Livro da Dança

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Livro da Dança
Gonçalo M. Tavares

Segunda versão

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Título. Poesia – II. PT) Júlia Studart (Fpolis. Tavares (Lisboa. RS) Fabiana Macchi (Berna. CE) Edson Sousa (Porto Alegre. 2008. SC) Leonardo Gandolfi (Rj. — Florianópolis: Editora da casa. RJ) Maria Lúcia de Barros (Fpolis.3 4 .. Tavares.Coordenação editorial Carlos Henrique Schroeder Manoel Ricardo de Lima Coordenação da Série Alpendre de Poesia Carlos Augusto Lima Manoel Ricardo de Lima Capa. projeto gráfico e editoração eletrônica Design Editora Comitê editorial Carlos Augusto Lima (For. B869. Gonçalo M. SU) Gonçalo M. SP) B645q Tavares. 120 p. SP) Tarso de Melo (Sbc. Livro da Dança/ Gonçalo M. ISBN 978-85-60332-23-6 1. SC) Maurício Santana Dias (Sp.

Entre uma e outro 30. O importante 17. Velhice nova 14. Aparição 22. Começar a escultura. Medidas do corpo 5 . Recomendações 34. De qualquer modo 26. Síntese 24. Museu 21. Metodologia 18. A técnica 28. Recordar o óbvio 29. Descrição pormenorizada 33. Morte dos Antigos 13. Ser rápido 31.Sumário Livro da Dança 11. Pássaros e dança 27. O segredo 15. O ombro 23. acabar noutro lado 20.Confirmação 12. O ritmo 25.

Rapazes e raparigas dentro do corpo 64. quatro respostas 55. Projecto 37. O problema 43. Treinar 44. Evitar 49. Substituição não exacta 48. Conselho consequência da definição do erro 58. Salvação 42. Psicanálise 52. A indústria 59. Oração 62. Beleza 54. Sexualidade sem rosto 38. Vocabulário e alfabeto 46. Claro que há 56. Sobreviver 50. Circunferência perfeita 45. O corpo 51. Invenção 47. O erro 57. Dançarino subtil 40. Redundância 61. Os velhos 39. Tarefa completa 41. Sobre o osso 6 . Sobre a alegria 63. Estética do átomo 53.36. Quatro perguntas.

Penso que agora fica claro 7 . Não ter vergonha 84. antes não 94. Isso é claro 93. Mais um coelho 96. Ainda. Objectos a utilizar 89. Definição de função 91. Exibição possível 92. Duas potências 86. Livro de cabeceira 95. Um pedido 80. é evidente 98. Eis 77. Pedido 71. Oubir e avançar 87. Diálogo rigoroso 76. Depois sim. Declaração de amor 81. ainda o exemplo 68. Ainda o exemplo 67. várias respostas 73. Um objecto exacto 82. Estética 70. Exibição 69. Várias questões. Perceber no corpo 83. É fácil 66. Movimento 90. Uma frase 78.65. Questionário 79.

Biografia e prestígio 119. Esse ruído a que alguns chama de morte 113. Contabilidade dupla 124. Fé e corpo 123. Lembrança única 128. O punhal 127. Dois sistemas 108. Dimensões do movimento 118. realidade 8 . Coração e cicatriz 132. Sobre o verdadeiro milagre 112. Planeamento e milagre 116. Duas sugestões 109. Se 107. Exclamação 100. Descida rápida 121. De novo 120. Obediência 102. Recomendação útil 122. Sobre o que fazer com o minúsculo 114. Não é uma ideia 129. Aprendizagem 101. Aniversários dessincronizados 126. Hoje fui ver o corpo 110. Sobre memória e profecia 106. Não perder território (o pudor) 104.99. Indicações quase gerais 115. Extremamente 130. Exactamente aqui 131.

Projecto para uma poética do movimento 9 .

10 .

libertar a Religião e os animais no meio da Lógica do óbvio e do Sensato. Comecei hoje a metafísica da casa: comecei por limpar a pele. O PARTO no PALCO deve evitar o sangue mas não o SUSTO. Comecei hoje a metafísica da casa. Confirmar Círculos com os pés.Confirmação Confirmar o Círculo com os pés. 11 . espalhar a FISIOLOGIA dos anjos pelo público.

morre-se. A Morte dos antigos é igual à Contemporânea. Material cénico com Pecados no Meio. 12 . Coreografia do Azar e do Imprevisto.Morte dos Antigos Coreografia da Morte. Inocência.

13 . Suicidar Possibilidades de Movimento aceitando a velhice com o chapéu na Mão e Desrespeito.Velhice nova Intensidade errada alojada na Perfeição. Escolher Movimentos Racionais e Suicídios.

