao ver sua expressão divertida — Solte-me — sussurrou frenética. Richard ansiava por esta segurança. Então. — Quando ela ruborizou. Ele sentiu que seus lábios se curvavam em um sorriso diabólico. especialmente quando sua filha não respondeu. ele riu brandamente. A voz de Lorde Richard atrás da porta fez Brynna pular. com um movimento lento e implacável que quase a faz gemer alto como se fizesse isso para que seu pai a escutasse. — Lorde Brand? — disse Richard. Brand apertou-se contra ela uma última vez antes de separar seus corpos. antes que seus olhos escuros pousassem sobre o homem que estava de pé atrás dela. Boa noite. antes de abrir a porta. mais alegremente: — Já vou. Pensou que era melhor não saber —. — Espero ansiosamente amanhã. pai — alisou o cabelo para trás e a camisola amassada. Sentia-se aliviado ao ver que o lorde normando sentia algum afeto em seu coração por Brynna. Seus pés tocaram o chão. que parecia bastante aturdida e um tanto confusa. mas suspirou com alegria e fechou a porta de seu quarto. como se tivesse todo o direito de estar ali. colocando as mãos em seu peito. pai! — disse sem fôlego e lançou a Brand um olhar assassino. — Vim dar boa noite — disse Richard.— Um momento. e ele ficou muito satisfeito diante do modo sonhar com que ela o olhava. por favor. Levou o polegar à boca dela e deslizou sobre seu lábio inferior. Não perguntou o que fazia Brand no quarto de sua filha uma noite antes de suas bodas. filha. Ele mal se moveu. — Lorde Richard. já estava saindo — Brand deu um sorriso tranqüilo e voltou seu olhar para Brynna. distraindo a atenção de sua filha do homem que se afastava pelo corredor. — Richard a beijou no rosto e lançou um olhar para a porta do quarto de Brand uma última vez. com um afeto sincero que fez com que o coração da moça pulsasse em seus ouvidos.

O tecido tinha sido confeccionado para agradar um marido. Lily e Alysia fecharam os numerosos botões do vestido de noiva de Brynna. ao cair brandamente sobre o contorno dos seios insinuando os rosados mamilos. o traje estava confeccionado com uma capa de fina seda branca que acariciava a pele e se ajustava abaixo da cintura com um cordão prateado. e fluía em espessas e brilhantes dobras até o chão. Uma capa. de seda trançada. Desenhado em um estilo saxão antigo.Capítulo 12 Com dedos ansiosos. forrada de cetim e bordada na parte externa com motivos celtas cobria à noiva dos olhares alheios. 131 .

— Estou brincando. quando me casei com sua mãe. O lorde saxão parou na porta simplesmente observando sua filha. quando a vir esta noite — respondeu à donzela. mas estou certa de que fará seu marido ficar louco de desejo. — Obrigado. Tinha começado a amarrar os laços da capa. pai — Brynna sorriu e o olhou. então não há nenhuma esperança e a levarei para a Normandia comigo. filha. — Está tão parecida com sua mãe — pronunciou cada palavra com um nó na garganta. 132 . — Brynnafar — se aproximou dela e tomou as mãos —. É uma beleza muito especial e seu prometido sabe exatamente como eu soube.. eu não poderia. — Pai. — Pode ser. embora prefira não pensar nisso — adicionou com um gesto de desagrado.. Ele sorriu. — E você. — Sua voz se perdeu e os olhos de Brynna se encheram de lágrimas. então começou a rir. Ficará encantado. Seus olhos se suavizaram com a emoção. quando Lorde Richard entrou no quarto. Ajustou a capa de sua filha para fechá-la completamente e sorriu com ternura — Recordo minha noite de bodas com sua mãe. é uma romântica incurável que sonha com tempos passados.. Alysia. Alguém bateu na porta e Alysia indicou a Lily que abrisse.. — Espero que agrade Brand. Brynna juntou suas delicadas sobrancelhas. se não agradar.— Você é a visão de uma virgem pela qual um dragão daria a vida — Alysia deu um passo para trás para examinar sua ama logo depois de amarrar o cordão prateado ao redor da cintura. levantando a mão para calá-la. enquanto Lily escovava o cabelo de Brynna até obter um brilho de cobre e colocava um aro de diminutas margaridas brancas trançadas em um cordão de fina prata sobre a fronte. enquanto ela procurava a capa de cetim. enquanto Alysia se afastava dela. observando a calidez e o amor que suavizavam o belo rosto de seu pai.

Como conseguiria fazê-la feliz algum dia? Perguntou-se solenemente. era uma mulher apaixonada. Os homens de Brand estavam alinhados ao longo da parede enquanto os homens de Lorde Richard estavam parados. deixando que a guiasse para fora do quarto. As velas dançavam sobre os polidos bancos de mogno. nunca tinha dado razões para que pensasse de outra maneira. enquanto seus olhos azuis observavam. Os homens de William estavam sentados entre os convidados. ontem à noite o teria passado pelo fio da minha espada — piscou um olho para sua filha antes que ela pudesse responder. Estava a ponto de começar uma nova vida com uma mulher que o considerava um bastardo frio e cruel. E que essas paixões ardessem até mais quando estava furiosa só a tornava mais atraente. na parede oeste. imperturbáveis. O colete metálico de Brand brilhava contra às milhares de pequenas chamas hesitantes. Mas também tinha saboreado seus ardentes beijos. secando as lágrimas dos olhos com seus dedos— Depois de passar um tempo com ele. ela não tinha feito nada para negar que o desejava tanto como ele a ela. E como tinha Brynnafar Dumont conseguido fazer com que se importasse com sua felicidade? Pensou nos muitos momentos que tinham passado juntos desde que chegou a Avarloch. Agora venha.— Será feliz com este homem. na verdade. as grandes escadas esculpidas que levavam ao castelo. O incenso impregnava o ar da capela de Avarloch. como estátuas de prata. antes que William mate de um susto nosso capelão e o matrimônio não possa ser celebrado. Brynna riu e passou o braço pelo de seu pai. se não fosse hoje seu casamento. percebi que cheguei a gostar dele — Richard se aproximou dela e lhe sussurrou ao ouvido para que suas donzelas não o escutassem —. Mas. Essa simples certeza tinha bastado para mantê-lo acordado muitas horas depois de havê-la deixado a 133 . Por Deus. Oui. apesar de que. Brynnafar — assegurou. Lorde Richard a atraiu ao círculo de seus fortes braços e beijou sua bochecha brandamente —.

o homem de Deus o olhou indignado. Quando se ouviu o suave som da harpa na igreja. não é? — sussurrou William perto de seu ouvido. 134 . — Ah. que idiota era. voltou a iluminar-se. — Não está pensando em fugir. agora recordo! — sua expressão se nublou um momento. Então. mas lhe tinha dado uma rosa e o tinha protegido de seus espinhos. Minha reputação me precede. Merde. — Está esperando que a qualquer momento estripe alguém — disse William com um tenso sorriso de soslaio —. — Non. Fez-se silêncio na capela quando a noiva apareceu na entrada acompanhada por seu pai. Sorriu à luz cálida das velas. surpreso pelo efeito que essa mulher provocava nele. com um sorriso ameaçador. Soou mais como um grunhido e quando William se voltou para olhar para ele. como se estivesse preparado para uma execução.noite anterior. recordando as fatídicas bodas. O duque entrecerrou os olhos. Recorda as bodas de Lady Winifred? Tornou-a viúva antes que pudesse dar o sim. embora não tenho dúvida de que você saltaria para tomar meu lugar. aspirou profundamente. William escutou o homem ao seu lado inalar profundamente. _ Bom. O sorriso de Brand se tornou mais amplo. oui. — Não é de admirar —disse Brand —. De pé atrás deles. se apenas me movesse. não temos que nos preocupar de que aconteça algo assim hoje — bateu novamente nas costas e olhou o capelão sobre o ombro. mas quando observou Brand. — Com toda certeza — concordou o duque normando com uma forte palmada nas costas de Brand. O duque da Normandia sorriu levemente e se afastou uns passos de seu mais querido amigo. o capelão limpou a garganta. Como pôde tê-lo afetado tanto um ato tão simples? Não teve mais tempo para pensar. viu seu olhar maravilhado.

Levantou o queixo. Era a filha de um guerreiro. Um sorriso tão inesperado como uma chuva de verão tomou conta de seu rosto e Brynna lhe tocou a bochecha. Brand finalmente se afastou. Brynna percebeu a esperança misturada em suas palavras. Conquistaria o frio vazio que tinha sitiado seu homem fantasia. honra e amor. temendo uma vez mais que não fosse real e que se desvanecesse se fechasse os olhos. Ao observar sua fogosa deusa. Queria respeitá-los. Como se Brynna fosse muito formosa para contemplar sem suspirar. O coração de Brand sofria ao pronunciá-los. Os olhos de Brynna percorreram os numerosos rostos sorridentes de seus cavalheiros. endireitando os ombros. Brynna separou os lábios desejando seu beijo. meu senhor. o bem-estar de seu próprio coração dependia disso. E o traria de volta. tão meigamente. Repetiram os juramentos com promessas de obediência. —Também o seu.As chamas refletiam sombras que dançavam sobre as paredes escuras e tingiam Brynna com uma luz estranhamente dourada. Brand deslizou as mãos ao redor de sua delicada cintura sob a capa e sobre o fino tecido. mas Brand quase não o viu. Lorde Richard lhe ofereceu a mão de sua filha. como as asas de um enorme pássaro negro e se escutaram votos dos cavalheiros e vassalos que os rodeavam. com um sorriso de genuína calidez. 135 . Quando seus braços a rodearam por completo. Mas o mais forte veio de William. Brand não podia ver nada mais que seus olhos. Tinha que fazê-lo. que chegou tão lentamente. o coração deste homem seria dela. Não importava quanto tempo levasse. — Seu povo me aprova — a voz dele em seu ouvido lhe enviou uma comichão pelas costas. Desejava com todo seu coração poder fazêlo. O prazer que sentiu desenhou um sorriso nos lábios e o fez inclinar seu corpo para o dela com avidez. a capa de Brand a envolveu. seu prometido afastou o olhar. Quando chegou o momento de beijá-la. que a fez tremer. Escutando Brand prometer que a amaria.

— Então não devemos decepcioná-los — Seus lábios estavam quase sobre os dela e seu fôlego era tão quente como a paixão em seus olhos. Com uma mão na cintura de sua esposa, Brand a guiou para o grande salão, onde a festa estava a ponto de começar. Havia largas mesas alinhadas que ocupavam todo o contorno do recinto, adornadas com ramos de rosas frescas. Grossos pratos de prata e taças localizados na frente de cada cadeira. A cerveja e o hidromel esperavam nos barris para encher as jarras de prata. Um verdadeiro banquete estava disposto: truta fresca assada e arenque salgado, porcos cozidos, enfeitados com uma miríade de frutas, além de aves e pães condimentados com especiarias. Os trovadores enchiam o ar com o doce som da harpa e do alaúde, enquanto os cavalheiros escoltavam às damas a suas cadeiras, junto aos numerosos servos e vassalos de Avarloch. Brynna observou atentamente o salão luxuosamente decorado e não deixava de maravilhar-se, enquanto caminhavam para a mesa. — De onde saiu toda esta comida? A dispensa está quase vazia devido à geada que se adiantou este ano. — Dante e eu passamos quase todo o dia ontem caçando para ter comida fresca, e depois viajamos até a aldeia para fazer algumas trocas — Brand jogou um brincalhão olhar de soslaio —. Não sentiu saudades? Estive fora todo o dia. — Foi você mesmo? — perguntou surpresa, enquanto avaliava a enorme quantidade de comida sobre as mesas — Por que não enviou os cozinheiros para fazer a troca? Brand encolheu seus musculosos ombros. — Só queria me assegurar de que tudo fosse de seu agrado. Brynna finalmente deu a volta e levantou a vista para olhá—lo. — Fez tudo isto por mim? Brand se deteve e encontrou seu olhar maravilhado. — Oui — disse simplesmente, como se fosse lógico que ela esperasse tal coisa.
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— Obrigado — foi um sussurro. Não conseguiu dizer nada mais ante tanta consideração da parte de um homem que nem sequer a amava. Por todos os Santos, não podia nem imaginar o que teria feito se a amasse. Lorde Richard foi o primeiro a oferecer sua bênção ao casal. Prodigalizou a sua filha com um grande abraço e, quando lançou seus braços ao redor de Brand, o sombrio guerreiro olhou por sobre o ombro para sua esposa, com os olhos muito abertos e incrédulos. Um momento mais tarde, William rodeou Brand e tomou Brynna pelos ombros. — Posso beijar a noiva? — implorou o duque. — Naturalmente — Brand tomou a mão de Brynna e a colocou frente ao rosto desiludido do duque. William observou o oferecimento como se estivesse chateado, e olhou Brand indignado. — Isto não é o que tinha em mente. — Mas é tudo o que vai obter — respondeu Brand, com um doce sorriso. Com um olhar áspero, o duque beijou levemente a mão, balbuciando ainda antes de levantar a cabeça, que seu mais querido amigo nem sequer lhe tinha confiança com sua esposa. Brynna observou o poderoso duque afastar-se, decepcionado, e finalmente ofereceu ao tosco guerreiro um sorriso que ele não viu. — É um gatinho com enormes e mortais presas — concluiu em voz alta, e deslizou seu verde olhar para seu marido — Igual a você. Voltando-se para ela com um sorriso de seda, Brand lhe roçou o lábio inferior com o polegar. — Às vezes ser mordido pode ser intensamente agradável, esposa — adicionou a última palavra com um brilho feroz e sensual nos olhos. Brynna lambeu o lábio onde o dedo de Brand havia tocado, enquanto seu sangue empreendia um selvagem caminho para seu sexo. — Talvez eu possa morder a ti..., marido — replicou ela. A expressão no rosto de Brand era tanto de surpresa como de encanto. Fez uma leve reverência, olhando-a fixo nos olhos com uma intensidade predadora sob suas escuras pestanas.
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— Um rival feroz torna mais interessante a batalha. Uma que poderia durar toda a noite... Até a manhã — rebateu com um sorriso devastador e seus olhos brilharam com tanto ardor que Brynna sentiu que sua boca se tornava seca. Foi incapaz de sufocar um suspiro, ao sentir um estranho fogo lhe percorrendo o corpo. Juntou coragem e se aproximou, enquanto ele se endireitava e dirigia sua mão para a sedutora curva de suas nádegas. Ela pôde sentir a plenitude dele, ao levar seus lábios até seu pescoço. — Quanto mais prolongada a batalha, mais doce a vitória, guerreiro — ronronou contra sua pele, então se afastou, olhando-o nos olhos com um sorriso triunfal. Mas Brand a puxou de novo para ele, pousando a mão obstinadamente em suas nádegas. Apertou, levantando seus quadris até seu membro ereto, o que fez com que os olhos da moça se arregalassem. — Ou uma derrota mais desumana — Sua voz era um grunhido baixo e rouco. Estava surpreso pela selvagem urgência que tomava conta dele, que o fazia sentir-se a ponto de explodir, se não a possuísse em seguida. Nunca tinha desejado tanto uma mulher. Não podia pensar em outra coisa que não fosse a corrente fluindo, envolvendo-o, aceitando sua plenitude. Saborear seus seios ávidos que tinha querido devorar a noite anterior. Ao vê-lo queimando com o calor de seu corpo, com um apetite instintivo em seus olhos, Brynna de repente se deu conta de que este homem era exatamente isso... Um guerreiro. Se escolhesse jogar este perigoso jogo de sedução com ele, teria que estar preparada para suportar a força de seu abraço, o ataque do fogo que o impulsionava e a resistência que sempre lhe concedia a vitória. Olhando-o nos olhos, apertada contra seu corpo firme e elástico, Brynna soube que tinha que tentar. Estava se apaixonando por ele e estava decidida a conseguir que ele também a amasse. — Já lutou contra um Dumont na batalha e ganhou. Desafia a sua filha agora, e embora nos encontremos em outro campo de batalha, asseguro que desta vez a derrota será sua — Seus olhos dançaram com o desafio, ao mesmo tempo que um sorriso provocante se desenhava em seus lábios. Com um
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cuidadoso puxão se libertou de seus braços e se afastou, olhando por cima do ombro para deleitar-se pelo estado no qual tinha deixado seu marido. Brand a observou com olhos duros como diamantes que lhe roçavam o corpo dos pés a cabeça. Esfregou a ponta dos dedos, recordando o contato da fina seda entre eles. Sua esposa estava jogando outro jogo com ele, e desta vez perderia. Sua expressão se enrijeceu, ante a idéia de derrotá-la. Aproximou-se dela. Num instante Brynna foi carregada em seus braços. — O que está fazendo?! — gritou assustada ante a força e o apetite animal de seu olhar. — A batalha — disse, enquanto se dirigia para as escadas — começou.

Capítulo 13
— Ponha-me no chão! Todo mundo está olhando! — Brynna percorreu com o olhar o salão e ruborizou intensamente ante as expressões surpresas dos convidados — Brand... — olhou-o, rogando que não a humilhasse dessa maneira, mas sua expressão era severa, exigente e voraz. — Participa de jogos perigosos, senhora, e acendeu minha curiosidade — as comissuras de seus lábios se elevaram em uma careta selvagem. — Espero sinceramente que possa sobreviver ao seu desafio. O coração de Brynna pulsou com fúria em seu peito. Sobreviver? Por que diria tal coisa? Tinha ido muito longe? Tinha-o desejado tantas vezes, logo depois de vê-lo no lago luzindo somente um sorriso que parecia o de um anjo em um êxtase pecaminoso. Mas estava com uma mulher que ele amava, nesse dia. Isto era diferente, porque embora agora fosse sua esposa, Brynna sabia que ele não sentia nada por ela, além de uma ardente paixão. Quanto ardente? Perguntou-se e lhe encheram os olhos de pânico. Castigaria-a por tomar parte de um jogo do qual ela não sabia nada? Mordeu o lábio furiosamente, preocupada com o dilema que ela mesma tinha criado.
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— Está assustada? — sussurrou Brand. Seus olhos ardiam com um poder puramente masculino... E uma faísca de diversão. — Teria que estar? Ele assentiu. O pulso de Brynna pulsou grosseiramente em seu pescoço e ele o acariciou muito suave. Com a língua enquanto a levava pelas escadas. O sabor de sua pele o fez desejá-la mais. Afundou o rosto nesse pescoço. — Eu nunca... — Brynna começou a dizer. — Sei — sussurrou ele contra sua pele. Abrindo a porta com um pontapé, Brand entrou em seu quarto e se deteve frente à enorme cama. — O campo de batalha? Ou algum lugar mais neutro? — ofereceu, assinalando um tapete espesso de pele de urso no chão frente ao fogo que rugia na lareira. Brynna quase engasgou. Ambos os lugares pareciam igualmente aterradores. Em realidade, tinha ido muito longe com este homem, lhe prometendo um prazer que não sabia dar. Ele se zangaria, impacientaria-se, a tomaria sem ternura. Tinha imaginado este momento com ele tantas vezes que se sentiu segura de saber o que fazer, como agradá-lo. Mas agora, com o fogo da lareira esquentando o tapete de pele, a enorme cama esperando o começo da apaixonada batalha, e suas mãos obstinadas com força ao redor dela, uma nova onda de pânico invadiu os nervos de Brynna. Levantou a vista esperando encontrar consolo na beleza daquele olhar azul esverdeado. Só viu um cru apetite. — Onde, Brynna? — Eu... eu... — gaguejou. Seus olhos se suavizaram um momento. — Neutro, então — decidiu, dando três passos até o tapete. Baixou-a como se fosse um bebê recém-nascido. Os sapatos de Brynna desapareceram no espesso tapete. Ele esboçou um meio sorriso; deu a volta e se encaminhou ao pequeno baú do outro lado do quarto, lançando ao passar sua capa descuidadamente sobre a cama. Ficou de joelhos, procurando algo no baú.
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Não. Desatou as cintas que mantinham sua capa fechada. O cetim caiu aos seus pés como se fossem plumas. respondendo ao chamado de seu desejo. quando suas deliciosas mechas enroscaram-se em seus dedos como se estivessem vivas. poderosa. do mesmo modo que enchia em seus sonhos. pensou desafiante. — O que é isto? — perguntou surpresa. Amar esse homem assustava até mais que a paixão de seu marido. e girou a jovem até colocá-la de costas. inundando-se na água. Surpreendeu-se quando seus dedos deslizaram pela parte de trás de seu pescoço tão brandamente como um suspiro. Sentiu algo frio roçar a pele e levou a mão instintivamente ao pescoço. e beijou-a com doçura. Deixaria que seu marido a enchesse. A luz da lareira brilhava atrás dela. enquanto se aproximava. 141 . os firmes músculos de suas coxas quando se agachou. deslizou os dedos por seu cabelo e fechou os olhos. gentilmente. E se chegasse a amá-la? A idéia fez com que Brynna quisesse sair correndo do quarto. Brand ficou de pé. até em seu estado de pânico. tão devagar que a fez estremecer. Afastou-lhe o cabelo da nuca. Acariciou sua cabeça. As curvas voluptuosas o chamavam. lentamente. Sitiada por imagens de seu corpo nu. delineando a silhueta de seu corpo sob a fina seda. ficaria. Ao encontrar o que estava procurando. enquanto outro fio de fogo lhe lambia as costas. mas quando deu a volta para enfrentar Brynna de novo. Inalando profundamente. ergueu os olhos. Brynna continha o fôlego. Suspirou extasiado. ardente em seu corpo. mas a Brynna soou mais como um grunhido e tentou desesperadamente acalmar o bater de seu coração. deteve-se.Brynna o observou surpresa ao notar. sentindo o fogo que queimava como o da lareira. — É formosa — disse em uma voz baixa. aturdido com a visão de sua figura. acendiam um ardente fogo em seu corpo. esperando que lhe arrancasse o vestido. quando Brand terminava de fechar a gargantilha de esmeraldas.

. Não podia confessar que queria seu coração. Reclamava-a com sua boca. e com cada estocada de sua língua se tornava mais fraca. deslizando uma mão ao redor de sua cintura. tomando seu rosto entre as mãos — O que quer? — Quero te agradar. Deu um passo para trás para admirar seu presente — E mesmo assim seus olhos são mais verdes. mas não era o que queria dizer. bebendo-a de um modo que ela nunca acreditou possível. Ele deu um passo para trás. estendendo a mão para tocar o cacho negro que caía sobre seus olhos.. Brynna sentiu-se consumida pela força de seu corpo. Apertou-a com mais força entre seus braços. mordendo-a com um cuidado delicioso. Só olhar para você me agrada. Brand ficou rígido. Brynna.. antes de dar a volta para olhá-la novamente. As mãos caíram.. — Não tenho nada para te dar. — Passou a ponta do dedo pela leve covinha de seu queixo. — Mas é claro que tem — a corrigiu com uma voz profunda. — O que? — aproximou sua boca da dela.— Um presente de bodas — seus lábios revoaram no lóbulo. — Não era mentira. do mesmo modo como ele tinha ganhado Avarloch. seus olhos cheios de paixão —. De pé frente a ele. e Brynna se amaldiçoou por expressar bruscamente em sua paixão o que seu coração tentava que ocultar. quero. 142 . — Vai me agradar. por seus ombros. Aproximou-se dele. mas a intensidade de seus olhos a fizeram duvidar de que pudesse conquistar esse frio alguma vez. enquanto sua língua trabalhava gentilmente. — Sua boca voraz encontrou a dela. — Amo você — sussurrou a moça. Brynna ficou sem fôlego. seu amor. enquanto ele lambia seu pescoço. penetrava mais fundo em sua boca e retrocedia. Sua língua procurou acariciar a de Brynna como uma chama ardente. Era um guerreiro alto e rude. — Brand — suspirou Brynna. lambendo. Teria que ganhá-lo. — Brynna. — Shh — ela se aproximou e levou um dedo aos lábios dele — sinto muito.

Voltou a olhá-la. O metal de prata caiu. apreciou sua verdadeira altura quando se deu conta de que não podia tirar o objeto. saboreando a força de seus braços que se elevavam sobre sua cabeça. A imagem de sua cabeça arremessada para trás. com um forte som no piso e Brynna o chutou. que endurecia ante o mais leve gemido que arrancava da garganta de sua esposa. Apertou os dentes. desatou os laços da túnica enquanto seu coração pulsava loucamente. lançando a túnica no chão. Com terno cuidado. enquanto ela tremia em seus braços. Brand fechou os olhos quando ela beijou seu peito.onde começou a desabotoar as travas metálicas do colete. Brynna fechou os olhos e sentiu o corpo dele estremecer. lisos músculos de seus braços. Brincou com seus lábios enquanto o prazer lhe açoitava o corpo. Ele caiu de joelhos e começou a lhe beijar o ventre plano. Ficou rígido quando com a língua e os dentes percorreu um ofegante caminho para o monte sedoso sob seu umbigo. com os dedos os tensos. Absorveu o delicioso aroma de seu cabelo. ficou de pé e a carregou em seus braços. à medida que a paixão o inflamava. em um lânguido êxtase. Beijou-lhe os seios. Ele o fez por ela. Sem tirar os dedos do peito de seu marido. arrancou os botões do vestido e rasgou o fino tecido que cobria seu corpo como se fosse de papel. o fez temer não poder ser gentil ao tomá-la. Brand grunhiu incapaz de dominar o efeito palpitante e maravilhoso que sua esposa lhe causava. Passou a túnica por cima do peito. Passou a ponta dos dedos pelas costas e as curvas voluptuosas das nádegas. Ardendo com um desejo para o qual nem sequer os sonhos a tinham preparado. impulsionava-o a recostá-la sobre a pele para poder livrar-se do confinamento das calças. quando sentiu seus dentes sobre a pele. levantando a cabeça brevemente para admirá-los com olhos selvagens antes de voltar a percorrer com a língua seus mamilos que se tornaram até mais rígidos com seu contato. percorrendo. 143 . acariciando seu firme abdômen. como se lhe tivesse causada dor. De repente. E finalmente.

. seus olhos são mais radiantes que a mais estranha das gemas. Seu contato era mais suave que um suspiro e Brynna mordeu o lábio enquanto o fogo ardia entre suas pernas — Sua beleza me entorpece — deslizou a língua por seu lábio inferior —. As sombras dançavam sobre seu enervado membro enquanto o fogo brilhava. enquanto tomava-os com as mãos —. — Mas como vai entrar em meu corpo? — lamentou-se ela. Quero me afundar na calidez de seu cabelo e me perder no aroma que me chama. O calor de seu corpo a abrasou.. Brynna. mas seu corpo se movia tão febrilmente sobre o 144 . Ah. — Entrará — sussurrou ele. queria ser brutal. na verdade. tenho medo. Quero saborear cada carícia. sobre a carne ardente e brilhante. mas não posso. Inclinou-se sobre ela. Brynna escutou suas fogosas promessas como um eco em sua mente.. Ajoelhou-se diante dela e lhe acariciou o cabelo. Seus olhos mantinham cativos os dela com uma estranha força que era tão poderosa como os músculos que dançavam em seus braços. E estes seios. Fazer que nunca esquecesse. Quero tomar lentamente. — Non. mais formosa que mil amanheceres — levou o polegar a seu mamilo e acariciou o contorno do seio. Ele sorriu ante sua doce inocência. — Mas disse.. Estão cheios de uma paixão ainda por descobrir. Queria lhe dizer que ela já o ansiava. — Pensei te possuir sem cuidado. — afundou o rosto no vale entre eles — tão firmes e formosos — sua boca encontrou os tensos mamilos cor de rosa e sua língua deslizou sobre eles. sedutoramente. não te farei mal. sentir cada abraço. te fazer gritar com um deleite e um prazer tão intenso que seu corpo me anseie mais a cada momento que não estou dentro de ti. Mas é tão delicada como uma flor. — Brand.Brynna ficou em silêncio olhando o guerreiro completamente erguido que estava suspenso sobre ela. beijando-a — Irei devagar e com suavidade.

com o ardor primitivo de uma besta selvagem. O sabor de sua doce paixão ficou nos lábios de Brand ao passar por sua boca. Olhou fixamente seus olhos azuis. colocou-se sobre ela. Seus lábios. Brynna gemeu e suspirou quando seus gentis dedos repartiram as suaves dobras de seu sexo. Estava preparada. abriu mais as pernas e se esticou. Sem qualquer vergonha. Gritou quando mais chamas a alcançaram. enquanto um calor úmido começou a pulsar e bombear em seu sangue. e a ânsia de seu sexo era suficiente para fazê-lo esquecer suas promessas sussurradas e afundar-se na profundidade de seu corpo. Lentamente. exceto os gemidos de paixão que brotavam do mais profundo de sua garganta. Brynna tremeu ao escutar sua voz selvagem. enquanto sua virilidade palpitante deslizava sobre a úmida entrada de seu corpo. sua língua. Agarrou-se à pele de urso debaixo de seu corpo. enquanto uma luz explodia e a banhava com um delicioso calor. Desceu. Penetrou bem 145 . para agarrar os cachos negros que roçavam suas coxas. com os dedos apertados. deslizando por seu corpo. consumida por um fogo tão descontrolado que desejava que a tragasse para que a consumisse inteira.seu que não podia emitir nenhuma palavra. Mas se agarrou ao último fio de controle que possuía. Sua respiração se tornou pesada. à medida que os rosados mamilos que coroavam seus seios se erguiam. entre uma miríade de ondas que a balançavam para frente e para trás. — Acho que morrerei se não te possuir — gemeu. seus dentes trabalhavam para impulsioná-la para um esquecimento encantador. Seu firme controle se desvanecia com cada ardoroso movimento do corpo de Brynna. — Um tenro casulo que logo florescerá em uma encantadora flor — escutou que lhe dizia antes que seu rosto desaparecesse entre suas coxas. com cada suave gemido que lhe arrancava. Suas mãos agarravam seus quadris com uma força que até o assustava. mas a boca de Brand era mais ardente. As chamas se estendiam e chispavam na lareira. Ele a levou em uma dança ondulante. Ansiava tomá-la com força. Estava sendo banhada em calor. lhe abrindo as pernas com as mãos.

apertando fortemente. mais profundamente. Retirou-se uma vez mais e sorriu quase pecaminosamente. enquanto o aveludado ritmo dessas lentas invasões movia seu corpo contra a pele de urso debaixo de seu corpo. Arqueou as costas. a dor começava a abrir caminho até fazê-la gritar. levantando a cabeça como uma besta a ponto de uivar. O corpo dele queria mais e mais. Pegou suas mãos. Encheu-a mais do que Brynna tivesse acreditado se possível. Retrocedeu lenta. desfrutando de cada apertado espasmo com o que o agarrava. Mas o som se perdeu na suavidade de seus beijos. aceitando-o completamente. O chão sob Brynna balançava. enquanto o suave deslizar do corpo de Brand a tomava uma e outra vez. A voz de Brynna foi como um látego nas costas de Brand. Tremores pulsantes se acumularam em seu interior até tornarem-se insuportáveis e ergueu as pernas para rodeá-lo. Deslizou dentro dela outra vez. Gemeu profundamente. desejando explodir dentro dela. Ele fechou os olhos. É tão firme. entretanto. o corpo dela o aceitou. embora ela pudesse ler na tensa linha de seus lábios que lhe custava um imenso autocontrole fazê-lo dessa maneira gentil. Seu corpo se esticou. longo e lânguido. quase saindo dela. respondendo ao chamado de seu impulso luxurioso. como tinha prometido. tortuosamente. Mas a dor cedeu e o prazer tomou seu lugar. e. — Sua força me consome. afundando mais profundamente. a paixão em seu olhar ameaçava transbordá-la. tão rígido. enlouquecido pelos sensuais movimentos do corpo debaixo do dele.lentamente. cálida e tensa e tão docemente sedosa. Sussurrava-lhe ao ouvido. Sentiu que não podia enchê-la o suficiente. Um mormaço a percorreu. Um êxtase tão completo a empurrou que afundou as unhas em seus músculos. gemeu. Ela gritou. Como Brand tinha previsto. dizia-lhe como se sentia dentro dela. então voltou a penetrá-la tão devagar que Brynna se queixou com um ardoroso gemido. Olhou-a nos olhos com uma ternura que a surpreendeu. umedeceu os lábios com a língua e Brand empurrou mais forte. E então começou a mover-se. as 146 . Brynna pensou que não conseguiria sobreviver a suas investidas.

— Isso significa que ganhei meu senhor? — Brynna repousava lânguida e relaxada debaixo dele.. — Oui. Todo o peso de Brand caiu sobre ela. erguendo até mais seus quadris. Os olhos de Brynna se arregalaram. — Não pode querer dizer. ao longo de suas coxas. tornando-a fraca debaixo dele. Tomou as nádegas entre as mãos. enquanto suas mãos vagavam indomáveis por seus seios. — Surpreendeu-me.. esposa — levantou a cabeça e a olhou nos olhos com a paixão que ainda persistia. mas o incandescente fogo em seus olhos lhe disse que seu prazer estava a ponto de ser liberado. não era o encanto exuberante que tinha visto uma vez. depois jogou para trás a cabeça. cravou-lhe as unhas nas mãos e gritou. As estocadas de seu corpo eram como trovões. e desatou sua paixão por completo. Feixes de músculos esticaram seu pescoço quando um rouco gemido penetrou o ar. uma e outra vez. puxando-a para que se aproximasse mais. e todo o tempo a olhava como se apenas vê-la o impulsionasse e não os sedosos espasmos que o tomavam. rodeando-a com um calor delicioso e dominante. lambeu-lhe os lábios e os mordeu brandamente. 147 . outra vez? — mas enquanto perguntava sentiu que a espada em seu interior começava seu segundo ataque. Brynna sentiu seu líquido precipitar-se em seu interior como uma maré. Ela o olhou e viu que estava sorrindo. à medida que as ondas de prazer a devoravam. Brynna — respirou com esforço. enquanto lhe beijava o pescoço e chegava a seus lábios. Ele franziu os lábios apenas. Desta vez Brand a assolou.sustentando sobre sua cabeça. apertando-as com os dedos. Minha espada ainda está faminta pela batalha — suas mãos se moveram sobre seus seios. Acariciou-lhe o pescoço. para que seus assaltos lentos e devoradores chegassem mais profundamente. — Minha derrota chega rápido. Ele provocou espasmos que convulsionaram seu corpo. ganhou — a paixão obscureceu seus olhos — Mas foi só o primeiro assalto. Abandonou-se.

