ESTUDO DE CASO: SOAJO – PORTUGAL Soajo situa-se na margem direita do rio Lima, área de jurisdição do Parque Nacional Peneda

-Gerês. É uma das 51 freguesias pertencentes ao concelho de Arcos de Valdevez, situado na Região Norte do País e separado da Galiza pelo rio Laboreiro. Está englobada na Região de Turismo do Alto Minho e na Área Turístico-Promocional Costa Verde. Dista a 20 km da sede de concelho, a 10 km de Espanha e a 60 Km da costa atlântica (ver Anexo X). A zona é tipicamente de montanha, os seus territórios vão desde os 300 m de altitude aos 1.415 m. Apresenta declives acentuados, com pequenas manchas de declive quase nulo, onde se formam solos de aptidão agrícola mediana. Possui também grande quantidade de cursos de água, fruto da elevada pluviosidade que se regista na região. A freguesia de Soajo, outrora vila e sede do concelho, cuja ocupação primitiva do espaço está relacionada com a actividade secular de pastoreio e transumância, apresenta um povoamento tradicionalmente concentrado, embora as novas construções tendam para uma forma mais dispersa. Evoluiu em torno de um núcleo central, implantado na praça principal (Largo do Eiró), onde o pelourinho (Monumento Nacional desde 1910) assume um papel de destaque e a partir do qual se desenvolvem vários arruamentos, de formas sinuosas, delimitados por muros de granito e/ou construções que se articulam entre si chegando mesmo a dividir as paredes mestras. Na periferia da área urbanizada, num ponto alto dominado por um grande afloramento natural granítico, surge uma eira comum, na tradição da vivência comunal local, ladeada por 24 espigueiros comunitários em pedra, pelos quais a aldeia de Soajo é conhecida. Soajo é uma freguesia com muita história e as suas referências remontam ao ano de 950, antes da nacionalidade. O comunitarismo, a união, a cooperação e a solidariedade, sempre fizeram parte destas populações. As explorações agrárias são de reduzidas dimensões e pouco mecanizadas, praticandose uma agricultura de subsistência e a criação de gado ovino, caprino e bovino (de raça barrosã). Devido a carência de infra-estruturas, serviços básicos e acessibilidades, à falta de oportunidades e as fracas perspectivas de vida, a freguesia sofreu grandes fluxos de emigração para o litoral, para as grandes cidades e, nos anos 60 e 70, para a Europa.

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Desta associação. resultante da candidatura apresentada pela Câmara de Arcos de Valdevez. Para além do Pelourinho e dos Espigueiros.Soajo. sempre atraiu muitas pessoas. um técnico de planeamento urbano. os Paços do Concelho. para além de funcionar como central de reservas. edita o jornal mensal “Soajo” e promove e colabora em diversas iniciativas de apoio às populações locais. foram efectuadas ao abrigo de um protocolo. é composto por uma equipa interdisciplinar. composta por dois arquitectos (um dos quais coordenador). dois desenhadores e um assistente administrativo. um técnico urbanista. e apesar das carências existentes. com a finalidade de criar condições ao nível técnico e logístico no sentido de garantir o desenvolvimento. designadamente: acções de recuperação e revitalização do património edificado. Foi constituído um GTL (Gabinete Técnico Local). um técnico superior de informática. a Igreja e a Capela são recursos culturais existentes na malha urbana de Soajo de que as suas gentes se orgulham. na área do perímetro urbano de Soajo. mas também todos os comerciantes e pessoas individuais e colectivas que se identificam com o espírito da mesma. A ADERE arrancou com o turismo de aldeia em 1996 (com o apoio do programa Leader I) e. um técnico superior da área social. acções de infra-estruturação. um jurista. um topógrafo. o Tribunal. fazem parte não só os detentores das casas de turismo de aldeia. ao Programa de Recuperação de Áreas Urbanas Degradadas (PRAUD). direccionadas para a área do turismo. dois engenheiros civis. Este programa tinha como objectivos: ________________________________________________________________________________ ©Caso preparado por Luís Alves e orientado por Luís Ferreira 2 . um arqueólogo/historiador. devido à sua história e aos seus aspectos peculiares. A vontade de cooperação das populações locais para criar melhores condições de vida e para exercer pressão junto da sede do concelho. um arquitecto paisagista. hoje. potenciar o desenvolvimento de actividades económicas. levou à criação da Associação para o Desenvolvimento da Região do Soajo (ADERE). gestão e acompanhamento das diferentes acções a implementar na área. As operações de reabilitação e renovação de áreas urbanas degradadas. O GTL. promover a reconfiguração de Soajo em articulação com o Parque Nacional da Peneda-Gerês.

3 ________________________________________________________________________________ ©Caso preparado por Luís Alves e orientado por Luís Ferreira . Aumentar os níveis de atendimento de infra-estruturas básicas. No Carnaval. Melhorar os níveis de qualificação profissional. A ADERE. Acções de diversificação da oferta turística. Quadro 1 . Páscoa. ao iniciar a recuperação das casas de aldeia.Fixar a população residente. através da melhoria da qualidade de vida e do aumento do rendimento. Melhorar as condições de maneio colectivo das actividades pecuárias . respeitando a arquitectura local. mostrando às populações que era possível criar condições de habitabilidade nas casas existentes que as consideravam escuras e sem recuperação. Melhorar a produção e oferta de mel. a taxa de ocupação chegou a atingir os 100%. a taxa média de ocupação durante o ano de 2000 foi de 44. Aumentar o peso das actividades agrícolas com potencial de mercado. Promover o centro rural. desempenhou um papel de motor para a recuperação de muitas outras casas. Recuperar regadios tradicionais e de lima .Retrato de Soajo 1 Começou por 6 e hoje encontram-se mais duas em fase de aprovação na DGT. Melhorar as instalações pecuárias. com capacidade para 60 pessoas. Fim de Ano e em muitos fins de semana prolongados.6%. Segundo dados recolhidos junto da ADERE. O número de casas disponíveis é hoje de 101. Melhorar a produtividade das raças autóctones.

no ano de 1997.De acordo com os dados do INE (ver Quadro 1). Em ________________________________________________________________________________ ©Caso preparado por Luís Alves e orientado por Luís Ferreira 4 . o excedente de vidas foi de -22 indivíduos. a população no período de 1981 a 1991 decresceu 7.5% e.

