CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E BIBLIOTECONOMIA

NOVOS CONTEÚDOS E ESPAÇOS DE ATUAÇÃO
Marlene de Oliveira Coordenadora Beatriz Valadares Cendón Eliany Alvarenga Araújo Francisca Rosalina Leite Mota Guilherme Atayde Dias Maria Eugênia Albino Andrade Belo Horizonte Editora UFMG 2005

Universidade Federal de Minas Gerais Reitora: Ana Lucia Almeida Gazzola Vice-Reitor: Marcos Borato Viana Pró-Reitoria de Graduação Pró-Reitora: Cristina H. R. Rocha Augustin Pró-Reitora Adjunta: Márcia Maria F. Pinto Av. Antônio Carlos, 6627 Reitoria 6° andar Campus Pampulha CEP31270-901 BH/MG Tel: (31) 3499-4054 / Fax: (31) 3499-4060 E-mail: info@prograd.ufmg.br Editora UFMG Diretor: Wander Melo Miranda Vice-Diretora: Heloisa Maria M. Starling Av. Antônio Carlos, 6627 – Ala Direita da Biblioteca Central – térreo Campus Pampulha – CEP 31270-901 – Belo Horizonte / MG Tel: (31) 3499-4650 / Fax: (31) 3499-4768 E-mail: editora@ufmg.br URL: http://www.editora.ufmg.br

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Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação / Beatriz Valadares Cendón... [et al]. ; Marlene de Oliveira Coordenadora. - Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005. 143 p. - (Coleção Didática) Inclui referências. ISBN: 85·7041-473-0 1. Ciência da Informação. 2. Biblioteconomia. I. Cendón, Beatriz Valadares. II. Oliveira, Marlene de. III. Série. CDD: 020 CDU: 02

Ficha catalográfica elaborada pela Central de Controle de Qualidade da Catalogação da Biblioteca Universitária

Este livro recebeu apoio financeiro da Pró-Reitoria de Graduação da UFMG.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .........................................................................................................................4 CAPÍTULO I - Origens e Evolução da Ciência da Informação.............................................6 CAPÍTULO II - A Produção de Conhecimentos e a Origem das Bibliotecas....................24 CAPÍTULO III - A Ciência da Informação no Brasil ............................................................36 CAPÍTULO IV - Sistemas e Redes de Informação ..............................................................50 CAPÍTULO V – Formação e Atuação Profissional..............................................................81 CAPÍTULO VI – A Atuação Profissional do Bibliotecário no Contexto da Sociedade Informação: os novos espaços de Informação..................................................................93 ANEXO A – Localização de Bibliotecas das Instituições Universitárias Federais e Estaduais.............................................................................................................................102 ANEXO B – Escolas de Biblioteconomia no Brasil..........................................................106 SOBRE OS AUTORES ........................................................................................................116

INTRODUÇÃO
A intenção deste livro é proporcionar aos iniciantes no estudo da Ciência da Informação e da Biblioteconomia alguns conhecimentos fundamentais, na opinião de alguns autores proeminentes na literatura da área. Para entender uma área ou tema é imprescindível o conhecimento da sua gênese, sua história, assim como das condições econômicas, sociais e culturais em que se desenvolveram. No Brasil, a Ciência da Informação e a Biblioteconomia trabalham em parceria desde a introdução da primeira na década de 1950, por bibliotecários. Foi um grande avanço naquela época trazer conceituações e técnicas para organizar e disseminar os registros de conhecimentos (documentos) existentes em bibliotecas e centros de documentação brasileiros. Vive-se hoje outro momento importante em que os documentos e outros registros de conhecimento migram para a era digital, fato que ao desencadear modificações nos conceitos da área conduz seus pesquisadores ao desafio de repensar a biblioteca, a localização e o acesso aos documentos. Na tentativa de contribuir com essa nova visão, foram escolhidos temas que agregam os entendimentos básicos das duas referidas disciplinas. O primeiro capítulo traz o entendimento de Ciência da Informação trabalhado pela UNESCO e adotado por consultores do CNPq. Explica também os paradigmas da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. O segundo capítulo traz uma visão geral dos diferentes tipos de conhecimento produzidos pela sociedade. Tais conhecimentos são organizados nas bibliotecas na forma de documentos. Foi realizado um breve relato sobre a história das bibliotecas no Brasil e os diferentes tipos de bibliotecas. Ao final, explicam-se as diferentes funções de uma biblioteca. O terceiro capítulo discorre sobre a introdução da Ciência da Informação no Brasil e os aspectos da sua dimensão científica, esta analisada segundo as seguintes categorias: Instituições de ensino e pesquisa; Recursos Humanos qualificados; Comunicação e intercâmbio científico. O quarto capítulo tem como temática os sistemas e redes de informação, Traça a história e os caminhos de desenvolvimento dos sistemas de recuperação da informação; descreve o desenvolvimento da indústria on-line e suas grandes bases de dados, os diversos tipos de sistemas de informação e formas de acesso e aborda as principais redes e sistemas

de informação no Brasil. O quinto capítulo inclui aspectos da formação do profissional de informação, na perspectiva de que o bibliotecário tem espaço privilegiado no exercício de todas as atividades ressaltadas. Explica o acesso à profissão, as habilidades necessárias, assim como alguns contextos de atuação profissional. O sexto capítulo apresenta uma reflexão sobre a função do bibliotecário na sociedade de informação e identifica serviços e produtos de informação no referido contexto. O conjunto de textos aqui organizados procura, de uma maneira geral, oferecer algumas conceituações fundamentais da Ciência da Informação e da Biblioteconomia. As questões abordadas, contudo, são introdutórias, dirigidas a iniciantes no campo de trabalho com informação, e não se esgotam aqui, mas abrem espaços para muitas reflexões.

CAPÍTULO I - Origens e Evolução da Ciência da Informação
Marlene de Oliveira Existe uma vasta literatura a respeito da fundamentação teórica que sustenta a Ciência da Informação, e quanto à origem desta, a qual reflete as diversas tentativas da comunidade da área de trazer a luz seus entendimentos sobre o que, propriamente, vem a ser Ciência da Informação, qual é o seu objeto de estudo (a informação) e quais as suas relações com outras disciplinas (interdisciplinaridade). 1.1 Antecedentes Sociais Assim como outros campos interdisciplinares (Ciência da Computação, Comunicação Social, Ecologia), a Ciência da Informação nasceu no bojo da revolução científica e técnica que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Para alguns autores, a história da Ciência da Informação sofreu influências marcantes de duas disciplinas, que contribuíram não só para sua gênese, mas, também, para seu desenvolvimento: a Documentação, que trouxe novas conceituações; e a Recuperação da Informação, que viabilizou o surgimento de sistemas automatizados de recuperação de informações. Alguns autores que consideram tais disciplinas como antecedentes da Ciência da Informação são Harmon (1971), Saracevic (1992) e Pinheiro (1997). A seguir, será apresentado um breve histórico ressaltando a importância de cada um desses pilares. 1.2 Documentação e Ciência da Informação Com a Revolução Industrial deflagrada em toda Europa e nos Estados Unidos, no final do século XIX, a quantidade de informações registradas cresceu de forma assustadora, e várias tentativas foram feitas para realizar um levantamento bibliográfico universal. A iniciativa mais importante foi assumida pelos advogados belgas Paul Otlet e Henri La Fontaine, que acreditavam poder solucionar o problema que era o de levar ao conhecimento de cientistas e interessados toda a literatura científica e todos os produtos do conhecimento gerados no mundo. Para isso, planejaram a criação de uma biblioteca universal a fim de divulgar, em fichas, os dados bibliográficos relativos a todos os documentos indexados. A

biblioteca universal seria de referência dos produtos e não de reunião de acervos. Para coordenar tais atividades foi criado o Instituto Internacional de Bibliografia (IIB), que começou a criar ferramentas para registrar, de forma sistemática e padronizada, as referências dos documentos. Uma das primeiras preocupações do IIB era a de desenvolver um sistema de classificação único, a ser adotado por todos na indexação dos documentos, uma vez que a biblioteca universal seria uma biblioteca de referências. Assim surgiu a Classificação Decimal Universal (CDU), que oferecia a possibilidade de tratar outros tipos de documento além do livro e de outros produtos impressos. Outro fato relevante foi a elaboração, por Paul Otlet, do conceito de documento, que passou a ser "o livro, a revista, o jornal, a peça de arquivo, a estampa, a fotografia, a medalha, a música, o disco, o filme e toda a parte documentária que precede ou sucede a emissão radiofônica. São amostras, espécimes, modelos fac-símiles e, de maneira geral, o que tenha caráter representativo, com três dimensões e, eventualmente, em movimento". Essa nova visão de registros de conhecimento modificou a atuação do IIB, que foi transformado, em 1931, em Instituto Internacional de Documentação (IID), já com a preocupação de fornecer meios de controle para os novos tipos de suporte do conhecimento. Em 1938, esse instituto foi transformado em Federação Internacional de Documentação FID, órgão máximo da área, que permanece atuante até hoje. O conceito de documento ampliou o campo de atuação dos profissionais da área ao ultrapassar os limites do espaço da biblioteca e agregar novas práticas de organização e novos serviços de documentação. Por isso, o Instituto Internacional de Bibliografia pode ser compreendido como acontecimento importante na gênese da Ciência da Informação, do qual brota a idéia de bibliografia como registro, memória do conhecimento científico, desvinculada dos organismos como arquivos e bibliotecas, e de acervos. A idéia de criação da Biblioteca Universal de Paul Otlet e Henri La Fontaine não foi implementada, mas a iniciativa deixou como legado, para os profissionais de informação, novos conceitos, como o de documento, de bibliografia e a Classificação Decimal Universal. 1.3 O Surgimento dos Sistemas Automatizados de Recuperação da Informação Outro pilar, considerado sustentáculo para o surgimento da Ciência da Informação, é a Recuperação da Informação. A situação após a Segunda Guerra despertou, notadamente nos países

desenvolvidos, um grande interesse pelas atividades de ciência e tecnologia, ocasionando um aumento considerável de conhecimentos. Este fenômeno, denominado como "explosão de informação" ou explosão de documentos, caracterizou-se por um crescimento exponencial de registros de conhecimento, particularmente em ciência e tecnologia. Tal fenômeno trazia em seu bojo um problema básico, que era a tarefa de tornar mais acessível um acervo crescente, proveniente daqueles registros. Novamente o problema de tornar acessíveis grandes massas de documentos, já levantado pelos iniciadores da Documentação, repete-se no surgimento da recuperação automatizada da informação. Em artigo publicado em 194511 um respeitado cientista do MIT (Massachussets Institute of Tecnology - USA), Vanevar Bush, chefe do esforço científico americano durante a Segunda Guerra Mundial, identificou e definiu o problema de tornar acessível o acervo crescente de conhecimentos e propôs uma solução. A proposta era a de usar as incipientes tecnologias de informação para combater tal problema. Ele chegou a propor uma máquina com capacidade de "associar idéias", que duplicaria os "processos mentais artificialmente". Na década de 1950, muitos cientistas, engenheiros e empreendedores começaram a trabalhar sobre o problema e na solução apontada por Bush. Com efeito, naquela época, o emprego do computador no tratamento e na recuperação da informação de maneira sistemática trouxe novas perspectivas para os serviços de biblioteca e de informação, notada mente, nas indústrias. O computador permite um comportamento mais preciso e racional no tratamento da informação, além de possibilitar a manipulação de grande massa de dados. O termo recuperação da informação foi cunhado por Mooers (1951) como um termo que "engloba os aspectos intelectuais da descrição de informações e suas especificidades para a busca, além de quaisquer sistemas, técnicas ou máquinas empregados para o desempenho da operação". A concepção de recuperação proposta por Mooers contém três perguntas básicas: • • • Como descrever intelectualmente a informação? Como especificar intelectualmente a busca? Que sistemas, técnicas ou máquinas devem ser empregados?

As atividades desenvolvidas no âmbito da temática "recuperação da informação" conduziram a estudos teóricos e conceituais sobre a natureza da informação; a estrutura do conhecimento e seus registros (incluindo a bibliometria); os estudos relativos ao uso e aos
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BUSH, As we may thing. Atlantic Monthly, p. 101-108, 1945.

usuários de informação; estudos do comportamento humano frente à informação a interação homem-computador, dentre outros. Enfim, a recuperação da informação possibilitou o surgimento dos sistemas automatizados de informação. O trabalho com a recuperação de informações deu subsídio para o desenvolvimento de inúmeras aplicações bem-sucedidas (produtos, sistemas, redes, serviços). Segundo Pinheiro (1997), a evolução da recuperação da informação é vista como a grande responsável, não a única, mas a mais forte, pelo surgimento da Ciência da Informação. Na verdade, a Ciência da Informação progrediu para abarcar muito mais que a recuperação da informação, mas problemas relacionados à recuperação estão presentes no seu núcleo. 1.4 Gênese da Ciência da Informação É uma tarefa difícil precisar o surgimento de uma nova ciência, mesmo em se tratando de uma disciplina científica recente, como é o caso da Ciência da Informação. A ênfase nessa atividade que veio a se denominar Ciência da Informação deve-se ao seu esforço para enfrentar os problemas de organização, crescimento e disseminação do conhecimento registrado, que vem ocorrendo em proporções geométricas, desde logo após a Segunda Grande Guerra Mundial. Nesse sentido, a Ciência da Informação nasceu para resolver um grande problema, que foi também a grande preocupação tanto da Documentação quanto da Recuperação da Informação, que é o de reunir, organizar e tornar acessível o conhecimento cultural, científico e tecnológico produzido em todo o mundo. Um evento importante é apontado por Meadows (1991) para o desenvolvimento da área. Segundo ele, a disciplina passou por uma acentuada evolução após a Segunda Guerra Mundial, ocasionada pelo surgimento da Teoria Matemática da Informação, descrita por Shanon e Weaver2 no final dos anos 1940. Essa teoria, adotada por muitas outras áreas, explica os problemas de transmissão de mensagens através de canais mecânicos de comunicação. O princípio de toda comunicação implica na transmissão de uma mensagem entre uma fonte (emissor) e um destino (receptor) utilizando um canal. O emissor ou fonte pode ser um indivíduo, um grupo ou uma empresa. O receptor ou destinatário é quem recebe a mensagem. Esse modelo de comunicação, elaborado por engenheiros para comunicação entre máquinas, não atendeu às necessidades teóricas da Ciência da Informação, uma vez
A teoria da comunicação de Claude Shannon e Warren Weaver foi descrita no Mathematical theory of comunication.
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que, ao se tratar de pessoas, o receptor é submetido a um fluxo de mensagens que chegam de todos os lados, sendo necessária uma seleção para compreender aquelas que interessam particularmente a um indivíduo. A contribuição da teoria para o desenvolvimento teórico da Ciência da Informação foi pequena, mas importante para a sua história, uma vez que atraiu a atenção para a necessidade de se definir claramente o caráter da informação com que os profissionais da área se preocupavam. A data de 1958 é assinalada como um dos marcos na formalização da nova disciplina, quando foi fundado, no Reino Unido, o Institute of Information Scientists (IIS). Alguns autores descrevem a origem da nova disciplina a partir das bibliotecas especializadas (em indústrias e outras organizações) e especialmente pela ênfase dada por estas à idéia de documentação. Na indústria moderna houve uma crescente demanda de informação para maior desempenho das organizações. Então, alguns cientistas qualificados se deslocaram para a área de pesquisa e desenvolvimento ou de produção com o intuito de estabelecer um serviço de informação ativo para seus colegas. Eles se consideravam como cientistas da informação, já que eram cientistas que pesquisavam para cientistas. Como a atividade se expandiu e se formalizou, houve necessidade de treinamento para aqueles que optavam por essa atividade. O conjunto desse treinamento passou a se chamar ciência da informação. O uso do termo cientista da informação pode ter tido a intenção de distinguir os cientistas da informação dos cientistas de laboratório, uma vez que o interesse principal daqueles membros era a organização da informação científica e tecnológica (Ingwersen, 1992). Os membros denominados cientistas da informação eram profissionais de várias disciplinas que se dedicavam às atividades de organizar e suprir de informação científica seus colegas pesquisadores de P & D (Foskett, 1969; Meadows, 1991; Ingwersen, 1992). Um ponto importante salientado por Meadows (1991) foi a intensidade com que o computador afetou a estrutura dentro da qual a Ciência da Informação opera. Como outros campos científicos de natureza semelhante, por exemplo, a Ciência da Computação, a Ciência da Informação tem sua origem na esteira da revolução científica e técnica que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Segundo alguns autores, como Saracevic (1992), as novas tecnologias projetam-se sobre a Ciência da Informação da mesma maneira que o fazem sobre muitos outros campos do conhecimento. No entanto, há consenso entre estudiosos da Ciência da Informação de que ela está inexoravelmente conectada à tecnologia da informação. A recuperação da informação, que teve papel importante no surgimento da área, guarda em sua evolução as associações da ciência com a tecnologia da

informação. Os avanços da informática desde a década de 1960 transformaram e estimularam as atividades de armazenamento e recuperação da informação. Com a utilização do computador, a Ciência da Informação passou a enfrentar novos desafios. Assim, da atividade de recuperar informações emergiram novas questões a serem estudadas, necessidades de novas conceituações e construções teóricas, empíricas e pragmáticas. O impacto dos computadores e das telecomunicações 110 gerenciamento da informação foi tão grande que hoje a Ciência da Informação e tecnologia da informação estão freqüentemente juntas 1101 discussão sobre o percurso da área. 1.4.1 Conceituação da área A Ciência da Informação é um campo científico recente, e, portanto, ainda em construção. Cada disciplina científica possui conceitos e teorias consistentes, reconhecidas e partilhadas por sua comunidade. Com cerca de 30 anos de existência, a Ciência da Informação não conta, ainda, com uma construção teórica que integre todos os seus conceitos e práticas. Por isso, opera baseando-se em construções teóricas mais ou menos fragmentadas. Por exemplo, a Representação da informação seria uma, Estudo de usuários outra etc. Desde o seu surgimento, muitos estudiosos da área já conceituaram o que é Ciência da Informação. Alguns apresentam uma visão ampla da área, outros têm dela uma visão mais restrita, dependendo do entendimento do autor sobre o que é informação e seu universo de atuação. Apresentam-se, a seguir, algumas conceituações da área, de forma sucinta, por sua relevância e atualidade. Borko (1968) definiu a Ciência da Informação como uma disciplina que investiga as propriedades e o comportamento da informação, as forças que governam seu fluxo e os meios de processamento para otimizar sua acessibilidade e utilização. Relaciona-se com o corpo de conhecimento relativo à produção, coleta, organização, armazenagem, recuperação, interpretação, transmissão, transformação e utilização da informação. As idéias de Borko, ao conceituar a nova disciplina, apontam a essência do problema que orienta o campo da Ciência da Informação: organizar e disponibilizar para uso as informações sobre o que é produzido culturalmente. O problema básico da Ciência da Informação foi estudado por Saracevic (1996)

quanto à sua evolução e ao enfoque contemporâneo. Ele a redefiniu como (...) um campo dedicado a questões científicas e à prática profissional, voltadas para os problemas da efetiva comunicação do conhecimento e de registros de conhecimento entre seres humanos, no contexto social, institucional ou individual do uso e das necessidades de informação. No tratamento destas questões são consideradas de particular interesse as vantagens das modernas tecnologias informacionais. (Saracevic, 1996, p. 47) O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão federal de financiamento à pesquisa no País, adotou uma conceituação para a área para assim administrar a demanda de financiamento à pesquisa. Essa definição foi descrita no documento Avaliação e Perspectiva, CNPq (1983), que analisa a Ciência da Informação, a Biblioteconomia e a Arquivologia. Tal documento, que descreve as atividades da área de Ciência da Informação, no Brasil, foi elaborado por uma comissão composta por consultores de tais disciplinas. A conceituação da área, elaborada por aquela comissão, apoiou-se nas orientações da UNESCO, que, então, estimulava a criação de uma infra-estrutura de informação como base de sistemas nacionais de informação. No contexto daquele documento a área é assim definida: Ciência da Informação designa o campo mais amplo, de propósitos investigativos e analíticos, interdisciplinar por natureza, que tem por objetivo o estudo dos fenômenos ligados à produção, organização, difusão e utilização de informações em todos os campos do saber. (CNPq. AVALIAÇÃO E PERSPECTIVA, 1983, p. 52) No entendimento daqueles consultores, a biblioteconomia e a arquivologia são disciplinas aplicadas, que tratam da coleta, da organização e da difusão de informações preservadas em diferentes tipos de suportes materiais. Diferenciam-se, basicamente, pelo fato de que as bibliotecas e outros órgãos assemelhados lidam com a necessidade de prover os usuários com informações substantivas sobre o universo dos conhecimentos, ou parte deles, enquanto que os arquivos lidam com aqueles documentos que foram produzidos como resultado das atividades desenvolvidas por uma pessoa física ou jurídica e que, portanto, documentam essas atividades. (CNPq. AVALIAÇÃO E PERSPECTIVA 82,1983) Percebe-se no estudo daquele documento que a Ciência da Informação é vista como uma grande área na qual estão abrigadas subáreas, como d Biblioteconomia e a Arquivologia, disciplinas mais voltadas para a aplicação de técnicas, o que não quer dizer que no âmbito daquelas disciplinas não se realizem pesquisas ou se produzam novos conhecimentos. Percebe-se que tal entendimento da área é bastante flexível, com possibilidades de distender-se para abrigar novas habilidades ligadas às novas atividades de

informação. A Ciência da Informação se desenvolveu no Brasil, mais do que nos países centrais, imbricada com a Biblioteconomia, mesmo sendo orientadas por paradigmas diferentes, o que será visto mais adiante. 1.4.2 O objeto da Ciência da Informação A Ciência da Informação, desde o seu surgimento, padece de dificuldades para isolar e descrever seu objeto de pesquisa, a informação. Há muitas definições para o termo informação, que conduzem às diferentes visões dos autores sobre o que é um processo de informação. Como agravante para o entendimento do termo é preciso relembrar que esse objeto não é exclusivo da Ciência da Informação. A informação é preocupação de pesquisa da Comunicação Social, da Ciência da Computação, da Biologia e de outros campos de estudo. O fenômeno é visto e interpretado de forma diversa pelas diferentes áreas. Em primeiro lugar é preciso esclarecer que, na ótica da Ciência da Informação, o objeto "informação" é uma representação. Como é uma representação de conhecimento, que já é uma representação do real, ela se torna uma representação de representação. Por isso, a informação é um objeto complexo, flexível, mutável, de difícil apreensão, sendo que sua importância e relevância estão ligadas ao seu uso. Grande parte dos autores analisados enxerga a informação como conhecimento. Ela é algo que ajuda na resolução de um problema ou completa uma lacuna no conhecimento da pessoa, conforme cada necessidade. Nessa linha, Brooks (1980) afirma que informação produz efeitos no usuário e propõe a seguinte equação como forma de sistematizar o processo de informação: K(S) + ∂K = K (S + ∂S) | ∂| A equação exprime a passagem de um estado de conhecimento que é K(S) para outro de conhecimento expresso por K(S + ∂S). Os signos ∂K significam a contribuição de um conhecimento extraído de uma informação que é expressa por ∂|, então, o efeito dessa modificação é ∂S. Muitos autores consideram a informação como um resultado da interpretação do indivíduo. Isto é, o usuário é quem lhe confere importância e confiabilidade, sendo que a

apreensão do dado e/ou fato se relaciona a um conhecimento preexistente do indivíduo. A informação é um conhecimento3 inscrito (gravado) sob a forma escrita (impressa ou numérica), oral ou audiovisual. A informação comporta um elemento de sentido. É um significado transmitido a um ser consciente por meio de uma mensagem inscrita em um suporte espacial-temporal: impresso, sinal elétrico, onda sonora, etc. Essa inscrição é feita graças a um sistema de signos (a linguagem), signos estes que são elementos da linguagem que associa um significante a um significado: signo alfabético, palavra, sinal de pontuação. (Le Coadic, 1996) O objeto da área, a informação, conforme Pinheiro (2002), está imerso em um campo vasto e complexo de pesquisas que, por tradição, se relacionam a documentos impressos e a bibliotecas. No entanto, a informação de que trata a Ciência da Informação não se restringe a documentos impressos, pode ser percebida em conversas entre cientistas e outros tipos de comunicação informal. Ela se apresenta também em uma inovação para o setor produtivo, na forma de patente, fotografia ou objeto, no registro magnético de bases de dados, numa biblioteca virtual ou repositório na Internet. Para facilitar a tarefa sobre o entendimento do que venha a ser informação, Pinheiro (1997) extraiu dos escritos de vários autores os seguintes atributos de informação: • A informação tem o efeito de transformar ou reforçar o que é conhecido, ou julgado conhecido, por um ser humano; • • • É utilizada como coadjuvante da decisão; É a liberdade de escolha que se tem ao selecionar uma mensagem; É algo necessário quando enfrentamos uma escolha (a quantidade de informação requerida depende da complexidade da decisão a tomar); • • • É matéria-prima de que deriva o conhecimento; É trocada com o mundo exterior, e não meramente recebida; Pode ser definida em termos de seus efeitos no receptor.

A informação é um fenômeno tão amplo que abrange todos os aspectos da vida em sociedade; pode ser abordado por diversas óticas, seja a comunicacional, a filosófica, a semiológica, a sociológica, a pragmática e outras. Essa multiplicidade de possibilidades de

Le Coadic esclarece que conhecimento (um saber) é resultado do ato de conhecer. ato pelo qual o espírito apreende um objeto. Conhecer é ser capaz de formar a idéia de alguma coisa: é ter presente no espírito. Isso pode ir da simples identificação (conhecimento comum) à compreensão exata e completa dos objetos (conhecimento científico).

