P. 1
05267_10_Decisao_jcampelo_APL-TC.pdf

05267_10_Decisao_jcampelo_APL-TC.pdf

|Views: 0|Likes:

More info:

Published by: Tribunal de Contas do Estado da Paraíba on Feb 26, 2013
Copyright:Public Domain

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

02/26/2013

pdf

text

original

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Tribunal Pleno PROCESSO TC Nº 05267/10

Jurisdicionado: Prefeitura Municipal de Lagoa Objeto: Recurso de Reconsideração (Prestação de Contas, exercício de 2009) Responsável: Ex-prefeito Magno Demys de Oliveira Borges Advogados: Johnson Gonçalves de Abrantes, Edward Johnson Gonçalves de Abrantes, João da Mata de Sousa Filho e Bruno Lopes de Araújo Relator: Auditor Antônio Cláudio Silva Santos EMENTA: PODER EXECUTIVO MUNICIPAL – ADMINISTRAÇÃO DIRETA PREFEITURA MUNICIPAL DE LAGOA - PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAIS DO PREFEITO MAGNO DEMYS DE OLIVEIRA BORGES, EXERCÍCIO DE 2009 – PARECER CONTRÁRIO À APROVAÇÃO DAS CONTAS (PARECER PPL TC 233/2011) – ACÓRDÃO APL TC 996/2011: I - DECLARAÇÃO DE ATENDIMENTO INTEGRAL DOS PRECEITOS DA LRF; II - IMPUTAÇÃO DE DÉBITO; III - APLICAÇÃO DE MULTA; IV - COMUNICAÇÃO À RECEITA FEDERAL DO BRASIL; V - RECOMENDAÇÕES. RECURSO DE RECONSIDERAÇÃO – ART. 221, INCISO II, DO REGIMENTO INTERNO DO TCE/PB C/C O ART. 33 DA LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL Nº 18/93 – CONHECIMENTO - PROVIMENTO PARCIAL – EXCLUSÃO DA IMPORTÂNCIA IMPUTADA – MANUTENÇÃO DOS DEMAIS ITENS DO ACÓRDÃO, INCLUSIVE DA MULTA - DESCONSTITUIÇÃO DO PARECER – EMISSÃO DE UM OUTRO, DESTA FEITA FAVORÁVEL À APROVAÇÃO DAS CONTAS.

ACÓRDÃO APL TC 58/2013
RELATÓRIO
Analisa-se o recurso de reconsideração interposto pelo Prefeito de Lagoa, Exmo. Sr. Magno Demys de Oliveira Borges, contra o Parecer PPL TC 233/2011 e o Acórdão APL TC 996/2011, emitidos na ocasião do exame da prestação de contas de 2009, na sessão plenária de 19/10/2011, com publicação no DOE datada de 17/01/2012. Através das mencionadas decisões, o Tribunal, em concordância com a voto do então Relator, Conselheiro Flávio Sátiro Fernandes, se posicionou contrariamente à aprovação das contas, além de: a. IMPUTAR ao gestor o débito de R$ 73.791,83, sendo R$ 70.050,00 por emissão de cheque sem a comprovação da correspondente despesa, R$ 2.141,83 por saldo financeiro não comprovado e R$ 1.600,00, tendo em vista o recebimento de diárias sem comprovar a utilização; b. APLICAR ao Prefeito de multa no valor de R$ 2.805,10, nos termos do que dispõe o inciso II do art. 56 da LOTCE; c. DECLARAR o atendimento às exigências da LRF por parte do Poder Executivo do Município de Lagoa, com exceção ao recolhimento total de obrigações patronais, às despesas licitadas e à correção na confecção dos demonstrativos contábeis;

d. COMUNICAR à Receita Federal do Brasil acerca do não recolhimento total das obrigações previdenciárias devidas no exercício; e. RECOMENDAR ao gestor da observância das normas legais, adotando medidas com vistas a estrita observância aos preceitos constitucionais, legais e normativos, em especial, a JGC

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Tribunal Pleno PROCESSO TC Nº 05267/10
comprovação documental de despesas, a legislação referente à Previdência Social, o Parecer PN-TC-52/2004 e a Lei 4.320/64, com vistas à não repetição das falhas cometidas; e f. INFORMAR à supracitada autoridade que a decisão decorreu do exame dos fatos e provas constantes dos autos, sendo suscetíveis de revisão se novos acontecimentos ou achados, inclusive mediante diligências especiais do Tribunal, vierem a interferir, de modo fundamental, nas conclusões alcançadas.

Irresignado, o Prefeito interpôs recurso de reconsideração através do Documento TC 02338/12. Em suas anotações, a Auditoria, ao informar que os requisitos de admissibilidade foram devidamente cumpridos, destacou que os argumentos do gestor lograram elidir as irregularidades relacionadas ao saldo não comprovado e à emissão de cheques sem a comprovação da despesa, subsistindo o recebimento de diárias sem comprovação de sua utilização, no valor de R$ 1.600,00, despesas sem licitação, no montante de R$ 492.020,01, e incorreções em demonstrativos contábeis. Razão pela qual concluiu pelo não provimento do recurso. Posição que o Ministério Público de Contas acompanhou, consoante Parecer nº 1.421/12, da lavra da d. Procuradora Sheyla Barreto Braga de Queiroz. Através do despacho de fls. 307/308, o Conselheiro André Carlo Torres Pontes determinou o encaminhamento do feito à Secretaria do Tribunal Pleno, para redistribuição, em razão de ter atuado no processo como Membro do Ministério Público junto ao TCE/PB, o que gerou o impedimento previsto no art. 134, II, do CPC. Na sessão de julgamento, o Conselheiro André Carlo Torres Pontes se averbou impedido de votar no presente processo pelos motivos já mencionados É o relatório, informando que o responsável foi intimado para esta sessão de julgamento.

