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12/12/2013

A versão dicionarizada do vocábulo depressão - “ato de deprimir-se;

abaixamento de nível resultante de pressão ou de peso; baixa de terreno;

diminuição, redução; (...); psiq: distúrurbio mental caracterizado por adinamia,

desânimo, sensação de cansaço(...); fig: abatimento moral ou físico, letargia.”

(HOLLANDA, 1966: versão eletrônica) - parece evidenciar uma relação analógica

entre os movimentos mecânicos de pressão com efeito de diminuição ou redução

numa quantidade qualquer, e o que se observa nas descrições semiológicas dos

quadros ditos depressivos. Sustentando esta relação analógica buscar-se-á

2

O têrmo Castração está sendo utilizado aqui numa das acepção propostas por Lacan, como condição estrutural
da subjetividade, como ausência de um significante que possa circunscrever, em termos de saber, toda a verdade
referente ao sujeito e a seu desejo.

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evidenciar que tipo de pressão e sob que aspectos da subjetividade da mulher

grávida, poderá resultar num rebaixamento de sua alegria.

Como já sublinhado no início deste capítulo, esta pesquisa da depressão

associada à gravidez não pretende enfocar um quadro nosográfico, mas uma

manifestação subjetiva passível de ocorrer em mulheres de variadas estruturas

psíquicas. Parece, entretanto, que o tratamento metapsicológico que se pretende

dar à questão pode autorizar sua extensão à clínica psicanalítica de quadros de

depressão na gravidez vínculados a estruturas melancólicas ou depressivas. Porém,

a ocorrência de um período depressivo durante a gravidez não indica,

necessariamente, uma estrutura subjetiva melancólica3

: É possível a presença de

afeto deprimido na gravidez de mulheres sem uma história pregressa deste tipo de

episódios.

Poder-se-ia objetar que a utilização do termo depressão está aqui, então,

sustentada apenas no afeto da tristeza, o que não caracterizaria uma depressão ou

um quadro melancólico. A intenção de manter tal termo, todavia, se deve à

associação entre a tristeza e um sentimento de perda inefável, ocorrida ou por

ocorrer, desvinculada de qualquer perda objetiva, relatada nos casos que serviram

de fonte para esta pesquisa. A semelhança com as situações de melancolia - e de

luto, por decorrência - onde o afeto triste e a inibição generalizada dão o aspecto

depressivo aos sujeitos por eles acometidos, determinou a manutenção do termo.

A depressão será aqui considerada como uma ocorrência relativa ao

campo do afeto, gerada na passagem da condição subjetiva de mulher à condição

de mãe. Buscar-se-á discutir em capítulos subseqüentes a relação entre a angústia

a estranheza e o sentimento de depressão, na experiência da gravidez desejada .

Parece necessário ressaltar que, se toda angústia se refere à fundação

do sujeito como desejante, então, as diferentes experiências que remetem o sujeito

3

A referência a uma estrutura melancólica visa estabelecer diferença entre uma posição subjetiva transitória e
outra prevalente. A idéia de que a melancolia poderia ser uma estrutura específica, independente das neuroses,
das psicoses e das perversões, permeia atualmente a obra de alguns psicanalistas. Embora nesta pesquisa não
tenha sido encontrada referência explícita a essa posição, alguns indícios apontam nessa direção. Na obra de
Marie-Claude LAMBOTTE (1997), por exemplo, a opção é por um discurso melancólico. Entretanto, tratando-
se de autora com orientação lacaniana, sua referência ao discurso a aproxima da concepção de estrutura uma vez
que para LACAN (1992) a noção de discurso diz respeito a posições estáveis na linguagem. De modo
semelhante, o trabalho de PINHEIRO (1998) O estatuto do objeto na melancolia, embora não explicite a
proposição de uma estrutura melancólica, refere-se a uma metapsicologia específica da melancolia, envolvendo
um modo particular de vinculação da subjetividade ao objeto, que seria menos de desejo e mais de mimese
identificatória.

40

a esta fundação são de extremo interesse na clínica psicanalítica. Supõe-se que a

gravidez seja uma delas.

41

A metapsicologia da maternidade

“De acordo com sua natureza peculiar, a
psicanálise não tenta descrever o que é a mulher -
seria esta uma tarefa dificil de cumprir -, mas se
empenha em indagar como é que a mulher se forma,
como a mulher se desenvolve desde a criança
dotada de disposição bissexual.”

Sigmund Freud1

1

S. FREUD (1976n). A FEMINILIDADE .p. 144

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