— Entrou bem. embora a derrota de Brynna chegasse docemente. Brand a tomou como tomava todas as coisas. guerreiro. saboreando o sal de sua pele e sussurrando promessas de um prazer tão completo que não só se renderia. 148 . Saboreou-a como se fosse à última vez que a possuía. não é assim. mas também morreria para que acontecesse uma e outra vez. senhora? — Sim. enquanto ele a provava. com a urgência instintiva que lhe tinha dado a fama de "o Apaixonado". desfrutando seu corpo do mesmo modo que desfrutava na vida. entra perfeitamente. do modo que lutava no campo de batalha. E no final saiu vitorioso. E assim foi oferecendo sua vida ao guerreiro que a tomou até a manhã seguinte.

descobrir as coisas que acendiam esse fogoso temperamento. e Brand levou a mão ao seu cabelo. percorrer com a ponta do dedo seus cílios. fosse arrancar seu coração e deixá-lo nu diante dela. e afastou o olhar de seu rosto sereno. um amplo sorriso iluminando seu rude rosto. desejando perder-se na calidez que a envolvia. como pressentindo a batalha que se formava dentro da mente de Brand enquanto acordava ao lado de sua esposa. briosa. — Perdeu um festim espetacular. de algum modo. não podia. entretanto. Passando as mãos pelo cabelo. Tinha-lhe feito o amor toda a noite. 149 . gloriosa. desejando-a. Apaixonada. William o deteve nas escadas. né? — bateu nas costas do jovem cavalheiro — Agrada-me ver que não perdeu o fogo que queimava entre suas pernas antes que essa rameira Marson entrasse em sua vida. A sombra da traição ainda o ferroava com seus espinhos. Irradiava calor e perfeição. compassiva e amável.Capítulo 14 O sol se ergueu sobre o horizonte. Ela era sua esposa. traçar a linha cheia de seus lábios. Era como se fazê-lo. Observou-a enquanto dormia. Embora quisesse permitir que Brynna tocasse essa crua e danificada parte de si mesmo. Queria conhecê-la. Gemeu. vestiuse rapidamente e saiu do quarto. Colette lhe tinha tirado muito. Tinha visto Brand levar sua esposa na noite anterior e o luxurioso brilho nos olhos de ambos —. bela. Mas estou certo de que teve um particular. amigo — anunciou e prodigalizou Brand com um sorriso malicioso. Mas Brynna era o tipo de mulher pela qual se travavam batalhas. Parte dele queria tomá-la em seus braços. achava difícil tocá-la agora. ficou de pé. mas uma tensão tomou seu peito ante a idéia. apaixonadamente sensual. Queria tocar esse cacho e beijar a bochecha de alabastro. O que a fazia sorrir? O que enchia de lágrimas esses formosos olhos? Seu olhar percorreu um cacho de cobre caído sobre a bochecha.

até que a amarrou na cintura com o cordão prateado de seu rasgado vestido de noiva. Não quero amá-la. milorde? — perguntou. houve uma calidez que ultrapassou a raiva de Brynna e as 150 . William ficou olhando o brilho dos cachos negros quando Brand desceu rapidamente a escada. Quando por fim abriu a porta. Uma faísca de determinação brilhou em seus olhos. e por um momento algo passou entre os dois. O coração batia em seu peito quando se deu conta de que o sol mal tinha saído e seu marido já não estava. levantando a vista para olhar William antes de partir —. a compreensão se desenhou no rosto do duque e uma grande pena encheu seu olhar cinzento. Agora era hora de ensinar essa lição a sua esposa. Seus olhos se encontraram com os dela. William — respondeu Brand em voz baixa. por isso teve que procurar algo de seu marido para colocar. recordou como ficavam belamente apertadas em seu marido. A túnica de cor ocre que tirou de seu armário era outra coisa. enquanto se dirigia a ela. perdi algo muito mais valioso.— Não serve de nada. Ficava grande nos ombros e lhe chegava até os joelhos. De repente. — Aconteceu algo errado. surpreendeu-se ao ver William em toda sua estatura. entrando no quarto. exceto pelo fato de que sobravam nos tornozelos. Brynna estudou o homem selvagem que sentou em uma cadeira. junto a lareira. Ajustado o objeto. Foi ele quem tinha ensinado a Brand que tudo o que tinha valor podia ser obtido com uma boa briga. quando escutou batidas na porta. William olhou para a porta do quarto de Brand. — Acaba de sair. Colocou meias negras que ficavam bastante bem. Disso é do que temos que falar. Os pertences de Brynna não tinham sido trazidos ainda para o quarto de Brand. — Temos que falar — disse. levando uma mão ao peito. — Que aconteceu? Onde está Brand? — Brynna se sobressaltou ao ouvir a seriedade na voz do duque.

brincadeiras toscas de William. uma malcriada cujo pai mesmo estava tão aliviado para livrar-se dela. — Não estou seguro de que seja contra Colette que deve lutar. Lorde Fredric de Marson. mas contra o que fez a Brand. Fui ver o pai da moça. Brynna assentiu. Necessitava-o muito. embora não estivessem casados. então já sabe dessa perdida. Você o quer — disse William com sábia certeza —. Ma cher. A força nos olhos do duque William lhe fez sentir que podia fazê-lo. Arrastei-a novamente à casa de seu pai. Lady Colette é a imagem da beleza. Estive tentado a tomá-la. vivendo a umas poucas léguas de distância. Como faço para que Brand se esqueça de lady Marson e da dor que lhe causou? — Ah. mas sua beleza é enganosa. Embora não acredito que tenha mostrado esse aspecto de si mesma a Brand até o final. Sentou-se a seus pés e levantou a vista. e a rameira me rogou todo o caminho que a devolvesse à casa de Brand. queria saber. — É uma sedutora de olhos andarilhos e fogosos — disse William —. Se vê claramente em seus olhos. Não viu razão para contar ao duque que ela tinha visto Brand com sua amante. 151 . com outro homem. para poder escapar do rígido domínio de seu pai. até se ofereceu como recompensa. — Parece uma malvada. — Seu marido está perdido e depende de ti para encontrar o caminho. Se havia algum modo de romper as grossas defesas de Brand. só para me inteirar de que Colette tinha fugido uma semana depois que Brand a enviou de volta para sua casa. uma calidez e um carinho que ambos compartilhavam pelo mesmo homem. e sabe como atrair os homens para suas garras. — Diga-me o que devo fazer. Meus homens e eu a encontramos vários dias mais tarde. que aceitou que vivesse com Brand. — Como posso lutar contra ela? — perguntou Brynna. — Realmente é. O duque sorriu com um sorriso suave e gentil que surpreendeu Brynna. porque é mais perfeita que a terra mais cobiçada. — Dante me contou — disse Brynna.

Luta por ele. Seus olhos eram 152 . e isso era o que estava destruindo-o. ele viveu sua vida com paixão. é certo. A terra tremia sob os cascos de seu negro corcel. E o que era real? Já não sabia. por desejar sentir seu aroma. Desmontou e deixou cair descuidadamente as rédeas para observar a superfície do lago. Fechou os olhos contra a luz do sol e viu o rosto de Brynna. Ajude-o a viver deste modo outra vez.— Sim. Cavalgava como alguém açoitado por demônios. Até ali não estava a salvo. Brynna. embora não soubesse para aonde se dirigia. Cavalgou sobre erva espessa e logo entre nogueiras e carvalhos. com seus retorcidos ramos esticando-se para o sol para obter a calidez vital que lhe seria negada durante o inverno vindouro. com a respiração pesada e difícil. Arbustos e árvores frondosas podiam ocultá-lo dos demônios que o infestavam. para convencê-lo. Não o pressione muito cedo. Pensava que havia se preparado bem para casar-se com Brynna. podia entender o frio vazio que sentia porque não queria amá-la. E o bosque. ele estava tão decidido a não casar-se que o rei teve que me arrastar até aqui desde a Normandia. Finalmente deteve o cavalo quando chegou a um lago que começava a congelar. Certa vez. Brand cavalgava a toda velocidade. — Então seja paciente e pormenorizada. Mas foi você que o fez mudar de idéia. não eu. Leva sangue de guerreiro nas veias. — Lute por ele. para resguardar-se dela e evitar que chegasse a ele. Já conquistou muito. No bosque podia esconder-se da raiva e da dor que o perseguiam. Parecia tão real. levantando-a do chão. por querer estar com ela. Ele só obedece as ordens que quer. Por que seria tão tolo de deixar que outra mulher entrasse em seu coração? Acaso não tinha aprendido a lição? Alexander estava morto porque Brand se deixou cegar pelo que nem sequer tinha sido algo real. — William se pôs de pé e tomou mãos da jovem entre as suas. e seu amor será digno de sua luta. Já não estava seguro de ter tido êxito. da incerteza por ter desfrutado de sua esposa.

— Quero estar sozinho — respondeu com menos convicção do que tinha sentido no último ano. afastando seu olhar turquesa. Em sua mente. viu Brynna saindo das árvores. Tampouco sentiu o frio que tocava seus músculos.tão fáceis de ler. ela tocou seu coração quando lhe deu essa maldita rosa. Como podia confiar em seu bom julgamento quando se equivocou tanto anteriormente? Inclusive assim. Suas expressões tão abertas. fogosos e provocadores. podia ver o vívido verde de seus olhos. sobre as raízes e as rochas.. tornando-os rígidos. Queria que desejasse sua paixão a tal ponto que nunca pudesse ser satisfeita por ninguém mais. E o assustava mais que o próprio demônio. Seu longo cabelo lhe cobria os ombros e Brand ansiava tocá-lo para encontrar sua própria calidez dentro das mechas de bronze. — Que está fazendo aqui? — perguntou. Saberia o efeito que teve nele ao cuidar que sua carne não fosse ferida por um espinho? Protegeria seu coração com tanto cuidado? Seus pensamentos voltaram-se para noite anterior e uma cálida coluna de fogo lhe lambeu as costas. Brand não tinha idéia de quanto tempo tinha passado ali sentado. Como tinha conseguido acender um desejo tão cru nele? Tinha querido que Brynna o desejasse. Até mesmo quando se casou com um descarado frio e distante. e diabos. olhando o lago. Ao dar a volta. Mas era ele quem a desejava.. E quase nem escutou a voz que o chamava. Ela não disse nada. 153 . Caminhava com a capa amassada ao redor de corpo. — Não quero que fique sozinho.. o cauteloso olhar lhe tirou o fôlego. simplesmente se sentou ao seu lado na grama. Quando seus olhos se encontraram. dançando quando ela ria e ardia como seu temperamento quando se zangava. guiando o cavalo de seu pai pelas rédeas. Olhou fixamente a superfície iluminada da água e permaneceu em silêncio. para evitar uma batalha que nem sequer teria estado ali para ver. Amava seu pai. isso era o pior.. Mas até isso não era suficiente para ele. Sabia que nenhuma mulher o satisfaria como fazia Brynna. e seu amor e lealdade por Avarloch eram perfeitamente claros quando se ofereceu para lutar com ele pelo castelo.

— Sei sobre ela. não lhe importava o que pensasse.. Os olhos de Brynna se entrecerraram. — Não. eu te amo. Eu a vi. Já era hora de que soubesse a verdade. Como pode não significar nada? Ele piscava. Ele certamente não confundia as duas coisas. Brand — sussurrou. Brynna. mas não deixou que caíssem. Você e eu não nos casamos por amor — respondeu inexpressivamente. e afirmou com um leve sorriso de dúvida: — Queria me ver morto quando cheguei a Avarloch. enquanto recordava esse belo dia —. não é certo — suspirou ele —. observando a fria. — Mas eu te amo. Sei de Colette. nadando em uma lagoa muito parecida com esta — se voltou para o lago congelado e seu olhar parou ali. Brand por fim a olhou. Logo ela chegou. marido. Ela não significa nada para mim. Estava sozinho no começo e te observei. vi em Porthleven. ama como te fiz sentir ontem à noite. procurando em seus olhos o homem do qual sentia saudades —. Você reclamou meu coração na primeira vez que te vi. — Como posso esquecer que meu marido ama outra? — Isto não tem a ver com o amor. Os olhos de Brynna se encheram de lágrimas. Dante e William me contaram. — Deve esquecer o que lhe contaram. — Não. Ainda está apaixonado por ela. A dor lhe apertou o coração. cristalina superfície da água que fazia jogo com seus olhos. — Não deveriam ter dito nada. Bem. quando sacudiu a cabeça. — sua voz se perdeu e baixou os olhos ante seu penetrante olhar. disso estava certa.. Não confunda as duas coisas. vi você com ela. rompendo o silêncio que se estendia em seus olhos cheios de fantasmas —. 154 . Seus ombros ficaram tensos e inclinou-se. Brand — admitiu Brynna. meu amado — o corrigiu. — Não significa nada? — perguntou Brynna com incredulidade —. Brand — Brynna voltou seu olhar para ele —. — Non.

mas não pôde achá-la. Que estranho. quando nossa carruagem se deteve devido a uma árvore caída — Deus querido. Procurou sua raiva em sua alma. Te vi. esse sentimento sempre espreitava perto de seu coração. pensou. — Estava visitando meu tio.— Viu-nos? — foi tudo o que pôde dizer muito surpreso pela confissão para dizer algo mais. que somente a olhava. Inclinou a cabeça tentando discernir se estava dizendo a verdade. Recordava o dia que ela tinha mencionado. e nunca esqueci.— respondeu. observando-o enquanto voltava a cabeça para 155 . Brynna se esforçou para sustentar seu olhar. — Sabia que havia alguém em sua vida a quem amava. seu pai vai partir de Avarloch por minha culpa. tão formoso e apaixonado pela vida. Perdoe-me por não lhe dizer isso. —E depois de tudo. —O que estava fazendo em Porthleven? — no mesmo instante em que perguntou. Brynna. — Sei — ela quase não respirava. — Soube de Colette todo o tempo — disse. sentia-se tão aliviada ao falar disso com ele —. A confusão enredou sua mente. com uma ternura acolhedora. Suas palavras finalmente começaram a fazer sentido para ele. notou que ela estava vestida com sua roupa e lutou para não sorrir. compreendendo agora tudo o que ela tinha visto. Mas ele piscou e seus olhos se suavizaram. — Meu povo matou a sua mãe. acha que me ama? — Sei que te amo. Fez um esforço para produzir um bom gesto de recriminação e lhe fazer saber que não aprovava seu costume de espiar e escutar atrás das paredes. Brynna assentiu. Brand a estudou. — Sim. Brand . quando pensava em Colette. Minha companhia passou por Porthleven de volta para casa e eu fui caminhar sozinha. Queria estar zangado com ela porque não lhe havia dito que sabia sobre Colette desde o começo. — Mas tomei seu lar — recordou em voz baixa —.

não seu corpo. — Não admito nada. — Indignada. as sombras que povoavam seus olhos se desvaneceram. quero dizer a felicidade em seu rosto o que me cativou. que já estava ruborizada e sem fôlego. e enquanto ele voltava esse maravilhoso sorriso para ela. O sorriso dele era real e não calculado. 156 . Estava presa ali. maravilhas marinhas. — Asseguro senhor. com um sorriso libidinoso: — e por esta manhã. algo cheio de sentido. acreditou ver algo em sua vastidão.. aspirando o aroma do cabelo de Brynna.. Inclinou a cabeça até que seus lábios pousaram sobre os dela —.. Era um sorriso que Brynna tinha visto antes. — Tudo. — Foi meu corpo — insistiu ele. mas ele tomou seu queixo entre as mãos e levantou o rosto para olhá-la.. Admita — persistiu ele. exatamente? Brynna suspirou ao recordá—lo. arrebatou-te minha imagem — riu em um murmúrio. seus olhos eram como a água brilhante.. e enquanto Brynna os olhava. — Agrada-me saber que a visão de meu corpo te encantou dessa maneira — seus olhos dançaram com humor e afeto.. — Obrigado por ontem à noite — adicionou. À luz do sol. Estava nu deixando que a água te banhasse com um alegre abandono. atrás desses malditos arbustos morta de medo de ser descoberta. que era seu rosto. quando Brynna revirou os olhos e lhe deu um empurrão —. aproximando-se mais. O rosto de seu marido se abriu em um sorriso mais amplo. — O que acha tão engraçado? — perguntou ela. feliz. Ela acreditou ver os cantos de sua boca elevarem-se em um leve sorriso. e o coração de Brynna deu um salto. — O que é que viu. ela cruzou os braços sobre o peito e tentou afastar o olhar. Acariciou-lhe a áspera bochecha.dirigir à água seu pensativo olhar. E logo ela chegou e não pude partir. inocente e malicioso ao mesmo tempo. divertido. inesperado e totalmente radiante.

157 . Dante sorriu e trocou um rápido olhar de assentimento com seu irmão. antes de afrouxar as rédeas e galopar para ele. parece que está perdendo. por isso até as práticas se convertem em uma batalha. As espadas chocavam-se e cintilavam. Não é assim. Ah. antes que a beijasse. Brynna? — Sim — respondeu ela ofegando. — Quantos de seus homens venceu até agora? — interrogou Brand. — Alguns podem chamar assim — disse com um suspiro exasperado. que agora bramava ao seu homem porque tinha perdido. William? — sorriu Brand soltando as rédeas. E neste momento. era mais que isso. —William é muito competitivo.— Não tem necessidade de agradecer a sua esposa por cumprir com seu dever. e lhe roçou a boca com os lábios —. pensou. senhor. sabendo que o número devia ser elevado. encontraram William no parapeito da entrada observando atentamente enquanto Dante lutava com um dos cavalheiros do duque. — Vamos — gritou para Brynna. William mal olhou em sua direção quando Brand chamou-o. cheio de malícia. olhou perplexa para seu marido. — Isso é uma prática? Brand sorriu levemente sacudindo a cabeça ante o duque normando. e continuou repreendendo seu cavalheiro vencido. Brynna conteve o fôlego. enquanto ele a recostava no chão e desamarrava sua capa. — Praticando um pouco de batalha amistosa. mas quando viu que Alysia aplaudia freneticamente e pulava de alegria. — Brand lançou um largo olhar de soslaio. — Foi mais que um simples dever — sussurrou. ******************* Ao retornar ao castelo. Não gosta de perder em nada. para que William o estivesse tomando com tanta seriedade.

Brand deu a volta e dirigiu-se para sua esposa. — Seu irmão tem que brigar com um homem mais. passando as rédeas a Peter. sua expressão divertida se transformou em um sorriso vitorioso. Isso. — Não sei. calçando uma grossa luva de couro na mão. enquanto ele sorria. — olhou para Brynna e piscou um olho. me parece que terminou. piscando um olho antes de voltar-se para o duque.. 158 . — Oui — concordou William —. arqueando uma sobrancelha em sinal de admiração. Dante tinha derrotado sete homens e não estava nem cansado. Então o duque sorriu como um lobo a ponto de saltar. Dirigiu-se para Brynna e a ajudou a descer do cavalo. — Sete. sabendo que isso enlouqueceria William. — E quem é esse homem? Você. ele — assinalou Lorde Richard. mas se Dante ganhar terá que se inclinar diante de todos nós e me beijar o traseiro. Brand levantou uma sobrancelha. William? O duque devolveu o sorriso zombador e escuro do Brand e sacudiu a cabeça. Os vassalos de Avarloch o aclamaram e Brynna se uniu à aclamação. — Isto não terminou ainda — anunciou William a todos os presentes. Uma de suas donzelas gritava algo sobre Hércules e Dionísio. lançando um beijo a seu pai quando piscou um olho. que acabava de sair da torre de entrada. somado ao modo como os raios sol brilhavam sobre seu colete de malha. E se sir Richard ganhar.. Will. antes de ser declarado campeão. Brand desmontou. Brynna observou o musculoso guerreiro de seu cavalo. — Muito bem! — gritou Brand enquanto William caminhava para o campo de batalha —. você se inclinará ante sua esposa e me beijará o. Seus ombros sacudiram levemente ao rir. De seu cavalo. com satisfação. faziam-no parecer como se acabasse de descer do monte Olimpo. — Non. cético. Brynna teve que admitir que Lorde Dante Risande era um homem extremamente atraente.Dante jogou a longa espada sobre seu ombro e deslizou o olhar para o duque.

Lutaram durante muito tempo. levantando as enormes espadas sobre a cabeça. Era alguém a quem seu pai tinha lhe prometido? — Ai. Por que de repente lhe perguntava sobre um homem que ela tinha mencionado mais de uma semana antes? Sorriu porque não lhe tinha perguntado sobre Nathan antes. Diga-me. com expressão divertida. mas sei por experiência. Brynna pôde ver a satisfação em seu perfil e sorriu. que pegou Brynna de surpresa.. William ladrou ordens para que todos se afastassem e abrissem caminho a seu cavalheiro campeão. Qualquer que seja o resultado.E o fez.. — Feriu-o quando quebrou a vassoura em sua cabeça? — Sim. que seu pai é muito habilidoso. Dante conseguirá inquietar William e isso o deixará louco. — Disse que lhe tinha partido a vassoura de sua tia Gertrude na cabeça quando ele acreditou que não podia lutar com ele. — O que? Como sabe de Sir Nathan? Seu marido riu de William. Sir Nathan é um dos guardas de meu tio. Recebeu uma feia ferida em cima do olho direito. — Não sei formosa. mas era bom saber que seu marido estava começando a sentir ciúmes. Brand não se alterou. — Bem feito — disse seu marido em voz baixa. e voltou seu olhar tranqüilo para a luta. que ameaçou me açoitar. e quero estar aqui para ver. não — Brynna riu e estremeceu ante a idéia —. enquanto Richard caminhava em direção a Dante. Nunca o trairia como tinha feito Colette. Deus santo. Brand observou. mais do que Brand tinha 159 . Um tolo mal-humorado. Dante é um guerreiro poderoso. com sua enorme espada reluzindo ao sol. Com os braços cruzados sobre o peito. — Pensa que meu pai perderá? — perguntou Brynna e lhe beliscou o braço. quem é Nathan? Perguntou tão despreocupadamente. Dante e Richard ficaram frente a frente. quando o duque gritou para que todos fizessem silêncio. e se voltou para ela.

—Se esta fosse uma batalha real. pensou William triunfalmente. tinha a esperança de que sua esposa se encarregasse de pagar sua aposta. Os movimentos do jovem guerreiro eram precisos. de um lado para o outro. meu amigo. — Que pena — respondeu o duque. não te beijaria a mão. muito menos essa diminuta amostra de virilidade que minha espada está ameaçando. William começou a protestar imediatamente. — É desumano — disse o duque normando em tom de brincadeira. Deu a volta para procurar Brand. selvagens e carregados de um poder devastador. Descarado. Devolvia os golpes com astúcia e evitava as contundentes investidas sobre sua cabeça.previsto. lançando um olhar perigoso ao homem a quem tinha ensinado a ser tão diabólico. William aclamou exaltado ante o triunfo de seu homem. William. 160 . Ficou rígido. quando chegasse o momento. Brand moveu a espada uns milímetros e William se sacudiu. levantando seus olhos cinzentos para olhá-lo a cada dois segundos. venci. Brand lhe ofereceu seu mais radiante sorriso e se inclinou. mas seu amigo não estava em nenhum lugar. fingindo estar aflito —. não ganhou. — Cancele o trato — ouviu o grunhido a suas costas. e estava a ponto de abrir caminho para Richard quando sentiu o frio e duro aço entre as pernas. Em resposta. —Tirou sua espada e deu um passo atrás. E para deleite de Brand. neste mesmo instante. mas a experiência de Richard finalmente ganhou o título de campeão. William girou lentamente. perto de seu ouvido —. William caminhava nervoso. Eu. e um sorriso cruzou seu rosto. Brand levou a mão ao coração. confiando que o duque não lhe cortaria a cabeça. mas Brand o sossegou com um leve movimento de sua espada. estaria morto. porque estou bastante seguro de que ela lhe teria arrancado isso com uma dentada. E tire esse sorriso zombador de seu rosto. — Toma a espada. E um exército sem seu líder é vencido rapidamente.

quando chegou junto a eles. a incredulidade ante a pergunta de seu sogro nublou seus olhos. como teria feito William. — Fiz assim. — É um bom começo — disse sabiamente. — William os treinou bem. — Brynna está muito formosa um dia depois de suas bodas. Richard não notou a inquietação de Brand. — Bem. — Estava preocupado pensando que me tomaria a golpes. Lamento. Encontrou-a perdida sob o peso do abraço de seu pai. 161 . Seu sorriso se ampliou. deixando os recém casados olhando-o fixamente. Sorriu amplamente e lhe deu uma palmada nas costas. Os olhos de Brand se tornaram maiores. então? —perguntou o velho cavalheiro com um tom malicioso. — Seus olhos procuraram Brynna como o faziam sempre quando ela não estava ao seu lado. — Oui. — É seu pai! Por que queria saber algo assim? Ela encolheu os ombros. assim é. não lutei contra homens tão habilidosos desde que enfrentei os bizantinos em batalha. — Tudo foi bem na noite de bodas. obrigado por perguntar — tropeçou com as palavras. enquanto se dirigia para onde estava William. Brand levou a mão de sua esposa até sua boca. como o fogo sob o sol. — Devemos muito ao duque — Brand focou seu olhar em Brynna e o modo como seu cabelo brilhava. — Os guerreiros carecem de tato. a ti e a seu irmão — admitiu Richard logo depois que Brand o felicitou por sua vitória —. Voltando-se para ela com um repentino ar sensual. Richard lançou um rápido olhar de soslaio a sua filha. não é? Seu genro assentiu. o sorriso congelou em seu rosto.— Obrigado. — Brynna passou seu braço pelo de seu marido. um fato que sua mente não podia compreender.

A jovem abriu a boca para protestar. — Aonde vai? — perguntou ela a suas costas. Para ver sua égua. Até luzindo uma túnica duas vezes maior que seu corpo. Brynna o olhou afastar-se e tremeu ante a crua masculinidade que possuía. apaixonada e espontaneamente.. quase não posso permanecer em pé. sua esposa o deleitava e encantava sua alma. o qual sorriu ao perceber. antes que pudesse dizer uma palavra. _ depois de ontem à noite. Sorriu recordando quando viu Brynna parada no parapeito vestida com sua roupa. — À cama — deu a volta. 162 . Logo riu para si e se encaminhou para o estábulo.. mas Brand a beijou. Tirou a imagem da cabeça. deixando-a sem fôlego. caminhando. sempre parecia acontecer quando pensava nela. Capítulo 15 Brand subiu as sinuosas escadas com um coração que parecia mais leve que de costume. Estava muito cansado para excitar-se novamente. ele também se afastou. caminhando de costas para ela. e logo sorriu a seu pai.

milorde. Tinham compartilhado a vida do mesmo modo. levando o delicado tecido a sua bochecha. O que houve. para aspirar seu perfume. e as simples brincadeiras cotidianas. que Brand podia ver de sua janela. — Bom dia. O som da risada forte de William. milorde — o saudou a pálida beleza. Por um instante. milorde — Rebecca suspirou em silencio ao vê-lo afastar-se. na planta baixa levou Brand à janela ainda com o vestido apertado contra o nariz. Deteve-se ao passar por seu lado. pensou enquanto saía em busca do Kennet. retornou ao castelo de Graycliff e observou Colette. O duque tinha o braço nas costas de Richard e havia um brilho endiabrado nos olhos de William. Quando Brand entrou em seu quarto. e se viu esperando que se aproximasse. Brand sorriu. Seu pálido cabelo loiro solto sobre os ombros era como uma névoa de seda que ricocheteava. a primeira coisa que viu foi o vestido de noiva de Brynna sobre o tapete de pele de urso. Ao observar o duque patife. para a batalha. o amor.Quase tinha chegado ao final das escadas. William sempre o fazia rir. o coração de Brand se abrandou. logo depois de voltar de uma batalha. tinha visto o mundo girar 163 . notando que o novo senhor a olhava fixamente —. Aconteceu algo? Voltando para o presente com uma piscada. como o trovão. — Em seguida. a donzela de Brynna. Eram homens que preferiam morrer antes que não sentir mais a gloriosa calidez do sol no rosto ou o vento lhes tocando a pele ao partir. Com apetite. Brand ficou rígido. procure o escudeiro Kennet e diga que traga a água para meu banho. saboreando-a com uma paixão que os impulsionava na batalha. quando caminhava. quando cruzou com Rebecca. Mas Brand tinha mudado. proveniente do parapeito. o homem era tão belo. mas voltou a deter-se e voltou-se para ela— por favor. Riu. até depois de Colette. — Non — começou a subir. adivinhando que seu amigo estava planejando algum tipo de represália contra ele. Foi para ele e o levantou. E Brand tinha uma grande afeição por ele. para tomá-la em seus braços. Por Deus. que descia.

horrivelmente insípido e descolorido. Preferia que Brynna o atendesse. sem perceber o efeito que produzia nela. E lave o cabelo também. como resto de sua roupa. precisava dormir e sabia que se as mãos de sua esposa lhe tocassem o corpo. — Só as costas e os braços — disse—. Na realidade. Rebecca o olhou. e ela estendeu uma toalha limpa para cobrir-se. entretanto. ajoelhou-se e tomou uma pequena toalha para banhá-lo. procurando seu aroma no vestido. Observou da janela enquanto quatro jovens escudeiros arrumavam o biombo e vertiam água na tina de banho. exalou tão explosivamente que Brand se voltou para vê-la. e olhou a Brand que ainda agarrava o vestido de sua esposa entre as mãos. Além disso. ele não se cobriu quando tirou as calças. Brand se meteu na água. — Está bem — disse —. mas não a via em nenhuma parte. — Alcance-me uma dessas. — Está doente? — N-não. estou cansado e temo que talvez durma e me afogue — sorriu à donzela. encantada enquanto preparava o sabão e as toalhas. eu me encarrego do resto. até que encontrou a cor da primavera nos olhos de Brynna. — deslizou-se dentro da tina. Brand olhou pela janela. lançou a toalha no chão. enquanto observava suas nádegas esculpidas e suas fortes coxas. Dava-lhe as costas e a donzela sentiu uma comichão. Para seu deleite. milorde. — Quer que o atenda. Antes de sentar-se. — Foi até a tina. Lançou o vestido de Brynna sobre a cama e começou a despir-se. senhor? — perguntou logo depois de despedir os escudeiros. Inalava. Rebecca aguardava na porta até que terminassem. afundando a cabeça na água 164 . dando um grunhido tão denso como o vapor que se elevava ao seu redor. lembrou-se de respirar. Rebecca de repente.. por favor — pediu Brand. quando chegou a água quente para o banho. permaneceria acordado ao menos outra hora.. — Onde està Kennet? — Não pude encontrá-lo.

Abriu a porta esperando encontrar Brand e seu irmão compartilhando um brinde. levemente a princípio. tão lentamente que pôs Brynna furiosa —.. A profunda. — Aaaaah! — chiou ela. O que precisa é uma boa massagem com azeites medicinais. — Umh. O coração de Brynna gritou em seu peito. Seu sorriso se desvaneceu rapidamente quando viu Rebecca. salpicando à donzela com água morna. irei procurar em seguida. enquanto gotejava água de cada fio. 165 . Enquanto deslizava a toalha molhada e ensaboada pelos braços de Brand. perdoe-me — disse Brand abruptamente. fazendo-a sorrir. sacudiu a cabeça com força. enquanto os dois riam juntos agora. Logo depois de uns minutos. se cobrindo com as mãos para proteger-se da água que a molhava.para molhar o cabelo. Brynna estava a ponto de entrar no quarto. mas ficou quieta. afundou de novo para enxaguar-se. mas se sentia excelentemente bem e deixou que a alegria o alcançasse. — Que agradável sensação. —Brand suspirava. — gemeu Brand —.. nunca foi divertido banhá-lo. Esfregou e massageou o couro cabeludo com os dedos. Ele gemeu e a donzela fechou os olhos a suas costas. voltando-se para vê-la. Brand surpreendeu-se com sua própria risada. quando voltou a emergir e começou a lhe ensaboar as grossas mechas negras. robusta música da risada de seu marido encheu os corredores e ecoou em seu coração. — Se quiser azeites — sua voz atravessou o ar com uma mescla de mel e estricnina —. quando escutou o maravilhoso som. — Você é muito diferente de Lorde Richard — a beleza de cabelo loiro o adulou. Suas pálidas mechas eram agora um tom mais escuro e pendiam ao lado do rosto. isso soa maravilhoso. e depois jogou a cabeça para trás e começou a gargalhar. Marchou para a tina com as mãos formando punhos. — Diabos. Já era suficiente! Brynna não suportava escutar outra palavra. Rebecca se colocou atrás dele. sem ser vista. Quando voltou a sair. — Está tão tenso. Ele sorriu.

jurando não lhe deixar ver a ferida que acabava de causar. Seus olhos se entrecerraram. Te assustei. Quando a moça se retirou. — Mas sou uma tola. Estava de pé agora.. pode ir ajudar Peter a limpar o esterco dos estábulos. jorrando água de cada parte de seu corpo. e quando terminar. 166 .. Os olhos de Rebecca estavam cheios de lágrimas. mas ela o ignorou e olhou indignada a sua assustada donzela. esposa — Brand advertiu ameaçador. quando saiu correndo do quarto. Brynna voltou seu indignado olhar esmeralda para Brand. Brynna. — Cuida dessa boca. enquanto um fogo azul emanava dos olhos de Brand. — Não seja tola. com a dor que lhe provocou a fria afirmação. — Agora pode terminar de banhar meu marido. agora terá que se banhar sozinho — alfinetou Brynna com veneno. como se alguém a tivesse empurrado com força. saliva de rato! Uma tola por te amar e por pensar que havia uma possibilidade. Por um instante Brynna quase cambaleou. — Ai! — Brynna se dirigiu para ela —. — Brynna! — a voz de Brand era como gelo.. Deixou cair isso — se agachou rapidamente. tomou a toalha molhada e a lançou em seu marido. escurecidos pela fúria que se apoderava dele. — Está zangado porque te interrompi. lançando adagas verdes. você.Rebecca se surpreendeu tanto pelo som e a presença de sua ama que caiu para trás. você. — Nunca houve — Suas palavras a atravessaram. e todo traço de humor se desvaneceu de seus olhos. — Que pena.. minha querida moça? Lamento tanto — tomou o braço de Rebecca e com um puxão a levantou e a olhou com fúria. Depois olhou para Brand e à toalha que jazia no piso ao lado da tina —. fétido pedaço de esterco de inseto? Abriu muito os olhos. mas se conteve.