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análise do fenômeno conduz a uma reflexão sobre a natureza interdisciplinar4, ou até transdisciplinar5, da área, uma vez que esta, se por um lado busca sua identidade científica, por outro, fragmenta-se ao abordar diferentes temáticas relacionadas ao binômio informação/comunicação. 1.5 A Natureza Interdisciplinar da Ciência da Informação Há unanimidade entre os praticantes e pesquisadores da Ciência da Informação sobre o fato de esta ser um campo interdisciplinar6. Isso significa que os problemas da área, tanto os de natureza teórica quanto os técnicos, têm sido equacionados com a participação de outros ramos do conhecimento. Na opinião de Saracevic (1992), a interdisciplinaridade foi introduzida na Ciência da Informação pela variedade de antecedentes de todas as pessoas que se ocuparam com seus problemas (já descritos). Entre os pioneiros havia engenheiros, bibliotecários, químicos, lingüistas, filósofos, psicólogos, matemáticos, cientistas da computação, homens de negócios e outros, oriundos de diferentes profissões ou ciências. Nem todas as disciplinas das quais tais pessoas se originaram tiveram contribuição relevante, mas essa multiplicidade de visões na construção da área foi responsável pela introdução e pela permanência do objetivo interdisciplinar na Ciência da Informação. A participação de outros campos do conhecimento na Ciência da Informação permanece em função da complexidade dos problemas a serem equacionados pela área, o que exige a contribuição de diferentes profissionais e/ou pesquisadores. Dentre as disciplinas com as quais a Ciência da Informação tem trabalhado distinguem-se: Biblioteconomia, Ciência da Computação, Comunicação Social. Administração, Lingüística, Psicologia, Lógica, Matemática, Filosofia/Epistemologia. A aproximação dos praticantes da área com outros campos de conhecimento, segundo Ingwersen (1992), foi motivada pela necessidade de se resolverem problemas teóricos da Ciência da Informação. Na opinião do autor, contudo, houve um exagero na
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O termo interdisciplinaridade aqui empregado trata da síntese de duas ou várias disciplinas, instaurando um novo nível de discurso, caracterizado por uma nova linguagem. 5 A transdisciplinaridade é o reconhecimento da interdependência de todos os aspectos da realidade, É conseqüência normal da síntese provocada pela interdisciplinaridade, quando esta for bem-sucedida (Weeil, 1993). 6 O termo interdisciplinaridade, empregado aqui, trata da síntese de duas ou várias disciplinas, instaurando nível de discurso, caracterizado por uma linguagem (Weeil, 1993).

busca de aproximação com outras disciplinas por parte da Ciência da Informação. Ao tentar resolver problemas teóricos, a comunidade tem trabalhado em demasia 110S espaços fronteiriços da Ciência da Informação. Dessa maneira, a busca da interdisciplinaridade, sem muita reflexão, pode estar tornando-a vulnerável em vez de resolver sua fragmentação. 1.6 Ciência da Informação e Biblioteconomia Como já foi dito, a Ciência da Informação é um conjunto de teorias e práticas e, como campo científico, produz intercâmbio com outras disciplinas. Uma delas é a Biblioteconomia, área com a qual ela tem falado mais de perto, pelo menos na realidade brasileira. A Ciência da Informação não é uma evolução da Biblioteconomia, conforme a crença de alguns autores, uma vez que cada uma delas se baseia em orientações paradigmáticas diferenciadas. As teorias da Ciência da Informação aliadas às novas tecnologias de informação vêm contribuindo com novas práticas e serviços bibliotecários. Como já mencionado, a Biblioteconomia e a Ciência da Informação trabalham juntas na busca de solução para o mesmo problema que orienta a área; contudo, representam campos científicos norteados por paradigmas diferentes. Vale salientar que o conceito de paradigma aqui utilizado se sustenta nas idéias de Thomas Kuhn. Segundo esse historiador da Ciência, o paradigma é visto como um modelo ou padrão de ciência que é compartilhado por uma determinada comunidade. Dentro desse conceito não caberiam, portanto, as propostas de teorias, caminhos teóricos e metodológicos ainda não compartilhados. 1.6.1 O paradigma da Biblioteconomia A abordagem dada a este tópico se fixa em autores que buscaram os paradigmas da área por meio do exame da literatura produzida. Um desses autores é Francis Miksa (1992). Conforme seus achados, a Biblioteconomia e a Ciência da Informação representam campos científicos orientados por paradigmas diferentes. O paradigma da Biblioteconomia, segundo o autor, consiste em um grupo de idéias relacionadas com a biblioteca, então considerada como uma instituição social. Suas origens encontram-se nos trabalhos de estudiosos da Escola de Biblioteconomia de Chicago, durante os anos 1920 e 1930. Tal paradigma desenvolveu-se usando idéias e metodologias buscadas nos campos da Sociologia e da Educação. O ponto focal desse paradigma é a biblioteca em si mesma. Através dele, ela é

vista como uma instituição social e, mais especificamente, como uma organização social bem definida e única. Como toda organização social, a biblioteca tem material organizacional e características intelectuais que servem como significado para expressar suas funções em uma estrutura social. Nesta visão é possível identificar, nas funções da biblioteca, três propriedades, que pressupõem as bases: material, profissional e organizacional, as quais efetivam o exercício de tais funções. Propriedades materiais: incluem coleções de objetos representando o conhecimento (documentos) e equipamentos especializados. Propriedades organizacionais: referem-se ao conjunto de estruturas administrativas e de pessoal. Propriedades intelectuais: englobam a idéia de sistema, como, por exemplo, sistema de classificação, estrutura de catalogação, política de seleção. Dentre as funções da biblioteca, no entanto, a mais importante é a de dar acesso à sua coleção de documentos. Sob o enfoque deste paradigma, a biblioteca existe, principalmente, para tornar possível o uso, por um dado público, de suas coleções de documentos. Para isso, ela exerce várias tarefas, tais como aquisição, organização e arranjo físico dos materiais coletados. O exercício dessas tarefas exige ferramentas apropriadas e pessoal especializado, o que vai desde a seleção e a aquisição até a recuperação das coleções e o seu uso. Em resumo, o paradigma da biblioteca como uma instituição social conhecida - a biblioteca - é caracterizado em termos de sua propriedade institucional e de suas funções. Tal paradigma abarca também a instituição em um contexto amplo, envolvendo um processo de mudança social em que indivíduos, embora apenas lendo, usam o estoque de conhecimento social na condução de suas vidas, facilitando, assim, o processo social geral. A função social da biblioteca enquanto uma instituição social está, principalmente, em ser o fio condutor entre indivíduos e o conhecimento do que eles necessitam. É importante ressaltar dois pontos principais que fragilizaram a manutenção do paradigma em questão. O primeiro diz respeito à preocupação excessiva das bibliotecas em armazenar e manter acervos para uma possível utilização considerando o documento mais importante que as muitas informações nele contidas. Outro ponto foi sua preocupação menor com os usuários. Apesar das muitas pesquisas existentes sobre usuários, a metodologia utilizada esteve sempre centrada na avaliação dos serviços da biblioteca, e não nos

problemas fiasses usuários. Essa posição equivocada dos estudos de usuários tem dificultado a concretização da tão almejada função social da biblioteca. /\s mudanças ocorridas na instituição, nas últimas décadas, segundo Almeida Júnior (2002), ativeram-se ao mínimo imprescindível para atender aos reclamos da sociedade. Presume-se que tais mudanças não tenham sido profundas e nem consensuais, concretizando apenas o suficiente para não sofrerem um rompimento paradigmático. 1.6.2 O paradigma da Ciência da Informação O paradigma da Ciência da Informação compõe-se de um grupo de idéias relativas ao processo que envolve o movimento da informação 11m um sistema de comunicação humana. Este paradigma surgiu nos anos 1950, quando as idéias da engenharia de comunicações e teorias cibernéticas obtiveram êxito na representação das propriedades do sistema de transmissão de sinais em termos matemáticos. Tornou-se, então, a base das tentativas para caracterizar e modelar o processo de recuperação da informação e/ou do documento. Este paradigma tem influenciado profundamente o campo da Biblioteconomia, contribuindo não só com a palavra "informação" para denominar o novo campo, mas, também, suprindo a área com um conjunto completamente novo de termos com os quais os praticantes caracterizaram suas atividades. O paradigma evidencia particularmente o fluxo de informação que ocorre em um sistema no qual objetos de representação do conhecimento (documentos) são buscados e recuperados em resposta à pergunta iniciada pelo usuário. Isso pressupõe uma grande extensão de assuntos específicos envolvendo processos também específicos - por exemplo, a criação e o crescimento do volume de documentos na sociedade, a organização e a recuperação desses documentos e/ou da sua representação e também o seu uso. Esse modelo de sistema de informação tem origem em um contexto mais geral, que é a teoria matemática da comunicação. A teoria consiste em um ponto de origem (emissor), um canal pelo qual passa a informação e um ponto de destino (receptor), com possibilidade de codificação e decodificação para fins de retroalimentação. Essa estrutura tem sido aplicada em bibliotecas como modelo de recuperação de documentos e para caracterizar agências que se dedicam às atividades tanto de Biblioteconomia quanto de Ciência da Informação. O modelo permitiu estudo sobre fluxos de informação em agências públicas e privadas, entre membros de uma disciplina, profissões,

especialistas etc. A importância desse paradigma para a área, segundo Miksa (1992), se expressa em três idéias básicas: 1. Permitiu a formalização da idéia de que informação é algo que flui dentro de um sistema. A partir daí, surgiram os conceitos de entropia e incerteza, redundância, retroalimentação, sinal para taxas de ruídos; 2. A informação passou a ser entendida como algo divisível dentro de unidades feitas em partes, num sistema; 3. A idéia de movimento da informação tem intensificado a busca de entendimento da informação em si mesma. A princípio tal movimento foi discutido como fenômeno físico - isto é, como a transmissão de sinais mensuráveis -, o que tornou flexível o conceito principal do paradigma. Depois foram acrescentados outros domínios do movimento da informação, por exemplo, aqueles relacionados ao fluxo de idéias, significados, ou mensagens cheias de significados envolvidos com a semiótica e a semântica. No campo da Ciência da Informação e da Biblioteconomia, este paradigma tem, então, como fenômeno central o movimento da informação em um sistema de comunicação. O processo é modelado em termos de fluxo da informação entre dois pontos através de um canal, permitindo, para controle, a incorporação do feedback. Este paradigma também contém fragilidades que não puderam ser superadas. O fato de originar-se da Teoria Matemática da Comunicação, idealizada para transmissão de sinais, ao ser transposto para o ambiente da Ciência da Informação, não permitiu considerar os aspectos cognitivos da informação e nem o desejo do usuário como componentes que alteram significativamente o processo de recuperação da informação dentro de um sistema. Além disso, Miksa (1992) comenta que tanto os modelos matemáticos de recuperação quanto as conceituações advindas daquele modelo não foram vastamente testadas por meio da prática da pesquisa. Pode-se notar que a literatura sobre os modelos matemáticos de recuperação da informação, assim como os conceitos de pertinência, relevância e outros, diminuiu, por algum tempo. Quando surgiu a rede mundial de computadores e, com isso, a oferta de inúmeros serviços de informação, esses modelos voltaram a ser preocupações de pesquisa. Segundo Thomas Kuhn (1975), a transição de um paradigma em crise para um novo não chega a ser um processo cumulativo. A reconstrução da área de estudos é feita a partir de

novos princípios, reconstrução que altera algumas generalizações teóricas mais elementares do paradigma, bem como muitos de seus métodos e aplicações (Kuhn, 1975). Assim, apesar da ação revolucionária do novo paradigma, há um período de transição entre o velho e o novo modelo, havendo coincidências entre os problemas que podem ser resolvidos por ambos. À luz dos estudos de Kuhn (1975) parece ser este um momento de transição da área, quando ela testa uma nova teoria na busca de solução para uma crise. Essa crise coincide com o surgimento das novas tecnologias de processamento, armazenamento e disseminação da informação, principalmente deslocando os catálogos de bibliotecas de seus locais de origem, levando-os para perto dos usuários através das bases de dados. A unidade de análise da Biblioteconomia não é mais somente o livro, mas também a informação; e suas atividades, agora automatizadas, ultrapassam o espaço da biblioteca. Isso conduz à percepção de que as atividades profissionais de ensino e pesquisa, na área, estão sendo orientadas por paradigmas diferentes. A literatura produzida na Ciência da Informação e na Biblioteconomia não expressa conflitos existentes na comunidade profissional ou científica, apesar da formação nessas duas áreas ser oferecida em diferentes níveis. O perfil do bibliotecário é formado em cursos de graduação, já os mestres e doutores em Ciência da Informação são titulados em cursos de pós-graduação stricto sensu. Esse compartilhamento de paradigmas, conforme as idéias de Kuhn, permanecerá até o fortalecimento de um dos dois e/ou o surgimento de um terceiro paradigma. Resumindo, esta é uma área em construção, uma vez que é um campo disciplinar muito recente. Suas teorias e conceituações para o crescimento de seu campo teórico e de suas práticas profissionais dependem de uma boa formação acadêmica e compromisso por parte dos profissionais. REFERÊNCIAS ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo F. Profissional da Informação: entre o espírito e a produção. In: VALENTIM. Marta P. Profissionais da Informação: formação, perfil e atuação profissional. São Paulo: Polis, 2000. p. 31-51. BELKIN, N.; ROBERTSON, S. E. Information science and phnomenon of information. Joumal of the American Society for Information Science, v. 27, n. 4, p.197-204, 1976.

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CAPÍTULO II - A Produção de Conhecimentos e a Origem das Bibliotecas
Eliany Alvarenga Araújo Marlene de Oliveira Conhecer a origem das bibliotecas implica em abordar a produção de conhecimentos e dos registros de conhecimentos, pois, desde a sua origem na Antigüidade Clássica, a biblioteca é um espaço de preservação dos conhecimentos gerados pela humanidade a partir de diferentes sociedades. Explicar o que é conhecimento é uma tarefa difícil, face aos diversos entendimentos do termo. Por isso, adotou-se a visão de Burke (2003): conhecimento é algo que denota o que foi processado e sistematizado pelo pensamento. Conforme o autor, com a reabilitação do saber cotidiano, do saber local, deve ficar óbvio que há "conhecimentos" no plural em toda cultura. Para melhor entendimento desta questão, descrevem-se, resumidamente, alguns tipos de conhecimento: Filosófico - É um tipo de conhecimento de caráter mais geral e reflexivo, que busca os princípios que tornam possível o próprio saber. Atualmente, um dos principais objetivos do conhecimento filosófico é a investigação de pressupostos, de consciência de limites, de crítica da ciência e da cultura. Religioso - Esse conhecimento apóia-se em doutrinas que contêm proposições sagradas por terem sido consideradas reveladas pelo sobrenatural. É um conhecimento sistemático do mundo (origem, significado, finalidade, destino) que acredita possuir a verdade sobre as questões fundamentais do homem, mas apoiando-se sempre numa fé ou crença. Senso comum ou Conhecimento popular - É uma forma espontânea de conhecer a realidade no trato direto com as coisas, no cotidiano. É reflexivo, porém falível e inexato. Oriundo dos diferentes sentidos, constitui-se num conjunto de opiniões e valores

característicos daquilo que é correntemente aceito em um meio social determinado. Científico - É um conjunto de conhecimentos metodicamente adquiridos, organizados e suscetíveis de serem transmitidos por um processo pedagógico de ensino. Trata-se de conhecimento sistemático por se constituir de um saber ordenado logicamente, formando um sistema de idéias (teorias). Pretende ser verificável, objetivo e comunicável. Objetiva explicar racional e metodicamente a realidade. Há outros tipos de conhecimento, produzidos em muitas organizações e contextos diferentes, também importantes, que não serão discutidos aqui. Entretanto, vale salientar que os produtos (registros) representativos desses conhecimentos, assim como a produção cultural, se constituem em acervos que são preservados em bibliotecas, arquivos, unidades de informação, museus etc. Para efeito deste texto, considera-se conhecimento na sua forma concreta, tangível, que são os produtos gráficos e objetos materiais. Na Ciência da Informação e na Biblioteconomia são denominados documentos, tais como livros, revistas, jornais, moedas, imagens, CDs, arquivos eletrônicos etc. A origem exata das bibliotecas, assim como a da linguagem e a da escrita, é desconhecida. Entretanto, podemos considerar que, diferentemente da linguagem e da escrita, as bibliotecas apareceram na era histórica, ou seja, quando tem início a preservação de registros escritos 111: conhecimentos. É necessário, contudo, esclarecer que as expressões culturais vão além da escrita e se expressam em diversos produtos e artefatos, mas, no contexto de bibliotecas, a linguagem escrita tornou-se a forna mais comum para registrar conhecimentos. A dedução de que a produção de conhecimentos conduz à criação de bibliotecas aponta para o pressuposto de que onde houve grande 11Iodução de conhecimentos também ali estarão grandes bibliotecas, arquivos, museus etc., ou seja, unidades de informação em seus diferentes formatos. Podemos considerar que os pré-requisitos principais para o aparecimento de bibliotecas são: • Condições econômicas - São observadas ao longo do tempo como altamente significantes na produção de conhecimentos e de unidades de informação. Quando existe um excedente de riqueza em um país ou região, aumenta a disponibilização de recursos para o incentivo à produção cultural, aqui incluindo-se a produção de conhecimentos e de bibliotecas.

Condições sociais - Um dos fatores importantes neste item diz respeito às influências positivas, como o aparecimento de grandes centros urbanos que, em suas atividades múltiplas e cada vez mais complexas, produzem inúmeros registros e requerem sofisticados sistemas de informação. Essas necessidades podem encorajar o desenvolvimento de bibliotecas, arquivos, museus etc. Outro fator relevante é a educação. Um sistema formal de educação necessita tanto de registros de conhecimento e sua conservação quanto de bibliotecas para participar e dar apoio ao sistema educacional. Condições políticas - Aparecem em dois níveis, o primeiro diz respeito ao clima de tranqüilidade política e social de uma nação, que pode conduzir e ampliar o crescimento de bibliotecas. Em ambientes de conflitos e crises políticas, as bibliotecas, como outros repositórios de cultura, sofrem sérios riscos em conseqüência de tumultos, atentados etc. Assim, as bibliotecas florescem geralmente em sociedades onde prevalece a prosperidade econômica, a população é instruída e o comércio livreiro é bem organizado. Em outro nível, as bibliotecas, assim como toda produção de conhecimentos, necessitam de políticas governamentais para seu estímulo e crescimento.

O surgimento e desenvolvimento dos conhecimentos, seus produtos, assim como seu armazenamento, organização e divulgação, podem ser observados sob essas condições desde a Antigüidade. As grandes bibliotecas da Antigüidade Clássica de que se tem notícia eram formadas por grandes conquistadores ou se localizavam em cidades que exerciam poder econômico e/ou político. Há indícios e comprovações de grandes bibliotecas na Antigüidade. Dentre elas, cita-se a Biblioteca de Nipur, na Babilônia, descoberta em um templo, com registros em tábuas de argila e em escrita cuneiforme. Também famosa é a Biblioteca de Assurbanipal, rei da Assíria que viveu no século VII a.C. A biblioteca situava-se em seu palácio na cidade de Nínive e contava com milhares de tabletes de argila com transcrições e textos sobre os mais variados assuntos, coletados sistematicamente pelo rei em outros templos do seu reino. A mais famosa biblioteca da Antigüidade ficava em Alexandria, no Egito, e seu desaparecimento deveu-se a saques de conquistadores, fanáticos religiosos e a desastres naturais. Cabe salientar, contudo, que, no final de 1990, ela foi reconstruída pelo governo do Egito com a colaboração da UNESCO. Os temas dominantes do seu acervo relacionam-se às antigas civilizações de Alexandria e do Egito, desde a Antigüidade até a Idade Média.

Na Idade Média, as igrejas e mosteiros foram os grandes guardiões dos ricos acervos das antigas bibliotecas. Esse fato coincide com a riqueza e o poder da Igreja, que, naqueles séculos, não só produzia, mas também legitimava os conhecimentos. 2.1 A Invenção de Guttenberg Desde a Antigüidade até o final da Idade Média foram utilizados diferentes suportes como base para o registro de conhecimentos: a pedra, o barro, a madeira, o linho, a seda, o papiro, o pergaminho e o papel. Com a invenção da imprensa por Guttenberg, em 1452, e seu desenvolvimento nos séculos seguintes, houve grandes modificações na produção, no armazenamento e na difusão dos conhecimentos. Esse fato ocasionou o rompimento do monopólio que a Igreja exercia na geração e guarda dos conhecimentos. Até então, o acesso aos conhecimentos, assim como consultas a bibliotecas, constituía-se em privilégio da elite. A criação de Guttenberg e o processo de fabricação do papel facilitaram, aos poucos, a democratização dos conhecimentos e do livro. Esses eventos permitiram maior produção de registros impressos e elevaram a biblioteca a uma condição de maior importância à época. A expressão "geografia do conhecimento" é usada por Burke (2003) para mapear a produção de conhecimentos, notada mente dos séculos XVI. XVII e XVIII. Ele distingue a distribuição espacial do conhecimento desde os locais onde foi produzido, descoberto, guardado até onde era difundido. Naqueles séculos, os centros tradicionais eram os mosteiros, que guardavam grandes bibliotecas, assim como as universidades e os hospitais. Como produtores e divulgadores de conhecimentos, o autor cita também o laboratório, a galeria de arte, a livraria, a biblioteca, o anfiteatro de anatomia, o escritório e o café. Esse mapeamento do conhecimento exemplifica a visão do autor de que o conhecimento é visto na sua forma plural e não só como atividade científica. Prosseguindo, Burke (2003) percebeu a existência de conhecimentos também em ambientes de comércio, particularmente os portos, que eram especiais na difusão de informações. Os habitantes dos portos se dirigiam ao cais para conversar com marinheiros de embarcações recém-chegadas. Ali filam encontrados cartas, mapas e globos, além de o local propiciar o intercâmbio de conhecimentos. Dessa maneira, justifica-se a importância de Lisboa na história do conhecimento dos séculos XV e XVI, derivada de sua posição como capital do Império Ultramarino Português. O autor cita também Veneza como a mais importante agência de informações dos primórdios do mundo moderno, por sua posição intermediária entre o

Ocidente e o Oriente. Quando se refere à localização das bibliotecas, Burke (2003) cita a Itália e a França, países onde se concentrava o maior número delas. Algumas cidades italianas, como Nápoles, Florença, Veneza e Milão, abrigaram grandes bibliotecas. Roma hospeda bibliotecas de diversas ordens religiosas, além da Biblioteca do Vaticano. Paris superava Roma em quantidade de bibliotecas, principalmente no século XVII. Um guia de Paris, datado de 1692, arrola 32 bibliotecas onde se permitia que os leitores entrassem "como um favor" para consulta em suas coleções. Naquela época, teve início a formação de centros de estudos nas principais cidades da Europa, o que contribuiu para o aparecimento de novas bibliotecas, tanto universitárias como públicas. Esse fato coincide com o início da formalização da atividade de pesquisa, ocasionando o surgimento das agências de fomento à pesquisa naquele século. Com o aparecimento dos Estados Nacionais e a estruturação da pesquisa científica, os conhecimentos produzidos no mundo passaram a crescer significativamente. Com o correr do tempo, a atividade de construção de conhecimentos expandiu-se para incluir empresas, indústrias, área jurídica e outras, que passaram de consumidoras a também produtoras de conhecimentos. Mais recentemente, com o surgimento da Internet, a divulgação de conhecimentos tornou-se mais rápida, agilizando os serviços das bibliotecas. 2.2 Bibliotecas no Brasil No Brasil, as primeiras bibliotecas foram criadas por ordens religiosas. A ordem dos Jesuítas foi a mais atuante. Em 1549, fundou a Companhia de Jesus, organização que objetivava catequizar índios e colonos. Nas escolas daquela Companhia os padres criavam bibliotecas que, aos poucos, se tornaram as melhores e mais numerosas. Fundaram escolas e bibliotecas em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, no Maranhão, Pará e em vários outros estados e cidades. Tais bibliotecas atendiam necessidades tanto de alunos em seus primeiros aprendizados, como até de alunos de Filosofia, que equivaleriam aos das Faculdades de hoje. As consultas não se restringiam aos alunos e professores das escolas, mas eram possíveis a qualquer pessoa que justificasse o pedido. A Biblioteca do Mosteiro de São Bento, em Salvador, Bahia, organizada no início do século XVI, formalizou atividades de uma biblioteca pública (Moraes, 1979). Com a expulsão da Companhia de Jesus do Brasil, pelo Marquês de Pombal, seus

bens foram confiscados, inclusive as bibliotecas. Os acervos foram selecionados e grande parte enviada ao Colégio do Rio de Janeiro, o restante foi entregue ao bispo da Diocese. Com isso, o conhecimento produzido por brasileiros e estudiosos daqueles colégios ficou perdido. Outras ordens religiosas se incumbiram da educação dos brasileiros e criaram colégios e bibliotecas para isso, como os franciscanos, Beneditinos e Carmelitas. Dentre as bibliotecas mais relevantes, estavam as beneditinas. As abadias beneditinas tinham boas bibliotecas e enriqueciam seus acervos por meio de compra e herança. A vinda da Corte Portuguesa para o Brasil alterou as condições políticas, econômicas e sociais da Colônia. Foi uma transformação radical no Rio de Janeiro, sua população cresceu consideravelmente com a chegada de nobres, funcionários de muitas categorias, comerciantes, burgueses ricos etc. Esse fato ocasionou novas necessidades na cidade e, em conseqüência, transformou a situação do livro e das bibliotecas. Junto com os tesouros do Estado Português, como ouro, diamantes, pratarias e paramentos da Capela Real, vieram também arquivos das repartições públicas, manuscritos da Coroa e do Infantado e a Biblioteca Real da Ajuda. O acervo da biblioteca era composto de coleções ricas e versáteis, como as primeiras edições portuguesas e espanholas, edições de clássicos portugueses e espanhóis, coleção de folhetos, manuscritos, fotos, mapas e gravuras. A partir daí, a biblioteca desenvolveu-se recebendo também doações e, principalmente, através da obrigação do depósito legal, pela qual a biblioteca passou a receber um exemplar de tudo o que é publicado em território nacional. Com o retorno da Corte Portuguesa à Europa, a Biblioteca Real ficou desfalcada de parte de seu acervo, mas, mesmo assim, ainda conservou uma parte valiosa. Com o advento da Independência, a biblioteca ficou subordinada a uma repartição pública e passou a denominar-se Biblioteca Nacional (Moraes, 1979). A primeira biblioteca pública surgiu, em Salvador, como expressão da sociedade. Um senhor de engenho, Pedro Gomes Ferrão de Castelo Branco, planejou a biblioteca como uma instituição para promover a instrução do povo. A Biblioteca Pública da Bahia foi a primeira a ser fundada com essa característica de não contar com recursos do governo. A experiência não deu certo e o governo passou a dar subsídios e outras bibliotecas públicas floresceram em outras capitais e cidades importantes. É importante ressaltar que a divulgação da cultura até a República já não estava restrita às livrarias e bibliotecas dos conventos religiosos. No Rio de Janeiro funcionavam vários institutos de estudos superiores criados pelo governo, como a Real Academia Militar, o

Laboratório Químico-prático, a Academia Médico-Cirúrgica, o Arquivo Militar e a Academia Real dos Guarda-Marinhas. Essas organizações estabeleciam em seus estatutos a criação de bibliotecas (Moraes, 1979). Com o desenvolvimento do sistema educacional brasileiro, a criação de agências de fomento e principalmente das Universidades Federais, o crescimento do conhecimento no Brasil expandiu-se consideravelmente, não só pela produção dos brasileiros, mas também pela compra de coleções para atender a essas novas organizações. Contudo, o número de bibliotecas ainda é insuficiente para atender toda a sociedade. O país não conta com estatísticas sobre os diferentes tipos de bibliotecas existentes, mas é possível calcular o número de bibliotecas em instituições de nível superior, uma vez que a autorização para o funcionamento destas depende exatamente da existência de bibliotecas. Considerando-se o número de universidades federais existentes no país, estimase que o número de bibliotecas universitárias esteja em torno de 62. O Anexo A elenca instituições universitárias federais e estaduais que, portanto, oferecem serviços bibliotecários. 2.3 Conceituações As teorias e conceitos que embasam grande parte das atividades das bibliotecas são oriundos da Ciência da Informação, em função de orientações comuns na resolução de problemas. Assim, a biblioteca é uma coleção de documentos bibliográficos (livros, periódicos etc.) e não bibliográficos (gravuras, mapas, filmes, discos etc.) organizada e administrada para formação, consulta e recreação de todo o público ou de determinadas categorias de usuários. 2.4 Tipos de Bibliotecas Segundo a finalidade, as bibliotecas se dividem em: a) Nacionais - têm como principal finalidade a preservação da memória nacional, isto é, da produção bibliográfica e documental de uma nação. b) Públicas - surgiram com a missão de atender às necessidades de estudo, consulta e recreação de determinada comunidade, independentemente de classe social, cor, religião ou profissão.