Quem dança deve usar as pernas (CURTAS) para alcançar o céu (alto). ATIRÁ-LOS AO Segredo. os óbvios. Subir com os deuses estranhos.O Segredo a poesia dos terrestres e o Sagrado uso da verticalidade (herberto). A terra secreta é o corpo e o corpo tem o segredo da TERRA. (ATIRAR as Pessoas ao Segredo). o veneno come a madeira do escadote a as PERNAS da dançarina da Frente são curtas enquanto atrás são longas. Provocar as cidades e as Pessoas. RESUMO ou Síntese ou avançar 1 pouco: O Corpo deve produzir conferências verticais cada vez mais altas e terminar no Projector que ilumina o Sol. 14 . Assim é que é. a ciência é o deus-óbvio.

a cabeça deve respirar como a água: são os outros – o Peixe. o PÉNIS. a urina e a Saliva. O coração (uma síntese de aurículas e Lixo e querem fazê-lo centro do Apaixonado) o coração é belo e é crime ainda tornar abstracta a Vagina. por exemplo. o esperma. Se a cabeça Respira é cérebro. Portanto: a cabeça não deve respirar porque a inteligência é crime: é pulmonar a matemática dos pulmões e é crime tornar abstracto um tendão. ou seja: os outros devem respirar substituindo a cabeça. por exemplo – que respiram pela água: a cabeça deve respirar como a água. a FRACTURA da Tíbia é dor porque alguém — o corpo 15 . o ânus. a cabeça não deve respirar. E não há Paciência para o cérebro. a cabeça não deve respirar.O importante o importante da respiração é o modo como ela parece não existir. impedir que o Pensamento atravesse a PONTE.

Impedir que os ossos pensem ou Respirem.– pensou antes como definitiva a Tíbia. aceitar a FRACTURA. compacta: A tíbia. a NEVROSE. 16 . aceitar tudo isto como se fosse a ideia NOVA mostrada por quem dança. Sem angústias. Respirar ou pensar no meio do Movimento é ter as Raízes gordas e todos sabem que se os anjos tivessem Raízes gordas seriam HIPOPÓTAMOS. única. completa. não anjos. assim. a dor. Deitar Sal na própria CARNE e oferecer-se ao Banquete. isso não. o Psicopata. Se falarmos do que é belo a botânica debaixo do Movimento é MAGRA (falamos do que é Belo).

tornar a atmosfera louca. a importância da ATMOSFERA é a Psicanálise perante o deitado (o chão).Metodologia Tornar o chão Louco. Depois. 17 . Tornar o chão Louco para que a ATMOSFERA possa dar conselhos. a seguir.

bebe-se. Simular com o corpo a IMOBILIDADE. a energia é murmúrio da MATÉRIA que aí vem dentro da MATÉRIA que aí está. A escultura. ou seja simular o NÃO-CORPO com o CORPO. mas tranquilo: não adormece quem não dorme já. 18 . acabar noutro lado O princípio é escultura. Depois da escultura imaginar Murmúrios. não acorda quem não é já acordado. O Corpo deve SER então a botânica no limite da água. É alimento.Começar a escultura. UM POUCO acima apenas. conquistasse território até tornar significativa a moleza no território duro. Como se o vírus Transmitisse Ruído e o Ruído PROPAGADO como os líquidos caídos do ALTO. multiplicálos. O segundo é o Murmúrio por dentro da escultura a anunciar a hipótese do Líquido. com a quantidade de murmúrios torna-se líquida. SIM. No princípio a escultura.

19 . a botânica geral sem TAXONOMIAS um metro acima da água (o corpo).Deixar sede mas não se deixar beber (O corpo).

Deitar abaixo o Museu. Descoberta do Museu.Museu Descoberta do Museu. Descoberta do Museu. Deitar abaixo o Museu. 20 . No corpo as obras-primas resistem um quinto de segundo e menos de meio instinto. Deitar abaixo o Museu. Destruição do lugar comum no lugar do corpo. O Museu dos Movimentos estragou-se.

21 . Planear o Fantasma. O corpo é FANTASMA. Osso surpreendente. para que o FANTASMA exista. Aparece no sítio do corpo onde o corpo não se sabia Existir. esconde-se e depois Aparece. Osso subtil. ou seja: ossos.Aparição Aparição. Criar ESTRUTURA. Osso imprevisto. Os ossos do Fantasma são a subtileza. Planear pois a Aparição.