— Na verdade é uma besta fria e desalmada. Não te importa de quem é a flor que floresce em suas mãos, se a minha ou a de uma donzela, as duas significam o mesmo para ti. Brand assentiu. — Assim é — confirmou com um sorriso gelado. Mas não o sentia. Nunca ninguém o tinha excitado como tinha feito Brynna, como o fazia até agora enquanto cuspia seu ódio por ele. Seu fogo o fazia sentir-se vivo, enquanto os aguilhões da paixão se cravavam em seu sexo, uma paixão que lutava por controlar antes que crescesse ante os olhos dela. _ A um selvagem não importa quem grita debaixo dele, sempre e quando gritarem pedindo clemência. Mas não a terá. As palavras de Brand a assustaram, mas também a enfureceram, e sua raiva, como a de sua mãe, sempre dominava seu temor. Brynna endireitou os ombros e desafiou o olhar de seu marido. — Não escutará nunca mais um grito de meus lábios, nem de paixão, nem de medo. Juro isso, você, sujo caipira. — Voltou-se para partir, mas a mão dele se estendeu e se fechou ao redor de sua cintura. Saiu da banheira e a atraiu para seus braços. Não havia nada gentil em suas ações, nem em seus olhos, só fúria e paixão rugindo desatadas. — Esta é a segunda vez que me acusa falsamente. Nunca volte a fazê-lo, a não ser que me veja fazendo amor com uma de suas donzelas. Quanto a gritar, juro isso, esposa, não só te farei gritar debaixo de mim, mas também me rogará que não me detenha. Rogará penosamente até que te encha uma e outra vez, e nunca será suficiente — sua respiração era quente contra seu rosto, seu corpo rígido e preparado para tomá-la. — Nunca! — disse Brynna, tentando furiosamente escapar de seu abraço, mas ele se precipitou sobre ela e a levantou do chão. Com três passos gigantescos Brand a levou para a cama, ignorando os insultos. Deixou-a cair sobre o colchão, com descuidada desconsideração. Ela ricocheteou como uma mola. — Vou deste quarto, Brand.
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— Non, não o fará. Não até que termine contigo — Tire a roupa antes que lhe arranque isso. — Não o farei! — afirmou Brynna, balançando as pernas para o beira da cama. Ele saltou sobre ela, como um felino. Eram as roupas dele que usava, mas as arrancou da mesma forma. Brynna queria gritar, mas tinha jurado que não o faria. — Nunca voltarei a me render diante de ti, escória normanda! — gritou com os dentes apertados, enquanto seu marido lançava a roupa ao chão e a recostava, com um empurrão. — Então a batalha vai recomeçar. — Sua voz lhe ferroou os ouvidos com tanta força como a mãos que a seguravam à cama. — Que seja bem-vinda — Brynna levantou a cabeça do travesseiro para lhe gritar no rosto, mas ele só a olhou, admirado. — Pensei que era minha imaginação — ofereceu um sorriso enfurecedor —, mas, na verdade, é até mais bela quando está zangada, Brynna. Se soubesse o que está me fazendo neste momento, estou certo de que te submeteria rapidamente. — Nunca, mentiroso! — ela lutou com fúria debaixo dele, mas sua pressão era muito forte, seu corpo a cobria como o aço. Podia sentir a carne excitada contra sua coxa e se surpreendeu de que a ele ainda sentisse um pouco de desejo. Não importava. Ignorou o ávido palpitar, a feroz luxúria em seus olhos. — Isto te faz sentir como um homem? — zombou. Um canto de sua boca carnuda se levantou, formando um meio sorriso lascivo. — Por que não me diz isso você? — Agarrou, com força, a mão e levou a palma para baixo, ao longo de seu corpo, balançando seu peso sobre ela. Ela mordeu o lábio quando ele deslizou seus dedos além de seu abdômen de aço, até sua ofegante vara de ferro. Sua voz se tornou rouca com o esforço para controlar-se, quando fechou os dedos ao redor de sua rigidez —. Como o sente você?
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Brynna conteve o fôlego ante a vida que pulsava entre seus dedos. Um calor inflamado fluía dele e parecia enchê-la, mesmo contra sua vontade. Brand gemeu. Tomou o mamilo com os dentes, banhando-o dentro de sua boca com a língua. O bico rosado se ergueu até enquanto lutava contra ele. Sua língua umedeceu a crescente dureza, e depois lambeu ferozmente. A dor, e um sobressalto de prazer, levou a mão de Brynna até mais embaixo. Queria gritar, mas não podia... tinha jurado não fazê-lo. Soltou-lhe a mão, mas ela não a tirou de sua rígida carne. Deslizou os dedos pelo interior da coxa, seu contato a provocava, acariciando-a, lhe fazendo apertar a dureza entre seus dedos. — Está pronta para mim, esposa? — sussurrou com uma voz rouca. — É um selvagem — respondeu Brynna sem fôlego. De repente, seu dedo mergulhou profundamente dentro dela, Rolando, acariciando delicadamente e levando-a a um êxtase inimaginável. Ofegou, arqueando as costas. Brand lhe mordeu o pescoço, esforçando-se para não parti-la em duas com a endurecida lança que estava a ponto de explodir em sua mão. Acariciou o botão de seu desejo com o polegar e Brynna se sentiu assaltada por ondas de êxtase sexual. Era tão intenso que queria gritar, clamar, rogar que a penetrasse e a enchesse com sua poderosa carne. — Nunca — disse sufocada, respondendo a si mesma em voz alta. Brand sorriu em cima dela. — Oui, agora — a corrigiu, tomando sua mão uma vez mais para que ela o guiasse —. Agora, Brynna — sussurrou, e ela o levou dentro de seu corpo, e logo o soltou e ele avançou ferozmente, grunhindo. Brynna tremia enquanto os espasmos de prazer percorriam seu corpo. Toda idéia de negar que quisesse a paixão deste homem sem seu amor se pulverizou como folhas caídas no vento outonal. Queria tudo o que estava lhe dando. Queria que a enchesse, como estava fazendo agora. Deu-se conta que amava o peso de seu corpo sobre o dela, a aspereza de sua mandíbula ao roçar sua bochecha delicada. O modo como seu corpo se movia em perfeito ritmo com o dela, a impulsionou a elevar os quadris, até que os fogos que
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lambiam sua carne e suas costas e vinham de dentro da úmida caverna, onde ardia seu prazer, se fizeram quase insuportáveis. A paixão de Brand era tão tumultuosa como o mar durante uma tormenta. Cavalgou sobre Brynna com um passo febril, já não lhe importava a ternura, só o prazer, quente e doce e selvagem em sua avidez. Queria consumi-la, ser consumido por ela. O apertado túnel de desejo de Brynna acariciavam sua virilidade e Brand sentia cada um dos músculos voltando a reclamá-lo, quando retrocedia, enquanto suas dobras aveludadas o acariciavam como lábios úmidos. O êxtase chegou ao topo envolvendo Brynna. Mordeu-lhe o ombro, afundando as unhas em suas costas. Agarrou-se a ele desenfreadamente, movendo-se com ele, como lhe ordenava. Todo controle se desvaneceu e ela encontrou no ardor de sua boca uma urgência igual à sua. E logo ele emitiu um som que não era como nenhum que tivesse escutado. Era o som do prazer que se tornava audível, tangível. Era sensual e erótico, masculino e cru. Não um grunhido, mas uma série de sussurros roucos e primitivos. Brynna não sabia se não tinha sido esse mero som que a fez gritar. Quando o êxtase a transbordou. Abriu os olhos para ver o rosto que tinha desejado, e ali estava. Um regozijo estranhamente angelical em seu feroz e exuberante êxtase, formava em seus lábios um amplo sorriso. Seus olhos se fecharam quando a encheu, movendose dentro das águas de seu corpo. Inalou, como se o ar fosse uma delícia para seus pulmões, depois apertou os lábios, impulsionando-se mais profundamente dentro dela. Sua paixão era tangível, manifestava-se em seu sorriso ardente e selvagem. Brynna afundou as unhas em sua carne, enquanto as cores explodiam dentro dela em infinitas convulsões, que pensou que nunca acabariam. Gemendo, contendo gritos de êxtase que ameaçavam sair, ela foi se aquietando. E sua sensual fantasia permanecia ali, jogando a cabeça para trás como uma formosa e primitiva fantasia feita realidade. Ele franziu os lábios e um áspero grito gutural saiu de sua garganta. Logo paralisou-se em seus braços,
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esgotado, completamente exausto. Queria dizer algo, mas não pôde. Rolou para o lado e a atraiu para seus braços, e em segundos estava dormido. Brynna descansou ao seu lado, aconchegada em seu peito e fechando com força os olhos, para deter as lágrimas que ameaçavam afogá-la. O homem da lagoa ainda existia. Estava ali, com ela agora. Tinha empurrado Brand para a borda do que se acreditava que era a paixão, do modo como o tinha feito a mulher na água, quando o viu pela primeira vez. Só que era uma paixão diferente, mas não menos intensa. Suas paixões... as coisas que experimenta... consomem-no. Seja felicidade, ódio, luxúria, ou amor, igualmente o consomem, disse-se Brynna, recostada junto ao seu homem. E soube, nesse momento, que não importava o quanto maravilhoso fosse seu desejo por ela, precisava ver a paixão de seu amor dessa mesma maneira. Precisava senti-la, tocá-la, vivê-la. Seus pensamentos voltaram-se para aquele dia em que o duque da Normandia tinha ido ao quarto de Brand para falar com ela. Tinha pedido que fosse paciente. Fez-lhe prometer que tentaria, jurando que seu marido era um bom homem pelo qual valia à pena lutar. — Digno da batalha. Brynna escutou em sua mente as palavras do duque William, enquanto estava deitada na cama com Brand, olhando as negras e densas pestanas que repousavam sobre seus olhos. Sabia que não tinha opção além de lutar. Por sorte, era algo que sabia fazer bem. De algum modo, tinha que ganhar o amor deste guerreiro. Tinha que encontrar um modo de derreter seu gelado coração. — Digno da batalha. — Sim, certamente é — sussurrou Brynna e acariciou seus cachos negro —, e, meu amado esposo guerreiro, vencerei.

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mas havia suficiente luz para ver seu marido dormindo. acorde. quando se sentou na cama. como se tocar sua pele pudesse feri-la. por favor. 172 . Seus olhos se abriram. O fogo intenso da lareira se reduziu a umas poucas brasas acesas. acorde — o chamou meigamente. — Colette! Brynna sussurrou o nome de seu marido na escuridão. pousou a ponta dos dedos em seu ombro —. Voltou a cabeça para Brynna e ela retrocedeu. Com cautela. com a leve consciência de estar despertando para a realidade. — Brand.Capítulo 16 O som de um grito carregado de dor despertou Brynna na metade da noite. ante o horrível vazio que reinava em seu olhar. Seu coração se quebrou em pedaços que cravaram em seu peito. meu amor.

Brand — Brynna mal sussurrou—. sustentá-lo em seus braços e lhe prometer coisas nas quais pudesse confiar e acreditar. sem voltar-se para Brynna—. Seus ombros. — A odeia. a jovem esposa chorou. em silêncio. separaram-se dela. e depois saltaram. Saiu da cama. — Brand. com renovada força dando mais luz ao quarto e mais calor. já não a amo. e esticou as mãos para esquentá-las.. Brand se ergueu. Nunca voltarei a cometer o mesmo engano. parecia quase luminoso apesar da palidez que o cobria. antes de morrer—. Mas eram suas próprias emoções que o tinham traído. enquanto tomavam o rosto. mas entendo que ainda a ame. por favor. enquanto ele esticava as mãos para frente para esquentá-las. como se estivesse brotando do ávido fogo.. Sempre deixei que me governasse o coração. a odeia. Mas parecia não escutá-la. a jogou sobre os ombros nus e se aproximou do fogo. afrouxaram-se à medida que o fogo o aliviava de um modo em que Brynna não podia fazê-lo. O que poderia penetrar o gelo que envolvia Brand e encerrava seu apaixonado coração? Brynna queria ir para ele. Brynna — fez uma pausa recordando a angústia de sua traição refletida no olhar aterrorizado de Alexander. Brynna o observou afastar-se e levou a colcha até o pescoço. Seu corpo nu movendo-se na tênue luz do fogo da lareira. Inclinou-se para alimentar as faíscas moribundas com lenha. fiz escolhas com as quais devo viver o resto de minha vida. não vá. Ante a cena. Logo. 173 . como se não encontrassem o que necessitavam.— Brynna — As mãos fortes e seguras agora tremiam. Desejava aproximar-se dele. e Colette era a mulher que Brand queria. Brand tirou a colcha de cima e abandonou a cama. As chamas se alastraram. — Non — sua voz soou tão profunda como as sombras —. uma vez mais. Turbulentos oceanos azuis procuraram seus olhos por um momento. Mas o que lhe diria? Ela não era Colette de Marson. tão largos e poderosos. Ao achar sua capa carmesim. precisava chegar até ele. O amor transforma os homens em idiotas — disse. Ela o observou.

Lutaria para salvar Brand o Apaixonado. caiu como líquido a seus pés. Penteou o cabelo de maneira tal que seu 174 . lentamente a princípio. Vestiu-se devagar. que não era Brand contra o que tinha que lutar. em um decote exagerado. cheia de incerteza. Brand já havia partido quando o sol da manhã refletiu sua luz no rosto de Brynna. Sabia que a batalha seria difícil. A silhueta de Brand era como uma obra de arte esculpida. mas contra o que amar Colette de Marson tinha feito a ele. marido — lhe tremiam os joelhos enquanto avançava. recordando como tinha sido o contato de sua boca ali. Era encantador. resistindo sua oferta. uma formosa máscara de puro.— Deixe-me te ensinar a confiar no que seu coração sabe que é bom — disse brandamente. rígida. ansiosamente. Com a esperança brilhando em seus olhos. enquanto se apressava para fora do quarto e procurava. mas por suas veias corria o sangue Dumond. tão feroz que somente a recordação a devorava. Era ardente. A saia era amplia e fluída. rezando que não a rechaçasse. arrebatado êxtase. Debaixo. Sabia. Sorriu vitoriosa ao encontrar o vestido que combinava perfeitamente com seus olhos. As imagens de seu rosto. Seus braços tomaram. aproximando-se um passo mais — Deixe-me te curar. insinuando suas pernas bem feitas. entre seus vestidos. com aberturas em ambos os lados das pernas até os joelhos. O veludo verde esmeralda mais suave que a pétala de uma rosa. Pequenas pérolas adornavam o corpete. Parou em frente a ele. duas capas de gaze agitavam-se sobre sua carne. Levantou a mão até seus braços e traçou seus músculos. Traçou o contorno de seus seios com a mão. colocou no pescoço a gargantilha de esmeraldas que Brand tinha dado. Ele inclinou a cabeça e lhe roçou a têmpora com os lábios. que empurrava seus seios para cima. apaixonado e puramente masculino. Mas também estava ferido. pensando na noite que tinha compartilhado com ele. voltavam para sua mente. esperando. assustado por um amor cheio de engano e de sangue. comovendo-a. Logo a aproximou de seu corpo e capturou sua boca em um beijo que era tão quente quanto o fogo da lareira.

com olhos lascivos. mais para si que para o duque. Brand sorriu. — Ganharei.rosto ficasse descoberto. Transbordava de vida e era tão fresca como uma manhã primaveril. e expor mais as fortes e formosas pernas que o tinham rodeado na noite anterior. Cada movimento de seu corpo fazia balançar o suave veludo que a cobria tão deliciosamente. seu corpo se esticou com uma pressa que o fez sentir-se poderosamente estimulado. O tosco duque fixou seu olhar no guerreiro. mas não afastou os olhos de sua esposa enquanto ela caminhava através do salão. homem! — comentou o duque. Ou ao menos. e quando sorriu.Se não te quisesse tanto. e alagava de desejo cada um de seus sentidos. se perder. Ela era misteriosamente sensual. — É muito vaidoso para lhe dar um sorriso. entrecerrados. amigo? — A morte — respondeu Brand — Minha morte. Aceitando o desafio. Colocou seus delicados pés em sandálias douradas e saiu do quarto com um suave balanço no andar. William bebeu seu hidromel antes de responder. seu audaz amigo era o único com a coragem de ofegar ao vê-la. William deslizou seu olhar para o irmão de Brand. — Que preço terá essa vitória. pensou Brand. Sentado junto a William. — Olhe e aprenda cachorrinho. Estava formosa. ainda observando-a. — É o único jogo com o qual se pode chegar a ti. colocando uma mecha para trás com um grande broche de esmeraldas. 175 . A observou. William — grunhiu Brand. . mataria por ela. — Por Deus. William foi o primeiro a ver Brynna quando entrou no grande salão. sem adular primeiro a si mesmo. A batalha continuava e seu homem era digno de cada golpe que ela tivesse que desferir. como te invejo. — Este é um jogo que joga comigo — disse Brand. Dante lançou uma gargalhada. enquanto que o resto caía sobre as costas.

O sorriso de William se fez mais amplo. Ela ruborizou e estava a ponto de responder. Brynna escolheu o assento localizado frente a seu marido. mas o que acontecerá se sua derrota te trouxer de volta para a vida? Brand bebeu de um sorvo. E seus olhos.— Talvez. _ Você faz regozijar a alma — cortejou William —. entrecerrou seus verdes olhos em direção a Brand e formou com os lábios um sorriso sensual e ardente. fogoso contra a mais tenra pele com a qual Deus. — Palavras tão bonitas na boca de um selvagem tão sedento de sangue. Brynna quase retrocedeu ante o aço frio do olhar de seu marido. minha senhora. incomodamente na cadeira. ela esperava que assim fosse e deu a William seu mais deslumbrante sorriso. não há esmeralda na terra que seja mais brilhante. Quando por fim chegou. Estava com ciúmes. meu senhor — respondeu Brynna.. Logo depois de devolver a piscada afetuosa de William e o encantador sorriso de Dante. tão generosamente. inclinando-se para frente—. Seus olhos seguiram Brynna com uma intensidade selvagem. os olhos entrecerrados e a mandíbula apertada a desafiavam a continuar. foi William que lhe sorriu. ignorando as perguntas de William e a silenciosa preocupação delineada no rosto de seu amigo. seu cabelo é como o bronze fundido. outra vez? Com o coração batendo. à medida que ela se aproximava da mesa. — Oui — assentiu William e lançou um olhar confidente a Dante —. Os olhos de Brynna brilharam quando sorriu. nenhuma mais esculpida com tão reverdecido fogo. que fez com que seu marido se retorcesse. — Minha senhora — disse o duque. quando Brand se jogou para trás na cadeira e cruzou os braços contra o peito. a vestiu. marido? — Sua voz era uma chama que açoitou as costas de Brand. posso lhe dizer o maravilhosamente encantada que está nesta manhã? — Pode. voltando o rosto para vê-lo.. 176 . — Perdeu a fala esta manhã.

ignorando o olhar de seu marido. — Ah. –Vê o que tem aqui. é quente como uma manta de lã em uma fria noite de inverno. mas o brilho azul no olhar de Brand nunca abandonou o rosto de Brynna. deixando ver toda sua sensualidade.. William explodiu em uma gargalhada. — Tamanha traição! E finalmente. de maneira intencional. 177 . Fazendo um esforço para manter seu sorriso. O sorriso de William era tão amplo que Brynna riu. pesaroso. — Oui — suspirou o duque. jogando a cabeça para trás e sustentando o estômago. quando usada corretamente.— E você. Entretanto. pode ser uma arma letal. meu senhor. Agora tinha que ser cuidadosa. De repente. olhou diretamente a seu marido e lambeu os lábios. fingindo sentir-se escandalizada. é uma mulher especial. está cheio de poder e força. Você atemoriza e debilita com apenas um de seus olhares de aço. e ficou de pé. ele plantou as enormes palmas de suas mãos sobre a mesa. Brand.. A batalha estava de pé e ela se colocou ali. — Deixe este normando degenerado e foge comigo! Todos no grande salão se sobressaltaram até quase caírem de suas cadeiras. senhor. com um golpe.. e voltou a iluminar-se — Renunciarei ao trono e me proclamarei saxão! A moça conteve o fôlego. ao escutar o ensurdecedor grito de William.. Verdadeiramente especial — proclamou. Mas não muito. O coração de Brynna golpeava com força em seu peito. — Uma língua. — Uma mulher que pode aniquilar homens poderosos só com a língua. enquanto voltava a sentar. meu senhor. você também é um normando — recordou. ou realmente te roubarei isso. O lento sorriso de Brand lhe chegou à alma. — Mas. que brotam de cada poro de seu corpo endurecido pelas batalhas. como uma menina cobrindo a boca com a mão.

Brynna observou o duque arrastar consigo Dante. e a percorria com uma intensidade crua e masculina. para admirar a fina taça dourada. Brynna. e deu uma palmada nas costas de Brand. — Por quê? — Porque é ali que viverá. Por sorte. própria de um homem de muitas paixões. quase se afogando. 178 . assim como seu crescente desejo por ela. a careta de sua boca sensual. enquanto roçava levemente a beirada de sua taça com a ponta dos dedos. mas conteve a respiração ao ver o modo como a estava olhando. precisamos conversar sobre o castelo de Graycliff. levantando da cadeira. calosos dedos. saboreavam o frio metal. Longos. — Já te adverti antes sobre como joga de uma forma perigosa. mas era cru o desejo em seus olhos. rastreavam. a sensação de algo tão fino sob meus dedos me faz esquecer a raiva. — Desejo-te boa sorte — disse. logo voltou seu olhar para Brand e estava a ponto de dizer algo. Tremeu ao imaginar que era seu seio que ele desfrutava sob seu terno contato. Cuidado. esposa. Seduzir outros homens ante meus próprios olhos — sua voz era tranqüila. O sorriso de Brand era sombrio. quando o oferecia a sua esposa. voltou a levantar a vista e olhou fixamente Brynna —. Logo. sensual. quase com lástima—. com dedos trêmulos. Seu olhar poderoso a abandonou um segundo. Brynna olhou sua mão. pegando um pedaço de pão para levar aos lábios. — riu novamente com uma gargalhada vigorosa. como era o duque da Normandia. vai precisar. advertiu-se a si mesma. mas controlou suas emoções. querendo permitir a Brand e Brynna ficar um momento a sós —. Mencionou a sedução.William cuspiu sua bebida. seu sorriso apaixonado o que conseguia seduzi-la. Passou seu enorme braço debaixo do braço de Dante e pôs de pé o jovem cavalheiro — Venha — disse. A visão de sua língua foi tão excitante para ele como se tivesse acariciado seu corpo.

ela se aconchegou. sua voz era o sussurro de um feiticeiro.—Então é realmente uma sorte que meu marido se deleite acariciando sua taça. — Já enviei Alysia e Lily para essa tarefa. como se estivesse tocando o gelo e derretendo-o. — O fôlego de Brand atrás do ouvido de Brynna foi suficiente para esgotar suas terminações nervosas. Venha — a chamou. Ele não a voltou a soltou. que os guiaram entre labirintos de árvores e barrancos de pedra. Era uma expressão real e aberta. enquanto Brand cavalgava passando o parapeito exterior e o jardim de sua mãe. Quando deslizou os braços ao redor de sua cintura e tomou as rédeas. e lhe deu um sorriso que a estremeceu. Se for proteger Avarloch. Devolveu-lhe o sorriso. e não queria fazê-lo. e cada vez que a agraciava com esse tipo de sorriso. sobre os planos firmes de seu peito. saltando sobre a montaria —. se sentia mais perto dele. Brynna não podia negar-se. — O tempo está frio — disse. Quando tentou montar um de seus cavalos. estava segura. seus olhos eram lacunas azuis de uma calma cristalina. Ela o divertia. de outro modo sua raiva me atemorizarìa tanto que sairia correndo para nosso quarto. o fazia rir. O mordaz ar outonal intumesceu as bochechas de Brynna. Compartilharam o precioso momento em silêncio. Levantou-se da cadeira e tomou a mão. ele a deteve e a montou sobre seu próprio corcel. para esconder-me em nossa cama e esperar meu castigo. e isso a deleitava. era um afeto real estendendo-se para ela do outro lado da mesa. sentindo que. ver cada caminho e saber aonde leva. Brand seguiu as indicações de sua esposa. A deslumbrante paisagem logo desapareceu sob uma cúpula de folhas pintadas de ouro e verde profundo. vamos nos aquecer.. comodamente. — Venha cavalgar comigo. e Brand ficou de pé e lhe estendeu o braço. cavalgando juntos. — Mas meu jardim. atraindo-a para ele — Sua terra é desconhecida para mim. deveria. devo aprender onde está cada monte.. Observou cada 179 . mesmo quando caminhavam juntos para os estábulos. Brand a estudou um momento.

É obvio nunca nos atrevemos a contar a minha mãe. — Que? Mulher é tão tola como. preparado para negar-se a cumprir sua tola solicitude. Ela teria esfolado vivo meu pobre pai. — Feche os olhos! — ordenou ela. apertou os dentes e fechou os olhos. — Já verá. Brynna o agraciou com um sorriso travesso que ele teve o impulso de tirar com um beijo. Queria amaldiçoar e talvez até estrangular a sua esposa por ser tão pouco cautelosa. mas maldita seja. se Brand não tivesse tido firme controle sobre seu cavalo. Duas vezes seu corcel quase perde pé no monte rochoso. — E por que razão? Voltando a cabeça. — Devia ter me deixado trazer meu cavalo. Vá até aquela ladeira e suba. 180 . enquanto a água gelada lhe salpicava as pernas. Brand. — Por favor. Não queria fechar os olhos. Brynna se voltou tão rapidamente que teriam despencado. Pousou um severo olhar nela. meu pai estava acostumado a me levar ali. Brand. por duas vezes. Um instante antes de alcançar o topo.. Cada borbulhante arroio que cruzavam era celebrado com um grito de deleite. para lhe dizer que já estavam chegando. Brand guiou seu cavalo sobre o que começava a pensar que era a ladeira de uma montanha. Cada monte coberto o maravilhava com sua beleza. — Ah. que vai deixá-lo sem fôlego! —disse Brynna e seu marido sorriu ante a emoção que se mesclava em suas palavras —. Seu corcel se cansa facilmente. Feche os olhos ou arruinará a surpresa.. há um lugar que quero te mostrar. suas bochechas estavam tão rosadas. embora se sentisse tão cativado pelas doces ondulações de sua voz que.sinuoso atalho que lhe assinalava. e seus olhos tão abertos e suplicantes que Brand franziu o cenho. Estava a ponto de responder a esse comentário com a risada que merecia quando a besta voltou a escorregar. mas Brynna só fez uma pausa em seu despreocupado bate-papo por um instante. se perdeu no que lhe mostrava.

e o que viu quase parou o coração. Brynna pegou sua mão.— Agora. enquanto o coração lhe pulsava freneticamente. Manteve os olhos fechados. desça do cavalo. — O sibilante vento fustigou sua bochecha com uma mecha do cabelo de Brynna. — Venha. sério. Brand. está tirando toda a graça da aventura. — Não — Ela não tinha idéia do que lhe estava pedindo. 181 . — Posso abrir os olhos agora? — Ainda não. — Agora sente-se. logo depois de desmontar —. _ Deve te recostar sobre o estômago — voltou a rir como uma menina —. Abriu os olhos. Brand se deteve. marido. — Só me siga. mas não deu outro passo. — Escutou-a rir e franziu o cenho. mas Brynna voltou a cobri-los novamente e apertou seu corpo contra o dele. — Tome minha mão — disse ela. Não. Vá. Sua risada lhe enchia os ouvidos. caindo da beira de um precipício. Brand abriu os olhos. — A única coisa que me assusta são estas vontades que tenho de te jogar pela ladeira deste gigantesco monte. quando tinha nove anos. — Brynna — de repente. Assim está melhor. ele se moveu. — O puxou pela manga. certamente tem alguma idéia má sobre o que fazer comigo. verdade? — acalmou-o — Meu pai me fez fazer isto. — Por favor — seus lábios sussurraram contra os dele —. e te asseguro que foi o dia mais mágico de minha vida. Prometo não te deixar cair. Deixou que o guiasse alguns passos. quando ela se sentou ao seu lado. não abra os olhos! Faz o que digo e deixa de parecer tão assustado. Pegou sua mão novamente e desta vez. até que ficou recostado totalmente contra a fria rocha debaixo de seu corpo — Pode abrir os olhos agora. se sentiu assaltado pelas imagens de seus sonhos. deve confiar em mim.

fechou os dedos ao redor da parte de trás de seu pescoço e a beijou. É um grande guerreiro e o respeitava mesmo quando sua espada caía sobre a minha. Também ela estava grata. teria me odiado. Sorriu com ele. mas já o tinha pressionado suficiente por um dia. Brynna voltou à cabeça para olhá-lo e viu o assombro em seu sorriso. se tivesse tido a audácia de pronunciar alguma. enquanto se pendurava na beira do mundo. — Escute como soam as ondas quando se mesclam com o vento? Ainda me arrepiam a pele. — Agora vê por que minha mãe se zangou? Ele riu. brandamente. — Ela assentiu com a cabeça e o observou voltarse outra vez para as ondas. — Cada dia que passa eu te conheço melhor. Não entendia por que mencionava agora. não parece que está voando? — Ele não respondeu. e agradeço a Deus não ter tomado a vida de seu pai. — Por que me conhecer te faz agradecer a Deus por havê-lo deixado viver? — Se o tivesse matado.— Deus meu — quase não podia respirar. Um arroubo que lhe detinha o coração e que lhe arrebataria qualquer palavra. 182 . Brynna mordeu o lábio inferior para afogar as perguntas que essa resposta sugeriu. olhando diretamente para baixo às espumosas ondas que batiam contra a ladeira do escarpado. Quando retrocedeu. desse modo. — Por que não o fez? — Porque é valente. Graycliff estava construído sobre os altos escarpados de Dover. mas nunca tinham falado disso. — Não é magnífico? — sorriu Brynna — Com a cabeça pendurada desta maneira. mas Brynna não estava esperando que fizesse. a menos de sessenta metros abaixo. Uma excitação que fazia com que o sangue fluísse por suas veias como o fogo. "Arrepiar a pele" não era a expressão que teria escolhido Brand para descrever o que estava sentindo. mas nunca havia se sentido suspenso no ar. isso era mais preciso. Brynna piscou. Brynna se comoveu ao olhá-lo nos olhos.

mordendo uma maçã. 183 . mas assinalou as duas grossas portas em frente a eles. Instantes depois. para olhar aos enormes cães. ela enviesou os lábios em uma careta aflita —: teria te atravessado com uma flecha. Brynna estava segura de que nada soaria mais doce a seus ouvidos. — Parecem bastante selvagens — Brynna deu um passo atrás de Dante e apareceu do lado de seu braço. dois deles caminhavam ao redor dos bancos e roubavam comida do prato dos comensais. por cima do ombro e seguiu caminhando. até que ele entrou como um redemoinho no salão e com sua voz de trovão e os fez calar. — Por quê?! —gritou Brand a suas costas. que estavam ao seu lado. — Seus galgos chegaram de Graycliff — respondeu Dante. quando ele lhe disse que queria levá-la para casa e fazer o amor em uma cama quente. rica e profunda. — aterrorizaram seus homens durante quase uma hora. mostrando sua famosa covinha ao passar ao seu lado. muito antes que tivesse a oportunidade de sentir pena de mim. — Merde. Brand encontrou seus cães logo que entrou no salão. apoiou as costas contra o marco de madeira e fez um gesto com a mão para que passasse. Sorriu.— Não teria odiado durante muito tempo. — Os homens de William parecem estar a ponto de molhar as calças. Enquanto descia tranqüilamente as escadas. abriu uma das folhas com um empurrão. A boca de Brand desenhou um meio sorriso e deu a volta para seu irmão e Brynna. — Depois de ti. A risada de Brand foi rápida. Onde estão agora? — perguntou Brand seguindo-o. até momentos mais tarde. Dante não respondeu. Transportou-se com o vento e se mesclou com o poderoso rugido do mar. entretanto — quando ele levantou uma sobrancelha e a olhou. a caminho do grande salão — William quer sua cabeça. Dante foi o primeiro a saudá-los quando entraram em Avarloch.

Ao ver Brand. a cadela grunhiu e mostrou as presas. — Sussurro. — Lançou seu ameaçador olhar a Brand —. enquanto sua incredulidade se transformava em raiva. para grande alívio do cavalheiro. ou não gostará de você e te arrancará a garganta quando se aproximar para mim. William balbuciou entre dentes e voltou para sua cadeira. mas a expressão divertida que dançava nos olhos de seu marido lhe disse que isso era exatamente o que ele pretendia. Não estava disposta a ser derrotada por 184 . — Seu incessante latido não te dizia nada. para deter o sorriso que lhe cruzava o rosto. A idéia de aproximar a mão da boca da besta a aterrorizava. Quando Dante mordeu a maçã. Brynna o olhou fixamente. quando lhe pôs o nome? — ao aproximar-se de Brand. — Sentiu saudades então. Ofereça um pouco de comida desse prato ao seu lado. o custo sairá de suas arcas. mas este se esticou em suas patas traseiras. é? Brand levantou a vista e viu que William caminhava lentamente para ele. que fez com que os cães levantassem a cabeça e soltassem a comida roubada. Brand se inclinou para frente. — Quoi?! — grunhiu William à cadela —. voltando—se para ela — acaricie minha cadela. — Tem que se fazer amiga dela. Se seus cães pulguentos incapacitarem algum de meus homens. Sussurro? — perguntou Brand. O que é que diz? Teria que estar choramingando a meus pés. — eu também.— Podem chegar a sê-lo — respondeu Brand. por não ter te esfolado para fazer uma manta nova para o inverno. obrigado. juntando os lábios e emitindo um breve assobio. bela dama — inclinou a maciça cabeça da cadela e plantou um firme beijo em sua brilhante pelagem prateada. uma enorme besta prateada saiu correndo para ele. que tinha permanecido rígido como uma estátua enquanto a criatura lhe limpava o prato. — Não. quase derrubando Brand no chão. para carregar o enorme animal em seus braços. — Brynna — disse Brand. agarrando a boca aberta do animal. com uma grande jarra de cerveja entre as mãos.

— E os outros dois? — desafiou Brynna. 185 . Em seguida. Estava zombando de Brynna. fechou os olhos de novo. se qualquer dos dois tentasse atacá-la. As enormes presas brancas tomaram delicadamente a carne dos dedos de Brynna.uma cadela. Brand encolheu os ombros e continuou acariciando a cabeça de Sussurro. Olhou Brand desafiante. — Mmm. Mas não é necessário que os toque. não tinha dúvidas de que Brand dizia a verdade —. Brynna sorriu. Parecia preparado para segurar os cães. A jovem lhe ofereceu um pedaço de carneiro. Como se chamam? Ele sorriu. disse uma silenciosa prece. mas estava decidida a ganhar a batalha que seu marido havia começado com seus galgos. mas mudou de opinião quando olhos tão escuros como um pesadelo se voltaram para ela. não mascotes. sem pedir. O calor e a saliva tocaram sua pele. viveria constantemente atemorizada por seus enormes galgos. exatamente como seu amo — disse Brynna. que agora babavam ao lado de Dante. Se não acendesse sua raiva. Brand libertou Sussurro e deu a volta para olhar para Dante. Um tremor percorreu suas costas. Logo. São caçadores por natureza. Observando os dois cães. mas sua esposa não sabia. —Tranqüila Sussurro — a acalmou Brand. e levou os dedos à boca da besta. queria amaldiçoá-lo com veemência. sabendo que Sussurro era tão dócil como um gatinho. Seu marido não estava disposto a permitir que lhe fizessem mal. e tomou uns pedaços mais de carneiro e os segurou na frente das bestas. Fechou os olhos. como ele sabia que faria. como tinha sugerido com sua atitude cruel. Sorriu quando Brynna aceitou o desafio. Com um olhar cheio de assombro. — São uns descarados e tomarão o que querem. ofegando enquanto se aproximavam dela. logo depois de engolir o medo. — Caos e Triturador. O escuro galgo lambeu seus dedos e Brynna se permitiu exalar. percebeu a mudança na posição de Brand. conteve o fôlego e levantou a mão lentamente para acariciar Caos na cabeça. — Tranqüilos — ordenou.

milord — retorceu sua túnica. você é a besta mais selvagem de todas. Seu corpo o chamava. convidava-o a seguila. o guarda da torre me enviou para lhe informar que se aproximam uns cavaleiros. por um momento. ardentemente. Brand afastou seu ardente sorriso de Brynna. um pouco perturbado pela interrupção do jovem escudeiro. 186 . — Levam insígnias? — Não. milorde. com voz rouca. e ainda não te acalmei. — Está bem — suspirou Brand oferecendo a Brynna um gesto contrariado e de desculpa —. milorde. Não podia tirar os olhos de cima do suave balanço de seus quadris. tomou-a em seus braços e a beijou. Tem uma língua e um tato que acalma às bestas mais selvagens. antes de dar a sua esposa um sorriso que a fez estremecer antes de voltar-se para partir. Brynna ruborizou e se voltou para Dante. meu senhor — Brynna lançou um sedutor olhar decidida a prosseguir a batalha —. — Lamento. Tremendo de desejo. Juntou os lábios e passou ao lado de seu marido. em seguida. — Envie Dante — sugeriu ela. — É verdade — respondeu Brand. — Desculpe-me. Deixou que o veludo de seu vestido o acariciasse. que a suave elasticidade de sua carne debaixo do tecido o excitasse. com um ronronar—. Ele a observou. alerte à guarnição. nervosamente—. Te necessito aqui. roçando seus sólidos músculos com as delicadas curvas de seu corpo. — Não. Estarei lá. saiu correndo a procurá-la. — O que aconteceu. Saboreou suas deliciosas curvas com olhos luxuriosos. faz-me sentir mais selvagem do que jamais me senti. não vê que estou beijando minha esposa? As bochechas do escudeiro se tornaram de um pálido doentio. Brand levantou o olhar.— Deveríamos levar a nossa senhora à batalha conosco. Ele inalou seu aroma. mas ele já havia saído. Inclinou o rosto para o dela e passou o polegar pelo lábio inferior —. agora.