Seus objetivos principais são: - estimular nas comunidades o hábito de leitura; - preservar o acervo cultural. c) Universitárias - a finalidade desse tipo de biblioteca é atender às necessidades de estudo, consulta e pesquisa de professores e alunos universitários. d) Especializadas - são aquelas dedicadas à reunião e organização de conhecimentos sobre um só tema ou de grupos temáticos em um campo específico do conhecimento humano. e) Escolares - são destinadas a fornecer material bibliográfico necessário às atividades de professores e alunos de uma escola. f) Infantis - devem estar mais voltadas para a recreação e proporcionar outras atividades como: escolinhas de arte, exposição, dramatizações etc. Necessitam de um acervo bem selecionado para seus usuários. g) Especiais - são aquelas que se destinam a atender a um tipo especial de leitor e, por isso, detêm um acervo especial, como, por exemplo, as bibliotecas para deficientes visuais, presidiários e pacientes de hospitais. h) Biblioteca ambulante ou Carro-biblioteca ou Bibliobus - são bibliotecas volantes, que objetivam a extensão dos serviços bibliotecários às áreas suburbanas e rurais, quando estes são deficientes ou inexistentes. São serviços de extensão de bibliotecas já existentes, como bibliotecas públicas ou universitárias. i) Popular ou comunitária - é um tipo de biblioteca criada e mantida pela comunidade. Tem os mesmos objetivos da biblioteca pública, mas não se vincula ao poder público. E mantida por órgãos, como associações de moradores, sindicatos e grupos estudantis. 2.5 Atividades de uma Biblioteca / Unidade de Informação A biblioteca ou outra unidade de informação, aqui entendida como uma unidade que trata de informação, desde a organização até sua difusão (base de dados, serviço de informação especializada, centro de informação, telecentro, videotecas, mapotecas etc.), pressupõe atividades bem características, por trabalhar a informação. Isso faz com que esse tipo de instituição ou serviço ofereça serviços e produtos particularizados. É importante salientar que os esclarecimentos aqui fornecidos sobre

bibliotecas/unidades de informação são gerais e presumem metodologias que podem ser utilizadas tanto em bibliotecas tradicionais quanto em unidades de informações eletrônicas, como as bibliotecas virtuais. A biblioteca como uma organização pressupõe três grandes funções: 1) Função gerencial - administração e organização. 2) Função organizadora - seleção, aquisição, catalogação, classificação, indexação. 3) Função divulgação - referência, empréstimo, orientação, reprografia, serviços de disseminação, extensão. A função gerencial pressupõe gestão e políticas para a biblioteca/unidade de informação para buscar o seu melhor desempenho. Conforme Guinchat e Menou (1994), a gestão é o processo que dirige as competências e a energia dos indivíduos com a finalidade de atingir um determinado objetivo. Motta (1997) sugere que uma boa gestão não se limita ao domínio de técnicas administrativas, uma vez que a capacidade gerencial demanda outras habilidades mais complexas: capacidades analíticas, de julgamento, de decisão e liderança e de enfrentar riscos e incertezas. É também um conjunto de técnicas que permitem tomar decisões racionais e colocá-Ias em prática para que todos os recursos do organismo sejam empregados da melhor forma possível, visando a sua eficácia. Ainda segundo os autores, as políticas são princípios gerais que ajudam a traduzir os objetivos em ações, para preparar as regras de conduta que serão adotadas no momento da tomada de decisões e da execução das atividades. Visto dessa maneira, toda biblioteca deve ter uma gestão e políticas específicas nos seguintes aspectos: organização dos serviços, pessoal, equipamento, recursos financeiros, serviços aos usuários, produção, interação com os usuários e com a instituição a que está subordinada, intercâmbio com outros organismos e outras unidades de informação (Guinchat; Menou, 1994). A função organizadora aglutina atividades muito especializadas do profissional de informação: selecionar materiais para aquisição, catalogar, classificar e indexar aqueles materiais. Antes de oferecer uma visão dessas atividades, torna-se necessário um entendimento da representação dos documentos, feito em dois níveis. O primeiro é sobre a representação física do documento, como a catalogação, e o segundo é sobre sua forma temática. A representação temática inclui os processos de indexação e classificação, ou seja, diz respeito ao(s) assunto(s) do documento. Seleção e Aquisição - a seleção é uma atividade intelectual importante que deve ser

realizada com o responsável pelo tema tratado, com a participação dos usuários. Tanto a seleção quanto a aquisição fazem parte de uma política de gestão da unidade e, por isso, estarão condicionadas a elementos da política organizacional como: natureza dos serviços prestados, orçamento, objetivos da unidade. Catalogação - pode ser entendida como o trabalho de descrever a estrutura física dos objetos ou documentos que fazem parte de um acervo ou coleção. Este trabalho pode se desdobrar na elaboração de catálogos impressos ou on-line e ainda na chamada catalogação na fonte, que consiste na inserção da descrição física do documento no próprio documento. Os catálogos, por sua vez, se apresentam sob a forma de listas onde são registrados e descritos fisicamente os documentos conservados em uma Biblioteca ou Unidade de Informação. Geralmente são organizados alfabeticamente e apresentados em uma ordem específica: por autor, assunto, local ou título. A diferença básica entre catálogos impressos e catálogos on-line está no tipo de suporte utilizado e, ainda, no processo de busca e recuperação da informação contida nos mesmos. Os catálogos on-line oferecem várias vantagens no acesso à informação que os impressos não têm, como a rapidez na busca, uma maior possibilidade de padronização das informações etc. Guinchat e Menou (1994) descrevem vários tipos de catálogos, dentre os quais, destacam-se: catálogo dicionário, catálogos sistemático, cronológico, geográfico, topográfico e coletivos. Classificação ou ato de classificar pode ser entendido como um processo mental, por meio do qual se dá a reunião de objetos em classes ou grupos que apresentam, entre si, certos traços de semelhança ou, ainda, de diferença (Souza, 1950, p. 3). Na Biblioteconomia, a classificação é a tarefa de descrever o conteúdo de um documento de onde é extraído o assunto principal e, eventualmente, um ou dois assuntos secundários, os quais são traduzidos para o termo mais apropriado da linguagem documental adotada na unidade de informação. A Biblioteconomia e a Ciência da Informação lidam, mais comumente, com a classificação dos conhecimentos que estão registrados nos mais diversos suportes. Assim, nas Bibliotecas e Unidades de informação, os documentos são classificados e agrupados conforme os assuntos de que tratam. Para esta tarefa específica existem sistemas de classificação bibliográfica que visam a organização de documentos, com o intuito de facilitar o acesso dos usuários à informação contida em seus respectivos acervos.

Ao longo da história, surgiram vários modelos de sistemas de classificação. Os mais estudados são a Classificação Decimal de Dewey - CDD, a Classificação Decimal Universal CDU e a Classificação Facetada de Ranganathan, entre outras. Como já foi mencionado, na história do surgimento da CDU, as classes da Classificação Decimal de Dewey foram utilizadas na sua construção, assim, ambas carregam a mesma filosofia. A CDU, segundo Miranda (1996),"caracteriza-se como um instrumento de representação da informação e, conseqüentemente, de organização do conhecimento registrado em sistemas de recuperação da informação" (Miranda, 1996, p. 23). Esse sistema é dividido em classes decimais, o que permite a inclusão de temas e subtemas. As classes principais da CDU são: 0 Generalidades. Ciências e conhecimento. Organização. Informação etc. 1 Filosofia. Psicologia. 2 Religião. Teologia. 3 Ciências Sociais ... Direito. Administração etc. 4 Vaga. 5 Matemática e ciências naturais. 6 Ciências aplicadas. Medicina. Tecnologia. 7 Arte, Belas Artes. Recreação. Diversões. Esportes. 8 Linguagem. Lingüística. Literatura. 9 Geografia. Biografia. História. Como podemos observar, a classe 0 é a mais geral das classes e é usada para trabalhos sem uma limitação, por exemplo, enciclopédias, jornais, periódicos, e ainda para algumas disciplinas especializadas, como Ciência da Computação, Biblioteconomia e Ciência da Informação, Jornalismo. Tais sistemas buscam acompanhar os avanços do conhecimento humano, contudo, as atualizações ainda são lentas. Indexação - é uma das principais atividades desenvolvidas numa Biblioteca ou Unidade de Informação. Consiste na descrição dos conteúdos dos documentos e possui como principal objetivo a recuperação a informação desejada pelo usuário. Segundo Guinchat e Menou (1994), esses conteúdos são expressos por meio de um vocabulário oriundo da linguagem documental escolhida na unidade de informação. Essa tarefa tem como desdobramento a construção de índices de termos, o que possibilita maior facilidade de pesquisa ou consulta por parte do usuário. Esta atividade era realizada essencialmente por seres humanos. No entanto com o

advento do computador, passou a ser desenvolvida por softwares capazes de reconhecer os principais termos utilizados no corpo do documento e indexá-los, daí originou-se a chamada Indexação automatizada. A função divulgação é uma atividade fundamenta nas unidades de informação e, por isso, deve ser sua principal preocupação. Ela consiste em comunicar ao usuário as informações de que ele necessita e dependendo do procedimento, antecipar-se à pesquisa do usuário, como, também, propor-lhe as possibilidades de acesso a estas informações/documentos. As diferentes formas de atuação da biblioteca nesta atividade englobam um conjunto de serviços a que se denominam Serviços de Disseminação. Os Serviços de Disseminação em Bibliotecas e Unidades de Informação vêm ao longo dos anos se fortalecendo, na medida em que os profissionais de Biblioteconomia e Ciência da Informação passaram a perceber tais serviços como um elo a ser estabelecido entre os usuários e os diversos serviços/materiais existentes e disponibilizados pela unidade de informação. Esta ligação passou a ser fundamental para o bom desempenho das atividades desenvolvidas em consonância com as políticas estabelecidas pela organização. Os serviços de divulgação reúnem instrumentos como: referência, orientação ao usuário, empréstimo, fornecimento de fotocópias e os serviços de alerta, que incluem os sumários correntes e a disseminação seletiva da informação. A Biblioteca é um organismo vivo a serviço da comunidade; nela, obtemos respostas às nossas mais diversas indagações. O lugar de destaque que ela ocupa no mundo atual decorre da importância que a informação tem para cada sociedade. Assim, a biblioteca participa do aprimoramento intelectual, humanístico, técnico e científico de todos os segmentos sociais. REFERÊNCIAS BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003. 241 p. FIGUEIREDO, Nice. Paul Otlet e o centenário da FID. In: ORGANIZAÇÃO do conhecimento e sistemas de classificação. Brasília: IBICT, 1996. p. 14-19. GOMES, Sonia de Conti. Bibliotecas e sociedade na Primeira República. São Paulo: Livraria

Pioneira Editora, 1983. 101 p. GOMES, Hagar. Organização do conhecimento e novas tecnologias. In: ORGANIZAÇÃO do conhecimento e sistemas de classificação. Brasília: IBICT. 1996. p. 54-57. GUINCHAT, C.; MENOU, M. Introdução geral às ciências e técnicas da informação e documentação. 2. ed. Brasília: MCT/CNPq/IBICT, 1994. 528 p. LEMOS, A. B. Bibliotecas. Texto didático. [s.n.t.] MIRANDA, M. L. C. A CDU nos currículos dos cursos de graduação em Biblioteconomia no Brasil. In: ORGANIZAÇÃO do conhecimento e sistemas de classificação. Brasília: IBICT, 1996. p. 22-34. MORAES, Rubens Borba. Livros e bibliotecas no Brasil colonial. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1979. 195 p. MOTTA, Paulo Roberto. Gestão contemporânea: a ciência e a arte de ser dirigente. São Paulo: Record, 1997. 256 p. SOUZA J. S. Classificação: sistemas de classificação bibliográfica. 2. ed. São Paulo: Departamento Municipal de Cultura, 1950.

CAPÍTULO III - A Ciência da Informação no Brasil
Maria Eugênia Albino Andrade Marlene de Oliveira Em uma abordagem sociológica, a atividade científica é caracterizada como o compartilhamento de teorias entre pessoas, de modo d possibilitar a geração de novos conhecimentos e uma prática mais enriquecedora e inserida no contexto social, econômico e político em que ocorre. Assim, uma disciplina científica que pretenda alcançar o status de

ciência, como é o caso da Ciência da Informação, classificada na área de ciências sociais aplicadas, necessita tanto de teorias quanto de práticas. Em nível teórico, a Ciência da Informação apresenta dificuldades relativas à delimitação de seu objeto de estudo, a informação, bem como dificuldades em desenvolver teorias em suas diversas subáreas, o que tem sido discutido por sua literatura em âmbito mundial. Além das teorias que dizem respeito à sua estrutura interna, toda área científica precisa de condições externas favoráveis ao seu desenvolvimento. No Brasil, a Ciência da Informação conta com uma infra-estrutura ainda incipiente, de ensino e pesquisa, uma vez que seu apoio institucional está em fase de implantação. Para o desenvolvimento das atividades científicas, torna-se necessária uma infraestrutura mínima composta por elementos básicos, a saber: - instituições de ensino e pesquisa fortes, bem como de apoio às atividades de pesquisa; - recursos humanos qualificados; - canais de comunicação e intercâmbio científico. Para abordar o desenvolvimento da Ciência da Informação e o estabelecimento de sua infra-estrutura no Brasil, faz-se obrigatório dedicar atenção ao Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação -IBBD, hoje Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT A história da Ciência da Informação passa, necessariamente, pela história dessa instituição, uma vez que ela introduziu no país as primeiras idéias da documentação e, mais tarde, da Ciência da Informação. O IBBD foi fundado em 1954, ligado ao então Conselho Nacional de Pesquisas, atualmente Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq. A criação desses dois órgãos foi influenciada pela UNESCO, que, na década de 1950, incentivou o estabelecimento de políticas nacionais para estimular o desenvolvimento científico e tecnológico e, também, para contemplar com informação científica os países periféricos, respectivamente. O fato de o IBSD estar ligado a um órgão de financiamento a pesquisas facilitou o cumprimento de sua missão, tornando-o, então, um centro documentação que visava apoiar, em termos informacionais, as atividades das instituições científicas, técnicas e industriais brasileiras. Entretanto, a literatura sobre o assunto aponta dificuldades sentidas pelo instituto para iniciar as suas atividades, pois tinha carência tanto de recursos financeiros como de

recursos humanos qualificados. Apesar das deficiências, o IBBD empreendeu iniciativas importantes. Entre elas, deve-se destacar a realização de pesquisas bibliográficas, o que era uma novidade à época, e cujos produtos serviram de base à confecção de bibliografias nacionais especializadas, instrumentos básicos para o controle bibliográfico. A publicação dessas bibliografias, elaboradas por assunto, foi possibilitada pelo grande e variado acervo do IBBD de periódicos internacionais e de levantamentos bibliográficos. Outra atividade relevante, implementada pelo Instituto e mantida até hoje, foi a elaboração e a disponibilização do Catálogo Nacional de Publicações Periódicas - CCN. É uma base de dados que arrola as revistas científicas e técnicas existentes nas bibliotecas brasileiras, indicando as bibliotecas que possuem determinado título de periódico e quais fascículos. O CCN constitui instrumento fundamental para a localização e o acesso a esse tipo de literatura imprescindível para a concretização de trabalhos acadêmicos e pesquisas científicas. A preocupação em arrolar e facilitar o acesso à literatura científica e técnica, aliada à de sanar o problema de recursos humanos carentes de maior formação, levou o IBBD a criar o "Curso de Pesquisas Bibliográficas em Ciências Médicas e em Ciências Agrícolas", em 1955. Posteriormente, passou a ser denominado "Curso de Documentação Científica", com ampliação do seu conteúdo. Esses cursos eram, inicialmente, dirigidos a bibliotecários, com o objetivo de capacitá-los a trabalhar com a literatura científica e técnica, primeiro enfoque da Ciência da Informação. Por meio da oferta desses cursos, o IBBD atuou como um centro irradiador de novos conhecimentos tanto para o Brasil quanto para outros países da América Latina, pois bibliotecários de diferentes origens atenderam ao curso de documentação, até o final da década de 1960. O IBBD, como órgão da administração federal, passou por transformações que ocorreram no Estado brasileiro, na década de 1970, quando o nome e missões de muitas instituições foram alterados. O nome do IBBD foi modificado para Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT, mas manteve sua vinculação ao CNPq, cujo nome também foi mudado de Conselho Nacional de Pesquisas para Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Entretanto, o IBICT preservou a experiência herdada do IBBD de atuar no campo de informação em ciência e tecnologia tanto em relação ao controle e acesso à informação documentária quanto em relação à formação de recursos humanos na área de informação (Neves, 1995).

Na mesma década, o Estado optou por investir na criação de infra-estrutura para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil, destinando-lhe parcelas significativas de orçamento. Um fato marcante desse período foi a expansão dos cursos de pós-graduação nas universidades federais. Tal política contribuiu para o desenvolvimento da ciência brasileira como um todo, incluindo áreas mais novas, dentre elas, a Ciência da Informação. O primeiro curso de pós-graduação stricto sensu na área, em nível de mestrado, foi criado pelo IBICT. A partir de então, observa-se o crescimento da Ciência da Informação no Brasil e seu processo de institucionalização, tanto em termos de formação de recursos humanos quanto de pesquisa científica e de sua comunicação. O que será abordado a seguir. 3.1 Sociedades Científicas A história da ciência mostra que a institucionalização da atividade científica coincide com a criação das academias científicas. As primeiras academias surgiram na Itália: Academia dei Lincei e Academia Del Cimento. A Academia dei Lincei foi fundada em 1603, tendo interrompido seus estudos nas áreas de física e astronomia após a condenação de Galileu, em 1633. A Academia De/ Cimento, criada em 1657, funcionou por apenas dez anos. A sociedade acadêmica mais conhecida é a Royal Society, de Londres. Foi criada, em 1660, por um grupo de cientistas e homens abastados que se reuniram em torno de idéias de renovação política e social. Outra instituição científica importante é a Academie des Sciences, de Paris, criada em 1666 (Albagli, 1988). Essas instituições se dedicavam à pesquisa científica com o apoio do poder político, e algumas contavam com pequeno patrocínio oficial, como acontecia na Inglaterra e na França. A função das sociedades científicas parece não ter se modificado significativamente na sociedade moderna. Elas permanecem como entidades detentoras do papel de incentivar a pesquisa científica e de facilitar a comunicação e discussão de resultados de pesquisas. Um objetivo importante mantido por essas organizações é o de representar politicamente os interesses de seus associados junto aos órgãos governamentais e à sociedade. Outra atividade relevante dessas sociedades, principalmente no século XX, é a promoção de eventos científicos, comumente denominados de congressos, seminários, reuniões, encontros. Essas organizações tornam-se, também, responsáveis pela publicação

de periódicos que objetivam divulgar os trabalhos desenvolvidos por pesquisadores. Assim, as sociedades científicas, hoje, contribuem de maneira decisiva para proporcionar condições para a intensificação do contato entre os pares de uma área, assim como para o intercâmbio de idéias e de conhecimentos entre os membros de sua comunidade. Além de contribuírem para o desenvolvimento dos campos de conhecimento, as associações participam da estruturação dos mesmos. Pode-se observar a consolidação de um campo do conhecimento pela análise das suas sociedades científicas e de suas atividades, que são indicativos do amadurecimento de determinada área acadêmica. O campo da Ciência da Informação possui, em sua organização interna enquanto campo do conhecimento, sociedades científicas. Como exemplo de tal fato, pode-se citar a norte-americana American Society for Information Science and Technology - ASIST. No Brasil, a comunidade de pesquisadores da Ciência da Informação se congrega em uma associação científica, a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação e Biblioteconomia - ANCIB. Ela foi criada em junho de 1989 com o objetivo, entre outros, de promover o desenvolvimento da pesquisa, o intercâmbio e a cooperação entre seus associados, a sistematização e a divulgação dos conhecimentos gerados pela comunidade de pesquisadores. A ANCIB promove periodicamente o Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação - ENANCIB. Tais encontros constituem momentos privilegiados em que os pesquisadores apresentam e discutem seus trabalhos de pesquisa, concluídas ou em andamento. Esses encontros são descritos pela ANCIB da seguinte maneira: O Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB) é o principal evento promovido pela ANCIB e tem o objetivo de discutir e refletir os temas e tendências da pesquisa em Ciência da Informação, de modo a estimular e fazer avançar as atividades de geração do conhecimento na área, por meio de amplo diálogo entre os pesquisadores que nela atuam. Nesse encontro, a comunidade de pesquisadores discute as questões mais em evidência e estreita os aços que unem seus membros. (ANCIB, 2004) Os encontros da ANCIB são estruturados por Grupos Temáticos, em torno dos quais os trabalhos de investigação científica são apresentados e discutidos. Atualmente, a Associação conta com os seguintes grupos temáticos: 1) Informação Tecnológica e para Negócio; 2) Representação do Conhecimento, lndexação, Teoria da Classificação; 3) Novas Tecnologias, Redes de Informação, Educação a Distância; 4) Informação e Sociedade; Ação Cultural;

5) Comunicação e Produção Científica; Literatura Cinzenta; 6) Formação Profissional e Mercado de Trabalho; 7) Planejamento e Gestão de Sistemas; 8) Epistemologia da Ciência da Informação. Os grupos temáticos aumentam ou diminuem conforme as necessidades de pesquisa da área. No IV ENANCIB foi criado um grupo dedicado à epistemologia da Ciência da Informação. Isso representa a concretização de esforços dedicados às teorias necessárias à consolidação do campo e também a preocupação da comunidade da área em refletir sobre o seu objeto e a sua prática de produção do conhecimento. Entretanto, a circulação das informações em um campo científico demanda outros veículos principalmente, o periódico. 3.2 O Periódico Científico A publicação regular de periódicos científicos é outra característica da consolidação de uma área acadêmica. O surgimento do periódico científico está associado às revoluções científicas ocorridas no século XVII e nasceu da necessidade de os cientistas se comunicarem com rapidez e de forma sistemática. O periódico constituiu uma forma de comunicação intermediária entre os contatos pessoais e os longos tratados. Criou, também, condições para a troca de idéias e críticas das pesquisas desenvolvidas, estendendo a audiência a todos os cientistas dedicados a um tema. O aumento das sociedades científicas, em meados do século XVII, colaborou na proliferação da revista científica. Segundo Meadows (1974), a importância desses periódicos deve-se ao fato de terem sido desenvolvidos como órgãos oficiais das sociedades científicas e como instrumentos de comunicação dos resultados de pesquisa. O primeiro periódico científico surgiu com o nome de Journal des Sçavans, em 1665. Seu objetivo era registrar informações sobre livros publicados na Europa, divulgar experimentos de física e química, descrever invenções, registrar dados meteorológicos e citar as primeiras decisões das cortes civil e religiosa. Sua publicação foi interrompida por imposição da Coroa Francesa. No mesmo ano, 1665, foi fundado o Philosophical Transactions of the Royal Society, em Londres. Diferentemente do periódico científico, este se dedicava somente ao registro de experimentos científicos em todas as áreas, relatadas em cartas por cientistas europeus. Assim, os membros da Royal Society poderiam ter acesso ao conhecimento então produzido.

A partir desses dois títulos, outras sociedades científicas européias passaram a editar periódicos com o objetivo de divulgar as pesquisas realizadas por seus membros. Além das funções de comunicação rápida dos resultados de pesquisa e da sua disseminação a um público mais amplo, Altbach (1980) chama a atenção para a importância do papel do periódico no desenvolvimento de novos campos de estudo. Ainda segundo o autor, os periódicos tornam-se especialmente importantes em um contexto social de Terceiro Mundo, uma vez que são pioneiros no desenvolvimento de seus campos de estudo. Nesse contexto, eles podem oferecer aos pesquisadores dos países periféricos um meio rápido de comunicação com os pesquisadores e centros de pesquisas dos países centrais. Entretanto, o autor aponta algumas dificuldades na manutenção das revistas científicas, naqueles países, como, por exemplo, o custo de manter um periódico dirigido a uma comunidade pequena de pesquisadores. A Ciência da Informação, em seu processo de constituição e de consolidação, tem produzido diversos periódicos. No Brasil, essa atividade da área se iniciou na década de 1970. Em 1972, foram criados a Ciência da Informação, sob a responsabilidade do IBICT, e a Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, que teve seu título alterado em 1996 para Perspectivas em Ciência da Informação, editada pela Escola de Ciência da Informação da UFMG. Em 1973, foi lançada a Revista de Biblioteconomia de Brasília, publicada, inicialmente, pela Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal e, atualmente, por essa classe, em conjunto com o Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília. Ainda em 1973, a Federação Brasileira de Biblioteconomia e Documentação posteriormente lançou seu a Revista mudou Brasileira para de Biblioteconomia e Brasileira de Documentação, e nome Revista Biblioteconomia

Documentação: Nova série. A partir da década de 1980, outros títulos foram criados, muitos deles ligados a cursos e programas de pós-graduação, em formato impresso e eletrônico. A revista Transinformação é editada pelo Departamento de Pós-Graduação em Biblioteconomia da PUCCAMP, a partir de 1989. Mas, em 1990, houve um aumento do número de periódicos ao surgirem novos títulos ligados aos cursos de graduação e de pós-graduação na área de informação, porém, nem todos estão sendo editados regularmente. Têm, então, sua publicação iniciada: - Informação e Sociedade: Estudos, sob a responsabilidade do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal da Paraíba, em 1991;

- Informação & Informação, pelo Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina, em 1995, com último fascículo datado de 2001; - Informare: Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da ECA-UFRJ/IBICT-CNPq, em 1995, datado de 2000 o seu último número editado; - Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, do Depart. de Ciência da Informação da Universidade Federal de Santa Catarina, em 1996; - DataGrama Zero, publicada pelo Instituto de Adaptação e Inserção na Sociedade da Informação sob a coordenação do professor Aldo Barreto, em 1999; - Revista Biblos do Departamento de Biblioteconomia e História da Fundação Universidade do Rio Grande, com periodicidade anual; - Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina; - Revista de Biblioteconomia do Maranhão. Os diferentes títulos se encontram em situações diversas. Alguns conseguem manter a regularidade da periodicidade proposta, outros apresentam demoras na edição de seus fascículos. Apesar de, no Brasil, a Ciência da Informação ter tido dificuldades em manter seus periódicos face à escassez de recursos que vem atingindo a ciência como um todo, a literatura desse tipo contribui para a comunicação formal de idéias e pesquisas para a sua comunidade e para a preservação do conhecimento registrado. A presença dos cursos e programas de pós-graduação em Ciência da Informação é decisiva na criação e na manutenção dos periódicos. A participação de professores/pesquisadores nos conselhos editoriais e na produção de artigos que veiculam as idéias e pesquisas de seus docentes e discentes contribui para a consistência e manutenção das revistas. 3.3 Programas de Pós-Graduação A formação de recursos humanos qualificados constitui elemento básico para o desenvolvimento e a consolidação de todo campo de conhecimento. No caso da Ciência da Informação, essa formação ocorre em dois momentos. O primeiro é a graduação em Biblioteconomia ou em Ciência da Informação, quando se possibilita ao aluno a Introdução na prática da pesquisa por meio dos programas de Iniciação Científica. Entretanto, a formação de recursos humanos para a pesquisa e a docência ocorre em um segundo momento, por meio dos cursos e programas de pós-graduação, que oferecem a pós-graduação stricto sensu, ou seja, em nível de mestrado e doutorado. Estes são abertos a

graduados provenientes de diferentes áreas, desde que atendam aos critérios de seleção estabelecidos. No Brasil, a pós-graduação em Ciência da Informação tem Início com os cursos lato sensu ou de especialização. Como já foi mencionado, o IBICT foi pioneiro na oferta de tais cursos. Depois disso, diversos cursos de especialização na, área de informação foram criados, especialmente na década de 1990. E preciso ressaltar que o objetivo desse nível de ensino é preparar para melhorar o exercício profissional em determinado tema porém, tem sido uma opção de aprofundamento de estudo adotada por cursos de graduação em Biblioteconomia e oferecida a seus ex-alunos e, também, a graduados de outras áreas. Por outro lado, a formação de pesquisadores e de docentes ocorre nos cursos stricto sensu. No Brasil, os cursos de pós-graduação stricto sensu em Ciência da Informação tiveram início na década de 1970, quando houve um crescimento significativo da pósgraduação nacional. O primeiro curso de mestrado foi implantado pelo IBICT, em convênio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Depois disso, outros cursos de mestrado surgiram, e, posteriormente, alguns passaram a oferecer também programas de doutorado. É interessante observar que, na década de 1990, os cursos já existentes na área de Biblioteconomia optaram pela mudança de nome para Ciência da Informação. Atualmente, o campo conta com oito programas de pós-graduação, abrigados nas seguintes instituições: - Instituto, Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (lBICT), em convenio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro até 2000, e convênio em negociação com a Universidade Federal Fluminense - Mestrado - 1970 e Doutorado - 1994; - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - Mestrado 1976 e Doutorado - 1997; - Universidade Federal da Paraíba (UFPB) - Mestrado - 1977; - Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP) - Mestrado - 1977; - Universidade de Brasília (UnB) - Mestrado - 1978 e Doutorado - 1982; - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho" (UNESP Marília) - Mestrado 1998; - Universidade Federal da Bahia (UFBA) - Mestrado - 1998; - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - Mestrado – 2003 A Ciência da Informação está também presente em dois outros programas: - Universidade de São Paulo (USP), como área de concentração do Programa de PósGraduação em Comunicação - Mestrado -1972 e Doutorado - 1992; - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), como linha de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação - Mestrado -1995.