VOTO DO RELATOR
As irregularidades mantidas pela Auditoria e pelo Parquet dizem respeito à(o)s: 1 - Recebimento de diárias sem comprovação de sua utilização, no valor de R$ 1.600,00; 2 - Despesas sem licitação, no montante de R$ 492.020,01; e 3 - Incorreções em demonstrativos contábeis. A incorreção dos balanços configura inobservância da legislação contábil e financeira, constituindo motivo de aplicação da multa prevista no art. 56, inciso II, da Lei Orgânica do TCE/PB, já constante do Acórdão atacado, com as recomendações também ali presentes. No que diz respeito às despesas não licitadas, verifica-se, em algumas situações, a modicidade do transpasse em relação ao limite em que é dispensada a deflagração de processo licitatório. Em outras, a Auditoria entendeu como não licitados gastos em razão da destinação do produto adquirido, é o caso da aquisição de gêneros alimentícios, em que a licitação foi realizada para aquisição de gêneros alimentícios destinados à merenda escolar, cabendo excluí-los. Há que se ponderar, também, a despesa com transporte de escolares, em que os serviços de um dos trechos licitados, no valor de R$ 22.800,00, foi transferido em razão da impossibilidade de execução pelo primeiro classificado no certame, sem que a Administração tivesse formalizado a transferência dos préstimos. Acrescente-se, ainda, que em todos os casos não foram anotados quaisquer prejuízos ao erário. Feitas essas observações, o total da despesa desprovida de processo licitatório e/ou realizada com base em licitação eivada de vícios se comporta dentro de parâmetros aceitáveis, cabendo a punição através de multa. No que diz respeito à despesa com diárias sem comprovação da utilização, cumpre destacar que há divergência entre o teor das decisões atacadas e o voto do então Relator do Processo, Conselheiro Flávio Sátiro Fernandes, proferido na Sessão 1864 do Tribunal Pleno, realizada em 19/10/2011, que, ao entender devidamente comprovado o gasto com diárias, excluiu a importância de R$ 1.600,00 do total imputado, tendo sido acompanhado pelos demais Membros do Colegiado. As decisões iniciais JGC

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Tribunal Pleno PROCESSO TC Nº 05267/10
exibem, indevidamente, tal importância, e assim foram publicadas. O caso poderia ter sido solucionado através da interposição de embargos de declaração, mas o responsável não o fez, vindo a recolher a importância aos cofres municipais em 19/12/2012, conforme fez prova em memorial entregue no Gabinete, cuja veracidade foi confirmada em consulta ao SAGRES. Ante o exposto, o Relator entende que a falha pode ser afastada. Feitas essas observações, o Relator vota: a) Em preliminar, pelo conhecimento do recurso de reconsideração em análise, posto que atendidos os pressupostos de admissibilidade; e b) No mérito, pelo provimento parcial, para excluir a imputação constante do item “a” do Acórdão APL TC 996/11, mantendo-se os demais itens, inclusive a multa, bem assim para desconstituir o Parecer PPL TC 233/2011, emitindo-se um outro, desta feita favorável à aprovação das contas.

DECISÃO DO TRIBUNAL PLENO
Vistos, relatados e discutidos os autos do Processo TC 05267/10, no tocante ao recurso de reconsideração interposto pelo Prefeito de Lagoa, Exmo. Sr. Magno Demys de Oliveira Borges, contra o Parecer PPL TC 233/2011 e o Acórdão APL TC 996/2011, emitidos na ocasião do julgamento da prestação de contas de 2009, ACORDAM os Membros integrantes do Tribunal de Contas do Estado, por unanimidade, com declaração de impedimento do Conselheiro André Carlo Torres Pontes, na sessão nesta data realizada, em TOMAR CONHECIMENTO do mencionado recurso, em virtude do cumprimento dos pressupostos regimentais, e, no mérito, DAR-LHE provimento parcial, para excluir a imputação constante do item “a” do Acórdão supracitado, mantendo-se os demais itens, inclusive a multa, bem como para desconstituir o Parecer mencionado, emitindo-se um outro, desta feita favorável à aprovação das contas.

Publique-se e cumpra-se. Sala das Sessões do TCE-PB - Plenário Ministro João Agripino. João Pessoa, 20 de fevereiro de 2013.

JGC

Em 20 de Fevereiro de 2013

Cons. Umberto Silveira Porto PRESIDENTE EM EXERCÍCIO

Auditor Antônio Cláudio Silva Santos RELATOR

Isabella Barbosa Marinho Falcão PROCURADOR(A) GERAL

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->