Dante se deteve e deu a volta. Veja o que querem e me faça saber quem são. com uma mão na cintura dela. 187 . — Dante! — rugiu Brand. Depois. Só havia uma pessoa que provocava tal ansiedade em sua cadela. Ela pôde sentir como se esticava seu corpo e sorriu. Só quando Sussurro começou a choramingar. lenta inalação. — Espere! — gritou. com seu agudo nariz e afiado ouvido podia perceber. — deu a volta para partir. Os cães se sentaram.Fechou os olhos contra a sedução aveludada de sua voz e a promessa ardente que a acompanhava. rapidamente. já sabia que o esperava. Quem quer que estivesse ali fora. O duque lançou a Brynna um olhar interrogativo. o senhor de Avarloch levantou a vista. em direção às portas de entrada do castelo. O rosto de Brand se tornou mais pálido que a lua em uma fria noite de inverno. aproximam-se uns cavaleiros. quase não notou dois de seus cães correndo ao seu lado. a seus pés. no momento em que Dante abria as portas. Estavam em silêncio. Em sua pressa para levar Brynna para a cama. O coração da moça. Brand se afastou de Brynna e alcançou Dante em dois grandes passos. fazia retroceder seu marido. uma só pessoa que fazia com que esse animal se escondesse a seus pés como se uma calamidade estivesse a ponto de acontecer. ante o poder que tinha sobre ele. Brand parecia estar reunindo toda a força que restava em uma última. antes que seu irmão abrisse as portas de entrada. Seu irmão o olhou da cadeira onde estava sentado e lançou o resto da maçã a Caos —. mas ela encolheu os ombros e voltou seu olhar novamente para Brand. começou a bater num ritmo acelerado em seu peito. de alguma maneira. repentinamente. Vou retirar-me com minha esposa. como se temesse ver o que. exceto pelos choramingos de Sussurro. uma calamidade que só Sussurro. Com um rápido e profundo suspiro. William saiu do salão para ver o porquê de tanta comoção. assentiu com a cabeça.

como negando-se a ver quem via. em seu silêncio. Ela queria chorar. e se afastou para cumprir o pedido de seu irmão. Estava a ponto de dar a volta para olhá-lo. Só observava como se. — Brand. montando a cavalo. como tinha ordenado William. Quase não podia mover-se. Uma figura se aproximou do portal do muro exterior. quando se deu conta de quem era. A cor não retornou a seu rosto. Brynna deu a volta para ver por si mesma. Dante titubeou. Olhando fixamente ao cavaleiro. — Não seja idiota. só feche a maldita porta na cara dela. — Que Deus nos ajude — a voz de William atrás de Brynna lhe arrepiou a pele e fez com que seu coração desse um pulo. incluindo William. com um golpe! Brand levantou a mão para silenciar William. não piscava. Olhou-o. Brand — foi a tensa advertência do duque da Normandia. nem parecia respirar.— Brand? — foi até ele e colocou uma mão delicadamente no braço. temerosa de ver o que seu coração lhe dizia. pudesse capturar alguma palavra pronunciada no vento. quando um gemido de seu marido a deteve. Seus olhos nunca abandonaram à sombria mulher lá fora. mas não fez nada. O tenso silêncio dos homens de Brand. disselhe o que sua mente se negava a aceitar. Os olhos de seu marido agora estavam fechados. Mas ele não escutou. mas ele não a olhou. sob a sombra do capuz de sua capa. enquanto observava Dante subir de um salto em sua montaria. Seus olhos já estavam fixos na escura figura que se aproximava. os delicados traços do cavaleiro se tornaram mais nítidos. — O que devo fazer? — a profunda voz de Dante quebrou o silêncio. temerosa de olhar para qualquer outro lado. — Encontre-a no portal e veja o que quer. coberta com uma capa tão negra como a esperança de Brynna. 188 . como se seu ofegante coração estivesse a ponto de explodir no peito. Por fim. cavalgando para Avarloch. Rodeada por uma patrulha de menos de quinze homens. Brand quase não respirava. para fora das portas. gritar. Brynna se voltou para o duque. Desejava correr para as portas e fechálas com um golpe. cheio de desesperança. Mas ele afastou o olhar. cravando a vista em seus enfurecidos olhos.

envelhecer. Voltou-se para olhá-lo de frente e apertou seu braço. — Quer refugiar-se de seu pai aqui.. Mas te pergunto. como se negasse algum cataclismo que sabia estava a ponto de ocorrer. marido: por que lhe permite a entrada? Por que ignora meus sentimentos com tanta desconsideração? — Apertando os dentes. Seu rosto estava esculpido em mármore. — Deixe-a passar — disse claramente. Já que claramente. O mundo pareceu mudar. só disse que queria falar contigo. Avarloch permaneceu em silêncio durante o que pareceu uma eternidade. Por fim. Seus olhos se dirigiram a ela. — Silêncio! — interrompeu-a Brand. arrastando-a a inacabáveis ondas de dor e tortura. Ninguém. e exibirá esse amor frente a mim como. e Brynna estava segura de que todos no salão o haviam sentido. — Não tenho necessidade de perguntar se a mulher ali fora é Lady Colette de Marson. Brynna respondeu sua própria pergunta: — A ama. é ela quem se aproxima de minha casa. exceto Brynna. Piscou lentamente e pareceu 189 . Ninguém falou. Cravou-lhe os olhos. com um mandato em sua voz que ninguém se atreveu a questionar. pelo forte batimento de seu coração. O olhar de Brand não tinha abandonado. — Não quis dizer isso. Inalou profundamente. A ama ainda. exigindo que a olhasse. quando começou a dar voltas sua cabeça. — Por quê? — perguntou Brand em voz baixa.. nem por um momento. Ninguém respirou. que continuava com sua choramingação. e se deteve de novo.Brynna também tinha deixado de respirar. aos pés de seu amo. O único som provinha de Sussurro. antes de falar com seu irmão. bruscamente. e o notou. no espaço desse silêncio que levou Brand para tomar uma decisão. quando Dante retornou ao castelo. pronunciou as palavras que ecoaram no coração de Brynna como um trovão. a figura que aguardava lá fora. duros como o aço. seus olhos. Sua mente lutava.

mas ele a tirou com a velocidade de uma serpente e a deteve. Olhos negros. chocando um maciço ombro contra um dos homens de Colette. os olhos azul céu abandonaram à mulher que agora esperava a entrada em Avarloch. Levantou uma delicada mão para sua bochecha. — Milorde — a voz de Colette de Marson era o som de um suspiro pronunciado no vento. — Muito bem. deteve-se e lentamente e tirou o capuz. Silêncio é o que terá — prometeu em uma voz carregada de tranqüila determinação. lutando contra as ondas de lágrimas e fúria que a transbordavam. —Tudo estará bem entre nós. Brand deu a volta para seguir Brynna. que a olhava com olhos cautelosos e em chamas. Beliscou as grossas dobras de seu vestido de veludo e fez uma breve reverência frente a Brand. Quando se ergueu. penetrantes como carvões ardentes percorreram o salão e pousaram em Brynna. Pela primeira vez desde que as portas tinham se aberto. Fará silêncio. sua capa negra voava atrás dela com o vento. revelou olhos grandes e negros. ou farei que lhe retirem. Seus olhos procuraram os dela. Brynna — foi quase um sussurro.recompor-se. Quando chegou até onde estava Brand. sem mencionar o impacto da angelical beleza de seu rosto. inundados em lágrimas. como se temesse dizê-lo. Lady Colette de Marson entrou em Avarloch com uma lufada de ar frio. assombrou Brynna. defendendo-se uma vez mais atrás de intermináveis capas de pedra sólida —. quando ela o rodeou e parou junto a William e a seu pai. e quase o derrubou no chão. de fato. como se temesse prometer algo. sua compostura e graça. 190 . Brynna o olhou. Colette não se alterou ante a fúria do duque da Normandia. indignada. silenciosa. — Por que está aqui? — perguntou secamente. — Imbecil! — William já não pôde conter seu desgosto e saiu violentamente do castelo. mas Brynna os afastou.

enquanto olhava fixamente Colette. voltou o olhar para Brand e esperou. Não o fez. Colette sorriu e esperou que Brand devolvesse o gesto. Ele a olhou durante um longo momento. — Muito bem — respondeu. 191 . e Brynna quase podia escutar as perguntas que desejava fazer e a dor misturada em cada uma. por fim. Morta de raiva. milorde — lentamente. E se Brynna não tivesse fugido do salão nesse instante. Brynna não pôde reconhecer a rigidez que percorria os traços de seu marido. Desatando os laços de sua capa.— Queria falar em particular. Colette deu a volta e convidou as mãos de Brand para que a retirasse de seus ombros. Quando ele o fez. talvez houvesse visto seu marido se voltar para procurá-la. uma cabeleira tão loira que parecia iluminar toda a Avarloch se derramou em seus dedos.

Sua terrível fúria desafiava o frio que tentava penetrar sua carne.. Encaminhava-se para o bosque. enquanto espancava o joio e a erva sob suas pesadas botas de couro. chiaram de medo e saíram voando. Pensou na filha de Lorde Richard Dumont. ************** 192 .Capítulo 17 William passou às pressas pela torre de entrada. O duque da Normandia quase não notou. mas ali estava! Já era frustrante ter que ver como um dos mais poderosos guerreiros que tinha conhecido se debilitava e caía sob o feitiço de uma bruxa sedutora. Oferecidos a um homem que ele amava como ao seu próprio filho. Não havia uma mulher como ela em toda a Inglaterra. não podia pensar em nada mais que em partir o pequeno pescoço da cadela francesa. amaldiçoando. Colette de Marson. Não sentia nada. esse condenado idiota! Deu—se conta de que ainda tinha a taça de vinho na mão. Pensou que nunca voltaria a ver Lady Colette de Marson.. Não deixarei que os destrua — a escura promessa ressoou através do bosque e os pássaros que se aninhavam nos altos ramos. — Maldita seja. tanto fogo e paixão oferecidos a um homem que os pisotearia como se não fossem nada. Via seu rosto nas flores que desafiavam o frio. mas agora Lady Brynna também seria destruída. Tanta vida. Suas pernas grossas o levaram pelos campos que rodeavam Avarloch. estava certo disso. partindo o ar com sua presença. como um ramo seco. nunca. Non. e a fez em migalhas contra uma árvore. seus furiosos olhos cinzentos olhavam mais à frente do bosque.

— Brynnafar. a jovem estava nos braços de seu pai. — Posso lutar contra um fantasma. seu coração se partiu. deixando que seu pai se contagiasse com o sorriso — Tentarei. mas não com uma mulher de carne e osso... Uma mulher a quem ele ama com todo o coração. — Em realidade. que viverá em minha própria casa. pai. não 193 . — Filha — sussurrou ele. vestindo-se. — Brynna. Amo-o. para olhá-la nos olhos.. até que encontrou um vestido marrom de cavalgar e uma quente túnica de lã. afastando a sua filha. — Já passou muito tempo com o duque William — Brynna suspirou.Brynna entrou em seu quarto e arrancou o vestido. Ela se afastou de seus braços abertos e deu a volta para procurar as botas. Secou as lágrimas com o dorso da mão e se dirigiu à porta. Quando Richard viu sua filha. Tinha que fazer dessa maneira. sem pensar. e ela deixou que suas lágrimas fluíssem sobre o largo ombro do único homem que a amava. — Então lutará por ele? Os lábios de Brynna desenharam uma careta irônica. Não tem por que ficar aqui. Movia-se rapidamente. suas palavras entrecortadas traíam sua dor.. Sem saber como tinha chegado ali. — Brynna! — a voz de seu pai ressoou do outro lado da porta. pai — antes que pudesse detê-las. — Levarei você para a Normandia comigo. Correu para o armário e procurou entre sua roupa. as palavras saíram de seus lábios —.. Devo ficar. não — disse ela.... porque se se permitisse pensar. secando os olhos com uma determinação que seu pai conhecia e admirava. consumida por um amor que quase tinha esquecido que existia. Lorde Richard sorriu gentilmente. — Não. por favor — disse. — Onde estão minhas botas?! — gritou. — Um momento.

Seu coração lhe disse que fosse procurar lorde Risande. incluindo os dos dedos que agarravam e soltavam as dobras de seu vestido de veludo. Brand observava Colette caminhar de um lado para outro do aposento. Prometo. Brynnafar Grenalyn. caminhava Caos. mas leva-a igual. filha. — Está bem. para comer algo. em sua contínua e frenética marcha. Deu um passo adiante e lhe rodeou o pescoço com os braços. ir procurar algo para encher o estômago era o melhor para todos os envolvidos. de todos os modos. — E bem? — perguntou Brand em voz baixa. Não perdia nenhum só de seus movimentos. viu sua filha sair do quarto. Sorrindo ao escutar o nome completo que sua mãe lhe tinha dado. Notou a tensa contração nervosa de seus lábios e as pálidas mechas de cabelo que voavam. quando ela dava voltas. Brynna saiu às escondidas do castelo de Avarloch. Lorde Richard assentiu. ou algum de meus homens. não foi sozinha: junto com ela. Embora se ficasse. Franziu o cenho delicadamente e olhou seu pai. mas manteve a promessa que tinha feito a seu pai. Suspirou profundamente e decidiu encaminhar-se para a cozinha.. — É verdadeiramente a digna filha de sua mãe. talvez seria. Antes de que pudesse dizer outra palavra. mas sua mente refutou a idéia sabendo que. Com olhos de falcão. Brynna beijou a áspera bochecha de seu pai e se separou de seu abraço. — Leve Dante contigo. pelo próprio bem do cavalheiro normando.. — ajustou um cinturão de couro ao redor da cintura e trançou seu espesso cabelo acobreado. Se abandonasse Brand se transformaria no mesmo em que se transformou sua fantasia. — A preocupação de seu pai a comoveu. 194 .tinha outra alternativa. procurarei alguém. — Desde quando necessito escolta para cavalgar por minha própria terra? — Não necessita. preciso cavalgar estar longe daqui para ordenar meus insensatos pensamentos. — Agora. como ele. só para me agradar.

Colette fez uma pausa durante um instante. Mas ali estava Colette e a única coisa em que ele podia pensar era em Brynna. — Não posso. muitas mulheres se vêem forçadas a casar-se com homens que não amam. antes de levar as mãos ao rosto e chorar. Não sentia nenhum desejo de senti-la outra vez em seus braços. Por Deus. Oui. mas não discutiu. Tinha um mau gênio terrível. se alguma vez voltasse a vê-la. pensou que lhe faria bem lhe fazer as perguntas que o atormentavam. recordou como se sentiu ao beijá-la com o vento gelado lhes açoitando o rosto e ameaçando jogá-los para as nuvens. se sentiria tentado a perdoá-la. então não teria que preocupar-se em tomar decisões apressadas das quais se arrependeria mais tarde. Acaso Brynna não tinha sido forçada a casarse com uma besta também? E não tinha enfrentado seu destino sem lágrimas? —. Só o olhou como se acabasse de lhe arrancar o coração do peito e estivesse sustentando a confusão frente a seu rosto. Sua esposa o fazia sentir-se vivo outra vez. Tinha pensado que. Por que as mulheres tinham que ter sentimentos tão delicados? Os homens seguiam melhor sem eles. — E? — respondeu ele apenas.. pensou em ir para Colette e acalmá-la. tinha-a ferido! Exalou um longo fôlego. O rosto de Colette apareceu por cima de suas trêmulas mãos. concluiu. Mas logo se deu conta de que era a familiaridade que sentia em seu presença o que o tinha feito considerar consolá-la. — Meu pai prometeu-me a uma besta. Por um instante. Quando permitiu sua entrada em Avarloch. Não posso! Ele é um selvagem! Brand encontrou uma cadeira de encosto alto e desabou nela. Brand. — Deve retornar a seu pai — disse a Colette. Cometi um e. Fechou os olhos para saborear a lembrança de seus lábios carnudos. Não pode ficar aqui. nem lhe lançou suas palavras mais raivosas quando lhe gritou que fizesse silêncio.. 195 . Com um leve sorriso. quando lhe cuspiam seu veneno.

um homem a quem consumia seu ardor pela vida. não o faça de novo. a suave carícia de seus braços fortes. — Se alguma vez me amou me ajude agora. que nem sequer notou. por favor. Viu a raiva ali quando lhe devolveu o olhar. Via-o tão arrebatador como o céu antes de uma tormenta. Oui. talvez tivesse notado que para Colette não parecia importar o que pensava dela. Tinha conhecido a Lorde Brand o Apaixonado. 196 . uma raiva que precisava sentir para poder curar-se. e o mel de sua boca quando a beijava. Com olhos feiticeiros percorreu o rosto dele. não. que o fazia tão vivo que ela sempre havia sentido que tinha que correr para alcançá-lo. Mas tinha conhecido um Brand Risande diferente. ela tinha poder sobre ele. — Não tirará a vida. — Já me abandonou uma vez. Ao olhá-lo. mas a ignorou. Lady Marson se maravilhou. Porque desta vez me matarei antes de chegar à porta. A mulher ficou de pé e cravou os olhos diretamente nos dele.— Não. milorde! — ela saltou para ele e caiu a seus pés —. Só tinha que recordar-lhe — Brand — sua voz foi um suave ronronar. Ama muito a si mesma para fazer isso. Recordava o amor em seu olhar. que estava acostumado a banhá-la tão meigamente. Rogo. Levantou a mão e lhe tocou a bochecha. rogo isso. Então meu pai terá esquecido a idéia de me casar com essa besta e você pode voltar comigo e falar com ele. nem se importou que o que estava escutando eram as acusações sentidas do próprio Brand. o que supõe que direi a seu pai? Devo lhe pedir que perdoe uma desonra a mais com a que sua própria filha segue manchando seu nome? Devo lhe dizer que esqueça que seu coração não pertence a ninguém? Que deve apagar de sua mente a realidade de que sua filha abre as pernas a qualquer homem que a deseja? Curiosamente. E se ele tivesse estado menos consumido pela profunda raiva que o queimava por dentro. deixe-me ficar até a primavera. suas palavras não feriram a mulher a seus pés. Seus olhos a escrutinaram como um relâmpago atravessando uma árvore —. — E dizer o que?! — gritou Brand.

Por um momento. e ele não a desejava. ante os lábios que estava acostumado a morder — Colette — pronunciou seu nome e pareceu soar estranho em seus ouvido. — Quis me casar com ela — a interrompeu. Ele inclinou a cabeça para os suaves dedos que acariciavam sua bochecha. 197 . — Non. Brand. por favor. Brand. Colette — ficou de pé. afastando-a com um empurrão—. Brand soube que era verdade. — O corpo de Colette se elevou como uma nuvem até que sua cintura se acomodou entre as fortes coxas de Brand. o rumor de sua batalha com Sir Richard Dumont se difundiu rapidamente por todo o país. — Não posso! — Soluçando. ignorando seus desejos —. Sei que o forçaram a casar-se com sua filha saxã para poder ficar com sua terra.. Tenho medo de voltar para minha casa. não me obrigue a partir! Está gelado e morrerei antes de chegar a Canterbury — fez silêncio um momento. — Amo você. Ela estava ali. Afastou violentamente as mãos. à medida que o aroma conhecido de Colette lhe assaltava os sentidos. — É adorável. —A ama? Silêncio. partirá ao amanhecer. — Posso ficar milorde? Por favor? — a doce brisa de seu fôlego o acariciou. Por favor. Quase se surpreendeu de ver Colette. Quando não chegou. Ele fechou os olhos. ela se lançou a seus pés—. Casei-me com outra e desejo me libertar de ti — no momento em que pronunciou essas palavras. meu prometido já me bateu uma vez.— Não me fale de amor. ante o rosto tão perto do dele. esperando uma resposta.. Brand — levou a ponta do dedo aos lábios para silenciá-lo. lutando por ordenar seus pensamentos. Oh. Abriu os olhos. seguiu adiante —. esperou ver uma cabeleira cor de bronze enroscada ao redor de seus dedos. Não te devo nada. Já não queria voltar a estar com ela. — Sei que está casado. alagando-o de indesejadas lembranças do tempo em que viveram juntos.

Teve o impulso de tocá—lo. Quer dizer. Caos manteve o frenético passo junto ao cavalo. Colette. O coração pulsava muito ferozmente no peito para falar. advertindo às criaturas menores que deviam fugir antes de serem pisoteadas. E mesmo assim. Amor! Por Deus. E sentiu um suor frio. Brynna tentou segurar-se. Ver Colette em carne e osso tinha provado que ainda havia lugar em seu coração para amar uma mulher. enquanto se afastava dela. e maldita seja Brynna também. O focinho da besta exsudava uma espuma que desaparecia no ar congelado. e freou repentinamente. Entrou no bosque sem diminuir a marcha. espantado por algo no caminho.. O vento frio penetrou em seus pulmões e lhe açoitou o cabelo. Cavalo e cavaleiro caíram no chão frio e atapetado de vegetação. Brand a deixou. com um golpe que sacudiu a terra. Brynna seguiu forçando o cavalo. Os cascos de seu cavalo retumbavam sobre o bosque. seria mais fácil lançar-se sobre sua própria espada nesse momento e acabar com tudo.Brand olhou seu cabelo loiro pálido. e nem de minha esposa. Pode ficar até que decida o que fazer contigo. enquanto estiver aqui. Não a merecia. se apaixonar-se por sua bela esposa não o matasse primeiro. Mas. evitando árvores e ramos baixos. as lágrimas ardiam em seus bochechas momentos antes de serem arrancadas pelo vento . De repente. Colette secou os olhos e o olhou fixamente. Brynna cavalgou a toda velocidade. Ele não era um bastardo desalmado. sem dar uma resposta. diria que está apaixonado pela saxã.. — Muito bem. o corcel se levantou sobre suas patas. mas essa não foi a razão de seu silêncio. não te aproxime de mim. — Se não te conhecesse bem. a trança lhe golpeava as costas como um látego urgindo-a a cavalgar mais rápido. Não quero ferir seus sentimentos mais do que já os fere sua presença aqui. mas o animal estava correndo muito rápido. 198 . ansiosa para escapar da dor que sempre parecia estar espreitando em suas costas desde que Lorde Brand Risande tinha chegado a Avarloch. com uma repentina faísca de raiva no olhar. Maldita seja.

para examiná-la. — Tem que se recostar e ficar quieta até que chegue ajuda Brynna — ordenou William gentilmente. deve-se usar todos os recursos que Deus deu. mas logo uma aguda dor explodiu em cores brilhantes dentro de sua cabeça. — Isso é o que aconteceu? Sonhei que me lançavam do paraíso. — Retornou à fogueira e pôs toda sua atenção em uma fatia de carne que estava assando em uma churrasqueira improvisada. — Toma. Para ser um verdadeiro guerreiro. Mas um fogo ardeu ante seus olhos e caiu de costas contra a capa que William tinha enrolado. Ofereceu-lhe seu sorriso mais cálido — caiu com muita força do cavalo. Arrancou um pedaço com os dedos e ofereceu. ele encolheu os ombros—. com olhos que brilhavam como prata polida. logo tentou sentar-se. Observou a oferenda durante um momento. sentindo o calor de uma fogueira que ardia a centímetros de onde estava recostada. para lhe fazer um travesseiro. isso não aconteceria nunca. come. — O que é? — Coelho. Esteve a ponto de gritar. Uma enorme figura estava inclinada sobre ela. — Non. — Tranqüila. A moça levou uma mão à cabeça e se queixou.Brynna despertou horas depois. — Com o que matou o coelho? O sorriso selvagem do duque normando apareceu. 199 . sou eu — William sussurrou perto de seu rosto. — Você o matou? — O que? —olhou-a por cima da fogueira. — Por que me pergunta isso? — antes que ela tivesse tempo de responder. enquanto segurava a carne frente a seus olhos. bela dama. William riu brandamente.

mas nunca para ti. Acreditava. seus pensamentos retornavam a Brand. pensaria mal de mim? — Não — respondeu Brynna. olhando-o fixamente —.Brynna olhou ao redor da pequena fogueira. seus enormes dedos quase delicados. Perguntava-se o que estaria fazendo nesse momento. A jovem observou o duque e imaginou-o correndo entre os grandes arbustos como uma besta indomável. Brynna sorriu. — Foi Caos que matou o coelho? — perguntou. mas William a deteve. O olhar de Brynna se elevou para o céu. com um respeito reverencial crescente pelo homem ao que tinha chamado de monstro. Ele parecia uma besta contra a vegetação silvestre dos arbustos e os grossos troncos. — Fique quieta. talvez só precise saber quão perigoso pode chegar a ser meu novo amigo. — Posso ser bastante perigoso. bela dama. — Também eu — William compreendia a dor que via nos olhos dela. quando arrancavam a carne assada da carcaça do coelho. mas tal como suspeitava não viu nem adaga. nem arco. se te disser que matei o animal com minhas próprias mãos. o enorme galgo negro levantou a cabeça de seu tranqüilo sono e a olhou. Suspirou lentamente. — Posso te fazer a mesma pergunta. sem nada mais que uma taça nas mãos. Brynna tentou sentar-se de novo. As sombras refletidas pelo fogo que dançavam sobre seu rosto lhe davam uma aparência selvagem. — O que está fazendo aqui no bosque? — perguntou. com uma enorme mão em seu ombro. 200 . perseguindo a sua presa. Estaria com Colette? — Tinha que sair por um momento. William riu e o lançou um pedaço de carne para Caos. que estava escurecendo. Recordou que o duque tinha saído furioso do castelo de Avarloch. — Non — William lambeu os dedos e continuou mastigando—. mas sua voz era gentil. nem espada. Ao escutar seu nome.

Brynna. — olhou ao redor da pequena clareira — onde está meu corcel? O duque permaneceu em silêncio um minuto.. mas é melhor se preparar para uma batalha sem trégua — uma careta de lobo se apoderou de seus lábios—.. olhando—a fixamente nos olhos. Mas não o fará. te render. sabia que não se derramavam somente pelo cavalo. — Mas.— Não.. Brynna.. Sei quanto Brand deu a Colette de Marson. mas não neste momento. Não sei quanto dele segue com ela. William olhava o fogo. — William suspirou. benzeu-te com muito. — Brynna — começou a dizer lenta. — Non — a deteve —. Brynna fechou os olhos para deter o pranto que procurava fluir. deixando que seus prateados olhos a encontrassem na penumbra —. respeitando suas lágrimas em silêncio.. — Não há cavalo? Mas. . Ela se deteve. sua raiva contra Brand e Colette se acendeu uma vez mais. cautelosamente. Use todos os recursos femininos com os quais Deus te benzeu. olhandoa —. 201 . mulher. Não temos cavalo e estamos muito longe para voltar caminhando. E enquanto a mulher que admirava mais do que qualquer outra amaldiçoava sua própria imprudência. tenho que retornar — disse. te prepare agora mesmo. E me acredite. poderia te dar por vencida. — Não devi forçá-lo tanto — soluçou incapaz de conter a pena que a atormentava. ou não te incomode em retornar. lutando para libertar-se da mão que lhe impedia de mover-se. Tal como tinha previsto. quando voltar a Avarloch.. — Retornará. — Seu cavalo quebrou o pescoço ao cair. deve reunir toda a força que sei que tem. Prepare-se para a batalha agora.

— Sim. com reputação de selvagem. estou pedindo que me seja leal e compartilharei algo contigo que ninguém mais sabe. —Tem uma reputação monstruosa. Assentiu com uma nova determinação ardendo em seus olhos e William assentiu em resposta. mas o luxurioso brilho nos olhos de William lhe disse que não estava brincando — Mas não sou um cavalheiro — recordou incrédula. Sei que será leal a Brand. — Logo. — Certo. Presta-me juramento. mas é uma guerreira. Vi-o. — Fiz por merecer. de repente. Ofereceu-lhe uma fatia de coelho e desta vez ela aceitou. Nem sequer seu marido. William sorriu gentilmente e outra vez ela se surpreendeu pela natureza terna desse homem. milorde William — disse ela. Levantou seu sombrio olhar e deixou que sua ferocidade a inundasse. e te contarei uma história que seus filhos contarão a seus filhos. — Mas sou saxã — recordou Brynna com uma nova faísca nos olhos. Fez uma breve pausa. — Lealdade — riu ela. — Conte-me de suas batalhas. William. É leal ao seu pai e ao seu lar. — Jure-me lealdade. Corre por suas veias. Brynna ficou séria. 202 . Brynna o estudou. Agora. Ele a apanhou avaliando-o e levantou a comissura de sua boca barbada em um sorriso. Agora estava sentado com uma perna dobrada contra o peito. não importará. até fazê-la tremer pelo que via. O duque lançou mais carne a Caos. Os músculos dançavam em sua mandíbula e sua garganta enquanto mastigava. Brynna Risande.A moça secou as lágrimas e olhou ao tosco guerreiro. como se algo estivesse dando voltas em sua mente. seu braço pendurando sobre o joelho. Ele jogou a cabeça para trás e se riu. e notou quão imponente era o homem sob todo esse cabelo e essas maneiras rústicas. bela dama? Apanhada no fogo de seus olhos e o suave resplendor do fogo que o banhava em uma luz misteriosa e majestosa. farei o juramento. destroçando a suculenta carne.

O duque a olhou direto nos olhos e ela teve a sensação de que tudo era um sonho.O duque normando se ajoelhou frente a ela. e depois por sua força física e poder. e Brynna estava convencida de que podia escutar o coração do guerreiro golpeando dentro de seu peito. esposa de Lorde Brand Risande de Avarloch. — Sinto-me um pouco tola. Uma paixão sobrevoava seu ávido olhar. O duque William da Normandia era um homem governado por sua habilidade e sabedoria em primeiro lugar. Quando ele voltou a falar. excitada e um pouco nervosa pelo que estava pedindo que fizesse. Assegurou-lhe que sim. Prometo lealdade e honra em minha vida. Brynna teve que recordar que não eram dois meninos fazendo um juramento secreto de sangue de ser amigos para sempre. sua voz era profunda e baixa. ouviu falar de uma pequena aldeia no sul chamada Hastings? 203 . Acomodou-a lentamente até sentá-la e perguntou se estava cômoda. Mas ele era muito mais que isso. Brynna suspirou. William tomou suas mãos e as beijou. Ali estava. juro lealdade ao duque William da Normandia. a ponto de jurar lealdade a um normando! A um homem que. ante os olhos de Deus. para sentar-se junto ao escuro guerreiro. Lady Brynna Risande. — Já está — disse quando ela reuniu a força suficiente para permanecer sentada sem sua ajuda. frente à luz da fogueira. Brynna repetiu o juramento e quando terminou. — Brynna — confiou maliciosamente —. vagamente consciente de que Caos se levantou de seu lugar de descanso. — Não — sussurrou ele. — Repita depois de mim — disse o guerreiro contra o chiado do fogo —: Eu. parecia tão ameaçador e dominante como assegurava sua reputação. que ela jamais tinha visto em outro homem. disse a si mesma.

Procurou lorde Richard esperando.Capítulo 18 Brand percorreu os salões do castelo apressado. As tochas que ardiam de ambos os lados ondulavam em seu caminho. pelo bem do velho cavalheiro. que tivesse tido uma boa razão para 204 .

mas a irresistível combinação de ternura e paixão que oferecia fazia com que lhe afrouxassem todos os músculos. Ela o amava. Sua pele começou a arder. quando lhe disse que a faria retirar-se do salão. os olhos de sua esposa eram duas esmeraldas consumidas pelo fogo. como se uma língua de fogo o tivesse percorrido ao pensar no amor de Brynna por ele. Pela natureza desconfiada de sua esposa. — Onde esteve? — perguntou Brand bruscamente. Por Deus. Ele precisava reafirmar que nunca trairia esse amor. Tinha visto a dor em seu olhar. Acaso pensava que só porque tinha permitido a entrada de Colette em Avarloch fugiria com ela? Recordou sua ira quando encontrou à donzela banhando-o. lânguidos que lhe tinha arrancado. e se amaldiçoou. Enquanto descia as escadas. e tinha querido perder-se neles para sempre. viu lorde Richard entrando no castelo. detendo-se a meio caminho em sua descida. — Onde está minha esposa? — continuou sua lenta descida. Sabia que tinha sido muito rude com sua esposa. quando a viu pela primeira vez. não dando importância ao fato de que Richard só se deteve brevemente para olhá-lo —. antes de seguir caminhando para o grande salão. e com o passar dos minutos Brand ficava mais furioso com seu pai. Maldita seja por não acreditar nunca nele. recordando os gemidos. qualquer um pensaria que tinha sido ela a traída. tinha necessitado tempo para pensar com clareza e não podia fazê-lo com ela ali lhe dizendo o quanto ele amava Colette. em lugar dele. Pensou que era formosa.permitir que sua filha saísse para cavalgar com apenas um cão ao seu lado. com apenas um de meus cães. assim como o desafio. Teria que conversar com ela a respeito. Brynna tinha saído há muito tempo. em sua formosa risada que o fazia esquecer o passado e não pensar em ninguém mais que nela. Tinha-o acusado de desejar também Alysia. Peter me disse que saiu daqui sozinha. Mas. 205 . diabos. — Nas cavalariças — Lorde Richard levantou o olhar impassível. Suspirou profundamente. Não compreendia por que custava tanto confiar nele. Seu coração pulsou mais forte quando pensou em seu olhar sensual.

Vê-lo era como ver a calma antes da tormenta.. com maior paixão do que tinha amado Colette. Tinha que deter o que sentia por Brynna. Observou como um autocontrole nascido só para conquistar. quando seus olhos eram tão mortíferos como sua espada. perto de sua espada. Com seus sentidos alertas. era por sua vez conquistado. e Richard soube que o sério cavalheiro não acreditava. entre dentes. quase tinha feito com que o pai de Brynna esquecesse o ardiloso. em especial agora. ante seus próprios olhos.Ver Brand era um pouco perturbador para Lorde Richard Dumont. — Aonde foi? — perguntou de novo. o guerreiro desapareceu. Oui. sem lhe importar as conseqüências. mas nunca deixaria que esse sentimento voltasse a governá-lo. a batalha que Brand lutou consigo mesmo se evidenciou em seu rosto. E agora o guerreiro não fazia nada para ocultar sua raiva. — Minha filha precisava livrar-se da desonra a qual você a submeteu hoje. e a compressão seguida do remorso tomaram conta de Brand. No espaço de um momento. poderia amá-la até com maior intensidade. Mas durou só um instante. Observou as mãos pendentes ao lado do corpo. antes que o guerreiro vitorioso retornasse. — Saiu para cavalgar — Richard enfrentou seu genro diretamente. Mas lutou contra suas emoções tão grosseiramente como se fossem um inimigo que enfrentava na batalha. tinha que detê-lo porque estava certo de que se o permitia. 206 . antes que fosse muito tarde. — Cavalgar — repetiu suas palavras. compartilhando vinho e risadas. Seu olhar severo imobilizou Richard em seu lugar. Lorde Risande — disse Richard. Por um momento.. desumano guerreiro que tinha enfrentado no campo de batalha. Podia estar apaixonando-se por sua esposa. até que Brand finalmente o alcançou. Mas não podia esquecê-lo. Viver no castelo com ele. Lorde Richard se maravilhou ao observar o marido de sua filha desarmar-se e logo recompor-se. uma tormenta que podia destruir tudo em seu caminho. estava muito consciente de cada movimento que fazia o jovem cavalheiro.