Soajo encontra-se inserida dentro do Parque Nacional Peneda Gerês. em 1999. o número de telefones (Portugal Telecom) per capita era de 0. a água circula em canais por toda a aldeia.2%.12 para a Região do Minho-Lima. 51% da população tinha apenas o ensino primário.3. e de 61. a possibilidade de apreciar espécies animais em liberdade.6% e a taxa de actividade de 33. Em Soajo. Quadro 3 . de modo a fornecer melhores condições de vida às populações e para o desenvolvimento do turismo.1056%. A Percentagem do Poder de Compra (PPC) da Região Minho Lima é de 1. que é dado pelo Indicador per Capita (IpC).29. de onde se destacam as vacas de raça barrosã. a taxa de analfabetismo era de 26. Quanto ao Factor Dinamismo Relativo (FDR). Existe uma grande diversidade de paisagens com uma vegetação rica e.1991. Num estudo efectuado pelo INE (2000a) sobre o poder de compra por concelho/região. É também aproveitada para a produção de energia e construção de áreas de lazer (ver Quadro 3). desde à muito tempo que as políticas adoptadas vão no sentido da sua conservação.53% e a de Arcos de Valdevez é de 0. um dos principais atractivos de visita da região.Poder de Compra do Concelho/Região Os recursos naturais são abundantes e. No concelho. relativamente ao país.Recursos Naturais de Soajo ________________________________________________________________________________ ©Caso preparado por Luís Alves e orientado por Luís Ferreira 5 . Quadro 2 . para irrigar os lameiros que fornecem os pastos para alimentar os animais. Verifica-se a carência da rede de águas residuais e estação de tratamento e o funcionamento da biblioteca. associado à capacidade de atracção turística este situa-se acima da media ponderada nacional que é de -0. foi no Concelho de Arcos de Valdevez de 41. revela que o poder de compra regularmente manifestado.2913 (ver Quadro 2).

são alguns dos exemplos dos recursos existentes. igrejas e outros. O pedestrianismo é praticado. com o curso de Restauração. como o caso da eira de Soajo. mas as rotas não estão sinalizadas. uma biblioteca (mas está fechada) e uma Associação Cultural Desportiva. são produzidos diversos tipos de artesanato. antas e dolmens. não se sabe bem quem ainda trabalha e onde se localizam as suas oficinas. ________________________________________________________________________________ ©Caso preparado por Luís Alves e orientado por Luís Ferreira 6 .Soajo. Na região existem vários recursos culturais. alguns classificados de património nacional. As actividades desportivas que mais se praticam são a caça. nem existem mapas (ver Quadro 4). existindo ainda alguns edifícios dessa época. E efectuado um mercado mensal e são promovidas feiras de produtos regionais. no entanto não lhe é prestada grande atenção. que promove diversas actividades. Na região. é uma freguesia que já foi sede de concelho até 17 de Fevereiro de 1852. Existe um polo da Escola Técnica Edralima. As gravuras rupestres. pelourinhos. a pesca e a equitação.

Recursos Culturais de Soajo ________________________________________________________________________________ ©Caso preparado por Luís Alves e orientado por Luís Ferreira 7 .Quadro 4 .

Quadro 5 .Equipamentos e Acessibilidades .Soajo ________________________________________________________________________________ ©Caso preparado por Luís Alves e orientado por Luís Ferreira 8 .Em Soajo onde começou a ser desenvolvido o turismo de aldeia e existe hoje uma oferta de 60 camas. Um dos acessos a Soajo está em bom estado e o outro encontra-se em obras. Arcos de Valdevez (sede de concelho) encontra-se a 20 km de distância que demora 15 minutos a percorrer (ver Quadro 5). No entanto é sentida a carência de uma organização que promova actividades de recreio e lazer. Como equipamentos de apoio existem dois restaurantes e vários cafés e outras infra-estruturas de apoio.

________________________________________________________________________________ ©Caso preparado por Luís Alves e orientado por Luís Ferreira 9 .Da visita ao Soajo constataram-se os seguintes aspectos: Positivos Ruas limpas. Modernização do comércio. Falta de sinalização das áreas de interesse. Inexistência de um posto de informação turística. Recuperação do património cultural e urbano. Recuperação das acessibilidades. A informação recolhida no Posto de Turismo de Arcos de Valdevez é escassa e alguma dela deixa muito a desejar. ou de um local onde possa ser recolhida. Negativos Sinalização deficitária das vias de comunicação.

Os roteiros são vagos. Os artesãos e algumas áreas de lazer (pequenas lagoas) são difíceis de localizar. ________________________________________________________________________________ ©Caso preparado por Luís Alves e orientado por Luís Ferreira 10 . não existindo mapas pormenorizados. os métodos de gestão parecem-nos bastante rudimentares. Devido à escassez de recursos monetários e. Quanto à ADERE.Aos fins de semana não há quem preste informações. com o pouco apoio das autoridades ligadas ao turismo. Apesar de existir um computador. não existe tratamento dos dados. a promoção e a informação escrita disponível é escassa. Não existe um mapa com a localização dos diferentes recursos e equipamentos.

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