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ANUAL MATUTINO ESTADUAL CENTRO DIREITO CIVIL PROF: TARTUCE DATA: 11/02/2010

2.3 Princípio da Igualdade entre cônjuges e companheiros – (artigos 5° I1 e 2262 CF/88, 15113, CC). , Segundo a CF/88 homens e mulheres são iguais perante a Lei, o que repercute nas relações familiares. Assim, há igualdade na chefia familiar (art. 16314, CC), sendo certo que a hierarquia foi substituída pela diarquia (poder de dois). Surge o conceito de família democrática em que há um regime de colaboração entre cônjuges e companheiros podendo os filhos opinar. Assim não existe mais o pátrio poder, substituído pelo poder familiar (despatriarcalização do Direito de Família). O princípio da isonomia constitucional está na seguinte oração, “ a lei deve tratar de maneira igual os desiguais e de maneira desigual os desiguais” (frase de Aristóteles e também de Ruy Barbosa). A grande dificuldade é saber até que ponto vai essa igualdade entre homens e mulheres. Exemplos: Lei Maria da Penha, Art. 100, I5 CPC (foro privilegiado) Perguntas sobre a Lei Maria da Penha: A Lei Maria da Penha é inconstitucional? Não, não há inconstitucionalidade, pois a lei é típica norma de proteção de vulneráveis, estando na segunda parte da isonomia. O vulnerável é a mulher sob violência doméstica A Lei se aplica a homem? Em regra a lei não se aplica ao homem a não ser nos casos de patente vulnerabilidade. Exemplo: Homem idoso que sofre violência doméstica de mulher mais jovem praticante de atos marciais. O art. 100, I CPC prevê foro privilegiado para a mulher, nas ações de separação, divórcio, nulidade e anulação do casamento. Há quem entenda que a norma é inconstitucional (Yussef Cahali , Alexandre Freitas Câmara, Flávio Tartuce), porém prevalece a tese de que não há inconstitucionalidade pois trata-se de uma norma especial processual (Nelson Nery e Rosa Nery (casal Nery)).
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. 3 Art. 1.511. O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges. 4 Art. 1.631. Durante o casamento e a união estável, compete o poder familiar aos pais; na falta ou impedimento de um deles, o outro o exercerá com exclusividade.
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100. É competente o foro: I - da residência da mulher, para a ação de separação dos cônjuges e a conversão desta em divórcio, e para a anulação de casamento;

5Art.

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É proibido a qualquer pessoa de direito público ou direito privado interferir de forma coativa nas relações familiares. 1. Trata-se da valorização da autonomia privada (direito de autorregulação que decorre da liberdade constitucional) nas relações familiares. terão os mesmos direitos e qualificações. Portanto. Os filhos. ou por adoção. havidos ou não da relação do casamento. filhos adulterinos. Esse conceito foi criado por um jurista chamado de Euclides de Oliveira. os filhos havidos de fecundação artificial heteróloga (com material genético de terceiro (banco de sêmen)) e filhos socioafetivos (filhos de criação que decorre de uma posse de estado). Filho é filho e ponto final. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. havidos ou não durante o casamento são iguais perante a lei sendo vedada qualquer forma de distinção ou discriminação.Os filhos. interferir na comunhão de vida instituída pela família. 8 Art. 227.596 7. No Direito de família tem relação com a “escalada do afeto”. devendo ser ponderado com o princípio seguinte.CC).4 Princípio da Igualdade entre filhos – (art. 8 Casar Conviver Noivar Namorar Ficar O princípio da não intervenção não é absoluto. 1513 . É defeso a qualquer pessoa.5 Princípio da não intervenção ou da liberdade – art. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. 1. “pai é o que cria”. Essa igualdade atinge os filhos adotivos. 2.§6° CF/88 e 1. 7 Art. CC. não podem ser utilizadas as expressões. Todos os filhos.596. terão os mesmos direitos e qualificações. espúrios ou bastardos.513. de direito público ou privado. havidos ou não da relação de casamento.ANUAL MATUTINO ESTADUAL CENTRO DIREITO CIVIL PROF: TARTUCE DATA: 11/02/2010 6 2. 6 2 . § 6º . ou por adoção. filhos ilegítimos.