Havia esperado que o normando chegasse a amar sua filha. maldita seja. suas esperanças se desvaneceram —. — Rogue — advertiu Brand em uma voz completamente aterradora — que ela volte para mim ou você nunca chegará a ver a Normandia. Richard o olhou. talvez não tenha piedade de você. — Por quê? Por que. beijaria-a até deixá-la sem sentidos. de algum modo. Brand? Brand assentiu. Queria odiar este bastardo normando. as ordens de Brand podiam ser ouvidas trovejando pelos corredores de Avarloch. Duas horas mais tarde. Lamentava ter ferido os sentimentos de sua esposa. e não fez nada além de olhar para os olhos gelados de Brand. — odiou-se nesse momento por ter se rendido ante esse homem e por ter tido que dar sua filha a um patife tão desalmado. pudesse ultrapassar suas defesas. e olhou Richard com uma intensidade imperturbável. — Oui. que Brynna. por havê-lo obrigado a percorrer as almenas todo o dia. nunca retornará para você — alfinetou —. mas seu coração sabia muito bem quanto tinha falhado com sua filha. 207 . ante suas palavras. Queria que Dante se preparasse para cavalgar e que seus outros dois cães estivessem preparados imediatamente. E desta vez. Não é isso o que queria no princípio.— Aonde foi e por que não retornou ainda? — exigiu Brand. Richard estava agora muito zangado para reconhecer o pânico nos olhos de Brand. Encontraria-a e logo depois de estrangulá-la. — Está me ameaçando. mas não estava disposto a permitir que o abandonasse por isso. pergunta? — Richard estava furioso. porque está ferida em seus sentimentos — replicou furioso. Cavalgará e seguirá cavalgando e nunca voltará. indignado. com os olhos entrecerrados em uma expressão mortífera — A você não interessa se ela retornar ou não. correr para ele com sua espada. Lorde Risande? Não ter que casar-se com minha filha? — Não serei humilhado por uma esposa que me abandona. — Se ela for tão forte como lhe ensinei. mas ao olhar dentro das vastas profundidades dos olhos de Brand.

Agora. enquanto o frio lhe mordia a carne. quase como agora. Colette. amado meu. Pensou naquele dia em que estava saindo de Graycliff para lutar contra os homens do barão Hawthorn. Brand riu. Ela tinha saído correndo de Graycliff para lhe dar um último adeus. em uma época em que ter que deixar Colette partia sua alma. furioso pela demora. milorde. Quando chegou até ele. tinha-a tomado em seus braços para desfrutar de seu aroma. Não notou? Talvez estejam juntos. Acomodou a capa ao redor dos ombros. Sobre o cavalo. colocou uma pequena mão enluvada em sua coxa e olhou para cima.Colette saiu do castelo quando os homens se preparavam para abandonar o parapeito. com seus olhos grandes e feiticeiros — Sentirei saudades. A capa carmesim que usava se levantou de seus ombros. Ela acomodou o capuz sobre a cabeça e correu para ele. Um fino sorriso se desenhou em seus lábios. seu aroma me embriaga. mas não havia rastros de alegria no som zombador. O leve bater das asas de seu nariz disse a Brand que suas palavras tinham tido o efeito que esperava. — Porque. Brand a observou com olhos escuros. — William também se foi. quando o vento uivou no parapeito. — Não respondeste minha pergunta. Colette. Ele tinha saltado da sela de seu cavalo de guerra. para se proteger do intenso frio. apressando-se para alcançá-lo antes que abandonasse Avarloch. tentando sustentar o mel em sua voz. — Por que corre atrás dessa mulher? Deixe-a ir. apertava os dentes. — Brand! — chamou-o. mas ofereceu um encantador sorriso. quando baixou a vista para olhála de seu cavalo. e para lhe sussurrar seu amor ao ouvido. e fica comigo. mas o vento esparramou a cabeleira como um halo ao redor da cabeça. Por que corre atrás dela? — repetiu. enquanto observava Brand saltando sobre um corcel tão negro como os cachos que caíam soltos sobre a fronte de seu cavaleiro. 208 . para deleitar-se com o contato de seu corpo apertado contra o seu. Brand. —Volte para dentro.

Quando Brand cavalgava para a batalha. Não havia mais lágrimas para derramar por ela. Dante sabia muito bem por que Brand era chamado "o Apaixonado": Como uma espada. Não concordaria com ninguém que lhe dissesse que Brand já não sentia paixão. O bosque se abria diante de Brand como mil portas que emitiam ecos. inundando seu coração.O corcel de Brand se encabritou e protestou. Mas sim se 209 . Colette de Marson dirigiu seu sorriso feiticeiro para o forte e belo irmão de Brand. só olhar para os turbulentos olhos de seu irmão para ver o fogo que tinha ardido com tanto ímpeto. Uma brisa fria levou uma mecha negra de cabelo sobre o rosto e cobriu o brilho trêmulo de seus olhos. que tentava protegê-lo do amor. Mas sua escuridão era tão mortal como sua luz. com uma expressão de desprezo que desenhou uma covinha em sua bochecha. Colette — adicionou rude. sua paixão não emergia. Atraindo-o. chamando. conhecia aquelas sombras nos olhos de seu irmão. nem todas as mulheres acham tão difícil manter as pernas fechadas — agarrou. Não restava nada mais que uma insensibilidade letal sobre seu coração. Já não existia o impulso de gritar como um norueguês frenético. Sacudiu a cabeça para clarear seus pensamentos. Na verdade.. sinuosos corredores se transformava no rosto de Colette. fazendo com que os que estavam ao seu lado se unissem a sua alegria.. A dor que o havia consumido por completo já não existia. pensou Brand zangado. atravessava a vida deixando que sua energia enchesse suas veias até que sua risada soava contundente e real. Dante cavalgava ao seu lado em silêncio. as rédeas para partir —. Em resposta. com força. embora certa vez tinham caído como a chuva. voltando-se para olhar seu rosto—. mas a imagem de compridos. transformado em seu inimigo. sua alma. pela repentina pressão das coxas de seu cavaleiro. — Isso não importa — a desafiou —. ocultando por um instante a repugnância que sentia. a próxima vez que me chamar de "amado meu" farei com que cortem sua língua. E. Dante a olhou. Imperturbável e ignorando sua ameaça. O rosto de um anjo enviado para destrui-lo. enlouquecido por ter que engolir sua raiva.

William. reverberando contra os escuros ramos e fazendo-se soar nos ouvidos dos homens que percorriam o chão úmido e coberto de folhas. — Oui. como seu irmão. — Seu pai me assegurou que ela conhece estes bosques como se fossem parte de sua própria casa. recordando a destreza e a fúria com que seu irmão tinha empregado para conquistar o exército de Lorde Richard. mantendo seu cavalo em um rápido galope curto junto ao de Brand. diretamente em frente deles. e qualquer que lutasse junto a ele. E porque ele o conhecia tão bem. mas ainda podia sentir. mas mesmo assim. Sorriu. minha mais bela e leal guerreira — 210 . Dante sabia. me preocupa. embora Brynna notasse um tom de desilusão em sua voz —. Puxando as rédeas e guiando seu cavalo para o som conhecido. Silêncio: — A mim também. Brand só tinha substituído sua risada pela dor. As emoções ainda se acendiam dentro dele. Brand manteve o olhar fixo espessura das árvores. era o único que reconhecia as chamas que brilhavam novamente quando Brand fixava seu olhar em sua esposa. enquanto Caos respondia a seus chamados detrás de uma pequena elevação. em seu frenesi pela descoberta.acendia. O guerreiro ainda vivia. Brand deteve seu cavalo para escutar. Recorde. o fogo ainda ardia. Sussurro e Triturador uivaram e ladraram. Talvez estejam juntos. A voz de Colette zombava dele. — Encontraram-nos — William sentou-se ao lado do fogo e olhou a elegante mulher sentada junto a ele. podia sentir a vida que ele amava pulsando em seu corpo. Ainda vivia. — Por aqui — ordenou. A forte gargalhada soou no silêncio do crepúsculo. na distância. Dante. — Preocupa-me que talvez tenha acontecido alguma coisa — aventurou Dante. Em algum lugar.

— Machucou-se muito? A terna preocupação em seus olhos fez com que quisesse assegurar que a ferida não era séria. parecendo aturdida. Brynna pensou que pretendia silenciá-la. William? — disse Brand ao entrar na pequena clareira. em um instante. mas a dor da ferida em sua cabeça a fez cambalear. senhora. Seu olhar descansou sobre Brynna que estava sentada frente às chamas. seu marido se aproxima — sua voz tinha mudado no espaço de um segundo. — Brynna.sussurrou. e eu espero sua vitória. estava ajoelhado junto a Brynna . — Isto te parece acolhedor. deve saber que sempre será importante para mim. mas os olhos tão selvagens descansavam como pétalas sobre seu rosto. — Oui. William levou um dedo aos lábios dela e o manteve ali. uma batalha te espera. enquanto o trovejar dos cavalos se fazia mais forte —. O amigo de Brynna se foi e em seu lugar estava um homem de majestosa autoridade. e se alguma vez não se sentir amada. — É só minha cabeça — disse brandamente. Fechou os olhos à escuridão que ameaçava tragá-la. Escutou a voz de seu marido como uma lufada de ar gelado contra sua pele. parece — sorriu William. e eu também espero a sua. recorda que seu futuro rei te ama de verdade. 211 . — Seque as lágrimas. Por um momento. Caiu do cavalo e está ferida. A jovem tentou ficar de pé quando viu Brand. milorde — Brynna apertou a enorme mão e rapidamente plantou um beijo em sua bochecha —. antes de ficar de pé em toda sua enorme estatura. não para sua esposa. mas sua voz era tão afiada e decidida como o ar invernal —. que estudava a penumbra do bosque esperando a acusação que sabia estava a ponto de descer sobre ele. Brand desceu de sua montaria e. As lágrimas alagaram os olhos da moça e o duque suspirou profundamente. iluminada pela fogueira. como se a estivesse vendo pela última vez. — Sim. mas infelizmente.

O coração pulsava tão furiosamente no peito que pensou que vomitaria. e o fogo em seus profundos olhos cinzentos devia manter acesa sua amizade. sua voz era um grunhido ameaçador. Os dois guerreiros se olharam um momento. — Brand. A cena era familiar para Brand. — Fez algo. atentamente. com cautela. — Por que não a levou de volta a Avarloch. O quente fôlego de sua boca caiu sobre a bochecha de Brynna e ansiou voltar a cabeça para lhe dar um beijo. — Saí a pé. — Quanto tempo faz que está aqui com ela? William lançou a seu amigo um sorriso benigno. guarde a espada! — Dante deu um passo para seu irmão. e William sabia o que seu amigo estava pensando. você me diz. Brand sentia-se selvagem. amigo — respondeu William suave e serenamente —. por favor. William? — perguntou Brand. Enfrentou os demônios da 212 . enquanto Brand olhava fixamente por cima de sua espada à pessoa em que tinha acreditado. incapaz de acreditar no que estava vendo. — Non. William? Diga. antes que o duque respondesse. suas mãos tremiam fazendo com que a espada oscilasse em frente dele. — Não há uma ferida aberta. como um manto. mas seu marido já estava de pé. nas espessas mechas de cobre que enroscavam em sua mão. mas lhe permitindo chegar as suas próprias conclusões. o aço apontava para o duque normando. — O tempo suficiente para fazer o que você mais teme. O silêncio caiu. de seu irmão. Brynna não. Tinha que pôr fim a esses pensamentos rapidamente.Levou os dedos ao couro cabeludo e procurou. não tentando convencer Brand da verdade. Mas William deu um passo atrás. só um calombo do tamanho de meu punho. e o cavalo da senhora morreu na queda. mas o mortal assobio da espada de Brand ao sair de sua bainha a paralisou. uma fúria imensa apossando-se de seus pensamentos. seus olhos fixos em Brand. Brynna emitiu um som de protesto. Enfrentou William com tal severidade que Dante descendeu de seu cavalo e se aproximou.

derretia-se como o mel aquecido pelo sol — Brand. Era tão perigoso permitir-se amála? Retrocedeu. Baixou a espada. — deu a volta. Roçou a bochecha contra a sua cabeça. Seu coração se retorcia. imediatamente. e ele a havia seguido. por cima do ombro. tocou o braço de Dante. — Ssh. em seguida. erguendo-a do chão frio. Tinha bárbaro. — E você? Também me perdoa Brynna? — Sim — sussurrou ela. o duque se aproximou e bateu em seu rosto. por certo! Mas em vez de cair. como se não pesasse nada. ou te estriparei na frente dos formosos olhos de sua esposa — disse. Mas Brynna não era Colette. doce beijo. Brynna. — Já perdoei ami.. Tinha provado sua lealdade para com seu lar e o povo que estava sob o amparo de seu pai. compreendendo que a profundidade do amor que podia sentir por Brynna era muito mais intensa que qualquer coisa que tivesse sentido por Colette. Seu mais querido amigo o trairia? Brand soube. Queria lhe dizer que só de vê-lo. Ajoelhou-se junto a ela e tomou a mão para levar aos lábios. e deixou que seus lábios se atrasassem ali em um longo. — quando ia continuar. como ela o chamava. eu. Teria que estar estrangulando-a por ter causado tanta preocupação. Brand embainhou a espada e olhou para Brynna. mas estava aliviado de têla de novo em seus braços. Não era uma egoísta. Mas este era William. afetuosamente. Vamos para casa.traição. mostrou-lhe como era voar. 213 . a resposta. os dedos acariciaram seus lábios. Cegamente. cambaleando a beira do precipício uma vez mais. Que Deus o ajudasse. — Rogo que me perdoe William. durante alguns dias — Deslizou os braços embaixo dela. Escutou os passos de seu irmão que abandonavam a clareira. Terá que descansar. Passou a mão pela boca e fechou os olhos. quase sem fôlego ante seu terno olhar. tranqüilo e se dirigiu aos cavalos — Mas não volte a me provocar. Dando um passo a frente. já o tinha levado a beira do mundo. Diabos. estava perdendo. em uma desesperada tentativa de negar..

pressionando a bochecha contra sua cabeça. — Brynna — sussurrou. despertando todos seus sentidos como pequenos fogos que ardiam e a derretiam. Sua voz estava carregada com a tensão do desejo que ardia. — Sim — respondeu Brand. mas ele não disse nada mais. e me fez sua esposa só para satisfazer a luxúria de seu membro normando. disse a si mesma. mas tomou posse de minha casa. 214 . e como a idéia de que ela pudesse abandoná-lo o tinha enlouquecido.Aconchegada e segura contra seu peito. Examinando a firmeza flexível de suas coxas com uma mão. Gemeu brandamente. Um fogo ardeu de seu umbigo até seus joelhos. Desejo. A palavra soou como se tivesse sido arrancada contra sua vontade. não amor. para poder tomá-la ali mesmo onde estava de pé. Respirou profundamente. Recuperou a voz. e agora zomba de mim. queria afastar-se de William e de seu irmão. Queria dizer como estava feliz por tê-la encontrado. Só a apertou mais forte. e não permitirei que minha esposa saia sozinha por aí cada vez que falo com essa rameira. entretanto —. — Minha falta de. lutando para ser liberado. Voltou o rosto levemente para cima para banhar-se no calor de seu pescoço. levou-a até seu cavalo. diminuindo o passo. Brynna esperou que continuasse. trazendo sua amante para minha casa para que também zombe de mim. Brynna. — Colette continua em Avarloch? — perguntou. Que razões me deu para confiar em ti? Não só tenta ocultar que ainda ama Colette. A fúria se desatou como um relâmpago esmeralda. apertou-as e as acariciou.. Você e eu devemos ter uma conversa sobre sua falta de confiança. — estava tão zangada que não pôde terminar. Sentiu que sua esposa ficava rígida em seus braços e suspirou —. quando levantou a cabeça e o olhou indignada. Enviavam línguas de fogo por suas costas. Brand podia sentir os lábios de sua esposa sobre a pele. descansando a cabeça no vão de seu ombro. Brynna fechou os olhos e deixou que o aroma masculino a invadisse.. sem erguer o olhar.

mas ele rodeou sua cintura com seu braço e a arrastou novamente para si. Tentou afastar-se dele. lentamente. perdoarei você por me acusar de zombar de ti. logo que chegarmos — sua voz era fria e seca — E pare de rebolar em meu colo. indignado. Outro cavalo trotou junto ao de Brand. Essa é outra conversa que devemos ter logo — voltou a caminhar —. em silêncio. quando a acomodou entre suas fortes coxas. Parece ter dificuldade para acreditar em mim. Brand alcançou seu cavalo e colocou Brynna na sela. Foi bastante gentil. mas o rápido movimento fez doer a cabeça. — Disse que não a amo.. — Ordenarei a Alysia que cuide de você. mas a mensagem de William era clara e retumbou na cabeça dolorida de Brynna. minha mais bela e leal guerreira. Uns olhos cinzentos se encontraram com os seu. e eu espero sua vitória. Daria-me pena ter que fazer amor e te ferir ainda mais. Recorda.. uma batalha te espera. pelos enjôos. tanto que pensou que perderia os sentidos. ou de permitir que alguém mais o faça. 215 . Ela levantou a vista.Brand se deteve e a olhou. Brynna queria gritar. porque compreendo que esse galo na cabeça deve ter te deixado tonta. Esteve tentado a soltá-la.

— Deve comer para recuperar suas forças. — Seu comportamento é tão detestável? 216 . mas um sorriso se desenhou em seus lábios carnudos. quando a bandeja que empurrou para Brynna foi devolvida. Brynna voltou a cabeça no espesso travesseiro em que estava reclinada e olhou sua donzela. — A donzela voltou a suspirar. enquanto Alysia suspirava ao ver a comida de sua ama intocada. cravar as unhas e arrancar os olhos dessa bruxa da Colette. Os grandes olhos de Alysia se abriram ainda mais.Capítulo 19 Brynna estava de mau humor na cama. — Já tenho forças — disse furiosa — Força suficiente para descer. — Acredito que todas as mulheres em Avarloch dariam sua benção por vê-la fazer isso. minha senhora.

sem importar a tortura que causasse. Alysia assentiu e recolheu a bandeja da cama. — Há alguém que queira ver? Seu pai. Estava cansada de permitir que seu pai visse sua dor constantemente.. Que Colette acabe com o que restar de seu coração. Já era bastante difícil para ele saber que Brand estava ali por 217 . Brynna lutou para controlar a fúria que crescia em seu interior. que não tinha tido tempo sequer para visitar sua esposa. Brand havia lhe trazido diretamente para a cama. Pode ir. obstinados.— Sim — Alysia assentiu e sentou na beira da cama — Quando está com Dante. Agora ela apertava os punhos. entendeu? — Mas. sempre amaria.. Desde que pudesse extasiar-se com sua acetinada cabeleira loira. Podia ver a dor de Brynna refletida no brilho de seus olhos e os tensos lábios que tremiam.. Podia lutar contra Colette de Marson? Brand a amava. Ele merecia. frente ao sorriso divertido daquela bruxa. tentando conter sua dor. Não choraria. Que passe seus dias com essa sedutora. — Sim. apertava os dentes para impedir que fluíssem as lágrimas que ameaçavam alagá-la. Brand escolheu permitir que Colette ficasse em Avarloch. — Entendeu? — a voz de Brynna soou tão afiada como uma adaga. Alysia. Brynna se indignou ao recordar que tinha sido carregada como um bebê indefeso. nos lençóis da cama. ele nem sequer. Brynna não sabia se amaldiçoava à perdida ou soluçava pela dor que seu comportamento estava causando em seu marido. colocando-a ali sem dizer uma palavra. seus brilhantes e escuros olhos marrons. Estava tão ocupado adoecendo por sua apaixonada. — Bem. O único homem ao qual não presta atenção é o duque William.. decidiu rapidamente. — Não quero saber o que está fazendo com ela. desde que a trouxe de volta para casa. arde como o ferro forjado nas chamas. E leve esta bandeja contigo. talvez? — Não— respondeu. lamentou. minha senhora.

que seus dedos ficaram dormentes. Pensou em uns olhos da cor do aço e suaves como o veludo. — Partiu minha senhora. Bom. suas lágrimas caíram sem cessar. Apesar do crepitante fogo que ardia na lareira. Disse para si mesma que William da Normandia não era mais que um selvagem. Estava sozinho com Sussurro. Era frio. a princípio. Brand estava sentado em uma cadeira acolchoada que ostentava o exuberante emblema verde e amarelo de Lorde Dumont. Alysia queria largar a bandeja e correr para sua ama. Brand se fixou vagamente no trabalho artesanal da taça. quando piscou. Agarrou os lençóis tão fortemente. sumiu. ela também podia ser como eles e não se importar ninguém. reuniu seus homens e partiu. sem sequer dizer adeus. Alysia — disse a jovem com toda a força que pôde reunir. Como pôde fazer isso? Tentou deter as lágrimas. Brynna afundou a cabeça no travesseiro. que dormia recostada aos seus pés. A prata estava finamente trabalhada. como seu marido. — Peça ao duque William que venha. Mas como apareceu. até que a escuridão que a consumia venceu e acabou adormecendo. Queria falar com ele. Brand percorreu com um dedo o belo trabalho esculpido em uma taça de prata que repousava ociosa sobre a mesa frente a ele. Dispensou a moça com um breve movimento da cabeça.sua culpa. representando a figura 218 . — Obrigado. o grande salão de Avarloch estava frio. — Partiu? — Brynna sentou-se na cama. Nunca uma donzela tinha visto tanto vazio em uns olhos. Mal a donzela saiu. Mas seu coração ardia ante estes pensamentos. e não importava o quanto tentasse impedir. — Quando? — Esta manhã. Falou com Lorde Risande durante uns minutos. mas já não podia. Então o tosco normando tinha abandonado Avarloch. Não desejava torturá-lo mais. Tinha estado certa disso. como nos de Brynna nesse momento. Seus olhos arregalaram-se.

Estavam fazendo amor no bosque. roçando a superfície da mesa com a ponta do dedo. As sombras dançaram em seus olhos. enquanto o corpo de seu amante se inclinava sobre ela. enquanto os ramos caiam em cima deles. nem me chamou ao seu quarto — Colette se movia para ele como se deslizasse — Rogo que me diga por que. à medida que se aproximava. Colette. depois. Brand conhecia o som. tal como ele quis fazer com Brynna. com uma doce inocência e uma feminilidade sedosa que drenou sua alma e o deixou esgotado. beijando-lhe o pescoço. Tal como Colette fez com Alexander. — Cadela — Brand esticou a mão com violência. gentilmente. com olhos nublados e cansados. 219 . antes que Brand o matasse. Colette. antes de trazê-la a casa. Traição. até alcançar a taça e a jogou contra a parede atrás dele. pensou Brand. como o abraço do amante. Sussurro se levantou com um salto e gemeu preguiçosa. meu senhor — a música de sua voz emitiu um eco ao redor do salão. — Brand? A voz era de seda pura. Brand a observou. — Por que nega algo que é tão evidente para todos. antes de dar voltas em círculos e tornar a recostar-se. como o suspiro de um anjo. O ar ao redor dela parecia dançar como se estivesse impregnado de calor. As flores se abriam com cores invisíveis ao redor do casal.de uma mulher com a cabeça jogada para trás. Olhou por cima das mãos com as quais tinha coberto o rosto. — Deixe-me sozinho. tinha escutado muitas vezes e tinha sonhado com ele. enquanto sua mente o levou de volta ao lugar onde perdeu sua alegria. — Não me visitou desde que cheguei meu senhor. — Não. dando voltas ao redor da mesa para chegar perto dele. até para sua esposa? — perguntou Colette.

. enquanto a luz da lareira resplandecia sobre seu cabelo. e te prometo. até que pôde olhar diretamente em seus olhos. quando o horroroso vazio que tomava conta de sua alma se fez visível no brilho de seus olhos turquesa. por que me traiu? — Eu não traí nosso amor. Brand — corrigiu ela. Brand. subindo por seu corpo até que seu rosto esteve muito perto dele. sentiu-se embriagado com o vinho doce que esteve tomando toda a noite.. Faça com que sua esposa se vá.. Não havia fogo ardendo em seu interior que o impulsionasse a tomá-la. mas ela deslizou para mais perto. Brynna. levantou a mão para seu rosto e roçou a bochecha com o dedo. Colette. Colette respondeu ao contato com um leve suspiro. — Não pensei em ninguém mais além de você. 220 . — Levou tanto de mim. Nunca deixei de te amar.. Livre-se dela. Colette. Trair você? Não. chegou até ele e ficou de joelhos frente a sua cadeira. com os quais tinha sonhado tantas noites. — Porque seu coração me pertence. Não havia nada. sobressaltada pela inexprimível dor de Brand.. meu amor. Até sua raiva tinha desaparecido. desde que me forçou a abandonar Graycliff... Lentamente.— Não nego nada — disse Brand. Estava a ponto de aproximar-se para beijá-lo. Que gritava mais forte que um trovão. Encha-me de novo com seu amor... olhando para cima e sorrindo. é você quem me traiu quando se casou com outra — acariciava sua coxa enquanto falava. — Colette — o som de sua voz arrancou outro gemido da cadela a seus pés —. Sua mente deu voltas. — Como uma aparição. e afastarei toda a dor que te causei. Colette deteve-se. Era como um sonho tornando-se realidade. Brand fechou os olhos. Mais perto. Não me importa. — Me ame de novo. Brand. Ele abriu os olhos e a observou deslizar entre suas pernas.. — Não posso dar meu coração por sua culpa.

porque deseja também meu amor. — Não tenho coração. Falou lenta e tranqüilamente. — Encontrarei outro para esquentar meu leito — afirmou —. — Esse aniquilador poder dava a Brand uma beleza tão devastadora que Colette ficou sem fôlego. A luz da lua se infiltrava através das janelas. lançando seus prateados raios sobre a fina 221 . então faça amor comigo. Como se houvesse pronunciado uma ordem. — Brand! — Colette ficou de pé. só que ainda não estou tão desesperado. Restavam só faíscas do fogo da lareira. Colette. mas o som arrancou outro gemido de Sussurro. e isso te partirá o coração esta noite. Divirta-se. Colette. Colette.Mas enquanto ela falava. tão simples que sentiu-se um tolo por não tê-la compreendido antes. Observou-a dormindo profundamente em sua própria cama. mas ainda podia vê-la. — Minha esposa nunca ficará satisfeita apenas com meu desejo carnal. quando ele quis sair do salão —. Você é feliz apenas tendo a espada de alguém em suas coxas. Sussurro seguiu seu amo para fora do grande salão e subiu com ele as largas e sinuosas escadas. Ele sacudiu a cabeça. Para te desejar. apesar dele estar expressando seu desprezo por ela. descobrindo. sorrindo. A espada de qualquer um — se afastou dela — Me temo que me tornei como você. uma grande verdade. enquanto que o amor nunca foi suficiente para ti. até a porta do quarto de Brynna. rapidamente. Tal como na noite anterior. Recorda? — rogou. se não poder me amar. Brand entrou no quarto de sua esposa quando ela já estava dormindo. Nego-me a amar alguém. Até a você. recorda como me sentia embaixo de ti? Brand procurou em seus olhos e riu. meu doce anjo. — Non. puxando seu braço para que ele a olhasse —. nesse momento. Colocou um dedo nos lábios para calá-la. — Afastou a mão que ela tinha em sua coxa e se levantou da cadeira. Brand sacudia a cabeça. Isso é o que estou tentando dizer.

Com seus olhos azuis bebia todo o seu corpo. Com um esforço. O espesso cabelo acobreado lhe acariciava o rosto. Colocou. Entretanto. quando ela estava perto e o brilho de seus olhos tão cheios de paixão. mais lenha sobre as faíscas moribundas e observou as chamas lamberem vorazmente os pedaços de madeira. Ela queria amor e ele estava muito assustado para dar. Brand tomou seu lugar habitual em uma cadeira. junto aos aromas de rosas e gardênias. Suas botas golpeavam o chão. Colette. Enquanto o quarto se aquecia. Brand abria caminho entre corredores escuros e sinuosos. Já a desejava. Ela estava ali. Não queria pensar por que sentia a necessidade de estar ali com ela. sabia que não poderia resistir. incitando-o a entrar. frente a cama de Brynna para observá-la. Escutou a canção de sua respiração profunda e rítmica e adormeceu na cadeira. recordando o suave aroma de jasmim que banhava seus sentidos.camisola que se aderia a suas curvas sensuais. A porta no final do corredor estava aberta. nem o questionava. em alguma parte. Não permitiria que ela perdesse seu coração por um homem que nunca poderia dar o que necessitava.. Seu rosto o perseguia em cada momento de sua vigília. enquanto as portas dos flancos o chamavam com vozes fantasmagóricas.. a sinceridade. Mas deixou a mão cair. e ele não podia pronunciá-las. Com os 222 . com cuidado. Seu coração pulsava com força. Brand se aproximou para tocá-lo. Temia que nunca pudesse dar a Brynna o que desejava. Mas vendo-a agora. O que merecia. para sentir o fogo que a envolvia. Simplesmente queria observá-la. enquanto sonhava. nem nessa noite. sempre que o olhava do outro lado de um aposento. afastou-se da cama e se dirigiu para a lareira. Ela desejava o sussurro de doces promessas enquanto era tomada. Brand fechou os olhos e inalou profundamente. Havia dito a si mesmo que não tomaria novamente Brynna. nem em nenhuma outra noite. e o amor à vida que ele tinha perdido. como a enorme boca de um dragão esperando tragar sua confiança e seu amor. levantando redemoinhos de pó e um aroma acre que aderia a sua pele. seu corpo tremia de só vê-la.

com terna preocupação. ao alcançá-la. Suspirou. — Oui. Brynna o estudou durante um momento. — Acorde e me permita te amar. Brand abriu os olhos. Foi até sua cama e se sentou. — Seu sonho está cheio de fantasmas — disse ela. o brilho esmeralda escureceu até um tom oliva. Onde mais passaria a noite? — Em minha cama talvez? — replicou ela bruscamente antes de olhá-lo —. Brand caminhou diretamente para a última porta. num redemoinho de gaze. — Sou seu marido. Brand — era Brynna. Algo se agitou dentro de sua alma ante o contato. que estavam agarrados ao braço da cadeira. Sorriu ao vê-la inclinada sobre ele. inacabáveis campos verde esmeralda o olhavam. Com as mãos. com certeza. — O que está fazendo aqui? Brand a observou. não desejo Colette. exaltado ao ver Alexander. Observou o cabelo aderido a seus seios e quis brincar com suas mechas de fogo. seria sincero com você desde o principio. Sua cabeleira caía como labaredas sobre os dedos de Brand. então se voltou. ante as palavras ditas com tanto sentimento. o protegia dos espinhos. — Brynna — Brand pronunciou seu nome com tanta ternura que ela quis chorar ao ouvir o doce som —.olhos fixos. enquanto as sombras a alagavam. De costas para ele. Acorde. não caiu de joelhos ante a visão de sua angelical amante. acariciá-la tão sedutoramente como ela acariciava seu cabelo. pegou um pente e Passou-o pelo cabelo. — Acorde. perdendo-se no amor que encontrou nos olhos de Brynna. deitada sobre a relva. Desta vez. ou com Colette. Levou tudo de mim. Se fosse assim. Alguém se moveu e Brand ergueu o olhar. Mentir leva a desconfiança e eu valorizo 223 . acorde e farei com que viva de novo — oferecia-lhe uma rosa perfeita. olhando para a janela. Ele sorriu ao vê-la —. Era de manhã.

Quero me empapar da paixão pela vida que pulsa dentro de ti. bela Brynna — procurou em seus olhos. Seu apetite a convocava. fechou os olhos para defender-se da paixão a impulsionava para ele. olhando-a com seus formosos olhos —. intenso. como o teu. íntimo. A respiração dela vacilou. mas não se moveu da cama —.. Brand? — a sincera e aflita curiosidade em sua voz apertou o coração de Brand —... O que significa isso. sedutora. deve saber que se a tomar e te perder. Como pode não saber disso. 224 . Estou aqui contigo. Roçou com um beijo a parte interna de seu pulso. enquanto ele falava —. Com a ponta dos dedos percorreu sua bochecha até a suave curva de sua boca —. um pouco perdido e ansioso. Seu cabelo é como uma labareda que queima quando toca minha pele — disse com voz rouca enquanto ficava de pé.muito a confiança. Custava-lhe respirar. por que permite que sua deusa persiga-me também? Brand sacudiu a cabeça. crua e totalmente masculina. Seu sorriso me renova a alma. — É tão formosa. enquanto ele a bebia mais profundamente e traçava um atalho ardente ao longo de seu pescoço —. enquanto a percorria. — Não. feroz e terno. — Brand. Ajoelhou-se diante dela e levou sua mão aos lábios. — Sua voz cobriu a dela. meu coração se romperá em pedaços. Diga-me. Ajuda-me? — aproximou-se mais dela até que os lábios de ambos se roçaram e sua língua começou a saboreá-la. Brynna sentiu que sua determinação se dissolvia quando ele parou frente a ela. a esta altura? — ela levantou os olhos para olhá-lo. O contato de seu olhar era quase físico. quero saborear o néctar destes lábios. — Mas sonha com ela. Brynna estava perdida em um beijo que era como seu marido.. É onde quero estar. como disse que o faria. — Oui. — Brynna ofegava. — Você é a deusa.

as bochechas. — Assim é. tocando-a como uma profunda carícia. é meu marido. — Sei que me ama — seu sorriso se desvaneceu levemente —. tremendo com um apetite sensual que era tão forte como seu controle. — Está bem — sussurrou Brynna —. Brand se afastou dela. e farei o que me pedir. Só peço sua ajuda. marido. e outra vez os lábios. — Não tem por que sair — protestou ela —. Brynna assentiu com a cabeça. Brand deixou cair seu corpo poderoso sobre o dela. Brand. temo que não seria capaz de me controlar se os visse de novo e não pudesse saboreá-los. Ele se afastou para olhá-la. — Sente-se suficientemente bem para tomar o café da manhã comigo esta manhã? — perguntou-lhe. Deixou de beijá-la por um instante para falar. amava este homem. marido? Uma risada leve e a excitação sensual enredaram a garganta de Brand. desde o início — deixou que um sorriso agraciasse seu rosto. capturando as lágrimas cristalinas que ela tentava negar —. — Oui. 225 . enquanto afastava uma mecha de cobre que tinha caído sobre a bochecha —. e ruborizou quando Brand inalou fortemente —. — Diga-me como te ajudar. beijando os cílios de Brynna. por isso me mantenho afastado. — ficou de pé com um autocontrole que surpreendeu a si mesmo e tomou as mãos de Brynna. O sorriso dele era tão belo como o despertar do amanhecer. — Não sei quanto poderia te machucar — sussurrou.Bebendo seus lamentos. Mas não sei como recuperar o que me tirou a traição. seus lábios percorreram a fronte. Por Deus. Quero tanto você. Seus olhos caíram sobre ela. mas só a lembrança de seus seios me enlouquece. o nariz. Estou renovando sua alma. Esperarei lá fora enquanto se veste. agradeço por ter me dito a verdade. O escuro olhar que a jovem descobriu era tão real como seu desejo por ela.

Mas ela entendia porque quando o olhava nos olhos. com confiança e lealdade. O coração de Brynna pulsava freneticamente. enquanto a embalava. Brand tinha se afastado para protegê-la dele mesmo. Queria ser amada com esse tipo de compromisso total. Quando terminou de vestir-se. se ele tivesse sido capaz de renunciar a Colette tão facilmente. Brand saiu do quarto. preparado para escoltar sua esposa à mesa do café da manhã. E era seu amor por ele que fazia arder sua paixão. Mas as grandes vitórias levavam tempo. Ofereceu-lhe um sorriso luxurioso. Não o teria amado. como o oceano contra um escarpado rochoso. refugiou-se na determinação que necessitaria para travar essa batalha até o final. — Sem esperar sua resposta. Brand estava sentado em um pequeno banco contra a parede com suas longas pernas esticadas. recebeu-a com um sorriso cálido e ficou de pé. Era um coração que se ela pudesse conquistar. como um incêndio descontrolado. Desejava escutá-lo pronunciar seu nome. se não fosse testemunha de sua entrega total naquele dia no lago. ele era digno de sua luta. pertenceria-lhe para sempre. que deixou cair sobre as costas e completou o penteado com um fino aro de rubis diminutos que caíam sobre sua fronte. Brynna se deu conta com uma clareza reveladora que provavelmente não se teria apaixonado por ele. e ela retribuiria. Brand dava tudo de si em tudo o que fazia. fazendo com que cada nervo de seu corpo ardesse. e isso incluía o amor a Colette. A idéia fez com que o amasse ainda mais. e saiu tranqüila do quarto. A esperança se agitou uma vez mais dentro de Brynna.— Um fogo próprio assaltou Brynna ao ouvir essas palavras e a paixão em sua voz. Ah. Algo lhe dizia que as altas paredes das muralhas que Brand tinha construído ao redor de seu coração estavam começando a cair. Ansiava que a tomasse. queria senti-lo penetrando-a com seu primitivo poder. 226 . Todos os bons e leais guerreiros sabiam. Arrumou o cabelo em uma espessa trança. Sairia vitoriosa. — Esperarei lá fora. queimando-a. Saltou da cama e colocou um vestido de suave veludo carmesim. essas paredes eram fortes. digno de sua paciência. pela primeira vez desde que estavam casados. Quando abriu a porta. Por Deus.