Os cursos e programas de pós-graduação são estruturados em áreas de concentração e, dentro de cada uma, são estabelecidas linhas de pesquisa sob as quais se reúnem os professores / pesquisadores e discentes. As linhas de pesquisa também passam por modificações periódicas para absorver novas temáticas e novos perfis. Atualmente, os programas de pós-graduação em Ciência da Informação possuem as seguintes áreas de concentração e linhas de pesquisa: - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT): Área de Concentração 1 : Conhecimento, processos de comunicação e informação. Linhas de Pesquisa: - Teoria, epistemologia, interdisciplinaridade; - Processamento e tecnologia de informação. Área de Concentração 2: Política e gestão do conhecimento e informação. Linhas de Pesquisa: - Configurações sociais e políticas de informação; - Gestão da informação. - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG): Área de Concentração: Produção, organização e utilização da informação. Linhas de Pesquisa: - Informação, cultura e sociedade; - Informação gerencial e tecnológica; - Organização e uso da informação. - Universidade Federal da Paraíba (UFPb): Área de Concentração: Informação e Sociedade. Linhas de Pesquisa: - Informação e cidadania; - Desenvolvimento. - Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP): Linhas de Pesquisa: - Gestão de serviços de informação; - Produção e disseminação da informação. - Universidade de Brasília (UnB): Área de Concentração - Doutorado: Transferência da informação. Área de Concentração - Mestrado: Planejamento e gerência de unidades de informação.

Linhas de Pesquisa: - Planejamento, administração, gerência e avaliação de bibliotecas e sistemas de informação; - Processos e linguagens de indexação; - Formação profissional e mercado de trabalho; - Comunicação científica; - Informações orgânicas. - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho" (UNESP de Marília): Área de Concentração: Informação, tecnologia e conhecimento. Linhas de Pesquisa: - Informação e tecnologia; - Organização da informação. - Universidade Federal da Bahia (UFBA): Área de Concentração: Informação e conhecimento na sociedade contemporânea. Linhas de Pesquisa: - Teoria e gestão do conhecimento; - Informação e contextos socioeconômicos. - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC): Área de Concentração: Gestão da informação. Linhas de Pesquisa: - Fluxos de informação; - Profissionais da informação. - Universidade de São Paulo (USP): Área de Concentração: Ciência da Informação e documentação. Linhas de Pesquisa: - Ação cultural; - Análise documentária; - Geração e uso da informação; - Informação, comunicação e educação. - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): Área de Concentração: - Comunicação e informação. Linha de Pesquisa: - Informação, tecnologias e práticas sociais.

Houve um crescimento importante na quantidade de programas de pós-graduação na área, entretanto, o corpo de professores/pesquisadores ainda está aquém da demanda dos programas de pós-graduação. Em decorrência desse fato, eles muitas vezes dependem de professores de outras áreas ou vinculados a outros departamentos. 3.4 Considerações Finais A Ciência da Informação conta com uma infra-estrutura favorável ao seu desenvolvimento no Brasil. Existem oito programas específicos de pós-graduação na área e um como área de concentração e outro como linha de pesquisa em outros programas. Há também um considerável aumento do número de doutores e mestres. A Ciência da Informação brasileira conta, ainda, com muitos periódicos específicos, embora nem todos sejam publicados regularmente. Além disso, possui uma sociedade científica que promove encontros, permitindo o contato entre seus membros e a divulgação de pesquisas desenvolvidas e em andamento. A infra-estrutura para o desenvolvimento da Ciência da Informação apresenta-se favorável, embora muitos desafios devam ser superados. Sua consistência, crescimento e eficiência dependem, essencialmente, dos recursos humanos formados pelos cursos de graduação e pós-graduação, assim como de sua atuação profissional, para torná-la uma ciência com maior visibilidade e maior reconhecimento na sociedade. REFERÊNCIAS ALBAGLI, S. Ciência e estado no Brasil Moderno: um estudo do CNPq. 1988. 170 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - COPPE/UFRJ, 1988. ALTBACH, Philip G. The role of journals in knowledge distribution in the Third World. New York, 1980. (Texto mimeog.). ANCIB. Disponível em:<http://www.ancib.org.br>. Acesso em: 18/05/2004. CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, Brasília: IBICT, v. 24, n. 1. (Especial 25 anos de pósgraduação em Ciência da Informação do IBICT).

CNPq. Avaliação e Perspectiva 82. Brasília: Coordenação Editorial, 1983. v. 8. Ciências Sociais. CN Pq. Avaliação e Perspectivas 82. Brasília: Coordenação Editorial, 1983. v. 7. Ciências Humanas e Sociais. HERSHMAN, A The primary journal: past, present and future. J. Chem. Doc. v. 10, n. 1, p. 37-42, 1970. INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Disponível em: <http://www.ibict.br/secao.php?cat=pós-graduação%20em%20CI/programa>. 18/05/2004. MEADOWS, A J. Communication in science. London: Butterworths, 1974. MUELLER, S. P. M. O periódico científico. ln: CAMPELLO, B. S.; CENDÓN, B. V.; KREMER, J. M. (Org.). Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2000. cap. 5, p. 73-95. NEVES, T. M. G. Mestrado em ciência da informação do IBICT: uma breve abordagem de suas temáticas. Informare, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 14-19, jan./jun. 1995. OLIVEIRA, Heloisa da C. P. O apoio governamental às publicações periódicas científicas. O programa de apoio a revistas cientificas do CNPq e da FINEP. 1989. 130 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1989. OLIVEIRA, M. A Investigação científica na Ciência da Informação: análise da pesquisa financiada pelo CNPq. 1998. 200 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) Departamento de Ciência da Informação e Documentação, Universidade de Brasília, Brasília, 1998. Acesso em:

PINHEIRO, L. V. R. A Ciência da Informação entre a sombra e luz: domínio epistemológico e campo interdisciplinar. 1997. 269 f. Tese (Doutorado em Comunicação) – ECO, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1997. PÓS-GRADUAÇÃO em Ciência da Informação PPGCI/UFMG. Disponível

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CAPÍTULO IV - Sistemas e Redes de Informação
Beatriz Valadares Cendón 4.1 Sistemas de Recuperação da Informação A recuperação da informação consiste em encontrar a informação desejada em um armazém de informação ou base de dados (Meadows, 1992). Embora possa ter essa conotação mais ampla, na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação a expressão tem sido usada para significar busca de literatura (Lancaster e Warner, 1993). Se a recuperação da informação consiste na busca de uma coleção de documentos7 para identificar aqueles que satisfazem uma determinada necessidade de informação, sistemas de recuperação da informação (SRls) são aqueles sistemas criados para facilitar essa busca (Lancaster e Warner, 1993). Embora a recuperação da informação não seja necessariamente uma atividade computacional, na prática, hoje, SRls são automatizados. Exemplos de SRls são catálogos de bibliotecas, bases de dados bibliográficas (como, aquelas disponibilizadas no Portal Capes: Library and Information Sciences Abstracts - LISA, Web of Science e outras), e motores de busca na Internet (como, o Google). Normalmente os SRls lidam com documentos que contêm principalmente texto, e esse é o seu grande desafio, já que devem se defrontar com a ambigüidade da palavra na recuperação da informação. Caracterizam-se também por lidarem com informações de natureza externa (versus informação interna a empresas e instituições), o que os diferencia de outros sistemas como os de informações gerenciais. Em sua definição mais ampla, SRls podem, também, lidar apenas com o problema da recuperação textual. Um sistema de armazenamento e recuperação de desenhos de engenharia, por exemplo, seria também um SRI. Já um catálogo de fichas seria
7

O termo documento é usado no seu sentido mais amplo, não se restringindo apenas a textos, incluindo sons, imagens ou quaisquer outros objetos informativos (Buckland, 1991).

um exemplo de um SRI não automatizado. Devido às vantagens e facilidades que os SRls automatizados oferecem para busca de informação, seu uso tem se tornado cada vez mais comum. Esses sistemas oferecem maior número de pontos de acesso que os SRls não automatizados, podendo-se, muitas vezes, pesquisar palavras-chave que aparecem em qualquer ponto do registro, inclusive no resumo e no texto completo, quando estes estão disponíveis. Além disso, permitem realizar pesquisas mais complexas, em que vários conceitos necessitam ser relacionados, pois podese combinar grande número de termos de busca com lógica booleana, de maneiras que não seriam possíveis nos SRls impressos. Permitem também fazer, rapidamente, buscas abrangentes, cobrindo vários anos de publicações. Essas e outras facilidades representam uma grande economia de tempo para o usuário, permitindo que uma pesquisa que poderia tomar muitas horas de trabalho, se realizada manualmente, seja executada bem mais rapidamente, com o uso dos computadores. 4.2 O Funcionamento dos Sistemas de Recuperação da Informação Um sistema de recuperação da informação pode ser representado como no diagrama a seguir, proposto por Lancaster (1979):

Figura 4.1 - Funções de um sistema de recuperação da informação Fonte - Adaptado de LANCASTER, F. Wilfried. Information Retrieval Systems: characteristics, testing and evaluation. 2nd. New York: Wiley Interscience, 1979.

A aquisição de documentos por um serviço de informação implica na existência de um critério de seleção, o qual, por sua vez, requer um conhecimento das necessidades de informação da comunidade à qual o serviço atende. Critérios para seleção de documentos

incluem, por exemplo, assunto, tipo de documento, idioma, ou fonte. Uma vez adquiridos, os documentos são organizados e controlados para que possam ser identificados em resposta às consultas dos usuários. A indexação por assunto envolve a análise conceitual, ou análise de conteúdo, e a sua tradução para um vocabulário ou linguagem de indexação. Em alguns sistemas, isso implica no uso de um vocabulário controlado, ou seja, um conjunto limitado de termos que devem ser usados para representar o assunto de um documento. Esse vocabulário pode ser uma lista de cabeçalho de assunto, um esquema de classificação ou um tesaurus, por exemplo. A representação de assuntos do documento pode ser feita também através de um vocabulário não controlado, seja pelo uso de palavras ou frases que ocorrem no documento que está sendo indexado ou de termos escolhidos pelo indexador. Os termos usados pelo indexador, sejam eles provenientes de um vocabulário controlado ou não controlado, são chamados termos de indexação. Uma vez terminado o processo de indexação, os documentos são arquivados em alguma forma de base de dados de documentos; e os registros contendo as representações dos documentos são colocados em uma outra base de dados, onde eles são organizados de forma que possam ser pesquisados. Em sistemas utilizando tecnologias anteriores, essa base de dados de representações de documentos poderia ter a forma, por exemplo, de um catálogo de fichas ou de um índice impresso. Hoje, ela toma a forma de uma base de dados eletrônica. A base de dados de documentos e a base de dados das representações de documentos, hoje, já não são sempre distintas. Tornam-se cada vez mais comuns representações de documentos contendo não apenas termos de indexação, mas, também, resumos e, mais recentemente, tem se firmado a tendência das bases de dados conterem documentos em texto completo. Do ponto de vista do usuário, os passos envolvidos no funcionamento de um SRI são semelhantes. As perguntas dos usuários passam por uma análise conceitual e são traduzidas para o vocabulário do sistema. Depois disso, é elaborada a estratégia de busca e formulada a expressão de busca, na qual os termos da busca são relacionados entre si através de operadores booleanos ou não booleanos. A estratégia de busca consiste em um plano para encontrar a informação desejada em que várias expressões de busca podem ser utilizadas. Através da expressão de busca, o sistema compara, então, as representações dos documentos com as das perguntas dos usuários. Na fase final, os documentos recuperados através da consulta ao sistema são apresentados ao usuário para que este julgue, então, sua

relevância para as suas necessidades de informação. Pode ser que o usuário decida modificar a sua estratégia de busca com base nos documentos recuperados (feedback), reiniciando-se o processo. 4.3 A Pesquisa em Recuperação da Informação As origens da pesquisa para avaliar e melhorar a performance de sistemas de recuperação da informação são encontradas em 1953, com a execução de testes, separadamente, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, sobre o desempenho de um sistema de indexação então recém-lançado e controverso, o Uniterm, criado por Mortimer Taube. Esse sistema representava documentos por termos únicos retirados do título ou resumo, ao contrário de abordagens mais tradicionais para indexação por assunto. Os testes de avaliação foram executados pelo Armed Services Technicallnformation Agency (ASTIA), nos Estados Unidos (chamados de testes Uniterm e relatados por Gull, 1956), e pelo College of Aeronautics in Cranfield, no Reino Unido (chamados de "os testes Cranfield-Uniterm" e descritos por Thorne, 1955). No teste ASTIA, dois grupos, um da equipe de indexação da ASTIA e o outro da empresa Documentation Incorporated, de Mortimer Taube, indexaram separadamente e pesquisaram a coleção, que consistia de 15 mil documentos, com 93 pedidos de busca que haviam sido submetidos à ASTIA por usuários reais. A equipe ASTIA indexou os documentos empregando os cabeçalhos de assunto ASTIA. A equipe da Documentation Incorporated usou os Uniterms. A medida de efetividade empregada pelos dois grupos foi a relevância dos documentos recuperados para a pergunta. Parece ter sido essa a primeira vez em que o conceito de relevância foi utilizado como um critério para avaliação de SRls. No mesmo ano dos testes ASTIA-Uniterm nos Estados Unidos, um outro teste que comparava a performance dos Uniterms com a de formas mais convencionais de indexação ocorreu no College of Aeronautics, em Cranfield, Reino Unido. Nesse teste comparou-se o desempenho dos Uniterms com o de um sistema de indexação tradicional, baseado na Classificação Decimal Universal. Usou-se uma coleção de 200 documentos dos quais 40, chamados documentos-fonte, foram selecionados para derivar 40 perguntas de busca. O critério de efetividade foi o sucesso de se recuperar o documento-fonte, ou seja, aquele que havia gerado a pergunta de busca. Esse procedimento representava uma maneira de se evitar o difícil julgamento de relevância. Os resultados desse teste, embora sujeitos a

questionamento pela metodologia adotada8, demonstraram a superioridade dos Uniterms, que recuperaram 85% dos documentos-fonte, versus a Classificação Decimal Universal, que recuperou apenas 50% dos documentos. Mais dois testes, chamados Cranfield I e II, são marcos nas origens da pesquisa em recuperação da informação. O Cranfield I, iniciado em 1957, foi similar na sua concepção e execução ao Cranfield-Uniterm, mas numa escala mais ambiciosa - nele foi utilizada uma coleção de 18 mil documentos em engenharia aeronáutica. Essa coleção foi indexada usando-se 4 sistemas de indexação a serem comparados em sua eficiência de recuperação. Um conjunto de 1.200 perguntas de busca foi criado com base em documentos-fonte. A coleção foi então pesquisada a partir dessas perguntas. Caso o documento-fonte fosse localizado, a busca era considerada bem-sucedida. As buscas malsucedidas, que não conseguiam recuperar os documentos-fonte, foram analisadas para se identificar se a causa do insucesso eram problemas relativos à formulação da pergunta de busca, à indexação, à busca ou ao sistema. Os resultados, sujeitos às mesmas críticas que os do teste anterior9, mostraram que todos os sistemas testados operavam com níveis semelhantes de desempenho, em termos de sua capacidade de recuperar os documentos-fonte: o Uniterm atingiu 82% de sucesso, os cabeçalhos de assunto, 81,5%; a Classificação Decimal Universal, 75,6% e o esquema de classificação facetada, 73,8%. A segunda série de testes do Instituto Cranfield, realizada em 1963, foi chamada de Cranfield II. Nesse teste, 33 diferentes linguagens de indexação foram construídas com diferentes terminologias e estruturas. As diferentes linguagens de indexação variavam na extensão do uso de termos simples ou compostos, hierarquias e controle de sinônimos e homógrafos. Uma diferença significativa nos procedimentos do teste, comparado ao do Cranfield I, foi que a medida de efetividade da busca de informação foi explicitamente baseada em relevância. O desempenho de cada linguagem de indexação foi julgado pela recuperação de itens identificados previamente como relevantes para a pergunta de busca.

8 São tidos como limitações desse teste (1) o fato de não ter sido considerada na avaliação da performance do sistema a recuperação de outros documentos além do documento-fonte, fossem estes relevantes ou não; e (2) o favorecimento de sistemas de recuperação baseados no uso de termos e não de conceitos, já que as perguntas de busca foram derivadas dos termos utilizados nos documentos (ver Ellis, 1996). 9 No Cranfield I. foi especialmente criticado o uso de documentos-fonte tanto para derivar as perguntas como para avaliar a efetividade da recuperação da informação, já que numa situação real o documento-fonte geralmente não existe. Criticou-se também o fato de que a relação entre o documento-fonte e a pergunta de busca era muito próxima (Ellis, 1996).

Foi também julgado o desempenho de cada linguagem em relação às medidas de revocação e precisão, as quais foram criadas para uso nesse teste. A mais séria crítica à metodologia do Cranfield II, mesmo tendo sido esta mais rigorosa que a do teste anterior, foi em relação à obtenção dos julgamentos de relevância. Esses julgamentos representam uma área de dificuldade, já que se constatou que podem ser influenciados por inúmeros fatores, tais como: assunto, nível de dificuldade, estilo, ordem de apresentação do material, definição de relevância empregada e características da pessoa que faz o julgamento (experiência, conhecimento, inteligência, entre outros fatores). Os testes Cranfield estabeleceram um marco na história da recuperação da informação por terem fornecido o embasamento teórico dentro do qual a disciplina de recuperação da informação se desenvolveu. Estabeleceram também o princípio de que a argumentação sobre os méritos dos designs de esquemas de indexação ou classificação para representação do conhecimento deve ter base empírica e experimental, em vez de filosófica e especulativa, como era o caso anteriormente. Os procedimentos metodológicos adotados nos testes Cranfield, com testes de sistemas de indexação, controlados em laboratório usando-se coleções-teste, constituídas de um conjunto de documentos e submetidas a perguntas de busca, e acompanhados de pressupostos relativos às características do ambiente em que o sistema de recuperação da informação operava10 formaram uma tradição de pesquisa em design e teste de SRls. Esses pressupostos constituem um modelo implícito de comportamento de busca de informação que, devido a seu significado para essa tradição de pesquisa, é chamado de modelo de recuperação da informação. Nesse modelo o usuário reconhece uma necessidade de informação e vem ao sistema de recuperação da informação com um pedido de busca baseado naquela necessidade. O sistema de recuperação compara o pedido do usuário com as representações de documentos contidas no sistema. A tarefa do sistema é apresentar ao usuário os documentos que melhor satisfazem a sua necessidade. O usuário examina as representações dos textos apresentadas e julga a sua relevância. A intenção é que alguns ou todos os documentos apresentados parcial ou totalmente satisfaçam a necessidade de

Os pressupostos dos testes Cranfield eram: (1) que a relevância é equivalente à similaridade com o tópico ou assunto; (2) que a relevância de um documento é independente da relevância de outros; (3) que todos os documentos relevantes são igualmente desejados; (4) que a necessidade de informação do usuário não muda; (5) que o julgamento de relevância é binário, isto é, um documento é relevante ou não relevante; (6) um único conjunto de julgamentos é representativo dos julgamentos de toda população de usuários e (7) a revocação é conhecida (Ellis, 1886).

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informação do usuário. O modelo de situação de recuperação da informação implícito nos procedimentos dos testes de Cranfield foi tacitamente aceito e empregado em pesquisas posteriores na área de recuperação da informação. Esses testes forneceram as bases metodológicas para o desenvolvimento da disciplina de recuperação da informação. Suas conclusões representam os primeiros resultados científicos do campo. A abordagem para testar SRls foi empregada como modelo para muitas outras avaliações experimentais e operacionais, criando um corpo de trabalhos em problemas identificados dentro da estrutura teórica fornecida pelos testes. Os resultados de pesquisas subseqüentes robusteceram as conclusões dos testes Cranfield, reforçando o estado paradigmático do campo; além disso, serviram para orientar a concepção dos serviços comerciais de fornecimento de bases de dados que surgiram em seguida. Uma continuação aprimorada da tradição de Cranfield é a iniciativa Text Retrieval Conference (TREC), começada nos Estados Unidos, que, desde 1992, promove congressos, estimula a pesquisa em recuperação da informação e fornece uma plataforma para que pesquisadores testem seus sistemas e técnicas e as comparem com outros. Apesar de existirem outras coleções-teste para recuperação da informação, TREC, contendo mais de meio milhão de documentos, tem sido a mais usada. O tamanho da coleção-teste visa uma aproximação maior dos testes com a realidade. No final dos anos 1970 e começo dos anos 1980, outros métodos de pesquisa para se melhorar o desempenho dos SRls foram desenvolvidos. Ellis (1996) classifica-os nas seguintes áreas: • • Pesquisa baseada em métodos estatísticos e probabilísticos; Abordagens cognitivas para a recuperação da informação, incluindo a modelagem cognitiva do usuário; • O desenvolvimento de sistemas especialistas intermediários como auxiliares na recuperação da informação; • A aplicação de conceitos e técnicas de inteligência artificial à recuperação da informação; • A recuperação da informação através do hipertexto. O centro das preocupações da pesquisa estatística e probabilística é o desenvolvimento de técnicas para indexação, classificação e elaboração automática de resumos, bem como a

busca automática. O primeiro sistema em que esse tipo de pesquisa foi testado foi o histórico sistema SMART, de Gerard Salton. A partir dos anos 1990, essa tradição de pesquisa passou a ser intensivamente continuada nas pesquisas para melhoria da recuperação da informação da Internet, através dos mecanismos de busca. Já os anos 70 e 80 se caracterizaram por uma mudança de ênfase, em que o interesse de pesquisa se dirigiu mais para modelos cognitivos de modelagem dos usuários, nos quais os SRls pudessem se basear, e no desenvolvimento de sistemas especialistas que intermediassem a busca. Um dos mais conhecidos exemplos de proposta de sistema baseado em modelo cognitivo do usuário é o Estado Anômalo de Conhecimento (em inglês, Anomalous States of Knowledge ASK), de Nicholas J. Belkin. Essa abordagem é criticada por ter gerado sistemas que não foram além do estágio de protótipos, não chegando a se tornar operacionais ou comerciais. Nesse mesmo período, vários sistemas especialistas foram criados para recuperação da informação, embora tenham tido sucesso limitado, como, por exemplo, o CANSEARCH, para a busca da literatura na área de câncer. Além dos sistemas especialistas, outras técnicas da inteligência artificial como processamento da linguagem natural, redes semânticas e redes neurais, têm sido exploradas na tentativa de aprimorar a recuperação da informação. Cerca de 30% de toda a literatura publicada na Ciência da Informação se dá na área de recuperação da informação (Jarvelin; Vakkari, 1993). 4.4 História e Desenvolvimento da Indústria On-line Enquanto, desde o final dos anos 1950, eram lançadas as bases para a pesquisa em avaliação de SRls, as técnicas de armazenagem e recuperação de dados bibliográficos em sistemas de computadores foram desenvolvidas durante os anos 1960. Por volta de 1969, vários produtores de bases de dados criaram fitas magnéticas contendo dados bibliográficos como produtos secundários na produção dos seus periódicos de indexação e resumos. Muitas dessas fitas magnéticas eram adquiridas por grandes organizações, como Shell Research Ltd. e ICI, e usadas em serviços internos de disseminação seletiva de informação (DSI) ou buscas retrospectivas, que eram, naqueles dias, feitos no modo off-line ou batch. Esse tipo de busca era alimentado no computador através de conjuntos de cartões (batch) para processamento, junto com outras buscas que se acumulavam. O resultado era impresso. Costumava haver demora da ordem de dias ou semanas entre o recebimento do pedido de busca e o envio do resultado e não era possível

interação entre o usuário e o sistema. Os softwares usados para as buscas eram, em geral, desenvolvidos internamente. Embora predominassem naquela época os sistemas off-line, já no final dos anos 1950 e no início dos anos 1960 começam também os primeiros experimentos com sistemas online de recuperação da informação. Lilley e Trice mencionam exemplos desses sistemas: SAGE11 (1952-1957), na área de defesa aérea, SABRE12 (1962), para reservas de companhias aéreas, e TlP13 (1964), um sistema desenvolvido no MIT para buscas bibliográficas em uma coleção de 35 mil citações, na literatura de física. Nessa época, outras organizações nos Estados Unidos começaram a se envolver na área de busca em bases de dados. Em 1964, a lockheed Missiles Corporation demonstrou um sistema on-line, conhecido como CONVERSE, para buscas na base de dados de sua biblioteca. Em 1965, a empresa System Development Corporation (SDC), num projeto financiado pelo Advanced Research Projects Agency (ARPA), do U.S. Department of Defense, se envolveu no desenvolvimento de um sistema que permitiu a 13 organizações privadas e governamentais acessarem, via telefone, um arquivo de 200 mil registros bibliográficos sobre tecnologia estrangeira. O software para esse sistema se chamou ORBIT (Online Retrieval of Bibliographic Information Time Shared). Também em 1965, a lockheed desenvolveu um outro software para ser utilizado em uma coleção de cerca de 200 mil documentos da U.S. National Aeronautics and Space Administration (NASA). Este software, conhecido como RECON (Remote Console), foi baseado no próprio software de lockheed, que foi, então, renomeado DIALOG. A IBM começou a se envolver nessa área e, por volta de 1966, iniciou o desenvolvimento de um sistema de recuperação bibliográfica que deu origem ao seu sistema STAIRS (Storage and Information Retrieval System). Também nos anos 1960 surgiram os projetos cooperativos entre bibliotecas para aquisição de documentos, compartilhamento de dados, desenvolvimento de padrões comuns, catalogação cooperativa e comutação bibliográfica entre bibliotecas e centros de informação. Esses projetos, com a adoção de métodos computadorizados nos anos 1970 e 1980, passaram a se responsabilizar pela criação e manutenção de grandes bases de dados bibliográficos para apoio às atividades de processamento técnico e administração de bibliotecas, mas que também podem ser pesquisadas pelo usuário final. A Ohio College
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Semi-Automatic Ground Environmnt System. Semi-Automated Booking and Reservation Enviroment. 13 Technical Information Project.