com absoluta prioridade. § 2o Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho. em condições de liberdade e de dignidade. unilateral ou compartilhada. ao respeito.584. § 3o A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os interesses dos filhos. em atenção a necessidades específicas do filho. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. já os autores de Direito Internacional usam a expressão (Best Interest Of Child Convenção de Haia de Proteção dos Direitos da Criança). da sociedade em geral e do poder público assegurar. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. No direito de família o princípio tem aplicação na questão da guarda durante o poder familiar (art. 9 Art. exploração. à alimentação. ao lazer.584. mental. 1583 e 158412 CC alterados pela Lei 11. Os estatuístas utilizam o Princípio da Proteção Integral. 1. 3° e 4° do ECA e 1583. inclusive quanto ao número de horas de convivência com o filho. da comunidade. por guarda compartilhada a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto. à cultura. 227. de preferência.698/2008 (lei da guarda compartilhada)) Como era a antes da guarda compartilhada: Art. o juiz. espiritual e social. de ofício ou a requerimento do Ministério Público. ao lazer. mais aptidão para propiciar aos filhos os seguintes fatores: I – afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar.583. à saúde. à cultura. poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu detentor. § 1o Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a um só dos genitores ou a alguém que o substitua (art. crueldade e opressão. poderá ser: I – requerida. à alimentação. a similitude de deveres e direitos atribuídos aos genitores e as sanções pelo descumprimento de suas cláusulas. à saúde. violência. a efetivação dos direitos referentes à vida. II – decretada pelo juiz. de dissolução de união estável ou em medida cautelar. o grau de parentesco e as relações de afinidade e afetividade. § 5o) e. considerados. ao respeito. III – educação. à educação. a guarda compartilhada. com absoluta prioridade. será aplicada. discriminação. 1. 2279.6 Princípio do melhor interesse da criança e do 10 11 adolescente – Art. A guarda. CF. à educação. 3 . II – saúde e segurança. Art. pelo pai e pela mãe. a sua importância. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. 1. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. unilateral ou compartilhada. 10 12 Art. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. deferirá a guarda à pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida. por consenso. A guarda será unilateral ou compartilhada. todas as oportunidades e facilidades. § 2o A guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições para exercê-la e. poderá basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar. à profissionalização. § 1o Na audiência de conciliação. sempre que possível. É dever da família. § 3o Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob guarda compartilhada. o juiz informará ao pai e à mãe o significado da guarda compartilhada. à profissionalização. moral. por lei ou por outros meios. em ação autônoma de separação. § 4o A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda. 1584 CC. objetivamente. ou por qualquer deles. ao esporte. 4º É dever da família. 11 Art. à dignidade. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. concernentes ao poder familiar dos filhos comuns. à dignidade. o direito à vida. assegurando-se-lhes.ANUAL MATUTINO ESTADUAL CENTRO DIREITO CIVIL PROF: TARTUCE DATA: 11/02/2010 2. ou em razão da distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe. de divórcio. § 5o Se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob a guarda do pai ou da mãe.

o .construir uma sociedade livre. Ex 03: reconhecimento da Parentalidade Socioafetiva como forma de parentesco civil (art. os pais é que precisam harmonizar-se. podendo ser positivo (amor) ou negativo. convivendo nesse lar com ambos os genitores que dividem as atribuições relativas ao filho. Como ficou a questão da guarda compartilhada: Foram mantidas as premissas básicas (acordo entre genitores e melhor interesse).ANUAL MATUTINO ESTADUAL CENTRO DIREITO CIVIL PROF: TARTUCE DATA: 11/02/2010 A guarda seria atribuída em regra conforme acordo entre os genitores (fixação consensual).593. 14 15 Art. art.7 Princípio da afetividade Afeto significa interação. 159315. O parentesco é natural ou civil.a dignidade da pessoa humana. Segundo a jurisprudência do TJ/RS a guarda compartilhada pressupõe harmonia pacífica entre os genitores. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I . art. sendo esta a sua grande dificuldade. 1º A República Federativa do Brasil. Sempre prevaleceu a guarda unilateral com o direito de visitas para outra parte. CC). 3° I14 da CF/88. Parentalidade Socioafetiva Art. Já para Paulo Lôbo.III fundamento é a solidariedade. 1° 13 da CF/88. . Ex 01: Tese do abandono afetivo (responsabilidade civil). Na guarda compartilhada o filho tem um lar único. conforme resulte de consangüinidade ou outra origem. pois os filhos ficam sem ponto de referencia (Giselle Groeninga) 2. Criança não pode ter duas casas. Para Maria Berenice Dias o fundamento da afetividade é a dignidade humana. justa e solidária. 4 . constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: III . 13 Art. Não havendo acordo a guarda seria atribuída a quem oferecesse as melhores condições para exercê-la (melhor interesse da criança ou do adolescente). caso da União Homoafetiva (Maria Berenice Dias). formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. 1. Entretanto. Não confundir com guarda alternada que é aquela fracionada no tempo (guarda mochileiro ou pingue-pongue). Ex 02: reconhecimento de novas entidades familiares. a guarda compartilhada passou a ser prioritária. A afetividade gera efeitos jurídicos. essa guarda não é recomendada segundo os psicólogos e psicanalistas.

A conclusão do trabalho é que o vinculo de filiação é mais do que um dado biológico. “família é quem você escolhe pra viver. denominado “Desbiologização da Paternidade” (escrito em 1979). Portanto. • Verdade Biológica ( provada por DNA). • Verdade Socioafetiva (decorre de uma posse de estado de filho. só precisa um pouco mais de sintonia” (O Rappa). três são as verdades que devem ser ponderadas na fixação do vínculo jurídico de filiação: • Verdade Registral. É um dado cultural (“pai é quem cria”). Não precisa ter conta sanguínea. é quem você escolhe pra você.ANUAL MATUTINO ESTADUAL CENTRO DIREITO CIVIL PROF: TARTUCE DATA: 11/02/2010 A tese tem origem no artigo do Professor João Batista Villela. Pela tese. 5 . Essa verdade pode ser qualitativa e quantitativa).

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