Brand levantou uma sobrancelha negra. E nesse momento não importava. — Então é melhor não nos olharmos. a emoção que expressavam era tão poderosa que. Ergueu o olhar de sua mão e Brynna estremeceu de desejo diante do sensual olhar que lhe deu. Ela riu ante a imagem que ele evocava. Desafiante. moldando sua firme calidez contra seu corpo. por um momento. De fato. Olhe-me sempre como neste momento. morreria feliz. Os olhos de Brand percorreram seu rosto e estudaram seus suaves contornos. divertido e surpreso. Deslizou os braços ao redor de sua cintura até que ela pôde sentir o batimento de seu coração contra o peito. E prometo sempre ser fiel a esse amor. Perguntou-se se poderia sobreviver ante tanta felicidade quando verdadeiramente a encontrasse de novo. Brynna roçou os lábios com a ponta dos dedos e o observou. posso sentir seu amor me chamando. Brynna pensou que morreria em seus braços. enquanto ele os beijava. escapasse antes que pudesse dizer. — E você o meu. Seu rosto tinha mudado. Dando um passo para trás. ou não vamos descer as escadas. esposa. é tão belo — sussurrou apenas ela. Mas já não estavam vazios. Brynna. — Prometa que nunca me deixará sem seu sorriso. me banhando na luz do sol da primavera. Ele estremeceu ao falar. Juro. Brynna encontrou um olhar azul marinho que a observava. Sim. marido. — Obrigado. estava derrubando essas muralhas. senhor. — Deus santo. com um sorriso verdadeiro e modesto desenhado nos lábios.. — É tão bela que me tira o fôlego — disse levando sua mão aos lábios. lagos sem fundo. soube nesse momento que nunca 227 . com medo de que o que sentia. Sempre seria fiel.. e se acontecesse. acredito. e deteve-se quando seu marido começou a rir com ela. ela se atreveu a manter viva a esperança. Seus olhos eram vastos oceanos. — Aproximou-a dele. intensamente. irradiava uma alegria que acelerou o coração de Brynna. nesse momento. fez uma reverência.Ao erguer o olhar. Sabia que tinha falado com a verdade.

com todo meu coração. Lorde Richard Dumont observou o casal que se aproximava entrecerrando os olhos e se perguntou se o sorriso de sua filha era genuíno. nunca tinha visto Avarloch tão cheio de vida. mas sim tinham que ganhá-lo. O homem realmente irradiava tanta felicidade que Richard Dumont se perguntou o que tinha acontecido entre sua filha e seu marido. Brynna sorriu para seu marido enquanto a guiava através do salão. Prometo. Brand a beijou. — E eu serei fiel ao meu amor por ti. logo depois de tê-la visto tão triste em seu quarto. não havia nada oculto.mais iria separar-se dele. dava todas as oportunidades para isso. Capítulo 20 O grande salão estava cheio de gente. O aroma do faisão recém assado impregnava o ar. nem por um instante. Brynna percorreu o enorme recinto com o olhar e ergueu os olhos para o homem de que a levava pelo braço. na manhã anterior. sentir seu aroma. pensou Richard desconcertado. Brand não outorgava seu respeito facilmente. dava-lhe vida. As títulos e posições significavam pouco para Lorde Brand Risande. Os sons das risadas se mesclavam com o alaúde e a harpa. um fato que ele tinha deixado muito em claro até frente ao rei. 228 . tomou Brynna pela mão e a guiou para seu pai. e embora seu pai fosse um homem justo e amável. ao tratar a todos em Avarloch com justiça. Duvidava. meu formoso guerreiro. Não importava se a amava ou não. nas últimas vinte e quatro horas. nada calculado no cálido sorriso que Lorde Brand lhe oferecia. Quando o encontrou. em inúmeros brindes. Mas. e finalmente as vozes que o perseguiam silenciaram. enquanto os cavalheiros e as damas comiam e os vassalos e os servos batiam as taças. Este era seu lar. Brand procurou com o olhar Lorde Richard entre a multidão. somente vê-lo.

Brynnafar — aproximou-se para beijá-la no rosto —.. quando chegaram junto a ele. Quase podia ver seu pai procurando a sinceridade dentro de Brand. muito mais do que estava disposto a admitir. O coração de Brynna saltou ao escutar as palavras de seu pai. como se sente? — Estou bem. Juro olhava para você como se fosse um escudeiro doente de amor. peço que aceite minhas desculpas pelo modo como falei. — deu a volta e fixou em sua esposa um olhar significativo — muito. Brand lhe respondeu. dando um passo para frente para colocar-se frente a frente com seu pai. pai — seus olhos passaram de um ao outro homem. —Temo que fui mais que desrespeitoso com seu pai no outro dia. — O que aconteceu entre vocês dois? — perguntou —. Brand deu um sorriso tão radiante que Brynna estremeceu. Não há desculpas para meu comportamento.. para Brynna pareceu uma eternidade. mas ela não tinha idéia a que se referiam e portanto não pôde dar nenhuma resposta. — Muito bem.— Lorde Richard — Brand o saudou serenamente. Aceito sua desculpa. 229 . Lorde Richard. então. Richard o olhou durante o que. — Se pensasse que você estava preocupado por minha filha nesse momento. cautelosamente. teria. Lorde Richard ficou sem palavras. que agora estava tomando assento junto a seu irmão. Sussurrou-lhe ao ouvido que precisava falar com Dante e a deixou a sós com seu pai. enquanto seus olhos seguiam obstinados a Brand. — Estava — o interrompeu —. Franziu o cenho ao perceber a raiva de seu pai — O que aconteceu? — perguntou. Richard olhou para sua filha. — Senhor — respondeu o pai de Brynna com uma leve inclinação da cabeça e voltou sua atenção para sua filha —. Surpreso pela desculpa de Brand e por admitir que sentia algo por sua filha.

o som de uma risada doce assaltou seus ouvidos. — Ela não me engana com sua beleza angelical. Partiu sem ela! Seu pai se inclinou mais. — Minha querida — sussurrou enquanto Colette passava ao seu lado—. William me disse como. Brynna olhou estupefata a seu pai. Brynnafar. Seu coração não era cativo do amor. Colette gemeu 230 .— Acredito que meu marido está se transformando no homem fantasia — deu a volta para olhar seu pai e as cálidas lágrimas em seu rosto o emocionaram. mas do temor de voltar a amar —. seus olhos se arregalaram ao olhar seu pai—. William não voltou para a Normandia. embora não tivesse idéia do que estava falando. Colette de Marson entrou no salão de braço com Sir Jeffrey Hamlin. Finalmente acreditava que Brand já não amava Colette de Marson.. Seu pai sorriu com ternura e rodeou seus ombros com o braço. como uma coroa. e acredito que ele está começando a corresponder.. Suas sobrancelhas se arquearam. Seus olhos continham o encanto e a inocência de uma menina. Mas antes que pudesse interrogá-lo. Com os olhos entrecerrados. a traição dela o deixa prisioneiro. e o tinha preso ao redor da cabeça. o duque. pai — explicou —. por um breve instante. — de repente. convidando sua escolta a enterrar o rosto mais profundamente em seu pescoço. Enquanto observava sua pequena figura entrar em salão. — Não — disse Brynna. um dos homens que a tinha escoltado a Avarloch. partiu para lutar por você. expressando sua confusão.. Seu cabelo era da cor do trigo banhado pelo sol. Voltou-se bem a tempo de ver Colette jogar a cabeça para trás.. — Amo-o. Richard deu a volta para seguir o olhar de sua filha. imaginava que iria para a Normandia com ele. O sangue de Brynna fervia. Não partiu com ele! — Com quem? — Com o duque. Brynna pôde entender por que Brand a tinha amado tanto. Os olhares das duas mulheres se encontraram. — Isso não é nada difícil. Seu mais leal servente. e Colette sorriu antes de baixar o olhar.

mais para si que para seu pai. Amava Brand. Brynna ficou paralisada em seu lugar observando a reação de seu marido. A batalha. A energia infundiu o ar com uma sensualidade indomável que fez com que todas as cabeças se voltassem para olhá-la passar. como um falcão guiado pelo assobio de seu amo. — Então vá e o faça sentir como o homem que é. Brynnafar. Mas Lorde Richard respondeu de qualquer forma. vivo e exuberante. Brand mal levantou a vista com um vago interesse para o apaixonado casal e continuou sua conversa com Dante. Os olhos de Brynna se acenderam e endireitou os ombros com determinação. Ficou de pé para recebê-la.suficientemente forte para que todos no grande salão se voltassem para olhar para ela. Brynna queria arrancar os olhos da mulher. Brand viu sua esposa aproximar-se e a expressão em seus lábios e o olhar de desejo disse a Brynna que todos outros no salão já não existiam. inclusive Brand. — Não vale morder. E então. Sabia o que ele queria. Os olhos de Brand escureceram e a observou com um sorriso ostensivamente masculino. tirou os broches do cabelo e cruzou o salão com a graça digna de uma rainha. A única coisa que não tinha perdido com a traição de Colette era o desejo. inclusive Colette. A paixão de Brynna chamava a seu marido. coroada por sua magnífica cabeleira que caía sobre os ombros e o peito ao andar. aspirou seu conhecido aroma de jasmim. com um sorriso sensual formando-se em seus lábios. sabia como fazer com que seu marido se sentisse feroz e vivo. Mostre-lhe que se casou com uma mulher e não com uma menina malcriada. — Tenta zombar de meu marido frente a seus homens — observou furiosa. Quando ela se aproximou. Passou a mão ao redor de sua cintura e ofereceu 231 . _ Guarde isso para o quarto — voltou a cabeça em direção a Brand. Jeffrey! — Colette riu como uma menina e afastou o homem com um empurrão. A guerra. que foi muito diferente do que tinha previsto. Amou-o no primeiro instante em que o viu. Todos.

marido? Ele sorriu. Brand compreendeu tudo. meu senhor — baixou a voz para que ninguém além de seu marido pudesse escutá-la —. — Ora! — riu Brynna e voltou a mastigar sua bolacha —. respondendo: — Nada que não possa esperar.. A insinuação erótica em sua voz enviou uma labareda de fogo através do corpo de Brand. — Maravilhoso. — O que aconteceu. enquanto se sentava. enquanto o apetite levitava como uma espessa névoa ao redor de ambos. escutou-se a risada de Colette outra vez. à vista de todos. A expressão de Brand mudou em seguida. Seus olhos nunca abandonaram os dela. Observou-a recolher uma bolacha e levar à boca. a moça entrecerrou os olhos e captou o modo como a avaliava. é meu corpo que se deleitará com seu ardente 232 . sabia que devia possuí-la. O que estava fazendo?. Mas acreditei que havíamos concordado que.. De repente.uma cadeira junto à sua. — Tem muitos assuntos para tratar aqui esta manhã. marido? — os lábios de Brynna roçaram seu ouvido. Apresse-se com Dante. sorriu. e sabia que ela tampouco queria isso. em voz baixa. por favor — interrompeu Brynna. — Por que me tenta desta maneira? Quando ele falou. — Faz isto só para que não preste atenção nela — acusou-a. ela podia ver a confusão em seus olhos. querida. e seu sorriso se desvaneceu. Surpreendeu-se ao descobrir as claras intenções de sua jovem esposa. Sou eu que tenho toda sua atenção. enquanto seu amante lhe apertava os seios. O mel gotejou sobre seu lábio inferior e ela recolheu com a língua. Brynna? — O que aconteceu com o que. Brand inalou com todo seu ser. Mas além de um anseio selvagem. Perguntou-se. Como se lesse os pensamentos de seu marido. Por que seus olhos rogavam que a arrastasse para seu quarto? Ele não queria usar seu corpo sem dar o que ela necessitava.

jurou fidelidade. para ficar frente a frente com seu marido. e a ardente necessidade que fazia com que seus seios se elevassem inchados.. Minha carne que te sentirá pulsando dentro de mim. Brand? Deslizou seus olhos brilhantes para ela. Quero olhar dentro de seus olhos e que você olhe dentro dos meus. Recorda — acrescentou. Brand apoiou o cotovelo sobre a mesa e levou um punho embaixo do queixo. Seus olhos eram faíscas ardentes enquanto se inclinava mais perto de seu rosto. atormentava e colocava Brand tão tenso como um látego. — Não tenho pena de você. Brand quase podia sentir o calor que emanava dela. — Está zangado comigo. enquanto nossos corações batem um contra o outro e nossos corpos gozam.desejo. Ela se voltou em sua cadeira. em nossa cama. esfregar sua carne sedosa e. golpeando a mesa com a palma de sua mão —. A certeza em sua voz lhe assegurou que ela acreditava no que havia dito. meu amor. enquanto usa a língua para acelerar o pulsar em minha garganta — sua voz era um murmúrio sensual que o provocava. Quero te agradar.. Não tenha pena de mim. com uma faísca nos olhos—. ao vê-lo retorcer-se em sua cadeira e continuou torturando-o ainda mais — Quero acariciar sua dureza com a palma de minha mão. Brynna. Inclinou-se ainda mais perto e beijou o sorriso que ficou em seus lábios. enquanto lutava para controlar a ofegante dureza que crescia sob a mesa. Quero sentir seu cabelo enroscado em meus dedos. Um sorriso malvado apareceu no rosto dela. — Faz isto porque sente pena de mim — concluiu ele. Quero te saborear — concluiu ela. Permaneceu sentado desse modo. Brand estudou sua esposa com suspeita. 233 . Voltando-se em sua cadeira. enquanto os segundos tornavam-se minutos e Brynna se perguntou se não tinha ido muito longe. o anseio que fazia tremer sua voz. desfrutando do efeito que tinha em seu marido. Sobre seu vestido quando respirava.

Deslizou suas mãos sob o tecido. com um movimento rápido e levantou sua esposa em seus braços. que excitou-se ainda mais sob seu contato sedoso —. Moveu os quadris acrescentando pressão aos dedos dele. 234 . Os dedos de Brand trabalharam com uma lenta delicadeza enquanto desatava um a um os laços de seu vestido. desenhando um sorriso encantador quando viu que o corpo dele não havia ‘relaxado’ completamente. Desfrutem do resto do dia. quando ele se afastou lentamente. — Vamos nos retirar — disse em voz alta. — Dói só te olhar — sussurrou ela. O vestido caiu de seus ombros até a cintura. enquanto ele a recostava gentilmente sobre o colchão de plumas.. O gemido profundo que Brand arrancou de seus lábios fez com que seu corpo se esticasse pela urgência feroz de estar dentro dela. para. Ela olhava-o extasiada. — Falou de me dar agradar. Brand correu a cadeira dela para trás. mas necessito uns minutos.— Non — disse simplesmente —. Brynna — sua voz ofegante era quase irreconhecível por seu desejo incontrolável. diante dos rostos surpresos sem que seu selvagem olhar abandonasse os olhos de sua esposa —. Seu corpo poderoso se inclinou para beijá-la apaixonadamente. relaxar antes de te carregar pelas escadas e te tomar como merece — Ficou em silencio durante algum tempo e depois ficou de pé. Brand levantou as mãos e simplesmente observou a beleza que tinha exposto. senhoras e senhores. Brand fechou a porta com um pontapé e levou Brynna para a enorme cama com dossel. acariciando seus joelhos. — Onde? — levantou a saia carmesim e roçou com os dedos o aveludado monte. enquanto era carregada para fora do grande salão. roçando com as palmas o cetim de seus seios e os sensíveis mamilos que endureciam com seu contato.. dói aqui? Ela assentiu excitada. mas me deixe-me te agradar primeiro. Brynna riu e jogou os braços ao redor do pescoço de seu marido. Um canto da boca de Brynna ergueu-se.

E arrancava lânguidos gemidos de sua garganta.. — Sim — ofegava ela. enquanto sua carne dura lutava para libertarse das calças. Ficou de pé. 235 . magnífico. você é formosa. A carícia de sua boca se transformou em intensa lascívia. O calor fluía como correntes através dela.. — Agrado-te? — perguntou Brand.. — É formoso. Quase não podia respirar enquanto seus dedos continuavam traçando um ardente caminho para o monte acobreado entre suas pernas. Estava completamente excitado. Brynna. Brand inspirou profundamente. Os dedos ásperos tornaram-se suaves ao sondar as delicadas dobras que se amoldavam a ele. observando a reação de sua esposa enquanto enviava fogo para o pescoço com as doces pinceladas de sua língua —. Não posso descrever o que é para mim. Passou as pontas dos dedos lentamente sobre seu sexo.. enquanto ele se despia. ele seguia sondando. Brynna o observou com olhos arregalados. tão ardente quanto o líquido que empapava os dedos dele. além das delicadas pétalas que pulsavam de desejo. A ponta de sua língua traçou um círculo ao redor de seu mamilo e lentamente o envolveu com os lábios. — Non — Brand sacudiu a cabeça —. entre seus dentes apertados. — Floresce para mim tão rapidamente. Ela sorriu cativa do êxtase diante de seu corpo poderoso e resplandecente de desejo por ela. marido — gemeu ela. — Sinto-me terrivelmente selvagem — o sorriso que deu era tão indomável quanto a carícia de seus dentes contra sua carne —. fazendo-a tremer enquanto um trovão explodia dentro dela.— É terrivelmente selvagem. parecia um caçador que tinha encontrado sua presa. tão tenso que parecia a ponto de explodir. observando seu poder masculino. Seu prazer estava se convertendo em agonia. Deleita minha língua com o mel mais doce — lambeu o vale entre seus seios. estou acendendo sua paixão? Brynna não podia responder. Mesmo assim.

como se a paixão estivesse sendo arrancada brutalmente de seu corpo. Abriu os olhos e sorriu tão maliciosamente que ela se assustaria se não estivesse sentindo o mesmo. enquanto seu corpo a possuía.— Então mostre-me isso. depois deslizou dentro dela outra vez. Permanecia em silêncio enquanto a tomava. Quanto mais fortemente se agarrava. ansiando. Seus olhos a imobilizaram quando a penetrou. Deslizou a mão dela para baixo e para cima. deliciosamente primitivos. os assaltos do corpo de Brand tornaram-se mais urgentes. fazendo-a tremer enquanto gritava seu nome. mais intenso se tornava o desejo dele. O leve roçar de seus dedos enviou fogo pela poderosa coxa do Brand enquanto empurrava para abrir suas pernas e se ajoelhava entre elas. quente e viva. Brand fechou os olhos e emitiu um som abafado. —Toma o que quiser — sussurrou sensualmente —. vorazmente. que apertava e soltava. as unhas. 236 . Seu corpo tenso acariciava cada centímetro dele. procurando sua boca com a língua enquanto todo seu corpo a reclamava. Ergueu-se sobre os joelhos até levantar-se em toda sua estatura acima dela. até que Brynna pensou que gozaria em sua mão. enroscando os dedos em seu cabelo. Brand se retirou lentamente. meu belo cavalheiro — convocou-o e ele obedeceu. seus olhos a penetravam tão profundamente como seu corpo. Saboreando cada fragmento de seu calor. Lenta. Ela obedeceu. Sua virilidade pulsava contra a carne de Brynna. já não posso esperar para sentir esta força dentro de mim. Ela agarrou-se a ele com as pernas. fechou a mão acariciando delicadamente o aveludado aço. provocativamente. uma e outra vez. arqueando cada vez mais as costas. como uma besta selvagem. enviando onda atrás de onda de ardentes convulsões por seu interior. Um sorriso transformou o rosto selvagem. rodeando-o com as pernas enquanto ele descia sobre seu corpo. Ela a percorreu com os dedos. Deleitava-se com cada espasmo que pulsava. — Abra-se para mim — ordenou. até que o prazer explodiu dentro de Brynna. Balançou-a. provocando-a até gozar.

Mais tarde. medindo sua carne excitada. Aconchegou-a em seus braços. Sob as colchas. mesmo depois de cair esgotado e trêmulo sobre ela. É turca. delicados dedos tocaram-no. enroscada em seus braços. Ele não tinha pronunciado uma palavra. Tinha ansiado olhar dentro desse sorriso pecaminoso e sensualmente sombrio. Brynna sorriu enquanto o gentil brilho de seus olhos transformava-se em uma labareda voluptuosa. no sutil arco de sua sobrancelha. tudo com um delicioso cuidado. Brynna fechou os olhos. Vivia no harém de um sultão antes de meu pai trazê-la para cá. 237 . — Eu também — respondeu com voz rouca. ela pôde escutar seu coração batendo em doce rendição. os lábios. temia estar equivocada. e novamente quando a tomou tão grosseiramente.E foi em seu silêncio que Brynna escutou o coração dele. Brynna tinha pensado que seu triunfo chegaria com esse sorriso. com uma de suas poderosas pernas em cima das dela. como sabe. as bochechas. no silencioso desejo de seus olhos enquanto beijava seu rosto. — Oui. — Alysia me contou muitas coisas. — Onde aprendeu a agradar a um homem assim? — ofegou Brand fechando os olhos sob o amado contato de sua mão. mas não se atreveu. presa na força de seu peito e se perguntou se o que tinha visto em seus olhos era real ou só sua obcecada esperança agitando-se uma vez mais. como prometi — ela acariciou seu rígido órgão e sorriu. Levantando a cabeça para vê-lo. ficou deitada. Queria perguntar. sentindo o tenso tremor percorrendo seu marido. — Tenho fome — sussurrou ela. No silêncio de sua paixão. beijando a fronte. Ver o êxtase que uma vez a sobressaltou enquanto ele nadava. Brand se moveu na cama aproximando-a dele. acariciando as linhas de seu peito com os dedos. — Deixe-me te agradar. Ele queria dar. Mas estava ali. e Brynna entendeu que tomá-la já não era suficiente. — O guerreiro volta a despertar.

Brynna nunca tinha imaginado que dar prazer pudesse ser tão maravilhoso quanto receber. acendendo fogo ao passar para o interior de sua coxa —. O corpo de Brand se esticou com a selvagem paixão que o percorria com cada carícia da mão de sua esposa. O sabor de seu salgado aroma masculino a embriagou como se estivesse bebendo vinho. Quando Brand pensou que já não podia suportar um segundo mais dessa deliciosa agonia. mulher — Brand disse ofegante. — Como estará você amanhã. — Aonde? 238 . e a guiou. ásperos lamentos arrancados da garganta de seu marido. levantou a cabeça. — Venha aqui.. meu guerreiro — Brynna pressionou os lábios contra o quente e musculoso pilar de seu pescoço.— Isso explica por que Dante sempre está sorrindo. chupou e sorriu secretamente.. mesmo se for beijado. sua paixão voltou a crescer. antes de abraçar sua paixão no calor de sua boca. Brand gemeu. A língua percorreu todo o comprimento de seu membro. ao escutar os profundos. atraindo-a com insaciáveis embora delicados beijos. diante do tenso gemido que arrancou. tencionando seus músculos até uma dolorosa agonia. mas ao sentir os grossos músculos das coxas convulsionaremse debaixo dela. — Realmente? — perguntou Brynna. enquanto o êxtase convulsionava seu corpo. O fogo rugiu indomável. Recordou como ele tinha sugado docemente seus mamilos. Sua língua traçou um fogoso atalho até seu peito. Penso que deve doer. Tomou sua cabeça entre as mãos. — fez uma pausa levantando o olhar de sua carne e provocando um sorriso—. sacudindo o corpo de Brand enquanto os lábios dela o acariciavam e o calor pulsava de suas sedosas carícias. dirigindo-a lentamente. Sua língua revoou sobre os mamilos dele. observando sua acobreada juba deslizar para baixo por seu corpo. — Como pode um instrumento aveludado tão esplêndido crescer tão rígido entre meus dedos? — Cresce diante de sua presença.

cravando as unhas nos musculosos ombros enquanto as explosões se tornavam incontroláveis. sua boca desejosa encontrou a dela. queria-a mais perto. convulsionando-a em um febril arrebatamento em cima dele. necessitava dela ainda mais perto. Dormiram. apertando-se contra ele. Brand não sonhou. — Deixa que seu perfume me inunde. assaltada por espasmos tão tentadoramente pecaminosos que pensou que morreria empalada em cima dele. Seu nome foi arrancado da garganta de Brynna com uma rudeza que coincidia com os assaltos dele. 239 . provocando ondas de calor até transformar-se em pequenas explosões.. — gentilmente baixou a sua esposa para sua palpitante carne — Possua-me como eu te possui. Pela primeira vez. alagando-a com tudo o que tinha para dar. Brynna — sussurrou. sacudindo-a. enquanto seus corpos se moviam em um ritmo perfeito. até que finalmente gritou. enquanto a noite cobria Avarloch como uma névoa.. Desfrutava da força com a qual ela o reclamava. Empurrou-a para baixo. — Oui — sussurrou enquanto deslizava para baixo. E Brand saboreou cada duro e completo assalto. mais tensa que sua própria carne. encontrando seus mamilos eretos. Deslizou as mãos sob seus braços. enquanto o puro prazer os percorria. — Aqui. E atrás da cortina de cabelo acobreado.Levantou-a sem esforço. Brand empurrou ao seu encontro. mordendo-os meigamente. O tempo deixou de existir. afundando sua espada até o punho. Uma umidade quente e suave os cobria. Brynna jogou a cabeça para trás. Seu cabelo se derramava sobre o peito de Brand como fogo incandescente. Ela gritou seu nome novamente.

Seu marido a segurou com suas mãos rápidas e fortes. Não era uma cena 240 .Capítulo 21 — Acorde. Brynna sorriu ironicamente e sacudiu a cabeça. — Sempre desperta assim? — Assim como? — por força do hábito Brand olhou para a lareira. Brand! O guerreiro se levantou na cama tão rapidamente que Brynna quase cai da beira onde estava sentada. As chamas consumiam vorazmente pequenos pedaços madeira.

— Como se alguém tivesse se escondido em seu quarto durante a noite e estivesse esperando que despertasse para te assassinar. Colocou na cabeça para recolher a massa de cabelos avermelhados que caía ao redor de seus ombros. — Sentiu saudades de William? O mais selvagem dos selvagens? Brynna desdenhou suas palavras com um gesto de mão. quando despertava de um sonho. Olhou para a janela. e olhou novamente pela janela. A noite tinha passado e se feito dia. — Não! — o rosto de Brynna abriu-se em um enorme sorriso que fez Brand sorrir também. como se estivesse sonhando. Tinha que estar sonhando. sua alegria o inundou de calor. Fazia tanto tempo que não dormia até tão tarde. Brand olhou-a. é mais perigoso que uma toca de leões famintos. — A moça saltou da beira da cama e procurou por todos os lados o broche de rubis que tinha tirado na noite anterior. — Não comigo. enquanto ele dormia serenamente. viu que estava observando-a. essa é uma boa notícia. tocando os lábios com os dedos e marcando seu sorriso —. Temo que dormiu quase toda a manhã. — Sério? — Brand a olhou fixamente e deu um sorriso —. tolo — disse ela alegremente — Vamos. — Non. Como se o sol não estivesse o suficientemente brilhante. — Quanto faz que o sol saiu? — ignorou sua pergunta e esfregou os olhos. por que está tão contente com isso? — Porque senti saudades. que estava surpreso. beleza — Brand riu facilmente e se recostou sobre o cotovelo —. 241 . — William é tão inofensivo como os gatinhos de Gritã no estábulo. marido.incomum. O incomum era que não sentia frio. — E? — perguntou. — É tarde. Encontrou-o perto da janela e se agachou para pegá-lo. vista-se. e quando voltou-se para Brand. Amava seu sorriso — William retornou enquanto nós dormimos quase todo o dia. O sol iluminava o céu como um gigantesco girassol recebendo o dia.

lagos sem fundo de emoções ocultas ou perdidas. Não tem por que preocupar-se. cheia de vida como a primavera despertando à terra de seu sonho invernal. banhando-a em luz. da ponta da cabeça passando pelo vestido carmesim até os pés.Ele olhava para ela. Brynna era a mulher mais bela que tinha visto em sua vida. seu pequeno nariz reto e a vida nova na chama verde de seus olhos. — Fará William esperar? — O que aconteceu. claro que sim. gravando em sua mente o perfeito arco de sua sobrancelha.. e ninguém podia negar isso. William é muito peludo para meu gosto — riu como uma menina e Brand absorveu sua felicidade. mas Brynna reconhecia o sorriso desenhado na comissura de seus lábios. A primavera que chamava as sementes a surgir do chão em diminutos brotos e elevar-se para a promessa da esperança e do calor vital do sol. entre vocês dois durante as horas que passaram sozinhos no bosque? — a leve ruga em suas negras sobrancelhas o tornava perigoso. Ele assentiu e seu olhar a imobilizou. — Está levantando? — Ah. Ela levantou uma sobrancelha. pensou Brand. Para ele. carregadas de raiva e agonia. oui.. Mas ele também via um tipo de beleza diferente em sua esposa. Tinham mudado? Recordava sombras fantasmagóricas. Tinha visto ondas tempestuosas. Por um momento temi que teria que deixar crescer o cabelo até os cotovelos para te agradar. — Ah. na realidade.. Ela era fresca. uma calculada 242 . nada — disse ela alegremente —. Ela se surpreendeu de não ter notado antes como eram penetrantes seus olhos. Brynna sorriu diante do modo como a olhava. Mas não necessitava da luz do sol para resplandecer. — Faria isso? — Brynna suspirou muito perto de sua boca. meu amor — se dirigiu para ele e caiu nos braços que a esperavam —. — Alegro-me. falamos de batalhas e realezas e outras coisas aborrecidas.. toda ela. A exuberante luz solar da janela derramava-se sobre ela.

— É meu amado — Brynna sussurrou perto de seu rosto. Brynna estalou a língua e desprezou suas palavras com um gesto. recordando a pobre Rebecca. Alisou o veludo da saia e se inquietou pelo amassado. Levou a mão ao peito e suspirou profundamente. Algo. — Por que as donzelas ainda não trouxeram minha roupa para seu quarto? Não posso continuar me vestindo com sua roupa ou com o mesmo vestido dois dias seguidos. A jovem parou do outro lado da porta. beijando o queixo enquanto se afastava. disse a si mesma. diziam seus olhos. mulher — Brand roçou o sorriso com a ponta do dedo —. —Deus meu — seu rosto desenhou um amplo sorriso e desceu correndo as sinuosas escadas para o grande salão. — Nesse caso.. como uma menina que quer ver os 243 . mas o que quer que tenha visto em seu olhar tinha desaparecido. falando como o faziam agora. algo diferente o emocionava. — Ande. mas nunca tinha visto seus olhos querendo chegar até ela.. por cima do ombro. mas não estava certa do que era. — Oferecerei a William suas desculpas e direi que a paixão de sua esposa te deixou muito esgotado para descer e recebê-lo apropriadamente. Levantou-se sem vontade do calor de seu peito nu.inocência que era tão formosa como o céu antes de uma tormenta. enquanto a porta se fechava atrás de sua esposa. —Tolo — disse. não importava o quanto fossem pequenas. Brynna esperou outro momento. Nada podia alterar seu ânimo neste dia. Brand riu ao captar o olhar triunfal que ela lançava. Seu temperamento é temível — zombou Brand. pelo menos — concordou ele e caiu sobre o travesseiro. Seu rei tinha retornado e ela estava ansiosa para lhe contar suas vitórias. Acabava de chamá-la de amor? Era a primeira vez que usava essa palavra com ela. diga que necessito dez horas mais de sono. estão todas muito assustadas para pôr o pé aqui dentro. — Certamente. meu amor. uma reação ao seu amor. depois de passar a noite enrugado e feito uma bola no chão. vá saudar seu guerreiro preferido antes que eu o obrigue a esperar outras duas horas. Algo vital.

Suas bochechas estavam avermelhadas e sua respiração acelerada quando se deteve ante a enorme porta. — Meu rei — sussurrou ela. — A primavera retornou à terra! — exclamou William admirado. Olhou-a com um sorriso tão terno que pareceu um abraço. Minha querida. falando em voz baixa com Dante. ela renova meu espírito cansado. A Inglaterra seria nossa ao cantar do galo. William piscou um olho. suficientemente forte como para que ela o escutasse —. — O braço maciço que segurava o ombro de Dante se ergueu. — Onde está ele? 244 . quando chegou a Avarloch na primeira vez. com admiração —. deixando que o aroma de Brynna o impregnasse. Soou uma grande gargalhada do grande duque e suspirou. perto de seu ouvido enquanto ele a rodeava com seus braços como troncos de árvores. Dirigiu-se para ele. Usava o cabelo escuro cheios de mechas cinzentas preso. enquanto dezenas de pessoas se moviam ao seu redor. depois de uma longa viagem. olhando por cima de seu ombro.presentes que seu pai tivesse trazido. surpreendendo-se ao notar quanto tinha sentido saudades do tosco patife que zombou dela de maneira tão desumana. Dante estava muito perto para escutá-los. mas se o fez não prestou atenção diante da declaração de traição expressa por William. devo te levar para minha próxima batalha. Brynna riu e levou um dedo delicado aos lábios para lhe advertir que fizesse silêncio. estudandoa. expondo os agudos ângulos que em geral ficavam ocultos atrás de sua juba selvagem. como uma brisa que agita as folhas caídas. Voltou-se como se houvesse sentido os olhos de Brynna sobre ele. William encontrava-se a alguns metros de distância. — Como está minha mais bela guerreira? — olhou-a longamente. sorriu com astúcia ao ver o brilho em seus olhos — Assim tão bem? — perguntou. convidando Brynna para ser consumida por sua pelagem quente e seus músculos.

olhando Brynna com tal admiração que ela baixou o olhar. — Esteve tudo muito tranqüilo aqui em sua ausência. e a conduziu à mesa onde os aromas do café da manhã o chamavam como uma amante longamente desejada.. envergonhada pelo que ele devia estar pensando. obrigando-a a aproximar-se. perdoarei sua vida. é só que ele não dorme bem há tanto tempo.— Na cama — as bochechas de Brynna ruborizaram. — Só por ti. non? — Oui — concordou Dante com um sorriso terno nos lábios.. — Bem — William estendeu suas duas grandes mãos e Triturador e Caos correram para ele —. e eu tinha um assunto urgente para atender. ah. e Brynna respondeu ao olhar enganoso de William. — Não. — Ah. . — Ela está lhe fazendo bem. não o fará! — golpeou-o no braço musculoso.Meu pai me disse. William bateu nas costas de Dante. arrependido ao ver seu desconforto —. — Agradeço. milorde. — Onde o deixou — sentenciou o duque orgulhoso —. — Cortarei sua cabeça. — Lady Brynna. O duque franziu os lábios sob a barba. — O perdão é uma virtude bendita. Prefiro passar o tempo com sua esposa. doçura. bom trabalho — bateu em seu ombro brandamente e bebeu um gole da cerveja. mas lhe apanhou a mão. desculpe-me — disse o atraente cavalheiro. mas o malicioso brilho em seus olhos a delatou. Brynna lhe lançou um olhar severo. a primavera — William suspirou diante do formoso sorriso que Brynna lhe deu. — Lutar por mim. E você partiu sem uma despedida sequer. 245 . — Brand está dormindo? Neste momento? — Dante falou finalmente. — Não era uma pergunta. o que tenho que dizer pode esperar umas horas mais.