Library Center (OClC), criada em 1967, foi a primeira dessas redes de catalogação cooperativa. As bases de dados geradas por essas redes, contendo registros no padrão MARC (Machine Readable Cataloging), inicialmente eram oferecidas apenas off-line para produção de fichas catalográficas pelas bibliotecas-membro. A partir da década de 1970, as bases passaram a ser oferecidas também on-line, permitindo a busca e a modificação de registros interativamente. Os anos 1970 se caracterizam pela consolidação da recuperação interativa on-line e dos serviços comerciais dos distribuidores de bases de dados que haviam sido desenvolvidos na década anterior. Por volta de 1969, alguns desses sistemas experimentais já estavam se tornando operacionais. O Space Documentation Centre, do European Space Agency (ESA), adquiriu o RECON da NASA e começou a oferecer um serviço de informações on-line, cobrindo várias bases de dados e servindo a 10 terminais em sete países europeus. Na National Library of Medicine, a Abridged Index Medicus fornecia acesso via SDC e rede de telefone a 100 revistas em medicina clínica. O sistema foi bem recebido por bibliotecários da área médica e, em seis meses, cerca de 90 instituições passaram a utilizá-la. Em 1971, o completo sistema MEDlARS on-line, ou serviço Medline, tornou-se operacional. Tal serviço usou o software ElHllL (Lister Hill National Centrefor Biomedical Communications), baseado no software ORBIT, do SDC. Em 1971 e 1972, os serviços online começaram a ampliar o acesso aos seus sistemas. O número de bases de dados existentes, inicialmente bastante restrito, cresceu rapidamente. Para exemplificar, em 1972 havia apenas seis bases bibliográficas disponíveis para o público; em 1992 havia quase 5.300, desenvolvidas por 2.158 produtores (Lancaster et aI., 1993, p. 27). Essas bases de dados precisavam ser disponibilizadas para bibliotecas e serviços de informação, através de distribuidores. Visando suprir essa demanda, três principais serviços de comercialização e distribuição de bases de dados surgiram: DIALOG, oferecido pela empresa Lockheed, ORBIT, oferecido pela System Development Corporation, e BRS-SEARCH, oferecido pelo Bibliographical Retrieval Services. Para exempiificar, o sistema DIALOG, da Lockheed, começou como um serviço comercial de busca em 1972 com bases de dados do U.S. Office of Education (ERIC), U.S. National Technical Information Service (NTIS) e o National Agricultural Library (AGRICOLA). O número de distribuidores também se desenvolveu. Enquanto em 1978 havia apenas oito distribuidores comerciais nos Estados Unidos, Hartley et al. (1990, p. 35) reportam quase 600 no final de 1988. Todos esses desenvolvimentos resultaram na formação de uma grande indústria de distribuição de

SRls, a chamada indústria on-line, constituída por produtores, distribuidores e usuários de bases de dados. Outras evoluções em sistemas de processamento on-line, software de busca e capacidade de armazenamento de dados, bem como a existência de pessoas que pudessem utilizar a tecnologia, fizeram com que a indústria on-line florescesse. Um outro impulso ao uso mundial desses serviços on-line durante a década de 1970 veio com os avanços nas telecomunicações e o estabelecimento de redes de comutação de pacotes como TYMNET e TELENET, nos Estados Unidos. Os nós dessas redes apareceram na Europa por volta de 1974 e, depois, no restante do mundo. Assim, no início da década de 1980, centenas de bases de dados bibliográficos estavam disponíveis on-line através de serviços de distribuição de bases de dados, como o DIALOG, BRS, British Library Automated Information Service (BLAISE), ESA e ORBIT. No Brasil, os sistemas on-line começam a operar no final da década de 1970, com acesso através de terminais de vídeo, telex ou microcomputadores, utilizando redes de telex ou telefonia internacional. Com o desenvolvimento da INTERDATA, rede de comunicação de pacotes da Embratel, esta passou a ser utilizada. O IBICT foi uma das primeiras instituições brasileiras a utilizar o acesso on-line a bases de dados, tendo iniciado esse serviço no final de 1977 em um Centro-Piloto, que tinha por objetivo avaliar as bases de dados para selecioná-Ias e formar recursos humanos na área de pesquisa de bases de dados. Inicialmente, utilizava o ORBIT e, depois, o DIALOG e o QUESTEL. Os anos 1980 se caracterizam pela diversificação não só das bases de dados e serviços de distribuidores, como também das tecnologias. Surgem os microcomputadores, os CD-ROMs e Video-Discs como novas formas de armazenamento e distribuição de bases de dados. Aparecem novos tipos de bases de dados, sistemas especialistas e front-ends para os serviços de acesso às bases de dados. Essa época também se caracteriza pelo desenvolvimento de catálogos on-line nas bibliotecas, um outro tipo importante de bases de dados que veio se somar àquelas existentes. Esses catálogos contêm referências bibliográficas de obras inteiras, como livros, anais de congressos ou periódicos e dessa forma se diferenciam de outras bases bibliográficas referenciais que fornecem, principalmente, referências bibliográficas dos capítulos de livros, trabalhos publicados em anais de congressos ou artigos publicados em periódicos e que são versões eletrônicas de índices de citação e resumo. Nos anos 1990, as bases de dados se disseminaram de forma mais ampla. Inicialmente, a divulgação da tecnologia do CD-ROM permitiu a dilatação do seu acesso por

instituições de países do Terceiro Mundo, ao evitarem os custos de telecomunicações. O crescimento e a expansão da Internet e das publicações eletrônicas possibilitou novas formas de acesso às bases e também o surgimento de outros tipos de SRls, como as bibliotecas digitais, acessíveis via Internet, onde o usuário pode acessar o texto completo dos documentos, e os mecanismos de busca da própria Internet. A Web, em si, pode ser vista como um gigantesco SRI. O início do século XXI é marcado pela explosão dos conteúdos em forma eletrônica. Lyman e Varian (2003), em seu estudo "How much information", estimaram que no ano de 2002 foram produzidos cinco exabytes de informação14 das quais 92% estão armazenados em forma eletrônica em meio magnético, ou seja, nos discos rígidos de computadores. Essa explosão e variedade de formas em que a informação é oferecida faz com que o cenário descrito seja uma simplificação da realidade da indústria on-line, volátil e em constante mudança. Hoje o ambiente informacional é complexo, a fronteira entre os papéis das diversas organizações e o tipo de informação que cada uma fornece já não são claros e existem muitos tipos de bases de dados e empresas nesta arena. A indústria on-line, no presente momento, tem sido marcada por joint ventures, fusões e aquisições que resultam no surgimento de gigantes da informação, megaempresas que atuam no ramo da informação. Em 2002, aproximadamente 2/3 das empresas de informação fizeram associações estratégicas, 84% criaram novos produtos e serviços e quase todas adicionaram novos conteúdos aos já oferecidos, tornando-se retrospectivas. Para exemplificar, o American Periodical Series do ProQuest fornece hoje acesso a mais de 1.100 periódicos que começaram a ser publicados entre 1741 e 1900. A grande maioria dos distribuidores de informação, hoje, cria o seu próprio conteúdo e tem as bibliotecas, principalmente as universitárias, como o seu principal mercado. Tornou-se também comum que eles façam ofertas especiais para fornecimento de seus recursos informacionais a consórcios de instituições, como é o caso dos distribuidores de informação que têm contratos com o Portal Capes. Com os novos desenvolvimentos tecnológicos que permitem a criação de links entre as citações bibliográficas das bases de dados e o fornecedor de texto completo, uma nova tendência é de que as bases bibliográficas, e mesmo catálogos de bibliotecas que não fornecem links para o texto completo, deixem de existir. Outra tendência é que os sistemas de busca tenham interfaces dirigidas ao usuário final e o aparecimento de

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Quantidade de informação equivalente a 37 mil bibliotecas do Congresso.

serviços direcionados para esse usuário. (Tenopir et al, 2003) 4.5 Tipos de Sistemas de Recuperação da Informação SRls, como todos os sistemas de informação, são formados por um conjunto de componentes que permitem que eles atinjam o seu objetivo. Esses componentes são a tecnologia (hardware, software e as redes de comunicação de dados), as pessoas (usuários, intermediários e pessoas envolvidas na criação do sistema) e um ou mais corpos de conhecimento ao qual o SRI dá acesso (Allen, 1996). Esse corpo de conhecimento está contido, em geral, em alguma forma de base de dados. Embora a base de dados seja apenas uma parte dos sistemas de informação, muitas vezes os dois termos são utilizados como sinônimos. Existem várias formas de classificar os SRls. Por constituírem as bases de dados informacionais o seu cerne, optou-se, aqui, por classificá-los de acordo com o tipo de dados aos quais fornecem acesso. Assim, os SRls, como as bases de dados, podem ser categorizados como referenciais ou de fonte. Bases referenciais são bases de dados que incluem referências ou informações secundárias. Subdividem-se em dois tipos: • Bibliográficas: muitas vezes, as bases bibliográficas são versão eletrônica dos periódicos de indexação e resumo, contendo citações bibliográficas e outros campos adicionais. Outros tipos de bases de dados bibliográficas são os catálogos de bibliotecas e as bases de dados produzidas pelas redes de catalogação cooperativa. Usualmente são utilizadas em conexão com pesquisa ou trabalhos acadêmicos. • Diretórios: São bases de dados que contêm dados cadastrais sobre pessoas, instituições, softwares etc. Bases de dados de fontes incluem a informação completa ou os dados primários. Subdividem-se em quatro tipos: • Bases de Texto Completo: contêm textos completos de um documento (por exemplo, leis, decisões judiciais, artigos, jornais, manuais, relatórios anuais de empresas etc.). Aqui se incluem também as páginas da Wor/d Wide Web. • Bases de Dicionários: contêm manuais, dicionários de termos, definições, nomenclatura química, propriedades físicas etc.

Bases Numéricas: contêm dados numéricos e séries estatísticas.Incluem bases de dados em áreas científicas e de negócios (por exemplo, dados e indicadores econômicos e financeiros, estatísticas de censo etc.). Podem incluir dados manipuláveis e ser utilizadas para produção de relatórios, tabelas e gráficos e para sofisticadas análises científicas ou de negócios. Bases de Imagens / Dados Gráficos: contêm, sob a forma gráfica, fórmulas químicas, imagens de logotipo, desenhos ou figuras. Um exemplo desse tipo de base é a TRADEMARKSCAN de marcas registradas, que contém as imagens dos logotipos.

As bases de dados podem também ser classificadas de acordo com a área de conhecimento que cobrem. As primeiras a surgir cobriam as áreas científicas e técnicas. Seguiram-se, nos anos 1970, as bases de dados nas áreas de engenharia e ciências aplicadas, ciências sociais e artes e humanidades, bem como bases contendo informação de interesse para o profissional da área acadêmica, tecnológica ou de negócios. Finalmente, desenvolveram-se produtos para o público em geral, que indexam jornais e revistas populares. Algumas, como o Dissertation Abstracts On-line, são multidisciplinares, porém limitadas a um único tipo de documento. A maioria focaliza uma única área de conhecimento, mas inclui em sua cobertura vários tipos de documentos. Os catálogos on-line e as bases de catálogos cooperativos caracterizam-se por serem, de um modo geral, multidisciplinares, desde que a coleção que representam também o seja. São sistemas dirigidos para o usuário final, e seus registros e forma de indexação refletem os registros catalográficos que os originaram. 4.6 Formas de Acesso Basicamente, existem duas formas de acesso aos SRls: remotamente, via redes de comunicação de dados, ou localmente. O termo on-line é usado, na literatura de Biblioteconomia e Ciência da Informação, para designar uma forma de acesso remoto aos SRls, via outras redes que não a Internet. Nos sistemas on-line, que já existiam antes de a Internet ter se disseminado, um computador de um centro de informações é usado para entrar diretamente em contato com o computador hospedeiro das bases de dados. O termo on-line significa que tanto o computador do usuário quanto o computador hospedeiro estão se comunicando no momento da busca. Embora

esses sistemas on-line já estivessem disponíveis desde o final dos anos 1960 e começo da década de 1970, o seu uso não era disseminado em bibliotecas devido aos custos para acessá-los através de ligações interurbanas ou internacionais. O surgimento das redes de comutação de pacotes teve grande impacto sobre esse uso ao baixar substancialmente esses custos. Esse tipo de rede é ativado pelo usuário apenas quando uma mensagem está sendo enviada, não necessitando uma conexão permanente durante todo o curso da comunicação. Foi após o aparecimento dessas redes que o mercado da recuperação on-line se expandiu. Exemplos de redes de comutação de pacotes são a RENPAC e INTERDATA, do Brasil, e TYMNET ou TELENET, dos Estados Unidos. O acesso on-line é a forma mais rápida e eficaz de acesso às bases de dados. Nas bases on-line, as informações são atualizadas mais freqüentemente que nas versões impressas ou em CD-ROM, garantindo o acesso a informações mais recentes. Entretanto, existem algumas desvantagens relacionadas ao acesso on-line. Além dos custos de acesso, que, mesmo com as redes de comutação de pacotes, ainda são altos para países como o Brasil. outro problema é a variedade dos sistemas, pois Os detalhes técnicos de utilização e pesquisa nas bases de dados variam de distribuidor para distribuidor. Por serem destinados a profissionais da informação, o uso dos sistemas pode ser complexo, exigindo treinamento e experiência. Em geral, os usuários finais têm dificuldade em lidar com eles. Além disso, a constante evolução da tecnologia de busca torna necessário que o profissional da informação se atualize constantemente, estudando a documentação tanto do sistema de cada fornecedor quanto da base de dados. No final da década de 1990, os distribuidores de bases de dados começaram a utilizar também a Internet para oferecer outra forma de acesso remoto às bases. O acesso via Internet é similar ao on-line, mas, nesse caso, a rede utilizada para acesso é, obviamente, a Internet, e o custo de telecomunicações é menor. Como no caso dos sistemas on-line, uma vez acessado o sítio do fornecedor, é necessário o uso de senhas para o acesso e a pesquisa. Entretanto, o usuário pode usufruir de alguns serviços grátis no site do distribuidor, mesmo que não seja assinante. O fornecimento de acesso às bases dos grandes serviços de distribuição de bases de dados via Internet ainda é uma novidade em experimentação e, para o profissional da informação, apresenta várias desvantagens. Ao contrário da conexão direta on-line, o acesso através da Internet pode ser demorado, dependendo do tráfego na rede e do horário de acesso. Normalmente os fornecedores disponibilizam um leque menor de bases de dados do

que o oferecido pelo acesso direto on-line. Além disso, a interface de pesquisa e o software para busca geralmente fornecem recursos menos sofisticados que os dos sistemas on-line. Entretanto, para os usuários brasileiros, essa nova opção de acesso remoto elimina um fator limitante, que é o custo de comunicações. Além do acesso remoto, existe a opção de acesso local aos SRls. Muitas das bases estão atualmente disponíveis em CD-ROMs. Alguns exemplos dos produtores/distribuidores de bases de dados em CD-ROM são University Microfilms International (UMI), OClC e SilverPlatter. O CD-ROM tem a vantagem de oferecer um custo fixo por uso ilimitado e eliminar as dificuldades relacionadas com o acesso remoto, por isso, é um meio de acesso que tem tido grande penetração em países do Terceiro Mundo. Outra vantagem é a simplicidade de sua interface de pesquisa, que visa o usuário final e elimina a necessidade da presença de um intermediário que conheça o sistema. Entretanto, da mesma forma que nos sistemas on-line, existe no caso dos CD-ROMs uma variedade de sistemas com detalhes técnicos de utilização diferentes, o que representa um obstáculo para o usuário. Outras desvantagens dos CD-ROMs em relação aos sistemas on-line são o menor número de bases disponíveis nesse formato, informações atualizadas com menor freqüência que nas bases on-line e recursos de busca menos flexíveis que nos sistemas voltados para o profissional. Alguns vendedores de bases de dados, como Ovid Technologies Inc. ou H. W. Wilson Company, podem fornecer também fitas magnéticas com o conteúdo das bases de dados para que sejam montadas localmente. Esse tipo de instalação exige grande capacidade de armazenagem dos computadores. As bases de dados são adquiridas, processadas, carregadas no sistema e disponibilizadas para toda a instituição, geralmente mediante senha de acesso. Normalmente, são montadas junto com o catálogo on-line da biblioteca, como bases de dados adicionais. No Brasil, esse método é pouco usado, pois apenas recentemente sistemas mais sofisticados para automação de catálogos de bibliotecas têm sido implantados. 4.7 Redes de Informação Uma rede pode ser definida como "um conjunto de sistemas de informação e/ou comunicação - descentralizados, intercomunicantes, formados por unidades funcionais independentes, com serviços e funções inter-relacionados - cuja interação é presidida por

acordos de cooperação e adoção de normas comuns" (Vieira, 1994, p. 29). Em uma definição menos restritiva, que será aqui adotada, Becker e OIsen (1968) consideram que uma rede é uma interconexão de COisas, sistemas ou organizações e que, em uma rede de informação, mais de dois participantes trocam informações para algum propósito funcional. Uma característica das redes é a existência de uma organização formal e de propósitos comuns de troca de informações. Lilley e Trice (1989, p. 105) notam que a distinção entre redes e sistemas de informação, às vezes, pode ser pouco nítida: de acordo com algumas definições, as bases de dados MEDLlNE, AGRICOLA e ERIC seriam consideradas sistemas de informações, mas, se esses sistemas estiverem organizados e servindo seus usuários on-line dentro de certos padrões, serão considerados redes. Há uma interminável discussão teórica dos termos redes e sistemas, muitas vezes confundidos e utilizados como sinônimos, o que revela ser o trabalho em rede passível de se constituir em sistema e vice-versa, ou melhor, essas formas de atuação não são excludentes. (Pinheiro, 1990) As redes normalmente são descritas através de sua classificação por categorias. Um amplo sistema de classificação é fornecido por Becker em 1978, em um documento sobre administração e estrutura de redes. Segundo ele, as redes podem ser categorizadas de acordo com: • • Os sinais que enviam (digital ou analógica); Sua estrutura ou topologia lógica (centralizada ou tipo estrela, descentralizada ou hierárquica); • Seu foco institucional (rede de bibliotecas universitárias, públicas, de órgãos de apoio à indústria); • Sua funcionalidade (rede de catalogação, de comutação bibliográfica, de informações referenciais); • • O assunto tratado (rede de informação para negócios, rede de informação agrícola); A área abrangida (estadual, regional, interestadual, nacional, internacional). Quanto à sua funcionalidade, as redes são utilizadas para cooperação,

compartilhamento, intercâmbio e acesso remoto a informação, documentos ou recursos computacionais. Através da participação em uma rede de serviços de informações, o usuário pode obter o benefício do acesso socializado a uma variedade de recursos informacionais, além de outros, como aproximação com os pares; já as instituições mantenedoras das redes têm o benefício de racionalizar os gastos com infra-estrutura e acervo, evitando duplicação

de esforços. Dentro desses objetivos funcionais, na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação os tipos mais comuns de rede são: • Redes de serviços e de apoio institucional, que visam o compartilhamento de dados, o desenvolvimento de padrões comuns e a comutação bibliográfica entre bibliotecas e centros de informação. Aqui se incluem dois outros subtipos de redes, as redes de catalogação cooperativa e as redes de comutação bibliográfica e envio de documentos. Os participantes são, em geral, bibliotecas e centros de informação, que as utilizam, por exemplo, para verificação de dados bibliográficos, serviços de comutação bibliográfica, catalogação por cópia e aquisição. Redes desse tipo têm, no seu centro, grandes bases de dados de registros catalográficos MAR C, criados e compartilhados por várias bibliotecas associadas. Exemplos dessas redes são o Bibliodata e OClC (redes de catalogação) e o Programa de Comutação Bibliográfica (COMUT). Hoje essas redes têm assumido papéis semelhantes aos dos distribuidores de bases de dados, fornecendo softwares de busca poderosos, produzindo CD-ROMs e, mesmo, provendo acesso a bases de outros produtores, como é o caso da OClC. • Redes de serviços de busca e recuperação da informação, que visam principalmente a identificação e o compartilhamento de recursos informacionais. Elas podem, por sua vez, se subdividir em outros tipos: - Redes cooperativas nacionais e internacionais Um modelo genérico de funcionamento para esse tipo de rede prevê que os países ou unidades membros da rede são responsáveis pela produção bibliográfica referente às suas produções na área. Essas informações são coletadas por um centro regional que as envia ao centro geral da rede, onde os dados são revisados e controlados para alimentar uma base cooperativa de dados. Essas redes geralmente cobrem campos de conhecimento científico e tecnológico. Dentre elas se destacam aquelas desenvolvidas sob a coordenação e o apoio de organizações das Nações Unidas e estabelecidas com base na cooperação internacional. Citam-se como exemplos: o Sistema Internacional de Informação Nuclear (INIS), coordenado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e operante desde 1970; o AGRIS, Sistema Internacional de Informação em Ciências e Tecnologia Agrícolas, coordenado pela

Food and Agriculture Organization (FAO); e o International Patent Documentation (INPADOC), coordenado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Muitas dessas iniciativas nasceram dentro do UNISIST (sigla que significava Universallnformation System for Science and Technology), um programa intergovernamental da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), concebido no final dos anos 1960 e lançado no início da década de 1970, para cooperação no campo da informação científica e tecnológica. O objetivo era estimular a criação de sistemas nacionais especializados (agricultura, energia etc.) integrados a uma política nacional de informação, compatíveis entre si e que permitissem a criação de sistemas internacionais cooperativos. Fora do âmbito das Nações Unidas, cita-se como exemplo de rede cooperativa o Medical literature Analysis and Retrieval System (MEDLARS), da National Library of Medicine dos Estados Unidos, que se estendeu ao mundo todo. - Serviços de busca e recuperação de informação dos distribuidores de bases de dados As bases de dados produzidas pelas mais diversas instituições (redes cooperativas, associações profissionais, órgãos governamentais, bibliotecas, empresas comerciais etc.) podem ser vendidas para outras organizações que se especializam no fornecimento de bases de dados. Essas empresas adaptam os dados dos produtores de bases de dados de acordo com seus padrões e vendem o acesso remoto ao conjunto de bases de dados para bibliotecas, instituições de pesquisa, empresas e pessoas físicas. No exterior, essas empresas são chamadas de on-line vendors. No Brasil, têm sido chamadas de bancos de dados ou distribuidores de bases de dados. Alguns autores (ver Lilley; Trice, 1989, capítulo 5) consideram que esses serviços atendem aos critérios para serem considerados redes de informação. Os distribuidores de bases de dados compram ou alugam as bases de dados dos seus produtores e fornecem o acesso a elas através de softwares interativos. Além dessas funções técnicas, essas organizações têm funções de distribuição (comercializar os sistemas e organizar a promoção e marketing) e de treinamento e suporte técnico. Exemplos estrangeiros desses serviços são The DIALOG Corporation (a maior delas, oferecendo cerca de 450 bases de dados). OVID Technologies, lEXISNEXIS Academic & Library Solutions,

Questel* Orbit, Chemical Abstracts Service (CAS), BIOSIS, STN Internaçional e OCle. Alguns distribuidores oferecem bases de dados cobrindo uma multiplicidade de assuntos. Outros se especializam em um assunto (por exemplo, a BIREME e a National Library of Medicine que se especializam na área de saúde). Grandes fornecedores de acesso às bases de dados como The DIALOG Corporation, DataStar, OClC e OVID possuem representantes no Brasil. Uma lista de links para os maiores fornecedores de bases de dados pode ser encontrada no site Vendar Services Directory ( http://www.loc.gov/flicc/svcsub2.html). Algumas vezes os próprios produtores se encarregam de vender diretamente suas bases de dados, exercendo o papel de distribuidores. Por exemplo, a National Library of Medicine, além de produzir bases de dados, atua como distribuidor. O cliente pode escolher um ou vários distribuidores e acessar todas ou algumas entre as centenas de bases que esses serviços disponibilizam. Algumas bases podem estar disponibilizadas por vários distribuidores. 4.8 Exemplos de Redes e Sistemas de Informação no Brasil A seguir estão descritos alguns dos mais importantes exemplos dos sistemas e redes de informação existentes no Brasil, com os recursos informacionais que fornecem. 4.8.1 Redes e serviços de apoio institucional a sistemas de informação 4.8.1.1 Rede Bibliodata É uma rede cooperativa de bibliotecas brasileiras que têm seus acervos representados no Catálogo Coletivo Bibliodata, realizam a catalogação cooperativa e compartilham produtos e serviços, visando a redução de custos, além de promover a difusão dos acervos bibliográficos de suas instituições. Destacando-se a base do Catálogo Coletivo Bibliodata, Iistam-se os principais produtos oferecidos: • • • base de dados Catálogo Coletivo da Rede Bibliodata; base de dados Catálogo de Autoridades (Nomes e Assuntos); CD-ROM para catalogação cooperativa;

• •

CatBib - Editor MAR C e gerador de produtos bibliográficos; documentação (manuais para uso dos sistemas: Rede Bibliodata; Autoridades, CatBib, CD-ROM para Catalogação Cooperativa); fichas catalográficas e etiquetas; "Livro de Registro" de acervos locais.

• •

São oferecidos, também, aos membros os seguintes serviços: • • • • • • catalogação cooperativa; conversão retrospectiva de acervos; conversão de dados; cursos (Bibliodata, MARC 21, Autoridades e AACR2R); treinamento e assistência técnica; consultoria sobre automação de bibliotecas, conversão de dados em meio magnético e organização de bibliotecas; • exportação de dados nos formatos MARC 21 e CDS/ISIS para geração/manutenção de bases locais; • hospedagem e disponibilização na Internet de bases de terceiros.

4.8.1.2 COMUT No Brasil, o serviço de fornecimento de documentos mais conhecido no meio acadêmico é o COMUT. Criado em 1980, é mantido atualmente com recursos alocados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Secretaria Nacional de Educação Superior (SESU). Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), que é o responsável pela sua operação. Através do COMUT, cerca de 1.420 bibliotecas cadastradas podem solicitar documentos disponíveis em bibliotecas-base, as quais são selecionadas em função da qualidade e da abrangência de seus acervos. Utiliza, como subsídio para seu funcionamento, a base de dados da rede CNN, descrita a seguir. Existem projetos para que o sistema passe a permitir os chamados "usuários solicitantes", que são pessoas físicas demandantes de informação documentária, que operam diretamente com o COMUT, sem a interferência de uma biblioteca solicitante. Os usuários solicitantes poderão monitorar todas as suas

solicitações de cópias, inclusive cancelando diretamente os pedidos, se for o caso. Isso os diferenciará dos usuários institucionais, pessoas físicas demandantes de informação documentária que operam indiretamente com o COMUT, fazendo solicitações através de uma Biblioteca Solicitante. Os usuários institucionais podem monitorar todas as suas solicitações, mas não podem fazer cancelamentos de pedidos, uma vez que as solicitações foram feitas através de uma Biblioteca Solicitante. O pagamento das cópias solicitadas é feito através de um sistema de aquisição de bônus. O programa, que atualmente utiliza diversas formas de envio (correio simples, correio registrado, fax, meio eletrônico etc.), possibilita o acesso a fotocópias de artigos de revistas, teses, trabalhos em anais de congressos e partes de trabalhos técnico-científicos, como capítulos de livros, viabilizando, em média, cem mil transações anuais entre as bibliotecas conveniadas. O COMUT intermedia também solicitações de documentos estrangeiros, utilizando principalmente o British Library Document Supply Centre (BLDSC) e fornecedores de texto completo (editoras, livreiros, fornecedores de periódicos, bases de dados diversas de documentos em texto completo etc., que possibilitam o acesso a textos completos de documentos através da Internet). De 1980 a 1996 todos os procedimentos operacionais (solicitação/atendimento de cópias de documentos) e administrativos eram feitos de forma manual através de formulários impressos de solicitação e controle. O envio de cópias aos usuários era basicamente feito pelo correio e, eventualmente, através de fax. A partir de 1997, foi introduzido o COMUT on-line, que permite a solicitação via Internet e maior eficiência do sistema, com redução do tempo de atendimento. 4.8.1.3 CNN O Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas (CCN), coordenado pelo IBICT, é uma rede cooperativa de unidades de informação de instituições que possibilita o acesso a publicações periódicas científicas e técnicas. Reúne informações de centenas de catálogos produzidos pelas principais bibliotecas do país em um único catálogo nacional de acesso público. Inclui dados de publicações seriadas, nacionais e estrangeiras, e suas respectivas coleções, que compõem os acervos das unidades integrantes do CCN. Cada registro em sua base de dados contém os dados do título, siglas das bibliotecas e os dados de coleções. Criado em 1954 pelo então Instituto Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação

(IBBD), constituiu-se, até sua automação em 1968, como um catálogo convencional em fichas, prestando informações in loco, por telefone ou correspondência. Em 1978, devido ao crescimento constante do número de novos títulos, e acrescido do inter-relacionamento entre as áreas do conhecimento, sua divulgação passou a ser em microfichas. A partir de 1986, foi implementado o acesso on-line ao CCN via Rede Nacional de Pacotes (RENPAC). Desde 1994, o CNN é acessível através da Internet, inicialmente utilizando-se o aplicativo TELNET e, a partir de 1998, via www. Em 1999, o CCN passa a interagir diretamente com o Sistema COMUT, que disponibiliza ao usuário a consulta aos dados do CNN para que ele possa selecionar as bibliotecas nas quais vai colocar o seu pedido. A alimentação dos dados de coleção é efetuada por meio da cópia da base de dados da biblioteca, que pode ser remetida por fita magnética, disquete ou via Internet. O processamento dos dados é realizado diariamente pelo IBICT, e a alimentação dos dados pelas Unidades Cooperantes ocorre em uma periodicidade média trimestral. 4.8.2 Redes de serviços de busca e recuperação da informação 4.8.2.1 Redes e sistemas cooperativos Algumas das áreas que se evidenciaram no controle bibliográfico desde os anos 1970, se caracterizaram pela formação de redes nacionais cooperativas e pela participação em redes internacionais, que forneceram apoio financeiro e técnico. A seguir, serão descritos alguns dos principais exemplos, no Brasil. Uma dessas áreas com posição privilegiada é a de informação em saúde, devido, principalmente, às ações do Centro Latino Americano e do Caribe para Informação em Ciências da Saúde (BIREME) e das bibliotecas da Universidade de São Paulo (USP). A BIREME, ligada à Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), produz a base de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), que cobre a literatura médica da região a partir de 1982. Os dados que compõem a LILACS são resultado de uma ação cooperativa de 23 países da América Latina e do Caribe, unidos em uma rede da qual a BIREME é o órgão central. A base contém artigos de cerca de 670 revistas entre as mais conceituadas da área da saúde e outros documentos, tais como teses, capítulos de teses, livros, capítulos de livros, anais de congressos ou conferências, relatórios técnicocientíficos e publicações governamentais, atingindo mais de 350 mil registros. Como suporte

aos seus sistemas, a BIREME produz, também, o Tesaurus Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Fornecido em forma de base de dados, o DeCS contém o vocabulário controlado utilizado para a indexação e recuperação de informação nas bases de dados LILACS e MEDLlNE®. Entre 1998 e 2001 a BIREME implementou a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). visualizada como a base distribuída do conhecimento científico e técnico em saúde registrado, organizado e armazenado em formato eletrônico nos países da América Latina e do Caribe. Através do site da BVS, usuários de diferentes níveis e localização podem navegar no espaço de uma ou várias fontes de informação, independentemente de sua localização física. As fontes de informação são geradas, atualizadas, armazenadas e operadas na Internet por produtores, integradores e intermediários, de modo descentralizado e obedecendo a metodologias comuns para sua integração na BVS. Entre as fontes de informação disponibilizadas, além da L1LACS, estão as bases MEDLlNE, Literatura em Engenharia Sanitária e Ciências do Ambiente (REPIDISCA). Administração em Serviços de Saúde (ADSAUDE), Saúde na Adolescência (ADOLEC). Bibliografia Brasileira de Odontologia (BBO). Juntamente com a BIREME, o Centro de Informações Nucleares/ Comissão Nacional de Energia Nuclear (CIN/CNEN) foi um dos pioneiros na participação em redes cooperativas, nacionais e internacionais, e na absorção de tecnologia para produção de bases de dados no Brasil. Atualmente, a CNEN, através do CIN, incorpora a literatura brasileira à base de dados internacional ENERGY, que abrange todas as tecnologias de energia. Essa cooperação se dá através da participação do CNEN no Energy Technology Data Exchange (ETDE). Os demais países que participam do ETDE incluindo sua literatura nacional na base Energy são Alemanha, Canadá, Coréia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Holanda, Inglaterra, Itália, México, Noruega, Suécia e Suíça. Outro setor que se destacou desde os anos da década de 1970 foi o de informação agrícola. A Bibliografia Brasileira de Agricultura, publicada pelo IBICT até 1978 e, posteriormente, pela Biblioteca Nacional de Agricultura (BINAGRI), é publicada hoje em forma eletrônica, através da base de dados Agrobase (Base Bibliográfica da Agricultura Brasileira). Essa base é, atualmente, gerenciada pela Coordenação de Informação Documental Agrícola (CENAGRI), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Cobre a literatura agrícola brasileira, técnico-científica e de extensão rural, desde 1870 até o momento, contendo quase 200 mil referências bibliográficas. Seus dados

são usados para alimentar a base internacional AGRIS, mantida pela FAO, que reúne a literatura dos países-membro nas ciências agrárias. Outro órgão atuante na área de informação agrícola desde os anos da década de 1970 é a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), que produz o CD-ROM Bases de dados de pesquisa agropecuária. O CD-ROM tem por objetivo a disseminação da informação agrícola, produzida e colecionada pelas unidades de pesquisa da Embrapa e por outras instituições agrícolas brasileiras. Também dentro do modelo cooperativo, uma área que recentemente adquiriu novo ímpeto foi a de informação desportiva. Criado em 1985, o Sistema Brasileiro de Documentação e Informação Desportiva (SIBRADID) controla a produção nacional em ciências do esporte, através de uma rede cooperativa. A rede funciona com uma unidade central (sediada na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG) e Instituições de Ensino Superior (IES) e de Pesquisa colaboradoras. A sua base de dados (SIBRA), pesquisável via Internet, cobre a literatura em ciências do esporte, educação física, fisioterapia, terapia ocupacional, lazer, recreação e afins. Contém o registro da produção científica nacional (monografias, artigos de periódicos, capítulos de livros, anais de congressos, dissertações e teses), inclusive traduções, a partir de 1985. A produção científica dos demais países de língua portuguesa é alvo, também, do conteúdo da base, que inclui dissertações, teses, relatórios de pesquisa, relatórios técnicos, livros, capítulos de livros e artigos de periódicos. Outro setor que recentemente recebeu impulso foi o de controle de teses. O IBICT coordena o projeto da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), que busca integrar os sistemas de informação de teses e dissertações existentes nas IES brasileiras, como também estimular o registro e a publicação de teses e dissertações em meio eletrônico. Esse sistema cooperativo integra, em uma única base de dados, referências bibliográficas provenientes de 17 instituições de ensino superior. Sua base conta, no presente momento, com cerca de 121.000 registros. Embora seja uma iniciativa importante, esse sistema tem sua abrangência limitada. Não só há restrições quanto à cobertura das teses (que incluem apenas aquelas produzidas por brasileiros), como as informações registradas referem-se tãosomente à descrição bibliográfica do documento. Um grupo de especialistas está trabalhando na viabilização da colocação dos documentos em texto completo no sistema. Com isso, o usuário final. ao acessar a BDTD, poderá realizar, de forma unificada, buscas a informações de teses e dissertações existentes nas diversas instituições consorciadas. Existindo cópias

em meio eletrônico dos textos integrais desses documentos, estas poderão ser acessadas a partir de ponteiros de hipertexto que irão recuperá-Ias no servidor da instituição provedora da informação. No caso da inexistência de versão eletrônica do documento desejado, o usuário poderá solicitar cópia do mesmo por meio dos serviços de comutação bibliográfica, como o COMUT. Em particular, o IBICT está promovendo a integração do Consórcio Brasileiro de Teses e Dissertações à Networked Digital Library of Theses and Dissertations (NDLTD), uma iniciativa internacional que disponibiliza textos completos e teses e dissertações publicadas em instituições distribuídas em vários países. Dessa forma, a produção nacional de teses e dissertações será também disponibilizada internacionalmente. A Bibliografia Brasileira de Comunicação é publicada desde 1977 pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM). A INTERCOM, juntamente com a Rede de Informação em Comunicação dos Países de Língua Portuguesa (PORTCOM), produz também a base de dados PORTOA, publicada em CD-ROM. Os dados dessa base são resultado da colaboração entre (1) o Serviço de Biblioteca e Documentação da Escola de Comunicação e Artes (ECA/USP), responsável pelo registro de monografias que tenham sido enviadas à PORTCOM/INTERCOM ou adquiridas pela própria ECA/USP e por toda a produção acadêmica gerada pelos cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de jornalismo, editoração, publicidade, propaganda, relações públicas, rádio, cinema e TV da ECNUSP); e (2) o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), responsável pela coleta e registro das dissertações e teses defendidas de 1992 a 1999 nos programas brasileiros de pós-graduação na área de Comunicação, que são os das seguintes instituições: Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (FCSCL), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCIRS), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Universidade Federal da Bahia (UFBA). Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). UFRGS, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Universidade de Brasília (UnB), Universidade de Campinas (UNICAMP), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e USP. Em 2002, em comemoração aos 25 anos da INTERCOM, é inaugurado o Portal de Ciências da Comunicação. A informação jurídica é uma das poucas áreas que alcançou o estágio comercial, não mais se limitando a iniciativas governamentais para seu controle e acesso. Um dos motivos que podem ter levado a essa situação privilegiada é a peculiaridade desse tipo de

informação, mais dependente de fontes nacionais que as informações científicas e tecnológicas. Dentro da política de descentralização do IBICT em 1986, a Biblioteca do Senado, em parceria com o Centro de Informática de Processamento de Dados do Senado Federal (PRODASEN), assumiu a responsabilidade pela edição regular da Bibliografia Brasileira de Direito, editada anteriormente pelo IBICT Fornecida em forma impressa, on-line e CD-ROM, a Bibliografia Brasileira de Direito compõe-se de referências bibliográficas de monografias e artigos de periódicos, em português ou outros idiomas, editados no Brasil desde 1980, e de artigos de jornais publicados no Caderno Direito e Justiça do Correio Brasiliense, desde 1992. É alimentada pela Biblioteca do Senado Federal e por 15 bibliotecas do Distrito Federal que integram a Rede Virtual de Bibliotecas - Congresso Nacional (RVBI), antiga Rede SABI (Subsistema de Administração de Bibliotecas, iniciada em 1972). A Rede SABI era um dos componentes do Sistema de Informação do Congresso Nacional (SICON). O SICON se fundamenta na alimentação, processamento e manutenção de bases de dados destinadas às atividades do Senado Federal e do Congresso Nacional, englobando as áreas parlamentar, legislativa, orçamentária e administrativa. Entre as bases oferecidas pelo SICON estão NJUR/NJUT (normas jurídicas). DISC (discursos). JURI (jurisprudência) e MATE (matérias em tramitação nas casas do Congresso). O SICON publica ainda o Thesaurus, um índice de palavras ou expressões que orientam a indexação e as pesquisas nessas bases de dados. O Senado Federal produz também o CD-ROM Legislação Republicana Brasileira, com uma coletânea dos atos normativos do período republicano da história brasileira. O conteúdo desse produto abrange as normas jurídicas de 1889 até maio de 2002. A partir de 1945, além dos resumos, constam os textos integrais da legislação citada. As fontes são publicações oficiais, como a Coleção de Leis do Brasil. Dentre as redes de suporte do segmento industrial-empresarial citamos, como exemplo, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que forma uma rede com objetivo de prestação de consultaria e informação empresarial para organizações comerciais e industriais de pequeno porte. É responsável pela criação e manutenção de várias bases de dados de informações bibliográficas de interesse para a classe empresarial e bases de dados cadastrais de empresas e produtos. Outros exemplos podem ser vistos em Cendón (2003) e Vieira (1994). 4.8.2.2 Serviços de busca e recuperação da informação de distribuidores de bases de dados e as bibliotecas digitais na Internet

Como já mencionado, desde 1977 o IBICT vem utilizando sistemas on-line como DIALOG e outros, fornecendo buscas bibliográficas a pedido de instituições e pesquisadores individuais. Inicialmente, o acesso aos fornecedores de bases estrangeiros se fazia via Empresa Brasileira de Telecomunicações (EMBRATEL), através do sistema de telecomunicações INTERDATA. Os pedidos dos usuários eram feitos nos postos de serviço do IBICT que divulgava sistematicamente, no Informativo IBICT, as bases de dados disponíveis para consulta. Mais tarde, o IBICT passou a adquirir bases de dados em CDROM, oferecendo serviços de buscas bibliográficas feitas localmente. Para melhorar o acesso às bases, tanto nacionais como estrangeiras, foi criada, em 1993, a Rede Antares (Rede de Serviços de Informação em Ciência e Tecnologia)15. Coordenada pelo IBICT, a Rede Antares foi desenvolvida no âmbito do Subprograma de Informação em Ciência e Tecnologia do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT/ICT), com o objetivo de articular instituições com potencial de informação, visando a manutenção e disponibilização de bases de dados referenciais. A Rede Antares era constituída de 13 centros distribuidores que eram instituições produtoras, mantenedoras e disseminadoras de bases de dados. Também faziam parte da Rede Antares outras instituições, chamadas postos de serviços, que atendiam à demanda de informação da comunidade científica e tecnológica. Cerca de duzentas instituições integravam a Rede, seja como centros distribuidores de informação, seja como postos de serviços. Atualmente a Rede Antares foi desativada e seus serviços, em parte, substituídos pelos do Programa Prossiga. Fundado em 1995, o programa tem por objetivo promover a criação e o uso de serviços de informação na Internet, voltados para as áreas prioritárias do Ministério da Ciência e Tecnologia, além de estimular o uso de veículos eletrônicos de comunicação pelas comunidades dessas áreas. Visando alcançar o objetivo proposto, no seu site pode-se acessar uma extensa lista de bases de dados brasileiras na Internet, na área de ciência e tecnologia. Algumas podem requerer uma senha, outras exigem um registro do usuário junto ao centro distribuidor. Esse site apresenta também bibliotecas virtuais temáticas nas áreas de educação, economia, estudos culturais, políticas públicas e pesquisa em ciência e tecnologia, energia, competitividade, ótica e engenharia de petróleo. Essas bibliotecas digitais congregam uma variedade de fontes de informação nacionais e

15

Anteriormente chamada Sistema Público de Acesso a Bases de Dados (SPA).

estrangeiras, podendo dar acesso a bibliografias sobre tópicos específicos e a listas de periódicos nacionais que, às vezes, fornecem acesso aos seus textos completos ou resumos. O site apresenta ainda vários portais informacionais focalizados em assuntos diversos. No Brasil, outro portal na Internet que tem assumido a função de distribuidor de bases de dados é o Portal Capes. Fornece para 129 instituições de ensino superior e de pesquisa em todo o país acesso imediato à produção científica mundial atualizada, oferecendo textos completos de artigos de mais de oito mil revistas internacionais, nacionais e estrangeiras, e disponibiliza 75 bases de dados contendo resumos de documentos em todas as áreas do conhecimento. O uso do Portal é livre e gratuito para as instituições participantes a partir de qualquer terminal ligado à Internet e cadastrado no sistema. 4.9 Conclusão Este capítulo apresentou a evolução da área de recuperação da informação, um dos pilares da Ciência da Informação e um dos tópicos em que mais se publica e pesquisa dentro desse campo. Conceituou-se um sistema de recuperação da informação e delineou-se o desenvolvimento dos primeiros softwares para recuperação da informação, o aumento do número de bases de dados ao longo dos anos e a consolidação da chamada indústria online, formada pelos produtores, distribuidores e usuários das bases de dados. Ressaltou-se a complexidade e o dinamismo do ambiente da informação eletrônica atualmente onde coexistem uma variedade de formatos de SRls e tecnologias de armazenamento e acesso. Devido às mudanças em andamento e aos novos competidores que chegam ao mercado (como, por exemplo, as editoras de periódicos que os estão fornecendo em texto completo), as próprias empresas distribuidoras de informação estão redefinindo os seus papéis. Expôsse também o conceito de redes e descreveu-se as principais redes e sistemas existentes no Brasil. Cabe ressaltar a dificuldade de se fazer uma distinção dos conceitos bases de dados, sistemas e redes de recuperação da informação. Como mencionado, uma base de dados pode ser chamada de sistema e um sistema ser referido também como uma rede. As bases de dados, na realidade, constituem apenas um dos componentes de um SRI, o qual, segundo a definição de Allen (1996) é composto também da tecnologia e das pessoas envolvidas (usuários, intermediários e pessoas responsáveis pela criação do sistema). Por representarem o conteúdo dos SRls e sua característica mais forte, muitas vezes se

confunde a base de dados com o sistema. Por exemplo, apesar de SIBRA ser um SRI na área de ciências do esporte, que requer uma tecnologia para ser disponibilizado ao usuário, comumente as pessoas referem-se a ele como "a base SIBRA". Da mesma forma, é difusa a distinção entre os SRls e as redes. As redes pressupõem troca de informação entre unidades, em geral geograficamente dispersas, uma organização formal com propósitos comuns de troca de informações e permitem a criação compartilhada de base de dados, bem como a sua disseminação compartilhada. Da mesma forma que as bases de dados são elementos constituintes dos SRls, os SRls são elementos constituintes das redes, as quais podem envolver mais de um SRI. REFERÊNCIAS ALLEN, Bryce L. Information tasks: toward a user-centered approach to information systems. San Diego: Academic Press, 1996. BECKER, J.; OLSEN, W. C. Information networks. Annual Review of Informations Science and Technology, v. 3, p. 289-327, 1968. BECKER, J. Functions of existing networks: a reaction. In: KENT, A.; GALVIN, T. J. (Ed.). Structure and governance of library networks. New York: Mareei Dekker, 1979. p. 86-89. BUCKLAND, Michael. Information as a thing. Journa/ of the American Society for Information Science, v. 42, n. 5, p. 351-360, 1991. CENDÓN, Beatriz Valadares. Bases de dados de informação para negócios no Brasil. Ciências da Informação, Brasília, v. 32, n. 2, p. 17-36, maio/ago. 2003. (Publicado também como: CENDÓN, Beatriz Valadares. Bases de dados de informação para negócios no Brasil. In: PAIM, Isis (Org.). A Gestão da Informação e do Conhecimento. Belo Horizonte: Escola de Ciência da Informação / UFMG, 2003. p. 157-197) CUNHA, Murilo Bastos da. Rede de dados bibliográficos no Brasil: uma necessidade real. Revista de Biblioteconomia de Brasília, v. 15, n. 1, p. 23-34, jan./jun. 1987.

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CAPÍTULO V – Formação e Atuação Profissional
Francisca Rosaline Leite Mata Marlene de Oliveira A crescente produção de conhecimentos científicos e, principalmente, tecnológicos nas várias esferas sociais e nos diversos campos do conhecimento humano possibilitou, notadamente ao longo das últimas décadas, o desaparecimento de algumas atividades e profissões e surgimento de outras. Isso implicou, e implica, diretamente na formação de novos profissionais, uma vez que surge espaço para novos estudos, conceituações e conteúdos e, conseqüentemente, propicia o surgimento de novas habilitações. Esse fenômeno que compreende o surgimento, desaparecimento e algumas vezes o

"remodelamento" das profissões pode ser comparado com a rota seguida pela Ciência Normal para a obtenção do reconhecimento de sua cientificidade. Assim como os paradigmas científicos, as profissões também passam por uma série de eventos até se consolidarem e obterem reconhecimento na sociedade. Em um estudo, Mueller (2004), baseando-se na teoria de Abbott (1988), reflete sobre a rota de uma profissão. Para isso, apresenta uma ordem de "primeiros eventos" tidos como comuns à maioria das profissões. Primeiro, de acordo com a autora, as pessoas que exercem determinado trabalho passam a se dedicar a ele em tempo integral. A partir daí, se faz necessário um treinamento mais formal, o que dá margem ao surgimento de cursos para esse fim. Contudo, só a criação de cursos não é suficiente, é preciso que eles obtenham status acadêmico. Para isso, tais cursos filiam-se ou buscam se constituir enquanto departamentos universitários. Com o passar do tempo, os cursos se tornam mais longos e o nível de estudos se aprofunda, no sentido de dar maior· embasamento à área, elevar a qualidade dos serviços, bem como o nível de compromisso pessoal dos que fazem parte do grupo. Com os cursos universitários, inevitavelmente, surge um corpo docente dedicado ao ensino e à pesquisa, o que, por sua vez, é determinante para a construção do corpo de conhecimento da área. O estágio seguinte é a criação de uma associação profissional que congregue professores e profissionais graduados. O aumento de conhecimentos e de reflexão sobre a área pode levar a alterações ou mesmo à mudança do nome da profissão e dos cursos; concomitante a isso há um aumento no rigor, com vistas a excluir, do exercício profissional, aqueles que praticam as atividades concernentes à profissão sem possuírem graduação nos cursos credenciados. Nesse estágio, poderá acontecer forte disputa com profissionais de outras áreas pelo mesmo mercado de trabalho e isso concorre para um maior esforço na busca pelo reconhecimento oficial da profissão. Após atingir um certo grau de amadurecimento, a profissão publica um código de ética, visando estabelecer normas de conduta internas (entre os pares) e externas (para com a sociedade) e, ainda, proteger os clientes, impedindo que o exercício profissional se dê por pessoas não credenciadas. A descrição dessa ordem oferece uma oportunidade de reflexão sobre a trajetória da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. 5.1 O Profissional da Informação As novas tecnologias de informação alteraram a rotina de vários segmentos e

instituições sociais e, nessa esteira, também provocaram impacto na forma de organização, disseminação e uso das bibliotecas e outras unidades de informação. Tais alterações repercutiram incisivamente na formação e no perfil de bibliotecários e demais especialistas de informação. Tais profissionais passaram a se deparar com um novo contexto que Ihes exigia, e exige, não só um corpo de conhecimentos especializados, mas também conhecimentos e habilidades no uso de tecnologias para organizar, processar, recuperar e disseminar informações, independentemente do suporte no qual elas estejam registradas. A chamada Sociedade da Informação ou Sociedade do Conhecimento, com suas inúmeras demandas, oriundas, sobretudo, da inserção de uma vasta gama de aparatos tecnológicos, deu margem ao surgimento de uma nova terminologia para designar ou categorizar aqueles que lidam com informação. Nesse espaço de atividades surgiu o termo "Profissional da Informação". Um termo amplo que envolve o trabalho com documentos e/ou informação, em inúmeros e diferentes contextos, em sua maioria, com o auxílio de tecnologias de informação. A conceituação está em processo evolutivo e sua abrangência ainda encontra-se indeterminada, suscitando vários debates em torno de quem realmente pode ser considerado como tal. A discussão sobre o profissional da informação vem ocorrendo há mais de uma década e já faz parte das agendas de associações profissionais, comunidades da área e até da Federação Internacional de Documentação. Contudo, não há ainda unanimidade em torno de uma denominação comum para abarcar as diferentes habilidades que se vinculam às atividades de informação. Segundo Mueller (2004). é consensual a idéia de que, mesmo que esses profissionais possuam origem em várias e diferentes áreas do conhecimento, é necessária a existência de algumas características mínimas que Ihes sejam comuns. A literatura sobre o tema é vasta e expressiva, apresentando visões como a de Le Coadic, que entende como profissionais de informação aqueles que "adquirem informação registrada em qualquer suporte, organizam, descrevem, indexam, armazenam, recuperam e distribuem essa informação em sua forma original ou como produtos elaborados a partir dela". (Le Coadic, 1996, p. 106). Ponjuan, apud Dante (2000), considera que os profissionais da informação são aqueles que estão ligados profissional e intensivamente a qualquer etapa do ciclo de vida da informação e, portanto, devem ser capazes de operar eficiente e eficazmente tudo o que se refere ao gerenciamento da informação em organizações de qualquer tipo ou em unidades especializadas de informação.

Para Guinchat e Menou (1994), à medida que foram surgindo, as profissões ligadas à informação foram recebendo novas denominações, como indexadores, gestores de informação e outros. Contudo, segundo os autores, há unanimidade em torno dos profissionais com formação nas áreas de Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia como os mais tradicionais, enquanto profissionais da informação. O Bureau of Labor Statistics – U.S. Department of Labor, em seu Occupationa/ Out/ook Handbook (2004), caracteriza o bibliotecário como profissional da informação que, a partir de uma redefinição do conceito de biblioteca, passou a redesenhar as atividades do seu cotidiano profissional à luz da inserção das novas tecnologias. A partir de então, os bibliotecários começaram a desenvolver atividades não só de cunho técnico, mas também administrativo e gerencial, passando a coordenar equipes de funcionários e a desenvolver e dirigir programas e sistemas de informação, assegurando que a informação seja organizada de maneira que atenda as necessidades dos usuários. Para Guinchat e Menou (1994), os profissionais da informação incluem subcategorias de uma profissão única, a de "especialista em informação". Segundo os autores, não obstante a existência de certas especificidades, as diferentes habilidades dessa categoria apresentam características comuns: • • Trata-se de uma profissão de serviço; Trata-se de uma profissão de comunicação e de contato onde as relações pessoais com os usuários e produtores de informação são determinantes para a eficácia do serviço; o especialista deve ser capaz de compreender os outros e participar da vida coletiva; • • É um trabalho de equipe; O especialista precisa tomar decisões em função de numerosos critérios, e isso exige um bom julgamento; • Trata-se de uma profissão que exige curiosidade em relação às pessoas, instituições, fatos, idéias e técnicas; • O especialista deve ter o espírito aberto, adaptável e dominar a técnica uma vez que é uma profissão em constante evolução; a rotina e a passividade são inimigas da profissão. É importante que o profissional busque capacitação contínua, possua senso crítico, seja criativo: ousado, curioso, investigativo, empreendedor, proativo, dinâmico, político, entre

outras coisas, e, principalmente, que se constitua enquanto líder pois, como bem ressalta Lancaster (1994), a falta de fortes lideranças na área emperra seu desenvolvimento, visto que este é um quesito fundamental para que a profissão se firme perante a sociedade. 5.2 A Formação Profissional Falar de profissionais da informação implica falar, também, da necessidade de uma formação sólida, que propicie o desenvolvimento de habilidades e perfil compatíveis com as exigências da sociedade. Assim, na medida em que as transformações científicas e tecnológicas passaram a oferecer uma nova visão de atuação para os egressos de Biblioteconomia e Ciência da Informação, os currículos, paulatinamente, foram sendo reestruturados e novos cursos surgiram. A formação dos profissionais da informação se dá em diferentes níveis e: (...) vem sendo objeto de acirrada discussão na área, no decorrer de mais de duas décadas, quando, por exemplo, se contrapõe a formação em graduação, nos países latino-americanos, à formação eminentemente em pós-graduação na Europa e nos Estados Unidos. (Guimarães, 2004, p. 91). Na França, de acordo com Cunha (2000), a formação dos profissionais em Ciência da Informação se dá em três ciclos. O primeiro corresponde a um curso de formação de técnico superior e possui uma duração de dois anos; o segundo é equivalente à graduação e ao mestrado existentes no Brasil; o terceiro leva ao doutorado ou à atuação direta no mercado de trabalho. Nos Estados Unidos, a obtenção do mestrado é condição básica para a atuação do bibliotecário em bibliotecas públicas, escolares, especializadas e universitárias. O curso possui duração de um a dois anos e é oferecido por várias faculdades, mas, segundo o Bureau of Labor Statistics – U.S. Department of Labor (2004), os empregadores dão preferência aos graduados nas escolas credenciadas pela American Library Association ALA. O Doutorado, por sua vez, é geralmente voltado para o ensino em universidades e a pesquisa. No Brasil, cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação são oferecidos em diferentes níveis, a saber, graduação, pós-graduação lato sensu (especialização) e pósgraduação stricto sensu. O título de bibliotecário é obtido em cursos de graduação, e a Ciência da Informação titula mestres e doutores em programas de Pós-Graduação stricto sensu.