O estômago tem dentro 1 estômago Profundo. É deus. Não é o OMBRO. Fezes e Filosofia. A vida Profunda é simples. Mostrar a Filosofia com o Corpo mesmo quando o corpo só Mostra os dejectos. Esqueleto.O ombro O ombro tem dentro um OMBRO Profundo. Aparição súbita de deus no OMBRO. EVITAR a camuflagem: o corpo Profundo é o corpo entre as fezes e a beleza. 22 . As palavras têm dentro um corpo Profundo. Máscara Profunda. Máscara Profunda. Esqueleto. Fezes e Filosofia.

Síntese Mesmo deus tem dentro dele um deus profundo 23 .

De qualquer modo com a teoria da poética que é não existir teoria e só existir poética.O ritmo De qualquer modo dança. De qualquer modo sente. De qualquer modo o corpo contém o dia. De qualquer modo coleccionar montanhas. De qualquer modo a ciência atrapalha 1 pouco mas não totalmente. De qualquer modo acabar quando o ritmo exige que se continue o ritmo exige coisas a que não devemos aceitar obedecer ser escravos. De qualquer modo as cores e o Músculo. De qualquer modo Curiosidade. De qualquer modo sempre no Fundo a Memória. De qualquer modo o coração. Mas de qualquer modo sem TEORIAS. 24 .

25 .De qualquer modo De qualquer modo a dança é imaginar música Produzida pelo corpo a ser entendida de maneira calma pelos Mortos e pelo céu.

Pássaros e dança A história da dança não é não pode ser o Percurso dos Movimentos Traçado no chão. suspensas. Imagens do corpo que ficaram atrás. 26 . Acreditar que os Pássaros são restos de COREOGRAFIAS. É (tem de ser) o Percurso dos Movimentos Traçado no ar.) Os pássaros são restos de COREOGRAFIAS. tudo o que é alto. (As nuvens ainda. o céu.

Nos homens utilizar a alma como a ÚNICA TÉCNICA.A técnica A técnica é a MÁQUINA Desligar a Máquina e a Indústria. A alma é a Técnica. NO ANIMAL VERTEBRADO A TÉCNICA SÃO AS VÉRTEBRAS. 27 .

Até o DEDO pode começar o Espaço. Não é começar no Espaço. O corpo todo parado mas na extremidade da Mão a extremidade da Mão volta ao Início. É começar o Espaço. Até o dedo pode começar o Espaço. 28 . Começar o espaço.Recordar o óbvio Contar a MITOLOGIA pelos dedos. AOS ARQUÉTIPOS.

Entre uma e outro hesitar entre a perfeição e o desastre. 29 .

ser INFOTOGRAFÁVEL 30 .Ser rápido Dúvidas no Tronco e na Cabeça. Ser infotografado: impossível fotografá-lo.

31 . sou lento porque sou lento. Leveza do toque que quase não toca. Não aparento. A perna do cisne é gorda. o lado esquerdo e o lado direito. O lado esquerdo do som. Ser subtil no limite. Estóico nos Milagres. Fazer o Milagre Magro. a perna do cisne é Exagero. Estóico na 3ª Vértebra. Estóico na 4ª Vértebra. Jejum da interpretação (o actor perde os actos. Perder o actor). Ser acção. Movimento com aroma. O lado esquerdo do Aroma.Descrição pormenorizada Pobreza nas Pernas. Tornar indistintos. Intensificar o Aroma do lado direito. Aproximar o movimento daquilo que é CHEIRO. Estóico na 2ª VÉRTEBRA.

Pobreza no Excesso. Transbordar de Mínimos. Dança (isto é: cheira bonito do espaço). Acrobata dos Aromas.É 1 bailarino. Flexibilidade do Invisível. (apocalipse demorado e quase tranquilo) 32 . Consigo tocar o Aroma de cima com o de baixo. dizes. Assim.

Não dominar a Natureza. dominar a Natureza mas dominar depois o instinto de dominar a Natureza.Recomendações dominar a natureza mas dominar primeiro o instinto de dominar a natureza. 33 .

Medidas do corpo Meter na dança carne. A carne é o corpo anterior ao sexo. A carne quando aparece aparição antes do corpo exibe as Medidas da alma. Não meter CARNE na Dança. Exibir as Medidas da Alma. Deixar a dança ser primeiro que o corpo. a carne é igual no Feminino e no Masculino. a poética dos ossos e dos Mortos é igual: CARNE. Não tirar CARNE da dança. Não abrir o exterior do corpo para a carne entrar. Meter carne na dança. Ao corpo anterior ao Feminino e ao corpo anterior ao Masculino é impossível acrescentar algo de novo. 34 . a Matéria da Poética obedece aos instrumentos de Medida. Descobrir o corpo anterior ao feminino e descobrir o corpo anterior ao Masculino. Não abrir o exterior do corpo para deixar sair a CARNE. Deixar a dança ser naturalmente Carne.

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