Mas ele sabia que já não era assim. Brand parou. — Meu senhor? Brand se deteve antes de chegar às escadas. saindo de seu quarto. atraído pelo delicioso aroma de pão fresco e pelo pensamento de pousar seus olhos sobre a mulher que tinha sacudido sua alma e a tinha trazido de volta à vida. 246 . ver-me neste vestido fazia com que seu sangue se convertesse em fogo. ele levantou a vista. nem se tinha mentido como suspeitava William. Que a lembrança de meu corpo em seus braços voltaria a trazer você para mim — completou o círculo e se deteve em frente dele. feliz por ter se libertado de Colette. tinha desaparecido. Os olhos de Brand percorreram seu corpo. — Quando o alcançou. enquanto ela se aproximava e se detiveram em seus brancos seios mal escondidos sob uma seda turquesa. — Vejo que ainda te produz o mesmo efeito — caminhou em círculos ao redor dele como uma gata — Sempre soube que me perdoaria. Sorriu-lhe angelicalmente e afastou uma mecha do loiro cabelo sobre o ombro. Mas a Brand não importava seu compromisso. podiam esperar. Brynna o tinha acusado de amá-la ainda. olhou-a nos olhos e mal sorriu. Compreendo o quanto te feri. sentindo-se como um homem recém libertado da masmorra. Brand. Pensou que não poderia amar a ninguém mais. antes de colocar a túnica negra e sorriu. Nem sequer tinha considerado isso. colocando um dedo delicado sobre seus lábios —. não faz muito tempo — disse zombeteira —. Vê-la fora de seus sonhos tinha permitido dar-se conta de que o quer que tivesse sentido por ela. sabendo que quaisquer que fossem as notícias que William havia trazido. Mas estava enganado. depois do que Colette tinha feito. Fechou a porta de seu quarto.Brand demorou para vestir-se. — Certa vez. Dirigiu-se para as escadas. Alegrava-lhe que Colette tivesse vindo a Avarloch. O duque normando tinha ido a Canterbury para ver o pai de Colette e averiguar a verdade sobre seu compromisso. Não se importava se nunca voltava-se a vêla. Voltou-se no momento em que Colette entrava no corredor.

E o tinha feito. Era hipnótica em seus movimentos. ela franziu os lábios levantando a vista para olhá-lo com enormes olhos tristes — Estava tão zangada contigo por ter me obrigado a partir. até deixar os homens rendidos a seus pés. Um sorriso provocador se desenhou nos lábios de Colette. Tinha dado seu mundo. mas agora sabe que foi um engano. Colette. Alguma vez o tinha amado de verdade? Ou havia dito todas as coisas que ele queria escutar.Brand sacudiu a cabeça enquanto seu aroma enchia seus pulmões. só para manter-se longe da férrea disciplina de seu pai? Surpreendeu-se ao dar-se conta disso. mas Brand viu algo em seus olhos que nunca tinha notado antes. Ela encantava. quando os lábios de Colette percorreram sua bochecha tão delicadamente como pétalas de rosa. tomava sutilmente o controle dos sentidos. sentia paixão somente por seu próprio bem-estar. medindo sua força e sua musculatura. —. não é? — Non. O quanto tinha sido cego. Deu um passo mais perto. Seu coração me deseja tanto como seu corpo — de repente. sufocando-o. embora estivesse certo de que sempre tinha estado ali. quer provar o doce sabor de meus lábios. Tudo em Colette de Marson era muito perturbador para que um homem pudesse resistir. meu amor. enfeitiçava. no piscar de seus olhos. — Você não compreende nada. até que ele pôde sentir o calor de suas palavras sobre o rosto. — Mentiroso — sussurrou Colette perto de seu ouvido — Por que outra razão levaria a filha de Dumont para a cama. no modo como seus dedos brincavam com os laços de sua túnica. além de satisfazer a selvagem luxúria que sente por mim? Brand sorriu levemente. — Permite que eu fique porque ainda me deseja milorde — deslizou as mãos por seu peito. Ela era egoísta. por seus ombros. Fui um tolo ao permitir que ficasse aqui. Tinha estado disposto a lhe dar o que ela quisesse. Mas não era um sorriso de 247 . E agora o queria de volta.

Tentando-o como nem sequer Colette tinha 248 . Os lábios de Brand se elevavam ameaçadores. e sempre estará tão morta por dentro como me fez sentir. Seu cabelo cai como asas sobre seus ombros de alabastro criados para serem acariciados. — Formosa Colette — disse com um suspiro —. a vida que queria de volta. enquanto vertem mentiras. profundo som da alegria de William. Havia lhe trazido a morte. inclinou-se em uma leve reverência e continuou sua marcha para o grande salão. e ao vê-la. enquanto seu inquietante olhar a imobilizava. podia tirar a vida antes que tivesse tempo sequer de gritar — Seus lábios unem-se para beijar. As pontas de seus dedos se moveram. Reúna seus homens. — Mas invocar uma luxúria selvagem em mim? — sua voz cobriu a dela e a escura paixão em seus olhos se desvaneceu em nada mais que uma expressão de diversão — Nunca me provocaste isso. — Brand. A risada invadiu seus pensamentos. Brand podia quebrá-lo em um instante. como um tolo. Nem sequer estava zangado com ela. Era o som da vida.. convocando-o a recordar o calor do sol ao banhá-lo em sua gloriosa luz. Brand não pôde evitar de sorrir.. — O que insinua não é verdade. Brand deixou Colette sozinha com sua humilhação. com deliberada lentidão. fazendo-a derreter-se como manteiga. a vida da qual ele sentia saudades. embriaga o coração dos homens com sua falsa inocência. ávidos e gentis. e vá para casa. — Colette tremia ante seu contato. Colette — disse bruscamente. Por um instante. Oui tinha amado uma vez.. Sabia na verdade que já não amava Colette. É encantadora. mas de triunfo ao notar outra singela verdade que. ao sentir sua mão lhe apertando o pescoço.prazer. minha senhora.. tinhase negado a ver. até a morte parecia tentadora. Está. Mas a vida o chamava como a lua chama o mar. antes de chegar às portas do recinto. Levou os dedos brandamente sobre a carne acima de seus seios. Colette. Ao reconhecer o exuberante. os olhos de Colette se abriram com temor. enquanto movia a mão sobre a curva de seu pescoço. mas luxúria selvagem é algo que nunca me fez sentir. ao inalar seu aroma.

Atraído por ela. Brand sacudiu a cabeça. pensando em sua esposa. Estudou a elegância de seus dedos quando ela levou a taça aos seus lábios. Não conhece sua própria força. — Solte. momentos antes de seu amigo levantar-se. preso no humor cáustico. Uma careta zombeteira ampliou o sorriso do duque.me. William deu um passo para trás e o segurou pelos ombros. Seu coração desejava viver novamente. O sorriso que agraciava o rosto de sua esposa era real. Os olhos de Brynna. seus olhos a encontraram. No instante em que Brand entrou no concorrido salão. De saborear o vento no rosto enquanto seu cavalo galopava como um trovão pelos campos cheios de cores tão brilhantes como. Brynna levantou seu olhar brincalhão para seu marido e sorriu. — E agradecemos por nos agraciar com sua presença. com os braços. o modo como as chamas que saltavam na lareira corriam como raios de sol por seu cabelo solto. e mais esplêndido para ele que as assombrosas costas da Normandia. — Nosso guerreiro finalmente despertou de seu sono! — gritou alegremente William. sem perceber quanta verdade havia em suas palavras. sentir a paixão de voltar a sorrir. quando ele se aproximou.. Rodeou Brand em um abraço tão estreito que por um momento o deixou sem fôlego.conseguido. aberto. meu senhor — disse. Brand deu um passo em direção à mesa. sorrindo de forma maliciosa. seus olhos pousaram sobre o rosto de sua esposa — Desci com um apetite voraz — adicionou com voz rouca. — Não dormiu muito. Brand sorriu. poderoso senhor de Avarloch — interrompeu William antes que Brynna tivesse a oportunidade de ruborizar. E agora sabia por onde começar. — Sonhei com fogo e campos tão verdes que queria deleitar-me em sua beleza para sempre — enquanto Brand falava.. degenerado. como se resplandecesse por dentro. Deteve-se simplesmente para observá-la sentada à mesa com William e Dante. 249 .

Falaremos mais tarde. William grunhiu exasperado. ao notar uma faísca de felicidade nos olhos de Brand que tinha pensado que nunca mais veria. — Estou esgotado pela viagem. levantando contrariada uma sobrancelha.. Quase nem se importava com 250 . sentada ao lado de Dante. antes de bater nas costas de Brand. Mais tarde. — Non. — A mais refinada horda de selvagens que já puseram os pé em Avarloch! O salão tomou vida com as risadas e gritos dos homens de William e Brand. — Filhos? — repetiu Brynna. — Normandos! — Sim — disse Alysia. tantos quantos tivermos forças para fazer. o duque se levantou de sua cadeira. Desfrute do resto do dia. Do outro lado. — Ela nunca poderá te amar. empurrou para o lado o tosco duque e tomou a mão de Brynna. Depois. Brand não queria que nada mudasse seu bom humor nesse dia..— Oui. suas bochechas tomaram um forte tom carmesim quando Brand a olhou e ela viu seu sorriso tomado pela a emoção. de qualquer modo. com voz rouca —. Ela nunca poderá me amar enquanto você estiver vivo. — Então não voltará comigo para Graycliff? — preguntou a seu irmão com um sorriso ladino. — Senti saudades — o roçar dos lábios de seu marido na palma da mão fez com que a jovem se movesse em sua cadeira. assim ignorou a névoa que cobria os olhos de William. Brand se sentou na cadeira que Dante tinha ocupado. mas a conheço. Seu irmão estava muito feliz de poder agradá-lo. é muito peludo. esticando-se tanto que parecia chegar até o teto. — Brand piscou um olho para sua esposa. quando tudo o que restava do festim matinal eram miolos e taças vazias. Levantou sua taça para todos. Sem soltá-la. Meus filhos viverão em Avarloch. e de sua esposa. — Muitos filhos — disse ele.

e Brand observou a imagem de sua esposa. Brynna — olhoua profundamente — O que sentia por Colette é uma lembrança que se desvanece a cada dia que passa. com a preocupação marcada no semblante.a fora de Avarloch antes que caísse a noite. Era um raio de sol contra seu coração. para preparar um local suave para o potro. Queria. de um modo que não deixou lugar para dúvidas. Traçou o contorno de seus lábios com a ponta do dedo. anunciando a promessa de um inverno brutal.o que seu amigo tinha descoberto. marido? Seus dedos fortes se fecharam ao redor das mãos delicadas. enquanto se ajoelhava junto à cabeça da égua e a acariciava brandamente. temendo respirar. um raio de esperança. 251 . Capítulo 22 O vento nórdico uivava sobre os campos que agora pertenciam a Lorde Brand Risande. a vida que emergia da égua prenhe. Brand e Peter estavam ajoelhados no espesso feno esperando. em sua busca por saber a verdade sobre Colette. — Parece mais agitada que as outras. afofando o feno com os dedos. como que desafiando essa promessa. — Oui. tranqüilizadora. quando deram a luz — informou Brynna a seu marido. não se esforce tanto — a voz de Brand era baixa. — Tranqüila. sei — disse Brand — Mas não precisa preocupar-se. — De verdade? — perguntou Brynna. — Deitou-se ao pôr do sol — disse Peter sem fôlego. — De verdade — respondeu e a beijou. Para prová-lo. — Sabe por que William cavalgou até Canterbury. a primeira geada aderia ao telhado do estábulo onde Brynna.

e nenhuma promessa se romperá jamais em Avarloch. Acredito que necessitará de ajuda.. — Está vindo. e o efeito que tinha em sua égua era assombroso. sentada ao seu lado. prometeu-me que me deixaria montá-la quando chegasse a primavera. antes de retornar à égua castanha que acariciava tão delicadamente. Ficará bem — sua mão nunca abandonou à égua. Brynna o escutava. — Brynna? Pelo suave sorriso no rosto de seu marido. A égua chutou e tentou ficar de pé novamente. tranqüilo. ou pela tortura da vida que vai chegar. — Já fez isto antes. não pode deter a vida quando decide vir. Tentou ficar de pé com as patas dianteiras. Os movimentos ascendentes e descendentes do ventre inchado da égua pareciam seguir o ritmo gentil de sua voz. Não importa quanto lute. Brand! — gritou Brynna. De repente. magnífico. não é? — Sim. Peter. Brynna observou seu marido na luz dourada das velas. fique por aqui. — É uma boa égua — sussurrou—. sei o que digo. nem se alterou o tom com o qual falava —. a égua levantou a cabeça. Mas não muito perto de suas patas. virá.. Sorriu e ergueu o olhar para sua jovem esposa por um momento. 252 . — Deixe que seu potro chegue bela dama — sussurrou o guerreiro perto da orelha da égua —.— Non — sussurrou Brand com segurança. enfeitiçada pelos cachos negros que caíam sobre as sobrancelhas. — Bem. então deve colocar-se atrás dela. a melhor que vi em minha vida. quando a adulava. Uma poderosa pata traseira quase golpeou Brynna. Suas patas são poderosas e rápidas e sua vontade de ferro não pode ser derrotada pelo frio ou o calor intenso. Confie em mim — acrescentou com um suave murmúrio —. percebeu que ele a tinha chamado mais de uma vez. tranqüilizada por sua calma. Estava sereno. muitas vezes. sacudindo a cabeça—. ela é forte.

que saía por entre as patas da égua. O animal se acalmou de novo e o potro deslizou até quase chegar à Brynna. — O que aconteceu. Brynna! — gritou. Aproximando-se de Brand. enquanto o coração saltava dentro do peito. vem vindo! A égua tragou. seu sorriso. comigo. apaixonadamente. Satisfeitos de que a égua e seu potro estivessem bem. A diminuta criatura tentou 253 . Brynna acariciou a boca de Brand com os dedos. Brynna tomou o rosto de seu marido entre as mãos e o beijou. — Tem sede. meu amor? Ele queria lhe dizer. — Brand. esquecendo o homem que a tinha tranqüilizado com tanta ternura e cuidado. — Afaste-se de suas patas. assim afastou o olhar e sorriu ao potro. mais medo que da morte em sí... voltou a falar com a égua com amabilidade. era suficiente para querer dar a vida por ela? Já tinha feito isso e tinha sido pior que sofrer uma morte lenta no campo de batalha. Peter saiu em silêncio do estábulo. — Estarei — prometeu ele. A moça viu a mancha branca na cabeça do potro. Não podia dizer que tinha medo de tal morte. Brand levantou gentilmente a cabeça da égua e a colocou sobre seu colo. — Um momento.Brand amaldiçoou em voz alta. entre mais maldições. — Quando nascer nosso bebê quero você ali. seu rosto se tornou de um doentio tom de branco. Seus olhos percorreram cada centímetro de seu rosto e suspirou profundamente. acalmando o maciço corpo da égua com suavidade. dizer o que? Que alguma vez queria ficar sem ela? Que só de ver seu rosto. Falou em voz tão baixa que Brynna não podia ouvir o que dizia. fazendo dançar os músculos de seu pescoço grosso enquanto sua língua saía em busca de água. A égua ficou de pé. Vendo que sua esposa não tinha se machucado. Brynna.

— É magnífico — concordou a jovem. em voz baixa. Brand — prometeu —. brandamente. — Ajudarei você a confiar de novo. desfrutando que ela o amasse tanto.equilibrar-se sobre suas trêmulas patas. Tinha escutado a voz maravilhada de seu marido e olhou seu perfil forte. e recuperarei seu coração e te amarei. — acariciou o cabelo com suavidade — Nem sequer sabia se queria recuperar a vida. ele suspirou. e quando piscou. correram por suas bochechas e caíram sobre os dedos dele. a aproximou e lambeu. e deixei que tudo escapasse. enquanto sua mãe o limpava. como se a lembrança fosse muito difícil de suportar —. 254 . até que já não possa mais suportar. As lágrimas esperavam nos cílios da jovem. Brynna. saborear cada momento como o mais refinado bocado — ela assentiu comprensivamente. antes de recostála sobre o feno fresco. Atraiu sua esposa para ele e a abraçou. delineado contra a luz das velas. Estava acostumado a desfrutá-la.. sua boca. Sua única resposta foi um sorriso mais ardente que o fogo. — A vida também te torna amoroso? — sorriu sua esposa. até deixá-lo de um tom castanho. quando retornaram caminhando do estábulo.. O castelo estava em silêncio. Brynna. Deixei que ela me tirasse a vida e não sabia como recuperá-la. Um leve resplendor que se infiltrava pela parte inferior das portas do local atraiu a atenção de Brand. — É belo — anunciou Brand ofegando. Até que te segurei em meus braços. — Um pequeno e débil potro pode assombrar tanto a um guerreiro? Por um momento Brand não respondeu. até que vi a luz em seus olhos. marés de emoção assolavam seu coração. É a vida que estranho. — É a vida. meio congelados. Ele simplesmente a olhou durante um momento.

Terminemos com isto. — Um gole. Em seguida. Seus olhos azuis brilhavam contra a luz da lareira. venha logo. — Não vem comigo? — Estarei lá em um momento. — Está bem. — Está bem — concedeu. mon ami. — Oui. por favor. tenuamente iluminado. William? O duque falou em voz baixa. Brynna não queria partir sem ele. prepare um banho para dois. levantando sua taça. disse: — Mentiu para mim — foi uma certeza. — Ela me enganou outra vez.. Ele assentiu e observou sua lenta subida pelas sinuosas escadas. porque já não podia esperar. antes de deitar-se. Sentou-se em uma cadeira forrada de veludo com encosto alto — Diga-me. — Como está a égua? — perguntou o duque. Brand sacudiu a cabeça. Esperou até que desapareceu. Podia ver a preocupação no rosto de William e a dor que causava ao duque normando contar o que tinha descoberto. 255 . assim posso libertar Avarloch dela e voltar para minha esposa. embora não de amor —. antes de dirigir-se ao local onde sabia que William o esperava. quando Brand entrou no aposento. confiando em sua promessa de fidelidade. como seu potro.. então? — Oui. — Ficou acordado para me esperar.— Brynna — tomou-a em seus braços —. — desabotoou a capa e a lançou sobre uma cadeira próxima. O duque aspirou profundamente antes de começar. Vou te lavar com muito esmero — prometeu com um sorriso luxurioso antes de beijá-la. — Não tem importância — assegurou Brand tranqüilamente ao seu melhor amigo. primeiro? — ofereceu. Perguntava-se se não era Colette que queria ver.

mas sua única resposta foi que o rei Eduardo tinha informado que eu tinha retornado a Normandia — os olhos do velho guerreiro se entrecerraram até que só se viam duas finas linhas —. já que todo mundo na Inglaterra. a não ser que. intranqüilo —. Perguntei-me por que o rei consideraria tão importante contatar de Marson sobre meu paradeiro. mentiu. deve ter informado a De Marson que tinha retornado a Normandia — Brand. — Mas ele tinha medo. — Isso foi o que perguntei. somente surpreendeu-me e atiçou minha curiosidade. Tremia. então o pressionei ainda mais. Mas ninguém sabia que não tinha partido quando o rei se foi. — Por que teria medo de você. imóvel. William? Conhece você o suficiente para saber que não lhe faria mal. incidente com um cavalheiro local em Canterbury. O sorriso do duque era inexpressivo. — Encontrei-me com Lorde de Marson em Canterbury — continuou William —. non? — Não esperou a resposta de Brand. sabiam que vinha para cá. Aparentemente Lady Colette estava residindo no palácio do rei devido a um. Estava aterrorizado de verdade. tinha um medo terrível quando me viu. Os olhos de Brand ardiam como o fogo incandescente.. para falar a verdade.. Brand. era por sua culpa que ele me temia.. Brand. — Sua maciça figura delineava-se contra as faiscantes chamas enquanto inclinava-se na cadeira — Não há modo de dizer o que vou dizer de uma maneira simples. que era casado. enquanto considerava o que William lhe contava. Não há tal prometido. E como suspeitava.. — Temo que desta vez te traiu de uma forma muito pior que antes. nem selvagem nem de nenhum outro tipo. 256 . e William continuou. seus dedos golpeando contra o braço da cadeira. De todos os modos. nem ninguém que queira te poupar de mais dor que eu — suspirou e olhou dentro de sua taça.— Oui. não disse nenhuma palavra. E dado que Eduardo não estava aqui para me ver partir. Brand permaneceu em silêncio. incluindo lorde de Marson.

homem! — aproximou-se de Brand e se inclinou sobre sua cadeira.A voz do duque se perdeu. enquanto Brand digeria as palavras de William. afirmou: — Sua traição se estende muito além do que fez a Richard.. uma vez que Colette chegasse aqui. — Há uma conspiração contra você... encontrou um melhor uso para a moça.. Marson ficou tão 257 . Do mesmo modo que houve contra Richard. Seus olhos tão ardentes como o enxofre. quero que saiba que já me encarreguei deste assunto. não suportando mais ficar confinado em sua cadeira. se não casasse com Brynna. Para Eduardo não importam as alianças. bebeu de um gole a cerveja e levantou-se. Por isso.? A guerra seria inevitável. mas abandoná-la por uma normanda. — Há mais. E já que você tinha deixado claro que talvez fizesse isso. Brand. — Por quê? — Pensa. de qualquer forma. Ameaçaram recuperar Avarloch pela força.. Mas quando Eduardo retornou. William levou a taça aos lábios. com um brilho prateado nos olhos mais afiados do que qualquer espada —. olhavam fixamente o fogo da lareira. E não haveria ninguém aqui para te ajudar. Brand — acrescentou aflito. você abandonasse Brynna. — Conte-me.. mas os olhos de Brand disseram a William que não estava aborrecido com a mulher que certa vez tinha sido sua prometida. Os saxões nunca aceitariam que trouxesse uma normanda para Avarloch. Brand. com a bênção de seu pai. — Prometeram-lhe terras e casamento com um dos cavalheiros mais ricos de Eduardo. Esperava que. como acredita o Conselho dos witan. liderada por Eduardo e Harold e levada a cabo por Colette. Colette foi enviada a Winchester para servir à rainha. Sua tarefa era vir aqui e afastá-lo de Brynna. — deixou que a idéia deslizasse para Brand e com um gesto de sua enorme mão. Colocou uma mão no ombro de seu amigo — Eduardo sabia que a rameira loira era sua debilidade. ami — disse lamentando-se —. William. com a esperança de melhorar sua vida. Você não é nenhum favorito do rei. quando Brand sorriu.

nem olhou para William enquanto falava. Harold de Wessex assegurou ao rei sua ajuda. se eu me erguesse contra ele. caminhando nas pontas dos pés até as portas onde Brand 258 . William exalou um forte suspiro e retornou à mesa para procurar mais cerveja. e Colette. William? — perguntou. O tosco duque levou uma de suas mãos ao rosto de Brynna. a consternação em seus olhos. — Enviei um mensageiro a Eduardo. ao ver que eu continuava na Inglaterra — William se afastou da cadeira de Brand com um sorriso orgulhoso — Com você morto. sem desejar. E quando o fez. Do alto das escadas viu William sair de seus aposentos. como se um frio ártico exigisse entrar em Avarloch. Assim como vê. esperando Brand. E logo.apavorado. bela Brynna. Eduardo reclamaria Avarloch. realmente.. o duque imaginou se não seria seu cavalheiro preferido que estava provocando a tormenta invernal.. Brand permaneceu paralisado em sua cadeira. — Traga-me Colette. Em silêncio. brandamente. — Vá para a cama. O duque subiu os degraus lentamente olhando para Brynna todo o tempo. A jovem assentiu. Brand não piscou. O vento uivava e gemia golpeando contra as janelas. Finalmente. saber a resposta. Cruzou os braços contra o peito. mas ela podia ver. logo a tormenta desabaria. disposta a vê-lo morrer. Sorriu. cortarei a cabeça de seu precioso Harold. informando que sei de tudo e que se um fio de seu cabelo for sequer tocado. desceu as escadas. O único som no grande salão vinha de fora. levantouse e saiu do quarto. Parecia mais atormentado que Brand quando chegou em Avarloch. o plano era quase infalível. digerindo tudo o que William havia dito. Brynna olhava fixamente o vapor que se elevava da tina em frente da sua cama.. até na penumbra. Uma conspiração para livrar—se dele. — O que aconteceu. mas não se moveu de seu lugar. Ele estará contigo em um momento. enquanto o duque percorria o longo corredor em direção ao quarto de Colette..

Voltou-se para olhar para ele. — Volte para a cama. sua boca em uma fina linha de ódio e de fúria? — Meu amor? — sussurrou ela. Brynna. seu tom era suave —. exceto pelos dedos que agarravam e soltavam os braços de sua cadeira. A voz de William atrás dela a sobressaltou e quase a faz cambalear. Brynna — ordenou William gentilmente —. Brand estava sentado em frente ao fogo. Que novidades havia trazido William que tinham transformado os olhos de Brand em espadas em chamas. No momento em que o duque libertou Colette. tranqüilo —. por favor. Brynna observou seu marido com uma preocupação que misturava-se em seu interior. não é verdade. Segurava Colette por um cotovelo. — Ela fica. Will — o som da voz de Brand fez com que Brynna se voltasse para ele. William. Aproximou-se de onde ele estava sentado. sabe que sempre me odiou. — Ainda acha que sou um selvagem sem coração. ela correu para Brand e caiu aos seus pés. — Por favor.esperava. volte para seu quarto. mas Brand a deteve com o olhar. — O que está acontecendo? — exigiu. Algo estava terrivelmente errado. como o amargo fel. é um homem de grande sabedoria e nunca foi tão imbecil quanto eu. A visão da cabeleira de Colette enroscada ao redor dos pés de seu marido. — O que quer que tenha dito sobre mim. Feche a porta. observando as chamas que se refletiam em seus olhos. esposa? 259 . Não se movia. meu senhor! — disse em um lamento lacerante —. Deu outro passo para frente. — Brand? Não respondeu. — Oui — disse Brand. Um frio gelado lambeu suas costas ao abrir levemente as portas e um pressentimento arrepiou-lhe. Apesar de sua ira quase tangível. No silêncio. enfureceu Brynna. enquanto ela se retorcia.

Como se fosse impulsionado pela incomensurável força do amor de Brynna. Sua fúria se desvaneceu. morrerei antes de deixá-lo partir. Pede meu amor? — seus olhos a devoraram.. como se fossem suas próprias emoções que estivessem sendo arrancadas. Não teria que cortar essa língua mentirosa? Farei o que você disser. tão aberto que até William viu e sufocou um tenso soluço. A luz da lareira que dançava em seu olhar refletia algo tão terno. marido. Brand fixou os olhos em sua esposa. Recorde isso como uma honra que concedeu a um coração ingrato e nada mais.. Deveria matála e terminar com tudo? — Não — Brynna engoliu as lágrimas ao ver a emoção que rugia dentro do homem que amava. amo 260 . já é teu. Aproximou-se de sua esposa com dois grandes passos. que continuava ajoelhada no chão. enquanto os soluços de Colette se tornavam mais fortes. seu fôlego estava entrecortado de emoção —. — Brynna não respondeu. Brynna — disse. — Tentei lutar contra a que estava sentindo por você. Brand. brandamente. — Confio que tratará meu coração com ternura. quando seus olhos se encontraram. — Ela é o demônio que tem me atormentado — seu marido continuava olhando para Colette —. tomou o rosto entre as mãos e o aproximou do seu.— Não. Brynna — disse Brand. Porque protegerei você com minha vida. E se alguma vez o possuir. mas conteve o fôlego. mas Colette de Marson conspirou contra minha vida. É um tesouro precioso pelo qual eu luto. Ali estava sua fantasia. a emoção que ardia como um fogo selvagem dentro dele. Baixou o olhar para a mulher caída a seus pés —. amou-a certa vez. Ela deu um passo para frente. como se tentasse convencê-la. Todas as riquezas do mundo não podem comparar-se. — Não sabe o que pode fazer de sua vida entregar o coração. Brand ficou de pé e caminhou ao redor de Colette. mas você lutou com mais força que eu. Em realidade. retornando da morte —. meu amor — Brynna derreteu-se diante do modo como a olhou. — Não sou um desalmado. Na verdade. Vi como ama.

Dando três passos gigantescos para a mulher que o olhava indignada.. minha querida. Atrás deles William deu um forte suspiro de alívio. — Duvido — respondeu.você. Quando Brand se afastou levemente de sua esposa. — Mas está gelado lá fora. enquanto seu cavalheiro preferido beijava a sua amada. amo você — inclinou-se para ela e capturou sua boca. 261 . — Meu pai vai matar você — alfinetou Colette. mas quero que saia de Avarloch esta noite. Brand assentiu. — A vitória enfim — esperou. puxoua pelo cotovelo. — Minha esposa salvou sua vida. com um negro desprezo em seus olhos. com um puxão. Reúna seus homens e seus cavalos e que Deus decida seu destino Colette levantou-se do chão e o olhou fixamente. Brynna. — Como disse.. que Deus decida. o duque normando enquanto a arrastava para fora da sala — quando o deixei. eu não sou tão misericordioso quanto Lorde Brand de Avarloch. — Sem outra palavra nem olhar em sua direção. — Venha rameira — ordenou William. guiou Brynna para a porta do aposento. venenosa. antes de limpar a garganta. estava apresentando-se ao Criador — baixou os olhos agudos para ela — Verá. o duque fez um gesto para Colette com o queixo — O que se deve fazer com ela? Ainda segurando Brynna em seus braços. oui. aturdida e incrédula. Brand voltou-se para olhar Colette. com sarcasmo. com todo meu coração. Ou como sua esposa.

O contato lhe arrancou um leve gemido enquanto dormia que fez com que quisesse despertá-la e voltar a fazer o amor. na noite anterior. Ele suspirou. 262 . para não perturbar seu sono sereno. Aproximou-a mais e sentiu seu corpo esticar-se. Abraçou-a mais forte e finalmente adormeceu. levantou os dedos e traçou o suave contorno de seu ombro. Tinha jurado nunca mais transformar-se em um tolo por amor. Era uma paixão mais intensa que qualquer outra que tinha conhecido. meu amor. Com Brynna aconchegada contra a curva de seu corpo. acariciando seu cabelo. Por Deus. só felicidade. Embora sentisse frio açoitando Avarloch. — Brand? — sussurrou meio adormecida. desceu por seu braço e pela redondez de suas nádegas. abraçando-a. — E Brynna voltou a respirar calmamente. quando ela se acomodou em seu abraço. recordando a paixão em seus olhos quando fazia o amor. Mas ele a silenciou com seus beijos.Capítulo 23 Brand não podia dormir. mas só um tolo poderia resistir a esta mulher incrível. num sono tranqüilo. pensando como facilmente tinha derrubado suas defesas. como a amava! Não havia temor nele. e beijando-a delicadamente para não voltar a despertá-la. Vestiu-se em silêncio. Dando-lhe um beijo nos lábios entreabertos. a luz do sol que se derramava dentro do quarto a impulsionou a começar o dia. Sorriu ao observá-lo. Brand ficou acordado até a saída do sol. Brynna despertou pouco depois de Brand adormecer. deixou o calor dos braços de seu marido. enquanto se escovava o cabelo. — Durma.

quando ergueu o olhar bem a tempo para evitar se chocar contra o peito de Dante. e Brynna se entregou à luxúria dessa lembrança. quando ele o ofereceu. Ela também sentiria saudades. — Aonde vai? — perguntou sonolento. procurando-a. belle. Ela piscou ao olhá—lo. Brand não podia manter os olhos abertos. — E seus pais? — Brynna perguntou. Brynna sorriu ante a negra cortina de cílios que se curvavam levemente. quando ele voltou com uma capa cor de anil presa ao redor de seus largos ombros e um sorriso divertido desenhado em seu belo semblante. — Katherine tem treze anos. — Bonjour.Tinha entregue seu coração tão completamente como seu corpo. Espere que procure minha capa e irei contigo. Trouxe-a para a Inglaterra comigo faz quatro anos. — Nem sequer sabia que tinha uma irmã. e tomou o braço. — Minha irmã — o sorriso de Dante manteve-se intacto. Por mais que se esforçasse. — Não demore. 263 . Desapareceu pelo corredor e Brynna o observou. com uma alegria exuberante que fez Dante sorrir. Brand moveu-se na cama. Sua natureza tranqüila e seus despreocupados sorrisos faziam com que até os dias mais sombrios parecessem mais luminosos. Aonde vai com tanta pressa? — Ver meu potro. percebeu. momentos depois. — Descanse marido — dirigiu-se para ele e fechou seus olhos com beijos. — Ao estábulo para ver o potro. passou por cima de Sussurro e saiu do quarto. — E o que existe no castelo de Graycliff que te leva a nos abandonar? — preguntou bruscamente. apesar da pergunta inesperada de Brynna. pensando como Alysia ficaria triste quando ele partisse de Avarloch. Nasceu ontem à noite — explicou ela. enquanto desciam as escadas. — Ainda não o vi. Estava amarrando os laços da capa. antes de poder deter suas palavras.

já não estava mais. — Non — Dante sacudiu a cabeça e exibiu sua covinha para Rebecca quando ela o saudou. Abriu a porta do estábulo. — suas palavras se perderam no uivo de uma feroz rajada. Estremeceu pelo frio intenso. mas suas palavras se perderam no vento. Dante voltou—se para dar um sorriso zombador. tão surpresa que não podia nem gritar. enquanto o rangente gelo golpeava a capa de Dante. notando o pouco que sabia da vida de seu marido — Você e Brand devem sentir muita saudade de seus pais.. Abriu as pesadas portas e uma rajada de vento soprou o cabelo de Brynna afastando-o de seu rosto. como se estivesse rodeada por redemoinhos de vento.— Minha mãe deixou esta terra ao dar a luz à Katherine. quando tinha sete anos. do que com o patife encantador que era. mas lembrou-se do sorriso sensual nos lábios de Dante quando viu Rebecca. Foi uma gravidez tardia e muito difícil. Disse algo sobre um corpo quente. Meu pai morreu a serviço do rei Felipe. Quase nunca víamos nossos pais. — Duvido que esteja mais quente aqui dentro — disse ao entrar. Caminharam até o estábulo. No instante seguinte. mas o cabelo negro que soprou em seu rosto o fez parecer mais como um perigoso guerreiro. E o brilho de uma adaga que se afundava em suas costas. com esforço contra o vento que lutava contra ela. do grande salão. Brynna adivinhou que falava de Alysia. E depois. levantando-a como asas cor anil.. 264 . lamento — bateu suavemente em seu braço e mordeu o lábio inferior. Enviaram-me três anos depois. antes que o corpo de Dante caísse no chão. — Certamente não tão quente como Alysia. — Oh. Brynna foi arrastada. Estava ali.. Brand foi enviado para servir William como seu pajem. — Você. com a mão —. ou o corpo de quem se referia antes —Brynna riu atrás dele. manchados de verde encontraram o olhar esmeralda de Brynna. Olhos cinzentos..

que corriam pelas escadas. O estábulo! Um novo horror iluminou os olhos de Brand. — Dante? — perguntou. Olhou por cima do ombro de Brand para a porta do quarto. Brand. — Encontraram-no no estábulo. para dar lugar à dor que pareceu invadi-lo por completo. havia fúria em seus olhos. mon ami — apressou-se a dizer. um de seus irmãos tinha sido atacado por um inimigo. lutando para clarear sua mente. O som correu por suas veias e alcançou sua garganta. já que o terror lhe era completamente desconhecido. onde um lamento intenso explodiu em seus lábios. Ao redor deles. Os cavalheiros davam ordens aos servos para que procurassem suas espadas. O terror percorreu o poderoso duque da Normandia. Mas William não escutava 265 . despertou Brand. num gesto de dor e quando olhou para Brand. William? — Brynna? — durante um instante. enquanto o pânico se apoderava dele e apertava seu coração. — Não está contigo? A cor abandonou o rosto de Brand. ao ver o horror e a incredulidade no rosto de Brand — O fio penetrou entre as omoplatas. William já estava à caminho do quarto de Brand. Vive. — Onde está Brynna? — agarrou a túnica de William. tinha uma adaga nas costas. quando jogou a cabeça para trás querendo gritar. A mente de Brand girava. quando os dois se encontraram no corredor lotado de homens de ambas as guarnições. enquanto as imagens de seu irmão enchiam seu pensamento.Momentos mais tarde. Sem amarrar as calças saiu correndo de seu quarto e entrou no caos que tinha descido sobre Avarloch. um grito que atravessou sua própria alma. com dedos frios e mortais —. O duque levou as maciças mãos ao rosto. Apertou seu coração de um modo que fez com que sua mente se rebelasse. Onde está. — É Dante —William chegou até seu amigo em dois grandes passos. não compreendeu o temor e o pânico de Brand. o povo corria de um lado para outro. mas está inconsciente e quase congelado.