A Biblioteconomia no Brasil, como era de se esperar, seguiu, ao longo de sua trajetória, a sucessão de eventos comuns ao processo de profissionalização citado. Castro (2002) diz que o ensino da área de Biblioteconomia no Brasil se iniciou por volta de 1915 no Rio de Janeiro, na Biblioteca Nacional, e não possuía nenhum tipo de planejamento curricular, tampouco visava atender necessidades que não fossem as da instituição. Contudo, no decorrer das décadas seguintes, novos cursos começaram a surgir em outros estados, fato que exigiu maior comprometimento e estudo por parte dos profissionais formados e dos que estavam em processo de formação. A busca de uma base teórica sólida, que fosse capaz de explicar o porquê das práticas biblioteconômicas, contribuiu para a consolidação de cursos e departamentos universitários. As décadas de 1950 e 1960 foram marcantes para a área, pois, nesse ínterim, surgiram fortes entidades de classe, como a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições - FEBAB, em 1959; em 1967, a Associação Brasileira de Ensino de Biblioteconomia e Documentação - ABEBD, atual Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação - ABECIN; em 1966, o Conselho Federal de Biblioteconomia. E, ainda, foi aprovado o primeiro Código de Ética da profissão também em 1966. Tais entidades, bem como os cursos de graduação da área, possuem papel fundamental para consolidação da profissão do bibliotecário, pois passaram, e continuam a passar até os dias atuais, por reformulações e reestruturações, objetivando atender às demandas, quer sejam de ordem teórica ou prática, que se apresentam no âmbito profissional. A pós-graduação em Ciência da Informação iniciou-se, em 1970, com a criação do mestrado em Ciência da Informação no Instituto Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação - IBBD, atual Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia IBICT. Posteriormente, surgiram mestrados em Biblioteconomia em outras escolas. Esses cursos, ao longo dos anos, foram transformando sua denominação para Ciência da Informação. Tais mudanças ocorreram em função do surgimento de novas construções teóricas para procedimentos de pesquisa e também para absorver demandas oriundas de outras áreas do conhecimento. Atualmente, a área conta, segundo a ABECI N, com um total de 42 escolas que oferecem cursos de Biblioteconomia, Gestão da Informação, Administração da Informação, Ciência da Informação e Documentação (ver Anexo B). Este cenário, de formação diferenciada em graduação e pós-graduação, conduz a uma questão importante, que é a interdisciplinaridade, tão fortemente conclamada pela Biblioteconomia e pela Ciência da Informação. Esse fato pode estar gerando dificuldades no

desenvolvimento e consolidação da BCI. Os programas de pós-graduação passaram a aceitar egressos de quaisquer disciplinas, sem que apresentassem um conhecimento mínimo das atividades básicas da área. Por outro lado, alguns programas de pós-graduação não têm oferecido disciplinas que conduzam ao entendimento do foco da área, o que facilitaria aprofundamento e melhores reflexões sobre as práticas de disseminação da informação naqueles cursos. Isso parece tornar-se também um empecilho à socialização da área, que deveria envolver profissionais, professores e pesquisadores em torno de orientações comuns. É importante salientar que, independentemente do surgimento de novas denominações, o cerne da prática profissional (o gerenciamento, a organização, o armazenamento, o processamento e a disseminação da informação) continua o mesmo. Daí a necessidade de os cursos possuírem currículos minimamente compatíveis e, ainda, de que exista consenso em torno de tais práticas, pois a ausência de consenso implica, entre outras coisas, na falta de unidade em torno dos problemas que devem ser pesquisados. É importante notar que, no que diz respeito aos estudos curriculares, a ABECIN tem exercido importante papel e constitui-se numa forte entidade, que busca assegurar o debate das questões pertinentes à formação dos profissionais na área, tanto em nível de graduação quanto de pós-graduação. Talvez falte ainda uma maior socialização das práticas e dos conhecimentos produzidos na área. Em consonância com as idéias de Guimarães (2004), cabe, aqui, chamar a atenção para o fato de que o estabelecimento de forte diálogo entre os espaços de formação acadêmica e os de exercício profissional, bem como entre a graduação e a pósgraduação, se faz cada vez mais imprescindível. Estas são questões sérias que devem ser constantemente pensadas não somente pelos pesquisadores, mas também pelos profissionais da Ciência da Informação, pois, como vimos, a consolidação do corpo de conhecimentos de uma área é base para a fundamentação de suas práticas e seu reconhecimento oficial enquanto profissão. 5.3 Possibilidades de Atuação e Habilidades Necessárias A atuação do profissional da informação tem sido alvo de vários estudos. No que diz respeito à legislação da área de Biblioteconomia, a Lei n° 4.084 de 30 de junho de 1962, que regula o exercício profissional do bibliotecário, de certa forma tende a limitar tal exercício,

pois não acompanha as mudanças ocorridas no cenário profissional e não abre possibilidades para o bibliotecário lidar com a informação nos diferentes suportes e contextos (institucionais e sociais) em que a mesma passou a se apresentar. Daí a necessidade de se repensar tal lei. Já o parecer CNE/CES n° 492/2001, da Lei de Diretrizes e Bases do Ministério da Educação - MEC, pode ser considerado como um importante avanço no sentido de mudar a visão restrita que a sociedade brasileira ainda possui acerca da atuação do profissional bibliotecário. Isso porque, ao descrever as habilidades específicas de tal profissional, é dito que compete ao mesmo: • Interagir e agregar valor aos processos de geração, transferência e uso da informação, em todo e qualquer ambiente; • Criticar, investigar, propor, planejar, executar e avaliar recursos e produtos de informação; • • Trabalhar com fontes de informação de qualquer natureza; Processar a informação registrada em diferentes tipos de suporte, mediante a aplicação de conhecimentos teóricos e práticos de coleta, processamento, armazenamento e difusão da informação; • Realizar pesquisas relativas a produtos, processamento, transferência e uso da informação. Nesta mesma linha, nos Estados Unidos, a Association of Independent Information Professionals (2004) aponta possibilidades de atuação do profissional da informação nas áreas de: • Indústria e Negócios - no atendimento a empresários executivos que necessitam de informações precisas, que os mantenham em nível de competição com outras empresas. Estes podem ser considerados como clientes típicos e variam desde proprietários de empresas de pequeno porte aos diretores das grandes companhias, firmas de seguro e de investimento, agências de publicidade e relações públicas, indústrias de manufatura e serviço. Muitos profissionais da informação descobriram oportunidades novas em treinar seus clientes na pesquisa básica e no desenvolvimento da Intranet, e, ainda, ao fornecerem serviços com valor agregado, como a análise de resultados de pesquisa; • Pesquisa Jurídica - no gerenciamento de bibliotecas ou unidades de informação (públicas e/ou particulares) no campo jurídico, fornecendo informações sobre leis,

estatutos, andamento de processos, recursos ou argumentos informacionais que podem ser utilizados por advogados de defesa e/ou acusação em um julgamento etc.; • Saúde - no processamento de informações (utilização de descritores, metadados, definição de linguagens de indexação e terminologias), desenvolvimento e gerenciamento de Sistemas de Informação, como os Registros Eletrônicos em Saúde e Prontuários Eletrônicos dos Pacientes, no gerenciamento de bases de dados estatísticas e bibliográficas, por exemplo, sobre epidemias, cuidados com a saúde, no fornecimento de informações que possam auxiliar médicos e enfermeiros no processo de tomada de decisão, subsidiar políticas públicas na área da saúde e promover programas de prevenção de doenças; • Bancos e Finanças - na recuperação e análise de informações estratégicas e competitivas determinantes para transações comerciais e financeiras de sucesso; • Poder Público - em diversas instâncias, que vão desde a atuação em universidades e centros de pesquisa até arquivos públicos e gestão de bancos de dados que incluem documentos orçamentários, pesquisa sobre distribuição de renda, qualidade de vida da população etc.; • Ciência e Tecnologia - no fornecimento de informações para o embasamento e a consolidação de pesquisas de profissionais de todas as áreas do conhecimento, atendendo desde pesquisadores de Ciências Exatas até os de Ciências Humanas; • Document Delivery ou Entrega de Documentos - na disponibilização e entrega em domicílio de documentos on-line e/ou impressos (artigos, livros, pesquisas de mercado etc.), obedecendo à fixação de tarifas. Este trabalho pode ser realizado de maneira autônoma ou institucional. No segundo caso, o Brasil conta com a Bireme, o Comut e o Scielo, entre outros. No Brasil. Valentim (2000) divide o mercado de trabalho do biblitecário em três grandes grupos: Mercado Informacional Tradicional, que se compõe de bibliotecas públicas, universitárias, escolares, especializadas, centros culturais e arquivos; • Mercado Informacional Existente e Não-Ocupado, que inclui editoras, livrarias, empresas privadas, provedores de Internet, bancos e bases de dados;

Mercado Informacional de Tendências, que compreende a atuação em centros de informação / documentação em empresas privadas, bancos e bases de dados eletrônicos e digitais, portais de conteúdo e portais de acesso na rede global (Internet) e em redes institucionais internas (Intranet).

Todos esses campos apresentam possibilidades reais de atuação diretamente associadas à capacidade de gestão de informações, à comunicação e à interdisciplinaridade com outras áreas, tendo na tecnologia uma forte aliada. Contudo, para que a atuação desses profissionais se efetive na prática, é preciso que eles desenvolvam certas habilidades e possuam conhecimentos mínimos acerca de determinadas disciplinas relacionadas à Biblioteconomia e à Ciência da Informação. Como exemplos, temos, de acordo com Hjørland (2000): • • • • • • • • Ciência da Computação (incluindo Inteligência Artificial); Estudos de comunicação; Epistemologia; Lingüística (incluindo Linguagens de Computador, Linguagens Especializadas); Matemática e Estatística; Psicologia e Ciência Cognitiva; Estudos da Ciência; Semântica; Semiótica; Sociologia (especialmente Sociologia das Ciências).

5.4 Considerações Finais Mesmo não se tendo clareza conceitual do que venha a ser informação, sabe-se que, como afirmam Mota e Santos (2002), a informação, enquanto matéria-prima para o desenvolvimento científico e tecnológico, tornou-se elemento essencial, considerado como o diferencial competitivo de uma sociedade cada vez mais globalizada. Neste cenário, o novo modelo econômico contribuiu significativamente para uma verdadeira mudança cultural no que diz respeito às profissões. O mercado de trabalho torna-se cada vez mais competitivo, e inúmeras são as exigências feitas àqueles que almejam conseguir um emprego e aos que pretendem manter suas atividades profissionais. O novo modelo econômico "introduz novas formas de gestão do trabalho e de

socialização dos indivíduos, valorizando a atuação em equipe, a interdisciplinaridade, o aprendizado contínuo e atividades comportamentais". (Arruda, 2000, p. 24). Assim, o profissional da informação precisa estar atento e ser cada vez mais atuante, não podendo, em hipótese alguma, se acomodar frente às demandas que lhe são impostas. É necessário, pois, que mais reflexões sejam feitas sobre a profissão, visando a capacitação e a atualização constante dos profissionais, fazendo com que estes sejam capazes de, conforme diz Baptista (2000), analisar as ameaças e transformá-las em oportunidades. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - ABECIN. Disponível em: <http://www.abecin.org.br>. Acesso em: 10/06/2004. ASSOCIATION OF INDEPENDENT INFORMATION PROFESSIONALS. The independent information professional. Disponível em:<http://www.aiip. org/Resourceslll PWhitePaper. htmI>. Acesso em: 03/06/2004. ARRUDA, M. C. C.; MARTELETO, R. M.; SOUZA, D. B. Educação, trabalho e o delineamento de novos perfis profissionais: o bibliotecário em questão. Cin. Inf., Brasília, v. 29, n. 3, p. 14-24, set./dez. 2000. BAPTISTA, S. G. Profissional da 'lnformação, autônomo ou empresário, novas perspectivas de mercado de trabalho. Perspect. Cienc. Inf., Belo Horizonte, v. 5, n. 1, p. 91-98, jan./jun. 2000. BUREAU OF LABOR STATISTICS - U. S. DEPARTMENT OF LABOR. Librarians. Occupational Outlook Handbook. Disponível em:<http:// www.bls.gov/oc0/ocos068.htm>. Acesso em: 03/06/2004. CASTRO, C. A. (Org.). Ciência da Informação e Biblioteconomia: múltiplos discursos. São Luís: EDUMA; EDFAMA, 2002. CUNHA, Miriam V. A formação dos profissionais da informação na França: comparação com

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profissional

bibliotecário.

ENCONTRO

NACIONAL

DE

ESTUDANTES

DE

BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇAO, GESTAO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25, Belo Horizonte, Anais... , Belo Horizonte: UFMG, 21 a 27 de julho de 2002. MUELLER, S. P. M. Uma profissão em evolução: profissionais da informação no Brasil sob a ótica de Abbott - proposta de estudo. In: BAPTISTA, S. G.; MUELLER, S. P. M. (Org.). Profissional da Informação: o espaço de trabalho. Brasília: Thesaurus, 2004. (Estudos Avançados em Ciência da Informação, v. 3). OLIVEIRA, M. A pesquisa científica na Ciência da Informação: análise da pesquisa financiada pelo CNPq. Perspect. Cienc. Inf., Belo Horizonte, v. 6, n. 2, p. 143-156, jul./dez. 2001. SOUZA, F. C. O ensino da Biblioteconomia no contexto brasileiro. Florianópolis: UFSC, 1990. _______. Biblioteconomia no Brasil: profissão e educação. Florianópolis: Associação Catarinense de Bibliotecário; Biblioteca Universitária da UFSC, 1997. TARAPANOFF, K. o profissional da informação e a sociedade do conhecimento: desafios e oportunidades. Transinformação, v. 11, n. 1, p. 27-38, jan./abr. 1999. VALENTIM, M. L. P. Atuação e perspectivas profissionais para o profissional da informação. In: VALENTIM, M. L. (Org.), Profissionais da Informação: formação, perfil e atuação profissional. São Paulo: Polis, 2000. p. 135-152.

CAPÍTULO VI – A Atuação Profissional do Bibliotecário no Contexto da Sociedade Informação: os novos espaços de Informação
Eliany Alvarenga Araújo Guilherme Atayde Dias Várias análises (Lyotard, 1998; Tofler, 1980; Massuda, 1982; Kochen, 1983, entre outras) consideram que a informação se tornou o principal elemento de produção,

modificando o comportamento das populações economicamente ativas e os fluxos de investimentos nos países desenvolvidos. Por outro lado, essa nova configuração do processo informacional pode acarretar problemas de acesso e uso de informações, principalmente para os países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. Este é o contexto onde está se desenvolvendo a Sociedade de Informação. Mas o que seria a sociedade da informação? De onde se origina este termo? Que estágios são necessários para que uma sociedade receba esta denominação? Como a biblioteca, enquanto instituição que trabalha com a informação, se posiciona nesse contexto? Qual a função do bibliotecário na sociedade de informação? Este texto objetiva responder a essas indagações, buscando com isso analisar a função da biblioteca e dos bibliotecários no contexto da sociedade da informação, e, num segundo momento, procurará identificar as novas tendências que estão surgindo em termos de serviços e produtos de informação. 6.1 Sociedade de Informação: Aspectos Históricos e Conceituais Vários fatos anunciam a chegada da sociedade de informação, tais como o crescimento (proporção geométrica) da literatura científica a partir do século XIX e a explosão bibliográfica após a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, nesses momentos, o termo - sociedade de informação - ainda não era tudo. Em 1962, o economista norteamericano Fritz Machlup publicou seu trabalho intitulado "A produção e a distribuição de conhecimentos nos Estados Unidos", cujo objetivo inicial foi o de estudar os defeitos da livre competição na sociedade norte-americana. Machlup observou que algumas práticas restringiam a livre concorrência, como o sistema de patentes, por exemplo. A partir desse momento, esse autor passou a analisar a relação custo-benefício do sistema de patentes e a relação desse sistema com o sistema de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) no campo educacional. Ao estabelecer essas relações, Machlup percebeu que estava analisando um novo campo: o da produção de conhecimento. Assim, ele desenvolveu um estudo quantitativo, no qual a informação foi colocada como uma parte componente do produto nacional bruto dos Estados Unidos da América. • • Machlup chegou às seguintes estatísticas: 29% do Produto Nacional Bruto (PNB) era composta por atividades de produção do conhecimento;

a produção de conhecimento, em pouco tempo, influenciaria 50% do Produto Nacional Bruto (PNB) dos Estados Unidos da América; a força de trabalho comprometida com as atividades de produção do conhecimento em 1962 era de 31,6% e, se os estudantes de tempo integral fossem adicionados a essa força de trabalho, a taxa seria de 42,8% da população ativa trabalhando no setor de produção de conhecimentos . Machlup denominou o conjunto desses dados de indústria do conhecimento. Seus

estudos influenciaram outros estudiosos como Peter Drucker, em seu livro A era da descontinuidade. Drucker baseou-se nos dados de Machlup e previu que, em 1970, o setor de conhecimento iria representar a metade do Produto Nacional Bruto dos Estados Unidos da América. E isso realmente aconteceu. A partir dessas análises surge oficialmente o termo sociedade do conhecimento ou sociedade da informação. Por volta de 1970, esse termo começa a aparecer na literatura da área de Biblioteconomia/Ciência da Informação Norte-Americana através da literatura periódica e de comunicações em eventos. Em 1973, Daniel Bell, em sua obra O surgimento da sociedade pós-moderna, afirma que o ponto central da sociedade pós-moderna é o surgimento das atividades de produção de conhecimento e informação. Uma das contribuições mais importantes para essa discussão foi o trabalho de Marc Porat, que, em 1977, defendeu a sua tese de doutorado sobre a economia da informação. Esse pesquisador utilizou dados do Departamento Nacional de Comércio dos Estados Unidos da América e contabilizou os custos das atividades de informação16. A partir desses fatos, o termo sociedade de informação se difunde e se define como a etapa do desenvolvimento da sociedade que se caracteriza pela abundância de informação organizada. O espaço de produção desta sociedade não é mais o da fábrica ou do escritório, mas o conjunto de meios, que é, antes de tudo, um conjunto de informações, mais especificamente, de informações científicas, tecnológicas, comerciais, financeiras e culturais, difundidas de forma rápida e interativa. Atualmente, novos fatos se aglutinam em torno desse conceito. Assim, temos várias propostas e tentativas de construção da information superhighway, ou super-rodovia da
16

CRAWFORD. The origin and development on a concept: the information society. Buli. Med. Libr. Assoe. v. 71. n. 4, p. 380-385, 1983.

informação. Esta rodovia da informação, ou infovia, será uma rede formada de cabos telefônicos de fibra ótica que, uma vez conectada a supercomputadores, será capaz de produzir e difundir imagens, sons e dados em altíssima velocidade. Essa super-rede de computadores, uma vez completamente instalada, vai colocar todos em contato com tudo, com efeitos formidáveis e imprevisíveis sobre as formas de trabalhar, aprender e se divertir. Tudo isso será possível graças à união dos recursos computacionais com as telecomunicações. Nessa união, cinco novas tecnologias têm-se destacado. São as seguintes: • • Digitalização e dados (envio rápido de imagem e voz de forma barata e segura); Processamento paralelo (execução simultânea de trabalho por vários computadores. Através desta tecnologia os computadores conseguem ser duzentas vezes mais rápidos que os computadores mainframes tradicionais); • ATM (tecnologia que transmite, com enorme velocidade, grandes quantidades de informação); • • Fibras óticas (recebem um volume ilimitado de sinais à velocidade da luz); Decodificadores digitais (ainda não existem, mas a previsão é de que estes aparelhos liguem o usuário com as informações do mundo exterior). Bell, citado por Santos, 1989, elaborou um quadro explicativo sobre as mudanças sociais provocadas pela sociedade de informação. Nele podem ser visualizadas as características da sociedade de informação, ou sociedade pós-industrial (conforme denominação do quadro de Daniel Bell). Mudanças sociais provocadas pela sociedade de informação
REGIÕES SETORES OCUPAÇÃO TECNOLOGIA PROJETO METODOLIA PERPECTIVA PRINCÍPIO PRÉ-INDUSTRIAL Ásia, África, América Latina. Primário: caça, pesca, agricultura, extração. Agricultor, mineiro não especializado. Matérias-primas. Jogo com a natureza. Senso comum, Experimentação. Passado / repetição. Tradição / terra. INDUSTRIAL Europa Ocidental e Oriental. Secundário: industrial. Operário especializado, engenheiro. Energia. Jogo com a máquina. Experimentação, empirismo. Presente / adaptação. Expansão econômica. PÓS-INDUSTRIAL E.U.A, Japão, Centros Europeus. Terciário: serviços, saúde, consumo, educação, pesquisa, comunicação. Técnicos, cientistas, artistas, professores. Informação. Jogo entre pessoas. Invenção, originalidade, teoria, modelos, sistemas, simulação computacional. Futuro / programação. Descentralização, codificação do conhecimento.

Conforme Massuda, 1982, a importância das novas tecnologias de informação está no fato de que, pela primeira vez, foram feitas tecnologias que criam e fornecem informações. Essas tecnologias desenvolvem três funções de processamento de informação: memória, computação e controle. Isto aumenta, em muito, a capacidade humana de processar dados para produzir informação. 6.2 Sociedade de Informação: Aspectos da Transformação Conforme Botelho, 1994, na sociedade de informação ocorre uma transformação, provocando a mudança de enfoque em relação aos fatores de produção e de desenvolvimento econômico. A base dessa transformação é que o setor de informação é intensivo em conhecimento e não em mão-de-obra. Nessa mudança, o valor agregado de conhecimento ou do segmento tecnológico é progressivamente mais importante e incorporado ao bem, provocando a transformação industrial da matéria-prima pelo valor agregado. Dessa forma, a informação adquire valor econômico, pois se parte do pressuposto de que a informação gera conhecimento, e este, quando acumulado, possibilita a produção científica e tecnológica, responsável pela geração de bens e serviços. Através dessas considerações, podemos perceber que a sociedade de informação se estrutura em algumas bases. Desse modo, temos que a base teórica desta sociedade se direciona a um só ponto: a substituição da produção industrial pela informação, da experiência profissional pela ciência, do trabalho operário pelo trabalho dos engenheiros. Assim, estaríamos presenciando uma substituição das atividades industriais - fundadas na manipulação da matéria -- por atividades fundadas no tratamento da informação -tal como aconteceu no processo de substituição da agricultura pela indústria. Esse processo de substituição se caracterizaria pela valorização dos ofícios informacionais. Massuda, 1982, nos dá uma visão esquemática desta substituição que, na verdade, estaria ocorrendo desde a invenção da escrita. O mesmo autor denomina tal ação de processo de objetivação da informação. Assim, temos o seguinte quadro:
REVOLUÇÃO DA REVOLUÇÃO DA REVOLUÇÃO DA REVOLUÇÃO DO

LINGUAGEM Informação Lingüística Sujeito

ESCRITA Informação Escrita Sujeito Instrumentos (caneta, papel) Começa a objetivação primária em relação ao sujeito.

IMPRENSA Informação Escrita tipografia Sujeito - instrumentos - prelo A informação progride para o estágio de objetivação secundária.

A informação ainda não está separada de seu sujeito.

COMPUTADOR Informação Eletrônica Sujeito - instrumentos - prelo - computador A informação avança para o estágio de objetivação terciária passando à informação tipográfica e desta para a informação elétrica.

As bases materiais sobre as quais a sociedade de informação se estrutura convergem para um só ponto - Novas Tecnologias de Informação. Tais tecnologias se constituem em equipamentos que podem desempenhar tarefas que envolvem, como elemento principal, o processamento e a transmissão informacionais. São exemplos dessas tecnologias: telecomunicações via satélite, processamento de imagens, smart card (cartão inteligente). EDI (transferência eletrônica de dados), Home banking, entre outras. As novas tecnologias de informação possibilitam a criação, a circulação e o armazenamento de uma imensa massa de informações. Tal possibilidade pode acabar com monopólios informacionais controlados por um pequeno número de grupos / instituições ou pode também fortalecer tais monopólios, criando um fosso entre países ricos de informação organizada e países pobres deste tipo de informação. As possibilidades são imensas e devem ser analisadas a partir da relação informação e estrutura de poder, que se constitui na base política da Sociedade de Informação. Na discussão sobre a informação como elemento de poder, pode ser vista, claramente, a questão da informação para a dominação ou para a conscientização social. Porém, os profetas da sociedade de informação (Tofler, Massuda, Naisbitt, Bell, entre outros) não consideram o problema da sonegação ou do monopólio da informação. Segundo esses autores, o desenvolvimento estará condicionado à criação e à circulação de informação e a mesma estará ao alcance de todos através das redes de comunicação eletrônica. Nesse estágio da sociedade de informação, esta estará à disposição de todos, chegando ao homem comum. Segundo Mattos, 1982, todos terão acesso aos bancos de dados que estarão ligados através de redes e terminais. Quando for atingido este nível, ocorrerá a desmassificação da informação, ou seja, haverá uma distribuição mais personalizada da

informação, ao contrário do que acontece hoje, quando ocorre uma massificação da informação. Um exemplo atual da personalização da informação é a TV a cabo, pois o usuário pode escolher um canal de acordo com suas necessidades individuais - música, esportes ou notícias. Levemos em conta que esse painel da sociedade de informação pode se concretizar. Entretanto, um problema ainda fica sem solução: a capacitação dos cidadãos para utilizar os instrumentos e serviços oferecidos pelas redes de comunicação eletrônica e potencializar as informações acessadas, ou seja, a capacidade de compreender as informações, tornando-as úteis e componentes de sua vida cotidiana. Consideremos que este seja o campo de atuação da biblioteca e dos bibliotecários na sociedade de informação. 6.3 Sociedade de Informação: a Função da Biblioteca e do Bibliotecário Para compreender a função da biblioteca e do bibliotecário na sociedade de informação devemos rever as funções daquela instituição e deste profissional. Assim, temos que a primeira função da biblioteca é a preservação dos registros da informação, o que motivou a criação da biblioteca. A segunda é a organização da informação. Para tanto, foram desenvolvidas e aperfeiçoadas técnicas de catalogação, classificação e indexação. A terceira é a disseminação da informação. Esta função é desempenhada através da criação e oferta de vários serviços e produtos de informação. Dentro desse contexto, o bibliotecário tem a tarefa de gerenciar todos os processos decorrentes destas funções. A partir dessas considerações, temos que a questão principal para a biblioteca e para o bibliotecário passa a ser: como desenvolver essas funções no novo contexto da sociedade de informação? Que modificações devem ser efetuadas para que tanto a biblioteca quanto o bibliotecário sejam membros dinâmicos da sociedade de informação? Em relação às modificações a serem efetuadas no trabalho do bibliotecário, consideramos que elas são de natureza instrumental, ou seja, devemos aprender a utilizar as tecnologias existentes no contexto da sociedade de informação e, a partir desse momento, poderemos criar novos produtos e serviços de informação, colocando, assim, os usuários de bibliotecas em contato real com a sociedade de informação. Em termos práticos, podemos considerar que as três funções básicas (formação e desenvolvimento das coleções, dinamização da informação e gerenciamento) de uma biblioteca / unidade de informação sofrerão impactos. Desse modo, temos que a função

formação e desenvolvimento das coleções deverão passar por reduções, visto que as fontes de informação estão migrando para o formato digital. Nesse novo formato estarão todos os procedimentos de seleção e aquisição de materiais bibliográficos ou nãobibliográficos. Neste sentido, Cunha (1999, p. 260) diz que, se as bibliotecas falharem em incorporar a responsabilidade de gerenciamento da informação armazenada em seus acervos, e mesmo fora destes, elas poderão ser substituídas por empresas comerciais provedoras de informação ou por intermediários da informação. Assim, determinados itens solicitados pelos usuários estarão em outros acervos, e nem sempre o acesso a eles será gratuito. Uma tendência forte é o fato de que o tamanho do acervo terá diminuído a sua importância, pois o que deverá pesar não serão os milhões de itens do acervo, mas as opções para acessar a informação demandada. Conseqüentemente, o diferencial na função formação e desenvolvimento de coleções mudará do tamanho do acervo para o tamanho das verbas disponíveis para o acesso à informação demandada. Nesse contexto de gerenciamento das coleções temos que: o formato das mesmas deverá mudar, no sentido de diversificação; o bibliotecário responsável pelo desenvolvimento das coleções será o especialista em hiperligações para mapear os recursos informacionais externos; cada vez mais haverá o pagamento direto, por parte do usuário, da informação acessada; dar-se-á o desenvolvimento de ações cooperativas; surgirá a necessidade de um maior conhecimento em hardware e software. Ainda em relação à função de desenvolvimento das coleções temos que a catalogação e a classificação necessitarão de novas regras, já criadas a partir de linguagens de marcação, tais como a Standard General Markup Languaje - SGML. Os periódicos serão cada vez mais eletrônicos (na verdade já temos na área alguns destes) e deverão ser acessados através de consulta local por meio de CD-ROM hospedeiro, hospedado numa estação de trabalho ou com a utilização de torres de CD-ROM. Este tipo de publicação é a que vem passando por transformações mais rápidas e radicais. É possível que durante um certo tempo ainda fiquem no formato híbrido, ou seja, impresso e eletrônico, para finalmente migrarem apenas para o formato eletrônico em decorrência do fator econômico e de rapidez de acesso. Aqui temos a possibilidade de as universidades retomarem o controle sobre suas publicações, pois, através do formato eletrônico, elas poderão gerenciar toda a dinâmica de publicação dos mesmos, retirando das grandes editoras comerciais o direito de exploração e obtenção de lucros. No contexto da função dinamização da informação, os serviços de referência deverão capacitar os usuários para utilizar serviços e produtos de informação oferecidos

pelas bibliotecas. Esta questão exige do bibliotecário um posicionamento proativo, ou seja, faz-se necessária uma postura de antecipação às necessidades de informação do usuário. Um exemplo de reação proativa é o oferecimento, por parte da biblioteca, de treinamento de usuários para a utilização de redes de comunicação eletrônica. Ao realizar tal ação, a biblioteca estaria se antecipando às necessidades dos usuários. Outro aspecto importante em relação a esse treinamento é que a biblioteca estará criando oportunidade de divulgação e uso dos seus próprios serviços e produtos de informação. Assim, ficará evidente para o usuário que a biblioteca é uma instituição que possibilita, também, o acesso e o uso de informações no nível das redes de comunicação eletrônica. Nesse sentido, temos algumas tecnologias à disposição, tais como: tutoriais baseados em computador, que irão prover o usuário com a necessária habilidade em determinadas buscas de informação; serviços de referência eletrônica através do uso intenso do e-mail; uso da videoconferência para troca de informações em tempo real. Dentro deste contexto teremos o ressurgimento dos serviços de Disseminação Seletiva de Informação – DSI. Diante dessas colocações, fica evidente que existe espaço profissional para o bibliotecário na sociedade de informação. Entretanto, faz-se necessário que este profissional se atualize e se posicione diante das questões relacionadas a este novo estágio de desenvolvimento da sociedade. Vimos que essas questões não são apenas de natureza tecnológica (as potencialidades das novas tecnologias de informação). A sociedade de informação envolve questões de natureza política (acesso à informação como direito do cidadão) e de natureza instrumental (aprendizado para utilização das novas tecnologias de informação). Concluindo, gostaríamos de fazer uma última observação sobre a terceira função, o gerenciamento e o aspecto criativo do trabalho do bibliotecário no contexto da sociedade de informação. Este novo contexto socioinformativo se caracteriza pelo uso intensivo de informação e a conseqüente produção de novos conhecimentos, por isso, o termo "sociedade inteligente" é usado para caracterizar a sociedade de informação. Atuar profissionalmente nesse contexto exige uma postura de criatividade, de renovação constante e de disposição para enfrentar desafios diários. O bibliotecário deve agregar aos conhecimentos adquiridos no curso de graduação vários outros, que devem ser buscados em outros cursos e campos de conhecimento, à medida que os desafios e/ou dificuldades forem surgindo. Consideramos que o profissional bibliotecário da sociedade de informação ainda

não existe. Ele será construído por nós, bibliotecários, que estamos convivendo com esta era de transição e de mudanças radicais, através de ações criativas e proativas. O desafio é grande e tem assustado a muitos profissionais de informação. Porém, as possibilidades de crescimento e de renovação profissionais são imensas. Então, vamos "colocar as mãos na massa" e criar soluções criativas para a sociedade de informação. Esta é a postura que nos garantirá espaço social e profissional na sociedade do presente e do futuro, ou melhor, na sociedade de informação. REFERÊNCIAS BOTELHO, Tânia Mara, Informação e sociedade; uma sociedade inteligente em transformação, In: BÍBLlO E 2000, CONGRESSO 2, LATINO AMERICANO BRASilEIRO DE DE BIBLIOTECONOMIA DOCUMENTAÇÃO, CONGRESSO

BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 17, 1994, Belo Horizonte, Anais..., Belo Horizonte: ABMG, 1994, p. 438-465. CRAWFORD, Susan. The origin and development on a concept: the information society. Bull. Med. Libr. Assoc. v. 71, n. 4, p. 380-385, 1983. CUNHA, Murilo Bastos da. Desafios na construção de uma biblioteca digital. Ciência da Informação, Brasília, v. 28, n. 3, p. 257-268, set./dez, 1999. MASSUDA, Yonej. A sociedade da informação como sociedade pós-moderna. Brasília: Ed, Universidade de Brasília, 1982. MATTOS, João Metelo. A sociedade do conhecimento. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1982. SANTOS, Jair. O que é pós-moderno? São Paulo: Brasiliense, 1989.

ANEXO A – Localização de Bibliotecas das Instituições Universitárias

Federais e Estaduais
Região Norte Instituições Fundação Universidade Federal do Acre Fundação Universidade Federal do Amapá Universidade Federal do Amazonas Universidade Federal do Pará Universidade Federal Rural da Amazônia Fundação Universidade Federal de Rondônia Fundação Universidade Federal de Roraima Região Nordeste Instituições Universidade Federal de Alagoas Universidade Federal da Bahia Universidade Federal do Ceará Fundação Universidade Federal do Maranhão Universidade Federal da Paraíba Universidade Federal de Pernambuco Fundação Universidade Federal do Piauí Universidade Federal do Rio Grande do Norte Fundação Universidade Federal de Sergipe Região Centro-Oeste Instituições Fundação Universidade de Brasília Universidade Federal de Goiás Fundação Universidade Federal de Mato Grosso Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Região Sudeste Sigla UnB UFG UFMT UFMS Sigla UFAL UFBA UFC UFMA UFPb UFPE UFPI UFRN UFS Sigla UFAC UNIFAP UFAM UFPA UFRA UNIR UFRR

Instituições Universidade Federal do Espírito Santo Universidade Federal Fluminense Universidade Federal de Juiz de Fora Universidade Federal de Lavras Universidade Federal de Minas Gerais Fundação Universidade Federal de Ouro Preto Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Fundação Universidade Federal de São Carlos Universidade Federal de São Paulo Fundação Universidade Federal de Uberlândia Fundação Universidade Federal de Viçosa Universidade do Rio de Janeiro Universidade Federal do Rio de Janeiro Universidade Federal de Itajubá Fundação Universidade Federal de São João dei Rei Universidade Estadual Paulista Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo Universidade Federal do Rio de Janeiro Região Sul Instituições Fundação Universidade Federal do Rio Grande Universidade Federal do Rio Grande do Sul Universidade Federal de Santa Catarina Universidade Federal do Paraná Fundação Universidade Federal de Pelotas Universidade Federal de Santa Maria Universidade Estadual de Londrina Universidade do Estado de Santa Catarina INSTITUIÇÕES ISOLADAS / INTEGRADAS

Sigla UFES UFF UFJF UFLA UFMG UFOP UFRRJ UFSCar UNIFESP UFU UFV UNIRIO UFRJ UNIFEI UFSJ UNESP FESP UFRJ

Sigla FURG UFRGS UFSC UFPR UFPEL UFSM UEL UDESC

Região Nordeste Instituições Escola Superior de Agricultura de Mossoró Região Sudeste Instituições Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro Faculdades Federais Integradas de Diamantina Região Sul Instituições Sigla Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto FFCMPA Alegre CENTROS DE ENSINO TECNOLÓGICO (QUE POSSUEM CURSOS DE NÍVEL SUPERIOR) Região Nordeste Instituições Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão Região Sudeste Instituições Centro Federal de Educação Tecnológica "Celso Suckow" Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais Região Sul Instituições Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná Sigla CEFET-PR Sigla CEFET-RJ CEFET-MG Sigla CEFET-BA CEFET-MA Sigla EFOA FMTM FAFEID Sigla ESAM

ANEXO B – Escolas de Biblioteconomia no Brasil
ALAGOAS

Universidade Federal de Alagoas – UFAL Curso de Biblioteconomia - Campus A. C. Simões BR 104 - Norte - Km 97 - Tabuleiro dos Martins 57072-970 - Maceió - AL – Brasil Tel.: (82) 214-1320 - e-mail: biblioteconomia@decos.ufal.br URL: http://www.ufal.br/prograd/cursosdegraduacao/biblioteconomia.htm AMAZONAS

Universidade Federal do Amazonas – UFAM Instituto de Ciências Humanas e Letras Departamento de Biblioteconomia - Curso de Biblioteconomia Av. General Octávio Jordão Ramos, 3000 Aleixo - Campus Universitário 69077-000 - Manaus - AM – Brasil Tel.: (92) 644-2244 r. 2120 - e-mail: biblioteconomia@fua.br URL: http://www.fua.br/ BAHIA

Universidade Federal da Bahia – UFBA Instituto de Ciência da Informação Curso de Biblioteconomia / Curso de Arquivologia Av. Reitor Miguel Calmon, s/n - Campus do Canela 40110-100 - Salvador - BA – Brasil Tel./Fax: (71) 336-6755/6174 - e-mail: ici@ufba.br URL: http://www.ici.ufba.br/

Universidade Federal da Bahia – UFBA Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - Curso de Museologia Rua Aristides Novia, 2 - Estrada de São Lázaro 40210-730 - Salvador - BA – Brasil Tel.: (71) 247-2800 /247-2978 / Fax: (71) 247-2978 - E-mail: ffch@ufba URL: http://www.ufba.br/institu icoes/ufba/faculdades/ffchl CEARÁ

Universidade Federal do Ceará – UFC Centro de Humanidades - Curso de Biblioteconomia Av. da Universidade, 2683 – Benfica 60020-180 - Fortaleza - CE – Brasil Tel./Fax: (85) 223-1642 - e-mail: bibliot@npd.ufc.br URL: http://elis.npd.ufc.br/ DISTRITO FEDERAL

Universidade de Brasília – UnB Departamento de Ciência da Informação e Documentação Curso de Biblioteconomia / Curso de Arquivologia Caixa Postal 04561 - Campus Universitário - Asa Norte 70919-970 - Brasília - DF – Brasil Tel.: (61) 307-2422 / 307-2841 / 307-28421 / Fax: (61) 274-2412 e-mail: cid@unb.br - URL: http://www.cid.unb.br/ ESPÍRITO SANTO

Universidade Federal do Espírito Santo – UFES Departamento de Ciência da Informação Curso de Biblioteconomia / Curso de Arquivologia Av. Fernando Ferrari. s/n - Campus de Goiabeiras 29060-970 - Vitória - ES – Brasil

Tel.: (27) 3337-2911 13335-2754 e-mail: biblioteconomia@prograd.ufes.br - URL: http://www.prograd.ufes.br/ GOIÁS

Universidade Federal de Goiás – UFG Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia - Curso de Biblioteconomia Caixa Postal 131 - Campus Samambaia 74001-970 - Goiânia - GO – Brasil Tel.: (62) 521-1335 / Fax: (62) 521-1133 e-mail: facomb@facomb.ufg.br - URL: http://www.facomb.ufg.br/ MARANHÃO

Universidade Federal do Maranhão – UFMA Centro de Ciências Sociais - Curso de Biblioteconomia Av. dos Portugueses, s/n, S-D 307 - Campus do Bacamga 65080-000 - São Luís - MA – Brasil Tel.: (98) 217-84041 Fax: (98) 217-8163 e-mail: debliot@ufma.br - URL: http://www.ufma.br/ MATO GROSSO

Faculdades Integradas Cândido Rondon – UNIRONDON Graduação em Biblioteconomia Av. Beira Rio, 3001 - Jardim Europa 78065-780 - Cuiabá - MT – Brasil Tel.: (65) 634-3330 I Fax: (65) 634-1881 e-mail: douglas@unirondon.br - URL: http://www.unirondon.br/grad/bib/index.php Obs.: Curso temporariamente fechado. Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT Campus de Rondonópolis - Curso de Biblioteconomia

Av. Fernando Corrêa da Costa, s/n - Coxipó da Ponte 78060-900 - Cuiabá - MT – Brasil Tel.: (65) 615-8151 - e-mail: jamacama@zaz.com.br URL: http://www.ufmt.br MATO GROSSO DO SUL

Instituto de Ensino Superior da Funlec – IESF Curso de Biblioteconomia Rua Cassildo Arantes, 322 - Bairro Cachoeira 79040-450 - Campo Grande - MS – Brasil Tel.: (67)741-9557 /741-71531 Fax: (67) 741-9555 e-mail: iesf@terra.com.br - URL: http://www.funlec.edu.br MINAS GERAIS

Fundação Educacional Comunitária Formiguense – FUOM Escola de Biblioteconomia – ESBI - Curso de Biblioteconomia Avenida Dr. Arnaldo de Senna, 328 - Água Vermelha - Caixa Postal 102 35570-000 - Formiga - MG – Brasil Tel./Fax: (37) 3322-4747 - e-mail: esbi@fuom.br URL: http://www.esbi.fuom.br/ Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC-MINAS Instituto de Informática - Curso de Ciência da Informação Campus Coração Eucarístico Av. Dom José Gaspar, 500 - Prédio 34 30535-610- Belo Horizonte – MG Tel.: (31) 3319-4006 / 3319-4117/ Fax: (31) 3319-4002 e-mail: inf@pucminas.br URL: http://www.pucminas.br/cursos/graduacao/cieinfor/curso.html Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG

Escola de Ciência da Informação - Curso de Biblioteconomia Av. Antônio Carlos, 6627 - Campus Pampulha 31270-010 - Belo Horizonte - MG – Brasil Tel.: (31) 3499-5225 - e-mail: dtgi@eci.ufmg.br/doti@eci.ufmg.br URL: http://www.eci.ufmg.br/ Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ubá - Curso de Biblioteconomia Rua Lincoln Rodrigues Costa, 165 - Bairro Boa Vista 36500-000 - Ubá - Minas Gerais - Brasil Tel.: (32) 3531-4769 / Fax: (32) 3531-2362 E-mail: não possui - URL: http://www.unipac.br/ Universidade Vale do Rio Verde de Três Corações – UNINCOR Instituto de Ciências Organizacionais e Administrativas – INCOA Curso de Biblioteconomia Av. Castelo Branco, 82 - Chácara das Rosas 37410-000 - Três Corações - MG – Brasil Tel./Fax: (35) 3239-1218 - e-mail: biblioteconomia@unincor.br URL: http://www.unincor.br/cu rsos/graduacao/humanas/biblioteconomia/ PARÁ

Universidade Federal do Pará – UFPA Curso de Biblioteconomia Pavilhão 1-9 - Campus Universitário – Guamá 66075-900 - Belém - PA – Brasil Tel.: (91) 211-1354 - e-mail: mam@ufpa.br URL: http://www.ufpa.br/cse/frame_dep.htm Universidade Federal da Paraíba – UFPb Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Departamento de Biblioteconomia Curso de Biblioteconomia

Campus I - Castelo Branco 58051-900 - João Pessoa - PB – Brasil Tel./Fax: (83) 216-7501 e-mail: dbd@ccsa.ufpb.broucgb@ccsa.ufpb.br - URL: http://www.ufpb.br/ PARANÁ

Universidade Estadual de Londrina – UEL Departamento de Ciência da Informação - Curso de Biblioteconomia / Curso de Arquivologia Caixa Postal 6003 - Campus Universitário 86051-990 - Londrina - PR – Brasil Tel./Fax: (43) 3371-4348 e-mail: cinf@uel.br - URL: http://www.uel.br/ceca/cinf/ Universidade Federal do Paraná - UFPR Setor de Ciências Sociais Aplicadas Departamento de Ciência e Gestão da Informação Curso Gestão da Informação Av. Prefeito Lothário Meissner, 3400 - Jardim Botânico 80210-170 - Curitiba – PR TeI.: (41) 360-4420 / Fax: (41) 360-4420 e-mail: decigi@ufpr.br - URL: http://www.decigi.ufpr.br PERNAMBUCO

Universidade Federal de Pernambuco – UFPE Centro de Artes e Comunicação - Departamento de Ciência da Informação Curso de Biblioteconomia Av. dos Reitores, s./n. – Cidade Universitária 50000-000 – Recife – PE – Brasil Tel.: (81) 3271-8781 / Fax: (81) 3271-8300 e-mail: dci@npd.ufpe.br/ - URL: http://www.biblio.ufpe.br/ RIO GRANDE DO NORTE

Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Centro de Ciências Sociais Aplicadas Departamento de Biblioteconomia - Curso de Biblioteconomia Campus Universitário - BR 101 - Lagoa Nova 59072-970 - Natal - RN - Brasil Tel.: (84) 214-3515 / Fax: (84) 215-3531 e-mail: cobi@ccsa.ufrn.br - URL: http://www.ufrn.br RIO GRANDE DO SUL

Fundação Universidade Federal do Rio Grande – FURG Departamento de Biblioteconomia e História - Curso de Biblioteconomia Avenida Itália - Km 8 - Campus Carreiros 96201-900 - Rio Grande - RS – Brasil Tel.: (53) 233-6636 - e-mail: ccbiblio@super.furg.br U R L: http://www.furg.br/furg/depart/dbh/db/index.htm Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS Departamento de Ciências da Informação Curso de Biblioteconomia / Curso de Arquivologia Rua Ramiro Barcelos, 2705 - Santana 90035-007 - Porto Alegre - RS - Brasil Tel.: (51) 3316-5116 / Fax: (51) 3316-5379 e-mail: iara.neves@ufrgs.br - U RL: http://www.ufrgs.br/fabico/deptobib.html Universidade Federal de Santa Maria – UFSM Centro de Ciências Sociais e Humanas - Curso de Arquivologia Faxia de Camobi, Km 9 - Prédio 353 - 3° andar - Campus Universitário 97105-900 - Santa Maria - RS Tel.: (55) 222-3444 r. 256 e-mail: arquivologia@ccsh.ufsm.br - URL: http://www.ufsm.br

Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNlJUÍ Departamento de Pedagogia - Curso de Licenciatura em Biblioteconomia Rua São Francisco, 501 - Bairro São Geraldo 98700-000 - Ijuí - RS – Brasil Tel.: (55) 3332-7100 - e-mail: paginas@unijui.tche.br U R L: http://www.unijui.tche.br/pedagogia/index.html Obs: Não está em funcionamento. RIO DE JANEIRO

Universidade Federal Fluminense – UFF Instituto de Arte e Comunicação Social - Departamento de Documentação Curso de Bibliotecónomia e Documentação / Curso de Arquivologia Rua Lara Vilela, 126 - São Domingos 24210-590 - Niterói - RJ - Brasil Tel./Fax: (21) 620-6377 e-mail: gdodoct@vm.uff.br - U R L: http://www.uff.br/gdo/htm/gdo.htm Universidade do Rio de Janeiro – UNIRIO Centro de Ciências Humanas Curso de Biblioteconomia / Curso de Arquivologia / Curso de Museologia Av. Pasteur, 458 - 4° andar – URCA 22290-240 - Rio de Janeiro - RJ – Brasil Tel.: (21) 541-1839 r. 2008/ Fax: (21) 542-2242 e-mail: cch@unirio.br - URL: http://www.unirio.br/cch/index.htm Universidade Santa Úrsula - USU Instituto de Tecnologia da Informação e da Comunicação Curso de Biblioteconomia Rua Fernando Ferrari, 75 – Botafogo 22231-040 - Rio de Janeiro - RJ – Brasil Tel.: (21) 2554-2500 e-mail: iticdir@alternex.com.br - URL: http://www.usu.br/

SANTA CATARINA

Centro de Educação Superior – ÚNICA Habilitação em Gestão da Informação Rua Salvatina Feliciana dos Santos, 525 - Bairro Itacorubi 88034-001 - Florianópolis - SC – Brasil Tel.: (48) 334-6437 / Fax: (48) 334-6437 r. 243 e-mail: eliane@unica.br - URL: http://www.unica.br/graduacao.htm Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC Curso de Biblioteconomia - Habilitação em Gestão da Informação Av. Madre Benvenuta, 2007 – Itacorubi 88035-001 - Florianópolis - SC – Brasil Tel.: (48) 231-1500/ Fax: (48) 334-6000 e-mail: f2mlbh@udesc.br - U RL: http://www.faed.udesc.br/CursoBiblio/index.html Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC Centro de Ciências da Educação - Departamento de Ciência da Informação Curso de Biblioteconomia Caixa Postal 476 - Campus Universitário – Trindade 88040-970 - Florianópolis - SC - Brasil Tel.: (48) 331-9304/ Fax: (48) 331-9756 - e-mail: dptcin@ced.ufsc.br URL: http://www.ced.ufsc.br/bibliote/homepage.html URL: http://www.ced.ufsc.br/bibliote/dep/homecin.html SÃO PAULO

Faculdades Integradas Coração de Jesus – FAINC Faculdade de Biblioteconomia R. Siqueira Campos, 483 – Centro - 09020-240 - Santo André - SP – Brasil Tel./Fax: (11) 4438-7477 / Fax: (11) 4992-1787 e-mail: secretaria@fainc.com.br - URL: http://www.fainc.com.br

Faculdades Integradas Teresa D' Ávila – FATEA / Lorena Curso de Biblioteconomia Av. Peixoto de Castro, 539 - Vila Zélia - Caixa Postal 75 12600-000 - Lorena - SP - Brasil Tel.!Fax: (12) 553-2888 e-mail: secretaria-fatea@fatea.br - URL: http://www.fatea.br/cursos/biblio.htm Faculdades Tereza Martin – FATEMA Curso Administração da Informação Rua Antonieta Leitão, 129 - Freguesia do Ó 02925-160 - São Paulo - SP – Brasil Tel./Fax: (11) 3931-2755 e-mail: fatema@fatema.br - URL: http://www.fatema.br Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESP Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação - Curso de Biblioteconomia Rua Cesário Mota, 262 - Vila Buarque 01221-020 - São Paulo - SP – Brasil Tel./Fax: (11)3123-7800 e-mail: secfabci@fespsp.org.br - U RL: http://www.fespsp.org.br/fabci/fabci.html Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC-CAMPINAS Faculdade de Biblioteconomia Curso de Ciência da Informação - Habilitação em Biblioteconomia Rua Marechal Deodoro, 1099 - Centro - Caixa Postal 317 13020-904 - Campinas - SP – Brasil - Tel.: (19) 3735-5843 e-mail: biblio@puc-campinas.edu.br URL: http://wWw.puc-campinas.br/graduacao/curso_01.asp?id=13 Universidade Estadual Paulista – UNESP Faculdade de Filosofia e Ciências - Departamento de Ciência da Informação Curso de Biblioteconomia e Documentação / Curso de Arquivologia Av. Hygino Muzzi Filho, 737 - Caixa Postal 420

17525-900 - Marília - SP – Brasil - Tel.: (14) 3402-1370 e-mail: dbd@marilia.unesp.br U RL: http://www.marilia.unesp.br/ensino/graduacao/index.htm Universidade Federal de São Carlos - UFSCar Departamento de Ciência da Informação - Curso de Biblioteconomia Rod. Washington Luís, km 235 Jardim Guanabara - Caixa Postal 676 13565-905 - São Carlos - SP Tel.: (16) 260-8374/8389 e-mail: ccbci@power.ufscar.br - URL: http://www.ufscar.br/~dci/index.htm Universidade de São Paulo - USP Escola de Comunicação e Artes – ECA Departamento de Biblioteconomia e Documentação - Curso de Biblioteconomia Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 - Cidade Universitária 05508-900 - São Paulo - SP - Brasil Tel./Fax: (11) 3091-4076 e-mail: cbd@edu.usp.br - URL: http://www.eca.usp.br/ Universidade de São Paulo - USP - Campus Ribeirão Preto Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto Departamento de Física e Matemática Curso de Ciência da Informação e Documentação - Habilitação em Biblioteconomia Av. Bandeirantes, 3900 - 14040-901 - Ribeirão Preto - SP – Brasil Tel.: (16) 602-3718/602-3693 / Fax: (16) 633-9949 e-mail: admgraduação@ffclrp.usp.br - URL: http://www.ffclrp.usp.br/ Fonte: Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação - ABECIN

SOBRE OS AUTORES

Marlene de Oliveira é doutora em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília, Professora Adjunta da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais. Seus interesses de ensino e pesquisa estão voltados para as áreas de Organização e Uso da Informação e incluem estudos de produtividade científica, uso e usabilidade de informação e sistemas de informação. Desenvolve, como bolsista 2 do CNPq, o projeto "Os grupos de pesquisa em Ciência da Informação: pesquisadores e produção científica". Publicou "A investigação científica na Ciência da Informação: análise da pesquisa financiada pelo CNPq". Perspectiva em Ciência da Informação, v. 6, n. 2, p. 1-20,2001, dentre outros trabalhos. Beatriz Valadares Cendón é doutora em Ciência da Informação pela University of Texas at Austin (EUA) e professora da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais. Seus interesses de ensino e pesquisa estão nas áreas de sistemas e fontes de informação eletrônica: acesso, recuperação, avaliação e uso. Desenvolve o projeto "Estudo do Portal Capes em universidades federais brasileiras" e é uma das organizadoras e autoras do livro Fontes de informação para especialistas e profissionais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2000. Maria Eugênia Albino Andrade é doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Professora Adjunta da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais. Seus interesses de ensino e pesquisa estão voltados para a relação entre informação, sociedade e indivíduos, organizações; para os sistemas de informação, especialmente as bibliotecas escolares e universitárias, e o processo de desenvolvimento de acervos. Desenvolve pesquisa sobre 'Avaliação do sistema de informação Saúde em Rede". Publicou "A pesquisa científica em sala de aula: reflexões sobre uma prática pedagógica. In: RODRIGUES, M. E.; CAMPELLO, B. S. (Org.). A (re)significação do processo ensino/aprendizagem em Biblioteconomia e Ciência da Informação." Eliany Alvarenga de Araújo é doutora em Ciência da Informação e mestre em Biblioteconomia. É Professora Adjunta IV do Departamento de Biblioteconomia e Documentação - DBD, da Universidade Federal da Paraíba - UFPb, secretária-geral da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação - ANClB. Seus interesses de ensino e pesquisa estão voltados para as temáticas de geração, mediação e usos da informação; teoria da informação e usos e impactos da informação; usabilidade de repositórios eletrônicos (bibliotecas digitais) e os impactos da informação a

partir do conceito da institucionalização. Publicou artigos de periódicos na área de geração, transferência e uso de informação e tem realizado comunicações em eventos tratando da mesma temática. Guilherme Atayde Dias é doutor em Ciência da Informação pela USP e Professor Adjunto I do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da UFPb. Seus interesses de pesquisa estão voltados para repositórios digitais de informação, periódicos científicos eletrônicos, web semântica e aplicação de software livre em qualquer atividade demandada pelas organizações. Desenvolve pesquisas relacionadas à utilização do meio eletrônico como um suporte para a disponibilização de publicações científicas. Possui publicações sobre essas temáticas em diversos eventos da área. Francisca Rosalina Leite Mota é doutoranda em Ciência da Informação pela Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais e professora no curso de Biblioteconomia da Escola de Ciência da Informação na mesma universidade. Seus interesses de ensino e pesquisa estão voltados para gestão da informação e do conhecimento. Desenvolve o projeto "Tecnologias da informação para gestão do conhecimento no âmbito hospitalar". Publicou "Prontuário eletrônico do paciente: estudo de uso pela equipe de saúde do Centro de Saúde Vista Alegre", dentre outros trabalhos.

DIDÁTICA Coordenadores da Coleção Márcia Maria Fusaro Pinto Elizabeth Spangler Andrade Moreira Câmara de Graduação 1. Orçamento Empresaria - uma abordagem conceitual e metodológica com prática através de simulador [CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS] 2. Fundamentos de Álgebra [MATEMÁTICA] Angela Vidigal Dan Avritzer Rogério Mário Fernandes

Eliana Farias e Soares Hamilton Prado Bueno Maria Cristina Costa Ferreira Marília Costa de Faria 3. Cálculo de Transitórios Eletromagnéticos em Sistemas de Energia [TRANSITÓRIOS ELETROMAGNÉTICOS] Antônio E. A. Araújo Washington L. A. Neves 4. Princípios da Publicidade [PUBLICIDADE] 5. Soldagem - fundamentos e tecnologia [SOLDAGEM] Paulo Villani Marques Paulo José Modenesi Alexandre Queiroz Bracarense Gilmar Santos

6. Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI) Manual da versão brasileira adaptada [AVALIAÇÃO FUNCIONAL INFANTIL] Marisa Cotta Mancini

7. Manual de Semântica - noções básicas e exercícios [SEMÂNTICA] Márcia Cançado

8. Análise de Dados através de Métodos de Estatística Multivariada Uma abordagem aplicada [ESTATÍSTICA MULTIVARIADA] Sueli Aparecida Mingoti

9. Fundamentos de Termodinâmica e Cinética Química [FÍSICO-QUÍMICA] Edward de Souza

10. A Farmacologia em Nossa Vida [FARMACOLOGIA] Janetti Nogueira de Francischi Maria Salete de Abreu Castro Miriam Teresa Paz Lopes Regina Maria de Marco Turchetti-Maia 11. Jogos Pedagógicos para Educação Musical [EDUCAÇÃO MUSICAL] Rosa Lúcia dos Mares Guia Cecília Cavalieri França 12. Ciência da Informação e Biblioteconomia Novos conteúdos e espaços de atuação [BIBLIOTECONOMIA E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO] Marlene de Oliveira - Coordenadora Beatriz Valadares Cendón Eliany Alvarenga Araújo Francisca Rosalina Leite Mota Guilherme Atayde Dias Maria Eugênia Albino Andrade

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