Só disse a seus captores que seus destinos seriam piores que a morte mais desumana. o verdadeiro caráter de Colette se tornava tão transparente? — Não parece surpresa — Colette desceu de seu cavalo e fez um sinal a dois de seus homens. — Colette — sob a escuridão da venda. Brand? — quando Brand pronunciou suas próximas palavras. caminhando atrás dela. com os olhos vendados e quase congelada. O rosto e os braços sangravam pelos arranhões dos ramos. Não falou. Ou só por não poder ver seu rosto angelical.nada. empurrando-a para frente. — Não — disse alguém mais—. Eles riram. caiu sobre o chão frio. Sua doçura já não estava ali. o som que as seguiu foi um grunhido mais profundo e mais letal do que o suportável. o sorriso inocente que mascarava a verdadeira maldade de seu coração. enquanto os outros cavalgavam. este é um lugar tão bom quanto qualquer outro. nem gritou. 266 . Uma fúria negra mesclada com um temor inexprimível rodeava Brand. à medida que a empurravam mais e mais profundamente dentro do bosque. para emboscá-lo quando vier procurá-la. Vamos parar aqui. — Ela foi ao estábulo. Mãos ásperas se fecharam ao redor das mãos de Brynna. Brynna era guiada através do bosque. E a pálida máscara de temor que cobria seu rosto era suficiente para convencer William de que o terror que ele mesmo sentia era real. só ouvia o brutal batimento de seu coração. As mesmas mãos selvagens que tinham atacado Dante arrancaram sua capa. — Por que Brynna não está contigo? — a voz de William trovejou pelos corredores de Avarloch — Onde está. Brynna reconheceu a voz da mulher. — Levante se! — exigiu a voz de um homem. Horas mais tarde. quando já não conseguia mais suportar continuar andando sobre suas pernas exaustas. Não via ninguém além do homem que tinha em sua frente.

— Mas vamos congelar. ou me verei forçada a te matar antes que chegue Brand. Brynna prometeu arrancar os olhos de Colette. tirando a venda dos olhos de Brynna —. — Sabe. — Necessitamos uma fogueira — disse. Colette. — Matou Dante — disse. e não tínhamos tempo. enquanto era arrastada pelo chão frio. — Não. Precisaria mais que uma adaga para matá-lo. Colette — advertiu Brynna —. Os olhos de Brynna se acostumaram à luz que se infiltrava por entre as árvores e olhou indignada para a mulher. por fim. — Surpreendi Brand — Colette riu. afastando-se dela. e tiraram sua venda. assim que estivesse livre. envolta em uma capa negra. obrigada por me salvar a vida. algum rastro de emoção humana. 267 . venenosamente. Brynna estudou sua fria expressão. — Cuidado. Clyde só o feriu. Não havia. A dor era insuportável. não tinha idéia de meus planos até que o bastardo de William me delatou. Enquanto lutava com fúria contra as cordas que a imobilizavam. delataria nossa posição. conseguiram colocá-la de pé. seu doce sorriso tinha sido apagado pelo vento. querida.— Como pode me surpreender algo que faça Colette? — replicou Brynna. — Não — respondeu um dos homens —. já abusou o suficiente da misericórdia que tinha para te dar. minha senhora — disse Colette por cima do ombro —. — Diga-se de passagem. A angelical beleza tinha desaparecido dos olhos escuros e cheios de ódio de Colette. — Não se atreva a me ameaçar. quando. golpeando a bochecha machucada de Brynna. — Colette se moveu entre o círculo dos homens que a haviam escoltado até Avarloch. é quase feia à luz do dia. procurando algo. enquanto amarravam suas mãos com grossas cordas em uma árvore a suas costas. A mão se moveu como um látego. Mas sua captora só riu e deu meia volta. frente a essa besta que chama de marido.

— Põe a prova minha paciência. Por um instante. Ele riu. eu mesma a vi fazer isso. o que vamos fazer com ele. e com um sorriso tenso sentenciou: — Brand vai morrer. — É bela — murmurou —. Brynna o reconheceu: era Sir Jeffrey. Jeffrey — ameaçou Colette. – assegurou — Mas coloque uma mão em cima de mim e o que eu arrancarei será muito mais doloroso. sem voltar-se — Vejamos se seu fogo pode ser amordaçado. Brynna sorriu diante dos olhos marrons e ávidos de Jeffrey. Como você. — Ela não brinca. a jovem não pôde ler sua expressão. você gostaria de me usar? — Toque nela e arrancarei seu coração. e agora que Brand não está aqui para ver. na verdade. senhor cavalheiro — ronronou Colette —. com lástima.— Eu te manterei quente — a mão do homem se esticou para tocar uma mecha do cabelo loiro pálido que tinha caído do capuz negro. Ele levantou a mão para acariciar seu rosto.. 268 . enquanto um novo pensamento cruzava seu olhar — É uma lástima. Colette afastou sua mão. desdenha-te. A expressão de Colette era tão angelical quando Jeffrey finalmente olhou para ela. levantando-se da pedra sobre a qual estava sentada.— disse divertida encolhendo os pequenos ombros. Colette — disse. ferozmente. atrás de longas e espessas pestanas. que ele pareceu derreter-se frente aos olhos de Brynna. repreendendo-o em voz baixa. mas o ódio em seus olhos era tão ardente como o aço incandescente —. Aproximou-se e a olhou de cima abaixo. mas perdoarei você. — de repente. divertia-lhe o temperamento de Brynna. Sir Jeffrey não tinha tirado os olhos de cima de Brynna desde que tinha falado com ele. Colette voltou-se para Brynna. — Ela usou você para chegar a ele. se vier aqui e mostrar a ela a quem deseja.. seus olhos muito abertos destilavam fúria. Usou você. tenho afeto por ele. — Vamos desamarrá-la. na realidade. Ah. seu rosto suavizou—se. idiota — explicou Brynna.

A adaga apareceu só por um instante. — E a cabeça do duque William? — perguntou Clyde. — O que aconteceu em sua vida que fez com que sua alma se tornasse tão negra? — perguntou Brynna. Provocou-lhe só uma ferida superficial.. com mais lascívia. Farei isto eu mesma e a recompensa será só minha. mas já era tarde. a frustração refletida em seu rosto.Jeffrey. rameira — Um homem com a pele marcada de varíola e uma larga cicatriz cruzando um olho. Todos vocês podem retornar. se desejarem. saltou sobre um ramo caído para chegar ao seu lado. todos os rostos —. Se graças a alguma intervenção milagrosa. Clyde — a expressão vazia de Colette não tinha mudado. quando ele tentou beijá-la de novo.. mas o sangue que gotejava do rosto de seu amante fez com que seus olhos ardessem. com indignação —. quase sentindo pena da jovem mulher. Colette empunhou a adaga e cortou a bochecha de Jeffrey. ficou de pé e olhou Colette. ai. entre os dentes apertados —. nós podemos ferir o duque para que não possa lutar. com seu irado olhar. Jeffrey — disse. O plano só mudou um pouco. mas Brynna a viu. rogava que William o matasse quando invadisse a Inglaterra. Tudo o que o rei queria era a morte de Brand. exceto para revelar um tom de brincadeira oculto atrás de sua frustração —. conseguirmos matá-lo também. O sangue de Brynna congelou ao escutá-la. Colette era uma demente capaz de tudo. desabará a guerra sobre a Inglaterra. — Mais tarde. ou levarei sua cabeça ao rei Eduardo. — Nós. Não pensou nisso? Colette fechou os olhos. nem nos perseguir. 269 . só importa que sua cabeça role. e a terá. enquanto ele se inclinava para morder seu pescoço. — Cuidado onde crava a adaga. Tentou gritar... E Eduardo. apontando sua adaga para ela —. Para Eduardo não importa quem assassine Brand. Colette abriu os braços para recebê-lo e jogou a cabeça para trás. Não abra a boca. — Alguém riu e Colette percorreu.. — A única cabeça que levará ao rei será a de Brand. — Cale-se! — gritou. virtualmente. Já está morta.

enquanto se aproximava de Brynna — Amo o poder. serenamente. a cortaria com uma dentada. não pode trair um amor. vou vê-lo morrer. sua ira aparentemente esquecida surgindo uma vez mais. amo o poder que me dá o fato de não me importar com ninguém — sussurrou. É assim. não é mesmo. Brynna apertou os dentes com força. quando nem sequer sabe o que é o amor. Ela fechou os olhos e Colette se inclinou. Tendo escutado mais do que podia suportar. — Como pôde ter amado você algum dia? A única réplica da normanda foi um sorriso radiante. Seu sangue fervia. e se tivesse que moderar sua língua um instante mais. Capítulo 24 270 . A mulher piscou e os lábios de Brynna desenharam um fino sorriso —. é você que morrerá esta noite — a ameaça foi pronunciada com tão terrível convicção que Colette quase acreditou. — Silêncio! — voltou-se para o homem mais próximo—. — Não traiu Brand. — Não o matará — a voz de Brynna era um grunhido baixo —. A jovem sabia que tinha que se calar. — Odeia Brand porque não teve o poder para convencê-lo a retornar contigo — abriu os olhos e lançou um severo olhar esmeralda sobre Colette.Os olhos de Brynna ardiam. se ela sequer sussurrar. compreendendo agora aquela mulher —. — Ah. para beijá-la —. observando a folha enquanto traçava os contornos do pescoço de Brynna. Colette? — perguntou. mas eu sei — zombou Colette. — Não de todo — Colette se recompôs rapidamente. mas a mão que segurava a adaga caiu ao seu lado —. mate-a. não é? Ele foi o único homem que te derrotou. O poder que minha beleza exerce sobre os homens — segurou a ponta da adaga na garganta de Brynna e a deslizou sobre sua carne. mas a fúria se apoderou dela.

Não podia duvidar. William e Lorde Richard pelo bosque. quando o duque explicou que acreditava que tinham sido Colette de Marson e seus homens que tinham ferido Dante e seqüestrado Brynna. enquanto nos aproximamos. Só a presença de Caos e a ausência dos elmos e armaduras revelava que cavalgavam para uma caçada e não para uma batalha. e massacramos o resto. que ele estaria mais que feliz em acreditar. depois de matar Colette. até que todos os raptores de Brynna estivessem mortos. depois o manteremos calado. Não duvidava que a resgataria viva. estava de acordo com o plano. Brand estava de acordo. 271 . severos e poderosos. Sua mente bem treinada e tática raciocinou que Brynna tinha sido capturada por uma simples razão: fazer com que Brand a seguisse. Prosseguiu — levamos um cão para que nos ajude a encontrá-los. A geada caía das folhas murchas. se esta idéia tivesse sequer uma remota possibilidade de realizar-se. — Planejam te assassinar. mas Brand não sentia o frio sob sua capa negra. — Vou matá-los um por um — tinha prometido Brand. a fúria tinha acendido um fogo dentro dele que não seria extinto. Da distância se podia ver a fumaça elevando-se sobre a copa das árvores. — Resgatamos Brynna. A noite desceu mais cedo no bosque sobre os troncos pálidos que elevavam seus incontáveis ramos ao céu. só restaria afundar sua própria espada no coração.Quatro cavalheiros seguiram o trovejar dos cavalos de Brand. porque se o fizesse. com mortífera segurança. — Oui — assentiu William. Cavalgavam como guerreiros prontos para a batalha. O rosto de Brand se manteve frio e indecifrável. Não levaram muito tempo para encontrar o acampamento de Colette. Impulsionou seu cavalo com força e rapidez. inventar uma história qualquer para Eduardo sobre sua traição. A decisão de esperar o cair da noite e levar somente um dos cães tinha sido idéia de William. seus rostos refletiam uma impetuosa determinação. preparados para aniquilar seus inimigos com um só movimento de suas potentes espadas.

o modo como sua mão se fechava sobre a dela. Cada som de um animal correndo pelo bosque. De repente. E cairiam diretamente na armadilha de Colette. estariam congelados. impaciente. os cavaleiros. como uma besta enjaulada.— Idiotas — sorriu William. e as palavras que havia dito na noite anterior. Mas não podia evitar a lembrança de seus olhos. Se não tivessem feito. o brilho de seu sorriso genuíno. afastando o pânico que tomava conta de sua mente. desviava sua atenção de Brynna. que o seguiam de perto. Viria com seu pai e com William. — Estão ali — concordou Brand — Caos nos guiará — assinalou o galgo que tinha saído correndo na direção da fumaça. Colette caminhava de um lado para outro ao redor do fogo. de qualquer forma. quanto antes morrer. Está gelado. — Non — o duque normando sacudiu a cabeça. Por que não veio? Os olhos de Brynna procuraram entre as árvores. — Pode ser um truque — advertiu Lorde Richard. Talvez tivessem razão. retorcia as mãos sob a grossa lã de sua capa. tentando evitar que vissem suas lágrimas. O fogo o trará diretamente até nós. passou uma idéia por sua cabeça. Brynna fechou os olhos. com voz rouca ajustando a espada — Talvez não se importe se ela vive ou morre. Brand agitou as rédeas e cavalgou com William e os outros. voltando-se para o pai de Brynna — Tiveram que acender uma fogueira. Ele tinha assegurado que nunca importaria. Sem esperar seus companheiros.. grosseiramente. — Deixe aceso — Colette olhou-o com raiva —.. 272 . tentando vislumbrar qualquer sinal de movimento. mas se deteve para olhar. — Ele já teria que estar aqui. Talvez não importasse para Brand. uma maneira de salvar a todos os homens que amava. Escutei dizer que te amava. se chegar a vir. mais rápido poderemos retornar para Eduardo. — Escutei o bastardo dizer que não ama ninguém — disse Clyde. Viria procurá-la. quando a olhava.

assim é melhor que me mate agora mesmo e vá embora. — Esperaremos até o amanhecer. se algo acontecesse ao duque bastardo. Diria que Brand tinha assassinado sua esposa. quando se sentou em um grande tronco e começou a esculpir um ramo seco com a adaga. Ele não me ama. 273 . Não pode me amar. Na escuridão Brand voltou-se para William e assentiu com a cabeça.— Brand não virá me buscar. A alguns metros de distância. outra figura tão escura como a primeira ingressou na pequena clareira como um fantasma. o resultado seria o mesmo. com a capa e o capuz firmemente ajustado contra o corpo. — Fiz tudo o que pude. escondido atrás de densos arbustos de amoras e groselhas. Passou despercebido. Brand seria assassinado e o rei teria suas terras e ela. confundindo-se com as sombras e os homens da patrulha de Colette. Não virá. Logo. — Sabe por que William veio para cá? Para comunicar a Brand a ordem de que me tomasse como esposa — respondeu — Brand preferia começar outra batalha antes de casar-se comigo. mas não consegui que me amasse. e uma vez que a notícia chegasse aos nobres saxões. O duque colocou o capuz de sua capa negra sobre a cabeça e saiu dos arbustos. — As falsas lágrimas de Brynna arderam em sua pele e brilharam como a geada em suas bochechas. Nada tinha saído como o tinha planejado de qualquer forma. a mataremos e retornaremos ao rei Eduardo — disse Colette mal-humorada. Você o destruiu. arrastando-se em silêncio. Colette deteve-se em seu ir e vir e olhou para Brynna com os olhos entrecerrados. para proteger-se do frio. Jurou passar o resto de sua vida convencendo sua esposa de que a amava. e Clyde certamente tinha razão a respeito de William. Disse a William e a meu pai que nunca me amaria. Brand escutava o testemunho de Brynna e um tremor atravessou sua alma. Os normandos atacariam a Inglaterra. eu mesma escutei. Colette. Brynna sacudiu a cabeça. as suas. sabendo que Brynna provavelmente tivesse razão. Talvez o rei a recompensaria de qualquer modo. — Disse que te amava.

— Tenho o pressentimento de que entrarei dentro de ti muito comodamente — o olhar luxurioso de Clyde. William jogou a capa sobre os ombros.Com um grunhido digno de um animal selvagem. Clyde — Colette o olhou. refletindo sombras ao longo dos grossos troncos. antes de te matar. os capuzes foram jogados para trás revelando rostos que Colette tinha visto no castelo. e se me interromper tomarei também a ti. Passou um momento. até que a surpresa que imobilizou seus homens desapareceu de seus rostos. enquanto o bosque cobrava vida a seu redor —. mas ele deu um passo atrás. agarrando Brynna. — Tenho frio e necessito o calor de uma mulher — seus olhos se dirigiram para Brynna. então. Colette. voltou-se tão rapidamente que sua capa se elevou e estalou contra suas pernas. O tempo pareceu parar. enquanto observava o homem cair. Em segundos.. Sorriu —. Resplandeceu à luz da lua por um instante e desapareceu nas costas de Clyde. 274 . As chamas dançaram. incluindo o de Lorde Richard. — E talvez não faça — disse William secamente. que prazer ver você de novo. tenho frio agora — disse o cavalheiro de pele marcada. — Pode ser que ainda apareça.. e sobre os homens. Clyde ficou de pé ajustando a capa ao redor dos ombros. — Colette! Ma cher! — exclamou. com uma pálpebra caindo sobre sua pupila escura. enquanto o duque levantava seu olhar para Brynna. tomarei a ela. e na luz da fogueira. De repente. com raiva — Por que não espera e o obriga a observar? — Não. com uma careta zombadora —Talvez só faça você em pedaços. com uma explícita intenção fez Brynna tremer tanto que caiu de joelhos. Colette chutou a terra no fogo. com ironia. Atrás dele ergueu-se uma sombra. enquanto chocava o aço das espadas. Brynna observou os olhos de William que brilhavam com a excitação da batalha. o duque da Normandia puxou sua espada.

— Oui. Seus olhos resplandeciam na escuridão. O duque desatou os laços do pescoço e com um movimento da mão. não? — William parecia escandalizado. Havia uma ternura paternal no seu abraço. mas é um bastardo desumano. tão rápido. — Está ali. como um borrão pela velocidade com que lutava. No momento em que suas mãos estiveram livres. cortando o ar e derramando sangue em todas as direções.A arma do duque afundava com destreza e sem esforço no ventre dos atacantes que se aproximavam. teria sido belo de observar. pôs sua capa ao redor da jovem. Antes que sua vítima caísse no chão. — Dante está vivo? — Oui. — Onde está Brand? — perguntou Brynna quando a soltou. e voltou-se para a jovem. desumanos em sua destruição. limpava o sangue na capa do homem e voltava a embainhála com a mesma rapidez com que a tinha tirado. está. tão letal enquanto girava. Era tão seguro. está bem. jogou os braços ao redor de seu pescoço e se pendurou dele. e tanto alívio na profunda exalação que escapou de sua garganta que pareceu mais um grunhido do que um suspiro — Graças a Deus. — Sim — ela respirou profundamente. balançando sua pesada espada com ambas as mãos. Se sua fúria não tivesse sido tão aterradora. A espada de Brand brilhava grosseiramente ao descer. Quando o deixamos. — Está bem? — tirou uma adaga de sua bota esquerda e começou a cortar as cordas para libertá-la. É o que empunha a espada que derrama mais sangre. Brynna olhava seu marido lutar. mas seu sorriso contava uma história muito diferente sobre o que pensava de seu amigo preferido. como uma indomável paixão libertada. como órfãs carentes de amor. Merde. Assinalou para uma sombra que se movia. a mais bela de todas as mulheres — o tosco guerreiro normando fechou os olhos contra o cabelo acobreado de Brynna. três de suas donzelas estavam atendendoo. William retirava a espada. Estudou a pequena batalha com um sorriso satisfeito. E embora diante de um 275 .

A espada de Brand se ergueu como um trovão. — Solte-a e não te cortarei em pedaços — prometeu Brand ao seu captor. O terror consumiu completamente Brand ao ver o braço que rodeou o pescoço de sua esposa. Estava a centímetros de distância. A adaga brilhou sobre sua garganta. Ambas as mãos sustentavam o punho da arma. mas não consegui que me amasse”. enquanto Lorde Richard e outros se aproximavam. Abriu caminho até ela. Seus ombros tensos relaxaram como se somente vê-la o tornasse humano outra vez. Brynna. O atacante de Brynna sacudiu a cabeça. — E um cavalo e tempo para fugir ou a matarei em seguida — replicou seu atacante. sobre os corpos e ramos. que estava a ponto de montar em seu cavalo e fugir. seu olhar suavizou-se. sentia-se totalmente protegida da luta que tinha lugar ao seu redor e lançou ao duque um rápido e sardônico olhar de zombaria. Mas eu te amo. o pequeno campo de batalha. Só dois dos homens de Colette seguiam vivos e Lorde Richard os estava despachando rapidamente. A ponta de sua espada permanecia tão quieta que parecia ser uma ilusão. "Fiz tudo o que pude. Sua voz era baixa e mais letal que qualquer arma forjada a fogo. com orgulho. quando Brand desceu a espada e voltou seus olhos selvagens para sua esposa. — Você não teria que estar brigando junto com ele? — Mas se já não fica virtualmente ninguém contra quem brigar! — argüiu William mostrando. Atrás de sua enorme figura. ansiando tomá-la em seus braços e dizer que significava mais para ele do que a própria vida.inimigo ele fosse um pesadelo feito realidade. com um gesto. para Brynna era admirável e magnífico. William sorriu com malícia e saiu atrás dela. 276 . Seu coração gritava. lentamente. — Eu o treinei — disse William. Instantaneamente. Seus olhos a chamavam do outro lado da fogueira. quando uma figura saltou das árvores atrás de Brynna. Brynna assinalou Colette. por trás de Brand.

Brynna deixou que seu olhar percorresse o rosto de seu marido. sua espada voou como uma flecha lançada diretamente do arco. Brand acariciava seu cabelo. Não houve um sorriso quando falou. Estava recostada em seu colo. Um temor selvagem cruzou o rosto de seu atacante. — Desculpe-me por assustar você. Franziu o cenho. franzindo o cenho. Cada fibra do corpo de Brynna enfraqueceu.Silêncio. E. os olhos de Brand disseram o quanto a amava. A primeira coisa que Brynna sentiu quando despertou foi o calor do corpo de Brand. — Solte-a agora. brandamente. Falava de uma necessidade masculina de protegê-la. Ela abriu os olhos e ele baixou a cabeça e sorriu. mesmo ao passar por seus dentes apertados. Seus olhos ardiam como terríveis labaredas. revelava seu temor de perdê-la e sua transbordante felicidade por tê-la. com tal força que o cravou na árvores as suas costas. Seus olhos falavam. Elevando os dedos para sua áspera mandíbula. Com a velocidade de um raio que sobressaltou até Lorde Richard. Olhou para seu marido e desmaiou. não porque lhe pertencesse. — Que assim seja — pressionou mais forte a adaga sobre o delicado pescoço. O fio de minha espada jamais teria sequer te roçado — sussurrou. inundando-a com a paixão que ela tanto ansiava. como se fosse mais preciosa para ele do que o ar que respirava. na serenidade do momento que passou docemente entre eles. Brand — disse. ao voltar-se lentamente para ver quão perto o fio tinha passado ao seu lado. 277 . Cortou o ar. Brand só grunhiu. mas sim porque já não podia viver sem ela. — Sei que nunca teria deixado que me fizessem mal. assobiando a milímetros de distância do rosto de sua esposa e atravessou a garganta do atacante. Brand estava imóvel. só uma ira tão negra que cortava o ar. Com seu perfeito olhar. preparado para matá-la.

arrastando Colette com ele. ao mesmo tempo. Capítulo 25 William caminhava de um lado para outro da clareira. — Mas tenho feito mal. — Brand. com impaciência. Brynna — seus lábios eram a luz do sol e a escuridão. Nunca foi minha intenção. lançando a Brand um olhar selvagem — Não tocaram em um só fio de cabelo dela. Brynna. estou congelando! — gritou o duque normando. — Como diabos fará para sobreviver neste país se alguma vez o conquistar. — Merde. — Non — silenciou-a.. só me beije e deixe que te dê meu coração — traçou o contorno de seu sorriso com os lábios — Amo você. menino queixoso? 278 . Podemos ir agora? Brand riu e enquanto se aproximava de William falou o suficientemente alto para que seu amigo pudesse escutá-lo. até que ela sentiu o batimento de seu coração.O remorso cruzou seus olhos. enquanto esperava que Brynna terminasse de abraçar seu pai.. uma terna carícia e um anseio primitivo ao atraí-la para ele. inclinando seu rosto até o dela —.

que não fez nada para ocultar a admiração que sentia por sua esposa. não é? Os olhos da jovem brilharam com alegria. mas o jogo certamente será muito interessante. — Estou certa. Seu braço a rodeou.. enquanto seus olhos verdes cristalinos encontravam os de Colette —. — Pode levar um longo tempo para descobrir. por isso disse. "William. — Esperem! — William deu um gigantesco passo para detê-los. agora sim tenho pena de você. — Colette? — disse com um tremor—. 279 .William estava a ponto de responder. Dirigiu-lhe um sorriso selvagem e intensamente masculino ao considerar Colette de Marson de uma maneira totalmente nova. Colette foi conduzida e lançada sobre o cavalo do duque. o Conquistador". Oferecendo a William uma delicada reverência. com um sorriso novo e um orgulhoso movimento de seus ombros maciços disse — sabe. — Bem — respirou aliviado. danificada por nenhum destes bastardos? Brynna sorriu e beijou sua bochecha. Parece muito apropriado. — O que vão fazer comigo? Brynna reuniu-se com seu marido.. Brynna retirou-se da clareira com Brand. sabia que a única coisa que esta criatura ama é o poder que exerce sua beleza sobre os homens? — sem esperar a resposta de William. Brynna dirigiu um sorriso ameaçador a Colette — Que tipo de poder pensa que ela pode exercer sobre você"William o Conquistador"? William olhou-a. quando tomou a mão de Brynna — Está certa de que não foi. gritando e chutando. — Meu senhor — disse a William. meigamente. com malícia. Depois de um rápido gesto para um dos homens de Brand. — É obvio. cegamente. eu gosto de como me chamou antes. Os olhos de William falavam de um amor terno e profundo. quando Colette formulou um suave rogo. O olhar de Brynna percorreu o alto e largo corpo musculoso de William e seus severos olhos de aço.

Saltou sobre seu cavalo. não é? Brand assentiu. beijando-lhe o pescoço. Brynna se apertou ainda mais contra seus braços. Suspirando diante da calidez de seu fôlego e o tremor que percorreu as costas. — Rei? – zombou Brand. desfrutando de seu aroma e do som de seu nome em seus lábios — Há algo que quero fazer. sabendo que este homem seria seu amigo para sempre —. — Vamos para casa fazer alguns herdeiros — sussurrou no ouvido de Brynna. À direita. — Quero aprender a nadar. Queria levá-la para casa em Avarloch e começar uma vida juntos. No alto. Seus braços a rodearam. enquanto saíam da clareira. 280 . — Senhora. o lago brilhava como o cristal sob a luz e Brynna olhou-o enquanto recordava a fantasia pela qual se apaixonou. enquanto tomava as rédeas. meu rei — adicionou. ele tinha deveres muito mais importantes para atender. — Obrigado — disse sinceramente. refletindo sua luz prateada sobre a fina geada que cobria os ramos. com um sorriso — Acaso minha esposa sabe algo que o resto da Inglaterra ignora? — Non — disse o duque tão inocente como um menino — sempre disse à você que governarei a Inglaterra algum dia. o mundo é muito mais luminoso para mim. Brynna fechou os olhos e deixou que seus lábios afastassem o frio. — Brand? — Brand gemeu. — O que é? — perguntou. a lua descia no céu aveludado. enquanto aspirava seu aroma. com uma piscada travessa. — Nem sequer por um momento. desde que você está nele. quando chegar o verão. meu amor? — perguntou. — Duvidou que viesse te buscar.A gargalhada do duque lançou um eco pelo bosque sombrio e rodeou o pescoço de Brynna com um braço que quase a derruba no chão. perto de seu ouvido. desprezando o segredo que compartilhavam seu melhor amigo e sua esposa. — Podia sentir seu sorriso contra o pescoço e seu peito alargar-se atrás dela. Deixar que os nobres batalhassem pela terra.

Inglaterra – Outono de 1066 O vento era favorável e arrastava a tormenta para oeste. Seus olhos cinzentos percorreram o canal de onde seus navios já tinham zarpado de Hastings e onde seus normandos encontrariam-se com Dante e os quatrocentos soldados. — Parece um dia tão bom como qualquer outro. agora sob seu comando. por onde guiaria seu exército para a vitória. enquanto uma parte mais fina de metal protegia seu nariz. enquanto o som da trompeta de batalha anunciava o novo dia e uma numerosa cavalaria reunia-se na praia. O elmo esmagava a espessa cabeleira. preparada para a guerra.Epílogo Bahia de Pevensey. William estudava os montes distantes. 281 . A cavalo. O sol se elevava sobre o horizonte.

— Assim faremos. Assim faremos. William riu. voltando seu olhar ofegante para os campos e montes em frente a eles. podia ver na expressão de Brand como sentia seu aroma até ali. e finalmente voltou-se para olhá-lo. Para William pareceu como se seguisse para ela. Meu coração se detém cada vez que olho para ela. como os braços ávidos de uma amante. contigo — Brand voltou-se e sorriu. — Como está ela. por estes dias — recordou William.— Oui — ressoou a poderosa afirmação de seu cavalheiro mas leal. além de aqui. mas o viu tão apaixonado que lhe enfraqueceu o coração e já não conseguiu zombar. meu amigo. — Vamos. William. — Seu bebê está a ponto de chegar. que esperava ao seu lado. iluminou o rosto de Brand. Brand? 282 . — Então teremos que acabar rapidamente com o exército de Harold — um sorriso tão sinistro quanto os cuidadosos planos de William para tomar a Inglaterra. — É bom que o coração ame tão profundamente — disse o poderoso duque com toda seriedade. — Alegra-me que esteja aqui — disse William. olhando diretamente para a terra que se desdobrava frente a ele. entre milhares de cavalos enlameados e suados. como se Brynna pudesse escutar sua adulação — É perfeitamente formosa. William levantou uma sobrancelha sardonicamente. o que tenta dizer é que a ama — brincou. Brand? Como está minha querida Brynna? Seu severo olhar suavizou-se e um gentil sorriso substituiu a careta de Brand. — Então. William suspirou feliz. — A amo além de toda razão. — Ela é mais assombrosa que o mar — disse Brand com voz rouca. o duque ficou sério. seus olhos turquesa sob o prateado de seu elmo normando. — Não poderia estar em nenhum outro lugar. Ao pensar em sua guerreira de cabelos de fogo.

ao escutar a profunda risada de seu mais querido amigo atrás dele. — Falou com ela de Hastings antes de me dizer? É um bastardo. e em francês como Guillaume Le Conquérant ou Le Bâtard. seria deles. Normandia. meu senhor — respondeu o jovem guerreiro. quando seus olhos se encontraram. sob os cascos de seu cavalo.— Oui. ou Guillaume De Normandie. O duque estalou as rédeas com um poderoso movimento das mãos e o trovão lançou um eco. sem dúvida. A vitória. que se tornou duque da Normandia (1035) e respeitado como um os maiores 283 . William levantou a mão em um silencioso sinal que ordenava a seus homens para seguir. fixando seu ávido olhar na direção de Hastings. olhou uma vez mais ao homem que queria como um filho. — Por Brynna! — gritou. William o Conquistador! Fim NOTA: WILLIAM OU GUILHERME DA NORMANDIA Rei inglês (1066-1087). E um momento antes de levar seu cavalo a um galope rápido. levantando sua feroz espada normanda para o céu — Que esteve esperando minha vitória tão ansiosamente como eu esperei a sua! O vento fustigou o cabelo de William e golpeou contra seu rosto. ficou também conhecido como William o Bastardo ou William da Normandia. Sorriu. A paixão pela batalha corria tão feroz pelas veias de Brand que William quase podia senti-la e seu próprio olhar escuro refletiu o dele. nascido em Falaise. Ele levantou o semblante para o sol para desfrutá-lo enquanto cavalgava. por cima do ombro.

O exército de Henry I da França. do lado inglês. e por esse feito ficou conhecido na história como The Conqueror. Sussex. foi derrotado na Batalha de Mortemer (1054). tendo um tio como regente do ducado durante sua menor idade William. partiu para Londres e encontrou as tropas de Haroldo II em Senlac. A sangrenta batalha só terminou com o Rei Haroldo e seus irmãos mortos e um saldo de 1500 a 2000 guerreiros mortos do lado normando e outros tantos ou mais. Na época da invasão dele de Inglaterra. 7000 homens. preparou uma grande força de invasão. Liderou com sucesso uma rebelião dentro da própria Normandia (1047) liderada pelos nobreza favorável a submissão ao rei francês. seu antigo aliado. Pensando assim. Aos 15. foi reconhecido pela família dele como o herdeiro. era um chefe militar muito experimentado e temido. filha do Conde Baldwin V de Flanders. assim. com cerca de 600 navios. com a morte do pai (1035). com a morte de Eduardo e a coroação de Haroldo. dentro e fora da Normandia unificada. Haroldo II era então um usurpador. Ganhou ao reino inglês e foi coroado no dia de Natal na Abadia de Westminster. O confronto final foi uma das batalhas mais famosas da história inglesa: a Batalha de Hastings (1066). Hastings. de quem era um primo distante. incluindo 3000 de cavalaria e atravessou o Canal da Mancha e aportou em Pevensey e. Além disso.soldados da Idade Média. 284 . A sua reivindicação do trono inglês baseava-se na sua afirmação de que o casto Eduardo o Confessor. o sagrou cavaleiro. tinha lhe prometido o trono (1051) e que. na época. O Bastardo havia conquistado em poucos dias uma vitória que romanos. Filho ilegítimo do Duque Roberto I da Normandia e de Herleve ou Arlette. teve o apoio de Imperador Henry IV e a aprovação papal. Ele havia conquistado um país de um milhão e meio de habitantes e provavelmente o mais rico da Europa. saxões e dinamarqueses haviam lutado longa e duramente para alcançar. o Rei o Henry I da França. onde após derrotar as tropas de seu rival Haroldo II. filha de um curtidor de peles de Falaise. Seus sucessos e sua reputação o ajudaram a negociar o matrimônio dele a Mathilda.

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